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Numero do processo: 10880.923136/2012-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 20/03/2008
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.847
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 20/03/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 36 /2 01 2- 27 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10880.923136/201227 Acórdão n.º 3302004.847 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.311. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10880.923136/201227 Acórdão n.º 3302004.847 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.923136/201227 Acórdão n.º 3302004.847 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10880.923136/201227 Acórdão n.º 3302004.847 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10880.923136/201227 Acórdão n.º 3302004.847 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.008242/2009-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 26/04/2004, 07/05/2004, 31/05/2004, 30/07/2004, 30/12/2004, 21/12/2004
INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO.
Não cabe conhecer de argumentação não veiculada quando da impugnação, na ausência de fato impeditivo para tanto, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal.
PAGAMENTOS SEM CAUSA OU OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ART. 61 DA LEI 8.981/95
Fica sujeito à incidência de imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado por pessoas jurídicas à beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 2402-006.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 1.700.000,00, datado de 30/12/2004. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felicia Rothschild (Relatora) que davam provimento integral ao recurso. Designado como redator ad hoc e para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator Ad Hoc e Redator Designado
Participaram do presente julgamento, na Sessão do dia 07/06/2017, os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felícia Rothschild.
Participaram do presente julgamento, na Sessão do dia 07/03/2018, os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Júnior.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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PAGAMENTO SEM CAUSA. Recorrente GAR MINERAÇÃO COMERCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 26/04/2004, 07/05/2004, 31/05/2004, 30/07/2004, 30/12/2004, 21/12/2004 INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. Não cabe conhecer de argumentação não veiculada quando da impugnação, na ausência de fato impeditivo para tanto, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ART. 61 DA LEI 8.981/95 Fica sujeito à incidência de imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado por pessoas jurídicas à beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 82 42 /2 00 9- 94 Fl. 268DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, darlhe parcial provimento para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 1.700.000,00, datado de 30/12/2004. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felicia Rothschild (Relatora) que davam provimento integral ao recurso. Designado como redator ad hoc e para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator Ad Hoc e Redator Designado Participaram do presente julgamento, na Sessão do dia 07/06/2017, os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felícia Rothschild. Participaram do presente julgamento, na Sessão do dia 07/03/2018, os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Júnior. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 15504.008242/200994 Acórdão n.º 2402006.058 S2C4T2 Fl. 269 3 Relatório Na condição de Redator ad hoc, transcrevo a seguir, em seu inteiro teor, o relatório lido pela relatora Bianca Felícia Rothschild na sessão de julgamento de 07/06/2017. Conforme relatório da decisão recorrida, versa o presente processo do Auto de Infração de fls. 03/09, lavrado contra a contribuinte em epígrafe para exigência de crédito tributário do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, relativo a infrações, cujos fatos geradores ocorreram em 26/04/2004, 07/05/2004, 31/05/2004, 30/07/2004, 30/12/2004 e 31/12/2004, no valor de R$ 2.071.932,48 (Dois milhões, setenta e um mil, novecentos e trinta e dois reais e quarenta e oito centavos), a titulo de imposto, juros de mora e multa proporcional. Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF: 001. OUTROS RENDIMENTOS PAGAMENTOS SEM CAUSA/ OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA ou DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Consoante se depreende da “Descrição dos Fatos” no Auto de Infração à fl. 05 dos autos, o lançamento decorreu de ação fiscal levada a efeito junto à contribuinte. que apurou a infração abaixo transcrita: “Valor apurado conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO anexo, que passa a fazer parte integrante do Auto de Infração" Na conclusão do Termo de Verificação Fiscal, à fl. 14, a fiscalização mencionou: “Da análise de toda a documentação e lançamentos contábeis da fiscalizada, podemos concluir que vários lançamentos foram efetuados sem a devida documentação legal, sujeitando o contribuinte ao lançamento do imposto de retida na fonte incidente sobre os pagamentos efetuados sem causa ou a beneficiários não identificados, na alíquota de 35%, conforme definido no art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99. Como enquadramento legal foi citado no auto de infração o art. 674, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR de 1999, Decreto n” 3.000, de 26 de março de 1999. Fl. 270DF CARF MF 4 Parte não litigiosa: Por meio da petição de fls. l19/120, recepcionada na Repartição de origem em 1 de maio de 2009, a interessada compareceu aos autos para requerer o desmembramento da exigência, requerendo parcelamento de parte do imposto, multa e juros e informando que iria interpor impugnação subseqüente da parte restante do crédito tributário exigido, PARCELAMENTO DESMEMBRAMENTO I O valor de R$ 178.028,21 (cento e setenta e oito mil., vinte e oito reais e vinte e um centavos) referese ao imposto, Multa e Juros de Mora conforme abaixo discriminado: Assim, requer o parcelamento do valor de R$ 178.028,21 cento e setenta e oito mil, vinte e oito reais e vinte e um centavos), com redução da multa em 40% (quarenta por cento), nos termos da legislação em vigor, para pagamento em 60 (sessenta) prestações mensais. Parte litigiosa: VALOR IMPUGNADO II Valores abaixo discriminados que totalizaram R$ 1.893.904,27 (Um milhão, oitocentos e noventa e três mil, novecentos e quatro reais vinte e sete centavos) que serão impugnados no prazo regulamentar: Impugnação: Diz que apresenta impugnação em razão do inconformismo com lançamento, em relação aos itens 8.3., 8.4 e 8.5. do Termo de Verificação Fiscal, cujos excertos transcreve: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 15504.008242/200994 Acórdão n.º 2402006.058 S2C4T2 Fl. 270 5 Alega que; “julga ter entregue, em época oportuna, cópias da DIRF (Doc. 1) e dos DARFS (doc. 2) correspondentes ao recolhimento do IRRF referente à operação realizada”, Aduz que: “em atendimento ao relacionado quanto ao item 8.3, anexamos a DIRF e os DARFs (Doc. 01 e 02) referentes ao pagamento do IRFONTE pela compra dos diamantes conforme Nota Fiscal n” 000033, (fls. 68 deste processo fiscal) atendendo assim o artigo 48 e 630 do Decreto 3.000 RIR de 1999, comprovando os rendimentos tributáveis no montante de 10% (dez por cento) R$ 170.000,00 do valor da NF de compra n° 000033 acima mencionada comprovando, portanto, sua causa e identificando seus beneficiários”; Defende que: “embora a Nota Fiscal n° 000033 não tenha sido transcrita no talonário, seu esboço, colacionado às fls. 68 deste processo fiscal, serviu a empresa para informação dos lançamentos contábeis e fiscais, inclusive para os registros eletrônicos dos órgãos fiscalizadores da Receita Estadual, como o “registro de entradas” (Doc. 3) e DAPI (doc. 04) e Federal, DIRF (doc. 01) e DARFS (Doc. 02), conforme documentos anexos, os quais serviram para o recolhimento dos impostos devidos; Sustenta que “a não transcrição da Nota Fiscal n° 000033 para o respectivo talão aconteceu por falha da funcionária responsável, uma vez que a mesma recebeu um esboço da nota Fiscal fls. 68 deste processo fiscal devido a complexidade em definir os dados, o método e os elementos imprescindíveis da operação”; E continua: “entretanto, como o prazo do talão em uso expirouse em 17/12/2004, a funcionária arquivou o referido talão sem a transcrição da Nota Fiscal n° 000033, com as demais notas prescritas, em branco, induzindo assim, ao erro. Tanto que a Nota Fiscal n° 52 é a primeira do talão subseqüente”, Acrescenta que: “todavia, a não transcrição da Nota fiscal n° 000033 não causou prejuízo algum ao erário, vez que todos os seus registros foram feitos e todos os tributos foram recolhidos, comprovando a causa do pagamento, bem como identificação dos beneficiários” Ratifica que: “todos os registros eletrônicos comprovam a veracidade da operação, conforme comprovam os documentos da Receita Estadual, Receita Federal e escrituração contábil da impugnante”; Diz que “com o intuito de corroborar a adequação da legitimidade e tipificação legal, o que justifica o recolhimento do imposto com base no art. 48 e 630 do RIR/99, tem a esclarecer o seguinte; A GAR Mineração, Comércio, Importação e Exportação Ltda é pessoa jurídica REGULAR, de direito privado, cujo objeto social está descrito em seu contrato social: “Cláusula Terceira: Dos objetivos sociais: A sociedade terá por objetivo a extração comércio e exportação de diamante”. Além do mais, comprovase a atividade garimpeira do Sr. Rialino Alves e seus parceiros Rony Félix Rodovalho e Valmir Fernandes da Silva por meio do Cadastro Mineiro do DNPM e da Guia de Utilização (art. 22 do Código de Minas, regulamentado pela Portaria DNPM 367/2003), conforme documento anexos (Doc. 05), nos termos já identificados em esclarecimentos prestados. Fl. 272DF CARF MF 6 A veracidade da operação comercial e dos fatos não justifica as distorções que resultam na cobrança indevida de imposto ao considerar “pagamento sem causa" a “beneficiário não identificado” conforme mencionado no item 8.4.8. Portanto, deverá ser considerada a operação entre “garimpeiros” e “ empresa legalmente habilitada", conforme legitimidade e tipificação nos arts. 48 e 630 e não no artigo 674, parágrafo primeiro do RIR/99, nos termos do auto de infração impugnado; Diz que: “em que pese a minúcia na análise das informações procedidas pelo auditor, por um lapso pericial, ao considerar que o total das compras de mercadorias que se refere ao ano calendário de 2004, no montante de RS 642.650,00. registrados na linha 07, da ficha 53B da DIPJ do ano calendário de 2004, está equivocada. Estas informações referemse ao ano calendário de 2005 (Doc. 6) e as compras do ano calendário de 2004 (Doc. 7) encontramse registradas na DIPJ, na linha 07, das ficha 56B, no valor de R$ 1.700.000,00 (Um milhão e setecentos mil reais) ”; Tratase, portanto, de uma simples e usual confusão na análise dos documentos fiscais utilizados. Resta esclarecer que a emissão da nota fiscal n° 000033, no valor de R$ 1.700.000,00, emitida em 25/11/2004 e contabilizada em 31/12/2004; tratase do acerto das operações realizadas naquele ano calendário, onde as remessas de valores, bem como o recebimento das dentro do exercício, justificando, assim, a inexistência de passagem de estoque de mercadorias em 31/12/2004. Para comprovação das alegações acima narradas, juntamos cópias das DIPJs dos anos calendário de 2004 e de 2007 (sic) (Doc. 7 e 6);” Aduz que, “com relação ao item 8.4.6, o lançamento que foi efetuado como “compra de matéria prima" conta n” 4305 foi um equívoco, na classificação feita pela escrituraria, quando o correto seria o lançamento em “COMPRA DE MERCADORIA” o que foi corrigido pelo contador por ocasião do encerramento do exercício e para confecção da Declaração de Imposto de Renda, referente ao ano calendário 2004, como consta da linha 07, da ficha 5GB, da DIPJ (Doc. 7) ”; Defende que: “as mercadorias foram todas vendidas durante o ano de 2004. A Nota Fiscal n° 52, no valor de R$ 286.650,00, emitida em 31/12/2004, finaliza o processo de venda de todo o estoque das mercadorias produzidas e adquiridas naquele ano calendário”; Diz que: “Nos termos do item 8.4.1, supra citado, a juntada da DIRF e dos DARFS (doc 1 e 2) referentes aos “parceiros garimpeiros", o qual atende ao artigo 48 e 630 do RIR/99, comprova os rendimentos tributáveis no montante de 10% (dez por cento) RS 1.700.000,00 do valor da Nota Fiscal de compra n° 33, comprovando, portanto, sua “Causa” e “identificando seus beneficiários". Portanto, tratase de um enquadramento distorcido e inadequado ä interpretação do art. 674, parágrafo primeiro do RIR/99. O correto, portanto, é o enquadramento nos arts. 48 e 630 do RIR/99, considerando que as partes são “garimpeiros” e “empresa legalmente habilitada”. Alega: “anexamos cópia do documento utilizado pelo contador da impugnante para efetivação do lançamento global de R$ 629.713,35 feito em 31/12/2004 (Doc. 8) , que correspondem aos lançamentos recebedora dos recursos, conforme cópia das folhas dos livros Diário (Doc. 10), solicitados por meio da correspondência anexa Fl. 273DF CARF MF Processo nº 15504.008242/200994 Acórdão n.º 2402006.058 S2C4T2 Fl. 271 7 (doc. 9), comprovando a coincidência dos valores transferidos entre as empresas coligadas. Referidos valores foram enviados pela GAR Mineração, Comércio Importação e Exportação Ltda, à empresa coligada visando atender às necessidades financeiras. Não sendo possível o retorno dos respectivos valores, estes ficaram à disposição daquela diretoria para proceder futuro aumento de capital. Muito embora o lançamento da importância de R$ 629.713,35 tenha sido feita de forma global, a documentação anexa comprova que os recursos provenientes de GAR Mineração, Comércio Importação e Exportação foram recebidos pela empresa coligada DPR Distribuidora de Peças Ltda. A identificação da empresa beneficiária DPR Distribuidora de Peças Ltda bem como o envio dos valores devidamente justificados acima, elimina o enquadramento legal do artigo 674, parágrafo primeiro, do RIR/99, descrito no respectivo Auto de Infração. CONCLUSÃO Considerando que: a) “não há Imposto ou diferença de Imposto de Renda na Fonte que possa ser exigido em relação â Declaração de Rendimentos do ano calendário de 2004”, b) as hipotéticas infrações cometidas pela impugnante são simples conseqüência na adoção de procedimentos impróprios no preenchimento do documentário fiscal e na escrituração do Livro Diário, que não representam infrações que levem a falta ou pagamento de Imposto de Renda a menor”; c) nenhum dos hipotéticos erros cometidos pela impugnante resultaram em qualquer prejuízo ao erário; d) que a autoridade fiscal lançadora, apesar de ter conhecimento da realidade das atividades da impugnante, não reconheceu suas dificuldades nas operações de campo, que é a atividade mineradora, em princípio de atividade”; e) a impugnante não pode concordar com a alteração do seu enquadramento legal, a qual transferiu sua obrigação tributária do artigo 48 e 630 do RIR/99, para o indevido artigo 674, parágrafo primeiro, do mesmo Decreto; Por fim, requer seja declarada a IMPROCEDÊNCIA da exigência fiscal, determinando o arquivamento do processo. Anexos à impugnação: Com a impugnação a impugnante aportou aos autos cópias reprográficas de documentos, intitulados “Doc I a Doc. IO” (fls. I35/I75). Aditivo: Em 28/07/2009, por meio da petição de fls. 178/179, a interessada compareceu novamente ao processo, peticionando a correção de erro material que teria cometido no texto da impugnação, consistente na modificação da referência DIPJ de 2007, para a DIPJ de 2005. Fl. 274DF CARF MF 8 Em sessão de julgamento em 11 de novembro de 2009, a autoridade de primeira instância julgou improcedente a impugnação da Recorrente (fl. 213), em decisão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO; IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 26/04/2004, 07/05/2004, 31/05/2004, 30/07/2004,30/12/2004, 31/12/2004 OUTROS RENDIMENTOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA / OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Impugnação lmprocedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia em 22/07/2010, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 250 e segs., em 16/08/2010o recurso voluntário aduzindo, em síntese que: IIA Quanto aos R$ 1.700.000,00. Não se pode dizer que não restaram identificados os beneficiários dos referidos R$ l.700.000,00. Alega que em todas as oportunidades em que foi questionada a respeito, ela indicou como tais os garimpeiros Rialino, Rony Félix Rodovalho e Valmir Fernandes da Silva, relacionados na nota fiscal de fls. 68, com indicação dos respectivos CPFs e valores individualmente recebidos. Defende que o referido documento de fl. 68 não está solteiro nos autos. Alega que os desdobramentos decorrentes dele, em termos de obrigações tributárias (principal e acessória), foram integralmente satisfeitos, com o recolhimento do Imposto de Renda na Fonte e envio eletrônico da Dirf, com perfeita identificação dos três beneficiários e da ora recorrente, como retentora do imposto e responsável pelo seu recolhimento, conforme documentos de fls. 135 a 137. Aduz que ainda que possa ter ocorrido alguma falha, do ponto de vista formal, o que se admite com base no princípio da eventualidade, é inegável que os beneficiários dos referidos R$1.700.000,00 restaram identificados. O fato de o valor ter sido contabilizado diretamente como custo, em vez de transitar pela conta ativa de “estoque”; de a nota fiscal ter data de 25/1 l/2004 e a sua contabilização ter sido feita em 30/12/2004; de as vendas registradas em dezembro de 2004 terem totalizado apenas R$ 286.650,00; de não ter ficado perfeitamente legível o número da nota fiscal de entrada, do valor de R$ 1.700.000,00, na fotocópia do livro fiscal próprio de fls. 138, não tem a relevância dada pelo acórdão recorrido, a não ser que o propósito da Turma Julgadora fosse apenas o de encontrar argumentos para referendar o auto de infração, e não o de aperfeiçoar o lançamento, com base na verdade material, cujo princípio constitui verdadeiro cânone do processo administrativo tributário, a propósito da seguinte boa doutrina e precedente do Primeiro Conselho de Contribuintes, convolado nesse CARF Em relação à crítica feita pelos julgadores, em razão de terem sido os R$ 1.7000.000,00 contabilizados como custo em dezembro de 2004, frente a um volume Fl. 275DF CARF MF Processo nº 15504.008242/200994 Acórdão n.