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Numero do processo: 10840.906603/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-002.210
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional.
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Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 66 03 /2 00 9- 25 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10840.906603/200925 Acórdão n.º 1201002.210 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior 2089 IRPJ Lucro Presumido, para a compensação de débitos. 2. O Despacho Decisório não homologou a compensação declarada porque identificou que o pagamento efetuado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. 3. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO emitiu Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: (...) DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. 4. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. 5. Alega que indentificou, depois de ter entregado a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, que os valores que havia confessado e pago via DARF eram indevidos; por isso apresentou a PEr/Dcomp requerendo o crédito para fins de compensação; e que a RFB interpretou incorretamente, dado que apresentou DCTF retificadora, conforme anexa ao processo; afirma que o Despacho Decisório tomou por base a DCTF original e não considerou a retificadora. 6. Discorda que não tenha apresentado documentação comprobatória suficiente de que os recolhimentos foram indevidos; afirma anexar documentos que comprovam a alegação. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10840.906603/200925 Acórdão n.º 1201002.210 S1C2T1 Fl. 4 3 1 Paradigma de lote. 7. A interessada informou na DIPJ, o código da atividade 85.138/01 atividades de clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios); o objeto social é "Serviços Médicos de ortopedia e traumatologia, bem como pronto socorro"; declarou o IRPJ pelo regime do Lucro Presumido, apurado mediante o percentual de 8% sobre a Receita Bruta. 8. Este processo foi distribuído à Relatora, visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos nos demais processos do lote, cuja composição consta da tabela na sequência deste voto. 9. Verificouse que tanto os despachos decisórios como os Acórdãos DRJ dos processos que compõem este lote são de teor idêntico. 10. A DRJ/RPO, explicou a necessidade de a interessada apresentar provas de que efetuou recolhimentos a maior: Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em diferentes declarações, ou entre informações prestadas em declarações originais e retificadores, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. No presente caso, consta do despacho decisório recorrido que o pagamento indicado pela postulante em PER/DCOMP foi integralmente exaurido por vinculação, em DCTF, a débito de igual valor, não restando qualquer saldo compensável. A interessada, por seu turno, sustenta que o valor do imposto devido seria inferior ao valor do débito (e respectivo pagamento) informado em DCTF. A diferença resultaria saldo a restituir/compensar. Ante tal situação, caberia à própria contribuinte fazer prova do suposto crédito decorrente de recolhimento a maior. Todavia, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado direito. Com efeito, não foram juntados aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do imposto na contabilidade da interessada; e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10840.906603/200925 Acórdão n.º 1201002.210 S1C2T1 Fl. 5 4 11. Os dados dos processos que compõem o lote, com os respectivos documentos são os apresentados na tabela a seguir: DIPJ retif nº processo crédito PA dta arrec Darf pago Crédito requer data ciê DD data DIPJ retif Receita Bruta IRPJ a pagar 10840.907398/200915 03/2001 30/04/2001 3.725,11 1.099,66 26/06/2009 06/07/2005 290.538,25 764,28 10840.907603/200925 3.725,11 26/06/2009 10840.907129/200959 06/2001 31/07/2001 4.013,55 337,81 26/06/2009 06/07/2005 301.734,50 857,04 10840.907399/200960 3.675,74 26/06/2009 10840.907130/200983 09/2001 31/10/2001 4.109,02 152,23 26/06/2009 06/07/2005 280.798,50 805,71 10840.907131/200928 12/2001 31/01/2002 5.291,18 1.921,13 26/06/2009 06/07/2005 274.914,51 813,00 10840.907132/200972 03/2002 30/04/2002 4.262,97 709,99 26/06/2009 06/07/2005 128.981,22 380,35 10840.907133/200917 06/2002 31/07/2002 5.026,96 829,26 26/06/2009 06/07/2005 151.694,50 434,05 10840.907409/200967 1.006,67 26/06/2006 10840.907410/200991 2.030,70 26/06/2009 10840.907411/200936 1.092,13 26/06/2009 10840.907412/200981 68,20 26/06/2009 DCTF retif A B nº processo Data IRPJ a pagar IRPJ a pagar REC Bruta IRPJ a pagar 10840.907398/200915 16/07/2009 não consta 314,50 112.211,52 314,50 10840.907603/200925 10840.907129/200959 16/07/2009 não consta 334,17 120.769,93 334,17 10840.907399/200960 10840.907130/200983 16/07/2009 não consta 347,65 123.796,19 347,65 10840.907131/200928 16/07/2009 não consta 441,20 159.232,99 441,20 10840.907132/200972 14/07/2009 não consta 380,36 128.981,22 380,36 10840.907133/200917 14/07/2009 não consta 434,63 151.694,50 434,63 10840.907409/200967 10840.907410/200991 10840.907411/200936 10840.907412/200981 A Demonstrativo de apuração do IRPJ anexado ao Recurso Voluntário B Demonstr de IRPJ Devido/Recolh/A recuperar anexado c/ Rec Voluntário 12. Da análise dos A Demonstrativo de apuração do IRPJ anexado ao Recurso Voluntário, da DIPJ e dos dados supra, verificase: a. A interessada apresentou DIPJs dos anoscalendário 2001 e 2002, retificadoras, em 06/07/2005; os Despachos Decisórios lhe foram cientificados em 26/06/2009; a entrega da DCTF retificadora foi posterior, em 14 e 16/07/2009, não espontânea; Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10840.906603/200925 Acórdão n.º 1201002.210 S1C2T1 Fl. 6 5 b. Os "A Demonstrativo de apuração do IRPJ" dos trimestres do ano 2001, apresentam valores de Receita Bruta e Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF divergentes dos da DIPJ; os referentes aos 1º e 2º trim/2002, são coincidentes; c. em todos os trimestres, a apuração do IRPJ a pagar negativo resultou da dedução de IRRF; d. apesar da explicação da DRJ, da necessidade de documentos comprobatórios, o contribuinte não apresentou os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de retenção de IR na fonte, que as fontes pagadoras lhe teriam fornecido e que comprovariam os valores de IRRF deduzidos nas apurações retificadoras; e. em todos os trimestres em análise, a soma dos valores de créditos requeridos nas PER/Dcomp supera o SN de IRPJ que informou; por exemplo, tomandose o 2º trim/2002 (06/2002), temse que o Darf cód 2089 IRPJ Lucro Presumido, recolhido em 31/07/2002, totalizou R$5.026,96; o SN IRPJ constante tanto da DIPJ como dos "A Demonstrativo de apuração do IRPJ", foi R$()434,63, e a soma dos créditos requeridos nas PER/Dcomp foi R$5.026,96, ou seja, a totalidade do recolhimento. Conclusão. Voto por NEGAR PROVIMENTO, ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912298/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.826
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.912298/201210 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.826 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 98 /2 01 2- 10 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.912298/201210 Acórdão n.º 3201003.826 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.671, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.912298/201210 Acórdão n.º 3201003.826 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.912298/201210 Acórdão n.º 3201003.826 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.912298/201210 Acórdão n.º 3201003.826 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.911766/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.
Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabe a devolução do saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabe a devolução do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 17 66 /2 00 9- 03 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10983.911766/200903 Acórdão n.º 1301003.053 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase do Recurso Voluntário contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ/Florianópolis que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente ao deixar de homologar a compensação tributária informada na DCOMP objeto dos autos. Primeiro, o Despacho Decisório da unidade local da RFB denegou o direito creditório pleiteado pela contribuinte com fundamento no art. 10 da IN SRF 600, de 2005. Vale dizer, o direito creditório utilizado no PER/DCOMP não foi reconhecido, por se tratar de mera antecipação de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, caso em que o recolhimento a maior ou indevido somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devidos no final do anocalendário ou para compor respectivo saldo negativo. Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo, em síntese, nas suas razões: que tem direito à restituição e compensação imediata do pagamento indevido da estimativa mensal, à luz da legislação de regência; que o pagamento a maior ou indevido do IRPJ ou CSLL decorreu de erro de fato na base de cálculo, pela inclusão indevida na receita bruta de valores da: a) Conta Consumo de Combustível — CCC; e, b) Conta de Desenvolvimento Energético — CDE; que a Conta Consumo de Combustível — CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético — CDE têm como objetivo subsidiar a energia elétrica gerada nas usinas termoelétricas, de forma que a tarifa da energia elétrica fosse equalizada com a dos consumidores servidos por geração hidráulica, sobretudo nos instantes de baixa "hidraulicidade" dos sistemas interligados (em que a energia produzida pelas hidroelétricas estavam com capacidade baixa); que a inclusão de valores dessas Contas pela Agência Nacional de Energia Elétrica — ANEEL no cálculo da conta dos consumidores situados nas regiões Sul, Sudeste, CentroOeste e Nordeste , mediante incremento nas tarifas das concessionárias distribuidoras, e repassados à Eletrobrás que administra esses recursos , não configura receita da impugnante; que muito embora a cobrança da Conta Consumo de Combustível — CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético — CDE possam, em tese, caracterizar como receitas das empresas distribuidoras de energia, de forma peculiar, para impugnante, que é Geradora de Energia Elétrica interligada ao sistema, tais rubricas não são receitas. Isto porque a geradora está impossibilitada de auferir qualquer recurso dessas fontes como "receita" própria ou como "faturamento", conforme as prescrições da ANEEL. Ou seja, por meio da Nota Técnica n° 116, de 24 de março de 2006, e Despacho n° 657/2006, a ANEEL Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10983.911766/200903 Acórdão n.º 1301003.053 S1C3T1 Fl. 4 3 orientou as alterações introduzidas no Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, para equacionar a distorção decorrente da inadequada contabilização dos valores da CCC/CDE como "Receitas de Subvenção" pelas concessionárias geradoras como a impugnante; que a ANEEL esclareceu que os valores, outrora contabilizados como "Receitas de Subvenção CCC/CDE", deveriam ser contabilizados como "Recuperação de Custos", em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos, pois jamais integraram a receita de concessionárias geradoras, como a impugnante; que os valores da Conta Consumo de Combustível — CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético — CDE não representam propriedade e, conseqüentemente, incremento patrimonial da impugnante, já que somente são repassados para que se propicie o pleno funcionamento do Sistema Elétrico Nacional, tendo, inclusive, a sua aplicação passível de auditoria pelo Tribunal de Contas da União. Por último, a DRJ, assim como ocorrera no Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, também denegou o direito creditório pelo mesmo fundamento declinado no referido Despacho Decisório, ou seja, que o valor pago indevidamente ou a maior de IRPJ ou de CSLL, a título de estimativa mensal, no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, não pode ser objeto de compensação, pois esse valor só pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que efetuou o pagamento a maior ou indevido do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e da contribuição social sobre o lucro líquido a título de estimativa mensal, por erro de fato; que efetuou imediata compensação tributária, utilizando como crédito os valores pagos indevidamente do imposto e contribuição federais através de declaração de compensação, via sistema PER/DCOMP; que, tanto o Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, quanto o Acórdão recorrido, com mesmo fundamento, denegaram o crédito pleiteado, conforme já mencionado anteriormente; que o pagamento indevido é feito à margem da lei e, portanto, não se subsume a qualquer regime de repetição que não aquele previsto no art. 165, do CTN, ou seja, o direito a repetição surge de forma imediata; que o pagamento por regime de estimativa é previsto em lei, na forma dos §§ 2° e 3°, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e, deste modo, qualquer pagamento a maior do que o fixado no dispositivo legal é considerado indevido, e não adiantamento; que o disposto no art. 10 da Instrução Normativa n.° 600, de 2005, na parte atinente ao pagamento a maior, tão somente objetiva protelar o pagamento dos juros devidos a partir da ocorrência do pagamento indevido, e, assim prevendo, colide com o disposto no §4°, do art. 39, da Lei nº 9.250/95, de modo a tornálo inaplicável, pois cediça a regra de que o Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10983.911766/200903 Acórdão n.º 1301003.053 S1C3T1 Fl. 5 4 conteúdo e o alcance dos decretos restringese aos das leis em função das quais sejam expedidos (CTN, art. 99), ou seja, para fiel cumprimento da lei (CF, art. 84, IV); que citou precedente do CARF pelo afastamento, inaplicabilidade, do art. 10 da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, que vedava a compensação de pagamento à maior das estimativas mensais do IRPJ ou da CSL, antes de findo o período de apuração; que o direito a repetição do pagamento indevido ou a maior de tributo surge no momento de sua efetivação à margem da lei, e evidente, pois, a possibilidade de compensação imediata do pagamento indevido da estimativa mensal. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.049, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.911762/2009 17, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.049): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; por isso, dele conheço. A recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou o direito creditório pleiteado e não homologou a DCOMP objeto dos autos. