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Numero do processo: 10850.908253/2011-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.185
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente GREEN STAR PEÇAS E VEÍCULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 82 53 /2 01 1- 37 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10850.908253/201137 Acórdão n.º 9303006.185 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3803006.739, que decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário por ausência de prova efetiva da existência do direito creditório pleiteado. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3801004.317 e 3801004.318. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.174, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 10850.900064/201205, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.174): Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10850.908253/201137 Acórdão n.º 9303006.185 CSRFT3 Fl. 4 3 "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte diz respeito à comprovação de seu direito creditório, e trouxe os seguintes acórdãos paradigmas, 3801004317 e 3801004318, que tratam em tese da mesma matéria, diferindo a solução. Pelas ementas não se pode reconhecer a divergência, todavia, se examinar os votos dos paradigmas verseá a que não há identidade de (conjunto probatório) e diversidade das soluções. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10850.908253/201137 Acórdão n.º 9303006.185 CSRFT3 Fl. 5 4 Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos". Como se observa, a decisão recorrida, acompanhou o fundamento esposado pela DRJ de origem, no sentido de que: “A planilha contendo as receitas financeiras e a cópia de parte do balancete contendo tais receitas não permitiriam apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido, pois tais documentos permitem vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante”. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 3801004.317, analisou tão somente a questão de mérito, dando provimento ao Recurso por entender que a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Sem embargo, o Colegiado decidiu o direito creditório da contribuinte com fundamento no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Como se vê, o acórdão paradigma não trouxe outro fundamento com relação as provas, e não se verifica demonstrada semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "No mérito, entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10850.908253/201137 Acórdão n.º 9303006.185 CSRFT3 Fl. 6 5 faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal". No mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3801004.316, mesmo relator do acórdão, nº 3801004.317, deu provimento ao Recurso Voluntário,para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Como se observa, o acórdão paradigma nada tratou sobre provas, e não se comprova semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998". Como visto, contexto fático e jurisprudencial exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720041/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA.
Pode a fiscalização verificar documentos e analisar fatos ocorridos há mais de cinco anos para deles extrair a repercussão tributária de exercícios futuros. A vedação contida no Código Tributário Nacional impossibilita apenas o lançamento de crédito tributário relativo a período já fulminado pela decadência.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. INOCORRÊNCIA.
As antecipações feitas a título de estimativas não correspondem ao conceito de pagamento antecipado veiculado pelo CTN e, nesse sentido, não extinguem o crédito tributário, que sequer foi apurado, o que só ocorrerá ao final dos exercícios, pois os balanços ou balancetes de suspensão não caracterizam o momento de ocorrência do fato gerador dos tributos e, portanto, não representam o dies a quo para a contagem do prazo decadencial.
ÁGIO CONSTITUÍDO ENTRE PARTES RELACIONADAS, SEM FUNDAMENTO ECONÔMICO. GLOSA.
As operações entre partes relacionadas devem ser testadas sob o princípio do arm´s length, de tal sorte que os preços e as demais condições da aquisição sejam compatíveis com aqueles que seriam normalmente utilizados no mercado, a partir de princípios econômicos como a livre concorrência e a livre manifestação da vontade. A ausência de fundamento econômico na operação enseja a glosa dos valores artificialmente constituídos.
INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO.
Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera empresa veículo para transferência do ágio à incorporadora.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplica-se à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário.
VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA. DESPESA COM JUROS. OPERAÇÕES DESPROVIDAS DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DESNECESSIDADE.
Mantém-se a glosa de Variação Cambial Passiva e Despesas com Juros decorrentes de empréstimos para compra de ações no país e de passivo relativo a compra de ações, emitidas por controlada brasileira, de empresa controladora estrangeira, quando caracterizado que não houve tais operações, posto que as ações foram compradas pela controladora estrangeira, tendo a empresa intermediária brasileira servido apenas para registrar estes dispêndios, para imediata transferência.
TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A BITRIBUTAÇÃO. APLICABILIDADE À CSLL.
Aplica-se à CSLL o disposto nos tratados para evitar a bitributação, sendo de rigor cancelar a autuação do tributo quando fundada exclusivamente na tese de inaplicabilidade, questão que foi resolvida com o advento da Lei n. 13.202/2015.
NEGÓCIO JURÍDICO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE POR NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE.
Negócio jurídico realizado mediante interpretação literal, sem a observância das regras tributárias, é abusivo e não pode ser oponível ao Fisco, sujeitando o infrator à multa de ofício de 75%. Descabe a qualificação da multa quando não caracterizado dolo específico ou fraude nos procedimentos.
Numero da decisão: 1201-001.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, por qualidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a autuação relativa à CSLL no caso de país com tratado. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano, Luis Toselli, Rafael Gasparello e Gisele Bossa, que davam parcial provimento ao Recurso Voluntário, em maior extensão, para também afastar as autuações relativas ao ágio da Arcelor e à glosa das variações e dos juros cambiais passivos, mantendo as demais autuações. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. A Conselheira Gisele Bossa acompanhou o Relator, no que tange à CSLL, pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Pode a fiscalização verificar documentos e analisar fatos ocorridos há mais de cinco anos para deles extrair a repercussão tributária de exercícios futuros. A vedação contida no Código Tributário Nacional impossibilita apenas o lançamento de crédito tributário relativo a período já fulminado pela decadência. DECADÊNCIA. PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. INOCORRÊNCIA. As antecipações feitas a título de estimativas não correspondem ao conceito de pagamento antecipado veiculado pelo CTN e, nesse sentido, não extinguem o crédito tributário, que sequer foi apurado, o que só ocorrerá ao final dos exercícios, pois os balanços ou balancetes de suspensão não caracterizam o momento de ocorrência do fato gerador dos tributos e, portanto, não representam o dies a quo para a contagem do prazo decadencial. ÁGIO CONSTITUÍDO ENTRE PARTES RELACIONADAS, SEM FUNDAMENTO ECONÔMICO. GLOSA. As operações entre partes relacionadas devem ser testadas sob o princípio do arm´s length, de tal sorte que os preços e as demais condições da aquisição sejam compatíveis com aqueles que seriam normalmente utilizados no mercado, a partir de princípios econômicos como a livre concorrência e a livre manifestação da vontade. A ausência de fundamento econômico na operação enseja a glosa dos valores artificialmente constituídos. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera empresa veículo para transferência do ágio à incorporadora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplica-se à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário. VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA. DESPESA COM JUROS. OPERAÇÕES DESPROVIDAS DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DESNECESSIDADE. Mantém-se a glosa de Variação Cambial Passiva e Despesas com Juros decorrentes de empréstimos para compra de ações no país e de passivo relativo a compra de ações, emitidas por controlada brasileira, de empresa controladora estrangeira, quando caracterizado que não houve tais operações, posto que as ações foram compradas pela controladora estrangeira, tendo a empresa intermediária brasileira servido apenas para registrar estes dispêndios, para imediata transferência. TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A BITRIBUTAÇÃO. APLICABILIDADE À CSLL. Aplica-se à CSLL o disposto nos tratados para evitar a bitributação, sendo de rigor cancelar a autuação do tributo quando fundada exclusivamente na tese de inaplicabilidade, questão que foi resolvida com o advento da Lei n. 13.202/2015. NEGÓCIO JURÍDICO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE POR NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE. Negócio jurídico realizado mediante interpretação literal, sem a observância das regras tributárias, é abusivo e não pode ser oponível ao Fisco, sujeitando o infrator à multa de ofício de 75%. Descabe a qualificação da multa quando não caracterizado dolo específico ou fraude nos procedimentos.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Pode a fiscalização verificar documentos e analisar fatos ocorridos há mais de cinco anos para deles extrair a repercussão tributária de exercícios futuros. A vedação contida no Código Tributário Nacional impossibilita apenas o lançamento de crédito tributário relativo a período já fulminado pela decadência. DECADÊNCIA. PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. INOCORRÊNCIA. As antecipações feitas a título de estimativas não correspondem ao conceito de pagamento antecipado veiculado pelo CTN e, nesse sentido, não extinguem o crédito tributário, que sequer foi apurado, o que só ocorrerá ao final dos exercícios, pois os balanços ou balancetes de suspensão não caracterizam o momento de ocorrência do fato gerador dos tributos e, portanto, não representam o dies a quo para a contagem do prazo decadencial. ÁGIO CONSTITUÍDO ENTRE PARTES RELACIONADAS, SEM FUNDAMENTO ECONÔMICO. GLOSA. As operações entre partes relacionadas devem ser testadas sob o princípio do arm´s length, de tal sorte que os preços e as demais condições da aquisição sejam compatíveis com aqueles que seriam normalmente utilizados no mercado, a partir de princípios econômicos como a livre concorrência e a livre manifestação da vontade. A ausência de fundamento econômico na operação enseja a glosa dos valores artificialmente constituídos. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 41 /2 01 1- 51 Fl. 9976DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 3 2 Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera empresa veículo para transferência do ágio à incorporadora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicase à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário. VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA. DESPESA COM JUROS. OPERAÇÕES DESPROVIDAS DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DESNECESSIDADE. Mantémse a glosa de Variação Cambial Passiva e Despesas com Juros decorrentes de empréstimos para compra de ações no país e de passivo relativo a compra de ações, emitidas por controlada brasileira, de empresa controladora estrangeira, quando caracterizado que não houve tais operações, posto que as ações foram compradas pela controladora estrangeira, tendo a empresa intermediária brasileira servido apenas para registrar estes dispêndios, para imediata transferência. TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A BITRIBUTAÇÃO. APLICABILIDADE À CSLL. Aplicase à CSLL o disposto nos tratados para evitar a bitributação, sendo de rigor cancelar a autuação do tributo quando fundada exclusivamente na tese de inaplicabilidade, questão que foi resolvida com o advento da Lei n. 13.202/2015. NEGÓCIO JURÍDICO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE POR NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE. Negócio jurídico realizado mediante interpretação literal, sem a observância das regras tributárias, é abusivo e não pode ser oponível ao Fisco, sujeitando o infrator à multa de ofício de 75%. Descabe a qualificação da multa quando não caracterizado dolo específico ou fraude nos procedimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, por qualidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a autuação relativa à CSLL no caso de país com tratado. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano, Luis Toselli, Rafael Gasparello e Gisele Bossa, que davam parcial provimento ao Recurso Voluntário, em maior extensão, para também afastar as autuações relativas ao ágio da Arcelor e à glosa das variações e dos juros cambiais passivos, mantendo as demais autuações. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar Fl. 9977DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 4 3 provimento ao Recurso de Ofício. A Conselheira Gisele Bossa acompanhou o Relator, no que tange à CSLL, pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ e CSLL lavrados contra a empresa em epígrafe, relativos a glosa com despesas de ágio e outras infrações, nos anoscalendário de 2006 e 2007, no total original de R$ 1.285.319.078,26. Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte acima identificada foi autuada em 10 de dezembro de 2011 (fl. 2.012), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ e à CSLL, multa proporcional qualificada (150%) e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos nos dias 31 de dezembro dos anos 2006 e 2007. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação de Verificação Fiscal (fls. 1.931 a 2.011), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. amortizou indevidamente ágios gerados, parte intragrupo e parte no exterior com interposição de empresa veículo; 2.2. deduziu indevidamente variação cambial e juros repassados por empresa veículo que foi incorporada; e 2.3. deixou de oferecer à tributação lucros auferidos por duas empresas controladas no exterior, uma na Costa Rica e outra na Argentina, sendo que os lucros auferidos por esta última foram apenas lançados de ofício na base de cálculo da CSLL. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: Fl. 9978DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 5 4 3.1. IRPJ (fls. 1.906 a 1.919) com base nos artigos 25, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 16 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, 247, 249, 251, 299 e 394 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), 3º da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000 e 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, formalizando crédito tributário calculado até 30/11/2011 no montante de R$ 853.649.160,92; e 3.2. CSLL (fls. 1.924 a 1.928) com base nos artigos 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, formalizando crédito tributário, calculado até 30/11/2011, no montante de R$ 431.669.917,34. 4. Sobre os lucros auferidos no exterior que deixaram de ser oferecidos à tributação foi aplicada multa de ofício de 75% com base no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Sobre as demais infrações foi aplicada a multa de ofício qualificada (150%) cuja base legal é o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (fatos geradores até 21/01/2007), e o mesmo artigo 44, inciso I e § 1º da mesma Lei 9.430/1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 (fatos geradores a partir de 22/01/2007). O enquadramento legal dos juros de mora equivalentes à taxa Selic são os artigos 6º, § 2º, e 28 da Lei nº 9.430/1996 (fls. 1.915, 1.922 e 1.923). 5. Irresignada com os lançamentos, em 09 de janeiro de 2012, a autuada apresentou, representada por mandatários (fls. 2.119 e 2.122 a 2.142), a impugnação de fls. 2.016 a 2.119, instruída com os documentos de fls. 2.120 a 2.799, na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. a impugnação é tempestiva, pois, como foi cientificada dos lançamentos em 10 de dezembro de 2011 (sábado), o prazo legal de 30 dias (artigo 15 do Decreto nº 70.235/1972) para impugnar encerrouse em 10 de janeiro de 2012; 5.2. em 10 de dezembro de 2011, conforme regra de decadência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (artigo 150, § 4º, do CTN), como é o caso do IRPJ e da CSLL, e jurisprudência administrativa reproduzida, já estava decaído o direito de a Fazenda questionar o montante dos ágios decorrentes de aquisição e reestruturação da Mendes Júnior Siderurgia, atual impugnante, ocorridas entre 2003 e 2004; 5.3. na hipótese de não ser reconhecida a decadência, conforme exposto no subitem anterior, deve ser reconhecida, ainda nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, a decadência do direito à glosa das despesas de amortização incorridas entre janeiro e novembro de 2006, já que a impugnante, de acordo com a DIPJ Fl. 9979DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 6 5 referente a este anocalendário (fls. 2.147 a 2.158), optou pelo lucro real anual e pagou as estimativas com base em balanço de suspensão/redução (artigo 35 da Lei nº 8.981/1995), o que fez com que a apuração do IRPJ e da CSLL ocorresse mensalmente e não apenas em 31 de dezembro do anocalendário como acontece na apuração do lucro real anual com antecipações calculadas com base nas estimativas mensais, entendimento corroborado em julgados do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes; 5.4. para a adequada compreensão dos fatos que ensejaram a lavratura da presente autuação, passa a expor as operações que deram ensejo ao registro dos ágios glosados, já que a narrativa da autoridade fiscal contém distorções e imprecisões, possivelmente decorrentes de análise parcial dos negócios jurídicos praticados e de juízos de valor inadequados; 5.5. no contexto de gravíssima crise financeira sofrida pelo Grupo Mendes Junior a partir da década de 1990, devido ao não recebimento dos pagamentos relativos à construção da Companhia Hidrelétrica de São Francisco e a obras de infraestrutura no Iraque, que provocou a decretação de sua falência por diversas vezes, conforme reportagem de fls. 2.160 a 2.162, surgiu em 1995, para salvar a empresa e impedir a extinção de milhares de empregos, a proposta de arrendamento da usina de Juiz de Fora, detida pela Mendes Junior Siderurgia S/A (MJS), atual impugnante, à Cia. Siderúrgica BelgoMineira (CSBM); 5.6. assim, foram assinados dois contratos em 28 de junho de 1995: o primeiro previa o arrendamento da planta da Usina Mendes Junior ao Grupo Belgo (fls. 2.164 a 2.270) e o segundo previa a possibilidade de exercício de opção de compra das ações da Usina Mendes Junior pelo Grupo Belgo, que, caso exercesse esta opção, se comprometeu a equacionar as dívidas da sociedade, nos termos do parágrafo único da cláusula terceira (fls. 2.272 a 2.321); 5.7. para arrendar e operar a usina de Juiz de Fora, a Belgo constituiu a Belgo Mineira Participação, Indústria e Comércio S/A (BMP), que adquiriu papel relevante nas atividades do Grupo Belgo: um terço da produção total de aços longos e a construção de 23 centros de distribuição e depósitos; 5.8. devido à importância estratégica da planta de Juiz de Fora e à obrigação contratual de saneamento das dívidas da MJS na hipótese de exercício da opção de compra de suas ações, o grupo Belgo adquiriu, a partir de 1995, mais de R$ 6 bilhões em créditos vencidos contra a MJS com o objetivo de proteger as atividades desta planta e viabilizar sua potencial e futura aquisição (documento de fl. 2.323); 5.9. neste contexto, a aquisição dos ativos do Grupo Mendes Junior pelo Grupo Belgo envolveu duas etapas: a primeira com a aquisição de 99,02% da MJS (que passou a se denominar BMP Siderurgia S/A – BMPS) pela BMP, em março de 2003, mediante Fl. 9980DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 7 6 subscrição de novas ações no montante de R$ 49.973.126,00 e aquisição de ações no mercado secundário por R$ 235.810,17, perfazendo o custo total de R$ 50.208.936,17, registrado totalmente como ágio, já que o patrimônio líquido da MJS estava negativo em aproximadamente R$ 5,6 bilhões em 01 de março de 2003; 5.10. a segunda etapa ocorreu com a reestruturação da dívida de R$ 6 bilhões da antiga MJS (agora BMPS), com a aquisição pela BMP contra a BMPS destes créditos, que em parte foram utilizados para saldar as dívidas da BMPS com o Grupo Mendes Junior, sendo o restante, exceto alguns créditos, baixado contra a conta de sócios pela BMPS, conforme ata de 01/06/2003; 5.11. devido à segunda etapa, o custo de aquisição dos créditos baixados à conta de sócios pela BMPS foi agregado ao custo do investimento na BMPS registrado pela BMP e, já que o patrimônio líquido da BMPS estava negativo em aproximadamente R$ 5,6 bilhões nessa data, a totalidade do custo dos créditos foi registrada como ágio em investimentos nas demonstrações da BMP; 5.12. dentre os créditos que remanesceram no ativo da BMP contra a BMPS, verificavase saldo de R$ 1,4 bilhão, composto inclusive por contas a receber do BNDES contra a MJS (depois BMPS), garantido por hipoteca do imóvel da planta de Juiz de Fora; 5.13. segundo o laudo de avaliação elaborado pela empresa APSIS – Consultoria Empresarial para determinação da expectativa de rentabilidade futura da MJS, o saneamento financeiro da empresa foi necessário à obtenção de retorno do investimento realizado pelos acionistas, conforme trecho transcrito à fl. 30 do Termo de Verificação; 5.14. apesar de a BMP ter deixado de ter relevância operacional e estratégica, já que a BMPS passou a concentrar a produção de produtos para construção civil do Grupo Belgo, a BMP não poderia ser totalmente incorporada pela BMPS, já que era detentora de crédito gravado com a hipoteca de 3º grau da planta de Juiz de Fora, o que impedia o Banco do Brasil, detentor de hipotecas de 4º e 5º graus (fls. 2326 a 2412), ter prioridade na execução de suas hipotecas; 5.15. diante da situação descrita no subitem anterior, foram transferidos os ativos ligados à produção industrial, inclusive centros de distribuição, no total de R$ 158,682 milhões, pela BMP à BMPS, sendo capitalizados o “contas a receber” registrado pela BMP contra a BMPS, bem como outros créditos detidos pela BMP contra a BMPS e um imóvel, conforme Assembléia da BMPS de 01/06/2003 (fl. 209), que aprovou o aumento total de capital no valor de R$ 368.878.286,00 integralmente registrado como ágio em conta de investimento nas demonstrações financeiras da BMP, já que o patrimônio líquido da BMPS em 01/06/2003 continuava negativo; Fl. 9981DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 8 7 5.16. após, em 30/06/2003, conforme Assembléia da BMPS (fls. 229 a 233), no processo de concentração na BMPS das atividades voltadas à construção civil, a CSBM transferiu à BMPS todas as usinas minimill, mediante aumento de capital, sendo que, no mesmo ato, são também capitalizados créditos perfazendo o total de R$ 1.109.578.884,00 (R$ 714.583.894,53 destinados a formação do capital social e R$ 394.994.989,47 destinados à conta de reserva de capital, a título de ágio na subscrição – fl. 246); 5.17. com o objetivo de concentrar na BMP a totalidade da participação societária detida na BMPS, a participação societária detida pela CSBM na BMPS foi alienada à BMP, que, diante do fato de o patrimônio líquido da BMPS ser R$ 175.800.886,17 neste momento, fez com que o preço de aquisição de R$ 1.109.578.875,00 ter sido desdobrado entre valor de patrimônio líquido (R$ 127.342.582,00) e ágio (R$ 1.054.099.939,80 – item 3 de fl. 2.034); 5.18. em 01/01/2004, houve cisão parcial da BMP com a avaliação do acervo líquido a valor contábil pela BMPS (fls. 259 a 298), tendo a BMP somente sido extinta após o final de 2005, ocasião em que foi solucionada a pendência relacionada à já citada hipoteca; 5.19. as operações descritas nos subitens anteriores foram apresentadas como “Fatos Relevantes” divulgados ao mercado em 30/05/2003 e 30/06/2003, transcritos às fls. 2034 a 2036 da impugnação; 5.20. paralelamente às operações descritas acima, ocorreu a estruturação do Grupo Arcelor no Brasil (constituído das empresas CSBM, Cia Siderúrgica Tubarão – CST, Acesita S.A e Vega do Sul S.A), que é resultado da fusão em 2002 no exterior de três grupos econômicos: Usinor (França), Arbed (Luxemburgo) e Aceralia (Espanha); 5.21. a partir de então, têm início diversos estudos com o objetivo de otimizar e alavancar sinergias administrativas e operacionais entre as empresas agora pertencentes ao Grupo Arcelor que resultaram na decisão de simplificar a estrutura operacional e administrativa do Grupo, conforme consta do Fato Relevante divulgado ao mercado em 28/07/2005 (documento de fl. 2413 a 2425); 5.22. neste contexto é que foram realizadas a alteração da razão social da BMPS para Belgo Siderurgia S.A, a transferência das participações societárias detidas pelo Grupo Arcelor na CST e na Vega do Sul para a Belgo Siderurgia S.A, alteração da razão social da CSBM para Arcelor Brasil S.A e alteração da razão social da Belgo Siderurgia S.A para ArcelorMittal Brasil S.A, ora impugnante, já no contexto de formação do Grupo ArcelorMittal; 5.23. é infundada a afirmação da autoridade fiscal de que apenas montantes “pagos” em operações de compra e venda Fl. 9982DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 9 8 poderiam gerar o registro de ágio, pois a expressão “aquisição” contida no Decretolei nº 1.598/1977, base legal do artigo 385 do RIR/1999, não restringe sua aplicação à compra e venda (que é apenas uma dentre várias espécies de atos jurídicos que permitem “aquisição” de investimento) e não há controvérsia na doutrina e na jurisprudência de que aquisição consiste em qualquer forma traslativa de propriedade e domínio, sendo integralização de capital uma forma de transferir a propriedade; 5.24. “a conferência de bens em integralização de capital é uma forma de aquisição, e há o respectivo pagamento de preço, consistente na entrega de ações da empresa cujo capital foi integralizado e subscrito com ativos, no caso a Impugnante”; 5.25. desta forma, a subscritora BMP não apenas poderia, mas tinha o dever legal de desdobrar o custo de aquisição na Impugnante entre valor patrimonial e ágio, como determina o artigo 385 do RIR/1999, e entendem decisões do CARF que expressamente reconhecem que a subscrição de capital é forma de aquisição, sujeita ao desdobramento de ágio ou deságio; 5.26. o argumento da fiscalização, em relação à parcela do ágio gerada em razão de subscrição de capital, de que “o conceito de ágio como preço de aquisição não se confunde com o ágio pago na subscrição de ações” foi afastado pela 5ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes, conforme trecho do acórdão transcrito; 5.27. não só o primeiro aumento de capital, realizado quando a BMP não detinha qualquer participação acionária na MJS, mas também os ocorridos posteriormente, consistiram em aquisições aptas a gerar o registro de ágio, caso o custo de aquisição (valor do aumento de capital) supere o valor de patrimônio líquido da investida; 5.28. além disto, é inegável que a BMP despendeu recursos financeiros para adquirir e reestruturar a MJS e a decisão de adquirir a quase totalidade dos créditos contra a MJS teve razão negocial, pois possibilitou reverter a tentativa do Grupo Mendes Junior de rejeitar a proposta de aquisição da planta de Juiz de Fora; 5.29. conforme se verifica nos laudos de avaliação acostados aos documentos societários que dão suporte às operações relacionadas à aquisição e reestruturação da MJS, todos os bens conferidos ao capital social da MJS foram avaliados pelo mesmo valor que anteriormente adquiridos de terceiros (documentos de fl. 242), não tendo havido qualquer reavaliação ou transação realizada a valor de mercado, mas apenas registro como ágio da totalidade dos aportes de capital realizados devido ao patrimônio líquido da MJS ser negativo em mais de R$ 5,6 bilhões à época de sua aquisição pela BMP; 5.30. já que, exceto em hipóteses extremamente específicas, a responsabilidade dos sócios é limitada ao patrimônio da sociedade investida, os princípios contábeis vigentes à época Fl. 9983DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 10 9 determinavam que, na hipótese de a investida apresentar patrimônio líquido negativo, o valor de patrimônio líquido deveria ser registrado como zero, o que resulta em que o custo pago seja integralmente registrado como ágio, por força do artigo 385 do RIR/1999, que determina que o custo de aquisição seja desdobrado entre valor de patrimônio líquido e ágio ou deságio, conforme doutrina e jurisprudência administrativas reproduzidas; 5.31. desta forma, são inteiramente inaplicáveis os argumentos da autoridade fiscal no tocante à impossibilidade de registro de “ágio interno”, já que esta figura não existiu no presente caso, além do que há imprecisão técnica cometida pela fiscalização, pois, ainda que ágio interno houvesse, as Instruções CVM 319/99 e 349/01 teriam que ser observadas nas operações ora questionadas, já que não dizem respeito a tratamento de ágio, interno ou não interno, como entende o auditor fiscal, mas sim à ampla regulamentação de operações de incorporação, cisão e fusão envolvendo companhia aberta; 5.32. é indiscutível que subscrição de capital em bens é evento necessário e suficiente ao registro de ágio por configurar, seja juridicamente, seja economicamente, forma de aquisição de participação societária, conforme consolidado na jurisprudência administrativa; 5.33. o laudo de avaliação, considerado subjetivo pela fiscalização, foi elaborado em atendimento ao disposto no § 3º do artigo 385 do RIR/1999 e em observância ao disposto no anexo III, item III da Instrução CVM nº 361, não tendo havido nenhum acordo prévio entre a administração da BMP e a empresa de avaliação, e foi elaborado, tendo em vista que a legislação tributária não dispõe acerca do método que deverá ser adotado, com base no método de fluxo de caixa descontado, método largamente utilizado (mais de 90%) e considerado o mais apropriado para avaliar o valor de mercado de empresas, inclusive tendo sido aceito em decisão transcrita do CARF; 5.34. a afirmação fiscal de que “se conclui que com a reestruturação ou sem ela, a diferença seria nos encargos administrativos e de eficiência administrativa e nunca por força da mais valia do investimento” (fl. 1953) demonstra desconhecimento da matéria tratada, visto que não há como segregar “mais valia do investimento” dos ganhos decorrentes de “encargos administrativos e de eficiência financeira”; 5.35. é absurda a alegação da fiscalização de que as despesas de ágio não poderiam ter sido amortizadas por não atenderem ao disposto no artigo 299 do RIR/1999 e por estarem em desacordo com a sistemática de depreciação de bens do ativo permanente, pois o artigo 299 é regra geral aplicável tão somente às situações em que não haja regime jurídicotributário específico, que no caso existe (artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997), e a sistemática de depreciação se refere a bens do ativo permanente, Fl. 9984DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 11 10 não sendo aplicável a bens do ativo diferido ou intangível, que se sujeitam ao regime de amortização; 5.36. a autoridade fiscal se limita a mencionar, de forma aleatória e sem apontar os fatos, a suposta ausência de propósito negocial; 5.37. apesar de o Poder Legislativo ter optado por não converter em lei os artigos 13 a 19 da Medida Provisória 66/2002, que regulamentava o parágrafo único do artigo 116 do CTN (norma geral antielisão de eficácia limitada), sendo pacífica hoje a ineficácia do referido parágrafo único, as autoridades fiscais vem trabalhando para ver juridicizados princípios assemelhados aos contidos na citada Medida Provisória, o que cria decisões inconstantes e baseadas em teorias distintas sem uniformidade de fundamentos jurídicos utilizados e leva a um cenário de insegurança jurídica, como a exigência de propósito negocial e a idéia de inoponibilidade dos negócios jurídicos ao fiscal, ambas sem base legal; 5.38. todos os atos jurídicos praticados são lícitos e legais, obedeceram as formalidades legais e foram registrados perante os órgãos competentes, o que lhes conferiu publicidade, sendo impossível sua desconsideração para quaisquer fins; 5.39. houve propósito negocial nas transações questionadas que foram realizadas no contexto da já explicada proposta de reestruturação e saneamento financeiro da MJS, firmada entre o Grupo Belgo e o Grupo Mendes Junior, inclusive com interveniência do Governo de Minas Gerais preocupado com as conseqüências econômicosociais, na tentativa de evitar a falência da MJS em razão da gravíssima crise financeira do Grupo Mendes Junior, contexto negocial este comprovado por contratos, escrituras, notícias de jornal, fatos relevantes divulgados ao mercado e notas explicativas das demonstrações financeiras do Grupo Belgo; 5.40. os ativos conferidos à BMPS no curso da operação questionada remanescem em sua titularidade até os dias atuais e são parte fundamental de sua atividade operacional, o que torna ainda mais evidente o intuito negocial das transações realizadas; 5.41. igualmente as incorporações posteriores às transferências de ativos operacionais à BMPS e inseridas no contexto de formação do Grupo Arcelor objetivaram reduzir custos administrativos, enxugar estruturas duplicadas e maximizar sinergias para obter ganhos de escala; 5.42. a Oferta Pública de Ações (OPA), ocorrida em 2007, que deu origem ao outro ágio glosado pela fiscalização e que foi realizada pela Mittal Steel Brasil Participações S.A (Mittal BR) para aquisição das ações da Arcelor Brasil (antiga Belgo) tem sua origem na fusão entre o Grupo Arcelor e o Grupo Mittal no exterior, que formou o Grupo ArcelorMittal um dos maiores grupos de siderurgia do mundo, conforme documento de fls. 2437 a 2460; Fl. 9985DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 12 11 5.43. no início de 2006 e alguns meses depois, o Grupo Mittal, por meio de empresa sediada na Holanda, Mittal Steel Company N.V. (Mittal N.V.), realizou duas ofertas públicas hostis (efetuadas sem prévia consulta e aprovação da administração do Grupo Arcelor) de aquisição das ações de emissão da Arcelor S.A, que foram rejeitadas em 30/01/2006 e 12/06/2006, conforme divulgado pela imprensa mundial (notícias de fls. 2462 a 2471); 5.44. após intensas negociações e aumento do preço pelas ações da Arcelor S.A, em 25/06/2006 a oferta do Grupo Mittal foi recomendada pela administração do Grupo Arcelor aos acionistas, tendo sido firmado um Memorando de Entendimentos (MOU – documento de fls. 2473 a 2516) que previu a intenção de realizar fusão entre os dois grupos mediante aquisição das ações da Arcelor pela Mittal e incorporação da Mittal Steel pela