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Numero do processo: 10845.000751/2011-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS E PARTE DAS DESPESAS MÉDICAS.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte e/ou reconhecido o crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 2001-000.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, restabelecendo-se a dedução das despesas médicas glosadas que corresponderam ao imposto suplementar de R$ 8.685,62, razão pela qual se faz imperioso o cancelamento da parte restante do Lançamento, vez que a parte não impugnada teve o imposto correspondente recolhido pelo Recorrente, embora pendente de recolhimento os 50% da multa de ofício reduzida indevidamente pelo Contribuinte, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS E PARTE DAS DESPESAS MÉDICAS. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte e/ou reconhecido o crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas que corresponderam ao imposto suplementar de R$ 8.685,62, razão pela qual se faz imperioso o cancelamento da parte restante do Lançamento, vez que a parte não impugnada teve o imposto correspondente recolhido pelo Recorrente, embora pendente de recolhimento os 50% da multa de ofício reduzida indevidamente pelo Contribuinte, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 07 51 /2 01 1- 17 Fl. 173DF CARF MF 2 Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 13.887,60, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2006. A fundamentação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não sido apresentada comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas além dos recibos e notas fiscais de prestação de serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos recibos apresentados pelos serviços médicos prestados, como segue: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do IRPF 2007, ano calendário 2006, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/ Santos. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 13.887,60, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O referido lançamento teve origem na constatação da(s) seguinte(s) infração(s): Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 32.135,99. Glosados pagamentos diversos. A motivação detalhada das glosas encontrase às fls. 11. Omissão de rendimentos do trabalho, no valor de R$ 22.521,96, recebidos da fonte pagadora Instituto de Pagamentos Especiais de São Paulo IPESP pela dependente Raziel, conforme DIRF e informe de rendimentos apresentado. De acordo com o documento de defesa, o sujeito passivo não questiona a(s) infração(s) de omissão de rendimentos e contesta parcialmente a glosa de despesas médicas. Desta forma, conforme previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, ratificado pelo art. 58 do Decreto 7.574/2011, considerase não impugnada a matéria Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10845.000751/201117 Acórdão n.º 2001000.733 S2C0T1 Fl. 174 3 que não foi expressamente contestada, razão pela qual a matéria não será objeto de discussão no presente julgamento. Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado, nos termos do inciso III do art. 80 do RIR/99, citado linhas acima. Cumpre informar ainda que somente podem ser deduzidas despesas médicas com os profissionais elencados no caput do art. 80, anteriormente transcrito, razão pela qual o documento probatório deve apresentar o número do registro profissional de quem o emitiu. Por fim, vale destacar que, por força do art. 73 do Decreto 3.000/99, a autoridade lançadora poderá, se julgar necessário, intimar o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento de determinadas despesas médicas informadas em sua declaração. Nesses casos, o sujeito passivo deve demonstrar de forma inequívoca a transferência de numerário ao profissional, apresentando para tanto, dentre outras provas, cópias de cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, comprovantes de depósito ou saques anteriores aos pagamentos, nos casos em que este último tenha sido efetuado em moeda corrente. A motivação das glosas efetuadas pela autoridade lançadora foi justamente o fato do contribuinte não ter comprovado o efetivo pagamento das despesas por meio de uma das formas elencadas linhas acima, bem como não ter demonstrado de forma inequívoca a efetiva prestação dos serviços. O fato do contribuinte alegar, em procedimento fiscal, que efetuou alguns pagamentos em moeda corrente e um deles em cheque nominal, não o exime da obrigação de demonstrar os saques que deram origem aos dispêndios, bem como a compensação dos referidos cheques em datas e valores compatíveis com os elevados gastos, mormente quando recebeu rendimentos exclusivamente de pessoas jurídicas. Quanto à alegação de que não teria a obrigação de apresentar novas comprovações acerca das deduções pleiteadas, vale lembrar que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade lançadora, nos termos do Art. 73 do Decreto 3.000/99, o Regulamento do Imposto de Renda e, ademais, o ônus probante é do interessado e não do fisco. (...) Fl. 175DF CARF MF 4 Por fim, relativamente à impugnação a posteriori quanto à não aceitação da redução da multa de ofício quando do recolhimento do imposto referente à matéria não impugnada, o texto constante da Notificação de Lançamento é claro quando diz que: "Se o pagamento for efetuado até o vencimento desta impugnação, a multa de ofício será reduzida em 50%." Ou seja, para que o recolhimento em questão fosse contemplado com a redução da multa seria necessário o pagamento até 30 dias da ciência formal da Notificação de Lançamento, o que ocorreu precisamente na data da própria impugnação, em 21/03/2011. Dessa forma, ao recolher o imposto correspondente à parte não impugnada, em 28/07/2011, o contribuinte o fez muito após o prazo previsto na Notificação de Lançamento. O argumento de que a Intimação a que se refere a Notificação é a de fls. 124, feita pela Equipe de Cobrança e Arrecadação de Santos tampouco prospera, uma vez que o § 1º do Art. 54 do Decreto 7.574/2011 determina o seguinte: "No caso de identificação de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original", que foi exatamente o caso dos autos, em que o contribuinte reconhece expressamente, no último parágrafo de sua peça impugnatória (fls. 08/09) as infrações de omissão de rendimentos recebidos por sua dependente, bem como a parte da glosa relativa à Unimed de Melissa Guimarães. Ante o exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo a infração apurada pela autoridade lançadora. A DRF de origem deverá observar que, em que pese o recolhimento do principal relativo ao imposto suplementar admitido pelo contribuinte, este foi feito com erro nos acréscimos legais (redução indevida de multa de ofício em 50%), razão pela qual o imposto, apesar de transferido para outro processo (Extrato às fls. 137/138), continuou vinculado ao presente processo como "Suspenso Julgamento da Impugnação", uma vez que o contribuinte questionou a não aceitação da redução da multa por parte do setor de cobrança. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a glosa das despesas médicas e o Lançamento do imposto suplementar no valor de R$ 13.887,60, que apartada do valor das infrações não contestadas e por consequência reconhecido o crédito tributário no valor de R$ 5.201,98, devendo este último ser recolhido no mesmo prazo da impugnação para usufruir da redução da multa de ofício em 50%. Aponta ainda a decisão do Acórdão vergastado que o recolhimento foi efetuado fora do prazo legal e, neste caso, de forma irregular porque não mais teria o benefício da redução da multa de ofício. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10845.000751/201117 Acórdão n.º 2001000.733 S2C0T1 Fl. 175 5 Houve intimação a fl. 46, pedindo documentos, que foi atendida tempestivamente pelo contribuinte, acostados aos autos a documentação de fls. 49/121. Nova Intimação datada de 20/06/2011, a fl. 124, dando prazo de 30 dias para o pagamento da parte da impugnação que o contribuinte concordou, o que foi feito tempestivamente por fls. 126/127, recolhidos aso cofres públicos R$ 11.561,55 em 28/07/2011(fl. 128). Nova Intimação datada de 02/08/2011, a fl. 130, encaminhado DARF válido para pagamento até 30/09/2011, cobrando R$ 1.682,38 sob a alegação que o atendimento à intimação anterior (pagamento do incontroverso) e o pagamento não mais cabia com redução de multa de 50%. Quanto à matéria não impugnada, o próprio contribuinte quando instado a fazêlo fez o recolhimento aos cofres públicos, como demonstrado está nos autos a fls. 124/128. E rebelouse por fls. 132/134, contra a imposição da diferença de fl. 130, mantida no r. Acórdão a fl. 146. Foi requerido a fl. 08, com esteio no art. 16 – IV, do Decreto 70.235/72, se diligencie informação no que tange as Declarações de Ajuste do Imposto de Renda do mesmo Exercício (2007) dos médicos que tiveram seus recibos glosados nestes autos, posto que, se esses médicos omitiram essas receitas, como pode parecer sugerir esta autuação, poderão ser alvo de ações regressivas por parte do contribuinte. É que se o permissivo do art. 73 do RIR permite a glosa, no caso de tais deduções não serem cabíveis, presumese que possa ou há de ser pela omissão dessa receita por parte dos médicos DENISE SANCHES LOPES, nº 251.296.03826, ÉLCIO MARTINS MENDES, CPF nº 134.025.30899, MARIA DE FÁTIMA M. MENEZES SENA, CPF nº 283.032.78886. (...) Não bastasse, a Dra. Denise Sanches Lopes informada do questionamento da DRF, prestou o informe de fl. 96; a Dra. Sabrina Buchmann Rossi fez o mesmo a fl. 97, tal qual o Dr. Élcio Martins Mendes, a fl. 98. (...) É que seja como for, à letra do art. 9º do Dec. 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.941 de 1999, “A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”, não foram trazidas provas termos, depoimento e laudos que provem a imputação da glosa, sendo que a despesa médica está comprovada quase toda por laudos e por recibos de próprio punho que atendem a legislação e estão em absoluta consonância com o severíssimo regramento do art. 73 do R IR (Decreto 3.000). (...) Fl. 177DF CARF MF 6 Ante o exposto, demonstrada a insubsistência parcial da ação fiscal no tocante à glosa – imotivada – de grande parte das despesas médicas, tendo já efetuado o recolhimento do valor incontroverso admitido pelo contribuinte, espera e requer o recorrente seja acolhido este RECURSO par o fim de ser cancelado o débito fiscal remanescente reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Omissão de Rendimentos apontada no Lançamento, fato que o Recorrente admite não ter oferecido a tributação, bem como parte das despesas reconhecidas como dedução indevida, razão pela qual tomou a iniciativa de promover o recolhimento do valor do imposto correspondente a esses itens constantes do Lançamento. DESPESAS MÉDICAS CONTESTADAS A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço ou nota fiscal de prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10845.000751/201117 Acórdão n.º 2001000.733 S2C0T1 Fl. 176 7 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser Fl. 179DF CARF MF 8 feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10845.000751/201117 Acórdão n.º 2001000.733 S2C0T1 Fl. 177 9 O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras Fl. 181DF CARF MF 10 garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade posta é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decreto lei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre profissional e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso de apontamento no Lançamento. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10845.000751/201117 Acórdão n.º 2001000.733 S2C0T1 Fl. 178 11 “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. Acolhese como verdadeira a prova apresentada que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem objetivamente. No caso, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas do beneficiário e, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos assinados por profissional habilitado. O Recorrente juntou ao processo os comprovantes e declarações dos profissionais de que as despesas médicas foram realizadas em atendimento ao próprio Contribuinte e declaram ter recebido os valores. Fl. 183DF CARF MF 12 Assim que, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica realizada, correspondendo à comprovação dos pagamentos das despesas, na forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas que corresponderam ao valor de R$ 8.685,62 de imposto suplementar, em vista de ter sido apensado aos autos cópia dos comprovantes de pagamento da prestação de serviço e sua vinculação ao Recorrente. Quanto à redução de 50% da multa de ofício essa se aplica para pagamento do valor do imposto lançado a partir da ciência do Lançamento, porquanto naquele momento se marca a aceitação e reconhecimento, por parte do Contribuinte, ser ele devedor da parte a não ser contestada. Neste sentido, a data limite para a apresentação da impugnação coincide com a data limite para pagamento da parte não contestada. Esclareçase, por oportuno, que a intimação de fl. 124, quando fixa o prazo de 30 dias a partir da ciência do aviso tem o efeito de alerta para o não cumprimento, caso em que o expediente deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para procedimentos de cobrança judicial, o que não se relaciona com o benefício da redução da multa como pleiteado no Recurso. Assim, improcedente o pedido de redução da multa. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas que corresponderam ao imposto suplementar de R$ 8.685,62, razão pela qual se faz imperioso o cancelamento da parte restante do Lançamento, vez que a parte não impugnada teve o imposto correspondente recolhido pelo Recorrente, embora pendente de recolhimento os 50% da multa de ofício reduzida indevidamente pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 184DF CARF MF
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Numero do processo: 10650.002058/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento até a decisão definitiva no PAF nº 10650.001065/2005-94, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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REALIZAÇÃO INCENTIVADA. INTERPRETAÇÃO LITERAL Recorrente VALE FERTILIZANTES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento até a decisão definitiva no PAF nº 10650.001065/200594, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1232.751, de 16/08/2010, da 2a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro que, por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação. Considerou devido o IRPJ no valor de R$ 1.047.193,75, acrescido de multa de ofício de 75% e de encargos moratórios, registrandose a seguinte ementa: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 50 .0 02 05 8/ 20 06 -9 1 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10650.002058/200691 Resolução nº 1302000.647 S1C3T2 Fl. 3 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO INCENTIVADA PAGAMENTO INTERPRETAÇÃO LITERAL. O artigo 111, I do CTN estabelece que se deve interpretar literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão de crédito tributário. O artigo 9o da Lei n° 9.532/1997 permitiu a quitação do total do saldo existente do lucro inflacionário com o pagamento de parcela correspondente a 10% do seu valor, não permitindo a extensão de tal benefício a outras formas de extinção do crédito tributário (Acórdão 10196148). LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA A partir de 1o de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda ou dois e meio por cento no caso de apuração trimestral. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. APRECIAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. COMPETÊNCIA DAS D RJ. A compensação de crédito relativo de tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição, com débitos próprios, vencidos ou vincendos, será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à RFB de declaração de compensação. Às DRJ competem apenas apreciar a manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente informou, em 27/12/2006, que seu saldo de lucro inflacionário existente em dezembro de 1998 foi realizado integralmente à alíquota incentivada de 10%, nos termos do art. 9º da Lei n° 9.532 de 1997. Salientou que, a formalização da opção da tributação incentivada ocorreu em fevereiro de 1999, mediante compensação desse imposto de renda devido sobre o lucro inflacionário, com o saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/1998. No entanto, a fiscalização concluiu que o procedimento adotado pela recorrente estaria em desacordo com o art. 455, § 2o, do RIR/99. Pois, em seu entendimento a legislação que dispunha sobre a realização integral do lucro inflacionário à alíquota incentivada condicionava a fruição de tal benefício à formalização da opção, por meio do pagamento do imposto (DARF), em cota única, até 31 de dezembro de 1998. Desse modo, a fiscalização registrou que a recorrente não teria formalizado, na DIPJ do anocalendário de 1999, a realização integral incentivada do lucro inflacionário, Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10650.002058/200691 Resolução nº 1302000.647 S1C3T2 Fl. 4 3 motivo pelo qual realizou o lançamento do imposto sobre a realização mínima de 10% ao ano, relativa ao período de 1999. Esse processo foi formalizado sob o número 10.650.001802/2004 78 (Delegacia da Receita Federal de Uberaba). Assim, a fiscalização recompôs o saldo do lucro inflacionário considerando como parcelas realizadas a partir de 1999, somente a realização mínima de 10% do saldo do lucro inflacionário existente em 31/12/1995, o que ocasionou novo lançamento fiscal contra a recorrente, relativo aos anos calendário de 2000 e 2001. Esse último lançamento encontrase formalizado sob o número 10650.001065/200594 (Delegacia da Receita Federal de Uberaba). Lavraramse, por conseguinte, dois autos de infração contra a recorrente, relativos aos anosbase de 1999 a 2001 (Proc. 10.650.001802/200478 e Proc. 10650.001065/200594). Em relação ao anobase de 2000, em decorrência da apuração de prejuízo fiscal nesse período, a fiscalização realizou a recomposição do saldo de prejuízo fiscal para sua posterior utilização em períodos posteriores, o que impactou em parcela da exigência apurada em 2002. Em decorrência da recomposição do saldo do lucro inflacionário e da glosa do prejuízo fiscal de 2000, em 28/12/2006, lavrouse contra a recorrente o auto de infração em questão, no valor de R$ 1.047.193,75 a título de Imposto de Renda, R$ 680.990,09 a título de juros moratórios e R$ 785.395,31 a título de multa, totalizando o valor de R$ 2.513.579,15, sob as seguintes alegações: a) os procedimentos fiscais revisaram a DIPJ 2003 n° 1249490, ano calendário 2002; b) glosa de prejuízos compensados: compensação de prejuízo fiscal apurado em 2000, no valor de R$ 2.367.568,48, tendo em vista a reversão de prejuízo após o lançamento das infrações constatadas nos períodos base de 2000 e 2001, objeto do processo n° 10650.01065/200594. Enquadramento legal: arts. 247; 250, III; 251, parágrafo único; 509 e 510 do RIR/1999; e c) adições não computadas na apuração do lucro real: ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real apurado na DIPJ/2003, ano calendário de 2002, do lucro inflacionário realizado, no valor de R$ 1.821.206,52, uma vez que não foi observado o percentual de realização mínima previsto na legislação de regência. Enquadramento legal: art. 8o da Lei n° 9.065/1995; arts. 6o e 7o, da Lei n° 9.249/1995. Arts. 249, inciso I, e 449, do RIR/1999. Destacase a seguinte conclusão do TVF: "Em análise eletrônica da Malha Pessoa Jurídica, do exercício 2003, anocalendário 2002, do contribuinte Fertilizantes Fosfatados SA Fosfertil, CNPJ 19.443.985/000158, verificouse que o mesmo declarou a menor o lucro inflacionário realizado para o ano calendário de 2002, não obedecendo à limitação mínima de 10%, conforme art. 449 do Decreto 3000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) (...) Como a omissão da realização do lucro inflacionário vem ocorrendo desde o ano calendário de 1999, conforme autos de infração lavrados, processos n°s 10.650.001802/200478 e 10650.001065/200594, houve alteração, pela fiscalização, nos anoscalendários de 2000 e 2001, do prejuízo fiscal ocorrido no ano de 2000 e do valor compensado no ano de 2001." Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10650.002058/200691 Resolução nº 1302000.647 S1C3T2 Fl. 5 4 A recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 16/09/2010 (fls. 118) e interpôs recurso voluntário tempestivamente, em 15/10/2010 (fls. 119/136), cujas razões são sintetizadas a seguir. a) o saldo de lucro inflacionário existente em dezembro de 1998 foi integralmente realizado à alíquota incentivada de 10%, nos termos do art. 9o da Lei n° 9.532 de 1997; b) a formalização da opção ocorreu em fevereiro de 1999, mediante compensação com o saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/1998; c) a fiscalização entendeu que o procedimento adotado estava em desacordo com o art. 455, § 2o do RIR/1999, motivo pelo qual lavrou auto de infração para exigilo o IRPJ relativo à realização mínima de 10% do lucro inflacionário no período base de 1999, objeto do processo 10650.001802/200478, pendente de julgamento na primeira instância; d) recomposto o saldo de lucro inflacionário, foi lavrado auto de infração relativo aos anos calendário de 2000 e 2001, processo n° 10650.001065/200594, também pendente de julgamento; e) desde fevereiro de 2004 encontrase decaído o direito de o Fisco efetuar lançamento relativo à opção da realização incentivada do lucro inflacionário, mesmo que não tenha informado tal realização na declaração de rendimentos; f) o art. 9o da Lei n° 9.532/1997 foi objeto de regulamentação pelo Poder Executivo nos termos do art. 455 do RIR/1999, que criou condição, qual seja a estipulação de prazo até 31 de dezembro de 1998 para a opção do contribuinte, não fixada na Lei n° 9.532/1997; g) ainda que a determinação do prazo pudesse ser entendida como matéria passível de regulamentação, considerando que o próprio direito ao incentivo não foi afetado, a lei deveria atribuir expressamente competência para regulamentação do prazo por meio de Decreto; h) considerando que tal contribuição não ocorreu, concluise que o Decreto extrapolou o texto da Lei n° 9.537/1996 ao impor condições restritivas do direito de opção; i) na disposição específica em lei, deveria ter sido observado o prazo genérico para pagamento do imposto de renda apurado no encerramento do período de apuração, previsto no art. 6o, §1°, inciso I da Lei n° 9.430/1996, qual seja o último dia do mês de março do ano subsequente; j) assim, a opção realizada em 28/02/1999 dever ser validada; k) nos termos do art. 9o, § 2o da Lei n° 9.532/1997, a formalização da opção se dá quando do pagamento em quota única do imposto de renda devido sobre o saldo de lucro inflacionário existente em 31/12/1998; l) formalizou a opção por meio da compensação de saldo negativo de IR apurado no ano de 1998 justamente por se tratar de uma das formas de extinção do crédito tributário previsto no art. 156 do CTN, efeito equivalente ao do pagamento; m) são notórias as vantagens da compensação, em razão do simples encontro de conta dos créditos e débitos recíprocos, eliminandose repetidos lançamentos pelo Fisco e repetições de indébito pelo contribuinte; Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10650.002058/200691 Resolução nº 1302000.647 S1C3T2 Fl. 6 5 n) nos termos do art. 14 da Instrução Normativa n° 21/1997, a próprio Receita Federal demonstra que o próprio pagamento é feito pela via da compensação, como ocorreu no presente auto de infração; o) se a Lei n° 9.532/1997 desejasse obstar a compensação como meio de realizar integralmente o lucro inflacionário deveria têlo feito expressamente, assim como fizeram o art. 31 da Lei n° 8.541/1992 e o art. 7o da Lei n° 9.249/1995, que autorizaram, em períodos anteriores, a mesma tributação incentivada do lucro inflacionário, mas de forma exclusiva; p) na remota hipótese de ser desconsiderada a realização integral incentivada, a fiscalização deveria ter efetuado a imputação do imposto efetivamente compensado para apurar novo saldo para lançamento da realização mínima; q) caso adotado tal procedimento, seria confirmado que o imposto compensado em fevereiro de 1999 (R$ 1.274.844,57) foi muito superior ao exigido pela legislação (R$ 455.301,62); r) a falta de apresentação de pedido de compensação não é suficiente para desconsiderar a realização efetuada, pois quando vigorava o art. 14 da Instrução Normativa nr. 21/1997 a compensação podia ser realizada independentemente de pedido ou autorização, por se tratar de tributo da mesma espécie; s) foi informado o pagamento por meio de compensação durante a fiscalização, haja vista a inexistência de campo próprio na DIPJ ou na DCTF; t) conforme entendimento do Conselho de Contribuintes, a fiscalização tem o dever de considerar as informações fornecidas pelos contribuintes antes da lavratura do auto de infração, além disso tratase de erro de fato incorrido ao preencher a ficha da DIPJ do ano calendário de 1999 relacionada à demonstração da realização do lucro inflacionário; u) por respeito à verdade material, é descabida a cobrança do crédito tributário aqui discutido; v) para fins de argumentação, se não for abatido o IR compensado develhe ser dado o direito à reconstituição desse crédito para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal. Na primeira oportunidade que o recurso voluntário foi submetido ao Carf, converteuse o julgamento em diligência (Resolução nº 1202000.240, de 06/05/2014, da 2a. Câmara da 2a. Turma Ordinária da 1a. Seção de Julgamento) para a aguardar o trânsito em julgado do Acórdão da CSRF, nos autos do Proc. 10650.001802/200478 (na data da respectiva sessão, ainda não havia transcorrido o prazo para a interposição de embargos de declaração). Com o trânsito em julgado e diante dos fatos registrados em despachos, os autos foram sorteados para julgamento do recurso voluntário. Posteriormente, para reforçar suas razões, em 19/09/2016, a recorrente juntou a petição e decisão de fls. 179/183, as quais apresentam decisão da 1a. Turma da CSRF, relativa ao Proc. 10650.000381/200719, relativo à própria recorrente, envolvendo as mesmas questões aqui tratadas, distinguindose somente em relação ao período em questão (anos calendário 2003 e 2004 neste processo, ano calendário 2002), em que concluiuse que poderia ser acolhida a compensação (e não só o pagamento literal) para a formalização da opção de que trata o referido art. 9º, § 2º da Lei n° 9.532/1997, e que teria havido a decadência do direito de lançamento. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10650.002058/200691 Resolução nº 1302000.647 S1C3T2 Fl. 7 6 É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Conheço do recurso voluntário, à vista da interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Observase que, entendeuse como sendo devido o sobrestamento deste processo (referida Resolução nº 1202000.240, de 06/05/2014, da 2a. Câmara da 2a. Turma Ordinária da 1a. Seção de Julgamento) para a aguardar o trânsito em julgado do Acórdão da CSRF, nos autos do Proc. 10650.001802/200478. À época, já havia Acórdão da Câmara Superior (mas não havia trânsito em julgado) reconhecendo o direito de a Recorrente utilizarse de compensação (e não de pagamento em DARF) para extinguir o crédito tributário relativo a Lucro Inflacionário, com o benefício de 10%. Da mesma forma, portanto, sem adentrar na análise das demais razões de recurso da recorrente, verificase que há a necessidade de se sobrestar, mais uma vez, o feito para aguardar o julgamento definitivo do referido Proc. 10650.001065/200594, considerando que a decisão definitiva naqueles autos também refletirá nestes autos. Isto é, uma vez acolhida a extinção do crédito tributário na forma de compensação, este perderá seu objeto. Assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até decisão definitiva no Proc. 10650.001065/200594. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 341DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.003110/2004-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/01/2000
RECURSO DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA EM VIGOR NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 103.
