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Numero do processo: 13227.900789/2012-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 14/07/2006
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.278
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 07 89 /2 01 2- 30 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13227.900789/201230 Acórdão n.º 3301003.278 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 06048.584, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Por meio do Despacho Decisório, emitido pela DRF JiParaná, o pedido de restituição foi indeferido, uma vez que o crédito informado, correspondente ao pagamento de Data do Fato Gerador: 14/07/2006, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.268, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13227.900788/201295, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.268): Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13227.900789/201230 Acórdão n.º 3301003.278 S3C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13227.900789/201230 Acórdão n.º 3301003.278 S3C3T1 Fl. 5 4 que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13227.900789/201230 Acórdão n.º 3301003.278 S3C3T1 Fl. 6 5 art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifou se). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, no presente processo o Contribuinte, da mesma forma que no caso do paradigma, não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior, que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13227.900789/201230 Acórdão n.º 3301003.278 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912631/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 13/01/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. PAGAMENTO INTEGRAL.
Realizado o pagamento do débito discutido no processo administrativo, carece o Recorrente de interesse processual no prosseguimento do feito, devendo o recurso não ser conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire- Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente em exercício), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra., Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Numero do processo: 13502.000692/2001-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: TALITA PIMENTA FELIX
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 00 69 2/ 20 01 -7 6 Fl. 832DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 833 ___________ Relatório. Designado como Redator Ad Hoc para fins de formalização desta Resolução, transcrevo abaixo a íntegra do relatório apresentado pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 25 de janeiro de 2017, verbis: "COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS (sucessora por incorporação da INDÚSTRIA DE BEBIDAS ANTÁRTICA DO NORTE NORDESTE S/A), insurgese contra a não homologação do pedido de compensação e o indeferimento do pedido de restituição, cujo crédito tributário da contribuinte totaliza o montante de R$ 16.978.824,76. A contribuinte recorre do Acórdão de Impugnação nº. 1612.591, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (fls. 522/528), em sessão realizada em 26/02/2007 que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório/EQPIR (fls. 408/411). A ementa restou assim redigida: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2000 ANTECIPAÇÃO DE IRPJ A contribuinte tem direito à restituição de valores antecipados e recolhidos de IRPJ quando apurar saldo negativo de Imposto de Renda na declaração de ajuste anual. IRF RETIDO POR EMPRESAS COLIGADAS Ainda que a beneficiária detenha declaração de retenção na fonte de empresas coligadas, é necessário haver o recolhimento desses valores para que a empresa possa fazer jus à restituição. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Relatório COMPANHIA DE BEBIDA DAS AMERICAS – AMBEV, incorporadora da INDÚSTRIA DE BEBIDAS ANTÁRTICA NORTE NORDESTE S/A, manifesta inconformidade com Despacho Decisório, proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR, da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo – DERAT (fls. 395 a 396), que INDEFERIU o pleito da contribuinte, formalizado às fls. 01. 2 A empresa declarou ter apurado saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 2000, no montante de R$ 16.978.824,76 obtido pela soma das antecipações de IRPJ (R$ 8.556.331,84) mais o IRF retido (R$ 8.422.492,92). Declarou também ter compensado no anocalendário de 2001 o valor relativo a Fl. 833DF CARF MF Processo nº 13502.000692/200176 Resolução nº 1302000.461 S1C3T2 Fl. 834 3 R$ 8.655.896,69, restando pelas suas contas o valor de R$ 8.322.928,07, constante do Pedido de Restituição (fls. 01) 3 O processo foi inicialmente analisado em 21/11/2003 (fls. 188/189) e, dessa análise, resultou pedido de diligência à DEFIC/SP para que fossem sanadas divergências de informações na DCTF, divergências entre valores declarados e os encontrados nos sistemas da Receita Federal e compensações realizadas pela contribuinte no decorrer do anocalendário de 2001. 4 O relatório da Fiscalização (fls. 358 a 359) apurou que a contribuinte, após ter sido intimada três vezes (06/04/2004, 02/07/2004 e 28/09/2004) e de ter sido concedido diversos prazos suplementares ao procurador da querelante, não logrou apresentar nenhum documento comprobatório do IRF sobre mútuo, nem os respectivos contratos ou outros documentos que pudessem ratificar e aferir veracidade ao pleito, não apresentando também qualquer motivo para o não atendimento das intimações, caracterizando falta de interesse processual. A Fiscalização comprovou também um recolhimento de R$ 7.161.356,00 a título de antecipações de IRPJ, diferente do valor pleiteado de R$ 8.556.331,84. O relatório aponta também que a empresa limitouse a apresentar alguns relatórios e demonstrativos sobre as operações de mútuo e sobre as bases de cálculo relativas à redução do Lucro Real, porém sem nenhum respaldo documental, prejudicando qualquer análise contábil e fiscal. 5 Assim, a EQPIR, através do Despacho Decisório (fls. 393 a 396), considerou como valores comprovados somente o que constava como recolhido nos sistemas da SRF, ou seja, R$ 1.258.235,77 retidos a título de IRF (fls. 391) e R$ 7.161.356,18 recolhidos como antecipações de IRPJ (fls. 156), totalizando somente R$ 8.419.591,95 e não R$ 16.978.824,76 como declarou a empresa 6 Desse modo, foi apurado que a empresa utilizou para compensação na DIPJ/2002, mais do que detinha como crédito, resultando numa compensação a maior e indevida de R$ 236.304,74, efetuada no anocalendário de 2001, não restando, por conseguinte qualquer crédito a ser restituído e não sendo homologadas as compensações vinculadas ao processo (fls. 68, 94, 99, 103, 104 e 107). 7 Inconformada com a decisão, da qual foi cientificada em 13/02/2006, conforme AR constante as fls. 397/verso, a contribuinte apresentou, em 15/03/2006, Manifestação de Inconformidade (fls. 402 a 420), a qual se transcreve, resumidamente, a seguir: 8 Reconhece que não recolheu a antecipação de IRPJ relativo a janeiro de 2000, o que ocasionou a diferença do IRPJ declarado e o apurado nos sistemas da Receita Federal. Essa diferença foi, inclusive, inscrita na Dívida Ativa da União e a contribuinte comunica que recolheu o tributo através de DARF com os acréscimos devidos, apresentando a cópia do DARF às fls. 470; entendendo que, desse modo, volta a ter direito à restituição desse valor; 9 Quanto aos valores relativos às retenções na fonte, alega que tem direito ao valor solicitado pois as empresas IBA do Sudeste S/A e a Distribuidora de Bebidas Antártica de Manaus Ltda (DISBAM), retificaram as suas respectivas DIRF, declarando o valor correto retido em favor da contribuinte; Fl. 834DF CARF MF Processo nº 13502.000692/200176 Resolução nº 1302000.461 S1C3T2 Fl. 835 4 10 Apresenta como comprovação do que alega, cópias das últimas páginas de algumas contas do seu livro Razão, alegando que, por serem coerentes com as informações prestadas, fazem prova a favor da companhia, devendo a Autoridade Administrativa a prova da inverdade dos fatos, o que não foi observado, reclamando ainda que o Auditor Fiscal sequer fez essa verificação dos livros e documentos necessários a prova do pleito da contribuinte, e não aprofundou seus exames, o que comprovariam, segundo a empresa, a correção dos valores apresentados; 11 Cita várias decisões do Conselho de Contribuintes que embasariam sua tese; apresentando também as DIPJ retificadas do anocalendário de 2000 das empresas IBA do Sudeste e DISBAM, o que elimina, no seu entender, a divergência apontada pelo Auditor Fiscal; 12 Requer ainda diligência para confirmação do que alega se os documentos apresentados não forem suficientes; 13 Por fim, requer que sejam reconhecidos seu direito no Pedido de Restituição e as respectivas compensações efetuadas. (...) A contribuinte interpõe recurso voluntário (fls. 561/574), onde alega que: (...) a comprovação devese dar apenas em relação ao direito creditório ainda não apreciada pela DRJ, restringindose apenas ao IRRF apurado no ano calendário de 2000 entre as empresas coligadas do grupo, no montante de R$ 7.164.257,15 (R$ 8.422.492,92 – R$ 1.258.235,77 = R$ 7.164.257, 15). Este valor contempla a diferença apurada entre o valor informado na DIPJ 2001 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, de R$ 8.422.492,92 e aquele considerado pela DRF em seu Despacho Decisório, no valor de R$ 1.258.235,77. Defendeu ainda haver saldo negativo de IRRF em decorrência de operações de mútuo que teria realizado com coligadas, totalizando o montante de R$ 7.164.257,15, momento que defende seu direito creditório mencionando que: (...) na empresa DISBAM, os recolhimentos foram efetuados parte no código 0924 (IRRF – Demais rendimentos de Capital) e parte no código 3426 (IRRF s/ aplicações financeiras de renda fixa – Pessoa Jurídica), em valores superiores aqueles constantes no informe, conforme demonstra quadro a seguir e as cópias dos DARF’s emitidos pelo site da Receita Federal (através do ECAC), (Anexo 4): Fl. 835DF CARF MF Processo nº 13502.000692/200176 Resolução nº 1302000.461 S1C3T2 Fl. 836 5 Ressaltase que, a diferença, entre os valores do Informe e os recolhimentos efetuados por DARF’s correspondem aos valores de IRRF sobre operações de mútuo com a Companhia Antarctica Paulista (CNPJ 60.522/000183), outra empresa do grupo que possuía operações com a DISBAM naquele ano calendário. Essa informação pode ser confirmada na própria DIRF da empresa DISBAM do anocalendário de 2000. No Anexo 5 acostamos a tela da referida declaração com os valores dos rendimentos e do IRRF da Companhia Antarctica Paulista, além do demonstrativo dos valores efetivamente recolhidos pela DISBAM a título de IRRF durante o ano de 2000. As divergências irrelevantes entre os valores devidos e os recolhimentos através de DARF, demonstrados no Anexo 5, ocorreram em virtude de recálculos por parte da empresa das operações de mútuo durante o anocalendário de 2000 e não foram objeto do Pedido de Restituição da IBA NorteNordeste. O equívoco, Senhores Conselheiros, ocorreu com relação ao informe de rendimentos emitido pela DISBAM em 28/02/2001 e a DIRF Retificadora, pois tanto no documento (informe de rendimentos) quanto na declaração consta informação que todos os recolhimentos de IRRF realizados no ano de 2000 foram efetuados no código 3426, quando o correto seria constar o código efetivamente utilizado nos DARFs, tendo em vista que parte dos recolhimentos foram efetuados com o código 0924. Inclusive, nas DCTFs da DISBAM verificase que os débitos e os respectivos pagamentos promovidos no código 0924, foram declarados de acordo com as características dos documentos de arrecadação (Anexo 6). Em se tratando da fonte pagadora, IBA SUDESTE, a fundamentação é a mesma: Fl. 836DF CARF MF Processo nº 13502.000692/200176 Resolução nº 1302000.461 S1C3T2 Fl. 837 6 Com relação a IBA do Sudeste, os fatos são os mesmos descritos na empresa DISBAM, ou seja, os recolhimentos de IRRF sobre operações de mútuo do ano de 2000 foram promovidos pela fonte pagadora nos códigos 0924 e 3426, diferentemente das informações constantes na DIRF (Anexo 2) e no informe de rendimentos emitido em 28 de fevereiro de 2001 (Anexo 3). Para tanto, apresenta a seguinte tabela: Informou ainda que “as diferenças entre os valores constantes no informe de rendimentos e os DARF’s, referemse ao IRRF das outras empresas do grupo que possuíam operações de mútuo em 2000 com a IBA Sudeste”.Apresenta, por fim, uma última tese que denominou “erro de fato”, e nela aduz que: (...) como mencionado no item anterior, ficou comprovado que os recolhimentos realmente foram realizados, mas com o código diferente daquele informado nas DIRFs das empresas pagadoras do IRRF. (...) Portanto, no referido caso simplesmente ocorreu um erro de fato no ato do recolhimento do DARF, tendo em vista que se a recorrente tivesse efetuado o pagamento com o código correto, ou se as empresas que fizeram os recolhimentos tivessem informado o código corretamente na DIRF, o Fisco teria localizado os respectivos pagamentos, consecutivamente esse crédito não seria objeto de discussão. Realiza pedido de sustentação oral e junta documentos (fls. 575/683). Em síntese, é como relato." Fl. 837DF CARF MF Processo nº 13502.000692/200176 Resolução nº 1302000.461 S1C3T2 Fl. 838 7 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Ad Hoc para fins de formalização da Resolução. Designado como Redator Ad Hoc para fins de formalização desta Resolução, transcrevo abaixo a íntegra do voto proferido pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 25 de janeiro de 2017, verbis: "1. PRELIMINARMENTE 1.1. TEMPESTIVIDADE DO RECURSO O recurso voluntário é tempestivo, motivo pelo qual deve ser conhecido e processado. 