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito. Direito de repetição do indébito tributário ou de compensálo com outro débito vencido ou vincendo. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10983.911766/200903 Acórdão n.º 1301003.053 S1C3T1 Fl. 6 5 Nacional, ou seja, encontro de contas informado na declaração de compensação informada. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal (processo de compensação tributária), compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional, utilizado para encontro de contas com débito próprio vencido ou vincendo objeto da DCOMP, para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O momento da apresentação das provas, sua produção, está previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois ainda dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não, no prazo legal de até cinco anos. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação. No caso, a recorrente alegou nos autos: que efetuara pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal do IRPJ ou CSLL por erro de fato na base de cálculo, pela inclusão indevida na receita bruta de valores relativos a Conta Consumo de Combustível — CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético — CDE; que valores cobrados dos clientes consumidores a título dessas rubricas não seriam receitas, mais sim mera "Recuperação de Custos", conta retificadora dos custos; que, nesse sentido, invocou esclarecimento da ANEEL, conforme atos normativos citados no relatório, que os valores outrora contabilizados como "Receitas de Subvenção para Custeio CCC/CDE", devem ser contabilizados como "Recuperação de Custos", em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos, pois valores repassados a título dessas rubricas não seriam receitas. Ocorre que a questão do erro de fato alegado, se existente ou não, na apuração da base de cálculo do IRPJ ou da CSLL, por conta dos registros contábeis dos valores repassados à recorrente nas rubricas Conta Consumo de Combustível — CCC e Conta de Desenvolvimento Energético — CDE remete a outra questão não resolvida nos autos, ou seja: os valores auferidos a título das referidas rubricas são tributáveis ou não? Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10983.911766/200903 Acórdão n.º 1301003.053 S1C3T1 Fl. 7 6 A contribuinte alega, invocando a ANEEL, que seriam meros repasses a título de "Recuperação de Custos" para registro em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos. Esses pontos controvertidos, portanto, não foram enfrentados, no mérito, pela decisões anteriores nestes autos, pois se limitaram a denegar o direito creditório com base no óbice do art. 10 da IN SRF 460/04, reiterado pela IN SRF nº 460/05. Ocorre que o óbice do art. 10 da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, ficou superado a partir da edição da IN SRF 900/2008 que suprimiu a vedação do da repetição imediata, aproveitamento ou utilização em compensação tributária de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais do IRPJ ou da CSLL antes de findo o período de apuração, desde que reste comprovado, de forma cabal, o erro de fato na apuração da base de cálculo ou pagamento totalmente desvinculado da base de cálculo que deu origem ao crédito pleiteado. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 84, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, a comprovação do erro de fato é condição sine qua non para configuração do pagamento indevido das estimativas mensais e repetição imediata. Caso contrário, tratase mero antecipação de pagamento do IRPJ e da CSLL na forma da legislação de regência, podendo somente ser utilizada na declaração de ajuste anual, para dedução do débito apurado ou para formação do saldo negativo. No caso, não há como prosseguir na análise de mérito nesta instância de julgamento para evitar prejuízo à defesa, ou seja evitar supressão de instância de julgamento, pois as questões do alegado erro de fato e da natureza das receitas, valores repassados à recorrente nas rubricas Conta Consumo de Combustível — CCC e Conta de Desenvolvimento Energético — CDE não foram enfrentadas, no mérito, pelas decisões anteriores nestes autos. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84; e, b) para evitar prejuízo à defesa, ou seja, supressão de instância de julgamento, devolver os autos à unidade de origem da RFB, no caso, a DRF/Florianópolis para que proceda análise Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10983.911766/200903 Acórdão n.º 1301003.053 S1C3T1 Fl. 8 7 de mérito do direito creditório pleiteado pela contribuinte, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001817/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA
217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 18 17 /2 00 9- 55 Fl. 481DF CARF MF Processo nº 13888.001817/200955 Acórdão n.º 1301003.264 S1C3T1 Fl. 482 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que suas atividades são desenvolvidas em unidade própria e são voltadas para a realização de exames radiográficos, ultrassonográficos, mamográficos, biópsias, punções e densiometria óssea para apoio a diagnósticos médicos. E que tais atividades fazem jus ao tratamento tributário diferenciado, na apuração do IRPJ e da CSLL, na modalidade de lucro presumido, mediante a aplicação do percentual de 8%, na forma da lei acima citada. O Acórdão recorrido afastou preliminar de nulidade da decisão proferida, e no mérito, afastou precedentes jurisprudenciais, e entendeu que a interessada, sendo sociedade civil de prestação de serviços de diagnóstico por imagem, não configura o conceito de "serviços hospitalares" para fazer jus ao benefício concedido pela norma. Baseou seu entendimento na Solução de Consulta 319/2011 SRF/8ª Região Fiscal e outras normas internas. Acrescenta, ainda, que somente a partir da vigência da Lei 11.727/2008 é que ela poderia ter direito à redução, mas não a fatos anteriores. Além disso, argumentou que para o ano calendário em questão, a interessada não apresentou nenhum elemento capaz de comprovar que Fl. 482DF CARF MF Processo nº 13888.001817/200955 Acórdão n.º 1301003.264 S1C3T1 Fl. 483 3 prestava serviços hospitalares e que suas atividades se inseriam no conceito de atividade hospitalar definida nos normativos legais. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que não foi realizada pela autoridade fiscal nenhuma diligência para aferir se cumpria requisitos do Ministério da Saúde; bem como traz à tona que a matéria já se encontra pacificada nos tribunais superiores, nos termos do Resp 1.116.399/BA, que já dispensou a necessidade de verificação de existência de estrutura organizada para atendimento. Que a recorrente possui atividades voltadas para a prestação de serviços de diagnósticos por imagens, obtidas das mais diversas formas de energia, como Raio X, Ultrassom, Tomografia e outros, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, que demanda maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. Desnecessária também, qualquer comprovação de estrutura nos termos da Lei 11.727/08, requerendo a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de diagnósticos por imagens, como Raio X, ultrassom, tomografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15, § 1º, inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será deter minada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8. 981, de 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este arti go será de: (...) III – trinta e dois por cento, para as atividades de: Fl. 483DF CARF MF Processo nº 13888.001817/200955 Acórdão n.º 1301003.264 S1C3T1 Fl. 484 4 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim Fl. 484DF CARF MF Processo nº 13888.001817/200955 Acórdão n.º 1301003.264 S1C3T1 Fl. 485 5 àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1º de janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 485DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000532/2007-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a necessidade de esclarecimento quanto a questão relevante, os Embargos de Declaração devem ser acolhidos, para que eventual contradição apontada seja sanada.
Numero da decisão: 9202-006.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202- 006.103, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a necessidade de esclarecimento quanto a questão relevante, os Embargos de Declaração devem ser acolhidos, para que eventual contradição apontada seja sanada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202- 006.103, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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ACOLHIMENTO. Constatada a necessidade de esclarecimento quanto a questão relevante, os Embargos de Declaração devem ser acolhidos, para que eventual contradição apontada seja sanada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202 006.103, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 05 32 /2 00 7- 14 Fl. 842DF CARF MF 2 Relatório Tratese de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional efls. 822/826, em face do acórdão nº 9202006.103, proferido na sessão do dia 25 de outubro de 2017, que restou assim ementado: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Em seus Embargos, a Fazenda Nacional alega contradição em relação ao resultado proferido no acórdão citado e o seu Recurso Especial, conforme transcrito abaixo: Como se lê acima, os julgadores entenderam pela aferição da retroatividade perante o cotejo entre a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) e a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, nos termos propugnados pelo recorrente. Contudo, verificase obscuridade no acórdão, porquanto embora tenham acolhido integralmente a tese defendida pelo recorrente, os julgadores decidiram dar parcial provimento ao recurso especial. (GRIFAMOS) Em síntese, alega que não obstante a decisão do julgado tenha sido efetivamente a aplicação da Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, foi dado provimento parcial ao Recurso Especial, ao invés de provimento integral. O Contribuinte apresentou contrarrazões aos Embargos de Declaração, efls. 834/840, alegando em síntese: Ou seja, para fins de aplicação da retroatividade benigna, deverão ser comparadas as multas previstas nos seguintes Fl. 843DF CARF MF Processo nº 11330.000532/200714 Acórdão n.º 9202006.969 CSRFT2 Fl. 843 3 dispositivos: art. 32, §§ 4º e 5º (redação anterior) em comparação ao art. 32A (redação da Lei nº 11.941/09). Dessa forma, não há razão à Fazenda Nacional em seus Embargos de Declaração quando aponta suposta obscuridade no Acórdão embargado. Vejase que às fls. 826 do presente processo eletrônico, os embargos declaratórios da PGFN afirmam que o julgado submetido pela sistemática dos recursos repetitivos entende “pela aferição da retroatividade perante o cotejo entre a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) e a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, nos termos propugnados pelo recorrente”. Todavia, não foi este o entendimento da Decisão embargada, vez que, como visto acima, o Acórdão entendeu pela aplicação da Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, a qual, por sua vez, estabelece que, nos casos de constituição de multa por descumprimento de obrigação acessória, exigida isoladamente (sem lançamento de obrigação principal), deverá ser aplicado o cotejo entre as penalidades previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 (redação anterior) com as previstas no art. 32A (redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009), conforme § 1º do art. 3º da citada portaria, in verbis: Art. 3º (...) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Portanto, não há que se falar em obscuridade no Acórdão embargado, como quis fazer entender a Fazenda Nacional por meio dos embargos ora contrarrazoados, devendo, por consequência, serem estes indeferidos por esta Colenda Turma. Assim, requer o não acolhimento dos Embargos de declaração da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Conforme Despacho de Admissibilidade de Embargos de efls. 830/831, os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional foram opostos tempestivamente, para que seja sanada a contradição em relação em que foi dado provimento parcial ao Recurso Especial, ao invés de provimento integral, conforme transcrito abaixo: Fl. 844DF CARF MF 4 Em 29/12/2017, tempestivamente, a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de efls. 566 a 570 (Despacho de Encaminhamento de efl. 571), com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, alegando, em síntese, obscuridade no Acórdão de Recurso Especial n.º 9202006.088, já que, embora a tese por ela defendida tenha sido acolhida integralmente, foi dado provimento parcial ao apelo. Com efeito, o pedido da Fazenda Nacional está assim expresso no relatório do acórdão embargado: "A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Não obstante a decisão do julgado tenha sido efetivamente a aplicação da Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, foi dado provimento parcial ao Recurso Especial, ao invés de provimento integral. Diante do exposto, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ACOLHO os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional. Cumpre verificar o Recurso Especial da Fazenda Nacional, em relação aos pedidos ali contidos: Ante o exposto, requer a Fazenda Nacional que: (a) seja conhecido o presente recurso, face à observância dos requisitos de admissibilidade previstos art. 67, do Anexo II, da Portaria MF nu 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do CARF; (b) seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja adotada a tese esposada nos acórdãos paradigmas, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei n e8.212/91. Verificase que o pedido ali exposto é que seja dado provimento ao Recurso Especial para a multa aplicada seja a mais benéfica ao Contribuinte. Assim, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional para que seja dado provimento ao Recurso Especial da para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 845DF CARF MF Processo nº 11330.000532/200714 Acórdão n.º 9202006.969 CSRFT2 Fl. 844 5 Fl. 846DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001551/2010-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTOS DECORRENTES DO SIMPLES - IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E INSS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE.