Sendo o valor do crédito tributário exonerado inferior ao limite de alçada em vigor na data de hoje, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, em cumprimento ao quanto disposto na Súmula CARF n° 103.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2000
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Após a edição da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, o lançamento de ofício que versasse sobre débito de tributo informado em DCTF passou a restringir-se à multa isolada, aplicável nas hipóteses relacionadas no caput do art. 18 daquele diploma legal. Sendo assim, reputa-se ilegal a realização de lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, para constituição e cobrança de crédito tributário relativo a valores que estavam declarados anteriormente em DCTF.
Numero da decisão: 3401-005.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, em função de nulidade no lançamento. Os Cons. Marcos Antonio Borges, Tiago Guerra Machado e Rosaldo Trevisan acompanharam pelas conclusões em relação ao recurso voluntário, por entenderem ser caso de improcedência, e não nulidade do lançamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo, Lázaro Antônio Souza Soares e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli. Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA EM VIGOR NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 103. Sendo o valor do crédito tributário exonerado inferior ao limite de alçada em vigor na data de hoje, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, em cumprimento ao quanto disposto na Súmula CARF n° 103. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2000 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Após a edição da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, o lançamento de ofício que versasse sobre débito de tributo informado em DCTF passou a restringirse à multa isolada, aplicável nas hipóteses relacionadas no caput do art. 18 daquele diploma legal. Sendo assim, reputase ilegal a realização de lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, para constituição e cobrança de crédito tributário relativo a valores que estavam declarados anteriormente em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, em função de nulidade no lançamento. Os Cons. Marcos Antonio Borges, Tiago Guerra Machado e Rosaldo Trevisan AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 31 10 /2 00 4- 92 Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 321 2 acompanharam pelas conclusões em relação ao recurso voluntário, por entenderem ser caso de improcedência, e não nulidade do lançamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo, Lázaro Antônio Souza Soares e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli. Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório 1. Trata o presente caso de lavratura de Auto de Infração, com ciência em 28/12/2004, para cobrança de COFINS referente ao período de Janeiro de 2000, no valor de R$2.890.000,00. O referido tributo foi objeto de compensação com créditos de terceiros, no caso, da Ford Brasil Ltda, a qual tramita no processo administrativo nº 13819.001438/0024. 2. Segundo consta no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (TVF), às fls. 35 e 36, a origem do crédito da Ford Brasil Ltda está no processo administrativo nº 13819.000531/0094, que trata de pedido de restituição de IRRF do anocalendário de 1995, no montante de R$4.021.960,11. O despacho do SEORT/DRF/SBC (fls. 31 a 33), deferiu parcialmente a restituição no valor de R$336.777,85, insuficiente para extinguir os débitos próprios compensados e cronologicamente anteriores à compensação realizada pela Ford Motor Company Brasil Ltda. 3. Conforme descrito no termo Informação Fiscal, às fls. 24 a 28, foi considerado ilegítimo o crédito repassado pela Ford Brasil Ltda e, por conseqüência, indevida a compensação efetuada pela Ford Motor Company Brasil Ltda. Essa irregularidade ensejou a constituição de crédito tributário relativo à COF1NS por meio de Auto de Infração neste processo administrativo nº 13819.003110/2004 92. 4. O contribuinte, irresignado, apresentou Impugnação em 27/01/2005, às fls. 54 a 66, na qual reafirma seu direito ao crédito de IRRF no exato montante pleiteado e questiona a multa de ofício que lhe fora aplicada, nos seguintes termos: 3. NO MÉRITO: Conforme se infere da leitura dos autos, no curso do ano calendário de 1995 a sociedade denominada Autolatina Brasil S/A, possuía créditos fiscais decorrentes da retenção do imposto sobre a renda na fonte, quer sobre os rendimentos de aplicações Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 322 3 financeiras, quer sobre os serviços prestados a outras pessoas jurídicas. Ora, em decorrência da extinção da Autolatina Brasil S/A, não há qualquer dúvida que a parte proporcional do saldo de IRRF foi transferida para a Ford Indústria e Comercio e, posteriormente, para a Ford Brasil Ltda por sucessão. Como não poderia deixar de ser, sendo legitima titular dos créditos de IRRF "herdados" da Autolatina Brasil, a Impugnante formulou as retificações em seus registros contábeis, tempestivamente, e formulou os competentes requerimentos perante a Administração Pública, para a sua recuperação, mediante compensação própria, e quando permitido, por terceiros, como e o caso da ora Impugnante. (...) Não se sabe exatamente o porque, mas pelo que se extrai da leitura do referido entendimento, concluiu a autoridade administrativa que pelo fato do imposto ter sido retido da Autolatina Brasil S/A., que a sua sucessora não faria jus ao credito fiscal. (...) 4. DA MULTA APLICADA: Por outro lado, ainda que o referido credito tributário em questão não estivesse integralmente extinto pelo pagamento, o que só se admite por puro amor à argumentação, ainda assim a multa de 75% (setenta e cinco por cento) aplicada no presente caso e abusiva e ilegal, vejamos. Em primeiro lugar, porque como dispõem os Decretos Leis n.° 1.736, de 20/12/1979 e 2.124, de 13/06/1984, é incabível a aplicação da multa de lançamento de oficio sobre débitos confessados espontaneamente na DCTF. Ademais, acompanhando este entendimento, a própria Secretaria da Receita Federal editou, em 05/05/1998 a Instrução Normativa n.° 45/98 que determina expressamente que os débitos confessados em DCTF devem ser encaminhados para a inscrição como divida ativa imediatamente ao termino do prazo para o seu recolhimento (artigo 2°). Corroborando este entendimento da Impugnante está a uníssona jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes que por diversas vezes assim se pronunciou sobre a matéria: (...) Pelo que se verifica das decisões supra, é incabível a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre os créditos tributários informados em DCTF, razão pela qual, ainda que o credito tributário lido estivesse totalmente extinto pelo pagamento, esta seria absolutamente inaplicável ã espécie. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 323 4 Ante todo o exposto, da análise dos fatos, e provas constantes nos autos do presente processo administrativo, a única conclusão hábil a que se pode chegar, é pela improcedência do lançamento, não havendo como manter a exigência fiscal da autuação aqui impugnada, como requer, e aguarda. 5. A 5ª Turma da DRJCampinas (DRJCPS) exarou o Acórdão nº 0523.485 na Sessão datada de 26/09/2008, às fls. 158 a 163, nos seguintes termos: Ocorre que a ora impugnante, embora possa ser beneficiada pelos créditos pleiteados naquele processo em face do pedido de compensação com débito de terceiro de fls. 06/07, apresentado antes da Instrução Normativa SRF n° 41/2000, não detém legitimidade para questionar a decisão de reconhecimento parcial do direito creditório, na medida em que não é a requerente e detentora dos créditos. E, ainda que fosse superada a questão da legitimidade, os questionamentos acerca do Despacho Decisório da DRF/São Bernardo do Campo de n° 368/04 deveriam ser apresentados nos autos em que fora proferido, no qual, inclusive, é ressaltada a possibilidade de contestação junto a Delegacia de Julgamento (fls. 19). (...) Por outro lado, há que se considerar que o lançamento ora em discussão seria dispensável, na medida em que, conforme se constata na pesquisa juntada as fls. 73/80, o contribuinte informou em DCTF, tanto na original como nas retificadoras, débito de Cofins de janeiro de 2000 no valor de R$ 5.926.726,83, vinculando a parcela de R$ 2.890.000,00 à compensação com processo administrativo 13819.000531/0094, parcela essa objeto da presente autuação. Assim, quando da ciência da autuado, o débito já se encontrava informado em DCTF — declaração que constitui instrumento de confissão de divida nos termos do art. 5º do Decretolei no 2.124/84. Além disso, quando da formalização da exigência, em 2004, já havia sido alterado o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que em sua redação original dispunha: (...) O escopo de tal dispositivo foi reduzido pela Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, que assim dispôs: (...) Todavia, ainda que possa ser dispensável (tendo em conta as disposições do art. 18 da Lei 10.833, de 2003) e não se verificando, no caso, a conversão do pedido de compensação em declaração de compensação, não é inválido o lançamento de débitos incluídos em DCTF. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 324 5 (...) Assim, ao constatar que não houve recolhimento da contribuição, por insuficiência do crédito apontado em compensação apenas parcialmente admitida, a autoridade fiscal lavrou o auto de infração em comento, o que constitui um documento perfeitamente hábil para formalizar valores devidos a titulo de Cofins, cabendo apenas à administração tributária cuidar de evitar que o crédito tributário seja cobrado em duplicidade. Já, no tocante à multa de oficio, não deve prevalecer sua exigência. Primeiro, porque se trata de débito declarado em instrumento que configura confissão de divida, passível de cobrança apenas com acréscimos moratórios. (...) (...) Consignese, neste ponto, que, embora se trate aqui de compensação com crédito de terceiro expressamente vedada a partir da Instrução Normativa SRF 41, de 2000, bem como hipótese para a qual passou a ser prevista a multa de oficio isolada a partir da Medida Provisória 135, de 2003 , o pedido de compensação, como já mencionado, foi protocolizado em 07/04/2000 (fls. 06/07), na vigência da IN SRF 21/97, e a possibilidade de compensação com crédito de terceiro só veio a ser vedada com a citada IN SRF 41, publicada em 10/04/2000. 6. Em 13/11/2008 o contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra a decisão da DRJCPS, às fls. 206 a 214, nos seguintes termos: 3. NO MÉRITO: Inicialmente cumpre esclarecer que a alegação de ausência de legitimidade da Recorrente para discutir o reconhecimento do credito que extinguiria os débitos ora exigidos não merece prosperar, uma vez que o credito utilizado na compensação em questão foi cedido pela pessoa jurídica denominada Ford do Brasil LTDA. em favor da ora Recorrente, procedimento este amparado pela legislação em vigor à época dos fatos. Ou seja, a cessão de créditos realizada efetivamente transferiu a responsabilidade sobre estes à ora Recorrente, o que, indubitavelmente, a torna competente para discutir sua liquidez e certeza. (...) Inclusive, a decisão ora recorrida, como acima demonstrado, fundamentouse em dispositivos legais que não contrariam o procedimento adotado no requerimento de restituição, nem criam obstáculos a que se proceda à transferência do credito decorrente do IRRF quando de uma cisão, o que torna a decisão recorrida manifestamente equivocada. (...) Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 325 6 4. DO PEDIDO: Pelas razões aqui expostas a Recorrente, confiante no bom senso de V.Exas. espera, e requer, que sejam julgadas improcedentes as exigências fiscais de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, multa e juros de mora e quaisquer outras exigências que dela decorram, por ser medida da mais lídima exemplar justiça fiscal. 7. Em sessão datada de 19/03/2015, esta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara decidiu, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos seguintes termos: Considerando que: a) o deslinde do presente processo administrativo está intrinsecamente relacionado ao reconhecimento do crédito a ser analisado no Processo Administrativo n° 13819.000531/0094, o qual foi incluído em pauta para julgamento pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; b) que o pedido de compensação que deu causa à lavratura do presente auto de infração encontrase nos autos do Processo Administrativo nº 13819.001438/0024, que, por sua vez, também aguarda julgamento pela ;ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção. Proponho a conversão do presente feito em diligência, baixando para a delegacia de origem para que aguarde até o julgamento em definitivo dos dois processos administrativos indicados acima, quando proferidas as decisões das quais não caibam mais recurso. 8. Em nova sessão, datada de 23/05/2017, esta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara decidiu, por unanimidade, converter novamente o julgamento do recurso em diligência, para que a unidade de jurisdição local junte a este processo a informação na qual analisou conclusivamente a existência de suficiência e disponibilidade dos créditos pleiteados no processo administrativo nº 13819.000531/0094 e liquidou o crédito pleiteado, bem como no processo nº 13819.001438/0024, identificando os valores de crédito e débito, disponíveis, utilizados e destinados e as compensações homologadas e não homologadas. 9. Em 30/01/2018 foi exarado o Despacho Decisório DRF/SBC/SEORT nº 18, no processo administrativo nº 13819.000531/0094, com a seguinte decisão: Diante do exposto, pelas competências atribuídas pela Portaria MF nº 430/2017, art. 286, I, dentro dos procedimentos previstos pela Portaria Conjunta SUARA/SUFIS nº 01/2016, arts. 9º e 10º e Instrução Normativa nº 1.717/2017, art. 161, considerando ainda as determinações contidas no Acórdão nº 1101001.276 – 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 508/522), que considerou válidas as retenções de IRRF decorrentes da cisão e posterior Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 326 7 incorporação da AUTOLATINA, RECONHEÇO DIREITO CREDITÓRIO, em favor do contribuinte FORD DO BRASIL LTDA – EM LIQUIDAÇÃO, CNPJ 57.290.355/0000180, no valor de R$4.912.521,23 (quatro milhões, novecentos e doze mil, quinhentos e vinte e um reais e vinte e três centavos) e HOMOLOGO AS COMPENSAÇÕES DECLARADAS até o limite do crédito reconhecido, conforme as tabelas dispostas no corpo deste Despacho. 10. Em 09/05/2018 o Recorrente apresentou petição requerendo que fosse dado provimento integral ao Recurso Voluntário, tendo em vista que o crédito em discussão fora reconhecido e seria bastante para liquidar o débito de COFINS, cancelando, assim, o Auto de Infração. O requerimento está assim fundamentado: Embora a DRF de São Bernardo do Campo não tenha feit9 o encontro de contas entre o crédito reconhecido e o débito de COFINS vinculado, dúvidas não restam quanto ao fato de que o crédito é suficiente para quitar o débito de COFINS e que, obviamente, a compensação não foi indevida — eis que o crédito era legítimo e acabou sendo reconhecido em quase sua totalidade. O crédito de R$ 2.659.009,76, apurado no anocalendário de 1995, é mais do que suficiente para quitar o débito de COFINS de R$2.890.000,00, apurado em janeiro de 2000. Dessa forma, a Requerente, utilizando dos mesmos critérios de cálculo utilizados pela autoridade fiscal no Despacho Decisório nº 18, de 30/01/2018, demonstra abaixo, para não restar qualquer dúvida, que o crédito reconhecido é bastante para liquidar o débito de COFINS: Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 327 8 11. No processo administrativo nº 13819.000531/0094, no sistema E processo, consta a seguinte Nota de Processo: 12. No processo administrativo nº 13819.001438/0024 consta, em seu último documento, à fl. 11, Despacho exarado pelo SEORT da DRFSBC nos seguintes termos: Em conformidade com o Acórdão n° 23.483 de 26/09/2008 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas relativo ao processo nº 13819.000531/0094, os documentos acostados às fls. 10/14 foram desentranhados do presente processo e transferidos para o processo n° 13819.000531/0094. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 328 9 13. O processo administrativo nº 13819.000531/0094 se encontra, atualmente, no serviço de apoio do SEORT da DRFSBC: 14. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator RECURSO DE OFÍCIO 15. Na verificação dos pressupostos de conhecimento do Recurso de Ofício, deve ser observado o valor de alçada fixado por Portaria do Ministério da Fazenda vigente à época do respectivo julgamento, nos exatos termos da Súmula n° 103 do CARF: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. 16. O valor exonerado pela DRJ foi de R$ 2.167.500,00. Como o valor exonerado foi inferior ao limite de alçada de R$2.500.000,00, prescrito na Portaria MF n° 63/2017, vigente na data deste julgamento, voto por não conhecer deste Recurso de Ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO 17. O art. 5º, § 1º, do DecretoLei (DL) nº 2.124, de 13 de junho de 1984, estabeleceu que o documento que formalizasse o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário (declaração de débitos), constituirseia confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à cobrança. A redação da referida norma tinha a seguinte forma: Art 5º. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 329 10 § 2º. Não pago no prazo estabelecido pela legislação, corrigido monetariamente e acrescido da multa de 20% e dos juros demora devidos, poderá ser inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do art 7º do DL 2.065, de 26/10/1983. 18. Com base no aludido dispositivo legal, a Secretaria da Receita Federal (SRF) poderia cobrar o débito confessado, inclusive encaminhálo à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sem a necessidade de lançamento de ofício do crédito tributário. 19. Contudo, o art. 90 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, determinou que se procedesse ao lançamento de todas as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados. A exegese do referido dispositivo era a de que apenas os “saldos a pagar” informados em DCTF constituiriam confissão de dívida. A cobrança dos demais valores, apurados como devidos e vinculados indevidamente a formas de extinção ou suspensão do crédito tributário, passaram a depender de procedimento de ofício. 20. Dispunha o art. 90 da referida MP nº 2.15835: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. 21. Assim, após agosto de 2001, caso o débito constasse em DCTF como vinculado a qualquer das modalidades de suspensão ou extinção do crédito tributário (dentre elas a compensação), faziase necessário, para dar cumprimento ao art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, o lançamento de ofício das parcelas declaradas como suspensas/extintas. 22. Tal sistemática perdurou até a edição da MP nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, cujo art. 18 derrogou o art. 90 da MP 2.15835 para dispensar o lançamento de ofício de débitos de tributos informados em DCTF. O art. 18 da referida MP assim dispôs: Art 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º. Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 330 11 §2º. A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º. Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. 23. Conforme o ditame normativo supra, o lançamento de ofício que versasse sobre débito de tributo informado em DCTF passou a restringirse à multa isolada, aplicável nas hipóteses relacionadas no caput do citado art. 18. Em tais casos, a verificação da informação indevida relativamente à vinculação do débito (compensação indevida, por exemplo), darseia mediante procedimento interno de auditoria, conforme previsão do art. 9º da Instrução Normativa (IN) SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, abaixo reproduzido: Art. 9º. Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem assim os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas, prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. 24. Portanto, na data de 28/12/2004, quando foi dada ciência do Auto de Infração, já estava vigente a MP nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833/2003. Logo, o lançamento que hora de discute não deveria ter ocorrido, por absoluta falta de base legal. Observese que o art. 18 da MP 135/2003 traz uma limitação ao procedimento de lançamento, ao dispor que "O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de... e aplicarseá unicamente nas hipóteses de...". O AuditorFiscal, no entanto, não obedeceu a este comando legal, fazendo o lançamento de tributo já confessado em DCTF. 25. O Acórdão da DRJ dispõe que, "ainda que possa ser dispensável, não é inválido o lançamento de débitos incluídos em DCTF. (...) cabendo apenas à administração tributária cuidar de evitar que o crédito tributário seja cobrado em duplicidade." Entretanto, discordo desse entendimento. A meu ver, o lançamento não era apenas dispensável, mas sim contrário ao disposto em lei. 26. Se o crédito tributário já estava devidamente constituído, sendo sua confissão em DCTF suficiente para que se procedesse, se fosse o caso, à sua inscrição em Dívida Ativa da União, o ato administrativo estava desprovido de motivação. Não havia qualquer razão para que a Autoridade Tributária fizesse o lançamento. 27. Tal conduta trouxe consequencias indesejáveis, em especial para o contribuinte, que teve a necessidade de preparar defesa administrativa, em primeira e segunda instâncias. Para a Administração Tributária, trouxe a necessidade de realizar um julgamento em primeira instância e mais três em segunda instância, incluindo este, sendo que os dois anteriores foram convertidos em diligência. Ou seja, moveu toda a pesada máquina Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 331 12 administrativa de forma desnecessária. Para piorar, como bem ressaltado na decisão da DRJ, há a necessidade de um cuidadoso controle com esses processos, pois além de tudo ainda existe a possibilidade de o contribuinte ser cobrado em duplicidade. 28. O procedimento de lançamento está previsto no art. 142 do CTN. Conforme seu parágrafo único, esta atividade é vinculada e obrigatória, ou seja, não é ato administrativo discricionário. Logo, entendo que, da mesma forma como a Autoridade Tributária, constatando uma infração, não pode optar por não realizar o lançamento, ela também não pode, não existindo razão alguma para lançar, optar por fazêlo. O lançamento ou deve ser feito, obrigatoriamente, ou não deve ser feito, também obrigatoriamente. 29. Nesse sentido, as seguintes decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: A) Acórdão nº 140200.468 – Primeira Seção de Julgamento 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 25/02/2011: DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Após a edição da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, o lançamento de ofício que versasse sobre débito de tributo informado em DCTF passou a restringirse à multa isolada, aplicável nas hipóteses relacionadas no caput do art. 18 daquele diploma legal. Sendo assim, tornouse incabível a realização de lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, para constituição e cobrança de crédito tributário relativo a valores que estavam declarados anteriormente em DCTF. (...) Então, no caso em tela, conforme a legislação vigente na data da ciência do auto de infração, o procedimento de ofício correto deveria ter sido o de lançar exclusivamente a multa isolada prevista no caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, já que os débitos do tributo (IPI) indevidamente compensados nas DCTFs apresentadas encontravamse, nos termos desse art. 18 e do art. 5º, § 1º, do DL nº 2.124, de 1984, de 2003, devidamente confessados em instrumento hábil para a sua cobrança, constituindose, pois, em crédito tributário da União dotado de plena legitimidade. (...) (...) Com efeito, mostrase IMPROCEDENTE o lançamento de ofício formalizado no auto de infração de fls. 205/208, pois o crédito tributário já estava constituído em instrumento hábil e suficiente para a sua cobrança – as DCTFs de fls. 113/120. B) Acórdão nº 9303002.215 – Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Turma, Sessão de 13/03/2013: COMPENSAÇÃO. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO E, POR CONSEQUÊNCIA, DA MULTA DE OFÍCIO. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 332 13 Após a edição da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, o lançamento de ofício que versasse sobre débito de tributo informado em DCTF passou a restringirse à multa isolada, aplicável nas hipóteses relacionadas no caput do art. 18 daquele diploma legal. Sendo assim, tornouse incabível a realização de lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, para constituição e cobrança de crédito tributário relativo a valores que estavam declarados anteriormente em DCTF e, da mesma forma, para exigência de multa de ofício. (...) Quanto a esse aspecto, no entanto, a jurisprudência administrativa é assente no sentido de que a declaração em DCTF constitui confissão de dívida e, por conseguinte, os débitos ali declarados prescindem de lançamento, podendo ser exigidos diretamente do contribuinte, inclusive com a inscrição em Dívida Ativa sem que seja lavrado auto de infração. Portanto, não há necessidade de lançamento do principal, tampouco se pode efetuar lançamento de multa de ofício. 30. Pela desnecessidade de lançamento de ofício também já se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça em julgamento sob o regime de Recursos Repetitivos, e com base na Súmula 436/STJ: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO DE O FISCO COBRAR JUDICIALMENTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (IN CASU, DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS). (...) 4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 5. O aludido entendimento jurisprudencial culminou na edição da Súmula 436/STJ, verbis: "A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 333 14 (...) 19. Recurso especial provido, determinandose o prosseguimento da execução fiscal. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1120295/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/05/2010, DJe 21/05/2010) 31. Observase, da leitura da Impugnação, que o pedido de cancelamento do Auto de Infração não foi feito com base no fundamento aqui exposto. Contudo, entendo que tal questão, sendo relacionada ao interesse de agir, uma das condições da ação, é matéria de ordem pública, cognoscível de ofício em qualquer instância. 32. Na primeira teoria de Liebman, as condições da ação eram: legitimidade, interesse e possibilidade jurídica. Posteriormente, Liebman alterou sua teoria quanto às condições da ação, para reduzila a duas, quais sejam: o interesse de agir e a legitimidade, retirando a possibilidade jurídica do pedido como integrante das condições da ação. 33. O Código de Processo Civil brasileiro de 1973 adotou a primeira teoria de Liebman quanto às condições da ação. No entanto, assim dispôs o artigo 17 do CPC/15: “Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade”. Seguindo a tendência da moderna doutrina, o Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 17, restringiu as condições da ação a apenas duas, quais sejam: o interesse e a legitimidade, alocandoas como pressupostos processuais, relativos ao juízo de admissibilidade da ação, não havendo mais, propriamente, a categoria das "condições da ação". 34. Interesse é utilidade. Consiste numa relação de complementaridade entre a pessoa e o bem, tendo aquela necessidade deste para a satisfação de uma necessidade da vida. Há o interesse de agir quando o provimento jurisdicional postulado for capaz de efetivamente ser útil ao demandante, operando uma melhora em sua situação na vida comum — ou seja, quando for capaz de trazerlhe uma verdadeira tutela. 35. No presente caso, estando o débito de Cofins declarado em DCTF, podendo ser cobrado e, se não pago, inscrito diretamente em Dívida Ativa da União; e já tendo sido cancelada a multa de ofício de 75%, não há qualquer interesse para a União em ter dois processos tramitando para cobrança do mesmo débito, pois um provimento favorável neste processo não poderá acarretar um duplo recebimento, caracterizando enriquecimento ilícito do Estado. Logo, nenhum proveito existe neste processo, ainda mais quando a legislação determina que a cobrança ocorra através da DCTF, e não de Auto de Infração. 36. Além disso, conforme já discorrido, a autuação se deu de forma contrária ao previsto na legislação. Há, em meu entender, um ato administrativo viciado pela ilegalidade. O art. 53 da Lei n° 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo em âmbito federal, prevê o seguinte: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 334 15 37. Tanto a ausência de um pressuposto processual, o interesse de agir, como a constatação de um ato viciado pela ilegalidade, são matérias cognoscíveis de ofício. Nesse contexto, tendo em vista a ausência do interesse de agir e a ilegalidade da autuação, voto por anular o Auto de Infração. 38. Nesse sentido, as seguintes decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: A) Acórdão nº 2202003.740 – Segunda Seção de Julgamento 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 16/03/2017: CONHECIMENTO DE OFÍCIO DA MATÉRIA RELATIVA À RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A responsabilidade solidária, por envolver questão de legitimidade das partes, que é pressuposto processual e matéria de ordem pública, deve ser conhecida em qualquer grau de jurisdição, ainda que de ofício. (...) Embora o recurso interposto pelo sr. Jaime Valler seja intempestivo, é de se apreciar a questão da sua responsabilidade solidária, pois se trata de legitimidade das partes, sendo pressuposto processual e matéria de ordem pública, devendo ser conhecida em qualquer grau de jurisdição, ainda que de ofício. Transcrevo a seguir trecho do voto condutor nesse sentido, da lavra da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no Acórdão nº 2401003.554, de 17/07/2014: A preclusão só incidirá sobre as questões cuja ausência de argüição na época oportuna, refirase a assunto de disponibilidades das partes, ou seja, não afeta questões de ordem pública. Neste casos, entendo que não se aplica a preclusão, podendo a decisão ser revista a qualquer tempo ou grau de jurisdição, ou mesmo apreciado novo argumento, independente em que momento a matéria tenha sido argüida. Encontramse dentre matérias que não são alcançadas pela preclusão: Condições da ação, pressupostos processuais, nulidades absolutas, erros materiais e prescrição. B) Acórdão nº 9303003.834 – Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Turma, Sessão de 28/04/2016: NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. LEGITIMIDADE PASSIVA. Aplicamse, subsidiariamente, ao processo administrativo fiscal as normas do Código de Processo Civil, como a do seu art. 485 (antigo 267) que permite o conhecimento de ofício das matérias de ordem pública ali expressamente enumeradas, entre as quais consta a legitimidade das partes. (...) Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 335 16 É que aqui, diferentemente da ocorrida no processo mencionado, tratamos de matéria de ordem pública expressa no § 3º do art. 485 da Lei 13.105/2015 (atual Código de Processo Civil): Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...) IV verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; VI verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; (...) IX em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; e (...) § 3º O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. (...) De sorte que, para que pudéssemos deixar de aplicar esse entendimento, necessário explicitar por que o CPC não se aplicaria, ainda que subsidiariamente, ao processo administrativo fiscal, o que não vislumbro no voto do e. relator. C) Acórdão nº 2002000.148 – Segunda Seção de Julgamento Turma Extraordinária / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 23/05/2018: LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Cabe ao CARF o controle da legalidade do lançamento. A nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo deve ser reconhecido de ofício por ser matéria de ordem pública. (...) Embora a legalidade do ato administrativo não tenha sido questionada pelo recorrente, entendo que se trata de matéria de ordem pública, cabendo sua análise nestes autos. 39. Destaco que, a despeito do quanto exposto neste voto, o SEORT da DRFSBC já se manifestou acerca do direito creditório nos autos do processo administrativo nº 13819.000531/0094, através do Despacho Decisório nº 18, de 30/01/2018, atestando a sua existência no montante de R$ R$ 4.912.521,23. O recorrente apresentou petição em 09/05/2018, às fls. 284 a 286, demonstrando que, segundo seus cálculos, o saldo restante seria Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13819.003110/200492 Acórdão n.º 3401005.418 S3C4T1 Fl. 336 17 suficiente para liquidar o débito de COFINS aqui discutido, já confessado em DCTF e cuja compensação deve tramitar através do processo administrativo nº 13819.001438/0024, apenso ao processo administrativo nº 13819.000531/0094. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício, e por conhecer e dar provimento integral ao Recurso Voluntário, para decretar a nulidade da autuação. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 336DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.728430/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. PREJUDICIALIDADE EXTERNA.
