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Numero do processo: 10725.000007/2011-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO.
A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada.
Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave.
A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. O laudo médico apresentado pela Recorrente supre a exigência legal.
Numero da decisão: 2001-000.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. O laudo médico apresentado pela Recorrente supre a exigência legal.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. O laudo médico apresentado pela Recorrente supre a exigência legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira – Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 00 07 /2 01 1- 71 Fl. 69DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por omissão à tributação de rendimentos considerados isentos pelo Recorrente em razão da alegada moléstia grave no período. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.416,73, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2008. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta a falta de comprovação suficiente para justificar a não aceitação da isenção, nos moldes que entende devam ser atendidos os requisitos legais, com a apresentação de elementos de forte comprovação da ocorrência da moléstia alegada no espaço temporal da utilização do benefício fiscal da isenção. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que os comprovantes não se enquadram nas exigências da legislação em vigor à época da ocorrência, como a seguir dispõe: (...) Contra a contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.03/05 relativo ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, ano calendário 2008, para cobrança do crédito tributário de R$ 10.032,31. (...) Fazse mister salientar que a isenção por suscitada pela contribuinte em sua peça defensória é a que se encontra regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: (...) A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pelo art. 30 da Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: (...) Sendo assim, da análise de todos os dispositivos supra mencionados, depreendese, ah initio, que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportasse à natureza dos Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10725.000007/201171 Acórdão n.º 2001000.351 S2C0T1 Fl. 70 3 valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal. Passase, então ao exame da documentação acostada aos autos para comprovação dos requisitos cumulativos acima citados indispensáveis ao direito à isenção. "Ah initio", cabe destacar que a interessada é aposentada de suas matriculas nos 62.6762 (em 2008) e 118.5164 (desde julho de 1999), junto à Secretaria de Estado de Educação, de acordo com a cópia do comprovante de rendimentos pagos de fl. 06 e da Portaria acostada à fl.26. Quanto ao outro requisito indispensável à concessão da isenção, é de se informar que, de acordo com o laudo oficial de f1.07, exarado pelo Instituto Nacional do Seguro Social a interessada é portadora de doença prevista na Lei n° 7.713/1988, desde 2004, sem especificar, no entanto, o nome da moléstia da qual a Sra. Regina Coeli Sardinha Silva é portadora. É de se informar que constam dos autos dois laudos (fls. 34 e 36) que afirmam ser a interessada portadora de neoplasia maligna de mama, discriminada na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde sob o código C50 e C50.1, expedidos pelo Hospital Escola Alvaro Alvim e Instituto de Oncologia Clinica Santa Maria. Contudo, cumpre esclarecer que, os laudos particulares acostados às fls. 34 e 36 do presente, expedidos pelo Hospital Escola Alvaro Alvim e pelo Instituto de Oncologia Clinica Santa Maria, respectivamente, não podem ser aceitos para fins de comprovação da moléstia, haja vista o que determina o art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao normatizar o disposto no art. 6°, XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, e alterações posteriores, que menciona que a moléstia deverá ser comprovada por laudo pericial oficial. Concluise, então, que a contribuinte não tem direito A isenção prevista na Lei n° 7.713/1988, artigo 6°, inciso XIV, com a redação da Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995, referente aos rendimentos recebidos da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, por não ter comprovado, mediante a apresentação de laudo pericial oficial, ser portadora de moléstia grave no anocalendário a que se refere a presente lide Destarte, em face de todo o exposto supra, voto no sentido de julgar IMPROCEDENTE a impugnação. Assim, ao final, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, pelo não reconhecimento do direito à isenção pleiteada referente período. Fl. 71DF CARF MF 4 Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) (...) É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10725.000007/201171 Acórdão n.º 2001000.351 S2C0T1 Fl. 71 5 A questão aqui tratada é de reconhecimento ou não ao direito à isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, para portadores de moléstia grave prevista em lei, devendo para isso preencher os requisitos básicos, cumulativamente, no mesmo período, de recebimento de rendimentos de aposentaria, reforma, reserva remunerada ou pensão com a existência da enfermidade que permite a isenção do imposto. O de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão, especialmente o art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. (grifei) Em sequência temse o previsto no inciso XXXIII, artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, "não entrarão no cômputo do rendimento bruto": "XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" O parágrafo 4º do mesmo dispositivo define as condições para reconhecimento de tal isenção: "§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9.250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Fl. 73DF CARF MF 6 Seguindo no disciplinar das condições para verificação de enquadramento de contribuintes nas regras isentivas, o artigo 5º do mesmo artigo assim dispõe: "§5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Outro, o de natureza comprobatória da existência da moléstia grave e a constatação da data de início da comprovação do direto ao benefício fiscal, apontado em laudo pericial específico, para esse fim elaborado, fulcro do objeto da lide. Assim, os elementos comprobatórios para a concessão da isenção do Imposto sobre a Renda no caso de Moléstia Grave, cumulativamente no mesmo período, são: 1 – Ser o contribuinte portador de moléstia especificada na Lei; 2 – Ser o contribuinte recebedor de rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão; 3 – Dispor o contribuinte de Laudo que constate a Doença Grave, identificando a data do início da ocorrência e, na falta desta informação a que corresponda à realização dos exames definidores da moléstia. Postas as condições para concessão da desoneração tributária em lide cumpre analisar, no caso concreto, a situação fática e legal de enquadramento do Recorrente. A Contribuinte efetuou sua declaração do Imposto de Renda considerando os rendimentos de aposentadoria no item específico que isenta do tributo com base no inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 7.713/88 e inciso XXXIII, do art. 39, do Decreto nº 3.000/99, e por essa providência usufruir do benefício fiscal da isenção em razão da existência de sua moléstia considerada grave. A lide aponta de maneira fulcral para a questão da prova e data da constatação da moléstia e da data de início da efetiva causalidade do pressuposto básico e definidor do direito ao benefício da isenção com base nos dispositivos legais antes citados. A Recorrente é portadora de moléstia grave desde 14/09/2004, conforme laudo médico pericial oficial emitido pelo Instituto de Previdência Social que estipulava um Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10725.000007/201171 Acórdão n.º 2001000.351 S2C0T1 Fl. 72 7 prazo de 05 (cinco) anos de validade. Este é o ponto específico que se estrutura a argumentação do Fisco para manter o Lançamento lavrado. Ocorre que a Recorrente não ficou curada no período de validade do Laudo Médico Oficial, como supunham os profissionais da saúde, tendo a paciente apresentado quadro de recidiva em períodos seguintes como fica demonstrado na documentação comprobatória juntada ao processo. É farta a documentação que comprova a existência da moléstia grave da Contribuinte que usufruiu no período anterior a este processo da isenção do imposto, o que resta comprovado em Acórdãos anteriores, com decisão favorável à Recorrente. O vencimento do prazo estipulado no laudo anterior (14/09/2009), foi precedido por outro laudo, este do Hospital Escola Álvaro Alvim – Fundação Benedito Pereira Nunes – Oncocentro, datado de 20/03/2009 (fls. 39 a 45). Outros relatórios médicos que atestam a continuidade da doença foram juntados ao processo que apontam a recidiva da doença e o aparecimento de metástases em outras partes do corpo da paciente, obrigandoa a se submeter a tratamentos próprios deste quadro de enfermidade, como por exemplo, a quimioterapia. Todos abordam a questão da moléstia em estágio avançado e relatam a gravidade do quadro da doença. Assim, em razão do laudo oficial ter sido firmado considerando que os efeitos definidores da moléstia grave permanecem até a presente data, sem trégua ao longo de anos de tratamento, corroborado firmemente por relatórios médicos e exames juntados ao presente processo que reportam o estágio permanente da enfermidade desde o ano de 2004 e, a situação de aposentada da Recorrente, comprovam as condições para o direito ao beneficio fiscal pleiteado do aproveitamento da isenção do Imposto sobre a Renda, ao amparo dos termos da legislação pertinente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria como constante na declaração do Imposto sobre a Renda. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 75DF CARF MF 8 Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.900988/2013-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
PRODUÇÃO DE PROVAS. DILAÇÃO.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-002.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 PRODUÇÃO DE PROVAS. DILAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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DILAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 09 88 /2 01 3- 22 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13502.900988/201322 Acórdão n.º 1201002.012 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu declaração de compensação (DCOMP), objetivando compensar crédito de IRPJ com débito tributário de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, a compensação não foi homologada em razão da constatação de insuficiência de crédito, uma vez que o valor informado já teria sido alocado a débito confessado em DCTF. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que possui direito a compensação, tendo em vista que o crédito oriundo de pagamento a maior já havia sido desvinculado da DCTF do período que gerou o indébito. A manifestação em questão foi julgada improcedente pela DRJ, por entender que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza do alegado direito creditório. Cientificada da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, requerendo a prorrogação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, III, do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.001, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13502.900993/201335, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.001): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. De acordo com o despacho decisório, e na linha do que decidiu a DRJ, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar débitos lançados em DCTF, não havendo, portanto, pagamento a maior ou indevido passível de compensação. Já a empresa sustenta na defesa que o referido crédito já estaria "desvinculado" da DCTF, mas não apresenta qualquer prova nesse sentido. No recurso voluntário, alega não ter certeza da Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13502.900988/201322 Acórdão n.º 1201002.012 S1C2T1 Fl. 4 3 origem do direito creditório, razão pela qual requer expressamente a dilação de prazo para fazer essa comprovação. Ora, em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a própria Recorrente expressamente diz que não cumpriu com este ônus, razão pela qual é evidente a não comprovação do direito creditório analisado. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que não ocorreu. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da demonstração cabal e comprovação do crédito informado na DCOMP analisada, correta a não homologação da compensação. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13502.900988/201322 Acórdão n.º 1201002.012 S1C2T1 Fl. 5 4 Cumpre observar, ainda, que no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de provas documentais deve ser feita, como regra, na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. A juntada de “novos documentos” aos autos é medida excepcional e permitida nas situações contempladas nos dispositivos citados, não havendo autorização legal que permita conceder pedido de dilação probatória tal como formulado. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720196/2011-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 01 96 /2 01 1- 76 Fl. 82DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 05, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2008, anocalendário de 2007, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 15.400,00, por falta de comprovação de pagamento. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 e seguintes, alegando em síntese que recebeu termo de intimação solicitando comprovantes das despesas médicas, com identificação do paciente. Na notificação consta que os recibos de serviços odontológicos que foram entregues, não estariam revestidos das formalidades legais exigidas. Para dirimir dúvidas e esclarecer definitivamente a questão, anexa declaração firmada pelo Dr. Cássio Augusto Maia Curvo na qual descreve o tratamento a que foi submetido além de confirmar os valores recebidos à título de honorários. Junta a declaração de fl.04. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os recibos fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte, bem como a declaração emitida pelo profissional que prestou o serviço, não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, mediante declaração, reconhecem têlos prestados. Cita base legal e jurisprudência para corroborar o seu entendimento. Repisa os mesmos argumentos ventilados na impugnação acerca da dedutibilidade com a despesa. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10183.720196/201176 Acórdão n.º 2001000.098 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos relativos ao tratamento odontológico, bem como declaração contendo endereço completo do prestador, com CPF/CNPJ do prestador, valor pago pelo contribuinte, beneficiário dos serviços, ratificando a veracidade das informações contidas nos recibos apresentados. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Assim, exigese que os recibos tragam informações que permitam a perfeita identificação: 1) do responsável pelo pagamento efetuado, pois sem essa informação não há como se vincular a dedução ao possível interessado; 2) do valor do pagamento; 3) da data da emissão do documento (dia, mês e ano); 4) do tipo de serviço realizado; 5) do beneficiário do serviço; 6) do emitente do documento: nome, endereço, CPF/CNPJ e, no caso de pessoa física, o registro de habilitação profissional no Conselho Regional de Classe. Esses são os requisitos mínimos que devem constar do documento comprobatório da despesa pleiteada como dedução da base de cálculo do IRPF. A legislação regente da matéria assim exige e, por conseguinte, devem ser fielmente observados pela autoridade fiscal (lançadora e julgadora), cuja atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a teor do disposto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Fl. 84DF CARF MF 4 Da mesma forma, existindo dúvida quanto à efetividade dos gastos médicos declarados, a legislação tributária permite que a autoridade fiscal não acate os recibos como provas suficientes para evidenciar as efetivas realizações de tais gastos, podendo, a seu juízo, visando formar sua convicção, solicitar elementos adicionais que demonstrem de modo absoluto a veracidade do pleito declarado. No presente caso, consta da notificação que o contribuinte apresentou recibos de serviços odontológicos sem serem revestidos das formalidades legais, endereço do emitente, muito menos comprovação de seu efetivo desembolso . Por sua vez o contribuinte trouxe aos autos a declaração de fl.04, firmada por Cassio Augusto Maia Curvo, CRO MT934, dando conta que prestou serviços profissionais ao contribuinte, quais sejam tratamento de confecção de prótese fixas superiores, com total de 12 (doze) elementos dentários e tratamento de confecção de prótese fixa inferior com um total de 03 (treis) elementos dentários, o valor dos serviços, e o endereço, sem provar, contudo, que efetuou o desembolso do valor nela constante. Assim, a declaração fornecida, por si só, não se presta à comprovação inequívoca da ocorrência dos fatos nela descritos, sejam os pagamentos, sejam os serviços. Desta feita, como visto, competia ao contribuinte oferecer os elementos que pudessem ilidir a imputação da irregularidade, trazendo a prova de que a prestação de serviços e o correspondente pagamento existiram de fato. Por sua vez, o contribuinte não trouxe aos autos documentos capazes de comprovar o pagamento efetuado, não havendo, portanto, como restabelecer a dedução da referida despesa. De conseqüência, não tendo sido feita a comprovação que ao contribuinte cabia, não há reparos a serem feitos no lançamento. Desta forma, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário constituído. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos e a declaração emitida pelo prestador do serviço, assinada e datada pelo mesmo, não foram suficientes para comprovar as despesas.. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10183.720196/201176 Acórdão n.º 2001000.098 S2C0T1 Fl. 4 5 oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação do lançamento no sentido de que os documentos simplesmente não foram suficientes bem como intenção do contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado o pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas em análise. CONCLUSÃO: Fl. 86DF CARF MF 6 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar a dedução das despesas médicas ora glosadas. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002217/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/05/1997
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 31/05/1997 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 17 /2 01 0- 62 Fl. 195DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 196DF CARF MF Processo nº 19515.002217/201062 Acórdão n.º 2201004.227 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 197DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 19515.002217/201062 Acórdão n.º 2201004.227 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 199DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10954.000009/2005-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COFINS NÃO-CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA.
