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Numero do processo: 13888.901086/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 10 86 /2 01 4- 15 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13888.901086/201415 Acórdão n.º 1402003.048 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE 1. que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar as razões de decidir do despacho decisório”; 2. que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a decisão do julgador de primeiro grau, o que é direito constitucionalmente assegurado. A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r. despacho rescisório implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o amplo direito de defesa à recorrente, o r. despacho decisório avilta também, conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”; 3. que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defenderse amplamente da r. decisão do órgão fiscal originário, o presente processo administrativo não terá seu deslinde normal, razão pela contrariouse o consagrado devido processo legal”; 4. que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento em que foi exarado o r. despacho decisório o curso deste processo administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901086/201415 Acórdão n.º 1402003.048 S1C4T2 Fl. 4 3 através da integral anulação do processo administrativo desde o início, inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”; 5. que, “requerse que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os princípios que norteiam os processos administrativos”. NO MÉRITO Depois de fazer breve histórico da COFINS e do PIS, aponta para decisão prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições. Literalmente: “Recentemente a matéria foi definitivamente arraigada pelo C. Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG, onde o contribuinte se consagrou vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno ressaltar os ensinamentos do Min. Marco Aurélio que nos autos do aludido julgamento cravou: (...) Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de "faturamento", mas mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas, razão pela qual por todas as razões aqui expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se faz de solar clareza a necessidade de reformar a r. decisão guerreada e homologar as compensações levadas a termo através das PERDCOMPs cotejadas. Reiterese, porque se cuida de decisão recente e nova no mundo tributário, posto que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e do PIS (Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG), de modo que a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições ao PIS e à Cofins é ilegítima e inconstitucional, pois fere o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo 195, I, “b” da CF/88 e o art. 110 do CTN, porque receita e faturamento são conceitos de direito privado que não podem ser alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para definir competência tributária, pelo que resta evidente o crédito da Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para que sejam definitivamente homologadas as compensações levadas a termo pelo contribuinte recorrente”. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO Prossegue argumentando ter direito à compensação em face da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que se assim o fizesse a autoridade administrativa singular, certamente homologaria a compensação em Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901086/201415 Acórdão n.º 1402003.048 S1C4T2 Fl. 5 4 apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve mesmo ser reformado, o que se requer adiante”. DO PEDIDO E conclui requerendo “o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que seja anulado o vertente processo administrativo, nos moldes da fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal, e para que, no seu mérito, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que sejam homologadas as almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.018, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901078/2014 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.018): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade do acórdão a quo, tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar a esta decisão. De fato, o que se observa é a irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901086/201415 Acórdão n.º 1402003.048 S1C4T2 Fl. 6 5 Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Sabidamente, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Acresçase que, concretamente, a contribuinte não acostou um documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa mostrar o direito que alega ter. Sua linha de argumento limitase em afirmar que a Suprema Corte (em decisão ainda sem efeito erga omnes) teria decidido pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o reflexo disso em seus demonstrativos contábeis. Ou seja, meras alegações sem que tenham vindo aos autos quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901086/201415 Acórdão n.º 1402003.048 S1C4T2 Fl. 7 6 Sabidamente, a base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial, esta que aproveite individualmente a recorrente ou que seja prolatada com efeito erga omnes. Não há, no caso, nem um nem outro. Desse modo, especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, somente podem ser excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos os regimes. Admitir qualquer outra exclusão equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão é estéril em sede de julgamento administrativo. Finalmente, como bem observado pela decisão de 1º Piso, a recorrente transmitiu inúmeras declarações de compensação informando como crédito passível de compensação um único DARF e nos pedidos de compensação formalizados pela recorrente, os débitos que intenta compensar ultrapassam – e muito o valor desse suposto crédito. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901086/201415 Acórdão n.º 1402003.048 S1C4T2 Fl. 8 7 Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.' Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.003955/2002-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1272; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.156 1 1.155 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.003955/200277 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.522 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 12 de abril de 2018 Assunto IRPJ Recorrente UNIMED ALTO DA SERRA SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVICO MEDICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário. Com relação às peças iniciais de acusação e defesa, tomo de empréstimo o relatório elaborado na decisão recorrida: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 03 95 5/ 20 02 -7 7 Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Resolução nº 1401000.522 S1C4T1 Fl. 1.157 2 Contra a pessoa jurídica acima identificada, foram lavrados os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/PASEP), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), o Relatório da Atividade Fiscal de fls. 5882 e as planilhas de fls. 8395 e fls. 112116. O Auto de Infração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), às fls. 0607, com os demonstrativos de fls. 0822, exige o recolhimento do valor de R$ 309.091,77 de imposto, acrescido da multa de ofício no percentual de 75% e dos juros de mora, em razão da redução indevida do lucro real, por ter distribuído resultados (lucros) e vantagens a seus associados (planilhas de fls. 83 a 93), oriundos de atos não cooperativos extrínsecos, em desacordo com os arts. 24, 28 e 87 da Lei n° 5.764, de 1971, e art. 168 do RIR/1994 e art. 182 do RIR/1999, implicando na tributação integral de seus resultados (atos não cooperativos intrínsecos e extrínsecos). Em relação a comprovação da distribuição de lucros oriundos de atos nãocooperativos extrínsecos, a Fiscalização assim descreve no Relatório da Atividade Fiscal fls. 67, 68, 69 e 74): Explicase que a recomposição de custos e ou despesas, teve, por base, a exclusão de valores repassados aos associados, a titulo de "produção dos cooperados", que estavam escriturados como "custo operacional direto" (no anocalendário 2001, parte inclusive foi escriturada como "outras despesas operacionais"), haja vista tais recursos constituírem se, segundo entendimento do Fisco Federal, em adiantamentos de sobras. Além da distribuição de lucros (valor que excedeu as sobras) aos associados, nos anoscalendários de 1997 a 2000, em total desacordo com o previsto no § 3o do artigo 24 da Lei n° 5.764/71, a sociedade cooperativa pagou a seus cooperados seguro de vida, conforme fotocópias do Razão anexas às folhas 287 a 307, utilizando recursos do FATES. Portanto distribuiu ainda outros benefícios às quotaspartes de seu Capital e ou vantagens e privilégios a seus cooperados; desobedecendo, portanto, a legislação coadunada ao Regime Jurídico dessas sociedades, nos termos apontados no item 3.2. Informase que referida "despesas " não se enquadra na Lei n° 8.742/93, lei essa que define assistência social, razão que teria levado o contribuinte a utilizar recursos do FATES (folhas 398). [....]Os demonstrativos, apensados às folhas 83 a 93 dos autos, recompõem os custos e ou despesas incorridas nos anoscalendário de 1997 a 2001, a partir da exclusão de valores, do custo direto operacional e ou das despesas operacionais (Anocalendário 2001), repassados aos associados a título de "produção dos cooperados", por serem, na realidade "adiantamentos de sobras". O procedimento fiscal resultou conseqüentemente na apuração de novos valores para o lucro líquido nos períodos mencionados. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Resolução nº 1401000.522 S1C4T1 Fl. 1.158 3 Pelas citadas planilhas, o Fisco Federal demonstra e comprova a distribuição de resultados positivos (lucros) aos associados (cooperados) da sociedade sob fiscalização, os quais são oriundos de atos nãocooperativos extrínsecos (atos estranhos ao objetivo social da sociedade); em desconformidade, portanto, ao previsto na legislação pertinente, especialmente ao disposto no § 3o do artigo 24 e no artigo 87 da Lei n° 5.764/71, bem como no § Io dos artigos 168 e 182 dos RIR/94 e RIR/99, respectivamente. [....]Pelo exposto, no parágrafo de abertura do item 8 deste Relatório, em todos os anoscalendários (1997 a 2001, procedeuse à glosa total dos valores excluídos pela sociedade a título de "resultado não tributável de sociedade cooperativa" para a apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Anoscalendário: 1997,1998,1999, 2000 e 2001 A forma de tributação adotada pelo Contribuinte, foi o lucro real trimestral nos anos calendário de 1997, 1998 e 1999 e o lucro real anual nos anos calendário de 2000 e 2001. A Autuada está registrada como cooperativa de serviços médicos e oferece serviços dos médicos associados na forma de planos de saúde a pessoas físicas e jurídicas. Enquadramento legal: art. 168, e parágrafos Io e 2o, 193,195, inciso 1,196, inciso 1,197, parágrafo único, e 245 do RIR/1995; art. 182, e parágrafos Io e 2o, 183, 247, 249, inciso I, 250, inciso I, 251, parágrafo único e 302 do RIR/1999; art. 13 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 41 da Lei n° 8.981, de 1995; art. 9o da Lei n° 9.430, de 1996; arts. 3o, 4o, 28, inciso II, 24, § 3o, 79, 85, 86, 87 e 88 da Lei n° 5.764, de 1971. O Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), às fls. 2325, com os demonstrativos de fls. 2634, decorrente da fiscalização do IRPJ, exige o recolhimento do valor de R$129.656,21 de contribuição, acrescido da multa de ofício no percentual de 75% e dos juros de mora. Anoscalendário: 1997,1998,1999, 2000 e 2001. Enquadramento legal: artigos 2o, e §§, e 6o, parágrafo único da Lei n° 7.68f de 1988, arts. 13 e 19 da Lei n° 9.249, de 1995 e alterações; art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996, art. 41 da Lei n° 8.941, de 1995; art. 57 da Lei n° 8.981, de 1995; arts. 82, e parágrafos Io e 2o, 273 e 302 do RIR/1999; arts. 3o, 4o, 24, § 3o, 28, inciso II, 79, 85, 86, 87 e 88 da Lei n° 5.764, de 1971; art. 10, § único, da Lei Complementar n° 70, de 1991. O Auto de Infração da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/PASEP), às fls. 3537, com os demonstrativos de fls. 3845, decorrente da fiscalização do IRPJ, exige o recolhimento do valor de Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Resolução nº 1401000.522 S1C4T1 Fl. 1.159 4 R$179.719,27 de contribuição, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora. Períodos de apuração: 01/1997 a 12/2001. Enquadramento legal: arts. Io e 3o da Lei Complementar n° 07, de 1970; arts. 2o, inciso I, 3o, 8o, inciso I, e 9o da Medida Provisória n° 1.212, de 1995 e suas alterações, convalidadas pela Lei n° 9.715, de 1998; art. 3o da Lei n° 9.715, de 1998; arts. 2o, inciso I, 8o, inciso I, e 9o da Lei n° 9.715, de 1998 e arts. 2o e 3o, da Lei n° 9.718, de 1998. O Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), às fls. 4648, com os demonstrativos de fls. 4956, decorrente da fiscalização do IRPJ, exige o recolhimento do valor de R$665.181,83 de contribuição, acrescido da multa no percentual de 75% e dos juros de mora. Períodos de apuração: 01/1997 a 12/2001. Enquadramento legal: arts. Io e 2o da Lei Complementar n° 70, de 1991; arts. 2o, 3o e 8o da Lei n° 9.718, de 1998 e alterações posteriores. Discordando dos lançamentos, o Contribuinte apresentou, por intermédio de seu procurador, as impugnações de fls. 626664 (PIS/PASEP, IRPJ, CSLL e COFINS), onde faz sua defesa, que a seguir é sintetizada. Entende que a Fiscalização descaracterizou a sociedade, tributando a totalidade dos seus ingressos como receita tributável, mesmo aquelas provenientes de atos cooperativos, em virtude de ter excluído, como custo operacional direto, o valor correspondente ao repasse dos mesmos. Assim, ao tributar a integralmente as receitas (atos cooperativos e atos nãocooperativos), a autoridade fiscal desobedeceu a lei e a normas regulamentares, evidenciando o imenso equívoco da autuação, o rateio de despesas indiretas entre atos cooperativos e atos não cooperativos. Em decorrência da exclusão de dentro do custo direto do repasse aos cooperativados, aumentou automaticamente o resultado tributável, gerando uma distribuição de sobras aos cooperados em valor superior àquele efetivamente realizado pela cooperativa, atingindo todo o resultado, independente de advir de atos cooperativos ou não. A autuação afronta o art. 13°, § Io, do Decretolei n° 1.598, de 1997 e o art. 47 da Lei n° 4.506, de 1964, atualmente consolidado nos arts. 290 e 299 do RIR/19 99, bem como o art. 168 do RIR /1999 e os Pareceres Normativos CST 38/80 e 73/75. O PN nº 38/80 explicita que deve o imposto de renda ter por base de cálculo o resultado determinado a partir da escrituração contábil, que apresente destaque das receitas e correspondentes custos, despesas e encargos, c mo explicitado no PN CST n" 73/75. Por sua vez, o PN n° 73/75 diz que nessas condições, devem ser apuradas em separado as receitas das atividades próprias das cooperativas e as receitas derivadas das operações por elas realizadas com terceiros. Igualmente computados em separado os custos diretos, e Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Resolução nº 1401000.522 S1C4T1 Fl. 1.160 5 imputadas às receitas com as quais guardam correlação. A partir daí, e desde que impossível destacar os custos e encargos indiretos de cada uma das duas espécies de recritas, devem eles ser apropriados proporcionalmente ao valor das duas receitas brutas (...). A legislação do IRPJ, no art. 279 do RIR/1999, determina a contabilização de tais ingressos como receita operacional. Logo, ao desconsiderarse, para apuração das sobras, o custo dos atos cooperativos, há contrariedade à legislação. A desconsideração dos conceitos citados, implicou num desvirtuamento da realidade da cooperativa, na medida em que foram desprezados, para o cálculo da sobra do ato cooperativo principal, os custos dele decorrentes. O erro está em considerar que os valores percebidos por um cooperativado são sobras, ou seja, resultados de uma sociedade após o exercício, o que desmente o próprio nome de sobras, cujo cálculo advém de resultarem da diferença entre os valores arrecadados pela cooperativa e os valores pagos, ao longo do exercício, ao associado. Não foram consideradas como despesas dedutíveis, aquelas decorrentes do pagamento do seguro de vida aos cooperativados, feitas com os recursos do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. A característica essencial de uma sociedade cooperativa vem a ser a assistência técnica, educacional e social aos seus cooperativados, tal como expressamente imposta pelo art. 4o, inciso VIII, da Lei n° 5.764, de 1971. Decorre deste ato legal, a obrigatoriedade dessas entidades constituírem esse fundo, contendo, no mínimo, 5% das sobras líquidas, tornandose evidente que sendo o seguro de vida umas das formas mais tradicionais de assistência social, não desvirtuando a finalidade de uma cooperativa a utilização desse fundo. As provisões para créditos frustrados, ainda que insignificantes em relação ao conjunto da autuação, obedeceram ao disposto no art. 9o da Lei n° 9.430, de 1996. Além das alegações feitas na impugnação do IRPJ, o Contribuinte argumenta, em relação ao PIS/PASEP e a COFINS, o seguinte: Os períodos anteriores a setembro de 1997 estão decaídos, nos termos do art. 173,1, do Código Tributário Nacional (CTN). Conforme art. 3o da Lei n° 9.715, de 1998, a base de cálculo da contribuição, no caso de entidades que têm como objeto a prestação de serviços, é tão somente o valor de operações por conta própria e o resultado das operações por conta alheia. Os atos cooperativos não podem ser considerados uma operação de conta própria de venda de serviços, quando feitos em nome dos cooperativados (Ato Declaratório n° 70, de 1999). Sendo uma operadora de planos de saúde, teria direito a excluir, da base da COFINS, os eventos efetivamente pagos, as provisões técnicas e a coresponsabilidade cedida, nos termos da Medida Provisória n° 2.15835. Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Resolução nº 1401000.522 S1C4T1 Fl. 1.161 6 Nos atos considerados pela Fiscalização como não cooperativos, o próprio auto de infração menciona que, antes de sua lavratura, foram os valores dos atos cooperativos judicialmente depositados em ação proposta pela autuada (PIS/PASEP e COFINS). Assim, tratandose de depósito completo, realizado antes da exigência do tributo, sobre ele deve ser considerada suspensa a exigibilidade do PIS/PASEP e da COFINS. Finalizando, requer a procedência da defesa, para que seja integralmente anulados os Autos de Infração. Requer ainda, em relação ao PIS/PASEP e a COFINS, que seja oportunizada a comprovação de haver realizado o depósito completo dos valores antes da lavratura do Auto de Infração. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A DRJ negou provimento à impugnação, nos termos da ementa que reproduzimos abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. Demonstrado que os Autos de Infração foram lavrados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação das disposições dos artigos 10 e 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se acatar o pedido de nulidade dos Autos de Infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997,1998,1999, 2000, 2001 COOPERATIVA. DISTRIBUIÇÃO DO LUCRO AUFERIDO. TRIBUTAÇÃO DO RESULTADO TOTAL É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às cotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuandose os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano, que incidirão sobre a parte integralizada. A distribuição de lucro gerado por uma cooperativa frauda o regime jurídico cooperativo, estando o resultado total apurado sujeito à tributação. LANÇAMENTOS DECORRENTES A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes quando não houverem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Resolução nº 1401000.522 S1C4T1 Fl. 1.162 7 PIS/PASEP. COFINS. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Os depósitos judiciais apenas suspendem a exigibilidade do crédito tributário se forem efetuados em montante integral. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A contribuinte ofereceu recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, em que repete os mesmos argumentos suscitados na defesa inicial, aliás de forma literal. DA DILIGÊNCIA O presente feito já foi trazido a julgamento, na oportunidade em que se deliberou por baixar o processo em diligência nos seguintes termos: O Foco da diligência limitase apenas à autuação do PIS e da COFINS. Em seu recurso a Recorrente se defende também no âmbito desses tributos. Por outro lado, tomo conhecimento a partir do TVF que a Recorrente entrou com ações judiciais em relação ao PIS e a COFINS: [consta a transcrição do TVF] Por outro lado, como é sabido a opção da recorrente em submeter o mérito da questão ao Poder Judiciário, antes ou depois de buscar a solução na esfera administrativa, torna inócua qualquer discussão posterior da mesma matéria no âmbito administrativo, por força da soberania do Poder Judiciário, que possui a prerrogativa constitucional ao controle jurisdicional dos atos administrativos. Diante desse contexto é bom alvitre converter o julgamento do processo em diligência para que a autoridade preparadora: a) Esclarecer se as base de cálculo desses tributos considerou ou não essas ações judiciais; b) Pronunciarse sobre a possível identidade de objetos entre o presente processo administrativo e as respectivas ações judiciais; c) A depender das respostas dos quesitos anteriores, juntar cópia de certidão objeto e pé das ações judiciais mencionadas no TVF, bem assim outras peças judiciais que ajudem a identificar a possível identidade das matérias sub judice; d) Verificar se o contribuinte possuía a época dos fatos alguma liminar ou medida cautelar impedindo o lançamento desses tributos, para efeito de avaliação do cabimento da multa de ofício. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Resolução nº 1401000.522 S1C4T1 Fl. 1.163 8 Elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. No resultado da diligência, a autoridade local assim se pronunciou relativamente aos quesitos formulados na resolução: Cientificada do resultado da diligência, a defesa, após historiar o processo, assim se manifestou: 8. As ações judiciais que debateram a revogação da isenção acima mencionada, em relação aos atos cooperativos, as quais pediam expressamente que os valores arrecadados e repassados aos cooperados fossem considerados atos cooperativos, conforme o Parecer Normativo da Coordenação Geral do Sistema de Tributação Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Resolução nº 1401000.522 S1C4T1 Fl. 1.164 9 (PNCST) nº 38/80, calculado em conformidade com o PNCST 73/75, tiveram o seguinte desfecho: a) processo nº 2001.71.11.0005098 (processo eletrônico nº 5001376 66.2015.4.04.7111), da COFINS, foi vencida em definitivo, não se podendo tributar os valores dos atos cooperativos, na forma acima mencionada. O processo, agora, está na fase de levantamento dos valores, com vários alvarás já expedidos para as demais autoras deste processo. Junta comprovantes (decisões judiciais e trânsito em julgado, além do pedido de levantamento e dos alvarás já expedidos). b) processo nº 2001.71.00.0108002, do PIS, contém decisão que provê o recurso especial da contribuinte, nestes termos esclarecidos em embargos de declaração: [consta transcrição da ementa] A União Federal ingressou com recurso extraordinário que está sobrestado. Junta comprovante do que afirma (acórdão do REsp e dos embargos de declaração, além da decisão que determina o sobrestamento). Neste sentido, a exigibilidade está suspensa, dado que a decisão judicial tem plena eficácia. 9. Em resumo, pelo simples fato de não ser possível, na visão da jurisprudência do CARF, autorizar tributação com fundamento único na descaracterização das cooperativas, nascida a partir de verificação do IRPJ/CSLL), como é o caso, os processos do PIS e COFINS, que são reflexos daquele, contam com decisões (uma já transitada em julgado e outra em plena vigência), no sentido da não tributação de tais valores. 10. Importa referir que a tributação dos atos cooperativos auxiliares foi realizada, não havendo uma única linha na autuação que conteste esta afirmação. 11. Da mesma forma, o próprio relatório da atividade fiscal reconhece que a Cooperativa segrega, contabilmente, os resultados decorrentes dos seus atos cooperativos (recolhimento e repasses aos associados de valores de serviços médicos), daqueles auxiliares ao ato cooperativo (recolhimento e pagamento de serviços credenciados de hospitais e laboratórios): [transcreve o trecho aludido] 12. Em face de todo o exposto, embora as ações judiciais não ataquem o procedimento derivado da autuação, que tem origem na descaracterização e tributação global dos atos cooperativos, os depósitos judiciais, confessadamente não considerados na autuação, já começaram a ser devolvidos (no caso da COFINS), bem como, para o caso do PIS, há decisão que dá suporte à pretensão da contribuinte. Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Resolução nº 1401000.522 S1C4T1 Fl. 1.165 10 13. Em resumo, há que de decidir se o fato ensejador da autuação – descaracterização tem respaldo no ordenamento jurídico e na jurisprudência, principalmente desse Conselho, o que se viu comprovadamente não existir. 14. De outro lado, os processos do PIS e COFINS contam com decisões judiciais favoráveis à cooperativa, reafirmando a natureza dos atos cooperativos e sua não tributação, tendo, inclusive, o da COFINS, já transitado em julgado. 15. Pede, como corolário lógico de tudo que consta dos autos, o cancelamento integral da exigência fiscal, porquanto nascida de procedimento completamente ilegal. 16. Junta a documentação mencionada nas letras “a” e “b” do parágrafo oitavo desta petição. É o relatório. VOTO Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Preliminar de decadência A autoridade julgadora de primeiro grau assim registrou acerca da questão da decadência: Quanto à alegação de que ocorreu a decadência, com base no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, concluiuse que não cabe razão ao Contribuinte. Assim, dispõe o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional: [transcreve o dispositivo] Considerando esse argumento, verificase que não ocorreu a decadência em relação aos períodos de apuração 01/1997 a 08/1997 do PIS/PASEP e da COFINS. No caso dos autos, o fato gerador do PIS/PASEP e da COFINS mais distante ocorreu em 31/01/1997. Portanto, a contagem do prazo se iniciou em 01/01/1998 e terminou em 31/12/2002 (cinco anos). O Contribuinte foi cientificada dos lançamentos em 05/09/2002 (fl. 35). Assim, nessa data, ainda não tinha se esgotado o prazo para constituir o crédito tributário do PIS/PASEP e da COFINS de forma que é descabida a alegação da ocorrência da decadência. Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Resolução nº 1401000.522 S1C4T1 Fl. 1.166 11 A autoridade julgadora de primeiro grau adotou, portanto, o art. 173, inciso I e não o art. 150, § 4º, ambos do CTN, para aferir o prazo decadencial. Para tal, porém, é necessária, em face da jurisprudência com efeitos repetitivos do STJ, a inexistência de pagamento das referidas contribuições, o que não foi aferido nos autos. Assim, o feito deve ser baixado em diligência para que a autoridade local verifique a existência ou não de pagamentos de PIS e Cofins para os períodos mensais de janeiro a setembro de 1997. Tendo em vista também que há controvérsia entre os Conselheiros da Turma acerca do que deve ser considerado pagamento para fins de aferição do prazo decadencial, o feito deve ser baixado em diligência para que a autoridade local verifique, em relação ao PIS e à Cofins, para os meses de janeiro a setembro de 1997, se houve: a) pagamento (inclusive retenções na fonte); b) compensação; e c) constituição do crédito por apresentação de DCTF, pedido de parcelamento e demais meios de formalização. Após, deve elaborar parecer circunstanciado do resultado da diligência e dele dar ciência ao recorrente, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar, caso assim deseje. Por fim, devolvase o feito para continuidade do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 1166DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.721131/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2000 a 30/01/2004
PIS/COFINS. RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO.
Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração.
Numero da decisão: 3402-005.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório no montante reconhecido na Diligência Fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório no montante reconhecido na Diligência Fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.
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RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO. Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório no montante reconhecido na Diligência Fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 11 31 /2 01 1- 38 Fl. 10948DF CARF MF 2 Relatório Primeiramente, cumpre assinalar que se encontram apensandos aos presentes aos os processos de números: 10850721131201138, 10850909214201157, 10850909215201100, 10850907640201156, 10850907638201187, 10850905958201101, 10850907639201121, 10850908470201127, 10850907641201109, 10850908468201158, 10850907642201145, 10850908460201191, 10850908464201170, 10850908462201181, 10850908466201169, 10850907643201190, 10850909208201108, 10850909373201151, 10850909223201148, 10850905946201178, 10850909226201181, 10850909213201111, 10850909209201144, 10850909211201113, 10850905947201112, 10850905948201167, 10850905954201114, 10850909224201192, 10850907634201107, 10850905955201169, 10850909210201179, 10850905948201167, 10850905952201125, 10850909227201126, 10850905951201181, 10850907632201118, 10850909219201180, 10850905953201170, 10850905957201158, 10850909225201137, 10850909221201159, 10850909220201112, 10850907633201154, 10850905950201136, 10850909212201168, 10850905956201111, 10850909222201101, 10850909217201191, 10850909216201146, 10850909218201135, 10850908469201101, 10850907635201143, 10850908467201111, 10850907636201198, 10850908459201167, 10850908463201125, 10850908461201136, 10850908465201114, 10850906246201109 e 10850907637201132. Tratase de processo administrativo decorrente de manifestações de inconformidade interpostas pelo contribuinte, por meio de seus representantes legais, em face de Despachos Decisórios resultantes da apreciação de Pedidos de Restituição, correspondentes aos períodos e tributos discriminados na tabela de fls.14041407. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, em virtude dos pagamentos localizados terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Inconformado, o contribuinte manifestouse alegando, quanto ao mérito: i) falta de aprofundamento na investigação dos fatos; ii) inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 e advento de decisão do STF declarandoa sob a sistemática de Repercussão Geral, o que implicaria em novo cálculo dos débitos, com a base de cálculo correta, e apuração do pagamento indevido. A DRJ julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, pelo que apresentou o Contribuinte Recurso Voluntário ao CARF, reiterando as razões de seu pleito. Este Colegiado entendeu por bem converter o julgamento em diligência, através da Resolução nº 3402000.895 para que: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo Fl. 10949DF CARF MF Processo nº 10850.721131/201138 Acórdão n.º 3402005.267 S3C4T2 Fl. 3 3 correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado, para julgamento. A Fiscalização cumpriu diligentemente a determinação, exarando ao final a Informação Fiscal de fls. 10.740 e ss. Intimado, o contribuinte apresentou sua manifestação de fls. 10.767 e ss., no que anui com os cálculos elaborados pela Receita Federal, e contesta outros elementos que impactariam no montante de crédito de PIS/Cofins. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O presente caso é recorrente neste Conselho, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. O contribuinte junta ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais, indicando de forma perfunctória o direito pleiteado. Em razão disso, optouse pela conversão do julgamento em diligência para que a instrução probatória fosse melhor desenvolvida. A minuciosa informação fiscal juntada pela fiscalização analisou as planilhas apresentadas, bem como o contrato social da empresa, com a finalidade de identificar quais receitas fazem parte do objeto social da empresa e que deveria compor o faturamento dela. Na mesma linha de julgamentos sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, que culminou com a decisão, tomada no julgamento do Recurso Extraordinário nº 527602, com repercussão geral, o STF, nos RE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, estabeleceu que a receita bruta, prevista no art. 3.º da Lei 9.718/98, corresponde ao conceito de faturamento expresso no artigo 2º, da Lei Complementar 70/91: Art. 2° A contribuição (...) incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Fl. 10950DF CARF MF 4 Analisando as receitas da empresa, a informação fiscal aduziu a existência de créditos decorrentes de pagamento a maior, passíveis de restituição, conforme planilha apresentada na informação fiscal. Aduziu a informação fiscal: 12. Refazendo a apuração das contribuições do período em análise, com base nos registros contábeis que nos foram apresentados e na resposta à intimação, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais do contribuinte e excluindo as receitas “estranhas” ao conceito de faturamento por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, chegamos aos possíveis valores pagos a maior conforme o QUADRO I a seguir. Lembrando que, na apuração cumulativa, que é o nosso caso, só se pode excluir da base de cálculo das contribuições o que está previsto no § 2º do art. 3º da Lei 9718/98. 13. Em particular, sobre a natureza da receita de Recuperação de AIRE, conta 7193000610, não houve comprovação do que se trata, embora na resposta à intimação conste que seja recuperação de adicional do IRPJ, os registros no Razão não indicam isso. Sem comprovação do que se trata, tais receitas operacionais foram incluídas na nossa apuração. Após o quadro de apuração dos créditos, a Fiscalização identificou aqueles que já foram utilizados em outros processos de PERDCOMPs, excluindo eles dessa apuração, totalizando o montante de R$ 853.542,81. Sobre isto, o contribuinte manifestou sua expressa concordância, reconhecendo a correção do entendimento adotado na diligência fiscal. Portanto, no que é pertinente aos créditos reconhecidos pela informação fiscal, não resta qualquer controvérsia nos autos, devendo serem reconhecidos por este Colegiado. Ademais, o Contribuinte aduz que não foram deduzidos na apuração das contribuições sociais, diversas outras despesas e custos, além de pagamentos indevidos, que entende impactarem no montante de crédito de PIS/COFINS. Conquanto as razões do contribuinte seja materialmente relevantes, há que se frisar que estes pontos não foram veiculados na Impugnação, tampouco no Recurso Voluntário, vindo à tona apenas na sua manifestação em relação ao resultado da diligência. As matérias que não sejam questões de ordem pública estão sujeitas ao regime preclusivo estabelecido no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), razão pela qual não há que se conhecer as novas alegações carreadas pelo Recorrente. Desse modo, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no sentido de reconhecer o direito creditório no montante determinado na informação fiscal juntada aos autos, R$ 853.542,81. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 10951DF CARF MF Processo nº 10850.721131/201138 Acórdão n.º 3402005.267 S3C4T2 Fl. 4 5 Fl. 10952DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11946.000265/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
AFERIÇÃO INDIRETA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.O uso da aferição indireta para apurar parcelas salariais tributadas, quando observados os requisitos legais, não acarreta nulidade nem cerceia o direito à ampla defesa. O descumprimento de intimação fiscal para o fornecimento de documentos justifica o uso da aferição indireta.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTO À MARGEM DA FOLHA DE PAGAMENTO. PROVA COLHIDA EM RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. POSSIBILIDADE.
É fundado em prova hábil e idônea o lançamento do crédito tributário previdenciário que constata, analisando autos de reclamatórias trabalhistas, os pagamentos denominados "por fora" à margem da folha de pagamento. A atuação da Fiscalização não se vincula às decisões proferidas no processos judiciais.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO LEI N° 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N° 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB N° 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Aplica-se a legislação inovadora quando mais benéfica ao sujeito passivo. A comparação das multas previstas na legislação, para efeito de aferição da mais benéfica, leva em conta a natureza da exação, e não a sua nomenclatura. Em se tratando de lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória e principal, a aplicação da multa prevista no art. 35-A da Lei n° 8.212, de 1991, deve retroagir para beneficiar o contribuinte se resultar menor do que a soma das multas previstas nos artigos 32, §§ 4° e 5°, e 35, inc. II, da mesma lei.
Numero da decisão: 2201-004.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência para afastar a exigência fiscal lançada até o período de apuração de novembro de 1999, inclusive. Em relação ao mérito, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). AFERIÇÃO INDIRETA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.O uso da aferição indireta para apurar parcelas salariais tributadas, quando observados os requisitos legais, não acarreta nulidade nem cerceia o direito à ampla defesa. O descumprimento de intimação fiscal para o fornecimento de documentos justifica o uso da aferição indireta. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTO À MARGEM DA FOLHA DE PAGAMENTO. PROVA COLHIDA EM RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. POSSIBILIDADE. É fundado em prova hábil e idônea o lançamento do crédito tributário previdenciário que constata, analisando autos de reclamatórias trabalhistas, os pagamentos denominados "por fora" à margem da folha de pagamento. A atuação da Fiscalização não se vincula às decisões proferidas no processos judiciais. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO LEI N° 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N° 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB N° 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Aplica-se a legislação inovadora quando mais benéfica ao sujeito passivo. A comparação das multas previstas na legislação, para efeito de aferição da mais benéfica, leva em conta a natureza da exação, e não a sua nomenclatura. Em se tratando de lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória e principal, a aplicação da multa prevista no art. 35-A da Lei n° 8.212, de 1991, deve retroagir para beneficiar o contribuinte se resultar menor do que a soma das multas previstas nos artigos 32, §§ 4° e 5°, e 35, inc. II, da mesma lei.
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DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). AFERIÇÃO INDIRETA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.O uso da aferição indireta para apurar parcelas salariais tributadas, quando observados os requisitos legais, não acarreta nulidade nem cerceia o direito à ampla defesa. O descumprimento de intimação fiscal para o fornecimento de documentos justifica o uso da aferição indireta. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTO À MARGEM DA FOLHA DE PAGAMENTO. PROVA COLHIDA EM RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. POSSIBILIDADE. É fundado em prova hábil e idônea o lançamento do crédito tributário previdenciário que constata, analisando autos de reclamatórias trabalhistas, os pagamentos denominados "por fora" à margem da folha de pagamento. A atuação da Fiscalização não se vincula às decisões proferidas no processos judiciais. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO LEI N° 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N° 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB N° 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Aplicase a legislação inovadora quando mais benéfica ao sujeito passivo. A comparação das multas previstas na legislação, para efeito de aferição da mais benéfica, leva em conta a natureza da exação, e não a sua nomenclatura. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 94 6. 00 02 65 /2 00 8- 10 Fl. 3642DF CARF MF Processo nº 11946.000265/200810 Acórdão n.º 2201004.508 S2C2T1 Fl. 3.643 2 Em se tratando de lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória e principal, a aplicação da multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, deve retroagir para beneficiar o contribuinte se resultar menor do que a soma das multas previstas nos artigos 32, §§ 4° e 5°, e 35, inc. II, da mesma lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência para afastar a exigência fiscal lançada até o período de apuração de novembro de 1999, inclusive. Em relação ao mérito, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela recorrente contra decisão do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária de Ribeirão Preto/SP, que julgou procedente em parte o lançamento do crédito tributário. O lançamento se refere à contribuição previdenciária incidente sobre o pagamento de contribuintes individuais e empregados, parte patronal, GILRAT, parte dos segurados e as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), referente ao período de janeiro/1995 a dezembro/2004, no valor de R$ 2.724.179,13 (dois milhões, setecentos e vinte e quatro reais, cento e setenta e nove reais e treze centavos), consolidado em 21/12/2005. Os valores lançados foram apurados mediante análise das folhas de pagamento, recibos de pagamentos a autônomos, GFIP, RAIS, bem como documentos constantes dos autos de reclamações trabalhistas. A ação fiscal foi motivada por ofício da Polícia Federal em que se relatava a prática reiterada do denominado pagamento “por fora”. O lançamento do crédito tributário foi efetuado, em parte, por aferição indireta. Fl. 3643DF CARF MF Processo nº 11946.000265/200810 Acórdão n.º 2201004.508 S2C2T1 Fl. 3.644 3 Foi emitido Relatório Fiscal Complementar às fls. 1.405/1412, em que a autoridade fiscal narra um equívoco no somatório do valor total no levantamento MG8, propondo a retificação do valor do crédito tributário lançado. A recorrente apresentou impugnação tempestiva, tendo a autoridade julgadora de primeira instância prolatado decisão nos termos da seguinte ementa: CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. MOTIVAÇÃO. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE. VERACIDADE. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. ONUS DA PROVA. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIAT MULTA. LEGALIDADE. ATO VINCULADO. INEXISTÊNCIA DE CONFISCO. RAZOABILIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PREVIDENCURIO. SANEAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO. Devida a contribuição previdenciária e as destinadas aos terceiros sobre a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador, nos termos da lei. Devida a contribuição previdencidria sobre a remuneração paga ou creditada a contribuintes individuais a serviço da empresa. A decadência no âmbito da Previdência Social é decenal. O direito do fisco previdencidrio constituir seu crédito sujeitase ao prazo decadencial de 10 anos, previsto em norma especifica da Previdência Social. Inexiste cerceamento de defesa pois foram cumpridas as formalidades essenciais para a lavratura da NFLD. A NFLD devidamente motivada, com a descrição das razões de fato e de direito, em conformidade com o art. 33 e art. 37 da Lei n° 8.212/91 e art. 243 do RPS/99, contendo as informações suficientes ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo Notificado, é ato Fl. 3644DF CARF MF Processo nº 11946.000265/200810 Acórdão n.º 2201004.508 S2C2T1 Fl. 3.645 4 administrativo que goza de presunção de legalidade e veracidade, a incumbir ao sujeito passivo o ônus da prova, nos termos do art. 333, inciso II, do CPC. Se, ao examinar a escrituração contábil ou qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, deve apurar, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, conforme estabelece o artigo 33, §§ 3º e 6°, da Lei n° 8.212/91. As contribuições sociais, não recolhidas nas épocas próprias estão sujeitas à multa e aos juros equivalentes a taxa SELIC. A cobrança de juros equivalentes à taxa referencial SELIC é de caráter irrelevável e está amparada pelo disposto no artigo 34, da Lei n° 8.212/91, com as alterações da Lei n° 9.528/97. Inexiste efeito confiscatório na multa administrativa aplicada pelo não recolhimento das contribuições previdenciárias na data estabelecida, com fulcro no art. 35 da Lei 8.212/91. Não cabe na esfera administrativa discussão sobre a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal, nos termos do art. 20 da Portaria MPS n° 520/04. A prova documental no contencioso administrativo previdenciário deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas. Artigo 8°, Artigo 9º, §§ 1° e 2° da Portaria MPS n° 520/04. Constando da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, mesmo que de forma complementar, o demonstrativo correto dos valores devidos, não há que se falar em vicio que macule o procedimento fiscal e enseje a declaração de nulidade da NFLD. Os vícios processuais que não estejam elencados no art. 31 da Portaria n.° 520/2004 permitem o saneamento da falta, nos termos do art. 32, da mesma Portaria.Saneado o processo, reaberto o prazo de defesa, em respeito ao principio da ampla defesa. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (efls. 3335/3376), onde combate a decisão de primeira instância, nos termos das razões sintetizadas a seguir: Fl. 3645DF CARF MF Processo nº 11946.000265/200810 Acórdão n.º 2201004.508 S2C2T1 Fl. 3.646 5 Preliminarmente: Nulidade do lançamento por ausência de motivação idônea e aparente. O lançamento não foi provado, tendo sido efetuado por aferição indireta, tomandose por base ações trabalhistas em que não se restou demonstrada a incidência de contribuições previdenciárias. Não pode haver lançamento baseado em presunção. Houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, uma vez que se imputou infrações ao autuado sem a devida apuração dos valores apontados. No mérito: A ilegalidade da contribuição ao SalárioEducação ao SAT e ao Incra. A origem do lançamento são documentos encontrados em ações trabalhistas em que não ficou comprovado a diferença de valores em nenhum dos casos. A decadência e prescrição. As multas aplicadas são confiscatórias e os juros ilegítimos. Por fim, requer seja julgada improcedente a NFLD. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Prejudicial de Mérito Decadência O recorrente alega a prescrição e a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. No que tange à prescrição, que é a perda do direito de ação, não há de se cogitar, uma vez que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa com o protocolo da impugnação. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.2i2, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Fl. 3646DF CARF MF Processo nº 11946.000265/200810 Acórdão n.º 2201004.508 S2C2T1 Fl. 3.647 6 Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5°do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1°do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e Fl. 3647DF CARF MF Processo nº 11946.000265/200810 Acórdão n.º 2201004.508 S2C2T1 Fl. 3.648 7 municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Este CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial. De acordo com a Súmula n° 99, considerase que houve pagamento parcial quando os recolhimentos efetuados se referem à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF n° 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Destarte, no presente caso, temos que o lançamento se perfectibilizou com a ciência pessoal ocorrida em 26/12/2005 (fl.3). Verificouse que não há nos autos prova de que houve antecipação do pagamento relativa ao crédito tributário lançado. Desse modo, aplicase a regra inserta no art. 173, I, do CTN. Estão atingidos pela decadência, pois, as competências de 01/1994 a 11/1999, inclusive. Preliminarmente – Nulidade Fl. 3648DF CARF MF Processo nº 11946.000265/200810 Acórdão n.