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Numero do processo: 12448.723570/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RENDIMENTOS. ACORDO DE CONCILIAÇÃO. FALTA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DAS VERBAS. INCIDÊNCIA.
A discriminação de verbas em acordo, para ser válida e eficaz, deverá obedecer os dispositivos legais aplicáveis: art. 832, §3º da CLT, art. 43, parágrafo 1º da Lei nº 8.212/91 e parágrafos 2º e 3º do artigo 276 do Decreto 3.048/99, não havendo manifestação do juízo na sentença homologatória, a totalidade dos rendimentos deve ser tributada.
Numero da decisão: 2402-006.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho , Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 RENDIMENTOS. ACORDO DE CONCILIAÇÃO. FALTA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DAS VERBAS. INCIDÊNCIA. A discriminação de verbas em acordo, para ser válida e eficaz, deverá obedecer os dispositivos legais aplicáveis: art. 832, §3º da CLT, art. 43, parágrafo 1º da Lei nº 8.212/91 e parágrafos 2º e 3º do artigo 276 do Decreto 3.048/99, não havendo manifestação do juízo na sentença homologatória, a totalidade dos rendimentos deve ser tributada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho , Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti.
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ACORDO DE CONCILIAÇÃO. FALTA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DAS VERBAS. INCIDÊNCIA. A discriminação de verbas em acordo, para ser válida e eficaz, deverá obedecer os dispositivos legais aplicáveis: art. 832, §3º da CLT, art. 43, parágrafo 1º da Lei nº 8.212/91 e parágrafos 2º e 3º do artigo 276 do Decreto 3.048/99, não havendo manifestação do juízo na sentença homologatória, a totalidade dos rendimentos deve ser tributada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 35 70 /2 01 2- 43 Fl. 116DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho , Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 12448.723570/201243 Acórdão n.º 2402006.017 S2C4T2 Fl. 104 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário apresentado às fls. 75/77, tomado contra Acórdão da 18ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada (fls. 15/18), mantendo o crédito tributário lançado. O relatório da r. decisão recorrida está assim lançado: Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao ano calendário de 2009, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 3 a 8, em que foi apurada a infração de omissão de rendimentos provenientes de ação trabalhista no valor de R$ 206.566,32, tendo sido compensado o imposto de renda retido na fonte (IRRF) de R$ 38.039,68 (fl. 5). Em virtude dessa infração, foi apurado o imposto de renda suplementar sob o código (2904) de R$ 14.775,75, acrescido de multa de ofício e juros de mora regulamentares, perfazendo o crédito total de R$ 28.363,54 (fl. 4). A descrição dos fatos e o devido enquadramento legal constam d notificação em pauta. Inconformado, o Interessado apresentou a impugnação de fl. 15 a 18, argumentando que os rendimentos provenientes do acordo trabalhista pactuado com a CEPAR S.A. e Pan Americana no ano de 2009 totalizaram R$ 210.566,32 dos quais 80% são de natureza indenizatória. Alega a seguir que na época da declaração de ajuste não tinha o informe de rendimentos e incorreu em erro ao declarar os rendimentos recebidos como isentos. Com base na documentação probante que junta aos autos (fls. 19 a 52), apresenta o demonstrativo da retificação que deve ser registrado na DAA exercício 2010 (fls. 53 a 55) e assim sendo requer a restituição do imposto de fonte. Em seu apelo, reprisa o recorrente os argumentos lançados em sua peça de defesa, aduzindo que não houve omissão de rendimentos, uma vez que fora acordado nos autos do processo trabalhista nº 026350044.1991.5.02.0026, que sobre os 20% contabilizado como natureza salarial, as empresas Reclamadas – CEPAR S.A. e Pan Americana S/A – ficariam a cargo de recolher os tributos a ele incidentes. Assim, argumenta que as parcelas recebidas em decorrência da pactuação judicial seriam líquidas, não havendo incidência de qualquer imposto. Ao arremate, alega ser portador de doença grave, colacionando laudo médico (fls. 81/85) para comprovar sua situação. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O recurso é tempestivo, uma vez que o recorrente foi intimado da decisão recorrida aos 26 dias de agosto de 2014, interpondo recurso dia 1º de setembro de 2014, bem como preenche os demais requisitos postos no Decreto nº 70.235/72, pelo que deve ser conhecido. O lançamento objurgado baseiase em uma suposta Omissão de Rendimentos percebida pelo recorrente no valor de R$ 206.566,32 (fls. 5), em que, segundo a Auditora Fiscal, haveria incidência de IRRF no valor de R$ 38.039,68. Em sua peça de defesa, aduziu o recorrente que os valores foram recebidos em decorrência de acordo judicial formulado nos autos do processo nº 0263500 44.1991.5.01.0026, que tramitou na 26ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, e que os impostos incidentes sobre o valor das parcelas, teriam sido recolhidos pelas empresas pagadoras. O entendimento da DRJ seguiu as inclinações do Relatório Fiscal, julgando improcedente a impugnação, ao asserto de que os rendimentos eram tributáveis, tendo como fundamento o quadro de rendimentos tributáveis do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, às fls. 52. Claramente tratase de Rendimentos Recebidos Acumuladamente antes de 2009, entretanto, tal questão não foi objeto de impugnação, tendo a linha de resistência se fixado na alegação de isenção das verbas recebidas. No caso concreto, vêse que os rendimentos decorreram de pagamento de acordo judicial formulado nos autos do processo nº 026350044.1991.5.01.0026, que tramitou na 26ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, no valor de R$ 206.566,32 (fls. 5). A DRJ entendeu que os rendimentos recebidos estão sujeito à incidência do imposto no mês do recebimento ou crédito, apurando o imposto de renda suplementar sob o código (2904) de R$ 14.775,75, acrescido de multa de ofício e juros de mora regulamentares, perfazendo o crédito total de R$ 28.363,54 (fl. 4). Apesar de haver indícios da composição dos valores na linha defendida pelo Recorrente eis que a petição de acordo homologada indica que os valores deveriam ser líquidos, a decisão não individualiza as verbas e sua natureza. Ao firmar o aludido acordo, ocorre uma transação para por fim a lide, abrindose mão das discussões de mérito, por conseqüência, da discussão do quanto devido em cada rubrica. A única hipótese prevista em lei para manutenção da natureza individualizada das verbas inseridas em acordo, decorre da manifestação expressa do juízo quanto a tal, o que não ocorreu no presente caso conforme decisão judicial de folhas 42. A discriminação, para ser válida e eficaz, deveria obedecer aos dispositivos legais aplicáveis: art. 832, §3º da CLT, art. 43, parágrafo 1º da Lei nº 8.212/91 e parágrafos 2º e3º do artigo 276 do Decreto 3048/99. DF CARF MF Fl. 255 6 O artigo 832, §3º da CLT, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 12448.723570/201243 Acórdão n.º 2402006.017 S2C4T2 Fl. 105 5 desde o advento da Lei nº 10.035/2000, informa que a discriminação das verbas deve constar da decisão judicial homologatória. Portando, o dever de discriminar as verbas é da autoridade judiciária, e não das partes litigantes: "§3º As decisões cognitivas ou homologatórias deverão sempre indicar a natureza jurídica das parcelas constantes da condenação ou do acordo homologado, inclusive o limite de responsabilidade de cada parte pelo recolhimento da contribuição previdenciária, se for o caso." Se há forma definida em lei para se promover tal discriminação, em sede de acordo, não é possível aceitar a discriminação feita pelas partes ou a indicação dos peritos como suficientes para sustentar a pretensão do Recorrente. Ocorre que, no presente caso, o juízo emitiu decisão em que não discriminou as verbas, apenas homologou o resultado final do acordo. Nesta via, não merece prosperar o entendimento do Recorrente. No que se refere ao pedido de consideração do demonstrativo da retificação a ser registrada na DAA exercício 2010 (fls. 53 a 55), a mesma foi realizada sob a égide da fiscalização, havendo a perda de espontaneidade, portanto, não encontrando agasalho na legislação. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722478/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006, 01/07/2010 a 31/12/2010
IPI. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
COMPETÊNCIA DECLINADA. EXIGÊNCIA DE IPI REFLEXA À COBRANÇA DE IRPJ E CSLL.
Em atendimento ao disposto no inciso IV do art. 2º do Regimento Interno deste CARF (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016, a 3ª Seção deverá declinar da competência para julgar Recurso Voluntário que versa sobre a exigência de IPI, quando reflexo do IRPJ e formalizado com base nos mesmos elementos de prova, determinando a redistribuição do processo para a 1ª Seção de Julgamento no intuito de que os processos sejam julgados em conjunto.
Numero da decisão: 3301-003.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos não se conheceu do recurso voluntário para declinar competência para a 1ª Seção de Julgamento. para a 1ª Seção de Julgamento.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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Voluntário Acórdão nº 3301003.035 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de junho de 2016 Matéria IPI Insuficiência de Recolhimento em Tributação Reflexa Recorrente ESTALEIRO SCHAEFER YACHTS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006, 01/07/2010 a 31/12/2010 IPI. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COMPETÊNCIA DECLINADA. EXIGÊNCIA DE IPI REFLEXA À COBRANÇA DE IRPJ E CSLL. Em atendimento ao disposto no inciso IV do art. 2º do Regimento Interno deste CARF (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016, a 3ª Seção deverá declinar da competência para julgar Recurso Voluntário que versa sobre a exigência de IPI, quando reflexo do IRPJ e formalizado com base nos mesmos elementos de prova, determinando a redistribuição do processo para a 1ª Seção de Julgamento no intuito de que os processos sejam julgados em conjunto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos não se conheceu do recurso voluntário para declinar competência para a 1ª Seção de Julgamento. para a 1ª Seção de Julgamento. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 24 78 /2 01 1- 61 Fl. 2847DF CARF MF Processo nº 11516.722478/201161 Acórdão n.º 3301003.035 S3C3T1 Fl. 2.847 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face de acórdão da DRJ de Ribeirão Preto (SP), que julgou procedente o auto de infração de IPI, relativo aos fatos apurados nos períodos de 01/01/2006 a 31/12/2006 e 01/07/2010 a 31/12/2010, constituído em 19/12/2011 e cientificado à Contribuinte em 21/12/2011, conforme descrição dos fatos de fls. 2.587/2.590 e o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 2.536/2.584, foram constatadas diversas irregularidades em relação ao IPI: (...) 1. Falta de lançamento do IPI na saída de produtos tributados, em razão da emissão de notas fiscais com valores tributáveis menores do que o valor total da operação, por não ter a contribuinte considerado parte de sua atividade como industrial; 2. Falta de lançamento do IPI, em virtude da saída de produtos do estabelecimento sem a emissão de nota fiscal, apurada através da constatação de receitas omitidas, decorrentes da existência de créditos em conta corrente mantida em instituição bancária, cuja origem não foi comprovada; No período de outubro e dezembro de 2010 foi constatada falta de lançamento do IPI na saída de produtos tributados, apurada através da constatação de receitas omitidas, decorrentes da existência no passivo de registro de exigibilidades que não foram comprovadas; Em julho, setembro, outubro e novembro de 2010, falta de lançamento de IPI na saída de produtos tributados, pela emissão de notas fiscais com valores tributáveis menores do que o valor real da operação. Em julho de 2010 foi constatada falta de lançamento de IPI na saída de produtos tributados, por ter se utilizado incorretamente do instituto da suspensão prevista no inciso II do art. 43 do RIPI/2010, na saída para exposição em feiras, pois não houve o retorno do produto ao final da feira. Consta ainda, exigência de IPI decorrente da omissão de receita (IRJPJ), em conformidade com o parágrafo 2º, do art. 448 do RIPI/2002. De acordo com a decisão recorrida a omissão de receitas, caracterizada pela movimentação financeira incompatível com os registros contábeis e pelo passivo fictício, rendeu ensejo ao lançamento na órbita do IPI, decorrente do lançamento de ofício concernente ao IRPJ. Considerando Fl. 2848DF CARF MF Processo nº 11516.722478/201161 Acórdão n.º 3301003.035 S3C3T1 Fl. 2.848 3 se que a impugnação apresentada apresentou os mesmos argumentos daquela apresentada no processo original, concluise que ficou configurada a omissão de receitas. Assim, se em ação fiscal de IRPJ foram verificadas receitas cuja origem não foi comprovada (parágrafo 2º), deve ser empregado, quanto à exigência decorrente (IPI), o critério estabelecido no parágrafo 1º da norma regulamentar em comentário. Portanto, caracterizada a omissão de receitas pelas razões aduzidas, causa eficiente da imposição fiscal na esfera do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), é inelidível a autuação decorrente, por falta de lançamento do imposto dada a presunção legal de vendas sem emissão de nota fiscal. A DRJ julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência, conforme sintetiza a ementa do acórdão a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006, 01/07/2010 a 31/12/2010 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO MARCO INICIAL DE CONTAGEM DO PRAZO. A sistemática de lançamento por homologação exige o pagamento antecipado do tributo, de modo a incidir a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, conforme preceitua o § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, bem assim a inocorrência das hipóteses de dolo, fraude ou simulação. SIMULAÇÃO. MAIS DE UMA EMPRESA. MESMA ÁREA GEOGRÁFICA A instalação de três empresas na mesma área geográfica com o objetivo de subtrair o pagamento de tributos caracteriza simulação, permitindo ao Fisco alcançar o negócio jurídico que se dissimulou, para proceder a devida tributação. INDUSTRIALIZAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A fabricação de embarcações completas, mesmo que mediante a aquisição de cascos nus, caracterizase como industrialização, sujeitando as operações à incidência do IPI. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 11516.722478/201161 Acórdão n.º 3301003.035 S3C3T1 Fl. 2.849 4 LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receita sem lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE .ARGUIÇÃO. Apreciar arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade refoge à competência da instância administrativa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de ofício qualificada, de 150%, quando apurado que o sujeito passivo valeuse de artifício doloso, visando sonegação fiscal. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação descabe aos órgãos do Poder Executivo discutir. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. As omissões de IRPJ, foram objeto de julgamento pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Ribeirão Preto no processo nº 11516.722477/201117, relativo ao auto de infração de IRPJ e Reflexos, Acórdão nº 1437.158, de 29/03 /2012. Às fls. 2709, consta termo de ciência ao Contribuinte através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal (Data da disponibilização na Caixa Postal: 16/05/2012 e Data da ciência por decurso de prazo: 31/05/2012) A Recorrente interpôs em 15/06/2012, o recurso voluntário de fls. 2710 e seguintes, reiterando os argumentos constantes de sua impugnação. Houve a Resolução de nº 3301000.172 declinando a competência para a 1ª Seção de Julgamento, para que fosse aguardado o julgamento do processo principal de nº 11516.722477/201117. O processo 11516.722477/201117 foi julgado pelo CARF tendo sido negado o recurso voluntário. Houve a apresentação de recurso especial pelo contribuinte, mas tal recurso não foi adminitido. Atualmente os débitos do processo 11516.722477/201117 foram enviados para inscrição em dívida ativa da União. No recurso voluntário do presente processo são repetidos os exatos argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 2850DF CARF MF Processo nº 11516.722478/201161 Acórdão n.º 3301003.035 S3C3T1 Fl. 2.850 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. Tratase de recurso voluntário em face de acórdão da DRJ de Ribeirão Preto (SP), que julgou procedente o auto de infração de IPI, relativo aos fatos apurados nos períodos de 01/01/2006 a 31/12/2006 e 01/07/2010 a 31/12/2010, constituído em 19/12/2011 e cientificado à Contribuinte em 21/12/2011, conforme descrição dos fatos de fls. 2587/2590 e o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 2536/2584, onde foram constatadas diversas irregularidades em relação ao IPI. Houve a Resolução de nº 3301000.172 declinando a competência para a 1ª Seção de Julgamento, para que fosse aguardado o julgamento do processo principal de nº 11516.722477/201117. O processo 11516.722477/201117 foi julgado pelo CARF tendo sido negado o recurso voluntário. Houve a apresentação de recurso especial pelo contribuinte, mas tal recurso não foi admitido. Atualmente os débitos do processo 11516.722477/201117 foram enviados para inscrição em dívida ativa da União. O auto de infração lavrado no presente processo, que trata de IPI, relativo aos fatos apurados nos períodos de 01/01/2006 a 31/12/2006 e 01/07/2010 a 31/12/2010, é reflexo do auto de infração de IRPJ, julgado pela 1ª Seção de Julgamento, no processo Nº 11516.722477/201117 Questão preliminar prejudicial incompetência desta Seção para apreciação do caso vertente: O art. 2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015) elenca as hipóteses em que compete à 1ª Seção processar e julgar o caso, a qual inclui no seu inciso IV, os casos que versam sobre IPI, quando reflexo do IRPJ, formalizado com base nos mesmos elementos de prova. É o que se extrai da transcrição a seguir: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 11516.722478/201161 Acórdão n.º 3301003.035 S3C3T1 Fl. 2.851 6 formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ainda sobre o caráter reflexo da tributação, é válido analisar o disposto no inciso III do parágrafo 1º do art. 6º também do Regimento Interno do CARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Sendo assim, com base na legislação atualmente em vigor, é de competência da 1ª Seção o julgamento de processos relativos à cobrança de IPI, quando reflexo do IRPJ, formalizados em um mesmo procedimento fiscal, e formalizados com base nos mesmos elementos de prova, ainda que não tenham sido exigidos através de um mesmo Processo Administrativo Fiscal. Conclusão Diante do exposto, em atendimento ao disposto no inciso IV do art. 2º do Regimento Interno deste CARF, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, há de se declinar da competência para julgar a presente demanda, determinandose a redistribuição deste processo para a 1ª Seção de Julgamento. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 2852DF CARF MF Processo nº 11516.722478/201161 Acórdão n.º 3301003.035 S3C3T1 Fl. 2.852 7 Fl. 2853DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.903719/2009-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.246
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PROVA DO INDÉBITO. Recorrente TOTAL ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 37 19 /2 00 9- 21 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.903719/200921 Acórdão n.º 9303005.246 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 380302.083, de 7 de novembro de 2011, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF. A discussão dos presentes autos tem origem em PER/DCOMP apresentada para compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Cofins. A DRFVarginha/MG não homologou as compensações declaradas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de outros débitos do Contribuinte, espontaneamente confessados, não restando saldo disponível para compensação. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º o do artigo 3ºo da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, pelo STF, recalculou a contribuição devida no período, excluindo da base de cálculo as receitas financeiras. A diferença apurada foi usada como crédito na Dcomp. A DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado do CARF, por unanimidade de votou, negou provimento ao recurso, em face da falta de retificação da DCTF e da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2001 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10660.903719/200921 Acórdão n.º 9303005.246 CSRFT3 Fl. 4 3 É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acórdão recorrido. Suscitou divergência quanto à necessidade de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP, apresentando, como paradigmas, os acórdãos 3302001.805 e 3302001.797. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que entendeu ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestandose pelo não provimento do recurso especial, para manter o v. acórdão recorrido. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.226, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10660.902282/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.226): Da Admissibilidade O Recurso Especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Contribuinte suscita divergência quanto à incumbência de provar a liquidez e certeza do direito de crédito pleiteado, indicando como paradigmas os Acórdãos 3302 001.805, nº 3302001.797 e nº 140200.926, cuja cópia de inteiro teor foi anexada à peça recursal. Do voto condutor deste acórdão, extraio o seguinte trecho, que evidencia que a decisão fundamentouse em entendimento divergente do adotado na decisão recorrida: "A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10660.903719/200921 Acórdão n.º 9303005.246 CSRFT3 Fl. 5 4 solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. (...) Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações." Assim, no paradigma entendeuse que incumbe à Administração Tributária aquilo que, na decisão recorrida, foi atribuído ao Contribuinte, restando comprovada e demonstrada a divergência suscitada, motivo pelo qual do conheço o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Do Mérito Com a devida vênia ao bem fundamentado voto da Ilsutre Conselheira Relatora, a maioria do Colegiado divergiu do seu entendimento, pelas razões que serão consignadas no presente voto vencedor. O mérito do recurso especial cingese à necessidade (ou não) de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP referente aos valores envolvidos na compensação, bem como ser ônus da Autoridade Fiscal a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário. A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.717/2017, atualmente em vigor. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. Além disso, alega que tendo sido transmitidas as declarações obrigatórias pelo Sujeito Passivo, o dever de buscar outros documentos que eventualmente entenda necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito é do julgador administrativo. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10660.903719/200921 Acórdão n.º 9303005.246 CSRFT3 Fl. 6 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10660.903719/200921 Acórdão n.º 9303005.246 CSRFT3 Fl. 7 6 administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. e processo 11170.720001/201442 No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ter sido explicitado o entendimento para manutenção da glosa das compensações, pois, além de não ter havido prova da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado na compensação pela Contribuinte, por meio de documentos fiscais, não foi transmitida a DCTF retificadora prévia e espontaneamente ao despacho decisório, conforme autorizado pelo art. 10 da IN SRF nº/2004, vigente à época. Segundo a decisão combatida, tivesse a Contribuinte apresentado a DCTF retificadora, seria transferido para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Nesse sentido, é a disposição do art. 373 do Código de Processo Civil de 2015, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10660.903719/200921 Acórdão n.º 9303005.246 CSRFT3 Fl. 8 7 nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o §3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. A providência só poderá ocorrer mediante decisão devidamente fundamentada. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para essa comprovação. Diante do exposto, negouse provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 172DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.001714/2010-29
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/10/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 17 14 /2 01 0- 29 Fl. 278DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD: 37.197.3708, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 25/05/2010, no valor de R$ 256.953,64 (duzentos e cinqüenta e seis mil, novecentos e cinqüenta e três reais e sessenta e quatro centavos), acrescidos de juros e multa de mora, referente à contribuição devida pela empresa à Seguridade Social, descontada dos segurados empregados constantes em folha de pagamento do período. Constitui base de cálculo do crédito ora lançado a remuneração constante nas folhas de pagamento do período de 04/2008 a 10/2009, não declarada em GFIP. De acordo com os fatos relatados pela fiscalização, as contribuições ora lançadas foram descontadas da remuneração dos segurados. Alegando tratarse de devedor contumaz das contribuições previdenciárias, negligente em relação às orientações quanto à apresentação da GFIP, adotando como prática reiterada a apresentação de declarações com valor ínfimo da contribuição devida, negligente em relação às suas obrigações fiscais e optante por não recolher as contribuições devidas, foi aplicada pela autoridade fiscal, no período de 12/2008 a 10/2009, a multa qualificada prevista no artigo 44, §1º da Lei nº 9.430/96, considerando a sonegação incorrida pela empresa. Além disso, considerando a clara intenção dos dirigentes em ocultar da administração tributária os fatos geradores das contribuições sociais não declaradas e não recolhidas, foram incluídos no pólo passivo da autuação os sócios administradores, nos termos do artigo 135, III do Código Tributário Nacional. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário na sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 18/09/2013, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803002.683 (fls. 247/254), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto relator. A multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos, com base nos fatos geradores anteriores à 04.12.2008, incluindo esta data, seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, comparado somente Fl. 279DF CARF MF Processo nº 13888.001714/201029 Acórdão n.º 9202006.175 CSRFT2 Fl. 3 3 com o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.212/1991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira quanto à multa qualificada e Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à limitação da aplicação da multa. O Conselheiro Eduardo de Oliveira apresentará declaração de voto. Sustentação oral Advogada Dra Renata Pergamo Penteado Corrêa, OAB/SP nº183.738”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2008, 2009 LANÇAMENTO CORRETO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O lançamento do crédito realizado conforme o devido processo legal, alinhado com o art. 142, do CTN, oportunizando a ampla defesa e contraditório em sua fase contraditória, não sofre de nulidade. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 08/08/2016 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 12/09/2016, o presente Recurso Especial (fls.255/265). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 30/10/2016 (fls. 266/269). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35 caput da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado do Acórdão nº 2803002.683, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 02/03/2017, o contribuinte apresentou não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 266. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI Fl. 281DF CARF MF Processo nº 13888.001714/201029 Acórdão n.º 9202006.175 CSRFT2 Fl. 4 5 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela Fl. 282DF CARF MF 6 decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 283DF CARF MF Processo nº 13888.001714/201029 Acórdão n.º 9202006.175 CSRFT2 Fl. 5 7 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 284DF CARF MF 8 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13888.001714/201029 Acórdão n.º 9202006.175 CSRFT2 Fl. 6 9 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 286DF CARF MF 10 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, assim como lançado. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 287DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720215/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008
IPI. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. ART 18, § 3º, DO RIPI.
São imunes da incidência do imposto, derivados de petróleo, entendido como os produtos decorrentes da transformação do petróleo, por meio de conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação, classificados quimicamente como hidrocarbonetos.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI.
Aplica-se a contagem do prazo decadencial previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN, ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, quando houver pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2010.
DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN.
Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63/17. SUMULA CARF Nº 103
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
RO Não Conhecido e RV Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função de não estar superado o atual limite de alçada, na forma estabelecida na Súmula CARF nº 103; (b) por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Rosaldo Trevisan; e (c) por unanimidade de votos, dar ao recurso voluntário provimento parcial, para reconhecer decadência, exclusivamente quanto aos débitos apurados em relação ao período de janeiro de 2006 a setembro de 2006, e para reconhecer a impossibilidade do aumento do valor da "MULTA IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO, além dos R$1.561.980,41, lançados originalmente.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Atuaram em substituição aos Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Tiago Guerra Machado, que comunicaram impedimento, respectivamente, os Conselheiros Renato Vieira de Ávila e Rodolfo Tsuboi..