Geram direito a crédito da contribuição à Cofins, apurado nos termos da Lei 10.833/03, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias-primas.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃO-CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Geram direito a crédito da contribuição à Cofins, apurado nos termos da Lei 10.833/03, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias-primas. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃOCUMULATIVA. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Geram direito a crédito da contribuição à Cofins, apurado nos termos da Lei 10.833/03, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matériasprimas. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deu provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 4. 00 00 09 /2 00 5- 18 Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10954.000009/200518 Acórdão n.º 9303005.929 CSRFT3 Fl. 421 2 Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do Acórdão nº 3403001.591, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS REGIME NÃOCUMULATIVO CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.833/03, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matériasprimas. RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS APURADOS PELO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. Especificamente no caso da COFINS e da contribuição ao PIS apurados pelo regime nãocumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1º e §2º e 6º, §§1º e 2º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC, em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida no artigo 13 da Lei nº 10.833/03. O presente processo referese a pedido de Ressarcimento de Crédito da COFINS NãoCumulativa, formulado por DOW CORNING METAIS DO PARÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., relativo ao quarto trimestre de 2004, e Declarações de Compensações Dcomps eletrônicas vinculadas aos créditos em exame. O pedido de ressarcimento foi analisado pela unidade da RFB de Marabá, PA, que expediu em 12 de fevereiro de 2010, Informações e Despacho Decisório, os quais reconheceram apenas parcialmente o crédito reclamado pelo contribuinte. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10954.000009/200518 Acórdão n.º 9303005.929 CSRFT3 Fl. 422 3 A manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente na decisão de primeira instância. A 3ª TO da 4ª Câmara da Terceira de Julgamento do CARF, assim decidiu: (i) por unanimidade de votos, reconheceuse o direito de o contribuinte tomar o crédito relativo aos serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo; e (ii) por maioria de votos, negouse o direito à correção do ressarcimento da contribuição não cumulativa pela taxa Selic. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, suscitando divergência em relação ao conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, questionando o direito creditório relativo aos serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de PIS e COFINS, conforme despacho de admissibilidade. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Conforme relatado, o tempestivo recurso foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de PIS e COFINS. Enquanto a Egrégia Turma aplicou uma interpretação própria para o termo “insumo” na legislação de PIS e COFINS para fins de creditamento, ao admitir que movimentação e descarga de carvão, movimentação interna e empilhamento, corte e arrumação de serraria são passíveis de gerar crédito da contribuição, porque estes bens se enquadrariam no conceito de "insumo", os acórdãos paradigmas apresentados decidiram de modo diverso, empregando um alcance mais restritivo do termo “insumo”, que guardaria correspondência com o obtido da legislação do IPI. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, em especial os serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo. Os arts. 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10954.000009/200518 Acórdão n.º 9303005.929 CSRFT3 Fl. 423 4 Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas nºs 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS; e 404/04, art. 8º, § 4º, para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a nãocumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. A jurisprudência do CARF caminhou no sentido a considerar que o conceito de insumos trazido pelas normas de regência se posiciona de forma intermediária entre o conceito restritivo do IPI e aquele mais extensivo (do IRPJ). Soluções que aplicam puramente a legislação do IPI ou do IRPJ estão ficando como posições isoladas e não mais tem prosperado, em termos de votação das inúmeras turmas que tratam da matéria. Entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos. Em casos similares de minha relatoria (Acórdão 9303002.630 e 9303 003.195), este colegiado aplicou esse conceito intermediário, entendendo como “insumo” aquele elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. O STJ tem reconhecido o direito aos créditos de PIS e COFINS com base no critério da essencialidade, conforme extraise do excerto da ementa do REsp 1.246.317: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10954.000009/200518 Acórdão n.º 9303005.929 CSRFT3 Fl. 424 5 Com efeito, o conceito a ser utilizado nesse voto será a relação direta com o processo produtivo, dentro do critério da essencialidade (se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção, e se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços), além de outras permissivas contidas na lei, por óbvio. Feitos todos esses comentários, passemos à análise dos insumos, objeto do presente caso: serviços contratados de pessoas jurídicas empregados na movimentação interna de insumos. Tratase de serviços contratados de pessoas jurídicas e que são empregados na movimentação interna de insumos utilizados na fabricação do silíciometálico e da Sílica Fumê, que demandam intensa movimentação de matériasprimas e insumos utilizados no processo produtivo (minério de quartzo, carvão mineral, cavaco, material lenhoso, tijolos, argamassa e tubos). Constam nos autos diversas notas fiscais de empresas que prestaram serviços de (i) carregamento de carvão, (ii) descarga de carvão, (iii) movimentação interna e (iv) empilhamento, corte e arrumação de serraria. Também consta do laudo técnico apresentado informação que o carvão é insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, assim como o quartzo e o minério. Em atendimento ao já referido conceito intermediário de insumo, dentro do critério da essencialidade, considero que tanto as matériasprimas e produtos intermediários utilizadas no processo produtivo do silíciometálico e da SilicaFumê, ou seja, o minério de quartzo, o carvão mineral, o cavaco, o material lenhoso, os tijolos, argamassa e tubos, quanto os serviços vinculados a tais itens, ou seja, o serviço de carregamento e descarga de carvão, a movimentação interna e empilhamento, corte e arrumação de serraria, são considerados como insumos do processo produtivo. Geram, portanto, direito a crédito na sistemática nãocumulativa das contribuições. Assim, considerase como insumo, por se tratar de gastos incorridos essenciais e diretamente ligados ao processo produtivo, os serviços contratados de pessoas jurídicas empregados na movimentação interna de insumos. Tratase de dispêndios compreendidos na despesa operacional da Recorrida, necessárias para a regular execução de sua exploração mineral e fabricação do silíciometálico e da SilicaFumê, nas diversas etapas de produção. Desta forma, entendo ser correto o cômputo dos créditos de PIS/COFINS sobre as despesas incorridas acima relacionadas, no mesmo sentido que decidiu o julgador a quo. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 424DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.901464/2013-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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DIREITO CREDITÓRIO. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 14 64 /2 01 3- 19 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10850.901464/201319 Acórdão n.º 1402003.032 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) assim ementado: "ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2012 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O caso foi assim relatado pela instância a quo, in verbis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição [...], transmitida em 27/12/2012, por meio da qual o contribuinte acima identificado solicita restituição de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código 2372) do período de apuração 31/03/2012. Despacho Decisório (fl. 04) da Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto indeferiu o Pedido de Restituição em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. " Cientificado do Despacho Decisório por via postal em 14/05/2013, o contribuinte apresentou, em 07/06/2013, manifestação de inconformidade (fl. 03), alegando que teve indeferido seu pedido de restituição pelo fato de não ter retificado suas declarações (DCTF, DACON e DIPJ), porém pleiteia novamente o crédito afirmando ter corrigido todas as declarações." Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual traz a seguinte explicação para retificar a DCTF, DACON e DIPJ: "Isto tudo foi feito quando constatado que a empresa LC ASSISTÊNCIA MÉDICA S/S LTDA, recolheu o IRPJ sendo 4,80% e a CSLL sendo 2,88% na Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10850.901464/201319 Acórdão n.º 1402003.032 S1C4T2 Fl. 4 3 sua totalidade, e a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF 1,5%, Código 1708 e o PIS/COFINS/CSLL 4,65% Código 5952." Em seu pedido, requer que se aceite as retificações das declarações, pleiteando o crédito novamente referente ao PER/DCOMP acima identificado. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10850.901464/201319 Acórdão n.º 1402003.032 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.078, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10850.901450/2013 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.078): "O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto dele conheço. O recorrente teve seu pedido de restituição indeferido o fato de que, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. O recorrente alega que retificou as declarações DCTF, DACON e DIPJ para redução de tributos, pois recolheu o IRPJ e a CSLL na sua totalidade, contudo a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF e o PIS/COFINS/CSLL. Uma vez que a administração tributária tenha iniciado procedimento fiscal para verificar as obrigações tributárias referentes a determinado período e tributo, não mais se pode falar em espontaneidade na entrega de declaração retificadora. Dessa forma, uma vez que a administração tributária emite decisão com base em declaração regularmente entregue, não é lícito que o recorrente retifique a informação que levou àquela decisão e pretenda que seja a nova informação aceita sem passar pelo crivo do Autoridade Fiscal. Sendo assim, deveria o recorrente ter apresentado sua manifestação de inconformidade acompanhada de elementos probatórios que permitissem à autoridade julgadora constatar a efetiva ocorrência dos alegados equívocos cometidos em suas declarações anteriores, nos termos do artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10850.901464/201319 Acórdão n.º 1402003.032 S1C4T2 Fl. 6 5 Contudo, apesar das alegações, o recorrente não traz quaisquer documentos (notas fiscais, recibos, comprovante de pagamento) que comprovem que houve a retenção dos referidos valores de IRRF, CSLL, PIS e COFINS. Além de não comprovar a retenção dos referido tributos, também não houve a demonstração de que os valores retidos seriam suficientes para quitar integralmente os tributos apurados a partir de seus livros comerciais e fiscais. Desse modo, sendo do recorrente o ônus de provar o crédito que alegava ter, nos termos do artigo 333, I, do Código de Processo Civil, e não tendo se desincumbido de referido ônus, cumpre indeferir seu pedido de restituição e de compensação, por falta de comprovação da existência do crédito. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.722347/2015-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRPF. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUTIBILIDADE
O imposto retido na fonte poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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PREVIDÊNCIA Recorrente OSWALDO FERREIRA DE ALENCAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 IRPF. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUTIBILIDADE O imposto retido na fonte poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 23 47 /2 01 5- 02 Fl. 172DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA): Versa o presente processo sobre Impugnação à Notificação de Lançamento nº 2012/433042343550608, datada de 15/06/2015, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, correspondente ao exercício de 2012, anocalendário de 2011, que resultou em cobrança do valor principal de R$ 514,09, sob o código 2904 e R$ 512,46, sob o código 0211, que somados aos acréscimos legais atingiu a soma de R$ 1.813,12, conforme fls 74 a 79. O sujeito passivo pleiteou na sua DIRPF apresentada restituição no valor de R$ 322,92, conforme demonstrativo de apuração do imposto devido, que se encontra na fl 78, com ciência via postal, na data de 24/06/2015, conforme “AR”, fl nº 80. 2. A Notificação descreveu as seguintes infringências, que foi cientificada via postal, na data de 17/08/2012, conforme tela do Sistema SUCOP, fl 29: Dedução Indevida de Previdência Oficial Relativa a Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 6.855,46, ´com a observação de que os documentos apresentados pelo contribuinte não comprovam a retenção da contribuição previdenciária, que os sistemas da RFB indicam inexistência de recolhimentos de contribuição previdenciária em nome do contribuinte. Que a fonte pagadora também não apresentou declaração ao FISCO informando a retenção da contribuição previdenciária, fl nº 76; Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 673,64, declarado como retido pelas Fonte Pagadora ASSOCIAÇÃO EVANGÉLICA BENEFICENTE (ATIVA) – CNPJ nº 61.705.877/000172, com a observação de que os documentos apresentados pelo contribuinte não comprovam a retenção do IR na fonte. A fonte pagadora também não apresentou declaração ao FISCO informando a retenção do IR. Que não há recolhimento de IRPF nos sistemas informatizados da RFB em nome do contribuinte, fl nº 77. 3. Inconformado o sujeito passivo apresentou impugnação protocolada na data 20/07/2015, com as seguintes argumentações em seu favor, em resumo, fls nº 02 e 03: Que o valor da dedução em favor da Previdência Oficial foi descontado pela Fonte Pagadora ASSOCIAÇÃO EVANGÉLICA BENEFICENTE (ATIVA) – CNPJ nº 61.705.877/000172, bem como o Imposto de Renda Retido na Fonte declarado de R$ 673,64. 4. Para comprovar suas argumentações, apresentou cópia dos seguintes documentos: Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10855.722347/201502 Acórdão n.º 2202004.509 S2C2T2 Fl. 173 3 Contrato de Agenciamento de Contribuição do Hospital Evangélico de Sorocaba – CNPJ nº 61.705.877/300034, fls nº 6 a 7; Documento em papel timbrado da empresa General Assessoria Contábil e Empresarial S/C Ltda, referente à informação de desconto de Previdência Social, no percentual de 11%, com citação da MP nº 83, regulamentada pela IN nº 87, de 27/03/2003, fls 08 e 09; Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, referente ao anocalendário de 2011, mencionando que se tratou de Rendimentos de Trabalho sem vínculo empregatício, com as seguintes informações, fl 10: Total dos Rendimentos...............................................R$ 36.000,00 Contribuição Previdência Oficial..............................R$ 6.855,46 Imposto de Renda Retido na Fonte............................R$ 673,64 Recibos emitidos pelo Hospital Evangélico – Programa Amigo da Saúde, fls 11 a 59. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), negou provimento à Impugnação (fls. 142), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 EMENTA Os descontos de Imposto de Renda e de contribuições em favor da Previdência Social devem estar comprovados com informações denominadas de obrigações acessórias, bem como, guardar compatibilidade com o valor dos pagamentos. Cientificado (AR fls. 150), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 152/156), no qual requer a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) ´Planilha resumo: demonstrando que os valores discriminados nos recibos de pagamento correspondem aos valores informados no Comprovante de Rendimento Anual, bem como comprovam os totais mensais informados em GFIP e constante da base de dados do CNIS(fls 157); b) Extrato de Processamento do CNIS: para comprovar que os salários da contribuição previdenciária informada na GFIP;(fls.158/159); c) Carta de Concessão/Memória de Cálculo do Benefício (fls. 160/163) Fl. 174DF CARF MF 4 d) Comprovantes de Rendimentos dos anos base 2010 e 2012: para comprovar a relação de trabalho com o Hospital Evangélico de Sorocaba durante todo o período; (fls. 164/166); d) Correspondência eletrônica recebida em 13/07/2016 da fonte pagadora informando a retificação da DIRF ano base 2011 (fls.167/168); É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A decisão recorrida negou provimento à Impugnação por não constar da DIRF da Fonte Pagadora, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: 7. Por pairar dúvidas quanto a efetiva retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte, bem como o desconto previdenciário decidimos por realizar diligência junto à Delegacia de Origem, conforme fls 87 a 89. 8 A Delegacia de Origem procedeu à intimação, conforme documento à fl 90, e em resposta foram apresentados cópia dos mesmos documentos que já se encontravam no processo, fls 11 a 59, que não comprovam efetivamente as retenções e recolhimentos. 9 Pesquisado o Sistema DIRF desta Secretaria, relativamente ao anocalendário de 2011, verificouse que a suposta Fonte Pagadora, não apresentou DIRF em favor do interessado neste processo. 10. Analisando os documentos acostados ao processo, às fls 6 a 59, 74 a 79, já acima relatados, verificouse que não assiste razão ao sujeito passivo, tendo em vista que embora tenha tomado conhecimento através da Notificação de Lançamento que não foram comprovadas as retenções em favor da Previdência Social e nem do Imposto considerado como Retido na Fonte, com as observações contidas nas fls 76 e 77, por falta de informação da Fonte Pagadora aos Sistemas informatizados desta Secretaria, não tomou as devidas providências, no sentido de juntar os comprovantes de recolhimento dos valores que supostamente foram retidos, e mesmo após a realização da diligência a Fonte Pagadora também não apresentou a comprovação solicitada. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10855.722347/201502 Acórdão n.º 2202004.509 S2C2T2 Fl. 174 5 O Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, é elucidativo ao explicitar em seu artigo 87, §2º as condições para dedutibilidade do Imposto de Renda Retido na Fonte: Art.87.Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: I as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente; II as contribuições efetivamente realizadas em favor de projetos culturais, aprovados na forma da regulamentação do Programa Nacional de Apoio à Cultura PRONAC, de que trata o art.90; III os investimentos feitos a título de incentivo às atividades audiovisuais de que tratam os arts. 97 a 99; IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; V o imposto pago no exterior de acordo com o previsto no art. 103. §1º A soma das deduções a que se referem os incisos I a III fica limitada a seis por cento do valor do imposto devido, não sendo aplicáveis limites específicos a quaisquer dessas deduções. §2ºO imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§1º e 2º e 8º, §1º. De acordo com o artigo acima transcrito, a dedução do imposto sobre a renda retido pela fonte pagadora poderá ser realizada se o contribuinte tiver comprovante emitido pela fonte, em seu nome. Conforme se verifica pela documentação trazida aos autos, desde a impugnação o contribuinte juntou o comprovante de rendimentos pagos e de Imposto sobre sobre a Renda Retido na Fonte (fls. 10). Sendo assim, o fato da fonte pagadora, eventualmente, não ter feito o recolhimento dos valores retido ou não ter apresentado DIRF relativa às mencionadas retenções não pode ser causa de indeferimento das deduções pretendidas. Ademais, o contribuinte juntou, em fase recursal, Extrato de Processamento do CNIS: para comprovar que os salários da contribuição previdenciária informada na GFIP correspondem aquele constante da sua declaração.(fls.158/159); O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 176DF CARF MF 6 Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado, aplicável aos processos administrativos, tem admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) Embora entenda desnecessária a juntada dos documentos adicionais para o provimento da Impugnação, tais documentos reforçam a conclusão acima exposta. Com efeito, o direito a dedução dos valores retidos não podem ficar condicionados ao cumprimento da obrigação acessória por parte da fonte pagadora. Tanto é assim que a súmula 12 deste Conselho reconhece a possibilidade de constituição do crédito tributário em nome do beneficiário ainda que a fonte pagadora não tenha procedido a retenção: Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10855.722347/201502 Acórdão n.º 2202004.509 S2C2T2 Fl. 175 7 Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Ou seja, se a obrigação do beneficiário de pagar o imposto de renda permanece ainda que a fonte pagadora não tenha procedido a retenção é justo concluir que este também deverá ter direito a dedução dos valores retidos ainda que estes não tenham sido repassados e/ou declarados pela fonte pagadora pela Receita Federal. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.721351/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-005.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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INCOMPETÊNCIA, COMO REGRA GERAL, DOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS DE JULGAMENTO. SÚMULA CARF 2. Fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Art. 26A, caput, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 13 51 /2 01 1- 71 Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13603.721351/201171 Acórdão n.º 3401005.016 S3C4T1 Fl. 354 2 Tratase de auto de infração de IPI, relativo ao período de 31/12/2008 a 31/12/2009, onde foi lançado o tributo, juros de mora, multa de ofício proporcional de 75% e multa de ofício do IPI não lançado com cobertura de crédito, no valor total de R$ 103.983,83. Segundo o TVF a autuação foi efetuada pela falta de lançamento do IPI nas saídas para o mercado interno de produtos industrializados importados pelo estabelecimento equiparado a industrial, conforme inciso I do art. 9º do RIPI/2002. Os débitos que deixaram de ser lançados foram calculados com base em planilha de Notas Fiscais de Saída de produtos importados apresentada pelo contribuinte (fls. 205 a 251) e os créditos com base nos valores pagos no desembaraço aduaneiro. Do encontro dos créditos com os débitos, resultaram saldos devedores em quatro períodos de apuração. Nos demais períodos, não houve falta de recolhimento, mas, da mesma forma, foi aplicada a multa por falta de lançamento, desta feita com cobertura de créditos, também prevista no art. 80, caput, da Lei nº 4.502/64. A DRJ de Recife/PE julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, prolatando o acórdão nº 1145.121, de 24/02/2014. A empresa apresentou recurso voluntário onde alega: inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência do IPI em razão da não ocorrência do fato gerador; ocorrência de Bis In Idem e bitributação; afronta ao princípio do tratamento nacional e ao princípio da legalidade estrita; imprevisibilidade das decisões judiciárias e seus reflexos na segurança jurídica. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Tanto na impugnação como no recurso voluntário a recorrente não contesta a forma de apuração dos valores lançados. Em que pese a aplicação obrigatória por esse colegiado da Súmula CARF nº 2 pela alegação de inconstitucionalidade levantada pela recorrente, abro espaço para prestar alguns esclarecimentos. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13603.721351/201171 Acórdão n.º 3401005.016 S3C4T1 Fl. 355 3 Súmula 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O CTN deixou claro a instituição do imposto, seu fato gerador e definição do contribuinte: Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; ... Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; ... Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. A Lei nº 4.502/64 trouxe a equiparação do importador ao estabelecimento produtor: Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. ... Art . 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira; Logo a controvérsia apresentada é infrutífera, ainda mais que já superada pelas decisões unânimes do STJ (REsp nº 1.385.952/SC, REsp nº 1.393.102/SC e REsp nº 1.393.362/SC). 3. Não há qualquer ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, já que equiparado a industrial pelo art. 4°, I, da Lei n. 4.502/64, com a permissão dada pelo art. 51, II, do CTN. Todas as outras alegações da recorrente: ocorrência de Bis In Idem e bitributação, por ter sido tributado no desembaraço e na saída do estabelecimento e por a saída ser tributada também pelo ICMS, afronta ao princípio do tratamento nacional e ao princípio da Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13603.721351/201171 Acórdão n.º 3401005.016 S3C4T1 Fl. 356 4 legalidade estrita e imprevisibilidade das decisões judiciárias e seus reflexos na segurança jurídica são questionamentos sobre o teor das leis. Como é sabido as leis são de aplicação obrigatória pelos tribunais administrativos que são vinculados, não podendo se eximir de aplicálas, conforme art. 26A do Decreto nº 70.235/72. O questionamento sobre o seu teor e legalidade deve ser levado às instâncias competentes. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negar lhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13603.721351/201171 Acórdão n.º 3401005.016 S3C4T1 Fl. 357 5 Fl. 358DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.720953/2015-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
IRPJ/CSLL - SIMULAÇÃO - INEXISTÊNCIA
O direito de se auto-organizar autoriza a constituição de sociedades pelos mesmos sócios, que tenham por escopo atividades similares, complementares ou mesmo distintas. Se corretamente constituídas e operadas, afasta-se o entendimento de que se trata de mera simulação. Para que determinada operação seja considerada simulada, devem ser consideradas as características do caso concreto, demonstradas através de provas.