º 2402006.058 S2C4T2 Fl. 272 9 de vendas de apenas R$ 286.650,00 naquele mês, observa a recorrente que, no ano, elas totalizaram R$10.907.505,48, contra um custo total de apenas R$ 1.905.636,46, conforme fl. 97. Isto, sem perder de vista que em contabilidades mais rudimentares, como as de empresas optantes pelo lucro presumido, e' muito comum a apropriação dos custos totais no final do exercício. Por fim, ressalta que para esse regime de tributação, ao qual se submeteu a recorrente no anocalendário de 2004, como reconhecido pela própria fiscalização, o que interessa, para efeito de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, são as vendas, e não os custos e as despesas. IIB Sobre os R$ 629.713,35. Aduz a recorrente que referese esta importância a uma relação de conta corrente mantida entre a recorrente e sua coligada Distribuidora de Peças Ribeiro Ltda., CNPJ n° 05.363.083/000161, sediada em Uberlândia, MG. Alega que com efeito, destinatária das importâncias foi a Distribuidora de Peças Ribeiro Ltda., conforme lançamentos feitos em seu livro “Diário”, reproduzidos nas fotocópias de fls. 154 a 174, fornecidas à recorrente, em atendimento à correspondência de fls. 152. Defende que, destarte, poderia o Fisco, eventualmente, extrair dessa movimentação de dinheiro entre empresas coligadas algum fato juridicamente relevante, em termos de tributação, como, por exemplo, via IOF, na forma do art. 13 da Lei n° 9.779, de 19/01/99; imposição de receita financeira presumida, sujeita ao IRPJ, CSLL PIS e COFINS, contra a recorrente; passivo fictício na Distribuidora de Peças Ribeiro Ltda., etc. Mas nunca o IRRF, pela alíquota de 35%, no pressuposto de que tratarseia de beneficiário não identificado. Repetindo: inúmeras ilações poderiam ser tiradas pelo Fisco, em torno dessa movimentação financeira entre as duas empresas coligadas, mas nunca a de pagamento a beneficiário não identificado. Reforça que, indubitavelmente, a beneficiária dos referidos R$ 629.713,35 foi a mencionada Distribuidora de Peças Ribeiro Ltda. Sem contrarazões. É o relatório. Esse foi o relatório da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 276DF CARF MF 10 Voto Vencido Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Ad Hoc Transcrevo a seguir, em seu inteiro teor, o voto lido pela relatora Bianca Felícia Rothschild na sessão de julgamento de 07/06/2017. A i. relatora foi transferida para a 1ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) antes da conclusão da votação, que veio a ocorrer na sessão de julgamento realizada em 07/03/2018. O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 22/07/2010, interpôs recurso voluntário no dia 16/08/2010, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. A controvérsia recursal cingese a recorrente ter se desincumbido de comprovar a causa e os beneficiários de determinados pagamentos, sob pena, em caso de não comprovação, a ter tais valores submetidos a tributação pelo imposto de renda retido na fonte nos termos do art. 674 do RIR/99. Em brevíssima síntese, a base de calculo do lançamento é composta por dois valores, a saber R$ 1.700.000,00 e R$ 629.713,35. IIA R$ 1.700.000,00 Aponta o acórdão recorrido as seguintes inconsistências nas razões e nas provas produzidas pela ora recorrente: (a) a primeira via da nota fiscal n° 000033 (fl. 75), apontada como emitida em 25/11/2004, para acobertar a aquisição de diamantes, no referido valor de R$ 1.700.000,00 (fls.68), estaria em branco, tanto que o agente fiscal a reteve, com observações manuscritas, em 22/12/2008; (b) apesar da alegada emissão com data 25/11/2004, a saída de caixa só foi contabilizada no dia 30/12/2004; (c) o valor em causa foi lançado (contrapartida devedora) diretamente no custo das mercadorias vendidas, em vez de transitar pela conta de estoque; (d) seria incoerente o referido custo, no mês do lançamento, na medida em que a única venda no período foi a da nota fiscal n° 052, no valor de R$286.650,00, registrada em 23/12/2004; (e) a escrituração fiscal (registro de entrada de mercadorias, no valor de R$1.700.000,00) foi feita em novembro, sem embargo de que estaria ilegível, na cópia reprográfica juntada, o número da nota fiscal correspondente; (f) o tratamento tributário aplicável aos três garimpeiros apontados como beneficiários da questionada importância exigiria a emissão de nota fiscal, coisa que a autuada não teria feito. Em relação ao acima mencionado, entendo que, não há duvidas quanto a escrituração falha da recorrente. No entanto, tampouco estamos lidando com um caso de pagamento sem causa ou sem identificação do beneficiário, tendo em vista que a recorrente logrou êxito em comprovar os beneficiários (Rialino, Rony Félix Fl. 277DF CARF MF Processo nº 15504.008242/200994 Acórdão n.º 2402006.058 S2C4T2 Fl. 273 11 Rodovalho e Valmir Fernandes da Silva), com indicação dos respectivos CPFs e valores individualmente recebidos (fl. 75). Tais pessoas físicas foram sujeitas, ainda, ao IRRF, devidamente declarado e recolhido pela empresa conforme respectivo DIRF e DARF apresentados (fl. 142 a 144), nos termos do art. 48 e 630 do RIR/99. Além do mais, comprovase a atividade garimpeira do Sr. Rialino Alves e seus parceiros Rony Félix Rodovalho e Valmir Fernandes da Silva por meio do Cadastro Mineiro do DNPM e da Guia de Utilização conforme documentos anexos (fl. 148). Em relação ao fato dos R$ 1.700.000,00 terem sido contabilizados como custo em dezembro de 2004, frente a um volume de vendas de apenas R$ 286.650,00 (Nota Fiscal de Venda 52 fl.) naquele mês, leva a uma analise parcial da situação da recorrente. Há que se levar em conta que as vendas anuais chegaram ao total de R$10.907.505,48, contra um custo total de apenas R$1.905.636,46. Ou seja, em uma analise mais ampla, se verifica que não há incompatibilidade em o montante comprado e vendido pelo contribuinte. Ademais, o fato de o valor ter sido contabilizado diretamente como custo, em vez de transitar pela conta ativa de “estoque”; de a nota fiscal ter data de 25/1l/2004 e a sua contabilização ter sido feita em 30/12/2004, data vênia, não tem a relevância dada pelo acórdão recorrido, mas indicam apenas falhas de registro contábil, que se admite com base no princípio da eventualidade, sem maiores danos ao Erário. IIB R$ 629.713,35 Referese esta importância a uma relação de contacorrente mantida entre a recorrente e sua coligada Distribuidora de Peças Ribeiro Ltda., CNPJ n° 05.363.083/000161, sediada em Uberlândia, MG. Os esclarecimentos prestados pela recorrente não foram aceitos, quer pelo auditor fiscal, quer pelo órgão de primeira instância administrativa. A conclusão, nesse sentido, pode ser sintetizada nos seguintes trechos do acórdão recorrido: “Como resultado dos trabalhos a fiscalização constatou a existência de saídas de recursos de caixa da fiscalizada, a que se atribuía conotação de remessas de numerários que posteriormente teriam se converteram (sic) em adiantamento para futuro aumento de capital, sem identificar, de forma inequívoca e irrefutável, quais foram os reais destinatários das remessas, bem como qual a causa efetiva e provada (fls. 205). Assim sendo, tendo por desígnio o auto de infração do Imposto de Renda na Fonte, formalizado nos presentes autos, deve ficar patente que aqui a discussão cingese tãosomente a exigência do IRRF sobre saídas como pagamento sem causa ou por operação não comprovada (fls. 206). Nesses termos, o presente lançamento de oficio do IRFF está calcado na responsabilidade tributária definida no art. 128 do CTN, que a legislação do imposto de renda, por força do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, atribuiu à pessoa jurídica de efetuar a retenção do imposto, incidente exclusivamente na fonte, justamente porque nas hipóteses especificadas no caput e no § 1° do artigo (pagamento a beneficiário não identificado e pagamento ou entrega de recursos a terceiros ou sócio sem comprovação da operação ou de sua causa), a tributação na declaração de rendimentos do beneficiário. Fl. 278DF CARF MF 12 Competia à contribuinte justificar, também, a operação e causa de tais desembolsos, já que regulamente intimada para fazêlo! (fls. 207). Não obstante o acima, os fatos subjacentes têm conotação diferente da dada pelas autoridades fiscais. Com efeito, a destinatária das importâncias foi a Distribuidora de Peças Ribeiro Ltda., conforme lançamentos feitos livro “Diário” da própria Distribuidora, reproduzidos nas fotocópias de fls. 159 a 202, fornecidas à fiscalização, em atendimento à intimação fiscal. Embora reconhecidas e identificadas as partes, a justificativa dada pela recorrente foi da seguinte forma: Anexamos cópia do documento utilizado pelo contador da Impugnante para efetivação do lançamento global de R$ 629.713,35 feito em 31 / 12/ 2004 (Doc. 8), que corresponde aos lançamentos escriturados pela DPR Distribuidora de Peças Ltda, beneficiária recebedora dos recursos, conforme O cópia das folhas dos livros Diário (Doc. 10), solicitados por meio da correspondência anexa (Doc. 9), comprovando a coincidência dos valores transferidos entre as empresas coligadas. Referidos valores foram enviados pela GAR Mineração, Com. Imp. e Exp. Ltda., à empresa coligada visando atender às necessidades financeiras. Não sendo possível o retorno dos respectivos valores, estes ficaram à disposição daquela diretoria para proceder futuro aumento de capital. Muito embora o lançamento da importância de R$ 629.713,35 tenha sido feita de forma global, a documentação anexa comprova que os recursos provenientes de GAR Mineração, Com. Imp. E Exp. Ltda foram recebidos pela empresa coligada DPR Distribuidora de Peças Ltda. Diante da justificativa de transferência de valores a titulo de "atender necessidades financeiras" de sua coligada, poderia o Fisco, eventualmente, extrair dessa movimentação de dinheiro entre empresas coligadas algum fato juridicamente relevante, em termos de tributação, como, por exemplo, via IOF, na forma do art. 13 da Lei n° 9.779, de 19/01/99; imposição de receita financeira presumida, sujeita ao IRPJ, CSLL PIS e COFINS, contra a recorrente; passivo fictício na Distribuidora de Peças Ribeiro Ltda., etc. Mas nunca o IRRF, pela alíquota de 35%, no pressuposto de que tratarseia de beneficiário não identificado. Indubitavelmente, a beneficiária dos referidos R$ 629.713,35 foi a mencionada Distribuidora de Peças Ribeiro Ltda., tendo, desta forma, a fiscalização se equivocado ao realizar a equiparação do saldo da mencionada contacorrente a pagamento a beneficiário não identificado. Merece reforma, desta forma, a decisão recorrida. CONCLUSÃO Tendo em vista todo o acima, voto por CONHECER o Recurso Voluntário e DAR PROVIMENTO, nos termos do voto acima. Esse foi o voto da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 279DF CARF MF Processo nº 15504.008242/200994 Acórdão n.º 2402006.058 S2C4T2 Fl. 274 13 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Inicialmente, cabe apontar que o recurso deve ser conhecido apenas parcialmente. O cotejo entre a impugnação e a peça recursal ora examinada revela que, quando da impugnação, o contribuinte em nenhum momento arguiu, naquela primeira oportunidade, as matérias ventiladas no item II C do recurso voluntário, sob o título "Não caracterização de fato gerador de Imposto de Renda, por ausência de acréscimo patrimonial. Caráter sancionatório das exigências. Ofensa ao art. 3º do CTN. Ilação possível." Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa aos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC), mormente quando não há motivo para só agora aduzir os questionamentos referidos. Cumpre, destarte, não conhecer da inconformidade baseada em tais argumentos, os quais estão preclusos por força de expressa disposição legal, apesar de a relatora não ter se apercebido de tal situação quando da elaboração de seu voto. No que diz respeito ao mérito, ainda que concorde em linhas gerais com as razões da relatora no que tange ao montante de R$ 1.700 mil, divirjo do encaminhamento relativo ao valor de R$ 629.713,35. O voto adere a versão dos fatos tal como constante da peça recursal, a qual, com a devida vênia, não merece prevalecer. Para começar, procura associar cifra constante na contabilidade da autuada sob o título "vlr. transferido p/acerto final de exercício" em 31/12/2004, com múltiplos lançamentos do Diário da empresa pretensamente beneficiária, Distribuidora de Peças Ribeiro Ltda. (DPR), não coincidentes em datas ou valores com aquele primeiro, vide efls. 160/182, e sumarizados pela instância de piso (efl. 234): Fl. 280DF CARF MF 14 Destaquese que o somatório desses lançamentos da DPR, R$ 663.025,00, não coincide em valor com o constante no Diário Geral do recorrente, R$ 629.713,35 (efl. 100). Além disso, a afirmação de que tais transferências, caso se concorde terem sido efetuadas tal como narrado pelo recorrente, teriam sido efetuadas à 'coligada' para atender às necessidades financeiras, e que "não sendo possível o retorno dos respectivos valores, estes ficaram à disposição daquela diretoria para proceder futuro aumento de capital" carece de comprovação. Inexistem documentos societários a atestar a ocorrência de deliberações societárias, tais como assembléia ou reuniões, nas quais tivessem sido decididos tais aportes de recursos. Não há elementos contratuais, ou qualquer instrumento jurídico hábil a suportar tais aventadas transferências, muito menos para vinculálas, como o esboço de argumento trazido pelo autuado pretendeu, a adiantamento para futuro aumento de capital (afac), operação que demanda uma série de requisitos para como tal ser reconhecida, conforme cediça jurisprudência do CARF já assinalou. Citese, nesse sentido, os Acórdãos nº 10808.335 (j. 19/05/2005), nº 9101002464 (19/10/2016) e nº 110200.395 (j. 21/02/2011) sendo que deste último reproduzse o seguinte trecho de ementa, para o demonstrar: ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. Para que uma transferência de recursos financeiros seja considerada um adiantamento para futuro aumento de capital, e não um passivo financeiro, é necessário; (i) que haja comprometimento contratual irrevogável e irretratável de que tais recursos se destinem a futuro aumento de capital; (ii) que o número de ações ou quotas sociais pelas quais se irá converter aquele adiantamento seja fixo e pré definido já no momento do adiantamento; e (iii) que o aumento de capital seja efetuado por ocasião da primeira AGE ou alteração contratual, conforme o caso, que se realizar após o ingresso dos recurso na sociedade tomadora. Assim sendo, ainda que se considerasse elucidado o destinatário dos R$ 629.713,35, o que decerto não está, visto que os valores escriturados nas empresas em referência não são coincidentes em data e/ou valor, não há nenhuma causa documentalmente Fl. 281DF CARF MF Processo nº 15504.008242/200994 Acórdão n.º 2402006.058 S2C4T2 Fl. 275 15 comprovada relativamente a qual pode ser atribuída a tal transferência, o que atrai a incidência do art. 61 da Lei nº 8.981/95, amparo normativo da autuação. Ante o exposto, voto por conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, darlhe parcial provimento, para fins de excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 1.700.000,00, datado de 30/12/2004. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 282DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.004862/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL.