O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão de prejudicialidade externa.
NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA.A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado.
REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. É possível o reexame de período já fiscalizado, quando autorizado por autoridade competente, conforme previsão legal.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em decadência quando a alteração do saldo de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL se deu em ano anterior ao lançado. Decadência, caso tenha se operado foi em processo administrativo que lançou o ano anterior, não este. O ano lançado é de 2009, a ciência se deu em 2014, portanto, dentro do prazo decadencial.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. MANUTENÇÃO DE GANHO DE CAPITAL EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECORRÊNCIA.Tendo sido mantida a receita de ganho de capital efetuadas por meio de lançamento em processo administrativo fiscal e sendo as glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo delas decorrentes, impõe-se a manutenção da glosa dos saldos de prejuízos fiscais.
Numero da decisão: 1301-003.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, (i) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento de julgamento do feito em razão de questão prejudicial externa, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por acolhê-la; (ii) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e arguição de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. PREJUDICIALIDADE EXTERNA. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão de prejudicialidade externa. NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA.A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. É possível o reexame de período já fiscalizado, quando autorizado por autoridade competente, conforme previsão legal. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em decadência quando a alteração do saldo de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL se deu em ano anterior ao lançado. Decadência, caso tenha se operado foi em processo administrativo que lançou o ano anterior, não este. O ano lançado é de 2009, a ciência se deu em 2014, portanto, dentro do prazo decadencial. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. MANUTENÇÃO DE GANHO DE CAPITAL EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECORRÊNCIA.Tendo sido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 84 30 /2 01 4- 13 Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.069 2 mantida a receita de ganho de capital efetuadas por meio de lançamento em processo administrativo fiscal e sendo as glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo delas decorrentes, impõese a manutenção da glosa dos saldos de prejuízos fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, (i) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento de julgamento do feito em razão de questão prejudicial externa, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por acolhêla; (ii) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e arguição de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.070 3 Relatório COMPANHIA SIDERURGICA NACIONAL, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJO (fls. 508/517), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o crédito tributário exigido de CSLL, de R$60.888.052,98, acrescido de multa de ofício, de 75% e juros de mora. Valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Do lançamento O presente processo tem origem no auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, lavrado pela DelexSãoPauloSP e cientificado à interessada acima identificada em 08/12/2014, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 60, no valor de R$ 60.888.052,98, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais acréscimos moratórios. A autuação, conforme a descrição dos fatos do auto de infração e o Termo de Constatação de Irregularidades FiscaisTCIF de fls. 45/48, decorre de glosa de bases de cálculo negativas da CSLL compensadas indevidamente, uma vez que insuficientes, nos anoscalendário de 2009 e 2010, nos montantes respectivos de R$ 428.276.536,52 e 248.257.385,44. A insuficiência foi resultado de lançamentos de ofício anteriores, conforme TCIF, e em especial dos autos de infração objetos dos processos nºs 16682.720452/201181 (referente a “lucros no exterior”, que a interessada reconheceu procedente, tendo incluídoo em parcelamento especial da Lei nº 12.865/2013) e 19515.723039/201279 (chamado pela interessada de caso “Big Jump”), que absorveram, no quarto trimestre do anocalendário de 2008, quase todo o saldo de bases de cálculo negativas da CSLL compensáveis que a interessada dispunha, restando apenas R$ 415.872.921,46, utilizado no processo de parcelamento especial da lei nº 11.941/2009 e 12.249/2010, não restando saldo passível de compensação em 31/12/2009, sendo o auto de infração exatamente a glosa dos prejuízos compensados pela interessada naquele ano calendário. Enquadramento Legal: Art. 2º e 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988 e art. 58 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Da Impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 02/01/2014, sua impugnação de fls. 66/142, na qual descreve a autuação, argui a tempestividade e alega, em síntese: Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.071 4 Que à época da compensação glosada, em 31/12/2009, detinha prejuízos compensáveis suficientes, uma vez que o auto de infração que tornou os mesmos indisponíveis somente foi lavrado após 31/12/2009, mais precisamente em 27/12/2012. Que o julgamento do processo nº 19515.723039/201279, em 26/08/2014 pelo CARF, não é definitivo. Discorre que o períodobase autuado já havia sido examinado nos autos dos processos nºs 19515.723039/201279 (“Big Jump”) e 1515.723092/201351, o que gerou a necessidade da expedição pelo Delegado da DELEXSP da Autorização para reexame de período já fiscalizado, fundada no art. 906 do RIR/1999, arguindo a nulidade de tal ato, e consequentemente do lançamento em litígio, uma vez que o artigo 906 do RIR/1999 determina a expedição de “ordem” do Delegado e não “autorização a pedido de AuditorFiscal”, bem como no mesmo não consta a sua motivação, requisito indispensável para sua validade. Protesta que o Fiscal excedeu a autorização, uma vez que não se restringiu aos anos autorizados de 2009 e 2010, revisitando o saldo de prejuízos do quarto trimestre de 2008. Alega que os arts. 250, inciso II, e 509 do RIR/1999, nos quais foi enquadrada a autuação, não a tipificam, mas sim salvaguardam seus procedimentos de compensação, demonstrando a inexistência de tipicidade na autuação. Discorre que a inexistência de saldo de bases de cálculo negativas da CSLL teve origem em conduta praticada pela fiscalização em autuações anteriores, e não pela interessada, não havendo que se falar, portanto, em prática de infração por sua parte, uma vez que não realizou de forma deliberada qualquer compensação que soubesse não ter saldo suficiente para tal. Argumenta que, em face do principio da legalidade, é essencial o exato enquadramento das infrações, além da necessidade de ser provado o dolo na conduta do agente, ou seja, o intuito de desrespeitar a lei com o fito de se reduzir tributos, não tendo isso ficado evidenciado no trabalho fiscal. Discorre que o Fiscal alterou a formação da base de cálculo negativa da CSLL do quarto trimestre de 2008 para então desqualificar a compensação deste saldo realizada em 31/12/2009, efetuando o presente lançamento com base em auto de infração restabelecido pelo CARF em 2014, que destaca sequer se encontra definitivamente julgado em sede administrativa, protestando que isso gera insegurança jurídica quanto ao direito de utilização de saldos de bases de cálculo negativas da CSLL, uma vez que o Fiscal se utilizou, no ano de 2012, para compensação de ofício no auto de infração do processo nº 19515.723039/2012 79, de saldo já absorvido por compensação anterior realizada pela interessada em 31/12/2009, protestando que a interferência em seu saldo naquele processo não poderia ter ocorrido sem a desqualificação notificada das compensações por ela realizadas em 2009. Alega que a autuação não diz respeito ao exercício de 2009, mas à alteração promovida pelo CARF, em 2014, em seu saldo de bases de cálculo negativas da Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.072 5 CSLL do ano de 2008, em função do auto de infração “Big Jump”. Assim, o presente auto estaria “inaugurando uma nova situação em 2008”. Discorre que seu saldo de bases de cálculo negativas da CSLL de 2008 foi por três vezes homologado expressamente, não podendo a revisão objeto do presente processo reverter tal homologação. Protesta que o auto de infração “Big Jump” não poderia ter alterado, em 2014, o saldo de base de cálculo negativa da CSLL de 31/12/2008, quão menos o presente auto de infração, igualmente em 2014, uma vez que já transcorrido o prazo decadencial do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário NacionalCTN). Considera que o presente lançamento tem como motivação corrigir um erro no processo nº 19515.723039/201279 (“Big Jump”), quando o Fiscal se utilizou, em 2012, de bases de cálculo negativa da CSLL de 2008 já consumida pela interessada em 2009. Pede o reconhecimento da homologação da apuração de CSLL de 2008 e argui a decadência do direito da Fazenda Pública à revisão dos mesmos em 2014. Alega que teria ocorrido a preclusão do Fisco rever os fatos relativos ao ano calendário de 2008. Pede a nulidade do lançamento por afrontar institutos consagrados no Direito, em especial o exercício regular de um direito (à compensação de bases de cálculo negativas da CSLL), ato jurídico perfeito (a formação do saldo de prejuízos em 2008 e o pagamento de imposto em 2009 via compensação de tais bases de cálculo negativas da CSLL em 2008) e o direito adquirido de ter reconhecida a existência de prejuízos e a quitação parcial da CSLL. Protesta que o lançamento não poderia se basear no SAPLI, por ser o mesmo tão somente um instrumento de controle interno na RFB da criação, utilização e extinção de saldos de bases de cálculo negativas da CSLL dos contribuintes. Alega que o auto de infração seria nulo, pois não poderia ser lavrado antes do deslinde do processo do qual seria reflexo, de nº 19515.723039/201279 (Big Jump), que se encontra suspenso, ocorrendo com isso o cerceamento do seu direito de defesa. Protesta ainda contra a multa de ofício, uma vez que a mesma seria voltada a combater e coibir atos ilícitos por parte dos contribuintes, quando no presente caso agiu conforme a lei, utilizando saldos de prejuízos fiscais conforme se encontravam escriturados e declarados à época. Quando muito seria cabível a hipótese do auto ter sido lavrado para evitar a decadência, o que ainda neste caso resulta em descabimento da multa de ofício. Encerra elencando e resumindo suas razões impugnatórias, pedindo a decretação da nulidade do auto de infração ou o integral provimento da impugnação, com o Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.073 6 cancelamento dos créditos tributários de CSLL e multa de ofício e requerendo o direito de juntada de novos documentos. Em julgamento realizado em 15 de abril de 2015, a 2ª Turma da DRJ/RJO, considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e prolatou o acórdão 12075019, assim ementado: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantémse a glosa do valor compensado pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 75%. CABIMENTO. Apurada falta ou insuficiência de recolhimento de Imposto, cabível é a exigência da multa de ofício, no percentual de 75%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 525/606, atendose aos seguintes pontos, conforme resumo da Resolução de fls. 659 e ss: aduz que a presente atuação é consequência da continuidade de ação fiscal que se desenrolou no âmbito de um procedimento de revisão interna, ao cabo do qual Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.074 7 lavrouse o ºauto de Infração relativo ao IRPJ, objeto do processo 10314728.429/201499. 1) HISTÓRICO Importa, ainda, ter em vista, que o auto de infração em discussão nestes autos decorreu de glosa de bases de cálculo negativas de CSLL compensadas indevidamente, no anoscalendário de 2009 e 2010. A insuficiência das bases de cálculo negativas, consoante o agente fiscal, resultou dos autos de infração que são objeto de outros processos administrativos, quais sejam: os processos de nº 16682.720452/201181 e 19515.723039/201279 (este último chamado de "Big Jump"). Tais feitos, segundo a Fiscalização, teriam absorvido quase todo o saldo de bases de cálculo negativas compensáveis de que dispunha a Recorrente. Partindo do saldo de base de cálculo negativa de CSLL da Recorrente em dezembro de 2007, verificase o quadro demonstrativo abaixo, referente à evolução do citados saldos negativos, nos períodosbase posteriores: 1.1) Conforme DIPJ: 1.2) DOS AJUSTES FEITOS PELA FISCALIZAÇÃO 1.2.1) DECORRENTE DO PROCESSO Nº 16682.720452/201181 (LUCRO NO EXTERIOR 2008) Neste processo, discutiuse a adição do lucro das coligadas e controladas da Recorrente no exterior ao lucro real do anocalendário de 2008. Inicialmente, a pessoa jurídica optou por impugnar a autuação fiscal, mas, ao final, em virtude de parcelamento específico criado para essa espécie de débito, preferiu desistir de sua defesa e aderir ao referido programa, assumindo, assim, o quanto fora lançado a esse título, e todas as consequências dessa opção, dentre elas a redução da base de cálculo negativa gerada durante o ano calendário de 2008 (4º trimestre), passando de R$ 925.995.084,47 para R$ 701.429.937.42. Com isso, o quadro anterior alterouse, agora tomando o seguinte perfil: Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.075 8 Percebase que, com a redução, pela Fiscalização, da base de cálculo negativa de CSLL, apurada em 2008, o saldo constante em 31/12/2008 seria de R$ 1.117.302.858,91, o que ainda seria suficiente para as compensações efetuadas em 2009 e 2010. 1.2.2) DECORRENTE DO PROCESSO Nº 16643.720041/201313 (LUCRO NO EXTERIOR 2009) Neste processo, discutiuse a adição do lucro das coligadas e controladas da Recorrente no exterior ao lucro real do anocalendário de 2009. Importa esclarecer que o contribuinte optou por modalidade de parcelamento incentivado para extinguir o débito em referência. Com a adição dos lucros das coligadas e controladas no exterior, a Fiscalização reajustou, de ofício, o valor da base de cálculo negativa de CSLL compensado em 2009, no limite de 30%, passando de R$ 383.468.353,76 para R$ 428.276.536,52. Assim, o quadro demonstrativo tomou outra feição: Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.076 9 1.2.3) DECORRENTE DO PROCESSO Nº 16561.720063/201474 (LUCRO NO EXTERIOR 2010) Neste processo, discutiuse a adição do lucro das coligadas e controladas da Recorrente no exterior ao lucro real do anocalendário de 2010. Importa esclarecer que o crédito tributário em lume aguarda julgamento neste Conselho Administrativo, com a exigibilidade suspensa. Com a adição dos lucros das coligadas e controladas no exterior, a Fiscalização reajustou, de ofício, o valor da base de cálculo negativa de CSLL compensado em 2010, passando de R$ 104.324.187,60 para R$ 248.257.385,44. Dessa feita, o quadro demonstrativo tomou a seguinte apresentação: Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.077 10 Aqui, apontase para o fato de que, mesmo com o ajuste acima, a Recorrente teria saldo de base de cálculo negativa de CSLL passível de utilização, nos anos calendário de 2009 e 2010. Portanto, apenas com os três ajustes anteriormente efetuados pela Fiscalização, não haveria por que se falar em compensação indevida de saldo de base de cálculo negativa de CSLL, nos anoscalendário de 2009 e 2010, de forma que seria impossível a lavratura do presente auto de infração. Porém, o fato que deu origem ao presente auto de infração foi o 4º e último ajuste promovido pela Fiscalização, como se verá, a seguir: 1.2.4) DECORRENTE DO PROCESSO Nº 19515.723039/201279 ("BIG JUMP") Referido auto de infração trata do suposto ganho de capital apurado pela Recorrente na alienação de participação societária no anocalendário de 2008. À época da lavratura do auto de infração em debate nos presentes autos, a Fiscalização mencionou que a exigência constante do processo nº 19515.723039/201279 ("Big Jump") havia sido restabelecida por força de decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Diante desse suposto restabelecimento da exigência contida no processo nº 19515.723039/201279, a Fiscalização entendeu que o ganho de capital cuja tributação é o objeto desse processo, no montante de R$ 6.931.510.087,49, deveria ser adicionado ao lucro real no anocalendário de 2008, de tal modo que, em vez de base de cálculo negativa de CSLL de R$ 701.429.937,42, a Fiscalização atribuiu à Recorrente uma base tributável de R$ 6.230.080.150,04. Por esse prisma, de acordo com a Fiscalização, não haveria base de cálculo negativa de CSLL no final do ano calendário de 2008 passível de utilização nos anoscalendário de 2009 e 2010, conforme o quadro abaixo: Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.078 11 1.3) DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL COMPENSADA EM EXCESSO NOS ANOSCALENDÁRIO DE 2009 E 2010: Comparandose os saldos das bases negativas da CSLL passíveis de compensação calculados com lastro na decisão de 2ª instância administrativa, proferida no processo nº 19515.720452/201179, com os valores compensados antes da referida decisão, detectouse que, nos anoscalendário de 2009 e 2010, houve um excesso de compensação de saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, consoante o quadro abaixo: É importante destacar que, no momento da lavratura do auto de infração ora questionado, o lançamento discutido nos autos do processo nº 19515.723039/2012 79 ainda não havia sido restabelecido, como afirmado pela Fiscalização. Diversamente, o crédito tributário, até hoje, está pendente de decisão do julgamento de recurso especial da Fazenda Nacional e de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, com sua exigibilidade suspensa. 2) PRELIMINARES 2.1) DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA POR PRESSUPOSTO FÁTICO EQUIVOCADO À vista do exposto, preliminarmente, cumpre assinalar que a decisão recorrida é nula de pleno direito, em razão de incorrer em nítido erro material, ao adotar pressuposto fático equivocado. Isso porque, no entender da autoridade julgadora, o débito exigido no processo administrativo n° 19515.723039/201279 não estaria, no momento da decisão, com sua exigibilidade suspensa. Este raciocínio se deve à circunstância de que a autoridade julgadora, ao verificar o "sistema", nele constatou, somente, a interposição de Recurso Especial pelo Procurador da Fazenda, em que se questiona, apenas, a redução da multa de ofício aplicada. Entendeu a autoridade julgadora, de forma equivocada, que a Recorrente não teria, naquele processo, se insurgido contra a citada decisão, que, em face do contribuinte, tornarase, na esfera administrativa, definitiva. Contudo, tal entendimento não merece prevalecer, pois, conforme consta nos "sistemas" da Receita Federal do Brasil, a Recorrente sequer havia sido intimada do citado acórdão proferido nos autos, motivo pelo qual ainda não dispunha da oportunidade de interpor eventual Recurso Especial contra esse acórdão. Para tanto, basta verificar, em documento de lavra da própria Receita Federal do Brasil relativo ao processo administrativo n° Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.079 12 19515.723.0927/201351, posterior a este julgamento, que o auditorfiscal que efetuara a diligência expressamente indicou que a Recorrente ainda não tinha sido intimada do acórdão relativo ao processo administrativo 19515.723039/201279 (Doc. 03). Assim, resta evidente que a decisão recorrida partiu de um pressuposto fático equivocado isto é que a decisão administrativa do processo nº 19515.723039/201279, na parte que é contrária à Recorrente, é definitiva, quando, de fato ela ainda é passível de recurso e de ser alterada. Mister, portanto, reconhecer a nulidade da decisão recorrida, anulandoa e determinando sua remessa à primeira instância, a fim de ser proferida nova decisão. 2.2) DA NULIDADE EM RAZÃO DE O ACÓRDÃO NÃO TER ANALISADO QUESTÕES DE DEFESA, QUE, POR SI SÓS, PODERIAM TRAZER RESULTADO DIVERSO AO JULGAMENTO Também acarreta a nulidade da decisão recorrida o fato de que, ao proferir sua decisão, a autoridade julgadora omitiuse na análise de todas as razões de mérito expostas na defesa, além de não se aprofundar nos fatos e argumentos de direito trazidos pela Recorrente. Com efeito, a autoridade julgadora deixou de apreciar as questões sobre a preclusão do direito do Fisco quanto à alteração de fatos passados, bem como a violação ao exercício regular do direito, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido, questões fundamentais que, se apreciadas, poderiam alterar o resultado do julgamento. Quanto à afronta ao princípio da segurança jurídica, a decisão apenas indicou que não a analisaria ao argumento de se tratar de questão constitucional, o que não foi a tônica da impugnação, que demonstrou, didaticamente, que a conduta da Fiscalização ferira a segurança jurídica, tendo em conta todos os atos praticados pela Recorrente e chancelados pelo Fisco. A omissão, pelo órgão julgador, com relação a ponto de defesa lançado pelo contribuinte em sede de impugnação, com influência no resultado do julgamento do processo, acarreta a nulidade da decisão, exsurgindo daí a necessidade de um novo julgamento para o pronunciamento sobre o ponto que restou omitido na decisão a quo. Nesses termos, a Recorrente requer, desde já, que seja declarada a nulidade da decisão da DRJ, ora recorrida, com a devolução dos autos à Delegacia de Julgamento competente para que se pronuncie sobre os argumentos de direitos expostos e que não foram anteriormente apreciados, em virtude de serem fundamentais para o convencimento da defesa. 2.3) DA NECESSIDADE DE SUSPENSÃO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO ATÉ O TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO A SER PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO N° 19515.723039/2019 PREJUDICIALIDADE Caso sejam superadas as nulidades acima mencionadas, o que se admite só por amor à argumentação, impõese que se adote a conclusão de que o julgamento do presente recurso administrativo deve ficar suspenso até o término do processo administrativo n° 19515.723039/201279, em razão da existência de prejudicialidade, uma vez que o resultado do julgamento desse último pode impactar seriamente o julgamento do presente, como foi detalhadamente demonstrado na impugnação. Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.080 13 Com base no artigo 151, inciso III, do CTN, é possível afirmar que o crédito discutido no processo nº 19515.723039/201279 está com sua exigibilidade suspensa, não podendo, então, a autoridade administrativa efetuar lançamento de ofício, glosando esses valores. 2.4) DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA REVISÃO DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO Se ultrapassados os argumentos que traduzem a nulidade da decisão de primeira instância ou a suspensão do julgamento deste processo até decisão definitiva do processo administrativo 19515.723039/201279, o que só se admite pelo princípio da eventualidade, a Recorrente passa a apresentar os demais argumentos recursais. Conforme narrado, o auto de infração é consequência de revisão interna dos saldos controlados no Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal e Base Negativa da CSLL da Receita Federal SAPLI, em decorrência de autuação constante do processo nº 16643.720041/201313 (lucros no exterior 2009) e 16561720063/201474 (lucros no exterior 2010) e das decisões proferidas em sede de julgamento de recurso voluntário no CARF, relativamente aos processos 16682.720452/201181 e 19515.723039/201279. A Recorrente, na impugnação, pugnou pela impossibilidade de revisão de períodos já fiscalizados sem motivação. Contudo, ao analisar tal argumento, a autoridade julgadora entendeu que não há nulidade no auto de infração, pelo singelo argumento de que o ato havia sido autorizado. Ou seja, por "autorização" ou por "ordem", o ato poderia ser realizado. Ressaltase do artigo 906 do RIR/99 que a revisão de período já fiscalizado deve ser suportada por uma "ordem" escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal", não por mera "autorização", tal e qual o ocorrido no presente processo. Malgrado tal irregularidade formal, em um primeiro exame, aparentar que não deu causa a maiores problemas, pois não constitui o "mérito" do ato administrativo, a ausência da forma (aqui entendido também como o procedimento) adequada leva à conclusão de que a autoridade fiscal que lavrou a presente autuação foi o emissor da ordem do artigo 906 do RIR/99, em vez de ter sido emitida pela autoridade competente do "Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. Em outro norte, cabe acrescentar que não houve qualquer motivação ao referido ato. O ato de autorização apenas traz o dispositivo legal do RIR/99 que prevê a possibilidade de revisão de período já fiscalizado e não a necessária evidenciação da indispensabilidade desta revisão. Portanto, estando ausentes os motivos e a motivação do ato administrativo, é indubitável que a "autorização" concedida não pode surtir efeitos jurídicos como ato administrativo, pois padece de um dos seus requisitos de validade. Nessa linha, os atos que dele sucederam devem ser considerados ineficazes. Além disso, não obstante ter constado o reexame do período de 2009 a 2010, o agente fiscal exorbitou dos limites que lhe foram concedidos por meio da autorização, pois, ao efetuar a revisão do saldo de prejuízos fiscais da Recorrente, acabou por atingir o período de 2008, ou seja, período anterior aquele para o qual foi autorizada a revisão interna, uma vez que revisitou o saldo de prejuízo do 4º trimestre do ano de 2008. Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.081 14 A decisão de primeira instância entendeu que não há que se falar em extrapolação dos limites, porque não houve ajuste em 2008, o que não é verdade, pois o ajuste incidiu justamente no saldo final do prejuízo em 2008. 2.5) DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL PARA O PROCEDIMENTO DE ALTERAÇÃO DO SALDO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA E A CONSEQUENTE AUTUAÇÃO A Recorrente defendeu em sua impugnação que o auto de infração é nulo, em razão da ausência de subsunção do fato à norma tida como infringida. Contudo, a autoridade julgadora apenas alegou que a autuação cumpre todos os requisitos necessários previstos no Decreto n° 70.235/72. Ocorre, porém, que, ao contrário do entendimento exposto pelo julgador, no presente caso a norma tida como violada não se aplica aos fatos que serviram de base à autuação. Isso porque o auditorfiscal enquadrou a suposta infração perpetrada pela Recorrente no artigo 58 da Lei nº 8.981/1995. Ora, tal fundamento em nada tipifica a suposta infração atribuída à Recorrente. Aliás, se infração houve, sequer foi resultado exclusivo da conduta da Recorrente, mas também dos agentes fiscais que laboraram nos casos “Big Jump”, “lucros no exterior 2009” e “lucros no exterior 2010”. Ainda, o citado artigo 58 da Lei nº 8.981/1995 sequer trata da hipótese de compensação integral de base de cálculo negativa gerada no próprio exercício, como, de fato, aconteceu no caso “Big Jump”, uma vez que, por meio dele, foram compensados 100% do saldo gerado no 4º trimestre de 2008, ou tampouco, em nada se refere à possibilidade de compensação de bases de cálculo negativas de excercícios anteriores de ofício, isto é, por meio da lavratura de autos de infração, tal como o ocorrido nos casos “lucros no exterior 2009” e “lucros no exterior 2010”. Ao contrário, referido dispositivo legal que suporta a autuação, salvaguarda todos os procedimentos levados a efeito pela fiscalizada e confirma a legitimidade do saldo de bases de cálculo negativas entre 2008 e 2010, que, conforme destacado, não foi impugnado pela Fiscalização; ao revés, foi confirmado. Portanto, a suposta infração atribuída à Recorrente, que motivou a glosa do valor do saldo de bases de cálculo negativas compensado em excesso, não se coaduna com a tipificação legal adotada pela autoridade fiscal para fundamentar a lavratura do auto de infração. Estabelecido isso, o que fica evidenciado é a inexistência de tipicidade na conduta infracional atribuída à Recorrente, razão pela qual o auto de infração é nulo de pleno direito. E, mais do que isso, a suposta infração decorreu do procedimento da autoridade fiscal de revisitar o saldo de base de cálculo negativa da Recorrente em 2008 no ano de 2014, conduta para a qual resta ausente a fundamentação legal, no Relatório Fiscal. Dessa forma, o que de fato se verifica é arbitrariedade da autoridade fiscal. Todavia, essa inexistência de saldo teve origem, justamente, numa conduta praticada pela própria Fiscalização, e não pela Recorrente. Ou seja, em nenhum momento, houve prática de infração por parte da Recorrente, pois esta não realizou, de forma deliberada, uma compensação para a qual, sabidamente, não tinha saldo de base de cálculo negativa suficiente. Tanto é assim que a própria Autoridade Fiscal confirmou a "coerência" entre a sua DIPJ e o LALUR. Com efeito, a Fiscalização, de ofício, "revogou" a compensação realizada e declarada pela Recorrente em suas DIPJ dos anoscalendário de 2009 e 2010, levando em consideração um ato posterior a essa compensação (julgamento do Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.082 15 processo “Big Jump”), retroagindo para "zerar" o saldo de prejuízos do 4º trimestre de 2008, o que, por via reflexa, fundamentou a imputação de infração à legislação. Contudo, essa postura fiscal de revisitar o saldo de bases de cálculos negativas de CSLL e, por consequência, imputar a prática de infração à Recorrente com base na redução de ofício do saldo, carece de fundamentação em dispositivo legal válido. Em outra senda, a Fiscalização, ao contrário, referese a preceito normativo que somente confirma a regularidade do saldo apurado e do procedimento de compensação realizado pela Recorrente (isto é, compensação da base de cálculo negativa de anos anteriores com respeito à "trava" de 30%). Importante observar que a decisão de 1ª instância cometeu um equívoco, ao rebater este argumento da impugnação, porquanto limitouse a dizer que Recorrente havia entendido perfeitamente a autuação. Notese que a alegação não foi de violação ao princípio da ampla defesa e, sim, de ausência de indicação de infração. A Recorrente, de forma exaustiva, indicou que nenhum ato seu infringiu a lei, Com isso, reitera que o atual lançamento não se apoia em qualquer fundamento legal, o que é o bastante para a anulação do feito. Há de se destacar, também, que o lançamento de tributo e a respectiva aplicação de penalidade de ofício exigem o exato enquadramento em qualquer das condutas tipificadas na legislação, conforme o acima exposto, e a comprovação do dolo na conduta do agente, ou seja, o intuito de desrespeitar a lei com o fito de se reduzir o montante de tributos a serem recolhidos. No entanto, a autoridade julgadora, quando submetida a tais argumentos, preferiu conterse na afirmativa de que o lançamento atendera integralmente aos preceitos de ordem pública expressos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, motivo por que a Recorrente suplica a invalidação do lançamento objeto deste processo administrativo. 2.6) DA NULIDADE DO AUTO DEVIDO A SUA IMPOSSIBILIDADE LÓGICO JURÍDICA E CONSEQUENTE FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A Recorrente defendeu em sua impugnação que o auto de infração é nulo em razão da sua impossibilidade lógicojurídica e a consequente falta de fundamentação legal. Contudo, a autoridade julgadora, de forma simplista, novamente valeuse do argumento de que o auto de infração preenche todos os requisitos previstos no Decreto n° 70.235/1972. Ocorre, porém, que, ao contrário do entendimento exposto pelo julgador de primeira instância, o auto de infração ora em exame não possui lógicajurídica, razão pela qual deve ser considerado nulo. Conforme consta nos autos, o procedimento fiscal de revisão interna que gerou a discutida autuação decorreu da necessidade de acompanhamento dos saldos de base de cálculo negativa da CSLL no SAPLI, haja vista a potencial interferência de outros autos de infração, objeto de seus respectivos processos: o caso "Big Jump" e os casos "lucros no exterior", relativos a 2007, 2008, 2009 e 2010. A partir da cronologia estabelecida pelos autos de infração, patenteiase que, em dezembro de 2014, a Fiscalização “visitou” fatos geradores de 2008 (Big Jump, de 27.12.2012), 2009 (“lucros no exterior 2009", de 28.08.2013) e de 2010 ( "lucros no exterior 2010”, de 26.06.2014) para, quanto à compensação de ofício de saldos de base de cálculo negativas da CSLL efetuada quando da constituição dos respectivos créditos tributários: Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.083 16 (i) afirmar o procedimento levado a efeito pela autoridade fiscal no caso "Big Jump" (processo nº 19.515723.039/201279); (ii) infirmar, isto é, afastar, o procedimento levado a efeito pela autoridade fiscal no caso "lucros no exterior 2009" (processo nº 16643720041/201313); (iii) (iii) infirmar, isto é, afastar, o procedimento levado a efeito pela autoridade fiscal no caso "lucros no exterior 2010" (processo nº 16561720063/201474); (iv) infirmar as compensações de bases de cálculo negativas realizadas por iniciativa da Recorrente, em relação aos fatos geradores de 31.12.2009 e 31.12.2010; (v) infirmar, ao menos em parte, a utilização de saldo de base de cálculo negativa no programa estabelecido pela MP 470/09. A visão desse conjunto traz a percepção de que a preocupação do Fisco, com a autuação, é a de evitar o aproveitamento duplo de um mesmo saldo de base de cálculo negativa (ou seja, no caso "Big Jump" e nos casos "Lucros no exterior" 2009 e 2010); isso é o que norteia o presente auto de infração. Em que pese o raciocínio da Fiscalização aparentar algum sentido (ainda que presentes os vícios insanáveis no procedimento, apontados nos itens anteriores), o certo é que a forma pela qual a autoridade fiscal pretende defender seu ponto de vista e alcançar o objetivo de evitar o uso em dobro de um mesmo saldo de base de cálculo negativa resulta em um auto de infração nulo, porque contrário à lógica e à lei, daí sua impossibilidade lógica e jurídica de ser. Com efeito, para situações como essa, o sistema jurídicotributário posto oferece solução que diverge daquela implementada pela autoridade fiscal. O erro fiscal decorre de questões elementares, atinentes a cada um dos referidos processos, que foram postas de lado, quais sejam: a) "caso "Big Jump" (processo nº 195115723.039/201279) está em discussão administrativa, é dizer, o crédito tributário por meio dele veiculado não está definitivamente constituído e sua exigibilidade, suspensa (artigo 150, III, CTN); b) o caso "lucros no exterior 2009" (processo nº 16643720041/201313) foi encerrado em função de parcelamento já liquidado, e o crédito tributário por meio dele veiculado, extinto (artigo 156, do CTN); c) o caso "lucros no exterior 2010" (processo nº 16561720063/201474) está em discussão administrativa, é dizer, o crédito tributário por meio dele veiculado não está definitivamente constituído e sua exigibilidade, suspensa (artigo 150, III, CTN); d) as compensações realizadas pela Recorrente, em 2009 e em 2010, não foram desqualificadas, ao contrário, foram expressamente homologadas quando dos lançamentos relativos aos casos "lucros no exterior” 2009 e 2010. Frente a esse cenário, as possibilidades lógicas para que a Recorrente não tenha o aproveitamento dobrado do mesmo saldo de bases de cálculo negativa da CSLL, são as seguintes: 1 caso "Big Jump" (processo nº 19515723.039/201279) versus caso "lucros no exterior 2009" (processo nº 16643720041/201313): Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.084 17 a) perde "Big Jump" (aproveitamento 1) e "perde" "lucros no exterior 2009" (aproveitamento 2) = duplo aproveitamento. Portanto, o presente auto de infração subsistiria; Observação: não há a possibilidade de combinação em que se ganhe em "lucros no exterior 2009", porque referido débito está liquidado, o que equivale à perda e ao respectivo aproveitamento do abatimento feito de ofício. Daí o termo ‘perde' equivale ao termo 'paga', ou seja, perdendo ou pagando, há o aproveitamento da compensação da base de cálculo negativa feita pela autoridade fiscal, quando do lançamento tributário em questão. b) ganha "Big Jump" (não há aproveitamento) e "perde" "lucros no exterior 2009" (aproveitamento 1) = aproveitamento único. Portanto, o presente auto de infração não subsistiria. 2 caso "Big Jump" (processo nº 19.515723.039/201279) versus caso "lucros no exterior 2010" (processo nº 16561720063/201474): a) perde "Big Jump" (aproveitamento 1) e perde "lucros no exterior 2010" (aproveitamento 2) = duplo aproveitamento. Portanto, o presente auto de infração subsistiria; b) ganha "Big Jump" (não há aproveitamento) e ganha "lucros no exterior 2010" (não há aproveitamento) = sem aproveitamento. Portanto, o presente auto de infração não subsistiria; c) perde "Big Jump" (aproveitamento 1) e ganha "lucros no exterior 2010" (não há aproveitamento) = aproveitamento único. Portanto, o presente auto de infração não subsistiria; d) ganha "Big Jump" (não há aproveitamento) e perde "lucros no exterior 2010" (aproveitamento 1) = aproveitamento único. Portanto, o presente auto de infração não subsistiria. Assim, o auto de infração objeto do presente processo, cujo objetivo, embora não expresso nos Termos fiscais, só pode ser o de evitar o duplo aproveitamento de um mesmo saldo de base de cálculo negativa de CSLL, subsistiria apenas e tão somente nas hipóteses "1.a" e "2.a" acima destacadas, pois, somente nesses casos, e em nenhuma outro, haveria o duplo aproveitamento que se pretendia evitar. E o tempo verbal aqui utilizado é mesmo o futuro do pretérito, no sentido de indicar algo irreal, que não acontecerá jamais. E isso porque, para que tais possibilidades pudessem se concretizar, as únicas formas admitidas pelo direito seriam: (i) ou aguardar os respectivos encerramentos de cada caso, no âmbito administrativo ou, então, (ii) admitindose a possibilidade de constituição do crédito tributário, este não poderia vir acompanhado do lançamento da multa de ofício, uma vez que, por força do artigo 151, III, do CTN, não há crédito exigível, ainda, conforme, inclusive, abordado adiante. E nem se alegue que a hipótese de lançamento para se evitar decadência estaria restrita aos incisos IV e V do artigo 151, do CTN, pois apenas para essas hipóteses haveria dispositivo legal expresso, qual seja, o artigo 63 da Lei 9.430/96. Na mesma linha, a Súmula n° 17 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.085 18 Não obstante o artigo 63 da Lei nº 9.430/1996 tratar dos incisos IV e V do artigo 151, do CTN, essa determinação legal, veiculada em lei ordinária, apenas explicita, para esses casos em especial, aquilo já garantido para todas as hipóteses descritas no artigo 151 do CTN, recepcionado como Lei Complementar pela Constituição da República vigente. Nessa ordem de ideias, as cláusulas previstas nos incisos do artigo 151 do CTN todas elas visam a inibir o direito de exigir o crédito, mas não necessariamente o direito de constituílo, ou seja, de lançálo, sendo certo que isso não impede o regular processamento do processo administrativo fiscal, exceto quanto aos seus atos executórios (isto é, de exigibilidade do crédito), que terão de aguardar os desfechos dos processos, quer os judiciais (151, IV e V), quer os administrativos (151, III), com decisão final ou perda da eficácia da medida liminar ou tutela, no primeiro caso, ou apenas com decisão final, no segundo caso. O mesmo se aplica aos casos de moratória (151, I), depósito (151, II), ou parcelamento (151, VI). A previsão contida no artigo 63 da Lei nº 9.430/1996 foi inserida no ordenamento jurídico para afirmar algo que já estava expresso por meio do artigo 151, caput e todos os seus incisos, em uma época em que se discutia a possibilidade, ou não, de o Fisco lançar créditos tributários cuja exigibilidade estava suspensa por ordem judicial. Mas aquele contexto, que exigiu referida explicitação na legislação ordinária, não nega a validade, a vigência e a eficácia plenas do artigo 151 do CTB, com todos os seus incisos. Assim, diante do objetivo da Fiscalização, por meio do presente auto de infração, e das correlações lógicas possíveis acima indicadas, e, assumindose, por hipótese, a viabilidade de haver lançamento tributário mesmo sem o término dos processos que o motivariam, isto é, sem crédito definitivamente constituído (e que implicaria aproveitamento da base de cálculo negativa, em caso de perda), a única hipótese de lançamento válido seria aquele para evitar a decadência. Em síntese, claramente, por força do artigo 151, III, do CTN, e por um imperativo de ordem lógica, o presente auto de infração sequer deveria ser constituído. Todavia, tendo sido efetuado o lançamento, não deveria veicular a multa de ofício, porquanto a situação em tela é exatamente a mesma daquela reforçada pelo artigo 63 da Lei 9.430/96 e pela Súmula 17 do CARF. Porém, como todo ato administrativo, o lançamento teria, na hipótese, que apontar o fato (o motivo), o dispositivo legal e o nexo existente entre eles, requisitos esses que, sabidamente, não constaram da peça acusatória do presente auto de infração, embasado que foi apenas no artigo 58 da Lei 8.981/1995, e com a omissão de seu real motivo (isto é, desqualificar a utilização de saldos de base de cálculo negativas da CSLL pela Recorrente ou mesmo por outros agentes fiscais em outros autos de infração). E, como à autoridade julgadora não é dado alterar os motivos ou os critérios jurídicos utilizados na autuação, então, efetivamente, o presente auto de infração deve ter sua nulidade decretada por ausência de motivação, falta de fundamentação legal, e inexistência do necessário nexo entre tais requisitos do ato administrativo. Dessa forma, a Recorrente requer que seja provido neste item o Recurso, anulando se o lançamento objeto de processo administrativo. Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.086 19 3) DA PRETENDIDA REFORMA DA DECISÃO DA DRJ POR SUA EQUÍVOCA INTERPRETAÇÃO DO MÉRITO 31) DA HOMOLOGAÇÃO DA CONDUTA DA RECORRENTE No mérito, a Recorrente manifesta que sua conduta fora homologada pelo órgão fiscal, tanto expressa como tacitamente, em virtude da imperiosa decadência do direito estatal de alterar, em 2014, fatos ocorridos no 4º trimestre de 2008. A despeito disso, a autoridade julgadora entendeu que não há que se falar em decadência, uma vez que o objeto do auto de infração diz respeito a fatos ocorridos em dezembro de 2009, dentro do prazo de cinco anos, portanto, já que a Recorrente fora cientificada do auto de infração em dezembro de 2014. Além disso, destacou, também, que não houve homologação da conduta da Recorrente, uma vez que o saldo da base de cálculo negativa da CSLL fora utilizado nos autos do processo nº 1951.723039/201279. Tal entendimento, contudo, merece reforma. Conforme relatado, a autoridade fiscal, sob o pretexto de revisão interna do SAPLI, em razão da "lavratura do auto de infração por meio dos processos 16643.720041/201313 e 16561720063/201474 e dos Acórdãos nº (s) 1301001570 de 05/06/2014 e 1401001239 de 26/08/2014, relativos aos Autos de Infração lavrados por meio dos processos Nº (s) 16.682720.452/ 201181 e 19.515723.039/201279", lavrou a presente autuação, apontando a compensação indevida de prejuízos, no valor tributável de R$701.429.937,42, dos quais R$ 24.896.015,46 serão tratados em outro processo, restando neste o valor de R$ 676.533.921,96. Ocorre que para chegar a essa glosa por suposta compensação indevida, o auditorfiscal teve de percorrer e alterar fatos que já estavam solidificados no passado, relativos ao 4º trimestre de 2008, período em que se formou o saldo de prejuízo fiscal de R$ 701.429.937,42, que fora utilizado para a compensação do valor de R$ 383.468.353,75, em 31/12/2009, e de R$ 104.324.187,60 em 31/12/2010 e, ainda para 2010, das parcelas restantes do programa da MP nº 470/09, no importe de R$ 440.768.936,92. Assim, para fundamentar a glosa do valor acima referido, a autoridade fiscal partiu de fato ocorrido em 2014, qual seja, a decisão do processo nº 19.515723.039/2012 79, proferida pelo CARF, em 26/08/2014, a qual, no entender da Fiscalização, teria "restabelecido" a exigência objeto do auto de infração, relacionada a fato gerador de 31/12/2008, para então afirmar a inexistência do saldo de bases de cálculo negativas do 4º trimestre de 2008 e, desse modo, glosar a compensação do valor de R$ 701.429.937,42. Portanto, uma premissa que deve ser fixada é a de que o fatobase ou motivador para o lançamento relativo aos fato geradores de 2009 e 2010, que são objeto do presente auto de infração, não se refere aos exercícios de 2009 e 2010, mas, sim, decorre da alteração promovida, em 2014, no saldo de prejuízos da Recorrente no SAPLI do ano de 2008, em função da decisão no processo nº 19.515723.039/201279. Dessa forma, o auto de infração lavrado em 2014 inaugurou nova situação jurídica no ano de 2008, pois “revogou” as compensações regularmente realizadas pela Recorrente para afirmar que o saldo por ela apurado no 4º trimestre de 2008, e utilizados em referidas compensações, antes da lavratura do auto de infração “Big Jump”, na verdade, inexiste, em razão de, no ano de 2012, (quando da lavratura do auto de infração “Big Jump”) já ter sido consumido integralmente. Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.087 20 De tudo isso se percebe que a Fiscalização tenta imputar à Recorrente suposta infração que decorre da alteração dos fatos que ela mesma realizou para o ano de 2008. Todavia, isso não deve prevalecer, porque a Fiscalização não retirou e sequer tentou retirar a validade da DIPJ 2010/2009 e 2011/2010 da Recorrente, que registrou o crédito e a compensação em 31/12/2009 e 31/12/2010, não obstante as fiscalizações a que se submetera, nos períodos citados no Termo fiscal, as quais visavam, justamente, a averiguar a regularidade da apuração dos tributos lançados (IRPJ/CSLL), sem que, nessas oportunidades, fossem constatadas irregularidades, ou seja, a conduta da Recorrente fora expressamente homologada pelo Fisco. Com efeito, não se pode perder de vista que o fato gerador da CSLL é complexivo, isto é, sua consumação se subordina aos acontecimentos ocorridos ao longo de cada período anual de incidência. Nesse rumo, o resultado das atividades da Recorrente, ao final de cada período, pode ser positivo (lucro) ou negativo (prejuízo). É certo, porém, que a Recorrente obteve base de cálculo negativa no anocalendário de 2008; tal é o resultado do ano de 2008 e é ele que compõe o fato gerador de 2008. Tanto é assim que, ao longo de referido exercício, mesmo apurando prejuízo, ao final, a Recorrente sofreu retenções e recolheu a contribuição em bases estimadas durante referido anocalendário. Digase, ainda, que o saldo de base de cálculo negativa de 2008 (logo, o fato gerador da CSLL de 2008) foi efetivamente analisado pelo Fisco em pelo menos 5 momentos, na seguinte ordem cronológica: (i) no procedimento de fiscalização que culminou com a lavratura do auto de infração do processo nº 16.682720.452/2011 81 ("caso lucros no exterior 20072008") ; (ii) no processo nº 10768.008689/200949 (caso "MP 470"), no bojo do qual houve a análise e a homologação expressa da compensação da base de cálculo negativa para pagamento de parcelas do programa MP 470; (iii) no processo nº 19515.723092/201351, similar ao presente auto de infração, porém referente ao ano de 2010, que partiu do saldo de base de cálculo negativa de 2008, nos mesmos moldes do processo da homologação parcial do parcelamento previsto na MP 470/09, ou seja, também homologou expressamente aquele saldo; (iv) no processo nº 16643720.041/201313, em que se verifica não só a afirmação da compensação realizada por iniciativa da Recorrente, mas também a utilização do respectivo valor para se efetivar a majoração por meio dele procedida de ofício; e em (v) no processo nº 16561720063/201474, pelo qual não só se afirmou a compensação realizada por iniciativa da Recorrente, mas também a utilização do respectivo valor para se efetivar a majoração por meio dele procedida de ofício. A partir das evidências acima, caberia o seguinte questionamento: o procedimento de revisão interna, motivador do presente auto de infração, poderia superar a homologação expressa que ocorreu inclusive em diversas oportunidades anteriores? A resposta é pela negativa, seja porque a citada revisão objetivava os anos de 2009 e 2010 e as compensações efetivadas pela Recorrente foram aceitas, seja porque a homologação expressa reconhece o saldo de base de cálculo negativa apurado em 31/12/2008 e utilizado em 2009 e 2010. Portanto, resta comprovada a homologação expressa do saldo de base de cálculo negativa gerada em 2008, bem como das compensações realizadas em 2009 e 2010, o que impossibilita a procedência do trabalho fiscal ora impugnado, por meio do qual se tenta imputar à Recorrente suposta infração que decorre da alteração de fatos já sacramentados pelo próprio órgão fiscalizador, qual seja, a RFB. Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.088 21 E, mesmo se não tivesse havido a homologação expressa, também não procederia a alteração promovida no saldo de 2008 que gerou a presente autuação para os anos de 2009 e 2010. Isso porque esses acontecimentos ficaram no passado. Nesse sentido, a Recorrente sustenta, como suporte ao seu trabalho, a limitação imposta pelo tempo aos fatos utilizados pela Fiscalização quanto ao anocalendário de 2008, clamando o apoio da regra do arugo 150, § 4º do CTN. Reforça ainda a ocorrência da decadência a constatação de que o período de guarda de documentos deve obediência ao prazo decadencial aplicável aos tributos a que se referem, ou seja, no caso de tributos sujeitos à homologação, a guarda de documentos também deve obedecer ao prazo de 05 (cinco) anos estipulados no referido artigo 150 do CTN. Com relação à aplicação do artigo 150, parágrafo 4o, do CTN, a Recorrente assinala que houve pagamento do imposto de renda ao longo de 2008, seja por estimativa mensal, seja em consequência de retenção em fonte, conforme comprovam os DARF anexos. Diante disso, para contagem do prazo decadencial há de se considerar a data do pagamento, em consonância com a linha interpretativa definida pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733/SC, representativo de controvérsia, nos termos do artigo n° 543C, do CPC/1973. Porém, a autoridade julgadora de primeira instância não analisou detidamente os argumentos da Recorrente, restringindose a afastar a decadência pelo singelo argumento de que o fato gerador deste lançamento se refere ao ano de 2009 e não ao de 2008, não traçando sequer uma linha sobre toda a argumentação suscitada na impugnação em apoio à assertiva de que o lançamento em debate alterou o fato gerador de 2008. No mesmo prumo, a DRJ afirmara que não há que se falar em homologação expressa, no que tange ao saldo de base de cálculo negativa, sem se debruçar sobre os argumentos lançados pela Recorrente em sua impugnação, não obstante toda os argumentos erigidos para fundamentar a tese da homologação expressa e tácita de toda a apuração do resultado fiscal de 2008. Dessa forma, requerse o provimento ao recurso, reconhecendose a homologação tácita ou expressa na apuração da CSLL de 2008. 3.2) DA OFENSA AO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. DA PRECLUSÃO DO DIREITO DE O FISCO ALTERAR REALIDADES ESTABELECIDAS EM TERMOS LÓGICOS E CRONOLÓGICOS. DA VIOLAÇÃO AO EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO, AO ATO JURÍDICO PERFEITO E AO DIREITO ADQUIRIDO Em outro tema, a Recorrente explicita que demonstrou, na impugnação, que a autoridade fiscal retroagira no tempo, alterando fatos passados para gerar efeitos futuros, alterando a formação do saldo de base de cálculo negativa do 4o trimestre de 2008 para, então, desqualificar a compensação desse saldo realizada em 31/12/2009, no valor de R$428.276.536,52, e em 31/12/2010, no valor de R$ 248.257.385,44, e efetuar o presente lançamento, destacando que isso se deu sem a devida motivação no Relatório Fiscal e, mais do que isso, baseandose em fatos ocorridos posteriormente (i.e. auto de infração do processo nº19515.723039/201279 e o seu "restabelecimento" pelo CARF em agosto de 2014, ainda não definitivamente julgado em sede administrativa). Daí, então, ressalta que os fato Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.089 22 geradores da obrigação ora discutida ocorreu em 31/12/2009 e 31/12/2010, porém o saldo negativo de prejuízo fiscal utilizado por ela foi constituído no 4º trimestre de 2008, período esse que a Administração Fiscal não estava autorizada a modificar. Essa conduta, além de ter dado causa à atribuição (indevida) de infração à Recorrente, com a consequente glosa da compensação realizada em 31/12/2009 e 31/12/2010, também criou situação de insegurança jurídica quanto ao exercício do direito de utilização do saldo de bases de cálculo negativas da Recorrente, apesar deste ser assegurado pela legislação da CSLL. Ao assim agir, a Administração Pública acabou infringindo o princípio "venire contra factum proprium", princípio este que veda a adoção de atos contraditórios. Portanto, o antedito lançamento revelase insubsistente também por fundarse em ato administrativo contraditório em relação àquele prolatado sob as mesmas circunstâncias fáticas e jurídicas, em patente violação aos princípios constitucionais da isonomia, da boafé e da proteção da confiança. Tal contradição reforça o argumento da Recorrente de que a motivação da lavratura do auto de infração partiu de um equívoco da Receita Federal, ao se valer do saldo de bases de cálculo negativas, no ano de 2012, com a compensação de ofício no auto de infração do processo nº 19515.723039/201279, que já tinham sido absorvidas por compensação anterior, realizada pela Recorrente em 31/12/2009 e em 31/12/2010. E mais: em 13/06/2012, ou seja, antes da lavratura do auto de infração do processo nº 19515.723039/201279, a Derat/SP já havia confirmado o saldo de base de cálculo negativa da Recorrente, no valor de R$ 440.768.936,90, para a extinção de débitos junto à Receita Federal, relativos à MP nº 470/09. Contudo, ao assim agir, a Administração Pública acabou infringindo o princípio "venire contra factum proprium", princípio este que veda a adoção de atos contraditórios. Assim, diante da impossibilidade de se corrigir referido erro, pretendeuse reparálo por meio da presente autuação, como se tal intuito estivesse respaldado legalmente. Em face do exposto, a Recorrente afirma que, por mais que se aceite que a conduta fiscal possui fundamento na possibilidade de "compensação de ofício", é certo, entretanto, que isso deveria seguir um procedimento à semelhança do que determina a Instrução Normativa RFB n° 1.300/2012 (artigo 61, §2º) para os casos de compensação/restituição de tributos. Logo, a interferência no saldo de bases de cálculo negativas da Recorrente, se por hipótese admitida, não poderia ter sido efetivada mediante lavratura do auto de infração do processo n°19515.723039/2012 79, sem notificação da interessada ou sem a desqualificação motivada da compensação realizada pela própria Recorrente em 2009, pois o Fisco não tem total liberdade para dar qualquer destinação ao crédito do contribuinte. Ademais, resta evidente para a Recorrente, com relação à utilização do saldo de base de cálculo negativa de 2008, a ocorrência da preclusão consumativa ou lógica no processo administrativo, pois se trata de questão já decidida pela Receita Federal, que agora se contrapõe à decisão anterior que ratificara o saldo de bases de cálculo negativa de 2008. O Estado de Direito fornece direitos às pessoas, dentre os quais a segurança jurídica das relações entre Estado e contribuintes (artigo 5o da Constituição Federal), que é materializada pelos institutos da decadência, da prescrição e, em sede da lei processual, da preclusão, porquanto as partes de uma relação jurídicoprocessual não podem ser surpreendidas por atos consumados no tempo ou não esperados no processo. Disso decorre que o ato de revisão do saldo de Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.090 23 bases de cálculo negativa de 2008 praticado pela autoridade fiscal, por meio da presente autuação, não pode ser considerado, porque atingido pela preclusão consumativa/lógica. Dessa forma, em reforço à ocorrência da decadência, também operouse, in casu, a preclusão do direito do Fisco de rever os fatos consumados no ano de 2008, motivo por que a presente autuação não conta com condições de prevalecer. E, se não bastassem os argumentos já trazidos, a Recorrente ainda salienta que o agente fiscal, no presente lançamento, ao considerar a insuficiência de saldo para a compensação de base de cálculo negativa já realizada em relação ao fato gerador de sua CSLL de 31/12/2009 e 31/12/2010, afrontou institutos consagrados do Direito, em especial o exercício regular de um direito (o direito à compensação de base de cálculo negativa), o ato jurídico perfeito (a formação do saldo de base de cálculo negativa de 2008 e o pagamento do tributo devido em 2009 e 2010 via compensação de base de cálculo negativa), e o direito adquirido (o direito de ter reconhecida a existência de saldo de base de cálculo negativa e a efetiva extinção parcial da CSLL devida, por meio da compensação realizada). E, por isso, o lançamento deve ser reconhecido como nulo. Com efeito, em 31/12/2009 e 31/12/2010, em função da conhecida "trava" dos 30%, a Recorrente, reunindo as condições exigidas na legislação (i.e. tributo a pagar e existência de base de cálculo negativa de exercícios anteriores), exercera, regularmente, o direito a compensação como forma de extinção parcial da CSLL, em relação a referido fato gerador. Todavia, em 2012, houve a lavratura do auto de infração do processo nº 19515.723032/201279, por meio do qual a Fiscalização, ao apurar o montante devido, abatera integralmente o saldo de base de cálculo negativa (o mesmo utilizado parcialmente em 2009 e 2010) consolidado em 31/12/2008. Aplicando os conceitos doutrinários acima ao presente caso, considerandose a razão de ser e a essência de referidos institutos, no sentido de proteger situações consolidadas no tempo a fim de evitar prejuízos indevidos e proporcionar segurança jurídica aos jurisdicionados, resta evidente que, no trabalho fiscal ora recorrido, não se observou a lógica prescrita por referidos institutos, na medida em que se objetivou a alteração de fatos passados, já consumados e imutáveis, tudo para viabilizar, a partir de mencionada alteração, efeitos futuros. 3.3) DA IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO FUNDADO NO SISTEMA DE ACOMPANHAMENTO DE PREJUÍZO FISCAL SAPLI A Recorrente também defende que não poderia a autoridade fiscal lavrar o discutido auto de infração com base no SAPLI. Já a autoridade julgadora, em análise a esse argumento, afirmou que o presente lançamento não fora efetuado com base no SAPLI, mas, sim, por meio de informações prestadas pelo próprio contribuinte. Com o devido respeito, é certo que o entendimento da recorrida decisão não condiz com a realidade dos fatos, uma vez que, se assim o fosse, teria a autoridade fiscal verificado que o saldo da base de cálculo negativa já havia sido utilizado pela Recorrente muito antes da lavratura do auto de infração objeto do processo administrativo n° 19515.723039/201279, ao adimplir com sua obrigação acessória e entregar a competente DIPJ, na qual constava essa informação. Por essa razão, mister reconhecer que a presente autuação foi fundada no SAPLI. A própria autoridade julgadora, da mesma forma que constou no TVF, acaba por admitir, ainda que indiretamente, que o lançamento foi baseado no SAPLI. Vejase que, no TVF, constou que o procedimento de Revisão Interna que culminou no Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.091 24 presente estaria motivado na "necessidade de acompanhamento do SAPLI Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal decorrente da lavratura do Auto de Infração por meio do processo 1915.723092/201351 e dos Acórdãos No. (s) 1301001570 de 05/06/2014 e 1401001239 de 26/08/2014, relativos aos Autos de Infração lavrados por meio dos processos No. (s) 16.682720.452/201181 e 19.515723.039/201279". Ora, é sabido que o SAPLI funciona como um controle interno da RFB e somente aos seus agentes é dado o acesso e, especialmente, a sua alteração, ou seja, a operação do SAPLI é atribuição exclusiva dos agentes fiscais, conforme normas regimentais da RFB. Não se pode admitir que as informações desse sistema possam gerar a constituição de créditos tributários, mormente quando as realocações ou alterações nele inseridas são realizadas a destempo, ou seja, quando têm como objetivo alterar fatos passados, já atingidos pela decadência, para supostamente "viabilizar" o alcance de fatos futuros, ou, ainda, subvertendo a lógica e a cronologia do direito, acarretar preclusão consumativa/lógica, ou, finalmente, implicar ofensa aos institutos do exercício regular de direito, ao ato jurídicoperfeito e ao direito adquirido. Portanto, o que se conclui, é que o procedimento de revisão interna, com o todos os problemas e vícios já descritos, não pode, de forma desproporcional e contrária a inúmeras normas e princípios de direito (em ofensa a juridicidade), fundamentar o presente lançamento, de modo que o seu cancelamento é medida que se impõe por meio do provimento do presente recurso voluntário. 3.4) DO EQUÍVOCO DA DRJ AO NÃO AFASTAR A MULTA DE OFÍCIO Segundo a Recorrente, na remotíssima hipótese de ser mantida a exigência do crédito tributário ora discutido, ainda assim não poderá ser mantido em sua totalidade, porque, ao contrário do exposto na decisão recorrida, no presente caso não houve a simples falta de recolhimento do imposto. O que ocorreu, isso sim, foi um nítido erro da autoridade fiscal que, ao efetuar o lançamento, reduziu a base de cálculo da CSLL com a utilização do saldo da base de cálculo negativa, sem observar que este já havia sido utilizado pela Recorrente com expressa homologação pelo Fisco. A multa de ofício aplicada é voltada claramente para os casos em que o tributo devido não é recolhido pelo contribuinte. E, como visto, o lançamento em debate não se derivou da falta de recolhimento de tributo para os períodos aqui tratados (31/12/2009 e 31/12/2010), mas, sim, de realocação, de ofício, da bases de cálculo da Recorrente, para o processo administrativo nº 19515.723039/201279, a acarretar a suposta insuficiência do saldo e, consequentemente, a conclusão fiscal de que a compensação realizada pela Recorrente foi indevida. Como já dito, referida autuação ainda nem havia sido lançada quando a Recorrente efetuou a compensação em 31/12/2009 e 31/12/2010, atualmente em discussão administrativa. Por conseguinte, a Recorrente não poderia ter cometido a infração atribuída pela Fiscalização ("compensação indevida"), afinal sequer havia como imaginar que dois anos depois dessa compensação seria lavrado o auto de infração "Big Jump". Deixouse claro que a Recorrente, observando a legislação tributária vigente, compensou o tributo devido com o saldo de base de cálculo de que dispunha à época dos fatos. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.092 25 Daí por que não pode agora, em virtude de um nítido erro da autoridade fiscal, ser punido. Se houve algum erro por parte da Recorrente, o que se admite apenas por amor à argumentação, esse erro é escusável. Escusável porque a situação concreta foi executada de forma aparente, a qual não comportava suspeitas de nenhuma sorte. Até porque vige, no direito brasileiro, o princípio da presunção de constitucionalidade das leis e dos atos administrativos. Além disso, o princípio da boafé deve sempre nortear todas as searas do direito, inclusive o direito tributário, pois, conforme dispõem os artigos 109 e 110, do CTN, as normas tributárias devem observar e respeitar, quando de sua aplicação e hermenêutica, os conceitos e princípios de direito privado. Assim, uma conduta eivada de boa fé há de ser preservada para que o seu agente não sofra, injustamente, qualquer consequência jurídica a que não faz jus. Dessa forma, na remota hipótese de se entender devido o crédito tributário, somente poderá ser exigido o valor principal da CSLL, sem a incidência de juros e multa, consoante as regras acima transcritas. Outrossim, quando muito, em hipótese meramente argumentativa, somente se pode cogitar, em 2014, da constituição do crédito tributário relativo a fato gerador de 31/12/2009 e 31/12/2010, para fins de se evitar a decadência (o que, no caso, já tinha ocorrido), nos termos do artigo 63 da Lei 9.430/1996. Mas ainda assim, como já comentado, jamais teria cabimento a multa de 75% aplicada pela Fiscalização, em sintonia com a Súmula n° 17 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. E nem se alegue que o artigo 63 da Lei 9.430/96 prescreve o lançamento sem multa apenas nas hipóteses dos incisos do artigo 151 do CTN a que faz referências, deixando à parte os demais, inclusive o seu inciso III, que é o que importa no presente processo. Isso porque a prescrição contida em referido artigo, inserto em lei ordinária, apenas explicita aquilo que, na Lei Complementar (i.e. o CTN), já estava (como de fato está) garantido, mas que precisou ser expressamente reforçado, em razão das inúmeras discussões judiciais de cunho tributário que marcaram o período compreendido entre a promulgação da Constituição da República de 1988 e a edição da Lei 9430/1996, por meio das quais se impedia ou se pretendia impedir a possibilidade de constituição de créditos tributários cuja exigibilidade estava suspensa por medida liminar ou similar, em prejuízo ao prazo decadencial que corria contra o Fisco. Portanto, a hipótese é de aplicação do próprio artigo 151, III do CTN. Em suma, como foi demonstrado ao longo de toda esta peça recursal, a glosa de base de cálculo negativa seria, aqui, mero reflexo de autuação anterior (caso "big jump"), mas que ainda não é definitiva, não sendo cabível, portanto, a cobrança da multa de ofício. Por todo o exposto, a Recorrente requer que o presente recurso seja conhecido para que: a) seja dado provimento, reconhecendose a nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à DRJ para saneamento da premissa equivocada adotada, bem como para que a autoridade julgadora se manifeste expressamente sobre os argumentos que não foram analisados; b) caso não seja atendido o pedido anterior, o que se admite para argumentar, que seja dado provimento, reconhecendose a questão de prejudicialidade do processo Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.093 26 administrativo n° 19515.723039/201279, decidindose pela suspensão do julgamento do presente; c) na remota hipótese de não serem acolhidos os pedidos anteriores, que seja dado provimento ao recurso para se declarar a nulidade do lançamento tributário, seja em razão dos fundamentos preliminares suscitados, seja em razão dos argumentos de mérito para reforma da decisão da DRJ e, por consequência, ser determinado o cancelamento integral do lançamento tributário objeto deste processo administrativo; d) ainda, na remota hipótese de ser mantida a exigência do tributo, que seja dado provimento parcial para se cancelar a multa de ofício, juros e correção monetária aplicados. Da Resolução CARF 1301000.385 Os autos chegaram ao CARF, e em 15/09/2016, por meio da Resolução 1301 000.385, de fls. 655/678 decidiu o Colegiado em converter o julgamento em diligência, sobrestandoo até o julgamento final do processo 19515.723039/201279, em razão de sua prejudicialidade. À fl. 887 consta a Informação Fiscal da DERAT, em que se noticia que o PA em questão foi julgado procedente quando do julgamento do recurso de ofício, havendo interposição de recurso especial apenas em relação à incidência dos juros sobre a multa de ofício. Ressalta, ainda, que o contribuinte interpôs Ação Anulatória de Lançamento Fiscal 48.2017.4.03.6100, questionando a autuação daqueles autos, bem como Mandado de Segurança 100228825.2017.4.01.3400 e 100713303.2017.4.01.3400, requerendo a anulação do julgamento do mencionado recurso de ofício e a decisão por voto de qualidade do CARF. Assim, recebi os autos por sorteio em 12/04/2018. É o relatório. Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.094 27 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RJO e intimada ao recolhimento do débito em 24/04/2015, (Abertura do documento fl. 522), e apresentou em 22/05/2015, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 525. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. O presente caso trata da glosa de base negativa de CSLL referente ao ano calendário de 2009 e 2010, de R$428.276.536,52 e R$248.257.385,44, respectivamente, com base no art. 3º da Lei 9249/95 e arts. 247, 250III, 251, 509 e 510 do RIR/99, bem como multa de ofício de 75%. De acordo com o Fiscal, o TVF decorreu da ação fiscal de Revisão Interna, diante da necessidade de acompanhamento do SAPLI, quando da lavratura dos autos de infração objeto dos PAs 19515.723092/201351, 16682.720452/201181 e 19515.723039/201279, que, conforme o TVF absorveram o saldo de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL compensáveis. Preliminares Foi trazido em sede de memoriais, bem como através de sustentação oral da tribuna no dia da sessão, o requerimento de sobrestamento do feito, agora, em razão de Ação Judicial proposta para se anular a decisão havida no processo administrativo 19515.723039/201279, já mencionado. Conforme se verificou, este processo já foi sobrestado em razão de prejudicialidade por pendência de julgamento final de processo administrativo. Este processo findouse, sem que o recurso do contribuinte tenha sido provido. Assim, adentrouse em processo judicial, em que o contribuinte interpôs Ação Anulatória de Lançamento Fiscal, questionando a autuação do PA 19515.723039/2012 79, requerendo a anulação do julgamento do recurso de ofício e a decisão por voto de qualidade no CARF. Meu entendimento, assim como da maioria do Colegiado é de que não seja plausível tal solicitação, na esfera administrativa foi aguardado o resultado final, e agora aguardar o resultado judicial? Até quando o processo deve esperar? Entendo que o processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade, devendo ser impulsionado ex officio, conforme determina o inc. XII do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Não há qualquer previsão legal ou regimental que autorize a suspensão do andamento processual em razão de processo judicial, diante disso, voto pela continuação do julgamento. Da Nulidade da decisão recorrida por pressuposto fático equivocado Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.095 28 Alega a recorrente que a decisão a quo é nula pois incorre em nítido erro material por adotar pressuposto fático equivocado, já que o julgador entendeu que o débito exigido no PA 19515.723039/201279 não estaria, no momento da decisão, com sua exigibilidade suspensa, pois constatou através de "sistema" que houve somente a interposição de Recurso especial pelo Procurador, em que questiona, apenas, a redução da multa de ofício aplicada. No entanto, a recorrente afirma que nem sequer havia sido intimada do citado acórdão e por isso não teve a oportunidade de interpor eventual Recurso Especial contra o acórdão. De fato, a recorrente não havia sido intimada da decisão, no entanto, posteriormente, somente apresentou Recurso Especial para a CSRF para continuar a discutir apenas e tãosomente os juros sobre a multa de ofício (fls. 1092 e ss), ou seja, em que pese a alegação, o mérito não foi rediscutido. Ademais, resta claro também que não foi somente nisso em que se baseou a decisão recorrida, já que entendeu também que o Decreto 70235/72 não autoriza a suspensão do trâmite processual. Dessa forma, não vejo que o julgador a quo tenha se baseado em fatos equivocados, devendo esta preliminar ser afastada. Da Nulidade em razão de o acórdão não ter analisado questões de defesa, que por si só poderiam trazer resultado diverso ao julgamento Alega a recorrente a nulidade, pois em seu entendimento, a decisão recorrida não analisou todas as razões de mérito. Questões trazidas pela recorrida relacionadas à preclusão do direito do Fisco em alterar fatos passados, violação ao exercício regular do direito, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido e outras questões relacionadas ao mérito. No meu entendimento também de se afastar essa preliminar, a decisão recorrida talvez não tenha se detido em cada um dos temas acima colocados, mas certo é que sua decisão Casos de nulidade da decisão se aplicariam se algum item não fosse apreciado e a decisão omissa. Não é o caso em tela. O caso tratado se refere à glosa de prejuízos fiscais, e a decisão tratou dos fatos, baseouse em documentos e na norma. No entanto, ao final, com suas razões manteve o lançamento. Assim, não vejo como preterição ao direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72, ou qualquer supressão de instância nesse sentido. Ademais, o julgador não está obrigado a responder, um a um, a todos os argumentos apresentados pelo interessado, contanto que se baseie em motivo suficiente para fundamentar a decisão, com base em norma legal. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.096 29 Assim, não procede o pedido de nulidade da decisão de primeira instância pela ausência de análise das provas constantes dos autos. Quanto ao sobrestamento do feito Foi requerido também, em sede recursal o sobrestamento do feito em razão da prejudicialidade com relação ao PA 19515.723039/201279, uma vez que a insufciência de saldo de prejuízo fiscal decorreu da utilização do saldo de prejuízo fiscal de ofício naqueles autos. Dessa forma, conforme Resolução 1301000.380, de fls. 843/1000, decidiu o Colegiado em converter o julgamento em diligência, sobrestandoo até o julgamento final do processo 19515.723039/201279, em razão de sua prejudicialidade. À fl. 887 consta a Informação Fiscal da DERAT, em que se noticia que o PA em questão foi julgado procedente quando do julgamento do recurso de ofício, havendo interposição de recurso especial apenas em relação à incidência dos juros sobre a multa de ofício. Ressalta, ainda, que o contribuinte interpôs Ação Anulatória de Lançamento Fiscal 48.2017.4.03.6100, questionando a autuação daqueles autos, bem como Mandado de Segurança 100228825.2017.4.01.3400 e 100713303.2017.4.01.3400, requerendo a anulação do julgamento do mencionado recurso de ofício e a decisão por voto de qualidade do CARF. Da nulidade do auto de infração da ausência de motivação para revisão de período já fiscalizado Alega a recorrente pela impossibilidade de revisão de períodos já fiscalizados sem motivação. Pois de acordo com o art. 906 RIR/99, a nova revisão deve ser suportado por uma "ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal" e não por uma mera "autorização". E além do mais, a tal autorização era para o período de 2009 a 2010, e o agente fiscal exorbitou os limites pois ao efetuar a revisão do Saldo de Prejuízos Fiscais, acabou por atingir o período de 2008. A decisão recorrida assim decidiu: O fato do ato administrativo do Delegado da DelexSP ter sido originário de sugestão de AuditorFiscal ou ser intitulado de autorização, e não ordem, não macula, quão menos anula o procedimento, uma vez que contém expressamente a permissão para que o reexame seja efetuado, conforme determina o art. 906 do RIR/1999, que não impõe a determinação expressa de motivação para validade do ato. O Fiscal não excedeu a autorização, como protesta a interessada, uma vez que efetuou lançamento somente no ano autorizado de 2009 (e no caso da CSLL também no ano igualmente autorizado de 2010), não tendo havido qualquer lançamento ou ajuste no anocalendário de 2008, bem como no saldo de prejuízos do quarto trimestre daquele ano, que foi alterado pelos processos nºs 16682.720452/201181 e 19515.723039/201279, e não pelo presente processo. “Revisitar”, como denominou a interessada, o saldo de prejuízos do quarto trimestre de 2008, com o intuito de consulta de seu montante, é uma necessidade para confirmação e apuração de sua disponibilidade para utilização nos anos autuados (2009 e 2010), tendo sido exatamente esta indisponibilidade em 2009 a motivação da autuação objeto do presente processo. Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.097 30 Vejamos o que diz o art. 906 do RIR/99: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34 ). Ora, a autorização para reexame consta de fl. 04, assinado pelo Delegado da DELEX, no dia 17/02/2014. Diante dos transcritos acima, entendo que no MPF citado já consta a autorização para o reexame, pois foi assinado por autoridade competente para emissão de MPF, nos termos do art. 6, da Portaria SRF nº 6.087, de 21 de novembro de 2005, vigente à época lançamento fiscal: Art. 6º O MPF será emitido, observadas suas respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: I CoordenadorGeral de Fiscalização; II CoordenadorGeral de Administração Aduaneira; III Superintendente da Receita Federal; IV Delegado de Delegacia da Receita Federal, de Delegacia Especial de Instituições Financeiras, de Delegacia Especial de Assuntos Internacionais e de Delegacia da Receita Federal de Fiscalização; V Inspetor de Alfândega ou de Inspetoria da Receita Federal de Classe Especial. (Grifei) Quanto à alegação de que atingiu o período de 2008, também não vejo como procedente, o lançamento se refere ao ano de 2009 e 2010, o que alterou o ano de 2008 foram os lançamentos nos outros PAs, não neste. Não vejo nulidade neste procedimento. Da ausência de fundamentação legal para o procedimento de alteração do saldo de prejuízo fiscal e consequente autuação Neste ponto, alega a recorrente a nulidade do lançamento, posto que a norma tida como violada não se aplica aos fatos que serviram de base à autuação. Quais sejam, os arts. 250, III e 509 do RIR e art. 15, § único da Lei 9.065/95. Conforme trechos do TVF; Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.098 31 Ora, também não vejo quaisquer nulidades neste item. Cerceamento de defesa ou algo semelhante, a recorrente entendeu os termos do lançamento e deles muito bem se defende. Nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, não vejo situação que demande a anulação da decisão a quo ou do lançamento. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, deixo de conhecer das preliminares argüidas. Da decadência Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.099 32 Alega, também, a recorrente que houve uma homologação de sua conduta, e tacitamente, a decadência do direito do Fisco de alterar, somente em 2014 fatos ocorridos no 4º trimestre de 2008. A decisão recorrida assim se posicionou: Não há que se falar neste voto da decadência no direito da Fazenda Pública rever os lançamentos no anocalendário de 2008, uma vez que o lançamento objeto do presente processo se refere ao anocalendário de 2009, sendo incontroverso que na data de sua ciência, em 08/01/2014, não estava decaído tal exercício. O saldo de bases de cálculo negativas da CSLL do anocalendário de 2008, mais especificamente do quarto trimestre, foi alterado pelos autos de infração de 30/05/2011 e 28/12/2012, objetos dos processos nºs 16682.720452/201181 e 19515.723039/201279, e não pelo auto de infração objeto do presente processo. Não ocorre a este julgador que os lançamentos naqueles processos tenham sido alcançados pela decadência, mas tal matéria, se cabível, deveria ser apreciada naqueles processos e não no presente. Por fim, cumpre destacar, ainda, que não existe a figura da “homologação expressa ou tácita de compensação de bases de cálculo negativas da CSLL” evocada pela interessada em sua impugnação. Vamos aos fatos. O lançamento é de glosa de base de cálculo negativa de CSLL relativos aos anos de 2009 e 2010. O recorrente teve ciência do lançamento em 11/12/2014, fl. abertura do documento, fl. 59. Concordo com o entendimento exarado pela decisão recorrida, não há que se falar em decadência. Os autos de infração dos outros PA que alteraram o saldo de 2008 e consequentemente afetou os valores utilizados em 2009 e 2010, mas para o ano de 2009 não se operou a decadência. Caso tenha ocorrido em relação aos fatos de 2008, naqueles autos é que deveriam ser analisados. Bem como também não vejo que se falar em homologação tácita. Da Ofensa ao princípio da segurança jurídica. Da preclusão do direito de o Fisco alterar realidades estabelecidas em termos lógicos e cronológicos. Da violação ao exercício regular de um direito, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido A recorrente alega neste tópico diversas ofensas. Que o lançamento seria nulo pois alterou fatos passados para gerar efeitos futuros alterou o saldo de prejuízo fiscal do 4º trimestre de 2008. Já verificamos acima que o que ocorreu foi o lançamento de ofício de IRPJ e CSLL do ao de 2008 que alterou e não este lançamento. Que o auto de infração na realidade partiu de um erro por parte da RFB que se equivocou ao ter se utilizado de saldo de prejuízos no ano de 2012, quando se utilizou de prejuízos que já tinham sido absorvidos pela recorrente. Pugna pela aplicação do que ocorre quando da compensação de tributos. Que se verificou a preclusão consumativa com relação à utilização do saldo de 2008, já reconhecida pela RFB e por própria decisão da DERAT, quando em 13/06/2012, e posteriormente pela DRJ/SPO, em 25/07/2014, Acórdão 1659704, confirmou o saldo de prejuízo fiscal e sua utilização para compensação dos débitos objeto de parcelamento da MP Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.100 33 470/2009. Ou seja são fatos já consumados no tempo, não sendo passíveis de alteração por lançamento. Ademais, que todos os seus atos praticados o foram feitos o exercício de um direito, de uma to jurídico perfeito e ao direito adquirido. Entendo que muito do que aqui se trata se confundese com o mérito, e assim será tratado. Da impossibilidade de lançamento fundado no sistema de acompanhamento de prejuízo fiscal SAPLI Diz a recorrente que a autoridade fiscal não poderia lavrar este auto de ifração com base no sistema de acompanhamento de prejuízo fiscal SAPLI. A decisão recorrida assim disse: A legislação tributária permite que a pessoa jurídica reduza o lucro real apurado no períodobase mediante a compensação de prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores, devendo tais prejuízos compensáveis serem registrados na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur. Por sua vez, o Sistema de Acompanhamento do Prejuízo Fiscal, do Lucro Inflacionário e da Base de Cálculo Negativa da CSLL – Sapli recebe as informações fornecidas pelos contribuintes em suas DIPJ relativamente ao resultado do exercício e à compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL. Caso a fiscalização apure infrações em procedimento de ofício, deve efetuar as correspondentes alterações no sistema, de forma a espelhar o resultado apurado de ofício. Se for instaurado o litígio administrativo em relação ao auto de infração, os dados do sistema serão ajustados às decisões administrativas de 1ª e de 2ª instância (Delegacias de Julgamento e CARF). No presente caso, a consulta ao sistema Sapli indicou inexistência de saldo de prejuízos a compensar em 31/12/2009, gerando, assim, a glosa da compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores efetuada pela interessada em 31/12/2009, informada na sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ do exercício de 2010, anocalendário 2009, havendo que se destacar que o lançamento não foi “baseado no SAPLI”, mas nos dados nele constantes, oriundos, como dito, de informações fornecidas pela contribuinte e compensações de ofício. A insuficiência apurada foi motivada, em especial, pela lavratura do auto de infração objeto do processo nº 19515.723039/201279, que absorveu os prejuízos apurados pela interessada no quarto trimestre de 2008, não restando saldo passível de compensação em 31/12/2009, uma vez que o saldo de prejuízos em 31/12/2007 foi utilizado no pedido de parcelamento especial pelas Leis nºs 11.941/2009 e 12.249/2010. Alega a recorrente que se o SAPLI de fato refletisse a realidade, teria verificado que o saldo já havia sido utilizado. Ora, como dito, o SAPLI é o sistema de acompanhamento dos saldos de prejuízo fiscal e base negativa do contribuinte, baseado nas informações por ele declaradas em Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.101 34 DIPJ e alteradas conforme lançamentos de ofício e decisões administrativas, utilização em parcelamentos, etc. O fato é que foi verificado, através da fiscalização, que se utilizou de diversos documentos e informações, dentre eles o SAPLI, que o valor utilizado em 2009 não era suficiente. Não vejo nulidade também. Do mérito Conforme se observou acima, a glosa de prejuízo fiscal de 2009, a totalidade daquilo que foi utilizado pela recorrente, R$415.572.488,08, se deu em razão da insuficiência de saldo em período anterior, pois, com a lavratura do auto de infração, em 2012 para cobrança de IRPJ sobre fatos ocorridos no 4o trimestre de 2008, PA 19515.723039/201279, utilizouse o montante de R$685.961.166,17, do saldo de prejuízos fiscais existente em 31/12/2008. Nessa esteira, aguardouse o fim do processo em referência. O recorrente já tinha tido seu recurso voluntário negado, conforme acórdão 1401001.239, de 26/08/2014, e o Recurso Especial para a CSRF tanto da PGFN, quanto do recorrente não diziam respeito ao mérito (redução da multa para 75% e juros sobre a multa). Ou seja, a questão prejudicial que antes existia, não existe mais, já que definitiva em esfera administrativa a decisão. Por esta razão, por si só, já bastaria a manutenção destes autos, como bem arrazoado na Resolução que sugeriu que se aguardasse a decisão definitiva. Ora, é fato que quando da utilização do saldo de base de cálculo negativa de CSLL antes existente, e assim declarado em DIPJ, tudo estava correto. Porém, fato é certo que sobreveio um auto de infração que alterou todo o cálculo de CSLL de 2008, e por consequência aquilo que era base de cálculo negativa de CSLL. Assim, no ano de 2009, em que se utiliza um saldo que se esvaiu diante do auto de infração e sua confirmação, nada há que se fazer a não ser alterar o valor de 2009, já que inexistente aquele saldo. O mesmo com o ano de 2010. Ademais, como menciona a recorrente, o fiscal deveria saber que aquele saldo dantes existente já havia sido utilizado em 2009 e portanto não deveria têlo considerado em 2008. Não é bem assim que funciona, o ano fiscalizado naquele auto era 2008, consequência, em havendo, como houve, deveria ser no ano de 2009. Apenas, por hipótese, em se aceitando o que foi colocado pela recorrente, é certo também, que o valor aplicado no lançamento de 2008 seria maior, já que não se consideraria o valor já utilizado, fato esse que seria prejudicial à recorrente, uma vez que seria aplicado com juros de mora de um ano a mais, e no caso ainda, com aplicação de multa de 150% sobre uma base maior (ainda que em discussão). A autoridade fiscal atuou de maneira correta, de início requereu a revisão interna, e em verificando, em 2014 com a decisão do CARF no PA 19515.723039/201279, Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.102 35 negando provimento ao recurso voluntário, e antes do prazo decadencial, que o valor utilizado em 2009 sobejava o saldo existente, efetuou o lançamento. É certo também, que ainda que em 2009 tenha se utilizado de um valor lídimo, a recorrente ao estar ciente do lançamento do ano de 2008, deveria saber que o valor utilizado em 2009 sofreria consequências, tal qual a glosa da base de cálculo negativa de CSLL e de igual forma da multa de ofício. Do afastamento da multa de ofício Requer a recorrente, caso se mantenha o lançamento, o afastamento da multa de ofício de 75%, uma vez que no caso não houve a simples falta de recolhimento ao imposto e sim erro da Autoridade Fiscal, que reduziu a base de cálculo do IRPJ com a utilização do saldo de prejuízo fiscal sem observar que o mesmo já havia sido utilizado pela recorrente. Que a multa só deve ser aplicada nos casos em que o tributo devido não é recolhido pelo contribuinte, e no caso em tela ocorreu tão somente a realocação de prejuízos fiscais para o PA. E que sempre agiu de boafé. Ademais, alega que já havia se operado a decadência e quando não, o crédito tributário foi constituído para fins de se evitar a decadência, e sendo assim, não haveria que se falar em aplicação da multa, diante da Súmula CARF 17. A decisão recorrida manteve a multa nesse sentido: É fato que, nos casos de lançamento para prevenir a decadência do direito da Fazenda Pública exigir os créditos tributários cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida judicial, descabe a incidência da multa de ofício, à luz do caput do art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 63. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Porém, inexiste previsão legal para o afastamento da multa de ofício no presente processo, por força do inciso III do art. 151 do CTN, uma vez que o fato do processo nº 19515.723039/201279 estar com sua exigibilidade suspensa, não suspende o crédito tributário do presente processo, que também não se encontra com medida judicial suspensiva na forma prevista no inciso IV do at. 151 do CTN. Desta forma, correta está a exigência da multa de ofício, no percentual de 75%, com fulcro no art. art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que assim versa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.103 36 Destaquese que a multa não foi exigida por comprovação de atitude dolosa da interessada, mas pela falta de pagamento de IRPJ, resultado da glosa de compensações de prejuízos que se tornaram indevidas após a lavratura do auto de infração objeto do processo nº 19515.723039/201279. A multa de ofício não seria aplicada se a interessada, em face da intimação constante do Termo de Encerramento da ação fiscal daquele processo tivesse retificado sua declaração do anocalendário de 2009 e pago o IRPJ resultado de novos cálculos sem redução com prejuízos compensáveis de períodosbase anteriores (quarto trimestre de 2008). Destarte, cabível a exigência da multa de ofício no percentual de 75%. Eu concordo inteiramente com o acima decidido, no caso não há que se falar em autuação para prevenir a decadência, e assim sendo, não há base legal para afastamento da multa de ofício ou dos juros, já que também não havia nenhuma medida judicial que a respaldasse nesse sentido. Assim, também, de se manter o multa de ofício. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, afastar as preliminares arguidas, bem como a decadência, para no mérito NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.104 37 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. Peço vênia ao Colegiado para divergir quanto à posição assumida no julgamento de questão de ordem suscitada pelo Contribuinte. Entendo que uma questão prejudicial à análise do mérito do presente processo seria exatamente a existência de uma relação de prejudicialidade entre os processos judiciais apontados pelo Recorrente e o crédito tributário objeto do presente processo. A noção de questões prejudiciais no âmbito processual foi objeto de erudita tese do Professor José Carlos Barbosa Moreira, em seu concurso de livre docência na UERJ (MOREIRA, José Carlos Barbosa. Questões Prejudiciais e Coisa Julgada. Tese de Livre Docência. Rio de Janeiro: UERJ, 1967), na qual aduziu que elas seria "questões cuja solução depender necessariamente o teor da solução que se haja de dar a outras questões" é dizer, a influência exercida sobre a questão sob julgamento se dá a nível meritório, afetando diretamente o deslinde da solução jurídica a ser adjudicada ao caso. Diante disso, podese verificar de pronto que o Mandado de Segurança nº 100228825.2017.4.01.3400, cujo pedido tem potencial de afetar o decidido no processo nº 19515.723039/201279, com efeitos sobre o montante de prejuízo fiscal apurado no início do anocalendário de 2008. O pedido do MS consiste na anulação do julgamento proferido pela CSRF no processo administrativo, em razão de apontado vício procedimental. Há, portanto, uma prejudicialidade entre o presente processo e o mandamus. Por outro lado, há que se perquirir os efeitos jurídicos dessa prejudicialidade sobre o exame da matéria deste processo. Sobre o tema, o CPC/2015 é expresso em determinar a suspensão em seu art. 313, cuja aplicação ao processo administrativo se dá tanto de forma subsidiária quanto supletiva, conforme seu art. 15: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. (...) Art. 313. Suspendese o processo: V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Compulsando o Regimento Interno do CARF, se verifica que o mesmo traz o regramento relativo ao sobrestamento em seu art. 6º, §§ 4º, 5º e 6º: Art. 6 (...) Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.105 38 § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. Como se vê, o Regimento dá duas hipóteses de sobrestamento: i) se o processo principal não estiver localizado no CARF, em casos de vinculação por decorrência ou reflexo, devendo ocorrer o sobrestamento na unidade preparadora; e ii) no caso dos processos estarem em Seções diversas do CARF, caso em que o sobrestamento se dará na Câmara. Uma leitura apressada do art. 6º, §6º poderia indicar que o §4º, ao se referir a "não localizado no CARF", estaria se referindo apenas aos processos que estão sob análise das delegacias de julgamento da Receita Federal, é dizer, em etapas anteriores do processo administrativo. Essa leitura restritiva não se sustenta, entretanto, diante de uma compreensão sistemática do Regimento Interno, mormente em razão das competências específicas da Assessoria Técnica e Jurídica ASTEJ, constantes no art. 4º do Anexo I do RICARF: Art. 4º A Presidência do CARF será assistida pela Assessoria Técnica e Jurídica Astej, dentre outras, nas seguintes atividades: V controle e acompanhamento dos mandados de segurança e demais ações judiciais e comunicação da tramitação nos respectivos processos administrativos fiscais; Como se vê, é competência específica deste órgão do CARF o acompanhamento de processos judiciais que tenham efeitos sobre os processos administrativos fiscais aos quais eles se vinculem, cabendo à ASTEJ a apresentação da informação pertinente no âmbito administrativo e encaminhamento para julgamento. Essa competência serve, portanto, para infirmar a leitura restritiva do art. 6º, §4º, no sentido de que a prejudicialidade juridicamente relevante poderia se dar apenas entre processos administrativos, comportando assim uma leitura que abarque relações entre processos que ainda não chegaram ao CARF, como também processos judiciais que impactem na solução jurídica a ser dada neste âmbito. Desse modo, constatada a prejudicialidade exclusivamente entre a Mandado de Segurança nº 100228825.2017.4.01.3400 e o presente processo, voto por converter o presente julgamento em diligência para sobrestar o presente feito na unidade preparadora, com Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10314.728430/201413 Acórdão n.º 1301003.420 S1C3T1 Fl. 1.106 39 fundamento no art. 6º, §4º do Anexo II do RICARF, até que seja julgado definitivamente a referida ação. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 1106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.901576/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2006
CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
Numero da decisão: 3301-005.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159 70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.15970/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 15 76 /2 01 0- 01 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13819.901576/201001 Acórdão n.º 3301005.148 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito para ser utilizado na compensação em questão. Com isso, decidiu pela não homologação da referida Declaração de Compensação. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva alegando, em suma, que seu direito creditório tem fundamento no artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, o qual afirma terlhe outorgado o direito de compensar tal crédito com débitos do mesmo tributo, conforme o fez através da Dcomp em tela. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12065.700. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que discorre sobre sua atividade, o contrato de exploração de patente e uso de marca que firmou com empresa estrangeira, as remessas de royalties, o direito ao crédito de CIDE, sob o amparo da MP n° 2.15970/01, e a correção do procedimento adotado utilização do crédito da CIDE para liquidação de débitos vincendos, via PER/DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.136, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.136): Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13819.901576/201001 Acórdão n.º 3301005.148 S3C3T1 Fl. 4 3 "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, adoto como razão de decidir o voto condutor do Acórdão DRJ n° 1265.687, de 22/05/14, da lavra do i.julgador Bernardo Moraes Fiuza Pequeno: "(. . .) Verificase que o interessado fundamenta sua defesa no art. 4º da MP Nº 2.15970/2001, deste modo, transcrevo o referido dispositivo legal por ser de suma importância para a solução da lide (grifos de minha autoria). 'Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo. § 2o O Comitê Gestor definido no art. 5º da Lei nº 10.168, de 2000, será composto por representantes do Governo Federal, do setor industrial e do segmento acadêmicocientífico.' Percebese na leitura deste artigo, que a MP nº 2.15970/2001 concedeu crédito ao contribuinte nos casos de remessas ao exterior a título de róialties, o qual é calculado com base na contribuição devida. No entanto, o interessado informou na Declaração de Compensação crédito oriundo de pagamento indevido, ou seja, o crédito previsto na MP nº 2.15970/2001 não tem relação com o Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13819.901576/201001 Acórdão n.º 3301005.148 S3C3T1 Fl. 5 4 crédito de pagamento indevido, haja vista que o pagamento só é indevido se a CIDE não é devida. Por outro lado, o crédito da MP nº 2.15970/2001 só é gerado com base na CIDE que é devida. Portanto, percebese que a defesa sustenta um crédito distinto daquele informado na Declaração de Compensação. Ademais, ainda que o interessado obtivesse êxito em comprovar o suposto crédito previsto na MP nº 2.15970, este não poderia ser utilizado através de Declaração de Compensação, mas tão somente por meio de dedução da CIDE de períodos subseqüentes, em conformidade com o art. 4º, § 1º, inciso II, que diz (grifos meus): 'II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo.' Portanto, diante de todo exposto, voto por julgar a manifestação de inconformidade improcedente, mantendose integralmente o Despacho Decisório, a fim de não homologar a Declaração de Compensação." Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720337/2012-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 03 37 /2 01 2- 88 Fl. 100DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.565,68, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2009. A fundamentação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não ter sido apresentada comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas, além dos recibos e comprovação dos dependentes para efeito tributário. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos recibos apresentados pelos serviços médicos prestados e comprovação dos dependentes, como segue: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do IRPF 2010, ano calendário 2009, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/ Dourados. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 5.565,68, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O referido lançamento teve origem na constatação da(s) seguinte(s) infração(s): Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 25.000,00. Glosado pagamentos em favor de Camilo de Lellis Chagas Junior, pela falta de comprovação do efetivo pagamento, conforme Intimação e Reintimação feita ao contribuinte com esse propósito. Dedução indevida de dependentes no valor de R$ 3.460,80, por falta de apresentação da certidão de nascimento de Leonardo Oldoni e Suelen Karine Oldoni. (...) Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado, nos termos do inciso III do art. 80 do RIR/99, citado linhas acima. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13161.720337/201288 Acórdão n.º 2001000.749 S2C0T1 Fl. 101 3 Cumpre informar ainda que somente podem ser deduzidas despesas médicas com os profissionais elencados no caput do art. 80, anteriormente transcrito, razão pela qual o documento probatório deve apresentar o número do registro profissional de quem o emitiu. Por fim, vale destacar que, por força do art. 73 do Decreto 3.000/99, a autoridade lançadora poderá, se julgar necessário, intimar o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento de determinadas despesas médicas informadas em sua declaração. Nesses casos, o sujeito passivo deve demonstrar de forma inequívoca a transferência de numerário ao profissional, apresentando para tanto, dentre outras provas, cópias de cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, comprovantes de depósito ou saques anteriores aos pagamentos, nos casos em que este último tenha sido efetuado em moeda corrente. A motivação da glosa do pagamento declarado em favor do profissional Camillo de Lellis Chagas Junior, no valor total de R$ 25.000,00, foi justamente o fato do contribuinte não ter comprovado o efetivo pagamento da despesa, por um dos meios descritos no parágrafo anterior. Nessa instância o contribuinte mais uma vez deixa de comprovar a efetividade dos pagamentos consignados nos recibos apresentados. A alegação de que os pagamentos foram feitos em moeda corrente não elide o interessado da obrigação de demonstrar os saques que deram origem a tais dispêndios. Tampouco a disponibilidade em moeda corrente constante de sua Declaração de bens e direitos faz prova em seu favor. Por fim, ressaltese que a decisão recursal apresentada às fls. 09/11 aplicase tãosomente ao caso específico analisado por aquele colegiado. O CARF já se manifestou em modo contrário em diversos julgados, inexistindo súmula vinculante no sentido de desobrigar o sujeito passivo da comprovação do efetivo pagamento, quando lhe for exigido no procedimento fiscal. No caso em concreto, o contribuinte foi intimado não uma, mas duas vezes, apresentando como única justificativa o fato de ter efetuado os dispêndios em moeda corrente. Mantida a glosa das despesas médicas, por conseguinte. Por fim, relativamente à glosa dos dependentes, a dedução correspondente deve ser restabelecida, uma vez que o impugnante acostou, às fls. 14/15, as certidões de nascimento dos filhos menores Leonardo Oldoni e Suelen Karine Oldoni, demonstrando, portanto, a relação de dependência de ambos. Ante o exposto, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer dedução com dependentes no valor de R$ 3.460,80, o que resultou na manutenção do imposto suplementar no valor de R$ 4.613,96, a ser acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, nos termos da legislação tributária em vigor. Fl. 102DF CARF MF 4 Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 4.613,96, como imposto suplementar, mais os acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) O PROCURADOR – contador, ao fazer a DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA – ano base 2009 – exercício 2010 digitou os lançamentos baseados nos documentos que o contribuinte entregou para o mesmo. Foram lançado 10 (dez) recibos – de despesas médicas, do profissional o Sr. CAMILO DE LELLIS CHAGAS JUNIRO – CPF 305.397.96832, totalizando o valor de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais), e toso estes recibos foram devidamente apresentados na defesa. Foi apresentada também uma DECLARAÇÃO dirigida ao Delegado da Receita Federal, assinada pelo profissional Sr. Camilo de Lellis Chagas Junior – CPF 305.397.96832, declarando que recebeu do contribuinte “impugnante” o valor de R$ 25.000 (vinte e cinco mil reais), 10 (dez) parcelas mensais de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), em moeda corrente nacional. (...) Novamente o Contribuinte usa o Direito que a lei – lhe permite 1º Sujeito a Comprovação – Comprova com os recibos (10) parcelas. 2º Justificação – A declaração, assinada pelo profissional – Sr. Camilo de Lellis Chagas Junior – CPF 305.397.96832, auto declarando que os recebimentos foram feitos em moeda corrente; e a mesma está reconhecida firma em cartório. O Contribuinte na sua defesa apresentou provas; como os recibos mensais, e a declaração do profissional declarando que os valores foram recebidos em moeda corrente. Novamente serão anexadas as provas descritas acima, apresentando outras provas que o contribuinte tem ao seu favor, conforme segue abaixo a relação para apreciação. 1º O contribuinte enquadra na natureza de Ocupação como PRODUTOR RURAL, e na Declaração – no Demonstrativo de Atividade Rural – Brasil, o mesmo lançou na Receita Bruta, valores de janeiro a Novembro, que cobre o valor gasto com Despesas Médicas pagas. 2º O contribuinte também declarou Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física, no total de R$ 24.000,00 (vinte quatro mil reais). Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13161.720337/201288 Acórdão n.º 2001000.749 S2C0T1 Fl. 102 5 3º Serão anexada cópia da declaração do IRPF do Sr. Camilo de Lellis Chagas Junior, aonde declara o valor recebido de Pessoa Física e do Exterior pelo Titular, totalizando 75.509,67 (setenta e cinco mil, quinhentos e nove reais, sessenta e sete centavos), com isso o profissional prova o vínculo do recebimento do valor da prestação de serviço. 4º Serão Anexa como provado valor gasto, LAUDO RADIOGRÁFICO, comprovando o serviço executado, pelo profissional, sendo estes implantes dentários. ANTES – c/falhas. (12/01/2009). DEPOIS – c/os implantes. (25/07/2014). PROCURADOR representante legal do contribuinte vem por meio desta solicitar o cancelamento da INTIMAÇÃO 153/2014, do Acórdão – 0360902 – 3ª Turma da DRJ/BSB, Sessão de 29/04/2014, aonde manteve a improcedência do valor gasto com despesas médicas, devido ao fato de ter pago em moeda corrente, e o mesmo não provou esse pagamento, resultando na manutenção do imposto suplementar no valor de R$ 4.613,96 (quatro mil, seiscentos e treze reais, e noventa e seis centavos). Senhores Relatores, o Contribuinte com todas as provas já mencionadas comprova que gastou e pagou, os valores declarado como Despesas Médicas. O fato de ter pago em moeda corrente é o que se prende a discussão dos senhores relatores. Consideramos que não existe lei que proíbe de alguém pagar qualquer tipo de despesas em moeda corrente, e o contribuinte prova que gastou e pagou em moeda corrente tendo também prova que durante estes 10 (dez) meses tinha suficiência de caixa, conforme declarado o seu IRPF/2010. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido o CANCELAMENTO do imposto suplementar. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 104DF CARF MF 6 O Acórdão contestado decidiu em acatar parcialmente a impugnação em vista da apresentação das provas de dependência dos filhos menores, pela juntada das certidões de nascimento de ambos, o que justificou restabelecer a dedução com dependentes no valor de R$ 3.460,80. Assim, a lide se restringe a comprovação de pagamento efetivo e da comprovação da realização do serviço odontológico. A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13161.720337/201288 Acórdão n.º 2001000.749 S2C0T1 Fl. 103 7 IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. Fl. 106DF CARF MF 8 O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13161.720337/201288 Acórdão n.º 2001000.749 S2C0T1 Fl. 104 9 daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade posta é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decreto lei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre profissional e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso de apontamento no Lançamento. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Fl. 108DF CARF MF 10 Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13161.720337/201288 Acórdão n.º 2001000.749 S2C0T1 Fl. 105 11 Legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de recibo assinados por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. Acolhese como verdadeira a prova apresentada que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem objetivamente. No caso, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas do beneficiário e, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos assinados pelo profissional habilitado, bem como sua declaração afirmando ter recebido os honorários em moeda corrente. Também juntou aos autos laudo radiográfico da situação anterior e posterior ao tratamento, com os implantes aplicados. Assim que, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica realizada, correspondendo à comprovação do pagamento do profissional, na forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose as deduções das despesas médicas glosadas, cancelandose o crédito tributário na sua totalidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007859/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do Fato Gerador: 17/12/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ALTERAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Encontra-se correta a classificação indicada na Declaração de Importação NCM 4704.29.00 para o produto Pasta de celulose em pó - nome comercial ARBOCEL BE 600/30 PU.
Numero da decisão: 3401-005.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do Fato Gerador: 17/12/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ALTERAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Encontra-se correta a classificação indicada na Declaração de Importação NCM 4704.29.00 para o produto Pasta de celulose em pó - nome comercial ARBOCEL BE 600/30 PU.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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RETTENMAIER LATINOAMERICANA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do Fato Gerador: 17/12/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ALTERAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Encontrase correta a classificação indicada na Declaração de Importação NCM 4704.29.00 para o produto “Pasta de celulose em pó nome comercial ARBOCEL BE 600/30 PU”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 78 59 /2 00 8- 95 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 11128.007859/200895 Acórdão n.º 3401005.382 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratase de AUTO DE INFRAÇÃO com lançamento de Imposto Importação, IPI e Multa Regulamentar, em procedimento fiscal de verificação da correta classificação de produto importado, contemplando a seguinte descrição: O importador J. RETTENMAIER LATINOAMERICANA LTDA registrou a Declaração de Importação DI nº 03/1.112.1726 em 17/12/2003, que foi submetida pelo Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX ao canal vermelho de parametrização, e portanto sujeita aos procedimentos de conferencia documental e física. Em 05/01/2004 procedeuse a conferência física da mercadoria, com retirada de amostras pelo Laboratório de Análises da FUNCAMP, conforme Pedido de Exame n°. 3172/03GCOF; nessa mesma, após averbação de Termo de Responsabilidade junto ao SISCOMEX, através do qual o importador manifestou ciência de que a homologação do lançamento tributário somente se efetivaria após a conclusão das análises laboratoriais, a DI foi desembaraçada com base no artigo 47 da Instrução Normativa SRF nº 206, de 25/09/2002: Instrução Normativa SRF nº 206, de 25 de setembro de 2002 Autorização para Entrega Antecipada Art. 47. A autoridade aduaneira poderá autorizar a entrega antecipada de mercadoria ao importador quando a conclusão da conferencia aduaneira depender unicamente do resultado de análise laboratorial, mediante assinatura de Termo de Responsabilidade, nos termos da legislação especifica. Os resultados dos exames laboratoriais estão consubstanciados no Laudo de Análises FUNCAMP n°. 0170, de 28/01/2004, que fundamenta tecnicamente o presente Auto de Infração. O Importador descreveu a mercadoria, Adição 001 da DI 03/11121726, com Nome Comercial: ARBOCEL BE 600/30 PU – acondicionados em 600 sacos de 20 KGS cada, NCM 4704.29.00 (Pasta Química de Madeira de não Conífera ao Bissulfato, SemiBranqueada), com alíquota de II 05,50% e IPI 0,00%. O Fisco com base no Laudo de Análises FUNCAMP, a luz da Tarifa Externa Comum, aprovada pela Resolução CAMEX 42/01 e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, aprovadas pela Instrução Normativa SRF 157/02, diz tratarse de: “Fibras de celulose, sem carga inorgânica, na forma de pó, celulose em forma primária”, NCM 3912.90.40 (Outras celuloses em formas primárias, em pó), com alíquota de II 15,50% e IPI 05,00%. Concluiu que não se trata de pasta química de madeira ao bissulfato de não coníferas, conforme classificado pelo importador. Quanto a multa administrativa por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, fica o importador obrigado a recolhêla com base no art. 636, I, §1º do Decreto nº 4.543/02, no valor mínimo de R$ 500,00. O pedido de exame laboratorial (LAB 3172/03 – GCOF) foi instruído com quatro quesitos assim formulados: Fl. 270DF CARF MF Processo nº 11128.007859/200895 Acórdão n.º 3401005.382 S3C4T1 Fl. 4 3 O resultado do exame e conclusões foram assim definidos: O Sujeito passivo da obrigação tributária foi cientificado do Auto de Infração, contra o qual apresentou impugnação (efls.54): a) requer em preliminar que seja realizada prova pericial, nos termos do art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72; b) que esse novo laudo é plenamente justificável em razão das respostas dadas aos quesitos apresentados pela impugnada e faz indagações a respeito do produto para as quais não encontrou explicação no laudo; c) em atendimento ao disposto no mencionado inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, a impugnante lista quesitos (efls.60/63) que pretende sejam respondidos com assistência de perito por ela nomeado; d) que o Auto de Infração é nulo por irregularidade na motivação, o Laudo em seu primeiro quesito traz que a identificação química foi conclusiva para Celulose, tal como informado pela impugnante; e) que a ausência de motivação do Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11128.007859/200895 Acórdão n.º 3401005.382 S3C4T1 Fl. 5 4 lançamento como demonstrado prejudica a impugnante cerceando seu direito de defesa; f) com relação ao mérito defende a NCM indicada na DI, que está em perfeita consonância com as normas internacionais e explica detalhadamente porque a classificação que adotou é a mais apropriada para o produto importado; g) finaliza requerendo seja dado provimento integral à impugnação, cancelandose o crédito tributário discutido. Sobreveio decisão de piso proferida pela 24ª Turma da DRJ/SPO, em sessão de 26/11/2015, acórdão 1670.430, que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, atestando que “A mercadoria descrita comercialmente como “ARBOCEL BE 600/30 PU”, com as características expostas neste processo, encontra correta classificação fiscal na NCM 3912.90.40”; indefere as preliminares arguidas e no mérito defende a classificação atribuída pelo fisco. Em grau de Recurso Voluntário a recorrente repisa os fatos e argumentos de sua impugnação, reforça seu pedido de perícia em prol da busca da verdade material como norte da justiça fiscal, sendo uma das finalidades do processo administrativo; no mérito afirma que o produto ARBOCEL BE 600/30 PU, está corretamente enquadrado na posição NCM 4704.29.00, não podendo ser classificado no capítulo 39.12 da NCM, que trata da celulose e seus derivados, onde diz textualmente: “39.12. Celulose e seus derivados químicos não especificados nem compreendidos em outras posições, em forma primária”. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Discutese no presente processo qual a correta classificação fiscal para o produto importado com denominação comercial “ARBOCEL BE 600/30 PU” e qual código NCM que deverá ser atribuído ao respectivo produto. Tratase da importação de 12.000 Kg de peso líquido da mercadoria descrita como: NOME COMERCIAL ARBOCEL BE 600/30 PU”, com classificação tarifária NCM 4704.29.00 (PASTA QUIMICA MADEIRA DE NÃO CONIFIRA AO BISSULFITO, SEMI BRANQUEADA), dados esses extraídos da DI 03/11121726/001 (efls.109), com incidência de II 5,50% e alíquota zero para o IPI. A Declaração de Importação foi submetida pelo Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX ao canal vermelho de parametrização e portando sujeita aos procedimentos de conferência documental e física. Procedida a conferência física da mercadoria, com retirada de amostras pelo Laboratório de Análises da FUNCAMP, conforme Pedido de Exame nº 3172/03GCOF efetuado pelo Auditor Fiscal responsável por aquele ato. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11128.007859/200895 Acórdão n.º 3401005.382 S3C4T1 Fl. 6 5 A DI foi desembaraçada em 05/01/2004 com observância do art. 47 da IN SRF nº 206/2002, permanecendo pendente unicamente o resultado de análise laboratorial, das amostras do produto “ARBOCEL BE 600/30 PU”. Para a realização de exame em laboratório da FUNCAMP – Fundação de Desenvolvimento da UNICAMP, o fisco formulou quatro quesitos (efls.42): 1. Identificar a composição química do produto, comparandoa com a descrição acima. 2. Tratase de preparação ou produto de constituição química definida, apresentado isoladamente? 3. Qual a aplicação ou finalidade do produto? 4. Demais considerações julgadas pertinentes. Os resultados das análises do produto submetido a exame pelos técnicos da FUNCAMP foram apresentados com a seguinte descrição e conclusão: RESULTADOS DAS ANALISES Aspecto: Pó branco Embalagem: saco de papel, tendo inscrições do nome ARBOCEL BE 600/30 PU, fabricante J.RETTENMAIER & SOHNE GMBH CO, peso de 20kg e número de lote 0710631104 Identificação por Infravermelho: Positiva para Celulose Identificação Química: positiva para Celulose Identificação por Microscopia: Positiva para Fibras Resíduo de Ignição (800°C/2h) (em %): 0.2 CONCLUSÃO: Tratase de Fibras de Celulose, sem carga inorgânica, na forma de pó. RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata de Pasta Química de Madeira ao Bissulfito de Não Coníferas. Tratase de Fibras de Celulose, sem carga inorgânica, na forma de pó, Celulose em forma primária. 2. Não se trata de preparação e nem de composto de constituição química definida. 3. De acordo com Literatura Técnica (cópia anexa), mercadorias de denominação comercial ARBOCEL são utilizadas como: carga em películas antiruido, solados, plastisóis, couros sintéticos; substituto do amianto em colas para pisos sintéticos; tintas; etc. 4. De acordo com Literatura Técnica (cópia anexa), mercadorias de denominação comercial ARBOCEL tratamse de Celuloses obtidas de árvores de não coníferas, Faia e Tília, micronizadas com comprimentos de Fibras entre 18 e 1400 micrômetros. Depois de transcorridos quase cinco anos do desembaraço da mercadoria, próximo, portanto, do prazo decadencial para o lançamento o fisco lavrou Auto de Infração. Intimou o Contribuinte a recolher diferenças de tributos, Imposto Importação e IPI, mais multa regulamentar por erro de classificação do produto “ARBOCEL BE 600/30 PU”, tendo em vista os resultados dos Laudos, as Notas Explicativas e as Regras Gerais 1, 6 e RGC1 de interpretação do Sistema Harmonizado, classificase o produto no código NCM 3912.90.40 (Outras Celuloses, em pó). Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11128.007859/200895 Acórdão n.º 3401005.382 S3C4T1 Fl. 7 6 Cabe aqui destacar que o laudo emitido pela FUNCAMP atestou que o produto “ARBOCEL BE 600/30 PU”, “Tratase de Fibras de Celulose, sem carga inorgânica, na forma de pó, Celulose em forma primária e Não se trata de preparação e nem de composto de constituição química definida”, indicando Literatura Técnica com mais detalhes sobre a origem e aplicação do produto. O fisco apresenta consulta ao Siscomex, documentado às fls.50 (Ex 001), cujo produto não é identificado, como sendo de classificação correta para a mercadoria importada: E de acordo com o Laudo de Análise FUNCAMP, a luz da Tarifa Externa Comum (Resolução CAMEX 42/01) e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (IN SRF 157/02), atribuiu para o produto em questão, a seguinte descrição e correspondente classificação: “fibras de celulose naturais, em formas primárias, em pó, sem carga inorgânica, utilizadas como carga em películas antirruído, solados, plastisóis, couros sintéticos, como substituto do amianto em colas para pisos sintéticos, tintas, etc ..., classificado no código NCM 3912.90.40”. Porém, se atentarmos para literatura disponibilizada no processo e outras de fácil acesso ao alcance de todos, via internet, inclusive a indicada pelos técnicos que elaboraram os laudos requisitados pelo fisco, teremos outra visão e entendimento sobre o produto aqui apresentado de nome comercial “ARBOCEL BE 600/30 PU – Pasta de celulose em pó”, classificada como “Pasta química de madeira”. Se não vejamos: Pasta Química de Madeira Descrição Material fibroso composto de fibras vegetais com cargas minerais. As cargas presentes no composto ajudam a desfibrar as fibras aumentando as ramificações e melhorando a dispersão das mesmas na aplicação. Descrição A Pasta Química de Madeira ou Celulose é proveniente de pinho ou eucaliptos, fibra curta e longa: Formula geral: (C6H10O5)n. Pó com variação de cor de branco à bege claro, inodoro, apresentado desde pó ao fibroso dependendo do código do material, insolúvel em água, álcool, éter e etc. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11128.007859/200895 Acórdão n.º 3401005.382 S3C4T1 Fl. 8 7 A posição adotada pelo fisco para fins de classificação fiscal contém uma condicionante, além de indicar “Plásticos e suas obras”, a “Celulose e seus derivados químicos”, não podem estar especificados e nem compreendidos em outras posições, em formas primárias. Portanto, teríamos que afastar qualquer possibilidade do produto aqui tratado, estar compreendido na posição 4704 – pasta química de madeira. A recorrente traz juntamente com sua impugnação, uma coletânea de dados informativos relacionados ao produto importado, objeto da lide, de onde se extrai os seguintes pontos: a) o nome “ARBOCEL” é uma marca registrada de propriedade do exportador “J. RETTENMAIER & SOHNE (JRS)”, atribuída a mercadoria importada com nome comercial “ARBOCEL BE 600/30” PU, que corresponde ao produto “Pasta Química de Madeira ou Celulose”; b) a Fatura Comercial emitida pelo exportador classifica o produto “ARBOCEL BE 600/30 PU” no item da tarifa (NCM) 47042900, por ser essa a classificação utilizada entre os países europeus e está de acordo com as disposições específicas da NESH; c) junta às fls. 118/119 Certificado da Classificação Europeia, onde descreve análise feita na origem, que numa simplista tradução se obtém a seguinte informação: De acordo com os resultados obtidos no ensaio, juntamente com os dados adicionais apresentados pelo requerente, o produto branco em pó, designado por “ARBOCEL” é um produto químico semiacabado branqueado de madeira dura e decomposto num processo de sulfito (celulose sulfito de madeira de faia), moído para criar fibras muito curtas. Estes tipos de produtos são classificados na subposição 4704.2900 da Nomenclatura Combinada como “produto químico semiacabado de madeira (sulfito celulósico), com exceção das dissoluções branqueadas feitos de madeira não coníferas”. Sendo o Brasil signatário das normas internacionais, de acordo com o Decreto 435/1992, que aprovou as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação de Mercadorias, não pode atribuir classificação aduaneira diversa da adotada pela comunidade internacional. Comparando os laudos dos laboratórios sugeridos pelo fisco brasileiro e o certificado de classificação disponibilizado pelo exportador, não encontramos divergência na descrição e identificação para o produto importado ‘ARBOCEL BE 600/30 PU – Pasta Química de Madeira ou Celulose”. Tratase efetivamente de celulose em sua forma primária e possui classificação própria. Não se trata de derivado químico da celulose que servem de base na fabricação de plástico, bem como para outros fins. Entendo que as regras de interpretação (Regra 6 e RGC1) tornamse desnecessárias, porque o caso aqui discutido restringese a determinar a posição e não o de definir subposições. Vejo, portanto, como posição mais indicada a do Capítulo 47 – Pasta de Madeira ou de outras Matérias Fibrosas Celulósicas – 4704 Pastas Químicas de Madeira, ao Bissulfito, Exceto Pastas para Dissolução – 4704.2 Semibranqueadas ou branqueadas – 4704.29.00 De não Coníferas. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 11128.007859/200895 Acórdão n.º 3401005.382 S3C4T1 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o Auto de Infração discutido. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662586/2012-38
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2008
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam pelo interessado comprovadas.
