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Numero do processo: 10580.011953/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADO EMPREGADO. ENQUADRAMENTO. A autoridade lançadora tem competência para efetuar o reenquadramento do vínculo jurídico como segurado empregado, quando constate a presença dos requisitos caracterizadores dessa condição. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. Constatando-se a ocorrência de simulação, não é possível aplicar o art. 150, § 4º, do CTN, em função da previsão estabelecida na sua parte final. Correta, portanto, a decisão recorrida que aplicou o art. 173, I, do mesmo diploma legal.
Numero da decisão: 2202-004.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para fins de excluir da base de cálculo do lançamento o levantamento GAS, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto, que deram provimento ao recurso em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Redator ad hoc (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO

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2202­004.651  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de agosto de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  GDK S.A. EM RECUPERACAO JUDICIAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  SEGURADO  EMPREGADO.  ENQUADRAMENTO.  A autoridade lançadora tem competência para efetuar o reenquadramento do  vínculo jurídico como segurado empregado, quando constate a presença dos  requisitos caracterizadores dessa condição.  DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO.   Constatando­se a ocorrência de simulação, não é possível aplicar o art. 150, §  4º, do CTN, em função da previsão estabelecida na sua parte final. Correta,  portanto,  a  decisão  recorrida  que  aplicou  o  art.  173,  I,  do mesmo  diploma  legal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por  unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  fins  de  excluir  da  base  de  cálculo  do  lançamento  o  levantamento  GAS,  vencidos  os  conselheiros  Dilson  Jatahy  Fonseca  Neto  (relator),  Júnia  Roberta  Gouveia  Sampaio  e  Martin  da  Silva  Gesto,  que  deram  provimento  ao  recurso  em  maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva  Dias.  (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 19 53 /2 00 7- 58 Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.006          2 Martin da Silva Gesto ­ Redator ad hoc  (assinado digitalmente)  Rosy Adriane da Silva Dias ­ Redatora designada  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva  Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente  convocada),  Júnia  Roberta  Gouveia  Sampaio,  Dilson  Jatahy  Fonseca Neto  e  Ronnie  Soares  Anderson.  Relatório  Como  Redator  ad  hoc,  sirvo­me  da  minuta  de  acórdão  inserida  pelo  Relator no repositório oficial do CARF:  Trata­se,  em  breves  linhas,  de  auto  de  infração  lavrado  em  desfavor  da  Contribuinte  para  constituir  crédito  de  Contribuições  Sociais  Previdenciárias.  Tendo  sido  protocolada  impugnação,  a  DRJ  deu  provimento  parcial  à  defesa.  Ainda  inconformada,  a  Contribuinte interpôs recurso voluntário ora levado a julgamento.  Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos.  Em  19/10/2007  foi  formalizado  do  Auto  de  Infração  DEBCAD  nº  37.054.833­7 para constituir crédito tributário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias  em função do enquadramento de segurados com empregados (fls. 2/156). Conforme o relatório  fiscal (fls. 172/187 e docs. anexos fls. 188/338),  1. IDENTIFICAÇÃO DO DÉBITO:  (...)  As  contribuições  previdenciárias  apuradas  no  procedimento  fiscal  relativas  às  contribuições  devidas  á  Seguridade  Social,  correspondentes a:  a) Contribuição  a  cargo  da  empresa  sobre  a  remuneração dos  segurados caracterizados pela auditoria como empregados;  b)  Contribuição  dos  segurados  empregados,  não  descontadas,  incidentes sobre a remuneração recebida;  c)  Financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos  ambientais do trabalho ­ GILRAT.  d)  Contribuição  para  Outras  Entidades  (Terceiros)  ­  FNDE  (salário  educação),  INCRA,  SENAI,  SESI  e  SEBRAE,  relativas  ao FPAS 507.  4. Descrição da Base de Cálculo Apurado  Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.007          3 4.1. A GDK S/A remunera seus membros da alta gestão por meio  de notas  fiscais de pessoas  jurídicas por  eles  constituídas para  esta finalidade. Note­se que, como demonstraremos no decorrer  deste  relatório,  os  sócios  das  supostas  pessoas  jurídicas,  possuem todas as características da relação de emprego. Trata­ se, desta forma, de tentativa de camuflar a relação de emprego,  utilizando,  em  tese,  de  conduta  tipificada  no  art.  337­A  do  Código Penal vigente (Sonegação Fiscal Previdenciária).  4.2  A  maioria  das  pessoas  jurídicas  foi  formada  por  ex­ empregados da GDK que rescindiram seus contratos de trabalho  e  passaram  a  ser  remunerados  através  das  pessoas  jurídicas  constituídas. (...)  4.3 Para comprovar o vínculo das pessoas  físicas consideradas  empregadas  com  as  empresas  prestadoras  de  serviço  pára  a  GDK  SA,  efetuamos  pesquisa  na  base  de  dados  da  Receita  Federal  do  Brasil,  extraindo  os  dados  cadastrais.  Deste  trabalho,  foram  verificados  que  os  seguintes  empregados  prestavam serviço através de suas empresas:  Empregado/Sócio  Empresa Utilizada  CNPJ  Cargo GDK  Amilcar Mizher  MIZHER  Consultoria  Ltda.  ...  Coordenador Obra  Cleber Costa Mendes  CC Mendes  Recursos  Humanos  ...  Gerente RH  Conrado  José  Morbach  Cicon  Eng.  Asses.  Tec. Planejamento  ...  Diretor  Obras  Consórcio  Décio  Issao  Hashigushi  L.T.P.A.  Informática  e Com. Ltda.  ...  Staff  Fernando  Carlos  Barreto Filho  F C Barreto Filho  ...  Gerente  de  suprimentos Nacional  Humberto  Teixeira  de  Almeida  A  &  D  Assessoria  e  Consultoria Ltda.  ...  Gerente Executivo  Joel Martons Silva  Canal  Proj.  Plan.  Ltda.  ...  Staff  José  Alberto  Costa  Santos  Jacs  Engenharia  &  Consultoria Ltda.  ...  Gerente de Contratos  José Ary Lobão  LCE José Ary Lobão  ...  Gerente Qualidade  José  Rodrigues  F.  Barbosa Filho  Aconte  Consult.  Eng.  Ltda.  ...  Diretor  Administr.  Contratual  Paulo  César  Dutra  Silva  Hippocon  Cônsul.  e  Eng. Ltda.  ...  Staff  Paulo de Tarso Coelho  Hyppolito   CL  Serviços  Especializados  S/C  ...  Diretor  Obras  de  Dutos  Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.008          4 Ltda.  Sérgio Souza Bocaletti  Gasbol Eng. Ltda.  ...    Tadeusz Janiszewski   Tadeusz  Medeiros  Janiszewski  ...  Gerente  Tecnologia  Inform.  4.4  Os  empregados  aqui  caracterizados  efetuavam  o  seu  trabalho nas próprias dependências da GDK S/A,  cumprindo a  jornada  dos  demais  empregados  registrados.  Pode­se  verificar  que  algumas  das  pessoas  acima  citadas  portavam  crachás  da  GDK, identificando os respectivos cargos ocupados na estrutura  organizacional.  A  auditoria  foi  atendida,  diariamente,  pelo  Sr.  Cleber Costa Mendes  e  o  Sr. Humberto  Teixeira  Almeida,  que  portavam  crachás,  que  os  identificavam  como  Gerente  de  Recursos  Humanos  e  Gerente  Executivo,  respectivamente.  Ressalte­se que ambos  são ex  empregados que  se desligaram e  logo  em  seguida  passaram  a  prestar  serviço  através  de  suas  empresas,  conforme  acima  demonstrado.  Verificou­se  também  que algumas dessas pessoas  trabalhavam em sala própria, com  os  seus  nomes  e  cargos  fixados  na  porta,  com  o  logotipo  da  GDK, a exemplo de Tadeusz Janiszewski, que ocupa e cargo de  Gerente  de  Tecnologia  de  Informação  e  trabalhava  na  sala  ao  lado do local disponibilizado para a equipe de auditoria.  4.5  A  empresa  disponibilizou  à  equipe  de  auditoria  um  organograma  da  empresa,  constando  o  cargo  e  nome  dos  ocupantes  das  funções  da  alta  administração,  incluindo  os  cargos  de  Presidência,  Diretoria,  Gerência  e  Coordenação,  o  qual  segue  cópia  em  anexo  (Anexo  II)  a  este  relatório.  Neste  documento,  detectamos  que  uma  série de  ocupantes de  funções  gerenciais  não  são  considerados  empregados  pela  GDK  SA.  Como  exemplo,  citamos  a  Diretoria  de  Administração  Contratual,  ocupada  por  José  Rodrigues  F.  Barbosa  Filho,  a  Gerência Executiva, ocupada por Humberto Teixeira Almeida, a  Gerência  de  Suprimento  Nacional,  ocupada  por  Fernando  Carlos Barreto Filho, a Gerência de Tecnologia de Informação,  ocupada  por  Tadeusz  Janiszewski,  entre  diversos  outros.  Ressalte­se que as  funções de direção, gerência  e  coordenação  jamais  poderiam  ser  delegadas  a  pessoas  jurídicas,  vez  que  fazem  parte  da  distribuição  do  poder  diretivo,  regulamentar,  fiscalizatório e disciplinar do próprio empregador.  4.6 Para demonstrar de forma irrefutável a caracterização como  empregados da GDK dos supostos prestadores de serviço pessoa  jurídica,  foi  colocada,  em anexo,  a  nota  fiscal  de  prestação  de  serviço  da  empresa  Tadeusz  Medeiros  Janiszewski,  n.  0048,  emitida em 12 de dezembro de 2005, (Anexo III), em que consta  na  discriminação  dos  serviços  uma  parcela  de  "R$  17.710,00,  referentes ao 13º". Esta empresa  tem como sócio o Sr. Tadeusz  Janiszewski,  identificado  no  organograma  como  Gerente  de  Tecnologia da Informação. Ressalte­se que o valor faturado por  esta  suposta  pessoa  jurídica  em  dezembro  de  2006  foi  EXATAMENTE  o  dobro  do  faturamento  dos  meses  anteriores,  passando  de  R$  19.303,90,  para  R$  38.607,80.  Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.009          5 Coincidentemente, também, verificamos a dobra do faturamento  mensal usual nas competências de dezembro de 2005 e 2004. Em  dezembro de 2003 o aumento do faturamento indica que ocorreu  o mesmo  fato,  uma  vez  que  o  valor  do  suposto  13°  salário  foi  pago  proporcionalmente  ao  inicio  da  prestação  de  serviço.  A  dobra do faturamento no mês de dezembro indica a existência do  pagamento  de  décimo  terceiro  salário,  direito  pago  exclusivamente  ao  segurado  empregado.  Estes  fatos  estão  demonstrados no Anexo VI desta NFLD, onde estão relacionados  todos  os  fatos  geradores  objeto  deste  levantamento  com  as  respectivas Notas Fiscais emitidas.  4.7  Para  reforçar  ainda mais  as  evidências  de  camuflagem  da  relação  de  emprego,  está  demonstrado  abaixo  exemplos  do  crescimento do faturamento das empresas justamente no período  de  pagamento  da  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  dos  demais empregados:  (...)  4.8 Outro aspecto que ratifica essa relação de emprego aduzida  é o fato de que alguns sócios das pessoas jurídicas prestadoras  de  serviço  serem  beneficiados  com  o  mesmo  plano  de  saúde  disponibilizado  para  os  empregados  registrados  na  GDK  S/A.  (...)  4.9 Verificou­se também que alguns sócios das supostas pessoas  jurídicas constam da lista de empregados de dezembro/2006 que  foram  contemplados  com  os  benefícios  de  vale­transporte  e  de  ticket alimentação. A  lista  está assinada pelos  empregados que  receberam  os  benefícios,  estando,  entre  eles,  os  Srs.  Cleber  Costa  Mendes,  Humberto  Teixeira  Almeida,  Fernando  Carlos  Barreto Filho e Tadeusz Janiszewski. A lista consta anexa a este  relatório (Anexo V).  4.10  Outro  ponto  a  ser  observado  é  que  as  notas  fiscais  de  diversos  prestadores  de  serviço  são  seqüenciais,  demonstrando  que a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar  serviços a GDK SA, substituindo o emprego com registro formal.  4.11  A  auditoria  demonstrou  amplamente  neste  relatório  a  caracterização dos quatro pressupostos da relação de emprego,  quais sejam:  Pessoalidade — O trabalho era efetuado "intuito personae", fato  que fica evidenciado pelo organograma da empresa, que vincula  os  cargos  com  as  pessoas  físicas  ocupantes.  O  trabalho  era  executado  pela  pessoa  física  contratada,  não  sendo  admitido  qualquer tipo de substituição por outro trabalhador, mesmo que  intermitente.  As  pessoas  contratadas  aqui  caracterizadas  ocupavam  cargos  de  direção.  Observe­se  que  o  trabalho  era  efetuado por pessoas físicas. As pessoas jurídicas somente foram  constituídas com a tentativa de camuflar a relação de emprego.  (...)  Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.010          6 Não  eventualidade  —  Constatamos  que  os  empregados  prestavam  serviço  há  vários  anos,  com  habitualidade.  No  decorrer de nosso trabalho tivemos contato diário com diversos  sócios  das  supostas  pessoas  jurídicas,  configuradas  como  empregados. Como relatado, a equipe de auditoria foi atendida  por  empregados  não  registrados,  disfarçados  de  pessoas  jurídicas;  Onerosidade — A onerosidade é evidente, vez que o trabalho era  remunerado através das pessoas jurídicas constituídas para esta  finalidade.  Subordinação — A  subordinação  pode  ser  caracterizada, mais  uma  vez,  pelo  organograma  da  empresa,  pois  nele  são  demonstrados através de figuras toda a estrutura hierárquica da  empresa. As linhas verticais indicam a subordinação jurídica, já  que  os  ocupantes  de  funções  representadas  nos  quadros  inferiores  devem  seguir  a  direção  traçada  pelos  ocupantes  de  funções representadas nos quadros superiores. Outrossim, nunca  é  demais  ressaltar  que  os  empregados  caracterizados  eram  contemplados  com  parcelas  pagas  exclusivamente  a  empregados,  tais  como,  13º.  salário,  seguro  de  saúde,  participação  dos  lucros  ou  resultados,  fornecimento  de  vales­ transporte e ticket alimentação.  Intimada  em  23/10/2007  (fl.  2),  a  Contribuinte  protocolou  impugnação  em  22/11/2007 (fls. 341/386 e docs. anexos fls. 387/530). A DRJ proferiu o acórdão nº 15­16.870,  de 09/09/2008 (fls. 542/565), que deu provimento parcial à defesa. Intimada em 02/04/2009 (fl.  639), a Contribuinte protocolou recurso voluntário em 04/05/2009 (fls. 645/691 e docs. anexos  fls.  692/746). Chegando  ao CARF,  foi  proferido  o  acórdão  nº  2402­004.494,  de  20/01/2015  (fls. 754/768), que anulou a decisão da DRJ, determinando o retorno dos autos ao 1º grau. A  Contribuinte foi intimada em 27/04/2015 (fl. 807/808).  Retornando os  autos  à DRJ,  esta  proferiu  o  novo  acórdão  nº  15­38.999,  de  20/07/2015  (fls.  876/922),  que  deu  provimento  parcial  à  impugnação  e  que  restou  assim  ementado:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006  ACÓRDÃO ANULADO. CARF. CERCEAMENTO DO DIREITO  DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NOVA DECISÃO.  Prolata­se  nova  decisão  administrativa  tendo  em  vista  a  anulação  do  acórdão  por  órgão  hierarquicamente  superior  em  razão  do  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  contribuinte  por  não ter sido enfrentada pelo julgamento de primeira instância as  questões fáticas apresentadas em sede de impugnação.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006  Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.011          7 DECADÊNCIA.  SÚMULA VINCULANTE Nº  8 DO SUPREMO  TRIBUNAL FEDERAL. CONTAGEM DO PRAZO.  É  inconstitucional  o  art.  45  da  Lei  8.212,  de  1991,  consoante  entendimento esposado pela Súmula Vinculante nº 8 do Supremo  Tribunal Federal, publicada no DOU de 20/06/2008.  A  decadência  do  direito  de  lançar  as  contribuições  sociais  previdenciárias  é  regida  pelas  disposições  contidas  no  Código  Tributário Nacional.   Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação,  caracterizada a presença de dolo, fraude ou simulação, aplica­se  a regra geral de contagem na qual o prazo decadencial inicia no  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia ter sido efetuado.  DESCONSIDERAÇÃO  DOS  ATOS  OU  NEGÓCIOS  JURÍDICOS PRATICADOS.  A  autoridade  administrativa  possui  a  prerrogativa  de  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  eivados  de  vícios,  sendo  tal  poder da própria  essência da atividade  fiscalizadora,  consagrando o princípio da substância sobre a forma.  DESCARACTERIZAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR  PESSOA  JURÍDICA.  PRESSUPOSTOS  DE  VÍNCULO  EMPREGATÍCIO.  É segurado obrigatório da Previdência Social, como empregado,  a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural à  empresa,  em  caráter  não  eventual,  sob  sua  subordinação  e  mediante  remuneração,  inclusive  como  diretor  empregado,  nos  termos do art. 12, I, da Lei nº 8.212, de 1991.  Estando  presentes  os  pressupostos  da  relação  de  emprego,  a  Fiscalização  tem  competência  para  enquadrar  o  prestador  de  serviço  na  categoria  de  segurado  empregado,  para  fins  de  recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre  a remuneração paga.  LEI Nº 11.196/2005. ARTIGO 129. INAPLICABILIDADE.  Nos  termos  da  Lei,  para  fins  fiscais  e  previdenciários,  a  prestação  de  serviços  intelectuais,  inclusive  os  de  natureza  científica,  artística  ou  cultural,  em  caráter  personalíssimo  ou  não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios  ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por  esta  realizada,  se  sujeita  tão­somente  à  legislação  aplicável  às  pessoas jurídicas.  No  entanto,  o  dispositivo  legal  em questão  se  refere a  serviços  intelectuais  prestados  por  pessoas  jurídicas,  e  o  que  a  Fiscalização  apurou  de  fato  foi  que  os  pagamentos  feitos  pela  notificada  não  tinham  relação  com  os  supostos  serviços  prestados  pelas  pessoas  jurídicas  (assessoria,  consultoria  e  serviços técnicos), pois visavam, na verdade, remunerar serviços  Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.012          8 prestados  por  segurados  empregados  voltados  à  administração  da companhia.  PROVA  DOCUMENTAL.  MOMENTO  DE  APRESENTAÇÃO.  PRECLUSÃO TEMPORAL.  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Acordam  os  membros  da  7ª  Turma  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  julgar  procedente  em  parte  a  impugnação,  mantendo  a  contribuição  previdenciária  original  no  valor  de  3.559.482,22  ,  relativa  ao  período  de  12/2001  a  12/2006,  e  exonerando  R$  43.747,86  referente  ao  período  decadente de 01/2000 a 11/2001.   (...)  Nos termos do art. 27 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002,  com redação dada pela Lei nº 12.799, de 14 de janeiro de 2013,  não cabe interposição de recurso de ofício nas hipóteses em que  a  decisão  estiver  fundamentada  em  decisão  proferida  em  ação  direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  assim  como  por  se  tratar  de  exoneração  de  tributo  e  encargos  de  multa  em  valor  total  inferior  ao  limite  R$  1.000.000,00  (um  milhão  de  reais),  estabelecido pelo art. 1º, da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro  de 2008, DOU de 07/01/2008.  Intimada  em  26/08/2015  (fl.  929/930),  a  Contribuinte  interpôs  recurso  voluntário em 25/09/2015 (fls. 933/1.002) cujos argumentos podem ser assim sintetizados:  · Que a decisão recorrida é nula por cerceamento do seu direito de defesa,  "uma vez que a decisão foi prolatada independentemente da análise dos  documentos  carreados  pela  peticionante  após  o  oferecimento  de  sua  Impugnação" (fl. 937). Nesse caminho, privilegiando o mesmo princípio  da  verdade material  que  pautou  o  julgamento  de  1º  grau  em  relação  à  análise  dos  fatos,  deve  também  ser  aceita  a  documentação  e  afastada  a  preclusão;  · Que  o  lançamento  é  nulo  porquanto  é  ilegal  o  arbitramento  da  contribuição  previdenciária  a  cargo  dos  segurados,  especificamente  porque  a  autoridade  lançadora não  levou  em  consideração  os  valores  já  recolhidos  aos  cofres  da  Previdência  por  esses  trabalhadores.  Especificamente, que o lançamento considerou a alíquota mínima de 8%,  mas  que  os  segurados  já  se  encontravam  na  alíquota  máxima  de  11%.  Outrossim,  ainda  que  assim  não  fosse,  teve  condições  de  identificar  os  trabalhadores  e os valores pagos  a  cada um,  razão pela qual deveria  ter  respeitado o  limite máximo de salário­de­contribuição previsto nos  arts.  Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.013          9 20 e 28, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e art. 198 do Decreto nº 3.048/1999.  Em suma, é nulo por desrespeitar a base de cálculo e a alíquota;  · Que  o  lançamento  é  nulo  porquanto  não  consta  do  relatório  de  fundamentação  legal  os  dispositivos  que  amparam  o  procedimento  de  arbitramento  da  base  de  cálculo,  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica  e  da  caracterização  dos  segurados  empregados.  Há,  apenas,  referência ao caput do art. 229 do Decreto nº 3.048/1999.  Isso cerceia o  direito de defesa da Contribuinte;  · Que  deve  ser  reconhecida  a  decadência  até  23/10/2002,  aplicando­se  a  regra  do  art.  150,  §  4º,  do  CTN,  uma  vez  que  houve  declaração  e  pagamento  antecipado  e  que  não  restou  demonstrada  a  ocorrência  de  simulação.  Nessa  linha,  que  o  lançamento  não  acusou  a  ocorrência  de  simulação em momento algum, de sorte que não pode a DRJ revalorar os  fatos.  De  qualquer  sorte,  que  verdadeiramente  inexiste  vínculo  de  emprego entre os prestadores de serviço e a recorrente, e que não basta a  mera  indicação  de  indícios,  sendo  necessário  verdadeiramente  provar  a  ocorrência de simulação;  · Que a 1ª decisão da DRJ reconheceu a decadência pela regra do art. 150,  §  4º,  do CTN,  e  a matéria não  foi  devolvida  a  julgamento  pelo  recurso  voluntário,  de  sorte que  não poderia  a 2ª  decisão da DRJ  se pronunciar  sobre  a matéria,  sob  pena  de  ofensa  ao  princípio  da  non  reformatio  in  pejus;  · Que os fatos objeto do lançamento se enquadram na hipótese do art. 129  da Lei nº 11.196/2005, de sorte que não é inadequado o reenquadramento  dos  segurados  como  empregados.  Nesse  sentido,  discorre  sobre  a  retroatividade desse comando legal e aponta que os serviços identificados  pela  autoridade  lançadora  se  enquadram  na  hipótese  de  serviços  intelectuais, tanto que assim são reconhecidos pelo art. 148 da IN SRF nº  3/2003 e pelo art. 9º da Lei nº 9.317/1996;  · Que  somente  o  poder  judiciário  tem  o  poder  de  desconsiderar  a  personalidade  da  pessoa  jurídica,  de  forma  que  é  vedado  à  autoridade  fiscalizadora  fazê­lo.  Nesse  sentido,  que  o  art.  229,  §  2º,  Decreto  nº  3.048/1999,  não  tem  fundamento  legal  e  que  o  art.  33  da  Lei  nº  8.212/1991  e  a  Lei  nº  10.593/2002  não  prevêem  a  possibilidade  de  reconhecer  o  vínculo  empregatício  por  parte  da  Fiscalização  Previdenciárias.  Outrossim,  que  o  art.  114  da  CF  atribui  à  Justiça  do  Trabalho processar e  julgar as ações oriundas das relações de trabalho e  as controvérsias dela decorrentes;  · Que  inexiste  relação  de  emprego  entre  os  sócios  das  pessoas  jurídicas  arroladas  pela  fiscalização  e  a  recorrente.  Para  tanto,  discorre  sobre  o  conceito abstrato de subordinação;  Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.014          10 · Que é possível contestar os indícios apontados pela autoridade lançadora,  os  quais  são  meramente  pontuais  mas  indevidamente  generalizados.  Especificamente, aponta que:  o  que  o  simples  fato  de  que  o  sócio  da  pessoa  jurídica  é  ex­ empregado  não  é  relevante,  não  tendo  a  autoridade  lançadora  indicado que eles realizavam a mesma atividade, por exemplo;  o  que  apenas  em  relação  à  minoria  dos  casos  o  sócio  da  pessoa  jurídica é ex­empregado da Contribuinte  e, mesmo nesses  casos,  não houve continuidade entre a rescisão do contrato de trabalho e  o início da prestação do serviço pela pessoa jurídica;  o  que  os  prestadores  de  serviço  não  se  submetiam  a  controle  de  jornada,  tendo plena liberdade de horário, conquanto cumpram o  objetivo do contrato;  o  que  as  assessorias  de  contabilidade  e  de  recursos  humanos  permaneceram  no  estabelecimento  da  Contribuinte  durante  a  fiscalização para facilitar o fornecimento dos dados solicitados;  o  que o uso de crachá é obrigatório a todas as pessoas que transitam  no estabelecimento, buscando a devida identificação e controle de  segurança, sendo medida comum em todas as grandes empresas;  o  que  o  organograma  apresentado  serviu  apenas  para  descrever  os  limites  das  competências  das  pessoas,  físicas  e  jurídicas,  e  não  para demonstrar um vínculo;  o  que  apenas  uma  das  pessoas  jurídicas,  em  apenas  uma  oportunidade, emitiu uma nota fiscal descrita como 13º salário, o  que  não  pode  ser  generalizado.  De  qualquer  sorte,  que  ocorreu  apenas um erro na elaboração da nota fiscal;  o  que a alegação de que as prestadoras de serviço recebiam PLR é  completamente desprovida de suporte fático. Não demonstra, por  exemplo, haver correlação entre o valor  recebido pela prestadora  de  serviço  e  o  valor  supostamente  devido  a  título  de  PLR,  não  demonstra  haver  obrigatoriedade  desse  pagamento  nos  contratos  etc.  Única  e  exclusivamente,  a  autoridade  lançadora  identificou  quatro casos concretos em que foram pagos parcelas maiores aos  prestadores  de  serviço,  sem  qualquer  referência  a  índice  ou  critério para comprovar a natureza de PLR;  o  que  só  se  verificou  a  concessão  de  plano  de  saúde  e  de  vale­ transporte a alguns sócios de empresas prestadoras de serviço na  absoluta minoria dos casos;  o  que  não  é  o  pagamento,  mas  sim  a  obrigatoriedade  legal  do  pagamento que configura a relação empregatícia; e  Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.015          11 · Faz  comentários  individualizados  em  relação  a  cada  um  dos  levantamentos:  (1)  Gasbol  Engenharia  Ltda.  ("GAS");  (2)  Mizher  Consultoria  Ltda.  ("MIZ");  (3)  José Ary  Lobão  ("LCE");  (4) Hippocon  Consultores ("HIP"); (5) Aconte Consultoria E Engenharia ("ACO"); (6)  L.T.P.A.  Informática  S/C  Ltda.  ("LTP");  (7)  Cicon  Engenharia  Ltda.  ("CIC");  (8)  Tadeusz  Medeiros  Janeiszewski  ("TAD");  (9)  Jacs  Engenharia  e  Consultoria  ("JACS");  (10)  CI  ­  Serviços  de  Engenharia  ("CLS");  (11)  Canal  Projetos  Planejamento  Ltda.  ("CAN");  (12)  A&D  Assessoria, Consultoria e Contabilidade  ("AED"), CC Mendes Recursos  Humanos  ("CCM")  e  FC  Barreto  Filho  ("FCB");  ,  Que  é  possível  faDiscorre sobre , bem como sobre as questões concretas de fato atinentes  a diversas pessoas.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Martin da Silva Gesto ­ Redator ad hoc  Como Redator ad hoc, sirvo­me da minuta de voto inserida pelo Relator  no  repositório  oficial  do  CARF,  de  sorte  que  o  posicionamento  abaixo  esposado  não  necessariamente tem a aquiescência deste Conselheiro:  O recurso é  tempestivo e preenche os demais  requisitos de admissibilidade,  portanto dele conheço.  PRELIMINARES  Nulidade do  lançamento ­ deixar de considerar os valores  já recolhidos  pelos próprios segurados  A  Contribuinte  pleiteia  o  reconhecimento  da  nulidade  do  lançamento  ao  argumento de que a autoridade lançadora não teria levado em consideração os recolhimentos já  feitos  pelos  segurados.  Também,  porque  utilizou  sempre  a  alíquota  mínima  de  8%,  sem  esclarecer a fundamentação legal. Enfim, porque não levou em consideração o teto do salário­ de­contribuição  constante  nos  arts.  20  e  28  da  Lei  nº  8.212/1991  e  art.  198  do  Decreto  nº  3.048/1999.  Efetivamente,  o  presente  auto  de  infração  serve  para  constituir  crédito  referente  a  Contribuições  Previdenciárias  patronais  bem  como  do  segurado.  É  sabido  que  empregador,  ao  efetuar  o  pagamento  do  salário,  deve  descontar  a  parcela  do  segurado  empregado, entre 8 e 11% do salário­de­contribuição, recolhendo­a diretamente ao Fisco. Esse  desconto, entretanto, não pode ser feito de forma irrestrita; está limitado ao teto do salário­de­ contribuição, nos termos das normas citadas acima.   No  relatório  do  lançamento,  a  autoridade  lançadora  apenas  afirmou  que  também era constituído débito  referente à parte do segurado. No Discriminativo Analítico de  Débito  ­  DAD  (fls.  6/85),  é  possível  perceber  que  a  autoridade  lançadora  destrinchou  as  rubricas,  indicando  os  valores  apurados  em  relação  à  parte  do  segurado,  da  empresa,  o  SAT/RAT e de Terceiros. Especificamente em relação à parte dos segurados, constata­se que  Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.016          12 os  valores  apurados  são  sempre  os  máximos  que  poderiam  ser  descontados  nas  respectivas  competências  em  relação  a  um  segurado  empregados. O mesmo  se  observa  do Relatório  de  Lançamentos ­ RL (fls. 100/148).  Efetivamente,  constata­se  que  a  autoridade  lançadora  realmente  apurou  o  valor  a  ser  descontado  por  segurado  empregado  pelo  teto  do  salário­de­contribuição.  Em  nenhuma  oportunidade  deduziu  valores  porventura  já  recolhidos  pelas  respectivas  pessoas  físicas nessas competências.  Trata­se de  uma  falha  na  apuração  do  valor  final  do  lançamento. Uma vez  que a Lei é clara no sentido de que o segurado só deve contribuir até determinado limite, então  os valores pagos e especialmente os cobrados além desse montante, são indevidos. Configurar­ se­á enriquecimento sem causa o eventual pagamento de valores de contribuição por parte do  segurado além do limite, ainda que à Previdência, o que não pode ser protegido pelo direito.  Registra­se,  outrossim,  que  o  presente  lançamento  é  feito  de  ofício  pelo  reenquadramento  do  de  vínculos  jurídicos.  Ou  seja,  não  foi  a  Contribuinte,  mas  sim  a  autoridade lançadora quem declarou que essas pessoas físicas mantinham vínculo empregatício  com a Recorrente.  Portanto,  cabe  a  ela,  autoridade  lançadora,  verificar  no  sistema  interno  da  Administração  Pública  o  montante  já  recolhido  pelos  segurados  para  corretamente  apurar  o  montante devido a título de parte do segurado.  Ainda que assim não fosse, a verdade é que a Lei nº 9.784/1999 estabeleceu  expressamente que  Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão  registrados em documentos existentes na própria Administração  responsável pelo processo ou  em outro órgão administrativo, o  órgão  competente  para  a  instrução  proverá,  de  ofício,  à  obtenção dos documentos ou das respectivas cópias.  A  questão  foi  reiterada  recentemente  do  Decreto  nº  9.094/2017,  que  esclarece:  Art.  2º  Salvo  disposição  legal  em  contrário,  os  órgãos  e  as  entidades  do  Poder  Executivo  federal  que  necessitarem  de  documentos  comprobatórios  da  regularidade  da  situação  de  usuários dos serviços públicos, de atestados, de certidões ou de  outros  documentos  comprobatórios  que  constem  em  base  de  dados oficial da administração pública federal deverão obtê­los  diretamente do  órgão ou da  entidade  responsável  pela  base  de  dados, nos termos do Decreto nº 8.789, de 29 de junho de 2016,  e não poderão exigi­los dos usuários dos serviços públicos.  Ou  seja:  se  espera  que  a  Contribuinte,  enquanto  interessada,  produza  as  provas  que  lhe  beneficiem.  Contudo,  não  pode  a  Administração  Pública  exigir  que  a  ora  Recorrente  o  faça,  abstendo­se  de  levantar  os  dados  que  já  estão  disponíveis  na  própria  Administração Pública, para então julgar em seu desfavor por ausência de provas. Tampouco  pode  se  escusar  de  fazê­lo  ao  argumento  de  que  é  trabalhoso  ou  que  não  dispõe  de  força  Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.017          13 humana  para  tanto,  uma  vez  que  é  a  Lei,  e  não  esse  Conselho,  quem  impõe  esse  ônus  à  Administração Pública.  Subsidiariamente,  ainda  que  não  houvesse  a  norma  legal  supra  plasmada,  seria hipótese de aplicação do art. 373 do NCPC, segundo o qual é possível a inversão do ônus  da prova diante de peculiaridades da causa relacionadas à excessiva dificuldade de uma parte (a  Contribuinte)  ou  a  facilidade  da  outra  parte  (o  Fisco).  In  casu,  constata­se  a  facilidade  em  relação  ao  Fisco:  basta  apurar  nos  seus  registros  a  ocorrência  ou  não  de  pagamentos  de  Contribuições Previdenciárias do segurado em relação a essas pessoas nessas competências.   Não  há,  entretanto,  a  nulidade  suscitada  pela  Contribuinte.  Percebe­se  do  DAD e do RL que a autoridade lançadora utilizou como base de cálculo para apurar o valor das  Contribuições do segurado o teto do salário­de­contribuição de cada competência, assim como  utilizou corretamente a tabela progressiva de alíquotas. Tanto assim que o valor apurado, por  competência, é exatamente o limite máximo que o segurado deveria recolher ­ e, portanto, que  poderia ter sido descontado.   Por  tudo  isso,  é  necessário  dar  provimento  parcial  ao  recurso  nesse  ponto,  para rejeitar a preliminar de nulidade, mas para reconhecer o direito à dedução dos valores já  recolhidos pelos segurados empregados.  Nulidade formal por ausência de indicação da fundamentação legal  A Contribuinte pleiteia o reconhecimento da nulidade do lançamento também  em função de não constar no Relatório de Fundamentos Legais os dispositivos que amparam o  procedimento de arbitramento da base de cálculo, da desconsideração da personalidade jurídica  e da caracterização de vínculo empregatício. Argumenta que há referência exclusivamente ao  caput do art. 229 do Decreto nº 3.048/1999, o que cerceia seu direito de defesa.  Consta  dos  autos  relatório  denominado  "FLD  ­  Fundamentos  Legais  do  Débito"  (fls.  149/152),  no  qual  a  autoridade  fazendária  aponta  as  normas  sobre  as  quais  sustenta  o  lançamento.  