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Numero do processo: 10580.011953/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADO EMPREGADO. ENQUADRAMENTO.
A autoridade lançadora tem competência para efetuar o reenquadramento do vínculo jurídico como segurado empregado, quando constate a presença dos requisitos caracterizadores dessa condição.
DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO.
Constatando-se a ocorrência de simulação, não é possível aplicar o art. 150, § 4º, do CTN, em função da previsão estabelecida na sua parte final. Correta, portanto, a decisão recorrida que aplicou o art. 173, I, do mesmo diploma legal.
Numero da decisão: 2202-004.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para fins de excluir da base de cálculo do lançamento o levantamento GAS, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto, que deram provimento ao recurso em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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EM RECUPERACAO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADO EMPREGADO. ENQUADRAMENTO. A autoridade lançadora tem competência para efetuar o reenquadramento do vínculo jurídico como segurado empregado, quando constate a presença dos requisitos caracterizadores dessa condição. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. Constatandose a ocorrência de simulação, não é possível aplicar o art. 150, § 4º, do CTN, em função da previsão estabelecida na sua parte final. Correta, portanto, a decisão recorrida que aplicou o art. 173, I, do mesmo diploma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para fins de excluir da base de cálculo do lançamento o levantamento GAS, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto, que deram provimento ao recurso em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 19 53 /2 00 7- 58 Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.006 2 Martin da Silva Gesto Redator ad hoc (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Como Redator ad hoc, sirvome da minuta de acórdão inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF: Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito de Contribuições Sociais Previdenciárias. Tendo sido protocolada impugnação, a DRJ deu provimento parcial à defesa. Ainda inconformada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário ora levado a julgamento. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 19/10/2007 foi formalizado do Auto de Infração DEBCAD nº 37.054.8337 para constituir crédito tributário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias em função do enquadramento de segurados com empregados (fls. 2/156). Conforme o relatório fiscal (fls. 172/187 e docs. anexos fls. 188/338), 1. IDENTIFICAÇÃO DO DÉBITO: (...) As contribuições previdenciárias apuradas no procedimento fiscal relativas às contribuições devidas á Seguridade Social, correspondentes a: a) Contribuição a cargo da empresa sobre a remuneração dos segurados caracterizados pela auditoria como empregados; b) Contribuição dos segurados empregados, não descontadas, incidentes sobre a remuneração recebida; c) Financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. d) Contribuição para Outras Entidades (Terceiros) FNDE (salário educação), INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, relativas ao FPAS 507. 4. Descrição da Base de Cálculo Apurado Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.007 3 4.1. A GDK S/A remunera seus membros da alta gestão por meio de notas fiscais de pessoas jurídicas por eles constituídas para esta finalidade. Notese que, como demonstraremos no decorrer deste relatório, os sócios das supostas pessoas jurídicas, possuem todas as características da relação de emprego. Trata se, desta forma, de tentativa de camuflar a relação de emprego, utilizando, em tese, de conduta tipificada no art. 337A do Código Penal vigente (Sonegação Fiscal Previdenciária). 4.2 A maioria das pessoas jurídicas foi formada por ex empregados da GDK que rescindiram seus contratos de trabalho e passaram a ser remunerados através das pessoas jurídicas constituídas. (...) 4.3 Para comprovar o vínculo das pessoas físicas consideradas empregadas com as empresas prestadoras de serviço pára a GDK SA, efetuamos pesquisa na base de dados da Receita Federal do Brasil, extraindo os dados cadastrais. Deste trabalho, foram verificados que os seguintes empregados prestavam serviço através de suas empresas: Empregado/Sócio Empresa Utilizada CNPJ Cargo GDK Amilcar Mizher MIZHER Consultoria Ltda. ... Coordenador Obra Cleber Costa Mendes CC Mendes Recursos Humanos ... Gerente RH Conrado José Morbach Cicon Eng. Asses. Tec. Planejamento ... Diretor Obras Consórcio Décio Issao Hashigushi L.T.P.A. Informática e Com. Ltda. ... Staff Fernando Carlos Barreto Filho F C Barreto Filho ... Gerente de suprimentos Nacional Humberto Teixeira de Almeida A & D Assessoria e Consultoria Ltda. ... Gerente Executivo Joel Martons Silva Canal Proj. Plan. Ltda. ... Staff José Alberto Costa Santos Jacs Engenharia & Consultoria Ltda. ... Gerente de Contratos José Ary Lobão LCE José Ary Lobão ... Gerente Qualidade José Rodrigues F. Barbosa Filho Aconte Consult. Eng. Ltda. ... Diretor Administr. Contratual Paulo César Dutra Silva Hippocon Cônsul. e Eng. Ltda. ... Staff Paulo de Tarso Coelho Hyppolito CL Serviços Especializados S/C ... Diretor Obras de Dutos Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.008 4 Ltda. Sérgio Souza Bocaletti Gasbol Eng. Ltda. ... Tadeusz Janiszewski Tadeusz Medeiros Janiszewski ... Gerente Tecnologia Inform. 4.4 Os empregados aqui caracterizados efetuavam o seu trabalho nas próprias dependências da GDK S/A, cumprindo a jornada dos demais empregados registrados. Podese verificar que algumas das pessoas acima citadas portavam crachás da GDK, identificando os respectivos cargos ocupados na estrutura organizacional. A auditoria foi atendida, diariamente, pelo Sr. Cleber Costa Mendes e o Sr. Humberto Teixeira Almeida, que portavam crachás, que os identificavam como Gerente de Recursos Humanos e Gerente Executivo, respectivamente. Ressaltese que ambos são ex empregados que se desligaram e logo em seguida passaram a prestar serviço através de suas empresas, conforme acima demonstrado. Verificouse também que algumas dessas pessoas trabalhavam em sala própria, com os seus nomes e cargos fixados na porta, com o logotipo da GDK, a exemplo de Tadeusz Janiszewski, que ocupa e cargo de Gerente de Tecnologia de Informação e trabalhava na sala ao lado do local disponibilizado para a equipe de auditoria. 4.5 A empresa disponibilizou à equipe de auditoria um organograma da empresa, constando o cargo e nome dos ocupantes das funções da alta administração, incluindo os cargos de Presidência, Diretoria, Gerência e Coordenação, o qual segue cópia em anexo (Anexo II) a este relatório. Neste documento, detectamos que uma série de ocupantes de funções gerenciais não são considerados empregados pela GDK SA. Como exemplo, citamos a Diretoria de Administração Contratual, ocupada por José Rodrigues F. Barbosa Filho, a Gerência Executiva, ocupada por Humberto Teixeira Almeida, a Gerência de Suprimento Nacional, ocupada por Fernando Carlos Barreto Filho, a Gerência de Tecnologia de Informação, ocupada por Tadeusz Janiszewski, entre diversos outros. Ressaltese que as funções de direção, gerência e coordenação jamais poderiam ser delegadas a pessoas jurídicas, vez que fazem parte da distribuição do poder diretivo, regulamentar, fiscalizatório e disciplinar do próprio empregador. 4.6 Para demonstrar de forma irrefutável a caracterização como empregados da GDK dos supostos prestadores de serviço pessoa jurídica, foi colocada, em anexo, a nota fiscal de prestação de serviço da empresa Tadeusz Medeiros Janiszewski, n. 0048, emitida em 12 de dezembro de 2005, (Anexo III), em que consta na discriminação dos serviços uma parcela de "R$ 17.710,00, referentes ao 13º". Esta empresa tem como sócio o Sr. Tadeusz Janiszewski, identificado no organograma como Gerente de Tecnologia da Informação. Ressaltese que o valor faturado por esta suposta pessoa jurídica em dezembro de 2006 foi EXATAMENTE o dobro do faturamento dos meses anteriores, passando de R$ 19.303,90, para R$ 38.607,80. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.009 5 Coincidentemente, também, verificamos a dobra do faturamento mensal usual nas competências de dezembro de 2005 e 2004. Em dezembro de 2003 o aumento do faturamento indica que ocorreu o mesmo fato, uma vez que o valor do suposto 13° salário foi pago proporcionalmente ao inicio da prestação de serviço. A dobra do faturamento no mês de dezembro indica a existência do pagamento de décimo terceiro salário, direito pago exclusivamente ao segurado empregado. Estes fatos estão demonstrados no Anexo VI desta NFLD, onde estão relacionados todos os fatos geradores objeto deste levantamento com as respectivas Notas Fiscais emitidas. 4.7 Para reforçar ainda mais as evidências de camuflagem da relação de emprego, está demonstrado abaixo exemplos do crescimento do faturamento das empresas justamente no período de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados dos demais empregados: (...) 4.8 Outro aspecto que ratifica essa relação de emprego aduzida é o fato de que alguns sócios das pessoas jurídicas prestadoras de serviço serem beneficiados com o mesmo plano de saúde disponibilizado para os empregados registrados na GDK S/A. (...) 4.9 Verificouse também que alguns sócios das supostas pessoas jurídicas constam da lista de empregados de dezembro/2006 que foram contemplados com os benefícios de valetransporte e de ticket alimentação. A lista está assinada pelos empregados que receberam os benefícios, estando, entre eles, os Srs. Cleber Costa Mendes, Humberto Teixeira Almeida, Fernando Carlos Barreto Filho e Tadeusz Janiszewski. A lista consta anexa a este relatório (Anexo V). 4.10 Outro ponto a ser observado é que as notas fiscais de diversos prestadores de serviço são seqüenciais, demonstrando que a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a GDK SA, substituindo o emprego com registro formal. 4.11 A auditoria demonstrou amplamente neste relatório a caracterização dos quatro pressupostos da relação de emprego, quais sejam: Pessoalidade — O trabalho era efetuado "intuito personae", fato que fica evidenciado pelo organograma da empresa, que vincula os cargos com as pessoas físicas ocupantes. O trabalho era executado pela pessoa física contratada, não sendo admitido qualquer tipo de substituição por outro trabalhador, mesmo que intermitente. As pessoas contratadas aqui caracterizadas ocupavam cargos de direção. Observese que o trabalho era efetuado por pessoas físicas. As pessoas jurídicas somente foram constituídas com a tentativa de camuflar a relação de emprego. (...) Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.010 6 Não eventualidade — Constatamos que os empregados prestavam serviço há vários anos, com habitualidade. No decorrer de nosso trabalho tivemos contato diário com diversos sócios das supostas pessoas jurídicas, configuradas como empregados. Como relatado, a equipe de auditoria foi atendida por empregados não registrados, disfarçados de pessoas jurídicas; Onerosidade — A onerosidade é evidente, vez que o trabalho era remunerado através das pessoas jurídicas constituídas para esta finalidade. Subordinação — A subordinação pode ser caracterizada, mais uma vez, pelo organograma da empresa, pois nele são demonstrados através de figuras toda a estrutura hierárquica da empresa. As linhas verticais indicam a subordinação jurídica, já que os ocupantes de funções representadas nos quadros inferiores devem seguir a direção traçada pelos ocupantes de funções representadas nos quadros superiores. Outrossim, nunca é demais ressaltar que os empregados caracterizados eram contemplados com parcelas pagas exclusivamente a empregados, tais como, 13º. salário, seguro de saúde, participação dos lucros ou resultados, fornecimento de vales transporte e ticket alimentação. Intimada em 23/10/2007 (fl. 2), a Contribuinte protocolou impugnação em 22/11/2007 (fls. 341/386 e docs. anexos fls. 387/530). A DRJ proferiu o acórdão nº 1516.870, de 09/09/2008 (fls. 542/565), que deu provimento parcial à defesa. Intimada em 02/04/2009 (fl. 639), a Contribuinte protocolou recurso voluntário em 04/05/2009 (fls. 645/691 e docs. anexos fls. 692/746). Chegando ao CARF, foi proferido o acórdão nº 2402004.494, de 20/01/2015 (fls. 754/768), que anulou a decisão da DRJ, determinando o retorno dos autos ao 1º grau. A Contribuinte foi intimada em 27/04/2015 (fl. 807/808). Retornando os autos à DRJ, esta proferiu o novo acórdão nº 1538.999, de 20/07/2015 (fls. 876/922), que deu provimento parcial à impugnação e que restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006 ACÓRDÃO ANULADO. CARF. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NOVA DECISÃO. Prolatase nova decisão administrativa tendo em vista a anulação do acórdão por órgão hierarquicamente superior em razão do cerceamento do direito de defesa do contribuinte por não ter sido enfrentada pelo julgamento de primeira instância as questões fáticas apresentadas em sede de impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006 Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.011 7 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CONTAGEM DO PRAZO. É inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212, de 1991, consoante entendimento esposado pela Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, publicada no DOU de 20/06/2008. A decadência do direito de lançar as contribuições sociais previdenciárias é regida pelas disposições contidas no Código Tributário Nacional. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, caracterizada a presença de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra geral de contagem na qual o prazo decadencial inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS. A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o princípio da substância sobre a forma. DESCARACTERIZAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA JURÍDICA. PRESSUPOSTOS DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. É segurado obrigatório da Previdência Social, como empregado, a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado, nos termos do art. 12, I, da Lei nº 8.212, de 1991. Estando presentes os pressupostos da relação de emprego, a Fiscalização tem competência para enquadrar o prestador de serviço na categoria de segurado empregado, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga. LEI Nº 11.196/2005. ARTIGO 129. INAPLICABILIDADE. Nos termos da Lei, para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas. No entanto, o dispositivo legal em questão se refere a serviços intelectuais prestados por pessoas jurídicas, e o que a Fiscalização apurou de fato foi que os pagamentos feitos pela notificada não tinham relação com os supostos serviços prestados pelas pessoas jurídicas (assessoria, consultoria e serviços técnicos), pois visavam, na verdade, remunerar serviços Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.012 8 prestados por segurados empregados voltados à administração da companhia. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo a contribuição previdenciária original no valor de 3.559.482,22 , relativa ao período de 12/2001 a 12/2006, e exonerando R$ 43.747,86 referente ao período decadente de 01/2000 a 11/2001. (...) Nos termos do art. 27 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pela Lei nº 12.799, de 14 de janeiro de 2013, não cabe interposição de recurso de ofício nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal, assim como por se tratar de exoneração de tributo e encargos de multa em valor total inferior ao limite R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), estabelecido pelo art. 1º, da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, DOU de 07/01/2008. Intimada em 26/08/2015 (fl. 929/930), a Contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/2015 (fls. 933/1.002) cujos argumentos podem ser assim sintetizados: · Que a decisão recorrida é nula por cerceamento do seu direito de defesa, "uma vez que a decisão foi prolatada independentemente da análise dos documentos carreados pela peticionante após o oferecimento de sua Impugnação" (fl. 937). Nesse caminho, privilegiando o mesmo princípio da verdade material que pautou o julgamento de 1º grau em relação à análise dos fatos, deve também ser aceita a documentação e afastada a preclusão; · Que o lançamento é nulo porquanto é ilegal o arbitramento da contribuição previdenciária a cargo dos segurados, especificamente porque a autoridade lançadora não levou em consideração os valores já recolhidos aos cofres da Previdência por esses trabalhadores. Especificamente, que o lançamento considerou a alíquota mínima de 8%, mas que os segurados já se encontravam na alíquota máxima de 11%. Outrossim, ainda que assim não fosse, teve condições de identificar os trabalhadores e os valores pagos a cada um, razão pela qual deveria ter respeitado o limite máximo de saláriodecontribuição previsto nos arts. Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.013 9 20 e 28, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e art. 198 do Decreto nº 3.048/1999. Em suma, é nulo por desrespeitar a base de cálculo e a alíquota; · Que o lançamento é nulo porquanto não consta do relatório de fundamentação legal os dispositivos que amparam o procedimento de arbitramento da base de cálculo, da desconsideração da personalidade jurídica e da caracterização dos segurados empregados. Há, apenas, referência ao caput do art. 229 do Decreto nº 3.048/1999. Isso cerceia o direito de defesa da Contribuinte; · Que deve ser reconhecida a decadência até 23/10/2002, aplicandose a regra do art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que houve declaração e pagamento antecipado e que não restou demonstrada a ocorrência de simulação. Nessa linha, que o lançamento não acusou a ocorrência de simulação em momento algum, de sorte que não pode a DRJ revalorar os fatos. De qualquer sorte, que verdadeiramente inexiste vínculo de emprego entre os prestadores de serviço e a recorrente, e que não basta a mera indicação de indícios, sendo necessário verdadeiramente provar a ocorrência de simulação; · Que a 1ª decisão da DRJ reconheceu a decadência pela regra do art. 150, § 4º, do CTN, e a matéria não foi devolvida a julgamento pelo recurso voluntário, de sorte que não poderia a 2ª decisão da DRJ se pronunciar sobre a matéria, sob pena de ofensa ao princípio da non reformatio in pejus; · Que os fatos objeto do lançamento se enquadram na hipótese do art. 129 da Lei nº 11.196/2005, de sorte que não é inadequado o reenquadramento dos segurados como empregados. Nesse sentido, discorre sobre a retroatividade desse comando legal e aponta que os serviços identificados pela autoridade lançadora se enquadram na hipótese de serviços intelectuais, tanto que assim são reconhecidos pelo art. 148 da IN SRF nº 3/2003 e pelo art. 9º da Lei nº 9.317/1996; · Que somente o poder judiciário tem o poder de desconsiderar a personalidade da pessoa jurídica, de forma que é vedado à autoridade fiscalizadora fazêlo. Nesse sentido, que o art. 229, § 2º, Decreto nº 3.048/1999, não tem fundamento legal e que o art. 33 da Lei nº 8.212/1991 e a Lei nº 10.593/2002 não prevêem a possibilidade de reconhecer o vínculo empregatício por parte da Fiscalização Previdenciárias. Outrossim, que o art. 114 da CF atribui à Justiça do Trabalho processar e julgar as ações oriundas das relações de trabalho e as controvérsias dela decorrentes; · Que inexiste relação de emprego entre os sócios das pessoas jurídicas arroladas pela fiscalização e a recorrente. Para tanto, discorre sobre o conceito abstrato de subordinação; Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.014 10 · Que é possível contestar os indícios apontados pela autoridade lançadora, os quais são meramente pontuais mas indevidamente generalizados. Especificamente, aponta que: o que o simples fato de que o sócio da pessoa jurídica é ex empregado não é relevante, não tendo a autoridade lançadora indicado que eles realizavam a mesma atividade, por exemplo; o que apenas em relação à minoria dos casos o sócio da pessoa jurídica é exempregado da Contribuinte e, mesmo nesses casos, não houve continuidade entre a rescisão do contrato de trabalho e o início da prestação do serviço pela pessoa jurídica; o que os prestadores de serviço não se submetiam a controle de jornada, tendo plena liberdade de horário, conquanto cumpram o objetivo do contrato; o que as assessorias de contabilidade e de recursos humanos permaneceram no estabelecimento da Contribuinte durante a fiscalização para facilitar o fornecimento dos dados solicitados; o que o uso de crachá é obrigatório a todas as pessoas que transitam no estabelecimento, buscando a devida identificação e controle de segurança, sendo medida comum em todas as grandes empresas; o que o organograma apresentado serviu apenas para descrever os limites das competências das pessoas, físicas e jurídicas, e não para demonstrar um vínculo; o que apenas uma das pessoas jurídicas, em apenas uma oportunidade, emitiu uma nota fiscal descrita como 13º salário, o que não pode ser generalizado. De qualquer sorte, que ocorreu apenas um erro na elaboração da nota fiscal; o que a alegação de que as prestadoras de serviço recebiam PLR é completamente desprovida de suporte fático. Não demonstra, por exemplo, haver correlação entre o valor recebido pela prestadora de serviço e o valor supostamente devido a título de PLR, não demonstra haver obrigatoriedade desse pagamento nos contratos etc. Única e exclusivamente, a autoridade lançadora identificou quatro casos concretos em que foram pagos parcelas maiores aos prestadores de serviço, sem qualquer referência a índice ou critério para comprovar a natureza de PLR; o que só se verificou a concessão de plano de saúde e de vale transporte a alguns sócios de empresas prestadoras de serviço na absoluta minoria dos casos; o que não é o pagamento, mas sim a obrigatoriedade legal do pagamento que configura a relação empregatícia; e Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.015 11 · Faz comentários individualizados em relação a cada um dos levantamentos: (1) Gasbol Engenharia Ltda. ("GAS"); (2) Mizher Consultoria Ltda. ("MIZ"); (3) José Ary Lobão ("LCE"); (4) Hippocon Consultores ("HIP"); (5) Aconte Consultoria E Engenharia ("ACO"); (6) L.T.P.A. Informática S/C Ltda. ("LTP"); (7) Cicon Engenharia Ltda. ("CIC"); (8) Tadeusz Medeiros Janeiszewski ("TAD"); (9) Jacs Engenharia e Consultoria ("JACS"); (10) CI Serviços de Engenharia ("CLS"); (11) Canal Projetos Planejamento Ltda. ("CAN"); (12) A&D Assessoria, Consultoria e Contabilidade ("AED"), CC Mendes Recursos Humanos ("CCM") e FC Barreto Filho ("FCB"); , Que é possível faDiscorre sobre , bem como sobre as questões concretas de fato atinentes a diversas pessoas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Redator ad hoc Como Redator ad hoc, sirvome da minuta de voto inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF, de sorte que o posicionamento abaixo esposado não necessariamente tem a aquiescência deste Conselheiro: O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. PRELIMINARES Nulidade do lançamento deixar de considerar os valores já recolhidos pelos próprios segurados A Contribuinte pleiteia o reconhecimento da nulidade do lançamento ao argumento de que a autoridade lançadora não teria levado em consideração os recolhimentos já feitos pelos segurados. Também, porque utilizou sempre a alíquota mínima de 8%, sem esclarecer a fundamentação legal. Enfim, porque não levou em consideração o teto do salário decontribuição constante nos arts. 20 e 28 da Lei nº 8.212/1991 e art. 198 do Decreto nº 3.048/1999. Efetivamente, o presente auto de infração serve para constituir crédito referente a Contribuições Previdenciárias patronais bem como do segurado. É sabido que empregador, ao efetuar o pagamento do salário, deve descontar a parcela do segurado empregado, entre 8 e 11% do saláriodecontribuição, recolhendoa diretamente ao Fisco. Esse desconto, entretanto, não pode ser feito de forma irrestrita; está limitado ao teto do saláriode contribuição, nos termos das normas citadas acima. No relatório do lançamento, a autoridade lançadora apenas afirmou que também era constituído débito referente à parte do segurado. No Discriminativo Analítico de Débito DAD (fls. 6/85), é possível perceber que a autoridade lançadora destrinchou as rubricas, indicando os valores apurados em relação