Numero da decisão: 1301-002.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por lhe dar provimento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 IRPJ/CSLL - SIMULAÇÃO - INEXISTÊNCIA O direito de se auto-organizar autoriza a constituição de sociedades pelos mesmos sócios, que tenham por escopo atividades similares, complementares ou mesmo distintas. Se corretamente constituídas e operadas, afasta-se o entendimento de que se trata de mera simulação. Para que determinada operação seja considerada simulada, devem ser consideradas as características do caso concreto, demonstradas através de provas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por lhe dar provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONSTRUTORA SCALA GUAÇU LTDA E OUTRO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 IRPJ/CSLL SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA O direito de se autoorganizar autoriza a constituição de sociedades pelos mesmos sócios, que tenham por escopo atividades similares, complementares ou mesmo distintas. Se corretamente constituídas e operadas, afastase o entendimento de que se trata de mera simulação. Para que determinada operação seja considerada simulada, devem ser consideradas as características do caso concreto, demonstradas através de provas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por lhe dar provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 09 53 /2 01 5- 66 Fl. 5642DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.643 2 Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso de Ofício contra o acórdão nº 0272.296, proferido pela 10ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de 20 de março de 2017, que, por voto de qualidade, entendeu julgar procedente a impugnação do sujeito passivo para exonerar o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valhome parcialmente do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: I – DO LANÇAMENTO. Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foram lavrados os Autos de Infração e respectivos Anexos de fls. 620/672, a saber: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$13.542.704,95, cumulado com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 07.2015. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$4.548.360,16, cumulada com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 07.2015. Lançamento do IRPJ e CSLL. Descrição dos Fatos. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: “Responsabilidade Tributária do Sócio Administrador: a Scala, sob administração de Olivo nos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, infringiu a lei tributária ao aplicar indevidamente a tributação com base na Lei 9.718/98, art. 13 e Dec. 3.000/99, art. 516, no lugar da Lei 9.718/98, art. 14 e Dec. 3.000/99, art. 246, mediante planejamento tributário que reduziu o montante devido de IRPJ e CSLL e assim promoveu prejuízo aos cofres da fazenda nacional, conforme relatório fiscal da fiscalização. Em decorrência da infração à lei tributária do IRPJ e CSLL, o sócio administrador Olivo Simoso – CPF 773.819.47820 passa a ser responsabilizado pelo crédito tributário lançado de ofício contra a empresa que administra, nos termos do CTN, art. 135, III. (...) RESULTADOS NÃO DECLARADOS Fl. 5643DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.644 3 INFRAÇÃO: OPÇÃO INDEVIDA PELO LUCRO PRESUMIDO – RESULTADOS OPERACIONAIS Contribuinte, obrigado a apurar o imposto de renda pelo regime do lucro real, entregou declaração optando pelo lucro presumido, mas manteve escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, conforme relatório fiscal em anexo.” Relatório Fiscal – RF (fls. 594/617). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. RESUMO DA AUTUAÇÃO Resumo da autuação: no decorrer do presente Relatório Fiscal serão relatadas as constatações baseadas nos elementos arrecadados e analisados durante a presente auditoria fiscal. A Fiscalização apurou que houve infração tributária tendo em vista redução da tributação devida do IRPJ e da CSLL, em razão da opção indevida pela apuração do lucro pelo regime do Lucro Presumido para os anoscalendário 2011 e 2012, através da utilização de outra empresa pertencentes aos mesmos sócios, que realizam o mesmo tipo de negócio e compartilham estrutura física, para distribuição, pulverização, da receita bruta total do negócio entre as duas empresas e assim não ultrapassarem, individualmente, o limite legal de R$ 48 milhões nos anos anteriores. Em razão desse planejamento tributário a Fiscalizada, bem como a outra empresa pertencente aos mesmos sócios (Construtora Simoso Ltda – Simoso), submeteuse à tributação menor que a devida, uma vez que nenhuma delas, considerando as receitas brutas somadas, poderia ter optado pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Decreto nº 3.000/99, art. 246, I). Não ficou demonstrado o propósito negocial da Scala que pudesse justificar a divisão das receitas do conjunto Simoso e Scala. (...) Das Informações Fiscais: tratase de uma sociedade limitada e apresentou as DIPJ (DOC 18), conforme abaixo: Fl. 5644DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.645 4 CONSTATAÇÃO DE INFRAÇÃO À LEI TRIBUTÁRIA Distribuição da Receita Bruta para Tributação com Base no Lucro Presumido: conforme verificado por esta Fiscalização, a Construtora Simoso Ltda – CNPJ 48.169.536/000161 (Simoso) e a Scala – são controladas e gerenciadas pelos mesmos sócios e têm a mesma atividade. Os elementos que atestam essa situação são abaixo relatados: 1) Compartilhamento do mesmo endereço administrativo, comercial e produtivo; 2) Mesmos sócios e idêntica participação societária em ambas empresas; 3) Mesmo objeto social (atividade formal); 4) Mesma atividade comercial e produtiva (atividade de fato). 1) Compartilhamento do mesmo endereço administrativo, comercial e produtivo: (...) Conforme podese observar nos quadros acima, os endereços de todos estabelecimentos da Scala coincidem com os endereços da Simoso, observandose tãosomente um estabelecimento da Simoso em que não há coincidência de endereço com a Scala (filial Simoso Aguaí) e um estabelecimento da Scala na Rua São José em MogiGuaçu – que encerrou atividades em 1992, segundo apurado pela Fiscalização através de visita local. (...) As diligências estão relatadas em detalhes nos Termos de Constatação, inclusive com a devida qualificação (nome completo e CPF) dos entrevistados, fotos do local e assinados pelos três AuditoresFiscais da RFB que participaram da visita (DOC 05). Intimada, a Scala esclareceu, dentre outras, que não existem contas e respectivos comprovantes de energia elétrica vez que as salas comerciais comodatadas não possuíam medidores separados. Considerando a resposta acima, a Fiscalização observa que a ausência de contas de água, luz e telefone, além das despesas com IPTU ou ITR demonstram o compartilhamento de estrutura entre as empresas Scala e Simoso. Não há cobranças de aluguéis, sendo ausentes contratos de locação de imóveis, substituídos por simples contratos de comodato ou arrendamento rural, sem registro público, nos termos do Código Civil, art. 221. Em referidos contratos figuram como comodantes ou arrendantes, sempre, a Simoso ou filhos dos proprietários da Simoso (que também figuram como funcionários da Simoso). Em um contrato de arrendamento Fl. 5645DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.646 5 datado de 01/01/2009, consta a previsão de pagamento de arrendamento mensal, porém, como já visto, inexiste comprovante de tais pagamentos. Quanto aos equipamentos e máquinas necessários à atividade da Scala, esses eram, segundo contrato de locação de equipamentos – sem registro público , firmados também com a Simoso. Ou seja, a Simoso locava equipamentos para a Scala realizar o mesmo objeto social da primeira. Tais situações demonstram o compartilhamento das mesmas instalações comerciais, produtivas e administrativas. Significa dizer, as empresas operam na mesma atividade, realizam o mesmo negócio. 2) Mesmos sócios e idêntica participação societária em ambas empresas: (...) Os sócios (Olavo Simoso e Antônia Tereza Campaidi Simoso), que são marido e mulher, possuem idêntica participação nas duas empresas (60% e 40%, respectivamente). Simoso e Scala estão sob o mesmo controle e unidade de comando. 3) Mesmo objeto social (atividade formal): (...) Há forte similaridade no objeto social das empresas. 4) Mesma atividade comercial e produtiva (atividade de fato): (...) Em 2010, 85,2% da receita da Simoso corresponde a idênticos tipos de receitas da Scala. (...) Em 2011, 93,6% da receita da Simoso corresponde a idênticos tipos de receitas da Scala. Se considerada a receita de revenda de mercadorias da Simoso juntamente com sua receita de vendas de mercadorias, 98,8% das receitas da Simoso passam a ser idênticas às da Scala. (...) Em 2012, 98,1% da receita da Simoso corresponde a idênticos tipos de receitas da Scala. A denominação dos tipos de receita nos quadros acima são os informados pela Simoso e pela Scala em seus respectivos planos de contas transmitidos via Sistema Público de Escrituração Digital (Sped). (DOCs 11 a 15). Portanto, não só as atividades formalizadas em seus contratos sociais são similares como também suas atividades de fato. Fl. 5646DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.647 6 Em resumo, verificase que em razão de: 1) Compartilhamento do mesmo endereço administrativo, comercial e produtivo; 2) Mesmos sócios e idêntica participação societária em ambas empresas; 3) Mesmo objeto social (atividade formal); e 4) Mesma atividade comercial e produtiva (atividade de fato); que a Simoso e a Scala dividem entre si a receita bruta total do negócio. Das Justificativas Finais da Scala sobre o Planejamento Tributário Adotado: (...) A Scala atendeu à intimação apresentando, em síntese, a seguinte resposta (DOC 03): 1) que não encontrou justificativa para o Fisco tributála pelo lucro real, pois considera correta sua opção pelo lucro presumido com base no inciso I, art. 246 do RIR/99; (...) 4) que a empresa exerce a atividade de construção civil desde 1992; 5) que o capital social é de R$ 2.000.000,00 e o patrimônio líquido de R$ 9.974.647,43 e que a execução de obras de menor porte geralmente tem lucratividade muito estreita; 6) que a Scala tem condições de participar de licitações de no máximo 20 milhões de reais; 7) que “Entendeu que no rigor da lei havia um único requisito a ser observado: a receita total, do ano anterior, ser inferior ao limite fixado na lei. Considerou que obedecido o referido limite, a opção tornavase livre e dispensada de outras providências. Avaliou também que o ingresso no lucro presumido era uma opção, significando que o regime ordinário continua sendo o lucro real.” (...) Manifestação Fiscal às Justificativas Finais da Scala: com relação aos argumentos apresentados, a Fiscalização assim se manifesta: 1) a motivação para a tributação no lucro real está apresentada e fundamentada ao longo do presente relatório fiscal e os elementos de prova estarão juntados ao respectivo processo administrativo fiscal. 2) os documentos juntados pelo contribuinte podem ser encontrados no PAF no DOC 03. Cabe esclarecer, em relação ao item 7.1 da intimação fiscal (contas de água, eletricidade, telefone e IPTU/ITR) que foram apresentadas apenas 3 contas telefônicas correspondentes a um único número de telefone. Salientese que existem 8 estabelecimentos da Scala, sendo, segundo a Scala, que dois deles não estariam funcionando no período (um que nunca teria operado e outro que encerrou as atividades). Observase que, por via de regra, cada estabelecimento deveria ter suas próprias despesas de consumo de água, energia e telefone, insumos mínimos imprescindíveis para funcionamento de um negócio de construção civil, ou comprovação fundada em Fl. 5647DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.648 7 documentação hábil e idônea do reembolso de tais despesas aos locadores/arrendadores/comodantes. (...) Com relação ao item 7.3) (contratos de locação ou escrituras) foram apresentados: (...). Em suma, são todos contratos firmados entre pessoas ligadas (Scala, Simoso, filhos e pais). Com exceção do contrato de arrendamento onerado em R$ 600,00 por ano, todos os demais não estabelecem ônus ao comodatário. Nenhum dos contratos tem seu registro em cartório. Outros detalhes e conclusões relativos à análise desses documentos já foram analisados no item deste relatório que trata do “Compartilhamento do mesmo endereço administrativo, comercial e produtivo”. 3) A Scala adicionalmente informou que: (itens 3, 4, 5 e 6). Ponderando sobre essas informações, a Fiscalização não encontrou lógica nos motivos apresentados para o grupo se estruturar em duas empresas praticantes do mesmo negócio, a não ser o motivo tributário de escapar à tributação com base no lucro real mediante diluição da receita entre a Simoso e a Scala. Vejamos, se a Simoso possui toda a estrutura para mineração de brita e sua comercialização e para prestação de serviços de obras de construção civil em geral, qual o sentido em constituir uma empresa sem praticamente estrutura, que loca equipamentos da própria Simoso, utilizandose gratuitamente de espaço (contratos de comodato) para suas atividades? Qual o diferencial? A vantagem de menor custo operacional com transporte não encontra suporte fático, porque desprovida de qualquer lógica financeira, se assim fosse a Simoso teria a mesma vantagem, pois os endereços das duas são os mesmos. A administração e a estrutura sãos as mesmas. Quanto à proposição de que somente a Scala poderia participar de obras com valor máximo de R$ 20 milhões, ainda que essa proposição estivesse embasada em elementos fáticos comprovados pela Scala, careceria de lógica da mesma forma. Quem pode o mais, pode o menos, não é exagero afirmar isso. Se a Simoso tem o poder, seja de deter o Know how e toda estrutura indispensável, por que ela mesma não executaria todos os negócios em seu nome? Por fim, a justificativa central da Scala de que a execução de obras de menor porte geralmente tem a lucratividade muito estreita, por isso são por ela realizadas. Verificase que as margens líquidas da Scala foram bastante significativas. Não ficou demonstrado o propósito negocial da Scala que pudesse justificar a divisão das receitas do conjunto Simoso e Scala. Fl. 5648DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.649 8 (...) Da prevalência da Essência sobre a Forma. As novas normas contábeis brasileiras, vigentes a partir de 01/01/2008, foram criadas para ajustar a contabilidade brasileira à contabilidade internacional International Financial Reporting Standards (IFRS). Dentre os princípios básicos, ganhou forte relevância o da Primazia da Essência sobre a Forma, estampado na Resolução CFC nº 1.121/08, que aprova a Estrutura Conceitual para elaboração e apresentação das demonstrações contábeis, vigentes já em 2009. Em seu item 35, estabelecese que os eventos sejam contabilizados e apresentados de acordo com a sua substância e realidade econômica, e não meramente sua forma legal, uma vez que a essência das transações nem sempre é consistente com o que aparenta ser com base em sua forma legal ou artificialmente produzida. Em decorrência dessa premissa, embora cada empresa (Simoso e Scala) tenha sua receita formalmente declarada e tributada em separado, a realidade econômica demonstra que se trata de um negócio único, de uma receita única, não podendo ser separado por mera liberalidade dessas empresas para produzir efeitos tributários em prejuízo da Fazenda Nacional. Por conseguinte, as receitas das duas empresas devem ser somadas para fins de aferição do limite legal para poder optar validamente pela tributação com base no lucro presumido (art. 516, do RIR/1999). (...) A Solução de Consulta nº 381, de 2014, DOU de 23/02/2015 (DOC 16), trata da consideração da receita de todos os negócios como única para fins de verificação do limite da receita bruta para fins de opção válida à tributação com base no lucro presumido. Tanto a Simoso quanto a Scala não poderiam optar pela tributação com base no lucro presumido nos anos de 2010, 2011, e 2012. As receitas juntas somaram valores superiores a R$ 48 milhões anuais em 2009, 2010 e 2011. Portanto, devem submeterse à tributação com base no lucro real. Conclusão (...) Assim, a Scala deve ser tributada com base no art. 246, I, do RIR/1999, que trata da obrigatoriedade de tributação da pessoa jurídica com base no lucro real. (...) Fl. 5649DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.650 9 Responsabilidade Tributária do Sócio Administrador: a Scala, sob administração de Olivo nos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, infringiu a lei tributária ao aplicar indevidamente a tributação com base na Lei 9.718/98, art. 13 e RIR/1999, art. 516, no lugar da Lei 9.718/98, art. 14 e RIR/1999, art. 246, mediante planejamento tributário que reduziu o montante devido de IRPJ e CSLL e assim promoveu relevante prejuízo aos cofres da Fazenda Nacional. Em decorrência da infração à lei tributária do IRPJ e CSLL, o sócio administrador Olivo Simoso – CPF 773.819.47820 passa a ser responsabilizado pelo crédito tributário lançado de ofício contra a empresa que administra, nos termos do CTN, art. 135, III. II – TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Foi lavrado contra o responsável tributário, Olivo Simoso, o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 674/675. II – DA IMPUGNAÇÃO. Tendo sido dele cientificado via postal (AR de fls. 677/678) tanto o sujeito passivo como o responsável tributário devidamente arrolado no correspondente Termo de Sujeição Passiva Solidária, em 04.08.2015 e 30.07.2015, respectivamente, foi apresentada contestação em nome de ambos em 28.08.2015, mediante o instrumento de fls. 680/726. Adiante compendiamse suas razões. I – DA TEMPESTIVIDADE A Impugnante ressalta a tempestividade da impugnação, considerando que foi intimada em 04.08.2015 e o responsável Olivo Simoso em 30.07.2015. II – DOS FATOS A autuação tem supedâneo em alegada distribuição da receita bruta total, fato esse construído a partir da circunstância de a Impugnante procurar, de acordo com o permitido pela lei e expressamente aceito no próprio Relatório Fiscal, a opção de tributação que lhe é mais vantajosa, considerando o limite então vigente para o lucro presumido. Com isso, constatouse uma alternância entre o lucro presumido (anoscalendário 2009, 2011 e 2012) e o lucro real (2010). A suposta distribuição da receita bruta decorre da equivocada premissa de que a Impugnante e a Construtora Simoso (sujeito passivo no PA nº 10865.720.538/201511), não teriam autonomia entre si, sendo, na realidade, um único negócio, de receita única. Segundo a Fiscalização, os elementos probatórios dessa irregularidade seriam os seguintes (fls.4 e ss. do Relatório Fiscal). Fl. 5650DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.651 10 Diferentemente do alegado no Relatório Fiscal, os elementos não comprovam qualquer irregularidade fiscal. Atestam, sim, que são sociedades com o mesmo controle, o que, além de não ser ilícito, tampouco é suficiente para afirmar que a Simoso e a Scala distribuem entre si a receita bruta total do negócio, driblando a lei no que diz respeito ao limite legal de R$ 48 milhões para que o negócio pudesse ser tributado com base no lucro presumido. Além disso, o propósito negocial da Impugnante foi o de segregar atividades com o objetivo de explorar serviços que não interessavam à Simoso (os de pequeno porte, ou seja, até 20 milhões de reais). Não fosse isso, o resultado do grupo seria menor, o que certamente não interessaria aos sócios. Qual irregularidade disso? Nenhuma. E qual a inconsistência da afirmação de que uma empresa de grande porte não tem condições práticas de realizar pequenos serviços, posto que a margem de lucro não cobriria os custos da atividade? Igualmente nenhuma. Por que segregar as atividades e pagar elevados valores de PIS, Cofins, IRPJ e CSLL nas vendas de brita realizadas pela Simoso a favor da Scala? Esses fatos geradores e respectivos débitos não teriam existido caso as duas sociedades fossem uma empresa só. Mas a Impugnante e a Simoso são pessoas jurídicas distintas, com autonomia financeira, econômica, laboral e operacional. Além disso, as atividades foram exercidas separadamente, em locais independentes (a filial compartilhada com a Simoso era apenas administrativa, já que essa empresa executava serviços de recapeamento, realizados no local). Não refutamos, por outro lado, as circunstâncias de que elas têm os mesmos sócios, com idêntica participação societária, assim como em parte possuem