Percebe­se  que  o  relatório  indica  pormenorizadamente  os  comandos  legais  que  autorizam  a  fiscalização  e  a  constituição  do  crédito  tributário,  bem  como  que  estabelecem as Contribuições Sociais Previdenciárias.  Não se identifica o vício suscitado pela recorrente.  Em  primeiro  lugar,  o  lançamento  não  foi  por  arbitragem.  Pelo  contrário,  a  autoridade lançadora individualizou a base de cálculo por indivíduo que entendeu ser segurado  empregado, apontando no Relatório fiscal, inclusive, que   "3.2. (...)  Esse trabalho de auditoria foi pautado pela análise e utilização  de informações apresentadas em meio digital, confrontadas com  os documentos físico apresentados e analisados por amostragem.  A  empresa  entregou  os  arquivos  digital  no  padrão Manual  de  Arquivos Digitais ­ MANAD ­ com os dados contábeis e de folha  de  pagamento  separados  em mídia  não  regravável,  juntamente  com o recibo de entrega com código de identificação geral n o.  5dd6442c­f902dc38­e11f417053e3cb32,  emitido  em 27/08/2007,  em anexo (Anexo 1), contendo a identificação dos arquivos e os  Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.018          14 códigos  gerados  pelo  Sistema  de  Autenticação  e  Validação  de  Arquivos Digitais — SVA, utilizado em trabalhos  com arquivos  digitais.  Cabe  ressaltar  que,  embora  a  fiscalização  tenha  aceitado os arquivos MANAD, estes ainda apresentavam erros e  inconsistências  que  não  prejudicam  o  andamento  do  trabalho.  Todas as planilhas anexadas a este relatório foram reduzidas a  termo dos arquivos digitais apresentados." ­ fl. 173;  (...)  "9 DOCUMENTOS ANEXOS  (...)  9.1.3  Discriminativo  Analítico  do  Débito  —  DAD,  que  discrimina o débito por levantamento, por competência, itens de  cobrança(rubricas), alíquotas utilizadas, e valor originário;   9.1.4. Discriminativo Sintético do Débito — DSD. Relatório que  demonstra, por levantamento e competência, os valores originais  das  diferenças,  e  os  valores  da  atualização,  juros,  e  multa  incidentes sobre as contribuições devidas;  9.1.5. Relatório de Lançamentos ­ RL. Onde estão demonstrados,  por levantamento e por competência, os documentos e os valores  que serviram de base à fiscalização para a apuração dos valores  da  contribuição  descontada  dos  segurados  empregados."  ­  fls.  185/186.  Em  segundo  lugar,  não  houve  desconsideração  da  personalidade  jurídica.  Como  bem  já  esclareceu  a  DRJ,  ocorreu  foi  a  desconsideração  do  vínculo  negocial:  a  autoridade  fiscalizadora  entendeu  que  o  vínculo  formal  entre  a  Contribuinte  e  as  pessoas  jurídicas  inexistiu  na  prática,  havendo,  materialmente,  vínculo  entre  ela,  Recorrente,  e  as  pessoas físicas  individualizadas. Portanto, não é necessária competência para desconsiderar a  personalidade jurídica, mas sim competência para averiguar a ocorrência do fato gerador.  Em terceiro lugar, como desdobramento do parágrafo acima, percebe­se que  o  art.  33  da  Lei  nº  8.212/1991,  expressamente  citado  no  FLD,  é  sim  fundamento  legal  e  suficiente para permitir a caracterização do vínculo empregatício. Efetivamente, esse comando  legal  atribui  competência  para  fiscalizar  a  arrecadação,  cobrança  e  recolhimento  das  Contribuições  Previdenciárias.  Para  que  se  possa  exercer  essa  fiscalização,  é  necessário  competência  para  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  e,  por  decorrência  lógica,  para  reconhecer a ocorrência do fato gerador mesmo quando as partes não o declarem.  Portanto, é necessário rejeitar a nulidade suscitada.  Nulidade  da  decisão  recorrida  ­  Cerceamento  do  direito  de  defesa  ­  apresentação de provas  Argumenta  a  Contribuinte  pela  nulidade  da  decisão  recorrida.  Especificamente,  argumenta  de  que  teve  seu  direito  de  defesa  cerceado  quando  a  decisão  vergastada se recusou a analisar a documentação apresentada após a impugnação. Sustenta que,  deve  prevalecer  a  verdade  material  sobre  a  verdade  formal,  inclusive  tendo  sido  esse  o  Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.019          15 fundamento da decisão de 1º grau para manter o lançamento, razão pela qual deve ser aceita a  documentação.  A verdade, entretanto, é que a decisão recorrida aplica a Lei, razão pela qual  não se pode falar em cerceamento do direito de defesa. Efetivamente, o Decreto nº 70.235/1972  garante  ao sujeito passivo o direito de apresentar as provas em conjunto  com a  impugnação,  ressalvando ainda o direito de fazê­lo em momento posterior quando ocorrer uma das hipóteses  das  alíneas  do  §  4º  do  seu  art.  16.  Por  outro  lado,  determina  expressamente  a  preclusão  do  direito fora desses casos.  É  comum  aceitar  a  apresentação  de  provas  no  âmbito  do  recurso,  em  deferência ao princípio da verdade material e das regras da Lei nº 9.784/1999.  Isso, contudo,  não  é  suficiente  para  revogar  a  Lei,  não  gerando  direito  aos  recorrentes.  Efetivamente,  o  Decreto não proíbe a aceitação da prova extemporânea, mas determina a preclusão do direito  de sujeito passivo.  Em suma, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto.  MÉRITO  Superadas  as  preliminares  supra mencionadas,  passa­se  à  análise  do mérito  do recurso.   Registra­se  que  a  questão  da  decadência  é  postergada  para  o  final  do  julgamento.  Isso  porque  a  DRJ  aplicou  o  art.  173,  I,  do  CTN  ao  fundamento  de  que  teria  havido  simulação,  enquanto  a Contribuinte  pleiteia  a  aplicação  do  art.  150,  §  4º,  do mesmo  diploma, ao argumento de que não teria havido esse vício. Portanto, para que se possa julgar  essa questão é necessário analisar o mérito da lide e identificar o caso concreto se enquadra na  parte final do referido § 4º, o que exclui a contagem do prazo por essa regra.   Art. 129 da Lei nº 11.196/2005  O  cerne  do  presente  litígio  é  identificar  se  o  vínculo  se  formava  entre  a  Contribuinte e as pessoas jurídicas ou entre a Contribuinte e as pessoas físicas diretamente e,  como desdobramento, se o vínculo era trabalhista ou de direito civil/comercial.   Para  tanto,  primeiro,  a  Contribuinte  discorre  sobre  o  art.  129  da  Lei  nº  11.196/2005, sua norma e sobre a sua aplicação retroativa. Conclui que os fatos descritos pela  autoridade lançadora se enquadram perfeitamente na regra ali plasmada, ou seja, de prestação  de  serviços  intelectuais  por  pessoas  jurídicas.  Inclusive,  anota  que  a  natureza  de  serviço  intelectual dessas atividades é reconhecida pelo art. 148 da IN SRF nº 3/2003 e pela redação do  art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996 e pelo art. 17, XI, da Lei Complementar nº 123/2006.  Convém a Leitura da Lei nº 11.196/2005:  Art.  129.  Para  fins  fiscais  e  previdenciários,  a  prestação  de  serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística  ou  cultural,  em  caráter  personalíssimo  ou  não,  com  ou  sem  a  designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da  sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se  sujeita  tão­somente  à  legislação  aplicável  às  pessoas  jurídicas,  Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.020          16 sem  prejuízo  da  observância  do  disposto  no  art.  50  da  Lei  no  10.406, de 10 de janeiro de 2002 ­ Código Civil.  Esse  comando  legal  veio  ratificar  uma  realidade  fática  já  admitida  pelo  direito  privado:  é  possível  que  determinada  pessoa  física  exerça  uma  atividade  intelectual,  personalíssima ou não, por meio de uma pessoa jurídica. Assim, por exemplo, o cantor famoso  pode firmar contratos de shows por meio de uma empresa, a qual auferirá a receita do cachê do  show; igualmente, pode­se contratar e pagar a uma pessoa jurídica para que determinado ator  famoso  participe  de  um  comercial. Õ  simples  fato  de  que  a  atividade  ­  intelectual,  artística,  cultural etc. ­ objeto do contrato seja realizada por uma pessoa física, em função ou não da sua  pessoa, não é obstáculo para que o negócio seja firmado entre pessoas jurídicas.  Nesse ensejo, é relevante a memória da Recorrente ao suscitar esse comando  legal. Efetivamente, serve sim como fundamento para que se reconheça a possibilidade jurídica  de  que  os  negócios  ora  sob  análise  sejam  válidos  na  forma  como  ela  os  descreveu:  como  negócios  entre  pessoas  jurídicas.  Recorda­se  que  esse  comando  legal  tem  consequência  não  apenas  em  relação  às  Contribuições  Previdenciárias  de  vínculo  empregatício,  mas  também  como prestador de serviço autônomo, bem como em relação ao  imposto de renda, se será na  pessoa física ou na jurídica, entre inúmeras outras hipóteses de fatos geradores.  Entretanto, o  simples  fato de que  é possível a configuração do negócio  sob  essa forma não implica que necessariamente devem ser admitidos assim. Basta anotar que esse  mesmo art. 129 foi proposto e votado no Poder Legislativo com um Parágrafo Único, o qual foi  vetado. É interessante transcreve a redação do comando proposto e os fundamentos do veto:  "Art. 129. ....................................................................................  Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica quando  configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a  pessoa  jurídica  contratante,  em  virtude  de  sentença  judicial  definitiva decorrente de reclamação trabalhista."  Razões do veto  "O parágrafo único do dispositivo em comento ressalva da regra  estabelecida no caput a hipótese de ficar configurada relação de  emprego  entre  o  prestador  de  serviço  e  a  pessoa  jurídica  contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente  de reclamação trabalhista. Entretanto, as legislações tributária e  previdenciária,  para  incidirem  sobre  o  fato  gerador  cominado  em lei,  independem da existência de relação  trabalhista entre o  tomador  do  serviço  e  o  prestador  do  serviço.  Ademais,  a  condicionante  da  ocorrência  do  fato  gerador  à  existência  de  sentença  judicial  trabalhista  definitiva  não  atende  ao  princípio  da razoabilidade."  O  legislador  propunha,  tal  como  parece  defender  a  Contribuinte,  uma  presunção  quase  absoluta  de  que  o  negócio  era  de  caráter  civil­comercial.  Essa  natureza  só  poderia ser desconstituída por decisão judicial transitada em julgado. Tivesse sido aprovada a  Lei  com esse comando,  então não seria possível que a autoridade  lançadora  reenquadrasse o  vínculo, tal como fez no presente lançamento.  Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.021          17 Entretanto,  essa  proposta  foi  vetada,  e  com  razão. Como  bem  esclareceu  a  presidência,  não  é  razoável  que  apenas  o  poder  judiciário  possa  reconhecer  uma  relação  de  fato.  Uma  vez  que  o  ordenamento  brasileiro  privilegia  a  realidade  sobre  a  forma,  então  o  simples  fato  de  ter  sido  formalmente  constituído  o  negócio  entre  duas  pessoas  jurídicas  não  desconfigura a relação trabalhista, caso essa seja a realidade fática.  Percebe­se, efetivamente, que o lançamento não se baseia na impossibilidade  jurídica de que os contratos fossem feitos entre pessoas físicas. A autoridade fiscalizadora nem  sequer não traz esse argumento.  Pelo contrário, a autuação se lastreia na tese de que o vínculo de fato existia  diretamente  entre  a Contribuinte  e  as  pessoas  físicas  na  forma de  uma  relação  trabalhista. É  sobre esse  fundamento que a autoridade  lançadora  se escora, apontando provas e  indícios de  que as pessoas físicas eram segurados empregados. Portanto, ainda que seja possível a forma  do  contrato  como  desenhada  pela  Contribuinte,  esse  argumento  não  é  suficiente  para  dar  provimento ao recurso.  Da (des)consideração da personalidade jurídica  Em  segundo  lugar,  ainda  buscando  contestar  a  formação  do  vínculo  trabalhista de maneira abstrata, a Contribuinte argumenta que somente o poder judiciário tem o  poder de desconsiderar a personalidade da pessoa jurídica. Nesse ensejo, afirma que o art. 229,  § 2º, do Decreto nº 3.048/1999 não tem fundamento legal, sustentando que o art. 33 da Lei nº  8.212/1991 e a Lei nº 10.593/2002 não  tratam dessa questão e, por consequência  lógica, não  atribuem à autoridade fiscalizadora a capacidade de reconhecer o vínculo empregatício. Enfim,  que  o  art.  114  da CF  atribui  à  Justiça  do Trabalho  processar  e  julgar  as  ações  oriundas  das  relações de trabalho e as controvérsias dela decorrentes.  Sobre a questão, a DRJ esclareceu que:  "É  importante  ressaltar  que  o  lançamento  apenas  deu  nova  qualificação  fiscal  ao  negócio  jurídico,  retirando­lhe  os  efeitos  próprios  do  ato  aparente  (prestação  de  serviços  por  pessoas  jurídicas)  para  atribuir­lhe  os  efeitos  próprios  do  negócio  jurídico real  (prestação de  serviços com vínculo empregatício).  Nesse  sentido,  o  ato  de  lançamento  opera  efeitos  no  plano  tributário, não atingindo a validade dos atos de constituição das  empresas." ­ fl. 900.  Com razão o acórdão recorrido nesse ponto por seus próprios fundamentos. A  verdade é que a autoridade lançadora não desconsiderou a personalidade jurídica das empresas  identificadas.  Em  momento  algum  contestou  a  existência,  a  existência  ou  a  autonomia  da  pessoa jurídica. Apenas reenquadrou os vínculos, entendendo que o sujeito da relação jurídica  não era pessoa jurídica mas sim a pessoa física.   Nesse  contexto,  porquanto  não  houve  desconsideração  da  personalidade  jurídica, despiciendo é discorrer sobre a competência ou não da autoridade fiscalizadora para  tanto.  O  mesmo  não  pode  ser  dito  do  argumento  de  que  o  art.  229,  §  2º,  do  Decreto  nº  3.048/1999 é desprovido de lastro legal.   O art. 33 da Lei nº 8.212/1991 atribui às autoridades fazendárias competência  para  fiscalizar  o  recolhimento  das  Contribuições  Sociais  Previdenciárias.  Fiscalizar,  nesse  Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.022          18 contexto, não se limita a analisar o preenchimento das declarações, mas também a veracidade  dos  fatos  declarados  e  a  ocorrência  de  fato  gerador  omitido.  Nesse  contexto,  pode  e  deve  investigar  a verdade  real  dos  fatos,  incluindo, por exemplo,  a  análise dos  livros  contábeis,  a  solicitação de provas da  realidade dos  fatos declarados  e,  como no presente caso, a  apurar  a  natureza real dos fatos identificados.   Nessa  senda,  o  Decreto  nº  3.048/1991,  ao  estabelecer  que  a  autoridade  fiscalizadora deve desconsiderar o vínculo pactuado e reenquadrar como segurado empregado  nada mais faz do que regulamentar a competência dada pelo supracitado art. 33 para fiscalizar  os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias.  Enfim, uma vez que nos termos dos arts. 45, VI, e 62, ambos do Anexo II ao  RICARF,  esse  CARF  é  incompetente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  Decreto, não há razão para tratar do citado art. 114 da CF/1988.  Por esses motivos, tampouco é possível dar provimento ao recurso com base  nesses argumentos.  Da natureza do vínculo  Enfim, superadas as questões exclusivamente de direito, a Contribuinte passa  à análise das questões fáticas. Argumenta que, na prática, os fatos identificadas pela autoridade  lançadora  não  configuram  vínculo  empregatício.  Apresenta  inicialmente  argumentos  gerais,  buscando  contestar  os  argumentos  também  gerais  utilizados  pela  autoridade  lançadora.  Posteriormente,  passa  a  discorrer  individualmente  sobre  cada  uma  das  pessoas  físicas  pontuadas pela autoridade lançadora.  Retornando  ao  relatório  fiscal,  percebe­se  que  a  autoridade  lançadora  apresenta  os  argumentos  de  maneira  geral.  Buscando  comprovar  a  existência  de  vínculo  empregatício, apresenta afirmações abstratas, e depois enumera as pessoas físicas em relação às  quais há provas, afirmando a enfim que se  trata de mero  exemplo. É o caso do  item 4.2. do  Relatório  Fiscal,  no  qual  afirma  que  "A maioria  das  pessoas  jurídicas  foi  formada  por  ex­ empregados"  e  a  seguir  anota  que  "A  tabela  abaixo  EXEMPLIFICA  esse  fato"  (fl.  174).  Também  o  caso  do  item  4.4.,  quando  afirma  que  "algumas  das  pessoas  citadas  acima  portavam crachás da GDK, identificando os respectivos cargos ocupados" (fl. 175).   A  verdade  é  que  o  reenquadramento  é  feito  de  maneira  individualizada,  mormente  quando,  como  no  caso  concreto,  o  lançamento  não  é  feito  por  arbitramento.  Efetivamente, a comprovação de determinado fato em relação a uma das pessoas não pode ser  utilizada como prova ou mesmo indício em relação às demais. Dessa forma, analisar­se­ão as  relações jurídicas de maneira igualmente individual. As alegações genéricas serão consideradas  apenas em relação às pessoas que são indicadas nominalmente ou em relação às quais hajam  provas, mesmo  quando  a  autoridade  lançadora  ou  a  Contribuinte  afirmar  que  a  indicação  é  meramente exemplificativa.  Desde já, se registra que para se verificar a existência de relação empregatícia  não basta a ocorrência do pagamento, uma vez que a remuneração é apenas um dos elementos.  É  necessário  identificar,  também,  a  não  eventualidade,  a  subordinação  jurídica  e  a  pessoalidade, como bem apontou a própria autoridade lançadora.   Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.023          19 Não há dúvidas, de outro lado, de que houve pagamentos. É exatamente em  função desses pagamentos que se formalizou o  lançamento. Analisar­se­ão,  isso sim, a causa  dos pagamentos, qual o fato juridicamente relevante que levou a esses pagamentos.   Não  se  aprofundará  elemento  da  pessoalidade,  vez  que  a  já  citada  Lei  nº  11.196/2005,  no  seu  art.  129,  permite  a  prestação  de  serviços  personalíssimos  por meio  de  pessoa  jurídica.  Portanto,  in  casu  esse  não  será  elemento  relevante  para  constituir  o  vínculo  empregatício, e a Contribuinte não discorre sobre a ausência de pessoalidade.   Não foi suscitado em momento algum a ausência de não eventualidade. Pelo  contrário,  percebe­se  que  os  pagamentos  foram  feitos  por  longos  períodos,  ainda  que,  em  muitos casos, não se identificaram pagamentos em algumas competências no meio do caminho  (e.g.:  em relação a Mizher o  lançametno vai de 10/2002 a 12/2006,  fls. 67/76, porém não há  Contribuições em relação às competências de 11/2002 a 01/2003, 05/2003, 09/2004 etc.).  Enfim, o ponto fulcral é identificar se há ou não subordinação jurídica e, nos  casos  em  que  há  subordinação  jurídica,  se  o  pagamento  foi  feito  em  função  do  vínculo  empregatício ou em função de outro fato.  1. Levantamento MIZ ­ Amilcar Mizher ­ MIZHER Consultoria Ltda. ­   Além  de  afirmar  no  item  4.4.  que  essa  pessoa  efetuava  o  seu  trabalho  nas  próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados,  a autoridade lançadora anotou no item 4.3. que essa pessoa ocupava o cargo de Coordenador  Obra.   Outro fato que a autoridade lançadora considerou relevante, conforme o item  4.8.,  foi  a  constatação  de  que  os  sócios  dessa  pessoa  jurídica  eram  beneficiários  do mesmo  plano  de  saúde  disponibilizados  para  os  empregados  registrados  na  GDK,  inclusive  com  3  (três) dependentes (relação às fls. 200/208).  Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais.  Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a  GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178).  Em  sua  defesa,  a  Contribuinte  anota  que  a  empresa,  com  sede  em  Belo  Horizonte, foi constituída em 07/05/2001, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora  sob análise só foi emitida em outubro de 2002. São, portanto, 1,3 ano de diferença. Além da  Contribuinte, a empresa presta serviços para outras pessoas jurídicas, indicando ao menos duas  outras.   Outrossim, a Contribuinte argumenta que a empresa presta  serviços na área  de representação comercial e consultoria na área de informática, gerenciamento e supervisão.  Admite  que  o  sócio,  a  pessoa  física  indicada,  figurou  como  segurado  empregado  da  Contribuinte, porém seu vínculo era como engenheiro civil, área na qual a empresa prestadora  de serviço contratada não atuava.  Registra  que  não  houve  pagamento  de  PLR,  nem  de  13º  nem  de  outros  benefícios.  Admite  a  concessão  do  plano  de  saúde,  porém  anota  que  foi  mera  liberalidade.  Ressalta que o indivíduo estava livre para contratar com outras pessoas.   Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.024          20 Portanto, conclui que não há que se falar em salário indireto. Pelo contrário  há dois pagamentos independentes, a pessoas diferentes, em função de fatos autônomos. Há o  salário à pessoa física em função do  trabalho como engenheiro; e a o pagamento do preço  à  pessoa jurídica em função da prestação do serviço de representação comercial e de consultoria  na área de informática, gerenciamento e supervisão.  Pois bem.  No  processo,  é  ônus  de  quem  alega  comprovar.  Portanto,  se  a  autoridade  lançadora alega que os valores pagos a título de prestação de serviço o eram, na verdade, como  remuneração  do  trabalho  empregado,  cabe  a  ela  comprovar  isso.  Somente  se  restar  devidamente comprovado esse fato é que passa a Contribuinte a ter o ônus de infirmá­lo.   Os  elementos  suscitados  pela  autoridade  lançadora  foram:  trabalhar  nas  dependências  da  Contribuinte;  ser  beneficiado  pelo  plano  de  saúde;  e  que  tinha  sido  empregado.  A  Contribuinte  admite  que  a  pessoa  física  foi  sua  empregada  durante  o  período  da  fiscalização.  Argumenta,  apenas,  que  isso  não  impede  a  contratação  de  pessoa  jurídica da qual era sócio a pessoa física, para prestação de serviços diversos.  Portanto,  se  era  empregado,  não  há  estranheza  em  que  trabalhasse  nas  dependências da Contribuinte nem que fosse beneficiária do plano de saúde. Esses argumentos,  portanto,  restam  afastado.  Deveria  a  autoridade  lançadora  demonstrar,  isso  sim,  que  os  pagamento  foram  para  remunerar  esse  vínculo  empregatício,  e  não  para  pagar  o  preço  da  prestação do serviço pela pessoa jurídica. Não há nenhuma prova ou mesmo indício de que a  pessoa  jurídica  não  tenha  prestado  serviços  e  que,  portanto,  não  merecesse  receber  o  pagamento.   O  simples  fato  de  que  era  empregado  da  Contribuinte  não  exclui  a  possibilidade de que empresa da qual era sócio também prestasse serviço à Contribuinte. Desde  que fosse devidamente remunerado pelo seu trabalho enquanto empregado, pelo salário, e que  o pagamento das notas fiscais se refira à prestação do serviço pela pessoa jurídica, então não há  razão para confusão e reenquadramento feito pela autoridade lançadora.   A verdade é que a autoridade lançadora não apresentou nenhuma prova nem  mesmo indício de que não tenha havido prestação de serviço por parte da empresa contratada.  De outro lado, a Contribuinte buscou comprovar que a empresa prestava serviços. Para tanto,  apresentou  notas  fiscais  emitidas  contra  outras  empresas  (fls.  423/426),  inclusive  no mesmo  período da autuação, como em 20/11/2002 (fl. 424) e 20/08/2006 (fl. 423).  Ora, parece claro que a pessoa física recebia seu salário. Também, que havia  uma  pessoa  jurídica  prestando  serviços  ­  não  apenas  à  Contribuinte,  mas  também  a  outras  empresas. Não há, entretanto, provas de que os pagamentos efetuados à pessoa jurídica o eram  a título de salário indireto.  Poderia  a  autoridade  lançadora  ter  afirmado,  por  exemplo,  que  o  salário  oficial  era  inferior  à média.  Seria  um  indício  interessante  de  que  a  diferença  era  paga  "por  fora".  Porém,  não  há  essa  alegação.  Tampouco  há  alegação  de  que  a  pessoa  jurídica  não  prestava serviços. Apenas, há uma presunção de que havia "salário por fora".  Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.025          21 Em  suma,  entendo  que  não  restou  demonstrado  que  os  pagamentos  foram  feitos em função de vínculo empregatício, razão pela qual entendo que o lançamento não pode  subsistir nesse ponto.  2.  Levantamento  CCM  ­  Cleber  Costa  Mendes  ­  CC  Mendes  Recursos  Humanos ­ Gerente RH   Além  de  afirmar  no  item  4.4.  que  essa  pessoa  efetuava  o  seu  trabalho  nas  próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados,  a autoridade lançadora anotou nos itens 4.2. e 4.4. que essa pessoa é ex­empregado da GDK, e  que  o  contrato  de  trabalho  foi  rescindido  para  que  passasse  a  ser  remunerados  através  das  pessoas jurídicas constituídas.  Esclareceu nos itens 4.3. e 4.4., outrossim, que esse indivíduo portava crachá  e se identificada como Gerente de RH.  Outro fato que a autoridade lançadora considerou relevante, conforme o item  4.8.,  foi  a  constatação  de  que  os  sócios  dessa  pessoa  jurídica  eram  beneficiários  do mesmo  plano  de  saúde  disponibilizados  para  os  empregados  registrados  na  GDK,  inclusive  com  3  (três) dependentes (relação às fls. 200/208).   Ainda, no item 4.9., apurou que essa pessoa consta na lista de dezembro/2006  dos empregados que receberam os benefícios de vale­transporte e  ticket alimentação (relação  às fls. 209/214).  Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais.  Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a  GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178).  Em  sua  defesa,  a  Contribuinte  afirmou  que  esse  prestador  de  serviço  não  tinha  nenhum  controle  de  jornada.  Pelo  contrário,  tinham  ampla  liberdade  de  horário,  desde  que  cumprissem  os  serviços  contratados. Acontece,  isso  sim,  que  devido  ao  serviço  que  era  responsável, durante o período da fiscalização ele entendeu por permanecer nas dependências  da recorrente exatamente para poder fornecer os dados solicitados pela Fiscalização. Anotou,  ainda, que se trata de prestação de serviço intelectual, que a pessoa jurídica foi constituída no  registro competente, de sorte que se aplica o art. 129, da Lei nº 11.196/2005. Também, que a  questão  só  poderia  ser  resolvida  pela  justiça  do  trabalho.  Em  relação  aos  demais  indícios  apontados pela auditoria, afirma que foram suficientemente refutados nos itens anteriores.  Pois bem.   Como  já discorrido  acima,  o  art.  129,  da Lei  nº  11.196/2005,  não  serve  de  escudo no presente  lançamento. É  imperioso analisar,  isso  sim, a existência de  subordinação  jurídica.  A Contribuinte que a pessoa física ocupava o cargo de Gerente de RH. Esse  cargo  é,  sem  dúvidas,  normalmente  exercido  por  funcionário  empregado.  Efetivamente,  em  uma empresa do porte da Contribuinte, com mais de 3.000 (três mil) empregados (cf. item 3.2.  do Relatório Fiscal, fl. 173) é de se esperar que a pessoa responsável pelo RH esteja à completa  disposição da diretoria, mantendo relação direta e constante, respondendo e desenvolvendo as  atividades indicadas pelos diretores.   Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.026          22 Outrossim, o cargo de gerente é um cargo de confiança e que, portanto, não  tem  o mesmo  controle  de  horários  que  tem  um  empregado  "comum"  (art.  62,  II,  da  CLT).  Nesse caminho, cai por terra o argumento da Contribuinte de que não havia controle de jornada  e que essa pessoa física tinha ampla liberdade de horário.  Há  que  se  observar,  ademais,  que  vale  transporte  e  ticket  alimentação  são  benefícios  normalmente  oferecidos  a  segurados  empregados,  e  não  empresas  contratadas.  O  que é mais, no mínimo é incomum que, em uma relação comercial normal entre empresas, uma  delas faça pagamentos de liberalidades, oferecendo benefícios não exigidos pelo contrato.   Enfim, é necessário lembrar que o enquadramento realizado pela autoridade  lançadora  de  pessoa  física  como  segurado  empregado  é  normalmente  feita  com  base  em  indícios. Se houvessem provas cabais da relação empregatícia, então por certo que a pessoa já  estaria assim declarada.   Em suma, considerando que os indícios da existência de vínculo empregatício  são  consideráveis  em  relação a  essa pessoa  física,  e que  a Contribuinte não  traz provas para  infirmá­los, entendo que deve ser mantido o lançamento.   3.  Levantamento  CIC  ­  Conrado  José  Morbach  ­  Cicon  Eng.  Asses.  Tec.  Planejamento ­ Diretor Obras Consórcio  Além  de  afirmar  no  item  4.4.  que  essa  pessoa  efetuava  o  seu  trabalho  nas  próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados,  a autoridade lançadora anotou no item 4.3. que essa pessoa ocupava o cargo de Diretor Obras  Consórcio.   Outro fato que a autoridade lançadora considerou relevante, conforme o item  4.8.,  foi  a  constatação  de  que  os  sócios  dessa  pessoa  jurídica  eram  beneficiários  do mesmo  plano  de  saúde  disponibilizados  para  os  empregados  registrados  na  GDK,  inclusive  com  4  (quatro) dependentes (relação às fls. 200/208).  Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais.  Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a  GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178).  Em  sua  defesa,  a  Contribuinte  anota  que  a  empresa  foi  constituída  em  24/11/1998, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora sob análise só foi emitida em  abril de 2002. São, portanto, 3,5 anos de diferença.   Também defende que não se pode presumir a ocorrência de salário  indireto  pelo  simples  fato de que  a pessoa  física  era  segurado empregado da Contribuinte no mesmo  período em que a pessoa jurídica foi contratada para prestar serviços. Pelo contrário, ressaltou  que  a  pessoa  física  era  empregado  na  função  de  engenharia  civil,  área  na  qual  a Cicon  não  atuava. Esta, por sua vez, prestava serviços nas áreas de consultoria, elaboração de projetos e  pareceres.  Outrossim,  ressalta  que  o  fato  de  que  há  notas  fiscais  sequenciais  e  que  o  sócio  da  pessoa  jurídica  contratada  era  beneficiário  de  plano  de  saúde  não  são  elementos  suficientes para comprovar a relação empregatícia. A um porque a exclusividade não é atributo  Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.027          23 da relação de emprego. A dois porque a oferta de assistência médica não revela subordinação  jurídica, mas mera parcela negociada entre as partes.  Pois bem.  Constata­se  que  a  presente  rubrica  é  idêntica  ao  caso  da  MIZHER  Consultoria Ltda., item 1 acima. Efetivamente, também a presente pessoa física era empregada  da  Contribuinte  durante  a  fiscalização,  de  sorte  que  resta  justificado  o  fato  de  que  ele  trabalhava nas dependências da Recorrente, bem como o fato de que era beneficiário de plano  de saúde.   Também aqui não  se pode presumir que os valores pagos  à pessoa  jurídica  eram, na verdade, "salário por fora".   A verdade é que nada impede que uma pessoa física seja empregada de uma  empresa  e  que,  concomitantemente,  essa  empresa  contrate  outra  empresa,  da  qual  aquela  pessoa é  sócia, para prestar serviços. Desde que a atividade desenvolvida enquanto segurado  empregado seja devidamente remunerada por salário, e que a pessoa jurídica preste os serviços  pelas quais é remunerada, não há como confundir as relações jurídicas.   In  casu,  a  autoridade  lançadora  não  demonstrou  que  a  pessoa  jurídica  não  prestava nenhum serviço à Contribuinte. Nem mesmo alegou isso. Tampouco demonstrou que  o  salário  da  pessoa  física  era  inferior  à média,  por  exemplo,  o  que  justificaria  imaginar que  recebia a diferença "por fora".   Por  sua  vez,  a  Contribuinte  demonstrou  que  essa  pessoa  jurídica  prestou  serviços  a  diversas  outras  empresas  (notas  fiscais  fls.  496/497),  que  não  a  Contribuinte,  inclusive durante o mesmo período que compõe a base de cálculo,  como em 27/04/2001  (fl.  497).  Portanto, uma vez que a autoridade lançadora não logrou demonstrar os fatos  que alega, não é possível manter o lançamento nesse ponto.   4.  Levantamento  LTP  ­  Décio  Issao  Hashigushi  ­  L.T.P.A.  Informática  e  Com. Ltda. ­ Staff  Além  de  afirmar  no  item  4.4.  que  essa  pessoa  efetuava  o  seu  trabalho  nas  próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados,  a autoridade lançadora anotou no item 4.3. que essa pessoa ocupava o cargo de Staff.   Outro fato que a autoridade lançadora considerou relevante, conforme o item  4.8.,  foi  a  constatação  de  que  os  sócios  dessa  pessoa  jurídica  eram  beneficiários  do mesmo  plano  de  saúde  disponibilizados  para  os  empregados  registrados  na  GDK,  inclusive  com  4  (quatro) dependentes (relação às fls. 200/208).  Em  sua  defesa,  a  Contribuinte  anota  que  a  empresa  foi  constituída  em  20/03/2001, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora sob análise só foi emitida em  março de 2004. São, portanto, 3 (três) anos de diferença.   Também defende que não se pode presumir a ocorrência de salário  indireto  pelo  simples  fato de que  a pessoa  física  era  segurado empregado da Contribuinte no mesmo  Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.028          24 período em que a pessoa jurídica foi contratada para prestar serviços. Pelo contrário, ressaltou  que  a  pessoa  física  era  empregado na  função  de  engenharia  civil,  área  na  qual  a  LTPA não  atuava.  Esta,  por  sua  vez,  prestava  serviços  nas  áreas  de  informática,  engenharia  elétrica  e  eletrônica.  