à parte do segurado, da empresa, o SAT/RAT e de Terceiros. Especificamente em relação à parte dos segurados, constatase que Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.016 12 os valores apurados são sempre os máximos que poderiam ser descontados nas respectivas competências em relação a um segurado empregados. O mesmo se observa do Relatório de Lançamentos RL (fls. 100/148). Efetivamente, constatase que a autoridade lançadora realmente apurou o valor a ser descontado por segurado empregado pelo teto do saláriodecontribuição. Em nenhuma oportunidade deduziu valores porventura já recolhidos pelas respectivas pessoas físicas nessas competências. Tratase de uma falha na apuração do valor final do lançamento. Uma vez que a Lei é clara no sentido de que o segurado só deve contribuir até determinado limite, então os valores pagos e especialmente os cobrados além desse montante, são indevidos. Configurar seá enriquecimento sem causa o eventual pagamento de valores de contribuição por parte do segurado além do limite, ainda que à Previdência, o que não pode ser protegido pelo direito. Registrase, outrossim, que o presente lançamento é feito de ofício pelo reenquadramento do de vínculos jurídicos. Ou seja, não foi a Contribuinte, mas sim a autoridade lançadora quem declarou que essas pessoas físicas mantinham vínculo empregatício com a Recorrente. Portanto, cabe a ela, autoridade lançadora, verificar no sistema interno da Administração Pública o montante já recolhido pelos segurados para corretamente apurar o montante devido a título de parte do segurado. Ainda que assim não fosse, a verdade é que a Lei nº 9.784/1999 estabeleceu expressamente que Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. A questão foi reiterada recentemente do Decreto nº 9.094/2017, que esclarece: Art. 2º Salvo disposição legal em contrário, os órgãos e as entidades do Poder Executivo federal que necessitarem de documentos comprobatórios da regularidade da situação de usuários dos serviços públicos, de atestados, de certidões ou de outros documentos comprobatórios que constem em base de dados oficial da administração pública federal deverão obtêlos diretamente do órgão ou da entidade responsável pela base de dados, nos termos do Decreto nº 8.789, de 29 de junho de 2016, e não poderão exigilos dos usuários dos serviços públicos. Ou seja: se espera que a Contribuinte, enquanto interessada, produza as provas que lhe beneficiem. Contudo, não pode a Administração Pública exigir que a ora Recorrente o faça, abstendose de levantar os dados que já estão disponíveis na própria Administração Pública, para então julgar em seu desfavor por ausência de provas. Tampouco pode se escusar de fazêlo ao argumento de que é trabalhoso ou que não dispõe de força Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.017 13 humana para tanto, uma vez que é a Lei, e não esse Conselho, quem impõe esse ônus à Administração Pública. Subsidiariamente, ainda que não houvesse a norma legal supra plasmada, seria hipótese de aplicação do art. 373 do NCPC, segundo o qual é possível a inversão do ônus da prova diante de peculiaridades da causa relacionadas à excessiva dificuldade de uma parte (a Contribuinte) ou a facilidade da outra parte (o Fisco). In casu, constatase a facilidade em relação ao Fisco: basta apurar nos seus registros a ocorrência ou não de pagamentos de Contribuições Previdenciárias do segurado em relação a essas pessoas nessas competências. Não há, entretanto, a nulidade suscitada pela Contribuinte. Percebese do DAD e do RL que a autoridade lançadora utilizou como base de cálculo para apurar o valor das Contribuições do segurado o teto do saláriodecontribuição de cada competência, assim como utilizou corretamente a tabela progressiva de alíquotas. Tanto assim que o valor apurado, por competência, é exatamente o limite máximo que o segurado deveria recolher e, portanto, que poderia ter sido descontado. Por tudo isso, é necessário dar provimento parcial ao recurso nesse ponto, para rejeitar a preliminar de nulidade, mas para reconhecer o direito à dedução dos valores já recolhidos pelos segurados empregados. Nulidade formal por ausência de indicação da fundamentação legal A Contribuinte pleiteia o reconhecimento da nulidade do lançamento também em função de não constar no Relatório de Fundamentos Legais os dispositivos que amparam o procedimento de arbitramento da base de cálculo, da desconsideração da personalidade jurídica e da caracterização de vínculo empregatício. Argumenta que há referência exclusivamente ao caput do art. 229 do Decreto nº 3.048/1999, o que cerceia seu direito de defesa. Consta dos autos relatório denominado "FLD Fundamentos Legais do Débito" (fls. 149/152), no qual a autoridade fazendária aponta as normas sobre as quais sustenta o lançamento. Percebese que o relatório indica pormenorizadamente os comandos legais que autorizam a fiscalização e a constituição do crédito tributário, bem como que estabelecem as Contribuições Sociais Previdenciárias. Não se identifica o vício suscitado pela recorrente. Em primeiro lugar, o lançamento não foi por arbitragem. Pelo contrário, a autoridade lançadora individualizou a base de cálculo por indivíduo que entendeu ser segurado empregado, apontando no Relatório fiscal, inclusive, que "3.2. (...) Esse trabalho de auditoria foi pautado pela análise e utilização de informações apresentadas em meio digital, confrontadas com os documentos físico apresentados e analisados por amostragem. A empresa entregou os arquivos digital no padrão Manual de Arquivos Digitais MANAD com os dados contábeis e de folha de pagamento separados em mídia não regravável, juntamente com o recibo de entrega com código de identificação geral n o. 5dd6442cf902dc38e11f417053e3cb32, emitido em 27/08/2007, em anexo (Anexo 1), contendo a identificação dos arquivos e os Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.018 14 códigos gerados pelo Sistema de Autenticação e Validação de Arquivos Digitais — SVA, utilizado em trabalhos com arquivos digitais. Cabe ressaltar que, embora a fiscalização tenha aceitado os arquivos MANAD, estes ainda apresentavam erros e inconsistências que não prejudicam o andamento do trabalho. Todas as planilhas anexadas a este relatório foram reduzidas a termo dos arquivos digitais apresentados." fl. 173; (...) "9 DOCUMENTOS ANEXOS (...) 9.1.3 Discriminativo Analítico do Débito — DAD, que discrimina o débito por levantamento, por competência, itens de cobrança(rubricas), alíquotas utilizadas, e valor originário; 9.1.4. Discriminativo Sintético do Débito — DSD. Relatório que demonstra, por levantamento e competência, os valores originais das diferenças, e os valores da atualização, juros, e multa incidentes sobre as contribuições devidas; 9.1.5. Relatório de Lançamentos RL. Onde estão demonstrados, por levantamento e por competência, os documentos e os valores que serviram de base à fiscalização para a apuração dos valores da contribuição descontada dos segurados empregados." fls. 185/186. Em segundo lugar, não houve desconsideração da personalidade jurídica. Como bem já esclareceu a DRJ, ocorreu foi a desconsideração do vínculo negocial: a autoridade fiscalizadora entendeu que o vínculo formal entre a Contribuinte e as pessoas jurídicas inexistiu na prática, havendo, materialmente, vínculo entre ela, Recorrente, e as pessoas físicas individualizadas. Portanto, não é necessária competência para desconsiderar a personalidade jurídica, mas sim competência para averiguar a ocorrência do fato gerador. Em terceiro lugar, como desdobramento do parágrafo acima, percebese que o art. 33 da Lei nº 8.212/1991, expressamente citado no FLD, é sim fundamento legal e suficiente para permitir a caracterização do vínculo empregatício. Efetivamente, esse comando legal atribui competência para fiscalizar a arrecadação, cobrança e recolhimento das Contribuições Previdenciárias. Para que se possa exercer essa fiscalização, é necessário competência para verificar a ocorrência do fato gerador e, por decorrência lógica, para reconhecer a ocorrência do fato gerador mesmo quando as partes não o declarem. Portanto, é necessário rejeitar a nulidade suscitada. Nulidade da decisão recorrida Cerceamento do direito de defesa apresentação de provas Argumenta a Contribuinte pela nulidade da decisão recorrida. Especificamente, argumenta de que teve seu direito de defesa cerceado quando a decisão vergastada se recusou a analisar a documentação apresentada após a impugnação. Sustenta que, deve prevalecer a verdade material sobre a verdade formal, inclusive tendo sido esse o Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.019 15 fundamento da decisão de 1º grau para manter o lançamento, razão pela qual deve ser aceita a documentação. A verdade, entretanto, é que a decisão recorrida aplica a Lei, razão pela qual não se pode falar em cerceamento do direito de defesa. Efetivamente, o Decreto nº 70.235/1972 garante ao sujeito passivo o direito de apresentar as provas em conjunto com a impugnação, ressalvando ainda o direito de fazêlo em momento posterior quando ocorrer uma das hipóteses das alíneas do § 4º do seu art. 16. Por outro lado, determina expressamente a preclusão do direito fora desses casos. É comum aceitar a apresentação de provas no âmbito do recurso, em deferência ao princípio da verdade material e das regras da Lei nº 9.784/1999. Isso, contudo, não é suficiente para revogar a Lei, não gerando direito aos recorrentes. Efetivamente, o Decreto não proíbe a aceitação da prova extemporânea, mas determina a preclusão do direito de sujeito passivo. Em suma, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. MÉRITO Superadas as preliminares supra mencionadas, passase à análise do mérito do recurso. Registrase que a questão da decadência é postergada para o final do julgamento. Isso porque a DRJ aplicou o art. 173, I, do CTN ao fundamento de que teria havido simulação, enquanto a Contribuinte pleiteia a aplicação do art. 150, § 4º, do mesmo diploma, ao argumento de que não teria havido esse vício. Portanto, para que se possa julgar essa questão é necessário analisar o mérito da lide e identificar o caso concreto se enquadra na parte final do referido § 4º, o que exclui a contagem do prazo por essa regra. Art. 129 da Lei nº 11.196/2005 O cerne do presente litígio é identificar se o vínculo se formava entre a Contribuinte e as pessoas jurídicas ou entre a Contribuinte e as pessoas físicas diretamente e, como desdobramento, se o vínculo era trabalhista ou de direito civil/comercial. Para tanto, primeiro, a Contribuinte discorre sobre o art. 129 da Lei nº 11.196/2005, sua norma e sobre a sua aplicação retroativa. Conclui que os fatos descritos pela autoridade lançadora se enquadram perfeitamente na regra ali plasmada, ou seja, de prestação de serviços intelectuais por pessoas jurídicas. Inclusive, anota que a natureza de serviço intelectual dessas atividades é reconhecida pelo art. 148 da IN SRF nº 3/2003 e pela redação do art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996 e pelo art. 17, XI, da Lei Complementar nº 123/2006. Convém a Leitura da Lei nº 11.196/2005: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.020 16 sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Esse comando legal veio ratificar uma realidade fática já admitida pelo direito privado: é possível que determinada pessoa física exerça uma atividade intelectual, personalíssima ou não, por meio de uma pessoa jurídica. Assim, por exemplo, o cantor famoso pode firmar contratos de shows por meio de uma empresa, a qual auferirá a receita do cachê do show; igualmente, podese contratar e pagar a uma pessoa jurídica para que determinado ator famoso participe de um comercial. Õ simples fato de que a atividade intelectual, artística, cultural etc. objeto do contrato seja realizada por uma pessoa física, em função ou não da sua pessoa, não é obstáculo para que o negócio seja firmado entre pessoas jurídicas. Nesse ensejo, é relevante a memória da Recorrente ao suscitar esse comando legal. Efetivamente, serve sim como fundamento para que se reconheça a possibilidade jurídica de que os negócios ora sob análise sejam válidos na forma como ela os descreveu: como negócios entre pessoas jurídicas. Recordase que esse comando legal tem consequência não apenas em relação às Contribuições Previdenciárias de vínculo empregatício, mas também como prestador de serviço autônomo, bem como em relação ao imposto de renda, se será na pessoa física ou na jurídica, entre inúmeras outras hipóteses de fatos geradores. Entretanto, o simples fato de que é possível a configuração do negócio sob essa forma não implica que necessariamente devem ser admitidos assim. Basta anotar que esse mesmo art. 129 foi proposto e votado no Poder Legislativo com um Parágrafo Único, o qual foi vetado. É interessante transcreve a redação do comando proposto e os fundamentos do veto: "Art. 129. .................................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica quando configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista." Razões do veto "O parágrafo único do dispositivo em comento ressalva da regra estabelecida no caput a hipótese de ficar configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista. Entretanto, as legislações tributária e previdenciária, para incidirem sobre o fato gerador cominado em lei, independem da existência de relação trabalhista entre o tomador do serviço e o prestador do serviço. Ademais, a condicionante da ocorrência do fato gerador à existência de sentença judicial trabalhista definitiva não atende ao princípio da razoabilidade." O legislador propunha, tal como parece defender a Contribuinte, uma presunção quase absoluta de que o negócio era de caráter civilcomercial. Essa natureza só poderia ser desconstituída por decisão judicial transitada em julgado. Tivesse sido aprovada a Lei com esse comando, então não seria possível que a autoridade lançadora reenquadrasse o vínculo, tal como fez no presente lançamento. Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.021 17 Entretanto, essa proposta foi vetada, e com razão. Como bem esclareceu a presidência, não é razoável que apenas o poder judiciário possa reconhecer uma relação de fato. Uma vez que o ordenamento brasileiro privilegia a realidade sobre a forma, então o simples fato de ter sido formalmente constituído o negócio entre duas pessoas jurídicas não desconfigura a relação trabalhista, caso essa seja a realidade fática. Percebese, efetivamente, que o lançamento não se baseia na impossibilidade jurídica de que os contratos fossem feitos entre pessoas físicas. A autoridade fiscalizadora nem sequer não traz esse argumento. Pelo contrário, a autuação se lastreia na tese de que o vínculo de fato existia diretamente entre a Contribuinte e as pessoas físicas na forma de uma relação trabalhista. É sobre esse fundamento que a autoridade lançadora se escora, apontando provas e indícios de que as pessoas físicas eram segurados empregados. Portanto, ainda que seja possível a forma do contrato como desenhada pela Contribuinte, esse argumento não é suficiente para dar provimento ao recurso. Da (des)consideração da personalidade jurídica Em segundo lugar, ainda buscando contestar a formação do vínculo trabalhista de maneira abstrata, a Contribuinte argumenta que somente o poder judiciário tem o poder de desconsiderar a personalidade da pessoa jurídica. Nesse ensejo, afirma que o art. 229, § 2º, do Decreto nº 3.048/1999 não tem fundamento legal, sustentando que o art. 33 da Lei nº 8.212/1991 e a Lei nº 10.593/2002 não tratam dessa questão e, por consequência lógica, não atribuem à autoridade fiscalizadora a capacidade de reconhecer o vínculo empregatício. Enfim, que o art. 114 da CF atribui à Justiça do Trabalho processar e julgar as ações oriundas das relações de trabalho e as controvérsias dela decorrentes. Sobre a questão, a DRJ esclareceu que: "É importante ressaltar que o lançamento apenas deu nova qualificação fiscal ao negócio jurídico, retirandolhe os efeitos próprios do ato aparente (prestação de serviços por pessoas jurídicas) para atribuirlhe os efeitos próprios do negócio jurídico real (prestação de serviços com vínculo empregatício). Nesse sentido, o ato de lançamento opera efeitos no plano tributário, não atingindo a validade dos atos de constituição das empresas." fl. 900. Com razão o acórdão recorrido nesse ponto por seus próprios fundamentos. A verdade é que a autoridade lançadora não desconsiderou a personalidade jurídica das empresas identificadas. Em momento algum contestou a existência, a existência ou a autonomia da pessoa jurídica. Apenas reenquadrou os vínculos, entendendo que o sujeito da relação jurídica não era pessoa jurídica mas sim a pessoa física. Nesse contexto, porquanto não houve desconsideração da personalidade jurídica, despiciendo é discorrer sobre a competência ou não da autoridade fiscalizadora para tanto. O mesmo não pode ser dito do argumento de que o art. 229, § 2º, do Decreto nº 3.048/1999 é desprovido de lastro legal. O art. 33 da Lei nº 8.212/1991 atribui às autoridades fazendárias competência para fiscalizar o recolhimento das Contribuições Sociais Previdenciárias. Fiscalizar, nesse Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.022 18 contexto, não se limita a analisar o preenchimento das declarações, mas também a veracidade dos fatos declarados e a ocorrência de fato gerador omitido. Nesse contexto, pode e deve investigar a verdade real dos fatos, incluindo, por exemplo, a análise dos livros contábeis, a solicitação de provas da realidade dos fatos declarados e, como no presente caso, a apurar a natureza real dos fatos identificados. Nessa senda, o Decreto nº 3.048/1991, ao estabelecer que a autoridade fiscalizadora deve desconsiderar o vínculo pactuado e reenquadrar como segurado empregado nada mais faz do que regulamentar a competência dada pelo supracitado art. 33 para fiscalizar os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias. Enfim, uma vez que nos termos dos arts. 45, VI, e 62, ambos do Anexo II ao RICARF, esse CARF é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Decreto, não há razão para tratar do citado art. 114 da CF/1988. Por esses motivos, tampouco é possível dar provimento ao recurso com base nesses argumentos. Da natureza do vínculo Enfim, superadas as questões exclusivamente de direito, a Contribuinte passa à análise das questões fáticas. Argumenta que, na prática, os fatos identificadas pela autoridade lançadora não configuram vínculo empregatício. Apresenta inicialmente argumentos gerais, buscando contestar os argumentos também gerais utilizados pela autoridade lançadora. Posteriormente, passa a discorrer individualmente sobre cada uma das pessoas físicas pontuadas pela autoridade lançadora. Retornando ao relatório fiscal, percebese que a autoridade lançadora apresenta os argumentos de maneira geral. Buscando comprovar a existência de vínculo empregatício, apresenta afirmações abstratas, e depois enumera as pessoas físicas em relação às quais há provas, afirmando a enfim que se trata de mero exemplo. É o caso do item 4.2. do Relatório Fiscal, no qual afirma que "A maioria das pessoas jurídicas foi formada por ex empregados" e a seguir anota que "A tabela abaixo EXEMPLIFICA esse fato" (fl. 174). Também o caso do item 4.4., quando afirma que "algumas das pessoas citadas acima portavam crachás da GDK, identificando os respectivos cargos ocupados" (fl. 175). A verdade é que o reenquadramento é feito de maneira individualizada, mormente quando, como no caso concreto, o lançamento não é feito por arbitramento. Efetivamente, a comprovação de determinado fato em relação a uma das pessoas não pode ser utilizada como prova ou mesmo indício em relação às demais. Dessa forma, analisarseão as relações jurídicas de maneira igualmente individual. As alegações genéricas serão consideradas apenas em relação às pessoas que são indicadas nominalmente ou em relação às quais hajam provas, mesmo quando a autoridade lançadora ou a Contribuinte afirmar que a indicação é meramente exemplificativa. Desde já, se registra que para se verificar a existência de relação empregatícia não basta a ocorrência do pagamento, uma vez que a remuneração é apenas um dos elementos. É necessário identificar, também, a não eventualidade, a subordinação jurídica e a pessoalidade, como bem apontou a própria autoridade lançadora. Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.023 19 Não há dúvidas, de outro lado, de que houve pagamentos. É exatamente em função desses pagamentos que se formalizou o lançamento. Analisarseão, isso sim, a causa dos pagamentos, qual o fato juridicamente relevante que levou a esses pagamentos. Não se aprofundará elemento da pessoalidade, vez que a já citada Lei nº 11.196/2005, no seu art. 129, permite a prestação de serviços personalíssimos por meio de pessoa jurídica. Portanto, in casu esse não será elemento relevante para constituir o vínculo empregatício, e a Contribuinte não discorre sobre a ausência de pessoalidade. Não foi suscitado em momento algum a ausência de não eventualidade. Pelo contrário, percebese que os pagamentos foram feitos por longos períodos, ainda que, em muitos casos, não se identificaram pagamentos em algumas competências no meio do caminho (e.g.: em relação a Mizher o lançametno vai de 10/2002 a 12/2006, fls. 67/76, porém não há Contribuições em relação às competências de 11/2002 a 01/2003, 05/2003, 09/2004 etc.). Enfim, o ponto fulcral é identificar se há ou não subordinação jurídica e, nos casos em que há subordinação jurídica, se o pagamento foi feito em função do vínculo empregatício ou em função de outro fato. 1. Levantamento MIZ Amilcar Mizher MIZHER Consultoria Ltda. Além de afirmar no item 4.4. que essa pessoa efetuava o seu trabalho nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados, a autoridade lançadora anotou no item 4.3. que essa pessoa ocupava o cargo de Coordenador Obra. Outro fato que a autoridade lançadora considerou relevante, conforme o item 4.8., foi a constatação de que os sócios dessa pessoa jurídica eram beneficiários do mesmo plano de saúde disponibilizados para os empregados registrados na GDK, inclusive com 3 (três) dependentes (relação às fls. 200/208). Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais. Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178). Em sua defesa, a Contribuinte anota que a empresa, com sede em Belo Horizonte, foi constituída em 07/05/2001, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora sob análise só foi emitida em outubro de 2002. São, portanto, 1,3 ano de diferença. Além da Contribuinte, a empresa presta serviços para outras pessoas jurídicas, indicando ao menos duas outras. Outrossim, a Contribuinte argumenta que a empresa presta serviços na área de representação comercial e consultoria na área de informática, gerenciamento e supervisão. Admite que o sócio, a pessoa física indicada, figurou como segurado empregado da Contribuinte, porém seu vínculo era como engenheiro civil, área na qual a empresa prestadora de serviço contratada não atuava. Registra que não houve pagamento de PLR, nem de 13º nem de outros benefícios. Admite a concessão do plano de saúde, porém anota que foi mera liberalidade. Ressalta que o indivíduo estava livre para contratar com outras pessoas. Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.024 20 Portanto, conclui que não há que se falar em salário indireto. Pelo contrário há dois pagamentos independentes, a pessoas diferentes, em função de fatos autônomos. Há o salário à pessoa física em função do trabalho como engenheiro; e a o pagamento do preço à pessoa jurídica em função da prestação do serviço de representação comercial e de consultoria na área de informática, gerenciamento e supervisão. Pois bem. No processo, é ônus de quem alega comprovar. Portanto, se a autoridade lançadora alega que os valores pagos a título de prestação de serviço o eram, na verdade, como remuneração do trabalho empregado, cabe a ela comprovar isso. Somente se restar devidamente comprovado esse fato é que passa a Contribuinte a ter o ônus de infirmálo. Os elementos suscitados pela autoridade lançadora foram: trabalhar nas dependências da Contribuinte; ser beneficiado pelo plano de saúde; e que tinha sido empregado. A Contribuinte admite que a pessoa física foi sua empregada durante o período da fiscalização. Argumenta, apenas, que isso não impede a contratação de pessoa jurídica da qual era sócio a pessoa física, para prestação de serviços diversos. Portanto, se era empregado, não há estranheza em que trabalhasse nas dependências da Contribuinte nem que fosse beneficiária do plano de saúde. Esses argumentos, portanto, restam afastado. Deveria a autoridade lançadora demonstrar, isso sim, que os pagamento foram para remunerar esse vínculo empregatício, e não para pagar o preço da prestação do serviço pela pessoa jurídica. Não há nenhuma prova ou mesmo indício de que a pessoa jurídica não tenha prestado serviços e que, portanto, não merecesse receber o pagamento. O simples fato de que era empregado da Contribuinte não exclui a possibilidade de que empresa da qual era sócio também prestasse serviço à Contribuinte. Desde que fosse devidamente remunerado pelo seu trabalho enquanto empregado, pelo salário, e que o pagamento das notas fiscais se refira à prestação do serviço pela pessoa jurídica, então não há razão para confusão e reenquadramento feito pela autoridade lançadora. A verdade é que a autoridade lançadora não apresentou nenhuma prova nem mesmo indício de que não tenha havido prestação de serviço por parte da empresa contratada. De outro lado, a Contribuinte buscou comprovar que a empresa prestava serviços. Para tanto, apresentou notas fiscais emitidas contra outras empresas (fls. 423/426), inclusive no mesmo período da autuação, como em 20/11/2002 (fl. 424) e 20/08/2006 (fl. 423). Ora, parece claro que a pessoa física recebia seu salário. Também, que havia uma pessoa jurídica prestando serviços não apenas à Contribuinte, mas também a outras empresas. Não há, entretanto, provas de que os pagamentos efetuados à pessoa jurídica o eram a título de salário indireto. Poderia a autoridade lançadora ter afirmado, por exemplo, que o salário oficial era inferior à média. Seria um indício interessante de que a diferença era paga "por fora". Porém, não há essa alegação. Tampouco há alegação de que a pessoa jurídica não prestava serviços. Apenas, há uma presunção de que havia "salário por fora". Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.025 21 Em suma, entendo que não restou demonstrado que os pagamentos foram feitos em função de vínculo empregatício, razão pela qual entendo que o lançamento não pode subsistir nesse ponto. 2. Levantamento CCM Cleber Costa Mendes CC Mendes Recursos Humanos Gerente RH Além de afirmar no item 4.4. que essa pessoa efetuava o seu trabalho nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados, a autoridade lançadora anotou nos itens 4.2. e 4.4. que essa pessoa é exempregado da GDK, e que o contrato de trabalho foi rescindido para que passasse a ser remunerados através das pessoas jurídicas constituídas. Esclareceu nos itens 4.3. e 4.4., outrossim, que esse indivíduo portava crachá e se identificada como Gerente de RH. Outro fato que a autoridade lançadora considerou relevante, conforme o item 4.8., foi a constatação de que os sócios dessa pessoa jurídica eram beneficiários do mesmo plano de saúde disponibilizados para os empregados registrados na GDK, inclusive com 3 (três) dependentes (relação às fls. 200/208). Ainda, no item 4.9., apurou que essa pessoa consta na lista de dezembro/2006 dos empregados que receberam os benefícios de valetransporte e ticket alimentação (relação às fls. 209/214). Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais. Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178). Em sua defesa, a Contribuinte afirmou que esse prestador de serviço não tinha nenhum controle de jornada. Pelo contrário, tinham ampla liberdade de horário, desde que cumprissem os serviços contratados. Acontece, isso sim, que devido ao serviço que era responsável, durante o período da fiscalização ele entendeu por permanecer nas dependências da recorrente exatamente para poder fornecer os dados solicitados pela Fiscalização. Anotou, ainda, que se trata de prestação de serviço intelectual, que a pessoa jurídica foi constituída no registro competente, de sorte que se aplica o art. 129, da Lei nº 11.196/2005. Também, que a questão só poderia ser resolvida pela justiça do trabalho. Em relação aos demais indícios apontados pela auditoria, afirma que foram suficientemente refutados nos itens anteriores. Pois bem. Como já discorrido acima, o art. 129, da Lei nº 11.196/2005, não serve de escudo no presente lançamento. É imperioso analisar, isso sim, a existência de subordinação jurídica. A Contribuinte que a pessoa física ocupava o cargo de Gerente de RH. Esse cargo é, sem dúvidas, normalmente exercido por funcionário empregado. Efetivamente, em uma empresa do porte da Contribuinte, com mais de 3.000 (três mil) empregados (cf. item 3.2. do Relatório Fiscal, fl. 173) é de se esperar que a pessoa responsável pelo RH esteja à completa disposição da diretoria, mantendo relação direta e constante, respondendo e desenvolvendo as atividades indicadas pelos diretores. Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.026 22 Outrossim, o cargo de gerente é um cargo de confiança e que, portanto, não tem o mesmo controle de horários que tem um empregado "comum" (art. 62, II, da CLT). Nesse caminho, cai por terra o argumento da Contribuinte de que não havia controle de jornada e que essa pessoa física tinha ampla liberdade de horário. Há que se observar, ademais, que vale transporte e ticket alimentação são benefícios normalmente oferecidos a segurados empregados, e não empresas contratadas. O que é mais, no mínimo é incomum que, em uma relação comercial normal entre empresas, uma delas faça pagamentos de liberalidades, oferecendo benefícios não exigidos pelo contrato. Enfim, é necessário lembrar que o enquadramento realizado pela autoridade lançadora de pessoa física como segurado empregado é normalmente feita com base em indícios. Se houvessem provas cabais da relação empregatícia, então por certo que a pessoa já estaria assim declarada. Em suma, considerando que os indícios da existência de vínculo empregatício são consideráveis em relação a essa pessoa física, e que a Contribuinte não traz provas para infirmálos, entendo que deve ser mantido o lançamento. 3. Levantamento CIC Conrado José Morbach Cicon Eng. Asses. Tec. Planejamento Diretor Obras Consórcio Além de afirmar no item 4.4. que essa pessoa efetuava o seu trabalho nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados, a autoridade lançadora anotou no item 4.3. que essa pessoa ocupava o cargo de Diretor Obras Consórcio. Outro fato que a autoridade lançadora considerou relevante, conforme o item 4.8., foi a constatação de que os sócios dessa pessoa jurídica eram beneficiários do mesmo plano de saúde disponibilizados para os empregados registrados na GDK, inclusive com 4 (quatro) dependentes (relação às fls. 200/208). Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais. Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178). Em sua defesa, a Contribuinte anota que a empresa foi constituída em 24/11/1998, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora sob análise só foi emitida em abril de 2002. São, portanto, 3,5 anos de diferença. Também defende que não se pode presumir a ocorrência de salário indireto pelo simples fato de que a pessoa física era segurado empregado da Contribuinte no mesmo período em que a pessoa jurídica foi contratada para prestar serviços. Pelo contrário, ressaltou que a pessoa física era empregado na função de engenharia civil, área na qual a Cicon não atuava. Esta, por sua vez, prestava serviços nas áreas de consultoria, elaboração de projetos e pareceres. Outrossim, ressalta que o fato de que há notas fiscais sequenciais e que o sócio da pessoa jurídica contratada era beneficiário de plano de saúde não são elementos suficientes para comprovar a relação empregatícia. A um porque a exclusividade não é atributo Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.027 23 da relação de emprego. A dois porque a oferta de assistência médica não revela subordinação jurídica, mas mera parcela negociada entre as partes. Pois bem. Constatase que a presente rubrica é idêntica ao caso da MIZHER Consultoria Ltda., item 1 acima. Efetivamente, também a presente pessoa física era empregada da Contribuinte durante a fiscalização, de sorte que resta justificado o fato de que ele trabalhava nas dependências da Recorrente, bem como o fato de que era beneficiário de plano de saúde. Também aqui não se pode presumir que os valores pagos à pessoa jurídica eram, na verdade, "salário por fora". A verdade é que nada impede que uma pessoa física seja empregada de uma empresa e que, concomitantemente, essa empresa contrate outra empresa, da qual aquela pessoa é sócia, para prestar serviços. Desde que a atividade desenvolvida enquanto segurado empregado seja devidamente remunerada por salário, e que a pessoa jurídica preste os serviços pelas quais é remunerada, não há como confundir as relações jurídicas. In casu, a autoridade lançadora não demonstrou que a pessoa jurídica não prestava nenhum serviço à Contribuinte. Nem mesmo alegou isso. Tampouco demonstrou que o salário da pessoa física era inferior à média, por exemplo, o que justificaria imaginar que recebia a diferença "por fora". Por sua vez, a Contribuinte demonstrou que essa pessoa jurídica prestou serviços a diversas outras empresas (notas fiscais fls. 496/497), que não a Contribuinte, inclusive durante o mesmo período que compõe a base de cálculo, como em 27/04/2001 (fl. 497). Portanto, uma vez que a autoridade lançadora não logrou demonstrar os fatos que alega, não é possível manter o lançamento nesse ponto. 4. Levantamento LTP Décio Issao Hashigushi L.T.P.A. Informática e Com. Ltda. Staff Além de afirmar no item 4.4. que essa pessoa efetuava o seu trabalho nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados, a autoridade lançadora anotou no item 4.3. que essa pessoa ocupava o cargo de Staff. Outro fato que a autoridade lançadora considerou relevante, conforme o item 4.8., foi a constatação de que os sócios dessa pessoa jurídica eram beneficiários do mesmo plano de saúde disponibilizados para os empregados registrados na GDK, inclusive com 4 (quatro) dependentes (relação às fls. 200/208). Em sua defesa, a Contribuinte anota que a empresa foi constituída em 20/03/2001, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora sob análise só foi emitida em março de 2004. São, portanto, 3 (três) anos de diferença. Também defende que não se pode presumir a ocorrência de salário indireto pelo simples fato de que a pessoa física era segurado empregado da Contribuinte no mesmo Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.028 24 período em que a pessoa jurídica foi contratada para prestar serviços. Pelo contrário, ressaltou que a pessoa física era empregado na função de engenharia civil, área na qual a LTPA não atuava. Esta, por sua vez, prestava serviços nas áreas de informática, engenharia elétrica e eletrônica. Outrossim, ressalta que o fato de que há notas fiscais sequenciais e que o sócio da pessoa jurídica contratada era beneficiário de plano de saúde não são elementos suficientes para comprovar a relação empregatícia. A um porque a exclusividade não é atributo da relação de emprego. A dois porque a oferta de assistência médica não revela subordinação jurídica, mas mera parcela negociada entre as partes. Pois bem. Constatase que a presente rubrica é idêntica aos casos da MIZHER Consultoria Ltda., e da Cicon Eng. Asses. Tec. Planejamento, itens 1 e 3 acima. Efetivamente, também a presente pessoa física era empregada da Contribuinte durante a fiscalização, de sorte que resta justificado o fato de que ele trabalhava nas dependências da Recorrente, bem como o fato de que era beneficiário de plano de saúde. Também aqui não se pode presumir que os valores pagos à pessoa jurídica eram, na verdade, "salário por fora". A verdade é que nada impede que uma pessoa física seja empregada de uma empresa e que, concomitantemente, essa empresa contrate outra empresa, da qual aquela pessoa é sócia, para prestar serviços. Desde que a atividade desenvolvida enquanto segurado empregado seja devidamente remunerada por salário, e que a pessoa jurídica preste os serviços pelas quais é remunerada, não há como confundir as relações jurídicas. In casu, a autoridade lançadora não demonstrou que a pessoa jurídica não prestava nenhum serviço à Contribuinte. Nem mesmo alegou isso. Tampouco demonstrou que o salário da pessoa física era inferior à média, por exemplo, o que justificaria imaginar que recebia a diferença "por fora". Portanto, uma vez que a autoridade lançadora não logrou demonstrar os fatos que alega, não é possível manter o lançamento nesse ponto. 5. Levantamento FCB Fernando Carlos Barreto Filho F C Barreto Filho Gerente de suprimentos Nacional Além de afirmar no item 4.4. que essa pessoa efetuava o seu trabalho nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados, a autoridade lançadora anota no item 4.2. do seu lançamento que essa pessoa é exempregado da GDK. Também, que rescindiram o contrato de trabalho e passaram a ser remunerados através das pessoas jurídicas constituídas. Nos itens 4.3. e 4.5. esclareceu que esse era o Gerente de suprimentos Nacional. Outro fato que a autoridade lançadora considerou relevante, conforme o item 4.8., foi a constatação de que os sócios dessa pessoa jurídica eram beneficiários do mesmo plano de saúde disponibilizados para os empregados registrados na GDK, inclusive com 3 (três) dependentes (relação às fls. 200/208). Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.029 25 Ainda, no item 4.9., apurou que essa pessoa consta na lista de dezembro/2006 dos empregados que receberam os benefícios de valetransporte e ticket alimentação (relação às fls. 209/214). Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais. Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178). A Contribuinte, por sua vez, anotou que se trata de prestação de serviço intelectual, que a pessoa jurídica foi constituída no registro competente, de sorte que se aplica o art. 129, da Lei nº 11.196/2005. Também, que a questão só poderia ser resolvida pela justiça do trabalho. Em relação aos demais indícios apontados pela auditoria, afirma que foram suficientemente refutados nos itens anteriores. Pois bem. Como já discorrido acima, o art. 129, da Lei nº 11.196/2005, não serve de escudo no presente lançamento. É imperioso analisar, isso sim, a existência de subordinação jurídica. A Contribuinte que a pessoa física ocupava o cargo de Gerente de suprimento Nacional. O cargo de gerente é um cargo de confiança e que, portanto, não tem o mesmo controle de horários que tem um empregado "comum" (art. 62, II, da CLT). Nesse caminho, cai por terra o argumento da Contribuinte de que não havia controle de jornada e que essa pessoa física tinha ampla liberdade de horário. Há que se observar, ademais, que a assistência médica, o vale transporte e o ticket alimentação são benefícios normalmente oferecidos a segurados empregados, e não empresas contratadas. O que é mais, no mínimo é incomum que, em uma relação comercial normal entre empresas, uma delas faça pagamentos de liberalidades, oferecendo benefícios não exigidos pelo contrato. Outrossim, como bem ressaltou a DRJ, a pessoa jurídica foi constituída em 21/09/2006 (fl. 525), para exercer atividade de assessoria e consultoria em compras e suprimentos, exatamente a atividade que exercia enquanto gerente. Outrossim, a pessoa física foi desligada da condição de segurada empregada da Contribuinte em 01/10/2006 (extrato CNIS fls. 774/803), passando imediatamente a prestar serviço como pessoa jurídica, emitindo notas fiscais já em 31/10/2006, 30/11/2006 e 21/12/2006. O valor dessas notas fiscais é relativamente proporcional ao seu salário anterior, mormente quando se considerar que, como prestador de serviço pessoa jurídica não teria direito a 13º, adicional de férias, e não haveria o custo de Contribuições Previdenciárias sobre o valor da sua remuneração. Ainda, que mesmo depois de ter sido rescindido o contrato de trabalho, continuou sendo pago os planos de saúde, o vale transporte e o ticket alimentação. De outro lado, a Contribuinte não trouxe aos autos nenhuma prova de que os serviços prestados por meio da pessoa jurídica eram diversos daqueles prestados enquanto segurado empregado. Tampouco demonstrou haver qualquer diferença prática na relação entre as partes. Enfim, tampouco demonstrou que a pessoa jurídica tenha prestado serviços a outras empresas. Claro que este último ponto não é indispensável, porém seria um indício em seu favor no sentido de que na realidade, e não apenas formalmente, deixou de haver o vínculo empregatício. Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.030 26 Enfim, é necessário lembrar que o enquadramento realizado pela autoridade lançadora de pessoa física como segurado empregado é normalmente feita com base em indícios. Se houvessem provas cabais da relação empregatícia, então por certo que a pessoa já estaria assim declarada. Em suma, considerando que os indícios da existência de vínculo empregatício são consideráveis em relação a essa pessoa física, e que a Contribuinte não traz provas para infirmálos, entendo que deve ser mantido o lançamento. 6. Levantamento AED Humberto Teixeira de Almeida A & D Assessoria e Consultoria Ltda. Gerente Executivo Além de afirmar no item 4.4. que essa pessoa efetuava o seu trabalho nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados, a autoridade lançadora anotou nos itens 4.2. e 4.4. que essa pessoa é exempregado da GDK, e que o contrato de trabalho foi rescindido para que passasse a ser remunerados através das pessoas jurídicas constituídas. Esclareceu nos itens 4.3., 4.4. e 4.5., outrossim, que esse indivíduo portava crachá e se identificada como Gerente Executivo. Outro fato que a autoridade lançadora considerou relevante, conforme o item 4.8., foi a constatação de que os sócios dessa pessoa jurídica eram beneficiários do mesmo plano de saúde disponibilizados para os empregados registrados na GDK, inclusive com 3 (três) dependentes (relação às fls. 200/208). Ainda, no item 4.9., apurou que essa pessoa consta na lista de dezembro/2006 dos empregados que receberam os benefícios de valetransporte e ticket alimentação (relação às fls. 209/214). Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais. Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178). Em sua defesa, a Contribuinte afirmou que esse prestador de serviço não tinha nenhum controle de jornada. Pelo contrário, tinham ampla liberdade de horário, desde que cumprissem os serviços contratados. Acontece, isso sim, que devido ao serviço que era responsável, durante o período da fiscalização ele entendeu por permanecer nas dependências da recorrente exatamente para poder fornecer os dados solicitados pela Fiscalização. Outrossim, que ao contratar essa empresa, o fez para que prestassem os serviços equiparados a uma gerência executiva, mas não que eram gerentes executivos da recorrente. Anotou que se trata de prestação de serviço intelectual, que a pessoa jurídica foi constituída no registro competente, de sorte que se aplica o art. 129, da Lei nº 11.196/2005. Também, que a questão só poderia ser resolvida pela justiça do trabalho. Em relação aos demais indícios apontados pela auditoria, afirma que foram suficientemente refutados nos itens anteriores. Pois bem. Como já discorrido acima, o art. 129, da Lei nº 11.196/2005, não serve de escudo no presente lançamento. É imperioso analisar, isso sim, a existência de subordinação jurídica. Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.031 27 O presente caso é idêntico àquele do Levantamento FCB, item 5, acima. A Contribuinte que a pessoa física ocupava o cargo de Gerente Executivo. O cargo de gerente é um cargo de confiança e que, portanto, não tem o mesmo controle de horários que tem um empregado "comum" (art. 62, II, da CLT). Nesse caminho, cai por terra o argumento da Contribuinte de que não havia controle de jornada e que essa pessoa física tinha ampla liberdade de horário. Há que se observar, ademais, que a assistência médica, o vale transporte e o ticket alimentação são benefícios normalmente oferecidos a segurados empregados, e não empresas contratadas. O que é mais, no mínimo é incomum que, em uma relação comercial normal entre empresas, uma delas faça pagamentos de liberalidades, oferecendo benefícios não exigidos pelo contrato. Outrossim, como bem ressaltou a DRJ, a pessoa jurídica foi constituída em 29/09/2006. A pessoa física foi desligada da condição de segurada empregada da Contribuinte em 01/10/20062006 (extrato CNIS fls. 774/803), passando imediatamente a prestar serviço como pessoa jurídica, emitindo nota fiscal já em novembro/2006. O valor dessa nota fiscal é relativamente proporcional ao seu salário anterior, mormente quando se considerar que, como prestador de serviço pessoa jurídica não teria direito a 13º, adicional de férias, e não haveria o custo de Contribuições Previdenciárias sobre o valor da sua remuneração. Ainda, que mesmo depois de ter sido rescindido o contrato de trabalho, continuou sendo pago os planos de saúde, o vale transporte e o ticket alimentação. De outro lado, a Contribuinte não trouxe aos autos nenhuma prova de que os serviços prestados por meio da pessoa jurídica eram diversos daqueles prestados enquanto segurado empregado. Tampouco demonstrou haver qualquer diferença prática na relação entre as partes. Enfim, tampouco demonstrou que a pessoa jurídica tenha prestado serviços a outras empresas. Claro que este último ponto não é indispensável, porém seria um indício em seu favor no sentido de que na realidade, e não apenas formalmente, deixou de haver o vínculo empregatício. Enfim, é necessário lembrar que o enquadramento realizado pela autoridade lançadora de pessoa física como segurado empregado é normalmente feita com base em indícios. Se houvessem provas cabais da relação empregatícia, então por certo que a pessoa já estaria assim declarada. Em suma, considerando que os indícios da existência de vínculo empregatício são consideráveis em relação a essa pessoa física, e que a Contribuinte não traz provas para infirmálos, entendo que deve ser mantido o lançamento. 7. Levantamento CAN Joel Martins Silva Canal Proj. Plan. Ltda. Staff Além de afirmar no item 4.4. que essa pessoa efetuava o seu trabalho nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados, a autoridade lançadora anotou no item 4.3. que essa pessoa ocupava o cargo de Staff. Outro fato que a autoridade lançadora considerou relevante, conforme o item 4.8., foi a constatação de que os sócios dessa pessoa jurídica eram beneficiários do mesmo plano de saúde disponibilizados para os empregados registrados na GDK, inclusive com 4 (quatro) dependentes (relação às fls. 200/208). Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.032 28 Em sua defesa, a Contribuinte anota que a empresa, sediada em Lauro de Freitas, foi constituída em 14/06/2000, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora sob análise só foi emitida em novembro de 2006. São, portanto, 6,3 anos de diferença. Ressalta que a pessoa física não trabalhava nas dependências da recorrente, não portava crachá e não recebia vale transporte. Pois bem. Como já discorrido acima, o art. 129, da Lei nº 11.196/2005, não serve de escudo no presente lançamento. É imperioso analisar, isso sim, a existência de subordinação jurídica. Há que se observar, ademais, que a assistência médica, o vale transporte e o ticket alimentação são benefícios normalmente oferecidos a segurados empregados, e não empresas contratadas. O que é mais, no mínimo é incomum que, em uma relação comercial normal entre empresas, uma delas faça pagamentos de liberalidades, oferecendo benefícios não exigidos pelo contrato. Outrossim, como bem ressaltou a DRJ, a pessoa física foi desligada da condição de segurada empregada da Contribuinte em 01/10/20062006 (extrato CNIS fls. 774/803), passando imediatamente a prestar serviço como pessoa jurídica, emitindo nota fiscal já em novembro/2006. O valor dessa nota fiscal é relativamente proporcional ao seu salário anterior, mormente quando se considerar que, como prestador de serviço pessoa jurídica não teria direito a 13º, adicional de férias, e não haveria o custo de Contribuições Previdenciárias sobre o valor da sua remuneração. Ainda, que mesmo depois de ter sido rescindido o contrato de trabalho, continuou sendo pago os planos de saúde, o vale transporte e o ticket alimentação. De outro lado, a Contribuinte não trouxe aos autos nenhuma prova de que os serviços prestados por meio da pessoa jurídica eram diversos daqueles prestados enquanto segurado empregado. Tampouco demonstrou haver qualquer diferença prática na relação entre as partes. Enfim, tampouco demonstrou que a pessoa jurídica tenha prestado serviços a outras empresas. Claro que este último ponto não é indispensável, porém seria um indício em seu favor no sentido de que na realidade, e não apenas formalmente, deixou de haver o vínculo empregatício. Enfim, é necessário lembrar que o enquadramento realizado pela autoridade lançadora de pessoa física como segurado empregado é normalmente feita com base em indícios. Se houvessem provas cabais da relação empregatícia, então por certo que a pessoa já estaria assim declarada. Em suma, considerando que os indícios da existência de vínculo empregatício são consideráveis em relação a essa pessoa física, e que a Contribuinte não traz provas para infirmálos, entendo que deve ser mantido o lançamento. 