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Numero do processo: 13854.000044/2002-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - SALDO NEGATIVO DO IRPJ - NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - OMISSÃO - EXAME DA DOCUMENTAÇÃO.
Tendo o acórdão sido omisso quando à apreciação da documentação relativa à inclusão de débitos no programa REFIS e no PAES, anula-se a decisão de primeira instância para que outra seja proferida com o exame da documentação e de suas conseqüências na apuração do saldo negativo.
Numero da decisão: 1402-000.154
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância para que outra seja proferida com o exame dos documentos relativos à inclusão de débitos no PAES e REFIS e de suas conseqüências na apuração do saldo negativo do ano-calendário de 2001, se houver, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Roberto Annond Ferreira da Silva e Adriana Giuntini Viana
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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Recorrida 7' TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - SALDO NEGATIVO DO IRPJ - NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - OMISSÃO - EXAME DA DOCUMENTAÇÃO. Tendo o acórdão sido omisso quando à apreciação da documentação relativa à inclusão de débitos no programa REFIS e no PAES, anula-se a decisão de primeira instância para que outra seja proferida com o exame da documentação e de suas conseqüências na apuração do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância para que outra seja proferida com o exame dos documentos relativos à inclusão de débitos no PAES e REFIS e de suas conseqüências na apuração do saldo negativo do ano-calendário de 2001, se houver, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Roberto Annond Ferreira da Silva e Adriana Giuntini Viana. ALBERTINA SIL4A SANTOS IE LIMA — Presidente e Relatora EDITADO EM- • f L 1 tvl Ai 201C Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Roberto Armond Ferreira da Silva, André Ricardo Lemes da Silva e Adriana Giuntini Viana. Viana. Relatório Trata-se de pedido de restituição do saldo negativo do imposto de renda do ano-calendário de 2001, no valor de R$ 4.123.625,28, cumulado com pedidos de compensação. A autoridade administrativa fundamentou o indeferimento do pedido de acordo com as seguintes razões: a) Consta no despacho decisório que o saldo negativo apontado na respectiva DIPJ é de R$ 4.282.617,30 e que o valor de R$ 4.123.849,94 refere-se a IRRF; b) Avaliando a ficha 11 da DIPJ (cálculo do IR mensal por estimativa), conforme fls. 19 do processo 13854.00033912002-87, a contribuinte deveria ter recolhido no mês de novembro o valor de R$ 1.467.869,32 e no mês de dezembro, o valor de R$ 1.199.893,24; c) Verificando-se as informações prestadas na DCTF do ano-calendário de 2001, a contribuinte declarou que para novembro compensou o valor de R$ 1.387.682,02 (...) e efetuou pagamento de R$ 80.187,30 (fl. 137) e que efetuou o pagamento de dezembro de 2001 (fl. 138). Do valor informado como compensado, R$ 999.085,20 refere-se ao saldo negativo do ano-calendário de 2000 e R$ 388.596,82 refere-se ao saldo negativo do IR do ano-calendário de 1998; d) Com base em consulta ao sistema SIEF pagamento e contacor PJ, mesmo tendo a contribuinte declarado o pagamento em DCTF, o mesmo não foi comprovado nos sistemas da SRF (fls. 139 e 160); e) Compensação indevida com saldo negativo de IR do ano-calendário de 1998: Com base na ficha 13 da DIPJ do ano-calendário de 1998, no montante de R$ 352.490,72, que se refere ao IRRF do período, foi identificado, por meio de consulta ao SAPLI (fls. 140/142) que a contribuinte efetuou uma compensação indevida com prejuízo fiscal no cálculo do lucro real ajustado no período (ficha 10). Esta compensação sofreu revisão interna na SRF para respeitar o limite de 30% sobre o lucro apurado no exercício. Após as correções na Demonstração do Lucro Real Ajustado e do Cálculo do IR sobre o lucro real ajustado, conforme fls. 143/144, foi apurado IR a pagar no valor de R$ 8.281.823,26, o que inviabiliza a compensação efetuada pela contribuinte no IR estimativa, relativo a novembro de 2001, no montante de R$ 388.596,82; f) Compensação indevida com saldo negativo de IR do ano-calendário de 2000: Analisando-se a compensação efetuada no IR estimativa de novembro de 2001, a contribuinte utilizou R$ 999.085,20 do suposto crédito do IRPJ do ano-calendário de 2000. Verificando-se os demais pedidos de restituição/compensação e as declarações de compensação da contribuinte, verifica-se que no processo 13854.000317/2002-17 foi analisada a certeza e liquidez do crédito. Conforme cópia do despacho decisório, de fls. 147/154, o crédito não foi reconhecido. g) Da revisão do lucro real ajustado do ano-calendário de 2001 pela fiscalização externa da SRF: Através de consulta ao SAPLI, de fls. 155/156, a contribuinte passou por procedimento de fiscalização externa relativo a esse ano; como resultado foi alterado o lucro real ajustado de R$ 10.438.837,47 para R$ 27.204.977,64; o processo respectivo 16327.000864/2004-11 foi contestado e encontra-se em litígio no 1° CC; recompondo-se a apuração do lucro real ajustado e respectivo IR, o suposto saldo negativo de 2 Processo o' 13854.000044/2002-19 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.154 Fl. 2 IR de R$ 4.282.617,30 transformou-se em IR a pagar, no valor de R$ 1.341.479,41. Conclui que não é possível considerar como líquido e certo o crédito pleiteado, bem como a homologação das compensações. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual contesta os fundamentos contidos no despacho decisório. A Turma Julgadora indeferiu a solicitação da contribuinte. Consta na decisão de primeira instância que em relação ao ano-calendário de 2001, em relação à ficha 12A, na linha 13, o valor informado na DIPJ e o apurado pela autoridade fiscal não apresentam divergências; que no que concerne às linhas 05 e 08, cujos valores foram glosados pela autoridade fiscal, não houve contestação por parte da interessada, razão pela qual deveriam ser mantidos, conforme efetuado na revisão da declaração de rendimentos; com relação aos montantes informados nas linhas 01 (IR) e 03 (adicional), os montantes foram retificados de R$ 1.533.158,89 (fl. 158) para R$ 3.293.603,61 e de R$ 998.105,93 para R$ 2.171.735,74, em virtude de ajustes efetuados na base de cálculo do IR; referidos ajustes decorreram do processo 16327.000864/2004-11, que se encontrava em tramitação no 1° CC (fl. 420). Consigna que o ajuste efetuado pela autoridade fiscal (fl. 156/157) reflete diretamente na apuração do lucro real, conforme extrato de fl. 158. Assim, não poderia a análise do caso estar desvinculada da decisão proferida no auto de infração. Conclui que os montantes apurados nas linhas 01 e 03 da ficha 12 A estão corretos. Quanto à glosa do valor informado na linha 16 da ficha 12 A decorreria de: (i) não recolhimento das estimativas dos períodos de apuração de novembro e dezembro de 2001, (ii) indeferimento do reconhecimento dos saldos negativos de IRPJ dos anos-calendário de 1998 e 2000, utilizados para compensação da estimativa do PA de 11/2001. Explica que quanto ao saldo negativo do ano-calendário de 1998, o ajuste decorre de irregularidade cometida pela contribuinte em virtude de excesso de compensação (fl. 143) em desrespeito à trava de 30% determinado pelo art. 15 da Lei 9.065/95. Em virtude do ajustamento da base de cálculo do IR sobre o Lucro Real, o saldo do período passou de saldo negativo para IR a pagar no montante de R$ 8.281.823,26 (fl. 176), cujo reflexo é a inviabilidade da compensação efetuada no valor de R$ 388.596,82, referente ao PA 11/2001, com o saldo do ano-calendário de 1998. Registra que em relação ao saldo negativo do IRPJ do ano-calendário de 2000, houve indeferimento do pleito da interessada, conforme já relatado no despacho decisório de fls. 167/179, não se constituindo de crédito passível de compensação, e que referido pleito, conforme decisão prolatada naquele processo foi indeferido. Sobre os débitos dos períodos de apuração de novembro e dezembro de 2007, em que a contribuinte afirma que estão incluídos no PAES e o montante correspondente ao saldo negativo do IRPJ do ano-calendário de 1998, incluídos no programa REFIS, não estão comprovados nos autos, e por isso, não poderiam ser reconhecidos para o período em questão. Em relação à argumentação de que não há nos cálculos realizados pela autoridade fiscal qualquer lançamento de ajuste ou compensação entre o débito apurado e o saldo negativo, não merecia acolhimento, tendo em vista que pelo demonstrativo de fl. 158, foram considerados os valores informados na DIPJ, apurados e reconhecidos pelo fisco. 3 A ciência da decisão ocorreu em 05.05.2008 e o recurso foi apresentado em 04.06.2008. Reitera a argumentação apresentada na manifestação de inconformidade, no sentido de absoluta desvinculação do auto de infração ao presente pedido de restituição e compensações a ele vinculadas, por entender que a exigência fiscal lançada no auto de infração não alterou ou invalidou os saldos negativos do IRPJ. Ainda que fosse vencida no auto de infração, tal hipótese não implicaria em outros efeitos senão o de sujeitá-la ao pagamento do crédito lançado. Informa que em sessão plenária de 26.04.2007, a 1' Câmara do 1° CC, deu provimento parcial ao recurso, e que a PFN interpôs recurso especial de divergência, que aguarda julgamento, em relação à parte do crédito tributário excluído do lançamento. Com relação ao saldo negativo do ano-calendário de 1998, diferentemente do que alega a Turma Julgadora, a recorrente argumenta que não desrespeitou a trava de 30% determinada pelo art. 15 da Lei 9.065/95. Diz que a trava tanto foi respeitada que apurou e pagou por meio do programa REFIS, o valor de R$ 8.634.313,94 e não R$ 8.281.823,26. Acrescenta que se pagou R$ 8.634.313,94 e não R$ 8.281.823,26, não entende por que seria inviável a compensação efetuada no valor de R$ 388.596,82, que resultaria da aplicação da taxa selic ao saldo negativo de R$ 352.490,72, a partir de janeiro de 1999 até dezembro de 2001. Quanto à decisão exarada pela DRJ, nos autos do processo 13854.000317/2001-17, objeto do acórdão 14.900, de 26.09.2007, argumenta que interpôs recurso voluntário, em 28.03.2008, razão pela qual, requer a reunião dos processos, para que ambos sejam analisados e julgados pela mesma Câmara destinatária do recurso voluntário apresentado naquele processo (13854.000317/2002-17), em razão da prevenção, de modo a evitar decisões conflitantes. Sobre os débitos de R$ 80.187,30, referentes ao saldo a pagar de IRPJ declarado em DCTF de novembro de 2001, e R$ 1.199.893,23, referente ao saldo de IRPJ declarado na DCTF de dezembro de 2001, discorda da DRJ de que a inclusão no PAES não esteja comprovada, uma vez que apresentou o doc. 4, anexado à manifestação de inconformidade, e que se ainda restasse dúvida, bastaria acessar o sistema da SRF. Também diz ser equivocado e injusto o não reconhecimento da inclusão no REFIS do IRPJ apurado em dezembro de 1998, pois é o que consta no doc. 5 da manifestação de inconformidade. Conclui o seguinte: a) O processo 16327.000864/2004-11 foi julgado favoravelmente à contribuinte pela 1' Câmara do 1° CC. b) O saldo negativo de IR apurado na declaração de rendimentos de 1998 existe em razão de o IRPJ de dezembro ter sido incluído e pago no REFIS e PAES; c) O IRPJ de novembro de dezembro de 2001 foi incluído no PAES, portanto, o direito creditório pleiteado existe. Pede ao final: 4 Processo n° 13854.000044/2002-19 SI-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.154 Fl. 3 a) Seja reconhecido o direito creditório referente ao saldo negativo apurado no ano-calendário de 2001, bem como sejam homologadas as compensações; b) Caso assim não se entenda, requer seja determinada a conversão do julgamento em diligência, para que o órgão julgador de primeira instância reaprecie a matéria, à luz das premissas apresentadas no recurso e resumidas no tópico "conclusão"; c) Ou que seja determinado o sobrestamento do feito com a conseqüente suspensão da exigibilidade dos valores cuja compensação requer, até o final do julgamento do processo 16327.000864/2004-11. É o relatório. Voto Conselheira ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Relatora O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de pedido de restituição do saldo negativo do ano-calendário de 2001, valor de R$ 4.123.625,28, formulado em 30.01.2002. A autoridade administrativa e a Turma Julgadora não reconheceram o saldo negativo. A tabela abaixo evidencia as razões pelas quais o crédito não foi reconhecido e as alegações contidas no recurso. Período Autoridade admin./TJ Recurso Estimativa de 11/2001: - Não localizou o pagamento de valor devido: R$ R$ 80.187,30 (11/2001) e de R$ Apresentou na MI cópia de extrato de dívida PAES (doc. 4), de fls. 371, 1.467.869,32; informou 1.199.893,24 (12/2001); consolidada em 31.07.2003, e na DCTF, o pagto. de R$ - por haver glosa de demonstrativo dos débitos consolidados 80.187,30 e compensação de prejuízos em (fl. 9/9) de fls. 372, onde consta que compensação de R$ 1998 (revisão interna) gerou para os períodos de apuração de 1.387.682,02. imposto a pagar e não há saldo novembro e dezembro de 2001, no Do valor compensado, negativo que possa ser código 2362, os valores de R$ R$ 999.085,20 o foi com compensado; 80.187,30 e R$ 1.199.893,23, o saldo negativo de 2000 - TJ decidiu que a empresa não respectivamente; e R$ 388.596,82 com o comprovou a inclusão no PAES saldo negativo de 1998. e no REFIS dos débitos dos PA a-c 98: Apresentou na MI, de 11 e 12/2001 e de débito do demonstrativo dos débitos consolidados Estimativa de 12/2001: a-c 1998, que geraria o saldo no REFIS, com a descrição do código valor devido: R$ negativo; de receita 2362, PA 12/98, no valor 1.199.893,24; informou - do compensado com saldo principal de R$ 8.634.313,94. na DCTF que pagou. negativo de 2000, o crédito não foi reconhecido no proc. - Saldo negativo de 2000: Em discussão 13854.000317/2002-17. no CARF. Pede a reunião dos processos. 5 - Passou a ter imposto a pagar - O processo 16327.000864/2004-11 Empresa apurou saldo em função de lançamento por está em discussão no CARF, com negativo no ano- meio de auto de infração que decisão favorável em parte, sendo que calendário de 2001. está em discussão no CARF — houve interposição de recurso especial proc. 16327.000864/2004-11. de divergência, para parte do crédito (mesmo com a dedução do tributário excluído pela Câmara. IRRF). -Também teria havido glosa na - Afirma que são processos revisão interna do PAT de R$ independentes. 