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Numero do processo: 13116.902568/2011-72
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 25 68 /2 01 1- 72 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902568/201172 Acórdão n.º 3803005.387 S3TE03 Fl. 84 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 3 de novembro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 1.231,01. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 16/01/2012, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito reclamado decorreria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, inconstitucionalidade essa já reconhecida pela própria Administração tributária. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de planilha por ele elaborada. A Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na falta de comprovação do indébito, (ii) no fato de que o crédito informado já se encontrava vinculado à quitação de outros débitos da titularidade da pessoa jurídica e (iii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre constitucionalidade de leis. Cientificado do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP em 30 de julho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29 de agosto do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Ribeirão Preto/SP. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902568/201172 Acórdão n.º 3803005.387 S3TE03 Fl. 85 3 Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses totalmente insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Em processos da espécie ao ora analisado, a falta de um mínimo de instrução do processo por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por meio de diligência à repartição de origem, dada a inexistência de qualquer indício fático do direito pleiteado, ou seja, um início de prova que pudesse convencer o julgador quanto à possibilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902568/201172 Acórdão n.º 3803005.387 S3TE03 Fl. 86 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.732608/2011-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
MATÉRIA DE FATO - Não colacionados aos autos documentos que comprovem as alegações recursais e ilidam a legitimidade da ação fiscal, impõe-se a manutenção dos lançamentos.
MULTA DE OFÍCIO. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO.
Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1102-000.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Manoel Mota Fonseca, que cancelavam, nos termos do voto do relator, o Termo de Sujeição Passiva Solidária, e o conselheiro Manoel Mota Fonseca, que também cancelava os lançamentos tributários relativos aos anos de 2008 e 2009, por erro na identificação do sujeito passivo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, Manoel Mota Fonseca.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 MATÉRIA DE FATO - Não colacionados aos autos documentos que comprovem as alegações recursais e ilidam a legitimidade da ação fiscal, impõe-se a manutenção dos lançamentos. MULTA DE OFÍCIO. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.732608/201194 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102000.920 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de setembro de 2013 Matéria Omissão de Receitas Arbitramento Multa Qualificada Recorrente DISTRIBUIDORA DE PNEUS NOSSA SENHORA DA GLÓRIA LTDA (coobrigado ORLANDO BENEVIDES CAVALCANTE) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MATÉRIA DE FATO Não colacionados aos autos documentos que comprovem as alegações recursais e ilidam a legitimidade da ação fiscal, impõese a manutenção dos lançamentos. MULTA DE OFÍCIO. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximirse de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Manoel Mota Fonseca, que cancelavam, nos termos do voto do relator, o Termo de Sujeição Passiva Solidária, e o conselheiro Manoel Mota Fonseca, que também cancelava os lançamentos tributários relativos aos anos de 2008 e 2009, por erro na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 26 08 /2 01 1- 94 Fl. 2120DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 3 2 identificação do sujeito passivo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, Manoel Mota Fonseca. Relatório Tratamse de recursos voluntários interpostos pela Contribuinte e Responsável Solidário contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SÓCIO DE FATO. ADMINISTRADOR DE FATO A responsabilidade tributária de pessoa interposta na atividade empresarial de contribuinte é devida quando ficar comprovada a sua condição de sócio de fato ou de administrador de fato da pessoa jurídica. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Os suprimentos feitos por sócio à empresa a título de integralização de capital, quando não tiverem a origem e a efetiva entrega do numerário comprovadas, caracterizamse omissão de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. A não apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal enseja o arbitramento do lucro, bem como se a Fl. 2121DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 4 3 escrituração mantida pelo contribuinte for considerada imprestável para se determinar o lucro real. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008, 2009, 2010 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Trata se de impugnação a lançamentos tributários do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (fls 3/21) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls 22/37), com fatos geradores ocorridos nos anos calendário 2008, 2009 e 2010, perfazendo o crédito tributário no montante de R$ 5.737.094,05, já computados os juros moratórios e a multa de ofício qualificada (150%). De acordo com a descrição dos fatos contida nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls 61/87), o contribuinte omitiu receita de sua atividade ao incorrer nas seguintes infrações fiscais: (i) SALDO CREDOR DE CAIXA, nos meses de julho a dezembro de 2010, apurado em recomposição da conta caixa escriturada no livro razão, a partir do exame de extratos bancários, conforme demonstrado nas planilhas de fls 38/44 (art. 281, I, do RIR/99); (ii) PASSIVO FICTÍCIO, nos meses de setembro e dezembro de 2010, caracterizado pela manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não foi comprovada, consoante demonstrado em planilhas de fls 45/53 (art. 281, III, do RIR/99); (iii) SUPRIMENTO DE NUMERÁRIOS, em 05.10.2010, efetuado pelos sócios da empresa e registrado na conta caixa do livro razão, no valor de R$ 450.000,00, cuja origem e efetividade da entrega não restou comprovada, conforme Termo de Verificação Fiscal (art. 282 do RIR/99); (iv) FALTA DE DECLARAÇÃO OU RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS, nos meses de janeiro de 2008 a junho de 2010, incidentes sobre a receita bruta conhecida a partir das relações mensais de faturamento e das demonstrações do resultado do exercício, em conformidade com planilhas de fls 54/56; (v) FALTA DE DECLARAÇÃO OU RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS, nos meses de setembro a dezembro de 2010, Fl. 2122DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 5 4 incidentes sobre a receita bruta registrada no livro razão (conta Receita da Revenda de Mercadorias no Mercado), consoante Termo de Verificação Fiscal. As infrações acima foram apuradas em ação fiscal inicialmente desenvolvida sobre o contribuinte submetido, no período de 8 a 12 de novembro de 2010, ao Regime Especial de Fiscalização. Esse regime foi motivado por evidências configuradoras de situações previstas no art. 2º da Instrução Normativa nº 979, de 2009, as quais foram levantadas a partir do exame dos registros societários e fiscais da empresa PENTA COMÉRCIO DE PNEUS LTDA, CNPJ 05.938.487/000171, associados a diligências realizadas pelos setores de investigação (ESPEI) e de programação (SAPAC) da DRF/Fortaleza, e que resultou na constatação de que referida empresa teve continuidade na DISTRIBUIDORA DE PNEUS NOSSA SENHORA DA GLÓRIA, ora impugnante. A apuração do IRPJ e da CSLL observou o regime do lucro arbitrado. No período de 2008, a aplicação dessa sistemática se deu porque o contribuinte não apresentou os livros referentes à sua escrituração contábil e fiscal (art. 530, III, do RIR/99). Nos períodos de 2009 e 2010, a adoção do regime se fez necessária porque a escrituração mantida pelo contribuinte estava imprestável para se determinar o lucro real (art. 530, II, do RIR/99). O senhor Orlando Benevides Cavalcante, CPF 214.166.30325, foi notificado, em 09.12.2011 (fl 1387), dos autos de infração na condição de responsável solidário, porquanto se revelar “verdadeiro proprietário” ou “sócio oculto” tanto da PENTA quanto da DISTRIBUIDORA (arts. 124, I, e 149, VII, do CTN), conforme Termo de Sujeição Passiva de fls 1368/1378. Cientificada pessoalmente da pretensão fiscal em 07.12.2011 (fl 481), a pessoa jurídica apresentou impugnatória em 06.01.2012 (fls 1391/1464), nela pedido a nulidade ou improcedência dos lançamentos, à luz das seguintes alegações: (i) Os autos de infração não observaram o art. 10, III, do Decreto nº 70.235, de 1972, na medida em que a motivação neles contida “não elucida, na tipificação ali carreada [art. 530, III, do RIR/99], as extensões pelo descumprimento de tal preceito, o que traz embaraço à (...) defesa”; (ii) O contribuinte não poderia ter apresentado os livros relativos ao ano de 2008, pois só passou a operar em 2009, auferindo receita somente em 2010, de modo que o arbitramento do lucro constitui providência inadequada para apuração da base tributável; nesse sentido, refere que as empresas Pirelli e Repsol, em respostas às solicitações feitas pela RFB, deixaram bem claro que forneceram produtos ao impugnante somente nos meses finais de 2009, bem como no ano de 2010; Fl. 2123DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 6 5 (iii) Os livros fiscais e contábeis (diário, razão e lalur), relativos aos anos de 2009 e 2010, estão regularmente escriturados, prestandose, portanto, a determinação do lucro real; (iv) Quanto aos anos de 2008 e 2009, os valores registrados na “relação mensal de faturamento” e no “Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício” não dizem respeito à real contabilidade da empresa, razão pela qual não há qualquer indício das movimentações ali declaradas; em conclusão, só se pode tributar o ganho da empresa, e não uma declaração específica, desprovida de qualquer elemento probatório, sob pena de total desrespeito ao princípio da legalidade, uma vez que estaria criando novo fato gerador; nesta senda, eventuais documentos, que não integram a contabilidade da empresa, são imprestáveis para a realização do cálculo do imposto de renda, a menos que exista prova do acréscimo patrimonial, o que não é o caso; (v) No que diz respeito aos suprimentos de caixa feitos pelos sócios a título de aumento de capital, em 2009, e em função de empréstimos, em 2010, nos respectivos valores de R$ 92.727,28 e R$ 495.000,00, esclarecese que tais movimentações foram devidamente escrituradas; curioso observar, neste ponto, que para o cálculo de tributo, basta existir documento desconexo da contabilidade da empresa, ainda que sem qualquer prova que venha a atestar a veracidade de tal documento, e independentemente de qualquer acréscimo patrimonial do impugnante; entretanto, para se deixar de cobrar a mesma espécie de tributo, a regular declaração contábil já não serve, devendo o contribuinte fazer prova da declaração; (vi) A afirmação de que a DISTRIBUIDORA é a sucessora de fato da PENTA está baseada em mera suposição, vez que desprovida de elementos de prova; de fato, as conjecturas realizadas nos autos de infração, acerca do assunto, baseiamse em uma aparente coincidência de endereços, número de telefone e funcionários, a qual, por óbvio, não pode conduzir à declaração de tamanha gravidade; ademais, tais pessoas jurídicas sequer têm sócio em comum; (vii) Igualmente a assertiva de que o Sr. Orlando Benevides Cavalcante é o proprietário da PENTA e da DISTRIBUIDOR carece de prova, não sendo suficiente para confirmala o fato de o responsável solidário ser sócio de outras empresas que atuam em ramo assemelhado ou ser parente dos sócios do impugnante. Em 09.01.2012, o responsável solidário também apresentou impugnação (fls 1521/1536), na qual contesta a sujeição passiva que lhe é atribuída, pedindo igualmente a improcedência dos lançamentos. Para tanto, sustenta que: (i) a responsabilidade solidária está lastreada em indícios frágeis (vínculo de parentesco com os sócios das pessoas jurídicas, a mudança de instalação predial das pessoas jurídicas, titularidade de outras empresas que atuam em ramo Fl. 2124DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 7 6 assemelhado; ser titular de empresa que funciona no mesmo endereço da DISTRIBUIDORA etc); (ii) não pode ser responsabilizado pelo crédito tributário das pessoas jurídicas das quais sequer é sócio; (iii) se a fiscalização quer responsabilizálo, necessário se faz que o contrato social, que carreia presunção de veracidade (pois contém a chancela da Junta Comercial), seja previamente declarado falso; (iv) não sendo sócio, não tem acesso aos dados contábeis, de modo que não pode responder as acusações relativas às infrações fiscais; (v) nenhum ato praticado pelo impugnante evidencia a condição de sócio de fato ou oculto, a exemplo da assinatura no verso dos cheques emitidos pela DISTRIBUIDORA, pois o fez como fiador do título de crédito. Essa Turma de julgamento apreciou inicialmente o presente processo em 10 de abril de 2012, quando decidiu converter o julgamento em diligência, conforme a Resolução nº 08.002.354 (fls. 1541/1562). Realizada a diligência e juntados os documentos correspondentes (fls. 1564/1968), o responsabilizado foi cientificado e apresentou a manifestação contida nas fls. 1971/1976)”. O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte e pelo Responsável Solidário pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte e o Responsável Solidário reproduzem suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere: (i) à deficiência na caracterização de sujeição passiva por insuficiência das provas colhidas pela Fiscalização; (ii) ao cerceamento de defesa, em função da inexistência de tipificação legal do arbitramento dos anos de 2008 e 2009; (iii) ao cerceamento de defesa, em virtude da falta de organização e numeração do processo administrativo; (iv) à inatividade do Contribuinte nos anos de 2008 e 2009; (v) à impossibilidade de se utilizar balanço e DRE não escriturados como base para a autuação; (vi) ao erro ao calcular o tributo com base no lucro arbitrado na sistemática aplicada aos casos em que a receita é conhecida; (vii) ao erro na identificação do sujeito passivo; (viii) à ausência de elementos para o agravamento da multa; e (ix) ao erro na apuração da base de cálculo do lançamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 2125DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 8 7 Os recursos voluntários da Contribuinte e do Responsável Solidário são tempestivos e interpostos por parte legítima, pelo que deles se toma conhecimento. (i) Da sujeição passiva Conforme salientado em sede de relatório, o Recorrente impugna o termo de responsabilidade tributária solidária (“Termo”) sob o fundamento de que as provas colhidas pela Fiscalização seriam insuficientes para caracterização de tal responsabilidade. De acordo com o Termo (fls. 1368/1378), “no exercício do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em procedimento de fiscalização desenvolvido junto à contribuinte DISTRIBUIDORA DE PNEUS NOSSA SENHORA DA GLÓRIA, CNPJ Nº 73.641.409/000160, de que trata o MPF nº 03.1.01.002010014272, foram constatados os fatos abaixo relatados, que evidenciam a coresponsabilidade do Sr. ORLANDO BENEVIDES CAVALCANTE, CPF Nº 214.166.30325, em relação ao crédito tributário resultantes da dita fiscalização, na forma do art. 124, I, combinado com o artigo 149, inciso VII da Lei nº 5.172/66 (...)”. Não procede a pretensão da Fiscalização de atribuir responsabilidade solidária entre a Contribuinte e o Recorrente à luz do art. 124, I do CTN. “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;”. Dada a amplitude e generalidade da expressão “interesse comum”, esta (expressão) não pode ser tomada em acepção vulgar ou identificada em situações em que se aponte popularmente a existência de “interesse comum”. Fosse admitida a responsabilidade dos sócios/administradores apenas por alegado “interesse comum no fato gerador”, seria desnecessária a previsão do art. 135 do CTN, por exemplo, pois se desconhece hipótese em que sócios ou administradores não tenham “interesse” nas operações realizadas pelas empresas por eles administradas. A expressão “interesse comum” há de ser considerada somente nas situações em que existente a comunhão da posição jurídica das pessoas em relação direta com o fato gerador da obrigação tributária, tal como ocorre, por exemplo, entre condôminos em relação aos tributos incidentes sobre o imóvel de sua propriedade ou entre herdeiros em relação aos tributos devidos pela sucessão causa mortis. Em outros termos, somente pode ser responsabilizado solidariamente com base na lei o participante do fato gerador que tenha ocupado o mesmo pólo ou exercido a mesma atividade efetivada pelo contribuinte eleito pela lei. Nesse sentido, é o entendimento do Prof. PAULO DE BARROS CARVALHO sobre o conceito de “interesse comum” 1, verbis: “O interesse comum dos participantes na realização do fato jurídico tributário é o que define, segundo o inc. I, o aparecimento da solidariedade entre os devedores. A expressão empregada, sobre ser vaga, não é um roteiro seguro para a identificação do nexo que se estabelece entre os devedores da prestação tributária. Basta refletirmos na hipótese do imposto que onera as transmissões imobiliárias. No Estado de São Paulo, 1 “Curso de Direito Tributário”, 12ª ed., São Paulo: Saraiva, 1999, p. 309/310, grifamos. Fl. 2126DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 9 8 a lei indica o comprador como o sujeito passivo do gravame. Entretanto, quer ele quer o vendedor estão diretamente ligados à efetivação do negócio, havendo indiscutível interesse comum. (...) Aquilo que vemos repetirse com freqüência, em casos dessa natureza, é que o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale, sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributário, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre os sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador.” Compartilhando deste entendimento, LUIZ ANTONIO CALDEIRA MIRETTI2 afirma: “Cabe ressaltar que a disposição genérica, ‘interesse comum’, adotada pelo legislador do CTN, não é suficientemente, adequada para revelar com precisão e segurança a exata medida da condição em que figuram os participantes da concretização do fato gerador, já que existem hipóteses nas quais pessoas com interesse comum estão presentes e contribuem para a ocorrência do fato jurídico tributário, mas apenas uma delas é o sujeito passivo da obrigação. Exemplo dessa situação ocorre na prestação de serviços em que haja incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS, sendo o prestador e o tomador dos serviços partícipes do correspondente fato gerador, com evidente interesse comum na realização e obtenção dos serviços, respectivamente, e assim mesmo o sujeito passivo está somente na pessoa do prestador de serviços. Portanto, há interesse comum na situação que constitui o fato gerador, mas não há solidariedade passiva, visto que não existe mais de um sujeito passivo na relação tributária. Feita essa breve ressalva quanto à imprecisão da utilização da expressão ‘interesse comum’, fazse necessário abordar situação em que fica configurada a solidariedade passiva. Também em relação ao próprio ISS, há situação que evidencia a solidariedade, consubstanciada na existência de uma ou mais 2 "Comentários ao Código Tributário Nacional”, São Paulo: Saraiva, 1998, p. 203, grifamos. Fl. 2127DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 10 9 pessoas na qualidade de prestadoras de um único serviço para o mesmo tomador, ficando nítida nesse caso a presença de vários sujeitos passivos na mesma relação tributária, solidariamente obrigados em relação ao cumprimento da prestação tributária.” Na mesma linha de entendimento, o Prof. SACHA CALMON DE NAVARRO COELHO ao comentar o art. 124, I do CTN, ensina3, verbis: “Em direito tributário, têmse dois tipos de solidariedade. O inciso I noticia a solidariedade natural. É o caso dos dois irmãos que são coproprietários ‘proindiviso’ de um trato de terra. Todos são, naturalmente, codevedores solidários do imposto territorial rural (ITR).” LUCIANO AMARO4 também é taxativo em relação às situações que importam no reconhecimento do interesse comum previsto no art. 124, I do CTN, verbis: “(...) o fato de o Código Tributário Nacional dizer que, em determinada operação (p. ex., a alienação de imóvel), a lei do tributo pode eleger qualquer das partes como contribuinte não significa que, tendo eleito uma delas, a outra seja solidariamente responsável. Poderá sêlo, mas isso dependerá de expressa previsão em lei (já agora nos termos do item II do art. 124). Até porque nessa hipótese o interesse de cada uma das partes no negócio não é comum, não é o mesmo; o interesse do vendedor é na alienação, o interesse do comprador é na aquisição.” (...) O interesse comum no fato gerador põe os devedores solidários numa posição também comum. Se, em dada situação (a co propriedade, no exemplo dado), a lei define o titular do domínio como contribuinte, nenhum dos coproprietários seria qualificável como terceiro, pois ambos estariam ocupando, no binômio Fiscocontribuinte, o lugar do segundo (ou seja, o lugar do contribuinte).” O Superior Tribunal de Justiça ratificou tal entendimento ao atestar que o “interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível”, conforme julgado abaixo, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes 3 “Comentários ao Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25.10.66)”, Rio de Janeiro: Forense, 1997,p. 285, grifamos. 4 “Direito Tributário Brasileiro”, 3ª edição, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 295, grifamos. Fl. 2128DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 11 10 solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. (...) 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: ... 7. Conquanto a expressão ‘interesse comum’ encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: ‘... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador.’ (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220). 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). 11. In casu, verificase que o Banco Safra S/A não integra o pólo passivo da execução, tãosomente pela presunção de solidariedade Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 12 11 decorrente do fato de pertencer ao mesmo grupo econômico da empresa Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil. Há que se considerar, necessariamente, que são pessoas jurídicas distintas e que referido banco não ostenta a condição de contribuinte, uma vez que a prestação de serviço decorrente de operações de leasing deuse entre o tomador e a empresa arrendadora. ... 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A.” (REsp 884.845/SC (2006/02065654), STJ, 1ª Turma, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 05/02/2009, DJe 18/02/2009 – grifos nossos). Sobre o ponto, ainda, vejase que o próprio acórdão recorrido rechaça a utilização desse fundamento para a imputação de responsabilidade, verbis: “Ocorre que o interesse comum acima manifesto, ficaria, em meu entender, patente às pessoas jurídicas, e não à pessoa física do administrador. Para a responsabilização pessoal deste, nos termos do art. 124, I, do CTN, seria necessário a comprovação da comunhão ou confusão no recebimento das receitas ou rendimentos por parte do administrador e da pessoa jurídica. O que não ficou patente nos autos.” A responsabilização pessoal dos dirigentes de pessoas jurídicas de direito privado – sejam eles de fato ou de direito – é excepcional e condicionada à presença dos requisitos estabelecidos no art. 135, III do CTN, qual seja: prática de atos com excesso de poder ou infração da lei, estatuto ou contrato social. Diferentemente do que ocorre com o art. 124, I do CTN, tal responsabilização tem natureza subsidiária em relação ao devedor principal e, portanto, não permite à Fazenda Nacional inserir o nome do sócio/administrador originariamente na CDA em litisconsórcio com o contribuinte. Não se trata, pois, de mera remissão equivocada do Termo a dispositivo de lei, mas de opção pela Fiscalização por regime (de responsabilidade) inaplicável à espécie. Daí porque também é inadmissível a pretensão do acórdão recorrido de lançar mão do art. 135 do CTN (em substituição ao art. 124, I do CTN) para manter a imputação de responsabilidade solidária no caso. Diante do art. 146 do CTN5, não é dado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico adotado para o ato de imputação de responsabilidade tributária para sanar equívoco do lançamento originário. RICARDO LOBO TORRES6 ensina que a “autoridade administrativa, depois de efetivado o lançamento, não pode alterálo, de ofício, sob o argumento de que a interpretação jurídica adotada não era a correta, a melhor ou mais justa. Nem mesmo se os Tribunais Superiores do País firmarem orientação jurisprudencial em sentido diverso daquela que prevaleceu no lançamento, com o que se teria robustecido a convicção da presença do erro de direito, poderá o agente fazendário modificar o ato para agravar a situação dos contribuintes.” Por sua vez, PAULO DE BARROS CARVALHO7, ao tratar do art. 146 do CTN, assevera que a “autoridade administrativa não está autorizada a majorar pretensão 5 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 6 TORRES, Ricardo Lobo. Anulação de incentivos fiscais – efeitos no tempo. RDDT 121/127, out/05. 7 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 13ª ed. São Paulo: Saraiva, 2000. P. 419. Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 13 12 tributária, com base em mudança de critério jurídico. Pode fazêlo, sim, provando haver erro de fato. Mas como o direito se presume conhecido por todos, a Fazenda não poderá alegar desconhecêlo, formulando uma exigência segundo determinado critério e, posteriormente, rever a orientação, para efeito de modificála. A prática tem demonstrado a freqüência de tentativas da Administração, no sentido de alterar lançamentos, fundandose em novas interpretações de dispositivos jurídicotributários. A providência, entretanto, tem sido reiteradamente barrada nos tribunais judiciários, sobre o fundamento explícito no art. 146 do Código Tributário Nacional (...)". Na mesma linha de entendimento, MISABEL ABREU MACHADO DERZI8 ensina que o “legislador está impedido, por força do princípio da irretroatividade do ato administrativo, de autorizar a ampla revisão do lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo. Observese que todas as hipóteses elencadas no art. 149 de revisão referemse, antes, a erro da Administração, provocado por culpa, omissão, dolo ou fraude do próprio contribuinte ou de terceiro. Não é possível alterar lançamento por erro de direito ou por singela mudança de critério jurídico a que a própria Administração deu causa”. Tais entendimentos são também seguidos pelo Prof. EDUARDO SABBAG9 ao afirmar que “inexiste previsão de erro de direito, entre as hipóteses do art. 149, como causa permissiva de revisão de lançamento anterior”. Tratase de entendimento pacificado e submetido ao regime de recurso repetitivo do art. 543C do CPC, conforme decisão da PRIMEIRA SEÇÃO do E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA proferida nos autos do Recurso Especial nº 1130545/RJ (doc.12), no sentido de que “nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no artigo 146, do CTN”, conforme ementa abaixo, verbis: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IPTU. RETIFICAÇÃO DOS DADOS CADASTRAIS DO IMÓVEL. FATO NÃO CONHECIDO POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO ANTERIOR (DIFERENÇA DA METRAGEM DO IMÓVEL CONSTANTE DO CADASTRO). RECADASTRAMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. (...) 4. Destarte, a revisão do lançamento tributário, como consectário do poderdever de autotutela da Administração Tributária, somente pode ser exercido nas hipóteses do artigo 149, do CTN, observado o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. 5. Assim é que a revisão do lançamento tributário por erro de fato (artigo 149, inciso VIII, do CTN) reclama o desconhecimento de sua existência ou a impossibilidade de sua comprovação à época da constituição do crédito tributário. 8 DERZI, Misabel Abreu Machado. Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. atualizada de Aliomar Baleeiro. Rio de Janeiro: Forense, 2000. P.811. 9 Eduardo Sabbag, in "Manual de Direito Tributário", 1ª ed., Ed. Saraiva, pág. 707. Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 14 13 6. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no artigo 146, do CTN, segundo o qual "a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". 7. Nesse segmento, é que a Súmula 227/TFR consolidou o entendimento de que "a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento". 8. A distinção entre o "erro de fato" (que autoriza a revisão do lançamento) e o "erro de direito" (hipótese que inviabiliza a revisão) é enfrentada pela doutrina, verbis: “Enquanto o 'erro de fato' é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, o 'erro de direito' é vício de feição internormativa, um descompasso entre a norma geral e abstrata e a individual e concreta. Assim constitui 'erro de fato', por exemplo, a contingência de o evento ter ocorrido no território do Município 'X', mas estar consignado como tendo acontecido no Município 'Y' (erro de fato localizado no critério espacial), ou, ainda, quando a base de cálculo registrada para efeito do IPTU foi o valor do imóvel vizinho (erro de fato verificado no elemento quantitativo). 