8. Levantamento JAC José Alberto Costa Santos Jacs Engenharia & Consultoria Ltda. Gerente de Contratos Além de afirmar no item 4.4. que essa pessoa efetuava o seu trabalho nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados, a autoridade lançadora anotou no item 4.3. que essa pessoa ocupava o cargo de Gerente de Contratos. No item 4.7. anotou, outrossim, que o faturamento da pessoa jurídica referente a Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.033 29 esse indivíduo teve um relevante crescimento justamente no período em que a empresa pagou a PLR dos demais empregados. Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais. Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178). A Contribuinte, por sua vez, registra que essa pessoa jurídica, com sede em Rio Bonito/RJ, foi constituída em 25/03/2003. Acontece que a pessoa física não trabalhava nas dependências da empresa, não portava crachá, não recebia vale transporte e não era beneficiário de plano de saúde. Quanto ao PLR, anota que não há nenhum dado concreto vinculando o pagamento efetuado a esse prestador de serviço ao programa de benefícios, não sendo indicado o suposto índice de participação nos lucros. Em relação ao organograma, ressalta que aquela estruturação serviu apenas para descrever os limites da atuação das pessoas, organizando os trabalhos da empresa, mas que isso não implica vínculo trabalhista. Pois bem. O presente caso difere daqueles analisados anteriormente. Não há nenhum elemento que indique que essa pessoa física tenha atuado formalmente como segurado empregado durante o período objeto da autuação, nem que tenha se desligado do vínculo empregatício com a empresa para, ato contínuo, passar continuar exercendo a mesma atividade na forma de prestador de serviço por pessoa jurídica. A autoridade lançadora afirmou que essa pessoa física trabalhava nas dependências da Contribuinte, com jornada de trabalho idêntica à dos demais empregados. Ainda que se admita a alegação sem qualquer prova, considerando que o agente público tem fé pública, a verdade é que a autoridade lançadora não esclareceu qual foi a frequência nem o período em que identificou a presença física do indivíduo nas dependências da Contribuinte. Ao longo de todo o período em que a fiscalização estava ocorrendo, ou ao longo de todo o período objeto do lançamento? Recordese que não alega que essa pessoa física utilizasse crachá, nem que tivesse sala própria com seu nome e logotipo da empresa, como identificou em relação a outros indivíduos. Tampouco identificou o pagamento de vale transporte, tickets alimentação ou planos de saúde. Os únicos argumentos relevantes são que havia um acréscimo do faturamento na mesma época em que eram distribuídos o PLR e que as notas fiscais eram sequenciais. Entretanto, como bem registrou a Contribuinte, a autoridade lançadora não demonstrou haver uma correlação de quantidade, não demonstrou, por exemplo, que o faturamento aumentava de maneira proporcional à PLR que foi paga aos segurados formalmente empregados. Apenas indicou a coincidência temporal. Ainda nesse sentido, conforme levantamento dos faturamentos e do PLR realizado pela própria autoridade lançadora (fls. 176/177), percebese que o faturamento aumentou 11,4 vezes em 2003, 7,6 vezes em 2004 e 17,3 vezes em 2005. São realmente acréscimos consideráveis, os quais a Contribuinte não explicou. Contudo, nem por isso é possível presumir, sem qualquer embasamento comprobatório nem mesmo alegação calculadas, que a PLR era paga na medida de tantas vezes o "salário" (já que a autoridade Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.034 30 lançadora enquadrou como segurado empregado, então considerou os valores faturados como salário). Ainda que assim não fosse, o fato de que a Contribuinte pagasse um valor pelo mesmo fato da PLR não é suficiente para demonstrar a existência de subordinação jurídica, elemento indispensável para a configuração da relação empregatícia. A questão de as notas fiscais serem sequenciais tampouco é suficiente para configurar o vínculo empregatício. A verdade é que a exclusividade não é elemento do vínculo empregatício; uma pessoa pode ser segurada empregada de mais de uma empresa. Em sentido inverso, o fato de que a prestação de serviço é precipuamente realizada em favor de uma empresa não implica criar vínculo empregatício. Enfim, o fato de que a pessoa física constava no organograma com o título de Gerente de Contratos realmente é estranho, uma vez que, tal como anotado anteriormente, o cargo de gerente é intimamente ligado à gestão da empresa. Contudo, isoladamente, esse elemento não é suficiente para demonstrar a existência de subordinação jurídica. Por essas razões, entendo que a autoridade lançadora não logrou demonstrar com suficiente segurança a existência de vínculo empregatício em relação a essa pessoa física, razão pela qual esse levantamento deve ser excluído da base de cálculo. 9. Levantamento LCE José Ary Lobão LCE José Ary Lobão Gerente Qualidade Além de afirmar no item 4.4. que essa pessoa efetuava o seu trabalho nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados, a autoridade lançadora anotou no item 4.3. que essa pessoa ocupava o cargo de Gerente de Qualidade. No item 4.7. anotou, outrossim, que o faturamento da pessoa jurídica referente a esse indivíduo teve um relevante crescimento justamente no período em que a empresa pagou a PLR dos demais empregados. Em sua defesa, a Contribuinte anota que a empresa foi constituída em 11/10/1995, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora sob análise só foi emitida em janeiro de 2000. São, portanto, 4,5 anos de diferença. Afirma, também, que essa pessoa também prestou serviços a outras empresas, demonstrando que não houve o propósito de fraudar a legislação trabalhista. De qualquer sorte, ressalta que a pessoa física não trabalhava nas dependências da empresa, não portava crachá, não recebia valetransporte nem era beneficiário de qualquer plano de saúde. Quanto ao PLR, anota que não há nenhum dado concreto vinculando o pagamento efetuado a esse prestador de serviço ao programa de benefícios, não sendo indicado o suposto índice de participação nos lucros. Pois bem. O presente caso se aproxima do Levantamento JAC, item 8, acima, uma vez que não há nenhum elemento que indique que essa pessoa física tenha atuado formalmente como segurado empregado durante o período objeto da autuação, nem que tenha se desligado do vínculo empregatício com a empresa para, ato contínuo, passar continuar exercendo a mesma atividade na forma de prestador de serviço por pessoa jurídica. Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.035 31 A autoridade lançadora afirmou que essa pessoa física trabalhava nas dependências da Contribuinte, com jornada de trabalho idêntica à dos demais empregados. Ainda que se admita a alegação sem qualquer prova, considerando que o agente público tem fé pública, a verdade é que a autoridade lançadora não esclareceu qual foi a frequência nem o período em que identificou a presença física do indivíduo nas dependências da Contribuinte. Ao longo de todo o período em que a fiscalização estava ocorrendo, ou ao longo de todo o período objeto do lançamento? Recordese que não alega que essa pessoa física utilizasse crachá, nem que tivesse sala própria com seu nome e logotipo da empresa, como identificou em relação a outros indivíduos. Tampouco identificou o pagamento de vale transporte, tickets alimentação ou planos de saúde. O único argumento relevante é que havia um acréscimo do faturamento na mesma época em que eram distribuídos o PLR. Entretanto, como bem registrou a Contribuinte, a autoridade lançadora não demonstrou haver uma correlação de quantidade, não demonstrou, por exemplo, que o faturamento aumentava de maneira proporcional à PLR que foi paga aos segurados formalmente empregados. Apenas indicou a coincidência temporal. Ainda nesse sentido, conforme levantamento dos faturamentos e do PLR realizado pela própria autoridade lançadora (fls. 176/177), percebese que o faturamento aumentou 4,5 vezes em 2003, 4,3 vezes em 2004 e 5 vezes em 2005. São realmente acréscimos consideráveis, os quais a Contribuinte não explicou. Contudo, nem por isso é possível presumir, sem qualquer embasamento comprobatório nem mesmo alegação calculadas, que a PLR era paga na medida de tantas vezes o "salário" (já que a autoridade lançadora enquadrou como segurado empregado, então considerou os valores faturados como salário). Ainda que assim não fosse, o fato de que a Contribuinte pagasse um valor pelo mesmo fato da PLR não é suficiente para demonstrar a existência de subordinação jurídica, elemento indispensável para a configuração da relação empregatícia. Enfim, o fato de que a pessoa física constava no organograma com o título de Gerente de Qualidade realmente é estranho, uma vez que, tal como anotado anteriormente, o cargo de gerente é intimamente ligado à gestão da empresa. Contudo, isoladamente, esse elemento não é suficiente para demonstrar a existência de subordinação jurídica. De outro lado, a Contribuinte trouxe aos autos provas de que essa pessoa jurídica também prestou serviços a outras empresas, que não a Recorrente, durante o período objeto da autuação (fls. 441/443). Por essas razões, entendo que a autoridade lançadora não logrou demonstrar com suficiente segurança a existência de vínculo empregatício em relação a essa pessoa física, razão pela qual esse levantamento deve ser excluído da base de cálculo. 10. Levantamento ACO José Rodrigues F. Barbosa Filho Aconte Consult. Eng. Ltda. Diretor Administr. Contratual Além de afirmar no item 4.4. que essa pessoa efetuava o seu trabalho nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados, a autoridade lançadora anotou nos itens 4.3. e 4.5. que essa pessoa ocupava o cargo de Diretor Administrativo Contratual. No item 4.7. anotou, outrossim, que o faturamento da pessoa Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.036 32 jurídica referente a esse indivíduo teve um relevante crescimento justamente no período em que a empresa pagou a PLR dos demais empregados. Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais. Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178). Em sua defesa, a Contribuinte anota que a empresa, sediada em Simões Filho/BA, foi constituída em 25/03/2003. Ressalta que essa pessoa jurídica também prestava serviços a outras empresas, indicando pelo menos uma. Também, que a pessoa física não trabalhava nas dependências da empresa, não portava crachá, não recebia vale transporte nem era beneficiário de qualquer plano de saúde. A Recorrente contesta também o argumento de que foram pagas parcelas de PLR, apontando que a autoridade lançadora não apresentou nenhum suporte fático. Defende que o ônus da prova cabe à autoridade lançadora, sendo prova diabólica a exigência de que ela, a Contribuinte, faça prova de um fato negativo. Outrossim, afirma que o argumento da DRJ no sentido de que essa pessoa física foi formalmente contratada como empregada em 2011 não pode prevalecer. Pelo contrário, demonstra que antes havia prestação de serviço, e que esse foi suficientemente técnico e eficiente que a Recorrente, então contratante, entendeu ser válido efetivar a contratação pelo vínculo "celetista". Pois bem. O presente caso se aproxima do Levantamento JAC e LCE, itens 8 e 9, acima, uma vez que não há nenhum elemento que indique que essa pessoa física tenha atuado formalmente como segurado empregado durante o período objeto da autuação, nem que tenha se desligado do vínculo empregatício com a empresa para, ato contínuo, passar continuar exercendo a mesma atividade na forma de prestador de serviço por pessoa jurídica. A autoridade lançadora afirmou que essa pessoa física trabalhava nas dependências da Contribuinte, com jornada de trabalho idêntica à dos demais empregados. Ainda que se admita a alegação sem qualquer prova, considerando que o agente público tem fé pública, a verdade é que a autoridade lançadora não esclareceu qual foi a frequência nem o período em que identificou a presença física do indivíduo nas dependências da Contribuinte. Ao longo de todo o período em que a fiscalização estava ocorrendo, ou ao longo de todo o período objeto do lançamento? Recordese que não alega que essa pessoa física utilizasse crachá, nem que tivesse sala própria com seu nome e logotipo da empresa, como identificou em relação a outros indivíduos. Tampouco identificou o pagamento de vale transporte, tickets alimentação ou planos de saúde. Os únicos argumentos relevantes são que havia um acréscimo do faturamento na mesma época em que eram distribuídos o PLR e que as notas fiscais eram sequenciais. Entretanto, como bem registrou a Contribuinte, a autoridade lançadora não demonstrou haver uma correlação de quantidade, não demonstrou, por exemplo, que o Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.037 33 faturamento aumentava de maneira proporcional à PLR que foi paga aos segurados formalmente empregados. Apenas indicou a coincidência temporal. Ainda nesse sentido, conforme levantamento dos faturamentos e do PLR realizado pela própria autoridade lançadora (fls. 176/177), percebese que o faturamento aumentou 8,5 vezes em 2003, 5,5 vezes em 2004 e 9 vezes em 2005. São realmente acréscimos consideráveis, os quais a Contribuinte não explicou. Contudo, nem por isso é possível presumir, sem qualquer embasamento comprobatório nem mesmo alegação calculadas, que a PLR era paga na medida de tantas vezes o "salário" (já que a autoridade lançadora enquadrou como segurado empregado, então considerou os valores faturados como salário). Ainda que assim não fosse, o fato de que a Contribuinte pagasse um valor pelo mesmo fato da PLR não é suficiente para demonstrar a existência de subordinação jurídica, elemento indispensável para a configuração da relação empregatícia. A questão de as notas fiscais serem sequenciais tampouco é suficiente para configurar o vínculo empregatício. A verdade é que a exclusividade não é elemento do vínculo empregatício; uma pessoa pode ser segurada empregada de mais de uma empresa. Em sentido inverso, o fato de que a prestação de serviço é precipuamente realizada em favor de uma empresa não implica criar vínculo empregatício. Acontece que, in casu, a Contribuinte trouxe aos autos provas de que essa pessoa jurídica também prestou serviços a outras empresas, que não a Recorrente, durante o período objeto da autuação (fls. 461/463). Enfim, o fato de que a pessoa física constava no organograma com o título de Diretor Administrativo Contratual realmente é estranho, uma vez que, tal como anotado anteriormente, o cargo de diretor é intimamente ligado à gestão da empresa. Contudo, isoladamente, esse elemento não é suficiente para demonstrar a existência de subordinação jurídica. Por essas razões, entendo que a autoridade lançadora não logrou demonstrar com suficiente segurança a existência de vínculo empregatício em relação a essa pessoa física, razão pela qual esse levantamento deve ser excluído da base de cálculo. 11. Levantamento HIP Paulo César Dutra Silva Hippocon Cônsul. e Eng. Ltda. Staff Além de afirmar no item 4.4. que essa pessoa efetuava o seu trabalho nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados, a autoridade lançadora anotou no item 4.3. que essa pessoa ocupava o cargo de Staff. Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais. Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178). Em sua defesa, a Contribuinte anota que a empresa, sediada no Rio de Janeiro, foi constituída em 22/09/1999, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora sob análise só foi emitida em março de 2005. São, portanto, 5,5 anos de diferença. Outrossim, esclareceu que a pessoa física não trabalhava nas dependências da Contribuinte, não portava crachá, não recebia vale transporte nem era beneficiário de plano de Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.038 34 saúde. Quanto ao argumento de que houve emissão sequencial de notas fiscais, registra que a exclusividade não é requisito da relação empregatícia. Em suma, conclui que cabe à autoridade lançadora comprovar o vínculo de emprego, e não ao contribuinte comprovar a prestação do serviço. Pois bem. O presente caso se aproxima do Levantamento JAC, LCE e ACO, itens 8, 9 e 10, acima, em que pese seja ainda mais simples, uma vez que não há nenhum elemento que indique que essa pessoa física tenha atuado formalmente como segurado empregado durante o período objeto da autuação, nem que tenha se desligado do vínculo empregatício com a empresa para, ato contínuo, passar continuar exercendo a mesma atividade na forma de prestador de serviço por pessoa jurídica. A autoridade lançadora afirmou que essa pessoa física trabalhava nas dependências da Contribuinte, com jornada de trabalho idêntica à dos demais empregados. Ainda que se admita a alegação sem qualquer prova, considerando que o agente público tem fé pública, a verdade é que a autoridade lançadora não esclareceu qual foi a frequência nem o período em que identificou a presença física do indivíduo nas dependências da Contribuinte. Ao longo de todo o período em que a fiscalização estava ocorrendo, ou ao longo de todo o período objeto do lançamento? Recordese que não alega que essa pessoa física utilizasse crachá, nem que tivesse sala própria com seu nome e logotipo da empresa, como identificou em relação a outros indivíduos. Tampouco identificou o pagamento de vale transporte, tickets alimentação, PLR ou planos de saúde. O único argumento relevante do lançamento é que as notas fiscais eram sequenciais. Essa questão, entretanto, não é suficiente para configurar o vínculo empregatício. A verdade é que a exclusividade não é elemento do vínculo empregatício; uma pessoa pode ser segurada empregada de mais de uma empresa. Em sentido inverso, o fato de que a prestação de serviço é precipuamente realizada em favor de uma empresa não implica criar vínculo empregatício. Ademais, a autoridade lançadora identificou que essa pessoa ocupava o cargo de Staff, baseandose exclusivamente no organograma apresentado pela Contribuinte. Retornando a esse documento (fl. 194), percebese que esse indivíduo estava vinculado à Diretoria Comercial. Essa é a única informação que a autoridade lançadora trouxe, não tendo demonstrado qual era a atividade desenvolvida, pela pessoa física, de que forma estava subordinada juridicamente, nada. Não é possível, nessa senda, admitir o enquadramento da pessoa física como segurado empregado se não há, sequer, identificação de qual a atividade que desenvolvia. Por essas razões, entendo que a autoridade lançadora não logrou demonstrar com suficiente segurança a existência de vínculo empregatício em relação a essa pessoa física, razão pela qual esse levantamento deve ser excluído da base de cálculo. 12. Levantamento CLS Paulo de Tarso Coelho Hyppolito CL Serviços Especializados S/C Ltda. Diretor Obras de Dutos Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.039 35 Além de afirmar no item 4.4. que essa pessoa efetuava o seu trabalho nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados, a autoridade lançadora anota no item 4.2. do seu lançamento que essa pessoa é exempregado da GDK. Também, que rescindiram o contrato de trabalho e passaram a ser remunerados através das pessoas jurídicas constituídas. No item 4.3. esclareceu que esse era o Diretor Obras de Dutos. Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais. Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178). Em sua defesa, a Contribuinte anota que a empresa foi constituída em 03/04/2002, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora sob análise só foi emitida em outubro de 2004. São, portanto, 2,5 anos de diferença. Ressalta que a autoridade lançadora não indicou um único indício da relação de emprego. Pelo contrário, ele não trabalhava nas dependências da Contribuinte, não portava crachá, não recebia 13º salário, PLR, vale transporte ou plano de saúde. Pelo contrário, o único registro é que ele seria exempregado, e teria rescindido o contrato de emprego para constituir a pessoa jurídica. Acontece que, como registrado no parágrafo anterior, apontou que a pessoa jurídica foi constituída dois anos antes. Enfim, afirmou que o exempregado se desligou da empresa por livre e espontânea vontade, passando a atuar como pessoa jurídica e, apenas após dois anos e meio, foi contratado pela recorrente para prestar serviço. Defende que a DRJ inovou na fundamentação em relação a esse indivíduo, apontando que houve emissão sequencial de notas fiscais e que a pessoa física figurava no organograma da recorrente. Pois bem. Em primeiro lugar, não assista razão à Recorrente quando afirma que a DRJ inovou ao apontar a questão da emissão sequencial das notas fiscais. Como anotado parágrafos acima, a autoridade lançadora utilizou sim esse argumento em relação a essa empresa no item 4.10 do relatório fiscal (fl. 178). De qualquer forma, é fato que essa pessoa física é exempregada da Contribuinte. Também é fato que, após a rescisão do contrato de trabalho, passou a prestar serviços por meio da pessoa jurídica, emitindo notas fiscais. Contudo, não é possível identificar o presente caso àqueles tratados nos Levantamentos FCB e AED, itens 5 e 6, acima. Nestes outros dois levantamentos a rescisão do contrato de trabalho foi seguida imediatamente do início da prestação de serviços por meio de pessoa jurídica. No presente Levantamento CLS, conforme a própria autoridade lançadora (item 4.2. do relatório fiscal, fl. 174), a rescisão ocorreu em 26/03/2004, porém a primeira nota fiscal foi emitida apenas em 31/10/2004. Ou seja, transcorreram 7 (sete) meses entre o fim do vínculo empregatício e o início da prestação de serviço. Portanto, não há sentido falar em continuidade da relação. Superada essa questão, é importante registrar que a autoridade lançadora não alega que essa pessoa física utilizasse crachá, nem que tivesse sala própria com seu nome e Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.040 36 logotipo da empresa, como identificou em relação a outros indivíduos. Tampouco identificou o pagamento de vale transporte, tickets alimentação, PLR ou planos de saúde. Além da afirmação de que se trata de exempregado, já superada, o único argumento relevante do lançamento é que as notas fiscais eram sequenciais. Essa questão, entretanto, não é suficiente para configurar o vínculo empregatício. A verdade é que a exclusividade não é elemento do vínculo empregatício; uma pessoa pode ser segurada empregada de mais de uma empresa. Em sentido inverso, o fato de que a prestação de serviço é precipuamente realizada em favor de uma empresa não implica criar vínculo empregatício. Enfim, o fato de que a pessoa física constava no organograma com o título de Diretor de Obras de Dutos realmente é estranho, uma vez que, tal como anotado anteriormente, o cargo de diretor é intimamente ligado à gestão da empresa. Contudo, isoladamente, esse elemento não é suficiente para demonstrar a existência de subordinação jurídica. Por essas razões, entendo que a autoridade lançadora não logrou demonstrar com suficiente segurança a existência de vínculo empregatício em relação a essa pessoa física, razão pela qual esse levantamento deve ser excluído da base de cálculo. 