6.928,03 e R$ 15.331,59. (fls. 157/158); - glosa do valor informado como estimativas de R$ 2.667.762,56 Conforme se constata na tabela acima, uma das razões para o indeferimento do pedido de restituição é a falta de comprovação do pagamento/compensação dos débitos relativos a estimativas dos períodos de novembro e dezembro de 2001. Para a estimativa do IRPJ de novembro de 2001, no valor de R$ 1.467.869,32, a contribuinte informa que efetuou pagamento de R$ 80.187,30 por meio de sua inclusão no PAES e que compensou o valor de R$ 1.387.682,02, sendo que desse valor, R$ 999.085,20 foi compensado com saldo negativo do ano-calendário de 2000 e R$ 388.596,82 com o saldo negativo de 1998. O saldo negativo do IRPJ do ano-calendário de 1998, segundo a contribuinte, existiria porque teria incluído no programa REFIS a importância de R$ 8.634.313,94 do período de apuração de dezembro de 1998, conforme demonstrativo dos débitos consolidados no programa REFIS, com descrição do código de receita 2362, PA 12/98, com esse valor, cujo doc. 5 apresentado na manifestação de inconformidade, constituir o doc. de fls. 374 dos autos. Para a estimativa de IRPJ de dezembro de 2001, no valor de R$ 1.199.893,24, cujo pagamento não foi localizado, a contribuinte informa que o incluiu no PAES. Como prova da inclusão dos débitos no PAES, apresentou com a manifestação de inconformidade, doc. de fls. 371, que refere-se a extrato de dívida PAES, consolidada em 31.07.2003, e demonstrativo de débitos consolidados, de fls. 372, onde consta os períodos de apuração de novembro e dezembro de 2001, no código, 2362, nos valores de R$ 80.187,30 e R$ 1.199.893,23, respectivamente. Esses documentos foram indicados na manifestação de inconformidade como doc. 4. Informa ainda a contribuinte, que posteriormente, com a desistência do REFIS, o saldo do débito do IRPJ de 12/98 foi transferido para o PAES (doc. de fls. 375). Sobre a inclusão dos débitos mencionados no PAES e no REFIS, a contribuinte se manifesta no recurso da seguinte forma: Com relação aos débitos de R$ 80.187,30, referentes ao saldo a pagar de IRPJ declarado na DCTF de novembro de 2001 e R$ 1.199.893,23, referentes ao saldo a pagar de IRPJ declarado na DCTF de dezembro 2001, alega a 7' Turma que a inclusão no PAES não está comprovada nos autos, (6 Processo n° 13854.000044/2002-19 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.154 Fl. 4 Pasmén! Isso foi claramente apresentado no doc. 4 anexado à Manifestação de Inconformidade. E se ainda que restasse alguma dúvida, bastaria acessar o sistema da SRF, ao qual aos Ilustres Julgadores têm pleno acesso. Nesse sentido, mais do que equivocada, a decisão da 7' Turma é absolutamente injusta em relação ao não reconhecimento da inclusão, no PAES, dos valores de IRPJ de novembro e dezembro de 2001 indicados acima. Também é equivocado, e injusto, o não reconhecimento da inclusão no REFIS do IRPJ apurado em dezembro de 1998, pois é o que consta no doc. 5 da Manifestação de Inconformidade. A Tunna Julgadora assim se manifestou na decisão: Afirma a contribuinte que os débitos dos PA de 11 e 12/2007 (sic — é 2001) estão incluídos no PAES e o montante correspondente ao saldo negativo do IRPJ, do ano-calendário de 1998, incluído no REFIS, não estão comprovados nos presentes autos, e, por isso, não poderão ser reconhecidos para o período em questão. Essa frase está confusa, pois da forma como está escrita parece que a contribuinte é que afirma que a inclusão dos débitos no programa REFIS e no PAES não está comprovada. Acredito que a Turma Julgadora quis dizer que a inclusão dos débitos no PAES e no REFIS é que não está comprovada nos autos. Nota-se que a Turma Julgadora não examinou a documentação apresentada na manifestação de inconformidade e não justificou suas razões para considerar que a inclusão dos débitos não está comprovada. Nestes termos, oriento meu voto para anular a decisão de primeira instância, para que outra seja proferida com o exame dos documentos relativos à inclusão de débitos no PAES e REFIS e de suas conseqüências na apuração do saldo negativo do ano-calendário de 2001, se houver. ALBERTINA S LVí7SANTOS LIMA 7
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Numero do processo: 10805.904561/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES.
De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES Recorrente LAB HORMON LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS HORMONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 45 61 /2 01 1- 39 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10805.904561/201139 Acórdão n.º 1401002.250 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 03054.191, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14397.98340.310107.1.3.046471, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do IRPJ, PA 30/06/2001, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR fl. 18). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Francisco Ferreira Neto), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27) em 19/10/2010, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e escorandose em jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte: vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a nova redação dada pela Lei n° 10.684/2003, alterou a alíquota de 12% para 32%, exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL; após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta (anexa), verificouse que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade do contribuinte, ao invés de aguardar o depósito em conta bancária do valor a restituir optou pela compensação; a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante, foram externadas nas DCTF relativas à época, no entanto, como a IN/SRF e a Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos; com a edição da IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF n° 480/2004, a interessada foi equiparada a "serviços hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente; os impostos e as contribuições já pagas foram recalculadas e se verificou pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de compensação; uma vez que a IN/SRF n° 539/2005 atribuiu nova interpretação a lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão; uma vez que já havia pago os respectivos DARF e lançado em DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época, o sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de identificar o pagamento a maior; Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10805.904561/201139 Acórdão n.º 1401002.250 S1C4T1 Fl. 4 3 para se verificar o pagamento a maior, a fiscalização deverá examinar a aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à maior. Por ultrapassar o qüinqüênio, está impedida de prestar estas informações através de retificadora de DCTF; não bastasse toda a legislação que dá amparo legal para que procedesse a compensação com estes novos créditos apurados, resta ainda trazer à baila o Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA, elaborado especialmente pela interessada (anexo), no Processo Administrativo n° 10805.000720/200403; a resposta ofertada à consulta contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o contribuinte a proceder com o novo enquadramento e reconhece o pagamento a maior efetuado ao longo do tempo; o Ato de NãoHomologação deve ser anulado e a fiscalização deve oportunizar a interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante apurado, com os devidos documentos fiscais que podem ser livremente exigidos por intimação; a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007, revogou a redação dada pela IN/SRF nº 539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta; outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim, certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias que cercam a interessada, esta não procurou obter vantagem indevida ou se aproveitar do instituto da restituição e da compensação para se livrar de suas obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação. Por fim, requer seja conhecida e julgada procedente esta interposição, anulando a decisão administrativa que nãohomologou as compensações realizadas, restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 03054.191, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10805.904561/201139 Acórdão n.º 1401002.250 S1C4T1 Fl. 5 4 Cientificada da decisão da DRJ na data de 04/11/2013 via ARECF de efls. 82 e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/12/2013 (efls. 92 a 101), conforme protocolo de efl. 92, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos seguintes pontos: É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a recorrente não teria direito à aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de analisar concretamente o caso para apenas expor a legislação tributária de caráter geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa sob o fundamento de que somente indústria pode formular tal pedido, sem se perguntar se a empresa é, ou não, indústria. Outrossim, a recorrente reproduz a ementa da DRJ, que indica que o fundamento para indeferir o direito creditório pautase na falta de apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte: Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado na decisão hostilizada, que o fato se subsume à norma, faz juntar os documentos expedidos pelos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis pela fiscalização e controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente. Assim, não havendo divergência quanto ao direito invocado e aplicado, a questão se resume à matéria de fato, cuja prova conduz à reforma da decisão combatida. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.246, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.902133/201091. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.246): O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No presente processo, devese avaliar se a atividade exercida pela empresa se enquadra no conceito de atividades hospitalares, para que possa tributar o IRPJ e a CSLL se servindo da base de presunção de tais atividades. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10805.904561/201139 Acórdão n.º 1401002.250 S1C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores, aplicada às empresas que exercem atividades hospitalares (Lei nº 9.249/1995): IRPJ Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... CSLL Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10805.904561/201139 Acórdão n.º 1401002.250 S1C4T1 Fl. 7 6 jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) Como se pode ver, a redação contemporânea à realização dos fatos geradores permitia que os serviços hospitalares poderiam se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É de se notar, também, que não havia nenhuma outra condição para tal enquadramento. Em resposta à consulta formulada por meio do processo administrativo nº 10805.000720/200403, a Receita Federal estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse se enquadrar nas atividades de serviços hospitalares. Veja as conclusões da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT/Nº 273, de 15 de agosto de 2006 (efls. 46 a 53): (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta) 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de calculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido, respectivamente; 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresaria que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; (destaquei) 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10805.904561/201139 Acórdão n.º 1401002.250 S1C4T1 Fl. 8 7 concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. (destaquei) (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta) Como visto, para que a empresa pudesse ter o direito ao enquadramento nas alíquotas de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por licença sanitária estadual ou municipal. Independentemente das atividades exercidas pela recorrente, vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada licença nº 0208/2003 remete aos idos de 2003 (10/06/2003), período posterior ao crédito aqui solicitado. Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta, não haveria como atestar que, no período objeto dos créditos solicitados, a recorrente se enquadrava nas condições estabelecidas pela Receita Federal. Não obstante o entendimento exarado pela Receita Federal, todavia, não posso compartilhar com tal decisão. O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº 217, entendeu que a atividade hospitalar caracterizase tão somente pela prestação de serviços de atendimento à saúde, e independe do local de prestação, excluindose desta regra, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1 Dentre forma, os serviços de diagnóstico, tratamento, internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles, enquadramse como serviços hospitalares nos termos do art. 15, III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995. 1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10805.904561/201139 Acórdão n.º 1401002.250 S1C4T1 Fl. 9 8 Como a alegação da Receita Federal e da DRJ para o indeferimento do crédito pleiteado pela empresa pautouse na falta de apresentação de licença sanitária contemporânea aos fatos geradores e, uma vez vencida tal proposição pelo STJ, concluo que a referida empresa se enquadra no conceito de serviços hospitalares, podendo usufruir das alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e de 12% (doze por cento), para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721137/2013-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Tratamse de Recursos Voluntários apresentado pelos Contribuintes Solidários em face do acórdão nº 1458.654, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de Auto de Infração de IPI, no valor de R$ 2.578.876,04, em virtude de o sujeito passivo não ter feito a apuração do imposto, não escriturou o livro fiscal próprio, não cumpriu com obrigações acessórias e não recolheu o IPI, conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 7056/7066. Conforme itens 13 a 15 do referido termo, fl. 7058, a autuada é contribuinte do IPI por equiparação e, portanto, obrigada a apuração e recolhimento do imposto. A autoridade fiscal qualificou a multa de ofício em virtude do não recolhimento do IPI, uma vez que o sujeito passivo não escriturou o Livro Registro de Apuração do IPI, bem como não declarou em DCTF, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 13 7/ 20 13 -5 2 Fl. 8114DF CARF MF Processo nº 19515.721137/201352 Resolução nº 3201001.192 S3C2T1 Fl. 8.115 2 o valor do IPI devido, o que caracterizaria, em tese, o crime de sonegação fiscal, previsto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64. A autuada foi cientificada em 04/06/2013 e, irresignada, apresentou sua impugnação em 03/07/2013, fls. 7165, deduzindo como argumento de defesa, o que segue. 1. que a impugnante não é contribuinte do IPI; 2. que há errônea eleição do sujeito passivo, pois deveria figurar no pólo passivo a filial, em razão da autonomia dos estabelecimentos; 3. Que não cabe a aplicação da multa qualificada, pois não comprovado o evidente intuito de fraude; Em virtude de pagamentos de contas pessoais ou transferências bancárias de valores, a autoridade fiscal considerou presentes os requisitos legais para enquadramento dos citados abaixo como responsáveis solidários. BENEDITO ANTONIO DE OLIVEIRA, CPF nº 886.086.03853, Termo de Responsabilidade Tributária Passiva, fls. 7047. Ciência em 04/06/2013, com fundamento no artigo 135, III do CTN. Impugnação apresentada em 04/07/2013, fl. 7184. JASON PAULO DE OLIVEIRA, CPF nº 130.416.87860, Termo de Responsabilidade Tributária Passiva, fls. 7049. Ciência em 01/06/2013, com fundamento no artigo 124 do CTN. Impugnação apresentada em 04/07/2013, fl. 7265. JOÃO PAULO DE OLIVEIRA, CPF nº 107.863.72885, Termo de Responsabilidade Tributária Passiva, fls. 7053. Ciência em 03/06/2013, com fundamento no artigo 124 do CTN. Impugnação apresentada em 03/07/2013, fl. 7316. J.P. DISTRIBUIDORA DE INSUMOS AGROINDUSTRIAIS EIRELI, CNPJ nº 03.309.017/000113, Termo de Responsabilidade Tributária Passiva, fls. 7135. Ciência em 01/06/2013, com fundamento no artigo 124 do CTN. Impugnação apresentada em 02/07/2013, fl. 7410. KOLOVEC DO BRASIL DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. CNPJ n° 07.123.803/000182, Termo de Responsabilidade Tributária Passiva, fls.7134. Ciência em 03/06/2013, com fundamento no artigo 124 do CTN. Impugnação apresentada em 02/07/2013, fl. 7528. SON REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA., CNPJ n° 08.753.190/000120, Termo de Responsabilidade Tributária Passiva, fl. 7133. Ciência em 01/06/2013, com fundamento no artigo 124 do CTN. Impugnação apresentada em 02/07/2013, fl. 7433. SONIA MARIA RIBEIRO DE OLIVEIRA, CPF n° 103.831.91882, Termo de Responsabilidade Tributária Passiva, fs. 7132. Ciência em 01/06/2013, com fundamento no artigo 124 do CTN. Impugnação apresentada em 02/07/2013, fl. 7364. Fl. 8115DF CARF MF Processo nº 19515.721137/201352 Resolução nº 3201001.192 S3C2T1 Fl. 8.116 3 NADIA MACRUZ MASSIH DE OLIVEIRA, CPF n° 151.134.79888, Termo de Responsabilidade Tributária Passiva, fls. 7136. Ciência em 01/06/2013, com fundamento no artigo 124 do CTN. Impugnação apresentada em 02/07/2013, fl. 7222. Nestas impugnações, os responsáveis solidários passivos opõemse aos motivos determinantes de suas responsabilizações, enquadramento legal e provas documentais, objetivando o afastamento da pretensão fiscal. É o relatório Após exame das Impugnações apresentadas pelos Contribuintes, a DRJ proferiu acórdão mantendo o lançamento tributário, mas afastando a responsabilidade solidária dos diversos agentes acima elencados, mantendo, apenas, a responsabilidade do sócio gerente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovada a existência de "interesse comum" dos beneficiários de pagamentos sem causa do sujeito passivo nas operações que constituam o respectivo fato gerador da obrigação principal, não há fundamento jurídico para imputarlhes responsabilidade tributária. RESPONSABILIDADE PESSOAL E SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO À LEI. CABIMENTO. Comprovado nos autos que o sócio gerente agiu com dolo objetivando omitir do conhecimento da autoridade competente débito de imposto, inclusive com descumprimento de obrigações fiscais acessórias e inobservância do princípio da entidade, a aplicação do art. 135, III do Código Tributário Nacional se mostra correta e inafastável. PENALIDADE QUALIFICADA. PRESENÇA DE FUNDAMENTO. A imposição de penalidade qualificada de 150% é aplicável uma vez presente nas ações do sujeito passivo a evidenciação de dolo, fraude ou simulação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Inconformados, o Contribuinte principal CPA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS INDUSTRIAIS EIRELI e o Sócio Gerente BENEDITO ANTÔNIO DE OLIVEIRA apresentaram Recursos Voluntários a este CARF, reiterando os argumentos de defesa apresentados. Os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Fl. 8116DF CARF MF Processo nº 19515.721137/201352 Resolução nº 3201001.192 S3C2T1 Fl. 8.117 4 Os Recursos Voluntários são próprios e tempestivos, portanto, deles tomo conhecimento. Inicialmente, necessário examinar o seguinte aspecto da defesa apresentada pelo contribuinte CPA atinente ao seu enquadramento como contribuinte do IPI. O enquadramento da Recorrente como contribuinte do IPI foi assim fundamentado pela Fiscalização: 13. Nos termos do artigo 4º do Decreto nº 4.544 de 26/12/2002 (RIPI/2002), caracterizase industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto ou o seu aperfeiçoamento para o consumo. Nos termos do artigo 9º, inciso IV, do mesmo Decreto temos que, equiparase a estabelecimento industrial, os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiros, mediante remessa, por eles efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos. 14. Nos termos do artigo 24, inciso III do RIPI/2002 são obrigados ao pagamento do IPI como contribuinte o estabelecimento equiparado a indústria, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem assim quanto aos demais fatos geradores que decorram de ato que praticar. 