Arcelor; 5.45. como o MOU previa uma fusão entre iguais, acreditavase que a transação não resultaria em alienação do controle da Arcelor Brasil, ensejadora de oferta pública de aquisição das ações com direito a voto de propriedade dos demais acionistas, prevista no artigo 245A da Lei das S.As (documentos de fls. 2518 a 2520), já que todos os acionistas da Arcelor S.A passariam a deter participação acionária na Mittal N.V., de modo que nenhum acionista passaria a deter mais de 50% de participação acionária na Arcelor S.A; 5.46. contudo, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), diante de previsão específica do Estatuto Social da Arcelor Brasil S.A e após discussão da questão com a Mittal N.V. que defendeu a desnecessidade de realização de OPA por não haver alteração no controle acionário, decidiu em 25/09/2006 (fls. 2530 a 2557) que deveria ser lançada uma OPA em relação às ações da Arcelor Brasil, tendo em vista que a formação do Grupo ArcelorMittal teria implicado alienação do respectivo controle indireto da Arcelor Brasil; 5.47. em 28/04/2007 foi publicado o Edital da OPA determinada pela CVM (documentos de fls. 2559 a 2569), que, em razão do desconforto e desgaste gerado por todo o processo de discussão com a CVM, seria cumulada com OPA para cancelamento do registro de companhia aberta da Arcelor Brasil, por decisão da administração da Mittal N.V.; 5.48. à exceção de que a Mittal N.V. seria extinta assim que possível conforme registrado no MOU, à época do protocolo dos documentos da OPA perante a CVM, o cronograma e a própria estrutura do processo de incorporação no exterior estavam indefinidos, o que somente se alterou em 02/05/2007 quando a diretoria da Mittal N.V. decidiu (documento de fls. 2571 a 2581) que a incorporação seria em duas etapas: a primeira com a incorporação da Mittal N.V por uma sociedade domiciliada em Luxemburgo denominada ArcelorMittal (o que ocorreu em 03/09/2007) e a segunda com a incorporação da ArcelorMittal pela Arcelor S.A, que foi concluída em 13/11/2007; Fl. 9986DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 13 12 5.49. devido à indefinição no exterior, especialmente no tocante à data em que a Mittal N.V. seria extinta por incorporação e para evitar novas discussões e explicações para a CVM e procedimentos burocráticos, custosos e complexos perante outros órgãos envolvidos (Bolsa de Valores e Banco Central do Brasil), além de evitar interferir nos eventos em andamento no solo europeu, no Brasil decidiuse limitar a opção pela remuneração mista (parte em dinheiro e parte em ações da Mittal N.V. nos mesmos moldes da oferta realizada no exterior), determinada pela CVM, até a data do leilão (04/06/2007), conforme item 5.4. do Edital da OPA, de modo que os acionistas que optassem por alienar suas ações no período de três meses após a data do leilão (05/06/2007 a 04/09/2007) apenas teriam a opção de receber o preço integralmente em dinheiro e que a OPA das ações da Arcelor Brasil seria realizada por subsidiária do Grupo Mittal constituída para tal finalidade: Mittal BR; 5.50. neste cenário, idealmente a OPA no Brasil deveria ser efetuada integralmente pela Mittal BR, o que somente não foi feito porque a participação recíproca entre Mittal BR e Mittal N.V. poderia não ser aceita pela legislação holandesa, sede da Mittal N.V., o que obrigou o Grupo Mittal a manter a participação da Mittal N.V. na OPA, que foi limitada somente à opção mista e até a data do leilão (04/06/2007); 5.51. os recursos da Mittal BR necessários para liquidação financeira da OPA foram em parte aportados ao seu capital pela Mittal N.V. e em parte emprestados pela Arcelor Investment S.A; 5.52. após a OPA, o Grupo ArcelorMittal decidiu extinguir a Mittal BR e, diante do sucesso da oferta e incorporação no exterior e visando a simplificação de sua estrutura societária e redução de seus custos administrativos, aprovou a incorporação da Arcelor Brasil (antiga holding do Grupo Arcelor) pela impugnante, então Belgo Siderurgia S.A, que teve sua razão social alterada para ArcelorMittal S.A, a incorporação da antiga Veja do Sul pela Companhia Siderúrgica de Tubarão – CST (junho de 2008), a cisão parcial desta com a incorporação de mais de 95% de seu acervo líquido pela impugnante (setembro de 2008), a incorporação da Belgopar Ltda., da Belgo Mineira Fomento Mercantil Ltda. e da Belgo Mineira Engenharia Ltda. pela impugnante (fevereiro de 2008) e a incorporação da já referida BMP pela impugnante (dezembro de 2008); 5.53. a autoridade fiscal sustenta que, não obstante a determinação da CVM, a OPA foi, de fato, lançada no exterior, o que faria com o direito de registro do ágio (legítimo no entender da fiscalização) fosse da Mittal N.V., tendo a empresa Mittal BR sido mera empresa veículo e que não teriam sido cumpridos os requisitos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, já que o ágio não poderia ter sido integralmente justificado com base em expectativa de rentabilidade futura da Arcelor Brasil e seria vedado o aproveitamento de ágio pela Arcelor Brasil gerado na aquisição de suas próprias ações; Fl. 9987DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 14 13 5.54. a fiscalização também afirma em relação à dedução de despesas de juros e variação cambial que se a Mittal N.V. tivesse adquirido diretamente as ações da Arcelor Brasil, o que não foi proibido, não existiria o empréstimo e nem haveria a necessidade de vender para a Mittal BR parte das ações adquiridas diretamente pela Mittal N.V.; 5.55. como a autoridade fiscal não coloca em dúvida a legalidade da OPA realizada no Brasil, reconhece a legitimidade do registro do ágio, questionando apenas sua amortização tributária, reconhece que a Mittal BR foi devidamente constituída (atos registrados e publicados), teve existência real (conforme documentos de fls. 2586 a 2595, teve diretoria eleita e participou da administração da Arcelor Brasil), movimentou os recursos financeiros destinados à OPA, foi parte adquirente das ações da Arcelor Brasil na OPA e foi regularmente extinta por incorporação, não há fundamento para qualificar os atos praticados como ilegais e desconsiderálos, ainda que apenas do ponto de vista tributário, conforme jurisprudência administrativa reproduzida; 5.56. na ausência de qualquer elemento que indique que as partes se furtaram aos efeitos jurídicos dos negócios praticados e que obedeceram todos os dispositivos legais aplicáveis, o lançamento da OPA pela Mittal BR não pode ser questionado, nem as autoridades fiscais podem supervenientemente modificar sua natureza para impor tributos; 5.57. no caso presente também não há descompasso entre a causa típica do negócio (elementos indispensáveis à inclusão do negócio em determinada categoria jurídica) e a respectiva causa objetiva (elementos que efetivamente pautaram a realização do negócio jurídico), nem houve a prática de atos posteriores que tenham infirmado a identidade entre as causas objetiva e típica, já que a causa objetiva da constituição da Mittal BR foi cumprir a decisão da CVM, reduzir a participação da Mittal N.V. ao mínimo possível tendo em vista a reorganização em andamento na Europa, assegurar o sucesso da OPA e o fechamento de capital da Arcelor Brasil (evento então incerto, já que muitos acionistas poderiam desejar alienar suas ações após a data do leilão, como de fato ocorreu), além de simplificar a operacionalização e realização da OPA, pois a realização desta diretamente do exterior tornaria o processo mais custoso, difícil e demorado (a remessa de recursos do exterior nem sempre é imediata) devido aos procedimentos de câmbio relacionados à internalização dos recursos para aquisição das ações, cujo preço somente é sabido na data do leilão, o que, por exemplo, poderia ofender o Manual de Procedimentos Operacionais da Bovespa, que prevê o prazo de três dias úteis da data do leilão para a liquidação financeira de operações realizadas em seu recinto e o próprio edital da OPA, que em seu item 4.2. prevê o prazo de três dias úteis para a opção de pagamento em dinheiro; 5.58. além disto, a entrada de recursos diretamente do exterior para aquisição de ações da OPA, seria feita inicialmente de Fl. 9988DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 15 14 acordo com o regime da Resolução do Banco Central número 2.689, que seria migrado posteriormente para o Regime de Investimento Externo Direto, procedimento burocrático e custoso, já que os bancos comerciais que efetuam esta migração cobram por este serviço; 5.59. o receio quanto a possíveis atrasos e óbices derivados das normas regulatórias foi inclusive retratado no item 4.5 do Edital (ressalva de que a liquidação de parte do preço mediante entrega de ações de emissão da Mittal N.V. poderia restar inviabilizada caso não se obtivesse os registros junto ao Banco Central do Brasil), o que, juntamente com os demais fatores descritos, faz com que não somente no caso presente, mas também em outros semelhantes, conforme Editais de Convocação de outras OPAs (fls. 2597 a 2685), se opta pelo lançamento de OPA via pessoa jurídica constituída no Brasil; 5.60. conforme trecho de palestra transcrita de importante conselheiro fazendário, o recurso a estruturas comumente utilizadas para realização de determinado negócio jurídico impede sua descaracterização pelas autoridades fiscais; 5.61. conforme jurisprudência administrativa e doutrina reproduzidas, a rubrica “propósito negocial” não serve para justificar a desconsideração de negócios jurídicos lícitos efetivamente praticados pelos contribuintes, sendo desnecessária a presença de motivação extratributária, sob pena de ofensa ao artigo 142 do CTN, que prevê fundamento legal claro e objetivo para o lançamento tributário, e prática de posturas arbitrárias e parciais por parte das autoridades fiscais que condenam todo e qualquer negócio jurídico que não implique a incidência da máxima carga tributária possível; 5.62. assim, existindo duas alternativas possíveis, a autoridade fiscal não pode dizer que a Mittal N.V. deveria obrigatoriamente escolher a que fosse mais onerosa do ponto de vista tributário no Brasil, além de implicar os transtornos operacionais e negociais já mencionados, sob o argumento de que a OPA, na verdade, teria ocorrido no exterior e que a constituição da Mittal BR apenas visou internalizar o ágio; 5.63. vantagens tributárias eventualmente advindas de determinado negócio não excluem automaticamente a existência de outras razões para a realização do negócio jurídico, nem o conceito de motivação extratributária não pode servir como escudo para a manipulação subjetivista para aumentar a arrecadação tributária, posturas que tem sido repudiadas pela jurisprudência administrativa, conforme votos reproduzidos; 5.64. a constituição da Mittal BR para realização da OPA no Brasil não teve apenas motivação tributária, mas também extratributária a saber: atender a exigência da CVM de maneira mais comum e usual no mercado e sem dificultar ou impedir a incorporação da Mittal N.V. pela Arcelor S.A, premissa negocial da formação do Grupo ArcelorMittal e compromisso assumido Fl. 9989DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 16 15 no MOU em 25/06/2006 perante todos os acionistas minoritários da Arcelor S.A ao redor do mundo; 5.65. de acordo com jurisprudência administrativa reproduzida, o simples fato de interposição de sociedade, a chamada “empresa veículo”, não é suficiente para descaracterizar as operações praticadas, sendo necessário analisar todo o contexto fático que ensejou o negócio jurídico questionado, sendo que no presente caso houve razões que justificam a constituição da sociedade para atendimento de um propósito específico: a realização da OPA imposta pela CVM mediante a adoção de forma que evitasse prejuízos ao grupo especialmente em relação ao possível atraso na incorporação da Mittal N.V. pela Arcelor S.A, definida no MOU de 25/06/2006; 5.66. conforme artigo 385, caput e § 2º do RIR/1999, não há critério legal para justificar o desdobramento e a justificativa do ágio, devendo o contribuinte tão somente eleger e indicar o fundamento econômico que motivou o registro do ágio, baseado em estudo que deverá ser arquivado, o que foi atendido pela Mittal BR que, ao adquirir as ações da Arcelor Brasil, se valeu de laudo de avaliação elaborado pela empresa de consultoria APSIS – Consultoria Empresarial (cópia às fls. 466 a 469), cujo conteúdo não foi questionado pela autoridade fiscal e que demonstra que o ágio em questão decorreu unicamente da expectativa de rentabilidade futura da Arcelor Brasil; 5.67. como a fiscalização não demonstrou que o estudo econômico que aponta a expectativa de rentabilidade futura como justificativa econômica para pagamento do ágio não pode prevalecer, suas alegações não merecem guarida; 5.68. o entendimento da autoridade fiscal no sentido de que a Arcelor Brasil e a impugnante, como sua sucessora, não poderia amortizar o ágio pago pela Mittal BR em sua aquisição é verdadeira interpretação contra legem, no caso o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997, que prevê expressamente que a despesa de amortização de ágio seja reconhecida pela própria pessoa jurídica cuja aquisição deu razão ao registro do ágio nos livros da empresa adquirente; 5.69. as despesas de juros e variação cambial associadas ao financiamento tomado pela Mittal BR, sucedida pela Arcelor Brasil e pela impugnante, foram imprescindíveis para possibilitar o lançamento da OPA (imposta pela CVM) pela Mittal BR, operação que foi legal e necessária, conforme já explicado; 5.70. quanto aos requisitos impostos pela regra geral de dedutibilidade de despesas, contida no artigo 299 do RIR/1999, jurisprudência administrativa reproduzida é pacífica no sentido de que, se o empréstimo é efetivo, não existe impedimento à dedução dos respectivos juros, ainda que o empréstimo seja entre empresas vinculadas; Fl. 9990DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 17 16 5.71. no presente caso, não há qualquer questionamento sobre a existência do mútuo ou sobre ter sido pactuado em condições de mercado; 5.72. em razão da OPA, a Arcelor Brasil deixou de ter acionistas minoritários e de ter que pagar dividendo mínimo, fato que melhorou o fluxo de caixa da companhia, que posteriormente foi incorporada pela impugnante, o que acabou maximizando as sinergias do grupo ArcelorMittal no Brasil devido à redução do número de entidades operacionais e, conseqüentemente, dos custos administrativos; 5.73. a autoridade fiscal alega que o empréstimo teria sido firmado apenas para gerar despesas no Brasil com ágio, juros e variação cambial, deixando de mencionar que o empréstimo, por força de recuperação da moeda nacional frente ao dólar, gerou despesas de variação cambial somente até agosto de 2007 e, conforme a planilha de fls. 2687, gerou resultados positivos de variação cambial de mais de R$ 863 milhões em 2007; 5.74. em 2007, o resultado positivo líquido de variação cambial, já considerando a integral absorção das despesas glosadas na presente autuação, é de R$ 495 milhões, o que revela a improcedência da autuação já que a impugnante estava submetida ao regime de competência para tributação da variação cambial em 2007; 5.75. de acordo com os documentos de fls. 2689 a 2700, em 2007 a Mittal BR e a Arcelor Brasil S.A optaram pela tributação dos efeitos da variação cambial pelo regime de caixa, enquanto a então Belgo Siderurgia S.A optou pela tributação das variações cambiais com base no regime de competência; 5.76. como por ocasião da incorporação da Mittal BR pela Arcelor Brasil não houve alteração no regime de tributação das variações cambiais, o saldo diferido a excluir de R$ 359.501 mil, anteriormente adicionado pela Mittal BR foi transferido para a parte B do Lalur da Arcelor Brasil e, juntamente com o saldo a adicionar reconhecido pela Arcelor Brasil, foi realizado por ocasião da incorporação da Arcelor Brasil pela impugnante devido a alteração no regime de tributação das variações cambiais de caixa para competência; 5.77. o fato de a impugnante, como sucessora da Mittal BR, ter se submetido integralmente aos efeitos do empréstimo questionado, inclusive reconhecendo os resultados positivos da variação cambial por ele gerados, reforça e reitera sua usualidade e efetividade; 5.78. o Tratado para Evitar a Dupla Tributação firmado entre o Brasil e a Argentina é aplicável também à CSLL, pois este tributo foi instituído pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, mais de oito anos depois da data da assinatura do tratado, ocorrida em 17 de maio de 1980 (Decreto nº 74, de 1981), e seis anos após sua promulgação pelo Congresso Nacional (Decreto nº 87.976, de 22 de dezembro de 1982) e seu artigo 2º, § 2º, diz Fl. 9991DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 18 17 que a presente convenção se aplicará também a quaisquer impostos idênticos ou substancialmente semelhantes que forem posteriormente introduzidos, seja em adição aos existentes, seja em sua substituição, sendo indiscutível que a CSLL tem natureza material idêntica ao IRPJ (ambos incidem sobre o lucro tributável da pessoa jurídica), diferindo apenas quanto a sua espécie (contribuição e imposto, respectivamente) e, conseqüentemente, a destinação do produto de sua arrecadação; 5.79. em caso semelhante conforme ementa citada, o Primeiro Conselho de Contribuintes, ao analisar a tributação de lucros auferidos na Espanha através de controlada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, reconheceu que a CSLL está incluída no âmbito de aplicação dos tratados firmados antes de sua instituição; 5.80. há erro no auto de infração quanto aos lucros auferidos no exterior, pois apesar da impugnante deter em 31/12/2006 e 31/12/2007 respectivamente 65,84% e 65,21% de participação na Acindar (documentos de fls. 2702 a 2784), a autoridade fiscal, de acordo com a planilha da fl. 75 do Termo de Verificação Fiscal (TVF), simplesmente transpôs o total do lucro auferido no exterior para o auto de infração de CSLL, sem aplicar o percentual de participação no capital social, o que descumpre o disposto no § 4º do artigo 1º da Instrução Normativa nº 213/2002; 5.81. a autoridade fiscal, apesar de reconhecer expressamente na fl. 77 do TVF que é possível a compensação do imposto de renda pago no exterior com o imposto de renda devido no Brasil, nos termos do artigo 15 da Instrução Normativa nº 213/2002, deixou de considerar os recolhimentos do Impuesto a las Ganâncias (documento de fls. 2786 a 2791) efetuados em 31/12/2006 e 31/12/2007, cujos montantes, após a aplicação dos percentuais de participação então detidos, seriam suficientes para absorver toda a CSLL lançada; 5.82. em relação ao lucro auferido pela ArcelorMittal Costa Rica S/A, que não teria sido adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL no montante de R$ 2.615.530,64, a autoridade fiscal não observou que a impugnante também detém participação societária na Trefileria Colima S.A, igualmente domiciliada na Costa Rica, em relação à qual deveria ser oferecido à tributação no Brasil em 31/12/2007 o montante de R$ 6.971,53 (lucro tributável em 31/12/2007 de R$ 1.577.788,91 diminuído de prejuízos contábeis acumulados de R$ 1.563.846,00, conforme documento de fls. 2793 a 2794), que incorretamente foi adicionado no Brasil no valor de R$ 796.152,66, o que significou adição a maior de R$ 789.181,13, que deveria ser deduzido do montante lançado, por força do artigo 4º, § 5º, da Instrução Normativa SRF 213/2002, que prevê a consolidação dos resultados das subsidiárias domiciliadas no mesmo país; Fl. 9992DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 19 18 5.83. a impugnante ainda esclarece que em 05/01/2012 pagou o IRPJ e a CSLL incidentes sobre a base tributável de R$ 1.826.349,51 referente ao lucro auferido pela Arcelor Costa Rica S/A (R$ 2.615.530,64 lançada menos R$ 789.181,13 que deve ser deduzida), conforme DARF de fl. 2796 a 2799; 5.84. no presente caso não houve fraude ensejadora de qualificação da multa de ofício, entendendose fraude, de acordo com doutrina e jurisprudência reproduzidas, como conduta criminosa, instrumentalizada mediante adulteração das informações contidas nos livros e registros contábeis e fiscais, e não como simples fraude civil ou fraude à lei; 5.85. a qualificação da multa é descabida, pois os negócios jurídicos foram efetivamente praticados e produziram todos os respectivos efeitos jurídicos, tendo havido sintonia entre as causas típicas e objetivas, e os documentos que ampararam a sua realização obedeceram a todas as formalidades legais, tendo sido publicados em notas explicativas das demonstrações financeiras das sociedades envolvidas, em fatos relevantes divulgados ao mercado e registrados nos órgãos competentes; 5.86. a jurisprudência administrativa vem afastando a multa qualificada em diversas situações como, por exemplo, nos casos envolvendo negócios jurídicos simulados, contratados com o objetivo de tirar proveito de algum regime tributário mais benéfico pelo contribuinte; 5.87. no presente caso, não houve qualquer tentativa de esconder os atos praticados ou de alterar os documentos que comprovam sua realização, o que é demonstrado pelo fato de que a autoridade fiscal constrói toda sua argumentação com base nos documentos fornecidos pela própria impugnante, que haviam sido devidamente registrados e publicados; 5.88. não houve intenção de fraudar o Fisco, já que houve claro e inegável contexto negocial que ensejou os atos realizados; 5.89. como na época em que realizados os negócios sob discussão, era praticamente assente que a validade de uma operação e sua “oponibilidade” ao Fisco estavam condicionadas apenas ao uso das formas adequadas e da existência de objeto lícito, a alteração do critério jurídico adotado pelo Fisco não pode, conforme artigos 146 do CTN e 2º, inciso XIII, da Lei nº 9.784/1999, doutrina e jurisprudência reproduzidos, retroagir para atingir fatos geradores ocorridos anteriormente a sua introdução; 5.90. como a administração federal em diversas oportunidades indicou à impugnante qual foi o critério jurídico adotado, demonstrando sua concordância com os procedimentos realizados e o Conselho de Contribuintes, bem como a maior parte da doutrina, emitiu precedentes e entendimentos favoráveis, criouse a situação de conforto e segurança para que a impugnante realizasse a reestruturação societária discutida, que não pode, desta forma, somente agora, questionada e Fl. 9993DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 20 19 penalizada em razão de mudança de entendimento da fiscalização; 5.91. cabe afastar a multa punitiva e os acréscimos moratórios, em face do artigo 100 do CTN, já que até a época dos fatos ora discutidos a jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes se pautava pela corrente do negócio jurídico indireto na análise do rotulado “planejamento tributário”, o que levaria à manutenção da reestruturação societária; e 5.92. protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos e que todas as intimações sejam encaminhadas ao endereço profissional de seu mandatário. Em sessão de 19 de dezembro de 2013 a 1a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, por maioria de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, para afastar a qualificação da multa, que foi reduzida para 75% em todos os lançamentos, assim como promoveu a redução parcial dos lucros auferidos na Argentina, em razão do percentual de participação da autuada na controlada Acindar. Os demais valores autuados foram mantidos. Da decisão foi apresentado Recurso de Ofício, por força do limite de alçada. Por seu turno, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls. 3.158 e seguintes. Posteriormente, em fevereiro de 2015, a empresa trouxe ao processo novos documentos, que incluem dois pareceres jurídicos, um laudo técnico da Price Waterhouse Coopers, que comprovaria o pagamento de imposto de renda por parte de sua controlada Acindar, na Argentina, nos anos de 2006 e 2007, acompanhado da respectiva tradução juramentada para a língua portuguesa e tradução juramentada das declarações do imposto de renda da controlada Acindar, também relativas aos anos de 2006 e 2007. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como a Recorrente apresentou diversos argumentos na peça recursal, faremos a análise tópica das matérias em litígio. Fl. 9994DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 21 20 1. Da preliminar de decadência para questionar o ágio MJS Entende a Recorrente que a fiscalização não poderia mais questionar a formação dos ágios registrados nas operações entre 2003 e 2004, pois, quando do lançamento, em 10 de dezembro de 2011, já teria transcorrido prazo superior a cinco anos: Como cediço, o termo inicial do prazo decadencial é contado a partir da ocorrência do fato que obrigou o contribuinte a interpretar a legislação tributária e a adotar os procedimentos necessários ao fornecimento de documentos contábeis e fiscais, de tal modo que o Fisco tenha o prazo de cinco anos, contado a partir daquela ocorrência, para que possa eventualmente constituir o crédito tributário, evitandose, assim, que o contribuinte fique eternamente sujeito à revisão do lançamento. Nesse sentido, como o Ágio MJS foi registrado em operações realizadas em 2003 e 2004, considerando que o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação e, portanto, ao prazo decadencial de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador (artigo 150, §4° do CTN) , o termo final para a sua revisão se deu em 2008 e 2009. (grifado no original) Penso que não assiste razão à Recorrente. A matéria é bastante conhecida e tem posição firme neste Conselho, no sentido de que não se submete ao prazo decadencial ou a limitação objetiva a análise, pela fiscalização, de fatos ocorridos há mais de cinco anos quando deles se extrai a repercussão tributária de períodos ainda não fulminados pela caducidade. Como se sabe, a decadência impede apenas o lançamento do crédito tributário relativo a períodos fora do alcance legal, mas isso em nada se confunde com a possibilidade (em verdade, com o dever) de a fiscalização analisar fatos, livros e documentos cuja repercussão ainda possa ser objeto de autuação. Se não fosse assim, de nada serviria o comando previsto, por exemplo, no artigo 195 do Código Tributário Nacional: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. (grifamos) Fl. 9995DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 22 21 O dever da fiscalização é o de apurar matéria tributável (dentro dos limites legais) e não o de verificar continuamente os registros do contribuinte. É evidente que o prazo previsto pelo CTN cuida de prescrição, sendo certo que, na hipótese dos autos, este prazo sequer se iniciou. Isso porque é forte o entendimento de que o prazo prescricional só pode ter início quando possível a cobrança do crédito, inclusive na esfera judicial. Com a interposição de recurso no âmbito administrativo, o prazo prescricional de cinco anos, nos termos do artigo 174 do CTN, só pode ter início com a constituição definitiva do crédito, que ocorre quando prolatada decisão administrativa irrecorrível e contrária ao sujeito passivo. Já o prazo decadencial tem como marco inicial a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado (nas hipóteses do art. 173, I, do mesmo diploma legal). No caso em análise o lançamento se deu em dezembro de 2011 e não se encontra prejudicado por qualquer fenômeno relativo à decadência, posto que os fatos tributados correspondem aos anoscalendário de 2006 e 2007. Também não se vislumbra, na hipótese, a existência de qualquer preclusão ou limitação do direito de a fiscalização analisar operações e negócios jurídicos anteriores, dado que a autuação recaiu sobre os efeitos da amortização indevida dos ágios, em períodos posteriores e não atingidos pela decadência. Ressaltese que o simples registro do ágio na contabilidade não implica redução do crédito tributário ou qualquer outra circunstância passível de autuação pela autoridade competente. Não se trata de fato gerador da obrigação tributária nem produz qualquer efeito sobre a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Apenas as hipóteses que alteram a base de cálculo dos referidos tributos encontramse sujeitas a controle e auditoria pelas autoridades fiscais e o Estado tem a prerrogativa de analisar todo e qualquer documento ou registro contábil relacionado à redução dos montantes devidos em cada anocalendário. Como as glosas dizem respeito a deduções efetuadas a partir de 2006 e os lançamentos efetuados tiveram ciência do contribuinte em dezembro de 2011, inexiste qualquer vício ou mácula na atividade fiscal, assim como não havia, na espécie, transcorrido o prazo decadencial. É o que se depreende da determinação contida no artigo 37 da Lei n. 9.430/96: Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. A lei não trata do prazo decadencial e nem poderia fazêlo , mas expressamente autoriza a possibilidade de auditoria de lançamentos que repercutirão em outros exercícios. Esse entendimento é pacífico no caso de operações ou fatos com repercussão em exercícios futuros, até porque não seria lógico ou razoável opor ao Fisco a ocorrência de Fl. 9996DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 23 22 qualquer preclusão cronológica que impossibilitasse a análise dos documentos e operações, pois o único limite temporal para a verificação da escrituração comercial e fiscal encontrase previsto no artigo 195, parágrafo único, ao norte reproduzido. Diversas decisões deste Conselho consagram a tese aqui defendida. Citamos, a título de exemplo, recente Acórdão da 2a Turma da 4a Câmara: Acórdão nº 1402002.152 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de abril de 2016 Matéria AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Recorrente BANCO CITICARD S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, voltase apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Afasto, portanto, a preliminar suscitada pela Recorrente. 2. Preliminar de decadência pela amortização mensal do ágio Neste tópico, entende a Recorrente que houve decadência quanto à glosa relativa aos meses de janeiro a novembro de 2006, pois optou pela sistemática de balancetes mensais de suspensão: Em outras palavras, no âmbito desse regime adotado pela Recorrente no anocalendário de 2006 (doc. 04 da Impugnação), a apuração do IRPJ e da CSLL ocorre mensalmente e não apenas em 31.12 de cada anocalendário como acontece na apuração do lucro real anual com antecipações calculadas com base nas estimativas mensais. Fl. 9997DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 24 23 Sendo assim, o fato gerador do IRPJ e da CSLL para os contribuintes que apurem o lucro real mensal com base nos balancetes de suspensão e redução ocorre a cada mês, visto que, ao final de cada período mensal, ocorre a efetiva apuração do lucro tributável. Por essa razão, a glosa das despesas de amortização de ágio registradas pela Recorrente mensalmente apenas poderia ter sido levada a efeito em até cinco anos contados de cada apuração mensal. Descabe a pretensão da Recorrente. Ao optar pela tributação para fins de IRPJ e CSLL com base no lucro real anual inexiste dúvida quanto ao fato de que o aperfeiçoamento do critério temporal da hipótese de incidência dos tributos em questão ocorre em 31 de dezembro de cada ano. É forte neste Conselho o entendimento de que as antecipações feitas a título de estimativas não preenchem a condição imposta pelo artigo 150 do Código Tributário Nacional, vale dizer, não caracterizam o fato gerador dos respectivos tributos. A hipótese dos autos não correspondem ao conceito de pagamento antecipado veiculado pelo CTN e, nesse sentido, não extinguem o crédito tributário, que sequer foi apurado, o que só ocorrerá ao final dos exercícios, pois os balanços ou balancetes de suspensão não caracterizam o momento de ocorrência do fato gerador dos tributos e, portanto, não representam o dies a quo para a contagem do prazo decadencial. Afasto, assim, a preliminar suscitada pela Recorrente. 