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Numero do processo: 10437.720050/2015-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011
DEPÓSITOS BANCÁRIOS
Caracteriza-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2402-006.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos documentos apresentados somente por ocasião do recurso voluntário, afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos documentos apresentados somente por ocasião do recurso voluntário, afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 00 50 /2 01 5- 25 Fl. 4182DF CARF MF 2 Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração para cobrança do IRPF, relativo aos exercícios 2011 e 2012, no importe de R$ 9.927.240,58, acrescido de multa de oficio (75%) e juros legais Selic. Como infração, foi apontada a existência de depósitos bancários de origem não comprovada. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que, como dito, foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com a seguinte ementa: PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o sujeito passivo apresenta impugnação na qual refuta o lançamento e revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas e os elementos nas quais se baseiam. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Iniciado o procedimento de fiscalização, caracterizada a indispensabilidade do exame da documentação bancária e não atendendo o contribuinte às intimações fiscais a contento, por expressa autorização legal, a autoridade fiscalizadora pode solicitar diretamente às instituições financeiras informações e documentos bancários, mediante Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DOS RECURSOS. A expressão origem dos recursos presente no caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, faz referência, de forma cumulativa, tanto à procedência depositante quanto à natureza título a que foi recebido do depósito, sob pena de não se mostrarem comprovados os depósitos bancários. DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Em seu Recurso Voluntário de fls. 966/1017 aduz, em resumo: Preliminarmente, pugna pela juntada de novos documentos, eis que, segundo alega, a autuada, hoje falecida, estaria impossibilitada de apresentálos em função de seu estado de saúde, por ocasião do procedimento fiscal e na fase impugnatória. Fl. 4183DF CARF MF Processo nº 10437.720050/201525 Acórdão n.º 2402006.628 S2C4T2 Fl. 3 3 Que seu procurador, constituído à época, considerou apenas os documentos apresentados pela recorrente, razão pela qual sua impugnação se deu com flagrante insuficiência de provas. Que os depósitos e transferências havidos em sua conta, tiveram como origem a empresa SAMM SISTEMA DE ARMAZENAGEM E MOVIMENTAÇÃO LTDA, da qual era funcionária. Que, com isso, teria havido cerceamento de sua defesa, por violação ao contraditório e à ampla defesa. Que conseguiu, após pequena melhora em sua saúde, cópia de algumas contas da empresa, pagas com cheques seus, relativas apenas aos meses de janeiro de 2010 e 2011, sendo que os comprovantes das contas pagas ficavam em poder da própria empresa. Que a ciência do auto de infração se deu desacompanhada dos elementos probatórios que balizaram o crédito lançado, assim sendo, pugnou pela nulidade formal do lançamento. Que discorda do entendimento do voto vencedor, no sentido de que a comprovação da origem dos recursos imposta pela lei contemplaria, também, a comprovação de sua natureza. Que o autuante deveria ter intimado a pessoa jurídica para comprovação da origem dos valores depositados na conta da recorrente, posto que há uma estimativa de que sejam cerca de 33.000 documentos. Que a autuante emprestou sua conta corrente para a empresa, um vez que possuía contas bloqueadas pela Justiça em razão de processos executivos. Que exigir da recorrente a apresentação de aproximadamente 33.000 comprovantes, equivaleria exigirlhe a produção de prova impossível. Que com a entrada em vigor da LC 105/2001, que autoriza ao Fisco o acesso aos dados bancários, teria havido a revogação do artigo 42 da Lei 9.430/96, vez que o autuante deveria, doravante, demonstrar o acréscimo patrimonial do beneficiário dos recursos. Que os cheques emitidos pela recorrente eram para pagar contas da pessoa jurídica, sendo que as sobras ficavam em poder da própria empresa. Procurou demonstrar com o seguinte comparativo. Fl. 4184DF CARF MF 4 Que, por vezes, por meio de um único cheque, pagavase mais de 150 contas da empresa na mesma data em que o cheque era emitido pela recorrente. Que foram inobservados os princípios da isonomia, proporcionalidade, capacidade contributiva e do não confisco. E que a recorrente nunca teve a intenção de não observar a legislação tributária e que não operou em fraude. Ao final, requer i) seja anulado o julgamento de primeira instância, a fim de que sejam considerados os documentos acostados neste recurso; ii) seja reconhecido o cerceamento de defesa quando do encaminhamento do auto de infração para ciência, anulando a ciência e demais atos posteriores, iii) a improcedência total ou parcial do lançamento, assim como a exclusão da multa de oficio. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 22.01.2016 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 22.02.2016. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Inicialmente, quanto à alegação de que a ciência do auto de infração teria se dado desacompanhada dos elementos probatórios que balizaram o crédito lançado, penso não assistir razão à autuada. Além de não especificar quais seriam aqueles elementos, uma vez que a auditoria recaiu sobre seus extratos bancários, os quais certamente eram de seu conhecimento, Fl. 4185DF CARF MF Processo nº 10437.720050/201525 Acórdão n.º 2402006.628 S2C4T2 Fl. 4 5 o Aviso de Recebimento que teria acompanhado os documentos do lançamento, evidencia a ciência, dente outros, do Termo de Verificação Fiscal, Auto de Infração e Demonstrativos. Confirase: A autuação tomou como base legal o artigo 42 da Lei 9.430/96, que estabelece uma presunção juris tantum de omissão de rendimentos por aqueles titulares de contas bancárias que regularmente intimados, não comprovarem a origem dos recursos que ingressaram em seu patrimônio. Nesse ponto, cumpre destacar que há muito, até mesmo em função do dispositivo acima, não se faz mais imprescindível que o Fisco demonstre o consumo da renda representada por tais depósitos. Vejase o que diz a Súmula Carf nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Argumenta a recorrente que a mera identificação do depositante já seria suficiente para considerar comprovada a sua origem. Veja, o artigo 42 da Lei 9.430/96, estabelece tratarse de omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Perceba que identificar quem depositou/quem efetuou o crédito é o primeiro passo para se comprovar a origem do recurso. É dizer: para se comprovar a origem do recurso passase, necessariamente, pela identificação de quem o transferiu para o titular da conta. Até porque, o que se busca, ao fim e ao cabo, é a definição do tratamento tributário que será dado à importância creditada. Se o de mera transferência Fl. 4186DF CARF MF 6 (doação/empréstimo), de rendimento isento, tributado exclusivamente na fonte, tributável no ajuste, já tributado na DIRPF, etc. Com isso, uma vez comprovada, pelo titular da conta, a origem dos recursos, aí entendida a sua natureza e não somente o depositante, competirá ao fisco dar a eles o adequado tratamento tributário, consoante preceitua o § 2º daquele artigo. Confirase: § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Nessa linha, imaginemos o caso em que se sustenta a origem de determinado depósito como sendo a venda de certo imóvel pelo titular da conta. Não bastará, por óbvio, que o contribuinte aponte o nome e qualificação do depositante. Farseá necessário ainda, que demonstre a operação, por meio de documentação hábil e idônea, que retrate referido negócio entre as partes e, a rigor, naquela data e naquele valor do depósito. Prosseguindo, o ponto fulcral da tese do recorrente reside em afirmar que os depósitos, promovidos pela pessoa jurídica em sua conta, nada mais seriam do que a movimentação financeira da própria empresa, que estaria com suas contas bloqueadas pela Justiça em razão de processos executivos. Sustenta, em outras palavras, que na condição de funcionária pretendeu, tão somente, cooperar com a manutenção dos negócios da empresa. Sobre o tema, trago à colação a Súmula Carf nº 32: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Não são raras as vezes que atitudes, como a que aqui se sustenta, são vivenciadas pela Fiscalização. A experiência me mostra que nessas situações, o que se têm em regra é que os depósitos não são provenientes de contas da própria empresa, mas sim de contas outras que representariam receita nova da pessoa jurídica, que, uma vez regularmente contabilizados como receita por exemplo, apenas transitariam por conta de terceiros. Em outras palavras: a pessoa jurídica, em que pese contabilizar regularmente os recursos recebidos, realizaria sua movimentação financeira por meio de terceira pessoa. E mais, as saídas (cheques, transferências, etc) são autorizadas não pelo titular da conta, mas sim pelo representante da empresa que funcionaria como seu procurador (do titular da conta) junto à instituição financeira. Nesse ponto, não traz a recorrente evidência de que tais valores tivessem sido contabilizados na pessoa jurídica, além do quê, pelo que indica os documentos, os ingressos seriam provenientes de contas da própria empresa, fragilizando, ao meu ver, a assertiva de que aquelas contas estariam bloqueadas em função de executivos judiciais. Vejamos os exemplos de transferências: Fl. 4187DF CARF MF Processo nº 10437.720050/201525 Acórdão n.º 2402006.628 S2C4T2 Fl. 5 7 Tantos os ingressos, quanto as saídas em sua movimentação financeira deveriam coincidir com a contabilização, nos livros fiscais e contábeis, dos fatos que se propõe a sustentar. E mais, considerando que a intimação fiscal (fls. 21/22) para que se comprovasse a origem dos recursos derase em 18.12.2014 (fls. 86) e a ciência do lançamento em 04.05.2015 (fls. 543), penso que a contribuinte teve tempo o suficiente para a tomada de qualquer providência tendente à comprovação do alegado, ainda que por meio de seu procurador, em função de seu noticiado estado de saúde. Tratase de providência que para a sua consecução, a participação pessoal da recorrente seria perfeitamente dispensável. Nesse ponto, não vejo como aceitar os documentos centenas de boletos bancários e contas em nome da pessoa jurídica dos meses de janeiro de 2010 e 2011 acostados somente agora em sede recursal, o que me faz afastar, inclusive, a alegação de nulidade da decisão de piso, vez que não configurado o suscitado cerceamento de defesa. Diferentemente do que quis fazer crer, a comprovação do alegado não passaria, necessariamente, pela análise de estimados 33.000 documentos. Bastaria, em um primeiro momento, demonstrar a contabilização dos fatos contábeis de forma que se coadunassem com os depósitos e saídas em suas contas. Evidentemente, a depender do convencimento da autoridade autuante, a apresentação de um ou outro documento poderia vir a ser exigida. E destaco: a contabilização deve relacionar, de forma individualizada, os fatos contábeis às entradas e saídas nas contas da recorrente. Com isso, a indicação de cheque emitido, em valor superior ao total de contas que se estaria adimplindo, à alegação de que os excedente ficaria em poder da pessoa jurídica, não depõe, por si só, a favor da autuada. Fl. 4188DF CARF MF 8 Somese a isso, o fato de que à luz do livro diário apresentado, não se é possível identificar os registros individualizados dos ingressos, na medida em que os lançamentos se dão por totais ao final do mês. Vejase, após tomar, aleatoriamente, os depósitos de: R$ 33.000,00 em 27.08.2010 vide lançamentos às fls 799/803; R$ 33.000,00 em 31.08.2010 vide lançamentos às fls 799/803; R$ 121.000,00 em 09.09.2010 vide lançamentos às fls 803/811; e R$ 84.000,00 em 21.12.2011 vide lançamentos às fls 743/750. Quanto a essa comprovação, em especial a apresentação dos livros razão e diário com o apontamento, individualizado de sua movimentação financeira, não vejo maiores dificuldades em sua obtenção, a julgar pelo grau de confiança que permearia o relacionamento entre ambos, recorrente e empresa, típico daqueles que se propõem a mutuamente cooperarem com a manutenção dos negócios da empresa, consoante sustentado. Repisese: a perfeita identificação individualizada da movimentação financeira na contabilidade da empresa é, abstraindose as eventuais implicações concernentes à responsabilização na seara do direito penal e do direito civil, o mínimo que se pode esperar daqueles que "emprestam" sua conta bancária com o único propósito de legalmente cooperar com a manutenção dos negócios da empresa. Por sua vez, no que toca à aplicação da multa de oficio, impõese registrar que essa se deu em seu patamar mínimo, eis que não foi imputado, pelo agente fiscal, qualquer conduta fraudulenta que justificasse seu agravamento. E mais, a penalidade aplicada tem clara previsão legal, da qual o Fisco não se deve afastar, pouco importando se o infrator, tinha ou não, a intenção de assim proceder, consoante se extrai do artigo 136 do CTN. Com isso, havendo expressa previsão legal para se assim proceder, questões atinentes a inobservância dos princípios do nãoconfisco, proporcionalidade e razoabilidade não devem ser apreciados por este Colegiado. Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso, não conhecer dos documentos apresentados somente por ocasião do recurso voluntário, afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 4189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008590/2005-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002
MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN.
Numero da decisão: 1001-000.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 85 90 /2 00 5- 07 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.008590/200507 Acórdão n.º 1001000.983 S1C0T1 Fl. 69 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba (PR), mediante o Acórdão nº 0613.635, de 23/02/2007 (efls. 26/34), objetivando a reforma do referido julgado. O crédito tributário lançado, no valor de R$ 500,00, se refere à exigência de multa por atraso na entrega de Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica DIPJ, referente ao exercício de 2002, conforme Auto de Infração (efl. 11). Na impugnação apresentada (efl. 2), a interessada alega, em síntese, haver efetuado denúncia espontânea da infração e ser assim incabível a penalidade, cujo cancelamento solicita. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2002 Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A entrega fora de prazo da declaração não caracteriza a denúncia espontânea da infração prevista no art. 138 do CTN e não impede a imposição da penalidade, resultante do descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Lançamento Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 23/04/2007, conforme Aviso de Recebimento à efl. 40, a recorrente apresentou recurso voluntário em 15/05/2007, conforme carimbo de recepção à efl. 42. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.008590/200507 Acórdão n.º 1001000.983 S1C0T1 Fl. 70 3 No recurso interposto (efls. 42/54), a recorrente reitera o argumento trazido em sede de impugnação, ou seja, que descabe a multa punitiva por ter agido de forma espontânea, estabelecido no art. 138 do CTN, pois a declaração foi entregue antes de qualquer procedimento fiscal. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. De igual modo, não há qualquer contestação quanto ao cálculo do valor da multa exigida. Cumpre registrar que o CTN, art. 113, dispõe que a obrigação tributária é principal ou acessória e que a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Os §§ 2º e 3º do artigo retrocitado assim dispõem: § 2º – A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º – A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária. O nãocumprimento de uma obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária, e a multa pelo atraso na entrega está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento tributário, aplicada pela inobservância dos deveres acessórios. Não se pode admitir a alegação de ter havido a denúncia espontânea, pois a entrega se deu fora do prazo legal, sendo a multa fixada em lei e indenizatória da impontualidade, ou seja, constitui uma sanção punitiva da negligência. Dessa forma, com fulcro no retrocitado art. 113, tornase aplicável a penalidade pelo nãocumprimento da obrigação acessória de apresentação de DCTF, lançada de acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração/notificação de lançamento. Interpretandose sistematicamente os dispositivos do CTN, temse que o art. 138 não se desfez da multa por atraso no cumprimento de obrigação acessória. Outrossim, o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria é o mesmo, já tendo sido, inclusive, objeto de Súmula, que transcrevo: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 49 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em benefícios da denúncia espontânea. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.008590/200507 Acórdão n.º 1001000.983 S1C0T1 Fl. 71 4 (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900034/2008-59
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA.
O recolhimento de estimativa mensal CSLL somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária.