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008 IPI. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. ART 18, § 3º, DO RIPI. São imunes da incidência do imposto, derivados de petróleo, entendido como os produtos decorrentes da transformação do petróleo, por meio de conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação, classificados quimicamente como hidrocarbonetos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. Aplica-se a contagem do prazo decadencial previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN, ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, quando houver pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2010. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63/17. SUMULA CARF Nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. RO Não Conhecido e RV Provido em Parte
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008 IPI. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. ART 18, § 3º, DO RIPI. São imunes da incidência do imposto, derivados de petróleo, entendido como os produtos decorrentes da transformação do petróleo, por meio de conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação, classificados quimicamente como hidrocarbonetos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. Aplicase a contagem do prazo decadencial previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN, ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, quando houver pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2010. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63/17. SUMULA CARF Nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. RO Não Conhecido e RV Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 15 /2 01 1- 11 Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.211 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função de não estar superado o atual limite de alçada, na forma estabelecida na Súmula CARF nº 103; (b) por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Rosaldo Trevisan; e (c) por unanimidade de votos, dar ao recurso voluntário provimento parcial, para reconhecer decadência, exclusivamente quanto aos débitos apurados em relação ao período de janeiro de 2006 a setembro de 2006, e para reconhecer a impossibilidade do aumento do valor da "MULTA IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO”, além dos R$1.561.980,41, lançados originalmente. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Atuaram em substituição aos Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Tiago Guerra Machado, que comunicaram impedimento, respectivamente, os Conselheiros Renato Vieira de Ávila e Rodolfo Tsuboi.. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls1. 1060/1061): “Tratase de auto de infração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e de multa isolada, relativamente à parcela dos débitos com cobertura de créditos (fls. 954 a 973), lavrado em 19 de outubro de 2011 (efl. 953), relativamente aos períodos de apuração de janeiro de 2006 a março de 2008. As infrações foram descritas no termo de verificação fiscal TVF de efls. 932 a 951. À vista da apuração e classificação dos créditos de IPI escriturados, a Fiscalização observou falta de destaque do IPI em várias saídas, o que teve implicação sobre os saldos credores apurados. Ademais, a Fiscalização apurou os créditos ressarcíveis e não ressarcíveis, efetuando a reconstituição da escrita fiscal da Interessada. Quanto à apuração dos saldos, ainda esclareceu o seguinte: 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.212 3 55. No aludido demonstrativo, do saldo credor de IPI existente no RAIPI em 31 de março de 2006, foram subtraídos os valores abaixo indicados, resultando o saldo credor ajustado em março de 2006, no valor de R$ 3.719.813,76: • valor mantido na escrita indevidamente, assim entendido a diferença entre a soma dos valores não homologados em razão de inexistência de crédito, no período de abr/2003 a set/2005, e a soma dos estornos relativos aos PER/DCOMP não homologados em razão de inexistência de crédito, no mesmo período; • estorno de crédito relativo à compensação de crédito de IPI do 1º trimestre de 2006 (item 010 do RAIPI de abril de 2006); • soma dos débitos apurados pela Fiscalização nos PAs jan/206, fev/2006 e mar/2006 (R$ 263.940,05 + R$ 46.410,38 + R$ 95.680,41). 56. O saldo credor ressarcível, por período de apuração, foi apurado em conformidade com o "Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível", observando os seguintes critérios: • o saldo credor não ressarcível de período anterior, no PA abr/06, foi apurado no "Demonstrativo de Saldo Credor de Período Anterior"; • o saldo credor ressarcível de período anterior, no primeiro período do trimestrecalendário a que se referir o pedido de ressarcimento, é sempre considerado igual a zero; • como débito de IPI em cada período, foi considerada a soma do débito registrado no RAIPI com o apurado pela Fiscalização; • para compensação dos débitos do IPI foram utilizados prioritariamente os créditos não passíveis de ressarcimento e, após, os ressarcíveis. 57. Por fim, foi elaborado o "Demonstrativo de Saldo Credor Ressarcível por Trimestre" com base nos valores apurados no "Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível". Na impugnação (efls. 1014 a 1052), a Interessada alegou, primeiramente, a decadência de parte do crédito tributário, sustentando que os fatos geradores anteriores a 19 de outubro de 2006 teriam sido abrangidos pelo prazo do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Acrescentou que não seria possível exigir tributo e multa e refazer a escrita fiscal em relação a tais períodos. Em relação ao mérito, alegou que teria baseado sua interpretação no Ato Declaratório Interpretativo Cosit n. 5, de 2006, e na Instrução Normativa SRF Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.213 4 n. 33, de 1999, relativamente à imunidade constitucional dos produtos derivados de petróleo. Nesse contexto, na exposição dos pontos de discordância, alegou que caberia a manutenção dos créditos decorrentes de insumos aplicados na industrialização de produtos imunes. Citou entendimento da doutrina, as disposições do RIPI/2002 e da IN SRF n. 33, de 1999, ementas de soluções de consulta das Superintendências da Receita Federal e ementas de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf. Alegou, ainda, que não poderia ser aplicada retroativamente nova interpretação, citando doutrina e jurisprudência. Acrescentou que teria havido erro na indicação da classificação fiscal do produto "tambor metal", uma vez que o NCM 8309.90.90 foi incorretamente indicado em seu cadastro, em vez de a posição correta 7310.10.90. A seguir, defendeu o direito ao crédito de IPI, no caso de insumos empregados na fabricação de produtos imunes, alegando que a anulação do crédito implicaria esvaziamento da imunidade constitucional. Requereu o cancelamentos dos juros e das multas, em decorrência da improcedência da obrigação principal. Por fim, alegou que as multas aplicadas seriam confiscatórias. É o relatório.” A decisão de primeira instância, proferida em 15/07/2015 (fls. 439/452) julgou parcialmente procedente a impugnação do lançamento, para reconhecer a legitimidade dos créditos relativos às entradas do produto "tambor metálico", constante do demonstrativo de efls. 367 a 601, cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008 FALTA DE DESTAQUE DO IMPOSTO EM RELAÇÃO A PRODUTOS NÃO DERIVADOS DO PETRÓLEO. GLOSA DE CRÉDITOS POR CFOP INCOMPATÍVEL E POR DIVERGÊNCIA DA ALÍQUOTA EM RELAÇÃO À TIPI. NÃO CONTESTAÇÃO. Tornase definitiva a matéria não contestada expressamente pelo contribuinte na manifestação de inconformidade. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO POR DESPACHOS DECISÓRIOS. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. LIMITE DO LITÍGIO NO ÂMBITO DE IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO. Lavrado auto de infração e exarados despachos decisórios de não homologação, em mesmo procedimento de ação fiscal, sem que haja relação de decorrência dos últimos em relação ao primeiro, descabe apreciar, no âmbito da impugnação de lançamento, qualquer matéria que se refira ao destino independente e autônomo dos processos próprios de compensação. Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.214 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008 IPI. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS. NÃO APLICAÇÃO. A decadência do direito de lançar ocorre relativamente ao saldo devedor do período de apuração surgido em função de glosa de créditos de períodos anteriores e, portanto, seu prazo somente começa a correr a partir do momento de sua constatação. Inexiste prazo decadencial para efetuação da glosa de créditos irregulares ou para a reconstituição da escrituração fiscal. DECADÊNCIA. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. INEXISTÊNCIA. PRAZO. A dedução escritural de créditos de IPI não admitidos pelo Regulamento não caracteriza pagamento antecipado, para efeito da configuração do lançamento por homologação, deslocando o termo inicial do prazo de decadência para o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO. APLICAÇÃO RETROATIVA. Aplicase retroativamente o ato declaratório interpretativo que diga respeito a dispositivo específico de lei não alterada, quando a interpretação dos atos normativos relativos ao dispositivo legal tenha sido controvertida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008 CRÉDITO DE IPI. MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM EMPREGADOS EM PRODUTOS IMUNES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO. A impossibilidade de manutenção de créditos, relativamente a entradas de insumos empregados em produtos imunes, é questão pacifica no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e resolvida pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento de recurso repetitivo. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. A imunidade relativa aos derivados de petróleo restringese aos hidrocarbonetos decorrentes do refino. A indicação de uma alíquota aplicável de 5% ao produto demonstra absoluta e inequivocamente que o Decreto que regulamenta o IPI entendeu tratarse de produto tributável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Por força de recurso necessário, o crédito exonerado, nos termos do art. 34, do PAF Decreto nº 70.235/72, com as alterações da Lei nº 9.532/97, e Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, alterada pela Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, foi submetido à apreciação do CARF e distribuído à mim, por sorteio, realizado em 22/02/2017 Após ciência ao acórdão de primeira instância, uma primeira vez (AR à fl. 1162), em 11/08/2015, e novamente (TERMO à fl. 1165) em 14/08/2015, apresentou o recurso voluntário de fls. 1137/1160, em 11/09/2015, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação. Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.215 6 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida RECURSO DE OFÍCIO Cuidase de recurso de ofício, onde o valor desonerado superava o valor de alçada, à época do julgamento de 1ª instância, atendendo os requisitos para sua interposição. Porém, nos termos da Súmula CARF n° 103, a sua admissibilidade deve ser atestada no momento do julgamento em 2ª instância, razão pela qual dele não se pode conhecer. Súmula CARF nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." Acontece que entre a data de interposição do recurso de oficio e sua apreciação em segunda instância, o valor do limite de alçada foi alterado de R$1.000.000,00 (Portaria MF nº 03/08), para R$2.500.000,00 (Portaria MF nº 63/17), somados tributos e encargos de multas, na redação do art. 34, do PAF Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e Portaria MF nº 03/08, alterada pela Portaria MF nº 63/17. Decreto nº 70.235/72: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: (...) I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. [grifei] Portaria MF nº 63/17: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). [grifei] Notar que, concluiu a decisão recorrida, à fl. 1082, in verbis: "Portanto, houve cancelamento do valor total de IPI de R$ 1.370.496,64, correspondente ao total das reversões das glosas, mantendose integralmente a multa." Tal conclusão parte da afirmação à mesma folha, in verbis: "Devese observar que, com a redução das multas lançadas na forma proporcional, ocorreu, como previsto, o aumento da multa exigida na forma isolada. Entretanto, a soma total antes e depois da consideração da reversão das glosa continua a mesma." Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.216 7 Assim, sem entrar no mérito da possibilidade do aumento da multa exigida na forma isolada, restou decidida a redução das multas lançadas na forma proporcional, mantendose integralmente o valor total das multas, visto compreendido que a redução da multa proporcional teria sido compensada pelo aumento da multa isolada. Considerando que o crédito exonerado foi no valor total de R$2.398.369,12, somados tributos [R$1.370.496,64 (IPI)] e encargos de multas [R$1.027.872,48 (75%)], constatase que o mesmo não atinge o atual limite de alçada de R$2.500.000,00 (Portaria MF nº 63/17), para fins de conhecimento. Assim, voto por não conhecer do recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO PRELIMINAR Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar questão preliminar, ora suscitada de ofício, no que referese ao fato de existir nos autos 2(duas) intimações, atestando datas em duplicidade, em que o sujeito passivo foi intimado da decisão recorrida. Compulsando os autos, localizei dois comprovantes de intimações para ciência do acórdão recorrido, ao sujeito passivo, uma primeira, realizada via Aviso de Recebimento AR (fl. 1162), cientificada em 11/08/2015; e uma subseqüente, realizadas por meio do Domicílio Tributário Eletrônico DTE (fl. 1087), emitida em 13/08/2015, cientificada em 14/08/2015, não tendo a unidade preparadora justificado a duplicidade de intimações, apenas, informando (fls. 1172) "...que o interessado tomou ciência do Acórdão em 11/08/2015, realizada via AR, com prazo de recurso vencido em 10/09/2015. O interessado apresentou recurso em 11/09/2015.", atestando a intempestividade do recurso voluntário. Diante da informação prestada pela unidade preparadora, o contribuinte apresentou petição (fls. 1200/1209), requerendo que seja admitido como tempestivo o recurso voluntário, considerando inválida a intimação por AR de fl. 1162 e válida a intimação pelo domicílio eletrônico de fl. 1087, apontando motivos que demonstrariam vícios na intimação por AR, seja porque ausente a identificação mínima do recebedor, seja porque não foi entregue no domicílio tributário do contribuinte (nem no físico nem no eletrônico) e porque não foi exposta qualquer razão para afastar o domicílio tributário fixado pelo contribuinte. Pois bem, notase que a primeira intimação, realizada via Aviso de Recebimento AR (fl. 1162), cientificada em 11/08/2015, ainda que não tenha sido dirigira à sede da empresa (Rua Correia Vasques nº 250 – Cidade Nova, Cep: 20.211140 Rio de Janeiro – RJ) foi devidamente encaminhada ao endereço da filial [CNPJ final 0266] (Avenida Fabor s/n – Campos Elísios, Cep: 25.2225030 Duque de Caxias – RJ) em relação a qual foi realizado o procedimento fiscal e apurados os créditos tributários do IPI, regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos (art. 51, parágrafo único, CTN), constando o endereço para qual o AR foi encaminhado, em todos os atos do procedimento fiscal, desde o Termo de Início de Procedimento Fiscal (fl. 108), até o Auto de Infração (fl. 954/955), inclusive, cientificado pessoalmente, no endereço da filial constante do AR. Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.217 8 Surge então a questão da possibilidade de comunicação dos atos processuais, no endereço da filial autuada, em razão da autonomia dos estabelecimento do IPI; ou, somente, no endereço da sede, centralizadora do recolhimento dos tributos federais. Para os efeitos de cumprimento da obrigação tributária e de determinação da competência das autoridades administrativas, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: se pessoa jurídica de direito privado, ou firma individual, o lugar do estabelecimento responsável pelo cumprimento da obrigação tributária, nos termos do inciso I, do artigo 31, do RIPI/2002, com fulcro no inciso I, do art. 41, da Lei nº 4.502/64, e inciso II, do art. 127, da Lei nº 5.172/66 (CTN). Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal:(...) II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; Art . 41. Para os efeitos de cumprimento da obrigação tributária e de determinação da competência das autoridades administrativas considerase domicílio fiscal do sujeito passivo direto ou indireto: I se pessoa jurídica, de direito privado ou público, ou firma individual o lugar de situação do seu estabelecimento ou repartição, ou, se houver mais de um ou de uma, ou daquele ou daquela que fôr responsável pelo cumprimento da obrigação tributária de que se tratar; Porém, notar que na forma da legislação aplicável, para o Decreto n° 70.235/72 (PAF), artigo 23, inciso II: Farseá a intimação, por via postal, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há como discordar com a informação prestada pela unidade preparadora (fl. 1172), considerando o que prevê o artigo 23, § 3°, do PAF, que os meios de intimação previstos nos incisos (I pessoal; II por via postal; e III por meio eletrônico) do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006 (Dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal) Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.218 9 Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela SRF mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à SRF de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. A divergência instaurada diz respeito à não ser o endereço do estabelecimento de Duque de Caxias/RJ o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, na forma da legislação aplicável, ao Processo Administrativo Fiscal (PAF), ainda que seja o domicílio tributário legal, por expressa previsão da legislação do IPI (inc. I, do art. 31, do RIPI/2002 (art. 41, da Lei nº 4.502/64 e art. 127, da Lei nº 5.172/66), para os efeitos de cumprimento da obrigação tributária e de determinação da competência das autoridades administrativas. Apenas como vetor interpretativo e exclusivamente ao presente caso, visto o art. 23, do PAF, reger exaustivamente o tema, socorrome ao art. 26, § 3º, da Lei nº 9.784/99 (Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), para entender como válida a ciência do sujeito passivo no seu domicílio tributário legal, para fins de cumprimento da obrigação tributária relacionada com os atos sobre os quais está sendo intimado, assegurada a certeza da ciência do interessado. No presente caso, parece não existir certeza, de ambas as partes, sobre a ciência do ato decisório; por um lado, afirmando a recorrente, no recurso voluntário (fl. 1137), sem fazer nenhuma referência à ciência por meio eletrônico, ter sido intimada em 12/08/2015, indicando que tomou conhecimento do ato por outro meio e antes mesmo da intimação eletrônica; de outro lado, promovendo a unidade jurisdicionante uma nova intimação, realizada por meio do Domicílio Tributário Eletrônico DTE (fl. 1087), emitida em 13/08/2015, cientificada em 14/08/2015, domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, além de válida, reveladora de certeza da ciência do interessado, por meio do tempestivo recurso voluntário, apresentado em 11/09/2015, em relação ao qual voto por tomar conhecimento. MÉRITO DA MANIFESTA OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO NO CASO CONCRETO Como bem observado pela decisão recorrida, havendo a autuada alegado a ocorrência de decadência em relação à "reconstituição da escrita", está claro que apresentou a alegação tanto em relação às glosas de créditos, como em relação à apuração de débitos e, acrescento, em relação aos créditos tributários, constituídos de ofício: saldos devedores, multas proporcionais e isoladas. Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.219 10 Quanto aos créditos tributários, o transcurso do prazo decadencial qüinqüenal, seja ele contado de uma forma ou de outra, dependente da existência (150, § 4º) ou inexistência (173, I) de pagamento antecipado, atingiria somente os fatos geradores anteriores ao ano de 2006, inclusive, não alcançando os saldos devedores, as multas proporcionais e as multas isoladas, todos referentes aos anos de 2007 e 2008, lançados de ofício e cientificados ainda em 2011. Quanto a apuração de débitos, vale lembrar do decidido no precedente do Acórdão nº 3401003.840, de 29/07/2017, da minha relatoria, no qual a maioria decidiu pela aplicação do direito vindicado pela recorrente (RIPI/2002, art. 124, parágrafo único, inciso I), porém, somente quanto aos débitos apurados e lançados em períodos caducos, visto inexistentes no precedente imputações de glosas de créditos inadmissíveis, decisão cuja parte pertinente da ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. Aplicase a contagem do prazo decadencial previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN, ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, quando houve pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2010. Inferese, portanto, o reconhecimento da decadência para débitos apurados e lançados em períodos caducos, não tratando o precedente de decadência em relação a glosas de créditos inadmissíveis, matéria à ser oportunamente abordada, em relação ao presente caso. Tendo sido o presente lançamento de ofício cientificado em 19/10/2011, alega a recorrente que o prazo decadencial do § 4º, do artigo 150, do CTN, deve ser aplicado ao caso, para períodos anteriores a 19 de outubro de 2006, já que o tributo é sujeito ao lançamento por homologação. Sendo incontroversa a inexistência de pagamento antecipado, deverseia, portanto, ser aplicada a regra do art. 173, inciso I, do CTN, afastandose, assim, a decadência argüida, visto que, a ciência ocorreu em 19/10/2011, dentro do prazo decadencial para lançamento de ofício referente a janeiro de 2006, que se encerraria em 31/12/2011. Porém, dentre os diversos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, especificamente para o IPI, importante destacar que, existe dispositivo normativo equiparando dedução de créditos à pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/20022, aprovado pelo Decreto 4.544/02, com fulcro no art. 150, caput e §1º, na Lei nº 5.172/66; reproduzido no art. 183, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2010, aprovado pelo Decreto nº 7.212/10. Compulsando os autos, constatase às fls. 192/349, o Livro Registro de Apuração do IPI RAIPI, cujos RESUMO DA APURAÇÃO DO IPI, reproduzem a apuração do imposto, com a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos 2 Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ... Parágrafo único. Considerase pagamento: ... III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.220 11 (parcialmente) admitidos, sem resultar saldo a recolher, considerandose pagamentos, nos termos da legislação supracitada. Portanto, assiste razão à recorrente ao alegar que o prazo decadencial previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN deve ser aplicado ao caso, para os meses anteriores a outubro de 2006, exclusive, já que o tributo é sujeito ao lançamento por homologação e houve pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2010, ainda mais, apurados saldos credores nesses meses, mesmo depois da reconstituição da escrita (fl. 970). Assim, acolho o recurso voluntário, nesse ponto, reconhecendo a decadência suscitada, para o período de janeiro à setembro de 2006, cancelandose o efeito do lançamento, exclusivamente, quanto aos débitos apurados, sobre a recomposição do saldo da escrita reconstituída, visto, nesse período, inexistir cobrança de tributos ou multas, mesmo isoladas, acrescentandose ao saldo credor, acumulado até 09/2006, o valor da coluna Soma Demonstrativo Débitos Apurados, nas competências: 01/2006 (263.940,05); 02/2006 (46.410,38); 03/2006 (95.680,41); 04/2006 (72.916,94); 05/2006 (331.325,94); 06/2006 (413.942,82); 07/2006 (174.521,87); 08/2006 (98.209,63); 09/2006 (169.004,50); lançados e ora cancelados, no total de R$1.665.952,54, conforme valores consignados no DEMONSTRATIVO DE RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL (fl. 970/971). Somase à decadência, ora reconhecida, o decidido na primeira instância: cancelamento do valor total de IPI de R$ 1.370.496,64, correspondente ao total das reversões das glosas, entre janeiro de 2007 e março de 2008, remanescendo R$1.110.575,65 de imposto, mantido pela decisão recorrida. Assim, tomandose o saldo credor acumulado, até outubro de 2006, conforme DEMONSTRATIVO DE RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL (fl. 970), agregado o valor de R$1.665.952,54, temse, como efeito reflexo, o cancelamento integral das cobranças de imposto remanescentes no valor de R$1.110.575,65, ainda, reconhecendose saldo credor, acumulado em março de 2008, no valor de R$ 555.376,89. Já quanto a apuração de crédito, independente da controvérsia jurídica estabelecida, sobre a incidência ou não de prazos decadenciais, os fatos apontam para situação onde podemos constatar que as glosas efetuadas, ainda que em períodos anteriores ao prazo decadencial qüinqüenal, não contaminaram o lançamento efetuado, quanto aos créditos tributários. Notar que o primeiro crédito tributário de multa isolada é de 02/2007, enquanto o primeiro crédito tributário de imposto com multa proporcional é 04/2007, tendo sido considerado como credor o Saldo de Escrita Reconstituído do PA inicial de 2007, ou seja, não há saldo devedor trazido de períodos atingidos pela decadência, pelo contrário, foi reconhecido saldo credor, o qual poderia mesmo ter sido zerado, visto inadmissível a Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.221 12 apropriação de créditos indevidos (na dicção do RIPI/2002, art. 124, parágrafo único, inciso I: considerase pagamento a dedução dos créditos admitidos, não havendo pagamento, fluência de prazo decadencial, muito menos o que homologarse, quando deduzidos créditos não admitidos), da mesma forma que seria inadmissível transportar saldo devedor, de período pretérito caduco, para PA não atingido pela decadência. Entendo ser correta a glosa de créditos indevidos há qualquer tempo. Além de inadmissível a apropriação de créditos indevidos, o uso indevido do crédito é que gera conseqüências tributárias, pois, ao usálo deixase de pagar o tributo devido, ocorrendo prazo de decadência apenas para lançamento de débitos (créditos tributários) decorrentes desta glosa. Nesse sentido, reproduzo as ementas e fragmentos dos votos condutores, dos precedentes: por maioria, no Acórdão nº 3301003.626, 23/05/2017, da relatoria da Conselheira Semíramis de Oliveira Duro; e, por unanimidade, no Acórdão nº 3302003.346, 24/08/2016, da relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède: Acórdão nº 3301003.626: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ART. 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos art. 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. Fragmento do voto: "Diferese a glosa de crédito escritural e reescrita fiscal, de constituição do crédito tributário pelo lançamento. A glosa decorre de créditos escriturais não admitidos pelo RIPI, mas que foram utilizados pelo contribuinte na sua escrita fiscal atinente à apuração do IPI sob a égide da nãocumulatividade. Já a constituição do crédito tributário referese à exigibilidade do pagamento do saldo devedor do IPI, o qual foi apurado na escrita fiscal do RAIPI, mas não espontaneamente pago ou compensado (DCOMP) ou confessado (mediante DCTF). A constituição do crédito tributário pelo lançamento é que deve se dar no prazo de 5 anos. Se da glosa dos créditos escriturados resultar a apuração de saldos devedores, estes serão passíveis de exigência mediante lançamento de ofício se relativos aos últimos cinco anos, contados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN." (grifei) Acórdão nº 3302003.346: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/09/2008 a 30/09/2008 Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.222 13 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. Fragmento do voto: "Embora correta, esta tese defendida pela recorrente não se aplica ao caso presente, pois os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito escriturado. A glosa repercute na apuração do IPI quando o contribuinte o utiliza para dedução de débitos, gerando saldos devedores de IPI, estes sim sujeitos ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário." (grifei) Pelo exposto, entendo caracterizada a ocorrência de decadência, exclusivamente, quanto aos débitos apurados, em relação ao período de janeiro de 2006 à setembro de 2006, inclusive, somandose ao saldo credor acumulado, até outubro de 2006, conforme DEMONSTRATIVO DE RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL (fl. 970), o valor de R$1.665.952,54, suficiente à absorver todos os débitos remanescentes, ainda, reconhecendose saldo credor, acumulado em março de 2008, no valor de R$ R$ 555.376,89. Tratandose de auto de infração e, portanto, não havendo possibilidade de reconhecimento de direito de crédito restituível/ressarcível, a determinação do saldo credor/ devedor, ao final dos períodos de apuração, objetos do presente PAF nº 15563.720215/201111 (01/2006 a 03/2008); diz respeito à sua vinculação com os PAF nº 15563.720204/201395 (04/2008 a 12/2009) e nº 15563.720010/201551 (00/2010) seqüências, cujos saldos devedores/ credores dos períodos precedentes, refletem nos subseqüentes, prejudicialidade externa que, inclusive, levou ao sobrestamento do último processo, aguardando decisão definitiva do anterior, no caso, por existir imputação específica de infração de utilização de CRÉDITOS INDEVIDOS SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR INDEVIDO. DA EXISTÊNCIA DE NORMA PERMITINDO EXPRESSAMENTE A MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS DO IPI; DA ILEGALIDADE DO ADI Nº 05/2006 PARA A GLOSA DE CRÉDITOS; DO PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE DO IPI; DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS TRIBUTÁRIAS. Inicialmente, alega a recorrente a existência de legislação específica (art. 11, da Lei nº 9.779/99; art. 195, §2°, do Decreto 4.544/02 RIPI/02; e art. 4°, da IN SRF nº 33/99) e soluções de consulta da própria Receita Federal (SC nº 14/03 e SC nº 316/04) possibilitando o aproveitamento de créditos de IPI, originados da entrada de MP, PI e ME, utilizados na industrialização de produtos imunes. Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.223 14 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). [...] § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Art. 4° O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei N° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1° de janeiro de 1999. Analisando a questão da manutenção de créditos do IPI, relativamente aos insumos aplicados na industrialização de produtos imunes, a decisão recorrida (fls. 1067/1072) entendeu aplicável ao caso a Súmula CARF n° 20, posicionandose, in verbis: "Como a manutenção de crédito para fabricação de produtos imunes, que diferem notoriamente dos casos de isenção e alíquota zero, não está previsto na art. 11 da Lei n. 9.779, de 1999, então é certo que inexiste o direito lá previsto para os casos de imunidade."; entendendo, ainda, que: "Aplicase, portanto, o disposto no RIPI/2002, art. 193, I, "a"." Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como "NT". RIPI/2002 Anulação do Crédito Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8ª, Lei nº 7.798, de 1989, art. 12, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11) I relativo a MP, PI e ME , que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados; Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.224 15 Nesse ponto, não há como discordar da decisão recorrida, ao afirmar que a questão proposta pela ora recorrente, desde a impugnação, foi superada, mesmo antes da publicação da Súmula CARF nº 20, cujo enunciado sumulado apenas reproduz antiga jurisprudência consolidada, v.g., nos acórdãos nº 20215.366, de 03/12/2003 e nº 20215.455, de 17/02/2004, no sentido de não haver direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos fora do campo de incidência do imposto, decisões das quais transcrevese as ementas e fragmentos dos votos condutores: Acórdão nº 20215.366: IPI — CRÉDITOS BÁSICOS — RESSARCIMENTO — INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS — A mingua de previsão legal, é vedado o aproveitamento de créditos de IPI referentes aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos não tributados (NT na TIPI). Com a entrada em vigor da Lei n° 9.779, de 1999, somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero. Fragmento do voto: "Diante destas considerações, é forçoso reconhecer que, com a entrada em vigor da Lei n° 9.779, de 1999, somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, jamais de produtos não tributados pelo IPI (NT)." (grifei) Acórdão nº 20215.455: IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. O Princípio da nãocumulatividade aplicase apenas aos produtos tributados incluídos no campo de incidência desse imposto. Não geram direito a créditos de IPI as aquisições de insumos aplicados em produtos que correspondem à notação NT (Não Tributados) da tabela de incidência TIPI.. Fragmento do voto: "A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do Decreto 2.637/1998, é compensar, do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado, o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Todavia, a nãocumulatividade aplicase, tão somente, a produtos incluídos no campo de incidência desse imposto, não alcançando os produtos não tributados, pois estes não estando sujeitos ao IPI, não há falarse em compensação do imposto devido se sequer o produto está na esfera desse tributo." (grifei) Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.225 16 Quanto à ILEGALIDADE DO ADI Nº 05/2006 PARA A GLOSA DE CRÉDITOS, insurgese, inicialmente, a ora recorrente, quanto ao entendimento, adotado na decisão recorrida, de que a imunidade trazida no art. 195, §2°, do Decreto 4.544/02 RIPI/02; e no art. 4°, da IN SRF nº 33/99, só poderia ser objetiva, nunca decorrente da natureza do produto. Fundamenta sua insurgência, alegando que um ato interpretativo deve explicar o real conteúdo do ato interpretado e não modificar diametralmente seu alcance, não tendo o condão de revogar qualquer outro ato, muito menos a IN, o Decreto e a Lei. Data venia, não entendo que o ADI Nº 05/2006 criou ou alterou o disciplinamento da matéria. Tal ato, com efeito, não fez mais do que externar a interpretação da Administração Tributária acerca da legislação vigente, no sentido de que, com exceção dos destinados à exportação, a legislação de regência nunca autorizou a utilização de créditos nas hipóteses em que o contribuinte dá saída a produtos imunes. Notar que, nesse ponto, a alegação é de ilegalidade. E sob essa perspectiva, não há como concordar, visto que o art. 11, da Lei 9.779/99, instituidora do regime de creditamento em discussão, é expresso em garantir o benefício somente quanto à produção de mercadorias isentas e sujeitas à alíquota zero, não se estendendo às mercadorias imunes ou nãotributadas. Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Quanto a IRRETROATIVIDADE DAS LEIS TRIBUTÁRIAS, ainda sobre o ADI Nº 05/2006, alega a recorrente ser ato posterior a ocorrência dos fatos geradores, e, à vista do princípio da segurança jurídica, o art. 2º, inc. XIII, da Lei n° 9.784/99, veda a aplicação retroativa de nova interpretação, no mesmo sentido do art. 146 do CTN. A decisão recorrida entendeu que o CTN não vedaria sequer a suposta aplicação retroativa de norma interpretativa, à vista do disposto em seus arts. 106, inc. I, e 100, parágrafo único, aplicandose tais disposições somente em razão de tratamento especificamente reconhecido em relação a cada contribuinte, não se aplicando, de toda forma, ao caso dos autos o disposto no art. 100, parágrafo único, uma vez que não houve aplicação de penalidade às glosas efetuadas e a apuração de débitos não lançados em notas fiscais não está relacionada à questão, tudo isso, partindo da afirmação de que a interpretação dada pela Administração, anteriormente ao referido ADI, não era clara e homogênea, tanto em relação ao texto original da IN, quanto à do RIPI/2002. Nesse ponto, caberia retomar a analise das soluções de consulta: SC nº 14/03 e SC nº 316/04, apontadas na impugnação, possibilitando o aproveitamento de créditos de IPI. Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.226 17 No meu entendimento, aplicarseia ao caso, o art. 486, do RIPI/2002, abaixo reproduzido, às penalidades lançadas de oficio, exclusivamente, em razão das glosas efetuadas, aos créditos não reconhecidos, consoante a interpretação dada pelo ADI Nº 05/2006. Art. 486. Não serão aplicadas penalidades: (...) II aos que, enquanto prevalecer o entendimento, tiverem agido ou pago o imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, inciso II): a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, inciso II, alínea a); Porém, ainda que aplicável o direito supra apontado, entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida, não haver subsunção dos fatos do presente processo às hipóteses levantadas, uma vez que não houve aplicação de penalidade às glosas efetuadas e a apuração de débitos não lançados em notas fiscais não está relacionada à questão. Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.227 18 Quanto ao PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE DO IPI, afirmase que, ainda que não existisse a Lei, a IN, e o Decreto, o Princípio da NãoCumulatividade (art. 153, §3º, inc. II, da CF/88 e art. 49, do CTN) lhe garantiria o direito à manutenção dos créditos, argüindo ser a nãocumulatividade do IPI plena, não admitindo exceções. Pela perfeita adequação ao presente caso, abaixo, fragmento do voto condutor no RE 460.785/RS, Rel. Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 06.05.2009: [...] Nesse sentido, consolidado no STF que a técnica nacional da não cumulatividade, constitucionalmente assegurada, é de "imposto sobre imposto"3, sob a forma de lançamento a crédito pelas "entradas" e a débito pelas "saídas", pressupondo entrada e saída com o efetivo pagamento de tributo, sendo que a desoneração em qualquer das pontas ocasiona a impossibilidade de direito a crédito. Assim, prevalece a hermenêutica constitucional, no sentido da inexistência da nãocumulatividade plena do IPI, admitindo exceções e interpretações restritivas de seu alcance, em favor de uma aproximação com o regime aplicável ao ICMS. 3 PARECER PGFN Nº 405/2003, tratando dos métodos ou critérios que orientam a "nãocumulatividade": "imposto sobre imposto", "base sobre base" e "valor acrescido". Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.228 19 Notar que a decisão no RE 460.785/RS, supracitado, manifestandose exatamente sobre o benefício fiscal em discussão nestes autos administrativos, afirma o não envolvimento do princípio da não cumulatividade, direcionando a jurisprudência no sentido de que a verificação da abrangência do benefício, instituído pelo art. 11, da Lei n° 9.779/99, cingese ao âmbito infraconstitucional. Importante ressaltar, no presente caso, não tratamos de aquisições de insumos desonerados (entradas), cuja jurisprudência do STF havia firmado entendimento pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484/RS), entendimento alterado para decidir que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682/SC) e em relação às aquisições isentas (RE 566.819/RS); seguindo a mesma orientação, o STJ, no REsp 1.134.903/SP, regime repetitivo. No presente caso, tratamos de aquisições de insumos tributados (entradas), aplicados na industrialização de produtos desonerados (saídas), matéria tratada pelo STJ, em recurso repetitivo, no REsp 860.369/PE, decidindo seguindo a orientação do STF, em repercussão geral, no RE 562.980/SC, julgado em conjunto com o RE 460.785/RS, infracitado. Por bem esclarecer a distinção supracitada e fixar as teses jurídicas, muitas vezes, confundidas, vale reproduzir a ementa do decidido no AgRg no AgRg no Agravo em REsp 230.906/AL: "EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS TRIBUTADOS. MERCADORIAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS, SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO OU IMUNES. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO DE N. 860369/PE. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS E ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO DE N. 1134903/SP. 1. Constatado que o acórdão recorrido decidiu a controvérsia de forma clara e fundamentada, não há falar em vícios de integração, devendo ser afastada a alegação de ofensa ao artigo 535 do CPC. 2. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do recurso especial repetitivo de n. REsp 860369/PE, DJe 18/12/2009, decidiu, seguindo a orientação do STF (RE 562980), que o creditamento do IPI incidente sobre matérias primas, produtos intermediários e embalagens utilizados na produção de mercadorias isentas e sujeitas à alíquota zero surgiu tão somente com o advento da Lei 9.779/99 e não se estende às mercadorias imunes ou não tributadas. 3. Foi pacificado por esta Corte que não se pode efetuar o creditamento de IPI relativo a insumos ou matérias primas sujeitos à alíquota zero ou não tributados utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI (REsp 1134903/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 24/06/2010). 4. Agravo regimental não provido." (grifei/sublinhei) Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.229 20 Ao caso, portanto, resta aplicar as razões do REsp 860.369/PE, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973 (art. 1036, do CPC/2015), de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015. RECURSO ESPECIAL Nº 860.369 PE (2006/01258053) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CREDITAMENTO DO IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM DESTINADOS À INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS OU SUJEITOS AO REGIME DE ALÍQUOTA ZERO. LEI 9.779/99. NOVEL JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. O direito ao crédito de IPI, fundado no princípio da não cumulatividade, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos isentos ou sujeitos ao regime de alíquota zero, exsurgiu apenas com a vigência da Lei 9.779/99, cujo artigo 11 estabeleceu que: "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." 2. "A ficção jurídica prevista no artigo 11, da Lei nº 9.779/99, não alcança situação reveladora de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI que a antecedeu" (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: RE 562.980/SC, Rel. Ministro Ricardo Lewandowski, Rel. p/ Acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 06.05.2009, DJe167 DIVULG 03.09.2009 PUBLIC 04.09.2009; e RE 460.785/RS, Rel. Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 06.05.2009, DJe171 DIVULG 10.09.2009 PUBLIC 11.09.2009). Portanto, entendido que o creditamento do IPI, incidente sobre MP, PI e ME, utilizados na produção de mercadorias isentas e sujeitas à alíquota zero surgiu tão somente com o advento da Lei 9.779/99 e não se estende às mercadorias imunes ou nãotributadas, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nesse ponto. DOS PRODUTOS POR SUA NATUREZA DERIVADOS DE PETRÓLEO E AMPARADOS PELA IMUNIDADE DO ARTIGO 155, § 3°, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Às fls. 350/365 dos autos, demonstrativo de apuração da infração (PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.230 21 INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL OPERAÇÃO COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA), em relação aos produtos classificados nas posições da TIPI 2710.19.93 (Óleos para isolamento elétrico: 8%), 3403.19.00 (Preparações lubrificantes Outras: 15%), 3819.00.00 (Fluidos para freios/transmissões hidráulicos: 10%), 3820.00.00 (Preparações/líquidos preparados anticongelantes/para descongelamento: 10%) e 3910.00.90 (Silicones em formas primárias Outros: 5%), todos considerados pela autuada derivados de petróleo imunes à incidência do IPI nas saídas, embora só tenha feito referência recursal específica (fl. 1154), abaixo reproduzida, aos óleos para isolamento elétrico e preparações lubrificantes outras. Sobre a característica exigida na Carta Magna, em relação a imunidade preceituada no art. 155, §3°, quando o art. 177, III e IV, fazem referência aos derivados de petróleo, são enfáticos ao referenciar aos derivados básicos. Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) § 3º À exceção dos impostos de que tratam o inciso II do caput deste artigo e o art. 153, I e II, nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Art. 177. Constituem monopólio da União: I a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos; II a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro; III a importação e exportação dos produtos e derivados básicos resultantes das atividades previstas nos incisos anteriores; IV o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de derivados básicos de petróleo produzidos no País, bem assim o transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto, seus derivados e gás natural de qualquer origem; Forçoso concluir que, além de restrito, o conceito constitucional de derivados de petróleo para fins da imunidade referenciada, somente admite a consideração dos derivados básicos ou diretos, tais como: GLP, NAFTA, querozene, diesel e óleo combustível, ou outros que possam enquadrarse como fonte de energia essencial ao Estado, merecendo especial tratamento acerca de sua desoneração tributária, quando do processo de industrialização. Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.231 22 Corroborando a compreensão da escolha do legislador constitucional, do que entendeu ter maior relevância ao Estado, apenas, aos derivados básicos e não à quaisquer outros derivados do estratégico mineral, a interpretação regulamentar da matéria, dada pelo artigo 18, § 3º, do Decreto 4.544/02 RIPI/2002, reproduzidos nos Decretos n° 2.637/1998 RIPI/1998 e nº 7.212/2010 RIPI/2010), que regula o que se deve entender por derivados de petróleo, para fins da imunidade em apreço. Art. 18. São imunes da incidência do imposto: (...) IV a energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País (Constituição, art. 155, § 3º). (...) § 3º Para fins do disposto no inciso IV, entendese como derivados do petróleo os produtos decorrentes da transformação do petróleo, por meio de conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação, classificados quimicamente como hidrocarbonetos. Desta forma, para fins da imunidade objetiva consignada na Constituição Federal, só se consideram derivados de petróleo aquelas substâncias que tenham uma relação imediata com o petróleo, decorrentes do refino, vale dizer, que decorrem da operação física ou química diretamente realizada sobre o petróleo para a sua decomposição, ficando afastadas da imunidade as substâncias obtidas em fases subseqüentes, como as que se cuida nos presentes autos, alguns, inclusive, como a reunião de várias substâncias. Tanto é assim, que a Tabela de Incidência do IPI TIPI (Decreto n° 4.542/02) aponta, para os códigos dos produtos e respectivas alíquotas: 2710.19.93 (8%), 3403.19.00 (15%), 3819.00.00 (10%), 3820.00.00 (10%) e 3910.00.90 (5%), sendo a indicação de uma alíquota aplicável a demonstração de que o legislador entendeu o produto como tributável, não havendo qualquer sentido em se determinar uma alíquota, caso o produto fosse objetivamente imune, os quais a tabela anota a sigla “NT” (nãotributável). Ante o exposto, ressalvado o período atingido pela decadência, mantenho todos os lançamentos de débitos, realizados na recomposição da escrita fiscal da contribuinte. DA PENALIDADE APLICADA AO CASO CONCRETO Inicialmente, insurgese a recorrente quanto à nova multa aplicada na decisão recorrida, alegando a definitividade do lançamento. A quantificação do efeito da aplicação do direito reconhecido na decisão recorrida, realmente não parece ter sido o mais apropriado. Transcrevese (fl. 1082): "Devese observar que, com a redução das multas lançadas na forma proporcional, ocorreu, como previsto, o aumento da multa exigida na forma isolada. Entretanto, a soma total antes e depois da consideração da reversão das glosa continua a mesma. Não houve, portanto, aplicação de nova multa, mas apenas a mudança de sua forma de cálculo, conforme previsto em lei. Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.232 23 Como o vencimento das multas ocorre trinta dias da data de lavratura do auto de infração, não há alteração dos juros Selic a serem aplicados sobre a multa (obviamente, ainda serão devidos os juros Selic, embora não demonstrados acima, sobre o imposto e sobre a multa mantidos). Portanto, houve cancelamento do valor total de IPI de R$ 1.370.496,64, correspondente ao total das reversões das glosas, mantendose integralmente a multa." Assim, ainda sem entrar no mérito da possibilidade do aumento da multa exigida na forma isolada, inferese que restou decidida a redução das multas lançadas na forma proporcional, mantendose integralmente o valor total das multas, visto compreendido que a redução da multa proporcional teria sido compensada pelo aumento da multa isolada. Na verdade, deve ser considerando que o crédito exonerado foi no valor total de R$2.398.369,12, somados tributos [R$1.370.496,64 (IPI)] e encargos de multas [R$1.027.872,48 (75%)], sendo que restou consignado na decisão recorrida que esse valor da redução da multa proporcional teria sido compensada pelo aumento da multa isolada. Quanto ao aumento da multa exigida na forma isolada, mostrase inviável, sem o devido lançamento de ofício (art. 142, CTN) ou, ainda, pela alteração de critério jurídico (art. 146, CTN), substituindose o fundamento da aplicação da multa proporcional reduzida, pelo da multa isolada, aumentandoa. Nesse ponto, em razão do exposto, entendo que restanos, apenas, reconhecer a impossibilidade do aumento do valor da MULTA IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO, além dos R$ 1.561.980,41 lançados originalmente. Ainda quanto às multas aplicadas: multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito; e multa vinculada, ao IPI lançado de ofício; ambas no percentual de 75%; alegase a impossibilidade de cominação de multa isolada pelo suposto erro de lançamento do IPI; afirmando o caráter confiscatório das multas aplicadas e pedese que sejam desconsiderados os juros e as multas pelo descumprimento de obrigação principal. Sobre as multas proporcional ao imposto que deixou de ser recolhido ou pelo imposto não lançado com cobertura de crédito, tem previsão legal, fixada no percentual exigido (75%), no caput, do art. 80, da Lei nº 4.502/64: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela MP nº 351/07, convertida na Lei nº 11.488, de 2007) Quanto à multa proporcional, diante do até então decidido, exonerado o imposto lançado, restou totalmente exonerada a multa decorrente. Por outro lado, quanto à multa isolada, mantidos os lançamentos a débitos em todas as competências nas quais estas multas foram constituídas, esses débitos foram integralmente cobertos por créditos, não gerando imposto a ser pago, porém, configurandose falta de lançamento do valor, subsumindose perfeitamente os fatos ao tipo infracional imputado. Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201111 Acórdão n.º 3401004.009 S3C4T1 Fl. 1.233 24 Logo, deve ser mantida a multa de ofício isolada (75%), no valor lançado originalmente, no percentual previsto no art. 80, da Lei n°4.502/64, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazêlo, sob fundamento de inconstitucionalidade, por confisco ou qualquer outro fundamento (art. 62, da Portaria MF nº 343, de 09/06/15 RICARF/15). Por tudo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, mantendo as glosas de créditos indevidos, os lançamentos de débitos não caducos e conseqüentes cobranças, exclusivamente, quanto às multas de ofício isoladas (75%), no valor R$ 1.561.980,41, lançados originalmente. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 1233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.722757/2010-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 27 57 /2 01 0- 80 Fl. 217DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.285.5938, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 23/08/2010, referente à contribuições previdenciárias, correspondentes à parte patronal, inclusive à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre pagamentos efetuados a empregados e a contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais, no valor de R$ 80.777,68 (Oitenta mil, setecentos e setenta e sete reais e sessenta e oito centavos), no período de 01/2006 a 06/2007. De acordo com Relatório Fiscal (fls. 17/21), os valores lançados foram apurados nas Folhas de Pagamento e GFIP; no período, o sujeito passivo não estava incluído no SIMPLES; e ainda, para o cálculo da multa a ser aplicada, foi realizada a comparação entre a multa calculada conforme a legislação vigente na data da lavratura (após edição da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009) e a multa aplicável conforme o que previa a legislação quando da ocorrência dos fatos geradores, com vistas a aplicar aquela mais favorável ao contribuinte; e que, exceto sobre as contribuições devidas a Terceiros (Outras Entidades e Fundos) a multa mais favorável é a apurada conforme legislação atual (75% sobre as contribuições devidas). A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário na sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 11/07/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402002.936 (fls. 174/191), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em relação à prejudicialidade no exame do enquadramento no SIMPLES, acolher em parte da preliminar para que este processo, após sua decisão definitiva, seja sobrestado na origem até a tramitação final dos processos de exclusão do SIMPLES e em rejeitar as demais preliminares suscitadas; no mérito, voto de qualidade, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 20% para os fatos geradores que tenham sido declarados em GFIP, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10680.722757/201080 Acórdão n.º 9202005.989 CSRFT2 Fl. 3 3 Domingues que, nesta última parte, limitavam a multa ao percentual de 75%”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. DISCUSSÃO INOPORTUNA EM PROCESSO DE LANÇAMENTO FISCAL. A instância adequada para discussão acerca da exclusão da empresa do SIMPLES é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário rediscussão acerca dos motivos que conduziram à expedição do Ato Declaratório Executivo e Termo de Exclusão do SIMPLES. FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. A retificação das GFIP para ajustálas às bases de cálculo da folha de pagamento evidencia a correção do lançamento que teve por base esse último documento. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 29/08/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 11/10/2012, Recurso Especial (fls. 193/200). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400826 (fls. 203/205), da 4ª Câmara, de 14/11/2012. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação Fl. 219DF CARF MF 4 do art. 35 da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2402002.936, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 28/03/2013 (quintafeira, véspera de feriado “Paixão de Cristo), o contribuinte apresentou, em 17/04/2013, portanto, intempestivamente, suas contrarrazões. Isso porque, o prazo começou a ser contado a partir de 1º de abril de 2013, segundafeira, terminando no dia 15 de abril. É o relatório. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10680.722757/201080 Acórdão n.º 9202005.989 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 203. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Primeiramente, convém lembrar que o recurso especial ora sob análise é de autoria da Fazenda Nacional, tendo o sujeito passivo apresentado alegações em sede de constrarrazões. porém intempestivas, razão pela qual me abstenho de apreciálas. Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido, restabelecendo a multa lançada, entendo que razão assiste ao recorrente. Vejamos o decisum que determinou o recálculo da multa: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b)em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei nº 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, nos termos do voto do Relator (...). Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 221DF CARF MF 6 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10680.722757/201080 Acórdão n.º 9202005.989 CSRFT2 Fl. 5 7 no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 223DF CARF MF 8 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10680.722757/201080 Acórdão n.º 9202005.989 CSRFT2 Fl. 6 9 No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação Fl. 225DF CARF MF 10 do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10680.722757/201080 Acórdão n.º 9202005.989 CSRFT2 Fl. 7 11 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, assim como já realizado no próprio lançamento fiscal. Por fim, apenas para esclarecimento à Unidade Preparadora, conforme consta na decisão do acórdão recorrido, o sujeito passivo possui ação judicial acerca do ato declaratório de exclusão do SIMPLES, razão pela qual consta do decisum: " Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em relação à prejudicialidade no exame do enquadramento no SIMPLES, acolher em parte da preliminar para que este processo, após sua decisão definitiva, seja sobrestado na origem até a tramitação final dos processos de exclusão do SIMPLES e em rejeitar as demais preliminares suscitadas (...)" Apenas, ainda, à título de esclarecimento, transcrevo o trecho do acórdão recorrido, na parte que não foi objeto de recurso, que descreve essa questão: A preliminar enfrentada diz respeito à discussão no presente processo do enquadramento da recorrente no SIMPLES. O processo onde se discute a exclusão do SIMPLES está em tramitação e, de fato, ainda não há decisão definitiva sobre a matéria. Acrescentase que a recorrente ajuizou ação (processo n° 2004.38.00.046.4497, Tribunal Regional Federal da Primeira Região) para discussão de seu enquadramento no SIMPLES. Em consulta, constatei que o processo continua em tramitação por força de apelação da Fazenda Nacional. Fl. 227DF CARF MF 12 Processo nº 10680.722757/201080 Acórdão n.º 240202.936 S2C4T2 Fl. 177 7 Como já salientado, o lançamento teve como finalidade inicial a prevenção da decadência, uma vez que não há previsão legal para sua suspensão ou interrupção nessas hipóteses. De fato, não se nega a correlação e dependência deste ao processo através do qual se discute especificamente o enquadramento no SIMPLES, uma vez que esse último, sendo favorável ao recorrente, arrastará para a mesma conclusão todos os processos de constituição de créditos tributários sobre as contribuições abrangidas pelo SIMPLES. Como a recorrente discute em juízo seu enquadramento no SIMPLES, houve renúncia da discussão da matéria no processo administrativo fiscal, que prosseguirá com o exame das demais questões: Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, assim como lançado. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 228DF CARF MF
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Numero do processo: 10516.720027/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 29/11/2007 a 15/06/2009
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V.
Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66.
Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
SUBFATURAMENTO. IMPOSTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO.
Incide os impostos devidos na importação sobre as diferenças apuradas entre os preços declarados e os efetivamente praticados, nos termos da legislação tributária vigente com os acréscimos legais devidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Carlos Alberto de Souza Junior, OAB/RS 79481A, escritório Carlos Souza Júnior advocacia.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 72 00 27 /2 01 2- 16 Fl. 1123DF CARF MF 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. SUBFATURAMENTO. IMPOSTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO. Incide os impostos devidos na importação sobre as diferenças apuradas entre os preços declarados e os efetivamente praticados, nos termos da legislação tributária vigente com os acréscimos legais devidos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Carlos Alberto de Souza Junior, OAB/RS 79481A, escritório Carlos Souza Júnior advocacia. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls.768/784) para a exigência do crédito tributário no valor de R$ 262.845,55, relativo às diferenças Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Importação, PIS/PASEP e CofinsImportação, acrescidos da multa qualificada de 150% e dos juros de mora, bem como a multa de Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 3201003.162 S3C2T1 Fl. 3 3 que trata o art. 23, §3º do DecretoLei nº 1.455, de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Relata a auditoria (fls. 787/862) que, em diligência fiscal realizada na empresa Condata e na empresa Telinfo, foram apreendidos documentos, tais como anotações, cópias de emails e faturas proforma, que comprovam a prática de subfaturamento em importações de mercadorias importadas diretamente pela Condata ou por sua conta e ordem através da importadora SH8 Comércio Importação e Exportação Ltda, conforme descrito no item 3.1 e seus subitens do Relatório Fiscal, tendo sido lavrados autos de Infração contra a empresa Condata através do processo administrativo fiscal n° 11080.727618/201236. Informa que, dando prosseguimento à ação fiscal na empresa Condata e na SH8, após respostas às intimações e análise de documentos, foi constatado que as importações objeto de quatro declarações de importação foram formalizadas pela empresa SH8, como se tivessem sido efetuadas por conta própria, sem registrar o nome da empresa Condata como real adquirente. Além disto, foi constatada a prática de subfaturamento nas importações de máquinas para contagem de papelmoeda, marca Szkingled, modelo FVHD16, máquinas para contar cédulas, marca Kelaidun, modelo KLD401, e de fragmentadoras de papel. Regularmente cientificadas, as interessadas apresentaram suas impugnações, às fls. 874/958 e 983/991, conforme a seguir será visto. Impugnação da Empresa Condata: Alega que a colheita das provas, sem autorização judicial, atacou o princípio esculpido no artigo 5º, XI, da Carta Política, tornando ilícita a respectiva prova e gerando a nulidade do auto de infração lavrado. Aduz que, depois de oito meses de plena investigação e de lavratura de lançamento fiscal, a destempo e de forma suplementar a autoridade remete um novo auto de infração contra si, fato que é suficiente para determinar a nulidade do presente lançamento, pois não ocorreu a hipótese do art. 149, inciso VIII, do CTN, uma vez que todos os fatos, inclusive os geradores do presente auto de infração, já eram de total conhecimento do Fisco no instante em que promoveu o primeiro lançamento. Alega que a Autoridade Fiscal incorreu em verdadeiro erro de direito, no instante em que não procedeu à correta valoração e análise de todo o quadro apurado durante o procedimento fiscal, o que impossibilita a revisão do lançamento. Aduz que o procedimento fiscal, embasado em frágeis e ínfimos rascunhos apócrifos e desprovidos de qualquer vínculo real com os processos de importação da autuada, feriu os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, pois a autoridade fiscal não solicitou à autuada, de forma expressa, informações e documentos sobre os preços efetivamente praticados nas operações em questão, motivo pelo qual reclama pela nulidade absoluta do presente Auto de Infração. Fl. 1125DF CARF MF 4 No mérito, aduz que nunca existiu nenhum tipo de subfaturamento nos seus processos de importação e que a valoração apresentada pela Autuada está em perfeita consistência com a negociação entabulada com seus fornecedores e, principalmente com as normas do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio — GATT 1994 (Acordo de Valoração Aduaneira). Neste contexto, para descaracterizar o valor de transação é necessário comprovar fraude no valor declarado ou o descumprimento das condições dos artigos 1º ao 8º do GATT, valendose do art. 82 e seguintes do Decreto nº. 6759/2009, coisa que a fiscalização não fez. Alega divergência entre a quantidade de 800 máquinas, existente na anotação da folha 16 e a quantidade total das DI 07/08859890 e 07/08057181 somadas que é de 797 máquinas. Que a fiscalização afirma que se trata de 03 (três) amostras, porém não há nenhuma anotação sobre o que são estas "amostras", nem tão pouco a quantidade de amostras, da mesma maneira que não existe qualquer formalidade legal apta à vincular as anotações juntadas fl. 16 com as duas DI's 07/08859890 e 07/08057181. Alega que as proformas invoices, que estão anexas às folhas 206, 207 e 208, não tem qualquer relação com a DI N° 07/08859890 e que a máquina WJDKLD401 NO MG/UV (descrita na Proforma invoice da folha 206) não é o mesmo equipamento descrito nas outras duas proformas das folha 207 e 208, com a nomeclatura WJDKLD401. Afirma que, conforme os catálogos anexados em fls. 697/722 e pesquisas na internet, os preços das máquinas praticados pela CONDATA, são de valores próximos a USD 55,00. Argui que o email, à fl. 95, não serve de prova para valoração de mercadorias, pois a quantidade de máquinas importadas através das DI nº. 07/08859890 e 07/08057181 não somam 607 unidades; que o citado email não indica qual o tipo, marca ou modelo de equipamento que se estava tratando, impossibilitando assim a conclusão de se tratarem de contadoras de cédulas modelo F 16F; que nem todos os acordos comerciais entre as empresas Condata e China Invest são de conhecimento da fiscalização, pois, além de um contrato inicial entre as empresas, acordos adicionais foram tratados, fixandose um valor de comissão independente do fornecedor chinês escolhido pela Condata; que se no acordo comercial entre as empresas não estava estipulado um valor unitário para as máquinas somente para embasar o comissionamento, independentemente do valor efetivamente negociado entre a Condata e os exportadores. Alega que o sítio da internet, utilizado pela fiscalização para pesquisa de preço das máquinas, não é o oficial do fabricante Kelaidun (Zhejiang) Science & Tecnology Co Ltd – www.kelaidunxom, mas, sim, o sítio www.alibaba.com. E que, no sítio oficial do fabricante não consta mais o modelo KLD401, visto que tal modelo foi descontinuado, porém, consta o valor da máquina contadora de cédulas modelo KLD016, com valor variando entre US$ 55 e US$ 70, o que confirma os valores praticados nas importações para este tipo de equipamento. Aduz que não pode a Administração julgar um contribuinte com base em meras possibilidades e suposições. Alega que as faturas proformas números KL2007082701 e KL2007083101 (fls. 55 e 77) trataramse de mera cotação de Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 3201003.162 S3C2T1 Fl. 4 5 equipamentos distintos e nunca importados, além de não fazem referência ao tipo de máquina que está sendo cotado, não podendo ser utilizadas como prova de subfaturamento das DI elencadas. Aduz que a DI 07/17027818 é acompanhada de fatura proforma n° KLD2007091802 (fls. 367), enquanto que as mercadorias constantes da DI 07/14113373 foram importadas através da fatura proforma n. NT0127514 (fls. 380). Argumenta que a Commercial Invoice EzINV07l42Al foi emitida apenas para o envio de uma amostra da máquina fragmentadora de papel modelo EzSC15A 220V, cujo preço efetivo foi de U$ 27,96, na compra efetuada após dois meses de negociação. Que não houve comprovação da efetiva transferência de valores não declarados. Argui que o fato de as mercadorias estarem ou não da posse da Receita Federal, de nada importa para aplicação da pena de perdimento, não podendo serem diferentes as penas quando a mercadoria está em sua posse ou quando já foi comercializada, sob pena de ofender o princípio da isonomia. Portanto, o equivocado entendimento da fiscalização não pode persistir, pois que a pena a ser aplicada no caso concreto seria a pena de perdimento convertida em multa pecuniária equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Aduz que ocorreu o famigerado "bis in idem", pois foi aplicada diversas penalidade sobre um único fato gerador: Multa de Perdimento, convertida em 100% do valor aduaneiro; diferença dos tributos apurados; multa qualificada de 150% sobre os tributos não recolhidos. Dessarte, aplicada a maior das penas previstas na legislação em vigor, não há que se falar em outras penalidades, pois a pena de perdimento retroage seus efeitos, de modo que, em sendo aplicada, o fato gerador dos demais impostos nunca existiu. Repete argumentos já ventilados e que possuía as mercadorias em seu estoque, com o propósito de aplicação da pena de perdimento. Requer sejam declarados nulos ou insubsistentes os Autos de Infração; ou, subsidiariamente, seja aplicada exclusivamente a pena de perdimento baseada no valor aduaneiro declarado pela autuada em suas faturas comerciais; ou se aplicada, exclusivamente, a pena de perdimento, seja esta relativizada, sendo substituída pela diferença de tributos acrescida da multa de 100%; seja a autuada intimada acerca da data do julgamento deste impugnação para apresentar sustentação oral; protesta pela juntada posterior de qualquer meio de prova e eventuais diligências. Argumentos comuns nas impugnações das empresas Condata e SH8: A solidária SH8 apresentou impugnação, às fls. 983/991, alegando que não houve ocultação do real adquirente das mercadorias importadas ou interposição fraudulenta de terceiros, porém, somente a ocorrência de um simples erro no preenchimento das declarações de importação questionadas, pois afora tal fato, todos os demais requisitos das importações por conta e ordem restaram absolutamente cumpridos. Informa que efetuou outras diversas importações por conta e ordem da Condata, sempre registrando corretamente tais importações. Fl. 1127DF CARF MF 6 Menciona a existência de documentos e depoimentos das empresas que demonstram que se tratam de importação por conta e ordem, sem qualquer intuito de fraude, ilicitude ou dano ao erário nas transações comerciais havidas entre as mesmas. E, levandose em conta o art. 112, inciso II do Código Tributário e a severidade da pena de perdimento, a incidência da penalidade deverá ocorrer somente nos casos de efetivo dano ao erário, o que não ocorreu, revelandose desproporcional no caso vertente. Requer sejam declarados nulos ou insubsistentes os Autos de Infração." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada. “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 20/12/2007 a 31/07/2008 SUBFATURAMENTO. IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. Considerase dano ao Erário o subfaturamento, mediante fraude ou artifício doloso, na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, ou em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. DANO AO ERÁRIO. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente na operação de importação, bem como a interposição fraudulenta, infração punível com a pena de perdimento, ou com a multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. IMPORTADOR E ADQUIRENTE. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. Respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 20/12/2007 a 31/07/2008 SUBFATURAMENTO. IMPORTAÇÃO. Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação não correspondem à realidade das transações efetuadas, resta caracterizado o subfaturamento, sendo exigível a diferença dos tributos aduaneiros, acrescidos da multa de ofício qualificada e dos juros de mora. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE OU SONEGAÇÃO Cabível a multa de ofício de 150% sobre o tributos apurados, constatada a ocorrência de fraude na importação com o intuito de sonegação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 3201003.162 S3C2T1 Fl. 5 7 Cientificadas da decisão, as Empresas Condata e SH8 interpuseram Recurso Voluntário. Alegações Condata A empresa Condata repisa as alegações já apresentadas na impugnação, afirmando em sede preliminar a nulidade do auto de infração devido a utilização de provas ilícitas, impossibilidade do lançamento suplementar e ofensa aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Quanto ao mérito alega a ausência de subfaturamento, afirma que as Declarações de Importação que foram utilizadas para lastrear o lançamento, foram registradas por conta própria devido a erros no preenchimento das DI o que afasta a tese da Fiscalização de ocultação do real adquirente. Alega, ainda o desrespeito ao principio da isonomia, em razão da Receita Federal não ter questionado se as mercadorias estariam de posse da Recorrente, pois o livro de controle de estoque comprova que a Recorrente teria R$ 353.006,50 de mercadoria em estoque. Continua o recurso alegando excesso de exação, em razão do lançamento de três penalidade (100% da conversão da multa de perdimento, diferença dos tributos com multa de 150% sobre os valores apurados em razão do novo valor aduaneiro) e por fim pede a relativação da pena de perdimento por ausência de subfaturamento ou de falsidade na documentação apresentada no despacho aduaneiro. Alegações SH8 Alega que não existiu a ocultação do real adquirente, afirma que realizou diversas importações por conta e ordem da Condata, sempre registrando corretamente tais importações e nas DI nºs 07/17816715, 07/17972717, 08/00108501 e 08/11678258 ocorreu um erro de preenchimento, sendo informadas como próprias as importações que eram por conta e ordem. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Os recursos são voluntários e tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, serem conhecidos. Em razão dos argumentos apresentados pelas duas recorrentes se referirem aos mesmos fatos, já que constam do processo como solidários, farei a análise dos recursos em conjunto. Fl. 1129DF CARF MF 8 Ofensa a princípios constitucionais e vícios no ato administrativo do lançamento Inicialmente afasto as alegações de ofensa aos princípios constitucionais que não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Em sede preliminar é alegada a existência de vícios no ato administrativo que não teria atendido aos requisitos de motivação e finalidade. Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade autuante à lavratura do auto de infração. As Recorrentes foram cientificadas da exigência fiscal e apresentaram impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignadas com o resultado do julgamento da autoridade a quo, foram interpostos recursos voluntários, rebatendo as posições adotadas pela autoridade de primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Da operações realizadas pela SH8 por conta e ordem da Condata A lide gira em torno da exigência de tributos devidos na importação de mercadorias, em razão de subfaturamento cominado com a aplicação de multa agravada e da conversão em multa da pena de perdimento aplicada a mercadorias importadas por intermédio de interposição fraudulenta, ao arrimo que a empresa importadora SH8 teria realizado as operações em nome da empresa Condata, sendo as informações ocultadas dos controles legais pertinentes. As autuadas, em sua defesa, alegam a licitude dos recursos utilizados e a atuação de boafé nas operações, estando assim, sofrendo a imputação de uma fraude que não existe. É necessário esclarecer que diferente de outros casos já discutidos neste conselho, o fato que aqui se apresenta, não é de falta de comprovação de origem dos recursos. O que deu origem ao lançamento são as operações de importação da SH8, que segundo a Fiscalização Aduaneira, teriam como real adquirente a Condata. A operação foi orquestrada com o objetivo de diminuir os tributos devidos com o subfaturamento dos reais valores praticados na operação e ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias importadas. Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 3201003.162 S3C2T1 Fl. 6 9 No caminho para esclarecer os fatos faço um breve relato sobre a legislação e os conceitos aduaneiros envolvidos nas operações de comércio exterior, a ocultação de intervenientes e a interposição fraudulenta. O controle aduaneiro, a ocultação dos intervenientes e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro, decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do Siscomex Importação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A ocultação dos reais intervenientes ou a falta de comprovação da origem dos recursos configura, por força legal, dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... Fl. 1131DF CARF MF 10 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 trata de duas situações distintas a primeira de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação e outra a interposição fraudulenta de terceiros que pode ser comprovada ou presumida nos termos previstos no art. 22, § 2º, do Decretolei nº 1.455/76. A existência de uma das duas situações, quando comprovadas pelo Fisco, ensejam a aplicação da penalidade de perdimento. Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior, afastaria a aplicação de penalidades. Tal argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23, inciso V do DecretoLei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria. A comprovação da origem dos recursos afasta a presunção da interposição fraudulenta, mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que trata da ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Quando a origem dos recursos não esta comprovada presumese a interposição fraudulenta, quando comprovada nos autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias nos termos do art. 22 do DecretoLei nº 1.455/76. Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 3201003.162 S3C2T1 Fl. 7 11 É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados na IN SRF nº 225/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. A par de toda a discussão sobre a aplicação da pena de perdimento da mercadoria por dano ao erário, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento, nas situações em que for comprovada a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. Resolvida a questão da legalidade da imputação, passo a analisar a situação fática que culminou na aplicação da penalidade ora combatida. A operação de importação realizada pela SH8 e o envolvimento da empresa Condata. A Fiscalização identificou, amparada em diversos informações e documentos fiscais, a relação das empresas SH8 e Condata. O trabalho da auditoria da receita federal foi detalhado e consegue comprovar de forma inequívoca, o modo de operação para ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias importadas. A seguir detalho informações extraídas do Relatório Fiscal que fundamentam a exigência fiscal, que ao meu sentir comprovam os fatos apurados pela Autoridade Autuante, comprovando a ocultação do real adquirente da mercadoria nas operações realizadas pela Recorrente. Com base na resposta encaminhada pela Condata ao Termo de Intimação n° 079/2012, foi efetuada nova intimação a esta empresa, através da lavratura do Termo de Intimação n° Fl. 1133DF CARF MF 12 083/2012, em anexo à folha n° 763, solicitando Informar o número das declarações de importação, pelas quais foram importadas as mercadorias objeto das notas fiscais identificadas pelos números 10, 13, 14, 16, 21, 23, 25, 18, 63 e 71, emitidas pela empresa SH8 Comércio Importação e Exportação Ltda, para a empresa Condata, na medida que a empresa Condata informou que todas estas mercadorias foram importadas, por sua conta e ordem, pela empresa SH8 Comércio Importação e Exportação Ltda. A empresa Condata apresentou resposta ao Termo de Intimação n° 083/2012, em dez de outubro de 2012, em anexo à folha n° 764, informando os números das declarações de importação correspondentes as referidas notas fiscais. Na planilha I SH8, em anexo às folhas n° 723 a 725, foram relacionados os dados das declarações de importação correspondentes às importações que a empresa Condata informou terem sido efetuadas, por sua conta e ordem, pela empresa SH8 Comércio Importação e Exportação Ltda. Entretanto, apesar da empresa Condata ter afirmado que todas essas declarações de importação foram efetuadas pela empresa SH8, por sua conta e ordem, foi constatado que as importações objeto das declarações de importação n° 07/17816715, n° 07/17972717, n° 08/00108501, e n° 08/11678258, registradas em 20/12/2007, 26/12/2007, 03/01/2008, e 31/07/2008, respectivamente, foram importadas pela empresa SH8, como se tivessem sido efetuadas com recursos próprios, sem registrar o nome da empresa Condata como adquirente, nas referidas declarações de importação. Da análise dessa constatação, concluise que as mercadorias objeto das referidas declarações de importação foram importadas com a ocultação da empresa Condata como real adquirente. ... Ao comparar as mercadorias objeto das declarações de importação n° 07/17816715, e n° 07/17972717, efetuadas pela empresa SH8 como importador e adquirente, com importações efetuadas pela Condata, em seu nome, ou por sua conta e ordem, foi constatado que a empresa Condata efetuou importações de mercadorias idênticas às mercadorias importadas através das referidas declarações de importação, com os mesmos preços unitários de importação declarados em seus despachos de importação. Esta constatação pode ser efetuada comparando a Planilha I SH8, na qual foram relacionados os dados das declarações de importação efetuadas pela empresa SH8 Comércio Importação e Exportação Ltda, anexada às folhas n° 723 a 725 deste processo administrativo fiscal, com a planilha IT Condata, anexada às folhas n° 737 a 749, na qual foram relacionados os dados das declarações de importação efetuadas pela empresa Condata, em seu nome, ou por sua conta e ordem. A planilha I SH8 foi obtida utilizando dados dos sistemas da Receita federal e Informações prestadas pelo contribuinte em resposta a intimações efetuadas neste processo administrativo fiscal. A planilha IT Condata foi obtida utilizando dados dos sistemas da Receita Federal e Informações prestadas pelo contribuinte em resposta a intimações efetuadas no curso de fiscalização objeto do processo administrativo fiscal n° 11080.727618/201236. Desta comparação, foram relacionadas Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 3201003.162 S3C2T1 Fl. 8 13 na planilha I Condata, anexada às folhas n° 728 a 731, as importações efetuadas pela Condata, em seu nome, ou por sua conta e ordem, de mercadorias idênticas às mercadorias importadas através das declarações de Importação n° 07/17816715, e n° 07/17972717. Em todas essas Importações, foram declarados os mesmos preços unitários de importação nos respectivos despachos de importação. Analisando as respostas das intimações efetuadas para as empresas Condata e SH8, no curso deste processo administrativo fiscal, assim como no curso do processo administrativo fiscal n° 11080.727618/201236, os dados das Importações destas empresas, as características dos produtos importados por estas empresas, e as anotações, cópias de emails e faturas proforma relativas a importações da empresa Condata, apreendidas por ocasião da realização de diligência na empresa Telinfo, foi comprovado subfaturamento nas importações realizadas pela empresa SH8, objeto das declarações de importação n° 07/17816715, n° 07/17972717, e n° 08/00108501, registradas em 20/12/2007, 26/12/2007, e 03/01/2008, respectivamente, conforme razões expostas nos parágrafos seguintes deste Relatório de Fiscalização. Os exemplos, aqui apresentados, não citam todas as apurações realizadas pela Fiscalização, mas comprovam a existência de um esquema fraudulento, com objetivo de ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias e ainda, reduzir de forma indevida os tributos devidos. É inequívoco que as operações foram realizadas por encomenda. A SH8 atuava como uma intermediária junto à autoridade aduaneira, realizando importações previamente negociadas, com vendas vinculadas a empresa Condata, real adquirente das importações. A fraude no valor aduaneiro declarado e a exigência dos tributos devidos sobre a diferença apurada A Fiscalização Aduaneira, durante os procedimentos de auditoria, identificou a prática contumaz de ocultação do real adquirente das mercadorias e da utilização de artifícios dolosos para a redução dos tributos devidos. Neste caminho identificou os reais valores praticados nas operações de importação e que os valores declarados ao Fisco foram em montante inferior ao praticado, o que ensejou a lavratura de auto de infração para exigência dos tributos que não foram recolhidos diante deste artifícios. A justificativa e as provas estão demonstradas também no voto do acórdão da primeira instância, do qual extraio os trechos abaixo, que ao meu sentir, comprovam a irregularidade nos valores declarados ao Fisco. Fl. 1135DF CARF MF 14 Seguese, doravante, a análise da existência de subfaturamento na importação de 22 máquinas para contar cédulas a vácuo, marca Szkingled, modelo na origem FVHD16, modelo no Brasil FV16, através da DI n° 07/17027818, exportadas pela empresa chinesa Ruian New Trend Imp. & Exp. Trade Co., Ltd. Zhejiang, declaradas ao preço unitário de US$ 275,00. No mesmo modo de proceder, foi constada a existência de documento anotado à mão, identificado como “pedidos de vácuo”, à fl. 18, sendo que o “3º pedido” trata de encomenda de 22 máquinas, a um preço unitário de US$ 700,00, resultando na importação destas máquinas a um preço total de US$ 15.400,00, constituído por um pagamento por fora de US$ 9.350,00, e por um pagamento oficial de câmbio de US$ 6.050,00. À fl. 76, foi juntada uma solicitação de remessa financeira, no valor de US$ 9.350,00, de 31/08/2007, tendo como beneficiária a empresa exportadora chinesa Ruian New Trend, mesma conta bancária utilizada para fechamento de câmbio da DI n° 07/17027818. Neste documento, consta uma anotação escrita à mão “31/08/2007” e “3º pedido”. Também foram apreendidas duas faturas proformas nº KL2007082701 e nº KL2007083101 (fls. 55 e 77), datadas de 27/08/2007 e 31/08/2007, respectivamente, que correspondem à importação da mercadoria identificada na referida DI, sendo que, no entanto, a fatura à fl. 55, está descrito o preço unitário de US$ 275,00, enquanto que a fatura à fl. 77 consta o preço unitário de US$ 700,00 por máquina importada, confirmando o valor real da transação objeto do despacho de importação da DI n° 07/17027818. Não merece crédito a alegação da empresa de que referidas faturas trataramse de mera cotação de equipamentos distintos e nunca importados. Vejase que tais faturas só vieram a confirmar os dados constantes das anotações de pedidos (fl. 18) e das solicitações de pagamentos por fora, conforme já descrito, de modo que serve de prova complementar e não da única prova. E, não obstante não haver claramente o modelo das máquinas, vejase que datam do mesmo período das negociações ora tratadas, com os mesmos valores unitários, declarados e não declarados, e quantidades, que conferem com as demais provas colhidas. E não tem relevância o fato de a auditoria não ter feito menção às faturas formais que instruíram cada um dos despachos de importação, tendo se utilizado do mesmo relato acerca destas faturas proformas nº KL2007082701 e nº KL2007083101, como provas de subfaturamento em mais três DI, que a seguir serão vistas, de forma somente a demonstrar o procedimento adotado pela contribuinte autuada. Ademais, na fatura KL2007083101 (fl. 77), consta a anotação manual “KLD2007091802”, ou seja, sendo a fatura anterior aquela em que aparecem os reais valores da transação, obviamente que teria outra fatura formal, ideologicamente falsa, para acobertar os preços subfaturados." As Recorrentes, ao questionar os valores apurados pela Fiscalização, alegam que as provas obtidas não são suficientes para comprovar a diferença apurada. Entendo não Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 3201003.162 S3C2T1 Fl. 9 15 assistir razão ao recurso. Entendo que a Fiscalização demonstra de forma clara e com provas suficientes, as diferenças entre os preços declarados e os preços praticados. As Recorrentes não apresentam documentos que possam contradizer os argumentos apresentados pelo Fisco, limitase a afirmar a procedência dos valores declarados, entretanto, não apresenta nenhum fato que possa ilidir o trabalho fiscal. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. O auto de infração foi motivado pelas provas obtidas pelo Fisco que comprovam a diferença entre os valores declarados e aqueles realmente praticados nas operações de importação. A Recorrente para contrapor as argumentações e provas trazidas pela Fiscalização necessita identificar de forma cristalina os reais valores praticados, trazendo os documentos necessários para embasar a sua afirmação, que podem ser contratos comerciais, trocas de mensagens, cartas emitidas entre fornecedor e adquirentes e tantos outros documentos que poderiam ser apresentados para justificar o valor declarado ao Fisco. Entretanto, a Recorrente não apresenta nenhum documento que possa comprovar as suas afirmações. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar a exigência fiscal. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 A possibilidade de aplicação concomitante das penalidades de subfaturamento e de perdimento Situação que se apresentou controversa no tempo, diz respeito a aplicação concomitante das penalidades referentes ao subfaturamento e o perdimento de mercadoria. A questão atualmente foi resolvida por meio do art. 703, § 1ºA do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 6.579/2002. " Art. 703. Nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado na forma do art. 86 ou do efetivamente praticado, aplicase a multa de cem por cento sobre a diferença, sem prejuízo da exigência dos tributos, da multa de ofício referida no art. 725 e dos acréscimos legais cabíveis § 1ºA Verificandose que a conduta praticada enseja a aplicação tanto de multa referida neste artigo quanto da pena de perdimento da mercadoria, aplicase somente a pena de perdimento." 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 1137DF CARF MF 16 Conforme consta do art. 703, ao ser constatado o subfaturamento são devidos os tributos referentes a diferença declarada e aquela apurada pela Fiscalização com as multas e juros pertinentes. O § 1º A esclarece que em caso de aplicação da multa de cem porcento em conjunto com a pena de perdimento, prevalece a multa de perdimento. Assim, resta confirmado o entendimento que a exigência dos tributos referentes a diferença subfaturada convive com a multa de perdimento. Firme neste entendimento, entendo que a conversão da pena de perdimento em multa se assemelha ao tratamento a ser dado a pena de perdimento. Assim, entendo correta a aplicação concomitante da multa de conversão da pena de perdimento e da exigência dos tributos sobre os valores subfaturados com os acréscimos legais. A solidariedade das empresas Condata em relação às operações de importação da SH8 Verificando todo o arcabouço de provas, constante dos autos, fica evidente o conhecimento das empresas SH8 e Condata nas operações realizadas e da fraude ocorrida para ocultação dos reais adquirentes das mercadorias. Conforme já demonstrado, a ocultação dos operadores reais nas Declarações de Importação estão plenamente confirmadas nas informações e documentos apurados pela Auditoria Fiscal, onde são detalhadas as operações e responsabilidade de cada um das partes nas operações. Existindo o conhecimento das empresas autuadas nas importações, não há como afastar a responsabilidade nas operações realizadas. Firme neste entendimento devese aplicar as determinações expressas do artigo 95, inciso I e V, do Decretolei nº 37/66, que responsabiliza o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem. " Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)(grifo nosso) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10516.720027/201216 Acórdão n.º 3201003.162 S3C2T1 Fl. 10 17 As conclusões da Fiscalização Aduaneira sobre a vinculação das importações das empresas SH8 e Condata são baseadas em procedimento de investigação detalhado e com fundamentos robustos, não há como afastar após os relatos e informações obtidos, que existia a compra dos produtos importados com intervenção direta da empresa Condata, sendo a empresa SH8, uma prestadora de serviços que viabilizava as operações de importação das mercadorias. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntários. Winderley Morais Pereira Fl. 1139DF CARF MF
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Numero do processo: 10425.721339/2012-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008, 2009
DCTF. ENTREGA MENSAL. OPÇÃO IRRETRATÁVEL. MULTA POR ATRASO. CABIMENTO
A opção pela entrega da DCTF mensal, para contribuintes sujeitos à entrega semestral, é definitiva e irretratável para todo o ano-calendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada.