O termo inicial do prazo prescricional para a ação de cobrança do crédito tributário dá-se a partir da data da sua constituição definitiva.
GANHO DE CAPITAL. BENFEITORIAS.
As despesas com a realização de benfeitorias apenas podem ser incorporadas ao custo de aquisição do imóvel quando comprovadas com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2401-005.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS Recorrente MARLI TEREZINHA RUBICK ZUNINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL. O termo inicial do prazo prescricional para a ação de cobrança do crédito tributário dáse a partir da data da sua constituição definitiva. GANHO DE CAPITAL. BENFEITORIAS. As despesas com a realização de benfeitorias apenas podem ser incorporadas ao custo de aquisição do imóvel quando comprovadas com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 48 62 /2 01 0- 56 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13971.004862/201056 Acórdão n.º 2401005.244 S2C4T1 Fl. 159 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), por meio do Acórdão nº 0732.952, de 03/10/2013, cujo dispositivo tratou de considerar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido no processo administrativo (fls. 135/145): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 GANHO DE CAPITAL. BENFEITORIAS. VALOR DE MERCADO. ATUALIZAÇÃO. Cabe à impugnante o ônus de apresentar documentos relativos a benfeitorias que alega ter realizado nos imóveis alienados e, bem assim, comprovar que procedeu à atualização do custo dos imóveis vendidos pelo valor de mercado, por meio da competente declaração de rendimentos. Impugnação Procedente em Parte 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 58/64, que o processo administrativo é, na origem, composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente ao anocalendário de 2007, acrescido de juros de mora e da multa de ofício proporcional de 75%, decorrente de ganho de capital em duas operações imobiliárias a seguir discriminadas: (i) alienação a prazo de terrenos localizados na Praia Brava, correspondentes às matrículas 15.712 e 15.714 do 1º Ofício de Registro de Imóveis da cidade de Itajaí (SC), recebido o valor em parcelas nos meses de ago/2007, out/2007 e dez/2007; e (ii) alienação à vista do terreno urbano situado à Rua Nereu Ramos, com recebimento do valor pactuado no mês de dez/2007. 2.1 De acordo com os autos, a contribuinte é casada com Moacir Nelson Zunino, pelo regime de comunhão universal de bens, cujos cônjuges apresentaram, relativamente ao anocalendário de 2007, a declaração de ajuste anual em separado. 2.2 Tratandose de alienação de bens comuns do casal, a fiscalização apurou os rendimentos produzidos na venda dos terrenos na proporção de 50%, isto é, os valores tributáveis restaram divididos igualmente entre os cônjuges. O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 66/71. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13971.004862/201056 Acórdão n.º 2401005.244 S2C4T1 Fl. 160 3 3. Com ciência via postal do auto de infração no dia 16/11/2010, a contribuinte impugnou, em 13/12/2010, a exigência fiscal (fls. 72, 75/79 e 101/105). 4. Antes do julgamento em primeira instância, foi determinada diligência fiscal para avaliação dos documentos juntados na impugnação pela contribuinte e o seu efeito na apuração do crédito tributário. Na hipótese de proposta de retificação do lançamento, recomendouse a elaboração de uma planilha com os valores remanescentes da exigência fiscal (fls. 115/117). 4.1 Em resposta à determinação da autoridade julgadora, o agente lançador manifestouse pela possibilidade de retificação do débito, a partir da alteração do custo de aquisição e do recálculo do ganho de capital na alienação dos terrenos localizados na Praia Brava (fls. 120/126). 4.2 Oportunizado o contraditório, o sujeito passivo defendeu o abatimento no custo de aquisição de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), a título de benfeitorias, ou, alternativamente, a designação de perícia para a avaliação dos imóveis pelo valor de mercado, de maneira a permitir a comprovação da existência de benfeitorias úteis e necessárias efetuadas pela autuada, levando, desse modo, à redução do ganho de capital apurado pela autoridade tributária (fls. 131/132). 5. Intimada em 30/10/2013, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 146/148, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 29/11/2013, em que alega as seguintes questões de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 149/154): (i) a cobrança da exigência fiscal foi atingida pela prescrição, uma vez que transcorrido mais de cinco anos após a constituição do crédito tributário; (ii) o custo de aquisição dos imóveis deve ser atualizado pelo valor de mercado, conforme Declaração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física do anocalendário de 2007, não estando condizente com o montante apurado no procedimento fiscal; e (iii) ainda com respeito ao custo de aquisição, deverá ser acrescido o valor de R$ 50.000,00, a título de benfeitorias úteis e necessárias introduzidas no imóvel situado na Praia Brava. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13971.004862/201056 Acórdão n.º 2401005.244 S2C4T1 Fl. 161 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar 7. Em preliminar, a recorrente alega a ocorrência da prescrição do crédito tributário lançado. Sem razão, contudo. 8. De acordo com o art. 174 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), é de cinco anos o prazo prescricional que atinge a ação de cobrança do crédito tributário, iniciando a contagem, porém, da data da sua constituição definitiva: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. (...) 9. O auto de infração diz respeito a fatos geradores ocorridos nos meses de ago/2007, out/2007 e dez/2007. O crédito tributário foi constituído quando da ciência do lançamento de ofício pelo sujeito passivo, que se deu em 16/11/2010, não havendo mais que se falar, a partir de então, em decadência, na medida em que a Fazenda Pública exerceu seu direito potestativo antes de escoado o lapso temporal de cinco anos a que alude o CTN (art. 150, § 4º, ou art. 173, inciso I). 10. Impugnado tempestivamente o lançamento pela contribuinte, por meio da petição protocolada no dia 13/12/2010, instaurouse a fase litigiosa do procedimento, em que houve a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, podendo resultar, ao final, na alteração do lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo. Nesse sentido, o inciso I do art. 145 e o inciso III do art. 151, ambos do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; (...) Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13971.004862/201056 Acórdão n.º 2401005.244 S2C4T1 Fl. 162 5 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; (...) 11. Durante a fase contenciosa do processo administrativo fiscal, a Administração Tributária está impedida de exercer atos de cobrança, não fluindo, por consequência, o prazo prescricional. Somente após o término do processo administrativo fiscal, em que o crédito tributário estará definitivamente constituído, o que ainda não aconteceu no presente caso,, começará a transcorrer o prazo prescricional de cinco anos para a Fazenda Pública buscar a satisfação do crédito na via judicial. 12. De mais a mais, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, consoante enunciado da Súmula nº 11 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Mérito 13. Conforme registra a decisão de piso, não houve contestação específica na peça impugnatória no tocante ao ganho de capital apurado com a venda do terreno urbano situado à Rua Nereu Ramos. 14. Quanto ao ganho de capital auferido pela contribuinte com a alienação dos dois terrenos localizados na Praia Brava, o acórdão recorrido acatou a revisão do lançamento fiscal, tendo em vista a própria análise efetuada pelo agente lançador a respeito dos documentos apresentados pela contribuinte, atribuindose novo custo de aquisição corrigido, equivalente a R$ 54.304,19, a partir do valor de mercado declarado pelo sujeito passivo em 31/12/1991 constante da relação de bens e direitos do casal na Declaração de Ajuste Anual do ano calendário de 1991 (fls. 86/99 e 120/126). 14.1 Embora a recorrente afirme que a atualização do custo de aquisição dos imóveis pelo valor de mercado, até o ano de 2006, alcançaria a importância de R$ 99.008,00, não adiciona qualquer elemento ao recurso voluntário capaz de sinalizar para a plausibilidade da sua alegação. 15. Por sua vez, não há previsão na legislação tributária para atualização do custo de aquisição do imóvel a preço de mercado vigente por ocasião da sua alienação. Em relação a imóveis adquiridos até 31 de dezembro de 1991, como ora se cuida, o custo de aquisição corresponde ao valor do mercado, nessa data, avaliado segundo a declaração de bens relativa ao exercício de 1992, metodologia de cálculo que foi observada pelo acórdão recorrido (art. 125 do Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13971.004862/201056 Acórdão n.º 2401005.244 S2C4T1 Fl. 163 6 16. A contribuinte pleiteia o acréscimo de pelo menos R$ 50.000,00 ao custo de aquisição dos imóveis alienados, em virtude de despesas efetuadas com benfeitorias úteis e necessárias nos terrenos vendidos, a exemplo do aterro destinado ao nivelamento dos terrenos, da colocação de cerca de arame para delimitação dos imóveis e da construção de canil para cachorro. 17. Contudo, pelas razões já explicadas na decisão de piso, é inviável acolher o pedido da contribuinte. 17.1 É que as despesas de construção, ampliação ou reforma do imóvel apenas podem ser incorporadas ao custo de aquisição do bem quando comprovadas com documentação hábil e idônea. 17.2 Em que pese intimada pela fiscalização a comprovar os gastos e/ou investimentos nos imóveis, a contribuinte nada apresentou, nem mesmo um único recibo, nota fiscal ou declaração séria. 17.3 No curso do contencioso administrativo a situação mantevese inalterada. A contribuinte alegou a realização de benfeitorias e solicitou prazo para apresentação dos documentos pertinentes, porém os autos permanecem desprovidos de qualquer documentação comprobatória dos fatos que pretende fazer prevalecer no processo fiscal. Não é demais lembrar o tempo desde então transcorrido, pois a impugnação foi protocolada em 13/12/2010, enquanto o recurso voluntário foi interposto em 29/11/2013. 18. Em suma, o acórdão recorrido, proferido em primeira instância, não merece reforma. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.902585/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-002.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 25 85 /2 00 9- 81 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10835.902585/200981 Acórdão n.º 1401002.228 S1C4T1 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ/CSLL. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiamse no entendimento que, sendo empresa prestadora de serviços de radiologia, estes seriam equivalentes aos serviços hospitalares prestados e, assim, ao invés de estar sujeito às alíquotas de lucro presumido no percentual de 32%, estaria submetida às alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. A compensação não foi homologada pela Delegacia de Origem com base na alegação constante no Despacho Decisório. Ou seja, os serviços prestados pela recorrente não seriam caracterizados como serviços hospitalares em função de a empresa não possuir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atendimento de casos de internação de pacientes para tratamento de saúde. Assim, os serviços por ela prestados não poderiam se submeter aos percentuais estabelecidos para os serviços hospitalares. Inconformada com a nãohomologação das compensações a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual argumenta que realizou consulta à SRRF, formulada sob o nº 10835.001313/200610, com vistas a esclarecer o seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares e argumentou que realizou a retificação de suas DIPJ, DCTF para que pudesse usufruir dos créditos. A delegacia de julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade emitindo a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ou seja, a Delegacia de Julgamento entendeu que os créditos da empresa não estariam devidamente comprovados com a documentação apresentada pela recorrente. Inconformada com a decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: Da apresentação de novos documentos. Alega que a decisão recorrida considerou que não foi comprovado que os serviços prestados referiamse apenas a serviços de Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10835.902585/200981 Acórdão n.º 1401002.228 S1C4T1 Fl. 0 3 radiologia e radiodiagnóstico inseridos em seu objeto social. Mas que a documentação apresentada comprovaria o exercício destas atividades e, ainda, apresenta cópia do razão e declaração do contador da empresa, pelo que suscita que seja aceita a referida documentação como suficiente para caracterização dos serviços da empresa; Da realização de diligência. Entende que tendo em vista a apresentação dos novos documentos e que essa apresentação é possível em sede de recurso voluntário, haja vista que essa alegação somente foi trazida pela decisão da DRJ e, mais ainda, conforme farta jurisprudência que admite esta apresentação posterior. Do ônus da apresentação de prova impossível. Entende a empresa que a Delegacia de Julgamento pretende a formação de prova impossível visto que, mesmo que apresentasse todas as notas fiscais da empresa ainda assim não seria possível comprovar que somente realizou serviços indicados no seu objeto social. Nulidade por vícios formais. Entende que a decisão que considerou não homologadas as compensações padece de vícios, vez que indicou apenas o dispositivos que tratam da não homologação das compensações sem que exista dispositivo legal que constitua o crédito tributário. Do fato de a empresa não ser sociedade empresária e dos serviços realizados. Neste ponto apresenta farta jurisprudência deste CARF e do STJ, nos quais encontrase o entendimento de que a redução de alíquota decorre da efetiva prestação de serviços de natureza hospitalar e não do local em que se realizam, com exceção da realização de consultas. Com relação à natureza da sociedade entende que a decisão do STJ, relativa a sociedade simples e que este fato não foi impeditivo do direito, visto que a base para a sua concessão foi a natureza objetiva dos serviços realizados. Traz colações da doutrina no sentido de que a empresa se define mais pela verificação das atividades que desenvolve do que pelo seu simples registro formal. Assim eventual irregularidade seria apenas formal e não impeditiva do exercício do direito. Da natureza dos serviços prestados. Repisa os argumentos já trazidos para indicar que os serviços prestados pela sociedade são, efetivamente de radiologia e radiodiagnóstico. É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.211, de 22.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 10835.901959/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.211): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação acerca de, em face de solução de consulta que reconheceu a possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8%, poder a Receita Federal desconsiderar este direito em razão de alegar a não Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10835.902585/200981 Acórdão n.º 1401002.228 S1C4T1 Fl. 0 4 comprovação da inscrição da empresa como sociedade empresária e do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ..... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10835.902585/200981 Acórdão n.º 1401002.228 S1C4T1 Fl. 0 5 corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. A solução de consulta em que se baseou a empresa para a apuração dos seus créditos assim dispôs sobre os requisitos a serem atendidos para fins de fruição dos benefícios da alíquota reduzida. Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10835.902585/200981 Acórdão n.º 1401002.228 S1C4T1 Fl. 0 6 Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Inobstante, a Delegacia de Julgamento, ao analisar o caso do contribuinte baseou sua decisão nas diversas instruções normativas e atosdeclaratórios existentes a respeito da definição de serviços hospitalares para fins de aplicação da alíquota de presunção. Desta forma, fundamentou a improcedência na necessidade de o contribuinte atender a três requisitos, conforme abaixo apresentados: Ocorre, no entanto que não comungo do entendimento exposado pelo referido órgão julgador. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10835.902585/200981 Acórdão n.º 1401002.228 S1C4T1 Fl. 0 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10835.902585/200981 Acórdão n.º 1401002.228 S1C4T1 Fl. 0 8 Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía estrutura hospitalar para internação e tratamento e não pelo fato de não ter comprovado as atividades, até mesmo porque sequer foi intimada para tanto. Mais ainda, a decisão emitida na solução de consulta, corroborada pela Decisão da Delegacia de Julgamento corroborou o entendimento de que o requisito de estrutura estaria suprido pela apresentação de laudo da vigilância sanitária da jurisdição da recorrente. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.908237/2011-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES.