semelhante objetivo social (atividade formal) e compartilham endereços em função de necessidades operacionais adiante justificadas. Mas qual a relevância de possuir essa “identidade” de endereços, se todos os demais pontos são divididos e os serviços que executam são substancialmente diferentes? A resposta é simples: absolutamente nenhuma. III – DO DIREITO A seguir trataremos tanto da demonstração de que a segregação de atividades econômicas é atividade lícita e aceita pela jurisprudência, quanto da prova de que o auto de infração ora impugnado deve ser anulado porque a (i) conclusão de que se tratava de um único negócio foi construída a partir de indícios fracos e plenamente justificáveis, e (ii) que não considerou inúmeros outros fatos que invalidaram tal conclusão. Por último trataremos da responsabilidade tributária. III.1 – DA LEGALIDADE DA SEGREGAÇÃO DE ATIVIDADES EMPRESARIAIS Fl. 5651DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.652 11 Contrariamente ao afirmado no Relatório Fiscal, a Impugnante não distribuiu a receita bruta de seu negócio entre duas empresas, para poder se enquadrar no lucro presumido. Ao invés, os sócios segregaram atividades planejandose comercialmente. O que faz com que a operação seja considerada simulada (art. 167, I, do Código Civil) são as características do caso concreto, demonstradas mediante provas. Por outro lado, se a nova sociedade não possuía funcionários (ou os possuía em número simbólico); não possuía despesas de qualquer natureza (já que todas eram suportadas e aproveitadas fiscalmente pela sociedade originária); não demonstrou que exercia a atividade pela qual cobrava e, finalmente, se seu caixa era utilizado para pagamento das despesas de sociedade segregada, sem qualquer explicação, seria correto considerar simulada as atividades desta última sociedade, existente apenas para reduzir a carga tributária do grupo, sem qualquer respaldo factual factível. Mas esse não é o caso dos autos, conforme adiante se demonstrará. A Impugnante discorre acerca da: (1) Simulação de atos e negócios jurídicos; (2) Ilícitos atípicos; e (3) Abuso de direito no Código Civil de 2002 – reflexos em matéria tributária? III.2 – DA JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA SOBRE A MATÉRIA Jurisprudência já se debruçou sobre o tema “segregação de atividades econômicas” em diversas oportunidades. Destacamos os casos a seguir, que podem ser utilizados como paradigma para decidir o presente caso. PARADIGMA UM – Acórdão 3403002.5119 – 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária – 3ª Seção – Sessão de 22 de outubro de 2.013 Não se configura simulação absoluta se a pessoa jurídica criada para exercer atividade de revendedor atacadista efetivamente existe e exerce tal atividade, praticando atos válidos e eficazes que evidenciam a intenção negocial de atuar na fase de revenda de produtos. A alteração na estrutura de um grupo econômico, separando em duas pessoas jurídicas diferentes atividades de industrialização e de distribuição, não configura conduta abusiva nem a dissimulação prevista no art. 116, p.u. do CTN, nem autoriza o tratamento conjunto das duas empresas como se fosse uma só, a pretexto de configuração de unidade econômica, não se aplicando ao caso o art. 126, III, do CTN. Aspecto relevante deste julgado é que, no entendimento do CARF, se a empresa criada efetivamente existe e exerce tal atividade, praticando atos válidos e eficazes que evidenciam a Fl. 5652DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.653 12 intenção negocial de atuar na fase de revenda dos produtos, não se configura simulação. Ora, no caso desses autos, comprovase que a Construtora Scala existe, possui independência financeira, técnica, patrimonial, operacional, laboral e, ainda, atua num ramo de negócio distinto da Construtora Simoso, que se dedica às obras de construção civil de maior porte e complexidade. PARADIGMA DOIS – Acórdão 149.524 – 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Sessão de 23 de janeiro de 2.008 EMENTA: SIMULAÇÃO – INEXISTÊNCIA – Não é simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. PARADIGMA TRÊS – Acórdão 105.184 – 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Sessão de 4 de julho de 1.994 Lucro presumido. Simulação. Para que, no caso em apreço, ficasse perfeitamente caracterizada a simulação apontada, não deveria a acusação restringirse à tese de que a nova empresa, constituída em local vizinho à original, e com igual composição societária, visava burlar limite de receita bruta; cumpria aprofundar o exame contábilfiscal em ambas as empresas, a fim de cientificarse, de fato, que existia uma única prestadora de serviços. No caso em apreço, não é necessário maior esforço para se concluir que a Fiscalização não provou a acusação que faz. As provas são fracas e inconsistentes. O auditor presume, apressadamente, se tratar de um negócio único, sendo que lhe competia aprofundar no exame probatório, seja para sopesar as provas a favor da segregação, seja para verificar se as “desfavoráveis” não eram justificáveis pelo ramo de atividade exercida. PARADIGMA QUATRO – Acórdão 3403002.854 – 3ª Seção – 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária – Seção de 26 de março de 2014 AUTO DE INFRAÇÃO. ABUSO DE DIREITO. SEGREGAÇÃO DE ATIVIDADES ECONÔMICAS. REQUISITOS. A segregação de diferentes atividades econômicas em duas entidades é admissível, mesmo que dela decorra economia de tributária, quando realizada previamente à ocorrência dos fatos geradores e revelar evidentes ganhos extrafiscais decorrentes do efetivo desenvolvimento dessas atividades separadamente e em estruturas independentes e com administração, corpo de funcionários e instalações próprios. Dessa decisão decorre que para que a segregação seja lícita e acatada pela RFB, deve ser provado que: Fl. 5653DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.654 13 O desenvolvimento das respectivas atividades ocorra separadamente e em estruturas independentes – o requisito foi cumprido no caso concreto, pois os clientes e as obras eram diversos, a Simoso possuía atividade operacional muito maior que a Impugnante, os serviços realizados pelas empresas eram muito diferentes do ponto de vista técnico – vide atestados técnicos, contratos e fotos – e com relação ao valor contratado, etc.; e Haja distinção com relação à administração, corpo de funcionários e instalações – requisito igualmente cumprido, pois embora os sócios fossem os mesmos, os funcionários e equipamentos necessários aos serviços eram distintos – vide GFIP, Balanço e fotos anexas. Portanto, seja porque a Impugnante comprovou a efetividade e independência do seu negócio em relação à Construtora Simoso, seja porque a Fiscalização não conseguiu reunir elementos mínimos para firmar uma convicção precisa e concordante de que os estabelecimentos seriam um único negócio, alternativa não há a não ser reconhecer improcedência do auto de infração. III. 3. DAS OPERAÇÕES DA IMPUGNANTE E DA CONSTTURA SIMOSO Passemos agora a refutar os fatos mencionados no auto de infração e a trazer informações que demonstrarão a legalidade da segregação e a necessidade de anulação do auto de infração ora impugnado. O Relatório Fiscal cita o princípio da primazia da essência sobre a forma como fundamento para a desconsideração da segregação de atividades da Impugnante e da Construtora Simoso. Nada mais equivocado, tendo em vista a aplicação restrita desse princípio em esfera tributária, bem como o não enquadramento dos fatos a ele. A prevalência da essência sobre a forma ganha relevo, em direito tributário, quando uma e outra levam a interpretar diversamente um mesmo negócio jurídico. Nesses casos, a forma jurídica utilizada aponta para um conceito econômico que, no entanto, é infirmado pela essência dos atos praticado. Como exemplos desses paradoxos, o arrendamento financeiro, que é considerado propriedade da arrendadora (juridicamente) e ativo da arrendatária (contabilmente), e a ação preferencial resgatável, título de capital (juridicamente) e passivo (contabilmente). Ocorre que fatos juridicamente relevantes devem ser construídos e interpretados segundo regras jurídicas tributárias, e não contábeis. Se aquelas forem insuficientes para regular a realidade social que hoje vivemos – chegando até mesmo a comprometer a cidadania fiscal, a gestão de políticas públicas tributárias e a isonomia , a lei deve ser alterada, e tais efeitos, combatidos. Mas, jamais se utilizar da analogia para justificar a Fl. 5654DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.655 14 aplicação de lei a fim de atender a “isonomia e a capacidade contributiva”, conceitos que encontram limites no texto legal. Ora, diferentemente do que asseverou a Fiscalização, a realidade econômica das operações da Impugnante e da Simoso comprova, de forma inconteste, que, no caso em tela a forma adotada pelas partes corresponde, em sua integralidade, à essência das operações. Não há distorção ou defeito entre o que foi contabilizado, e o que é praticado pelas partes. Não há um negócio único. Não há receita única. No caso, existiam dois negócios, distintos e autônomos, gerenciados pelas mesmas pessoas, mas com incontestável independência operacional, laboral, patrimonial e técnica, e não apenas independência formal. É evidente que a Autoridade Administrativa interpretou equivocadamente os supostos elementos de prova, ao afirmar que a contestada distribuição da receita bruta total deuse em função dos seguintes fatos (fls. 4 do Relatório Fiscal): 1) Compartilhamento do mesmo endereço administrativo, comercial e produtivo; 2) Mesmos sócios e idêntica participação societária em ambas empresas; 3) Mesmo objeto social (atividade formal); 4) Mesma atividade comercial e produtiva (atividade de fato). Contestaremos objetivamente cada um desses pontos. a) Compartilhamento do mesmo endereço administrativo, comercial e produtivo Para demonstrar a impropriedade do entendimento fiscal e, principalmente, para se atestar que o simples fato de existir compartilhamento de um endereço não pode, em absoluto, justificar a alegação de que estamos diante de um único negócio, uma única receita, mister se faz refutar cada um dos argumentos levantados pela Fiscalização. 1º argumento fiscal) Coincidência de estabelecimentos da Scala nos endereços da Simoso (fls. 5 e 6 do Relatório Fiscal) Diferentemente do que asseverou a Fiscalização, não há qualquer ilegalidade nesta conduta. Pelo contrário, tratase de lógica do mercado de pavimentação asfáltica, que requer a abertura de estabelecimentos nos municípios mais próximos em que os serviços serão realizados e materiais vendidos, propiciando com isso a possibilidade de emissão de nota fiscal e o recolhimento de ISS/ICMS. Isso não implica, por outro lado, a necessidade de estrutura administrativa em todas as filiais. Não! O serviço contratado da Scala (recapeamento) era executado diretamente no local, por funcionários e maquinários, não requerendo estrutura administrativa e comercial específica. Fl. 5655DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.656 15 Esse era o real motivo. Sem as filiais, a Impugnante teria sérios entraves operacionais perante os Fiscos Municipal e Estadual, dada a natureza dos serviços que presta (sujeitos aos recolhimentos do ISS no local da prestação) e da mercadoria que ocasionalmente comercializa. A customização do transporte era necessária mas secundária nesse contexto, e a dinâmica dos fatos aqui exposta e as características de suas filiais (receita, número de empregados, estrutura física ou não etc.) não deixa dúvida da procedência dessas alegações. Ademais, muito embora tenha sido devidamente esclarecido à Fiscalização a natureza das operações desenvolvidas pela Impugnante e pela Simoso, não restou consignado que esta última, além de prestar serviços e locar equipamentos, também extrai e comercializa pedra britada (atividade de receita mais uniforme e constante, não tão sazonal quanto à construção civil), o que não ocorre com a Scala, que apenas revende esses materiais, adquiridos da Simoso. E este fato explica não só a razão pela qual as sociedades compartilham o mesmo endereço físico em vários casos, como também a razão pela qual a Impugnante não assume a ônus financeiro de despesas de luz, telefone, ITR e IPTU de sua filial 1 – CNPJ 00328, local em que efetivamente era estabelecida sua estrutura administrativa (como será posteriormente esclarecido e provado). Usualmente, e sem que isso implique fraude, as empresas que atuam no segmento de construção civil constroem verdadeiros parques industriais, aglutinando diversas sociedades, dos mais diversos ramos da cadeia produtiva da construção civil, com vistas a otimizar as operações de todas as partes envolvidas. O Relatório Técnico 30, apresentado pelo Ministério de Minas e Energia – MME, atesta essa forma de atuação. 2º argumento fiscal) Constatação de estruturas compartilhadas entre as duas empresas, a partir das diligências feitas nos dias 14 e 15 de janeiro de 2.015, nos CNPJs 56.111.347/000166 e 56.111.347/000832 (filiais da Construtora Scala) (fl. 5 e 6 do Relatório Fiscal) Sobre a utilização dessas diligências como prova contra a Impugnante temos que essa atitude é, no mínimo, curiosa, haja vista que as diligências foram feitas nos estabelecimentos 56.111.347/000166 (situado na Rodovia MogiGuaçu a Itapira Km 1,1, Município de MogiGuaçu/SP) e 56.111.347/000832 (situado na Estrada Velha São João, Km 2, Município de São João da Boa Vista/SP). Analisando as DIPJs da Impugnante, relativas aos anos calendário 2.011 e 2.012 (doc. 4), especificamente na ficha 54, observamos que os estabelecimentos que, de fato e de direito, desempenham atividade econômica são basicamente as filiais 000328 e 000751. Fl. 5656DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.657 16 Por que a Fiscalização não realizou diligencias nestes locais??? E considerando que praticamente toda a receita gerada pela Impugnante advém da filial 56.111.347/000328, não seria no mínimo razoável que a Fiscalização tivesse diligenciado neste endereço, antes de concluir enfaticamente que as estruturas são compartilhadas entre as duas empresas; as empresas operam na mesma atividade, realizam o mesmo negócio? Evidentemente que essas diligências não provam nada contra a Impugnante. 3º argumento fiscal) Inexistência de pagamento, por parte da Impugnante,de despesa de água, luz, telefone, IPTU ou ITR, com a utilização de contratos de comodatos, sem registros públicos e sem assunção dos ônus normais “correntes e usuais de mercado” atinentes à ocupação do imóvel No que diz respeito às cotas de consumo de água, sequer há como segregar a cobrança, uma vez que a utilização da água é feita a partir de poço artesiano (doc. anexo), e não via concessionária de fornecimento de água. Quanto às demais despesas, a relação comercial existente entre a Impugnante e a Construtora Simoso – decorrente da aquisição de brita para utilização na pavimentação asfáltica – afasta a assunção de quaisquer ônus em relação à ocupação, já que a divisão, dado ao fato de que a maioria dos funcionários da Impugnante estão alocados em obras e não no setor administrativo, tornaria a cobrança praticamente ínfima. Ademais, a Impugnante possuía linha própria de telefone. Além disso, como informado à Fiscalização, o valor unitário da brita, assim como o compromisso de aquisição regular de produtos, já abrangia todos os custos, inclusive energia elétrica, telefone, IPTU ou ITR. A fim de que não fiquemos apenas em palavras, apresentamos outras situações semelhantes de comodato de áreas, em que há vinculação a concessões para compra de produtos resultantes de britagem (docs. 8 e 9). Esses contratos não foram firmados entre as empresas aqui envolvidas, seus sócios e sucessores, mas com terceiros, o que demonstra que a estranheza causada à Fiscalização justificase pelo não conhecimento das regras e da cultura vigentes no mercado. É comum, por exemplo, o comodato de área não onerosa, quando o comodatário obrigase a adquirir brita da comodante. É o que normalmente acontecia no caso da Impugnante e da Simoso. Em 30 de julho de 1.997, a Simoso, na qualidade de comodatária. Firmou contrato de comodato de área de terras de 24,20 alqueires, no Município de Nova Odessa/Estado de São Paulo, com a Sr. Helena Alice Pertelevitz Silekis. Fl. 5657DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.658 17 Este contrato estava diretamente atrelado ao contrato de compra e venda de produtos resultantes de exploração e de britagem de rocha celebrado em 17 de março de 2.000, entre a Simoso (CONTRATANTE) e da Pedreira Fazenda Velha Ltda. (CONTRATADA), que já era responsável pela exploração de parte da jazida de rocha existente na propriedade. Vejamos os termos das cláusulas 1ª e 2ª: (...) A leitura dos parágrafos primeiro e terceiro não deixam dúvidas de que houve uma concessão por parte da CONTRATADA, Pedreira Fazenda Velha Ltda, com a assunção dos custos (i) para colocação dos produtos na Usina da CONTRATANTE e (ii) de óleo e graxa para abastecimento de maquinário da CONTRATANTE, no caso da Impugnante. Mas vamos a um segundo caso. Em 10 de julho de 2.000, a Simoso, na qualidade de comodatária, firmou contrato de comodato de gleba de terras localizado no imóvel designado Fazenda Velha, no Município de Mogi Mirim/Estado de São Paulo, com a empresa Imobiliária Quaglio S/C Ltda, cujo sócio era o Sr. Orlando Quaglio. Este contrato estava diretamente atrelado ao contrato de compra e venda de produtos resultantes de exploração e de britagem de rocha celebrado em 17 de março de 2000, entre a Simoso (CONTRATANTE) e a Irmãos Quaglio & Cia Ltda (CONTRATADA), cujo sócio era também o Sr. Orlando Quaglio. Veja os termos das cláusulas 1ª e 2ª: (...) E agora um terceiro e último caso. Em 18 de junho de 1.999, a Simoso, na qualidade de comodatária, firmou contrato de comodato de gleba de terras localizado no Município de Mogi Mirim/Estado de São Paulo, com Agostinho Rampazzo de Barros e sua esposa Lucia Helena Stort de Barros. Este contrato estava diretamente atrelado ao contrato de compra e venda de produtos resultantes de exploração e de britagem de rocha celebrado em 17 de março de 2000, entre a Simoso (CONTRATANTE) e a Pedreira Mogiana Ltda (CONTRATADA). Veja os termos das cláusulas 1ª e 2ª: (...) Estes três casos acima amoldamse exatamente ao contexto da Impugnante e da Construtora Simoso. A fim de que a Impugnante adquirisse constantemente britagem da Simoso, ela era beneficiada com a dispensa dos ônus de ocupação do imóvel cedido (luz, telefone, IPTU ou ITR). A única diferença é que, no caso em tela, a operação é entre pessoas sob o mesmo controle. Fl. 5658DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.659 18 Nos três casos acima, por outro lado, a operação é com pessoas não relacionadas. Isso e nada mais. Ainda, temos também que os valores relativos a essas despesas seriam muito baixos, se fossem rateados proporcionalmente à utilização, especialmente diante do fato de que a operação de extração de pedras é feita pela Simoso (o que lhe permitia assumir maior custo pela maior utilização local, além de maior utilização da energia elétrica). Não percamos de vista que eram apenas cinco funcionários da Impugnante na filial 00328 (única em que havia pessoal administrativo/comercial) em 2011, e três em 2012, trabalhando nos locais compartilhados com a Impugnante. O restante dos funcionários da Scala trabalhava diretamente nas obras. Não percamos de vista, finalmente, que as despesas de energia elétrica e IPTU de que ora tratamos são insignificantes considerando o faturamento das empresas, embora elevadas para uma estrutura administrativa, pois como não existiam relógios separados, a energia era consumida também por toda a área de pátio e oficina, não compartilhadas pela Impugnante. Da mesma forma ocorria com o IPTU. A área total da Simoso é de 89.905,87 m2, ou seja, muito grande em comparação com o rateio de uma sala para os cinco funcionários da Scala (filial 00328). Por fim, quanto à ausência de registro público dos contratos, temos que este argumento não pode ser utilizado para invalidar as operações firmadas. Ora, o art. 221 do Código Civil, expressamente mencionado no Relatório Fiscal, prescreve que o documento que preencher as condições nele referidas fará lei entre as partes, mas a sua oponibilidade perante terceiros, no caso de cessão das prerrogativas nele insculpidas, somente advirá do registro perante o cartório competente. A Impugnante e a Construtora Simoso celebraram contratos de comodato, de interesse exclusivo das partes, sendo que a forma e os termos pactuados não geraram reflexos para outros que não elas, pouco interessando ao Fisco, que o recebeu apenas como mais um elemento indiciário da presumida ausência de segregação de atividades. 