Outrossim,  ressalta  que  o  fato  de  que  há  notas  fiscais  sequenciais  e  que  o  sócio  da  pessoa  jurídica  contratada  era  beneficiário  de  plano  de  saúde  não  são  elementos  suficientes para comprovar a relação empregatícia. A um porque a exclusividade não é atributo  da relação de emprego. A dois porque a oferta de assistência médica não revela subordinação  jurídica, mas mera parcela negociada entre as partes.  Pois bem.  Constata­se  que  a  presente  rubrica  é  idêntica  aos  casos  da  MIZHER  Consultoria Ltda., e da Cicon Eng. Asses. Tec. Planejamento, itens 1 e 3 acima. Efetivamente,  também a presente pessoa física era empregada da Contribuinte durante a fiscalização, de sorte  que resta justificado o fato de que ele trabalhava nas dependências da Recorrente, bem como o  fato de que era beneficiário de plano de saúde.   Também aqui não  se pode presumir que os valores pagos  à pessoa  jurídica  eram, na verdade, "salário por fora".   A verdade é que nada impede que uma pessoa física seja empregada de uma  empresa  e  que,  concomitantemente,  essa  empresa  contrate  outra  empresa,  da  qual  aquela  pessoa é  sócia, para prestar serviços. Desde que a atividade desenvolvida enquanto segurado  empregado seja devidamente remunerada por salário, e que a pessoa jurídica preste os serviços  pelas quais é remunerada, não há como confundir as relações jurídicas.   In  casu,  a  autoridade  lançadora  não  demonstrou  que  a  pessoa  jurídica  não  prestava nenhum serviço à Contribuinte. Nem mesmo alegou isso. Tampouco demonstrou que  o  salário  da  pessoa  física  era  inferior  à média,  por  exemplo,  o  que  justificaria  imaginar que  recebia a diferença "por fora".   Portanto, uma vez que a autoridade lançadora não logrou demonstrar os fatos  que alega, não é possível manter o lançamento nesse ponto.   5. Levantamento FCB ­ Fernando Carlos Barreto Filho ­ F C Barreto Filho ­  Gerente de suprimentos Nacional  Além  de  afirmar  no  item  4.4.  que  essa  pessoa  efetuava  o  seu  trabalho  nas  próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados,  a autoridade lançadora anota no item 4.2. do seu lançamento que essa pessoa é ex­empregado  da  GDK.  Também,  que  rescindiram  o  contrato  de  trabalho  e  passaram  a  ser  remunerados  através  das  pessoas  jurídicas  constituídas.  Nos  itens  4.3.  e  4.5.  esclareceu  que  esse  era  o  Gerente de suprimentos Nacional.   Outro fato que a autoridade lançadora considerou relevante, conforme o item  4.8.,  foi  a  constatação  de  que  os  sócios  dessa  pessoa  jurídica  eram  beneficiários  do mesmo  plano  de  saúde  disponibilizados  para  os  empregados  registrados  na  GDK,  inclusive  com  3  (três) dependentes (relação às fls. 200/208).   Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.029          25 Ainda, no item 4.9., apurou que essa pessoa consta na lista de dezembro/2006  dos empregados que receberam os benefícios de vale­transporte e  ticket alimentação (relação  às fls. 209/214).  Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais.  Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a  GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178).  A  Contribuinte,  por  sua  vez,  anotou  que  se  trata  de  prestação  de  serviço  intelectual, que a pessoa jurídica foi constituída no registro competente, de sorte que se aplica o  art. 129, da Lei nº 11.196/2005. Também, que a questão só poderia ser resolvida pela justiça do  trabalho.  Em  relação  aos  demais  indícios  apontados  pela  auditoria,  afirma  que  foram  suficientemente refutados nos itens anteriores.  Pois bem.   Como  já discorrido  acima,  o  art.  129,  da Lei  nº  11.196/2005,  não  serve  de  escudo no presente  lançamento. É  imperioso analisar,  isso  sim, a existência de  subordinação  jurídica.  A Contribuinte que a pessoa física ocupava o cargo de Gerente de suprimento  Nacional.  O  cargo  de  gerente  é  um  cargo  de  confiança  e  que,  portanto,  não  tem  o  mesmo  controle de horários que tem um empregado "comum" (art. 62, II, da CLT). Nesse caminho, cai  por terra o argumento da Contribuinte de que não havia controle de jornada e que essa pessoa  física tinha ampla liberdade de horário.  Há que se observar, ademais, que a assistência médica, o vale transporte e o  ticket  alimentação  são  benefícios  normalmente  oferecidos  a  segurados  empregados,  e  não  empresas  contratadas. O que é mais,  no mínimo é  incomum que,  em uma  relação  comercial  normal entre empresas, uma delas faça pagamentos de liberalidades, oferecendo benefícios não  exigidos pelo contrato.  Outrossim, como bem ressaltou a DRJ, a pessoa  jurídica foi constituída em  21/09/2006  (fl.  525),  para  exercer  atividade  de  assessoria  e  consultoria  em  compras  e  suprimentos, exatamente a atividade que exercia enquanto gerente. Outrossim, a pessoa física  foi  desligada  da  condição  de  segurada  empregada  da  Contribuinte  em  01/10/2006  (extrato  CNIS fls. 774/803), passando imediatamente a prestar serviço como pessoa jurídica, emitindo  notas  fiscais  já  em  31/10/2006,  30/11/2006  e  21/12/2006.  O  valor  dessas  notas  fiscais  é  relativamente proporcional ao seu salário anterior, mormente quando se considerar que, como  prestador de serviço pessoa jurídica não teria direito a 13º, adicional de férias, e não haveria o  custo de Contribuições Previdenciárias sobre o valor da sua remuneração. Ainda, que mesmo  depois de ter sido rescindido o contrato de trabalho, continuou sendo pago os planos de saúde,  o vale transporte e o ticket alimentação.  De outro lado, a Contribuinte não trouxe aos autos nenhuma prova de que os  serviços  prestados  por  meio  da  pessoa  jurídica  eram  diversos  daqueles  prestados  enquanto  segurado empregado. Tampouco demonstrou haver qualquer diferença prática na relação entre  as partes. Enfim, tampouco demonstrou que a pessoa jurídica tenha prestado serviços a outras  empresas.  Claro  que  este  último  ponto  não  é  indispensável,  porém  seria  um  indício  em  seu  favor  no  sentido  de  que  na  realidade,  e não  apenas  formalmente,  deixou  de  haver  o  vínculo  empregatício.  Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.030          26 Enfim, é necessário lembrar que o enquadramento realizado pela autoridade  lançadora  de  pessoa  física  como  segurado  empregado  é  normalmente  feita  com  base  em  indícios. Se houvessem provas cabais da relação empregatícia, então por certo que a pessoa já  estaria assim declarada.   Em suma, considerando que os indícios da existência de vínculo empregatício  são  consideráveis  em  relação a  essa pessoa  física,  e que  a Contribuinte não  traz provas para  infirmá­los, entendo que deve ser mantido o lançamento.   6. Levantamento AED ­ Humberto Teixeira de Almeida ­ A & D Assessoria e  Consultoria Ltda. ­ Gerente Executivo  Além  de  afirmar  no  item  4.4.  que  essa  pessoa  efetuava  o  seu  trabalho  nas  próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados,  a autoridade lançadora anotou nos itens 4.2. e 4.4. que essa pessoa é ex­empregado da GDK, e  que  o  contrato  de  trabalho  foi  rescindido  para  que  passasse  a  ser  remunerados  através  das  pessoas jurídicas constituídas.   Esclareceu nos  itens 4.3., 4.4.  e 4.5., outrossim, que esse  indivíduo portava  crachá e se identificada como Gerente Executivo.  Outro fato que a autoridade lançadora considerou relevante, conforme o item  4.8.,  foi  a  constatação  de  que  os  sócios  dessa  pessoa  jurídica  eram  beneficiários  do mesmo  plano  de  saúde  disponibilizados  para  os  empregados  registrados  na  GDK,  inclusive  com  3  (três) dependentes (relação às fls. 200/208).   Ainda, no item 4.9., apurou que essa pessoa consta na lista de dezembro/2006  dos empregados que receberam os benefícios de vale­transporte e  ticket alimentação (relação  às fls. 209/214).  Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais.  Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a  GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178).  Em  sua  defesa,  a  Contribuinte  afirmou  que  esse  prestador  de  serviço  não  tinha  nenhum  controle  de  jornada.  Pelo  contrário,  tinham  ampla  liberdade  de  horário,  desde  que  cumprissem  os  serviços  contratados. Acontece,  isso  sim,  que  devido  ao  serviço  que  era  responsável, durante o período da fiscalização ele entendeu por permanecer nas dependências  da  recorrente  exatamente  para  poder  fornecer  os  dados  solicitados  pela  Fiscalização.  Outrossim, que ao contratar essa empresa, o fez para que prestassem os serviços equiparados a  uma gerência executiva, mas não que eram gerentes executivos da recorrente. Anotou que se  trata  de  prestação  de  serviço  intelectual,  que  a  pessoa  jurídica  foi  constituída  no  registro  competente, de sorte que se aplica o art. 129, da Lei nº 11.196/2005. Também, que a questão só  poderia ser resolvida pela justiça do trabalho. Em relação aos demais indícios apontados pela  auditoria, afirma que foram suficientemente refutados nos itens anteriores.  Pois bem.   Como  já discorrido  acima,  o  art.  129,  da Lei  nº  11.196/2005,  não  serve  de  escudo no presente  lançamento. É  imperioso analisar,  isso  sim, a existência de  subordinação  jurídica.  Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.031          27 O presente caso é  idêntico àquele do Levantamento FCB,  item 5,  acima. A  Contribuinte que a pessoa física ocupava o cargo de Gerente Executivo. O cargo de gerente é  um  cargo  de  confiança  e  que,  portanto,  não  tem  o mesmo  controle  de  horários  que  tem  um  empregado  "comum"  (art.  62,  II,  da  CLT).  Nesse  caminho,  cai  por  terra  o  argumento  da  Contribuinte  de  que  não  havia  controle  de  jornada  e  que  essa  pessoa  física  tinha  ampla  liberdade de horário.  Há que se observar, ademais, que a assistência médica, o vale transporte e o  ticket  alimentação  são  benefícios  normalmente  oferecidos  a  segurados  empregados,  e  não  empresas  contratadas. O que é mais,  no mínimo é  incomum que,  em uma  relação  comercial  normal entre empresas, uma delas faça pagamentos de liberalidades, oferecendo benefícios não  exigidos pelo contrato.  Outrossim, como bem ressaltou a DRJ, a pessoa  jurídica foi constituída em  29/09/2006. A pessoa física foi desligada da condição de segurada empregada da Contribuinte  em  01/10/20062006  (extrato  CNIS  fls.  774/803),  passando  imediatamente  a  prestar  serviço  como pessoa jurídica, emitindo nota  fiscal  já em novembro/2006. O valor dessa nota  fiscal é  relativamente proporcional ao seu salário anterior, mormente quando se considerar que, como  prestador de serviço pessoa jurídica não teria direito a 13º, adicional de férias, e não haveria o  custo de Contribuições Previdenciárias sobre o valor da sua remuneração. Ainda, que mesmo  depois de ter sido rescindido o contrato de trabalho, continuou sendo pago os planos de saúde,  o vale transporte e o ticket alimentação.  De outro lado, a Contribuinte não trouxe aos autos nenhuma prova de que os  serviços  prestados  por  meio  da  pessoa  jurídica  eram  diversos  daqueles  prestados  enquanto  segurado empregado. Tampouco demonstrou haver qualquer diferença prática na relação entre  as partes. Enfim, tampouco demonstrou que a pessoa jurídica tenha prestado serviços a outras  empresas.  Claro  que  este  último  ponto  não  é  indispensável,  porém  seria  um  indício  em  seu  favor  no  sentido  de  que  na  realidade,  e não  apenas  formalmente,  deixou  de  haver  o  vínculo  empregatício.  Enfim, é necessário lembrar que o enquadramento realizado pela autoridade  lançadora  de  pessoa  física  como  segurado  empregado  é  normalmente  feita  com  base  em  indícios. Se houvessem provas cabais da relação empregatícia, então por certo que a pessoa já  estaria assim declarada.   Em suma, considerando que os indícios da existência de vínculo empregatício  são  consideráveis  em  relação a  essa pessoa  física,  e que  a Contribuinte não  traz provas para  infirmá­los, entendo que deve ser mantido o lançamento.   7. Levantamento CAN ­ Joel Martins Silva ­ Canal Proj. Plan. Ltda. ­ Staff  Além  de  afirmar  no  item  4.4.  que  essa  pessoa  efetuava  o  seu  trabalho  nas  próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados,  a autoridade lançadora anotou no item 4.3. que essa pessoa ocupava o cargo de Staff.  Outro fato que a autoridade lançadora considerou relevante, conforme o item  4.8.,  foi  a  constatação  de  que  os  sócios  dessa  pessoa  jurídica  eram  beneficiários  do mesmo  plano  de  saúde  disponibilizados  para  os  empregados  registrados  na  GDK,  inclusive  com  4  (quatro) dependentes (relação às fls. 200/208).  Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.032          28 Em  sua  defesa,  a  Contribuinte  anota  que  a  empresa,  sediada  em  Lauro  de  Freitas,  foi  constituída em 14/06/2000, enquanto a primeira  fatura em relação ao vínculo ora  sob análise só foi emitida em novembro de 2006. São, portanto, 6,3 anos de diferença. Ressalta  que a pessoa  física não  trabalhava nas dependências da  recorrente, não portava crachá e não  recebia vale transporte.  Pois bem.   Como  já discorrido  acima,  o  art.  129,  da Lei  nº  11.196/2005,  não  serve  de  escudo no presente  lançamento. É  imperioso analisar,  isso  sim, a existência de  subordinação  jurídica.  Há que se observar, ademais, que a assistência médica, o vale transporte e o  ticket  alimentação  são  benefícios  normalmente  oferecidos  a  segurados  empregados,  e  não  empresas  contratadas. O que é mais,  no mínimo é  incomum que,  em uma  relação  comercial  normal entre empresas, uma delas faça pagamentos de liberalidades, oferecendo benefícios não  exigidos pelo contrato.  Outrossim,  como  bem  ressaltou  a  DRJ,  a  pessoa  física  foi  desligada  da  condição  de  segurada  empregada  da  Contribuinte  em  01/10/20062006  (extrato  CNIS  fls.  774/803), passando imediatamente a prestar serviço como pessoa jurídica, emitindo nota fiscal  já  em novembro/2006. O valor dessa  nota  fiscal  é  relativamente  proporcional  ao  seu  salário  anterior, mormente quando se considerar que,  como prestador de  serviço pessoa  jurídica não  teria direito a 13º, adicional de férias, e não haveria o custo de Contribuições Previdenciárias  sobre o valor da sua remuneração. Ainda, que mesmo depois de ter sido rescindido o contrato  de trabalho, continuou sendo pago os planos de saúde, o vale transporte e o ticket alimentação.  De outro lado, a Contribuinte não trouxe aos autos nenhuma prova de que os  serviços  prestados  por  meio  da  pessoa  jurídica  eram  diversos  daqueles  prestados  enquanto  segurado empregado. Tampouco demonstrou haver qualquer diferença prática na relação entre  as partes. Enfim, tampouco demonstrou que a pessoa jurídica tenha prestado serviços a outras  empresas.  Claro  que  este  último  ponto  não  é  indispensável,  porém  seria  um  indício  em  seu  favor  no  sentido  de  que  na  realidade,  e não  apenas  formalmente,  deixou  de  haver  o  vínculo  empregatício.  Enfim, é necessário lembrar que o enquadramento realizado pela autoridade  lançadora  de  pessoa  física  como  segurado  empregado  é  normalmente  feita  com  base  em  indícios. Se houvessem provas cabais da relação empregatícia, então por certo que a pessoa já  estaria assim declarada.   Em suma, considerando que os indícios da existência de vínculo empregatício  são  consideráveis  em  relação a  essa pessoa  física,  e que  a Contribuinte não  traz provas para  infirmá­los, entendo que deve ser mantido o lançamento.  8.  Levantamento  JAC  ­  José  Alberto  Costa  Santos  ­  Jacs  Engenharia  &  Consultoria Ltda. ­ Gerente de Contratos  Além  de  afirmar  no  item  4.4.  que  essa  pessoa  efetuava  o  seu  trabalho  nas  próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados,  a  autoridade  lançadora  anotou  no  item  4.3.  que  essa  pessoa  ocupava  o  cargo  de Gerente  de  Contratos. No  item  4.7.  anotou,  outrossim,  que o  faturamento  da  pessoa  jurídica  referente  a  Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.033          29 esse indivíduo teve um relevante crescimento justamente no período em que a empresa pagou a  PLR dos demais empregados.  Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais.  Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a  GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178).  A Contribuinte, por sua vez, registra que essa pessoa jurídica, com sede em  Rio Bonito/RJ, foi constituída em 25/03/2003. Acontece que a pessoa física não trabalhava nas  dependências  da  empresa,  não  portava  crachá,  não  recebia  vale  transporte  e  não  era  beneficiário  de  plano  de  saúde.  Quanto  ao  PLR,  anota  que  não  há  nenhum  dado  concreto  vinculando o pagamento efetuado a esse prestador de serviço ao programa de benefícios, não  sendo  indicado  o  suposto  índice  de  participação  nos  lucros.  Em  relação  ao  organograma,  ressalta que aquela estruturação serviu apenas para descrever os limites da atuação das pessoas,  organizando os trabalhos da empresa, mas que isso não implica vínculo trabalhista.  Pois bem.  O  presente  caso  difere  daqueles  analisados  anteriormente.  Não  há  nenhum  elemento  que  indique  que  essa  pessoa  física  tenha  atuado  formalmente  como  segurado  empregado  durante  o  período  objeto  da  autuação,  nem  que  tenha  se  desligado  do  vínculo  empregatício com a empresa para, ato contínuo, passar continuar exercendo a mesma atividade  na forma de prestador de serviço por pessoa jurídica.  A  autoridade  lançadora  afirmou  que  essa  pessoa  física  trabalhava  nas  dependências  da  Contribuinte,  com  jornada  de  trabalho  idêntica  à  dos  demais  empregados.  Ainda que se admita a alegação sem qualquer prova, considerando que o agente público tem fé  pública,  a verdade  é  que  a  autoridade  lançadora  não  esclareceu  qual  foi  a  frequência  nem  o  período em que  identificou a presença física do  indivíduo nas dependências da Contribuinte.  Ao  longo de  todo  o  período  em que  a  fiscalização  estava  ocorrendo,  ou  ao  longo de  todo  o  período objeto do lançamento?   Recorde­se que não alega que essa pessoa  física utilizasse crachá, nem que  tivesse sala própria com seu nome e logotipo da empresa, como identificou em relação a outros  indivíduos.  Tampouco  identificou  o  pagamento  de  vale  transporte,  tickets  alimentação  ou  planos de saúde.  Os únicos argumentos relevantes são que havia um acréscimo do faturamento  na mesma época em que eram distribuídos o PLR e que as notas fiscais eram sequenciais.  Entretanto,  como  bem  registrou  a Contribuinte,  a  autoridade  lançadora  não  demonstrou  haver  uma  correlação  de  quantidade,  não  demonstrou,  por  exemplo,  que  o  faturamento  aumentava  de  maneira  proporcional  à  PLR  que  foi  paga  aos  segurados  formalmente empregados. Apenas indicou a coincidência temporal.   Ainda  nesse  sentido,  conforme  levantamento  dos  faturamentos  e  do  PLR  realizado  pela  própria  autoridade  lançadora  (fls.  176/177),  percebe­se  que  o  faturamento  aumentou  11,4  vezes  em  2003,  7,6  vezes  em  2004  e  17,3  vezes  em  2005.  São  realmente  acréscimos  consideráveis,  os  quais  a  Contribuinte  não  explicou.  Contudo,  nem  por  isso  é  possível  presumir,  sem  qualquer  embasamento  comprobatório  nem  mesmo  alegação  calculadas,  que  a  PLR  era  paga  na medida  de  tantas  vezes  o  "salário"  (já  que  a  autoridade  Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.034          30 lançadora enquadrou como segurado empregado, então considerou os valores faturados como  salário). Ainda que assim não fosse, o fato de que a Contribuinte pagasse um valor pelo mesmo  fato da PLR não é suficiente para demonstrar a existência de subordinação jurídica, elemento  indispensável para a configuração da relação empregatícia.   A questão de as notas  fiscais  serem sequenciais  tampouco é suficiente para  configurar o vínculo empregatício. A verdade é que a exclusividade não é elemento do vínculo  empregatício; uma pessoa pode ser segurada empregada de mais de uma empresa. Em sentido  inverso,  o  fato  de  que  a  prestação  de  serviço  é  precipuamente  realizada  em  favor  de  uma  empresa não implica criar vínculo empregatício.  Enfim, o fato de que a pessoa física constava no organograma com o título de  Gerente de Contratos  realmente é  estranho, uma vez que,  tal  como anotado anteriormente,  o  cargo  de  gerente  é  intimamente  ligado  à  gestão  da  empresa.  Contudo,  isoladamente,  esse  elemento não é suficiente para demonstrar a existência de subordinação jurídica.   Por essas razões, entendo que a autoridade lançadora não logrou demonstrar  com suficiente segurança a existência de vínculo empregatício em relação a essa pessoa física,  razão pela qual esse levantamento deve ser excluído da base de cálculo.  9.  Levantamento  LCE  ­  José Ary  Lobão  ­  LCE  José Ary  Lobão  ­ Gerente  Qualidade  Além  de  afirmar  no  item  4.4.  que  essa  pessoa  efetuava  o  seu  trabalho  nas  próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados,  a  autoridade  lançadora  anotou  no  item  4.3.  que  essa  pessoa  ocupava  o  cargo  de Gerente  de  Qualidade. No  item 4.7.  anotou, outrossim, que o  faturamento da pessoa  jurídica  referente  a  esse indivíduo teve um relevante crescimento justamente no período em que a empresa pagou a  PLR dos demais empregados.  Em  sua  defesa,  a  Contribuinte  anota  que  a  empresa  foi  constituída  em  11/10/1995, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora sob análise só foi emitida em  janeiro  de  2000.  São,  portanto,  4,5  anos  de  diferença.  Afirma,  também,  que  essa  pessoa  também  prestou  serviços  a  outras  empresas,  demonstrando  que  não  houve  o  propósito  de  fraudar a legislação trabalhista.  De  qualquer  sorte,  ressalta  que  a  pessoa  física  não  trabalhava  nas  dependências da empresa, não portava crachá, não recebia vale­transporte nem era beneficiário  de  qualquer  plano  de  saúde.  Quanto  ao  PLR,  anota  que  não  há  nenhum  dado  concreto  vinculando o pagamento efetuado a esse prestador de serviço ao programa de benefícios, não  sendo indicado o suposto índice de participação nos lucros.  Pois bem.  O presente caso se aproxima do Levantamento JAC, item 8, acima, uma vez  que  não  há  nenhum  elemento  que  indique  que  essa  pessoa  física  tenha  atuado  formalmente  como segurado empregado durante o período objeto da autuação, nem que tenha se desligado  do  vínculo  empregatício  com  a  empresa  para,  ato  contínuo,  passar  continuar  exercendo  a  mesma atividade na forma de prestador de serviço por pessoa jurídica.  Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.035          31 A  autoridade  lançadora  afirmou  que  essa  pessoa  física  trabalhava  nas  dependências  da  Contribuinte,  com  jornada  de  trabalho  idêntica  à  dos  demais  empregados.  Ainda que se admita a alegação sem qualquer prova, considerando que o agente público tem fé  pública,  a verdade  é  que  a  autoridade  lançadora  não  esclareceu  qual  foi  a  frequência  nem  o  período em que  identificou a presença física do  indivíduo nas dependências da Contribuinte.  Ao  longo de  todo  o  período  em que  a  fiscalização  estava  ocorrendo,  ou  ao  longo de  todo  o  período objeto do lançamento?   Recorde­se que não alega que essa pessoa  física utilizasse crachá, nem que  tivesse sala própria com seu nome e logotipo da empresa, como identificou em relação a outros  indivíduos.  Tampouco  identificou  o  pagamento  de  vale  transporte,  tickets  alimentação  ou  planos de saúde.  O único  argumento  relevante  é que  havia um  acréscimo do  faturamento  na  mesma época em que eram distribuídos o PLR. Entretanto, como bem registrou a Contribuinte,  a autoridade lançadora não demonstrou haver uma correlação de quantidade, não demonstrou,  por exemplo, que o faturamento aumentava de maneira proporcional à PLR que foi paga aos  segurados formalmente empregados. Apenas indicou a coincidência temporal.   Ainda  nesse  sentido,  conforme  levantamento  dos  faturamentos  e  do  PLR  realizado  pela  própria  autoridade  lançadora  (fls.  176/177),  percebe­se  que  o  faturamento  aumentou 4,5 vezes em 2003, 4,3 vezes em 2004 e 5 vezes em 2005. São realmente acréscimos  consideráveis,  os  quais  a  Contribuinte  não  explicou.  Contudo,  nem  por  isso  é  possível  presumir, sem qualquer embasamento comprobatório nem mesmo alegação calculadas, que a  PLR era paga na medida de tantas vezes o "salário" (já que a autoridade lançadora enquadrou  como  segurado  empregado,  então  considerou  os  valores  faturados  como  salário). Ainda  que  assim não fosse, o fato de que a Contribuinte pagasse um valor pelo mesmo fato da PLR não é  suficiente para demonstrar a existência de subordinação jurídica, elemento indispensável para a  configuração da relação empregatícia.   Enfim, o fato de que a pessoa física constava no organograma com o título de  Gerente de Qualidade realmente é estranho, uma vez que,  tal como anotado anteriormente, o  cargo  de  gerente  é  intimamente  ligado  à  gestão  da  empresa.  Contudo,  isoladamente,  esse  elemento não é suficiente para demonstrar a existência de subordinação jurídica.  De  outro  lado,  a  Contribuinte  trouxe  aos  autos  provas  de  que  essa  pessoa  jurídica também prestou serviços a outras empresas, que não a Recorrente, durante o período  objeto da autuação (fls. 441/443).   Por essas razões, entendo que a autoridade lançadora não logrou demonstrar  com suficiente segurança a existência de vínculo empregatício em relação a essa pessoa física,  razão pela qual esse levantamento deve ser excluído da base de cálculo.  10. Levantamento ACO ­ José Rodrigues F. Barbosa Filho ­ Aconte Consult.  Eng. Ltda. ­ Diretor Administr. Contratual  Além  de  afirmar  no  item  4.4.  que  essa  pessoa  efetuava  o  seu  trabalho  nas  próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados,  a autoridade lançadora anotou nos itens 4.3. e 4.5. que essa pessoa ocupava o cargo de Diretor  Administrativo  Contratual.  No  item  4.7.  anotou,  outrossim,  que  o  faturamento  da  pessoa  Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.036          32 jurídica  referente  a  esse  indivíduo  teve  um  relevante  crescimento  justamente  no  período  em  que a empresa pagou a PLR dos demais empregados.   Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais.  Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a  GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178).  Em  sua  defesa,  a  Contribuinte  anota  que  a  empresa,  sediada  em  Simões  Filho/BA,  foi  constituída em 25/03/2003. Ressalta que  essa pessoa  jurídica  também prestava  serviços  a  outras  empresas,  indicando  pelo  menos  uma.  Também,  que  a  pessoa  física  não  trabalhava nas dependências da empresa, não portava crachá, não recebia vale transporte nem  era beneficiário de qualquer plano de saúde.  A Recorrente contesta também o argumento de que foram pagas parcelas de  PLR,  apontando que  a  autoridade  lançadora não  apresentou  nenhum  suporte  fático. Defende  que o ônus da prova cabe à autoridade lançadora, sendo prova diabólica a exigência de que ela,  a Contribuinte, faça prova de um fato negativo.  Outrossim,  afirma que o  argumento  da DRJ no  sentido  de que  essa  pessoa  física  foi  formalmente  contratada  como  empregada  em  2011  não  pode  prevalecer.  Pelo  contrário,  demonstra  que  antes  havia  prestação  de  serviço,  e  que  esse  foi  suficientemente  técnico  e  eficiente  que  a  Recorrente,  então  contratante,  entendeu  ser  válido  efetivar  a  contratação pelo vínculo "celetista".   Pois bem.  O  presente  caso  se  aproxima  do  Levantamento  JAC  e  LCE,  itens  8  e  9,  acima, uma vez que não há nenhum elemento que indique que essa pessoa física tenha atuado  formalmente como segurado empregado durante o período objeto da autuação, nem que tenha  se  desligado  do  vínculo  empregatício  com  a  empresa  para,  ato  contínuo,  passar  continuar  exercendo a mesma atividade na forma de prestador de serviço por pessoa jurídica.  A  autoridade  lançadora  afirmou  que  essa  pessoa  física  trabalhava  nas  dependências  da  Contribuinte,  com  jornada  de  trabalho  idêntica  à  dos  demais  empregados.  Ainda que se admita a alegação sem qualquer prova, considerando que o agente público tem fé  pública,  a verdade  é  que  a  autoridade  lançadora  não  esclareceu  qual  foi  a  frequência  nem  o  período em que  identificou a presença física do  indivíduo nas dependências da Contribuinte.  Ao  longo de  todo  o  período  em que  a  fiscalização  estava  ocorrendo,  ou  ao  longo de  todo  o  período objeto do lançamento?   Recorde­se que não alega que essa pessoa  física utilizasse crachá, nem que  tivesse sala própria com seu nome e logotipo da empresa, como identificou em relação a outros  indivíduos.  Tampouco  identificou  o  pagamento  de  vale  transporte,  tickets  alimentação  ou  planos de saúde.  Os únicos argumentos relevantes são que havia um acréscimo do faturamento  na mesma época em que eram distribuídos o PLR e que as notas fiscais eram sequenciais.  Entretanto,  como  bem  registrou  a Contribuinte,  a  autoridade  lançadora  não  demonstrou  haver  uma  correlação  de  quantidade,  não  demonstrou,  por  exemplo,  que  o  Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.037          33 faturamento  aumentava  de  maneira  proporcional  à  PLR  que  foi  paga  aos  segurados  formalmente empregados. Apenas indicou a coincidência temporal.   Ainda  nesse  sentido,  conforme  levantamento  dos  faturamentos  e  do  PLR  realizado  pela  própria  autoridade  lançadora  (fls.  176/177),  percebe­se  que  o  faturamento  aumentou 8,5 vezes em 2003, 5,5 vezes em 2004 e 9 vezes em 2005. São realmente acréscimos  consideráveis,  os  quais  a  Contribuinte  não  explicou.  Contudo,  nem  por  isso  é  possível  presumir, sem qualquer embasamento comprobatório nem mesmo alegação calculadas, que a  PLR era paga na medida de tantas vezes o "salário" (já que a autoridade lançadora enquadrou  como  segurado  empregado,  então  considerou  os  valores  faturados  como  salário). Ainda  que  assim não fosse, o fato de que a Contribuinte pagasse um valor pelo mesmo fato da PLR não é  suficiente para demonstrar a existência de subordinação jurídica, elemento indispensável para a  configuração da relação empregatícia.   A questão de as notas  fiscais  serem sequenciais  tampouco é suficiente para  configurar o vínculo empregatício. A verdade é que a exclusividade não é elemento do vínculo  empregatício; uma pessoa pode ser segurada empregada de mais de uma empresa. Em sentido  inverso,  o  fato  de  que  a  prestação  de  serviço  é  precipuamente  realizada  em  favor  de  uma  empresa não implica criar vínculo empregatício.  Acontece  que,  in  casu,  a Contribuinte  trouxe  aos  autos  provas  de  que  essa  pessoa  jurídica  também prestou  serviços  a outras  empresas,  que não  a Recorrente,  durante o  período objeto da autuação (fls. 461/463).   Enfim, o fato de que a pessoa física constava no organograma com o título de  Diretor  Administrativo  Contratual  realmente  é  estranho,  uma  vez  que,  tal  como  anotado  anteriormente,  o  cargo  de  diretor  é  intimamente  ligado  à  gestão  da  empresa.  Contudo,  isoladamente,  esse  elemento  não  é  suficiente  para  demonstrar  a  existência  de  subordinação  jurídica.  Por essas razões, entendo que a autoridade lançadora não logrou demonstrar  com suficiente segurança a existência de vínculo empregatício em relação a essa pessoa física,  razão pela qual esse levantamento deve ser excluído da base de cálculo.  11. Levantamento HIP ­ Paulo César Dutra Silva ­ Hippocon Cônsul. e Eng.  Ltda. ­ Staff  Além  de  afirmar  no  item  4.4.  que  essa  pessoa  efetuava  o  seu  trabalho  nas  próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados,  a autoridade lançadora anotou no item 4.3. que essa pessoa ocupava o cargo de Staff.  Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais.  Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a  GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178).  Em  sua  defesa,  a  Contribuinte  anota  que  a  empresa,  sediada  no  Rio  de  Janeiro, foi constituída em 22/09/1999, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora  sob análise só foi emitida em março de 2005. São, portanto, 5,5 anos de diferença.  Outrossim, esclareceu que a pessoa física não trabalhava nas dependências da  Contribuinte, não portava crachá, não recebia vale transporte nem era beneficiário de plano de  Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.038          34 saúde. Quanto ao argumento de que houve emissão sequencial de notas fiscais, registra que a  exclusividade não é requisito da relação empregatícia. Em suma, conclui que cabe à autoridade  lançadora comprovar o vínculo de emprego, e não ao contribuinte comprovar a prestação do  serviço.  Pois bem.  O presente caso se aproxima do Levantamento JAC, LCE e ACO, itens 8, 9 e  10, acima, em que pese  seja ainda mais  simples, uma vez que não há nenhum elemento que  indique que essa pessoa física tenha atuado formalmente como segurado empregado durante o  período  objeto  da  autuação,  nem  que  tenha  se  desligado  do  vínculo  empregatício  com  a  empresa  para,  ato  contínuo,  passar  continuar  exercendo  a  mesma  atividade  na  forma  de  prestador de serviço por pessoa jurídica.  A  autoridade  lançadora  afirmou  que  essa  pessoa  física  trabalhava  nas  dependências  da  Contribuinte,  com  jornada  de  trabalho  idêntica  à  dos  demais  empregados.  Ainda que se admita a alegação sem qualquer prova, considerando que o agente público tem fé  pública,  a verdade  é  que  a  autoridade  lançadora  não  esclareceu  qual  foi  a  frequência  nem  o  período em que  identificou a presença física do  indivíduo nas dependências da Contribuinte.  