'Erro de direito', por sua vez, está configurado, exemplificativamente, quando a autoridade administrativa, em vez de exigir o ITR do proprietário do imóvel rural, entende que o sujeito passivo pode ser o arrendatário, ou quando, ao lavrar o lançamento relativo à contribuição social incidente sobre o lucro, mal interpreta a lei, elaborando seus cálculos com base no faturamento da empresa, ou, ainda, quando a base de cálculo de certo imposto é o valor da operação, acrescido do frete, mas o agente, ao lavrar o ato de lançamento, registra apenas o valor da operação, por assim entender a previsão legal. A distinção entre ambos é sutil, mas incisiva." (Paulo de Barros Carvalho, in "Direito Tributário Linguagem e Método", 2ª Ed., Ed. Noeses, São Paulo, 2008, págs. 445/446). “O erro de fato ou erro sobre o fato darseia no plano dos acontecimentos: dar por ocorrido o que não ocorreu. Valorar fato diverso daquele implicado na controvérsia ou no tema sob inspeção. O erro de direito seria, à sua vez, decorrente da escolha equivocada de um módulo normativo inservível ou não mais aplicável à regência da questão que estivesse sendo juridicamente considerada. Entre nós, os critérios jurídicos (art. 146, do CTN) reiteradamente aplicados pela Administração na feitura de lançamentos têm conteúdo de precedente obrigatório. Significa que tais critérios podem ser alterados em razão de decisão judicial ou administrativa, mas a aplicação dos novos critérios somente pode darse em relação aos fatos geradores Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 15 14 posteriores à alteração." (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in "Curso de Direito Tributário Brasileiro", 10ª Ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2009, pág. 708). “O comando dispõe sobre a apreciação de fato não conhecido ou não provado à época do lançamento anterior. Dizse que este lançamento teria sido perpetrado com erro de fato, ou seja, defeito que não depende de interpretação normativa para sua verificação. Frisese que não se trata de qualquer 'fato', mas aquele que não foi considerado por puro desconhecimento de sua existência. Não é, portanto, aquele fato, já de conhecimento do Fisco, em sua inteireza, e, por reputálo despido de relevância, tenhao deixado de lado, no momento do lançamento. Se o Fisco passa, em momento ulterior, a dar a um fato conhecido uma 'relevância jurídica', a qual não lhe havia dado, em momento pretérito, não será caso de apreciação de fato novo, mas de pura modificação do critério jurídico adotado no lançamento anterior, com fulcro no artigo 146, do CTN, (...). Neste art. 146, do CTN, prevêse um 'erro' de valoração jurídica do fato (o tal 'erro de direito'), que impõe a modificação quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua ocorrência. Não perca de vista, aliás, que inexiste previsão de erro de direito, entre as hipóteses do art. 149, como causa permissiva de revisão de lançamento anterior." (Eduardo Sabbag, in "Manual de Direito Tributário", 1ª ed., Ed. Saraiva, pág. 707). (REsp 1130545/RJ (2009/00568067), STJ, Primeira Seção, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 09/08/2010, DJe 22/02/2011). No mesmo sentido, citese outra decisão da PRIMEIRA SEÇÃO do E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, verbis: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. REVISÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. SÚMULA 227/TRF. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE APRECIA O MÉRITO RECURSAL. PRIMEIRO PARADIGMA NÃO APRECIA O MÉRITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COLACIONADOS COMO DIVERGENTES. SEGUNDO PARADIGMA APLICA IDÊNTICO ENTENDIMENTO. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. INDEFERIMENTO LIMINAR DOS EMBARGOS. 1. Acórdão embargado no sentido de que a revisão de lançamento do imposto por erro de classificação operada pelo Fisco, que aceitou as declarações do importador quando do desembaraço aduaneiro, constituise em mudança de critério jurídico, o que é vedado pelo CTN (Súmula 227/TFR). A Primeira Turma considerou que o lançamento suplementar é, portanto, incabível quando motivado por erro de direito. 2. Acórdãos paradigmas da Segunda Turma, cujas hipóteses cuidam de erro de fato, e não erro de direito; o primeiro aresto Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 16 15 aplica a Súmula 7/STJ, e o segundo aplica a mesma jurisprudência do acórdão embargado. 3. A ausência de similitude fática e, bem como a ausência de divergência entre os arestos confrontados ensejam o indeferimento liminar dos embargos de divergência. Agravo regimental improvido.” (AgRg nos EREsp 1112702/SP (2010/01432166), Primeira Seção, STJ, Relator Ministro HUMBERTO MARTINS, j. 27/10/2010, DJe 16/11/2010, grifamos). A vedação à revisão do lançamento fiscal nos casos de erro de direito já encontrava apoio na Súmula nº 227 do extinto TFR, ao dispor que: “A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento”. Por tais fundamentos, o Termo merece ser anulado. Por decorrer de fato estranho à (im)procedência dos fatos alegados pela Fiscalização ao longo do procedimento fiscal, o cancelamento do Termo não impede a Fazenda Nacional de, se o caso, redirecionar ao ora Responsável Solidário eventual execução fiscal proposta contra a Contribuinte com base nesses mesmos fatos, a teor do disposto no art. 135, III do CTN e na legislação processual vigente. (ii) Preliminarmente: do alegado cerceamento de defesa Não se verifica no presente caso o cerceamento de defesa. O processo administrativo eletrônico visa, justamente, facilitar o acesso do contribuinte aos documentos, evitando as dificuldades geralmente enfrentadas para a obtenção de cópia nos casos dos antigos processos em papel. Os Recorrentes ainda alegam que as folhas não estão numeradas, afirmação esta que não procede, pois a todas as folhas do Processo Administrativo é conferida numeração pelo sistema informatizado da RFB. (iii) Do mérito: do arbitramento de lucro realizado pela Fiscalização, da omissão de receitas e sujeição passiva Conforme se depreende da leitura do Termo de Verificação Fiscal, a Fiscalização, em suas diligências às dependências administrativas da empresa, localizou e apreendeu Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), assinados pelo contador e diretores da Contribuinte que não condiziam com os valores escriturados nos livro fiscais. As referidas demonstrações financeiras registravam valores nos anos de 2008 e 2009, bem como no período de janeiro a junho (1º semestre) do ano de 2010. É de se destacar que para o ano de 2008, a Contribuinte não forneceu os livros contábeis, apresentando somente os livros referentes aos anos de 2009 e 2010. Assim, para o ano de 2008, a Fiscalização estava de posse apenas de demonstrações financeiras não escrituradas, enquanto que, para os anos de 2009 e 2010, havia duas documentações contábeis, uma escriturada (oficial) e outra não escriturada (não oficial). Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 17 16 Para os anos de 2009 e 2010, ainda, a Fiscalização apurou também omissão de receita, mediante a verificação de saldo credor de caixa, passivo fictício, suprimentos de numerários e compras não contabilizadas (hipóteses previstas nos art. 281 e 282 do RIR/99). Ao determinar os valores que seriam base para o arbitramento do lucro, a Autoridade Fiscal utilizouse, para todos os trimestres de 2008 e 2009, bem como para o primeiro e segundo trimestre de 2010, as receitas informadas na Demonstração de Resultado do Exercício assinada pelo contador e diretores da Contribuinte (fls. 86), verbis: “78. Para efeito de cálculo do arbitramento acima referido, relativo ao período compreendido entre o primeiro trimestre de 2008 e o segundo trimestre de 2010, adotase por base, os montantes da “receita bruta” colhidos das Demonstrações de Resultado do Exercício retidas pela fiscalização no estabelecimento da empresa por ocasião do REF, decompostos os valores mensais indicados nas planilhas que, com as ditas demonstrações, foram também retidas naquela ocasião por esta fiscalização, cabendo ressaltar que em relação a esse período, deixase de arrolar na base do arbitramento, as omissões de receitas listadas no item 73, ‘a’, ‘b’ e ‘c’, do presente Termo, porquanto foram por nós consideradas absorvidas no montante retratado nas demonstrações financeiras retidas, cujos valores se apresentam muito superiores às ditas omissões, mesmo somadas à receita escriturada nos livros oficiais da fiscalizada. Já em relação ao terceiro e quatro trimestre de 2010, adotase com base de cálculo do lucro arbitrado nos respectivos períodos, os valores correspondentes as receitas consignadas na escrituração contábil apresentada à fiscalização, somadas às receitas dela omitidas, conforme descrito no item 73, “d” e “e” do presente Termo.” Em que pesem os argumentos dos Recorrentes, a par de a citada Demonstração do Resultado do Exercício e Planilha de Faturamento Mensal (a) ter sido encontrada no estabelecimento da Contribuinte, (b) estar assinada pelos representantes da Contribuinte e seu contador e (c) apresentar detalhamento de rubricas e contas patrimoniais incompatíveis com a falsidade alegada, digase que a Fiscalização colheu elementos suficientes para demonstrar a improcedência das alegações e da escrita fiscal “oficial” apresentada pela Contribuinte ao longo do procedimento fiscal. Nesses termos, são improcedentes as alegações dos Recorrentes no sentido de que (a) a Contribuinte estaria inativa nos anos de 2008 e 2009, (b) seria ilegítima a utilização de balanço e DRE não escriturados como base para a autuação e (c) haveria erro na sujeição passiva. Notese, nesse particular, a evidente identidade/sucessão entre as empresas, considerada a identidade do quadro de funcionários, de diretores, de estabelecimento e de clientes. Em vista de os argumentos apresentados pelos Recorrentes serem reprodução dos argumentos em impugnação, pedese vênia para transcrever trecho do acórdão recorrido sobre o tema, adotando suas razões como fundamento desse voto, verbis: A informação prestada por essas duas empresas, na condição de fornecedoras do autuado, constitui apenas indício fragmentário (alta dispersão) de que o autuado não auferiu receita no ano de 2008. Além de fragmentário, o indício é desmentido por demonstrativos gerados pelo próprio autuado (Balanço Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 18 17 Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício e Planilha de Faturamento Mensal), assinados pelo seu representante legal e contador, o que lhes confere autenticidade e, por conseguinte, veracidade (fls 96/100). Tais demonstrativos se referem aos anos de 2008, 2009 e parte de 2010, tendo sido apreendidos pela fiscalização no interior do estabelecimento do impugnante. Sobre eles discorre a autoridade fiscal: Entre esses documentos, impressionounos a existência no interior do escritório da gerência administrativa da empresa, de folhas impressas, no original, com o conteúdo do “Balanço Patrimonial” e da “Demonstração do Resultado do Exercício” dos anoscalendário de 2008, 2009 e do 1° semestre2010, em nome da empresa Distribuidora de Pneus Nossa Senhora da Glória, assinados pelo sócio Marcos Cavalcante Evangelista, CPF 455.261.41349 e pelo contador Marcio José Jorge de Sá CRCCE 7992, CPF 203.354.40363, cujos dados destoam gravemente da situação patrimonial espelhada nos assentamentos contábeis oficiais da fiscalizada. Tais demonstrações se encontravam acompanhadas de relações com indicação do faturamento mensal da referida empresa, igualmente assinadas pelas mesmas pessoas acima citadas. Com efeito, as demonstrações financeiras acima referidas especificam uma série de rubricas patrimoniais, cujos saldos, levantados nas datas de 31/12/2008, 31/12/2009 e 30/06/2010, se apresentam gravemente distorcidos dos valores indicados na contabilidade oficial da empresa, conforme se infere pelas demonstrações comparativas abaixo detalhadas. Por outro lado, a receita bruta expressa nas Demonstrações do Resultado do Exercício, também retidas por esta fiscalização, indicam que o faturamento auferido pela empresa naqueles períodos, foram de montantes muito superiores aos registrados na sua escrituração oficial (...) Emprestase, portanto, valor probatório a esses documentos, já que os meios legais, bem como os moralmente legítimos, são hábeis para provar a verdade dos fatos (art. 323 do Código de Processo Civil CPC). Compete ao contribuinte comprovar que as informações neles contidas (especialmente as relativas à receita bruta mensal) estão equivocadas ou não guardam correspondência com a realidade (art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999). A alegação de que tais valores serviriam apenas para obter crédito ou financiamento perante instituição financeira importa a tentativa de se valer da própria torpeza para obter vantagem neste processo, o que é rechaçado pelo art. 4º, II, da Lei nº 9.784, de 1999. Ora, de posse da receita bruta mensal e não dispondo o contribuinte dos livros referentes à sua escrituração contábil e Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 19 18 fiscal, nada mais teria restado à autoridade fiscal senão arbitrar o lucro tributável, com base na receita bruta conhecida, como determina o art. 530, III, do RIR/99. Nos períodos de 2009 e 2010, a adoção do arbitramento se fez necessária porque a escrituração mantida pelo contribuinte estava imprestável para se determinar o lucro real (art. 530, II, do RIR/99). Por sua vez, o contribuinte alega que os livros fiscais e contábeis (diário, razão e lalur), relativos aos anos de 2009 e 2008, estão regularmente escriturados, prestandose, portanto, à determinação do lucro real. Ademais, não obteve faturamento no ano de 2009. Mais uma vez a autoridade fiscal arbitrou o lucro com base na receita bruta conhecida à luz do Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício e Planilha de Faturamento Mensal, já acima referenciados. Para considerar inservível a escrituração apresentada, a autoridade fiscal teceu a seguinte motivação: A explicação trazida pela empresa, longe de elidir a existência de atividades operacionais controladas em contabilidade paralela, só demonstra o grau de descalabro da sua contabilidade oficial, uma vez que não se concebe que essas demonstrações financeiras, com o grau de detalhamento nelas visto e devidamente assinadas, tanto pelo representante da sociedade como pelo seu contador, possam simplesmente terem surgido do "nada", sendo meras presunções como quer fazer crer o signatário da resposta dada à fiscalização, mormente à vista do conjunto probatório levantado na presente fiscalização que, por si só, já desqualificaria a veracidade da situação patrimonial retratada na contabilidade oficial da empresa, a denunciar, por via de consequência, a existência de atividades praticadas à margem, pela fiscalizada. Com efeito, mesmo nos livros oficiais da fiscalizada, as inconsistências são gritantes, perpassando desde o estoque lastreado em notas fiscais inidôneas, no valor de R$ 5.869.662,78 (relatado no item 36), como pelas inúmeras formas de omissão de receitas retratadas em saldos credores de caixa, passivo fictício e suprimentos de numerários sem origem comprovada, cujos valores montam R$ 603.156,52 em 2009 e R$ 12.079.967,38 em 2010 (relatado nos itens 38 a 46), não se perdendo de vista as circunstâncias exóticas de funcionamento dessa empresa conforme discorrido a seguir: (...) Apesar das informações constantes do banco de dados da SEFAZ/CE indicarem que a empresa efetuou compras no montante de R$ 578.103,47 em 2009, e de R$ 5.902.559,29, em 2010, nenhum tributo federal foi Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 20 19 recolhido pela empresa nesses dois anos, tampouco as DCTF apresentadas apontam existência de débito. (...)Os demonstrativos (BP e DRE) retidos dentro das instalações da Distribuidora de Pneus Nossa Senhora da Glória LTDA informam receitas no valor de R$ 14.467.601,00 em 2008, R$ 23.458.034,00 em 2009 e R$ 11.712.876,00 no 1°/sem/2010. Ou seja, há compatibilidade dessas receitas com o que já movimentava financeiramente a empresa PENTA, sucedida, conforme já se viu antes. (...) Não é de hoje que contribuintes suprimem fatos contábeis de suas escriturações, sem deixar alças a identificálos, a fazem incompleta e às vezes desguarnecidas de documentos, no mais das vezes com um único propósito de diminuir indevidamente seus tributos. Com efeito, não se pode admitir como razoável o mesmo contribuinte apresentar duas situações patrimoniais distintas: para a fiscalização tributária, alega estar inativa no ano de 2008, por exemplo, e para outros fins indica ter faturado nesse período o montante de R$ 14.467.601,00, discrepâncias que se sucedem nos anos de 2009 e 2010, conforme já visto acima. Ora, tratandose de uma empresa que opera na rede bancária tomando empréstimo e com fornecedores multinacionais, como é o caso da Pirelli, é essencial que sua contabilidade espelhe com exatidão seu verdadeiro patrimônio, suas operações e sua rentabilidade, sendo relevantes essas informações não apenas para o Fisco, mas também para todas as pessoas que com ela operam. Na teoria contábil, é bem definida e defendida a posição de que os Demonstrativos Contábeis devem representar os fatos econômicos, sempre se preocupando com a sua substância, a sua essência, a sua verdadeira natureza. Em outras palavras, os "balanços" traduzem os resultados provenientes das múltiplas operações em período de tempo determinado, exteriorizados em expressões numéricas. (grifo nosso) Eis os fundamentos para se considerar a escrituração inservível à apuração do lucro real, os quais não foram especificamente contraditados pelo impugnante. Pela flagrante incompatibilidade entre os valores escriturados e os espelhados em documentos produzidos pelo próprio impugnante, bem como em relação às informações obtidas de terceiros, dou também pela imprestabilidade da escrituração para a apuração do lucro real, de modo que adequada é a medida de arbitrar o lucro tributável. Do suprimento de caixa Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 21 20 No que diz respeito aos suprimentos de caixa feitos pelos sócios a título de aumento de capital, em 2009, e em função de empréstimos, em 2010, nos respectivos valores de R$ 92.727,28 e R$ 495.000,00, a empresa foi intimada a comprovar a origem e efetiva entrega desses numerários, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. Porém, a resposta foi que nada tinha a acrescentar, levando a fiscalização a concluir pela não comprovação da efetividade dos ditos suprimentos de caixa, incidindo na espécie a presunção legal de omissão de receita, prevista no art. 282 do RIR/99. Por sua vez, o impugnante esclarece que tais movimentações foram devidamente escrituradas, o que seria suficiente para elidir a caracterização do suprimento de numerário. Entretanto, como já observado pela fiscalização, a mera escrituração dos valores a título de suprimento de caixa não afasta a infração prevista no art. 282 do RIR/99, verbis: Suprimentos de Caixa Art.282.Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Como se verifica, a presunção de omissão de receita se aperfeiçoa se o fiscalizado não comprova a efetividade da entrega ou a origem dos recursos supridos. Na espécie, o contribuinte não se ocupa de tais aspectos, de modo que é procedente a infração imputada. (iv) Da imputação de multa agravada e qualificada Filieime no passado à corrente jurisprudencial que assentava o entendimento de que a apresentação de declaração “zerada” pelo contribuinte, por si só, não seria suficiente para justificar a qualificação da multa de ofício aplicada no lançamento, independentemente do montante dos valores omitidos ou da quantidade de anoscalendário, em vista do fato de esta se caracterizar em mera “declaração inexata”. Contudo, refletindo melhor sobre a questão, pareceme que a prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximirse de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. Esse entendimento encontra respaldo em precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 22 21 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. Os argumentos da autuada para sustentar nulidade dos lançamentos devem ser rejeitados, quando as provas dos autos mostrarem o contrário do alegado. Da mesma forma este Colegiado não acolhe alegações de nulidade, quando os argumentos destoam de pacífica e conhecida jurisprudência da casa. IRPJ DECADÊNCIA CONTAGEM DO PRAZO Na existência de dolo, a regra de decadência do IRPJ, deslocase do art. 150 do CTN para o art. 173 do CTN, hipótese em que o prazo tem início no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o tributo era exigível. Para os fatos geradores trimestrais, entendese por exercício, para fins de contagem do prazo de decadência a que se refere o art. 173 do CTN, o anocalendário seguinte àquele em que ocorrido o fato gerador. Assim, as exigências relativas aos fatos geradores trimestrais ocorridos em 31.03.99; 30.06.99 e 31.10.99 devem ser canceladas. O tributo, cujo fato gerador ocorreu em 31.12.99, poderia ser exigido a partir de 1º de janeiro de 2000, logo o prazo decadencial inicia se 1º de janeiro de 2001. CSLL DECADÊNCIA A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE Nº 146.7339SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. IRPJ/CSLL ARBITRAMENTO DO LUCRO RECEITA BRUTA CONHECIDA A PARTIR DE DOCUMENTOS DE EXPORTAÇÃO VALIDADE É válido lançamento fiscal para exigência dos tributos e contribuições tendo como base o lucro arbitrado a partir de receitas auferidas, provadas por regulares documentos de exportação (Notas Fiscais, Conhecimentos de Embarque e Registros no Siscomex), não tendo o contribuinte apresentado elementos materiais capazes de afastar a conclusão fiscal. MULTA QUALIFICADA SONEGAÇÃO PATENTE Auferir vultosas receitas de exportação sem declarálas à administração tributária e sem qualquer pagamento de tributos e contribuições, escondendo as mediante apresentação de Declaração de Inatividade é conduta dolosa que se amolda perfeitamente à figura delituosa da sonegação, justificando a qualificação da penalidade. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do IRPJ nos três primeiros trimestres de 1999. Pelo voto de qualidade, ACOLHER a preliminar de decadência da CSLL nos três primeiros trimestres de 1999, vencidos os Fl. 2140DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 23 22 Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Luiz Martins Valero (Relator) e Jayme Juarez Grotto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Marcos Vinicius Neder de Lima Presidente. Por todo o exposto, voto pela manutenção da multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96. (v) Dispositivo Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, darlhe parcial provimento para cancelar o Termo de Responsabilidade Tributária Solidária (fls. 1368/1378) lavrado com fundamento no art. 124, I do CTN, permitindose à Fazenda Nacional, se o caso, redirecionar ao Recorrente eventual execução fiscal proposta contra a Contribuinte com base nesses mesmos fatos, a teor do disposto no art. 135 do CTN. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Voto Vencedor Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Colhidos os votos em sessão, restou o ilustre relator vencido, pelo voto de qualidade, no tocante à atribuição de responsabilidade solidária ao sócio de fato Orlando Benevides Cavalcante. Em que pese o seu bem fundamentado voto neste aspecto, ouso dele discordar, pelos fundamentos a seguir expostos. O art. 124 do CTN declara peremptoriamente a possibilidade da existência de múltiplos sujeitos passivos no lançamento tributário, ficando claro que, nesta hipótese, nada impede que alguns constem do lançamento na condição de contribuintes, e outros, na condição de responsáveis, exigindose apenas a demonstração do “interesse comum na situação que constitua o fato gerador”. Nesta seara há que se reconhecer que é muito forte a corrente jurisprudencial e doutrinária no sentido de que o interesse comum, a que alude o dispositivo, somente se aplicaria às pessoas que se encontram no mesmo polo da situação que constitui o fato jurídico tributário, ou seja, jamais haveria solidariedade, por exemplo, entre comprador e vendedor. Esta, aliás, é a tese esposada pelo relator. Corolário deste entendimento, costumase alegar também que pessoas físicas não poderiam jamais revelar interesse comum, portanto, em fato gerador de tributo devido pela pessoa jurídica. Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 24 23 Noutro giro, argumentase ainda que, acaso não fosse assim entendido, ou seja, se o “interesse comum” a que alude o dispositivo fosse analisado a partir de uma perspectiva meramente circunstancial ou econômica (interesse de fato), chegarseia ao absurdo de se considerar haver “interesse comum” também por parte de empregados, e até mesmo de credores, da pessoa jurídica. Ademais, nesta hipótese, os sócios sempre teriam interesse nas situações que constituem fatos geradores de tributos. Nada obstante a força dos argumentos, ouso pensar diferente. Em primeiro lugar, destaco não haver dúvidas de que as pessoas no mesmo polo da situação que constitui o fato jurídico tributário podem ser solidariamente coobrigadas, como no clássico exemplo do IPTU devido pelos condôminos de uma mesma propriedade. Por outro lado, entendo que não se possa reduzir o termo “interesse comum” apenas a esta singela hipótese, nem que se possa afirmar peremptoriamente que o art. 124 do CTN exclua a possibilidade de que pessoas físicas possam ser consideradas devedoras solidárias de tributos devidos pela pessoa jurídica, ou de que pessoas situadas em posições contrapostas no negócio jurídico (comprador e vendedor, por exemplo) possam ser consideradas devedoras solidárias de tributos devidos apenas por uma delas. O dispositivo não contém esta restrição, e permite outras interpretações. Penso que o fato de o responsável indicado lograr proveito próprio (econômico) das situações que constituem os fatos geradores das obrigações principais revelam sim o seu interesse comum naquelas situações. Em outras palavras, o “interesse comum” a que alude o art. 124 do CTN pode ser entendido como sendo o interesse econômico, ou seja, o interesse em lograr proveito próprio daqueles atos. Contudo, para que não se caia no absurdo, antes mencionado, de estender tal proposição de forma indiscriminada a todo e qualquer sócio da pessoa jurídica, há que se fazer certa construção jurisprudencial. Isto porque, conforme também ressaltou o nobre relator, dúvidas não há de que a responsabilização pessoal de dirigentes de pessoas jurídicas de direito privado é procedimento excepcional, e que somente pode ser aplicado, portanto, ante a presença de fatos cuja gravidade justifique tal imputação. No caso dos autos, restou suficientemente demonstrado que a empresa DISTRIBUIDORA DE PNEUS NOSSA SENHORA DA GLÓRIA LTDA (DISTRIBUIDORA) encontravase constituída em nome de interpostas pessoas, enquanto que na efetiva condução das operações comerciais desta se encontrava o Sr. Orlando Benevides Cavalcante. Este fato está devidamente descrito ao longo do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 13681378), e confirmado ainda pelas diligências empreendidas e referidas/transcritas no relatório da decisão recorrida às fls. 1984 1985, que evidenciam a atuação direta do Sr. Orlando Benevides Cavalcante à frente dos negócios da DISTRIBUIDORA. Fl. 2142DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 25 24 Destaquese ainda os poderes conferidos ao Sr. Orlando Benevides Cavalcante para movimentar a conta com recursos da DISTRIBUIDORA (de acordo com a ficha cadastral do Banco Fidis), o endosso prestado pelo Sr. Orlando Benevides Cavalcante em cheques nominais emitidos pela DISTRIBUIDORA relativos à conta bancária na Caixa Econômica Federal (fls 508568), e o fato de a DISTRIBUIDORA estar instalada em imóvel cujo contrato de locação tem por fiador o Sr. Orlando Benevides Cavalcante, conforme exposto no acórdão recorrido. Não se trata, portanto, de mero inadimplemento de tributo, ou de simples interesse indireto e mediato (que todos os sócios de direito por princípio teriam) nos resultados econômicos advindos de pessoa jurídica regularmente constituída. Tratase de toda uma forma de organização e de procedimento da pessoa jurídica, engendrada com o evidente intuito de frustrar toda e qualquer possibilidade de realização do crédito tributário devido sobre as operações praticadas (fatos geradores de tributos) por meio da atuação direta de seu proprietário de fato naquelas operações. Em casos de tal gravidade, reconhecida por todo o colegiado (a multa qualificada foi mantida por unanimidade), a responsabilidade pode (deve) ser atribuída ao sócio de fato, de forma solidária, também com base no art. 124, I, do CTN. Digo também, porque, ao discorrer sobre a responsabilidade tributária prevista no art. 135 do CTN, dispositivo o qual, no caso, não foi mencionado pela fiscalização, destacou o nobre relator que tal responsabilização teria natureza subsidiária em relação ao devedor principal. Contudo, conforme tenho manifestado em diversos julgados em que esta questão se encontra em discussão, entendo que a responsabilização prevista no referido dispositivo também possui caráter solidário em relação ao contribuinte. Neste aspecto, poderseia até mesmo discutir a questão aventada pelo nobre relator, de que não se trataria de mera remissão equivocada da fiscalização a dispositivo de lei, mas sim de uma opção sua por um regime de responsabilidade que seria, no entender do nobre relator, inaplicável à espécie dos autos. Esta discussão poderia ter lugar porque, pelo teor das acusações, minudentemente descritas pela fiscalização, e acima sucintamente referenciadas, entendo que não incorreria em erro a fiscalização se também mencionasse o referido dispositivo legal. Contudo, não é necessário aqui adentrar nesta questão, em vista dos demais fundamentos antes expostos. Na mesma linha do presente voto, destaco os seguintes julgados desta Corte, em situações envolvendo a administração de pessoas jurídicas por sócios gerentes de fato, em que o CARF entendeu restar demonstrado, nesses casos, o interesse comum a que se refere o art. 124 do CTN: Fl. 2143DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 26 25 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Demonstrado de forma inequívoca que a sociedade é formalmente constituída por interpostas pessoas e identificados os sócios de fato, devem os mesmos ser arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído a teor dos artigos 124, I e 135, III, do C.T.N. (Acórdão 10808.467, relator José Carlos Teixeira da Fonseca, sessão de 12 de setembro de 2005) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LARANJAS, TESTASDEFERRO OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem, todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN. (Acórdão 20311.330, relator Emanuel Carlos Dantas de Assis, sessão de 20 de setembro de 2006) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Art. 124, I, do CTN. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, posto que todos ganham com o fato econômico. (Acórdão 20312.270, relator Odassi Guerzoni Filho, sessão de 17 de julho de 2007) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A responsabilidade solidária pressupõe o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e/ou deveres comuns de pessoas situadas do mesmo lado de uma mesma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. A existência de sócios de fato que movimentavam recursos em conta corrente de pessoa jurídica é prova do interesse comum das pessoas físicas que movimentaram os recursos omitidos em beneficio próprio. (Acórdão 120200.037, relatora Karem Jureidini Dias, sessão de 13 de maio de 2009) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado nos autos como verdadeiro sócio da pessoa jurídica, pessoa física, acobertada por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, gerindo, na prática, seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão 1202001.034, relatora Viviane Vidal Wagner, sessão de 8 de outubro de 2013) Em conclusão, no caso dos autos, deve ser mantida a responsabilidade solidária do sr. Orlando Benevides Cavalcante, por força do seu interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Fl. 2144DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.732608/201194 Acórdão n.º 1102000.920 S1C1T2 Fl. 27 26 Fl. 2145DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO
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Numero do processo: 11610.002943/2001-02
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO VINCULADO AO RECONHECIMENTO DE CONTABILIZAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS.