Numero da decisão: 1001-001.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA. O recolhimento de estimativa mensal CSLL somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA. O recolhimento de estimativa mensal CSLL somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/06, de n. 30066.82483.060204.1.3.045197, de 06/02/2004, através da qual o contribuinte pretende AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 00 34 /2 00 8- 59 Fl. 50DF CARF MF 2 compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos supostamente indevidos (CSLL, no valor principal de R$ 590,00 segundo DARF com as seguintes características: Código de Receita: 2484 (CSLL Lucro Real Estimativa mensal), PA 31/01/2000, vencimento em: 29/02/2000. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n. 757798989, de 24/04/2008 (efl. 07), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado na quitação de CSLL estimativa PA 01/2000, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efl. 09) alegando que efetuou recolhimentos mensais de IRPJ e CSLL por estimativa no anocalendário de 2000, mas apurou prejuízo em balanço anual, razão pela qual compensou o imposto devido do mês de dezembro de 2001 com o valores recolhidos referente ao PA 01/2000. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 0119.756 3ª Turma da DRJBEL, e fls. 26/32) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês (e que tal excesso não ficou comprovado nos autos) com fundamento na legislação tributária; e que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição) . Cientificada da decisão de primeira instância em 11/01/2011 (efl. 35) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 31/01/2011 (efl. 36), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Não cabe o pleito do contribuinte para comprovar nestes autos (mesmo que através de escrita contábil) eventual saldo negativo de CSLL no ano calendário em questão (ou apurado em balanço de suspensão), pois o litígio posto nestes autos é a procedência ou não do pagamento da CSLL por estimativa no mês 01/2000. Ou seja, o requerimento de crédito diverso (do constante no PER/DCOMP de n. 30066.82483.060204.1.3.045197) e que correspondesse a eventual saldo negativo de CSLL no ano calendário deveria ser posto em outro procedimento administrativo, respeitado o prazo prescricional (art. 168 do CTN). Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário demonstrar para a autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado (CSLL estimativa do período de apuração 01/2000) e confrontar com análise da situação fática referente aquele mês, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13227.900034/200859 Acórdão n.º 1001001.037 S1C0T1 Fl. 51 3 Ou seja, o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com fundamento na legislação tributária. O fato do contribuinte eventualmente ter apurado prejuízo fiscal e saldo negativo CSLL no ano calendário 2000 não torna os pagamentos de estimativa indevidos, eis que efetuados em obediência à legislação de regência. Reforço que recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição) . Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13056.000706/99-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999
SIMPLES FEDERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. NÃO INCIDÊNCIA DO IPI.
Impossibilidade de se adicionar o percentual de 0,5% à alíquota do Simples Federal, quando não houver a utilização de outras matérias primas ou produtos intermediários adquiridos ou produzidos pelo sujeito passivo, face à não subsunção ao IPI.
Numero da decisão: 9101-003.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Viviane Vidal Wagner, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luís Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
1.0 = *:*
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1997, 1998, 1999 SIMPLES FEDERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. NÃO INCIDÊNCIA DO IPI. Impossibilidade de se adicionar o percentual de 0,5% à alíquota do Simples Federal, quando não houver a utilização de outras matérias primas ou produtos intermediários adquiridos ou produzidos pelo sujeito passivo, face à não subsunção ao IPI.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Viviane Vidal Wagner, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
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INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. NÃO INCIDÊNCIA DO IPI. Impossibilidade de se adicionar o percentual de 0,5% à alíquota do Simples Federal, quando não houver a utilização de outras matérias primas ou produtos intermediários adquiridos ou produzidos pelo sujeito passivo, face à não subsunção ao IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Viviane Vidal Wagner, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 07 06 /9 9- 72 Fl. 440DF CARF MF 2 Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Fl. 441DF CARF MF Processo nº 13056.000706/9972 Acórdão n.º 9101003.851 CSRFT1 Fl. 441 3 Relatório Tratase de processo que teve início em Autos de Infração exigindo pagamento de diferença de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Contribuição para Seguridade Social (INSS), acrescida de multa e juros moratórios, em razão da insuficiência de recolhimento de tributos e contribuições devidos pelo Simples, totalizando o montante de R$ 2.990,21 (efl 211). À efl 129 (Auto de Infração), a infração autuada é descrita da seguinte forma: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO INSUFICIÊNCIA OU FALTA DE RECOLHIMENTO O contribuinte acima identificado, optante pelo SIMPLES, na condição de Empresa de Pequeno Porte nos anoscalendários de 1997, 1998 e 1999, exercendo atividades no ramo de atelier de beneficiamento de calçados, portanto contribuinte do IPI, não efetuou integralmente os recolhimentos dos tributos e contribuições devidos pelo SIMPLES, tendo em vista que o mesmo não acrescentou o percentual de 0,5% (meio por cento) como preceitua o Artigo 5 2 , § 2 2 , da Lei 9.317/96 (acréscimo este confirmado pela Decisão SRRF/10 4 RF/DISIT n 2 095, de 18 de junho de 1999). A Receita Bruta foi extraída do Livro de Registro de Apuração do ICMS e planilha demonstrativa, cujas cópias foram juntadas ao presente Auto de Infração. Diante da autuação fiscal, a contribuinte apresentou Impugnação (efl 215), que foi julgada improcedente pelo Acórdão DRJ/POA n° 5.651, de 11 de maio de 2005, cuja ementa reproduzse a seguir: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Período de apuração: 01/01/97 a 31/12/99 Ementa: IRPJ – SIMPLES – RECEITA BRUTA – A pessoa jurídica optante do Simples e contribuinte do IPI deverá acrescer ao percentual mensal aplicável em face de sua receita bruta, 0,5% (meio ponto percentual) relativo a este imposto. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES – PIS – COFINS – CSLL – IPI – INSS – Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, sob a sistemática de tributação simplificada, estendese aos demais lançamentos decorrentes, tendo por fundamento o mesmo suporte fático. Lançamento Procedente" Inconformada com tal decisão, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário (efl 291), ao qual foi dado provimento por unanimidade, resultando no Acórdão nº 202 19.336, de 04/09/2008, proferido pelo 2.ª Conselho de contribuintes/2.ª Câmara, que não Fl. 442DF CARF MF 4 considerou a recorrente como contribuinte do IPI, posto que só realizara operações de industrialização por encomenda de terceiros, sendo mera prestadora de serviços, não se sujeitando ao §, 2º, do artigo 5º da Lei nº 9.317/1996, ou seja, não lhe sendo devida a exigência de adicionar o percentual de 0,5% à alíquota do Simples. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. NÃO INCIDÊNCIA DO IPI. Impossibilidade de se adicionar o percentual de 0,5% à alíquota do Simples, face à não subsunção ao IPI. Recurso provido. Ato contínuo, a União, representada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, interpôs Recurso Especial (efl 357), alegando que o acórdão recorrido adotou interpretação divergente da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão nº 301 33.823, julgado em 26 de abril de 2007 (paradigma), cuja ementa colacionase na sequência: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999 Ementa: SIMPLES — EMPRESA INDUSTRIAL — A alíquota diferenciada, de 0,5% (meio ponto percentual), que o SIMPLES elegeu para as empresas industriais, está vinculada à qualificação da opção e não aos demais critérios que presidem as operações de industrialização realizadas, de modo que a suspensão do PI, aplicável nas remessas de insumos e nos retornos de produtos acabados, na industrialização por encomenda, não se aplica as empresas industriais optantes Pelo SIMPLES, não excluindo em conseqüência a obrigação de pagamento pela alíquota presumida acima citada. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Diferentemente do acórdão recorrido, o acórdão paradigma entendeu que a industrialização por encomenda está sujeita a incidência do IPI e, consequentemente, o adicional de 5% é devidamente exigido. Abaixo segue trecho da motivação de tal tomada de decisão: (…) O artigo 4º do Decreto 4.544/02 (Regulamento de Imposto sobre Produtos Industrializados) dispõe que: “Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13056.000706/9972 Acórdão n.º 9101003.851 CSRFT1 Fl. 442 5 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados.” De modo que inferimos que a industrialização é a operação que modifica a natureza, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto ou aperfeiçoamento para consumo. A industrialização por conta de terceiros ou industrialização sob encomenda ocorre quando o estabelecimento autor do pedido remete a outra empresa matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem – ou seja, insumos em geral , para que este efetue a industrialização. A legislação vigente constrói o conceito e indica as formas de industrialização, incluídas as efetuadas por terceiros, que se caracteriza como atividade meio exercida pela empresa contratada, para que seja possível concretizar a produção do produto final da empresa contratante. Essa operação de industrialização é feita pela Recorrente e por ela confessada por todo o corpo do Recurso Voluntário. (...) O Despacho de Admissibilidade (efl 419), com base no exposto acima, deu seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria. O recorrido apresentou Contrarrazões (efl 432) colacionando o voto do acórdão recorrido e pedindo sua manutenção. É o relatório. Fl. 444DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conhecimento O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. No juízo de admissibilidade, o referido recurso especial foi admitido em relação à interpretação diversa acerca da incidência do art. 5º, § 2º, da Lei nº 9.317/96, fruto do desacordo acerca da condição ou não de contribuinte do IPI da empresa recorrida, e da vinculação da modalidade de tributação pelo SIMPLES decorrer da opção do contribuinte e sua qualificação ou da operação realizada. Há contrarrazões do contribuinte, mas que não questiona o conhecimento do recurso especial. Não questiona tempestividade. Assim, concordo e adoto as razões da Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF para conhecimento do recurso especial da União, nos termos do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99. Em síntese, a insurgência trazida pela Fazenda Nacional, em seu recurso especial, para fins de análise deste Colegiado, é se a atividade de industrialização por encomenda realizada pelo contribuinte está sujeita, ou não, à incidência do IPI e, desta forma, como o contribuinte está sujeito à tributação pelo SIMPLES, a necessidade de adicionar o percentual de 0,5% à alíquota do SIMPLES, nos moldes do art. 5º, §2º, da Lei 9.317/96. No v. acórdão recorrido ficou assentada a “impossibilidade de se adicionar o percentual de 0,5% à alíquota do Simples, face à não subsunção ao IPI”. No paradigma, ao contrário, consignouse que “a alíquota diferenciada, de 0,5%, que o SIMPLES elegeu para as empresas industriais, está vinculada à qualificação da opção e não aos demais critérios que presidem as operações de industrialização realizadas, de modo que a suspensão do IPI, aplicável nas remessas de insumos e nos retornos de produtos acabados, na industrialização por encomenda, não se aplica às empresas industriais pelo SIMPLES, não excluindo, em consequência, a obrigação de pagamento pela alíquota presumida acima citada” (30133.823). Inicialmente, transcrevese abaixo o disposto no art. 5º, § 2º, da Lei 9.317/96: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (...) § 2° No caso de pessoa jurídica contribuinte do IPI, os percentuais referidos neste artigo serão acrescidos de 0,5 (meio) ponto percentual. A condição de contribuinte do IPI decorre equiparação de lei. Vejamos o disposto no art. 51 do Código Tributário Nacional: Art. 51. Contribuinte do imposto é: Fl. 445DF CARF MF Processo nº 13056.000706/9972 Acórdão n.º 9101003.851 CSRFT1 Fl. 443 7 I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. Por outro lado, também partir do disposto no CTN, dispõem os arts. 3º e 5º, da Lei nº 4.502/64: Art. 3º. Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: (...). Art. 5º. Para os feitos do artigo 2º: (...) II não se considera saída do estabelecimento produtor: a) a remessa de matériasprimas ou produtos intermediários para serem industrializados em estabelecimentos do mesmo contribuinte ou de terceiros, desde que o produto resultante tenha que retornar ao estabelecimento de origem; b) o retorno do produto industrializado ao estabelecimento de origem, na forma da alínea anterior, se o remetente não tiver utilizado, na respectiva industrialização, outras matériasprimas ou produtos intermediários por ele adquiridos ou produzidos, e desde que o produto industrializado se destine a comércio, a nova industrialização ou a emprego no acondicionamento de outros. Ocorrendo o caso destacado acima, o Regulamento do IPI (RIPI/2010) prevê a possibilidade da suspensão do imposto, justamente para que não haja cobrança do tributo (creditamento etc) nas duas saídas: na remessa para industrialização e no retorno para a encomendante. Vejamos: Art. 43. Poderão sair com suspensão do imposto: [...] VII os produtos que, industrializados na forma do inciso VI e em cuja operação o executor da encomenda não tenha utilizado produtos de sua industrialização ou importação, forem remetidos ao estabelecimento de origem e desde que sejam por este destinados: a) a comércio; ou Fl. 446DF CARF MF 8 b) a emprego, como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, em nova industrialização que dê origem a saída de produto tributado; Como se denota de toda a legislação acima transcrita, a industrialização por encomenda, por si só, não atrai ou afasta, de forma objetiva, a incidência do IPI. É preciso adentrar às características de fato da operação realizada pelo contribuinte para verificarse a sujeição ao IPI. É bem verdade que, com a mudança da legislação do Regime Simplificado de Tributos, que passou a denominarse SIMPLES NACIONAL, o tema foi tratado de forma mais específica. Vejamos o art. 18, §1º B, da Lei Complementar 123/2006: VI atividade com incidência simultânea de IPI e de ISS, que serão tributadas na forma do Anexo II desta Lei Complementar, deduzida a parcela correspondente ao ICMS e acrescida a parcela correspondente ao ISS prevista no Anexo III desta Lei Complementar; (Incluído pela Lei Complementar nº 147, de 7 de agosto de 2014) (efeitos: a partir de 08/08/2014). Não desconheço também o Parecer COSIT n. 212/2014, cuja ementa transcrevo abaixo: SIMPLES NACIONAL. ESTABELECIMENTO COMERCIAL EQUIPARADO A INDUSTRIAL. ANEXO II. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização tenha sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos. A receita de venda de mercadoria por estabelecimento comercial equiparado a industrial, optante pelo Simples Nacional, será tributada pelo Anexo II da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Do cotejo da legislação vigente à época e a atual, notase que mesmo com a significativa mudança da legislação, as questões relativas aos equiparados à industrial mantiveramse na mesma linha. O parecer COSIT 212/2014, bem ou mal, revela a interpretação da RFB sobre o tema, que, na minha visão, foi formalista, ou seja: se a legislação equipara a pessoa jurídica à industrial, precisa destacar o IPI, independentemente da realidade dos fatos, inclusive se o encomendante houver optado pela suspensão do imposto. Neste processo, restou consignado no contrato social da empresa recorrida, citado no v. acórdão recorrido, que o seu objeto é “atelier de costura no ramo de calçados e comércio de calçados”. Também no v. acórdão recorrido ficou consignado que “a fiscalização não trouxe notas fiscais de compra de insumos ou de venda de calçados que tenham sido por ela fabricados. A empresa não faz prova da Fl. 447DF CARF MF Processo nº 13056.000706/9972 Acórdão n.º 9101003.851 CSRFT1 Fl. 444 9 alegação de que é mera prestadora de serviços, por meio da apresentação de documentos contábeis, constando dos autos apenas cópia do Livro de Apuração do ICMS. Nele estão registradas como entradas operações sem crédito informadas como outras (ano de 1997), e com o código 1.93 em 1998 e 1999, também sem crédito do ICMS. Compulsando os autos, pelo lado das saídas, foram registradas saídas sem débito em 1997 como outras, e com códigos 5.13 e 5.94 em 1998 e 1999, também sem débito de imposto.” Para, mais adiante, concluir: “A análise das operações que deveriam ser registradas nos referidos códigos leva à constatação de que a recorrente, de fato, só realizou operações de industrialização por encomenda, não se enquadrando como contribuinte do IPI, não devendo adicionar o percentual de 0,5% à alíquota do Simples.” Em outras palavras, a simples operação de industrialização por encomenda não permite ao aplicador da legislação definir se a referida operação está sujeita à incidência do IPI, uma vez que não se realiza o fato gerador do imposto nos casos de retorno ao estabelecimento encomendante “se o remetente não tiver utilizado, na respectiva industrialização, outras matériasprimas ou produtos intermediários por ele adquiridos ou produzidos”. No v. acórdão paradigma, por sua vez, a determinação da adição do percentual de 0,5% à alíquota do Simples a título de IPI está fundada, tão somente, “à qualificação da opção e não aos demais critérios que presidem as operações de industrialização realizadas”. Tenho pautado minhas decisões, independentemente da parte interessada, privilegiando a substância sobre a forma. Entendo que a equiparação legal tem por objetivo a real atividade exercida, independentemente do nomen iuris adotado pelo contribuinte para nominar sua atividade preponderante. Quer dizer: se o sujeito de fato industrializa (ou importa), submetese ao IPI, mesmo que sua denominação não seja industrial (ou importador). Diante dos fatos no caso concreto, da legislação vigente à época, mesmo levando em consideração a interpretação atual revelada pela Fiscalização, me parece mais correto o entendimento adotado pelo Acórdão recorrido. Com a devida vênia, verificase na própria legislação de regência do Simples – art. 5º, § 2º da Lei 9.317/96, que o adicional à alíquota depende da comprovação da condição de contribuinte do IPI do sujeito passivo. No caso concreto, a operação de industrialização por encomenda realizada pelo sujeito passivo caracterizouse pela não utilização de outras matérias primas ou produtos intermediários por ele adquiridos ou produzidos, não se verificando a ocorrência do fato gerador do IPI e, desta forma, não se está diante da condição necessária à incidência do adicional do Simples. Ante o exposto, à vista das características específicas das operações realizadas pelo contribuinte no período de 1997 a 1999, período objeto da fiscalização, Fl. 448DF CARF MF 10 devidamente indicadas no v. acórdão recorrido, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, consequentemente, a não aplicação à recorrida da alíquota adicional de 0,5% sobre a alíquota do Simples a título de incidência do IPI. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 449DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.723158/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
A pendência de decisão administrativa definitiva sobre a exclusão da empresa do Simples Nacional não impede a constituição do crédito tributário.
SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO.
A empresa excluída do Simples Nacional está obrigada a atender as normas de tributação do novo sistema ao qual pertence, efetuando os pagamentos e declarações pertinentes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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A pendência de decisão administrativa definitiva sobre a exclusão da empresa do Simples Nacional não impede a constituição do crédito tributário. SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO. A empresa excluída do Simples Nacional está obrigada a atender as normas de tributação do novo sistema ao qual pertence, efetuando os pagamentos e declarações pertinentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 31 58 /2 01 2- 56 Fl. 460DF CARF MF Processo nº 13603.723158/201256 Acórdão n.º 2202004.803 S2C2T2 Fl. 461 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13603.723158/201256, em face do acórdão nº 0243.838, julgado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Tratase de Autos de Infração Ais lavrados contra a empresa em epígrafe, cujos créditos tributários, conforme Relatório Fiscal de fls. 29/44, são os descritos a seguir: 1 Obrigação Principal: • DEBCAD 51.005.8930 – no valor de R$ 388.689,38, período de 1/2009 a 12/2009, consolidado em 12/9/2012, referente à contribuição social destinada à seguridade social correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre valores PA os a segurado empregado e a contribuinte individual, a título de remuneração, não declarados em Guia de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. • DEBCAD 51.005.8949 – no valor de R$ 100.464,06, período de 1/2009 a 12/2009, consolidado em 12/9/2012, referente à contribuição destinada a outras entidades e fundos (terceiros), incidente sobre a base de cálculo da remuneração dos segurados empregados, não declarada em GFIP. Compõem os lançamentos acima identificados os seguintes levantamentos: “AP – Aviso Prévio Indenizado”, “DS – Diferença Salarial Afastamento”, “FP – Folha de Pagamento”, “ GF – Gratificação retorno de férias” e “PL – Pro Labore a sócios” (incluído apenas no lançamento a que se refere o Debcad 51.005.8930 – contribuição empresa). Segundo a fiscalização, as contribuições previdenciárias incidiram sobre os pagamentos efetuados pela empresa a segurados empregados e a contribuintes individuais a título de remuneração. Os valores foram apurados mediante verificação de recibos de pagamento de salários, de informações digitais da folha de pagamento e de outros elementos disponibilizados à fiscalização. 2 Obrigação Acessória: • DEBCAD 51.030.9704 (Código de Fundamentação Legal CFL 30) – no valor de R$ 1.617,12 por ter a empresa apresentado à fiscalização folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço em desacordo como os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto no Lei nº 8.112/91, art. 32, inc. I, combinado com o art. 225 inc. I e parágrafo 9º do Fl. 461DF CARF MF Processo nº 13603.723158/201256 Acórdão n.º 2202004.803 S2C2T2 Fl. 462 3 Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A multa cabível está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e no RPS, artigo 283, inciso I, alínea ‘a’, com valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 2, de 6/1/2012, publicada no DOU de 9/1/2012. Não foram consideradas circunstâncias agravantes. • DEBCAD 51.030.9712 (Código de Fundamentação Legal – CFL 38) – no valor de R$ 16.170,98, por infração à Lei 8.212/91, artigo 33, §2º e 3º c/c o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, tendo em vista que a empresa deixou de apresentar à fiscalização toda a documentação contábil do ano calendário 2009, solicitada através do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e dos Termos de Intimação Fiscal nº1 e 2. A multa cabível está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e no RPS, artigo 283, inciso II, alínea ‘j’, com valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 2, de 6/1/2012, publicada no DOU de 9/1/2012. Não foram consideradas circunstâncias agravantes. Por possuírem os mesmos elementos de prova, os autos de infração por descumprimento de obrigações principais e acessórias integram um único processo, conforme preceitua o art. 9º do Decreto n° 70.235/72 e alterações. Informa o Relatório Fiscal que a empresa foi excluída do Regime Especial Unificado de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), conforme Ato Declaratório Executivo nº 55, de 20 de agosto de 2012, publicado no DOU de 22/08/2012, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem(MG), em razão de infringir o disposto nos incisos II e VIII do art. 29 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006 (embaraço à fiscalização), sendo os efeitos da referida exclusão contados retroativamente ao dia 1º de janeiro de 2009 (fl. 92). Esclarece o relatório que a empresa, a partir desta data (1/1/2009), passou a se sujeitar às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas no tocante à legislação previdenciária. A interessada foi cientificada dos autos de infração em 13/9/2012 e apresentou impugnação em 15/10/2012 (fls.374/379). Informa que apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade contra o ato declaratório executivo que declarou e comunicou a sua exclusão do Simples Nacional, que ainda não foi apreciada. Entende, com fulcro na Resolução CGSN nº 94/2011, que, por não haver decisão definitiva sobre sua exclusão do regime simplificado de tributação, a apuração dos créditos tributários contidos nas autuações é indevida. Afirma que não consta o registro de exclusão da empresa no Portal do Simples Nacional. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Estado de Minas Gerais, segundo a qual “[...] somente após decisão definitiva desfavorável terá efeito dita exclusão. Desta forma, só depois de concluído todo o processo de exclusão, inclusive com seu registro no Portal do Simples Fl. 462DF CARF MF Processo nº 13603.723158/201256 Acórdão n.º 2202004.803 S2C2T2 Fl. 463 4 Nacional, pode ser lavrado Auto de Infração exigindo o ICMS pelo sistema normal do imposto devido pela exclusão [...]”. Conclui pela irregularidade do procedimento de fiscalização, uma vez que a empresa não foi formalmente excluída do Simples Nacional. Requer seja declarada a nulidade das autuações.” A DRJ de origem julgou pela improcedência da impugnação, mantendo os lançamentos. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 410/418, reiterando as alegações expostas em impugnação. Com a chegada dos autos a este Conselho, foi proferida por esta Colenda Turma julgadora a Resolução nº 2202000.640, no seguinte sentido: "A empresa autuada foi excluída do SIMPLES NACIONAL ADE 55 e está recorrendo em processo próprio da exclusão, processo 13603.721973/201281, estando os autos fora do CARF, sendo porém a competência para julgar a questão do SIMPLES NACIONAL da Primeira Seção, assim aplicase o que abaixo dito. O atual Regimento Interno do CARF Portaria MF Nº 343/2015 em seu artigo 6º, parágrafo 4º e 5º, abaixo, transcrito determina que o processo principal e o decorrente estejam em Seções diferentes do CARF o decorrente deverá ser baixado em diligência para a Câmara ate que o principal seja julgado. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Assim sendo, o presente processo que é decorrente deve ser vinculado ao principal para tanto deve ser remetido a unidade preparadora da DRF origem para as devidas providências (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira." Após, à fl. 447 dos autos, verificase a existência de despacho de encaminhamento com o seguinte teor: Fl. 463DF CARF MF Processo nº 13603.723158/201256 Acórdão n.º 2202004.803 S2C2T2 Fl. 464 5 Em função da Resolução 2202000.640, o presente processo foi vinculado aos autos 13603.721973/201281 e sobrestado até o julgamento do mesmo.Restituo os autos ao Presidente da 2ª TO/2ª Câmara/2ª Sejul, para análise e manifestação, tendo em vista que o processo objeto do sobrestamento: 13603.721973/201281 está localizado no ARQUIVO ÚNICO¿DRFCONTAGEMMG, com anexação dos seguintes documentos: Despacho de Encaminhamento às fls. 94, referente exclusão retroativa do Simples Nacional e Despacho de Encaminhamento de fls. 96, relativo ao arquivamento do processo. Após, foi proferida Resolução de n° 2202000.799, na qual assim constou: No entanto, não consta nos autos os documentos referidos, quais sejam, Despacho de Encaminhamento às fl. 94, referente exclusão retroativa do Simples Nacional e Despacho de Encaminhamento de fl. 96, relativo ao arquivamento do processo. Assim, não constando nos autos a decisão definitiva do processo nº 13603.721973/201281, não há como saber o resultado daquele processo. Deste modo, entendo que o processo não encontrase apto para julgamento, sendo necessária a conversão do julgamento em diligência, para fins de saneamento do processo. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de origem junte aos autos, por apensação, o processo nº 13603.721973/201281. Após, retornem os autos para apreciação deste Colegiado. Do retorno da diligência, foi cumprida a determinação, sendo o processo de nº 13603.721973/201281 apensado aos presentes autos, onde verificase que a manifestação de inconformidade da contribuinte não foi conhecida, em julgamento da DRJ em sessão realizada em 20/06/2013. A contribuinte foi intimada da referida decisão em 10/10/2013, não tendo apresentado recurso desta decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. O presente crédito foi apurado por ter sido a empresa excluída do Simples Nacional, com efeitos retroativos a 1º/1/2009. Após a exclusão, passaram a ser devidas as contribuições da parte patronal (empresa e terceiros), não substituídas pelo recolhimento simplificado. A fundamentação legal do débito encontrase evidenciada nos relatórios de fls.13/14 e 23/24. Em sua defesa, a empresa defende a insubsistência das autuações sob o argumento único de que ainda não há decisão definitiva sobre a sua exclusão do Simples Fl. 464DF CARF MF Processo nº 13603.723158/201256 Acórdão n.º 2202004.803 S2C2T2 Fl. 465 6 Nacional e, em assim sendo, não foi formalmente excluída desse sistema simplificado de tributação. No entanto, conforme diligência realizada neste autos, verificouse que nos autos do processo de nº 13603.721973/201281 a manifestação de inconformidade da contribuinte não foi conhecida, em julgamento da DRJ em sessão realizada em 20/06/2013. Ademais, salientase, como já acertadamente referiu a DRJ de origem, a existência de manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ ou de eventual recurso endereçado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, relativa a exclusão de um contribuinte do regime de tributação Simples Nacional, não obsta o lançamento, sendo desnecessário que o fisco aguarde o julgamento em todas as instâncias administrativas de tal manifestação ou recurso para só então, com a decisão definitiva final desfavorável ao contribuinte, proceder ao lançamento de ofício das contribuições devidas. Tal procedimento é legítimo e visa a evitar a ocorrência da decadência tributária. A autoridade administrativa competente, por exercer atividade vinculada, com fulcro no disposto no artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional – CTN, tem o dever de proceder ao lançamento das contribuições caso a empresa não efetue o seu recolhimento. No presente caso, o Ato Declaratório excluiu a empresa do Simples Nacional, com efeitos retroativos a partir de 01/2009. A partir desta data, portanto, a empresa fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas não optantes pelo regime simplificado de tributação. A então pendência de julgamento da manifestação de inconformidade, nos autos do Processo nº 13603.721973/201281, quando do lançamento e da apreciação deste processo pela DRJ de origem, ao contrário do entendimento da autuada, não tem o condão de impedir a constituição do crédito tributário, ficando obstado, tão somente, a sua cobrança. Ademais, estando já julgado em definitivo o processo nº 13603.721973/2012 81, de forma desfavorável à contribuinte, ratificase que carece de razão a contribuinte, estando correto o lançamento tributário realizado. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento a recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 465DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.901112/2009-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 11 12 /2 00 9- 20 Fl. 426DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/06, de n. 14146.66647.301105.1.3.049036, de 30/11/2005, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ 2362 (setembro de 2005). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 825078793, datado de 25/03/2009 (e fl. 22), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado para quitação de débito declarado, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade assim resumida na decisão de primeira instância (efls. 74/75): O contribuinte tomou ciência do referido despacho decisório, via correio, em 13/04/2009 (fl. 09) e, em 13/05/2009, apresentou manifestação de inconformidade de fls. 10 a 21, alegando, em síntese, que: a) a autoridade administrativa cometeu um equivoco ao lastrear sua decisão no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, posto que por ocasião da transmissão do presente PER/DCOMP, ou seja, em 30 de novembro de 2005, o referido diploma legal sequer existia, estando em vigor a IN SRF n°460, de 18 de dezembro de 2004; b) mesmo que o erro apontado acima venha a ser desconsiderado por este tribunal administrativo, o despacho decisório ora contestado não pode prevalecer, diante do evidente conflito existente entre o que determina o art. 10 da IN SRF n° 600/2005 e o disposto nos incisos I a VI do §3 0 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações introduzidas pelas Leis n° 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.051/2004, pois a Secretaria da Receita Federal através de uma simples instrução normativa, e indo além de sua competência, vedou a possibilidade de compensação das estimativas pagas a maior, ao determinar que as mesmas só poderiam ser utilizadas ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do IRPJ ou da CSLL, o que, além de extrapolar as disposições da norma original, violou o Código Tributário Nacional; c) a Instrução Normativa SRF n° 600/2005 é nula de pleno direito pois a tese veiculada é matéria reservada ao Presidente da República, tendo em vista as disposições constitucionais citadas nesta manifestação de inconformidade. A Delegacia de Julgamento (Acórdão n. 1522.905 2ª Turma da DRJ/SDR, efls. 73/77) julgou a manifestação de inconformidade improcedente por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando comprovado o equívoco alegado ou quando efetuado em montante superior ao calculado na declaração de ajuste anual, com fundamento na legislação tributária. Aduziu : autoridade administrativa deve limitarse, tãosomente, a aplicar a legislação tributária. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10510.901112/200920 Acórdão n.º 1001000.884 S1C0T1 Fl. 427 3 Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, revogou a IN SRF n°460/2004, mas manteve em seu art. 10, a mesma redação da norma revogada; Para demonstrar a existência do alegado crédito tributário informado no PER/DCOMP em análise, o impugnante deveria ter anexado à sua manifestação de inconformidade as provas documentais (escrituração contábil e fiscal) capazes de demonstrar o alegado equivoco cometido; apuração de imposto devido ao final do exercício, em valor inferior ao que foi recolhido por estimativa, indica a existência de crédito restituível a ser apurado na declaração de rendimentos, mas não caracteriza como indevidos os valores recolhidos a titulo de estimativa. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/05/2010 (efl. 82) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 08/06/2010 (efl. 84), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e aduz: Nos meses de março, outubro, novembro e dezembro, daquele período, a Recorrente suspendeu o recolhimento do imposto de renda, tendo em vista que os resultados acumulados, indicaram, através da apuração do lucro real, que o montante recolhido era suficiente para suportar o valor devido naqueles períodos de apuração. Na apuração do mês de setembro/2005, o lucro real mensurado determinou o imposto de renda devido, no montante de R$ 59.614,38, que foi recolhido regularmente, conforme faz prova a cópia do documento de arrecadação anexo. Posteriormente, a Recorrente constatou um equívoco na apuração do lucro real do mês de setembro, o que acarretou o recolhimento a maior do imposto de renda no montante de R$ 26.725,87, e, conseqüentemente, o ajuste na apuração do imposto no mês subseqüente. Admitir que a Recorrente, para ter o seu procedimento legitimado, tenha de recolher aos cofres públicos, a estimativa do mês de outubro/05, no montante de R$ 26.725,87 e constituir um crédito tributário compensável junto A Fazenda Pública, no mesmo valor, além de afrontar a legislação em vigor, atenta contra o principio da "informalidade", previsto no Decreto N° 70.235172, o qual é traduzido no desapego da Administração Tributária As formalidades excessivas e a desnecessidade de ritos complexos, devendo o processo administrativo ser simples e informal, observando requisitos mínimos indispensáveis para a segura formalização dos atos que compõem o processo. no ano calendário de 2005, o imposto de renda devido, no valor de R$ 1.407.248,00, foi absorvido com as parcelas do Programa de Alimentação do Trabalhador (R$ 34.349,95), a Isenção/Redução do Imposto (R$ 886.178,97) e com o Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa (R$ 486.719,08), não restando qualquer valor devido à Fazenda Pública. Fl. 428DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. A princípio ressaltamos que o CARF constituise em instância recursal (art. 25, II do Decreto 70235/72), razão pela qual só serão examinadas aqui as razões já levadas à primeira instância. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN) como bem assinalou a decisão da Unidade de Origem (e fl. 15). Ou seja, a negativa de crédito deuse em função de que o pagamento correspondeu a débito devidamente declarado, conforme decisões da Unidade de Origem e de primeira instância (efls. 15 e 73/77). Desta forma faziase necessário demonstrar para a autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação da manifestação de inconformidade, efls. 21/44) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Ou seja, não se comprovou que a liquidez do alegado direito creditório (pagamento de estimativa de IRPJ de março de 2004): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente pretende trazer pela primeira vez documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10510.901112/200920 Acórdão n.º 1001000.884 S1C0T1 Fl. 428 5 Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade (efls. 13/14), pois operase o fenômeno da preclusão. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto comporem o fundamento da manifestação de inconformidade dirigida à DRJ. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Fl. 430DF CARF MF 6 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Não cabe pedido de diligência para trazer aos autos documentos que deveriam ser juntados pelo recorrente, caso não comprove a impossibilidade de fazêlo (§ 4º do art. 16 c/c art. 18 do Decreto 70235/72). Adiciono que concordo com o asseverado na decisão de primeira instância de que a Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, revogou a IN SRF n°460/2004, cujo art. 10 constou no enquadramento legal do Despacho Decisório, mas aquela IN SRF n°600/2005 manteve em seu art. 10, a mesma redação da norma revogada, razão pela qual não vemos razão para a decretação da nulidade daquele Despacho. Por fim os apelos contra alegados excessos inconstitucionais dos atos normativos em afronta a princípios como o da informalidade ou da verdade material só podem ser levados ao poder Judiciário, a quem compete a invalidade de tais atos por afronta à Constituição. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10510.901112/200920 Acórdão n.º 1001000.884 S1C0T1 Fl. 429 7 Fl. 432DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.721242/2012-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA.
A omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964.
Numero da decisão: 9202-007.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA. A omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 12 42 /2 01 2- 12 Fl. 682DF CARF MF 2 Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício qualificada e juros de mora, nos anoscalendário de 2008 e 2009, conforme Termo de Verificação de Ação Fiscal de fls. 16 a 38, no qual foram apuradas as seguintes infrações: omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem; omissão de rendimentos de comissões recebidas; omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoas jurídicas; omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas; e omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. Em sessão plenária de 10/03/2015, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2201002.692 (fls. 577 a 586), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010 OMISSÃO. GANHO DE CAPITAL. AUSÊNCIA PROVA. EXIGÊNCIA MANTIDA. Cabe ao sujeito passivo trazer aos autos documentos ou fatos que contradigam os elementos de prova utilizados pelo Fisco para sustentar as omissões apuradas. IRPF. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10925.721242/201212 Acórdão n.º 9202007.275 CSRFT2 Fl. 683 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ATIVIDADE COMERCIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 32. “A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.” A decisão foi assim resumida: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o valor de R$ 399.000,00 e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) e NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocada), que além disso excluíram da exigência o ganho de capital. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA." O processo foi encaminhado à PGFN em 26/08/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 587) e, em 16/09/2015, a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 588 a 602 (Despacho de Encaminhamento de fls. 603), prolatandose o Acórdão de Embargos nº 2201003.514, de 15/03/2017 (fls. 611 a 619) assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Identificada a omissão apontada em sede de Embargos, é devido o seu acolhimento para modificar o Acórdão embargado." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher parcialmente os embargos de declaração para, sanando a decisão prolatada, atribuirlhe efeitos infringentes, para cancelar a exclusão da base de cálculo dos depósitos bancários do valor de R$ 399.000,00, já que não houve comprovação efetiva da origem de valores correspondentes. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) que rejeitava os embargos." O processo foi novamente encaminhado à PGFN em 11/04/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 620) e, em 04/05/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 633), a Fazenda Nacional opôs novos Embargos de Declaração de fls. 621 a 632, rejeitados conforme despacho de 16/06/2017 (fls. 635/636). Fl. 684DF CARF MF 4 Mais uma vez o processo foi encaminhado à PGFN em 06/07/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 637) e, em 17/07/2017, foi interposto o Recurso Especial de fls. 638 a 654 (Despacho de Encaminhamento de fls. 655). O apelo está fundamentado nos artigos 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e visa rediscutir a desqualificação da multa de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 25/08/2017 (fls. 657 a 667). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega que: o acórdão recorrido desqualificou a multa de ofício, em contrariedade ao artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996 (atual art. 44, I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, conforme nova redação conferida pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da MP nº 351, de 2007), cujo teor é o seguinte: o mencionado inciso II determina que além das hipóteses do inciso I, fazse necessário integrar com as previsões dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1966; verificase que a sonegação, do artigo 71, referese à conduta (comissiva ou omissiva) para impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais da contribuinte; fraude, do artigo 72, que não se trata de fraude à lei, mas ao Fisco, atua na formação do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo ou retardando sua ocorrência, como, também, depois de formado, modificandoo para reduzir imposto ou diferir seu pagamento; como visto, restou cristalina a atividade ilícita do autuado, observada a partir da conduta de deixar de declarar parcela significativa dos seus rendimentos, de forma reiterada e sistemática, com o único propósito de evitar o conhecimento dos fatos geradores pela RFB, revelando evidente intuito fraudulento, a ensejar a incidência da multa qualificada; destarte, o sujeito passivo, repitase, por sua ação firme, abusiva e sistemática, em burla ao cumprimento da obrigação fiscal, demonstrou conduta consciente em busca de enriquecimento sem causa; tudo considerado, concluise que o contribuinte: a) praticou atividade ilícita comprovada, detalhadamente descrita no Auto de Infração e confirmada no Termo de Verificação Fiscal, observada a partir da apuração de omissão de parte significativa de seus rendimentos, em atividade reiterada que reforça o intuito de fraude, motivo pelo qual foi aplicada e devidamente justificada pela fiscalização a multa de 150%; b) como resultado de sua conduta dolosa, havia diminuição expressiva do efetivo valor da obrigação tributária, com o consequente pagamento a menor do tributo devido, em evidente prejuízo ao erário; c) a conduta foi sempre resultado de sua vontade, livre e consciente, já que realizada de forma sistemática, objetivando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10925.721242/201212 Acórdão n.º 9202007.275 CSRFT2 Fl. 684 5 conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; d) a conduta demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, ao princípio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido, restabelecendose a multa de 150%. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente. (fls. 680). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício qualificada e juros de mora, tendo em vista a omissão, nos anos calendário de 2008 e 2009, de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem; de rendimentos de comissões; de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoa jurídica; de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebido de pessoas jurídicas; e de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. No acórdão recorrido, desqualificouse a multa de ofício, que foi reduzida ao percentual de 75%. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede o restabelecimento da qualificação, alegando a reiteração da infração. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 16 a 38 assim registra, relativamente à aplicação da multa qualificada: "A conduta dolosa do contribuinte está evidente e materializada, face a infração aqui demonstrada. O contribuinte não conseguiu comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem da grande maioria dos recursos depositados em suas contas bancárias. Ainda assim, as comissões recebidas que identificamos, haviam sido omitidas do fisco. As diversas respostas conflitantes do contribuinte também nos demonstram a intenção em dificultar os trabalhos da fiscalização. A enorme discrepância entre os valores das omissões de rendimentos, quando comparados aos valores declarados pelo contribuinte, a falta de organização na guarda de documentos e comprovantes, e a utilização da conta corrente da empresa L.R.Topografia para movimentação financeira pessoal Fl. 686DF CARF MF 6 (conforme explicações do próprio), também demonstram a intenção do de omitir os seus rendimentos. O não preenchimento do Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital e a conseqüente falta de recolhimento do mesmo, também reforçam a intenção em omitir informações sobre o patrimônio. Ressaltese que, até o ano de 2011, o contribuinte continuou omitindo do fisco informações referentes ao seu patrimônio. Em suas DIRPF, o contribuinte relaciona somente R$ 31.412,40 no campo “BENS E DIREITOS”. Podemos ver claramente no processo administrativo nº 10925.721.244/201201, que trata do ARROLAMENTO DE BENS, que as DIRPF do contribuinte não refletem a realidade, pois foram arrolados bens por um valor total superior a R$ 900.000,000. Assim, ficou caracterizada a intenção do contribuinte de impedir/retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Como conseqüência, além da omissão de informações, deixou também de pagar o tributo correspondente aos rendimentos auferidos. Sendo assim, face ao exposto acima, aplicamos a multa de ofício de 150%, de acordo com o inciso II do artigo 44 da Lei n°.9.430/96." Como se pode constatar, tratase unicamente de omissão de rendimentos, sem que a Fiscalização tenha relatado uma conduta dolosa específica, nos termos dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964 (sonegação, fraude ou conluio), conforme requer o art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, conforme adiante será demonstrado. Quanto à reiteração, por si só, esta não é suficiente para exasperar a penalidade, conforme têm decidido reiteradamente as Turmas do CARF que julgam processos de Imposto de Renda Pessoa Física. No presente caso, a ação fiscal teve início com a investigação acerca da origem de depósitos bancários efetuados em duas contas em nome do Contribuinte, no Bradesco e no Banco do Brasil. No decorrer da ação fiscal, a origem de vários depósitos foi esclarecida, sem que ditos valores, tributáveis, tenham sido declarados pelo Contribuinte, procedendose então à sua tributação específica, conforme determina o § 2º, do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10925.721242/201212 Acórdão n.º 9202007.275 CSRFT2 Fl. 685 7 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Ressaltese que não há comando, no parágrafo 2º, no sentido de que os valores tributados nas modalidades específicas o sejam mediante a aplicação de multa qualificada. Quanto aos valores cuja tributação foi mantida com base na presunção estabelecida no caput do dispositivo legal acima, aparentemente a qualificadora teria sido fundamentada em suposta triangulação entre as contas bancárias do Contribuinte, a empresa em que ele era sócio administrador (L.R. Topografia Ltda.) e outra empresa rural da qual ele foi procurador e da qual havia adquirido terras (Almeida Prado Comercial e Pecuária S/A). Assim, o Contribuinte teria se utilizado de suas contas bancárias para repassar, por meio da empresa em que era sócio, valores diversos aos acionistas da empresa alienante das terras por ele adquiridas. Confirase o que consta do Termo de Verificação Fiscal: Não cabe o argumento do contribuinte de que os valores recebidos da empresa L. R. Topografia LTDA foram devolvidos para a empresa. Isso ficou claro quando o contribuinte demonstrou o repasse dos valores creditados em suas contas bancárias (quando este atuou como procurador da empresa Almeida Prado, demonstrado na infração Omissão de Rendimentos – Comissões Recebidas) através de transferências da empresa L.R. Topografia para terceiros. Se, naquela ocasião, o contribuinte comprovou o repasse dos valores à Almeida Prado, através de transferências da empresa L.R. Topografia Ltda para terceiros, logo, as transferências de sua conta particular para a pessoa jurídica da qual é sócioadministrador somente serviram de caminho para aquele repasse aos acionistas da Almeida Prado (conforme esclarecimentos e documentos apresentados pelo contribuinte em 16/01/2012). Caso contrário, os valores que transacionaram na conta do contribuinte, quando este representava a empresa Almeida Prado, deveriam ser integralmente considerados rendimentos omitidos, e não apenas as comissões informadas. Percebese que, as devoluções efetuadas pelo contribuinte à L. R. Topografia correspondem ao repasse aos acionistas da Almeida Prado. Assim, os valores recebidos da empresa L. R. Topografia, não foram devolvidos a essa empresa, mas sim serviram apenas para garantir o repasse dos valores das operações intermediadas pelo contribuinte. (...) Observese que, o valor total de depósitos não comprovados pelo contribuinte no anocalendário de 2009 (R$ 4.415.231,65) é compatível com o valor de compra do imóvel que, o próprio, afirmou ter adquirido da empresa Almeida Prado Comercial e Pecuária S/A em 11/03/2009 (21.665ha de terras Matrícula n° 17.294 do Cartório de 1° Registro de I móveis da Comarca de Barra da Garça – MT) por R$ 4.021.400,00, para pagamento Fl. 688DF CARF MF 8 parcelado ao longo de 2009, como destacamos da resposta ao TIF n° 0525/11 . Ora, a qualificadora, nesse contexto, somente poderia ser aplicada caso a autuação fosse específica, mediante a comprovação cabal da triangulação, descartandose a manutenção da tributação com base na presunção do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. A identificação de triangulação, a ponto de aplicarse multa qualificada, pressupõe a identificação da origem dos depósitos, o que passaria a ser incompatível com a autuação por presunção, de sorte que a exasperação da penalidade efetivamente não se sustenta. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 689DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.904944/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2007
COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.891
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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EFEITOS Recorrente MOINHO CANUELAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2007 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 49 44 /2 01 2- 75 Fl. 259DF CARF MF 2 convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Declaração de Compensação para o aproveitamento de crédito de COFINS decorrente de pagamento indevido ou a maior. Em razão da aparente inexistência do crédito, vez que o DARF não foi localizado no sistema, foi transmitido Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação declarada. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade intempestiva, com prequestionamento de tempestividade. Através do Acórdão nº 02061.842, a DRJ não conheceu da defesa por intempestiva. Cientificada desta decisão, a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, sustentando a existência do direito creditório e a necessidade de aplicação ao presente processo do princípio da verdade real e material. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.886, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.904939/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.886): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas negolhe provimento, pelas razões a seguir expostas. Pela análise do presente processo, trazida no relatório acima, depreendese que o contencioso no presente processo não foi regularmente instaurado, vez que intempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa em 18/12/2012, mais de 30 (trinta) dias após sua regular intimação do Despacho Decisório Eletrônico, ocorrida em 14/11/2012 (e fl. 69). O art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, prevê defesa própria a ser apresentada pelo sujeito passivo na hipótese de não homologação de pedido de compensação: a Manifestação de Inconformidade. Esta defesa deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias contados da Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10882.904944/201275 Acórdão n.º 3402005.891 S3C4T2 Fl. 3 3 ciência do despacho denegatório, previsto no §7º daquele mesmo dispositivo legal: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" (grifei) No presente caso, a intempestividade é patente, vez que, intimado em 14/11/2012 (quartafeira), o prazo fatal para a apresentação da Manifestação de Inconformidade encerrouse em 14/12/2012 (sextafeira). Essa questão já foi analisada em distintas oportunidades por este CARF1, inclusive em processos semelhantes do mesmo sujeito passivo, nos Acórdãos 3202003.041, 3202003.042, 3202003.043, 3202003.044 3802003.046, 3802003.047 e 3802003.048 publicados em 27/08/2014. Naqueles julgados, os Recursos Voluntários apresentados pela empresa não foram providos pelo Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira em razão da mesma mácula no procedimento (intempestividade da Manifestação de Inconformidade originária): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000 Ementa: Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos 1 Vide ainda: Processo n.º 15374.902473/200919 Data da Sessão 08/12/2015 Relator Frederico Augusto Gomes de Alencar Acórdão n.º 1402001.974 Fl. 261DF CARF MF 4 A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado." (grifei) Ora, todas as questões passíveis de análise nesta seara administrativa seriam pormenorizadas quando do julgamento da primeira Manifestação de Inconformidade. Não tendo sido conhecida esta defesa por patente intempestividade, evidente a preclusão do direito processual da Recorrente, cujas razões trazidas no Recurso Voluntário não merecem análise e provimento. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório Eletrônico." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma (houve apresentação intempestiva da Manifestação de Inconformidade), de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório Eletrônico. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 262DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.011081/2007-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 02/06/2003 a 07/11/2005
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. COCO RALADO, DESIDRATADO, SECO, FINO, ACONDICIONADO EM SACOS. MERCADORIA COM RESTRIÇÃO QUANTITATIVA. MEDIDA DE SALVAGUARDA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DECLARAÇÃO INEXATA. MULTAS POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO, CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES E REGULAMENTAR. APLICAÇÃO.
