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Numero do processo: 10932.000780/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DESPESA. DEDUTIBILIDADE.
Procede a glosa de despesa quando a mesma não pertence à contribuinte, mas a terceiros e quando o valor.
Numero da decisão: 1401-001.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes De Mattos.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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DEDUTIBILIDADE. Procede a glosa de despesa quando a mesma não pertence à contribuinte, mas a terceiros e quando o valor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes De Mattos. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 07 80 /2 00 7- 13 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 3 2 Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL em decorrência de glosa pelo registro, no ano calendário 2003, de provisões não autorizadas pela legislação de regência. Segundo o Termo de Verificação Fiscal: DA FINALIDADE DO PRESENTE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO 0 presente procedimento administrativo de fiscalização foi instaurado pelo Delegado da Receita Federal em Sao Bernardo do Campo com a finalidade de apurar se os valores lançados pelo contribuinte na sua Declaração de Informações Econômico Fiscais do exercício 2004 a titulo de Outras Despesas Operacionais são necessários para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa ou a manutenção da respectiva fonte. Tal verificação acontece, uma vez que a base de cálculo do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, na modalidade lucro real, consiste na diferença algébrica entre as receitas tributáveis auferidas pelo contribuinte no ano, deduzidas das despesas exigidas pela atividade da empresa e admitidas pela legislação desta exação. INFORMACOES SOBRE A PESSOA JURÍDICA FISCALIZADA. A fiscalizada é uma pessoa jurídica de direito privado, integrante da administração indireta do município de Diadema, que teve sua criação autorizada na forma de sociedade de economia mista por força da lei número 1.254 de 09 (nove) de junho de 1993 e realizada por meio de lavratura de Escritura Pública de Constituição de Sociedade Anônima registrada no 1 ° Tabelionato de Notas da Comarca de Diadema SP. TERMO DE VERIFICACAO FISCAL DOS ATOS ADMINISTRATIVOS PRATICADOS E SUAS CONCLUSÕES 1° 0 contribuinte foi intimado por meio de aviso de recebimento (AR) da ECT em 13 de setembro de 2007 a detalhar os valores que compõem a rubrica Outras Despesas Operacionais, que monta em R$ 11.823.900,44 e corresponde a 39,31% do valor total de R$ 30.077.583,60 lançados na Declaração de Informações EconômicoFiscais do exercício 2004 como Despesas Operacionais. Em resposta à intimação, o fiscalizado detalhou o montante de R$ 11.823.900,44, conforme descrito na tabela abaixo: Fl. 447DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 4 3 2° Este servidor decidiu analisar as contas de despesa "Materiais, Provisão para Devedores Duvidosos e Arrendamento Prefeitura" que juntas totalizam 90,20% do montante de R$ 11.823.900,44 da rubrica Outras Despesas Operacionais, conforme disposto nos itens seguintes. 3° 0 balancete analítico apontou que a conta contábil "Material", número 4.4, registrou no ano 2003 o valor de R$ 1.147.326,86, o qual tem a seguinte composição: 4° Este servidor decidiu analisar os maiores valores que compõem a conta de despesa número 4.4.1.08 (Material Direto) que registrou no ano de 2003 o montante de R$ 615.014,36, intimando, assim, o fiscalizado a apresentar os documentos que comprovem os valores lançados nas subcontas contábeis descritas na tabela abaixo: Em resposta à intimação, o fiscalizado informou que os valores lançados nas contas selecionadas para análise são resultantes das requisições de matérias dos setores descritos na tabela à conta contábil Estoque de Materiais. À vista desta informação, este servidor validou os valores lançados a débito na referida conta Estoque de Materiais, mediante análise das notas fiscais dos fornecedores que Fl. 448DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 5 4 contêm materiais de manutenção destinados à atividade da empresa e a baixa a crédito por força das requisições de materiais, não apurando quaisquer infrações à legislação. 5° Do valor de R$ 4.470.805,53 contabilizado como despesa de Provisão para Devedores Duvidosos no ano de 2003, o contribuinte adicionou na apuração do lucro real do ano de 2003 o valor de R$ 2.467.928,00. Intimado por meio de aviso de recebimento (AR) da ECT, o fiscalizado comprovou a existência dos créditos lançados como despesa contábil de Provisão para Devedores Duvidosos no ano de 2003, bem como a discriminação individualizada dos valores vencidos há mais de 12 meses e que se encontravam em processo de cobrança que montam em R$ 2.002.877,53 (diferença entre o valor da despesa R$ 4.470.805,53 deduzido do valor adicionado ao LALUR R$ 2.467.928,00), preenchendo assim as condições objetivas para sua dedução como despesa do período. 6° Promovi o confronto entre os valores contabilizados e os lançados nas DCTF's do período compreendido entre os meses de junho de 2002 a abril de 2007 dos tributos IRPJ, IRRF, CSLL, IPI, PIS e COF1NS, não apurando divergências. 7° Este servidor analisou a relação jurídica que estabeleceu/criou a despesa "Arrendamento Prefeitura" no valor de R$ 5.051.678,40 e concluiu pela sua indedutibilidade para fins de IR, conforme exposto no tópico "Infrações Apuradas". INFRACOES APURADAS PROVISÕES NÃO AUTORIZADAS O contribuinte no ano de 2003 contabilizou a despesa operacional intitulada "Arrendamento Prefeitura" no montante de R$ 5.051.678,40, que reflete os efeitos do negócio jurídico de arrendamento oneroso dos bens públicos do município de Diadema para a SANED e que foi oficializado por meio do contrato de Arrendamento e Prestação Mútua de Serviços. Este servidor considera incompatível a dedução desta despesa pelas razões de direito a seguir descritas: a) A prefeitura do município de Diadema celebrou com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) um contrato de concessão para que esta explorasse a execução e exploração de saneamento básico pelo prazo de 30 (trinta) anos a contar do dia 05 de março de 1975. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 6 5 Por ocasião da concessão, a prefeitura do município de Diadema transferiu à SABESP os bens patrimoniais de uso comum destinados a execução e exploração de saneamento básico, conforme descrito no artigo 8 ° da lei número 497/74 e na cláusula 4°, §1° do contrato de concessão; A prefeitura do município de Diadema amparada na lei número 1.254/93 extinguiu por ato unilateral a concessão dos serviços concedidos A SABESP antes do prazo estabelecido para a concessão, ficando, assim, sujeita ao pagamento de indenização nos termos dos artigos 36 e 37 da lei federal número 8.987 de 13 de fevereiro de 1995; Amparada na autorização legislativa prevista na lei número 1.254/93, a SANED foi criada através de Escritura Pública de Constituição de Sociedade Anônima com o fim de "explorar os serviços públicos de abastecimento de água e os esgotos sanitários do município de Diadema"; A Prefeitura do município de Diadema detém o controle acionário da fiscalizada (70%) e valendose dessa relação de supremacia celebrou com a mesma um contrato de Arrendamento e Prestação Mútua de Serviços dos bens públicos municipais vinculados exclusivamente aos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário; 0 contrato de arrendamento celebrado entre a Prefeitura do Município de Diadema e SANED estipula o seguinte: Cláusula 2a Do valor do Arrendamento dos Bens — "o valor base de cálculo do arrendamento será igual ao valor final que vier a ser apurado e ajustado entre a Prefeitura do Município de Diadema e a SABESP, com a interveniência da SANED, para indenização dos bens objeto da reversão da rescisão da concessão firmada entre as mesmas"; § 1° Até que seja concluído o processo de apuração do valor da indenização entre a PMD e a SABESP fica definido o valor provisório de R$ 35.000.000,00; § 3 0 0 custo do arrendamento será de 1% ao mês, calculados sobre os valores base de cálculo definidos nos parágrafos anteriores; 0 artigo 3° da lei número 1.254/93 que autorizou a constituição da SANED determina que "0 município de Diadema providenciará no sentido de apurar créditos ou débitos da Concessionária (SABESP), observado o disposto no parágrafo único do artigo 293, das Disposições Constitucionais Gerais da Constituição do Estado de Sao Paulo. Em vista do exposto e considerando que: Fl. 450DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 7 6 1° A fiscalizada tem personalidade jurídica distinta da Prefeitura do Município de Diadema que a criou; 2° 0 valor base de cálculo do arrendamento celebrado entre a Fiscalizada e a Prefeitura de Diadema será igual ao valor final que vier a ser apurado e ajustado entre a Municipalidade e a SABESP, a titulo de "indenização" 3° Que o artigo 3° da lei número 1.254/93, que autorizou a criação da fiscalizada determina que cabe à Prefeitura do Município de Diadema apurar créditos ou débitos da Concessionária (SABESP) e não à SANED; 4° Que o sujeito passivo da indenização (Obrigação de indenizar) a ser paga à SABESP é a Prefeitura do Município de Diadema e não a SANED; 5° Que uma despesa para ser considerada incorrida ou consumida deve ser necessária para à manutenção da atividade da empresa, mantendo uma conexão direta de causa e efeito sob o regime de competência de exercício. 6° Em sentido contrário ao que prescreve o artigo 47 da lei número 4.506/64 e o artigo 299 do "RIR/99", promulgado pelo Decreto número 3.000 de 26/03/1999, serão tratados como desnecessários aqueles que não possuem uma relação vinculada à atividade da empresa ou à manutenção da fonte produtiva para a realização das transações ou operações exigidas por lei. 7° No caso em tela, o desembolso foi apropriado mensalmente sem uma conexão de causa e efeito com a atividade da fonte produtiva. 8° Ao se estabelecer para a SANED, por contrato (De arrendamento e Prestação Mútua de Serviços dos Bens Públicos), uma remuneração atribuída Prefeitura de Diadema cujo fato gerador seria uma indenização ajustada (inclusive judicialmente) entre a Municipalidade e a Sabesp por quebra unilateral de vontade, constatase, fiscal e contabilmente a realização de uma provisão para perdas, no regime de competência, cuja dedução está vedada expressamente em lei. Em vista do exposto nos itens acima, é opinião deste servidor que o valor de R$ 5.051.678,40 contabilizado no ano de 2003 como despesa de "Arrendamento Prefeitura" pela fiscalizada referese a provisão para perdas que não são de titularidade da fiscalizada, mas sim da Prefeitura do Município de Diadema, não devendo ser considerado como despesa dedutivel e sim objeto de glosa por parte deste procedimento. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 8 7 INFORMAÇÕES FINAIS. Fica ressalvado o direito de a Fazenda Nacional proceder a novas verificações, mesmo em relação ao período ora verificado, em decorrência de novos fatos ou novas circunstâncias que possam advir. 0 presente procedimento administrativo somente analisou os valores lançados pelo contribuinte em sua Declaração de Informações Econômico Fiscais do exercício 2004 como Outras Despesas Operacionais. E, para constar e surtir seus efeitos legais, lavramos o presente termo em três vias de igual teor, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal cuja ciência ao contribuinte se dará por meio de Aviso de Recebimento (AR) da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). Em sede de impugnação, a Recorrente aduziu a improcedência do auto de infração, assim resumido no âmbito da DRJ, a saber: Registra, de inicio, ter personalidade jurídica própria e responder por suas obrigações tributárias como pessoa jurídica de direito privado, cujo capital social é formado por ações das quais 70% são detidas pela Prefeitura Municipal de Diadema, não se confundindo com órgãos da administração pública direta. Aborda o Contrato de Arrendamento Mercantil pelo qual arrendou, da Prefeitura Municipal de Diadema, bens públicos (móveis ou imóveis) a ela pertencentes, especialmente rede de tubulação de água e esgoto, reservatórios e estações de tratamento existentes no Município, os quais facilitariam a execução do serviço/interesse público. O arrendamento se deu mediante a contraprestação estabelecida na cláusula 7' do contrato e que vem sendo paga ano a ano mediante depósitos ou encontro de contas (doc. 36). Defende a existência de relação de causa/efeito para a despesa questionada, alegando que: dado o objetivofim da Impugnante a utilização dos bens (rede de abastecimento de água, rede de coleta de esgotamento sanitário, reservatórios) deve ser paga A Municipalidade (arrendadora); Fl. 452DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 9 8 ainda que o dispêndio com o arrendamento tenha por base o valor a ser pago a titulo de indenização pela Prefeitura de Diadema à SABESP por força da encampação do serviço e reversão dos bens (doc. 31/35), é fato que as obrigações contraídas entre PMD e SANED decorrem da utilização dos bens, não podendo serem tidas como indedutiveis; ao contrário do alegado pelo Sr. Auditor, o valor pago para a PMD tem como BASE DE CÁLCULO, o valor final a ser ajustado entre PMD e SABESP, e este valor, motivo de disputa judicial (doc. 79), não impede o pagamento pela Impugnante do valor provisório firmado no aditamento ao arrendamento de R$ 35.000.000,00 (trinta e cinco milhões) por 10 anos (doc. 46); o pagamento da obrigação pelo arrendamento é, dessa forma, independente do valor que vier a ser atribuído ex indenização pelos bens, entre PMD e SABESP, devendo a impugnante pagar pela utilização dos bens que já foram revertidos e incorporados à Municipalidade; o fato de a Municipalidade ainda não ter pago pelos bens que arrendou ora impugnante, não pode impedir o pagamento do arrendamento pela Impugnante, pois obrigação com sujeitos ativos e passivos distintos; irrelevante o fato da Impugnante ter mais de 70% de suas ações em poder da Prefeitura Municipal, uma vez que, como já salientado, são personalidades jurídicas DISTINTAS, com obrigações civis, tributárias e comerciais distintas, não tendo qualquer vinculo hierárquico entre os dois órgãos. Considera inaplicáveis ao caso os dispositivos legais apontados na autuação, porque não descumpridos perante o Fisco, argumentando: quanto ao art. 299 do RIR/99: que todos os bens públicos arrendados (tubulações de água e esgoto, reservatórios, galpões, estações de tratamento, etc), SÃO diariamente utilizados pela Impugnante, sendo ESSENCIAL para sua atividade de prestadora de serviço público; que a falta de pagamento pelos bens arrendados poderia ensejar a rescisão do contrato pelo inadimplemento, causando SÉRIOS E GRAVES prejuízos aos usuários, além de ensejar verdadeiro enriquecimento sem causa da Impugnante, utilizando bens SEM a contraprestação necessária; quanto aos art. 294, I, e 251, § único, do RIR199: incabível sua aplicação, por se tratar de despesas Fl. 453DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 10 9 operacionais, cujos valores são tidos como dedutiveis do lucro real e estão corretamente escrituradas; quanto ao art. 13, I, da Lei 9.249/98: Inaplicável, uma vez que o RIR permite a dedução de despesas operacionais, nos termos do art. 299 do mesmo regulamento; quanto aos dispositivos que fundamentam o lançamento de CSLL: por serem corolários da equivocada autuação quanto ao IRPJ, não her insuficiência na determinação da base de cálculo da CSLL, uma vez que os valores declarados correspondem ao lucro real da empresa. Assevera que, tratandose de contrato de arrendamento de bens públicos móveis e imóveis, a jurisprudência administrativa é pacifica no sentido da possibilidade de tal pagamento classificarse como despesa dedutivel. Cita ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes que entende corroborar sua tese, destacando: serem dedutiveis as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato de arrendamento mercantil, desde que comprovado estarem os bens arrendados intrinsecamente relacionados com a produção e comercialização dos bens e serviços, bem como as despesas relacionadas com os referidos bens; insubsistência da cobrança de IRPJ sobre parcelas pagas em contrato de arrendamento mercantil, reputado compra e venda simulada. Opõese ao entendimento fiscal de que não poderia a fiscalizada pagar a indenização devida pela PMD à SABESP, pois tal despesa não seria de sua titularidade, argumentando tratarse de despesa existente para pagamento por utilização de bens públicos de propriedade da Prefeitura, de modo que nada haveria de ilegal na contraprestação em dinheiro ou encontro de contas. Reportase à ementa de decisão judicial em que o TRF da 3a Regido teria considerado plenamente possível uma empresa controlada pagar à controladora, valores computados como despesa operacional (pagamento de prestação de serviços administrativos, contábeis, financeiros, comerciais, jurídicos), sendo considerados dedutiveis e não compondo a renda ou lucro real ou liquido para fins de tributação do art. 299 do RIR/99 e 47 da lei 4.506/94. Conclui ser perfeitamente possível EXISTIR contrato entre empresa controladora e controlada, deduzindose como despesas operacionais o pagamento de uma Trpara outra, Fl. 454DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 11 10 e, mutatis mutandis, outorga para a Impugnante a legalidade da provisão de perdas no regime de competência, com deduções (despesas operacionais) permitidas pela lei. Discorda da base de cálculo utilizada na autuação alegando que o valor que efetivamente deixou de integrar a renda/ativo no período contabilizado de 2003, foi de la 2.562.390,10 (doc. 47), valor este que foi pago a titulo de arrendamento, e não R$ 5.051.678,40. Finaliza resumindo seus argumentos nos seguintes tópicos: 0 contrato de arrendamento tem valor certo (aditamento, doc. 46), sendo despesa operacional revestida de normalidade, necessidade, efetividade e usualidade devida da Impugnante; Não há a necessidade de glosar as despesas, uma vez que é dever legal e contratual da arrendatária (SANED) pagar os bens arrendados à Prefeitura de Diadema; Se o valor do arrendamento tiver mas não tem como base de cálculo o futuro valor da indenização a ser pago pela Prefeitura ei SABESP, isto não impede o imediato pagamento (do arrendamento), uma vez que os bens esteio sendo utilizados nas atividades diárias da Impugnante, devendo haver a devida contrapresta cão, sob pena de enriquecimento sem causa; A responsável pelo pagamento da indenização dos bens revertidos é da Municipalidade de Diadema, pessoa jurídica distinta da Impugnante e com obrigações tributárias, comerciais e civis próprias. A responsabilidade pelo pagamento do arrendamento (locação para o direito privado) é da Impugnante. Cada Ente responde pelas suas obrigações; Caracterizado como despesa operacional, aplicase o art. 299 do RIR/99 c.c 47 da lei 4.506/94, revestindose de legalidade o ato da dedução contábil para "outras despesas" que não entram no fato gerador do IRPJ e no corolário tributo CSLL. Em julgamento perante a Delegacia Regional de Julgamento de Campinas, a Turma Julgadora entendeu por manter o auto de infração, tendo a decisão sido assim ementada: Fl. 455DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 12 11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DESPESA. DEDUTIBILIDADE. CONTRATO DE ARRENDAMENTO. Indedutível a despesa decorrente de contrato de arrendamento de bens mensurada em função de valor de obrigação da arrendadora para com terceiros. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. A contabilização de despesa mensurada por parâmetro que denota liberalidade em favor de empresa controladora implica inobservância do principio contábil da entidade, ensejando a glosa da despesa na apuração do lucro liquido da empresa base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL. É o relatório. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 13 12 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. A questão referese à glosa de valores registrados pela Contribuinte como “Arrendamento Prefeitura”, relativos a valores que deveriam ter sido recebidos junto à Prefeitura de Diadema, em montante equivalente ao que a SABESP deverá indenizar a municipalidade. Não vejo como referida dedução seja possível. Do voto da DRJ, temse o seguinte: Ao se estabelecer para a SANED, por contrato (De arrendamento e Prestação Mútua de Serviços dos Bens Públicos), uma remuneração atribuída Prefeitura de Diadema cujo fato gerador seria uma indenização ajustada (inclusive judicialmente) entre a Municipalidade e a Sabesp por quebra unilateral de vontade, constatase, fiscal e contabilmente a realização de uma provisão para perdas, no regime de competência, cuja dedução está vedada expressamente em lei. Em vista do exposto nos itens acima, é opinião deste servidor que o valor de R$ 5.051.678,40 contabilizado no ano de 2003 como despesa de "Arrendamento Prefeitura" pela fiscalizada referese a provisão para perdas que não são de titularidade da fiscalizada, mas sim da Prefeitura do Município de Diadema, não devendo ser considerado como despesa dedutível e sim objeto de glosa por parte deste procedimento. Em vista do exposto nos itens acima, é opinião deste servidor que o valor de R$ 5.051.678,40 contabilizado no ano de 2003 como despesa de "Arrendamento Prefeitura" pela fiscalizada referese a provisão para perdas que não são de titularidade da fiscalizada, mas sim da Prefeitura do Município de Diadema, não devendo ser considerado como despesa dedutivel e sim objeto de glosa por parte deste procedimento. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 14 13 (...) Nestas circunstâncias, não há como admitir que as despesas de arrendamento sejam normais e usuais. O valor despendido para concretização dos serviços, além da necessidade, deve refletir a normalidade e usualidade no despenho da atividade. Argumenta, ainda, a impugnante que o pagamento da obrigação pelo arrendamento independe do valor que vier a ser atribuído à indenização devida pela Prefeitura Municipal à SABESP. Todavia não é isso que reflete a cláusula 2 a do contrato de arrendamento entre a Prefeitura e a SANED, que expressamente fixa a base de cálculo do arrendamento em função do valor final da indenização a ser apurado e ajustado entre a Prefeitura e a SABESP. Para maior clareza transcrevese novamente o caput da cláusula 2a: "o valor base de cálculo do arrendamento será igual ao valor final que vier a ser apurado e ajustado entre a Prefeitura do Município de Diadema e a SABESP, com a interveniencia da SANED, para indenização dos bens objeto da reversão da rescisão da concessão firmada entre as mesmas." (Destaque acrescido). Em verdade, não só o valor devido pela SABESP cabe, em um primeiro momento, à Prefeitura de Diadema como referido valor é incerto. Não pode, assim, a Contribuinte, lançar como despesa o valor equivalente a essa inadimplência. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso tanto para o IRPJ quanto para a CSLL. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 458DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10932.000780/200713 Acórdão n.º 1401001.350 S1C4T1 Fl. 15 14 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 13896.910153/2012-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 15 3/ 20 12 -1 3 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910153/201213 Resolução nº 3801000.921 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 254DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910153/201213 Resolução nº 3801000.921 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910153/201213 Resolução nº 3801000.921 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910153/201213 Resolução nº 3801000.921 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 257DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910153/201213 Resolução nº 3801000.921 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 258DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13839.000516/2002-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/05/2000
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. PROCEDIMENTO DE REVISÃO ADUANEIRA. APURADA INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO PAGO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DA DIFERENÇA APURADA E NÃO PAGA OU CONFESSADA. POSSIBILIDADE.