O direito creditório concernente à restituição e posterior compensação, exige a liquidez e certeza de um crédito tributário. In casu, o contribuinte pleiteou a restituição e dentro desta, efetuou compensações, cujo crédito sustentou ser imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras, juntando desde logo os comprovantes das instituições financeiras. Em diligência fiscal, não identificou-se a contabilização de tais valores como receita financeira, motivando o lançamento de ofício via Auto de Infração - processo 19515.000614/2005-32. Naqueles autos, foi reconhecida a inexistência da infração. Em decorrência, como reflexo daquele reconhecimento integral, inaplicável a aplicação de um crédito proporcional, visto que abalizado naqueles autos cujo reconhecimento é integral.
Numero da decisão: 1802-001.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leao, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO VINCULADO AO RECONHECIMENTO DE CONTABILIZAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. O direito creditório concernente à restituição e posterior compensação, exige a liquidez e certeza de um crédito tributário. In casu, o contribuinte pleiteou a restituição e dentro desta, efetuou compensações, cujo crédito sustentou ser imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras, juntando desde logo os comprovantes das instituições financeiras. Em diligência fiscal, não identificou-se a contabilização de tais valores como receita financeira, motivando o lançamento de ofício via Auto de Infração - processo 19515.000614/2005-32. Naqueles autos, foi reconhecida a inexistência da infração. Em decorrência, como reflexo daquele reconhecimento integral, inaplicável a aplicação de um crédito proporcional, visto que abalizado naqueles autos cujo reconhecimento é integral.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leao, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO VINCULADO AO RECONHECIMENTO DE CONTABILIZAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. O direito creditório concernente à restituição e posterior compensação, exige a liquidez e certeza de um crédito tributário. In casu, o contribuinte pleiteou a restituição e dentro desta, efetuou compensações, cujo crédito sustentou ser imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras, juntando desde logo os comprovantes das instituições financeiras. Em diligência fiscal, não identificouse a contabilização de tais valores como receita financeira, motivando o lançamento de ofício via Auto de Infração processo 19515.000614/200532. Naqueles autos, foi reconhecida a inexistência da infração. Em decorrência, como reflexo daquele reconhecimento integral, inaplicável a aplicação de um crédito proporcional, visto que abalizado naqueles autos cujo reconhecimento é integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 29 43 /2 00 1- 02 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leao, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11610.002943/200102 Acórdão n.º 1802001.988 S1TE02 Fl. 703 3 Relatório Tratam os presentes autos de Pedido de Restituição que originaram diversas Declarações de Compensação, por suposto saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) oriundo de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) decorrente de receitas financeiras, incorridos no anocalendário de 2000. Durante a análise do pedido, houve determinação de diligência para apuração de possível omissão de receitas financeiras, que não teriam sido oferecidas à tributação, permitindo a juntada de documentos contábeis para sua análise. Ao final da diligência fiscal, houve o lançamento de Auto de Infração de IRPJ e reflexos, referente diferenças de receitas sobre aplicações financeiras que segundo a autoridade fiscal, não haviam sido devidamente contabilizadas e oferecidas à tributação. Esta questão do Auto de Infração foi tratada nos autos do processo 19515.000614/200532, julgado por esta Câmara no dia 06/11/2013 de maneira favorável ao contribuinte, ficando evidenciado que o contribuinte contabilizou tais receitas plenamente e no momento próprio para tal. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, que trata do Pedido de Restituição (que suporta diversas Declarações de Compensação), adoto o Relatório proferido pela 5a Turma da DRJ/SPOI, através do Acórdão n° 1612.623, constante às efls. 571/574: Tratase de Manifestação de Inconformidade (fls. 207/215) interposta em face do Despacho Decisório de fls. 200/202, em que foi apreciado o Pedido de Restituição (fls. 01), de 09/08/2001, cumulado com os pedidos de compensação de fls. 02, 58, 60, 62, 64, 66, 68, 69 a 73, 75, 76, 78 a81, 84, 85, 92 a95 e 183 a 188 e processos apensos n°s 11831.007537/200212, 11831.000376/200317, 11831.000411/200390, 11831.001146/200367, 11831.001742/200347, 11831.002643/200382, 11831.003024/200313 e 11831.003881/200313. 2. 0 contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito próprio referente aos valores retidos na fonte sobre aplicações financeiras auferidas no ano calendário de 2000, que seriam excedentes ao imposto apurado sobre o lucro liquido do período. Informou como motivo do pedido a impossibilidade de compensação dos créditos com tributos da mesma natureza, pretendendo compensálos com outros tributos administrados pela SRF no valor de R$ 816.729,71. 3. Transcrevese abaixo, por elucidativo, excerto do despacho decisório recorrido: ...Preliminarmente, cumpre destacar que no despacho de fls. 106/107, esta Derat/SP solicitou a realização de diligência fiscal à SAPAF/DEFIC/SP para esclarecimento de algumas Fl. 703DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 divergências apontadas na declaração de IRPJ do ano calendário objeto do pedido de restituição. Às fls. 180/181, foi exarada a informação fiscal concluindo a diligência e informando que o contribuinte foi autuado por omissão de receita financeira, tendo sido devolvido o presente processo a esta DIORT/DERAT/SP para análise do pedido de restituição. .... ...Conforme relatório de diligência fiscal de fls. 180 e 181, a fiscalização informou que "O valor declarado como 'outras receitas financeiras' realmente não confere com os valores informados pelas instituições financeiras, onde detectouse a diferença de R$ 837.558,44, devidamente autuada como omissão de receita financeira, conforme auto de infração lavrado em 07.05.2005 (cópia anexa)'. Tendo em vista que a fiscalização apurou a omissão de receita financeira no valor de R$ 837.558,44 no ano calendário de 2000, considerarseão os valores de IRRF de aplicações financeiras comprovados proporcionalmente aos valores de receitas financeiras oferecidos à tributação no total de R$ 649.429,98 (R$ 3.250.988,45 * 816.687,01/4.088.262,19=649.429,98). Salientamos que o valor de IRRF de juros sobre o capital próprio do Banco Bradesco no valor de R$ 42,70 (fls. 15) não será considerado, tendo em vista que o contribuinte não declarou receitas de juros sobre o capital próprio (linha 23 da Ficha 064 — fls. 24). Considerando ainda que o contribuinte informou II? devido R$ 163.404,45 e adicional de R$ 84.936,30 o saldo credor totalizou R$ 401.089,23. Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real anocalendário de 2000 IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01 ALIQUOTA DE 15% R$ 163.404,45 03 ADICIONAL R$ 84.936,30 DEDUÇÕES 13 IRRF R$ 649.429,96 18 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (R$ 401.089,23) ... ...DEFIRO PARCIALMENTE o Pedido de Restituição de fls. 01 e, em conseqüência, RECONHEÇO O DIREITO CREDITÓRIO contra a Fazenda Nacional à SPH PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ N ° 02.535.431/000188, na importância de R$ 401.089,23 (quatrocentos e um mil, oitenta e nove reais e vinte e três centavos), referente a saldo credor de IRPJ apurado na DIPJ/01 (AC 2000), sobre a qual incide o acréscimo de juros da taxa referencial SELIC, conforme legislação em vigor, e HOMOLOGO as compensações declaradas no presente processo (bem como Fl. 704DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11610.002943/200102 Acórdão n.º 1802001.988 S1TE02 Fl. 704 5 outras que vierem a ser apresentadas até a emissão da ordem de pagamento do crédito), até o limite desse valor. Salientamos que o contribuinte foi autuado neste ano calendário conforme cópia do auto de infração às fls. 175 a 179. 4. O contribuinte foi cientificado a respeito do teor do despacho supracitado em 21/06/2005, conforme AR em fl. 143 verso, e apresentou a Manifestação de Inconformidade (fls. 207/215), protocolizada em 21/07/2005, com as argumentações a seguir sintetizadas: 4.1. Haveria erro material cometido por parte do contribuinte e o valor passível de restituição que deveria constar no pedido de fls. 01 seria de R$ 568.388,96 e não R$ 816.729,71, no que concorda com a primeira parte do despacho decisório. No entanto, esse saldo não poderia ser reduzido como pretendeu o despacho decisório, de R$ 568.388,96 para R$ 401.089,23. 4.2. A fundamentação utilizada para a proporcionalização do IRRF em face da autuação por omissão de receita no período, não se mostraria adequada ao presente caso. Ademais, o critério de proporcionalização não teria sustentação legal. 4.3. A aplicação de regra de três para a apuração do montante de retenção de IRRF de R$ 649.429,98 não condiziria com a realidade vivenciada pelo requerente e tampouco com as determinações normativas aplicáveis à apuração do montante de imposto cabível ao contribuinte. 4.4. Inexistiria qualquer omissão de receita financeira, premissa essa equivocadamente adotada pela fiscalização em virtude, exclusivamente, da confrontação de dados extraídos da contabilização realizada pelo contribuinte luz do regime de competência e de documentos gerados pelas instituições financeiras à luz do regime de caixa. 4.5. Tal matéria encontrarseia esmiuçadamente exposta e comprovada nos autos do processo administrativo 19515.000614/200532, instaurado a partir da impugnação ao auto de infração lavrado para fins de exigência de valores por causa da suposta omissão de receita. 4.6. A redução proporcional do IRRF adotada no despacho decisório, a um só tempo, (i) suprime o efeito suspensivo ao crédito lançado de oficio sob alegação de pretensa omissão de receita (em ofensa ao art. 151 do Código Tributário Nacional), (ii) invade o âmbito do processo administrativo gerado para validação ou cancelamento da exigência decorrente da alegada omissão de receita e ainda (iii) dá por satisfeita, em definitivo, essa mesma exigência, na medida em que reduz o crédito do contribuinte na exata medida da exigência tributária lançada de oficio. 4.7. Diante do exposto, visto que (i) os valores retidos pelas Instituições Financeiras foram devidamente desembolsados pela Fl. 705DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Requerente (informes já anexados a estes autos), (ii) a Requerente compensou o valor apurado como devido a titulo de IRPJ e do seu Adicional com o saldo credor de IRRF veiculado pelos informes acima mencionados, (iii) a pretensa omissão de receita financeira está sendo enfrentada, com suspensão da exigibilidade, em sede de processo autônomo, concluise pela legitimidade e exatidão do crédito cuja restituição é perseguida, no montante de R$ 568.388,96. 4.8. A decisão atacada não procederia, pois reduziu indevidamente crédito legitimo ao considerar ajustes advindos de lançamento fiscal ainda em fase de julgamento, ao invés de se ater aos informes bancários e considerar a compensação dos gravames apurados como devidos a titulo de IRPJ e o seu adicional, em nítida afronta não só as características e limites do processo administrativo criado com a impugnação de auto de infração lavrado sob a mesma premissa, mas ainda à vedação ao bis in idem. 4.9. Requereu, por fim, seja reformado o despacho decisório para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 568.388,96, e que sejam homologadas as compensações realizadas até o limite de seu crédito que montaria a R$ 568.388,96. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pelo indeferimento do reclamo do contribuinte, conforme sintetizado pela seguinte Ementa (efls. 570): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. A restituição do saldo negativo do IRPJ condicionase demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação dos itens que compõem a respectiva apuração. IRRF. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. LUCRO REAL. Os rendimentos de aplicações financeiras devem ser incluídos no lucro da empresa, estão sujeitos à retenção na fonte, e, os valores retidos são dedutíveis do IRPJ apurado tãosomente quando comprovado que as respectivas receitas efetivamente estejam incluídas na apuração do lucro, integrando o Saldo Negativo do IRPJ quando for o caso. Solicitação Indeferida Intimada do Acórdão supra em 29/03/2007 através de procurador habilitado (efls. 580/582), mostrouse irresignada, pelo que interpôs Recurso Voluntário em 30/04/2007, alegando em apertada síntese que o erro material cometido no pedido de restituição foi devidamente sanado, o que não contraria o já determinado pela autoridade fiscal, de que o Fl. 706DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11610.002943/200102 Acórdão n.º 1802001.988 S1TE02 Fl. 705 7 valor passível de restituição é de R$ 568.388,96, o que torna inexistente o litígio nessa parte e aduzindo como inválido a redução de seu direito por fator de “proporcionalização”, o que desconsidera o informado pelas instituições financeiras, dispondo novamente a questão já analisada nos autos do processo 19515.000614/200532, de que não há a pretensa omissão de receitas e que, logo, não há como negar seu direito creditório. Em síntese, o relatório. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, tendo em vista que a contagem inicial do prazo para sua interposição iniciou numa sextafeira (30/03/2007), e encerrou num sábado (28/04/2007), automaticamente sendo prorrogado para o primeiro dia útil seguinte, segunda feira, 30/04/2007. Atestase ainda o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade recursal, que permitem à luz do Regimento Interno tomar conhecimento do presente. Inicialmente devese concordar com o contribuinte, no sentido de que sobre o crédito pleiteado para fins de restituição e posterior compensações, não há litígio. Assevera o contribuinte tanto em sua Manifestação de Inconformidade como em seu Recurso Voluntário, que o crédito pleiteado é de R$ 568.388,96, conforme consta neste último o enxerto a seguir (efls 593): Assim, o valor passível de restituição (quantum que, inclusive, já foi objeto de pedidos de compensação) é de R$ 568.388,96, e não o valor grafado às fls. 01 (R$ 816.729,71). Nestes termos, inexiste litígio administrativo em relação aos valores que extrapolem R$ 568.388,96, eis que reconhecido, pela Recorrente, o erro material quando do preenchimento do Pedido de Restituição com montante superior àquele. [...] Esta questão determinou conclusivo o saldo negativo apurado para o ano calendário, como sendo no montante de R$ 568.388,96, igualando o valor declarado em DIPJ com o valor constante do pedido de restituição em tela. Contudo, pela consideração da “proporcionalização” do crédito arrolado em DIPJ a título de imposto retido na fonte sobre aplicações financeiras, a autoridade fiscal entendeu como resultado do crédito passível de restituição/compensação o valor de 401.089,23, conforme consta no Despacho Decisório (efls. 199): Tendo em vista que a fiscalização apurou omissão de receita financeira no valor de R$ 837.558,44 no anocalendário de 2000, considerarseão os valores de 1RRF de aplicações financeiras comprovados proporcionalmente aos valores de receitas financeiras oferecidos a tributação no total de R$ 649.429,98 (R$ 3.250.988,45 * 816.687,01 / 4.088.262,19 = 649.429,98). Salientamos que o valor de IRRF de juros sobre o capital próprio do Banco Bradesco no valor de R$ 42,70 (fls. 15) não será considerado, tendo em vista que o contribuinte não declarou receitas de juros sobre o capital próprio (linha 23 da Ficha 06 A — fls. 24). Considerando ainda que o contribuinte Fl. 708DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11610.002943/200102 Acórdão n.º 1802001.988 S1TE02 Fl. 706 9 informou IR devido R$ 163.404,45 e adicional de R$ 84.936,30 o saldo credor totalizou R$ 401.089,23. Ficha 12 A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real anocalendário de 2000 IMPOSTO SOBRE 0 LUCRO REAL 01. À ALÍQUOTA DE 15% R$ 163.404,45 03. ADICIONAL R$ 84.936,30 DEDUÇÕES 13. IRRF R$ 649.429,98 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (R$ 401.089,23) Diante disso, há uma diferença do crédito pleiteado de R$ 568.388,96, para o reconhecido pela autoridade de R$ 401.089,23, de R$ 167.299,73 (extrato às efls. 579) que envolve a questão central em discussão, pela proporcionalização ou não dos tributos retidos na fonte pelas instituições financeiras, haja vista a suposta não contabilização na contrapartida como receita. Esta turma também enfrentou o lançamento de ofício constante do processo 19515.000614/200532, onde restou conclusivo pela própria diligência fiscal que inexistia a suposta omissão de receitas, tendo sido contabilizados os valores na forma como determina a legislação tributária, acarretando na exoneração do lançamento de ofício. Assim, não há como considerar uma “proporcionalização” do crédito relativo a tributo retido na fonte, pois essa proporcionalização está abalizada numa premissa de que haviam omissões de receita sobre as referidas aplicações financeiras, o que reduzia o valor do direito creditório. Sendo reconhecida a inexistência da omissão de receita, deve ser reconhecida da mesma forma o direito de crédito integral do tributo retido sobre as aplicações financeiras, sob pena de haver digressão entre questões decorrentes. Assim sendo, desnecessário entrar no mérito do procedimento de proporcionalização do crédito reconhecido, visto que sequer ele é aplicável ao caso, tendo em vista o pleno reconhecimento da contabilização da receita sobre aplicações financeiras. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 709DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Fl. 710DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11040.721610/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
IRPJ. CSLL. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS.
Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros, a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. LIVRO CAIXA. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA.
Cabe o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro presumido, não apresentar a escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou o livro Caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive a bancária.
LUCRO ARBITRADO. DIFERENÇAS DE RECEITAS DECLARADAS A MENOR. OMISSÃO DE RECEITA.
As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica - SIMPLES, constitui omissão de receita passível de tributação.
PIS. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo do PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, relacionados com as atividades da empresa.
PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
Salvo nos casos de que trata o artigo 26-A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base em norma inconstitucional.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 150%.
Justifica-se a qualificação da multa de ofício no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar as suas características.
ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA.