15. Através das notas fiscais apresentadas constatamos que a maior parte das mercadorias foram compradas (pela filial) da empresa Rhodia Poliamida e Especialidades Ltda, foram industrializadas pela empresa Fama Produtos Químicos Ind e Com Ltda e foram vendidas pela matriz. As correspondentes notas fiscais de vendas apresentam os destaques do IPI. Pela industrialização, considerando a legislação citada no item anterior, a Empresa CPA equiparase a estabelecimento industrial, ficando obrigada ao pagamento do IPI quanto à venda de seus produtos. Quanto a esse aspecto, a Recorrente não se insurge em relação à constatação de equiparação à industrial. Contudo, argumenta que, na hipótese dos autos, apenas o estabelecimento filial poderia ser equiparado à contribuinte do IPI, pois é este que dá saída de produtos industrializados por terceiros. E, no caso, o autuado foi o estabelecimento matriz. Em razão do exposto, esta Turma, por meio da Resolução nº 3201000.886, de 27 de abril de 2017,optou pela conversão do feito em diligência nos seguintes termos: Pelo exposto, entendo necessária a conversão do feito em diligência para que a Autoridade Preparadora esclareça, dentre os valores lançados, quais se referem à matriz, e quais dizem respeito às operações da filial, efetuando o devido segregamento, acrescentando demais informações ou justificativas entendidas como pertinentes. Após, concedase o prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte acerca do resultado da diligência, com posterior devolução dos autos para julgamento. Fl. 8117DF CARF MF Processo nº 19515.721137/201352 Resolução nº 3201001.192 S3C2T1 Fl. 8.118 5 Todavia, pelo exame dos autos verifico que, muito embora a diligência tenha sido realizada, o Contribuinte não foi intimado do resultado da diligência, não lhe tendo sido oportunizada manifestação. Desse modo, necessária a nova conversão do feito em diligência para que concedase o prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte acerca do resultado da diligência, com posterior devolução dos autos para julgamento. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 8118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.900246/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-002.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1831; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.900246/200961 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.214 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR Recorrente INSTITUTO DE RADIOLOGIA DE PRESIDENTE PRUDENTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 02 46 /2 00 9- 61 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10835.900246/200961 Acórdão n.º 1401002.214 S1C4T1 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ/CSLL. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiamse no entendimento que, sendo empresa prestadora de serviços de radiologia, estes seriam equivalentes aos serviços hospitalares prestados e, assim, ao invés de estar sujeito às alíquotas de lucro presumido no percentual de 32%, estaria submetida às alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. A compensação não foi homologada pela Delegacia de Origem com base na alegação constante no Despacho Decisório. Ou seja, os serviços prestados pela recorrente não seriam caracterizados como serviços hospitalares em função de a empresa não possuir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atendimento de casos de internação de pacientes para tratamento de saúde. Assim, os serviços por ela prestados não poderiam se submeter aos percentuais estabelecidos para os serviços hospitalares. Inconformada com a nãohomologação das compensações a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual argumenta que realizou consulta à SRRF, formulada sob o nº 10835.001313/200610, com vistas a esclarecer o seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares e argumentou que realizou a retificação de suas DIPJ, DCTF para que pudesse usufruir dos créditos. A delegacia de julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade emitindo a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ou seja, a Delegacia de Julgamento entendeu que os créditos da empresa não estariam devidamente comprovados com a documentação apresentada pela recorrente. Inconformada com a decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: Da apresentação de novos documentos. Alega que a decisão recorrida considerou que não foi comprovado que os serviços prestados referiamse apenas a serviços de Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10835.900246/200961 Acórdão n.º 1401002.214 S1C4T1 Fl. 0 3 radiologia e radiodiagnóstico inseridos em seu objeto social. Mas que a documentação apresentada comprovaria o exercício destas atividades e, ainda, apresenta cópia do razão e declaração do contador da empresa, pelo que suscita que seja aceita a referida documentação como suficiente para caracterização dos serviços da empresa; Da realização de diligência. Entende que tendo em vista a apresentação dos novos documentos e que essa apresentação é possível em sede de recurso voluntário, haja vista que essa alegação somente foi trazida pela decisão da DRJ e, mais ainda, conforme farta jurisprudência que admite esta apresentação posterior. Do ônus da apresentação de prova impossível. Entende a empresa que a Delegacia de Julgamento pretende a formação de prova impossível visto que, mesmo que apresentasse todas as notas fiscais da empresa ainda assim não seria possível comprovar que somente realizou serviços indicados no seu objeto social. Nulidade por vícios formais. Entende que a decisão que considerou não homologadas as compensações padece de vícios, vez que indicou apenas o dispositivos que tratam da não homologação das compensações sem que exista dispositivo legal que constitua o crédito tributário. Do fato de a empresa não ser sociedade empresária e dos serviços realizados. Neste ponto apresenta farta jurisprudência deste CARF e do STJ, nos quais encontrase o entendimento de que a redução de alíquota decorre da efetiva prestação de serviços de natureza hospitalar e não do local em que se realizam, com exceção da realização de consultas. Com relação à natureza da sociedade entende que a decisão do STJ, relativa a sociedade simples e que este fato não foi impeditivo do direito, visto que a base para a sua concessão foi a natureza objetiva dos serviços realizados. Traz colações da doutrina no sentido de que a empresa se define mais pela verificação das atividades que desenvolve do que pelo seu simples registro formal. Assim eventual irregularidade seria apenas formal e não impeditiva do exercício do direito. Da natureza dos serviços prestados. Repisa os argumentos já trazidos para indicar que os serviços prestados pela sociedade são, efetivamente de radiologia e radiodiagnóstico. É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.211, de 22.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 10835.901959/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.211): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação acerca de, em face de solução de consulta que reconheceu a possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8%, poder a Receita Federal desconsiderar este direito em razão de alegar a não Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10835.900246/200961 Acórdão n.º 1401002.214 S1C4T1 Fl. 0 4 comprovação da inscrição da empresa como sociedade empresária e do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ..... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10835.900246/200961 Acórdão n.º 1401002.214 S1C4T1 Fl. 0 5 corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. A solução de consulta em que se baseou a empresa para a apuração dos seus créditos assim dispôs sobre os requisitos a serem atendidos para fins de fruição dos benefícios da alíquota reduzida. Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10835.900246/200961 Acórdão n.º 1401002.214 S1C4T1 Fl. 0 6 Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Inobstante, a Delegacia de Julgamento, ao analisar o caso do contribuinte baseou sua decisão nas diversas instruções normativas e atosdeclaratórios existentes a respeito da definição de serviços hospitalares para fins de aplicação da alíquota de presunção. Desta forma, fundamentou a improcedência na necessidade de o contribuinte atender a três requisitos, conforme abaixo apresentados: Ocorre, no entanto que não comungo do entendimento exposado pelo referido órgão julgador. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10835.900246/200961 Acórdão n.º 1401002.214 S1C4T1 Fl. 0 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10835.900246/200961 Acórdão n.º 1401002.214 S1C4T1 Fl. 0 8 Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía estrutura hospitalar para internação e tratamento e não pelo fato de não ter comprovado as atividades, até mesmo porque sequer foi intimada para tanto. Mais ainda, a decisão emitida na solução de consulta, corroborada pela Decisão da Delegacia de Julgamento corroborou o entendimento de que o requisito de estrutura estaria suprido pela apresentação de laudo da vigilância sanitária da jurisdição da recorrente. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.907146/2011-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Cleber Magalhães que votaram por negar provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir a Resolução o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Cleber Magalhães que votaram por negar provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir a Resolução o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. RELATÓRIO Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, houve reconhecimento de direito creditório que foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologado parcialmente a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 07 14 6/ 20 11 -5 1 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10935.907146/201151 Resolução nº 3001000.042 S3C0T1 Fl. 62 2 A recorrente, em manifestação de inconformidade, solicita a extinção do crédito tributário relativo ao despacho decisório, mediante o deferimento da compensação com débitos. Erro no Preenchimento da DCOMP Ao preencher o Per/Dcomp, teria informado que a totalidade de créditos de de PIS seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas, quando, de fato, tais créditos vincularseiam, também, com receitas de exportação. A justificativa do lapso, segundo o raciocínio apontado, decorreria do fato de ter tomado por base os dados da DACON original, a qual não segregou, ou vinculou, a receita interna e externa, mas teria informado de forma mensal totalizada. Ou seja, por ter consignado que os créditos estavam integralmente vinculados a receitas não tributadas no mercado interno, quando deveria ter segregado entre receitas de mercado interno e externo. Origem do Crédito mercado interno não tributado e receita de exportação Argumenta que a totalidade do crédito de PIS a compensar seria oriunda de aquisicões no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas. Quando, em verdade, apenas parte de aquisições ocorreram no mercado interno com receitas não tributadas. Enquanto parcela diversa referiase a receita de exportação. A Ficha 28B, DACON, apresenta informação do crédito de PIS vinculado a receita não tributada no mercado interno e proveniente de exportação, assegurando a legitimidade do crédito de PIS. Documentos anexados Foram anexados a estes autos: cópia parcial da DACON originária, referente ao terceiro trimestre de 2004 e cópia parcial da DACON do mês de janeiro de 2006 e Per Dcomp. DRJ/FOR A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0833.003 4ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS TIPO DE CRÉDITO. DISCRIMINAÇÃO. PER/DCOMP. O Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação exigem a formulação de pleitos distintos quando da demonstração de créditos de natureza não cumulativa decorrentes de aquisição no mercado interno e de receitas de exportação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório da mencionada decisão, por bem retratar o assunto, é trazido em sua integralidade. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10935.907146/201151 Resolução nº 3001000.042 S3C0T1 Fl. 63 3 Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada em oposição ao Despacho Decisório (fl. 34) que deferiu parcialmente o crédito demonstrado no PER/DCOMP nº 08895.99656.310308.1.1.113232 e homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 28617.15089.310308.1.3.110691. O primeiro PER/DCOMP acima citado continha o Pedido de Ressarcimento e a demonstração do crédito referente a Cofins não cumulativa vinculada a receita não tributada no mercado interno, relativamente ao 2º trimestre de 2005, e lastreava as compensações intentadas. O Despacho Decisório não homologou as compensações sob a justificativa de que o crédito apurado foi inferior ao requerido, sendo o valor reconhecido insuficiente para extinguir os débitos declarados. Cientificado da decisão em 17/01/2012 (fl 38), o interessado apresentou em 26/01/2012 a Manifestação de Inconformidade de fls. 2/5 arguindo, em síntese que equivocouse, em duas ocasiões, a saber. Primeiramente, no preenchimento do demonstrativo no PER/DCOMP que discrimina o direito creditório, ao indicar que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, de fato, parte do crédito pleiteado decorria de receitas de exportação. Em segundo lugar, alega que cometera o equívoco de preencher o Dacon do período em questão sem segregar os valores de crédito associados a receitas internas daqueles decorrentes de vendas ao mercado externo. Alega, contudo que no Dacon do mês de janeiro de 2006 os créditos pleiteados encontramse devidamente vinculados, de forma segregada, entre receitas não tributadas no mercado interno e receitas de exportação. Cientificado da decisão em 38 (fl 38), o interessado apresentou em 26/01/2012 a Manifestação de Inconformidade de fls. 2/5 arguindo, em síntese que equivocouse ao preencher o demonstrativo do crédito no primeiro PER/DCOMP entregue, ao indicar apenas o total do crédito no trimestre, quando deveria ter discriminado o direito creditório mês a mês. Já em trecho de seu voto, destacase tópico no qual expõe a questão central deste caso, a saber: a possibilidade de discussão, em sede de manifestação de inconformidade,sobre a utilização de créditos de natureza distintas; e, a comprovação da existência do crédito alegado. Para tanto, destacase, na primeira tese, os seguintes trechos: De plano, cabe esclarecer que o PER/DCOMP não comporta a utilização de créditos de natureza distintas, como quer o defendente. Se o contribuinte possui créditos decorrentes de aquisições no mercado interno e créditos decorrentes de receitas de exportação deve apresentar um pedido para cada tipo de crédito. Na segunda tese, finaliza sob o seguinte argumento: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10935.907146/201151 Resolução nº 3001000.042 S3C0T1 Fl. 64 4 Destaquese por fim, que o interessado não apresentou, junto com a manifestação de inconformidade, nenhum elemento extraído de seus assentamentos contábeis, visando demonstrar a existência do crédito adicional, no sentido de justificar os alegados erros cometidos no Dacon e no PER/DCOMP. Recurso Voluntário Apresentado a defesa, a recorrente relata que se trata de pedido de compensação cujo resultado foi o indeferimento de parte dos valores, em face do qual, apresenta sua iresignação. Relatou que o crédito reclamado está alocado no mês de competência e estariam vinculados à receitas não tributadas no mercado interno e á atividade de exportação, mas que, conforme relatou em manifestação de inconformidade, reprisando a narrativa da forma como se deu o erro no preenchimento da Per/Dcomp Requer a baixa em diligência para averiguação do crédito tomado. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário que pretende demonstrar a ocorrência de erro no preenchimento de valores em DACON. Em síntese, a recorrente aponta crédito decorrentes de venda não tributada no mercado interno e crédito advindo da atividade de exportação, e pretende aproveitar o crédito mediante compensação. O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A decisão recorrida, conforme relatado acima, sustentase em dois argumentos centrais. O primeiro, de plano, considero superado, pois este Conselho detém competência para analisar as compensações postas no litígio administrativo. O segundo, merecedor de maior atenção, revelase no tema acerca da possibilidade de busca da verdade material por este Tribunal Administrativo. Meios de Prova do Crédito Tributário A recorrente argumenta que seus créditos são legítimos, não indicando porém, nenhum documento comprobatório de sua narrativa. Ao contrário, limitase a repisar os argumento trazidos em manifestação de inconformidade sustentandoos, basicamente, nas DACONs. Em outros julgados, fui adepto à corrente mais formalista, no que tange à possibilidade da juntada de documentos após o início da fase litigiosa, no processo administrativo federal, aceitandoos, tão somente, sob a tutela dos artigos 14 e 16 do Decreto 70.235/72. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10935.907146/201151 Resolução nº 3001000.042 S3C0T1 Fl. 65 5 Esta egrégia Primeira Turma Extraordinária, muito embora, vem aplicando entendimento mais favorável ao contribuinte, motivo pelo qual, arredo posição de decisões anteriores para seguir os precedentes, como ressaltado a seguir: Da proposta de diligência Conforme observase do voto condutor do acórdão recorrido, ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, o interessado indicou como crédito a compensar, o constante de DARF relativo ao IPI do período de apuração de abril de 2005, no valor de R$ 11.253,67, mas que, entretanto, em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse que o valor recolhido, referente ao citado DARF, encontravase inteiramente alocado para a quitação de outros débitos do sujeito passivo e, por conseguinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, notadamente, em razão de o Colegiado a quo concluir que o contribuinte, ao apresentar sua manifestação de inconformidade, não a instruiu com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito creditório pleiteado. O contribuinte, em sua manifestação de inconformidade afirma que "devido a erro de preenchimento da DCTF (...), onde a empresa informou como débito total o valor de R$ 11.253,67 (...) referende ao Débito de IPI do mês de Abril desse mesmo ano, enquanto o valor apurado foi de R$ 6.027, 56 (...), gerouse um pequeno equívoco na constatação da existência do crédito", e que "constatado o erro de preenchimento em sua DCTF, procedemos a retificação da mesma a qual gerou o recibo de entrega nº 12.67.79.26.7273"; logo, "conforme se pode observar, a inexistência do crédito apontada (...) se deu apenas pelo erro cometido pela empresa no preenchimento de sua DCTF referente ao 1º Semestre de 2005". Não obstante o contribuinte, além de reconhecer o evidenciado equivoco e de ter apresentado juntamente com sua manifestação de inconformidade, a cópia da DCTF retificadora do período de apuração em questão e do PER/DCOMP, verdade é que com a apresentação do recurso voluntário de que se cuida, o recorrente colaciona as cópias: do livro Registro de Apuração do IPI, Modelo 8, do anocalendário de 2005 (fls. 125 a 151), da PER/DCOMP 09262.56375.310805.1.3.04 5123, transmitida em 31.08.2005, acompanhada dos respectivos DARF e comprovante de recolhimento bancário (fls. 152 a 160), da DCTF/SEMESTRAL 100.0000.2010.2080235820 referente ao 1º Semestre de 2005 Número do Recibo 41.72.69.01.9197, recepcionada e processada em 30.08.2010 (fls. 161 a 276), do Despacho Decisório Nº de Rastreamento 861818943, emitido em 19.04.2010 (fl. 282). Em face do exposto, e do possível erro quando do registro dos fatos contábeis na sua escrituração, com reflexo no preenchimento da DCTF, que, ao menos em tese, deveriam ser sanados de ofício, mediante a confirmação da aludida DCTF, mas que não se observa a manifestação conclusiva da autoridade fiscal competente para se pronunciar sobre referido documento DCTF retificadora e tendo em vista verossimilhança das alegações do contribuinte e em homenagem aos princípios da formalidade moderada e da verdade real, que, nas circunstâncias observadas nestes autos, devem nortear o processo Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10935.907146/201151 Resolução nº 3001000.042 S3C0T1 Fl. 66 6 administrativo fiscal de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, em consonância, inclusive, com os termos do recente Acórdão 9303005.096, da 3ª Turma da CSRF, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a autoridade preparadora da unidade fiscal de origem analise os O recurso voluntário e, caso entenda necessário, intime o recorrente a comprovar a pertinência e veracidade das alegações mencionadas em suas peças de defesa, de modo a não só confirmar a existência do indébito alegado, mas, sobretudo, para demonstrar o acerto quanto à apresentação da DCTF retificadora Neste sentido, Robson Bayerl, nos autos do processo n.º 13502.900764/201311 assevera: Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. O caso presente, contudo, escapa aos precedentes acima mencionados, por manterse inerte a recorrente no sentido de apresentação das provas a fim de comprovar existência ao seu direito de crédito, por exemplo, das receitas advindas das atividades de exportação. Faço, portanto, análise que nesta seara de jurisdição administrativa, já em sede recursal, resumese a líde no protagonismo da DACON retificadora e Dcomps. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10935.907146/201151 Resolução nº 3001000.042 S3C0T1 Fl. 67 7 Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10935.907146/201151 Resolução nº 3001000.042 S3C0T1 Fl. 68 8 postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10935.907146/201151 Resolução nº 3001000.042 S3C0T1 Fl. 69 9 homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Insuficiência dos documentos No caso dos autos, contudo, os documentos trazidos no Recurso Voluntário, são insuficientes para a comprovação do crédito. Isto porque, a fim de demonstrar seu crédito, é dever da recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Acórdão 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é caso da DCTF. Dos meios para a Comprovação do erro material O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10935.907146/201151 Resolução nº 3001000.042 S3C0T1 Fl. 70 10 fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou. Não indicou, no momento apropriado, conforme se verá no item seguinte, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis e contratuais, que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados de memoriais de cálculo, poderiam servir à apreciação do julgador, e demonstrar, justamente, o real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como no caso, a comprovação de suas vendas para exportação. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão 380302.786 – 3ª Turma Especial Como de sabença, o ônus da prova impende a quem alega. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária Compulsando os autos, observase que foram juntados os seguintes elementos de prova que consideramos relevantes para o deslinde da controvérsia: i)cópia do contrato de câmbio de venda – tipo 04 transferências financeiras para o exterior, celebrado entre a Recorrente e o banco Santander S/A, no valor de R$ 369.032,04, com a empresa Solomon Associates como recebedora no exterior; ii)comprovante de arrecadação da COFINS no valor de R$ 33.793,65, com vencimento em 07/03/2005; iii) cópia da DCTF original transmitida em 05/05/2005; iv) contrato de cancelamento de câmbio junto ao Sisbacen (fl.36/37). Acórdão: 3302002.709 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10935.907146/201151 Resolução nº 3001000.042 S3C0T1 Fl. 71 11 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débitodeclarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado."Logo, a Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10935.907146/201151 Resolução nº 3001000.042 S3C0T1 Fl. 72 12 desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendose necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Em meu entender, a documentação trazida aos autos, tanto em sede de manifestação de inconformidade, com já em sede recurso, não servem às exigências ressaltadas nos acórdãos acima. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila VOTO VENCEDOR Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Preâmbulo Em que pesem os elogiáveis argumentos do Voto Vencido, da lavra do I. Conselheiro Relator, Sr. Renato Vieira de Avila, peço licença, primeiro, para, aqui, em nome da eficiência, reproduzir seu Relatório e, segundo, em divergindo do seu entendimento, para, em breves linhas, explicitar as razões às quais considero que justifica a conversão do presente julgamento em diligência. Da justificativa para a proposta de diligência Como relatado, o caso sob exame referese ao inconformismo do contribuinte, em razão da decisão contida em despacho decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento da contribuição pleiteada com a apresentação do Per/Dcomp, homologando em parte a compensação nele declarada, ao argumento de o crédito apurado ser inferior ao requerido, consequentemente o montante reconhecido pela autoridade fiscal ser insuficiente para extinguir a totalidade do débito declarado pelo interessado. O contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, sustenta que equivocouse quando do preenchimento do demonstrativo anexo ao Per/Dcomp em questão, posto que indicou que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, em verdade, parcela deste crédito decorreria de receitas de exportação; bem assim quando preencheu o respectivo Dacon, pois deixou de segregar os valores dos créditos vinculados às receitas internas daqueles originários das vendas para o mercado externo. Entretanto, o acórdão vergastado manteve o indeferimento do pedido de compensação. Tal indeferimento do pleito está fundamentado em duas premissas. A primeira, Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10935.907146/201151 Resolução nº 3001000.042 S3C0T1 Fl. 73 13 porque o colegiado a quo entendeu que o Per/Dcomp não é instrumento adequado para pleitear créditos de natureza distintas. A segunda, porque a decisão recorrida concluiu que o interessado não apresentou prova hábil suficiente para demonstrar a efetiva existência do crédito adicional, a fim de comprovar os alegados erros cometidos quando do preenchimento do Dacon e do Per/Dcomp, como, por exemplo, os demonstrativos contábeis, conferindo liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação. Portanto, em síntese, o fundamento que norteou a conclusão da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória, como, por exemplo, a escrituração contábilfiscal que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, no Dacon retificador. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, reafirma o cometimento dos equívocos apontados já na sua manifestação de inconformidade, qual seja erro no preenchimento dos respectivos Dacon e Per/Dcomp, razão pela qual apresentou o Dacon, referente ao mês de janeiro de 2006, em substituição do Dacon original, referente ao segundo trimestre de 2005, salientando que na "Ficha 28B" consta a informação, de forma segregada, do crédito da contribuições ao PIS vinculado a receita nãotributada no mercado interno e proveniente de exportação e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório é a insuficiência de crédito reconhecido para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Como o acórdão recorrido proferido pela 4ª Turma da DRJ/FOR indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente reapresentou os elementos de prova que entendeu ser suficiente para a comprovar a compensação declarada no Per/Dcomp 28617.15089.310308.1.3.110691 e no Per/Dcomp 08895.99656.310308.1.1.113232. Pois bem, creio que estarmos diante de um fato jurídico cuja aferição é direta e imediata, haja vista o que expressam as Dacon's em apreço referente ao mês de janeiro de 2006 e ao segundo trimestre de 2005, dada a singeleza do pedido aliada à objetividade das informações coligidas aos presentes autos, para, neste sentido, considerar que existe dúvida razoável quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito declarado, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), o que impõe sua efetiva comprovação, mediante o oferecimento da pertinente escrita contábilfiscal do interessado. Deste modo, com vista a propiciar ao recorrente a oportunidade de comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, firmo a necessidade de o presente julgamento ser convertido em diligência. Da conclusão Do exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235 de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's referentes ao mês de janeiro de 2006 e ao segundo trimestre de 2005, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10935.907146/201151 Resolução nº 3001000.042 S3C0T1 Fl. 74 14 entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon retificadora. Desta forma, os autos devem retornar para a DRF/CASCAVEL. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal diligenciante deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente no Per/Dcomp 28617.15089.310308.1.3.110691 e no Per/Dcomp 08895.99656.310308.1.1.113232. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, em assim desejando, manifestarse quanto aos novos elementos carreados aos presentes autos, no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13910.000050/2005-99
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
Ementa:
DCTF. EXCLUSÃO DO SIMPLES. OBRIGATORIEDADE RETROATIVA DESDE A CAUSA EXCLUDENTE. Estando o contribuinte obrigado à entrega da DCTF, em face de exclusão do Simples, cabível a aplicação da multa por atraso, quando a apresentação da declaração se deu após o prazo regulamentar.