1.2 PRODUÇÃO PROBATÓRIA INTEMPESTIVA Em consonância com o prescrito no art. 16, inciso III, do PAT, decidiu a 3a Turma da DRJ/BHE, ao se pronunciar sobre o fato, conforme se depreende: Quanto ao protesto pela juntada posterior de documentos, vale observar que, nos termos do art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que o impugnante possuir. Já o § 4º do mesmo artigo dispõe que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; ou c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. No presente caso, a impugnante não demonstrou a ocorrência de nenhuma dessas condições excetivas. Com efeito, ela se limita a invocar em seu favor o princípio da verdade material. Cabe lembrar, porém, que, nos termos do art. 7º, V, da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, é dever do julgador observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, o qual dispõe, por sua vez, que é dever do servidor observar as normas legais e regulamentares. Acolher a pretensão da impugnante configuraria inobservância das normas, já citadas, que prescrevem, de forma categórica, a preclusão temporal do direito de produzir a prova documental. Cumpre, pois, indeferir o pedido de juntada posterior de documentos. Adotando posicionamento reiterado em outros votos, faço uma breve síntese sobre a aceitação de provas pelos membros do CARF sob perspectivas, passada (2010) e atual (2016) deste Conselho, deste modo cito estudo realizado por Maria Fl. 838DF CARF MF Processo nº 13502.000692/200176 Resolução nº 1302000.461 S1C3T2 Fl. 839 8 Teresa Martínez Lopes e Marcela Cheffer Bianchini1, reiterado por Maria Rita Ferragut2, donde revelam, nas palavras desta última, que: (...) encontramos três grandes correntes: (i) a que não aceita a apresentação de provas após a impugnação; (ii) a que aceita, desde que apresentadas até o julgamento em primeira instância (se as informações forem complementares); e, (iii) a que aceita a apresentação de documentos em qualquer fase do julgamento administrativo, inclusive em segunda instância. Com o intuito de representar mais fielmente os pensamentos de Lopes e Bianchini, quanto à terceira corrente, registro que falam em apresentação de provas até a fase recursal. Diverso do apontado por Ferragut, que a retrata até a segunda instância. Dito isto, registro cada uma das três correntes, Ferragut conclui por entender de modo semelhante ao segundo posicionamento, ou seja, que as provas apresentadas depois da impugnação podem ser aceitas – com ressalvas. Já as primeiras autoras, Lópes e Bianchini, defendem a produção probatória em um modelo mais flexível de análise temporal. E para explicar tal elasticidade, irretocável são suas palavras, segue: Parecenos, portanto, que a tendência das decisões da Câmara de Recursos Fiscais está na aplicação de critérios de pertinência e utilidade na aceitação da documentação apresentada (...). Acertadas estão as decisões que, a depender da documentação juntada pelo contribuinte, se posicionem alternativamente, ora no sentido de aplicarem a literalidade da restrição do artigo 16 do PAF, ora no sentido de caracterizarem a inocorrência da preclusão, adequando a situação como excepcionais e em conformidade com as exceções elencadas no dispositivo legal e, para tanto, deve existir uma prévia análise dos documentos juntados, mesmo que para se recusar a documentação, em respeito a livre convicção do julgador na apreciação das provas, conforme determina o artigo 29 do Decreto n. 70/235/72. Nesse momento, tocam em ponto peculiar desta análise, referemse ao conhecimento/cabimento de tais provas. Em outras linhas, seria a ‘abertura do envelope’, para somente após, ser possível tomar conhecimento do que dentro consta. Com isso, temse que para as duas últimas correntes, nas palavras das duas juristas, “ainda que o contribuinte faça a juntada de documentos após o prazo legal, parece inconteste que deve existir uma prévia análise destes, mesmo que para se recusar a documentação, já que determinados documentos comprobatórios podem ser aceitos a qualquer momento por se referirem a fatos que permite o fácil e rápido convencimento do julgador” (sem grifo no original). Não parece logicamente possível realizar a desconstrução desse raciocínio, para ambas as correntes. Raciocínio contrário implicará no entendimento de ser possível aferir os documentos, sem deles se conhecer, ou, em outras palavras, conhecer o teor da carta, sem abrir o envelope. Uma consequência, nada irrelevante, diz respeito à influência da prova, na formação de uma posição, independente do conhecimento de tal dado pelo corpo de 1Fls. 34/51. Todos os comentários dessas autoras estão compreendidos neste intervalo de páginas. 2As provas e o direito tributário: teoria e pratica como instrumentos para a construção da verdade jurídica Fl. 839DF CARF MF Processo nº 13502.000692/200176 Resolução nº 1302000.461 S1C3T2 Fl. 840 9 julgadores. Não há como se negar tal fato. Claro que essa abordagem comporta restrições, em razão das provas anexadas e o caso concreto. Veja bem, quanto à formação da convicção do julgador, temse que a lei prescreve (art. 29) a possibilidade desse solicitar a realização de diligências. Pois bem. Aqui falase em oportunidade de o julgador solicitar diligências com o fito de sanar eventuais dúvidas, sempre com fins a proceder a uma decisão juridicamente segura; e noutro giro temse a preclusão temporal (art. 16), que pode ser compreendida como uma norma de comportamento, que, voltada à regulação da conduta da contribuinte, estabelece prazos rígidos à apresentação de provas. Retornando à necessidade de comunicação entre os artigos 16 e 29, tem se que sua ausência poderia levar à situação em que o contribuinte apresenta uma prova que o julgador entende necessária à sua convicção, porém, ele não poderia fazêlo, já que fora do prazo legal, e esta é rejeitada; em contrapartida, tal prova poderia ser requerida pelo julgador, por este entendêla indispensável. Tal ocorrência é perfeitamente possível, o que poderia, inclusive, ser o caso dos autos. Adoto a forma de sistematização dos dispositivos legais defendida por Lópes e Bianchini, ou seja, que a análise da pertinência probatória deve ser realizada caso a caso. Nesses termos, se os documentos juntados são hábeis e permitem a formação da convicção, sabendose possível a extensão dessa discussão via Poder Judiciário, não parece – juridicamente – coerente não conhecer e acolhêlas. Ainda segundo López e Bianchini, “na prática, quer nos parecer que, cada caso vai requerer uma análise mais apurada. Como dissemos, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. Parecenos ser esta a tendência a ser aplicada nas decisões da Câmara Administrativa de Recursos Fiscais atualmente”3. Assim, acolho a apresentação de documentos, como no caso em tela, antes do julgamento em segunda instância. Superadas as preliminares, passo ao mérito. MÉRITO O processo administrativo tributário em análise referese a pedido de restituição e de compensação em que a contribuinte assevera ter o montante de R$ 16.978.824,76, sendo que (i) R$ 8.556.331,84, seriam oriundos de antecipação de, IRPJ, reconhecidos pela DRJ e; (ii) R$ 8.422.492,92 de IRRF. Com a decisão proferida pela DRJ, os autos chegam à instância cameral para apreciação do montante de R$ 7.164.257,15, os quais referemse à não comprovação do repasse ao Fisco pelas fontes pagadoras (IBA DO SUDESTE S/A e DISBAM – Distribuidora de Bebidas Antarctica de Manaus Ltda). 3Ressalvo que, ainda que tenham publicado tal artigo em 2010, os critérios foram adotados nas duas pesquisas são atuais, apenas com a distinção de que para Ferragut a aceitação de provas poderia ocorrer até a impugnação, e para as outras duas, até a fase recursal. Ainda, com tal apontamento não nego a possibilidade de apresentação de provas/documentos até a fase recursal, o que se pretende aqui é apenas a descrição do que disseram as autoras. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 13502.000692/200176 Resolução nº 1302000.461 S1C3T2 Fl. 841 10 A análise necessária à solução deste litígio referese ao cumprimento e comprovação da realização dos deveres instrumentais por parte da Recorrente, haja vista serem exatamente esses os elementos necessários à comprovação do seu direito ao reconhecimento do pedido de compensação. O fundamento legal esta prescrito nos seguintes artigos do RIR/99 Art. 272. Na escrituração dos rendimentos auferidos com desconto do imposto retido pelas fontes pagadoras, serão observadas, nas empresas beneficiadas, as seguintes normas: I o rendimento percebido será escriturado como receita pela respectiva importância bruta, verificada antes de sofrer o desconto do imposto na fonte; II o imposto descontado na fonte pagadora será escriturado, na empresa beneficiária do rendimento: a) como despesa ou encargo não dedutível na determinação do lucro real, quando se tratar de incidência exclusiva na fonte; b) como parcela do ativo circulante, nos demais casos. Art. 837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração. Ainda, o art. 942 do RIR/99 prevê deveres instrumentais com comandos voltados à fonte pagadora, tais como o dever de fornecer à fonte beneficiária o Comprovante Anual de Rendimento Pagos ou Creditados e de Retenção de IRF. O art. 943, também, do RIR/99, assevera que o documento fornecido pela fonte pagadora à fonte beneficiária deverá ser apresentado em sua DIPJ e que somente poderá ocorrer a compensação/restituição nos casos em que tal documento for apresentado, vide: Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942. § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento. De acordo com as normas jurídicas,acima mencionadas, os deveres instrumentais relevantes à comprovação de pleitos de compensação podem assim ser definidos: i. o dever da fonte pagadora de emitir à beneficiária o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte.Documentos esses que foram apresentados pela Recorrente (fls. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 13502.000692/200176 Resolução nº 1302000.461 S1C3T2 Fl. 842 11 9, 11, 605, 606); ii. o dever da beneficiária em apresentar o comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados na retenção de imposto de renda na fonte; iii. a instrução da DIPJ/DIRF com essas declarações. De acordo com a figura abaixo, a contribuinte, em sua DIPJ retificada, Ficha 12, linha 13, consta o seguinte valor de IRF, senão veja: Pois bem, notase que o fio condutor das manifestações proferidas em Despacho Decisório e em acórdão de impugnação referemse à suposta ausência de documentos hábeis a comprovar o repasse dos valores retidos pelas fontes pagadoras. Em relação à apresentação de prova, vale mencionar que a contribuinte carreou aos autos os seguintes documentos: (i) comprovantes de retenção (fls. 5/12, 505/516); (ii) DIPJ (fls. (13/43); (iii) pedido de compensação (fls. 73, 101, 113, 117); (iv) DIRF (fls. 162/165, 177/194, 406); (v) extrato de DCTF (fls. 167, 169/174, 195/196); (vi) DIRF retificadora (fls. 489/497) e outros. As provas anexadas aos autos permitem a elaboração dos quadros, abaixo mencionados, os quais permitem reconhecer parte do direito pleiteado pela contribuinte, no entanto, há espaços que demandam preenchimento e, sendo o caso, um complemento e validação pela própria fiscalização, segue: A B C D E F G DISBAM: Comp. Arrecada ção (fls.) Valores dos comprovan tes em R$ Valores DIRF Companhia A. Paulista (fls. 622 e 623) IRRF – IBA NNE(Recorr ente) (fls. 605) C + D Diferença da somatória de C + D em relação à B em R$ Documentação comprobatória Janeiro 608 41.530,85 7.025,68 34.152,45 41.178,13 352.72 553, 622, 623, 625 Fl. 842DF CARF MF Processo nº 13502.000692/200176 Resolução nº 1302000.461 S1C3T2 Fl. 843 12 Fevereiro 609 43.424,10 7.374,16 35.953,65 43.327,81 96,29 553, 622, 623, 626 Março 610 36.756,72 7.463,73 30.250,34 37.714,07 957,35 553, 622, 623, 627 Abril 611 41.919,51 6.498,86 34.766,65 41.265,51 654,00 553, 622, 623, 628 Maio 612 38.748,99 + 32,55 7.144,00 31,505,07 38.649,07 127,32 553, 622, 623, 629 Junho 613 e 614 38.748,99 14.428,07 29.188,15 43.616,22 4.867,23 553, 622, 623, 630 Julho 615 27.679,16 6.817,98 26.275,25 33.093,23 5.414,07 553, 622, 623, 631 Agosto 616 35.275,89 7.370,03 27.905,86 35.275,89 0 533, 622, 623, 632 Setembro 617 40.233,05 6.504,67 33.649,80 40.154,47 78,58 553, 622, 623 Outubro 618 42.880,63 6.936,25 35.777.83 42.714,08 166,55 553, 622, 623 Novembro 619 32.538,59 338,27 32.040,14 32.378,41 160,18 553, 622 Dezembro 620 30.503,40 185,80 30.158,25 30.344,05 159,35 622 Total 9.443,66 622, 623 E: A B C D E F G IBA Sudeste Comp. Arreca dação (fls.) Valores dos comprovantes em R$ Valores destinados a outras empresas (672683) IRRF – IBA NNE(Recorr ente) (fls. 606) C + D Diferença da somatória de C + D em relação à B em R$ Documentaçã o comprobatória Janeiro 634 1.452.542,70 766.674,97 685.867,73 1.452.542,70 0 651, 653, 672 Fevereiro 635 1.499.958,47 801.021,64 698.936,83 1.499.958,47 0 651, 654, 673 Março 636 1.306.573,14 705.178,59 613.232,47 1.318.411,06 11.837,92 651, 655, 674 Abril 637638 1.437.083,95 746.624,72 678.621,31 1.425.246,03 11.837,92 651, 656, 676, 679 Maio 639641 1.489.077,09 798.163,54 691.402,13 1.489.565,67 488,58 651, 657, 658, 678, 680, Junho 642 1.530.975,41 Fls. 680, 681 679.331,12 ? ? 679.331,12 651, 659, 677, Julho 643 1.403.642,83 592.062,47 33.093,23 ? 592.062,47 651, 660, 681 Agosto 644 1.576.357,75 950.649,37 625.708,38 1.576.357,75 0 651, 661, 682 Setembro 645646 1.446.128,14 + 1.581,96 890.374,19 555.753,95 1.446.128,14 1.581,96 651, 683, Outubro 647 1.661.118,28 651, 652 595.090,12 ? ? 595.090,12 651, 662 Novembr o 648 1.932.149,97 651, 652 250.067,08 ? ? 250.067,08 652, 663 Dezembr o 649 1.391.579,05 651, 652 217.480,62 ? ? 217.480,62 652 Total Valor Fl. 843DF CARF MF Processo nº 13502.000692/200176 Resolução nº 1302000.461 S1C3T2 Fl. 844 13 Ante o exposto, e em razão da comprovada necessidade de que seja esclarecido o montante passível de restituição, baixese o processo em diligência para que sejam esclarecidas as seguintes questões: 1. analisar os documentos juntados pela contribuinte, Anexo IV, do recurso voluntário, para saber se comprovam o recolhimento pela fonte pagadora do IRF ora pleiteado, em razão de sua alegação quanto à confusão dos códigos; 2. após, que apresente relatório conclusivo; 3. que seja notificada a contribuinte para, desejando, pronunciarse no prazo de 30 dias; 4. após, que os autos retornem a julgamento nesta instância cameral. É como voto." Este foi o voto proferido pela Conselheira Talita Pimenta Félix. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Ad Hoc para fins de formalização da Resolução. Fl. 844DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002923/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
LANÇAMENTO NULO.