Se não houve lançamento de ofício anterior, realizado sobre o mesmo sujeito passivo, não caracteriza mudança de critério jurídico o lançamento de ofício decorrente de procedimento de revisão aduaneira, em que apurada insuficiência de recolhimento de tributos incidentes na operação de importação, por aplicação incorreta de alíquota do tributo devido.
REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE.
No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 26/05/2000 REDUÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INDICAÇÃO CORRETA DE “EX” TARIFÁRIO. COBRANÇA DA DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADA. IMPOSSIBILIDADE. Não é cabível a exigência da diferença de crédito tributário apurada, uma vez comprovado, por meio de laudo técnico, que a descrição do equipamento importado se enquadra no texto do “ex” tarifário indicado na Declaração de Importação (DI). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 26/05/2000 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. INDEVIDA A COBRANÇA DA DIFERENÇA DO II. RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. Se incabível a cobrança diferença do II, de forma reflexa e automática, torna se indevida a recomposição da base de cálculo do IPI vinculado à respectiva operação de importação e, em decorrência, a cobrança do IPI lançado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/05/2000 MULTA DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO DO EQUIPAMENTO COM TODOS OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS À SUA IDENTIFICAÇÃO E AO ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO PLEITEADO. AUSÊNCIA DE DOLO OU MÁFÉ. INAPLICABILIDADE. Não constitui infração punível com a multa de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a indicação indevida de destaque “ex”, nos casos em que o produto apresenta todos os elementos necessários à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 05 16 /2 00 2- 13 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 2 sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate intuito doloso ou má fé por parte do declarante. MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO (LI). INEXIBILIDADE DE NOVO LICENCIAMENTO. INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Se inexigível novo licenciamento, automático ou não, inocorre a infração ao controle administrativo por falta de LI, em consequência, inaplicável a multa correspondente. A manutenção da classificação fiscal declarada pelo importador, obviamente, dispensa a realização de novo licenciamento da mercadoria importada. MULTA POR FALTA DE LI. DESCRIÇÃO DO EQUIPAMENTO COM TODOS OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS À SUA IDENTIFICAÇÃO E AO ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO PLEITEADO. AUSÊNCIA DE DOLO OU MÁ FÉ. INAPLICABILIDADE. Se exigível novo licenciamento, automático ou não, não constitui infração administrativa ao controle das importações, punível com a multa por falta de LI, a indicação indevida de destaque “ex”, nos casos em que a descrição do equipamento apresenta todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate intuito doloso ou má fé por parte do declarante. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/05/2000 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. PROCEDIMENTO DE REVISÃO ADUANEIRA. APURADA INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO PAGO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DA DIFERENÇA APURADA E NÃO PAGA OU CONFESSADA. POSSIBILIDADE. Se não houve lançamento de ofício anterior, realizado sobre o mesmo sujeito passivo, não caracteriza mudança de critério jurídico o lançamento de ofício decorrente de procedimento de revisão aduaneira, em que apurada insuficiência de recolhimento de tributos incidentes na operação de importação, por aplicação incorreta de alíquota do tributo devido. REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13839.000516/200213 Acórdão n.º 3102002.348 S3C1T2 Fl. 101 3 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 4/13), em que formalizada a exigência de Imposto sobre a Importação (II) e de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescido de multa de ofíco, multa do controle administrativo das importações, por falta de Licença de Importação (LI) e de juros de mora, calculados até 21/1/2002, no total de R$ 1.903.127,03. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 14/23, a fiscalização informou que, em ato de revisão aduaneira da adição 001 da Declaração de Importação (DI) de nº 00/04728364, registrada em 26/5/2000, parametrizada para o canal vermelho de conferência, apurou que a autuada beneficiarase indevidamente de “ex” tarifário previsto para mercadoria diferente da que fora importada, razão pela qual era devido o recolhimento dos referidos gravames. A fiscalização ainda esclareceu que: a) mercadora submetida a despacho fora descrita na DI como sendo “Unidade integrada para obtenção de oxigênio gasoso, com separação de ar, com grau de pureza igual ou superior a 90% de oxigênio, vasos de processo e de estocagem, bomba de vácuo, compressores de ar e de oxigênio e silenciadores, com respectivos painéis de controle e peças de instalação integrantes do sistema, desmontado para transporte”, classificada no código NCM 8479.89.99 e no “ex” tarifário nº 154, com redução do II de 18% para 5%. b) com base na conclusão apresentada no Laudo Técnico oficial de fls. 114/118, no sentido de que a mercadoria importada era compatível com a descrita no texto do referido “ex”, a fiscalização aduaneira procedeu o desembaraço aduaneiro sem qualquer exigência de crédito tributário; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 4 c) posteriormente, em procedimento de revisão aduaneira, solicitara novo Laudo Técnico oficial (fls. 56/72), que fora elaborado por outro perito e, nesta nova inspeção, baseandose na verificação física do equipamento em funcionamento no estabelecimento industrial do importador, o perito concluíra que o produto importado não se enquadrava no texto do “ex” pleiteado; e d) a divergência básica entre os dois laudos referiase ao estado (gasoso ou líquido) do oxigênio produzido pela máquina, isto é, o texto do “ex” pleiteado referiase à obtenção de oxigênio em estado gasoso e o segundo perito concluíra que o equipamento prestavase à obtenção de oxigênio em estado líquido. Em sede de impugnação, a autuada alegou que: a) o equipamento importado enquadravase no texto do “ex” pleiteado, conforme reconhecido pelo primeiro laudo (base para o desembaraço) e solicitou a realização de nova perícia para dirimir controvérsia entre as conclusões dos laudos; b) questiona o instituto da revisão aduaneira, alegando que, nos termos do art. 145 e 149, IV e VII, do CTN, a revisão aduaneira de ofício só poderia ocorrer quando se comprovasse falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória, o que não ocorrera o caso em tela; c) a revisão lançamento por erro de direito não detectado pelo fisco, que a aceitou integralmente as informações do importador, constituíase em alteração de critério jurídico vedado pelo art. 146 do CTN; d) não tinha relevância os detalhes apresentados no laudo pericial que embasou o desenquadramento do “ex”, pois, a unidade importada produzia tanto oxigênio gasoso como líquido, com pureza acima de 90%; e) a perfomance do equipamento descrito no catálogo do fabricante (fls. 56/72), pelo qual a planta produz apenas oxigênio líquido e nada de oxigênio gasoso, referese apenas a uma das configurações, havendo outras configurações alternativas; e f) era indevida a aplicação da multa de ofício, por falta de recolhimento dos tributos, e a multa do controle administrativo, por importação ao desamparo de LI. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 209/234), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado procedente e mantido o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 26/05/2000 INDICAÇÃO INDEVIDA DE DESTAQUE “EX”. Constatandose que as características da mercadoria importada não se enquadram literalmente no texto do destaque “EX” tarifário, cabe a descaracterização do mesmo por parte da fiscalização, bem como a exigência dos tributos devidos, com os respectivos acréscimos legais, inclusive os reflexos sobre o IPI vinculado à importação. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13839.000516/200213 Acórdão n.º 3102002.348 S3C1T2 Fl. 102 5 Constatado que classificação fiscal e a descrição da mercadoria indicadas na Licença de Importação divergem em relação ao produto submetido a despacho aduaneiro, fica configurada a importação ao desamparo do citado documento, fato punível com a multa de trinta por cento do valor da mercadoria. MULTA DE OFÍCIO: A declaração inexata da mercadoria que implique em desenquadramento de EXtarifário, enseja a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. JUROS DE MORA. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, em conformidade com o que expressamente dispõe a legislação em vigor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/05/2000 REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO PELO CTN O desembaraço aduaneiro da mercadoria não implica homologação dos atos praticados pelo importador. Configurada a importação de mercadorias ao desamparo de benefício fiscal (EX tarifário), é cabível a revisão aduaneira, desde que não haja decaído, à Fazenda Nacional , o direito de constituir o crédito tributário. (art. nº 455 do Decreto nº 91.030, de 05/03/1985 Regulamento Aduaneiro) REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. O desembaraço da mercadoria não configura homologação do recolhimento realizado pelo contribuinte. Revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não de lançamento, sendo, por isso, incabível a argüição de mudança de critério jurídico (o qual é vedado pelo art. 146 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/05/2000 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. De acordo com o art. 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação que lhe foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, indeferese o pedido de perícia quando a solicitante apresenta apenas razões vagas e genéricas para justificar a sua realização, e não indica qualquer quesito que pretenda seja respondido. Ademais, considerase a perícia prescindível para o deslinde da matéria em discussão, posto que os elementos probatórios acostados aos autos são suficientes para o julgador firmar seu convencimento. Em 22/12/2008, a autuada foi cientificada da referida decisão (fl. 318). Inconformada, em 19/1/2008, protocolou o recurso voluntário de fls. 264/304, em que Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 6 reafirmou as razões de defesa apresentadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou a existência de prescrição intercorrente. Na Sessão de 18 de março de 2008, por intermédio da Resolução nº 3102 00.110 (fls. 320/323), os membros deste Colegiado, converteram o julgamento em diligência, para que fosse a unidade da Receita Federal de origem informasse se mercadoria desembaraçada, tal como classificada na posição indicada pela autoridade fiscalizadora, no auto de infração, estava sujeita ao licenciamento nãoautomático à época do fato gerador. Além disso, a fim de melhor analisar a lide, fosse complementado o laudo pericial e respondido pelo perito oficial os seguintes questionamentos, in verbis: 1) A mercadoria desembaraçada produz apenas oxigênio em estado líquido ou produz oxigênio em estado gasoso e líquido? 2) Caso produza oxigênio em estado gasoso e líquido, procede o argumento do contribuinte de que o oxigênio é produzido em estado líquido apenas para conservação e/ou transporte, não possuindo aplicação em estado líquido? Em atendimento às solicitações contidas na citada Resolução, foram colacionados aos autos (i) cópia da legislação sobre o tratamento administrativo dos produtos classificados no código NCM 8479.8999 (fls. 340/344), vigente na época da importação, (ii) novo Laudo Técnico elaborado pela perita Soelly Magalhães do Valle (fls. 310/413), com as resposta aos quesitos formulados no citado pedido de diligência, e (iii) manifestação da recorrente a respeito das conclusões apresentadas no Laudo Técnico (fls. 416/420). Na referida manifestação, a recorrente alegou que, das afirmações apresentadas no novo Laudo, em resposta ao primeiro quesito, depreendiase que a mercadoria desembaraçada tanto produzia oxigênio em estado gasoso quanto em estado líquido, conforme asseverou primeiro assistente técnico. Outrossim, esclareceu que, no estudo realizado na planta instalada, verificavase que o fabricante do equipamento criara um desvio de oxigênio líquido que faz com que este retornasse à quarta etapa e fosse transformado em oxigênio gasoso. Logo, devia ser reconhecida como correto o enquadramento no “ex” tarifário pleiteado pela recorrete. Ainda segundo a recorrente, a perita afirmara que o oxigênio na forma líquida ocupava menos espaço e facilitava a armazenagem e o transporte, logo a planta industrial permitia a obtenção tanto do oxigênio líquido quanto do gasoso, sendo certo que a forma líquida era utilizada única e tão somente para facilitar o armazenamento e/ou transporte do produto. Ademais, a aplicação final do oxigênio davase somente sob a forma gasosa, sendo esta a única destinação dada pela recorrente ao oxigênio na forma líquida. Também discordou dos exemplos de aplicação do oxigênio líquido, apresentados no referido Laudo. Em 18/10/2011, os autos retornaram a este Conselho. Na Sessão de 24/7/2014, foram redistribuídos para este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13839.000516/200213 Acórdão n.º 3102002.348 S3C1T2 Fl. 103 7 A controvérsia envolve questões preliminares e de mérito. I Da Análise das Questões preliminares Em sede de preliminar, a recorrente alegou: a) nulidade das autuações por impossibilidade de revisão do lançamento por mudança de critério jurídico; e b) a existência de prescrição intercorrente. Da nulidade das autuações. A recorrente alegou nulidade das autuações com base no argumento de que o presente procedimento o lançamento não poderia ser revisto, em face da mudança de critério jurídico, prevista no art. 146 do CTN, que tem o seguinte teor, ipsis litteris: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos não originais) No âmbito do lançamento tributário, de acordo com o referido preceito legal, para a configuração da mudança do critério jurídico nele prevista, três condições cumulativas são necessárias, a saber: a) a primeira: haja um prévio ato de lançamento de ofício, em que a autoridade administrativa tenha adotado um determinado critério jurídico (condição necessária); b) a segunda: a modificação do critério jurídico anteriormente aplicado seja introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de ofício) ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial (por meio de decisão administrativa ou judicial); e c) a terceira: tanto o ato de lançamento quanto o ato de ofício e as decisões administrativa e judicial refiramse a um mesmo sujeito passivo. No caso em tela, nenhuma das condições foram atendidas, pois se não houve prévio lançamento de ofício (condição necessária), consequentemente, não houve a alegada mudança do critério jurídico. O despacho aduaneiro de importação é um procedimento de natureza mista, realizado com o objetivo de liberar a mercadoria importada e, simultaneamente, a apurar o crédito tributário devido na operação de importação. Ele processase e tem como documento base a Declaração de Importação (DI), elaborada e registrada pelo importador no Siscomex, e se desenvolve em duas etapas sequenciais: a fase conferência aduaneira e a fase de revisão aduaneira. A fase conferência aduaneira, que se inicia com registro da DI e se encerra com o ato de desembaraço aduaneiro (liberação da mercadoria), proferido pela autoridade fiscal, e tem por finalidade identificar o importador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 8 cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação. Nesta fase, o objetivo principal da atividade de conferência é a liberação da mercadoria. Por sua vez, a fase de revisão aduaneira, que se inicia com o ato de desembaraço aduaneiro e se encerra (i) na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado, ou (ii) com o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da DI, e tem por finalidade apurar a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. Nesta fase, o objetivo principal da atividade de revisão é a constituição de eventual diferença de crédito tributário apurada. O procedimento de revisão aduaneira, encontrase previsto no art. art. 541 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo Decretolei 2.472/1988, que remete ao regulamento o estabelecimento dos requisitos para o citado procedimento. No Regulamento de Aduaneiro de 2002 (Decreto 4.543/2002), o procedimento encontravase disciplinado no art. 570, a seguir transcrito: Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei no 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei no 1.578, de 1977, art. 8o). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. (grifos não originais). Os referidos preceitos legal e regulamentar estão em perfeita consonância com o disposto no art. 149, I, do CTN, a seguir transcrito: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; [...] (grifos não originais) 1 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13839.000516/200213 Acórdão n.º 3102002.348 S3C1T2 Fl. 104 9 Assim, os lançamentos em questão estão respaldados no art. 149, I, do CTN, combinado com o disposto no art. 54 do Decretolei 37/1966, em consequência, não lhe sendo aplicável o disposto no art. 149, IV e VII, do CTN, conforme alegado pela recorrente. Com base nessas considerações, fica demonstrado que os presentes lançamentos tratam de alteração no procedimento de apuração do crédito tributário apurado pela própria recorrente na adição 001 da Declaração de Importação (DI) de nº 00/04728364, registrada em 26/5/2000. Em outros termos, tratase de procedimento de revisão do lançamento por homologação, ou seja, procedimento de apuração de crédito tributário realizado pela própria recorrente no âmbito do respectivo despacho aduaneiro de importação. Dessa forma, não se aplica ao caso em tela, a restrição prevista no art. 146 do CTN, em decorrência, não existe a alegada nulidade dos lançamentos por mudança de critério jurídico suscitada pela recorrente, pois, além de não ter havido lançamento de ofício anterior, a realização do novo lançamento decorreu de fato novo não conhecido anteriormente pela autoridade fiscal, qual seja, a unidade fabril em destaque não se destinava a produção oxigênio gasoso, como informado na DI e descrito no texto do mencionado “ex” tarifário, mas a produção de oxigênio líquido, conforme concluíra o segundo Laudo Técnico, com base no qual foi realizada autuação. Por todas essas razões, rejeitase a preliminar nulidade das autuações suscitada pela recorrente. Da prescrição intercorrente. A recorrente alegou a perda do direito de cobrança da Fazenda Nacional, caracterizada pela inércia no julgamento da lide, que ficou pendente por mais de 5 (cinco) anos, haja vista que as autuações foram impugnadas em 19/3/2002 e a decisão de 1ª instância somente fora proferida em 22/12/2008. Não assistente razão a recorrente. A prescrição intercorrente, prevista no § 1º do art. 1º2 da Lei nº 9.873, de 1.999, aplicase exclusivamente à ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, concernente ao exercício do poder de polícia. Com efeito, o disposto no referido preceito legal, não se aplica ao processo administrativo fiscal, conforme expressamente ressalvado no art. 5º da referida Lei, a seguir a transcrito: Art. 5º O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. 2 "Art. 1º Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1º Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. § 2º Quando o fato objeto da ação punitiva da Administração também constituir crime, a prescrição regerseá pelo prazo previsto na lei penal. Art. 1ºA. Constituído definitivamente o crédito não tributário, após o término regular do processo administrativo, prescreve em 5 (cinco) anos a ação de execução da administração pública federal relativa a crédito decorrente da aplicação de multa por infração à legislação em vigor. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)". Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 10 No âmbito processo administrativo fiscal, por falta de previsão legal, o instituto da prescrição intercorrente não tem aplicação. Na seara processual tributária, esse instituto somente se aplica ao processo de execução fiscal, nos termos do art. 40, § 4º, da Lei nº 6.830, de 1980, com redação dada pelo Lei 11.051/2004. Esse entendimento está em consonância com a jurisprudência deste Conselho, sedimentado por meio da Súmula CARF nº 11, que tem o seguinte teor: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Além disso, por força do disposto no art. 46, VI, do Anexo II do Portaria MF 256/2009 (RICARF), os membros deste Conselho estão obrigados a observar o teor das referidas súmulas. Com base nas razões expostas, não há como acolher a tese da recorrente em defesa da aplicação ao caso em tela da alegada prescrição intercorrente. Do pedido de realização de diligência. Em face do Princípio da Verdade Material que rege o processo administrativo fiscal, a recorrente pleiteou à baixa do processo em diligências, a fim de que fosse submetida ao parecer do “Instituto Nacional de Tecnologia – INT”, para opinar sobre o presente caso, visando à elucidação das questões que controvertidas, em especial quanto a real produção do oxigênio, cuja precisão se mostra absolutamente necessária in casu. Tratase de matéria superada, haja vista que a realização da referida diligência já foi deferida pelos membros deste Colegiado, inclusive, tendo sido realizada por assistente técnico credenciado perante a unidade da Receita Federal de origem. II Da Análise das Questões de Mérito. No mérito, o cerne da controvérsia gira em torno da utilização da redução da alíquota do Imposto sobre a Importação de 18% (alíquota cheia) para 5% (alíquota beneficiada), prevista para o “ex” tarifário nº 154, instituído pela Portaria MF 202/1998, pertinente ao código 8479.89.99 da Tarifa Externa Comum (TEC), para a unidade fabril assim descrita: Unidade integrada para obtenção de oxigênio gasoso, com separação de ar, com grau de pureza igual ou superior a 90% de oxigênio, vasos de processo e de estocagem, bomba de vácuo, compressores de ar e de oxigênio e silenciadores, com respectivos painéis de controle e peças de instalação integrantes do sistema, desmontado para transporte. Com base nas respostas apresentadas no segundo Laudo Técnico (fls. 56/59), concluiu a fiscalização que a unidade fabril importada pela recorrente não tinha as características exatas e essenciais da unidade integrada descrita no citado “ex” tarifário, porque não se tratava de uma “unidade integrada para obtenção de oxigênio gasoso”, mas uma “unidade integrada para obtenção de oxigênio líquido com grau de pureza de 99,6%”. Por sua vez, no recurso em apreço, a recorrente reafirmou a alegação de que unidade fabril por ela importada era uma “unidade integrada para obtenção de oxigênio gasoso”, conforme descrito no primeiro Laudo Técnico (fls. 115/118), elaborado com base na unidade fabril desmontada e nos desenhos e dados técnicos extraídos do manual do fabricante de fls. 119/141 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13839.000516/200213 Acórdão n.º 3102002.348 S3C1T2 Fl. 105 11 Com base no exposto, fica evidenciado que o cerne da controvérsia cingese apenas ao tipo de oxigênio produzido pela referido unidade fabril (se líquido ou gasoso). Ademais, a forma de armazenagem e o modo de transporte tratamse de informações complementares sobre o manuseio e transporte do citado produto, sem relevância para o deslinde controvérsia. Em relação ao ponto fulcral da controvérsia, o primeiro Laudo Técnico (fls. 115/118) afirmou que o unidade fabril importada correspondia à descrição consignada no citado “ex” tarifário, conforme resposta ao primeiro quesito, mas não afirmou que a dita unidade fabril produzia apenas oxigênio gasoso como afirmara a recorrente. De fato, a conclusão exposta no citado Laudo era que se tratava “de equipamento utilizado pela indústria de extração de oxigênio, entre outros gases, à partir do ar, para diversos usos industriais, comerciais, hospitalares, etc.” Por sua vez, o segundo Laudo Técnico (fls. 56/59), que serviu de base para as autuações em questão, esclareceu que a produção de oxigênio podia ser separado do ar, por dois processos distintos: a) o criogênico (ar no estado liquido) ou liquefação criogênica e destilação (cryogenic liquefacion and destilation); e b) não criogênico (ar no estado gasoso) ou separação por adsorção à vácuo (vacuum swing adsorption (VSA) separation). E especificamente em relação ao equipamento importado concluiu que: A mercadoria verificada utiliza o processo criogênico, ou seja, o ar é comprimido a alta pressão e resfriado. Numa peneira molecular, a umidade e dióxido de carbono são retirados. O ar é então resfriado e liqüefeito em um trocaclor de calor. Na coluna de destilação, o ar liqüefeito se expande. Devido a diferenças entre os pontos de ebulição do oxigênio e nitrogênio, o vapor que sobe pela coluna tornase rico em nitrogênio, e o que desce tomase rico em oxigênio onde é condensado na forma líquida. Finalizando, o gás nitrogênio puro sai do topo da coluna e vai para uma seção de liquefação, onde é comercializado como produto liqüido, e o oxigênio líquido é retirado e passado diretamente para a armazenagem. Diante da falta de clareza e contradição explicitadas no primeiro Laudo Técnico em relação às informações técnicas e conclusões precisas apresentadas no segundo Laudo Técnico, o julgamento foi convertido em diligência, para que fosse prestado os seguintes esclarecimentos: 1) A mercadoria desembaraçada produz apenas oxigênio em estado líquido ou produz oxigênio em estado gasoso e líquido? 2) Caso produza oxigênio em estado gasoso e líquido, procede o argumento do contribuinte de que o oxigênio é produzido em estado líquido apenas para conservação e/ou transporte, não possuindo aplicação em estado líquido? Em atendimento à referida solicitação, foi elaborado o terceiro Laudo Técnico (fls. 346/376), de onde se extrai as seguintes repostas em relação à primeira questão, in verbis: Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 12 A Unidade importada tem as seguintes opções e, portanto pode produzir as seguintes opções: a) Oxigênio gasoso ou liquido em quantidades variadas, b) Somente oxigênio gasoso, c) Somente oxigênio liquido, d) Argônio, em baixíssimas quantidades e) NOTA: O oxigênio liquido é obtido na planta de fabricação de nitrogênio. NO ESTUDO DA PLANTA INSTALADA NA INDÚSTRIA IBG (importada e atualmente desativada), VERIFICAMOS QUE O FABRICANTE, CRIOU UM DESVIO DO OXIGÊNIO LIQUIDO, ONDE O MESMO RETORNA A 4ª. ETAPA, E É TRANSFORMADO EM OXIGÊNIO GASOSO. E em relação à segunda questão, foi apresentada a seguinte resposta, in verbis: A planta industrial tem a possibilidade de obter oxigênio gasoso e líquido. A forma líquida de oxigênio ocupa menos espaço o que facilita a armazenagem e transporte, portanto é correto a afirmativa para transporte. É provável que comercialmente para o contribuinte a aplicação final seja só na forma gasosa, na época de compra e trabalho com a usina importada, atualmente a mesma esta inativa. Para a área médica, oxigênio pode ser transportado na forma gasosa (mais barato, ocupa grande espaço) e na forma liquida (mais caro, ocupa baixíssimo espaço). UM LITRO DE OXIGÊNIO LIQUIDO = 860 LITROS DE OXIGÊNIO GASOSO. Na forma liquida, oxigênio liquido, se transforma em gasoso, automaticamente ao contato com o ar. No corpo deste laudo verifique algumas aplicações para oxigênio no estado liquido. Com base nas conclusões apresentadas no terceiro Laudo Técnico e nas informações extraídas do manual do fabricante de fls. 119/141, verificase que a unidade fabril importada pela recorrente produz tanto oxigênio líquido quanto oxigênio gasoso, portanto, em face dessa característica técnica, ela atende adequadamente os requisitos para fruição da redução tributária em questão. Por essas razões, deve ser cancelada a cobrança do II lançado, que foi legitimamente reduzido. Da aplicaçção das multas de ofício. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13839.000516/200213 Acórdão n.º 3102002.348 S3C1T2 Fl. 106 13 Em relação às diferenças de crédito tributário apurado foam aplicadas as multas de ofício previstas no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 e no art. 80, I, da Lei 4.502/1964. Por sua vez, a recorrente alegou que era cabível a exclusão das referidas multas, pois era perfeitamente cabível a aplicação do Ato Declaratório Cosit 10/1997, pois em momento algum fora comprovado qualquer ato de máfé e a mercadoria encontravase corretamente classificada. O citado Ato Declaratório dispõe que: [...] não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Duas condições cumulativas são necessárias para que a diferença de crédito tributária, apurada em decorrência da indicação indevida “ex” tarifário, não seja passível de aplicação das referidas multas, são elas: a) o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado; e b) não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. No caso, as duas condições foram atendidas, uma vez que a fiscalização manteve o enquadramento tarifário do equipamento informado pela recorrente na referida DI, ou seja, o enquadramento no código TEC/TIPI 8479.89.99, conforme declarado pela recorrente, o que confirma que foram fornecidos todos elementos necessários à correta classificação do produto no citado código tafiráfio. Ademais, o fato de a recorrente ter fornecido o manual do fabricante, com todos os dados e informações técnicas necessárias a correta identificação da unidade fabril, confirma que não houve intuito doloso ou má fé por parte da recorrente. Além disso, se houve equívoco por parte de técnico credenciado de que a unidade fabril atendia a descrição do referenciado “ex” tarifário, conforme consignado no primeiro Laudo Técnico, temse por escusável o erro de enquadramento cometido pela recorrente no citado destaque tarifário. Com base nessas considerações, deve ser excluída a cobrança das referidas multas. Da aplicação da multa por falta de Licença de Importação (LI). A multa por falta de LI foi enquadrada no art. 169, I, “b”, do Decretolei 37/1966, regulamentada pelo art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro de 1985 (Decreto 91.030/1985), a seguir transcrito: Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei No 37/66, art. 169, alterado pela Lei No 6.562/78, art. 2º): [...] Fl. 458DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 14 II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; [...] (grifos não originais) A recorrente alegou que era incabível aplicação da referida multa, pois era perfeitamente cabível a aplicação do Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit 12/1997, a seguir transcrito: (...) não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifos não originais). Por se tratar de infração e multa relativa ao controle administrativo das importações, a descrição do produto com todos os elementos necessários à sua identificação e ao seu correto enquadramento tarifário, certamente, está relacionado, exclusivamente, com o descumprimento de exigências atinentes ao licenciamento da importação e não com o descumprimento de exigências de natureza tributária. Em outras palavras, a multa em questão diz respeito ao descumprimento de exigência relacionadas ao controle administrativo das importações determinado na legislação do País, que libera do licenciamento ou não determinados produtos, em consonância com os interesses de ordem econômico, ambiental, cultural, de sáude pública etc. Dessa forma, se uma mercadoria foi corretamente classificada na NCM e devidamente licenciada, obviamente, ela não está sujeita a multa do controle administrativo por falta de licenciamento, uma vez que não houve descumprimento dos requisitos exigidos pela legislação que trata do assunto. Ademais, o fato de haver erro na descrição do produto, em relação ao “ex” tarifário, não implica infração ao controle administrativo, se não houve descumprimento de requisitos previstos na legislação pertinente. Sabidamente, a aplicação da penalidade em comento somente é admitida se exigível novo licenciamento, o que não ocorreu no caso em tela, haja vista que foi mantido o enquadramento tarifário do equipamento no mesmo código da TEC/TIPI informado na DI, ou seja, o código 8479.89.99 da TEC/TIPI. Além disso, não ficou caracterizado o intuito doloso ou má fé por parte da recorrente, pelas razões anteriormente aduzidas. Por todas essas razões, deve ser excluída a cobrança da multa por falta de LI em questão. III Da Conclusão. Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO do recurso, devendo ser cancelada, integralmente, a cobrança do crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 459DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13839.000516/200213 Acórdão n.º 3102002.348 S3C1T2 Fl. 107 15 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 35464.004202/2006-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/07/2006
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA.