13. Levantamento GAS Sérgio Souza Bocaletti Gasbol Eng. Ltda. Tal como as demais pessoas identificadas antes, a autoridade lançadora afirmou no item 4.4. que esse indivíduo efetuava o seu trabalho nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados. Entretanto, no item 4.3., no qual identificou os cargos ocupados pelas pessoas físicas, não houve indicação de nenhum cargo específico para essa pessoa. Em sua defesa, a Contribuinte anota que a empresa foi constituída por dois engenheiros a pessoa física identificada e outro em 12/05/2000, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora sob análise só foi emitida em setembro de 2001. São, portanto, 1,3 anos de diferença. Com sede no Rio de Janeiro, a empresa tinha todos os alvarás, bem como prestou serviços para diversas outras empresas, listando 8 (oito), tanto no RJ quando em São Paulo, capital e São Bernardo do Campo, e ainda em Simões Filho/BA. Nessa sendo, a Contribuinte anota que a própria autoridade lançadora não identificou que esse indivíduo trabalhava nas dependências, que portava crachá, que recebia 13º salário, PLR, valetransporte nem plano de saúde, bem como, enfim, não foram emitidas notas fiscais sequenciais. Admite que o Sr. Sérgio foi empregado da contribuinte entre dezembro/2002 e dezembro/2003, atuando como Diretor Regional, conforme as atas indicadas pela DRJ. Entretanto, afirma que essa pessoa estava devidamente registrada, recebendo salário como contraprestação desse trabalho. Como provas, apresenta os contracheques (fls. 696/739). Essa relação de emprego não se relaciona de forma alguma com o serviço prestado pela empresa. De qualquer sorte, que ele se desligou da empresa em abril/2004, não mais figurando nas atas do conselho de administração. Pois bem. O lançamento em relação a essa pessoa se sustentou única e exclusivamente no fato de que esse indivíduo trabalhava nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.041 37 a jornada dos demais empregados. Efetivamente, a única menção que faz a essa pessoa física ou à pessoa jurídica é na tabela que acompanha o item 4.3. do relatório fiscal. Tamanha é a falta de fundamento em relação a essa pessoa que, nessa tabela, sequer foi identificado qual seria o cargo ou a função exercida por ele. Ou seja, a autoridade lançadora afirma que os valores pagos à Gasbol Engenharia Ltda. eram, na verdade, remuneração pelo trabalho com vínculo empregatício do Sr. Sérgio Bocaletti. Mas qual era esse trabalho? Não explica. Desde já, por esse fato, não é possível manter o lançamento em relação a esse levantamento. Ainda que assim não fosse, a verdade é que a autoridade lançadora não alega que essa pessoa física utilizasse crachá, nem que tivesse sala própria com seu nome e logotipo da empresa, como identificou em relação a outros indivíduos. Tampouco identificou o pagamento de vale transporte, tickets alimentação, PLR ou planos de saúde. Em suma, não há nenhum desses indícios em relação a essa pessoa física. Uma vez que a DRJ anotou que essa pessoa física era sim segurado empregado da Contribuinte durante parte do período objeto do lançamento, em clara inovação em relação ao auto de infração, a Contribuinte esclarece que ele trabalhou como diretor durante certo período. Ainda assim, afirma que ele estava devidamente registrado e recebeu salário como remuneração do seu trabalho de empregado. Isso não impede nem exclui a possibilidade de a Contribuinte contratar a pessoa jurídica para a prestação de serviços. É o mesmo argumento já utilizado em relação a outros levantamentos, e adotase aqui a mesma solução: conquanto a pessoa física tenha recebido salário pelo seu trabalho, não há que se confundir os valores pagos a outra pessoa, esta jurídica, pela prestação de serviços. Caberia à autoridade lançadora, isso sim, demonstrar que o salário era insuficiente e que estava sendo integralizado "por fora", e que não tinha havido a prestação do serviço pela pessoa jurídica. Registrase, entretanto, que a autoridade lançadora sequer suscitou essa questão, que ora se discute exclusivamente em função da inovação da DRJ. Outrossim, ainda buscando demonstrar a veracidade da prestação de serviços pela pessoa jurídica, a Contribuinte juntou aos autos diversas notas fiscais emitidas pela pessoa jurídica prestadora de serviço em relação a outras empresas, inclusive durante o período objeto do lançamento (fls. 407/418). Por todos esses motivos, entendo que esse levantamento deve ser excluído da base de cálculo. 14. Levantamento TAD Tadeusz Janiszewski Tadeusz Medeiros Janiszewski Gerente Tecnologia Inform. Além de afirmar no item 4.4. que essa pessoa efetuava o seu trabalho nas próprias dependências da Contribuinte, cumprindo jornada dos demais empregados registrados, a autoridade lançadora anotou nos itens 4.3., 4.4. e 4.5. que essa pessoa ocupava o cargo de Gerente de Tecnologia da Informação. Especificamente, afirmou no item 4.4. que ele tinha sala própria, com seu nome e cargo fixado na porta, com o logotipo da GDK ao lado da sala disponibilizada para a equipe de auditoria. Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.042 38 Ainda conforme a autoridade lançadora, no item 4.6., a empresa dessa pessoa emitiu nota fiscal em 12/12/2005 (consta à fl. 196) discriminando uma parcela de "R$ 17.710, referentes ao 13º". Também registrou que fatura dessa pessoa jurídica em dezembro de 204, 2005 e 2006 foram exatamente o dobro dos faturamentos dos meses anteriores, nos respectivos anos. Interpretou esse pagamento como pagamento de 13º salário, que é direito exclusivo do segurado empregado. Os valores constam do anexo VI (fls. 215/223). No item 4.7. anotou, outrossim, que o faturamento da pessoa jurídica referente a esse indivíduo teve um relevante crescimento justamente no período em que a empresa pagou a PLR dos demais empregados. Ainda, no item 4.9., apurou que essa pessoa consta na lista de dezembro/2006 dos empregados que receberam os benefícios de vale transporte e ticket alimentação (relação às fls. 209/214). Enfim, no item 4.10., apontou que as notas fiscais emitidas eram sequenciais. Concluiu, portanto, que "a empresa foi constituída apenas com o objetivo de prestar serviços a GDK SA, substituindo o emprego com registro formal" (fl. 178). Em sua defesa, a Contribuinte anota que a empresa foi constituída em 22/11/1990, enquanto a primeira fatura em relação ao vínculo ora sob análise só foi emitida em março de 2003. São, portanto, 13 (treze) anos de diferença. Com relação à nota fiscal de 2005, afirma a Contribuinte que se trata de fato isolado, ocorrido apenas nessa oportunidade e com esse prestador de serviço, de sorte que não pode ser generalizado. Outrossim, que está dentro da liberdade contratual das pessoas remunerar os serviços da forma como bem entenderem. De qualquer sorte, que não há obrigatoriedade desse pagamento em dobro, e somente se fosse obrigatório é que se qualificaria como 13º salário. Enfim, que foi mero erro, o que é ratificado pelo fato de que não foi observado em nenhuma outra nota fiscal. Em relação às questões como PLR, 13º e vale transporte, remete aos itens anteriores. Pois bem. Há que se observar que a assistência médica, o vale transporte e o ticket alimentação são benefícios normalmente oferecidos a segurados empregados, e não empresas contratadas. O que é mais, no mínimo é incomum que, em uma relação comercial normal entre empresas, uma delas faça pagamentos de liberalidades, oferecendo benefícios não exigidos pelo contrato. O mesmo deve ser dito em relação ao 13º salário, que é pago aos trabalhadores como complemento do salário ao longo do ano, não havendo razão para a empresa pagar a outra empresa por um serviço que não recebeu se são 12 (doze) meses de serviços contínuos, não há razão para pagar por 13 (treze) meses. Efetivamente, a constatação de que determinada nota fiscal tinha como descrição de "13º" não pode ser generalizada, aplicandose como indício em relação aos demais levantamentos. Contudo, é sim indício em relação ao levantamento que tem por objeto exatamente esse pagamento. É interessante anotar, nesse contexto, que na Nota Fiscal de dezembro/2005 (fl. 196), mencionada pela autoridade lançadora, em que pese a descrição dos serviços apenas faz referência aos "Serviços prestados de consultoria para a TI Tecnologia da Informação no período de dezembro / 2005 Ref. 13º", na coluna valor estão discriminados dois valores de R$ 17.710,00, e no total consta R$ 35.420,00. Ou seja, realmente há um indício de que houve o Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.043 39 pagamento da remuneração mensal normal e de uma 13ª remuneração, esta não justificada pela Recorrente a razão pela qual foi paga para uma prestadora de serviço pessoa jurídica. Anotase, em outro giro, que a pessoa física tinha sala nas dependências da Contribuinte, com seu nome e cargo, mas logotipo da Recorrente, identificados na porta. Em conjunto com os demais elementos, são indícios fortes no sentido de demonstrar a existência de vínculo empregatício, e não meramente de prestação de serviço por pessoa jurídica. De outro lado, a Contribuinte não trouxe aos autos nenhuma prova ou indício com efeito de infirmar ou de sequer por em dúvidas as constatações da autoridade lançadora. Por exemplo, não esclareceu a razão pela qual eram pagos os benefícios pagos aos segurados empregados nem demonstrou que a pessoa jurídica tenha prestado serviços a outras empresas. Claro que este último ponto não é indispensável, porém seria um indício em seu favor no sentido de que na realidade, e não apenas formalmente, se tratava de uma prestadora de serviço autônoma e não um segurado empregado. Enfim, é necessário lembrar que o enquadramento realizado pela autoridade lançadora de pessoa física como segurado empregado é normalmente feita com base em indícios. Se houvessem provas cabais da relação empregatícia, então por certo que a pessoa já estaria assim declarada. Em suma, considerando que os indícios da existência de vínculo empregatício são consideráveis em relação a essa pessoa física, e que a Contribuinte não traz provas para infirmálos, entendo que deve ser mantido o lançamento. Decadência Uma vez que foram mantidos diversos lançamentos, não perdeu o objeto a análise da questão da decadência. Pelo contrário, feitas as análises e extraídas as conclusões acima expostas, é possível julgar essa questão com melhor embasamento. Matéria julgada e vedação do non reformatio in pejus Em primeiro lugar, a Contribuinte argumenta pela impossibilidade de reanálise da questão em seu prejuízo. Esclarece que a 1ª decisão da DRJ reconheceu a decadência pela regra do art. 150, § 4º, do CTN, e a matéria não foi devolvida a julgamento pelo recurso voluntário. Dessa forma, mesmo que tenha sido reconhecida a nulidade da decisão, não poderia a 2ª decisão da DRJ se pronunciar sobre a matéria, sob pena de ofensa ao princípio da non reformatio in pejus. Esse argumento não pode prevalecer. A verdade é que ao reconhecer a nulidade da 1ª decisão da DRJ, este CARF retiroulhe todo e qualquer efeito. Em outras palavras, devese considerar como se não existisse essa primeira decisão, e certamente não se pode admitir a existência de "trânsito em julgado" de decisão nula. Difere a hipótese, portanto, de uma decisão de embargos, por exemplo, na qual a decisão embargada é retiratificada, sendo integralizada em relação à sua falha, porém mantida em relação ao resto. Nesse caminho, a DRJ tinha a obrigação de reanalisar a impugnação, julgandoa em sua inteireza. Da simulação Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.044 40 Pleiteia a Contribuinte, subsidiariamente, que a decadência deve ser apurada conforme a regra do art. 150, § 4º, do CTN. Argumenta que houve declaração e pagamento antecipado e que não restou demonstrada a ocorrência de simulação. Nessa linha, que o lançamento não acusou a ocorrência de simulação em momento algum, de sorte que não pode a DRJ revalorar os fatos. De qualquer sorte, que verdadeiramente inexiste vínculo de emprego entre os prestadores de serviço e a recorrente, e que não basta a mera indicação de indícios, sendo necessário verdadeiramente provar a ocorrência de simulação. Em primeiro lugar, é necessário registrar que o relatório fiscal foi cristalino ao apontar a ocorrência de sonegação dolosa: "4.1. A GDK S/A remunera seus membros da alta gestão por meio de notas fiscais de pessoas jurídicas por eles constituídas para esta finalidade. Notese que, como demonstraremos no decorrer deste relatório, os sócios das supostas pessoas jurídicas, possuem todas as características da relação de emprego. Tratase, desta forma, de tentativa de camuflar a relação de emprego, utilizando, em tese, de conduta tipificada no art. 337A do Código Penal vigente (Sonegação Fiscal Previdenciária)." fl. 174 Portanto, não há que se falar em inovação da DRJ. De outro lado, analisando essa questão, a decisão deixou de aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN exatamente porque, no seu entender, foi constatada a ocorrência de simulação. Esse comando legal realmente ressalva, em sua parte final, a sua inaplicabilidade quando ficar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Portanto, uma vez que não se pode aplicar essa norma, utilizouse a DRJ da regra do art. 173, I, do mesmo diploma legal. A verdade é que, a despeito das alegações da Contribuinte, foi sim identificada a ocorrência de simulação. Efetivamente, nas linhas anteriores ficou consignado o entendimento de que diversos levantamentos devem ser excluídos da base de cálculo, ante a falta de comprovação da ocorrência do fato gerador. I.e., por não ter ficado demonstrado que o pagamento se fez em função de vínculo empregatício. Ainda assim, é possível identificar que houve casos nos quais se entendeu correto o lançamento, reenquadrando os negócios jurídico, exatamente porque se identificou que a Contribuinte, em conluio com os segurados empregados, tentou desvirtuar indevidamente a relação empregatícia. Citamse, os Levantamentos CCM, item 2, e especialmente FCB e AED, itens 5 e 6, acima. Por essas razões, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir da excluir da base de cálculo os valores referentes aos levantamentos MIZ, CIC, LTP, JAC, LCE, ACO, HIP, CLS e GAS. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.045 41 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator ad hoc Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora Designada Congratulo o i. Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento, conforme itens a seguir apresentados. Em relação aos "pejotizados" abaixo relacionados, entendeu o i. Relator que a auditoria fiscal não conseguiu demonstrar a condição de segurados empregados deles. A meu ver, o conjunto probatório acostados aos autos pela fiscalização são suficientes para a manutenção do lançamento relativo esses segurados. Senão, vejamos: 1. Levantamento MIZ Amilcar Mizher MIZHER Consultoria Ltda Conforme relatório fiscal, Amilcar Mizher exercia o cargo de Coordenador de Obra, o que envolve o objeto social de sua empresa. No contrato social da "pejotizada" consta como objeto gerenciamento e supervisão na área de engenharia (efls. 420). Nesse sentido, para que contratar uma pessoa jurídica, para exercer as mesmas funções que seu sócio já exercia na recorrente?, pois segundo consulta ao Sistema Cnis acostada aos autos, ele mantinha vínculo formal com a GDK como segurado empregado de 07/10/2002 a 07/01/2013, o que também se comprova pelo direito ao plano de saúde que era extensivo aos demais segurados da empresa. Assevero que a auditoria não poderia provar que não havia prestação de serviço, porque não existe prova negativa, mas considero que foi capaz de provar o pagamento de salário indireto, com emissão de notas fiscais sequenciais para a GDK, somado a todos os demais fatos relatados pela auditoria e ressaltados pelo julgador a quo. 3. Levantamento CIC Conrado José Morbach Cicon Eng. Asses. Tec. Planejamento Diretor Obras Consórcio Esse "pejotizado" aparece no Organograma como Diretor de Obras em Consórcio; aparece na relação de beneficiários do Plano de Saúde (efls. 207); as notas fiscais emitidas pela suposta empresa eram sequenciais (efls. 217). As notas fiscais emitidas para outras empresas compreendeu o período de 1999/2001, fora do período de lançamento. Da mesma forma que no caso anterior Conrado José manteve vínculos com a GDK nos períodos de 10/04/2002 a 01/10/2006 e 01/07/2011 a 07/01/2003, conforme base de dados do CNIS, o que também se comprova pelo direito ao plano de saúde que era extensivo aos demais segurados da empresa. O contrato social da Cicon Engenharia apresenta a seguinte Cláusula 4º: "A sociedade tem por objeto social à atividade de consultoria e/ou a elaboração de projetos, Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.046 42 estudos e pareceres na área de engenharia civil, planejamento e assessoria para análise técnica e de viabilidade de empreendimentos e execução dos serviços deles decorrentes.", o que engloba serviços de engenharia, que o segurado já exercia na empresa. 4. Levantamento LTP Décio Issao Hashigushi L. T.P.A. Informática e Com. Ltda. Staff) O Organograma da empresa demonstra que ele atuava como staff na diretoria comercial e contratual. O Objeto Social da empresa é de: "Prestação de Serviços de Consultoria nas áreas de Informática e Engenharia Elétrica e Eletrônico, Assessoria na Elaboração de Software para Processamento Eletrônico de Dados, Coordenação e Desenvolvimento Empresarial com Curso, Prestação de Serviços com Manutenção de Hardware com Comércio de Materiais". Ademais, conforme observou o julgador a quo, do período de 01/06/2002 a 20/07/2008 esse "pejotizado" possuía vínculo empregatício formal com a GDK, como Engenheiro civil e afins (CBO 2142), o que também se comprova pelo direito ao plano de saúde que era extensivo aos demais segurados da empresa. 8. Levantamento JAC José Alberto Costa Santos Jacs Engenharia & Consultoria Ltda. Gerente de Contratos A auditoria demonstrou que essa "pejotizada" emitiu notas sequenciais, teve crescimento do faturamento quando do recebimento do PLR pelos demais segurados da recorrente, além de José Alberto constar no Organograma da recorrente como Diretor de Administração Contratual. Portanto, não se trata de um fato isolado, mas um conjunto de fatos interligados, que somados a todos os demais fatos relatados pela auditoria e ressaltados pelo julgador a quo, são suficientemente fortes para demonstrar a condição de empregado do suposto prestador de serviço. 9. Levantamento LCE José Ary Lobão LCE José Ary Lobão Gerente Qualidade Esse "pejotizado" consta no Organograma da GDK como responsável pela Gerência de Qualidade, subordinado hierarquicamente ao Conselho de Administração e Presidência da recorrente; teve crescimento do faturamento quando do recebimento do PLR pelos demais segurados da recorrente. 10. Levantamento ACO José Rodrigues F. Barbosa Filho Aconte Consult. Eng. Ltda. Diretor Administr. Contratual Esse "pejotizado" constava como Diretor Administrativo Contratual no Organograma da GDK. Consta no objeto social da Aconte Consult a "prestação de serviços de consultoria na área de assessoria empresarial nas atividades de administração contratual e serviços de engenharia." (efls. 458). Portanto, para que contratar a pessoa jurídica para prestar os mesmos serviços que o sócio desta já prestava como Diretor na GDK? Além disso, em 2011, ele foi contratado com vínculo empregatício para a função de Diretor Administrativo e Financeiro (CBO 1231), conforme base de dados do CNIS. Ademais, a empresa foi constituída em 15/03/2003, e a emissão das notas fiscais começou no mês seguinte (04/2003). Somese a Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.047 43 isso, a emissão de notas sequenciais, e o crescimento do faturamento da "pejotizada" quando do recebimento do PLR pelos demais segurados da recorrente. 11. Levantamento HIP Paulo César Dutra Silva Hippocon Cônsul. e Eng. Ltda. Staff); Esse "pejotizado" consta no Organograma da empresa como Staff subordinado à Diretoria Comercial da GDK. Tem por objeto social dentre outros a "prestação de serviços de intermediação de negócios, consultoria, assessoria e planejamento de engenharia para empresas e indústrias;", portanto, objeto relacionado com a Diretoria a qual o "pejotizado" aparece subordinado no Organograma da GDK. Relatou ainda a Auditoria que a recorrente foi a única tomadora de serviços da Hippocon Cônsul no períodos de 03/2005 a 12/2006, sendo que a prestação de serviços começou em 03/2005, com a emissão de notas sequenciais. 12. Levantamento CLS Paulo de Tarso Coelho Hyppolito CL Serviços Especializados S/C Ltda. Diretor Obras de Dutos) Esse "pejotizado" consta no Organograma da empresa como Diretor de Obras e Dutos. Tem por objeto social (efls. 513) a "prestação de serviços de engenharia consultiva, quando vinculados à execução de construção civil". Objeto relacionado com função da Diretoria que ocupa conforme Organograma. Além disso, a emissão das notas fiscais se deu de forma sequencial, e a GDK foi a única tomadora de serviços da "pejotizada". Considerações comuns às "pejotizadas" acima listadas Como se observou na descrição caso a caso das "pejotizadas", não se trata de fato isolado, foram várias as circunstâncias que, em conjunto, conduziram à conclusão de que esses segurados prestaram serviços por meio de pessoa jurídica, como um artifício para que a GDK deixasse de recolher as contribuições previdenciárias em questão. Nesse aspecto, vários indícios, todos indicando para a mesma direção, fazem prova do ilícito. É o que se deu na espécie sob análise, em que a aparente legalidade de negócios e atos jurídicos não possuem causa legítima, são simulados e praticados com a exclusiva finalidade de o sujeito passivo eximirse de obrigação tributária. Entendo que a fiscalização demonstrou que os expedientes utilizados pela recorrente tinham por objetivo simular negócio jurídico, no qual a intenção das partes era uma, mas a forma jurídica adotada era outra. Acrescentese que a questão de as supostas empresas serem formalmente constituídas não é suficiente para afastar os fatos encontrados durante a ação fiscal, nem o fato de que as empresas foram constituídas anos antes da emissão das notas fiscais, visto que não é incomum a existência de empresas de estante, que são constituídas para serem vendidas para fins de planejamento tributário; ou poderiam ter sido constituídas tempos atrás como processo inicial de um futuro planejamento tributário; ou ainda, terem sido constituídas anos antes para prestação de serviços na mesma roupagem, entretanto em empresa diversa onde o segurado era empregado; ou ainda poderia ter existido de fato e de direito em tempos atrás, mas que após um tempo, diante da contratação do sócio por alguma empresa, começou a ser utilizada apenas para encobrir uma relação de vínculo empregatício entre o sócio e uma empresa que o contratou. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10580.011953/200758 Acórdão n.º 2202004.651 S2C2T2 Fl. 1.048 44 Como se vê os argumentos utilizados pela recorrente, não são suficientes para derrubar o lançamento, porque originários de análise individualizada dos fatos relatados pela auditoria. Por isso, deveria a empresa ter trazido provas hábeis, que derrubassem o que afirmou a fiscalização sobre as empresas descritas neste voto, tais como, contratos de prestação de serviços, relatórios dos serviços prestados, documentos que justificassem o pagamento de notas fiscais emitidas em valor superior nos períodos de pagamento de PLR. Mas, a recorrente não se incumbiu de tal intento. No caso dos autos, vislumbro que o Auditor Fiscal conseguiu demonstrar a natureza nãoeventual dos serviços prestados pelos segurados na roupagem de pessoas jurídicas contratadas. Além disso, as notas fiscais emitidas pelas supostas empresas, cujos sócios eram diretores/staff/gerentes da GDK, são sequenciais, o que leva a concluir que houve exclusividade e continuidade na prestação dos serviços. Somese a isso a vinculação de subordinação apresentada no Organograma da recorrente, que é um dos instrumentos gerenciais que mostram as relações entre empregados, cargos, e setores de uma empresa. A maioria dos "pejotizados" acima exerciam cargos de gerência, funções que não se confia a uma pessoa jurídica. Nem se diga que eles eram Diretores não empregados, porque assim não foram assumidos pela recorrente, como bem observou o julgador a quo. Ao invés de querer que a fiscalização demonstrasse que não houve prestação de serviço, deveria a recorrente ter se incumbido de provar a efetividade da prestação de serviço, pois a simples apresentação de notas fiscais, que nem sequer demonstram com natureza de detalhes os supostos serviços prestados não se fizeram acompanhar por contratos de prestação de serviços, relatórios e documentos gerados dessa prestação. Portanto, não há motivos para reformar o acórdão recorrido no que diz respeito às "pejotizadas" descritas ao longo deste voto. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso também em relação aos levantamentos MIZ, CIC, LTP, JAC, LCE, ACO, HIP, CLS, devendose excluir do lançamento apenas o levantamento GAS. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora Designada Fl. 1048DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.720076/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL.