De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES Recorrente LAB HORMON LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS HORMONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 82 37 /2 01 1- 90 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10805.908237/201190 Acórdão n.º 1401002.262 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 03054.238, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14397.98340.310107.1.3.046471, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do IRPJ, PA 30/06/2001, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR fl. 18). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Francisco Ferreira Neto), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27) em 19/10/2010, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e escorandose em jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte: vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a nova redação dada pela Lei n° 10.684/2003, alterou a alíquota de 12% para 32%, exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL; após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta (anexa), verificouse que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade do contribuinte, ao invés de aguardar o depósito em conta bancária do valor a restituir optou pela compensação; a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante, foram externadas nas DCTF relativas à época, no entanto, como a IN/SRF e a Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos; com a edição da IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF n° 480/2004, a interessada foi equiparada a "serviços hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente; os impostos e as contribuições já pagas foram recalculadas e se verificou pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de compensação; uma vez que a IN/SRF n° 539/2005 atribuiu nova interpretação a lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão; uma vez que já havia pago os respectivos DARF e lançado em DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época, o sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de identificar o pagamento a maior; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10805.908237/201190 Acórdão n.º 1401002.262 S1C4T1 Fl. 4 3 para se verificar o pagamento a maior, a fiscalização deverá examinar a aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à maior. Por ultrapassar o qüinqüênio, está impedida de prestar estas informações através de retificadora de DCTF; não bastasse toda a legislação que dá amparo legal para que procedesse a compensação com estes novos créditos apurados, resta ainda trazer à baila o Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA, elaborado especialmente pela interessada (anexo), no Processo Administrativo n° 10805.000720/200403; a resposta ofertada à consulta contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o contribuinte a proceder com o novo enquadramento e reconhece o pagamento a maior efetuado ao longo do tempo; o Ato de NãoHomologação deve ser anulado e a fiscalização deve oportunizar a interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante apurado, com os devidos documentos fiscais que podem ser livremente exigidos por intimação; a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007, revogou a redação dada pela IN/SRF nº 539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta; outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim, certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias que cercam a interessada, esta não procurou obter vantagem indevida ou se aproveitar do instituto da restituição e da compensação para se livrar de suas obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação. Por fim, requer seja conhecida e julgada procedente esta interposição, anulando a decisão administrativa que nãohomologou as compensações realizadas, restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 03054.238, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10805.908237/201190 Acórdão n.º 1401002.262 S1C4T1 Fl. 5 4 Cientificada da decisão da DRJ na data de 05/11/2013 via ARECF de efls. 63 e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/12/2013 (efls. 65 a 74), conforme protocolo de efl. 65, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos seguintes pontos: É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a recorrente não teria direito à aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de analisar concretamente o caso para apenas expor a legislação tributária de caráter geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa sob o fundamento de que somente indústria pode formular tal pedido, sem se perguntar se a empresa é, ou não, indústria. Outrossim, a recorrente reproduz a ementa da DRJ, que indica que o fundamento para indeferir o direito creditório pautase na falta de apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte: Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado na decisão hostilizada, que o fato se subsume à norma, faz juntar os documentos expedidos pelos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis pela fiscalização e controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente. Assim, não havendo divergência quanto ao direito invocado e aplicado, a questão se resume à matéria de fato, cuja prova conduz à reforma da decisão combatida. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.246, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.902133/201091. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.246): O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No presente processo, devese avaliar se a atividade exercida pela empresa se enquadra no conceito de atividades hospitalares, para que possa tributar o IRPJ e a CSLL se servindo da base de presunção de tais atividades. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.908237/201190 Acórdão n.º 1401002.262 S1C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores, aplicada às empresas que exercem atividades hospitalares (Lei nº 9.249/1995): IRPJ Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... CSLL Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10805.908237/201190 Acórdão n.º 1401002.262 S1C4T1 Fl. 7 6 jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) Como se pode ver, a redação contemporânea à realização dos fatos geradores permitia que os serviços hospitalares poderiam se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É de se notar, também, que não havia nenhuma outra condição para tal enquadramento. Em resposta à consulta formulada por meio do processo administrativo nº 10805.000720/200403, a Receita Federal estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse se enquadrar nas atividades de serviços hospitalares. Veja as conclusões da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT/Nº 273, de 15 de agosto de 2006 (efls. 46 a 53): (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta) 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de calculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido, respectivamente; 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresaria que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; (destaquei) 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10805.908237/201190 Acórdão n.º 1401002.262 S1C4T1 Fl. 8 7 concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. (destaquei) (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta) Como visto, para que a empresa pudesse ter o direito ao enquadramento nas alíquotas de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por licença sanitária estadual ou municipal. Independentemente das atividades exercidas pela recorrente, vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada licença nº 0208/2003 remete aos idos de 2003 (10/06/2003), período posterior ao crédito aqui solicitado. Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta, não haveria como atestar que, no período objeto dos créditos solicitados, a recorrente se enquadrava nas condições estabelecidas pela Receita Federal. Não obstante o entendimento exarado pela Receita Federal, todavia, não posso compartilhar com tal decisão. O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº 217, entendeu que a atividade hospitalar caracterizase tão somente pela prestação de serviços de atendimento à saúde, e independe do local de prestação, excluindose desta regra, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1 Dentre forma, os serviços de diagnóstico, tratamento, internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles, enquadramse como serviços hospitalares nos termos do art. 15, III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995. 1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10805.908237/201190 Acórdão n.º 1401002.262 S1C4T1 Fl. 9 8 Como a alegação da Receita Federal e da DRJ para o indeferimento do crédito pleiteado pela empresa pautouse na falta de apresentação de licença sanitária contemporânea aos fatos geradores e, uma vez vencida tal proposição pelo STJ, concluo que a referida empresa se enquadra no conceito de serviços hospitalares, podendo usufruir das alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e de 12% (doze por cento), para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000234/2007-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, a fim de que apresente informações acerca da sistemática de tributação definitivamente pacificada, referente ao ano-calendário 2004, bem como informe o resultado do Processo Administrativo n.º 11543000016/2005-14, interposto pela contribuinte para a sua reinclusão no Simples retroativamente.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1827; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 40 1 39 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.000234/200711 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1002000.010 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Data 5 de abril de 2018 Assunto Penalidade Multa por Atraso na Entrega de Declaração DCTF Recorrente UNISERV COMERCIO E SERVICOS DE INFORMATICA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, a fim de que apresente informações acerca da sistemática de tributação definitivamente pacificada, referente ao anocalendário 2004, bem como informe o resultado do Processo Administrativo n.º 11543000016/200514, interposto pela contribuinte para a sua reinclusão no Simples retroativamente. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. RELATÓRIO Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (fl. 54) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (fls. 28/30), proferida em sessão de 30/04/2008, consubstanciada no Acórdão n.º 1219.085, da 15.ª Turma da Delegacia da Receita RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 00 23 4/ 20 07 -1 1 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 11543.000234/200711 Resolução nº 1002000.010 S1C0T2 Fl. 41 2 Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ (DRJ/RJOI), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 4.º Trimestre de 2004 (fl. 03), deixando de acolher a impugnação (fls. 01/02), tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 As pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz Lançamento Procedente O auto de infração em espécie foi lavrado em 11/12/2006, na DRF Vitória, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa... Fundamentação: Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 (CTN); art. 2.º e 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF n.º 118/84, art. 5.º do DL 2124/84 e art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002. Demonstrativo: 4.º Trimestre/2004, Multa Mínima R$200,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento alegando a recorrente, em síntese, que sempre foi empresa do SIMPLES e que, a despeito de sua alegada exclusão equivocada em agosto de 2003, a situação foi submetida a regularização com o pedido de opção no SIMPLES em 01/01/2005, após edição da Lei n.º 10.964, de 2004, com pleito de inclusão no Simples retroagindo à data de sua exclusão, com amparo na Lei n.º 11.051, de 29 de Dezembro de 2004, sendo o requerimento formulado nos autos do Processo Administrativo n.° 11543000016/200514. Juntou cópia do requerimento nos autos. A decisão recorrida ponderou que o "pedido do processo administrativo n.º 11543.0000l6/2005l4 foi de revisão da decisão de exclusão do SIMPLES, não suspendendo os efeitos da referida decisão (Ato Declaratório de Exclusão), de forma que o referido processo, ainda pendente de julgamento, não obsta o presente julgamento" e, diante deste juízo, decidiu por julgar procedente a autuação. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, reiterou os termos da impugnação, contraargumentou que estando na sistemática do Simples não estava obrigada a entregar DCTF. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 11543.000234/200711 Resolução nº 1002000.010 S1C0T2 Fl. 42 3 VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo (fls. 31, 35, 36), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Quanto ao juízo de mérito do recurso voluntário, observase que a discussão gravita em torno da exigência de multa por atraso na entrega de declaração DCTF do 4.º trimestre do anocalendário 2004. Analisando os autos, verificase que a recorrente alega inclusão retroativa no Simples, na forma requerida no processo administrativo n.º 11543.0000l6/2005l4. Em consulta ao COMPROT, vêse que o processo está encerrado, mas não consta o resultado daquela decisão. Caso tenha sido deferido o pedido, podese concluir pela exoneração da obrigação de entrega da DCTF no período em que esteve a contribuinte inclusa no Simples. Sendo assim, por dever de cuidado e melhor solução da lide, voto por converter o julgamento em diligência, carecendo a lide de melhor elucidação da forma de tributação da contribuinte que restou definitiva para o anocalendário 2004, bem como para ser possível conhecer o resultado final do processo administrativo n.º 11543.0000l6/2005l4. De fato, compreendo como necessário o esclarecimento por parte da unidade de origem, a fim de melhor deliberar o tema posto no processo. Considerando que este aspecto é crucial para estabelecer a legitimidade da exigência alojada neste caso, entendo pertinente realizar diligência antes de concluir o presente julgamento, de modo que os autos retornem à origem com a finalidade de que sejam prestadas informações contundentes acerca do regime de tributação correspondente ao ano da exigência contestada, assim como preste informação quanto ao julgamento do processo administrativo n.º 11543.0000l6/2005l4 que pretendeu a inclusão retroativo no Simples. Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, a fim de que apresente informações acerca da sistemática de tributação definitivamente pacificada, referente ao ano calendário 2004, bem como informe o resultado do Processo Administrativo n.º 11543000016/200514, interposto pela contribuinte para a sua reinclusão no Simples retroativamente. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 11543.000234/200711 Resolução nº 1002000.010 S1C0T2 Fl. 43 4 É como Voto. (Assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.001954/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/06/2008
(DES)CABIMENTO INVOCAÇÃO LEX MITIOR, INFRAÇÕES DIVERSAS.