A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicam-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, no percentual determinado expressamente em lei.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
É cabível a aplicação da Taxa Selic enquanto juros de mora no tocante ao lançamento de crédito tributário relativo às contribuições devidas ao Simples, não recolhidas em época própria.
Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
NOTIFICAÇÕES AOS PROCURADORES.
Indefere-se o pedido de que as notificações sejam encaminhadas aos procuradores, uma vez que elas devem ser endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, de acordo com o Decreto nº 70.235/1997, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532/1997, art. 67.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA NÃO CARACTERIZADA NOS AUTOS.
Quando não restar comprovado nos autos o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador nos termos do artigo 135 do CTN, as pessoas físicas na qualidade de administradores e gerentes da autuada não podem ser responsabilizadas solidariamente pelo crédito tributário exigido no Auto de Infração.
Tanto o administrador, como o gerente da sociedade, só pode ser pessoalmente responsável pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias, quando restar comprovado os atos praticados por eles com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto nos termos do artigo 135 do CTN; atos que a fiscalização não provou nos autos.
Numero da decisão: 1402-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, i) negar provimento ao recurso voluntário da recorrente, mantendo os lançamentos; ii) dar provimento aos recursos voluntários dos sujeitos passivos solidários Susy Aparecida Anacleto e Cícero Agnaldo de Souza Leal, afastando a responsabilização.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTOS DECORRENTES DO SIMPLES - IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E INSS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicam-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, no percentual determinado expressamente em lei. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. É cabível a aplicação da Taxa Selic enquanto juros de mora no tocante ao lançamento de crédito tributário relativo às contribuições devidas ao Simples, não recolhidas em época própria. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. NOTIFICAÇÕES AOS PROCURADORES. Indefere-se o pedido de que as notificações sejam encaminhadas aos procuradores, uma vez que elas devem ser endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, de acordo com o Decreto nº 70.235/1997, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532/1997, art. 67. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA NÃO CARACTERIZADA NOS AUTOS. Quando não restar comprovado nos autos o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador nos termos do artigo 135 do CTN, as pessoas físicas na qualidade de administradores e gerentes da autuada não podem ser responsabilizadas solidariamente pelo crédito tributário exigido no Auto de Infração. Tanto o administrador, como o gerente da sociedade, só pode ser pessoalmente responsável pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias, quando restar comprovado os atos praticados por eles com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto nos termos do artigo 135 do CTN; atos que a fiscalização não provou nos autos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1982; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 802 1 801 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001551/201007 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.124 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria IRPJ Recorrente PANIFICADORA E LANCHONETE AMIGAS PARA SEMPRE LTDA ME. Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTOS DECORRENTES DO SIMPLES IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E INSS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, no percentual determinado expressamente em lei. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. É cabível a aplicação da Taxa Selic enquanto juros de mora no tocante ao lançamento de crédito tributário relativo às contribuições devidas ao Simples, não recolhidas em época própria. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. NOTIFICAÇÕES AOS PROCURADORES. Indeferese o pedido de que as notificações sejam encaminhadas aos procuradores, uma vez que elas devem ser endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, de acordo com o Decreto nº 70.235/1997, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532/1997, art. 67. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 51 /2 01 0- 07 Fl. 803DF CARF MF Processo nº 19515.001551/201007 Acórdão n.º 1402003.124 S1C4T2 Fl. 803 2 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA NÃO CARACTERIZADA NOS AUTOS. Quando não restar comprovado nos autos o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador nos termos do artigo 135 do CTN, as pessoas físicas na qualidade de administradores e gerentes da autuada não podem ser responsabilizadas solidariamente pelo crédito tributário exigido no Auto de Infração. Tanto o administrador, como o gerente da sociedade, só pode ser pessoalmente responsável pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias, quando restar comprovado os atos praticados por eles com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto nos termos do artigo 135 do CTN; atos que a fiscalização não provou nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, i) negar provimento ao recurso voluntário da recorrente, mantendo os lançamentos; ii) dar provimento aos recursos voluntários dos sujeitos passivos solidários Susy Aparecida Anacleto e Cícero Agnaldo de Souza Leal, afastando a responsabilização. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 804DF CARF MF Processo nº 19515.001551/201007 Acórdão n.º 1402003.124 S1C4T2 Fl. 804 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter as exigências perpetradas no Auto de Infração. A Recorrente foi autuada para recolher o crédito tributário constituído relativo aos tributos abrangidos pelo Simples (IRPJ, contribuição para o PIS, CSLL, COFINS e Contribuição para a Seguridade Social INSS), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2006 (janeiro a dezembro de 2006). Os créditos exigidos nestes AIs foram arbitrados com base na receita encontrada por meio de depósitos bancários, cruzadas com a receita indicada na Declaração do Simples (declaração zerada). A DACON e a DCTF não foram entregues pela Recorrente, motivo pelo qual foi arbitrado o valor com base na movimentação financeira do ano de 2006 encontrada na conta corrente 1219623 Agência 0478 do Banco HSBC Bank Brasil S.A. Banco Múltiplo. A Fiscalização lavrou também termos de sujeição passiva solidária face aos sócios administradores indicados nas cláusulas da Sexta Alteração do Contrato Social, a Sra. Susy Aparecida Anacleto e o Sr. Cícero Agnaldo de Souza Leal, nos termos do artigo 124, inciso e artigo 135, ambos do CTN. A Recorrente foi excluída do Simples Federal e do Simples Nacional a partir de 01/01/2007. (Importante ressaltar que em 1 de julho de 2007 a legislação do Simples Federal foi revogada pela legislação do Simples Nacional, motivo pelo qual, a Recorrente foi excluída das duas, devido ao fato de a receita ter ultrapassado o limite previsto em lei para se manter neste regime de tributação.) No presente Auto de Infração, não consta a infração relativa a insuficiência de recolhimento gerado pela alteração da alíquota do Simples quando incluída na base de cálculo os valores relativos a receita encontrada com a movimentação financeira encontrada. Para evitar repetições aproveito o bem elaborado relatório do v. acórdão recorrido. A matéria sob litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 08.1.90.00.2009.053050, que culminou com a formalização de lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2006 a 31/12/2006 na modalidade do Simples, na exclusão da empresa do Simples através do Ato Declaratório Executivo DERAT/DIORT/EQRES nº 12/2012 com efeitos a partir de 01/01/2007 (fls. 552) e na exclusão do Simples Nacional através do Ato Declaratório Executivo DERAT/DIORT/EQRES nº 06/2012 com efeitos a partir de 01/07/2007 (fls. 557). Fl. 805DF CARF MF Processo nº 19515.001551/201007 Acórdão n.º 1402003.124 S1C4T2 Fl. 805 4 Consta do Termo de Verificação Fiscal, fls. 93/101, que na intenção de cientificar o sujeito passivo do início do procedimento fiscal, o fiscal visitou o local indicado no endereço do cadastro, verificando que lá existia outra empresa. Feito o Termo de Constatação Fiscal, foi encaminhado o Termo de Início de Procedimento Fiscal e intimação para apresentação de documentos, esclarecimentos e informações necessárias, aos sócios e exsócios do sujeito passivo. A ciência, via postal, deu se em 12/12/2009 aos exsócios Ana Lucia Pereira de Godoy e Nazaré Pedro dos Santos, e em 15/12/2009 aos atuais sócios Cícero Agnaldo de Souza Leal e Susy Aparecida Anacleto. Para o anocalendário 2006, consta dos sistemas corporativos da Receita Federal, que o contribuinte apresentou uma Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – PJSI sem valores, e não apresentou o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON e nem a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. Com a entrega, pelo contribuinte, dos extratos bancários do ano de 2006 da conta mantida junto ao Banco HSBC Bank Brasil S.A – Banco Múltiplo, o fiscal elaborou uma planilha com os valores creditados/depositados nesta conta bancária e intimou o interessado a comprovar a origem dos mesmos. Constava desta intimação (fls. 73) que “a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de créditos relacionados neste termo, na forma e prazo estabelecidos, ensejará lançamento de ofício, a título de omissão de receita ou rendimento, nos termos do artigo 849, RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais que couberem”. Em resposta, o contribuinte informa não possuir a documentação física dos recebimentos. Em 14/04/2010 foi feita a reintimação para prestar esclarecimentos quanto a origem dos valores creditados/depositados em sua contacorrente, apresentar os Livros Comerciais e Fiscais Obrigatórios, assim como os documentos comprobatórios das movimentações realizadas. Novamente o contribuinte alega não possuir documentação física dos depósitos realizados. Diante deste fato, os créditos não comprovados, no valor de R$ 4.450.207,40, foram lançados de ofício, de acordo com o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. O lançamento de ofício relativo ao Simples, período de 01/01/2006 31/12/2006 está consubstanciado nos autos de infração – Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples (fls. 117), no valor de R$ 78.577,04; Contribuição para o PIS/Pasep – Simples (fls. 125), no valor de R$ 57.523,34, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – Simples (fls. 133), no valor de R$ 81.461,29, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 141), no valor de R$ 239.563,08 e Contribuição para Seguridade Social – INSS – Simples (fls. 149), no valor de R$ 685.687,47; apurando o crédito tributário total no valor de R$ Fl. 806DF CARF MF Processo nº 19515.001551/201007 Acórdão n.º 1402003.124 S1C4T2 Fl. 806 5 1.142.812,22 (um milhão, cento e quarenta e dois mil, oitocentos e doze reais e vinte e dois centavos), aí incluído o principal, multa proporcional de 75% e juros de mora calculados até 31/05/2010. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado dos Autos de Infração e do Termo de Verificação Fiscal em 14/06/2010 (fls. 101 e 154), e os sócios Cícero Agnaldo de Sousa e Susy Aparecida Anacleto Leal tomaram ciência, via postal, em 23/06/2010 (fls. 158) dos Termos de Ciência de Sujeição Passiva Solidária (fls. 156/157). Em 14/07/2010 a “Panificadora e Lanchonete Amigas para Sempre Ltda – ME” apresenta sua impugnação, de fls. 160/204, alegando, em síntese: 1 Seu objeto social consiste na preparação e venda de refeições e bebidas em geral; 2 em resposta a intimação fiscal, apresentou os extratos bancários de suas contas junto ao Banco HSBC e informou que não mantinha seus arquivos e documentos contábeis sistematizados por total incompatibilidade com a sua realidade econômica de microempresa, assim como comentou o fato de ter ocorrido o extravio de parte da documentação fiscal e de seus registros, que seriam aptos a prestar os esclarecimentos solicitados; 3 é um comércio que proporciona baixíssima renda, na qual a maior parte da movimentação financeira se refere, em princípio, aos tíquetes que comercializava, restandolhe apenas um pequeno deságio, referente a 1% do faturamento verificado. As quantias envolvidas não compunham, de maneira nenhuma, a renda do estabelecimento comercial, pois repassadas, invariavelmente, às operadoras destes tíquetes; 4 o valor movimentado nas contascorrente da empresa é meramente ilusório, pois se trata de mera circulação de dinheiro, ou seja, o mesmo dinheiro ora utilizado para comprar tíquetes com pequeno deságio em um mês, é repassado para as empresas operadoras, que depositavam em sua conta as quantias referentes aos tíquetes repassados, descontadas as taxas de praxe; 5 “foi vítima de contumazes e reiterados roubos a seu estabelecimento comercial, situação que conduziu, invariavelmente, a papéis de toda sorte, entre os quais, alguns daqueles que seriam aptos a prestar os devidos esclarecimentos”; 6 explica a sistemática do valealimentação e do valerefeição e como é feita a troca, por pecúnia, por parte dos trabalhadores, subtraído de um pequeno deságio; Fl. 807DF CARF MF Processo nº 19515.001551/201007 Acórdão n.