Numero da decisão: 1001-000.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008, 2009 DCTF. ENTREGA MENSAL. OPÇÃO IRRETRATÁVEL. MULTA POR ATRASO. CABIMENTO A opção pela entrega da DCTF mensal, para contribuintes sujeitos à entrega semestral, é definitiva e irretratável para todo o ano-calendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada.
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente CASA DE CARIDADE PADRE IBIAPINA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008, 2009 DCTF. ENTREGA MENSAL. OPÇÃO IRRETRATÁVEL. MULTA POR ATRASO. CABIMENTO A opção pela entrega da DCTF mensal, para contribuintes sujeitos à entrega semestral, é definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 13 39 /2 01 2- 58 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10425.721339/201258 Acórdão n.º 1001000.037 S1C0T1 Fl. 118 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo (SP), mediante o Acórdão nº 1649.585, de 20 de agosto de 2013 (efls. 70/74), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foram lavradas dezoito (18) Notificações de Lançamentos (efls. 05/40) com a exigência do crédito tributário no valor de R$ 200,00 cada, a título de multa de ofício isolada (multa mínima), devido aos atrasos nas entregas das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao meses de janeiro de 2007 a dezembro de 2009. Cientificada das exigências fiscais, a interessada interpôs impugnação, argumentando, em síntese, de que não era obrigado à apresentação das declarações mensais e sim das semestrais. A DRJ analisou a impugnação apresentada e em face da constatação de que a recorrente não estava obrigada a entregar as DCTF(s) dos meses de janeiro a dezembro do ano calendário de 2007, julgou procedente em parte o lançamento, com a exoneração dos lançamentos relativo ao período (no valor total de R$2.400,00) e a manutenção dos lançamentos dos meses de janeiro a dezembro dos anoscalendário de 2008 e 2009 (no valor total de R$4.800,00), conforme parte final do voto, a seguir transcrito: Diante do exposto, voto no sentido de considerar a impugnação PROCEDENTE EM PARTE para: • cancelar o lançamento da multa por atraso na entrega da DCTF, dos meses de janeiro a dezembro do anocalendário de 2007; e • manter o lançamento da multa por atraso na entrega da DCTF, dos meses de janeiro a dezembro dos anoscalendário de 2008 e 2009. Eis a ementa do Acórdão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007, 2008, 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. As pessoas jurídicas imunes e as isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a R$ 10.000,00, estão dispensadas da apresentação da DCTF correspondente a fatos geradores ocorridos até 31/12/2007. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. MULTA POR ATRASO. DCTF. SEMESTRAL X MENSAL. A opção pela entrega da DCTF mensal, para contribuintes sujeitos à entrega semestral, é definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10425.721339/201258 Acórdão n.º 1001000.037 S1C0T1 Fl. 119 3 Ciente da decisão de primeira instância em 05/09/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 95, a recorrente apresentou recurso voluntário em 04/10/2013 (efls. 96/114), conforme carimbo de recepção à efl. 96. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele conheço. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. De igual modo, não há qualquer contestação quanto ao cálculo do valor da multa exigida. No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, ou seja, de que não era obrigado apresentar declarações mensais, mas sim semestrais. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: No tocante às DCTF(s) correspondentes a fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2008 as IN(s) RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, seguida e pela Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, dispõem de forma idêntica que: (destaque acrescido no original) Da Opção pela apresentação da DCTF Mensal Art. 4º As pessoas jurídicas não enquadradas nas hipóteses do art. 3 º poderão optar pela apresentação da DCTF Mensal. § 1º A opção de que trata o caput será exercida mediante a apresentação da primeira DCTF Mensal, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. § 2º Exercida a opção de que trata o caput com a apresentação de DCTF Mensal relativa a mês posterior a janeiro, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação das declarações relativas aos meses anteriores ao da primeira DCTF apresentada, sendo devida multa pelo atraso na entrega das referidas declarações. § 3º A obrigatoriedade de entrega na forma prevista no § 2º não se aplica no caso de pessoa jurídica dispensada da apresentação da DCTF no período considerado. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10425.721339/201258 Acórdão n.º 1001000.037 S1C0T1 Fl. 120 4 Seção IV Da Dispensa de Apresentação da DCTF Art. 5º Estão dispensadas da apresentação da DCTF: I as microempresas e as empresas de pequeno porte enquadradas no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 , relativamente aos períodos abrangidos por esse sistema; II as pessoas jurídicas que se mantiverem inativas durante todo o anocalendário a que se referirem as DCTF; III os órgãos públicos da administração direta da União; e IV as autarquias e as fundações públicas federais. § 1º São também dispensadas da apresentação da DCTF, ainda que se encontrem inscritas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou que tenham seus atos constitutivos registrados em Cartório ou Juntas Comerciais: I os condomínios edilícios; II os consórcios e grupos de sociedades, constituídos na forma dos arts. 265, 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; I II os consórcios de empregadores; IV os clubes de investimento registrados em Bolsa de Valores, segundo as normas fixadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou pelo Banco Central do Brasil (Bacen); V os fundos de investimento imobiliário, que não se enquadrem no disposto no art. 2º da Lei nº 9.779, de 1999; VI os fundos mútuos de investimento mobiliário, sujeitos às normas do Bacen ou da CVM; VII as embaixadas, missões, delegações permanentes, consuladosgerais, consulados, viceconsulados, consulados honorários e as unidades específicas do Governo brasileiro no exterior; VIII as representações permanentes de organizações internacionais; IX os serviços notariais e registrais (cartórios), de que trata a Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973; X os fundos públicos de natureza meramente contábil; XI os candidatos a cargos políticos eletivos nos termos da legislação específica; XII as incorporações imobiliárias objeto de opção pelo Regime Especial de Tributação (RET), de que trata a Lei nº 10.931, de 2 de agosto de 2004 ; e XIII as pessoas jurídicas domiciliadas no exterior que possuam no Brasil bens e direitos sujeitos a registro público. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10425.721339/201258 Acórdão n.º 1001000.037 S1C0T1 Fl. 121 5 § 2º Não estão dispensadas da apresentação da DCTF, as pessoas jurídicas: I excluídas do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 , ou do Simples Nacional, quanto às DCTF relativas aos fatos geradores ocorridos a partir da data em que a exclusão produzir efeitos; II de que trata o inciso II do caput, a partir do período, inclusive, em que praticarem qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial. (...) Como se vê, o artigo 5º da norma acima reproduzida não prevê a dispensa da entrega da DCTF das pessoas jurídicas Isentas/Imunes com débitos a declarar inferior a R$ 10.000,00. Outrossim, diante dos citados atos normativos, resta evidenciado que a legislação somente dá lugar à consideração de hipótese de erro àqueles que, desobrigados de entrega de DCTF a tenham entregue. Aos obrigados, ainda que sob a modalidade semestral, a entrega de DCTF na modalidade mensal constituise em opção definitiva e irretratável por esta modalidade, não havendo brecha para considerar indevida a entrega Portanto, tendo optado pela entrega da DCTF mensal, com a apresentação em atraso da declaração, a impugnante sujeitouse à multa, nos termos da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7º. Ressaltese, ainda, que, segundo o CTN, art. 136, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, estando caracterizada a situação fática que originou o lançamento da multa por atraso na entrega da DCTF, dos meses de janeiro a dezembro dos anos calendário de 2008 e 2009, o lançamento decorrente deve ser mantido. Diante do exposto, considerando que a recorrente apresentou as declarações dos meses de janeiro de 2008 a dezembro de 2009 e, consequentemente, optado pela entrega mensal da DCTF nos respectivos anoscalendário, voto por negar provimento ao recurso voluntário, de forma a manter a exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, dos meses de janeiro a dezembro dos anos calendário de 2008 e 2009. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10425.721339/201258 Acórdão n.º 1001000.037 S1C0T1 Fl. 122 6 Fl. 122DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.907142/2011-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
O julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa, quando restar desnecessária a realização de diligência para elucidação dos fatos.
IPI. CRÉDITOS DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS COM SAÍDAS IMUNES EM RAZÃO DA ALÍNEA D DO INCISO "VI" DO ARTIGO 150 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPROCEDÊNCIA.
A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do prescrito na alínea d do inciso VI do artigo da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não produz crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei 9.779 de 1999 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação.
INCLUSÃO NO SALDO CREDOR TRIMESTRAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços estarem catalogados na legislação específica como prestação de serviço. É suficiente a caracterização da operação como de industrialização, dentre as modalidades descritas no decreto regulamentador do tributo em causa, para que seja tomada a operação como tal, pois a incidência de tributo de competência municipal não tem o condão de exclui a incidência do referido tributo federal.
Entretanto, a atividade econômica que demande a emissão de notas fiscais de saída, exclusivamente, de prestação de serviços, não implica no direito de incluir o IPI do cômputo do saldo credor trimestral, ainda que na respectiva operação se constate o consumo de matéria-prima, produtos intermediário e material de embalagem tributados pelo referido tributo de competência federal.
Numero da decisão: 3001-000.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. O julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa, quando restar desnecessária a realização de diligência para elucidação dos fatos. IPI. CRÉDITOS DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS COM SAÍDAS IMUNES EM RAZÃO DA ALÍNEA “D” DO INCISO "VI" DO ARTIGO 150 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPROCEDÊNCIA. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do prescrito na alínea “d” do inciso VI do artigo da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não produz crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei 9.779 de 1999 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. INCLUSÃO NO SALDO CREDOR TRIMESTRAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços estarem catalogados na legislação específica como prestação de serviço. É suficiente a caracterização da operação como de industrialização, dentre as modalidades descritas no decreto regulamentador do tributo em causa, para que seja tomada a operação como tal, pois a incidência de tributo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 71 42 /2 01 1- 13 Fl. 674DF CARF MF 2 competência municipal não tem o condão de exclui a incidência do referido tributo federal. Entretanto, a atividade econômica que demande a emissão de notas fiscais de saída, exclusivamente, de prestação de serviços, não implica no direito de incluir o IPI do cômputo do saldo credor trimestral, ainda que na respectiva operação se constate o consumo de matériaprima, produtos intermediário e material de embalagem tributados pelo referido tributo de competência federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 643 a 671) interposto contra o Acórdão 0956.457, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG DRJ/JFA, na sessão de julgamento realizada em 23.01.2015 (fls. 618 a 637), que deferiu, em parte, a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, para reconhecer como saldo credor do trimestre a quantia de R$ 29.286,08. Tendo em vista que no Despacho Decisório já foi reconhecido ao contribuinte o saldo credor de R$ 26.419,12. Do Pedido de Ressarcimento O requerente, por meio dos "Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação" PER 27710.75628.300410.1.5.017059, referente ao 2º trimestre de 2009, calculado segundo o artigo 11 da Lei 9.779 de 19.01.1999, solicitou o ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Vinculou ao citado ressarcimento, a Declaração Eletrônica de Compensação DCOMP 08430.02754.300709.1.3.018908 (fls. 02 a 30). Do Despacho Decisório Em face do referido pedido, foi exarado o despacho decisório Número de Rastreamento 024896105: (...) 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 74.627,13 Fl. 675DF CARF MF Processo nº 13603.907142/201113 Acórdão n.º 3001000.050 S3C0T1 Fl. 675 3 Valor do crédito reconhecido: R$ 26.419,12 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 08430.02754.300709.1.3.018908 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 27710.75628.300410.1.5.017059 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/07/2012. PRINCIPAL MULTA JUROS 47.580,88 9.516,17 13.998,29 Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. (...) Da Manifestação de Inconformidade Diante da decisão supra, o contribuinte apresentou, em 07.08.2012, manifestação de inconformidade (fls. 32 a 48) para aduzir, para que se: a) reconhecesse o direito do manifestante de apurar e aproveitar os créditos de IPI, decorrentes de aquisições de insumos empregados na elaboração de produtos amparados pela imunidade fiscal, homologandose, integralmente, os Pedidos de Restituição/Compensações PERD/COMP's; ou noutra hipótese, para que se: Fl. 676DF CARF MF 4 b) determinasse a inclusão na base de cálculo do percentual da glosa, as Receitas de Serviços e as Receitas de Beneficiamento; c) estabelecesse o percentual da glosa com base somente nas Receitas do mesmo mês do crédito e não média dos meses anteriores, como foi efetuado; d) retificasse na planilha em que estão relacionados os valores totais dos créditos de IPI, para constar os valores do Livro de Apuração do IPI, referente aos meses de fevereiro e março de 2010; e) excluísse da glosa os créditos de IPI sobre a compra de papel comercial, que é empregado no processo produtivo de produtos não imunes, já que a Manifestante provou a aquisição de papel imune para a produção dos livros; e f) retificasse o valor do saldo devedor e acessórios (multa e juros), de acordo com as planilhas ora apresentadas, ou de acordo com novos cálculos que deveriam ser efetuados pela auditoria fiscal, com a observância das alíneas "b" a "e", supra. g) dentro do princípio do contraditório e da ampla defesa, se acatasse o pedido de deferimento de todos os meios de prova, especialmente a juntada de documentos, perícia contábil e outras provas que se fizessem necessárias à elucidação do feito. Para tanto, indicou assistente técnico para acompanhamento da perícia; requereu sua intimação da data e do local da realização dos trabalhos periciais e elaborou os seguintes quesitos: 1) Queira o D. Perito informar, se no desenvolvimento de suas atividades sociais, a Manifestante promove a industrialização de livros, revistas, periódicos, jornais e outras atividade contempladas pela imunidade fiscal, conforme a Constituição Federal? 2) Se positiva a resposta anterior, a Manifestante adquire matériaprima, produtos intermediário, material de embalagem tributados com o IPI e utilizados no processo produtivo de produtos imunes, gerando assim créditos de IPI? 3) As Receitas de Serviços e as Receitas de Beneficiamento foram incluídas na base de cálculo do percentual da glosa? 4) O percentual da glosa foi apurado mês a mês, de acordo com as receitas no mesmo mês do crédito? Ou, foi apurado pela média dos meses anteriores? Existe diferença entre estes dois métodos de apuração do percentual da glosa? 5) Existe divergência entre os valores consignados na planilha onde estão relacionados os valores totais dos créditos de IPI (elaborada pela Auditora Fiscal) e os valores lançados no Livro de Apuração de IPI, referentes aos meses de fevereiro e março de 2010? 6) A Impugnante adquire papel "linha d'água" (sem a tributação de IPI)? Se positiva a resposta, esse papel é declarado em DIF entregue à SRF, bem como consta do SINTEGRA? O referido papel é utilizado no processo produtivo de produtos imunes? 7) A D. Auditora incluiu na glosa os créditos de IPI decorrentes da aquisição de papel comercial utilizado no processo produtivo de produtos não imunes? 8) As planilhas apresentadas pela Manifestante anexas à Manifestação de Inconformidade, estão corretas? Se estão, qual é o valor real e correto da glosa? Fl. 677DF CARF MF Processo nº 13603.907142/201113 Acórdão n.º 3001000.050 S3C0T1 Fl. 676 5 9) Caso o D. Perito não concorde com as planilhas apresentadas pela Manifestara (sic), queira retificar os cálculos apurados pela Ilustre Auditora, efetuandose as retificações e exclusões pertinentes. Do Despacho de Diligência da 1ª Instância Frente aos argumentos trazidos pelo contribuinte com a apresentação da manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/JFA, por entender que deveriam ser verificadas algumas questões específicas, encaminhou, por meio do Despacho 56 de 02.10.2013, os autos para a SAFIS/DRF/CONTAGEM/MG, para que fossem elucidadas as seguintes dúvidas (fls. 389 a 392): 1) se o contribuinte adquiria realmente papéis com imunidade de IPI e os empregava corretamente na elaboração de livros. Se verdadeira a afirmação do contribuinte nesse sentido, deveriam ser excluídas da proporcionalização prevista no artigo 3º da IN SRF 33 de 04.03.1999, as receitas decorrentes da venda de livros; 2) se de fato houve divergências na apuração de créditos, nos meses de fevereiro e março de 2010, entre o RAIPI e a planilha de cálculo elaborada pela fiscalização, adotandose, justificadamente, o valor correto a se considerar; 3) se houve eventual aproveitamento de créditos sobre receitas de prestação de serviços. Se quando do exercício de tal atividade foi empregado insumo sobre o qual incidiu o IPI, excluir o tributo do cômputo do saldo credor trimestral. Do Termo de Diligência da 1ª Instância Em atenção à solicitação supra, a DRF/CONMG procedeu à diligência requerida e elaborou o respectivo Termo de Diligência Fiscal (fls. 597 a 602). Do Aditamento da Manifestação de Inconformidade Cientificada do resultado da diligência fiscal, o contribuinte apresentou razões de defesa adicionais (fls. 603 a 615), em síntese, para: 1) alegar o direito ao crédito de IPI incidente sobre os insumos utilizados na confecção de livros, cuja saída esteja amparada pela imunidade tributária; 2) solicitar a inclusão de créditos de IPI sobre insumos utilizados na prestação de serviços; 3) solicitar a retificação do saldo devedor, valor principal mais os acessórios (multa e juros), de acordo com os novos cálculos que deverão ser efetuados pela auditoria; 4) ratificar, segundo os mesmos argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade, o pedido de deferimento de todos os meios de prova, especialmente a juntada de documentos, perícia contábil e outras provas que se fizerem necessárias à elucidação do feito. Da Decisão de 1ª Instância Fl. 678DF CARF MF 6 Sobreveio a decisão contida no voto condutor do referido acórdão vergastado, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão proferida pela autoridade administrativa na repartição de origem. Cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITOS DE IPI. LEI Nº 9.779, DE 1999/IN SRF Nº 33, DE 1999. Tendo em vista o Preâmbulo da IN SRF nº 33, de 04/03/1999, que consignava regulamentação de matérias relativas ao art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, e aos arts. 178 e 179 do Decreto nº 2.637, de 25/06/1998 RIPI/1998, é de se concluir que o aproveitamento de créditos sobre insumos empregados em produtos tributados diz respeito ao art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, enquanto o aproveitamento de créditos sobre insumos empregados em produtos imunes é decorrência de regulamentação de incentivos fiscais à exportação tratados nos arts. 178 e 179 do RIPI/2002. Surge desta regulamentação a inserção da expressão “inclusive imunes” no art. 4º da IN SRF nº 33, de 1999. CRÉDITOS DE IPI. PRODUTOS NT. Não representa inovação à legislação do IPI o art. 4º da IN SRF nº 33, de 1999, pois a elaboração de produtos não tributados e de produtos originalmente imunes (livros, jornais e periódicos) não conferem direito ao crédito de IPI. IPI. ISQN. EXISTÊNCIA CONCOMITANTE. Não se deduz do fato de pagar ISSQN o pagamento obrigatório do IPI. Um não exclui o outro, mas não são necessariamente conseqüentes. Podese pagar ISSQN sem pagar o IPI. Aquele que apenas cumpre obrigações relativas ao ISSQN, como a emissão pura e simples de notas fiscais de prestação de serviços, é devedor do ISSQN, porém não é contribuinte do IPI, portanto, não faz jus a créditos do imposto nessas operações de prestação de serviços. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E INDUSTRIALIZAÇÃO. É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços estarem catalogados na legislação específica como prestação de serviço. Basta que se caracterize a operação como de industrialização dentre as modalidades descritas no art. 4º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI), para que seja tomada a operação como de industrialização, pois a incidência do ISS não exclui a do IPI. Entretanto, a atividade econômica que demande a emissão de notas fiscais de saída, exclusivamente de prestação de serviços, não implica, ainda que se consuma na execução dos serviços ali discriminados, matériasprimas e produtos intermediários, o direito ao crédito de IPI. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 13603.907142/201113 Acórdão n.º 3001000.050 S3C0T1 Fl. 677 7 CRÉDITOS DE IPI. SEGREGAÇÃO. PRODUTO ISENTO. PRODUTO IMUNE. É lícita a separação entre os insumos utilizados em produtos imunes (não tributados) e produtos tributados, tomandose como referência o valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, conforme determina a legislação de regência. IN SRF nº 33, de 1999, art. 3º. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 ADI Nº 5, DE 2006 O dispositivo interpretativo não extrapolou normas, não foi além da atividade regimental da SRF. Tãosomente, usando das atribuições que lhe são próprias, a SRF afastou conclusões equivocadas que pareciam emergir do texto da IN SRF nº 33, de 1999. Não se criou norma contrária ao art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, ou ao texto constitucional. Com o ADI nº 5, de 2006, expedido pela autoridade superior da SRF, foi solucionada a interpretação conflitante com as normas legais vigentes, expressas em soluções de consulta, emanadas de unidades regionais da SRF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 LEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE. As discussões a respeito de legalidade ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos não serão travadas na esfera administrativa. Cumpre a função o Poder Judiciário, a quem a Constituição Federal atribuiu tal competência (art. 59 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2001). DILIGÊNCIA/PERÍCIA/FORMAÇÃO DE PROVAS. Quando a diligência requerida pela Delegacia de Julgamento e solucionada pela Delegacia da Receita Federal jurisdicionante do contribuinte foi suficiente para elucidar os pontos controversos encontrados no autos, tornando possível a análise da manifestação de inconformidade e, conseqüentemente, a solução do litígio, rejeitamse as petições pela formação de novas provas, perícia contábil, pois que elas não se mostram necessárias. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Do Recurso Voluntário Fl. 680DF CARF MF 8 Irresignado ainda com o feito, o requerente interpôs recurso voluntário, repisando, em essência, as razões trazidas na manifestação de inconformidade. Os tópicos a seguir transcritos confirmam a identidade dos argumentos, vejamos: (...) III.1 PRELIMINARMENTE DO INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL CERCEAMENTO DE DEFESA (...) III.2 NO MÉRITO (...) A DO DIREITO E RECONHECIMENTO DO CRÉDITO DE IPI IMUNIDADE FISCAL (...) B DO ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO Nº5, DE 2006 (...) C DA LEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS E ATOS NORMATIVOS (...) D DA IMPOSSIBILIDADE/ILEGALIDADE DE SEGREGAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES E PRODUTOS TRIBUTADOS (...) E DA IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (...) V DO PEDIDO Por todo o exposto, por tudo que dos autos constam e, ainda, pelos douto e valiosos subsídios que estes D. Conselheiros certamente trarão à espécie, requer a Recorrente, seja acolhida a preliminar arguida, para cassar o v. acórdão recorrido e determinar a realização de perícia contábil, ou noutra hipótese dar provimento ao presente Recurso Voluntário, para reconhecer o direito da Recorrente de aproveitar os créditos de IPI, relativos aos insumos (MP, PI e ME) utilizado na industrialização de produtos imunes, bem como, na prestação de serviços. Reconhecendose, por conseguinte o crédito requerido no PER nº 27710.75628.300410.1.5.017059, homologandose a compensação apresentada no DCOMP nº 08430.02754.300709.1.3.018908. Tudo de conformidade com a Manifestação de Inconformidade que foi apresentada e as razões recursais aqui expostas. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13603.907142/201113 Acórdão n.º 3001000.050 S3C0T1 Fl. 678 9 É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da Admissibilidade O recurso voluntário, conforme depreendese do carimbo aposto na petição em análise, foi protocolado na DRF/CONMG em 31.03.2015. O contribuinte, conforme Termo de Abertura de Documento (fl. 640), acessou o Acórdão de Manifestação de Inconformidade em 04.03.2015. Portanto, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Prolegômeno O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3001000.046 de 30 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 13603.907138/201155, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3001000.046): "Pedido de Perícia Contábil Do Indeferimento da prova pericial cerceamento de defesa Quanto à realização de perícia contábil para elucidação de fatos, não há dúvida de que o ordenamento jurídico brasileiro, a começar pela Constituição Federal de 1988, consagra o respeito ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, aos litigantes em processo judicial ou administrativo. Isso não significa, entretanto, que toda e qualquer diligência requerida pela parte deva ser automaticamente deferida pelo julgador. A primeira questão a ser analisada diz respeito à nulidade da decisão recorrida alegada pelo fato de ter sido denegada a perícia solicitada. As regras sobre nulidades, no Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), estão contidas basicamente em três artigos, a saber: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 682DF CARF MF 10 §2º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Depreendese que as nulidades absolutas se cingem aos atos com vícios por incapacidade do agente ou que ocasionem cerceamento do direito de defesa. De outra sorte, é de se aplicar o princípio da salvabilidade do processo por medida de economia processual e, por conseguinte, com vantagem ao Erário e ao administrado. No caso vertente, o recorrente pleiteou que fosse realizada perícia, formulando quesitos e indicando assistente técnica, para que fossem verificados “in locu”, os seus produtos industrializados, a fim de demonstrar que se tratavam de produtos industrializados e por ela desenvolvidos sob encomenda de seus clientes. Como a decisão da 3ª Turma da DRJ/JFA entendera prescindível a realização desta providência, por entender que as amostras a que tivera acesso já lhe forneciam os elementos probatórios suficientes à formação da convicção, houve por bem em indeferir sua realização. Diante desta negativa de produzir a prova requerida, o recorrente então arguiu a nulidade da decisão de primeira instância pelo fato de a perícia por ela solicitada haver sido denegada pela autoridade a quo, ocasionando cerceamento de direito de defesa. Ocorre que o deferimento de perícia solicitada pela contribuinte é ato discricionário da autoridade julgadora que poderá indeferila por considerála desnecessária ou prescindível, já que no processo constam todos os elementos necessários para a formação da sua livre convicção de julgador, conforme o artigo 18 do PAF, a seguir transcrito: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferido as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). Assim sendo, não pode ser declarada a nulidade da decisão recorrida, eis que a decisão recorrida fundamentou o indeferimento na prescindibilidade da prova solicitada. E, nesse sentido, já adentrando no requerimento de produção de prova pericial (contábil) ou de conversão do julgamento em diligência, do mesmo modo e pelos mesmos fundamentos adotados pela decisão recorrida, igualmente se entende não seja o caso de renovar a instrução probatória nesses autos, eis que os elementos aqui já colacionados, e que são incontroversos quanto a fatos, já permitem a formação da convicção do julgamento Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13603.907142/201113 Acórdão n.º 3001000.050 S3C0T1 Fl. 679 11 em torno das matérias de direito que dos fatos decorrem, pelo que igualmente se indefere tais requerimentos, na certeza que ao assim agir inexiste violação de qualquer direito constitucionalmente assegurado, pois, na espécie não há qualquer questão fática (técnico contábil) que mereça ser dirimida por diligência, mesmo porque aquela que eventualmente poderia suscitar dúvida para este julgador já foi objetivamente elucidada pela instância a quo, ao exarar, em 02.10.2013, o Despacho 52. Rejeito, portanto, o pedido de diligência para a realização de perícia contábil. Do Mérito Do direito e reconhecimento do crédito de IPI imunidade fiscal; Do Ato Declaratório Interpretativo 5 de 2006; e Da impossibilidade/ilegalidade de segregação de produtos imunes e produtos tributados Em síntese, sustenta a recorrente ser improcedente a glosa dos créditos de IPI, referentes aos insumos utilizados na fabricação de produtos imunes. Entende que a imunidade se acha inserida nas situações contempladas com o aproveitamento de crédito acumulado do IPI. Argumenta que o princípio da não cumulatividade impõe a necessidade de manutenção do crédito de IPI na hipótese de operação de saída imune, até para que a própria imunidade não perca a sua finalidade, também, desonerativa. Portanto, conclui que tem direito ao aproveitamento do crédito de IPI oriundos da aquisição de MP, PI e ME, utilizados na industrialização de produtos imunes, razão pela qual requer seja dado provimento ao recurso, para reconhecer seu direito de apurar e aproveitar os créditos de IPI em questão. Neste sentido, aduz que a segregação efetuada pela fiscalização e acatada pelo acórdão recorrido não é legal e nem está correta, vez que afasta o direito creditório que faz jus, em relação ao IPI dos insumos utilizados na industrialização de produtos imunes. Entendeu a autoridade fiscal pela necessidade de estorno de créditos de IPI calculados sobre insumos aplicados na industrialização de produtos com saídas não tributadas (“NT”), em conformidade com o artigo 193 do RIPI/2002 (art. 25, § 3º da Lei 4.502 de 30.11.1964, art. 2º do Decretolei 34 de 18.11.1966, com alteração pelo art. 12 a Lei 7.798 de 10.07.1989, e art. 11 da Lei 9.779 de 19.01.1999). O artigo 193 do Decreto 4.544 de 26.12.2002 dispõe que "Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I relativo a MP, PI e ME, que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados". Ademais, a questão é tratada pela Súmula CARF 20, que dispõe nos seguintes termos: Súmula CARF nº 20. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Como visto antes, a recorrente argumenta que em virtude de os produtos por ela confeccionados não serem “nãotributados”, mas imunes, em decorrência da imunidade objetiva contida na alínea "d" do inciso VI do artigo 150 da Constituição de 1988, referente à Fl. 684DF CARF MF 12 imunidade de livros, jornais, periódicos e do papel destinado à sua impressão, seria possível à manutenção dos referidos créditos. De fato, ao disciplinar o creditamento em relação a insumos utilizados na produção, o artigo 11 da Lei 9.799 de 1999 garantiu o direito a crédito para saídas de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, nada dispondo, no entanto, a respeito da imunidade: Lei 9.779/1999 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. A Instrução Normativa SRF 33 de 04.03.1999, por seu turno, tratou expressamente da possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos a serem aplicados na industrialização de produtos, "(...) inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero" a partir de 1º de janeiro de 1999. Observese que a Receita Federal do Brasil, quase dez anos depois da edição das normas acima transcritas, publicou o Ato Declaratório Interpretativo 6/2008, esclarecendo que o artigo 11 da Lei 9.779 de 1999 não se aplica aos produtos: (i) com a notação “NT” na TIPI, e (ii) aparados por imunidade. Aponta, ainda, o preceptivo, para a exceção: aqueles produtos abrangidos por imunidade técnica, i.e., destinados à exportação, o que não poderia ser diferente, pois a legislação do IPI sempre concedeu, na qualidade de créditos incentivados, o direito dos exportadores de produtos tributados, desonerados do imposto pela imunidade prevista no inciso IV do parágrafo 3º do artigo 153 da CF de 1988, de se creditar do IPI pago na aquisição dos insumos empregados na fabricação dos produtos exportados e, no caso do montante de tais créditos excederem os débitos do imposto, possibilitar o ressarcimento de tal incentivo. Por este motivo, em 18.04.2006, foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo SRF 5/2006, que dispôs no seguinte sentido: Ato Declaratório Interpretativo SRF 5/2006 Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Fl. 685DF CARF MF Processo nº 13603.907142/201113 Acórdão n.º 3001000.050 S3C0T1 Fl. 680 13 Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Não se trata o presente caso, de processo de fabricação de produto com imunidade técnica, destinado à exportação, e muito menos de IPI incidente sobre saída de produto imune, mas, como se esclareceu acima, da possibilidade de creditamento na escrita fiscal sobre insumo destinado a produto imune, o que remete à necessidade de se interpretar e aplicar o artigo 11 da Lei 9.779 de 1999. No sentido de uma aplicação não extensiva da norma em apreço, o quanto decidido no Recurso Especial 1.015.855/SP, de relatoria do Ministro José Delgado, publicado em 30.04.2008: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3º, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA. 1. A impetrante/recorrente, pessoa jurídica de direito privado, tem por objeto social a fabricação e comercialização de calçados e suas partes, peças e componentes, assim como de artigos de vestuário em geral e a prestação de serviços industriais nos dois ramos. Impetrou mandado de segurança com vistas ao aproveitamento (pedido de compensação com tributos de espécies distintas administrados pela Secretaria da Receita Federal, com atualização monetária e juros) do valor pago, a título de IPI, na aquisição de matériasprimas, insumos e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos finais isentos, sujeitos à alíquota zero, nãotributados ou imunes. Fl. 686DF CARF MF 14 2. O apelo não merece ser conhecido em relação à alegação de violação dos arts. 165, I, 168, I, 156, VII, e 150, §§ 1º e 2º, do CTN, pois não estão prequestionados, não tendo sido debatidos nem recebido juízo decisório pelo Tribunal a quo, situação que atrai a incidência da Súmula 282/STF. 3. O aresto recorrido entendeu que não se extrai da hipótese legal (art. 11 da Lei 9.779/99) o direito ao creditamento quando o produto final for imune ou nãotributado, mas apenas quando isento ou tributado à alíquota zero. Ao final, concluiu pelo não provimento da apelação da contribuinte. 4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de nãotributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. 5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional, exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, II). No campo tributário significa que nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei (art. 150, I, CF/88 e 97 do CTN). É o princípio da legalidade estrita. Igual pensamento pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como no presente caso. Não estando inscrito na regra beneficiadora que na saída dos produtos nãotributados ou imunes podem ser aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. 6. O direito tributário, dado o seu caráter excepcional, porque consiste em ingerência no patrimônio do contribuinte, não pode ter seu campo de aplicação estendido, pois todo o processo de interpretação e integração da norma tem seus limites fixados pela legalidade. 7. A interpretação extensiva não pode ser empregada porquanto destinase a permitir a aplicação de uma norma a circunstâncias, fatos e situações que não estão previstos, por entender que a lei teria dito menos do que gostaria. A hipótese dos autos, quanto à pretensão relativa ao aproveitamento de créditos de IPI em relação a produtos finais nãotributados ou imunes, está fora do alcance expresso da lei regedora, não se podendo concluir que o legislador a tenha querido contemplar. 8. A questão relativa à ofensa ao art. 49 do CTN, referente ao direito de aproveitamento integral dos créditos de IPI, conforme defendido pela empresa, não fica dissociada do exame do princípio da nãocumulatividade (art. 153, IV, § 3º da CF/88), impedindo o seu exame nesta via excepcional. 9. Considerando o pedido do mandamus e o teor do art. 11 da Lei 9.779/99, temse a possibilidade de se reconhecer o direito da contribuinte ao aproveitamento de créditos de IPI gerados a partir da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. Observandose a data da impetração (08/01/2004) e a prescrição quinquenal (aplicação do Decreto Fl. 687DF CARF MF Processo nº 13603.907142/201113 Acórdão n.º 3001000.050 S3C0T1 Fl. 681 15 20.910/32), poderão ser aproveitados os créditos adquiridos desde a data de 08/01/1999. 10. Os posicionamentos do STJ e do STF alinhamse no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. É reconhecida somente quando o aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco, o que se verifica no caso dos autos. Deve ser determinada, portanto, a incidência da Taxa Selic, que engloba atualização monetária e juros, sobre os créditos da recorrente que não puderam ser aproveitados oportunamente. 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para reconhecer, tãosomente, o direito da contribuinte à utilização dos créditos de IPI adquiridos entre 08/01/1999 e 08/01/2004 em razão da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. (grifei). Assim, a nãocumulatividade do IPI deve ser interpretada de maneira a açambarcar o inciso II do parágrafo 3º da Constituição da República, o artigo 49 do Código Tributário Nacional ecoado pelo artigo 81 do RIPI aprovado pelo Decreto 87.981 de 23.12.1982, e cujo artigo 103 trata especificamente do método e o uso do creditamento deste imposto, o que evidencia a existência de toda uma legislação própria para o IPI, que cuida do tratamento a ser dispensado aos créditos desse tributo escriturados pelo contribuinte em seus livros fiscais, no que concerne à sua apuração, aproveitamento e utilização. Não é outra a interpretação do Acórdão 3401003.313, proferido na sessão de 25.01.2017, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, no qual se decidiu, em votação unânime de seus membros, no sentido da ementa abaixo transcrita: Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado. No mesmo sentido, a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, em conformidade com o Acórdão CSRF 9303004.581, proferido na sessão de 24.01.2008, de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 688DF CARF MF 16 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. A possibilidade de manutenção e utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos de IPI incidente nas aquisições de insumos destinados à industrialização de produtos, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, não se estende às pessoas jurídicas não contribuintes do imposto, produtoras de mercadorias classificadas como não tributadas NT. (Súmula CARF nº 20) Assim, não procedem os argumentos trazidos no recurso voluntário, neste particular. Da ilegalidade/inconstitucionalidade de leis e atos normativos Entende o recorrente que a declaração de invalidade de um ato administrativo ilegítimo ou ilegal, pode ser feita tanto pela própria Administração Pública, quanto pelo Poder Judiciário; afirma que em obediência aos princípios da legalidade, da moralidade e da probidade administrativa cabe à Administração Pública invalidar ou anular seus próprios atos, inclusive se utilizando de seu poder de autotutela. Por fim, espera que os textos doutrinários e decisões judiciais citadas ou colacionadas na manifestação de inconformidade sirvam subsídios para a decisão administrativa. Sem delongas, a teor do disposto no artigo 26A do Decreto 70.235 de 06.03.1972, recepcionado pela ordem constitucional vigente com força de lei, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos relacionados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou Fl. 689DF CARF MF Processo nº 13603.907142/201113 Acórdão n.º 3001000.050 S3C0T1 Fl. 682 17 c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. No mesmo sentido é o artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Desse modo, não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de normativos legais, mediante afastamento de sua aplicação, mesmo que existam doutrinas e/ou julgados que respaldem a tese esposada na peça recursal, ainda mais quando se constata que tais decisões não se enquadram nos termos prescritos no inciso I do parágrafo 6º, antes reproduzidos. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 690DF CARF MF 18 Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem as conclusões contidas no despacho decisório sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Ademais, toda essa argumentação retórica a que recorreu o contribuinte, no sentido de que ao julgador administrativo compete envidar interpretação constitucional ao dispositivo impugnado, deixa evidente que seu intuito é ver afastada a aplicação das normas que regulam o ressarcimento do IPI com base no fundamento de que elas estão em desconformidade com a Carta da República, o que é expressamente vedado ao julgador administrativo de segunda instância não somente pelo artigo 26A do Decreto 70.235 de 1972, mas também pela Súmula CARF 2 e por força do RICARF. Da improcedência da glosa do crédito de IPI sobre insumos utilizados na prestação de serviços O recorrente, argumentando que para executar os serviços discriminados notas fiscais de saída, emitidas exclusivamente para documentar a prestação dos referidos serviços, creditouse do IPI referente à aquisição de insumos empregados na prestação de serviços nelas discriminados, que foram realizados sob encomenda de terceiros. Alega que o produto gráfico pode ser faturado através de nota fiscal de venda ou de serviço, importando apenas, para definir qual o tipo de documentário fiscal a ser utilizado, sua finalidade. Ou seja, se é para acobertar a saída de produtos destinados à comercialização pelo encomendante, circunstância em que incide o ICMS, ou se é para saída de produtos para uso e consumo do encomendante, ocasião em que incide o ISS; sustenta este entendimento pois concluiu que para obter o produto gráfico final, em ambas as situações, a gráfica se utiliza da mesma matéria prima, material de embalagem e produto intermediário, o que justifica o aproveitamento do crédito do IPI incidente, na entrada destes insumos. Como é cediço que o direito aos créditos básicos tem origem constitucional diante do princípio da não cumulatividade, entretanto, esse direito não é irrestrito como quer fazer crer o recorrente, sendo perfeitamente possível sua limitação e regulamentação por leis infraconstitucionais para a sua utilização, tal como ocorre com vários outros direitos e garantias previstos no texto Constitucional. Os créditos do IPI são escriturados pelo beneficiário, à vista do documento que lhes confere legitimidade e o direito à sua utilização está subordinado ao cumprimento das condições para cada caso e das exigências previstas para sua escrituração, estabelecidas no regulamento. Em síntese, afirma o recorrente que a glosa efetuada sobre a prestação de serviços não procede, por estar em desacordo com a legislação vigente à época, bem como com a Solução de Consulta SRRF/6ªRF/DISIT 50 de 31.03.2003; pelo que requer o direito de aproveitamento dos créditos de IPI, referentes aos insumos utilizados na prestação de serviços (industrialização por encomenda). No tocante à referida solução de consulta, assiste razão o acórdão recorrido quando salienta que incorre em erro o pretendente, quando faz uso da consulta para tentar resolver dúvidas que não estão de acordo com a situação das glosas tratadas nos presentes autos. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 13603.907142/201113 Acórdão n.º 3001000.050 S3C0T1 Fl. 683 19 Em face da clareza e didática dos argumentos tecidos pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, utilizados para justificar a manutenção das glosas fiscais acerca do tema ora em debate, peço licença para reproduzilos, em prestígio à objetividade. Pretendeu o contribuinte na consulta resolver dúvidas que não estão de acordo com a situação de glosa tratada nos autos. Entendeuse como tal e dirigiu a consulta como se realizasse industrialização por encomenda. O RIPI trata dessa matéria, porém a industrialização por encomenda tem conceituação diversa da simples encomenda feita por usuários finais, como é o caso de realização de encomendas de serviços gráficos personalizados. Na industrialização por encomenda de que trata o RIPI (art. 9º, inc. IV) há a equiparação do encomendande dos produtos porque se realizará a industrialização em outro estabelecimento que não o seu. No entanto, a caracterização da industrialização é completa: mandase fabricar o produto, com a remessa de insumos, moldes e matrizes. O encomendante posteriormente o revenderá ou o utilizará no seu processo produtivo como um estabelecimento industrial faz, com todas as características, direitos e obrigações de um estabelecimento industrial. No caso concreto, o “encomendante” é o utilizador dos serviços personalizados encomendados ao prestador de serviços. Não existe a figura nem do industrial (o executor da encomenda), nem do equiparado a industrial (o encomendante). Entretanto, diante de notas fiscais de saída, exclusivamente de prestação de serviços, o contribuinte, sob a justificativa que para executar os serviços ali discriminados, comprava matérias primas e produtos intermediários, pretende que sejam acatados créditos de IPI. Justifica o creditamento pelo fato de que a execução dos serviços exigia a aquisição de insumos e ainda que os realizava sob encomenda. Assim, o IPI incidente sobre esses insumos eram passíveis de escrituração e, conseqüentemente, de compor o saldo credor trimestral. Desse modo, não havia razão legal para a glosa realizada pela fiscalização. Ademais, tinha ao seu lado a Solução de Consulta nº 50, de 2002. As questões respondidas ao contribuinte na Solução de Consulta, excetuandose a parte relativa aos produtos imunes, não estão em desacordo com a posição oficial da Receita Federal. A uma, porque, na industrialização por encomenda, é possível o creditamento do IPI, embora no caso concreto não esteja assente esta condição. Não se trata de caso de industrialização por encomenda. A duas, pois que se entende ser possível exigir concomitantemente o ISSQN e o IPI, bastando, para tanto, que a atividade desempenhada possa ser definida como de industrialização, conforme preceitos do Regulamento do IPI. Nesse sentido, há a Solução de Consulta Interna nº 4, de 07/04/2003, em cuja ementa se dispõe: Incidência do IPI sobre serviços gráficos. É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços Fl. 692DF CARF MF 20 estarem catalogados na lista anexa ao Decretolei nº 406, de 31 de dezembro de 1968, ou que foram ou venham a ser posteriormente incluídos, desde que se caracterize a operação como de industrialização dentre as modalidades descritas no art. 4º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI). A incidência do ISS não exclui a do IPI. Entretanto, em nenhum momento se previu na Solução de Consulta nº 50 ou na Solução de Consulta Interna nº 4 que notas fiscais de prestação de serviços correspondiam às notas fiscais de saída utilizadas por contribuintes do IPI, tais quais as discriminadas no Regulamento do IPI, como documentos ensejadores de direitos no tocante ao IPI, a exemplo do aproveitamento de créditos (as notas fiscais estão descritas nos arts. 323 a 365 do RIPI/2002). De modo diverso, na solução de consulta nº 50 ficou claro que o aproveitamento de créditos deveria ser realizado em conformidade com as normas expedidas pela SRF. Certamente, não só pela observação das normas expedidas pela SRF, mas por toda a legislação do IPI, que engloba as leis, os regulamentos, as instruções normativas, etc. Possuir direito demanda, antes de tudo, possuir obrigações, entre elas, a obediência a todas as determinações legais concernentes ao IPI: emissão de notas fiscais compatíveis com o destaque do tributo, escrituração do RAIPI, etc. Além disso, não se deduz do fato de pagar ISSQN o pagamento obrigatório do IPI. Um não exclui o outro, mas não são necessariamente conseqüentes. Podese pagar ISSQN sem pagar o IPI. Aquele que apenas cumpre obrigações relativas ao ISSQN, como a emissão pura e simples de notas fiscais de prestação de serviços, caso típico do manifestante, é devedor do ISSQN, porém não é contribuinte do IPI e não se comporta como tal. Portanto, não faz jus a créditos do imposto nessas operações de prestação de serviços. Assim, por adotar como razão de decidir, uma vez que compartilho com os fundamentos acima reproduzidos, concluo que não procedem os argumentos trazidos no recurso voluntário, igualmente neste particular. Da Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 693DF CARF MF Processo nº 13603.907142/201113 Acórdão n.º 3001000.050 S3C0T1 Fl. 684 21 Fl. 694DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.720113/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008
DECADÊNCIA. APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF.
Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543-C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), a contagem do prazo decadencial deve ser feita na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos de constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%.
Restando configurado um dos elementos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I, do artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996 deverá ser duplicado.