A imputação da multa deriva das compensações serem tidas como não declaradas com tratamento distinto não se confundindo com situações comuns de não homologação da compensação sujeitas à multa de 50% estabelecida no § 17 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1402-002.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos embargos de declaração.]
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Leonardo Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 01/06/2008 (DES)CABIMENTO INVOCAÇÃO LEX MITIOR, INFRAÇÕES DIVERSAS. A imputação da multa deriva das compensações serem tidas como não declaradas com tratamento distinto não se confundindo com situações comuns de não homologação da compensação sujeitas à multa de 50% estabelecida no § 17 da Lei nº 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos embargos de declaração.] (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Leonardo Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/06/2008 (DES)CABIMENTO INVOCAÇÃO LEX MITIOR, INFRAÇÕES DIVERSAS. A imputação da multa deriva das compensações serem tidas como não declaradas com tratamento distinto não se confundindo com situações comuns de não homologação da compensação sujeitas à multa de 50% estabelecida no § 17 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos embargos de declaração.] (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Leonardo Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 19 54 /2 00 9- 17 Fl. 1143DF CARF MF 2 Tratase de Embargos Declaratórios opostos pela contribuinte em Embargos de Declaração ao acórdão proferido em Recurso Voluntário em julgado que restou assim ementado: Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 01/06/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. APARENTE VÍCIO DE OMISSÃO. INCONFORMISMO PARTE RECORRENTE A exigência de multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, tratase de exigência prevista em lei, mais especificamente nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. LEX MITIOR. OMISSÃO Afirma a recorrente que a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao prolatar o acórdão 1402002.624, incorreu em: "(...) contradição sobre ponto imprescindível a conclusão do julgado, em especial sobre a impossibilidade de aplicação imediata da lei mais benéfica ao contribuinte, diante das alterações verificadas no art. 74 da Lei n° 9.430/96, porquanto restou reduzida a multa de 75% do crédito objeto de declaração de compensação considerada não homologada para 50%, com a redação definida expressamente pelo art. 8º da Lei n° 13.097, de 19 de janeiro de 2015, atendendo ao preceito do art. 106, inc. II, "c" do CTN." Em juízo de admissibilidade os Embargos foram recebidos pela Presidência desta turma ao que passo a análise do mérito. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10320.001954/200917 Acórdão n.º 1402002.854 S1C4T2 Fl. 112 3 O recurso voluntário ao impugnar a decisão da DRJ traz em seu bojo argumentos sem pertinência com a questão posta nos presentes autos que desvirtuaram a discussão a qual gerou os presentes embargos de declaração, vejamos: Do detido exame dos autos face a legislação tributária constatase que não houve a alegada redução da multa de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinqüenta por cento) pois a penalidade aqui aplicada não teve como base legal o § 17 da Lei nº 9.430/96, mas sim o § 4º, do art.18, da Lei nº 10.833/03 com a redação dada pelas Leis 11.051/04 e 11.096/05 e pelo art. 18, da Lei nº 11.488/2007. Isso em função de que a imputação da multa deriva das compensações serem tidas como NÃO DECLARADAS, com tratamento distinto, estabelecido nos dispositivos supra mencionados, não se confundindo com situações comuns de não homologação da compensação sujeitas à multa de 50% estabelecida no § 17 da Lei nº 9.430/96. Nesta perspectiva, não há que cogitarse em retroatividade da lei mais benigna (lex mitior), nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN, dado que a multa sob exame não sofreu alteração de percentual em legislação posterior considerando tratarse de sanção diversa da que invocada. Sendo assim, está claro que, sob o pretexto de que seja saneada "contradição", a embargante pretende, em verdade, que a Turma embargada insista em analisar a questão a partir de uma premissa equivocada trazida em sede de recurso voluntário. Por outro lado, ainda que não caiba qualquer alteração de mérito, a menção na decisão recorrida aos §§ 15 e 17 do art. 74, da Lei nº 9.430/96 bem como à Lei 13.137/2015, inaplicáveis à situação sob exame, pode causar divergências indesejáveis. Diante do exposto julgo por improcedentes os Embargos opostos. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 1145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.721780/2014-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2012 a 31/01/2014
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO EMITIDO EM NOME DO FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE. AUSÊNCIA DE PERSONALIDADE JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. Inobstante o Fundo Municipal de Saúde possuir inscrição no CNPJ, o mesmo não é dotado de personalidade jurídica de modo a ser considerado de forma isolada como sujeito passivo da obrigação tributária.
ERRO NA INDICAÇÃO DO CNPJ. NULIDADE. VÍCIO FORMAL.
O erro na indicação do CNPJ do real sujeito passivo da relação jurídico-tributária enseja o reconhecimento de vício formal no lançamento.
Numero da decisão: 2401-005.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negar provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2012 a 31/01/2014 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO EMITIDO EM NOME DO FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE. AUSÊNCIA DE PERSONALIDADE JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. Inobstante o Fundo Municipal de Saúde possuir inscrição no CNPJ, o mesmo não é dotado de personalidade jurídica de modo a ser considerado de forma isolada como sujeito passivo da obrigação tributária. ERRO NA INDICAÇÃO DO CNPJ. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O erro na indicação do CNPJ do real sujeito passivo da relação jurídico-tributária enseja o reconhecimento de vício formal no lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negar provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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AUTO DE INFRAÇÃO EMITIDO EM NOME DO FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE. AUSÊNCIA DE PERSONALIDADE JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. Inobstante o Fundo Municipal de Saúde possuir inscrição no CNPJ, o mesmo não é dotado de personalidade jurídica de modo a ser considerado de forma isolada como sujeito passivo da obrigação tributária. ERRO NA INDICAÇÃO DO CNPJ. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O erro na indicação do CNPJ do real sujeito passivo da relação jurídico tributária enseja o reconhecimento de vício formal no lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 17 80 /2 01 4- 32 Fl. 176DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negar provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10510.721780/201432 Acórdão n.º 2401005.144 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Nesta oportunidade, por bem descrever a matéria tratada nos presentes autos, adoto o relatório de fls. 158/162 produzido pela respeitável decisão recorrida, apresentado nos termos seguintes: “Da Autuação São integrantes do presente processo os seguintes Autos de Infração (AI’s) lavrados, pela fiscalização, contra a empresa retro identificada: AI DEBCAD n.º 51.058.1048, no montante de R$ 3.459.479,13 (três milhões e quatrocentos e cinqüenta e nove mil quatrocentos e setenta e nove reais e treze centavos), consolidado em 05/06/2014, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, compensadas indevidamente, declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas a competências de 06/2012 a 12/2013; AI DEBCAD n.º 51.058.1056, no montante de R$ 3.987.999,44 (três milhões e novecentos e oitenta e sete mil novecentos e noventa e nove reais e quarenta e quatro centavos), consolidado em 05/06/2014, referente multa isolada de 150% em razão da compensação indevida, relativas a competências de 10/2012 a 01/2014; O Relatório do Processo Administrativo Fiscal, de fls. 5 a 12, em suma, traz as seguintes informações: Que em conseqüência das compensações, as contribuições previdenciárias totais declaradas em GFIP resultaram em valores inferiores aos devidos. Que através de consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatouse que o sujeito passivo efetuou compensações de contribuições previdenciárias mediante declarações constantes de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Que o contribuinte informa que retificou GFIP's para exclusão de verbas que considera indenizatórias, bem como iniciou as compensações, em razão das inúmeras e recentes decisões das mais altas Cortes deste país, atualmente encontrandose pacífica, tanto na Doutrina quanto na Jurisprudência, a questão da não incidência de tributação previdenciária sobre verbas que não possuem caráter remuneratório. Fl. 178DF CARF MF 4 Informa a fiscalização que o art. 28, §9° da lei n° 8.212/91, discrimina de forma exaustiva as parcelas incidentes e não incidentes do salário de contribuição dos segurados obrigatórios do regime geral de Previdência Social. E que nenhuma das rubricas elencadas e que foram excluídas do cálculo do salário de contribuição pelo contribuinte encontrase dentre as hipóteses previstas no referido §9°. Desta forma, considerada a legislação vigente, não procede a não inclusão de tais verbas salariais na base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas pelo contribuinte. Que a discussão acerca da incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre as verbas ditas "indenizatórias", a saber, valores pagos a título de auxíliodoença, nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado; e sobre o adicionai de 1/3 sobre as férias, encontrase sobrestada judicialmente por ter sido a matéria reconhecida como de repercussão geral pelo STF na forma do art. 543A do CPC, nos autos do RE nº 565.160/SC. Informa ainda que o Fundo de Saúde compensou contribuições alegadas pagas, referentes a verbas e rubricas indenizatórias, de 01/2005 a 12/2009, período em que sequer existia, pois conforme cadastro, a abertura do seu CNPJ ocorreu em 01/12/2009. Concluise que na verdade o Fundo de Saúde compensou contribuições alegadas pagas pela Prefeitura Municipal. Tal procedimento não é permitido, pois conforme a legislação, eventual crédito compensáveis só pode ser utilizado entre os diversos estabelecimentos do contribuinte, o que ocorre quando se trata de matriz e filiais, o que efetivamente não é o caso pois a Prefeitura e o Fundo de Saúde tem CNPJ distintos. Que procedeu ainda à aplicação de multa isolada, em virtude da caracterização da falsidade à qual se refere o Artigo 89 da lei 8212, em seu § 10°, considerandose que o sujeito passivo, conforme já analisado ao longo deste relatório compensou valores a título não incidência de rubricas alegadas pagas referentes a período em que sequer existia, sem qualquer embasamento legal ou ação judicial, e ainda em flagrante desrespeito aos prazos legais de prescrição do direito de efetuar a compensação, ainda que os créditos existissem de fato. Informa ainda o Relatório Fiscal que foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais. Impugnação Em 11/07/2014, o sujeito passivo FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE DE TOBIAS BARRETO, interpõe a impugnação, de fls. 77/109. Inicia sua defesa fazendo um breve resumo dos fatos para depois apresentar os argumentos que transcrevo a síntese nos itens que seguem. Da Nulidade do Lançamento Por Imprecisão da Capitulação Legal – Manifesto Cerceamento de Defesa Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10510.721780/201432 Acórdão n.º 2401005.144 S2C4T1 Fl. 4 5 Alega a impugnante que a Fiscalização omitiu a fundamentação legal em que baseou a imposição tributária, bem como omitiu a descrição da matéria tributável, resultando totalmente nula a exigência, não passando de um juízo temerário caracterizador de cerceamento de defesa, impeditiva do direito de discutir a legalidade da exação. Assevera que o auto de infração limitouse tão somente a anexar relação confusa, genérica e imprecisa da legislação que rege à Competência da Receita Federal do Brasil, bem como suas atribuições, não correlacionando os dispositivos com a matéria que estaria sendo transgredida. Prejudicial de Mérito – Decadência/Prescrição Defende que o período de apuração compreende competências iniciais entre o período a partir do mês de julho de 2005 a agosto de 2009. Resta flagrante, pois, que grande parte do período compreendido já está fulminado pelo instituto da caducidade. Do Abuso do Poder Discricionário Sustenta que a autuação, lavrada sobre uma contribuição caducada há mais de 5 anos, resulta um verdadeiro abuso por parte da fiscalização. Das Compensações Realizadas Pelo Impugnante Da Manifesta Lisura e Correção Dos Procedimentos Adotados Argumenta que jamais deixou de pagar contribuições previdenciárias, que os valores tidos como "em aberto" foram frutos de compensações, advindas de créditos a título de contribuição previdenciária sobre verbas naturalmente indenizatórias e/ou transitórias. Afirma que a questão pertinente às referidas contribuições já foi amplamente debatida pelos Tribunais Pátrios, culminando com a decisão do Pretório Excelso, a qual, por sua vez esvaziou completamente a questão. Nossa Corte Suprema vem se pronunciando reiteradas vezes quanto a indevida cobrança da Contribuição Social sobre a remuneração paga aos Servidores Públicos que possuam natureza indenizatória e/ou transitória, pondo um fim à discussão. Informa que todas as retificações feitas pelo Município Impugnante tiveram como base somente verbas de caráter indenizatório e/ou transitório, e tudo pautado em Decisões do STF e do STJ, de modo que não existe razão para que tais compensações sejam consideradas ilegais. Fl. 180DF CARF MF 6 Relata que tem o direito de poder efetuar livremente a compensação de tributo pago indevidamente, ou a maior baseado no art. 66 da Lei n° 8383, que introduziu o que denominouse de reforma tributária emergencial, alterando sobremaneira a sistemática de recolhimento dos tributos federais. Dispõe o artigo 66 que: ‘Art. 66 Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes. 