º 1402003.124 S1C4T2 Fl. 807 6 7 não há que se falar em faturamento, uma vez que não “revendia” os tíquetes a ninguém, mas, ao contrário, figurava como depositária em favor dos administradores de tíquetes; 8 em função da argumentação supra, se pode concluir da impossibilidade de considerar a movimentação bancária como presunção de receita do contribuinte; 9 não há de se falar em crime de estelionato; 10 o suposto trânsito financeiro se deu inúmeras vezes por conta e ordem de terceiros e, como já dito, a sua própria comercialização ordinária, qual seja, a destinação de refeições, lanches e bebidas em geral ao consumo varejista de pessoas físicas, não permite grandes margens de lucro; 11 os sócios da empresa, pessoas físicas, não apresentam quaisquer sinais exteriores de riqueza, e tal afirmação condiz plenamente com as suas realidades; 12 não se admite é que se exija o conhecimento técnico tributário apurado de pessoas simples, proprietários de um restaurante deste porte, acostumados à informalidade inerente à cultura de seus pares, quando mesmo aqueles com vasta experiência na área jurídica ou mesmo contábil apresentam severas dificuldades ao se deparar com a complexa legislação tributária pátria; 13 se refere ao conceito de renda: só se considera receita o ingresso de dinheiro que efetivamente se incorpora ao patrimônio do contribuinte; 14 traz julgados do Conselho de Contribuintes e a definição de receita por alguns juristas, reforçando o conceito acima exposto; 15 se refere à indevida presunção de receitas com base nos depósitos bancários: a presunção deve sempre estar apoiada na repetida e comprovada correlação natural entre os fatos conhecidos e os desconhecidos. Entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica e segura. Nem sempre o volume de depósitos injustificado leva ao rendimento omitido correlato; 16 na área judicial, consoante a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, TRF, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; 17 a presunção legal estribada nos depósitos bancários encontra os seguintes óbices: (a) não está calcada na experiência anterior; (b) não é possível estabelecer uma correlação entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos; (c) o encargo probatório é totalmente transferido para o contribuinte, com manifesta impossibilidade dessa prova ser produzida; Fl. 808DF CARF MF Processo nº 19515.001551/201007 Acórdão n.º 1402003.124 S1C4T2 Fl. 808 7 18 da inexistência da sujeição passiva solidária por ilegitimidade passiva dos sócios: trata das hipóteses em que a lei prevê expressamente a atribuição de responsabilidade a sócios e administradores sobre as obrigações sociais. Não prescindem, para serem adotadas, da aplicação da desconsideração da personalidade jurídica prevista no art. 50 do novo Código Civil. Assim, o legislador limitou a desconsideração da personalidade jurídica a apenas quando se verificar o abuso da personalidade, isto é, o uso da pessoa jurídica com interesse diverso daquele para o qual o direito o previu. Referese ao artigo 135 do Código Tributário Nacional – Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica, segundo o qual é possível, sem se desconstituir a sociedade, atingir o patrimônio pessoal do sócio somente quando comprovada a prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou a infração de lei, contrato social ou estatutos. Sustenta que não incorreu em nenhuma das hipóteses previstas no artigo antes citado, e tampouco se preocupou o fiscal em demonstrálo; 19 cabe à autoridade fiscal demonstrar o ilícito praticado, vez que a simples falta de recolhimento de tributo, sem dolo ou fraude, representa mora da empresa contribuinte, mas não ato violador da lei, do contrato social ou do estatuto; assim, os sócios do sujeito passivo, incluídos como sujeitos passivos solidários, figuram em clara situação de ilegitimidade passiva; 20 a invasão patrimonial dos sócios somente será possível na hipótese de não existirem bens suficientes da própria sociedade, por expressa disposição dos artigos 135 e 134 do Código Tributário Nacional; 21 não se pode permitir a ofensa aos princípios da legalidade, da razoabilidade, da propriedade e a todos os valores e princípios que informam a ordem constitucional democrática brasileira, sendo imperativo de legalidade que a pessoa jurídica comprove tanto a irregularidade da sociedade comercial, quanto a ilicitude na gestão administrativa dos sócios para que possa efetuar a inclusão dos atuais sócios como sujeitos passivos solidários da presente demanda; 22 o entendimento mais abalizado mantido pelos Tribunais é no sentido de que os sócios, ainda que exercendo poderes de gerência, não podem responder com bens próprios pelas dívidas da pessoa jurídica, devendo, pois, os sócios do Impugnante ser excluídos imediatamente do pólo passivo da presente demanda; 23 não houve qualquer irregularidade ou infração praticada pelo Impugnante que ensejasse a imposição de multa de ofício correspondente a 75% do valor do tributo imposto, configurando uma situação abusiva e confiscatória, violando o princípio da proporcionalidade; 24 da inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício: a expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições" prevista no art. 61, § 3º , da Lei n° 9.430/1996 diz respeito apenas ao valor do principal relativo à obrigação tributária não Fl. 809DF CARF MF Processo nº 19515.001551/201007 Acórdão n.º 1402003.124 S1C4T2 Fl. 809 8 paga no vencimento. Isso porque a multa não decorre do tributo, mas sim do descumprimento do dever legal de pagálo. Conclui o contribuinte que a cobrança de juros sobre a multa de ofício feita no presente Auto de Infração é manifestamente indevida, pela ausência de previsão legal expressa autorizando a referida cobrança, devendo ela, portanto, ser desconsiderada. 25 da ofensa ao princípio da estrita legalidade e da impossibilidade da utilização da Taxa Selic como juros moratórios em matéria tributária: a definição, a composição e a forma de cálculo da Taxa Selic não possuem qualquer regramento em lei, mas apenas em resoluções e circulares do Banco Central do Brasil. O Código Tributário Nacional, diploma normativo com status de lei complementar, somente autoriza a aplicação de juros de mora diversos de 1% se a lei assim estabelecer, o que absolutamente não ocorre com a Taxa Selic, conforme muitos afirmam de maneira equivocada. Em razão da inconstitucionalidade da Taxa Selic, deve ser cancelado o presente Auto de Infração; 26 ao final requer: (a) seja julgada improcedente a lavratura do presente Auto de Infração, com o cancelamento do débito ora cobrado; (b) a imediata exclusão dos sócios da pessoa jurídica do pólo passivo da presente demanda; e (c) todas as publicações e intimações referentes ao presente feito sejam encaminhadas exclusivamente em nome dos advogados que relaciona. O sócio Cícero Agnaldo de Sousa Leal apresenta sua impugnação em 20/07/2010 (fls. 312/355) e a sócia Suzy Aparecida Anacleto vem aos autos em 22/07/2010, conforme fls. 428/471, com os mesmos argumentos da pessoa jurídica, já expostos. Ato contínuo, a DRJ proferiu v. acórdão mantendo integralmente a exigência do Auto de Infração, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 19515.001551/201007 Acórdão n.º 1402003.124 S1C4T2 Fl. 810 9 Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. É cabível a aplicação da Taxa Selic enquanto juros de mora no tocante ao lançamento de crédito tributário relativo às contribuições devidas ao Simples, não recolhidas em época própria. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. NOTIFICAÇÕES AOS PROCURADORES. Indeferese o pedido de que as notificações sejam encaminhadas aos procuradores, uma vez que elas devem ser endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, de acordo com o Decreto nº 70.235/1997, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532/1997, art. 67. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. O gerente da sociedade é pessoalmente responsável pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. Ato contínuo, os autos retornaram para o E. CARF/MF e foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 19515.001551/201007 Acórdão n.º 1402003.124 S1C4T2 Fl. 811 10 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Os Recursos Voluntário são tempestivos e possuem os requisitos previstos na legislação, motivo pelo qual devem ser admitidos. O Recurso Voluntário da empresa Recorrente é idêntico ao dos responsáveis solidários, sendo que o mesmo patrono os assinou. Como a Recorrente deixou de apresentar argumentos de defesa em relação a sua exclusão do Simples, devido ao valor da receita bruta ter ultrapassado o limite previsto em lei para tal regime tributário, entendo que a lide referente a tal matéria restou definitiva nos autos. Da alegação de nulidades ou cerceamento do direito de defesa: Em relação a alegação de cerceamento do direito de defesa, entendo que não deve ser acolhida. A acusação está bem instruída com os documentos necessários para demonstrar a infração a legislação tributária de omissão de receita nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96 (287 do RIR/99), sendo que neste caso, a Recorrente é quem tem o ônus de provar que tal diferença não se refere a receita tributável, inexistindo assim cerceamento ao direito de defesa. Também entendo necessário se observar que as preliminares de nulidade do lançamento fiscal arguidas pela Recorrente não encontram amparo nas hipóteses previstas no artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal – PAF). Observa se que quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas em Auto de Infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o Sujeito Passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio, nos termos do art. 60 do mencionado decreto. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. vol. 1) percebese que a Autoridade Autuante narrou as etapas do procedimento fiscal e os fatos verificados em consequência daquele, bem como a subsunção à presunção legal adiante versada. Constam do referido termo e dos documentos que compõem os Autos de Infração lançados os dispositivos legais nos quais se alicerçaram, estando ainda presentes no processo administrativo a composição analítica da base de cálculo e os demonstrativos dos tributos devidos. Por conseguinte, restaram adequadamente observadas as previsões estampadas nos incisos do art. 10, do Decreto nº 70.235/72, não merecendo prosperar as alegações da Recorrente em sentido contrário. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 19515.001551/201007 Acórdão n.º 1402003.124 S1C4T2 Fl. 812 11 Ademais, foram disponibilizadas cópias dos documentos integrantes da autuação à Autuada, tendolhes sido conferido tempo hábil, após regularmente cientificado dos lançamentos, para apresentar seus questionamentos, consubstanciados na Impugnação apresentada nos autos, da qual é possível se depreender que a Recorrente entendeu perfeitamente dos fatos que lhes foram imputados. Assim, não houve qualquer preterição do respectivo direito de defesa. Mérito: Em relação as alegações de inconstitucionalidade da legislação referente a presunção de omissão de receita, insta esclarecer que nos termos da Súmula 2, este E. Tribunal não tem competência para analisar ou afastar aplicação de lei por entendêla inconstitucional. O contribuinte é optante do Simples que é um sistema que se constitui em uma forma simplificada e unificada de recolhimentos de tributos, por meio da aplicação e percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta, que é considerado nos termos do artigo 186 do RIR/99 como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos. Ressalvadas essas exclusões, é vedado, para fins da determinação da receita bruta apurada mensalmente procederse a qualquer outra exclusão ou individualização em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado, tais como, substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo e isenção, aplicáveis as demais pessoas jurídicas não optantes ao Simples (Lei no 9.317 de 1996, art. 2°, § 2° e IN SRF n° 250/2002, art. 40, §1°, e art. 1'). Assinalese que a base de cálculo do Simples não é o acréscimo patrimonial, o resultado ou o lucro, ainda que este seja diminuto em comparação com a receita bruta, mas sim esta última, que no caso da autuada foi constatada por meio dos créditos bancários cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada. Observese que os conceitos de renda, acréscimo patrimonial ou lucro não interessam aos optantes do Simples, quer exista ou não lançamento de ofício, pois a base de cálculo dos tributos devidos em conformidade com este sistema simplificado de tributação é a receita bruta, conforme previsto no art. 5º da Lei nº 9.317/1996. Portanto, a base de cálculo para optantes do Simples é a totalidade das receitas auferidas pela empresa, não admitindo a exclusão dos valores relativos a gastos efetivados ou depósitos cuja a origem não foi identificada, bem como a individualização das bases tributáveis por imposto ou contribuição. Dando continuidade ao raciocínio, a autuação trata de omissões de receita de microempresas e empresa de pequeno porte, onde existe o artigo 18 da Lei 9.317/1996 que determina que aplicamse as presunções de omissão de receita existentes nas legislações específicas de regência dos impostos e contribuições. Vejamos o texto do dispositivo: Fl. 813DF CARF MF Processo nº 19515.001551/201007 Acórdão n.