3. Análise sobre a possibilidade de dedução fiscal do saldo do Ágio MJS Depois de discorrer sobre os fatos que ensejaram a apuração do ágio relativo à MJS, a Recorrente defende a sua dedutibilidade para fins tributários, sob os argumentos da impossibilidade de desconsideração, pelas autoridades fiscais, de negócios jurídicos validamente celebrados e também quanto a suposto equívoco na classificação do referido ágio, que teria como fundamento operação entre terceiros, que não poderia ser qualificada como ágio interno. O conjunto das operações levadas a cabo na apuração desse ágio envolve diversas etapas, que foram bem descritas pela decisão de piso, a seguir reproduzida (grifaremos): Os ágios glosados foram tratados pela fiscalização em dois itens distintos do Termo de Verificação Fiscal. No item A3.1 (fls. 1938 a 1977) intitulado “Ágio Mendes Júnior Siderurgia (Ágio Interno) foram glosadas as despesas com amortização de ágios contabilizados ao longo do ano de 2003 e que foram transferidos para a autuada em 01 de janeiro de 2004 por meio de incorporação de parte cindida de sua controladora. Fl. 9998DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 25 24 Até 09/02/2003, a autuada denominavase Mendes Júnior Siderurgia S/A (MJS), e era controlada pelas seguintes empresas e pessoas físicas: Companhia Mineira de Participações Industriais e Comerciais (CMPIC), CNPJ 17.164.708/000180, Edificadora S/A, CNPJ 17.164.716/000127, Sociedade Mineira de Participações Industriais e Comerciais Ltda. (SMPS), CNPJ 19.297.365/000158, Fernando Zenóbio Affonso de Carvalho, CPF 001.239.19720, José Luiz Ladeira Bueno, CPF 006.375.13649, Delson de Miranda Tolentino, CPF 077.403.44672, Saulo Pinto Moreira, CPF 003.737.10615, Ângelo Alves Mendes, CPF 257.398.24672, Jesus Murillo Valle Mendes, CPF 001.110.40663, Alberto Laborne Valle Mendes, CPF 001.101.32653, Sânzio Valle Mendes, CPF 001.101.08604, e Helvécia Guimarães Mendes, CPF 001.101.24634. O capital da autuada era dividido em 3.045.366 ações, sendo que 3.045.353 pertenciam às três pessoas jurídicas e 13 ações às nove pessoas físicas. Graficamente o controle da autuada àquela época pode ser assim representado: Em 09/02/2003, as três empresas até então controladoras da MJS, a autuada, celebram com Belgo Mineira Fomento Mercantil Ltda., CNPJ 26.169.581/000183 (Belgo Fomento), com a ciência da MJS, o contrato de Cessão de Direito de Preferência à Subscrição de Ações e Outras Avenças (fls. 195 a 197), por meio do qual cederam à Belgo Fomento o direito de preferência à subscrição de ações pelo preço global de R$ 1.500,00 (R$ 500,00 para cada empresa cedente). Nesta mesma data, conforme o Boletim de Subscrição de fl. 194, a Belgo Fomento subscreveu e integralizou em dinheiro (recibo à fl. 193) 182 ações da MJS ao preço de R$ 182,00. Também neste mesmo dia (09/02/2003), conforme o Contrato de Compra e Venda de Ações com Cessão de Direitos de Subscrição e Outras Avenças (fls. 198 a 203), as nove pessoas físicas identificadas no item 28 acima alienaram à Belgo Fomento, com ciência da MJS, as 13 ações da MJS que possuíam, bem como o direito de preferência à subscrição de ações ao preço global de R$ 13,00. À fl. 207 consta Recibo assinado pelas empresas CMPIC, Edificadora e SMPS em 14/03/2003 declarando que em 15/01/2003 haviam recebido da empresa BelgoMineira Participação, Indústria e Comércio S.A (BMP), o valor de R$ 234.115,17 referente à alienação das 3.045.353 ações da MJS que possuíam. Neste ponto cabe ressaltar que o preço que as empresas do grupo BelgoMineira (Belgo Fomento e BMP) fizeram às empresas e pessoas físicas do grupo Mendes Júnior para Fl. 9999DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 26 25 aquisição das ações da MJS e do direito à subscrição de novas ações montou R$ 235.628,17 (R$ 234.115,17 + R$ 13,00 + R$ 1.500,00). Conforme o Boletim de Subscrição de fl. 208 do mesmo dia 14/03/2003, a BMP subscreveu e integralizou, mediante TED e cheque administrativo, 49.973.126 ações da MJS ao preço total de R$ 49.973.126,00. Nesta mesma data (14/03/2003), de acordo com a Ata de fls. 204 a 206, a MJS realizou Assembléia Geral Extraordinária que deliberou pela mudança de sua denominação social para BMP Siderurgia S.A (BMPS) e eleição de novos membros do Conselho de Administração e tornou público o aumento de capital, agora representado por 53.542.830 ações, realizado por meio das subscrições e integralizações acima referidas. Portanto, em 14/03/2003, o processo de aquisição da contribuinte (antes denominada MJS, depois BMPS) pelo Grupo BelgoMineira (Grupo Arcelor) estava concluído. O então controle acionário da contribuinte está detalhado no demonstrativo de fl. 192 e pode ser assim representado: As siglas MGI e CSBM significam respectivamente Minas Gerais Participações S/A e Companhia Siderúrgica BelgoMineira, CNPJ 24.315.012/000173. De acordo com o quadro elaborado pela fiscalização à fl. 1942, confirmado pela conta do razão 1301073 “AMB. Ágio” da BMP (fls. 101 e 102), até este momento, a BMP, principal nova controladora da BMPS, antiga MJS, não havia registrado nada a título de ágio pela aquisição da contribuinte (BMPS), o que somente foi feito em 31/05/2003 com o histórico de carga de saldos iniciais no valor de R$ 50.208.936,17, que é o resultado não apenas da soma dos valores pagos pela aquisição das ações da contribuinte (R$ 235.628,17), mas também da subscrição de ações e integralizações de capital na contribuinte pelos novos controladores (R$ 49.973.308,00). Em 01/06/2003, a Assembléia Geral Extraordinária da BMPS (Ata às fls. 209 a 212), delibera reduzir o valor do patrimônio líquido negativo da contribuinte à época, mediante débito à conta da sócia BMP que registrava créditos contra a autuada, conforme demonstrativos de fls. 223 a 226, no valor de R$ 244.992.842,69, e aumentar o capital social mediante a emissão de 368.878.286 novas ações ao preço total de R$ Fl. 10000DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 27 26 368.878.286,00, das quais 319.937.116,25, ao preço de R$ 319.937.116,25, foram imediatamente integralizadas pela BMP em variadas formas (cheque, capitalização de créditos, ações e imóvel), tendo sido o restante (R$ 48.941.169,75) integralizado entre 05/06/2003 e 15/07/2003 (quadro de fl. 1942). Tanto a redução do patrimônio líquido negativo (R$ 244.992.842,69), como a integralização de capital (R$ 368.878.286,00) foram contabilizadas na controladora (BMP) como ágio (razão de fls. 101 e 102 e quadro de fl. 1942). Às fls. 213 a 221 encontrase cópia do Estatuto Social da BMPS atualizado com este aumento de capital e à fl. 228 está o Boletim de Subscrição relativo à subscrição ocorrida em 01 de junho de 2003. As empresas do Grupo BelgoMineira continuaram a realizar operações internas que resultaram em registros de ágios. Em 30/06/2003, a Assembléia Geral Extraordinária da BMPS (Ata às fls. 229 a 233) delibera aumentar seu capital social de R$ 817.416.105,47 para R$ 1.532.000.000,00, mediante a emissão de 1.109.578.884 ações ao valor global de R$ 1.109.578.884,00, dos quais R$ 714.583.894,53 foram destinados à formação do capital social e R$ 394.994.989,47 à conta reserva de capital, a título de ágio na subscrição. Esta subscrição e conseqüente integralização foram realizadas pela CSBM (controladora indireta, via BMP, da BMPS) em créditos detidos pela subscritora contra a controlada indireta, imóveis, debêntures emitidos pela BMP, estabelecimentos, contas a receber de clientes e moeda ou créditos. Às fls. 238 a 245 encontrase o protocolo de conferência de estabelecimentos da CSBM à BMPS, à fl. 246, o Boletim de Subscrição das ações da BMPS pela CSBM e às fls. 247 a 257, a descrição dos imóveis da CSBM conferidos à BMPS. Em 30/09/2003, a BMP realizou Assembléia Geral Extraordinária (Ata às fls. 234 e 235) para deliberar pelo aumento de seu capital social de R$ 267.542.973,48 para R$ 900.000.000,00 (aumento de R$ 632.457.026,52) mediante a emissão de 302.109.470 novas ações ao preço total de R$ 1.181.432.521,80 (R$ 3,91 por ação), sendo R$ 632.457.026,52 destinados à formação do capital social e R$ 548.975.495,28 destinados à conta reserva de capital a título de ágio na subscrição. A Lista de Presença dos acionistas nesta Assembléia encontrase à fl. 236 e o Boletim de Subscrição que informa que a integralização dos R$ 1.181.432.521,80 foi realizada mediante conferência à BMP de créditos que a CSBM detinha em conta corrente contra a BMP. Nesta mesma data (30/09/2003), a BMP registrou na conta de Ágio relativo ao investimento que detinha na BMPS o valor de R$ 1.054.099.939,80 com o histórico “compra de ações BMPS detidas pela Be...” (Razão às fls. 101 e 102 e Quadro da fiscalização às fls. 1943). A impugnante assim descreve a operação ocorrida nesta data (item 3 de fl. 2.034): 3. Capitalização da BMP com a participação detida pela Cia Siderúrgica BelgoMineira na BMPS: a fim de concentrar a totalidade da Fl. 10001DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 28 27 participação societária detida na BMPS na BMP, a Cia Siderúrgica BelgoMineira alienou à BMP a participação societária adquirida na BMPS na etapa anterior, a valor contábil. Tendo em vista que o patrimônio líquido da BMPS nesse momento era de R$ 175.800.886,17, o preço de aquisição de R$ 1.109.578.875,00 foi desdobrado entre valor de patrimônio líquido (R$ 127.342.582,00) e ágio (R$ 1.054.099.939,80) (fls. 246); Em 01/12/2004, a Assembléia Geral Extraordinária da BMPS (Ata à fl. 258) deliberou alterar sua denominação social para Belgo Siderurgia S/A . Em 01/01/2004, a BMP realizou Assembléia Geral Extraordinária (Ata à fl. 259) e deliberou cindirse e verter a parcela cindida para sua controlada a Belgo Siderurgia S/A (a contribuinte autuada, antes BMPS e mais anteriormente MJS), reduzindo seu capital social em R$ 897.838.795,43 (de R$ 900.000.000,00 para R$ 2.161.204,57). À fl. 260 encontrase a Lista de Presença de Acionistas relativa a esta Assembléia da BMP. Neste mesmo feriado de Ano Novo (01 de janeiro de 2004), a Belgo Siderurgia também realizou Assembléia Geral Extraordinária (Ata às fls. 261 e 262) na qual aprovou a Justificação (fls. 263 e 264) e o Protocolo de Cisão (fls. 265 a 269) referentes à incorporação da parcela cindida de sua controladora a BMP, que resultou no recebimento em tesouraria de 1.531.475.839 ações de sua própria emissão antes de propriedade da BMP, das quais 1.471.186.173 foram atribuídas à CSBM (controladora da BMP). Nesta operação de incorporação da parte cindida da BMP, a Belgo Siderurgia S/A recebeu o ágio fundado em si mesma no montante total de R$ 1.718.180.004,66, subdividido em duas parcelas: R$ 121.886.955,06, que já havia sido amortizado contabilmente em 2003 (razão à fl. 101) e adicionado na Lalur pela BMP (fls. 106 a 109) e R$ 1.596.293.049,80 ainda não amortizados. Estes valores passaram a ser amortizados pela Belgo Siderurgia S/A (a contribuinte autuada) a razão de 1/60 avos mensais. Os valores anuais desta despesa de amortização (1/5 do saldo inicial) correspondem respectivamente a R$ 24.377.391,00 e R$ 319.258.609,92. Como a contribuinte não deduziu em 2004 e 2005 os valores relativos à parcela do ágio que havia sido amortizada contabilmente pela BMP em 2003, em 2006 deduziu R$ 73.132.173,00 (R$ 24.377.391,00 vezes três), além do valor de R$ 319.258.609,92. Em 2007 amortizou os valores de R$ 24.377.391,00 e R$ 319.258.609,92. A fiscalização glosou estas despesas com o fundamento de que ágio criado em operações entre empresas pertencentes ao mesmo grupo não é passível de amortização para fins tributários (ágio interno). Reproduzse abaixo trecho do Termo de Verificação fiscal que trata desta infração atribuída à contribuinte (fls. 1952 a 1953): Fl. 10002DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 29 28 Os acionistas que representam a totalidade do capital social do grupo Belgo assinam todos os procedimentos por todas as empresas, logo, como num jogo de xadrez, escolheram as peças que mais lhes convieram prejudicando apenas um terceiro externo que é o Estado Brasileiro. Para tanto, desde o início, assessoraram da empresa por eles contratados para elaboração do laudo (APSYS), fazendose uma conta de chegar ao número desejado e com isso a aprovação do laudo era dada como certa, uma vez que detinham a totalidade do controle de todas as empresas envolvidas, ou seja, o ágio originado daquela avaliação foi, do ponto de vista econômico, um ágio gerado por meio de uma transação dos acionistas com eles próprios. Os ditos investimentos e ágios na SMJ (BMPS) eram tratados integralmente como capital posto pela BMP na BMPS. As saídas de caixa (pagamento pela aquisição da MJS) nessa operação foram irrelevantes quando comparado com o ágio registrado na BMPS, fruto de laudo, subjetivamente avaliado segundo algum tipo de potencial lucratividade futura. Os valores de ágio são efetivamente aumentos de capital. Ora, tais aumentos de capital foram, como regra geral com integralização por transferência de bens já possuídos pelo controlador, como imóveis, créditos por compra e venda de estabelecimentos, debêntures, ações de outras empresas, o que na realidade representa uma aglutinação de patrimônio em uma só empresa. Não obstante, é de se surpreender que pelo fato de aglutinar bens em uma só empresa possa gerar ágios e mais do que isso rentabilidade futura. Portanto, estamos falando de aumento de capital e não de ágio e foram colocados na BMPS pelo próprio grupo econômico, que contratou a avaliação onde a própria administração ofereceu subsídios para os avaliadores, ou seja a simples transferência do bolso esquerdo para o bolso direito gerou prejuízos aos cofres públicos via amortização destes valores. O ágio apurado é, de fato fruto de avaliação intragrupo, sem propósito, dandose o nome de reorganização. O surgimento da mais valia decorreu da incorporação de bens, em operação "não caixa" entre empresas do mesmo grupo (vide quadro 8 acima). O laudo de 10/03/2003, que embasou o referido ágio demonstra que o valor presente do fluxo de caixa livre acumulado descontado pelo CAPM da BMPS até o ano 6 (2008) e basicamente traz a produção das unidades de Piracicaba, Vitória e Juiz de Fora, plantas estas que já pertenciam ao Grupo Arcelor, assim como os demais itens de aumento de capital, donde se conclui que com a reestruturação ou sem ela, a diferença seria nos encargos administrativos e de eficiência financeira e nunca por força da mais valia do investimento. É importante citar que a APSYS informa que os fluxos de caixa foram projetados pela administração da empresa para o período, enfatizando a base em premissas da própria administração utilizandose taxas e descontos, assim como é importante citar a ênfase dada ao ganho fiscal pela amortização do ágio no Protocolo e na Justificação da incorporação. Pois bem. Fl. 10003DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 30 29 A matéria encontrase disciplinada nos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97, que dispõem sobre o registro e a amortização do ágio gerado em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; Fl. 10004DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 31 30 b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Já a sistemática de apuração do ágio deve seguir o disposto no artigo 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1° O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2° O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Fl. 10005DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 32 31 § 3° O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2° deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. À luz da legislação de regência, percebese que o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição de um investimento e o seu valor patrimonial. Isso significa que a figura do ágio decorre do fato de uma das partes se comprometer a pagar à outra, pela aquisição do investimento, um valor superior àquele registrado no patrimônio líquido. A expressão “pagar” pode ser entendida em sentido amplo, contemplando diversas modalidades, desde que todas impliquem algum tipo de desembolso ou ônus para o adquirente. Existe grande discussão acerca da possibilidade de aproveitamento do chamado ágio entre partes relacionadas, comumente denominado ágio interno. Em tese, entendo ser possível a ocorrência de ágio nessas operações, entre partes relacionadas, pelo fato de que, até o advento da Lei n. 12.973/2014, inexistia no direito positivo brasileiro vedação expressa à sua configuração. Convém ressaltar que na esfera contábil o chamado ágio interno é normalmente rechaçado, a exemplo de pronunciamentos do CFC e da CVM, elaborados antes mesmo da nova disposição legal. Entretanto, pelo menos em termos hipotéticos, pareceme possível que uma empresa do mesmo grupo econômico venha a adquirir de outra algo por valor superior àquele contabilizado. No contexto da legislação anterior, seria possível, em tese, considerar a operação como legítima, desde que praticada sob condições normais de mercado. E, ainda assim, a hipótese que entendo possível seria de aquisição direta, quando, por exemplo, o braço automotivo de um grande grupo econômico adquire o controle de uma empresa de autopeças, com o objetivo de racionalizar a produção industrial. Notese que o ágio, nesse cenário, seria em razão da aquisição por valor acima do registro patrimonial, sem qualquer consideração, neste primeiro momento, sobre a sua dedutibilidade para fins fiscais. Portanto, todas as operações internas exigem, justamente em razão de sua peculiaridade, uma análise mais profunda, pois nem sempre as operações entre partes relacionadas refletem a realidade dos fatos. Daí porque se enquadram naquilo que Marco Aurélio Greco denominou operações preocupantes. Assim, deve o intérprete atentar para as circunstâncias fáticas e jurídicas da operação, que incluem, entre outras, o propósito negocial, o efetivo pagamento ou desembolso pela aquisição, a sequência cronológica das operações, a adequada avaliação da rentabilidade futura e, sobretudo, a análise entre as posições inicial e final de cada interveniente. Tudo isso implica dizer que as operações entre partes relacionadas devem ser testadas sob o princípio do arm´s length, de tal sorte que os preços e as demais condições da aquisição sejam compatíveis com aqueles que seriam normalmente utilizados no mercado, a partir de princípios econômicos como a livre concorrência e a livre manifestação da vontade. E, à luz desse cenário e a partir de seus principais requisitos, percebese que, no caso dos autos, as operações de reorganização societária levadas a cabo pela Recorrente e demais empresas do grupo não satisfazem as condições acima destacadas, como bem percebido pela decisão de piso: Fl. 10006DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 33 32 Desta maneira, se em consonância com o princípio contábil do registro pelo valor original, somente uma transação entre agentes independentes daria respaldo ao reconhecimento de um ágio, as integralizações de capital na contribuinte autuada em 2003, à época denominada MJS (depois BMPS, depois ainda Belgo Siderurgia S/A) pelas empresas BMP e CSBM, controladoras direta e indireta da autuada, não são capazes de justificar o registro de ágio pela falta de um ambiente de livre mercado, de independência entre as empresas envolvidas, de geração de riqueza nova para o grupo econômico. É tão claro nos autos que as parcelas de ágio registradas ao longo do ano de 2003 na BMP e na CSBM, tendo como justificativa a rentabilidade futura da contribuinte autuada, são ágio interno, que o Relatório que fundamenta este ágio “Projeções de resultados futuros da MJS”, com data de 10 de março de 2003, elaborado pela empresa Apsis Consultoria Empresarial (fls. 299 a 455), contém um item específico e explícito (item VII.2 – fls. 332 a 334) sobre as operações intragrupo que deveriam ser formalizadas para justificativa da contabilização do ágio e sua transferência à autuada: (grifamos) Fl. 10007DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 34 33 No caso dos autos percebese, ao contrário do alegado pela Recorrente, que estamos diante da figura conhecida como ágio interno, independente do argumento que discute a diferença entre este e o "ágio intragrupo", distinção irrelevante no entendimento deste Relator. O que realmente importa é que todo ágio deve ter um fundamento econômico, conforme exigência do artigo 20 do DecretoLei n. 1.598/77, conjugado com as hipóteses de dedutibilidade dos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97, já transcritos, com as respectivas reproduções no Regulamento do Imposto de Renda. Isso implica que a dedutibilidade do ágio, decorrente de expectativa de rentabilidade futura, exige a aquisição de participação societária e a confusão patrimonial entre investidora e investida. Portanto, a razão econômica do ágio é a aquisição de algo que não se possui, de uma riqueza que ainda não integrava o patrimônio da adquirente. Disso decorrem dois raciocínios: primeiro, não é possível adquirir algo que já me pertença e, depois, que a dedutibilidade do ágio, para fins tributários, baseiase na presunção de perda de rentabilidade adquirida de terceiros, vale dizer, é possível deduzir o ágio quando a pessoa que detém a rentabilidade incorpora sua adquirente ou é por ela incorporada, o que enseja a confusão patrimonial prevista em lei. Na hipótese dos autos, a decisão de piso já consignou que os fatos não preenchem esse requisito: Ressaltese que no momento em que a primeira parcela de ágio foi registrada (31/05/2003, quadro de fl. 1942) pela BMP, a contribuinte já pertencia à BMP desde, pelo menos 14 de março de 2003, data de emissão do recibo de quitação da alienação das ações da contribuinte que pertenciam ao grupo Mendes Júnior (fl. 207), cujo pagamento fora realizado em 15 de janeiro de 2003. O mesmo cenário foi apresentado pela Fazenda Nacional, em sede de contrarrazões, para defender a indedutibilidade do ágio (com destaques no original): Como já adiantado, no presente caso, uma parcela do ágio surgiu em virtude de capitalizações da BMPS – que tinham o propósito de reduzir o seu PL negativo. Nesse ponto, cumpre destacar que o ágio decorrente da subscrição de ações da BMPS e da correspondente integralização de aumento de seu capital social não poderia existir. Isso porque tais operações não levaram a BMP e a CSBM – responsáveis pela integralização dos aumentos de capital – a adquirir nenhum novo Fl. 10008DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 35 34 investimento, nenhuma parcela da BMPS que antes já não detinham. Com efeito, desde antes dessas operações, o GRUPO BELGO já possuía 100% das ações da BMPS – seja por meio de controle direto da BMP ou indireta da CSBM. Não houve, portanto, qualquer alteração no percentual de participação que o GRUPO BELGO detinha da BMPS. Portanto, em face da subscrição de ações, a BMP e a CSBM não adquiriram nenhuma rentabilidade que antes já não detivessem. Não obstante terem subscrito novas ações, como já detinham 100% das ações da BMPS, não adquiriram nenhum percentual de participação novo. Pelo contrário, acabou registrandose um ágio em face da aquisição de uma percentagem que já era de titularidade do GRUPO BELGO. Dessa forma, vêse que, por meio da subscrição realizada, a BMP e a CSBM não adquiriram uma parcela da rentabilidade da BMPS que antes era de outro acionista, mas sim diluíram em mais ações a mesma participação que sempre tiveram. Na realidade, a intenção do GRUPO BELGO com a subscrição de ações não foi proporcionar a aquisição de um investimento, mas sim o saneamento do patrimônio da BMPS por meio do perdão de uma dívida. Contudo, como essa operação não levaria ao aproveitamento de nenhum benefício fiscal, optouse por transformar tal perdão em uma subscrição de ações com ágio. A partir da análise dos fatos e da constatação de que não houve aquisição de participação nova, aliada à ausência de fundamento econômico para o desencadeamento das operações, que ocorreram na esfera de um mesmo grupo econômico, inclinome em direção ao posicionamento hoje consolidado neste Conselho, no sentido da indedutibilidade do ágio. As conclusões da autoridade fiscal indicaram que Ora, como vimos, os únicos pagamentos feitos pela aquisição de ações da SMJ foram R$ 13,00 e R$ 234.115,17 a pessoas físicas e jurídicas detentoras das ações da empresa bem como do direito de subscrição, logo dizer que tal montante tomado como ágio (mais de um bilhão e meio) seria oriundo de transação com terceiros é contrário a tudo que foi relacionado anteriormente. (...) As saídas de caixa (pagamento pela aquisição da MJS) nessa operação foram irrelevantes quando comparado com o ágio registrado na BMPS, fruto de laudo, subjetivamente avaliado segundo algum tipo de potencial lucratividade futura. Os valores de ágio são efetivamente aumentos de capital. Ora, tais aumentos de capital foram, como regra geral com integralização por transferência de bens já possuídos pelo controlador, como imóveis, créditos por compra e venda de estabelecimentos, debêntures, ações de outras empresas, o que na realidade representa uma aglutinação de patrimônio em uma só empresa. Não obstante, é de se surpreender que pelo fato de Fl. 10009DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 36 35 aglutinar bens em uma só empresa possa gerar ágios e mais do que isso rentabilidade futura. Portanto estamos falando de aumento de capital e não de ágio e foram colocados na BMPS pelo próprio grupo econômico, que contratou a avaliação onde a própria administração ofereceu subsídios para os avaliadores, ou seja a simples transferência do bolso esquerdo para o bolso direito gerou prejuízos aos cofres públicos via amortização destes valores. O ágio apurado é, de fato fruto de avaliação intragrupo, sem propósito, dando se o nome de reorganização. (grifamos) Restam prejudicados, portanto, os argumentos da Recorrente, relativos à classificação, pela fiscalização, como ágio interno, além da tese de que não poderiam ser desconsiderados negócios válidos, pois restou demonstrado que a sequência das operações entre empresas do mesmo grupo carecem de fundamento econômico, capaz de possibilitar a dedutibilidade do ágio, sem prejuízo de formalmente cuidarem de transações válidas. Os ativos empregados nas diversas etapas foram os mesmos, os pagamentos feitos foram irrelevantes e o que de fato houve foi apenas a circularização dentro do grupo. E o que se discute aqui é a oponibilidade dos efeitos da reorganização societária perante o fisco, e a "análise do filme" nos mostra, a partir da sequência cronológica dos fatos, que não houve alteração significativa entre as posições inicial e final, nem tampouco aquisição de percentual novo de participação na operação, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. 4. Das operações que ensejaram a dedutibilidade do Ágio Arcelor Neste tópico, a Recorrente traça um longo panorama histórico acerca da formação e expansão do Grupo Arcelor no Brasil, bem como das reorganizações societárias empreendidas pelo Grupo ArcelorMittal no país, entre 2006 e 2012. Argumenta a interessada que em razão da complexidade das operações, que incluíram a tentativa de uma aquisição hostil entre as controladoras, além da incerteza quanto ao prazo para a incorporação no exterior ocorrer e a consequente extinção da Mittal Steel, a alternativa operacionalmente mais conveniente seria a criação de uma subsidiária brasileira: Diante desse complexo contexto, optouse por lançar a OPA das ações da Arcelor BR por uma subsidiária do Grupo Mittal no Brasil, já que se entendia que havia alta possibilidade de que a extinção da Mittal NV ocorresse anteriormente à finalização da OPA no Brasil. Se isso acontecesse, além de discussões ou explicações que teriam que ser eventualmente dadas à CVM, o procedimento burocrático da OPA se tornaria ainda mais custoso e complexo, visto que haveria a necessidade de alterar o ofertante perante todos os órgãos envolvidos (e. gr. CVM, bolsa de valores, Banco Central do Brasil), além de realizar outros procedimentos burocráticos, tal como a abertura de conta corrente etc. Fl. 10010DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 37 36 Nos termos acima expostos, resta clara a concomitância da ocorrência dos eventos na Europa e Brasil e o receio de que a incorporação da Mittal NV poderia ter efeito na OPA no Brasil e viceversa. Para comprovar esse receio, basta observar que a Mittal NV foi extinta em 03.09.2007 e que os acionistas da Arcelor BR poderiam ter alienado suas ações para a Mittal BR, no contexto da OPA brasileira, até o dia 04.09.2007. (...) Definida a necessidade de constituição da Mittal BR, a Mittal NV realizou o aporte de parte dos recursos que seriam necessários para a liquidação financeira da OPA ao capital da MittalBR. O restante dos recursos foi obtido pela própria Mittal BR através de contrato de empréstimo firmado com a Arcelor Investment S.A., o que foi indevidamente descaracterizado pela autoridade fiscal e, posteriormente, pelos Ilmos. Julgadores. Realizada a OPA, o Grupo ArcelorMittal optou por extinguir a Mittal BR, visto que havia sido constituída com o propósito de viabilizar o lançamento da Oferta em questão, bem como concentrar os investimentos na Arcelor BR. Após essa etapa e dando continuidade ao processo de reestruturação dos ativos do Grupo Arcelor no Brasil, agora denominado Grupo ArcelorMittal, tendo em vista o sucesso da Oferta no exterior e a incorporação da Mittal NV pela Arcelor S.A., visando à simplificação de sua estrutura societária, foi aprovada a incorporação da Arcelor BR antiga holding do Grupo Arcelor pela Recorrente, então Belgo Siderurgia, que teve sua razão social alterada para ArcelorMittal Brasil S.A. Em linha com os mesmos objetivos, foram deliberadas, ainda, diversas outras operações a fim de simplificar a estrutura operacional do Grupo ArcelorMittal, tais como a incorporação da antiga Vega do Sul CST; a cisão parcial da CST com a incorporação de mais de 95% de seu acervo líquido pela Recorrente; a incorporação da Belgo Siderurgia pela Recorrente etc., tal como citado anteriormente na descrição dos fatos. Esses fatos e fundamentos são apontados pela Recorrente como contraponto à acusação fiscal, que de forma completamente diversa concluiu que: Comentamos aqui que basicamente os investimentos na Arcelor Brasil somados ao respectivo ágio liquido de amortização totalizam R$ 10.803.862.438,07 e o passivo composto de empréstimos e capital social atingem R$ 10.858.486.381,15, indicando que: a) A Mittal Br foi um veículo utilizado para internalização do ágio no Brasil; b) Que a internalização do ágio era o único propósito negocial da Mittal BR; Fl. 10011DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 38 37 c) Que a Mittal NV poderia adquirir diretamente as ações e ficaria com o ágio no país de sua sede, mas preferiu utilizar a empresa veículo buscando, neste planejamento, auferir benefícios tributários; d) Que mais de 50% das ações adquiridas foram através de empréstimos, chamados de prépagamento em US$ (nos contratos de câmbio, constam como natureza = antecipação de exportação), empréstimos estes que com a incorporação passaram a ser obrigação da Arcelor, ou seja, a Arcelor vai pagar empréstimos para aquisição de suas próprias ações, com assunção de custos de juros inerentes. e) Assume a Arcelor prejuízos de variação cambial negativa, relatada adiante. E aqui temos o ponto central da discussão, pois o entendimento da fiscalização, corroborado pela decisão de piso, discrepa das alegações da interessada e constitui parte relevante dos montantes autuados. A despeito das longas considerações da Recorrente, reitero que não são aplicáveis à espécie os comentários relativos ao parágrafo único do artigo 116 do CTN , visto que este dispositivo sequer foi fundamento da autuação. Conquanto toda a discussão teórica acerca do tema me pareça um falso problema, descabe, no âmbito desta decisão, qualquer digressão ou análise mais aprofundada, pois o dispositivo não foi utilizado como pressuposto pela fiscalização. Os lançamentos foram efetuados a partir da análise dos fatos e circunstâncias que envolveram a reorganização societária, que são bastante extensos e constam do relatório deste voto. Contudo, apenas para demarcar o entendimento da fiscalização, reproduzimos a seguir as suas principais conclusões, que são o ponto central da controvérsia: Na situação posta, as operações societárias engendradas pelo grupo econômico tiveram como objetivo internalizar para o Brasil um ágio pago pela sociedade estrangeira domiciliada na Holanda (MITTAL STEEL NV) e gerado quando da aquisição de ações da pessoa jurídica brasileira (ARCELOR). E o ponto de partida para tal internalização deuse pela utilização da empresa veículo MITTAL BR, através de remessas do exterior que em ato contínuo, quase imediatamente estes recursos eram canalizados para compra de ações, além do que o aumento de capital da MITTAL BR com ações da Arcelor, (inclusive separando na MITTAL BR investimento do ágio pago pela sócia única holandesa), quando da aquisição de cerca de 75.767.982 ações, por R$ 3.950.614.712,60, redundando no ágio de R$ 2.378.140.393,21. Cumpre aqui tecer uma primeira observação acerca do valor capitalizado na MITTAL BR. A MITTAL NV adquiriu 75.767.982 ações com ágio, era natural e a boa contabilidade nos remete a isso, que o investimento na MITTAL BR fosse pelo total Fl. 10012DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 39 38 (investimento + ágio) e não separadamente pois quem afinal pagou o ágio foi a empresa do exterior. Ainda que todas as condições para a dedutibilidade dos encargos de amortização tivessem sido plenamente atendidas o que aqui se refuta peremptoriamente, como a seguir demonstrado, mas que se assume apenas para efeito de argumentação , para fim de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, caberia adicionar ao lucro líquido os valores da diferença entre o ágio que fora supostamente internalizado e aquele efetivamente pago, nos momentos em que a legislação os considera realizados. Como tais valores tampouco foram espontaneamente adicionados, restaria justificado o procedimento de ofício de oferecêlos à tributação. Repisese que tal procedimento não foi aqui adotado, visto que nem mesmo os encargos de amortização do ágio pago pela sociedade holandesa eram passíveis de dedução para a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, justificando a glosa integral dos encargos deduzidos. É patente a intenção do grupo econômico de utilizarse da MITTAL BR para carrear tal ágio para o Brasil. Tanto é assim que foi efêmera sua existência legal (foi constituída em 10/2006 e incorporada em 08/2007), sendo que no breve período em que era dotada de personalidade jurídica, suas declarações de rendimentos evidenciam como operação apenas o aumento de seu capital social (de R$ 500,00 para R$ 4.913.539.726,24) no período de junho a 20/08/07 (2 meses e meio). Ademais, utilizou empréstimos chamados de prépagamento em USD (R$ 5.294.450.949,90) e venda de cerca de 10 mil ações (R$ 563.453.373,86), que proporcionaram juros (R$ 81.670.48876), com a finalidade de fixar no Brasil os ágios pagos com a possibilidade de retorno de quase 50% do valor aqui aplicado. Realmente um negócio bastante interessante já que deixa no Brasil R$ 6.673.900.044,76 de ágio que vai reduzir tributos e ainda recebe de volta quando da liquidação do empréstimo/venda de ações. Tais declarações não revelam quaisquer outras operações por ela realizadas, a não ser o aumento de capital já aludido além dos empréstimos e divida por compra de ações e as conseqüências de sua participação na ARCELOR. A sociedade sequer possuía funcionários no período em que existiu, conforme dados das declarações de rendimentos. Mostrase com meridiana clareza a flagrante intenção do grupo econômico de constituir a MITTAL BR com o fim único de internalizar e transferir o ágio. Tratase de um caso típico de empresa veículo, criada com este único intuito. A subseqüente incorporação da MITTAL BR pela ARCELOR BRASIL, seguida da incorporação desta pela ARCELORMITTAL BRASIL S/A (a fiscalizada) também denota claramente o intuito ardiloso da operação, qual seja, Fl. 10013DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 40 39 desfrutar estritamente de um benefício fiscal derivado da amortização do ágio. A internalização do ágio pago pela MITTAL NV, via MITTAL BR constituiuse na "operaçãochave", a partir da qual o grupo econômico pretendeu aproveitarse do benefício fiscal concedido pela legislação pátria para diminuir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ora, o ágio foi efetivamente pago pela sociedade domiciliada na Holanda, e não por uma domiciliada no Brasil. (...) Ora, do ponto de vista econômico, a situação se apresenta sem qualquer substrato. E desprovida de significado econômico a dedução dos referidos encargos de amortização. Como explicar que uma pessoa jurídica passe a deduzir de seus próprios resultados a amortização de um ágio gerado na aquisição de suas próprias ações, notadamente se este tinha como fundamento uma rentabilidade futura destes mesmos resultados? Além de economicamente sem essência, a situação é rigorosamente ilógica. Do ponto de vista contábil, o "efeito líquido" das operações societárias consistiu basicamente em um artificial lançamento do ágio a débito no ativo Da MITTAL BR (depois ARCELOR e finalmente ARCELORMITTAL) e a crédito de seu passivo (exigível ou não exigível) e de capital, no valor de R$ 6.773.041.963,40. (grifamos) A descrição trazida pela fiscalização, cuja veracidade fática não é objeto de contestação, nos leva a concluir que realmente houve artificalismo na operação engendrada, mais especificamente notase a ocorrência da figura denominada como abuso de direito. Ressaltese que Marco Aurélio Greco, na já clássica obra Planejamento Tributário, 3a edição, fls. 210 e 211, cuida especificamente da figura do abuso de direito em relação às possibilidades de autoorganização: Nesse contexto é que vejo a inserção da temática do abuso do direito de autoorganização no âmbito tributário. Ou seja, a possibilidade de serem identificadas situações concretas em que os atos realizados pelos particulares, embora juridicamente válidos, não serão oponíveis ao Fisco quando forem fruto de um uso abusivo do direito de autoorganização que, por isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e da isonomia fiscal. Aqui reside um ponto importante. Independente da validade jurídica do ato e do direito de organização das sociedades, a questão diz respeito, essencialmente, à oponibilidade das condutas em relação ao Fisco, notadamente quando o seu objetivo único é o de obter vantagens tributárias. Fl. 10014DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 41 40 