PREMIAÇÃO REALIZADA POR EMPRESA INTERPOSTA. EXPERT CARD BPN.
Caracterizado que a autuada pagava, por meio de empresa interposta que realizava a distribuição dos denominados Expert Card BPN, valores a beneficiários não identificados e sem causa comprovada, revela-se correta a autuação fundamentada com fulcro no artigo 674 do Decreto nº 3.000/99 (RIR).
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
Constatada a ocorrência das hipóteses legais, a elaboração de RFFP constitui obrigação funcional do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e corresponde ao relato da constatação da ocorrência, em tese, de prática que constitua ilícito penal, apurada no curso da auditoria fiscal, não se tratando de formal acusação, o que, aliás, nem mesmo é de sua competência. Constitui mera comunicação dos fatos, das circunstâncias, dos documentos e demais elementos que possam subsidiar a eventual proposição de ação penal, devendo ser oportunamente encaminhada à Autoridade Pública, que, a seu juízo, tomará as providências tendentes à apuração dos fatos ou formalização da acusação penal.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento.
Numero da decisão: 2401-005.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento. Por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos a relatora e os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os juros sobre a multa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008 DECADÊNCIA. APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543-C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), a contagem do prazo decadencial deve ser feita na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos de constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. Restando configurado um dos elementos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I, do artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996 deverá ser duplicado. PREMIAÇÃO REALIZADA POR EMPRESA INTERPOSTA. EXPERT CARD BPN. Caracterizado que a autuada pagava, por meio de empresa interposta que realizava a distribuição dos denominados Expert Card BPN, valores a beneficiários não identificados e sem causa comprovada, revela-se correta a autuação fundamentada com fulcro no artigo 674 do Decreto nº 3.000/99 (RIR). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Constatada a ocorrência das hipóteses legais, a elaboração de RFFP constitui obrigação funcional do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e corresponde ao relato da constatação da ocorrência, em tese, de prática que constitua ilícito penal, apurada no curso da auditoria fiscal, não se tratando de formal acusação, o que, aliás, nem mesmo é de sua competência. Constitui mera comunicação dos fatos, das circunstâncias, dos documentos e demais elementos que possam subsidiar a eventual proposição de ação penal, devendo ser oportunamente encaminhada à Autoridade Pública, que, a seu juízo, tomará as providências tendentes à apuração dos fatos ou formalização da acusação penal. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento.
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APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), a contagem do prazo decadencial deve ser feita na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos de constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. Restando configurado um dos elementos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I, do artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996 deverá ser duplicado. PREMIAÇÃO REALIZADA POR EMPRESA INTERPOSTA. “EXPERT CARD BPN”. Caracterizado que a autuada pagava, por meio de empresa interposta que realizava a distribuição dos denominados “Expert Card BPN”, valores a beneficiários não identificados e sem causa comprovada, revelase correta a autuação fundamentada com fulcro no artigo 674 do Decreto nº 3.000/99 (RIR). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Constatada a ocorrência das hipóteses legais, a elaboração de RFFP constitui obrigação funcional do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 01 13 /2 01 2- 85 Fl. 2500DF CARF MF 2 corresponde ao relato da constatação da ocorrência, em tese, de prática que constitua ilícito penal, apurada no curso da auditoria fiscal, não se tratando de formal acusação, o que, aliás, nem mesmo é de sua competência. Constitui mera comunicação dos fatos, das circunstâncias, dos documentos e demais elementos que possam subsidiar a eventual proposição de ação penal, devendo ser oportunamente encaminhada à Autoridade Pública, que, a seu juízo, tomará as providências tendentes à apuração dos fatos ou formalização da acusação penal. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento. Por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos a relatora e os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os juros sobre a multa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2501DF CARF MF Processo nº 10803.720113/201285 Acórdão n.º 2401005.109 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3/4, relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, fatos geradores ocorridos entre 06/01/2006 e 21/05/2008, que apurou o crédito tributário no montante de R$ 9.860.903,12 (nove milhões oitocentos e sessenta mil, novecentos e três reais e doze centavos), sendo R$ 3.212,587,49 de imposto, R$ 1.829.433,96 de juros de mora (calculados até 11/2012) e R$ 4.818.881,67 de multa proporcional. Conforme consta da Descrição dos Fatos (fls. 5), “valores pagos à Expertise Comunicação Total S/C Ltda, apurados com base em notas fiscais e registros contábeis, conforme Termo de Verificação e Anexo I, contratualmente destinados à aquisição de cartões que deveriam ser utilizados a pagamentos de prêmios a beneficiários que deveriam ser indicados pelo contribuinte, sem comprovação da causa dos pagamentos e sem identificação dos beneficiários. Valores contabilizados como despesas com prêmios/pin/brindes em 2006, brindes em 2007 e serviços de terceiros pessoa jurídica em 2008.” No Termo de Verificação (fls. 36/39), a Autoridade Lançadora descreve os fatos relevantes verificados no decorrer da ação fiscal, o procedimento de apuração dos valores pagos a beneficiários não identificados e sem a comprovação da causa, caracterizados como fatos geradores do Imposto de Renda, e a respectiva motivação. Destacamse as seguintes informações: (i). O sujeito passivo, após realizada intimação para apresentação de livros, informações e documentos, apresentou contrato social e alteração contratual, contrato de prestação de serviços e notas fiscais de Expertise Comunicação Total Ltda., balanço patrimonial de 2011, extrato de contas do Livro Razão e declaração de que os valores pagos à empresa Expertise não foram considerados como remuneração. (ii). Discorre que, embora tenha o contribuinte, inicialmente, deixado de apresentar o Livro Razão do ano 2006, bem como os documentos que deram origem aos lançamentos contábeis, tendo em vista o prazo decadencial, após intimação específica para apresentação da contabilização dos pagamentos efetuados à empresa Expertise, foram apresentados à fiscalização o Livro Diário de 2006 e Notas explicativas das Demonstrações Contábeis de 31/12/2007. (iii). Destaca o teor do contrato número 4854 firmado entre a autuada e a prestadora de serviços Expertise Comunicação Total Ltda., tendo por objeto a “prestação de serviços de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação, mediante a utilização do cartão eletrônico denominado Expert Card BPN”, no qual foi estabelecido que a contratada se obriga a “fornecer os cartões Expert Card BPN aos beneficiários indicados pela contratante”, segundo as informações fornecidas pela própria contratante quanto aos nomes e qualificação dos premiados, bem como quanto ao valor Fl. 2502DF CARF MF 4 individual dos prêmios. Referido contrato especifica, ainda, que a definição dos critérios de premiação e do valor dos prêmios a serem distribuídos são de exclusiva responsabilidade da contratante. (iv). Ressalta que, nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda., encontramse discriminados os seguintes serviços: (a) “Expert Card BPN/Exchange Card Campanha de incentivo” (cujos valores foram discriminados como “não tributados ISS”) e (b) “Comissão agência...” (cujos valores foram discriminados como “tributados ISS”). A partir das informações constantes das notas fiscais, a Autoridade Fiscal concluiu que estas importâncias destinavamse, respectivamente, à aquisição de cartões carregados com valores a serem entregues a beneficiários indicados pela contratante e a remuneração pelos serviços prestados pela contratada. (v). O sujeito passivo comprovou o pagamento do valor total das notas fiscais da empresa contratada (Expertise Comunicação Total S/C Ltda.), levando tais valores ao resultado do exercício com o registro contábil em contas de despesas com prêmios/pin/brindes em 2006, brindes em 2007 e serviços de terceiros pessoa jurídica em 2008, sem identificar os beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos cartões denominados “Expert Card BPN/Exchange Card”. (vi). Por não terem sido identificados nos registros contábeis os beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos cartões, bem como por não ter justificado, documentalmente, a efetiva prestação dos serviços e a causa, conclui a Autoridade Fiscal que tais valores, devidamente reajustados, estão sujeitos à incidência do Imposto sobre a Renda na Fonte na forma do art. 674, e §§, do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR), conforme datas e importâncias relacionadas no Anexo I. (vii). Com o procedimento contábil adotado, o contribuinte fez ocultar a causa e os beneficiários destes pagamentos, caracterizando, segundo a Autoridade Lançadora, hipótese de incidência da multa prevista no inciso II do art. 957 do Decreto nº 3.000/99 (RIR). Caracterizando o exposto, em tese, crime contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/90), foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais. Integra, ainda, o presente processo o Auto de Infração – Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 3/35) contendo a descrição dos fatos e o enquadramento legal; a relação de fatos geradores; o demonstrativo de apuração do tributo, da multa (150%), dos juros de mora e respectiva fundamentação legal. Cientificada do lançamento em 30/11/2012 (A.R fl. 1.430), a Interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 1.432/1.461), alegando, em síntese: (i) considerando que a impugnante foi notificada do lançamento tributário em 30/11/2012, sustenta que está extinto o direito da Fazenda em efetuar o lançamento do imposto referente às competências 01/2006 a 12/2006 quer pela aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN, quer pela aplicação do prazo previsto no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. No mesmo sentido, sabendose que o imposto de renda, inclusive na fonte, é constituído originariamente por meio do lançamento por homologação, afirma estar também extinto, em face da decadência, o direito da Fazenda em efetuar o lançamento do imposto referente às competências 01/2007 a 11/2007 pela aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN; (ii) Discorda da sistemática de cálculo adotada pela Fiscalização ao corrigir a base de cálculo do imposto, apurado a partir das Notas Fiscais, sustentando que o valor do Fl. 2503DF CARF MF Processo nº 10803.720113/201285 Acórdão n.º 2401005.109 S2C4T1 Fl. 4 5 imposto devido (35%), a aplicação da taxa SELIC, bem como a aplicação da multa, devem recair sobre o valor original. Apresenta planilhas comparativas dos cálculos que entende corretos e dos cálculos realizados na autuação. Alega que esta correção é indevida vez que, sobre o valor original, já é aplicada a Taxa SELIC, a qual abrange juros e índice de correção monetária. Reforça seus argumentos afirmando que a aplicação da Taxa SELIC acrescida de Correção vem sendo vedada por nossos tribunais. Conclui que os valores exigidos são ilíquidos e incertos, devendo, também por este motivo, ser julgado improcedente o Auto de Infração; (iii) Sustenta serem distorcidas as conclusões efetivadas pela Fiscalização ao acusar, em tese, a impugnante de prática de crime contra a Ordem Tributária. A utilização de pagamento de prêmios através de Cartão de Crédito era prática que vinha sendo adotada por várias empresas privadas e de economia mista (paraestatais), uma vez que se gratifica o funcionário que atinge as metas estabelecidas através de plano de premiação. Alega que a Administração Pública vem, de um determinado período para cá, entendendo que os valores creditados, seja a que título for, inclusive através de prêmios, deverá ser considerado na base de cálculo das contribuições previdenciárias e, por reflexo, ao Imposto de Renda Retido na Fonte. Sustenta que, mesmo se fosse possível concluir que os valores pagos tinham natureza salarial, a responsabilidade da impugnante já estaria extinta em face do disposto no art. 722 do Regulamento do Imposto de Renda. De acordo com este dispositivo legal, a responsabilidade da fonte pagadora se estende até o momento em que surge para o beneficiário a obrigação de fazer o ajuste do imposto de renda, na sua declaração anual. Após esse fato, incabível a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento deverá, se for o caso, ser direcionado ao contribuinte beneficiário do rendimento. Cita os itens 12 a 14 do Parecer Normativo SRF nº 1, de 24/09/2002. (iv) defende ser inaplicável o art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda ao caso dos autos, vez que não estão presentes, cumulativamente, as três circunstâncias necessárias para a incidência desse dispositivo legal: ser beneficiário não identificado; ser pagamento sem causa; ser operação não comprovada. Afirma que pelos documentos colacionados aos autos que os recursos financeiros foram destinados à empresa Expertise Comunicação Total Ltda. para a implantação de campanha de incentivo profissional, fato este reconhecido pela fiscalização, não sendo desconhecido o destinatário dos recursos. De outra banda, informa que a própria fiscalização alega que os recursos entregues à empresa Expertise tinham como destino os empregados da Impugnante, o que evidencia uma contradição com a afirmação de que os beneficiários não restaram identificados. Afirma não ter sido intimado a apresentar a relação de beneficiários dos valores repassados à empresa Expertise, o que invalidaria a presunção realizada pela fiscalização. Se entendido que as informações dos autos não eram suficientes para identificar os beneficiários poderia complementar suas diligências mediante análise dos livros de registro de empregados da Impugnante ou, no mínimo, requerer a relação dos beneficiários. Fl. 2504DF CARF MF 6 (v) Afirma que entregou todos os documentos solicitados pela fiscalização. No entanto, em momento algum foram solicitados à impugnante cópia da relação dos beneficiários das quantias creditadas. Sustenta que esse procedimento acarretou numa anomalia, um lançamento misto de aferição real e arbitrado, que só ocorreu porque os Senhores Agentes não solicitaram a relação dos beneficiários dos créditos, pois, se o tivessem pedido, seriam prontamente atendidos. Para demonstrar sua boafé, a impugnante junta relação de todos os beneficiários e os valores creditados a título de prêmio. Ressalta que tal discriminação não constava da GFIP e folha de salários por não se tratar de salário, mas sim, de prêmio. Acrescenta que vantagem alguma teve com o pagamento realizado por meio deste sistema, pois ao não fazer a retenção do Imposto sobre a Renda, não obteve qualquer vantagem ou redução de custos, uma vez que tais valores são abatidos dos beneficiários do crédito e não da impugnante; (vi) Alega que a apuração dos tributos sobre o valor total das Notas Fiscais, desconsiderando os pagamentos feitos à pessoa jurídica Expertise à título de comissão, constitui mais um fato que caracteriza a total inconsistência dos Autos de Infração. (vii) Requer, em homenagem ao princípio da Verdade Material e da Moralidade, a reelaboração do presente Auto de Infração, individualizando os valores creditados aos funcionários e, se couber, aplicar a retenção do IR. (viii) Com o intuito de demonstrar que não tem nada a esconder e que as presunções levantadas pelos Senhores Agentes Fiscais não podem prevalecer, a impugnante anexa a relação da Notas Fiscais conjuntamente com todos os beneficiários dos creditamentos. Destaca que os valores creditados, em sua maioria esmagadora, são isentos da retenção do Imposto sobre a Renda, uma vez que não ultrapassavam a quantia de R$ 100,00. (ix) Discorda da acusação de que teria cometido crime contra a Ordem Tributária ou de Sonegação Fiscal. Justificase afirmando que em momento algum realizou qualquer tipo de retenção a título de Imposto sobre a Renda, efetuou pagamento de comissão à empresa Expertise (6% sobre as transferências), inexistindo assim qualquer benefício à impugnante. Não havendo vantagem e nem demonstrado qualquer ilícito, descabe a multa penal de 150%, devendo ser aplicada, no máximo, multa moratória de 20%. Ainda, afirma ser abusiva a aplicação da multa no percentual de 150%, o que torna impraticável qualquer vontade de adimplemento de eventual obrigação por parte do contribuinte, em face de sua confiscatoriedade. A multa penal de 150%, no montante de R$ 4.818.881,12, supera a quantia de 5 vezes o faturamento mensal da Impugnante à época dos fatos, ferindo os princípios constitucionais do não confisco e da razoabilidade. (x) Afirma que a acusação, contra o contribuinte, de cometimento de crime contra a ordem tributária, caracterizaram o cometimento, pelos Senhores Agentes Fiscais, em tese, de crime de excesso de exação, capitulado no Código Penal Brasileiro no § 1º do art. 316. Entretanto, se a acusação infundada exacerbar os limites da Administração Pública, deflagrando ação penal contra o contribuinte, estarseia diante de outra espécie de crime, denominado de denunciação caluniosa (art. 339 do Código Penal). Assim, requer, caso seja levado a cabo o procedimento penal contra a impugnante, que seja, no mesmo procedimento, em face do princípio da imparcialidade, investigada a eventual ocorrência do crime de excesso de exação e denunciação caluniosa, em Fl. 2505DF CARF MF Processo nº 10803.720113/201285 Acórdão n.º 2401005.109 S2C4T1 Fl. 5 7 tese, praticado pelos Auditores Fiscais subscritores do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal. Ao final, afirmando não ter realizado nenhum tipo de ilícito requer: (a) o reconhecimento da prescrição e da decadência do período 01/2006 a 12/2006 e (b) do período 01/2007 a 11/2007; (c) seja reconhecida a ilegalidade da cobrança de juros e da Taxa Selic de forma concomitante; (d) seja reconhecida a inexistência de dolo, fraude ou simulação por parte da impugnante; (e) seja reconhecida a ilegalidade da forma de constituição dos autos de infração, uma vez que não foi solicitada a individualização dos beneficiários dos créditos; (f) seja reconhecida a inaplicabilidade da multa de 150% em face não ter agido a Impugnante de máfé, bem como por ter caráter confiscatório; (g) seja informado no procedimento penal a ser enviado a ocorrência, em tese, do cometimento, por parte dos Senhores Agentes Fiscais, dos crimes prescritos nos artigos 316 e 339, ambos do Código Penal Brasileiro. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1646.692 da 13ª Turma da DRJ/SP1, às fls. 2.404/2.429, julgando procedente em parte a impugnação apresentada, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Recordese: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008 INCOMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS PARA JULGAR INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. EFEITO DE CONFISCO. Não cabe, em sede administrativa, o reconhecimento de ilegalidade ou inconstitucionalidade. O julgador da esfera administrativa está obrigado à observância da legislação tributária vigente no País, cabendo, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade. A vedação ao confisco e o respeito à capacidade contributiva determinados pela Constituição Federal são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A Representação Fiscal para Fins Penais será formalizada pelo AuditorFiscal sempre que, no exercício de suas atribuições, identificar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária (arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90), em obediência ao disposto no art. 1º do Decreto nº 2.730/98. DECADÊNCIA. Nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, por expressa ressalva legal plasmada no § 4º do art. 150 do CTN, a Fl. 2506DF CARF MF 8 regra para contagem do prazo decadencial será aquela estabelecida pelo art. 173, inciso I. No caso de lançamento de ofício referente a Imposto de Renda retido exclusivamente na fonte, na forma prevista no art. 61 da Lei nº 8.981/95, considerase ocorrido o fato gerador no dia do pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Consequentemente, o prazo decadencial para que a Administração Tributária proceda ao lançamento, considerando a regra do art. 173, inciso I, do CTN, se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao que ocorreu o referido pagamento. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. A imposição da multa qualificada mostrase justificada quando demonstrados suficientes indícios da ação dolosa do contribuinte, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008 FONTE PAGADORA. PREMIAÇÃO REALIZADA POR EMPRESA INTERPOSTA. “EXPERT CARD BPN”. Caracterizado que a autuada pagava, por meio de empresa interposta que realizava a distribuição dos denominados “Expert Card BPN”, valores a beneficiários não identificados e sem causa comprovada, aquela se reveste da condição de fonte pagadora dos rendimentos. A interposição de empresa na relação jurídica como mera intermediária para a realização dos pagamentos não descaracteriza as relações tributárias existentes entre o beneficiário (contribuinte) e a fonte pagadora (responsável tributário). IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA COMPROVADA. RETENÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. Constatado o pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa comprovada, será apurado o Imposto de Renda incidente exclusivamente na fonte, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/95, cuja responsabilidade pela retenção e recolhimento é da fonte pagadora, não mais se lhe aplicando as disposições referentes ao regime de antecipação previstas no Parecer Normativo CST nº 01/2002. IRRF. BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA COMPROVADA. BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. Sujeitase à incidência do imposto de renda retido na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado ou recurso entregue Fl. 2507DF CARF MF Processo nº 10803.720113/201285 Acórdão n.º 2401005.109 S2C4T1 Fl. 6 9 a terceiros, contabilizados ou não, quando não forem identificados os beneficiários ou sua causa. O rendimento pago é considerado líquido, cabendo o reajustamento da base de cálculo para fins de incidência do imposto. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Recorreu de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado excede a R$ 1.000.000,00 (um milhão de Reais). Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 2.453/2.484, resumidamente, com as seguintes argumentações: (i) Da inexistência de dolo ou máfé por parte da contribuinte recorrente – defende que em momento algum obteve qualquer tipo de vantagem ao realizar o pagamento dos prêmios aos seus funcionários através da empresa intermediária, muito pelo contrário, pois além de realizar o pagamento dos prêmios em sua integralidade, ou seja, sem reter qualquer valor à título de Imposto sobre a Renda ou qualquer outra rubrica pagou a empresa intermediária a comissão pela campanha dos prêmios; Inexistindo qualquer vantagem para a Recorrente ou terceiro, a presunção legal e a alegação de cometimento de ilícito é totalmente infundada, seno certo que só por isso, já seria o suficiente para anularse integralmente o Auto de Infração objeto do presente recurso. (ii) Decadência do período de 2007 – em face da inexistência de qualquer vantagem e, portanto, qualquer tipo de dolo, devese contar o prazo decadencial da ocorrência do fato gerador previsto no artigo 150, parágrafo 4º do CTN e não do primeiro dia do exercício subseqüente àquele em que poderia ter ocorrido o lançamento, nos termos do inciso I, do artigo 173, do mesmo diploma legal. Assim, encontramse atingidos pela decadência os débitos apurados entre os meses de janeiro a novembro de 2007; (iii) Da inexistência de qualquer tipo de retenção dos valores pagos, em quase sua totalidade, por estarem isentos do pagamento do imposto sobre a renda – informa que apresentou a lista de todos os funcionários beneficiados pelos prêmios, sendo certo que em quase a sua totalidade, os valores não atingiam o mínimo legal para a retenção do Imposto sobre a Renda, assim, vantagem alguma obteve a Recorrente e nem os terceiros beneficiados pelo pagamento; Demais disso, a Recorrente reprisa os mesmos argumentos lançados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 2508DF CARF MF 10 Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 16/08/2013 conforme Aviso de Recebimento acostado à fl. 2.452, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 12/09/2013, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. Do Recurso de Ofício Da análise dos autos, verificase que a decisão recorrida excluiu os valores incluídos no presente lançamento referentes a pagamentos efetuados no período 01/01/2006 a 31/12/2006, uma vez que considerou que os referidos lançamentos encontravamse decadentes na data em que a autuada foi cientificada (30/11/2012). Para tanto, a Turma julgadora primeva concluiu que, “ao contrário do que pretende a impugnante, uma vez constatados pagamentos a beneficiários não identificados (ação tendente a ocultar os fatos geradores do imposto), que remete à aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/95, não há que se falar em lançamento por homologação, mas sim de lançamento de ofício previsto no art. 149, do Código Tributário Nacional, ao qual se aplica o prazo decadencial determinado pelo art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal.” Considerando o acima exposto, e por tudo o que dos autos consta, não vislumbro reparo a fazer na parte da decisão a quo. Acrescento que, no dia 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça julgou o Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil (CPC/1973) e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fl. 2509DF CARF MF Processo nº 10803.720113/201285 Acórdão n.º 2401005.109 S2C4T1 Fl. 7 11 Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, 1ª Seção, REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, , julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Portanto, sempre que o contribuinte efetuar o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorrido 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do artigo 150, § 4º, do CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para se constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos moldes do artigo 173, I, do CTN. Fl. 2510DF CARF MF 12 Por ter sido sob a sistemática do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil, a decisão do Colendo Superior Tribunal de Justiça acima deve ser observada por este CARF, nos termos do artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso presente, conforme bem pontuado pela primeira instância administrativa, constam “indícios da ocorrência de intuito fraudatório cometido pelo contribuinte quando adotou a prática deliberada de efetuar pagamentos de premiação, por meio de cartões intitulados Expert Card BPN, a beneficiários que restaram não identificados no decorrer da ação fiscal, utilizandose de pessoa jurídica interposta, ocultando, assim, os reais beneficiários dos pagamentos e a ocorrência dos fatos gerados do Imposto de Renda”, de modo a ensejar a aplicação do contido no artigo 173, I, do CTN, razão pela qual não merece reparo a decisão recorrida. Por conseguinte, as conclusões do colegiado de primeira instância nesse ponto devem ser confirmadas em grau de revisão recursal. Acolho os próprios fundamentos da decisão de piso como razões de decidir. 