É nulo o lançamento suportado em mero indício de irregularidade, o qual não enseja qualquer presunção legal de omissão de receita, mormente quando não há o aprofundamento devido da fiscalização em busca de outros elementos de prova a sustentar a autuação.
Numero da decisão: 1302-002.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Rogério Aparecido Gil.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE MEIOS DE PAGAMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO NULO. É nulo o lançamento suportado em mero indício de irregularidade, o qual não enseja qualquer presunção legal de omissão de receita, mormente quando não há o aprofundamento devido da fiscalização em busca de outros elementos de prova a sustentar a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 29 23 /2 00 9- 57 Fl. 2381DF CARF MF 2 Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1448.066 da 13ª Turma da DRJ/RPO, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento parcial e em que não imputada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário tem início na data de ocorrência do fato gerador. Excluise a exigência formalizada após o transcurso do prazo decadencial. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e, além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao Processo Administrativo Fiscal, subsidiariamente. DIFERENÇAS ENTRE VALORES DECLARADOS/PAGOS E OS ESCRITURADOS Constatadas divergências entre os valores escriturados e declarados/pagos, justificase o correspondente lançamento, cujo afastamento depende de apresentação de esclarecimentos acompanhados de documentação comprobatória. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora se não for paga no vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1448.066 em 05/06/2014 (Termo a fls. 2373), interpôs, em 21/03/2014 (vide carimbo a fls. 2161), recurso voluntário (doc. a fls. 2161 e segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que o lançamento é manifestamente insubsistente por clara violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, pois a fiscalização não investigou pormenorizadamente a ocorrência do fato gerador e não identificou correntamente a matéria tributável, dando origem a autos de infração pautados em mera presunção simples; b) que os elementos, as justificativas e os esclarecimentos apresentados pela recorrente evidenciam a improcedência da exigência de parcela substancial das diferenças de CSLL consignadas no auto de infração, o que, aliás, corrobora o argumento de que o lançamento é precário, frágil e pautado em mera presunção simples de ocorrência do fato gerador; e c) que os juros de mora não devem incidir sobre a multa de ofício lançada por falta de previsão legal; d) que requer o provimento do recurso voluntário, para que seja reformada a decisão recorrida, cancelandose o auto de infração; Fl. 2382DF CARF MF Processo nº 13896.002923/200957 Acórdão n.º 1302002.091 S1C3T2 Fl. 2.382 3 e) que, quando menos, seja o julgamento convertido em diligência para verificação dos elementos, das justificativas e dos esclarecimentos apresentados contra a exigência das diferenças de CSLL, sob pena de cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Relator. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal (Daniel Lacasa Maya), conforme procuração a fls. 1365, razão pela qual voto por conhecêlo. Inicialmente, ressaltese que os créditos relativos aos fatos geradores de 2004 já foram cancelados pela decisão recorrida, assim como o crédito relativo à CSLL fonte de 15/07/2005, no valor de R$ 10.218,25, sendo que, não houve a interposição de recurso de ofício, já que o montante exonerado não atingiu o limite de alçada (vide tabela a fls. 2156). Antes de adentrarmos no mérito, vale a transcrição dos trechos do Termo de Constatação Fiscal a fls. 744 e segs. que trata da autuação em tela, in verbis: “As divergências entre valores constantes nas contas de tributos a pagar e os valores declarados em DCTF pelo contribuinte durante o anocalendário 2003 foram objeto de Auto de Infração em 2008 (13896.005106/200870 — IRRF, 13896.005103/200836 — PIS ,e COFINS, 13896.005107/2008 14 — CSLL). Após encerramento parcial do procedimento fiscal, tendo permanecido dúvidas quanto identificação das contas de provisão de diversos tributos (vez que o contribuinte não havia relacionado contas em que se observou o registro de obrigações tributárias), o contribuinte foi reintimado, em 09/03/2009, a definir contas de provisionamento de IRPJ e CSLL (estimativas), PIS, COFINS e IRRF de 2004 a 2007. Em 23/03/2009, o contribuinte apresentou a este SEFIS/DRF/BRE documento em que relaciona os valores provisionados a titulo de tributos federais a recolher em diversas contas contábeis e os valores respectivos declarados em DCTF. A partir destas informações, e de outras verificações efetuadas na contabilidade, foram agrupadas as contas contábeis que provisionariam os tributos. Considerando os valores lançados nos grupos de contas contábeis formados, foram cotejados tais valores, em confronto com os declarados em DCTF. (...) Após apuração de valores contabilizados em tais grupos e contas contábeis, em 28/08/2009, o contribuinte foi intimado a esclarecer divergências entre os valores contabilizados e os tributos declarados em DCTF, conforme planilhas anexas ao Termo de Intimação e ao presente Processo, também em meio digital e de acordo com o escriturado no Livro Razão, nas contas elencadas. (...) Fl. 2383DF CARF MF 4 Em 24/11/2009, o contribuinte protocola a entrega de vários documentos a fiscalização, a fim de esclarecer divergências no anocalendário 2004, referentes a COFINS, IRPJ, CSLL, PIS, IRRF, e retenções na fonte de PIS, COFINS e CSLL. (...) De modo geral, consideraramse não justificados os valores provisionados na contabilidade e não declarados em DCTF, ainda que tenha havido estorno de tais valores em momento posterior ao período de apuração quando não claramente demonstrados. (...) Relativamente aos demais tributos, foram justificadas diversas divergências entre as provisões e os valores declarados em DCTF, conforme documentos anexos ao presente Processo. (...) Com relação aos demais tributos retidos na fonte (IRRF cód 1708, 0588, e contribuições recolhidas sob código 5952), a justificativa do contribuinte deuse no sentido de que contabilizaria as retenções de acordo com a competência da despesa que lhes deu origem, sendo declarada a obrigação apenas quando da efetiva retenção (pagamento da nota). Assim, a verificação da correta apuração dos valores a partir da escrita contábil restou prejudicada. Prestaramse a justificar tais valores planilhas de apuração fornecidas pelo contribuinte, onde registra a data da apuração correspondente ao lançamento contábil. Não pertencendo ao escopo deste trabalho a apuração especifica de tais valores, mas tão somente a verificação do registro contábil em confronto com a declaração em DCTF, os valores, conferidos por amostragem, foram acatados. Assim, a divergência resultante foi basicamente a demonstrada pelo próprio contribuinte. Apenas valores perfeitamente identificados, em divergência com a apuração formulada pelo contribuinte, foram apropriados, por falta de justificativa (estão destacados nas planilhas de apuração correspondentes). Houve também divergências entre o somatório consolidado apresentado pelo contribuinte em algumas das planilhas e o efetuado a partir dos arquivos magnéticos fornecidos. Nestes casos, foi considerado o somatório efetuado a partir dos arquivos fornecidos, em beneficio do contribuinte. (...) Cabe ressalvar que o contribuinte protocolou a entrega da maioria das planilhas somente em arquivos magnéticos. Foi solicitado ao contribuinte que entregasse também os documentos em papel, a fim de instruir o processo. Até a presente data, não foi efetuada a entrega de tais documentos, que o contribuinte afirma ter encaminhado a uma gráfica para impressão. Deste modo, anexamos ao processo os arquivos digitais entregues pelo contribuinte, onde se podem verificar os somatórios dos valores retidos na fonte conforme período de apuração indicado. Com relação a tais arquivos, destacamos também que tendo sido constatadas inconsistências pelo AFRFB, houve retificação no arquivo referente às contribuições recolhidas sob código 5952 (entrega em 11/12/2009 e 17/12/2009). (...) As divergências relativas a contribuições retidas na fonte (PIS, COFINS, CSLL) foram lançadas no mesmo Auto de Infração relativo a PIS e COFINS e, especificamente, em Auto de Infração de CSLL (que, neste caso, retrata divergência entre valores escriturados de CSLL retida na Fonte e valores declarados em DCTF e não obrigação de CSLL do próprio contribuinte).”. Fl. 2384DF CARF MF Processo nº 13896.002923/200957 Acórdão n.º 1302002.091 S1C3T2 Fl. 2.383 5 Por sua vez, a descrição dos fatos do auto de infração em tela (a fls. 785) se resume a informar o seguinte: “Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados conforme Termo de Constatação e planilhas anexas.”. Da simples leitura do Termo de Constatação Fiscal e do auto de infração, verifico que a recorrente tem razão quando alega que “a fiscalização não investigou pormenorizadamente a ocorrência do fato gerador e não identificou corretamente a matéria tributável, dando origem a autos de infração pautados em mera presunção simples”. Da mesma forma que sustento, em desfavor de contribuintes, que provar não é simplesmente juntar aos autos documentos, mas sim articular argumentos com suporte em provas, tenho para mim, que a acusação fiscal deve primar pela demonstração, o que impõe uma argumentação clara e suportada por documentos, os quais devem estar referenciados. Notese que o TVF fala de documentos, mas não cita a página em que possam ser encontrados, como também sequer descreve cada um dos fatos que levou a autuação da CSLL em cada fato gerador. Do cotejo entre o Termo de Constatação Fiscal e a decisão de primeira instância, verificase claramente que várias informações que deveriam estar no Termo de Constatação Fiscal ou no próprio auto de infração só constam da decisão de primeira instância, ou seja, a partir de uma interpretação dos autos pelo julgador de primeira instância. Isso prova toda a fragilidade do auto de infração em tela. A falta de aprofundamento da fiscalização resta evidente quando o autuante sustenta que “a verificação da correta apuração dos valores a partir da escrita contábil restou prejudicada”, sem qualquer esforço para se tentar buscar a verdade material ou então demonstrar o porquê de ter restado prejudicada tal verificação. Ademais, cabia a autoridade lançadora suportar a autuação na escrituração contábil da recorrente, ainda que se restringisse a fazer um análise por amostragem das planilhas fornecidas pela autuada. Lógico, que tal análise deveria ser informada no Termo de Constatação Fiscal. Noutro giro, a alegação do contribuinte de que houve um descasamento entre o momento do aprovisionamento do tributo e o momento em que pago e informado em DCTF deveria ter sido objeto de aprofundamento pela Fiscalização, para verificar se esse seria o motivo de alguma das diferenças apuradas. Vale destacar que não estamos diante de uma presunção legal, hipótese em que cabe ao Fisco demonstrar apenas o indício, pois, dele, a lei permite presumir o fato não provado. Tratase aqui de uma Fiscalização que concluiu que diferenças entre valores aprovisionados para pagamento de CSLL e valores efetivamente pagos significaria falta de recolhimento/declaração de CSLL. A constatação de tais diferenças seriam no máximo um indício de irregularidade, mas jamais uma prova irrefutável de falta de recolhimento/declaração de tributo que dispensasse o autuante de se aprofundar na fiscalização de forma a demonstrar valores efetivamente devidos, mormente quando o autuante se baseou apenas em planilhas elaboradas pela recorrente. Fl. 2385DF CARF MF 6 Por exemplo, a falta de aprofundamento da investigação pode ser constatada quando o autuante não informa porque considerou injustificada a alegação do contribuinte, no doc. a fls. 1209, segundo a qual a diferença no montante de R$ 146.200,22 entre o valor contabilizado como contribuições retidas na fonte (cód. 5952) e o valor apurado (declarado e pago) referese a lançamento indevido, pois tal valor era em verdade referente a IRRF (cód. 1708), sendo que já teria sido estornado em 1/04/2005. O autuante limitouse no TCF a sustentar que: De modo geral, consideraramse não justificados os valores provisionados na contabilidade e não declarados em DCTF, ainda que tenha havido estorno de tais valores em momento posterior ao período de apuração quando não claramente demonstrados. Por que o autuante considerou não justificado? A DRJ alega que: “Mas a alegada reclassificação contábil já havia sido considerada pela Fiscalização como não justificada, como se vê dos demonstrativos abaixo reproduzidos, em que mencionada a apropriação não justificada do valor de R$ 146.200,22….”. Todavia, quais as razões para se considerar não justificadas a reclassificação contábil alegada pela recorrente? Nem a DRJ nem o autuante informam. Aliás, o argumento da DRJ de que a DCTF retificadora ativa teria mantido o valor do débito de CSRF no montante de R$ 696.818,94 nada prejudica o que foi alegado pelo contribuinte, pois foi esse o valor por ele recolhido, ou seja, a diferença no valor de R$ 146.200,22 nunca foi objeto de declaração pelo contribuinte como CSRF. Por essas razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Fl. 2386DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722636/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. Se houve a iniciativa de o contribuinte apurar o tributo, havendo pagamento parcial, deve ser aplicada regra do art. 150, §4º, do CTN. Logo, conta-se o prazo decadencial de cinco anos a partir do fato gerador do tributo.