º 2201004.508 S2C2T1 Fl. 3.649 8 Sustenta a recorrente a nulidade do lançamento por ausência de motivação idônea e aparente. De acordo com a sua tese o lançamento não foi provado, tendo sido efetuado por aferição indireta, tomandose por base ações trabalhistas em que não se restou demonstrada a incidência de contribuições previdenciárias. Alega, ainda que houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, uma vez que se imputou infrações ao autuado sem a devida apuração dos valores apontados. Verificase da narrativa constante do Relatório Fiscal: Temse que o crédito tributário foi parcialmente aferido diretamente. Outra parte foi aferida indiretamente através da RAIS e da análise de documentos constantes de autos de reclamatórias trabalhistas. Não há nenhuma irregularidade na colheita de documentos que instruem os autos de processos judiciais. Eventual valoração desses documentos por parte do Juiz do Trabalho, seja em sentido a favor ou contrário ao contribuinte, não tem qualquer reflexo na órbita do procedimento fiscal de constituição do crédito tributário. A autoridade fiscal busca o documento em si para identificar a ocorrência do fato gerador de contribuição previdenciária, não a reclamatória trabalhista. Fl. 3649DF CARF MF Processo nº 11946.000265/200810 Acórdão n.º 2201004.508 S2C2T1 Fl. 3.650 9 Imperioso ressaltar que, consoante narrado no Relatório Fiscal, a ação fiscal foi desencadeada por uma solicitação da Delegacia de Polícia Federal que constatou a nefasta prática do denominado pagamento “por fora” da folha de pagamento com fim escuso de sonegar parcialmente os tributos devidos incidentes sobre a massa salarial. Inferese dos autos que muitos dos empregados que receberam pagamentos sem transitar pela contabilidade da empresa ingressaram com reclamatórias trabalhistas, sendo dever da autoridade fiscal perquirir acerca de elementos que possam identificar a ocorrência de fato gerador. A autoridade fiscal fundamentou o procedimento de aferição indireta. O lançamento fiscal está lastreado em robusta prova documental que legitima a atuação fiscal, que agiu de acordo com o art. 142, do Código Tributário Nacional. A recorrente foi regularmente intimada da NFLD, que possui Relatório Fiscal e anexos que demonstram competência e por tipo de levantamento, a identificação do fato gerador, base de cálculo, alíquota e montante do tributo devido. O processo administrativo fiscal, por sua vez, atende ao disposto na legislação de regência, não procedendo a alegativa de cerceamento ao direito de defesa formulada pela recorrente. Nessa toada, não existe nenhuma irregularidade no presente lançamento, devendo ser, de plano, afastada a alegação de nulidade do presente lançamento. Do mérito Da prova colhida no processo trabalhista Alega a recorrente que: a auditoria fiscal se utilizou de documentos (recibos de pagamentos) anexados a reclamações trabalhistas de ex empregados indicando remuneração diferente e superior àquela oferecida a cálculo de contribuições previdenciárias (INSS) pela empresa, constante de folhas de pagamentos e GFIP. Ocorre, porém, que não assiste razão ao auditor fiscal nas diferenças apontadas, visto não estarem amparadas por comprovação efetiva, haja vista que em todos os processos trabalhistas examinados não foi comprovada e reconhecida diferença nas remunerações dos exempregados (Reclamantes). A situação apresentada a apreciação pelo Poder Judiciário e este não reconheceu a referida situação como válida e verdadeira, e, pelo contrário, decidindo e extinguindo o litígio de outra forma, não pode ser alterada ou desconsiderada se não através do próprio Judiciário e da forma e no prazo que a legislação assim permitir. O argumento de mérito supra transcrito se confunde com a abordagem trazida a lume nas preliminares, sendo necessário repisar o que já fora dito alhures acerca da colheita da prova nos autos de reclamações trabalhistas. Fl. 3650DF CARF MF Processo nº 11946.000265/200810 Acórdão n.º 2201004.508 S2C2T1 Fl. 3.651 10 Não há nenhuma irregularidade na colheita de documentos que instruem os autos de processos judiciais. Eventual valoração desses documentos por parte do Juiz do Trabalho, seja em sentido a favor ou contrário ao contribuinte, não tem qualquer reflexo na órbita do procedimento fiscal de constituição do crédito tributário. A autoridade fiscal busca o documento em si para identificar a ocorrência do fato gerador de contribuição previdenciária, não a reclamatória trabalhista. Imperioso ressaltar que, consoante narrado no Relatório Fiscal, a ação fiscal foi desencadeada por uma solicitação da Delegacia de Polícia Federal que constatou a nefasta prática do denominado pagamento “por fora” da folha de pagamento com fim escuso de sonegar parcialmente os tributos devidos incidentes sobre a massa salarial. Inferese dos autos que muitos dos empregados que receberam pagamentos sem transitar pela contabilidade da empresa ingressaram com reclamatórias trabalhistas, sendo dever da autoridade fiscal perquirir acerca de elementos que possam identificar a ocorrência de fato gerador. Acrescente a isso, o fato de que em nenhum trecho do recurso voluntário a recorrente faz menção ao ofício da Delegacia da Polícia Federal, defendendose da prática de pagamento “por fora”. Por derradeiro, é relevante destacar que a recorrente não traz qualquer documento ou mesmo apresenta argumento para afastar a presunção estabelecida pelo procedimento de aferição indireta adotado, o que poderia fazêlo nos termo do que dispõe o art. 33, § 6º, da Lei nº 8.212/91, verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Destarte, não há qualquer irregularidade na análise dos processos trabalhistas, sendo despiciendo a juntada de cópias dos processos trabalhistas requerida pela recorrente, uma vez que os documentos analisados pela autoridade fiscal foram suficientes para embasar o presente lançamento. Da inconstitucionalidade do SalárioEducação, SAT, Incra e violação ao princípio da estrita legalidade tributária Fl. 3651DF CARF MF Processo nº 11946.000265/200810 Acórdão n.º 2201004.508 S2C2T1 Fl. 3.652 11 Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei n° 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Entretanto, a argumentação do recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como infrigência aos princípios da vedação ao confisco e capacidade contributiva. Da multa confiscatória A recorrente sustenta o caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, da Constituição Federal. Entretanto, de igual modo ao item precedente, a argumentação da recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula nº 2, in verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como a infrigência aos princípios da vedação ao confisco. Da aplicação da Taxa Selic Fl. 3652DF CARF MF Processo nº 11946.000265/200810 Acórdão n.º 2201004.508 S2C2T1 Fl. 3.653 12 A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF nº 4 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Assim sendo, improcede a argumentação da recorrente quanto à não incidência de juros de mora no presente lançamento. Da retroatividade da multa mais benéfica Ressalvando a mudança de entendimento deste Relator, tenho que a multa aplicada no lançamento sob análise não teve caráter moratório, devida pelo pagamento do tributo a destempo, mas tratouse de multa resultante da ação estatal que, por meio da medida fiscal, efetuou o lançamento nos termos do art. 142 do CTN. No Direito Tributário, as multas se classificam em dois gêneros: as multas de mora e as multas punitivas. As multas de mora são destinadas a reparar a impontualidade do contribuinte que, embora a destempo, adimpliu, espontaneamente, sua obrigação tributária. Têm efeito desestimulador do pagamento em atraso, de modo a compelir o contribuinte a pagar o tributo no prazo legalmente previsto, sob pena de arcar com ônus econômico adicional. As multas moratórias não se confundem com os juros de mora, cuja finalidade é a remuneração do capital no tempo. Tanto as multas quanto os juros moratórios integram o crédito tributário. As multas punitivas são sanções aplicadas ao contribuinte que deixou de, espontaneamente, cumprir a obrigação tributária, seja ela acessória ou principal. São aplicáveis quando, em atividade plenamente vinculada, o poder público identifica o descumprimento da obrigação e procede ao lançamento, como previsto no art. 142 do CTN, o que implica a imposição legal de penalidade pecuniária, na forma de multa, que integra o crédito tributário. As multas punitivas possuem duas distintas espécies: a multa de oficio e a multa isolada. A multa de oficio surge com o descumprimento da obrigação principal e é a ela vinculada, geralmente representando um percentual do tributo não recolhido. A multa isolada decorre do descumprimento de obrigação acessória e, com o lançamento, convertese em obrigação principal. No caso dos autos, independentemente da nomenclatura utilizada pela legislação de fundamento ou pelo auto de infração, tratamse de multas aplicadas em decorrência do descumprimento de obrigações tributárias principais, consistentes no não recolhimento dos valores de contribuições previdenciárias devidas pela Recorrente, apuradas mediante ação fiscal. Portanto, não há dúvidas de que multas constantes do discriminativo do débito, que Fl. 3653DF CARF MF Processo nº 11946.000265/200810 Acórdão n.º 2201004.508 S2C2T1 Fl. 3.654 13 compõe o auto de infração, têm natureza de multas de oficio. Não se trata de recolhimento espontâneo de tributos ocorrido após o vencimento, o que descaracteriza a natureza moratória das multas. Diante da constatação de que o encargo é, materialmente, multa de ofício, vale invocar o posicionamento da CSRF sobre a matéria, cujo entendimento encontrase pacificado. Reproduzo, pois, parte do voto condutor do Acórdão n° 9202006.028, com cuja fundamentação concordo e assumo como parte das razões de decidir: De inicio (sic), cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n° 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de oficio. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da Fl. 3654DF CARF MF Processo nº 11946.000265/200810 Acórdão n.º 2201004.508 S2C2T1 Fl. 3.655 14 verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Pois bem, no caso de contribuições objeto do presente lançamento, a legislação vigente quando dos fatos geradores determinava que não incidia a multa prevista no art. 32, § 5°, mas somente a descrita no art. 35. Portanto, a comparação deve ser feita entre a multa do revogado art. 35, que vigia na época fatos geradores, e a multa introduzida pela legislação superveniente, que vigia quando do lançamento, que é a descrita no art. 35A. Todos os dispositivos citados são da Lei n° 8.212, de 1991. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para darlhe parcial provimento, em preliminar, reconhecendo a decadência do período de 01/1994 a 11/1999 e, no mérito, negandolhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 3655DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915296/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/01/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, em especial no caso de pedido de restituição decorrente de contribuição recolhida a maior.
DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO.
A mera retificação de DCTF não se constitui em elemento de prova hábil e suficiente para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório decorrente de suposto pagamento e declaração a maior de contribuição. Inexistindo nos autos outros elementos de provas, não há que se falar em pagamento indevido.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo Conselheiro Suplente convocado Vinícius Guimarães
(Assinado Digitalmente)
WALDIR NAVARRO BEZERRA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
PEDRO SOUSA BISPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Vinícius Guimarães (Conselheiro Suplente Convocado) e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/01/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, em especial no caso de pedido de restituição decorrente de contribuição recolhida a maior. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. A mera retificação de DCTF não se constitui em elemento de prova hábil e suficiente para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório decorrente de suposto pagamento e declaração a maior de contribuição. Inexistindo nos autos outros elementos de provas, não há que se falar em pagamento indevido. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, em especial no caso de pedido de restituição decorrente de contribuição recolhida a maior. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. A mera retificação de DCTF não se constitui em elemento de prova hábil e suficiente para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório decorrente de suposto pagamento e declaração a maior de contribuição. Inexistindo nos autos outros elementos de provas, não há que se falar em pagamento indevido. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo Conselheiro Suplente convocado Vinícius Guimarães (Assinado Digitalmente) WALDIR NAVARRO BEZERRA Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 52 96 /2 00 8- 16 Fl. 117DF CARF MF 2 PEDRO SOUSA BISPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Vinícius Guimarães (Conselheiro Suplente Convocado) e Pedro Sousa Bispo. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico (PER/DCOMP nº 12664.38683.150404.1.3.048540) em 15/04/2004, cujos relatórios foram anexados ao presente processo administrativo (fls. 5/9). Nesta declaração, pretende o Contribuinte quitar os débitos declarados às fls. 9, no valor total de R$ 5.343,14, com supostos créditos (R$ 6.765,78) decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF no valor de R$ 9.314,25 (código de receita: 2172), com período de apuração 31/12/2002, recolhido em 15/01/2003. 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) emitiu o Despacho Decisório nº 783798465 (fls. 1), no qual pronunciouse pela não homologação da compensação diante da inexistência do crédito declarado pelo Contribuinte às fls. 9. 3. Cientificado em 29/8/2008 (fls. 4) da solução dada à declaração de compensação apresentada, o Contribuinte, por seu representante legal, interpôs, tempestivamente a Manifestação de Inconformidade de 30/9/2008 (fls. 10), com a juntada de documentos de fls. 12/49 (cópia da DCTF – 4º trimestre de 2002 retificadora, enviada em 24/09/2008; cópia do Despacho Decisório; cópia PER/DCOMP; cópias autenticadas da Alteração e da Consolidação de Contrato Social da requerente e dos documentos do representante), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 3.1. Que os valores referentes ao período de 12/2002 foram recolhidos a maior gerando direito a compensar. 3.2. Que o Despacho Decisório foi expedido por constar na respectiva DCTF dados que deveriam ter sido corrigidos e que, de fato, o foram, posteriormente, por meio de DCTF retificadora. 3.3. Assim, como os débitos foram devidamente compensados, requer seja acolhida a Manifestação de Inconformidade e homologada a compensação declarada. Ato contínuo, a DRJSÃO PAULO (SP) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.915296/200816 Acórdão n.º 3402005.213 S3C4T2 Fl. 118 3 Data do fato gerador: 15/01/2003 ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, devendo vir acompanhada por documentos idôneos para justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A lide trata de direito creditório da Recorrente decorrente de suposto pagamento de Darf a maior de COFINS ocorrido em 15/01/2003. Visando utilizar o suposto crédito, a Recorrente apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP Fl. 119DF CARF MF 4 nº 12664.38683.150404.1.3.048540) que foi indeferida pela Autoridade Tributária sob o argumento de que inexistia crédito, o que impediu a homologação da compensação. Em seu Recurso, a Empresa alega que cometeu erro de fato ao preencher incorretamente a DCTF com valor maior ao efetivamente devido. A fim de comprovar o seu direito, juntou aos autos apenas a DCTF retificadora entregue após a ciência do Despacho Decisório denegatório. É entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil (Lei nº5.869/73), vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; A obrigação de provar o seu direito decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de restituição ser do contribuinte, cabendo à fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal pedido, por meio da realização de diligências, se entender necessárias, e análise da documentação comprobatória apresentada. O art. 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Nesse sentido, a Autoridade Tributária realizou de forma eletrônica a análise dos elementos apresentados e concluiu, também de forma eletrônica, pela inexistência de direito creditório do contribuinte no período referido, haja vista que todo o montante do pagamento se encontrava alocado com débito declarado em DCTF. No presente Recurso, a Empresa alega que houve pagamento a maior de R$ 9.314,25 relativo a COFINS no período de 31/12/2002 e erro no preenchimento da DCTF no mesmo montante. Informa ainda que corrigiu o referido erro realizando a retificação da sua DCTF, após ciência do despacho decisório, restando o seu pagamento a maior como disponível. Portanto, como meio de prova do seu direito, apresentou apenas cópia da DCTF retificadora. Constatase no caso concreto que a empresa não cumpriu com a sua obrigação de comprovar o direito creditório por meio de documentação hábil e suficiente. Apenas a DCTF retificadora não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez do crédito em questão. A Recorrente, a fim demonstrar a disponibilidade do valor supostamente pago a maior, deveria ter apresentado demonstrativo de apuração da COFINS devido no mês em confronto aos valores declarados/pagos e cópias da escrituração contábil/fiscal que demonstrassem de forma inequívoca a exatidão dos valores utilizados e apuração da contribuição, nos termos do art.16 do Decreto nº70.235/72. Porém, nada disso foi feito pela Recorrente. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.915296/200816 Acórdão n.º 3402005.213 S3C4T2 Fl. 119 5 Assim, a mera retificação da DCTF não se constitui em elemento de prova hábil e suficiente para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório em comento, estando correta a decisão da Autoridade Tributária na direção da não homologação da compensação. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10215.720035/2012-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor-Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afasta-se quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF.
NULIDADE. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. (ADI 2390, STF. 24/02/2016)
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ALEGAÇÃO DE BIS IN IDEM. ÔNUS DA PROVA.
A comprovação da origem dos depósitos e créditos bancários, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é ônus do contribuinte, quando devidamente intimado para tal. Assim, a ele incumbiria apresentar os elementos de prova para demonstrar a vinculação dos valores das receitas registradas no Livro-Caixa com os respectivos créditos identificados em suas contas bancárias. À míngua de tal demonstração e comprovação, a alegação de tributação em duplicidade torna-se vazia.
SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIAS. PROVAS. INSTRUÇÃO PROCESSUAL. ÔNUS DAS PARTES. INDEFERIMENTO.
É de se confirmar a decisão que indeferiu o pedido de realização de diligências, na medida em que a recorrente não apresentou quaisquer elementos de prova que servissem ao menos para indicar a necessidade de aprofundamento das apurações realizadas pela fiscalização em face de eventual dúvida que pudesse suscitar. A realização de diligências é providência complementar à instrução processual, a critério do julgador, que não se presta a substituir o ônus probatório das partes na comprovação de suas alegações.