A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF.
NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO.
O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004. SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, deve ser calculado somente sobre o valor dos bens previstos no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não sobre os serviços prestados por pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.
Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não-cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
Numero da decisão: 3201-004.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que ao presente processo seja aplicado o que foi decidido no processo administrativo nº 13888.003535/2005-69.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004. SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, deve ser calculado somente sobre o valor dos bens previstos no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não sobre os serviços prestados por pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não-cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente RAIZEN ENERGIA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de canadeaçúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004. SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, deve ser calculado somente sobre o valor dos bens previstos no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não sobre os serviços prestados por pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 00 76 /2 01 0- 95 Fl. 312DF CARF MF 2 Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que ao presente processo seja aplicado o que foi decidido no processo administrativo nº 13888.003535/200569. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de compensação de créditos oriundos do PIS, apurado no 4º trimestre de 2004. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: O processo epigrafado foi formalizado para tratamento do Pedido de Ressarcimento (PER) n° 23982.41723.280109.1.1.08 0392 (fls. 01/05), transmitido em 28/01/2009, relativo a créditos de PIS — Não cumulativo apurados no 4º trimestre de 2004, pela empresa FBA FRANCO BRASILEIRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL — CNPJ nº 00.204.597/000196, que foi sucedida pela interessada. O valor do crédito pleiteado foi de R$ 13.155,28. Por meio do despacho decisório de fls. 10/12, a DRF Bauru indeferiu o pedido nos termos da seguinte ementa: A utilização total do direito creditório reconhecido em declarações de compensação anteriores, impossibilita o deferimento do Pedido de Ressarcimento. Segundo consignado no referido despacho decisório, pesquisas efetuadas nos sistemas de controle da RFB retornaram a informação de que o direito creditório pleiteado "está sendo tratado no processo n° 13888.003535/200569, onde o contribuinte informa ter direito a R$ 420.880,66". E o valor do crédito reconhecido pela DRF Piracicaba foi de R$ 300.231,42, "que foi insuficiente para a quitação das compensações controladas no processo n° 13888.720630/200954". Em face destas constatações, assim concluiu a autoridade a quo: Apesar da empresa sucessora ter legitimidade para o envio do presente Pedido de Ressarcimento, como indica a titulo de Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10825.720076/201095 Acórdão n.º 3201004.278 S3C2T1 Fl. 312 3 crédito junto à Fazenda nacional o mesmo direito creditório tratado no processo n° 13888.003535/200569, que foi objeto do Despacho Decisório que não homologou totalmente as compensações declaradas por insuficiência de direito creditório, não resta direito creditório a titulo de PIS Não Cumulativo — Exportação passível de ressarcimento. A contribuinte foi cientificada da referida decisão por meio do comunicado de fl . 13, recebido em seu domicílio tributário em 09/11/2010 (fl. 14). Em 07/12/2010 foi protocolada a manifestação de inconformidade, conforme peça de fls. 23/37, firmada por procuradores regularmente estabelecidos (fls. 38/39), por meio da qual a recorrente alega, em síntese, que: a) "a nãocumulatividade da contribuição COFINS não deve ser equiparada com a nãocumulatividade constitucional do ICMS e do IPI", uma vez que a primeira "tem origem na legislação infraconstitucional (Lei n° 10.833/03)". Neste caso, o sistema legal que dá suporte ao creditamento da Cofins não traz a vinculação entre os valores incidentes nas etapas anteriores, como ocorre com os referidos impostos. Para o caso da Cofins "aos contribuintes foram atribuídas certas hipóteses em que o crédito é assegurado, baseandose na aquisição de bens e serviços, nos custos, nas despesas e demais encargos, além da instituição de créditos presumidos". É esta a lição da melhor doutrina; b) a legislação que instituiu o sistema da nàocumulatividade para as contribuições "não definiu o conceito de insumos e nem obrigou à utilização subsidiária da legislação do IPI para se extrair tal conceito". E, "como é de ampla sabença, o termo insumos tem o mesmo sentido e significado na linguagem comum dentro de todo o território nacional —e até no estrangeiro (input, em inglês) —, isto é, representa cada um dos elementos, diretos e indiretos, necessários à produção de produtos e serviços, como, por exemplo, matériasprimas, máquinas, equipamentos, capital, mãodeobra, energia elétrica, etc."; c) entretanto, a Receita Federal, "a pretexto de interpretar e aplicar a legislação federal, maliciosa e ilegalmente, limitou o conceito de insumos nas Instruções Normativas 247/02 e 404/04". Esta restrição representa "manifesto vício de ilegalidade". O princípio da legalidade está insculpido na Constituição Federal (art. 5°, inc. II) e deve ser observado pela Administração conforme comanda o art. 37 da Carta Magna. Assim também ensina a melhor doutrina, e é este o entendimento prevalecente nos tribunais pátrios; d) nestes termos, "afigurase completamente indevida a glosa dos créditos auferidos pela manifestante, como aguarda e requer seja assim reconhecido por essa isenta instância julgadora"; Fl. 314DF CARF MF 4 e) especificamente em relação às glosas relativas aos bens utilizados como insumos, estas não podem prevalecer porquanto "tratamse de ferramentas operacionais, materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar, na destilaria de álcool, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo, razão pelo qual deveriam ter sido admitidos pela autoridade fiscal". Nesse sentido foi formulada a Solução de Divergência n° 12, de 2007, conforme ementa trazida à colação; f) o mesmo vale em relação "aos combustíveis adquiridos para o transporte do produto para exportação e indispensáveis a atividade agroindustrial", assim como "ao transporte da mão de obra que é indispensável em todo o processo de plantio, tratos culturais, colheita e industrialização". Portanto, "sem combustível não há como se conceber o plantio, os tratos culturais, a colheita, o transporte e, por fim, a industrialização da canadeacúcar". E não há que Se alegar que os combustíveis nào integram o produto final e, por isso, nào gerariam direito a créditos de Cofins. Isto porque, "consoante a orientação jurisprudencial é legítimo o crédito relativamente aos materiais que a despeito de não integrarem fisicamente o produto final, são consumidos e/ou inutilizados no processo produtivo"; g) "no item de serviços utilizados como insumos, todas as glosas são equivocadas e indevidas, tendo em vista que todos os itens elencados pela fiscalização também estão diretamente ligados ao processo produtivo". Neste sentido, destacamse os serviços de manutenção da mecanização industrial e transporte de resíduos industriais (vinhaça) utilizados nas lavouras; h) são também indevidas as glosas dos custos relacionados com armazenagem e transporte do produto para fins de exportação, inclusive as demais despesas portuárias. "Não há como negar que essas despesas estão diretamente ligadas ao processo produtivo"; i) "não há dúvida de que os serviços de pessoas físicas mencionados (transporte de resíduos industriais — vinhaça — para aplicação na lavoura de canadeaçúcar como fertilizante, armazenagem de açúcar, etc), também se enquadram perfeitamente no conceito de insumos para efeitos de crédito da contribuição não cumulativa"; J) "no amplo conceito de aluguel de prédio deve ser enquadrado também o arrendamento de propriedades rurais, razão pela qual é legítimo o crédito pleiteado". É que, juridicamente, o imóvel rural pode ser considerado um "prédio rústico", como prescreve o art. 4° cio Estatuto da Terra (Lei n° 4.504/64), conceito este posteriormente incorporado no texto da Lei n" 8.629/93, que tratou cia reforma agrária. Neste sentido, aplicase à espécie o disposto no art. 110 do CTN. k) "por fim, vale dizer que a compensação objeto do presente pedido de ressarcimento já foi alvo de homologação tácita, nos termos do § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96". Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10825.720076/201095 Acórdão n.º 3201004.278 S3C2T1 Fl. 313 5 Conclui a reclamante requerendo a reforma da decisão recorrida, para o rim de lhe ser integralmente reconhecido o direito creditório pleiteado. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RJO n.º 1434.008, de 06/06/2011 (fls. 69 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DE PIS NÃO CUMULATIVO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPERTINÊNCIA. Não há que se falar de homologação tácita de pedido de ressarcimento que não foi objeto de compensação declarada, mormente quando constatado que a interessada tomou ciência da decisão recorrida em prazo muito inferior àquele prescrito em lei para a homologação de compensações declaradas. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. EMPRESA SUCESSORA. CRÉDITOS DE PIS NÃOCUMULATIVO DE TITULARIDADE DE EMPRESA SUCEDIDA. DECISÃO PROFERIDA EM PROCESSO ANTERIOR. SALDO CREDOR. INEXISTÊNCIA. Uma vez configurada a inexistência de saldo credor remanescente após a utilização dos créditos pela empresa sucedida, em face de decisão proferida em processo anterior, de interesse daquela empresa, há que se concluir pelo indeferimento do pedido, manejado pela empresa sucessora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 120 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 316DF CARF MF 6 A Recorrente apresentou pedido de compensação de débitos seus com crédito oriundo do PIS tratado no processo administrativo nº 13888.003535/200569, do mesmo interessado e ora igualmente apreciado. Interposta manifestação de inconformidade da decisão que indeferiu o pedido (inexistência de saldo disponível no processo antes referido), a DRJ julgoua improcedente, daí o recurso voluntário. Como se vê, o presente litígio segue a sorte do que decidido no processo em que debatido o crédito de PIS cuja compensação se requer, de sorte que é de se aplicar aqui o que lá decidido. Eis porque passamos a reproduzir e adotar como razão de decidir o voto condutor do acórdão prolatado nos autos do processo administrativo nº 13888.003535/200569: Conforme relatado, o litígio versa sobre o conceito de insumos para o efeito da apuração do PIS/Cofins não cumulativo, definição que, no entender do Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão proferida na sistemática dos recursos repetitivos (portanto, de observância aqui obrigatória, conforme art. 62 do RICARF/2015), deve atender aos critérios da essencialidade e da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço na atividade econômica realizada pelo contribuinte (Recurso Especial nº 1.221.170/PR): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10825.720076/201095 Acórdão n.º 3201004.278 S3C2T1 Fl. 314 7 exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. No caso específico, a fiscalização aplicou o conceito mais restritivo de insumos – aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB, também utilizado no acórdão recorrido. E conforme também nele ressaltado, a Recorrente atacou as glosas de maneira genérica, portanto, não se reportou especificamente a uma em determinado, identificando os dados da aquisição do bem glosado (nota fiscal, valor, data, ou mesmo o item destacado nas planilhas elaboradas pela autoridade fiscal), de modo que, assim como no acórdão recorrido, aqui também as glosas serão analisadas nos termos dos recursos. Bens utilizados como insumos Segundo a Recorrente, são eles: ferramentas operacionais, materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar, na destilaria de álcool, os quais estariam diretamente ligados ao processo produtivo. Embora a DRJ tenha adotado o entendimento da fiscalização, sabese que a própria Receita Federal do Brasil RFB já admite a apropriação de créditos sobre gastos com a manutenção de bens e veículos empregados na produção. É o que prevê a Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23/08/2016: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. Fl. 318DF CARF MF 8 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10825.720076/201095 Acórdão n.º 3201004.278 S3C2T1 Fl. 315 9 de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; Fl. 320DF CARF MF 10 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10825.720076/201095 Acórdão n.º 3201004.278 S3C2T1 Fl. 316 11 Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, art. 8º; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Não obstante ausente, nos autos, maiores detalhes sobre o que são as tais "ferramentas operacionais", a razão para o indeferimento, juntamente com o indeferimento dos materiais de manutenção, foi a de que não se enquadrariam no conceito de insumo. A Recorrente, porém, sustenta a sua utilização no processo produtivo, o que o só adjetivo que acompanha o termo "ferramentas" parece, com efeito, indicar. Assim, na falta de maiores detalhes, máxime por parte da fiscalização, entendemos que as ferramentas operacionais e os materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar e na destilaria de álcool devem ser considerados insumos para o efeito de creditamento do PIS/Cofins. Defendese também os créditos sobre as aquisições de combustíveis utilizados no "transporte do produto para exportação e indispensáveis a atividade agroindustrial". Os gastos com os combustíveis e lubrificantes utilizados na produção devem ser considerados insumos, nos termos do art. 3º, II, das Lei nº 10.637, de 2002, inclusive aqueles despendidos no transporte de matériaprima – no caso, da canadeaçúcar – do local em que é colhida para a produção do açúcar e do álcool, porque se incorporam ao valor daquela, mas não os gastos com combustíveis utilizados no transporte do produto após encerrada a sua produção, hipótese para a qual a legislação, especificamente, prevê a possibilidade de creditamento apenas sobre o frete pago pelo vendedor (inciso IX do mesmo dispositivo). Todavia, ensejam o creditamento os gastos com os combustíveis utilizados em bens aplicados na produção, inclusive na fase agrícola. Cumpre ressaltar, a propósito do tema, que, conforme já expusemos noutros votos, os bens e serviços utilizados na fase agrícola, assim como a depreciação de tais bens, não ensejam, a nosso juízo – mas não para os demais integrantes desta Turma –, o creditamento de PIS/Cofins. É que, segundo o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente geram o direito ao crédito, no regime não cumulativo, os bens e Fl. 322DF CARF MF 12 serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vejam: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10825.720076/201095 Acórdão n.º 3201004.278 S3C2T1 Fl. 317 13 limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Notese que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Se se pretendesse abarcar todos as despesas realizadas para a obtenção da receita, não veríamos o elenco de hipóteses que vemos na norma. Ademais, consoante deixou cristalino o legislador na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, um dos principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. 1 Admitir que, no cálculo dos créditos, se incluam os dispêndios na aquisição daqueles bens ou serviços só remotamente empregados na produção do produto final ou no serviço prestado – os chamados "insumos dos insumos" – é não apenas permitir o que o legislador pretendeu desestimular, mas é também legislar. Afinal, os diplomas legais aqui referidos delimitaram os insumos àqueles bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, é dizer, aqueles insumos efetivamente empregados no produto final do processo de industrialização ou no serviço prestado ao tomador, não aqueles bens ou serviços consumidos, pela próprio contribuinte, em etapas anteriores, aqueles, enfim, só remotamente empregados. É como vem entendendo a 3ª Turma da CSRF. Exemplificativamente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS 1 Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 2003: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Fl. 324DF CARF MF 14 Data do fato gerador: 29/02/2004 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes para o maquinário agrícola e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar. (Redator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.541, de 16/08/2017) Esse, contudo, não é, como todos sabemos, o entendimento dos demais integrantes desta Turma2, de modo que, somente por economia processual e apreço ao princípio da colegialidade, também passamos a adotar aqui aquele que entende que os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de canade açúcar a ser utilizado na produção do açúcar e do álcool também podem ser levados em consideração para fins de apuração de créditos para o PIS/Cofins. No caso, os combustíveis utilizados em bens aplicados na fase agrícola (v.g., tratores, colheitadeiras), inclusive o adubo e os produtos químicos nela utilizados. Os gastos com mãodeobra própria, porém, não podem ser considerados insumos utilizados na produção (não equivalem à aquisição dos serviços a que se refere o art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002), exceto quando há a contratação de empresa de trabalho temporário (Solução de Divergência Cosit nº 29, de 26 de outubro de 2017). Serviços utilizados como insumos Ao contestar as glosas, a Recorrente afirma que, para a industrialização do açúcar e do álcool, é imprescindível a constante manutenção dos equipamentos industriais, constituindose serviços especializados essenciais e inerentes ao processo de produção. Irresignase, também, com a glosa dos custos relacionados a armazenagem de álcool e açúcar, com o transporte das referidas mercadorias para fins de exportação e demais despesas portuárias, afirmando que estão diretamente ligadas ao processo produtivo. 2 PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de pertinência, emprego e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. (Rel. Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Acórdão nº 3201003.411, 02/02/2018) Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10825.720076/201095 Acórdão n.º 3201004.278 S3C2T1 Fl. 318 15 Como já assentado na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23/08/2016, os serviços de manutenção, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, empregados em bens aplicados na produção ensejam o creditamento, Não houve glosa, porém, em relação às despesas com armazenagem e frete na operação de venda, ao menos segundo o Termo de Informação Fiscal já aqui mencionado. É o que se comprova nos seus parágrafos 7 e 7.1: As despesas glosadas, bem se vê, referemse a despesas realizadas no porto onde exportados os produtos industrializados, como os serviços de despacho aduaneiro, assessoria logística e capatazia. No concernente a este último, a legislação não prevê o creditamento, tal como decidiu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF: PIS. SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVAS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Os serviços de capatazia e estivas por não serem utilizados no processo produtivo, não geram créditos de PIS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão nº 9303004.383, de 08/11/2016) Bens adquiridos para revenda Rateio e receita financeira Benfeitoria em Imóveis Aluguéis de Máquinas, equipamentos e prédios Bens do Ativo Imobilizado Nestes tópicos do recurso, a Recorrente traz matérias novas, as quais, portanto, não foram objeto de expressa contestação na manifestação de inconformidade, de modo que precluso o seu direito de vêlas apreciadas neste Colegiado. Fl. 326DF CARF MF 16 Despesas de arrendamento agrícola Entendemos correta a posição – considerando, enfatizese, a possibilidade de considerar os gastos realizados na etapa agrícola na apuração de créditos para o PIS/Cofins – que compreende que os gastos com esta modalidade de arrendamento também devem ser computados para a mesma finalidade. A própria RFB já admite o creditamento, consoante comprova a ementa da Solução de Consulta Cosit nº 331, de 21 de junho de 2017 (Publicada no DOU de 30/06/2017, seção 1, página 46): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. A pessoa jurídica submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS/Pasep pode descontar créditos sobre aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, desde que obedecidos todos os requisitos e as condições previstos na legislação. A remuneração paga pelo arrendatário em relação ao bem arrendado é denominada de aluguel, representando a retribuição pelo uso e gozo do bem imóvel. A Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra), e a Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, definem "imóvel rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada. É princípio geral de hermenêutica que onde a lei não distingue não cabe ao intérprete distinguir. Desta forma, o conceito de prédio contido no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, engloba tanto o prédio urbano construído como o prédio rústico não edificado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso IV; Lei nº 4.504, de 1964 (Estatuto da Terra); Lei nº 8.629, de 1993; Decreto nº 59.566, de 1966, art. 3º; e Decreto nº 4.382, de 2002, art. 9º. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. A pessoa jurídica submetida ao regime de apuração não cumulativa da Cofins pode descontar créditos sobre aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, desde que obedecidos todos os requisitos e as condições previstos na legislação. A remuneração paga pelo arrendatário em relação ao bem arrendado é denominada de aluguel, representando a retribuição pelo uso e gozo do bem imóvel. A Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra), e a Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, definem "imóvel Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10825.720076/201095 Acórdão n.º 3201004.278 S3C2T1 Fl. 319 17 rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada. É princípio geral de hermenêutica que onde a lei não distingue não cabe ao intérprete distinguir. Desta forma, o conceito de prédio contido no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, engloba tanto o prédio urbano construído como o prédio rústico não edificado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso IV; Lei nº 4.504, de 1964 (Estatuto da Terra); Lei nº 8.629, de 1993; Decreto nº 59.566, de 1966, art. 3º; e Decreto nº 4.382, de 2002, art. 9º. Há que se fazer, porém, duas observações: a) somente quando o arrendador for pessoa jurídica, é que se afigura possível o crédito respectivo, haja vista que o art. 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, assim o exigem; b) a parcela reconhecida deve limitarse ao percentual que a Recorrente tem direito no resultado da parceria (p. ex., 90%). Na concessão do crédito, devese observar, outrossim, o disposto no art. 31, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004. Bens e serviços adquiridos de pessoas físicas Aqui, a Recorrente defende o creditamento, ao fundamento de que os serviços prestados por pessoas físicas (transporte de resíduos industriais – vinhaça – para aplicação na lavoura de canadeaçúcar como fertilizante, armazenagem de açúcar etc.) também se enquadram perfeitamente no conceito de insumos para efeitos de crédito de PIS não cumulativo, devendo referido crédito ser realizado de forma integral para não ferir a regra da não cumulatividade da contribuição. Não é, contudo, o que prevê o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23/07/20043, que estabeleceu que o crédito presumido de que trata, para as pessoas jurídicas, cooperativas e nas condições que especifica, deve ser calculado somente sobre o valor dos bens previstos no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não sobre os serviços prestados por pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física. A restrição é legal e, de conseguinte, não pode ser afastada por esta instância administrativa (Súmula CARF nº 2). 3 Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Fl. 328DF CARF MF 18 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados apenas sobre os seguintes itens: (i) ferramentas operacionais e materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar e na destilaria de álcool; (ii) combustíveis utilizados nos bens aplicados na produção, inclusive na fase agrícola; (iii) adubo e produtos químicos utilizados na fase agrícola; (iv) serviços de manutenção, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, empregados nos bens aplicados na produção; (v) arrendamento agrícola. Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado O presidente incumbiume de redigir o acórdão na parte pertinente aos gastos de capatazia e estiva. Os gastos com logística, na operação de aquisição de insumos, geram direito a crédito por comporem o conceito contábil de custo de aquisição de mercadoria4. Os gastos logísticos para movimentação de insumos, internamente ou entre estabelecimentos da mesma empresa, inseremse no contexto de produção do bem, porque inerentes e relevantes ao respectivo processo produtivo. Desse modo, devem gerar direito de crédito, na esteira do Resp 1.221.170/PR, que tramitou sob o regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), e que vincula o Carf (art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno). No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda. Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos da Lei, como, por exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado. 4 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.273/10) Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10825.720076/201095 Acórdão n.º 3201004.278 S3C2T1 Fl. 320 19 Por último, mas não menos importante, cumpre assentar que as eventuais matérias de defesa ventiladas no recurso apresentado neste processo, mas não repisadas no recurso interposto no processo administrativo nº 13888.003535/200569, deixarão de ser apreciadas, porque, não cabendo aqui reabrir a sua discussão, em nada interferem na decisão proferida neste último. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para que ao presente processo seja aplicado o que decidido no processo administrativo nº 13888.003535/200569. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 330DF CARF MF 20 Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720616/2015-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório 1. Por bem representar o caso em tela, emprego como meu parte do relatório do acórdão nº 1281.274, veiculado pela DRJ do Rio de Janeiro (fls. 541/560), o que passo a fazer nos seguintes termos: O presente processo foi formalizado em virtude da lavratura dos autos de infração de PIS e de Cofins, fls. 225/229 e 220/224, respectivamente, referentes ao período de apuração 01/2010. Exigese, para o PIS, principal de R$ 1.381.282,26, que acrescido de multa de ofício e juros de mora perfaz R$ 3.085.922,70 e, no caso da Cofins, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 20 61 6/ 20 15 -5 0 Fl. 748DF CARF MF Processo nº 13971.720616/201550 Resolução nº 3402001.596 S3C4T2 Fl. 2.480 2 contribuição de R$ 6.362.269,75, totalizando, com multa de ofício e juros moratórios, R$ 14.213.946,85. Segundo o “Relatório Fiscal” de folhas 241 a 280, parte integrante dos autos lavrados, a interessada, intimada, apresentou planilha digital contendo a memória de cálculo do Dacon, ou seja, a composição dos valores levados a cada uma das linhas do Dacon (fichas 06A, 06B, 07A, 16A, 16B e 17A), com a segregação por CFOP dos documentos fiscais relacionados e/ou por fundamento legal para a tomada do crédito ou a exclusão da base de cálculo. Constatou a fiscalização, a partir da análise dos documentos apresentados, a insuficiência de recolhimentos em decorrência: 1) da majoração da base de cálculo das contribuições, em decorrência da inclusão de receitas, pela fiscalização, as quais o sujeito passivo originariamente deixou de oferecer à tributação das contribuições (itens 19 a 82 do Relatório Fiscal); 2) da redução a zero dos saldos das contribuições nãocumulativas, ao final do período de apuração 12/2009, conforme Relatório Fiscal que integra o processo n° 13971.723730/201451 (itens 85 a 88); 3) das glosas fiscais aplicadas aos créditos apurados pelo sujeito passivo para o período sob análise (itens 89 a 120). (...) (grifos nosso). 2. Diante da aludida autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 330/380, a qual foi julgada improcedente pelo mencionado acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS É de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais, consoante Súmula Vinculante nº 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212/91. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 PIS. COFINS. SUSPENSÃO. VENDA A PJ PREPONDERANTEMENTE EXPORTADORA Fl. 749DF CARF MF Processo nº 13971.720616/201550 Resolução nº 3402001.596 S3C4T2 Fl. 2.481 3 Nas notas fiscais relativas a venda a pessoa jurídica preponderantemente exportadora, deverá constar a expressão "Saída com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS". BENEFÍCIO FISCAL DE ICMS. SUBVENÇÃO. INCIDÊNCIA. A contribuição para a Cofins incidem sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. Somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa os gastos expressamente previstos na legislação de regência, que não é o caso dos gastos com transporte do produto, acabado ou em elaboração, entre estabelecimentos industriais ou distribuidores da mesma pessoa jurídica e das despesas de frete na devolução de mercadorias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 PIS. COFINS. SUSPENSÃO. VENDA A PJ PREPONDERANTEMENTE EXPORTADORA Nas notas fiscais relativas a venda a pessoa jurídica preponderantemente exportadora, deverá constar a expressão "Saída com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS". BENEFÍCIO FISCAL DE ICMS. SUBVENÇÃO. INCIDÊNCIA. A contribuição para a Cofins incidem sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. Somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa os gastos expressamente previstos na legislação de regência, que não é o caso dos gastos com transporte do produto, acabado ou em elaboração, entre estabelecimentos industriais ou distribuidores da mesma pessoa jurídica e das despesas de frete na devolução de mercadorias. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Uma vez intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 570/626, oportunidade em que repisou os fundamentos invocados em sua impugnação. 4. Em razão da resolução nº 3402001.246, proferida no âmbito do processo nº 13971.724090/201587, do mesmo contribuinte, o Presidente da 3a Seção deste Tribunal Fl. 750DF CARF MF Processo nº 13971.720616/201550 Resolução nº 3402001.596 S3C4T2 Fl. 2.482 4 Administrativo, por intermedio do despacho de fls. 712/713, determinou que o presente caso fosse distribuído por dependência ao processo n. 13971.724090/201587, sob minha relatoria. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro I. Da admissibilidade do Recurso 6. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. II. O contexto fático da presente demanda 7. Conforme se observa dos autos, a presente exigência fiscal pautase em três fundamentos distintos, sendo um deles o seguinte: · redução a zero dos saldos das contribuições nãocumulativas, ao final do período de apuração de 12/2009, conforme Relatório Fiscal que integra o processo n° 13971.723730/201451 (itens 85 a 88). 8. Em outros termos, o contribuinte alega que o saldo credor existente até dezembro de 2009 seria suficiente para saldar integralmente o débito aqui lançado. Ocorre que, aludido crédito foi objeto de glosa, a qual é discutida no âmbito do processo administrativo 13971.723730/201451, cujo extrato processual obtido por este Relator junto ao comprot encontrase abaixo indicado: Fl. 751DF CARF MF Processo nº 13971.720616/201550 Resolução nº 3402001.596 S3C4T2 Fl. 2.483 5 9. Da análise de tal movimentação processual é possível constatar que, aparentemente, o contribuinte interpôs impugnação administrativa, cujo desfecho é de impossível conclusão apenas com base nas movimentações processuais alhures indicadas. 10. Não obstante, alega ainda o contribuinte que a manutenção ou não do débito exigido nos autos n. 13971.723730/201451 depende ainda da glosa de saldo credores debatidos nos autos 13971.908784/201141 e 13971.908783/201105, os quais estão pendentes de julgamento definitivo neste Tribunal Administrativo: Fl. 752DF CARF MF Processo nº 13971.720616/201550 Resolução nº 3402001.596 S3C4T2 Fl. 2.484 6 Fl. 753DF CARF MF Processo nº 13971.720616/201550 Resolução nº 3402001.596 S3C4T2 Fl. 2.485 7 11. Diante deste quadro e para a existência de uma segura conclusão do presente julgamento, mister se faz converter em diligência o presente julgamento para que sejam tomadas as seguintes providências pela unidade preparadora (i) informar o atual andamento processual dos autos n. 13971.723730/201451, juntando aos autos cópias das eventuais peças defensivas (impugnação e recursos), bem como das correlatas decisões administrativas; (ii) informar o atual andamento processual dos autos n. 13971.908784/201141 e 13971.908783/201105, juntando aos autos cópias das eventuais peças defensivas (impugnação e recursos), bem como das correlatas decisões administrativas; (iii) demonstrar, analiticamente, a eventual relação existente entre os autos n. 13971.723730/201451 e aqueles autuados sob os ns. 13971.908784/201141 e 13971.908783/201105, bem como a relação do primeiro processo administrativo aqui citado com o caso em julgamento; e, por fim (iv) tomadas tais providências, deverá a unidade preparadora intimar o contribuinte para que, tendo interesse, manifestese em 30 dias a respeito, exatamente como prevê o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 12. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 754DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.000911/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL.