SIMPLES. LEI POSTERIOR PERMISSIVA DA ATIVIDADE. RETROATIVIDADE VEDADA. A LC nº 123/2006 não é considerada lei mais benéfica em relação à Lei nº 9.317/1996 para fins retroatividade daquelas atividades que passaram a ser permitidas com o novo diploma.
Numero da decisão: 1002-000.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 Ementa: DCTF. EXCLUSÃO DO SIMPLES. OBRIGATORIEDADE RETROATIVA DESDE A CAUSA EXCLUDENTE. Estando o contribuinte obrigado à entrega da DCTF, em face de exclusão do Simples, cabível a aplicação da multa por atraso, quando a apresentação da declaração se deu após o prazo regulamentar. SIMPLES. LEI POSTERIOR PERMISSIVA DA ATIVIDADE. RETROATIVIDADE VEDADA. A LC nº 123/2006 não é considerada lei mais benéfica em relação à Lei nº 9.317/1996 para fins retroatividade daquelas atividades que passaram a ser permitidas com o novo diploma.
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JOAQUIM & CIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 Ementa: DCTF. EXCLUSÃO DO SIMPLES. OBRIGATORIEDADE RETROATIVA DESDE A CAUSA EXCLUDENTE. Estando o contribuinte obrigado à entrega da DCTF, em face de exclusão do Simples, cabível a aplicação da multa por atraso, quando a apresentação da declaração se deu após o prazo regulamentar. SIMPLES. LEI POSTERIOR PERMISSIVA DA ATIVIDADE. RETROATIVIDADE VEDADA. A LC nº 123/2006 não é considerada lei mais benéfica em relação à Lei nº 9.317/1996 para fins retroatividade daquelas atividades que passaram a ser permitidas com o novo diploma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 91 0. 00 00 50 /2 00 5- 99 Fl. 92DF CARF MF 2 Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigências vinculadas ao 3º trimestre do anocalendário de 2002, quantificada em R$ 500,00 (quinhentos reais) (efl. 5). Diante da constituição dos lançamentos, protocolouse impugnação (efls. 3) alegando em síntese que, por ser optante da sistemática de recolhimento do Simples, não estaria obrigada à entrega da DCTF no referido período A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 7ª Turma da DRJ/CTA proferise o Acórdão nº 0617.364 (efls. 56/58) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral do crédito tributário. Ato contínuo, irresignada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efl. 80), reiterando a discordância com a cobrança. Afirma ainda que teria pedido o cancelamento da DCTF do 3º trimestre de 2002 (multa por atraso alojada neste processo), bem como procedeu a entrega da DCTF do 3º trimestre de 2003, ano que, segundo compreende, iniciaria a obrigação da entrega. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Passo então a apreciar as alegações da recorrente. Atento aos elementos trazidos ao processo, constato que exclusão do Simples se sucedeu a partir de 01/01/2002, com a justificativa de que a atividade desenvolvida pela recorrente encontravase em desacordo com os dispositivos legais permissivos à adesão. Na espécie, teria o enquadramento cadastral de "atividade de manutenção do físico corporal" (efl. 52). O procedimento desenvolvido, inclusive, guarda coerência com a profissão de um dos sócios classificado como fisioterapeuta (efl. 28). Ao mesmo tempo, em pesquisa à legislação correlata, é perceptível que o exercício da fisioterapia como atividade empresarial permaneceu incompatível com o Simples na vigência da Lei nº 9.317/96. Para chegar a tal conclusão, basta uma consulta à lista anexa ao Resolução CGSN nº 6, de 18 de junho de 2007. De outro lado, certifico que a partir de 2006, a partir da edição da Lei Complementar nº 123/2006 (Simples Nacional), a incompatibilidade deixou de existir. Em face desses fundamentos de fato e de direito, vejo como aplicável ao caso a Súmula CARF nº 81, cuja observância é regimentalmente obrigatória no âmbito deste Conselho: Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13910.000050/200599 Acórdão n.º 1002000.060 S1C0T2 Fl. 3 3 Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Em verdade, sem a alternativa de imprimir efeitos retroativos ao permissivo aberto com a LC nº 123/2006, a penalidade imposta à recorrente pelo atraso na entrega da DCTF referente ao 3º trimestre do anocalendário de 2002 deve ser mantida, sendo consentâneo com os termos do art. 7º da Lei nº 10.426/2002. Ante ao enfretamento de todas as questões pertinentes ao feito, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001831/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
ERRO MATERIAL. CORREÇÃO.
Constatado erro material apontado em embargos inominados impõe-se a correção de Acórdão de Recurso Voluntário por meio de acórdão específico.
Numero da decisão: 1302-002.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e acolhê-los, sem efeitos modificativos, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que foi substituído pelo Conselheiro suplente Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. Constatado erro material apontado em embargos inominados impõe-se a correção de Acórdão de Recurso Voluntário por meio de acórdão específico.
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CORREÇÃO. Constatado erro material apontado em embargos inominados impõese a correção de Acórdão de Recurso Voluntário por meio de acórdão específico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e acolhêlos, sem efeitos modificativos, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que foi substituído pelo Conselheiro suplente Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 31 /2 00 5- 31 Fl. 6374DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos inominados interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil do Rio De Janeiro I (fls. 6354/6356), que apontam que as tabelas de folhas 6318/6323, integrantes do Acórdão de Recurso Voluntário, encontramse recortadas e incompletas. Após uma série de encaminhamentos, a petição foi reconhecida como embargos inominados e o recurso admitido, conforme Despacho de Admissibilidade de Embargos Inominados de folhas 6354/6356. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Às folhas 6318, no voto proferido pelo Relator Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, é iniciada uma transcrição do Recurso Voluntário a partir do item "9" daquela peça até o item "22", perpassando por algumas tabelas, que, como apontado no recurso em análise, foram efetivamente anexadas de forma parcial. Assim, passo a transcrever ipsis litteris a parte prejudicada, sendo que, a partir da folha 6318 in fine e até a folha 6322, também in fine, substituise integralmente o texto e tabelas constantes do Acórdão de Recurso Voluntário embargado: 9. O reconhecimento parcial pela Recorrente das glosas de despesas determinadas pelo Sr. Auditor Fiscal não gerou saldo de IRPJ e CSLL a pagar, tendo em vista a existência de saldo negativo em decorrência de pagamentos por estimativa e recolhimento de IRRF. 10. Nada obstante, o acórdão recorrido entendeu que tais valores não poderiam ser utilizados para pagamento do imposto lançado, com os devidos acréscimos, uma vez que teriam sido utilizados no primeiro trimestre do ano seguinte (2003), nos seguintes termos: "21. É importante ressaltar, que a despeito de a DIPJ 2003 retificadora ano calendário 2002, a teor das pesquisas anexadas às fls. 365/383, não apresentar saldo de imposto a pagar, tendo em vista dela constar IRRF e pagamentos por estimativa, caracterizando saldo negativo de imposto de renda, estes valores não podem ser utilizados como dedução de imposto em face de os mesmos terem sido utilizados na extinção do crédito tributário, na modalidade compensação, no primeiro trimestre do ano de 2003, conforme cópia de DCTF às fls. 414/417;" (fls. 436) (grifos nossos) 11. Tal afirmativa carece de qualquer fundamento na medida em que, uma vez retificada a DIPJ/2003, a Recorrente também está Fl. 6375DF CARF MF Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1302002.561 S1C3T2 Fl. 6.375 3 procedendo aos ajustes de suas apurações para os períodos subseqüentes ao anocalendário 2002 e, na hipótese de se verificar a insuficiência de base negativa bem como de prejuízo fiscal a serem compensados, o valor do tributo será recolhido com os devidos acréscimos legais. 12. Ressaltese, ademais, que em função de a Recorrente ter ajustado seu resultado contábil referente ao ano calendário de 2002 e efetuado recolhimentos adicionais na forma de antecipações, o saldo negativo de IRPJ e CSLL é ainda maior do que aquele originalmente apresentado, conforme exposto a seguir. 13. No anocalendário de 2002, por estar obrigada à apuração do imposto de renda com base no lucro real, a Recorrente adotou, nos termos do art. 2 o da Lei 9.430/96, a faculdade de suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, na forma do disposto no artigo 35 da Lei n.° 8.981/95. 14. Apesar de não apresentar saldo de IRPJ e CSLL a pagar em dezembro, a Recorrente apurou bases tributáveis nos meses de janeiro a março, que foram devidamente pagas. 15. Considerandose, ainda, os saldos das retenções na fonte de IRPJ e CSLL ao longo do respectivo ano calendário, a Recorrente encerrou o ano de 2002 com o seguinte saldo negativo de CSLL e IRPJ, conforme demonstrado na tabela abaixo: 16. Com a adição às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL das glosas de despesas aceitas pela Recorrente, no valor de R$ 745.879,55, assim restaram contabilizados o lucro real e o saldo negativo de IRPJ e CSLL: Fl. 6376DF CARF MF 4 17. Ocorre, entretanto, que, de acordo com o Acórdão ora recorrido, deveria ter sido adicionado à base de cálculo o valor de R$ 747.679,55, de modo que haveria uma diferença, a menor, de R$ 1.800,00. Adicionandose referido valor, a Recorrente continuaria a apurar, no anocalendário de 2002, prejuízo fiscal de IRPJ e CSLL, se não como demonstrado na tabela abaixo: 18. Paralelamente aos ajustes decorrentes do reconhecimento parcial das glosas de despesas determinadas no lançamento, a Recorrente, verificando a existência de créditos de PIS e COFINS incidentes sobre receitas de exportação, retificou o resultado do anocalendário de 2002 e reduziu seu prejuízo contábil em R$ 688.721,60. 19. Como havia optado pela faculdade de suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, a Recorrente foi obrigada a antecipar IRPJ e CSLL com relação aos meses de janeiro e março, no valor de R$102.266,59 e R$63.894,57, Fl. 6377DF CARF MF Processo nº 18471.001831/200531 Acórdão n.º 1302002.561 S1C3T2 Fl. 6.376 5 respectivamente, que foram recolhidos em 31.07.2006, com os devidos acréscimos legais. 20. Embora a Recorrente tenha encerrado o anocalendário 2002 com lucro real de R$ 157.803,57 e base de cálculo de CSLL no valor de R$156.877,92, em função das antecipações e retenções, o saldo de IRPJ e CSLL a pagar ficou negativo em R$833.948,73 e R$381.651,98, respectivamente, conforme demonstrado na tabela 1.8 abaixo: 21. Destarte, afigurase totalmente improcedente a determinação constante do item 27 do acórdão recorrido (fls. 437), no sentido de que sejam cobrados os valores de R$23.751,46 e R$20.169,97, a título de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa e juros de mora. 22. Do mesmo modo, não podem proceder as alegações constantes dos itens 76 a 98 do acórdão recorrido (fls. 449 a 453) ao não aceitar as compensações efetuadas e não reconhecer a existência de saldo negativo dos tributos. Fl. 6378DF CARF MF 6 A substituição integral do texto e tabelas acima saneiam o processo em relação aos erros consignados. Pelo exposto, voto pelo conhecimento e acolhimento dos embargos inominados opostos, para corrigir as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto apontadas, sem qualquer alteração no resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filhos Relator Fl. 6379DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913051/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 23/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 23/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 30 51 /2 00 9- 48 Fl. 161DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação formalizada por meio eletrônico e registrada sob o número 37426.13858.180707.1.3.048211, fl. 02 a 06, com a qual o contribuinte extinguiu, nos termos da legislação, débito com a utilização de suposto indébito tributário decorrente de pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Tal documento foi analisado pelo Sistema da Controle de Créditos SCC, tendo sido emitido o Despacho Decisório de fl. 07, por meio do qual o Titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo não homologou a compensação declarada, detalhando os motivos que lastrearam tal decisão que, em apertada síntese, seria a inexistência de saldo disponível do suposto pagamento indevido ou a maior, integralmente utilizado para extinguir débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do Despacho Decisório de não homologação em 20/10/2009, fl. 11, não concordando com seus termos, o contribuinte apresentou, em 19/11/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 12 a 25. Os argumentos da defesa foram estruturados nos seguintes tópicos: Preliminar: do efeito suspensivo da presente manifestação de inconformidade; Pleiteia a atribuição de efeito suspensivo nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. da carência de fundamentação do Despacho Decisório. Sustenta a nulidade do Despacho Decisório por entender que a carência de sua motivação ofende aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Mérito: da legitimidade do crédito pleiteado. Afirma que, não obstante ter promovido a compensação antes do decurso de prazo pleitear a restituição do seu crédito, a Autoridade Fiscal o considerou inexistente, sem que fosse possível o real motivo do indeferimento. Alega que podese logicamente inferir a ocorrência de equívoco de ordem material no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF no período de apuração do crédito vindicado. Aduz que o preenchimento equivocado da DCTF não altera a realidade dos fatos ou mesmo faz surgir obrigação tributária que não exista e que, em tal situação, deve a Autoridade Fazendária se abster de efetuar o lançamento. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10480.913051/200948 Acórdão n.