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Numero do processo: 16643.720054/2013-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PRL20. AGREGAÇÃO DE VALOR. POSSIBILIDADE
O critério "agregação de valor", previsto apenas em Instrução Normativa como critério de aplicação do PRL60, não tem base na lei. É, portanto, critério jurídico ilegal.
A lei, na verdade, criou o PRL60 para operações de importação de bens usados para produção (insumos), que não deve ser confundida com simples agregação de valores relativos às operações que não transformam o produto importado, como acondicionamento e gastos para atender exigências de cunho regulatório e comercial, que não prejudicam a adoção do PRL20.
IRPJ. AJUSTES NAS REGRAS DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. REFLEXO NA CSLL.
O decidido quanto ao lançamento matriz (IRPJ) deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL), decorrente dos mesmos elementos e fatos.
Numero da decisão: 1201-002.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidas as conselheiras Eva Maria Los e Carmen Ferreira Saraiva, que davam parcial provimento ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Eva Maria Los.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Jose Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, momentaneamente, o conselheiro suplente Breno do Carmo Moreira Vieira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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AGREGAÇÃO DE VALOR. POSSIBILIDADE O critério "agregação de valor", previsto apenas em Instrução Normativa como critério de aplicação do PRL60, não tem base na lei. É, portanto, critério jurídico ilegal. A lei, na verdade, criou o PRL60 para operações de importação de bens usados para produção (insumos), que não deve ser confundida com simples agregação de valores relativos às operações que não transformam o produto importado, como acondicionamento e gastos para atender exigências de cunho regulatório e comercial, que não prejudicam a adoção do PRL20. IRPJ. AJUSTES NAS REGRAS DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. REFLEXO NA CSLL. O decidido quanto ao lançamento matriz (IRPJ) deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL), decorrente dos mesmos elementos e fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidas as conselheiras Eva Maria Los e Carmen Ferreira Saraiva, que davam parcial provimento ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Eva Maria Los. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 54 /2 01 3- 92 Fl. 1507DF CARF MF 2 Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Jose Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, momentaneamente, o conselheiro suplente Breno do Carmo Moreira Vieira. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 902/912) que exigem IRPJ e CSLL, referentes ao ano calendário de 2008, em razão de ajuste promovido pela fiscalização em relação à aplicação das regras de “preços de transferência” na importação. A autoridade fiscal responsável pelo lançamento entendeu que a Recorrente: (i) teria indevidamente efetuado o cálculo do preço parâmetro com base no PRL20 para determinados produtos, quando o método aplicável seria o do PRL60, afinal os bens importados teriam sido aplicados à produção em razão da agregação de valor no país; (ii) não observou o método de cálculo do preço parâmetro previsto na IN SRF 243/2002; e (iii) deixou de deduzir o valor das contribuições ao PIS e COFINS para fins de cálculo do preço parâmetro desses bens importados. Nas palavras do Termo de Constatação Fiscal (fls. 886/894): A empresa comercializa/industrializa medicamentos e importa de suas vinculadas no exterior bens para revenda, operações estas sujeitas à aplicação da metodologia do Preço de Transferência. A fiscalizada está cadastrada no CNPJ sob o CNAE: 21.211/01 Fabricação de medicamentos alopáticos para uso humano. Na DIPJ do ano calendário de 2008, a empresa apontou na ficha 32 que não houve necessidade de ajustes de Preços de Transferência na Importação (fls. 856/872). Assim, não adicionou ao lucro líquido do exercício, qualquer valor a título de ajuste de preço de transferência, conforme se verifica na ficha 09A da DIPJ (fl. 831). Intimada, a empresa apresentou as memórias de cálculo do Preço de Transferência, verificamos que os cálculos apresentados pela empresa à fiscalização (fl. 24), em atendimento ao Termo de Intimação de Fiscalização ((fl. 3/5), reiteram que não houve ajuste devido na importação conforme informado na ficha 32 da DIPJ. [...] Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 16643.720054/201392 Acórdão n.º 1201002.636 S1C2T1 Fl. 3 3 À fls. 24 encontrase o demonstrativo resumo da Apuração dos Preços de Transferência apresentado pela empresa, onde consta a relação de produtos importados sujeitos ao Preço de Transferência, com os métodos aplicados, o preço praticado e o preço parâmetro, as quantidades vendidas e os ajustes devidos encontrados pela empresa no arquivo "Memória de Cálculo TP 2008". As memórias de cálculo do Preço de Transferência apresentadas pela empresa mostram que ela optou pelo método PRL 20% para todos os produtos. Entretanto, verificouse que alguns dos produtos ajustados pelo método PRL 20%, deveriam ter sido ajustados pelo método PRL 60%, por se tratar de bens importados aplicados à produção. [...] PREÇO PARÂMETRO PRL 60% Após as análises de todas as informações prestadas, verificouse que grande parte dos produtos importados foi utilizada como insumo na produção de peças. Por isso, devem ter seus preços de transferência apurados com a adoção do Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de 60% PRL 60%, de acordo com o determinado no art. 12, inciso IV, alínea "b", da IN SRF n° 243/2002. [...] Por intermédio do Termo de Intimação n° 02 (fl. 39/40), a empresa foi intimada a apresentar o custo de produção do produto acabado e a relação insumo produto anual; e, no Termo de Intimação n° 05 (fl. 817/818), foi solicitado à fiscalizada ratificar ou retificar as informações entregues. Após correções, a empresa entregou as planilha finais, cujos dados foram utilizados nesta fiscalização "Explicação da participação Custo V2" (fl. 820/821). Não foram consideradas para cálculo do Preço Parâmetro as saídas de produto como amostras grátis e para a Zona Franca de Manaus e para o governo, estas duas últimas quando desoneradas de tributos. Foram calculadas, para todas as vendas dos medicamentos, as contribuições do PIS/Pasep e da Cofins, conforme já detalhado neste Termo de Verificação. Obtevese, assim, o Preço Parâmetro, conforme Demonstrativo de apuração Preço Parâmetro PRL 60% (ANEXO 3). APURAÇÃO DOS AJUSTES A apuração dos ajustes de Preço de Transferência dos produtos importados para revenda foi refeita, comparandose o Preço Praticado com o Preço Parâmetro apurados por esta fiscalização, cabendo ajuste nos casos em que este último foi Fl. 1509DF CARF MF 4 inferior ao Preço Praticado, observada a margem de divergência de 5% prevista no art. 38 da IN SRF 243/2002. Assim, obtevese o novo valor total de ajuste de R$ 13.146.630,96, conforme consta do ANEXO 4 – Consolidação PRL20 e PRL60. A seguir, tabela que demonstra as mercadorias importadas de pessoas vinculadas que apresentaram preços praticados superiores aos preços parâmetros: Código do insumo Produto Ajuste Total / F1314 CS EFEXORXR(C1)75 1.377.922,90 F1356 NEUMEGA 5MGEOX1FR+D 32.067,56 F1366 FR RAPAMUNE 1mg60ml 78.023,69 F1569 DG HARMONET 37A 293.033,93 F1577 CS EFEXORXR(C1)37,5 445.822,42 F1586 FR TAZOCIN 2.25G 523.570,87 F1587 FR TAZOCIN 4,5G 3.668.431,90 F1591 CP MINESSE 1.085.157,32 F1592 DG MINULET 42A 154.398,50 F1593 DG NORDETTE 31A 410.361,37 F1599 DG PREMARIN 0.3MG 51B 30.889,29 F1607 DRAGEA RAPAMUNE 1MG 2.241.638,77 F1608 DRAGEA RAPAMUNE 2MG 942.346,15 13.146.630,96 [...] AJUSTE TOTAL APURADO BASE DE CÁLCULO Em resumo, conforme tabela abaixo, somados todos os ajustes apurados, temse um total de R$ 13.146.630,96. O valor de R$ 13.146.630.96 será adicionado ao Lucro Líquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A empresa apresentou impugnação contra os Autos de Infração (fls. 917/945). Alega, em síntese, que todos os produtos importados e controlados pelo PRL20 foram revendidos sem qualquer submissão a processos produtivos ou de industrialização, mas tão somente a meros procedimentos de acondicionamento, restando equivocado o entendimento da autoridade fiscal autuante. Nesse ponto esclarece que: IMPORTAÇÃO PRL 60% 13.146.630,96 AJUSTE TOTAL APURADO 13.146.630,96 AJUSTE NA DIPJ REFERENTE AO PRL 20% 0,00 Total a ajustar 13.146.630,96 Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 16643.720054/201392 Acórdão n.º 1201002.636 S1C2T1 Fl. 4 5 Além disso, sustenta a ilegalidade da majoração de base de cálculo trazida pela IN SRF 243/02, bem como que, ao reduzir o preço parâmetro dos medicamentos, valendo se de tributos que não impactam o preço de revenda (caso do PIS e COFINS apurados nos termos da Lei 10.147/00), há criação de um preço de venda fictício e significativamente menor ao preço de venda efetivamente praticado, dando ensejo a ajustes em completa dissonância à realidade econômica das operações fiscalizadas. Questiona, ainda, a incidência de juros Selic sobre o principal e sobre a multa de ofício. Em Sessão de 23 de junho de 2016, a DRJ/RPO julgou a impugnação improcedente por meio de Acórdão (fls. 1.338/1.355), que restou assim ementado: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇOS PARÂMETRO. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. AGREGAÇÃO DE VALOR. VEDAÇÃO DE UTILIZAÇÃO DO MÉTODO PRL20. O método do PRL20 (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 20%) não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. MÉTODO PRL. PREÇOPARÂMETRO. DEDUÇÃO DO PIS E DA CONFINS. No método PRL, uma das parcelas a ser deduzida da média aritmética dos preços de revenda para a obtenção do preçoparâmetro são os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas (no caso, PIS e COFINS). O benefício previsto no artigo 3º da Lei nº 10.147/2000 consiste, simplesmente, no direito do contribuinte, enquadrado nesse regime especial, de deduzir, do montante devido a título de PIS e COFINS, um Fl. 1511DF CARF MF 6 crédito presumido, não tendo nenhuma repercussão na apuração dos preços de transferência. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Cientificado da decisão de primeiro grau em 08/09/2016 (fls. 1.363), a contribuinte interpôs, em 23/09/2016, recurso voluntário (fls. 1.366/1.408). Reitera as alegações de defesa, aduz que cabe, sim, à esfera administrativa a apreciação de argumentos de ilegalidade de instrução normativa e que os produtos de fato estavam sujeito ao PRL20, e não ao PRL60. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço e passo a apreciálo. Da desqualificação do PRL20 A aplicação do método PRL20 foi parcialmente desqualificada pela fiscalização. Mais precisamente, o fisco recalculou os preços de transferências de 13 (treze) medicamentos importados, apoiado na premissa de que a agregação de valores antes da revenda propriamente dita afastaria a possibilidade do método utilizado pelo contribuinte. Sustenta, assim, que a mera adição de qualquer valor ao custo de importação, independente de sua natureza, demandaria a aplicação do PRL de margem de 60%. A Recorrente, por sua vez, reitera seu entendimento acerca da correção do método PRL20, insistindo no argumento de que a mera agregação de valor não se confunde com aplicação do bem na produção. Aduz, ainda, que jamais poderia uma Instrução Normativa criar restrições não previstas na lei. Ressalta, ademais, que por se tratarem os preferidos produtos importados de medicamentos, há gastos inerentes de selos de qualidade e acondicionamento que impactam Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 16643.720054/201392 Acórdão n.º 1201002.636 S1C2T1 Fl. 5 7 diretamente o custo final da mercadoria revendida, mas que não se confundem com atividades de produção. Ao enfrentar a questão, a DRJ, omitindose quanto à apreciação do argumento de ilegalidade da IN, optou por considerar válida a desqualificação do PRL20 com base na interpretação literal do artigo 12, § 9º, da IN SRF nº 243/2002: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. Após citar esse dispositivo, assim conclui a decisão ora recorrida: Dessa forma, tendo havido agregação de valor aos itens importados, antes de eles serem vendidos, fica vedada a utilização do método PRL20. A impugnante alega a ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 quanto à definição de quais bens importados de partes vinculadas devem se sujeitar ao método PRL20 e quais devem se sujeitar ao PRL60, ou seja, contesta a legalidade do § 9º do artigo 12 IN SRF nº 243/2002 (que veda a utilização do método PRL20 quando há agregação de valor ao produto importado). Fl. 1513DF CARF MF 8 Ocorre que às Delegacias de Julgamento não cabe apreciar questões acerca da eventual ilegalidade das instruções normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal – SRF (atual Secretaria da Receita Federal de Brasil – RFB), pois, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo (através da edição de regras administrativas, como a referida instrução normativa), deve limitarse a aplicar as disposições ali contidas, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. DA ANÁLISE ESPECÍFICA DOS ITENS AUTUADOS Conforme se observa no documento de fl. 820821 (no qual a contribuinte informa qual o percentual de participação do item importado no custo total do produto) e no Anexo 3, cálculo dos preçosparâmetro segundo o método PRL60 relativos aos itens importados para os quais a fiscalização desclassificou o método PRL20 adotado pela contribuinte), em nenhum desses itens a sua participação no produto final é igual a 100% (o que configuraria uma revenda pura). Nenhum deles foi revendido diretamente, de modo que, evidentemente, tiveram que se submeter a algum processo antes de serem vendidos, proporcionando a agregação de algum valor a eles, para se obter cada um dos produtos finais comercializados. Destaquese que o § 9º do artigo 12 IN SRF nº 243/2002 não discrimina a agregação grande da agregação pequena, ou a agregação proporcionalmente relevante da agregação não relevante. De fato, na colocação de embalagem, casos de acondicionamento e reacondicionamento não há a produção de outro bem, sendo possível a adoção do método PRL20. Essa disposição, no entanto, não respalda o procedimento adotado pela contribuinte, porque a ação da contribuinte sobre os citados itens não se restringiu a simples acondicionamento/reacondicionamento que, na definição do artigo 4º, inciso IV, do Decreto nº 2.637/98 (RIPI), destinase apenas ao transporte da mercadoria. Dessa forma, improcedem as alegações da impugnante contrárias à desconsideração, no caso em tela, do método PRL20 e a adoção do método PRL60. Como se nota, o silogismo empregado pela DRJ foi o seguinte: como há itens importados que foram controlados pelo PRL20, mas que tiveram agregação de valor no País (independentemente do item que foi agregado), não há que se falar em revenda pura. E se não há que se falar em revenda, aplicável o PRL de 60%. Em seguida, a decisão de piso, até de certo ponto contraditória, chega a admitir gastos (agregação de valor, portanto) com acondicionamento, mas desde que limitado ao transporte da mercadoria. Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 16643.720054/201392 Acórdão n.º 1201002.636 S1C2T1 Fl. 6 9 É curioso notar, nesse ponto, que a DRJ invoca a definição de acondicionamento com base em legislação do IPI já revogada (artigo 4º, IV, do Decreto nº 2.637/98). Pois bem. Antes de olhar a regulamentação infralegal, caso de uma Instrução Normativa, é dever do intérprete analisar o texto legal aplicável à época dos fatos, representado, nessa situação particular, pelo art. 18, da Lei nº 9.430/96 e que possui a seguinte redação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] 11 Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: [...] d) de margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses Notase, portanto, que aos olhos da lei, o que vai definir a aplicação do PRL20 ou PRL60 é a destinação ou não do item importado na produção, e nada mais. Ocorre que a IN/SRF nº 243/2002, conforme visto, no afã de "regulamentar", acabou inovando, ou melhor ampliando a hipótese legal, de "produção" para "agregação". Em outras palavras, ao passo que a Lei estabelece a utilização do método PRL60 na hipótese de importação de bens aplicados à produção (critério mais restrito), a IN veicula hipótese mais genérica, qual seja, mera agregação de valor ao preço do bem importado, o que acabou induzindo ao equivocado entendimento de que qualquer acréscimo ao custo de importação desqualificaria a operação como de revenda para fins de aplicação do PRL20. Ocorre, entretanto, que o critério "mera agregação de valor", previsto apenas na IN e utilizado como fundamento legal no Auto de Infração e na decisão de piso , não está em conformidade com a lei. Fl. 1515DF CARF MF 10 Tratase, a bem da verdade, de critério jurídico contrário aos ditames legais e que não tem como prevalecer diante do princípio da legalidade. A lei, conforme visto, criou o PRL60 para operações de importação de bens usados para produção (insumos), sendo irrelevante a agregação de valores que não transformam o produto importado em outro produto. As operações subjacentes à importação, ou melhor, acréscimos que não alteram a natureza e finalidade do que se importou, tais como de acondicionamento ou para atender exigências comerciais ou regulatórias, que são tão presentes na área de saúde, não tem o condão de afastar o PRL20. Por "produção"1 devese entender "a soma de coisas manufaturadas ou produzidas pelo homem, pela transformação da matériaprima em várias utilidades de outra espécie". Valendose dessa clássica definição, temos que a aplicação do método PRL60 é estrita aos bens importados que formarão outros bens. A produção a que e refere a norma legal pressupõe que o item importado seja modificado em um outro item, de diferente natureza e composição. Em não havendo aplicação do produto importado na produção de produto diferente, a revenda não deixa de existir em face da mera agregação de valor, cuja origem pode variar, mas pouco importa para definição do método de controle do transfer pricing. O acondicionamento do item importado, por exemplo, gera gastos sem implicar em produção ou alteração das suas particularidades. Também o custo com selos de qualidade ou armazenamento especial não alteram o produto. Sobre a matéria, é digna de nota a exposição de Paulo de Barros Carvalho2: [...] inexiste incompatibilidade entre o método do preço de revenda e a circunstância de haver produção local, quando esta não altera as particularidades do bem importado. O conceito de "revenda" não exclui o de "industrialização". Nos termos do art. 3o do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/97)5, configura industrialização "qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo". A revenda, por sua vez, não pode ser tomada tãosomente como a operação mercantil em que o comerciante adquire mercadorias e tornar a vendêlas no exato estado em que as comprou, pois, muitas vezes, para darse o repasse ao consumidor são necessárias alterações relativas ao acondicionamento e apresentação do bem. A revenda pode englobar, então, formas mais simples de industrialização, que modificam a aparência do 1 Silva, De Plácido e, Vocabulário Jurídico/ atualizadores: Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho Rio de Janeiro 2007. Companhia Ed. Forense, p. 1106. 2 CARVALHO, Paulo de Barros, Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro, In PEIXOTO, Marcelo Magalhães (Coord.) Tributação, justiça e liberdade. Curitiba: Juruá, 2005. Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 16643.720054/201392 Acórdão n.º 1201002.636 S1C2T1 Fl. 7 11 produto sem, no entanto, influir em suas características intrínsecas, como natureza, funcionamento e finalidade. No âmbito da jurisprudência administrativa, restou assentado no antigo 1o Conselho de Contribuintes que o fato de haver agregação de valores ao produto importado não resulta em afirmar que os mesmos passaram por processo de industrialização ou que foram aplicados na produção de um produto final. O critério utilizado pela lei n° 9.430/96 que impossibilita a utilização do PRL 20 referese a aplicação do produto importado na "produção", e isto não foi verificado na hipótese dos autos. (Acórdão 105.17210. Sessão de 17 de setembro de 2008.) Cumpre invocar também os fundamentos do Acórdão 1402001.467, de 08/10/2013, da lavra do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, que ora transcrevo: Vêse que a lei estabelece a utilização do método PRL60 na hipótese de agregação de valor resultante de bens importados aplicados à produção. O ato normativo por sua vez menciona a agregação de valor de forma genérica o que poderia induzir ao entendimento de que qualquer agregação descaracterizaria o processo de revenda. Não se pode olvidar que uma Instrução Normativa regula a forma de aplicação da lei que lhe deu origem. Sendo assim, por óbvio que não deve haver incompatibilidade entre elas. Se a lei formal estabelece um regramento de forma restritiva, não cabe ao ato normativo ampliar esse alcance. Na mesma linha, é grande o risco de agressão à lei quando a Instrução Normativa restringe o alcance de dispositivo legal de caráter abrangente. Sobre esse prisma, entendo que a agregação de valor mencionada no § 9º, da IN/SRF nº 243/2002 só pode ser interpretada como aquela relacionada à aplicação do bem importado ao processo produtivo. Por definição legal, não é o valor da agregação que define o método mas de que forma ela ocorreu. A exposição de motivos da Lei nº 9.959/2000, que modificou a Lei nº 9.430/96 e introduziu o método PRL60, traz com clareza: (...) 5. O artigo 2º admite. para fins de controle de preços de transferência. a utilização do método do Preço de Revenda menos Lucro PRL.nos casos de importação de bens. serviços ou direitos empregados. utilizados ou aplicados na produção de outros bens. serviços ou direitos. estabelecendose para tanto uma margem de lucro de sessenta por cento. (...) Nesse ponto, concordo com a recorrente quando afirma que generalizar o alcance da agregação de valor para definir o Fl. 1517DF CARF MF 12 método de ajuste adequado tornaria quase impraticável a utilização do PRL20. Cabe então avaliar se o processo de colocação de embalagem, pois é essa a atividade sob exame, caracterizaria a utilização do bem no processo produtivo. Em primeiro lugar, convém esclarecer que entender ou não o processo de embalagem como industrialização mostrase irrelevante no presente caso. Não está em discussão a definição legal para efeito de incidência do IPI, mas sim os efeitos da colocação de embalagem como modificadora do estágio original do bem e o impacto na margem de lucro daí decorrente. No análise feita pela Fiscalização no procedimento fiscal e corroborada na diligência, a autoridade lançadora enfatiza a agregação de valor para justificar a desqualificação do método PRL20. Com já esclarecido acima, tal hipótese, por si só, não daria ensejo à utilização do método PRL60. Quanto à utilização do bem no processo produtivo, o Fisco baseouse nos registros contábeis onde haveria uma mudança de codificação do bem após o embalamento o que implicaria na assunção, pelo sujeito passivo, de que o produto original teria se transformado em outro com características distintas. Com todo respeito que merece a autoridade lançadora pelo exaustivo trabalho de levantamento e verificação de dados, penso que tal entendimento está na esfera da hipótese. Até porque poderseia supor que a forma de registro do sujeito passivo envolve questões de controle interno. Em função da matéria sob exame, caberia um aprofundamento da diligência com verificações que permitissem em primeiro lugar a descrição do processo de embalagem para cada um dos produtos avaliados e como conseqüência uma avaliação precisa quanto à caracterização ou não desse procedimento como modificador do estado original do bem. Ratificase: a questão aqui tratada não é de direito mas fática. A colocação de embalagem pode ou não implicar na alteração do estado original do bem de forma a justificar a utilização do método PRL60 para ajuste dos preços de transferência. No presente caso, tratandose de indústria farmacêutica essa possibilidade é até mais significativa. Entretanto, nem a ação fiscal nem o procedimento de diligência lograram trazer elementos de prova suficientes a demonstrarem essa circunstância, que representava a questão primordial a ser dirimida nos autos. Do até aqui exposto, voto por dar provimento ao recurso nessa parte e cancelar a exigência decorrente da aplicação do método PRL60, exceto no que se refere ao produto Lisinopril, pois nesse caso a viabilidade do método PRL60 foi admitida pela recorrente. Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 16643.720054/201392 Acórdão n.