4º argumento fiscal) Utilização de equipamentos e máquinas da Simoso para realização das atividades da Scala, por meio de contrato de locação firmados com a Simoso (fls. 7 do Relatório Fiscal) Neste tópico, o equívoco fazendário é flagrante. A Scala esclareceu durante a fiscalização que possuía em 2.011 sete máquinas e um caminhão, conforme listagem do imobilizado fornecida, mas que sempre que necessário alugava equipamentos Fl. 5659DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.660 19 e máquinas. E a justificativa desta conduta é simples. A Impugnante é uma empresa de construção civil que desenvolve atividades de pequeno porte, não sendo típico e tampouco viável, neste modelo de negócio, a imobilização de recursos via aquisição de ativos. A sazonalidade de receitas, atrelada ao alto custo para aquisição e manutenção de maquinário pesado de construção civil, impede que a Scala mantenha frota e equipamento próprio para realização das suas atividades. A Simoso, por sua vez, possuía número de negócios e receitas muito mais significativos, justificando, ao longo dos anos, a aquisição de equipamentos. Não procede, pois, a conclusão do Relatório Fiscal (fls. 15), de que a Simoso também deveria locar os equipamentos, dado seu maior poder de barganha. A situação seria totalmente diferente se a Impugnante não tivesse absolutamente nenhuma máquina, equipamento ou veículo. Fosse uma empresa sem qualquer ativo. Ocorre que esse não é o seu caso, pois a empresa possui maquinário totalmente compatível com o seu trabalho, diferentemente do que faz crer a afirmação constante ao final das fls. 7 do Relatório Fiscal. Na eventual e pontual necessidade de atender determinada obra, a Impugnante alugava de terceiros (da Simoso também, mas não só dela) máquinas e equipamentos. Não há nada de ilícito nisso. Não há prova de ausência de autonomia operacional. Não há prova de ausência de propósito negocial e abuso de forma. Anexamos aos autos uma listagem das máquinas, equipamentos e veículos tanto da Impugnante, quanto da Construtora Simoso, a fim de comprovar que as sociedades possuem autonomia patrimonial e, com, isso, afastar a conclusão fiscal de que estamos diante de um único negócio, uma única receita. A Impugnante e a Simoso não podem, de forma alguma, ser tratadas como um único negócio. A comparação é simples de ser feita, conforme informações extraídas dos Balanços Patrimoniais das empresas (docs. anexos). b) Mesmos sócios e idêntica participação societária em ambas as empresas Sim, é verdade que os sócios são marido e mulher e possuem idêntica participação nas duas empresas. E igualmente verdadeiro que o Sr. Olivo Simoso, sócio majoritário da Impugnante e responsável tributário pelo débito ora impugnado, possui participação em outras pessoas jurídicas (Briteng Britagens e Construções Ltda, Pedra Brita Indústria e Comércio Ltda, Britagran Britas e Granitos Mineradora Ltda, Construtora Simoso Ltda e Simccon Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda), as quais desempenham atividades distintas e independentes da Impugnante. Fl. 5660DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.661 20 O fato de a Impugnante e a Simoso serem sociedades sob mesmo controle não justifica a conclusão de que se trata de um negócio único, de uma receita única. Se esse fato isoladamente pudesse levar ao entendimento ora contestado, o legislador teria taxativamente previsto que uma das condições para optar pelo lucro presumido seria a análise conjunta da receita bruta global de sociedades sob mesmo controle. Lembrese que quando a intenção foi esta, o legislador foi expresso, o que se infere da leitura do inciso III, do §4º, do art. 3º, da Lei Complementar 123/2006. Em casos ainda mais nebulosos, como, por exemplo, na hipótese de sociedade em conta de participação – SCP, nas quais duas atividades podem estar sendo exteriorizadas pela mesma pessoa jurídica (uma na condição de atividade própria e outra na condição de sócio ostensivo), a própria RFB reconhece que a sistemática de tributação pode ser livremente escolhida pelas partes (art. 1º, §1º, da IN/SRF 31/2001). c) Mesmo objeto social (atividade formal) A Fiscalização registra que há forte similaridade no objeto social das empresas. Primeiramente, a similaridade de objeto social não pode ser interpretada como prova de um único negócio, uma única receita. A Fiscalização ignora o fato de que duas empresas podem possuir o mesmo objetivo social, mas atuar em ramos empresariais completamente distintos. As fotos em anexo (doc. 21) buscam elucidar as explicações que faremos a seguir, tornando inconteste a ilegalidade da autuação. De mais relevante destacamos que: 1) A Simoso atua no segmento de obras de construção civil de grande porte, bem como na mineração, realização de obras de terraplanagem, pavimentação asfáltica (aberturas de ruas inexistentes), sendo que possui atestado de capacidade técnica para construir até mesmo barragem/represas de água, estação de tratamento, pistas de aeroporto etc. Veja alguns exemplos nos atestados de capacidade técnica anexos (doc. 5). 2) A Impugnante, por seu turno, desenvolve apenas obras de pequena complexidade e valor, tais como recapeamento, em que o pavimento já existe e exige menor pessoal, com poucos equipamentos. Veja alguns exemplos nos atestados de capacidade técnica anexos (doc. 6) Não há dúvidas que são ramos completamente distintos, muito embora contidos no segmento “construção civil”. A análise do Fisco foi, com o devido respeito, deveras simplista, limitandose a confrontar a nomenclatura das atividades contidas no contrato social. A realidade fática, suportada por inúmeros documentos fiscais, explicações Fl. 5661DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.662 21 prestadas à época, fotos, etc. não permite que se sustente a absurda afirmação de que as empresas possuíam o mesmo negócio. A Scala não podia executar os serviços da Simoso (pois lhe faltava know how, atestados, funcionários, maquinário), e a Simoso embora teoricamente pudesse executar os serviços prestados pela Scala, também não poderia, pois sua estrutura era cara demais para realizar pequenos serviços. Seu custo fixo não comportava a execução de serviços de pequeno valor. d) Mesma atividade comercial e produtiva (atividade de fato) Aqui o elemento probatório deveria ter sido explorado pela Fiscalização, mas novamente não o foi. A Fiscalização assevera que as receitas da Simoso são idênticas às da Scala. Vejamos (fls. 9 a 11 do Relatório Fiscal). Observe que a conclusão fiscal está pautada, única e exclusivamente, na nomenclatura dos tipos de receitas das pessoas jurídicas. A precariedade desse raciocínio é flagrante, se considerado, entre outros pontos, que não houve análise: i) Dos contratos de prestação de serviços firmados pelas empresas, verificandose a natureza das atividades e principalmente o volume das operações (considerando os aspectos técnicos e operacionais para desenvoltura das mesmas); ii) Dos clientes de cada uma das pessoas jurídicas; iii) Da capacidade técnica (atestados de capacidade técnica) de cada uma das empresas para gerar as receitas tributadas; e iv) Do quadro de funcionários de cada pessoa jurídica para saber a capacidade laboral das empresas. Ademais, cumprenos agora pontuar outros fatos que demonstram a inquestionável independência operacional, financeira, administrativa e laboral da Construtora Simoso em relação à Impugnante (vide arquivo anexo). Quadros de dados comparativos entre a Simoso e a Impugnante dos anoscalendário de 2011 e 2012, contidos na defesa: FORNECEDORES; CLIENTES; MAIORES CLIENTES POR FATURAMENTO; QUANTIDADE DE FUNCIONÁRIOS ATIVOS POR MÊS; e RECEITA BRUTA X FOLHA DE SALÁRIO. Além disso, existem diversos outros fatores que atestam que não se trata de um único negócio, uma única receita. Tal como informado alhures, em algumas situações a Impugnante terceirizava parte de suas atividades, como pode ser observado dos contratos firmados com a Tesmaq Comércio de Materiais para Construção Ltda. ME, para execução de guias e sarjetas extrusadas (doc. 10). Do confronto entre as informações acima – devidamente comprovadas pela documentação ora acostada – com a Fl. 5662DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.663 22 simplória prova produzida pela Fiscalização, não há dúvidas de que é totalmente improcedente a afirmação fazendária de que não só as atividades formalizadas em seus contratos sociais são similares, como também suas atividades de fato. Por fim, contestamos veementemente as margens líquidas apresentadas às fls. 16 do Relatório Fiscal, e que visam demonstrar que, contrariamente ao afirmado pela Impugnante, as margens de lucro de sua atividade (obras de pequeno porte) são baixas. Primeiramente a Fiscalização desconsidera as despesas relativas à consecução das atividades, já que a apuração era de lucro presumido, e não se considerou todas as despesas. Esse número, portanto, é uma mera ficção, inútil para demonstrar que a atividade da Scala era altamente lucrativa. Veja que no anocalendário de 2010, em que a apuração foi pelo lucro real, a margem líquida foi de meros 4,5%, portanto, significativamente inferior aos 77% e 82% presumidos no auto de infração. III. 4. RESUMO DAS PROVAS QUE CONFIRMAM A LEGALIDADE DA SEGREGAÇÃO Esse é o ponto importante: se tanto a Impugnante quanto a Simoso exerciam atividades de modo independente, a receita poderia sujeitarse por vezes ao lucro presumido, pois a legislação assim autoriza. Não se tratava de ilícito, pois se assim o fosse a Impugnante jamais teria recolhido IRPJ e CSLL, com base no lucro real, já que o sócio da empresa é titular de outras sociedades de construção civil e britagem, sujeitas ao lucro presumido, que faturam valores significativamente inferiores ao limite do LP e que poderiam perfeitamente “distribuir” a receita. Além disso, a Simoso recolheu PIS, Cofins, IRPJ e CSLL sobre as vendas de brita efetuadas a favor da Impugnante, o que confirma que a razão dessa estrutura não era tributária e sim negocial. A vantagem pretensamente havida com o lucro presumido não existiu, pois se a Scala pagou “menos imposto” por conta do lucro presumido, a Simoso pagou muito mais que o devido pois tributou a venda das britas para a Scala, fato que não teria ocorrido caso fosse uma empresa só. Assim, o caso concreto revela tão somente a segregação de atividades econômicas motivada por necessidades comercial e operacional. Tratase, pois, de mera economia fiscal, desprovida de qualquer ilicitude. Destacamos, nessa oportunidade, algumas provas a favor da legalidade da segregação: Não há qualquer problema no fato dos sócios serem os mesmos. Ser diverso não garante, por si só, a legalidade. O que importa é o conjunto probatório. Fl. 5663DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.664 23 As sociedades estavam estabelecidas em local compatível com suas atividades, e com estrutura necessária para a execução dos serviços. O objeto social não coincidia totalmente (o da Simoso era muito maior, e englobava também a pedreira), e naquilo em que formalmente coincidia, possuía de fato uma abrangência técnica e de custos muito maior. Todas as filiais da Simoso eram operacionais e possuíam estrutura administrativa. Já da Impugnante, apenas uma (CNPJ 00328) possuía funcionários, tendo em vista sua constituição para fins meramente fiscais. As sociedades tinham empregados em sua folha de pagamento, em número suficiente ao exercício de sua atividadefim. As sociedades possuíam máquinas e equipamentos em número suficiente para a execução de suas atividades. Nas raras exceções em que a Impugnante precisava locar equipamentos, fazia de diversos fornecedores distintos. Os clientes eram diversos. Não houve confusão patrimonial: receitas, despesas e controles eram totalmente separados e controlados. A Fiscalização concordou com isso. Os pagamentos feitos pelos clientes eram sempre a favor da empresa que havia prestado o serviço. IV – DA DEFESA DO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO OLIVO SIMOSO O fundamento utilizado no auto de infração foi o art. 135, III, do CTN, conforme a seguir (fls. 24 do Relatório Fiscal). No caso concreto, Olivo Simoso não agiu com dolo, pois administrou empresa efetivamente existente, possuía empregados, estrutura e clientes e pagava todos os impostos devidos, dentro de um contexto de “britibutação” da Simoso, se considerarmos as premissas fazendárias. Ademais, utilizouse licitamente da segregação de atividades, fato permitido na lei e acatado pela doutrina administrativa, conforme já demonstrado acima. Por isso, o Impugnante Olivo não é parte legítima para figurar no polo passivo deste processo. Os autos não têm provas diretas ou indiciárias relativas a ele, capazes de autorizar sua responsabilidade. E ainda que assim não fosse – o que admitimos somente por hipótese – o Impugnante Olivo também não deve ser considerado responsável tributário, pois não agiu propositadamente de forma contrária à lei, tendo segregado suas atividades de acordo com o que é plenamente aceito pela jurisprudência e defendido pela doutrina. Agiu como qualquer administrador zeloso faria. Pagou Fl. 5664DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.665 24 os tributos das duas pessoas jurídicas, não incorreu em confusão patrimonial e prestou todas as informações pertinentes antes e durante a fiscalização. Não é possível acusarlhe, portanto, de ter agido com dolo. Portanto, requer seja afastada a responsabilidade tributária. V – DO PEDIDO Por todo o exposto, requer: 1) Seja julgada procedente a presente impugnação, para anular os autos de infrações lavrados. 2) Caso o pedido não seja atendido de imediato, requer sucessivamente a baixa dos autos em diligência, a fim de que o Fisco manifestese sobre as questões passíveis de convalidação aqui colocadas; e 3) Finalmente, requer seja julgada procedente a impugnação de Olivo Simoso, para os fins de, caso o pedido “1” não seja deferido, julgar procedente sua impugnação para afastar a responsabilidade tributária a ele atribuída. III – DAS DILIGÊNCIAS REALIZADAS. Por meio da Resolução nº 2.001.969, da 10º Turma/DRJ/BHE, de 21 de março de 2016 (documento de fls. 5413/5416), o julgamento do processo foi convertido em diligência para que a Fiscalização, diante das alegações e provas trazidas aos autos pela defesa, se manifestasse. Abaixo transcrevese a parte final da referida Resolução que contém a sua solicitação: “Diante das amostras de contratos, digase contemporâneas e extemporâneas ao período fiscalizado, trazidas aos autos pela defesa que buscam corroborar suas alegações em torno da distinção entre as atividades das duas empresas, fazse necessário que a Fiscalização diligencie junto à Impugnante para: a) trazer aos autos documentos, tais como, notas fiscais de prestação de serviços, contratos, medições e outros que contenham de forma detalhada e inequívoca as efetivas atividades desenvolvidas por ambas empresas, Simoso e Scala; b) auditar ou analisar os referidos documentos, discriminando as situações em que as duas empresas executaram atividades similares, tanto no escopo, quanto na complexidade e valor, conforme afirma na autuação; c) ainda, quanto às demais questões postas pela defesa, manifestarse, caso entenda necessário. Assim sendo, nos termos do art. 18 c/c o art. 29, ambos do Decreto nº 70.235, de 1972, proponho o retorno do presente processo à DRF de origem para que sejam realizadas as Fl. 5665DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.666 25 diligências solicitadas acima nos itens “a”, “b” e “c”, podendo a Fiscalização, a seu critério, estendêlas a outros pontos, considerando o vasto arrazoado contido na defesa.” Do Relatório Fiscal Diligência Feitas as diligências acima solicitadas, a Fiscalização elaborou o “RELATÓRIO FISCAL Diligência” (documento de fls. 5454/5487). Abaixo, transcrevemse trechos do aludido Relatório: “(...) PRIMEIRA PARTE – ANÁLISE PRELIMINAR DA QUESTÃO “ATIVIDADE” 6. (...) importa tecer comentários a respeito do que se deve entender por mesma “atividade” empresarial. A Scala sustentou em sua impugnação que as atividades dela e da Simoso são diferentes (...), basicamente, por que teriam executado obras de complexidade diferentes, cujos valores seriam em função disso também diferenciados e que os clientes de ambas não seriam os mesmos. 7. Executar atividades diferentes não se confunde: 1º com prestar serviços da mesma natureza ou vender produtos iguais para clientes diferentes. (...). O fato de a Scala afirmar que são clientes diferentes não bastariam para comprovar que as “atividades” exercidas por ela e pela Simoso são diferentes. Os clientes poderiam ser diferentes, mas a atividade continuaria sendo a mesma; (mais adiante veremos que não eram clientes diferentes) 2º com prestar serviços de valores diferentes. (...). É difícil padronizar preços na execução de serviços personalizados – obras de construção civil é o melhor exemplo disso. Os riscos de execução, de recebimento, de atraso na execução, de logística de movimentação de pessoal, de equipamentos e materiais, etc., induz à formação de preços diferentes para cada obra. Além do mais, em nenhum momento o contribuinte comprovou a afirmação de que os custos da Scala são menores em confronto com os da Simoso, a ponto de demonstrar o propósito negocial não tributário do negócio. Os valores poderiam ser diferentes, e naturalmente sempre o seriam, mas a atividade continua sendo a mesma; 3º com prestar serviços de complexidades diferentes. Em qualquer atividade de prestação de serviços ocorre esse tipo de variação de complexidade. Uns serviços são mais ou menos complexos que outros. Vai depender do que cada diferente cliente vai contratar. Isso não quer dizer que um empresário precise abrir diferentes pessoas jurídicas para cada tipo de nível de complexidade que o mercado demande, ou mesmo constituir uma pessoa jurídica para executar serviços mais fáceis e outra Fl. 5666DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.667 26 para serviços mais difíceis. Se o empresário pretende atuar nos vários nichos do mercado e controlar separadamente seus resultados, pode optar pelo método de departamentalização de custos e manter uma só pessoa jurídica. Prestar serviços de complexidade diferentes não significa que a atividade econômica desenvolvida seja diferente. No caso das locações (máquinas e veículos) e de venda de mercadorias (pedras) isso é mais evidente. 8. Atividade econômica diferente significa executar negócios empresariais diferentes. Por exemplo, os mesmos sócios possuem um supermercado e uma oficina mecânica – são atividades diferentes. Ou possuem uma transportadora e uma indústria de embalagens – são atividades diferentes. Ou uma loja de roupas e um posto de gasolina – da mesma forma são atividades diferentes. (...). Executar obras de pavimentação, terraplenagem, pavimentação asfáltica, venda ou revenda de pedras e locação de máquinas e veículos são as atividades desenvolvidas por ambas empresas e por isso as atividades das duas, Simoso e Scala, são as mesmas, (...). É natural que as obras executadas sempre serão diferentes, em vários detalhes, umas das outras. 9. a questão da alegação da complexidade diferente dos serviços prestados para firmar que as atividades da Simoso e da Scala são diferentes também não procede. (...). Outro exemplo, se uma transportadora tem uma divisão que transporta somente carros, “caminhão cegonha”, e outra divisão que transporta bobinas de aço, não importa se ela opera sob uma única pessoa jurídica, se opera por uma matriz e uma filial, ou ainda se opere por meio de duas pessoas jurídicas, o que importa é que o negócio é o mesmo: transporte de cargas, em conclusão, tratase da mesma atividade. 10. Atividade de pavimentação, por exemplo, é uma só, independentemente dos preços cobrados, de quem é o cliente ou mesmo da complexidade de cada obra. Portanto não há subtipos de pavimentação para a atividade de pavimentação para os fins tributários de verificação do limite anual de receita bruta para opção válida no ano seguinte ao regime do lucro presumido. 11. Portanto, não há menor cabimento na afirmação dada de que as atividades são diferentes com base em preços, clientes e/ou complexidade. Alertase, ainda, que a Simoso não comprovou em nenhum momento os quesitos preço e complexidade diferentes por ela alegada, apesar da extensa documentação apresentada na impugnação. 