º 2201004.346 S2C2T1 Fl. 162 3 Cita doutrina e precedente administrativos que corroboram o entendimento de que um mero erro de preenchimento de DCTF não faz surgir exigência tributária. Sustenta que os créditos utilizados são facilmente comprovados por meio de todos os documentos fiscais já apresentados à SRF, sendo certo que cabe ao Fisco proceder a análise profunda da compensação declarada, sob pena de configurar enriquecimento sem causa do Estado. Por fim, após ratificar os pedidos de atribuição de efeito suspensivo e de reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório, pugna pela conversão do julgamento em diligência para que seja efetivamente examinada sua escrita fiscal para confirmação do seu direito creditório e a consequente homologação da compensação declarada. Posteriormente, o contribuinte apresenta nova petição objetivando complementar sua manifestação de inconformidade, fl. 74 a 77, na qual afirma que detectou recolhimentos superiores aos valores efetivamente devidos a título de IRRF, CIDE e COFINS, nos exercícios de 2004 a 2007, no valor total de R$ 2.735.307,23. Reafirma que, a despeito da efetiva existência do crédito pleiteado, deixou de retificar as DCTF do período em que ocorreu o recolhimento a maior, do que teria surgido a suposta falta de créditos para homologação da compensação declarada e que tal equívoco teria sido sanado com a apresentação de DCTF retificadora (fl. 92/93). Debruçada sobre os termos da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE consideroua improcedente, nos termos do Acórdão de fl. 103 a 116, cujas conclusões podem ser assim resumidas: Preliminares: ... têmse por desnecessários os pedidos do contribuinte relativos à suspensão da exigibilidade do débito confessado na DCOMP e à nãoinclusão da pessoa jurídica no Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados do Setor Público Federal – Cadin, uma vez que a suspensão do crédito tributário decorre diretamente da lei, com a apresentação tempestiva da Manifestação de Inconformidade (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 c/c inciso III do art. 151 do CTN). Na seqüência, a manifestante argüiu preliminar de nulidade do Despacho Decisório, sob a alegação de ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, por carência de fundamentação/motivação do ato administrativo ... (...) Verificase, portanto, que a motivação do Despacho Decisório, apesar de singela, bem como os demais elementos do mesmo, são claros e objetivos o suficiente para que a interessada não fosse alijada dos seus sagrados direitos ao contraditório e à ampla defesa. Mérito: A DCTF Ativa encontrada foi a Original, com o pagamento totalmente vinculado ao valor confessado, não havendo, Fl. 163DF CARF MF 4 portanto, indébito a ser utilizado para compensação. Constatada pela autoridade administrativa a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não foi homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). (...) Não precisaria, então, a autoridade, de outros elementos para decidir sobre a compensação, já que o DARF vale por si só e a DCTF é confissão de dívida do próprio sujeito passivo, que se presume compatível com o efetivamente apurado pelo mesmo. Como já dito, centra a manifestante sua defesa em um equívoco no preenchimento da DCTF, mas, para a necessária comprovação do direito creditório alegado, a cargo da interessada, esta simples afirmação ou até a sua retificação não são suficientes, ainda que se considere que poderia produzir efeitos, relativamente à compensação, uma DCTF alterada após a emissão do Despacho Decisório. (...) A simples retificação da DCTF e a mera alegação do contribuinte de que o pagamento foi maior do que o devido, não permitem, por si só, ao julgador, formar a sua convicção. A par de uma mínima justificativa plausível, a prova do direito creditório deve, em medida suficiente, contemplar as bases utilizadas para a apuração do tributo, ou seja, a documentação e a escrituração contábil e fiscal (ou até outros elementos, como tratados internacionais, que têm influência na tributação de remessas ao exterior, tanto para a CIDE como para o IRRF). (...) Fala a manifestante que “os créditos utilizados ... são facilmente comprovados por meio de todos os documentos fiscais já apresentados à Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Mas que documentos são estes ?? E se é assim tão fácil a comprovação do pagamento em excesso, por que a empresa não trouxe estes elementos para que esta instância julgadora pudesse apreciar ?? Ao final, pede que, se entendermos que não procede a alegação de nulidade do Despacho Decisório, “seja determinada a conversão do julgamento em diligência para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Impugnante”. (...) Como já visto, a manifestante não apresentou qualquer motivo que justificasse a realização de diligência (só aí já foram descumpridos os requisitos) e não encontrei, ainda que implícito, algum quesito. Considero, assim, não formulado o pedido. Cientificado do Acórdão da DRJ e 04/06/2012, conforme AR de fl. 120, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 125 a 142, que, em sua essência, reafirmam as alegações já produzidas na impugnação, e que serão detalhadas no curso voto abaixo. É o relatório necessário. Voto Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10480.913051/200948 Acórdão n.º 2201004.346 S2C2T1 Fl. 163 5 Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. DA CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO Após resumir os fatos, o recorrente contesta a conclusão do Acórdão recorrido de que a motivação do despacho decisório e os demais elementos do mesmo são suficientemente claros. Afirma que tal ato administrativo é absolutamente carente de fundamentação, do que resulta sua nulidade. Alega que, embora o avanço da tecnologia imponha o tratamento de demandas de forma eletrônica, não se pode admitir que sua agilidade viole direitos expressos na Constituição federal, resultando em prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Não merecem acolhida as alegações recursais. A análise superficial do Despacho Decisório de fl. 07 não deixa nenhuma dúvida sobre os motivos que levaram à não homologação da compensação declarada. Tal documento indica claramente o número da DCOMP a que se refere, sua data de transmissão, o tipo de crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior), as características do DARF relativo ao suposto recolhimento em excesso, bem assim informa que tal recolhimento teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, indicando código de receita e data do vencimento de tal débito. Diante de tais informações, não há necessidade de nenhuma outra motivação para se concluir pela inexistência de saldo disponível para lastrear a compensação pretendida. Portanto, presentes os elementos necessários ao pleno entendimento das razões que levaram à não homologação da compensação declarada, além de terem sido observados todos os requisitos de validade do ato administrativo, rejeito a preliminar de nulidade arguida. DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA ESTRITA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento destas com as informações prestadas via DCOMP, o que teria ensejado dezenas de Despachos Decisórios similares ao presente. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que não há justificativas válidas para a glosa ora em comento. Fl. 165DF CARF MF 6 Aduz que, em que pese o reconhecimento, pelo Julgador de 1ª Instância, da necessidade de realização de perícia, sua negativa beira ao absurdo, por negar vigência ao Principio da Verdade Material e por enriquecer a Fazenda Pública. Destaca que não merece amparo a conclusão da Decisão recorrida de que "nem mesmo em tese a reclamante traz algo que indique as razões que levaram a constatar que teria valores pagos a maior", uma vez que, visando comprovar a apuração indevida dos créditos em comento, juntou aos autos a DCTF retificadora, a qual teria sido aceita pela SRF, solidificando os valores dos débitos declarados. Cita precedente administrativo, em caso que afirma ser idêntico ao presente, envolvendo, inclusive, as mesmas partes, além de outras decisões já exaradas neste Conselho e de conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Sustenta, quanto à alegação da autoridade recorrida de que "a manifestante não apresentou qualquer motivo que justificasse a realização de diligência" que o julgado jamais poderia fundarse em incertezas, quando o julgador pudesse, de ofício, na busca da verdade material, dispor de todos os meios necessários para a solução da controvérsia Afirma que a não homologação da compensação ofende ao Principio da Proporcionalidade, que impõe a adequação das medidas restritivas. Conclui suas razões afirmando que, restando evidente a existência dos créditos em favor da recorrente, deve ser plenamente acolhido o recurso voluntário. Como é de elementar sabença, no exercício de seu mister, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso ora sob análise, temos que o contribuinte, utilizando de indébito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido, extinguiu débitos de sua responsabilidade, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10480.913051/200948 Acórdão n.º 2201004.346 S2C2T1 Fl. 164 7 § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Dentro do lapso temporal legal, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 07, por identificar que o pagamento que lastreava o crédito utilizado na compensação estaria integralmente comprometido com a liquidação de débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Por sua vez, o recorrente reconhece que houve erro nas informações prestadas na DCTF original, apresentada em 07/06/2005, e informa que promoveu sua retificação, em 24/11/2009, após inferir, pelo teor do Despacho Decisório ora sob análise, que este seria o motivo que resultou na não homologação da compensação declarada. Assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Portanto, considerando que, no momento da ulterior homologação do procedimento, de fato, os valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência, não deixavam dúvidas da inexistência de crédito passível de restituição ou compensação. A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade da análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. Assim, não merece prosperar a alegação da defesa sobre a suposta incapacidade dos sistemas da RFB em cruzar informações. Ora, o sistema foi preciso em suas verificações e as alegações recursais sobre o erro no preenchimento da DCTF original apenas corroboram a excelência do trabalho efetuado pelos sistemas da RFB. Menos procedente ainda é a argumentação recursal de que o contribuinte deveria ter sido instado a apresentar explicações à Fazenda Nacional. Se assim fosse, em particular nestes casos mais simples, do que teria adiantado a construção de um sistema Fl. 167DF CARF MF 8 eletrônico para tratamento de demandas dessa natureza, já que um simples cotejo de informações declaradas daria lugar a um lento e manual procedimento fiscal? Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, caso a retificação tivesse ocorrido antes do procedimento de homologação, decerto que caberia ao Fisco buscar elementos que apontassem eventual impropriedade na alteração para menor do débito originalmente declarado. Contudo, efetuada a retificação em momento posterior àquele em que o Fisco exerce com precisão o seu direito, passa ser do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Ocorre que o contribuinte limitase a contestar a Decisão recorrida afirmando que, visando comprovar a apuração indevida de seus débitos, juntou aos autos DCTF retificadora, a qual teria sido aceita pela SRF. Ora, não merece prosperar tais conclusões. A DCTF retificadora, ainda que não haja impedimento para que seja apresentada após a não homologação de uma compensação, por si só não se constituiu em elemento capaz de confirmar a correção dos dados nela inseridos. As manifestações doutrinárias e os precedentes administrativos colacionados no recurso não vinculam a presente análise, sendo certo que tantas outras decisões em sentido oposto poderiam ser citadas, com se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Quanto à alegação de que o Julgador de 1ª Instância teria reconhecido a necessidade da realização de perícia, não há registro no Acórdão recorrido que possa levar a essa conclusão. O Julgador foi claro ao afirmar que não foram apresentados elementos que indicassem a existência de pagamento indevido ou a maior e que o contribuinte apenas disse que seu direito é irrecusável ou inegável. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10480.913051/200948 Acórdão n.º 2201004.346 S2C2T1 Fl. 165 9 Disse, ainda, o Relator que o contribuinte afirma que os créditos são facilmente comprovados por meio de todos os documentos fiscais já apresentados à RFB, mas questiona: "Que documentos são estes?? E se é assim tão fácil a comprovação do pagamento em excesso, por que a empresa não trouxe tais elementos para que esta instância julgadora pudesse apreciar??" Tais questionamentos merecem ser renovados. Notase que, mesmo sabendo da necessidade de apresentação de elementos probatórios, do mesmo modo agiu o recorrente ao apresentar seu recurso voluntário, lastreando o suposto direito ao crédito unicamente na retificação da DCTF levada a termo após o Despacho Decisório de não homologação, quando já decorridos quase 5 anos do fato gerador que pretende ver alterado. Assim, não tendo sido apresentados pelo recorrente elementos que justificassem a conversão do julgamento em diligência ou que comprovassem os supostos erros de fato que levaram à retificação da DCTF em momento posterior à Decisão administrativa, correta a decisão recorrida ao negar a conversão do julgamento em diligência. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos Princípios da Estrita Legalidade, da Verdade Material, da Razoabilidade ou da Proporcionalidade. Afinal, todo o procedimento foi efetuado de acordo com os elementos de fato e de direito disponíveis; não foi efetivamente comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Assim, nego provimento ao recurso voluntário neste tema. DO ESCORREITO PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO REALIZADO PELA ORA RECORRENTE Sustenta a defesa que, na análise do Acórdão recorrido, é possível verificar que o Fiscal optou por aferir a inexistência do direito creditório exclusivamente com base em telas internas de controle da apuração da empresa, que espelham somente valores consolidados, o que torna impossível a verificação da regularidade da compensação e ignora demais documentos disponibilizados pela recorrente, assim como outros recursos e procedimentos cabíveis. Afirma que "causa espanto" o Julgador de 1ª Instância ignorar o crédito claramente demonstrado e deduzido da análise de documentação já presente nos autos e que é ônus da Administração Tributária buscar a comprovação dos créditos do contribuinte. Os argumentos em tela foram aqui reproduzidos exclusivamente em respeito ao esforço argumentativo do recorrente, mas não merecem qualquer acolhida, devendo às questões do ônus da prova e do conteúdo probatório contido nos autos serem aplicadas as razões e fundamentos legais citados no item precedente, que adoto com razão de decidir para, da mesma forma, negar provimento ao recurso voluntário no tema em questão. Conclusão Fl. 169DF CARF MF 10 Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.721987/2016-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS.
É cabível a glosa de despesas médicas cujos recibos não contenham os dados exigidos pela norma.
Numero da decisão: 2002-000.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. É cabível a glosa de despesas médicas cujos recibos não contenham os dados exigidos pela norma.