Numero da decisão: 1302-002.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminares de nulidade suscitadas e, em negar provimento ao recurso voluntário quanto às alegações de mérito, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor-Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afasta-se quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF. NULIDADE. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. INOCORRÊNCIA. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. (ADI 2390, STF. 24/02/2016) SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ALEGAÇÃO DE BIS IN IDEM. ÔNUS DA PROVA. A comprovação da origem dos depósitos e créditos bancários, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é ônus do contribuinte, quando devidamente intimado para tal. Assim, a ele incumbiria apresentar os elementos de prova para demonstrar a vinculação dos valores das receitas registradas no Livro-Caixa com os respectivos créditos identificados em suas contas bancárias. À míngua de tal demonstração e comprovação, a alegação de tributação em duplicidade torna-se vazia. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIAS. PROVAS. INSTRUÇÃO PROCESSUAL. ÔNUS DAS PARTES. INDEFERIMENTO. É de se confirmar a decisão que indeferiu o pedido de realização de diligências, na medida em que a recorrente não apresentou quaisquer elementos de prova que servissem ao menos para indicar a necessidade de aprofundamento das apurações realizadas pela fiscalização em face de eventual dúvida que pudesse suscitar. A realização de diligências é providência complementar à instrução processual, a critério do julgador, que não se presta a substituir o ônus probatório das partes na comprovação de suas alegações.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2187; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 627 1 626 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10215.720035/201249 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.808 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. Recorrente S C COMERCIO, EXPORTACAO E IMPORTACAO LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF. NULIDADE. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. INOCORRÊNCIA. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Tratase de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. (ADI 2390, STF. 24/02/2016) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 00 35 /2 01 2- 49 Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10215.720035/201249 Acórdão n.º 1302002.808 S1C3T2 Fl. 628 2 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ALEGAÇÃO DE BIS IN IDEM. ÔNUS DA PROVA. A comprovação da origem dos depósitos e créditos bancários, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é ônus do contribuinte, quando devidamente intimado para tal. Assim, a ele incumbiria apresentar os elementos de prova para demonstrar a vinculação dos valores das receitas registradas no Livro Caixa com os respectivos créditos identificados em suas contas bancárias. À míngua de tal demonstração e comprovação, a alegação de tributação em duplicidade tornase vazia. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIAS. PROVAS. INSTRUÇÃO PROCESSUAL. ÔNUS DAS PARTES. INDEFERIMENTO. É de se confirmar a decisão que indeferiu o pedido de realização de diligências, na medida em que a recorrente não apresentou quaisquer elementos de prova que servissem ao menos para indicar a necessidade de aprofundamento das apurações realizadas pela fiscalização em face de eventual dúvida que pudesse suscitar. A realização de diligências é providência complementar à instrução processual, a critério do julgador, que não se presta a substituir o ônus probatório das partes na comprovação de suas alegações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminares de nulidade suscitadas e, em negar provimento ao recurso voluntário quanto às alegações de mérito, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10215.720035/201249 Acórdão n.º 1302002.808 S1C3T2 Fl. 629 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0126.635, proferido pela 1ª Turma da DRJBelém/PA, em 04 de julho de 2013, que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o lançamento dos tributos devidos e apurados no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, conforme consubstanciado na seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO CIÊNCIA O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados não constitui quebra do sigilo bancário, mas mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DAS DIFERENÇAS.Constatada a omissão de receitas, deve ser exigida de ofício a diferença entre os valores apurados de ofício e os confessados pelo contribuinte. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. PROVA PERICIAL. LIMITES OBJETIVOS. Destinamse as perícias à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10215.720035/201249 Acórdão n.º 1302002.808 S1C3T2 Fl. 630 4 elementos de prova também já incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para suprir a ausência de provas que já poderiam as partes ter juntado à impugnação ou para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. CONTABILIDADE.ESCRITURAÇÃO.DOCUMENTOS.TRIB UTAÇÃO Existe uma sequência na tributação: o conteúdo das DIPJ’s se baseia em informações contábeis, retiradas das contas componentes do plano de contas das empresas; estas contas (quais sejam seus nomes) representam os fatos contábeis descritos na escrituração contábil, que por sua vez se fundamenta em provas , nos moldes descritos no art. 332 do CPC. Cientificado do acórdão de primeiro grau em 24/12/2013 (AR, fls. 613), a autuada apresentou recurso voluntário em 22/01/2014, no qual alega em síntese: a) a nulidade do lançamento que teria sido realizado depois de expirado o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, uma vez que o contribuinte recuperaria a espontaneidade e somente mediante um novo MPF o lançamento poderia ser realizado; b) a nulidade do lançamento em face da quebra de sigilo bancário realizada com base na Lei Complementar 105/2001 por violação ao dispositivo constitucional que assegura o sigilo de dados, cuja quebra só é admitida mediante ordem judicial; c) que o auto de infração está eivado de vício uma vez que se fundamenta nas Resoluções do Comitê Gestor do Simples Federal (CGSN) nº 05/2007 e 30/2008, sendo certo que os tributos só podem ser exigidos por disposição legal , nos termos do art. 97 do CTN; d) a ilegalidade da autuação por ter tributado em duplicidade os valores das receitas recebidos e registrados em conta Caixa e considerou como receita omitidas os créditos bancários de origem não comprovada, uma vez que "os valores escriturados no Livro Caixa são oriundos das receitas depositadas nas contas correntes dos contribuinte"; e) que é imprescindível a realização de diligências para que o Fisco "verifique junto às empresas que obtiveram da empresa autuada o cacau in natura, quais as receitas constantes dos extratos bancários, sobretudo as vultuosas, atestadas por notas fiscais, são decorrentes de receitas de exportação do cacau para o exterior, e, portanto, imunes à tributação", bem como para verificar "a duplicidade entre os créditos considerados como omissão de receitas na conta de depósito junto à instituição financeira e dos valores escriturados no livro Caixa". Ao final requer que o recurso seja acolhido param determinar a diligência requerida e, ao final seja anulado o auto de infração e o débito reclamado. É o Relatório. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10215.720035/201249 Acórdão n.º 1302002.808 S1C3T2 Fl. 631 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. Das nulidade alegadas A recorrente alega a nulidade do lançamento que teria sido realizado depois de expirado o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, uma vez que o contribuinte recuperaria a espontaneidade e somente mediante um novo MPF o lançamento poderia ter sido realizado. A alegação da recorrente não procede. Uma simples consulta ao sítio da Receita Federal na internet, mediante a utilização do código de consulta1 ao MPF informado no Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 27/29), verificase que o lançamento, que foi cientificado à recorrente em 16/01/2012 (AR, fls. 423), foi realizado dentro do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal emitido originalmente com vencimento em 11 de junho de 2011, mas que sofre três prorrogações sucessivas, sendo o seu termo final em 05 de abril e 2012. De qualquer sorte, me alinho à jurisprudência majoritária deste Conselho que entende que o MPF é mero instrumento de controle interno da administração tributária, de sorte que, eventuais irregularidades na sua emissão ou prorrogação não enseja qualquer nulidade ao processo fiscal, posto que a constituição do crédito tributário pela autoridade administrativa competente, por meio do lançamento, é atividade vinculada e obrigatória que de corre do CTN e da lei de regência, conforme tive oportunidade de me manifestar no Acórdão nº 1301001.814, de 05/03/2015, sintetizado seguinte na ementa : NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pode exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão, prorrogação ou alteração do MPF. 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes/Atpae/Mpf/confieWeb.asp Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10215.720035/201249 Acórdão n.º 1302002.808 S1C3T2 Fl. 632 6 Nesse mesmo sentido, é firme a jurisprudência deste conselho, conforme se extrai das ementas a seguir reproduzidas: “NORMAS PROCESSUAIS VÍCIO A ENSEJAR A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO O vencimento do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. (...)” (Acórdão 20176449, de 19.9.2002) “PRELIMINAR NULIDADE MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. (...)” (Acórdão 10612941, de 16.10.2002) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais irregularidades que se possa identificar na sua emissão ou prorrogação não podem dar causa a nulidade do feito fiscal. (Acórdão nº 130200.513, de 24/02/2011) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ATO DE CONTROLE INTERNO. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF é um ato meramente administrativo, de controle interno da Administração Tributária. Impropriedades na sua emissão não invalidam o procedimento fiscal e não levam à nulidade de auto de infração regularmente lavrado.(Acórdão nº 140100.399, de 16/12/2010) LANÇAMENTO. VALIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF foi concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal, não atingindo a competência impositiva dos seus auditores fiscais não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (Acórdão nº 140200.447, de 24/02/2011) Diante do exposto, rejeito esta preliminar de nulidade do lançamento. A recorrente suscita, ainda, a nulidade do lançamento em face da quebra de sigilo bancário realizada com base na Lei Complementar 105/2001 por violação ao dispositivo constitucional que assegura o sigilo de dados, cuja quebra só é admitida mediante ordem judicial. Não assiste razão à recorrente. O acesso pelas autoridades administrativas às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento na própria Constituição Federal: Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10215.720035/201249 Acórdão n.º 1302002.808 S1C3T2 Fl. 633 7 Art. 145 ... § 1º Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. E o CTN, com status de lei complementar, assim já previa, in verbis: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; A LC nº 105, de 10 de janeiro de 2001, veio regular, com mais detalhes, a solicitação de informações às instituições financeiras, assim determinando: Art.1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3o Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9o desta Lei Complementar. (...) Art.5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10215.720035/201249 Acórdão n.º 1302002.808 S1C3T2 Fl. 634 8 §5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Na sequência foram editados a Lei nº 10.174, de 2001 e o Decreto nº 3.724, de 2001, que vieram regrar com mais precisão a obtenção de dados, compondo o cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados. Imprópria, assim, a tentativa de vincular esta atividade tãosó ao Poder Judiciário, sob o argumento de que somente este atua com a razoabilidade necessária à garantia do direito fundamental à intimidade ou à inviolabilidade de dados. Os atos legais e regularmente mencionados disciplinaram as hipóteses específicas nas quais o acesso é permitido e, ao circunscreverse a este âmbito, a prova obtida é plenamente válida. Cabe observar que o acesso às informações bancárias não configura, propriamente, quebra do sigilo bancário, haja vista a imposição às autoridades administrativas de seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude do sigilo fiscal determinado no art. 198 do CTN, como também do disposto no art. 5o, § 5o, e art. 6o, parágrafo único, ambos da LC nº 105, de 2001. Ademais, as informações se prestam apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal. Há, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira e passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. A constitucionalidade da requisição de movimentação financeira pelo Fisco, diretamente às instituições financeiras, sem intervenção judicial, prevista na LC. 105/2001, foi objeto de questionamentos perante o STF tanto em recursos extraordinários, quanto por meio de Ações Diretas de Inconstitucionalidade ADI. Em julgamento conjunto de cinco processos (RE 601.314 E ADI's 2390, 2386, 2397 e 2859) pelo pleno do STF, finalizado em 24/02/2016, prevaleceu o entendimento, por maioria de 9 votos a 2, de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Eis o acórdão relativo às ADI's: Ação direta de inconstitucionalidade. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859. Normas federais relativas ao sigilo das operações de instituições financeiras. Decreto nº 4.545/2002. Exaurimento da eficácia. Perda parcial do objeto da ação direta nº 2.859. Expressão “do inquérito ou”, constante Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10215.720035/201249 Acórdão n.º 1302002.808 S1C3T2 Fl. 635 9 no § 4º do art. 1º, da Lei Complementar nº 105/2001. Acesso ao sigilo bancário nos autos do inquérito policial. Possibilidade. Precedentes. Art. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentadores. Ausência de quebra de sigilo e de ofensa a direito fundamental. Confluência entre os deveres do contribuinte (o dever fundamental de pagar tributos) e os deveres do Fisco (o dever de bem tributar e fiscalizar). Compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em matéria de compartilhamento de informações bancárias. Art. 1º da Lei Complementar nº 104/2001. Ausência de quebra de sigilo. Art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. Informações necessárias à defesa judicial da atuação do Fisco. Constitucionalidade dos preceitos impugnados. ADI nº 2.859. Ação que se conhece em parte e, na parte conhecida, é julgada improcedente. ADI nº 2.390, 2.386, 2.397. Ações conhecidas e julgadas improcedentes. 1. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859, que têm como núcleo comum de impugnação normas relativas ao fornecimento, pelas instituições financeiras, de informações bancárias de contribuintes à administração tributária. 2. Encontrase exaurida a eficácia jurídiconormativa do Decreto nº 4.545/2002, visto que a Lei n º 9.311, de 24 de outubro de 1996, de que trata este decreto e que instituiu a CPMF, não está mais em vigência desde janeiro de 2008, conforme se depreende do art. 90, § 1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT. Por essa razão, houve parcial perda de objeto da ADI nº 2.859/DF, restando o pedido desta ação parcialmente prejudicado. Precedentes. 3. A expressão “do inquérito ou”, constante do § 4º do art. 1º da Lei Complementar nº 105/2001, referese à investigação criminal levada a efeito no inquérito policial, em cujo âmbito esta Suprema Corte admite o acesso ao sigilo bancário do investigado, quando presentes indícios de prática criminosa. Precedentes: AC 3.872/DFAgR, Relator o Ministro Teori Zavascki, Tribunal Pleno, DJe de 13/11/15; HC 125.585/PE AgR, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, DJe de 19/12/14; Inq 897AgR, Relator o Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, DJ de 24/3/95. 4. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Tratase de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10215.720035/201249 Acórdão n.º 1302002.808 S1C3T2 Fl. 636 10 5. A ordem constitucional instaurada em 1988 estabeleceu, dentre os objetivos da República Federativa do Brasil, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais. Para tanto, a Carta foi generosa na previsão de direitos individuais, sociais, econômicos e culturais para o cidadão. Ocorre que, correlatos a esses direitos, existem também deveres, cujo atendimento é, também, condição sine qua non para a realização do projeto de sociedade esculpido na Carta Federal. Dentre esses deveres, consta o dever fundamental de pagar tributos, visto que são eles que, majoritariamente, financiam as ações estatais voltadas à concretização dos direitos do cidadão. Nesse quadro, é preciso que se adotem mecanismos efetivos de combate à sonegação fiscal, sendo o instrumento fiscalizatório instituído nos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/ 2001 de extrema significância nessa tarefa. 6. O Brasil se comprometeu, perante o G20 e o Fórum Global sobre Transparência e Intercâmbio de Informações para Fins Tributários (Global Forum on Transparency and Exchange of Information for Tax Purposes), a cumprir os padrões internacionais de transparência e de troca de informações bancárias, estabelecidos com o fito de evitar o descumprimento de normas tributárias, assim como combater práticas criminosas. Não deve o Estado brasileiro prescindir do acesso automático aos dados bancários dos contribuintes por sua administração tributária, sob pena de descumprimento de seus compromissos internacionais. 7. O art. 1º da Lei Complementar 104/2001, no ponto em que insere o § 1º, inciso II, e o § 2º ao art. 198 do CTN, não determina quebra de sigilo, mas transferência de informações sigilosas no âmbito da Administração Pública. Outrossim, a previsão vai ao encontro de outros comandos legais já amplamente consolidados em nosso ordenamento jurídico que permitem o acesso da Administração Pública à relação de bens, renda e patrimônio de determinados indivíduos. 8. À ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, órgão da AdvocaciaGeral da União, caberá a defesa da atuação do Fisco em âmbito judicial, sendo, para tanto, necessário o conhecimento dos dados e informações embasadores do ato por ela defendido. Resulta, portanto, legítima a previsão constante do art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. 9. Ação direta de inconstitucionalidade nº 2.859/DF conhecida parcialmente e, na parte conhecida, julgada improcedente. Ações diretas de inconstitucionalidade nº 2390, 2397, e 2386 conhecidas e julgadas improcedentes. Ressalva em relação aos Estados e Municípios, que somente poderão obter as informações de que trata o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 quando a matéria estiver devidamente regulamentada, de maneira análoga ao Decreto federal nº 3.724/2001, de modo a resguardar as garantias processuais do contribuinte, na forma preconizada pela Lei nº 9.784/99, e o sigilo dos seus dados bancários . Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10215.720035/201249 Acórdão n.º 1302002.808 S1C3T2 Fl. 637 11 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, sob a presidência do Senhor Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos e nos termos do voto do Relator, em julgar improcedente o pedido formulado na ação direta, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Reajustou o voto o Ministro Roberto Barroso para acompanhar integralmente o Relator. Brasília, 24 de fevereiro de 2016. Ministro Dias Toffoli Relator. Assim, restou confirmada pelo STF a constitucionalidade da LC. 105/2001, afastando de vez a existência de qualquer violação aos dispositivos constitucionais que visam preservar a intimidade, privacidade e o sigilo de dados. Pelo exposto, rejeito a segunda preliminar de nulidade suscitada. A recorrente aponta ainda que o auto de infração está eivado de vício uma vez que se fundamenta nas Resoluções do Comitê Gestor do Simples Federal (CGSN) nº 05/2007 e 30/2008, sendo certo que os tributos só podem ser exigidos por disposição legal , nos termos do art. 97 do CTN. A alegação não procede. Toda a autuação está fundamentada nos dispositivos da Lei nº 9.317/1996, que instituiu o Simples Federal, e em outros dispositivos legais que regulam a constituição de créditos quando apurada omissão de receitas, tais como o art. 24 da Lei nº 9.249/1995 e o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 e outros dispositivos do RIR/1999, conforme se extrai do enquadramento legal do Auto de Infração de IRPJ (fls. 392): Ante ao exposto, rejeito também esta alegação. Mérito No mérito, a recorrente alega a ilegalidade da autuação por ter tributado em duplicidade os valores das receitas recebidos e registrados em conta Caixa e considerou como receita omitidas os créditos bancários de origem não comprovada, uma vez que "os valores escriturados no Livro Caixa são oriundos das receitas depositadas nas contas correntes dos contribuinte". Em que pese tais argumentos, a recorrente não trouxe qualquer elemento para demonstrar que as receitas registradas em seu LivroCaixa e que foram tributadas pela fiscalização à parte da omissão de receitas apurada com base em créditos bancários de origem não comprovada, justificariam, ao menos parcialmente, os créditos bancários verificados em suas contas bancárias. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10215.720035/201249 Acórdão n.º 1302002.808 S1C3T2 Fl. 638 12 Além disso, cumpre destacar que a própria fiscalizada, em resposta à intimação realizada no curso do procedimento fiscal, informou à autoridade fiscal que os valores constantes dos demonstrativos dos créditos/depósito a comprovar não correspondiam aos valores lançados no seu LivroCaixa, conforme itens 15 a 17 do TVF, verbis: 15. Através dos Termos de Intimação Fiscal nos 301 e 330/2011, com ciência em 25/08 e 20/09/2011, respectivamente, o contribuinte foi reintimado a comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas durante o ano de 2007. Novamente não esclareceu, nem comprovou a origem de tais créditos. 16. Posteriormente, em 17/11/2011, o contribuinte foi notificado do Termo de Intimação Fiscal n° 382/2011, através do qual foi solicitado que, caso os valores constantes do demonstrativo tivessem sido lançados no livro Caixa, o sujeito passivo deveria preencher uma planilha vinculando os créditos aos respectivos lançamentos. Para isso, foi devolvido o livro Caixa da empresa, referente ao ano calendário 2007, no mesmo estado em que foi recebido. 17. Em 24/11/11, o contribuinte protocolizou resposta declarando expressamente que os valores constantes do demonstrativo de créditos/depósitos a comprovar, enviado anteriormente com o termo de intimação n° 245/2011, não estão lançados no livro caixa. (Grifei) É certo que a resposta à intimação, apresentada no curso da ação fiscal, poderia ser infirmada pela própria interessada, mas incumbialhe apresentar os elementos de prova para demonstrar a vinculação dos valores das receitas registradas no LivroCaixa com os respectivos créditos identificados em suas contas bancárias. À míngua de tal demonstração e comprovação, a alegação de tributação em duplicidade tornase vazia. Ante ao exposto, rejeito a alegação. Solicitação de diligências Por fim, a recorrente alega que é imprescindível a realização de diligências para que o Fisco "verifique junto às empresas que obtiveram da empresa autuada o cacau in natura, quais as receitas constantes dos extratos bancários, sobretudo as vultuosas, atestadas por notas fiscais, são decorrentes de receitas de exportação do cacau para o exterior, e, portanto, imunes à tributação", bem como para verificar "a duplicidade entre os créditos considerados como omissão de receitas na conta de depósito junto à instituição financeira e dos valores escriturados no livro Caixa". O acórdão recorrido já havia rejeitado a realização de diligências por considerálas prescindíveis, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que se tratava de matéria de prova e que caberia ao impugnante "demonstrar que não houve o fato indiciário da presunção legal, ou, que tendo ocorrido o fato indiciário, este não afetou a tributação". Entendo correta a decisão que indeferiu o pedido de realização de diligências, na medida em que a recorrente não apresentou quaisquer elementos de prova que servissem ao Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10215.720035/201249 Acórdão n.º 1302002.808 S1C3T2 Fl. 639 13 menos para indicar a necessidade de aprofundamento das apurações realizadas pela fiscalização em face de eventual dúvida que pudesse suscitar. A realização de diligências é providência complementar à instrução processual, a critério do julgador, que não se presta a substituir o ônus probatório das partes na comprovação de suas alegações. Desta feita, entendo que não cabe a realização de diligências. Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 639DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675904/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2003
VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.368
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PLÁSTICOS MACHINI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considerase válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 59 04 /2 00 9- 25 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02052.706, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade, não conhecendo do direito creditório postulado e não homologando a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, tendo indicado endereço para onde deverão ser enviadas todas as notificações e intimações referentes ao presente processo. Também aduziu que o débito decorrente da não homologação da compensação está com a sua exigibilidade suspensa, consoante legislação especificada, alegando ainda, em síntese: "Em preliminar, argumenta que recebeu o despacho decisório questionado, mas o Aviso de Recebimento (AR) não foi juntado aos autos, como instrumento de prova, pelo fato de a Receita Federal não entregar cópia do documento em tempo hábil, apesar de solicitado pelo manifestante. Requer a anexação do termo de assinatura do AR pelos motivos que passa a discorrer. Alega que o despacho decisório teria sido recebido por pessoa não autorizada para recebimento da sua correspondência e que apenas o sócio, o representante legal da empresa ou qualquer pessoa legitimada poderiam ter recebido a correspondência que trata de intimação com aviso de recebimento. Transcreve doutrina relativa ao Código de Processo Civil que sustenta que as citações de pessoas jurídicas devem ser feitas aos seus representantes designados nos estatutos. No processo administrativo, expõe, as intimações devem ser realizadas de modo a garantir a ciência do interessado. Dada a importância da citação inicial e das repercussões de tal ato na lide e com vistas a garantir o pleno exercício do direito ao contraditório, conclui que, no caso de pessoas jurídicas, ela seja feita ao representante legal. Em não sendo observada a formalidade defendida, pugna pela nulidade dos atos processuais por cerceamento ao direito de defesa. Defende que os princípios da verdade material e da legalidade impõem à Administração rever seus atos contrários ao ordenamento jurídico, o que a leva a requerer a anulação da notificação do despacho decisório. Na possibilidade de que não ser acolhida a preliminar suscitada, passa a discorrer sobre o mérito da compensação. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 4 3 Nas questões de fato, alega que efetuou compensação em conformidade com o disposto no artigo 66 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, tendo feito menção ainda ao Código Tributário Nacional (CTN) e às instruções normativas que regularam a matéria. O sistema, na hipótese de crédito proveniente de decisão judicial, apenas aceita a compensação se corretamente informada a data do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório. Entende ser descabida tal exigência, na medida em que as compensações são realizadas dentro da sistemática do lançamento por homologação, na qual o contribuinte apura por sua conta e risco o valor devido ao Fisco. Argui que o processo eletrônico a impede de esclarecer a origem do crédito (“declaração expressa de inconstitucionalidade do STF”) e de exercer seu direito constitucional de petição, a qual somente pode ser providenciada com a interposição da manifestação de inconformidade. Na parte que trata dos fundamentos legais, assevera que recolheu a Cofins na forma prevista pela Lei no 9.718, de 1998, a qual majorou a alíquota do tributo de 2% para 3%, inconstitucionalmente a seu ver, pois a Lei Complementar no 70, de 1991, previa a alíquota de 2%. Assim, se viu obrigado a recuperar os valores indevidamente recolhidos por meio da compensação. Destaca que o legislador editou a Lei Complementar 70, de 1991, que descreveu minuciosamente a regra matriz da hipótese de incidência da Cofins, sendo sua base de cálculo o faturamento. Em seguida, o Poder Executivo, por meio da Medida Provisória no 1.724, de 1998, teria alterado a base de cálculo da Cofins para receita bruta e majorado a alíquota para 3%, em afronta ao disposto no artigo 155 da Magna Carta, pois a tributação deveria recair apenas sobre o “faturamento”. Argumenta ainda que a inclusão das receitas financeiras no cálculo da Cofins somente foi permitida com a edição da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Contudo, a Lei no 9.718, de 1998 foi editada em data anterior à emenda, e deveria ter respeitado o antigo texto do art. 195 da Constituição Federal, que não previa a cobrança de contribuições à seguridade social sobre receitas financeiras. Portanto, totalmente inconstitucional a alteração da base de cálculo da Cofins por lei ordinária, que não se convalida com a superveniência da Emenda Constitucional. Alega que a MP no 1.724, de 1998, convertida na Lei no 9.718, de 1998, que dispõe sobre a cobrança adicional de 1% da Cofins, fere o princípio da equidade na participação do custeio da seguridade social, tendo a Lei estabelecido que o acréscimo de 1% da Cofins deveria ser pago por todas as empresas, mas poderia ser compensado com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Com isso, as empresas altamente lucrativas não sofreram os efeitos do aumento da carga tributária; somente as empresas que tiveram prejuízos ou lucro baixo, como o manifestante, é que arcaram com a majoração da Cofins. Passa, na continuação, a tratar do prazo prescricional para a repetição do indébito tributário. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 5 4 Defende que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário se dá com a homologação, expressa ou tácita, do Fisco. Adotada esta premissa, o prazo prescricional para a recuperação de valores indevidamente recolhidos deveria ter início cinco anos após a data do efetivo pagamento (a chamada tese dos cinco mais cinco). Salienta que a empresa “efetuou a restituição do COFINS dentro do prazo prescricional” (sic), em conformidade com as jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho de Contribuintes, tendo o manifestante dez anos para pedir de volta o que foi pago indevidamente. Assevera que, para fundamentar sua decisão, o julgador monocrático aduziu que a Lei Complementar 118/05, dispondo sobre a interpretação do inciso I do art. 168, descreveu que a extinção do credito tributário nos tributos com lançamento por homologação ocorre no pagamento, entendimento que considera equivocado, uma vez que a lei interpretativa deve esclarecer o significado de texto legal controverso, o que não foi o caso, posto que a interpretação posta foi inovadora e contrária à jurisprudência. Ao final, requer o provimento da presente manifestação de inconformidade, para o fim de reformar o Despacho Decisório. Pede ainda que seja mantida vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seu art 17, § 11, e deste modo os valores compensados estarão suspensos conforme legislação pertinente." Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.364, de 21 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.675899/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.364): "O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0252.701, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte, por meio do ora analisado Recurso Voluntário, visa reformar o Acórdão referido por compreender que (i) há liquidez e certeza do crédito discutido; (ii) não foi respeitado o devido processo legal, no que diz respeito ao contraditório, uma vez que a notificação não foi feita na pessoa de seus sócios ou administradores; e (iii) deve ser excluído o valor devido de ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. Como a questão da (i) liquidez e certeza do crédito tributário tem reflexos na discussão acerca (iii) da exclusão ou não do ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, enfrentarseá primeiro a discussão do ponto sobre o (ii) devido processo legal e a ofensa ao contraditório no que tange a notificação, para posteriormente em conjunto tratar dos dois outros pontos. Do devido processo legal e contraditório O Contribuinte alega que houve violação ao devido processo legal, mais especificamente no seu direito ao contraditório, uma vez que a notificação não se deu na pessoa de seus sócios ou administradores, o que segundo ele, acaba por trazer a nulidade ao Despacho Decisório (fl. 2) em questão. Acerca deste argumento percebese, por meio do voto no Acórdão ora recorrido, que o Contribuinte, ciente do referido Despacho, foi capaz de apresentar sua Manifestação de Inconformidade (fls. 12 a 29) de forma tempestiva para questionar o objeto da Intimação. Cito a seguir trecho do voto do acórdão recorrido, como razões para decidir, que bem esclarece os fatos acerca da notificação e da alegada nulidade do Despacho Decisório por não respeitar o devido processo legal e contraditório (fls. 71 a 73): Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 7 6 Quanto à arguição de nulidade do Despacho Decisório, uma vez que teria sido recebido por pessoa não autorizada pela empresa, cumpre destacar o que prescreve o inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Exige a norma legal que a entrega da intimação seja efetuada no domicílio eleito pelo sujeito passivo. Não se impõe que o sócio ou representante legal do sujeito passivo pessoa jurídica tenha diretamente recebido a intimação cientificada por via postal. Acerca do assunto em pauta, vale ressaltar também o entendimento expresso na Súmula nº 9 editada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi possível extrair o AR correspondente à ciência do Despacho Decisório ora contestado, que comprova que o documento foi entregue no domicílio tributário do sujeito passivo à época da intimação: (...) Conforme se vê, o contribuinte, ciente do Despacho Decisório, foi capaz de apresentar, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade, questionando o ato administrativo objeto da intimação. As argumentações apresentadas pelo manifestante demonstram que a intimação cumpriu sua finalidade de cientificálo acerca da não homologação da compensação e consequente exigência do débito que não foi extinto, concedendolhe prazo para apresentar sua contestação. Tendo sido válida a intimação e analisada a manifestação de inconformidade no presente ato, não ficou configurada nenhuma hipótese de cerceamento do direito de defesa, devendo ser afastada a tese de nulidade do Despacho Decisório. Nesse sentido, considerando que a notificação sobre o Despacho Decisório se deu de forma legal, de acordo inclusive com o previsto na Súmula CARF nº 9, sem prejuízo ao direito ao contraditório, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Da liquidez e certeza do crédito discutido e do ICMS integrar a base de cálculo de PIS/COFINS Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 8 7 O Contribuinte aduz que não é pressuposto para admissão da ação a definição sobre a liquidez e certeza do crédito discutido. Para tanto o Contribuinte cita o art. 170 do CTN, que, segundo ele e a doutrina colada aos autos, estabelece como requisito de liquidez e certeza se referem apenas a créditos da União e não do Contribuinte. Alega também que o valor de ICMS na sua nota fiscal é simplesmente para fins contábeis e que não devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, uma vez que não configura faturamento e que se caso assim fosse feriria o princípio da capacidade contributiva e teria como efeito o confisco. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte acerca destas duas matérias, resta prejudicada a discussão acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições, se não ficar demonstrado a liquidez e certeza do crédito discutido. Nesse sentido cito trechos do voto do acórdão recorrido que bem elucidam a discussão, bem como, as razões para decidir (fl. 74): (...) Para as pessoas jurídicas que se sujeitam ao regime cumulativo e apuram as contribuições com base na Lei nº 9.718, de 1998, o conceito de receita bruta deve ser entendido como proveniente das receitas oriundas da venda de mercadorias, de serviços ou da venda de mercadorias e prestação de serviços. Porém, cabe salientar que, no Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria relativamente aos processos de restituição ou compensação, por isso utilizase a existente no CPC. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração da Cofins do período analisado, incluiu receitas financeiras na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. É bom lembrar ainda que a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170), princípio este que também se aplica a pedido de restituição. Concluise, portanto, que deve a RFB indeferir o pedido ou não homologar a compensação, se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como evidenciado no caso em comento. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 9 8 (...) (Grifouse) Com o intuito de verificar a miúde se o Contribuinte fez prova em seu Recurso Voluntário, de que tenha feito o recolhimento a maior, cabe citar suas alegações (fls. 84 e 85): Portanto, constatase que como não foi comprovado a liquidez e certeza do crédito alegado, tanto na Impugnação, quanto no Recurso Voluntário, sendo Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 10 9 requisito legal para a concessão da compensação e restituição, fica prejudicada a discussão e análise acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições. Assim voto por negar provimento ao Recurso Voluntário no que tange a comprovação da liquidez e certeza do crédito e restando prejudicado a questão concernente a composição da base de cálculo da Cofins. Conclusão De acordo com os autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, restando prejudicada a questão concernente a composição da base de cálculo do PIS/COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002185/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1996 a 31/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1996 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 85 /2 01 0- 03 Fl. 194DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 195DF CARF MF Processo nº 19515.002185/201003 Acórdão n.º 2201004.195 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 196DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 19515.002185/201003 Acórdão n.º 2201004.195 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 198DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.723161/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO.
É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dando-lhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecê-los e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
A teor da Súmula CARF nº 11, incabível a aplicação de prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal.
Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS. REQUISITOS. DESCARACTERIZAÇÃO
Desfigurados os atos cooperativos, por prática de atos alheios aos objetivos da entidade previstos na Lei nº 5.764/1971, cabe a tributação das rendas e receitas auferidas.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
Demonstrado nos autos o interesse comum de outras pessoas jurídicas na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, entende-se que são solidariamente obrigadas com a autuada em relação à exigência correspondente, nos termos do inciso I, do art. 124, do CTN.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. ADMINISTRADORES DE FATO E DE DIREITO. IMPUTAÇÃO. ARTIGOS. 124, I, E 135, III, DO CTN.
A imputação prevista no artigo 135, III, do CTN exige que o administrador da entidade componha, regularmente, seu quadro gerencial. Se, à época dos fatos apurados, ele já não figurava como diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica, inaplicável arrolá-lo como responsável com suporte neste dispositivo. Constatado, porém, que continuava a atuar, de fato, como gestor nos negócios da entidade, mesmo depois de formalmente excluído, é lícito à autoridade fiscal qualificá-lo como responsável solidário pelo crédito tributário constituído, nos termos do art. 124, I, do CTN.
Numero da decisão: 1402-003.014
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) negar provimento ao recurso voluntário da recorrente EQUIPE - COOPERATIVA DE SERVIÇOS LTDA., mantendo integralmente os lançamentos e o crédito tributário constituído nos autos de infração; ii) dar provimento parcial ao recuso voluntário das pessoas físicas Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira para afastar a responsabilização solidária fincada no artigo 135, III, do CTN, mantendo tão somente a sujeição passiva fundada no artigo 124, I, do mesmo diploma legal; iii) negar provimento ao recurso voluntário das pessoas jurídicas Pontal Consultoria Empresarial Ltda.; Edusaúde Serviços Administrativos S.A. e Prospectar Serviços Administrativos Ltda., mantendo a sujeição passiva imputada com base no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dando-lhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecê-los e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL A teor da Súmula CARF nº 11, incabível a aplicação de prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal. Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS. REQUISITOS. DESCARACTERIZAÇÃO Desfigurados os atos cooperativos, por prática de atos alheios aos objetivos da entidade previstos na Lei nº 5.764/1971, cabe a tributação das rendas e receitas auferidas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Demonstrado nos autos o interesse comum de outras pessoas jurídicas na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, entende-se que são solidariamente obrigadas com a autuada em relação à exigência correspondente, nos termos do inciso I, do art. 124, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. ADMINISTRADORES DE FATO E DE DIREITO. IMPUTAÇÃO. ARTIGOS. 124, I, E 135, III, DO CTN. A imputação prevista no artigo 135, III, do CTN exige que o administrador da entidade componha, regularmente, seu quadro gerencial. Se, à época dos fatos apurados, ele já não figurava como diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica, inaplicável arrolá-lo como responsável com suporte neste dispositivo. Constatado, porém, que continuava a atuar, de fato, como gestor nos negócios da entidade, mesmo depois de formalmente excluído, é lícito à autoridade fiscal qualificá-lo como responsável solidário pelo crédito tributário constituído, nos termos do art. 124, I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) negar provimento ao recurso voluntário da recorrente EQUIPE - COOPERATIVA DE SERVIÇOS LTDA., mantendo integralmente os lançamentos e o crédito tributário constituído nos autos de infração; ii) dar provimento parcial ao recuso voluntário das pessoas físicas Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira para afastar a responsabilização solidária fincada no artigo 135, III, do CTN, mantendo tão somente a sujeição passiva fundada no artigo 124, I, do mesmo diploma legal; iii) negar provimento ao recurso voluntário das pessoas jurídicas Pontal Consultoria Empresarial Ltda.; Edusaúde Serviços Administrativos S.A. e Prospectar Serviços Administrativos Ltda., mantendo a sujeição passiva imputada com base no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dandolhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecêlos e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL A teor da Súmula CARF nº 11, incabível a aplicação de prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal. RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS. REQUISITOS. DESCARACTERIZAÇÃO Desfigurados os atos cooperativos, por prática de atos alheios aos objetivos da entidade previstos na Lei nº 5.764/1971, cabe a tributação das rendas e receitas auferidas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Demonstrado nos autos o interesse comum de outras pessoas jurídicas na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, entendese que são solidariamente obrigadas com a autuada em relação à exigência correspondente, nos termos do inciso I, do art. 124, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. ADMINISTRADORES DE FATO E DE DIREITO. IMPUTAÇÃO. ARTIGOS. 124, I, E 135, III, DO CTN. A imputação prevista no artigo 135, III, do CTN exige que o administrador da entidade componha, regularmente, seu quadro gerencial. Se, à época dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 31 61 /2 01 1- 06 Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.767 2 fatos apurados, ele já não figurava como diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica, inaplicável arrolálo como responsável com suporte neste dispositivo. Constatado, porém, que continuava a atuar, de fato, como gestor nos negócios da entidade, mesmo depois de formalmente excluído, é lícito à autoridade fiscal qualificálo como responsável solidário pelo crédito tributário constituído, nos termos do art. 124, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) negar provimento ao recurso voluntário da recorrente EQUIPE COOPERATIVA DE SERVIÇOS LTDA., mantendo integralmente os lançamentos e o crédito tributário constituído nos autos de infração; ii) dar provimento parcial ao recuso voluntário das pessoas físicas Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira para afastar a responsabilização solidária fincada no artigo 135, III, do CTN, mantendo tão somente a sujeição passiva fundada no artigo 124, I, do mesmo diploma legal; iii) negar provimento ao recurso voluntário das pessoas jurídicas Pontal Consultoria Empresarial Ltda.; Edusaúde Serviços Administrativos S.A. e Prospectar Serviços Administrativos Ltda., mantendo a sujeição passiva imputada com base no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.768 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em conjunto interposto pela contribuinte acima identificada e pelos sujeitos passivos solidários eleitos pela Autoridade Fiscal para comporem o pólo passivo, as pessoas físicas Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira – CPF nº 176.183.63072 e Sérgio Luiz da Silva Pereira – CPF nº 174.500.63034 e as sociedades Pontal Consultoria Empresarial Ltda. (PONTAL – CNPJ nº 07.983.541/000126), Edusaúde Serviços Administrativos S.A. (EDSAÚDE – CNPJ nº 07.161.798/000110) e Prospectar Serviços Administrativos Ltda. (PROSPECTAR – CNPJ nº 10.015.925/000160) em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/POA em sessão de 28 de março de 2017 (fls. 1578/1621)1, que julgou improcedentes as impugnações apresentadas, manteve os lançamentos de IRPJ e reflexos perpetrados pelo Fisco, anoscalendário 2007/2008 e 2009 e a responsabilização dos solidários relativamente às infrações estampadas nos autos de infração (fls. 387/481). DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o Relatório da Ação Fiscal – RAF , no âmbito da Operação Solidária da Polícia Federal e de auditorias da Controladoria Geral da União (CGU) ficou comprovado que a fiscalizada não se revestia das propriedades intrínsecas de sociedade cooperativa, sendo identificadas as seguintes condutas em divergência com a Lei nº 5.764/71: (a) os cooperativados eram selecionados mediante análise de currículos e entrevistas, sendo que o art. 29 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971 afirma que “O ingresso nas cooperativas é livre a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade”; (b) a autuada contratava, mediante o pagamento de honorários vultosos e superfaturados, empresas ligadas direta e indiretamente ao Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, CPF 176.183.63072, para serviços de gerenciamento da cooperativa; neste sentido, ocorreu, também, a contratação da sociedade Pontal, de seu parceiro de negócios Sérgio Luiz da Silva Pereira, CPF 174.500.63034; deste modo, a cooperativa deixou de ter como objetivo a reunião de “pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro”; (b.1) agindo como sociedade de recrutamento de mãodeobra controlada pelo Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e não como cooperativa, a fiscalizada buscava remunerar a contratação superfaturada de serviços de consultoria e afins de sociedades ligadas ao Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira; tais evidências foram constatadas durante todo o período fiscalizado, embora o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira já estivesse formalmente desvinculado da sociedade fiscalizada; tais operações são detalhadas no Inquérito Policial Federal 0236/2009 – SR/DPF/RS, que embasa ação penal que integra o processo judicial 2009.71.12.0016602, o qual tramita na Vara Federal de Canoas, compartilhadas com a Receita Federal do Brasil por determinação judicial; como subsídio ao procedimento policial, foi efetuada auditoria da CGU nos contratos de prestação de serviços para as unidades de saúde da Prefeitura Municipal de Canoas, que concluiu pela existência de “indícios de subterfúgio para a retirada de capital dos “proprietários de fato” da cooperativa” (fl. 484); 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.769 4 (b.2) existe vínculo entre os Srs. Antônio Cavalheiro e Sérgio Luiz da Silva Pereira, e favorecimento pessoal do primeiro nas relações com a Equipe Cooperativa (fls. 485496) ; ao se afastar formalmente da cooperativa, o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira constituiu a sociedade de “consultoria em gestão