º 1402003.124 S1C4T2 Fl. 813 12 “Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. " Sendo assim, foi correta a aplicação do artigo 42 da Lei 9.430/96 quando caracterizado a omissão de receita com base em depósitos bancários não escriturados e sem a comprovação de sua origem. Quando detectada tal hipótese prevista no dispositivo acima indicado, cabe aos contribuintes demonstrar com documentos idôneos e hábeis o registro e a origem do depósitos não escriturados, quando questionados pela fiscalização, sob pena de serem considerados receita tributável. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, a que o contribuinte recebeu depósitos, não os escriturou e eximiuse de comprovar depósito por depósito mediante documentação hábil e idônea a sua origem, correta está a autuação. Ao enquadrar os depósitos bancários não escriturados como acréscimo à receita bruta declarada pela Recorrente; logo como aumento da base de cálculo; verificouse também um novo enquadramento da alíquota do SIMPLES, ou seja, os valores originalmente recolhidos foram insuficientes, ensejando também a cobrança complementar devido a insuficiência de recolhimentos, conforme demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos, que faz parte do presente processo de débito. Desta forma, não verifico que as duas infrações constantes no Auto de Infração estão imputando a Recorrente dupla tributação, eis que na primeira foi recomposta a receita bruta mensal com base nos depósitos bancários não escriturados e, na segunda, foram aplicados os percentuais progressivos fixados na legislação que prevê exceção para as microempresas e empresas de pequeno porte inscritas no Simples, em relação a receita bruta acumulada. Sendo assim, entendo que ambas infrações indicadas no Auto de Infração estão corretas, devendo ser mantida a acusação fiscal em seus termos. Em relação ao juros de mora, adoto os fundamentos do v. acórdão recorrido: 7. Dos Juros de Mora Sobre os juros moratórios constantes do Auto de Infração, a penalidade foi corretamente aplicada, como podemos ver no artigo 61 parágrafo 3º da Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa Fl. 814DF CARF MF Processo nº 19515.001551/201007 Acórdão n.º 1402003.124 S1C4T2 Fl. 814 13 de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Mora quer dizer atraso. Juros de mora constituem a pena imposta ao devedor pelo atraso no cumprimento da obrigação. Funciona como uma indenização pelo retardamento na execução do débito. Já a multa aplicada, de 75%, referese a declaração inexata, no caso a omissão de receitas, e foi concebida para punir o contribuinte que não cumpriu espontaneamente com sua obrigação tributária (não oferecimento à tributação, rendimentos que, nos termos da legislação de regência, devem ser tributados). No caso em apreço não houve a incidência de juros sobre a multa, incidindo, cada um, isoladamente, sobre o valor do tributo (principal). Quanto à argüição de inaplicabilidade da taxa SELIC, cabe ressaltar que o parágrafo primeiro do art. 161 do CTN determina que os juros moratórios aplicáveis a créditos tributários não integralmente pagos no vencimento serão de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. Já o legislador ordinário com a Lei nº 9.430/1996, artigo 61, § 3º, determinou expressamente que a taxa de juros em questão seria equivalente à taxa SELIC. Vejamos: Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Vejamos o que diz o artigo 5º, parágrafo 3º acima referido: Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do Fl. 815DF CARF MF Processo nº 19515.001551/201007 Acórdão n.º 1402003.124 S1C4T2 Fl. 815 14 primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Pelo exposto, as previsões normativas acima transcritas fundamentam a incidência da Taxa Selic como percentual de juros de mora, aplicáveis ao lançamento relativo ao sistema simplificado de tributação. Estando presente determinação legislativa válida e eficaz, para que seja exigida a taxa SELIC sobre “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” (redação do artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996), exaurese a discussão na esfera administrativa, face à ausência de competência da Administração para negar eficácia a atos normativos. Sujeição Passiva Solidária: Em relação aos Termos de Sujeição Passiva lavrados contra os sócios administradores Sra. Susy Aparecida Anacleto e o Sr. Cícero Agnaldo de Souza Leal, nos termos do artigo 124, inciso I e artigo 135, ambos do CTN, entendo que não devem prosperar. A Fiscalização imputou a responsabilidade solidária as pessoas físicas sócias administradoras da empresa Recorrente apenas com base na Alteração do Contrato Social, sem qualquer outra fundamentação para incluílos no pólo passivo da autuação. Nem no Termo de Verificação Fiscal, e nem nos Termos de Sujeição Passiva consta a necessária motivação para incluir determinadas pessoas físicas no pólo passivo da exação. A simples constatação da infração de omissão de receita não autoriza a Fiscalização imputar responsabilidade solidária para os sócios administradores da empresa autuada. A imputação de responsabilidade solidária deve ser devidamente fundamentada e demonstrar que os atos das pessoas físicas se enquadram perfeitamente com a hipótese prevista nos dispositivos relativos a tal matéria. A Fiscalização deveria comprovar nos autos os atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem como interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, obrigações que não se desincumbiu de demonstrar. No presente caso, a infração de omissão de receita com base em depósitos bancários com origem não comprovada, não é suficiente para fundamentar e demonstrar com precisão o enquadramento dos fatos ocorridos com as hipóteses previstas nos dispositivos referentes a imputação de responsabilidade solidária pelo crédito tributário. Desta forma, como não basta a mera indicação de dispositivos para imputar responsabilidade solidária aos sócios administradores, entendo que o Sra. Susy Aparecida Anacleto e o Sr. Cícero Agnaldo de Souza Leal devem ser excluídos do pólo passivo da autuação. Fl. 816DF CARF MF Processo nº 19515.001551/201007 Acórdão n.º 1402003.124 S1C4T2 Fl. 816 15 No mais, mantido o lançamento relativo ao IRPJ, igual tratamento deve ser dado aos lançamentos de PIS, Cofins, CSLL e INSS, decorrentes da omissão de receita, ante a íntima relação de causa e efeito. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário da empresa e a ele nego provimento e em relação aos Recursos Voluntários dos responsáveis solidários, os conheço e dou a eles provimento para afastar a responsabilidade solidária dos sócios administradores, Sra. Susy Aparecida Anacleto e do Sr. Cícero Agnaldo de Souza Leal. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 817DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.001673/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS. OMISSÃO.
Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõe-se a análise da matéria com vistas a sanar a omissão.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso voluntário interposto depois de esgotado o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 1302-002.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para sanar a omissão apontada e modificar as conclusões do acórdão embargado, para não conhecer do recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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TEMPESTIVIDADE DE RECURSO Embargante CONSELHEIRO DA 2ª TURMA ORDINÁRIA DA TERCEIRA CÂMARA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF Interessado PETRO ITA TRANSPORTES COLETIVOS DE PASSAGEIROS LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 EMBARGOS. OMISSÃO. Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõese a análise da matéria com vistas a sanar a omissão. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário interposto depois de esgotado o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para sanar a omissão apontada e modificar as conclusões do acórdão embargado, para não conhecer do recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 16 73 /2 00 8- 51 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13748.001673/200851 Acórdão n.º 1302002.967 S1C3T2 Fl. 120 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo conselheiro presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em face do acórdão nº 1302002.752, pelo colegiado da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 1ª Seção do CARF que, por unanimidade de votos, acordou em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Nos embargos opostos sustentouse, verbis: O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, aplicandose o quanto foi decidido no Acórdão nº 1302002.745, de 12/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13748.001501/200887, paradigma ao qual restou vinculado. Ocorre que por ocasião do julgamento, o colegiado da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara 1ª Seção do CARF, em face da própria sistemática de julgamento adotada, o colegiado deixou de examinar e se pronunciar sobre a tempestividade do recurso voluntário interposto neste processo, impondose que seja suprida a referida omissão. Ante ao exposto, tendo formalizado e assinado o referido acórdão, na condição de presidente e relator, em 02 de junho de 2018, com base no art. 65, §1º, inc. I do Anexo II do Ricarf, venho pelo presente opor os competentes embargos de declaração para que sejam devidamente admitidos e processados com vistas a sanar a omissão apontada. Como os embargos foram apresentados pelo presidente do colegiado embargado, consideramse automaticamente admitidos. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13748.001673/200851 Acórdão n.º 1302002.967 S1C3T2 Fl. 121 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Os embargos foram opostos tempestivamente e atendem aos pressupostos regimentais. Assim, devem ser conhecidos. A omissão apontada nos embargos, consiste na apreciação da tempestividade do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo que, em face da sistemática de julgamento dos processos repetitivos, prevista no art. 47,§§ 1º, 2º e 3º do Anexo II do Ricarf, adotada para o presente processo, deixou de ser examinada. Assim, cumpre sanar a omissão. No caso concreto, a contribuinte foi cientificada do acórdão de primeiro grau em 30/04/2010 (AR, fls. 104) e interpôs recurso voluntário em 02/06/2018 (fls. 105). Verificase, à luz da legislação processual administrativa tributária e com base nos elementos dos autos acima citados, que o recurso é intempestivo. Com efeito, o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 preceitua que a intimação, pode ser feita por via postal com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, considerandose feita na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Já o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias contados da ciência, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. O art. 5° do Decreto n° 70.235/72, dispõe ainda que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento e que estes só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso, o contribuinte teve ciência do acórdão recorrido em 30/04/2010 (sextafeira) e o recurso voluntário foi interposto em 02/06/2010 (quintafeira). Deste modo, o prazo legal para a interposição do recurso voluntário expirou no dia 01/06/2010 (quartafeira). Assim, o recurso voluntário, não pode ser conhecido, por ser intempestivo. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher os embargos para sanar a omissão apontada e modificar as conclusões do acórdão embargado, para não conhecer do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.004871/97-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1994
OMISSÃO DE RECEITA. DEVOLUÇÕES DE VENDAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Deve ser mantido o lançamento por omissão de receitas quando o
contribuinte não consegue comprovar a efetividade das alegadas devoluções de vendas e sua reintegração ao estoque. Idêntica conclusão se aplica aos lançamentos reflexos de CSLL, COFINS, PIS e IRRF.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Exercício: 1994
SEMESTRALIDADE.
Deve ser cancelado o lançamento, feito com base na Lei Complementar nº 7/1970, que desrespeita a disposição que estabelece que a base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior. Aplicação da Súmula CARF nº 15.