º 1201002.636 S1C2T1 Fl. 8 13 Ora, a fiscalização em nenhum momento se preocupou em demonstrar qual seria o processo produtivo dos medicamentos importados ao abrigo do PRL20 para desqualificar o PLR20, bem como nunca intimou a empresa a justificar o que de fato foi agregado e qual a sua função para efeitos de revenda. Pelo contrário, o fisco caracterizou a ausência de revenda (revenda pura, nos seus dizeres) tão somente em face de diagnosticar a existência de agregação de valores ao custo, sem tecer qualquer comentário adicional. Autuou, a bem da verdade, no modo "piloto automático": não correspondendo o produto importado a 100% do produto acabado, presumese que houve produção local que desvia o método do PRL20 para o PRL60. Esse procedimento viola a lei. Repitase, aqui, que encargos necessários ao acondicionamento ou comercialização do item importado, desde que não alterem a sua função ou a substância, são componentes que integram o custo sem desqualificar a posterior revenda deste mesmo produto. Ao contrário do que quer fazer crer a fiscalização e a DRJ, não é todo valor agregado que corresponde a insumo. Este entendimento, ou seja, este critério jurídico que foi empregado está equivocado e em desconformidade com o texto legal, o que macula o lançamento. Na área farmacêutica, aliás, a Recorrente comprovou que há sérias imposições, desde embalagens, rótulos e selos de qualidade, que demandam gastos internos adicionais para adequação às regras regulamentares e de mercado e que, com a devida vênia, estão longe de caracterizar produção em sentido técnico e jurídico. Curioso notar, nesse contexto, que da planilha que serviu de norte ao trabalho da fiscalização (fls. 820/821) percebese que quase todos os produtos correspondem há mais de 80% do bem acabado. Assim por exemplo, o item importado que deu mais ajuste (F1587 FR TAZOCIN) corresponde a 92%, ao passo que o segundo item que proporcionou maior adição (F1607 DRAGEA RAPAMUNE) supera 92% do produto final. Assim sendo, e apenas a título de argumentação, entendo que esses percentuais são coerentes com as justificativas apresentadas pela Recorrente e não poderiam ter sido usados como motivação da infração imputada. Não obstante, o fato é que a constatação de agregação de valores ao produto importado não resulta, por si só, na utilização do produto em processo de produção de um outro bem (produto final). São coisas que não poderiam ter sido confundidas... Feitas essas considerações, a minha opinião é a de que a fiscalização não poderia ter desqualificado o PRL20 na forma que procedeu. Conclusão Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Fl. 1519DF CARF MF 14 É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Declaração de Voto Conselheira Eva Maria Los. Trata esta Declaração de Voto da aplicabilidade do PRL 20% aos produtos que o Autuante entendeu que deveriam ter o preço de transferência apurado pelo PRL 60%, considerando o teor do § 9º do art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002, ou seja que, em havendo agregação de valor ao custo do bem importado, caracterizase que o bem importado se trata de insumo de produção. O Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL foi criado para apurar o preço aceitável pelo Fisco, do bem importado por empresa domiciliada no Brasil. de empresa coligada no exterior, objetivando evitar sobrepreço que significasse repasse de lucros pela empresa no Brasil à coligada no exterior; seu ponto de partida é o preço pelo qual o produto é vendido no Brasil: em se tratando de revenda, determina a margem de lucro de 20%; em se tratando de bem importado aplicado na produção de outro, a margem de lucro de 60%. Estas margens de lucro são aplicadas sobre o preço de venda líquido, isto é, o preço de venda, menos impostos incidentes sobre o preço, como ICMS, PIS, Cofins, e comissões sobre venda e descontos proporcionais. Qualquer empresário está ciente de que o preço de venda de um produto que consegue praticar é limitado pelo mercado, o volume de oferta e procura pelo produto, os preços da concorrência. Assim, o empresário efetua o cálculo do preço de venda, considerando os seus custos e margem de lucro que lhe dê o retorno compensatório sobre o investimento e o preço assim calkculado serve de parâmetro frente as possibilidades do mercado o preço que conseguirá praticar pode lhe oferecer margem de lucro acima do seu parâmetro, ou menor, ou mesmo não gerar lucro e sim prejuízo. Por exemplo, pode ocorrer um produto que não dá lucro, mas cuja venda alavanca a venda de outro cujo lucro compensa esta perda; também, o lucro gerado por um produto importado meramente revendido pode ser maior que o de um produto que utiliza uma matéria prima importada à qual a empresa agrega mão de obra e outros materiais. Porém, a regulamentação pelo fisco da questão do preço de transferência não tem como levar em conta o aspecto de o preço de venda ser ditado pelo mercado. Assim, abstraindose da questão da influência do mercado sobre os preços que são praticados, passo a analisar até que limite do valor agregado a um bem importado se justifica a aplicação do PRL60%. Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 16643.720054/201392 Acórdão n.º 1201002.636 S1C2T1 Fl. 9 15 Tomando como exemplo o bem importado cód F1587 no produto FR TAZOCIN 4,5 g, elaborouse uma tabela em que se apura o Preço Parâmetro, pelo método PRL 60¨%, para participação crescente do bem importado no custo de produção, enquanto o valor agregado diminui até ser 0%. ANEXO 3, pág. 896: PV unitário líquido 43,37 43,37 43,37 43,37 43,37 43,37 43,37 43,37 43,37 43,37 pág. 821: Custo total Unitário da Produção 29,22 29,22 29,22 29,22 29,22 29,22 29,22 29,22 29,22 29,22 Valor agregado (deduzido) 26,30 23,38 20,45 17,53 14,61 11,69 8,77 5,84 2,92 Bem importado (deduzido)+Preço Praticado 2,92 5,84 8,77 11,69 14,61 17,53 20,45 23,38 26,30 29,22 % part bem import no custo total produção 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Lucro = 60%* % part no custo* PV 2,60 5,20 7,81 10,41 13,01 15,61 18,22 20,82 23,42 26,02 %lucro 60% 60% 60% 60% 60% 60% 60% 60% 60% 60% Preço Parâmetro =( %part no custo *PV) lucro 1,73 3,47 5,20 6,94 8,67 10,41 12,14 13,88 15,61 17,35 Quando a participação do bem é 100%, como na última coluna da tabela supra, a IN SRF determina a aplicação do PRL 20%: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; Produto FR TAZOCIN 4,5 g PV unitário líquido 43,37 Lucro = 20% sobre PV líquido 8,67 %lucro 20% Preço Parâmetro 34,70 Como demonstrado, o Preço Parâmetro pelo método PRL 20% resulta o dobro do apurado pelo método PRL60%, para a mesma situação; em outras palavras o Preço Parâmetro pelo método PRL 60%, é 50% do apurado pelo PRL20%. Afirma o Relator do voto que: Fl. 1521DF CARF MF 16 Na área farmacêutica, aliás, a Recorrente comprovou que há sérias imposições, desde embalagens, rótulos e selos de qualidade, que demandam gastos internos adicionais para adequação às regras regulamentares e de mercado e que, com a devida vênia, estão longe de caracterizar produção em sentido técnico e jurídico. Curioso notar, nesse contexto, que da planilha que serviu de norte ao trabalho da fiscalização (fls. 820/821) percebese que quase todos os produtos correspondem há mais de 80% do bem acabado. Assim por exemplo, o item importado que deu mais ajuste (F1587 FR TAZOCIN) corresponde a 92%, ao passo que o segundo item que proporcionou maior adição (F1607 DRAGEA RAPAMUNE) supera 92% do produto final. Por isso, entendo cabível aplicar um critério que leve em conta os custos referentes a embalagem, rótulo e selo de qualidade, considerando viável a aplicação do método PRL 20% até uma agregação de valor estimada de 20%, isto é, até uma participação percentual de 80% do bem importado no custo total, dada a grande diferença no Preço Parâmetro que se apura entre os dois métodos. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1522DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.902944/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-005.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 29 44 /2 01 1- 41 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.902944/201141 Acórdão n.º 3402005.811 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente processo da Declaração de Compensação por meio da qual a contribuinte realizou a compensação de débitos tributários próprios utilizandose de crédito de Cofins cumulativa. Foi emitido despacho decisório de não homologação da compensação, pelo fato de que o DARF discriminado na Dcomp estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para a compensação. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada defende a existência de crédito no pagamento indicado na Dcomp bem como a falta de motivação para o indeferimento das compensações pleiteadas. Relata que, após ter identificado a existência de pagamento a maior do que o devido da contribuição, providenciou a retificação da DCTF e DIPJ respectivas, informando o valor correto da mesma, e a entrega da Per/Dcomp tratada no presente processo, para o fim de utilizar o crédito gerado pelo pagamento indevido. Argumenta que sua solicitação de compensação foi indeferida sob o fraco argumento de inexistência de crédito e sem qualquer espécie de verificação do mesmo. Diz que tomou todas as medidas administrativas necessárias para que a compensação fosse reconhecida (retificação das declarações e entrega da Dcomp) mas que, por outro lado, a autoridade administrativa não fundamentou o indeferimento do pedido. Por fim, suscita a nulidade do despacho decisório, tendo em vista a ausência de motivação jurídica e falta de elementos indispensáveis como clareza, lógica e precisão. Diante do exposto, requer o acolhimento da manifestação para o fim de homologar a compensação pleiteada." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR proferiu o Acórdão nº 06042.937, pelo qual julgou pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo os termos do Despacho Decisório e a não homologação da compensação. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário tempestivo, pugnando pelo provimento para que seja reformada a decisão recorrida e homologada a compensação formalizada. Em Recurso Voluntário a Contribuinte alegou que: i) O direito creditório tem origem em pagamento indevido ou a maior, tendo em vista a ilegalidade e inconstitucionalidade da inclusão de valores de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS; ii) Foram adotadas as medidas administrativas, retificações de declarações e protocolo das DCOMP's, dando conta dos créditos geradores e a forma de utilização; Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.902944/201141 Acórdão n.º 3402005.811 S3C4T2 Fl. 0 3 iii) Foi induzida a erro e a pagar valores indevidos ou a maior, a título de PIS e COFINS, em virtude de legislação que se verifica ilegal e inconstitucional. iv) Após exposição legislativa da contribuição e forma de apuração, a Recorrente invocou a Lei nº 9.718/70 para as empresas optantes pelo Lucro Presumido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.795, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.902926/201160, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.795): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo. Como relatado na decisão de primeira instância, a Recorrente havia apresentado Manifestação de Inconformidade com os seguintes argumentos: "Após um breve relato dos fatos, a interessada defende a existência de crédito no pagamento indicado na Dcomp bem como a falta de motivação para o indeferimento das compensações pleiteadas. Relata que, após ter identificado a existência de pagamento a maior do que o devido da contribuição, providenciou a retificação da DCTF e DIPJ respectivas, informando o valor correto da mesma, e a entrega da Per/Dcomp tratada no presente processo,para o fim de utilizar o crédito gerado pelo pagamento indevido. Argumenta que sua solicitação de compensação foi indeferida sob o fraco argumento de inexistência de crédito e sem qualquer espécie de verificação do mesmo. Diz que tomou todas as medidas administrativas necessárias para que a compensação fosse reconhecida (retificação das declarações e entrega da Dcomp) mas que, por outro lado, a autoridade administrativa não fundamentou o indeferimento do pedido. Acrescenta que “No caso em tela, verificase que além dos elementos não terem sido analisados suficientemente, conforme legislação e a jurisprudência, há ausência de fundamentação jurídica que baseie a decisão e que mostre de maneira convincente o motivo pelo qual a Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.902944/201141 Acórdão n.º 3402005.811 S3C4T2 Fl. 0 4 Impugnante não pôde ter seu crédito compensado.” Por fim, suscita a nulidade do despacho decisório, tendo em vista a ausência de motivação jurídica e falta de elementos indispensáveis como clareza, lógica e precisão." Outrossim, verificase do PERD/COMP de fls. 610 as seguintes informações, o que demonstra que não foi informado crédito oriundo de ação judicial: Diante dos argumentos da Contribuinte, a DRJ enfrentou a preliminar de nulidade e, no mérito, concluiu pela improcedência do pedido nos seguintes termos: "A compensação declarada na Dcomp não foi reconhecida (homologada) porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da emissão do despacho decisório o DARF de Cofins, no valor de R$ 46.497,20, recolhido em 12/11/2004, indicado como origem do crédito para compensação, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte. Notese, aliás, que essa situação, diferentemente do que afirma a interessada na manifestação, não sofreu qualquer alteração, nem mesmo após a emissão do Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.902944/201141 Acórdão n.º 3402005.811 S3C4T2 Fl. 0 5 Despacho Decisório, conforme demonstram as declarações (DCTF) entregues pela interessada. A última DCTF relativa ao débito de Cofins do setembro de 2004 apresentada pela interessada foi a DCTF do 3º trimestre de 2004 (Retificadora), entregue em 17/11/2004, por meio da qual esse débito foi confessado no valor de R$ 42.432,20, e para o qual foi vinculado o DARF de Cofins, no valor de R$ 46.497,20, recolhido em 12/11/2004 (justamente o DARF apontado como crédito na Dcomp tratada no presente processo). Lembrese, nesse ponto, que a DCTF constitui em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos tributários nelas declarados, de acordo com o que dispõe o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984. Como se vê, o Despacho Decisório contestado relata exatamente a situação acima identificada, ou seja, a ausência de crédito em face da utilização de todo o valor do DARF indicado como origem do crédito em outro débito da própria contribuinte. É evidente, portanto, que inexiste nesse ato administrativo falta de clareza,precisão e lógica, afinal ele está a retratar a situação que a própria interessada declarou (através de DCTF) para o órgão administrativo." A motivação da improcedência decorreu da ausência de provas apresentadas pela Contribuinte sobre o direito creditório passível de surtir os efeitos legais. Ocorre que em análise às razões de Recurso Voluntário, constatase que a Recorrente abordou, de maneira genérica, pela ilegalidade e inconstitucionalidade de inclusão de valores de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS, conforme colacionado abaixo: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.902944/201141 Acórdão n.º 3402005.811 S3C4T2 Fl. 0 6 (...) Ou seja, além de não haver nenhuma informação e/ou comprovação de que o alegado crédito teve origem nas razões demonstradas em Recurso Voluntário, resta flagrante que a Recorrente inaugura nova discussão, sem amparo, portanto, no artigo 17 do Decreto n.º 70.235/72. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.902944/201141 Acórdão n.º 3402005.811 S3C4T2 Fl. 0 7 Neste sentido, foi proferido o v. Acórdão nº 3401004.446 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vejamos: DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Por sua vez, resta igualmente impossibilitado o conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao con hecimento do Órgão Julgador de Primeira Instância, sob pena de supressão de instância e negativa de vigência ao artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Dispositivo Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 59DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.009682/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2006
DECADÊNCIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
Na dicção do art. 173, inciso I, do CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11%.
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida no prazo previsto na legislação de regência.
RETENÇÃO DE 11%. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. PREVISÃO CONTRATUAL.
Nos termos da legislação previdenciária, qualquer redução da base de cálculo da retenção de 11% do valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços deve estar prevista contratualmente e devidamente comprovada.
GRUPO ECONÔMICO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SOLIDARIEDADE OBJETIVA.
A responsabilidade solidária das empresas integrantes de grupo econômico, pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, é objetiva e, por isso, independe da demonstração de interesse na situação que constitua o fato gerador das contribuições.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS
O Relatório de Representantes Legais apenas relaciona os representantes legais da empresa, no período da atuação, sem imputar qualquer responsabilização imediata a estes.
Numero da decisão: 2402-006.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a decadência, indeferir o pedido de diligência, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a decadência, indeferir o pedido de diligência, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMERICAS AMBEV E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2006 DECADÊNCIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN. Na dicção do art. 173, inciso I, do CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11%. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida no prazo previsto na legislação de regência. RETENÇÃO DE 11%. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. PREVISÃO CONTRATUAL. Nos termos da legislação previdenciária, qualquer redução da base de cálculo da retenção de 11% do valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços deve estar prevista contratualmente e devidamente comprovada. GRUPO ECONÔMICO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SOLIDARIEDADE OBJETIVA. A responsabilidade solidária das empresas integrantes de grupo econômico, pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, é objetiva e, por isso, independe da demonstração de interesse na situação que constitua o fato gerador das contribuições. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 96 82 /2 00 7- 81 Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.186 2 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS O Relatório de Representantes Legais apenas relaciona os representantes legais da empresa, no período da atuação, sem imputar qualquer responsabilização imediata a estes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a decadência, indeferir o pedido de diligência, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. Relatório A 11ª Turma da DRJ/SPOI fez um relato preciso do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até a prolatação do acórdão de impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa retro identificada, relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à retenção dos 11% (onze por cento) do valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, por cessão de mão de obra, conforme o artigo 31 da Lei n° 8212/91, na redação dada pela Lei n° 9711/98. O montante lançado, incluindo juros e multa, é de R$ 7.173.839,68 (sete milhões, cento e setenta e três mil e oitocentos e trinta e nove reais e sessenta e oito centavos), abrangendo o Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.187 3 período de 07/2002 a 12/2002, 02/2003 a 07/2006, e 09/2006, consolidado em 23/08/2007. O Relatório Fiscal, de fls. 100 a 113, informa que: • O item 2 e subitens descrevem o histórico da Companhia de Bebidas das Américas — AMBEV, sucessora da Companhia Brasileira de Bebidas — CBB, CNPJ 60.522.000/000183; • Os itens 3 a 8, e subitens, do Relatório Fiscal, apresentam a descrição e caracterização do grupo econômico AMBEV, cuja empresa controladora é a Companhia de Bebidas das Américas — AMBEV ora Notificada; • Os serviços contratados da prestadora Zicard Vieira Gerenciamento Promocional Ltda. CNPJ 02.930.385/000111, foram prestados durante o período fiscalizado de 07/2002 a 09/2006; • Durante a ação fiscal, a AMBEV foi intimada a apresentar todas as notas fiscais de prestação de serviço, contratos de prestação de serviço, lançamentos contábeis, comprovantes de recolhimento das retenções, e demais documentos, através dos TIAD 's relacionados no item 1.3 do Relatório Fiscal. Foram apresentados parte dos documentos, sendo estes cópias e não os originais. Pela não apresentação de todos os documentos foi lavrado o competente Auto de Infração; • Foram examinados cópia do contrato de prestação de serviços, cópias de notas fiscais de prestação de serviços, e informações obtidas através de subsídios fiscais junto à empresa prestadora; • O objeto do contrato, conforme item 1.1. do mesmo, é a "prestação de serviços de planejamento, gerenciamento e EXECUÇÃO de programa promocional". O item 2.2. do contrato determina que a empresa prestadora de serviços deve "manter uma equipe especializada, dimensionada e supervisionada", para atendimento da contratante na manutenção dos serviços contratados, ficando, assim, configurada a cessão de mão de obra; • O valor da retenção de 11% foi calculado sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa Zicard Vieira Gerenciamento Promocional Ltda., uma vez que a tomadora dos serviços, ora notificada, não comprovou, até o momento da lavratura da NFLD, o recolhimento dos valores das retenções devidas; • Os valores das notas fiscais, o estabelecimento tomador, e o número, encontramse discriminados no anexo RL — Relatório de Lançamentos, fls. 18/46; • A prestadora de serviços Zicard não foi objeto de ação fiscal com exame de contabilidade até a data da lavratura da NFLD; • Atendeu à fiscalização Valdir Dona, funcionário lotado na Administração de Processos Fiscais, da DSI — Diretoria de Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.188 4 Serviços e Informação — AMBEV, CSC — Central de Serviços Compartilhados, a quem foram prestados todos os esclarecimentos necessários. O Discriminativo Analítico do Débito DAD, às fls. 04/12, traz as bases de cálculo apuradas, as alíquotas aplicadas, e as contribuições devidas, por competência. O Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 13/17, apresenta, para cada competência, os valores devidos originários, o valor da multa e juros aplicados, e os valores finais devidos. A fundamentação legal do lançamento de crédito é apresentada no Relatório Fiscal e no anexo "Fundamentos Legais do Débito FLD", de fls. 47/48, onde consta a legislação que embasa o lançamento, por rubrica e por competência. Foram ainda anexados pela fiscalização os seguintes documentos: IPC —Instrução para o Contribuinte, fls. 02/03; REPLEG — Relatório de Representantes Legais, fls. 49/50; VÍNCULOS Relação de Vínculos, fls. 51/54; Consulta a histórico de objeto, site dos Correios, fl. 55; Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, e MPF Complementar, fls. 56 e 86; Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD's, fls. 57/85, 88, e 90; Copias de AR — Aviso de Recebimento, fls. 87, 89, e 97/99; Demonstrativos de Emissão e Prorrogação de MPF, fls. 91/92; Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF, fls. 93/94; Recibo de Arquivos entregues ao Contribuinte, fls. 95/96; Arvores Societárias Março/2004 e Março/2005, fls. 114/115; Planilha Macro Processo, fls. 116/121; e Contrato de Prestação de Serviços, fls. 122/132. DA COMUNICAÇÃO AO GRUPO ECONÔMICO A teor do despacho de fl. 133, foi enviada, via postal, comunicação às demais empresas do "Grupo Econômico", conforme Informações Fiscais e cópias de AR's juntadas às fls. 134/153. DA IMPUGNAÇÃO Tendo sido cientificado da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD em 30/08/2007, conforme cópia de AR de fl. 99, o Contribuinte, dentro do prazo regulamentar, conforme despacho de fl. 250, impugnou o lançamento através do instrumento de fls. 155/184, com juntada dos documentos citados na Relação de fl. 185, Anexos I a IV, as fls. 186/198, e 201/249. Apresenta breve relato sobre a NFLD em tela, e alega, em síntese, que: Do Direito Da Decadência Parcial do Credito Tributário A natureza jurídica das contribuições previdenciárias é, indiscutivelmente, tributária. Assim, o artigo 45 da Lei n° Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.189 5 8212/91 padece de inconstitucionalidade, desafiando o artigo 146, III, b, da Constituição Federal (CF), pois trata de matéria que é reservada à lei complementar. Nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), a decadência do crédito tributário previdenciário sujeitase ao prazo qüinqüenal. Transcreve jurisprudência, e menciona as cópias de decisões anexadas à impugnação (Anexo II). Conclui que o credito correspondente à competência de julho de 2002 alcançado pelo prazo decadencial, e encontrase extinto, conforme artigo 173, inciso I, do CTN. Da Ausência de Previsão Normativa à Obrigação de Retenção Imputada à Impugnante Transcreve o artigo 31 da Lei n° 8212/91, na redação da Lei n° 9711/98, e alega que a fiscalização, de maneira equivocada e ausente de qualquer fundamentação fática, enquadrou o contrato de prestação de serviços em tela como cessão de mão de obra, tal como definida no parágrafo 3° do citado dispositivo legal. A prestação de serviços desenvolvida pela Zicard Vieira Gerenciamento Promocional Ltda., tem por objetivo principal administrar as informações de alguns clientes da AMBEV participantes do programa de mercado "Tô Contigo", programa este utilizado para dar dicas de negócio e premiar alguns PDVs clientes da AMBEV, com base nas suas compras mensais de cerveja. São muitos os pontos de venda envolvidos no sistema de premiação instituído pela Impugnante, em todo o pais, o que tornaria inviável à empresa prestadora de serviços ceder mão de obra à Impugnante nos pontos de venda. Os funcionários da empresa contratada não são deslocados nem para o estabelecimento da Impugnante, nem para os pontos de venda clientes da AMBEV, trabalhando de forma preponderante nos estabelecimentos da própria prestadora de serviços. O conceito de cessão de mão de obra contido no artigo 143 da IN n° 3/2005 (transcreve), utilizado pelo agente fiscal na sua fundamentação, não se aplica ao presente caso, havendo somente o gerenciamento do cômputo da pontuação e a remessa de prêmios aos PDV's. Na mesma linha já definia a Ordem de Serviço 209/99 (transcreve os itens 1, 1.1, e 7). Pela própria natureza dos serviços prestados, a empresa Zicard não realiza qualquer cessão de mão de obra, efetuando os controles de pontuação dos PDV's remotamente, dentro de seu próprio estabelecimento prestador, mediante informações enviadas periodicamente pela Impugnante, com relação ao volume de vendas de seus produtos, e remetendo, após, a premiação correlata aos estabelecimentos vendedores dos produtos. Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.190 6 Conforme o relatório da NFLD, páginas 10/14, o serviço prestado estaria enquadrado no artigo 146, inciso XXI, da IN SRP 3/2005 (transcreve). No entanto, apesar da atuação da prestadora Zicard ter sido genericamente enquadrada em promoção de vendas, não há, como demonstrado, a imprescindível configuração da cessão de mão de obra. Transcreve julgado. Não é constatada a natureza promocional de vendas descrita no artigo 146, inciso XXI, supracitado, à medida que a atuação da Zicard não tem como finalidade colocar em evidência as qualidades dos produtos fabricados pela Impugnante, mas somente realizar o gerenciamento das informações dos clientes do programa Tô Contigo, a teor da cláusula 2.9 do contrato, que instrui a NFLD, e que dispõe ser propriedade intelectual da Impugnante o desenvolvimento do referido programa. Assim, é indevida a exigência consubstanciada nesta NFLD, não havendo respaldo no artigo 31 da Lei n° 8212/91 para o lançamento. Do Potencial Recolhimento do Credito Tributário pela Empresa Prestadora de Serviços Afirma que, equivocadamente, a fiscalização interpretou que a Impugnante teria a obrigação de ter efetuado a retenção de 11% do valor das faturas emitidas pela Zicard, a qual, posteriormente, efetuaria a compensação do valor objeto da retenção com os valores devidos a titulo de contribuições previdenciárias incidentes sobre a respectiva folha de salários, conforme parágrafo 1° do artigo 31 da Lei n° 8212/91 (transcreve). Apresenta os artigos 121 e 128 do CTN e argumenta que a responsabilidade pelo crédito tributário, como imputado à Defendente, poderia ser estabelecida mediante a exclusão da prestadora de serviços Zicard, ou atribuindolhe tal competência em caráter supletivo. Na redação do artigo 31 da Lei n°8212/91 dada pela Lei n°9711/98, não existiu a exclusão da responsabilidade do sujeito passivo contribuinte (prestadora Zicard) pela apuração da contribuição previdenciária sobre a folha de salários, tanto é que, se eventualmente o valor correspondente aos 11% do valor da fatura fosse inferior ao valor por ela apurado das contribuições previdenciárias sobre a folha de salários, a prestadora deveria compensar o valor objeto da retenção, e recolher a diferença aos cofres públicos. Transcreve o item 38 da OS n° 209/99 e jurisprudência. Entretanto, o Auditor, ao verificar que nas notas fiscais de serviço emitidas pela empresa Zicard, e entregues pela Impugnante durante a fiscalização, não havia o destaque do valor que deveria, supostamente, ser retido, deveria, por cautela, ter diligenciado junto à prestadora de serviços, a fim de Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.191 7 averiguar se as contribuições sobre a folha de salários, do período de apuração, não havia sido recolhida. No entanto, não foi o que aconteceu, a teor do relatório (transcreve o item 13). E assim, a fiscalização não pode verificar que as respectivas apurações fiscais estavam em perfeita ordem e consonância com a obrigação de recolhimento das contribuições sobre a folha de salários. Neste sentido, verificase que a empresa Zicard sempre deteve Certidão Negativa de Débito — CND perante a Previdência Social, no período objeto da NFLD em tela, possuindo inclusive no momento de interposição desta impugnação esta certidão, com validade até 15/11/2007 (Anexo III — cópias das CND's da empresa Zicard). Deste modo, a Impugnante está sendo cobrada e penalizada de uma forma injusta, impondose a anulação da NFLD por absoluta falta de embasamento. Da Distorção da Base de Cálculo Utilizada no Cômputo da Retenção A NFLD violou o disposto no artigo 219, parágrafo 7°, do Decreto 3048/99 (transcreve), uma vez que, a teor das notas fiscais apresentadas à fiscalização durante a auditoria, cujas cópias instruem a presente impugnação (Anexo IV), foram incluídos os custos, por exemplo, com impressão de papel carta, produção gráfica, e material de merchandising, na execução dos trabalhos pela prestadora de serviços. Considerando a premissa da sistemática de retenção tributária pela Lei n° 9711/98, de que a obrigação imposta ao contratante dos serviços corresponde à antecipação do recolhimento da contribuição sobre a folha de salários da prestadora, a apuração de crédito tributário sobre valores correspondentes ao custo de materiais envolvidos na prestação de serviços distorce o conceito instituído pela referida Lei. Assim, a apuração do crédito tributário foi distorcida, em função da inclusão na base de cálculo de valores correspondentes a custos de materiais, objeto apenas de reembolso pela empresa prestadora de serviços, e que não correspondem ao efetivo valor da prestação de serviços realizada. Da Conversão do Julgamento em Diligências Apoiado em renomados juristas, argumenta que, no caso da presente NFLD, e a teor das alegações apresentadas, é cabível a realização de diligências a fim de ser ratificado que o crédito tributário em epígrafe já foi objeto de recolhimento pela empresa prestadora de serviços contratada pela Impugnante, bem como para averiguar quais os valores de produtos e matérias discriminados nas respectivas notas fiscais de serviço que devem ser excluídos da base de cálculo, para a apuração do crédito tributário impugnado. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.192 8 Assim, nos termos do artigo 7°, inciso IV, e artigo 11 da Portaria RFB 10875/2007, indica os quesitos que pretende sejam respondidos, caso venha a ser realizada a diligência: "1) A empresa Zicard Vieira Gerenciamento Promocional Ltda., portadora do CNPJ 02.930.385/000111, regularmente procedeu à apuração e ao recolhimento das contribuições previdenciárias sobre a folha de salários nos períodos de apuração de 07/2002 a 12/2002, de 02/2003 a 07/2006, e 09/2006? 2) Caso exista alguma irregularidade fiscal apurada contra a empresa Zicard Vieira Gerenciamento Promocional Ltda. nos períodos discriminados no quesito 1, quais as competências e os respectivos valores do crédito tributário? 3) Da análise das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa Zicard Vieira Gerenciamento Promocional Ltda. nos períodos mencionados no quesito 1, quais possuem discriminados produtos e materiais? Quais são os respectivos valores destes materiais e produtos cobrados da Impugnante? Da Inexistência da CoResponsabilidade Tributária Apontada Transcreve os artigos 134, 137, e 137 do Código Tributário Nacional, e alega que, conforme os referidos dispositivos legais, a desconsideração da personalidade jurídica, e a responsabilização dos sócios/acionistas, administradores, e representantes legais, somente ocorrem nas seguintes hipóteses: • Impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação tributária por parte do contribuinte (Impugnante) em situação de liquidação de sociedades de pessoas; • Atos praticados com excesso de poderes, ou infração de lei e estatuto social; e • Infração cometida por conduta direta e dolosa. E, conforme o artigo 146, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal legislação ordinária que prevê as hipóteses da solidariedade só tem validade e eficácia que interpretada em conformidade com a Constituição Federal e o CTN. Assim, caso a fiscalização entenda que existe situação ensejadora da responsabilização dos representantes legais da Impugnante, deve ser demonstrada a presença de abuso de poder por parte das pessoas físicas, por meio de provas e fundamentação fática e jurídica. Transcreve jurisprudência e doutrina. Destaca que a Impugnante é pessoa jurídica com capacidade econômica amplamente reconhecida pelo mercado e pela sociedade, possuindo condições de suportar o encargo tributário exigido, sendo vedada a responsabilização das pessoas físicas indicadas sem a efetiva comprovação de irregularidades cometidas pelas mesmas, devendo somente a pessoa jurídica arcar com sua obrigação fiscal. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.193 9 Portanto, conclui ser ilegal a conduta praticada pela fiscalização, de inclusão das 110 pessoas físicas representantes legais da Impugnante como coresponsáveis pelo debito fiscal. Do Pedido Por todo o exposto, requer que seja julgada improcedente a NFLD em epígrafe. E, caso os julgadores administrativos não se convençam da regularidade fiscal da prestadora de serviços, requer que o julgamento seja convertido em diligências, para que sejam respondidos os quesitos expostos. Subsidirariamente, requer que seja excluído da base de cálculo o valor correspondente ao fornecimento de materiais e produtos pela empresa prestadora, bem como sejam excluídos como co responsáveis os sócios, administradores e seus representantes. [...]. As contribuintes solidárias Morena Distribuidora de Bebidas Ltda, ITB Ice Tea do Brasil Ltda, Fratelli Vita Bebidas SA, Fazenda do Poço Agrícola e Florestamento SA, Eagle Distribuidora de Bebidas SA, Distribuidora de Bebidas Antartica de Manaus Ltda, CRBS SA, Cervejarias Reunidas Skol Caracu SA, Cervejaria Miranda Correia SA, BSA Bebidas Ltda, Arosuco Aromas e Sucos Ltda, ANEP Antarctica Empreendimentos e Participações Ltda, Agrega Inteligência em Compras Ltda e Ambev Brasil Bebidas Ltda também apresentaram impugnação, cujos conteúdos foram basicamente os mesmos da defesa apresentada pela Transportadora Lizar Ltda, a saber: Apresenta breve relato sobre a NFLD em epígrafe, e alega: Do Direito A ora Impugnante é parte do Grupo Econômico do qual participa a empresa autuada, a qual é a pessoa jurídica controladora do referido grupo. Assim, foi imputada à Impugnante responsabilidade pelo adimplemento da obrigação tributária, bem como sua intimação. Discorre sobre Grupo Econômico, transcrevendo o artigo 30, inciso IX, da Lei n° 8212/91, os artigos 748 e 749 da IN n° 03/2005, e renomado jurista, e conclui que a responsabilidade solidária, em matéria tributária, exige, para a sua configuração, a ocorrência do risco de não haver o adimplemento da prestação obrigacional — no caso, o crédito tributário, se devidamente formalizado — pelo devedor principal. Portanto, verificase que a atribuição à empresa Impugnante, da responsabilidade solidária em face do crédito tributário lançado nesta NFLD, não se justifica, pois a pessoa jurídica que compõe a relação principal, qual seja, a Companhia de Bebidas das Américas — AMBEV, é notadamente solvente, possuindo patrimônio mais que suficiente à garantia e eventual pagamento da exigência fiscal em tela. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.194 10 Além do que, a imputação da responsabilidade solidária à Impugnante poderá acarretarlhe severos prejuízos, dentre os quais a eventual negativa da certidão de débitos. A solidariedade em matéria tributária não se confunde com o instituto da solidariedade no Direito Civil, em que há apenas um vinculo obrigacional entre o credor e os devedores solidários, que respondem igualmente pelo adimplemento da obrigação. A responsabilidade solidária a que faz referência o artigo 124, inciso II, do CTN, não é absoluta e imediata, como faz parecer a Fiscalização. Tratase de responsabilidade subsidiária, sendo possível tãosomente nas hipóteses em que permitida a desconsideração da personalidade jurídica da empresa que compõe a relação jurídicotributária principal, de sorte a privilegiar, ao máximo possível, o principio da autonomia patrimonial das sociedades empresárias. Neste aspecto, o afastamento da autonomia patrimonial das pessoas jurídicas se justifica em hipóteses excepcionais, na ocorrência de fraude ou abuso a frustrar os interesses de credores, e quando em repressão a ilícitos praticados na sociedade empresária. No entanto, a Fiscalização não trouxe aos autos elementos probatórios de quaisquer circunstâncias apontadas acima, a fim de demonstrar a ocorrência de ilícito que enseje a desconsideração da personalidade primária da devedora primária. Deste modo, sendo possível o adimplemento do suposto crédito tributário pelo sujeito passivo da relação jurídica primária, haja vista a (notória) solvência da pessoa jurídica principal, e não havendo nos autos a comprovação da ocorrência de qualquer hipótese ensejadora da desconsideração da personalidade jurídica daquela, é indevida a inclusão da Impugnante como co obrigada pelo crédito tributário lançado em face da AMBEV. Do Pedido Por todo o exposto, requer a descaracterização da suposta responsabilidade da Impugnante pelo adimplemento do crédito tributário consubstanciado na NFLD em referência. [...] A 11ª Turma da DRJ/SPOI julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: PRAZO DECADENCIAL. SUMULA VINCULANTE. STF. Com o advento da Súmula Vinculante no 8 do Supremo Tribunal Federal STF, de 12/06/2008, DOU 20/06/2008, que prescreveu que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, em se tratando de lançamento de oficio de crédito previdenciário, deve ser Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.195 11 aplicado o prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n.° 5.172/66). NFLD. FORMALIDADES LEGAIS. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11% (ONZE POR CENTO). A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome do cedente da mãodeobra. A retenção sempre se presume feita oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo licito alegar qualquer omissão para se eximir da obrigação, permanecendo responsável pelo recolhimento das importâncias que deixou de reter. A obrigação da retenção de 11%, pela empresa tomadora, independe da empresa prestadora estar ou não adimplente com as contribuições previdenciárias. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). A Certidão Negativa de Débito (CND ressalva o direito de apuração e constituição de eventual crédito remanescente. RETENÇÃO DE 11%. REDUÇÃO DA BASE DE CALCULO. REQUISITOS. Conforme a legislação previdenciária, no caso da retenção de 11%, qualquer redução da base de cálculo deve estar prevista contratualmente e devidamente comprovada. RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES. PREVISÃO NA LEGISLAÇÃO. Os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a Seguridade Social, por dolo ou culpa, sendo pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A relação dos diretores apresentada no Relatório REPLEG Relatório de Representantes Legais atende ao disposto em Lei, Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.196 12 na hipótese de futura inscrição do lançamento de crédito em divida ativa. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei Previdenciária, nos termos do inciso IX do Artigo 30 da Lei n° 8.212/91, sem que se possa argüir a defesa de beneficio de ordem. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA, INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Os sujeitos passivos foram intimados da decisão da DRJ e interpuseram seus recursos voluntários nas seguintes datas: Sujeito passivo Data da intimação Folha nº Data do recurso Protocolo folha nº Companhia de Bebidas das Americas AMBEV 07/11/2008 821 09/12/2008 834 ANEP Antarctica Empreendimentos e Participações Ltda 06/11/2008 822 09/12/2008 920 CRBS SA 11/11/2008 823 09/12/2008 912 Fazenda do Poço Agrícola e Florestamento SA 13/11/2008 824 09/12/2008 936 Cervejaria Miranda Correia SA 12/11/2008 825 09/12/2008 904 Agrega Inteligência em Compras Ltda 10/11/2008 826 09/12/2008 864 Arosuco Aromas e Sucos Ltda 11/11/2008 827 09/12/2008 856 Ambev Brasil Bebidas Ltda 07/11/2008 828 09/12/2008 888 ITB Ice Tea do Brasil Ltda 07/11/2008 829 09/12/2008 968 Cervejarias Reunidas Skol Caracu SA 07/11/2008 830 09/12/2008 944 Eagle Distribuidora de Bebidas SA 07/11/2008 831 09/12/2008 872 BSA Bebidas Ltda 07/11/2008 832 09/12/2008 928 Fratelli Vita Bebidas SA 07/11/2008 833 09/12/2008 952 Morena Distribuidora de Bebidas Ltda 15/05/2009 09/12/2008 880 Transportadora Lizar Ltda 15/05/2009 09/12/2008 896 Distribuidora de Bebidas Antartica de Manaus Ltda 09/12/2008 960 Em seus recursos, os sujeitos passivos basicamente reiteraram os mesmos argumentos de sua defesa. Às fls. 992 e seguintes, a contribuinte Companhia de Bebidas das Américas AMBEV peticionou informando que a prestadora de serviços teria recolhido o valor da retenção, anexando os comprovantes dos recolhimentos Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.197 13 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Os recursos voluntários são tempestivos, visto que interpostos dentro do prazo legal de trinta dias (vide tabela acima), e estão presentes os demais pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade, razões pelas quais devem ser conhecidos. 2 Da decadência parcial O acórdão de impugnação reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8212/91, diante da aplicação da Súmula Vinculante STF nº 8, mas afastou a preliminar de decadência com base no art. 173, inc I, do CTN. A recorrente arvorase no mesmo dispositivo do CTN, mas entende que, como a NFLD teria sido lavrada em 27/08/2007, o crédito tributário correspondente à competência julho de 2002 estaria extinto. Vejase: No entanto, certo é que a constituição do credito tributário em referencia é parcialmente inválida e indevida, tendo já se operado o efeito da decadência em relação ao credito tributário correspondente a julho de 2002, dada a inobservância do prazo de cinco anos para a constituição do crédito tributário, conforme preceituado no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, verbis: De acordo com o citado artigo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, exercício seguinte que correspondente ao ano de 2003. Logo, a Fazenda Pública poderia ter efetuado o lançamento até o ano de 2008, de maneira que o lançamento, notificado ao sujeito passivo em 31 de agosto de 2007 (fl. 98 de pdf), ocorreu dentro do prazo legal, devendo ser rejeitada a preliminar. 3 Da inexistência de cessão de mão de obra A DRJ entendeu que "a empresa Zicard Vieira Gerenciamento Promocional Ltda prestou serviços de promoção de vendas e eventos, os quais estão expressamente previstos como sujeitos à retenção dos 11%, quando realizados mediante cessão de mãode obra" (fl. 797 do pdf) e que "o Relatório Fiscal [...] demonstra os elementos caracterizadores da cessão de mãodeobra" (fl. 799 do pdf). O sujeito passivo controverte pelas variadas razões expostas em seu recurso voluntário, que serão analisadas logo adiante. O art. 31 da Lei 8212/1991 preceitua que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra deverá reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.198 14 fatura de prestação de serviços e recolher a importância devida em nome da empresa contratada (cedente da mão de obra). O valor arrecadado dessa forma é mera antecipação do montante devido pela contratada relativamente ao recolhimento das contribuições devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados, razão pela qual deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e poderá ser compensado pelo respectivo estabelecimento, na forma do § 1º do art. 31, sem prejuízo de eventual restituição, na impossibilidade de haver compensação integral. À época dos fatos geradores, o art. 31 tinha a redação da Lei 9711/98 e assim dispunha: Art.31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5odo art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.199 15 IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). A leitura do § 4º demonstra que nem todos os serviços estão compreendidos na hipótese do caput, mas apenas aqueles ali relacionados e outros a serem estabelecidos em Regulamento, desde que, é óbvio, envolva a cessão de mão de obra (vide caput). O Regulamento Geral da Previdência Social RGPS (Decreto 3048/99), em seu art. 219, § 2º, relacionou inúmeros serviços enquadrados na situação sob comento, e, em seu § 1º, definiu o que se compreende por cessão de mão de obra: Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5ºdo art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.200 16 XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde; e XXV telefonia, inclusive telemarketing. A interpretação do § 1º encimado revela que somente ocorre cessão de mão de obra quando se coloca à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da forma de contratação. Em tal situação, os segurados são cedidos à empresa contratante em caráter não eventual ("colocação à disposição do contratante") e de forma contínua ("segurados que realizem serviços contínuos"), de tal maneira que a cessionária passará a dirigirlhes as atividades, respeitados os limites do contrato de cessão. Por essa razão, e por motivos de técnica tributária arrecadatória, a empresa beneficiária da prestação dos serviços prestados pelos segurados da empresa cedente fica obrigada a proceder à retenção/antecipação de parte dos valores devidos, à alíquota de 11%. Ao fazer o lançamento das contribuições devidas a esse título, portanto, a autoridade fiscal deve demonstrar que os segurados foram efetivamente cedidos à empresa contratante de forma não eventual e contínua, a fim de prestarlhe os serviços relacionados no Regulamento, nas dependências da própria contratante ou nas de terceiros, e não nas dependências da própria empresa cedente. Com efeito, o art. 142 do Código Tributário Nacional impõe à autoridade administrativa a obrigação de verificar, isto é, de relatar e demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, devendo, ainda, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Quanto ao dever imposto ao Fisco de demonstrar a existência efetiva de cessão de mão de obra, confirase o seguinte precedente deste CARF: Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.201 17 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODE OBRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. (CARF, PAF 11330.000963/200772, Acórdão 2201003.412, Redator Carlos Henrique de Oliveira, julgado em 07/02/2017) ......................................................................................................... Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Anocalendário: 2009, 2010 [...] CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃODEOBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO. Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mãodeobra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF, PAF 19311.720414/201134, Acórdão 9202004.404, Relatora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, julgado em 25/08/2016) Deste Colegiado, vale citar o seguinte precedente, julgado por unanimidade: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.202 18 PREVIDENCIÁRIO. RETENÇÃO 11%. INEXISTÊNCIA COMPROVAÇÃO CESSÃO DE MÃODEOBRA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. Somente na hipótese em que restar devidamente comprovada pela autoridade lançadora à prestação dos serviços mediante cessão de mãodeobra, será devida pela empresa contratante a retenção de 11% de que trata o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, devendo o fiscal autuante demonstrar de maneira pormenorizada/individualizada os serviços executados com o respectivo enquadramento nos casos previstos no rol constante do artigo 219, § 2º, do Decreto nº 3.048/99, sob pena da improcedência do lançamento, em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo.Recurso Voluntário Provido. (CARF, PAF 10510.004019/200975, Acórdão 2402005.003, julgado em 16/02/2016, Relator Lourenço Ferreira do Prado) A autoridade administrativa, após transcrever diversos dispositivos legais e infralegais acerca da cessão de mão de obra, concluiu que "o item 2.2. do contrato, determina que a empresa prestadora de serviços deve 'manter uma equipe especializada, dimensionada e supervisionada', para atendimento da contratante na manutenção dos serviços contratados, ficando assim configurada a cessão de mão de obra, nos moldes do artigo 143 da INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP no 03". Sem nem mesmo ter afirmado em qual hipótese do § 2º do art. 219 do Regulamento subsumirseia o serviço em questão, o agente autuante, de forma genérica, e arvorandose num excerto isolado do contrato, concluiu que teria havido cessão de mão de obra. Tal excerto afirma, como já retratado, que a empresa contratada manteria uma equipe para atendimento da contratante na manutenção dos serviços, mas essa afirmação, por si só, não demonstra que tenha havido a existência do plus para a caracterização da efetiva cessão de trabalhadores, qual seja: a colocação, à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa. Na cessão de mão de obra, a contratante é quem passa a dirigir as atividades dos trabalhadores, e não a empresa contratada. Seria necessário, no entender deste relator, uma demonstração mais detalhada da subsunção do conceito do fato ao conceito da norma do art. 31, para concluirse pela presença da cessão de mão de obra de que trata a lei previdenciária. Seria igualmente necessário que o agente fiscal fizesse o enquadramento legal num dos itens da lista de serviços constante do Regulamento. Caso contrário, qualquer contrato de prestação de serviços poderia ser compreendido como contrato com cessão de mão de obra, o que não é o objetivo da lei. Na dicção legal, a empresa contratada tem que ceder seus trabalhadores à empresa contratante (obrigação à retenção das contribuições), hipótese que se diferencia da prestação de serviços pela empresa contratada, onde reside a necessidade de demonstração minimamente pormenorizada e do devido enquadramento legal na lei previdenciária, sob pena de banalização do instituto. Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.203 19 Tomandose emprestada a previsão do art. 489, § 1º, inc. I, do CPC, não se considera fundamentada a autuação que se limita à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa. Isto é, não basta que o fiscal transcreva (como transcreveu) os dispositivos acerca da cessão de mão de obra, é necessário que ele explique como tais dispositivos relacionamse com o fato jurídico sob sua apreciação. Até pela singeleza da acusação fiscal, devem ser acolhidas as seguintes alegações do sujeito passivo: São muitos os pontos de venda envolvidos no sistema de premiação instituído pela Impugnante, em todo o país, o que tornaria inviável à empresa prestadora de serviços ceder mão de obra à Impugnante nos pontos de venda. Os funcionários da empresa contratada não são deslocados nem para o estabelecimento da Impugnante, nem para os pontos de venda clientes da AMBEV, trabalhando de forma preponderante nos estabelecimentos da própria prestadora de serviços. Logo, o recurso deve ser provido, com a consequente extinção do crédito tributário. Como o recurso foi provido no mérito, em questão prejudicial às teses sucessivas acerca do recolhimento pelo prestador e sobre a distorção da base de cálculo, este conselheiro deixará de pronunciarse a seu respeito. Na dicção do art. 939 do CPC, o julgador somente estará obrigado a pronunciarse sobre as demais matérias quando for vencido na preliminar, mas não quanto à discussão de matéria principal. Vejase: Art. 939. Se a preliminar for rejeitada ou se a apreciação do mérito for com ela compatível, seguirseão a discussão e o julgamento da matéria principal, sobre a qual deverão se pronunciar os juízes vencidos na preliminar. 4 Da inexistência de solidariedade Os recursos das contribuintes solidárias devem ser providos. Com efeito, e no entender deste relator, não basta que a lei ordinária estenda a relação jurídicotributária a uma terceira pessoa, sendo necessário, sim, que tal pessoa tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação. Noutro giro, a regra matriz de solidariedade tem pressupostos legais próprios, entre os quais se inclui a realização do fato gerador por mais de uma pessoa. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que a existência de grupo econômico, por si só, não é suficiente para ensejar responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional. Colacionase, abaixo, a ementa de duas decisões recentes, para, em seguida, transcrever a numeração de sucessivas decisões no mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. SUJEIÇÃO PASSIVA. ARRENDAMENTO MERCANTIL. GRUPO ECONÔMICO. Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.204 20 SOLIDARIEDADE. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. "'Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas' (HARADA, Kiyoshi. 'Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador')" (AgRg no Ag 1.055.860/RS, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 26.3.2009). [...] (AgRg no AREsp 603.177/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/03/2015, DJe 27/03/2015) ................................................................................................ PROCESSO CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTENTE. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. [...] 4. Correto o entendimento firmado no acórdão recorrido de que, nos termos do art. 124 do CTN, existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. [...] (AgRg no AREsp 429.923/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/12/2013, DJe 16/12/2013) ......................................................................................................... (i) AgRg no Ag 1415293/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2012, DJe 21/09/2012; (ii) AgRg no REsp 1535048/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/09/2015, DJe 21/09/2015; (iii) AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011; (iv) AgRg no Ag 1392703/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 14/06/2011 Logo, muito embora o art. 30, inc. IX, da Lei 8.212/1991, preveja a existência de solidariedade entre as empresas que integram o mesmo grupo econômico, interpretase tal dispositivo em conformidade com o art. 124, inc. I, do Código Tributário Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.205 21 Nacional, que requer um plus para a efetiva existência de solidariedade, a saber: o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A solidariedade (ou a responsabilidade, conforme o caso) pressupõe a regra matriz de incidência, bem como a regra matriz de solidariedade (ou responsabilidade), cada uma com seus pressupostos fáticos e seus sujeitos próprios (contribuintes e contribuintes solidários). O simples fato de as pessoas jurídicas integrarem o grupo econômico encabeçado pela AMBEV não significa que elas tenham realizado os fatos geradores. A contrario sensu, muito provavelmente elas estavam e estão totalmente alheias aos fatos jurídicos que ensejaram as contribuições lançadas na presente NFLD. Outrossim, a existência de grupo econômico também não permite inferir qualquer presunção de realização em comum do fato imponível, sendo imprescindível, pois, a demonstração, pela autoridade lançadora, da circunstância jurídica prevista no art. 124, inc. I, do Código. Não se pode ignorar o princípio da autonomia patrimonial das pessoas jurídicas, que inspirou, exemplificativamente, os arts. 1024 e 1052 do Código Civil brasileiro. Em sendo assim, e na medida em que a notificação baseouse apenas no comando do art. 30, inc. IX, da Lei 8212/91, deve ser dado provimento aos recursos das contribuintes solidárias, para reconhecer a sua ilegitimidade passiva. 5 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer, rejeitar a preliminar de decadência e dar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Acompanho o Relator quanto à preliminar de decadência, porém, com a maxima venia, divirjo quanto à inexistência de cessão de mão de obra e quanto à inexistência de solidariedade entre as empresas integrantes do grupo econômico. Da cessão de mão de obra Antes de considerações outras, gostaríamos de transcrever, primeiramente, o seguinte trecho do voto do Relator: A autoridade administrativa, após transcrever diversos dispositivos legais e infralegais acerca da cessão de mão de obra, concluiu que "o item 2.2. do contrato, determina que a Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.206 22 empresa prestadora de serviços deve 'manter uma equipe especializada, dimensionada e supervisionada', para atendimento da contratante na manutenção dos serviços contratados, ficando assim configurada a cessão de mão de obra, nos moldes do artigo 143 da INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP no 03". Sem nem mesmo ter afirmado em qual hipótese do § 2º do art. 219 do Regulamento subsumirseia o serviço em questão, o agente autuante, de forma genérica, e arvorandose num excerto isolado do contrato, concluiu que teria havido cessão de mão de obra. Como se vê, na ótica do Relator, a autoridade tributária teria firmado seu convencimento apenas no item 2.2 do contrato de prestação de serviços, e sem afirmar em qual hipótese do § 2º, do art. 219, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 6/5/99, estaria enquadrado o serviço prestado. Contudo, não é o que se observa no relatório fiscal, fls. 101 a 114, segundo se extrai dos seguintes excertos: 11. Da Retenção [...] INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP n° 03, DE 14 DE JULHO DE 2005: [...] Art. 146. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra, observado o disposto no art. 176, os serviços de: [...] XXI promoção de vendas ou de eventos, que tenham por finalidade colocar em evidência as qualidades de produtos ou a realização de shows, de feiras, de convenções, de rodeios, de festas ou de jogos; [...] 12.4. Os serviços contratados foram prestados durante o período fiscalizado de 07/2002 a 09/2006; o objeto do contrato, conforme item 1.1 do mesmo, é a "prestação de serviços de planejamento, gerenciamento e EXECUÇÃO de programa promocional"; o item 2.2. do contrato, determina que a empresa prestadora de serviços deve "manter uma equipe especializada, dimensionada e supervisionada", para atendimento da contratante na manutenção dos serviços contratados, ficando assim configurada a cessão de mão de obra, nos moldes do artigo 143 da INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP nº 03. (Grifo nosso) Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.207 23 Da transcrição acima, constatase que a fiscalização tomou por base, na caracterização da cessão de mão de obra, não apenas o item 2.2 do contrato de prestação de serviços, fls. 123 a 133, mas também o item 1.1, os quais assim estabelecem: 1.1. O objeto do presente Contrato é a prestação de serviços de planejamento, gerenciamento e execução do programa da CONTRATANTE denominado Tô "Contigo", conforme descrição e condições definidas no Anexo I a este instrumento, doravante denominados "Serviços". 2.2. Manter uma equipe especializada, dimensionada e supervisionada a fim de atender a demanda dos Serviços ora contratados. Ademais, ao mencionar a legislação de regência do lançamento, além de relacionar dispositivos da Lei 8.212, de 24/7/91, e do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 6/5/99, o item 11 do relatório fiscal traz, especificamente, o dispositivo da Instrução Normativa SRP/ nº 3, de 14/7/05, que dispõe sobre a retenção de 11%, nos serviços relacionados à promoção de vendas, o que afasta qualquer alegação de falta de indicação da hipótese legal. Em seu recurso voluntário, fls. 834 a 854, buscando desqualificar a cessão de mão de obra, a Recorrente alega que a empresa contratada não teria prestado os serviços nas dependências da contratante e nem nas dependências de terceiros, conforme se observa no seguinte trecho da peça defensiva, fl. 843: Assim, verificase que apesar do contrato firmado entre a Recorrente e a empresa Zicard ter como objeto a prestação de serviços, esta não implica na cessão de mãodeobra à Recorrente, tendo em vista não atuarem os segurados da empresa prestadora de forma preponderante nem nos estabelecimentos de terceiros indicados vela Recorrente, denominados PDV's, nem tão pouco alocados no estabelecimento da Recorrente. (Grifo nosso) Acontece que além dessa alegação da Recorrente não estar amparada em provas, o texto empregado no recurso utiliza a expressão "de forma preponderante", o que leva a concluir que houve, sim, de fato, a prestação de serviço nas dependências da contratante ou nas dependências de terceiros (PDVs). Acrescentese, ainda, que o serviço prestado diz respeito à promoção de vendas, segundo se infere do contrato firmado e das alegações recusais, constando no contrato, expressamente, que os serviços contatados diriam respeito não só a gerenciamento, mas também a planejamento e execução do serviço contratado. Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, e, portanto, cumpria à Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6/3/72), o que não aconteceu no presente caso. Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.208 24 Diante desse quadro, temse que a Recorrente não logrou êxito em afastar os pressupostos de fato do lançamento quanto à cessão de mão de obra, razão pela qual mantemos a decisão de primeira instância quanto a esse ponto. Da solidariedade O Relator acatou as alegações recursais quanto à solidariedade, sob o argumento de que o art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/91, deveria ser interpretado em conformidade com o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), e, dessa forma, em seu entendimento, caberia à fiscalização demonstrar a existência do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, porém, não entendemos assim. Vejamos o que dispõe o citado dispositivo da Lei 8.212/91: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Da exegese do inciso IX, transcrito acima, temse claro que a solidariedade, em matéria previdenciária, é objetiva em relação a grupo econômico, independendo da demonstração ou não de interesse comum na situação que constitua o fato gerador, o que confere maior garantia e proteção aos créditos previdenciários, sendo esta, inclusive, a lógica por traz desse comando legal. Dessa forma, à luz do CTN, a solidariedade, em questão, encontra abrigo em seu art. 124, inciso II, em não em seu inciso I. Vejamos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (Grifo nosso) De qualquer modo, tratandose de grupo econômico, é inconcebível imaginar que alguma empresa do grupo possa não ter interesse econômicofinanceiro nas atividades das demais empresas, pois é justamente a existência de interesse comum que vincula as empresas integrantes de grupo econômico. Sendo assim, em nosso entendimento, a Companhia de Bebidas das Américas AMBEV e suas empresas controladas são sim solidárias pelas contribuições discutidas no presente processo. Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.209 25 Das questões não apreciadas pelo Relator Uma vez superadas as alegações quanto à cessão de mão de obra e quanto à solidariedade, faremos a análise das demais alegações constantes do recurso voluntário e que não foram apreciadas pelo Relator. Da alegada distorção da base de cálculo Segundo a Recorrente, a apuração do crédito lançado estaria distorcida, em função da inclusão, na base de cálculo, de valores correspondentes a custos de materiais, objeto apenas de reembolso pela empresa prestadora, e que não corresponderiam ao efetivo valor da prestação de serviços realizada. Pois bem, tendo em vista que a Recorrente repete, nesse item da defesa, as alegações da sua impugnação, sem trazer qualquer razão nova, transcreveremos no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordamos e adotamos: Ao contrário do que afirma a Impugnante, os critérios adotados pela fiscalização na apuração da base de cálculo para a retenção de 11%, na presente NFLD, estão calcados nas normas legais vigentes. O artigo 219, parágrafo 7°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, citado pela própria Impugnante, dispõe que qualquer redução da base de cálculo deve estar prevista contratualmente e devidamente comprovada: Art.219. [...] [...] § 7º Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. Assim, a redução da base de cálculo somente é permitida se prevista em contrato, observandose as seguintes hipóteses: i) valores previstos em contrato e discriminados na nota fiscal; ii) contrato prevê a utilização do material ou equipamento, mas não fixa o valor destes; iii) contrato não prevê o uso de equipamento, entretanto este é inerente ao serviço. Este último caso trata de situações especificas em que somente uma análise do contrato poderá dizer sobre a imprescindibilidade do uso do equipamento (p.ex. terraplenagem, pavimentação, etc.), e ainda, assim, o valor do equipamento deve estar discriminado na fiscal em conformidade com os percentuais definidos. Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.210 26 No presente caso, não há, no Contrato de Prestação de Serviços, previsão de utilização de material ou equipamento, bem como não há discriminação de material ou equipamento nas Notas Fiscais/Faturas de Prestação de Serviços, a teor dos documentos juntados pela fiscalização (Contrato, fls. 122/132), e pela Impugnante (Notas Fiscais, Anexo IV). Assim sendo, não há previsão legal para a redução da base de cálculo apurada, na NFLD em tela. Ressaltese que a atividade da autoridade administrativa deve observar o disposto no artigo 116, inciso III da Lei n.° 8.112, de 11/12/1990, a seguir transcrito. Art. 116. São deveres do servidor: [...] III observar as normas legais e regulamentares; [...] Por todo o exposto, a fiscalização cumpriu estritamente as disposições legais vigentes, e cabe ressaltar que se trata de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, não havendo que se falar em cancelamento / improcedência da NFLD em epígrafe, nem em redução da base de cálculo. (Grifos na decisão de primeira instância) Do pedido de diligência A Recorrente apenas reitera, nesse item de seu recurso, o pedido de diligência formulado em sua impugnação, nos seguintes termos: Considerando a distorção na apuração na base de cálculo utilizado para o cômputo do crédito tributário impugnado, bem como ainda em função da eventual apuração fiscal relacionada à regularidade da empresa prestadora de serviços desenvolvida no tópico anterior, a Recorrente reitera o pedido formulado na Impugnação para que seja convertido o julgamento do presente recurso em diligencia, de modo constatarse a alegação da Recorrente de que a prestadora de serviço regularmente apurou e recolheu as contribuições previdenciárias sobre a folha de salários correlata, reiterandose, nesse aspecto, os quesitos formulados em Impugnação, a serem respondidos em diligência fiscal. Portanto, do mesmo modo que no tópico anterior deste voto, reproduziremos a decisão de primeira instância, com a qual concordamos e mantemos: Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.211 27 A respeito da realização de diligências, reza o artigo 18, caput, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.748, de 09/12/1993, a seguir transcrito: Decreto n° 70.235/72 [...] Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no artigo 28, "in fine". [...] Em suma, a realização de diligências ou perícias tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento e, portanto, tais procedimento visam formação de convicção do julgador. Destaquese que não é o caso do presente processo, posto que o crédito aqui tratado encontrase devidamente constituído e fundamentado, conforme demonstrado, sendo que os quesitos formulados pela Defendente já foram exaustivamente analisados e rebatidos: Quesitos 1 e 2: O presente lançamento de crédito não trata de responsabilidade subsidiária da empresa contratante o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9711/98, lhe atribui a responsabilidade principal: a retenção e o recolhimento de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, emitidas pelas empresas contratadas, é uma obrigação pura da empresa contratante. Ainda que a prestadora de serviço possa ter recolhido todas as contribuições sobre sua folha de salários, temse que tal situação não interfere na exatidão do presente lançamento. É que a Lei no 9711/98, ao instituir o sistema de arrecadação mediante a retenção de 11% sobre as notas fiscais/faturas de prestação de serviço por cessão de mãodeobra, afastou a responsabilidade da empresa cedente de mãodeobra por este recolhimento, pelo que irrelevante ao presente processo qualquer tentativa de demonstrar a regularidade da empresa prestadora Zicard Vieira Gerenciamento Promocional Ltda. Ademais, a retenção sempre se presume feita pelo tomador, oportuna e regularmente, não lhe sendo licito alegar qualquer omissão para se eximir da obrigação, permanecendo responsável pelo recolhimento das Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.212 28 importâncias que deixar de reter, nos termos do artigo 33, parágrafo 5°, da Lei n° 8212/91. Quesito 3: Inicialmente, destaquese que, conforme item 12.1 do Relatório Fiscal, já transcrito anteriormente, o Contribuinte foi devidamente intimado a apresentar todas as notas fiscais de prestação de serviço, contratos de prestação de serviço, lançamentos contábeis, comprovantes de recolhimento das retenções e demais documentos, através dos seguintes TIAD's: datado de 27/03/2007, com ciência em 30/03/2007; de 03/07/2007, com ciência em 06/07/2007; e de 07/08/2007, com ciência em 10/08/2007 (fls. 57/85, 88, e 90). No entanto, foram apresentados apenas parte dos documentos, motivo pelo qual foi lavrado o Auto de Infração n° 37.108.3079, por infração ao artigo 32, inciso III da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, c/c artigo 225, inciso III do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999. O Anexo I do referido Auto de Infração relaciona as Notas Fiscais prestadora Zicard, solicitadas e não apresentadas (cópia juntada às fls.253 a 276). Portanto, fica claro que o Contribuinte não cumpriu com seu dever de informação para com o fisco, pois não apresentou o total da documentação e informações requisitadas e necessárias, para todas as confrontações cabíveis. Entretanto, ainda que todas as Notas Fiscais tivessem sido apresentadas, não haveria alteração das bases de cálculo utilizadas (valor bruto das Notas Fiscais/Faturas), uma vez que, nos termos do artigo 219, parágrafo 7°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, citado pela própria Impugnante, qualquer redução da base de cálculo deve estar prevista contratualmente e devidamente comprovada. Como já exposto, no presente caso, não há previsão legal para a redução da base de cálculo apurada, visto que, no Contrato de Prestação de Serviços, não há previsão de utilização de material ou equipamento, bem como não há discriminação de material ou equipamento nas Notas Fiscais/Faturas de Prestação de Serviços, a teor dos documentos juntados pela fiscalização (Contrato, fls. 122/132), e pela Impugnante (Notas Fiscais, Anexo IV). Registrese que é justamente nesta fase do processo administrativo que a interessada deve exercer o seu direito de ampla defesa, ocasião em que deve comprovar suas alegações. A Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 10830.009682/200781 Acórdão n.º 2402006.655 S2C4T2 Fl. 1.213 29 interessada não trouxe aos autos nenhum novo documento/alegação, que pudesse alterar o feito fiscal. A. vista dos fatos, entendo que o processo está instruído, e o julgamento prescinde de outras verificações, motivo pelo qual voto pela rejeição do pedido de realização de diligência. Portanto, o pedido de diligência será indeferido, nos termos do artigo 18, "caput", do Decreto n° 70.235/72, D.O.U. 07/03/72 e alterações posteriores. Da alegada inexistência de corresponsabilidade dos representantes legais Mesmo a decisão de primeira instância tendo esclarecido que os diretores foram apenas relacionados no Relatório de Representantes Legais (REPLEG), fl. 50, e que não fazem parte do polo passivo, a Recorrente reitera, em seu recurso, as alegações da sua impugnação contra esse relatório. Dessa forma, trazemos, da decisão a quo, os seguintes esclarecimentos: O Relatório "REPLEG" serve apenas como subsídio à Procuradoria, caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência de responsabilidade tributária prevista na legislação. Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsidio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores em lugar da própria Contribuinte. [...] Em suma: o registro dos diretores no anexo "REPLEG" apenas identifica tais representantes e o período de sua atuação. Não há qualquer responsabilização imediata destes, nem lhes causa restrições ou prejuízo. É, somente, o fiel retrato da composição administrativa para o período do lançamento de credito, dados estes que somente serão de essencial valia quando da execução fiscal, nos termos dos dispositivos legais citados. Portanto, quanto ao REPLEG, não vemos a necessidade de qualquer retoque na decisão de primeira instância. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.725905/2013-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009
MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE.
Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-005.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10830.725904/2013-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10830.725904/2013-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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Recorrente PURIMAX INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE. Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10830.725904/201355, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 59 05 /2 01 3- 08 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10830.725905/201308 Acórdão n.º 3302005.910 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Processo Administrativo por meio do qual discutese a incidência de multa por atraso na entrega da DACON, prevista no art. 7º, da lei nº 10.426/2002, com redação dada pela Lei n. 11.051 de 2004. No caso concreto não há qualquer controvérsia acerca da ocorrência, no mundo fenomênico, do fato jurídico consistente no atraso da referida DACON. A Recorrente insurgese tão somente em relação ao montante exigido que, segundo ela seria excessivo e, por tal motivo violaria o postulado normativo da razoabilidade e da proporcionalidade, infringindo a norma constitucional que veda o confisco. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 12076.180. A Recorrente insurgiuse por meio de Recurso Voluntário no qual reitera os argumentos contidos na sua impugnação, merecendo destaque a razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco, trazendo relevantes julgados e doutrinas que embasam o seus argumentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.906, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.725904/201355, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.906): "O Recurso Voluntário é tempestivo e revestese dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A Recorrente reconhece que descumpriu a legislação que estabelece o prazo para entrega da DACON de que trata o Auto de Infração, limitandose a discutir a razoabilidade, proporcionalidade e confiscatoriedade da norma que estabelece a multa que lhe foi aplicada. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10830.725905/201308 Acórdão n.º 3302005.910 S3C3T2 Fl. 4 3 Os argumentos trazido pela Recorrente remontam à discussão suscitada por Daniel Webster durante o julgamento do caso McCulloch v. Maryland, perante a Suprema Corte NorteAmericana no já distante ano de 1819, e que foi a razão de decidir de ninguém menos que o seu Presidente John Marshall, que praticamente duzentos anos atrás afirmou que o poder de tributar envolve o poder de destruir e que até hoje ecoa no Supremo Tribunal Brasileiro, como bem ilustram interessantes julgados trazidos pela própria Recorrente. Contudo, por força da Súmula CARF n. 02, este Colegiado não é o foro específico para a discussão acerca de eventual inconstitucionalidade de legislação em vigor, merecendo destaque o fato de que a referida Súmula é de observância obrigatória, o que veda a análise da matéria no âmbito do CARF. Por tal motivo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001077/2005-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal
DIF-PAPEL IMUNE. MULTA PELA ENTREGA INTEMPESTIVA DA DECLARAÇÃO.
