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Numero do processo: 12585.000286/2010-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para ciência ao contribuinte do resultado da diligência. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB-SP 83755, escritório Mattos Filho Advogados..
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 11080.007381/2007-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 29/05/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 29/05/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 73 81 /2 00 7- 14 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11080.007381/200714 Acórdão n.º 9202005.844 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11080.007381/200714 Acórdão n.º 9202005.844 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11080.007381/200714 Acórdão n.º 9202005.844 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11080.007381/200714 Acórdão n.º 9202005.844 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11080.007381/200714 Acórdão n.º 9202005.844 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11080.007381/200714 Acórdão n.º 9202005.844 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11080.007381/200714 Acórdão n.º 9202005.844 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11080.007381/200714 Acórdão n.º 9202005.844 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11080.007381/200714 Acórdão n.º 9202005.844 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11080.007381/200714 Acórdão n.º 9202005.844 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.987790/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 90 /2 01 2- 69 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987790/201269 Acórdão n.º 1401001.972 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987790/201269 Acórdão n.º 1401001.972 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.987790/201269 Acórdão n.º 1401001.972 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.003416/2002-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Feb 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/1996
NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL.
Ocorrendo a perda de objeto no decurso do processo administrativo fiscal, impõe-se o não conhecimento de recurso especial.
Numero da decisão: 9303-006.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
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Ocorrendo a perda de objeto no decurso do processo administrativo fiscal, impõese o não conhecimento de recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 34 16 /2 00 2- 80 Fl. 449DF CARF MF 2 (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de retorno dos autos do processo para essa turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, após o Colegiado do Pleno da Câmara Superior ter apreciado Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, que ressurgiu com a discussão acerca do prazo decadencial. Recordase que aquele Colegiado, por meio do acórdão 9900000.318, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, entendendo que a contagem do prazo decadencial, quando houver ausência de pagamento antecipado, deve se iniciar a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, conforme art. 173, inciso I, do CTN. Constou do voto do referido acórdão o que segue (Grifos meus): “[...] No caso dos autos, não havendo nos autos comprovação de nenhum pagamento antecipado e nem apresentação de declaração constitutiva de débito, procedem as argumentações da Fazenda Nacional. Por tais fundamentos, DOU provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para afastar a arguição de decadência e determinar o retorno dos autos à Câmara ordinária para apreciação das demais razões do recurso especial. [...]” O que, por conseguinte, considerando os termos daquele dispositivo, foi emitido Ofício à fl. 447 (Grifos meus): “Senhor(a) Chefe, Tendo em vista o disposto no Acórdão nº 9900000.318 – Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 437 a 446), último parágrafo, proponho o retorno dos autos à Câmara Ordinária para apreciação.” Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10909.003416/200280 Acórdão n.º 9303006.035 CSRFT3 Fl. 450 3 Pela breve leitura do Ofício, vêse que os autos deveriam ter sido remetidos para a Câmara Ordinária, e não para a Câmara Superior. Não obstante, vêse que o voto do acórdão de Recurso Extraordinário traz que a Câmara Ordinária deve apreciar as demais matérias trazidas em “Recurso Especial”. O que traz alguma confusão. Por isso, importante descrever o histórico. O sujeito passivo foi intimado da lavratura do Auto de Infração que trazia a falta de recolhimento da Cofins, relativamente aos períodos de apuração de maio, julho, agosto, novembro e dezembro/95 e janeiro a dezembro/96. Após a DRJ ter mantido o lançamento, interpôs Recurso Voluntário, ressurgindo com a discussão acerca: · Do Prazo Decadencial; · Da não aplicação de lei pela observância da própria Constituição Federal vinculando com a discussão sobre a decadência; · Da Multa de ofício no percentual de 75% aplicada, invocando afronta aos princípios da capacidade contributiva, da vedação ao confisco, da igualdade, entre outros; · Da impossibilidade de incidência da Selic para correção monetária de débitos tributários. Após apreciação do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, foi consignado acórdão 20310.056 pela 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao recurso, por maioria de votos, quanto à decadência e por unanimidade quanto às demais matérias, consignando a seguinte ementa: “COFINS. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da COFINS é de dez anos a contar da ocorrência do fato gerador, consoante o art. 45 da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 150, § 4% do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC. A falta do regular recolhimento da COFINS, nos termos da legislação vigente, autoriza o lançamento de oficio com a multa e taxa SELIC. É lícita a exigência do encargo com base Fl. 451DF CARF MF 4 na variação da taxa SELIC conforme precedentes junsprudenciais — AGRg nos EDcl no RE n° 550.396 — SC. Recurso negado.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs, assim, Recurso Especial ressurgindo com a discussão acerca da decadência, protestando pela aplicação do prazo decadencial de 5 anos, conforme art. 150, § 4º, do CTN. Em Despacho às fls. 330 a 331, foi dado seguimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, requerendo que seja negado provimento ao recurso especial. Apreciado o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo pelo Colegiado da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por voto de qualidade, foi dado provimento ao recurso especial, sendo consignada a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/1996 COFINS. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4% CTN. ART. 45, LEI N.° 8.212/91. NÃO APLICAÇÃO. O prazo decadencial para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS é o estabelecido no art. 150, § 4% do CTN, não se aplicando o art. 45 da Lei n.° 8.212/91 por ser inconstitucional. Precedentes do Pleno do Egrégio STF que vinculam o julgador administrativo, conforme art. 1° do Decreto n.° 2.346/97.” Insatisfeita, então, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário, trazendo, entre outros, que: · O Colegiado dando provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, pelo voto de qualidade, declarou a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário da COFINS relativa aos períodos de apuração de 31/05/1995 a 31/12/1996; Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10909.003416/200280 Acórdão n.º 9303006.035 CSRFT3 Fl. 451 5 · A ilustre maioria da Segunda Turma desta Egrégia Câmara Superior aduziu que, por ser o COFINS tributo sujeito a recolhimento mediante o sistema de "lançamento por homologação", o auto de infração somente poderia ser lavrado dentro do prazo de 05 anos, a partir do fato gerador, conforme o art. 150, §4° do CTN; · O r. acórdão diverge da jurisprudência mantida pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos CSRF/0103.167 e CSRF/0103.215), sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver recolhimento ante ado do tributo, devendo, portanto, ser reformado. Assim, a Fazenda pediu para que seu recurso extraordinário fosse provido para afastar a decadência do fato gerador ocorrido em 31.12.96. Vêse que somente trouxe à baila a discussão do prazo decadencial. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos autos, após o relato dos autos do processo, importante recordar o que ficou consignado em voto do acórdão de Recurso Extraordinário: “[...] No caso dos autos, não havendo nos autos comprovação de nenhum pagamento antecipado e nem apresentação de declaração constitutiva de débito, procedem as argumentações da Fazenda Nacional. Por tais fundamentos, DOU provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para afastar a arguição de decadência e determinar o Fl. 453DF CARF MF 6 retorno dos autos à Câmara ordinária para apreciação das demais razões do recurso especial. [...]” O recurso especial interposto pelo sujeito passivo somente trouxe a discussão acerca da decadência, não ressurgindo com a discussão sobre as “demais matérias” ou “demais razões”, tornandose definitiva administrativamente a decisão desfavorável ao sujeito passivo dada pela Câmara Ordinária quando da apreciação do afastamento ou não da multa de ofício e da taxa Selic. Ademais, também não haveria o que se apreciar na Câmara Ordinária, considerando que todas as matérias trazidas em recurso voluntário efetivamente foram apreciadas por aquele Colegiado. O que, por conseguinte, resta acabada a discussão nesse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em vista de todo o exposto, não conheço o Recurso Especial por perda de objeto. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10305.002348/94-14
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1990
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
Em se tratando de consectário do tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador se existir pagamento antecipado.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO.
Caracteriza omissão de receitas a efetividade entrega e demonstração da origem dos recursos não comprovadamente evidenciadas, ressalvada ao sujeito passivo a prova da improcedência da presunção. O intuito da presunção legal, que se aplica seja qual for o regime de tributação adotado pela pessoa jurídica, é coibir a existência de recursos que transitem à margem da escrituração contábil.
OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO CONTRATO DE MÚTUO.
a legislação tributária comanda no sentido de que na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas as contrapartidas das variações monetárias, em função da de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte e ainda nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas ligadas, a mutuante deve reconhecer, para efeito de determinação do lucro real, o valor correspondente
à correção monetária calculada segundo a variação do valor diário da ORTN.
Essa obrigação é aplicável a partir de todos os contratos compreendidos dentro do período base, sendo irrelevante a forma pela qual o empréstimo se exteriorize até 16.01.1989 em OTN Fiscal e até 31.01.1989 em OTN. No período de congelamento a correção monetária foi calculada co m base nos seguintes valores: (a) NCz$6,92 no caso de OTN fiscal e (b) NCz$ 6,17 multiplicada pelo fator 1,2879 no caso de OTN e as obrigações que se
vencerem, o cálculo atualização e correção das obrigações contratuais será efetuada pelo IPC a partir de 01.02.1989 pela variação diária do BTN.
DESPESA OPERACIONAL DEDUTÍVEL. REQUISITOS.
Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da
independência dos exercícios, as despesas devem ser apropriadas
simultaneamente às receitas que gerarem. Estas despesas, para serem dedutíveis, devem ser incorridas, necessárias, usuais ou normais para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora.
VARIAÇÃO MONETÁRIA. APURAÇÃO DO LUCRO OPERACIONAL.
Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas as contrapartidas das variações monetárias, em função de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual dos direitos de crédito do sujeito passivo, assim como os ganhos monetários realizados no pagamento de obrigações, bem como poderão ser deduzidas as contrapartidas de variações monetárias
de obrigações e as perdas cambiais e monetárias na realização de créditos.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e
jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de Finsocial e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.558
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Mendonça Marques e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que davam provimento parcial ao recurso, em virtude de entenderem dedutíveis algumas despesas com viagens a trabalho.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1990 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Em se tratando de consectário do tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador se existir pagamento antecipado. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Caracteriza omissão de receitas a efetividade entrega e demonstração da origem dos recursos não comprovadamente evidenciadas, ressalvada ao sujeito passivo a prova da improcedência da presunção. O intuito da presunção legal, que se aplica seja qual for o regime de tributação adotado pela pessoa jurídica, é coibir a existência de recursos que transitem à margem da escrituração contábil. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO CONTRATO DE MÚTUO. a legislação tributária comanda no sentido de que na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas as contrapartidas das variações monetárias, em função da de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte e ainda nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas ligadas, a mutuante deve reconhecer, para efeito de determinação do lucro real, o valor correspondente à correção monetária calculada segundo a variação do valor diário da ORTN. Essa obrigação é aplicável a partir de todos os contratos compreendidos dentro do período base, sendo irrelevante a forma pela qual o empréstimo se exteriorize até 16.01.1989 em OTN Fiscal e até 31.01.1989 em OTN. No período de congelamento a correção monetária foi calculada co m base nos seguintes valores: (a) NCz$6,92 no caso de OTN fiscal e (b) NCz$ 6,17 multiplicada pelo fator 1,2879 no caso de OTN e as obrigações que se vencerem, o cálculo atualização e correção das obrigações contratuais será efetuada pelo IPC a partir de 01.02.1989 pela variação diária do BTN. DESPESA OPERACIONAL DEDUTÍVEL. REQUISITOS. Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios, as despesas devem ser apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem. Estas despesas, para serem dedutíveis, devem ser incorridas, necessárias, usuais ou normais para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. VARIAÇÃO MONETÁRIA. APURAÇÃO DO LUCRO OPERACIONAL. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas as contrapartidas das variações monetárias, em função de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual dos direitos de crédito do sujeito passivo, assim como os ganhos monetários realizados no pagamento de obrigações, bem como poderão ser deduzidas as contrapartidas de variações monetárias de obrigações e as perdas cambiais e monetárias na realização de créditos. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de Finsocial e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2166; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 714 1 713 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10305.002348/9414 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.558 – 1ª Turma Especial Sessão de 07 de agosto de 2013 Matéria LUCRO REAL Recorrente MERCANTIL TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1990 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Em se tratando de consectário do tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador se existir pagamento antecipado. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Caracteriza omissão de receitas a efetividade entrega e demonstração da origem dos recursos não comprovadamente evidenciadas, ressalvada ao sujeito passivo a prova da improcedência da presunção. O intuito da presunção legal, que se aplica seja qual for o regime de tributação adotado pela pessoa jurídica, é coibir a existência de recursos que transitem à margem da escrituração contábil. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO CONTRATO DE MÚTUO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 30 5. 00 23 48 /9 4- 14 Fl. 714DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 715 2 a legislação tributária comanda no sentido de que na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas as contrapartidas das variações monetárias, em função da de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte e ainda nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas ligadas, a mutuante deve reconhecer, para efeito de determinação do lucro real, o valor correspondente à correção monetária calculada segundo a variação do valor diário da ORTN. Essa obrigação é aplicável a partir de todos os contratos compreendidos dentro do períodobase, sendo irrelevante a forma pela qual o empréstimo se exteriorize até 16.01.1989 em OTN Fiscal e até 31.01.1989 em OTN. No período de congelamento a correção monetária foi calculada co m base nos seguintes valores: (a) NCz$6,92 no caso de OTN fiscal e (b) NCz$ 6,17 multiplicada pelo fator 1,2879 no caso de OTN e as obrigações que se vencerem, o cálculo atualização e correção das obrigações contratuais será efetuada pelo IPC a partir de 01.02.1989 pela variação diária do BTN. DESPESA OPERACIONAL DEDUTÍVEL. REQUISITOS. Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios, as despesas devem ser apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem. Estas despesas, para serem dedutíveis, devem ser incorridas, necessárias, usuais ou normais para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. VARIAÇÃO MONETÁRIA. APURAÇÃO DO LUCRO OPERACIONAL. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas as contrapartidas das variações monetárias, em função de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual dos direitos de crédito do sujeito passivo, assim como os ganhos monetários realizados no pagamento de obrigações, bem como poderão ser deduzidas as contrapartidas de variações monetárias de obrigações e as perdas cambiais e monetárias na realização de créditos. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 716 3 Os lançamentos de Finsocial e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Mendonça Marques e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que davam provimento parcial ao recurso, em virtude de entenderem dedutíveis algumas despesas com viagens a trabalho. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0209, com a exigência do crédito tributário no valor de 385.938,41 UFIR a título de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual no anocalendário de 1989. O lançamento fundamentase nas seguintes infrações e na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ) anocalendário de 1989, fls. 101108: (a) omissão de receitas caracterizada pela não comprovação da origem e da efetividade da entrega de numerário: no valor tributável de NCz$1.358.000,00 em 29.12.1989 a João Sattamini Neto ; no valor tributável de NCz$100.000,00 em 06.10.1989 a Roberto Paraíso Paixão; e no valor tributável de NCz$1.138.000,00 em 29.12.1989 a Roberto Paraíso Paixão; Fl. 716DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 717 4 (b) omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga no valor de NCZ$6.234.088,71 devido através de Contrato de Mútuo com a pessoa jurídica Mercantil Importação e Exportação Ltda; (c) glosa de despesa, por não atendimento a intimação para comprovar com documentação hábil e idônea os efetivos gastos no período, a título de despesa com vendas mercado externo no valor de NCZ$239.728,39; (d) glosa de despesas contabilizadas a débito da conta despesas de viagens e representações, estadias e hospedagens efetuadas pela matriz, tendo em vista que regularmente intimada a comprovar com documentação hábil e idônea a Recorrente apresentou como comprovantes tickets de caixa e documentos diversos, que não comprovam que tais despesas foram efetuadas no seu interesse para a manutenção da sua atividade, cabendo esclarecer que grande parte dessas despesas se referiam ao transporte e estadia do diretor Roberto Paraiso Paixão no deslocamento do seu domicilio na cidade de São Paulo para a sede da empresa, a saber: despesas de viagens e representações Matriz no Rio de Janeiro no valor de NCZ$89.283,92; e estadias e hospedagens Matriz no Rio de Janeiro NCZ$4.582,05; (e) glosa de despesas por não atendimento a intimação para comprovar com documentação hábil e idônea, bem como justificar a sua necessidade a atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora a título de gastos financeiros de juros diversos no valor de NCZ$248.069,67; (f) omissão de variação monetária ativa decorrente de Contrato de Mútuo realizado com a pessoa jurídica Cia Brasileira de Café, CNPJ 27.211.754/000147, conforme planilha de cálculo de correção monetária, em anexo, e o Livro Razão da conta nº 12.12.006 a crédito em favor da coligada e controlada no valor de NCZ$232.161,20; (g) glosa de variação monetária passiva declarada a maior pela Recorrente relativamente ao Contrato de Mútuo com a pessoa jurídica Mercantil Importação e Exportação Ltda, conforme a planilha de cálculo de correção monetária e o Livro Razão das contas respectivas, em anexo, a saber: Valor Declarado NCZ$6.503.825,62; Valor Calculado NCZ$2.469.522,70; Valor Glosado NCZ$4.034.302,92. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 157, art. 179, art. 180, art. 181, art. 191, art. 192, art. 197, art. 253, art. 154 e art. 387 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 85.450, de 04 de dezembro de 1980 (RIR, de 1980). Fl. 717DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 718 5 Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 109114, com a exigência do crédito tributário no valor de 126.630,01 UFIR a título da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. III O Auto de Infração às fls. 115122 com a exigência do crédito tributário no valor de 235.466,83 UFIR a título de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Temse que: (a) a base de cálculo do ILL é de NCz$750.739,35 com incidência da alíquota de 8%; e (b) a base de cálculo do IRRF é de NCz$9.069.817,10 com incidência da alíquota de 25%. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e art. 8º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. IV O Auto de Infração às fls. 123126 com a exigência do crédito tributário no valor de 8.757,53 UFIR a título de Contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, art. 2º, art. 16, art. 80 e art. 83 do Regulamento do Finsocial, aprovado pelo Decreto nº 92.698, de 25 de maio de 1986 e art. 28 da Lei nº 7.738, de 09 de março de 1999. V O Auto de Infração às fls. 127131 com a exigência do crédito tributário no valor de R$3.053,58 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988 e DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, bem como parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, itens I e II, alínea “b” da seção 1 do capítulo 1 do título 5 do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF nº 142, de 15 de julho de 1982. Cientificada em 14.12.1994, fls. 03, 109, 115, 123 e 127, a Recorrente apresenta a impugnação em 11.01.1995, fls. 135145, com as alegações abaixo sintetizadas. Em relação à omissão de receitas caracterizada pela não comprovação da origem e da efetividade da entrega de numerário diz que [...] é de se afastar o [§ 1º] do artigo 157 do RIR, porque esse dispositivo cuida da abrangência de todas as operações dos contratantes retratadas na sua Fl. 718DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 719 6 escrituração, assim como dos resultados apurados anualmente em suas atividades. O fato descrito na norma nada tem a ver com o relato elaborado pela fiscalização no tocante a esse item. O mesmo se diga com relação ao artigo 181 do RIR/80, também eleito pela fiscalização como inobservado pela Impugnante. O dispositivo legal em apreço, cuida da omissão de receita, provada por indícios, hipótese em que a fiscalização poderá arbitrála. Esse procedimento somente pode ser adotado quando os valores fornecidos a titulo de "recurso de caixa" por administradores não for comprovado. Na hipótese, isto não se dá, porque a fiscalização detectou com exatidão a origem dos recursos que serviram para suprir as necessidades de caixa da Impugnante. Especificouse no auto de infração que os recursos provieram dos Diretores João Leão Sattamini Netto e Roberto Paraiso Paixão, a fiscalização foi ao requinte de indicar a data dos suprimentos e seus respectivos valores. Portanto, a origem dos recursos está comprovada. A contabilização desses recursos obedece às exigências legais. Esses fatos foram aferidos pela fiscalização dai poderse afirmar, sem medo de contestação válida em contrário, que não houve infração do artigo 181 do RIR/80. Por último, resta somente o exame do artigo 387, inciso II do RIR/80. Esse dispositivo elenca, de modo exaustivo, os elementos que devem incidir para determinação do lucro real da pessoa jurídica. Ora, os suprimentos de Caixa, uma vez recebidos de sócios e/ou diretores, cuja origem está comprovada, gera para pessoa jurídica um dever e para as pessoas físicas supridoras um direito. Portanto, não se pode considerar um débito da pessoa jurídica como "resultados"; "rendimentos", "receitas" e quaisquer outros valores suscetíveis de ser incluídos na apuração do lucro liquido. Dai se concluir que o enquadramento da suposta infração fiscal do artigo 387, inciso II do RIR/80 é, data venia, totalmente improcedente. Acrescentese, por fim, que a contabilidade da Impugnante registra entrada dos recursos na sua Caixa, tudo isso feito através de depósitos bancários (documentos juntos), havendo, inclusive, contrato de mútuo. No que se refere à omissão de receita caracterizada pela passivo fictício, suscita que A descrição do fato supra desaparece quando se vê que a Impugnante é controladora da empresa MERCANTIL DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. detentora de 99,75% do seu capital. É estranho o tipo de acusação fiscal, porque o saldo da conta, ao contrário do que sustenta a fiscalização, é credor e não devedor. Isto é provado pelo levantamento efetuado pela Impugnante aqui anexo. Na formulação desse levantamento, foram adotados todos indexadores permitidos por lei. A planilha elaborada pela fiscalização não explicita a forma de cálculo, partindo, sem base fática, em demonstrativo ininteligível da premissa de que o saldo da conta é devedor.(!?) A falta de explicitação na planilha elaborada pela fiscalização dos índices para a correção do valor do mútuo celebrado entre a Impugnante e a sua controladora caracteriza cerceamento da defesa, o que deve ser objeto de apuração mediante perícia. Nenhuma das hipóteses consolidadas nos artigos 179, 180 e 387, inciso II do RIR/80, nem no artigo 157 do mesmo diploma, incidem para caracterizar a infração apontada pela fiscalização. Relativamente a glosa de despesa, por não atendimento a intimação para comprovar com documentação hábil e idônea os efetivos gastos no período, a título de gastos com vendas mercado externo menciona que Fl. 719DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 720 7 A exemplo das demais imputações, a que ora se examina também não se sustenta. O cerne da acusação é no sentido de que "não houve a apresentação dos comprovantes das despesas operacionais". Isso, data venha, não é verdadeiro. Todos os comprovantes estão nos arquivos da Impugnante. São documentos hábeis e decorrem da movimentação de "containers" e estufagem de café no Porto de Santos. Essas despesas foram pagas às empresas Martinelli Administração de Bens; Casa Exportadora Nauman Gepp; Politran; Caravel, Sindicatos de Mao de Obra, etc. Essa documentação, pelo seu volume, se juntado nessa defesa, somente concorreria para o inchaço desnecessário do processo. A juntada dessa documentação, além de todos os demais comprovantes objeto de outros títulos deste auto de infração, no mínimo geraria o começo deste processo com, pelo menos, dez volumes. Por essa razão, pedese a juntada dos comprovantes dessas despesas por amostragem, protestando se pela realização de uma perícia para examinar a documentação que existe, a qual, embora posta à disposição da D. fiscalização, foi por ela considerada inexistente. No que concerne à glosa de despesas contabilizadas a débito da conta despesas de viagens e representações, e estadias e hospedagens efetuadas argumenta que O fato típico caracterizador da suposta infração posto em relevo pela fiscalização, data venia, não é real. Foram glosados relatório de viagem ao exterior do chefe de vendas da Impugnante. A Impugnante é uma empresa que se dedica exclusivamente à venda de café verde para o exterior, isto é, a exportação de café. Não é crível que uma empresa exercente de tal atividade esteja proibida de enviar o seu chefe de vendas ao exterior não só para acompanhar o desenvolvimento dos negócios entre os seus clientes tradicionais, estabelecidos em diversos paises, que compram café do Brasil, assim como para angariar novos mercados. São essas as despesas, todas comprovadas, que não foram aceitas pela fiscalização. O rigor fiscal foi ao requinte de não considerar as despesas efetuadas pelo Diretor da Impugnante Sr. Roberto Paraiso Paixão, durante o período em que o mesmo residiu no município de Santos, principal porto exportador de café do Pais. Essas despesas, todas comprovadas, dizem respeito aos deslocamentos semanais do referido Diretor para o Rio de Janeiro, no exercício de suas funções de controlador das compras de café da Impugnante e a remessa desse mesmo produto para o exterior. Isto data venia, não configura infração aos artigos 157, [...] 191, 192 e 387, inciso I do RIR. Sobre a glosa de despesas financeiras de juros diversos aduz que Não é correta a afirmação da Receita que não foi apresentada documentação hábil. Todo este item se refere a despesas financeiras decorrentes de débitos em contacorrente efetuados pelo sistema bancário que trabalhava com a Mercantil. Quando não há documentação bancária isolada, os valores são comprovados pelos débitos em conta corrente (extratos), indicando claramente o CGC do Banco que efetuou os débitos. Outros valores nesta conta são os relativos a juros pagos a fornecedores em caso de eventual atraso (cheques nominais) nas liquidações de compra de café. Existem as faturas de compra dos lotes de café. Como se vê, apesar do longo tempo em que perdurou a ação fiscal, os dignos autuantes lavraram o presente auto sob a ótica equivocada da inexistência de documentos que, de fato existem. No que diz respeito a omissão de variação monetária ativa decorrente de Contrato de Mútuo realizado com a pessoa jurídica Cia Brasileira de Café explica que Fl. 720DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 721 8 De fato, a Impugnante, por lapso, não efetuou a correção monetária dos pagamentos feitos em favor da sua acionista, Companhia Brasileira de Café. Essas despesas decorriam de salários, despesas gerais e encargos sociais de empregados da referida acionista. Mas essa falta de correção monetária dessas despesas não caracteriza omissão de resultados, vez que a variação da correção monetária ativa não pode ser classificada como lucro operacional, a teor do artigo 175 do RIR/80, porquanto o socorro financeiro prestado pela Impugnante à sua acionista Companhia Brasileira de Café não constituía nem constitui atividade principal ou acessória da pessoa jurídica ora Impugnante. O artigo 171 do RIR/80, que irradia seu comando para os artigos 254, inciso I e 387, inciso II do mesmo Regulamento dispõe que: " será classificado como lucro operacional o resultado das atividades principais ou acessórios, que constituam objeto da pessoa jurídica [Decretolei n.1.598, de 1977, art. 11]. [Acrescenta que] é condição sine qua non que o resultado da correção monetária ativa, deriva de atividades que constituam objeto da pessoa jurídica, quer na sua classe principal ou acessória. Atinente a glosa de variação monetária passiva declarada a maior relativamente ao Contrato de Mútuo com a pessoa jurídica Mercantil Importação e Exportação Ltda procura demonstrar que No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo. Fazem parte integrante do presente Auto de Infração, todos os termos e/ou documentos nele mencionados. Esta imputação fiscal é reflexo do fato tido como tributável, objeto do item II da presente Impugnação. Reiterase que não está correta a afirmação da fiscalização de que a conta apresenta saldo devedor. [...] A contacorrente existente entre a Impugnante e sua controlada Mercantil de Importação e Exportação Ltda., apresenta saldo credor. Somente a fiscalização, que partiu de cálculos não explicitados, sem indicação dos índices utilizados é que pode sustentar a acusação de saldo devedor. A Impugnante insiste na necessidade da realização de uma perícia para dirimir essa controvérsia, vez que a planilha que aqui se anexa, se contrapõe àquela outra elaborada pela fiscalização. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o exposto, demonstrado quantum satis que a acusação fiscal exteriorizada no Auto de Infração ora Impugnado, nasceu desenganada, esse vício insanável, reflete de maneira direta naqueles outros Autos de Infração, que são desdobramentos naturais do principal, ora impugnado, a saber: a) no demonstrativo de multa, juros de mora do Imposto de Renda da pessoa jurídica; Fl. 721DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 722 9 b) no Auto de Infração relativo ao FINSOCIAL; IMPOSTO DE RENDA NA FONTE; CONTRIBUIÇÃO SOCIAL e COFINS. Reiterase, ab initio, o deferimento da perícia, formulando, desde já, os quesitos principais, protestando por suplementares no curso da ação fiscal e, após constituída essa prova, que é de suma importância, para afastar o cerceamento da defesa, pedese seja o Auto de Infração matriz e seus consectários julgados improcedentes, por ser ato de JUSTIÇA FISCAL! Em conformidade com a Resolução 3ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 37, de 17.04.2003, fls. 363368, o julgamento foi convertido na realização de diligência para que Neste sentido, atendidos pela impugnante todos os requisitos previstos no inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, sendo os questionamentos imprescindíveis para o deslinde da presente lide também, em e atenção ao principio do contraditório e da ampla defesa (CF/88, art. 50 , inciso LV), bem como, ao principio da verdade real ou material (CPC, art. 131) VOTO pelo deferimento do pedido de perícia formulado pela impugnante As fls. 415/416 dos autos. 32. Sugiro o RETORNO dos autos A. Unidade de Origem a fim de que a autoridade lançadora nos termos do parágrafo 1º do artigo 18 do Decreto n° 70.235/72 designe servidor(es) para, como perito(s) da União, proceder(em) à perícia ora deferida, formule os quesitos que julgar necessários, intimando o sujeito passivo a indicar seu perito, realizando o exame requerido, resguardando ao contribuinte o direito de formular novos quesitos, desde que relacionados ao mérito em litígio, fixando prazo para que os peritos do contribuinte e da União apresentem os respectivos laudos, os quais deverão se reportar a todos os quesitos formulados pelo contribuinte, bem como, Aqueles porventura formulados pela autoridade lançadora. Nesse sentido foi lavrado o Termo de Realização de Diligência , fls. 371376, da qual a Recorrente apresenta novas razões de defesa, fls. 380387, alegando que ocorreu o lançamento foi alcançado pela prescrição intercorrente, bem como que é nulo por ter sido caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Conclui Em nenhuma linha da informação de fls. 350/355 está dito que o "vistor" da União compareceu à. sede da Impugnante; solicitou documentos e os examinou. Cingiuse esse vistor a ratificar o que disse o d. agente fiscal autuante, com a agravante de afirmar que a Impugnante foi intimada a apresentar a documentação que deu origem ao lançamento fiscal, que a considerou como inexistente. Ora, foi dito repetidas vezes que jamais houve tal intimação, tanto que a Impugnante ofertou nos autos "por amostragem" farta prova da existência da documentação. Disse também a Impugnante que a juntar toda essa documentação na fase de defesa, este processo começaria com no mínimo dez volumes. Não foi por outra razão que a Delegacia de Julgamento deferiu a perícia. E isso foi feito justo para que fosse examinada a documentação (matéria fictícia). Sem esse exame, não houve perícia. Sem a perícia, está configurado o cerceamento da defesa. Posto isto, pedese que V. Sa. desconsidere as informações de fls. 350/355, por inservíveis à instrução deste processo, determinando o desentranhamento das mesmas, para que a perícia seja feita, na forma deferida, em grau de perfeição, que garanta A. Impugnante o contraditório; o devido processo legal e a garantia da Fl. 722DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 723 10 ampla defesa, isto se ultrapassada a preliminar acima, o que se admite para argumentar. E. Deferimento. Novamente intimada, 462, a Recorrente reitera os argumentos já apresentados nos autos, fls. 467480. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 088.508, de 30.05.2006, fls. 584617: “Lançamento Procedente em Parte” para cancelar: (a) parcialmente a glosa de despesa, por não atendimento a intimação para comprovar com documentação hábil e idônea os efetivos gastos no período, a título de gastos com vendas mercado externo no valor de NCz$2.530,08; (b) integralmente a glosa de despesas por não atendimento a intimação por comprovar com documentação hábil e idônea, bem por justificar a sua necessidade a atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora a título de gastos financeiros de juros diversos no valor de NCZ$248.069,67; (c) integralmente a exigência do PIS; (d) parcialmente a exigência do Finsocial no que exceder à alíquota de 0,5%; (e) integralmente a exigência do IRRF; (f) integralmente a exigência do ILL; (h) a incidência de juros de mora com base na TRD no período de 04.02.1991 a 29.07.1991. Restou ementado Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1990 Ementa: PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Impossível a declaração de prescrição intercorrente em curso de processo administrativo, por suspensa a exigibilidade do crédito tributário questionado, quando da interposição de impugnação ou recurso contra o instrumento que formalizou o feito fiscal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1990 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. A prova da origem e efetiva entrega dos recursos, tanto para suprimento de caixa, como para integralização de capital, deve ser comprovada por documentação hábil, idônea e coincidente, em datas e valores, por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular de empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 724 11 A manutenção no passivo de obrigação já paga ou não comprovada a sua efetiva existência, mediante documentação hábil e idônea, autoriza presunção de omissão de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. CONTRATO DE MÚTUO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Nos contratos de mútuos celebrados entre o sujeito passivo e empresas ligadas/coligadas, deverá ser adicionada ao lucro liquido, para e feito de determinar o lucro real, pelo menos o valor da correção monetária. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Temse por válida a glosa de custos e despesas que não forem devidamente comprovados pelo sujeito passivo, por meio de documentação hábil e idônea. GASTOS COM VIAGENS. DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custos e despesas operacionais requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações e da necessidade as atividades da empresa. Só serão dedutíveis quando comprovadas sua efetividade, necessidade e vinculação aos objetivos da pessoa jurídica. LUCRO REAL. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. MUTUO. PESSOAS JURÍDICAS LIGADAS. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias dos direitos de crédito do contribuinte, oriundos de empréstimos a empresa coligada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL. Aplicase as exigências ditas reflexas o que decidido quanto à exigência matriz, devido à intima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias procedidas de oficio, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. Com a suspensão das disposições contidas nos Decretosleis nos 2445 e 2449, ambos de 1988, pela Resolução n° 49, de 09/10/1995, do Presidente do Senado Federal, não subsiste o lançamento da contribuição para o Programa de Integração Social calculada com base naqueles diplomas legais. CONTRIBUIÇÃO0 PARA O FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL FINSOCIAL. Exonerase a parcela do lançamento que exceder à al/quota de 0,5%, quando a atividade da empresa for venda de mercadoria ou mista. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 725 12 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. A tributação reflexa relativa aos lucros considerados como automaticamente distribuídos aos sócios, por.força do Ato Declaratório Normativo n° 6/96, no período entre 01.01.89 e 31.12.92, regerseá pelo disposto nos artigos 35 e 36 da Lei n° 7.713/88, não se lhes aplicando a regra do artigo 8º do Decretolei n°2.065/83. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — ILL. LUCRO AUTOMATICAMENTE DISTRIBUÍDO. Face à determinação contida na Instrução Normativa n° 063, de 24 de julho de 1997, ficam cancelados os créditos da Fazenda Nacional relativamente ao Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Liquido, constituídos com base no art. n° 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. JUROS DE MORA COM BASE NA TRD. Com fundamento na determinação contida art. 1º da Instrução Normativa SRF n° 032/97, é de se cancelar a parcela do crédito tributário correspondente a exigência da Taxa Referencial Diária TRD, no período de 04.02.91 a 29.07.91, remanescendo, neste período, juros de mora a razão de 1% ao mês calendário ou fração, de acordo com legislação pertinente. Notificada em 07.07.2006, fl. 624, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 03.08.2006, fls. 628641, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação, inclusive no que se refere à decadência do direito de a Fazenda Nacional proceder ao lançamento de ofício. Conclui A decisão recorrida merece ser anulada, pelo manifesto cerceamento da defesa, devendo ser determinado à perita que responda corretamente ao quesito n° 2, tal como assinalado pelo julgador vencido. Se assim não entender esse C. Conselho, é o caso então de ser decretar a prescrição intercorrente, tal como exposto no titulo próprio. Mais uma vez, admitindo, por amor ao debate, que assim não entenda esse Egrégio Conselho, seja então julgadas insubsistentes as partes do Auto de Infração mantidas pelo v. acórdão, o que deságua na improcedência do mesmo. Finalmente, ainda derradeiramente admitindo para argumentar, não conclua esse C. Conselho por uma das soluções acima, seja então decotada a multa de oficio ou reduzida a 20%, contados da data do julgamento desse recurso, evitandose assim acumulação indevida de multa moratória e incidência da TRD, para evitar o bis in idem. Procedendo de uma forma ou de outra estará esse egrégio Conselho, mais uma vez, fazendo a costumeira e salutar JUSTIÇA FISCAL! Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 726 13 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente argui que os lançamentos foram alcançados pela decadência. Compete antes de examinar as razões da defesa, analisar a objeção de decadência por ser matéria de ordem pública, que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício e a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento.Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta dolosa qualificada pela sonegação, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC1, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF2. No presente caso, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador, caso houvesse pagamentos antecipados. A intimação das exigências relativas ao anocalendário de 1989 foi efetivada em 14.12.1994, fls. 03, 109, 115, 123 e 127, de modo que não se verificou o transcurso do prazo legal de caducidade. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação 1 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 2 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 727 14 profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes3. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos4. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. Ademais, contam nos autos a realização de perícia com a emissão do Laudo da Fazenda Nacional, fls. 271376 e 458460 e do Laudo da Recorrente, fls, 471479 com o escopo de elucidar as questões controvertidas. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que ocorreu a prescrição intercorrente e assim o lançamento deve ser cancelado. 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 4 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 728 15 A Recorrente alega que a ação para a cobrança do crédito tributário está prescrita.A prescrição é matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda da pretensão do direito de a Fazenda Pública cobrar o crédito tributário já constituído pelo lançamento, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos previsto em lei. Constituído definitivamente o crédito não tributário, após o término regular do processo administrativo, prescreve em 5 (cinco) anos a ação de execução da administração pública federal. Ademais, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.5 No presente caso o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa pela apresentação do recurso voluntário e assim não está definitivamente constituído na esfera administrativa, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo fiscal, medida que tem o efeito de impedir o início da contagem do prazo de prescrição. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos registros nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. O lucro real é determinado pelo lucro líquido do período de apuração ajustado, nos termos legais, pelas adições dos valores que não sejam dedutíveis e dos os ganhos e rendimentos de capital e pelas exclusões dos valores autorizados, do prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, das perdas no recebimento de créditos decorrentes das suas atividades e das provisões expressamente autorizadas. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, por via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos 5 Fundamentação legal: inciso III do art. 151, inciso V do art. 156 e art. 174 do Código Tributário Nacional, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999 e Súmula CARF nº 11. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 729 16 exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial6. No que concerne à omissão de receitas caracterizada pela não comprovação da origem e da efetividade da entrega de numerário temse que: o valor tributável de NCz$1.358.000,00 em 29.12.1989 a João Sattamini Neto ; o valor tributável de NCz$100.000,00 em 06.10.1989 a Roberto Paraíso Paixão; e o valor tributável de NCz$1.138.000,00 em 29.12.1989 a Roberto Paraíso Paixão. Caracteriza omissão de receitas a efetividade entrega e demonstração da origem dos recursos não comprovadamente evidenciadas, ressalvada ao sujeito passivo a prova da improcedência da presunção. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, cabendo a pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. O intuito da presunção legal, que se aplica seja qual for o regime de tributação adotado pela pessoa jurídica, é coibir a existência de recursos que transitem à margem da escrituração contábil. Ademais, por via de regra cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados , exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração7. Vale reiterar que para ilidir o ilícito de suprimento de numerário, devem ser atendidas as condições cumulativas, quais sejam, a efetiva entrega e a demonstração da origem dos respectivos recursos mediante comprovação coincidente em datas e valores com os dados constantes nos registros contábeis e lastreadas em documentos emitidos por terceiros. Tem cabimento transcrever excertos: Laudo da Fazenda Nacional, fls. 371376 e 458460 "EMBASAMENTO LEGAL DO LANÇAMENTO A tributação buscou [o] de atendimento do dispositivo legal de comprovar a efetiva entrega de numerário, com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, feitas pelos diretores da empresa acima mencionados. RESPOSTA Os lançamentos do dia 06/10/89 foram feitos a débito da conta 11.12.10 (Banco Conta Movimento, Bco. Bradesco) e a crédito da conta 22.13.003 (Exigível a Longo Prazo Débito com Diretores e Acionistas). 6 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. 