12. A pergunta que se deve fazer é se todos os negócios poderiam ter sido realizados unicamente pela Simoso. A resposta é sim. Essa resposta foi dada pela própria Impugnante em sua peça impugnatória na página 37. (...). (...). Mais adiante veremos, com base nos contratos analisados e notas fiscais que os serviços prestados são os mesmos. O tipo de Fl. 5667DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.668 27 clientes é o mesmo e muitos deles são atendidos pelas duas empresas em serviços iguais: predominantemente pavimentação asfáltica, recapeamento, guias e sarjetas, fornecimento de CBUQ, etc. 13. Uma verificação do rol de clientes das empresas indica que a Scala atendeu a 52 clientes entre 2010 e 2012. Desses, 37 também foram atendidos pela Simoso no período entre 2009 e 2013. Ou seja, 71,15% dos clientes Scala foram atendidos também pela Simoso. Essa verificação contradiz a justificativa de propósito negocial da Scala constante na página 12 da peça impugnatória: (...). (...) O quadro a seguir foi elaborado para ilustrar melhor e é suportado pelas planilhas e folhas do diário anexadas ao presente relatório (DOC 40): (...) SEGUNDA PARTE – ANÁLISE DOS ITENS “a” E “b” 15. Esta fiscalização informa que as notas fiscais da Simoso haviam deixado de serem juntadas ao presente Processo Administrativo Fiscal (PAF) por entender sua desnecessidade como prova da mesma atividade, uma vez juntadas partes pertinentes da escrituração contábil para esse mister, uma vez que é a escrituração contábil a linguagem que resume e retrata as características econômicas das operações realizadas, pois presumemse fielmente baseadas nos contratos e notas fiscais atrelados aos negócios. (...) (...) 17. A fiscalização, em atendimento ao item “a” da DRJ, junta ao PAF uma amostra representativa do conjunto de notas fiscais de vendas das duas empresas e que servem para demonstrar a similaridade das operações mercantis (DOC 42). 18. Quanto as análises, item “b”, foram verificadas as notas fiscais emitidas no período de 2010 a 2012. (...). 19. Notas Fiscais: a pergunta a ser respondida aqui é: as operações de venda/revenda das empresas Simoso e Scala referemse a mercadorias/produtos similares? Em busca dessa resposta, a fiscalização verificou as denominações constante no corpo das notas fiscais utilizadas no campo “descrição do produto/serviços”, por esse ser o dado de maior relevância para responder ao questionamento. Amostra de notas (DOC 42). (...) 21. As vendas e revendas de mercadorias da Scala nos anos calendário 2009 a 2012 somaram R$ 2.016.918,37, o que representa 3,01% da receita bruta da empresa no período. Observase que a mercadoria vendida (BGS – Brita Graduada Fl. 5668DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.669 28 Simples) é igualmente comercializada pela Simoso. Os produtos vendidos são britas – utilizadas na construção civil, sendo que as denominações diferentes correspondem a granulações do mineral. 22. Ambas empresas também produzem o Cimento Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ). Esse produto não é objeto de operação de venda (incidência de ICMS), e sim de incorporação à prestação de serviços de pavimentação asfáltica ou recapeamento (incidência de ISS). Como dito, ambas empresas fazem o fornecimento do CBUQ às prefeituras e demais clientes atendidos. Sendo muitos dos clientes em comum, conforme quadro apresentado em parágrafos anteriores desse relatório. 23. Prestação de Serviços: as prestações de serviços compõem o montante de maior relevância no faturamento das empresas e tema base da discussão sobre a igualdade de atividade econômica delas. A pergunta a ser respondida aqui é: as operações de prestação de serviços das empresas Simoso e Scala referemse ao mesmo tipo de serviço prestado? 24. Amostra: A verificação dos contratos das duas empresas foi concentrada em amostra, cuja escolha se baseou em clientes indicados, em tabela, pela Simoso, em sua peça impugnatória páginas 40 e 41 da peça. (...) (...) 28. Os contratos foram analisados um a um, sendo tais elementos levados em consideração, cujos dados foram planilhados (Comparativo de Clientes Simoso e Scala DOC 40) para fins de facilitar a visualização e comparação das informações entre a Simoso e a Scala. Foram desconsiderados da análise, os contratos da Impugnante, relativos a 2003 e 2006, por não haver evidências de prorrogações ou termos aditivos e por ser indicado nos contratos termo final de vigência anterior a 2010. O mesmo ocorreu com um dos contratos da Scala. Essa desconsideração foi necessária para tornar mais efetiva a comparação, haja vista que os períodos autuados foram de 2010 a 2012, e o fato discutido é a similaridade das atividades de ambas empresas. 29. Constatações: 1) no que se trata de tipos de serviços e vendas contratadas, constatouse a que os objetos constantes nos contratos, de ambas empresas, têm a mesma denominação. Por exemplo, ambas têm contratos de venda de CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente), prestação de serviços de pavimentação asfáltica, recapeamento asfáltico, guias, sarjetas, locação de equipamentos; 2) no que se refere aos tipos de clientes atendidos, observase que há uma forte concentração em prefeituras municipais do Estado de São Paulo, bem como do DER (Departamento de Estradas e Rodagem). Alguns outros clientes são outras empresas ligadas à construção civil ou empreendimentos imobiliários, e ocupam uma proporção bem menor no faturamento. Há também coincidência entre vários desses clientes sendo atendidos por ambas empresas. Essas Fl. 5669DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.670 29 constatações podem ser observadas na planilha elaborada (Análise de Contratos Simoso e Scala DOC 44). Por exemplo: Enquanto a Simoso prestava serviços à PM (Prefeitura Municipal) de Hortolândia, tais como pavimentação e recapeamento, a Scala fornecia CBUQ. Na PM de Pirassununga, os papéis se invertiam: a Simoso fornecia CBUQ e prestou serviços de pavimentação e a Scala prestou serviços de pavimentação e recapeamento. Para a Sequoia Empreendimentos Imobiliários SS Ltda., Simoso e Scala prestaram serviços de pavimentação asfáltica. Para a PM de Vargem Grande do Sul, Simoso e Scala prestaram serviços de pavimentação, recapeamento, guias e sarjetas. Para a PM de São João da Boa Vista, Simoso e Scala forneceram CBUQ. Para a PM de Itapira, Simoso e Scala prestaram serviços de recapeamento asfáltico. Para o DER, Simoso e Scala prestaram serviços de pavimentação asfáltica e fornecimento de matérias com aplicação – é possível observar na planilha (DOC 44), com relação aos valores dos contratos, que tanto a Scala quanto a Simoso fazem serviços de valores globais baixos e altos, em contradição com os atestados anteriormente apresentados na impugnação (páginas 34 a 36), que apresentavam atestados de obras de valores globais altos para a Simoso e de valores globais baixos para a Scala, demonstrando uma amostra não coerente com o conjunto de serviços prestados. Ou seja, há a similaridade de clientes e também há coincidência de clientes, bem como os serviços prestados são pertencentes à idêntica atividade econômica; 3) no que se refere aos valores envolvidos nos contratos, tanto a Impugnante quanto a Scala firmaram contratos de pequeno porte, de menores valores e valores em níveis semelhantes, como já observado, invalidando a tese de que o propósito negocial da Scala, segundo o qual a Simoso não poderia realizar pequenas obras porque seus custos eram muito altos e de que a Scala não tinha Know how para fazer obras maiores. 30. Conclusão: as atividades econômicas das empresas é a mesma. Seja pelos tipos similares de clientes atendidos (prefeituras, DER, construtoras etc.), seja pelos objetos constantes nos contratos (de pavimentação, recapeamento, guias, sarjetas, fornecimento de CBUQ, etc.), seja por parte dos clientes (clientes de grande relevância no faturamento) serem igualmente atendidos por ambas, seja pelos valores contratuais, excetuados poucos contratos, serem em valores similares. Nos períodos fiscalizados de 2010, 2011 e 2012, 100% de toda a receita da Scala poderia ser obtida diretamente pela Simoso. TERCEIRA PARTE – ANÁLISE DOS DEMAIS ITENS DA IMPUGNAÇÃO SUBPARTE 1 – Documento de Impugnação (...) 32. Na página 3, a Impugnante assim afirma: (...) Fl. 5670DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.671 30 A Scala afirma que a fiscalização teria baseado a autuação na verificação de não autonomia entre as duas empresas para chegar à conclusão da realização do mesmo negócio. A fiscalização alerta para essa equivocada afirmação, conforme já esclarecido no início deste relatório. Podese verificar que, ao longo de todo relatório fiscal do auto de infração, em nenhum momento se falou em falta de autonomia. Sequer a fiscalização afirmou a inexistência da Scala ou sua não operacionalidade. Os elementos demonstrados, tais como compartilhamento dos mesmos endereços, de sócios, objeto social e atividade de fato, serviram para demonstrar, juntamente com os demais elementos de prova, que as atividades econômicas eram as mesmas e, portanto, a receita das duas deveria ser somada para fins de aferição do limite anual para enquadramento no lucro presumido. (...). (...) Portanto, há um desvio do foco na peça impugnatória quanto à motivação fiscal, pois atacase fato inexistente na base da autuação. 33. Na página 4, a Scala assim se manifesta: (...) Quantos essas afirmações a fiscalização, por bem de uma melhor contextualização, precisa destacar os seguintes pontos: em relação ao item “a)” a fiscalização atesta a existência de contabilidade regular, naquilo que representou o escopo da auditoria fiscal, que teve um objeto limitado como já informado no Relatório Fiscal: em relação ao item “b)” a fiscalização não teve por escopo a verificação/investigação de omissão de receitas, portanto não há nenhum atestado de bom comportamento nesse sentido; “c)” a fiscalização apurou erro no oferecimento à tributação com base no regime de tributação pelo lucro presumido. (...) 34. Na página 5, consta: (...) Nesse ponto, esclarecese que houve a demonstração pela fiscalização no Relatório Fiscal onde constam as receitas brutas das duas empresas (quadro “Receita Bruta”) e os regimes de apuração do lucro intercaladas entre elas (quadro “Regime de apuração do lucro”). Fl. 5671DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.672 31 (...) Fl. 5672DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.673 32 35. Ainda na página 5: (...) Em relação a afirmação de que “todos os demais pontos são divididos e os serviços que executam são substancialmente diferentes?”, é relevante observar que não foram apresentadas provas hábeis que dessem sustentação à essa alegação de que as empresas realizaram atividades diferentes. Destacase que a fiscalização não considerou as atividades da Scala como inexistentes em nenhum momento, apenas fez menção à coincidência de endereços, sócios e atividades formais e de fato, para comprovar, juntamente com os demais elementos da autuação, que a Simoso e a Scala deveriam ter considerado ambas receitas para fins de aferição do limite de R$ 48 milhões para poderem se enquadrar no lucro presumido para os anos seguintes, pois ambas realizam a mesma atividade econômica. 36. (...). (...) Para melhor afirmação do que acima dito, reproduzse a seguinte parte do RF: “Em decorrência dessa premissa fundamental, embora cada empresa (Simoso e Scala) tenha sua receita formalmente declarada e tributada em separado, a realidade econômica demonstra que tratase de um negócio único, de uma receita única, não podendo ser separado por mera liberalidade dessas empresas para produzir efeitos tributários em prejuízo da fazenda nacional. Por conseguinte, as receitas das duas empresas devem ser somadas para fins de aferição do limite legal para poder optar validamente pela tributação com base no lucro presumido, (...). (...) Solução de Consulta: Abaixo se reproduz, como exemplo, a Solução de Consulta nº 381, de 26 de dezembro de 2014, publicada no DOU – seção 1, página 33, de 23/02/2015 (DOC 16), que trata da consideração da receita de todos os negócios como única para fins de verificação do limite da receita bruta para fins de opção válida à tributação com base no lucro presumido: (...) 37. Nas páginas 15 a 42 a Scala discorre sobre suas operações e as da Simoso. (...) A análise dos contratos dos 15 maiores clientes contidos na relação apresentada nas peças impugnatórias permitenos inferir que: 1) nenhum contrato da Simoso teve valor igual ou superior a 20 milhões de reais, então, nesse aspecto, ambas empresas encontravamse concorrendo nos mesmos portes de concorrência; 2) tanto a Simoso como a Scala executaram Fl. 5673DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.674 33 contratos de pequeno valor – abaixo de 100.000,00 (observese que estamos falando apenas dos contratos dos 15 maiores clientes a grande maioria dos contratos de ambas situase abaixo de R$ 1 milhão): 3) a grande maioria dos contratos da Simoso (84%) e da Scala (100%) referemse a montantes de até R$ 5 milhões; 4) as obras realizadas foram da mesma natureza: pavimentação asfáltica, recapeamento, guias, sarjetas etc. e as vendas foram dos mesmos produtos/mercadorias (conforme notas fiscais): fornecimento de CBUQ – Concreto Betuminoso Usinado a Quente (asfalto) e britas (que assumem nomes diferentes em razão de sua graduação); 5) coincidência de parte dos clientes e mesmo tipos de clientes (por exemplo: prefeituras e DER); 6) mesmos administradores e engenheiros responsáveis perante o CREA/SP – indicando mesmo grau de know how (entendendose como conhecimento empresarial e técnico) necessário à execução dos serviços; 7) mesma capacidade estrutural pare realizar as obras: imobilizado próprio da Simoso e imobilizado próprio e alugado da Scala. (…) 39. Argumentase que: (...) A fiscalização não considerou as operações da Scala irregulares, mas sim a opção pelo regime de lucro presumido pelas empresas. 40. A Scala cita a Simoso extrai e comercializa pedra britada enquanto que a Scala apenas as revende. A fiscalização entende que isso não altera a igualdade de atividade de ambas, uma vez que a denominação receita de venda e receita de revenda representam a comercialização do mesmo produto, o cliente recebe a mesma coisa. Logo a argumentação dada pela Scala não comprova que as atividades econômicas são diferentes, pelo contrário. (...) 42. A Scala apresenta diversos “atestados de capacidade técnica” relacionados a ela e à Simoso. A Impugnante solicita a seus clientes que expeçam os atestados para fins de participarem de concorrências públicas ou outros tipos de contratação. Dos atestados indicados na impugnação, a fiscalização segregou aqueles que se referem a períodos contemporâneos aos fatos geradores fiscalizados, uma vez que a verificação da atividade econômica tem que ser contemporânea aos fatos geradores discutidos (não estamos verificando 2004, 2001,1995, 1994 ou 1991): (...) Através dos atestados acima, observase que se tratam de obras de construção civil para preparo ou reparo de vias públicas ou particulares no caso de ambas empresas. Mostram tratarse da Fl. 5674DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.675 34 mesma atividade desenvolvidas pelas duas, variandose apenas a complexidade da obra. Em relação a complexidade, vale tecer a seguinte consideração: A Simoso e a Scala afirmaram que a primeira assumia serviços de maior complexidade por faltar Know How à Scala. Entendemos Know How como “saber fazer” (em tradução livre). Referese ao conhecimento empresarial e técnico necessário à realização de uma atividade ou trabalho. Assim, no que diz respeito ao conhecimento empresarial do negócio temos que o sócio Sr. Olivo Simoso é o administrador de ambas empresas, portanto não falta know how empresarial à Scala. No que se refere ao conhecimento técnico específico em obras, observase nos atestados acima que ambas empresas têm o mesmo responsável técnico o Sr. Fábio Leandro Simoso – Engenheiro Civil, portanto também não falta Know How técnico à Scala. Assim, sendo incorreta a argumentação de falta de Know How, a questão complexidade não pode ser invocada para dizer que as atividades eram diferentes no período fiscalizado para fins de não se considerar o conjunto das receitas para fins de enquadramento no lucro presumido. E ainda que a complexidade pudesse ser sustentada por outras razões, o que não ocorre, ainda não se vislumbraria poder afirmar que são atividades econômicas diferentes para os fins tributários propostos no presente caso. O CREA/SP é o órgão de classe dos engenheiros e arquitetos. Através de pesquisa realizada ao site http://creanet1.creasp.org.br/AnotRespTec/PesquisaArt.aspx, em 11/07/2016, obtevese o quadro técnico das empresas Simoso e Scala (DOC 45). A Simoso conta com 4 responsáveis e a Scala com 3. Todos os Engenheiros da Scala também trabalham na Simoso. O Engenheiro Orlando Generoso é cadastrado somente na Simoso e é Engenheiro de Minas. Os demais são engenheiros civis, sendo um deles ainda engenheiro de segurança do trabalho. Portanto o quadro técnico cadastrado no CreaSP é o mesmo: 43. Consta nas páginas 37 e 38 da peça impugnatória: (...) Com relação à justificativa levantada na impugnação de que: “a Impugnante, embora teoricamente pudesses executar os serviços prestados pela Scala, também não poderia, pois sua estrutura era cara demais para realizar pequenos serviços5. Seu custo fixo não comportava a execução de serviços de pequeno valor”, a Fl. 5675DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.676 35 fiscalização observa que essa afirmação não foi provada pela Scala. Entendese por custo fixo aquele custo que não varia em relação ao nível de negócios da empresa. Exemplo de despesas: depreciações de imóveis, pessoal administrativo, aluguel do imóvel. Significa que a empresa arcará mensalmente com esse tipo de custo, prestando ou não serviços, vendendo ou não suas mercadorias. Se a Simoso tem custos fixos altos, por ter uma estrutura cara, como asseverado na peça impugnatória, ela precisa executar serviços e realizar vendas para fazer frente a essas despesas. Havendo capacidade operacional ociosa, é economicamente viável e desejável que ela execute mais serviços, mesmo que de menor tamanho, para absorver tais custos. Assim, essa argumentação não encontra respaldo do ponto de vista empresarial ou econômico e financeiro. Lembrando mais uma vez que não foram apresentados elementos probatórios hábeis para demonstrar tais argumentos. Portanto, o alegado propósito negocial não se sustenta no mundo real. SUBPARTE 2 – Documentos anexos à Impugnação (...) QUARTA PARTE – CONCLUSÃO DA FISCALIZAÇÃO 45. A impugnação apoiase em equivocada premissa de que a fiscalização considerou as operações da Scala como inexistentes. Importante esclarecer que a existência da Scala não foi questionada e, portanto, não foi a motivação da autuação, mesmo por que se fosse verificada sua inexistência, a fiscalização teria procedido à baixa de ofício do CNPJ por inexistência de fato, além da proposição de representação para fins penais e qualificação da multa. Isso pode ser observado ao longo de todo o relatório fiscal da autuação. 46. A impugnação destaca como propósito negocial da Scala a execução de obras simples, de baixa complexidade, considerando não ter Know How ou estrutura para atender obras maiores e que a Simoso, mesmo podendo realizar as obras que a Scala realiza, não o faz por ter uma estrutura de custos muito alta, e que, por isso, tratamse de ramos completamente distintos. O único propósito verificado pela fiscalização é tributário, qual seja, manter ao menos uma das empresas no regime do lucro presumido. Conforme comprovado no presente relatório de diligência, tanto a Simoso quanto a Scala realizam obras grandes e pequenas, os clientes são coincidentes em muitos casos ou similares (predominantemente prefeituras e DER); as obras são da mesma natureza (pavimentação asfáltica, recapeamento, guias, sarjetas, etc) e de contratos com valores tanto altos como baixos. As duas empresas fornecem CBUQ às prefeituras, como também receitas de vendas de britas (variandose apenas a granulação) para os mesmos tipos de Fl. 5676DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.677 36 clientes; o know how das duas é o mesmo, tanto empresarial quanto técnico, uma vez que o administrador é o mesmo das duas, bem como o quadro de engenheiros cadastrados no CREA/SP e os engenheiros que assinam como responsáveis técnicos nos contratos de obras; a Scala loca os equipamentos necessários da Simoso e de outras pessoas ligadas para suprir sua alegada falta de estrutura para obras maiores; há incoerência quando argumenta que a Simoso não poderia realizar obras menores, pois seu custo é muito alto, mas ao mesmo tempo loca equipamentos, máquinas e caminhões para a Scala o fazer; além disso a Scala é uma empresa com faturamento expressivo. A alegação de que somente a Simoso poderia executar obras de valores acima de R$ 20 milhões não foi provada, ao mesmo tempo que a análise dos 15 maiores clientes das duas empresas demonstrou não haver nenhum contrato, contemporâneo aos fatos geradores, com valor superior a tal cifra. Portanto o propósito negocial da Scala alegado na impugnação não se comprova. 