Recordamos que em relação ao ágio a regra geral é de indedutibilidade e que as situações em que a amortização como despesas é possível exigem perfeita subsunção dos fatos às normas tributárias. Aliás, o próprio Marco Aurélio reconhece, na sequência do parágrafo ao norte reproduzido, que depois do Código Civil de 2002 o abuso de direito não é apenas caso de inoponibilidade perante o Fisco, mas hipótese de ato ilícito que destrói um dos requisitos indispensáveis para que se tenha um efetivo planejamento tributário. Conquanto a Recorrente entenda que a fiscalização não poderia desqualificar atos jurídicos legítimos existe fundamento para tal postura, calcado no artigo 187 do Código Civil: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Ademais, o Professor Marco Aurélio Greco defende, na esteira do raciocínio desenvolvido neste voto, que cabe sim à autoridade fiscal requalificar negócios jurídicos que tenham como fim único a redução da carga tributária (obra citada, fls. 212 e 213): No entanto, os negócios jurídicos que não tiverem nenhuma causa real e predominante, a não ser conduzir a um menor imposto, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo; neste caso, o Fisco a eles pode se opor, desqualificandoos fiscalmente para requalificálos segundo a descrição normativo tributária pertinente à situação que foi encoberta pelo desnaturamento da função objetiva do ato. Ou seja, se o objetivo predominante for a redução da carga tributária, terseá um uso abusivo do direito. Entendo que o caso em tela se amolda à hipótese acima. A narrativa dos fatos nos leva a concluir, para além de qualquer dúvida, que a real adquirente das ações foi a empresa estrangeira, e que a utilização da chamada empresa veículo, a Mittal Steel Brasil Participações S/A, teve como único objetivo a internação do ágio, para seu posterior aproveitamento. Recordamos que a possibilidade de dedução do ágio está condicionada ao atendimento dos requisitos legais, conforme dispostos nos já citados e reproduzidos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532 e no artigo 20 do DecretoLei n. 1598/77. Ricardo Mariz de Oliveira apresenta a racionalidade e os requisitos das normas relativas ao ágio nas passagens seguintes, extraídas das páginas 763 e seguintes da obra “Fundamentos do Imposto de Renda”: A norma legal contida no artigo 7º e 8º foi promulgada com vistas a facilitar as privatizações levadas a cabo pelo Governo Federal, pois passou a permitir a dedução fiscal de certos ágios antes indedutíveis. Fl. 10015DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 42 41 Todavia a norma não se restringiu ao programa de privatização, tendo se estendido a toda e qualquer situação que se subsuma às suas hipóteses fáticas de incidência. (...) Uma primeira observação é no sentido de que os art. 7º e 8º não revogaram o disposto no art. 25 do Decretolei n. 1.598, que continua a vigir e a declarar indedutíveis as amortizações de quaisquer ágios, quaisquer que sejam seus fundamentos econômicos, assim como declara não tributáveis as amortizações de quaisquer deságios, enquanto o respectivo investimento permanecer no ativo permanente da pessoa jurídica adquirente do mesmo. Destarte, os efeitos fiscais dependem da realização das condições inseridas nos art. 7º e 8º da Lei nº 9.532, que são pressupostos para a dedução dos ágios, nos casos e circunstâncias em que admitida, assim como a tributação dos ágios. (...) Voltando ao primeiro e principal requisito para que a amortização seja dedutível , haver absorção de patrimônio por meio de incorporação, fusão ou cisão , devese ter presente que, a despeito da largueza de opções dadas pela Lei n. 9532 para a consecução do seu desiderato, tratase de condição a ser cumprida em sua substância, e não apenas formalmente, até tendo em vista a continuidade da vigência da norma de proibição de dedução da amortização se não houver um desses atos, prevista no art. 25 do Decretolei n. 1598. Com razão, a dedução fiscal da amortização é admitida a partir do momento em que “a pessoa jurídica [...] absorver patrimônio de outra”, segundo o “caput” do art. 7º, o que deve representar uma ocorrência efetiva. Outrossim, não se trata de absorção de patrimônio de qualquer pessoa jurídica, pois o mesmo dispositivo acrescenta que deve ser a pessoa jurídica “na qual detenha participação societária adquirida com ágio”. E, ademais, o dispositivo ainda restringe a forma de absorção, dizendo que ela deve ocorrer “em virtude de incorporação, fusão ou cisão”. Essa disposição legal evidencia acima de qualquer dúvida que a exigência é de reunião total (por incorporação ou fusão) ou parcial (por cisão) da pessoa jurídica investidora e da pessoa jurídica investida. O art. 8º, letra “b”, dá a alternativa de se inverter a ordem, ou seja, trata a absorção da investidora pela investida (a chamada “incorporação para baixo” ou “down stream merger”) do mesmo modo que a absorção da investida pela investidora (a “incorporação para cima” ou “up stream merger”), que está prevista no art. 7º. Fl. 10016DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 43 42 Seja como for, o relevante para a lei é a substância da reunião das duas (ou mais de duas pessoas jurídicas), por um dos atos jurídicos nos dois artigos. Esta exigência decorre não apenas da literalidade dos art. 7º e 8º, mas também, e principalmente, do espírito (a “mens legis” ou “ratio legis”) da norma por eles veiculada. Realmente, a racionalidade da norma está em que, por ter havido a reunião da pessoa jurídica a que se refira a expectativa da rentabilidade com a pessoa jurídica pagadora do ágio, este seja deduzido daqueles mesmos lucros esperados ou o mesmo se dê quando o ágio for referente ao valor de mercado dos bens do patrimônio da pessoa jurídica a que se refere a participação adquirida. O objetivo da norma legal é permitir que o ágio fundado em expectativa de rentabilidade, pago na aquisição de um negócio através da aquisição de participação societária na pessoa jurídica que explore esse negócio, seja lançado contra os lucros desse negócio, de modo a que os tributos devidos sobre tais lucros sejam calculados após a dedução da amortização do ágio. O espírito dessa norma é inequívoco, pois a lei permite a amortização do ágio quando ele tenha por fundamento econômico a expectativa de lucros futuros daquele negócio, o que bem justifica a consideração do ágio como dedutível na proporção da realização desses lucros, estabelecida na demonstração desse fundamento, e observado o limite máximo anual previsto na leis, embora, como dito, não haja absoluta e mandatória correlação entre as quotas de amortização de cada períodobase fiscal e o lucro nele apurado efetivamente (correlação de resto impossível de ser matematicamente determinada). Por isso mesmo, para que esse objetivo seja atingido, é necessário trazer o lucro para dentro da pessoa jurídica que tenha adquirido a participação societária com a expectativa de rentabilidade do mesmo (situação descrita no art. 7º) ou levar o ágio para dentro da pessoa jurídica produtora do lucro esperado (situação descrita no art. 8º), o que se faz por incorporação ou cisão de uma delas e absorção pela outra. Ou, ainda, o mesmo objetivo pode ser alcançado levandose o ágio e o lucro para dentro de uma nova pessoa jurídica, o que se faz por fusão das duas pessoas jurídicas. (...) Realmente, os art. 7º e 8º da Lei n. 9532 têm um objetivo – a concessão do benefício de uma dedução especial do ágio – um requisito para tanto, que é a absorção do patrimônio onde esteja o ágio, ou do patrimônio que vai gerar o lucro ao o ágio se refira. Isso inobstante, após a junção das pessoas jurídicas com os recursos financeiros relativos ao ágio participando do ativo da Fl. 10017DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 44 43 mesma pessoa jurídica (quando for o caso) poderem eles ser empregados para o pagamento de custo e despesas, o que não se confunde com a natureza do ágio mantido em ativo diferido e com a sua amortização, tanto quanto o capital social e os recursos derivados da sua integralização podem ser usados para pagar custos e despesas, mas não se transformam em custos e despesas. Portanto, essa norma de concessão do direito à dedução fiscal da amortização é uma norma excepcional, baseada em motivações extratributárias de (1)conveniência da política fiscal no sentido de favorecer as privatizações, à época da promulgação da Lei n. 9532, e também de (2) justiça econômica contida na amortização do ágio pago na aquisição do negócio, paulatinamente à geração dos lucros que tenham dado lastro a ele, eis que estes são sujeitos à tributação quando surgidos. Este último dado é que justifica a extensão da norma a quaisquer aquisições, mesmo às feitas fora do programa de privatizações que estava em andamento na data da Lei n. 9532. O segundo aspecto apresentase exatamente a partir do primeiro e da condição legal para a dedução fiscal da amortização (que é a absorção de patrimônio através da incorporação, fusão ou cisão), consistindo na exigência de que a amortização se processe contra os próprios lucros cuja expectativa tenha dado fundamento econômico ao ágio, exigência esta não expressa na lei, mas decorrente de um imperativo lógico que se pode dizer estar implícito na lei. Realmente, a exigência de incorporação, fusão ou cisão não é uma condição vazia de sentido, que possa ser cumprida apenas formalmente, como, por exemplo, deixar o ágio na investidora e incorporar a ela, por cisão parcial da cindida, uma atividade que não é a geradora de lucro cuja expectativa tenha gerado o lucro. (grifamos) Destarte, o escopo implícito na lei, ao estabelecer a condição de realização de incorporação, fusão ou cisão, é unir o ágio e os lucros a que ele se refira, numa mesma pessoa jurídica e, portanto, num mesmo lucro tributável. Representando isso o cerne racional da exigência condicional da dedução do ágio, manifestase através do requisito da absorção de um patrimônio pelo outro. Ocorre que no caso dos autos percebese a utilização da chamada "empresa veículo", expressão que normalmente é entendida de forma pejorativa, no intuito de desqualificar a operação realizada por seu intermédio. Já nos manifestamos, em outras ocasiões, pela possibilidade de utilização lícita (e, portanto, não abusiva) de uma empresa veículo, sempre que reste claramente demonstrada a sua razão de ser e finalidade ou, ainda, quando se comprove que os mesmos objetivos poderiam ser alcançados sem a sua interposição. Ocorre que, no caso dos autos, os argumentos da Recorrente não me convencem acerca da necessidade da empresa brasileira, ao menos da forma como foi utilizada. Pareceme que realmente o seu único propósito foi o de carrear para o sistema tributário Fl. 10018DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 45 44 econômico brasileiro valores que posteriormente seriam deduzidos a título de despesas com ágio. Confirmamno a sua criação específica e breve existência, a ausência de atividade econômica (conforme demonstrado pela autoridade fiscal), o recebimento integral de recursos oriundos do exterior e sua posterior extinção, numa sequência fática a cronológica que nos leva a concluir que, ao final do "filme", todo o arranjo teve por único objetivo a amortização do ágio. Nesse contexto, a Câmara Superior recentemente decidiu pela indedutibilidade do ágio: Acórdão 9101002.213 – 1ª Turma Sessão de 3 de fevereiro de 2016 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COLUMBIAN CHEMICALS BRASIL LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO. INVESTIDA. REAIS INVESTIDORAS. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. INDEDUTIBILIDADE. IRPJ. CSLL. Nos termos da legislação fiscal, é indedutível o ágio deduzido pela investida, em inexistindo a necessária confusão patrimonial com as suas reais investidoras. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Do voto do i. Relator podemos extrair os seguintes excertos, que justificam a posição adotada: Não obstante tenha havido a efetiva transferência de recursos das sociedades CC HOLDCO S.A.R.L (LUXEMBOURG) e CC HOLDCO (LTD CAYMAN) HOLDCO para a sociedade CC ACQUISITION CO. (BRASIL) PARTICIPAÇÕES LTDA., na realidade essa última empresa apenas serviu de receptáculo de tais recursos que, no mesmo dia, foram transferidos, de imediato, para a sociedade COLUMBIAN INTERNATIONAL CHEMICALS CORPORATION (USA), visando à aquisição da empresa recorrente, COLUMBIAN CHEMICALS BRASIL LTDA. E tudo isso com o específico fim de permitir a criação de ágio no País, supostamente passível de amortização e, ainda, garantir a remessa, ao exterior, de valores decorrentes da integralização de aumento de capital e do mútuo efetuados com a CC ACQUISITION CO. (BRASIL) PARTICIPAÇÕES LTDA. Ou seja, em última análise, os recursos que permitiram a aquisição da recorrente foram oriundos exclusivamente do Fl. 10019DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 46 45 exterior e não do País , e foram pagos a outra empresa também fora do país, motivo pelo qual não se pode ter como válido, para fins de amortização, o ágio então formado. É que, para que se possa processar essa amortização, é pressuposto inarredável a existência de confusão patrimonial, consistente em haver, no mesmo patrimônio da empresa resultante da incorporação, ágio e rentabilidade, ou ágio e valorização patrimonial, conforme o caso. (...) Vejase que é exatamente isto que preconiza a legislação de regência, quando diz “poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração”, a “pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977” (inciso III e caput do art. 7º da Lei 9.532/1997). Mas vejase que o permissivo legal não ocorre no caso, reitere se, pois a empresa adquirente CC HOLDCO (CC HOLDCO LTD CAYMAN + CC HOLDCO LUXEMBOURG), que adquiriu a COLUMBIAN CHEMICALS DO BRASIL, pagando no exterior (via remessa a partir do Brasil, de recursos para cá enviados poro ela com este fim) à COLUMBIAN INTERNATIONAL CHEMICALS CORPORATION (USA), não incorpora nem é incorporada pela adquirida (COLUMBIAN CHEMICALS DO BRASIL). (...) Cumpre deixar claro que, se se tratasse a CC ACQUISITION CO. (BRASIL) PARTICIPAÇÕES LTDA. de uma empresa preexistente no país, e que aqui exercesse atividade econômica, ainda se poderia admitir que recebesse, ela, recursos do exterior, visando à aquisição de outra empresa também existente no país, para uma futura incorporação, direta ou reversa, entre ambas. Neste caso poderseia argumentar que os efeitos fiscais teriam sido verificados unicamente no país. Não é o caso, porém, quando se constatou que aquela sociedade (CC ACQUISITION CO. (BRASIL) PARTICIPAÇÕES LTDA.) tratavase de uma empresa efêmera, fugaz, que, no seu próprio nome (ACQUISITION) e em seu objeto social (“tem por objeto social exclusivo a participação no capital social da COLUMBIAN CHEMICALS BRASIL LTDA.”), deixa claro ter sido projetada, apenas, para possibilitar a aquisição de outra empresa, com a sua consequente e inexorável extinção. Fl. 10020DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 47 46 Assim, como bem evidenciado pela Fazenda Nacional, em seu recurso especial, o ágio deduzido pela recorrente (investida) é indedutível, nos termos da legislação fiscal, pela inexistência da necessária confusão patrimonial com as suas reais investidoras CC HOLDCO (CC HOLDCO LTD CAYMAN + CC HOLDCO LUXEMBURGO). Conquanto o caso apreciado pela Câmara Superior não seja exatamente igual ao dos autos, posto que naquele processo a empresa veículo recebeu e transferiu recursos de e para o exterior, os argumentos acerca de sua efemeridade, ausência de substância econômica e falta de propósito negocial são aplicáveis ao caso sob análise. Cai por terra, nesse cenário, o argumento da Recorrente sobre a impropriedade de a controladora estrangeira ser entendida como real adquirente das ações no Brasil, posto que os recursos dela vieram e o resultado econômico da operação (o fechamento do capital e a titularidade posterior das ações) a ela aproveitaram. Como a real empresa investidora (a Mittal Steel Company N.V., domiciliada no exterior, com sede na Holanda) e a investida (Arcelor Brasil) continuaram a existir após as operações, a constituição da empresa veículo no país foi a única forma de internação do ágio, com o intuito de viabilizar sua dedutibilidade. Essa circunstância foi bem apontada pela decisão de piso, cujos argumentos reconheço e acolho: Como já relatado e referido, a impugnante afirma que o que motivou a participação da Mittal BR foi a necessidade de viabilizar rapidamente os pagamentos aos acionistas minoritários que venderam suas ações da Arcelor Brasil de forma a não ofender os regulamentos da Bolsa de Valores e do Bacen. Contudo, esta alegação não se sustenta, pois, como já observado pela fiscalização (primeiro parágrafo de fl. 1985) e conforme a Nota de Corretagem juntada pela fiscalização (fl. 803), a Mittal NV adquiriu ações diretamente na OPA, fato reconhecido pela própria fiscalizada em resposta a Termo de Intimação (letra “a” de fl. 60). Neste passo, cabe observar que os exemplos de outras OPAs que foram realizadas por meio de empresas brasileiras (documentos juntados às fls. 2597 a 2685) não socorrem a impugnante porque justamente os Editais destas outras Ofertas Públicas explicitam que os ofertantes são empresas brasileiras, isoladamente ou em conjunto com empresa estrangeira, o que não ocorreu no caso dos autos que, como já dito, tem a controladora estrangeira como única ofertante constante do Edital. A outra alegação da impugnante de que a indefinição quanto à forma em que se daria a fusão entre os grupos Arcelor e Mittal no exterior exigia que a compra de ações fosse feita pela empresa brasileira (Mittal BR) também não se sustenta, pois uma das opções de pagamento aos acionistas minoritários pela entrega das ações da Arcelor Brasil envolvia o recebimento do valor devido parte em ações da Mittal NV. Ora não é possível Fl. 10021DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 48 47 compreender que ações de uma empresa estrangeira sejam oferecidas (e aceitas) em OPA, empresa esta com situação indefinida no exterior segundo a impugnante, e esta mesma empresa seja incapaz de promover esta mesma OPA. De fato, como se vê, esta situação de indefinição no exterior, não impediu que a Mittal NV participasse diretamente da OPA (sem a intervenção da Mittal BR), OPA esta realizada por sua conta e ordem. Também não é possível desconsiderar a proximidade de valores e datas entre as integralizações de capital feitas na Mittal BR pela Mittal NV e as aquisições de ações da Arcelor Brasil pela Mittal BR, de acordo com os demonstrativos elaborados pela fiscalização às fls. 666 a 669, 1979, 1981 e 1982, o que reforça a constatação de que quem pagou o ágio de fato foi a Mittal NV. Finalmente, em 20/08/2007 com a incorporação da Mittal BR pela controlada Arcelor Brasil (Ata da Assembléia às fls. 492 a 494), as ações da Arcelor Brasil que estavam em poder da Mittal BR (206.681.012 ações) foram canceladas e substituídas por igual número de ações entregues à Mittal NV, que era única acionista da Mittal BR. Observese que parte das ações canceladas foi adquirida diretamente pela Mittal NV, entregue com ágio à Mittal BR a título de aumento de capital e compra e venda (75.767.982 ações – quadro de fls. 667, Ata da Assembléia da Mittal BR de fls. 462 a 464 e documentos e contrato de compra e venda de fls. 801 a 821) e depois substituída por igual número de ações entregues pela Arcelor Brasil à Mittal NV, tendo o ágio permanecido no Brasil. É mais gritante o abuso de direito desta parcela do ágio, cujas ações vieram do exterior e para lá voltaram e que o respectivo ágio ficou para ser amortizado no Brasil. Portanto, o que se conclui do exame dos documentos contidos nos autos é que a constituição e participação da empresa Mittal BR no processo de compra das ações da Arcelor Brasil em poder dos acionistas minoritários teve como único objetivo permitir que o ágio pago por empresa domiciliada no exterior fosse registrado por esta empresa veículo que foi incorporada em 20/08/2007 pela controlada (Arcelor Brasil) emissora das ações adquiridas, nove dias úteis após a última aquisição das referidas ações, que ocorreu em 07/08/2007, conforme demonstrativo de fl. 668. Desta forma, aqui também são aplicáveis as considerações feitas acima nos itens 74 a 87 no sentido de que nos termos do ordenamento jurídico vigente não podem ser aceitos os efeitos tributários de um planejamento fiscal, que, apesar de formalmente de acordo com a lei, visto de maneira global, no conjunto visou burlar os requisitos previstos para amortização do ágio. Enfim, não se trata, como alega a impugnante, de obrigála a escolher a forma de tributação mais gravosa, mas sim tributála conforme o que efetivamente ocorreu. Cabe destacar que não houve absorção de patrimônio entre a controladora estrangeira que pagou o ágio e a empresa brasileira cuja aquisição de participação foi ensejadora do ágio, Fl. 10022DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 49 48 um dos requisitos necessários para amortização do ágio de acordo com a legislação antes reproduzida. (grifamos) De se notar que as principais características apontadas por Luís Eduardo Schoueri (Ágio em Reorganizações Societárias Aspectos Tributários, Editora Dialética, p. 103) para a configuração da empresa veículo estão presentes no caso dos autos: i) criação pela própria adquirente com seu investimento na empresaalvo exclusivamente para a transferência do ágio; ii) criação sem qualquer outro propósito econômico; iii) transferência do ágio para a empresa veículo; iv) ser a controladora da empresa que restou após a incorporação; v) extinção por conta da incorporação e vi) possibilitar que a controlada possa amortizar o referido ágio. Diante dessas características, o autor pondera que (op. cit, p. 104): Dada a natureza claramente simulada de tais entidades, a jurisprudência tende a afastar os efeitos fiscais decorrentes de seu emprego. Percebese que ao final da operação, levada a cabo por meio da empresa veículo, a sociedade que efetivamente pagou o ágio, mediante transferência de recursos e capitalização, não foi extinta, assim como não o foi o próprio investimento. Isso nos leva a concluir que os procedimentos, embora formalmente regulares, não tinham qualquer propósito negocial ou racionalidade econômica que não fosse o efeito tributário desejado. Diante de todo o exposto entendo como corretos os lançamentos efetuados pela autoridade tributária em relação ao ágio. 5. Amortização do ágio e seus efeitos em relação à CSLL Em relação à CSLL entende a Recorrente que inexiste dispositivo legal que impeça a dedutibilidade do ágio, nos seguintes termos: Assim, não havendo qualquer disposição legal que impeça a dedutibilidade do ágio da base de cálculo da CSLL, tampouco qualquer norma que estenda a esta contribuição às disposições relativas ao IRPJ, resta concluir que não existe qualquer óbice ou limitação quanto à amortização do ágio para a dedutibilidade dos valores pagos a título de ágio quanto à contribuição em tela. Já me manifestei em diversas outras oportunidades no sentido de reconhecer a evidente aproximação e quase identidade entre o IRPJ e a CSLL, notadamente quanto à apuração das respectivas bases de cálculo. Dentro dos limites do que se discute neste processo, e sem a necessidade de maiores digressões, devemos nos ater aos fundamentos trazidos pela autoridade fiscal, que no Auto de Infração utilizou os artigos 2o e parágrafos da Lei n° 7.689/88 e 28 da Lei n° 9.430/96. Os dispositivos utilizados pela fiscalização possuem a seguinte redação: Artigo 2o da Lei n. 7.689/88: Fl. 10023DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 50 49 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; (...) e Art. 28 da Lei n° 9.430 de 1996 Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Para a compreensão da matéria, também não podemos olvidar do disposto no artigo 57 da Lei n. 8.981/95: Art. 57 da Lei n° 8.981/95 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (grifamos) A leitura dos dispositivos nos leva a concluir que a metodologia e as regras de apuração para o imposto de renda são aplicáveis ao cálculo da CSLL (o que se infere da dicção "mesmas normas de apuração") e que o preceptivo só perderia eficácia se houvesse norma específica, relativa à contribuição, em sentido diverso. Aliás, os demais parágrafos do artigo 57 corroboram a tese de semelhança entre as duas figuras: § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzida da contribuição apurada no encerramento do período de apuração. Fl. 10024DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 51 50 Igual raciocínio se aplica, ainda, para fins de compensação, conforme dispõe o artigo 58 do mesmo diploma legal: Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Além de fixar idêntica trava para a compensação das bases negativas (em relação ao IRPJ), o comando expressamente menciona que a base de cálculo será o lucro líquido ajustado, ou seja, o legislador estabelece para a CSLL o mesmo ponto de partida previsto para o cálculo do lucro real, afinal o lucro é "ajustado" pelas adições e exclusões previstas na legislação do Imposto de Renda (artigos 250 e 510 do Decreto n. 3.000/99). Não se trata, portanto, de integração por analogia, figura vedada pelo artigo 108 do CTN no que se refere à exigência de tributos. O que se tem, de fato, é a identidade, prevista em lei, quanto às sistemáticas de apuração da base de cálculo das duas figuras. Também não se cuida de omissão, pois a lei expressamente configura a base de cálculo do tributo e a aproxima, por equivalência, às regras do IRPJ. Ademais, no caso em tela, a constatação da artificialidade das despesas relativas ao ágio não nos permite aceitar, sob qualquer argumento, a sua dedutibilidade para fins de apuração da CSLL. Tratase de questão ontológica e, na esteira do raciocínio desenvolvido neste voto, tornase de rigor declarar que não assiste razão à Recorrente. 6. Excesso de exação em relação à multa qualificada Defende a Recorrente que inexiste justificativa para a qualificação da multa, nos seguintes termos: No caso da Recorrente, os negócios jurídicos foram efetivamente praticados e produziram todos os respectivos efeitos jurídicos, havendo perfeita sintonia entre as causas típicas e objetivas de cada uma dessas etapas. Ademais, os documentos que ampararam a sua realização obedeceram a todas as formalidades legais, tendo sido publicados em notas explicativas das demonstrações financeiras das sociedades envolvidas, bem como em fatos relevantes divulgados ao mercado, além de registrados nos órgãos competentes. Ora, a fraude "tributária", prevista no artigo 72, da Lei 4.502/64, sempre foi reconhecida como aquela instrumentalizada mediante adulteração das informações contidas nos livros e registros contábeis e fiscais do contribuinte, por exemplo. Fl. 10025DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 52 51 Acerca deste ponto, que foi afastado pela decisão de piso, nos manifestaremos quando da análise do Recurso de Ofício, deixando consignada, por enquanto, a posição da Recorrente pela manutenção do entendimento exarado em primeira instância. 7. Da glosa da variação patrimonial passiva e de juros Neste tópico, defende a Recorrente que não procede a glosa das variações patrimoniais passivas e de juros, sob o argumento da legitimidade das operações que originaram o ágio e, ainda, que a partir de agosto de 2007 a variação cambial teria sido positiva. A situação objeto da discórdia decorre dos seguintes fatos, narrados pela decisão de piso: A fiscalização glosou a variação cambial passiva (R$ 359.501.121,23) e a despesa com juros (R$ 141.557.901,14) gerados por empréstimo (R$ 5.294.450.949,90) que a Mittal BR tomou no exterior para aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A no Brasil e de passivo gerado (R$ 563.453.373,86 equivalente a U$ 300.054.850,00) pela compra das ações da Arcelor Brasil S/A que se encontravam em poder da controladora no exterior Mittal NV. Estes valores se encontram no balanço da Mittal BR na data de sua incorporação (20/08/2007) e foram transferidos a sua sucessora (Arcelor Brasil S/A) e à sucessora de sua sucessora (ArcelorMittal, a autuada impugnante). Existe clara correlação entre os valores glosados e o entendimento acerca da legitimidade do ágio, pois a fiscalização, ao desqualificar, para fins tributários, as operações que ensejaram o ágio entendeu, por via de consequência, considerar desnecessárias as despesas com o empréstimo obtido, para esse fim, no exterior. De acordo com a narrativa fiscal, os argumentos para a glosa foram: A fiscalizada enviou, para fins de amparar os empréstimos mencionados, contrato de "export prepayment agreement" entre Mittal BR (tomador) e Arcelor Investments S/A (emprestador), sediado em Luxemburgo, datado de 04/07/2007 (período em que aconteceram as aquisições de ações da Arcelor). O contrato em questão manifesta a intenção de emprestar até US$ 5.000.000.000,00 a serem liquidados com futuros produtos a serem exportados, com juros estipulados em 10% ao ano. Consta ainda, mapa de cálculo dos valores emprestados, das amortizações do principal, dos juros e do total pago. Remeteram, também, contrato com os mesmos participantes do contrato anterior, datado de 04/12/2007, já constando a Arcelormittal como emprestador, por subrogação da Mittal BR. no valor de US$ 3.223.899.350,34. Citam que parte será emprestada pela empresa Aceralia Construccionies (sediada em Madrid). Fl. 10026DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 53 52 Portanto, vale para este capítulo, tudo aquilo que foi defendido exaustivamente no capítulo de ágio internalizado, pois se a Mittal NV tivesse adquirido diretamente as ações da Arcelor Brasil, e não havia nada proibindo este procedimento, não existiria o empréstimo e nem haveria a necessidade de vender para a Mittal BR parte das ações adquiridas diretamente pela Mittal NV. Os valores calculados pela autoridade fiscal, a partir das declarações da Recorrente, podem ser encontrados às fls. 71 a 73 do TVF e me parecem corretos. Como a Mittal BR não tinha capacidade econômica para adquirir as ações da Arcelor Brasil os recursos financeiros foram obtidos do seu próprio controlador no exterior, a Mittal N.V. Portanto, as despesas glosadas pela fiscalização decorreram da variação cambial passiva e dos juros relacionados aos empréstimos obtidos pela Mittal BR. Na exata medida em que se entenda, conforme já demonstrado neste voto, que tais despesas são fruto de artificialismo nas operações relativas à reorganização societária do grupo, que permitiu a formação do ágio, tornase de rigor considerálas como não enquadradas nos conceitos de usualidade e necessidade exigidos pelo artigo 299 do Regulamento do Imposto de renda: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. O raciocínio é direto e deve guardar correspondência lógica com o entendimento acerca do ágio, vale dizer, se a real adquirente das ações foi a controladora no exterior, que apenas utilizou a empresa veículo no Brasil, sendo certo que não houve uma real operação de compra e venda, dada a circularização do negócio, quaisquer despesas a título de variação cambial e juros, relativas aos empréstimos contraídos, simplesmente não podem ser dedutíveis, pois a desconsideração dos efeitos tributários da operação que envolveu o ágio automaticamente afasta o reconhecimento de outras despesas a ele inerentes. Em relação ao argumento de que houve variação ativa no final de 2007 e que os cálculos realizados pela fiscalização estariam incorretos, pareceme que a análise dos documentos não corrobora a tese da defesa. Nesse contexto, reproduzo e acolho o entendimento formulado na decisão da DRJ, posto que inexistem provas efetivas em contrário: A impugnante ainda afirma, especificamente em relação à variação cambial, que a fiscalização deixou de considerar a variação cambial ativa, gerada pelo empréstimo, decorrente da valorização da moeda nacional ocorrida a partir de setembro de Fl. 10027DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 54 53 2007. Afirma ainda que a Mittal BR e a Arcelor Brasil optaram pela tributação da variação cambial pelo regime de caixa e que a ArcelorMittal (antes denominada Belgo Siderurgia) optou pela tributação pelo regime de competência. Para embasar estas afirmações apresenta planilha (fl. 2687) e cópia parcial das declarações de rendimentos destas empresas. Contudo, estes documentos não são hábeis para afastar a constatação, apontada pela fiscalização, de que foi excluído do lucro líquido para apuração do lucro real, a título de variação cambial passiva, ainda que tenha constado na declaração de rendimentos na linha “outras exclusões”, o valor total de R$ 359.501.121,23, conforme comprovam os documentos (Livro de Apuração do Lucro Real – Parte A) de fls. 909 e 915. Neste ponto, cabe esclarecer que a variação cambial passiva foi deduzida via Lalur, já que estava sendo controlada na Parte B da sucessora, pois a Mittal BR tinha adicionado o respectivo valor na apuração de seu lucro real de encerramento pela incorporação. Portanto, esta parcela do lançamento também deve ser mantida. 