7 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985 e art. 6º, art. 9º e art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 730 17 Os lançamentos de 29/12/89 foram feitos a débito da conta 11.51.002 (Despesas Operacionais Valores a Regularizar) e a crédito da conta 22.13.001 e 22.13.003 (Exigível a Longo Prazo Débito com Diretores e Acionistas). Os lançamentos estão registrados nas fls. 79 e 175 do Livro Diário. Para respaldar a defesa a autuada anexou os documentos de fls. 143, 144 e 145. Entretanto, somente às fls. 145 encontramos a cópia de um documento que atende a exigência de data e valor, mas não informa quem efetuou o depósito em dinheiro. Embora os lançamentos do dia 29/12 registrem altos valores, não foi apresentado comprovante de depósitos bancário desses valores. CONCLUSÃO O Suprimento de Caixa não foi efetivamente comprovado com documentação hábil e idônea, coincidente em data e valores, nem comprovada ou justificada a sua necessidade para os objetivos da Empresa." Laudo da Recorrente, fls. 471479 "RESPOSTA: O suprimento de caixa teve origem com depósitos efetuados pelos sócios (diretores) João Ledo Sattamilli Neto e Roberto Paraiso Paixão. Estes valores são comprovados com os depósitos bancários efetuados em c/corrente bancária da Mercantil Trading S/A e com contrato de mútuo. Segundo os sócios, eles não têm mais os documentos para comprovarem a transferência. Nesse sentido, restou evidente que a Recorrente não apresenta comprovação de houve a transferência de forma legal dos recursos dos sócios supridores para o seu patrimônio. Por essa razão não se pode afastar a presunção legal de omissão de receitas por suprimento de numerário mantidos à margem da escrituração. Em relação à omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga temse o saldo devedor no valor de NCZ$6.234.088,71 referente ao Contrato de Mútuo com a pessoa jurídica ligada Mercantil Importação e Exportação Ltda em face do qual a Recorrente questiona tãosomente os índices de correção monetária apurados de ofício e discriminados no Demonstrativo às fls. 8889. Caracteriza omissão de receitas a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada, depois de o sujeito passivo ser validamente intimado não apresente provas em contrário. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, cabendo a pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. O intuito da previsão legal é coibir a existência de recursos que transitem à margem da escrituração contábil. A manutenção no passivo de obrigações deve estar evidenciada por documentação hábil e idônea a sua existência no anocalendário objeto do lançamento e de seu adimplemento em período subseqüente, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios.8. 8 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º, art. 9º e art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de Fl. 730DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 731 18 A legislação tributária comanda no sentido de que na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas as contrapartidas das variações monetárias, em função da de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte e ainda nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas ligadas, a mutuante deve reconhecer, para efeito de determinação do lucro real, o valor correspondente à correção monetária calculada segundo a variação do valor diário da ORTN. Essa obrigação é aplicável a partir de todos os contratos compreendidos dentro do períodobase, sendo irrelevante a forma pela qual o empréstimo se exteriorize até 16.01.1989 em OTN Fiscal e até 31.01.1989 em OTN. No período de congelamento a correção monetária foi calculada com base nos seguintes valores: (a) NCz$6,92 no caso de OTN fiscal e (b) NCz$ 6,17 multiplicada pelo fator 1,2879 no caso de OTN e as obrigações que se vencerem, o cálculo atualização e correção das obrigações contratuais será efetuada pelo IPC a partir de 01.02.1989 pela variação diária do BTN9. No presente caso, a correção monetária deve ser calculada segundo a variação do valor da BTN diária e foi calculada a menor do que a devida, em conformidade com o Demonstrativo Fiscal às fls. 8889. De forma irregular, portanto, a Recorrente calculou a atualização dos valores do Contrato de Mútuo com a pessoa jurídica ligada Mercantil Importação e Exportação Ltda utilizandose da BTN mensal, fls. 160161. Assim foram adotados de ofício acertadamente no anocalendário de 1989 os índices que da variação diária da BTN, com o objetivo de apurar o ganho auferido pela Recorrente. Logo o lançamento apresenta os valores com exatidão. Sobre a (a) glosa de despesas contabilizadas a débito da conta despesas de viagens e representações, estadias e hospedagens efetuadas pela matriz, temse que regularmente intimada a comprovar com documentação hábil e idônea e apresentou como comprovantes tickets de caixa e documentos diversos, que não comprovam que tais despesas foram efetuadas no seu interesse para a manutenção da sua atividade, cabendo esclarecer que grande parte dessas despesas se referiam ao transporte e estadia do diretor Roberto Paraiso Paixão no deslocamento do seu domicilio na cidade de São Paulo para a sede da empresa, a saber: despesas de viagens e representações Matriz Rio de Janeiro no valor de NCZ$89.283,92; e estadias e hospedagens Matriz no Rio de Janeiro NCZ$4.582,05; (b) glosa de despesas por não atendimento a intimação para comprovar com documentação hábil e idônea, bem como justificar a sua necessidade a atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora a título de gastos financeiros de juros diversos no valor de NCz$234.198,31. Os registros contábeis devem ser realizados com observância dos princípios de contabilidade, devem conter a data do registro contábil, ou seja, a data em que o fato novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 2º e art. 40 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 9 Fundamentação legal: art. 21 da Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1986 e art. 18 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 5º do Decretolei nº 2.072, de 20 de dezembro de 1983, art. 15 da Lei nº 7.730, de 31 de janeiro de 1989 e art. 9º e art. 75 da Lei nº 7799, de 10 de julho de 1989. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 732 19 contábil ocorreu, a conta devedora, a conta credora, o histórico que represente a essência econômica da transação ou o código de histórico padronizado, neste caso baseado em tabela auxiliar inclusa em livro próprio, o valor do registro contábil e a informação que permita identificar, de forma unívoca, todos os registros que integram um mesmo lançamento contábil. Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios, as despesas devem ser apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem. Estas despesas, para serem dedutíveis, devem ser incorridas, necessárias, usuais ou normais para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. São consideradas incorridas aquelas despesas de competência do período de apuração relativos aos bens empregados nas operações exigidas pela atividade da pessoa jurídica, em relação aos quais já tenha nascido a obrigação correspondente, ainda que o respectivo pagamento venha a ocorrer em período subseqüente. Via de regra são comprovados mediante a apresentação da nota fiscal correspondente. Pode conter obrigações documentadas por duplicata, que é o título de crédito emitido com base em obrigação proveniente de compra ou venda mercantil que tem a característica de ser causal, uma vez que sua emissão está vinculada à relação jurídica que lhe dá origem. No momento da emissão da fatura o vendedor pode extrair uma duplicata que, sendo assinada pelo comprador, serve como documento de comprovação da dívida devidamente registrada10. Ademais, a Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 597, de 14 de junho de 1989 regulamenta que a documentação contábil compreende todos os documentos, livros, papéis, registros e outras peças, que apóiam ou compõem a escrituração contábil e comprova os atos e fatos que originam lançamento na escrituração contábil da pessoa jurídica. Esse documento é considerado hábil quando revestido das características intrínsecas ou extrínsecas essenciais, definidas na legislação e na técnica contábil, sendo obrigatória a manutenção em boa ordem a documentação contábil. Temse que são dedutíveis as despesas de viagens com idas de diretores ao exterior, quando comprovadamente voltadas para realização de contatos com vistas o incremento das exportações da pessoa jurídica que suportou a despesa. Na situação em exame, foram anexados aos autos relatórios de viagem, notas fiscais simplificadas e recibos diversos, fichas de caixa, requisição de passagens de operadoras de turismo e duplicatas. Esses documentos, contudo, não evidenciam de forma inequívoca a sua necessidade à atividade Recorrente e à manutenção da respectiva fonte produtora da receita. Para que a Recorrente possa deduzir os dispêndios de viagens dos sócios é indispensável que os comprovantes sejam apresentados mediante documentos hábeis e idôneos e que sejam vinculados a sua atividade, identificando a natureza dos serviços prestados, o que não ocorreu nos presentes autos. Além disso, analisando os documentos acostados aos autos, verificase que não comprovam que as despesas referemse ao anocalendário de 1989 e ainda que de fato houve a efetiva exportação dos produtos que justifiquem as despesas a título de gastos financeiros de juros diversos. Por essas razões essas despesas não são dedutíveis de modo que a alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. A respeito da: 10 Fundamentação legal: §§ do art. 45 e §§ do art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, §§ do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, Lei nº 5.474, de 18 de Julho de 1968 Parecer Normativo CST nº 58, 01 de setembro de 1977 e Resolução CFC nº 1.330, de 18 de março de 2011. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 733 20 (a) omissão de variação monetária ativa decorrente de Contrato de Mútuo realizado com a pessoa jurídica ligada Cia Brasileira de Café, CNPJ 27.211.754/000147, tem se a planilha de cálculo de correção monetária, fls. 93100, e o Livro Razão da conta nº 12.12.006 – Realizável a Longo Prazo – Valores a Receber – Crédito a Coligada e Controlada no valor de NCZ$ 232.161,20; (b) glosa de variação monetária passiva declarada a maior pela Recorrente relativamente ao Contrato de Mútuo com a pessoa jurídica ligada Mercantil Importação e Exportação Ltda, temse a planilha de cálculo de correção monetária e o Livro Razão da conta nº 22.14.002 – Exigível a Longo Prazo – Financiamento de Capital de Giro – Débito a Empresa Ligada, fls. 8892, a saber: valor declarado NCZ$6.503.825,62; valor calculado NCZ$2.469.522,70; e valor glosado e tributável NCZ$4.034.302,92. O contrato de mútuo é chamado de empréstimo de consumo de bem fungível, pois nele se transfere o domínio para que o mutuário possa consumir a coisa recebida em empréstimo, que tem obrigação de devolver ao final do contrato coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. No contrato de mútuo por escrito oneroso ou feneratício há a obrigação de remuneração do capital pelos índices de atualização ou taxa de juros convencionada e por esta razão é considerado mercantil (artigos 1.256 e seguintes do Código Civil de 1916 e artigos 586 e seguintes do Código Civil de 2002). As variações monetárias são as atualizações dos direitos de crédito e das obrigações da pessoa jurídica, sempre que determinada posteriormente em função de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual. Os rendimentos decorrentes de contratos de mútuo, auferidos por pessoas jurídicas, em qualquer hipótese, comporão o lucro real, presumido ou arbitrado, compensandose o imposto que houver sido retido na fonte com o IRPJ devido. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas as contrapartidas das variações monetárias, em função de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual dos direitos de crédito do sujeito passivo, assim como os ganhos monetários realizados no pagamento de obrigações, bem como poderão ser deduzidas as contrapartidas de variações monetárias de obrigações e as perdas cambiais e monetárias na realização de créditos. Ademais, os juros, a correção monetária prefixada e ganhos do sujeito passivo serão incluídos no lucro operacional e os juros pagos ou incorridos são dedutíveis como custo ou despesa operacional. Por seu turno, na apuração do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do anocalendário os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que não sejam dedutíveis na determinação do lucro real, e ainda os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que devam ser computados na determinação do lucro real11. 11 Fundamentação legal: art. 6º, art. 17 e art. 18 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro se 1977. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 734 21 Assim a variação monetária ativa decorrente de Contrato de Mútuo realizado com a pessoa jurídica ligada Cia Brasileira de Café caracteriza de fato omissão de receita, uma vez que deve ser incluída no lucro operacional por imposição da legislação tributária. Por outro lado, tem cabimento a glosa de variação monetária passiva declarada a maior pela Recorrente relativamente ao Contrato de Mútuo com a pessoa jurídica ligada Mercantil Importação e Exportação Ltda, em conformidade com a planilha de cálculo de correção monetária e o Livro Razão da conta nº 22.14.002 – Exigível a Longo Prazo – Financiamento de Capital de Giro – Débito a Empresa Ligada, fls. 8892. Conforme anteriormente explicitado, a legislação tributária comanda no sentido de que na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas as contrapartidas das variações monetárias, em função da de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte e ainda nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas ligadas, a mutuante deve reconhecer, para efeito de determinação do lucro real, o valor correspondente à correção monetária calculada segundo a variação do valor diário da ORTN. Essa obrigação é aplicável a partir de todos os contratos compreendidos dentro do períodobase, sendo irrelevante a forma pela qual o empréstimo se exteriorize até 16.01.1989 em OTN Fiscal e até 31.01.1989 em OTN. No período de congelamento a correção monetária foi calculada co m base nos seguintes valores: (a) NCz$6,92 no caso de OTN fiscal e (b) NCz$ 6,17 multiplicada pelo fator 1,2879 no caso de OTN e as obrigações que se vencerem, o cálculo atualização e correção das obrigações contratuais será efetuada pelo IPC a partir de 01.02.1989 pela variação diária do BTN12. No presente caso, a correção monetária deve ser calculada segundo a variação do valor da BTN diária e foi calculada a menor do que a devida, em conformidade com o Demonstrativo Fiscal às fls. 8889. De forma irregular, portanto, a Recorrente calculou a atualização dos valores do Contrato de Mútuo com a pessoa jurídica ligada Mercantil Importação e Exportação Ltda utilizandose da BTN mensal, fls. 160161. Assim, a glosa efetuada de ofício em relação à variação monetária passiva declarada a maior está perfeita. A dedução esclarecida pela defendente, então, não está evidenciada A Recorrente discorda da incidência de juros de mora. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês13, de acordo com a seguintes legislação (art. 29 e art. 30 da Lei nº10.522, de 19 de julho de 2002): fatos geradores de 30.07.1991 até 31.12.1991: incidirão juros de mora equivalentes a Taxa Referencial Diária (TRD) (art. 3º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, resultante da conversão da Medida Provisória nº 298, de 29 de julho de 1991 e Instrução Normativa SRF nº 32, de 09 de abril de 1997); 12 Fundamentação legal: art. 21 da Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1986 e art. 18 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 5º do Decretolei nº 2.072, de 20 de dezembro de 1983, art. 15 da Lei nº 7.730, de 31 de janeiro de 1989 e art. 9º e art. 75 da Lei nº 7799, de 10 de julho de 1989. 