empresarial” Antônio Carlos de Oliveira (ACCO), CNPJ 07.461.736/000106, que passou a prestar serviços exclusivamente à Equipe Cooperativa, tendo sido contratada, por valor inicial mensal de R$ 52.000,00, à época em que sua irmã Sílvia ocupava a presidência da cooperativa; tais serviços prestados eram substancialmente os mesmos que o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira prestava à Equipe Cooperativa na qualidade de associado desta, recebendo remuneração de R$ 4.000,00 mensais para tanto; o Sr. João Batista Portella Pereira, Secretário Municipal da Fazenda de Canoas asseverou que o Sr. Antônio Carlos se apresentava como “comercial da Equipe Cooperativa”; o Sr. Sérgio Albuquerque Frederes, que por diversos anos foi o responsável pela gestão do HPSC, afirmou que Sr. Antônio Carlos era conhecido por ser o “presidente da Equipe Cooperativa”; (b.3) a ACCO Consultoria LTDA. prestou serviços exclusivamente à Equipe Cooperativa, tendo recebido, até 2007, R$1.841.000,00; a quase totalidade de sua receita (R$ 1.600.000,00) foi transferida ao sócioproprietário, Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, na forma de pagamentos de dividendos, descontandose apenas uma despesa de R$ 1.800,00 e o pagamento de tributos; tal sociedade de consultoria não possui conta bancária, sendo que R$ 998.449,00 foram transferidos às contas do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e de R$ 600.000,00 não se sabe o destino; a ACCO não possui nenhum funcionário nem sede física (fls. 489/490); (b.4) a outra contratada da Equipe Cooperativa é a Sociedade Pontal Consultoria Empresarial Ltda., cujas sócias Gládis Teresinha Moreira Garcia e Elisabeth Helena Hass de Oliveira, respectivamente esposa do Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira e ex esposa do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, haviam sido do quadro da Equipe Cooperativa. As sociedades Pontal e ACCO são os maiores recebedores de valores provenientes da Equipe Cooperativa. Após constituir a Equipe Cooperativa e se manter na sua presidência por oito ou nove meses, a Sra. Gládis Teresinha Moreira Garcia foi substituída pelo Sr. Carlos Gomes, caseiro do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira. A Sra. Gládis Teresinha Moreira Garcia afirmou que, apesar de constar como sua presidente, nunca trabalhou na Equipe Cooperativa e que após a contratação da Pontal pela Equipe Cooperativa (sociedade na qual figuram como sócios ela e seu esposo, Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira) os ganhos mensais de sua família não foram substancialmente alterados. Os Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira, apesar de estranhos aos quadros da Equipe Cooperativa, indicaram a Sra. Estella dos Santos Meneghetti para integrar o Conselho Fiscal daquela; (b.5) são relatadas as relações do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira com as cooperativas MAISAÚDE e à EDSAÚDE e com a sociedade Prospectar Serviços Administrativos Ltda; (c) é descrita a seleção do quadro de cooperativados com base na análise de currículos e em entrevista, em desobediência ao art. 29 da Lei nº 5.764/71; são citados acórdãos do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), que versam sobre a natureza comercial da Equipe Cooperativa (fls. 447449); Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.770 5 (d) é citada a interferência do Prefeito Municipal de Canoas, Marcos Ronchetti, do Secretário Municipal Francisco Braga e da Sra. Neide Bernardes, que “comandavam o esquema de pagamento superfaturados à Equipe para, posteriormente, drená los por intermédio de Cavalheiro” (o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira) (fls. 449/501). Concluiu a Fiscalização que a Equipe Cooperativa não obedecia, no período fiscalizado, ao disposto na legislação específica das cooperativas (fls. 501/502). Afirmou ainda a fiscalização que: como a totalidade das receitas auferidas pela fiscalizada é decorrente da contratação de serviços por prefeituras municipais, não são atos cooperativos, sofrendo tributação normal; no entanto, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL foi excluída, pela contribuinte, a totalidade do resultado, e foi excluída a totalidade das receitas da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); ainda que não houvesse o descumprimento da legislação cooperativa, caberia o lançamento dos tributos, pelo fato de suas receitas não serem decorrentes de ato cooperativo; citou ação judicial onde o tema foi proposto, tendo a ação transitada em julgado pela tributação pela PIS e pela COFINS das receitas derivadas da prestação de serviços a terceiros (fls. 502/504). Em relação à incidência do IRPJ, afirmou que a totalidade das receitas da contribuinte não são atos cooperativos, devendo, portanto ser tributada; afirmou que o § 2º da art. 182 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto nº 3000, de 17/06/1999 (RIR) prescreve a tributação da totalidade dos resultados da sociedade como sanção à distribuição de benefícios em favor de associados ou terceiros (sem que haja a desconstituição de sua personalidade jurídica) (fls. 504/505). Concernente à CSLL, aduz que a isenção prevista no art. 39 da Lei nº 10.865/04 é restrita aos atos cooperativos praticados por sociedade que obedeçam a legislação específica, não sendo aplicável à autuada pelas mesmas razões pelas quais incide IRPJ sobre os seus resultados. Foi emitido ato declaratório de suspensão de isenção da CSLL, a teor do art. 32 da Lei nº 9.430/96 (fls. 506/507). Atinente à PIS e à COFINS, asseverou que todos as receitas são sujeitas às contribuições, por não serem decorrentes de atos cooperativos. A tributação se deu pelo regime cumulativo nos anoscalendários de 2007 e 2009 (fls. 507509). Foi lavrado termo de sujeição passiva solidária contra o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, o Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira e às sociedades Pontal Consultoria Empresarial, EDSAÚDE Serviços Administrativos S.A. e Prospectar Serviços Administrativos Ltda, uma vez que as pessoas físicas agiam de fato como controladores da fiscalizada. DAS IMPUGNAÇÕES Contestados os lançamentos, a DRJ/POA entendeu que a contribuinte Equipe Cooperativa foi a única a apresentar impugnação, prolatando decisão mantendo as acusações (Ac. – 22/03/2012 – fls. 1369/1401) e declarando precluso o direito dos sujeitos passivos solidários por não interposição de defesa. Referida decisão, entretanto, foi anulada pelo CARF (1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul) em acórdão prolatado em 15/09/2016, assim ementado: Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.771 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE DE DECISÃO. A teor dos artigos 31 e 59 do Decreto n° 70.235/72, é nula a decisão que ignora a impugnação apresentada tempestivamente por um dos sujeitos passivos no caso, o responsável por cercear o direito ao contraditório e à ampla defesa. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão O voto da Conselheira Relatora é conclusivo (fls. 1522/1523): “Resta evidente que o acórdão 1037.452 da DRJ/POA ignorou a impugnação tempestivamente apresentada pelos sujeitos passivos solidários, laborando em patente cerceamento do direito de defesa destes. Nos termos do artigo 59, II, do Decreto 70.235/72, as decisões proferidas com preterição ao direito de defesa são nulas: (...) Diante do exposto, voto por anular o acórdão 1037.452 da DRJ/POA, por cerceamento do direito de defesa dos sujeitos passivos solidários, os quais não tiveram sua impugnação tempestiva analisada”. Com isso, os autos retornaram ao crivo da Turma de 1º Piso que passou a analisar as impugnações da contribuinte e dos sujeitos passivos solidários. DA IMPUGNAÇÃO DA CONTRIBUINTE – EQUIPE (fls. 583/619) Segundo relatório da decisão de 1º Grau, os argumentos expendidos pela Equipe na impugnação estão assim sintetizados: (a) chegou a ter cerca de 800 cooperados, atuando em razão de contratos firmados com diversas municipalidades, como Guaíba, Canoas, Alvorada e Eldorado; no Hospital ProntoSocorro de Canoas, sempre primou pela observância da legislação de regência à sua natureza, inclusive primando pela excelência de remuneração dos cooperados, tendo contratado seguro de vida a estes; todas as assembléias foram realizadas, com as publicações em jornais de grande circulação e nas dependências mais frequentadas pelos cooperados; sempre se manteve regular junto à Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (OCERGS); assim, não é crível que o suposto “esquema de beneficiamento” jamais fosse objeto de qualquer questionamento pelos aproximadamente 3.000 cooperados que exerceram suas atividades profissionais na cooperativa (fls. 583/598); (b) é livre o ingresso na cooperativa àqueles que preencherem as condições técnicas a tanto (art. 29 c/c 4º, I, da Lei nº 5.764/71 e princípio norteador do cooperativismo reconhecidos pela Aliança Cooperativa Internacional), o que tem como modo natural de verificação a análise de currículo ou entrevista pessoal; atuando junto à administração pública, em contratos de prestação de serviços específicos, por exemplo, no Programa Saúde da Família ou no Hospital ProntoSocorro de Canoas, não se pode cogitar da autuação de profissionais cooperados, profissionais vinculados à área da saúde, que não observassem os requisitos a Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.772 7 tanto; ademais, é uníssono o fato de que, levada a efeito a análise técnica do profissional, este era aceito na Cooperativa; tal análise técnica era inclusive realizada em reunião de diretoria, o que, por si só, afasta o fundamento de meras indicações políticas; não é ilegal que agente político sugira a determinada pessoa que ingresse na cooperativa para alcançar oportunidade de exercício profissional; os diálogos transcritos na ação fiscal não denotam qualquer ingerência de autoridade municipal na admissão de cooperados, tratase de meras sugestões para o preenchimento de vagas mediante análise técnica e de qualificação da cooperativa; a interpretação levada a efeito para conclusões decorrentes de reconhecimento de relação trabalhista em muito pode ultrapassar o literal texto da lei, analogismo e ampliação de conceitos, o que é vedado pelo art. 109 do Código Tributário Nacional; sempre obedeceu aos arts. 4º, VI e VII, e 38 da Lei nº 5.764/71, realizado as assembléias soberanas e distribuindo sobras; a totalidade de seus atos se enquadra na conceituação de ato cooperativo, definida pelo art. 79 da Lei nº 5.764/71 (fls. 599/603); (c) a cooperativa é livre para a prática de atos de gestão, como as contratações com a administração pública ou consultorias de prestação de serviços, a teor do art. 170 da Constituição Federal; a contratação de pessoa jurídica para a prestação de serviços de consultoria não pode ser considerada superfaturada unicamente com base no seu valor, sem a completa verificação das peculiaridades envolvidas; prestar consultoria à pessoa jurídica que opera com contratos que podem chegar a cinquenta milhões de reais requer conhecimento, experiência, perícia e responsabilidade, não sendo possível reconhecer a ocorrência de fraude, sem provas, ao profissional que atinge reconhecimento que possibilita a obtenção de bons contratos; eventual superfaturamento deve ser comprovado mediante comparação entre preços praticados no mercado quanto aos serviços contratados, o que não foi feito pela fiscalização; as empresas contratadas mantinhamse regulares perante o fisco; os valores destas contratações eram públicos e de conhecimento de qualquer associado, que poderia questionar eventual pagamento indevido (fls. 603/611); (d) não pode a pretensão do fisco – como se pretende com o presente lançamento – desbordar a composição do fato jurídico tributário, sob pena de estar o legislador infraconstitucional e a administração, quando da exigência da exação, incorrendo em tributação inconstitucional; a autoridade fiscal não está autorizada a desconsiderar a realidade do livre exercício da atividade econômica, notadamente quando embasada em contratações levadas a efeito em absoluta consonância à legislação vigente; não há qualquer prova de favorecimentos a terceiros, mas meras presunções, indícios e suposições; estão sendo feridos os princípios da legalidade, da tipicidade, da livre concorrência, bem como a segurança jurídica e ao direito de propriedade e a possibilidade de escolha entre mais de um caminho para que venha a exercer sua atividade junto ao mercado; não há se falar de evasão fiscal ou prática de ilícitos; não há liberdade ao fisco para o reenquadramento dos fatos e à desconsideração da personalidade jurídica da cooperativa, como se estivesse sob autorização de discricionariedade plena, de todo afastada da aplicação de normas tributárias; a desconsideração da personalidade jurídica só está autorizada mediante a fundamentada comprovação de seus requisitos (fls. 611/615); (e) no que tange a decisões judiciais decorrentes de fatos apurados na denominada Operação Solidária, até agora nenhuma decisão foi proferida declarando ilegal qualquer contratação havida com a administração pública; as licitações e seus resultados não foram objeto de questionamento na Justiça, mas, mesmo que houvesse, não ensejaria a desqualificação da natureza da cooperativa; não cabe ao fisco a análise de mérito quanto aos valores dos contratos, uma vez que a cooperativa pode pagar o valor que entender direito Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.773 8 quando da contratação de qualquer serviço, desde que haja aprovação em assembléia e de seus órgãos de controle (fls. 615/617); (f) ser ilegal e inconstitucional a multa aplicada (fls. 617618). Pediu o cancelamento do Ato Declaratório Executivo 40, de 16/09/2011 e todas as suas consequências, mantendose a isenção tributária e afastando a exigência do IR, CSLL, PIS e COFINS. Alternativamente, requer seja afastada a incidência da multa (fls. 618/619). Quanto à defesa da isenção dos atos cooperativos em relação à CSLL, defendeuse afirmando que não é o caso de aplicação do art. 32 da Lei nº 9.430/96, uma vez que a isenção que gozam as cooperativas não são condicionadas, mas concedidas em caráter geral. No demais, suas alegações vão ao encontro do alegado por ocasião de sua impugnação aos lançamentos. DA IMPUGNAÇÃO DOS SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS (fls. 535/551) Os responsáveis solidários eleitos pelo Fisco, Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira – CPF nº 176.183.63072, Sérgio Luiz da Silva Pereira – CPF nº 174.500.63034, Pontal Consultoria Empresarial Ltda. (PONTAL – CNPJ nº 07.983.541/000126), Edusaúde Serviços Administrativos S.A. (EDSAÚDE – CNPJ nº 07.161.798/000110) e Prospectar Serviços Administrativos Ltda. (PROSPECTAR – CNPJ nº 10.015.925/000160) apresentarem impugnação em comum. Ainda de acordo com o relatório da decisão a quo, estes foram os argumentos trazidos na impugnação: (a) os requerentes foram contratados para assessorar a cooperativa na consecução de suas atividades, notadamente nas áreas administrativa e operacional; a relevância dos serviços prestados é facilmente verificada da análise do relatório da ação fiscal e nas diversas referências que lhe fazem depoentes em inquérito policial; (b) a responsabilização solidária dos requerentes pela autoridade fazendária foi desprovida de qualquer intimação prévia na esfera administrativa, o que configura violação ao contraditório e ao exercício do direito de defesa; ademais, a fiscalização deixou de realizar especificação quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos que deram lastro à responsabilização. Não houve tampouco indicação quanto à “mensuração de valores”; (c) a atuação dos requerentes é a prestação de serviços de consultoria, enquanto sua responsabilização tributária por solidariedade seria decorrente da exigência de tributos federais sobre as prestação de serviços relacionados a área da saúde, em contratos com a administração pública; indevido, pois, o procedimento de responsabilização, dado que inexiste relação direta entre os requerentes e os fatos que ensejaram as exigências tributárias, conforme disposto no art. 124 do CTN; (d) a responsabilização solidária dos requerentes somente poderia ser autorizada se acompanhada da pormenorizada indicação de quais fatos jurídicotributários seriam do interesse comum entre a autuada e cada um dos requerentes; (e) a tese da fiscalização de que a Cooperativa e os requerentes seriam um "grupo econômico" que visava unicamente fraudar contratos com a administração pública em benefício de duas pessoas físicas é improcedente; cada uma das pessoas jurídicas contratadas Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.774 9 exercia funções específicas, de acordo com suas capacidades, nos termos das contratações firmadas; (f) para a aplicação da responsabilização solidária, nos termos do art. 124 do CTN, é imprescindível a identificação de quais fatos jurídicotributários seriam do interesse comum entre devedor principal e solidário, tudo nos termos do posicionamento do STJ; a pretensão genérica levada a efeito pelo fisco dá a entender que os requerentes levavam a efeito a consecução das operações da Cooperativa, sendo partícipes da efetivação de todos os fatos que ensejaram a exigência; (g) indevida a responsabilização levada a termo com base no 135, III do CTN, visto que os impugnantes não praticaram qualquer ato que constituísse infração à lei, contrato social ou estatutos de suas empresas. Igualmente, a atuação com excesso de poderes não autoriza a responsabilização pessoal dos requerentes pessoas físicas; (h) a pretensão do fisco, mediante a responsabilização pessoal dos requerentes, tem verdadeira natureza de desconsideração de personalidade jurídica de empresas, de modo a alcançar pessoas que supostamente se beneficiariam de esquema de pagamentos superfaturados, o que sequer foi provado no curso da ação fiscal; (i) não havendo a clara identificação na peça fiscal dos fundamentos que ensejariam a responsabilização dos requerentes pessoas físicas e nem prova de ato ilícito a autorizar esta pretensão, não merece prosperar a exigência tributária. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 1578/1621) Debruçandose sobre os autos, a Turma de Julgamento, depois de discorrer longa e profundamente sobre o cooperativismo, as cooperativas, os atos cooperativos e não cooperativos e demais aspectos ligados ao tema, prolatou decisão cujos excertos principais são abaixo reproduzidos: “O fundamento jurídico para a manutenção do lançamento relativo ao IRPJ e à CSLL é o art. 182 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto nº 3000, de 17/06/1999 (RIR), que possui a seguinte redação: (...) Como apontado no Relatório Fiscal, a Equipe Cooperativa estabeleceu diversas vantagens ou privilégios ao Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, em desobediência ao art. 24, § 3º da Lei nº 5.764/71. Como conseqüência, os seus resultados devem ser tributados, em consonância com o § 2º do art. 182 do RIR 99. As vantagens e privilégios foram apuradas no âmbito da Operação Solidária da Polícia Federal, presentes no Inquérito Policial Federal 0236/2009 – SR/DPF/RS, que embasa ação penal que integra o processo judicial 2009.71.12.0016602 e em auditorias da Controladoria Geral da União (CGU) nos contratos de prestação de serviços para as unidades de saúde da Prefeitura Municipal de Canoas, o qual concluiu pela existência de “indícios de subterfúgio para a retirada de capital dos ‘proprietários de fato’ da cooperativa” e consistem em: Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.775 10 • contratação, mediante o pagamento de honorários superfaturados, de sociedades ligadas direta e indiretamente ao Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira para serviços de serviços de consultoria e afins da cooperativa; como exemplo, a contratação da sociedade Pontal, de seu parceiro de negócios Sérgio Luiz da Silva Pereira; • por ato da então presidente da cooperativa autuada, a Sra. Sílvia, contratação da sociedade Antônio Carlos de Oliveira (ACCO), CNPJ 07.461.736/000106, por R$52.000,00 mensais, para prestar os mesmos serviços que o Sr. Antônio Carlos de Oliveira, pessoa física, prestava por R$4.000,00; • outra contratada da Equipe Cooperativa é a sociedade Pontal Consultoria Empresarial Ltda., cujas sócias Gládis Teresinha Moreira Garcia e Elisabeth Helena Hass de Oliveira, são respectivamente esposa do Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira e ex esposa do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira; ambas haviam sido do quadro da Equipe Cooperativa; • as sociedades Pontal Consultoria Empresarial Ltda. e Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira são as maiores recebedores de valores provenientes da Equipe Cooperativa; • após constituir a Equipe Cooperativa e se manter na sua presidência por oito ou nove meses, a Sra. Gládis Teresinha Moreira Garcia foi substituída pelo Sr. Carlos Gomes, caseiro do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira; • os Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira, apesar de estranhos aos quadros da Equipe Cooperativa, indicaram a Sra. Estella dos Santos Meneghetti para integrar o Conselho Fiscal daquela; • o relatório do Inquérito policial menciona a interferência do Prefeito Municipal de Canoas, Marcos Ronchetti, do Secretário Municipal Francisco Braga e da Sra. Neide Bernardes, que “comandavam o esquema de pagamento superfaturados à Equipe para, posteriormente, drenálos por intermédio de Cavalheiro”; Além disso, chama atenção a confusão existente entre a autuada e o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira: • Sr. João Batista Portella Pereira, Secretário Municipal da Fazenda de Canoas asseverou que o Sr. Antônio Carlos se apresentava como “comercial da Equipe Cooperativa”; • o Sr. Sérgio Albuquerque Frederes, que por diversos anos foi o responsável pela gestão do Hospital de ProntoSocorro de Canoas, afirmou que Sr. Antônio Carlos era conhecido por ser o “presidente da Equipe Cooperativa”. Ressalto que a Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira Consultoria LTDA. não possui nenhum funcionário nem sede física e, embora tenha recebidos vultosos valores da autuada (até 2007, R$ 1.841.000,00) não possuía conta corrente bancária. Por outro lado, a liberdade dos atos de gestão encontra limite no art. 24, § 3º da Lei nº 5.764/71, que fundamenta o lançamento, vedando o estabelecimento Fl. 1775DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.776 11 de vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros. Já a constatação de superfaturamento não derivou unicamente do valor a contratação da sociedade Antônio Carlos de Oliveira, CNPJ 07.461.736/000106 pela Equipe Cooperativa, mas de comparação entre este valor e o que recebia o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira para a prestação dos mesmos serviços. No que tange à prova do superfaturamento, lembro que, a teor do decidido no acórdão nº CSRF/0102.743, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, lastreado em jurisprudência emanada do Supremo Tribunal Federal e citada por Hely Lopes Meirelles, que indícios vários e concordantes são prova: (...) No presente lançamento não se está desconsiderando a personalidade jurídica da cooperativa, mas aplicando a legislação cooperativista à autuada. Em favor do fundamento da manutenção da autuação é a vedação do estabelecimento de vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em benefício de quaisquer associados ou terceiros. Não possuem o condão de infirmar esta motivação as afirmações, realizadas pela interessada, de obediência à legislação tributária, da inaplicabilidade dos arestos trabalhistas no direito tributário, da realização de assembléias, da distribuição de sobras, que buscam a negar a ingerência de autoridade municipal na admissão de cooperados, que a totalidade de seus atos se enquadra na conceituação de ato cooperativo. (...) Está sendo tributado em relação à CSLL o lucro obtido em decorrência da prática de atos nãocooperativos, mais especificamente, de atos não cooperativos intrínsecos, os quais não são abrangidos pela isenção do art. 39 da Lei nº 10.865/04, que se restringe aos resultados advindos da prática de atos cooperativos. Não está descrita no relatório fiscal a tributação de qualquer resultado advindo da prática de atos cooperativos. Consequentemente, toda a discussão a respeito da perda da isenção da CSLL é absolutamente irrelevante para a manutenção, ou não, do auto de infração. No entanto, uma vez que a suspensão da isenção em questão pode ter efeitos mais amplos que a lavratura do presente auto de infração, sigo na análise da questão. Como corretamente aduziu a unidade de origem nas razões de decidir do Parecer DRF/NHO/Seort nº 035/2011 (fls. 305320), as quais assumo como minhas, mutatis mutandis: (...) Embora pense que as análises dos currículos se justifiquem no caso concreto, e que a fiscalização não fez prova de que profissionais na mesma situação de fato, por exemplo, cardiologistas ou enfermeiros, não tenham sido aceitos pela cooperativa, entendo serem verdadeiras as conclusões da fiscalização de Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.777 12 que a interessada, ao proporcionar o benefício desigual do seu “controlador”, de fato violou as disposições da Lei nº 5.764/71, notadamente seus artigos 3º e 24,§ 3º. A afronta ao art. 24, § 3º, da Lei nº 5.764/71 está minuciosamente descrito às fls. 223233, no subitem “2.1.2. Do vínculo de Antônio Cavalheiro e do seu favorecimento pessoal”. (...) A contribuinte tece diversas considerações sobre a licitude de seus atos (o que, como visto, é relevante para a tributação do IRPJ e da CSLL, mas não para o lançamento da PIS e da COFINS), mas não enfrenta a questão da base de cálculo da PIS e da COFINS, que independe totalmente (i) do estabelecimento, pela cooperativa, de vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros ou (ii) da caracterização ou não da sociedade como cooperativa. Ocorre que tais espécies tributárias são contribuições sociais, e como tais, são devidas por toda a sociedade, em atenção ao princípio constitucional que determina ser a seguridade social financiada por toda a sociedade: (...) A autuada presta serviços na área da saúde. A prestação dos serviços de saúde a nãoassociados (assim entendidos as pessoas físicas ou jurídicas que são tomadoras dos serviços prestados pelos seus associados) não são atos cooperativos, no conceito legislado pelo art. 79 da Lei nº 5.764/71: (...) Deste modo, gera receita bruta e/ou faturamento, tributável pela PIS e pela COFINS. (...) A autuada não se defende da acusação de ter deixado de pagar a PIS e a COFINS, pelo que voto pela manutenção integral dos lançamentos referentes a estes tributos”. E conclui afastando as colocações sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade da multa aplicada. Na sequência, avaliou a impugnação dos solidários e depois de afastar as preliminares de cerceamento de defesa, concluiu pela correção da inclusão dos listados no pólo passivo da lide, considerando que o comando da pessoa jurídica fiscalizada era exercido de fato por Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, com auxílio de Sérgio Luiz da Silva Pereira; que Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Pereira foram os responsáveis diretos “para que as prescrições da Lei do Cooperativismo (Lei nº 5.764/71) fossem infringidas”; c) que os “gerentes de fato” drenaram recursos da fiscalizada em benefício pessoal, mediante o empreendimento de negócios jurídicos eivados de simulação, absoluta ou relativa, junto às empresas PONTAL, EDSAÚDE e PROSPECTAR. Mais, que “as situações evidenciadas junto ao tópico 2.12 do relatório de fiscalização da RFB (denominado “Do vínculo de Antônio Cavalheiro e Sérgio Pereira e do seu favorecimento pessoal”) revelam uma unidade de interesses e total afinidade de objetivos entre as Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.778 13 empresas EQUIPE, PONTAL, EDSAÚDE, PROSPECTAR e seus dirigentes de fato, em contexto de verdadeira confusão patrimonial, totalmente convergentes com a realidade delineada nos documentos antes referidos, produzidos pela Polícia Federal e pela CGU. A existência inequívoca de confusão patrimonial entre as pessoas físicas e jurídicas partícipes do esquema foi reconhecida, ainda, pelo Poder Judiciário, como se vê na sentença que autorizou o bloqueio de bens de Antônio Cavalheiro, Sérgio Pereira, EDUSAÚDE, PONTAL, PROSPECTAR e ANTONIO CAVALHEIRO – EPP, em sede de medida cautelar. Senão, vejamos o voto proferido pelo Desembargador Joel Paciornik, nos autos do Agravo de Instrumento nº 501930780.2012.404.0000/RS, cujo excerto transcrevo a seguir (...)”