SUSPENSÃO DE IPI. CONDIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. Podem sair do estabelecimento industrial com suspensão do IPI os materiais de embalagem destinados a estabelecimento que se dedique preponderantemente à elaboração dos produtos arrolados no artigo 29 da Lei nº 10.637/2002, desde que atendidas as obrigações acessórias previstas na legislação de regência. As saídas com suspensão do IPI de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637/2002, estão condicionadas a que o fornecedor esteja de posse da carta-declaração de que cuida o §7º, inc. II, do art. 29 da referida lei.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-003.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para considerar que os períodos de julho e agosto de 2007 estavam decadentes para lançamento. Por unanimidade de votos, reconheceu-se a legitimidade das declarações apresentadas quanto aos seguintes adquirentes: W.S. Nunes - EPP, CNPJ nº 05.163.599/0001-06, Berlu Indústria e Comércio de Condimentos Ltda., CNPJ nº 05.342.748/0001-96 e Coniexpress S/A - Indústria de Alimentos, CNPJ nº 50.955707/0004-72. Por maioria de votos, vencido o Conselheiro José Henrique Mauri, reconheceu-se a legitimidade das declarações apresentadas quanto aos seguintes adquirentes: J. Rabelo Indústria e Comércio de Embalagens Ltda, CNPJ 08.221.146/0001-79, Indústria Paulista de Alimentos, CNPJ nº 01.972.767/0001-4 e Catuaba Indústria de Bebidas SA, CNPJ nº 31.470.024/0002-19, assim deu-se parcial provimento ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. Se houve a iniciativa de o contribuinte apurar o tributo, havendo pagamento parcial, deve ser aplicada regra do art. 150, §4º, do CTN. Logo, contase o prazo decadencial de cinco anos a partir do fato gerador do tributo. SUSPENSÃO DE IPI. CONDIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. Podem sair do estabelecimento industrial com suspensão do IPI os materiais de embalagem destinados a estabelecimento que se dedique preponderantemente à elaboração dos produtos arrolados no artigo 29 da Lei nº 10.637/2002, desde que atendidas as obrigações acessórias previstas na legislação de regência. As saídas com suspensão do IPI de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637/2002, estão condicionadas a que o fornecedor esteja de posse da carta declaração de que cuida o §7º, inc. II, do art. 29 da referida lei. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para considerar que os períodos de julho e agosto de 2007 estavam decadentes para lançamento. Por unanimidade de votos, reconheceuse a legitimidade das declarações apresentadas quanto aos seguintes adquirentes: W.S. Nunes EPP, CNPJ nº 05.163.599/0001 06, Berlu Indústria e Comércio de Condimentos Ltda., CNPJ nº 05.342.748/000196 e Coniexpress S/A Indústria de Alimentos, CNPJ nº 50.955707/000472. Por maioria de votos, vencido o Conselheiro José Henrique Mauri, reconheceuse a legitimidade das declarações apresentadas quanto aos seguintes adquirentes: J. Rabelo Indústria e Comércio de Embalagens Ltda, CNPJ 08.221.146/000179, Indústria Paulista de Alimentos, CNPJ nº 01.972.767/00014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 26 36 /2 01 2- 86 Fl. 3355DF CARF MF Processo nº 19515.722636/201286 Acórdão n.º 3301003.627 S3C3T1 Fl. 3.356 2 e Catuaba Indústria de Bebidas SA, CNPJ nº 31.470.024/000219, assim deuse parcial provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no montante de R$ 8.531.212,70, relativamente aos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/2007 e 31/12/2008. Os itens da autuação foram: 001PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL IPI NÃO LANÇADO CARACTERIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. 002PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCALDESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DA SUSPENSÃO PELO REMETENTE DO PRODUTO. O item 001 se trata de autuação referente às planilhas (04) e (05), inseridas às fls. 2.592 e 2.593, cujas bases de cálculo alcançaram, respectivamente, os montantes de R$ 3.952.829,27 e R$ 450.482,22. Também a esse título, foram quantificadas as saídas para optantes pelo Simples, segundo os cálculos constantes da Planilha (06), à fl. 2.604, montando a base de cálculo R$ 46.496,85. O item 002 referese aos valores de base de cálculo inseridos nas planilhas (07) e (08), nos respectivos valores de R$14.552.536,85 e R$6.228.243,20, às fls. 2.611 e 2.612. Quanto ao item 001, expressamente a Recorrente comunicou que os débitos referentes a esse item foram parcelados, nos termos da Lei 11.941/2009, conforme fl. 3.050, REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO OU RECURSO ADMINISTRATIVO, tendo feito a seguinte observação: Observação: A presente desistência parcial se reporta ao imposto apurado mais os encargos legais correspondentes à infração descrita no item 001 do Auto de Infração constante do referido processo IPI NÃO LANÇADO CARACTERIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. São Paulo, 14 de Janeiro de 2014. Por isso motivo, a DRJ não analisou o mérito desse item do auto de infração. Fl. 3356DF CARF MF Processo nº 19515.722636/201286 Acórdão n.º 3301003.627 S3C3T1 Fl. 3.357 3 Quanto ao item 002, o auto foi lavrado em decorrência do descumprimento de condições de suspensão do IPI, instituída segundo o art. 29 da Lei nº 10.637/2002. Em 2007 e 2008, houve a saída de EMBALAGENS PET, Código TIPI 3923.3000, sem o destaque de IPI em diversas notas fiscais na venda desse produto, com suporte em saídas com a suspensão do IPI de que trata esse dispositivo legal. Entendeu a fiscalização ser indevida a suspensão usufruída pelo contribuinte, pelo fato de que não havia a declaração do adquirente no momento da saída do produto do estabelecimento fabricante. Tratou, então, de lançar os débitos do imposto, correspondentes ao IPI que deixara de ser destacado nas respectivas notas fiscais de saída. Tendo em vista que já havia sido reconstituída a escrita fiscal do contribuinte, gerando, inclusive, autuação pela glosa de créditos, o imposto apurado nas saídas foi totalmente exigido no auto de infração em comento. Quanto ao item 002, a DRJ reconheceu a decadência dos créditos tributários lançados a partir de 01/01/2007 até 30/06/2007 e de 01/09/2007 até 30/11/2007, bem como reconheceu como legítimas parcial ou totalmente as cartasdeclaração apresentadas pelo contribuinte, relativamente aos adquirentes: Real Concentrados Tropical Indústria e Comércio Ltda, CNPJ 02.040.856/000116; Louis Dreyfus Commodities Brasil SA., CNPJ nº 47.067.525/007625; Sakura Nakaya Alimentos Ltda., CNPJ nº 61.070.694/000168; Mil Indústria Costa do Dendê, CNPJ nº 03.459.966/000180; Triângulo alimentos Ltda, CNPJ nº 44.022.424/000203 e Câmara Agroalimentos SA, CNPJ nº 98.248644/000602. Por conseguinte, exonerou o IPI lançado para os meses de janeiro e junho de 2007 e setembro e novembro de 2007 e em relação aos adquirentes citados. Assim, houve a manutenção do o IPI no montante de R$ 835.463,06 e a multa proporcional de 75% no montante de R$ 626.597,30 e respectivos juros de mora e, o cancelamento do IPI no montante de R$ 2.281.653,950, (R$ 490.308,56 + R$ 1.791.345,39), da respectiva multa proporcional de 75% no montante de R$ 1.711.240,45 (R$ 1.343.509,04 + R$ 367.731,42) e dos respectivos juros de mora. Como a DRJ reconheceu a decadência para os meses de janeiro a junho de 2007 e setembro a novembro de 2007, permaneceu a autuação dos meses de julho, agosto e dezembro de 2007. Pela exoneração do crédito de R$ 2.281.653,950, foi interposto o recurso de ofício. O acórdão n° 0958.278, da 3ª Turma da DRJ/JFA, foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2007 DECADÊNCIA. Se houve a iniciativa de o contribuinte apurar o tributo e estando ele pago, nos termos do art. 124, inc. III, do RIPI/2002, afastase a possibilidade de se recorrer ao art. 173, parágrafo único, do CTN, para contagem do prazo decadencial. Resta, assim, evidente a aplicabilidade do art. 150, §4º, do CTN. Desse modo, Fl. 3357DF CARF MF Processo nº 19515.722636/201286 Acórdão n.º 3301003.627 S3C3T1 Fl. 3.358 4 contase o prazo decadencial de cinco anos a partir do fato gerador do tributo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 SUSPENSÃO DE IPI. CONDIÇÃO DE USUFRUTO. A legitimação das saídas com suspensão do IPI de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, está condicionada a que o fornecedor, antes dar saída com o benefício fiscal, esteja de posse da cartadeclaração de cuida o §7º, inc. II, do art. 29 da referida lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DESISTÊNCIA DO CONTRIBUINTE ANTES DO EXAME DA IMPUGNAÇÃO. DEFINITIVIDADE DO LANÇAMENTO. Apresentado o REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO OU DE RECURSO ADMINISTRATIVO pelo contribuinte, exsurge de seu ato a definitividade do lançamento efetuado, relativamente à matéria a cuja discussão o contribuinte expressamente renunciou. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Com a impugnação, o contribuinte deverá apresentar as provas que a instruirão, observando para ambas, impugnação e provas, o prazo legal de 30 (trinta ) dias, estabelecido determinado pelo art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972 e nos termos do inc. III do art. 16, também do Decreto nº 70.235, de 1972. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No termo de constatação, quanto ao item 002, falta de lançamento do IPI na(s) saída(s) do estabelecimento de produto(s) tributado(s) por ter se utilizado incorretamente do instituto da suspensão do IPI, consta: 67. No entanto, uma parte das “DECLARAÇÕES DE SUSPENSÃO DE IPI” apresentadas pelo fiscalizado em 27/DEZ/2010 e outras, paulatinamente apresentadas e reapresentadas no decorrer da ação fiscal, com a intenção de cumprir o determinado no inciso II do §7,° do Art. 29 da Lei 10.637/2002, estavam completamente intempestivas, pois parte das mesmas haviam sido emitidas em 2010, ou seja, fica evidenciado que o fiscalizado providenciou a documentação mínima necessária para comprovar a falta de destaque do IPI, após início da fiscalização e após solicitação desta Auditora e respectiva concessão de prazo (item 07 do Termo de Início de Fiscalização Fl. 3358DF CARF MF Processo nº 19515.722636/201286 Acórdão n.º 3301003.627 S3C3T1 Fl. 3.359 5 de 16/NOV/lO prazo de 20 dias com concessão de mais 20 dias) e portanto tais Declarações se tornam completamente improfícuas para satisfazer a condição de falta de destaque de IPI no decorrer de 2007 e 2008 (para valer o benefício da suspensão), pois de acordo com o dispositivo legal vigente, tais cartas deveriam declarar sobre os critérios dos respectivos adquirentes, em data anterior e/ou igual a data da respectiva emissão; 68. Para que a saída de produtos neste período de 01/01/2007 a 31/12/2008, tempestivamente pudesse se beneficiar da referida suspensão, seria necessário que as Declarações fossem emitidas em tempo hábil para atendimento ao referido dispositivo legal, ou seja, emitidas antes das emissões das respectivas NOTAS FISCAIS de Saída; 69. As Declarações de Suspensão de IPI, apresentadas pelo fiscalizado, emitidas pelos adquirentes de material de embalagem em 2010, não podem ser aceitas por esta fiscalização para elidir os destaques de IPI nas respectivas vendas executadas em 2007 e 2008, pois as normas reguladoras de hipóteses de suspensão e de exclusão do crédito tributário, que outorgam isenções e dispensam o cumprimento de obrigações acessórias devem ser interpretadas literalmente, ou seja, não comportam interpretação ampliativa ou extensiva, posto que o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), em seu art. 111, determina: [...] 71. Assim sendo, em obediência aos dispositivos legais pertinentes à suspensão de IFI, anteriormente transcritos, após exame de todas os documentos apresentados em atendimento às solicitações elaboradas no decorrer da ação fiscal, constatamos que a fiscalizada, sem estar de posse de declaração expressa de que o adquirente possuía aquelas condições, em 2007 e 2008, deu saída a PRODUTOS “SEM DESTAQUE DO IPI” (pretensa suspensão) para os estabelecimentos em anexo discriminados (PLANILHA Nº 03), que com referência a determinadas datas de 2007 e 2008, não haviam se declarado como industriais de produtos classificados nos capítulos da TIPI descritos no Art. 29 da Lei n° 10.637/02 (com a alteração introduzida pela Lei n° 10.684/2003); 81. Para ilustrar a irregularidade cometida, acrescento que o fiscalizado, mesmo alegando verbalmente não haver nenhuma intenção dolosa nas suas incorreções, descumpriu também outras normas determinadas na legislação da matéria de seu interesse (SUSPENSÃO DO IPI), pois o fiscalizado violou o disposto na alínea “a” do inciso VII do Art. 339, inciso III do Artigo 341 , ambos do RIPJ/02, e do §6° do Art. 29 da Lei nº 10.637/02, posto que foi devidamente constatado (através de circularização de informações com alguns clientes) que a fiscalizada, ao emitir citadas Notas Fiscais, além de não estar de posse das necessárias e obrigatórias “Declarações de Suspensão”, as emitiu ORIGINALMENTE sem a necessária e obrigatória informação da referida “suspensão” e capitulação legal da mesma, já que nesta referidas emissões deveria constar: “SAÍDA COM SUSPENSÃO DO IPI ART. 29 DA LEI 10.637/2002”; Fl. 3359DF CARF MF Processo nº 19515.722636/201286 Acórdão n.