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. 4º O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo.’ Sustenta que já possui o reconhecimento judicial do seu direito de processar a compensação dos tributos recolhidos indevidamente, restando, pois, inglória a tentativa do nobre Agente Fiscal, no sentido de cobrar exações já decididas por quem é de direito. Diz que não foi observado também em sede do referido Procedimento Fiscal, que os valores alegadamente avivados, estavam sendo pagos por meio de parcelamento. Portanto, não há que se falar em desacerto na base de cálculo utilizada, vez que os valores devidos e declarados nas GFIP's foram todos abrandados, sendo que os valores alegadamente não amortizados foram objeto de parcelamento por meio do Município de Tobias Barreto. Diante dos argumentos expendidos, de doutrina e jurisprudências elencadas, fica claro e evidente a legalidade das retificações efetuadas pelo Município. Da Abusividade da Aplicação da Multa Isolada: Sustenta que os fatos que ocorreram até 31 de dezembro de 2004, não havia qualquer amparo legal para restrições à compensação e, tampouco, para imposições de penalidades. Conseqüentemente, não há como imputar quaisquer penalidades aos contribuintes, que fizeram as compensações em vista de qualquer um dos itens abordados, acusandoos de terem efetuado a compensação de forma temerária e de, ao efetuála, terem cometido um ato doloso, ou seja, uma fraude fiscal, uma vez que os atos praticados foram realizados em conformidade com a legislação existente à época da compensação, mediante o cumprimento de todas as obrigações acessórias inerentes. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10510.721780/201432 Acórdão n.º 2401005.144 S2C4T1 Fl. 5 7 Afirma ainda que o vínculo normativo entre as compensações com as limitações, e, por essa razão consideradas não declaradas, e a imposição de penalidades, no caso da multa isolada de 150%, até 21 de novembro de 2005, vinham sendo estabelecidos com fundamento na Instrução Normativa SRF n°. 534/2005, passando a ser disciplinada por lei através da edição de Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, fator que vem reforçar a tese de que, em relação aos fatos ocorridos antes da vigência dos mencionados diplomas legais, não havia tipificação legal para o enquadramento dos contribuintes que exerceram o direito à compensação. Conclui que, para aplicação da penalidade pertinente à multa isolada de 150%, tomavase como fundamento uma combinação de várias instruções normativas, sem qualquer base legal, ressaltandose que somente através de Lei n°. 11.196, de 21 de novembro de 2005, com vigência iniciada em 01.01.2006, também de constitucionalidade duvidosa, foi introduzida no ordenamento jurídico a possibilidade da aplicação da multa isolada de 150% sobre o valor compensado, caso a compensação realizada esteja enquadrada no rol de restrições. Da Impossibilidade de Imputação de Penalidades Com Fundamento em Presunção de Fraude Violação dos Princípios da Legalidade e da Tipicidade Tributária: Relata a impugnante que a realização de compensação em qualquer uma das hipóteses mencionadas no art. 74, § 12, inciso II, da Lei 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei 11.051/2004, antes da vigência dessas normas, não caracteriza fraude fiscal e, tampouco, o dolo, já que não há que se falar em fraude se não houver dolo. Sonegação, fraude e conluio são formas diversas de evasão de divisas de forma ilícita, e em todas essas hipóteses deverá estar presente o dolo. Defende que não há como agasalhar os atos praticados pela Receita Federal, destacando se que, nem mesmo a lei poderia estabelecer uma imposição penalizadora com base em presunção absoluta, para estabelecer uma espécie de presunção legal de fraude e com base nela enquadrar os contribuintes. A tributação por esse sistema chocase com as diretrizes estabelecidas pelos princípios basilares norteadores e limitadores do exercício do poder de tributar, como os princípios da legalidade e da tipicidade da tributação. Efeito Confiscatório da Multa Cominada Lembra que a sanção tributária, assim como qualquer sanção jurídica, tem por escopo desestimular o possível devedor do descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, estimulando se assim o adimplemento correto, pontual e necessário dos tributos, pactuados este entre a sociedade e o Estado, que os administra. Tem, pois, a sanção tributária, essa finalidade, mas Fl. 182DF CARF MF 8 só essa. A multa fiscal não pode ser utilizada com intuito arrecadatório, valendose como tributo disfarçado. Diz que não havendo conduta ilícita não há razão para imposição de multas. Conclui que, demonstrada a inequívoca lisura do procedimento adotado pela ora Impugnante, requerse, a plena desconstituição da multa atribuída, eis que não se vislumbra caracterizada qualquer infração cometida. Da Inaplicabilidade da Taxa Selic Como índice de Juros Sobre o Débito de Tributos e Contribuições Sociais Federais Sustenta que a aplicação de juros mora equivalente a taxa SELIC, sobre débitos de tributos e contribuições federais, é manifestamente inconstitucional. Do Requerimento Final Requer que seja conhecida a preliminar argüida, declarandose necessariamente a nulidade do Auto de Infração em comento, pela ausência da correta capitulação legal, o que implica em cerceamento de defesa. Que acaso seja ultrapassada a preliminar argüida, o que se admite apenas em atenção ao princípio da eventualidade, no mérito requer o Impugnante a total desconstituição da exigência impugnada, reconhecendose a legalidade das retificações e compensações efetuadas pelo Município, conforme amplamente demonstrado. Que caso não sendo provido o pedido anterior, apenas a título de argumentação, requer o afastamento dos juros e da multa, bem como a não aplicação da Taxa Selic, vez que incabível no caso em apreço. Requerse, por fim, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a prova pericial, requerendo a posterior formulação de quesitos e indicação de assistente técnico para o feito.” (grifos no original) A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0131.772 da 5ª Turma da DRJ/BEL, às fls. 157/165, julgando NULO o lançamento, cabendo a lavratura de novo Auto de Infração, referente aos fatos geradores que compõem o lançamento nulificado, desta vez em nome do MUNICÍPIO DE TOBIAS BARRETO, observandose o prazo estabelecido no art. 173, II do CTN. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2012 a 31/01/2014 ÓRGÃO PÚBLICO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO FORMAL INSANÁVEL. Constitui vício formal insanável a lavratura de auto de infração em nome de órgão público não dotado de personalidade jurídica. Impugnação Procedente Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10510.721780/201432 Acórdão n.º 2401005.144 S2C4T1 Fl. 6 9 Crédito Tributário Exonerado” Recorreu de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em vista o valor total do crédito tributário exonerado. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF 10 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO. 2. Do Recurso de Ofício Da análise dos autos, verificase que a decisão recorrida excluiu os valores incluídos no presente lançamento, uma vez que considerou NULO os referidos lançamentos, tendo em vista que constitui vício formal insanável a lavratura de auto de infração em nome de órgão público não dotado de personalidade jurídica. Para tanto, a Turma julgadora primeva identificou que, “Conforme se observa da capa do Auto de Infração, este foi lavrado em nome do FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE DE TOBIAS BARRETO, que não possui personalidade jurídica.” Dessa forma, e valendose do comando inserto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, os julgadores de piso concluíram que “na constituição do crédito pelo lançamento, a identificação do sujeito passivo é requisito formal essencial e a incorreta identificação do mesmo torna nulo o lançamento por ilegitimidade passiva.” Da leitura dos referidos fundamentos, extraio que o julgamento de primeira instância reconheceu expressamente que o lançamento não poderia ter sido realizado exclusivamente em face do Fundo Municipal de Saúde de Tobias Barreto, o devendo ser, todavia, em desfavor do Município de Tobias Barreto. De fato, os fundos constituídos pelos Municípios não possuem personalidade jurídica própria, não podendo ser considerados de forma isolada como sujeitos passivos da relação jurídicotributária de modo que o responsável tributário no caso é o Município de Tobias Barreto. Sobre o tema, sobreleva notar que a Instrução Normativa RFB nº 1183/2011, de 19 de agosto de 2011, retirou a referência a fundos meramente contábeis, que constava da IN RFB 1005, de 8 de fevereiro de 2010, e apresentou a exigência de inscrição no CNPJ da seguinte forma: Art. 5º São também obrigados a se inscrever no CNPJ: (...) X fundos públicos a que se refere o art. 71 da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964; A Instrução Normativa RFB nº 1.143, de 1 de abril de 2011 já havia exigido que os fundos inscritos como filial, fizessem a inscrição na condição de matriz. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10510.721780/201432 Acórdão n.º 2401005.144 S2C4T1 Fl. 7 11 “Art. 2º Os fundos públicos que se encontram inscritos no CNPJ na condição de filial do órgão público a que estejam vinculados deverão providenciar nova inscrição nesse cadastro, na condição de matriz, com a natureza jurídica 1201.” Na intenção de esclarecer as dúvidas suscitadas sobre a inscrição dos fundos no CNPJ, a Secretaria do Tesouro Nacional STN emitiu a Nota Fiscal nº 243/2011/CCONF/SUCON/STN, de 25/03/2011, apresentando entendimento sobre o tema e solicitando esclarecimentos à Procudaria Geral da Fazenda Nacional PGFN. Um dos questionamentos se referiu à competência da Secretaria dda Receita Federal do Brasil SRFB para a exigência dessa inscrição na condição de matriz. A resposta, expressa no Parecer PGFN/CAF nº 1.396/2011, foi a seguinte: “Demais disso, não se deve ignorar entendimento recente da PGFN, segundo o qual “o registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica é obrigação acessória ou dever instrumental imposto pela Administração Fazendária ao contribuinte no interesse da fiscalização (art. 113, § 2º, do CTN)”. Ainda nesse sentido, a Procuradoria esclarece que “a competência para a edição de ato normativo a respeito do CNPJ é ampla (...), envolvendo poder discricionário da Administração Fazendária, conferido pelo art. 113, § 2º, do CTN”. Questionouse também à PGFN se os fundos possuem ou não personalidade jurídica. Na resposta a PGFN deixa claro, conforme trechos transcritos abaixo, que os fundos não possuem personalidade jurídica, não podendo ser titulares de obrigação jurídica. A não ser, é claro, que a respectiva lei criadora dispusesse contrariamente, conferindo personalidade jurídica à sua criatura, o fundo não terá personalidade jurídica. E mesmo que assim procedesse, i. e., se conferisse ao fundo esse atributo, é certo que ao fazêlo, a lei o moldaria em forma juridicamente conhecida – a exemplo de uma autarquia –, ocasião em que a própria dúvida sobre sua personalidade já não mais faria sentido algum. Afinal, lei com semelhante conteúdo teria, na verdade, criado pessoa jurídica dedicada exatamente à gestão de recursos afetados a certa finalidade. Na realidade, não seriam mais do que “fundos por designação”, isto é, “categoria constituída por FUNDOS QUE NÃO SÃO FUNDOS, ou seja, por entes da Administração que embora designados ou tomados por ‘Fundos’ são, na realidade, entidades da administração indireta”. É por isso que fundo não contrata, não se obriga, não titulariza obrigações jurídicas. Quem o faz é seu gestor. É por isso também que eventuais referências normativas que pareçam dispor contrariamente terão, na verdade, incorrido em impropriedade, merecendo, portanto, a devida interpretação. Isso não impedirá, entretanto, que o fundo especial, na qualidade de órgão público despersonalizado, possa ter capacidade processual, como ocorre com as chamadas “universalidades jurídicas” Fl. 186DF CARF MF 12 Na resposta ao questionamento se o CNPJ matriz dará personalidade jurídica para o fundo praticar atos jurídicos, contratar pessoal, realizar contratos, empréstimos e licitações de forma independente, a resposta da PGFN foi a seguinte: (...), podese responder, em síntese, que fundo não é sujeito de direitos. Sua inscrição no CNPJ não lhe altera a natureza, ou seja, não lhe confere personalidade jurídica. A RFB, por meio da Nota RFB/Suara/Codac nº 114, de 24 de maio de 2010, já havia expressado esse entendimento, como podese verificar no item 4 da nota, transcrito abaixo. Devese esclarecer que o entendimento da SRFB era que o termo meramente contábil, utilizado na IN RFB nº1005, de 8 de fevereiro de 2010, representava todos os fundos propriamente ditos, diferenciandoos de outras entidades da administração pública, como as autarquias, por exemplo, que adotam também o nome de fundos. No tocante ao segundo ponto, cumprimento de outras obrigações acessórias, há que se considerar o fato de os fundos serem de natureza meramente contábil e como tal sem personalidade jurídica. O simples fato de terem CNPJ próprio não os enquadra na condição de pessoa jurídica. Sendo assim, não podem realizar contratos que ensejam a retenção ou pagamento de impostos e contribuições, logo, não há que se falar em entrega de declarações pelos fundos enquanto de natureza meramente contábil. Esse é também o entendimento da STN expresso na Nota nº 243/2011/CCONF/SUCON/STN, de 25/03/2011, sintetizado a seguir. As afirmações foram feitas para os fundos de saúde, autores dos questionamentos, mas se aplicam a todos os fundos públicos. • Os fundos de saúde estaduais e municipais também não atuam no mundo jurídico, não praticam atos de gestão ou quaisquer outros que demandem personalidade jurídica própria e não detêm a propriedade dos recursos que por ele tramitam. Os fundos de saúde são tãosomente controles individualizados de receitas especificadas que por lei se vinculam à realização de determinados objetivos ou serviços, como determina o art. 71 da Lei nº 4.320/64. • Os fundos de saúde, nos termos do art. 73 da Lei nº 4.320/64, independentemente da natureza jurídica, necessitam de aparato de controle para a apresentação de demonstrações contábeis e relatórios destinados a demonstrar a disponibilidade de caixa e a vinculação de recursos. Assim, entendo que o fiscal autuante deveria ter lavrado o Auto de Infração em desfavor do Município de Tobias Barreto, indicando como órgão responsável o Fundo Municipal de Saúde, da forma como expressamente preconizava a IN/SRP 03/2005, em seu artigo 340 e 639, a seguir: Art. 340. Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, quando a AuditoriaFiscal se desenvolver nos órgãos públicos da administração direta (ministérios, assembléias legislativas, câmaras municipais, secretarias, órgãos do Poder Judiciário, dentre outros), sendo obrigatória a lavratura de documento de constituição de Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10510.721780/201432 Acórdão n.º 2401005.144 S2C4T1 Fl. 8 13 crédito distinto para cada órgão. (Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) Art. 639. Em se tratando de órgão da Administração Pública direta, a NFLD será lavrada em nome da União, do estado, do Distrito Federal ou do município, seguido da identificação do órgão, devendo constar do relatório fiscal a identificação do dirigente e respectivo período de gestão. (Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) Considerando o acima exposto, e por tudo o que dos autos consta, não vislumbro reparo a fazer na parte da decisão a quo. Por conseguinte, as conclusões do colegiado de primeira instância nesse ponto devem ser confirmadas em grau de revisão recursal. Acolho os próprios fundamentos da decisão de piso como razões de decidir. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso de Ofício, para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.001724/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
EMPRESA INDIVIDUAL. DISTINÇÃO ENTRE PESSOA JURÍDICA E EMPRESÁRIO.
Não há distinção entre a empresa individual e a pessoa física que a titulariza, constituindo-se ambas numa só pessoa, com um único patrimônio.
Numero da decisão: 2401-005.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e no mérito, dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.001724/201024 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.297 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente VERA CRISTINA BAUER GALBINSKI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 EMPRESA INDIVIDUAL. DISTINÇÃO ENTRE PESSOA JURÍDICA E EMPRESÁRIO. Não há distinção entre a empresa individual e a pessoa física que a titulariza, constituindose ambas numa só pessoa, com um único patrimônio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 17 24 /2 01 0- 24 Fl. 301DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e no mérito, darlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11080.001724/201024 Acórdão n.º 2401005.297 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 4/5, acompanhado do demonstrativo de fl. 2 e do Relatório Fiscal de fls. 6/15, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do anocalendário 2008, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 272.263,66, composto da seguinte forma: R$ 138.486,10 relativo ao Imposto; R$ 29.912,99 de Juros de mora (calculados até 31/03/2010); e R$ 103.864,57 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 16), que o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos adquiridos em reais por parte da autuada, cujo fato gerador ocorreu em 31/01/2008. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 10/17), a omissão de rendimentos decorrente de ganho de capital na alienação de bens e direitos se deu da seguinte forma: “[...] Durante o andamento da ação fiscal, foi encaminhada intimação fiscalizada (Intimação Fiscal Sefis no 004/2010) no sentido de esclarecer as movimentações ocorridas no seu patrimônio durante o anocalendário de 2008. Da mesma forma, foram realizadas diversas diligências junto a terceiros, pessoas jurídicas, para apurar a veracidade desta movimentação patrimonial. Os imóveis informados como alienados na DIRPF/09, correspondente ao anocalendário de 2008, estão relacionados na Intimação Fiscal acima mencionada (Sefis no 004/2010). Na mesma intimação foi solicitada a comprovação do custo de aquisição e de alienação dos referidos imóveis. Em resposta a contribuinte informa que no anocalendário de 2008 alienou apenas dois imóveis: o apartamento 203 sito a rua Demétrio Ribeiro, 870 e parte dos conjuntos 501 e 502 e boxes sito à rua Mostardeiro, 362, em Porto Alegre. Comprovou através das certidões do registro de imóveis a aquisição e alienação dos imóveis, conforme solicitado. Os demais imóveis, quais sejam, a loja comercial sita à rua Garibaldi, 1220, a sala 101 sita a rua Dona Laura, 224 e o apto. nº 1147 e respectivo box, localizados no Cond. Complexo Turístico Costão do Santinho permaneceram em seu patrimônio, embora tenham sido indevidamente "zerados" na DIRPF/2009. Fl. 303DF CARF MF 4 Tendo sido constatadas informações de pagamentos de aluguel fiscalizada, através das informações constantes da DIMOB, no ano calendário de 2008, efetuamos diligência junto à empresa PERSONA NEGOCIOS IMOBILIARIOS Ltda, CNPJ 00.212.671/000116, que informou pagamentos de aluguel à fiscalizada. Persona Negócios Imobiliários Ltda. informa em resposta de 26/03/2010 que administra o imóvel sito a rua Campos Velho, 1413 em nome da firma individual VERA CRISTINA BAUER GALBINSKI, CNPJ no 08.894.717/000136. Referido imóvel foi adquirido pela firma individual em 23/01/08, por R$ 350.000,00. Relativamente ao imóvel sito a rua Demétrio Ribeiro, 870, verificouse a inexistência de ganho de capital tributável. Referido imóvel foi adquirido em 23/07/03, por R$ 30.000,00 e alienado em 17/03/08 por R$ 22.000,00, conforme matricula no 20.800 da 5ª Zona do Registro de Imóveis de Porto Alegre. Com relação à alienação dos conjuntos 501 e 502 e boxes localizados a rua Mostardeiro, 362, informa que se registrou perante a Junta Comercial como empresaria individual, CNPJ 08.894.717/000136, em 06/06/2007, para exercer atividades imobiliárias, cujas atividades se constituem em aluguel de imóveis próprios e compra e venda de imóveis próprios. Ainda de acordo com seus esclarecimentos, o resultado da alienação dos imóveis vendidos no anocalendário de 2008, foi tributado através do regime de tributação do lucro presumido, apurando imposto de renda e os demais tributos na pessoa jurídica (CSLL, PIS, COFINS). Assim, a fiscalizada simplesmente considerou os imóveis de propriedade da pessoa física como sendo da empresa individual, CNPJ 08.894.717/000136, deixando de tributar o ganho de capital na pessoa física, conforme determinado na legislação de regência. No anocalendário de 2008 foram objetos deste procedimento a alienação da parte ideal equivalente a 99% dos seguintes imóveis localizados a rua Mostardeiro, 366, edifício Corporate Station, em 15/01/08: Como já se disse anteriormente a fiscalizada detinha 99% dos referidos imóveis. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11080.001724/201024 Acórdão n.º 2401005.297 S2C4T1 Fl. 4 5 A firma individual VERA CRISTINA BAUER GALBINSKI foi constituída em 06/06/07 de acordo com os atos constitutivos arquivados na Junta Comercial do RGS. Em 2008 alterou o objeto social para compra e venda de imóveis próprios. A partir deste ato, por sua conta e risco, e sem a necessária transferência de propriedade, passou a considerar, indevidamente, a alienação dos imóveis constantes do patrimônio da pessoa física como ativo circulante da firma individual, tributando o IRPJ à alíquota de 8%. Verificase, a partir dai, diversos equívocos cometidos tanto no enquadramento dos bens de propriedade da pessoa física como na tributação dos mesmos. Tanto a locação como alienação dos imóveis de propriedade da titular da firma individual (pessoa física) devem ser classificadas no ativo permanente da firma individual. Por ocasião da alienação dos mesmos, o ganho de capital é apurado a alíquota de 25%, o que, representaria desvantagem para a fiscalizada. Assim, a contribuinte optou por uma tributação mista, confundindo a pessoa jurídica com a pessoa física e adotando a tributação mais favorável e conveniente. Isto porque o novo objeto social adotado pela empresa abrange tãosomente os imóveis adquiridos pela firma individual a partir daquela data. Os novos imóveis passariam a ser classificados no ativo circulante da pessoa jurídica sob a égide do novo objeto social. Sendo assim, foi correto o procedimento com relação ao imóvel sito à rua Campos Velho no 1413, adquirido em nome da firma individual, em 23/01/08, administrado pela pessoa jurídica. Para os imóveis adquiridos anteriormente, como no caso em tela, adquiridos em nome da pessoa física em 17/07/06, e ainda a esta pertencentes, conforme escritura pública lavrada no 40 Tabelionato de notas de Porto Alegre, mantémse a tributação do ganho de capital na pessoa física. Desta forma tornase descabida a transferência de tributação dos referidos imóveis para a pessoa jurídica, na forma realizada pela contribuinte. Ainda que se admitissem os referidos imóveis como integrantes do ativo permanente da firma individual e a tributação do ganho de capital em nome dessa (firma individual), observamos, como já se disse, que a alíquota do ganho de capital é de 25% e não 8% como pretendeu a contribuinte. Assim agindo, a fiscalizada procedeu uma verdadeira confusão patrimonial, entre pessoa física e pessoa jurídica, com o objetivo claro de reduzir a incidência tributária. Fl. 305DF CARF MF 6 Com efeito, apurouse omissão de ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos no Exercício de 2009, anocalendário de 2008, conforme descrevemos no item 5. Nas bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil não consta recolhimento do imposto de renda pessoa física incidente sobre o ganho de capital no anocalendário de 2008.” Devidamente cientificada, a Interessada apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 212/236), alegando, resumidamente, o que segue: Inicialmente, argumenta que adquiriu os imóveis em 17.07.2006, e que em 17 de maio de 2007, registrouse como “empresária”, perante a Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul, tendo como objeto “atividades imobiliárias” (aluguel de imóveis próprios) e “comércio varejista de antiguidades”, obtendo, da Receita Federal, a inscrição no CNPJ, sob o número 08.894.717/000136, e ainda, em 19.12.2007, incluiu em seu objeto social a atividade de “compra e venda de imóveis próprios”. Afirma que, em 15 de janeiro de 2008, alienou os referidos imóveis, e tributou a operação de venda na condição de empresária, optando pelo regime de tributação do lucro presumido, e recolhendo os devidos impostos, a saber: I – imposto de renda; II – contribuição social sobre o lucro líquido; III – contribuição para a Cofins, perfazendo um total de R$ 63.124,00. Destaca que em 17.03.2008, alienou, pelo valor de R$ 20.000,00, o apartamento 903, localizado na rua Demétrio Ribeiro nº 870, em Porto Alegre, adquirido em 23.07.03, por R$ 30.000,00, e mesmo assim, com prejuízo se a tributação houvesse sido realizada na condição de pessoa física, tributou a operação de venda na condição de empresária, optando pelo regime de tributação do lucro presumido, conforme declaração do imposto de renda apresentada sob o CNPJ já supramencionado. Contestando a autuação fiscal, a interessada manifestase quanto à interpretação jurídica e a descrição dos fatos, expondo e argumentando aspectos do direito aplicável: a) o conceito de “personalidade jurídica” no Direito Civil Brasileiro, reportandose ao artigo 2º, do Código Civil Brasileiro, para concluir que somente as pessoas naturais e as pessoas jurídicas, elencadas na lei civil, possuem personalidade jurídica própria, titular de direitos e sujeito a deveres; b) o registro de “empresário” não cria pessoa jurídica de direito privado e, portanto, não confere personalidade jurídica própria e distinta daquela já detida pela pessoa natural, assinalando que apesar do artigo 967, do CCB, determinar a obrigatoriedade de o empresário registrarse antes do início de suas atividades perante a Junta Comercial, não é requisito para sua caracterização, admitindose o exercício da empresa sem tal providência, nos termos do Enunciado CEJ 198, significando que o registro de empresário não cria qualquer pessoa ou personalidade jurídica diferente daquela, como pessoa natural, já se detém; c) implicações jurídicas da ausência de personalidade jurídica em decorrência do registro de empresário. Confusão patrimonial e impossibilidade de “transferência” de bem imóvel de uma pessoa para ela mesma. Conclui que a Lei nº 6.015/73, que disciplina o registro público, ao tratar do registro operações imobiliárias, não contempla a possibilidade de um imóvel ser transferido da pessoa natural, para a firma individual, em realização de capital, pela Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11080.001724/201024 Acórdão n.