Ao  longo de  todo  o  período  em que  a  fiscalização  estava  ocorrendo,  ou  ao  longo de  todo  o  período objeto do lançamento?   Recorde­se que não alega que essa pessoa  física utilizasse crachá, nem que  tivesse sala própria com seu nome e logotipo da empresa, como identificou em relação a outros  indivíduos. Tampouco identificou o pagamento de vale transporte, tickets alimentação, PLR ou  planos de saúde.  O  único  argumento  relevante  do  lançamento  é  que  as  notas  fiscais  eram  sequenciais. Essa questão, entretanto, não é suficiente para configurar o vínculo empregatício.  A verdade é que a exclusividade não é elemento do vínculo empregatício; uma pessoa pode ser  segurada empregada de mais de uma empresa. Em sentido inverso, o fato de que a prestação de  serviço  é  precipuamente  realizada  em  favor  de  uma  empresa  não  implica  criar  vínculo  empregatício.  Ademais, a autoridade lançadora identificou que essa pessoa ocupava o cargo  de  Staff,  baseando­se  exclusivamente  no  organograma  apresentado  pela  Contribuinte.  Retornando  a  esse  documento  (fl.  194),  percebe­se  que  esse  indivíduo  estava  vinculado  à  Diretoria Comercial. Essa é a única informação que a autoridade lançadora trouxe, não tendo  demonstrado  qual  era  a  atividade  desenvolvida,  pela  pessoa  física,  de  que  forma  estava  subordinada  juridicamente,  nada.  Não  é  possível,  nessa  senda,  admitir  o  enquadramento  da  pessoa  física  como  segurado  empregado  se não  há,  sequer,  identificação  de  qual  a  atividade  que desenvolvia.  Por essas razões, entendo que a autoridade lançadora não logrou demonstrar  com suficiente segurança a existência de vínculo empregatício em relação a essa pessoa física,  razão pela qual esse levantamento deve ser excluído da base de cálculo.  12.  Levantamento  CLS  ­  Paulo  de  Tarso  Coelho Hyppolito  ­  CL  Serviços  Especializados S/C Ltda. ­ Diretor Obras de Dutos  Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.039          35 Além  de  afirmar  no  item  4.4.  que  essa  pessoa  efetuava  o  seu  trabalho  nas  próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados,  a autoridade lançadora anota no item 4.2. do seu lançamento que essa pessoa é ex­empregado  da  GDK.  Também,  que  rescindiram  o  contrato  de  trabalho  e  passaram  a  ser  remunerados  através das pessoas jurídicas constituídas. No item 4.3. esclareceu que esse era o Diretor Obras  de Dutos.  Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais.  Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a  GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178).  Em  sua  defesa,  a  Contribuinte  anota  que  a  empresa  foi  constituída  em  03/04/2002, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora sob análise só foi emitida em  outubro de 2004. São, portanto, 2,5 anos de diferença.   Ressalta que a autoridade lançadora não indicou um único indício da relação  de emprego. Pelo contrário, ele não trabalhava nas dependências da Contribuinte, não portava  crachá, não recebia 13º salário, PLR, vale transporte ou plano de saúde. Pelo contrário, o único  registro é que ele seria ex­empregado, e teria rescindido o contrato de emprego para constituir a  pessoa  jurídica. Acontece  que,  como  registrado  no  parágrafo  anterior,  apontou  que  a  pessoa  jurídica  foi  constituída  dois  anos  antes.  Enfim,  afirmou  que  o  ex­empregado  se  desligou  da  empresa por livre e espontânea vontade, passando a atuar como pessoa jurídica e, apenas após  dois anos e meio, foi contratado pela recorrente para prestar serviço.  Defende que a DRJ  inovou na  fundamentação em relação a esse  indivíduo,  apontando  que  houve  emissão  sequencial  de  notas  fiscais  e  que  a  pessoa  física  figurava  no  organograma da recorrente.   Pois bem.  Em primeiro lugar, não assista razão à Recorrente quando afirma que a DRJ  inovou ao apontar a questão da emissão sequencial das notas fiscais. Como anotado parágrafos  acima, a autoridade lançadora utilizou sim esse argumento em relação a essa empresa no item  4.10 do relatório fiscal (fl. 178).  De  qualquer  forma,  é  fato  que  essa  pessoa  física  é  ex­empregada  da  Contribuinte.  Também  é  fato  que,  após  a  rescisão  do  contrato  de  trabalho,  passou  a  prestar  serviços por meio da pessoa jurídica, emitindo notas fiscais. Contudo, não é possível identificar  o presente caso àqueles tratados nos Levantamentos FCB e AED, itens 5 e 6, acima.  Nestes  outros  dois  levantamentos  a  rescisão  do  contrato  de  trabalho  foi  seguida  imediatamente  do  início  da  prestação  de  serviços  por  meio  de  pessoa  jurídica.  No  presente Levantamento CLS, conforme a própria autoridade  lançadora (item 4.2. do relatório  fiscal,  fl.  174),  a  rescisão  ocorreu  em  26/03/2004,  porém  a  primeira  nota  fiscal  foi  emitida  apenas  em  31/10/2004.  Ou  seja,  transcorreram  7  (sete)  meses  entre  o  fim  do  vínculo  empregatício e o início da prestação de serviço. Portanto, não há sentido falar em continuidade  da relação.   Superada essa questão, é importante registrar que a autoridade lançadora não  alega que  essa pessoa  física utilizasse crachá, nem que  tivesse  sala própria com seu nome e  Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.040          36 logotipo da empresa, como identificou em relação a outros indivíduos. Tampouco identificou o  pagamento de vale transporte, tickets alimentação, PLR ou planos de saúde.  Além  da  afirmação  de  que  se  trata  de  ex­empregado,  já  superada,  o  único  argumento  relevante  do  lançamento  é  que  as  notas  fiscais  eram  sequenciais.  Essa  questão,  entretanto,  não  é  suficiente  para  configurar  o  vínculo  empregatício.  A  verdade  é  que  a  exclusividade  não  é  elemento  do  vínculo  empregatício;  uma  pessoa  pode  ser  segurada  empregada de mais de uma empresa. Em sentido inverso, o fato de que a prestação de serviço é  precipuamente realizada em favor de uma empresa não implica criar vínculo empregatício.  Enfim, o fato de que a pessoa física constava no organograma com o título de  Diretor de Obras de Dutos realmente é estranho, uma vez que, tal como anotado anteriormente,  o  cargo  de  diretor  é  intimamente  ligado  à  gestão  da  empresa.  Contudo,  isoladamente,  esse  elemento não é suficiente para demonstrar a existência de subordinação jurídica.  Por essas razões, entendo que a autoridade lançadora não logrou demonstrar  com suficiente segurança a existência de vínculo empregatício em relação a essa pessoa física,  razão pela qual esse levantamento deve ser excluído da base de cálculo.  13. Levantamento GAS ­ Sérgio Souza Bocaletti ­ Gasbol Eng. Ltda.  Tal  como  as  demais  pessoas  identificadas  antes,  a  autoridade  lançadora  afirmou no item 4.4. que esse indivíduo efetuava o seu trabalho nas próprias dependências da  Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados. Entretanto, no item 4.3.,  no qual identificou os cargos ocupados pelas pessoas físicas, não houve indicação de nenhum  cargo específico para essa pessoa.  Em sua defesa, a Contribuinte anota que a empresa  foi constituída por dois  engenheiros ­ a pessoa física identificada e outro ­ em 12/05/2000, enquanto a primeira fatura  em relação ao vínculo ora sob análise só foi emitida em setembro de 2001. São, portanto, 1,3  anos de diferença. Com sede no Rio de Janeiro, a empresa tinha todos os alvarás, bem como  prestou serviços para diversas outras empresas,  listando 8 (oito),  tanto no RJ quando em São  Paulo, capital e São Bernardo do Campo, e ainda em Simões Filho/BA.  Nessa  sendo,  a  Contribuinte  anota  que  a  própria  autoridade  lançadora  não  identificou  que  esse  indivíduo  trabalhava  nas  dependências,  que  portava  crachá,  que  recebia  13º salário, PLR, vale­transporte nem plano de saúde, bem como, enfim, não foram emitidas  notas fiscais sequenciais.  Admite que o Sr. Sérgio foi empregado da contribuinte entre dezembro/2002  e  dezembro/2003,  atuando  como  Diretor  Regional,  conforme  as  atas  indicadas  pela  DRJ.  Entretanto,  afirma  que  essa  pessoa  estava  devidamente  registrada,  recebendo  salário  como  contraprestação desse trabalho. Como provas, apresenta os contracheques (fls. 696/739). Essa  relação de emprego não se relaciona de forma alguma com o serviço prestado pela empresa. De  qualquer sorte, que ele se desligou da empresa em abril/2004, não mais figurando nas atas do  conselho de administração.  Pois bem.  O lançamento em relação a essa pessoa se sustentou única e exclusivamente  no fato de que esse indivíduo trabalhava nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo  Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.041          37 a jornada dos demais empregados. Efetivamente, a única menção que faz a essa pessoa física  ou à pessoa jurídica é na tabela que acompanha o item 4.3. do relatório fiscal.   Tamanha é a falta de fundamento em relação a essa pessoa que, nessa tabela,  sequer foi  identificado qual seria o cargo ou a função exercida por ele. Ou seja, a autoridade  lançadora  afirma  que  os  valores  pagos  à  Gasbol  Engenharia  Ltda.  eram,  na  verdade,  remuneração  pelo  trabalho  com  vínculo  empregatício  do  Sr.  Sérgio  Bocaletti. Mas  qual  era  esse trabalho? Não explica.   Desde já, por esse fato, não é possível manter o lançamento em relação a esse  levantamento.   Ainda que assim não fosse, a verdade é que a autoridade lançadora não alega  que essa pessoa física utilizasse crachá, nem que tivesse sala própria com seu nome e logotipo  da  empresa,  como  identificou  em  relação  a  outros  indivíduos.  Tampouco  identificou  o  pagamento de vale transporte, tickets alimentação, PLR ou planos de saúde. Em suma, não há  nenhum desses indícios em relação a essa pessoa física.  Uma  vez  que  a  DRJ  anotou  que  essa  pessoa  física  era  sim  segurado  empregado da Contribuinte durante parte do período objeto do lançamento, em clara inovação  em relação ao auto de infração, a Contribuinte esclarece que ele trabalhou como diretor durante  certo  período.  Ainda  assim,  afirma  que  ele  estava  devidamente  registrado  e  recebeu  salário  como remuneração do seu trabalho de empregado. Isso não impede nem exclui a possibilidade  de a Contribuinte contratar a pessoa jurídica para a prestação de serviços.   É  o  mesmo  argumento  já  utilizado  em  relação  a  outros  levantamentos,  e  adota­se  aqui  a  mesma  solução:  conquanto  a  pessoa  física  tenha  recebido  salário  pelo  seu  trabalho, não há que se confundir os valores pagos a outra pessoa, esta jurídica, pela prestação  de serviços. Caberia à autoridade lançadora, isso sim, demonstrar que o salário era insuficiente  e que estava sendo integralizado "por fora", e que não tinha havido a prestação do serviço pela  pessoa  jurídica.  Registra­se,  entretanto,  que  a  autoridade  lançadora  sequer  suscitou  essa  questão, que ora se discute exclusivamente em função da inovação da DRJ.  Outrossim, ainda buscando demonstrar a veracidade da prestação de serviços  pela pessoa jurídica, a Contribuinte juntou aos autos diversas notas fiscais emitidas pela pessoa  jurídica prestadora de serviço em relação a outras empresas, inclusive durante o período objeto  do lançamento (fls. 407/418).  Por todos esses motivos, entendo que esse levantamento deve ser excluído da  base de cálculo.   14.  Levantamento  TAD  ­  Tadeusz  Janiszewski  ­  Tadeusz  Medeiros  Janiszewski ­ Gerente Tecnologia Inform.  Além  de  afirmar  no  item  4.4.  que  essa  pessoa  efetuava  o  seu  trabalho  nas  próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados,  a autoridade  lançadora anotou nos  itens 4.3., 4.4.  e 4.5. que essa pessoa ocupava o  cargo de  Gerente de Tecnologia da Informação. Especificamente, afirmou no item 4.4. que ele tinha sala  própria,  com  seu  nome  e  cargo  fixado  na  porta,  com  o  logotipo  da  GDK  ao  lado  da  sala  disponibilizada para a equipe de auditoria.   Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.042          38 Ainda conforme a autoridade lançadora, no item 4.6., a empresa dessa pessoa  emitiu nota fiscal em 12/12/2005 (consta à fl. 196) discriminando uma parcela de "R$ 17.710,  referentes  ao 13º". Também  registrou que  fatura dessa pessoa  jurídica  em dezembro de 204,  2005 e 2006 foram exatamente o dobro dos faturamentos dos meses anteriores, nos respectivos  anos.  Interpretou esse pagamento como pagamento de 13º salário, que é direito exclusivo do  segurado empregado. Os valores constam do anexo VI (fls. 215/223).   No  item  4.7.  anotou,  outrossim,  que  o  faturamento  da  pessoa  jurídica  referente  a  esse  indivíduo  teve  um  relevante  crescimento  justamente  no  período  em  que  a  empresa pagou a PLR dos demais  empregados. Ainda, no  item 4.9.,  apurou que  essa pessoa  consta  na  lista  de  dezembro/2006  dos  empregados  que  receberam  os  benefícios  de  vale­ transporte e ticket alimentação (relação às fls. 209/214).  Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais.  Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a  GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178).  Em  sua  defesa,  a  Contribuinte  anota  que  a  empresa  foi  constituída  em  22/11/1990, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora sob análise só foi emitida em  março de 2003. São, portanto, 13 (treze) anos de diferença.   Com relação à nota fiscal de 2005, afirma a Contribuinte que se trata de fato  isolado, ocorrido apenas nessa oportunidade e com esse prestador de serviço, de sorte que não  pode  ser  generalizado.  Outrossim,  que  está  dentro  da  liberdade  contratual  das  pessoas  remunerar  os  serviços  da  forma  como  bem  entenderem.  De  qualquer  sorte,  que  não  há  obrigatoriedade desse pagamento em dobro, e somente se fosse obrigatório é que se qualificaria  como  13º  salário.  Enfim,  que  foi  mero  erro,  o  que  é  ratificado  pelo  fato  de  que  não  foi  observado  em  nenhuma  outra  nota  fiscal.  Em  relação  às  questões  como  PLR,  13º  e  vale  transporte, remete aos itens anteriores.   Pois bem.  Há  que  se  observar  que  a  assistência  médica,  o  vale  transporte  e  o  ticket  alimentação são benefícios normalmente oferecidos a segurados empregados, e não empresas  contratadas. O que é mais, no mínimo é incomum que, em uma relação comercial normal entre  empresas,  uma  delas  faça  pagamentos  de  liberalidades,  oferecendo  benefícios  não  exigidos  pelo contrato. O mesmo deve ser dito em relação ao 13º salário, que é pago aos trabalhadores  como  complemento  do  salário  ao  longo  do  ano,  não  havendo  razão  para  a  empresa  pagar  a  outra empresa por um serviço que não recebeu ­ se são 12 (doze) meses de serviços contínuos,  não há razão para pagar por 13 (treze) meses.  Efetivamente,  a  constatação  de  que  determinada  nota  fiscal  tinha  como  descrição  de  "13º"  não  pode  ser  generalizada,  aplicando­se  como  indício  em  relação  aos  demais levantamentos. Contudo, é sim indício em relação ao levantamento que tem por objeto  exatamente esse pagamento.   É interessante anotar, nesse contexto, que na Nota Fiscal de dezembro/2005  (fl. 196), mencionada pela autoridade lançadora, em que pese a descrição dos serviços apenas  faz referência aos "Serviços prestados de consultoria para a TI ­ Tecnologia da Informação no  período de dezembro / 2005 Ref. 13º", na coluna valor estão discriminados dois valores de R$  17.710,00, e no  total consta R$ 35.420,00. Ou seja,  realmente há um indício de que houve o  Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.043          39 pagamento da remuneração mensal normal e de uma 13ª remuneração, esta não justificada pela  Recorrente a razão pela qual foi paga para uma prestadora de serviço pessoa jurídica.  Anota­se, em outro giro, que a pessoa física  tinha sala nas dependências da  Contribuinte, com seu nome e cargo, mas logotipo da Recorrente,  identificados na porta. Em  conjunto com os demais elementos, são indícios fortes no sentido de demonstrar a existência de  vínculo empregatício, e não meramente de prestação de serviço por pessoa jurídica.   De outro lado, a Contribuinte não trouxe aos autos nenhuma prova ou indício  com efeito de infirmar ou de sequer por em dúvidas as constatações da autoridade lançadora.  Por exemplo, não esclareceu a razão pela qual eram pagos os benefícios pagos aos segurados  empregados nem demonstrou que a pessoa jurídica tenha prestado serviços a outras empresas.  Claro  que  este  último  ponto  não  é  indispensável,  porém  seria  um  indício  em  seu  favor  no  sentido de que na realidade, e não apenas formalmente, se tratava de uma prestadora de serviço  autônoma e não um segurado empregado.   Enfim, é necessário lembrar que o enquadramento realizado pela autoridade  lançadora  de  pessoa  física  como  segurado  empregado  é  normalmente  feita  com  base  em  indícios. Se houvessem provas cabais da relação empregatícia, então por certo que a pessoa já  estaria assim declarada.   Em suma, considerando que os indícios da existência de vínculo empregatício  são  consideráveis  em  relação a  essa pessoa  física,  e que  a Contribuinte não  traz provas para  infirmá­los, entendo que deve ser mantido o lançamento.  Decadência  Uma vez  que  foram mantidos  diversos  lançamentos,  não  perdeu  o  objeto  a  análise da questão da decadência. Pelo  contrário,  feitas  as  análises  e  extraídas  as  conclusões  acima expostas, é possível julgar essa questão com melhor embasamento.  Matéria julgada e vedação do non reformatio in pejus  Em  primeiro  lugar,  a  Contribuinte  argumenta  pela  impossibilidade  de  reanálise  da  questão  em  seu  prejuízo.  Esclarece  que  a  1ª  decisão  da  DRJ  reconheceu  a  decadência pela regra do art. 150, § 4º, do CTN, e a matéria não  foi devolvida a  julgamento  pelo  recurso  voluntário.  Dessa  forma,  mesmo  que  tenha  sido  reconhecida  a  nulidade  da  decisão, não poderia a 2ª decisão da DRJ se pronunciar sobre a matéria, sob pena de ofensa ao  princípio da non reformatio in pejus.   Esse  argumento  não  pode  prevalecer.  A  verdade  é  que  ao  reconhecer  a  nulidade  da  1ª  decisão  da  DRJ,  este  CARF  retirou­lhe  todo  e  qualquer  efeito.  Em  outras  palavras, deve­se considerar como se não existisse essa primeira decisão, e certamente não se  pode admitir a existência de "trânsito em julgado" de decisão nula. Difere a hipótese, portanto,  de uma decisão de embargos, por exemplo, na qual a decisão embargada é reti­ratificada, sendo  integralizada em relação à sua falha, porém mantida em relação ao resto.  Nesse  caminho,  a  DRJ  tinha  a  obrigação  de  reanalisar  a  impugnação,  julgando­a em sua inteireza.   Da simulação  Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.044          40 Pleiteia a Contribuinte, subsidiariamente, que a decadência deve ser apurada  conforme  a  regra do  art.  150, § 4º,  do CTN. Argumenta que houve declaração  e pagamento  antecipado  e  que  não  restou  demonstrada  a  ocorrência  de  simulação.  Nessa  linha,  que  o  lançamento não acusou a ocorrência de simulação em momento algum, de sorte que não pode a  DRJ  revalorar os  fatos. De qualquer sorte, que verdadeiramente  inexiste vínculo de emprego  entre os prestadores de  serviço e a  recorrente,  e que não basta a mera  indicação de  indícios,  sendo necessário verdadeiramente provar a ocorrência de simulação.  Em primeiro lugar, é necessário  registrar que o relatório fiscal foi cristalino  ao apontar a ocorrência de sonegação dolosa:  "4.1.  A  GDK  S/A  remunera  seus  membros  da  alta  gestão  por  meio de notas  fiscais de pessoas  jurídicas por  eles  constituídas  para  esta  finalidade.  Note­se  que,  como  demonstraremos  no  decorrer  deste  relatório,  os  sócios  das  supostas  pessoas  jurídicas,  possuem  todas  as  características  da  relação  de  emprego.  Trata­se,  desta  forma,  de  tentativa  de  camuflar  a  relação de emprego, utilizando, em tese, de conduta tipificada no  art.  337­A  do  Código  Penal  vigente  (Sonegação  Fiscal  Previdenciária)." ­ fl. 174  Portanto, não há que se falar em inovação da DRJ.   De outro lado, analisando essa questão, a decisão deixou de aplicar a regra do  art.  150,  §  4º,  do  CTN  exatamente  porque,  no  seu  entender,  foi  constatada  a  ocorrência  de  simulação. Esse comando  legal  realmente  ressalva, em sua parte  final,  a  sua  inaplicabilidade  quando  ficar  comprovada  a ocorrência de dolo,  fraude ou  simulação. Portanto,  uma vez que  não se pode aplicar essa norma, utilizou­se a DRJ da regra do art. 173, I, do mesmo diploma  legal.  A  verdade  é  que,  a  despeito  das  alegações  da  Contribuinte,  foi  sim  identificada a ocorrência de simulação.   Efetivamente, nas linhas anteriores ficou consignado o entendimento de que  diversos levantamentos devem ser excluídos da base de cálculo, ante a falta de comprovação da  ocorrência do  fato  gerador.  I.e.,  por não  ter  ficado demonstrado que o pagamento  se  fez  em  função de vínculo empregatício.   Ainda  assim,  é  possível  identificar  que  houve  casos  nos  quais  se  entendeu  correto  o  lançamento,  reenquadrando os  negócios  jurídico,  exatamente  porque  se  identificou  que a Contribuinte, em conluio com os segurados empregados, tentou desvirtuar indevidamente  a  relação  empregatícia.  Citam­se,  os  Levantamentos  CCM,  item  2,  e  especialmente  FCB  e  AED, itens 5 e 6, acima.  Por essas razões, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto.  Dispositivo  Diante de  tudo quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso,  para excluir da excluir da base de cálculo os valores referentes aos levantamentos MIZ, CIC,  LTP, JAC, LCE, ACO, HIP, CLS e GAS.  Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.045          41 (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Redator ad hoc    Voto Vencedor  Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora Designada  Congratulo o  i. Conselheiro Dilson  Jatahy Fonseca Neto,  pelo brilhantismo  com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento,  conforme itens a seguir apresentados.  Em relação aos "pejotizados" abaixo relacionados, entendeu o i. Relator que a  auditoria fiscal não conseguiu demonstrar a condição de segurados empregados deles. A meu  ver,  o  conjunto  probatório  acostados  aos  autos  pela  fiscalização  são  suficientes  para  a  manutenção do lançamento relativo esses segurados. Senão, vejamos:  1. Levantamento MIZ ­ Amilcar Mizher ­ MIZHER Consultoria Ltda  Conforme  relatório  fiscal, Amilcar Mizher  exercia  o  cargo  de Coordenador  de  Obra,  o  que  envolve  o  objeto  social  de  sua  empresa.  No  contrato  social  da  "pejotizada"  consta  como  objeto  gerenciamento  e  supervisão  na  área  de  engenharia  (e­fls.  420).  Nesse  sentido, para que contratar uma pessoa jurídica, para exercer as mesmas funções que seu sócio  já  exercia  na  recorrente?,  pois  segundo  consulta  ao  Sistema  Cnis  acostada  aos  autos,  ele  mantinha vínculo formal com a GDK como segurado empregado de 07/10/2002 a 07/01/2013,  o  que  também  se  comprova  pelo  direito  ao  plano  de  saúde  que  era  extensivo  aos  demais  segurados da empresa.  Assevero  que  a  auditoria  não  poderia  provar  que  não  havia  prestação  de  serviço, porque não existe prova negativa, mas considero que foi capaz de provar o pagamento  de salário indireto, com emissão de notas fiscais sequenciais para a GDK, somado a todos os  demais fatos relatados pela auditoria e ressaltados pelo julgador a quo.  3.  Levantamento  CIC  ­  Conrado  José  Morbach  ­  Cicon  Eng.  Asses.  Tec.  Planejamento ­ Diretor Obras Consórcio  Esse  "pejotizado"  aparece  no  Organograma  como  Diretor  de  Obras  em  Consórcio; aparece na relação de beneficiários do Plano de Saúde (e­fls. 207); as notas fiscais  emitidas  pela  suposta  empresa  eram  sequenciais  (e­fls.  217).  As  notas  fiscais  emitidas  para  outras empresas compreendeu o período de 1999/2001, fora do período de lançamento.  Da mesma forma que no caso anterior Conrado José manteve vínculos com a  GDK nos períodos de 10/04/2002 a 01/10/2006 e 01/07/2011 a 07/01/2003, conforme base de  dados do CNIS, o que também se comprova pelo direito ao plano de saúde que era extensivo  aos demais segurados da empresa.  O contrato social da Cicon Engenharia apresenta a seguinte Cláusula 4º: "A  sociedade  tem  por  objeto  social  à  atividade  de  consultoria  e/ou  a  elaboração  de  projetos,  Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.046          42 estudos  e  pareceres  na  área  de  engenharia  civil,  planejamento  e  assessoria  para  análise  técnica  e de  viabilidade de  empreendimentos  e  execução dos  serviços deles decorrentes.",  o  que engloba serviços de engenharia, que o segurado já exercia na empresa.  4.  Levantamento  LTP  ­  Décio  Issao  Hashigushi  ­  L.  T.P.A.  Informática  e  Com. Ltda. Staff)  O Organograma da empresa demonstra que ele atuava como staff na diretoria  comercial  e  contratual.  O  Objeto  Social  da  empresa  é  de:  "Prestação  de  Serviços  de  Consultoria  nas  áreas  de  Informática  e  Engenharia  Elétrica  e  Eletrônico,  Assessoria  na  Elaboração  de  Software  para  Processamento  Eletrônico  de  Dados,  Coordenação  e  Desenvolvimento  Empresarial  com  Curso,  Prestação  de  Serviços  com  Manutenção  de  Hardware com Comércio de Materiais".  Ademais, conforme observou o  julgador a quo, do período de 01/06/2002 a  20/07/2008  esse  "pejotizado"  possuía  vínculo  empregatício  formal  com  a  GDK,  como  Engenheiro  civil  e  afins  (CBO  2142),  o  que  também  se  comprova  pelo  direito  ao  plano  de  saúde que era extensivo aos demais segurados da empresa.  8.  Levantamento  JAC  ­  José  Alberto  Costa  Santos  ­  Jacs  Engenharia  &  Consultoria Ltda. ­ Gerente de Contratos  A auditoria demonstrou que essa "pejotizada" emitiu notas sequenciais, teve  crescimento  do  faturamento  quando  do  recebimento  do  PLR  pelos  demais  segurados  da  recorrente,  além  de  José  Alberto  constar  no  Organograma  da  recorrente  como  Diretor  de  Administração Contratual.  Portanto,  não  se  trata  de  um  fato  isolado,  mas  um  conjunto  de  fatos  interligados, que somados a  todos os demais  fatos  relatados pela auditoria e  ressaltados pelo  julgador  a  quo,  são  suficientemente  fortes  para  demonstrar  a  condição  de  empregado  do  suposto prestador de serviço.  9.  Levantamento  LCE  ­  José Ary  Lobão  ­  LCE  José Ary  Lobão  ­ Gerente  Qualidade  Esse  "pejotizado"  consta  no Organograma  da GDK  como  responsável  pela  Gerência  de  Qualidade,  subordinado  hierarquicamente  ao  Conselho  de  Administração  e  Presidência  da  recorrente;  teve  crescimento  do  faturamento  quando  do  recebimento  do  PLR  pelos demais segurados da recorrente.  10. Levantamento ACO ­ José Rodrigues F. Barbosa Filho ­ Aconte Consult.  Eng. Ltda. ­ Diretor Administr. Contratual  Esse  "pejotizado"  constava  como  Diretor  Administrativo  Contratual  no  Organograma da GDK. Consta no objeto social da Aconte Consult a "prestação de serviços de  consultoria na área de  assessoria  empresarial  nas atividades de administração contratual  e  serviços de engenharia." (e­fls. 458). Portanto, para que contratar a pessoa jurídica para prestar  os mesmos serviços que o sócio desta já prestava como Diretor na GDK? Além disso, em 2011,  ele  foi  contratado  com  vínculo  empregatício  para  a  função  de  Diretor  Administrativo  e  Financeiro (CBO 1231), conforme base de dados do CNIS. Ademais, a empresa foi constituída  em 15/03/2003, e a emissão das notas fiscais começou no mês seguinte (04/2003). Some­se a  Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.047          43 isso, a emissão de notas sequenciais, e o crescimento do faturamento da "pejotizada" quando  do recebimento do PLR pelos demais segurados da recorrente.  11. Levantamento HIP ­ Paulo César Dutra Silva ­ Hippocon Cônsul. e Eng.  Ltda. ­ Staff);  Esse  "pejotizado"  consta  no  Organograma  da  empresa  como  Staff  subordinado à Diretoria Comercial da GDK. Tem por objeto social dentre outros a "prestação  de  serviços  de  intermediação  de  negócios,  consultoria,  assessoria  e  planejamento  de  engenharia para empresas e indústrias;", portanto, objeto relacionado com a Diretoria a qual o  "pejotizado" aparece subordinado no Organograma da GDK. Relatou ainda a Auditoria que a  recorrente  foi  a  única  tomadora  de  serviços  da  Hippocon  Cônsul  no  períodos  de  03/2005  a  12/2006,  sendo  que  a  prestação  de  serviços  começou  em  03/2005,  com  a  emissão  de  notas  sequenciais.  12.  Levantamento  CLS­  Paulo  de  Tarso  Coelho  Hyppolito  ­  CL  Serviços  Especializados S/C Ltda. ­ Diretor Obras de Dutos)  Esse "pejotizado" consta no Organograma da empresa como Diretor de Obras  e Dutos. Tem por objeto social (e­fls. 513) a "prestação de serviços de engenharia consultiva,  quando  vinculados  à  execução  de  construção  civil".  Objeto  relacionado  com  função  da  Diretoria que ocupa conforme Organograma. Além disso, a emissão das notas fiscais se deu de  forma sequencial, e a GDK foi a única tomadora de serviços da "pejotizada".  Considerações comuns às "pejotizadas" acima listadas  Como se observou na descrição caso a caso das "pejotizadas", não se trata de  fato isolado, foram várias as circunstâncias que, em conjunto, conduziram à conclusão de que  esses segurados prestaram serviços por meio de pessoa jurídica, como um artifício para que a  GDK deixasse de recolher as contribuições previdenciárias em questão.   Nesse aspecto, vários indícios, todos indicando para a mesma direção, fazem  prova  do  ilícito.  É  o  que  se  deu  na  espécie  sob  análise,  em  que  a  aparente  legalidade  de  negócios  e  atos  jurídicos  não  possuem  causa  legítima,  são  simulados  e  praticados  com  a  exclusiva finalidade de o sujeito passivo eximir­se de obrigação tributária.  Entendo  que  a  fiscalização  demonstrou  que  os  expedientes  utilizados  pela  recorrente tinham por objetivo simular negócio jurídico, no qual a intenção das partes era uma,  mas a forma jurídica adotada era outra.  Acrescente­se  que  a  questão  de  as  supostas  empresas  serem  formalmente  constituídas não é suficiente para afastar os fatos encontrados durante a ação fiscal, nem o fato  de que as empresas foram constituídas anos antes da emissão das notas fiscais, visto que não é  incomum a existência de empresas de estante, que são constituídas para serem vendidas para  fins de planejamento tributário; ou poderiam ter sido constituídas tempos atrás como processo  inicial de um futuro planejamento tributário; ou ainda, terem sido constituídas anos antes para  prestação de serviços na mesma roupagem, entretanto em empresa diversa onde o segurado era  empregado; ou ainda poderia ter existido de fato e de direito em tempos atrás, mas que após um  tempo,  diante  da  contratação  do  sócio  por  alguma  empresa,  começou  a  ser  utilizada  apenas  para  encobrir  uma  relação  de  vínculo  empregatício  entre  o  sócio  e  uma  empresa  que  o  contratou.  Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10580.011953/2007­58  Acórdão n.º 2202­004.651  S2­C2T2  Fl. 1.048          44 Como se vê os argumentos utilizados pela recorrente, não são suficientes para  derrubar o  lançamento,  porque originários de análise  individualizada dos  fatos  relatados pela  auditoria. Por isso, deveria a empresa ter trazido provas hábeis, que derrubassem o que afirmou  a  fiscalização  sobre  as  empresas  descritas  neste  voto,  tais  como,  contratos  de  prestação  de  serviços, relatórios dos serviços prestados, documentos que justificassem o pagamento de notas  fiscais emitidas em valor superior nos períodos de pagamento de PLR. Mas, a recorrente não se  incumbiu de tal intento.  No caso dos  autos, vislumbro que o Auditor Fiscal conseguiu demonstrar a  natureza não­eventual dos serviços prestados pelos segurados na roupagem de pessoas jurídicas  contratadas. Além disso, as notas fiscais emitidas pelas supostas empresas, cujos sócios eram  diretores/staff/gerentes  da  GDK,  são  sequenciais,  o  que  leva  a  concluir  que  houve  exclusividade  e  continuidade  na  prestação  dos  serviços.  Some­se  a  isso  a  vinculação  de  subordinação  apresentada  no  Organograma  da  recorrente,  que  é  um  dos  instrumentos  gerenciais  que mostram  as  relações  entre  empregados,  cargos,  e  setores  de  uma  empresa. A  maioria dos "pejotizados" acima exerciam cargos de gerência, funções que não se confia a uma  pessoa jurídica. Nem se diga que eles eram Diretores não empregados, porque assim não foram  assumidos pela recorrente, como bem observou o julgador a quo.  Ao invés de querer que a fiscalização demonstrasse que não houve prestação  de  serviço,  deveria  a  recorrente  ter  se  incumbido  de  provar  a  efetividade  da  prestação  de  serviço,  pois  a  simples  apresentação  de  notas  fiscais,  que  nem  sequer  demonstram  com  natureza de detalhes os supostos serviços prestados não se fizeram acompanhar por contratos  de  prestação  de  serviços,  relatórios  e  documentos  gerados  dessa  prestação.  Portanto,  não  há  motivos  para  reformar  o  acórdão  recorrido  no  que  diz  respeito  às  "pejotizadas"  descritas  ao  longo deste voto.  Conclusão  Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso também em relação  aos  levantamentos  MIZ,  CIC,  LTP,  JAC,  LCE,  ACO,  HIP,  CLS,  devendo­se  excluir  do  lançamento apenas o levantamento GAS.  (assinado digitalmente)  Rosy Adriane da Silva Dias ­ Redatora Designada                    Fl. 1048DF CARF MF