O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM:02/02/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 42 02 /2 00 6- 51 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n° 2402 01.543, proferido pela 2a Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2a Seção do CARF em 15/03/2011 (fls. 277/291verso), interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 296/312, com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n.° 256, de 22/06/2009. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: "DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange ei decadência o que dispõe o sS' 4° do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, lerão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. RETENÇÃO – CESSÃO DE MATO DE OBRA OCORRÊNCIA Nos lançamentos referentes a retenção, nas hipóteses previstas na legislação, deve restar clara nos autos a ocorrência da cessão de mão de obra, requisito essencial para a realização do lançamento com amparo no art. 31 da Lei n° 8.212/1991 Processo Anulado." Segundo a Fazenda Nacional, o acórdão recorrido diverge dos paradigmas que apresenta, cujas ementas serão transcritas abaixo: " (..) RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO." (AC 240100.018) Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 9202003.480 CSRFT2 Fl. 6 3 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — IMUNIDADE NULIDADE POR VÍCIO FORMAL — A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento, de vicio insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio." (AC 203 09.332) Explica que o acórdão recorrido entendeu por prover o Recurso Voluntário anulando parcialmente o lançamento, por vicio material, por não restar caracterizada de forma satisfatória, no relatório fiscal do lançamento a efetiva ocorrência de cessão de mão de obra, ou seja, a correta descrição do fato gerador. Argumenta que os paradigmas descritos acima entenderam que, no caso de o Relatório Fiscal não demonstrar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, como a descrição dos fatos geradores, devese anular o lançamento por vicio formal. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção do CARF decidiu pelo seguimento do REsp [fls. 313 e ss]: Mediante análise dos autos, vislumbro a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e o segundo paradigma. De fato, o segundo paradigma entendeu que a descrição deficiente do fato gerador consiste em vicio formal, enquanto que o aresto recorrido observou que tal falha representa vicio material. [...] Por todo o exposto, nos termos em que dispõe o art. 68 do RICARF, dou seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Encaminhemse os autos ao órgão de origem para que o contribuinte tome ciência do acórdão recorrido, do recurso especial da PGFN e deste despacho e, querendo, apresente contrarazões, consoante o disposto no art. 69 do RICARF. Intimado, o interessado apresentou contrarrazões que, em síntese, reitera os argumentos do decisum recorrido. É o relatório. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator De pronto, analisarei a admissibilidade do Recurso Especial interposto. É fato incontroverso nos presentes autos que houve deficiência na motivação do lançamento, por não restar caracterizada de forma satisfatória, no relatório fiscal do lançamento a efetiva ocorrência de cessão de mão de obra, ou seja, a correta descrição do fato gerador. A ora Recorrente argumenta que os paradigmas descritos acima entenderam que, no caso de o Relatório Fiscal não demonstrar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, como a descrição dos fatos geradores, devese anular o lançamento por vicio formal. Segundo a Fazenda Nacional, o acórdão recorrido diverge dos paradigmas que apresenta, cujas ementas serão transcritas abaixo: " (..) RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO." (AC 240100.018) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — IMUNIDADE NULIDADE POR VÍCIO FORMAL — A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento, de vicio insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio." (AC 203 09.332) Pelo exame do acórdão paradigma não é possível inferir qual teria sido a conclusão do referido acórdão em uma situação como a dos presentes autos em que a notificação original foi desconsiderada tendo em vista a existência de um lançamento complementar. No caso presente, os dois paradigmas apresentados tratam de matéria estranha à lide ACÓRDÃO N° 240100018 , conforme se observa do voto condutor do acórdão recorrido: [...]O MPF limitou o trabalho do auditor as contribuições dos segurados empregados, sendo que não confere ao auditor poderes para fiscalizar qualquer contribuição. Se os poderes atribuídos no auto são em relação a remuneração dos segurados Fl. 362DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 9202003.480 CSRFT2 Fl. 7 5 não pode a autoridade fiscal exigir a regularidade de trabalhos realizados ou obras de construção civil realizadas por pessoas jurídicas. As intimações para apresentar documentos foram exíguos o que inviabilizou apresentação dos documentos pela empresa. O TIAD que ensejou o presente AI não discriminou a obrigação da empresa, sendo a mesma descrita em anexo aquele documentos, mas não foi colacionado no presente processo. O TIAD foi emitido em 08/12/2005, porém determinou a apresentação de documentos para 06/01/2005. Diante do exposto, deverá o presente Al considerado nulo. O segundo paradigma apresentado ACÓRDÃO N° 20601026 (ausência da indicação do fundamento legal para o arbitramento). Estamos, portanto, diante de situações diversas que não possuem comparabilidade para fins de verificação de teses jurídicas divergentes a ensejar o acesso à instância especial. Assim, não conheço do recurso especial em relação a este item. DISPOSITIVO Por todo o exposto, VOTO por NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL interposto, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 363DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18336.001561/2004-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Sun Mar 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/11/1999, 17/11/1999, 22/11/1999, 23/11/1999, 29/11/1999, 03/12/1999, 17/12/1999
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL.
É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro país, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-003.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/11/1999, 17/11/1999, 22/11/1999, 23/11/1999, 29/11/1999, 03/12/1999, 17/12/1999 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro país, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições. Recurso Especial do Contribuinte Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas e Otacílio Dantas Cartaxo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1935; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 753 1 752 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 18336.001561/200431 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.103 – 3ª Turma Sessão de 23 de setembro de 2014 Matéria II REDUÇÃO TARIFÁRIA ALADI Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/11/1999, 17/11/1999, 22/11/1999, 23/11/1999, 29/11/1999, 03/12/1999, 17/12/1999 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro país, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida de votar. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 15 61 /2 00 4- 31 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 754 2 Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Cuidase de recurso voluntário e de recurso de oficio1 contra acórdão unânime da Segunda Turma da DRJ Fortaleza (CE) que julgou parcialmente procedente2 o lançamento do Imposto de Importação3 , acrescido de juros de mora equivalentes a taxa Selic e de multa moratória (20%, não passível de redução) 4, decorrente de importação de óleo diesel, querosene de aviação e butanos liquefeitos desembaraçados com redução da alíquota prevista em acordo tarifário no âmbito da Aladi5 cujos certificados de origem foram rejeitados em revisão aduaneira. Fatos extraídos da denúncia fiscal: a) exportadora: Petrobrás International Finance Company (Pifco), com sede nas Ilhas Cayman (faturas comerciais de folhas 81 a 92); b) pais de origem: Venezuela (certificados de origem de folhas 68 a 79 e conhecimentos de embarques de folhas 94 a 105), com embarque diretamente da Venezuela para o Brasil; c) consignatária: Petróleo Brasileiro S.A. (verso dos conhecimentos de embarques de folhas 94 a 105); d) importadora: Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobrás) (declarações de importações). Vícios dos certificados de origem perante a operação de importação, apontados na descrição dos fatos de folhas 3 a 9: a) discrepa das faturas comerciais de folhas 81 a 92 emitidas pela empresa Petrobrás International Finance Company (Pifco), com sede nas ilhas Cayman, pais estranho à Aladi; 1 Limite de alçada do recurso de oficio previsto no artigo 2° da Portaria MF 375, de 7 de dezembro de 2001. 2 Exonerado o crédito tributário (recolhimento a menor) relativo aos fatos geradores alcançados pela decadência (Cm, artigo 150, § 4°), ocorridos no período de 10 de novembro de 1999 a 17 de dezembro de 1999. 3 Fatos geradores ocorridos no período de 10 de novembro de 1999 a 27 de dezembro de 1999. Lançamento do crédito tributário no dia 20 de dezembro de 2004. 4 Enquadramento legal da multa de mora (20%): artigo 530 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030, de 1985, c/c artigo 61, § 2° , da Lei 9.430, de 1986. 5 Acordo de Complementacdo Econômica (ACE) 39, firmado entre o govern° do Brasil e os governos da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela (paísesmembros da Comunidade Andina), internalizado no Brasil pelo Decreto 3.138, de 16 de agosto de 1999. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 755 3 b) equivocada referência à Venezuela como pais exportador, à faturas comerciais estranhas ao procedimento de importação e à PDVSA Petroleo y Gas S.A. como exportadora; c) omisso quanto à quantidade da mercadoria objeto de certificação (fatura comercial nele indicada é estranha aos autos e ao procedimento de importação). Na impugnação de folhas 110 a 142 a empresa importadora inicialmente aduz que a triangulação comercial objeto da denúncia fiscal é prática internacional comum, adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos e não elide a fruição da redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da Aladi. Em suas razões de defesa, afora reclamar a inobservância do prazo decadencial, pugna pela regularidade dos documentos que instruíram a declaração de importação, reputandoos em consonância com o ordenamento jurídico vigente. O Acórdão 9.213, de 29 de setembro de 2006, da Segunda Turma da DRJ Fortaleza (CE), tem a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/11/1999, 17/11/1999, 22/11/1999, 23/11/1999, 29/11/1999, 03/12/1999, 17/12/1999 DECADÊNCIA Em se tratando de lançamento por homologação, expirado o prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o pagamento e definitivamente extinto o crédito Tributário, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação, que não foram comprovados no caso concreto. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/12/1999, 27/12/1999 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Improcedente a argüição de nulidade do lançamento apontada pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos na legislação de regência. Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 21/12/1999, 27/12/1999 PREFERÊNCIA TARIFA R14 PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro Fl. 755DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 756 4 pais, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Lançamento Procedente em Parte Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Fortaleza (CE), recurso voluntário foi interposto ás folhas 177 a 198. Nessa petição, exceto quanto à decadência, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa 6 os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 292 folhas.Na última delas consta o registro da distribuição mediante sorteio. Julgando o feito, o Colegiado recorrido negou provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/11/1999, 17/11/1999, 22/11/1999, 23/11/1999, 29/11/1999, 03/12/1999, 17/12/1999 Normas gerais de direito tributário. Lançamento por homologação. Decadência. Decadência é norma geral de direito tributário privativa de lei complementar. O CTN, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com o status de lei complementar, disciplina o prazo decadencial em duas vertentes: a regra geral está disciplinada no artigo 173, inciso I; no caso dos tributos cuja legislação outorgue ao sujeito passivo o dever de antecipar o seu pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o artigo 150, § 40 , tem primazia. Imposto de Importação. Regime Geral de Origem. Preferência tarifária. 0 direito à fruição do beneficio da redução tarifária no âmbito da Associação LatinoAmericana de Integração (Aladi) é dependente da observância as regras do Regime Geral de Origem criado pela Resolução 78 do Comitê de Representantes, de 24 de novembro de 1987, incorporada ao ordenamento jurídico nacional pelo Decreto 98.874, de 24 de janeiro de 1990, regulamentada pelo Acordo 91 com as alterações introduzidas pela Resolução 232, de 8 de outubro de 1997, incorporada pelo Decreto 2.865, de 7 de dezembro de 1998. 0 fato de mercadorias serem faturadas por operador de terceiro pais deve necessariamente ser objeto de nota especifica no campo "observações" do certificado de origem, nunca emitido em data anterior à da fatura comercial. RECURSO DE OFICIO NEGADO E RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Fl. 756DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 757 5 Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso especial contra o acórdão que negou provimento ao seu recurso voluntário, onde reedita as razões expendidas nesse recurso e volta a postular o cancelamento do lançamento fiscal. O apelo do sujeito passivo foi admitido pelo então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, nos termos do despacho de fls. 626 a 628. Contrarrazões vieram às fls. 633 a 649. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. As questões trazidas a debate giram em torno dos efeitos da divergência entre certificado de origem e fatura comercial, e, também, do fato de o produto importado haver sido comercializado por terceiro país, não signatário de Acordo Internacional. As importações efetuadas ao abrigo benefício de redução tarifária entre os países membros da Aladi, para que gozem do favor fiscal devem preencher todos os requisitos estabelecidos no respectivo acordo firmado pelos membros dessa Associação. Dentre esses requisitos apresentase como essencial a comprovação da origem da mercadoria, que, nas importações realizadas no âmbito da Aladi, a comprovação dessa origem dáse, exclusivamente, por meio do certificado de origem. Por conseguinte, O Fisco só pode reconhecer o direito ao favor fiscal quando a importação for realizada ao amparo de toda a documentação exigida. Sendo que o ônus probatório da regularização documental compete ao importador. Assim, a apresentação da documentação exigida, dentre esta, o certificado de origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador. De outro lado, a teor do artigo 1o do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, promulgado pelo Decreto n° 98.836, de 1990, com a redação dada pela Resolução 252 da ALADI, não deixa margem à dúvida de que a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria. PRIMEIRO A descrição dos produtos incluídos no formulário que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá, coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI/SH, e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro. (Destaquei). Fl. 757DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 758 6 A seu turno, o art. 7º da Resolução 78/ALADI assim dispõe: Artigo 7º – Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos participantes de um acordo celebrado de conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, os países membros deverão acompanhar os documentos de exportação, no formulário – padrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Essa declaração poderá expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar, certificada em todos os casos por uma repartição oficial ou entidade de classe com personalidade jurídica, credenciada pelo Governo do pais exportador." É de clareza meridiana que a exegese das normas internacionais insertas nos dispositivos transcritos linhas acima, é no sentido de ser indissociável a vinculação existente entre o certificado de origem da mercadoria e a fatura comercial correspondente. Não é por outro motivo que o formuláriopadrão, adotado para a mencionada certificação, possui campo próprio destinado à informação expressa do número da fatura a que se relaciona. Por conseguinte, cada certificado de origem referese, exclusivamente, à mercadoria constante da fatura comercial nele indicada. Assim, não resta a menor dúvida de ser o vínculo entre certificado de origem e a fatura comercial o que garante o cumprimento dos requisitos fixados entre os Estados signatários do Acordo e legitima o gozo do benefício tarifário quanto à mercadoria importada. Aqui, peço licença para transcrever a conclusão da ilustre relatora do acórdão da DRJ, com as quais comungo. ................................................................................................ 38. Com efeito, a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria, objeto de tratamento Tributário diferenciado por força de acordo internacional. Tanto assim, que o formulário padrão adotado para formalizar a mencionada certificação possui um campo próprio destinado a informação expressa do número da fatura a que se relaciona. Assim, o Certificado de Origem apresentado ampara exclusivamente a quantidade de mercadoria coberta pela fatura comercial nele indicada. 39, Cabe destacar que a finalidade única do Certificado de Origem é a de assegurar, por meio de uma declaração padrão, que as mercadorias objeto de intercâmbio, beneficiadas com os tratamentos preferenciais negociados, são efetivamente originárias e procedentes do pais declarante, e que cumprem, obrigatoriamente, com os requisitos fixados entre as partes. 40. Assim, para fruição do tratamento tarifário previsto é necessário que tal declaração acompanhe a documentação de Fl. 758DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 759 7 exportação, quando de sua apreciação para fins de desembaraço aduaneiro. ................................................................................................ Esclareçase, por oportuno, que não há contrariedade entre a posição aqui adotada e a Nota COANA/COLAD/DITEG n° 60/1997, a que alude a autuada. Ao contrário do alegado no recurso voluntário, a nota em apreço diz expressamente que ALADI não havia regulamentado tal situação até então, porém, a manifestação Fazendária sustenta exatamente a necessidade de correlação entre a fatura comercial e o Certificado de Origem, nos termos hoje preconizados na Resolução 232 acima citada. Em outro giro, além da apresentação de certificado de origem e fatura comercial, em conformidade com as normas previstas no acordo internacional, a importação das mercadorias deve obedecer as demais regras determinadas nos Acordos de regência. O escopo de se condicionar a redução de tarifa às importações amparadas por certificado de origem emitido, nos termos e na forma prevista pela Aladi é para prevenir operações comerciais que, pela sua natureza, poderiam, de modo ilegítimo, estender o benefício fiscal às importações de terceiros países não signatários do tratamento preferencial. Assim, à exceção de operações em que intervenha operador de terceiro país, para que haja o benefício fiscal, devese demonstrar que o produto acreditado pelo certificado de origem é o efetivamente negociado com o emissor da fatura comercial do país produtor, sendo considerado exportador, para esse fim, o Paísmembro da ALADI signatário do Acordo. Vale aqui transcrever a norma inserta no art. 4o da Resolução ALADI/CR n° 78, de 1987: QUARTO — Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do pais exportador para o pais importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta:" (grifei). a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum pais não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: I) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso, ou emprego no pais de trânsito; e iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação." De outro lado, não se pode olvidar que, com a globalização, é cada vez mais freqüente as operações comerciais que envolvam mais de 2 países, denominadas de operações triangulares. A par dessas mudanças nas relações comerciais internacionais, o Comitê de Fl. 759DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 760 8 Representantes da ALADI editou a Resolução 232, incorporada em nossa legislação pelo Decreto n° 2.865, de 07 de dezembro de 1998, que alterou o Acordo 91, veio permitir a participação de um operador de um terceiro pais, membro ou não da ALADI, nos seguintes termos: Segundo. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro pais, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do pais de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro pais, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a opera cão de importação. Todavia as disposições acima não se aplicam à espécie dos autos, posto que, da documentação carreada aos autos, não se verifica a participação de um operador, nos moldes previstos na Resolução acima transcrita. A uma porque a falta de vinculação entre certificado de origem e a fatura comercial, ilide a prova da intermediação de um operador de terceiro país. A única evidência extraída da documentação juntada pela autuada é de que houve participação de sociedade empresária situada nas Ilhas Cayman, que fatura e exporta para o Brasil mercadoria, para a qual se pretende aplicar preferências tarifárias pactuadas entre este e a Venezuela, com base nos Acordos firmados no âmbito da ALADI. A duas porque a alegada operação triangular não foi respaldada pelo Certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação. Ressaltese que não cabe ao intérprete decidir pela prescindibilidade ou não de atendimento aos requisitos previstos no acordo internacional, ao argumento de que se trata de mera formalidade. Em se tratando de redução tarifária no âmbito de acordo bilateral, as regras são rígidas e devem ser atendidas expressamente, sob pena de inviabilizar o acordo comercial e econômico entre os paísesmembros. De tudo que aqui foi exposto, podese concluir que a importação realizada pela impugnante não está amparada pelos referidos acordos internacionais, conseqüentemente, inaplicável ao caso o tratamento preferencial pretendido. Isso porque, frisese mais uma vez, tratase de operação comercial realizada entre sociedade empresária brasileira e outra das Ilhas Cayman, sem respaldo em certificado de origem Aqui, mais uma vez, reverbero as sábias palavras da relatora da decisão de primeira instância, a quem rendo as merecidas homenagens, transcrevendo excerto de seu voto: ................................................................................................ É oportuno esclarecer que em matéria tributária, qualquer situação excepcional só pode ser acatada se expressamente Fl. 760DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 761 9 prevista na legislação. Observase que a Resolução 232, de 1998, ressalva a interveniência de um operador de um terceiro pais, signatário ou não do acordo em questão. Entretanto, à espécie dos autos não se aplicam as disposições da norma em apreço, visto que da análise das peças processuais, constatase que não há a interveniência de um operador, nos moldes previstos na Resolução retromencionada, mas a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador, na medida em que uma empresa situada nas Ilhas Cayman, fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferências tarifárias no âmbito da ALADI. 66. De relevo salientar que a interveniência de um operador tal como prevê o art. segundo do Acordo 91, está condicionada ao atendimento dos requisitos exigidos no diploma legal acima transcrito com a redação dada pela Resolução 232 da ALADI, hipótese não confirmada na espécie em análise. 67. Reiterese que as normas que dispõem sobre a certificação de origem, no âmbito na ALADI, trazem, como pressuposto mandamental, a origem da mercadoria acobertada pela fatura comercial emitida pelo pais exportador, fato que deve estar inequivocamente demonstrado em todas as peças que instruem o despacho de importação, tendo em vista que essa documentação materializa, enquanto elemento probatório perante o pais importador, a regularidade da utilização do beneficio pleiteado. 68. à luz da legislação de regência, nos precisos termos das normas de certificação de origem, no âmbito da ALADI, verifica se que, ainda que a empresa exportadora, situada nas Ilhas Cayman, se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário, nos termos da Resolução 232, acima citada, que o produtor ou exportador do pais de origem indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua declaração seria faturada por um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro pais, o importador deveria apresentar à Administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justificasse o fato. 69. Cumpre ainda destacar que a indicação das "INVOICES" de n's, 810740 e 810750, que segundo o contribuinte foram emitidas pela PDV S.A Petróleo Y Gas S.A, em um campo das "INVOICES" Pfico PIFSB, de fls. 91/92, não supre as exigências acima destacadas trazidas à colação pela Resolução 232, de 1997. 70. De relevo assinalar que a disposição normativa sobre a certificação de origem deixa evidente que o Regime Geral de Origem, tem o escopo de assegurar perante as partes que a mercadoria negociada é efetivamente originária e procedente do pais declarante. Nesse mister, a necessária correspondência Fl. 761DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 762 10 entre a o Certificado de Origem e a Fatura Comercial nele indicada, longe de ser mera formalidade, tal como dispõe a defesa,traduzse na essência material objetivada pelo acordo, na medida em que constitui o elemento probatório da origem perante o pais importador, conforme já salientado na presente peça. 71. Com efeito, no caso em tela, os certificados de origem apresentados, fls. 60/69, não atendem às exigências previstas na primeira parte do artigo 2° da mencionada Resolução. Também não consta dos autos que o importador tenha apresentado a declaração juramentada referida na legislação. Atentese que, sendo a norma tributária de natureza cogente e estabelecendo o Regime Geral de Origem as exigências para a certificação, complementadas aqui pela Resolução 232 do Comitê de Representantes da ALADI, não cabe ao intérprete decidir pela prescindibilidade desta ou daquela informação, ao argumento de que se trata de mera formalidade, sob pena de atentar contra a própria literalidade da norma, haja vista que as regras que disciplinam o Regime de Origem, são claras quanto a vinculação do certificado de origem à fatura comercial que ampare a mercadoria efetivamente pactuada. Reiterese que para fazer jus à alíquota preferencial acordada na esfera da ALADI, a mercadoria a ser negociada deverá atender a requisitos de natureza objetiva, tais como aqueles indicados nos artigos PRIMEIRO e QUARTO da citada Resolução 78, quais sejam, o de constituirse de produto efetivamente fabricado dentro do território de um dos países signatários, e de serem despachados diretamente do pais exportador para o importador e ainda que a origem dessa mercadoria seja formalmente atestada por um Certificado de Origem emitido pela entidade competente, de conformidade com o disposto no Capitulo II da mesma Resolução 78 e no Acordo 91, com a descrição do produto negociado e a indicação de sua classificação tarifária e da fatura emitida pelo exportador. 73. Logo, constatase que é inequívoca a impropriedade da operação realizada pela impugnante, não repercutindo na solução do litígio a argumentação trazida à colação na peça impugnatória de que tal operação teve o cunho eminentemente financeiro. Assinalese que sendo essa argumentação de cunho extra legal não tem o condão de convalidar o descumprimento das normas que tratam do regime de origem, envolvendo mercadoria objeto de acordo de redução tarifária. 74. Qualquer que seja o motivo alegado, seja para mera alavancagem financeira ou não, vale dizer, tratandose de uma operação comercial entre uma empresa brasileira e outra das Ilhas Cayman, sem respaldo em certificado de origem, não há, como invocar a redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica n° 39 (ACE 39), conforme Decreto Fl. 762DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18336.001561/200431 Acórdão n.º 9303003.103 CSRFT3 Fl. 763 11 de execução n° 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela (PaísesMembros da Comunidade Andina), porque reside na essência das normas que disciplinam o regime de origem, cuja observância entre os paísesmembros da ALADI se faz mister para o implemento das preferências tarifárias, a vedação da citada operação, dado o caráter cogente da norma que vincula expressamente, por meio do Certificado de Origem, a mercadoria ao emissor da fatura. Assim, não há como invocar a redução tarifária prevista no ACE 39, firmado no âmbito da ALADI, porque reside na essência das normas que disciplinam o regime de origem, a vedação pretensa redução tarifária, quando não atendidos os requisitos previstos nos Acordos de regência. Em outro giro, devese ter presente que a legislação do comércio exterior envolve uma série de controles a serem implementados pelos países participantes, sendo os ritos e formas previstos nos acordos internacionais imprescindíveis para uniformizar os procedimentos em cada um dos signatários, bem como assegurar o cumprimento fiel das regras estabelecidas no respectivo acordo. Em razão disso, tornase bastante restrito o campo de aplicação dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. De outro lado, não se pode olvidar que, no presente caso, ainda que a empresa Petrobras International Finance Company Pifco se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário, nos termos da Resolução nº 252, acima citada, que o produtor ou exportador do país de origem indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a “observações”, que a mercadoria objeto de sua declaração seria faturada por um terceiro país, identificando além do nome, denominação ou razão social do operador, o domicílio do mesmo, ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro país, o importador deveria apresentar à administração alfandegária correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, na qual deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação.o que não ocorreu. De todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 763DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 15578.000348/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004, 2005
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. LIMITADO À EFETIVA APLICAÇÃO DOS RECURSOS NOS INVESTIMENTOS PREVISTOS.
Os incentivos concedidos pelo Governo do Estado do Espírito Santo com a finalidade de promover investimentos de seu interesse são caracterizados como subvenção para investimento, ao restar provado nos autos: (i) a intenção do subvencionador de direcionar os recursos para investimentos; (ii) a efetiva aplicação, pelo beneficiário, dos recursos auferidos nos investimentos previstos contratualmente; e (iii) que o beneficiário da subvenção é o titular do empreendimento econômico projetado, contudo estes restam limitados ao quantum que fora efetivamente aplicado pelo beneficiário nos investimentos pactuados.
Numero da decisão: 1302-001.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Waldir Veiga Rocha e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004, 2005 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. LIMITADO À EFETIVA APLICAÇÃO DOS RECURSOS NOS INVESTIMENTOS PREVISTOS. Os incentivos concedidos pelo Governo do Estado do Espírito Santo com a finalidade de promover investimentos de seu interesse são caracterizados como subvenção para investimento, ao restar provado nos autos: (i) a intenção do subvencionador de direcionar os recursos para investimentos; (ii) a efetiva aplicação, pelo beneficiário, dos recursos auferidos nos investimentos previstos contratualmente; e (iii) que o beneficiário da subvenção é o titular do empreendimento econômico projetado, contudo estes restam limitados ao quantum que fora efetivamente aplicado pelo beneficiário nos investimentos pactuados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 03 48 /2 01 0- 10 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 439 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Waldir Veiga Rocha e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 440 3 Relatório TORRES & CIA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão nº 1240.838, de 23/09/2011, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, DRJ/RJ1, recorre a este Colegiado, a fim de reformar o referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Tratase de manifestação de inconformidade da Interessada em face dos despachos decisórios da DRF/Vitória, de fls.256/265 e de fls.308/312, que não homologaram algumas declarações de compensação por ausência de direito creditório de IRPJ, e homologaram parcialmente, outras declarações de compensação até o limite do direito creditório reconhecido de CSLL em base trimestral. Do despacho de fls. 256/265. Consta no Parecer Seort/DRF/VIT 2623/2010, de fls.255/264, que fundamentou este despacho: a Interessada pretende utilizar suposto direito creditório referente ao pagamento indevido ou a maior de IRPJ e de CSLL de diversos trimestres dos anos calendário de 2003 e 2004; a Interessada nestes anoscalendário, tributou o IRPJ e a CSLL com base no lucro real trimestral; Quanto ao anocalendário de 2003: conforme fls.241/253, nos autos do processo 15586.000016/200650, há um auto de infração de IRPJ que constatou como sendo indevido o reconhecimento de redução de IRPJ em virtude de Lucro da Exploração, no valor total de R$365.968,25, referente ao anocalendário de 2003, tendo sido mantido na DRJ/RJI, aguardando julgamento no CARF (fls.254); em decorrência, o direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no anocalendário de 2003, no valor de R$295.620,42, apurado pela Interessada não é líquido e certo, não sendo passível de restituição ou compensação, nos termos do artigo 170 do CTN; além disto, a Interessada possui incentivo fiscal promovido pelo regime especial de recolhimento do ICMS, firmado no Parecer DRBI n° 092/2000, fls.189/195, para reativação e modernização de sua unidade industrial; neste anocalendário, a Interessada retificou a DIPJ alterando a rubrica ICMS, linha 12, ficha 6A, (fls.97/104), uma vez que reconheceu valor de subvenção de ICMS como dedução da receita bruta, fazendo com que os recursos recebidos a título de subvenção para investimentos por meio de redução do ICMS fossem excluídos da determinação do lucro real e da apuração da CSLL; Fl. 440DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 441 4 para tanto, a conta ICMS a Pagar era debitada em contrapartida de um crédito de mesmo valor na conta Reserva de Capital conforme informado pela própria Interessada às fls.214; ocorre que o artigo 443, do RIR/99, combinado com o Parecer Normativo CST n°.112, de 1978, determinam que não serão computados na determinação do lucro real, os recursos recebidos a título de subvenção para investimentos, inclusive mediante redução de impostos, somente se, dentre outras condições, houver a efetiva e especifica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, (alínea “b”, do item 7.1 do referido PN da CST); desta forma, apenas os recursos efetivamente aplicados no ativo imobilizado poderão ser classificados como Reserva de Capital, e o restante deverá ser considerado como receita nãooperacional, incluído na determinação do lucro real; tendo por base que a subvenção foi dada especificamente para a reativação e modernização de unidade industrial, os respectivos recursos deveriam estar contabilizados no ativo imobilizado; portanto, a parcela efetivamente aplicada no ativo imobilizado deve compor a reserva de capital, enquanto que o restante da subvenção para investimentos deve ser reconhecida como receita nãooperacional; tratandose de apuração trimestral, os valores referentes à subvenção para investimentos, informada no Livro Razão (fls.238), no valor total de R$ 5.838.712,97, foram apropriados em função da proporção da receita bruta do trimestre com a receita bruta anual, nas contas de reserva de capital e receita não operacional; refazendo os cálculos com base nesta receita não operacional, constatouse que não havia crédito de IRPJ no anocalendário de 2003, pois ao se reajustar o lucro real com a receita nãooperacional apurouse o IRPJ a Pagar maior do que o IRPJ recolhido; assim, as declarações de compensação que utilizaram valor pago a maior de IRPJ do ano de 2003, não foram homologadas; da mesma forma, os ajustes na classificação dos recursos recebidos a título de subvenção para investimentos também alteraram a base de cálculo da CSLL; adicionandose as receitas nãooperacionais à base de cálculo da CSLL, apurouse novo valor de CSLL a Pagar, dando margem a que se homologue parcialmente as compensações que utilizaram valor pago a maior de tal tributo no anocalendário de 2003; Quanto ao anocalendário de 2004: a Interessada utilizou créditos de IRPJ e CSLL do 1o e 3o Trimestres; com base nos mesmos critérios de análise das solicitações de compensação do ano calendário de 2003, foi apurado o quanto da subvenção para investimentos do ano calendário de 2004, informada no Livro Razão (fls.238/239), que deveria ter sido classificada como reserva de capital e receita nãooperacional; refazendo os cálculos de receita não operacional, constatouse que não havia crédito de IRPJ no anocalendário de 2004, bem como, apurouse novo valor de CSLL a Pagar, dando margem a que as declarações de compensação que utilizaram valor pago a maior de IRPJ do ano de 2004, não fossem homologadas, e que se Fl. 441DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 442 5 homologasse parcialmente as compensações que utilizaram valor pago a maior de CSLL no referido anocalendário. desta forma, o Despacho Decisório de fls.256/265, decidiu por não homologar as declarações de compensação às fls. 02/57, por ausência de direito creditório de IRPJ, e homologar as declarações de compensação, fls. 59/95, até o limite do direito creditório reconhecido de CSLL em cada trimestre, evidenciados na coluna CSLL Recolhida a Maior das Tabelas 6 e 10, de fls.262. Do despacho de fls.308/312. consta no Parecer Seort/DRF/VIT 002/2011, que fundamentou este despacho, que: no Parecer Seort/DRF/VIT 2623/2010, de fls.255/264 e nas planilhas resumo das compensações, fls.58 e 96, foi informado que o crédito de IRPJ solicitado na DCOMP 08007.74514.310106.1.3.044584 era referente ao 1o trimestre de 2004 e que o crédito de CSLL solicitado na DCOMP 21051.82491.240206.1.3.044850 era relativo ao 2° trimestre de 2003; ocorre que, na verdade, tanto o direito creditório de IRPJ quanto o da CSLL pleiteados nestas DCOMP são decorrentes de pagamento indevido ou a maior supostamente ocorridos no 2o trimestre de 2004, apurados pelo lucro real trimestral, surgidos de exclusão da receita de subvenção na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; desta forma, este Parecer retifica o Parecer de fls.255/264, especificamente, no que tange à análise do direito creditório de IRPJ, referente ao 2o trimestre do ano calendário de 2004, utilizado na DCOMP 08007.74514.310106.1.3.044584, fls.48/52, e da análise do direito creditório de CSLL, referente ao 2o trimestre do anocalendário de 2004, utilizado na DCOMP n°.21051.82491.240206.1.3.044850, fls.64/68; as planilhas resumo das compensações, fls.58 e 96, também foram retificadas, passando a ser as de fls.306 e 307; utilizados os mesmos fundamentos descritos no Parecer Seort/DRF/VIT n°.2623/2010, mensurouse o valor da subvenção para investimentos do ano calendário de 2004, informada no Livro Razão (fls. 238/239), que deveria ter sido classificada como reserva de capital e como receita nãooperacional; da mesma forma que foi feito no despacho anterior, o valor referente à subvenção para investimentos, informado no Livro Razão para o ano de 2004, foi apropriado em função da proporção da receita bruta do 2º. trimestre com a receita bruta anual, nas contas de reserva de capital e receita nãooperacional; refazendose os ajustes ao lucro real apurado pela Interessada verificouse que não há crédito de IRPJ para esse anocalendário, pois ao se incluir a receita não operacional, apurouse o IRPJ a Pagar maior do que o IRPJ recolhido; da mesma forma, os ajustes na classificação dos recursos recebidos a título de subvenção para investimentos alteraram a base de cálculo da CSLL, de tal forma que adicionandose as receitas nãooperacionais à base de cálculo da CSLL, apurouse um novo valor para a CSLL a Pagar no respectivo trimestre. assim, o Despacho Decisório de fls.308/312, decidiu por não homologar a declaração de compensação de fls.48/52, por ausência de direito creditório de IRPJ, Fl. 442DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 443 6 e homologar a declaração de compensação, fls.64/68, até o limite do direito creditório reconhecido de CSLL no 2º. trimestre, evidenciado na coluna CSLL Recolhida a Maior da Tabela 4, de fls.310. a Interessada apresentou manifestação de inconformidade em face dos dois despachos, alegando que: na subvenção para investimento através da redução de impostos não há uma estreita vinculação de valores entre os investimentos físicos e a própria subvenção isenta; a isenção depende do volume de vendas e do aspecto territorial: venda para dentro do Estado tem redução de 53% do ICMS e para fora, redução de 75% do ICMS; a decisão foi com base em uma interpretação equivocado ao pretender que a empresa imobilizasse toda a subvenção resultante da redução de ICMS, a qual depende da produção e da venda de mercadorias durante o período do incentivo concedido pelo Governo Estadual; está errada a tese que todos os valores de subvenção para investimento têm que ser aplicados no Ativo Imobilizado, tributando a diferença apurada entre o valor aplicado no ativo imobilizado e o valor do incentivo, correspondente à redução do ICMS a pagar, registrado como Reserva de Subvenção para Investimento nos anos calendários de 2003 e 2004; cumpriu os requisitos do artigo 442, do RIR/99; o Parecer CST 112/78 não determina que apenas os recursos efetivamente aplicados no ativo imobilizado devem ser classificados contabilmente como Reserva de Capital, e que o restante do recurso deve ser considerado como receita não operacional, logo, incluído na determinação do lucro real; a Secretaria da Fazenda atestou que todo o projeto de ampliação da fábrica constante do respectivo protocolo de intenções, foi integralmente concluído; infelizmente, pelo transcurso do tempo, o documento não foi localizado nem nos arquivos da indústria, nem no escritório do antigo Contador, que era fora da empresa; protocolou, em 08/12/2010, solicitação para a SEFAZ/ES para que forneça declaração ou certificado de conclusão de projeto de expansão industrial com incentivo fiscal de ICMS, conforme cópia em anexo; considerando que a SEFAZ ainda não expediu tal declaração, requer autorização para que a entrega de tal documento ocorra quando o mesmo for emitido por aquele órgão estadual; o anexo único do Decreto Estadual nº.1.630R, na linha 15, comprova que era detentora de tal benefício; anexa cópia do Livro Razão da conta Reserva de Incentivos Fiscais ICMS a partir do ano de 2002, sendo que estão sendo fiscalizados apenas os exercícios de 2003 e 2004; há decisão em processo de consulta no sentido de que o crédito presumido de ICMS de que trata o Decreto N° 1.152.R/ 2003, baixado pelo Poder Executivo do Fl. 443DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 444 7 Espírito Santo, é suscetível de exclusão no cômputo de lucro real, como receita de subvenção para investimento, desde que, a juízo do Poder Público concedente, estejam realizados os encargos relacionados aos compromissos assumidos pelo beneficiário, na adesão à proposta do Fisco estadual, e satisfeitas as demais condições estipuladas pelo ente político estatal, no exercício de sua competência tributária; há também decisões do Conselho de Contribuintes no sentido de que projetos de ampliação ou modernização de parque fabril, na sistemática de redução de ICMS, concedida por um Governo estadual, é Subvenção de Investimentos desde de que sejam efetiva e especificadamente aplicadas pelo beneficiário aos incentivos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; com a retificação das DIPJ e das DCTF dos anoscalendário de 2003 e 2004, passou a ser credora de IRPJ e CSLL, uma vez que os pagamentos efetuados originalmente não previram este benefício fiscal, (crédito presumido de ICMS). Ciente da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual, após historiar os fatos, sob sua ótica, a recorrente repete, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação e conclui com o pedido de nulidade dos autos de infração ou, se superada, sua integral improcedência. É o Relatório. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 445 8 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo Gira a lide em torno da não homologação de compensação pleiteada pelo contribuinte em razão de suposta não existência de direito creditório por força da qualificação jurídica dos valores excluídos do lucro líquido pela interessada, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos anoscalendário 2003 e 2004, a título de subvenção para investimentos. Afirma a fiscalização que tais exclusões seriam indevidas, por se tratar de subvenções para custeio, uma vez que não evidenciada a vinculação do benefício concedido pelo fisco estadual com aplicação específica dos respectivos recursos em bens ou direitos referentes à expansão do empreendimento econômico. Em sentido contrário, a interessada sustenta que se trata de subvenções para investimento oriundas de ente público, não sujeitas à tributação e que seria impossível que todo o incentivo concedido pelo Estado do Espírito Santo, fosse todo imobilizado, como quer a fiscalização, uma vez que os investimentos em ativos são fixos e definidos e os incentivos futuros são incertos e dependem do volume de venda futuras do contribuinte. Os argumentos da recorrente se dirigem contra o entendimento do Fisco de que as importâncias aqui discutidas não se enquadrariam como subvenção para investimento, e seriam, portanto tributáveis, pois no entendimento do órgão fiscalizador os incentivos deveriam ter como contrapartida um aumento proporcional do ativo imobilizado do contribuinte, uma vez que o a subvenção deveria ser usada para reativação e modernização de sua unidade industrial. Considero importante, para a solução do litígio, a transcrição do artigo 443 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, §2º, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Como se vê, as subvenções para investimento, desde que atendam aos requisitos legais, não integram o lucro real. Releva, então, estabelecer com clareza quais são os Fl. 445DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 446 9 requisitos legais estabelecidos para que tais subvenções possam ser excluídas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Tal esclarecimento já foi feito pelo Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, pelo que peço vênia aos meus pares para transcrever alguns excertos, a seguir: 2.8 – O DL nº 1.598/77, na seção dedicada ao disciplinamento dos "Resultados NãoOperacionais" fez incluir no § 2º de seu art. 38 as seguintes normas sobre as SUBVENÇÕES: "As subvenções para investimento, inclusive mediante a isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos 3º e 4º do art. 19; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniência passivas ou insuficiências ativas". 2.9 A primeira conseqüência que se extrai do citado artigo 38 é que as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO também são tributáveis, na qualidade de integrantes dos "Resultados Não Operacionais". Para não serem tributáveis, devem ser submetidas a um tratamento especial, consistente no registro como reserva de capital, a qual não poderá ser distribuída. [...] 2.11 Uma dos fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendose um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST Nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do Fl. 446DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 447 10 subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. [...] Lei nº 4.506/64DL nº 1.598/77 2.14 Com o objetivo de promover a interação dos dois diplomas legais ora dissecados podemos resumir a matéria relacionada com as SUBVENÇÕES nos seguintes termos: As SUBVENÇÕES, em princípio, serão, todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, como parcelas do resultado nãooperacional.As primeiras integram sempre o resultado do exercício e devem ser contabilizadas como tal; as últimas, se efetivamente aplicadas em investimentos, podem ser registradas como reserva de capital, e, neste caso, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva. [...] 3. ISENÇÕES E REDUÇÕES DE IMPOSTOS 3.1 Delimitado o leito das duas correntes em que se dividem os recursos provenientes das SUBVENÇÕES, é de se concluir que nem todas as isenções ou reduções de impostos podem ser classificadas de SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. [...] [...] 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. 3.7 É oportuna a advertência para o risco de generalizar as conclusões do item anterior para todos os casos de retorno do Fl. 447DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 448 11 ICM. O contribuinte deverá ter cuidado de examinar caso por caso e verificar se estão presentes, todos os requisitos exigidos. Um retorno de ICM, por exemplo, como prêmio ao incremento das vendas, em relação às de período anterior, acima de determinado percentual, não será uma subvenção para investimento. [...] 7. CONCLUSÃO 7.1 Ante o exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item 1, letra "b", do Decretolei nº 1.598/77, pode ser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional; II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES, PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; [...] Da análise do Parecer acima transcrito, podemos concluir que a subvenção para investimento constitui transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos (PN nº 112/78). Contabilmente, os recursos decorrentes da subvenção para investimento melhor se amoldam à classificação no ativo permanente, grupo imobilizado, dada a sua característica como tal. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 449 12 Por oportuno, trago à colação os comentários de Noé Winkler ao art. 443 do RIR/99, que trata das subvenções para investimento: Referese a norma legal a subvenção para investimento, inclusive decorrente de exonerações tributárias como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Tratase de contribuição pecuniária, com destinação, sem retorno. Isto é, não tem contrapartida exigibilidade, de vez que constituirá reserva de capital. E essa destinação é o investimento que a Administração Fiscal entende ser a aplicação dos recursos em bens do ativo fixo, ou mais precisamente, em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos (PN 112/78). À essa interpretação se opõe novamente Bulhões Pedreira (ob cit. pág. 686/687), que afirma ser essa vinculação exclusiva da subvenção sob a forma de isenção ou redução de impostos; e não como requisitos de toda e qualquer subvenção para investimento. Aduz, ainda, este autor, que pode haver transferência de capital sem vinculação à implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos: basta que a intenção do doador seja transferir capital e que a pessoa jurídica registre os recursos recebidos como reserva de capital.‟ Prosseguindo em considerações quanto a tal decisão ser proferida sem base e na lei, adverte que „a legislação tributária classifica todas as subvenções em apenas duas categorias – correntes e para investimento. A que não se classifica em uma delas pertence, necessariamente, a outra, e toda transferência de capital é subvenção para investimento.‟(...)” Registrese que as ponderações de BULHÕES PEDREIRA foram feitas antes da publicação do Decretolei nº 1.730/79, que restringiu o conceito de subvenções para investimentos, para fins do favor fiscal, aos aportes efetuados pelo Poder Público. Do excerto extraímos as seguintes conclusões: as subvenções para investimentos configuram transferências de capital, que não são nem lucro operacional nem resultados operacionais, porque não constituem renda; as subvenções para investimentos, inclusive as decorrentes de exonerações tributárias como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, caracterizam–se como contribuição pecuniária, com destinação específica, sem retorno; a aplicação dos recursos em bens do ativo fixo, ou mais precisamente, em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos é a destinação do investimento; e toda transferência de capital é uma subvenção para investimento. Eis as razões de as subvenções de investimento feitas pelo Poder Público não se sujeitarem à tributação: os recursos não se ajustam ao conceito de renda e por isso eram registrados como reserva de capital. Por se tratar de uma contribuição pecuniária, com destinação específica, não há retorno ou exigibilidade. Ou seja, o capital transferido para o patrimônio da beneficiária não importa na assunção de dívida ou obrigação. Esta operação Fl. 449DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 450 13 assemelhase aos recursos trazidos pelos sócios da pessoa jurídica na condição de não serem exigidos ou cobrados porque injetados no capital da sociedade. A ciência contábil denominaos “capital próprio”. Diferentes, portanto, do “capital alheio” ou “de terceiros” cujos recursos são sempre exigíveis e cobráveis. Corrobora este entendimento a explicitação do Parecer Normativo CST nº 112/78 no sentido de que “SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. No mesmo diapasão, as decisões proferidas pela administração tributária em processos de consulta. É ver a seguinte ementa, lastreada em diversas outras da própria SRF: “As subvenções para investimentos, que podem ser excluídas da apuração do lucro real, são aquelas que, recebidas do Poder Público, ainda que em função de redução de impostos, sejam efetiva e especificamente aplicadas pelo beneficiário nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, devendo haver absoluta correspondência e vinculação entre a percepção da vantagem e a aplicação de recursos.” (Dec. 7ª RF 87/99, 102/99 e 307/99 e Sol. 10ª RF 218/01) Examinemos, então, o caso concreto, à luz dos fundamentos acima e dos elementos dos autos. No Protocolo de Intenções firmado entre o contribuinte e o Governo do Estado do Espírito Santo ficou estabelecido que a empresa faria a ampliação integralmente com seus recursos e, em contrapartida, poderia utilizar a sistemática de crédito presumido do ICMS até 30/12/2014, conforme se pode verificar da leitura do Decreto nº 1.630R, de 08/02/2006. O projeto tinha duas fases bem distintas. Na primeira, o contribuinte, com seus próprios recursos, faria a modernização de sua unidade fabril, com a concomitante criação de 200 novos empregos diretos e 900 indiretos. Uma vez cumprida tal fase, a empresa passaria a fazer jus ao crédito presumido de ICMS, nos percentuais especificados no acordo firmado entre as partes por quinze anos, contado da data de assinatura do acordo. Dessa forma, os recursos recebidos na segunda fase do projeto, através de subvenção do Governo do Estado do Espírito Santo, por meio de redução do ICMS, foram excluídos da determinação do lucro real e da apuração da CSLL. Para tanto, a conta ICMS a Pagar era debitada em contrapartida de um crédito de mesmo valor na conta Reserva de Capital, como informou o próprio contribuinte. O procedimento acima estaria correto e de acordo com as normas tributárias se houvesse a aplicação específica desses recursos no ativo imobilizado da empresa, já que a subvenção foi dada especificamente para a reativação e modernização de unidade industrial. Ocorre que, como confessado pelo próprio contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, apenas parcela desse valor obteve essa destinação específica. Ou seja, apenas R$ 1.836.023,54 (um milhão e oitocentos e trinta e seis mil e vinte e três reais e cinqüenta e quatro centavos). Fl. 450DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 15578.000348/201010 Acórdão n.º 1302001.683 S1C3T2 Fl. 451 14 Por isso, houve a seguinte separação na classificação contábil: até o limite do dispêndio acima, a qual fora efetivamente aplicado no ativo imobilizado da empresa, restou reconhecida como reserva de capital, enquanto que o restante da subvenção foi reconhecida como receita não operacional. Ou seja, como a subvenção para investimento tem destinação específica, aquilo que não foi efetivamente aplicado no imobilizado, passa por conseqüência lógica a ser classificada como subvenção para custeio, uma vez que fiz custear despesas correntes da empresa e não a modernização de seu parque fabril. Portanto, as subvenções na modalidade para investimentos não podem ser desembolsados como convier à beneficiária, mas, sim devem ter a necessária aplicação no ativo imobilizado, independentemente do seu valor, isto é, o registro no imobilizado da subvenção será maior ou menor dependendo da produção e da venda de mercadorias durante o período do incentivo concedido pelo Governo Estadual. Por fim, registrese que o crédito presumido de ICMS de que trata o Decreto N° 1.152.R/ 2003, baixado pelo Poder Executivo do Espírito Santo, é suscetível de exclusão no cômputo de lucro real, como receita de subvenção para investimento, até o limite dos investimentos efetivamente efetuados pelo contribuinte, devendo ser classificado como subvenção para custeio,com as conseqüências tributárias daí advindas, da parcela da subvenção que exceder ao referido investimento. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 05 de março de 2015. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Fl. 451DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO
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Numero do processo: 10980.725291/2013-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2301-004.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator que integra o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente
(Assinado digitalmente)
CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Bruno Rodrigues Pena e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator que integra o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Bruno Rodrigues Pena e Theodoro Vicente Agostinho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 616 1 615 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.725291/201332 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.331 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria Contribuição Previdenciária Obrigação Principal e Acessória Recorrente ESTADO DO PARANÁ ASSEMBLEIA LEGISLATIVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixase de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator que integra o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Bruno Rodrigues Pena e Theodoro Vicente Agostinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 52 91 /2 01 3- 32 Fl. 616DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), por meio do Acórdão nº 1050.407, cujo dispositivo tratou de rejeitar as preliminares e, no mérito, julgar improcedente a impugnação do contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 588/598): Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade da peça de autuação quando demonstrada, competência a competência, a composição das bases de cálculo consideradas pela autoridade lançadora. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE LITIGIOSIDADE. A fase litigiosa do procedimento administrativo não se instaura em relação àquelas parcelas do lançamento com as quais o contribuinte expressamente concorda. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. Resta precluso o direito do impugnante à apresentação de prova documental, quando este não o faz juntamente com a impugnação. Assim também quando não demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, nem qualquer relação com a ocorrência de fato ou direito superveniente, nem tampouco que os documentos apresentados destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. COMPENSAÇÃO ENTRE REGIMES PREVIDENCIÁRIOS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não é órgão competente para a apreciação de pleito acerca da compensação entre regimes previdenciários, nem a impugnação interposta contra lançamento de crédito tributário é expediente próprio para o exame de pedido dessa natureza. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.725291/201332 Acórdão n.º 2301004.331 S2C3T1 Fl. 617 3 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2011 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. O saláriodecontribuição, para o segurado empregado, corresponde, na forma da lei, à remuneração total por ele auferida junto à empresa. Em conseqüência, para que determinada vantagem decorrente da relação laboral não componha o saláriodecontribuição respectivo, há a necessidade de expressa previsão legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2011 LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE. SUSPENSÃO. A existência de questões acerca da compensação entre regimes previdenciários não constitui impeditivo à atividade de lançamento, que é vinculada e obrigatória para a autoridade administrativa, nem tampouco faz número dentre as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. AUTUAÇÃO. RECOLHIMENTOS. Os recolhimentos efetuados após a autuação da empresa não podem ser considerados, para fins de retificação do lançamento, tendo em vista a perda da espontaneidade do sujeito passivo, ocorrida após o início do procedimento de auditoria fiscal. 2. Conforme se extrai do relatório fiscal, às fls. 218/231, o processo administrativo é composto por dois autos de infração (AI), nesses termos: a) AI nº 51.027.6962 (obrigação principal), referente às contribuições previdenciárias patronais, parte empresa e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados parlamentares (deputados estaduais), nas competências jan/2009 a set/2011, incluindo as gratificações natalinas; e b) AI nº 51.027.6954 (obrigação acessória), referente à aplicação de penalidade por apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas (Código de Fundamentação Legal CFL 78). Fl. 618DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 2.1 Em síntese, o Fisco aponta, em relação ao AI nº 51.027.6962, os seguintes fatos geradores das contribuições previdenciárias: a) pagamentos a título de verba de representação do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná; b) pagamentos a título de verba de representação do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, posteriormente devolvidos; c) pagamentos a deputado não incluído em folha de pagamento; d) pagamentos a deputados a título de "convocação" e "desconvocação", denominados de "14º" e "15º" salários; e e) pagamentos a deputados, a título de gratificação natalina. 2.2 No que tange ao AI nº 51.027.6954, a acusação fiscal registra o preenchimento incorreto de campos da GFIP, a saber: cadastro do trabalhador, categoria do trabalhador, remuneração e ocorrência. 3. Cientificado da autuação em 14/8/2013, por via postal, às fls. 559, o contribuinte impugnou a exigência fiscal somente quanto ao AI nº 51.027.6962 (fls. 563/573). 3.1 No que diz respeito ao teor da impugnação, reproduzo as palavras do relator "a quo", pois bem sintetizam os argumentos deduzidos na petição (fls. 591/592): (...) Inicialmente, aponta a nulidade do auto de infração, sob o fundamento de que “no lançamento não existe a individualização das bases fiscais apontadas. Isto é, o Auto de Infração não especifica claramente os valores para cada fundamento do lançamento. Não há elementos suficientes no processo físico, sequer na mídia eletrônica. Desta forma, impossibilitada resta a apresentação de defesa pelo Estado do Paraná, tornando nulo o lançamento por ferir o princípio do contraditório.” Em seqüência, afirma que, apesar do acerto da ação fiscalizatória em pequena parte dos autos de infração, “no que toca ao volume mais substancial o Estado do Paraná promoveu o regular recolhimento da verba previdenciária. Assim, especificamente no que toca aos recolhimentos relativos ao 13.