13 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 735 22 fatos geradores de 01.01.1992 até 30.06.1994: incidirão juros de mora de 1% (um por cento), por mês calendário ou fração, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, sobre o valor do tributo convertido em UFIR, até 31.12.1996 (§§ 1º do art. 1º, art. 2º e art. 54 da Lei nº 8.383, de 1991); fatos geradores de 01.07.1994 a 31.12.1994: incidirão juros de mora equivalentes ao excedente da variação acumulada da Taxa Referencial (TR), em relação à variação da UFIR no mesmo período, não podendo, em nenhuma hipótese ser inferior a 1% (um por cento) ao mês (§ 1º do art. 38 da Lei nº 9.069, de 1995); a partir de 01.01.1995, os juros incidirão sobre o tributo apurado em reais, sendo aplicáveis até 31.12.1996 (§ 5º do art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995); fatos geradores de 01.01.995 até 31.12.1996 (§§ 1º, 2º e 6º do inciso I do art. 84 da Leis nº 8.981, de 1995, art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995 e § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996): (a) de 01.01.1995 até 31.03.1995: incidirão juros de mora à taxa média de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna (que foi de 3,63%, em fevereiro de 1995 e 2,60%, em março de 1995, conforme Portaria STN nº 39, de 1995 e Portaria STN nº 84, de 1995); sendo que no mês do pagamento a taxa é de 1% (um por cento) e os juros incidem desde o primeiro dia do mês subseqüente àquele em que ocorrer o vencimento do prazo de recolhimento e (b) 01.04.1995 a 31.12.1996: incidirão juros de mora à taxa referencial Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao do pagamento e de 1% (um por cento) no mês do pagamento, inclusive na hipótese de pagamento parcelado; fatos geradores de a partir de 01.01.1997: os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), seja qual for o motivo determinante da falta; este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200914 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF15. Além disso, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral, hipótese não comprovada nos presentes autos, nos termos da Súmula CARF nº 5. Por conseguinte, os valores objeto de lançamento de ofício sofrem a incidência de juros de mora. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação 14 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 15 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 736 23 legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado16. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês17, de acordo com a seguintes legislação (art. 29 e art. 30 da Lei nº10.522, de 19 de julho de 2002): fatos geradores de 30.07.1991 até 31.12.1991: incidirão juros de mora equivalentes a Taxa Referencial Diária (TRD) (art. 3º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, resultante da conversão da Medida Provisória nº 298, de 29 de julho de 1991 e Instrução Normativa SRF nº 32, de 09 de abril de 1997); fatos geradores de 01.01.1992 até 30.06.1994: incidirão juros de mora de 1% (um por cento), por mês calendário ou fração, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, sobre o valor do tributo convertido em UFIR, até 31.12.1996 (§§ 1º do art. 1º, art. 2º e art. 54 da Lei nº 8.383, de 1991); fatos geradores de 01.07.1994 a 31.12.1994: incidirão juros de mora equivalentes ao excedente da variação acumulada da Taxa Referencial (TR), em relação à variação da UFIR no mesmo período, não podendo, em nenhuma hipótese ser inferior a 1% (um por cento) ao mês (§ 1º do art. 38 da Lei nº 9.069, de 1995); a partir de 01.01.1995, os juros incidirão sobre o tributo apurado em reais, sendo aplicáveis até 31.12.1996 (§ 5º do art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995); fatos geradores de 01.01.995 até 31.12.1996 (§§ 1º, 2º e 6º do inciso I do art. 84 da Leis nº 8.981, de 1995, art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995 e § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996): (a) de 01.01.1995 até 31.03.1995: incidirão juros de mora à taxa média de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna (que foi de 3,63%, em fevereiro de 1995 e 2,60%, em março de 1995, conforme Portaria STN nº 39, de 1995 e Portaria STN nº 84, de 1995); sendo que no mês do pagamento a taxa é de 1% (um por cento) e os juros incidem desde o primeiro dia do mês subseqüente àquele em que ocorrer o vencimento do prazo de recolhimento e (b) 01.04.1995 a 31.12.1996: incidirão juros de mora à taxa referencial Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao do pagamento e de 1% (um por cento) no mês do pagamento, inclusive na hipótese de pagamento parcelado; 16 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968. 17 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 737 24 fatos geradores de a partir de 01.01.1997: os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), seja qual for o motivo determinante da falta; este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200918 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF19. Além disso, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral, hipótese não comprovada nos presentes autos, nos termos da Súmula CARF nº 5. Por conseguinte, os valores objeto de lançamento de ofício sofrem a incidência de juros de mora. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso20. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade21. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo22. Os lançamentos de Finsocial e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 18 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 19 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 20 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 21 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 22 Fundamentação Legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10305.002348/9414 Acórdão n.º 1801001.558 S1TE01 Fl. 738 25 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 738DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10530.002135/2008-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando estão em confronto incidências diversas, reguladas por leis distintas, cada qual com suas nuances e especificidades. Também não resta demonstrado o alegado dissídio interpretativo, quando ausente a similitude fática entre os julgados cotejados, mormente se o principal requisito para o provimento do recurso, no caso do paradigma, foi plenamente atendido no caso do acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-005.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando estão em confronto incidências diversas, reguladas por leis distintas, cada qual com suas nuances e especificidades. Também não resta demonstrado o alegado dissídio interpretativo, quando ausente a similitude fática entre os julgados cotejados, mormente se o principal requisito para o provimento do recurso, no caso do paradigma, foi plenamente atendido no caso do acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 21 35 /2 00 8- 31 Fl. 1066DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2102002.066, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 1ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física exercício 2003. A suposta infração cometida seria omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. O Contribuinte apresentou a impugnação. A DRJ/SDR de Salvador/BA, às fls. 469/470, julgou procedente o lançamento, mantendo o imposto lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 474/489, alegando sobre a decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento, sendo que o prazo decadencial deveria levar em consideração fatos geradores mensais do IRPF; a necessidade de que o lançamento fosse revisto para que fosse considerada a apuração do IRPF conforme sistemática dos rendimentos provenientes da atividade rural, compensandose o imposto devido com o prejuízo amargado naquele exercício; e a necessidade de revisão da multa aplicada, que teria efeito confiscatório e deveria ser reduzida para, no máximo 30%. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 975/982, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, considerando que o contribuinte comprovou a origem de 92% dos depósitos efetivados em suas contas bancárias, que todas as contas bancárias em nome do recorrente foram examinadas e que quando a origem foi identificada verificouse tratarse sempre de rendimentos provenientes da atividade rural. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APLICAÇÃO. Acolhese a alegação do contribuinte de que a totalidade dos depósitos efetivados em suas contas bancárias é proveniente da atividade rural, nos casos em que o contribuinte comprova tal alegação em relação a significativo percentual dos depósitos efetivados em todas as suas contas bancárias e quando a atividade rural e a única atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido Às fls. 984/991, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual argumentou que Colegiado a quo presumiu que os valores depositados na conta bancária do contribuinte (e previstos no auto de infração) são provenientes da atividade rural diante da Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10530.002135/200831 Acórdão n.º 9202005.743 CSRFT2 Fl. 10 3 prova de que os depósitos não previstos no lançamento (92%) são originários da atividade rural. Por sua vez, os vv. acórdãos paradigmas afirmam que se faz necessária a prova da origem em relação a cada depósito, não sendo possível presumir a origem diante de outro fato. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 993/994, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: omissão de depósito bancário, pois verificou duas interpretações distintas: uma de que é razoável aceitar os valores remanescentes, considerando que a quase totalidade dos depósitos foram comprovados com receitas declaradas na atividade rural e outra que as operações da atividade rural, em função do regime diferenciado de tributação, devem ser integralmente demonstradas por meio de documentos hábeis e idôneos. Portanto, procede a divergência jurisprudencial. Cientificado à fl. 451, o Contribuinte mantevese inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física exercício 2003. A suposta infração cometida seria omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: omissão de depósito bancário, tendo em vista que, diferente do entendimento do acórdão recorrido, os paradigmas consideram indispensável que as operações da atividade rural, em função do regime diferenciado de tributação, devem ser integralmente demonstradas por meio de documentos hábeis e idôneos. Observese que a discussão em tela trata de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Utilizase aqui das lições de Alfredo Augusto Becker, para que possamos compreender o sentido axiológico do instituto em discussão. Assim, "presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). Fl. 1068DF CARF MF 4 No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Vejamos o que diz o artigo: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Podemos, deste dispositivo, destacar os comandos principais: caracterizase omissão de receitas + contribuinte regularmente intimado + não comprove origem com documentação hábil e idônea. Isso significa que temse uma autorização legal para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Não há dúvidas, portanto, de que o art.42 da Lei 9430/96 é uma presunção legal a favor do fisco que inverte o ônus da prova, trazendo ao contribuinte (caso não se trate de omissão) o dever de fazer prova em contrário capaz de refutar essa presunção disposta em lei. Contudo, se cabe ao contribuinte fazer prova a seu favor, isso rende a esta "presunção legal" uma nota de relatividade. Remetendo a análise das provas dos autos, sob as quais se manifesta pontualmente o acórdão recorrido. O acórdão recorrido assim dispôs: Observese que o contribuinte, durante o procedimento fiscal, teve todas as suas contas bancárias investigadas (quatro), de modo que foi intimado a comprovar a origem de depósitos bancários efetivados no anocalendário 2003, cujo somatório perfaz a quantia de R$ 29.873.050,28, conforme relatórios de depósitos bancários, fls. 31/36, partes integrantes do Termo de Intimação Fiscal nº 02, fls. 30. Encerrado o procedimento fiscal, restou sem comprovação da origem depósitos, que somados perfazem a quantia de R$ 2.412.115,26, que equivale a 8% do universo total dos depósitos investigados (R$ 29.873.050,28). Ou seja, de um universo bastante significativo (contribuinte teve vultosa movimentação financeira), temse que o contribuinte comprovou a origem de 92% dos depósitos havidos em suas contas bancárias, sendo certo que a origem dos depósitos comprovados estava sempre ligada à atividade rural, que, até onde se tem notícia, é a única atividade econômica desenvolvida pelo recorrente. Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10530.002135/200831 Acórdão n.º 9202005.743 CSRFT2 Fl. 11 5 Ora, considerando que todas as contas bancárias que o recorrente mantinha no anocalendário 2003 foram investigadas e que durante o procedimento fiscal restou demonstrada a origem de 92% dos depósitos efetivados no referido período e também que a origem, quando comprovada, advinha da atividade rural, que é a única atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte, devese reconhecer que os demais depósitos, para os quais o contribuinte não conseguiu demonstrar a origem, com a apresentação de documentos com datas e valores coincidentes, sejam também considerados como advindos da atividade rural e, via de conseqüência, considerados com origem comprovada. Veja que entendimento semelhante foi registrado no voto vencido. Restou comprovado nos autos que o contribuinte obteve receita da atividade rural proveniente da venda de produtos agrícolas para a empresa Icofort, no importe de R$ 816.641,70, entretanto, não foi possível fazer a correlação, com datas e valores coincidentes, entre as notas fiscais e os depósitos efetivados no período fiscalizado. Ao apreciar tal situação, a relatora vencida, entendeu que tal quantia deveria ser excluída da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, sob a fundamentação de que, se restou comprovado que o contribuinte obteve a referida receita da atividade rural temse, por óbvio, que tal quantia esteja contemplada dentre os depósitos, cuja origem restou não comprovada, sempre na consideração de que todas as contas bancárias do contribuinte foram investigadas e também levandose em conta que não seria razoável admitirse que tais recursos não tenham transitado nas contas bancárias do recorrente. Não se pode esquecer que a comprovação da origem de depósitos bancários com a apresentação de documentos com datas e valores coincidentes não é tarefa das mais fáceis, sendo certo que no presente caso, o contribuinte conseguiu juntar elementos que comprovaram que 92% dos depósitos efetivados em suas contas bancárias eram provenientes da atividade rural. Nenhuma outra atividade foi identificada durante o procedimento fiscal, de modo que o lançamento mais acertado, aplicável ao caso, seria o de considerar que os demais depósitos, para os quais o contribuinte não comprovou a origem, fossem também tributados como omissão de receitas da atividade rural. Neste contexto, considerando que o contribuinte comprovou a origem de 92% dos depósitos efetivados em suas contas bancárias, que todas as contas bancárias em nome do recorrente foram examinadas e que quando a origem foi identificada verificouse tratarse sempre de rendimentos provenientes da atividade rural, devese acolher a alegação do recorrente de que a totalidade dos depósitos efetivados em suas contas bancárias tenha como origem a atividade rural desenvolvida pelo contribuinte. Logo, não há que se falar Fl. 1070DF CARF MF 6 em omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não comprovada. O acórdão recorrido aceitou os valores declarados na atividade rural como justificativa para a origem dos depósitos bancários. Os valores dos depósitos movimentados pelo contribuinte, tidos como de origem rural e que foram devidamente declarados, foram excluídos da autuação, conforme se depreende da decisão de primeira instância e da própria decisão recorrida na parte em que comprovada a origem dos recursos. Neste ponto assiste razão a Fazenda Nacional no que se refere ao valor remanescente de R$ 2.412.115,26 (que equivale a 8% do universo total dos depósitos investigados, qual seja, R$ 29.873.050,28), faltante para atingir o valor de atividade rural comprovado pelo contribuinte, Discordo que a presunção dada aos 92% que fora comprovado pelo Contribuinte possa ser elastecido ao remanescente, pois não há prova de que estes detém a mesma origem somente pelo fato de que a maior parte dos valores comprovados pelo contribuinte decorriam desta atividade. Diante do exposto voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Discordo do voto da Ilustre Conselheira Relatora, relativamente ao conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Primeiramente, esclareçase que a matéria recursal trata do critério de comprovação da origem de depósitos bancários em face do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme se deduz do texto do próprio Recurso Especial, na parte em que tenta resumir a suposta divergência jurisprudencial: "Como se vê, de acordo com a Turma recorrida, devese julgar insubsistente a autuação – relativa a 8% dos depósitos de origem não identificada pois o contribuinte comprovou que 92% dos depósitos realizados em suas contas bancárias têm como origem a atividade rural. Divergindo desse entendimento, os acórdãos paradigmas somente admitem a submissão ao regime de tributação favorecido quando restar plenamente comprovado, com documentos idôneos, que todos os depósitos têm origem na atividade rural. Não basta, pois, a prova de que a maior parte dos depósitos tem como origem essa atividade. Também não basta a prova de que a totalidade dos rendimentos e recursos declarados pelo contribuinte são oriundos da Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10530.002135/200831 Acórdão n.