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DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. É cabível a glosa de despesas médicas cujos recibos não contenham os dados exigidos pela norma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 19 87 /2 01 6- 15 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11040.721987/201615 Acórdão n.º 2002000.019 S2C0T2 Fl. 160 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física. De acordo com o relato da fiscalização, o contribuinte informou em sua declaração de ajuste anual dedução de valores a título de despesas médicas. Tais valores foram glosados, em razão de terem sido apresentados recibos sem carimbo do profissional, assinatura, endereço, data, entre outros, além de ter apresentado recibo de 2014 (fls. 52 a 56). A glosa do valor de R$ 12.550,00 implicou em lançamento de imposto suplementar de R$ 3.451,25 que acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, totalizou o valor de R$ 7.099,21. Tempestividade da impugnação O prazo para impugnar é de 30 dias1. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 11/10/2016 (fl. 57) e protocolou sua peça no dia 07/11/2016 (fl. 4 e 5), verificase que a impugnação é tempestiva. Impugnação Em sua impugnação (fl. 5 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que: questiona as despesas lançadas para as quais alega apresentar documentos com os requisitos legais; o art. 80 do Decreto 3.000/99 dispõe que as despesas médicas são dedutíveis do IRPF desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea; havendo indícios de irregularidades na dedução de tais despesas deve a autoridade fiscal diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência do ilícito tributário; os próprios profissionais de saúde ratificaram, por declaração, os serviços prestados ao contribuinte, o que permite à Receita Federal a fiscalização do recolhimento do imposto de renda sobre os honorários recebidos; as despesas médicas foram apresentadas pelo contribuinte à Receita Federal, revestindose de idoneidade suficiente e valor probatório hábil a permitir a dedução dos valores do imposto de renda; para afastar a presunção de boafé, é necessário que o Fisco comprove a existência de fraude, demonstrando ser indevida a dedução das despesas médicas realizadas pelo contribuinte. 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11040.721987/201615 Acórdão n.º 2002000.019 S2C0T2 Fl. 161 3 Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguinte documentos: documento de identidade do sujeito passivo (fl. 8); procuração (fl. 9); documento de identidade da procuradora (fl. 10); cópia da notificação de lançamento (fl. 11 e ss); recibos (fl. 17 a 31); certidões negativas (fl. 32, 33, 35 e 37 a 40); dados do dentista (fl. 34); print tela com dados de profissional de saúde (fl. 36). Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário (fl. 87 e ss), porque a dedução de despesas médicas está sujeita à comprovação à critério da autoridade lançadora e a comprovação compreende o pagamento do serviço médico a ser feito nos moldes do art. 80, § 1º, III do Decreto 3.000/99. Verificouse que os recibos apresentados não atendem os requisitos legais. No mais, o contribuinte não juntou as declarações emitidas pelos profissionais como alega. Tempestividade do recurso voluntário O prazo para recorrer é de 30 dias2. Considerando que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 11/08/2017 (fl. 96) e protocolou sua peça no dia 11/09/2017 (fl. 97), verificase que o recurso voluntário é tempestivo. Recurso Voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 99 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que: a ausência de endereço e/ou carimbo do profissional responsável pela emissão do recibo médico/dentista/psicólogo pode ser suprida de ofício, por meio das informações existentes nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil; acosta todos os recibos contendo os endereços dos profissionais; a ausência do endereço por si só não acarreta glosa da dedução, pois o contribuinte poderá utilizar outros meios de prova, afastando assim a glosa; 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11040.721987/201615 Acórdão n.º 2002000.019 S2C0T2 Fl. 162 4 todos os documentos apresentados pelo recorrente constam os CPF, os registros profissional, os valores, a descrição das despesas e estão assinados pelos profissionais que prestaram os serviços, portanto, resta comprovado o pagamento realizado com gastos médicos, dentistas e psicólogos; ainda que os recibos não contenham todas as informações, os documentos juntados pelo recorrente não podem ser desconsiderados por pequenos erros formais, que não maculam a idoneidade da documentação. A mera falta do endereço ou carimbo do profissional não tem condão de impossibilitar o seu uso como documentação hábil a ensejar a dedução dos gastos com saúde da base de cálculo do IRPF; a autoridade administrativa poderá agir de ofício para suprir a ausência do endereço do prestador de serviço, nos recibos apresentados pelos contribuintes com a finalidade de serem deduzidas suas despesas médicas/psicólogas/dentistas, cabendo a ela o julgamento a respeito das informações apresentadas pelos contribuintes, contidas nos sistemas da RFB; Por fim, requer o acolhimento do recurso para o cancelamento do débito fiscal reclamado. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: documento de identidade do sujeito passivo (fl. 103); recibos (fl. 105 a 143); cópia intimação acórdão (fl. 145); cópia demonstrativo de débito (fl. 146); cópia acórdão DRJ (fl. 148 e ss); Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 101) e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Do mérito O ônus de provar que tem direito às deduções de imposto que lhe beneficiam é do contribuinte e não do Fisco. O art. 80, § 1º, III do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto 3.000/99 determina que: Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11040.721987/201615 Acórdão n.º 2002000.019 S2C0T2 Fl. 163 5 Art. 80. Na declaração de rendimento poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária (Lei 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º) (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Assim, somente poderão ser deduzidos os pagamentos cujos comprovantes contenham todos os dados exigidos pela norma. O art. 73 do mesmo diploma dispõe que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. Diante das normas supracitadas, verificase que apesar da legislação estabelecer a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas (art. 80, § 1º, III, RIR/99), a norma não restringe a ação fiscal apenas a esse exame. De acordo com a fiscalização, os recibos apresentados contém inúmeras falhas. O contribuinte em seu recurso voluntário admite a existência dessas falhas, tentando apenas transferir ao Fisco o ônus de suprilas ou tornar tais falhas sem importância. Contudo, os recibos devem obedecer os requisitos exigidos pela norma, não havendo espaço para dispensa de tais exigências. Assim, como os recibos apresentados pelo sujeito passivo não preenchem tais requisitos, as deduções não poderiam ter sido feitas. Conclusão Diante do exposto, é cabível a glosa de despesas médicas cujos recibos não contenham os dados exigidos pela norma. Isto posto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 13881.000165/00-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
RESSARCIMENTO DE IPI
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Pedido de ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados
referente aos benefícios fiscais concedidos pela Lei n° 9.826, de 23 de agosto de 1999, e pela Portaria MF n° 38, de 27 de fevereiro de 1997.
RESSARCIMENTO. INSUMOS NÃO APLICADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO.
De acordo com o art. 11 da Lei n° 9.779/99, somente os créditos decorrentes de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, podem ser objeto de ressarcimento.
INSUMOS CONSUMIDOS OU UTILIZADOS NO PROCESSO DE PRODUÇÃO. DIREITO A CRÉDITO.
Para que os insumos consumidos ou utilizados no processo de produção sejam caracterizados como matéria-prima ou produto intermediário, faz-se necessário o consumo, o desgaste ou a alteração do insumo, em função de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, ou vice-versa.
Entenda-se "consumo" como decorrência de um contato físico exercido pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele.
Numero da decisão: 3302-005.375
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão alegada e rerratificar/integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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OMISSÃO. Pedido de ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados referente aos benefícios fiscais concedidos pela Lei n° 9.826, de 23 de agosto de 1999, e pela Portaria MF n° 38, de 27 de fevereiro de 1997. RESSARCIMENTO. INSUMOS NÃO APLICADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO. De acordo com o art. 11 da Lei n° 9.779/99, somente os créditos decorrentes de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, podem ser objeto de ressarcimento. INSUMOS CONSUMIDOS OU UTILIZADOS NO PROCESSO DE PRODUÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Para que os insumos consumidos ou utilizados no processo de produção sejam caracterizados como matéria-prima ou produto intermediário, faz-se necessário o consumo, o desgaste ou a alteração do insumo, em função de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, ou vice-versa. Entenda-se "consumo" como decorrência de um contato físico exercido pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3531DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão alegada e rerratificar/integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator (assinado digitalmente) EDITADO EM: 23/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr, Raphael M. Abad e Jorge Lima Abud. Relatório Em 04/10/2000 a Requerente ingressou com Pedido de Ressarcimento de IPI relativamente ao 3° trimestre de 2000, tendo por objeto o crédito presumido de IPI previsto pela Lei n° 9.363/96 e Portaria MF n° 38/97, e o relativo à manutenção do crédito de IPI em razão de saídas dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da TIPI com suspensão do imposto, nos termos da Lei n° 9.826/99, tendo apresentado Pedidos de Compensação dos débitos então apontados com referidos créditos, conforme autorizado pela Instrução Normativa n° 21/97 Para instrução do pedido, anexou os requerimentos de fls. 01, 25/27 e 31/34, além dos documentos às fls. 02/24. A Seção de Fiscalização procedeu às averiguações necessárias, estando esse trabalho consubstanciado na "Informação Fiscal" às fls. 39/58. É de se esclarecer que a interessada solicitou seis pedidos que foram objeto da informação fiscal. O quadro demonstrativo de fl. 224 consolidou o levantamento: Fl. 3532DF CARF MF Processo nº 13881.000165/00-56 Acórdão n.º 3302-005.375 S3-C3T2 Fl. 2 3 Despacho Decisório de 09/01/2003, conheceu do presente pedido para, no mérito, DEFERI-LO PARCIALMENTE, glosando a importância de R$ 320.841,78, por não se enquadrar, referido valor, nas disposições da Lei n° 9.826, de 23 de agosto de 1999, e da Portaria MF n° 38, de 27 de fevereiro de 1997, e reconhecendo o direito creditório no montante de R$ 736.989,71, cujo ressarcimento/compensação será efetuado em consonância com a IN SRF no 210, de trinta de setembro de 2002. A fiscalização reduziu do valor pleiteado os montantes de IPI apontados no Auto de Infração que deu origem ao Processo Administrativo n° 10860.005574/2002-78, relativamente à ajustes de estoque, utilização indevida de imunidade e valor tributável mínimo, ajustes esses a serem efetuados nos cálculos apresentados pela interessada. Por conseguinte ocorreu a glosa na forma do quadro a seguir: A fiscalização efetuou três glosas: 1) os produtos de CFOP 1.11 e 2.11. Foram glosados os créditos relativos aos seguintes produtos: óleo, desengraxante, chapa xadrez, tubo, barras cantoneiras, chapa SAE, chapas para braçadeiras, Fl. 3533DF CARF MF 4 perfil, tubo de recalque, tubo de sucção, viga, óleo de proteção, válvula borboleta, “draw spring” (pela para robô de solda), braço de pressão (solda), peças de máquinas, parafuso, removedor e revelador (controle de qualidade), corrente, calço, bico spray, cilindro, rolamento, motor Weg, penetrante, eletrodo, quebra cavaco, cabo de corrente, mangueira, inibidor de corrosão, lubrificante, viga, capsula, esfera, trilhos, porca, engrenagem, tubo de aço, conexão rápida, sensor, bomba, tomadas, bobinas, fixação, silenciador, conexão, distribuidor, redução, barra de montagem (solda), arruela, transportador, esteira, base, kit de reparo para cilindro. A razão da glosa foi sua não aplicação direta na produção. 2) os produtos de CFOP 1.31 e 2.31. Foram glosados por conta da falta de controle de estoque. 3) os produtos de CFOP 1.99 e 2.99. Foram glosados os créditos relativos aos seguintes produtos: suporte, porca, parafuso, wash, gardonclean, conexão rápida, chassis, dispositivo, empilhadeira, derust, EB, esmalte, suporte, cubo, cera, primer, lápis, broca, mandril, JG, nalco (AG), solução PH (AG), butilgricol (AG), conjunto, suporte sensor, rebite, fita, filme, selo, caixa de metal, aro, disco, travessa, transportador, coraldur, roda, máquina, fundo selador, rolamento, concentrado, ferramentas, união reta, sabonete líquido, kit de vedação, transmissão. O motivo da glosa foi tratar-se de amostras para demonstração, testes com ou sem retorno, partes e peças de máquinas, remessa de moldes de clientes, todos sem comprovação de uso no processo produtivo (remessas para demonstração, consignação etc.). Em relação ao “ferramental”, teria havido apuração a menor da base de cálculo, com aplicação de multa por não destaque do imposto, reduzindo o crédito. Em relação à revenda de mercadoria (apuração a menor da base de cálculo), aplicou-se multa por não destaque do imposto, também reduzindo o crédito. As provas colhidas pela Fiscalização em relação à imprestabilidade do controle de estoque da Interessada foram as seguintes: a) Auto de infração sobre ajustes retificadores de saldos negativos do estoque, em face da falta de emissão de documentos fiscais (fl. 61); b) Razões dos saldos negativos (fls. 80 e 81): eliminação dos “apontadores de produção”, em janeiro de 2000; mudança no sistema de baixa de insumos; erro na estrutura do produto, cuja correção já teria sido providenciada; atraso na alimentação; alimentação do sistema no dia útil seguinte; c) Comunicação interna (fl. 82), relatando o problema causado pela demora na alimentação do sistema de baixa; d) Comunicação interna (fl. 83), dando conta de que a causa principal dos saldos negativos seria a demora na alimentação do sistema de produção, que poderia alcançar quatro dias; e) Comunicação interna (fl. 84), relatando a continuidade do problema; Fl. 3534DF CARF MF Processo nº 13881.000165/00-56 Acórdão n.