A autoridade administrativa não possui competência para apreciar ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, cabendo tal prerrogativa ao Poder Judiciário.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1402-001.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a argüição de incompetência para apreciação da matéria referente à exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que votaram por dar provimento parcial ao recurso para excluir o ICMS da base de cálculo do Pis e da Cofins. O Conselheiro Fernando Brasil de Pinto declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Considerase não formulado o pedido de perícia que não atende aos requisitos legais. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007, 01/01/2007 a 31/01/2007, 01/03/2007 a 31/03/2007, 01/04/2007 a 30/04/2007, 01/05/2007 a 31/05/2007, 01/06/2007 a 30/06/2007 SIMPLES. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros (caminhoneiros autônomos), a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do SIMPLES, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existentes entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e aquelas informadas na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica SIMPLES, constitui omissão de receita passível de tributação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 16 10 /2 01 1- 51 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 416 2 Anocalendário: 2007, 2008 IRPJ. CSLL. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros, a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido. ARBITRAMENTO DO LUCRO. LIVRO CAIXA. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Cabe o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro presumido, não apresentar a escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou o livro Caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive a bancária. LUCRO ARBITRADO. DIFERENÇAS DE RECEITAS DECLARADAS A MENOR. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica SIMPLES, constitui omissão de receita passível de tributação. PIS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, relacionados com as atividades da empresa. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. Salvo nos casos de que trata o artigo 26A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base em norma inconstitucional. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 150%. Justificase a qualificação da multa de ofício no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar as suas características. ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, cabendo tal prerrogativa ao Poder Judiciário. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS Fl. 416DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 417 3 A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a argüição de incompetência para apreciação da matéria referente à exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que votaram por dar provimento parcial ao recurso para excluir o ICMS da base de cálculo do Pis e da Cofins. O Conselheiro Fernando Brasil de Pinto declarou se impedido. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 418 4 Relatório Beira Mar Transportes Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Porto Alegre/RS, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratamse de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, Programa de Integração Nacional PIS e os tributos que compunham o Simples Federal (fls. 02/109) lavrados em face de BEIRA MAR TRANSPORT LTDA em razão da omissão de receita apurada pelo confronto entre os valores das receitas registrados nos Livros Registros de Apuração do ICMS e os valores das receitas informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica (DSPJ) SIMPLES, período de 01/01/2007 a 30/06/2007, e nas Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, períodos de 01/07/2007 a 31/12/2007 e 01/01/2008 a 31/12/2008. Os valores constituídos encontramse discriminados a seguir: Imp./Contrib Juros Multa Total Simples Federal (*) 318.822,97 Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ 79.172,18 28.757,73 118.758,25 226.688,16 Contribuição Social s/Lucro Líquido CSLL 46.803,35 16.963,29 70.205,01 133.971,65 Contrib. P/ Financ. da Seg. Social Cofins 130.009,32 48.502,58 195.013,91 373.525,81 Programa de Integração Social PIS 27.933,08 10.412,65 41.899,58 80.245,31 Total 283.917,93 104.636,25 425.876,75 1.133.253,90 Valores em Reais (*) soma dos tributos que compõe o Simples Federal Em relação aos primeiro e segundo trimestres de 2007, o contribuinte optou pela tributação com base no Simples Federal, tendo a Fiscalização exigido os tributos incidentes sobre a receita apontada como omitida nessa sistemática de tributação. Além da omissão de receita foram apuradas insuficiência no recolhimento de tributos em decorrência da alteração dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta acumulada, cujo montante foi alterado por conta da adição da receita omitida à declarada. Para os terceiro e quarto trimestres de 2007, e para todo o anocalendário de 2008, o contribuinte havia apurado o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido. Entretanto, o contribuinte não possuía escrituração contábil e os livros caixa apresentados não identificavam sua movimentação financeira, o que levou a Fiscalização a arbitrar os lucros da fiscalizada, nos termos do art. 530, II, a, do Fl. 418DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 419 5 Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99 aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999). No caso da omissão de receita, a multa aplicada foi a prevista no art. 44, I, c/c §1°, da Lei n° 9.430/96 (150%), com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, em razão de a Fiscalização considerar que houve dolo na conduta do contribuinte com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador por parte do Fisco. No caso da insuficiência de recolhimento, a multa aplicada foi de 75%, prevista no inciso I, do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 2007. Os autos de infração foram cientificados ao contribuinte em 13/12/2011 (fl. 233). O contribuinte apresentou impugnação em 11/01/2012 (fls. 235/323). Alega que, relativamente aos períodos fiscalizados, não possuía frota própria de caminhões e contratava autônomos a fim de realizar os serviços de transportes para os quais houvera sido contratada, sendo que 80% dos valores dos contratos eram repassados aos transportadores autônomos contratados. Entende, assim, que o valor de renda a ser considerado na operação seria somente o valor líquido que efetivamente destinouse a BEIRA MAR TRANSPORTES LTDA, pois, caso contrário, haveria afronta à regra matriz de incidência do imposto de renda. Cita doutrina e jurisprudência que respaldariam o entendimento esposado. Aduz ainda que o arbitramento de lucros com base no art. 530, III, do RIR/99, utilizado pela Fiscalização, seria inaplicável ao caso concreto, haja vista que teria apresentado toda a documentação fiscal solicitada. Ademais, o valor de receita bruta utilizado pela Fiscalização estaria equivocado pois não houve a exclusão de 80% de valores repassados a terceiros, uma vez que esse montante não representaria seu faturamento, tendo somente transitado por sua contabilidade. Transcreve jurisprudência que embasaria seus argumentos. Aponta também incorreção na inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins constituídos de ofício, mencionando doutrina e jurisprudência a respeito do tema. Outro ponto atacado diz respeito à pretensa inconstitucionalidade do conceito de faturamento instituído pelo §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/1998, equiparandoo a receita bruta antes do advento da Emenda Constitucional n° 20/98, dispositivo que inseriu tal possibilidade no art. 195 da Carta Magna. Traz julgado do STF sobre o tema. Sobre a mesma matéria alega ainda: (i) violação ao art. 110 do CTN, pois a legislação em tela haveria desvirtuado o conceito de faturamento, instituto do direito privado; (ii) infringência ao art. 146, e ao §4° do art. 195, ambos da Constituição Federal, pois se tratando de nova fonte de custeio, as contribuições do PIS e Cofins deveriam ter sido instituída por lei complementar, conforme reza o art. 154, I, da Norma Fundamental. Insurgese também contra a aplicação de multa qualificada de 150%, pois, na ausência de dolo, não restariam configuradas as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502/64, conforme previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Aduz ainda que o percentual da multa aplicada seria inconstitucional por violação aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 420 6 Solicita ainda a realização de perícia a fim de demonstrar que "as bases de cálculo para a apuração do débito não levaram em conta o real faturamento da empresa'". Ao final, requer que seja julgada inteiramente procedente a impugnação, ou, em caso contrário, que a multa de ofício aplicada seja reduzida ao patamar ordinário. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 10 037.226 (fls. 334353) de 08/03/2012, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação apresentada. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. A perícia não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte, que dispunha de todas as informações para, já na peça de contestação, demonstrar eventual erro nos cálculos. Considerase não formulado o pedido de perícia que não atende aos requisitos legais. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007, 01/01/2007 a 31/01/2007, 01/03/2007 a 31/03/2007, 01/04/2007 a 30/04/2007, 01/05/2007 a 31/05/2007, 01/06/2007 a 30/06/2007 SIMPLES. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros (caminhoneiros autônomos), a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do SIMPLES, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 421 7 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica SIMPLES, constitui omissão de receita passível de tributação. É cabível a exigência das diferenças de imposto e contribuições recolhidas a menor, em decorrência da alteração dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta acumulada por conta da adição da receita omitida à declarada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 IRPJ. CSLL. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. A receita bruta é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros, a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados. ARBITRAMENTO DO LUCRO. LIVRO CAIXA. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Cabe o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro presumido, não apresentar a escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou o livro Caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive a bancária. LUCRO ARBITRADO. DIFERENÇAS DE RECEITAS DECLARADAS A MENOR. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica SIMPLES, constitui omissão de receita passível de tributação. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 422 8 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. BASES DE CÁLCULO. PIS/PASEP. COFINS. A base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, sendo permitidas somente as exclusões determinadas em lei. Incabível a exclusão das importâncias computadas como receita que tenham sido transferidas para outra pessoa jurídica e do ICMS. MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar as suas características. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 23/04/2012 (A.R. de fl. 361/362) a interessada interpôs recurso voluntário em 15/05/2012 (fls. 363/400) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 423 9 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Do pedido de perícia Requer a Recorrente a realização de perícia técnica contábil a fim de demonstrar incorreção no levantamento de seu faturamento efetuado pela Fiscalização. A perícia já havia sido requisitada por ocasião da impugnação da Recorrente. Tal pedido foi negado pelo Julgador de 1a instância sob o argumento de que a então Impugnante não teria apresentado qualquer elemento que pusesse em dúvida a correção dos cálculos efetuados pela Fiscalização. Argumenta aquele Julgador que as questões aventadas pela defesa, referentes ao conceito de faturamento, possuem caráter jurídico, “não havendo necessidade de qualquer outro levantamento que não seja o que já consta aos autos para quantificálo corretamente (levantando a partir do Livro de Apuração do ICMS).”. Assim, continua o Julgador de 1a instância, “o impugnante não atacou direta e frontalmente as informações e elementos que entendeu eivados de vícios, o que, por si, já demonstra a desnecessidade de prova pericial, ...”. Analisandose o pedido de perícia no recurso apresentado, constatase que a defesa, tal qual em sua impugnação, também não apresenta qualquer elemento ou fato que ponha em dúvida a correção dos cálculos efetuados pela Fiscalização. Ao contrário, centra seu pedido de perícia não nesses elementos ou fatos porventura carentes de comprovação ou esclarecimentos, mas sim na possibilidade de nulidade do procedimento por ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Ademais, cabe relembrar que, a teor do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, o pedido de perícia deve ser expresso, sendo necessário, além da qualificação profissional do perito, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados. Quando não atendidos tais requisitos, há que se reconhecer como não formulado o pedido de perícia, por força do parágrafo primeiro do citado artigo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso quanto ao pedido de perícia. Da omissão de receitas Apurou o Fisco omissão de receita pelo cotejo de valores das receitas registrados nos Livros Registros de Apuração do ICMS e com aqueles informados na DSPJ SIMPLES, período de 01/01/2007 a 30/06/2007, e nas Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (lucro presumido), período de 01/07/2007 a 31/12/2007 e 01/01/2008 a 31/12/2008. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 424 10 A Empresa autuada, à época dos fatos, possuía como atividade econômica a prestação de serviços de transporte rodoviário de cargas. Segundo a própria Recorrente, no período sob fiscalização (anoscalendário de 2007 e 2008), utilizava somente veículos de terceiros (autônomos) para a execução dos serviços contratados . Discorda da utilização da receita bruta no cômputo da base imponível do IRPJ e das contribuições. Sustenta, nesse sentido, ser incorreto o procedimento adotado pela Fiscalização de considerar como faturamento os ingressos resultantes do agenciamento de fretes, já que a maior parte serviria para o pagamento dos caminhoneiros autônomos (80%), sendo meros ingressos de valores repassados a terceiros e que, portanto, não caracterizariam receitas. Pleiteia, também, a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins, assim como questiona o arbitramento adotado pelo Fisco, a qualificação da multa de ofício e o conceito ampliado de receita para efeito de composição da base de cálculo do PIS e da Cofins. É essa a matéria em discussão. Passo à análise. Como regra, a tributação do IRPJ se dá pelo lucro real, em que as pessoas jurídicas apuram seus resultados a partir das demonstrações financeiras com base em escrituração regular. Sendo o lucro real a regra geral para a tributação das pessoas jurídicas, por conseqüência o lucro presumido e o SIMPLES configuramse como opções oferecidas aos contribuintes, desde que satisfeitas determinadas condições impostas legalmente para sua admissão. Já o lucro arbitrado consiste em obrigação a ser seguida pelo Fisco quando lhe falte elementos essenciais ao levantamento do crédito tributário. Em todas essas formas de tributação, a apuração do imposto de renda é baseada na receita bruta auferida. Todavia, cada regime de tributação possui normas específicas que determinam a quantificação das bases de cálculo e as alíquotas aplicáveis. No caso do SIMPLES, o conceito de receita bruta é aquele previsto no § 2° do art. 2° da Lei n° 9.317, de 1996, in verbis. Art. 2° ... [...] § 2° Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais Já no caso do lucro arbitrado e no presumido, o conceito de receita bruta consta do art. 224 do RIR/1999, que assim dispõe: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei n° 8.981, de 1995, art. 31). Fl. 424DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 425 11 Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei n°8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Nesse sentido, para a atividade exercida pela Autuada, não há na legislação de regência do SIMPLES, lucro arbitrado ou lucro presumido, permissão para que possam ser deduzidos da receita bruta os valores repassados a terceiros. A Recorrente é prestadora de serviços de transporte de cargas e, nessa condição, efetua o transporte de cargas contratado em veículos de terceiros. O fato de subcontratar terceiros para efetuar os fretes, não retira de si a obrigação assumida de transportar os produtos, recebendo pelos fretes, cujo valor é repassado parcialmente para os caminhoneiros autônomos. Esses valores repassados configuramse, na realidade, custos dos serviços prestados. Em outras palavras, seu trabalho não é de simples agenciamento de fretes, recebendo comissões, mas sim de prestação de serviços de transportes de cargas. Assim, se os serviços de transportes são realizados em seu nome, por sua conta e risco, também será sua a receita bruta corresponde ao produto da venda dos referidos serviços. Constatase dos autos que a Recorrente foi optante do SIMPLES no período de 01/01/2007 a 30/06/2007, e teve o seu lucro arbitrado no período de 01/07/2007 a 31/12/2007. Nesse passo, entendo correto o procedimento da Fiscalização em considerar como base de cálculo os valores totais dos fretes, não cabendo, por falta de previsão legal, excluir aqueles transferidos para terceiros pelos fretes subcontratados. Repiso que tais valores, quando comprovados, somente podem ser deduzidos como custos ou despesas, na hipótese de empresas tributadas pelo lucro real, situação distinta do caso em análise. Nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. Da exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Pugna a Recorrente pela exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins dos valores recebidos a título de ICMS. Considera inconstitucional a inclusão desse tributo na base de cálculo das contribuições. Nesse sentido, tenho que os Conselheiros do CARF somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma, a teor do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, in verbis. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 425DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 426 12 .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Ocorre que não há, ainda, decisão do STF transitada em julgado sobre o tema. Desse modo, a teor do disposto na Súmula Nº 02 do CARF, que prevê que o órgão não possui competência para examinar questões de ordem constitucional, a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins carece de base legal, ainda que a matéria esteja sob discussão no STF, já que apenas decisão definitiva do Pretório Excelso pode modificar tal circunstância. Da insuficiência de recolhimento. SIMPLES Em razão da mudança de faixas de receita bruta acumulada provocada pelo acréscimo da receita omitida, em alguns períodos, os percentuais aplicáveis para quantificar os valores devidos mensalmente a título de SIMPLES sobre a receita bruta declarada pelo contribuinte se alteraram, gerando insuficiência de recolhimentos, sendo exigidas de ofício. Apesar de não constar no recurso contestação expressa quanto à essa infração, é de se considerála implicitamente recorrida, uma vez que a exigência é conseqüência da infração referente à omissão de receita, e caso esta fosse considerada improcedente, aquela também o seria. Entretanto, como a decisão foi pela manutenção da omissão de receita, a exigência de ofício das insuficiências de recolhimento deve ser mantida. Do arbitramento do lucro Argumenta a Recorrente não caber o arbitramento no caso em análise já que teria colocado à disposição do Fisco toda a sua documentação. O arbitramento se deu nos 3° e 4° trimestres do anocalendário de 2007, e também em relação a todo o anocalendário de 2008, em razão de o Livro Caixa não conter a escrituração da movimentação financeira, inclusive a bancária, e também, em razão de a empresa não ter apresentado sua escrituração comercial e fiscal. Por entender que a decisão recorrida bem analisou a matéria, adoto seus fundamentos como razão de decidir nesse ponto do voto, da forma a seguir transcrita. “Argumenta a Recorrente que o arbitramento do lucro é descabido, haja vista que foi apresentado Livro Caixa. Argumenta que a base legal utilizada pela Fiscalização é o art. 530, III, do RIR/99, que trata da não apresentação de documentos e livros como fundamento do arbitramento de lucro, o que não ocorreu no caso concreto. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 427 13 Entretanto, embora à fl. 63 conste como enquadramento legal o art. 530, III, do RIR/99, às fls. 104 e 105, a Fiscalização fez constar no Relatório Fiscal (parte integrante do auto de infração) que o contribuinte não atendeu ao disposto no art. 530, II, "a", do RIR/99, que dispõe sobre a obrigatoriedade de o Livro Caixa conter a escrituração da movimentação financeira, inclusive a bancária. Vejase que a autoridade fiscal chegou, inclusive, a transcrever o dispositivo legal em comento. E, a respeito dessa deficiência na escrituração do livro caixa, o impugnante não se manifestou. Analisemos as consequências dessa inobservância relativa ao livro caixa. Conforme já comentado, a regra normal de tributação é aquela na forma do lucro real, em que as pessoas jurídicas apuram seus resultados a partir das demonstrações financeiras, baseadas em escrituração regular. Sendo, pois, o lucro real a regra geral para a tributação das empresas, então, por consequência, o lucro presumido e o lucro arbitrado configuramse em exceções à regra geral. No caso da pessoa jurídica sujeita à tributação pelo lucro real, não há dúvidas que deve manter escrituração com observâncias das leis comerciais e fiscais, devendo abranger todas as operações do contribuinte (art. 251 e parágrafo único do RIR/1999). No caso da pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro presumido, caso não mantenha escrituração nos termos da legislação comercial e fiscal, deve manter, obrigatoriamente, o Livro Caixa, no qual deve escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Essa obrigatoriedade está prevista no art. 527, inciso I, e § único, do RIR/1999, que assim dispõe: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei n° 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei n° 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). (grifo nosso) Fl. 427DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 428 14 Por isso, quando solicitado pelo Fisco, o contribuinte deve exibir os documentos e os respectivos livros comerciais e fiscais ou o Livro Caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive a bancária, em boa ordem, escriturados e em dia. A autorização legal para o arbitramento do lucro, quando o Contribuinte é optante pelo lucro presumido, no caso da não apresentação do Livro Caixa devidamente escriturado, é prevista no art. 530, inciso III, do RIR/1999, a seguir é transcrito: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. [...] II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; [...] Analisandose os autos concluiuse que o procedimento da Fiscalização em arbitrar o lucro está correto. O contribuinte, sendo optante pelo lucro presumido, deveria ter apresentado a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ou o Livro Caixa, no qual deveria estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Porém, devidamente intimada e alertada sobre a necessidade de o Livro Caixa incluir a escrituração da movimentação financeira (fls. 110 e 165), foram apresentados somente os Livros Caixa de fls. 173 a 184, nos quais não constam a escrituração da sua movimentação financeira, não restando à Fiscalização outra alternativa senão a de arbitrar o lucro. O arbitramento do lucro foi devidamente apurado com base na receita bruta, aplicandose o percentual correto. Diante do exposto, nego provimento ao recurso quanto a esse item, considerando correto o procedimento do Fisco ao utilizarse do arbitramento como procedeu. Da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins A Recorrente traz aos autos a discussão travada no STF quando do reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Observo, de início que o lançamento se deu do confronto entre as receitas registrados nos Livros Registros de Apuração do ICMS e aquelas informadas na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica (DSPJ) SIMPLES, para o período de 01/01/2007 a Fl. 428DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 429 15 30/06/2007, e nas Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, períodos de 01/07/2007 a 31/12/2007 e 01/01/2008 a 31/12/2008. Com relação à autuação no regime do SIMPLES, relativa aos períodos de 01/07/2007 a 31/12/2007, a base legal do lançamento do PIS e da Cofins tem origem nas Leis nº 9.317/96 e nº 9.732/98, nada relacionado à discussão de constitucionalidade levantada pela Recorrente. Quanto ao lançamento relativo aos períodos de 01/01/2008 a 31/12/2008, constatase que a fundamentação legal se utiliza do dispositivo objeto da discussão travada no STF, o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Entendeuse que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prescrita no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC nº 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto que deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4º, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei nº 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC nº 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação Fl. 429DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 430 16 do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.2351/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009, veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF nº 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da Fl. 430DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 431 17 lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Conseqüentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Entretanto, devese reiterar que a natureza das receitas omitidas, apuradas no lançamento ora em análise, é exatamente a de receitas da prestação de serviços da atividade da pessoa jurídica, como tal, tributadas. Entendo, assim, não haver alargamento inconstitucional da base de cálculo do PIS e da Cofins. Pelo que nego provimento ao recurso quanto a esse ponto. Da qualificação da multa de ofício Alega a Recorrente não ser cabível a aplicação da multa de ofício ao percentual de 150%. Entende não haver comprovação de fraude e/ou conduta dolosa de sua parte. De se esclarecer, inicialmente, que no lançamento em análise foram aplicadas tanto multas de ofício no percentual de 75% quanto multas de ofício qualificadas, no percentual de 150%, na forma a seguir discriminada. 75% sobre as insuficiências nos recolhimentos do imposto de renda e das contribuições sociais, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 2007. 150% sobre o imposto de renda e contribuições apuradas com base na omissão de receita, prevista no art. 44, inciso I, §1°, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 2007, tendo em vista a intenção dolosa do contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador (multa qualificada). Passo à análise desse ponto. O art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, assim prescreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 431DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 432 18 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Assim, nos termos do § 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Vejase esses últimos dispositivos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Portanto, a multa de 150% terá aplicação sempre que, em procedimento fiscal, for constatada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. No caso em análise, é comprovado que a empresa, reiteradamente, declarou a menor expressivos valores de receita durante o período de 01/01/2007 a 31/12/2008, configurando a intenção dolosa em sua conduta com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, ou de excluir ou modificar as suas características. Por fim, quanto ao argumento da Recorrente de que a multa aplicada teria natureza confiscatória e violaria preceito de ordem constitucional, recordo que a matéria já foi apreciada neste Voto por ocasião da análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Nego provimento ao recurso nesse ponto. Da tributação correlata Fl. 432DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721610/201151 Acórdão n.º 1402001.560 S1C4T2 Fl. 433 19 Os lançamentos do Programa de Integração Social SIMPLES, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido SIMPLES, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social SIMPLES, da Contribuição para a Seguridade Social INSS SIMPLES, do Programa de Integração Social, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Lucro Arbitrado) foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Assim, como a omissão de receita foi mantida e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter essas exigências, ante a íntima relação e causa e efeito. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 433DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 13116.902546/2011-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 25 46 /2 01 1- 11 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902546/201111 Acórdão n.º 3803005.365 S3TE03 Fl. 94 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 1º de novembro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 210,26. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 16/01/2012, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito reclamado decorreria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, inconstitucionalidade essa já reconhecida pela própria Administração tributária. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de planilha por ele elaborada. A Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na falta de comprovação do indébito, (ii) no fato de que o crédito informado já se encontrava vinculado à quitação de outros débitos da titularidade da pessoa jurídica e (iii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre constitucionalidade de leis. Cientificado do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP em 25 de julho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23 de agosto do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Ribeirão Preto/SP. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902546/201111 Acórdão n.º 3803005.365 S3TE03 Fl. 95 3 Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses totalmente insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Em processos da espécie ao ora analisado, a falta de um mínimo de instrução do processo por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por meio de diligência à repartição de origem, dada a inexistência de qualquer indício fático do direito pleiteado, ou seja, um início de prova que pudesse convencer o julgador quanto à possibilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902546/201111 Acórdão n.º 3803005.365 S3TE03 Fl. 96 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10530.721613/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