Diante da peculiaridade de a mercadoria importada estar submetida a restrição quantitativa e medida de salvaguarda, determinando a classificação na NCM 0801.11.10, por meio de Resolução CAMEX, correta a autuação fiscal, exigindo-se as multas por erro de classificação, de controle das importações e regulamentar.
Numero da decisão: 3401-005.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 02/06/2003 a 07/11/2005 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. COCO RALADO, DESIDRATADO, SECO, FINO, ACONDICIONADO EM SACOS. MERCADORIA COM RESTRIÇÃO QUANTITATIVA. MEDIDA DE SALVAGUARDA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DECLARAÇÃO INEXATA. MULTAS POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO, CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES E REGULAMENTAR. APLICAÇÃO. Diante da peculiaridade de a mercadoria importada estar submetida a restrição quantitativa e medida de salvaguarda, determinando a classificação na NCM 0801.11.10, por meio de Resolução CAMEX, correta a autuação fiscal, exigindo-se as multas por erro de classificação, de controle das importações e regulamentar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 02/06/2003 a 07/11/2005 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. COCO RALADO, DESIDRATADO, SECO, FINO, ACONDICIONADO EM SACOS. MERCADORIA COM RESTRIÇÃO QUANTITATIVA. MEDIDA DE SALVAGUARDA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DECLARAÇÃO INEXATA. MULTAS POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO, CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES E REGULAMENTAR. APLICAÇÃO. Diante da peculiaridade de a mercadoria importada estar submetida a restrição quantitativa e medida de salvaguarda, determinando a classificação na NCM 0801.11.10, por meio de Resolução CAMEX, correta a autuação fiscal, exigindose as multas por erro de classificação, de controle das importações e regulamentar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 10 81 /2 00 7- 78 Fl. 302DF CARF MF 2 convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem retratar os fatos contidos nos autos, adotase o relatório da DRJ/SP (efl. 255 e ss.): Cuida o presente sobre exigência de crédito tributário no valor total de R$ 207.222,49, formalizado contra a interessada em epígrafe, em 16/10/2007, a título de multa proporcional com base na Lei n 9430/96, multa do controle administrativo das importações e multa regulamentar. Relata a fiscalização que a interessada, por meio das declarações de importação nºs 05/07824223, 05/11970794, 05/12006487, 05/12039946, submeteu a despacho, mercadorias descritas como “COCO RALADO, DESIDRATADO, FINO, ACONDICIONADOS EM SACOS”, classificandoas no código 0801.1190 da TEC, com alíquotas de 10% para o Imposto de Importação e 0% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; em virtude do de alerta para Medida de Salvaguarda sobre as importações de coco seco e de informações dadas pela SECEX sobre importações irregulares de coco seco, procedeuse à fiscalização das citadas importações e constatouse declaração inexata de mercadoria, estando incorretas as posições tarifárias adotadas, incorrendo em multa por erro de classificação e, relativamente às declarações de importação nºs 03/03485226/001, 03/04047435/001, 03/04587561/001, 05/07824223/001, 05/11970794/001, 05/1200648 7/001, 05/12039946/001, 06/00973640/001, multa por infração ao controle administrativo das importações, porque a partir de setembro de 2002, o produto COCO SECO, classificação NCM 0801.11.10 ficou sujeito à restrição quantitativa sob controle da SECEX, portanto sujeito à cota de importação (Resoluções CAMEX nº 19 de 30 de julho 2002 e nº 19 de 25 de julho de 2006); argumenta a fiscalização que a descrição da mercadoria feita pela autuada não era completa, ou seja, não indicou todas as características da mercadoria a permitir sua correta classificação fiscal, por ter omitido a característica, “SEM CASCA” ou “COM CASCA”, e burlando o controle de importação. Regularmente intimada, em 16/11/2007, a autuada apresentou impugnação de fls. 212/225, em 14/12/2007, alegando, por substancial, que (1) fora autuada indevidamente por suposta utilização de posições tarifárias e que não deixou de recolher qualquer imposto, contestando a multa porque não há danos ao recolhimento de tributos; (2) afirma ser absurda a multa de 30% só por classificação errônea; (3) repudia a declaração inexata de mercadoria porque as mercadorias importadas tiveram Licença de Importação deferida, salientando que em todos os documentos, inclusive nas Notas Fiscais a mercadoria é descrita como COCO RALADO, argumentando, que só poderia estar ralado porquanto sem casca; (4) nega, também, seja a importação desamparada de guia de importação porque todas as declarações de importação apontadas para essa irregularidade estão amparadas em LI (fls. 216/217), com exceção da DI nº 06/00973640 que não é importação do CONTRIBUINTE (fl. 216); (5) alega ter sempre atendido as exigências das autoridades, pagando impostos, nunca classificando para pagar menos impostos, há mais de 40 anos importando coco ralado; (6) dizendo que o mercado nacional não é autosuficiente em coco ralado, questiona a concessão de quotas; (7) rejeita a classificação 0801.1110, porque por mais de 40 anos da empresa descreveu o produto como coco ralado, dizendo não haver dúvida de que é sem casca, de modo que a omissão do termo com ou sem casca não impediu a correta classificação da mercadoria, portanto, não contraria o art. 69 da Lei nº 10.833/2003; diz mais que quanto à classificação de mercadoria o órgão aduaneiro também comete erros levando a erro os próprios contribuintes, citando jurisprudência a respeito, para alegar o mesmo ocorreu com a impugnante porque mesmo antes da salvaguarda para importação de coco ralado, os dois NCMs eram utilizados para a Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10314.011081/200778 Acórdão n.º 3401005.318 S3C4T1 Fl. 303 3 importação da mesma mercadoria, tendo algumas vezes o contribuinte de solicitar nova documentação ao exportador de coco ralado para alterar o NCM de um para outro e vice versa, pois uns entendiam 0801.1190 e outros 0801.1110 e que, ainda assim, todas as características da mercadoria necessárias para sua correta classificação fiscal foram fornecidas: não houve atitude dolosa; todos os impostos foram pagos; absurda a multa de 30% do valor aduaneiro mais 1% por algo que não deu caus.; requer improcedência da do auto de infração. (Negritos do Relator). À unanimidade de votos, da DRJ/SP, manteve o crédito tributário exigido, por meio da seguinte ementa (efl. 254): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 02/06/2003 a 07/11/2005 Revisão Aduaneira. Importação de coco ralado da posição tarifária 0801.11.10. Mercadoria sujeita à restrição quantitativa. Classificação fiscal errônea. Declaração inexata. Exigível a multa por erro de classificação. Infração ao controle das importações. Exigível a multa por importação desamparada de guia de importação. Em 21/10/15 houve recebimento do AR sobre o resultado/acórdão (efl. 264) e afixação de Edital 239/2015 (de 15/10/2015) em razão de a contribuinte estar com a situação cadastral no CNPJ como “baixada”, sendo desafixado em 11/11/2015 (efl. 265), vindo a interpor recurso voluntário em 13/11/2015 (efl. 267), no qual basicamente repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos O recurso voluntário é tempestivo e dele se toma conhecimento. O ponto central da discussão é saber se descrição do produto importado foi inexata. Saber se a omissão da característica “SEM CASCA” ou “COM CASCA”, revela descrição inexata. As mercadorias classificadas pela Recorrente, na NCM 0801.1190 têm como descrição: “COCO RALADO, DESIDRATADO, FINO, ACONDICIONADOS EM SACOS”. Entendeu a fiscalização que sim, imputandolhe a multa de 1% sobre o valor aduaneiro (artigo 69, § 1º e § 2º da Lei 10.833/03 c/c artigo 84 da MP 2.15835) e a multa de controle administrativo das importações de 30%, do artigo 169, I, b, do DL 37/66. Quanto à ausência da informação “SEM CASCA” ou “COM CASCA” redundar em declaração inexata, temse que é suprida pela notoriedade de que não se rala coco com casca. Porém, o caso concreto não se resolve apenas e tão somente por este viés, mas em razão da peculiaridade de o COCO SECO, a partir de setembro de 2002 ter se submetido à restrição quantitativa, sob controle da SECEX (Resolução CAMEX 19/2002) e Fl. 304DF CARF MF 4 prorrogada pela Resolução CAMEX 19/2006, com vigência até 31/08/2010 – portanto, compreendendo o período dos autos (02/06/2003 a 07/11/2005). A medida de salvaguarda, tratou de cocos secos, sem casca, mesmo ralados, devendo ser classificados na NCM 0801.11.00 (artigo 1º da Resolução CAMEX 19/2002). Somese a isto que não houve anuência do deferimento da importação das referidas mercadorias por parte do SECEX. Estes, ao juízo de convencimento deste relator, são relevantes e determinantes para o deslinde do caso, fazendo com que a autuação e decisão da DRJ/SP não mereçam reparo. Adicionese também que o argumento de necessitar a presença de dolo para caracterizar a imputação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro (artigo 69, § 1º e § 2º da Lei 10.833/03 c/c artigo 84 da MP 2.15835) não há ressonância neste Tribunal, conforme ementa do acórdão 3402005.436, em votação unânime para negar provimento ao recurso voluntário: (...) PRESTAÇÃO INEXATA DE INFORMAÇÃO DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. DESNECESSÁRIA A COMPROVAÇÃO DE DANO AO ERÁRIO E DOLO ESPECÍFICO. É desnecessário comprovar a efetiva ocorrência de dano ao erário e dolo específico para a aplicação da multa capitulada no art. art. 84, I, da Medida Provisória n.º 2.158/2001 c/c art. 69, §1º da Lei n.º 10.833/2003. A infração é dotada de natureza objetiva, sendo que para ser aplicada basta a confirmação da irregularidade na importação, independentemente da intenção do agente (art. 94, §2º do Decretolei n.º 37/66). Além disso, basta que a conduta implique em prejuízo ao controle administrativoaduaneiro, seja por criar obstáculos seja por de fato impedir que este controle seja realizado na prática. (...). A decisão proferida pelo acórdão recorrido, adentrou no assunto e decidiu corretamente, aliás, aproveitandoa para fins de fundamento do presente voto, como razões de decidir, evitandose repetições de fundamento que se chegaria ao mesmo desiderato, situação permitida pelo § 3º, do art. 57, da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 RICARF/2015, introduzido pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017; e dos §§1º e 2º, do art. 50, da Lei nº 9.784/99. Por tais razões, não há reparo a ser feito na decisão de piso, e assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10314.011081/200778 Acórdão n.º 3401005.318 S3C4T1 Fl. 304 5 Fl. 306DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.722537/2015-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
ÁGIO; AQUISIÇÃO COM RECURSOS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
A autorização de dedução das despesas de amortização do ágio, no art. 386 do RIR, de 1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição; não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a "empresa veículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outras empresas e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve as pessoas jurídicas que efetivamente desembolsaram os valores que propiciaram o surgimento dos ágios, ainda que as operações que os originaram tenham sido celebradas entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço.
RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL.