A apresentação intempestiva da DIF-PAPEL IMUNE enseja a aplicação de multa, ainda que o Contribuinte não tenha operado com papel imune
Numero da decisão: 3001-000.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal DIF-PAPEL IMUNE. MULTA PELA ENTREGA INTEMPESTIVA DA DECLARAÇÃO. A apresentação intempestiva da DIF-PAPEL IMUNE enseja a aplicação de multa, ainda que o Contribuinte não tenha operado com papel imune
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-11-10T04:32:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-11-10T04:32:07Z; Last-Modified: 2018-11-10T04:32:07Z; dcterms:modified: 2018-11-10T04:32:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:1157ed31-664c-43cb-83ff-ce51f0a372a3; Last-Save-Date: 2018-11-10T04:32:07Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-11-10T04:32:07Z; meta:save-date: 2018-11-10T04:32:07Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-11-10T04:32:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-11-10T04:32:07Z; created: 2018-11-10T04:32:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2018-11-10T04:32:07Z; pdf:charsPerPage: 1275; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-11-10T04:32:07Z | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001077/200548 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.527 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 16 de outubro de 2018 Matéria IMUNIDADE PAPEL ENTREGA INTEMPESTIVA DE DIF Recorrente KIGRAF GRÁFICA E EDITORA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal DIFPAPEL IMUNE. MULTA PELA ENTREGA INTEMPESTIVA DA DECLARAÇÃO. A apresentação intempestiva da DIFPAPEL IMUNE enseja a aplicação de multa, ainda que o Contribuinte não tenha operado com papel imune Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 77 /2 00 5- 48 Fl. 180DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Em 13/01/2005, o Contribuinte recebeu termo de intimação fiscal, com a finalidade de regularia a situação fiscal em relação à entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune), de que trata a Instrução Normativa SRF nº 71, de 24 de agosto de 2001, alterada pela Instrução Normativa n° 101, de 21 de dezembro de 2001, relativa aos 3° trimestre 2002, 4° trimestre 2002, 1º trimestre 2003, 3° trimestre 2003, 4° trimestre 2003, 1° trimestre 2004 e 2° trimestre 2004 (fls. 05). O Contribuinte apresentou Defesa Administrativa. Argumentou que obteve informação da Associação das Gráficas (ABIGRAF REGIONAL DE SAO PAULO), que as gráficas deveriam fazer um novo cadastro na Receita Federal (PAPEL IMUNE), para obter algumas vantagens tributarias, então a empresa acima que é uma MICRO EMPRESA e não trabalha com PAPEL IMUNE, diante de uma informação genérica cadastrouse de forma equivocada não levando em consideração que não necessita de tal registro para operar na atividade de gráfica, e que não tem estrutura física para trabalhar com PAPEL IMUNE. Durante todo o período após tal cadastro tentou obter informação junto a própria Receita Federal por diversas vezes, se deveria ou não entregar a declaração DIFPAPEL IMUNE, uma vez que seu processo não estava deferido, e consequentemente não tinha número de REGISTRO ESPECIAL PAPEL IMUNE, fato este que impediu a entrega da devida declaração. No dia 06/01/2005 foi efetuado pesquisa no sistema consulta a processos na página da Receita Federal e consta que ainda este processo está em andamento, ou seja, não foi deferido, encontrandose parado no setor DIV PROG AVAL CONT ATIV FISCAL — DEFICSP. Recebeu informação da Receita Federal de que deveria proceder o cancelamento do registro, dada a completa inutilidade para o Contribuinte que não trabalha e nunca trabalhou com Papel Imune (fls. 0709). Em 11/05/2005, o Contribuinte foi notificado no Auto de Infração. Nele o Auditor Fiscal reconheceu expressamente que o Contribuinte regularizou a apresentação da DIFPapel Imune e aplicou multa pelo atraso na entrega das declarações no importe de R$ 640.000,00. (fls. 3340). O Contribuinte apresentou Impugnação, na qual reitera a condição de MICRO EMPRESA e que nunca operou com papel imune e, por falta de informação clara, realizou, em 28/12/2001 (fls. 54), o requerimento de autorização por ter sido informado genericamente pela ABIGRAF (associação das gráficas) que tal cadastro lhe renderia benefícios fiscais. Esclarece que tentou, sem sucesso, diversas vezes obter informações sobre o deferimento do benefício. Recebeu informação da Receita Federal que o deferimento dependeria de prévia diligência. Apenas tomou conhecimento do deferimento em 2005, quando lhe foi informado que a norma sobre a matéria foi alterada e não mais era necessária diligência, motivo por que, diante da nova norma, o benefício lhe foi deferido. Requer a procedência da impugnação para tornar insubsistente o auto de infração ou aplicar multa máxima no valor de R$ 500,00, sob pena de a multa configurar confisco (fls. 5053). Fl. 181DF CARF MF Processo nº 19515.001077/200548 Acórdão n.º 3001000.527 S3C0T1 Fl. 3 3 A Terceira Turma de Julgamento da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, para reduzir o crédito tributário (MULTA) de R$ 640.000,00 para R$ 17.500,00 (fls. 135145). Eis a reprodução da ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004 INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL DE PAPEL IMUNE. CIÊNCIA. EFEITOS. Os efeitos da inscrição no Registro Especial de papel imune produzemse a partir da publicidade da sua concessão, por intermédio de Ato Declaratório Executivo (ADE) publicado no Diário Oficial da União (DOU), na forma do § 1° do art. 2° da IN SRF N°71/2001. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL DE PAPEL IMUNE. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS. CONDIÇÃO REVOGADA. A partir da IN SRF n° 101, de_ 21/12/2001, o deferimento do pedido de inscrição no registro especial não está mais condicionado à prévia realização de diligências no estabelecimento do requerente. DIFPAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIFPapel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. INTEGRAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. ANALOGIA. DISPOSIÇÃO EXPRESSA. 0 uso da analogia, por ocasião da integração da legislação tributária, só pode ocorrer na ausência de expressa disposição normativa acerca da matéria fiscalizada. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 182DF CARF MF 4 Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento. Lançamento Procedente em Parte Como fundamento do acórdão, a Turma aduziu o seguinte: (i) a obrigatoriedade de entrega das DIFPapel Imune decorre do simples fato de o sujeito passivo estar devidamente inscrito no Registro Especial de que trata o art. 1° da mesma IN SRF n° 71/2001; (ii) a obrigatoriedade de entrega não depende da realização de operações com o papel imune, a teor do art. 2º, parágrafo único, da IN SRF nº 159/2002; (iii) quanto ao protesto pela concessão indevida da sua inscrição no registro especial, uma vez que não foi observado o devido processo legal porque não foram realizadas as diligências que a norma prescreve, também a este respeito não assiste razão à impugnante. Isto porque a necessidade das referidas diligências foi expressamente revogada pela IN SRF n° 101, de 21/12/2001, norma que alterou a redação de alguns artigos da IN SRF n° 71/2001 (fl. 138); (iv) como as declarações foram entregues após intimação fiscal, não há que se conceder a redução de 50%, prevista para o caso de procedimento espontâneo; e, (v) as multas aplicadas em face da entrega intempestiva de cada uma das 7 declarações deve ter seu montante reduzido para R$ 2.500,00 por obrigação descumprida, totalizando R$ 17.500,00. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância, conforme AR expedido dia 01.06.2013 (fl. 152) e recebido pelo sujeito passivo no dia 01/07/2013 (fls. 153), o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário de fls. 154156, em 29/07/2013 (fls. 154). Alega em síntese: 1 Repete as alegações tecidas na Impugnação, isto é, afirma que está instituído sob a forma de MICRO EMPRESA e que nunca operou com papel imune e, por falta de informação clara, realizou, em 28/12/2001, o requerimento de autorização por ter sido informado genericamente pela ABIGRAF (associação das gráficas) que tal cadastro lhe renderia benefícios fiscais. Esclarece que tentou, sem sucesso, diversas vezes obter informações sobre o deferimento do benefício. Recebeu informação da Receita Federal que o deferimento dependeria de prévia diligência. Apenas tomou conhecimento do deferimento em 2005, quando lhe foi informado que a norma sobre a matéria foi alterada e não mais era necessária diligência, motivo por que, diante da nova norma, o benefício lhe foi deferido. 2 Argui preliminar de prescrição intercorrente; 3 – Sustenta que a Receita Federal não observou o princípio da eficiência (art. 37 da CRFB), o que lhe impediu de receber informações claras sobre o andamento do requerimento formulado; 4 – A alteração da IN 71, de 24 de agosto de 2001, por meio da IN SRF 101 de 21/12/2001 também foi outra situação que levou a empresa ao erro, pois considerou que o deferimento só ocorreria depois de diligência, que nunca ocorreu; 5 – Afirma que pequenas empresas não monitoram diariamente o Diário Oficial; 6 – Pondera que não é justo uma pequena empresa pagar uma multa de R$ 17.500,00 7 – Requer, ao final, o provimento do recurso para “cancelar o débito fiscal” É O RELATÓRIO. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 19515.001077/200548 Acórdão n.º 3001000.527 S3C0T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Conforme relatado, tratase de recurso voluntário interposto por KI GRAF GRÁFICA E EDITORA ME em face do Acórdão nº 1425.116, proferido pela 3ª Turma da DRJ/RPO, em 09.07.2009. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância (fls. 149), conforme AR recebido pelo sujeito passivo em 01.07.2013 (fls. 153), o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 29.07.2013 (fls. 154), subscrito pelo sócioadministrador LUIZ ANTÔNIO VAZ FERREIRA, e, atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Em síntese, a Primeira Instância considerou parcialmente procedente o lançamento consubstanciado no referido Auto de Infração, para exigir a multa regulamentar no valor de R$ 17.500,00. Cingese a controvérsia recursal em verificar a aplicação da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, bem como verificar qual seria a versão da norma de obtenção do benefício atinente ao Papel Imune, de modo a potencialmente afastar a aplicação da multa cominada. Quanto à PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE, a matéria não merece maiores digressões, diante da edição da Súmula CARF nº 11, segundo a qual “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Registrese que se trata de aplicação vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018. Quanto à APLICAÇÃO DA MULTA, também melhor sorte não resta ao Contribuinte. Em primeiro lugar, esclareçase que o propalado requerimento de obtenção dos benefícios fiscais pelo uso de Papel Imune foi protocolizado em 28/12/2001, conforme se comprova a consulta eletrônica anexada aos autos pelo próprio Contribuinte (fls. 54). Ocorre que o requisito de obrigatória diligência para o deferimento vigeu até 21/12/2001, isto é, antes mesmo de o Contribuinte formular o requerimento, motivo por que sequer há questionamento válido a respeito de qualquer norma seria aplicável. Registrese, ainda, que em momento algum o Contribuinte questionou o momento do deferimento do benefício, a partir do qual se tornou obrigatória a apresentação periódica da declaração DIFPapel Imune. Vide transcrição da IN 71/2001 nos aspectos que importam ao exame: Art. 1º Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1º do Decretolei Nº 1.593, de 21 de dezembro Fl. 184DF CARF MF 6 de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. Art. 2º O registro especial será concedido pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal (DRF) ou Inspetor da Inspetoria da Receita Federal de Classe "A" (IRF Classe "A"), em cuja jurisdição estiver localizado o estabelecimento, mediante expedição de Ato Declaratório Executivo (ADE), a requerimento da pessoa jurídica interessada, que deverá atender aos seguintes requisitos: (...) § 1º O ADE de que trata o caput será publicado no Diário Oficial da União (DOU), identificando o número de registro especial, mediante numeração específica. Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1º. Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, caracteriza a situação prevista no inciso II do art. 7º, sem prejuízo da aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória Nº 2.15834, de 27 de julho de 2001. Atualmente, a matéria está regulamentada pela Instrução Normativa RFB nº 1817, de 20 de julho de 2018, que também não socorre a pretensão recursal do Contribuinte, pois igualmente prevê a cominação de multa pela não entrega da declaração, inclusive para micro e pequenas empresas, vide art. 17: Art. 17. A nãoapresentação da DIFPapel Imune nos prazos previstos no art. 16 sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: (...) II multa de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), em caso de micro e pequenas empresas, e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais pessoas jurídicas, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Nesse sentido, milita de modo uniforme a jurisprudência do CARF. Segue a reprodução ilustrativa de um precedente: Número do Processo: 19515.000552/200569 Tipo do Recurso: RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Fl. 185DF CARF MF Processo nº 19515.001077/200548 Acórdão n.º 3001000.527 S3C0T1 Fl. 5 7 Data da Sessão: 12/04/2018 Relator(a): RODRIGO DA COSTA POSSAS Nº Acórdão: 9303006.672 Ementa(s) Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. RETROATIVIDADE BENIGNA. VALOR ÚNICO, POR DECLARAÇÃO. É cabível a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da chamada DIFPapel Imune, prevista no art. 12 da IN/SRF nº 71/2001, pois este encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99. Mas, por força da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Assim, com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mêscalendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/2001. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11891.000290/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/11/2005
LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA
O art. 63 da Lei 9.430/96 permite e determina o lançamento para prevenção de decadência, assim como a Súmula 48 do Carf.
MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA
A matéria submetida ao Poder Judiciário não deve ser apreciada pelas instâncias administrativas. Aplicação da Súmula Carf nº 1.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/11/2005
LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. DEPÓSITOS JUDICIAIS.
O lançamento de ofício para prevenção de decadência não deve ser feito com juros de mora, caso existam depósitos judiciais no montante integral. Aplicação da Súmula Carf nº 5.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e na Parte Conhecida, Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-004.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à imunidade ou isenção de PIS e Cofins-importação do sujeito passivo, por concomitância de matéria nas esferas judicial e administrativa, e, no mérito, na parte conhecida, acordam em dar-lhe provimento parcial, para exonerar do lançamento os juros de mora.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 08/11/2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA O art. 63 da Lei 9.430/96 permite e determina o lançamento para prevenção de decadência, assim como a Súmula 48 do Carf. MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA A matéria submetida ao Poder Judiciário não deve ser apreciada pelas instâncias administrativas. Aplicação da Súmula Carf nº 1. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 08/11/2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. DEPÓSITOS JUDICIAIS. O lançamento de ofício para prevenção de decadência não deve ser feito com juros de mora, caso existam depósitos judiciais no montante integral. Aplicação da Súmula Carf nº 5. Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e na Parte Conhecida, Provido em Parte.
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RAD. PAULISTA CLÍNICA DE DIAGNÓSTICO POR IMAGEM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/11/2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA O art. 63 da Lei 9.430/96 permite e determina o lançamento para prevenção de decadência, assim como a Súmula 48 do Carf. MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA A matéria submetida ao Poder Judiciário não deve ser apreciada pelas instâncias administrativas. Aplicação da Súmula Carf nº 1. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/11/2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. DEPÓSITOS JUDICIAIS. O lançamento de ofício para prevenção de decadência não deve ser feito com juros de mora, caso existam depósitos judiciais no montante integral. Aplicação da Súmula Carf nº 5. Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e na Parte Conhecida, Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à imunidade ou isenção de PIS e Cofinsimportação do sujeito passivo, por concomitância de matéria nas esferas judicial e administrativa, e, no mérito, na parte conhecida, acordam em darlhe provimento parcial, para exonerar do lançamento os juros de mora. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 02 90 /2 00 7- 03 Fl. 254DF CARF MF 2 Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância administrativa: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 01/12, constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins Importação), e respectivos acréscimos legais, perfazendo, na data da autuação, um valor de R$ 81.181,88. Na descrição dos fatos, a fiscalização consignou: Falta de recolhimento em tempo legal de tributos na importação de mercadoria constante da Declaração de Importação n° 05/12095587, registrada em 08/11/2005. O contribuinte em epígrafe impetrou mandado de segurança preventivo na 14ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, processo judicial n° 2005.38.00.036396 2, objetivando medida liminar para que a autoridade impetrada proceda ao desembaraço de equipamento importado com suspensão da exigibilidade das contribuições COFINS e PIS relacionadas à importação. A liminar foi deferida parcialmente em 18/10/2005 somente para autorizar o depósito judicial das contribuições. No entanto, o importador não realizou o depósito judicial na data de registro da DI, que é a data de vencimento das contribuições, vindo a fazêlo somente em 10/11/2005. Em sentença, o Juízo extinguiu o processo judicial sem exame do mérito porque a impetrante, intimada, não regularizou sua representação processual. Referida sentença transitou em julgado em 20/04/2006. Tendo em vista a exclusão da espontaneidade do importador em consequência do início do despacho aduaneiro por meio do registro da Declaração de Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11891.000290/200703 Acórdão n.º 3201004.303 S3C2T1 Fl. 3 3 Importação (DI) no Siscomex em 08/11/2005, e não havendo liminar deferida preventivamente suspendendo a exigibilidade das contribuições, lavro o presente Auto de Infração para cobrança dos referidos tributos e seus acréscimos legais devidos. Cientificado, em 24/7/07, dos autos de infração por meio do Aviso de Recebimento (AR) de fl. 52, o interessado apresentou, em 21/8/07 a impugnação de fls. 53/70, onde, em síntese, afirma que: visando afastar a exigência da CofinsImportação e Pis/Pasep Importação, tributos notoriamente inconstitucionais, impetrou em 28/9/05 Mandado de Segurança (processo n° 2005.38.00.0363962). A liminar foi concedida parcialmente para que a mercadoria fosse desembaraçada, mediante o depósito judicial dos tributos discutidos, o que foi feito, sendo certo que a D. Autoridade Fiscal conferiu à época, a regularidade dos depósitos efetuados; em 5/4/06, foi publicada sentença extinguindo a ação sem julgamento do mérito, uma vez que a procuração juntada pela Impugnante estava irregular; apesar da extinção do Mandado de Segurança, dentro do prazo de 30 dias após a referida sentença, intentou nova ação no judiciário, "Ação declaratória de inexistência de relação jurídicatributária, cumulada com pedido de anulação de lançamento tributário" (processo n° 2006.61.00.0101105, pendente de julgamento); para a propositura da referida ação, a Impugnante se valeu dos depósitos judiciais já efetuados, solicitando ao Juízo do Mandado de Segurança a transferência dos valores, que, expressamente, deferiu o pedido da Impugnante, de tal forma que a exigibilidade do crédito discutido se encontra suspensa, nos termos do art. 151, II, do CTN; segundo o entendimento do fiscal, foi autuado por ter deixado de realizar "o depósito judicial na data de registro da DI, que é a data de vencimento das contribuições, vindo a fazêlo somente em 10.11.2005". Tal fato, entretanto, não pode servir para que o Fisco desconsidere o referido depósito, lançando o tributo como se o depósito não existisse. Daí a nulidade da autuação, pois o único valor passível de lançamento seria 0,99% de cada tributo, referente à multa pelo atraso de três dias em se realizar o depósito. Jamais poderia o fiscal lançar o tributo integralmente, como se nada tivesse sido depositado; considerandose os valores lançados das contribuições, o depósito judicial de cada contribuição, acrescido da multa de 0,99%, referente aos três dias de atraso, equivaleria a R$ 34.311,23 para a CofinsImportação e R$ 7.443,23 para o Pis/PasepImportação, entretanto depositou judicialmente, conforme documentação anexa R$ 34.725,58 e R$ 7.539,11, respectivamente, valores superiores aos devidos. Sendo assim, os Fl. 256DF CARF MF 4 depósitos judiciais foram suficientes à suspensão integral do crédito tributário exigido através do presente auto de infração e não há qualquer valor que possa ser objeto de autuação, já que os tributos estão com sua exigibilidade suspensa, em razão de seus depósitos integrais. No mérito, a impugnante argui que as contribuições são indevidas porque i) a CofinsImportação deveria ter sido instituída por Lei Complementar; ii) desrespeitam o conceito de valor aduaneiro, com um alargamento da base de cálculo, incorrendo em inconstitucionalidade; iii) ferem o princípio da isonomia e; iv) a Emenda Constitucional n° 42/03 só poderia fundamentar, se legítima fosse, a CofinsImportação, mas não a Pis/Pasepímportação, pois o Pis se encontra isolado no art. 239 da Constituição Federal. A DRJ/Fortaleza/CE – 5ª Turma, por meio do Acórdão 0824.998, de 27/02/2013, decidiu pela procedência parcial da Impugnação. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/11/2005 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 08/11/2005 DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO. VALIDADE. O depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, porém, não importa nulidade do lançamento de ofício realizado pela autoridade fiscal. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CARACTERIZAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. Considerase espontânea a denúncia apresentada após o desembaraço aduaneiro e antes do início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. A decisão recorrida exonerou a multa de ofício de 75%, por considerar que havia espontaneidade do contribuinte na data dos depósitos. Não houve Recurso de Ofício. No Recurso Voluntário, a empresa reforça os argumentos de defesa, principalmente quanto ao lançamento dos juros de mora. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11891.000290/200703 Acórdão n.º 3201004.303 S3C2T1 Fl. 4 5 É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo. O mérito da imunidade ou isenção, embora defendido no Recurso Voluntário, foi objeto de demanda judicial. Confirase o pedido na Ação declaratória (2006.61.00.010110 5, fl. 147 e ss.): “Por todo o exposto, requer a Autora: 1) seja julgada procedente a presenta ação, declarandose a inexistência de relação jurídicatributária que a obrigue a recolher PIS/COFINS – importação, em razão da importação do equipamento descrito na Licença de Importação– 0511475184, anulandose o lançamento dos tributos a ser efetuado pela Ré, haja vista a flagrante inconstitucionalidade das referidas exações; 2) caso não seja declarada in totum a inconstitucionalidade das exações,que seja determinada sua incidência apenas sobre o valor aduaneiro, nos termos da Emenda Constitucional nº 42/04, que lhes dá fundamento de validade.” A concomitância foi arguida pela decisão recorrida e não foi contestada. Portanto, inolvidável a concomitância de instâncias. Desse modo, o mérito não deve ser conhecido por esta Turma. Aplicação da Súmula Carf nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Não obstante a existência de concomitância, é dever do Fisco proceder ao lançamento para prevenção de decadência, cf. art. 63 da Lei 9.430/96, e Súmula Carf nº 48: Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício Fl. 258DF CARF MF 6 § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição Quanto à incidência de juros no lançamento, tem razão o sujeito passivo, porque, por ocasião do lançamento, já havia o depósito judicial integral das contribuições, que ocorreu depois do despacho aduaneiro e antes de qualquer outro procedimento de ofício, nos termos do artigo 102 do DL 37/66: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Com efeito, vejase a cronologia: Mandado de Segurança impetrado em 28/09/2005 – extinto sem exame de mérito em 2006; Registro da DI 08/11/2005; Depósitos judiciais integrais em 10/11/2005; Ação Anulatória em 2006; Data do primeiro ato de ofício posterior tendente a apurar a infração, 31/05/2007, fl. 29. Portanto, cabível a aplicação da espontaneidade, no caso. A decisão recorrida já aplicou o mesmo instituto, para exonerar o contribuinte da multa de ofício, de 75%, conforme relatado. No caso, cabe também a exoneração do lançamento dos juros de mora, por aplicação da Súmula Carf nº 5, porque o depósito foi em montante integral, inclusive com juros de mora: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Pelo exposto, voto por não conhecer do mérito quanto à imunidade ou isenção de Pis e Cofinsimportação do sujeito passivo, e na parte conhecida, voto por dar parcial provimento ao recurso, para exonerar do lançamento os juros de mora. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11891.000290/200703 Acórdão n.º 3201004.303 S3C2T1 Fl. 5 7 (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 260DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722545/2013-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
REMUNERAÇÃO À CONTROLADORA NO EXTERIOR PELO LICENCIAMENTO DE DIREITOS SOBRE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. INDEDUTIBILIDADE.
As remunerações pagas pela controlada à sua controladora no exterior, pelo licenciamento de direitos sobre programas de computador constituem royalties e são indedutíveis para efeito do Imposto de Renda.
PAGAMENTO DE ROYALTIES A SÓCIOS. INDEDUTIBILIDADE.