Numero da decisão: 1301-000.565
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar
provimento ao recurso voluntário com relação ao lançamento do IRPJ, IRRF, CSLL e Cofins, nos termos do voto do redator designado, vencido o Conselheiro Valmir Sandri. Por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento do PIS/Pasep, sendo que o Conselheiro Valmir Sandri acompanha a decisão pelas conclusões.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Valmir Sandri
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 5.56 1 44..5566 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.004871/9794 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 130100.565 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de maio de 2011 Matéria IRPJ e Outros Recorrente REIPLAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MATERIAL ELÉTRICO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1994 OMISSÃO DE RECEITA. DEVOLUÇÕES DE VENDAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser mantido o lançamento por omissão de receitas quando o contribuinte não consegue comprovar a efetividade das alegadas devoluções de vendas e sua reintegração ao estoque. Idêntica conclusão se aplica aos lançamentos reflexos de CSLL, COFINS, PIS e IRRF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 1994 SEMESTRALIDADE. Deve ser cancelado o lançamento, feito com base na Lei Complementar nº 7/1970, que desrespeita a disposição que estabelece que a base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior. Aplicação da Súmula CARF nº 15. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário com relação ao lançamento do IRPJ, IRRF, CSLL e Cofins, nos termos do voto do redator designado, vencido o Conselheiro Valmir Sandri. Por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento do PIS/Pasep, sendo que o Conselheiro Valmir Sandri acompanha a decisão pelas conclusões. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.004871/9794 Acórdão n.º 130100.565 S1C3T1 Fl. 6.56 2 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Cuidase de recurso interposto por Reiplás Indústria e Comércio de Material Elétrico Ltda., em face da decisão proferida pela 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que julgou procedente o lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Programa para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Imposto de Renda Retido na Fonte e Multa p/Atraso na Entrega da DIPJ, tudo referente ao ano calendário de 1993 Exercício de 1994, objetivando a reforma da decisão recorrida. O lançamento decorreu da constatação, em procedimento fiscalizatório, de ter o contribuinte omitido receita operacional caracterizada pela não comprovação do efetivo cancelamento e/ou devolução de vendas efetuadas durante todos os meses do ano calendário de 1993, obtidos através do livro Registro de Apuração do IPI, nos códigos de classificação fiscal 1.31 e 2.31. Em síntese, são as seguintes as alegações que fundamentaram a impugnação: que a lavratura dos autos de infração de IRPJ, CSL, PIS, COFINS e IRRF, se deu sem qualquer levantamento próprio na esfera destes tributos, tratandose meramente de decorrência ou reflexo da exigência feita na esfera do IPI, objeto de outro auto de infração, o que ensejaria a nulidade das referidas autuações, eis que não se admite, em matéria tributária, o lançamento pela via reflexa; que os lançamentos relativos à CSL, ao PIS, à COFINS e ao IRRF são meros reflexos do lançamento efetuado na esfera de IRPJ, que por sua vez é reflexo do lançamento efetuado na esfera do IPI, o que implicaria em presunção da presunção; que a própria autuação na esfera do IPI estaria eivada de vícios formais e substanciais, pois: (i) haveria a exigência do imposto e acréscimos legais com base em levantamento efetuado por amostragem; (ii) como conseqüência, o lançamento teria sido efetuado com base em meros indícios, o que não é admitido em matéria tributária; (iii) faltaria ao auto de infração motivação fática, prejudicando assim a motivação jurídica; (iv) no mérito, seria improcedente a autuação, eis que as devoluções de vendas canceladas seriam reais; (v) por conseguinte, sendo nulo auto de infração de IPI, seriam nulas as demais exigências. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.004871/9794 Acórdão n.º 130100.565 S1C3T1 Fl. 7.56 3 no que concerne especificamente ao IRPJ, tomouse como base de cálculo o total da receita apurada, ao passo que deveriam ter sido considerados os valores correspondentes ao lucro resultante das vendas efetivadas; em relação à CSL deveria ter sido adotado o mesmo procedimento, tendo em vista que a base de cálculo seria igualmente o lucro das empresas; quanto ao IRRF, deveria terse deduzido o valor do ICMS, do IRPJ, da CSL, do PIS e da COFINS; em suma, que a autoridade fiscal ao proceder à lavratura dos referidos autos, não se ateve em apurar a base de cálculo das exações, sendo causa de mácula dos valores exigidos, tomandose imprestável o levantamento fiscal para o fim de embasar exigências. especificamente quanto ao PIS, o Fisco autuou à alíquota de 0,75%, que não estava em vigor à época do recolhimento da referida contribuição, o que configuraria mudança de critério jurídico, conduta inadmissível à luz dos artigos 100 e 146 do CTN. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos (fls. 256/275), ficando a decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1994. Ementa: Omissão de receita. Não comprovação de devolução de mercadorias. Auto de Infração de IRPJ/CSL/PIS/COFINS/IRRF Reflexos do Auto de Infração de IPI Sendo os mesmos elementos de comprovação que fundamentaram o lançamento principal de IPI, analisada a procedência total dele, há que se considerar a íntima relação de causa efeito existente entre a exigência principal e seus decorrentes, devendo ser integralmente mantidos. Auto de Infração de IRPJ, CSL e IRRF — Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o IRPJ, CSL e IRRF Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o IRPJ e a CSL, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. A receita omitida será considerada automaticamente recebida pelos sócios, e será tributada exclusivamente na fonte. Auto de Infração de PIS As alterações inconstitucionais trazidas pelos DL's 2445 e 2449/88 deixaram de ser aplicadas com efeito erga omnes desde a publicação da resolução do senado, pelo que correta a autuação tendo por base legal a LC 07/70 e 17/73. Lançamento Procedente." Como razões de decidir, foi consignado tratarse processo decorrente, (ou reflexo), do processo administrativo de n° 10880.004868/9780, referente a auto de infração de IPI, devido ao fato de ambos decorrerem do mesmo elemento probatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.004871/9794 Acórdão n.º 130100.565 S1C3T1 Fl. 8.56 4 Nos autos do referido processo administrativo de IPI, fora proferida Decisão pela DRJ/SP de n° 021821/98, no sentido de julgar procedente o lançamento, o que ensejou a interposição de Recurso Voluntário, tendo o Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes proferido o Acórdão de n° 20176.364 no sentido de dar integral provimento ao recurso voluntário interposto "em face da insuficiência da descrição da infração no lançamento efetuado; do lançamento levado a termo por amostragem, que desrespeita disposições tanto do Código Tributário Nacional quanto da Constituição; e da ausência e insuficiência de elementos de prova que configurem a ocorrência e a quantificação dos fatos que embasaram a exigência tributária de oficio". Contudo, à época da apreciação pela Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloSP da Impugnação interposta nestes autos, o Acórdão proferido pelo Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, não era DEFINITIVO, tendo em vista a possibilidade de interposição de recursos. Por essa razão, o Julgador Relator entendeu ainda não ser cabível sua aplicação ao presente caso. Os argumentos adicionais trazidos à baila pelo contribuinte não foram acolhidos, ao fundamento de que o procedimento adotado pela Autoridade Lançadora decorreu de aplicação da legislação pertinente (Lei 8.541/92). No que se refere à alegação mudança de critério jurídico na exigência do PIS devido à majoração da alíquota aplicável, entendeu a decisão de primeira instância que a alíquota de 0,75% está em consonância com a legislação referente à matéria. No seu Recurso Voluntário de fls. 287/363, a contribuinte repisa o alegado na impugnação e argumenta que apesar de o Acórdão referente ao IPI não ser definitivo, o auto de infração padece de vícios suficientes para determinar a nulidade como um todo, pelo que requereu fosse esta reconhecida de plano pelo Conselho, tendo em vista que: (i) tratase de exigência de imposto e acréscimos legais com base em levantamento efetuado por amostragem; (ii) por conseqüência fora efetuado em meros indícios, o que não é admitido em matéria tributária; (iii) falta ao auto de infração motivação fática, com o que se tem prejudicada motivação jurídica; (iii) no mérito, improcede a autuação porque as devoluções de vendas e cancelamentos foram reais. Quanto aos Autos de Infração objeto do presente, diz também padecerem de nulidade, por não se admitir, em matéria tributária, a prova emprestada de outra esfera de tributação, devendo a autoridade fiscal proceder à apuração da base de cálculo, para posteriormente autuar nessa esfera. Alega ainda a existência de vícios nas autuações de cada tributo, que retiram do crédito tributário os requisitos de certeza, liquidez e exigibilidade, entre eles: (a) fundamentação com base nos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, foram expressamente revogados pelo artigo 36 da Lei n° 9.249/95, anterior à lavratura dos autos de infração; (b) mudança de critério jurídico no lançamento do PIS, mediante aplicação da alíquota de 0.75% a período pretérito; inobservância, em relação ao PIS, dos ditames da própria Lei Complementar, uma vez que tomou por base o faturamento do mês de ocorrência do fato gerador, e não no do sexto mês anterior. Afirma descaber a multa por atraso na entrega da declaração sobre o valor do tributo apurado em lançamento de ofício, quer porque referida multa só poderia incidir sobre o Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.004871/9794 Acórdão n.º 130100.565 S1C3T1 Fl. 9.56 5 valor do imposto de renda declarado pelo contribuinte, quer porque a multa por atraso na entrega da declaração e a multa de ofício não poderiam incidir sobre a mesma base de cálculo. Contesta a utilização da taxa Selic para os juros de mora. Posteriormente, a Empresa através de seu representante legal, informou às fls.370/379, que a decisão proferida pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes nos autos do Processo Administrativo de n° 10880.004868/9780, tomouse DEFINITIVA, tendo em vista que dela não foi interposto recurso pelo ilustre Procurador da Fazenda Nacional . Submetido a julgamento, entendeu o Colegiado que o lançamento não se caracterizava como decorrente do de IPI. Assentou o relator que o processo de IPI trata de glosas referentes a créditos recuperados indevidamente sobre devoluções e/ou vendas canceladas, enquanto o presente trata de exigência de tributos apurados com base em omissão de receitas caracterizada pela não comprovação da reintegração ao estoque de devoluções de mercadorias vendidas, apuradas pelo livro Registro de Apuração do IPI. Considerou o Colegiado que o processo não se encontrava devidamente saneado para que se proferisse, com segurança, decisão acerca da matéria, tendo o julgamento sido convertido em diligência para que a autoridade fiscal procedesse à análise das notas fiscais anexadas pelo Recorrente por ocasião de sua impugnação, referente às devoluções de vendas e cancelamentos que diz ter sido efetuado, e se procedentes, determinasse o exato valor do crédito tributário considerando tais elementos, bem como, procedesse às considerações que entendesse necessária para o deslinde da questão. Para atendimento da diligência a autoridade fiscal solicitou que o contribuinte apresentasse: (i) as notas fiscais de devoluções de vendas, vendas canceladas ou de entradas de mercadorias devolvidas, relativas ao ano de 1993, anexando as respectivas notas fiscais de venda; (ii) o Livro Registro de Apuração do IPI referente ao ano de 1993; (iii) Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque modelo 3 ou as respectivas fichas substitutivas referente ao ano de 1993, bem como que informasse as razões que o levaram a não responder ao Termo de Intimação lavrado em 27/06/1996 e o Termo de ReIntimação lavrado em 07/08/1996, que culminaram na lavratura de Auto de Infração. Após duas dilações de prazo concedidas, o contribuinte informou que não localizou os documentos de 1993 (dado o tempo decorrido), tendo conseguido encontrar somente o Livro Registro de Apuração do IPI e as Notas Fiscais de devolução de vendas dos meses de março e novembro de 1993, já juntadas aos autos com a impugnação. Após transcrever o art. 264 do RIR/99, que determina que: “A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial”, informou o diligenciante: “(...) Depreendese, da irrisória documentação apresentada pelo contribuinte, que: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.004871/9794 Acórdão n.