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Numero do processo: 10825.720076/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004. SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, deve ser calculado somente sobre o valor dos bens previstos no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não sobre os serviços prestados por pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não-cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
Numero da decisão: 3201-004.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que ao presente processo seja aplicado o que foi decidido no processo administrativo nº 13888.003535/2005-69. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004. SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, deve ser calculado somente sobre o valor dos bens previstos no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não sobre os serviços prestados por pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não-cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que ao presente processo seja aplicado o que foi decidido no processo administrativo nº 13888.003535/2005-69. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.

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3201­004.278  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de outubro de 2018  Matéria  PIS. COMPENSAÇÃO.  Recorrente  RAIZEN ENERGIA S.A   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.  O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou  relevância,  vale  dizer,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância de determinado item ­ bem ou serviço ­ para o desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  contribuinte  (STJ,  do  Recurso  Especial nº 1.221.170/PR).  NÃO  CUMULATIVIDADE.  INSUMOS.  AGROINDÚSTRIA.  PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL.  A fase agrícola do processo produtivo de cana­de­açúcar que produz o açúcar  e  álcool  (etanol)  também  pode  ser  levada  em  consideração  para  fins  de  apuração  de  créditos  para  a  Contribuição  em  destaque.  Precedentes  deste  CARF.  NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO  PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO.  O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua  utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no  art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  LEI  Nº  10.925/2004.  SERVIÇOS.  IMPOSSIBILIDADE.  O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, deve ser  calculado somente sobre o valor dos bens previstos no art. 3º, II, das Leis nº  10.637,  de  2002,  e  10.833,  de  2003,  não  sobre  os  serviços  prestados  por  pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.   NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 00 76 /2 01 0- 95 Fl. 312DF CARF MF     2 Os  serviços  de  capatazia  e  estivas  geram  créditos  de  PIS,  no  regime  não­ cumulativo,  como  serviços de  logística,  respeitados os demais  requisitos da  Lei.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que ao presente processo seja aplicado o que  foi decidido no processo administrativo nº 13888.003535/2005­69.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Leonardo  Correia  Lima Macedo,  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.  Relatório  A interessada apresentou pedido de compensação de créditos oriundos do PIS,  apurado no 4º trimestre de 2004.  Por  bem  retratar  os  fatos  constatados  nos  autos,  passamos  a  transcrever  o  Relatório da decisão de primeira instância administrativa:  O  processo  epigrafado  foi  formalizado  para  tratamento  do  Pedido de Ressarcimento (PER) n° 23982.41723.280109.1.1.08­ 0392 (fls. 01/05), transmitido em 28/01/2009, relativo a créditos  de PIS — Não cumulativo apurados no 4º trimestre de 2004, pela  empresa FBA FRANCO BRASILEIRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL  —  CNPJ  nº  00.204.597/0001­96,  que  foi  sucedida  pela  interessada. O valor do crédito pleiteado foi de R$ 13.155,28.  Por  meio  do  despacho  decisório  de  fls.  10/12,  a  DRF  Bauru  indeferiu o pedido nos termos da seguinte ementa:  A  utilização  total  do  direito  creditório  reconhecido  em  declarações  de  compensação  anteriores,  impossibilita  o  deferimento do Pedido de Ressarcimento.  Segundo  consignado  no  referido  despacho  decisório,  pesquisas  efetuadas  nos  sistemas  de  controle  da  RFB  retornaram  a  informação  de  que  o  direito  creditório  pleiteado  "está  sendo  tratado  no  processo  n°  13888.003535/2005­69,  onde  o  contribuinte informa ter direito a R$ 420.880,66". E o valor do  crédito reconhecido pela DRF Piracicaba foi de R$ 300.231,42,  "que  foi  insuficiente  para  a  quitação  das  compensações  controladas  no  processo  n°  13888.720630/2009­54".  Em  face  destas constatações, assim concluiu a autoridade a quo:  Apesar  da  empresa  sucessora  ter  legitimidade  para  o  envio  do  presente  Pedido  de  Ressarcimento,  como  indica  a  titulo  de  Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10825.720076/2010­95  Acórdão n.º 3201­004.278  S3­C2T1  Fl. 312          3 crédito  junto  à  Fazenda  nacional  o  mesmo  direito  creditório  tratado no processo n° 13888.003535/2005­69, que foi objeto do  Despacho  Decisório  que  não  homologou  totalmente  as  compensações declaradas por insuficiência de direito creditório,  não  resta  direito  creditório  a  titulo  de PIS Não Cumulativo —  Exportação passível de ressarcimento.  A  contribuinte  foi  cientificada  da  referida decisão  por meio  do  comunicado de  fl  . 13,  recebido em seu domicílio  tributário em  09/11/2010 (fl. 14).  Em  07/12/2010  foi  protocolada  a  manifestação  de  inconformidade,  conforme  peça  de  fls.  23/37,  firmada  por  procuradores regularmente estabelecidos (fls. 38/39),  por meio da qual a recorrente alega, em síntese, que:  a) "a não­cumulatividade da contribuição COFINS não deve ser  equiparada com a não­cumulatividade constitucional do ICMS e  do  IPI",  uma  vez  que  a  primeira  "tem  origem  na  legislação  infraconstitucional  (Lei  n°  10.833/03)".  Neste  caso,  o  sistema  legal  que  dá  suporte  ao  creditamento  da  Cofins  não  traz  a  vinculação  entre  os  valores  incidentes  nas  etapas  anteriores,  como ocorre com os referidos  impostos. Para o caso da Cofins  "aos  contribuintes  foram  atribuídas  certas  hipóteses  em  que  o  crédito  é  assegurado,  baseando­se  na  aquisição  de  bens  e  serviços,  nos  custos,  nas  despesas  e  demais  encargos,  além  da  instituição  de  créditos  presumidos".  É  esta  a  lição  da  melhor  doutrina;  b)  a  legislação  que  instituiu  o  sistema  da  nào­cumulatividade  para as contribuições "não definiu o conceito de insumos e nem  obrigou  à  utilização  subsidiária  da  legislação  do  IPI  para  se  extrair  tal  conceito".  E,  "como  é  de  ampla  sabença,  o  termo  insumos tem o mesmo sentido e significado na linguagem comum  dentro  de  todo  o  território  nacional  —e  até  no  estrangeiro  (input, em inglês) —, isto é, representa cada um dos elementos,  diretos  e  indiretos,  necessários  à  produção  de  produtos  e  serviços,  como,  por  exemplo,  matérias­primas,  máquinas,  equipamentos, capital, mão­de­obra, energia elétrica, etc.";  c)  entretanto,  a  Receita  Federal,  "a  pretexto  de  interpretar  e  aplicar  a  legislação  federal,  maliciosa  e  ilegalmente,  limitou  o  conceito  de  insumos  nas  Instruções  Normativas  247/02  e  404/04".  Esta  restrição  representa  "manifesto  vício  de  ilegalidade".  O  princípio  da  legalidade  está  insculpido  na  Constituição Federal (art. 5°, inc. II) e deve ser observado pela  Administração  conforme  comanda  o  art.  37  da  Carta  Magna.  Assim também ensina a melhor doutrina, e é este o entendimento  prevalecente nos tribunais pátrios;  d)  nestes  termos,  "afigura­se  completamente  indevida  a  glosa  dos créditos auferidos pela manifestante, como aguarda e requer  seja assim reconhecido por essa isenta instância julgadora";  Fl. 314DF CARF MF     4 e)  especificamente  em  relação  às  glosas  relativas  aos  bens  utilizados como insumos, estas não podem prevalecer porquanto  "tratam­se  de  ferramentas  operacionais,  materiais  de  manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento  do caldo, na balança de cana­de­açúcar, na destilaria de álcool,  os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo, razão  pelo  qual  deveriam  ter  sido  admitidos  pela  autoridade  fiscal".  Nesse sentido foi formulada a Solução de Divergência n° 12, de  2007, conforme ementa trazida à colação;  f) o mesmo vale em relação "aos combustíveis adquiridos para o  transporte  do  produto  para  exportação  e  indispensáveis  a  atividade agroindustrial", assim como "ao transporte da mão de  obra que é  indispensável  em  todo o processo de plantio,  tratos  culturais,  colheita  e  industrialização".  Portanto,  "sem  combustível  não  há  como  se  conceber  o  plantio,  os  tratos  culturais, a colheita, o  transporte e, por  fim, a  industrialização  da cana­de­acúcar". E não há que Se alegar que os combustíveis  nào integram o produto final e, por isso, nào gerariam direito a  créditos  de  Cofins.  Isto  porque,  "consoante  a  orientação  jurisprudencial é  legítimo o crédito relativamente aos materiais  que  a  despeito  de  não  integrarem  fisicamente  o  produto  final,  são consumidos e/ou inutilizados no processo produtivo";  g) "no item de serviços utilizados como insumos, todas as glosas  são equivocadas e  indevidas,  tendo em vista que  todos os  itens  elencados pela fiscalização também estão diretamente ligados ao  processo  produtivo". Neste  sentido,  destacam­se  os  serviços  de  manutenção da mecanização industrial e transporte de resíduos  industriais (vinhaça) utilizados nas lavouras;  h) são também indevidas as glosas dos custos relacionados com  armazenagem e  transporte do produto para  fins de exportação,  inclusive  as  demais  despesas  portuárias.  "Não  há  como  negar  que  essas  despesas  estão  diretamente  ligadas  ao  processo  produtivo";  i)  "não  há  dúvida  de  que  os  serviços  de  pessoas  físicas  mencionados  (transporte  de  resíduos  industriais —  vinhaça —  para aplicação na lavoura de cana­de­açúcar como fertilizante,  armazenagem  de  açúcar,  etc),  também  se  enquadram  perfeitamente no conceito de insumos para efeitos de crédito da  contribuição não cumulativa";  J) "no amplo conceito de aluguel de prédio deve ser enquadrado  também o arrendamento de propriedades rurais, razão pela qual  é  legítimo  o  crédito  pleiteado".  É  que,  juridicamente,  o  imóvel  rural pode ser considerado um "prédio rústico", como prescreve  o art.  4°  cio Estatuto da Terra  (Lei n° 4.504/64),  conceito este  posteriormente  incorporado  no  texto  da  Lei  n"  8.629/93,  que  tratou cia reforma agrária. Neste sentido, aplica­se à espécie o  disposto no art. 110 do CTN.  k)  "por  fim,  vale  dizer  que  a  compensação  objeto  do  presente  pedido  de  ressarcimento  já  foi  alvo  de homologação  tácita, nos  termos do § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96".  Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10825.720076/2010­95  Acórdão n.º 3201­004.278  S3­C2T1  Fl. 313          5 Conclui  a  reclamante  requerendo  a  reforma  da  decisão  recorrida,  para  o  rim  de  lhe  ser  integralmente  reconhecido  o  direito creditório pleiteado.    A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade,  proferindo  o Acórdão DRJ/RJO  n.º  14­34.008, de 06/06/2011 (fls. 69 e ss.), assim ementado:    ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  CRÉDITOS  DE  PIS  NÃO­ CUMULATIVO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPERTINÊNCIA.  Não  há  que  se  falar  de  homologação  tácita  de  pedido  de  ressarcimento  que  não  foi  objeto  de  compensação  declarada,  mormente  quando  constatado  que  a  interessada  tomou  ciência  da  decisão  recorrida  em  prazo muito  inferior  àquele  prescrito  em lei para a homologação de compensações declaradas.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  EMPRESA  SUCESSORA.  CRÉDITOS DE PIS NÃO­CUMULATIVO DE TITULARIDADE  DE  EMPRESA  SUCEDIDA.  DECISÃO  PROFERIDA  EM  PROCESSO ANTERIOR. SALDO CREDOR. INEXISTÊNCIA.  Uma  vez  configurada  a  inexistência  de  saldo  credor  remanescente  após  a  utilização  dos  créditos  pela  empresa  sucedida, em face de decisão proferida em processo anterior, de  interesse  daquela  empresa,  há  que  se  concluir  pelo  indeferimento do pedido, manejado pela empresa sucessora.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls.  120 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já delineados em sua  manifestação de inconformidade.  O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão  pela qual dele se conhece.  Fl. 316DF CARF MF     6 A Recorrente  apresentou  pedido  de  compensação  de  débitos  seus  com crédito  oriundo  do  PIS  tratado  no  processo  administrativo  nº  13888.003535/2005­69,  do  mesmo  interessado e ora igualmente apreciado.  Interposta manifestação  de  inconformidade  da  decisão  que  indeferiu  o  pedido  (inexistência de saldo disponível no processo antes referido), a DRJ julgou­a improcedente, daí  o recurso voluntário.  Como se vê, o presente litígio segue a sorte do que decidido no processo em que  debatido o crédito de PIS cuja compensação se requer, de sorte que é de se aplicar aqui o que lá  decidido. Eis porque passamos a reproduzir e adotar como razão de decidir o voto condutor do  acórdão prolatado nos autos do processo administrativo nº 13888.003535/2005­69:  Conforme relatado, o  litígio versa sobre o conceito de  insumos  para  o  efeito  da  apuração  do  PIS/Cofins  não  cumulativo,  definição que, no entender do Superior Tribunal de Justiça ­ STJ,  em  decisão  proferida  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos  (portanto, de observância aqui obrigatória, conforme art. 62 do  RICARF/2015),  deve  atender  aos  critérios  da  essencialidade  e  da  relevância,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância do bem ou serviço na atividade econômica realizada  pelo contribuinte (Recurso Especial nº 1.221.170/PR):     TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  NÃO­CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE  INSUMOS.  DEFINIÇÃO  ADMINISTRATIVA  PELAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  247/2002  E  404/2004,  DA  SRF,  QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR  DO  SEU  ALCANCE  LEGAL.  DESCABIMENTO.  DEFINIÇÃO  DO  CONCEITO  DE  INSUMOS  À  LUZ  DOS  CRITÉRIOS  DA  ESSENCIALIDADE OU  RELEVÂNCIA.  RECURSO  ESPECIAL  DA  CONTRIBUINTE  PARCIALMENTE  CONHECIDO,  E,  NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO  DO ART. 543­C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO  CPC/2015).  1.  Para  efeito  do  creditamento  relativo  às  contribuições  denominadas  PIS  e  COFINS,  a  definição  restritiva  da  compreensão  de  insumo,  proposta  na  IN  247/2002  e  na  IN  404/2004,  ambas  da  SRF,  efetivamente  desrespeita  o  comando  contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003,  que contém rol exemplificativo.  2. O conceito de insumo deve ser aferido à  luz dos critérios da  essencialidade  ou  relevância,  vale  dizer,  considerando­se  a  imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem  ou  serviço  –  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada pelo contribuinte.  3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente  conhecido  e,  nesta  extensão,  parcialmente  provido,  para  determinar o retorno dos autos à  instância de origem, a  fim de  que  se  aprecie,  em  cotejo  com  o  objeto  social  da  empresa,  a  possibilidade  de  dedução  dos  créditos  realtivos  a  custo  e  despesas  com:  água,  combustíveis  e  lubrificantes,  materiais  e  Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10825.720076/2010­95  Acórdão n.º 3201­004.278  S3­C2T1  Fl. 314          7 exames  laboratoriais,  materiais  de  limpeza  e  equipamentos  de  proteção individual ­ EPI.  4. Sob o rito do art. 543­C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes  do  CPC/2015),  assentam­se  as  seguintes  teses:  (a)  é  ilegal  a  disciplina  de  creditamento  prevista  nas  Instruções  Normativas  da  SRF  ns.  247/2002  e  404/2004,  porquanto  compromete  a  eficácia  do  sistema  de  não­cumulatividade  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS,  tal  como  definido  nas  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz  dos  critérios  de  essencialidade  ou  relevância,  ou  seja,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância  de  terminado  item ­ bem ou  serviço  ­ para o desenvolvimento da  atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.    No  caso  específico,  a  fiscalização  aplicou  o  conceito  mais  restritivo de insumos – aquele que se extrai dos atos normativos  expedidos pela RFB, também utilizado no acórdão recorrido.  E  conforme  também  nele  ressaltado,  a  Recorrente  atacou  as  glosas  de  maneira  genérica,  portanto,  não  se  reportou  especificamente  a  uma em  determinado,  identificando os  dados  da aquisição do bem glosado (nota fiscal, valor, data, ou mesmo  o  item  destacado  nas  planilhas  elaboradas  pela  autoridade  fiscal),  de  modo  que,  assim  como  no  acórdão  recorrido,  aqui  também as glosas serão analisadas nos termos dos recursos.  Bens utilizados como insumos  Segundo  a  Recorrente,  são  eles:  ferramentas  operacionais,  materiais  de manutenção  utilizados  na mecanização  industrial,  no  tratamento  do  caldo,  na  balança  de  cana­de­açúcar,  na  destilaria  de  álcool,  os  quais  estariam  diretamente  ligados  ao  processo produtivo.  Embora  a  DRJ  tenha  adotado  o  entendimento  da  fiscalização,  sabe­se que a própria Receita Federal do Brasil ­ RFB já admite  a  apropriação  de  créditos  sobre  gastos  com  a  manutenção  de  bens  e  veículos  empregados  na  produção.  É  o  que  prevê  a  Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23/08/2016:    Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DIREITO  DE  CREDITAMENTO.  INSUMOS. DIVERSOS ITENS.  1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição  para  o  PIS/Pasep,  a  possibilidade  de  creditamento,  na  modalidade  aquisição  de  insumos,  deve  ser  apurada  tendo  em  conta  o  produto  destinado  à  venda  ou  o  serviço  prestado  ao  público externo pela pessoa jurídica.  Fl. 318DF CARF MF     8 2. In casu,  trata­se de pessoa jurídica dedicada à produção e à  comercialização  de  pasta mecânica,  celulose,  papel,  papelão  e  produtos  conexos,  que  desenvolve  também  as  atividades  preparatórias de florestamento e reflorestamento.  3.  Nesse  contexto,  permite­se,  entre  outros,  creditamento  em  relação a dispêndios com:  3.a)  partes,  peças  de  reposição,  serviços  de  manutenção,  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  em  veículos  que,  no  interior  de  um  mesmo  estabelecimento  da  pessoa  jurídica,  suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas  que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços,  desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor  do bem em manutenção;  3.b)  combustíveis  e  lubrificantes  consumidos  em  máquinas,  equipamentos  e veículos diretamente utilizados na produção de  bens;  3.c) bens  de  pequeno  valor  (para  fins  de  imobilização),  como  modelos  e  utensílios,  e  ferramentas  de  consumo,  tais  como  machos,  bits,  brocas,  pontas  montadas,  rebolos,  pastilhas,  discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames  de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de  solda  empregados  na  manutenção  ou  funcionamento  de  máquinas  e  equipamentos utilizados diretamente na  produção  de bens para venda;  4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em  relação a dispêndios com:  4.a)  partes,  peças  de  reposição,  serviços  de  manutenção,  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  em  máquinas,  equipamentos  e  veículos  utilizados  em  florestamento  e  reflorestamento  destinado  a  produzir  matéria­prima  para  a  produção de bens destinados à venda;  4.b) serviços de  transporte suportados pelo adquirente de bens,  pois  a  possibilidade  de  creditamento  deve  ser  analisada  em  relação ao bem adquirido;  4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e  retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de  serviço de conserto e manutenção;  4.d)  partes,  peças  de  reposição,  serviços  de  manutenção,  combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no  transporte  de  insumos  no  trajeto  compreendido  entre  as  instalações  do  fornecedor  dos  insumos  e  as  instalações  do  adquirente;  4.e)  combustíveis  e  lubrificantes  consumidos  em  veículos  utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos  da pessoa jurídica (unidades de produção);  4.f)  bens  de  pequeno  valor  (para  fins  de  imobilização),  como  modelos  e  utensílios,  e  ferramentas  de  consumo,  tais  como  machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos  Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10825.720076/2010­95  Acórdão n.º 3201­004.278  S3­C2T1  Fl. 315          9 de  corte  e  de  desbaste,  bicos  de  corte,  eletrodos,  arames  de  solda,  oxigênio,  acetileno,  dióxido  de  carbono  e  materiais  de  solda  empregados  na  manutenção  ou  funcionamento  de  máquinas  e  equipamentos  utilizados  nas  atividades  de  florestamento  e  reflorestamento  destinadas  a  produzir matéria­ prima para a produção de bens destinados à venda;  4.g)  serviços  prestados  por  terceiros  no  corte  e  transporte  de  árvores  e  madeira  das  áreas  de  florestamentos  e  reflorestamentos  destinadas  a  produzir  matéria­prima  para  a  produção de bens destinados à venda;  4.h)  óleo  diesel  consumido  por  geradores  e  por  fontes  de  produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais,  bem  como  os  gastos  com  a  manutenção  dessas  máquinas  e  equipamentos.   Dispositivos  Legais:  Lei  nº  10.637,  de  2002,  art.  3º,  inciso  II;  Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506,  de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto  de 1976; Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 13.  Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23  de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30  de março de 2015.  Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24  de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06  de novembro de 2013.  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DIREITO  DE  CREDITAMENTO.  INSUMOS. DIVERSOS ITENS.  1.  Na  sistemática  de  apuração  não  cumulativa  da  Cofins,  a  possibilidade  de  creditamento,  na  modalidade  aquisição  de  insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à  venda  ou  o  serviço  prestado  ao  público  externo  pela  pessoa  jurídica.  2. In casu,  trata­se de pessoa jurídica dedicada à produção e à  comercialização  de  pasta mecânica,  celulose,  papel,  papelão  e  produtos  conexos,  que  desenvolve  também  as  atividades  preparatórias de florestamento e reflorestamento.  3.  Nesse  contexto,  permite­se,  entre  outros,  creditamento  em  relação a dispêndios com:  3.a)  partes,  peças  de  reposição,  serviços  de  manutenção,  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  em  veículos  que,  no  interior  de  um  mesmo  estabelecimento  da  pessoa  jurídica,  suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas  que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços,  desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor  do bem em manutenção;  Fl. 320DF CARF MF     10 3.b)  combustíveis  e  lubrificantes  consumidos  em  máquinas,  equipamentos  e veículos diretamente utilizados na produção de  bens;  3.c) bens  de  pequeno  valor  (para  fins  de  imobilização),  como  modelos  e  utensílios,  e  ferramentas  de  consumo,  tais  como  machos,  bits,  brocas,  pontas  montadas,  rebolos,  pastilhas,  discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames  de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de  solda  empregados  na  manutenção  ou  funcionamento  de  máquinas  e  equipamentos utilizados diretamente na  produção  de bens para venda;  4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em  relação a dispêndios com:  4.a)  partes,  peças  de  reposição,  serviços  de  manutenção,  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  em  máquinas,  equipamentos  e  veículos  utilizados  em  florestamento  e  reflorestamento  destinado  a  produzir  matéria­prima  para  a  produção de bens destinados à venda;  4.b) serviços de  transporte suportados pelo adquirente de bens,  pois  a  possibilidade  de  creditamento  deve  ser  analisada  em  relação ao bem adquirido;  4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e  retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de  serviço de conserto e manutenção;  4.d)  partes,  peças  de  reposição,  serviços  de  manutenção,  combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no  transporte  de  insumos  no  trajeto  compreendido  entre  as  instalações  do  fornecedor  dos  insumos  e  as  instalações  do  adquirente;  4.e)  combustíveis  e  lubrificantes  consumidos  em  veículos  utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos  da pessoa jurídica (unidades de produção);  4.f)  bens  de  pequeno  valor  (para  fins  de  imobilização),  como  modelos  e  utensílios,  e  ferramentas  de  consumo,  tais  como  machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos  de  corte  e  de  desbaste,  bicos  de  corte,  eletrodos,  arames  de  solda,  oxigênio,  acetileno,  dióxido  de  carbono  e  materiais  de  solda  empregados  na  manutenção  ou  funcionamento  de  máquinas  e  equipamentos  utilizados  nas  atividades  de  florestamento  e  reflorestamento  destinadas  a  produzir matéria­ prima para a produção de bens destinados à venda;  4.g)  serviços  prestados  por  terceiros  no  corte  e  transporte  de  árvores  e  madeira  das  áreas  de  florestamentos  e  reflorestamentos  destinadas  a  produzir  matéria­prima  para  a  produção de bens destinados à venda;  4.h)  óleo  diesel  consumido  por  geradores  e  por  fontes  de  produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais,  bem  como  os  gastos  com  a  manutenção  dessas  máquinas  e  equipamentos.   Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10825.720076/2010­95  Acórdão n.º 3201­004.278  S3­C2T1  Fl. 316          11 Dispositivos  Legais:  Lei  nº  10.833,  de  2003,  art.  3º,  inciso  II;  Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, art. 8º; Lei nº 4.506,  de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto  de  1976; Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977,  art.  13.  Parcialmente  vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de  2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de  2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16,  de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União  de 06 de novembro de 2013.    Não obstante  ausente,  nos  autos, maiores  detalhes  sobre  o  que  são  as  tais  "ferramentas  operacionais",  a  razão  para  o  indeferimento, juntamente com o indeferimento dos materiais de  manutenção,  foi  a  de  que não  se  enquadrariam no  conceito  de  insumo.  A  Recorrente,  porém,  sustenta  a  sua  utilização  no  processo produtivo, o que o só adjetivo que acompanha o termo  "ferramentas" parece, com efeito, indicar.  Assim,  na  falta  de  maiores  detalhes,  máxime  por  parte  da  fiscalização,  entendemos  que  as  ferramentas  operacionais  e  os  materiais  de manutenção  utilizados  na mecanização  industrial,  no  tratamento  do  caldo,  na  balança  de  cana­de­açúcar  e  na  destilaria  de  álcool  devem  ser  considerados  insumos  para  o  efeito de creditamento do PIS/Cofins.  Defende­se  também  os  créditos  sobre  as  aquisições  de  combustíveis  utilizados  no  "transporte  do  produto  para  exportação e indispensáveis a atividade agroindustrial".  Os  gastos  com  os  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  na  produção  devem  ser  considerados  insumos,  nos  termos  do  art.  3º, II, das Lei nº 10.637, de 2002, inclusive aqueles despendidos  no transporte de matéria­prima – no caso, da cana­de­açúcar –  do  local  em  que  é  colhida  para  a  produção  do  açúcar  e  do  álcool,  porque  se  incorporam  ao  valor  daquela,  mas  não  os  gastos  com  combustíveis  utilizados  no  transporte  do  produto  após  encerrada  a  sua  produção,  hipótese  para  a  qual  a  legislação,  especificamente,  prevê  a  possibilidade  de  creditamento apenas sobre o frete pago pelo vendedor (inciso IX  do mesmo dispositivo).  Todavia, ensejam o creditamento os gastos com os combustíveis  utilizados  em  bens  aplicados  na  produção,  inclusive  na  fase  agrícola.  Cumpre  ressaltar,  a  propósito  do  tema,  que,  conforme  já  expusemos  noutros  votos,  os  bens  e  serviços  utilizados  na  fase  agrícola, assim como a depreciação de tais bens, não ensejam, a  nosso juízo – mas não para os demais integrantes desta Turma –,  o creditamento de PIS/Cofins.  É  que,  segundo  o  art.  3º  da  Lei  nº  10.833,  de  2003,  somente  geram o direito ao crédito, no regime não cumulativo, os bens e  Fl. 322DF CARF MF     12 serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de  bens ou produtos destinados à venda. Vejam:  Art.  3o Do valor apurado na  forma do art.  2o a pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  a:  (Regulamento)   I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)   a)  no  inciso  III  do  §  3o do  art.  1o desta  Lei;  e  (Redação  dada  pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos)   b) nos §§ 1o e 1o­A do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei  nº 11.787, de 2008)   II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  exceto  em  relação  ao  pagamento  de  que  trata  o art.  2o da  Lei  no 10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03  e  87.04  da Tipi;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)   III ­ energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de  vapor,  consumidas  nos  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica;  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;   V  ­  valor das  contraprestações de  operações  de  arrendamento  mercantil  de  pessoa  jurídica,  exceto  de  optante  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e das Empresas  de Pequeno Porte  ­  SIMPLES;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)   VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à  venda  ou  na  prestação  de  serviços; (Redação  dada pela  Lei  nº  11.196, de 2005)   VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros, utilizados nas atividades da empresa;   VIII ­ bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha  integrado  faturamento  do mês  ou  de  mês  anterior,  e  tributada  conforme o disposto nesta Lei;   IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.   X  ­  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­alimentação,  fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa  jurídica  que  explore  as  atividades  de  prestação  de  serviços  de  Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10825.720076/2010­95  Acórdão n.º 3201­004.278  S3­C2T1  Fl. 317          13 limpeza,  conservação  e  manutenção. (Incluído  pela  Lei  nº  11.898, de 2009)   XI  ­  bens  incorporados  ao  ativo  intangível,  adquiridos  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  a  venda  ou  na  prestação  de  serviços.  (Incluído  pela  Lei  nº  12.973,  de  2014)  (g.n.)    Note­se  que  o  dispositivo  legal  descreve  de  forma  exaustiva  todas  as  possibilidades  de  creditamento.  Se  se  pretendesse  abarcar  todos  as  despesas  realizadas  para  a  obtenção  da  receita, não veríamos o elenco de hipóteses que vemos na norma.  Ademais, consoante deixou cristalino o legislador na Exposição  de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003,  posteriormente  convertida  na  Lei  n.º  10.833,  de  2003,  um  dos  principais  motivos  para  o  estabelecimento  do  regime  não  cumulativo  na  apuração  do  PIS  e  da  Cofins  foi  combater  a  verticalização artificial  das  empresas, a  fim de que as diversas  etapas  da  fabricação  de  um  produto  ou  da  prestação  de  um  serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a  gerar condições para o crescimento da economia. 1  Admitir  que,  no  cálculo  dos  créditos,  se  incluam  os  dispêndios  na  aquisição  daqueles  bens  ou  serviços  só  remotamente empregados na produção do produto final ou  no serviço prestado – os chamados "insumos dos insumos"  –  é  não  apenas  permitir  o  que  o  legislador  pretendeu  desestimular,  mas  é  também  legislar.  Afinal,  os  diplomas  legais aqui referidos delimitaram os insumos àqueles bens  e  serviços  utilizados  na  prestação  de  serviços  e  na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à  venda, é dizer, aqueles insumos efetivamente empregados  no  produto  final  do  processo  de  industrialização  ou  no  serviço prestado ao tomador, não aqueles bens ou serviços  consumidos,  pela  próprio  contribuinte,  em  etapas  anteriores, aqueles, enfim, só remotamente empregados.  É  como  vem  entendendo  a  3ª  Turma  da  CSRF.  Exemplificativamente:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS                                                              1 Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 2003: 1.1. O principal objetivo das medidas ora  propostas  é  o  de  estimular  a  eficiência  econômica,  gerando  condições  para  um  crescimento mais  acelerado  da  economia  brasileira  nos  próximos  anos.  Neste  sentido,  a  instituição  da  Cofins  não­cumulativa  visa  corrigir  distorções  relevantes  decorrentes  da  cobrança  cumulativa  do  tributo,  como  por  exemplo  a  indução  a  uma  verticalização  artificial  das  empresas,  em  detrimento  da  distribuição  da  produção  por  um  número  maior  de  empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas  em mão de obra.  Fl. 324DF CARF MF     14 Data do fato gerador: 29/02/2004  COFINS.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  CONCEITO  DE  INSUMOS.  CRÉDITO.  INSUMO  DE  INSUMO.  IMPOSSIBILIDADE  A  legislação  das  Contribuições  Sociais  não  cumulativas  PIS/COFINS  informa  de  maneira  exaustiva  todas  as  possibilidades  de  aproveitamento  de  créditos.  Não  há  previsão  legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte  de funcionários, combustíveis e lubrificantes para o maquinário  agrícola  e  aquisições  de  adesivos,  corretivos,  cupinicidas,  fertilizantes,  herbicidas  e  inseticidas  utilizados  nas  lavouras  de  cana­de­açúcar.  (Redator  Conselheiro  Andrada  Márcio  Canuto  Natal,  Acórdão nº 9303­005.541, de 16/08/2017)    Esse, contudo, não é,  como  todos sabemos, o entendimento dos  demais  integrantes  desta  Turma2,  de  modo  que,  somente  por  economia  processual  e  apreço  ao  princípio  da  colegialidade,  também  passamos  a  adotar  aqui  aquele  que  entende  que  os  gastos  realizados  na  fase  agrícola  para  o  cultivo  de  cana­de­ açúcar  a  ser  utilizado  na  produção  do  açúcar  e  do  álcool  também  podem  ser  levados  em  consideração  para  fins  de  apuração  de  créditos  para  o  PIS/Cofins.  No  caso,  os  combustíveis  utilizados  em  bens  aplicados  na  fase  agrícola  (v.g.,  tratores, colheitadeiras),  inclusive o adubo e os produtos  químicos nela utilizados.  Os  gastos  com  mão­de­obra  própria,  porém,  não  podem  ser  considerados  insumos utilizados na produção  (não equivalem à  aquisição  dos  serviços  a  que  se  refere  o  art.  3º,  II,  da  Lei  nº  10.637, de 2002), exceto quando há a contratação de empresa de  trabalho  temporário  (Solução de Divergência Cosit nº 29, de 26  de outubro de 2017).  Serviços utilizados como insumos  Ao  contestar  as  glosas,  a  Recorrente  afirma  que,  para  a  industrialização  do  açúcar  e  do  álcool,  é  imprescindível  a  constante  manutenção  dos  equipamentos  industriais,  constituindo­se serviços especializados essenciais e inerentes ao  processo  de  produção.  Irresigna­se,  também,  com  a  glosa  dos  custos  relacionados a armazenagem de álcool  e açúcar,  com o  transporte das referidas mercadorias para  fins de exportação e  demais  despesas  portuárias,  afirmando  que  estão  diretamente  ligadas ao processo produtivo.                                                               2  PROCESSO  PRODUTIVO.  PRODUÇÃO  DE  AÇÚCAR  E  ÁLCOOL.  ETAPA  AGRÍCOLA.  CUSTOS.  CRÉDITO.  Os  custos  incorridos  com  bens  e  serviços  aplicados  no  cultivo  da  cana  de  açúcar  guardam  estreita  relação  de  pertinência, emprego e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do  açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições  não cumulativas. (Rel. Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Acórdão nº 3201­003.411, 02/02/2018)      Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10825.720076/2010­95  Acórdão n.º 3201­004.278  S3­C2T1  Fl. 318          15 Como  já  assentado  na  Solução  de  Divergência  Cosit  nº  7,  de  23/08/2016,  os  serviços  de manutenção,  adquiridos  de  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  país,  empregados  em  bens  aplicados  na produção ensejam o creditamento,   Não  houve  glosa,  porém,  em  relação  às  despesas  com  armazenagem e frete na operação de venda, ao menos segundo o  Termo  de  Informação  Fiscal  já  aqui  mencionado.  É  o  que  se  comprova nos seus parágrafos 7 e 7.1:         As  despesas  glosadas,  bem  se  vê,  referem­se  a  despesas  realizadas  no  porto  onde  exportados  os  produtos  industrializados,  como  os  serviços  de  despacho  aduaneiro,  assessoria logística e capatazia. No concernente a este último, a  legislação  não  prevê  o  creditamento,  tal  como  decidiu  a  3ª  Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ­ CSRF:  PIS.  SERVIÇOS  DE CAPATAZIA  E  ESTIVAS.  CRÉDITOS DA  NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE.  Os  serviços de  capatazia e  estivas por não  serem utilizados no  processo produtivo,  não geram créditos de PIS no regime não­ cumulativo, por absoluta falta de previsão legal.  (Acórdão nº 9303­004.383, de 08/11/2016)    Bens  adquiridos  para  revenda  ­  Rateio  e  receita  financeira  ­  Benfeitoria em Imóveis ­ Aluguéis de Máquinas, equipamentos  e prédios ­ Bens do Ativo Imobilizado  Nestes  tópicos do recurso, a Recorrente traz matérias novas, as  quais,  portanto,  não  foram  objeto  de  expressa  contestação  na  manifestação  de  inconformidade,  de  modo  que  precluso  o  seu  direito de vê­las apreciadas neste Colegiado.  Fl. 326DF CARF MF     16 Despesas de arrendamento agrícola  Entendemos  correta  a  posição  –  considerando,  enfatize­se,  a  possibilidade  de  considerar  os  gastos  realizados  na  etapa  agrícola  na  apuração  de  créditos  para  o  PIS/Cofins  –  que  compreende  que  os  gastos  com  esta  modalidade  de  arrendamento  também  devem  ser  computados  para  a  mesma  finalidade.  A própria RFB já admite o creditamento, consoante comprova a  ementa da Solução de Consulta Cosit nº 331, de 21 de  junho de  2017 (Publicada no DOU de 30/06/2017, seção 1, página 46):     ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP   EMENTA:  REGIME  DE  APURAÇÃO  NÃO  CUMULATIVA.  CRÉDITO.  ARRENDAMENTO  AGRÍCOLA.   A  pessoa  jurídica  submetida  ao  regime  de  apuração  não  cumulativa  da  Contribuição  ao  PIS/Pasep  pode  descontar  créditos  sobre  aluguéis  de  prédios  pagos  a  pessoa  jurídica,  utilizados  nas  atividades  da  empresa,  desde  que  obedecidos  todos  os  requisitos  e  as  condições  previstos  na  legislação.   A  remuneração  paga  pelo  arrendatário  em  relação  ao  bem  arrendado  é  denominada  de  aluguel,  representando  a  retribuição  pelo  uso  e  gozo  do  bem  imóvel.   A Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra),  e a Lei nº 8.629, de 25 de  fevereiro de 1993, definem "imóvel  rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer  que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à  exploração  agrícola,  pecuária,  extrativa  vegetal,  florestal  ou  agroindustrial,  quer através de planos públicos de  valorização,  quer  através  de  iniciativa  privada.   É princípio geral de hermenêutica que onde a lei não distingue  não  cabe  ao  intérprete  distinguir.  Desta  forma,  o  conceito  de  prédio contido no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002,  engloba tanto o prédio urbano construído como o prédio rústico  não edificado.  DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º,  inciso  IV; Lei  nº 4.504,  de  1964  (Estatuto  da  Terra);  Lei  nº 8.629,  de  1993; Decreto nº 59.566, de 1966, art. 3º; e Decreto nº 4.382, de  2002, art. 9º.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE  SOCIAL  –  COFINS   EMENTA:  REGIME  DE  APURAÇÃO  NÃO  CUMULATIVA.  CRÉDITO.  ARRENDAMENTO  AGRÍCOLA.   A  pessoa  jurídica  submetida  ao  regime  de  apuração  não  cumulativa da Cofins pode descontar créditos sobre aluguéis de  prédios  pagos  a  pessoa  jurídica,  utilizados  nas  atividades  da  empresa,  desde  que  obedecidos  todos  os  requisitos  e  as  condições  previstos  na  legislação.  A  remuneração  paga  pelo  arrendatário  em  relação  ao  bem  arrendado  é  denominada  de  aluguel,  representando  a  retribuição  pelo  uso  e  gozo  do  bem  imóvel.   A Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra),  e a Lei nº 8.629, de 25 de  fevereiro de 1993, definem "imóvel  Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10825.720076/2010­95  Acórdão n.º 3201­004.278  S3­C2T1  Fl. 319          17 rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer  que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à  exploração  agrícola,  pecuária,  extrativa  vegetal,  florestal  ou  agroindustrial,  quer através de planos públicos de  valorização,  quer  através  de  iniciativa  privada.  É  princípio  geral  de  hermenêutica  que  onde  a  lei  não  distingue  não  cabe  ao  intérprete distinguir. Desta  forma, o conceito de prédio contido  no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, engloba tanto o  prédio urbano construído como o prédio rústico não edificado.  DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º,  inciso  IV; Lei  nº 4.504,  de  1964  (Estatuto  da  Terra);  Lei  nº 8.629,  de  1993; Decreto nº 59.566, de 1966, art. 3º; e Decreto nº 4.382, de  2002, art. 9º.    Há que se fazer, porém, duas observações: a) somente quando o  arrendador  for  pessoa  jurídica,  é  que  se  afigura  possível  o  crédito respectivo, haja vista que o art. 3º, inciso IV, das Leis nº  10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, assim o exigem; b) a parcela  reconhecida deve limitar­se ao percentual que a Recorrente tem  direito no resultado da parceria (p. ex., 90%). Na concessão do  crédito, deve­se observar, outrossim, o disposto no art. 31, § 3º,  da Lei nº 10.865, de 2004.  Bens e serviços adquiridos de pessoas físicas  Aqui,  a  Recorrente  defende  o  creditamento,  ao  fundamento  de  que  os  serviços  prestados  por  pessoas  físicas  (transporte  de  resíduos  industriais  –  vinhaça  –  para  aplicação  na  lavoura  de  cana­de­açúcar como  fertilizante, armazenagem de açúcar etc.)  também  se  enquadram  perfeitamente  no  conceito  de  insumos  para efeitos de crédito de PIS não cumulativo, devendo referido  crédito ser realizado de forma integral para não ferir a regra da  não cumulatividade da contribuição.  Não  é,  contudo,  o  que  prevê  o  art.  8º  da  Lei  nº  10.925,  de  23/07/20043,  que  estabeleceu  que  o  crédito  presumido  de  que  trata,  para  as  pessoas  jurídicas,  cooperativas  e  nas  condições  que  especifica,  deve  ser  calculado  somente  sobre  o  valor  dos  bens  previstos  no  art.  3º,  II,  das  Leis  nº  10.637,  de  2002,  e  10.833,  de  2003, não  sobre  os  serviços  prestados  por  pessoas  físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.   A restrição é legal e, de conseguinte, não pode ser afastada por  esta instância administrativa (Súmula CARF nº 2).                                                              3 Art. 8o As pessoas  jurídicas,  inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal,  classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos  03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00, 20.09,  2101.11.10  e 2209.00.00,  todos  da NCM,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir da Contribuição  para o PIS/Pasep  e da Cofins,  devidas  em  cada período  de  apuração,  crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637,  de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de  cooperado pessoa física.     Fl. 328DF CARF MF     18 Ante  o  exposto,  DOU  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  Recurso  Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos  gastos realizados apenas sobre os seguintes itens:   (i)  ferramentas  operacionais  e  materiais  de  manutenção  utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na  balança de cana­de­açúcar e na destilaria de álcool;  (ii)  combustíveis  utilizados  nos  bens  aplicados  na  produção,  inclusive na fase agrícola;  (iii) adubo e produtos químicos utilizados na fase agrícola;  (iv)  serviços  de  manutenção,  adquiridos  de  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  país,  empregados  nos  bens  aplicados  na  produção;  (v) arrendamento agrícola.  Voto Vencedor  Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado  O  presidente  incumbiu­me  de  redigir  o  acórdão  na  parte  pertinente aos gastos de capatazia e estiva.  Os gastos com logística, na operação de aquisição de  insumos,  geram  direito  a  crédito  por  comporem  o  conceito  contábil  de  custo de aquisição de mercadoria4.  Os  gastos  logísticos  para  movimentação  de  insumos,  internamente  ou  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa,  inserem­se no contexto de produção do bem, porque inerentes e  relevantes ao respectivo processo produtivo. Desse modo, devem  gerar  direito  de  crédito,  na  esteira  do  Resp  1.221.170/PR,  que  tramitou  sob  o  regime  dos  recursos  repetitivos  (art.  543C  do  CPC),  e  que  vincula  o  Carf  (art.  62,  §2º,  do  Anexo  II  do  Regimento Interno).  No  caso  dos  gastos  logísticos  na  venda,  entendo  que  estão  abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete  na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo  3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos  cuja  semântica  abrange  a  movimentação  das  cargas  na  operação de venda.  Assim,  tais  dispêndios  logísticos  estão  inseridos  no  direito  de  crédito,  respeitados  os  demais  requisitos  da  Lei,  como,  por  exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas  pelo Pis e Cofins.  (assinatura digital)  Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado.                                                              4 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros  tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros  diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos  e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Redação dada pela  Resolução CFC nº. 1.273/10)  Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10825.720076/2010­95  Acórdão n.º 3201­004.278  S3­C2T1  Fl. 320          19   Por  último,  mas  não  menos  importante,  cumpre  assentar  que  as  eventuais  matérias  de  defesa  ventiladas  no  recurso  apresentado  neste  processo,  mas  não  repisadas  no  recurso  interposto  no  processo  administrativo  nº  13888.003535/2005­69,  deixarão  de  ser  apreciadas, porque, não cabendo aqui  reabrir a sua discussão, em nada interferem na decisão  proferida neste último.  Ante  o  exposto,  DOU  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  Recurso  Voluntário,  para que ao presente processo seja aplicado o que decidido no processo administrativo nº  13888.003535/2005­69.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                                                  Fl. 330DF CARF MF     20                                           Fl. 331DF CARF MF