Cabe a compensação de prejuízo fiscal de períodos anteriores, em face da recomposição do lucro real apurado em procedimento de fiscalização, limitado a 30%, mormente quando o contribuinte já havia pleiteado sua compensação com o lucro real declarado.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
Numero da decisão: 1201-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Bárbara Santos Guedes, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso; e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 ÁGIO; AQUISIÇÃO COM RECURSOS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A autorização de dedução das despesas de amortização do ágio, no art. 386 do RIR, de 1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição; não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a "empresa veículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outras empresas e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve as pessoas jurídicas que efetivamente desembolsaram os valores que propiciaram o surgimento dos ágios, ainda que as operações que os originaram tenham sido celebradas entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. Cabe a compensação de prejuízo fiscal de períodos anteriores, em face da recomposição do lucro real apurado em procedimento de fiscalização, limitado a 30%, mormente quando o contribuinte já havia pleiteado sua compensação com o lucro real declarado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
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AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A autorização de dedução das despesas de amortização do ágio, no art. 386 do RIR, de 1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição; não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a "empresa veículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outras empresas e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve as pessoas jurídicas que efetivamente desembolsaram os valores que propiciaram o surgimento dos ágios, ainda que as operações que os originaram tenham sido celebradas entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. Cabe a compensação de prejuízo fiscal de períodos anteriores, em face da recomposição do lucro real apurado em procedimento de fiscalização, limitado a 30%, mormente quando o contribuinte já havia pleiteado sua compensação com o lucro real declarado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012, 2013 JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 25 37 /2 01 5- 15 Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 3 2 A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Bárbara Santos Guedes, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso; e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 1.606/1.625, relativos aos anos calendário 2011, 2012 e 2013, no regime do lucro real anual, que exigem: a) R$37.943.355,18 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, relativos às infrações: a.1) glosa de amortização de ágio indedutível, fatos geradores em 31/12/2012 e 31/12/2013; a.2) glosa de exclusão indevida relativa ao ágio da empresa Mandala, fato gerador em 31/12/2011; b) R$13.659.607,86 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, relativos às mesmas infrações e fatos geradores. Em relação aos anoscalendário 2011 e 2012, a autuação reduziu os valores de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL. Foi aplicada multa de ofício de 75% aos valores das exigências. Às págs. 1.589/1.605, o Termo de Verificação Fiscal TVF, descreve os procedimentos e a autuação. 2. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação de págs. 1.639/1.682, julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC DRJ/FNS, Acórdão nº 0739.016, de 13 de janeiro de 2017, págs. 1.757/1.789, que a considerou procedente em parte e da decisão recorreu de ofício: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2011, 31/12/2012, 31/12/2013 IRPJ. Amortização de Ágio. Glosa de Despesas. Incorporação de Sociedade Investidora Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 4 3 (empresa veículo) Por Sua Investida. Amortização do Ágio. Indedutibilidade. Utilização Indevida do Benefício Fiscal. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzila prevista no art. 386, III, do RIR/99 art. 7º, III, da Lei 9.532/97 e art. 10 da Lei 9.718/98 não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada uma empresa veículo (incorporada em curto espaço de tempo), para, em nome dela, serem adquiridas ações com ágio, pago com recursos obtidos em função do patrimônio da própria incorporadora. A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados, sob pena de se interpretar extensivamente uma norma concessiva de um benefício, hipótese vedada pelo art. 111 do CTN. Recomposição do Lucro Real. Compensação de Prejuízo Fiscal. De se fazer a compensação de prejuízo fiscal de períodos anteriores, de ofício, em face da recomposição do lucro real apurado em procedimento de fiscalização, limitado a 30%, mormente quando a Contribuinte já havia pleiteado sua compensação com o lucro real declarado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2011, 31/12/2012, 31/12/2013 Lançamento Reflexo. Mesmos Eventos. Decorrência. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Recomposição da Base de Cálculo da CSLL. Compensação de Base de Cálculo Negativa de Períodos Anteriores. De se fazer a compensação de Base de Cálculo Negativa de Períodos Anteriores, de ofício, em face da recomposição Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 5 4 Base de Cálculo da CSLL apurada em procedimento de fiscalização, limitado a 30%, mormente quando a Contribuinte já havia pleiteado sua compensação com a Base de Cálculo declarada da CSLL. 3. Cientificada em 25/01/2017, pág. 1.794, interpôs Recurso Voluntário tempestivo em 23/02/2017, págs. 1.798/1.855, resumido a seguir. 4. A Recorrente se denominava à época dos fatos, Globex Utilidades S/A. Nega que a real adquirente da Recorrente tenha sido a Companhia Brasileira de Distribuição CBD, mas sim que foi a Mandala Empreendimentos e Participações S/A, posteriormente incorporada pela Recorrente, que passou a amortizar o ágio; e destaca que a existência de ágio com base em rentabilidade futura não foi questionada e tampouco os pagamentos; tampouco houve imputação de simulação. 5. Descreve que a Recorrente atua na compra e venda e importação de utilidades domésticas, produtos manufaturados e semifaturados, eletrônicos em geral de informática e comunicação de dados; que devido à aquisição, o Grupo Pão de Açúcar alcançou liderança no varejo brasileiro; a Mandala foi constituída pela CBD em 30/10/2008, com objeto social de participação no capital social de outras sociedades e administradora de bens próprios aduz que foi escolhida para adquirir a Recorrente por motivos negociais se a economia fiscal fosse o único objetivo, a aquisição poderia ter sido feita pela própria CBD, com a posterior incorporação e amortização do ágio por esta; a aquisição foi paga pela Mandala com os recursos do aumento do seu capital pela CBD; descreve a forma como se deu a aquisição de 98,32% do capital social da Recorrente, o preço e valor do ágio apurado de R$758,9 milhões; a Mandala não era "empresa de papel", tanto que, além da Oferta Pública de Capital OPA para aquisição das ações dos minoritários, também celebrou acordo de associação com a Casas Bahia Comercial Ltda; e, em 22/12/2009 foi aprovada a incorporação da Mandala pela Recorrente. 6. Destaca que a busca pela manutenção do direito à amortização é finalidade legítima, não havendo nisso fraude ou abuso de direito, e que foram cumpridos os requisitos legais para a amortização do ágio: as operações que originaram o ágio se deram entre partes independentes; o ágio foi com expectativa de rentabilidade futura, demonstrado mediante laudo idôneo; foi efetuado o pagamento da aquisição, ocorreu a incorporação da investidora Mandala, pela investida, a Recorrente. 7. Sobre a acusação de que a Mandala se trata de empresa veículo, sendo um artifício para usufruir do benefício fiscal do art. 386 do RIR de 1999, esclarece que (i) não seria conveniente a unificação da CBD e da Globex numa única pessoa jurídica, devendo ser preservados como distintos o segmento alimentício na CDB e o eletrônico na Recorrente, separação que permanece até o momento, com lojas, funcionários, sistemas operacionais, clientes e contratos distintos para as duas pessoas jurídicas; (ii) a criação da Mandala permitiu a incorporação pela Recorrente, enquanto que a incorporação da Recorrente pela CBD seria onerosa para não dizer inviável; e (iii) provocaria a perda de estoque de prejuízos fiscais da Recorrente. Pelo exposto, não faria sentido econômico que a Recorrente fosse incorporada pela CBD, abrindo mão deste estoque; aduz: Nesse ponto, equivocase a decisão DRJ/FNS ao afirmar que se CBD tivesse feito a aquisição de forma direta, não poderia ter se beneficiado da amortização do ágio para fins tributários. Na Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 6 5 verdade, a amortização do ágio para fins de apuração do IRPJ e da CSLL seria perfeitamente possível e válida se a CBD tivesse adquirido a GLOBEX diretamente e, em seguida, tivesse incorporado essa sociedade ou viceversa. A questão é que, por razões societárias e operacionais, não era conveniente para CBD incorporar a GLOBEX e, portanto, foi necessário se utilizar da MANDALA para cumprir o objetivo. (...)A MANDALA foi utilizada sobretudo para: (i) manter separadas as bases acionárias e os segmentos alimentício na CBD e eletroeletrônicos na GLOBEX (a Recorrente) (ii) garantir a incorporação para fins de amortização do ágio do ponto de vista operacional; (iii) evitar a perda de prejuízos fiscais da GLOBEX. 8. Destaca que a decisão de incorporação visou proteger a Recorrente da possibilidade de perder o direito à amortização, por eventual alteração na legislação. 9. Acusa de ilegal a exigência de motivação extratributária e que a sociedade veículo é inteiramente neutra, somente sendo ilícita se utilizada de forma fraudulenta. 10. Pugna pela ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício. 11. A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN apresentou Contrarrazões de págs. 1.871/1.896: Todavia, para que haja esse encontro num mesmo patrimônio do ágio com o investimento que lhe deu origem, é imprescindível que a “mais valia” contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participa da confusão patrimonial. O real investidor, portanto, deve se confundir com o seu investimento. Em outras palavras, no caso de uma incorporação, para que o ágio registrado possa ter a sua amortização deduzida nos termos do artigo 386 do RIR/99, deve a pessoa jurídica que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento incorporar esse investimento, ou ser incorporada por ele. O ágio deve, portanto, ser de fato pago por alguma das pessoas jurídicas que participam da incorporação, fusão ou cisão societária. Se assim não for, será impossível o ágio ir de encontro com o investimento que lhe deu causa. (...) Voltando ao caso ora em análise, temse que o ágio registrado pela MANDALA, na verdade, decorre da aquisição da empresa GLOBEX (atual VIA VAREJO) pela CBD. Implica dizer que tal “mais valia” foi efetivamente paga pela CBD, e não pela empresa veículo MANDALA. 12. É o relatório. Voto Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 7 6 1 Recurso de Ofício. 13. O Acórdão da DRJ/FNS, concluiu, pág. 1.785: Da base de cálculo do IRPJ: Recomposição do Lucro Real relativo ao anocalendário de 2013 Nesse tópico, entendo assistir razão a Impugnante, uma vez que a fiscalizada apresenta saldo, em 31/12/2013, de prejuízo fiscal a compensar (v. LALUR Via Varejo do ano de 2013, acostado às fls. 1.050 a 1.110), registrou lucro real positivo em 2013, quando utilizouse de parte (R$ 244.378.692,33) do estoque de prejuízo fiscal para compensação. A recomposição do lucro real deve levar em conta que a fiscalizada compensou o que podia (30%) de seu lucro real em 2013, de forma que a parcela apurada de ofício deve compor o montante para fins de compensação. 14. E resumiu, pág. 1.789: CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM REAIS EXAÇÃO LANÇADO MANTIDO EXONERADO IRPJ 37.943.355,19 26.560.348,63 (11.383.006,56) CSLL 13.659.607,87 9.561.725,51 ( 4.097.882, 36) 15. Dado que o valor exonerado de IRPJ e CSLL e respectivas multas excedeu o limite de R$2.500.000,00, definido na Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017, cabe conhecer do recurso de ofício interposto pela primeira instância de julgamento. 16. Por concordar com o Acórdão DRJ/FNS, transcrevese a respectiva análise: Da base de cálculo do IRPJ: Recomposição do Lucro Real relativo ao anocalendário de 2013 Nesse tópico, entendo assistir razão a Impugnante, uma vez que a fiscalizada apresenta saldo, em 31/12/2013, de prejuízo fiscal a compensar (v. LALUR Via Varejo do ano de 2013, acostado às fls. 1.050 a 1.110), registrou lucro real positivo em 2013, quando utilizouse de parte (R$ 244.378.692,33) do estoque de prejuízo fiscal para compensação. A recomposição do lucro real deve levar em conta que a fiscalizada compensou o que podia (30%) de seu lucro real em 2013, de forma que a parcela apurada de ofício deve compor o montante para fins de compensação. 2 Ágio 17. Relata o Autuante no Termo de Verificação Fiscal, págs. 1.589/1.605 que a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado, sociedade anônima aberta, sendo seu primeiro estabelecimento constituído em 04/08/1966; sua atividade econômica principal é o comércio varejista especializado de eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo, código CNAE 47.53900. Pesquisa atual na internet informa que, fonte: https://www.viavarejo.com.br/: Fl. 1907DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 8 7 A Via Varejo S.A. é a empresa responsável pela administração de duas importantes varejistas brasileiras, Casas Bahia e Pontofrio. (...) Uma das maiores varejistas de eletroeletrônicos do mundo. (...) A Via Varejo é uma empresa brasileira de varejo fundada em 2010 através da fusão da Casas Bahia, pertencente à família Klein, e do Pontofrio, pertencente ao Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, o GPA possui 43,3% de participação na Via Varejo, a família Klein possui 27,3% e 29,3% negociado na BMF&Bovespa VVAR11. (...) 18. fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Via_Varejo: Em dezembro de 2009, o Grupo Pão de Açúcar adquiriu a Casas Bahia e transferiu sua unidade de varejo para a Globex Utilidades S.A., empresa dona do Pontofrio que foi comprada em junho do mesmo ano (...) No começo de 2012, a Globex Utilidades oficialmente trocou a razão social para Via Varejo,[7] e assumiu a nova identidade corporativa (...). 19. A autuação se refere à glosa da amortização de ágio em função da incorporação, pela Recorrente, da empresa Mandala Empreendimentos e Participações S/A; esta foi criada pela Companhia Brasileira de Distribuição CBD, em 30/10/2008; teve seu capital aumentado para R$1.125.166.053,00, com recursos da CBD em 06/07/2009 e 30/10/2009; a Mandala, portanto, subsidiária da CBD, em 08/06/2009 adquiriu de terceiros o controle acionário da Recorrente (70,2421% do capital), pagando R$824.521,960,00; em seguida realizou Oferta Pública de Ações OPA de tagalong, para adquirir ações dos minoritários, resultando que passou a deter 95,46% do capital da Recorrente; nestas operações de aquisição pagou (parte à vista, parte a prazo, parte em ações da CBD) o total de R$1.125.000,00, valor no qual se inclui ágio de R$759.000,00; em 22/12/2009, a Recorrente incorporou a Mandala e passou a amortizar o ágio a partir de 03/2011. 20. O Laudo de Avaliação, págs. 688/733, avaliou a Recorrente, então, em R$1.113.000, e a participação da Mandala em R$1.057.000,00 21. A autuação cientificada em 04/02/2016, pág. 1.633, glosou a amortização do período de 03 a 12/2011 e dos anoscalendário 2012 e 2013, considerando: Nossa conclusão, como demonstraremos a seguir, foi no sentido de que claramente foi adotado um planejamento fiscal abusivo por meio do uso de uma empresaveículo (MANDALA), agravado pela sua qualificação de efêmera e de ser uma empresa apenas "no papel". (...) 65) Notese que até a véspera do pagamento da primeira parcela do preço de aquisição, num montante de várias centenas de milhões de reais, MANDALA subsistia com apenas R$ 10.000,00 de capital. Ademais, verificase que a contacorrente bancária de MANDALA serviu apenas para que o dinheiro transitasse Fl. 1908DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 9 8 entre o real adquirente (CBD) e o alienante, e tudo sempre no mesmo dia. 66) Os recursos recebidos da CBD não chegavam sequer a permanecer de um dia para o outro, conforme podemos verificar nos extratos de julho, setembro e outubro (DOCX19, DOCX21 e DOCX22). 67) Tudo que foi exposto já seria suficiente para demonstrar que o real adquirente de GLOBEX foi a CBD e que a intercalação de MANDALA foi de cunho meramente formal, mas vale ainda citar a comunicação da CBD por força de pedido de esclarecimento formulado pela autoridade de fiscalização do mercado (DOCX23): (...). Fato Relevante divulgado pela CBD em 8 de junho de 2009, que informou aos acionistas e ao mercado em geral celebração de contrato para aquisição, por meio de Mandala Empreendimentos e Participações S.A., subsidiária da Companhia, de 86.962.965 ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal, representativas de 70,2421% do capital social total e votante de Globex Utilidades S.A. (nossos destaques) 22. A Recorrente justificou a incorporação da Mandala: (...) a incorporação de Mandala por Globex (a "incorporação") é da maior conveniência aos interesses sociais da Mandala e da Globex, a unificação das atividades e da administração das duas sociedades resultará em benefícios às sociedades, de ordem administrativa, econômica e financeira, quais sejam: (i) racionalização e simplificação de sua estrutura societária e, consequentemente, consolidação e redução de gastos e despesas operacionais combinadas; e (ii) melhor gestão de operações, ativos e fluxos de caixa das sociedades, em razão da união dos recursos empresariais e patrimoniais envolvidos na operação de ambas, resultando assim numa melhor utilização de seus recursos operacionais que trará benefícios para as atividades sociais desempenhadas. 