º 9202005.743 CSRFT2 Fl. 12 7 atividade rural. Para os paradigmas, fazse necessária a prova cabal de que todos os depósitos (um por um) previstos na autuação derivam da atividade rural." (destaques no original) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência teria de ser representado por julgado em que, em situação fática similar à do acórdão recorrido a maior parte dos depósitos bancários tenha origem comprovada nas receitas de atividade rural e a totalidade dos rendimentos declarados e omitidos seja comprovadamente de atividade rural o entendimento tenha sido no sentido de se negar provimento ao recurso do Contribuinte. Feitas essas considerações, passase ao cotejo entre os acórdãos recorrido e paradigmas indicados pela Fazenda Nacional, a ver se efetivamente guardariam a necessária similitude fática. Quanto ao acórdão recorrido, este trata de autuação com base na presunção do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, no caso de Contribuinte que exerce atividade rural. No que tange à omissão de rendimentos da atividade rural, com base na Lei nº 8.023, de 1990, sequer houve autuação, já que as receitas omitidas não lograram superar as despesas declaradas, portanto confirmouse a apuração de prejuízo, que apenas foi reduzido. Relativamente aos depósitos bancários, o Contribuinte logrou comprovar, perante a Fiscalização, que 98% de seu total tinha origem nas receitas da atividade rural. Ademais, não constam na Declaração de Ajuste Anual do Contribuinte rendimentos de qualquer outra atividade. Quanto ao primeiro paradigma indicado Acórdão nº 10422.436 a Fazenda Nacional limitouse a colacionar a respectiva ementa, conforme a seguir: "DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º/01/97, a Lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF RECEITA DA ATIVIDADE RURAL PROVA Por ser submetido a regime de tributação favorecido, o resultado da atividade rural deve ser comprovado com documentos hábeis e idôneos. Sem essa prova, é lícito ao Fisco reclassificar as receitas declaradas para rendimentos comuns, sujeitos à tabela progressiva. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Está sujeito ao Imposto o acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos isentos, tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO ‑ A fraude deve ser comprovada de forma inequívoca, vedada sua presunção. A rejeição de documentos apresentados pelo contribuinte, durante a ação fiscal, como hábeis a comprovar fatos por ele declarados, por si só, não autoriza a conclusão de que esses documentos foram forjados, para fins de qualificação da multa de ofício. Recurso parcialmente provido." (destaques da Recorrente) Fl. 1072DF CARF MF 8 Embora esse paradigma trate também de omissão de depósitos bancários, o trecho destacado pela Fazenda Nacional não se refere a essa infração e sim a infração referente a "classificação indevida de rendimentos na DIRPF" como oriundos da atividade rural, tratada separadamente dos depósitos bancários. Confirase o paradigma: Relatório "As infrações estão assim descritas no Auto de Infração: 1) ACRÉSCIMO PATRIONIAL A DESCOBERTO — Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovadas, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal que integra este Auto de Infração. 2) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA — Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidos em instituições financeiras, em relação às quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal que integra este Auto de Infração. 3) CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF. RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF — O Contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste os rendimentos recebidos de pessoa física, supostamente oriundos de atividade rural, sem a devida comprovação, conforme Termo de Verificação Fiscal que integra o Auto de Infração." (grifei) Voto "Quanto à reclassificação como rendimentos sujeitos à tributação normal dos valores declarados como receitas da atividade rural, o fundamento da autuação é de que o Contribuinte não comprovou com documentos hábeis e idôneos a efetividade das receitas e das despesas da atividade rural, não podendo fazer jus, portanto, à tributação favorecida reservada aos rendimentos da atividade rural. O Contribuinte, por sua vez, questiona as conclusões da Fiscalização que, segundo afirma, teriam se baseado apenas no fato de os compradores não terem sido localizados. Por estar beneficiada com tributação favorecida a efetividade as receitas da atividade rural deve ser comprovada com documentos hábeis e idôneos. No caso de receitas da atividade rural, em especial da venda de gado a pessoa física, o documento hábil a comprovar a receita é a nota fiscal de produtor ou certidão expedida pela repartição fiscal competente, conforme dispõe o art. 61, § 5° do RIR/99, verbis: Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 10530.002135/200831 Acórdão n.º 9202005.743 CSRFT2 Fl. 13 9 Art. 61. A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtorvendedor. (...) 5°. A receita bruta, decorrente da comercialização de produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. No caso, o Contribuinte apresenta como prova meros recibos, sem nenhuma outra formalidade, com a circunstância agravante de que a autoridade fiscal não conseguiu localizar os supostos adquirentes. Acrescentese que o art. 18 da Lei n° 8.023, de 1990 classifica como fraude a inclusão indevida, como receita da atividade rural, de rendimentos auferidos em outra atividade, o que justifica a qualificação da multa neste caso, a saber:" (grifei) Assim, ao mencionar a atividade rural, o paradigma não trata da matéria efetivamente debatida no acórdão recorrido, que é a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tampouco da matéria suscitada pela Fazenda Nacional. O paradigma trata de situação em que supostas receitas da atividade rural, que tem tributação favorecida, prevista na Lei nº 8.023, de 1990, foram declaradas e não comprovadas, sendo então esses supostos rendimentos reclassificados para tributação comum (e não deduzidos da base de cálculo dos depósitos bancários, ou apontados como justificativa para a origem de tais depósitos, como ocorreu no caso do recorrido), considerandose inclusive a ocorrência de fraude, com manutenção de multa qualificada. Ainda que se pudesse acolher suposta divergência em face de legislação diversa da que orientou o recorrido o que se admite apenas para argumentar repitase que nesse paradigma as receitas declaradas não foram comprovadas como sendo efetivamente de atividade rural, daí a atribuição de fraude (art. 18 da Lei nº 8.023, de 1990), enquanto que no recorrido todas as receitas de atividade rural, declaradas e omitidas, foram comprovadas, tanto assim que foram excluídas da base de cálculo dos depósitos bancários pela própria Fiscalização. Com efeito, o que restou sem comprovação, no caso do recorrido, não diz respeito a receitas de atividade rural e sim aos depósitos bancários (8% do total). Destarte, de plano se constata equívoco no Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial de fls. 993/994, ao concluir que a divergência jurisprudencial útil ao litígio em tela seria simplesmente relativa à comprovação de rendimentos da atividade rural, por tratarse de tributação favorecida. O equívoco deveuse ao confronto de litígio relativo à comprovação da origem de depósitos em face do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 (acórdão recorrido), com paradigma tratando simplesmente da tributação favorecida da Lei nº 8.023, de 1990, sem qualquer conexão com depósitos bancários. Confirase a conclusão do referido despacho, que evidencia o equívoco: "Assim, se tem duas interpretações distintas. Uma de que é razoável aceitar os valores remanescentes, considerando que a quase totalidade dos depósitos foram comprovados com receitas Fl. 1074DF CARF MF 10 declaradas na atividade rural e outra que as operações da atividade rural, em função do regime diferenciado de tributação, devem ser integralmente demonstradas por meio de documentos hábeis e idôneos. Portanto, procede a divergência jurisprudencial." (grifei) Registrase, mais uma vez, que nesse despacho de admissibilidade as interpretações confrontadas não dizem respeito à mesma legislação tributária: no caso da primeira interpretação (do acórdão recorrido), interpretouse o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, adotandose critério de razoabilidade, em face das nuances específicas e do conjunto probatório constante dos autos; no caso da segunda interpretação, relativa ao primeiro acórdão paradigma, interpretouse a Lei nº 8.023, de 1990. Com efeito, não há que se falar em dar interpretação divergente à legislação tributária, quando estão em confronto incidências diversas, regidas por leis diferentes, cada qual com suas nuances e especificidades. Quanto ao segundo paradigma Acórdão nº 10248.093 este efetivamente trata de critério de comprovação da origem de depósitos bancários. Entretanto, conforme será demonstrado, longe da caracterização de divergência jurisprudencial, o que se verifica é a sintonia em relação ao acórdão recorrido, já que aplica os mesmos critérios, em situação fática absolutamente diversa, daí as conclusões divergentes. Acórdão recorrido "Observese que o contribuinte, durante o procedimento fiscal, teve todas as suas contas bancárias investigadas (quatro), de modo que foi intimado a comprovar a origem de depósitos bancários efetivados no anocalendário 2003, cujo somatório perfaz a quantia de R$ 29.873.050,28, conforme relatórios de depósitos bancários, fls. 31/36, partes integrantes do Termo de Intimação Fiscal nº 02, fls. 30. Encerrado o procedimento fiscal, restou sem comprovação da origem depósitos, que somados perfazem a quantia de R$ 2.412.115,26, que equivale a 8% do universo total dos depósitos investigados (R$ 29.873.050,28). Ou seja, de um universo bastante significativo (contribuinte teve vultosa movimentação financeira), temse que o contribuinte comprovou a origem de 92% dos depósitos havidos em suas contas bancárias, sendo certo que a origem dos depósitos comprovados estava sempre ligada à atividade rural, que, até onde se tem notícia, é a única atividade econômica desenvolvida pelo recorrente. Ora, considerando que todas as contas bancárias que o recorrente mantinha no anocalendário 2003 foram investigadas e que durante o procedimento fiscal restou demonstrada a origem de 92% dos depósitos efetivados no referido período e também que a origem, quando comprovada, advinha da atividade rural, que é a única atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte, devese reconhecer que os demais depósitos, para os quais o contribuinte não conseguiu demonstrar a origem, com a apresentação de documentos com datas e valores coincidentes, sejam também considerados como advindos da atividade rural e, via de conseqüência, considerados com origem comprovada. Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10530.002135/200831 Acórdão n.º 9202005.743 CSRFT2 Fl. 14 11 (...) Não se pode esquecer que a comprovação da origem de depósitos bancários com a apresentação de documentos com datas e valores coincidentes não é tarefa das mais fáceis, sendo certo que no presente caso, o contribuinte conseguiu juntar elementos que comprovaram que 92% dos depósitos efetivados em suas contas bancárias eram provenientes da atividade rural. Nenhuma outra atividade foi identificada durante o procedimento fiscal, de modo que o lançamento mais acertado, aplicável ao caso, seria o de considerar que os demais depósitos, para os quais o contribuinte não comprovou a origem, fossem também tributados como omissão de receitas da atividade rural. Neste contexto, considerando que o contribuinte comprovou a origem de 92% dos depósitos efetivados em suas contas bancárias, que todas as contas bancárias em nome do recorrente foram examinadas e que quando a origem foi identificada verificouse tratarse sempre de rendimentos provenientes da atividade rural, devese acolher a alegação do recorrente de que a totalidade dos depósitos efetivados em suas contas bancárias tenha como origem a atividade rural desenvolvida pelo contribuinte." Segundo paradigma Acórdão nº 10248.093 Ementa "OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL — O fato de a quase totalidade dos rendimentos e recursos declarados pelo contribuinte serem oriundos da atividade rural não é fator determinante, por si só, para que às omissões de rendimentos apuradas com base nos depósitos bancários sejam aplicadas as normas da tributação da atividade rural (base de cálculo de no máximo 20% da receita bruta). Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores são mesmo oriundos da comercialização de produtos agrícolas omitidos em sua DIRPF." De plano, constatase que, no entendimento do paradigma, o fato de a quase totalidade dos rendimentos e recursos declarados pelo Contribuinte ser oriunda da atividade rural, por si só, não basta para conferir tal origem aos depósitos bancários. Para o paradigma, é necessário que esses valores, inclusive os omitidos na declaração, sejam comprovadamente da atividade rural. E foi exatamente isso que ficou comprovado, perante a própria Fiscalização, no caso do acórdão recorrido. Com efeito, o provimento do acórdão recorrido não deveuse, por si só, ao fato de a totalidade dos rendimentos declarados ser oriunda da atividade rural, e sim pelo cumprimento da exigência expressa no paradigma: todas as receitas da atividade rural, declaradas e omitidas, foram comprovadas como oriundas da comercialização de produtos agrícolas. E mais: foram correlacionadas, pela própria Fiscalização, com os depósitos bancários. Fl. 1076DF CARF MF 12 E as diferenças factuais não param aí, já que no paradigma foi declarado valor ínfimo como receita de atividade rural, além do que foram identificadas outras atividades na Declaração de Ajuste Anual. Confirase os respectivos trechos do paradigma: "O contribuinte foi intimado a comprovar a origem do numerário que transitou por suas contas correntes e logrou comprovar apenas parcialmente a origem de tais recursos, com tendo origem na atividade rural. Assim, tendo constado da declaração de ajuste do sujeito passivo a informação de que ele obteve rendimentos tributáveis tanto da atividade rural quanto de outras atividades, entendo que, em face da falta de comprovação, os valores omitidos devem ser tributados juntamente com os rendimentos das outras atividades." "Ora, após as primeiras verificações o Auditor Fiscal apurou o montante de R$ 1.883.892,22 de depósitos não justificado no ano de 2000. Prosseguindo nas intimações e análises, acolheu várias justificativas, pelo que o montante tributável reduziuse a R$ 1.323.338,10, conforme demonstrativos de fls. 267285. Frisese que no anocalendário de 2000, exercício de 2001, o recorrente havia declarado apenas R$ 10.500,00 de receitas da atividade rural (DIRPF à fl. 7). A diferença é absolutamente desproporcional, evidenciando tratarse de receitas de outras atividades." Assim, enquanto no paradigma o Contribuinte declarou como receita de atividade rural o valor de R$ R$ 10.500,00, dentre outras atividades exercidas, no caso do recorrido a receita da atividade rural declarada foi no valor de R$ 19.908.457,74 (fls. 445 5º Volume), todo ele comprovado e correlacionado com os depósitos bancários pela própria Fiscalização, sem identificação de exercício de outra atividade econômica. Assim, tendo em vista que as condições impostas pelo paradigma para o provimento do recurso foram atendidas no acórdão recorrido, que inclusive foi mais rigoroso que tais exigências, concluise que, longe de demonstrar divergência jurisprudencial, recorrido e paradigma encontramse em total sintonia. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1077DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720400/2012-30