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7551155 #
Numero do processo: 13971.720616/2015-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO

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3402­001.596  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  28 de novembro de 2018  Assunto  PIS e COFINS ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  BUNGE ALIMENTOS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Diego Diniz Ribeiro ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra,  Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa  de Sá Pittondo Deligne,  Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira  de Avila  (suplente  convocado)  e  Cynthia  Elena  de  Campos.  Ausente  justificadamente  a  Conselheira  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).  Relatório  1. Por bem representar o caso em tela, emprego como meu parte do relatório do  acórdão nº 12­81.274, veiculado pela DRJ do Rio de Janeiro (fls. 541/560), o que passo a fazer  nos seguintes termos:  O presente processo foi formalizado em virtude da lavratura dos autos  de  infração  de  PIS  e  de  Cofins,  fls.  225/229  e  220/224,  respectivamente, referentes ao período de apuração 01/2010. Exige­se,  para o PIS, principal de R$ 1.381.282,26, que acrescido de multa de  ofício  e  juros  de mora  perfaz  R$  3.085.922,70  e,  no  caso  da Cofins,     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 20 61 6/ 20 15 -5 0 Fl. 748DF CARF MF Processo nº 13971.720616/2015­50  Resolução nº  3402­001.596  S3­C4T2  Fl. 2.480          2 contribuição  de  R$  6.362.269,75,  totalizando,  com multa  de  ofício  e  juros moratórios, R$ 14.213.946,85.  Segundo o “Relatório Fiscal” de folhas 241 a 280, parte integrante dos  autos  lavrados,  a  interessada,  intimada,  apresentou  planilha  digital  contendo a memória de cálculo do Dacon, ou seja, a composição dos  valores  levados  a  cada  uma  das  linhas  do  Dacon  (fichas  06A,  06B,  07A, 16A, 16B e 17A), com a segregação por CFOP dos documentos  fiscais  relacionados  e/ou  por  fundamento  legal  para  a  tomada  do  crédito ou a exclusão da base de cálculo.  Constatou  a  fiscalização,  a  partir  da  análise  dos  documentos  apresentados, a insuficiência de recolhimentos em decorrência:  1) da majoração da base de cálculo das contribuições, em decorrência  da  inclusão  de  receitas,  pela  fiscalização,  as  quais  o  sujeito  passivo  originariamente  deixou  de  oferecer  à  tributação  das  contribuições  (itens 19 a 82 do Relatório Fiscal);  2)  da  redução a  zero  dos  saldos  das  contribuições não­cumulativas,  ao final do período de apuração 12/2009, conforme Relatório Fiscal  que integra o processo n° 13971.723730/2014­51 (itens 85 a 88);  3)  das  glosas  fiscais  aplicadas  aos  créditos  apurados  pelo  sujeito  passivo para o período sob análise (itens 89 a 120).  (...) (grifos nosso).  2. Diante da  aludida  autuação, o  contribuinte  apresentou a  impugnação  de  fls.  330/380, a qual foi julgada improcedente pelo mencionado acórdão assim ementado:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010  DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS  É  de  cinco  anos  o  prazo  decadencial  para  constituição  das  contribuições sociais, consoante Súmula Vinculante nº 8, que declarou  inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212/91.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010  IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS  Cabe  ao  contribuinte  no  momento  da  impugnação  trazer  ao  julgado  todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que  alega   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010  PIS.  COFINS.  SUSPENSÃO.  VENDA  A  PJ  PREPONDERANTEMENTE EXPORTADORA  Fl. 749DF CARF MF Processo nº 13971.720616/2015­50  Resolução nº  3402­001.596  S3­C4T2  Fl. 2.481          3 Nas  notas  fiscais  relativas  a  venda  a  pessoa  jurídica  preponderantemente  exportadora,  deverá  constar  a  expressão  "Saída  com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS".  BENEFÍCIO FISCAL DE ICMS. SUBVENÇÃO. INCIDÊNCIA.  A contribuição para a Cofins  incidem sobre a  totalidade das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade  por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  FRETES.  IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO.  Somente dão direito a crédito no regime de incidência não­cumulativa  os gastos expressamente previstos na legislação de regência, que não é  o  caso  dos  gastos  com  transporte  do  produto,  acabado  ou  em  elaboração,  entre  estabelecimentos  industriais  ou  distribuidores  da  mesma  pessoa  jurídica  e  das  despesas  de  frete  na  devolução  de  mercadorias.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010  PIS.  COFINS.  SUSPENSÃO.  VENDA  A  PJ  PREPONDERANTEMENTE EXPORTADORA  Nas  notas  fiscais  relativas  a  venda  a  pessoa  jurídica  preponderantemente  exportadora,  deverá  constar  a  expressão  "Saída  com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS".  BENEFÍCIO FISCAL DE ICMS. SUBVENÇÃO. INCIDÊNCIA.  A contribuição para a Cofins  incidem sobre a  totalidade das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade  por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  FRETES.  IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO.  Somente dão direito a crédito no regime de incidência não­cumulativa  os gastos expressamente previstos na legislação de regência, que não é  o  caso  dos  gastos  com  transporte  do  produto,  acabado  ou  em  elaboração,  entre  estabelecimentos  industriais  ou  distribuidores  da  mesma  pessoa  jurídica  e  das  despesas  de  frete  na  devolução  de  mercadorias.  Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido.  3.  Uma  vez  intimado,  o  contribuinte  interpôs  o  recurso  voluntário  de  fls.  570/626, oportunidade em que repisou os fundamentos invocados em sua impugnação.  4.  Em  razão  da  resolução  nº  3402­001.246,  proferida  no  âmbito  do  processo  nº  13971.724090/2015­87,  do  mesmo  contribuinte,  o  Presidente  da  3a  Seção  deste  Tribunal  Fl. 750DF CARF MF Processo nº 13971.720616/2015­50  Resolução nº  3402­001.596  S3­C4T2  Fl. 2.482          4 Administrativo, por intermedio do despacho de fls. 712/713, determinou que o presente caso fosse  distribuído por dependência ao processo n. 13971.724090/2015­87, sob minha relatoria.  5. É o relatório.  Voto  Conselheiro Diego Diniz Ribeiro  I. Da admissibilidade do Recurso  6. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos  de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento.  II. O contexto fático da presente demanda  7. Conforme se observa dos autos, a presente exigência fiscal pauta­se em três  fundamentos distintos, sendo um deles o seguinte:  · redução a zero dos saldos das contribuições não­cumulativas, ao final do  período de apuração de 12/2009, conforme Relatório Fiscal que integra o  processo n° 13971.723730/2014­51 (itens 85 a 88).  8.  Em  outros  termos,  o  contribuinte  alega  que  o  saldo  credor  existente  até  dezembro de 2009 seria suficiente para saldar integralmente o débito aqui lançado. Ocorre que,  aludido  crédito  foi  objeto  de glosa,  a  qual  é  discutida  no  âmbito  do  processo  administrativo  13971.723730/2014­51,  cujo  extrato  processual  obtido  por  este  Relator  junto  ao  comprot  encontra­se abaixo indicado:    Fl. 751DF CARF MF Processo nº 13971.720616/2015­50  Resolução nº  3402­001.596  S3­C4T2  Fl. 2.483          5   9.  Da  análise  de  tal  movimentação  processual  é  possível  constatar  que,  aparentemente,  o  contribuinte  interpôs  impugnação  administrativa,  cujo  desfecho  é  de  impossível conclusão apenas com base nas movimentações processuais alhures indicadas.  10. Não obstante, alega ainda o contribuinte que a manutenção ou não do débito  exigido  nos  autos  n.  13971.723730/2014­51  depende  ainda  da  glosa  de  saldo  credores  debatidos nos autos 13971.908784/2011­41 e 13971.908783/2011­05, os quais estão pendentes  de julgamento definitivo neste Tribunal Administrativo:    Fl. 752DF CARF MF Processo nº 13971.720616/2015­50  Resolução nº  3402­001.596  S3­C4T2  Fl. 2.484          6     Fl. 753DF CARF MF Processo nº 13971.720616/2015­50  Resolução nº  3402­001.596  S3­C4T2  Fl. 2.485          7   11. Diante deste quadro e para a existência de uma segura conclusão do presente  julgamento,  mister  se  faz  converter  em  diligência  o  presente  julgamento  para  que  sejam  tomadas as seguintes providências pela unidade preparadora  (i) informar o atual andamento processual dos autos n. 13971.723730/2014­51,  juntando aos autos cópias das eventuais peças defensivas (impugnação e recursos), bem como  das correlatas decisões administrativas;  (ii) informar o atual andamento processual dos autos n. 13971.908784/2011­41 e  13971.908783/2011­05, juntando aos autos cópias das eventuais peças defensivas (impugnação  e recursos), bem como das correlatas decisões administrativas;  (iii)  demonstrar,  analiticamente,  a  eventual  relação  existente  entre  os  autos  n.  13971.723730/2014­51  e  aqueles  autuados  sob  os  ns.  13971.908784/2011­41  e  13971.908783/2011­05, bem como a relação do primeiro processo administrativo aqui citado  com o caso em julgamento; e, por fim  (iv)  tomadas  tais  providências,  deverá  a  unidade  preparadora  intimar  o  contribuinte  para  que,  tendo  interesse, manifeste­se  em 30  dias  a  respeito,  exatamente  como  prevê o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011.  12. É a resolução.  (assinado digitalmente)  Diego Diniz Ribeiro  Fl. 754DF CARF MF

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Numero do processo: 18050.000911/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.

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2301­005.460  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  5 de julho de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA ­ COELBA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999  CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL.  O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o  construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das  contribuições  previdenciárias  decorrentes  do  contrato.  (Art.  30,  VI  da  Lei  8.212, de 1991.).  LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA.  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  lançar  de  ofício  a  importância  devida,  cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  João Bellini Júnior – Presidente e Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Wesley  Rocha,  Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo  Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 09 11 /2 00 8- 72 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 18050.000911/2008­72  Acórdão n.º 2301­005.460  S2­C3T1  Fl. 3          2 Relatório  O  presente  recurso  foi  objeto  de  julgamento  na  Sistemática  dos  Recursos  Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09  de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301­005.456­ 3ª Câmara/1ª  Turma  Ordinária,  de  05  de  julho  de  2018,  proferido  no  âmbito  do  processo  n°  10580.013931/2007­22, paradigma deste julgamento.  Acórdão nº 2301­005.456 ­ 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária  “Trata­se  de  recurso  voluntário  em  face  do  Acórdão  de  primeira  instância que julgou improcedente a impugnação apresentada.  Consoante  o  Relatório  Fiscal  e  Relatório  Fiscal  Substitutivo,  a  recorrente Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia — Coelba, é  tomadora  de  serviços  prestados  mediante  cessão  de  mão­de­obra,  referente  aos  serviços  de  construção  e  manutenção  programada  em  redes  aéreas  de  distribuição  de  energia  elétrica,  na  competência  02/1999,  realizadas  junto  à  empresa  Construtora  ou  Incorporadora,  ambas  incluídas  no  polo  passivo  do  lançamento  fiscal  para  responderem  solidariamente  pelo  crédito  tributário  relativo  a  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  tendo  sido  o  crédito  apurado  por  correspondentes  à  parte  dos  segurados  empregados,  da  empresa  e  do  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais do  trabalho,  tomando como base os valores  constantes  em  notas  fiscais  de  prestação  de  serviço,  referentes  à  mão­de­obra  contratada de pessoa jurídica, no período de apuração 02/99.  É fundamento do lançamento o art. 33, §3º, da Lei 8.212, de 1991, o art.  52 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social  (ROCSS),  aprovado  pelo  Decreto  2.173,  de  1997,  e  o  art.  74  da  Instrução  Normativa  INSS/DC  n°  70,  de  2002  (40%  do  valor  dos  serviços  constantes  das  notas  fiscais),  uma  vez  que  a  recorrente  não  apresentou as guias de recolhimento prévio solicitadas.   Os  serviços  de  construção  civil  em  subestação,  executados  pela  empreiteira (ampliação/construção), fazem parte do Anexo III, 45.32­2  da IN 69, de 2002 e as notas fiscais, data de emissão, valor total e tipo  de  serviço  foram  relacionados  na  tabela  anexa ao Relatório  de Fatos  Geradores.  A DRJ julgou o lançamento procedente (e improcedente a impugnação  da responsável solidária, Coelba atual recorrente) e da contribuinte, em  acórdão que recebeu as seguintes ementas:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999  SOLIDARIEDADE.  CONSTRUÇÃO  CIVIL.  EMPREITADA  TOTAL  Fl. 220DF CARF MF Processo nº 18050.000911/2008­72  Acórdão n.º 2301­005.460  S2­C3T1  Fl. 4          3 O  contratante  de  serviços  de  construção  civil  responde  solidariamente  com  o  construtor,  independentemente  da  forma  de  contratação,  pelo  pagamento  das  contribuições  previdenciárias  decorrentes  do  contrato  (Art.  30,  VI  da  Lei  8.212/91). A partir da competência 02/99 a solidariedade na  construção  civil  somente  é  admitida  quando  há  empreitada  total.  ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA   A  solidariedade  do  contratante  de  serviços  de  construção  civil,  somente  é  elidida  se  for  comprovado  o  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  pela  empresa  contratada,  devendo  ser apresentadas guias de recolhimento e folhas de pagamento  específicas,  ou  seja,  vinculadas  às  notas  fiscais  de  serviço  respectivas.   BENEFÍCIO DE ORDEM. NÃO CABIMENTO.  A  solidariedade  aqui  prevista  não  comporta  benefício  de  ordem,  sendo desnecessária a fiscalização prévia da empresa contratada.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.  Não  se  justifica  a  realização  de  diligência  para  revisão  do  procedimento  fiscal  quando  o  processo  contiver  os  elementos  necessários para a formação da livre convicção do julgador.  Lançamento Procedente".  Após a decisão proferida,  tanto a  responsável  quanto a  tomadora dos  serviços foram devidamente cientificadas.   Cabe mencionar  que a DRJ de  origem não  recebeu  a  impugnação da  contribuinte, uma vez que a impugnação foi apresentada fora do prazo  legal, sendo considerada intempestiva.  A  Coelba,  apresentou  Recurso  Voluntário,  no  qual,  em  síntese,  é  alegado:  (a) a inexistência do suposto saldo devedor objeto do lançamento fiscal  impugnado;  (b)  a  não  configuração  dos  pressupostos  para  apuração  do montante  supostamente devido mediante aferição indireta (arbitramento);  (c) a elisão da responsabilidade solidária da tomadora do serviço; e  (d) a cobrança em duplicidade.  Os pedidos consistem em:  (i) anular/reformar o acórdão recorrido, com a devolução do processo  à DRJ, para a adequada análise da farta documentação comprobatória  da  quitação  anexada  aos  autos  pela  Recorrente;  alternativamente,  reformar o acórdão recorrido, a fim de julgar totalmente improcedente  a notificação fiscal ora impugnada;  Fl. 221DF CARF MF Processo nº 18050.000911/2008­72  Acórdão n.º 2301­005.460  S2­C3T1  Fl. 5          4 (ii)  declarar  a  ausência  de  responsabilidade  solidária  da  Recorrente  pelos supostos débitos objeto da notificação fiscal ora impugnada;  (iii) ultrapassados os pleitos acima, afastar a metodologia de aferição  indireta  (arbitramento)  indevidamente  utilizada  para  calcular  o  montante  supostamente  devido,  assim  como  afastar  a  duplicidade  (bitributação)  da  cobrança,  que  está  sendo  feita  simultânea  e  cumulativamente em relação à Recorrente e à a empresa construtora.  A responsável, empresa construtora, não apresentou recurso voluntário.  Diante dos fatos narrados, é o relatório.”    Voto             Conselheiro João Bellini Júnior – Relator   Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 2301­005.456­  3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de  julho de 2018, proferido no  julgamento do Recurso  Voluntário  objeto  do  processo  n°  10580.013931/2007­22,  paradigma  ao  qual  o  presente  processo encontra­se vinculado.  Transcreve­se, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o  inteiro  teor  do  voto  condutor  proferido  pelo  Conselheiro  Wesley  Rocha,  digno  relator  da  susodita  decisão  paradigma,  reprise­se,  Acórdão  nº  2301­005.456­  3ª  Câmara/1ª  Turma  Ordinária, de 05 de julho de 2018:  Acórdão nº 2301­005.456 ­ 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária  “Conselheiro Wesley Rocha – Relator   O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  aborda  matéria  de  competência  desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento.  DO SALDO DEVEDOR OBJETO DO LANÇAMENTO FISCAL   A  recorrente  alega  a  inexistência  de  saldo  devedor  objeto  do  lançamento,  uma  vez  que  há  suficiência  probatória  dos  documentos  acostados aos autos, havendo necessidade de observância do princípio  da verdade material; diz que a notificação  fiscal  foi  lavrada pelo  fato  de, no momento da realização da fiscalização em seu estabelecimento,  não  terem  sido  apresentados  os  comprovantes  de  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  referentes  ao  contrato  de  prestações  serviços  firmado  entre  ela  (tomadora)  e  a  empresa  construtora  (prestadora).   Diante  disso,  o  valor  lhe  foi  imputado,  como  responsável  solidária,  tendo sido apurado pela sistemática da aferição indireta. Alega também  que  não  existe  o  suposto  débito  e  a Fazenda Pública  tem o  poder  de  Fl. 222DF CARF MF Processo nº 18050.000911/2008­72  Acórdão n.º 2301­005.460  S2­C3T1  Fl. 6          5 constituir unilateralmente presunções em seu favor, as quais podem ser  desconstituídas  mediante  prova  em  contrário.  Apresentou  toda  a  documentação  hábil,  idônea  e  suficiente  à  comprovação  da  quitação  dos  supostos  débitos;  de modo  que  nada  se  encontra  pendente  a  esse  título;  tais  documentos  devem  ser  pormenorizadamente  analisados,  a  fim de desvendar a realidade dos fatos, em obediência ao princípio da  verdade material; ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, as  guias  de  recolhimento  anexadas  são  prova  suficiente  para  desconstituição  do  débito,  assim  como  as  cópias  das  folhas  de  pagamento correspondentes.  Entretanto,  conforme  se  verifica  dos  autos,  não  assiste  razão  a  recorrente.  No  caso  de  construção  civil,  vige  a  solidariedade  tributária  do  proprietário,  incorporador,  dono  da  obra  ou  condômino  da  unidade  imobiliária, qualquer que  seja a  forma de contratação da construção,  reforma ou acréscimo, com o construtor e estes com a subempreiteira,  pelo  cumprimento  das  obrigações  para  com  a  Seguridade  Social,  conforme previsão do art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991:   Art. 30 (...)  (...)  VI ­ o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16  de  dezembro  de  1964,  o  dono da  obra  ou  condômino da  unidade  imobiliária,  qualquer  que  seja  a  forma  de  contratação  da  construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor,  e  estes  com  a  subempreiteira,  pelo  cumprimento  das  obrigações  para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo  contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de  importância  a  este  devida  para  garantia  do  cumprimento  dessas  obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de  ordem; Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97)  Tal previsão é regulamentada pelo art. 43 do ROCSS e esmiuçada pela  Ordem de Serviço DAF 165, de 1997, item 17:  ROCSS  Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de  16  de  dezembro  de  1964,  o  dono  de  obra  ou  o  condôminio  de  unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da  construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor  nas  obrigações  para  com  a  seguridade  social,  ressalvado  o  seu  direito  regressivo  contra  o  executor  ou  contratante  de  obra,  admitida a retenção de importância a este devida para garantia do  cumprimento dessas obrigações.  §  1º  A  responsabilidade  solidária  somente  será  elidida  se  for  comprovado  pelo  executor  da  obra  o  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  incluída  em  nota  fiscal  ou  fatura  correspondente  aos  serviços  executados, quando da quitação da referida nota  fiscal ou  fatura,  quando não comprovadas contabilmente.  § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da  obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento  Fl. 223DF CARF MF Processo nº 18050.000911/2008­72  Acórdão n.º 2301­005.460  S2­C3T1  Fl. 7          6 distintas  para  cada  empresa  contratante,  devendo  esta  exigir  do  executor  da  obra,  quando  da  quitação  da  nota  fiscal  ou  fatura,  cópia  autenticada  da  guia  de  recolhimento  quitada  e  respectiva  folha de pagamento.  § 3º Considera­se construtor, para os efeitos deste Regulamento, a  pessoa  física  ou  jurídica  que  executa  obra  sob  sua  responsabilidade, no todo ou em parte. (Grifou­se.)  Ordem de Serviço DAF 165, de 1997  17 – O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16  de dezembro de 1964 , o dono da obra ou condômino da unidade  imobiliária,  qualquer  que  seja  a  forma  de  contratação  da  construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor  e  estes  com  a  subempreiteira,  pelo  cumprimento  das  obrigações  para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo  contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de  importância  a  este  devida  para  garantia  do  cumprimento  dessas  obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de  ordem.  Tal responsabilidade é elidida, de acordo com o item 20 do mesmo texto  legislativo desde se comprove ter a contratada efetuado o recolhimento  prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura:  20 ­ O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino  de  unidade  imobiliária  e  a  empresa  construtora  que  contratarem  obra de construção civil elidir­se­ão da responsabilidade solidária,  desde  que  comprovem  ter  a  contratada  efetuado  o  recolhimento  prévio  das  contribuições  sociais  relativas  à  nota  fiscal  ou  fatura,  devendo  o  salário  de  contribuição  corresponder  aos  percentuais  previstos no Título V, observado o item 27.   20.1  ­  Para  comprovação  do  recolhimento  prévio,  a  contratada  anexará  à  nota  fiscal  de  serviço  cópia  da  GRPS  quitada,  preenchida segundo o disposto no item 16, alínea b, além da cópia  da folha de pagamento. (Redação dada ao subitem pela Ordem de  Serviço DAF nº 185, de 31.03.1998, DOU 15.04.1998) (Grifou­se.)   (...)  16  ­  O  recolhimento  das  contribuições  será  individualizado  por  obra,  mediante  matrículas  distintas,  observado,  quanto  ao  preenchimento  da Guia  de  Recolhimento  da  Previdência  Social  ­  GRPS, o seguinte:  (...)  b)  EMPREITEIRA,  no  caso  de  empreitada  parcial,  e  SUBEMPREITEIRA (GRPS específica para cada obra):  campo  01  ­  apor  o  carimbo  padronizado  do  CGC  ou  sua  transcrição.  campo 02 ­ registrar o nome da empreiteira/subempreiteira;  campos 03 a 07 ­ apor o endereço da obra;  campo  08  ­  registrar  a  matrícula  CEI  da  obra  e  o  nome  do  proprietário  ou  dono  da  obra.  Em  se  tratando  de  recolhimento  Fl. 224DF CARF MF Processo nº 18050.000911/2008­72  Acórdão n.º 2301­005.460  S2­C3T1  Fl. 8          7 prévio, registrar também o número, a data e o valor da nota fiscal  de serviço à qual as contribuições deverão ser vinculadas;  campo 09 ­ registrar o nº 1;  campo 10 ­ registrar o nº do CGC da empreiteira/subempreiteira.  campo 11 ­ registrar o código FPAS.  Os  percentuais  retroreferidos  encontram­se  definidos  no  item  5,  quais sejam:  V  ­  APURAÇÃO  DE  SALÁRIO­DE­CONTRIBUIÇÃO  CONTIDO  EM NOTA FISCAL DE SERVIÇO  31 ­ É fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo de  salário­de­contribuição contido em nota fiscal de serviço/fatura.  31.1 ­ Em se tratando de nota fiscal de serviço que contenha mão­ de­obra  e  material,  o  salário­de­contribuição  corresponderá  no  mínimo  a  40%  (quarenta  por  cento)  do  valor  da  mão­de­obra  discriminado  na  fatura,  devendo  a  empresa  de  construção  civil,  quando  da  fiscalização,  comprovar  a  exatidão  dos  valores  discriminados.  31.1.1  ­  Na  hipótese  de  não  ser  efetuada  a  discriminação  dos  valores,  50%  (cinqüenta  por  cento)  serão  considerados  como  material  e  50%  (cinqüenta  por  cento)  como  mão­de­obra,  totalizando o salário­de­contribuição, por conseguinte, 20% (vinte  por cento) do valor da nota fiscal de serviço.  31.2  ­  Tratando­se  de  serviços  com  utilização  de  equipamentos  mecânicos,  o  salário­de­contribuição  corresponderá  à  aplicação  dos seguintes percentuais sobre o valor da nota fiscal/fatura:                  31.2.1  ­  Nos  demais  serviços  com  utilização  de  equipamentos  mecânicos,  o  salário­de­contribuição  corresponderá  a  aplicação  do  percentual  de  12%  (doze  por  cento)  sobre  o  valor  da  nota  fiscal/fatura.  31.2.1.1  ­  Estes  percentuais  refletem  os  custos  da  mão­de­obra  direta, em comparação com os custos totais da obra, devendo, por  conseguinte, serem aplicados sobre o valor  total da nota fiscal de  serviço/fatura, sem a exclusão dos valores referentes a material e a  utilização de equipamentos mecânicos.  Pavimentação  3% (três por cento)  Terraplenagem  5% (cinco por cento)  Concreto Preparado  5% (cinco por cento)  Obras  Complementares  (ajardinamento, recreação etc)  7% (sete por cento)  Obras  de  Arte  (pontes  e  viadutos)  15% (quinze por cento)  Drenagem  17% (dezessete por cento)  Fl. 225DF CARF MF Processo nº 18050.000911/2008­72  Acórdão n.º 2301­005.460  S2­C3T1  Fl. 9          8 Diante do exposto, é necessário verificar o contrato de empreitada que  originou as contribuições exigidas no presente processo, bem como das  notas fiscais de prestação de serviços juntadas ao feito.   Nesse sentido, foram juntados na impugnação os seguintes documentos,  relacionados à prestadora de serviços realizada:   (a) Guia de Recolhimento da Previdência Social (GRPS), competência  02/99.  (b) Guia de Recolhimento do FGTS (Gre) do período 02/99; e   (c) folhas de pagamento do período 02/99.  Pois bem, como assentou a decisão recorrida, nenhum dos documentos  referidos  se  relaciona  às  notas  fiscais  concernentes  ao  contrato  de  prestação de serviços.   Na GRPS não consta os dados referentes à obra, conforme determinado  pelo item 16, “b”, da Ordem de Serviço DAF 165 de 1997, e, tampouco,  os valores recolhidos por meio da GRPS é compatível com o valor dos  tributos  devidos,  cuja  base  de  cálculo  é  diversa  da  apontada  pela  recorrente, considerando que foi aplicado o percentual de 40% sobre o  valor  das  “notas  fiscais,  por  competência,  uma  vez  que  a  empresa  contratante fornece todo o material utilizado.   Entrelaçando  a  responsabilidade  pela  empreitada  global,  em  mesmo  sentido  apontam  as  normas  inscritas  no  art.  42  do  Regulamento  da  Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente à data de  ocorrência dos fatos geradores.  Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992.  Art. 46. O contratante de quaisquer serviços executados mediante  cessão  de  mão­de­obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  responde  solidariamente  com  o  executor  destes  serviços  pelas  obrigações  decorrentes  deste  regulamento,  em  relação  aos  serviços  a  ele  prestados,  exceto  quanto  às  contribuições  incidentes  sobre  faturamento  e  lucro,  conforme  o  disposto no art. 28.  Ainda,  A  CRPS  editou  o  Enunciado  n°  30  (Resolução  n°  1,  de  31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito:  "Em  se  tratando  de  responsabilidade  solidária  o  fisco  previdenciário  tem  a  prerrogativa  de  constituir  os  créditos  no  tomador  de  serviços  mesmo  que  não  haja  apuração  prévia  no  prestador de serviços.  Como já visto, os recolhimentos juntados aos autos não são condizentes  com s fatos geradores do Lançamento, bem como nem as formalidades e  os  valores  devidos  em  decorrência  do  contrato  de  empreitada  em  questão,  motivos  adequados  e  suficientes  a  atrair  tanto  o  dever  de  lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a  responsabilidade  solidária  da  recorrente,  prevista  pelo  art.  31  da  Lei  8.212, de 1991 e legislação correlata (já transcrito).  Fl. 226DF CARF MF Processo nº 18050.000911/2008­72  Acórdão n.º 2301­005.460  S2­C3T1  Fl. 10          9 Desse  modo,  deve  ser  mantida  a  responsabilidade  solidária,  com  a  inclusão  de  capítulo  específico  abaixo,  bem  como  o  valor  do  crédito  tributário constituído pelo lançamento.   DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA   É  alegado  que  a  imputação  de  responsabilidade  solidária  pelo  pagamento  de  determinado  tributo  exige  a  previsão  expressa  em  lei,  assim  como  a  estrita  observância  dos  moldes  e  requisitos  ali  discriminados para a ocorrência de tal imputação ou seu afastamento;  no caso específico das contribuições previdenciárias, aduz a recorrente  que deve ser inteiramente afastada eventual responsabilidade solidária  da  tomadora  de  serviço  quando  for  comprovado  o  recolhimento  por  parte  da  prestadora,  de  acordo  com  o  art.  30,  §3°  da  Lei  8.212,  de  1991, o art. 43, §§1° e 2º do Decreto 2.173, de 1997 (ROCSS) e o art.  16  da  Ordem  de  Serviço  INSS  n°  83;  infere­se  de  tais  normas  que  a  imputação  de  responsabilidade  solidária  à  tomadora  do  serviço  tem  como pressuposto  indispensável  a ausência de  recolhimento por parte  da  prestadora;  na  hipótese  em  questão,  encontram­se  devidamente  comprovados  os  efetivos  recolhimentos  das  contribuições  previdenciárias por parte da empresa prestadora do serviço; logo, uma  vez comprovados tais recolhimentos por parte da prestadora do serviço,  não se pode falar em qualquer responsabilidade solidária por parte da  empresa  tomadora,  devendo  ser  inteiramente  reformado  o  acórdão  recorrido;  o  acórdão  recorrido,  ao  centrar  esforços  apenas  na  ocorrência  de  suposta  responsabilidade  solidária,  sem  ao  menos  verificar pormenorizadamente os documentos por si acostados, inverteu  a  lógica  para  imputação de  tal  responsabilidade, porque  a  atribuição  de  responsabilidade  solidária  tem  como pressuposto necessário  o  não  pagamento  por  parte  do  prestador,  o  que  não  foi  analisado  adequadamente pelo acórdão; a simples leitura e observação atenta dos  autos deixa  clara a  idoneidade  e  suficiência dos documentos  juntados  por  si  para  comprovar  a  plena  quitação  dos  supostos  débitos  em  comento;  deve  ser  afastada,  portanto,  qualquer  responsabilidade  solidária por parte da tomadora do serviço.  Como se constata dos recolhimentos juntados aos autos, bem como do  capítulo  abaixo,  os  documentos  ofertados  à  fiscalização  não  são  condizentes com o período de apuração, bem como não correspondem  com  as  formalidades  nem  com  os  valores  devidos  em  decorrência  do  contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a  atrair  tanto o  dever  de  lançar por parte  do  fisco  (art.  142,  parágrafo  único,  do  CTN),  quanto  a  responsabilidade  solidária  da  recorrente,  prevista pelo art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991 e item 17 da Ordem de  Serviço DAF 165, de 1997 (já transcrito).  DOS PRESSUPOSTOS PARA APURAÇÃO DO MONTANTE DEVIDO  MEDIANTE AFERIÇÃO INDIRETA  Assevera a  recorrente que: os documentos por ela  juntados aos autos  são  hábeis,  idôneos  e  suficientes  à  comprovação  do  pagamento  dos  supostos  débitos  que  estão  sendo  lhe  sendo  imputados,  afastando  a  presunção gerada pelo método da aferição indireta; a aferição indireta  do montante supostamente devido é um expediente cuja utilização pela  Fazenda Pública possui  caráter  excepcional,  só podendo  ser utilizada  Fl. 227DF CARF MF Processo nº 18050.000911/2008­72  Acórdão n.º 2301­005.460  S2­C3T1  Fl. 11          10 na ocorrência das hipóteses e requisitos estritamente definidos pelo art.  33,  §§ 3ºa 6º da Lei 8.212, de 1991, que não ocorrem no caso, quais  sejam:  a)  a  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação;  ou  b)  a  verificação  de  indícios  de  inidoneidade  da  documentação  fiscal  e  contábil,  que  aponte  para  o  registro  de  informações  destoantes  da  realidade  dos  fatos;  não  houve  qualquer  recusa  ou  sonegação  de  documentos  por  sua  parte,  nem  qualquer  indicio de inidoneidade da sua estrita fiscal e contábil.  Não há qualquer mácula no lançamento, quanto a essa questão.  Por  primeiro,  ressalto  que  os  documentos  juntados  aos  autos  pela  recorrente  não  são  hábeis,  idôneos  ou  suficientes  à  comprovação  do  pagamento dos créditos tributários exigidos.  Por  sua  vez,  a  Lei  8.212,  de  1991,  art.  33,  §§  3°  e  6º  é  explícita  ao  atribuir  à  fiscalização  o  poder  de  (a)  lançar  de  ofício  a  importância  devida,  cabendo  à  empresa  ou  ao  segurado  o  ônus  da  prova  em  contrário, no caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente;  (b)  apurar  e  lançar  as  contribuições  devidas  quando  constatar  que  a  contabilidade  não  registra a realidade da remuneração dos segurados a seu serviço e (c)  desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  efetuar  o  enquadramento  como  segurado empregado, quando constate que o segurado contratado como  contribuinte  individual,  trabalhador  avulso,  ou  sob  qualquer  outra  denominação, preenche as condições que caracterizem tal condição:  Lei 8.212, de 1991  Art. 33    (...)  §  3º  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa  ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela  Medida Provisória n° 449, de 2008) (no mesmo sentido, o art. 233  do RPS)  (...)  §  6°  Se,  no  exame  da  escrituração  contábil  e  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade não  registra o movimento real de  remuneração dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa  o  ônus  da  prova  em  contrário.  (Grifou­se.)  No  caso  em  apreço,  é  evidente  a  apresentação  deficiente  da  documentação,  uma  vez  que,  como  visto,  não  foram  apresentadas  as  guias  de  recolhimento  da  Previdência  Social  referentes  à  obra  em  questão.   DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE   Fl. 228DF CARF MF Processo nº 18050.000911/2008­72  Acórdão n.º 2301­005.460  S2­C3T1  Fl. 12          11 É  alegado  que,  ao  cobrar  os  débitos  em  questão  simultaneamente  da  Recorrente e da contatado de modo cumulativo, a Fazenda Pública está  efetuando  nítida  cobrança  em  duplicidade,  bitributação,  o  que  é  absolutamente vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, principalmente  em  virtude  da  proibição  do  enriquecimento  sem  causa  da  Fazenda  Pública, adstrita à moralidade administrativa; na verdade,  trata­se de  uma cobrança tripla, pois a cobrança dúplice está sendo feita sobre um  débito que já foi devidamente pago pela empresa prestadora na época  da ocorrência do fato gerador.  Não lhe assiste razão.   Como  visto,  as  guias  de  recolhimentos  juntadas  aos  autos  não  se  relacionam com o crédito  tributário ora  lançado, e não se comprovou  nenhum bis  in  idem;  Ademais,  não  se  está  cobrando  um montante  do  crédito  tributário  da  recorrente  (responsável  solidária)  e  outro  montante  de  igual  valor  da  empreiteira  (contribuinte):  é  o  mesmo  crédito  tributário  que  está  sendo  exigido,  apenas  uma  vez,  da  contribuinte  e  da  responsável  solidária;  não  há  falar,  portanto,  em  duplicidade de tributação.  CONCLUSÃO  Voto,  portanto,  por  conhecer  do  Recurso  Voluntário  e  no  mérito  NEGAR PROVIMENTO.  (assinatura digital)  Wesley Rocha­ Relator”    Nesse  contexto,  pelas  razões  de  fato  e  de Direito  ora  expendidas,  voto  por  CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR­LHE PROVIMENTO.  (assinado digitalmente)  João Bellini Júnior – Relator                                Fl. 229DF CARF MF