23. Em síntese, a Madala, que a CBD criou, objetivou a operação de aquisição da Recorrente, para em seguida a Mandala ser incorporada por esta, possibilitando a amortização pela Recorrente do ágio gerado nesta operação; a própria Recorrente justifica a criação da Mandala: Na verdade, a amortização do ágio para fins de apuração do IRPJ e da CSLL seria perfeitamente possível e válida se a CBD tivesse adquirido a GLOBEX diretamente e, em seguida, tivesse incorporado essa sociedade ou viceversa. A questão é que, por razões societárias e operacionais, não era conveniente para CBD incorporar a GLOBEX e, portanto, foi necessário se utilizar da MANDALA para cumprir o objetivo. (...)A MANDALA foi utilizada sobretudo para: (i) manter separadas as bases acionárias e os segmentos alimentício na Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 10 9 CBD e eletroeletrônicos na GLOBEX (a Recorrente) (ii) garantir a incorporação para fins de amortização do ágio do ponto de vista operacional; (iii) evitar a perda de prejuízos fiscais da GLOBEX. 24. Resta avaliar se tal procedimento se amolda aos requisitos da dedutibilidade da amortização do ágio. 25. Tomo como referência, os Acórdãos da CSRF a seguir, um favorável e outro desfavorável à amortização, em casos análogos. 26. Primeiramente o que foi favorável à amortização: Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9101003.610– 1ª Turma Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria IRPJ Recorrentes CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PAULISTA, FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2009 (...) ÁGIO TRANSFERIDO. EMPRESA VEÍCULO. Não há restrições legais à transferência do ágio, notadamente quando havia restrições societárias e regulatórias que orientaram a criação de empresa “veículo”. (Grifouse.) (...) Voto (...) tratarei no presente voto da possibilidade de surgimento de ágio com a utilização de "empresa veículo" para transferência do ágio. O lançamento tributário e o acórdão recorrido tratam da interpretação dos artigos artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/1997. Lembro o teor do artigo 7º, da Lei nº 9.532/1997: (...) Destaco, ainda, trecho do voto vencedor no acórdão recorrido, do exConselheiro Waldir Veiga Rocha, cujas razões adoto para decidir: Destaco, por relevante, que não há questionamento por parte do Fisco quanto à formação inicial do ágio, no momento em que a ISA CAPITAL adquiriu ações da CTEEP até então pertencentes ao Governo de São Paulo e, na sequência, novas ações por meio de Oferta Pública de Ações (OPA). Não há qualquer questionamento quanto a tratarse de negócio em condições de livre mercado, firmado entre partes independentes e com efetivo pagamento. O ágio, com base na expectativa de Fl. 1910DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 11 10 rentabilidade futura da investida CTEEP, foi registrado na contabilidade da ISA CAPITAL. Nesse momento, acaso viesse a ocorrer a incorporação da investida CTEEP pela investidora ISA CAPITAL ou o contrário, nenhum óbice haveria ao aproveitamento fiscal do ágio pela pessoa jurídica remanescente. E, se olharmos exclusivamente para essas duas pessoas jurídicas, não se encontra motivo para que a operação não houvesse sido conduzida dessa forma. Mas as coisas não ocorreram assim, eis porque surge o questionamento do Fisco. Foi criada uma nova sociedade (ISA CAPITAL. O capital social da nova sociedade foi aumentado, e integralizado com as participações societárias na CTEEP, carreando para a ISA PARTICIPAÇÕES o ágio anteriormente registrado na ISA CAPITAL. Eis, então, o que me parece o ponto central da discussão: a legitimidade, ou não, da utilização da empresa ISA PARTICIPAÇÕES, tida pelo Fisco e pela Turma Julgadora em primeira instância como empresa veículo, ou seja, pessoa jurídica criada artificialmente com o único propósito de criar as condições exigidas pela lei para a amortização fiscal do ágio. Observo que a situação de uma “empresa veículo”, criada especialmente para permitir a aquisição de um investimento, é facilmente verificada nas operações de privatização. Há mesmo consenso de que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram editados com o objetivo de facilitar o processo de privatização de empresas estatais, permitindo às empresas investidoras recuperar parte do investimento mediante a redução da carga tributária, o que, como contrapartida, permitiria que os valores oferecidos ao Estado na aquisição das empresas estatais fossem maiores. Isso, sem prejuízo dos ativos intangíveis das estatais privatizadas. Vários foram os casos de amortização de ágio no processo de privatização analisados por este CARF, sendo as conclusões no sentido de sua legitimidade, não obstante o uso de “empresas veículo”. Cumpre lembrar que o conjunto das operações sob análise foi praticado no contexto do Programa de Desestatização do Governo do Estado de São Paulo Ademais, a recorrente refuta que as operações, em especial no que toca à ISA PARTICIPAÇÕES, tenham tido propósito exclusivamente de economia tributária. Acrescenta que a CTEEP, como empresa de transmissão de energia elétrica se sujeita à regulação pela ANEEL e, como companhia aberta, às normas da CVM. Ao contrário do que afirma a autuação, sua alegação é de que, na forma simplificada pretendida pelo Fisco, a reorganização encontraria obstáculos legais intransponíveis. (...) Fl. 1911DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 12 11 Tenho por válidas as motivações extratributárias apontadas pela recorrente como impeditivas para que o negócio se fizesse pela via mais simples. O uso de "empresa veículo", por si só, é insuficiente para desqualificar a via adotada pela interessada, a qual, ressalto, não é vedada pela legislação. Essa conclusão fica especialmente reforçada na situação em comento, em que a operação "direta", que permitiria o aproveitamento fiscal do ágio sem qualquer questionamento, encontrava óbices societários (CVM) e regulatórios (ANEEL). (...) considero legítima a transferência desse investimento para um novo investidor (ISA PARTICIPAÇÕES), com o que ocorre, sim, a confusão patrimonial entre investidor e investida. Também aqui releva lembrar a impossibilidade da operação direta entre o "investidor inicial" e a investida. Adoto as razões do acórdão recorrido, acima colacionado, para confirmar a legitimidade do ágio tratado nos autos, sem que se vislumbre artificialidade na criação das empresas acima citadas. Reitero que no caso dos autos havia imposições da CVM e ANEEL que justificam por questões societárias e regulatórias – a organização societária da forma procedida, isto é, a existência da “empresa veículo”. O artigo 15, da Instrução 319 da CVM atesta que haveria “abuso” do poder de controle caso o contribuinte não constituísse a “empresa veículo” em discussão nestes autos: (...) (Grifouse.) 27. Em síntese, no caso transcrito, regulamentações a que a empresa se encontrava submetida, a impediam de efetuar a aquisição direta com posterior incorporação que a habilitasse a amortizar o ágio por isso, foi considerada justificada a criação da empresa veículo. 28. A seguir, o Acórdão da CSRF que foi desfavorável: Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.561– 1ª Turma Sessão de 05 de abril de 2018 Matéria ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NUMERAL 80 PARTICIPAÇÕES S.A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do Fl. 1912DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 13 12 RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se as investidoras reais transferiram recursos a "empresas veículos" (ou avalizarem a obtenção de empréstimos bancários por estas) com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outras empresas e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve as pessoas jurídicas que efetivamente desembolsaram os valores (ou propiciaram sua obtenção ao avalizar a obtenção de empréstimos bancários) que propiciaram o surgimento dos ágios, ainda que as operações que os originaram tenham sido celebradas entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. (...) Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator designado 29. O redator do voto vencedor descreve que, em síntese, os detentores das ações da Recorrente (então Santos Brasil S/A): Opportunity Leste S.A. ("OPP LESTE") 39,96%; 525 Participações S.A. ("525 Participações") 15,00%; Caixa da Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil PREVI ("PREVI") 20,00%; Fundação Sistel de Seguridade Social ("SISTEL") 15,00%; Investidores Institucionais Fundo de Investimento em Ações ("FIA") 0,04%; MULTI STS Participações S.A. ("MULTI STS") 10,00%, constituíram as empresas Vitex, Hermosa, Howland, Strelicia e Bilimbi; estas, mediante diversas operações societárias, passaram a ser detidas por terceiros e por algumas das antigas sócias; as empresas Vitex, Hermosa, Howland, Strelicia e Bilimbi aduiriram e passaram a deter o controle, direto e indireto de 64,76% da Recorrente, com ágio; e no mesmo dia em que ocorreram tais aquisições, a Recorrente incorporou as cinco empresas que haviam acabado de ingressar entre seus acionistas (diretos e/ou indiretos), a OPP LESTE e a 525 PARTICIPAÇÕES, em operação comumente chamada de incorporação reversa ou incorporação "às avessas"; após essas incorporações, as acionistas da Recorrente passaran a ser: RK Participações, PW 237 Participações, Opportunity Fund, Multi STS e OPP Fundo Investimento em Ações. 30. Ou seja, o conjunto de operações descrito resultou que mudou a composição dos acionistas da Autuada, e o ágio das aquisições que foram efetuadas pela empresasveículo com os recursos aportados pelos novos acionistas ou acionistas anteriores que aumentaram suas participações, passou a ser amortizado e deduzido pela Recorrente, que incorporou essas empresasveículo. Percebese que a OPP FUND e a MULTI STS ampliaram a participação societária que detinham, direta e/ou indiretamente, antes do início das operações societárias analisadas. A RK PARTICIPAÇÕES, pertencente ao mesmo grupo da MULTI STS, também passou a figurar entre os acionistas diretos. Por fim, a PW 237 aparece como a única acionista que efetivamente Fl. 1913DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 14 13 pertencia a um grupo econômico novo, que não participava do capital da contribuinte antes das operações societárias descritas. (...) Enfim, concluídas as operações de 30/05/2006, a SANTOS BRASIL havia trazido para a sua contabilidade os ágios originalmente registrados nas empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI, que totalizavam R$ 321.264.285,02. Considerando que sua situação estaria amparada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (art. 386 do RIR/1999), a contribuinte passou a aproveitar tributariamente tal ágio(...) (...) Conforme adiantei na abertura deste voto, o ponto central do debate desenvolvido ao longo dos autos diz respeito à regularidade do procedimento adotado pela contribuinte SANTOS BRASIL, e condenado pela Fiscalização, de deduzir, nos anoscalendário 2006 a 2011, do lucro real e da base de cálculo da CSLL, valores relativos a despesas de amortização de ágios registrados originalmente na contabilidade das empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI. A controvérsia reside no fato de a Fiscalização ter considerado tais pessoas jurídicas como meras empresas veículos, desprovidas de recursos próprios para investir na aquisição de participação societária na SANTOS BRASIL. Assim, a confusão patrimonial verificada ao final do processo de reorganização societária não seria apta a possibilitar o aproveitamento tributário do ágio, uma vez que não envolvia as reais investidoras adquirentes das ações com ágio. Muito bem. A respeito da figura do ágio, há que se dizer que seu conceito tributário foi introduzido no ordenamento brasileiro pelo DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. À época dos fatos discutidos nestes autos, dispunha o art. 20 do DecretoLei, antes de ter sua redação alterada pela Lei nº 12.973, de 13/05/2014: (...) A situação em que a investida incorpora sua investidora é denominada de incorporação reversa ou ainda de incorporação "às avessas". A previsão da possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio nesta hipótese é trazida pelo § 6º, inciso II, do art. 386 do RIR/1999. O dispositivo faz uso de uma técnica legislativa transitiva, indicando assim que o que vale para o caput do art. 386 do RIR/1999 vale também para o seu § 6º. As premissas de exegese da norma não são afetadas, sendo necessárias apenas as devidas adaptações para contemplar a situação prevista. Fl. 1914DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 15 14 De forma correlata ao que se analisou quanto ao aspecto pessoal, a confusão de patrimônios, principal item do aspecto material para fins de enquadramento no art. 386 do RIR/1999, consumase quando, na sociedade incorporadora, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobreavaliado) passam a se comunicar diretamente (os riscos se fundem: o risco do investimento assim entendidos os recursos aportados e o risco do empreendimento). Compartilhando o mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual a pessoa jurídica detentora da "mais valia" (ágio) do investimento baseado na expectativa de rentabilidade futura passa a ser responsável também por honrar tal rentabilidade. Assim, a legislação permite que o contribuinte considere perdido o capital que foi investido com o ágio e deduza a despesa relativa à "mais valia". Configuração semelhante ocorre na incorporação reversa, na medida em que a pessoa jurídica responsável por gerar a rentabilidade esperada para o futuro passa a ser a detentora do ágio baseado na expectativa de tal rentabilidade. Sendo assim, pressupõese que a "mais valia" porventura contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participam da "confusão patrimonial". Para fins de acesso à dedutibilidade estabelecida pelo art. 386 do RIR/1999, a pessoa jurídica que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento deve incorporar tal investimento (incorporação da investida pela investidora) ou ser incorporada pela empresa em que investiu (incorporação "às avessas"). Em síntese, a subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material das hipóteses ali previstas. Na atual redação destes dispositivos, exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores (ou sacrifício de outros ativos) a título de investimento da investidora (futura incorporadora ou, no caso da incorporação reversa, incorporada) na investida (futura incorporada ou, no caso da incorporação reversa, incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes da "confusão patrimonial", não há sentido em clamarse pela dedutibilidade das despesas decorrentes de amortização de ágio instituída pelo art. 386 do RIR/1999. No complexo caso analisado nos presentes autos, é incontroverso que houve desembolso de valores pela aquisição de 64,76% das ações da contribuinte SANTOS BRASIL. Fl. 1915DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 16 15 Também não se discute que os valores despendidos superaram o valor contábil das ações alienadas e que foram pagos a partes não relacionadas aos compradores. A existência do ágio oriundo de tais operações não foi alvo de questionamento pela Fiscalização ou pela própria PGFN em seu recurso especial. Os pagamentos efetuados e os ágios a eles associados podem ser assim resumidos: VITEX pagou R$ 182.351.532,53 a PREVI e SISTEL, com ágio de R$ 129.266.316,63; ∙ HERMOSA pagou R$ 9.314.677,16 a FUNDO CVC, com ágio de R$ 7.416.076,56; ∙ HOWLAND pagou R$ 44.403.461,36 a SISTEL, com ágio de R$ 31.476.656,00; STRELICIA pagou R$ 98.353.153,04 a FUNDO CVC, com ágio de R$ 70.314.375,11; ∙ BILIMBI pagou R$ 116.759.332,32 a FIA e SISTEL, com ágio de R$ 82.790.860,72. Ocorre que os recursos financeiros utilizados na aquisição das ações da contribuinte não pertenciam às empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI, mas às suas controladoras. Os recursos foram obtidos pelas empresas veículos (com a específica finalidade de que fossem empregados na compra de participação societária na SANTOS BRASIL) basicamente de duas formas: (i) operações de aumento de capital social integralizado pelas controladoras; e ii) empréstimos concedidos pelo banco CREDIT SUISSE em razão da prestação de garantias e fianças pela própria Vêse, portanto, que as empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI não dispunham de lastro patrimonial próprio para custear o investimento realizado em ações da SANTOS BRASIL. Elas inclusive tinham sido recentemente constituídas, com irrisório capital social e sem quaisquer atividades até sua participação na reorganização societária vivenciada pela contribuinte. A participação destas pessoas jurídicas nas operações de aquisição de participação societária na SANTOS BRASIL somente foi possível porque elas receberam recursos das verdadeiras adquirentes: OPP FUND, MULTI STS, RK PARTICIPAÇÕES e PW 237. (...) Como não foram as pessoas jurídicas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI que desembolsaram o valores que deram origem aos ágios contábeis, restou desatendido o aspecto pessoal da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999. Os numerários que pagaram pela aquisição das ações