São indedutíveis os royalties pagos a quaisquer sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou ainda a dirigentes de empresas e a seus parentes ou dependentes.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA. NÃO CABIMENTO.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Numero da decisão: 9101-003.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, exceto em relação à ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício. No mérito, na parte conhecida, (i) quanto à dedutibilidade das despesas a título de pagamento com royalties, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Caio César Nader Quintella (suplente convocado), que lhe deram provimento e (ii) quanto à ilegalidade do artigo 353, I do RIR/99, por força da impossibilidade de aplicação das disposições a pagamentos efetuados a sócios pessoas jurídicas, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ROYALTIES. Recorrente SAP BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 REMUNERAÇÃO À CONTROLADORA NO EXTERIOR PELO LICENCIAMENTO DE DIREITOS SOBRE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. INDEDUTIBILIDADE. As remunerações pagas pela controlada à sua controladora no exterior, pelo licenciamento de direitos sobre programas de computador constituem royalties e são indedutíveis para efeito do Imposto de Renda. PAGAMENTO DE ROYALTIES A SÓCIOS. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis os royalties pagos a quaisquer sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou ainda a dirigentes de empresas e a seus parentes ou dependentes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA. NÃO CABIMENTO. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, exceto em relação à ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício. No mérito, na parte conhecida, (i) quanto à dedutibilidade das despesas a título de pagamento com royalties, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 25 45 /2 01 3- 21 Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 3 2 conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Caio César Nader Quintella (suplente convocado), que lhe deram provimento e (ii) quanto à ilegalidade do artigo 353, I do RIR/99, por força da impossibilidade de aplicação das disposições a pagamentos efetuados a sócios pessoas jurídicas, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial do contribuinte em epígrafe apresentado em face da decisão proferida no Acórdão nº 1301002.200 (fls. 1.640 e segs.), pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 14 de fevereiro de 2017, que decidiu, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O processo cuida de autos de infração para a constituição de créditos tributários de IRPJ e CSLL, cumulados com juros e multa, referentes aos anoscalendário de 2008 e 2009, apurados em decorrência de pagamentos efetuados pelo contribuinte a sua matriz no exterior, a empresas coligadas no exterior e, ainda, a algumas empresas independentes, com a seguinte imputação: a) royalties indedutíveis; b) despesas com assistência técnica, científica e administrativa indedutíveis. Com a ciência das autuações, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1.254), em que alegou, basicamente, que os pagamentos foram efetuados a título de direitos autorais e não como pagamentos de royalties, o que seria confirmado pela não averbação do contrato no INPI. Nesse contexto, aduz que a tecnologia dos programas é detida exclusivamente pela SAP AG, matriz alemã, e que não é objeto de transferência a nenhuma empresa no Brasil. Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 4 3 Aduz, ainda, em caráter preliminar, a ocorrência de decadência, e pugna pela plena dedutibilidade dos pagamentos a título de licenciamento de software (item 5 da autuação), assim como nos casos de prestação de serviços puros (itens 6 a 8 da autuação). Questiona, por fim, a incidência de juros sobre a multa de ofício e o caráter confiscatório das infrações. A 2a Turma da DRJ de Juiz de Fora julgou improcedente a impugnação (fls. 1.523), por unanimidade de votos. Com a ciência da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1.540), em que basicamente repetiu os argumentos da impugnação. Por seu turno, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 1.609), pugnando pela manutenção integral das autuações. Em 14 de fevereiro de 2017, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 DECADÊNCIA. O fato gerador do imposto de renda ocorre no último dia do período de apuração, isto é, no último dia do anocalendário. IRPJ. DEDUTIBILIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. São consideradas indedutíveis para fins fiscais as despesas cuja comprovação não esteja suportada em documentação hábil e idônea. IRPJ. DEDUTIBILIDADE. PAGAMENTO. SÓCIO. Não são dedutíveis para fins fiscais os pagamentos de royalties realizados a pessoa física ou jurídica, vinculadas societariamente a fonte pagadora. IRPJ. DEDUTIBILIDADE. As despesas com assistência técnica, científica, administrativa e semelhantes, de pessoa jurídica sediada no Brasil com sua controladora no exterior somente serão dedutíveis a empresa deverá obedecer todos os requisitos previstos na legislação. MULTA DE OFÍCIO. Não cabe ao CARF se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). JUROS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 5 4 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Contra a decisão o contribuinte opôs embargos (fls. 1.665), sob o fundamento de omissão e obscuridades no acórdão. Os embargos foram parcialmente admitidos, conforme despacho de fls. 1.679. Posteriormente, o contribuinte atravessou petição, alegando a ocorrência de fato superveniente, consistente na publicação da Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017, que teria reconhecido que a adição ao lucro líquido do "valor dos royalties e das importâncias pagas a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, que forem indedutíveis", não se aplica à CSLL. Em 15 de agosto de 2017, os embargos do contribuinte foram julgados e acolhidos, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão e a obscuridade apontadas. O contribuinte apresentou recurso especial (fls. 1.725), em que alegou dissídio jurisprudencial acerca dos seguintes pontos: (i) Licença de software direitos autorais x royalties: Como relatado anteriormente, em face do V. Acórdão Recorrido, a Recorrente opôs Embargos de Declaração visando sanar a omissão com relação à aplicação do artigo 353, inciso III, alínea “b” do RIR/99 ao presente caso, que trata da indedutibilidade dos royalties pagos ou creditados pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio. Isso porque, embora a Recorrente tenha claramente demonstrado que os valores pagos à matriz estrangeira pela licença de uso e distribuição do programa de computador têm caráter de direitos autorais pelo, o V. Acórdão Recorrido manteve a autuação fundada no dispositivo legal mencionado, que faz menção tão somente uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação e não aos direitos autorais. Reconhecida a omissão, o V. Acórdão n. 1301002.557 buscou justificar a manutenção do Auto de Infração sob o fundamento de que os valores pagos pela Recorrente seriam royalties pelo direito do uso da marca de sua matriz (“SAP”), eis que os clientes da Recorrente somente adquirem o produto por ela comercializado, isto é, o software, pela credibilidade criada pela empresa estrangeira. Dito de outra forma, o V. Acórdão n° 1301002.557 entendeu que a cessão da marca seria mais relevante do que o próprio programa de computador a ser distribuído. (...) Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 6 5 Assim, pelos argumentos expostos nos julgados acima e por aqueles expostos a seguir, é evidente que a remuneração paga ao exterior não seria contrapartida pela licença de uso de marca, tal como quer fazer crer o Acórdão 1301002.557, mas sim direitos autorais pagos ao autor pelo direito de comercializar a obra, entendida como uma mercadoria ou produto independentemente da existência de um suporte físico. (ii) Ilegalidade do artigo 353, I do RIR/99: Conforme já mencionado, V. Acórdão Recorrido manifestou o entendimento de que a remuneração por quaisquer direitos, inclusive o direito de distribuição, teria caráter de royalties, em que pese o artigo 22 da Lei n° 4.506/64 não mencionar o direito de distribuição expressamente. Ademais, a fundamentação do V. Acórdão Recorrido sugere que o artigo 353, I do RIR/99 não teria extrapolado a previsão do artigo 71, parágrafo único, alínea “d” da Lei n° 4.506/64, pois, em primeiro lugar, não caberia a aplicação de interpretação restritiva do dispositivo e, em segundo, o artigo da lei fez referência à figura do sócio, a qual compreende tanto os pagamentos efetuados a pessoas físicas quanto a pessoas jurídicas, tendo o artigo do RIR/99 somente explicitado a referência. Na visão da Recorrente, contudo, é evidente que a ilegalidade do artigo 353, I do RIR/99, eis que o artigo 71, parágrafo único, alínea “d” da Lei n° 4.506/64 trata de figuras que somente fazem sentido no universo das pessoas físicas, como dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes, buscando evitar práticas evasivas associadas à qualificação de outros rendimentos como royalties. Esse entendimento, inclusive, já foi manifestado pelo CARF quando da análise de situações muito similares: (...) (iii) Serviços enquadrados no artigo 354 do RIR/99 transferência de tecnologia: Ainda na visão do V. Acórdão Recorrido, os valores pagos ao exterior como remuneração dos serviços importados pela Recorrente não seriam dedutíveis, pois o Contrato de Prestação de Serviço de Software, embora previsse a prestação de serviços sem transferência de tecnologia não teria sido registrado perante o Banco Central do Brasil (“BACEN”) nos termos do artigo 1° da Circular 2.816/98, de modo que teriam sido descumpridos um dos requisitos exigidos pelo artigo 354 do RIR/99 para a dedutibilidade das despesas com o pagamento. Ademais, segundo o V. Acórdão Recorrido, o registro no Banco Central independeria do contrato sob o qual os serviços são providos envolver ou não a transferência de tecnologia, de forma que a importação de qualquer serviço técnico e assemelhado Fl. 2162DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 7 6 dependeria desse requisito para que a despesa fosse classificada como dedutível para fins fiscais. Essa interpretação, no entanto, além de confrontar diretamente com o texto legal do artigo 355, § 3° do RIR/99, também já foi afastada pelo E. CARF quando da análise de casos similares, tendo prevalecido o entendimento de que, em face de uma negativa de averbação do INPI por ausência de transferência de tecnologia prevista pelo contrato, seriam plenamente dedutíveis os valores pagos ao exterior: (...) (iv) (In)Aplicabilidade das regras de indedutibilidade à base de cálculo da CSLL: Finalmente, o V. Acórdão Recorrido definiu que a Recorrente não teria preenchido os requisitos necessário para que as despesas incorridas no pagamento ao exterior pelo direito de distribuição das licenças de uso de software e pelos serviços prestados por empresas relacionadas fossem dedutíveis da base de cálculo da CSLL. Evidentemente, o entendimento do V. Acórdão Recorrido é que as previsões dos artigos 352 a 355 se aplicam indistintamente à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ocorre que a própria Receita Federal do Brasil, ao editar a Instrução Normativa 1.700/17, já reconheceu que as regras de indedutibilidade de royalties, previstas nos artigos mencionados, não compõem a apuração da CSLL, eis que o Anexo 1 deixa claro que essas normas estão limitadas à formação da base de cálculo do IRPJ. (v) Incidência de juros de mora sobre multa de ofício: Por fim, o acórdão recorrido decidiu pela incidência de juros moratórios sobre os presentes lançamentos ficais à taxa Selic, inclusive sobre o valor da multa de ofício. O recurso especial do contribuinte foi objeto de análise pelo despacho de admissibilidade de fls. 2.040, que decidiu pelo seguimento parcial da peça aviada, para processamento das seguintes matérias: a) legalidade da dedutibilidade das despesas a título de pagamento com royalties; b) ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Inconformado com a decisão, o contribuinte apresentou agravo (fls. 2.083), com o objetivo de que todas as matérias questionadas no recurso especial fossem objeto de apreciação pela CSRF. O agravo foi julgado em 12 de março de 2018, em decisão que acolheu parcialmente a pretensão do contribuinte, nos seguintes termos: Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 8 7 REJEITO o agravo relativamente às matérias "a necessidade de transferência de tecnologia para aplicação das limitações previstas no artigo 354 do RIR/99"; e "a impossibilidade de aplicação das regras previstas nos artigos 353 a 355 do RIR/99 à apuração da base de cálculo da CSLL, nos termos do item 99 do Anexo I da Instrução Normativa RFB nº 1.700, de 14.3.2017" e confirmo a negativa de seguimento ao recurso especial nesta parte. ACOLHO o agravo e DOU seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "ilegalidade do artigo 353, I do RIR/99: impossibilidade de aplicação das disposições a pagamentos efetuados a sócios pessoas jurídicas, por ausência de respaldo no artigo 71, parágrafo único, alínea "d" da Lei n° 4.506/64, cuja redação alcança tão somente pagamentos efetuados a pessoas físicas". Com a ciência da decisão, a PGFN apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 2.131), questionando o conhecimento do recurso quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e pugnando pela improcedência das demais alegações formuladas pelo contribuinte. Posteriormente, em 12/09/2018, o contribuinte atravessou petição (fls.2147 215) em que alega fato novo e pede a aplicação do entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 117 ("A indedutibilidade de despesas com "royalties" prevista no art. 71, parágrafo único, alínea "d", da Lei nº 4.506, de 1964, não é aplicável à apuração da CSLL."), ressaltando que as Súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF e referindo o art. 45, inciso VI do RICARF. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Como visto, o recurso especial do contribuinte, num primeiro momento, foi admitido de forma parcial, com o seguimento de apenas duas matérias. Posteriormente, em sede de agravo, a presidência do CARF acolheu, também parcialmente, mais uma matéria questionada, de sorte que foram admitidas três questões: a) legalidade da dedutibilidade das despesas a título de pagamento com royalties; b) ilegalidade do artigo 353, I do RIR/99: impossibilidade de aplicação das disposições a pagamentos efetuados a sócios pessoas jurídicas, por ausência de respaldo no artigo Fl. 2164DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 9 8 71, parágrafo único, alínea "d" da Lei n° 4.506/64, cuja redação alcança tão somente pagamentos efetuados a pessoas físicas. c) ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício. A Fazenda Nacional, em contrarrazões, questionou, quanto ao conhecimento, a matéria relativa à incidência de juros sobre a multa de ofício, por entender que o contribuinte não indicou o dispositivo legal interpretado de forma divergente. Sem adentrar no mérito da questão, basta referir que, quanto a essa matéria foi aprovada súmula pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, durante reunião ocorrida em 3 de setembro de 2018, com texto que traduz os mesmos fundamentos da decisão recorrida: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Para fins de conhecimento recursal, deve ser observado o disposto no art. 67 do Anexo II do RICARF, que dispõe: § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. (grifouse) Nesse sentido, não se conhece do recurso do contribuinte quanto à "ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa". Sobre o pedido do contribuinte para aplicar o entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 117 para fins de afastar a cobrança da CSLL, cumpre esclarecer que não se aplica ao presente caso, uma vez que a matéria não foi admitida para julgamento por este colegiado, tendo em vista a negativa de seguimento do agravo quanto ao tema. Nessa hipótese, impõese a aplicação do §6º do art. 71 do Anexo II do RICARF: § 6º Será definitivo o despacho do Presidente da CSRF que negar ou der seguimento ao recurso especial, não sendo cabível pedido de reconsideração ou qualquer outro recurso. Para que haja manifestação sobre a matéria por algum conselheiro da CSRF é preciso que esteja estabelecida a competência do colegiado para decidir o litígio e, assim, se vincular a decisão à obrigatoriedade de aplicação de súmula, nos termos do RICARF: Art. 9º Cabe à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suas turmas,julgar o recurso especial de que trata o art. 64, observada a seguinte especialização: Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 10 9 I à 1ª (primeira) Turma, os recursos referentes às matérias previstas no art. 2º; Como se sabe, o recurso especial de divergência de competência da CSRF é de cognição restrita e depende da comprovação de divergência jurisprudencial, o que não ocorre se a divergência reside em matéria não prequestionada. Nesse caso, a divergência jurisprudencial somente se estabeleceria se ele apresentasse paradigma que aplicasse de ofício o entendimento posteriormente sumulado, o que, de fato, não ocorreu. Quanto às demais matérias, ratifico o teor do despacho de admissibilidade e também a decisão prolatada em sede de agravo, para conhecer do recurso especial apresentado pelo contribuinte. Sigo na apreciação do mérito. a) Da dedutibilidade das despesas a título de pagamento com royalties Sobre este tópico, aduz a Recorrente que: Vale frisar que os pagamentos efetuados à SAP AG não podem ser qualificados como royalties. De fato, a própria D. Fiscalização reconhece, no Termo de Verificação, que os "programas de computador dispõe de proteção da propriedade intelectual e o regime de proteção é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no país". Além disso, o Contrato de Distribuição de Software, quando levado a registro no Instituto Nacional de Propriedade Industrial ("INPI"), teve a sua averbação negada pelo citado instituto, por entender que não havia transferência de tecnologia e que o objeto do citado Contrato de Distribuição de Software não envolvia o pagamento de royalties Consulta INPI n°s 0811/2002 e 034/2005. Ademais, a aplicação do software e seu correto funcionamento dependem, dentre outros, do acompanhamento da instalação e execução do programa e tais serviços são prestados à Recorrente e aos usuários finais, para que possam aprender a operar o programa de computador. No entanto, conforme já se mencionou, a tecnologia do programa é detida exclusivamente pela SAP AG e não é transferida de modo algum ao Brasil, ou a qualquer ente licenciado. Em decorrência de tal necessidade, a Recorrente também celebrou contratos de prestação de serviços relacionados ao software com a sociedade alemã SAP AG ("Contrato de Prestação de Serviços de Software com a SAP AG" docs n°s 6 e 7 da Impugnação). O objeto de tais contratos é a prestação de determinados serviços aos usuários finais do software e também aos próprios funcionários da Recorrente, tais como os serviços de consultoria, suporte e outros. A Recorrente defende a tese de que os pagamentos ao exterior são decorrentes de direitos autorais e contesta o fato de que, em sede de embargos, o Colegiado a quo tenha entendido que os royalties seriam provenientes do direito ao uso de marca da matriz. Fl. 2166DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 11 10 Vejase que a definição legal de software consta do art. 1º da Lei nº 9.609, de 19 de fevereiro de 1998: Art. 1º Programa de computador é a expressão de um conjunto organizado de instruções em linguagem natural ou codificada, contida em suporte físico de qualquer natureza, de emprego necessário em máquinas automáticas de tratamento da informação, dispositivos, instrumentos ou equipamentos periféricos, baseados em técnica digital ou análoga, para fazê los funcionar de modo e para fins determinados.” A proteção da propriedade intelectual de softwares e sua comercialização no Brasil são regidas pela mesma lei, conforme artigos a seguir transcritos: Art. 2º O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País, observado o disposto nesta Lei. § 1º Não se aplicam ao programa de computador as disposições relativas aos direitos morais, ressalvado, a qualquer tempo, o direito do autor de reivindicar a paternidade do programa de computador e o direito do autor de oporse a alterações não autorizadas, quando estas impliquem deformação, mutilação ou outra modificação do programa de computador, que prejudiquem a sua honra ou a sua reputação. § 2º Fica assegurada a tutela dos direitos relativos a programa de computador pelo prazo de cinqüenta anos, contados a partir de 1º de janeiro do ano subseqüente ao da sua publicação ou, na ausência desta, da sua criação. § 3º A proteção aos direitos de que trata esta Lei independe de registro. § 4º Os direitos atribuídos por esta Lei ficam assegurados aos estrangeiros domiciliados no exterior, desde que o país de origem do programa conceda, aos brasileiros e estrangeiros domiciliados no Brasil, direitos equivalentes. § 5º Incluise dentre os direitos assegurados por esta Lei e pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País aquele direito exclusivo de autorizar ou proibir o aluguel comercial, não sendo esse direito exaurível pela venda, licença ou outra forma de transferência da cópia do programa. (grifo nosso) Art. 6º Não constituem ofensa aos direitos do titular de programa de computador: I a reprodução, em um só exemplar, de cópia legitimamente adquirida, desde que se destine à cópia de salvaguarda ou armazenamento eletrônico, hipótese em que o exemplar original servirá de salvaguarda; (....) Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 12 11 Art. 12. Violar direitos de autor de programa de computador: Pena Detenção de seis meses a dois anos ou multa. § 1º Se a violação consistir na reprodução, por qualquer meio, de programa de computador, no todo ou em parte, para fins de comércio, sem autorização expressa do autor ou de quem o represente: Pena Reclusão de um a quatro anos e multa. (....) Do texto legal se depreende que o software é um bem incorpóreo, que não se confunde com o suporte físico que o contém e que sua propriedade intelectual é tutelada pela legislação que protege os direitos autorais e conexos das obras literárias no Brasil, sendo crime sua reprodução, por qualquer meio, no todo ou em parte, para fins de comércio, sem autorização expressa do titular dos direitos autorais, salvo uma única cópia de segurança. A legislação brasileira confere aos programas de computador a natureza de obra intelectual, incluindoos dentre as “criações do espírito”. Nesse sentido, a lei geral sobre direitos autorais (Lei nº 9.610, 19 de fevereiro de 1998) prevê: Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou de que se invente no futuro, tais como: (...) XII os programas de computador (...) § 1º Os programas de computador são objeto de legislação específica, observadas as disposições desta Lei que lhes sejam aplicáveis. (..) Art. 24. São direitos morais do autor: I o de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra; II o de ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra; III o de conservar a obra inédita; IV o de assegurar a integridade da obra, opondose a quaisquer modificações ou à prática de atos que, de qualquer forma, possam prejudicála ou atingilo, como autor, em sua reputação ou honra; V o de modificar a obra, antes ou depois de utilizada; Fl. 2168DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 13 12 VI o de retirar de circulação a obra ou de suspender qualquer forma de utilização já autorizada, quando a circulação ou utilização implicarem afronta à sua reputação e imagem; VII o de ter acesso a exemplar único e raro da obra, quando se encontre legitimamente em poder de outrem, para o fim de, por meio de processo fotográfico ou assemelhado, ou audiovisual, preservar sua memória, de forma que cause o menor inconveniente possível a seu detentor, que, em todo caso, será indenizado de qualquer dano ou prejuízo que lhe seja causado. (....) Art. 27. Os direitos morais do autor são inalienáveis e irrenunciáveis. (....) Art. 28. Cabe ao autor o direito exclusivo de utilizar, fruir e dispor da obra literária, artística ou científica. Art. 29. Depende de autorização prévia e expressa do autor a utilização da obra, por quaisquer modalidades, tais como: I a reprodução parcial ou integral; (....) Art. 49. Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou singular, pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, obedecidas as seguintes limitações: I a transmissão total compreende todos os direitos de autor, salvo os de natureza moral e os expressamente excluídos por lei; (....) Notase que o próprio legislador faz expressa ressalva ao programa de computador, indicando a legislação específica e aplicando a legislação autoral apenas no que for possível (art. 7º, §1º). Logo, da esfera legal se compreende que os direitos do autor se dividem em duas categorias: direitos morais, que são inalienáveis, irrenunciáveis e intransmissíveis (arts. 24, 27 e 49, I), e direitos patrimoniais, que podem ser explorados de diversas formas, inclusive por meio de sua transferência a terceiros (arts. 28 e 49, I). No caso específico do software, sua reprodução parcial ou integral depende da autorização do titular de seus diretos patrimoniais o autor ou aquele para quem ele os tenha transferido (arts. 29, I). A mesma lei ainda define quais as formas de contrato envolvendo programas de computador. As únicas espécies de contratos relativos a direitos sobre programas de computador são definidas pelo legislador como contrato de licença de uso no País (art. 9º); Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 14 13 contrato de licença de direitos de comercialização de programas de computador oriundos do exterior (art.10) e contrato de transferência de tecnologia (art. 11): Art. 9º O uso de programa de computador no País será objeto de contrato de licença. Parágrafo único. Na hipótese de eventual inexistência do contrato referido no caput deste artigo, o documento fiscal relativo à aquisição ou licenciamento de cópia servirá para comprovação da regularidade do seu uso. Art. 10. Os atos e contratos de licença de direitos de comercialização referentes a programas de computador de origem externa deverão fixar, quanto aos tributos e encargos exigíveis, a responsabilidade pelos respectivos pagamentos e estabelecerão a remuneração do titular dos direitos de programa de computador residente ou domiciliado no exterior. Art. 11. Nos casos de transferência de tecnologia de programa de computador, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial fará o registro dos respectivos contratos, para que produzam efeitos em relação a terceiros. Parágrafo único. Para o registro de que trata este artigo, é obrigatória a entrega, por parte do fornecedor ao receptor de tecnologia, da documentação completa, em especial do código fonte comentado, memorial descritivo, especificações funcionais internas, diagramas, fluxogramas e outros dados técnicos necessários à absorção da tecnologia. Devido ao seu caráter protecionista, a legislação proíbe o uso ou a comercialização de software sem a devida licença de quem detém o direito de exploração. O único direito de caráter acessório previsto pelo legislador é o direito de reproduzir um exemplar destinado à cópia de salvaguarda (art. 6º, I). A distribuição ou reprodução de programa de computador por qualquer meio sem autorização expressa é considerada ilegal e representa violação aos direitos autorais, passível de sanção criminal e reparação de danos (art. 12, § 1º). No caso dos softwares, o fato de sua comercialização somente poder ser autorizada mediante licença é suficiente para identificar a natureza jurídica dos pagamentos efetuados a esse título como royalties, vez que tratase, aqui, de exploração de direitos patrimoniais, não de direitos morais de autor, como visto anteriormente. Ora, a exploração de direitos autorais é classificada como royalties pela Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, que a inclui dentre os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra (art. 22, “d”, em destaque): Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; Fl. 2170DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 15 14 b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploraçâo de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. (destacouse) Ademais, a matéria não é nova neste Conselho e já foi objeto de algumas decisões paradigmáticas. Complementando o aqui exposto, cumpre referir, especialmente, o voto proferido pela 1a Turma da 2a Câmara no caso IBM, que analisou profundamente a questão e foi ratificado por esta CSRF no acórdão 9101003.063, de 12/09/2017. Naquele oportunidade restou consignado que o conceito de autor, nos termos da legislação brasileira, é inerente à pessoa física, e que isso não se confunde com a legislação que trata do software: Lei n. 9.610/98 Art. 11. Autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica. Parágrafo único. A proteção concedida ao autor poderá aplicarse às pessoas jurídicas nos casos previstos nesta Lei. Lei n. 9.609/98 Art. 2º O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País, observado o disposto nesta Lei. § 1º Não se aplicam ao programa de computador as disposições relativas aos direitos morais, ressalvado, a qualquer tempo, o direito do autor de reivindicar a paternidade do programa de computador e o direito do autor de oporse a alterações nãoautorizadas, quando estas impliquem deformação, mutilação ou outra modificação do programa de computador, que prejudiquem a sua honra ou a sua reputação. Notase, à evidência, que a interpretação laborada pela Recorrente não condiz com os dispositivos legais indicados. De plano, a simples leitura do artigo 11 demonstra que o conceito de autor é inequívoco e não deixa margem para dúvidas: autor é sempre a pessoa física, o indivíduo que a partir de seu gênio ou criatividade manifesta, de forma particular, uma ideia (a autoria não é ideia, mas sim a sua expressão). Sabemos que a construção normativa no Brasil sempre parte do caput (que traz a regra geral) para os incisos ou parágrafos, que veiculam situações especiais, mas nunca no sentido oposto. Notase que a dicção do parágrafo não reconhece que os autores possam ser pessoas jurídicas; em verdade, a norma permite que a proteção concedida ao autor, pessoa física, possa ser estendida às pessoas jurídicas, e ainda assim somente nos casos previstos na própria Lei n. 9.610/98. Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 16 15 E nem poderia ser diferente, posto que se as pessoas jurídicas pudessem ser autoras sequer haveria necessidade do parágrafo; afinal, se pudessem assumir a condição de autoras gozariam automaticamente do direito inerente a esta condição e não precisariam que determinada proteção ou benefício lhes fosse estendido. Cabe ainda registrar que a Lei n. 5.988/73 incidentalmente reconhecia a possibilidade de uma pessoa jurídica ser titular de obra coletiva, realizada em seu nome. Contudo, o artigo 15 daquele diploma legal foi revogado pelo artigo 11 da Lei n. 9.610/98, que claramente identifica apenas as pessoas físicas como aptas a figurar como autoras. A confusão decorre da diferença entre ser autor e ser titular de direitos autorais. Existe nítida distinção entre os conceitos de ser autor da obra e ser titular dos seus direitos. Quando alguém escreve um livro certamente se enquadra como autor, mas ao assinar um contrato de publicação com a editora transfere a esta os direitos patrimoniais para a sua exploração, circunstância expressamente prevista na Convenção de Berna, que reconhece a diferença entre autoria e titularidade nos seguintes termos: ARTIGO 6BIS 1) Independentemente dos direitos patrimoniais de autor, e mesmo após a cessão dos referidos direitos, o autor conserva o direito de reivindicar a paternidade da obra e de se opor a qualquer deformação, mutilação ou outra modificação da obra ou a qualquer outro atentado contra a mesma obra, prejudicial à sua honra ou à sua reputação. (grifamos) Ressaltese que o tratamento previsto pela Convenção de Berna foi reproduzido pela Lei do Software, como visto no artigo 2o, § 1º, ao norte transcrito e novamente reproduzido: § 1º Não se aplicam ao programa de computador as disposições relativas aos direitos morais, ressalvado, a qualquer tempo, o direito do autor de reivindicar a paternidade do programa de computador e o direito do autor de oporse a alterações nãoautorizadas, quando estas impliquem deformação, mutilação ou outra modificação do programa de computador, que prejudiquem a sua honra ou a sua reputação. (grifamos) É cediço, portanto, que os direitos autorais são divididos, para efeitos legais, em direitos morais e patrimoniais. Os chamados direitos morais são aqueles que asseguram a autoria da obra intelectual, sendo, portanto, intransferíveis e irrenunciáveis, enquanto que os direitos patrimoniais se referem à exploração econômica da obra e podem ser cedidos ou utilizados por terceiros. Também não procede o argumento da defesa, baseado no artigo 3o, § 1º, I,da Lei n. 9.609/98, que menciona que no pedido de Fl. 2172DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 17 16 registro do software deverão constar os dados do autor e do titular, sejam pessoas físicas ou jurídicas. Com efeito, o texto corrobora a distinção entre os conceitos e reconhece, apenas, que o titular dos direitos possa ser pessoa jurídica: (...) Isso significa que se a exploração econômica dos direitos estiver a cargo de uma empresa, o registro compreenderá os seus dados e os do autor do programa de computador, posto que seriam, na hipótese, pessoas distintas. Tudo em perfeita consonância com o raciocínio até aqui desenvolvido. Ademais, sem prejuízo de todos os argumentos já apresentados, ressaltamos, por oportuno, que em nenhum momento a legislação brasileira indica que o conceito de autor previsto na Lei n. 9.610/98 é o mesmo daquele previsto para os programas de computador. Tanto assim que as duas normas são distintas e fazem ressalvas ao seu campo de aplicação, como se constata dos artigos já transcritos. O que a Lei n. 9.609/98 (software) faz é aplicar aos programas de computador o regime de proteção conferido às obras literárias ou artísticas, como se depreende da dicção do artigo 2o. Vale dizer, se o legislador entendesse pela total identidade entre os conceitos simplesmente reuniria toda a matéria numa única norma, em vez de publicar duas leis distintas e na mesma data (19 de fevereiro de 1998)! A obviedade dessa circunstância não passou despercebida pela melhor doutrina. Portanto, o regime de proteção específico para programas de computador é conexo àquele utilizado para obras literárias e artísticas, o que não significa dizer que a autoria de um software pertença à pessoa jurídica, que poderá, da mesma forma que nos demais casos, ser titular de direitos patrimoniais, mas nunca considerada como criadora da obra intelectual. Essa posição encontra esteio na melhor doutrina e já foi, inclusive, reconhecida pelo STJ, que no REsp 1.322.325/DF analisou o tema da autoria no âmbito das relações de trabalho: Neste caso, quem é o autor? Não há dúvidas sobre isso. Os autoralistas são unânimes em reconhecer unicamente na pessoa física a capacidade para criar a obra de arte e engenho. Este é o pensamento predominante, especialmente nos países cujo ordenamento jurídico segue as concepções romanogermânicas. (...) Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 18 17 A lei brasileira protege a empresa, pessoa jurídica, como titular de direitos autorais, mas não como autora. Além disso, é necessário considerar que a Lei n° 9.610/1998 excluiu a figura da obra de arte criada em função de contrato de trabalho ou sob encomenda, o que torna o autor, definitivamente, titular originário dos direitos sobre a obra que criou. Não há mais a figura da obra criada por encomenda ou sob contrato de trabalho, embora no art. 54 encontrese referência à obra futura. (CABRAL, Plínio. A lei de direitos autorais: comentários . 5. ed. São Paulo: Rideel, 2009, p. 6667). Descabe, portanto, a tese de defesa, no sentido de que os direitos de autor, recebidos a este título pelo criador da obra, não seriam royalties e, portanto, poderiam ser deduzidos na apuração do IRPJ e da CSLL, conforme disposto no art. 22, "d", da Lei nº 4.506/64. Como bem destacado no mencionado acórdão: o ato de licenciar e distribuir programas de computador não se confunde com o ato de editar ou publicar obras literárias; são coisas absolutamente distintas, até porque programas para computadores de grande porte são objeto de adaptações e alterações, bem como de instalação, de acordo com as necessidades do cliente (customização), enquanto que obras artísticas ou literárias são sempre editadas as is, ou seja, da forma como foram concebidas pelo autor. Ademais, obras artísticas e literárias não são objeto de licenciamento, mas sim de edição ou publicação, com a cessão dos respectivos direitos. (grifouse) No caso dos autos, a Recorrente expressamente concorda com tal posição, ao dizer, em ser recurso voluntário, que: Ademais, a aplicação do software e seu correto funcionamento dependem, dentre outros, do acompanhamento da instalação e execução do programa e tais serviços são prestados à Recorrente e aos usuários finais, para que possam aprender a operar o programa de computador. No entanto, conforme já se mencionou, a tecnologia do programa é detida exclusivamente pela SAP AG e não é transferida de modo algum ao Brasil, ou a qualquer ente licenciado. Aliás, convém ressaltar que a Recorrente não demonstra, no processo, a autoria dos softwares objeto da autuação. Embora possa ser admitido que os softwares são de sua titularidade, à luz dos contratos celebrados e colacionados aos autos, em nenhum momento se faz prova da autoria dos respectivos códigos e expressões, até porque não se sabe sob quais circunstâncias teriam sido desenvolvidos. Essa constatação decorre da simples leitura do contrato firmado (fls. 1.313), que em seus "considerandos" estabelece: Fl. 2174DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 19 18 Resta evidente, da leitura do contrato, que se trata de licenciamento de software cujos direitos patrimoniais pertencem a empresa do grupo no exterior. Com efeito, a fiscalização entendeu que as despesas relativas aos pagamentos de licença de uso e distribuição de software efetuados para a matriz não são dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL, conforme o art. 71 da Lei 4.506/1964, classificandoos no inciso “d” (pagamentos a sócios) e na alínea 2 do inciso “a”, relativos a royalties pelo uso de tecnologia patenteada em processo de fabricação e desenvolvimento de software pelo uso da marca SAP pagos a matriz estrangeira. Esses dispositivos foram reproduzidos pelo artigo 353 do RIR: Art. 71. A dedução de despesas com aluguéis ou "royalties" para efeito de apuração de rendimento líquido ou do lucro real sujeito ao imposto de renda, será admitida: Parágrafo único. Não são dedutíveis: (...) d) os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes de emprêsas, e a seus parentes ou dependentes; e) os 'royalties' pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, quando: (...) 2) Pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, contrôle do seu capital com direito a voto. ............................................................................... Art. 353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): Fl. 2175DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 20 19 I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; b) pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto, observado o disposto no parágrafo único; De fato, a partir dos mencionados dispositivos legais pareceme que a remuneração previstas nas cláusulas contratuais firmadas entre as partes enquadrase no conceito de royalties, o qual inclui a licença para comercialização e distribuição de software, como bem assevera Alberto Xavier em seu "Direito Tributário Internacional do Brasil", Editora Forense, 5ª edição, página 634: Objeto de royalties são, repitase, apenas os casos em que é transferido o uso do direito de propriedade intelectual relativo ao software, como sucede nos casos de transferência parcial de direitos, pelos quais o transmitente, autor do software ou adquirente dos direitos de distribuição e reprodução, coloca tais direitos à disposição de uma terceira pessoa, para que esta os explore comercialmente, notadamente por via de distribuição. São os contratos de licença ou cessão de direitos de comercialização de programas de computador ou seu desenvolvimento, tributáveis pela lei interna. Como destacado pelo autor, nas convenções internacionais destinadas a evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal (Convenção Modelo OCDE artigo 12), aplicáveis no Brasil aos contratos internacionais por força do art. 98 do CTN e do art. 997 do RIR/99, os royalties são entendidos como remuneração de qualquer natureza pagos pelo uso ou pela concessão do uso de direitos de autor sobre obras literárias, artísticas ou científicas, de patentes, marcas de indústria ou de comércio, desenhos ou modelos, planos, fórmulas ou processos secretos, bem como pelo uso ou concessão do uso e equipamentos industriais, comerciais ou científicos e por informações correspondentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico. Assim, concluise que os contratos de aquisição de direitos relativos a softwares oriundos do exterior e com posterior comercialização no Brasil possuem a natureza de licenciamento de uso de direito autoral e a remuneração neles prevista é efetuada a título de royalties, nos termos da autuação fiscal, razão pela qual não há como acolher a pretensão da Recorrente quanto a este tópico. b) Da ilegalidade do artigo 353, I do RIR/99, por força da impossibilidade de aplicação das disposições a pagamentos efetuados a sócios pessoas jurídicas Neste ponto, aduz a Recorrente seria evidente a ilegalidade do artigo 353, I do RIR/99, eis que o artigo 71, parágrafo único, alínea "d" da Lei n° 4.506/64 trata de figuras que somente fazem sentido no universo das pessoas físicas, como dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes, buscando evitar práticas evasivas associadas à qualificação de outros rendimentos como royalties. Fl. 2176DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 21 20 Entendo que não prospera a tese de que o Regulamento do Imposto de Renda teria alargado, de forma indevida, o alcance da lei. Para demonstrar tal posição é importante compararmos os dois dispositivos: Lei nº 4.506/64 Art. 71. A dedução de despesas com aluguéis ou "royalties" para efeito de apuração de rendimento líquido ou do lucro real sujeito ao imposto de renda, será admitida: (...) Parágrafo único. Não são dedutíveis: (...) d) os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; Decreto nº 3.000/99: Art. 353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; Acerca dessa matéria, o acórdão já mencionado analisou a questão e fez referência, inclusive, a decisão desta Câmara Superior em processo da própria Recorrente (SAP), para concluir pela absoluta compatibilidade entre os dispositivos: Não consigo vislumbrar qualquer argumento, gramatical, semântico ou jurídico capaz de invalidar o disposto em regulamento, até porque os dois comandos dizem exatamente a mesma coisa. É evidente que a lei, ao dizer "sócios", se refere a qualquer tipo de pessoa com participação na sociedade e não somente às pessoas físicas. O comando legal é claro e diz que são indedutíveis os royalties "pagos a sócios". O fato de, na sequência, existir a menção a "parentes ou dependentes" apenas demonstra a teleologia da norma, que buscou ser o mais ampla possível, até porque a partícula "e", na língua portuguesa, não serve como condicionante, mas como adição a conceitos já expressos. Em síntese, nenhum sócio ou dirigente, inclusive eventuais parentes e dependentes, quando existirem, poderão receber royalties dedutíveis para fins de IRPJ. O pagamento dos valores, por óbvio, decorre de liberalidade da empresa, desde que observadas as limitações legais para a dedutibilidade. Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 22 21 Esse entendimento possui respaldo na jurisprudência do CARF, inclusive em recente julgado da Câmara Superior, que ao apreciar questão análoga à dos autos, decidiu a questão, quanto a este ponto, por unanimidade: Acórdão nº 9101001.908 ROYALTIES INDEDUTIBILIDADE Os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria, que atendam as normas gerais de necessidade, usualidade e normalidade são dedutíveis, exceto se pagos por filial no Brasil em benefício de sua matriz no exterior, ou por sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto. Quaisquer outros royalties, se pagos a sócio, pessoa física ou jurídica, são indedutíveis.” (CSRF. Acórdão nº 9101001.908. 1T. Rel. Cons. VALMIR SANDRI. Julgado em 13 de maio de 2014) Notase a perfeita identidade fática entre a decisão ao norte e a apreciada neste voto, pois os dois litígios se referem à glosa de despesas em razão de valores pagos a empresa no exterior. No caso em referência, da contribuinte SAP Brasil Ltda., a fiscalização qualificou como royalties indedutíveis os pagamentos decorrentes do licenciamento do direito de comercialização de softwares, ao contrário da tese defendida pela interessada, de que os valores seriam relativos a direitos autorais. A posição do fisco foi ratificada, por unanimidade, pela Câmara Superior. E mais: a automática aplicação do comando normativo às pessoas jurídicas, sem qualquer ofensa ao princípio da legalidade ou violação das limitações regulamentares, também pode ser encontrada em abalizada doutrina. Citese, a título de exemplo, a posição de Noé Winkler (Imposto de Renda. Ed. Forense: Rio de Janeiro, 2001, p. 526 e 528) ao lecionar: É vedado o pagamento de “royalties” a sócios ou dirigentes de empresas e a seus parentes e dependentes. Quanto aos sócios, tanto podem ser pessoas físicas como jurídicas. Não esclarece a lei o grau de parentesco, ou tipo de dependência. (grifamos) O teor da legislação não deixa margem para dúvidas e evidencia o objetivo de impedir qualquer tipo de favorecimento mediante o pagamento de royalties a sócios, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, razão pela qual também não assiste razão à Recorrente quanto a este ponto. Conclusão Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso do contribuinte, exceto em relação à ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento. Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 23 22 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Com a devida vênia, entendo pelo provimento parcial ao recurso especial quanto ao primeiro tema, por não haver pagamento de royalties. Lembro o teor do artigo 22, alínea d da Lei nº 4.506/1964: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (Vide DecretoLei nº 1.642, de 1978) (Vide DecretoLei nº 2.287, de 1986) (...) d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. A Lei nº 4.506/1964, portanto, define que os direitos autorais, percebidos pelo autor ou criador de bem ou obra, não serão identificados como royalties. Ao assim proceder, não restringe os pagamentos de direitos autorais às pessoas físicas. Diante desse quadro, devemos analisar o artigo 71, da mesma Lei, que prevê: Art. 71. A dedução de despesas com aluguéis ou "royalties" para efeito de apuração de rendimento líquido ou do lucro real sujeito ao impôsto de renda, será admitida: a) quando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento; e b) se o aluguel não constituir aplicação de capital na aquisição do bem ou direito, nem distribuição disfarçada de lucros de pessoa jurídica. Parágrafo único. Não são dedutíveis: d) os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes de emprêsas, e a seus parentes ou dependentes; Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 24 23 e) os "royalties" pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricaçãoou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, quando:(...) 2) Pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, contrôle do seu capital com direito a voto; O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) trata da tributação de royalties da forma seguinte, no que interessa ao tema examinado: Art. 353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; II as importâncias pagas a terceiros para adquirir os direitos de uso de um bem ou direito e os pagamentos para extensão ou modificação do contrato, que constituirão aplicação de capital amortizável durante o prazo do contrato; III os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, quando: a) pagos pela filial no Brasil de empresa com sede no exterior, em benefício de sua matriz; b) pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto, observado o disposto no parágrafo único; Analisando a legislação tributária, além de outros dispositivos legais, a D. Relatora interpreta que o caso dos autos é de pagamento de royalties, pois “a partir dos mencionados dispositivos legais pareceme que a remuneração prevista nas cláusulas contratuais firmadas entre as partes enquadrase no conceito de royalties” (trecho do voto). Ao contrário, entendo que não há pagamento de royalties no caso dos autos, mas direito de autor. Nesse ponto, destaquese que a Lei nº 9.610/1998 explicita que são direitos de autor aqueles relacionados à invenção de programas de computador: Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: (...) XII os programas de computador; Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 25 24 § 1º Os programas de computador são objeto de legislação específica, observadas as disposições desta Lei que lhes sejam aplicáveis. A Lei nº 9.609/1998, específica para programas de computador,também consagra a proteção à propriedade intelectual, referindose expressamente à legislação de direitos autorais: Art. 2º O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País, observado o disposto nesta Lei. § 1º Não se aplicam ao programa de computador as disposições relativas aos direitos morais, ressalvado, a qualquer tempo, o direito do autor de reivindicar a paternidade do programa de computador e o direito do autor de oporse a alterações não autorizadas, quando estas impliquem deformação, mutilação ou outra modificação do programa de computador, que prejudiquem a sua honra ou a sua reputação. § 2º Fica assegurada a tutela dos direitos relativos a programa de computador pelo prazo de cinqüenta anos, contados a partir de 1º de janeiro do ano subseqüente ao da sua publicação ou, na ausência desta, da sua criação. § 3º A proteção aos direitos de que trata esta Lei independe de registro. § 4º Os direitos atribuídos por esta Lei ficam assegurados aos estrangeiros domiciliados no exterior, desde que o país de origem do programa conceda, aos brasileiros e estrangeiros domiciliados no Brasil, direitos equivalentes. § 5º Incluise dentre os direitos assegurados por esta Lei e pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País aquele direito exclusivo de autorizar ou proibir o aluguel comercial, não sendo esse direito exaurível pela venda, licença ou outra forma de transferência da cópia do programa. § 6º O disposto no parágrafo anterior não se aplica aos casos em que o programa em si não seja objeto essencial do aluguel. Art. 3º Os programas de computador poderão, a critério do titular, ser registrados em órgão ou entidade a ser designado por ato do Poder Executivo, por iniciativa do Ministério responsável pela política de ciência e tecnologia. (Regulamento) Também é importante lembrar que o artigo 52, do Código Civil estabelece a proteção dos direitos à personalidade quanto às pessoas jurídicas: Art. 52. Aplicase às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade. Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 26 25 Assim, vislumbro que a pessoa jurídica pode ser detentora de direitos autorais. Lembro, ainda, que a Lei nº 9.609/1998 dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programas de computador, tratando de três espécies de contratos: (i) de uso do programa de computador (art. 9º); (ii) de licença de comercialização (art. 10) e, finalmente, (iii) de transferência de tecnologia (art. 11). Nesse sentido, vale lembrar que consta do Termo de Verificação Fiscal que acompanha o auto de infração a presunção de transferência tecnológica: Embora não conste de obrigação contratual entre o sujeito passivo e a matriz alemã, a transferência tecnológica entre subsidiária e matriz é inerente e lógica. O compartilhamento tecnológico se evidencia no aspecto de uso da marca, efetivo e sem previsão expressa em contrato, atualmente. O compartilhamento tecnológico se evidencia no aspecto de uso da marca, efetivo e sem previsão expressa em contrato, atualmente. Observe, uma das diferenças entre o contrato atual e seu antecessor, firmados entre o sujeito passivo e a matriz, é que o contrato de 2001 previa expressamente a concessão do direito de uso da marca, e o contrato de 2008 não prevê, embora neste, ainda conste a previsão de prestação mútua de serviços de marketing e a busca do desenvolvimento da marca SAP para fim de aumento o reconhecimento da marca, fls. 920, 939 e 940. (...) Assim como ocorre à marca, ocorre também às demais formas de transferência de tecnologia, explicitadas pelo parágrafo 1º, do artigo 2º, da Lei nº 10.168/2000: uso de patente, tecnologia fornecida pela matriz e assistência técnica prestada pela matriz. E não poderia ser diferente, sendo o sujeito passivo uma subsidiária integral da matriz, que detém 99,99% do seu capital social, veja, há somente uma única cota do capital social que não pertence à matriz. Entre ambas, subsidiária e matriz, impõe se uma relação de subordinação e não contratual, como já dito, neste nível de relação a transferência tecnológica é inerente, lógica e presumida.(grifamos) Ocorre que a Lei nº 9.609, em seu artigo 11, parágrafo único, menciona que o registro da transferência da tecnologia depende de entrega do código fonte, como se observa do artigo 11, parágrafo único: Art. 11. Nos casos de transferência de tecnologia de programa de computador, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial fará o registro dos respectivos contratos, para que produzam efeitos em relação a terceiros. Parágrafo único. Para o registro de que trata este artigo, é obrigatória a entrega, por parte do fornecedor ao receptor de tecnologia, da documentação completa, em especial do código fonte comentado, memorial descritivo, especificações funcionais internas, diagramas, fluxogramas e outros dados técnicos necessários à absorção da tecnologia. Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 19515.722545/201321 Acórdão n.º 9101003.874 CSRF‐T1 Fl. 27 26 Como no caso dos autos não há entrega, devidamente comprovada, do código fonte, não é possível vislumbrar um contrato de “transferência de tecnologia”. A presunção efetuada pelo Auditor Fiscal autuante (de transferência da tecnologia) não se sustenta em qualquer disposição legal, não sendo admissível. A respeito do artigo 11, acima reproduzido, são primorosas as considerações do então Conselheiro Natanael Martins, condutor do acórdão paradigma nº 10707713: A Lei n° 9.609/98, em seu Capítulo IV, define 3 diferentes tipos de licença, a saber: (i) licença de uso; (ii) licença de comercialização; e (iii) contrato de transferência de tecnologia. A licença de uso é caracterizada como a transmissão do direito de utilizar o software, devendo, neste caso "sub judice" ser afastada, pois quem em verdade a adquire é o consumidor final, ou seja, o adquirente dos programas comercializados pela empresa. De se descartar, também, a transferência de tecnologia, pois, pelo que se vê dos autos do processo, o códigofonte dos softwares não é transmitido. Tratase, pois, de licença de comercialização, haja vista que confere à empresa o direito de explorar comercialmente os softwares. Ou seja, os programas de informática comercializados no Brasil e adquiridos da matriz sediada no exterior, em face do já referido contrato de sublicenciamento, em verdade são mercadorias comercializadas pela recorrente. Ora, o lançamento tem como enquadramento legal o art. 292, I, do RIR/94 que estabelece a não dedutibilidade de "royalties" pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes ,que, para sua aplicação, pressupõe pagamento por uso e gozo de um direito, não, porém, em face de contrato de licença de comercialização de softwares, pactuado com base na específica lei que os regula. Diante disso, com a devida vênia, voto por dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, acolhendoo quanto ao primeiro tema (dedutibilidade das despesas a título de royalties). (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 2183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.005429/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sem texto de Ementa.