Ementa:
PROVAS INDICIÁRIAS - A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, indiretamente, por um conjunto de elementos e indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza desta matéria de fato.
CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. AUSÊNCIA DE PROVA GLOSA IMPROCEDENTE - Se os indícios apontados pela fiscalização são insuficientes para consubstanciar a prova indireta da acusação, não se sustenta o lançamento que nela se lastreia.
Numero da decisão: 1301-001.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Paulo Roberto Riscado Júnior.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 Ementa: PROVAS INDICIÁRIAS - A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, indiretamente, por um conjunto de elementos e indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza desta matéria de fato. CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. AUSÊNCIA DE PROVA GLOSA IMPROCEDENTE - Se os indícios apontados pela fiscalização são insuficientes para consubstanciar a prova indireta da acusação, não se sustenta o lançamento que nela se lastreia.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Paulo Roberto Riscado Júnior. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 Ementa: PROVAS INDICIÁRIAS A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, indiretamente, por um conjunto de elementos e indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza desta matéria de fato. CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. AUSÊNCIA DE PROVA GLOSA IMPROCEDENTE Se os indícios apontados pela fiscalização são insuficientes para consubstanciar a prova indireta da acusação, não se sustenta o lançamento que nela se lastreia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Paulo Roberto Riscado Júnior. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 16 13 /2 01 1- 19 Fl. 6761DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de recurso voluntário em face de decisão da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que manteve integralmente a exigência formalizada em face do contribuinte MK Eletrodomésticos Ltda., decorrente de glosa de créditos. Na descrição dos fatos que integra o auto de infração, consta que o estabelecimento industrial ou equiparado não recolheu ou recolheu a menor o IPI, devido à utilização indevida de créditos fiscais. O procedimento fiscal compreendeu um conjunto de verificações efetuadas nas empresas MK Eletrodomésticos Ltda.; ME Indústria Eletrônica do Nordeste Ltda.; AlphaPro Cuidados Pessoais Ltda. e Mondial Eletrodomésticos Ltda., que levaram a autoridade fiscal a concluir que as 4 empresas, apesar de estarem constituídas em empresas diferentes, na realidade formam uma empresa só, com o mesmo responsável administrativo e financeiro, ocupando o mesmo espaço físico, desenvolvendo atividades de importação, produção, montagem e comercialização de produtos eletrodomésticos e eletroeletrônicos. A constituição de diferentes empresas, segundo a autoridade fiscal, foi feita com o objetivo de reduzir a carga tributária incidente. Ressalta o autuante que, atualmente, a MK Eletrodomésticos Ltda. é a única empresa que mantém atividade industrial e comercial utilizando a marca “Mondial”, além de ter em seu quadro societário o efetivo responsável pelas operações das empresas, o sócio Alberto Baggiani. Relata que a partir de suas conclusões, foi necessário consolidar as operações das empresas para se apurar o efetivo resultado tributário da empresa única. A empresa resultante da consolidação foi a MK Eletrodomésticos Ltda., na qual foi efetuado o lançamento. Descreve ainda outros fatos que levaram a esta conclusão, e que a seguir reproduzo, a partir do que consta da decisão recorrida: 1) Mesmo endereço: A empresa MK Eletrodomésticos foi criada em agosto de 2005, com a sede na cidade de Lauro de Freitas/BA, 1ª travessa 11a, Centro, mas somente iniciou suas atividades em novembro de 2006, após transferir sua sede , em junho de 2006, para a cidade de Conceição do Jacuípe/BA., Estrada da Volta, 1200, galpão 2, Colônia Brasília. Nesse mesmo endereço funcionam/funcionavam as outras 3 outras empresas: (i) ME Indústria Eletrônica do Nordeste Ltda., CNPJ nº 06.272.816/000150, constituída em 2004, na cidade de Simões Filho/BA. Em maio de 2006, abriu uma filial em Fl. 6762DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 4 3 Conceição do Jacuípe, Estrada da Volta, 1200, Colônia Brasília, local para onde foi transferida a matriz, no mês de setembro, ocasião em que o estabelecimento de Simões Filho foi fechado e aberta uma filial em Lauro de Freitas/BA.; (ii) AlphaPro Cuidados Pessoais Ltda., CNPJ nº 08.387.026/000146, constituída em outubro de 2006, com sede em Lauro de Freitas/BA, 1ª travessa 11a. Centro. Em maio de 2007, transferiu sua sede para Conceição do Jacuípe, Trav. da Volta, 155, galpão 2, Colônia Brasília, iniciando efetivamente suas atividades a partir de julho de 2007; e (iii) Mondial Eletrodomésticos Ltda., CNPJ nº 08.002.985/000104, criada em abril de 2006, com sede na cidade de Lauro de Freitas/BA, 1° travessa 11a, Centro. Em outubro de 2006 transferiu sua sede para Conceição do Jacuípe, Estrada da Volta, 1200, galpão 3B, Colônia Brasília, onde iniciou suas atividades em fevereiro de 2007. A empresa tem atualmente como sócios a MK Eletrodomésticos e ME Indústria Eletrônica 2) Mesma Atividade As empresas MK Eletrodomésticos, ML Indústria Eletrônica e AlphaPro Cuidados Pessoais, conforme contrato social, têm como principal atividade a fabricação, montagem e comércio de eletrodomésticos e eletroeletrônicos. A empresa Mondial Eletrodomésticos tem como atividade principal o comércio atacadista de eletrodomésticos e eletroeletrônicos. 3) Uso da mesma marca comercial/Licenciamento da marca Todas as empresas fabricam, importam e comercializam produtos com a marca comercial "Mondial". Conforme informação do site da empresa (www.mondialine.com.br), sob essa marca são comercializados eletroportáteis (ventiladores, batedeiras, liquidificadores, aquecedores, etc.), produtos para cuidados pessoais (secadores, prancha cerâmica, etc.), eletroeletrônicos e ferramentas; Os manuais dos produtos comercializados com a marca "Mondial" mostram ora uma empresa, ora outra como fabricante/importador dos produtos. Em todos os manuais consta o mesmo número da central de atendimento ao consumidor; A empresa Crowland S/A., sócia majoritária da ME Indústria Eletrônica, solicitou junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) o registro da marca "Mondial" para produtos da linha eletroportáteis e eletroeletrônicos. A Crowland também solicitou, nos Estados Unidos da América, o registro da marca '"Mondial". A empresa Sillman International S/A. também solicitou o registro da marca "Mondial" para ventilador, liquidificador, aquecedor, cafeteira, aspirador de pó, ferro de passar, entre outros; No site da empresa sempre aparece a marca "Mondial" como referência. A página principal mostra o galpão da empresa em Conceição do Jacuípe como sendo a empresa "Mondial", inclusive com o logo pintado no teto, ou seja, não há distinção entre MK, ME, ALPHA ou Mondial eletrodomésticos. Tudo é Mondial. A única referência feita às empresas é quando se refere aos certificados ISO obtidos pela ME e MK, quando as duas empresas aparecem em destaque, porém, abrigadas dentro do site "mondialine.com.br". 4) Mesma Direção Fl. 6763DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 5 4 A Marca ''Mondial" começou a ser fabricada na Bahia em 2002, na cidade de Camaçari, por meio da empresa ML do Nordeste Ltda. CNPJ nº 04.871.016/000120, que tinha o seguinte quadro societário: Sócio CPF/CNPJ Participação Sillman doBrasil 04.757.321/000196 85% Alberto Baggiani 576.799.75868 7,5% Giovanni Marins Cardoso 371.336.67991 7,5% A empresa Sillman do Brasil tem como sócio majoritário (99.99%) a Sillman sociedade anônima, estabelecida nas Bahamas, cujo representante no Brasil é Luis Henrique Aguilar Monteiro, também sócio da Sillman do Brasil, com 0,01% de participação; Posteriormente, em 2003, o sócio Alberto Baggiani transferiu suas cotas na ML, para Giovanni Marins, o qual, em 12/2006, transferiu suas cotas para a Sillman (95%) e Manoel Nascimento Weber Neto (5%), após o que o capital social da ML ficou 99% para Sillman e 1% para Manoel Weber (087.149.32504). Manoel Weber mora em Mussurunga, bairro popular de Salvador/BA, e não aparenta possuir capacidade econômica, tendo feito recentemente concurso para agente de trânsito na cidade de Lauro de Freitas/BA. De 2003 a 2009 foi funcionário do escritório contábil PLIMA, responsável pela escrituração contábil das empresas MK, ML, AlphaPro e Mondial, e pertencente a Valdirene Pinto Lima. A partir de janeiro de 2010 passou a ser funcionário da empresa Valdirene Pinto Lima ME; Alberto Baggiani é um dos sócios da empresa MK eletrodomésticos, com 18% do capital social. Os outros 82% pertencem à empresa Estremoz S/A., sediada no Uruguai, e que, através de procuração, concedeu a Alberto Baggiani amplos poderes para representála; Os bancos onde as empresas MK, ME, AlphaPró e Mondial possuem conta corrente foram intimados a apresentar os dados cadastrais, procurações, autorizações e fichas de assinatura referentes às contas correntes mantidas pelas empresas. Da análise destes documentos, verificamos que Alberto Baggiani possui procurações outorgadas pelas empresas AlphaPró e ME eletrônica lhe concedendo amplos, gerais e ilimitados poderes, inclusive para movimentar as contas correntes das respectivas empresas. Também é o responsável pela conta corrente das empresas MK, na qualidade de acionista direto, e Mondial, na qualidade de acionista indireto. Giovanni Marins possui procuração outorgada pelas empresas ME Indústria Eletrônica, MK Eletrodomésticos, M. Climatização (atualmente AlphaPró cuidados pessoais); Alberto Baggiani e Giovanni Marins figuravam como representantes das empresas MK e MONDIAL nos contratos comerciais celebrados por estas empresas com clientes (MAKRO Atacadista S/A., Supermercado da Família Ltda., G. Barbosa Comercial Ltda., WalMart Ltda., Magazine Luiza, Ricardo Eletro, Lojas Insinuante Ltda.), assinando os contratos e assumindo obrigações perante terceiros em nome das empresas. Nesses contratos, o Sr. Giovani Marins assina ora como presidente da Eletrodomésticos Mondial, ora como Diretor Comercial/Marketing ou apenas representante do Fl. 6764DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 6 5 fornecedor, quando os contratos são celebrados em nome da MK. O Sr. Alberto Baggiani tem sido designado nesses contratos ora com o termo genérico de representante, ora como diretor; A contabilidade da empresa ME Indústria Eletrônica registra, em 2008 e 2009, lançamentos em contas contábeis de clientes, e também na conta de resultado "devedores inadimplentes", cujo histórico aparece as seguintes informações: "liquidação duplicatas/solução, Sr. Alberto solicitou que fosse baixado na conta", "liquidação duplicata ex funcionários sr. Alberto aut. lançar em perdas". Estes lançamentos são feitos em conta de despesa, com contrapartida em conta de ativo, reduzindo o valor a receber de clientes. A contabilidade da empresa MK Eletrodomésticos também registra esse tipo de lançamento, conforme escrituração na conta de resultado devedores inadimplentes, em 16/10/2009, com o seguinte histórico: "liquidação duplicata sem solução – baixa em perdas aut. pelo Sr. Alberto". Não foi identificado na folha de pagamento da empresa ME nenhum funcionário com nome Alberto. Na MK, o único funcionário com esse prenome é Alberto dos Santos Bastos, que ocupa a função de auxiliar de produção. Este fato sugere que a pessoa que autorizou a baixa das duplicatas nas empresas ME e MK é a mesma e, pela natureza da autorização, de baixa de créditos de clientes com valores elevados, essa pessoa possui poderes de gestão nas empresas, levando a crer que se trata de Alberto Baggiani; Quando se pesquisa a marca "Mondial" na internet, com data inicial em 2002, Giovanni Marins é o único que aparece em reportagens sobre a empresa, ora figurando como presidente, ora como diretor comercial e de marketing. Em matéria sobre o lançamento de um novo produto, Giovanni Marins figura como pessoa responsável pela aprovação da campanha publicitária. 5) Sócios majoritários com sede no Uruguai As empresas MK, ME e ALPHA têm como acionistas majoritários empresas constituídas no Uruguai. Todas elas foram fundadas da mesma forma e pelas mesmas pessoas, e possuem o mesmo endereço: Rua Juncal, 1327, unidade 2201, Montevidéu, Uruguai. Todos os sócios das empresas são sócios/funcionários da empresa Posadas, Posadas e Vecino, também com sede em Montevideu, Uruguai. Outra característica comum é que os sócios brasileiros possuem procuração outorgada pelos sócios estrangeiros concedendo amplos poderes sobre as empresas. Abaixo quadro com a composição acionária das empresas: MK Eletrodoméstico Sócio País Participação Estremoz S.A. Uruguai 82% Alberto Baggiani Brasil 18% ME Indústria Eletrodoméstico Sócio País Participação Crowland S.A. Uruguai 97% Carlos Eduardo Marchi Brasil 3% Fl. 6765DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 7 6 AlphaPró Cuidados Pessoais Sócio País Participação Racan Corp S.A. Uruguai 98,5% Geraldo Terrível Brasil 1,5% Reportagens publicadas em jornais e revistas de circulação nacional mostram que a empresa Posadas, Posadas e Vecino, e alguns de seus sócios/funcionários, são utilizados para criar empresas de fachada, conforme reportagens da revista ISTO É, edição 1671, publicada em 10/10/2001, jornal Folha de São Paulo, edição de 03/01/2001, e revista Época, de 16/08/1999. 6) Utilização de terceiros na constituição de empresas: Valdirene Pinto Lima, proprietária da empresa PLIMA Serviços Ltda., é contadora das 4 empresas. Constatouse junto aos cadastros da Receita Federal que familiares e funcionários de Valdirene Pinto foram utilizados na constituição das empresas ML do Nordeste, Mondial Eletrodomésticos e AlphaPró; As empresas Mondial Eletrodomésticos e AlphaPró tiveram, respectivamente, como sócias iniciais: (i) Tanildes Pinto Lima e Yeda Pinto dos Santos; e (ii) Angela Lima Batista e Noeliton Pinto Lima; Conforme cadastro da Receita Federal, Tanildes Lima, Ângela Lima e Noeliton Lima são filhos de Eronildes Maria Pinto Lima, que também é irmã de Yeda Pinto dos Santos; Informações de DIRF e GEFIP mostram que à época da constituição da Mondial, Tanildes Lima era funcionária da empresa Escola Lopes de Assis Ltda. Nas declarações de Imposto de Renda Pessoa física (DIRPF) de Yeda Pinto e Ângela Lima não consta nenhuma informação sobre a constituição ou posse de cotas de empresas. Tanildes Pinto informou deter cotas da empresa MEP Montagens, e Noeliton Pinto informou a posse de cotas da empresa Premoldados Lima. A situação patrimonial desses contribuintes era a seguinte: Tanildes Pinto Lima 0,00 9.000,00 Yeda Pinto dos Santos 0,00 0,00 Ângela Lima Batista 0,00 0,00 Noelilon Pinto Lima 100,00 100,00 Yeda Pinto também é sócia da empresa Global Injeções, que funciona no mesmo endereço das 4 empresas, e presta serviço de industrialização por encomenda para a AlphaPró. Essa empresa é inscrita no SIMPLES, e também foi objeto de autuação para cobrança de contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salário, pois ficou comprovado que a empresa foi constituída com o fim de abrigar funcionários da AlphaPró, e, por estar inscrita no SIMPLES, evadir o pagamento da contribuição previdenciária patronal. Fl. 6766DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 8 7 7) Divisão de funcionários com cargos de gerência/coordenação A análise dos dados da folha de pagamento das empresas mostra que as funções de gerência/coordenação/análise foram divididas entre as empresas. Cada empresa possuía pelo menos um funcionário em cargos que são essenciais em uma estrutura fabril e comercial, que foram divididos entre as empresas, conforme se segue: CARGO MK ME ALPHAPRO Gerente de Produção * X X Gerente de Engenharia X Gerente de Suprimento X Coordenador de Produção * X X Coordenador de Qualidade X Coordenador de Sistemas de Materiais X Coordenador de Recursos Humanos X Coordenador de Comércio Exterior X Analista de Exportação X Analista de Importação ** X Analista de Suporte * A empresa Alpha tinha em sua folha de pagamento o funcionário Moisés Santos da Costa que, de outubro/2007 a janeiro/2008, ocupava o cargo de gerente de produção e, a partir de fevereiro/2008, passou a ocupar o cargo de coordenador de produção. ** A Alpha passou a ter um funcionário desempenhado esta função a partir de julho de 2008. 8) Transações entre as empresas As empresas ME e MK vendiam os produtos com a marca '"Mondial"' diretamente aos clientes finais – empresas varejistas como Casas Bahia, WalMart, Carrefour, Bom Preço, Insinuante, entre outros. A partir de agosto de 2007 passaram a vender exclusivamente para a Mondial Eletrodomésticos, que revendia para os clientes finais. A empresa Alpha só efetuou vendas para a Mondial Eletrodomésticos, pois iniciou suas operações em julho de 2007; A análise dos preços praticados pelas empresas mostram que esta transição foi apenas aparente, pois o valor dos produtos vendidos aos clientes finais não sofreu nenhuma alteração. Os preços dos produtos, que antes eram vendidos da ME e MK para os clientes finais, continuou o mesmo após a Mondial Eletrodomésticos vender para estes mesmos clientes. Ou seja, a relação comercial continuou a mesma. Outro detalhe é que, na passagem do mês de julho para agosto, a ME e MK aumentaram o preço dos produtos vendidos à Mondial, resultando, na maior parte dos casos, em um preço maior do que o vendido aos clientes finais. 9) Processos Trabalhistas As empresas ME, MK, Mondial e Alpha figuram em vários processos trabalhistas como "plúrima réu”, ou seja, partes que tinham relação com o fato/empresa reclamada. Em um dos processos, há uma sentença declarando a existência do mesmo grupo econômico, e reconhecendo a solidariedade entre as empresas. 10) Mesmo contador/contabilidade Fl. 6767DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 9 8 As empresas têm a mesma contadora, Valdirene Pinto Lima, e apresentam idêntica estrutura contábil, com as contas contábeis com a mesma denominação e o mesmo número. 11) Compartilhamento de contas de consumo As empresas possuem um único contrato junto à Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (COELBA), onde as contas de energia elétrica são rateadas entre as empresas. A empresa que possuía o contrato com a COELBA era a ME Indústria Eletrônica. Depois, o contrato passou para o nome da AlphaPró, com o detalhe de que o número do contrato permaneceu o mesmo, ou seja, houve apenas a troca de titularidade do contrato. 12) Compartilhamento de informações contábeis e financeiras As empresas foram cientificadas das conclusões acerca da existência da empresa única e intimadas a apresentar a consolidação contábil e também a apuração consolidada dos tributos IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI (intimação lavrada em 21/12/2010). Tal intimação foi atendida pelas empresas, que informaram também os valores pagos dos tributos. Esta resposta demonstra a ligação entre as empresas, que compartilham informações contábeis e financeiras que, por natureza, são estritamente sigilosas e restritas. 13) Encerramento de atividades e transferência de empresas para Osasco/São Paulo A empresa ME Indústria Eletrônica manteve suas atividades comerciais até dezembro de 2009. Em 12/05/2010, efetuou alteração contratual transferindo sua sede para Osasco/SP, baixando sua filial, modificando seu nome empresarial e objeto social para gestão e administração de bens próprios e participação em outras sociedades. Tal alteração foi registrada na JUCEB em 10/06/2010; A empresa AlphaPró desenvolveu suas atividades até o mês de dezembro de 2009. Em 13/04/2010, efetuou alteração contratual transferindo sua sede para Osasco/SP, e alterando seu objeto social para escritório administrativo. Tal alteração foi registrada na JUCEB em 10/06/2010; A empresa ML, precursora da marca '"Mondial" na Bahia, operou até abril de 2009 na cidade de Camaçari, tendo sido a primeira que se transferiu para Osasco/SP. Mudou também de atividade, passando a ter como objeto social ''administração de escritórios em geral”; A Mondial Eletrodomésticos continua com sede na cidade de Conceição de Jacuípe, porém, reduziu suas atividades a quase zero, demonstrando intenção de descontinuidade das operações; Todo esse conjunto de indícios levou à conclusão de que as empresas MK, ME, Mondial e AlphaPró, apesar de estarem constituídas em empresas diferentes, na realidade formam uma empresa só, com o mesmo responsável administrativo e financeiro, ocupando o mesmo espaço físico, desenvolvendo atividades de importação, produção, montagem e comercialização de produtos eletrodomésticos e eletroeletrônicos; Fl. 6768DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 10 9 Essa conclusão vai ao encontro do conceito de estabelecimento previsto no art. 518 do Dec. nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002); De acordo com o Parecer Normativo CST n° 572/71, a doutrina civil conceitua o "prédio" como o terreno com as edificações nele implantadas. Assim, a expressão "estabelecimento" não está vinculada à edificação, mas às edificações situadas em um mesmo e determinado terreno, ainda que estejam separadas. A constituição de diferentes empresas foi feita com o objetivo de reduzir a carga tributária incidente sobre as atividades da empresa, conforme se segue: 1. IRPJ e CSLL As empresas MK e ME optaram pela apuração pelo lucro presumido nos anos calendário de 2007 e 2008. Nesta modalidade, pagavam Imposto de Renda e CSLL sobre o lucro presumido calculado às alíquotas de 8% e 12%, respectivamente, incidentes sobre a receita bruta. A análise dos resultados das empresas mostra que estas obtiveram um lucro líquido contábil bastante superior ao presumido, o que possibilitou às empresas reduzirem o IRPJ e CSLL a pagar; A existência das empresas MK e ME, como optantes pelo lucro presumido, possibilitou uma redução na base tributável de R$ 4.469.125,43 e R$ 13.715.674,05 em 2007 e 2008, respectivamente. As outras 2 empresas, Mondial e AlphaPró optaram pela apuração com base no lucro real anual, apurando os seguintes resultados: Ano calendário 2007 2008 Empresa Mondial AlphaPró Mondial AlphaPró Receita bruta 112.028.63,67 30.994.998,51 274.186.094,63 63.702.795,74 Lucro antes do IR 82.392,86 597.674,76 107.178,38 5.639.285,21 Como se vê, as empresas optantes pelo lucro presumido obtiveram uma margem de lucro bastante superior às de lucro real. Isto se explica em parte pelas vendas feitas pela MK e ME à Mondial, onde os produtos eram vendidos por preço superior ao que a Mondial vendia aos clientes externos, conforme explicado no item 31. Outra explicação é a concentração de despesas na empresa Mondial, que, por sua vez, repassava parte dessas despesas à empresa AlphaPró, como, por exemplo, as despesas decorrentes de contratos comerciais com os varejistas, como bônus, comissões, VPC. transportes, etc. 2. ICMS As empresas MK, ME a ALPHA possuem benefício fiscal de incentivo do ICMS. Nesta modalidade obtinham um crédito presumido do imposto incidente nas vendas, reduzindo o valor a recolher. Porém, ao venderem para a Mondial, efetuavam o destaque do ICMS cheio na nota fiscal, possibilitando que essa se creditasse normalmente. O ICMS era calculado pelas empresas à alíquota aplicável para operações dentro do estado (17%). Porém, como a Mondial vendia grande parte dos produtos para fora do estado, acabava debitando o ICMS com a alíquota de 12%. Esta situação, aliada ao preço elevado que a Mondial comprava das empresas, fez com que ela acumulasse um saldo crescente do imposto. Em 2010, segundo informação da Secretariada Fazenda do Estado, a Mondial teria negociado estes créditos; 14) Critérios de Consolidação Fl. 6769DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 11 10 Em resposta à intimação, para apresentar a apuração consolidada do IPI, anos calendário de 2007 a 2009, a empresa entregou planilha em que soma os saldos dos créditos e débitos mensais das 4 empresas, consolidandoos em uma só empresa; A forma de consolidação utilizada pela contribuinte não é a correta, pois diante dos indícios que apontam a existência real de uma única empresa na Estrada da Volta, 1200, conforme demonstrado anteriormente, a tributação do IPI deve ser feita considerando esse fato, ou seja, as operações entre as empresas MK, ME, AlphaPró e Mondial não devem gerar débitos ou créditos do imposto. Cita e transcreve o art. 518, do Dec. nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002), que define o conceito de estabelecimento; Desta forma, na apuração do IPI efetuada pela fiscalização, foram eliminados os créditos e débitos decorrentes das transações entre as empresas MK, ME, Alphapró e Mondial; Para fins de apuração do IPI, foram utilizados os arquivos de notas das empresas, sendo que os arquivos referentes ao período de 2007 e 2008 foram entregues pela contribuinte e os arquivos do período de 2009 foram extraídos do SINTEGRA, conforme convênio firmado entre a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia e a Receita Federal; Para apuração dos créditos do imposto, consideramos as disposições do RIPI/2002, capítulo X, seções I, II e III. Foram levantados os valores das entradas, de acordo com as notas fiscais respectivas, bem como as devoluções de vendas. O crédito considerado foi o IPI destacado nas notas fiscais, conforme disposto no artigo 163, sendo concedido o crédito a partir da entrada dos produtos no estabelecimento; Os produtos que foram considerados no cálculo do crédito do IPI são aqueles que se enquadram no conceito de matériaprima e produto intermediário, conforme disposto no art. 164 do RIPI/2002; As empresas lançaram, no livro registro ele apuração do IPI, valores a título de "outros créditos'". De acordo com as informações dos arquivos de notas fiscais, estes valores não estavam destacados nas notas fiscais de entrada. Intimadas a explicar a origem destes créditos, e apresentar a documentação comprobatória, as empresas se limitaram a responder que os valores se referiam a créditos de operações próprias oriundas de fornecedores diversos. Não foram apresentados documentos que corroborassem esta afirmação. Assim, considerando que o artigo 163 do RIPI dispõe que o contribuinte pode se creditar do imposto relativo a produtos entrados nos seu estabelecimento, e que o direito ao crédito está condicionado à apresentação de documentação comprobatória, os valores escriturados pelos contribuintes sob o título “outros créditos” não foram incluídos na apuração do IPI realizada pela fiscalização; O crédito referente ao IPI importação, pago pelo contribuinte sob código 1038 (IPI vinculado à importação), foi creditado no mês em que ocorreu a efetiva entrada dos produtos no estabelecimento, conforme notas fiscais de entrada; Para apuração dos débitos, consideramos as saídas tributadas, conforme as notas fiscais de saída, bem como as devoluções de compras. O valor tributável foi o imposto destacado nas notas fiscais; Do IPI apurado, abatemos os valores declarados em DCTF pelas empresas MK, ME, AlphaPró e Mondial; Fl. 6770DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 12 11 De acordo com os fatos narrados nesse Termo de Verificação Fiscal, as empresas ME Indústria Eletrônica, AlphaPró Cuidados Pessoais e Mondial Eletrodomésticos foram arroladas como sujeito passivo solidário, nos termos do artigo 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional); As empresas escrituraram créditos indevidos nos livros de apuração do IPI, sob o título “outros créditos”. Dessa forma, reduziram o tributo devido nos períodos de apuração. Esta infração é prevista no inciso II, artigo 1º da Lei n° 8.137, de 1990, que dispõe sobre os crimes contra a ordem tributária. Em vista disso, e atendendo ao disposto no artigo 1º da Portaria RFB nº 2.439, de 2010, formalizamos representação fiscal para fins penais, de acordo com o artigo 4° da citada portaria. Cientificada da exigência fiscal, em 31/03/2011, a autuada apresentou, em 02/05/2011, impugnação às fls. 6.273 a 6.310, assim sintetizada no relatório que integra a decisão recorrida: 1. Dos fatos A empresa autuada MK Eletrodomésticos Ltda., juntamente com as empresas ME Indústria Eletrônica do Nordeste Ltda., AlphaPró Cuidados Pessoais Ltda. (antiga MC Climatização Ltda., que por sua vez, antes se chamava Supreme) e Mondial Eletrodomésticos Ltda., faz parte de um grupo econômico que fabrica, importa e vende, para todo o Brasil, os eletrodomésticos da marca Mondial; Cada empresa do grupo tem área de atuação específica, não se confundindo, em momento algum, quais os tipos de eletrodomésticos que cada uma fabrica ou importa e para quais clientes vende. Além disso, todas as empresas têm os seus próprios empregados, contabilidade própria, onde são registradas as respectivas despesas e receitas e, apesar de estarem no mesmo parque industrial, cada uma tem o seu galpão específico (sede própria); 2. Dos motivos da existência das 4 empresas A marca Mondial decidiu se instalar na Bahia em razão do benefício fiscal de ICMS oferecido por este Estado (Dec. Estadual n°. 