8. Dos lucros no exterior A fiscalização autuou, a título de CSLL, os lucros auferidos no exterior pela controlada Acindar, localizada na Argentina, pelos seguintes motivos: Em tese, os lucros apurados por tais controladas são passíveis de disponibilização para fim de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do fiscalizado. Observo que foram considerados, apenas para fins de CSLL os lucros auferidos pela ACINDAR ACEROS, localizada na Argentina, motivada pela não cobertura do CSLL pelos Acordos para evitar bi tributação entre o Brasil e a Argentina, pois tal contribuição tem natureza diversa do IRPJ. Entendemos que a convenção entre Brasil e Argentina não abrange a CSLL, porque à época da assinatura do acordo, já existia a CSLL e não há menção, no tratado, de que a contribuição seria abrangida, ora se já existia e não foi arrolada no TDT indica que esta fora do alcance desse mesmo Tratado. Ainda, considerese, que o parágrafo 3o do artigo 2o da convenção menciona que impostos que forem estabelecidos após a data de sua assinatura, ou seja, a CSLL foi constituída antes da oficialização do Tratado. Por seu turno, entende a Recorrente que o Tratado para evitar a bitributação, celebrado entre Brasil e Argentina, produz efeitos em relação à CSLL. Cumpre ressaltar, neste passo, que a decisão de primeira instância já havia afastado parte do valor exigido a título de CSLL, por erro na determinação da participação da autuada na controlada argentina: Fl. 10028DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 55 54 A autuada também afirma que a fiscalização errou ao considerar 100% do lucro auferido pela controlada Acindar como sujeito à tributação, já que sua participação nesta empresa foi de 65,84% e 65,21% em 31/12/2006 e 31/12/2007. Realmente a fiscalização considerou 100% dos lucros auferidos pela controlada estrangeira em 2006 e 2007, demonstrados no quadro 28 (fl. 2005) como sujeito à CSLL, sem em nenhum momento afirmar que a Acindar seria integralmente controlada pela fiscalizada. Pelo contrário, na única passagem em que cita percentual de participação, se refere a 66%, conforme documento datado de 07/05/2004 à equivalente argentina à nossa CVM (segundo parágrafo de fl. 2005). Além disto, na DIPJ relativa ao anocalendário 2007, a contribuinte já havia declarado que detinha participação equivalente a 65,21% na controlada Argentina (fl. 1501). Diante disto, e das demonstrações contábeis apresentadas pela impugnante e relativas aos exercícios findos em 31/12/2006 e 31/12/2007, que registram participação da interessada na Acindar Indústria Argentina de Aceros S/A nos percentuais respectivos de 65,84% (fl. 2719) e 65,21% (fl. 2756), cabe a redução do lançamento para que sejam tributadas pela CSLL somente a parcela dos lucros auferidas pela empresa estrangeira que sejam proporcionais à participação da empresa brasileira naquela. Contudo, apesar da correta adequação da base de cálculo ao lançamento da CSLL, efetuada pela DRJ, remanesce a questão jurídica sobre o aplicabilidade do tratado entre Brasil e Argentina para tal contribuição. Importante frisar que a autoridade fiscal fundamentou a autuação exclusivamente em razão da inaplicabilidade do tratado à CSLL. Inexiste, nos autos, qualquer outro fundamento que justifique a medida. Assim, entendo que, neste ponto, tem razão a Recorrente. De plano, convém ressaltar que não se discute, no entendimento deste Relator, a supremacia dos tratados internacionais em relação à legislação interna, notadamente na seara tributária, por força do artigo 98 do Código Tributário Nacional. Ocorre que aqui, ao contrário da discussão enfrentada no processo n. 10600.720035/201386, relativo à mesma contribuinte e semelhantes operações (lá cuidase dos anoscalendário de 2008 e 2009), o único fundamento da autuação foi a não abrangência Fl. 10029DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 56 55 da CSLL no acordo entre Brasil e Argentina, tanto assim que a fiscalização não lançou valores a título de IRPJ, diferente do que ocorreu naquele caso. Em termos conceituais, sempre defendi a extensão dos tratados celebrados pelo Brasil para evitar a bitributação também para a CSLL, por diversos argumentos, entre os quais a proximidade lógica e quase identidade entre os dois tributos, além dos princípios da boafé, da reciprocidade e da transparência, que devem nortear as relações internacionais. Também tenho defendido, há tempos, a compatibilidade entre a legislação nacional (notadamente o artigo 74 da MP n. 2.15835) e o disposto no tratados, na esteira, inclusive, do que já decidiu o Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento da ADIN 2.588: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO DA NOVA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO TRIBUTO PARA A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS APURADA EM 2001. VIOLAÇÃO DAS REGRAS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANTERIORIDADE. MP 2.15835/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos lucros; 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. Fl. 10030DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 57 56 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.158 35/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida e julgada parcialmente procedente, para dar interpretação conforme ao art. 74 da MP 2.15835/2001, bem como para declarar a inconstitucionalidade da cláusula de retroatividade prevista no art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001. (grifamos) Portanto, a regra geral do comando foi considerada conforme pelo STF, de sorte que os lucros auferidos por controlada no exterior devem ser computados na base de cálculo dos dois tributos. Contudo, não se pode olvidar que o artigo 11 da Lei n. 13.202/2015 resolveu, (corretamente, no entendimento deste Relator e de grande parte da doutrina) a antiga questão sobre a pertinência da CSLL nos tratados para evitar bitributação em que a contribuição não fora expressamente prevista: Art. 11. Para efeito de interpretação, os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. Portanto, a controvérsia está resolvida, e os preceitos relativos aos tratados devem ser estendidos à CSLL. Assim, ao analisarmos o Termo de Verificação Fiscal constatamos que não houve autuação relativa ao IRPJ (ao contrário do lançamento efetuado em relação à controlada na Costa Rica, que não possui tratado com o Brasil), sob o argumento de que o imposto estaria albergado pelo tratado, entendimento que foi negado, pela fiscalização, em relação à CSLL. A posição da fiscalização baseouse apenas no entendimento teórico acerca da matéria, que hoje encontrase prejudicado pela interpretação autêntica veiculada pelo legislador, de sorte que na ausência de outros fundamentos para a autuação, como o efetivo oferecimento dos valores à tributação no Brasil ou os cálculos pertinentes à apuração do resultado no país, entendo que deve ser cancelado o lançamento relativo à CSLL decorrente do resultado no exterior da controlada argentina Acindar. Repitase: defendo ser possível a coexistência entre os preceitos do artigo 74 da MP 2.15835 e as regras para evitar a bitributação existentes nos tratados celebrados pelo Brasil, pois a lógica desses acordos enseja a tributação no país de residência de cada Estado Fl. 10031DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 58 57 contratante. Mas, como no caso dos autos, a fiscalização utilizou como único argumento o não enquadramento da CSLL nas disposições do tratado, circunstância afastada pela legislação, com óbvios efeitos retroativos, a autuação não se sustenta e deve ser cancelada. Tornase desnecessária, na esteira dessa conclusão, a análise sobre a existência de créditos compensáveis para a controlada Acindar, em razão de pagamentos já efetuados no exterior. No que tange à tributação do resultado obtido pela controlada ArcelorMittal Costa Rica, o argumento da defesa baseiase nas seguintes premissas: Em brevíssima exposição, a autoridade fiscal, na autuação que deu origem ao presente processo, acusa a Recorrente de ter deixado de adicionar ao lucro real e à base de cálculo do IRPJ e da CSLL o montante de R$ 2.615.530,64, auferidos por sua controlada domiciliada na Costa Rica, ArcelorMittal Costa Rica S/A ("AM Costa Rica"). A recorrente, por ocasião da Impugnação, reconheceu parte desse montante apurado sobre os lucros auferidos através da controlada AM Costa Rica, tendo inclusive efetuado o recolhimento do IRPJ e da CSLL apurados sobre a base de R$ 1.826.349,51. No entanto, a parcela restante da infração, no valor de R$ 789.181,13, não pode prevalecer, conforme já sustentado na Impugnação e reiterado a seguir. Pois bem. Em 2006 e 2007, a Recorrente detinha também participação societária na Trefilería Colima S.A. ("Colima"), igualmente domiciliada na Costa Rica. Em 31.12.2007, a Colima apurou um Lucro Fiscal após compensações no montante de R$ 13.943,07. Portanto, tendo em vista que a Recorrente possui um percentual de participação de 50%, o imposto de renda e a contribuição social, em correspondência a esta entidade, deveriam ter sido calculados sobre uma base de R$ 6.971,53. Acontece, porém, que a Recorrente erroneamente adicionou na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social o montante de R$ 796.152,66. Ou seja, adicionou em sua base de cálculo um montante a maior sobre os lucros auferidos pela Colima de R$ 789.181,13. De acordo com a Recorrente, houve apenas erro na transposição de resultados na DIPJ e que isso deveria ser considerado, em homenagem ao princípio da verdade material. O fundamento para essa possibilidade de consolidação do resultado no exterior de controladas localizadas no mesmo país seria o artigo 4o da IN 213/02: Art. 4º É vedada a compensação de prejuízos de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, com os lucros auferidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 1º Os prejuízos a que se refere este artigo são aqueles apurados com base na escrituração contábil da filial, sucursal, Fl. 10032DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 59 58 controlada ou coligada, no exterior, efetuada segundo as normas legais do país de seu domicílio, correspondentes aos períodos iniciados a partir do anocalendário de 1996. § 2º Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, somente poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada. § 3º Na compensação dos prejuízos a que se refere o § 2º não se aplica a restrição de que trata o art. 15 da Lei nº 9.065, de 1995. § 4º A pessoa jurídica brasileira que absorver patrimônio de filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, de outra pessoa jurídica brasileira, e continuar a exploração das atividades no exterior, poderá compensar os prejuízos acumulados pela referida filial, sucursal, controlada ou coligada, correspondentes aos períodos iniciados a partir do anocalendário de 1996, observado o disposto neste artigo. § 5º Tratandose de filiais e sucursais, domiciliadas num mesmo país, quando a matriz no Brasil indicar uma dessas filiais ou sucursais como entidade líder, os resultados poderão ser consolidados por país e os prejuízos de uma poderão ser compensados com os lucros de outra. (grifamos) Contudo, notase que o artigo utilizado como fundamento pela Recorrente não lhe socorre, pois a regra geral trazida pelo dispositivo é justamente no sentido de não permitir a compensação de prejuízos de uma empresa no exterior com os lucros de outra. Mesmo a sistemática do § 5º, evocada pela interessada, não se aplica à hipótese, em primeiro lugar porque não se tem notícia da indicação da entidade líder na Costa Rica e, além disso, o artigo não se preza a corrigir eventuais erros de declaração, que possuem rito e exigências próprias para sua correção. Se a contribuinte cometeu algum erro deverá promover a retificação das declarações e buscar a compensação dos indébitos, posto que a supracitada norma da Receita Federal não autoriza a compensação do montante lançado de ofício com eventuais tributos indevidamente oferecidos à tributação. Deve ser mantido, portanto, o lançamento efetuado pela autoridade fiscal quanto a este tópico. 9. Da taxa SELIC sobre a multa Diz a Recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de dispositivo legal. Contudo, pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei n. 9430/96: Fl. 10033DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 60 59 Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifamos) Artigo 5o, § 3º, da Lei n. 9.430/96. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifamos) No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifamos) Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (grifamos) 10. Do Recurso de Ofício A Delegacia de Julgamento de São Paulo apresentou Recurso de Ofício em razão de a Turma ter afastado a qualificação da multa, reduzindoa de 150% para 75%, para todos os lançamentos efetuados. Fl. 10034DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 61 60 Entendeu a DRJ, por maioria, não ter sido comprovado dolo ou simulação na práticas dos atos que conduziram à reorganização societária, nos seguintes termos: A autoridade fiscal entendeu que a contribuinte tinha consciência da ilicitude da reorganização societária engendrada, o que demonstraria o dolo e a prática de uma conduta fraudulenta a justificar o agravamento da multa de ofício. Entendo que as operações e a estrutura societária criada pelo grupo empresarial não foram produto de simulação, de embuste, mas uma tentativa malsucedida de um planejamento tributário, fundado em uma visão estrita do conceito formal de legalidade. O direito de se autoorganizar e de usar todas as formas legais para buscar a menor tributação possível são argumentos candentes dos defensores da liberdade irrestrita dos contribuintes em planejar sua vida fiscal. Todavia, a autonomia privada encontra limites nos demais princípios que informam nossa matriz constitucional, valendo dizer que o negócio jurídico ou o planejamento tributário realizados devem encontrar fundamentação que não se restrinja à pretensão de fugir da tributação. (...) Por sua vez, a estrutura societária do grupo econômico e as operações engendradas pela contribuinte foram reveladas à autoridade fiscal a partir de documentos apresentados pela própria fiscalizada e que estavam disponíveis em órgãos públicos. Não há notícia de que a contribuinte tivesse dificultado o acesso da autoridade fiscal aos documentos ou que sua estrutura societária teria sido desvendada a partir de documentos que se encontravam ocultados e que, depois de descobertos pela fiscalização, revelaram a real substância do negócio. Entendo que a decisão de piso não merece reparos. Realmente, não constam dos autos provas capazes de comprovar o dolo específico do contribuinte, traduzido pela vontade consciente e deliberada de praticar atos em prejuízo do Estado. Conquanto possamos considerar que a escolha e os procedimentos de reorganização societária adotados não ensejam a dedutibilidade do ágio, como já demonstrado ao longo deste voto, isso não implica, necessariamente, que houve qualquer fraude ou simulação, pois os documentos, registros e informações foram apresentados à autoridade fiscal e também se basearam em informações de conhecimento público. A eleição de forma indevida para o aproveitamento de vantagens tributárias, por si só, não é condição suficiente para a qualificação da multa, embora constitua ilícito tributário, já penalizado com a multa de ofício. Fl. 10035DF CARF MF Processo nº 16643.720041/201151 Acórdão n.º 1201001.872 S1C2T1 Fl. 62 61 A partir dessas considerações acolho o entendimento esposado pela decisão de piso. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE parcial provimento, para cancelar o lançamento da CSLL relativo à autuação da controlada Acindar, assim como voto para NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 10036DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001797/2010-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
Numero da decisão: 9303-006.067
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA SANTA CLARA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 97 /2 01 0- 21 Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 3 2 adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802001.640, proferido em 28/02/2013, que possui ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 4 3 LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratandose, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito de crédito das contribuições não cumulativas com relação a materiais de embalagem, acondicionamento e transporte – empregados na “palletização” – concedidos em sede de julgamento de recurso voluntário. Colacionou como paradigmas os acórdãos 3302002.027 e 310100.795. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio de despacho proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época. A Cooperativa Santa Clara apresentou contrarrazões postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Na mesma oportunidade apresentou recurso especial, que, todavia, teve o seguimento negado, razão pela qual não será objeto de exame por este Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 5 4 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.045, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11020.001732/201085, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.045): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS/Pasep os gastos incorridos com os materiais utilizados para a “palletização” – material de embalagem, acondicionamento e transporte dos produtos finais para a venda. Cumpre observar ter sido deferido nos presentes autos o direito ao creditamento das aquisições de matérias de embalagem (pallets de madeira), plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”, com fulcro na atividade econômica desempenhada pela Contribuinte; na essencialidade dos referidos insumos para a produção e, ainda, nas exigências sanitárias correspondentes para o processo produtivo e de transporte, além da própria estocagem no estabelecimento industrial. Para o reconhecimento do direito ao crédito e reforma da decisão proferida pela DRJ, o acórdão recorrido passou ao largo da apresentação de provas pela Contribuinte, razão pela qual esse aspecto encontrase superado na presente demanda. Portanto, a discussão a ser travada no recurso especial referese à possibilidade de deferimento de créditos de PIS/Pasep dos valores relativos à aquisição de “pallets” de madeira, plástico de coberto e colocação do plástico filme “stretch”. Inicialmente, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 7 6 operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processo no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 8 7 de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 9 8 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 10 9 [...] Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS não cumulativos. Com relação a esse item, essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu decisão em casos análogos, nos processos administrativos nºs 10925.720046/2012 12 e 10925.720686/201222, na sessão realizada, em que receberam a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito DO PIS/COFINS. PIS/COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, indiscutivelmente, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 11 10 códigos 15.17 e 15.18, adquiridos de não contribuintes farão jus ao crédito presumido no percentual no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS As leis instituidoras da sistemática nãocumulativa das contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de bens, não condicionam a tomada de créditos ao "consumo" no processo produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato físico com os bens em elaboração. Comprovado que o bem foi empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens do ativo permanente, válido o crédito sobre o valor de sua aquisição. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo, nos seguintes termos: I) recurso especial da Fazenda Nacional: a) limpeza e desinfecção: por maioria, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto; b) embalagens utilizadas para transporte: por maioria em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Carlos Alberto Freitas Barreto; c) despesas de períodos anteriores: por maioria, em negar provimento. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; d) serviços de lavagem de uniformes: pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e) percentual de crédito presumido: por unanimidade, em negar provimento; f) juros sobre multa de ofício: por maioria, em dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e II) recurso especial do sujeito passivo: a) indumentária: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto; e b) pallets: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designados para redigir os votos vencedores o Conselheiro Júlio César Alves Ramos em relação às letras "a", “b” e “c” do item I e letra “b” do item II; e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho em relação à letra a do item II. (grifouse) Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 12 11 Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15922.000267/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/1996 a 30/09/1997
PREVIDENCIÁRIO, NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE
SOCIAL,PRAZO DECADENCIAL,
A teor da Súmula Vinculante n° 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.339
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Apresentará Declaração de Voto a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Apresentará Declaração de Voto a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira
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CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL,PRAZO DECADENCIAL, A teor da Súmula Vinculante n° 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Apresentará Declaração de Voto a Conselheira Elain~ina Monteiro e Silva Vieira. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente ' KLEBER FERREIRA DE A AÚJO — Relatar Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 15922.000267/2007-57 82-C41-1 Acórdão n ° 2401-01339 FL 277 Relatório Trata-se de crédito lançado pela fiscalização que, de acordo com o Relatório Fiscal de fis, 23/28, refere-se a contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte dos segurados, da empresa e ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho- SAT (competências até junho/97) e financiamento dos beneficios concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT (competências a partir de julho/97), no período de 03/1996, 04/1996, 08/1996, 04/1997 e 09/1997„ Afirma-se que são fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações relacionadas com os empregados envolvidos na execução de obras de construção civil pela empresa Engemac de Jundiá Sist Elétricos Ltda, empresa optante pelo regime de tributação "SIMPLES, contratada pela empresa Hopi Hari S/A para a execução de serviços de elétrica, colocação de postes e outros serviços relacionados com a construção civil matriculada sob o n°21569.05496/74 devidamente detalhados no tem 03 do Relatório Fiscal, às fis. 24". Apenas a empresa Hopi Hari apresentou impugnação, cujas razões foram parcialmente aceitas pelo órgão de primeira instância, que julgou parcialmente procedente o lançamento, com exclusão da apuração de notas fiscais de venda de materiais de construção. Inconformado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, no qual alega que: a) os seus diretores devem ser excluídos do pólo passivo; b) as contribuições lançadas foram alcançadas pela decadência; c) o arbitramento não tem razão de ser, posto que o fisco não esgotou todos os meios para verificar a ocorrência dos fatos geradores; d) não há o que se falar em responsabilidade solidária, posto que a prestação de serviços foi realizada nas dependências da contratada; e) sua responsabilidade é subsidiária, assim, deve-se buscar a satisfação do crédito inicialmente no devedor direto; f) é inconstitucional a utilização da taxa SELIC para fins tributários. A Quarta Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS decidiu converter o julgamento em diligência para que a empresa prestadora fosse cientificada da decisão a quo. Também a autoridade notificante deveria informar se houve fiscalização com contabilidade na empresa contratada, englobando o período do presente crédito. Em cumprimento à diligência o órgão preparador informa que a empresa prestadora, tendo sido devidamente intimada da decisão original, não se pronunciou. Também se registra a inexistência de ação fiscal ou de parcelamentos para a referida empresa. É o relatório. Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso da empresa Hopi Hari merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Vamos à alegação da decadência do direito de lançar as contribuições em questão. Na data da lavratura, o fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.° 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.° 08, de 12/06/2008 (UI 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5' do decreto- lei n" L569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei n" 8,212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.° 8,212/1991, aplica-se às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional — CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art, 150, § 4.°, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ri9, 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA, MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART 543-C DO CPC (RECURSOS REPETITIVO).OMISSÃO NÃO OCORRÊNCIA. REDISCUSSÃO DO MÉRITO CARÁTER PROTELATÓRIO, MULTA 1, O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do 4 Processo tf 15922.000267/2007-57 S2-C4T1 Acórdão n ° 2401-01339 Fl. 278 primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do ,fato gerador (art. 150, 4", do CTN)",. 2. Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida, 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. No caso vertente, a ciência do lançamento pela prestadora (última a ser cientificada) deu-se em 15105/2005 e o período do crédito é de 0.3/1996 a 09/1997. Nesse sentido estão decadentes as contribuições lançadas, por quaisquer das regras de contagem do prazo decadencial. Reconhecida a decadência, deixo de me pronunciar sobre as demais alegações. Voto, então, pelo provimento do recurso, ao reconhecer a decadência de todas as contribuições lançadas. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 2010 EBER ERREIRAKLEBER FERREIRA DE ARAUJO - Relator ( Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Concordo com a conclusão do ilustre relator quanto ao fato de que as contribuições descritas na NFLD encontrarem decaídas, porém divirjo do entendimento de que a data a ser considerada deve ser a da última ciência, qual seja da ciência do prestador de serviços. No meu entender a aplicação da responsabilidade solidária permite o lançamento em relação a qualquer dos coobrigados, independente da necessária cientificação dos demais. Portanto, a aplicação do prazo decadencial deve ter por início a data da cientificação de cada um dos notificados, razão porque acompanho o relator por suas conclusões. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 2010 ELAINE CRISTINA MQNTEIRO E SILVA VIEIRA - Conselheira 6 /MINISTÉRIO DA FAZENDA Pe .* -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n': 15922.000267/2007-57 ,-Recurso n': 166,534 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial ri° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tornar ciência do Acórdão n° 2401-01,3.39 Brasi1ia,P0 de dutubro de 2010 ELIAS SAlVfPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 18470.726213/2011-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02
Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1001-000.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 62 13 /2 01 1- 55 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 18470.726213/201155 Acórdão n.º 1001000.252 S1C0T1 Fl. 47 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 14ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento I no Rio de Janeiro (RJ), mediante o Acórdão nº 1244.402, de 12/03/2012, objetivando a reforma do referido julgado. Em 21/01/2011, a empresa fez a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, relativo ao anocalendário 2011, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 11/05/2011 (efl. 28), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Débitos com a Secretaria da Receita Federal de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa: Lista de Débitos: 1) Débito:369208889 Lista de Competências 1)Competência – 02/2010 Valor: R$ 3.055,45 2)Competência – 03/2010 Valor: R$ 3.381,27 3)Competência – 04/2010 Valor: R$ 3.581,05 4)Competência – 05/2010 Valor: R$ 3.612,62 5)Competência – 06/2010 Valor: R$ 3.602,37 6)Competência – 07/2010 Valor: R$ 3.749,01 7)Competência – 08/2010 Valor: R$ 3.866,71 8)Competência – 09/2010 Valor: R$ 3.501,80 9)Competência – 10/2010 Valor: R$ 3.315,52 10)Competência – 11/2010 Valor: R$ 2.530,96 O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo na parte que interessa: Fl. 47DF CARF MF Processo nº 18470.726213/201155 Acórdão n.º 1001000.252 S1C0T1 Fl. 48 3 2. Em suas razões de impugnação, argui a nulidade do Termo de Indeferimento por cerceamento de defesa, tendo em vista que a interessada não recebeu qualquer comunicação formal do indeferimento de sua opção pelo Simples Nacional. Questiona, ainda, a legalidade dos procedimentos adotados por entender incompatíveis com o tratamento diferenciado aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. 3. Logo, requer o deferimento de seu pedido, bem como o seguinte: · Reconhecimento da prescrição relativamente aos débitos existentes contra a requerente e anteriores a cinco anos; · Recálculo dos débitos existentes à razão do que preceitua a Lei da Usura, combinada com o CTN, no tocante ao limite de juros; · Elaboração de planilha demonstrativa e concessão de prazo para análise dos débitos eventualmente existentes e, na hipótese de aceitação, requer a concessão de parcelamento. A DRJ considerou procedente o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional e proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO EXIGÍVEL. INCLUSÃO NÃO ADMITIDA. A existência de débito exigível para com a Receita Federal do Brasil impede a opção pelo Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 10/04/2012, conforme Aviso de Recebimento à efl. 37, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 10/05/2012 (efls. 39 a 42), conforme carimbo aposto à efl. 40. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude dos referidos débitos não pagos no prazo legal, ou cuja exigibilidade não estava Fl. 48DF CARF MF Processo nº 18470.726213/201155 Acórdão n.º 1001000.252 S1C0T1 Fl. 49 4 suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação e acrescenta, ainda, que a DRJ não enfrentou a questão da ilegalidade, da obediência e observância ao texto constitucional. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados na decisão da DRJ, pelo que peço vênia para transcrever, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: 8. De acordo com o Termo de Indeferimento de fl. 28, as pendências impeditivas à opção pelo Simples Nacional, para o anocalendário 2011, correspondem à existência de débitos de natureza previdenciária decorrentes do batimento GFIPxGPS, nas competências 02/2010 a 11/2010, e débito de natureza previdenciária consubstanciado no DCG nº 36.920.8889, todos com exigibilidade não suspensa. Sobre o tema, o inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, assim estabelece: (omissis) Fl. 49DF CARF MF Processo nº 18470.726213/201155 Acórdão n.º 1001000.252 S1C0T1 Fl. 50 5 9. Da análise dos elementos de convicção trazidos aos autos restou evidenciado que a empresa não conseguiu regularizar as pendências que a impediam de optar pelo Simples Nacional, no anocalendário 2011, dentro do prazo fatal que terminou em 31/01/2011. 10. A legislação de regência é clara: todas as pendências devem ser regularizadas enquanto não vencido o prazo para opção. Logo, o Interessado deve agir com diligência, não deixando para o último dia a resolução de múltiplas exigências. 11. No caso em exame, a interessada protesta por não ter sido intimada pelos correios ou através de publicação em diário oficial do indeferimento de sua opção pelo regime especial do Simples Nacional. Ocorre que tal possibilidade está prevista no art. 8º, §1º da Resolução CGSN nº 4/2007, nos seguintes termos: Art. 8º Na hipótese de a opção a que se refere o art. 7º ser indeferida, será expedido termo de indeferimento da opção pelo Simples Nacional por autoridade fiscal integrante da estrutura administrativa do respectivo ente federado que decidiu o indeferimento, inclusive na hipótese de existência de débitos tributários. §1º Será dado ciência do termo a que se refere o caput à ME ou à EPP pelo ente federativo que tenha indeferido a sua opção, segundo a sua respectiva legislação. (Redação dada pela Resolução CGSN nº 50, de 22 de dezembro de 2008) 12. Considerando que o Termo de Indeferimento foi emitido pela RFB, a legislação aplicável é o Decreto nº 70.235/72, que, em seu art. 23, III, expressamente contempla as intimações eletrônicas, validando a regra segundo a qual a opção pelo Simples Nacional implica aceitação do sistema de comunicação eletrônica que visa cientificar o sujeito passivo de atos relativos a indeferimento, exclusão, ações fiscais, encaminhamento de notificações e intimações, bem como a expedição de avisos em geral. 13. Logo, não houve comportamento ilegal imputável à Fazenda Nacional. 14. No que tange aos pedidos de recálculo, declaração de prescrição, elaboração de planilhas e concessão de parcelamento, tratase de petitório estranho ao objeto do processo. Em verdade, o presente feito cingese à discussão da legalidade do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, não se tratando de um processo de cobrança de dívidas tributárias propriamente dito, foro pertinente a discussões deste jaez. 15. No caso concreto, não obstante o Termo de Indeferimento apresentar de forma discriminada a relação de débitos exigíveis de imediato, a inconformidade manifestada pela interessada é meramente genérica, o que atrai a aplicação do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, que assim estabelece: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 16. Outrossim, igualmente ineptos são os pedidos que tenham por fundamento a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo que discipline a cobrança dos tributos ou acréscimos legais devidos, na medida em que sua apreciação é Fl. 50DF CARF MF Processo nº 18470.726213/201155 Acórdão n.º 1001000.252 S1C0T1 Fl. 51 6 expressamente vedada pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/72, acrescentado pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 17. Em face do exposto, nego provimento à manifestação de inconformidade oposta pelo contribuinte, para indeferir o seu pedido de inclusão na sistemática do Simples Nacional no anocalendário 2011. Como acertadamente consignou a decisão recorrida em relação às supostas inconstitucionalidades alegadas, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº. 02: Súmula CARF nº. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Outrossim, a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, entendo que a decisão recorrida não merece ser reformada quanto aos pontos alegados pela recorrente. Por todo o exposto, face à comprovada existência de débito não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção, voto por negar provimento ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 51DF CARF MF Processo nº 18470.726213/201155 Acórdão n.º 1001000.252 S1C0T1 Fl. 52 7 Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.018413/2008-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2006 a 28/02/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 13 /2 00 8- 11 Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 1303DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.722803/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
JULGAMENTO EM 1ª INSTÂNCIA. QUÓRUM MÍNIMO REGIMENTAL.
Se no julgamento do processo na DRJ, a turma julgadora estava composta por 3 (três) julgadores, o quórum mínimo previsto no §6º do art. 4º da Portaria MF nº 341/2011 foi atendido, devendo-se afastar pedido de nulidade da decisão proferida.
FORMAS DE INTIMAÇÃO. INTIMAÇÃO VIA ELETRÔNICA. POSSIBILIDADE.
Conforme alínea "a" do inciso III do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade fiscal pode intimar a empresa sobre os atos processuais por meio eletrônico, endereçada a seu domicílio tributário eletrônico (DTE), conforme adesão da empresa ao DTE. Sendo assim, as intimações feitas por meio do DTE carregam a legitimidade necessária ao bom andamento do processo administrativo fiscal.
CARTÓRIO. DECLARAÇÃO FIRMADA. PERÍODO POSTERIOR À CIÊNCIA ELETRÔNICA.
A declaração firmada em cartório não tem o condão de infirmar a forma de ciência conferida por uma lei fiscal, no caso, o Decreto nº 70.235/1972, ainda mais quando a referida declaração remete a período muito posterior à ciência via eletrônica.
RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO A DESTEMPO. NÃO CONHECIMENTO.
Se a empresa apresentou recurso voluntário após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do resultado do acórdão da DRJ, o recurso voluntário não deve ser conhecido, por sua intempestividade.