º 3301003.627 S3C3T1 Fl. 3.360 6 85. Isto posto, fiz uma análise manual nos dados disponíveis extraídos do banco de dados relativo às Notas Fiscais de saída no período de JAN/07 a DEZ/08 (com amostragem física nas Notas Fiscais de Saída apresentadas) e como resultado apurei a existência de vendas de vários produtos, com classificação fiscal 3923.3000 (cuja alíquota é 15%), SEM O DESTAQUE DO IPI, ou seja, sem cumprimento das condições para o benefício da “pretensa” suspensão de IPI; 86. Diante da falta de destaque do IPI, relativamente às Notas Fiscais de saída relativas às vendas sem condições do benefício da já citada “SUSPENSÃO”, destaquei o IPI para as vendas dos produtos saídos SEM DESTAQUE DO IPI SUSPENSÃO INDEVIDA, conforme Notas Fiscais de Saída discriminadas individualizadamente nas planilhas anexas, n° 07 e 08, denominadas “NOTAS FISCAIS DE SAÍDA SEM DESTAQUE DO IPI SUSPENSÃO INDEVIDA” relativas aos AC 2007 e 2008, totalizando a falta de destaque de IPI, nas bases tributáveis R$14.552.536,85 e R$6.228.243,20, respectivamente, conforme mensalmente discriminado a seguir. Em seu recurso voluntário e nas contrarrazões ao recurso de ofício, a empresa aduz: O reconhecimento da decadência para os meses de julho e agosto de 2007 Alega que a jurisprudência do CARF admite que os atos de iniciativa do contribuinte relacionados ao encontro de contas de débitos e créditos de IPI são pagamento antecipado, o que faz incidir o disposto no art. 150 do CTN. Não houve fraude, dolo ou simulação para deslocar a contagem do prazo decadencial para o art. 173 do CTN. Não há dúvidas que nos meses de julho e agosto de 2007, a Recorrente realizou todos os atos necessários previstos na legislação do IPI para fins de apuração do imposto. Ademais, não se pode olvidar que para os meses de julho e agosto de 2007, mesmo após as glosas, ainda sobrou saldo de créditos validados pelo Fisco para cobrir parte do saldo devedor. Assim, os meses de julho e agosto de 2007 também estão decaídos, porque a notificação se deu em dezembro de 2012. Declarações já reconhecidas pela DRJ No que tange ao cumprimento dos requisitos formais para fins de suspensão do IPI, análise da DRJ foi precisa para os clientes: Louis Dreyfus; SakuraNakaya; Mil Indústria; Triângulo Agroalimentos; Câmara Agroalimentros e Real Concentrados (para o ano de 2008). Flexibilização dos aspectos formais das cartasdeclarações Já quanto aos outros clientes, deve a decisão ser reformada, uma vez que as declarações dão suporte à fruição do benefício fiscal para todo o período objeto da autuação fiscal: Real Concentrados (para o ano de 2007); WS Nunes; Berlu Indústria; J. Rabelo Indústria; Coniexpress S/A; Indústria Paulista de Embalagens e Catuaba Indústria. Alega que o CARF tem entendido que os requisitos formais para a fruição da suspensão do IPI devem ser flexibilizados quando confrontados com o fato de que o contribuinte cumpre os requisitos materiais do benefício fiscal. Então, trata uma a uma a situação específica de cada um de seus clientes, nas efls. 3.2933.298, para que não reste dúvidas quanto ao seu direito de não estar submetida ao destaque de IPI nessas situações. Fl. 3360DF CARF MF Processo nº 19515.722636/201286 Acórdão n.º 3301003.627 S3C3T1 Fl. 3.361 7 Ao final, a Recorrente aduz que não restam dúvidas que as cartasdeclarações apresentadas e que não foram aceitas pela DRJ são plenamente válidas e possibilitam à Recorrente a fruição da suspensão do IPI nas operações com seus clientes. Em seguida, requer o provimento integral do recurso, para que se cancele o auto de infração, reconhecendose: a decadência de todo o período de janeiro a novembro de 2007, inclusive os meses de julho e agosto e, a legitimidade do direito da Recorrente à suspensão do IPI nas operações realizadas com seus clientes. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Os recursos de ofício e voluntário reúnem os pressupostos legais de interposição, deles, portanto, tomo conhecimento. Decadência A DRJ reconheceu a decadência para os meses de janeiro a junho de 2007 e setembro a novembro de 2007, permanecendo a autuação nos meses de julho, agosto e dezembro de 2007. A notificação do contribuinte se deu em 04/12/2012. Para os meses de julho e agosto de 2007 houve saldo devedor do IPI após a reescrita fiscal da contribuinte, com as glosas efetuadas pela fiscalização (as glosas de créditos ilegítimos foram efetuadas no processo nº 19515.721546/201278, referente a crédito sobre insumos adquiridos com isenção, oriundos da Zona Franca de Manaus). Para a Recorrente, os meses de julho e agosto de 2007 também estariam acobertados pela decadência, pois nesses meses adotou os atos de sua iniciativa para compensar débitos com créditos, fazendo o encontro das contas. Antes da glosa, a contribuinte tinha apurado saldo credor. Entendo que assiste razão à Recorrente, uma vez que mesmo após as glosas ainda sobraram créditos validados pelo Fisco para compensar parte do saldo devedor, então houve pagamento parcial, possível de atrair a aplicação do termos do art. 150 do CTN. Logo, entendo merecer reparos a decisão de piso, motivo pelo qual dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer a ocorrência da decadência dos meses de julho e agosto de 2007. Ademais, nego provimento ao recurso de ofício, mantendo ao reconhecimento da decadência para os períodos de janeiro a junho de 2007 e setembro a novembro de 2007. Fl. 3361DF CARF MF Processo nº 19515.722636/201286 Acórdão n.º 3301003.627 S3C3T1 Fl. 3.362 8 IPI não lançado Suspensão do IPI Validade das Cartas Declarações Alegou a Recorrente que não era necessário que a cada anocalendário fosse renovada a Declaração de suspensão, bem como que a obrigação de receber a comunicação de seus clientes antes de dar saída com suspensão do IPI não era imprescindível, pois a condição para o usufruto do benefício fiscal é que deve ser prévio, não a correspondência de seu cliente. Defende que algumas cartasdeclarações não foram aceitas pelo contribuinte devido a questões meramente formais, com isso "a falta de cumprimento de mera formalidade não pode impedir a suspensão do IPI". Seus clientes se dedicam preponderantemente à industrialização de alimentos conforme o art. 25, da Lei n° 10.637/2002. O §7º do art. 29: da Lei n° 10.637/2002, prescreve: § 7o Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. Entendeu a DRJ que a declaração referida no dispositivo não pode ser emitida a qualquer tempo, mas deve sim anteceder à remessa do produto pelo industrial que o fabrica, assim "Há uma condição prévia a ser atendida: o adquirente declara sua condição de usufruto do benefício ao seu fornecedor e este só dá saída ao produto com suspensão do IPI depois de estar de posse da declaração do adquirente". Com base nesse entendimento a DRJ analisou as declarações acostadas aos autos pela Recorrente (excetuadas aquelas referentes ao período da reconhecida decadência), tendo acatado aquelas que possuíam datas anteriores às saídas de produtos com suspensão do IPI. Dessa análise, a DRJ considerou legítimas parcial ou totalmente as cartas declaração dos adquirentes: Real Concentrados Tropical Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 02.040.856/000116 (a declaração de efl. 1.655); Louis Dreyfus Commodities Brasil SA., CNPJ nº 47.067.525/007625; Sakura Nakaya Alimentos Ltda., CNPJ nº 61.070.694/000168; Mil Indústria Costa do Dendê, CNPJ nº 03.459.966/000180; Triângulo alimentos Ltda, CNPJ nº 44.022.424/000203 e Câmara Agroalimentos SA, CNPJ nº 98.248644/000602. Da análise das Declarações dessas empresas, verificase que todas elas possuem a qualificação completa da Recorrente e da declarante, dispositivos legais citados e datas do exercício da autuação. Sendo assim, não há o que se reformar na decisão de piso, motivo pelo qual nego provimento ao recurso de ofício neste ponto. Quanto às não aceitas pela DRJ, insurgese novamente o contribuinte em Recurso Voluntário e, sobre o que se tratará a seguir: · Real Concentrados Tropical Indústria e Comércio Ltda, CNPJ 02.040.856/000116 Fl. 3362DF CARF MF Processo nº 19515.722636/201286 Acórdão n.º 3301003.627 S3C3T1 Fl. 3.363 9 Quanto às declarações deste adquirente, a DRJ validou as saídas com suspensão amparadas no documento apresentado em dezembro de 2007. Já para os meses de julho e agosto de 2007 foram consideradas ilegítimas, pois as declarações foram emitidas em janeiro de 2006 e janeiro de 2007, datas em que o declarante era optante pelo Simples Federal. Alega a Recorrente que a legislação que trata da suspensão do IPI não impede que a empresa adquirente seja optante do simples nacional. Isso porque o benefício fiscal não se aplica ao simples, enquanto beneficiário da suspensão, mas não há proibição na lei quanto ao adquirente ser do simples. Entendo que há a incompatibilidade de regimes, não sendo possível a aceitar as declarações de adquirentes no simples. Nesse sentido o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16/2004, vigente à época Dispõe sobre a suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de que trata a Instrução Normativa SRF nº 296, de 6 de fevereiro de 2003, alterada pela Instrução Normativa SRF nº342, de 15 de julho de 2003. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 29 da Lei nº10.637, de 30 de dezembro de 2002, com a redação dada pela Lei nº10.684, de 30 de maio de 2003, e o disposto no inciso I, do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº296, de 6 de fevereiro de 2003, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 342, de 15 de julho de 2003, e o que consta do Processo nº10880.007062/200399, declara: Artigo único. O regime de suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Instrução Normativa SRF nº 296, de 6 de fevereiro de 2003, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 342, de 15 de julho de 2003, não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), seja em relação às aquisições de seus fornecedores, seja no tocante às saídas dos produtos que industrializem. Ressaltese que a decadência fulminou o lançamento dos meses de julho e agosto de 2007. E, a DRJ já tinha reconhecido a validade para as saídas do mês de dezembro de 2007, o que não merece reparos. · W.S. NUNES EPP, CNPJ nº 05.163.599/000106 A DRJ não aceitou a declaração datada de 14/01/2008 (fl. 1.620), por estar datada de janeiro de 2008 e afirmar em seu conteúdo que é válida para o exercício de 2008, não podendo por consequência amparar as saídas com suspensão realizadas em julho e agosto de 2007. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente juntou nova declaração, efl. 3.317, desta vez datada de 04 de outubro de 2007. Fl. 3363DF CARF MF Processo nº 19515.722636/201286 Acórdão n.º 3301003.627 S3C3T1 Fl. 3.364 10 Com razão a Recorrente, a Declaração anexada ao Recurso é legitimada para amparar as saídas de 2007, pois consta minuciosa qualificação da declarante, com firma assinada de seu diretor (reconhecimento de firma em 19 de outubro de 2007), os produtos que preponderantemente elabora e, sobretudo, a seguinte informação: Esta declaração é válida para o(s) exercício(s) fiscal(is) de 2007, comprometendose a Declarante a analisar em cada início de exercício fiscal posterior a 2007, o atendimento a todos os requisitos estabelecidos nos dispositivos legais supra mencionados e outros que, no futuro, sejam aplicáveis. Salientese, que os meses de julho e agosto estão decaídos, motivo pelo qual a carta legitima as saídas com suspensão do mês de dezembro de 2007. · Berlu Indústria e Comércio de Condimentos Ltda., CNPJ nº 05.342.748/000196 A DRJ não aceitou a declaração datada de 14/01/2008 (fl. 1.621), por estar datada de janeiro de 2008 e afirmar em seu conteúdo que é válida para o exercício de 2008, não podendo por consequência amparar as saídas com suspensão realizadas em julho e agosto de 2007. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente juntou nova declaração, efl. 3.318, desta vez datada de 04 de outubro de 2007. Com razão a Recorrente, a Declaração anexada ao Recurso é legitimada para amparar as saídas de 2007, pois consta minuciosa qualificação da declarante, com firma assinada de sua sóciaadministradora (reconhecimento de firma em 05 de outubro de 2007), os produtos que preponderantemente elabora e, sobretudo, a seguinte informação: Esta declaração é válida para o(s) exercício(s) fiscal(is) de 2007, comprometendose a Declarante a analisar em cada inicio de exercício fiscal posterior a 2007, o atendimento a todos os requisitos estabelecidos nos dispositivos legais supra mencionados e outros que, no futuro, sejam aplicáveis. Salientese, que os meses de julho e agosto estão decaídos, motivo pelo qual a carta legitima as saídas com suspensão do mês de dezembro de 2007. · Indústria e Comércio Conde Ltda., CNPJ nº 06.196.385/0001A DRJ apontou que não há nos autos documentos que representem as saídas com suspensão do IPI. De fato, não há. Não foram acostadas as Declarações no Recurso Voluntário. Assim, deve ser mantida a autuação para o mês de dezembro de 2007, para as notas fiscais de saída para esta empresa, uma vez que o lançamento para os meses de julho e agosto de 2007 está decaído. . · J. Rabelo Indústria e Comércio de Embalagens Ltda, CNPJ 08.221.146/000179 Há uma declaração, fl. 1.663, que a DRJ não considerou como legítima para a suspensão do IPI, porque não consta data definida de sua assinatura. E o reconhecimento de firma Fl. 3364DF CARF MF Processo nº 19515.722636/201286 Acórdão n.º 3301003.627 S3C3T1 Fl. 3.365 11 em cartório é 01/12/2010, do sócio Ademilson José de Cristo, que entrou no quadro societário apenas em 04/08/2009, conforme consulta feita ao sistema CNPJ. Em seu Recurso, a empresa alega que consta na Declaração: “se dedica à produção de Vinagre, cuja classificação fiscal NCM 2209.0.00, encontrase inserida no Capítulo 22 da Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados – TIPI, fazendo assim, jus ao referido benefício no exercício de 2007.” E ainda, que o fato da cartadeclaração ter sido eventualmente elaborada e assinada após o exercício de 2007 não afasta a realidade de que, naquele exercício, na empresa, preponderantemente, industrializava produto elencado no art. 29 da Lei n° 10.637/2002. Entendo que assiste razão ao contribuinte, a declaração de fl. 1.663 é legítima para amparar as saídas de 2007. Como os meses de julho e agosto de 2007 estão decaídos, então a carta legitima as saídas com suspensão do mês de dezembro de 2007. · Coniexpress SA Indústria de Alimentos, CNPJ nº 50.955707/000472 A DRJ não acatou as Declarações de efls. 3.033 e 3.034, respectivamente, referentes aos anoscalendário de 2006 e 2008, porque foram assinados por Júlio Tucci e Vilma Moreno G. Fabiano que não pertencem ao quadro societário da empresa, tampouco constam como seus representantes legais no cadastro CNPJ. Entendo que as Declarações devem produzir seus efeitos para 2007 e 2008, considerando que a qualificação da Coniexpress está completa, a finalidade está posta; a vigência se refere a partir de 2006; estão listados os produtos que a declarante, preponderantemente, elabora; os dados de contato que figuram na declaração (endereço, email e telefone) são os institucionais e as assinaturas de Júlio Tucci e Vilma Moreno G. Fabiano estão acompanhadas dos números de CPF e foram reconhecidas pelo Banco Bradesco, Ag. 13866 (URBAL Madeira, Barueri/SP). Por fim, o porte da empresa segundo a Ficha Cadastral da JUCESP aponta para uma sociedade por ações, multinacional (Ketchup e outros Heinz), do que se infere a qualificação dos assinantes como prepostos dela. · Indústria Paulista de Alimentos, CNPJ nº 01.972.767/000145 A DRJ não acolheu a Declaração de fl. 1.669, porque datada de 20/12/2010. O contribuinte alega que o fato de ter sido emitida após o fato gerador não é relevante. Entendo que o referido documento é legítimo, devendo subsidiar as saídas com suspensão, inclusive do ano de 2008. · Catuaba Indústria de Bebidas SA, CNPJ nº 31.470.024/000219 A DRJ não aceitou a Declaração por constar referência à Instrução Normativa nº 948, apenas editada em 16/06/2009. Da mesma forma, a Recorrente alega que o fato de ter sido emitida após o fato gerador não é relevante. Mais uma vez o referido documento é legítimo, devendo subsidiar as saídas com suspensão, inclusive do ano de 2008. Conclusão Recurso de Ofício Fl. 3365DF CARF MF Processo nº 19515.722636/201286 Acórdão n.