4316/1995). Para tanto foi criada a empresa M.L. do Nordeste Ltda., em Camaçari/BA, no ano de 2002; Em face do alto grau de endividamento da ML do Nordeste Ltda., mas diante da percepção de que a marca já havia obtido uma boa penetração no mercado, decidiuse, em 2004, criar a ME Indústria Eletrônica do Nordeste Ltda., inicialmente instalada em Simões Filho/BA, que era uma empresa que, essencialmente, iria apenas realizar importações de produtos prontos da China (pranchas alisadoras, cafeteiras, etc.), os quais eram totalmente diferentes daqueles produzidos pela ML do Nordeste Ltda.; Como a criação da ME foi um sucesso, e as operações da ML ainda continuavam problemáticas (falta de lucratividade, endividamento, alta rotatividade de pessoal, etc.), no final de 2005 foi decidido que deveria ser feita a transferência das operações de Camaçari/BA para outra localidade; Assim, criouse a MK Eletrodomésticos Ltda., que nasceu para produzir liquidificadores, batedeiras e espremedores, os quais deixaram de ser produzidos pela ML, e Fl. 6771DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 13 12 também para importar outros itens de cozinha (forninho e tostadeira, por exemplo), que também não eram produzidos ou importados por nenhuma outra empresa do grupo; A ME, então, comprou um terreno em Conceição do Jacuípe/BA e começou a construção de galpões para as suas instalações, como também para as da MK. Frisese, desde já, que a ME sempre cobrou um aluguel da MK pela locação do espaço físico (doc. 02). A MK iniciou as operações em Conceição do Jacuípe/BA em janeiro de 2006 e, para tanto, comprou da ML todas as máquinas, moldes e matérias primas que eram utilizadas na fabricação dos produtos que passaram, então, a ser produzidos pela MK (produtos de cozinha); A situação financeira da ML continuava piorando e, assim, no final de 2006, foi iniciada a segunda etapa de transferência da fabricação dos produtos (Ventilação), ficando prevista a mudança definitiva para Julho de 2007, quando foi criada a M. Climatização Ltda. (MC) (atual Alpha Pro), dandose início à construção de mais dois galpões no terreno da ME para a acomodação da fábrica da MC; Assim como no caso da MK, a MC também pagava à ME o aluguel pela utilização dos balcões (doc. 02). Além disso, após as suas instalações ficarem totalmente prontas, a MC comprou da ML todas as máquinas, moldes e matérias primas que eram utilizadas na fabricação dos produtos que passaram, então, a ser produzidos pela MC (produtos de ventilação); A criação das empresas ME, MK e MC decorreu de decisões administrativas que visaram tornar o negócio mais viável do ponto de vista operacional, buscando reduzir o risco financeiro, pois o mercado brasileiro de eletro portáteis é muito competitivo: são pelo menos 18 concorrentes fortes (Arno, Britânia, Walita, Faet, Mallory, Contei, De Lar, Eletrolux, Blacker & Decker, Ion, Suggar, Cadenee, Fan Kitichen NKS, Precisión, Vicini, Zcex, Eterny); Os riscos do negócio, que antes eram concentrados na ML, foram assim divididos. A ME atuou essencialmente com importações, ramo no qual o risco é a variação cambial. A MC ficou concentrada em produtos sazonais (ventiladores e aquecedores), ramo no qual há grande risco de se ter estoques elevados e não vender em virtude do tempo. Já a MK se concentrou em produtos de cozinha, os quais possuem vendas mais estáveis durante o ano inteiro não sofrendo oscilação em virtude do clima; As empresas enfrentavam a dificuldade de realizar vendas para fora do Estado da Bahia, em razão da guerra fiscal travada entre os Estados da Federação. Explicase: as três empresas (ME, MK e MC) gozavam do benefício fiscal de ICMS previsto no Dec. Estadual n° 4316/1995 (doc. 03); assim, quando iam realizar vendas para outros Estados, tinham dificuldades, pois as empresas adquirentes (localizadas fora da Bahia) não conseguiam se apropriar do crédito do ICMS incidente nas etapas anteriores perante os seus Estados (SP, MG etc.), os quais não reconheciam o crédito do ICMS, nada obstante o imposto estar destacado nas notas fiscais (requer juntada posterior de tais documentos); assim, em razão da impossibilidade de se creditar do ICMS, as empresas de fora da Bahia preferiam não comprar produtos das empresas MK, ME e MC, pois acabavam tendo que arcar com uma carga tributária muito maior de ICMS (cumulativo), o que gerava grandes prejuízos para as três empresas. Cita e transcreve legislação dos Estados de São Paulo (§ 3º do art. 36 da Lei nº 3.674/1989 e Comunicado CAT nº 36/2004) e Minas Gerais (art. 62 do Dec. nº 43.080/2002 e Resolução nº 3.166/2001), que vedavam a apropriação de créditos do ICMS oriundos de benefício fiscal na origem; Fl. 6772DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 14 13 Diante de tal situação, o grupo decidiu criar uma quarta empresa (Mondial Eletrodomésticos Ltda.) com o fim exclusivo de vender os produtos fabricados ou importados pelas outras três empresas para os clientes localizados fora do Estado da Bahia. Como essa quarta empresa (Mondial) não se utilizava do benefício fiscal concedido às outras empresas, a antiga clientela da ME, MK e MC localizada fora da Bahia pode voltar a comprar os produtos da marca Mondial, pois não tinham mais problemas perante os seus Estados quanto ao creditamento do ICMS incidente nas operações anteriores, uma vez que a empresa vendedora (Mondial Eletrodomésticos Ltda.) não gozava de benefício fiscal; A Mondial Eletrodomésticos Ltda., inicialmente, teve a sua sede instalada em Lauro de Freitas/BA, transferindose, depois, para o parque industrial localizado em Conceição do Jacuípe/BA, onde alugou um galpão específico, pagando o respectivo aluguel para a ME (doc. 02). A partir do surgimento desta nova empresa, a ME, MK e MC continuaram vendendo os seus produtos diretamente para os clientes localizados dentro da Bahia e passaram a vender outra parte de seu estoque para a Mondial, para que esta realizasse as vendas para os clientes localizados fora do Estado da Bahia (em razão da citada guerra fiscal). As três primeiras praticamente não mais faziam venda para fora da Bahia, salvo raríssimas exceções, nos casos de clientes que não tinham problemas com o aproveitamento do crédito fiscal de ICMS. Já a Mondial realizava, em praticamente 95% das suas vendas, operações interestaduais (doc. 07). Fica claro, portanto, que não há que se falar em fraude ou em criação de empresas fictícias com o único fim de redução do tributo a ser pago, pois, conforme amplamente explanado, cada uma das empresas possuía sede e empregados próprios, além de fabricar e importar produtos diversos, os quais eram vendidos para clientes diversos. Ou seja, cada empresa tinha a sua razão de existir, e não foram criadas para "reduzir a carga tributária incidente sobre as atividades da empresa", como alegam os Agentes Fiscais Autuantes; 3. Do direito Ainda que a criação das várias empresas tivesse como objetivo a redução da carga tributária, ainda assim, nenhum ilícito teria cometido à autuada, acaso a criação de cada empresa fosse verdadeira, tivesse funcionalidade. O que é vedado pelo ordenamento é a utilização do formal pelo formal, do formalismo, para servir de meio a se atingir determinado objetivo. Nesse sentido cita e transcreve trecho do acórdão relatado pelo Ministro Américo Luz (Ap. Cic. Nº 115.478RS, julg. 18.02.87); Não cabe falar que a situação em análise se trata de um “plano concebido”, uma vez que a criação de cada uma das empresas teve uma razão e um motivo empresarial: a) criouse a ME para a realização de importações; b) resolveuse dividir os riscos das atividades da ML, criandose duas novas empresas, em duas etapas, primeiro, uma parte dos produtos que eram fabricados por ela passou a sêlo pela MK, e, depois, a parte restante passou a ser fabricada pela MC, ambas já alocadas em Conceição do Jacuípe/BA, pois a ML enfrentava muitos problemas financeiros e também com a contratação de pessoal; e c) criouse a Mondial Eletrodomésticos para que fosse possível realizar as vendas dos produtos fabricados ou importados para fora da Bahia, a fim de fugir da guerra fiscal. Cita trecho de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); Fl. 6773DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 15 14 Existe um grupo econômico legítimo, e não uma empresa única, conforme quiseram fazer parecer os Agentes Fiscais Autuantes. A constituição de um grupo econômico, além de ser plenamente permitido pelo ordenamento jurídico pátrio, não tem como objetivo a prática de uma suposta evasão tributária, como tentam demonstrar os Agentes Fiscais Autuantes. Tratase, no máximo, de um procedimento de elisão fiscal, uma vez que é direito do contribuinte planejar a sua atuação na economia da maneira que melhor lhe convier, desde que atue licitamente. Cita trecho de textos dos tributaristas Paulo de Barros Carvalho, Ives Gandra da Silva Martins e Paulo Lucena de Menezes, e Sacha Calmon Navarro Coelho; Que não houve nenhuma tentativa de evasão tributária. O que ocorreu foi um caso típico de elisão fiscal, a qual é plenamente permitida pelo ordenamento jurídico, não havendo que se falar na constituição de uma empresa única; 4. Dos pretensos indícios que motivaram a conclusão dos agentes fiscais autuantes Alegam os Agentes Fiscais Autuantes que as empresas estão localizadas no "mesmo endereço", o que caracterizaria, portanto, a seu ver, uma suposta identidade societária. Da simples leitura dos endereços citados, já se nota que não há que se falar em endereços idênticos (doc. 09); Apesar de estarem localizadas lado a lado, formando um parque industrial, cada empresa tem o seu galpão específico. Aliás, nada diferente de qualquer outro grupo econômico brasileiro. A empresa dona do imóvel é a ME, enquanto que as outras três empresas são locatárias da primeira. Ademais, o fato de algumas empresas serem vizinhas não significa que se trata de uma única empresa. É perfeitamente possível que várias sociedades se utilizem cada uma de um espaço (um galpão, como no caso em análise) situado em um espaço maior, como ocorre, por exemplo, no pólo industrial de Camaçari/BA, no qual estão aglomeradas diversas indústrias que comumente partilham gastos, com o fito de maximizar a sua operacionalidade e minimizar as suas despesas, como é de praxe em qualquer atividade empresária. Cita decisão do CARF sobre o tema; Quanto à alegação de que as quatro empresas exerciam a "mesma atividade" e que, por isso, deveriam ser consideradas uma empresa única, há de se observar que ela não tem pertinência. Conforme amplamente demonstrado acima, a MK, ME e MC eram responsáveis isoladamente pela fabricação/importação de produtos específicos, e acabados, cada qual sendo fabricado ou importado por apenas uma dessas empresas. Assim, uma empresa fabrica ventilador, outra fabrica liquidificador e espremedor de fruta etc. Não há partilhamento na fabricação dos produtos para montagem posterior; além disso, a ME, MK e MC vendiam, precipuamente (salvo raras exceções), para dentro do Estado da Bahia, enquanto que a Mondial Eletrodomésticos (exclusivamente, revendedora) comprava dessas três empresas para vender os produtos para fora da Bahia, fugindo da guerra fiscal. Assim, resta claro que as empresas tinham atividades distintas. Os objetos das empresas, constantes dos seus contratos sociais, têm uma conotação genérica em relação à atividade indicada, como sempre acontece. É preciso focar os documentos que revelam a atividade em si de cada uma das empresas. Estes sim dirão da atividade específica praticada por cada uma delas. Cita e transcreve trecho do acórdão CARF nº 10323.357 sobre indícios de simulação; Da mesma forma, não há qualquer problema na utilização da mesma marca comercial (Mondial) pelas quatro empresas que juntas compõe o polo passivo da presente autuação fiscal. Este fato em nada implica na existência de uma empresa única, como quiseram Fl. 6774DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 16 15 fazer parecer os Agentes Fiscais Autuantes. Conforme amplamente discorrido acima, resta claro que essas empresas compõem um grupo econômico, no entanto, isso não significa que elas constituam uma empresa única. Também aqui é esta a prática do mercado; No pertinente às alegações de que as empresas têm a mesma direção, igualmente há de se perceber que as conclusões dos Agentes Fiscais Autuantes apenas atestam o que nunca foi negado pelas empresas, ou seja, que o Sr. Alberto Baggiani, além de sócio da empresa MK, era também o executivo responsável pelo grupo econômico; A transferência de ínfimo 1% do capital social da ML para o Sr. Manoel Weber, que é uma pessoa sem muitas posses, em nada implica fraude ou simulação. A transferência decorreu da confiança que o Sr. Manoel adquiriu dos sócios da empresa, para os quais prestava serviço. Ademais, há de se ressaltar que a empresa ML era uma empresa praticamente falida; portanto, essa participação tinha pequeno valor. Por fim, note se que os outros 99% do capital social continuaram com a empresa Sillman do Brasil, a qual detém totais condições de arcar com as obrigações da ML. Ora, acaso a intenção fosse de fraude, o sócio majoritário seria uma pessoa sem posses ("laranja"), e não uma empresa com liquidez”. Quanto à constatação de que as empresas têm "sócios majoritários com sede no Uruguai", não há nada a ser acrescentado, pois tal fato não constitui fraude alguma. Todavia, a presunção feita pelos Agentes Fiscais Autuantes de que tais sócios estão relacionados à criação de empresas de fachada e que, portanto, as quatro empresas fiscalizadas configuram uma empresa única, é um completo absurdo; Vejase que os Agentes Fiscais Autuantes utilizam reportagens de revistas e em pesquisas na Internet para fundamentar as suas conclusões; Notese que as notícias colacionadas pelos Agentes Fiscais Autuantes nem mesmo informam sobre alguma condenação dos supostos sócios das empresas fiscalizadas no Uruguai pela prática de algum crime ou fraude. São meras denúncias vazias. Logo, resta impossível subtrair de tais denúncias alguma relação com as empresas fiscalizadas; Da mesma forma, a suposta "utilização de terceiros na constituição de empresas", aduzida pelos Agentes Fiscais Autuantes, também não tem qualquer relação com a tese de que as quatro empresas fiscalizadas representariam uma empresa única. O fato de alguns sócios (todos eles super minoritários) serem parentes entre si e um deles ser funcionário da Sra. Valdirene Pinto Lima não significa dizer que são interpostas pessoas. Ademais, observese que essas pessoas apenas constaram como sócias das empresas fiscalizadas na fase inicial de constituição dessas, saindo, todas elas, logo depois, antes mesmo das empresas começarem as suas atividades, conforme comprovam as alterações contratuais anexadas (docs. 05 e 06). Isso foi feito apenas para agilizar os trâmites burocráticos, em razão da urgência de se obter a inscrição no CNPJ, inscrição estadual, habilitação no benefício de ICMS etc.; Por sua vez, a "divisão de funcionários com cargos de gerência/coordenação" também não representa fato capaz de induzir à existência de uma empresa única. Ora, nada impede que uma pessoa exerça um cargo administrativo em mais de uma sociedade. É para isso que se formam os grupos econômicos, para que haja a minimização de despesas e a uniformização das operações; Segundo os Agentes Fiscais Autuantes, as "transações entre as empresas" eram apenas aparentes, pois a Mondial Eletrodomésticos vendia os produtos aos clientes pelos Fl. 6775DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 17 16 mesmos preços praticados pelas empresas MK e ME. Ora, conforme já explicitado, a criação da Mondial Eletrodomésticos se deu exclusivamente para fugir da guerra fiscal do ICMS. Ela era uma mera revendedora assim, não tinha porque aumentar os preços praticados pelas outras empresas do grupo; Por outro lado, a ocorrência eventual de vendas aos clientes, pela Mondial, em preço menor do que o da venda das outras empresas do grupo para ela, reflete estratégias comercias (promoções), que decorrem das leis do mercado (oferta e procura), não tendo, portanto, qualquer relação com fraude ou simulação. Vale notar que os próprios fiscais registraram que isto ocorreu em apenas um mês ("na passagem do mês de Julho para Agosto de 2007"), pois não era prática corriqueira da empresa. Tratouse, como dito, de estratégia comercial pontual. Cita ementas e trecho de relatório do CARF sobre o tema; Comparando com a situação da autuação fiscal ora impugnada, percebese que duas das premissas utilizadas no caso citado no parecer do CARF não se aplicam, pois, as quatro empresas fiscalizadas (MK, ME, MC e Mondial) têm quadro de funcionários próprio (doc. 08), além disso, a MK, ME e MC não vendiam seus produtos exclusivamente para a Mondial, haja vista que as vendas para os clientes internos (dentro da Bahia) era feita diretamente pelas três empresas (MK, ME e MC); O fato das empresas figurarem no pólo passivo de "processos trabalhistas", bem como a declaração em um dos processos de que há um grupo econômico, reconhecendo a solidariedade das empresas, apenas corroboram a tese aqui esposada, ou seja, de que as empresas configuram um grupo econômico, e não uma empresa única. Ademais, a solidariedade para fins de responsabilização na Justiça do Trabalho em nada guardam similitude com a responsabilização solidária para pagamento de tributo. E prática corriqueira na Justiça do Trabalho a indicação, como responsável solidária, de empresa que mantenha a mínima relação de qualquer tipo com a empresa reclamada; Da mesma forma, a existência de "mesmo contador/contabilidade" também apenas atesta a existência do grupo econômico, mas não da empresa única. Outra prática corriqueira no mercado, a fim de uniformizar o tratamento das operações e minimizar os seus custos; O "compartilhamento de contas de consumo", no caso as contas de energia perante a COELBA, também corroboram a existência do grupo econômico, pois, conforme atestaram os próprios Agentes Fiscais Autuantes: "as contas de energia são rateadas perante as empresas". A empresa que possui contrato perante a COELBA é a ME (dona do imóvel). O contrato da COELBA com a MC (atual AlphaPro) se refere exclusivamente ao galpão em que está localizada esta empresa, pois, quando ela foi instalada, se decidiu assim proceder, ao invés de manter a conta total em nome da ME e permanecer fazendo o rateio das despesas, como continuou sendo feito com as demais empresas (MK e MC). Tudo isto está provado através das contas e do contrato, os quais serão apresentados posteriormente. O rateio das despesas, como visto, foi atestado pela própria fiscalização, o que dispensa a apresentação de novas provas; Sobre o "compartilhamento de informações contábeis e financeiras", há de se perceber que o Termo de Intimação lavrado em 21/12/2010 determinou que as empresas apresentassem a consolidação contábil e a apuração consolidada das quatro empresas juntas, como se fossem uma só. No termo de intimação, os Agentes Fiscais Autuantes determinam às empresas: 01 Apresentar a apuração consolidada do resultado das empresas MK Eletrodomésticos. ME Indústria eletrônica, AlphaPró Cuidados Pessoais e Mondial Fl. 6776DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 18 17 Eletrodomésticos, bem como a apuração dos tributos IRPJ e CSLL, de acordo com o regime de apuração do lucro real trimestral; 2. Apresentar a apuração consolidada do IPI, PIS e COFINS das empresas MK Eletrodomésticos. ME Indústria Eletrônica, AlphaPró Cuidados Pessoais e Mondial Eletrodomésticos, sendo que o PIS e COFINS devem ser apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade; Notese, portanto, que os documentos apresentados pelas empresas decorreram de uma exigência dos Agentes Fiscais Autuantes, exigência essa a qual as empresas estavam obrigadas a cumprir, sob pena de multa. No entanto, os documentos apresentados em nada refletem a realidade já amplamente discorrida na presente Impugnação e, portanto, devem ser desconsiderados. Ao contrário, deduzse ser fruto de uma tentativa, ardilosa, dos fiscais em fazer a autuada construir uma prova contra si. Ocorre que tais apurações consolidadas de resultado das empresas em conjunto, encomendadas pelos fiscais, não servem para nada, pois não refletem a realidade; A conclusão dos Agentes Fiscais Autuantes de que "esta resposta demonstra a ligação entre as empresas, que compartilham informações contábeis e financeiras que, por natureza, são estritamente sigilosas e restritas" está em total consonância com tudo o quanto foi esposado até aqui, ou seja, de que as empresas formam um grupo econômico que, logicamente, compartilha informações contábeis e financeiras. Contudo, isso não acarreta, repita se, a existência de uma empresa única; O "encerramento das atividades e transferência de empresas para São Paulo" decorreu de decisão administrativa sobre a qual as dificuldades em encontrar mão de obra qualificada no Estado da Bahia tiveram muito peso. Tal fato em nada acarreta a configuração de empresa única, ademais, decorre da livre iniciativa garantida constitucionalmente; Por sua vez, os conceitos de estabelecimento, citados no Termo de Verificação Fiscal, prescritos no Regulamento do IPI e no Parecer Normativo CST n° 572/71, não vedam que existam empresas, situadas lado a lado em terrenos contíguos, estabelecidas em regime de condomínio. Acaso prevaleça o entendimento dos Agentes Fiscais Atuantes, chegar seia à conclusão absurda de que um condomínio com várias salas comerciais representaria uma empresa única. Ademais, conforme exposto no ponto 39, o CARF admite a existência de mais de uma empresa em um mesmo espaço geográfico; Ao analisarem os recolhimentos de IRPJ e CSLL das quatro empresas fiscalizadas, os Agentes Fiscais Autuantes aduzem que as empresas MK e ME (optantes pelo lucro presumido) obtiveram lucro líquido contábil bastante superior ao presumido: "A análise dos resultados das empresas mostra que estas obtiveram um lucro líquido contábil bastante superior ao presumido, o que possibilitou às empresas reduzirem o IRPJ e o CSLL a pagar" (item 44 do Termo de Verificação Fiscal); Segundo os Agentes Fiscais Autuantes, os motivos de o lucro contábil verificado ter sido muito maior do que o presumido teriam sido o seguinte: "as vendas feitas pela MK e ME à Mondial, onde os produtos eram vendidos por preço superior ao que a Mondial vendia aos clientes externos" e a "concentração de despesas na empresa Mondial, que, por sua vez, repassava parte dessas despesas à empresa AlphaPró, como por exemplo, as despesas decorrentes de contratos comerciais com os varejistas, como bônus, comissões, VPC, transportes, etc." (trechos retirados do item 46 do Termo de Verificação Fiscal); Fl. 6777DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 19 18 No pertinente ao primeiro "motivo", já foi explicitado amplamente no item 52 que os próprios Agentes Fiscais Autuantes somente identificaram tais vendas "na passagem de julho para agosto" de 2007, as quais decorreram de questões comerciais (promoções); Quanto ao segundo "motivo", observese que os Agentes Fiscais fazem acusações genéricas e sem provas de que as despesas seriam concentradas nos registros contábeis das empresas de lucro real. Ora, tal fato não é verdade, pois cada uma das empresas registrava as suas próprias despesas. Notese que os próprios Agentes Fiscais Atuantes atestam tal fato no item 34 do Termo de Verificação Fiscal, quando prescrevem que "As empresas possuem um único contrato junto à Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (COELBA), onde as contas de energia elétrica são rateadas entre as empresas; E concluise, então, que a diferença entre o lucro contábil e o lucro presumido da MK e da ME decorreram exclusivamente da opção feita por essas empresas. Frisese, desde já, que salvo algumas exceções previstas em lei, as quais não se aplicam ao caso das empresas MK e ME, a apuração do IRPJ/CSLL pelo lucro presumido é uma faculdade do contribuinte e não representa evasão fiscal o fato dessa opção gerar economia tributária; Ao analisarem a questão dos recolhimentos do ICMS das quatro empresas fiscalizadas, os Agentes Fiscais Autuantes demonstraram desconhecer totalmente a sistemática de apuração do imposto, como também a legislação (Dec. Estadual n° 4.346/95) referente ao benefício fiscal gozado pelas empresas MK, ME e MC (atual AlphaPró). Segundo eles, a Mondial Eletrodomésticos teria acumulado crédito de ICMS indevido; Vejase o que dizem os Agentes Fiscais Autuantes: "As empresa MK, ME e ALPHA possuem benefício fiscal de incentivo do ICMS. Nesta modalidade obtinham um crédito presumido do imposto incidente nas vendas, reduzindo o valor a recolher. Porém ao venderam para a Mondial, efetuavam o destaque do ICMS cheio na nota fiscal, possibilitando que essa se creditasse normalmente. Porém, como a Mondial vendia grande parte dos produtos para fora do estado, acabava debitando o ICMS com alíquota de 12%. Esta situação, aliada ao preço elevado que a Mondial comprava das empresas, fez com que ela acumulasse um saldo crescente do imposto. Em 2010, segundo informação da Secretaria da Fazenda do Estado, a Mondial teria negociado estes créditos." (item 47 do Termo de Verificação Fiscal)”. Note se que tal procedimento é totalmente normal e está de acordo com a legislação aplicável ao ICMS, não merecendo, portanto, qualquer reparo”. O Benefício fiscal em tela prevê que as empresas de eletroeletrônicos podem "lançar como crédito em sua escrita fiscal, em cada período de apuração, o valor equivalente ao saldo devedor do imposto apurado em cada mês, relativo às operações e prestações com tais produtos" (Dec. 4.316/95, art. 2ºA6). Assim, a MK, ME e MC (atual Alpha) destacavam normalmente o ICMS em cada nota fiscal, pois sobre tais vendas é cobrado o imposto, e, ao final do mês, quando da apuração do imposto mediante a conta corrente fiscal (encontro de débitos com créditos), lançavam como crédito eventual saldo devedor que fosse identificado; Primeiramente, há de se ressaltar que o creditamento feito pela Mondial é autorizado pela Constituição (art. 155, §2° da, I, da CF/88) e pela legislação infraconstitucional Fl. 6778DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 20 19 (art. 19 da LC 87/96, art. 28 da Lei estadual 7.014/96 e art. 114 do RICMS/BA), uma vez que ICMS é um imposto não cumulativo, assim, o contribuinte deve lançar como crédito o imposto incidente nas operações anteriores, o qual vem destacado em cada nota fiscal. Assim, como as notas fiscais das vendas realizadas pelas empresas MK, ME e MC para a Mondial, vinham com o destaque do ICMS incidente sobre elas (documento idôneo, conforme prescrição do art. 23 da LC/87/ 967), o creditamento do imposto, feito pela Mondial, está em total consonância com a legislação; Frise se que o fato das empresas, quando da apuração mensal do ICMS, lançarem como crédito o eventual saldo devedor de imposto, em razão do benefício fiscal concedido, não impede que a empresa adquirente escriture o crédito do ICMS incidente nas etapas anteriores e que veio destacado nas notas fiscais. As únicas hipóteses de exceção ao princípio da não cumulatividade são a isenção e não incidência, as quais não se confundem com a hipótese ora analisada, haja vista que, no caso, houve a incidência do ICMS sobre cada venda. Cita e transcreve trecho de decisão do STF sobre lançamento de crédito; Conforme demonstrado nos pontos 1718, alguns Estados da Federação criam dificuldades para o aproveitamento dos créditos em aquisições interestaduais de empresas que gozam de benefício fiscal, no entanto, as vendas realizadas pela MK, ME e MC para a Mondial foram realizadas dentro do Estado da Bahia, o qual não cria nenhuma dificuldade à utilização do referido crédito de ICMS. Pelo contrário, o Estado da Bahia, à época, além de reconhecer o crédito referente ao ICMS destacado na nota fiscal, que é garantido por lei, conferia ainda mais um crédito presumido de ICMS no percentual 5% do valor da nota fiscal (art. 3° do Dec. Estadual n° 4.316/95)”: Art. 3º. O estabelecimento comercial que promover a saída interna de produtos resultantes da industrialização, com aplicação de componentes, partes e peças, desde que oriundos de estabelecimento industrial deste Estado que os tenha recebido com o tratamento previsto no art. 1º lançará a crédito o montante equivalente a 5% (cinco por cento) do valor da operação. Destarte, não há qualquer irregularidade no fato da Mondial se creditar do ICMS destacado nas notas fiscais de venda emitidas pelas empresas MK, ME e MC, pois tal procedimento é permitido e incentivado pela legislação; também não há qualquer irregularidade na tributação à alíquota de 12% sobre as vendas realizadas pela Mondial. Conforme amplamente já explicitado, a Mondial realizava, precipuamente, vendas interestaduais, as quais são tributadas a uma alíquota menor, uma vez que a empresa adquirente paga, complementa, ao Estado de origem, o diferencial de alíquota (alíquota interna alíquota interestadual), tal sistemática está prevista no art. 155, §2°, VII, "a" e VIII, da CF/88; Em suma vejase que os Agentes Fiscais Autuantes tentam sustentar que: "esta situação, aliada ao preço elevado que a Mondial comprava das empresas, fez com que ela acumulasse um saldo crescente do imposto". Conforme explicitado acima, o procedimento de recolhimento do ICMS adotado pela Mondial está em total conformidade com a lei, ademais, o suposto preço elevado aduzido pelos Agentes Fiscais Autuantes foi verificado em 01 mês apenas (vide ponto 52). Por fim, a venda dos créditos de ICMS acumulados, pela Mondial, também é totalmente legal e permitido pelo Estado da Bahia; Fl. 6779DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 21 20 O artifício retórico utilizado pelos Agentes Fiscais Autuantes não merece guarida, uma vez que todos os indícios e presunções por eles utilizados, para tentar embasar a sua autuação, caem perante a verdade material dos autos: a de que não existe nem jamais existiu uma única empresa, que seria dissimulada na pessoa de várias outras, mas, sim, um conglomerado de várias sociedades, as quais compõem um grupo econômico; Confirase, por oportuno, a lição de Marco Aurélio Greco: “Em matéria tributária, e tratandose da ocorrência do fato gerador, o respectivo ônus da prova é expressamente atribuído ao Fisco, por força do artigo 142, caput do CTN. Com efeito, este dispositivo prevê que o lançamento é o procedimento "tendente a verificar a ocorrência do fato gerador". Ou seja, o ônus da prova da ocorrência (pelos diversos meios admitidos em Direito) é do Fisco. Fato gerador é fato constitutivo do direito do Fisco. Não cabe ao contribuinte o ônus da prova negativa, vale dizer, prova da inexistência do fato gerador (p.189 190)”. “Misabel Derzi, por sua vez, aduz que”: “A simulação tem de ser demonstrada pela Fazenda Pública, a quem cabe desconstituir a presunção de legitimidade de que gozam os atos e negócios jurídicos em geral. Competelhe o ônus de provar que o negócio jurídico é mera aparência ou oculta uma outra relação jurídica de natureza diversa, ou seja, esconde a ocorrência do fato gerador (p.226)”. Confirase, também, o posicionamento de Aurélio Pitanga Seixas: Quando o fato econômico puder ser representado juridicamente de mais de uma forma, sem disfarce ou camuflagem, não é vedado ao contribuinte escolher a alternativa que resulte em menor pagamento de tributo. Cabe à autoridade fiscal provar o artifício ou disfarce utilizado pelo contribuinte para se evadir do pagamento do tributo, e, naturalmente, ao Judiciário, fixar a interpretação consentânea com o fato questionado (p.19). “O CARF tem constantemente repelido autuações iguais à discutida no presente caso, como pode ser verificado nos acórdãos abaixo”: IPI MULTA REGULAMENTAR RECURSO DE OFICIO – Cabe à fiscalização detectar e provar por meios e elementos precisos a efetiva ocorrência do ilícito fiscal, não sendo seus indícios ou fatos que possam dar idéia de uma elisão fiscal, circunstâncias capazes de ensejar a pretendida exigência tributária. Recurso de ofício negado. (2º Conselho de Contribuintes 3a. Câmara Relator Valdemar Ludvig Acórdão 20309634 Recurso 124415 16/ 06/2004). IRPJ — EVASÃO ILÍCITA — Improcede o lançamento se não restou suficientemente caracterizada a evasão ilícita, uma vez que não ficou provado que os negócios praticados com empresa interligada foram feitos com objetivo único de escapar ao tributo, mas efetuado sob a justificativa de atender legítimos Fl. 6780DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 22 21 interesses empresariais (Recurso 101.351, Acórdão 10184.907, Relator Raul Pimentel). Os Agentes Fiscais Autuantes não poderiam, à míngua de qualquer previsão legal que os autorizassem a tanto, ter reunido as receitas de todas as empresas mencionadas na autuação, para concluir que, em verdade, se trataria de uma única receita, uma vez que, como dito, são oriundas de sociedades diversas e autônomas entre si, com objetos sociais distintos muito embora Integrem um mesmo grupo econômico. Se as autoridades autuantes entenderam se tratar de uma sociedade única, elas deveriam ter cabalmente demonstrado as suas alegações, o que não o fizeram, tendose baseado tão somente em meros indícios e presunções, oriundas de reportagens veiculadas em revistas populares e em informações pesquisadas na Internet, para embasar o seu pleito temerário. Cita e transcreve texto de diversos tributarista sobre planejamento fiscal; Em verdade, o que pretende o Fisco é instituir um inconstitucional, ilegal e novel "imposto sobre planejamento fiscal", diante da situação de perda de receita que se deparou em virtude da prática crescente e perfeitamente lícita dos contribuintes em adotar meios contábeis e jurídicos para que economizem com o recolhimento de tributos; Diante do exposto, resta claro que o lançamento deve ser julgado nulo de pleno direito, diante da carência de provas que comprovem as alegações fiscais e diante da total irrazoabilidade que a macula, ao confundir os institutos da evasão fiscal (conduta ilícita, que visa ao não pagamento de tributo) com o da elisão fiscal (conduta lícita, que visa promover uma economia tributária por meio do planejamento fiscal da empresa) para que, à míngua de qualquer previsão legal, fossem somadas as receitas de todas as empresas com o único fim de aumentar a arrecadação tributária; 5. Critérios de consolidação – IPI A discussão acerca dos critérios de consolidação utilizados na autuação fiscal, ora objurgada, resta totalmente prejudicada, posto que o lançamento foi estribado em premissa falsa, qual seja, a existência de uma única empresa. Foi vastamente comprovado no bojo da presente Impugnação, que, na realidade, existe sim um grupo econômico e não uma mesma empresa; Para o caso dos julgadores, por absurdo, vierem afastar toda a argumentação trazida alhures, o que não se espera, a Impugnante vem apresentar outros equívocos materiais da consolidação efetivada no presente lançamento; Inicialmente, logo no ponto "49" do Termo de Verificação Fiscal, emerge mais uma prova da inexistência da suposta empresa única, que teria o intuito de cometer fraude. Isto porque ali consta que, durante o período fiscalizado, cada empresa fez a sua opção pelo regime de apuração do resultado, demonstrando a autonomia existente entre elas; A ME e MK apuraram os seus resultados em 2007 e 2008 pelo lucro presumido; Neste mesmo período as empresas AlphaPró e a Mondial apuraram os seus resultados pelo lucro real anual; já em 2009, todas as empresas optaram pelo regime de apuração do lucro real anual. Esta constatação fora feita pela fiscalização no ponto "49"; Perguntase: se as empresas foram criadas para fraudar o fisco, com base na opção diferenciada de regime de apuração das empresas, por qual motivo elas optaram, em Fl. 6781DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 23 22 2009, pelo regime de apuração do lucro real? A resposta a esta pergunta fulmina a elucubração indiciária da existência de uma empresa única; Diante de equívoco tão significativo na autuação fiscal, o lançamento está completamente destoante da realidade, prejudicando, de certo modo, a própria defesa da impugnante neste. Nesse sentido, o lançamento não merece outra sorte que não a nulidade; 6. Conclusão Diante de todo o exposto, requer o reconhecimento da NULIDADE/IMPROCEDÊNCIA do auto de infração ora impugnado; Requer, ainda, a juntada posterior de documentos. Pede deferimento. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão nº1528. 134, de 30/08/2011, cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito que instruíram o lançamento fiscal. PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, indiretamente, por um conjunto de elementos e indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza dessa matéria de fato. CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. GLOSA. Mantémse a glosa de crédito para os quais a contribuinte não apresenta documentação hábil e idônea, capaz de legitimar os valores escriturados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 16/09/2011, a interessada interpôs recurso em 18 de 10 seguinte, reiterando, os argumentos suscitados em sua impugnação, bem com apresentando novos documentos. Os sujeitos passivos solidários não apresentaram impugnação nem interpuseram recurso voluntário. O recurso foi distribuído à 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, que declinou a competência para a Primeira Câmara. Fl. 6782DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 24 23 É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Reconheço a competência declinada, nos termos do artigo 2º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, por se tratar de exigência de IPI lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, objeto do processo nº 10530.721612/201166, julgado pela 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento em 05/03/2013 (Acórdão nº 1101000.852). O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como visto do extenso relatório, o litígio tem por base a acusação fiscal de que as empresas MK Eletrodomésticos Ltda.; ME Indústria Eletrônica do Nordeste Ltda; AlphaPro Cuidados Pessoais Ltda. e Mondial Eletrodomésticos Ltda., apesar de estarem constituídas em empresas diferentes, na realidade formam uma empresa só. A partir dessa conclusão, assentou autoridade fiscal que as operações entre as empresas MK, ME, AlphaPró e Mondial não devem gerar débitos ou créditos do imposto e fez nova apuração do IPI, eliminando os créditos e débitos decorrentes das transações entre as mencionadas empresas. Portanto, esta é a questão preliminar a ser resolvida: a existência real de uma ou de quatro empresas. Essa matéria, a meu ver, foi com muita profundidade analisada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, relator do recurso relativo ao IRPJ, lastreado nos mesmos fatos, e que esse é decorrente. Peço vênia ao ilustre Conselheiro para adotar suas razões de decidir, que transcrevo: “ (...) cabe analisar a linha central da auditoria para esgotar o exame da lide. Para tanto, é necessário examinar se cada uma das empresas perseguia seus objetivos sociais com recursos físicos e humanos próprios. Ou seja, cabe examinar se as empresas: tinham vontade própria; tinham um espaço físico específico, mantido às suas custas; possuíam maquinários próprios ou alugados; adquiriam seus próprios insumos, matériasprima, ou mercadorias; eram as contratantes de seus empregados; efetuavam suas vendas; respondiam por seus contratos, produtos, empréstimos e atos; etc. Quanto a haver ou não uma vontade própria de cada empresa, a análise feita pela fiscalização do quadro social da ML do Nordeste, empresa da qual teriam se originado as quatro empresas, em nada respalda a tese do lançamento. De fato, tal análise apenas apontaria os membros da direção da ML como possíveis membros da direção das quatro empresas, já que estas Fl. 6783DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 25 24 são resultantes do desmembramento da ML. Restaria que a fiscalização conseguisse demonstrar que as quatro empresas tinham órgãos de direção compostos por membros da direção da ML e que todas as empresas perseguiam em conjunto um mesmo objetivo social. A análise do fiscal do quadro social da MK, ME, e MC (Alpha Pró), também não traz nenhum esclarecimento. Ela apenas indica os nomes dos sócios formais como potenciais membros da direção da aventada empresa única. Já a acusação de que as empresas uruguaias, que participam das três sociedades, foram criadas pelo escritório Posadas, Posadas e Vecino, que seria especializado em criar empresas de fachada, pouco colabora com a tese da fiscalização. Primeiro, porque não foi feita a demonstração de que as empresas uruguaias eram empresas de fachada, já que o Fisco simplesmente fez a afirmação tomando por base matérias de jornais e revistas, sem qualquer outro elemento de prova. Segundo, porque, mesmo que as empresas uruguaias fossem de fachada, seria preciso identificar e comprovar a existência de uma verdadeira sociedade e direção escondidas por trás de tais empresas de fachada, conduzindo as quatro empresas para um objetivo social comum. Mas isso não foi feito. Ao fim, este ponto da análise fiscal apenas sugere que os verdadeiros sócios das empresas buscam se manter anônimos, já que as empresas uruguaias são sociedades de ação ao portador. Também a informação da fiscalização de que participaram do quadro social inicial da ML, Mondial e MC (AlphaPró) pessoas ligadas à contadora das quatro empresas, não corrobora a tese base do lançamento, porque isso não refuta o quadro social e a direção das quatro empresas nos períodos autuados, nem indica uma determinada composição societária nas quatro empresas, nem demonstra confusão de objetivos sociais. Por outro lado, nos itens do relatório fiscal que essa matéria é abordada, a fiscalização consigna que a empresa Global Injeções presta serviço de industrialização por encomenda para a MC (AlphaPró) e que foi autuada para cobrança do INSS sobre folha de salários, por ter ficado provado que existia para abrigar empregados da MC (AlphaPró). Ora, tal autuação a um passo indica que a fiscalização reconhece que a MC (AlphaPró) tem atividade específica e empregados próprios (embora, em tese, alocados na Global), e a outro passo sugere que a fiscalização deveria ter considerado mais uma empresa (a Global) como componente da empresa única que disse existir. No fim, a menção à Global trabalha contra o que a fiscalização afirma no presente auto de infração. Em resumo, mesmo tomadas em conjunto, estas análises da fiscalização não conseguem de modo algum refutar o quadro social e direção das quatro empresas formalmente registrados. Muito menos conseguem demonstrar a existência de uma mesma Fl. 6784DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 26 25 direção em todas as quatro empresas atuando para a realização de um objetivo social único. Ainda pretendendo comprovar a direção única, a fiscalização diz que: 1) Alberto, sócio da MK e exsócio da ML, possui procurações da ME e AlphaPró para representar estas duas empresas em bancos, bem como da Mondial; 2) Giovanni também representa a MK, ME e AlphaPró junto a bancos; 3) Alberto e Giovani representam a MK e Mondial junto a clientes; 4) a ME e MK têm registros contábeis que indicam que Alberto era o gestor das empresas; 5) pesquisa na internet aponta Giovanni como membro da direção. Por sua vez, o contribuinte diz que jamais negou o fato de que as empresas teriam a mesma direção e que Alberto era o executivo responsável pelo grupo econômico. O que o contribuinte não admite é a acusação de que as quatros empresas formassem uma única empresa. Neste aspecto, o contribuinte está correto. O fato de existir um mesmo diretor, ou até a mesma direção, não implica haver identidade ou confusão de objetivos sociais das empresas e confusão de recursos com os quais estes objetivos são perseguidos. Deste modo, as investigações da fiscalização que apontam Alberto e Giovanni como efetivos gestores da empresa, fato que é admitido pelo contribuinte, poderiam servir para apontar e responsabilizar estas pessoas como diretores das empresas (se os demais requisitos legais estivessem presentes), mas não servem como prova de que as quatro empresas seriam apenas uma empresa. Portanto, para verificar a tese da fiscalização, é preciso verificar se os outros pontos de seu relatório demonstram a mistura de recursos e finalidades. O ponto de partida do relatório fiscal é sustentar que as quatro empresas “funcionavam no mesmo endereço”. Para manter a acusação, a fiscalização informa a localização inicial da sede de cada empresa e conta que elas se transferiram para Conceição do Jacuípe. Indica o endereço de cada empresa dizendo que: a MK se localizava na Estrada da Volta, 1200, galpão 2; a ME, na Estrada da Volta, 1200; a Alpha, na Trv. da Volta, 155, galpão 2; e a Mondial, na Estrada da Volta, 1200, galpão 3B. Já o contribuinte explica que as empresas ocupavam galpões vizinhos, construídos em terreno da ME, e que pagavam alugueis pelo uso do espaço. Para comprovar suas alegações, juntou o registro contábil dos alugueis pagos por diversas empresas (MK, MC, AlphaPró, M Service, Margel, Global, Mondial, SPD) para a ME (proc. fls. 18893 a 18899). Também, juntou cópia dos cartões CNPJ, que mostram os endereços cadastrados (proc. fls. 19010 a 19014). Portanto, percebese que a fiscalização e o contribuinte concordam em que as empresas estavam localizadas em galpões vizinhos. Fl. 6785DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 27 26 Mas, se as empresas ocupam cada uma um galpão diferente, não é possível dizer que dividem um mesmo espaço físico. Ou seja, mesmo admitindose que o endereço do terreno onde estão localizados os galpões pudesse ser um só, cada empresa tem suas instalações em um local (galpão) diferente. Assim, não se pode falar em compartilhamento de espaço físico. Além disso, as empresas pagavam aluguel pelo uso do espaço físico, sendo irrelevante que os galpões fossem de propriedade de uma delas. Quanto à efetividade desses alugueis, a fiscalização teve acesso aos livros que registram esses aluguéis e não fez qualquer exame adicional para verificar se foram ou não pagos. Inclusive, sequer mencionou que as empresas pagavam alugueis pelos galpões que ocupavam. Portanto, não é possível falar em confusão de espaço físico e nem em empréstimo gracioso de espaço. Até onde está demonstrado nos autos, cada empresa ocupava um galpão e arcava com os custos deste imóvel. Por oportuno, a alegação da fiscalização de que as empresas rateavam a conta de energia, também é explicada pelo aluguel dos galpões. Ou seja, se as empresas alugavam os galpões da ME, é razoável que a energia fosse rateada entre elas. Além disso, é a própria fiscalização que diz que cada empresa pagava sua despesa, já que a conta era rateada, e não põe em cheque o critério de rateio, obrigando que este seja aceito como correto. Por outro lado, o contribuinte explica que a dona do terreno (ME) é a titular do contrato com a Coelba e que divide as despesas com a MK. Também, informa que a AlphaPró tem seu próprio contrato com a Coelba, em relação ao seu galpão alugado. Deste modo, nenhumas das acusações acima são aptas para demonstrar que, ao invés de quatro empresas, existia uma única empresa. Por esta razão, cabe continuar o exame das demais acusações da fiscalização, para verificar se comprovariam a confusão de objetivos e recursos. Outro ponto levantado pelo Fisco para sustentar suas conclusões é que a MK, ME e a AlphaPró têm por principal atividade a fabricação, montagem e comércio de eletrodomésticos e eletrônicos e a Mondial tem por atividade principal o comércio atacadista de eletrodomésticos e eletrônicos, sendo que todas comercializam os produtos e mercadorias sob a marca Mondial. A fiscalização explica que marca é de titularidade de empresas ligadas (Crowland SA e Silman Internacional SA) e que o logo da Mondial aparece no teto dos galpões. Com base nisso, conclui que não existe distinção entre a MK, ME, AlphaPró e Mondial, pois tudo é Mondial. Por sua vez o contribuinte explica que se trata de um grupo econômico e que cada uma das empresas tinha uma linha de produto e atividade específica. Explica que: 1) a ME importa alguns tipos de produtos da China, diferentes dos produzidos pelas outras empresas; 2) a MK produz a linha de cozinha e Fl. 6786DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 28 27 importa alguns produtos afins; 3) a AlphaPró produz a linha de ventilação e aquecedores; 4) a Mondial comercializa os produtos das três empresas quando os cliente são de outro estado. Enfatiza que cada empresa possui seu próprio maquinário e moldes, que compram sua própria matéria prima, e que não existe partilhamento na fabricação dos produtos. Insiste que o uso da mesma marca não faz as empresas perderem a personalidade. Quanto a estes aspectos, cabem algumas ponderações. Inicialmente, vale notar que o uso da mesma marca pelas quatro empresas não permite concluir que elas seriam uma só. As empresas podem vender produtos com uma mesma marca sem perder sua personalidade. Inclusive, a própria fiscalização destaca, que a titularidade da marca é de outras empresas (Crowland SA e Silman Internacional SA) que não foram afetadas pelo lançamento. Isso fragiliza a tese do lançamento, pois de um lado a própria fiscalização admite o uso da marca de titularidade de uma empresa por outra empresa, mas de outro lado argumenta que o uso da mesma marca caracteriza confusão de personalidade. Além disso, o contribuinte informa que a MK e a AlphaPró compraram todas as máquinas e moldes da ML. Isso mostra que cada empresa tinha no seu galpão os seus próprios maquinários e equipamentos, necessários para sua atividade. Assim, não se pode falar em compartilhamento de instalações. De outra banda, a fiscalização teve acesso às instalações, livros e documentos. Portanto, é de supor que tenha verificado se as máquinas, moldes e demais ativos haviam sido adquiridos por cada uma das empresas, se estavam registrados na contabilidade, e se estavam instalados no galpão correto. Logo, se a fiscalização nada disse sobre este aspecto tão importante, é necessário admitir como verdadeira a informação do contribuinte de que as instalações de cada empresa era da própria empresa. A fiscalização também não efetuou qualquer diligência para demonstrar que as empresas dividiam maquinário na fabricação de seus produtos. Portanto, também é preciso supor que não existe partilhamento de equipamentos na produção. Assim, se os bens são das empresas, se estão instalados nos seus respectivos galpões, e se cada empresa usa suas próprias máquinas, o fato das empresas usarem a mesma marca para comercializar seus produtos apenas indica tratarse de um grupo econômico, e não de uma única empresa. De qualquer modo, cabe continuar a análise das demais afirmações do Fisco. Outro ponto levantado pela fiscalização para sustentar suas conclusões é a divisão de empregados. Para sustentar esta posição a fiscalização diz que analisou a folha de pagamento e concluiu que as empresas dividiam alguns quadros gerenciais, Fl. 6787DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 29 28 pela construção da hipótese de que alguns cargos seriam necessários nas duas empresas industriais. Para informar quais gerentes seriam compartilhados, o Fisco apresenta uma tabela. Mas, tal tabela não permite compreender quais gerencias seriam divididas, nem a descrição dos fatos traz qualquer explicação. Além disso, a falta de indicação da localização nos autos dos elementos comprobatórios impede a verificação do afirmado e um maior esforço de compreensão da posição da fiscalização. Portanto, este ponto da acusação fica parcialmente prejudicado. Também para comprovar esta acusação de compartilhamento de empregados, a fiscalização diz que “as empresas ME, MK, Mondial e Alpha figuram em vários processos trabalhistas como ‘plúrima réu’, ou seja, partes que tinham relação com o fato/empresa reclamada” e que “em um dos processos, há uma sentença declarando a existência do mesmo grupo econômico, e reconhecendo a solidariedade entre as empresas”. No entanto, a simples menção a ações trabalhistas, onde as empresas teriam relações com a reclamada, não é suficiente para se concluir que o processo trabalhista indique uma ou várias pessoas que trabalhassem para as quatro empresas. Se acaso algum destes processos tivessem elementos que demonstrassem a utilização do mesmo empregado pelas 4 empresas, a fiscalização deveria ter detalhado tal situação. Do mesmo modo, a existência de sentença reconhecendo o grupo econômico ou a solidariedade entre as empresas não obra em favor da tese da fiscalização. Ao contrário, tal sentença confirma que existe um grupo econômico e não uma empresa. Por sua vez, o contribuinte afirma que cada empresa tem seus próprios funcionários e junta a folha de pagamento das quatro empresas (proc. fls. 18962 a 19009). Ora, se a fiscalização examinou as folhas de pagamentos e os locais de trabalho, e se não encontrou empregados de uma empresa trabalhando no espaço físico de outra, não é razoável afirmar que haveria divisão de empregados. De fato, a fiscalização poderia ter feito diligências nas sedes das empresas e anotado os nomes das pessoas que lá se encontravam, para verificar se eram ou não empregadas pela empresa onde estavam atuando. Mas, tal exame não foi feito e o Fisco pretende dizer que existe divisão de empregados pela construção da hipótese de que alguns cargos seriam necessários nas duas empresas industriais. Mesmo supondo a hipótese de que alguns cargos seriam necessários nas duas empresas fabris e que as duas empresas compartilhariam gerentes nesses postos (o que não restou provado), seria preciso ponderar a significância desta circunstância com o total da mão de obra empregada em cada empresa. Mas, esta ponderação não foi apresentada pelo Fisco. Por isso este ponto do relatório não é apto a comprovar a tese da fiscalização. Ao contrário, a juntada das folhas de pagamento Fl. 6788DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 30 29 pelo contribuinte e a ausência de exames fundamentais, que poderiam ser feitos pela fiscalização, demonstram não haver divisão ou confusão no uso da mão de obra. Deste modo, cabe analisar se as outras acusações da fiscalização têm o condão de comprovar a tese do lançamento. Outro aspecto levantado pela fiscalização é que a ME, MK e AlphaPró deixaram de vender seus produtos diretamente para clientes finais e passaram a vendêlos para a Mondial, que revendia para os antigos clientes das três empresas pelo mesmo preço anteriormente praticado. O Fisco adiciona que no mês da transição, as vendas para a Mondial foram por preços acima dos praticados quando das vendas diretas e que a Mondial manteve o preço que os clientes costumavam pagar. Conclui que as transações entre as empresas era apenas aparente. Por sua vez o contribuinte explica que a constituição da Mondial buscou concentrar em uma empresa comercial as vendas para fora do estado, visando resolver questões de ICMS. Também, esclarece que a fiscalização só fez a comparação de preços em um mês e os valores se justificam por questões comerciais. A contraposição das posições mostra alguns aspectos. Em primeiro lugar, o fato de empresas fabris e importadoras do mesmo grupo venderem seus produtos para uma empresa comercial do grupo, não revela nenhuma confusão de objetivos ou recursos. Tratase de decisão empresarial sobre a organização do negócio. De outro lado, a explicação dada pelo contribuinte, independente da adequação ou não à legislação do ICMS, é bastante razoável para explicar a criação da Mondial e justificar a alteração na forma de venda para antigos clientes. Além disso, não foi comprovada pela fiscalização, que só fez o levantamento para alguns produtos e em um mês, a alegação de que as três empresas venderam para a Mondial por um preço acima do praticado pela Mondial. Ainda, a explicação dada pelo contribuinte, de que foram concedidos descontos pela Mondial, é plausível. Ademais, mesmo que ficasse comprovada a prática de venda para a Mondial por valor acima do de mercado, isso poderia implicar em glosa de custos na Mondial (por simulação), mas não implicaria em nenhuma convicção sobre existir confusão de objetivos e de recursos das quatro empresas. Refutada mais esta linha de argumento, cabe continuar a análise das acusações. O Fisco também diz haver confusão na contabilidade das empresas. Sustenta esta posição dizendo que a contadora é a mesma e que a contabilidade apresenta a mesma estrutura. A fiscalização também diz que intimou o contribuinte a consolidar a contabilidade das quatro empresas e que o contribuinte apresentou tal consolidação, embora apenas fazendo a soma de cada conta. Afirma que este compartilhamento de dados, que seriam sigilosos, mostra a ligação entre as empresas. Fl. 6789DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 31 30 O contribuinte diz que isso não demonstra nenhuma confusão entre as empresa e que é comum um grupo empresarial ter um mesmo escritório de contabilidade e ter contabilidade com estrutura semelhante. Também, transcreve texto de intimação no qual o Fisco exige a apresentação da consolidação das quatro contabilidades sob pena de aplicação de multa e explica que apenas atendeu ao exigido pela fiscalização. Ora, salta aos olhos que o fato das empresas terem o mesmo responsável pela contabilidade e mesma estrutura de contas não implica em qualquer confusão. No caso, o que a fiscalização poderia ter pesquisado era se as empresas assumiam cada uma o custo do escritório de contabilidade ou se este era arcado por apenas uma delas ou por um caixa comum. Mas, este trabalho não foi feito. Quanto ao fato das empresas apresentarem a consolidação exigida pelo Fisco, isso também não comprova a existência de uma empresa única, mas sim de um grupo com acesso a informações uma das outras, fato admitido pelo contribuinte. Também a circunstância das empresas serem criadas e extintas em momento semelhante e de terem suas sedes nas mesmas cidades não implicam na perda da personalidade jurídica. Ainda mais se for considerado que as empresas se originam do desmembramento racional da ML. Ou seja, como o nascimento e atividade de cada empresa foi planejado, alguns dos pontos indicados pela fiscalização seriam de se esperar em um desmembramento planejado. Assim, se constata que nenhum dos argumentos apresentados pela fiscalização consegue demonstrar a existência de uma empresa única no lugar das quatro empresas. Mesmo considerando o conjunto probatório, a fiscalização não comprovou sua tese. Inclusive, alguns dos aspectos levantados pela fiscalização são naturais em empresas componentes de um grupo econômico. Também, se percebe que a fiscalização buscou enfatizar apenas os aspectos que considerou relevante para sua tese. Em contrapartida, fica evidente que desconsiderou outros aspectos mais relevantes que não foram examinados. Assim, também pela falta de demonstração do fato imputado, o lançamento não é procedente. Por oportuno, cabe destacar que a decisão da turma julgadora, além de referendar o lançamento, adicionou alguns argumentos. De fato, a turma buscou sustentar o lançamento afirmando que tudo não passou de um planejamento tributário feito para reduzir a carga tributária. Quanto a este ponto da decisão, a par do desborde de competência, pois a turma julgadora não pode acrescentar argumentos para fundamentar o lançamento, a turma incorre em erro. Fl. 6790DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 32 31 O planejamento não é proibido, nem implica em fraude à lei, abuso de direito, ou simulação. Também, os negócios feitos com base em planejamento tributário não podem ser desconsiderados sob a alegação de não terem conteúdo negocial. Cabe analisar as teses sustentadas pela turma da DRJ. Uma das teses diz que é possível usar as figuras de abuso de direito e de fraude a lei, existentes no Código Civil, para efetuar o lançamento. Mais especificamente, se argumenta ser possível refutar planejamentos tributários com a simples afirmação de que os efeitos legais pretendidos pelo contribuinte não são oponíveis ao Fisco porque estaria havendo abuso de direito ou fraude a lei. Para avaliar a procedência desta tese, é necessário examinar se o uso destas figuras extrapola ou não os poderes referentes ao lançamento. Constatado que implica em inovação de poderes, cabe pesquisar se existe permissão no sistema para que o Fisco utilize estas figuras. Portanto, inicialmente, é preciso comparar o que o lançamento permite, com o que a aplicação das figuras permitiria. No lançamento, o Fisco diz os fatos ocorridos e o direito aplicável a estes fatos, mesmo contradizendo os fatos declarados e o direito aplicado pelo contribuinte. Já com a aplicação das figuras de abuso de direito ou de fraude a lei, o Fisco não reconhece a incidência do direito aplicável aos fatos, com o argumento de que a situação é excepcional, e em consequência deixa de reconhecer os efeitos de determinada situação ou negócio. Assim, é evidente que a aplicação dessas figuras do Código Civil vai além do que o lançamento permite. Resta ver se o sistema permitiria ao Fisco o uso delas na formalização do crédito tributário. Porém, só se o planejamento tributário fosse proibido é que se poderia dizer que os atos e os negócios motivados por economia fiscal seriam casos de abuso de direito ou de fraude a lei. Mas, este pressuposto não é verdadeiro, pois o sistema jurídico não proíbe o planejamento tributário. Ademais, o fato do sistema positivar o abuso de direito e a fraude a lei não defere ao Fisco o poder de utilizálas para efetuar lançamento. Estas figuras existem para serem utilizadas por juízes imparciais nas soluções de litígios judiciais e não pela própria parte. Logo, sem previsão legal, essas figuras não poderiam ser usadas pelo Fisco, muito menos agindo no seu próprio interesse. Assim, a tese defendida pela turma julgadora não procede. Na verdade, a tese inverte o princípio de que a Administração só pode o que a lei permite, e que o administrado é livre, salvo norma em contrário. Fl. 6791DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 33 32 A outra tese da DRJ é a de que os atos praticados na execução de planejamento tributário poderiam ser desconsiderados porque não teriam conteúdo econômico ou propósito negocial, já que teriam sido praticados com o único objetivo de economia tributária. Novamente, o exame da procedência da tese consiste em verificar se sua aplicação implica em atuação além dos poderes inerentes ao lançamento. Constata diferença de alcance, caberá indagar se o sistema autorizaria a formalização do crédito tributário por este mecanismo. Como é evidente, também esta teoria pretende autorizar a formalização do crédito, não pela aplicação do direito aos fatos, mas pela desconsideração do direito aplicável aos fatos, com o argumento de que a situação é excepcional. Assim, é claro que a aplicação desta formulação estende os poderes da fiscalização inerentes ao lançamento. Frente a ausência de base legal que permita a constituição de crédito tributário por tal mecanismo, a tese só seria viável partindose da idéia de que o planejamento tributário é proibido e que esta motivação viciaria o negócio. Só assim, haveria amparo no sistema para considerar o negócio nulo. Resta testar esta hipótese. Para tanto, é preciso distinguir motivo do negócio e causa do negócio. As razões de ordem subjetiva que levam a pessoa a concluir algum negócio jurídico denominamse motivos. Já o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos partícipes chamase causa ou função econômica do negócio. Assim, independente da causa do negócio jurídico, se ele é praticado visando redução da carga tributária, podese dizer que o motivo do negócio foi economia fiscal. Conforme o Código Civil, apenas o motivo ilícito (se for determinante do negócio e comum às partes) implica em nulidade (inciso III, art. 166 do CC). Mesmo assim, tal nulidade precisa ser declarada por um juiz. No entanto, salvo disposição de lei em contrário, não há como supor que a intenção de economizar tributos é ilícita. Portanto, o inciso III, art. 166 do Código Civil não poderia ser aplicado, sequer por juízes, aos negócios jurídicos pelos quais a pessoa executa seu planejamento tributário. Muito menos, poderia ser aplicado pela fiscalização, para efetuar lançamento de ofício. Destarte, não há nenhuma característica específica na motivação “reduzir a carga tributária” que implique em ineficácia ou nulidade nos negócios em que tal motivação esteja presente, mesmo se for a única motivação. Deste modo, o dispositivo do Código Civil não pode ser aplicado para descaracterizar negócios que visam economia tributária. Fl. 6792DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 34 33 De outra banda, não existe nenhuma outra regra tributária, federal ou nacional, que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia fiscal. Somente se existisse uma lei com este conteúdo é que a fiscalização poderia desconsiderar os efeitos jurídicos dos negócios praticados por economia tributária. Assim, também a adoção desta tese pela turma julgadora implica em atuação além da lei. Novamente, existe uma inversão dos princípios que regem a atuação da Administração e dos administrados. Deste modo, se vê que os argumentos com os quais a turma julgadora inovou a fundamentação são improcedentes.” Portanto, tendo o Nobre Relator do processo principal esgotado a análise da acusação fiscal, e sendo este decorrente daquele, aplicase aqui a mesma decisão, razão porque, DOU provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 07 07 de novembro de 2013 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 6793DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10840.720948/2011-16
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE.