47. A regra da lei tributária federal, no que diz respeito ao IRPJ, é que as pessoas jurídicas devem ser tributadas com base no lucro real. Como exceção à essa regra, a legislação tributária confere tratamento diferenciado às pessoas jurídicas que em razão de sua atividade e seu tamanho, como por exemplo as microempresas e empresas de pequeno porte, possam ter condições de se manter e crescer até atingirem força para arcarem com concorrência e as obrigações das empresas de maior porte. O tratamento privilegiado, ou benefício fiscal, diz respeito ao cumprimento simplificado das obrigações acessórias bem com de menor carga tributária a ser suportada e é o caso das sistemáticas do Simples Nacional e do Lucro Presumido. A legislação tributária, para garantir que o tratamento diferenciado da sistemática do lucro presumido beneficiasse adequadamente as pessoas jurídicas necessitadas, impôs uma série de restrições aos interessados, entre elas o limite máximo da receita bruta total do ano anterior à opção (Decreto nº 3.000/99, Art. 246 e 516, Lei nº 10.637/2002, art. 46). Portanto é inadmissível que o empresário utilize duas ou mais empresas realizando a mesma atividade econômica para fins de reduzir sua carga tributária, pois desvirtuar as regras mais benéficas do lucro presumido. 48. Assim, detidamente alisadas a impugnação e os documentos a ela anexados, bem como as notas fiscais e contratos solicitados na presente diligência, esta fiscalização mantém convicção sobre a regularidade do lançamento. Fl. 5677DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.678 37 IV – CONTRARAZÕES. Cientificada do “RELATÓRIO FISCAL Diligência”, a defesa apresentou contrarazões (fls. 5494 a 5514), cujos principais pontos são: (...) II – DAS NOVAS RAZÕES DE DEFESA (...) A autuação tem supedâneo em alegada distribuição de receita bruta total, fato esse construído a partir de circunstâncias de a Impugnante procurar, de acordo com o permitido em lei e expressamente aceito no próprio Relatório Fiscal, a opção que lhe era mais vantajosa, (...). (...) Não se pode perder de vista, ademais, que a Simoso recolheu PIS, Cofins, IRPJ e CSLL sobre as vendas de brita efetuadas em favor da Construtora Scala, o que confirma que a razão dessa estrutura não era tributária, e sim negocial. A vantagem pretensamente havida com o lucro presumido não existiu, pois se a Construtora Scala pagou “menos imposto” por conta do lucro presumido, a Impugnante Simoso pagou “mais que o devido”, pois tributou a venda das britas para a Scala e a locação de equipamentos, fatos que não teriam ocorrido se fosse uma única empresa. (...) Assim, o caso concreto revela tão somente a segregação de atividades econômicas motivada por necessidades operacionais. (...) Fl. 5678DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.679 38 Antes de enfrentar os pontos do Relatório Fiscal, a Impugnante destaca: 1) Não existe lei que autorize o lançamento ora impugnado, (...). 2) A segregação de atividades é legal, (...). 3) Se o objetivo fosse fraudar o Fisco, Olívio teria usado as outras empresas que possuem o sócio Olívio em comum, (...). 4) De 2000 a 2012 (12 anos), apenas quatro exercício ultrapassaram o limite do lucro presumido (2009 a 2012 – doc. 7), mas ainda sim a segregação de atividades, de receitas e de despesas existiram. Esta realidade fática demonstra, de forma inconteste, que o propósito não era economia tributária. 5) As empresas “bitributaram” a compra de brita e a locação de máquinas. 6) O propósito negocial da segregação de atividades entre a Impugnante e a Simoso ficou demonstrado na impugnação: apenas a segunda poderia exercer atividade de pedreira, terraplenagem, detonação pedras e obras de valor elevado. (...) (...) 7) Em momento algum a fiscalização alega que as despesas eram concentradas em uma empresa, para fins de aproveitamento no lucro real. E assim foi porque esse fato jamais ocorreu. Cada uma das sociedades se apropriava das despesas correspondentes às suas receitas. Os quadros abaixo mostram a diferença abismal entre as despesas das duas sociedades: (...) É o relatório Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 0272.296, pela 10ª Turma da DRJ/BHE, julgando procedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 5679DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.680 39 Anocalendário: 2010, 2012 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. BASE LEGAL. Os vícios dos contratos caracterizados por condutas dolosas que tipifiquem, por exemplo, a simulação, a fraude, o abuso de direito e de formas afastam a liberdade de contratar e autorizam a atuação do Fisco no sentido de desconstituir o ato viciado, como parte diretamente interessada e em defesa à Fazenda Pública. O art. 149, VII, do CTN, outorga ao Fisco a competência para desconsiderar, para efeitos fiscais, atos ou negócios fictícios, fraudados, eivados de vício de vontade ou de forma, ou simulados. A conduta dolosa que tipifique tais vícios deve estar devidamente comprovada no processo administrativo fiscal. Não havendo nos autos elementos que evidenciem tal conduta dolosa, carece de base legal o lançamento. No caso, os indícios trazidos aos autos pela Fiscalização não foram suficientes para suster a sua acusação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Ciente do acórdão recorrido, o contribuinte não apresentou Recurso Voluntário, sendo objeto de apreciação unicamente o Recurso de Ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar que a Portaria MF nº 63, de 2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Confirase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em tela, somandose os valores exonerados em primeira instância, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, conheço do recurso de ofício. Fl. 5680DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.681 40 Assim, passo ao exame do mérito da questão em apreciação: Tratase o presente processo de autos de infração de IRPJ e CSLL, referentes aos anoscalendário de 2011 e 2012, lavrados com base na alegada pulverização da receita bruta total, que teria implicado redução da tributação, já que as receitas brutas das duas pessoas jurídicas envolvidas (Construtoras Simoso e Scala), se somadas, não permitiriam a opção pelo lucro presumido nos referidos exercícios. Em decorrência, as bases de cálculo do IRPJ e CSLL foram recalculadas com base no lucro real. Em conformidade com o Relatório Fiscal e as diligências efetuadas, a irregularidade apontada foi construída a partir dos seguintes elementos: 1) Compartilhamento do mesmo endereço administrativo, comercial e produtivo; 2) Mesmos sócios e idêntica participação societária em ambas as empresas; 3) Mesmo objeto social (atividade formal); 4) Mesma atividade comercial e produtiva (atividade de fato). A fiscalização emitiu ainda o Termo de Responsabilidade Solidária contra o sócio Olívio Simoso, fundamentado no artigo 135, III, do CTN, sob a seguinte motivação: O contribuinte e o responsável tributário, após notificados, apresentam, em uma única peça, as respectivas impugnações, com o intuito de rebater as conclusões a eles impostas. Aduz a recorrida que essas conclusões foram construídas a partir de indícios fracos e plenamente justificáveis, e que a fiscalização não considerou inúmeros outros fatos que as invalidam. Seus argumentos podem ser assim sintetizados: i) A segregação de atividades é legal, existindo várias decisões do CARF nesse sentido, sendo vedada apenas quando as empresas não comprovarem que exerciam efetivamente tais atividades, ou quando agirem de forma fraudulenta, o que não é o caso dos autos; ii) O propósito negocial da segregação de atividades entre a SIMOSO e a SCALA ficou demonstrado na impugnação e foi acatado pela DRJ/BHE: apenas a primeira poderia exercer atividades de pedreira, terraplanagem, detonação pedras e obras de valor elevado. As estruturas física, de pessoal e operacional, conseqüentemente, eram muito diferentes entre as duas (o que foi devidamente provado). Fl. 5681DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.682 41 iii) O objeto social não coincidia totalmente (o da Recorrida era menor), e naquilo em que formalmente coincidia, possuía uma abrangência técnica e de custos muito maior. Também foram juntadas diversas provas nesse sentido. iv) As sociedades tinham empregados em sua folha de pagamento, em número suficiente ao exercício de sua atividadefim. v) As sociedades possuíam máquinas e equipamentos em número suficiente para a execução de suas atividades. Nas raras exceções em que que a SCALA precisava locar equipamentos, fazia de diversos fornecedores distintos. vi) Apenas parte dos clientes coincidiam. vii) Não houve confusão patrimonial: receitas, despesas e controles eram totalmente separados e controlados. Fiscalização concordou com isso. viii) Os pagamentos feitos pelos clientes eram sempre a favor da empresa que havia prestado o serviço. ix) De 2000 a 2012 (12 anos), apenas quatro exercícios ultrapassaram o limite do lucro presumido (2009 a 2012), mas ainda assim a segregação de atividades, de receitas e de despesas existiu. x) Olivo Simoso, sócio majoritário da Recorrida e responsável solidário, possui participação em quatro outras pessoas jurídicas, conforme provado nos autos. Se a intenção realmente fosse diluir o faturamento de forma a ficar individualmente abaixo do limite do lucro presumido, porque, então, ele não ter usado suas outras sociedades? Esta realidade fática demonstra que o propósito não era economia tributária. xi) As empresas “bitributaram” a compra de brita e a locação de máquinas. Assim, a vantagem pretensamente havida com o lucro presumido não existiu, pois se a Recorrida pagou “menos imposto” por conta do lucro presumido, a Simoso pagou “mais que o devido”, pois tributou a venda das britas para a SCALA e a locação de equipamentos, fatos que não teriam ocorrido se fosse uma única empresa. Mais uma vez, vantagem tributária afastada. Pois bem. A primeira questão que deve ser verificada diz respeito à existência ou não de simulação no fato de sócios segregarem atividades antes desenvolvidas por uma só pessoa jurídica. Perfilho do entendimento de que tal fato, por si só, não comprova de que se trate de simulação, pois o simples desmembramento de atividades não caracteriza ato ilícito. O direito de se autoorganizar autoriza a constituição de sociedades pelos mesmos sócios, que tenham por escopo atividades similares, complementares ou mesmo distintas. Se corretamente constituídas e operadas, afastase o entendimento de que se trata de mera simulação. “Simular” significa disfarçar uma realidade jurídica, encobrindo uma que é efetivamente praticada, ou que não existe. Assim, para que determinada operação seja Fl. 5682DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.683 42 considerada simulada (art. 167, I, do Código Civil1), devem ser consideradas as características do caso concreto, demonstradas através de provas. No caso, vêse que foi constituída uma nova sociedade, com contratação de funcionários compatíveis para o exercícios da atividadefim da empresa constituída; adquiriu se ou alugouse maquinários para o desenvolvimento dessa atividade, e ainda, elas (as atividades) e receitas decorrentes, foram devidamente declaradas à Receita, com a emissão das correspondentes notas fiscais, contabilizadas, e o correspondente pagamento de tributo. Tais provas, a meu ver, são mais do que suficientes de que não existiu disfarce de uma realidade. A fiscalização foi em direção oposta, concluindo por haver simulação no caso, entendendo existir uma independência meramente formal entre a empresarecorrida e a Construtora Simoso, de sorte que, em sua ótica, a realidade econômica comprovaria que se tratava de um único negócio, de uma única receita, e que a criação da nova empresa serviu apenas para propiciar a alternância dos regimes de apuração do IRPJ e da CSLL. Penso que a Fiscalização utilizouse de uma interpretação equivocada dos fatos, quando concluiu pela inexistência de dois negócios, distintos e autônomos, vez que, embora sejam gerenciados pelas mesmas pessoas, encontro nos autos provas de que há entre elas independência operacional, laboral, patrimonial e técnica, e não apenas a independência formal. O fato de compartilharem o mesmo endereço, não pode, em absoluto, justificar a alegação de que se trate de um único negócio, vez que inexiste qualquer ilegalidade nesta conduta, quando se observa a atividade desenvolvida pelas empresas em questão. No caso em espeque, a acusação fiscal aponta irregularidade na coincidência de estabelecimentos da Construtora Scala, ora recorrida, com os endereços da Construtora Simoso, além de ausência de contas de água, luz e telefone, além das despesas com IPTU e ITR, por parte da recorrida. A defesa justificase, aduzindo que: i) não há ilegalidade de conduta, por tratarse de lógica do mercado de pavimentação asfáltica, que requer a abertura de estabelecimentos nos municípios mais próximos em que os serviços são realizados e materiais vendidos, não implicando assim, necessidade de estrutura administrativa e comercial em todas as filiais, bastando apenas que o serviço contratado da autuada (recapeamento) seja executado por ela, através de seus funcionários e maquinários; ii) além de prestar serviços e locar equipamentos, a Simoso também extrai e comercializa pedra britada, e que esta atividade não é desenvolvida pela Construtora Scala, que apenas revende esses materiais, adquiridos da recorrida, o que justifica o fato das empresas compartilharem o mesmo endereço físico em vários casos, como também a razão pela qual a 1 Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I – aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem. II – contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira. III – os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados Fl. 5683DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.684 43 Construtora Scala não assume o ônus financeiro de despesas de luz, telefone, ITR e IPTU de sua filial 1 CNPJ 000328, local em que efetivamente era estabelecida sua estrutura administrativa; iii) usualmente, e sem que isso implique fraude, as empresas que atuam no segmento de construção civil constroem verdadeiros parques industriais, aglutinando diversas sociedades, dos mais diversos ramos da cadeia produtiva da construção civil, com vistas a otimizar as operações e todas as partes envolvidas, e que o Relatório Técnico 30, acerca do perfil de brita para a construção civil, apresentado ao Ministério de Minas e Energia MME (contrato 18000.003155/200717, atesta essa forma de atuação; iv) as diligências realizadas em dois estabelecimentos da empresa autuada, que concluíram pelo compartilhamento de estruturas, não servem de prova, por que nestes locais, como dito acima, são filiais criadas basicamente para emissão de notas e recolhimento de tributos, compra de materiais, etc., já que a atividade da Construtora Scala eram exercidas de fato nos locais a serem recapeados; a estrutura administrativa da Scala existia apenas na sua filial 000328, local em há identificação da sociedade e de seus funcionários. v) a utilização de equipamentos e máquinas da Simoso para realização das atividades da Scala não evidencia qualquer ilegalidade de conduta, pois estes alugueis seriam pontuais e eventuais para atender a necessidade de determinada obra, esclarecendo que a Scala possuía em 2011 sete máquinas e um caminhão, mas sempre que possível alugava equipamentos e máquinas de terceiros, seja da Construtora Simoso, seja de outra pessoa jurídica, e que tal fato não representaria prova de ausência de autonomia operacional. Na oportunidade de sua impugnação, apresentou uma listagem das máquinas, equipamentos e veículos tanto da Construtora Simoso quanto da Construtora Scala, a fim de comprovar que as sociedades possuem autonomia patrimonial. No mesmo rumo da decisão recorrida, estou convencido de que se trata de lógica do mercado de pavimentação asfáltica, e com escopo operacional. Razoável a ponderação de existir necessidade apenas de abertura de estabelecimentos nos municípios mais próximos em que os serviços são executados e materiais vendidos, sem que implique, necessariamente, abertura de estrutura administrativa e comercial em todas as filiais. Assim, basta que o serviço contratado seja executado pela empresa efetivamente contratada, como de fato ocorreu. Desta forma, a coincidência de endereços decorre do propósito de reduzir custos e aumentar a segurança nas atividades desenvolvidas, e por isso constituíamse nos locais ou próximos às pedreiras, tornando os processos mais eficazes, céleres e seguros em relação ao recebimento e processamento da brita, componente indispensável para pavimentação asfáltica. Também não há que se dá relevo ao fato de haver os mesmos sócios e idêntica participação societária nas empresas, pois tal constatação não justifica a conclusão de que se trata de um negócio único, de receita única. Inexiste previsão legal de que uma das condições para determinada sociedade faça opção pelo lucro presumido seria a análise conjunta da receita bruta legal de sociedades sob o mesmo controle. Quanto ao fato das empresas apresentarem o mesmo objeto social, verifico que não há controvérsia neste aspecto, pois a defesa não nega existir forte similaridade no objeto social constante no contrato social das duas empresas, enfatizando tãosomente que cada Fl. 5684DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.685 44 uma atua em ramos empresariais distintos. Os exemplos de atestados de capacidade técnica de ambas empresas (Simoso e Scala) anexados aos autos pela defesa fortalecem o seu argumento de que, embora havendo identidade ou forte similaridade na forma de objeto social, elas atuam em áreas técnicas diversas, desempenhando atividade de fato distintas. Para respaldar a conclusão fiscal de que as empresas, Simoso e Scala, exercem a mesma atividade de fato, verificase que a fiscalização tomou como parâmetro apenas a nomenclatura contábil das receitas, sem aprofundar sua investigação para estabelecer ligação quantos aos aspectos técnicos dos serviços prestados por ambas, uma vez que, mesmo atuando no segmento de obras de construção civil podem desenvolver atividades distintas. Logo, razoável a alegação da defesa, quando diz na impugnação que a identidade na nomenclatura contábil das receitas é irrelevante e não se presta, isoladamente, para confirmar que há a mesma atividade. De fato, diante dos atestados de capacidade técnica anexados aos autos e da estrutura operacional de ambas empresas, é crível que a Construtora Simoso atue no segmento de obras de construção civil de grande porte, como mineração, terraplanagem e pavimentação asfáltica, e a Construtora Scala, em obras de pequena complexidade, como recapeamento, desenvolvendo, portanto, atividades de fato distintas. Acresçase ainda que no "Relatório fiscal Diligência, o Fisco constata que a Simoso extrai e comercializa pedra britada enquanto que a Scala apenas as revende. Vejase: A defesa ataca o entendimento, aduzindo: "como defender que quem revende pedra britada pratica a mesma atividade econômica de quem explora a extração, o beneficiamento e a comercialização?" Com efeito, não se deve focar a igualdade da atividade de ambas empresas apenas na venda ou revenda de pedra britada, desconsiderando completamente o fato de que a Simoso pratica a extração mineral do referido produto. Obviamente, tratamse de atividades bem distintas. A venda ou revenda de pedra brita já extraída e beneficiada é atividade meramente comercial, enquanto a sua extração é atividade de mineração. Para extração de minério, fazse necessário “perfurar rochas, detonar dinamites, possuir atestados técnicos específicos, possuir título minerário regulamentado e aprovado pelo DNPM, pagamento de CFMEM, ser fiscalizada pelo Exército, ter em seu corpo funcionários engenheiro de minas e geoólogo, licença da CETESB”, enfim, ter condições especiais para execução desta atividade, seja ela técnica ou operacional. Essas condições apenas a Simoso possui. Fl. 5685DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.686 45 Logo, sendo a execução de tal atividade desempenhada unicamente pela Construtora Simoso, enquanto que a Scala apenas revende o produto extraído, penso que tal fato também é elemento diferenciador das atividades desenvolvidas por estas empresas. Dessa forma, concluo que a recorrida agiu segundo a lei, não havendo que se falar em segregação ilegal de suas atividades e muito menos em pulverização dolosa de receitas, inexistindo a alegada empresa fictícia para propiciar a alternância dos regimes de apuração do IRPJ e da CSLL, vez que os fatos provam a licitude da organização societária perpetrada e a autonomia jurídica, laboral e patrimonial das sociedades envolvidas. Concluo também, como base nas evidências acima, ter sido preservado o princípio da Entidade. Tal princípio professa a verdade intuitiva e jurídica de que o patrimônio da entidade, objeto de contabilização, tem de estar completamente separado do patrimônio de seus sócios ou acionistas. Tal separação, por evidente, afeta também os patrimônios de pessoas jurídicas distintas, ainda que possuam quadro societário idêntico, como ocorre no caso aqui em espeque. Compulsando os autos, não vejo provas de que o referido princípio tenha sido desrespeitado. Não houve confusão patrimonial entre as duas empresas ou mistura no reconhecimento de receitas, custos e despesas. Cada empresa existia de fato com estrutura própria, de equipamentos operacionais e pessoal próprio. A defesa, a todo tempo, alega isso a seu favor. E a Fiscalização, no "Relatório Fiscal Diligência", expressamente admitiu isso, vejase: “35. Ainda na página 5: (...) Em relação a afirmação de que “todos os demais pontos são divididos e os serviços que executam são substancialmente diferentes?”, é relevante observar que não foram apresentadas provas hábeis que dessem sustentação à essa alegação de que as empresas realizaram atividades diferentes. Destacase que a fiscalização não considerou as atividades da Scala como inexistentes em nenhum momento, apenas fez menção à coincidência de endereços, sócios e atividades formais e de fato, para comprovar, juntamente com os demais elementos da autuação, que a Simoso e a Scala deveriam ter considerado ambas receitas para fins de aferição do limite de R$ 48 milhões para poderem se enquadrar no lucro presumido para os anos seguintes, pois ambas realizam a mesma atividade econômica. 