Numero da decisão: 1401-002.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em não conhecer do recurso voluntário, por sua intempestividade. Votou pelas conclusões a Conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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QUÓRUM MÍNIMO REGIMENTAL. Se no julgamento do processo na DRJ, a turma julgadora estava composta por 3 (três) julgadores, o quórum mínimo previsto no §6º do art. 4º da Portaria MF nº 341/2011 foi atendido, devendose afastar pedido de nulidade da decisão proferida. FORMAS DE INTIMAÇÃO. INTIMAÇÃO VIA ELETRÔNICA. POSSIBILIDADE. Conforme alínea "a" do inciso III do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade fiscal pode intimar a empresa sobre os atos processuais por meio eletrônico, endereçada a seu domicílio tributário eletrônico (DTE), conforme adesão da empresa ao DTE. Sendo assim, as intimações feitas por meio do DTE carregam a legitimidade necessária ao bom andamento do processo administrativo fiscal. CARTÓRIO. DECLARAÇÃO FIRMADA. PERÍODO POSTERIOR À CIÊNCIA ELETRÔNICA. A declaração firmada em cartório não tem o condão de infirmar a forma de ciência conferida por uma lei fiscal, no caso, o Decreto nº 70.235/1972, ainda mais quando a referida declaração remete a período muito posterior à ciência via eletrônica. RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO A DESTEMPO. NÃO CONHECIMENTO. Se a empresa apresentou recurso voluntário após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do resultado do acórdão da DRJ, o recurso voluntário não deve ser conhecido, por sua intempestividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 28 03 /2 01 4- 19 Fl. 1249DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em não conhecer do recurso voluntário, por sua intempestividade. Votou pelas conclusões a Conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 1 (DRJ/RJ1), que, por meio do Acórdão 1272.619, de 06 de fevereiro de 2015, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco do auto de infração de IRPJ (fls. 03/29), no valor de R$ 3.028.445,50 e de CSLL (fls. 31/55) no valor de R$ 1.090.240,46, acrescidos da multa de ofício de 150% e dos juros de mora. Foram lançadas, ainda, as multas isoladas sobre o não recolhimento da base estimada tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, respectivamente nos valores de R$ 2.597.919,71 e R$ 938.352,14. Os fundamentos para a autuação encontramse no Relatório Fiscal (fls. 57/71), cujo teor, em síntese, a seguir reproduzo: a) Em verificações preliminares realizadas na contabilidade do ano de 2011, observouse que o contribuinte apresentou Escrituração Contábil Digital (ECD) e Fcont em que constava deste e não daquela a amortização de R$ 8.689.516,15 anuais (a partir de 2009), em razão ao equivalente a 1/7 do total de R$ 60.568.913,98, referente a ágio sobre investimentos em participações societárias; Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.250 3 b) Ao se analisar a documentação apresentada pelo contribuinte, verificouse que foi registrado na contabilidade ágio sobre investimentos fundamentada na expectativa de rentabilidade futura em razão de laudo de avaliação; c) Será demonstrado no corpo deste relatório que o crédito tributário do presente processo deveuse em razão da convicção formada pelo fisco de que a amortização do ágio pretendida é insusceptível de diminuir o lucro real; d) Observouse que o contribuinte engendrou uma série de atos societários e contábeis perseguindo envolver com formalidades cada pequena parte para emprestar legalidade ao conjunto de seu planejamento tributário; Da Análise Fiscal a) No ano de 2008, houve vários atos societários (criação de empresaveículo, transferência de quotas, atas de assembleias geral, incorporação reversa, extinções de empresas) e contábeis realizados entre a fiscalizada GUERRA S/A, as incorporadas GUERRA Participações Ltda. e TOLSTOI Participações Ltda. (esta, sua controladora, em incorporação reversa), com o intento de gerar ágio (interno ao grupo) exclusivamente para fins tributários; b) Existe um aspecto material que subsiste ao final das operações engendradas que é a intenção da aquisição de participação societária da fiscalizada, empresa produtiva, GUERRA S/A, pela holding TOLSTOI INVESTIMENTOS S/A; c) Todavia, a aquisição dáse por intermédio de uma “empresaveículo”, a TOLSTOI Participações Ltda., empresa criada ostensivamente com vida efêmera para gerar um ágio que será transferido ao fim de diversas manobras societárias para a empresa produtiva, a investida GUERRA S/A; d) Demonstrase que o ágio em tela foi suportado economicamente pela holding, gerado na empresaveículo e transferido à empresa produtiva via incorporação reversa para obter a inadmitida vantagem tributária; e) Ao fim, o ágio transferido subsiste apenas no abuso de forma, haja vista que a real intenção de controle acionário da empresa produtiva GUERRA S/A pela holding TOLSTOI INVESTIMENTOS S/A prescinde da criação da empresa veículo, sua única razão de existir é a manipulação contábilsocietária para a criação do ágio sobre o investimento na empresa produtiva GUERRA S/A que é por sua vez deduzido do lucro real, mas não do lucro líquido (societário) da própria investida, GUERRA S/A; Da Cronologia e do Controle Acionário a) O ponto de partida dáse na vontade de aquisição da empresaprodutiva pela holdinginvestidora que desencadeia o planejamento tributário para a geração de ágio dentro do grupo de controle; b) Faz parte de holdinginvestidora a empresa Tolstoi Investimentos S/A que manterá o restante das empresas sob seu controle enquanto cria, sob artifícios, o ágio; A(s) empresa(s)alvo no caso são GUERRA S/A e GUERRA PARTICIPAÇÕES, cujos patrimônios pretensamente defasados em relação ao valor de mercado serão reavaliados na ocasião da alienação para gerar o ágio sobre o Patrimônio Líquido; Fl. 1251DF CARF MF 4 c) A parte da empresaveículo é da holding Tolstoi Participações Ltda. que servirá para a contabilização do ágio a ser criado e sua posterior transferência à empresa produtiva que poderá diferir imposto; d) O primeiro ato societário realizado consolidase na criação da empresa veículo em 05 de março de 2008; duas pessoas físicas, os senhores Nicolas Arthur Jacques Wollak e José Augusto de Carvalho criam a Tolstoi Participações Ltda., com capital social de R$ 1.000,00; e) O próximo ato é a transferência das quotas dos sócios a uma pessoa jurídica em 15 de maio, os sócios transferem suas quotas à Tolstoi Investimentos S/A que passa a deter 100% do capital Tolstoi Participações Ltda.; f) Em 30 de maio, Tolstoi Investimentos decide aumentar o capital social da Tolstoi Participações para R$ 82.000.000,00; g) Em 09 de junho, Tolstoi Participações faz as seguintes operações: Adquire 100% da participação societária em GUERRA S/A, registrando no seu ativo o ágio sobre investimento de R$ 15.439.784,51; Adquire 100% da participação societária de GUERRA PARTICIPAÇÕES Ltda., registra no ativo conta de ágio sobre investimento de R$ 45.129.129,47; h) Neste ponto do planejamento, observese que a Tolstoi Investimentos S/A controla Tolstoi Participações e, através desta, detém também o controle societário de GUERRA S/A e GUERRA PARTICIPAÇÕES LTDA., conforme abaixo: i) As aquisições acima somadas fazem surgir na contabilidade de TOLSTOI PARTICIPAÇÕES LTDA. o total do ágio no valor de R$ 60.568.913,98; j) Em 30 de setembro, GUERRA S/A, controlada de TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, incorpora a também controlada pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES LTDA., a GUERRA PARTICIPAÇÕES LTDA.; k) Em 31/12, a GUERRA S/A incorpora sua controladora TOLSTOI PARTICIPAÇÕES LTDA., ato contínuo esta última é extinta e o ágio sobre os investimentos (originados na aquisição de participação da própria GUERRA S/A e GUERRA PARTICIPAÇÕES LTDA.) passa a ser aproveitado nos ajustes do Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.251 5 Regime Tributário de Transição (RTT) para diminuir o lucro real devido pela empresa produtiva, sem a devida fundamentação econômica; Da contabilização a) A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), através das suas instruções, não tem a pretensão de alterar princípios contábeis e, de fato, há a previsão legal na Lei nº 6.404/1976, ao determinar de que maneira a companhia manterá sua escrituração, ao empregar expressões como “princípios de contabilidade geralmente aceitos”, “critérios contábeis”, “mutações patrimoniais”, “regime de competência” (art. 177); b) A legislação prevê para as companhias abertas a obrigatoriedade de constituir uma provisão na incorporada, no mínimo no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente de sua amortização; c) Portanto, antes da incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa), a incorporada (investidora) deve realizar a provisão da alínea “a” do art. 6º, § 1º, no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente da sua amortização; d) Após a incorporação, o Lucro Real é influenciado diretamente pelo valor da despesa com amortização do ágio, mas havendo a reversão da provisão obterseá a neutralidade pela sua exclusão no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR); e) Todavia, a fiscalizada contabilizou suas operações de forma diversa; f) O registro do ágio foi contabilizado pela empresaveículo TOLSTOI PARTICIPAÇÕES LTDA. em contas do ativo permanente: 1.3.1.02.0002 Ágio em Investimentos – Guerra Participações, sem contas de reservas ou de provisão; g) Na ocasião da incorporação, o ágio contabilizado no ativo da empresa veículo é carreado para a conta do ativo intangível na empresa produtiva, Guerra S/A, conta 1.3.03.01.01.002 Ágio, com o saldo de R$ 60.568.913,98; h) Como foi observado anteriormente, a fiscalizada, a partir do lucro societário utilizou a amortização do ágio nos ajustes do Fcont para diminuir o lucro real (Demonstrativo do Cálculo do Imposto de Renda, linha 6, “Amortização de Ágio – RTT”) nos valores anualmente alocados de R$ 8.652.702,00, relativos ao aproveitamento anual de 1/7 do total do ágio, conforme declarado também em suas DIPJ, ficha 07 A, Linha 55 () Amort. Ágio. Invest. Aval. PLINCORP., Fusão ou Cisão; Da Ausência de Substrato Econômico a) A empresaveículo teve seu capital social aumentado em 30/05/2008 de mil reais para 82 milhões de reais. Todavia, essa subscrição se deu de forma estritamente contábil, não havendo modificação do Ativo ou aumento de Patrimônio Líquido; b) Vejase a contabilização da aquisição de participação acionária nas empresas Guerra Participações e Guerra S/A, em 09 de junho, lembrando que na data a empresaveículo não tinha disponibilidades financeiras, pois o aumento de capital social encontravase a subscrever; Fl. 1253DF CARF MF 6 c) Contabilizando um fato contábil permutativo, um aumento no Ativo com proporcional aumento nas obrigações, novamente, sem alteração do patrimônio líquido ou ingressos de recursos; d) Em 17/06, ocorre a “quitação” da aquisição acionária dos investimentos societários da empresaveículo: e) Todavia, como a conta OutrasObrigações a Pagar estava alimentada em 109 milhões pelos lançamentos da compra de participação acionária (inclusive o ágio), temse, de fato, uma obrigação alimentando o Patrimônio Líquido da Sociedade; f) Até mesmo os mil reais devidos pelos exsócios Nicolas Arthur Jacques Wollak e Jose Augusto de Carvalho são integralizados na operação; g) A aquisição societária através da empresaveículo se deu de forma estritamente formal perante a contabilidade, não se demonstrando o efetivo pagamento, e que nunca houve, na espécie, capacidade econômica; h) De fato, até mesmo o lançamento acima para pagamento dos diversos adiantamentos, não foram suportados pela empresaveículo, mas através de novas obrigações mediante mútuos, inclusive da própria “adquirida” Guerra S/A; i )Vejase a contabilização de 17/06: j) É obviamente uma operação da qual não discutimos legalidade (estritamente o mútuo), porém reforça a ausência de capacidade da empresaveículo de suportar economicamente suas obrigações e o exercício de decisões/ações dentro de um mesmo bloco de controle; Apreciação da Legalidade a) A amortização de ágio sobre investimentos societários pretendida pelo contribuinte é insuceptível de diminuir o lucro real, pois se trata de ágio criado Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.252 7 internamente entre empresas do mesmo grupo econômico e não há na sua raiz propósito negocial, tratase, pois de uma criação fictícia de despesa, vez que a parte adquirida pertence aos mesmos sócios da adquirente, somada à ausência de substrato econômico; b) O planejamento tributário realizado mira certamente no dispositivo legal previsto no art. 7º e no art. 8º, alínea “b”, da Lei nº 9.532/1997; c) Cumpre observar também o artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/1977; d) Certamente há, sob condições, a admissibilidade de amortização de ágio sobre invetimentos societários, assim como a manutenção deste em situações de incorporações reversas (quando a investida incorpora a investidora); e) Todavia, a utilização de empresaveículo, de duração efêmera, com propósito único servir para a transferência do ágio para a empresa produtiva e a observação de que as decisões societárias têm um núcleo de controle, fere o princípio da independência entre as partes e demonstra a artificialidade das operações contábeis e societárias; f) E, de fato, não é admitido, e nunca foi, a amortização realizada dentro do mesmo grupo econômico, i.e., entre empresas do mesmo bloco de controle; g) Observase a reiterada apreciação da CVM sobre a geração artificial de ágio, expressas nas Instruções nº 319/99; 349/01 e 247/96; h) Além disso, o Ofício Circular CVM/SNC/SEP nº 01/2007 não deixa dúvidas: Fl. 1255DF CARF MF 8 i) O Conselho Federal de Contabilidade editou, ainda, a Resolução CFC nº 1.110/2007 que, em seu item 120, assim determina: j) A partir do anocalendário de 2009, através dos novos conceitos de contabilidade introduzidos no país pela Lei nº 11.638/2007 ficou ainda mais claro o entendimento adotado pelas normas contábeis (CPC 13: item 50); k) Se a legislação comercial não autoriza o ágio interno ou intragrupo como um ativo para a sociedade, tampouco deve ser reconhecido para a base de cálculo do IRPJ que parte do lucro líquido, apurado com observância da lei comercial, considerando o disposto nos arts. 248 e 274 do RIR/1999 e alínea “c” do § 1º do art. 2º da Lei nº 7.689/1988; l) A amortização de ágio não constitui encargo necessário ou útil às atividades do contribuinte e à manutenção da respectiva fonte produtora, a mais não possui substrato econômico necessário e não é admitido seu aproveitamento pela legislação comercial e tributária, razão pela qual não deve reduzir as base de IRPJ e CSLL; Da Multa pela Insuficiência de Recolhimento – Base Estimada a) Devido à falta ou insuficieência de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ e CSLL após o término do anocalendário, deve ser exigida multa isolada incidente sobre a redução indevida das estimativas mensais (50%) a que se refere o art. 44, II da Lei nº 9.430/1996, além da diferença de contribuição devida no ajuste anual (art. 16 da IN SRF nº 93/1997); b) Destacase que tal procedimento tem sua matriz legal na Lei nº 9.430/1996, art. 44, inciso II, alínea “b”; c) Como se vê, a aplicação da multa isolada decorre do descumprimento de obrigação de se efetuar o pagamento (ou declaração), por estimativa, nos prazos e condições estabelecidas na legislação tributária; d) Fazse necessário esclarecer que a multa isolada incidente sobre a redução indevida das estimativas mensais não se refere à mesma infração fiscal que ensejou a multa de ofício incidente sobre o tributo anual, independentemente de apurar, no fechamento do períodobase, imposto a pagar ou não; e) Quanto à multa de ofício, ela incide sobre a parcela do imposto de renda e CSLL anuais, apurados no fechamento do períodobase, e que não recolhidos ou não declarados, não apresentando qualquer relação com a multa isolada sobre redução das estimativas que lhe foi imposta; f) A multa isolada e a de ofício têm base de cálculo, alíquotas e fatos geradores diversos; Da Multa de Ofício Qualificada a) Todo o conjunto de atos praticados buscando conferir legalidade ao planejamento tributário demonstra a ação dolosa presente na execução dos diversos atos societários, na realização da contabilidade e na condução de um planejamento tributário com vistas à sonegação dos tributos; Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.253 9 b) Logo, sujeitase à qualificação da multa nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, para os fins penais e tributários conseqüentes, conforme o disposto no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/1996 (150%). Devidamente cientificada (fls. 408), em 16/09/2014 (403/404), a interessada, em 15/10/2014, apresentou impugnação (fls. 413//490), cujo teor, em síntese, abaixo reproduzo: a) Até a data de 08 de junho de 2008, conforme evidenciam os quadros de composição societária reproduzidos abaixo e os atos e livros societários, a impugnante era controlada pelos membros da Família Guerra, seja diretamente (participação de 20,183%), seja por intermédio da Sociedade Guerra Participações Ltda. (Guerra Participações), com 79,817% de participação: Fl. 1257DF CARF MF 10 b) A partir de 09 de junho de 2008, ambas as sociedades passaram a ser controladas indiretamente pelo Natixis Mercosul Fund. L. P. , antiga denominação da NATEXIS MERCOSUL FUND. L. P. (NATEXIS), de nacionalidade francesa, que detém participação societária em diversas empresas no mundo, dos mais diversos setores da economia, incluindo, mas não se limitando, a empresas atuantes no ramo da engenharia mecânica, tecnologia da informação, serviços de telecomunicações, construção civil, indústria farmacêutica, biotecnologia, indústria básica e agricultura; c) A aquisição do controle acionário da impugnante, realizado por intermédio de um processo de compra e venda, foi efetuada pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES e iniciouse em 25/04/2008, quando juntamente com as pessoas físicas então sócias da GUERRA PARTICIPAÇÕES e com as acionistas diretas da impugnante, firmou se o Instrumento Particular de Compra e Venda de Participação Societária (Instrumento de Compra e Venda); d) Conforme se observa do Instrumento de Compra e Venda e respectivos aditivos firmados em 15/05/2008 e 04/06/2008 a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES assumiu o compromisso firme, as condicionado à observância das condições precedentes estabelecidas de ambas as partes de adquirir as participações direta e indireta da impugnante pelo preço de R$ 109.000.000,00, nas seguintes proporções: e) Como desdobramento da aquisição de participação e do preço pago, a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES apurou ágio no montante de R$ 60.568.913,98 em consonância com as normas contábeis e fiscais aplicáveis à época da realização da operação, e devidamente fundamentado com base na perspectiva de rentabilidade futura da impugnante, conforme Laudo de Avaliação Econômica produzido pela empresa especializada “Apsis Consultoria Empresarial Ltda.”, o qual foi devidamente apresentado ao Fisco em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 02, protocolado na data de 03/06/2013; f) Apesar da efetiva demonstração da regularidade formal e substancial das operações procedidas, o Fisco basicamente desconsiderou os reflexos tributários da incorporação do acervo patrimonial da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, meses após essa sociedade ter concluído seu respectivo papel como sociedade holding para aquisição e consolidação do controle acionário da impugnante; g) Assim, as deduções fiscais realizadas entre os anos de 2009 a 2013 das amortizações do ágio efetivamente pago pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES em 2008 foram glosadas pelo Fisco, por meio da lavratura de autos de infração que, conforme demonstrativo consolidado do crédito tributário do processo, exigem o recolhimento das diferenças de IRPJ e CSLL supostamente devidas, acrescidas de multa de ofício qualificada, juros selic e exigência concomitante de Multa Isolada por suposta falta de recolhimento das estimativas do IRPJ e da CSLL; Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.254 11 h) A operação encabeçada pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES que culminou na aquisição direta e indireta da integralidade das ações da impugnante efetivamente implicou em desembolsos financeiros efetuados com ágio fundado em rentabilidade futura, comprovado por laudo de avaliação, em operação realizada entre partes não relacionadas feita com absoluta transparência e pleno atendimento às regras societárias, contratuais e concorrenciais vigentes no Brasil; Das questões incontroversas a) Não há controvérsia quanto aos critérios de mensuração dos ágios, em observância às normas contábeis e fiscais vigentes à época das respectivas aquisições (art. 385 do RIR/1999, combinado com a Lei nº 11.941/2009, que instituiu o RTT, conferindo neutralidade fiscal aos efeitos decorrentes da adoção dos padrões internacionais de contabilidade, que, no caso específico de ágio pago sob o fundamento de perspectiva de rentabilidade passou a ser deduzido fiscalmente via exclusão na Parte “A” do LALUR, vez que tal ágio deixou de ser amortizado para fins contábeis, a partir de 01/01/2009); b) Não há qualquer dúvida quanto ao fundamento que suportou o ágio, conforme certificado em Laudo de Avaliação Econômica emitido por empresa especializada; c) Verificase que as argumentações do fisco são no mínimo contraditórias e pautadas em premissas equivocadas assumidas unilateralmente pela fiscalização; d) Isto porque o lançamento foi fruto de um apressado procedimento fiscal que não diligenciou corretamente a interpretação dos fatos que envolveram a efetiva aquisição do controle acionário da impugnante; e) Todo o procedimento fiscal durou apenas 5 meses; f) Não houve prudência na averiguação dos fatos que envolveram a aquisição do controle acionário da impugnante e ao se desprezar o cuidado que normalmente esse tipo de operação deve receber ao ser analisada sob o viés formal e substancial, acabouse por incorrer em graves erros de premissas, dentre elas, principalmente as de que: (i) por meio de vários atos societários e contábeis a aquisição do controle acionário da impugnante objetivou, por fim, a execução de um planejamento tributário para a criação artificial do ágio; (ii) que a aquisição se dá por intermédio de uma “empresa veículo”, TOLSTOI PARTICIPAÇÕES; g) A aquisição em tela iniciase na data da celebração do instrumento de Compra e Venda, ou seja, em 24/04/2008, e se conclui em 09/06/2008, quando, nesta data, há celebração de Termo de Fechamento do Negócio; h) Desde o início das negociações, as partes envolvidas nas posições de comprador e vendedor são, respectivamente, TOLSTOI PARTICIPAÇÕES e os ex acionistas controladores da impugnante; i) Neste momento, a TOLSTOI INVESTIMENTOS sequer integrava o grupo NATIXIS. E mesmo que integrasse o grupo, o que se admite apenas para argumentar, como uma sociedade holding, assim como era a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, também não dispunha de recursos financeiros para suportar econômica e financeiramente a aquisição do controle acionário da impugnante, de modo que dependia, igualmente, à TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, de recursos financeiros advindos do NATIXIS (e de seu parceiro estratégico, “DEG”); Fl. 1259DF CARF MF 12 j) O fisco deixou à margem de seus trabalhos o contexto da aquisição do controle acionário da impugnante, que, efetivamente, transferiuse da família GUERRA para a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, sociedade que desempenhou o papel de holding para aquisição, e que teve seu capital social integralizado com os recursos financeiros advindos do NATIXIS e de seu parceiro estratégico alemão, embora não vinculado, o Deustche Investimentos (DEG); k) Fica claro que o ponto central que se coloca em discussão consiste na validade ou não, para fins tributários, da aquisição do controle acionário da impugnante, perpetrada pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES e, como conseqüência, na validade das deduções das amortizações de ágio levadas a efeito pela impugnante, como consequência na validade das deduções das amortizações de ágio levadas a efeito pela impugnante, como consequência da incorporação reversa do acervo patrimonial da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES; Da Preliminar de Nulidade a) Pela descrição, a acusação fiscal não define ao certo se haveria problema na geração do ágio, ou no preenchimento do requisito para a sua amortização ou ainda se a operação se tratava de ágio interno com reavaliação de ativos, com utilização do diferimento previsto no art. 36 da Lei nº 10.637/2002; b) Notese que a acusação de inexistência de “substrato econômico” da empresaveículo (TOLSTOI PARTICIPAÇÕES) e, portanto, não preenchimento do requisito de incorporação pela suposta real adquirente (TOLSTOI INVESTIMENTOS), pressupõe a legitimidade e validade do ágio interno. Portanto, as acusações explicitadas pelo FISCO são contraditórias e não complementares, evidenciando inequívoca nulidade do lançamento por falta de descrição clara e precisa da acusação; c) Se, por um lado, a descrição dos fatos não permite a adequada compreensão da acusação, indispensável para o exercício pleno da defesa, também o enquadramento legal não auxilia na identificação do ato infracional de que é acusada a impugnante; d) O Fisco também deixou de apontar o fundamento legal da autuação, haja vista que os dispositivos legais mencionados não se prestam a caracterizar a infração de que é acusada; Da Decadência para se questionar o registro do ágio a) No presente caso, o lançamento foi realizado após o transcurso do prazo decadencial. Isto porque o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, logo, sujeitamse ao prazo decadencial instituído pelo artigo 150, § 4º, do CTN, contado da ocorrência do fato gerador; b) No presente caso não houve qualquer dolo, fraude ou simulação, pelo que inaplicável o disposto no art. 173, I do CTN; c) Como ao IRPJ e à CSLL é aplicável a regra de decadência prevista no art. 150, § 4º do CTN, é possível verificar a ocorrência de decadência no presente caso, tendo em vista que a lavratura dos autos de infração ora impugnandos se deu em 16/09/2014; d) A operação que gerou o ágio glosado foi realizada em 09/06/2008, sendo que a incorporação da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES ocorreu em 31/12/2008; Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.255 13 e) A partir de janeiro de 2009 e ao longo dos anos seguintes, a impugnante nada mais fez que amortizar, como lhe assegura a legislação, o ágio para fins de apuração do IRPJ e da CSLL; f) Passados tantos anos da geração e registro contábil do ágio, da efetiva incorporação e do início do exercício do direito à amortização, como poderia o fisco questionar a legitimidade dos atos somente em setembro de 2014? g) Acredita a impugnante ter decaído o direito de a Receita Federal do Brasil de glosar as amortizações do ágio, em decorrência do transcurso do prazo de 5 anos verificado entre o lançamento tributário ora contestado e a data de formação/registro do ágio questionado, ou mesmo da incorporação da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES (dezembro de 2008) e da primeira amortização (janeiro de 2009), já que é neste momento que se materializa o evento, que, por força da legislação específica, tem seus efeitos diferidos no tempo; h) O fisco, então, não poderia ter glosado a dedução fiscal do ágio, uma vez que o prazo decadencial teria se encerrado, na melhor das hipóteses, em 31/01/2014 (primeira amortização); i) Se decaiu o direito de glosar o ágio, também está decaído o direito de glosar as despesas de suas amortizações; j) Importante observar que em todos os períodos de apuração objeto dos autos de infração houve efetivo pagamento de IRPJ e CSLL, o que se verifica através da análise das Fichas 12 e 57 das DIPJ transmitidas, as quais evidenciam as retenções na fonte que, conforme sedimentada jurisprudência da CSRF equivale ao pagamento antecipado, determinando a aplicação da regra decadencial disposta no art. 150, § 4º do CTN. Do Mérito Da Inexistência de ágio artificial ou interno a) As amortizações de ágio tiveram origem em um contexto real de aquisição de participação societária havida entre partes não relacionadas, fruto de negociações e precedida de efetivo desembolso de recursos financeiros (caixa) e geração de riqueza nova para os acionistas vendedores; b) Com efeito, antes de a presente operação ter sido concretizada, o capital social da impugnante era integralmente detido pela Guerra Participações e pelas pessoas físicas integrantes da Família Guerra; c) Por sua vez, o capital social da Guerra Participações era totalmente detido pelas pessoas físicas da FAMÍLIA GUERRA, conforme abaixo: Fl. 1261DF CARF MF 14 Impugnante Acionista Ações Perc. (%) Guerra Participações Ltda 12.095.879 79,817 Mauro Guerra 10.738 0,07125 Marcos Guerra 6.510 0,004325 Valmor Ernesto Zanandéa 2.854.675 18,837 Marinez Hermínia Lazzarotto 36.842 0,24325 Maurício Guerra 22.837 0,15025 Octaviano Luiz Guerra 7.546 0,049 Oneide Terezinha Machado 112.899 0,745 Espólio de Maximiliano Zini 3.276 0,022 Sadi Antônio Zini 3.276 0,022 Total 15.154.478 100,00 Guerra Participações Acionista Ações Perc. (%) Mauro Guerra 3.060.040 30,600 Marcos Guerra 2.926.373 29,264 Marinez Hermínia Lazzarotto 2.183.272 21,832 Maurício Guerra 1.473.872 14,740 Octaviano Luiz Guerra 178.221 1,782 Espólio de Maximiliano Zini 89.111 0,891 Sadi Antônio Zini 89.111 0,891 Total 10.000.000 100,00 d) No início de 2008, o NATIXIS MERCOSUL FUND. L.P, entidade devidamente constituída e validamente existente de acordo com as leis de CHANNEL ISLANDS, interessouse na aquisição da totalidade do controle acionário da impugnante; e) NATIXIS era um fundo de investimentos em private equity, que pertencia ao Grupo Financiere NATIXIS Banques Populaires, de nacionalidade francesa, o qual investia em participação em diversas companhias no mundo, envolvidas nos mais diversos setores da economia, incluindo, mas não se limitando a empresas atuantes no ramo de engenharia mecânica, tecnologia da informação e serviços de telecomunicações, construção civil, indústria farmacêutica, biotecnologia, indústria básica e agricultura. Em 2007, seus investimentos somavam cerca de US$ 100 milhões; f) O Natixis mantinha vínculo comercial no Brasil com a gestora de recursos Axxon Group, entidade que contava com extensa rede de contatos locais e internacionais, e que tinha a incumbência contratual de analisar oportunidades de negócios estratégicos e rentáveis para o NATIXIS e, sendo o caso, representálo nos seus investimentos, principalmente na qualidade de diretores e/ou membros de conselho de administração; g) O Axxon Group iniciou suas atividades no Brasil em 2001, sendo originário de um time de private equity que opera na região desde 1993; Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.256 15 h) Nesse contexto, considerando a agilidade exigida no mundo dos negócios e devido ao fato de o Natixis ser um fundo de investimento estrangeiro, os representantes legais do AXXON GROUP BRASIL constituíram a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES em 05/03/2008, a fim de negociarem e estarem preparados para a celebração imediata de contratos pertinentes à aquisição do controle acionário da impugnante, sem sujeição a grandes burocracias e atrasos, que poderiam inclusive ocasionar a perda da oportunidade de investimento; i) A TOLSTOI PARTICIPAÇÕES já nasceu com a finalidade de se tornar a holding que exerceria o papel de entidade adquirente do controle acionário