O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.).
LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 09 11 /2 00 8- 72 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 18050.000911/200872 Acórdão n.º 2301005.460 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10580.013931/200722, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada. Consoante o Relatório Fiscal e Relatório Fiscal Substitutivo, a recorrente Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia — Coelba, é tomadora de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, referente aos serviços de construção e manutenção programada em redes aéreas de distribuição de energia elétrica, na competência 02/1999, realizadas junto à empresa Construtora ou Incorporadora, ambas incluídas no polo passivo do lançamento fiscal para responderem solidariamente pelo crédito tributário relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, tendo sido o crédito apurado por correspondentes à parte dos segurados empregados, da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, tomando como base os valores constantes em notas fiscais de prestação de serviço, referentes à mãodeobra contratada de pessoa jurídica, no período de apuração 02/99. É fundamento do lançamento o art. 33, §3º, da Lei 8.212, de 1991, o art. 52 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado pelo Decreto 2.173, de 1997, e o art. 74 da Instrução Normativa INSS/DC n° 70, de 2002 (40% do valor dos serviços constantes das notas fiscais), uma vez que a recorrente não apresentou as guias de recolhimento prévio solicitadas. Os serviços de construção civil em subestação, executados pela empreiteira (ampliação/construção), fazem parte do Anexo III, 45.322 da IN 69, de 2002 e as notas fiscais, data de emissão, valor total e tipo de serviço foram relacionados na tabela anexa ao Relatório de Fatos Geradores. A DRJ julgou o lançamento procedente (e improcedente a impugnação da responsável solidária, Coelba atual recorrente) e da contribuinte, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA TOTAL Fl. 220DF CARF MF Processo nº 18050.000911/200872 Acórdão n.º 2301005.460 S2C3T1 Fl. 4 3 O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato (Art. 30, VI da Lei 8.212/91). A partir da competência 02/99 a solidariedade na construção civil somente é admitida quando há empreitada total. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A solidariedade do contratante de serviços de construção civil, somente é elidida se for comprovado o recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa contratada, devendo ser apresentadas guias de recolhimento e folhas de pagamento específicas, ou seja, vinculadas às notas fiscais de serviço respectivas. BENEFÍCIO DE ORDEM. NÃO CABIMENTO. A solidariedade aqui prevista não comporta benefício de ordem, sendo desnecessária a fiscalização prévia da empresa contratada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para revisão do procedimento fiscal quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Lançamento Procedente". Após a decisão proferida, tanto a responsável quanto a tomadora dos serviços foram devidamente cientificadas. Cabe mencionar que a DRJ de origem não recebeu a impugnação da contribuinte, uma vez que a impugnação foi apresentada fora do prazo legal, sendo considerada intempestiva. A Coelba, apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, é alegado: (a) a inexistência do suposto saldo devedor objeto do lançamento fiscal impugnado; (b) a não configuração dos pressupostos para apuração do montante supostamente devido mediante aferição indireta (arbitramento); (c) a elisão da responsabilidade solidária da tomadora do serviço; e (d) a cobrança em duplicidade. Os pedidos consistem em: (i) anular/reformar o acórdão recorrido, com a devolução do processo à DRJ, para a adequada análise da farta documentação comprobatória da quitação anexada aos autos pela Recorrente; alternativamente, reformar o acórdão recorrido, a fim de julgar totalmente improcedente a notificação fiscal ora impugnada; Fl. 221DF CARF MF Processo nº 18050.000911/200872 Acórdão n.º 2301005.460 S2C3T1 Fl. 5 4 (ii) declarar a ausência de responsabilidade solidária da Recorrente pelos supostos débitos objeto da notificação fiscal ora impugnada; (iii) ultrapassados os pleitos acima, afastar a metodologia de aferição indireta (arbitramento) indevidamente utilizada para calcular o montante supostamente devido, assim como afastar a duplicidade (bitributação) da cobrança, que está sendo feita simultânea e cumulativamente em relação à Recorrente e à a empresa construtora. A responsável, empresa construtora, não apresentou recurso voluntário. Diante dos fatos narrados, é o relatório.” Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018, proferido no julgamento do Recurso Voluntário objeto do processo n° 10580.013931/200722, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Wesley Rocha, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018: Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conselheiro Wesley Rocha – Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DO SALDO DEVEDOR OBJETO DO LANÇAMENTO FISCAL A recorrente alega a inexistência de saldo devedor objeto do lançamento, uma vez que há suficiência probatória dos documentos acostados aos autos, havendo necessidade de observância do princípio da verdade material; diz que a notificação fiscal foi lavrada pelo fato de, no momento da realização da fiscalização em seu estabelecimento, não terem sido apresentados os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias referentes ao contrato de prestações serviços firmado entre ela (tomadora) e a empresa construtora (prestadora). Diante disso, o valor lhe foi imputado, como responsável solidária, tendo sido apurado pela sistemática da aferição indireta. Alega também que não existe o suposto débito e a Fazenda Pública tem o poder de Fl. 222DF CARF MF Processo nº 18050.000911/200872 Acórdão n.º 2301005.460 S2C3T1 Fl. 6 5 constituir unilateralmente presunções em seu favor, as quais podem ser desconstituídas mediante prova em contrário. Apresentou toda a documentação hábil, idônea e suficiente à comprovação da quitação dos supostos débitos; de modo que nada se encontra pendente a esse título; tais documentos devem ser pormenorizadamente analisados, a fim de desvendar a realidade dos fatos, em obediência ao princípio da verdade material; ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, as guias de recolhimento anexadas são prova suficiente para desconstituição do débito, assim como as cópias das folhas de pagamento correspondentes. Entretanto, conforme se verifica dos autos, não assiste razão a recorrente. No caso de construção civil, vige a solidariedade tributária do proprietário, incorporador, dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, conforme previsão do art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991: Art. 30 (...) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Tal previsão é regulamentada pelo art. 43 do ROCSS e esmiuçada pela Ordem de Serviço DAF 165, de 1997, item 17: ROCSS Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condôminio de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento Fl. 223DF CARF MF Processo nº 18050.000911/200872 Acórdão n.º 2301005.460 S2C3T1 Fl. 7 6 distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. § 3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. (Grifouse.) Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 17 – O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964 , o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Tal responsabilidade é elidida, de acordo com o item 20 do mesmo texto legislativo desde se comprove ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura: 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea b, além da cópia da folha de pagamento. (Redação dada ao subitem pela Ordem de Serviço DAF nº 185, de 31.03.1998, DOU 15.04.1998) (Grifouse.) (...) 16 O recolhimento das contribuições será individualizado por obra, mediante matrículas distintas, observado, quanto ao preenchimento da Guia de Recolhimento da Previdência Social GRPS, o seguinte: (...) b) EMPREITEIRA, no caso de empreitada parcial, e SUBEMPREITEIRA (GRPS específica para cada obra): campo 01 apor o carimbo padronizado do CGC ou sua transcrição. campo 02 registrar o nome da empreiteira/subempreiteira; campos 03 a 07 apor o endereço da obra; campo 08 registrar a matrícula CEI da obra e o nome do proprietário ou dono da obra. Em se tratando de recolhimento Fl. 224DF CARF MF Processo nº 18050.000911/200872 Acórdão n.º 2301005.460 S2C3T1 Fl. 8 7 prévio, registrar também o número, a data e o valor da nota fiscal de serviço à qual as contribuições deverão ser vinculadas; campo 09 registrar o nº 1; campo 10 registrar o nº do CGC da empreiteira/subempreiteira. campo 11 registrar o código FPAS. Os percentuais retroreferidos encontramse definidos no item 5, quais sejam: V APURAÇÃO DE SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO CONTIDO EM NOTA FISCAL DE SERVIÇO 31 É fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo de saláriodecontribuição contido em nota fiscal de serviço/fatura. 31.1 Em se tratando de nota fiscal de serviço que contenha mão deobra e material, o saláriodecontribuição corresponderá no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor da mãodeobra discriminado na fatura, devendo a empresa de construção civil, quando da fiscalização, comprovar a exatidão dos valores discriminados. 31.1.1 Na hipótese de não ser efetuada a discriminação dos valores, 50% (cinqüenta por cento) serão considerados como material e 50% (cinqüenta por cento) como mãodeobra, totalizando o saláriodecontribuição, por conseguinte, 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal de serviço. 31.2 Tratandose de serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá à aplicação dos seguintes percentuais sobre o valor da nota fiscal/fatura: 31.2.1 Nos demais serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá a aplicação do percentual de 12% (doze por cento) sobre o valor da nota fiscal/fatura. 31.2.1.1 Estes percentuais refletem os custos da mãodeobra direta, em comparação com os custos totais da obra, devendo, por conseguinte, serem aplicados sobre o valor total da nota fiscal de serviço/fatura, sem a exclusão dos valores referentes a material e a utilização de equipamentos mecânicos. Pavimentação 3% (três por cento) Terraplenagem 5% (cinco por cento) Concreto Preparado 5% (cinco por cento) Obras Complementares (ajardinamento, recreação etc) 7% (sete por cento) Obras de Arte (pontes e viadutos) 15% (quinze por cento) Drenagem 17% (dezessete por cento) Fl. 225DF CARF MF Processo nº 18050.000911/200872 Acórdão n.º 2301005.460 S2C3T1 Fl. 9 8 Diante do exposto, é necessário verificar o contrato de empreitada que originou as contribuições exigidas no presente processo, bem como das notas fiscais de prestação de serviços juntadas ao feito. Nesse sentido, foram juntados na impugnação os seguintes documentos, relacionados à prestadora de serviços realizada: (a) Guia de Recolhimento da Previdência Social (GRPS), competência 02/99. (b) Guia de Recolhimento do FGTS (Gre) do período 02/99; e (c) folhas de pagamento do período 02/99. Pois bem, como assentou a decisão recorrida, nenhum dos documentos referidos se relaciona às notas fiscais concernentes ao contrato de prestação de serviços. Na GRPS não consta os dados referentes à obra, conforme determinado pelo item 16, “b”, da Ordem de Serviço DAF 165 de 1997, e, tampouco, os valores recolhidos por meio da GRPS é compatível com o valor dos tributos devidos, cuja base de cálculo é diversa da apontada pela recorrente, considerando que foi aplicado o percentual de 40% sobre o valor das “notas fiscais, por competência, uma vez que a empresa contratante fornece todo o material utilizado. Entrelaçando a responsabilidade pela empreitada global, em mesmo sentido apontam as normas inscritas no art. 42 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992. Art. 46. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, conforme o disposto no art. 28. Ainda, A CRPS editou o Enunciado n° 30 (Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito: "Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Como já visto, os recolhimentos juntados aos autos não são condizentes com s fatos geradores do Lançamento, bem como nem as formalidades e os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 31 da Lei 8.212, de 1991 e legislação correlata (já transcrito). Fl. 226DF CARF MF Processo nº 18050.000911/200872 Acórdão n.º 2301005.460 S2C3T1 Fl. 10 9 Desse modo, deve ser mantida a responsabilidade solidária, com a inclusão de capítulo específico abaixo, bem como o valor do crédito tributário constituído pelo lançamento. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA É alegado que a imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento de determinado tributo exige a previsão expressa em lei, assim como a estrita observância dos moldes e requisitos ali discriminados para a ocorrência de tal imputação ou seu afastamento; no caso específico das contribuições previdenciárias, aduz a recorrente que deve ser inteiramente afastada eventual responsabilidade solidária da tomadora de serviço quando for comprovado o recolhimento por parte da prestadora, de acordo com o art. 30, §3° da Lei 8.212, de 1991, o art. 43, §§1° e 2º do Decreto 2.173, de 1997 (ROCSS) e o art. 16 da Ordem de Serviço INSS n° 83; inferese de tais normas que a imputação de responsabilidade solidária à tomadora do serviço tem como pressuposto indispensável a ausência de recolhimento por parte da prestadora; na hipótese em questão, encontramse devidamente comprovados os efetivos recolhimentos das contribuições previdenciárias por parte da empresa prestadora do serviço; logo, uma vez comprovados tais recolhimentos por parte da prestadora do serviço, não se pode falar em qualquer responsabilidade solidária por parte da empresa tomadora, devendo ser inteiramente reformado o acórdão recorrido; o acórdão recorrido, ao centrar esforços apenas na ocorrência de suposta responsabilidade solidária, sem ao menos verificar pormenorizadamente os documentos por si acostados, inverteu a lógica para imputação de tal responsabilidade, porque a atribuição de responsabilidade solidária tem como pressuposto necessário o não pagamento por parte do prestador, o que não foi analisado adequadamente pelo acórdão; a simples leitura e observação atenta dos autos deixa clara a idoneidade e suficiência dos documentos juntados por si para comprovar a plena quitação dos supostos débitos em comento; deve ser afastada, portanto, qualquer responsabilidade solidária por parte da tomadora do serviço. Como se constata dos recolhimentos juntados aos autos, bem como do capítulo abaixo, os documentos ofertados à fiscalização não são condizentes com o período de apuração, bem como não correspondem com as formalidades nem com os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991 e item 17 da Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 (já transcrito). DOS PRESSUPOSTOS PARA APURAÇÃO DO MONTANTE DEVIDO MEDIANTE AFERIÇÃO INDIRETA Assevera a recorrente que: os documentos por ela juntados aos autos são hábeis, idôneos e suficientes à comprovação do pagamento dos supostos débitos que estão sendo lhe sendo imputados, afastando a presunção gerada pelo método da aferição indireta; a aferição indireta do montante supostamente devido é um expediente cuja utilização pela Fazenda Pública possui caráter excepcional, só podendo ser utilizada Fl. 227DF CARF MF Processo nº 18050.000911/200872 Acórdão n.º 2301005.460 S2C3T1 Fl. 11 10 na ocorrência das hipóteses e requisitos estritamente definidos pelo art. 33, §§ 3ºa 6º da Lei 8.212, de 1991, que não ocorrem no caso, quais sejam: a) a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação; ou b) a verificação de indícios de inidoneidade da documentação fiscal e contábil, que aponte para o registro de informações destoantes da realidade dos fatos; não houve qualquer recusa ou sonegação de documentos por sua parte, nem qualquer indicio de inidoneidade da sua estrita fiscal e contábil. Não há qualquer mácula no lançamento, quanto a essa questão. Por primeiro, ressalto que os documentos juntados aos autos pela recorrente não são hábeis, idôneos ou suficientes à comprovação do pagamento dos créditos tributários exigidos. Por sua vez, a Lei 8.212, de 1991, art. 33, §§ 3° e 6º é explícita ao atribuir à fiscalização o poder de (a) lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, no caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente; (b) apurar e lançar as contribuições devidas quando constatar que a contabilidade não registra a realidade da remuneração dos segurados a seu serviço e (c) desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando constate que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições que caracterizem tal condição: Lei 8.212, de 1991 Art. 33 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 2008) (no mesmo sentido, o art. 233 do RPS) (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifouse.) No caso em apreço, é evidente a apresentação deficiente da documentação, uma vez que, como visto, não foram apresentadas as guias de recolhimento da Previdência Social referentes à obra em questão. DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE Fl. 228DF CARF MF Processo nº 18050.000911/200872 Acórdão n.º 2301005.460 S2C3T1 Fl. 12 11 É alegado que, ao cobrar os débitos em questão simultaneamente da Recorrente e da contatado de modo cumulativo, a Fazenda Pública está efetuando nítida cobrança em duplicidade, bitributação, o que é absolutamente vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, principalmente em virtude da proibição do enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, adstrita à moralidade administrativa; na verdade, tratase de uma cobrança tripla, pois a cobrança dúplice está sendo feita sobre um débito que já foi devidamente pago pela empresa prestadora na época da ocorrência do fato gerador. Não lhe assiste razão. Como visto, as guias de recolhimentos juntadas aos autos não se relacionam com o crédito tributário ora lançado, e não se comprovou nenhum bis in idem; Ademais, não se está cobrando um montante do crédito tributário da recorrente (responsável solidária) e outro montante de igual valor da empreiteira (contribuinte): é o mesmo crédito tributário que está sendo exigido, apenas uma vez, da contribuinte e da responsável solidária; não há falar, portanto, em duplicidade de tributação. CONCLUSÃO Voto, portanto, por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO. (assinatura digital) Wesley Rocha Relator” Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 229DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.901243/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13851.900891/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13851.900891/200973, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 24 3/ 20 09 -3 4 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13851.901243/200934 Resolução nº 1302000.672 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório A Empresa apresentou PER/DCOMP pretendendo compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de pagamento de estimativa mensal. Em Despacho Decisório Eletrônico, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao .final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período", forte no artigo 10 da IN 600/2005. Inconformada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, acompanhada dos documentos, na qual alega, em síntese, que: a) o despacho decisório não homologou a PER/Dcomp sob alegação da improcedência do crédito por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real; b) houve equivoco quanto à interpretação do artigo 10 da IN n° 600/2005; c) o despacho decisório sustenta que a impugnante violou o artigo 10 da IN n° 600/2005; d) a impugnante, por sua vez, informa que não apurou saldo negativo de IRPJ no anocalendário correspondente, nem utilizou o valor do indébito na apuração do referido saldo negativo; e) discorre sobre o direito à compensação. salientando que a compensação, objeto dos autos, foi efetuada mediante pedido eletrônico (PER/Dcomp) e elaborada atendendo todos parâmetros estabelecidos pela legislação; f) o artigo 10 da IN n° 600/2005 viola o principio da legalidade tributária, não podendo a contribuinte ser prejudicada por norma que não tem força de lei, mas sim caráter acessório a ela; g) vedar a compensação dos créditos relativos a pagamento indevido ou a maior de IRPJ/CSLL no decorrer do anocalendário afeta nitidamente o direito do contribuinte na utilização de seu direito; h) se a lei que disciplina referido procedimento não restringe a compensação não há que se falar em improcedência do crédito; i) cita ementas de decisões administrativas; j) Instrução Normativa é ato administrativo realizado nos limites do Poder Regulamentar conferido á Administração Pública; k) o artigo 10 da IN n° 600/2005 não vincula o particular sendo incapaz de gerarlhe obrigação; 1) o valor do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ é legitimo e de pleno direito da impugnante, estando de pleno acordo com as diretrizes trazidas pela lei. Ao final, requer a homologação da compensação pretendida, declarando extinto o crédito tributário. A 5ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, decisão assim ementada: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13851.901243/200934 Resolução nº 1302000.672 S1C3T2 Fl. 4 3 Os recolhimentos mensais de IRPJ, quer calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do tributo a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois ai ocorrente o fato gerador do imposto de renda da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do imposto apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto de renda a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1° de janeiro subseqüente. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto A Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Não satisfeita a Empresa apresentou Recurso Voluntário reprisando os argumentos do recurso anterior. Vieram os autos por sorteio. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13851.901243/200934 Resolução nº 1302000.672 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.660, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900891/200973, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.660): "O recurso é tempestivo. A representação é regular. Conheço do recurso. Estamos tratando de proibição de compensação de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal, cuja previsão estava no artigo 10 da Instrução Normativa nº 600, de 2005. Temos a incidência direta da súmula CARF nº 84, cujo teor transcrevo: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Sendo de aplicação forçada pelos Conselheiros deste Conselho, por força do artigo 45 § 6º do Anexo II do RICARF, a proibição constante da referida IN não oferece óbice à compensação pleiteada. Todavia, ante a situação criada, em que o direito creditório não sofreu nenhuma análise, sendo sumariamente negado o direito por força de previsão normativa, e pelo fato desta Turma não ter condições de proceder a esta análise, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência para: a) que seja procedida a análise do direito creditório, com o afastamento da proibição constante do artigo 10 da IN nº 600/2005; b) seja dada ciência da decisão ao Recorrente, para manifestação; c) passado o prazo de 30 dias, com ou sem a manifestação do interessado, retornem os autos para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 68DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.002451/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2000 a 30/06/2004
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO.