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 1001-000.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Braganla Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Braganla Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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score : 1.0
Numero do processo: 10280.722136/2009-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que as situações enfrentadas nos acórdãos apresentados como paradigmas são diferentes da situação enfrentada no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-006.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que as situações enfrentadas nos acórdãos apresentados como paradigmas são diferentes da situação enfrentada no acórdão recorrido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que as situações enfrentadas nos acórdãos apresentados como paradigmas são diferentes da situação enfrentada no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 36 /2 00 9- 75 Fl. 483DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física. Conforme relatório elaborado pela Delegacia de Julgamento, as infrações apuradas foram as seguintes: 2.1) Omissão de Rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto: a) Dispêndios superiores às disponibilidades no decorrer do ano 2004. O fluxo de caixa mensal do contribuinte naquele ano apresenta as seguintes discussões principais: a.1) Dinheiro em espécie disponível em 31/12/2003 informado na DIRPF 2005, mas não considerado pela Autoridade Lançadora como fonte no fluxo de caixa mensal do ano seguinte, por falta de comprovação durante o procedimento de fiscalização; a.2) Receita da atividade rural, parte isenta, informada na DIRPF 2005, mas não considerada pela Autoridade Lançadora como fonte no fluxo de caixa mensal do ano seguinte, por falta de comprovação durante o procedimento de fiscalização. A receita teria origem em venda, ao frigorífico SOCIPE, de novilhos doados no mesmo ano calendário pelo pai do fiscalizado. Tanto a doação como a venda foram consideradas como operações simuladas. Para a Fiscalização, no que se refere à doação, faltou comprovar a tradição dos bens tidos como doados. Somese que faltou a declaração da doação na DIRPF do doador e a escrituração da doação pelo doador. Para a (posterior) venda faltou comprovar a tradição dos bens tidos como vendidos, a escrituração da venda pelo possível comprador. Constatouse que as notas fiscais de entrada com a mesma numeração das apresentadas pelo fiscalizado teriam sido remetidas pelo frigorífico SOCIPE a pecuarista diferente do fiscalizado. a.3) Compra de imóveis (3) da empresa Real Engenharia declarados por valores considerados como notoriamente inferiores aos de mercado. Não houve a comprovação dos dispêndios, através de cheques, ordens de pagamentos. Os gastos com as compras foram arbitrados. Considerouse como dispêndios o equivalente às vendas de maiores expressões verificadas nas comercializações analisadas pela Fiscalização, para o ano de 2004, para o mesmo empreendimento. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10280.722136/200975 Acórdão n.º 9202006.019 CSRFT2 Fl. 483 3 2.2) Multas Isoladas por falta de recolhimento do IRPF recolhido a título de carnêleão (art. 8º da lei 7.713/88 c/c arts 43 e 44, II, “a”, da Lei 9.430/96, c/c art. 106, II, do CTN). O lançamento ainda considerou que a conduta do contribuinte justificava a qualificação e o agravamento da multa de ofício, assim ao crédito principal foi acrescida multa no percentual total de 225%. A DRJ ao analisar a impugnação, decidiu reformar em parte o lançamento, para entre outros pontos, excluir a multa agravada. Na parte que nos interessa a multa qualificada foi mantida sob o seguinte argumento: 6.2. A segunda questão relacionase à receita da atividade rural, parte isenta, informada na DIRPF 2005, mas não considerada pela Autoridade Lançadora como fonte no fluxo de caixa mensal, por falta de comprovação durante o procedimento de fiscalização. Tanto a doação como a venda foram consideradas operações simuladas. No que concerne à venda, como as notas fiscais apresentadas, comprovadamente não foram cedidas ao Impugnante, devese acatar a posição de que são inidôneas para comprovar o negócio, que pretendeuse travestir de venda da atividade rural, de tributação favorecida, razão pela qual procedente a imputação de multa de 150% para esta infração. 6.2.1. Importante aduzir que não consideramos que tenha havido simulação na doação, tendose em vista que foi produzida a documentação adequada (arts 541, 544 e 549 do Código Civil) e que o doador tinha capacidade econômica e a propriedade do bem doado. A comprovação da tradição do bem doado, no caso, não parece ser determinante, considerandose que se e tratou de doação de pai para filho. Contribuinte apresentou embargos de declaração visando sanar omissão/contradição quanto aos motivos que levaram a manutenção da multa qualificada, arguiu que os julgadores não definiram com precisão quais atos praticados caracterizaram dolo, fraude ou simulação para fins de aplicação do art. 44, II da Lei nº 9.430/96. Os embargos foram rejeitados por meio do despacho de fls. 380 que assim se manifestou: 3. O contribuinte apresentou Embargos (fls. 368/374) em que aduz, em resumo: “No item 6.2 o julgado aduz ter havido simulação tanto na doação quanto na venda, causa esta mantenedora do percentual de 150% de multa punitiva enquanto que no subitem 6.2.1 contrariando o item anterior, disseram ser importante aduzir que consideram ter havido simulação na doação, seja em (razão) do acervo documental apresentado pelo contribuinte ou de se ter considerado que o doador possuía capacidade econômica e a propriedade do bem doado, seja em face da afirmação feita pelo Acórdão de a comprovação da efetiva tradição do bem, no caso, não é fato determinante, considerandose que a doação foi de pai para filho.” ... Fl. 485DF CARF MF 4 6. No presente caso, asseverouse, no acórdão citado, item 6.2., que: tanto a doação como a venda foram consideradas operações simuladas pela Fiscalização. No que concerne à venda, como as notas fiscais apresentadas, comprovadamente não foram cedidas ao Impugnante, o Acórdão acatou a posição de que são inidôneas para comprovar o negócio, posição que considerou suficiente para manter o agravamento da multa de ofício em 150%. Tempestivamente foi apresentado o Recurso Voluntário de fls. 385/390. Ao julgar o Recurso Voluntário, a 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, por meio do acórdão nº 220201.162 deu provimento parcial ao recurso para afastar a qualificação da multa. O acórdão, na parte que nos interessa, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 ... SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos, bens ou direitos, mesmo que de forma reiterada, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. A Fazenda Nacional, citando como paradigmas os acórdãos 10709.267 e CRSF/0105.954, apresentou Recurso Especial contra parte da decisão que desqualificou a multa de ofício. Defende que: Verifica‑ se que ao não contabilizar parte significativa de suas receitas durante todo o ano, o contribuinte praticou omissão dolosa tendente a impedir o fisco e tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores, revelando, assim, sua intenção deliberada de se eximir do pagamento de imposto de renda. Cabe ressaltar que em os valores lançados são substancialmente maiores do que os valores informados em sua declaração do ano de 2004. Mesmo o valor do crédito mantido, após o acórdão recorrido, representa um percentual considerável em face do patrimônio declarado pelo recorrido. Destaque‑ se que a omissão de rendimentos reiterada no curso do período afasta a hipótese de erro e configura a omissão dolosa de receitas com o nítido objetivo de se recolher menos Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10280.722136/200975 Acórdão n.º 9202006.019 CSRFT2 Fl. 484 5 tributo do que o devido. Uma vez demonstrada a presença do dolo, revela‑ se correta a aplicação da multa qualificada. Contribuinte apresentou em peça única suas contrarrazões e Recurso Especial, ao qual foi negado seguinte por ausência de indicação de acórdãos paradigmas. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento do recurso: Analisando o teor da decisão recorrida, do Recurso Especial e dos acórdãos apontados com paradigmas, julgo pertinente haver uma reavaliação do juízo de admissibilidade da peça recursal. Conforme relatório, tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra decisão que afastou a multa qualificada. No entender da Recorrente o acórdão recorrido contrariou o entendimento externado nos acórdãos nº 10709.267 e CRSF/0105.954. Lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá Recurso Especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim tratase de recurso com cognição restrita, não podendo a CSRF ser entendida como uma terceira instância, ela é instância especial, responsável pela pacificação de conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica. No que tange ao primeiro paradigma (10709.267) temos a seguinte situação fática: tratase de lançamento de IRPJ do anocalendário de 2001, em razão da infração de omissão de receitas, por ter a contribuinte declarado à SRF valores menores do que os registrados em seu livro registro de saída de mercadorias. Quanto a multa qualificada afirma: O sujeito passivo omitiu 74,63% da receita no período de março de 2001 a dezembro de 2001. Os valores de receita declarados à SRF são significativamente inferiores aos valores constantes de sua escrituração fiscal e declarados nas GIAS do ICMS. O fato de ter omitido receita reiteradamente em todos os meses desse período e o fato de não ter trazido aos autos, nenhuma prova de que tenha havido equívocos, levam à conclusão de que tal conduta revela a intenção do dolo. Portanto, no caso acima considerando o momento de ocorrência do fato gerador do IRPJ, a prática reiterada se caracterizou pela omissão de receitas ao longo de dez meses; ainda levouse em consideração a ausência de provas favoráveis ao contribuinte e o montante do valor não declarado. Fl. 487DF CARF MF 6 No acórdão CRSF/0105.954 também estamos diante de lançamento relativo à IRPJ e neste caso a multa foi mantida sob o fundamento de que as receitas declaradas nas DIPJs, durante três exercícios, eram equivalentes a exatamente 10% dos valores das vendas constantes nas GIAS. A declaração a menor dos valores apurados, com expressiva diferença por três exercícios sucessivos, afastaria para aquele Colegiado qualquer margem de erro e comprovaria o intuito fraudulento da conduta. No caso dos autos temos IRPF relativo ao anocalendário de 2004 e decorrente da omissão de rendimentos relacionados com dois fatos: i) não comprovação dos rendimentos tidos como de atividade rural e lançados como isentos e ii) registro de patrimônio imóvel em valor incompatível com o mercado. A multa qualificada foi tipificada no item 58 do relatório fiscal (fl.s 269) em razão da suposta prática de atos fraudulentos pelo contribuinte, atos que pela descrição feita consubstanciamse na doação fictícia de gado para camuflar rendimento tidos como decorrente de atividade rural e na declaração de aquisição de bens imóveis por preço inferior ao de mercado. As condutas foram resumidas pelo fiscal nos itens 38/40 e 51/52 do seu relatório, sendo pertinente transcrevêlos: 38. Resumindo: Lavrase por escritura pública uma doação de garrotes; o doador nada registra em sua contabilidade e na declaração de ajuste anual do imposto de renda, não há notas fiscais do produtor ou guias de transporte animal; o donatário declara que vendeu animais a SOCIPE, porém não apresenta notas fiscais do produtor ou guias de transporte; a pretensa adquirente não registra qualquer tipo de entrada de animais para abate ou mesmo pagamento pelo fornecimento; intimado o fiscalizado não comprova o recebimento das importância, alegando que os ingressos foram em dinheiro e cheques de terceiros. É uma situação irregular no início, meio e fim, consubstanciamdo se uma simulação para justificar o acréscimo patrimonial. 40. A conclusão da fiscalização, após todas as diligências e questionamentos feitos ao fiscalizado, é de que as transações jamais ocorreram, simulandose uma doação e posterior alienação no intuito de lastrear a aquisição de bens e direitos ocorridos no curso do ano de 2004. Dessa forma, é desconsiderada a importância de R$ 390.000,00 como parcela isenta proveniente de atividade rural. ... 51. Pelo visto, a Real é típica empresa que se presta para firmar contratos com valores totalmente divergentes daqueles efetivamente incorridos, sendo complacente com os adquirentes que buscam sub avaliar seu patrimônio, escondendo do fisco a real movimentação financeira, bastante comum na área imobiliária. 52 Quando o Sr. Novelino faz a aquisição dos imóveis na contramão daquilo que fez para aumentar suas receitas ele teve nítido interesse em registrar as aquisições por valores inferiores aos praticados, agregando os bens ao seu patrimônio por valores incompatíveis no mercado imobiliário da capital paraense. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10280.722136/200975 Acórdão n.º 9202006.019 CSRFT2 Fl. 485 7 A Delegacia de Julgamento quando se manifestou por meio do despacho "nº 82 2ª Turma da DRJ/BEL" (fls. 380/381), que rejeitou os embargos de declarações opostos pelo Contribuinte, bem resumiu sua motivação para manutenção da qualificação da multa: "No presente caso, asseverouse, no acórdão citado, item 6.2., que: tanto a doação como a venda foram consideradas operações simuladas pela Fiscalização. No que concerne à venda, como as notas fiscais apresentadas, comprovadamente não foram cedidas ao Impugnante, o Acórdão acatou a posição de que são inidôneas para comprovar o negócio, posição que considerou suficiente para manter o agravamento da multa de ofício em 150%". Observamos, portanto, que o lançamento em nenhum momento fundamenta a aplicação da multa qualificada prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 no fato de ter havido a constatação de prática reitera de conduta abusiva ou em razão do valor dos rendimentos omitidos pelo Contribuinte. Interpretando o acórdão recorrido a partir da fundamentação do lançamento, embora o Relator, ao realizar seu minucioso debate sobre o cabimento da multa qualificada, tenha citado as questões postas pelo Recorrente, sua razão de decidir foi no sentido de que os atos praticas pelo Contribuinte não estão abrangidos pelos tipos descritos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, "ainda que" o autuado tivesse incorrido na prática reiterada ou que os valores omitidos fossem expressivos. Percebese, portanto, um distanciamento considerável entre os fatos que motivaram o lançamento da multa qualificada ora impugnada e aqueles utilizados pelos Colegiados responsáveis pelas decisões paradigmas. Admitir, neste momento, a tese trazida pelo Recorrente seria uma violação ao art. 142 do CTN, pois estaríamos criando uma nova motivação para o lançamento da multa, motivação essa que não foi considerada pela autoridade competente e muito menos conhecida ou impugnada pelo Contribuinte. Diante do exposto voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 489DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.905333/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.086
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: (...) AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 05 33 3/ 20 11 -4 2 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10280.905333/201142 Resolução nº 3402001.086 S3C4T2 Fl. 186 2 A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10280.905333/201142 Resolução nº 3402001.086 S3C4T2 Fl. 187 3 Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.050, de 27 de setembro de 2017, proferida no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.050: Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10280.905333/201142 Resolução nº 3402001.086 S3C4T2 Fl. 188 4 "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido1. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/201126, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10280.905333/201142 Resolução nº 3402001.086 S3C4T2 Fl. 189 5 preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 181DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.000916/2010-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
PIS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, é exemplo de insumo as embalagens de acondicionamento utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o seu transporte.
RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS. RESSARCIMENTO.
É ônus do contribuinte comprovar, mediante a entrega de provas documentais a tanto suficientes, a liquidez e a certeza de seu direito creditório.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE.
A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não para trazer aos autos as provas documentais que cabiam ao sujeito passivo produzir.
Numero da decisão: 9303-005.673
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Ausente, justificadamente, a conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 PIS. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, é exemplo de insumo as embalagens de acondicionamento utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o seu transporte. RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS. RESSARCIMENTO. É ônus do contribuinte comprovar, mediante a entrega de provas documentais a tanto suficientes, a liquidez e a certeza de seu direito creditório. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não para trazer aos autos as provas documentais que cabiam ao sujeito passivo produzir.
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INSUMOS. Recorrentes MADECAL ADMINISTRADORA DE BENS LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 PIS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, é exemplo de insumo as embalagens de acondicionamento utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o seu transporte. RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS. RESSARCIMENTO. É ônus do contribuinte comprovar, mediante a entrega de provas documentais a tanto suficientes, a liquidez e a certeza de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não para trazer aos autos as provas documentais que cabiam ao sujeito passivo produzir. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 09 16 /2 01 0- 71 Fl. 324DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Ausente, justificadamente, a conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos tempestivamente pela contribuinte e pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3803 03.303, de 19/07/2012, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 INSUMOS. TERMO. ALCANCE. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10925.000916/201071 Acórdão n.º 9303005.673 CSRFT3 Fl. 325 3 Se o serviço de transporte das mercadorias fizer parte da operação de venda, e tiver seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte e gerarão direito a crédito. ENCARGOS COM DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. CREDITAMENTO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS relativos aos encargos com depreciação de bens e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado que efetivamente participem do processo produtivo da empresa. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. No recurso especial, a PFN insurgese contra a aceitação, no acórdão recorrido, de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep em relação aos gastos com embalagem para transporte e com bens do ativo imobilizado (sic). Visando comprovar a divergência, apresentou, como paradigmas, os Acórdãos nº 310100.795. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido através do despacho de fls. 182/185. E as contrarrazões da contribuinte encontramse anexadas às fls. 262/274. Cientificada, a contribuinte também apresentou recurso especial de divergência, por meio do qual alega quanto à necessidade de apreciação das provas, em vista do princípio verdade material.. Para comprovar o dissenso, alega divergência de interpretação em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 9202002.587 e 2101002.049. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 311/314. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 316/321). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Cumpre observar, inicialmente, que toda a fundamentação deste primeiro recurso especial direcionase a questionar apenas o conceito de insumo, para o efeito da legislação do PIS/Cofins. Todavia, no seu exame de admissibilidade, falouse que a Fl. 326DF CARF MF 4 irresignação também se aplicaria à aquisição de bens do ativo imobilizado, o que, na verdade, como visto, não procede. Assim, apenas a possibilidade do creditamento sobre os gastos com a aquisição de embalagem de transporte é que será apreciada neste voto, tema para o qual a divergência é manifesta, visto que, enquanto o acórdão recorrido, embora sob certas condições que impôs, reconheceu o crédito da contribuição sobre os gastos com as aquisições de embalagem de transporte, ao fundamento de que o conceito de insumo, para o efeito da legislação do PIS/Cofins, é próprio e diverso da legislação do IPI, o segundo acórdão paradigma, o de nº 310100.795, adotou entendimento divergente: o conceito de insumo deve ser buscado na legislação deste imposto. Sobre o tema, e depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento hoje majoritário que, entre outras tantas decisões, se encontra encartado no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), daí por que passamos a transcrever os seus fundamentos e adotálos como razão de decidir. Eilos: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10925.000916/201071 Acórdão n.º 9303005.673 CSRFT3 Fl. 326 5 ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. Segundo consta dos autos, a glosa revertida pela Câmara baixa diz com as aquisições de chapas de papelão ondulado, etiqueta adesiva, cantoneiras, entre outros, materiais que, a nosso sentir, embora sirvam ao transporte, constituem, sim, insumos (para o efeito da legislação do PIS/Cofins, não do IPI), pois, caso não embalados corretamente, haveria evidente risco de dano aos produtos industrializados (artefatos de madeira). No ponto, cabe assinalar que esta Turma de CSRF vem entendendo que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode tornálo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Fl. 328DF CARF MF 6 Acórdão nº 9303004.174, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. (g.n.) No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, ainda, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento, uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10925.000916/201071 Acórdão n.º 9303005.673 CSRFT3 Fl. 327 7 sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) No caso examinado, o material de embalagem era utilizado exclusivamente no acondicionamento de portas de madeira em contêineres, portanto, não serviam à apresentação do produto, mas à preservação de suas características durante o seu transporte. É bem verdade que, mais recentemente, esta mesma Turma entendeu, pelo voto de qualidade, não haver previsão legal para o creditamento, em decisão que restou assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE Fl. 330DF CARF MF 8 A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. (CSRF/3ª Turma, rel. do voto vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.531, de 16/08/2017) A discussão travada neste último julgamento disse com o cabimento ou não do creditamento quanto à aquisição das embalagens utilizadas no transporte de maçãs, para a preservação de suas características, do estabelecimento produtor até o seu consumidor final (sem reutilização posterior). Muito embora tenhamos acompanhado a divergência, detivemonos melhor sobre o tema e chegamos à conclusão de que, em casos tais, cabe, sim, o creditamento, porque em conformidade com o critério dos "gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer para a produção de bens e serviços", porém afastamos o crédito naquelas situações em que as embalagens destinadas a viabilizar o transporte podem ser continuamente reutilizadas, como, por exemplo, os engradados de plásticos, não descartados ao final da operação. Ademais, e isso nos parece de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regramatriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o consêrto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Em conclusão, e considerando tudo o que vimos de expor, alteramos os nosso entendimento para permitir o creditamento do PIS/Cofins apenas nos casos em que a embalagem de transporte, destinada a preservar as características do produto durante a sua realização, é descartada ao final da operação, vale dizer, para o casos em que não podem ser reutilizadas em operações posteriores. Na parte conhecida, é de se negar provimento ao recurso. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10925.000916/201071 Acórdão n.º 9303005.673 CSRFT3 Fl. 328 9 Por seu turno, o recurso especial interposto pela contribuinte discorda do entendimento esposado no acórdão recorrido de que o CARF não deve analisar provas, "haja vista isto ser de essência da instância inicial e da própria DRJ". Assevera que o acórdão recorrido, neste particular, divergiu de outras decisões deste Colegiado Administrativo. Com efeito, a só transcrição da ementa do primeiro paradigma, o de nº 9202 002.587, já comprova, sem maiores esforços, o dissídio jurisprudencial. Confirase: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVA APRESENTADA APÓS O PRAZO DE IMPUGNAÇÃO NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Sob pena de violação do princípio da verdade material, que direciona o contencioso administrativo tributário, as provas apresentadas após o protocolo da impugnação devem ser apreciadas pela autoridade julgadora, seja para emitir juízo de valor ou para converter o julgamento em diligência. Buscase, com isso, saber se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em questão é a legalidade da tributação. No caso, a moléstia grave do contribuinte não está comprovada apenas pelo laudo oficial acostado ao recurso voluntário. Documento juntado à impugnação, na primeira manifestação do contribuinte no processo, o qual fora emitido pela Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura do Rio de Janeiro, já provou o adenocarcinoma de próstata do autuado. Recurso especial negado. (g.n.) Todavia, embora conhecido, é de se negar provimento ao recurso especial. Segundo consta do Parecer de fls. 10/28, que instruiu a decisão proferida pela unidade administrativa competente, parte dos créditos pleiteados foram glosados, ao fundamento de que os itens a que se referem estavam "descritos de maneira muito genérica pelo contribuinte, o que tornou impossível à autoridade fiscal concluir pela regularidade de sua utilização". Contestada decisão, entendeu a DRJ não comprovados os serviços cujos valores a fiscalização glosou. Os motivos que a levaram a assim decidir são os seguintes: De outro turno, em sede de manifestação de inconformidade não logrou a contribuinte comprovar o teor de suas alegações. Note se que: dos serviços glosados não constam serviços prestados pela empresa HEMERSON LEONILDO OLENKAME; consta do campo DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS das notas n° 35 e 36 emitidas pela empresa ZAMARI SERVIÇOS RURAIS LTDA, que se encontram juntadas nos autos do processo 10925.001731/200860 (Cofins do mesmo período), a descrição "Locação de 03 máquinas c/implemento". Desta feita, em não comprovando a contribuinte que os serviços cujos valores a Autoridade Fiscal glosou consistem, como alega, de serviços que foram diretamente aplicados na fabricação de produtos destinados à venda, mantémse a glosa. Fl. 332DF CARF MF 10 Na sua primeira defesa administrativa, a Recorrente nenhum documento trouxe aos autos, mas apenas afirmou que, no concernente aos serviços, os valores correspondentes não poderiam ser glosados em razão de sua descrição genérica. Sustentou que a fiscalização deveria buscar a verdade, não estando obrigado a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado, "podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento". Apenas no recurso voluntário é que a Recorrente trouxe documentos que, no seu entender, autorizariam os créditos. Ora, embora divirja da alegação tecida pelo relator do acórdão recorrido de que não cabe ao CARF a análise de provas, mas à unidade de origem e à DRJ, não se pode deixar de considerar que, no caso concreto, como já antecipamos, a Recorrente nada trouxe de provas na sua manifestação de inconformidade, limitandose apenas a reclamar da falta da realização de uma diligência fiscal para comprovar o que era obrigação sua fazêlo. Sabese que aos contribuintes cabe o ônus de instruírem seus pedidos de ressarcimento (quando a tanto intimados ou, em sendo o caso, quando da apresentação de seus recursos administrativos), mediante a comprovação documental do direito alegado. A diligência, portanto, é medida excepcional, cuja finalidade é a de dirimir dúvidas, não a de instruir processos, o que também se aplica, importa ressaltar, ao próprio Fisco. De registrar, outrossim, que o relator do acórdão recorrido também fundamentou a sua decisão no parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, 1972, segundo o qual “a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual”. Não obstante se venha mitigando o rigor deste dispositivo, a verdade é que não poderia a Recorrente deixar de acostar, já na manifestação de inconformidade, as provas documentais que confirmariam os créditos que alega ter e, simplesmente, atribuir ao Fisco a consecução de uma tarefa que, já advertimos, era só sua. Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, negolhe provimento. E conheço do recurso especial interposto pela contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10925.000916/201071 Acórdão n.º 9303005.673 CSRFT3 Fl. 329 11 Fl. 334DF CARF MF
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