º e às convocações extraordinárias (conhecidas como 14.º e 15.º) houve recolhimento efetivo da parcela previdenciária devida.” Requer, portanto, prazo para juntada da documentação comprobatória. “Enfatiza que não pode haver preclusão para a juntada da prova antes da apreciação desta defesa, eis que pagamento inserese entre as matérias de defesa oponíveis a qualquer tempo. Assim, enquanto não apreciada a defesa pela primeira instância administrativa, facultada a juntada da documentação comprobatória dos recolhimentos a que se alude nesta parte da defesa.” Fl. 619DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.725291/201332 Acórdão n.º 2301004.331 S2C3T1 Fl. 618 5 Destaca “que [a Portaria] RFB n.º 10.875/2007 prevê – em seu art. 7.º – a possibilidade da apresentação de documentos comprobatórios após o protocolo da defesa propriamente dita. O rol ali definido, contudo, não é exaustivo. O bom senso assim aponta, na medida em que a mesma matéria poderia ser oponível em grau de recurso administrativo, quando a mesma documentação seria apreciada. Assim, desde que juntada antes do julgamento administrativo de primeira instância, não há razões para sua não aceitação.” Sucessivamente, refere o caráter indenizatório das verbas – ajudas de custo – de convocação e desconvocação dos parlamentares. Questiona, também, o lançamento efetuado no tocante às verbas de representação pelo exercício da Presidência da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, as quais possuem natureza indenizatória, “destinada a compensar as despesas inerentes ao exercício de um cargo de maior vulto.” Pondera, ainda, que essas verbas, especificamente no que respeita ao período de fevereiro de 2011 a setembro de 2011, foram devolvidas “pelo primeiro representante daquela casa de leis”. Aliás, “o auditorfiscal reconhece expressamente que a parcela não foi auferida, isto é, não houve a percepção do acréscimo financeiro que estaria sujeito à incidência previdenciária, de tal sorte que é impossível a exigência pela via do auto infracional” (Grifado no original.), não havendo como se aceitar o entendimento de que a devolução dessa verba constituiria “doação que não desvincula a necessidade da incidência previdenciária”. Em relação ao deputado Luiz Hiloshi Nishimori, “a Assembléia Legislativa reconhece a ausência dos recolhimentos, decorrente por falhas do sistema e a uma especificidade em que se encontrava o deputado. Providenciará o recolhimento das parcelas alvo da autuação no prazo mesmo da defesa.” Assim também no que toca ao AI n.º DEBCAD 51.027.6954, referente à competência agosto de 2013, que resultou em uma multa de R$ 7.000,00. “Tais itens do relatório, portanto, deixam de ser alvo desta defesa.” Mantido o lançamento, observa “a necessidade de se compor a compensação de regimes, preconizada pelo art. 201, § 9.º da Constituição Federal.” Afirma, acerca da matéria, que “inúmeras são as normas e as disposições regulamentares a tratar da questão, sem que, efetivamente, se dê uma satisfação ao justo pleito do Estado do Paraná. Assim, enquanto não resolvida a questão da compensação, qualquer lançamento deve ser sustado.” Fl. 620DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Ao final, o impugnante requer, a um, seja reconhecida a nulidade dos lançamentos efetuados, ante a absoluta inexistência da especificação dos montantes e sua origem; a dois, seja reconhecido que efetivamente houve recolhimento no que toca aos lançamentos que objetivam o 13.º salário e as convocações extraordinárias (14.º e 15.º salários); a três, seja reconhecida a impossibilidade do lançamento no tocante à verba de representação pelo exercício da Presidência da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, quer pela sua natureza indenizatória, quer pela sua devolução; a quatro, seja reconhecida a impossibilidade da execução de parcelas remanescentes, antes de se proceder à necessária e imprescindível compensação dos sistemas previdenciários. (...) 4. Ao ser intimado em 13/8/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 600/601, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 18/9/2014, em que repete os mesmos argumentos expendidos em sua impugnação e requer a reforma do Acórdão nº 1050.407 (fls. 603/612). 5. É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator TEMPESTIVIDADE 6. Das decisões de primeira instância, cabe recurso voluntário. Nesse sentido, prescreve o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, "in verbis": Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 7. Constatase que a recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 13/8/2014, quartafeira, por via postal, sendolhe conferido prazo de trinta dias para interposição de recurso. Com isso, o termo do prazo recursal iniciouse em 14/8, quintafeira, e finalizou no dia 12/9, sextafeira. 8. Todavia, o recorrente protocolou seu recurso em 18/9/2014, ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto em lei para sua apresentação. 9. Suplantado o permissivo legal, ausente o requisito extrínseco da tempestividade. Portanto, reputo inadmissível o recurso voluntário de fls. 603/612 e dele não tomo conhecimento. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.725291/201332 Acórdão n.º 2301004.331 S2C3T1 Fl. 619 7 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, por intempestivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 622DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720504/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Pela absoluta ausência de previsão legal, não corre prazo contra a Administração Tributária para análise de pedido de ressarcimento.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3402-002.599
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Pela absoluta ausência de previsão legal, não corre prazo contra a Administração Tributária para análise de pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
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Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Pela absoluta ausência de previsão legal, não corre prazo contra a Administração Tributária para análise de pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 05 04 /2 01 1- 06 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 416 2 Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DOS PRODUTORES RURAIS DO SUDOESTE GOIANO – COMIGO transmitiu, em 10/02/2006, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 26485.05458.100206.1.1.110904, de créditos da nãocumulatividade de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social mercado interno, apurados com base na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (não foram apresentadas DComp) Para análise do pleito, a Fiscalização intimou a reintimou o interessado a apresentar documentação comprobatória. Após, uma primeira resposta, em que pediu prorrogação do prazo para atendimento do solicitado, este respondeu que se considerava desobrigado da apresentação dos documentos requisitados porque já se havia transcorrido o prazo decadencial. O Despacho Decisório n° 725/2011 – DRF/GOI (fls. 156 a 165) indeferiu o pedido. Em reclamação, fls. 173 a 235, o interessado invoca o princípio da verdade material, para requere a juntada posterior de documentos. No mérito, alega, em síntese, que: (i) em nenhum momento houve recusa de sua parte em apresentar documentos; (ii) suas rotinas administrativas determinam eliminar automaticamente todos os documentos e arquivos magnéticos, depois de decorrido o prazo decadencial, salvo orientações expressas sobre atos pendentes; (iii) o crédito tributário que é objeto do despacho decisório, tem como nascituro a data da transmissão eletrônica do PER, que ocorreu em 10/02/2006; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 417 3 (iv) dispunha a Fazenda de cinco anos para homologar ou não o ressarcimento, realizado por meio de PER, a contar da ciência do órgão fazendário da realização desse pedido, ou seja, da sua transmissão eletrônica; (v) poderia o Fisco não homologar o pedido de ressarcimento até 09.02.2011, o que não ocorreu, decaindo o seu direito de se manifestar contrário e; (vi) com a ocorrência da homologação tácita dos créditos vinculados ao referido pedido de ressarcimento, automaticamente as declarações de compensação dos débitos também devem ser homologadas. A 17ª Turma da DRJ/RJ1 julgou a reclamação improcedente. O Acórdão nº 12066.755, de 7/10/2014, fls. 298 a 317, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O reconhecimento do direito creditório não está sujeito a prazo decadencial, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 17ª Turma da DRJ/RJ1. O arrazoado de fls. 318 a 364, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma, em preliminar a arguição da decadência do direito do Fisco de proceder ao exame do PER. Entende que a Fazenda dispunha de cinco anos para homologar ou não o ressarcimento, contados da data de transmissão, em 10 de fevereiro de 2006. Encerrado o prazo em 09.02.2011, ocorreu a homologação tácita dos créditos vinculados ao referido pedido de ressarcimento, automaticamente os débitos utilizados nas DCOMPs, devem ser Fl. 417DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 418 4 compensados. Pugna por que se interprete analogicamente o § 5° do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Reclama que informou pessoalmente ao Auditor Fiscal, que suas rotinas administrativas determinam eliminar automaticamente todos os documentos e arquivos magnéticos, após decorrido o prazo decadencial, salvo orientações expressas sobre atos pendentes. Informou ainda, que estava e está buscando resgatar os arquivos magnéticos apagados de seus sistemas eletrônico de dados. Conforme já dito, para ela, não mais existiam atos pendentes inerentes aos exercícios de 2003 a 2008, porquanto já fiscalizados e recolhidos pelo Fisco. Destaca que, se o Fisco tivesse cumprido sua obrigação no tempo certo, poderia ele próprio, buscar as informações em seus próprios sistemas e bancos de dados, visto que repassados tempestivamente, quando solicitados: Afirma que o descarte da documentação e sua não apresentação não foram mera opção da Recorrente, mas conseqüência de sua desobrigação de mantêla. Foi impossibilidade física momentânea, tendo em vista o decurso de prazo decadencial de seus efeitos tributários e necessidades operacionais de seus sistemas de processamento eletrônico de dados. Discorre sobre a vedação da utilização de tributo com efeito de confisco. Repete a arguição de falta de fundamentação para as glosas procedidas. Na continuação, repete os termos da sua reclamação, inclusive o pedido de abono de juros Selic ao valor do ressarcimento. Conclui, requerendo a intimação pessoal do patrono da causa da data e hora do julgamento do presente recurso. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 318 a 364 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRJ117ª Turma nº 12066.755, de 7/10/2014. Pedido de direcionamento das intimações para o endereço dos procuradores Com relação ao requerimento para que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto n° 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, inc. II, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito Fl. 418DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 419 5 passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Indefiro. Preliminar de decadência do direito do Fisco de apreciar pedido de ressarcimento Tema preliminar, mas que perpassa toda a discussão de mérito proposta pelo recurso voluntário, argúise a decadência do direito de o Fisco indeferir o ressarcimento em prazo superior a cinco anos contados do ingresso do respectivo pedido. Para tanto, a recorrente faz alusões à previsão de homologação da Declaração de Compensação, especificada no artigo 74, § 5° da Lei n°.430, de 1996, introduzido pelo artigo 49 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74 [...] § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação A tese construída traduzse na aplicação analógica desse prazo para a Fazenda rever os cálculos elaborados pela contribuinte, tendentes a lhe conferir o direito ao ressarcimento. Ora, o prazo a homologação tácita de DComp está expressamente definido em lei [justamente o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, transcrito acima, que se aplica exclusivamente à compensação do débito de tributo próprio que o contribuinte interessado declarou/confessou na DCOMP por ele transmitida à Receita Federal]. Já para o exame da legitimidade de créditos não há prazo legalmente estatuído. Em não havendo qualquer restrição temporal ao exame da legitimidade de créditos solicitados pelo contribuinte, conseqüentemente, não decai o direito de o Fisco examinar a escrituração da contribuinte com o fim de verificar o montante de crédito a que faz jus. Se coubesse, ao caso, avaliações de analogia, deverseia, então, buscar seus fundamentos na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN, que em seus artigos 97, caput e inciso VI, e 156, caput e inciso II, assim dispõe: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Aplicandose, então, a analogia, verificase que se a compensação, que é hipótese de exclusão do crédito tributário, só pode ser disciplinada através de lei, do mesmo Fl. 419DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 420 6 modo, o respectivo crédito que a ela conduz também só pode ser tratado através de lei. Assim, qualquer estipulação de prazo para o deferimento de pedido de ressarcimento também demanda a existência de lei definidora. Em não havendo a determinação legal concernente a prazo para a concessão do ressarcimento, válida é a averiguação, a qualquer tempo, do quantum a que faz jus o requerente de créditos contra a Fazenda Nacional. Hely Lopes Meirelles, em “O Processo Administrativo e em Especial o Tributário”, interpretando o alcance e as conseqüências do princípio da oficialidade, entende que “... a instância não perime, nem o processo se extingue pelo decurso de prazo, senão quando a lei expressamente o estabelecer”. Portanto, há que se indeferir a preliminar de decadência, em face da falta de disposição legal que obrigue a autoridade administrativa a ressarcir saldos credores independentemente de averiguar o real direito do interessado. Esse entendimento está amparado em sólida jurisprudência desta instância recursal: Acórdão n° 3402002.301, de 29 de janeiro de 2014: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDEFERIMENTO. CARÊNCIA DE PROVA. Tendo o contribuinte sido intimado a apresentar a documentação hábil a legitimar o crédito pretendido e não o feito, bem como, deixado ainda de trazêla em quaisquer oportunidades processuais, é de se indeferir o pedido de ressarcimento pretendido, pela carência de prova de sua existência. Inteligência do art. 333 do CPC. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Pela absoluta ausência de previsão legal, e nos termos dos precedentes deste Colegiado, inexiste prazo para análise de pedido de ressarcimento por parte da Administração Tributária, sendo o prazo de 5 anos suscitado pelo contribuinte estendido apenas aos Pedidos de Compensação, o que foi observado no processo. Recurso Voluntário Negado. Acórdão n° 3403.002.568, de 1º de novembro de 2013: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DEFERIMENTO TÁCITO. ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 421 7 Conquanto esteja sedimentado no STJ entendimento segundo o qual a administração tributária deve decidir os processos no prazo de 360 dias, o descumprimento desse prazo não gera como consequência jurídica o deferimento tácito do pedido de ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Inexistindo declaração de compensação vinculada ao pedido de ressarcimento, não flui contra a administração o prazo de cinco anos previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS IMUNES, ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza o aproveitamento do crédito se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos. Recurso voluntário negado. Acórdão n° 330200.526 de 23 de agosto de 2010: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. REQUISITOS. Somente é passível de ressarcimento o saldo credor trimestral apurada na escrituração fiscal, o que pressupõe o trânsito obrigatório dos créditos pelo livro de apuração fiscal e o encontro de contas entre os débitos e créditos do imposto. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO REGULAR. Não há que se falar em inversão de ônus de prova em relação à procedimento de adoção legal obrigatória pelo sujeito passivo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI. PRAZO PARA ANÁLISE. INEXISTÊNCIA. Quer sob a denominação de homologação tácita, decadência ou qualquer outra, inexiste prazo legal para a apreciação de pedido de ressarcimento de IPI a partir da data do direito de crédito. Recurso Voluntário Negado. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 422 8 Acórdão n° 330200.526 de 23 de agosto de 2010 IPI RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI LEI N° 9.36.3/96 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 IPI PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COMPROVAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO SATISFATÓRIO A INTIMAÇÃO.De se manter decisão que referendou procedimento do Fisco no sentido de não apreciar o mérito de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, porquanto, devidamente intimada, a.,interessada não logrou apresentar os elementos essenciais para a confirmação do valor pleiteado e, consequentemente, o reconhecimento do favor fiscal envolvido, não obstante, entre a data do pedido e a data da intimação, tivessem se passado mais de sete anos. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, "HOMOLOGAÇÃO TÁCITA". IMPOSSIBILIDADE. O transcurso de mais de cinco anos entre a data do pedido de ressarcimento de crédito de IPI e a de sua análise pela autoridade administrativa não configura o seu reconhecimento por conta de uma "homologação tácita", instituto existente na legislação apenas para a "declaração de compensação". Muito embora o recorrente não o tenha alegado, convém destacar, incidentalmente, que tampouco há falar em homologação tácita de qualquer das declarações de compensações que se analisa. Ônus da prova em processos de iniciativa do contribuinte Quanto à possibilidade de se deferir pedido de ressarcimento e homologar compensações sem que o interessado tenha feito prova cabal da liquidez e certeza do crédito pleiteado, acolho integralmente os fundamentos da decisão recorrida e os adoto como razão de decidir, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999. A decisão está em linha com o que vem decidindo este Colegiado. Ilustro (Acórdão n° 3403003.168, de 20 de agosto de 2014, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO. É incabível a compensação diante da ausência de comprovação da existência e da liquidez do crédito informado na DCOMP. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. EXISTÊNCIA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. CASOS DE DILIGÊNCIA. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 423 9 Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação. Se a verificação da existência e da liquidez for possível a partir da documentação apresentada pelo postulante, mas demandar procedimento de verificação fiscal/contábil, cabível a realização de diligência. Não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante. A propósito, este Colegiado vem sufragando o entendimento de que não há violação do princípio da verdade material quando a Fiscalização denega pedidos do contribuinte que, intimado, não tenha feito prova cabal de seu direito. Transcrevo, nesse sentido, excerto do voto condutor do Acórdão n° 3403002.981, de 27 de maio de 2014, da lavra do ínclito Conselheiro Rosaldo Trevisan (unânime): Assim, não há que se falar em violação da verdade material (ou do devido processo legal), pois o fisco cumpriu com seu dever de diligência, somente não tendo logrado êxito na conclusividade da análise em função da falta de cooperação da própria recorrente. Há que se ter em mente que a verdade material conformase em duas feições, como ensina James Marins: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1” E igualmente refutada deve ser a alegação de violação à legalidade, ao direito à propriedade, ou à moralidade, visto que a empresa não faz prova contábil de ser detentora de direito creditório, o que impede o reconhecimento do crédito, até por questão de interesse público. Da mesma forma em que é incabível o locupletamento indevido pelo Erário, é inconcebível que se autorize crédito a contribuinte sem saber conclusivamente se este é devido. Atualização monetária ao valor do ressarcimento Por fim, o aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, a teor do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, aplicável ao caso pela norma de remissão do art. 15 da mesma Lei. Conclusões À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 27 de janeiro de 2015 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.154. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720504/201106 Acórdão n.º 3402002.599 S3C4T2 Fl. 424 10 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 15956.000365/2009-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2006
NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização.