º 3301003.627 S3C3T1 Fl. 3.366 12 1) Voto por manter o reconhecimento da decadência dos créditos tributários lançados a partir de 01/01/2007 até 30/06/2007 e de 01/09/2007 até 30/11/2007, negando provimento ao Recurso de Ofício. 2) Voto por manter a legitimidade das declarações para fins de suspensão do IPI, relativamente aos adquirentes: Real Concentrados Tropical Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 02.040.856/000116 (apenas a declaração de fl.1.665); Louis Dreyfus Commodities Brasil SA., CNPJ nº 47.067.525/007625; Sakura Nakaya Alimentos Ltda., CNPJ nº 61.070.694/000168; Mil Indústria Costa do Dendê, CNPJ nº 03.459.966/000180; Triângulo alimentos Ltda., CNPJ nº 44.022.424/000203 e Câmara Agroalimentos SA, CNPJ nº 98.248644/000602, negando provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário 1) Voto por reconhecer a decadência dos créditos tributários nos períodos de julho e agosto de 2007, dando provimento ao Recurso Voluntário. 2) Voto por reconhecer a legitimidade das declarações dos seguintes adquirentes: W.S. Nunes EPP, CNPJ nº 05.163.599/000106 (para as saídas de dezembro de 2007), Berlu Indústria e Comércio de Condimentos Ltda., CNPJ nº 05.342.748/000196 (para as saídas de dezembro de 2007); Coniexpress SA Indústria de Alimentos, CNPJ nº 50.955707/000472 (dezembro de 2007); J. Rabelo Indústria e Comércio de Embalagens Ltda, CNPJ 08.221.146/000179, Indústria Paulista de Alimentos, CNPJ nº 01.972.767/00014, Catuaba Indústria de Bebidas SA, CNPJ nº 31.470.024/000219. Em suma, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 23 de maio de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 3366DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.903399/2008-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 33 99 /2 00 8- 52 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13896.903399/200852 Acórdão n.º 1402002.571 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13896.903399/200852 Acórdão n.º 1402002.571 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13896.903399/200852 Acórdão n.º 1402002.571 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13896.903399/200852 Acórdão n.º 1402002.571 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13896.903399/200852 Acórdão n.º 1402002.571 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908086/2009-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE.
Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.092
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1911; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.908086/200928 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.092 – 3ª Turma Sessão de 16 de maio de 2017 Matéria PRECLUSÃO DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS Recorrente BAR E WISKERIA BRASÍLIA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 86 /2 00 9- 28 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10166.908086/200928 Acórdão n.º 9303005.092 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3803003.485, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desprovidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A PRETENSÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê lo posteriormente, observadas as ressalvas legais. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessária à comprovação dos créditos alegados. A divergência suscitada no recurso especial centrase na possibilidade de apresentação de provas já no âmbito do recurso voluntário. O Recurso especial foi admitido conforme Despacho de Admissibilidade constante do presente processo. Contrarrazões foram apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Defende o não conhecimento do recurso especial em face da divergência fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas e pede a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10166.908086/200928 Acórdão n.º 9303005.092 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.080, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.908081/200903, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.080): "Conhecimento do Recurso Especial A Fazenda Nacional, em contrarrazões, pede o não conhecimento do recurso especial do contribuinte alegando que não fora comprovada a divergência jurisprudencial. Afirma que, muito embora os acórdãos paradigmas tenham tratado da matéria relativa ao momento de produção da prova no âmbito do processo administrativo fiscal, fizeramno em contexto fático e jurídico distintos, já que o acórdão recorrido tratava de análise de DCOMP e os paradigmas tratavam de lançamento de ofício, o primeiro Notificação de Lançamento (NFLD) de Contribuição Previdenciária e o segundo Notificação de Lançamento do IRPF. Alega ser fundamental no caso o fato de que nos processos de compensação a produção da prova é essencialmente de responsabilidade do interessado, sendo que nos processos de lançamento de ofício o ônus da prova é do Fisco. Embora reconheça como razoável a argumentação, penso que o que se está a discutir é a possibilidade de análise da prova pela instância julgadora, quando ela é apresentada somente quando da interposição do recurso voluntário. Nesta concepção, na minha opinião, as situações fáticas igualam se. Pois estamos tratando da mesma norma legal, qual seja o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, e a norma não diferencia se o processo é de impugnação ou de manifestação de inconformidade. Em ambos os casos, a análise literal da norma somente permite a apresentação dos elementos de prova no prazo para apresentação da impugnação ou da manifestação de inconformidade. Sendo certo que em ambas situações podem ocorrer a necessidade eventual da complementação da prova em face do julgamento de primeira instância administrativa. De forma, que convalido o entendimento exarado no despacho de exame de admissibilidade do recurso especial, por entender que foi demonstrada a divergência jurisprudencial e o recurso especial deve ser conhecido. Mérito Como relatado o acórdão recorrido não conheceu dos documentos apresentados pelo contribuinte somente por ocasião da apresentação do recurso voluntário em face da aplicação do disposto no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10166.908086/200928 Acórdão n.º 9303005.092 CSRFT3 Fl. 5 4 (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Importante então relembrarmos os fatos constantes do presente processo. O contribuinte apresentou PER/DCOMP com a intenção de compensar indébitos, que entendia estarem comprovados, com créditos tributários de sua responsabilidade. Posteriormente, cerca de três anos após a entrega do PER/DCOMP, recebeu Despacho Decisório eletrônico com a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/06/2009. " Veja que se trata de uma fundamentação bastante resumida e cujo entendimento de seu inteiro alcance merece esclarecimentos adicionais. Em sua manifestação de inconformidade, também bastante resumida, o recorrente informa que foi orientado pelo Plantão Fiscal da Receita Federal que tal fato ocorrera por falta da retificação de sua DCTF. Entendera assim o contribuinte que a apresentação da DCTF retificadora seria suficiente para a conclusão de sua compensação e tal entendimento está expressamente relatado na sua manifestação de inconformidade. No item 5 e 6 de sua manifestação de inconformidade assim se pronunciou: (...) 5. Se necessário a apresentação de outros documentos ou mesmo tomar outras providencias estaremos a inteira disposição para cumprir a pendências que porventura houver. 6. O contato é com o senhor EULER, fone 33473277. (...) Apresentou junto com sua Manifestação de Inconformidade cópia do recibo de entrega da DCTF retificadora, espelho do DARF do suposto pagamento a maior, cópia dos PER/DCOMP, além de seus documentos de identificação. Veio então o Acórdão da DRJ/Brasília julgando a Manifestação de Inconformidade improcedente por insuficiência de provas, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10166.908086/200928 Acórdão n.º 9303005.092 CSRFT3 Fl. 6 5 sendo que a DCTF retificadora não seria suficiente para tal e que o ônus da prova é do contribuinte que pleiteia a compensação. Cientificado desta decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual renova as argumentações quanto ao seu direito de crédito e apresenta novos documentos que entende ser suficientes para demonstrar a correção de seu procedimento de compensação. Como já vimos, o acórdão recorrido considerou preclusa a apresentação destes novos documentos e negou provimento ao recurso. O transcrito § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A regra é clara e bastante justificável à medida em que atende à necessidade de que o processo administrativo tenha sua marcha uniforme para frente e exigindo aos administrados o cumprimento de prazos, permitindo a solução de conflitos em consonância com a desejada celeridade processual. De fato, não é razoável que se permita a apresentação de elementos de prova em qualquer fase recursal a critério do administrado. Mas comungo da ideia de que este critério não seja absoluto a ponto de colidir com outros princípios caros ao processo administrativo, a exemplo dos princípios da formalidade moderada, da ampla defesa e da verdade material. No presente caso, além de estar cerceando o direito de defesa do contribuinte, à medida em que a descrição dos fatos no despacho decisório não é clara o suficiente, poderá estar havendo restrição à aplicação da verdade material à medida em que aqueles documentos apresentados poderem revestirse de elementos suficientes para a confirmação da existência do direito de compensação do contribuinte. Semelhante raciocínio foi apresentado em voto do exconselheiro Belchior Melo de Sousa no acórdão nº 3803004.325, de 27/06/2013, o qual transcrevo parcialmente, por concordar inteiramente com suas conclusões (grifos meus). O litígio decorrente da apreciação das compensações declaradas passou a ser submetido ao rito do Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235/72, a partir da data publicação da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003). Assim, a princípio deve o litigante submeterse à observância do art. 16, § 4º, que trata do momento processual de apresentação das provas como sendo o da manifestação de inconformidade, ou, ainda, até a decisão de primeira instância, autorizado pelo órgão julgador. É consabido que a norma legal do art. 16, § 4º, citado, tem sua aplicação originária ao processo de determinação e exigência de crédito tributário, cujos fatos imputados ao fiscalizado devem ser respaldados pela provas levantadas e apresentadas pelo fisco no procedimento inquisitório do lançamento. É exigência, ainda, desse feito que os fatos de que é acusado o autuado estejam pontual e claramente descritos. Este modelo de ação tem por fim permitir o exercício da ampla defesa do contribuinte, sob amparo de garantia constitucional. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10166.908086/200928 Acórdão n.º 9303005.092 CSRFT3 Fl. 7 6 Este rito foi tomado por empréstimo para reger o procedimento administrativo de apreciação da compensação tributária, como acima referido (MP 135/2003), logo após a inauguração do seu novel regime pela MP nº 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002). A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência tributo já quitado ou não repetir o indébito. De fato, o contribuinte trouxe em sua manifestação de inconformidade os documentos de que dispunha naquele momento e que entendia aptos a comprovar seu direito, requerendo a posterior juntada de novas provas, acaso se fizessem necessárias. E, não tendo o julgador a quo reconhecido naqueles documentos a necessária força probante, trouxe o contribuinte novas provas para reforçar o seu direito, de modo que, no caso concreto, a apresentação das provas no recurso voluntário é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Notese que as provas apresentadas no âmbito do recurso voluntário, são notas fiscais e o balancete contábil do período em discussão, as quais demonstrariam supostamente o seu direito creditório. Justamente os supostos documentos que a decisão da DRJ entendeu estarem faltando para a possível comprovação do indébito. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte determinando o retorno dos autos à instância a quo para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a prejudicial de preclusão das provas apresentadas." Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10166.908086/200928 Acórdão n.º 9303005.092 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, determinando o retorno dos autos à instância a quo para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a prejudicial de preclusão das provas. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 122DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000582/2009-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1991
DECISÃO JUDICIAL IMPEDITIVA DE LANÇAMENTO. CONFIRMAÇÃO PELO TRF. REFORMA PELO STF. EFEITO DOS RECURSOS. CPC/1973, ARTS. 527, 558, 497 E 542. DECADÊNCIA AFASTADA.
A decisão judicial que antecipa efeitos da tutela - para impedir o lançamento tributário -, quando confirmada por decisão final em julgamento do recurso de apelação, atesta o efeito meramente devolutivo do recurso extraordinário. O efeito devolutivo decorre dos dispositivos processuais vigentes ao tempo dos fatos (CPC/1973, arts. 527, 558, 497 e 542).