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Numero do processo: 13851.901243/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13851.900891/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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1302­000.672  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  18 de outubro de 2018  Assunto  DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR  Recorrente  LET'S RENT A CAR LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a  sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica­se o decidido no julgamento do processo  13851.900891/2009­73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.   (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Carlos  Cesar  Candal  Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio  Nepomuceno  Feitosa,  Maria  Lúcia  Miceli,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério  Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 24 3/ 20 09 -3 4 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13851.901243/2009­34  Resolução nº  1302­000.672  S1­C3T2  Fl. 3          2 Relatório     A  Empresa  apresentou  PER/DCOMP  pretendendo  compensar  débitos  de  sua  responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de pagamento de  estimativa mensal.  Em  Despacho  Decisório  Eletrônico,  não  foi  reconhecido  qualquer  direito  creditório  a  favor  da  contribuinte  e,  por  conseguinte,  não­homologada  a  compensação  declarada  no  presente  processo,  ao  fundamento  de  que  não  foi  confirmada  a  existência  do  crédito informado "por tratar­se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica  tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  ou  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Liquido (CSLL) devida ao .final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de  IRPJ ou CSLL do período", forte no artigo 10 da IN 600/2005.  Inconformada,  interpôs  a  contribuinte  manifestação  de  inconformidade,  acompanhada  dos  documentos,  na  qual  alega,  em  síntese,  que:  a)  o  despacho  decisório  não  homologou  a  PER/Dcomp  sob  alegação  da  improcedência  do  crédito  por  tratar­se  de  pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real; b) houve  equivoco  quanto  à  interpretação  do  artigo  10  da  IN  n°  600/2005;  c)  o  despacho  decisório  sustenta que a impugnante violou o artigo 10 da IN n° 600/2005; d) a impugnante, por sua vez,  informa  que  não  apurou  saldo  negativo  de  IRPJ  no  ano­calendário  correspondente,  nem  utilizou o valor do indébito na apuração do referido saldo negativo; e) discorre sobre o direito à  compensação. salientando que a compensação, objeto dos autos, foi efetuada mediante pedido  eletrônico  (PER/Dcomp)  e  elaborada  atendendo  todos  parâmetros  estabelecidos  pela  legislação;  f)  o  artigo  10  da  IN  n°  600/2005  viola  o  principio  da  legalidade  tributária,  não  podendo a contribuinte  ser prejudicada por norma que não  tem força de  lei, mas  sim caráter  acessório  a  ela;  g)  vedar  a  compensação  dos  créditos  relativos  a  pagamento  indevido  ou  a  maior de IRPJ/CSLL no decorrer do ano­calendário afeta nitidamente o direito do contribuinte  na  utilização  de  seu  direito;  h)  se  a  lei  que  disciplina  referido  procedimento  não  restringe  a  compensação  não  há  que  se  falar  em  improcedência  do  crédito;  i)  cita  ementas  de  decisões  administrativas;  j)  Instrução  Normativa  é  ato  administrativo  realizado  nos  limites  do  Poder  Regulamentar  conferido  á  Administração  Pública;  k)  o  artigo  10  da  IN  n°  600/2005  não  vincula o particular sendo incapaz de gerar­lhe obrigação; 1) o valor do crédito decorrente de  pagamento indevido ou a maior de IRPJ é legitimo e de pleno direito da impugnante, estando  de  pleno  acordo  com  as  diretrizes  trazidas  pela  lei.  Ao  final,  requer  a  homologação  da  compensação pretendida, declarando extinto o crédito tributário.  A 5ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto,  julgou improcedente a manifestação de  inconformidade, decisão assim ementada:  ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ   IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO­ CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO.  Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13851.901243/2009­34  Resolução nº  1302­000.672  S1­C3T2  Fl. 4          3 Os  recolhimentos  mensais  de  IRPJ,  quer  calculados  sobre  a  receita  bruta auferida nesses períodos, quer a partir de balanços ou balancetes  de  suspensão  ou  redução,  as  denominadas  estimativas,  não  caracterizam  pagamentos  do  tributo  a  ser  apurado  com  o  balanço  patrimonial  levantado  no  final  do  ano­calendário,  mas  sim  meras  antecipações.  A  feição  de  pagamento,  modalidade  extintiva  da  obrigação  tributária,  só  se  exterioriza  em  31  de  dezembro,  pois  ai  ocorrente  o  fato  gerador  do  imposto  de  renda  da  pessoa  jurídica  optante pelo regime de tributação anual.  Do confronto entre o montante antecipado ao longo do ano­calendário  e o quantum do imposto apurado em 31 de dezembro poderá resultar  saldo  de  imposto  de  renda  a  pagar  ou  saldo  negativo  de  IRPJ,  este  último, pagamento a maior que o devido, é passível de  restituição ou  compensação,  sobre  o  qual  serão  acrescidos  de  juros  à  taxa  Selic  contados a partir de 1° de janeiro subseqüente.  COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.  Apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  DIREITO  CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto  A  Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza pela autoridade administrativa.  Não  satisfeita  a  Empresa  apresentou  Recurso  Voluntário  reprisando  os  argumentos do recurso anterior.  Vieram os autos por sorteio.  É o relatório.  Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13851.901243/2009­34  Resolução nº  1302­000.672  S1­C3T2  Fl. 5          4 Voto   Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado ­Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução nº  1302­000.660, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900891/2009­73,  paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302­000.660):  "O recurso é tempestivo. A representação é regular.  Conheço do recurso.  Estamos tratando de proibição de compensação de pagamento a maior  ou indevido de estimativa mensal, cuja previsão estava no artigo 10 da  Instrução Normativa nº 600, de 2005.  Temos a incidência direta da súmula CARF nº 84, cujo teor transcrevo:  Súmula  CARF  nº  84:  Pagamento  indevido  ou  a  maior  a  título  de  estimativa  caracteriza  indébito  na  data  de  seu  recolhimento,  sendo  passível de restituição ou compensação.  Sendo  de  aplicação  forçada  pelos  Conselheiros  deste  Conselho,  por  força do artigo 45 § 6º do Anexo II do RICARF, a proibição constante  da referida IN não oferece óbice à compensação pleiteada.  Todavia, ante a situação criada, em que o direito creditório não sofreu  nenhuma  análise,  sendo  sumariamente  negado  o  direito  por  força  de  previsão  normativa,  e  pelo  fato  desta  Turma  não  ter  condições  de  proceder a esta análise, entendo que o julgamento deve ser convertido  em diligência para:  a)  que  seja  procedida  a  análise  do  direito  creditório,  com  o  afastamento da proibição constante do artigo 10 da IN nº 600/2005;  b) seja dada ciência da decisão ao Recorrente, para manifestação;  c)  passado  o  prazo  de  30  dias,  com  ou  sem  a  manifestação  do  interessado, retornem os autos para julgamento.  É como voto."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o  julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto acima transcrito.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado  Fl. 68DF CARF MF

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Numero do processo: 10670.002451/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2000 a 30/06/2004 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO. O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa somente se impõe nos casos em que o limite de alçada supera o montante previsto em portaria do Ministério da Fazenda, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento.
Numero da decisão: 2402-006.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucciu, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA

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2402­006.708  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  5 de outubro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL  Recorrente  FAZENDA NACIONAL   Interessado  COOP MÚLTIPLA DE SERV. DO NORTE DE MINAS    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/08/2000 a 30/06/2004  RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO.  O  reexame  de  decisões  proferidas  no  sentido  de  exoneração  de  créditos  tributários e encargos de multa somente se impõe nos casos em que o limite  de alçada supera o montante previsto em portaria do Ministério da Fazenda,  sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso de ofício.  (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira ­ Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Denny  Medeiros  da  Silveira,  Gregório  Rechmann  Júnior,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucciu,  Luís  Henrique  Dias  Lima,  Mário  Pereira  de  Pinho  Filho,  Maurício  Nogueira  Righetti e Renata Toratti Cassini.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 24 51 /2 00 8- 16 Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 10670.002451/2008­16  Acórdão n.º 2402­006.708  S2­C4T2  Fl. 1.326          2 Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos  ocorridos  até  a  decisão  de  primeira  instância,  reproduzo  trechos  do  relatório  constante  do Acórdão  nº  02­21.091,  da Delegacia  da Receita  Federal de Julgamento (DRJ) de Belo Horizonte/MG, fls. 1.302 a 1.311:  Trata­se de crédito  lançado pela  fiscalização contra a empresa  acima identificada que, de acordo com o relatório fiscal de  fls.  45 a 47, refere­se à contribuição destinada à Seguridade Social,  parte da empresa, incidente sobre valores pagos a contribuintes  individuais,  apurados  por  aferição  indireta  através  de  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços,  no  período  de  08/2000  a  06/2004.  O  presente  Auto  de  Infração  substitui  a  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  37.043.315­7,  declarada  nula  por  ter  apresentado  vicio  em  razão  do  contribuinte  não  ter  sido  cientificado do lançamento no prazo de vigência do Mandado de  Procedimento Fiscal ­ MPF.  A ação fiscal anterior teve origem na conferência dos pedidos de  revisão formalizados pela autuada de n° 36980.002481/2005­61  e  36980002482/2005­14,  ocasião  em  que  foram  constatadas  a  não  declaração  na  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP  dos  cooperados  e  a  grande  discrepância  entre  os  valores  dos  recolhimentos  nas  competências  objeto  de  restituição  em  comparação  com  as  demais.  [...]  A  empresa  teve  ciência  da  Notificação  Fiscal,  em  20/06/2008,  fls. 1145, e apresentou defesa, em 17/07/2008, fls. 1148 a 1160.  Ao  julgar  a  impugnação,  a  7ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  de  Belo  Horizonte/MG, por unanimidade de votos, reconheceu que parte do lançamento fiscal teria sido  atingido  pela  decadência,  sendo  excluídos  os  créditos  referentes  ao  período  de  08/2000  a  12/2001 (levantamento NF – Notas Fiscais). Vide dispositivo da decisão, a seguir transcrito:  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos,  considerar  procedente  em  parte  o  auto  de  infração  n°  37.111.550­7,  para  excluir  o  período  alcançado  pela  decadência,  como  demonstrado  no  voto,  e  manter  o  crédito  previdenciário  retificado, conforme Discriminativo Analítico do  Débito Retificado ­ DADR, em anexo.  Para maior clareza quanto à decisão a quo, transcrevemos, também, a ementa  constante do Acórdão nº 02­21.091:   AUTO DE INFRAÇÃO. COOPERATIVA DE TRABALHO. NÃO  CONFIGURAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO.  Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 10670.002451/2008­16  Acórdão n.º 2402­006.708  S2­C4T2  Fl. 1.327          3 A  não­observância  dos  requisitos  legais  para  a  formação  e  desenvolvimento da cooperativa impõe­se sua descaracterização  como tal.  A  empresa  é  obrigada  a  recolher  a  contribuição  a  seu  cargo,  incidente  sobre  a  remuneração  paga,  devida  ou  creditada,  a  qualquer  título,  aos  trabalhadores  a  seu  serviço,  nos  prazos  definidos em lei.  A decadência das contribuições previdenciárias opera­se em 05  (cinco)  anos  confom1e  Súmula  Vinculante  n°  8  do  Supremo  Tribunal Federal.   A  disposição  contida  em  enunciado  de  Súmula  Vinculante  do  STF obriga a  todos os órgãos do Poder Constituído Judiciário,  bem  como  todos  os  órgãos  e  entes  da  Administração  Pública  direta e indireta.  Em  face  a  essa  decisão,  a DRJ  de Belo Horizonte/MG  interpôs  recurso  de  ofício, nos seguintes termos:  Considerando  o  inciso  I  do  artigo  25  e  o  artigo  29  da  Lei  n°  11.457,  de  16  de  março  de  2007,  recorre­se  de  oficio  ao  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme o inciso  I  do artigo 34 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972,  pois  o  valor  exonerado  é  superior  ao  previsto  no  artigo  1°  da  Portaria MF n° 3, de 03 de janeiro de 2008.  Cientificada da decisão, em 21/5/09, segundo o Aviso de Recebimento (AR)  de fl. 1.320, a contribuinte não se manifestou.  O  processo,  então,  foi  encaminhado  a  este  Conselho  para  julgamento  do  recurso de ofício.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator.  Do conhecimento   Como visto no relatório acima, trata­se de recurso de ofício apresentado pelo  órgão julgador de primeiro grau, uma vez que o crédito exonerado teria superado o montante  de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), previsto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3/1/08,  conforme quadro a seguir:     Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 10670.002451/2008­16  Acórdão n.º 2402­006.708  S2­C4T2  Fl. 1.328          4 Todavia, nos termos do 1º, da Portaria MF nº 3, de 2008, o limite de alçada  para  o  recurso  de  oficio  compreende,  tão  somente,  o  valor  do  tributo  e  da multa  que  foram  exonerados, e não os juros. Vejamos:  Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  recorrerá  de  ofício  sempre  que  a  decisão  exonerar  o  sujeito  passivo  do  pagamento  de  tributo  e  encargos  de  multa,  em  valor  total  superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).  Parágrafo  único.  O  valor  da  exoneração  de  que  trata  o  caput  deverá ser verificado por processo.  Pois  bem,  no  caso  em  tela,  o montante  exonerado  em  tributo  (principal)  e  multa corresponde a R$ 866.653,69:      Portanto,  à  luz  da  Portaria  MF  nº  3,  de  2008,  o  crédito  exonerado  já  se  encontrava abaixo do limite de alçada.  Contudo,  o  limite  de  alçada  para  a  interposição  de  recurso  de  ofício  foi  alterado pela Portaria MF nº 63, de 9/2/17, passando a ser de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e  quinhentos mil reais), em tributos e multas:  Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  recorrerá  de  ofício  sempre  que  a  decisão  exonerar  sujeito  passivo  do  pagamento  de  tributo  e  encargos  de  multa,  em  valor  total  superior  a  R$  2.500.000,00  (dois  milhões  e  quinhentos  mil  reais).  Lembrando que, nos termos da Súmula CARF nº 103, o limite de alçada deve  ser aferido na data de apreciação do recurso, em segunda instância:  Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de  ofício,  aplica­se  o  limite  de  alçada  vigente  na  data  de  sua  apreciação em segunda instância.  Portanto,  tendo  em  vista  que  o  crédito  exonerado  de  R$  866.653,69  se  encontra  abaixo  do  limite  de  alçada  previsto  na  Portaria  MF  nº  63,  de  2017,  não  cabe  o  conhecimento do presente recurso de ofício.    Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 10670.002451/2008­16  Acórdão n.º 2402­006.708  S2­C4T2  Fl. 1.329          5 Conclusão  Isso posto, voto por NÃO CONHECER do recurso de ofício.   (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira                            Fl. 1329DF CARF MF

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Numero do processo: 13851.904398/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.550
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­001.550  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  28 de novembro de 2018  Assunto  LEI N.º 9.718/98. ICMS BASE DE CÁLCULO PIS/COFINS.  Recorrente  CITROSUCO S/A AGROINDUSTRIA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.    (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra,  Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa  de Sá Pittondo Deligne,  Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira  de Avila  (suplente  convocado)  e  Cynthia  Elena  de  Campos.  Ausente  justificadamente  a  Conselheira  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).  Relatório  Trata­se  de  Pedido  de  Restituição  de  crédito  de  contribuição  indeferido  por  despacho decisório eletrônico, vez que o valor do DARF teria sido utilizado integralmente para  quitar débitos próprios.  Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de  Inconformidade,  julgada  improcedente pelo Acórdão da DRJ nº 14­045­335.  Intimada  desta  decisão  a  empresa  apresentou  o  Recurso  Voluntário  ora  em  apreço, tempestivamente, alegando, em síntese:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 04 39 8/ 20 11 -4 7 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13851.904398/2011­47  Resolução nº  3402­001.550  S3­C4T2  Fl. 153          2  (i)  a  ausência  de  retificação  da DCTF  não  prejudica  a  validade  do  crédito  do  contribuinte,  respaldado  na  indevida  extensão  do  conceito  de  receita  bruta  da  Lei n.º 9.718/98 e na não  incidência do  ICMS na base de cálculo do PIS e da  COFINS;  (ii)  que  as  provas  anexadas  na  Manifestação  de  Inconformidade  seriam  suficientes para respaldar o crédito pleiteado, sendo descabida a afirmação da r.  decisão recorrida no sentido de que a produção de provas estaria preclusa.  Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento.  É o relatório.  Resolução  Conselheiro Waldir Navarro Bezerra   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  n Resolução  3402­001.537,  de  28  de  novembro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  13851.902716/2012­16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402­001.537):  "O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  merece  ser  conhecido.  Contudo,  o  processo  não  se  encontra  suficientemente  instruído  para  julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos  termos a seguir.  Em  sua  defesa,  a  Recorrente  indica  que  os  créditos  seriam  referentes à extensão  inconstitucional da base de cálculo da COFINS  Cumulativa pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98 e a não  inclusão do  ICMS  na  base  de  cálculo  da  COFINS,  especificamente  quanto  ao  período de apuração de 04/2003.  Observe­se a Recorrente acostou aos autos memória de cálculo  do crédito, identificando as contas contábeis nas quais respalda o seu  crédito.  Contudo,  esses  documentos  não  foram  apreciados  pela  r.  decisão  recorrida  sob  o  argumento  de  que  teriam  apenas  valor  indicativo:    "Em relação aos elementos de prova, somente se constituem em  excertos  de  livros  contábeis  ou  fiscais  se  demonstrada  a  observância das formalidades (termos e abertura e encerramento,  e, no caso de Livro Diário, autenticação), previstas no art. 5º, §  2º, do Decreto­ Lei nº 486, de 1969, e no art. 6º do Decreto nº  64.567, de 1969, a seguir transcritos:  (...)  Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13851.904398/2011­47  Resolução nº  3402­001.550  S3­C4T2  Fl. 154          3  No  caso  dos  documentos  juntados  aos  autos  pela  interessada,  constata­se  que  não  cumprem  tais  formalidades.  Em  suma,  os  documentos  apresentados,  embora  relevantes,  possuem  valor  apenas  indicativo,  e  mostram­se  insuficientes  à  adequada  instrução probatória dos autos, nos dos artigos acima transcritos.  Além  disso,  a  interessada  não  fez  juntar  aos  autos  registros  contábeis  e  respectivos  documentos  fiscais  capazes  de  demonstrar  a  origem  e  forma  de  aproveitamento  do  suposto  crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior resultante  do  confronto  entre  pagamentos  alocados  e/ou  compensações  realizadas  naquele  PA,  e  o  débito  apurado,  resultante  da  aplicação  da  alíquota  da  contribuição  sobre  a  base  de  cálculo  efetivamente apurada na contabilidade, nos termos do artigo 9º,  § 1º, do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, acima  transcrito."  (e­fl.  111)    Assim,  os  documentos  apresentados  pelo  contribuinte  para  respaldar seu crédito não foram analisados pela fiscalização. Visando  sanar  a  questão  meramente  formal  apontada  pela  r.  decisão,  o  contribuinte  acostou  aos  autos,  no  Recurso  Voluntário,  os  termos  de  abertura e encerramento do livro razão.  Cumpre mencionar que o presente processo envolve duas teses  distintas. Primeiro, quanto à extensão do conceito de receita da Lei n.º  9.718/98. Neste ponto, devidamente indicou a r. decisão recorrida, com  base  nos  julgamento  do  Supremo  Tribunal  Federal,  que  "externe  de  dúvida que, na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS,  somente  deveriam  ter  sido  considerados  pela  requerente  os  valores  correspondentes  ao  seu  faturamento,  isto  é,  os  ingressos  que  correspondem  às  suas  receitas  das  vendas  de  mercadorias  e  da  prestação de serviços."  Além  disso,  discute­se  ainda  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo do PIS e da COFINS. E é do conhecimento deste colegiado que  o  Supremo  Tribunal  Federal  julgou  esta  tese  no  Recurso  Extraordinário n.º 574.706, em sede de repercussão geral, no sentido  de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS  e da Cofins":    "EMENTA:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  COM  REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO  ICMS NA BASE  DE  CÁLCULO  DO  PIS  E  COFINS.  DEFINIÇÃO  DE  FATURAMENTO.  APURAÇÃO  ESCRITURAL  DO  ICMS  E  REGIME  DE  NÃO  CUMULATIVIDADE.  RECURSO  PROVIDO.  1.  Inviável  a  apuração  do  ICMS  tomando­se  cada  mercadoria  ou  serviço  e  a  correspondente  cadeia,  adota­se  o  sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é  apurado  mês  a  mês,  considerando­se  o  total  de  créditos  decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas  de  mercadorias  ou  serviços:  análise  contábil  ou  escritural  do  ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade  Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13851.904398/2011­47  Resolução nº  3402­001.550  S3­C4T2  Fl. 155          4  aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc.  I, da Constituição da República, cumprindo­se o princípio da não  cumulatividade  a  cada  operação.  3.  O  regime  da  não  cumulatividade  impõe  concluir,  conquanto  se  tenha  a  escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não  se  incluir  todo ele na definição de faturamento aproveitado  por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a  base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o  art.  3º,  §  2º,  inc.  I,  in  fine,  da Lei  n.  9.718/1998  excluiu  da  base  de  cálculo  daquelas  contribuições  sociais  o  ICMS  transferido  integralmente  para  os  Estados,  deve  ser  enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial  decorrente  do  regime  de  não  cumulatividade  em  determinado  momento  da  dinâmica  das  operações.  4.  Recurso  provido  para  excluir  o  ICMS  da  base  de  cálculo  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS."  (RE  574706,  Relatora  Ministra Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017,  Acórdão  eletrônico  DJe­223  Divulgado  29/09/2017  publicado  02/10/2017 ­ grifei)    Uma vez que o  contribuinte  trouxe documentos que  sugerem a  existência  do  crédito,  segregando  na  memória  de  cálculo  os  valores  relacionados às duas teses, entendo pela necessidade da conversão do  processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem elabore  relatório fiscal avaliando a validade da memória de cálculo do crédito  apresentada  pelo  contribuinte,  identificando:  (i)  se  as  parcelas  relacionadas  como  "OUTRAS  RECEITAS"  não  se  enquadram  no  conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita  da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação  de  ambos);  e  (ii)  a  sistemática  adotada  para  o  cálculo  do  ICMS  excluído da base de cálculo da COFINS à luz do entendimento firmado  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  574.706/PR,  pelo  Supremo Tribunal Federal.   Diante  dessas  considerações,  à  luz  do  art.  29  do  Decreto  n.º  70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência  para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal  do Brasil em Araraquara/SP):  (i)  intime  a  Recorrente  a  apresentar  cópia  dos  documentos  fiscais  e  contábeis  entendidos  como  necessários  para  que  a  fiscalização possa  confirmar  a  composição  da  base de  cálculo  da COFINS Cumulativa  do  período  (notas  fiscais  emitidas,  as  escritas  contábil  e  fiscal  e  outros  documentos  que  considerar  pertinentes);  (ii)  elaborar  relatório  fiscal  considerando  os  documentos  e  informações apresentados:  (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em  separado, os valores de outras receitas tributadas com base no                                                              1  "Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar as diligências que entender necessárias."  Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13851.904398/2011­47  Resolução nº  3402­001.550  S3­C4T2  Fl. 156          5  alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98,  com  fulcro  no  conceito  de  faturamento  aceito  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (receita  da  venda  de  mercadorias,  da  prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a  se  apurar  os  valores  devidos,  com  e  sem  o  alargamento,  e  confrontá­los com o recolhido;  (ii.2)  identificar  qual  a  sistemática  adotada  pelo  contribuinte  para excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS, avaliando  o  valor  de  crédito  do  tributo  passível  de  ser  reconhecido  ao  contribuinte  caso  se adote o  entendimento majoritário  firmado  no  julgamento  do Recurso Extraordinário  nº  574.706/PR,  pelo  Supremo Tribunal Federal.  Concluída  a  diligência  e  antes  do  retorno  do  processo  a  este  CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de  seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias."    Importante  frisar  que  os  documentos  juntados  pela  contribuinte  no  processo  paradigma,  como  prova  do  direito  creditório,  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência  no caso do paradigma também a justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista  nos §§  1º  e 2º  do  art.  47  do Anexo  II  do RICARF,  o  colegiado  decidiu  converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia  da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP):   (i) intime a Recorrente a apresentar cópia dos documentos fiscais  e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização  possa  confirmar  a  composição  da  base  de  cálculo  do  PIS  Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil  e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes);  (ii)  elaborar  relatório  fiscal  considerando  os  documentos  e  informações apresentados:  (ii.1) com a discriminação dos montantes  totais  tributados e, em  separado,  os  valores  de  outras  receitas  tributadas  com  base  no  alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98,  com  fulcro  no  conceito  de  faturamento  aceito  pelo  Supremo  Tribunal Federal  (receita da venda de mercadorias, da prestação  de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os  valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá­los com o  recolhido;  (ii.2) identificar qual a sistemática adotada pelo contribuinte para  excluir o  ICMS da base de cálculo do PIS, avaliando o valor de  crédito  do  tributo  passível  de  ser  reconhecido  ao  contribuinte  caso se adote o entendimento majoritário firmado no julgamento  Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13851.904398/2011­47  Resolução nº  3402­001.550  S3­C4T2  Fl. 157          6  do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal  Federal.  Concluída  a diligência  e  antes do  retorno do processo  a  este CARF,  intimar a  Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30  (trinta) dias.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra  Fl. 155DF CARF MF

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Numero do processo: 10725.721927/2011-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte ou reconhecido o crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 2001-000.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO

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2001­000.731  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  26 de setembro de 2018  Matéria  IRPF ­ DEDUÇÃO ­ DESPESAS MÉDICAS  Recorrente  EDSON HORVAT  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2009  DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS.  AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS  COMPROVANTES.  Recibos de despesas médicas  têm força probante para efeito de dedução do  Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos  de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios  consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento.  A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os  torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.   MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO.  Considera­se  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada pelo contribuinte ou reconhecido o crédito tributário lançado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao  Recurso  Voluntário,  vencido  o  conselheiro  José  Ricardo  Moreira,  que  lhe  negou  provimento.  (assinado digitalmente)  Jorge Henrique Backes ­ Presidente   (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 19 27 /2 01 1- 26 Fl. 96DF CARF MF     2 Jose Alfredo Duarte Filho ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Jorge  Henrique  Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância  que  julgou  improcedente  a  impugnação  do  contribuinte,  em  razão  da  lavratura  de  Auto de  Infração de  Imposto sobre a Renda de Pessoa Física –  IRPF, por glosa de Despesas  Médicas.   O  lançamento  da Fazenda Nacional  exige  do  contribuinte  a  importância  de  R$  3.866,00,  a  título  de  imposto  de  renda  pessoa  física  suplementar,  acrescida  da multa  de  ofício de 75% e juros moratórios, referente ao ano­calendário de 2009.   A  fundamentação  do  Lançamento,  conforme  consta  da  decisão  de  primeira  instância,  aponta  como  elemento  da  decisão  da  lavratura  o  fato  de  não  sido  apresentada  comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas além dos recibos e  notas fiscais de prestação de serviços.  A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado  na feitura do  lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se  refere a documentos suplementares aos recibos apresentados pelos serviços médicos prestados,  como segue:    Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida por Auditor Fiscal da  Receita  Federal  do  Brasil  da  DRF  Campos  dos  Goytacazes,  notificação  de  lançamento  referente  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física,  exercício  2010,  ano­calendário  2009.  Foi  apurado  imposto  suplementar no valor de R$ 3.866,50, acrescido de multa de ofício e  juros de mora.    O lançamento decorreu da constatação da seguinte infração:  Dedução  Indevida  de  Despesas  Médicas.  A  glosa  do  valor  de  R$  14.060,00,  correspondente  à  dedução  indevida  a  título  de  despesas  médicas,  foi  efetuada por  falta de  comprovação e/ou previsão  legal.  Complementação dos fatos:  DELIER GONÇALVES RODRIGUES JUNIOR (R$ 500,00)  KARINNE SIQUEIRA (R$ 3.360,00)  ALINE MARIA CRUZ PAES GONÇALVES (R$ 10.200,00)    O  interessado  tomou  ciência  da  Notificação  de  Lançamento  em  01/07/2011  (fl.  35)  e,  em  26/07/2011,  apresentou  a  Impugnação  (fl.  02) alegando, em síntese, que:  Contesta  parcialmente  à  glosas  das  despesas médicas,  apresenta  os  comprovantes legais dos serviços prestados por Karinne Siqueira, no  valor de R$ 3.360,00 e Aline Maria Cruz Paes Gonçalves, no valor de  R$  10.200,00;  e  não  apresenta  o  comprovante  de  pagamento  do  profissional  Delier  Gonçalves  Rodrigues  Junior,  no  valor  de  R$  500,00,  porque  o  consultório  deste  mudou  de  endereço  impossibilitando a apresentação dos recebidos solicitados.    Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10725.721927/2011­26  Acórdão n.º 2001­000.731  S2­C0T1  Fl. 97          3 Inicialmente,  cumpre  observar  que  não  foi  objeto  de  contestação  a  infração  apurada  de  despesas  médicas  (parcial  no  valor  de  R$  500,00).  Tal  infração  será  considerada matéria  não  impugnada  nos  termos do art. 58 do Decreto 7.574, de 2011, razão pela qual resultou  em  crédito  definitivamente  constituído,  restando  preclusos  novos  questionamentos a respeito.    O  crédito  tributário  não  impugnado,  no  valor  de  R$  137,50  foi  transferido  para  o  processo  nº  10725.720093/201212,  para  fins  de  cobrança (fl. 60).    (...)    Com  relação  às  despesas  médicas  com  as  profissionais  Karinne  Siqueira  (R$  3.360,00)  e  Aline  Maria  Cruz  Paes  Gonçalves  (R$  10.200,00),  como  se  depreende  da  legislação  transcrita  acima,  a  dedução das despesas médicas na Declaração de  Imposto de Renda  está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora.    Comumente  é  aceito,  para  comprovar  o  pagamento  das  despesas  médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o  serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa  jurídica.    Mesmo  que  o  contribuinte  tenha  apresentado  os  recibos  ou  notas  fiscais dos serviços e declarações firmadas pelos profissionais, é licito  à  Autoridade  exigir,  a  seu  critério,  outros  elementos  de  provas  adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos  serviços ou do respectivo pagamento.    Em  sede  de  impugnação,  o  interessado  somente  apresentou  as  declarações  e  os  recibos  emitidos  pelas  profissionais  (fls.  12/41).  Entretanto,  tais  documentos  não  são  suficientes  para  comprovar  o  efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, mas somente os  serviços prestados.    Caberia  ao  contribuinte  trazer  aos  autos  a  comprovação  da  efetividade dos pagamentos das despesas médicas através das cópias  de  cheques  nominativos  e/ou  extratos  bancários  que  atestassem  a  coincidência  das  datas  e  valores  com  as  despesas  supostamente  incorridas, conforme já mencionado na Notificação de Lançamento.    Assim, fica mantida a glosa das despesas médicas (R$ 13.560,00).    Diante  do  exposto,  voto  pela  IMPROCEDÊNCIA  da  impugnação,  mantendo a infração apurada pela autoridade lançadora.    Destaque­se, que o crédito tributário não impugnado, no valor de R$  137,50 foi transferido para o processo nº 10725.720093/201212, para  fins de cobrança (fl. 60).    Assim,  conclui  o  acórdão  vergastado  pela  procedência  parcial  da  impugnação  para  manter  a  glosa  das  despesas  médicas  no  valor  de  R$  13.560,00,  que  corresponde ao imposto suplementar de R$ 3.729,00.  Fl. 98DF CARF MF     4    Por  sua  vez,  com  a  decisão  do  Acórdão  da  DRJ,  o  Recorrente  apresenta  recurso  voluntário  com  as  considerações  e  argumentações  que  entende  justificável  ao  seu  procedimento, nos termos que segue:  (...)  Das GLOSAS das Despesas Médicas – Na contestação apresentada,  delineada na Cláusula Primeira, titulada como Da Dedução Indevida  de Despesas Médicas, foram apresentados todos os comprovantes de  conformidade  com  lei,  tendo  os  mesmos  sido  considerados,  pela  Colenda 7ª Turma, como se as mesmas não tivessem sido apensada a  defesa  prévia,  considerando  como  falta  de  comprovação  do  efetivo  pagamento,  não  havendo  justificativa  para  seu  restabelecimento,  “sem que haja tal comprovação”. Isto posto, estou mais uma vez re­ anexando todos os comprovantes de despesas médicas dedutíveis, em  minha  Declaração  de  Ajuste  Anual,  ora  em  questão”,  tendo  sido  entendido  pela  Colenda  Turma,  tópico  primeiro  como  Matéria  não  Imp, contrastando com os fatos narrada na IMPUGNAÇÃO, a saber:   a  –  KARINE  SIQUEIRA,  CPF.  110.394.437­10  –  Fisioterapeuta  –  valor  dos  serviços  realizados  R$  3.360,00  (Três  mil,  trezentos  e  sessenta reais);  b – ALINE MARIA CRUZ PAES GONSÇALVES, CPF 055.996.637­79  – Cirurgiã Dentista – valor dos serviços realizados R$ 10.200,00 (Dez  mil e duzentos reais).  Como  os  senhores  poderão  observar,  os  valores  e  comprovantes  apresentados,  não  oferecem  suspeição  de  ilícito,  pois  decorrem  de  serviços prestados ao contribuinte, estando os em conformidade com  o  previsto  em  lei,  não  sendo  assim  objeto  da  glosa  titulada  no  acórdão acima margeado.  Por  fim  conclui­se  que  houve  excesso  de  rigor  no  julgamento  das  peças  contidas  no  processo  ora  em  questão,  tendo  em  vista  que  os  documentos comprobatórios apresentados, expressam a realidade dos  fatos  ou  seja,  são  verídicos  e  idôneos,  par  tanto,  segue  abaixo  relacionados.  Por fim, pede­se que o Egrégio Conselho, reveja as peças contidas no  Processo  Administrativo,  desde  sua  origem,  inicializado  com  a  INTIMAÇÃO FISCAL, se esta for parte integrante do processo, e que  seja  reavaliada  a  nossa  pretensão,  considerando  os  elementos  de  evicção apresentados, com o objetivo que haja justiça no julgamento  deste pleito.   É o relatório.    Voto             Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho ­ Relator   Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10725.721927/2011­26  Acórdão n.º 2001­000.731  S2­C0T1  Fl. 98          5 O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos  de  admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.  Inexiste  controvérsia  quanto  à  glosa  das  despesas  médicas  referente  ao  profissional  Delier  Gonçalves  Rodrigues  Junior,  inclusive  com  falta  de  apresentação  de  documento  probante  da  despesa.  Assim,  fica  mantida  a  glosa  da  despesa  médica  não  contestada no recurso no valor de R$ 500,00, que corresponde ao imposto suplementar de R$  137,50.  A  divergência  no  que  ser  refere  à  despesa  médica  é  de  natureza  interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade  da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é  que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a  busca do direito, pela contribuinte, de ver  reconhecido o atendimento da exigência  fiscal no  estrito  dizer  da  lei,  rejeitando  a  alegada  prerrogativa  do  fisco  de  convencimento  subjetivo  quanto  à  validade  cabal  do  documento  comprobatório,  quando  se  trata  tão  somente  da  apresentação do recibo da prestação de serviço ou nota fiscal de prestação de serviço.  O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente  comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no §  2º,  do  art.  8º,  da  Lei  nº  9.250/95,  regulamentados  nos  parágrafos  e  incisos  do  art.  80  do  Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue:   Lei nº 9.250/95.  Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano­calendário será a  diferença entre as somas:    I  ­  de  todos  os  rendimentos  percebidos  durante  o  ano­calendário,  exceto os isentos, os não­tributáveis, os tributáveis exclusivamente na  fonte e os sujeitos à tributação definitiva;    II ­ das deduções relativas:    a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses  ortopédicas e dentárias;    (...)    § 2º O disposto na alínea a do inciso II:    I  ­  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  a  empresas  domiciliadas  no  País,  destinados  à  cobertura  de  despesas  com  hospitalização, médicas  e odontológicas,  bem  como a  entidades  que  assegurem  direito  de  atendimento  ou  ressarcimento  de  despesas  da  mesma natureza;    II ­ restringe­se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos  ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;    Fl. 100DF CARF MF     6 III  ­  limita­se  a  pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de  Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes ­ CGC  de  quem  os  recebeu,  podendo,  na  falta  de  documentação,  ser  feita  indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;    IV ­ não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer  espécie ou cobertas por contrato de seguro;    V  ­  no  caso  de  despesas  com  aparelhos  ortopédicos  e  próteses  ortopédicas  e  dentárias,  exige­se  a  comprovação  com  receituário  médico e nota fiscal em nome do beneficiário.    Decreto nº 3.000/99  Art. 80.  Na  declaração  de  rendimentos  poderão  ser  deduzidos  os  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses  ortopédicas  e  dentárias.  § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º):  (...)  II ­ restringe­se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos  ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III ­ limita­se  a  pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de  Pessoas Físicas ­ CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ­  CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser  feita  indicação  do  cheque  nominativo  pelo  qual  foi  efetuado  o  pagamento; (grifei)   A  exigência  da  legislação  especificada  aponta  para  o  comprovante  de  pagamento originário da operação, corriqueiro e usual,  assim entendido como o  recibo ou a  nota  fiscal  de  prestação  de  serviço,  que  deverá  contar  com  as  informações  exigidas  para  identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se  o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência  coloca  em  evidência  a  figura  de  quem  fornece  o  comprovante  identificado  e  assinado,  colocando­o  na  condição  de  tributado  na  outra  ponta  da  relação  fiscal  correspondente  (dedução­tributação). Ou  seja:  para  cada dedução haverá um oferecimento  à  tributação pelo  fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecê­lo à tributação e  pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal  do  abatimento  na  apuração  do  imposto.  Simples  assim,  por  se  tratar  de  uma  ação  de  pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço.  Ocorre,  assim,  uma  correspondência  de  resultados  de  obrigação  e  direito,  gerados  nessa  relação,  de  modo  que  o  contribuinte  que  tem  o  direito  da  dedução  fica  legalmente habilitado ao benefício  fiscal porque de posse do documento  comprobatório que  lhe  dá  a  oportunidade  do  desconto  na  apuração  do  tributo,  confiante  que  a  outra  parte  se  quedará  obrigada  ao  oferecimento  à  tributação  do  valor  correspondente.  Some­se  a  isso  a  realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na  questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do  Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10725.721927/2011­26  Acórdão n.º 2001­000.731  S2­C0T1  Fl. 99          7 CPF  ou CNPJ,  sobre  a  outra  banda  da  relação  pagador­recebedor  do  valor  da  prestação  de  serviço.  O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no  sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da  documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço,  poderá  a  comprovação  ser  feita  pela  indicação  de  cheque  nominativo  pelo  qual  poderia  ter  sido  efetuado  o  pagamento,  seja  por  recusa  da  disponibilização  do  documento,  seja  por  extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas  informações contidas no cheque pode o  órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além  disso,  é  de  conhecimento  geral  que o  órgão  tributante  dispõe  de meios  e  instrumentos  para  realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre  contribuintes. O  termo  “podendo”  do  texto  legal  consiste numa  facilitação  de  comprovação  dada ao pagador e não uma obrigação de fazê­lo daquela forma.  Descabe,  assim,  o  rigor  na  exigência  para  a  apresentação  de  comprovação  suplementar  sobre  o  contribuinte  possuidor  da  documentação  originária  do  pagamento  nas  condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter  informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos  na  relação  e  estabelecer  exigência  rigorosa  de  um  e  nada  de  outro,  porque  a  operação  é  conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes.  No caso, há que  se considerar  a presunção de  idoneidade da comprovação  apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da  apresentação,  por  parte  do  fisco,  de  indícios  que  coloquem  em  dúvida  a  idoneidade  dos  recibos  apresentados  pela Recorrente. Não  basta  a  simples desconfiança  do  agente  público  incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se  não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei  para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física.  O  Código  Civil,  Lei  nº  10.406/2002,  em  seu  art.  219  diz  que:  “As  declarações  constantes  de  documentos  assinados  presumem­se  verdadeiros  em  relação  aos  signatários.” Neste  sentido, os  recibos em questão presumem­se verdadeiros porque aceitos  pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão  do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os  desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos  serviços oferecer os  valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução  legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos.   Por  juízo  subjetivo  ou  simples  desconfiança,  sem  sequer  a  indicação  de  indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências  fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do  Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que  a seguir se descreve:  Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação, a  juízo da autoridade  lançadora  (Decreto­Lei nº 5.844,  de 1943, art. 11, § 3º). (grifei)  §  1º  Se  forem  pleiteadas  deduções  exageradas  em  relação  aos  rendimentos  declarados,  ou  se  tais  deduções  não  forem  cabíveis,  Fl. 102DF CARF MF     8 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto­Lei nº  5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei)  No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma  expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei,  dentro dos  limites nela  insertos, sendo considerados, por  isso, atos secundários. Seu alcance  cinge­se  aos  limites  da  lei  não  podendo  criar  situações  que  obrigue  ou  limite  direitos  além  daqueles  constantes  na  lei  que  regulamenta.  Neste  quesito  específico  das  deduções  de  despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III,  que  foi  objetivamente  regulamentado no Decreto 3.000/99, no  art.  80,  §  1º,  incisos  II  e  III.  Assim,  a  regulamentação  deste  item  de  despesa  dedutível  aqui  se  esgota  porque  o  objeto  tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a  lei  não  concede  extensões  de  procedimento  fiscalizatório  nem  limitação  quantitativa  de  direitos.  Neste  sentido  descabe  a  utilização  do  art.  73  e  seu  §  1º,  conforme  citado  no  Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no  capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo Decreto­Lei nº 5.844 de  1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual.  A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi  concebido  do  que  para  os  dias  atuais.  A  origem  do  conteúdo  do  texto  vem  do  período  do  Decreto­Lei  acima  citado, mais  precisamente  do  ano  de  1943,  anterior,  portanto,  às  quatro  últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual  de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido  Decreto­Lei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo  diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Far­se­á o lançamento ex­ officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com  elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”.  A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º,  inciso II, diz que “ninguém  está obrigado a  fazer ou deixar de  fazer alguma coisa  senão em  virtude de  lei”. Da mesma  forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras  garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e  aos Municípios: I ­ exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade posta é  que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei  que estabeleça.  Estamos  sob  a  égide  da  Constituição  Federal  de  1988  e,  quando  a  Carta  Magna menciona  o  termo  “lei”  ela  se  refere  aquele  instrumento  jurídico  emanado  do  Poder  Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional.  O decreto­lei, por sua vez, constituía­se numa espécie de ato normativo com origem no Poder  Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia  às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decreto­ lei  tenha  valor  vigorante  enquanto  não  contrariar  lei  posterior.  Contudo,  o  Decreto­Lei  nº  5.844/1943, ao não constituir­se em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes  citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988).  Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de  serviço  que  não  prestou  caracterizaria  conluio  entre  as  partes  contratantes,  o  que  não  foi  apontado  no  histórico  do  Lançamento.  Admitir­se  que  os  recibos  não  representam  uma  verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre  profissional  e  paciente,  ambos  contribuintes  do  imposto,  com  o  objetivo  de  lesar  o  fisco,  e  assim  estariam  enquadrados  em multa  qualificada,  o  que  não  foi  o  caso  de  apontamento  no  Lançamento.  Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10725.721927/2011­26  Acórdão n.º 2001­000.731  S2­C0T1  Fl. 100          9  Em  socorro  ao  posicionamento  que  busca  resguardar  o  direito  do  contribuinte  tomam­se emprestados os  termos da doutrina que  trata da necessária clareza da  motivação  nos  atos  da  administração  pública,  trazida  pelo  sempre  bem  citado  Hely  Lopes  Meireles,  quando descreve  a  necessidade da motivação  do  ato  administrativo,  que  assim  se  posiciona:   “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função  movidos  apenas  por  motivos  de  interesse  público  da  esfera  de  sua  competência,  leis  e  regulamentos  recentes  multiplicam  os  casos  em  que  os  funcionários,  ao  executarem  um  ato  jurídico,  devem  expor  expressamente  os  motivos  que  o  determinaram.  É  a  obrigação  de  motivar.  O  simples  fato  de  não  haver  o  agente  público  exposto  os  motivos de seu ato bastará para torná­lo irregular; o ato não motivado,  quando  o  devia  ser,  presume­se  não  ter  sido  executado  com  toda  a  ponderação desejável, nem  ter  tido em vista um  interesse público da  esfera de sua competência funcional.”  No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no  âmbito  da  Administração  Pública  Federal,  no  seu  art.  50,  diz  que:  “os  atos  administrativos  deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem,  limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;  decidam  processos  administrativos  de  concurso  ou  seleção  público;  decidam  recursos  administrativos...”.  O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência  do  lançamento,  pode  ser  utilizado  em  apoio  à  interpretação  aqui  esposada,  porque  mais  benéfico  à Recorrente,  contém  dispositivos  pertinentes  que  devem  ser  trazidos  à  colação,  de  vez  que  transitam  na mesma  linha  de  entendimento  que  aborda  a  observância  do  direito  do  contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no  sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê  na orientação do art. 7º, como segue:  “Art.  7º É assegurada às partes paridade de  tratamento em  relação  ao  exercício  de  direitos  e  faculdades  processuais,  aos  meios  de  defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais,  competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei)  Traz  reforço  ainda  o  CPC  para  esse  entendimento  quando  suaviza  o  posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da  prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a  fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da  regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º,  do art. 373, da seguinte forma:  § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa  relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir  o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da  prova  do  fato  contrário,  poderá  o  juiz  atribuir  o  ônus  da  prova  de  modo diverso, desde que o  faça por decisão  fundamentada, caso em  que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que  lhe foi atribuído.  Fl. 104DF CARF MF     10 De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo  ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em  tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”.  CONCLUSÃO  Legítima  a  dedução  a  título  de  despesas  médicas  do  valor  pago  pela  contribuinte,  comprovado  mediante  apresentação  de  nota  fiscal  de  prestação  de  serviço  ou  recibo,  este  assinado  por  profissional  habilitado,  pois  tais  documentos  guardam  ao  mesmo  tempo  reconhecimento  da  prestação  de  serviços  assim  como  também  confirma  o  seu  pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do  serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida.   De  considerar  plenamente  admissível  que  os  comprovantes  revestidos  das  formalidades  legais  sustentam  a  condição  de  valor  probante,  até  prova  em  contrário,  de  sua  inidoneidade.  A  contestação  da  Autoridade  Fiscal  sobre  a  validade  da  documentação  comprobatória  deve  ser  apresentada  com  indícios  consistentes  e  não  somente  por  simples  dúvida ou desconfiança.   Acolhe­se  como  verdadeira  a  prova  apresentada  que  satisfaça  os  requisitos  previstos  na  legislação  pertinente  e,  para  eventual  convicção  contrária  da  Autoridade  Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem objetivamente.   No caso, constata­se que os serviços prestados correspondem à especialidade  técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas do  beneficiário  e,  com  o  fornecimento  de  comprovantes  de  pagamento  dos  serviços  prestados,  mediante recibos assinados por profissional habilitado.  Assim  que,  verifica­se  que  o  Recorrente  apresentou  a  documentação  comprobatória da despesa médica realizada, correspondendo à comprovação do pagamento do  profissional,  na  forma  exigida  pela  legislação,  e  por  isso  a  utilizou  como  dedutível  na  declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da  glosa  das  despesas  médicas  no  valor  de  R$  13.560,00,  que  corresponderia  ao  imposto  suplementar de R$ 3.729,00, em vista de ter sido apensado aos autos cópia dos comprovantes  de pagamento da prestação de serviço.  Por  todo  o  exposto,  voto  por  conhecer  do Recurso Voluntário,  e  no mérito  DAR PROVIMENTO, restabelecendo­se a dedução das despesas médicas glosadas no valor de  R$  13.560,00,  razão  pela  qual  se  faz  imperioso  o  cancelamento  da  parte  do  Lançamento  correspondente  a  essa  glosa,  mantida,  porém,  a  parte  incontroversa,  não  comprovada  e  não  contestada no valor de R$ 500,00.  (assinado digitalmente)   Jose Alfredo Duarte Filho                            Fl. 105DF CARF MF

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7518363 #
Numero do processo: 12448.731127/2012-46
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1340; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C0T1  Fl. 2          1 1  S2­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12448.731127/2012­46  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2001­000.765  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  27 de setembro de 2018  Matéria  Imposto de Renda Pessoa Física  Recorrente  ELIANE VARAO FURTADO DE OLIVEIRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2009  DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.   São  dedutíveis  na  declaração  de  ajuste  anual,  a  título  de  despesas  com  médicos,  clínicas  e planos de  saúde, os pagamentos  comprovados mediante  documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.   Há  de  ser  afastada  a  glosa,  quando  o  contribuinte  apresenta,  no  processo,  documentação suficiente para sua aceitação.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Jorge Henrique Backes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  José Ricardo Moreira ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Jorge  Henrique  Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 11 27 /2 01 2- 46 Fl. 209DF CARF MF     2 Trata­se de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa  Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2009, ano­calendário  de 2008, em que foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 20.106,87.   O  contribuinte  apresentou  impugnação,  que  foi  julgada  improcedente,  mediante Acórdão da DRJ Brasília de f. 90/94.  Cientificada,  a  interessada apresentou  recurso voluntário de  f.  106/111. Em  síntese, alega que apresentou todos os documentos solicitados pela autoridade fiscal. Entende  que a documentação apresentada é suficiente para comprovar suas alegações. Argumenta que  apresentou extratos bancários e planilhas de vinculação dos saques aos pagamentos de despesas  médicas, que comprovam o efetivo desembolso. Pugna pelo cancelamento da exigência.  É o relatório.    Voto             Conselheiro José Ricardo Moreira ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade.  Portanto, merece ser conhecido.  Analisando a documentação acostada pela contribuinte, entendo ser suficiente  para comprovar seus argumentos e reverter a glosa das despesas médicas efetuadas.   Consta da fundamentação do lançamento que a recorrente apresentou extratos  de contas de sua titularidade. Entretanto, entendeu a autoridade lançadora que não foi possível  estabelecer uma correspondência entre os saques e os pagamentos de despesas médicas.  A decisão da DRJ utilizou o mesmo argumento  e  indeferiu  a  aceitação das  despesas.  Neste  ponto,  divirjo  do  entendimento  manifestado  na  decisão  de  primeira  instância.  É  certo  que  a  comprovação  das  despesas  não  pode  se  restringir  a  meros  recibos,  devendo o contribuinte fazer prova do efetivo pagamento das deduções pretendidas.  A contribuinte alega que efetuou saques de contas e efetuou o pagamento dos  profissionais em dinheiro. A análise dos extratos não deve ser efetuada de forma tão restritiva,  de modo a só aceitar correspondência exata de datas e valores.  Há de  ser  frisado que a  contribuinte apresentou os extratos,  realçando estar  agindo  de  forma  colaborativa  com  a  fiscalização.  Ademais,  sua  defesa  não  se  baseia  em  negativas genéricas e em um suposto valor absoluto dos recibos.   A recorrente trouxe elementos suficientes para firmar a convicção no sentido  de  que houve  o  efetivo  desembolso  dos  valores  declarados  a  título  de  despesas médicas. Os  extratos bancários e as planilhas de vinculação apresentadas constituem fortes indícios de que  suas  alegações  são  procedentes.  A  planilha  de  f.  112  demonstra  que  foram  efetuados,  no  decorrer  do  ano­calendário,  saques  em  montante  que  se  mostra  compatível  com  o  que  foi  declarado.  Fl. 210DF CARF MF Processo nº 12448.731127/2012­46  Acórdão n.º 2001­000.765  S2­C0T1  Fl. 3          3 Por estas razões, concluo pela aceitação das deduções com despesas médicas,  devidamente comprovadas.  CONCLUSÃO:  Diante  de  todo  o  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  voluntário,  e,  no  mérito, dar­lhe provimento.   (assinado digitalmente)  José Ricardo Moreira                              Fl. 211DF CARF MF

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7549922 #
Numero do processo: 11020.903338/2015-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.739
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.

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3402­005.739  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de outubro de 2018  Matéria  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR. COFINS  Recorrente  KEKO ACESSORIOS S.A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2010  DESPACHO  DECISÓRIO.  MOTIVAÇÃO  SUFICIENTE  E  ADEQUADA.  INEXISTÊNCIA  DE  CERCEAMENTO  AO  DIREITO  DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.  Não  é  passível  de  nulidade  o  despacho  decisório  que  esteja  devidamente  motivado  e  fundamentado,  possibilitando  o  pleno  exercício  do  direito  de  defesa do contribuinte.  ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO  DE  CRÉDITO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA.  ARTIGOS  16  E  17  DO  DECRETO Nº 70.235/1972.  Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas  por  constar  perante  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  a  utilização  integral  do  crédito  para  quitação  de  outro  débito,  é  ônus  do  Contribuinte  apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e  certeza de seu direito creditório, aplicando­se o artigo 373, inciso I do Código  de Processo Civil.  MULTA E JUROS DE MORA.  Débitos  indevidamente  compensados  por  meio  de  Declaração  de  Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.  Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.  INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  Recurso Voluntário Negado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 33 38 /2 01 5- 98 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903338/2015­98  Acórdão n.º 3402­005.739  S3­C4T2  Fl. 0          2  Direito Creditório Não Reconhecido.        Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.          (assinado digitalmente)      Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator      Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena  de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e  Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis  Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  proferida  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte/MG,  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  Recorrente,  rejeitando  as  preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o  direito creditório postulado.  O Despacho  Decisório  negou  a  homologação  por  considerar  que  o  crédito  informado  no  PER/DCOMP  foi  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  saldo  remanescente  para  a  compensação  declarada,  resultando  na  cobrança do valor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados.  Em manifestação de  inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte  que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos  realizados de maneira indevida e a maior, sendo que o despacho decisório impugnado deve ser  declarado nulo em razão de:   i)Ausência  de  fundamentação,  resultando  em  desvio  de  finalidade  na  busca  pela  verdade  material,  uma  vez  que  não  foi  diligenciado  para  aferição  do  crédito  pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações;   ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72,  instruir o procedimento  fiscal, como a  solicitação de  informações ao Contribuinte,  apreensão  de  documentos  fiscais,  diligências  até  a  sede  da  Empresa,  entre  outros  expedientes;  Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903338/2015­98  Acórdão n.º 3402­005.739  S3­C4T2  Fl. 0          3   iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa.  No mérito, alegou a Contribuinte que:   iv)  Deve  ser  possibilitada  posterior  juntada  de  documentos  que  comprovem  as  alegações  trazidas  em  manifestação  de  inconformidade,  em  respeito  ao  princípio  administrativo  da  verdade  material,  possibilitando  a  comprovação  do  direito  creditório;   v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido,  devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e  proporcionalidade;   vi) O  percentual  de multa  aplicado  para  o  caso  de  descumprimento  de  obrigação  principal,  mesmo  que  expressamente  previsto  na  legislação  pertinente,  deveria  sempre  guardar  proporção com o  valor  da  prestação  tributária  exigida,  bem como  adequar­se  e/ou  assemelhar­se  aos  novos  critérios  de  aplicação  de  multas  estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado.    O  Acórdão  nº  02­073.129  considerou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  face  a  ausência  de  comprovação  de  direito  creditório  líquido  e  certo.  Regularmente  cientificada  desta  decisão,  a  Recorrente  interpôs  tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em  sua manifestação de inconformidade.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­005.721,  de  24  de  outubro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  11020.900604/2016­10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402­005.721):    "Pressupostos legais de admissibilidade  O Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido.  Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.903338/2015­98  Acórdão n.º 3402­005.739  S3­C4T2  Fl. 0          4  Preliminares  A  Recorrente  alega  preliminarmente  que  o  despacho  decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir aos princípios  constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo  legal, resultando em desvio de finalidade.  Sem razão.  Está  correta  a  decisão  recorrida  ao  concluir  pela  aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.  Com  a  detida  análise  dos  autos  é  possível  constatar  que  tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade  e  o  Recurso  Voluntário,  não  estão  instruídos  com  documentos  passíveis de corroborar com as alegações da defesa.   Ao  invés  de  comprovar  a  certeza  e  liquidez  ou,  ainda,  proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do  direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não  homologou a compensação, a Recorrente cingiu­se em alegar a  ausência  das  razões  da  não  homologação,  invocando  os  Princípios  Constitucionais  do  Contraditório,  Ampla  Defesa  e  Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade  Fazendária.  Ao contrário do que alega a Recorrente, aplica­se o artigo  373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da  prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito.  Neste  sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª  Seção  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  proferiu o Acórdão nº 3401­003.907, acatando por unanimidade  o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao  negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo  Administrativo Fiscal  nº  13832.000095/9970,  conforme Ementa  abaixo transcrita:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992   ÔNUS  DA  PROVA.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.  ARTIGO  170  DO  CTN.   Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de  restituição/compensação,  o  ônus  da  prova  recai  sobre  o  contribuinte,  que  deverá  apresentar  e  produzir  todas  as  provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de  seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto.   Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.903338/2015­98  Acórdão n.º 3402­005.739  S3­C4T2  Fl. 0          5  Transcreve­se abaixo parte do fundamento que embasou o  respeitável voto do julgado acima citado:  Em  se  tratando  de  pedido  de  restituição  combinado  com  pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que  possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o  que  implica  a  guarda  da  documentação  necessária  para  tanto  não  pelo  prazo  de  5  (cinco)  anos  da  realização  dos  pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente,  mas  até  o  encerramento  da  discussão  administrativa  ou  judicial  em  que  pretende  ver  aquele  direito  de  crédito  reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a  seguir:   CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm  aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas  do  direito  de  examinar  mercadorias,  livros,  arquivos,  documentos,  papéis  e  efeitos  comerciais  ou  fiscais,  dos  comerciantes  industriais  ou  produtores,  ou  da  obrigação  destes  de exibilos.   Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial  e  fiscal  e  os  comprovantes  dos  lançamentos  neles  efetuados  serão  conservados  até  que  ocorra  a  prescrição  dos  créditos  tributários  decorrentes  das  operações  a  que  se  refiram".  (grifos  nossos)   Lei  nº  10.406,  de  2002  (Código  Civil):  "Art.  1.194.  O  empresário e a  sociedade empresária  são obrigados a conservar  em  boa  guarda  toda  a  escrituração,  correspondência  e  mais  papéis  concernentes  à  sua  atividade,  enquanto  não  ocorrer  prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados"  . (grifos nossos)   Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica  é  obrigada  a  conservar  em  ordem,  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  os  livros,  documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram  a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar  sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º).         (...)   Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições  legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados  e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou  assim  definidos  em  preceitos  legais.  (DecretoLei  nº1.598,  de  1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos)   Neste  caso,  não  se  aplicam  as  hipóteses  de  nulidade  previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que  tanto  o  despacho  decisório,  quanto  o  acórdão  recorrido  estão  motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação  com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição  do direito de defesa da Contribuinte.  Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em  análise.  Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.903338/2015­98  Acórdão n.º 3402­005.739  S3­C4T2  Fl. 0          6  Mérito  Do Princípio da Verdade Material   A  Recorrente  invoca  o  Princípio  da  Verdade  Material  para  alegar  que  deveria  o  Agente  Fiscal  apurar  os  fatos  independentemente  de  suposições  ou  indícios,  possibilitando  à  manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar  o direito creditório.  Com  efeito,  a  busca  pela  verdade  material  deve  prevalecer,  possibilitando  ao  Contribuinte  apresentar  todos  os  meios de provas necessários para comprovação de seu direito.   No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de  contrapor  a  constatação  de  utilização  dos  créditos  declarados  para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a  Recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  passível  de  comprovar o direito alegado,  tampouco procedeu à Retificação  da  DCTF  no  prazo  concedido  para  manifestação  de  inconformidade.  O  Artigo  37  da  Lei  nº  9.430/1996  prevê  que  "Os  comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos  que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros,  serão conservados até que se opere a decadência do direito de a  Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses  exercícios".  Reitera­se a aplicação do artigo 373,  inciso  I do Código  de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto  ao  fato  constitutivo  de  seu  direito,  bem  como  a  incidência  do  artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.  Neste  sentido,  cita­se  o  Acórdão  nº  3302­005.292,  proferido  pela  3ª  Câmara  da  2ª  Turma Ordinária  da  3ª  Seção  deste Tribuna Administrativo:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005  DA  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  AUSÊNCIA  DE  PROVA.  INDEFERIMENTO.  O direito creditório objeto de pedido de  ressarcimento de  créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido  se  o  contribuinte  não  apresentar  os  documentos  necessários  a  análise  e  confirmação  do  valor  do  crédito  pleiteado/compensado.  Para  esse  fim,  o  postulante  deve  apresentar  à  fiscalização,  quando  solicitado,  os  arquivos  digitais e os documentos  fiscais e contábeis necessários à  comprovação dos créditos apropriados.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.903338/2015­98  Acórdão n.º 3402­005.739  S3­C4T2  Fl. 0          7  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA  O  PIS/PASEP  E  COFINS.  DEDUÇÃO,  RESSARCIMENTO  OU  COMPENSAÇÃO.  ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.  O  aproveitamento  de  crédito  decorrente  do  regime  não  cumulativo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins,  seja  sob  a  forma  de  dedução,  compensação  ou  ressarcimento,  não  ensejará  atualização  monetária  ou  incidência de juros moratórios.  COMPENSAÇÃO  DECLARADA.  ANÁLISE  ANTES  DE  COMPLETADO  O  PRAZO  DE  CINCO  ANOS.  HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.  Não  há  homologação  tácita  da  compensação  declarada  quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório  não homologatório da compensação antes de completado o  prazo  de  cinco  anos,  contado  da  data  da  apresentação  da  correspondente declaração de compensação.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  PEDIDO  DE  PERÍCIA/DILIGÊNCIA..  IMPRESCINDIBILIDADE  DA  NOVA  PROVA.  INDEFERIMENTO.  Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários  e suficientes à formação da convicção do julgador quanto  às  questões  de  fato  objeto  da  lide,  indefere­se,  por  prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado.  PEDIDO  DE  PERÍCIA  E  DILIGÊNCIA.  INDEFERIMENTO  PELA  AUTORIDADE  JULGADORA.  MOTIVAÇÃO  SUFICIENTE  E  ADEQUADA.  INEXISTÊNCIA  DE  CERCEAMENTO  AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO  A QUO. IMPOSSIBILIDADE.  1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção  da prova pericial  somente  se  justifica nos  casos  a  análise  da  prova  exige  conhecimento  técnico  especializado.  Por  não  atender  tal  condição,  a  apreciação  de  documentos  contábeis  e  fiscais  prescinde  de  realização  de  perícia  técnica.  2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não  configura  vício  de  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos  em  que  a  autoridade  julgadora,  fundamentadamente,  demonstra que a produção da prova pericial e realização da  diligência  eram  desnecessárias  e  prescindíveis  para  o  deslinde da controvérsia.  Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.903338/2015­98  Acórdão n.º 3402­005.739  S3­C4T2  Fl. 0          8  DIREITO  CREDITÓRIO.  PROVA  IMPRESCINDÍVEL  À  COMPROVAÇÃO.  NÃO  APRESENTAÇÃO  NA  FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA  E  INTENCIONAL.  PRINCÍPIO  DO  NEMO  AUDITUR  PROPRIAM  TURPITUDINEM  ALLEGANS.  REABERTURA  DA  INSTRUÇÃO  PROBATÓRIA  NA  FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO.  Se  no  curso  do  procedimento  fiscal,  após  ser  intimada  e  reintimada  a  recorrente,  de  forma  deliberada  e  como  estratégia  de  defesa,  omite­se  de  apresentar  os  arquivos  digitais  e  a  documentação  contábil  e  fiscal  necessária  à  apuração  da  certeza  e  liquidez  do  crédito  da  Cofins  pleiteado,  a  reabertura  da  instrução  probatória  na  fase  recursal, inequivocamente, implicaria clara  afronta  ao  princípio  jurídico  de  que  ninguém  pode  se  beneficiar  de  sua  própria  torpeza  (ou  nemo  auditur  propriam turpitudinem allegans).  DESPACHO  DECISÓRIO  PROFERIDO  POR  AUTORIDADE  COMPETENTE.  CERCEAMENTO  DE  DIREITO  DE  DEFESA  INEXISTENTE.  NULIDADE.  IMPOSSIBILIDAE.  Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido  por  autoridade  competente  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  e  que  contenha  todos  os  fundamentos  fáticos  e  jurídicos  suficientes  para  o  pleno  exercício do direito de defesa do contribuinte.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  ÔNUS  DA  PROVA  DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  em  que  formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório,  o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.  Recurso Voluntário Negado.  Com isso, está correta a decisão de primeira instância.  Da  alegação  de  Inaplicabilidade  da  multa  em  face  do  Princípio  Constitucional  do  Não  Confisco  e  dos  Princípios  Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade.  A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratar­ se  de  penalidade  confiscatória,  ilegal  e  inconstitucional.  Alega  que:  O  valor  lançado  a  título  de  multa,  flagrantemente  ilegal  como  a  seguir  demonstrar­se­á,  é  manifestamente  excessivo,  ferindo,  desta  maneira  o  princípio  constitucional  do  não  confisco  e  dos  princípios  administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.    Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.903338/2015­98  Acórdão n.º 3402­005.739  S3­C4T2  Fl. 0          9  Neste  contexto,  é  princípio  básico  que  a  pena,  no  caso  a  multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar  os  estritos  limites  da  lei  –  ou  ainda,  do  direito  como  um  todo ­ valendo para o caso específico do direito tributário,  a  definição  legal  do  tributo  como  insuscetível  de  servir  como instrumento de penalização do contribuinte.          (...)  De  outra  banda,  importa  consignar  que  as  obrigações  acessórias,  entre  elas  a  multa,  podem  ter  duas  naturezas,  sendo  uma  tributária  e,  neste  caso,  converter­se  em  principal,  e  a  outra  de  natureza  punitiva,  que,  ipso  jure,  converte­se também em principal.  No  primeiro  caso,  o  que  era  princípio  na  legislação  esparsa, converte­se em mandamento constitucional e legal  impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo,  vedando  o  bis  in  idem  a  partir  do  mesmo  fato  gerador,  expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado.  Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição  anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o  Código  Tributário  Nacional,  como  antes  dito,  mandava  converter  a  obrigação  acessória,  qualquer  que  fosse  sua  natureza,  administrativa  ou  punitiva,  em  obrigação  principal.  Contudo,  a  tolerância  tinha  origem  na  idéia  de  que  a  obrigação principal  ­  art.  113, 3º,  do CTN ­  surge  com a  ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o  pagamento  do  tributo,  mas  também  a  penalidade  pecuniária.          (...)  Assim,  a multa  em  questão  é  totalmente  inexigível,  uma  vez  que  fere  explicitamente  os  princípios  legais  e  constitucionais  acima  referidos,  devendo  ser  reformado  o  acórdão recorrido também neste ponto.  Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao  estabelecer a fixação de juros de mora e multa. Vejamos:  Art. 61. Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de 1º de  janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento, por dia de atraso.   § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir  do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento  do  tributo  ou  da  contribuição  até o dia em que ocorrer o seu pagamento.  Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.903338/2015­98  Acórdão n.º 3402­005.739  S3­C4T2  Fl. 0          10  § 2º O percentual  de multa  a  ser  aplicado  fica  limitado a  vinte por cento.  § 3º Sobre os débitos a que se  refere este artigo  incidirão  juros de mora calculados à  taxa a que se  refere o § 3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e  de um por cento no mês de pagamento.   A  multa  aplicada  atende  ao  limite  de  20%  (vinte  por  cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito.  Portanto,  não  há  que  se  alegar  caráter  confiscatório,  tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade.  Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de  lei tributária.  Dispositivo  Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário,  rejeito as  preliminares  suscitadas  e,  no  mérito,  NEGO  PROVIMENTO  para manter na íntegra o acórdão recorrido."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  rejeitar  as  preliminares  suscitadas  e,  no  mérito,  negar  provimento  para  manter  na  íntegra  o  acórdão recorrido.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                              Fl. 167DF CARF MF

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