da contribuinte recorrida saíram dos ativos das reais investidoras, OPP FUND, MULTI STS, RK PARTICIPAÇÕES e PW 237. Mesmo a fração dos recursos que adveio de empréstimo bancário somente teve sua obtenção viabilizada porque estas reais adquirentes e a contribuinte SANTOS BRASIL tinham lastro para garantir seu pagamento ao banco CREDIT SUISSE. Fl. 1916DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 17 16 As empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI, embora constem formalmente como as adquirentes das ações da contribuinte, não tinham lastro econômico para efetivamente realizarem algum sacrifício patrimonial que justificasse a criação dos ágios. Pertencia às empresas OPP FUND, MULTI STS, RK PARTICIPAÇÕES e PW 237 a capacidade econômica para levar adiante os negócios de aquisição das participações societárias e foram efetivamente estas empresas que desembolsaram recursos para a aquisição das ações da contribuinte. Também pertencia a estas empresas e à SANTOS BRASIL a solidez e a robustez necessárias para alavancar a concessão de empréstimos milionários, por meio da prestação de suficientes garantias e fianças. As reais investidoras sabiam que, se realizassem os investimentos diretamente na aquisição das ações da contribuinte, sem a participação de empresas veículos, somente poderiam pleitear o aproveitamento tributário do ágio associado ao investimento se fossem incorporadas pela SANTOS BRASIL ou se incorporassem frações cindidas desta. Por óbvias razões extratributárias, nenhuma destas hipóteses lhes interessava. Por isso, os grupos econômicos envolvidos decidiram lançar mão de empresas veículos especificamente destacadas para tomar parte na reorganização societária de forma que ocorresse, ao final, a reunião dos ágios e dos investimentos que lhes deram causa em uma mesma pessoa jurídica (a contribuinte SANTOS BRASIL), situação semelhante à requerida pela legislação para permitir o uso tributário do ágio, mas não o suficiente para emularlhe os efeitos. Observase que a participação das empresas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI foi antecipada e artificialmente concebida como forma de os grupos econômicos OPPORTUNITY, FINK e DÓRIO, que já planejavam adquirir as ações pertencentes às pessoas jurídicas que desejavam sair do bloco controlador da SANTOS BRASIL (PREVI, SISTEL, FIA e FUNDO CVC), poderem posteriormente obter vantagens tributárias relativas ao aproveitamento do ágio por sua controlada, previstas no art. 386 do RIR/1999. Tal fato não é negado pela contribuinte ou por seus controladores, chegando a ser admitido no anúncio de Fato Relevante realizado em 01/06/2006. Por meio deste comunicado, os administradores da SANTOS BRASIL informaram ao mercado a respeito da série de operações realizadas no dia anterior, esclarecendo que tais operações permitiriam a simplificação societária da empresa e gerariam vantagens tributárias relacionadas ao aproveitamento do benefício fiscal que a amortização do expressivo ágio registrado nas sociedades incorporadas proporcionaria: redução da base tributária submetida ao IRPJ e à CSLL. Informações semelhantes constaram no Parecer do Conselho Fiscal da empresa e no Protocolo de Incorporação e Instrumento de Justificação Fl. 1917DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 18 17 firmado entre a SANTOS BRASIL e as pessoas jurídicas VITEX, HERMOSA, HOWLAND, STRELICIA e BILIMBI. (...) Terminado todo o processo, a contribuinte, julgando que estaria configurada a "confusão patrimonial" entre os ágios e os investimentos que lhes deram causa, passou a aproveitar as despesas da amortização do ágio para fins tributários. Ocorre que tal "confusão patrimonial", principal manifestação do aspecto material necessário à efetiva incidência da norma tributária prevista no art. 386 do RIR/1999, deve obrigatoriamente se dar entre a investida e a investidora originária, real. Por investidora originária, entendese aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição da participação societária. Ou seja, no caso sob análise, a reais investidoras são as empresas OPP FUND, MULTI STS, RK PARTICIPAÇÕES e PW 237 (e apenas estas). Sendo assim, a amortização operada pela recorrida não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou é por ela incorporada. No caso dos autos, as investidoras reais não participaram de "confusão patrimonial" alguma. 31. Citese ainda por pertinente: Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR- Data da Sessão 21/11/2016 Relator(a) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Nº Acórdão 9101002.470 -Tributo / Matéria Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição.Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real Fl. 1918DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 19 18 transferiu recursos a uma "empresaveículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outra empresa e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou os valores que propiciaram o surgimento do ágio, ainda que a operação que o originou tenha sido celebrada entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. Voto: O ponto central do debate desenvolvido ao longo dos autos diz respeito à regularidade do procedimento adotado pela contribuinte FÁBRICA DE PEÇAS ELÉTRICAS DELMAR LTDA. (e condenado pela Fiscalização) de deduzir, nos anos calendário de 2007 a 2009, do lucro real e da base de cálculo da CSLL, despesas com amortização do ágio registrado originalmente na contabilidade da adquirente HUBBELL DO BRASIL, por ocasião da aquisição de participação societária na autuada, com ágio (operação ocorrida em 07/07/2005). Tal aquisição foi paga com recursos financeiros recebidos, pela HUBBELL DO BRASIL, de uma de suas controladoras estrangeiras, a WEPAWAUG CANADA CORP. Esta empresa, ao lado da HUBBELL LUXEMBOURG SARL, constituiu a HUBBELL DO BRASIL em 09/05/2005 e lhe transferiu, em 01/07/2005 (segundo a contribuinte), montante equivalente a R$33.000.000,00 para fins específicos de aquisição das quotas da contribuinte DELMAR. Tal aquisição se deu com ágio de R$22.840.069,60, inicialmente registrado na contabilidade da HUBBELL DO BRASIL. Em 31/12/2005, foi promovida a incorporação da HUBBELL DO BRASIL (então controladora) pela contribuinte (então controlada), por meio de incorporação reversa. Assim, as quotas de participação societária da própria contribuinte foram introduzidas em sua contabilidade, juntamente com o ágio a elas associado. A contribuinte passou, então, a deduzir do lucro real e da base de cálculo da CSLL despesas decorrentes da amortização do ágio recém introduzido em seu patrimônio, considerando que tal prática estaria amparada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, também contempladas no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), nos arts. 385 e 386. (...) Em síntese, a subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material das hipóteses ali previstas. Na atual redação destes dispositivos, exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores (ou sacrifício de outros ativos) a título de investimento Fl. 1919DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 20 19 da investidora (futura incorporadora ou, no caso da incorporação reversa, incorporada) na investida (futura incorporada ou, no caso da incorporação reversa, incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes da "confusão patrimonial", não há sentido em clamarse pela dedutibilidade das despesas decorrentes de amortização de ágio instituída pelo art. 386 do RIR/1999. No caso analisado nos presentes autos, é incontroverso que houve desembolso de valores por ocasião da aquisição das quotas da contribuinte DELMAR, em operação realizada em 07/07/2005. Também não se discute que tais valores superaram o valor contábil das quotas alienadas. A existência do ágio oriundo de tal operação não foi alvo de questionamento pela Fiscalização ou pela própria PGFN em seu recurso especial. Ocorre que os recursos financeiros utilizados na aquisição das quotas da contribuinte não pertenciam à HUBBELL DO BRASIL, mas à sua controladora estrangeira WEPAWAUG CANADA CORP, que realizou a remessa internacional dos valores alguns dias antes da operação de aquisição da participação societária e com o propósito específico de que fossem utilizados em tal negócio. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. Sendo assim, a recorrida não fazia jus ao direito de deduzir as despesas decorrentes da amortização do ágio oriundo da operação levada a cabo em 07/07/2005. Como não foi a HUBBELL DO BRASIL que desembolsou o valor que deu origem ao ágio contábil, restou desatendido o aspecto pessoal da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999. O numerário que pagou pela aquisição das quotas da recorrida saiu dos ativos da real investidora, WEPAWAUG CANADA CORP. A empresa HUBBELL DO BRASIL, embora conste formalmente como a adquirente das quotas da contribuinte, não tinha lastro econômico para efetivamente realizar algum sacrifício patrimonial que justificasse a criação do ágio. Pertencia à empresa estrangeira WEPAWAUG CANADA CORP a capacidade econômica para levar adiante o negócio de aquisição da participação societária e foi efetivamente esta empresa quem desembolsou recursos para a aquisição das quotas da recorrida. A investidora estrangeira provavelmente sabia que, se realizasse os investimentos diretamente na aquisição das quotas da contribuinte, sem a participação de empresa sediada em Fl. 1920DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 21 20 território brasileiro, não poderia posteriormente pleitear o aproveitamento tributário do ágio oriundo da operação. Por se tratar de pessoa jurídica sediada no exterior, a investidora não se submete à legislação tributária brasileira. A incorporação de uma controlada brasileira provavelmente não provocaria os mesmos efeitos tributários para a matriz da empresa em seu país de origem. Assim optou a empresa estrangeira por adotar um procedimento de engenharia societária que permitisse, ao final, a reunião do ágio e do investimento que lhe deu causa em uma mesma pessoa jurídica, situação semelhante à requerida pela legislação para permitir o uso tributário do ágio, mas não o suficiente para emularlhe os efeitos. 32. Citese ainda: Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão 08/11/2017 Nº Acórdão 9101003.222 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da “confusão patrimonial” a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na “mais valia” do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição.Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a “confusão patrimonial”, advinda do processo de incorporação, não envolve a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou os valores que propiciaram o surgimento do ágio, ainda que a operação que o originou tenha sido celebrada entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. 33. Transcrevese trecho do Voto Vencedor referente à ementa supra: No caso analisado nos presentes autos, é incontroverso que houve desembolso de valores por ocasião da aquisição, pela MLGP, por intermédio da CREMEPAR. das ações da CREMER. Destas operações, resultou o registro de ágio no valor de RS 60.395.852,04. Ocorre que tal ágio foi registrado na contabilidade da empresa americana. Fosse a MLGP uma pessoa jurídica sediada no Brasil, submetida à legislação tributária brasileira, ela poderia fazer jus à dedutibilidade das despesas de amortização do ágio de R$ 60.395.852,04 se viesse a incorporar a CREMER e atendesse também às demais condições exigidas legalmente. Como não havia essa possibilidade, promoveuse a "internalização" do ágio em território brasileiro, por meio da Fl. 1921DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 22 21 integralização de aumento do capital social da CREMER pela CREMEPAR. Assim, a CREMEPAR passou a possuir, em sua contabilidade, o ágio de RS 60.395.852,04 associado às ações da CREMER. Conforme já foi narrado, a CREMEPAR foi incorporada pela CREMER. Julgando fazer jus ao direito de deduzir as despesas decorrentes da amortização do ágio com base nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997 (e nos arts. 385 e 386 do RIR/1999), a CREMER passou a reduzir seu lucro líquido. Ocorre que nem a CREMEPAR nem o recorrido poderiam ter utilizado o ágio registrado originalmente na MLGP para fins de deduzir as despesas decorrentes de sua amortização. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. Como não foi a CREMEPAR que desembolsou o valor que deu origem ao ágio contábil, restou desatendido o aspecto pessoal da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999. Como o próprio recorrido reconhece, o numerário que foi pago, indiretamente, pela aquisição das ações da CREMER. saiu dos cofies da MLGP. A CREMEPAR foi incorporada pela CREMER. Esta, julgando que estaria configurada a "confusão patrimonial" entre o ágio e o investimento que lhe deu causa, passou a aproveitar as despesas da amortização do ágio para fins tributários. Ocorre que tal "confusão patrimonial", principal manifestação do aspecto material necessário à efetiva incidência da norma tributária prevista no art. 386 do RIR/1999. deve obrigatoriamente se dar entre a investida e a investidora originária, real. Por investidora originária, entendese aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição da participação societária. Ou seja, no caso sob análise, só existe uma real investidora: a MLGP. Importante ressaltar que, quando se estabelece a necessidade de que a empresa participante da "confusão patrimonial" tenha arcado com a aquisição do investimento com ágio, não se restringe tal operação a uma compra e venda com o desembolso de valores monetários. O dispêndio que se exige diz respeito a qualquer operação que gere ganhos para o alienante e gastos para o adquirente. Mais do que um pagamento em dinheiro, o que se espera como resultado desta operação é que haja variações patrimoniais para os envolvidos em valores proporcionais ao negócio celebrado. No caso dos presentes autos, não se verificou a prática de tal "sacrifício patrimonial" pela CREMEPAR ou pelo recorrido. Fl. 1922DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 23 22 Sendo assim, a amortização operada pelo recorrido não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou seja por ela incorporada. No caso dos autos, a investidora originária não participou de "confusão patrimonial" alguma. Além disso, o ágio registrado na CREMEPAR foi realizada entre empresas que integram um mesmo grupo econômico. 34. Esta relatora entende que a situação nos presentes autos se amolda às dos Acórdãos contrários à amortização. 35. No presente caso, não havia interesse em a CBD incorporar a Recorrente após a aquisição do seu controle acionário; assim, criou a Mandala, que serviu a este objetivo. 36. A empresa que acreditou na maisvalia e investiu os recursos foi a CBD, mas a "confusão patrimonial" com a incorporação, não se deu entre esta e a Recorrente 3 Juros de mora. Multa de Ofício não adimplida. Incidência. 37. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN. 38. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012), Acórdão transitado em julgado em 14/02/2013: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTARIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "E legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990 PR, Rei. Min. Castro Meira. DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. I 2. Agravo regimental não provido. 39. A jurisprudência do CARF vem convergindo no sentido de considerar procedente a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, depois de vencido o prazo para pagamento, uma vez que passa a integrar o crédito tributário. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Fl. 1923DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 24 23 Data da Sessão 19/01/2018 Nº Acórdão 9101003.374 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão: 08/11/2017 Nº Acórdão: 9101003.222 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. Tipo do Recurso: Recurso nº Especial do Contribuinte Data da Sessão: 03/04/2018 Acórdão nº: 9101003.510 Voto vencedor: Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora designada Com a devida vênia ao voto do Relator, entendo por negar provimento ao recurso especial do contribuinte, tendo sido acompanhada pela maioria deste Colegiado. Ressalvo que em precedentes desta Turma, pronuncieime pela ilegitimidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdãos 9101003.053 e 9101003.216, dentre outros). Ocorre que, diante de reiterados julgamentos em que restei vencida, curvome ao entendimento predominante do Colegiado, ponderando que a matéria é unicamente de direito e há orientação prevalecente na jurisprudência do CARF pela manutenção da cobrança de juros sobre a multa. A esse respeito, destaco voto elaborado pela Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Presidente desta Turma e do CARF (acórdão 9101003.376): (...) 40. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a Fl. 1924DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 25 24 partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 41. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos para todas as situações. 42. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 43. E o CTN determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 44. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos, contribuições e multas aplicadas. Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 45. E ainda: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. 4 Conclusão. Voto por NEGAR PROVIMENTO o Recurso Voluntário e ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1925DF CARF MF Processo nº 10805.722537/201515 Acórdão n.º 1201002.670 S1C2T1 Fl. 26 25 Fl. 1926DF CARF MF
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