Numero da decisão: 1202-000.640
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para suprir a omissão apontada, para indicar que trata-se de vício formal o causador da nulidade do ADE 06/2007 sem alterar, contudo, a decisão consubstanciada no Acórdão
120200.443, de 14 de dezembro de 2010, da 2ª TO da 2ª Câmara desta 1ª Seção do CARF.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para suprir a omissão apontada, para indicar que tratase de vício formal o causador da nulidade do ADE 06/2007 sem alterar, contudo, a decisão consubstanciada no Acórdão 120200.443, de 14 de dezembro de 2010, da 2ª TO da 2ª Câmara desta 1ª Seção do CARF. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (fls.240/244) em que a Fazenda Nacional alega OMISSÃO no Acórdão nº 120200443, proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara (fls.231/242), relativamente às seguintes matérias: omissão quanto ao pronunciamento da nulidade se tratar de vício formal ou material., como se pode ler nas razões dos embargos, a fls. 240/244 destes autos. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10410.005429/200619 Acórdão n.º 120200.640 S1C2T2 Fl. 2 2 Da análise dos autos, entendo estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Presente o pressuposto de admissibilidade recursal, como consta no despacho supra, considerando que o aludido acórdão não se pronuncia sobre a natureza do vício que maculou o ato declaratório, o qual cassou a isenção tributária da contribuinte, é de se admitir os presentes embargos, para suprir a omissão apontada. Assim, com razão a embargante, Fazenda Nacional, quando assevera que a decisão embargada não faz qualquer qualificação quanto ao vício que justificou o acolhimento da preliminar de nulidade nos presentes autos. Portanto, pela leitura do acórdão embargado, seja o relatório, seja o voto condutor, não se verifica que tipo de vício, ou seja,se formal, se material. Contudo assim seja, em se tratando de reconhecimento da nulidade do ADE 06/2007, podese inferir do quanto decidido pelo voto condutor , a fls. 236, in verbis: Somente em 13 de abril de 2007 é que a interessada foi cientificada do processo de suspensão da imunidade com a consequente publicação o Ato Declaratório. Ora, a cronologia dos fatos deixa claro que o procedimento de suspensão da isenção não foi observado pelo i. AFRF, uma vez que a lavratura do auto de infração (fls. 20 a 63) se deu em 20/12/2006, imediatamente após a notificação fiscal, mesmo sem a ciência da interessada. ... Ora, a recorrente tem razão quando afirma que o presente processo merece ser anulado por vicio insanável. Houve cerceamento do direito de defesa ao não se promover a intimação da interessada para se defender e produzir as provas cabíveis no processo de suspensão da isenção. A inversão dos julgamentos prejudicou sobremaneira a interessada uma vez que o julgamento do lançamento do crédito tributário é que serviu de base para justificar a suspensão da imunidade e não o contrário. Tanto é assim que o acórdão da decisão de 1a Instância adota as razões de decidir do acórdão 1122.689 da 4. Turma da DRJ/REC (processo 10410.005528/200609). O que deixa patente o vício procedimental cometido pela autoridade de origem, como a relatora confirma na parte final de seu voto, ou que vale dizer, que se trata de vício formal, com efeito, deixandose de proceder regra formal de intimação da interessada, ora Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10410.005429/200619 Acórdão n.º 120200.640 S1C2T2 Fl. 3 3 embargada, em detrimento do amplo direito de defesa, o que fatalmente maculou como insanável o vício formal do Ato Declaratório 06/2007, aqui questionado. Assim, a fim de suprir a omissão descrita pela Fazenda Nacional, tratase de vício formal que contaminou o ADE 06/2007, ensejando sua nulidade e acolhimento da preliminar do presente processo. Portanto, sou por acolher os presentes embargos, para suprir a omissão apontada, afirmando tratarse de vício formal que causou a nulidade do ADE 06/2007, sem alterar, contudo, a decisão consubstanciada no Acórdão 120200.443, de 14 de dezembro de 2010, da 2ª TO da 2ª Câmara desta 1ª Seção do CARF. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
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Numero do processo: 10835.721181/2014-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO.
As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA.
As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante.
Numero da decisão: 3201-004.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente LIDER ALIMENTOS DO BRASIL S.A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 11 81 /2 01 4- 56 Fl. 825DF CARF MF Processo nº 10835.721181/201456 Acórdão n.º 3201004.330 S3C2T1 Fl. 3 2 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento da contribuição não cumulativa, que foi objeto de ação fiscal pela DRF de Presidente Prudente. Merecem transcrição fragmentos do relatório da decisão de primeira instância, que resumem o consubstanciado no Termo de Verificação Fiscal: A fiscalização da DRF elaborou o referido Termo, no qual explicou as glosas efetuadas e os cálculos indicando um crédito inferior ao pleiteado pela empresa. Em síntese, foram glosados os créditos relativos a despesas e gastos que não se enquadrariam no conceito legal de insumo, nem estariam relacionados na legislação de regência. Inicialmente, o Auditorfiscal assim entendeu: Como sobredito, esse crédito deve referirse a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Ou seja, é fundamental que o insumo seja utilizado na etapa laboral cujo resultado seja um produto objeto de comercialização pela empresa. Sob este entendimento, explicase as glosas: Fl. 826DF CARF MF Processo nº 10835.721181/201456 Acórdão n.º 3201004.330 S3C2T1 Fl. 4 3 Portanto, foram glosados créditos calculados pela fiscalizada sobre elementos que, embora indispensáveis a sua logística produtiva, não sofreram desgaste ou perda de propriedades físicoquímicas em razão de contato direto com o produto em elaboração, tais como embalagens de transporte (pallets), vasilhame, dispêndios com empilhadeiras, materiais e serviços de limpeza e de laboratório. O mesmo raciocínio norteou as glosas incidentes sobre créditos calculados sobre o maquinário utilizado pela empresa, seja ele integrante de seu ativo imobilizado, objeto de aluguel ou de arrendamento mercantil, pois esta fiscalização entende que, muito embora a restrição "para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" surja literalmente apenas no inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o intuito do legislador foi, claramente, restringir o aproveitamento de créditos apenas ao maquinário utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, independentemente da roupagem econômica através da qual o contribuinte incorpore tais bens ao seu processo produtivo. O entendimento contrário levaria à inadequada situação em que bastaria ao contribuinte evitar a ativação de suas máquinas, optando pelo arrendamento mercantil ou pelo simples aluguel, para ampliar sobremaneira suas possibilidades de creditamento. Com base nessas premissas, foram glosados créditos calculados às linhas 02 (Bens Utilizados como Insumos), 03 (Serviços Utilizados como Insumos), 06 (Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica), 07 (Despesas de Armazenagem e Frete na Operação de Venda), 08 (Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil), 10 (Sobre Bens do Ativo Imobilizado Com Base no Valor de Aquisição ou de Construção) e 12 (Devoluções de vendas sujeitas às alíquotas não cumulativas). Nesse último caso, as devoluções objeto de glosa referemse a retorno de mercadorias não oneradas nas antecedentes saídas, caso do leite resfriado ou prébeneficiado, objeto de suspensão tributária, como será explanado mais adiante. Ainda tratando dos créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado, porém mais especificamente no que respeita aos dispêndios com edificações (aproveitados no prazo de 24 meses com base no custo de aquisição ou de construção), foi realizada a glosa integral dos créditos calculados pelo contribuinte, em razão da inobservância do disposto no artigo 6°, caput e parágrafos 5° e 6°, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Além disso, a autoridade fiscal também informou que outro procedimento considerado irregular por esta fiscalização reportase ao aproveitamento de crédito básico sobre a aquisição de leite resfriado e leite prébeneficiado. Explicou que a Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, em seu artigo 8º admite a apuração de créditos presumidos sobre a Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10835.721181/201456 Acórdão n.º 3201004.330 S3C2T1 Fl. 5 4 aquisição de insumos destinados a produção de mercadorias para à alimentação humana ou animal: Em suma, a venda de leite por fornecedor que exerça as atividades de resfriamento, transporte e venda a granel de leite in natura é efetuada, obrigatoriamente, com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins quando o comprador dessa mercadoria apurar o IRPJ com base no lucro real, exercer atividade agroindustrial e utilizar esse leite como insumo na produção de diversos alimentos, dentre eles o leite e seus derivados industrializados. Ademais, percebese que os três requisitos citados no parágrafo anterior são supridos pela fiscalizada, visto que: 1) seu imposto de Renda Pessoa Jurídica é apurado com base no lucro real; 2) sua atividade econômica é considerada agroindustrial, pois produz mercadorias arroladas nos incisos do caput do citado artigo 5o e não se encontra dentre as excludentes do artigo 2o da Lei 8.023, de 12 de abril de 1990;e 3) os insumos em comento são efetivamente aplicados na produção dessas mercadorias. Por fim, quanto aos créditos presumidos, assim se reportou: Portanto, não há que se falar em apuração de crédito básico (100% da alíquota) para tais aquisições, apenas sendo admitida a constituição de crédito presumido, à proporção de 60% das alíquotas nãocumulativas dos dois tributos em apreço. Já os créditos calculados sobre o transporte do leite pré beneficiado e resfriado não foram reclassificados para o presumido. Tais créditos foram integralmente glosados, pois não há previsão legal para aproveitamento de créditos presumidos sobre o transporte dessas mercadorias. Cientificada do Despacho Decisório que deferiu parcialmente o seu pleito, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14057.039, de 26/02/2015, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da não cumulatividade, consideramse insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações , tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Fl. 828DF CARF MF Processo nº 10835.721181/201456 Acórdão n.º 3201004.330 S3C2T1 Fl. 6 5 Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em apertada síntese, o seguinte: a) Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos: transfere de uma unidade para outra sua matéria prima ou subproduto dele para devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após devido tratamento o torna apto ao consumo e acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade; b) Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados: os gastos relativos à higienização na produção de alimentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois pertinentes e viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, direta ou indiretamente empregados, cuja subtração importa na impossibilidade da mesma prestação de serviço ou produção, implicando substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes; c) Materiais de Embalagem: os materiais de embalagem glosados pela Fiscalização e mantidos pelo Acórdão recorrido são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado. Todos os materiais utilizados para a embalagem acabam compondo o produto final da empresa, sendo de suma importância que o produto comercializado tenha sua integridade garantida até sua entrega definitiva. Convém esclarecer que todas as embalagens estão em contato direto com o produto e nenhuma delas retorna para a empresa. Assim, é evidente que a sua utilização é indispensável para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, o que lhe assegura direito ao crédito pretendido; d) Arrendamento mercantil: a lei em momento algum especifica que os custos com contraprestações de arrendamento mercantil devem estar intrinsecamente ligados ao processo de produção, este considerado enquanto um bem que se integra ao produto final objeto da atividade da empresa. Os bens e veículos objeto de arrendamento mercantil formalizado pela Recorrente integram e são essenciais à viabilidade da atividade da empresa como um todo, sem o qual, ainda que indiretamente, o processo de produção fica inviabilizado; e) Crédito presumido de lenha de eucalipto adquirido de pessoas físicas: lenha é utilizada como combustível no processo de produção, compondoo de forma essencial e direta, portanto, não há dúvidas de que faz parte do processo em se tratando de insumo diretamente ligado e consumido no processo de produção da Recorrente, a teor dos atos normativos destacados, ainda que adquiridos de pessoas físicas, em conformidade com a Lei 10.935/04 e IN 660/06 é legitimo o direito creditório em tela. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.324, de Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10835.721181/201456 Acórdão n.º 3201004.330 S3C2T1 Fl. 7 6 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10835.721176/201443, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.324): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. (...) Deferido em parte o pedido e apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, daí o recurso voluntário, ora apreciado. Dos Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos A Recorrente sustenta que transfere de um dos seus estabelecimento para outro matéria prima ou subproduto dela para o devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após o devido tratamento, tornaa apta ao consumo e a acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade Ora, a própria RFB consolidou o entendimento de que as despesas com frete no transporte de insumos incorporamse ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: Fl. 830DF CARF MF Processo nº 10835.721181/201456 Acórdão n.º 3201004.330 S3C2T1 Fl. 8 7 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Como deixa cristalino a Solução de Divergência e mesmo se extrai do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para que se permita a apropriação do créditos sobre o frete pago no transporte do insumo adquirido, há que se ter a aquisição do insumo, operação a que não corresponde a mera transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. No caso, há a remessa de produtos em elaboração de um para outro estabelecimento da mesma empresa, no qual será submetido a um processo de industrialização – a um custo específico, que, portanto, incorporase ao produto final – , tornandoos aptos ao consumo e os acondicionando para posterior revenda. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 10835.721181/201456 Acórdão n.º 3201004.330 S3C2T1 Fl. 9 8 Nesse contexto, temos entendido possível o creditamento, em sintonia com o que decidido pela 3ª Turma da CSRF: DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303007.285, de 15/08/2018) Dos Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados Aqui, a Recorrente contesta o acórdão recorrido, ao fundamento de que os gastos relativos à higienização na produção de alimentos – no seu caso, a fabricação de laticínios – podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois, além de pertinentes, viabilizam o processo produtivo e cuja subtração implicando substancial perda de qualidade do produto. É evidente que, sendo a Recorrente fabricante de produtos laticínios, submetese a rigoroso controle de higienização e limpeza durante todo o seu processo produtivo. Assim, faz jus aos créditos sobre os produtos ou serviços que adquire para viabilizálo. A jurisprudência administrativa é remansosa a respeito do tema. Entre outras: REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. (Acórdão nº 3401004.896, de 21/05/2018) PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito. (Acórdão nº 9303005.652, de 19/09/2017) Dos Materiais de Embalagem Fl. 832DF CARF MF Processo nº 10835.721181/201456 Acórdão n.º 3201004.330 S3C2T1 Fl. 10 9 Dizse que os materiais de embalagem glosados são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. A glosa teve por fundamento o fato de que os gastos com embalagem somente poderiam ser considerados insumos quando incorporada ao produto em fabricação ou quando sofre alteração em suas propriedades, de modo que as embalagens destinadas a apenas proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito de PIS/Cofins. A propósito do tema, a 3ª Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode torná lo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, também, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de Fl. 833DF CARF MF Processo nº 10835.721181/201456 Acórdão n.º 3201004.330 S3C2T1 Fl. 11 10 serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Ademais, e parecenos isso de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regra matriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Assim sendo, devem ser considerados insumos na sistemática não cumulativa do PIS/Cofins os materiais de embalagem utilizados no acondicionamento e transporte do produto Fl. 834DF CARF MF Processo nº 10835.721181/201456 Acórdão n.º 3201004.330 S3C2T1 Fl. 12 11 acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. Do Arrendamento mercantil Sustenta, noutros termos, que a legislação de regência não determina que o bem objeto do arrendamento mercantil deve estar intrinsecamente ligado ao processo produtivo. Assim, os bens e veículos objeto de arrendamento mercantil formalizado pela Recorrente seriam, no seu entender, essenciais à viabilidade da atividade da empresa como um todo, sem o qual, ainda que indiretamente, o processo de produção fica inviabilizado. A matéria encontrase disciplinada no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, na forma seguinte: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 3º. O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: (...) II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. (g.n.) A fiscalização explicou a glosa na forma seguinte: Portanto, foram glosados créditos calculados pela fiscalizada sobre elementos que, embora indispensáveis a sua logística produtiva, não sofreram desgaste ou perda de propriedades físicoquímicas em razão de contato direto com o produto em elaboração, tais como embalagens de transporte (pallets), vasilhame, dispêndios com empilhadeiras, materiais e serviços de limpeza e de laboratório. O mesmo raciocínio norteou as glosas incidentes sobre créditos calculados sobre o maquinário utilizado pela empresa, seja ele integrante de seu ativo imobilizado, objeto de aluguel ou de arrendamento mercantil, pois esta fiscalização entende que, muito embora a restrição "para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" surja literalmente apenas no inciso VI do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o intuito do legislador foi, claramente, restringir o aproveitamento de créditos apenas ao maquinário utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, independentemente da roupagem econômica através da qual o contribuinte incorpore tais bens ao seu processo produtivo. (g.n.) Contudo, o legislador não restringiu o tipo de bem objeto do arrendamento mercantil, mas apenas exigiu que seja utilizado nas atividades realizadas pela pessoa jurídica, não diretamente utilizadas na produção de bens ou na prestação de serviços. Assim, por exemplo, os gastos com o arrendamento de um caminhão utilizado na entrega dos produtos fabricados por uma indústria, ainda que não diretamente utilizados na produção, podem ser considerados créditos na sistemática não cumulativa de PIS/Cofins. Vejam, a propósito, como dispôs, nos fundamentos, a Solução de Consulta nº 205 Cosit, de 24/04/2017: Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10835.721181/201456 Acórdão n.º 3201004.330 S3C2T1 Fl. 13 12 6. O que tais diplomas legais estabelecem é a possibilidade de se descontar créditos relativos aos valores pagos a título de “contraprestações de operações de arrendamento mercantil”. Nenhuma imposição quanto ao objeto do arrendamento é fixada pela legislação. Portanto, nenhum óbice existe em relação a arrendamento mercantil de veículo, desde, naturalmente, que ele seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica. 6.1 Evidentemente, devem ser observados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie, entre outros, a exigência de que tais valores sejam pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, e que tal pessoa jurídica não seja optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). Assim, a nosso juízo, os gastos com o arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa geram o direito ao crédito do PIS/Cofins. Do Crédito presumido de lenha de eucalipto adquirido de pessoas físicas Sustenta a Recorrente, neste tópico do recurso, que a lenha é utilizada como combustível no processo de produção, compondoo de forma essencial e direta, de forma que, ainda que adquiridos de pessoas físicas, é legitimo o direito creditório, em conformidade com a Lei 10.925, de 2004, e Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006. Bem, o que se vê do Termo de Verificação Fiscal, anexado às fls. 291 e ss., é que, quando a fiscalização tratou do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, fêlo apenas com relação à aquisição de leite, conforme comprovam alguns de seus parágrafos, onde o tema é tratado: (...) (...) No concernente ao tema, apenas a afirmação, no voto condutor do acórdão recorrido, de que a aquisição de produto desonerado não pode gerar o direito ao crédito básico de PIS/Cofins. Fl. 836DF CARF MF Processo nº 10835.721181/201456 Acórdão n.º 3201004.330 S3C2T1 Fl. 14 13 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 837DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.902007/2008-52
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
FINOR. RECOLHIMENTO INDEVIDO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO.
Nos termos dos arts. 6° e § 3°, VIII, do art. 26, da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, os valores recolhidos em decorrência de aplicação no FINOR não poderão ser objeto de restituição e, por conseguinte, de compensação.
Numero da decisão: 1001-000.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 FINOR. RECOLHIMENTO INDEVIDO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Nos termos dos arts. 6° e § 3°, VIII, do art. 26, da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, os valores recolhidos em decorrência de aplicação no FINOR não poderão ser objeto de restituição e, por conseguinte, de compensação.
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RECOLHIMENTO INDEVIDO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Nos termos dos arts. 6° e § 3°, VIII, do art. 26, da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, os valores recolhidos em decorrência de aplicação no FINOR não poderão ser objeto de restituição e, por conseguinte, de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 20 07 /2 00 8- 52 Fl. 84DF CARF MF 2 Tratase de pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp n° 13839.14254.220906.1.7.042889, de 22/09/2006, efls. 08/12) em que o contribuinte requereu crédito de R$ 36.121,13, descrevendo DARF que teria sido recolhido em 31/01/2005 (código 2362), correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, e compensação dos débitos discriminados no referido PER/DCOMP . O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório (efl. 36), que analisou as informações relativas ao direito creditório e asseverou que o documento de arrecadação descrito na PERDCOMP não foi reconhecido pelos sistemas da Receita Federal. Pela precisão na descrição dos fatos, reproduzo a seguir o relatório constante no acórdão recorrido (efl. 48): 2. A DERAT/RJ, por meio do despacho decisório de fl. 08, proferido em 24/04/2008, cuja ciência ao interessado foi dada em 05/05/2008 (fl.07), não homologou a compensação declarada, uma vez que o Darf discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. 3. Irresignado, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/ 11, acompanhada dos documentos de fls.12/23, alegando, em síntese, que se valeu de crédito decorrente de Darf de IRPJ recolhido com o código 6677 (Finor), para o qual foi solicitado REDARF no processo n° l0768.0l2754/200264. 4. É o relatório. A Delegacia de Julgamento (Acórdão n. 1228.740 2ª Turma da DRJ/RJ1, efls. 35/39) julgou a manifestação de inconformidade improcedente por entender que retificação de código de receita solicitada não foi procedida em face da vedação expressa contida na Instrução Normativa SRF n° 90, de 31/07/1998. Cientificada da decisão de primeira instância em 20/03/2010 (efl. 38) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 15/04/2010 (efl. 40), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade, e aduz que a administração fazendária resolveu não homologar a compensação realizada, não obstante a existência de recursos mais do que suficientes, na época da apresentação do pedido, para quitação do IRPJ, devido pela empresa contribuinte, no mês de setembro de 2001. há tempos a jurisprudência do Conselho de Contribuintes tem deixado assente que o DARF é passível de retificação, do que serve de exemplo a ementa abaixo transcrita correspondente ao julgamento pela 1a Câmara, em sessão realizada em 2 de dezembro de 2004, do recurso voluntário n° 127333 (Proc. n° 13131.000071/200239), no intuito de consertar tal equívoco, a Recorrente providenciou, em tempo hábil, o REDARF objeto do processo administrativo n° 10768.012754/200264. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 15374.902007/200852 Acórdão n.º 1001000.885 S1C0T1 Fl. 85 3 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Em conseqüência fazse necessário demonstrar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. O recorrente apôs o código 2362 em seu pedido de restituição / compensação. Mas como explicou em sede de manifestação de inconformidade, pretende reaver recolhimento no código 6677, com destino ao Finor. Como bem asseverado pela decisão recorrido, a retificação de código de receita solicitada não foi procedida em face da vedação expressa contida na Instrução Normativa SRF n° 90, de 31/07/1998, constatandose que o processo n° 10768.012754/2002 64 em que pleiteava a retificação do mesmo DARF foi arquivado (efl. 33). No mesmo sentido, conforme já assinalado pela decisão recorrida, o art. 6° da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, assim dispõe: “Art. 69 Os valores recolhidos em decorrência de opções de aplicação do imposto sobre a renda em investimentos regionais Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor), Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam) e Fundo de Recuperação Econômica do Estado do Espírito Santo (Funres) É poderão ser objeto de restituição. ” Já o § 3°, VIII, do art. 26, da Instrução Norrnativa SRF n° 600, de 2005, prescreve: Art. 26 (...) § 3°. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 13: (...) VIII o crédito que não seja passível de restituição ou de ressarcimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 86DF CARF MF 4 Fl. 87DF CARF MF
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