º 2401005.297 S2C4T1 Fl. 5 7 simples razão de que a firma individual, no plano da personalidade jurídica própria e distinta, não existe; d) equiparação das empresas individuais, para efeitos fiscais, às pessoas jurídicas. Efeitos. Afirma que as pessoas naturais, exercendo a atividade empresarial, são qualificadas pela legislação fiscal como “empresas individuais”, e são equiparadas às pessoas jurídicas, para efeitos do imposto de renda. Menciona que o artigo 158 do RIR/99, no caso específico das empresas individuais imobiliárias, aplicação do regime fiscal das pessoas jurídicas às pessoas físicas a ela equiparadas, na forma do artigo 151, terá início na data em que se completarem as condições determinantes da equiparação, independente da data do registro na Junta Comercial ou no CNPJ da Receita Federal; e) data de integração dos imóveis ao ativo da empresa individual. Capital social da empresa individual. Argumenta que o artigo 163 do RIR/99, ao tratar da determinação do valor de incorporação ao patrimônio da empresa individual, não exige qualquer registro de “transferência” formal, já sabendo que a mesma seria impossível no plano jurídico. De outra parte, referindose ao artigo 164 do mesmo diploma legal, que dispõe sobre o “capital social da empresa individual”, considera que os valores efetivamente investidos, em qualquer época, nos imóveis, no caso das empresas individuais imobiliárias, constituirão capital social das mesmas, não se exigindo qualquer prévio registro imobiliário, obtenção de CNPJ, ou limitações de tempo, valor, etc., de qualquer natureza, se inferindo, então, que mesmos os valores investidos em imóveis muito antes de qualquer equiparação estarão, no momento da equiparação, devidamente integrados no ativo e, como contrapartida, constituirão o “capital social da empresa individual”; f) conclusões práticas, aplicadas ao caso concreto, diante dos fatos e do direito aplicável, dentre as quais, I – é de que Vera Cristina Bauer Galbinski, pessoa natural, e Vera Cristina Bauer Galbinski, empresária individual, são, no plano do direito, uma única pessoa, dotada de uma única personalidade jurídica; II – o registro, como empresário individual, na Junta Comercial e no CNPJ da Receita Federal não criaram pessoa jurídica distinta da pessoa natural, III – o registro perante o CNPJ, promoveu a equiparação, para fins de tributação, pelo imposto de renda, da empresa individual à pessoa jurídica, sendo que no caso de operações imobiliárias, na compra e venda de imóveis próprios que ocorreu em 18.12.2007; e g) fundamentos equivocados da Fiscalização, apontando, primeiro, que os imóveis, diante da ausência de personalidade jurídica da empresa individual, serão sempre da pessoa física e, segundo, que considerou todos os imóveis, a partir do exercício da opção, perante o CNPJ, de se equiparar, para efeito do imposto de renda, às pessoas jurídicas, integrados fictamente ao “ativo da empresa individual”, e parte correspondente do “capital social”, pois é exatamente isso que mandam os artigos 163 e 164 do RIR/99. Ressalta, ainda, que em 18.12.2007, mediante protocolo na Jucergs, em 19.12.2007, incluiu em seu objeto social a atividade de compra e venda de imóveis próprios, considerando os imóveis fictamente integrados ao ativo da empresa individual. Contrapõese a necessidade de transferência de propriedade dos imóveis, bem como contesta aos argumentos de tributação mista e também de tributação mais favorável. Reafirma que inexiste pessoa física e pessoa jurídica, mas pessoa física e empresa individual, esta carente de personalidade jurídica própria. Fl. 307DF CARF MF 8 Ao final, requer seja acolhida integralmente a impugnação, para o efeito de cancelar integralmente o crédito tributário, ou, o que admite somente para fins de argumentação, seja acolhida parcialmente a impugnação, para proceder no cancelamento parcial do crédito tributário, mediante a compensação dos pagamentos de tributos realizados na condição de pessoa equiparada à jurídica, com o imposto de renda devido, no regime tributário da pessoa física. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1041.370 da 4ª Turma da DRJ/POA, às fls. 257/263, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Tributase, à alíquota de quinze por cento, o ganho de capital correspondente à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor do custo de aquisição do imóvel pertencente à pessoa física. PROVA DE ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS ESCRITURA PÚBLICA. Todos os fatos registrados em escritura pública, até prova em contrário, são tidos como verdadeiros. Os dados nela transcritos sobrepõemse a quaisquer outros, salvo se restar comprovado, de maneira inequívoca, que os elementos constantes da escritura não correspondem à efetiva operação, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova que se contraponha aos dados nela constantes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A contribuinte foi cientificada da decisão de 1ª instância em 10/12/2012, conforme Aviso de recebimento (AR) de fl. 270. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 272/296), reiterando os mesmos argumentos já lançados em sua peça de impugnação. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11080.001724/201024 Acórdão n.º 2401005.297 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 10/12/2012 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 270, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 09/01/2013, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Do ganho de capital. O exame dos autos revelam que, de acordo com a fiscalização, foi constatada a omissão de ganhos de capital na alienação de bens imóveis no montante de R$ 923.240,73, em operação de alienação realizada em 15.01.2008, correspondente ao conjunto nº 501 e boxes nºs 65, 68, 69 e 70, localizados à rua Mostardeiro, nº 366, Edifício Corpore Station, no município de Porto Alegre/RS, de cujos imóveis a Recorrente detinha 99% da sua propriedade. À fl. 12 estão relacionados os referidos imóveis, sua respectiva matrícula na 1ª Zona Registro de Imóveis – Porto Alegre – docs. às fls. 24 a 44, e o respectivo valor de alienação, constando, por sua vez, o valor de aquisição, conforme Escritura Pública lavrada no 4º Tabelionato de Notas de Porto Alegre, em 17.06.2006 – doc. às fls. 54 a 69, e a diferença de valor a tributar, em demonstrativo à fl. 14. Registra que a firma individual Vera Cristina Bauer Galbinski, CNPJ nº 08.894.717/000136, foi constituída em 06.06.2007, com a atividade imobiliária de aluguel de imóveis próprios e comércio de varejistas de antiguidades, alterandoa com a inclusão da atividade de compra e venda de imóveis próprios, em 09.01.2008. A partir desse ato, e sem a necessária transferência de propriedade, passou a considerar os imóveis constantes do patrimônio da pessoa física como ativo circulante da firma individual, tributando o imposto de renda pessoa jurídica à alíquota de 8%. Acrescenta que o novo objeto social adotado pela empresa abrange somente os imóveis adquiridos a partir daquela data, passando a ser classificados no ativo circulante da pessoa jurídica. Assim, os imóveis adquiridos anteriormente em nome da pessoa física em 17.07.2006, e ainda a esta pertencentes, conforme escritura pública lavrada no 4º Tabelionato de Notas de Porto Alegre, mantémse a tributação do ganho de capital na pessoa física. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre manteve o crédito tributário exigido. Para tanto, entenderam os nobres julgadores a quo que, “no presente processo, não consta comprovada documentalmente a transferência de propriedade à pessoa jurídica dos imóveis adquiridos em 17.07.2006 pela pessoa física, condição essencial quando da realização da operação imobiliária – alienação em 15.01.2008, na determinação do fato gerador do imposto de renda, bem como não foi apresentado a Fl. 309DF CARF MF 10 movimentação financeira referente à venda desses imóveis e a respectiva integralização/aplicação dos recursos financeiros.” Por sua vez, a Recorrente destaca que adquiriu os imóveis em 17.07.2006, e que em 17 de maio de 2007, registrouse como “empresária”, perante a Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul, tendo como objeto “atividades imobiliárias” (aluguel de imóveis próprios) e “comércio varejista de antiguidades”, obtendo, da Receita Federal, a inscrição no CNPJ, sob o número 08.894.717/000136, e ainda, em 19.12.2007, incluiu em seu objeto social a atividade de “compra e venda de imóveis próprios”. Defende que não há distinção entre o empresário individual e a pessoa natural que exerce a atividade empresarial, e, dessa forma, não poderia transferir os imóveis dela (pessoa física) para ela mesma (empresária individual). Conclui que a Lei nº 6.015/73, que disciplina o registro público, ao tratar do registro operações imobiliárias, não contempla a possibilidade de um imóvel ser transferido da pessoa natural, para a firma individual, em realização de capital, pela simples razão de que a firma individual, no plano da personalidade jurídica própria e distinta, não existe. Ademais, destaca que os ditos imóveis, diante da ausência de personalidade jurídica da empresa individual, serão sempre da pessoa física, e, segundo, que considerou todos os imóveis, a partir do exercício da opção, perante o CNPJ, de se equiparar, para efeito do imposto de renda, às pessoas jurídicas, integrados fictamente ao “ativo da empresa individual”, e parte correspondente do “capital social”, pois é exatamente isso que mandam os artigos 163 e 164 do RIR/99. Ressalta, ainda, que em 18.12.2007, mediante protocolo na Jucergs, em 19.12.2007, incluiu em seu objeto social a atividade de compra e venda de imóveis próprios, considerando os imóveis fictamente integrados ao ativo da empresa individual. Pois bem. Compulsando os autos, verifico que razão assiste à Recorrente. A jurisprudência do STJ já fixou o entendimento de que "a empresa individual é mera ficção jurídica que permite à pessoa natural atuar no mercado com vantagens próprias da pessoa jurídica, sem que a titularidade implique distinção patrimonial entre o empresário individual e a pessoa natural titular da firma individual" (REsp 1.355.000/SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 20/10/2016, DJe 10/11/2016) e de que "o empresário individual responde pelas obrigações adquiridas pela pessoa jurídica, de modo que não há distinção entre pessoa física e jurídica, para os fins de direito, inclusive no tange ao patrimônio de ambos" (AREsp 508.190, Rel. Min. Marco Buzzi, Publicação em 4/5/2017). Ora, não há dúvidas de que a empresa individual foi criada para habilitar a pessoa natural a praticar atos do comércio, com vantagens do ponto de vista fiscal. Portanto, não se verifica a diferenciação própria das sociedades empresárias entre a pessoa jurídica e seus membros. Em face disso, o patrimônio da empresa individual se confunde com o do próprio empresário. No caso em tela, sobrou incontroverso que os imóveis objeto da ação fiscal foram adquiridos em 17.06.2006 pela pessoa física Vera Cristina Bauer Galbinski conforme Escritura Pública lavrada no 4º Tabelionato de Notas de Porto Alegre (fls. 54/69). Por outro lado, a firma individual Vera Cristina Bauer Galbinski, CNPJ nº 08.894.717/000136 foi constituída em 06/06/07 de acordo com os atos constitutivos arquivados na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul (fl. 49), e solicitou a inclusão da atividade econômica: compra e venda de imóveis próprios, protocolado em 18.12.2007, sob o Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11080.001724/201024 Acórdão n.º 2401005.297 S2C4T1 Fl. 7 11 número 07/2758775 (fl. 50), passando a empresa a ter os seguintes códigos de atividades (CNAE): Compra e Venda de Imóveis Próprios, Atividades Imobiliárias (aluguel de imóveis próprios) e Comércio Varejista de Antiguidades. Por sua vez, ditos imóveis foram alienados em 15.01.2008 (fls. 24/44), ou seja, após a solicitação de inclusão da atividade econômica de compra e venda de imóveis próprios. Com essas considerações, e tendo em vista que não há distinção entre a empresa individual e a pessoa física que a titulariza, constituindose ambas numa só pessoa, com um único patrimônio, dou provimento ao presente Recurso Voluntário, com o objetivo de afastar a exação fiscal, reputando como correto o procedimento adotado pela Recorrente quando da alienação dos imóveis. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da Recorrente para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903440/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.054
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 34 40 /2 00 8- 73 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10120.903440/200873 Acórdão n.º 3401004.054 S3C4T1 Fl. 3 2 de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10120.903440/200873 Acórdão n.º 3401004.054 S3C4T1 Fl. 4 3 Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 78DF CARF MF
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