º 130100.565 S1C3T1 Fl. 10.56 6 1. Não houve a apresentação de documentos que possibilitasse a análise da totalidade dos valores escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI a titulo de "Devoluções de vendas de produção do estabelecimento — CF0Ps 1.31 e 2.31"; 2. Conforme levantamento efetuado às fls. 09, as devoluções escrituradas durante o ano de 1993 no Livro Registro de Apuração do IPI, em comparação com as notas fiscais dos meses de março e novembro/1993 apresentadas pelo contribuinte quando da sua impugnação, representa uma proporção irrelevante para se confirmar as devoluções registradas ao longo do ano; 3. Ainda com relação as notas fiscais anexadas ao processo, não existe a possibilidade de analisálas, tendo em vista que o contribuinte não logrou apresentar nenhum elemento de controle que comprovasse o efetivo retomo das mercadorias devolvidas à empresa; 4. Da mesma forma em que a legislação do IPI (art. 86, item II, letra "h" do Decreto n° 87.981/82, atual art. 169, item II, letra "b" do Decreto n° 4.544/02) condiciona o direito ao crédito de IPI, referente aos produtos recebidos em devolução, à escrituração das notas fiscais no livro Registro de Controle da Produção e do Estoquemodelo 3, da mesma forma, o contribuinte tem que comprovar a reintegração das Mercadorias ao estoque, fato este, que em nenhum momento, desde o início da fiscalização, apresentou qualquer elemento de comprovação da existência efetiva (física) dessas devoluções. 5. Justificase a solicitação do livro modelo3 (Registro de Controle da Produção e do Estoque) em nosso Termo de Início de Diligência, posto que o mesmo demonstra a efetiva entrada da mercadoria devolvida e atende ao § 2° do artigo 161 do RIR/80, Decreto n° 85.450 de 04/12/80, que vigorava à época do fato gerador em causa, atual artigo 251 do RIR/99, Decreto n° 3.000/99. 6. Entendimento semelhante verificase no ACÓRDÃO DRJ/BSA N° 16052, de 19 de dezembro de 2005, de cuja ementa transcrevemos a seguir, em parte: "LANÇAMENTO DE OFÍCIO — IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). DEVOLUÇÕES/VENDAS CANCELADAS — OMISSÃO DE RECEITA.... II— As vendas devolvidas/canceladas, quando não comprovadas, integram a receita líquida de vendas e serviços e autorizam a presunção de omissão de receita (RIR/94, art.227, DL n° 1.598/77, art.12, § 1° e Lei n°9.249/95, art. 24)...." Assim, não sendo apresentado pelo contribuinte qualquer tipo de elemento capaz de comprovar o efetivo retorno das mercadorias devolvidas, não cabendo neste caso, a justificativa do contribuinte quanto ao lapso de tempo decorrido entre o fato gerador da devolução e a solicitação de apresentação desses documentos, sendo ainda importante ressaltar que, esta Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.004871/9794 Acórdão n.º 130100.565 S1C3T1 Fl. 11.56 7 documentação está sendo solicitada desde o ano de 1996, ou seja, 03 (três) anos após a ocorrência do fato gerador. Esta fiscalização fica impossibilitada de proceder a qualquer trabalho de verificação, análise, emissão de parecer ou da determinação de valor do crédito tributário, com o objetivo de atender a RESOLUÇÃO N° 10102.444, de 11 de novembro de 2004, exarada pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. ns 380 a 389). Instado a se manifestar sobre o relatório de diligência, o contribuinte lembrou já ter demonstrado que o lançamento originário de IPI foi definitivamente julgado a seu favor, tendo sido reconhecida a sua insubsistência "em face da insuficiência da descrição da infração no lançamento efetuado; do lançamento levado a termo por amostragem, que desrespeita disposições tanto do Código Tributário quanto da Constituição; e a ausência e insuficiência de elementos de prova que confirmem a ocorrência e a quantificação dos fatos que embasaram a exigência tributária de oficio". Disse discordar do entendimento de não haver correlação entre os lançamentos em apreciação e o relativo ao IPI, e ponderou que os autos de infração objeto deste processo são reflexos daquele, sendo mister que a aplicação daquela decisão aos presentes, dada a inegável relação de causa e efeito configurada. Sobre as conclusões da diligência, aduziu: A Recorrente, no entanto, não pode se conformar com tais conclusões, uma vez que, em verdade, o que ocorreu foi que a fiscalização acabou por se esquivar de apreciar a documentação apresentada, descumprindo a diligência determinada, uma vez que foi expressamente determinada a apuração do exato valor do crédito tributário correspondente. Com efeito, a Recorrente, já em sua impugnação, apresentou notas fiscais de devolução dos meses de março e novembro de 1993 e, mediante o registro das respectivas entradas em seu livro fiscal, comprovou que no primeiro mês mencionado teve devolvidas um total de mercadorias com valor contábil de CR$ 1.051.464.985,99, e em novembro, de CR$ 2.673.270,07. Irrisória, ou não, é fato que a documentação apresentada deveria ter sido analisada pela fiscalização que, como assim não agiu, acabou por violar o direito de defesa da Recorrente. Nem se alegue, como tentou fazer crer a fiscalização, que não seria possível apreciar tais notas fiscais pela ausência de elementos de controle que comprovassem a efetiva entrada das mercadorias, uma vez que tais notas, aliadas aos respectivos registros no Livro Registro de Apuração do IPI do ano de 1993, são provas absolutamente suficientes para a constatação inequívoca das devoluções/cancelamentos ocorridos. A desconsideração da documentação fiscal apresentada pela Recorrente, assim, só confirma todas as nulidades que maculam a cobrança dos tributos em questão, uma vez que, mesmo diante das provas apresentadas, foram mantidos os lançamentos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.004871/9794 Acórdão n.º 130100.565 S1C3T1 Fl. 12.56 8 efetuados por amostragem e com base em meros indícios, o que é inadmissível em direito tributário. Por fim, como demonstrado do recurso interposto, temse ainda que os autos de infração relativos ao IRPJ e CSL são nulos também porque o d. Fiscal autuante considerou lucro ou renda o total da receita assim apurada, deixando de considerar que se tais valores correspondessem a verdadeiras vendas (o que se admite para argumentar), nem assim eles seriam totalmente tributados, uma vez que impunhase o abatimento do valor do ICMS, e dos outros tributos exigidos neste mesmo auto de infração a título de PIS, COFINS e CSL, da base de cálculo do IRPJ, e do PIS e da COFINS, da base da CSL. Diante do exposto, e considerando que a diligência efetuada confirmou a nulidade dos autos de infração em questão e que, ainda que assim não fosse, como o aludido auto de infração de IPI já foi julgado perante este E. Conselho de Recursos Fiscais, e que é, sim, a origem dos autos de infração aqui questionados, reitera a Recorrente o seu pedido de que seja provido o seu recurso, para que sejam cancelados também estes lançamentos fiscais, por medida de JUSTIÇA! Retornam os autos à análise. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Valmir Sandri, Relator Conforme se depreende dos autos, o presente recurso retorna a este E. Conselho, após diligência solicitada pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Inicialmente, postula a Recorrente a aplicação automática da decisão dada no processo de IPI (Processo Administrativo n° 10880.004868/9780), alegando que os presentes lançamentos são dele decorrentes. Esse, aliás, foi também o entendimento expressado pela decisão recorrida, conforme se dessume do seguinte excerto do seu voto condutor: 26 De todo o exposto, em relação ao presente processo administrativo, não resta dúvida trataremse de Autos de Infração decorrentes (reflexos) do Auto de Infração de IPI (processo 10.880.004868/9780). 27 Assim, analisada a procedência do Auto de infração de IPI, em conformidade com a Decisão DRJ/SP n° 021821/98 (cópia de fls. 237 a 250), há que se considerar a íntima relação de causa e efeito existente entre a exigência principal e seus decorrentes (Autos de Infração de IRPJ, CSLucro, PIS, COFINS e IRRF), devendo ser integralmente mantidos. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.004871/9794 Acórdão n.º 130100.565 S1C3T1 Fl. 13.56 9 Ocorre que conforme já me manifestei na sentada anterior, quando o julgamento foi convertido em diligência, os lançamentos objeto do presente recurso não são decorrentes do Auto de Infração relativo ao IPI, senão vejamos: Segundo consta dos autos, a ação fiscal iniciouse no âmbito do IRPJ, com o objetivo previamente definido de examinar o grau de endividamento da empresa, bem como a ocorrência de devoluções de vendas simuladas. Posteriormente, em 27/06/96, a contribuinte foi intimada a comprovar o efetivo cancelamento de vendas realizadas no ano de 1993, através dos seguintes documentos: (i) reintegração das mercadorias ao estoque; (ii) estorno do pagamento de comissões a revendedores ou representantes. Em razão da falta de atendimento a intimação, em 27 de agosto foi lavrada reintimação, também sem sucesso. Decorridos mais de sete meses da primeira intimação, foi lavrado o auto de infração do IRPJ sob acusação de omissão de receitas relativas às devoluções não comprovadas, bem como os de IRRF, CSLL, PIS e COFINS, esses sim, decorrentes (fundados na mesma acusação omissão de receitas). É óbvio que a decisão quanto à omissão de receitas influencia igualmente essas cinco exações (IRRF, CSLL, PIS e COFINS) e, portanto, decidida por sua procedência no auto de infração do IRPJ, não há como decidir pela improcedência nos autos de infração de IRRF, CSLL, PIS e COFINS. Tal não ocorre, contudo, em relação ao IPI (Processo Administrativo n° 10880.004868/9780), cujo lançamento foi por glosa de crédito. Assim, a despeito dos lançamentos terem sidos fundados nos mesmos elementos de prova, o lançamento não se baseia no mesmo fato, e as decisões, em tese, podem ser divergentes. Não obstante, já por ocasião da conversão em diligência, manifesteime no sentido da imprestabilidade da investigação fiscal levada a efeito para a exigências ora questionadas. De fato, diante da inércia da fiscalizada em atender as intimações para comprovar a devolução de vendas com sua reintegração ao estoque, a fiscalização, após análise por amostragem dos livros e documentos que serviram de base à escrituração mercantil, ao invés de proceder a um minucioso exame das devoluções registradas pela contribuinte na sua escrita fiscal, intimando, inclusive, terceiros que estivessem relacionados com o fato jurídico tributário, até porque o universo de clientes da contribuinte era irrisório, desconsiderou por completo as devoluções escrituradas no livro Registro de Apuração do IPI , em total desacordo com o disposto no art. 142 do CTN. Logo, entendo que eventuais diferenças encontradas por amostragem no confronto entre valores consignado no livro de Registro de Apuração do IPI com os documentos que serviram de base à escrituração mercantil, quando desacompanhadas da devida investigação para apuração de omissão de receitas operacionais, não serve de embasamento para a exigência de crédito tributário, faltandolhe o atributo de certeza. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.004871/9794 Acórdão n.º 130100.565 S1C3T1 Fl. 14.56 10 Vejase que na fase impugnativa o contribuinte juntou as notas fiscais de devolução relativas aos meses de março e novembro de 1993, tendo ponderado1: (...) para demonstrar definitivamente a inconsistência de tudo quanto alega o Fiscal autuante, procedeu à análise e verificação de inúmeros documentos que comprovam as operações tidas por simuladas, não logrando entender porque o Fisco assim as considerou, já que existe farta documentação comprovando a sua real ocorrência. Mesmo no exíguo espaço de 30 dias que tem para defesa, quando a fiscalização utilizouse de quase um ano para fiscalizála, a Requerente conseguiu encontrar e junta aos autos apenas exemplificativamente, as Notas Fiscais anexas (doc. 03), relativas aos meses de março e novembro de 1993, as quais evidenciam que nestes meses os créditos de IPI glosados eram absolutamente legítimos. Isto ocorreu também nos demais meses do ano de 1993, e a Requerente só não está juntando a documentação comprobatória de tais alegações porque o tempo disponível não foi suficiente para localizála. Entretanto, reservase o direito de fazêlo a qualquer tempo, antes do julgamento final do presente processo. E se neste dois meses verificados mais de oitenta por cento dos valores considerados pelo Fisco como sendo devoluções de vendas fictícias restaram comprovados como sendo verdadeiras, é evidente que a presente autuação não procede pelo mérito, o que vem confirmar tudo quanto acima se disse do trabalho fiscal. Dessa forma, tendo a diligência sido improfícua, nada acrescentado aos autos do que já se encontrava por ocasião do julgamento convertido em diligência, e a despeito da contribuinte não ter colaborado com a autoridade diligenciante, mantenho minha posição no sentido da imprestabilidade da investigação fiscal levada a efeito para proceder ao do lançamento. Em sendo assim, entendo que os lançamentos não têm como prosperar, razão porque, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Valmir Sandri 1 Impugnação ao auto de infração de IPI, juntada ao presente, e à qual se reportou a interessada. Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.004871/9794 Acórdão n.