Numero da decisão: 1003-000.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam pelo interessado comprovadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1120; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 78 1 77 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.662586/201238 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.321 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 05 de dezembro de 2018 Matéria DCOMP Recorrente TECHNET ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam pelo interessado comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 25 86 /2 01 2- 38 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.662586/201238 Acórdão n.º 1003000.321 S1C0T3 Fl. 79 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 35/38) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 07, que não homologou a compensação constante da DCOMP 39398.34904.300710.1.3.048727 (folhas 02/06), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, por ausência de crédito disponível no DARF informado. A recorrente, às folhas 46/52, faz menção ao acórdão recorrido e repete, ipsis litteris, os argumentos de sua impugnação, razão pela qual transcrevese aqui a síntese constante do relatório do acórdão a quo: O manifestante fez uma síntese dos fatos, tendo salientado que vinha acumulando créditos decorrentes da retenção dos 11% a título de “antecipação”, instituída pela Lei nº 9.711, de 1998, cuja constitucionalidade foi proclamada pela Corte Suprema. Assevera que, com a mudança da legislação, foi possível ao sujeito passivo compensar, indiretamente, o seu crédito referente aos tributos da União com o seu débito referente à contribuição previdenciária, cujo titular é o INSS, e créditos desta com tributos administrados pela Receita Federal. Como se sabe, voluntariamente, não seria possível ao sujeito passivo compensar a contribuição previdenciária retida na fonte, nem obter seu parcelamento. Porém, aqui se trata de compensação por iniciativa oficial. Faz menção à legislação pertinente ao assunto em pauta, além de citar entendimentos doutrinários e jurisprudência. Conclui o manifestante destacando a perfeita condição fática e jurídica que permite a compensação de contribuições previdenciárias com os demais débitos tributários administrados pela Receita Federal. Ao final, requer seja "recebida o presente Recurso Voluntário, julgandoo procedente e homologando a compensação, procedendo a devida manutenção dos créditos requeridos nos processos de ressarcimento com o débitos já informados". É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.662586/201238 Acórdão n.º 1003000.321 S1C0T3 Fl. 80 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator Na ausência de qualquer informação no processo acerca da data de apresentação do Recurso Voluntário (envelope de postagem à folha 75 sequer faz menção ao processo), considero, em benefício da contribuinte, ser este tempestivo, portanto dele conheço. Tendo a contribuinte repetido seus argumentos da impugnação, sem apresentar qualquer comprovação de suas alegações, resta, ao concordar com as razões de decidir do acórdão de piso, transcrevêlas no que se considera relevante e adotandoas no presente voto: Segundo o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Por outro lado, conforme disposto no art. 36 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, da mesma forma como incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito, de acordo com o disposto no inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte – , na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), concluise que deve a RFB não homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.662586/201238 Acórdão n.º 1003000.321 S1C0T3 Fl. 81 4 valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. A apuração de IRPJ é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração, apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior no valor postulado pelo contribuinte. Também a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue antes do referido despacho não confirma o valor do crédito pretendido. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples menção à existência de supostos créditos “relativos à retenção de 11% do INSS” (sic), não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas na DIPJ e DCTF pertinentes à apuração do IRPJ relativo ao período de apuração de 30/06/2009, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior e atestar a certeza e liquidez do crédito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006425/2005-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RECURSOS REMETIDOS AO EXTERIOR. PROVAS DE TITULARIDADE OBTIDAS LEGALMENTE. POSSIBILIDADE.
Constitui prova suficiente da titularidade de remessas de recursos ao exterior os laudos emitidos pela polícia científica com base em mídia eletrônica enviada pelo Ministério Público dos EUA, onde consta o contribuinte como titular das remessas de numerário.
Numero da decisão: 9202-007.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.010129/2006-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSOS REMETIDOS AO EXTERIOR. PROVAS DE TITULARIDADE OBTIDAS LEGALMENTE. POSSIBILIDADE. Constitui prova suficiente da titularidade de remessas de recursos ao exterior os laudos emitidos pela polícia científica com base em mídia eletrônica enviada pelo Ministério Público dos EUA, onde consta o contribuinte como titular das remessas de numerário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.010129/2006 08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 64 25 /2 00 5- 26 Fl. 256DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 9202007.098 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10580.010129/200608, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 9202007.098 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais "Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte supra identificada, referente ao imposto de renda da pessoa física, especificamente sobre a caracterização de variação patrimonial não coberta por procedimentos declarados. Cumpre destacar que a ação fiscal se originou a partir do trabalho realizado pela Equipe Especial de Fiscalização da Receita Federal, dedicada a investigar esquema de evasão de divisas a partir do caso Banestado, que teriam revelado movimentações de recursos para conta bancária no exterior. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária foi dado provimento ao Recurso Voluntário. O processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do acórdão em até trinta dias, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010. A Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 118/135 (Despacho de Encaminhamento de fls. 136). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação à efetiva comprovação por parte da Administração Tributária do acréscimo patrimonial. Ao Recurso Especial foi dado seguimento. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado provimento ao seu recurso, para reformar o acórdão recorrido e determinar que a o lançamento tributário em tela seja restabelecido em sua integralidade. Cientificado do Acórdão e do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN o contribuinte apresentou contrarrazões, portanto, tempestivas. Em suas contrarrazões, em síntese, o contribuinte assevera que de pronto o Resp da PGFN estaria prejudicado, uma vez que não haveria interpretação divergente entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados pela PGFN. Pondera ainda o contribuinte, que em hipótese de superada sua preliminar em sede de contrarrazões, a ausência de interpretação divergente por parte do recurso da PGFN, estaria a Fazenda Nacional a rediscutir matéria fática e probatória, o que estaria fora do escopo do Recurso Especial de Divergência. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10830.006425/200526 Acórdão n.º 9202007.100 CSRFT2 Fl. 3 3 Destaca, por fim, que o presente processo tratase de paradigma cujo julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. É o relatório." Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9202007.098 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10580.010129/200608, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor da decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 9202007.098 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018: Acórdão nº 9202007.098 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais "Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende, em princípio aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme despacho de Admissibilidade. Porém, havendo questionamento acerca do conhecimento, passo a apreciar de forma mais detida a questão. Do Conhecimento Em relação ao conhecimento, em síntese, o contribuinte assevera que o Resp da PGFN estaria prejudicado, uma vez que não haveria interpretação divergente entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados pela PGFN. Alega, que a questão que se discuti, não admite divergência por uma impossibilidade lógica, qual seja, a versa sobre matéria exclusivamente fática, a qual depende da realidade de cada processo. Aduz tratarse, na verdade, de análise de provas produzidas em cada processo. No caso, argumentou que não há como existir interpretação divergente, pois a conclusão dos colegiados paradigmáticos mostrase diferente daquela adotada no recorrido, pois os julgadores valoraram as provas apresentadas em cada processo, Fl. 258DF CARF MF 4 chegando a conclusão nos paradigmas de que ocorreu evasão de divisas, o que não ocorreu no presente caso. Por fim, a legislação foi aplicada com a realidade de cada processo, chegandose a conclusão que meros indícios com base nos quais a fiscalização lavrou o auto de infração não foram confirmados. Contudo, ao contrário do argumentado pelo sujeito passivo em sede de contrarrazões, entendo pela possibilidade de conhecimento do recurso. Conforme trazido pelo próprio sujeito passivo, de acordo com o art. 67 do RICARF, compete a CSRF julgar recurso especial interposto contra decisão que der a legislação tributária interpretação divergente de que lhe tenha dado outra câmara. Nesse sentido é que o despacho deu encaminhamento no sentido de que o apelo visa rediscutir a força probante dos documentos que sustentam o lançamento e como paradigmas, tendo a Fazenda Nacional indicado paradigmas visando demonstrar a divergência jurisprudencial, transcrevendo, passagens dos paradigmas que serão analisadas conforme a seguir. Ou seja, o que se busca por meio do recurso especial não é a revaloração de provas, mas apenas rediscutir a força probante de indícios. Ou seja, em situações semelhantes, as mesmas provas foram avaliadas de forma diversa por colegiados sob um mesmo tipo de lançamento fiscal. Vejamos a conclusão adotado pelo presidente de Câmara que deu seguimento ao recurso: Com efeito, o cotejo do acórdão recorrido com os trechos dos dois paradigmas colacionados pela Fazenda Nacional permitem concluir que os três julgados são referentes a autuações relativas a contribuintes que movimentaram recursos por meio da empresa “Beacon Hill Service Corporation” e que, não obstante haver similitude fática entre os conjuntos probatórios, as soluções adotadas pelos respectivos colegiados foram divergentes em relação à força probante dos documentos que embasaram o lançamento. No caso do recorrido, considerouse que, diante da negativa da recorrente sobre a autoria das operações questionadas pela fiscalização, o conjunto probatório não seria suficiente a comprovar a titularidade dos recursos movimentados no exterior, enquanto que nos paradigmas, diante de afirmativas dos contribuintes sobre o desconhecimento da operações relativas à empresa Beacon Hill, a vinculação foi mantida, face ao conjunto probatório. Dessa forma, concordando com a conclusão a que chegou o despacho, encaminho pelo conhecimento do recurso. Do mérito Vencida a análise dos pressupostos do conhecimento, cingese a controvérsia em relação ao Resp da Fazenda Nacional na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimos patrimoniais a descoberto, prevista nos arts. 2º e 3° e seus §§ da Lei n° 7.713/1988: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10830.006425/200526 Acórdão n.º 9202007.100 CSRFT2 Fl. 4 5 Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do Capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas e proventos, bastando para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma ou título. O acréscimo patrimonial é uma das formas colocadas à disposição do fisco para detectar omissão de rendimentos, respaldando uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), cabendo ao contribuinte a produção de provas em contrário, no sentido de elidilas. Assim, diferentemente do que faz crer o recorrente, não cabe ao fisco infirmar a presunção, pois essa modalidade de lançamento impõe ao contribuinte a comprovação da origem dos rendimentos determinantes do descompasso patrimonial. Portanto, não se valendo o contribuinte, do direito de esclarecer a origem dos recursos, o fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal. Nada além disso. Esse é o entendimento deste Órgão, conforme exarado no Acórdão 1º CC nº 010.071/ 1980, do qual se destaca o seguinte trecho: O certo é que, cabendo ao fisco detectar os fatos que constituem o conteúdo das regras jurídicas em questão, e constituindose esses fatos em presunções legais relativas de rendimentos tributáveis, não cabe ao fisco infirmar a presunção, pena de laborar em ilogicidade jurídica absoluta. Pois, se o fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, não me parece ter o menor sentido impor ao fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. Pareceme elementar que a prova para infirmar a presunção há de ser produzida por quem tem interesse para tanto. No caso, o contribuinte. Conforme consta do Auto de Infração, em decorrência das investigações promovidas a partir da CPI do Banestado, verificouse que a empresa Beacon Hill Service Corporation BHSC foi identificada como uma das maiores beneficiárias de Fl. 260DF CARF MF 6 recursos oriundos daquele banco brasileiro, configurando um verdadeiro sistema financeiro paralelo globalizado. No curso do inquérito instaurado pelo Departamento de Polícia Federal, ficou evidenciado que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizandose de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", a qual representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas offshore com participação de brasileiros. Passando às questões pontuais de mérito, temse, conforme consta dos relatórios fiscais, que nos casos ora apreciados do exame dessa relação, elaborada pela Equipe Especial de Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, constatase que, de fato, no campo em que o referido laudo pericial explica ser representativo do “cliente que determinou a ordem de pagamento (não constitui, necessariamente o remetente original)”– está registrado como ordenante o sujeito passivo. Constatase também, que no campo “Debit Name (Nome debitado)” está registrada a conta “New York, NY 10036”. Logo, os recursos foram debitados, isto é, sacados dessa conta corrente para serem creditados, isto é, depositados na conta corrente indicada no campo “Credit Name (nome creditado)”, no caso, “226 E 54TH STREET SUITE 701 NEW YORK NY 100223703”. De acordo com o relatório fiscal, da descrição dos fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração, com a finalidade de identificar o titular da conta registrada nas ordens de pagamento, a fiscalização utilizouse como instrumento de pesquisa os dados cadastrais do CPF, que alimentam os bancos de dados sistematizados da RFB Pois bem, embora alegue o recorrente: que nunca teve recursos no exterior; nunca enviou nem recebeu valores ao exterior; não têm qualquer relação com a empresa e as contas relacionadas nos anexos; que as supostas movimentações financeiras de Nova York para Nova York (anexo 12), nas quais aparece como ordenante, não devem ser acatadas posto que inexiste assinatura ou qualquer outra informação que possa gerar credibilidade, não vejo como dar guarida a suas alegações, frente a análise do caso concreto. Não se pode perder de vista que, quando não está presente no processo prova objetiva da ocorrência de determinada situação, a autoridade julgadora formará sua livre convicção, na forma do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (...) Assim, no que tange à alegação de que não efetuou qualquer remessa de recurso ao exterior, verificase que a fiscalização, por meio das informações repassadas pela Polícia Federal, por ordem do juiz Sérgio Fernando Moro, da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba (PR), identificou que o autuado remeteu ao Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10830.006425/200526 Acórdão n.º 9202007.100 CSRFT2 Fl. 5 7 exterior, por intermédio da Beacon Hill Service Corporation BHSC, valores, consoante se extrai do documento intitulado “Operações da Representação Fiscal constantes dos autos. Conforme muito bem delimitado no voto vencedor do acórdão 9202002.455 de 08/11/2012 uma operação com a empresa Beacon Hill Service Corporation — BHSC e similares possui os seguintes intervenientes: • Remetente/ordenante • Intermediador financeiro • Beacon Hill Service Corporation – BHSC • Banco JP Morgan Chase/NY/Outros Bancos • Beneficiário Remetente: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia como responsável pela remessa das divisas ao exterior. Confundese, em várias situações, com a figura do ordenante, abaixo descrita; Ordenante: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia, como responsável pela ordem/determinação de movimentação de recursos no exterior. Em geral, pode ser encontrado nas colunas "order Customer" e/ou "details of payment", antecedido da sigla B.0.(By order); Beneficiário: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia, como destinatário final das divisas ordenadas/remetidas. Em geral, pode ser encontrado nas colunas "ACC Party" e/ou "Ult.Benef', podendo estar antecedido da sigla FFC ("for further credit"); Intermediário: Pessoa física ou jurídica, responsável pela intermediação de compra e venda de moeda estrangeira, à margem do Sistema Financeiro, atuando nas operações de remessa/repatriação de recursos para/do exterior ou na movimentação de recursos no exterior. Em algumas transações, o beneficiário figura, simultaneamente, como ordenante/remetente dos recursos. Em que pese procure o recorrente, digase, sem sucesso, desqualificar as provas dos autos, penso que o tipo de operação praticada objetivava ocultar das autoridades fiscais brasileiras recursos no exterior e, dessa feita, a prova produzida pela fiscalização dificilmente seria obtida por meio de registros contábeis do contribuinte ou em documento por ele assinado. Ademais, a maioria dessas transações financeiras era efetuada por ordens verbais ou eletrônicas, portanto o convencimento probatório é formado por um conjunto de elementos que convergem no sentido de revelar a ocorrência de determinados fatos envolvendo certos agentes. Fl. 262DF CARF MF 8 Os documentos e/ou informações obtidas pela Polícia Federal, com os quais embasou o Laudo Pericial, foram fornecidas por instituições financeiras, a princípio, idôneas, de sorte que tais informações, se não contrapostas, valem como verdadeiras, surtindo, pois, os efeitos jurídicos pretendidos no feito fiscal em apreço. Portanto, o laudo identifica como material examinado o dossiê da conta analisada, contendo cópias reprográficas de documentos bancários e cadastrais, as mídias computacionais apresentadas pela promotoria do Distrito de Nova Iorque e o laudo abrangendo a movimentação financeira na conta Beacon Hill Service Corporation BHSC. Registrese, ainda, que até prove em contrário, o contribuinte não possui homônimos, nem muito menos, marido e mulher possuem nomes comuns, razão pela qual, considerando todas as cautelas que cercam as operações dessa natureza, não há nenhum indício concreto que possa levar à conclusão de que alguém tivesse se enganado, consciente ou inconscientemente, quanto ao nome do contribuinte ou estivesse tentando encobrindo terceiros. Assim, concluise que em que pese que a Recorrente afirme não tem qualquer conhecimento sobre a empresa Beacon Hill Service Corporation, e que o lançamento ocorreu tendo por base em indícios, verificase nos autos, que a Recorrente, foram ordenantes de uma remessa ao exterior, para serem creditados na conta de YORK NY, devidamente comprovados pelo Laudo de Exame Econômico Financeiro de Peritos Criminais Federais. Ao contrário do que alega a recorrente, documento em que ela, juntamente ou separadamente com seu cônjuge, constam como ordenantes de remessa ao exterior, não podem ser considerados como meros indícios e sim devem ser considerados como prova cabal da sujeição passiva. Nesse mesmo sentido já pronunciouse esse Conselho por meio dos acórdão: Acórdão nº 9202002.492 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. O Fisco se desincumbiu do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu que está perfeitamente evidenciado nos autos. Compete ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem dos rendimentos. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10830.006425/200526 Acórdão n.º 9202007.100 CSRFT2 Fl. 6 9 Devem ser considerados como aplicações de recursos, no demonstrativo de análise da evolução patrimonial, os valores relativos as remessas de recursos para o exterior. Recurso especial provido. Acórdão 9202002455 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR. Ao contrário do que alega a recorrente, documento em que ela, juntamente com seu cônjuge, constam como ordenantes de remessa ao exterior, não podem ser considerados como meros indícios e sim devem ser considerados como prova cabal da sujeição passiva. Com efeito, as provas contidas nos autos demonstram a participação da Recorrente na operação de remessa de dólar ao exterior, realizando significativa movimentação financeira, quando comparada aos rendimentos declarados, à margem do sistema financeiro nacional e sem a devida menção na declaração de imposto de renda. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. O fisco se desincumbiu do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu direito, ou seja, demonstrar o excesso de gastos sobre a origem de recursos. E isto está perfeitamente evidenciado nos autos. Compete ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem dos rendimentos. Devem ser considerados como aplicações de recursos no demonstrativo de análise da evolução patrimonial os valores relativos as remessas de recursos para o exterior. Recurso especial negado. Acórdão nº 2201003.075 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Ementa: Fl. 264DF CARF MF 10 PROVAS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RECURSOS REMETIDOS AO EXTERIOR. Constitui prova suficiente da titularidade de remessas de recursos ao exterior os laudos emitidos pela polícia científica com base em mídia eletrônica enviada pelo Ministério Público dos EUA, onde consta o contribuinte como titular das remessas de numerário. Além do mais, não tendo o suplicante logrado comprovar integralmente a origem dos recursos capazes de justificar o acréscimo patrimonial, por meio de rendimentos tributáveis, isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, é de se manter o lançamento. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. O fisco se desincumbiu do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu direito, ou seja, demonstrar o excesso de gastos sobre a origem de recursos. E isto está perfeitamente evidenciado nos autos. Diante desse fato, compete ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem dos rendimentos. Nesse contexto, a mera alegação de que não efetuou as operações apontadas pela fiscalização, desacompanhadas de qualquer outro meio de prova, não é suficiente para elidir a tributação Portanto, deve ser mantida a exigência na forma preconizada pela autoridade fiscal. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO. É como voto." (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10830.006425/200526 Acórdão n.º 9202007.100 CSRFT2 Fl. 7 11 Fl. 266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.001881/2005-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 2002-000.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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A responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 18 81 /2 00 5- 81 Fl. 64DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 13/22) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002 (efls. 26/29), onde se apurou: Dedução Indevida a Título de Contribuição à Previdência Oficial, Dedução Indevida com Dependente, Dedução Indevida a Título de Despesa com Instrução, Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas, Dedução Indevida a Título de Pensão Alimentícia Judicial e Dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 02), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 36), o qual adoto: Regularmente cientificado do lançamento em 09/05/2005 (f1s.05), o contribuinte autuado apresentou, em 02/06/2005, impugnação (fls.0l), acompanhada de documentos (fls.02/04), que vêm a ser cópia parcial do lançamento e de páginas da carteira profissional do contribuinte autuado, com os quais busca embasar suas razões de defesa, alegando, em síntese, o que adiante se relata. Afirma, ainda, ter anexado um disquete contendo a impugnação. 4.1. Sob o titulo de preliminar, afirma : “No ano calendário de 2001, não tinha vínculo empregatícios (sic) com nenhuma empresa, neste período trabalhei na atividade informal de Materiais de construção, para Pessoa física, obtendo neste período (sic) renda de RS 10.000,00 (Dez mil reais), anual.” 4.2. Aduz ter contratado a feitura da DIRPF 2002 em modelo simplificado, com rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física no valor de RS 10.000,00 , tendo fornecido como modelo a DIRPF 2000. Acrescenta que a DIRPF 2002 foi entregue à sua revelia, tendo dela tomado conhecimento apenas por ocasião da autuação. E afirma, ainda: “O rendimento declarado na notificação não pode e não deve ser considerado pos (sic) foi arbitrário e irresponsável.” 4.3. Sintetiza os pontos de discordância quanto à autuação 1 i) não tinha ciência da DIRPF 2002; e ii) no período a que se refere o lançamento, não tinha qualquer vinculo empregatício. 4.4. Ao final, solicita seja acolhida a impugnação, uma vez “(...) demonstrada a insubsistência e improcedência total parcial (sic), do lançamento (...).” O lançamento foi julgado procedente pela 2ª Turma da DRJ/REC em acórdão assim ementado (efls. 34/38): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 16707.001881/200581 Acórdão n.º 2002000.509 S2C0T2 Fl. 65 3 DIRPF. APRESENTAÇÃO. RESPONSABILIDADE ACERCA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS. O simples fato de o contribuinte contratar uma terceira pessoa para preencher e enviar sua declaração não o exime, sob a alegação de desconhecimento, da responsabilidade quanto às informações nela contidas e ao pagamento do tributo devido. GLOSAS DE DEDUÇÕES E IMPOSTO RETIDO NA FONTE. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. EFEITOS. Não apresentada contestação expressa quanto a itens da autuação, pressupõese a concordância do impugnante, o que implica sua indiscutibilidade no âmbito do processo administrativo. Cientificado da decisão de piso em 15/12/2008 (efls. 41), o interessado ingressou com recurso voluntário em 09/01/2009 (efls. 42) reiterando os argumentos apresentados na impugnação: Alega que a Declaração IRPF 2002 foi elaborada por terceiro a quem forneceu pasta com declarações anteriores e informou que obteve uma renda anual de R$ 10.000,00 proveniente da venda de materiais de construção. Afirma que a referida Declaração foi entregue a sua revelia, pois tomou conhecimento somente após receber a Notificação. Expõe que os auditores mantiveram os rendimentos declarados mesmo tendo anexado cópia da carteira profissional, desconsiderando a alegação de erro na entrega da Declaração de Imposto de Renda do período. Assevera que o fato de não haver contestação da glosa do imposto retido não significa concordância, uma vez que não reconhece a receita tributada. Sustenta que sua renda não ultrapassou R$ 10.000,00 e que o movimento na sua conta/poupança do Banco do Brasil não chegou a R$ 2.000,00. Afirma que não houve qualquer retenção de imposto de renda e que não adquiriu carro ou imóveis, não havendo indícios de sonegação. Resume que não tinha ciência da referida declaração, não tinha vínculo empregatício e que não existe o rendimento declarado. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora Diante dos argumentos apresentados no recurso voluntário, impõese esclarecer inicialmente que a responsabilidade pelas informações consignadas na Declaração de Ajuste Anual pertence exclusivamente ao titular da mesma, ainda que este tenha delegado a um terceiro a tarefa de elaborála. No caso em tela o recorrente afirma que forneceu pasta com declarações anteriores e informações sobre rendimentos auferidos para que uma outra pessoa elaborasse sua Fl. 66DF CARF MF 4 declaração, não podendo ser acolhida a alegação de que esta foi entregue sem o seu conhecimento. O fato de não ter verificado a entrega da declaração e conferido com a devida atenção os valores ali contidos não tem o condão de afastar a sua responsabilidade pelas infrações apuradas. Cabia a ele examinar as informações declaradas e, no caso de incorreção, efetuar sua retificação antes do início do procedimento fiscal. Vale lembrar que, em se tratando de matéria tributária, não importa se o contribuinte cometeu a infração por puro descuido ou desconhecimento da legislação. De acordo com o art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Além disso, segundo o art. 142 do mesmo dispositivo legal, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicabilidade ou não das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. As normas devem ser seguidas nos estritos limites do seu conteúdo, independentemente das razões de cunho pessoal apresentadas pelo interessado. Quanto à alegação de que não possuía vínculo empregatício à época, conforme cópia da carteira profissional acostada (efls. 44/45), entendo que tal fato não é suficiente para comprovar, de maneira inequívoca, que o recorrente não recebeu rendimentos tributáveis, ainda que sem vínculo empregatício, no ano calendário em exame. Notese que ele próprio afirma ter recebido uma renda anual de RS 10.000,00 proveniente da venda de materiais de construção. Cumpre ressaltar, ainda, que a competência deste Colegiado situase dentro dos estritos limites da matéria litigiosa, não cabendo a ele efetuar alterações em valores que não compõem a lide. A exclusão de rendimentos informados na declaração objeto do lançamento representaria retificação após o início da ação fiscal, procedimento expressamente vetado pela legislação pertinente, nos termos do art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional CTN. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