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do período de 03/2004 a 10/2004, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte e, ao final, determinar a exclusão das empresas ATIVA - IND. COM. IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA., CNPJ 07.129.756/0001-84, e GBA METALÚRGICA S.A, CNPJ 09.183.673/0001-07 do auto de infração. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator.
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2006 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do período de 03/2004 a 10/2004, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte e, ao final, determinar a exclusão das empresas ATIVA - IND. COM. IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA., CNPJ 07.129.756/0001-84, e GBA METALÚRGICA S.A, CNPJ 09.183.673/0001-07 do auto de infração. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto - Relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 03 65 /2 00 9- 69 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do período de 03/2004 a 10/2004, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte e, ao final, determinar a exclusão das empresas ATIVA IND. COM. IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA., CNPJ 07.129.756/000184, e GBA METALÚRGICA S.A, CNPJ 09.183.673/000107 do auto de infração. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto Relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000365/200969 Acórdão n.º 2403002.976 S2C4T3 Fl. 127 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1233.307 – 10ª Turma da DRJ/RJ1, fls. 101/106, que julgou parcialmente improcedente a impugnação apresentada, mantendo parcialmente o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.230.0057, referente ao período de 01/03/2004 a 31/12/2006, no valor de R$ 22.939,49 (vinte e dois mil, novecentos e trinta e nove reais e quarenta e nove centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de crédito tributário referente às contribuições não descontadas, calculadas sobre as remunerações dos autônomos, sócio gerente (pro labore) e dos transportadores ferroviários autônomos, apurados em folha de pagamento, (pro labore), GFIP, recibos de pagamentos a autônomos, notas fiscais de prestação de serviços e escrituração contábil, conforme Relatório Fiscal, fls. 46/49. A autuação substitui o DEBCAD 37.180.1311, anulado pelo acórdão da 7ª Turma da DRJ/RPO nº 1422.398, fls. 55/60, que considerou nulo o lançamento anteriormente realizado por omissão na Fundamentação Legal do Lançamento quanto à tipificação da contribuição referente aos contribuintes individuais – sócios gerentes, demais autônomos e transportadores rodoviários autônomos, objeto do presente processo. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 63/66. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 10ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão nº 1233.307, fls. 101/106, a qual julgou parcialmente procedente a impugnação ofertada, mantendo parcialmente o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/01/2006, 01/03/2006 a 31/12/2006 COBRANÇA EM DUPLICIDADE. RETIFICAÇÃO. Excluemse do lançamento as contribuições previdenciárias apuradas constantes de execuções fiscais, oriundas de Débitos Confessados em GFIP. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência quando esta se mostra desnecessária. Impugnação Procedente em Parte. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Crédito Tributário Mantido em Parte A parte da qual foi provido o Auto de Infração se refere a cobrança em duplicidade com valores já confessados anteriormente em GFIP e objeto de pela PGFN, dessa forma, foram exonerados os valores das competências 01/2006 e 03/2006 do Levantamento S2, parte da competência 01/2006 do Levantamento S3 e competência 03/2006 do Levantamento S4, conforme fl. 106 do Acórdão. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, GBA CALDEIRARIA E MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 113/119, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1) Que seja reconhecido o cerceamento de defesa do contribuinte, face à verificação unilateral das cobranças acusadas em duplicidade, pelo agente, sem comparação efetiva com os valores encaminhados e ajuizados nas execuções; 2) Determinar a conversão do julgamento em diligência, a fim de se apurar os valores constantes no presente AI, envolvendo parcelas já objeto de execução fiscal, a fim de se deduzir os valores lançados em duplicidade com as citadas execuções fiscais; 3) Que seja reconhecida a descaracterização dos lançamentos principais e acessórios constantes do presente AI por duplicidade. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000365/200969 Acórdão n.º 2403002.976 S2C4T3 Fl. 128 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 125, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NATUREZA DA NULIDADE DO ACÓRDÃO ANTERIOR DA DECADÊNCIA O DEBCAD 37.180.1311 foi anulado parcialmente pelo fato de os levantamentos S2, S22, S3, S33, S4 e S44, que tratam de contribuintes individuais, terem sido lançados sob codificação legal de segurados empregados, resultando na omissão da tipificação das suas próprias contribuições. O lançamento com omissão na fundamentação legal do débito, bem como contendo alíquotas e rubricas distintas daquelas efetivamente cabíveis, constitui vício insanável na sua motivação e na sua regular constituição. Para tanto vejase a fundamentação no acórdão 1422.398 da 7ª turma da DRJ/RPO que anulou parcialmente o auto de infração originário, fls. 59, in verbis: Preliminarmente – da nulidade insanável Em exame detalhado dos autos, foram constatados vícios que comprometem a constituição regular deste crédito tributário, conforme arrazoado que se segue. Notase que foram lançadas, nos levantamentos S2, S22, S33, S4 e S44 – que tratam de contribuintes individuais (sócios gerentes, demais autônomos e transportadores rodoviários autônomos), as rubricas sob codificação legal de segurados empregados (“item 11 – segurados”). A consequência disso é que no próprio anexo de FLD estão ausentes as fundamentações para a cobrança das contribuições de segurados contribuintes individuais incluindo os transportadores autônomos. Ausentes, também, do Relatório Fiscal, os devidos fundamentos a esse título. Parece ter havido equívoco no enquadramento das rubricas lançadas, referentes às contribuições desses contribuintes individuais, nos levantamentos do crédito constituído. Em função da codificação incorreta na rubrica lançada (“11 – Segurados”) no DAD e no relatório FLD – que são elementos essenciais do lançamento – apresentase a descrição do débito Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 com alíquotas e fundamentações correspondentes, somente, à contribuição dos segurados empregados. ... O lançamento com omissão na fundamentação legal do débito, bem como contendo alíquotas e rubricas distintas daquelas efetivamente cabíveis, constitui vício insanável – na sua motivação jurídica e na sua regular constituição – em face de impedimento apresentado pelos sistemas informatizados da RFB, vez que não permitem a inclusão ou a alteração dos fundamentos legais após o lançamento ou a autuação, o que compromete futura execução fiscal por vício na fundamentação legal constante do título executivo (Certidão de Dívida Ativa – CDA). Apesar de a fiscalização ter entendido que se tratava de nulidade formal, entendo que é de natureza material. No caso concreto, houve vício na determinação da matéria tributável. Neste sentido é o acórdão do processo nº 10073.001965/200702, cuja ementa transcrevese abaixo: NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche os requisitos constantes no art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização. PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido. A nulidade declarada no acórdão 1422.398 de 03/03/2009 é de natureza material, não podendo o fisco realizar lançamento substitutivo nos termos do art. 172, II, do CTN, uma vez que o dispositivo se refere apenas às hipóteses de decretação de nulidade por vício formal, o que não é o presente caso, uma vez que foi declarada a nulidade por ausência de tipificação legal. Por esta razão, deve ser analisada a decadência à luz no disposto no art. 150, § 4º, ou mesmo do art. 173, I. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000365/200969 Acórdão n.º 2403002.976 S2C4T3 Fl. 129 7 Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do Auto de Infração no dia 30/11/2009 segundo documento de fl. 4, e se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, entendo que está extinto o crédito tributário nas competências de 01/03/2004 até 31/10/2004. DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE Alega a recorrente que os valores constantes as Execuções Fiscais, referentes às competências de 01/2006 a 04/2006 não foram abatidos por ocasião da lavratura do presente crédito tributário. Existem duas Execuções Fiscais com os números citados, que tempor origem dois Débitos Confessados em GFIP, sob os números 35.078.7878 e 35.979.7886, cadastrados em 30/08/2006 e cujos períodos da dívida correspondem ás competências de 12/2005 a 04/2006, fl. 82. As retificações, tendo em vista as competências e débitos em comum do presente Auto de Infração e as DCGs foram devidamente realizadas pela DRJ, onde foram excluídos totalmente o crédito das competências 01/2006 e 03/2006 do Levantamento S2, a competência 03/2006 do Levantamento S4, e excluído parcialmente o crédito da competência de 01/2006 do Levantamento S3. No que se refere ao restante do crédito constituído no presente Auto de Infração, não há que se falar em bis in idem. DAS MULTAS APLICADAS No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000365/200969 Acórdão n.º 2403002.976 S2C4T3 Fl. 130 9 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. DO GRUPO ECONOMICO O auto de infração foi lavrado em face de GBA CALDEIRARIA, como principal autuado, CNPJ n. 72.842.875/000141 o qual foi o único intimado para se manifestar nos autos. Ocorre que na fl. 23, constam duas empresas como vinculadas a ela, por caracterização de grupo econômico, ATIVA – IND. COM. IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA., CNPJ 07.129.756/000184, com endereço no município de Guarabira e GBA METALÚRGICA S.A., CNPJ 09.183.673/000107, com endereço no município de Jaboticabal. No entanto, em momento algum, há prova de que estas outras duas pessoas jurídicas teriam sido intimadas, seja do relatório fiscal e termo de encerramento de procedimento fiscal, seja com relação ao Acórdão da DRJ, o que caracterizaria cerceamento do direito de defesa. No entanto, verifico há uma nulidade de cunho material, que atinge o auto de infração de vício insanável deve ser abordada. Conforme se percebe do relatório fiscal, não há qualquer fundamentação à respeito da caracterização das empresas apontadas na fl. 23, como se grupo econômico fossem, bem como sua solidariedade para fins fiscais. Destaquese também que não há qualquer documento outro anexo ao relatório fiscal que traga essa correlação. Diante do exposto, resta demonstrado o cerceamento do direito de defesa, bem como a não observância do disposto no art. 142 do CTN, qual seja, determinar o sujeito passivo, ensejador de nulidade por vício material. Dessa forma, devem as empresas apontadas como grupo econômico serem excluídas do documento de fl. 23. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso Voluntário para, preliminarmente, conhecer a decadência do período de 03/2004 a 10/2004, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, e, no mérito, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15956.000365/200969 Acórdão n.º 2403002.976 S2C4T3 Fl. 131 11 Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte e, ao final, determinar a exclusão das empresas ATIVA – IND. COM. IMPORT. EXPORT. MONT. LOC. MAQ. EQUI. LTDA., CNPJ 07.129.756/000184, e GBA METALÚRGICA S.A., CNPJ 09.183.673/000107 do auto de infração. Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10945.000182/2009-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 04/03/2008 a 16/04/2008
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MERCADORIA CONSUMIDA. IMPOSSIBILIDADE DE APREENSÃO.
Verificado que a importadora não logrou comprovar a origem lícita dos recursos empregados na operação de importação e já consumida a mercadoria, aplica-se a multa equivalente ao valor aduaneiro.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-003.579
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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MERCADORIA CONSUMIDA. IMPOSSIBILIDADE DE APREENSÃO. Verificado que a importadora não logrou comprovar a origem lícita dos recursos empregados na operação de importação e já consumida a mercadoria, aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 01 82 /2 00 9- 59 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de auto de infração para exigência da multa prevista no art. 23, V, do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação que lhe foi dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, combinado com o art. 73 da Lei nº 10.822/2003. Foram arrolados como responsáveis solidários os sócios DOUGLAS ELIANDRO SCHMAEDECKE, CPF 025.268.98951 e WAGNER BENDO DA SILVA, CPF 968.554.60968. Segundo a descrição dos fatos, a fiscalização constatou que a empresa TARSO IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA declarou que realiza importações diretas (com recursos próprios), mas na verdade não tinha existência real e nem condições físicas ou econômicas de operar. As fotografias de fls. 93 demonstram que a empresa estava fechada em pleno horário comercial. A fiscalização informa que não foi comprovada a origem lícita dos recursos utilizados nas importações e que existem indícios de que a autuada atua no comércio exterior utilizando recursos de terceiros, ocultando os verdadeiros adquirentes das mercadorias. Existe proximidade entre as datas de desembaraço, de entrada e de saída das mercadorias. Existem aportes de recursos de terceiros não identificados na contacorrente da TARSO nas vésperas do fechamento do contrato de câmbio. Não foi apresentada documentação hábil à comprovação da integralização do capital social. O sócio WAGNER BENTO DA SILVA, demonstrou não possuir patrimônio e nem rendimentos suficientes para fazer jus à integralização do capital. A empresa sempre operou sem lucro de forma contínua. As importações excederam em duas vezes o valor do capital social da empresa. Não existem na contabilidade as contas "estoques", "salários a pagar" e "despesas com salários". O responsável solidário DOUGLAS ELIANDRO SCHMAEDECKE foi notificado por via postal em 04/03/2009, conforme AR de fls. 112. Em sede de impugnação subscrita por seu sócio, a TARSO alegou, em síntese, que as operações foram executadas por conta e ordem próprias com créditos fornecidos pelos exportadores, mas sem recursos de terceiros intervenientes nas importações. Por meio de diligência solicitada pela DRJ foi esclarecido que a notificação do sócio DOUGLAS ELIANDRO SCHAMAEDECKE foi feita com o objetivo de notificar a empresa da autuação e não o responsável solidário, pois a empresa não tem existência real no endereço que consta no cadastro da repartição (fls. 197/203) Por meio do Acórdão nº 33.323, de 29 de novembro de 2013, a 2ª Turma da DRJ Florianópolis julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/03/2008 a 16/04/2008 INTERPOSIÇÃO. MERCADORIA CONSUMIDA. CONVERSÃO. MULTA. Verificado que a importadora não logrou comprovar a origem lícita dos recursos empregados na operação de importação e já consumida a mercadoria, aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 12/12/2013 (AR fl. 219), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/01/2014. Alegou que a suspeita do fisco é presumida e não corresponde à realidade dos fatos. Apresentou durante a fiscalização todos os documentos que comprovam a posse de recursos suficientes para realizar Fl. 236DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10945.000182/200959 Acórdão n.º 3403003.579 S3C4T3 Fl. 4 3 as importações. Reafirmou que recebeu crédito do importador para realizar as operações e que não existe um importador oculto. Os recursos foram legalmente recebidos das empresas para as quais as mercadorias foram vendidas. A presunção de que há um terceiro oculto está embasada em um erro contábil. O exíguo prazo entre a emissão da nota fiscal de entrada e de saída não significa nada. Nas fls. 131, 139, 147 e 154 as faturas comprovam que a empresa efetuou as importações com prazo de 35 dias para realizar o pagamento após o embarque das mercadorias, ocorrendo um prazo razoável para realizar as vendas e pagar o fornecedor. Essa circunstância torna irrelevante a argumentação do fisco acerca do capital social integralizado e origem dos recursos, que ficou comprovado serem do sócio WAGNER BENDO DA SILVA. Questiona a decisão recorrida alegando que os tributos incidentes na importação são todos sujeitos à alíquota zero e que por tal motivo não há interesse algum em ocultar ninguém. Eventuais erros fiscais ou contábeis não podem gerar a presunção de que a empresa atuou como interposta pessoa. Requereu o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. As alegações contidas no recurso devem ser julgadas improcedentes, pois além de terem vindo desacompanhadas de provas, são insuficientes para infirmar a acusação fiscal. Foi alegado que a presunção da fiscalização baseiase em erro cometido pelo contador, mas o recuso não diz qual foi o erro e nem o comprova. O fato do exportador no exterior ter concedido prazo de 30 dias para pagamento da mercadoria, não afasta a acusação de que a TARSO agiu no comércio exterior ocultando o real importador. Ao contrário do que alegou, até o presente momento a TARSO não conseguiu comprovar a idoneidade das integralizações de capital. Além disso, nas quatro DI objeto desta fiscalização foram importadas 186 toneladas de feijão. Diante dessa quantidade de mercadoria, a empresa não tem estoques, não tem empregados e também não tem despesas relacionadas com estocagem e logística. Do mesmo modo, até o presente momento continuam não explicados e nem justificados os aportes de recursos de terceiros na contacorrente da TARSO, conforme comprova a cópia do extrato bancário de fls. 28. Na referida folha se pode verificar que no dia anterior ao fechamento do contrato de câmbio no valor de R$ 136.136,70 foi feito uma transferência eletrônica de R$ 141.827,75. Verificase que desde a época da fiscalização a empresa foi intimada a explicar a origem desse depósito, mas permaneceu em silêncio, talvez para não identificar o real importador da mercadoria. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Até o presente momento a defesa não esclareceu de onde veio o dinheiro e nem quem o enviou. Não tendo trazido aos autos nenhum motivo de fato ou de direito relevante, capaz de elidir a imputação que lhe foi feita pela fiscalização, voto no sentido de negar provimento ao recurso para manter o acórdão recorrido por seus próprios e legítimos fundamentos. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 238DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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