36. A partir do último parágrafo da página 6 até a página 15, a Scala argumenta sobre a legalidade de segregação de atividades da Simoso e da Scala. Nesse ponto a fiscalização lembra, mais uma vez, que em nenhum momento a fiscalização considerou a Scala uma pessoa jurídica fictícia, ou que suas atividades são fictícias, mas sim que: “Tais situações demonstram o compartilhamento das mesmas instalações comerciais, produtivas e administrativas. Significa dizer, as empresas operam a mesma atividade, realizam o mesmo negócio.” (Relatório Fiscal página 8). Logo, o enfoque naquele ponto do Relatório Fiscal (RF) era demonstrar mais uma evidência de que Fl. 5686DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.687 46 as atividades das duas empresas eram as mesmas. As duas empresas existem e operam, mas fazem a mesma coisa, por isso, para fins tributários de opção pelo lucro presumido a receita limite deve ser considerada em uma soma única. (Grifos são do original) (Grifouse e sublinhouse) (...) 39. Argumentase que: (...) A fiscalização não considerou as operações da Scala irregulares, mas sim a opção pelo regime de lucro presumido das empresas. (Grifouse) (...) 45. (...). Importante esclarecer que a existência da Scala não foi questionada e, portanto, não foi a motivação da autuação, mesmo por que se fosse verificada sua inexistência, a fiscalização teria procedido à baixa de ofício do CNPJ por inexistência de fato, além da proposição de representação para fins penais e qualificação da multa. Isso pode ser observado ao longo de todo o relatório fiscal da autuação. (Grifouse).” Ainda, em alguns pontos do Relatório Fiscal o Fisco afirmou que a autuada possuía contabilidade regular. Nesse sentido, transcrevemse trechos do mencionado relatório: “Com tal planejamento tributário, a Scala burlou a tributação devida com base no Decreto nº 3.000/99, art. 246, I – que trata da obrigatoriedade de tributação da pessoa jurídica com base no lucro real. Em decorrência, as bases de cálculo dos anoscalendário 2011 e 2012 foram recalculadas pela Fiscalização com base no Lucro Real, uma vez existente a contabilidade regular do Fiscalizado. (...). (Grifouse) (...) Dos Procedimentos Fiscais Finais – Lançamento de Ofício: em decorrência da opção indevida pelo lucro presumido a Fiscalização refez de ofício as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL com base na sistemática do lucro real, uma vez que a empresa possui contabilidade regular. A partir do resultado contábil encontrado na escrita contábil da Scala, e mediante a falta de apresentação de adições, exclusões e compensações ao lucro por parte da Scala em resposta à intimação fiscal, a Fiscalização apurou o lucro real de ofício. (Grifouse e sublinhouse) A apuração foi realizada da seguinte forma: 1) Foram tomados os saldos da conta 6.2.1 – Lucro/Prejuízo do Exercício por trimestre; Fl. 5687DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.688 47 2) Em seguida foram eventuais ajustes aos resultados do exercício (adições, exclusões e compensações), finalizandose na apuração do Lucro Real (LR) de cada trimestre 3) Foram calculados o IRPJ, e adicional do IR, e a CSLL pela sistemática do LR; 5) Foram aproveitados os débitos confessados em DCTF pelo contribuinte relativos ao IRPJ e à CSLL na sistemática do Lucro Presumido (LP); 6) Foram apurados o IRPJ, e adicional do IR, e a CSLL devidos;” Como se vê, a determinação tanto do lucro real como da base de cálculo da CSLL foi feita com os dados existentes na escrituração das empresas em referência, o que demonstra, nos períodos fiscalizados, a existência de escrituração regular apta para a determinação da base de cálculo dos tributos e contribuições aqui exigidas. Estes fatos demonstram, em minha ótica, que o princípio da Entidade não foi violado, seja porque não há confusão patrimonial entre as empresas, seja porque existem de fato, cada qual operando independente uma da outra, ainda que, segundo o Fisco, exercendo a mesma atividade. Por fim, observese no "Relatório Fiscal Diligência", consta (fls. 5484): Incontroverso que as empresas realizaram entre si operações comerciais, como locação de máquinas e equipamentos, bem assim compra/venda de brita. Um dos pontos da acusação fiscal reside no fato de que a Simoso alugava máquinas e equipamentos à Scala para ela realizar o mesmo objeto social da primeira. Entretanto, não se vê no Relatório Fiscal nenhum aprofundamento quanto aos procedimentos contábeis adotados, por ambas, nessas operações, seja quanto aos preços praticados, pois apesar da Fiscalização lançar dúvidas que as locações fossem subfaturadas em favor da Scala, não investiga, seja quanto à forma de reconhecer receitas e custos/despesas, seja quanto à forma de quitação dessas operações, seja ainda quanto ao reconhecimento e recolhimento dos tributos decorrentes dessas operações. Assim, na esteira dessas considerações, despiciendo analisar os Termos de Responsabilidade Passiva Solidária. CONCLUSÃO Fl. 5688DF CARF MF Processo nº 10865.720953/201566 Acórdão n.º 1301002.977 S1C3T1 Fl. 5.689 48 Portanto, diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício, mantendose os termos da decisão recorrida, que considerou procedente a impugnação e exonerou o crédito tributário exigido. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 5689DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.009929/2004-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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DIAS BRANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório 1. Por bem retratar os fatos narrados nos autos, utilizo como meu o relatório desenvolvido pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, quando da lavratura do acórdão n. 3402002.415 (fls. 928/936), o que passo a fazer nos seguintes termos: O processo trata de auto de infração formalizado para constituir os créditos tributários referentes às diferenças apuradas entre o valor RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 09 92 9/ 20 04 -6 2 Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Resolução nº 3402001.358 S3C4T2 Fl. 1.805 2 escriturado e o valor declarado/pago, o procedimento de verificações obrigatórias. A 4ª Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo manteve em parte o lançamento tributário nos termos do Acórdão nº 6.274, de 20 de maio de 2005. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos termos do Acórdão nº 3402001.846, de 18 de julho de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. APLICAÇÃO DE DECISÃO INEQUÍVOCA DO STF. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, podese afastar a aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo do PIS e da Cofins, até a vigência das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. A Fazenda Pública opôs embargos de declaração sob alegação de omissão da decisão acima mencionada quanto a inclusão na base de cálculo da Cofins do ICMS –Substituição Tributária, da subvenção para custeio e investimento e das variações cambiais ativas. Segundo a embargante, a decisão deu provimento ao recurso sem, contudo, atentar para a natureza específica e peculiaridades das receitas envolvidas, variações cambiais, subvenção de custeio e investimento e ICMS – Substituição Tributária. Defende a embargante que a subvenção para custeio deve fazer parte da base de cálculo da Cofins por ser considerada receita operacional. As receitas oriundas das variações cambiais ativas, por se caracterizarem acessórias das receitas de exportações devem fazer parte do conceito de faturamento e ser tributada pela Cofins. Por derradeiro, afirma a embargante que o ICMS – Substituição Tributária deve fazer parte da base de cálculo da exação, uma vez que a legislação interna do Estado do Ceará não estipulou o quantum foi pago na condição de contribuinte e o quantum foi pago na condição de substituto tributário. (...) (grifos nosso). 2. Uma vez processado, os embargos de declaração interpostos pela União foram julgados procedentes, nos termos abaixo indicados: Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Resolução nº 3402001.358 S3C4T2 Fl. 1.806 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa. CONSULTA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. É de observância obrigatória a solução de consulta provocada pelo sujeito passivo, tanto para o consulente como para administração, uma vez que está vinculada a observar a decisão dada à consulta apresentada pelo consulente, já que expressa a sua interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração e acolhêlos para sanar a omissão, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso apenas para afastar as receitas oriundas das variações cambiais e das subvenções para custeio e investimento da base de cálculo da Cofins, mantendo no cálculo da exação o valor do ICMS. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Souza Bispo que entendeu que as subvenções de custeio fazem parte do faturamento, logo, haveria omissão quanto a essa matéria. Declarouse impedido o conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. 3. Não obstante, uma vez intimado desta decisão, o contribuinte interpôs os embargos de declaração de fls. 1.620/1.656 alegando, em suma, os seguintes vícios: · Vícios de Omissão · Ausência de análise do prazo decadencial que fulminou grande parte do crédito tributário · Falta de análise do histórico fático, normativo e legislativo · Não apreciação da efetiva fundamentação contida no auto de infração e da correspondente ausência de fundamentação quanto a suposta infração relacionada ao ICMSST · Desconsideração da mudança de entendimento do Fisco sobre o fundamento da Solução de Consulta n° 46/98 e o provimento judicial favorável à Embargante · Vícios de Contradição · Fundamentação legal diversa à que baseia a autuação · Submissão do contribuinte e do CARF às Soluções de Consulta 4. Em despacho de admissibilidade (fls. 1.676/1.81), o então Presidente desta turma julgadora, Conselheiro Antonio Carlos Atulim, admitiu o recurso do contribuinte apenas para sanar suposta omissão em relação à discussão quanto à decadência, o que fez nos seguintes termos: Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Resolução nº 3402001.358 S3C4T2 Fl. 1.807 4 Compulsando o recurso voluntário, fls. 940 a 970, verifico que o ora embargante ofereceu preliminar de decadência pela regra do § 4° do art. 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN. Quanto ao mérito, arguiu a inconstitucionalidade declarada pelo STF da ampliação da base de cálculo da Contribuição. Apoiandose em decisão do STJ no REsp 601.741, a exigência feita no Estado do Ceará quanto à não exclusão dos valores de ICMS Substituição Tributária das bases de cálculo da Cofins é ilegal e dupla. Da mesma forma, insurgiuse contra a incidência da Cofins sobre receitas relativas aos programas de incentivo financeiro implementados pelos governos do Ceará e Rio Grande do Norte ("PROVIN", "PROADI" e "FDI"). Defendeu, de igual modo a exclusão da tributação das receitas de variação cambial. Finalmente, alegou que alguns valores de Cofins pagos pelo contribuinte não foram corretamente computados. Essa rápida revisão permite concluir que o embargante está correto ao inquinar o Acórdão nº 3402002.415 do vício de omissão, no que tange à arguição da preliminar de decadência. Tanto nesta decisão quanto na que ela integrou, a matéria não foi abordada. O vício merece saneamento e, desde já, admitese o apelo ao Colegiado Recursal para que ele seja saneado. A revisão também permite constatar que as demais omissões suscitadas resumemse, na verdade, em manifestações da insatisfação do embargante para com o que foi decidido pelo acórdão embargado. De omissões não se trata, posto que não foram arguidas no recurso voluntário, nem se trata de pontos sobre os quais o Colegiado deveria manifestarse de ofício. (...). A embargante ainda acusa a decisão recorrida de fundarse em legislação distinta da que embasou o lançamento e de vincular o contribuinte e o CARF a soluções de consulta que em nada se refere ao período de janeiro/99 a fevereiro/01, mas a período e norma muito diversos, ou seja, às normas do Protocolo ICMS 46/00 e ao período de março/2001 a dezembro/2003. Ab initio, cumpre gizar que a contradição que “autoriza os embargos de declaração é aquela interna ao acórdão, verificada entre a fundamentação do julgado e a sua conclusão, e não aquela que possa existir, por exemplo, com a prova dos autos” (STJ, REsp 322056), nem “a que porventura exista entre a decisão e o ordenamento jurídico; menos ainda a que se manifeste entre o acórdão e a opinião da parte vencida” (STF, Emb Decl RHC 79785). Assim, no caso, não vislumbro a contradição alegada pelo embargante, na medida em que, conforme consignado, o aludido vício de intelecção deve ser interno, aquilatável entre as proposições manifestadas pelo juízo naquele mesmo julgado, e não eventual divergência entre os fundamentos da decisão e demais provas e fatos do processo, isto é, externo ao julgado. Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Resolução nº 3402001.358 S3C4T2 Fl. 1.808 5 (...). Com essas considerações, forte no § 3° e em face do que dispõe o § 7, todos do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, admito os embargos interpostos, no que tange à omissão pela falta de apreciação da arguição de decadência, formulada no recurso voluntário. Portanto, incluase o presente processo em lote para sorteio a um dos conselheiros da 2ª TO/4ª C/3ª S/CARF. (grifos nosso). 5. Diante deste despacho decisório e, ainda, levando em consideração o potencial efeito infringente dos embargos interpostos, esta Turma julgadora veiculou a Resolução n. 3402000.834 (fls. 1.688/1.692) determinado que a Procuradoria da Fazenda Nacional fosse intimada para, querendo, manifestarse a respeito do recurso interposto. 6. Devidamente intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou sua manifestação as fls. 1.694/1698, oportunidade em que, em suma, alegou inexistir prova do pagamento de tributo a implicar a contagem do prazo decadencial pela regra do art. 150, § 4º do CTN, afastando, por conseguinte, o precedente do STJ formado sob o rito de recursos repetitivos e externado no REsp n. 973.733. 7. Não obstante, por entender que haveriam indícios de pagamento do tributo exigido (COFINS) para o período objeto de questionamento por meio de embargos de declaração (janeiro a dezembro de 1999), essa Turma julgadora novamente baixou o caso em diligência (resolução n. 3402001.006 fls. 1.707/1.712), determinando o que segue: (...). 14. Diante deste quadro, em respeito ao princípio da verdade material e, ainda, para evitar a judicialização de uma exigência fiscal que pode ser indevida, o que, por conseguinte, é ofensivo as ideias de eficiência e moralidade pública, entendo por bem converter em julgamento em diligência para que a unidade preparadora apresente nos autos os extratos de eventuais recolhimentos efetuados pelo contribuinte a título de COFINS para o período compreendido entre janeiro e setembro de 1999. 15. Concluída a diligência, o Recorrente deverá ser intimado para eventual manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. (...). 8. Diante deste quadro, a unidade preparadora manifestouse a fl. 1.720 nos seguintes termos: ...segue em anexo, para ciência, o resultado da diligência, representado pelas cópias das telas dos pagamentos efetuados a título de COFINS, código 2172, pelo contribuinte acima identificado, no período de 01/01/1999 a 30/09/1999, recuperadas do Sistema SIEF/Documentos de Arrecadação Pagos. 9. Tal informação veio devidamente instruída com consulta formulada pela RFB (fls. 1.715/1.719). Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Resolução nº 3402001.358 S3C4T2 Fl. 1.809 6 10. Intimado a respeito, o contribuinte manifestouse por meio da petição de fls. 1.726/1.731, oportunidade em que vindicou o reconhecimento da decadência para o período compreendido entre janeiro e maio de 1999, haja vista prova cabal do pagamento parcial, da exação aqui tratada. Não obstante, em relação ao período compreendido entre junho e setembro de 1999, alegou que também fez pagamentos parciais, o que se deu mediante compensação. Para comprovar tais fatos juntou aos autos os documentos de fls. 1.735/1.757. 11. Tendo em vista os fatos inovadores apresentados pela recorrente, proferi despacho de fls. 1.786/.1.789, chancelado pelo Presidente desta Turma julgadora, oportunidade em abri vista para manifestação da Fazenda Nacional, a qual foi acostada aos autos as fls. 1.794/1.796. 12. É o relatório. Resolução 13. De forma muito objetiva, os novos fatos trazidos ao conhecimento desta Turma julgadora e retratados pelos documentos de fls. 1.734/1.757, acabam por suscitar em nova dúvida por parte do Relator deste caso. 14. A primeira delas é por qual razão a guia DARF de fl. 1.757, que comprova o pagamento (ainda que parcial) de COFINS referente a competência de setembro de 1999 e pago em outubro daquele ano e que não foi detectado pela unidade preparadora quando das informações prestadas as fls. 1.715/1.719. Assim, para dissipar qualquer dúvida acerca desta pagamento, resolvo novamente converter o julgamento em diligência para que: (i) a unidade preparadora certifique a validade do aludido pagamento, prestando as informações cabíveis no presente processo. 15. Não obstante, em relação ao período compreendido entre junho e agosto de 1999, a recorrente traz aos autos os documentos de fls. 1.735/1.756 (DCOMP's) que atestariam que também houve pagamento parcial de COFINS para tais meses, ainda que mediante compensação. Acontece que a assertividade de tal afirmação depende de verificar se tais compensações foram ou não homologadas pela autoridade competente, o que me motiva a também converter o presente julgamento em diligência para que: (ii) a unidade preparadora ateste a situação processual das compensações referidas nos documentos de fls. 1.735/1.756, bem como preste outros esclarecimentos que entender pertinentes acerca de tais compensações. 16. Concluída a diligência, o Recorrente deverá ser intimado para eventual manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 17. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 1809DF CARF MF
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