. Concluindo ser “improcedente a alegação dos impugnantes de que teria havido a desconsideração da pessoa jurídica por parte da fiscalização. A autuação decorreu – isso sim – de infrações à legislação tributária, enquanto a responsabilização tributária dos impugnantes ocorreu em consonância com os artigos 124 e 135 do CTN, conforme analisado acima”. E fechar o voto nestes termos (fls. 1621): “Em razão do exposto, voto por (a) julgar improcedente a manifestação de inconformidade acerca da suspensão da isenção implementada pelo art. 39 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, (b) desconhecer das alegações de inconstitucionalidade e (c) julgar improcedentes as impugnações de fls. 535/551 e fls. 583/619, mantendo integralmente o crédito tributário”. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 COOPERATIVA. ESTABELECIMENTO DE VANTAGENS OU PRIVILÉGIOS EM FAVOR DE ASSOCIADOS OU TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. É vedado às cooperativas estabelecer vantagens ou privilégios, financeiro ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano, atribuídos ao capital integralizado (Lei nº 5.764, de 1971, art. 24, §3º). A inobservância desta regra importa a tributação dos resultados pelo IRPJ e pela CSLL e à perda da isenção estabelecida no art. 39 da Lei nº 10.865/04. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DA PIS E DA COFINS SOBRE O FATURAMENTO ADVINDO DOS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A cooperativa de trabalho é sociedade de pessoas com personalidade jurídica distinta dos associados. Pratica atos internos e externos, e somente os primeiros gozam de isenção. Na prática dos atos externos (contrato de prestação de serviços com terceiros) há faturamento, base imponível do COFINS/PIS. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Evidenciase o interesse comum, quando identificado liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico, revelado por atuação complementar entre as empresas, vinculação gerencial, identidade de administradores e interesse econômico recíproco. Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.779 14 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, devendo responder solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO CONJUNTO – RECORRENTE E SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS (fls. 1690/1746) Cientificados do R. decisum (fls. 1682/1683/1684/1685/1686/1687), a contribuinte e os sujeitos passivos solidários interpuseram Recurso Voluntário conjunto e único em 04/05/2017 (fls. 1690/1746), no qual contrapuseramse ao decidido em 1ª Instância, arguindo ainda prescrição intercorrente, cerceamento de defesa e quanto às matérias tratadas nos lançamentos, basicamente repetem o aduzido nas impugnações, inclusive em relação à sujeição passiva. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.780 15 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, os recorrentes estão corretamente representados (fls. 552/556 e 620/621) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. Afasto o alegado cerceamento de defesa, primeiro porque as longas e bem detalhadas peças de defesa acostadas aos autos mostram o amplo e livre acesso que os imputados tiveram ao processo e suas peças, sem restrição de qualquer espécie. Depois porque não há que se falar em cerceamento de defesa quando ainda na fase investigativa ou procedimental. Com a consecução dos lançamentos e interposição de defesa é que se instaura o contencioso e somente a partir daí podese perquirir eventual afronta ao direito do contraditório, o que não se estampa nos autos. Nesta senda (Ac. 1401001.606): NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO QUE PERMITE A COMPREENSÃO DOS FATOS. VALIDADE DO LANÇAMENTO. É válido o lançamento quando a descrição fática nele contida permitir ao interessado saber o fato que lhe é imputado, não havendo, nesse caso, prejuízo que possa ensejar a declaração de nulidade do ato administrativo. Na outra preliminar, a recorrente suscita ter havido "prescrição intercorrente". Sem maiores delongas, a Súmula CARF nº 11 mostra o quadro no âmbito deste Colegiado: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Preliminares rejeitadas. Passo ao mérito. No caso dos autos, estáse diante de uma cooperativa autointitulada “cooperativa de serviços” (Estatutos – fls. 2/31) com atuação na área de saúde. Impende, prefacialmente, uma breve retrospectiva histórica do cooperativismo. Como ponto de partida, sirvome das lições do eminente Conselheiro Demetrius Nichele Macei, desta 2ª Turma 4ª Câmara 1ª Seção de Julgamento do CARF (com o qual tenho a honra de compartilhar a bancada de julgadores) que em seu livro “Ato Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.781 16 Cooperativo e Tributação” (Juruá Editora – 2ª Ed. 2014), depois de lembrar que “o surgimento do cooperativismo como empreendimento socioeconômico aconteceu na Inglaterra em 1884, na cidade de Rochdale, perto de Manchester”, apontou como causa desta novel (à época) atividade econômica, “a crescente ameaça de [28 tecelões] serem substituídos pelas máquinas a vapor”, o que os levou a “buscar outra alternativa de trabalho e sobrevivência” (obra citada, pg. 16). Ainda segundo Demetrius Nichele Macei (op. cit. – pg. 18) podese definir cooperativismo como “sistema de organização econômica, baseada em um conjunto de princípios fundamentais, e que visa eliminar a mera intermediação, comercial e de mão de obra, característica do sistema capitalista”. Assim, em breve síntese, correto afirmar que o cooperativismo tem como objetivo difundir os ideais em que se baseia, no intuito de atingir o pleno desenvolvimento financeiro, econômico e social de todas as sociedades cooperativas. A cooperação sempre existiu nas sociedades humanas desde as eras mais remotas. Menos evoluído, menos agressivo, mas sempre como a resultante de necessidades imperiosas de sobrevivência. No Brasil, as primeiras e incipientes cooperativas surgiram nos estertores do século XIX e aurora do século XX e ganharam formatação legal em 1971, com a promulgação da Lei nº 5.764/1971 e, mais recentemente, a Lei nº 12.690/2012. Nesta linha do tempo, uma ação ganha destaque por ter resultado em dado histórico fundamental para o registro da primeira cooperativa no Brasil: a criação da Associação Cooperativa dos Empregados da Companhia Telefônica, em Limeira, São Paulo, isso no ano de 1891. Posteriormente, o cooperativismo veio a se consolidar no Brasil com a vinda dos imigrantes alemães, italianos e japoneses, que se estabeleceram no sul e sudeste do país. O grande marco, porém, que sinalizou decisivamente para a consolidação do cooperativismo no país, foi a promulgação do Decreto nº 22.239, de 19 de dezembro de 1932, a Primeira Lei Orgânica do Cooperativismo Brasileiro. Definido brevemente “cooperativismo”, de se destacar que, de outra banda, “sociedades cooperativas” são, no dizer literal da Lei nº 5.764/1971, art. 4º, “...sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características”. Por seu turno, “atos cooperativos” são todos aqueles “praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais” (art. 79, da Lei nº 5.764/1971). Com a explícita eleição feita pelo seu parágrafo único: Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. A evolução legislativa, jurisprudencial e doutrinária, aliada aos avanços havidos nas atividades econômicas praticadas pelos homens nos últimos cento e cinquenta Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.782 17 anos acabaram por levar ao aparecimento de diversos tipos de cooperativas, valendo destacar as principais. Na visão de De Plácido e Silva2, três seriam os grupos de cooperativas a considerar – de consumo, de produção e de crédito. Para a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a subdivisão abrangeria treze espécies, dentre elas, as agropecuárias, de consumo, de trabalho e, no que importa ao caso concreto, “de serviço (de saúde)”, esta com a seguinte definição: “Cooperativas de Saúde: aquelas em que os cooperados têm qualificação específica (médicos, enfermeiros, etc.) e se dedicam à preservação da saúde humana”. Finalmente, para fechar este breve intróito, não se pode deixar de lembrar que os atos cooperativos (e não as cooperativas propriamente ditas) é que têm tratamento tributário especial, contemplado na área federal (Imposto de Renda) no artigo 182, do diploma regulamentar (RIR/1999): Art. 182. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro (Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 69). Com as ressalvas dos seus dois parágrafos: §1 É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei nº 5.764, de 1971, art. 24, § 3º). §2 A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Decreto. Esta não incidência implica em que as cooperativas pratiquem “atos cooperativos”, digase, ocorrendo situação diversa, a tributação seguirá a regra geral, posto que se estará diante de operação comercial lucrativa, definhando a “ausência de fins lucrativos”, sustentáculo do cooperativismo. Pois bem, ainda que longa e profundamente a defesa argumente que os trabalhos executados restringiramse a “atos cooperativos”, fato é que os autos mostram outra realidade, a de que a Equipe agia, efetivamente, como uma empresa no sentido comercial do termo, atuando no segmento de recrutamento de mão de obra. Mais, que tinha na pessoa de Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira um verdadeiro gestor, que a controlava e ditava sua direção. Nessa linha, saltam aos olhos duas situações que mostram o desvio da linha de conduta entre uma cooperativa e uma empresa: 2 In Vocabulário Jurídico – 11ª Ed. RJ – Forense – 1989, volume 1, pg. 561/565 Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.783 18 1. A “seleção” de profissionais que comporiam a cooperativa como “cooperados” impunha análise de currículo (sic) e entrevista (sic) (exatamente como ocorre em empresas) , como se fosse possível ignorar que o artigo 29, da Lei nº 5.764/1971 prescreve literalmente que “o ingresso nas cooperativas é livre a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade, desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto, ressalvado o disposto no artigo 4º, item I, desta Lei”; e, 2. A investigação levada a efeito no âmbito da chamada “Operação Solidária” da Polícia Federal e de auditorias da Controladoria Geral da União (CGU) comprovando que a “cooperativa” contratava, mediante o pagamento de honorários altíssimos e superfaturados, diversas empresas paralelas que, de uma forma ou outra, eram ligadas, direta ou indiretamente, a Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, remunerando serviços que, na prática, nada mais eram que paga pelo gerenciamento da cooperativa. Ainda na mesma toada, contratouse a empresa Pontal, de Sérgio Luiz da Silva Pereira, tido pelas investigações como parceiro de negócios de Antônio. Com isso, a “cooperativa” deixou de ser uma reunião de pessoas com interesse comum e que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro, para beneficiar as empresas e pessoas citadas. Ou seja, como bem pontuado pelas investigações levadas a efeito pela Operação Solidária da Polícia Federal e pelas auditorias da Controladoria Geral da União (CGU) e consolidado no RAF da Autoridade Fiscal, i) os cooperativados eram selecionados mediante análise de currículos e entrevistas, fazendo letra morta ao preceito do art. 29 da Lei nº 5.764, que define ser livre o ingresso nas cooperativas; e, ii) havia pagamentos vultosos de “honorários” (a esse ou outro título) ao Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira ou a empresas a ele ligadas (que depois o remuneravam), pagamentos que, salvo motivo extremamente relevante, não se justificavam, ainda mais por absorver enorme fatia da renda da cooperativa que deveria pertencer aos cooperados Em outro dizer, enquanto um médico recebia em torno de R$ 7.500,00/mês e mais R$ 1.600,00/ano como distribuição das sobras liquidas da cooperativa, referido gestor, diretamente ou através de empresas ligadas, tinha remuneração exponencialmente maior. Confirase (fls.90/91/92/98): Remuneração Sr. Antônio: Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.784 19 Remuneração de “cooperado”: Ora, cooperativa pressupõe atendimento ao cooperado, dandolhe o suporte necessário para desenvolver e atingir os fins propostos. Jamais servir de meio de remuneração expressiva para aqueles que a dirigem ou sobre ela tenham controle. Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.785 20 Claro, não se nega a possibilidade e necessidade de remunerar os que prestam serviço à entidade. Desde que, por óbvio, a remuneração seja compatível com os serviços prestados e a capacidade financeira de quem efetua o pagamento. Em suma, agindo como verdadeira sociedade de recrutamento de mãode obra controlada pelo Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e não como cooperativa, a fiscalizada remunerava seus controladores mediante a contratação superfaturada de serviços de consultoria e afins de sociedades ligadas ao Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira; tais evidências foram constatadas durante todo o período fiscalizado, embora o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira já estivesse formalmente desvinculado da sociedade fiscalizada; operações detalhadas no Inquérito Policial Federal 0236/2009 – SR/DPF/RS, que embasa ação penal que integra o processo judicial 2009.71.12.0016602, o qual tramita na Vara Federal de Canoas, compartilhadas com a Receita Federal do Brasil por determinação judicial; como subsídio ao procedimento policial, foi efetuada auditoria da CGU nos contratos de prestação de serviços para as unidades de saúde da Prefeitura Municipal de Canoas, que concluiu pela existência de “indícios de subterfúgio para a retirada de capital dos “proprietários de fato” da cooperativa” (fl. 484). Também incontroverso que existe vínculo entre os Srs. Antônio Cavalheiro e Sérgio Luiz da Silva Pereira, e favorecimento pessoal do primeiro nas relações com a Equipe Cooperativa (fls. 485/496) ; ao se afastar formalmente da cooperativa, o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira constituiu a sociedade de “consultoria em gestão empresarial” Antônio Carlos de Oliveira (ACCO), CNPJ 07.461.736/000106, que passou a prestar serviços exclusivamente à Equipe Cooperativa, tendo sido contratada, por valor inicial mensal de R$ 52.000,00, à época em que sua irmã Sílvia ocupava a presidência da cooperativa. Reportese que a ACCO Consultoria LTDA. prestou serviços exclusivamente à Equipe Cooperativa, tendo recebido, até 2007, R$ 1.841.000,00; a quase totalidade de sua receita (R$ 1.600.000,00) foi transferida ao sócioproprietário, Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, na forma de pagamentos de dividendos, lembrando que a ACCO não possui nenhum funcionário nem sede física (fls. 489/490); Finalmente, a outra contratada da Equipe Cooperativa é a Sociedade Pontal Consultoria Empresarial Ltda., cujas sócias Gládis Teresinha Moreira Garcia e Elisabeth Helena Hass de Oliveira, respectivamente esposa do Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira e ex esposa do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, haviam sido do quadro da Equipe Cooperativa. As sociedades Pontal e ACCO são os maiores recebedores de valores provenientes da Equipe Cooperativa. Após constituir a Equipe Cooperativa e se manter na sua presidência por oito ou nove meses, a Sra. Gládis Teresinha Moreira Garcia foi substituída pelo Sr. Carlos Gomes, caseiro do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira. Nesse contexto, ainda que a defesa pontue sobre a capacidade profissional dos dirigentes da cooperativa (que aqui não se discute), a remuneração não pode suplantar estratosfericamente os rendimentos dos maiores interessados, os cooperados. De outro lado, sem necessidade de maiores digressões, é senso comum que o gerenciamento de uma empresa de prestação de serviços não representa maiores complexidades que aquelas normais de uma sociedade da área de recursos humanos, de modo que a remuneração deve se parametrizar pelas regras de mercado. Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.786 21 Nem se discute sobre outros pontos tratados na investigação policial e da CGU, matérias que devem ser vistas no campo próprio. O que se analisa é o reflexo destes fatos na seara tributária e, nesse aspecto, o procedimento da Autoridade Fiscal, desde o princípio, pautouse por absoluta correção e estrita vinculação à legalidade. Em outro dizer, não é a Polícia Federal ou a Controladoria Geral da União que estão definindo as repercussões tributárias dos fatos apurados. Quem está desempenhando esse papel é justamente a fiscalização tributária que em sua missão institucional utiliza provas coletadas por aqueles órgãos e compartilhadas por decisão judicial (fls. 43/45). Quanto às conclusões do Relatório da CGU, é correto afirmar que no âmbito de sua alçada (fiscalização do gasto público e da execução orçamentária) elas terão repercussão jurídica após a análise dos órgãos ou setores competentes. No entanto, os fatos ali relatados não foram contestados pelo contribuinte e são perfeitamente hábeis para instruir o conjunto probatório reunido pela Fiscalização. Em relação às alegações da defesa de que teria havido absolvição do réu Antonio Carlos Cavalheiro de Oliveira do crime de lavagem de dinheiro, conforme informado pelo contribuinte, em nenhum momento a Fiscalização fez qualquer referência ao crime de lavagem de dinheiro. Ao contrário, fez questão de separar as esferas de atuação, como ilustra o seguinte trecho do Relatório da Ação Fiscal anexo à Notificação Fiscal, ora analisada: A autoridade policial descreve com minúcia os procedimentos adotados no âmbito de algumas administrações municipais para direcionar a contratação superfaturada da interessada para a prestação de serviços, notadamente na área da saúde. Tais procedimentos, todavia, não são afeitos à seara tributária, pelo que não serão detalhados no presente Relatório. Pois bem, houvesse o ganho real da cooperativa sido distribuído como sobras a todos os cooperativados, de forma proporcional aos serviços prestados, não haveria qualquer ofensa aos objetivos do cooperativismo de produzir o bem comum (art. 3º da Lei nº 5.764/71). Mas não foi isso o que aconteceu. Como quantificado pelo Fisco no RAF, Cavalheiro e suas empresas auferiram R$ 4.153.016,00 em três anos. Sem ter funcionários registrados e com despesas mínimas, ou seja, os recursos eram recebidos totalmente pelos sócios dessas empresas que não são cooperativados. Em comparação, já dito antes, um médico cooperativado auferia R$ 7.500,00 mensais brutos, tendo recebido sobras anuais da ordem de R$ 1.600,00 (ver página 15 do Relatório da Ação Fiscal). No que tange aos certificados de regularidade apresentados por diversas entidades de fiscalização profissional, cabe referir que esses documentos não representam qualquer atestado de que os requisitos da legislação específica das cooperativas estejam sendo cumpridos. Tratase de mera certificação para a prestação de serviços nas respectivas áreas que são exigidas de qualquer pessoa jurídica que atue no mercado. O fato de a contribuinte estar regularizado junto à OCERGS mostra apenas o cumprimento de um requisito formal da Lei do Cooperativismo. Como se viu, os requisitos essenciais que são a busca do bem comum e o livre ingresso dos cooperativados não foram cumpridos. Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.787 22 Em suma, os maiores beneficiários dos contratos firmados pela Equipe com as prefeituras municipais não foram os cooperados (razão de ser da cooperativa), mas, as empresas (Pontal, Edusaúde e Prospectar), ligadas aos instituidores da entidade, Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira. Como bem pontuado pela CGU: “Isso se explica, em grande parte, pelos expressivos montantes de despesas da Equipe Cooperativa de Serviços Ltda. com a contratação de assessorias, revelando indícios de subterfúgio para a retirada de capital dos proprietários de fato da cooperativa”. Neste cenário, restou descaracterizado o “ato cooperativo”, impondo, por consequência, a tributação da receita. Cenário muito bem observado no Ac. 1302002.113, relatoria do Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, assim sintetizado: “A legislação do Imposto de Renda estabelece que a incidência do IRPJ das sociedades cooperativas se dará apenas sobre os “resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade". (...) Não me parece que a venda de serviços que serão executados pelos seus associados se enquadra neste conceito, pois é este o objeto e a razão de ser da cooperativa. A oferta dos serviços (prestados pelos cooperados) a terceiros e sua contratação para execução por estes, me parece constituir o cerne da existência de uma cooperativa de serviços. Acho até mesmo impróprio chamálo de negócio –meio para atingir o atofim, pois se a cooperativa não presta este serviço (de intermediação dos serviços) qual outro serviço prestaria? Assim, me parece que o "fornecimento de bens ou serviços a não associados para atender aos objetivos sociais", que ensejaria o alcance pela tributação do IR, seria o repasse dos serviços (contratados) a terceiros não associados, para cumprimento de contrato firmado pela cooperativa com os tomadores de serviços (para atender aos objetivos sociais). O resultado (se positivo) dessas operações derivadas do repasse desses serviços, no meu entender, é que deve ser alcançado pela tributação do imposto de renda”. (destaques acrescidos). Entendimento em consonância com o artigo 183, do RIR/1999, que dispõe: Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei nº 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º): Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.788 23 I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. Finalmente, não deixa de chamar atenção a pluralidade de especialidades e especificidades dos profissionais que poderiam compor o quadro cooperativo. Vejase o Estatuto Social consolidado (fls. 2/4): Embora não haja proibição para esse procedimento, não deixa de ser surpreendente que profissões tão diversas, embora de um mesmo segmento, possam ser amealhadas em uma única cooperativa, mais ainda sabendose que as respectivas pagas são feitas em função dos serviços prestados e das sobras líquidas, de modo que a mensuração entre os serviços de um médico pressupõese seja totalmente diferente da remuneração de um atendente. Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.789 24 Quadro que mais ainda reforça a sensação de verdadeira empresa comercial, do ramo de contratação de mão de obra, robustecendo o trabalho fiscal. Repitase, que as cooperativas, melhor dizendo, os “atos cooperativos” têm tratamento tributário diferenciado, inexistem dúvidas, como exaustivamente atrás já se destacou. Todavia, indiscutível também, os atos cooperativos devem ser efetivamente “atos cooperativos” e não apenas possuírem uma “formatação legal”, digase, não basta “aparentarem ser”, o que efetivamente não são. Nessa linha, não é demais lembrar que a jurisprudência pátria evoluiu para considerar que a essência se sobrepõe à forma, ou seja, insuficiente que uma formalidade legal esteja corretamente satisfeita se os fatos estampados mostram outra realidade. Não se olvide, “O tratamento tributário diferenciado dispensado às cooperativas, conforme previsto no art. 146, III, c da CF não se aplica de forma automática e direta a qualquer ato das cooperativas, mas tão somente aos seus atos cooperativos. Não são as cooperativas que recebem tratamento diferenciado, mas os atos cooperativos”. (Ac. 1201001.746). Por fim, apontese que não se está diante de desconsiderar a personalidade jurídica da cooperativa enquanto formalmente constituída, mas, sim, de adequar sua receita à efetiva situação fática de atos cooperativos (não sujeitos à tributação) e não cooperativos (tributados). Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação às infrações tratadas nestes autos. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A Autoridade autuante imputou responsabilização solidária às seguintes pessoas físicas e jurídicas: 1. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira – CPF nº 176.183.63072 – Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 2 (fls. 518/519) – artigos 124, I e 135, III, do CTN; 2. Sérgio Luiz da Silva Pereira – CPF nº 174.500.63034 Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 5 (fls. 530/531) – artigos 124, I e 135, III, do CTN; 3. Pontal Consultoria Empresarial Ltda. (PONTAL – CNPJ nº 07.983.541/000126) Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 3 (fls. 524/525) – artigo 124, I, do CTN; 4. Edusaúde Serviços Administrativos S.A. (EDSAÚDE – CNPJ nº 07.161.798/000110) Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 4 (fls. 521/522) – artigo 124, I, do CTN; e, 5. Prospectar Serviços Administrativos Ltda. (PROSPECTAR – CNPJ nº 10.015.925/000160) Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1 (fls. 527/528) – artigo 124, I, do CTN; Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.790 25 Segundo a acusação (RAF – item 6 fls. 515/517 – Da Sujeição Passiva Solidária), estes foram os fatos imputados: i) o comando da pessoa jurídica fiscalizada era exercido de fato por Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, com auxílio de Sérgio Luiz da Silva Pereira; ii) Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Pereira foram os responsáveis diretos “para que as prescrições da Lei do Cooperativismo (Lei nº 5.764/71) fossem infringidas”; iii) os “gerentes de fato” drenaram recursos da fiscalizada em benefício pessoal, mediante o empreendimento de negócios jurídicos eivados de simulação, absoluta ou relativa, junto às empresas PONTAL, EDSAÚDE e PROSPECTAR. Como suporte de seu trabalho, o Fisco respaldouse a) no Inquérito Policial Federal nº 0236/2009 – SR/DPF/RS, que integra o processo judicial nº 2009.71.12.0016602, pertinente à denominada Operação Solidária, e b) no relatório de auditoria da Controladoria Geral da União (CGU fls. 117/137). Pois bem, a documentação acostada aos autos e os fatos relatados mostram, incontroversamente, unicidade, afinidade e alinhamento de objetivos entre a Equipe, as outras três pessoas jurídicas listadas e seus dirigentes (dirigentes de fato), tudo convergindo para tornar a “cooperativa” uma fonte de recursos que lhes permitia dela retirar vultosas quantias, sempre em detrimento dos “cooperados”, que acabavam por ficar com ínfimos e residuais valores. Esta realidade (de confusão patrimonial entre os imputados) ficou bem estampada no voto proferido pelo E. Desembargador Joel Paciornik nos autos do Agravo de Instrumento nº 501930780.2012.404.0000/RS, cujos excertos abaixo se transcrevem: “Com efeito, a medida restou fundamentada com base na indicação de 'indícios de interposição fraudulenta de empresas com a finalidade de ocultar a identidade de seus proprietários e permitir o favorecimento financeiro das pessoas físicas requeridas, assim como uso das demais empresas, para fins de usufruir os benefícios fiscais do sistema cooperativo em beneficio dos requeridos’, nos seguintes termos: (...) A Cooperativa requerida contratava, ainda, a requerida 'PONTAL CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA.', a qual caberia a administração operacional das atividades da cooperativa. Essa empresa foi constituída em 2006 pelo Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira e sua esposa, Sra. Gládis Teresinha Moreira Garcia, a qual era a vicepresidente fundadora da primeira requerida, de onde se afastou ao ser substituída pelo caseiro do Sr. Antônio na direção daquela cooperativa. (...) O Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira, por sua vez, é identificado como um auxiliar do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira nos assuntos diários. Há ainda a ligação com a requerida EDUSAÚDE TERCEIRIZAÇÃO NA ÁREA DA EDUCAÇÃO, SAÚDE E INFORMÁTICA LTDA, a qual foi criada pela sobrinha do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, sendo vendida a este Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.791 26 em 2004. Atualmente, são sócios o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e sua filha (Bruna). Em que pese o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira declarar que passou a integrar a empresa somente em 2008, constatouse que adquiriu um imóvel em Porto Alegre em maio de 2007 e o transferiu à empresa EDUSAÚDE ainda naquele ano, cerca de uma semana após a aquisição, demonstrando a confusão patrimonial e que o requerido já era ligado a tal cooperativa antes de passar a integrála formalmente. Finalmente, conforme a inicial, a requerida PROSPECTAR SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA foi criada em 2008 pelo Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e outra de suas filhas (Rafaela), tendo como objeto a prestação de serviços administrativos, dentre outros. Logo após a sua constituição, foi contratada pela primeira requerida para prestação de serviços, com remuneração mensal de RS 62.000.00. Aparentemente, esta empresa atua da mesma forma como atua (ou atuou) a requerida ANTÔNIO CARLOS CARVALHO DE OLIVEIRA EPP, não havendo qualquer notícia de empregados ou outra despesa, que não seja a distribuição de lucros ao seu sócio. Ao longo de toda a inicial foram apontados diversos fatos, inclusive conversas telefônicas interceptadas, que demonstram que a Cooperativa intermediava mãodeobra em desrespeito aos ditames do sistema cooperativo, e remunerava as empresas já listadas, de propriedade ou comandadas pelos Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira, com valores acima do razoável. Assim, acabavam desviando parte dos recursos com benefícios fiscais para aquelas pessoas, demonstrando o caráter empresarial da cooperativa e o intuito de enriquecimento de seus comandantes. Em síntese, o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira fundou a primeira requerida junto com a Sra. Gládis, esposa do Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira, o qual é identificado como um auxiliar do Sr. Antônio nos assuntos diários. Após 2004, passou a prestar serviços à primeira requerida através das empresas de sua propriedade ou de seus familiares ou, ainda, de um ex funcionário: Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, Prospectar Serviços Administrativos Ltda. Epp e Edusaúde. Além disso, a primeira requerida teria contratado os serviços da empresa Pontal Consultoria Empresarial Ltda., de propriedade do Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira. Todas essas contratações teriam sido realizadas por valores fora da realidade, aprovados pela diretoria da primeira requerida, composta por sua irmã e um funcionário pessoal do mesmo. Conforme expõe a inicial, houve o uso da Equipe Cooperativa para fins pessoais, com o desvirtuamento de várias pessoas jurídicas, em beneficio do enriquecimento de determinadas pessoas. Há confusão patrimonial entre as empresas, demonstrando, ainda, a transferência de recursos da primeira requerida para as demais, com o fito de dificultar a satisfação dos débitos fiscais”. Repito e destaco: “Ao longo de toda a inicial foram apontados diversos fatos, inclusive conversas telefônicas interceptadas, que demonstram que a Cooperativa intermediava mãodeobra em desrespeito aos ditames do sistema cooperativo, e remunerava as empresas já listadas, de propriedade ou comandadas pelos Srs. Antônio Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.792 27 Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira, com valores acima do razoável. Assim, acabavam desviando parte dos recursos com benefícios fiscais para aquelas pessoas, demonstrando o caráter empresarial da cooperativa e o intuito de enriquecimento de seus comandantes. Conforme expõe a inicial, houve o uso da Equipe Cooperativa para fins pessoais, com o desvirtuamento de várias pessoas jurídicas, em beneficio do enriquecimento de determinadas pessoas”. Relevante observar que a expressão “interposição fraudulenta de empresas”, presente na peça judicial, vem ao encontro do procedimento do Fisco e dá sustentação à imputação de responsabilidade solidária, isso porque, ao atuar de forma intencional com o fito de trazerem para si os benefícios que deveriam ser dos cooperados, puseramse ao alcance – em tese e a princípio – das tipificações dos artigos 124, I e 135, III, do Estatuto Tributário3. Procedimento que se robustece ao se deparar com as investigações da Polícia Federal (fls. 92/93): “Apenas no triênio 2005/2007. a EQUIPE COOPERATIVA recebeu de Canoas a quantia de R$ 50.637.230,32. sendo que, conforme a Receita Federal, as empresas PONTAL e ANTÔNIO CARLOS CAVALHEIRO DE OLIVEIRA (ACCO) são os maiores recebedores de valores provenientes da EQUIPE COOPERATIVA. Reiterese, portanto, que, ao final, os maiores beneficiários do vínculo contratual mantido entre a cooperativa e o município de Canoas são empresas ligadas aos instituidores da cooperativa, CAVALHEIRO e SÉRGIO. Nesse ponto não é demais revisitar a percuciente constatação da CGU, exarada no tópico 2.1.1.2.1: "Isso se explica, em grande parte, pelos expressivos montantes de despesas da Equipe Cooperativa de Serviços Ltda. com a contratação de assessorias, revelando indícios de subterfúgio para a retirada de capital dos 'proprietários de fato' da cooperativa " É simples e precisa essa assertiva. Há farta demonstração de que CAVALHEIRO, muito embora tenha sido excluído da diretoria da EQUIPE, permaneceu à frente da cooperativa capitaneando as ações”. 3 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.793 28 Ou seja, atos e fatos que convergem para, repitase, a princípio, dar razão ao Fisco. Cabe ver, todavia, se a tipificação legal assumida está em consonância com os fatos narrados. No caso das duas pessoas físicas imputadas (Antônio e Sérgio), ficou claro nos autos que ambos não possuem status de dirigentes de “direito” da Equipe, mas, sim, comandamna de forma paralela (ocultamente na forma, mas concretamente na essência), de modo que inadequado assumirse os ditames do artigo 135, III, do CTN, endereçado a “diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado”, o que não é o caso. De outro eito, indiscutível que os fatos elencados coadunamse com a dicção do artigo 124, I. De fato, ficou comprovado nos autos que Antônio e Sérgio, conquanto formalmente não presentes na direção da cooperativa, de fato permaneceram à sua frente no período objeto da ação fiscal. Nessa senda, os atos por eles, Antônio e Sérgio, praticados, mostram, à abundância, a drenagem da cooperativa e sua utilização por ambos – de forma pessoal – no sentido de abocanhar recursos sob os títulos mais diversos, como honorários, prestação de serviços, consultoria, etc., estando, pois, em consonância com o “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal” de que fala o inciso I, supra. Deste modo, em relação à responsabilização solidária de Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira – CPF nº 176.183.63072 e Sérgio Luiz da Silva Pereira – CPF nº 174.500.63034, mantenho a sujeição passiva com fulcro no artigo 124, I, do CTN e afasto a direcionada para o artigo 135, III, do Código Tributário. Posição que se amolda à jurisprudência desta Turma, conforme expresso em outros julgamentos, por exemplo, Ac. 1402002.466, relatoria do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, por votação unânime: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. Constatado que o sócio administrador continuava a atuar de fato nos negócios da empresa mesmo depois de formalmente excluído do seu quadro societário, é lícito à autoridade fiscal qualificálo como responsável solidário pelo crédito tributário constituído. No que tange às pessoas jurídicas Pontal Consultoria Empresarial Ltda. (PONTAL – CNPJ nº 07.983.541/000126); Edusaúde Serviços Administrativos S.A. (EDSAÚDE – CNPJ nº 07.161.798/000110) e Prospectar Serviços Administrativos Ltda. (PROSPECTAR – CNPJ nº 10.015.925/000160), pelos motivos acima elencados, igualmente devem ser mantidas as imputações com sustento no artigo 124, I, do CTN, isto porque tratavamse comprovadamente de empresas dirigidas por Antônio e Sérgio e que do mesmo Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.794 29 modo, foram utilizadas para drenar a Equipe, inicialmente em benefício delas mesmos e depois direcionando recursos às pessoas físicas mencionadas. Sintetizando, logrando proveito próprio (econômico, financeiro, jurídico) nas situações surgidas e que constituam os fatos geradores, cabe a responsabilização solidária marcada pelo artigo 124, I, do Diploma Tributário. Nesse sentido, o Ac. 1101001.010, relatoria da Conselheira Edeli Pereira Bessa: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Demonstrado nos autos o interesse comum de outras pessoas jurídicas na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, entendese que são solidariamente obrigadas com a autuada em relação à exigência correspondente, nos termos do inciso I, do art. 124, do CTN. Assim, mantenho a responsabilização solidária impingida com fulcro no artigo 124, I, do CTN às pessoas jurídicas Pontal Consultoria Empresarial Ltda. (PONTAL – CNPJ nº 07.983.541/000126); Edusaúde Serviços Administrativos S.A. (EDSAÚDE – CNPJ nº 07.161.798/000110) e Prospectar Serviços Administrativos Ltda. (PROSPECTAR – CNPJ nº 10.015.925/000160). Concluindo, encaminho meu voto para: i) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da recorrente EQUIPE COOPERATIVA DE SERVIÇOS LTDA., mantendo integralmente os lançamentos e o crédito tributário constituído nos autos de infração (fls. 387/481); ii) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recuso voluntário das pessoas físicas Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira – CPF nº 176.183.63072 e Sérgio Luiz da Silva Pereira – CPF nº 174.500.63034, para afastar a responsabilização solidária fincada no artigo 135, III, do CTN, mantendo tão somente a sujeição passiva fundada no artigo 124, I, do mesmo diploma legal; e, iii) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário das pessoas jurídicas Pontal Consultoria Empresarial Ltda. (PONTAL – CNPJ nº 07.983.541/000126); Edusaúde Serviços Administrativos S.A. (EDSAÚDE – CNPJ nº 07.161.798/000110) e Prospectar Serviços Administrativos Ltda. (PROSPECTAR – CNPJ nº 10.015.925/000160), mantendo a sujeição passiva imputada com base no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional. É como voto. Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.795 30 Brasília (DF), em 11 de abril de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1795DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007730/2005-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DCTF. INCIDÊNCIA.
A entrega da DCTF fora do prazo previsto na legislação sujeita o contribuinte à multa respectiva decorrente deste atraso.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. INATIVIDADE CARACTERIZADA. EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA DE ATO NORMATIVO SUPERVENIENTE COM TRATAMENTO JURÍDICO MENOS SEVERO QUE O VIGENTE À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO.
A superveniência de norma com aplicação de tratamento jurídico menos severo do que o vigente à época da autuação atrai a incidência do art. 106, II, b, do CTN, que consagra o princípio da retroatividade benigna em matéria de multa.
Numero da decisão: 1002-000.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DCTF. INCIDÊNCIA. A entrega da DCTF fora do prazo previsto na legislação sujeita o contribuinte à multa respectiva decorrente deste atraso. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. INATIVIDADE CARACTERIZADA. EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA DE ATO NORMATIVO SUPERVENIENTE COM TRATAMENTO JURÍDICO MENOS SEVERO QUE O VIGENTE À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. A superveniência de norma com aplicação de tratamento jurídico menos severo do que o vigente à época da autuação atrai a incidência do art. 106, II, b, do CTN, que consagra o princípio da retroatividade benigna em matéria de multa.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-06-01T14:54:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.7; xmp:CreatorTool: PDF Architect 5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-06-01T14:54:04Z; Last-Modified: 2018-06-01T14:54:04Z; dcterms:modified: 2018-06-01T14:54:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.7; Last-Save-Date: 2018-06-01T14:54:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDF Architect 5; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-06-01T14:54:04Z; meta:save-date: 2018-06-01T14:54:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-06-01T14:54:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-06-01T14:54:04Z; created: 2018-06-01T14:54:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2018-06-01T14:54:04Z; pdf:charsPerPage: 1452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-06-01T14:54:04Z | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.007730/200581 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.154 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 08 de maio de 2018 Matéria MULTA POR TRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO Recorrente RTR COMÉRCIO DE MÁQUINAS E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DCTF. INCIDÊNCIA. A entrega da DCTF fora do prazo previsto na legislação sujeita o contribuinte à multa respectiva decorrente deste atraso. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. INATIVIDADE CARACTERIZADA. EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA DE ATO NORMATIVO SUPERVENIENTE COM TRATAMENTO JURÍDICO MENOS SEVERO QUE O VIGENTE À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. A superveniência de norma com aplicação de tratamento jurídico menos severo do que o vigente à época da autuação atrai a incidência do art. 106, II, “b”, do CTN, que consagra o princípio da retroatividade benigna em matéria de multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 77 30 /2 00 5- 81 Fl. 29DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por economia processual, adoto o relatório produzido pela DRJ/Fortaleza (CE): Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração, fis. 02, referente à multa pelo atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, anocalendário de 2003, no valor total de RS 400,00. Inconformada com a exigência da qual tomou ciência em 04/08/2005 (Ar. fls. 03), o contribuinte ingressou com impugnação em 05/09/2005, fls. 01, alegando, em síntese, que não realizou nenhuma operação desde a sua constituição, ou seja, 31/01/2003, até o mês de novembro do mesmo ano. Assim, por se enquadrar na situação de inativa estava dispensada a apresentar as declarações relativas aos dois períodos que originaram o auto de infração. A exigência tributária foi impugnada pelo contribuinte e julgada improcedente pela DRJ/FOR, conforme acórdão n. 0815.143, de 31 de março de 2009 (efl. 12), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Considerase inativa, para fins de dispensa na entrega da DCTF, a pessoa jurídica que não realizou qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial no curso do trimestre civil. Observada qualquer dessas movimentações, tornase obrigatória a apresentação da declaração e, sendo o caso, a aplicação da multa por atraso no cumprimento da obrigação acessória. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou recurso voluntário no qual, em síntese, ratifica os argumentos apresentados em sede de impugnação, no sentido de que se encontrava na situação de inativa desde o inicio do ano calendário a que se referiam as DCTFs, aduzindo que, de acordo com a Instrução Normativa RFB 893/2008, parágrafo único do art. 2°, os pagamentos efetuados no ano calendário referentes a tributos ou multa pelo descumprimento de obrigações acessórias referentes aos anoscalendário anteriores não descaracterizam a inatividade. É o Relatório. Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10380.007730/200581 Acórdão n.º 1002000.154 S1C0T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Examinandose o mérito da lide administrativa, verifico que não há contestação do atraso na entrega da DCTF do períodobase em questão nem do cálculo da multa, evidenciados no auto de infração de efl. 4, lavrado em 12/07/2005. O Recorrente apenas evoca legislação posterior que lhe seria mais benéfica e que teria o condão de excluir a aplicação da referida multa. Compulsandose os autos, verifico que a razão jurídica externada pela instância a quo para descaracterização da inatividade e indeferimento do pleito do Recorrente foi a constatação de existência de recolhimento por ele efetuado em 30/05/2003, conforme excerto seguinte (in verbis): De acordo com a legislação tributária, considerase pessoa jurídica inativa aquela que não tenha efetuado qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial, durante todo o anocalendário. A pessoa jurídica que tenha feito qualquer tipo de aplicação no mercado financeiro não ,será considerada inativa. Este conceito se encontra expressamente previsto na Instrução Normativa SRF n° 21/2001, art. 2°, parágrafo único, e em atos administrativos subseqüentes. No presente caso, conforme consulta ao Sistema de Arrecadação Federal Sinal, fls. 13, verificase que o contribuinte efetuou em 30/05/2003 um recolhimento sob o código de receita n° 5338, no valor de R$ 800,00, relativamente a uma obrigação vencida em 30/05/2002. Portanto, estando comprovada a realização de atividade financeira no mês de maio de 2003, referente a uma obrigação vencida em 2002, fica afastada a hipótese de inatividade alegada pela defesa.(grifos nossos) Vêse que a inatividade do contribuinte foi descaracterizada pela constatação de pagamento sob o código de receita 5338, o qual descreve recolhimento de multa por atraso na entrega de DIRPJ, conforme consulta ao sitio da Receita Federal do Brasil RFB: Fl. 31DF CARF MF 4 Entretanto, segundo o parágrafo único do art. 2° da Instrução Normativa RFB 893/2008, os pagamentos efetuados no anocalendário referentes a multa pelo descumprimento de obrigações acessórias não descaracterizariam a inatividade: Art. 2º Considerase pessoa jurídica inativa aquela que não tenha efetuado qualquer atividade operacional, nãooperacional, patrimonial ou financeira, inclusive aplicação no mercado financeiro ou de capitais, durante todo o anocalendário. Parágrafo único. O pagamento, no anocalendário a que se referir a declaração, de tributo relativo a anoscalendário anteriores e de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não descaracterizam a pessoa jurídica como inativa no anocalendário.(grifos nossos) Sendo assim, é de deferirse o pleito do Recorrente, eis que o recolhimento sob o código de receita 5338 constituiu o único fundamento para descaracterização da inatividade no períodobase da autuação, redundando na geração da multa pelo atraso na entrega da DCTF. Em razão de a IN RFB 893/2008 ter dado tratamento jurídico menos rigoroso à caracterização da inatividade, aplicase ao caso o art. 106, II, “c”, do CTN, que consagra o princípio da retroatividade benigna em matéria de multa: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;(grifos nossos) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, considerando que a situação sob exame subsumese à alínea "b" do inciso II do artigo 106 supra mencionado, deve ser reconhecido o direito do Recorrente à exclusão da à multa pelo atraso na entrega da DCTF do anocalendário de 2003. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 32DF CARF MF
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