O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa somente se impõe nos casos em que o limite de alçada supera o montante previsto em portaria do Ministério da Fazenda, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento.
Numero da decisão: 2402-006.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucciu, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2000 a 30/06/2004 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO. O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa somente se impõe nos casos em que o limite de alçada supera o montante previsto em portaria do Ministério da Fazenda, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucciu, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
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DO NORTE DE MINAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 30/06/2004 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO. O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa somente se impõe nos casos em que o limite de alçada supera o montante previsto em portaria do Ministério da Fazenda, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucciu, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 24 51 /2 00 8- 16 Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 10670.002451/200816 Acórdão n.º 2402006.708 S2C4T2 Fl. 1.326 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo trechos do relatório constante do Acórdão nº 0221.091, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Belo Horizonte/MG, fls. 1.302 a 1.311: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 45 a 47, referese à contribuição destinada à Seguridade Social, parte da empresa, incidente sobre valores pagos a contribuintes individuais, apurados por aferição indireta através de notas fiscais de prestação de serviços, no período de 08/2000 a 06/2004. O presente Auto de Infração substitui a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 37.043.3157, declarada nula por ter apresentado vicio em razão do contribuinte não ter sido cientificado do lançamento no prazo de vigência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. A ação fiscal anterior teve origem na conferência dos pedidos de revisão formalizados pela autuada de n° 36980.002481/200561 e 36980002482/200514, ocasião em que foram constatadas a não declaração na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP dos cooperados e a grande discrepância entre os valores dos recolhimentos nas competências objeto de restituição em comparação com as demais. [...] A empresa teve ciência da Notificação Fiscal, em 20/06/2008, fls. 1145, e apresentou defesa, em 17/07/2008, fls. 1148 a 1160. Ao julgar a impugnação, a 7ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, reconheceu que parte do lançamento fiscal teria sido atingido pela decadência, sendo excluídos os créditos referentes ao período de 08/2000 a 12/2001 (levantamento NF – Notas Fiscais). Vide dispositivo da decisão, a seguir transcrito: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o auto de infração n° 37.111.5507, para excluir o período alcançado pela decadência, como demonstrado no voto, e manter o crédito previdenciário retificado, conforme Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR, em anexo. Para maior clareza quanto à decisão a quo, transcrevemos, também, a ementa constante do Acórdão nº 0221.091: AUTO DE INFRAÇÃO. COOPERATIVA DE TRABALHO. NÃO CONFIGURAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 10670.002451/200816 Acórdão n.º 2402006.708 S2C4T2 Fl. 1.327 3 A nãoobservância dos requisitos legais para a formação e desenvolvimento da cooperativa impõese sua descaracterização como tal. A empresa é obrigada a recolher a contribuição a seu cargo, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada, a qualquer título, aos trabalhadores a seu serviço, nos prazos definidos em lei. A decadência das contribuições previdenciárias operase em 05 (cinco) anos confom1e Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal. A disposição contida em enunciado de Súmula Vinculante do STF obriga a todos os órgãos do Poder Constituído Judiciário, bem como todos os órgãos e entes da Administração Pública direta e indireta. Em face a essa decisão, a DRJ de Belo Horizonte/MG interpôs recurso de ofício, nos seguintes termos: Considerando o inciso I do artigo 25 e o artigo 29 da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, recorrese de oficio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme o inciso I do artigo 34 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, pois o valor exonerado é superior ao previsto no artigo 1° da Portaria MF n° 3, de 03 de janeiro de 2008. Cientificada da decisão, em 21/5/09, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 1.320, a contribuinte não se manifestou. O processo, então, foi encaminhado a este Conselho para julgamento do recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Do conhecimento Como visto no relatório acima, tratase de recurso de ofício apresentado pelo órgão julgador de primeiro grau, uma vez que o crédito exonerado teria superado o montante de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), previsto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3/1/08, conforme quadro a seguir: Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 10670.002451/200816 Acórdão n.º 2402006.708 S2C4T2 Fl. 1.328 4 Todavia, nos termos do 1º, da Portaria MF nº 3, de 2008, o limite de alçada para o recurso de oficio compreende, tão somente, o valor do tributo e da multa que foram exonerados, e não os juros. Vejamos: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Pois bem, no caso em tela, o montante exonerado em tributo (principal) e multa corresponde a R$ 866.653,69: Portanto, à luz da Portaria MF nº 3, de 2008, o crédito exonerado já se encontrava abaixo do limite de alçada. Contudo, o limite de alçada para a interposição de recurso de ofício foi alterado pela Portaria MF nº 63, de 9/2/17, passando a ser de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), em tributos e multas: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Lembrando que, nos termos da Súmula CARF nº 103, o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso, em segunda instância: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, tendo em vista que o crédito exonerado de R$ 866.653,69 se encontra abaixo do limite de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 2017, não cabe o conhecimento do presente recurso de ofício. Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 10670.002451/200816 Acórdão n.º 2402006.708 S2C4T2 Fl. 1.329 5 Conclusão Isso posto, voto por NÃO CONHECER do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.904398/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.550
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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ICMS BASE DE CÁLCULO PIS/COFINS. Recorrente CITROSUCO S/A AGROINDUSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de contribuição indeferido por despacho decisório eletrônico, vez que o valor do DARF teria sido utilizado integralmente para quitar débitos próprios. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ nº 14045335. Intimada desta decisão a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, alegando, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 04 39 8/ 20 11 -4 7 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13851.904398/201147 Resolução nº 3402001.550 S3C4T2 Fl. 153 2 (i) a ausência de retificação da DCTF não prejudica a validade do crédito do contribuinte, respaldado na indevida extensão do conceito de receita bruta da Lei n.º 9.718/98 e na não incidência do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; (ii) que as provas anexadas na Manifestação de Inconformidade seriam suficientes para respaldar o crédito pleiteado, sendo descabida a afirmação da r. decisão recorrida no sentido de que a produção de provas estaria preclusa. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.537, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902716/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.537): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Em sua defesa, a Recorrente indica que os créditos seriam referentes à extensão inconstitucional da base de cálculo da COFINS Cumulativa pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98 e a não inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, especificamente quanto ao período de apuração de 04/2003. Observese a Recorrente acostou aos autos memória de cálculo do crédito, identificando as contas contábeis nas quais respalda o seu crédito. Contudo, esses documentos não foram apreciados pela r. decisão recorrida sob o argumento de que teriam apenas valor indicativo: "Em relação aos elementos de prova, somente se constituem em excertos de livros contábeis ou fiscais se demonstrada a observância das formalidades (termos e abertura e encerramento, e, no caso de Livro Diário, autenticação), previstas no art. 5º, § 2º, do Decreto Lei nº 486, de 1969, e no art. 6º do Decreto nº 64.567, de 1969, a seguir transcritos: (...) Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13851.904398/201147 Resolução nº 3402001.550 S3C4T2 Fl. 154 3 No caso dos documentos juntados aos autos pela interessada, constatase que não cumprem tais formalidades. Em suma, os documentos apresentados, embora relevantes, possuem valor apenas indicativo, e mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos dos artigos acima transcritos. Além disso, a interessada não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele PA, e o débito apurado, resultante da aplicação da alíquota da contribuição sobre a base de cálculo efetivamente apurada na contabilidade, nos termos do artigo 9º, § 1º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977, acima transcrito." (efl. 111) Assim, os documentos apresentados pelo contribuinte para respaldar seu crédito não foram analisados pela fiscalização. Visando sanar a questão meramente formal apontada pela r. decisão, o contribuinte acostou aos autos, no Recurso Voluntário, os termos de abertura e encerramento do livro razão. Cumpre mencionar que o presente processo envolve duas teses distintas. Primeiro, quanto à extensão do conceito de receita da Lei n.º 9.718/98. Neste ponto, devidamente indicou a r. decisão recorrida, com base nos julgamento do Supremo Tribunal Federal, que "externe de dúvida que, na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS, somente deveriam ter sido considerados pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, isto é, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços." Além disso, discutese ainda a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. E é do conhecimento deste colegiado que o Supremo Tribunal Federal julgou esta tese no Recurso Extraordinário n.º 574.706, em sede de repercussão geral, no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins": "EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13851.904398/201147 Resolução nº 3402001.550 S3C4T2 Fl. 155 4 aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS." (RE 574706, Relatora Ministra Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, Acórdão eletrônico DJe223 Divulgado 29/09/2017 publicado 02/10/2017 grifei) Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito, segregando na memória de cálculo os valores relacionados às duas teses, entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem elabore relatório fiscal avaliando a validade da memória de cálculo do crédito apresentada pelo contribuinte, identificando: (i) se as parcelas relacionadas como "OUTRAS RECEITAS" não se enquadram no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos); e (ii) a sistemática adotada para o cálculo do ICMS excluído da base de cálculo da COFINS à luz do entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP): (i) intime a Recorrente a apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13851.904398/201147 Resolução nº 3402001.550 S3C4T2 Fl. 156 5 alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) identificar qual a sistemática adotada pelo contribuinte para excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS, avaliando o valor de crédito do tributo passível de ser reconhecido ao contribuinte caso se adote o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP): (i) intime a Recorrente a apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo do PIS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) identificar qual a sistemática adotada pelo contribuinte para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS, avaliando o valor de crédito do tributo passível de ser reconhecido ao contribuinte caso se adote o entendimento majoritário firmado no julgamento Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13851.904398/201147 Resolução nº 3402001.550 S3C4T2 Fl. 157 6 do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.721927/2011-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte ou reconhecido o crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 2001-000.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte ou reconhecido o crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 19 27 /2 01 1- 26 Fl. 96DF CARF MF 2 Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 3.866,00, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2009. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não sido apresentada comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas além dos recibos e notas fiscais de prestação de serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos recibos apresentados pelos serviços médicos prestados, como segue: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF Campos dos Goytacazes, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2010, anocalendário 2009. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 3.866,50, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento decorreu da constatação da seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas. A glosa do valor de R$ 14.060,00, correspondente à dedução indevida a título de despesas médicas, foi efetuada por falta de comprovação e/ou previsão legal. Complementação dos fatos: DELIER GONÇALVES RODRIGUES JUNIOR (R$ 500,00) KARINNE SIQUEIRA (R$ 3.360,00) ALINE MARIA CRUZ PAES GONÇALVES (R$ 10.200,00) O interessado tomou ciência da Notificação de Lançamento em 01/07/2011 (fl. 35) e, em 26/07/2011, apresentou a Impugnação (fl. 02) alegando, em síntese, que: Contesta parcialmente à glosas das despesas médicas, apresenta os comprovantes legais dos serviços prestados por Karinne Siqueira, no valor de R$ 3.360,00 e Aline Maria Cruz Paes Gonçalves, no valor de R$ 10.200,00; e não apresenta o comprovante de pagamento do profissional Delier Gonçalves Rodrigues Junior, no valor de R$ 500,00, porque o consultório deste mudou de endereço impossibilitando a apresentação dos recebidos solicitados. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10725.721927/201126 Acórdão n.º 2001000.731 S2C0T1 Fl. 97 3 Inicialmente, cumpre observar que não foi objeto de contestação a infração apurada de despesas médicas (parcial no valor de R$ 500,00). Tal infração será considerada matéria não impugnada nos termos do art. 58 do Decreto 7.574, de 2011, razão pela qual resultou em crédito definitivamente constituído, restando preclusos novos questionamentos a respeito. O crédito tributário não impugnado, no valor de R$ 137,50 foi transferido para o processo nº 10725.720093/201212, para fins de cobrança (fl. 60). (...) Com relação às despesas médicas com as profissionais Karinne Siqueira (R$ 3.360,00) e Aline Maria Cruz Paes Gonçalves (R$ 10.200,00), como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa jurídica. Mesmo que o contribuinte tenha apresentado os recibos ou notas fiscais dos serviços e declarações firmadas pelos profissionais, é licito à Autoridade exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. Em sede de impugnação, o interessado somente apresentou as declarações e os recibos emitidos pelas profissionais (fls. 12/41). Entretanto, tais documentos não são suficientes para comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, mas somente os serviços prestados. Caberia ao contribuinte trazer aos autos a comprovação da efetividade dos pagamentos das despesas médicas através das cópias de cheques nominativos e/ou extratos bancários que atestassem a coincidência das datas e valores com as despesas supostamente incorridas, conforme já mencionado na Notificação de Lançamento. Assim, fica mantida a glosa das despesas médicas (R$ 13.560,00). Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo a infração apurada pela autoridade lançadora. Destaquese, que o crédito tributário não impugnado, no valor de R$ 137,50 foi transferido para o processo nº 10725.720093/201212, para fins de cobrança (fl. 60). Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para manter a glosa das despesas médicas no valor de R$ 13.560,00, que corresponde ao imposto suplementar de R$ 3.729,00. Fl. 98DF CARF MF 4 Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Das GLOSAS das Despesas Médicas – Na contestação apresentada, delineada na Cláusula Primeira, titulada como Da Dedução Indevida de Despesas Médicas, foram apresentados todos os comprovantes de conformidade com lei, tendo os mesmos sido considerados, pela Colenda 7ª Turma, como se as mesmas não tivessem sido apensada a defesa prévia, considerando como falta de comprovação do efetivo pagamento, não havendo justificativa para seu restabelecimento, “sem que haja tal comprovação”. Isto posto, estou mais uma vez re anexando todos os comprovantes de despesas médicas dedutíveis, em minha Declaração de Ajuste Anual, ora em questão”, tendo sido entendido pela Colenda Turma, tópico primeiro como Matéria não Imp, contrastando com os fatos narrada na IMPUGNAÇÃO, a saber: a – KARINE SIQUEIRA, CPF. 110.394.43710 – Fisioterapeuta – valor dos serviços realizados R$ 3.360,00 (Três mil, trezentos e sessenta reais); b – ALINE MARIA CRUZ PAES GONSÇALVES, CPF 055.996.63779 – Cirurgiã Dentista – valor dos serviços realizados R$ 10.200,00 (Dez mil e duzentos reais). Como os senhores poderão observar, os valores e comprovantes apresentados, não oferecem suspeição de ilícito, pois decorrem de serviços prestados ao contribuinte, estando os em conformidade com o previsto em lei, não sendo assim objeto da glosa titulada no acórdão acima margeado. Por fim concluise que houve excesso de rigor no julgamento das peças contidas no processo ora em questão, tendo em vista que os documentos comprobatórios apresentados, expressam a realidade dos fatos ou seja, são verídicos e idôneos, par tanto, segue abaixo relacionados. Por fim, pedese que o Egrégio Conselho, reveja as peças contidas no Processo Administrativo, desde sua origem, inicializado com a INTIMAÇÃO FISCAL, se esta for parte integrante do processo, e que seja reavaliada a nossa pretensão, considerando os elementos de evicção apresentados, com o objetivo que haja justiça no julgamento deste pleito. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10725.721927/201126 Acórdão n.º 2001000.731 S2C0T1 Fl. 98 5 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inexiste controvérsia quanto à glosa das despesas médicas referente ao profissional Delier Gonçalves Rodrigues Junior, inclusive com falta de apresentação de documento probante da despesa. Assim, fica mantida a glosa da despesa médica não contestada no recurso no valor de R$ 500,00, que corresponde ao imposto suplementar de R$ 137,50. A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço ou nota fiscal de prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 100DF CARF MF 6 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10725.721927/201126 Acórdão n.º 2001000.731 S2C0T1 Fl. 99 7 CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 102DF CARF MF 8 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade posta é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decreto lei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre profissional e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso de apontamento no Lançamento. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10725.721927/201126 Acórdão n.º 2001000.731 S2C0T1 Fl. 100 9 Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Fl. 104DF CARF MF 10 De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pela contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. Acolhese como verdadeira a prova apresentada que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem objetivamente. No caso, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas do beneficiário e, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos assinados por profissional habilitado. Assim que, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica realizada, correspondendo à comprovação do pagamento do profissional, na forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas no valor de R$ 13.560,00, que corresponderia ao imposto suplementar de R$ 3.729,00, em vista de ter sido apensado aos autos cópia dos comprovantes de pagamento da prestação de serviço. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 13.560,00, razão pela qual se faz imperioso o cancelamento da parte do Lançamento correspondente a essa glosa, mantida, porém, a parte incontroversa, não comprovada e não contestada no valor de R$ 500,00. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.731127/2012-46
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 11 27 /2 01 2- 46 Fl. 209DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2009, anocalendário de 2008, em que foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 20.106,87. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Brasília de f. 90/94. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 106/111. Em síntese, alega que apresentou todos os documentos solicitados pela autoridade fiscal. Entende que a documentação apresentada é suficiente para comprovar suas alegações. Argumenta que apresentou extratos bancários e planilhas de vinculação dos saques aos pagamentos de despesas médicas, que comprovam o efetivo desembolso. Pugna pelo cancelamento da exigência. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Analisando a documentação acostada pela contribuinte, entendo ser suficiente para comprovar seus argumentos e reverter a glosa das despesas médicas efetuadas. Consta da fundamentação do lançamento que a recorrente apresentou extratos de contas de sua titularidade. Entretanto, entendeu a autoridade lançadora que não foi possível estabelecer uma correspondência entre os saques e os pagamentos de despesas médicas. A decisão da DRJ utilizou o mesmo argumento e indeferiu a aceitação das despesas. Neste ponto, divirjo do entendimento manifestado na decisão de primeira instância. É certo que a comprovação das despesas não pode se restringir a meros recibos, devendo o contribuinte fazer prova do efetivo pagamento das deduções pretendidas. A contribuinte alega que efetuou saques de contas e efetuou o pagamento dos profissionais em dinheiro. A análise dos extratos não deve ser efetuada de forma tão restritiva, de modo a só aceitar correspondência exata de datas e valores. Há de ser frisado que a contribuinte apresentou os extratos, realçando estar agindo de forma colaborativa com a fiscalização. Ademais, sua defesa não se baseia em negativas genéricas e em um suposto valor absoluto dos recibos. A recorrente trouxe elementos suficientes para firmar a convicção no sentido de que houve o efetivo desembolso dos valores declarados a título de despesas médicas. Os extratos bancários e as planilhas de vinculação apresentadas constituem fortes indícios de que suas alegações são procedentes. A planilha de f. 112 demonstra que foram efetuados, no decorrer do anocalendário, saques em montante que se mostra compatível com o que foi declarado. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 12448.731127/201246 Acórdão n.º 2001000.765 S2C0T1 Fl. 3 3 Por estas razões, concluo pela aceitação das deduções com despesas médicas, devidamente comprovadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.903338/2015-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.739
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 33 38 /2 01 5- 98 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201598 Acórdão n.º 3402005.739 S3C4T2 Fl. 0 2 Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório negou a homologação por considerar que o crédito informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo remanescente para a compensação declarada, resultando na cobrança do valor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida e a maior, sendo que o despacho decisório impugnado deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201598 Acórdão n.º 3402005.739 S3C4T2 Fl. 0 3 iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.129 considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada face a ausência de comprovação de direito creditório líquido e certo. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.721, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900604/201610, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.721): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201598 Acórdão n.º 3402005.739 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminares A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201598 Acórdão n.º 3402005.739 S3C4T2 Fl. 0 5 Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201598 Acórdão n.º 3402005.739 S3C4T2 Fl. 0 6 Mérito Do Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201598 Acórdão n.º 3402005.739 S3C4T2 Fl. 0 7 Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201598 Acórdão n.º 3402005.739 S3C4T2 Fl. 0 8 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratar se de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201598 Acórdão n.º 3402005.739 S3C4T2 Fl. 0 9 Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa. Vejamos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201598 Acórdão n.º 3402005.739 S3C4T2 Fl. 0 10 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 167DF CARF MF
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