Não deve ser conhecido recurso voluntário interposto fora do prazo definido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1801-001.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros da 1ª Turma Especial, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, por intempestivo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros da 1ª Turma Especial, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, por intempestivo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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INTEMPESTIVIDADE. Não deve ser conhecido recurso voluntário interposto fora do prazo definido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros da 1ª Turma Especial, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, por intempestivo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 09 48 /2 01 1- 16 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ em Ribeirão Preto, que manteve a multa de R$ 1.192,59, aplicada por atraso na entrega da DCTF relativa a março de 2009. Debateuse, na decisão recorrida, por força de questionamentos arguidos em impugnação, os efeitos suscitados pelo sujeito passivo quanto à aplicação do artigo 138 do CTN, sobre a entrega espontânea, mas extemporânea, da DCTF. A manutenção da multa foi fundamentada na alegação de que a norma inscrita no referido artigo não contempla a sanção por descumprimento de obrigação acessória. O recurso voluntário reitera as alegações veiculadas com a impugnação, adicionando precedentes desta E. Segunda Instância administrativa. Também invoca doutrina relacionada à exclusão da multa no caso de parcelamento de dívida tributária, antes de qualquer ato fiscal a ela relacionado. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator Conforme se verifica nos autos – extrato dos Correios relativo ao AR, protocolo aposto na primeira folha do recurso, e Despacho de Encaminhamento da DRF – a ciência do contribuinte se deu em 22/03/12, tendo o recurso sido interposto em 24/04/12. O recebimento ocorreu em uma quintafeira. Considerada a regra do Código Tributário Nacional (artigo 210), excluído o dia da intimação, o transcurso do prazo teve início na sextafeira, dia 23 de março. Contados os 30 dias, o prazo encerrarseia no dia 21 de abril, o qual, sendo sábado, levou o dies ad quem para 23 de abril de 2012. Houve transcurso de prazo superior aos 30 dias definidos no artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 (norma dotada de força de lei), revelando a intempestividade do recurso voluntário. A extemporaneidade do recurso consubstancia preclusão, a perda da chance de se insurgir contra a decisão a quo, no processo administrativo, buscando a revisão deste E. Conselho. Ademais, não há, no recurso voluntário, qualquer apontamento quanto a eventuais circunstâncias (feriado local, fechamento da repartição) que pudessem deslocar o início ou o término da contagem do prazo em comento. Nem argumentação tendente a atribuir ineficácia da cientificação operada por via postal. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 61DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 10840.720948/201116 Acórdão n.º 1801001.654 S1TE01 Fl. 61 3 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES
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Numero do processo: 10865.900329/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 00 32 9/ 20 08 -1 1 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900329/200811 Resolução nº 1802000.435 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem (DRF Limeira/SP). Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.589, às fls. 36 a 43: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 01/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia as autoridades fiscais diligenciar junto à empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao princípio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que “a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário”; Fl. 357DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900329/200811 Resolução nº 1802000.435 S1TE02 Fl. 4 3 Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulado o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, afirmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 28/07/2010, a Contribuinte apresentou em 26/08/2010 o recurso voluntário de fls. 47 a 64, com os argumentos abaixo: DOS FATOS em virtude das antecipações efetuadas a título de imposto de renda durante o anocalendário 2001, ao final do exercício a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, razão pela qual decidiu solicitar a restituição/compensação dos valores pagos a maior, por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação utilizando o indigitado crédito (Doc. 03); Fl. 358DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900329/200811 Resolução nº 1802000.435 S1TE02 Fl. 5 4 DA PROVA inicialmente, importante destacar a necessidade do conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001), em obediência ao princípio da verdade material que norteia o procedimento administrativo fiscal federal; é imperioso o conhecimento do presente recurso voluntário e a análise dos argumentos expostos, que indubitavelmente acarretarão no reconhecimento integral dos créditos de IRPJ e, por consectário, na extinção dos débitos compensados; ainda que a existência do crédito não tenha sido comprovada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, em razão da necessidade de se observar o princípio da verdade material, a Recorrente pode fazêlo neste momento sem prejuízos; DO DIREITO DO CRÉDITO PLEITEADO a Recorrente adotava a sistemática de apuração do IRPJ por estimativa mensal, tendo efetuado pagamentos estimados no decorrer do anocalendário de 2001 (vide doc. 04) e, com o fechamento de seu balanço contábil, verificou o pagamento a maior do referido tributo, gerando, desta forma, o denominado saldo negativo (vide doc. 05); referida sistemática encontra respaldo no artigo 6°, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; da análise dos documentos fiscais acostados pela Recorrente é possível constatar a apuração do saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 140.283,14 (vide doc. 05 DIPJ/2001), sendo certo que esse crédito é suficiente para liquidar o débito debatido no presente procedimento administrativo, bem como todos os demais débitos extintos com a utilização do referido saldo negativo através da transmissão de PER/DCOMP's; a Recorrente possuía um crédito no valor de R$ 140.283,14, o qual foi corretamente utilizado para quitar débitos administrados pela Receita Federal do Brasil; inclusive, remanesceu em favor da Recorrente saldo credor de R$ 40.887,18, mesmo após ter efetuado as compensações supra mencionadas; em que pese a Recorrente tenha informado nas PER/DCOMP's o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; da análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, e principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF´s, é visível que todos os recolhimentos mensais por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; o crédito utilizado pela Recorrente é liquido e certo, não havendo razão para a manutenção do indeferimento da presente compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96; Fl. 359DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900329/200811 Resolução nº 1802000.435 S1TE02 Fl. 6 5 diante da comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ através da DIPJ anocalendário 2001, não obstante o preenchimento do PER/DCOMP tenha sido efetuado com o valor do IRPJ recolhido por estimativa, não há razão para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado; um simples vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque a Receita Federal do Brasil, através de seu banco de dados, tem como verificar os valores efetivamente recolhidos a título de IRPJ; a D. Autoridade Julgadora, por ter todas as informações em seu sistema, poderia ter verificado a sua existência, ou ter intimado a Recorrente a apresentar documentos capazes de comprovar o crédito, não podendo simplesmente indeferir o pleito da Recorrente; a simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito apurado em decorrência dos recolhimentos a maior efetuados pela Recorrente no anocalendário de 2001 a título de IRPJ; tendo em vista que no caso em tela o crédito pleiteado decorre de recolhimentos efetuados a maior, devidamente comprovados através do saldo negativo apurado no anocalendário 2001 (vide docs. 04 e 05), e compensados dentro do prazo legal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente, com a conseqüente extinção do débito compensado; DA DECADÊNCIA cabe destacar, ainda, que no caso em tela o crédito de IRPJ apurado no ano calendário 2001 não pode ser objeto de questionamento por parte das autoridades fiscais, em razão da decadência; o saldo negativo apurado em 2001 foi homologado tacitamente em 2007, extinguindose o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; sendo o IRPJ um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte apura o valor do tributo, o declara e efetua o pagamento do montante que considera devido, sendo certo que no caso em discussão, a Recorrente ao invés de apurar saldo devedor de IRPJ, no final do exercício de 2001, apurou crédito, o qual foi devidamente discriminado na DIPJ anocalendário 2001; assim, caberia ao Fisco o dever de fiscalizar os procedimentos adotados pelo contribuinte, e realizar o lançamento das eventuais diferenças apuradas dentro do quinquídio legal; uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, é certo que as informações declaradas na DIPJ do ano calendário 2001 encontramse homologados, ainda que tacitamente; o saldo negativo apurado pela Recorrente no ano de 2001 foi tacitamente homologado em 2007, com a conseqüente ausência do direito da D. Autoridade Fiscal em discordar da compensação efetuada pela Recorrente; Fl. 360DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900329/200811 Resolução nº 1802000.435 S1TE02 Fl. 7 6 a decisão administrativa proferida em 24/04/2008 é manifestamente extemporânea, haja vista que no ano de 2007 o saldo negativo de IRPJ não era mais passível de glosa por parte da D. Autoridade Fiscal; exatamente nesse sentido é a jurisprudência firmada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (decisões transcritas); e nem que se diga que a DIPJ retificadora, transmitida em 08/03/2004, tenha alterado o marco inicial para o decurso do prazo decadencial, haja vista que, como consabido, o prazo decadencial não é interrompido ou suspenso. Além disso, a referida declaração não alterou a composição do saldo negativo apurado originalmente no anocalendário de 2001; contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a apuração do saldo negativo referente ao ano de 2001, utilizado para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, foi tacitamente homologado no ano de 2007, motivo pelo qual, mais uma vez, devem ser reconhecidas como legítimas as compensações efetuadas pela Recorrente; DO PEDIDO a Recorrente solicita seja o presente recurso conhecido e provido para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como para que sejam homologadas as compensações efetuadas. Este é o Relatório. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900329/200811 Resolução nº 1802000.435 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 13/05/2004, na qual utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente ao IRPJ no anocalendário de 2001. O PER/DCOMP indica como origem do crédito um recolhimento realizado em 28/02/2001 com o código 2362 (estimativa mensal), no valor de R$ 9.180,82. A negativa da Delegacia de origem foi motivada pelo fato de o recolhimento gerador do crédito já ter sido integralmente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ), ao examinar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, manteve a negativa em relação à compensação. Em sua decisão, a DRJ afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. E nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, afirmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Na atual fase de recurso voluntário, a Contribuinte discrimina vários outros processos de PER/DCOMP que abordam o mesmo crédito, ou seja, o saldo negativo de IRPJ em 2001, no valor de R$ 140.283,14, conforme apurado em sua DIPJ. A Contribuinte, em resumo, argumenta: que em obediência ao princípio da verdade material, é necessário o conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001); que apesar de ter informado nos PER/DCOMP o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; Fl. 362DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900329/200811 Resolução nº 1802000.435 S1TE02 Fl. 9 8 que a análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF, demonstra que todos os recolhimentos mensais por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, e que é certo que as informações declaradas na DIPJ do ano calendário 2001 encontramse homologadas, ainda que tacitamente. Para comprovar suas alegações, a Contribuinte apresenta cópias dos DARF recolhidos ao longo de 2001, cópia parcial da DIPJ com as fichas relativas às estimativas mensais e à apuração final do IRPJ, cópia do LALUR, e cópia parcial de um Balancete Analítico com os saldos das contas de impostos a recuperar e a compensar em 31/12/2001. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento mencionou que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação que pudesse caracterizar a existência de saldo negativo de IRPJ em 2001, a ser restituído ou compensado. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900329/200811 Resolução nº 1802000.435 S1TE02 Fl. 10 9 Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos DARF recolhidos ao longo de 2001, cópia parcial da DIPJ com as fichas relativas às estimativas mensais e à apuração final do IRPJ, cópia do LALUR, e cópia parcial de um Balancete Analítico com os saldos das contas de impostos a recuperar e a compensar em 31/12/2001. A DIPJ indica que a Contribuinte apurou prejuízo em 2001, e que o saldo negativo de R$ 140.283,14 foi formado por recolhimentos a título de estimativas mensais (R$ 94.292,00) e retenções na fonte (R$ 45.991,14). O fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, realmente não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, se a Contribuinte apurou prejuízo no período (como vem alegando), os pagamentos antecipados a título de estimativa passam a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. Nesse caso, isso já foi feito pela DRJ, que admitiu o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo, mas manteve a negativa por falta de elementos probatórios (os quais estão sendo apresentados nessa fase processual). Fl. 364DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900329/200811 Resolução nº 1802000.435 S1TE02 Fl. 11 10 As considerações da Recorrente sobre a contagem da decadência para fins de homologação de direito creditório também merecem comentários. É certo que após o transcurso do prazo decadencial, não pode o Fisco realizar procedimento fiscal visando modificar a base de cálculo do tributo, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir prejuízo fiscal. O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram. No plano da verificação da “existência” de pagamento a ser restituído/ compensado, corresponda ele a DARF no ajuste ou na estimativa, a retenção na fonte, ou mesmo a compensação com outro indébito, não há que se falar em blindagem do direito creditório por decurso de prazo. Com efeito, a fluência do tempo pode sim homologar procedimentos, tornar definitivos os critérios e as interpretações utilizados na aplicação do direito etc., mas não tem o condão de fazer existir o que não aconteceu. Por isso a alegação de decadência não tem o efeito pretendido pela Recorrente, no sentido de justificar uma restituição automática do alegado direito creditório, sem uma análise de sua efetiva existência. Nesse passo, cabe registrar que os elementos apresentados ainda não permitem concluir sobre a certeza e liquidez do alegado saldo negativo de IRPJ em 2001, no valor de R$ 140.283,14. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade: 1) junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário de 2001; 2) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2001; o valor das estimativas recolhidas referentes a 2001; o valor das retenções sofridas a título deste imposto no mesmo período; as receitas relativas a estas retenções, averiguando se elas foram computadas pela Contribuinte na base de cálculo do imposto; Fl. 365DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900329/200811 Resolução nº 1802000.435 S1TE02 Fl. 12 11 3) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 4) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 366DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 35464.002121/2006-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1995 a 30/06/2000
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial da Contribuinte provido e da Fazenda Nacional não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso do contribuinte e não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, por perda de objeto.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 11/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann(Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1995 a 30/06/2000 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial da Contribuinte provido e da Fazenda Nacional não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso do contribuinte e não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, por perda de objeto. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 11/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann(Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1995 a 30/06/2000 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial da Contribuinte provido e da Fazenda Nacional não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 21 21 /2 00 6- 17 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso do contribuinte e não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, por perda de objeto. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 11/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann(VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Santander Brasil Seguros S.A., foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 1/78, para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), as contribuições devidas a Terceiros e referentes à concessão de veículos aos segurados. A Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 230100.018, que se encontra às fls. 299/304 e cuja ementa é a seguinte: “SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. VEÍCULOS. Integra o saláriodecontribuição para o empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A ausência de fundamento legal é vício formal insanável que torna nulo o lançamento. Processo Anulado.” Fl. 440DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35464.002121/200617 Acórdão n.º 9202003.050 CSRFT2 Fl. 8 3 A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por maioria de votos, anulou o auto de infração por vício formal do lançamento. Regularmente intimada do acórdão em 02/12/2009, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 308/316) em 02/12/2009 com base no antigo regimento interno do CARF, tendo em vista tratarse de decisão não unânime contraria a lei. Em suas razões de recurso a Fazenda Nacional requer a reforma do v. acórdão recorrido por entender que não houve no presente caso o suposto cerceamento de defesa. Ao recurso especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2301 00.018 (fls. 414). Intimado do v. acórdão em 16/08/2010, o Santander Brasil Seguros S.A. interpôs Recurso Especial em 31/08/2010 (fls. 334/344), sustentando divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos n° 20216.026 e 0105.464, no tocante à decadência das contribuições sociais em razão da antecipação de seu pagamento. O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 394/401). Ao recurso especial da contribuinte foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300214/2012, de 08/05/2012 (fl. 419). Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões ao recurso especial do contribuinte (fls. 422/425v) É o Relatório. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso inicialmente a admissibilidade do recurso do contribuinte. Em seu recurso especial de divergência o contribuinte aponta como paradigmas para demonstração de divergência os acórdãos nº 20216.026 e 0105.464. Encontramse eles assim ementados: Acórdão nº 20216.026 PIS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldamse à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Mesmo a completa ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não em pagamento de tributo. Recurso provido.” Acórdão nº 0105.464 “IRPJ – DECADÊNCIA – AUSÊ NCIA DE RECOLHIMENTO – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – A classificação do lançamento, se por homologação e portanto com o prazo de decadência fixado pelo art. 150, parágrafo 4º, do CTN, não depende do recolhimento do tributo. Tributo sujeito por homologação é aquele em que a lei estabelece ao contribuinte o dever de apurar e recolher o tributo independentemente de ato administrativo prévio. Recurso especial negado.” No presente caso, o v. acórdão recorrido determinou, para fins de cômputo do prazo decadencial, a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN) em razão da inexistência de pagamento antecipado, entendendo que o § 4º do artigo 150 do CTN somente poderia ser utilizado nos casos em que verificada a existência de pagamento, ainda que parcial. Os paradigmas colacionados, no entanto, determinaram que o cômputo do prazo decadencial deve seguir a regra do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), independentemente do recolhimento do tributo, salvo nas hipóteses de configuração de dolo, fraude ou simulação. Destarte, patente a divergência, razão pela qual conheço do recurso especial do contribuinte. Passo para à análise do mérito. Recurso Especial do Contribuinte Decadência Fl. 442DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35464.002121/200617 Acórdão n.º 9202003.050 CSRFT2 Fl. 9 5 A discussão no recurso especial interposto pelo contribuinte é relativa ao termo inicial para contagem do prazo decadencial. Pois bem. Cabe examinar se deve ser aplicado ao caso o §4º do art. 150 ou art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), ambos para se determinar o termo inicial para contagem do prazo de decadência de 5 anos. Em diversas oportunidades já manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existência de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, a partir de alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 22 de dezembro de 2010, introduziu no artigo 62A do Anexo II dispositivo que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar em 18/09/2009 o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 443DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. De fato, tenho me manifestado que o deslocamento da regra de contagem do prazo de decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, I, ambos do CTN, requer a total ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias pelo contribuinte relativamente aos Fl. 444DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35464.002121/200617 Acórdão n.º 9202003.050 CSRFT2 Fl. 10 7 fatos geradores questionados, que no caso em exame envolvem um universo de remunerações e verbas mensalmente pagas aos empregados e contribuintes individuais. Aplicando o raciocínio acima ao presente caso, tendo em vista que o contribuinte comprovou recolhimento de contribuições previdenciárias nas competências englobadas na autuação (fls. 65/66 e 360/374), aplicase o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador. Assim, no caso em questão, considerando que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 12/2005, deve ser declarada a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/2000, resultando no reconhecimento da decadência para todo o período objeto do lançamento (fatos geradores de 01/10/1995 a 30/06/2000). Recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional Em decorrência do reconhecimento da decadência nos termos do exposto acima o lançamento deve ser integralmente cancelado, restando prejudicado o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que não deve ser conhecido por perda de objeto. Ante o exposto, conheço do recursos especial interposto pela contribuinte para, no mérito, DARLHE provimento para reconhecer a decadência e cancelar integralmente o lançamento. Prejudicado o recurso da Fazenda Nacional, que não deve ser conhecido por perda de objeto. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 445DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000486/2004-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2004
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
PIS. BASE DE CÁLCULO. VALORES PROVENIENTES DE CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.
Nos termos da decisão proferida pela e. corte maior, no RE 606.107, relatora a Ministra Rosa Weber:
"VIII - Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS".
Recurso especial do Procurador negado
PIS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS SOBRE DIREITOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES.
Nos termos da decisão proferida pela e. corte maior, no RE 627.815, relatora a Ministra Rosa Weber
IV - Consideram-se receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS.
PIS. BASE DE CÁLCULO. EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. CRÉDITOS NAS AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Nas operações típicas que realizam, isto é, quando adquirem mercadorias com o fim específico de exportação nos termos do decreto-lei 1.248/72, as empresas comerciais exportadoras não têm direito a crédito com respeito às contribuições PIS e COFINS apuradas segundo o critério da não-cumultatividade. Nessas operações, são as empresas vendedoras que têm direito ao crédito relativo às aquisições de insumos empregados nos produtos vendidos à comercial exportadora, nos termos dos arts. 5º e 7º da Lei 10.637/2002.
Recurso especial do contribuinte parcialmente provido
Recurso Especial do Procurador negado e recurso especial do contribuinte parcialmente provido
Numero da decisão: 9303-002.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: a) negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional; b) dar provimento parcial ao recurso do contribuinte, tudo nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente Substituto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 20/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki. Fabíola Cassiano Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo, ausente, justificadamente).
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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VARIAÇÕES CAMBIAIS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO Recorrentes FAZENDA NACIONAL A.T.C. ASSOCIATED TOBACCO COMPANY BRASIL LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2004 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. PIS. BASE DE CÁLCULO. VALORES PROVENIENTES DE CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. Nos termos da decisão proferida pela e. corte maior, no RE 606.107, relatora a Ministra Rosa Weber: "VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS". Recurso especial do Procurador negado PIS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS SOBRE DIREITOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. Nos termos da decisão proferida pela e. corte maior, no RE 627.815, relatora a Ministra Rosa Weber “IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 04 86 /2 00 4- 10 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 PIS. BASE DE CÁLCULO. EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. CRÉDITOS NAS AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nas operações típicas que realizam, isto é, quando adquirem mercadorias com o fim específico de exportação nos termos do decretolei 1.248/72, as empresas comerciais exportadoras não têm direito a crédito com respeito às contribuições PIS e COFINS apuradas segundo o critério da não cumultatividade. Nessas operações, são as empresas vendedoras que têm direito ao crédito relativo às aquisições de insumos empregados nos produtos vendidos à comercial exportadora, nos termos dos arts. 5º e 7º da Lei 10.637/2002. Recurso especial do contribuinte parcialmente provido Recurso Especial do Procurador negado e recurso especial do contribuinte parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: a) negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional; b) dar provimento parcial ao recurso do contribuinte, tudo nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente Substituto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 20/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki. Fabíola Cassiano Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo, ausente, justificadamente). Relatório Tratase de recursos interpostos tanto pela Fazenda Nacional quanto pela sociedade empresária contra decisão da 1ª Turma da Quarta Câmara que deu parcial provimento a recurso voluntário. O recurso da Fazenda versa a transferência onerosa de créditos de ICMS decorrentes de exportações que a autoridade fiscal considerara serem receitas a integrar a base Fl. 394DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13005.000486/200410 Acórdão n.º 9303002.866 CSRFT3 Fl. 7 3 de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos, matéria que fora julgada favoravelmente à sociedade empresária pela Câmara recorrida e que teve recente decisão pelo Pleno do STF. Já o recurso do contribuinte se insurge contra a necessidade de inclusão na base de cálculo, pretendida pelo fisco e ratificada pela decisão recorrida, das variações monetárias ativas decorrentes de valores obtidos com a exportação de produtos e contra a impossibilidade proclamada de tomada de créditos com respeito às aquisições de produtos com o fim específico de exportação no período anterior a maio de 2004. Ambos os recursos foram instruídos com acórdãos paradigmáticos que versaram exatamente as mesmas matérias e decidiram na linha pretendida em cada recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Os recursos foram bem admitidos Começo o exame pelo recurso da Fazenda. Aí a única matéria a ser decidida por este Colegiado já o foi pelo Supremo Tribunal Federal sob o rito do art. 543B, o que nos impõe a mera reprodução do seu conteúdo a teor do art. 62A do nosso Regimento. Refirome ao RE 606.107, o qual, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi assim decidido: VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. Nesses termos, ao recurso devese negar provimento. No que tange ao recurso interposto pelo contribuinte, também há uma matéria que o art. 62A decide por nós: tratase da tributação das variações cambiais de valores decorrentes de exportações. Isso porque, no julgamento do RE 627.815, assim se pronunciou a Ministra Rosa Weber: O que se discute nestes autos é se as receitas das variações cambiais ativas podem ser consideradas como receitas decorrentes de exportação, de modo a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência do PIS e da COFINS. Tenho que a resposta é positiva.. Impõese, pois, afastar a objeção da Administração Tributária, dando provimento ao recurso do contribuinte no ponto. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 A segunda matéria, no entanto, não teve julgamento por aquele Pretório nem pelo STJ, de modo que sobre ela cabe a nós a definição. Nos autos, claramente debatemse duas teses. A primeira, perfilhada pela DRJ e pela Câmara recorrida, entende que as empresas comerciais exportadoras nunca tiveram direito ao crédito relativamente aos produtos adquiridos no mercado interno com o fim específico de exportação porque sobre as vendas correspondentes também não recolhem o tributo. Para os que acompanham esse entendimento o direito de crédito é, e sempre foi, apenas daquelas empresas que lhes venderam o produto a ser exportado. A outra corrente, defendida no voto paradigma, considera que a restrição só veio com a edição da Lei 10.865 cujo art. 21 alterou os arts. 3º das Leis 10.637 e 10.833. Ela somente foi publicada em 30 de abril de 2004 e sua vigência tem início em 1º de maio de 2004 para a COFINS e em 1º de agosto do mesmo ano para o PIS por força da disposição dos seus arts. 46 e 49. Necessário de início deixar registrado que não concordo com as razões expendidas no voto proferido na primeira instância, para quem: a regra estabelecida pelo art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002, incluída pela Lei n° 10.865, de 2004, tem natureza meramente declaratória, portanto com eficácia ex tunc, aplicandose inclusive aos eventos ocorridos anteriormente à sua edição. É que, como sabem todos, a regra é que a lei valha para frente, apenas retroagindo quando seja expressamente intepretativa (CTN, art. 106, I). E o ato legal editado em 2004 não tem esse requisito. Ao contrário, ele claramente afirma que suas disposições valem a partir de sua publicação e abre nos artigos mencionados algumas exceções. Elas não alcançam, porém, o seu art. 21. Destarte, a se admitir que suas disposições se aplicam à situação ora em análise – empresas comerciais exportadores adquirindo bens com o fim específico de exportação – forçoso é concluir, como o fez o Conselheiro Gilson no voto paradigma: as restrições começam a valer apenas nas datas ali especificadas. É com essa aplicação, porém, que não concordo. Com efeito, diz o malsinado artigo 21 da Lei 10.865 na parte em que altera o art. 3º da Lei 10.833: § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Não há aí, pois, expressa referência às empresas comerciais exportadoras. E nem poderia, a meu sentir, ser diferente, pois nenhuma alteração se processara na natureza jurídica das operações por elas realizadas que antes autorizasse e depois, não, a tomada dos créditos. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13005.000486/200410 Acórdão n.º 9303002.866 CSRFT3 Fl. 8 5 Com efeito, ou os créditos sempre foram possíveis ou sempre foram impossíveis, destinandose, nesse último caso, a alteração promovida pela Lei 10.865 a hipóteses outras. Nessa linha, chama a atenção a concordância gramatical empregada no texto legal: são os bens ou serviços – e não as aquisições – que não são sujeitos (e não sujeitas) ao pagamento. Pareceme, portanto, que a disposição legal está direcionada a situações em que um dado bem ou serviço isento vem a ser revendido – no mercado interno – ou é utilizado como insumo na produção de outro que igualmente não é alcançado pelas contribuições. Não é o caso das comerciais exportadoras quando exportam os bens adquiridos com esse fim específico. Esse argumento é reforçado pelo fato de a disciplina das referidas comerciais exportadoras já estar toda nas leis instituidoras da nãocumulatividade. Deveras, já dispunham as leis 10.637 e 10.833, em seus arts. 5º e 7º: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria Art. 7o A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, considerase vencido o prazo para o pagamento na data em que a empresa vendedora deveria fazêlo, caso a venda houvesse sido efetuada para o mercado interno. § 2o No pagamento dos referidos tributos, a empresa comercial exportadora não poderá deduzir, do montante devido, qualquer valor a título de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou de contribuição para o PIS/Pasep, decorrente da aquisição das mercadorias e serviços objeto da incidência. § 3o A empresa deverá pagar, também, os impostos e contribuições devidos nas vendas Fl. 397DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 6 para o mercado interno, caso, por qualquer forma, tenha alienado ou utilizado as mercadorias Ou seja, nas operações realizadas com comerciais exportadoras: a) não é tributada a receita da venda com o fim específico de exportação; b) a empresa vendedora pode descontar créditos sobre as aquisições dos bens revendidos e dos insumos aplicados na sua produção como outra qualquer; c) a empresa comercial exportadora, desde que efetivamente exporte dentro dos cento e oitenta dias a partir das aquisições, nem está sujeita ao pagamento das contribuições nem tem direito a crédito relativamente às aquisições com o fim específico. A disciplina estabelecida nos parágrafos do art. 7º acima, voltada às situações em que não ocorre a exportação nos cento e oitenta dias seguintes à aquisição, apenas corrobora o entendimento que sobre as comerciais exportadoras sempre se teve desde a edição do Decretolei 1.248: as operações com elas realizadas são integralmente desoneradas desde que cumprido o objetivo central, isto é, a exportação. Só por isso é que paga ela todos os tributos antes afastados quando não faz a exportação naquele prazo. Mas também por isso nenhuma disciplina adicional se mostra necessária, a menos que se pretenda que a comercial exportadora, além de nada pagar, ainda pudesse receber, qual “incentivo fiscal” não expressamente previsto em lei, alguma parcela sobre a qual nada despendeu. Desnecessário até dizer, tal possibilidade contrariaria frontalmente o texto da Constituição Federal (art. 150, § 6º). Com essas considerações, voto por: 1) negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional; 2) dar parcial provimento ao recurso do contribuinte apenas para reconhecer, por força do art. 62A do RICARF, a não incidência das contribuições sobre as variações cambiais decorrentes de valores originados em exportação de bens, negandolhe quanto à possibilidade de creditamento nas aquisições com o fim específico de exportação. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 398DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
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