da impugnante; j) Nesse contexto é que em 25/04/2008, a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES celebrou com a FAMÍLIA GUERRA o Instrumento Particular de Compra e Venda, no qual a impugnante e a GUERRA PARTICIPAÇÕES figuraram como intervenientes anuentes, pelo qual restou acordado, de forma vinculante, irrevogável e irretratável, que, caso cumpridas as condições precedentes, as partes deveriam praticar todos os atos para efetivar a transferência da totalidade das ações da impugnante e das quotas da Guerra Participações para a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES na data do fechamento; k) De se notar que a data do fechamento da operação estava prevista inicialmente para ocorrer em 30/05/2008, porém, após a assinatura do 1º e 2º Aditamentos ao Instrumento de Compra e Venda, tal data restou prorrogada, definitivamente, para o dia 09/06/2008; l) Entre a data em que a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES se comprometeu de forma vinculante a adquirir da Família Guerra a totalidade do capital social da impugnante e da Guerra Participações, e a data em que tal operação se efetivou, é dizer que, entre 25/04 e 09/06/2008, fatos supervenientes relevantes ocorreram e mudaram o desenho da estrutura de aquisição do controle acionário da impugnante; m) Com efeito, o fundo NATIXIS buscava o levantamento de recursos financeiros no exterior para suportar a obrigação assumida pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, relacionada ao pagamento do preço pela aquisição da participação acionária na impugnante; n) Neste ínterim, o DEG surgiu como parceiro estratégico, que sinalizou interesse no financiamento da operação, tanto via empréstimo, como por meio de aquisição de participação societária; o) O DEG é parte independente e não relacionada à Família Guerra e ao próprio NATIXIS, no decorrer das tratativas negociais, manifesta interesse no processo de aquisição compartilhada do controle acionário da impugnante; p) Como a condição da negociação era que parte dos recursos advindos do DEG viriam na forma de empréstimo e outra parte na forma de investimento direto, NATIXIS e DEG entenderam por bem que seus interesses individuais seriam melhor preservados se compartilhassem o controle de uma sociedade holding sob a forma jurídica de sociedade por ações, pois além de não requerer maiores burocracias para o ingresso de novos acionistas, bastando os respectivos registros das transferências de ações nos livros societários para que surta seus efeitos perante terceiros de imediato, poderia ser gerida por meio de Acordo de Acionistas sem que eventuais desentendimentos fossem resolvidos no âmbito dessa própria holding, sem afetar o direcionamento e interesses da sociedade operacional adquirida, a impugnante; Fl. 1263DF CARF MF 16 q) Por esta razão, em 08/05/2008 – após a celebração do Contrato de Compra e Venda, que se deu em 25/04/2008 – o NATAXIS adquiriu a totalidade das ações da Ulan Bator Administração de Bens S/A e, em seguida, em 12/05/2008, foi realizada AGE da referida sociedade, na qual foram aprovadas regras diversas, tais como exoneração dos antigos diretores e eleição de novos diretores ligados ao NATIXIS, alteração do nome empresarial da sociedade para TOLSTOI INVESTIMENTOS S/A e alteração do endereço; r) Tal aquisição nunca teve como finalidade promover a aquisição direta do capital social da impugnante, mas sim a de se afigurar como sociedade holding para poder acomodar e viabilizar o ingresso no DEG no negócio; s) Em 15/05/2008, os representantes legais do AXXON GROUP, que detinham a totalidade das cotas para a TOLSTOI INVESTIMENTOS por meio da competente alteração e consolidação do contrato social, passando a TOLSTOI INVESTIMENTOS a deter o controle societário da holding TOLSTOI PARTCIPAÇÕES, que, repitase, era quem havia celebrado o Instrumento de Compra e Venda e quem tinha o direito irrevogável de aquisição da totalidade do capital social da impugnante e de sua então controladora, GUERRA PARTICIPAÇÕES; t) Nesse sentido, é importante asseverar que a TOLSTOI INVESTIMENTOS, o NATIXIS e o DEG não tinham nenhuma relação contratual com os vendedores, nem sequer como intervenientes anuentes. Havendo qualquer tipo de infração contratual por parte dos vendedores, seria ela, e somente ela, a parte legítima para reclamar quaisquer direitos. Nesta mesma linha, havendo qualquer tipo de infração contratual por parte da compradora, como o não pagamento do preço acordado, os vendedores poderiam reclamar seus direitos exclusivamente da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, e somente dela; u) Notese que a transferência das cotas da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES para a TOLSTOI INVESTIMENTOS foi primordial para conferir segurança ao DEG em relação ao direito de aquisição da totalidade do capital social da impugnante. Conseqüentemente, as negociações entre NATIXIS e DEG restaram frutíferas, de forma que: Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.257 17 v) Dias depois, em 09/06/2008, foi firmado o Termo de Fechamento, concretizando o encerramento da operação de compra e venda da totalidade das ações da impugnante e da GUERRA PARTICIPAÇÕES pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, tendo sido cumpridas todas as formalidades societárias para efetivar as transferências de quotas/ações na referida data, notadamente: a celebração da alteração contratual da Guerra Participações para transferência da totalidade de suas quotas para a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, pela qual houve também a renúncia dos antigos administradores e eleição de novos pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, além de ter havido reformulação geral do contrato social; e os registros pertinentes nos livros societários da impugnante para transferência da totalidade das suas ações para a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES; w) Com isso, a partir de 09/06/2008, a impugnante e a GUERRA PARTICIPAÇÕES passaram a ter seu capital social integralmente detido pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, a qual, por fim, tinha o capital social detido de 61,1% pelo NATIXIS e 38,9% pelo DEG, ambos entidades estrangeiras; x) Nessa mesma data, ocorreu o pagamento da primeira parcela do preço de aquisição no montante de R$ 82.000.000,00. Os pagamentos subseqüentes das parcelas 2 e 3 ocorreram, respectivamente, em 12 e 17/06/2008, nos valores de R$ 16.350.000,00 e 10.650.000,00. Tais recursos tiveram origem em contribuições para futuro aumento de capital social por parte da TOLSTOI INVESTIMENTOS e em operações onerosas de mútuos de recursos financeiros disponibilizados pela impugnante, que a essa altura já era totalmente controlada pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES; y) A comprovação do efetivo pagamento do preço de aquisição e do ônus financeiro encontrase demonstrada nos Termos de Quitação emitidos pelos integrantes (vendedores) da Família GUERRA. Para maior visualização dos valores Fl. 1265DF CARF MF 18 pagos, reproduzse, abaixo, memória que individualiza os pagamentos apontados nos referidos Termos de Quitação por beneficiário: z) Não restam dúvidas de que se tratou de operação realizada entre partes não relacionadas e independentes, efetivada após intensas negociações. Tanto é verdade, que a operação em comento chegou a ser divulgada na imprensa, sendo notória a total independência das partes, conforme matérias ora acostadas; aa) A operação foi devidamente submetida à análise do CADÊ, tanto no primeiro momento, quando da celebração do Instrumento de Compra e Venda pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, como em momento posterior, quando da entrada do DEG no negócio; bb) Com isso, é nítida a constatação de que houve efetiva aquisição de participação societária por terceiros, que não eram partes relacionadas da Família Guerra, mediante inequívoco pagamento de preço de aquisição, o qual foi muito superior ao valor contábil do Patrimônio Líquido da Impugnante e de sua então controladora Guerra Participações, ou seja, gerando, assim, de um lado, ganho de capital sujeito à tributação pelo IRPF e do outro ágio legítimo e devidamente fundamentado em perspectiva de rentabilidade futura; Da utilização da holding TOLSTOI PARTICIPAÇÕES a) O fisco alega, ainda que sem precisão, que a real adquirente das participações societárias seria a TOLSTOI INVESTIMENTOS; b) A tese fiscal repousa na premissa de que a aquisição de participações societárias somente poderia ocorrer se efetuada diretamente pela TOLSTOI INVESTIMENTOS sem o intermédio de outra sociedade holding, isto é, sem o intermédio da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, porque tal seria disprovida de substrato e capacidade econômica; c) Entretanto, tal premissa não pode prosperar, em primeiro lugar pelo fato de a TOLSTOI INVESTIMENTOS ser uma holding, cujo capital social foi integralizado pelo NATIXIS e pelo DEG. Ou seja, seguindo a própria lógica fiscal, a TOLSTOI INVESTIMENTOS, que afirma ser a real adquirente, era à época uma holding, sem atividades operacionais e que recém havia recebido seus primeiros fundos via integralização de capital e empréstimo. E pior: a TOLSTOI INVESTIMENTOS quando da celebração de Instrumento de Compra e Venda com os acionistas vendedores da impugnante, nem sequer integrava o Grupo Natixis, sendo uma simples sociedade dormente, sem qualquer atividadade ou investimentos, com apenas R$ 1.000,00; d) Em segundo lugar, porque uma pessoa jurídica ou um grupo de pessoas jurídicas dispõem de diversas possibilidades legais para investir, sendo certo que o Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.258 19 investimento via constituição de uma ou mais sociedades holdings é uma das suas possibilidades; e) A escolha do melhor investimento cabe ao investidor, não podendo o fisco interferir; f) Os investidores NATIXIS e DEG valeramse de uma opção legalmente estabelecida para melhor estruturar a gestão se suas atividades; g) Tanto a criação de sociedade holding para fins de figurar como adquirente de participação societária é aceita pela legislação pátria, que foi o modelo jurídico adotado maciçamente durante os processos de privatização ocorridos, principalmente no final da década de 90; h) Nesse sentido, é público e notório que as sociedades estrangeiras, na ocasião, ao invés de adquirirem as empresas estatais diretamente, constituíram as sociedades holdings no Brasil, e estas realizaram aquisições; posteriormente, estas mesmas holdings foram incorporadas pelas empresas investidas, para que, nos termos do art. 386 do RIR/1999, os investidores obtivessem o retorno parcial do preço pago, tendo em vista a amortização do respectivo ágio; Do Papel Efetivamente Desempenhado pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES a) É imprópria a alegação de ausência de substrato econômico na operação que envolveu a aquisição do controle acionário da impugnante, uma vez que tal aquisição se mostrou real, condizente com a vontade de cada uma das partes envolvidas, fundamentadas à luz do ordenamento jurídico vigente à época de cada etapa da operação, precedida de efetivos pagamentos em espécie aos ex controladores, conduzida entre partes não relacionadas que estiverem na mesa de negociação para discussão das condições do negócio e concluída com a mais absoluta transparência; b) O propósito negocial está baseado na motivação real, verdadeira que justificou a aquisição, com pagamento de ágio, de participação societária no capital social da impugante; c) O fato de ter tido a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES seu capital social integralizado às vésperas da operação de aquisição nada significa além de uma decisão estratégica de negócios; d) Registrese ademais que a constatação de que a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES teve seu capital social contribuído e integralizado com recursos provenientes do NATIXIS e DEG, via TOLSTOI INVESTIMENTOS, os quais, posteriormente, foram destinados à compra do controle acionário da impugnante, não tem o condão, por si só, de desnaturar a juridicidade do negócio pelo qual a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES participou como real adquirente do controle acionário da impugnante; e) Não é relevante para a análise do propósito negocial e da substância econômica o fato de a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES ter sido financiada com recursos dos sócios NATIXIS e DEG, via TOLSTOI INVESTIMENTOS, mediante subscrição e integralização de aumento de capital social; Fl. 1267DF CARF MF 20 f) O propósito negocial está na aquisição da participação societária e não propriamente na integralização do capital realizada como forma de gerar liquidez para a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES efetuar os pagamentos em nome próprio; g) A TOLSTOI PARTICIPAÇÕES não foi uma sociedade veículo efêmera; h) Em primeiro lugar porque a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES não teve sua existência limitada a um dia, semana ou um mês. Depois de cumprir seu papel fundamental na operação teve uma vida duradoura, respectivamente, de 9 meses até sua incorporação em 31/12/2008; i) Em segudo, porque no caso específico da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, além de atuar como adquirente da participação no capital social da impugante e da GUERRA PARTICIPAÇÕES, celebrando o instrumento de compra e venda e todos os demais atos pertinentes à operação, exerceu plenamente o direito de voto em pelo menos 15 Assembleias Gerais convocadas pela diretoria da impugnante; j) Com efeito, nesses 9 meses de existência não só votou nas Assembleias Gerais de 09/06/2008; 16/06/2008; 18/06/2008; 18/07/2008; 30/07/2008; 31/07/2008; 01/09/2008; 30/09/2008; 28/11/2008; 05/12/2008; 10/12/2008; 10/12/2008; 29/12/2008; 31/12/2008, mas também celebrou contratos com a impugnante e submeteuse a diversar obrigações de natureza fiscal, principal e acessória, tanto na qualidade de responsável tributária, quanto na qualidade de sujeito passivo da obrigação; k) Há ainda que se ponderar que a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES e TOLSTOI INVESTIMENTOS passaram a integrar o grupo NATIXIS e DEG às vésperas da aquisição. Sob este viés, se levada a “ferro e fogo” a argumentação fiscal, por dedução lógica, nem mesmo a TOLSTOI INVESTIMENTOS poderia ser rotulada como real adquirente do controle da impugnante, haja vista que os recursos necessários para o financiamento da atividade de holding provieram do NATIXIS e DEG. Ou seja, sob esse prisma, TOLSTOI INVESTIMENTOS também seria uma sociedade veículo sem propósito negocial; l) O argumento do fisco acerca da simulação, dolo ou fraude não passa de um estratagema para manifestar sua indignação quanto aos efeitos fiscais que, naturalmente, originaramse da legislação tributária, que autorizam a dedutibilidade do ágio pago na aquisição de participação societária quando há junção do patrimônio da controlada (investida) com o da controladora (investidora) e vice versa; Da Incorporação da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES a) Após a conclusão da aquisição do controle acionário da impugnante e da sua então controladora Guerra Participações, NATIXIS e DEG passaram a “arrumar a casa”, mediante implementação de diversas ações de profissionalização da gestão das empresas integrantes do Grupo Guerra; b) Nesse contexto, em 30/09/2008, a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES aprovou a incorporação pela impugnante do acervo patrimonial da GUERRA PARTICIPAÇÕES, antiga holding de controle da família GUERRA e, em 31/12/2008, a TOLSTOI INVESTIMENTOS aprovou a incorporação pela impugnante do acervo patrimonial da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, restando, dessa forma, um única holding de controle da impugnante; c) Embora avaliada a hipótese, tanto a NATIXIS quanto a DEG entenderam por bem não autorizar a incorporação da TOLSTOI INVESTIMENTOS, tendo em vista a existência de endividamento (empréstimo) com o DEG; Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.259 21 d) Caso a hipótese aventada fosse concretizada, todo o endividamento da TOLSTOI INVESTIMENTOS seria assumido pela impugnante, o que na visão do NATIXIS e DEG poderia gerar um efeito indesejado no âmbito financeiro e de balanço patrimonial da impugnante; e) Há previsão para a incorporação às avessas; f) Não se furta a impugnante da afirmação de que a incorporação de TOLSTOI PARTICIPAÇÕES justificouse, sim, pela faculdade da legislação fiscal de utilização do benefício fiscal pelo período mínimo de 5 anos do ágio incorrido na aquisição da impugnante fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, cuja condições é exatamente a incorporação da pessoa jurídica detentora do ágio fundamentado em rentabilidade futura pela pessoa jurídica que efetivamente gera a referida rentabilidade e viceversa; Da inaplicabilidade da multa de ofício A multa de ofício deve ser cancelada, tendo em vista que a impugnante agiu em conformidade com a orientação jurisprudencial firmada anteriormente, razão pela qual não pode sofrer qualquer punição. Da inaplicabilidade da multa qualificada a) A operação realizada foi devidamente comunicada ao CADE e por ele aprovado, tanto no primeiro momento, quando da celebração do Instrumento de Compra e Venda pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, como em momento posterior, quando da entrada no DEG no negócio; b) De forma alguma houve dolo na operação; Da improcedência aplicação concomitante de multa isolada com multa de ofício e em valor superior ao valor apurado após o encerramento do exercício a) Houve a imposição de pena duplamente sobre o mesmo fato; b) A jurisprudência do CARF se posiciona contra tal imposição; c) A multa deverá ser cancelada; Do erro da apuração da multa isolada a) Com relação aos anoscalendário de 2010 e 2013, após a recomposição das estimativas mensais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, por um equívoco, o Fisco aplicou a multa isolada de 50% sobre o resultado obtido a partir da subtração do IRPJ e CSLL a pagar, ora apurado por ela, versus as antecipações negativas de IRPJ e CSLL declarados pela impugnante na DIPJ; b) Ao subtrair sobre um valor negativo o fisco obteve o oposto; uma soma; Fl. 1269DF CARF MF 22 c) Abaixo a impugnante demonstra o efeito descrito na apuração da multa isolada de IRPJ e CSLL: d) Conforme demonstrado acima, o fisco, nos meses de Abril e Junho do ano de 2010 e Agosto de 2013, apurou base de cálculo para aplicação da multa isolada sobre os valores não recolhidos de IRPJ e CSLL superior àquela que seria efetivamente verificada nos respectivos meses após a recomposição das bases de cálculo de IRPJ e CSLL da impugnante; e) Como não havia IRPJ e CSLL a serem recolhidos pela impugnante nos referidos meses, deveria o fisco ter utilizado como base de cálculo da multa isolada os valores das estimativas de IRPJ e CSLL por ela apurados, ao invés de somálos àqueles suspensos pela impugnante; f) Apresentamse a seguir os quadros comparativos entre a base de cálculo da multa isolada apurada pelo fisco e a identificada pela impugnante: Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.260 23 g) Em resumo, verificase que o montante exigido a título de multa isolada pela suposta ausência de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ e CSLL seria consideravelmente reduzido se a composição de sua base de cálculo fosse efetuada de forma correta: Mês Diferença de Multa 50% ABR/10 IRPJ 110.260,90 JUN/10 IRPJ 110.260,90 AGO/13 IRPJ 123.870,10 ABR/10 CSLL 41.038,90 JUN/10 CSLL 41.038,90 AGO/13 CSLL 44.952,10 TOTAL 471.421,80 h) A não observância pelas autoridades fiscais da sistemática de apuração das referidas estimativas mensais de IRPJ e CSLL pode implicar em incorreções na base de cálculo sobre a qual será aplicado o percentual da multa isolada em função da ausência/insuficiência de tais recolhimentos. Alega, ainda, que não se pode aplicar juros moratórios sobre a multa de ofício. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ por meio do Acórdão 1272.619, de 06 de fevereiro de 2015, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Fl. 1271DF CARF MF 24 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente em consonância com a legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. PROVA. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia tributária pretendida, se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, tais como: a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal. DECADÊNCIA. REGRA GERAL. INAPLICABILIDADE. No caso de observância de simulação, dolo ou fraude em ação fiscal (parte final do artigo 150, § 4º), a regra geral para contagem do prazo decadência descrita na primeira parte do artigo 150, § 4º, transmudase para o artigo 173, I do mesmo diploma legal, cujo marco inicial passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA PROPORCIONAL NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA COM MULTA ISOLADA. Nada impede seja exigido concomitantemente com a multa de ofício a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas, já que a interessada à época, em face das infrações constatadas, deixou de recolher os respectivos valores, conduta, portanto, típica, subsumida à norma legal constante no artigo 44, inciso II, alínea b da Lei nº 9.430/1996. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA LANÇADA COM O TRIBUTO. A multa de ofício lançada com o tributo também se enquadra no conceito de débito para com a União, logo sofre a incidem juros Selic se não for paga tempestivamente. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.261 25 É descabida a amortização de ágio interno, com fundamento econômico em expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. RECUPERAÇÃO DO VALOR PAGO ANTECIPADAMENTE POR CONTA DA EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. É condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros; o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais lucros futuros, pois as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora por eles pagou antecipadamente, devendo baixar o ágio contra esses valores. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, PIS E COFINS. Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamentos reflexo de CSLL, o mesmo tratamento dispensado ao de IRPJ. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após a decisão da DRJ cuja ciência se deu via eletrônica em 19/02/2015 (efl. 981), a empresa apresentou recurso voluntário apenas em 05/05/2015 (via protocolo de efl. 1.005) e também na data de 14/05/2015 (via eletrônica conforme termo de análise de solicitação de juntada de efl. 1.167). Inicialmente, a empresa apresenta pedido de nulidade da decisão da DRJ, por não respeitar o quórum regimental mínimo necessário para julgamento. Segundo a recorrente, o julgamento na DRJ foi composto por apenas dois julgadores. Além disso, a empresa ressalva que o recurso fora apresentado tempestivamente, tendo em vista erro no acesso ao sistema do eCAC, que impossibilitou acesso, via eletrônica, de seu procurador, ao processo. Para tentar comprovar o erro técnico no sistema, juntou certificação, por tabelião, reproduzida parcialmente abaixo, de ata notarial datada de 08/04/2015, referente a "Consulta a processos digitais", conforme efls. 1.113 e 1.114: 1º) Fui encaminhada ao computador da funcionária identificada como Cleonice Monteiro Padilha; Fl. 1273DF CARF MF 26 2º) Foi efetuado pela mesma conexão por meio do cartão denominado eCPF; 3º) Após o reconhecimento do cartão, foi efetuado o acesso ao seguintes endereço eletrônico: idg.receita.fazenda.gov.br; 4º) Nesta página foi clicado no link denominado Atendimento Virtual (e CAC), o qual nos remeteu ao seguinte endereço: idg.receita.fazenda.gov.br/interface/portalecaccentrovirtualdeatendimentoao contribuinte/portalecaccentrovirtualdeatendimentoaocontribuinte; 5º) Nesta página a funcionária clicou no ícone do Centro Virtual de Atendimento, que remeteu para: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx; 6º) Novamente clicou no ícone do Certificado digital, e nele surge o quadro que solicita a introdução do código PIN, o qual foi digitado pela funcionária que acessou automaticamente o seguinte endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/defautl.aspx, no qual podese verificar na margem superior a seguinte frase: Titular do certificado: 699.280.29001 MARCELO SCHUSTER SILVA:69928029091, tratandose portanto dita consulta da pessoa física; 7º) Após foi clicado no ícone alterar perfil de acesso, o qual direcionou para: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/default.aspx#, no qual abriu uma janela, e nela foi selecionado: Procurador de pessoa jurídica CNPJ, que foi digitado pela funcionária, e então foi alterado o perfil, de acesso na página: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/default.aspx#, no qual se visualiza na margem superior que aparece: Titular do certificado: 699.280.29001 MARCELO SCHUSTER SILVA:69928029091, tratandose portanto dita consulta da pessoa física, e, abaixo: Procurador de 88.665.146/000105 Guerra S.A IMPLEMENTOS RODOVIÁRIOS; 8º) Clicado pela funcionária no link Consulta a Processo Digital, a página remete ao endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/Aplicacao.aspx?id=00051&origem=destaqu e, e a página fica inoperante; 9º) Nesta página foi clicado novamente no ícone ecac Centro Virtual de Atendimento, no link Consulta Pendências Situação Fiscal Relatório Complementar, remete imediatamente ao endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/Apklicacao.aspx?id=OOI01&origem=mais acessados." (g.n.) A PGFN apresentou contrarrazões ao recurso voluntário em que pede, primeiramente, pelo não reconhecimento do recurso voluntário, por sua intempestividade, e, se vencida neste proposta, pede pela manutenção integral do auto de infração. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório. Voto Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.262 27 Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Nulidade Quórum mínimo na DRJ A recorrente alega que não foi respeitado o quórum mínimo de 3 (três) julgadores para julgar o processo de 1ª instância, conforme se observa no acórdão 1272.619 4ª Turma da DRJ/RJ1, da sessão de 06 de fevereiro de 2015. Invoca, para tanto, violação ao §6º do art. 4º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. Vejase o que traz a redação legal: § 6º O Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento pode designar julgador ad hoc para participar de sessão específica em Turma de julgamento, visando a garantir o quorum mínimo de 3 (três) julgadores para a realização da sessão. Verificando o acórdão da DRJ, é de constatar que participaram do julgamento 3 (três) julgadores. O julgador Gastão da Silva Canario também participou do julgamento deste processo (efl. 927), veja: c) MANTER O IRPJ no valor de R$ R$ 3.028.445,70; a CSLL no valor de R$ 1.090.240,46, acrescidos da multa de ofício qualificada de 150% e dos juros de mora. Vencido o julgador Gastão da Silva Canario que votou pela aplicação da multa de ofício de 75%; (negritei) Mais abaixo (na mesma efl. 927), consta a seguinte informação: Assinado Digitalmente Andréa Duek Simantob Presidente e Relatora Participou também do presente a julgadora Nair Castaño Martinez Borges. Ausentes justificadamente os julgadores William da Silva Siqueira e Eduardo Araujo da Rocha Leão. Como visto, o julgador Gastão da Silva Canario participou do julgamento deste processo, juntamente com os demais julgadores: Andréa Duek Simantob presidente de turma e relatora e Nair Castaño Martinez Borges. Assim, respeitado o quórum mínimo necessário ao julgamento do processo em primeiro grau, devese afastar a arguição de sua nulidade. Desta forma, passo a analisar a tempestividade do recurso voluntário. Tempestividade Como visto no relatório deste acórdão, o recurso voluntário foi apresentado intempestivamente. Fl. 1275DF CARF MF 28 A ciência do acórdão da DRJ à recorrente se deu via eletrônica em 19/02/2015 (efl. 981), conforme se pode observar do Termo de Ciência por Abertura de Documento, reproduzido abaixo: TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM COMUNICADO O destinatário teve ciência dos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal na data de 19/02/2015 16:33:45, ciência esta realizada por seu procurador 699.280.29091 MARCELO SCHUSTER DA SILVA. Data do registro do documento na Caixa Postal: 12/02/2015 09:47:34 Acórdão de Impugnação Intimação de Resultado de Julgamento Darf DATA DE EMISSÃO : 20/02/2015 Logo, o início do prazo para interposição de recurso voluntário se deu em 20/02/2015 (sextafeira dia útil). O caput do art. 33 determina o prazo para interposição de recurso voluntário: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Da redação do dispositivo acima, vêse que o recurso voluntário deveria ter sido protocolado até a data de 23/03/2015 (segundafeira), pois seria o primeiro dia útil após o encerramento do prazo de 30 (trinta) dias, que seria em 21/03/2015 (sábado). Uma vez que o recurso voluntário proposto pela recorrente foi apresentado em 05/05/2015 (conforme protocolo de efl. 1.005), ou em 14/05/2015 (via eletrônica conforme termo de análise de solicitação de juntada de efl. 1.167) temse que, por ambas as datas, o recurso voluntário foi proposto intempestivamente. E, mesmo que a ciência via eletrônica tivesse se dado no prazo de 15 (quinze) dias contados após da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo (ciência ficta), a empresa também teria protocolado o recurso intempestivamente. Isto porque a Receita disponibilizou a intimação do resultado do julgamento da DRJ na data de 12/02/2015 quintafeira (efl. 980) e, uma vez que o prazo inicial para interposição do recurso voluntário se daria na data de 27/02/2015 (quinze dias após 12/02/2015), a empresa deveria protocolar o recurso voluntário até a data de 31/03/2015 (trinta dias após a ciência), o que também não ocorreu. A recorrente alegou que tomara ciência do acórdão da DRJ em 06/04/2015. Para afastar o não conhecimento do recurso voluntário pela intempestividade, alega que o sistema da RFB apresentou falhas, que impediramna de ter acesso ao processo em questão, apresentando, para comprovar suas alegações, documento firmado por tabelião. Entretanto, o referido documento não comprova que a empresa estava impossibilitada de acessar os sistemas da RFB durante o período em que poderia apresentar o recurso voluntário. Como visto, o fato que ensejou a constatação do tabelião ocorreu na data de Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.263 29 08/04/2015, sendo que a empresa teve todo o período de 20/02/2015 sextafeira (um dia após a data da ciência do acórdão da DRJ) até a data de 23/03/2015 segundafeira, que é a data final para apresentação do recurso, para acessar o documento, o que torna inviável o pedido da recorrente. Ou seja, na data em que se constatou suposto erro no acesso do sistema da Receita Federal (08/04/2015), o prazo para interposição do recurso voluntário já havia sido atingido. Assim, a decisão a quo deve ser mantida na íntegra. Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR o pedido de nulidade da decisão da DRJ, e voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por sua intempestividade. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 1277DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.726715/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2011
EMPRESA DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA. PIS CUMULATIVO. As empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002.
DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA PRESCINDE DE
LANÇAMENTO.
A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Havendo não homologação da compensação, o débito confessado é motivo de cobrança e não de
lançamento.