3. Do Recurso Voluntário 3.1. Da decadência referente aos meses de janeiro a novembro de 2017 A Recorrente sustenta que em face da inexistência de qualquer vantagem e, portanto, qualquer tipo de dolo, devese contar o prazo decadencial da ocorrência do fato gerador previsto no artigo 150, parágrafo 4º do CTN e não do primeiro dia do exercício subsequente àquele em que poderia ter ocorrido o lançamento, nos termos do inciso I, do artigo 173, do mesmo diploma legal. Com essas considerações, entende que encontramse atingidos pela decadência os débitos apurados entre os meses de janeiro a novembro de 2007. Entretanto, em que pese o esforço da Recorrente, a matéria em questão encontrase prejudicada em razão do entendimento firmado quando da análise do Recurso de Ofício acima referido. Logo, restam inalterados os valores lançados no período 01/01/2007 a 30/11/2007. 3.2. Da multa qualificada A Recorrente se opõe a multa qualificada pelo Fisco. Entende que caso dos autos não há qualquer prova demonstrando as alegações fáticas pontuadas pela fiscalização. Fl. 2511DF CARF MF Processo nº 10803.720113/201285 Acórdão n.º 2401005.109 S2C4T1 Fl. 8 13 A aplicação da multa de ofício tem regulação prevista na Lei 9.430/96, conforme art. 44. O inciso II deste dispositivo, com a redação alterada pela Lei 11.488 de 15/06/2007, transcrito a seguir, assim determina sobre a aplicação da multa de ofício: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 7l e 72. Devemos então verificar se os fatos anteriormente narrados, que detalham a conduta da autuada, se encaixa em alguma das definições de evidente intuito de fraude, que estão estampadas nos artigos 71, 72 e 73, acima transcritos. Em caso positivo, de se aplicar a multa qualificada. Ou seja, não cabe aqui avaliar de forma subjetiva se a conduta foi claramente ou evidentemente uma fraude ou não. A avaliação deve ser objetiva, verificando se a conduta se encaixa ou não em algum dos dispositivos citados. E a nova redação do dispositivo deu fim a toda essa discussão. Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a conduta acima descrita nas definições Fl. 2512DF CARF MF 14 contidas na Lei nº 4.502/64, já transcrita. A sonegação, conforme citado artigo, apresenta as seguintes exigências: • Uma ação ou omissão; e • Que esta ação ou omissão seja dolosa; e • Que ela impeça ou retarde o conhecimento pelo Fisco: • da ocorrência do fato gerador; ou • da natureza do fato gerador; ou • das circunstâncias materiais do fato gerador. Já a fraude caracterizase por: • Uma ações ou omissão; e • Que esta ação ou omissão seja dolosa; e • Que ela impeça ou retarde a ocorrência do fato gerador, de forma a reduzir o montante do tributo devido; ou • Que ela exclua ou modifique as características essenciais do fato gerador, de forma a reduzir o montante do tributo devido. Incorrendo o contribuinte em uma das duas situações acima, de se aplicar a multa qualificada. No caso em exame, as condutas relatadas no Termo de Verificação Fiscal no tocante à contratação, pela autuada, da empresa Expertise Comunicações S/C Ltda com a finalidade única de intermediar o pagamento de premiação, por meio de cartões denominados “Expert Card BPN”, a beneficiários que a própria autuada deixou de identificar, deixando também de esclarecer suas causas, representam elementos suficientes para se concluir que o contribuinte adotou práticas que subsumemse ao quanto reclamado pelo art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/96, respeitadas os respectivos períodos de vigência, combinado com o art. 72 da Lei nº 4.502/64, vez que, com os procedimentos adotados, pretendeu impedir a ocorrência dos fatos geradores. A propósito, cumpre destacar o trecho da decisão recorrida que enfrentou essa matéria: 15.3.3. A partir das circunstâncias relatadas pela Autoridade Fiscal, é possível distinguirse dois atos jurídicos distintos: as prestações de serviço avençadas entre a impugnante e a Expertise (fato aparente) e os pagamentos realizados a beneficiários não identificados (fato encoberto), tendo como resultado a produção de economia tributária ilícita e intencional por intermédio da prática de ato jurídico divergente da realidade dos fatos, com a distorção de seus elementos de modo a evitar a respectiva subsunção à norma tributária. Exsurge do tratado que a razão verdadeira da contratação da prestação de serviços em apreço foi a ocultação ou camuflagem da ocorrência do Fl. 2513DF CARF MF Processo nº 10803.720113/201285 Acórdão n.º 2401005.109 S2C4T1 Fl. 9 15 fato jurígeno referente aos pagamentos sem causa realizados pela defendente aos beneficiários que deixou de identificar. 15.3.4. Acrescentase que os discriminativos de pagamentos realizados à empresa Expertise integrantes do processo administrativo demonstram que os fatos em debate representavam operações corriqueiras para a autuada, prática adotada reiteradamente por todo o transcorrer do ano de 2007 e nos meses de janeiro a maio de 2008, revelando, assim, o intuito de modificar as características dos fatos geradores do IRRF ora analisados. 15.4. Nessa linha de raciocínio, abstraise dos fatos narrados pela Autoridade Fiscal que restou evidenciado, ao menos, indícios da ocorrência de intuito fraudatório do contribuinte quando adotou a prática deliberada de utilizarse de empresa interposta para efetuar pagamentos, cuja causa não restou comprovada, a beneficiários não identificados. 15.4.1. Dito de outra forma, a imposição da multa qualificada aplicável ao caso mostrase justificada quando demonstrados suficientes indícios da ação dolosa, intenção ilícita do contribuinte, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. (grifei) Com as considerações supra, não há como acolher as alegações da empresa Recorrente, afastandose, assim, a argumentação de “inexistência de dolo, fraude ou simulação”. Diante do exposto, portanto, deve ser declarada procedente a aplicação da multa qualificada de 150% prevista no artigo 44, inciso I e §1°, da Lei n.° 9.430/1996. 3.3. Da aplicabilidade do artigo 674 do Decreto nº 3.000/1999 (R.I.R) A Recorrente sustenta ser inaplicável ao caso dos autos o disposto no artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Sustenta que é pressuposto para a incidência desse dispositivo legal a comprovação cumulativa pelo Fisco das seguintes circunstâncias: (a) ser beneficiário não identificado; (b) ser pagamento sem causa; e (c) ser operação não comprovada. Porém, afirma que nenhuma dessas circunstâncias se encontram na espécie. Afirma que é possível verificarse pelos documentos juntados aos autos que os recursos financeiros foram destinados à empresa Expertise Comunicação Total Ltda. para a implementação da campanha de incentivo profissional. Nesse sentido, sustenta que não há como se alegar que o destinatário dos recursos seja desconhecido. Todavia, ao contrário do que sustenta a Recorrente, os pagamentos não foram destinados à contratada Expertise Comunicação Total S/C Ltda., mas sim aos beneficiários Fl. 2514DF CARF MF 16 estipulados no contrato de prestação de serviços por meio de creditamento de recursos em cartão de premiação (Expert Card BPN). Dessa forma, a contratada seria mera intermediária do pagamento, não sendo a beneficiária dos recursos, fato este comprovado pelo teor do próprio contrato de prestação de serviços (fls. 89/93 – cláusula 1ª, alínea b): QUADRO RESUMO: 02 – OBJETO DO CONTRATO: Prestação de serviços de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação, mediante a utilização do cartão eletrônico denominado Expert Card BPN. 03 – PREÇO DOS SERVIÇOS: 06.00% (zero seis ponto zero zero por cento) do valor total da premiação distribuída. (...) 1. Pelo presente instrumento particular, EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA, ..., obrigase a prestar à CONTRATANTE, qualificada no item 01 do quadroresumo, os serviços especificados no item 02 do mesmo quadro, que compreendem: a) a implantação e condução do programa de gerenciamento de premiação, segundo critérios definidos pela CONTRATANTE; b) a disponibilização do uso do cartão Expert Card BPN para pagamento e recebimento da premiação, com créditos pré definidos a serem fornecidos pela CONTRATANTE para os indicados como recebedores dos prêmios, a título de incentivo profissional e como meio de publicidade interna da CONTRATANTE. (...) 5. São obrigações da CONTRATADA: a) fornecer os cartões Expert Card BPN aos beneficiários indicados pela contratante; b) disponibilizar os créditos nos cartões dos premiados no prazo máximo de 03 (três) dias úteis após seu pagamento pela CONTRATANTE, serão deduzidos dos referidos créditos os montantes devidos a título de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF); c) emitir a nota fiscal de prestação de serviços no valor correspondente ao total da premiação, acrescido do preço dos serviços prestados, estabelecido no item 03 do quadro resumo; d) guardar absoluto sigilo e confidencialidade quanto às informações decorrentes deste contrato. 6. Se, por qualquer motivo, o prêmio, embora pago pela CONTRATANTE, não for distribuído aos beneficiários, a CONTRATADA se obriga a restituílo, no prazo máximo de 07 (sete) dias, sob pena do pagamento de multa moratória de 2% (dois por cento) e juros de 1% (um por cento) ao mês ou fração. Fl. 2515DF CARF MF Processo nº 10803.720113/201285 Acórdão n.º 2401005.109 S2C4T1 Fl. 10 17 7. São obrigações da CONTRATANTE: a) creditar à CONTRATADA, no prazo de 03 (três) dias úteis antes da data prevista para distribuição do prêmio, o valor total deste, acrescido do preço dos serviços, mediante depósito na conta corrente da CONTRATADA; b) fornecer a relação contendo os nomes e qualificação dos premiados, contendo os dados necessários para a distribuição dos prêmios, bem como o valor deste e a data definida para seu pagamento, sob sua exclusiva responsabilidade, com antecedência mínima de 03 (três) dias úteis da data prevista para pagamento da premiação; c) utilizar o sistema Expert Card BPN exclusivamente para distribuição de prêmios de incentivo, sendo vedada a sua utilização para o pagamento de qualquer outra rubrica de natureza diversa; (...) 10. É de exclusiva responsabilidade da CONTRATANTE a definição dos critérios de premiação e do valor dos prêmios a serem distribuídos, não respondendo, a CONTRATADA, por nenhum desvio de finalidade do presente contrato. 11. O objeto deste contrato não visa proporcionar nenhuma espécie de vantagem fiscal, trabalhista ou previdenciária ao CONTRATANTE ou a terceiro participante do programa de marketing de relacionamento, e não implica vínculo empregatício entre a CONTRATADA e a CONTRATANTE ou entre uma das partes e os funcionários da outra, ficando a cargo de cada uma delas a responsabilidade referente aos encargos sociais, tributários, previdenciários e trabalhistas de seus respectivos funcionários. Corrobora essa conclusão o disposto na cláusula 6ª do citado contrato que prevê, expressamente, que se o prêmio pago pela contratante não fosse distribuído aos beneficiários, a contratada estaria obrigada a restituílo à contratante, sob pena de pagamento de multa e juros. Assim, apurado pagamento a beneficiário não identificado ou pagamento sem efetiva comprovação da operação ou sua causa, a autuação foi corretamente fundamentada pela Autoridade Fiscal no art. 674 e §§ do Decreto nº 3.000/99 (RIR). Concluise, portanto, que restou demonstrado que a autuada é a verdadeira fonte pagadora das premiações destinadas a beneficiários que não restaram identificados, sendo, com isso, responsável tributária pelo pagamento do Imposto de Renda retido exclusivamente na fonte incidente. 3.4. Dos documentos apresentados na impugnação Fl. 2516DF CARF MF 18 No quanto interessa ao item proposto, a Autuada assim discorre em seu recurso: “Demonstrando que a Recorrente não tem nada a esconder e que as presunções levantadas pelos Senhores Agentes Fiscais não poderiam prevalecer, anexou à Impugnação não só as relações das Notas Fiscais, mas também, a relação dos beneficiários dos creditamentos (vide anexo I, anexo a Impugnação)” Destaca que os valores creditados, em sua maioria esmagadora, são isentos da retenção do Imposto sobre a Renda, uma vez que os mesmos variavam de R$ 1,50 à R$ 1.500,00 em média, sendo certo que a maioria dos créditos não ultrapassavam a quantia de R$ 100,00. Em seguida, afirma que os julgadores da 13ª Turma da DRJ/SP1 não agiram com o devido acerto, “pois disseram que a relação anexada nada prova”. Esclarece que além de anexar as notas fiscais, anexou o contrato da campanha e a relação dos beneficiários, demonstrando o elemento casual e a destinação dos recursos. E questiona: “O que mais queriam os julgadores de primeiro grau? Talvez uma declaração de próprio punho dos beneficiários?” Por fim afirma que “tal atitude só se justifica pela parcialidade dos Senhores Julgadores de primeiro grau (...)”. Sobre a matéria, a DRJ de origem assim se pronunciou: “13. Sustenta a responsável tributária que os documentos anexados à Impugnação, consubstanciados em discriminativos dos supostos beneficiários dos pagamentos destinados à distribuição de prêmios pagos por intermédio da empresa Expertise, teriam o condão de esclarecer as dúvidas que motivaram o lançamento em análise com sustentação no art. 674 do RIR (presunção). Por conseguinte, tais documentos justificariam a aplicação do disposto no art. 722 do RIR: Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 103). Parágrafo único. No caso deste artigo, quando se tratar de imposto devido como antecipação e a fonte pagadora comprovar que o beneficiário já incluiu o rendimento em sua declaração, aplicarseá a penalidade prevista no art. 957, além dos juros de mora pelo atraso, calculados sobre o valor do imposto que deveria ter sido retido, sem obrigatoriedade do recolhimento deste. 13.1. No entanto, a análise dos documentos anexados à Impugnação não permitem essa conclusão. 13.2. Inicialmente, cumpre esclarecer que as listas de supostos beneficiários contém, exclusivamente, a identificação de empregados da autuada que desempenhavam função de operadores de telemarketing (informações estas obtidas a partir das declarações efetuadas pela empresa em GFIP). Como já discorrido acima, sabendo Fl. 2517DF CARF MF Processo nº 10803.720113/201285 Acórdão n.º 2401005.109 S2C4T1 Fl. 11 19 se que todo e qualquer pagamento realizado pela empresa aos seus empregados, independente de integrar a sua remuneração para fins de apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias, deveria estar relacionado nas respectivas folhas de pagamento, a não inclusão desses valores nos referidos documentos impede a correta identificação dos empregados que, de fato, receberam a premiação. 13.2.1. Ainda, não apresentou a autuada qualquer outro documento que pudesse comprovar que efetivamente realizou uma distribuição de valores aos empregados relacionados nas listas anexas à Impugnação, consistindo essa informação em mera alegação realizada pelo contribuinte que não restou devidamente comprovada. 13.3. Acrescentase ao exposto que, mesmo se considerados como identificados os beneficiários por meio das relações apresentadas, há que se ressaltar que em nenhum momento a autuada justificou a causa dos pagamentos individuais. Não há qualquer demonstrativo de que a premiação individual e específica não foi gratuita, vale dizer, não há comprovação de que forma esses empregados teriam contribuído para os resultados da interessada, bem como inexiste especificação dos critérios empregados na premiação. 13.3.1. A falta de demonstração precisa dos critérios e motivos que justificaram a distribuição de prêmios acarreta na caracterização da infração de pagamento sem causa, fruto de uma mera liberalidade por parte da autuada. Reforcese, não há sequer evidências da utilização dos cartões em benefício das atividades do interessado, quer seja como incentivo à produção, quer como promoção de seus produtos. 13.3.2. Ademais, a utilização de empresa interposta não poderia ser invocada pela impugnante como alegação de que os pagamentos teriam sido perfeitamente identificados, vez que pagos diretamente à empresa Expertise. Sabendose que esta empresa revertia esses pagamentos para os funcionários da defendente, fato este confirmado na própria Impugnação, caberia a esta última identificar a quais de seus funcionários foram concedidos os prêmios individuais, demonstrando ainda os critérios de apuração do quantum (causa), informação esta que, por força do próprio contrato celebrado com a empresa Expertise, estava sob o controle da autuada.” Com efeito, a irresignação não tem o condão de modificar o julgado em favor da Recorrente. Analisando os documentos juntados (fls. 1.572/2.390), não há como identificar que a Recorrente efetivamente realizou uma distribuição de valores aos empregados relacionados nas listas anexas à Impugnação. E como bem pontuado pelo voto condutor do julgado recorrido, “sabendose que todo e qualquer pagamento realizado pela empresa aos seus empregados, independente de integrar a sua remuneração para fins de apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias, deveria estar relacionado nas respectivas folhas Fl. 2518DF CARF MF 20 de pagamento, a não inclusão desses valores nos referidos documentos impede a correta identificação dos empregados que, de fato, receberam a premiação”. Assim, mantenho incólume o respeitável decisório também quanto a esse ponto. 3.5. Do juros de mora sobre a multa de ofício A Recorrente requer seja excluída a incidência de juros sobre a multa de ofício, haja vista esta penalidade não retratar obrigação principal, mas mero encargo que se agrega ao valor da dívida como forma de punir o contribuinte. Além disso, a incidência dos juros sobre a multa carece de disposição legal. Relativamente à matéria, entendo assistir razão à Recorrente. Isso porque o artigo 61 da Lei nº 9.430 não prevê a incidência de juros sobre multa de ofício, mas apenas a da multa de mora sobre o débito decorrente de tributos e contribuição. A respeito do tema, cumpre transcrever trecho do voto vencido no Acórdão 920201.806, da lavra do Conselheiro Gustavo Lian Haddaad, exarado pela 2ª Turma CSRF, ao qual me filio e peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir: “Assim, no mérito, a discussão no presente recurso está limitada à incidência dos juros moratórios equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC sobre a multa de oficio. Tal discussão já foi examinada pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em diversas oportunidades, sendo que três posições/entendimentos restaram assentados sobre o tema, quais sejam: de que é possível a incidência de juros sobre a multa de oficio a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SEL1C; de que é possível a incidência de juros sobre a multa de oficio a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados à razão de I% ao mês; e de que não é possível a incidência de juros sobre a multa de oficio. Tanto a primeira quanto a segunda tese admitem a incidência dos juros sobre a multa de oficio por entenderem que o artigo 161 do Código Tributário Nacional assim autoriza, divergindo, no entanto, sobre a possibilidade desses juros serem calculados pela SELIC (Lei n°9.430/1996) ou à razão de 1% ao mês nos termos do enunciado do §10 do Código Tributário Nacional — CIN (1% ao mês). Data máxima vênia, entendo que nenhuma das duas posições é a que mais se coaduna com o ordenamento vigente (não em suas disposições isolados, mas em seu conjunto). Sobre a incidência de juros de mora o citado artigo 161 do CTN determina: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da Fl. 2519DF CARF MF Processo nº 10803.720113/201285 Acórdão n.º 2401005.109 S2C4T1 Fl. 12 21 imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito." O dispositivo acima referido autoriza a incidência de juros sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento". "Crédito", por sua vez, é definido no artigo 139 do CTN, que assim dispõe: "Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta." Obrigação tributária, por fim, vem definida no art. 113,verbis: "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2° A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária." A questão a ser enfrentada é a possibilidade dos juros de mora incidirem sobre a multa de oficio, aplicada pela autoridade fiscal proporcionalmente ao tributo lançado, considerando a expressão "penalidade pecuniária" incluída no parágrafo 1" art. 113. A meu ver a expressão "penalidade pecuniária" ali referida é a penalidade decorrente da inobservância de determinada obrigação acessória (de fazer ou não fazer), que se converte em obrigação principal nos termos do parágrafo 3' do mesmo artigo 113. Tal expressão jamais poderia ser interpretada como a penalidade pecuniária exigida em conjunto com o tributo não pago, até porque ficaria desprovida de sentido no contexto do dispositivo. Se a penalidade (no caso a multa do oficio) já estivesse incluída na expressão "crédito" sobre o qual incidem os juros de mora nos termos do artigo 161 do mesmo CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante no referido dispositivo no sentido de que o crédito deve ser exigido "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis". Outrossim, com base nessa mesma interpretação, poderiase inclusive, cogitar da possibilidade de incidência de penalidade (multa) sobre crédito Fl. 2520DF CARF MF 22 tributário que já englobasse tributo e multa, o que obviamente caracterizaria um non senso jurídico. Ademais, cumpre observar que o conceito de juros advém do direito privado e, conforme preceitua o artigo 110 do CTN, quando as categorias de direito privado estão apenas referidas na lei tributária deve o aplicador se socorrer do direito privado para compreendêlas. No âmbito do direito privado os juros existem para indenizar o credor pela inexecução da obrigação no prazo estipulado. Já a multa não serve para repor ou indenizar o capital alheio, mas para sancionar a inexecução da obrigação. Assim, se os juros remuneram o credor (no caso o Fisco) pela privação do uso de seu capital devem eles incidir somente sobre o que tributo não recolhido no vencimento, e não sobre a multa de oficio, que tem caráter punitivo. A vocação da multa, já suficiente severa, é punir o descumprimento, enquanto a dos juros é remunerar o capital não recebido pelo Estado. Dizer que a multa deve ser "corrigida" é ignorar que a legislação tributária brasileira extinguiu a correção monetária desde 1995, sendo preocupação freqüente das administrações tributárias que se seguiram evitar a indexação automática própria dos regimes inflacionários que foram extremamente prejudiciais à economia brasileira. Com base no raciocínio acima exposto, entendo que o C77V não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio aplicada proporcionalmente ao tributo, ficando prejudicada a discussão acerca do índice aplicável. Por outro lado e à guisa de argumentação, ainda que se entendesse que o CTN autoriza a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, mister se ftiz analisar a legislação ordinária em vigor no período em que a multa exigida foi aplicada. Nesse sentido, argumentase que a exigência de juros sobre a multa aplicada proporcionalmente estaria amparada no art. 61, §3° da Lei n. 9.430/1996, que assim estabelece: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Do exame do dispositivo resulta que os débitos a que se refere o § 3' são aqueles decorrentes de tributos e contribuições mencionados no caput. Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz Fl. 2521DF CARF MF Processo nº 10803.720113/201285 Acórdão n.º 2401005.109 S2C4T1 Fl. 13 23 nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei 1209.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas, não se confundindo nos termos do art. 3° do CTN. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, da violação do dever de pagar o tributo no prazo legal. Ao utilizar a expressão "os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" a Lei n° 9.430/96 somente pode estar aludindo a débitos não lançados, visto que está normatizando a incidência sobre estes da multa de mora, sendo ilógico entender que ali se contém a multa de oficio lançada proporcionalmente. Ademais, caso a expressão "débitos" constante do art. 61 contemplasse o principal e a multa de oficio, seria imperioso admitir que a multa de oficio, caso não paga no vencimento, sofreria também o acréscimo de multa de mora, tendo em vista que o caput do dispositivo expressamente dispõe que" os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculados a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso." Realmente, este seria o resultado da interpretação do parágrafo 3° do art. 61 de forma isolada, sem se atentar ao que determina o "caput". Seguindo este raciocínio terseia que admitir que também sobre os juros de mora, que se incluiriam nos débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições”, novamente pudessem ser exigidos juros e multa de mora, o que indica data venia a improcedência da interpretação. Assim, qualquer que seja a ótica sob a qual se interpretam os dispositivos literal, teleológica ou sistemática — entendo que a melhor exegese é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de oficio lançada, até porque referido artigo disciplina os acréscimos mora tórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. O parágrafo único do art. 43 do mesmo diploma legal Lei 9.430/1996 é absolutamente coerente com a interpretação do art. 61 desenvolvida acima e corrobora a conclusão. Prevê o referido dispositivo a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente, verbis: Fl. 2522DF CARF MF 24 "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora isolada ou conjuntamente. Parágrafo único — Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento". Ora, se a expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" constante no "caput" do artigo 61 contemplasse também a multa de oficio, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa de oficio lançada isoladamente nos termos do "caput" do artigo já decorreria diretamente do artigo 61. Em face das considerações acima, concluo que não há, seja em lei complementar (CTN) seja na legislação ordinária, interpretação possível a amparar conclusão diversa, merecendo ser excluída da exigência a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio lançada proporcionalmente. Os fundamentos acima também foram adotados pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos, no Acórdão n. 910100.722, de 08 de novembro de 2010, Relatora a Conselheira Karem Jurendini Dias, que concluiu pela não incidência de juros de mora sobre a multa de oficio (...) No presente caso, os paradigmas apresentados pela recorrente concluíram que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício, limitandoos entretanto ao patamar mensal de 1% ao mês. Embora o entendimento manifestado no presente voto resultaria em provimento do recurso voluntário em maior extensão (exclusão completa da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício), deve o resultado aterse ao limite da pretensão recursal ora examinada, devendo o recurso ser conhecido e provido nesta extensão.” Assim, em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal. 3.6. Da Representação Fiscal para Fins Penais Por fim, a Recorrente se insurge contra a emissão da Representação Fiscal para Fins Penais, requerendo seja informado no procedimento penal a ser enviado ao Ministério Público a ocorrência, em tese, do cometimento, por parte dos Agentes Fiscais, dos crimes prescritos nos artigos 316 e 339, ambos do Código Penal Brasileiro. Em que pese os argumentos trazidos, reputo correta a decisão administrativa de primeira instância. Com efeito, tratase de questão já sedimentada neste Conselho. A propósito, temos a Súmula CARF nº 28: Fl. 2523DF CARF MF Processo nº 10803.720113/201285 Acórdão n.º 2401005.109 S2C4T1 Fl. 14 25 Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Portanto, eventuais controvérsias sobre a Representação Fiscais para Fins Penais, não estão no âmbito da competência deste Conselho para análise. Assim, não vislumbro razões de reforma. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO dos Recursos de Ofício e Voluntário, para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 2524DF CARF MF 26 Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier – Redatora Designada JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Ao contrário do que entende o recorrente e a relatora, incide juros de mora sobre a multa de ofício. O CTN, no art. 161, dispõe que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A Lei 9.430/96, art. 61, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O conceito de crédito tributário abrange a multa de ofício, portanto, não efetuado o pagamento no prazo legal, incide juros de mora sobre o principal e a multa de ofício. No mesmo sentido, manifestouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no processo 10980.723322/201582, Acórdão 9202004.250, de 23/6/16, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Fl. 2525DF CARF MF Processo nº 10803.720113/201285 Acórdão n.º 2401005.109 S2C4T1 Fl. 15 27 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 2526DF CARF MF
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