º 130100.565 S1C3T1 Fl. 15.56 11 Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, exclusivamente no que tange à acusação de omissão de receitas. A acusação se baseou na falta de comprovação da efetividade das devoluções de vendas escrituradas no Livro Registro de Apuração do IPI sob os códigos CFOP 1.31 e 2.31, em todos os meses do anocalendário 1993. Desde a fase procedimental, o Fisco intimou e reintimou o contribuinte a apresentar documentos comprobatórios dos cancelamentos/devoluções de vendas e de sua reintegração ao estoque, especialmente as notas fiscais de devolução e o Livro de Controle da Produção e do Estoque – modelo 3 – ou respectivas fichas substitutivas. Diante da falta da documentação solicitada, foram lavrados os autos de infração objeto do presente processo, glosando as devoluções não comprovadas e considerando os valores correspondentes como receitas omitidas. Em sede de impugnação, a interessada fez juntar aos autos notas fiscais de devoluções de apenas dois meses, março e novembro de 1993. De se observar que essas notas fiscais surgiram somente após o encerramento do procedimento de fiscalização, com o que não se demonstraria viável o procedimento de circularização de informações junto aos clientes a fim de confirmar as devoluções, sugerido pelo ilustre Relator em seu voto. Mesmo assim, a documentação foi considerada insuficiente pela Turma Julgadora em primeira instância. Já em sede de recurso, ao se iniciar o julgamento, foi considerada a necessidade de dar ao contribuinte nova oportunidade de apresentar provas em seu favor, com o que o julgamento foi convertido em diligência. Após seu cumprimento, a situação restou inalterada. Ou seja, as alegadas devoluções de vendas permanecem carentes de comprovação. As notas fiscais são as mesmas já trazidas em sede de impugnação, dizem respeito a apenas dois meses do anocalendário, e mesmo assim, não há qualquer comprovação da reintegração ao estoque dos produtos supostamente devolvidos. Diante dessa situação, o Colegiado entendeu restar incólume a acusação de omissão de receitas, visto que o ônus da comprovação das vendas devolvidas caberia ao contribuinte, mediante a apresentação de documentação hábil e de escrita regular, o que não foi feito. Sob este aspecto, portanto, devem ser mantidas as autuações do IRPJ e de seus reflexos. Melhor destino não merece a alegação de que o lançamento careceria de fundamentação legal, em face da revogação dos arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/1992 pelo art. 36 da Lei nº 9.249/1995. É que “o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada” (CTN, art. 144). Também não pode ser acolhido o pedido de exclusão dos tributos lançados da base de cálculo do imposto de renda na fonte, por absoluta falta de previsão legal para tanto. Especificamente no que tange ao PIS, entretanto, o exame dos autos revela a procedência da reclamação da interessada. É que o lançamento desrespeitou o aspecto temporal do fato gerador, ao tomar por base o faturamento do mês de ocorrência, e não o do sexto mês anterior. Essa matéria é pacificada no âmbito deste Conselho, sendo, inclusive, objeto de súmula: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.004871/9794 Acórdão n.º 130100.565 S1C3T1 Fl. 16.56 12 Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. As súmulas CARF foram objeto da Portaria CARF nº 49, de 01/12/2010 (DOU de 07/12/2010), e são de observância obrigatória por seus membros, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes. Em conclusão, a decisão do colegiado foi de negar provimento ao recurso voluntário com relação aos lançamentos de IRPJ, IRRF, CSLL e COFINS, dandolhe provimento tão somente para cancelar o lançamento da contribuição para o PIS. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10280.904795/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Nelso Kichel
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 47 95 /2 01 2- 23 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10280.904795/201223 Acórdão n.º 1301003.189 S1C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10280.904795/201223 Acórdão n.º 1301003.189 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/Recife (3ª Turma) que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Na sessão de 23/02/2018, esta Turma afastou o óbice que, até então, impedia a análise de mérito da lide e converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301003.554 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que transcrevo a parte dispositiva e voto condutor do Relator, in verbis: (...) Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (...) Voto (...) As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10280.904795/201223 Acórdão n.º 1301003.189 S1C3T1 Fl. 5 4 a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: (...). A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. (...) Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10280.904795/201223 Acórdão n.º 1301003.189 S1C3T1 Fl. 6 5 Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. (...) Entretanto, o Presidente do próprio Colegiado apresentou Embargos de Declaração ao que restara decidido, conforme Despacho nº s/nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24/04/2018, que transcrevo , in verbis: (...) No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. (...) É o relatório. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10280.904795/201223 Acórdão n.º 1301003.189 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.183, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/2012 45, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.183): "Conheço dos Embargos de Declaração, pois tempestivos e atendem aos pressupostos de admissibilidade. Conforme já relatado, a Resolução desta Turma, ao afastar os óbices que até então impediram análise de mérito da lide pelas decisões anteriores neste processo, deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo, em tese, da contribuinte ao direito de recurso, na hipótese de não reconhecimento ou reconhecimento parcial do direito creditório no mérito pela decisão que seria proferida após o retorno dos autos contendo o relatório resultado da diligência. Por isso, dos Embargos de Declaração manejados pelo Presidente desta própria Turma. De fato, na Resolução embargada o colegiado entendeu por bem superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superados os óbices, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa da contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o encaminhamento mais adequado, no caso, deve ser: "dar provimento parcial ao recurso voluntário (afastar os óbices) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para analisar o mérito do crédito pleiteado" e, assim, ficam restabelecidas as instâncias de julgamento de que trata o Decreto nº 70.235/72. Cabe à unidade de origem, DRF/Belém, analisar o mérito do crédito pleiteado. Portanto, voto para acolher os embargos com efeitos infringentes." Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10280.904795/201223 Acórdão n.º 1301003.189 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35954.002153/2006-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 95 4. 00 21 53 /2 00 6- 09 Fl. 3336DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 240203.205, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF em 21/11/2012, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: “(...) MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte.” A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n° 2403 00.920, proferido pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF em 26/10/2011, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, c om fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: "AGROINDUSTRIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SUBSTITUIÇÃO. DEFINIÇÃO LEGAL. PRODUÇÃO RURAL DESTINADA A EXPORTAÇÃO VENDIDO NO COMÉRCIO INTERNO. EXCLUSÃ0 DA IMUNIDADE. Nos casos em que a atividade da empresa seja a produção rural, o que foi verificado no caso em tela, a contribuição devida por essa agroindustria estará definida pelo art.22A da Lei n 8.212/91, a qual substituirá a contribuição prevista nos incisos I e II do art.22 da mesma legislação (rubricas: patronal, SAT e terceiros). Tratandose de produção rural comercializada no mercado inferno e não destinada a exportação direta com o exportador, o direito a imunidade, previsto no art. 149, sr 2°, I, da Constituição Federal, fica prejudicado, devendo portanto a contribuição social incidir nos moldes do art.22A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte." Fl. 3337DF CARF MF Processo nº 35954.002153/200609 Acórdão n.º 9202007.034 CSRFT2 Fl. 3.337 3 Na origem, tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR que julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento constante na NFLD n° 35.761.5204 no valor originário de R$ 2.966.321,05 (dois milhões, novecentos e sessenta e seis mil, trezentos e vinte e um reais e cinco centavos) que, após decisão de 1 instância, foi reduzido para 2.895.749,83 (dois milhões, oitocentos e noventa e cinco mil, setecentos e quarenta e nove reais e oitenta e três centavos). Segundo o relatório fiscal, a cobrança referese às contribuições devidas pela agroindústria incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural, substitutivas das contribuições incidentes sobre a folha de pagamento, com a alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) correspondente à parte patronal e com a alíquota de 0,1 (zero vírgula hum por cento) relativa à contribuição para o financiamento de aposentadoria especial e daqueles benefícios concedidos em razão do grau de incidência de capacidade laborativa para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade, conforme art. 22A, incisos I e II da Lei n. 8.212/91. Integram também esse lançamento as contribuições destinadas ao SENAR (terceiros). Consigna ainda a NFLD que o crédito tributário em referência teria sido apurado em relação às receitas decorrentes da exportação de produtos industrializados realizada pela Requerente por intermédio de empresas "tradings", especial e exclusivamente contratadas para tal fim. A Fazenda Nacional recorre com base em paradigmas existentes à época onde havia controvérsia sobre a aplicação da retroatividade benigna e traz o Acórdão nº 2301 00.283 para embasar sua divergência Chegando a este colegiado, o julgamento foi convertido em diligência uma vez que não havia intimação do Contribuinte com relação à decisão nos embargos opostos contra acórdão de recurso voluntário. Em 29 de setembro de 2017 foram juntados aos autos requerimento de desistência, excepcionando exatamente a discussão presente neste processo, qual seja, a "discussão em relação à redução da multa de mora objeto de Recurso Especial da Fazenda nacional." Em 28 de janeiro do corrente a unidade de origem, verbis: Considerando que os fatos geradores objeto do lançamento da NFLD foram declarados em GFIP antes do início do procedimento fiscal e sendo assim, não foi lavrado Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória (ausência de FG em GFIP) previsto na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, c/c Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. Considerando que a multa de mora aplicada no lançamento corresponde à 15% (quinze por cento) do valor principal conforme NFLD e seus anexos, bem como Relatório Fiscal, documentos integrantes deste processo, onde os lançamentos Fl. 3338DF CARF MF 4 feitos na época foram declarados em GFIP antes do início do procedimento fiscal. E considerando, portanto, que não foi aplicada Multa de Ofício de 75% (setenta e cinco por cento) prevista no art. 44, inc. I da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, neste lançamento, Concluímos que a multa de mora aplicada no lançamento que é de 15% (quinze por cento) conforme legislação constante do relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, documento integrante da NFLD, sem prejuízo dos demais dispositivos legais, é a menos severa a favor do contribuinte em face da Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Entendo cumpridos os requisitos de admissibilidade motivo pelo qual conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, pois presentes, àquela oportunidade controvérsia relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Ressaltese, aqui, que a Instrução Normativa da RFB n.º 1784/2018, entretanto, propugna a possibilidade de desistência parcial de discussões administrativas ou judiciais, verbis: Art. 6º A inclusão de débitos no PRR, cuja procedência esteja em fase de discussão administrativa ou judicial, fica condicionada: I à desistência do sujeito passivo de impugnações ou de recursos administrativos interpostos e de ações judiciais que tenham por objeto débitos a serem incluídos no PRR II à renúncia do sujeito passivo a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam as impugnações ou os recursos administrativos interpostos ou as ações judiciais; e III à protocolização de requerimento de extinção do processo com resolução do mérito, referente a ação judicial que tenha sido proposta pelo sujeito passivo, com base na alínea “c” do inciso III do caput do art. 487 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 Código de Processo Civil (CPC), dispensado o pagamento dos honorários advocatícios a que se refere o art. 90 da mesma Lei. § 1º Somente será considerada desistência parcial de impugnação ou de recurso administrativo interposto ou de ação judicial proposta se o débito contra o qual o sujeito passivo se Fl. 3339DF CARF MF Processo nº 35954.002153/200609 Acórdão n.º 9202007.034 CSRFT2 Fl. 3.338 5 insurge for passível de distinção dos demais débitos discutidos no processo administrativo ou na ação judicial. Assim, Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É Fl. 3340DF CARF MF 6 necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Fl. 3341DF CARF MF Processo nº 35954.002153/200609 Acórdão n.º 9202007.034 CSRFT2 Fl. 3.339 7 Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 3342DF CARF MF 8 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da Fl. 3343DF CARF MF Processo nº 35954.002153/200609 Acórdão n.º 9202007.034 CSRFT2 Fl. 3.340 9 multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no Fl. 3344DF CARF MF 10 momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Fl. 3345DF CARF MF Processo nº 35954.002153/200609 Acórdão n.º 9202007.034 CSRFT2 Fl. 3.341 11 Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, no mérito DAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 3346DF CARF MF
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