Numero da decisão: 3302-004.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2011 EMPRESA DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA. PIS CUMULATIVO. As empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA PRESCINDE DE LANÇAMENTO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Havendo não homologação da compensação, o débito confessado é motivo de cobrança e não de lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora (assinatura digital) CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária ubro de 2017 ubro de 2017 Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o PIS/Pasep FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL VISE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA. VISE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA. AA Fl. 711DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dèrouléde (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. Relatório Submete-se a apreciação deste Colegiado o Recurso de Ofício em tela, em obediência aos ditames do art. 34 do Decreto n. 70.235/1972, e as alterações introduzidas pela Lei n. 9.532/1997, e Portaria MF n. 63, de 09/02/20171, uma vez que a decisão proferida pela 14ª Turma da Delegacia de Julgamentos de Ribeirão Preto resultou na exoneração de R$ 3.223.160,06 equivalentes em créditos tributários. Trata-se de auto de infração lançado em decorrência da falta/insuficiência de recolhimento de PIS/Pasep no período de julho/2006 a junho/2011. O Termo de Constatação Fiscal, fls. 330/340, relata que o auto de infração decorre de Mandado de Segurança impetrado pela contribuinte em 1997, visando eximir-se do recolhimento do PIS previsto na Medida Provisória n° 1.212 de 28/11/95 e suas reedições. Após decisão transitada em julgado em favor da União, a contribuinte foi intimada a comprovar a apuração e o recolhimento de PIS de junho de 2006 a julho de 2010, sendo constatada a correta apuração das bases de cálculo da contribuição e a prática de ajustes diminuindo o PIS a recolher, a título de retenções na fonte e compensações, que não foram comprovados nas respostas às intimações feitas. Visando apurar a existência das retenções, a autoridade fiscal levantou nas bases de dados da RFB as DIRFs existentes com informações de retenção de PIS sob os códigos 5952, 5979 e 6190 sobre pagamentos efetuados à contribuinte. Considerando essas retenções comprovadas, calculou os valores a serem lançados de ofício. A autoridade fiscal apurou o faturamento da contribuinte escriturado em seus livros contábeis e fiscais; sobre esse faturamento calculou o PIS à alíquota de 0,65% (do regime cumulativo); do PIS calculado deduziu os valores do PIS retido na fonte que levantou e também os valores efetivamente recolhidos em DARF pela contribuinte. A diferença encontrada foi considerada como PIS devido e não recolhido e lançada de ofício com fundamento legal nos art.s 1° e 3° da LC n.07/70 e nos art.s 2°, I, "a" e § único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02, que regulamentou a Contribuição para o PIS/Pasep e a COFINS devidas pelas pessoas jurídicas em geral, anteriormente à previsão legal do regime da não- cumulatividade. Foi lançado PIS no valor de R$ 3.527.846,10, acrescido de multa de ofício de 75% (R$ 2.645.884,33) e de juros de mora calculados até 30/04/2012 (R$ 1.033.199,40). A contribuinte tomou ciência do auto de infração em 31/05/2012 e em 29/06/2012 apresentou a impugnação, de fls. 377/404, alegando que havia comprovado todas 1 Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 712DF CARF MF Processo nº 12448.726715/2012-68 Acórdão n.º 3302-004.908 S3-C3T2 Fl. 712 3 as retenções de PIS na fonte através dos Dacon do período autuado, sendo, por isso, improcedente o lançamento que considerou válida apenas parte das retenções. Que também havia comprovado todos os valores de PIS compensados por PER/Dcomps, sendo que tais valores não poderiam ter sido lançados de ofício enquanto não definitivamente analisadas as compensações, uma vez que os créditos estariam com a exigibilidade suspensa até sua homologação ou não-homologação. Diz a impugnante ser descabida a aplicação de multa de ofício sobre os valores lançados, já que se encontravam declarados em DCTF. Por fim, alega que não poderiam ser exigidos juros de mora corrigidos pela taxa Selic, por tratar-se de taxa de cálculo de juros remuneratórios dos Títulos da Dívida Pública e não de juros moratórios, previstos no art. 161 do CTN. em 1% ao mês, só podendo ser superior a isto por disposição expressa em lei. A aplicação da Selic ainda feriria o princípio da segurança jurídica por ser ditada pelo credor - a União Federal - à sua conveniência e feriria o inciso v do art. 97 do CTN, por não ter sido criada por lei, mas pela Resolução n° 1.124/86 do Conselho Monetário Nacional. Encaminhados os autos para julgamento, em 12/08/2013, propôs-se a conversão do processo em diligência, pela Resolução n° 1.753 da 14a Turma da DRJ/RPO, retornando os autos à DRF de origem para verificação da existência de filiais da contribuinte, de retenções de PIS sobre pagamentos às filiais, de débitos de PIS compensados por Dcomps e informados nas DCTFs do período e, se fosse o caso, para recalculo das diferenças de PIS a pagar. Realizada a diligência, deu-se ciência à contribuinte por via postal em 28/11/2013, reabrindo o prazo para sua manifestação, o que não ocorreu. Retornados os autos a esta DRJ/RPO verificou-se que o relatório da diligência efetuada sugeria o agravamento dos valores a serem lançados, principalmente por considerar que a contribuinte deveria se submeter ao cálculo do PIS à alíquota de 1,65%, e não de 0,65% como aplicado no auto de infração, além de considerar em alguns meses (mar/09, abr/09, out/09, mai/10 e jul/10) base de cálculo maior que a apurada no auto de infração. Não obstante, o relatório da diligência trouxe o levantamento de cinco filiais da contribuinte e das retenções de PIS na fonte sobre seus recebimentos (cujas informações estavam disponíveis nas bases da RFB) e considerou os efeitos extintivos do débito fiscal nas compensações informadas por Dcomps e nas DCTFs do período. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada parcialmente procedente pela instância de origem, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. CORREÇÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE Fl. 713DF CARF MF 4 É possível a correção de ofício de eventuais erros na capitulação legal da autuação descrita no auto de infração, sem que isso implique em nulidade do lançamento lavrado. Ainda mais quando os fatos apurados na ação fiscal e o fundamento legal da autuação são corretamente indicados no Termo de Constatação Fiscal. EMPRESA DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA. PIS CUMULATIVO. As empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA PRESCINDE DE LANÇAMENTO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Havendo não homologação da compensação, o débito confessado é motivo de cobrança e não de lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. RETENÇÃO NA FONTE NÃO COMPROVADA. Apuradas diferenças de valores referentes a retenções na fonte não comprovadas, restando, portanto, tributo declarado/recolhido a menor, é cabível a aplicação de penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. TAXA SELIC. APLICAÇÃO PARA CÁLCULO DOS JUROS DE MORA. O Art. 161, § 1°, do CTN estatui que a lei pode dispor sobre juros de mora adotando outro percentual que não o de 1% ao mês. A exigência dos jurosde mora com base na taxa SELIC está determinada na Lei n° 9.065/1995, art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte não apresentou recurso sobre a parte do crédito tributário que foi mantido. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 12448.726715/2012-68 Acórdão n.º 3302-004.908 S3-C3T2 Fl. 713 5 Por força do que dispõe o art. 34 do Decreto n. 70.235/1972, e as alterações introduzidas pela Lei n. 9.532/1997, e Portaria MF n. 63, de 09/02/2017, os autos deste processo administrativo em tela ascenderam a este Conselho É o relatório. Voto Conselheira Relatora Lenisa Prado O auto de infração foi lavrado porque constatou-se a falta/insuficiência de recolhimento do PIS incidente no regime cumulativo. Assim foi registrada a conclusão do fiscal: "As planilhas anexas apresentam, por período de apuração, o faturamento escriturado, sobre o qual foi aplicada a alíquota de 0,65% resultando nos valores de PIS calculado, assim como a soma das retenções declaradas em DIRF com os códigos mencionados acima e o PIS comprovadamente informado recolhido pelo contribuinte, para, por diferença entre o PIS calculado e a soma do PIS retido com o PIS recolhido, demonstrar o PIS a pagar apurado, que configura, obrigatoriamente, o PIS devido e não recolhido, a ser lançado e cobrado de ofício, através do Auto de Infração, na forma do disposto nos art. 1º e 3º da Lei Complementar n. 07/70 e art. 2º, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3º, 10,22 e 51 do Decreto n. 4.524/02, aplicada a multa de 75% e os juros de mora" (fl. 331). Em 12/08/2013, a 14ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto decidiu por converter o julgamento da impugnação em diligência para que fossem apurados os seguintes quesitos: "1) Seja verificada a existência de filiais da contribuinte. 2) Seja verificada a existência de DIRFs informando retenções de PIS sobre pagamentos feitos às filiais da contribuinte. 3) Sejam verificadas as DCTFs da contribuinte, para que sejam considerados os efeitos das DCOMPs informadas. 4) Sejam refeitas as planilhas de apuração mensal dos valores do PIS a recolher, do período de julho de 2006 a junho de 2011, considerando todas as retenções de PIS na fonte tendo como beneficiários a matriz e as filiais da contribuinte, e os valores totais dos débitos confessados em DCTF, incluindo tanto quitados por compensações quanto por recolhimentos em DARF. 5) Que sejam juntados aos autos os documentos verificados e as planilhas produzidas na diligência". (Resolução n. 1.753, às folhas 433 a 437 dos autos eletrônicos) Fl. 715DF CARF MF 6 Em resposta a diligência ordenada, a autoridade preparadora apresentou várias planilhas em que organiza as informações obtidas 2. Dentre elas, a autoridade considera que o PIS é devido à 1,65%, por considerar que a contribuinte está submetida ao regime não cumulativo (item c da folha 446). Esclarece que: "Com efeito, podemos verificar nas 'Telas do Sistema CNPJ' (Anexo 1) que, por um lado, o contribuinte é tributado pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ com base no Lucro Real e que, pelo outra lado, a receita decorrente de sua atividade econômica (CANAE 8011-1-01 Atividades de Vigilância e Segurança Privada) não está contemplada dentre aquelas que lhe permitiriam a manutenção do regime cumulativo de cobrança de PIS, conforme preconiza a Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2002". Outro ponto que merece destaque é que o fiscal não considera os pagamentos realizados pelo contribuinte através das compensações, apesar de reconhecer que esta é uma forma legítima de extinção do crédito tributário: "g) Coluna 'Total do PIS à Pagar' - é a diferença apurada entre o valor do PIS devido, apurado através das aplicações da alíquota de 1,65% menos os valores das retenções efetuadas pelos clientes do contribuinte (declarantes do DIRF) e dos débitos por ele declarados em DCTF. (...) Portanto, nesta linha de raciocínio, não há que se falar em formas de extinção do crédito tributário, ou seja, não importa, no presente caso, se a extinção do correspondente crédito tributário (débitos em DCTF) tenha se dado através de pagamento (DARF) ou compensação (PER/DCOMP)" (fl. 447) A instância de origem exonerou parte dos créditos tributários objeto do auto de infração3, em síntese, pelos seguintes motivos: 1) A autuação se deu, em parte, porque interpretou-se que a contribuinte estaria submetida ao regime não-cumulativo de apuração das contribuições sociais. A Relatora do acórdão recorrido corrige esta assertiva ao esclarecer que: "Cabe-nos dizer que as empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os 2 Documento acostado às folhas 441 a 448 dos autos eletrônicos. 3 "De todo o exposto voto por considerar a impugnação procedente em parte, reformando os valores da contribuição lançados no auto de infração, exonerando crédito tributário no total de R$ 3.223.160,06 e mantendo crédito tributário no total de 304.686,04, em decorrência da consideração nos cálculos: a) dos efeitos das compensações declaradas; b) dos valores de PIS retidos na fonte sobre pagamentos feitos às filiais da contribuinte, informados nas DIRFs entregues pelas fontes pagadoras à RFB. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 12448.726715/2012-68 Acórdão n.º 3302-004.908 S3-C3T2 Fl. 714 7 incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002". Razão assiste ao pronunciamento da julgadora da instância de origem. Isso porque a Lei n. 7.102/1983 disciplina o funcionamento das empresas particulares que exploram serviços de vigilância e de transporte de valores, que é a atividade precípua da contribuinte. E o artigo 8º da Lei n. 10.637/2002 expressamente determina que as pessoas jurídicas referidas na Lei n. 7.102/1983 "permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º ao 6º". Portanto, ao contrário do que defende a autoridade autuante, a contribuinte é submetida ao regime cumulativo das contribuições e, por esse motivo, deve recolher o PIS à base de 0,65%. 2) Na oportunidade da lavratura do auto não foram consideradas as compensações realizadas pela contribuinte via DCOMPs. Segue trecho do acórdão combatido: "Como sabido, a compensação, assim como o pagamento, são modos de extinção do crédito tributário conforme previsto no art. 156, incisos I e II, do CTN, ainda que a compensação seja feita sob condição resolutória. A Dcomp surgiu como instrumento da compensação tributária a partir da redação dada pela Lei n° 10.637/2002 ao art. 74 da Lei n° 9.430/96. Com o a Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, a Dcomp passou a ser instrumento de confissão de dívida. Seu art. 17 acrescentou ao art. 74 da Lei n° 9430, de 27 de dezembro de 1996, o § 6° cuja redação segue transcrita: '§ 6° A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.' Assim, as compensações, informadas nas Dcomps entregues anteriormente à ação fiscal deveriam ter sido consideradas na apuração de eventual falta de recolhimento. Analisando as DCTFs do período vê-se que essas trazem as informações sobre as DCOMPs utilizadas para 'quitar' débitos de PIS em vários períodos de apuração. Caso não homologadas as DCOMPs, o débito já foi confessado, não havendo necessidade de lançá-lo novamente em auto de infração, bastando sua cobrança". Diante do equívoco perpetrado na autuação, a Relatora da impugnação diligentemente apresentou planilha onde apresenta novos cálculos considerando os seguintes fatores: a) Base de Cálculo: é a apurada pela auditoria nos registros contábeis da impugnante; b) PIS devido: foi calculado à alíquota de 0,65%, de incidência cumulativa; Fl. 717DF CARF MF 8 c) PIS retido na fonte: retenções sobre pagamentos feitos à matriz e filiais da contribuinte. Informações existentes nas bases da RFB, conforme DIRFs das fontes pagadoras; d) PIS declarado em DCTF: considerando os efeitos das Dcomps informadas; e) PIS a lançar no auto de infração: "b" - "c" - "d" = "e" Período Apuração Base de Cálculo PIS devido PIS retido na fonte PIS declarado em DCTF PIS a lançar no auto de infração jul/06 7.713.020,58 50.134,63 39.153,46 7.429,01 3.552,16 ago/06 7.749.157,39 50.369,52 42.541,65 5.547,13 2.280,74 set/06 7.726. 573,22 50.222,73 39.163,99 9.677,88 1.380,86 out/06 7.360.674,59 47.844,33 37.503,37 9.321,86 1.019,15 nov/06 7.298.880,94 47.442,73 36.595,64 9.702,32 1.144,77 dez/06 8.090.551,89 52.588,59 39.079,93 14.009,27 ---- jan/07 7.987.401,11 51.918,11 38.019,75 13.898,36 fev/07 8.280.446,77 53.822,90 41.710,84 12.112,06 mar/07 9.179.859,75 59.669,09 43.314,10 16.354,99 abr/07 9.862.299.77 64.104,95 45.353.83 18.751.12 mai/07 9.964.141,10 64.766,92 62.103,48 2.663,44 jun/07 10.101.323,67 65.658,60 42.133,94 23.524,66 jul/07 10.067.044,54 65.435.79 61.712.19 458.96 3.264.64 ago/07 10.476.917,30 68.099,96 53.380,01 13.824,95 895,00 set/07 9.886.026,41 64.259,17 49.886,50 12.501,37 1.871,30 out/07 10.150.637.16 65.979.14 58.665.22 5.103.20 2.210.72 nov/07 9.845.298,90 63.994,44 50.910,56 11.936,95 1.146,93 dez/07 9.746.720,91 63.353,69 54.752,01 7.445,19 1.156,49 jan/08 9.888.695,37 64.276,52 51.540,24 12.736,28 fev/08 10.510.821,83 68.320,34 54.923,53 13.396,81 mar/08 10.184.658,61 66.200,28 57.604,76 8.595,52 abr/08 10.418.627,92 67.721,08 58.640,21 9.080,87 mai/08 10.264.294,39 66.717,91 57.136,49 9.581,42 jun/08 10.992.297,99 71.449,94 58.739,37 12.710,57 jul/08 11.202.766,48 72.817,98 66.465,06 5.409,80 943,12 ago/08 10.303.148,79 66.970,47 54.458,83 7.940,75 4.570,89 set/08 10.031.576,68 65.205,25 58.689,24 5.172,90 1.343,11 out/08 10.646.514,79 69.202,35 58.545,68 7.871,03 2.785,64 nov/08 10.361.806,14 67.351,74 54.043,69 10.362,79 2.945,26 dez/08 10.864.693,78 70.620,51 65.007,82 4.049,86 1.562,83 jan/09 10.620.990,51 69.036,44 57.709,29 9.179,80 2.147,35 Fl. 718DF CARF MF Processo nº 12448.726715/2012-68 Acórdão n.º 3302-004.908 S3-C3T2 Fl. 715 9 fev/09 10.689.358,71 69.480,83 50.356,38 15.636,71 3.487,74 mar/09 12.193.545,13 79.258,04 63.839,20 13.716,24 1.702,60 abr/09 12.584.264,98 81.797,72 66.689,69 11.942,65 3.165,38 mai/09 12.475.180,06 81.088,67 79.840,97 961,63 286,07 jun/09 11.927.075,20 77.525,99 73.048,13 8.106,48 - jul/09 12.069.292,58 78.450,40 63.006,33 13.309,90 2.134,17 ago/09 12.500.664,36 81.254,32 69.302,40 11.384,13 567,79 set/09 12.225.089,80 79.463,08 70.268,18 6.376,30 2.818,60 out/09 11.946.777,76 77.654,06 60.948,18 15.161,65 1.544,23 nov/09 12.866.839,72 83.634,46 67.863,92 11.977,86 3.792,68 dez/09 12.304.385,08 79.978,50 69.232,22 8.313,84 2.432,44 jan/10 11.761.325,19 76.448,61 61.846,77 9.035,34 5.566,50 fev/10 11.808.736,48 76.756,79 55.056,49 17.132,76 4.567,54 mar/10 12.392.887,13 80.553,77 67.537,07 5.429,98 7.586,72 abr/10 11.294.457.96 73.413.98 57.331.95 12.954,06 3.127.97 mai/10 11.707.073.13 76.095.98 56.540.64 17.559,77 1.995.57 jun/10 14.281.674,43 92.830.88 58.521.85 24.386.07 9.922.96 jul/10 12.485.228.71 81.153.99 84.172.10 85.34 - ago/10 12.555.621.50 81.611.54 56.806.39 9.978.23 14.826.92 set/10 11.761.521,45 76449,89 65.164,97 4.282,08 7.002,84 out/10 12.210.647,56 79.369,21 53.439,55 18.885,80 7.043,86 nov/10 12.294.431,29 79.913,80 61.442,89 10437,35 8.033,56 dez/10 12.595.965,30 81.873,77 68.320,18 9.177,56 4.376,03 jan/11 11.191.046,13 72.741,80 57.620,54 12450,39 2.670,87 fev/11 10.841.936,43 70.472,59 52.084,84 15.378,10 3.009,65 mar/11 11.060.274,69 71.891,79 54.307,72 10.768,44 6.815,63 abr/11 9.926.934,19 64.525,07 56.875,13 2.920,55 4.729,39 mai/11 9.636.673,27 62.638,38 54.185,05 6.602,06 1.851,27 jun/11 12.336.890,47 80.189,79 52.397,96 28.303,95 - Total R$ 304.686,04 E de outra forma não poderia ter concluído a turma julgadora, já que o artigo 156 do Código Tributário Nacional trás em seu inciso II a compensação como meio hábil para extinção do crédito tributário. E, como bem demonstrado pela relatora em seu voto, a DCOMP é o mecanismo próprio para efetivar a compensação pretendida. Por tudo que foi exposto, não vislumbro motivos para reformar a decisão recorrida, de modo que voto por negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 719DF CARF MF 10 Lenisa Prado - Relatora (assinatura digital) Fl. 720DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.901990/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos.
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217.
Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002.
A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
Numero da decisão: 1401-002.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. Recorrente CENTRO PRUDENTINO DE IMAGEM S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 19 90 /2 00 9- 82 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Relatório Tratase PER/DCOMP em que o contribuinte pretende compensar débitos de CSLL, PIS e COFINS com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. O despacho decisório não homologou a compensação ante a constatação de que o pagamento indicado pelo contribuinte foi integralmente utilizado para quitação de débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para compensação. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi assim julgada pela DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 14/03/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado em 20 de dezembro de 2012 (fl. 105), apresentou recurso voluntário em 21 de janeiro de 2013 (fl. 107), alegando, em síntese: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 4 3 Preliminarmente: que resposta a consulta por ele apresentada lhe confere o direito à utilização dos percentuais de 8% e 12%, respectivamente, para apuração do IRPJ e CSLL, na medida em que se enquadra como empresa prestadora de serviços hospitalares; que demonstrou que o crédito utilizado na compensação é oriundo do pagamento indevido correspondente a quota do IRPJ, cuja declaração foi retificada tendo em vista a resposta da consulta. Nesse sentido, comprovou que o apontamento do débito pela Autoridade Fiscal não levou em consideração a retificação da DIPJ, a qual foi alterada gerando respectivo crédito. que por ocasião da manifestação de inconformidade juntou aos autos cópia do CNPJ, contrato social, solução de consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 466, de 15 de dezembro de 2008; PER/DCOMP; DIPJ; DCTF e os comprovantes de pagamento indevido, e sustenta que tais documentos são hábeis e suficientes para demonstrar que exerce atividade de prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos, na medida em que (i) o seu objeto social está circunscrito, pura e simplesmente, no exercício das referidas atividades; (ii) no seu CNPJ estão cadastrados os seguintes CNAES: 86.40299 Atividades de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica não especificadas anteriormente; 86.40206 Serviços de ressonância magnética; 86.40204 Serviços de tomografia; 86.40 205 Serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, exceto tomografia; 86.40207 Serviços de diagnóstico por imagem sem uso de radiação ionizante, exceto ressonância magnética; (iii) sua DIPJ revela que toda a receita operacional percebida pela Recorrente tem sua origem única e exclusivamente na prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos. que, não obstante, a documentação acima foi considerada insuficiente pela DRJ, do que resta configurada a hipótese do artigo 16 do Decreto 70.235/72, que lhe autoriza a juntada de documentação complementar para contrapor os argumentos dessa decisão, qual seja: declaração do contador da empresa de que a Recorrente exerce exclusivamente serviços de radiologia (142); Licença de Funcionamento da Vigilância Sanitária em que se verifica que a atividade de "serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia" (143). Alega ter juntado ainda cópia da folha do livro razão, mas o documento não se encontra nos autos. afirma, ainda, a necessidade superveniente de realização de diligência, haja vista que "emite, em média, um número muito grande de notas fiscais por mês, o que tornaria inviável carrear aos autos todas as notas fiscais". Discorre sobre a necessidade de a autoridade administrativa na busca de efetividade nas suas decisões perquirir sempre em busca da verdade material, alegando que esta tinha por dever funcional determinar a realização de diligências para se determinar a efetiva natureza da atividade exercida pela empresa. Aponta assistente técnico para tanto. que a DRJ pretende uma prova impossível de ser produzida por meio de documentos contábeis, pois nem mesmo se a recorrente juntasse aos autos todas suas notas fiscais juntamente com todos seus registros contábeis a Autoridade Julgadora não poderia chegar à conclusão pretendida quanto à exclusiva prestação de serviços hospitalares. Sustenta, assim, que cabe à Administração Pública comprovar que a Recorrente não exerce efetivamente as atividades de serviços de radiologia e radiodiagnóstico. reitera o argumento referente à nulidade do despacho decisório pois os dispositivos legais invocados seriam inadequados para a conclusão que o Fisco pretende alcançar, vez que tratam da possibilidade de compensação entre pagamentos indevidos de imposto e débitos de imposto a pagar, em nenhum momento estabelecendo em quais condições Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 5 4 uma Declaração de Compensação apresentada por determinado contribuinte pode ser considerada como irregular, e, portanto, nãohomologável. Além disso, foram aplicados correção monetária, juros e multa, sem no entanto se invocar nenhum dispositivo legal que legitimasse tal pretensão. No mérito: afirma que uma das razões para julgar improcedente a manifestação de inconformidade foi o pretenso descumprimento do requisito: “ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil;”. Todavia, o STJ já julgou em sede de recurso repetitivo que "para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde).". Transcreve ementas de julgados do STJ e deste CARF neste sentido. sustenta que ainda que assim não se entenda, é cediço que a natureza empresária da sociedade deve ser analisada mais sob o aspecto material do que sob o aspecto formal, ou seja, é plenamente possível que uma sociedade constituída sob a forma de sociedade simples, mas que ostente todas as características de uma sociedade empresarial, seja assim considerada. por fim, sustenta que na verdade o que ocorreu foi uma presunção por parte das autoridades fiscais sem qualquer respaldo probatório, sendo certo que as provas carreadas aos autos demonstram a efetividade da existência do indébito tributário utilizado na compensação. É o relatório. Voto Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.124, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10835.901284/200931. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.124): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No mérito, primeiramente vislumbro um equívoco quanto à premissa adotada pelo despacho decisório proferido, já que este indeferiu a compensação sob a alegação de que inexistem créditos de IRPJ em um contexto em que a DIPJ e a DCTF, tais como retificadas (em retificações ocorridas antes do despacho decisório), contemplavam tais valores. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 6 5 De fato, o Recorrente transmitiu o PER/DCOMP pleiteando a compensação dos créditos ora em análise e alega, ademais, que o direito creditório a seu favor teria sido gerado por ocasião da retificação da DIPJ e da DCTF, após o que o valor do IRPJ a pagar foi reduzido para zero. O despacho decisório que não homologou a compensação foi emitido meses depois. Assim, à época do despacho decisório, o cenário que a autoridade fiscal tinha era a de que o IRPJ "autolançado" em DCTF pelo ora Recorrente era zero e de que a DIPJ contemplava os créditos pleiteados na DCOMP. De fato, a legislação em vigor prevê que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001). Assim, em regra, a última declaração apresentada pelo contribuinte é a que prevalece para todos os fins. No caso, se a empresa apresenta DIPJ e DCTFs contendo tributos a pagar e depois as retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. Isso porque, no mundo jurídico, o débito de IRPJ passou a não mais existir após a transmissão das declarações retificadoras. Assim, se o fisco pretendia cobrar o IRPJ no valor tal como transmitidas a DIPJ e DCTF originais ou seja, se pretendia de alguma forma questionar as retificações deveria ter constituído o crédito tributário por meio do lançamento do tributo. Portanto, da forma como se mostra, o cenário na época da homologação das compensações em questão era de inexistência de débito (lançado ou autolançado) de IRPJ e, por consequência, de aparente existência do crédito pleiteado na compensação tal como declarado na DIPJ retificadora, devendo ser verificada apenas a regularidade de tal crédito ou seja: se os alegados pagamentos efetivamente foram efetuados (e, em se tratando de IRRF, também se os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação). Assim, a DRF deveria ter analisado o crédito pleiteado nas compensações levando em consideração que o débito de IRPJ do anocalendário constante das DIPJ e DCTF retificadoras era zero, conforme declarações retificadoras. Pois bem. Em segundo lugar, noto que a razão para negar a retificação das declarações seria a não concordância com matéria que já foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. No caso, verificase a existência do Tema no. 217 em sede de Recurso Repetitivo do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido: Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 7 6 Tema/Repetitivo 217 Situação do Tema Trânsito em Julgado Ramo do Direito DIREITO TRIBUTÁRIO Questão submetida a julgamento Questionase a forma de interpretação e o alcance da expressão serviços hospitalares, prevista no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei 9.429/95, para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL com base em alíquotas reduzidas. Tese Firmada Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. Anotações Nugep Incide o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSSL com alíquotas reduzidas, na forma do art. 15, § 1º, III, da Lei 9.249/1995, sobre a receita proveniente da prestação de 'serviços hospitalares' (não receita bruta total da empresa), neles compreendidas as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. Informações Complementares "As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95." Repercussão Geral Tema 353/STF Enquadramento de pessoas jurídicas da área de saúde na qualidade de prestadoras de serviço hospitalar para fins de obtenção do benefício de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) e do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) com base de cálculo reduzida. Observese que o critério apresentado pelo STJ para a interpretação da Lei nº 9.249/1995 é simples e objetivo: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde , independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. Vejase (grifamos): Art. 15 ... Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 8 7 III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Observo que tal questão não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o disposto no § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002: Lei nº 10.522/02 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ... V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5º As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (disponível em http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensade contestarerecorrerart2ovviiea7a73oa8odaportaria pgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 9 8 Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendo se em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." *Nota desta Relatora: na verdade tratase da Lei 11.727/08 que estabelece alíquota de 32% para " a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Ante o exposto, voto por julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 10 9 compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário e determino que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12%, nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 155DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.732559/2011-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
ADESÃO A PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA INTEGRAL DO RECURSO.
A adesão a programa de parcelamento tributário implica em desistência integral do recurso voluntário, com a renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta, §§ 2º e 3º do art. 78 do Regimento Interno do CARF (PortariaMFnº343/2015).
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 2401-005.113
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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DESISTÊNCIA INTEGRAL DO RECURSO. A adesão a programa de parcelamento tributário implica em desistência integral do recurso voluntário, com a renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta, §§ 2º e 3º do art. 78 do Regimento Interno do CARF (PortariaMFnº343/2015). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 25 59 /2 01 1- 37 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11080.732559/201137 Acórdão n.º 2401005.113 S2C4T1 Fl. 203 2 Relatório Tratase de recurso voluntário manejado em face do Acórdão 0736.630 (fls. 150/161) da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO DO CUSTO DAS AÇÕES VENDIDAS. CUSTO MÉDIO PONDERADO. O custo das ações alienadas é apurado dividindose o custo total das ações em estoque pelo número total de ações em estoque e multiplicandose o resultado encontrado pelo número das ações vendidas. GANHO DE CAPITAL. DATA DO PAGAMENTO DOS VALORES RETIDOS PARA CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO CONTRATUAL. DATA DA RESPECTIVA RETENÇÃO. Os valores retidos de pagamento pela venda participação societária são considerados como efetivamente recebidos pelo vendedor, para fins de apuração de ganho de capital, na exata data em que ocorreu a respectiva retenção. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. PARCELA DO PREÇO SEM VALOR DETERMINADO. A parcela do valor da operação de alienação de participação societária auferida a título de valor suplementar integra o preço de venda da participação societária e deverá ser tributada como ganho de capital quando do seu auferimento. RENDIMENTOS AUFERIDOS PELA ENTREGA DE RECURSOS A PESSOA JURÍDICA. SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA/EXCLUSIVA. Está sujeito ao Imposto de Renda, à alíquota de vinte por cento, sob a forma de tributação exclusiva/definitiva, os rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil e em operações de empréstimos em ações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O procedimento fiscal teve início em 25/07/2011 (fls. 3/5), no qual foi o sujeito passivo intimado a prestar informações e apresentar documentos relativos à alienação de participação societária na empresa Expresso Mercúrio S.A. Atendendo ao termo de intimação, juntou cópia do Contrato de compra e venda de ações da empresa citada, bem como demonstrativos de apuração do custo de aquisição, quantidade de ações e valores relativos ao imposto de renda incidente sobre o ganho de capital (fls. 6/27). O sujeito passivo foi novamente intimado a apresentar informações e documentos, Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11080.732559/201137 Acórdão n.º 2401005.113 S2C4T1 Fl. 204 3 nos termos das intimações fiscais de fls 97/103. Acostou aos autos os documentos e esclarecimentos constantes da fls. 104/108. Em decorrência da ação fiscal, o Serviço de Fiscalização da DRF/POA lavrou o Auto de Infração (fls. 122/129), no qual consta o lançamento do crédito tributário no montante de R$ 84.017,47 (oitenta e quatro mil e dezessete reais e quarenta e sete centavos), correspondente a omissão de rendimentos de juros recebidos de pessoa jurídica, fato gerador 09/07/2007, e a apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores, fato gerador 09/01/2007. Reproduzo abaixo excertos do relatório fiscal (fls. 130/137) que detalha o procedimento administrativo: [...] 5. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS [...] 5.2 Do contrato de Compra de Ações A seguir apresentamos um resumo do referido contrato: a) Objeto do contrato: Venda de 100% das ações pelos acionistas da empresa Expresso Mercúrio S.A. à empresa TNT Brasil Participações Two Ltda., CNPJ nº 08.278.666/000118; b) Preço de Venda; Conforme estabelecida na cláusula 2.1 a compradora pagou aos vendedores a quantia de R$ 434.686.495,00 (quatrocentos e trinta e quatro milhões, seiscentos e oitenta e seis mil, quatrocentos e noventa e cinco reais) sendo o preço de aquisição alocado pro rata, de acordo com as participações acionárias dos vendedores, correspondendo ao Sr. Luiz o valor de R$ 6.440.465,00 (fls. 117) c) [...] d) Forma de pagamento: O fiscalizado recebeu em três parcelas, sendo: I Primeira parcela, recebida em 09/01/2007 constituída do preço de venda (R$ 6.440.465,00) menos a parcela retida para transição ( R$ 500.000,00), item 2.4.1 do contrato, e menos a parcela retida para contrato de fiança (R$ 449.676,00), item 7.7 do contrato, (demonstrativo fls. 117) II Segunda parcela, recebida em 07/05/2007 constituída do valor de ajuste, no valor de R$ 200.239,28 item 2.3 do contrato, (demonstrativo fls. 107); III Terceira Parcela, recebida em 09/07/2007 relativo ao pagamento da parcela retida para transição (R$ 500.000,00) mais encargos de correção monetária entre 31/10/2006 e 09/01/2007 (R$ 6.006,30) e mais acréscimos de juros entre 09/01/2007 e 09/07/2007 ( R$ 30.242,50), totalizando R$ 536.248,80 (demonstrativo de fls. 119 e 120); [...] Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11080.732559/201137 Acórdão n.º 2401005.113 S2C4T1 Fl. 205 4 6. DAS INFRAÇÕES APURADAS 6.1 Ganho de Capital [...] Uma vez que a isenção de Imposto de Renda incidente sobre o ganho de apurado na venda de ações adquiridas antes de 31/12/1983 e das ações bonificadas posteriormente a esta data, mas delas decorrentes, encontram se sub judice (Processo nº 2007.71.00.0058517), existindo depósito judicial do tributo questionado, esta fiscalização procedeu a verificação da correta apuração e recolhimento do tributo devido apenas pela venda de ações adquiridas posteriormente a 31/12/1983. [...] Entre o demonstrativo elaborado pela fiscalização (fls. 115) e o quadro nº 01 do contribuinte (fls. 8 e 9) identificase as divergências que justificam as diferenças no resulta final do imposto, como sendo: a) o fiscalizado deixou de incluir no valor da alienação, que é determinante para apurar o percentual do ganho que incidirá sobre cada parcela recebida, os valores de ajuste (item 2.3 do contrato) e a correção monetária, anterior a data da alienação, sobre a parcela retida ( item 2.4.1 do contrato), e b) atribuiu integralmente às ações adquiridas a partir de 1984, sobre as quais houve o recolhimento do IR, o diferimento sobre a parcela não recebida decorrente da retenção para fiança bancária. Intimado (fls.97) a justificar por que tal diferimento foi integralmente atribuído à alienação das ações adquiridas a partir de 1984 e suas bonificações, o contribuinte respondeu (item 2 da fls. 89)" que a parcela retida foi integralmente atribuída às ações tributáveis, na medida em que o diferimento do imposto se dá sobre o valor não recebido da transação, ou seja, em face do regime de caixa; não é certo o recebimento de tais valores, de modo que, na hipótese do efetivo recebimento serão devidamente tributados". [...] 6.2 Omissão de rendimentos de juros recebidos de pessoa jurídica: [...] Nos demonstrativos de fls. 119 e 120 consta que o Sr. Luiz recebeu, em 09/07/2007, a importância de R$ 536.248,80 a título de devolução da parcela retida com encargos financeiros e juros. [...] Intimado (fls.97) a informar como foram tributados os valores dos acréscimos financeiros recebidos, co contribuinte respondeu (fls. 104) "que os valores dos acréscimos financeiros recebidos de TNT Brasil Participações Two Ltda. foram tributados na forma do art. 730, III do Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11080.732559/201137 Acórdão n.º 2401005.113 S2C4T1 Fl. 206 5 regulamento do Imposto de Renda (IRRF), conforme se comprova pela guia de recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte, cujo valor corresponde a soma total do IRRF recolhido pela fonte pagadora referente a todos que receberam os referidos acréscimos". [...] Assim, após verificar que os juros recebidos juntamente com a liberação da parcela retida não foram oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual, esta fiscalização tratou o valor de R$ 30.242,50 como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, com fundamento no art. 639 do RIR/99 e art. 19, § 3º da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, e somou os respectivos valores à base de cálculo apurada na declaração de rendimentos. Intimado da decisão do colegiado de primeira instância em 24/02/2015 (fls. 165), por meio de procurador constituído nos autos, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 20/03/2015 (fls. 167/183). Em resumo, apresento os principais argumentos do seu recurso: a) informa que, pela leitura do relatório fiscal, o Auto de Infração foi lavrado, resumidamente, por duas razões: 1º Apuração incorreta de imposto de renda sobre o ganho de capital, na venda de ações da empresa Expresso Mercúrio S. A.; 2º Omissão de rendimentos de juros recebidos de Pessoas Jurídicas, pela venda de ações. b) Aduz que o r. acórdão recorrido, apesar de manter incólume parte do lançamento tributário, o fez por meio de fundamento diverso daquele apresentado pela Fiscalização quando da lavratura do auto de infração. c) Diz que a Turma Julgadora entendeu que a parcela cujo valor, ao menos naquele momento, era indeterminado não deve ser incluído no cálculo de apuração de ganho de capital, porém, tributado se e quando recebido, atribuindose custo zero a essa parcela. Prossegue informado que a Turma Julgadora resolveu inovar e conferir novo tratamento tributário às demais parcelas da alienação à prazo prevista no contrato, e considerálas como parte do valor à vista recebido pelo recorrente, o que desvirtuou o cálculo do ganho de capital e alterou inclusive o imposto lançado pela Fiscalização. d) Transcreve passagem do r. acórdão recorrido para concluir que não compete à Turma Julgadora promover o recálculo do imposto lançado, utilizandose de novos fundamentos para apuração do ganho de capital, sob pena de supressão de instância e claro cerceamento de defesa. Neste sentido, cita decisões do CARF. e) Como fez na impugnação, pugna pela realização de prova pericial e que o colegiado de primeira instância, ao decidir pela improcedência do pedido, restringiu seu direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Apresenta os seguintes quisitos: 1) apure a perícia, de acordo com o custo de aquisição apresentado pelo Recorrente em suas planilhas e com base nas informações existentes na data da assinatura do contrato de compra e venda (09.01.2007), o ganho de capital e o respectivo imposto de renda incidente; Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11080.732559/201137 Acórdão n.º 2401005.113 S2C4T1 Fl. 207 6 2) diga a perícia se apuração do custo das ações alienadas através da simples utilização percentual de quantidade de ações adquiridas até 31.12.1983 e às posteriores, permite apurar corretamente o ganho de capital existente. f) Quanto a alegada incorreção da apuração do ganho de capital, aponta o recorrente que, como o fez na impugnação, a fiscalização acabou por, indiscriminada e equivocadamente, aplicar os percentuais, informados pelo recorrente, de 62,92% para as ações adquiridas até 31.12.1983 e de 37,08% para às posteriores. Afirma que a parcela recebida apenas em maio de 2007 (cláusula 2.3.1) era desconhecido à época de apuração do ganho de capital e que não era possível apurar o ganho sobre um valor incerto. Quanto a parcela sem valor determinado, cita entendimento da Solução de Consulta nº 282 Cosit, de 14/10/2014. g) ainda em relação a apuração do ganho de capital, diz que o novo fundamento trazido pelo r. acórdão recorrido se resume pela interpretação equivocada de que duas das parcelas pactuadas fariam parte da parcela inicial recebida pelo recorrente. Realça que não recebeu a parcela retida, especialmente pelo fato de que o seu recebimento estaria condicionado a materialização ou não de contingências na primeira hipótese e na segunda pelo cumprimento de determinada condição prevista em contrato. h) Declara que, em relação a correção monetária, anterior à data de alienação, sobre a parcela retida (item 2.4.1 do contrato), houve equívoco na apuração da ora Recorrente, de modo que se mostra necessário que esta Fiscalização promova o recálculo do imposto de renda sobre o ganho de capital apurado sobre esse rendimento recebido em julho de 2007. i) Ao final, requer o conhecimento do presente Recurso Voluntário, para reformar o r. Acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ/FNS, sendo, em preliminares, seja declarado nulo o julgado em face da inovação no fundamento e a consequente supressão de instância, cerceamento do direito de defesa e a necessidade de realização de prova pericial, e que na hipótese de não acolhimento das preliminares arguidas seja provido o recurso para cancelar o lançamento e extinção do crédito tributário. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11080.732559/201137 Acórdão n.º 2401005.113 S2C4T1 Fl. 208 7 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia desses autos referese, basicamente, ao valor do custo de aquisição na apuração do ganho de capital na alienação de participação societária. Ocorre que, no dia 29/09/2017, sobreveio pedido de desistência, vez que o sujeito passivo aderiu ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT). O art. 78, § 2º e § 3º, do RICARF (2015) prescreve que o pedido de parcelamento implica em desistência do recurso pendente de julgamento, bem como configura a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável: PORTARIA MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11080.732559/201137 Acórdão n.º 2401005.113 S2C4T1 Fl. 209 8 pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. §5ºSe a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento,os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornando se insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Conclusão Diante disso, considerando que o processo já havia sido iniciado o julgamento em 13/09/2017, com pedido de vistas, portanto, retornando na sessão do dia 04/10/2017, voto no sentido que o presente recurso voluntário não deve ser conhecido, já que a adesão a parcelamento implica em desistência integral e renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 213DF CARF MF
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