º 3302-005.375 S3-C3T2 Fl. 3 5 f) Relatório de valores contabilizados na conta “ajuste diferença de inventário” (fl. 97), entre janeiro de 2000 e dezembro de 2001 e entre julho de 2000 e dezembro de 2001 (fl. 172). Cientificado do Despacho Decisório, via Aviso de Recebimento, em 27/04/2004 (folhas 493). O interessado ingressou com Manifestação de Inconformidade em 24/05/2004, de folhas 497 a 556. Arguiu em síntese que: ¸ Ocorreu a violação dos princípios da legalidade e da não- cumulatividade; ¸ O Auto de Infração referente ao Processo n° 10860.005574/2002- 78 é nulo, pois tratou de venda de ferramental, revenda de mercadorias e ajuste do estoque apenas com base em suspeita e indícios; ¸ Ser por isso legítima a parcela glosada do crédito presumido de IPI, relativamente à aquisição de peças e partes de máquinas e material de consumo; ¸ Ser improcedente a afirmação da Fiscalização de que não teria controle eficaz e fiel do que circulou no estabelecimento, já que possuía sistema de custos integrado, que foi utilizado pela própria Fiscalização para expurgar valores que considerou incorretos na apuração, descabendo quaisquer tipos de limitações formais ao incentivo fiscal. Em 27 de maio de 2005, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto, através do Acórdão n° 8.182, por unanimidade de votos, decidiu pelo indeferimento da solicitação, e pela conseqüente não homologação da compensação pleiteada. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 30/06/2005 (folha/s 669), via Aviso de Recebimento. Em 01/08/2005, ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões de folhas 673 a 747. Acompanham o RECURSO VOLUNTÁRIO o arrolamento de bens (folhas 379 a 382), laudo pericial (folhas 383 a 386) e parecer técnico (folhas. 387 a 404) - numeração relativa ao processo em papel. Em 07 de dezembro de 2005, através da Resolução n° 201-00.561, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, RESOLVEU converter o julgamento do recurso em diligência. Na primeira diligência efetuada (fls. 945 e 946), a Fiscalização adotou o procedimento de questionar a recorrente, quando deveria ela mesmo ter verificado os fatos requeridos. Nesse contexto, as respostas da Interessada foram as seguintes: Fl. 3535DF CARF MF 6 1) Quais aquisições não dariam direito a crédito? Somente as do laudo ou outras? Resposta (folhas 956): são somente as relacionadas no laudo. 2) As fichas de controle são confiáveis e têm todas as informações para serem admitidas? Resposta da Interessada: sim. 3) Quanto ao processo 10860.005574/2002-78. Resposta: folhas 969 em diante. 4) Quanto aos produtos de CFOP 1.99, 2.99 e 3.99, foram posterionnente adquiridas pela recorrente? Resposta: sim. As respostas da fiscalização foram que a Interessada teria adotado um novo estoque, que seria “equivalente do equivalente retroativo”. Juntou cópia do movimento do almoxarifado emitido em 15/05/2006, demonstrando o estoque negativo. Em 19 de junho de 2007, através de Nova Resolução n° 201-00.689, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, RESOLVEU converter o julgamento do recurso em nova diligência, para que a Fiscalização verificasse a veracidade dos seguintes fatos alegados pelo recorrente, ainda que por amostragem. Em 20 de setembro de 2007, a fiscalização juntou sua informação fiscal de folhas 2.073 a 2.099 do processo digital. A Recorrente, intimada, exerceu o contraditório às folhas 2.125 a 2.145 do processo digital. Foi juntado também Parecer Técnico Contábil de folhas 2.151 a 2.183 do processo digital. Não foi realizada diligência e a fiscalização produziu o relatório e destacou que a Interessada pagou o auto de infração sem contestá-lo; alegou que os erros na estrutura teriam sido o principal motivo dos saldos negativos e que o problema teria perdurado dois anos; destacou as diferenças apuradas no estoque, em função de discrepâncias no estoque. Empresa refutou, reportando-se aos laudo e parecer. Diante do “bate-boca” processual instaurado, a Fiscalização a afirmar ser o estoque imprestável e a interessada à contradizê-la, em 07 de maio de 2008, através de Outra Resolução n° 201-00.749, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, RESOLVEU converter o julgamento do recurso em nova diligência, para que a Fiscalização adotasse procedimentos em relação à: - Estrutura dos produtos; - Atrasos na alimentação do sistema de controle de estoque; Fl. 3536DF CARF MF Processo nº 13881.000165/00-56 Acórdão n.º 3302-005.375 S3-C3T2 Fl. 4 7 - Às entradas para testes; - Aos lançamentos contábeis efetuados à vista das inconsistências apuradas. Por fim, a Fiscalização deveria comparecer ao estabelecimento da interessada, que deveria demonstrar todo o processo do suposto rearranjo de estoque, especialmente a origem das informações - em tese, a mesma da época da ação fiscal -, as informações sobre a estrutura dos produtos antes e depois das correções, a forma como foram efetuadas as correções e a comparação entre as informações anteriores e as atuais. Eventuais inconsistências apuradas devem ser objeto de informação no relatório da diligência, lavrado ao final, do qual será dado ciência à interessada, para manifestação no prazo de trinta dias. A Recorrente apresentou sua resposta a esses outros quesitos, em 06 de abril de 2009, de folhas 2.030 à 2.039 do processo digital. Em 01 de julho de 2010, através do Acórdão n° 3302-00.460, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para declarar que o crédito presumido pleiteado seja apurado utilizando-se o sistema de controle de estoques apresentado pela recorrente e reconhecer o direito ao crédito dos insumos de código CFOPs 1.31, 1.32 e 2.31. Consequentemente, as glosas relativas aos materiais registrados sob os CFOP's 1.11, 2.11 e 1.99, 2.99 e 3.99 foram mantidas. Em relação aos materiais registrados sob os CFOP's 1.11 e 2.11, afirmou o ilustre relator que “não se trata de produtos que se integram ao produto fabricado e seu consumo não se dá pelo contato direto dele”. Já quanto aos produtos de CFOP’s 1.99 e 2.99, entendeu-se que Interessada não demonstrou sua utilização, embora tenha sido cientificada do teor da resolução que aprovou a diligência anterior e a questão tenha sido suscitada na última diligência”. Em 31 de maio de 2011. a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial, folhas 3.371 à 3.405. No pedido, a partir da divergência jurisprudencial suscitada e comprovada, requereu o conhecimento e provimento do presente recurso especial, para reformar o acórdão recorrido, a fim de que seja restabelecida in totum a decisão de primeira instância de forma a resguardar o lançamento em sua integralidade. Em 19 de maio de 2015, em reexame de admissibilidade de Recurso Especial, o Presidente da Câmara negou seguimento ao recurso especial por entender que não foram atendidos os pressupostos necessários para sua admissibilidade à Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF. Em 13 de julho de 2015, a empresa MAXION COMPONENTES ESTRUTURAIS LTDA ingressou com EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, de folhas 3.447 a 3.455. Foi assinalado que o acórdão embargado não se pronunciou quanto ao direito de crédito em relação aos materiais registrados sob o CFOP 3.99, sendo completamente omisso a esse respeito. Fl. 3537DF CARF MF 8 Alega também que o acórdão não se pronunciou sobre a apreciação do laudo técnico elaborado por perito de engenharia anexado como documento 02 ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Enfatiza que no caso concreto, o suprimento da omissão apontada é de extrema relevância, pois a Turma ao apreciar processos de interesse da Embargante absolutamente idênticos (processos n°s 13881.000040/2001-14 e 13881.000166/2001-99 - acórdãos n°s 3302-001.549 e 302-002.725 ) - que tratavam de créditos relativos ao primeiro e ao terceiro trimestre de 2001, enquanto o presente processo trata de créditos pertinentes ao terceiro trimestre de 2000) e tendo, naquelas ocasiões, levado em consideração o laudo técnico acima mencionado, concluiu pelo cancelamento das glosas relativas a diversos dos itens enquadrados nas CFOPs 1.11 e 2.11, bem como para cancelar integralmente as glosas relativas às CFOPs 1.99, 2.99 e 3.99. Destaca ainda que a diligência fiscal realizada por determinação desta Câmara Julgadora teve por escopo específico a verificação dos controles de estoque da Embargante, isto é, não analisou a natureza dos materiais para verificar se esses se enquadrariam no conceito de insumo, de modo que se mostra imperiosa a apreciação do laudo técnico, que o referido Acórdão se omitiu em sua análise. Nesse contexto, os presentes embargos merecem ser providos para que, sanando-se a omissão apontada, seja devidamente examinado e levado em consideração o laudo técnico apresentado com o recurso voluntário, o que certamente levará à aplicação no caso das conclusões a que chegou esta C. Turma nos acórdãos n° 3302-001.549 (doc. 01) e 3302-002.725 (doc. 02), dando provimento ao recurso voluntário também para: I. quanto aos CFPOs 1.11 e 2.11 cancelar: i.l) integralmente as glosas relativas aos itens 2 (ácidos), 3 (óleos de laminação), 7 (químicos), 8 (pintura), 10 (gases), 11 (arame, fluxo, eletrodos e gases de solda), 14 (sabão de estampagem) e 15 (granalhas de aço), e; i.2) parcialmente a glosa relativa ao item 12 (spray protetivo e fluxo); II. cancelar integralmente as glosas quanto aos CFPOs 1.99, 2.99 e 3.99; III. determinar a atualização pela SELIC dos créditos a serem ressarcidos/compensados. Ante o exposto, pede e espera a Embargante, com a devida venia, sejam conhecidos e acolhidos os presentes Embargos de Declaração para o fim de que, suprida a omissão apontada, sejam canceladas as glosas realizadas pela fiscalização em relação aos ! produtos registrados sob os CFOP's 1.11, 2.11, 1.99, 2.99 e 3.99, nos termos constantes dos acórdãos n°s 3302-001.549 (doc. 01) e 3302-002.725 (doc. 02), bem como que os créditos a serem ressarcidos/compensados sejam devidamente atualizados pela SELIC. Em 09 de junho de 2016, com fundamento no art. 65, caput e § 1°, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, a 3a Seção de Julgamentos NÃO CONHECEU dos Embargos de Declaração, interpostos pelo Contribuinte, por intempestividade. A Embargante requereu a sua reconsideração em razão da existência de evidente erro material, tendo em vista que o protocolo dos referidos embargos de declaração não foi feito no dia 15 (quinze) de julho, mas foi realizado em 13 (treze) de julho, dentro Fl. 3538DF CARF MF Processo nº 13881.000165/00-56 Acórdão n.º 3302-005.375 S3-C3T2 Fl. 5 9 portanto do prazo de cinco dias estabelecido pelo artigo 65 do Regimento Interno do CARF, conforme atesta o carimbo aposto no comprovante do protocolo do recurso. Em 30 de junho de 2017, a 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF DEFIRIU PARCIALMENTE o Pedido de Reconsideração do Contribuinte, para reconhecer a tempestividade dos embargos declaratórios, e oportunizar novo juízo de admissibilidade a cargo da Turma. Em 20 de outubro de 2017, em despacho de Admissibilidade de Embargos, a 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, admitiu parcialmente os embargos de declaração interpostos pela contribuinte, para que seja sanada a omissão acerca da glosa dos insumos registrados no CFOP 3.99 ou retificado eventual lapso na indicação do código. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Em 20 de outubro de 2017, Despacho de Admissibilidade de Embargos, proferido pela 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, admitiu parcialmente os embargos de declaração interpostos pela contribuinte, para que fosse sanada a omissão acerca da glosa dos insumos registrados no CFOP 3.99 ou retificado eventual lapso na indicação do código. Portanto, entende-se que o recurso é admissível por atender a forma do artigo 65 do RICARF. 2. DA TEMPESTIVIDADE O Acórdão n° 3302-00.460, da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, data de 01 de julho de 2010. A Empresa Maxion Componentes Estruturais Ltda, ora Embargante, foi cientificada do Acórdão n° 3302-00.460, em 08/07/2015, via Aviso de Recebimento (folhas 3.446. O recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (folhas 3.447 a 3.455) foi interposto em 13/07/2015 (conforme chancela de folhas 3.447). Assim, o prazo de 5 dias para apresentação desses embargos foi observado. O recurso é tempestivo. 3. DO OBJETO O Despacho de Admissibilidade de Embargos, proferido pela 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF é expresso em admitir Fl. 3539DF CARF MF 10 parcialmente os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte, para que seja sanada a omissão acerca da glosa dos insumos registrados no CFOP 3.99 ou retificado eventual lapso na indicação do código. 4. DO INDEFERIMENTO Do recurso de Embargos apresentado em 13/07/2015, destaca-se o seguinte fragmento às folhas 03: Em relação aos materiais registrados sob os CFOP's 1.11 e 2.11, afirmou o ilustre relator que “não se traia de produtos que se integram ao produto fabricado e seu consumo não se dá pelo contato direto dele”. Já quanto aos produtos de CFOP’s 1.99 e 2.99, entendeu-se que Interessada não demonstrou sua utilização, embora tenha sido cientificada do teor da resolução que aprovou a diligência anterior e a questão tenha sido suscitada na última diligência". Inicialmente, cabe registrar que o v. acórdão embargado não se pronunciou quanto ao direito de crédito em relação aos materiais registrados sob o CFOP 3.99, sendo completamente omisso a esse respeito. Os créditos registrados sob CFOPs 3.99 dizem respeito aos materiais recebidos em amostras para demonstração, testes e principalmente em consignação industrial, que foram colocados à disposição da Recorrente. Nas entradas com CFOP 1.99, 2.99 e 3.99 encontram-se empilhadeiras, ferramentas, brocas, e até mesmo máquina Xerox (fl. 217 - nota fiscal n° 385.218, entrada no dia 26/08/2000). Não é possível sustentar a tese da contribuinte, de que os produtos foram efetivamente utilizados na produção. Isso porque os produtos não se coadunam com o conceito de insumo, e por isso, também não geram o direito ao crédito. Essa é a interpretação decorrente do Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, que identifica como característica essencial das matérias-primas e dos produtos intermediários e por consequencia o reconhecimento do direito de crédito, o contato físico desses com o produto quando de sua fabricação. Para tanto, invoca-se a Súmula n° 19 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF n° 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n° 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que NÃO são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria- prima ou produto intermediário. (Grifo, negrito e destaque nossos) Muito embora a matéria aqui versada não trate especificamente de aquisições de combustíveis e energia elétrica, entende-se que a parte em destaque da Súmula corrobora Fl. 3540DF CARF MF Processo nº 13881.000165/00-56 Acórdão n.º 3302-005.375 S3-C3T2 Fl. 6 11 com a interpretação decorrente do Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, na formatação do conceito de insumo aplicável à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. Esse foi o motivo da permanência das glosas. Com base nas razões acima expostas, acolho os embargos de declaração para sanar a omissão alegada e rerratificar o acórdão embargado, integrando-o com as razões acima expostas, sem efeitos infringentes. Jorge Lima Abud - Relator. Fl. 3541DF CARF MF
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