Assim, afasta-se a decadência, pois a Receita Federal estava impedida de efetuar o lançamento até a decisão do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9101-002.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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CONFIRMAÇÃO PELO TRF. REFORMA PELO STF. EFEITO DOS RECURSOS. CPC/1973, ARTS. 527, 558, 497 E 542. DECADÊNCIA AFASTADA. A decisão judicial que antecipa efeitos da tutela para impedir o lançamento tributário , quando confirmada por decisão final em julgamento do recurso de apelação, atesta o efeito meramente devolutivo do recurso extraordinário. O efeito devolutivo decorre dos dispositivos processuais vigentes ao tempo dos fatos (CPC/1973, arts. 527, 558, 497 e 542). Assim, afastase a decadência, pois a Receita Federal estava impedida de efetuar o lançamento até a decisão do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 82 /2 00 9- 28 Fl. 628DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é recorrida Citibank DTVM S/A (doravante “contribuinte” ou “recorrida”), em face do acórdão n. 1101000.774 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária da 1a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre a possibilidade da contagem do prazo de decadência quando a autoridade fiscal se encontra impossibilitada de lançar o tributo em virtude de decisão judicial. O acórdão recorrido apresenta a seguinte descrição dos fatos (efls. 539 a 541): "Por meio de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte suso qualificado, foi apurada, conforme descrição fática contida nos autos de infração de fls. 114/116 e 123/125, suposta inobservância do regime de escrituração pertinente ao IRPJ e à CSLL, operada mediante exclusão, na apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição, tocantes ao anocalendário de 1991, de valores referentes ao saldo devedor da correção monetária atinente à diferença IPC/BTNF, nos termos do artigo 3° da Lei n° 8.200/91, alterado pela Lei n° 8.682/93, de um lado, e dos artigos 32 e seguintes do Decreto n°332/91, de outro. Segundo estresidos relatos, a irregularidade em questão cerrara amparo em medida liminar obtida, em 05.05.1992, nos autos do Mandado de Segurança n° 92.00466710. Sentença proferida no bojo do citado writ, datada de 14.09.1994, denegara, contudo, a segurança pleiteada, jogando por terra a antecipação de tutela jurisdicional alcançada. Foi interposto Recurso de Apelação, então, pelo contribuinte, oportunamente provido pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região (TRF3). A União ingressou, ulteriormente, com Recurso Extraordinário, direcionado ao Supremo Tribunal Federal — remédio ao qual se deu provimento, mediante aresto datado de 22.04.2004, transitado em julgado em 07.06.2004. Em 04.09.1995, a autoridade fiscal já havia, de todo modo, lavrado autos de infração (Processo Administrativo n° 13805.005559/199510) em face do impetrante, para fim de constituir créditos de IRPJ, de CSLL e de ILL, incidentes à correção monetária excluída das correlatas bases imponíveis, apuradas no anocalendário de 1991. Reconheceuse, na oportunidade, a suspensão da exigibilidade das cifras cobradas, nos termos do artigo 151, inciso IV, do CTN. Em face desse AII, o contribuinte peticionou nos autos do indigitado Mandado de Segurança — àquele tempo, já em sede de Apelação —, alegando descumprimento de ordem judicial. 0 i. relator determinou, em tal cenário, o cancelamento dos autos de infração, enquanto perdurasse a discussão judicial. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 16327.000582/200928 Acórdão n.º 9101002.743 CSRFT1 Fl. 629 3 Ciente dessa ordem, a autoridade fiscal a interpretou, por conta, como denotativa de singela suspensão do andamento das peças acusatórias, até decisão judicial final. Finalmente, depois do transito em julgado do aresto exarado pelo Supremo Tribunal Federal, proferido em resposta ao Recurso Extraordinário interposto pela Unido, enviou o Fisco, ao contribuinte, cartacobrança do crédito lançado de oficio. Ocorre que, conforme relatório aposto a acórdão (fls. 30/31) da lavra do vetusto Primeiro Conselho de Contribuintes, gerado no âmbito do Processo Administrativo n° 13805.005559/199510, a autuada deixara, originalmente, de apresentar impugnação aos autos de infração exordiais, em razão de o cancelamento das peças acusatórias ter sido predeterminado pelo próprio relator da Apelação judicial interposta pelo contribuinte. Transitada em julgado a decisão que deu provimento ao Recurso Extraordinário da União, o contribuinte, depois de receber a relatada cartacobrança, optou por opor, enfim, impugnação desfavorável às exigências de fronde. A d. DEINF/SPO entreviu como imperiosa a reabertura de prazo para a exposição de instrumento impugnatório, permitindo ao contribuinte a apresentação da nova defesa. Todavia, a d. DRJ/SPO1, revendo aquele ato, proferiu despacho diverso, informando inexistir previsão legal para a recontagem do interregno hábil para interposição de impugnação. Ato continuo, de todo modo, a d. DEINF/SPO, escorada em despacho formalizado pela própria relatora do caso no âmbito da. DRJ/SPO1, excluiu a multa e o crédito referentes ao ILL, sob auspícios de essencial revisão de oficio do ato lançador. Cientificada, a autuada opôs Recurso Voluntário ao extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. Este órgão colegiado, mediante o Acórdão n° 10196.965, declarou nulos os autos de infração administrados pelo Processo Administrativo n° 13805.005559/199510, ressalvando o direito do Fisco de efetuar novos lançamentos, dentro de prazo decadencial contado da data do transito em julgado da decisão que pôs termo ao Recurso Extraordinário da União. A Fiscalização, então, recompôs o lucro real do anocalendário de 1991, mediante adição do valor correspondente ao saldo devedor da diferença de correção monetária entre o 1PC e o BTNF. Resultou disso IRPJ a pagar. Refezse, no mais, conforme demonstrativo de fls. 105/106, o cálculo do imposto aferido nos anosbase de 1993 a 1998, considerandose os efeitos da possível dedução da despesa de correção monetária especial — que, na forma da legislação em vigor, eram passiveis de ser aproveitados pelo sujeito passivo, A razão de 25% (vinte e cinco por cento), para 1993, e de 15% (quinze por cento), para o período compreendido entre 1994 e 1998. Imputados os pagamentos efetuados a maior nos períodos citados, apurouse o saldo devedor derradeiro de IRPJ, com base na Lei n° 8.200/91, na Lei n° 8.682/93 e no Decreto n° 332/91. A Fiscalização recompôs, ainda, a base de cálculo da CSLL, mediante adição do valor do resultado da correção monetária referida, com amparo no artigo 41 do Decreto n° 332/91 e na Lei n° 8.200/91. Chegouse, com tal proceder, a saldo devedor da contribuição, passível de exigência, nos moldes do demonstrativo de fl. 124." A DRJ julgou a impugnação administrativa parcialmente procedente, mantendo o lançamento em parte (efls. 332 e seg.). A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1991 AÇÃO JUDICIAL COM DECISÃO DEFINITIVA. COISA JULGADA. Incabível qualquer pretensão de alteração do que foi determinado em decisão judicial transitada em julgado. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n. 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em anulação ou cancelamento do auto de infração. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. Conforme art.173, II, do CTN, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário extinguese em cinco anos contados da data de decisão definitiva que houver anulado o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 630DF CARF MF 4 INCONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de normas. JUROS SELIC. MULTA DE OFÍCIO. Juros e multa exigidos conforme a legislação de regência. CSLL NÃO ESCRITURADA. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DE OFÍCIO DA CSLL DO LUCRO REAL. Não escriturada no exercício fiscal competente, não pode ser deduzida a CSLL do lucro real. VALORES APURADOS. VALORES TRANSPOSTOS NO AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO. PARCELA EXONERADA. Exonerase a parcela lançada, bem como a multa, correspondente a erro na transposição do demonstrativo dos valores apurados para o auto de ração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Data do fato gerador: 31/12/1991 AÇÃO JUDICIAL COM DECISÃO DEFINITIVA. COISA JULGADA Incabível qualquer pretensão de alteração do que foi determinado em decisão judicial transitada em julgado. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n.° 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em anulação ou cancelamento do auto de infração. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. Conforme art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário extinguese em cinco anos contados da data de decisão definitiva que houver anulado o lançamento anteriormente efetuado. INCONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de normas. JUROS SELIC. MULTA DE OFÍCIO. Juros e multa exigidos conforme a legislação de regência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Nesse seguir, foi interposto recurso voluntário pelo contribuinte (efls. 353 e seg.), o qual, por unanimidade de votos, foi julgada procedente, para acolher a preliminar de decadência suscitada e, assim, cancelar os autos de infração lavrados (efls. 538 e seg.). O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1991 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO PARA FINS DE PREVENÇÃO. IMPEDIMENTO JUDICIAL. INÉRCIA FAZENDARIA. O Fisco deve lavrar auto de infração para fins de prevenção da decadência. Na pendência de ordem judicial que impeça o lançamento de oficio, deve a Fazenda buscar a reforma do decisum, pela via recursal pertinente. Frente inércia a que deu causa o próprio agente lançador, assumiu os riscos da caducidade. Não se aplica, aqui, o critério de cômputo do artigo 173, inciso II, do CTN, uma vez não ter se demonstrado que o cancelamento judicial dos autos de infrações precedentes fora determinado pela averiguação de vício formal. IRPJ. POSTERGAÇÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. A partir da vigência da Lei n° 9.430/96, em caso de recolhimento de tributo realizado depois do período de competência (postergação do tributo), não é mais aplicável o método de imputação proporcional. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 16327.000582/200928 Acórdão n.º 9101002.743 CSRFT1 Fl. 630 5 CSLL. DIFERENÇA DEVEDORA DA VARIAÇÃO IPC/BTNF. INDEDUTIBILIDADE JUNTO À BASE IMPONÍVEL. O saldo devedor da parcela de correção monetária referente à diferença de variação, no anobase de 1990, do IPC e do BTNF não pode ser deduzido da base de cálculo da CSLL, a teor do artigo 41 do Decreto n° 332/91. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF N° 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIG. SÚMULA CARP N° 04. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Destacase o seguinte trecho do voto do i. Conselheiro Relator, in verbis (e fls. 547 e 548): Vejamos. Como explicado, o Fisco, ainda que suspensa a respectiva exigibilidade, deveria formalizar o crédito tributário, lançandoo de oficio se preciso fosse. Não deveria se cominar, em tal hipótese, qualquer multa punitiva. In casu, os primeiros autos de infração respeitantes A. matéria discutida ignoraram essa forma, haja vista terem sido produzidos de maneira a encampar todos os consectários legais. A correta determinação judicial do cancelamento de tais peças veio ladeada, todavia, pela ordenação in idiosa da impossibilidade de lavratura de quaisquer outras, enquanto não dirimido o Recurso de Apelação aviado pelo sujeito passivo. Segundo também relatamos, essa decisão interlocutória deveria ter sido recorrida pela Fazenda, mediante Agravo de Instrumento. Tal medida, de império inegável, não foi adotada. Os agentes fiscais se sujeitaram, assim, por inércia ou por desídia, ao desmando do decisum encartado à fl. 17, ficando impedidos de lavrar autos de infração válidos. Claro que nada disso poderia ser imputado à ora recorrente; a não insurgência da Fazenda, tendente a restabelecer o direito de lançar com fins de prevenção da decadência, prejudicou, noutras palavras, apenas a esta, sem qualquer reflexo nocivo aos direitos do contribuinte. Parecenos óbvio, assim, que se perfez a decadência dos lançamentos em comento, concernentes ao anocalendário de 1991, muito antes da lavratura do segundo grupo de autos de infração, formalizado nos idos do anocalendário de 2009. Cientificada das aludidas decisões, a PFN, tempestivamente, interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação “na parte em que reconheceu ocorrida a decadência do direito de lançar” (fls. 574 e 575 e seg. do eprocesso), o qual foi admitido integralmente por despacho (efls. 588 e seg.). Em breve síntese, a PFN alega em seu recurso que: A decadência decorreria da inércia do agente que deveria realizar determinada conduta. No entanto, na situação em que há obstáculo judicial ou legal para a realização da conduta, não haveria como se falar em inércia, logo, o direito do agente não poderia decair; “Também se deve observar que o fato de a Fazenda não ter conseguido, no curso do Mandado Segurança, reverter aquela decisão interlocutória, não muda o fato de que de 1995 até 2004 estava a fiscalização impedida de realizar aquele lançamento”. Cientificado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões ao recurso especial da PFN (efls. 599 e seg.), na qual argumenta, em breve síntese, que: Fl. 632DF CARF MF 6 O recurso especial não deveria ser conhecido, já que os acórdãos trazidos como paradigmas tratariam de situações fáticas distintas do presente caso; A Fazenda Pública teria sido inerte, pois, a PFN deveria recorrer da decisão que o Fisco de lançar tributo. Não recorrendo, ela aceitou aquela proibição; O prazo decadencial não se interrompe e nem se suspende, nem mesmo por força de decisão judicial, portanto, o Fisco deveria ter realizado o lançamento dentro deste prazo; A decisão interlocutória no Mandado de Segurança não impedia a realização de novo lançamento, mas apenas que esse impusesse multa, logo, lançamento do tributo (com exigibilidade suspensa) sem imposição de multa não violaria a decisão; No caso do provimento do presente Recurso Especial, o processo deveria retornar à Turma a quo para que se analise as demais matérias alegadas, mas não analisadas. Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto – Relator Em sede de contrarrazões, a recorrida requer não seja admitido o recurso especial, suscitando (i) distinções fáticas, atinente à peculiaridade do acórdão recorrido, que teria atribuído grande relevância à inércia da administração fiscal na contestação da decisão que determinou o cancelamento do AIIM e (ii) existência de tema autônomo não atacado pelo recurso especial, atinente ao entendimento do acórdão recorrido, de que o prazo decadencial para o novo lançamento dos tributos teria início com a preclusão recursal em face da decisão interlocutória que determinou o cancelamento do auto de infração. Compreendo que não assiste razão à recorrida, devendo ser conhecido o recurso especial. A questão trazida à CSRF consiste em saber qual o termo inicial para a contagem do prazo decadencial na hipótese de decisão judicial que impeça a lavratura de AIIM. Como se observa das ementas parcialmente reproduzidas abaixo, os acórdãos paradigmas analisaram, à semelhança do acórdão recorrido, qual o termo inicial para a contagem do prazo decadencial na hipótese de decisão judicial que impeça a lavratura de AIIM: ACÓRDÃO CSRF Nº 0103.279 “DECADÊNCIA IMPEDIMENTO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO SUSPENSÃO DO PRAZO DECADENCIAL LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. A existência de obstáculo judicial, legal, ou qualquer Fl. 633DF CARF MF Processo nº 16327.000582/200928 Acórdão n.º 9101002.743 CSRFT1 Fl. 631 7 outro motivo de força maior, que impeça a ação das autoridades fiscais para a formalização da exigência fiscal, impedirá ou suspenderá (conforme já tenha ou não começado a fluir) o curso do prazo previsto para a prática do ato administrativo de lançamento (Lei n°. 3.470, art. 23 e RIR/80, art. 715). (Acórdão n°. CSRF/010.434/84). A concessão de liminar em mandado de segurança, impedindo a ação fiscalizadora em sentido amplo, enquanto não cassada, representa obstáculo judicial à formalização do lançamento e suspende a fluência do prazo de decadência previsto no CTN (Precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais).” ACÓRDÃO Nº 10706.394 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA IMPEDINDO A LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO — Não pode subsistir Auto de Infração lavrado na vigência de medida judicial que, expressamente, proibia essa providência da autoridade administrativa. Determinações judiciais da espécie, embora raras e inusitadas, devem ser revertidas com os remédios próprios, face a independência dos poderes da República. DECADÊNCIA — A decadência se verifica quanto ao direito de lançar. O direito só pode ser exercido quando dele se dispõe. Se a administração pública está impedida de efetuar o lançamento não corre o prazo decadencial.” Ademais, saber qual o termo inicial para a contagem do prazo decadencial na hipótese de decisão judicial que impeça a lavratura de AIIM inclui a questão se tal contagem teria início em face algum ato pertinente ao correspondente processo judicial, incluindo alguma decisão judicial que tenha determinado o cancelamento do auto de infração. Nesse seguir, compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial, razão pela qual o conheço. Adentrando no mérito, transcrevo trecho do acórdão recorrido (efls. 546 e seg.), in verbis: "Ainda assim, esta foi a conduta adotada pelo Fisco. Perante tal panorama, tem se noticia de que a recorrente peticionou nos autos do Recurso de Apelação protocolizado, requerendo a anulação dos All's, por suposta inobservância de ordem judicial. O i. juiz relator do libelo apelatório, reconhecendo razão na insurgência do sujeito passivo, determinou, A época, o cancelamento das peças lançadoras, consoante vocábulo assim declinado (fl. 17): "(..) Determinei a requisição destes autos, porquanto, a apelante, em petição de 22.09.95, alega ter o Departamento da Receita Federal em 04/09/95, lavrado auto de infração, intimandoa ao recolhimento, no prazo de 30 dias, do montante correspondente ao Imposto de Renda constante de fls. 373. Diante do exposto, vislumbro o descumprimento à ordem judicial, posto que esta apelação foi recebida no efeito suspensivo e tenho como eivado de vicio a lavratura do referido auto, uma vez que a matéria encontrase 'sub judice'. Destarte, por ser completamente nulo tal auto, de infração, determino o Cancelamento deste, até o julgamento da presente Apelação. Registro que deve o Sr. Chefe do Departamento da Receita Federal absterse de qualquer ato censório contra a apelante, até nova o determinação deste juízo. Fl. 634DF CARF MF 8 Oficiese ao Departamento da Receita Federal, comunicando o `decisum'. Decorrido o prazo para eventual interposição de recurso, devolvamse os autos ao Douto Ministério Público Federal, para parecer, conforme jó solicitado. (..)" A nosso ver, andou bem o i. juiz do TRF3 ao determinar o desfazimento daqueles primeiros autos de infração, porquanto eivados de vícios na mensuração dos lançamentos. Jamais se poderia, contudo, ordenar, no mesmo ato, que a Receita Federal se abstivesse de lavrar outros instrumentos de imputação, sob pena de se estar, com isso, impedindo que o Fisco constituísse créditos tributários potencialmente legítimos, dentro do interregno decadencial. A ordenança jurisdicional comentada é ilegal e inconstitucional, e disso temos plena convicção. O cancelamento das primeiras peças lavradas não poderia ser acompanhada sendo da autorização para que o Fisco constituísse outras em seu lugar, para fins de prevenção da caducidade, sem consideração de quaisquer consectários punitivos. De todo modo, certo é que aquela decisão interlocutória, merecedora de severas reprimendas, poderia e deveria ter sido desafiada pela d. Procuradoria da Fazenda Nacional, mediante interposição de Agravo de Instrumento. Inexiste, contudo, relato de que isto tenha ocorrido; em verdade, tudo o que sabemos é que a autoridade fazendária, devidamente oficiada daquele comando judicial, optou por se quedar inerte, interpretando o decisum, por seu risco, como indicativo de "sobrestamento" do curso do processo administrativo de exigência. Ora, o silêncio fazendário é inescusável. Ao não infirmar a decisão copiada à fl. 17, prostrouse a Fazenda sob o jugo de mandamento judicial ilícito. A nulificação dos autos de infração primeiramente lavrados poderia até não ser revertido, mas deveria o Fisco ter buscado, em superiores instancias, o reconhecimento da possibilidade de formalização de outros All's, devidamente expurgados das multas sancionadoras, capazes de obstar o aperfeiçoamento da caducidade. Ao não recorrer do decisum, deixando que se perfizesse a coisa julgada, o ente lançador permitiu aperfeiçoar, de um lado, o cancelamento das primeiras peças imputacionais, e, de outro lado, a impossibilidade de lavratura de novos instrumentos, enquanto não julgado o Recurso de Apelação manejado perante o TRF3. Depois de transitado em julgado o acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento do Recurso Extraordinário interposto pela Unido, o Fisco intentou revigorar as primeiras cartulas de acusação, encaminhando missivas de cobrança ao contribuinte. Impugnadas em vão as exigências, foi a controvérsia dirimida somente pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuinte (fls. 29/37), em julgamento ao Recurso Voluntário movimentado pelo sujeito passivo, no curso do Processo Administrativo n° 13805.005559/199510. Na oportunidade, aquele colegiado, por maioria de votos, entendeu terem sido irremediavelmente nulificados os All's exordiais, por determinação do TRF3, resguardandose aos agentes fazendários o direito de constituir outros autos de infração, dentro de prazo decadencial supostamente iniciado "a partir do transito em julgado da ação judicial". Três questões devem ser respondidas para a solução do caso concreto: i) qual a extensão da decisão judicial; ii) até quando vigorou a decisão judicial em questão; iii) como deve ser realizada a contagem do prazo de decadência em face de decisão judicial dessa natureza. Quanto questão da extensão, compreendo que a decisão judicial impedia que a autoridade fiscal realizasse o lançamento tanto dos tributos discutidos no respectivo mandado de segurança quanto das penalidades pelo seu não recolhimento. Compreendo que a expressão Fl. 635DF CARF MF Processo nº 16327.000582/200928 Acórdão n.º 9101002.743 CSRFT1 Fl. 632 9 "qualquer ato censório" foi utilizada para se referir a autuações fiscais para a imposição de tributos e penalidades relacionados ao tema em discussão judicial. Ou seja, a restrição imposta não se referia apenas às penalidades. Isso fica evidenciado pela determinação para o cancelamento do AIIM como um todo, sem distinção de multas e tributos: “Determinei a requisição destes autos, porquanto, a apelante, em petição de 22.09.95, alega ter o Departamento da Receita Federal em 04/09/95, lavrado auto de infração, intimandoa ao recolhimento, no prazo de 30 dias, do montante correspondente ao Imposto de Renda constante de fls. 373. Diante do exposto, vislumbro o descumprimento ordem judicial, posto que esta apelação foi recebida no efeito suspensivo e tenho como eivado de vício a lavratura do referido auto, uma vez que a matéria encontrase sub judice (...) Destarte, por ser completamente nulo tal auto, de infração, determino o Cancelamento deste, até o julgamento da presente Apelação. Registro que deve o Sr. Chefe do Departamento da Receita Federal absterse de qualquer ato censório contra a apelante, até nova o determinação deste juízo”. Ainda que se possa compreender não ter sido acertada a decisão interlocutória em questão, inclusive em face da não interposição de recurso pela União, esta deveria ser observada. Surge, então, a questão quanto à eficácia temporal da decisão judicial que impedia que administração fiscal realizasse o lançamento tributário. É fundamental observar que o i. magistrado proferiu decisão interlocutória que impedia lançamentos tributários “até o julgamento da presente Apelação”. Essa limitação temporal da eficácia da norma individual e concreta, que impedia a atuação da administração fiscal, constou expressamente no texto da decisão interlocutória sob análise. Notese que o acórdão de apelação não fez referência a impedimentos da administração fiscal para o exercício de sua competência para a lavratura de autos de infração, mesmo se motivados para a prevenção da decadência. O impedimento para que a administração fiscal realizasse novo lançamento tributário, portanto, perdurou até a prolação do acórdão do recurso de apelação (1996). Quanto à terceira questão acima suscitada, compreendo que a contagem do prazo decadencial deve ter início a partir do momento em que o impedimento judicial para o lançamento tributário deixar de existir. Antes disso, nenhuma inércia pode ser imputada à administração fiscal, razão pela não há que se falar em fruição do prazo de decadência. No caso, embora tal impedimento tenha deixado de existir em 1996, o lançamento tributário objeto dos presentes autos apenas foi realizado em 05.06.2009, portanto, ultrapassado em muito o prazo decadencial. Nesse seguir, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 636DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora Com a devida vênia, divirjo do entendimento do Relator conforme razões que serão expostas a seguir. A decisão judicial que impediu o lançamento de tributo e multa foi proferida pelo Juiz Relator Persio Lima, nos autos do recurso de apelação nº 95.03.369924, nos seguintes termos: (...) Determinei a requisição destes autos, porquanto, a apelante, em petição de 22.09.95, alega ter o Departamento da Receita Federal em 04/09/95, lavrado auto de infração, intimandoa ao recolhimento, no prazo de 30 dias, do montante correspondente ao Imposto de Renda constante de fls. 373. Diante do exposto, vislumbro o descumprimento ordem judicial, posto que esta apelação foi recebida no efeito suspensivo e tenho como eivado de vício a lavratura do referido auto, uma vez que a matéria encontrase "sub judice" Destarte, por ser completamente nulo tal auto, de infração, determino o Cancelamento deste, até o julgamento da presente Apelação. Registro que deve o Sr. Chefe do Departamento da Receita Federal absterse de qualquer ato censório contra a apelante, até nova o determinação deste juízo (...). (grifo nosso) É importante colacionar a íntegra da decisão, para evidenciar que tal decisão impedia tanto o lançamento tributário da penalidade, quando do tributo. Nesse sentido, compartilho do entendimento do Relator no sentido da extensão da decisão judicial impedir o lançamento de toda a exigência tributária (tributo e penalidades). A divergência com o entendimento do Conselheiro Relator e parte do Colegiado que o acompanhou referese aos efeitos desta decisão após o julgamento do recurso de apelação pela Turma do Tribunal Regional Federal, por força de dispositivos processuais que serão a seguir tratados. Lembro que o Relator entendeu que o impedimento ao lançamento persistiu apenas até o julgamento da apelação, limitação temporal fundada nos termos da decisão do Juiz Relator em sua decisão interlocutória (que menciona "deve o Sr. Chefe do Departamento da Receita Federal absterse de qualquer ato censório contra a apelante, até nova o determinação deste juízo "). Ocorre que a decisão do Juiz Relator tem natureza de antecipação de tutela, tendo sido confirmada pelo acórdão da Turma do Tribunal Regional Federal da Terceira Região (TRF). Assim, os efeitos da decisão persistiram até a reforma do acórdão do TRF pelo Supremo Tribunal Federal. Destaco ementa do acórdão do Tribunal Regional Federal Federal, publicado em 13/08/1996, nos autos da apelação nº 95.03.0369924 (CNJ nº 0046671 76.1992.4.03.6100): Fl. 637DF CARF MF Processo nº 16327.000582/200928 Acórdão n.º 9101002.743 CSRFT1 Fl. 633 11 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LEI Nº 8.200/91, ART. 3º, INCISO I, CORREÇÃO MONETÁRIA DO BALANÇO DE 1990. IPC. DEDUÇÃO PARCELADA. INCONSTITUCIONALIDADE. DECADÊNCIA DA IMPETRAÇÃO. SENTENÇA "CITRA PETITA". ANULAÇÃO DEPENDE DE PROVOCAÇÃO DA PARTE. Não se opera a decadência em mandado de segurança preventivo, por estar a lesão temida sempre presente, em um renovar constante. O mandado de segurança não pode ser obstaculizado se objetiva a garantia de direitos ameaçados ou lesados por ato de autoridade. A anulação da sentença que decide menos que o pedido depende de provocação da parte. O órgão especial desta Corte, em 28/09/95, reconheceu a inconstitucionalidade da disposição constante do inciso I do art. 3º da Lei nº 8.200/91, no julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade na Remessa "Ex Officio" nº 94.03.475617. Preliminares rejeitadas. Apelação provida. O Supremo Tribunal Federal reformou a decisão do TRF, em decisão da qual foi intimada a Procuradoria da Fazenda Nacional em 21/05/2004, como menciona a própria Recorrida em suas contrarrazões. Pois bem. A antecipação de tutela em primeira instância (ao tempo dos fatos tratados nestes autos) era disciplinada pelo artigo 273, do Código de Processo Civil (Lei 5.869/1973), verbis: Art. 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e: (Redação dada pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) I haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) II fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório do réu. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) § 1º Na decisão que antecipar a tutela, o juiz indicará, de modo claro e preciso, as razões do seu convencimento. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) § 2º Não se concederá a antecipação da tutela quando houver perigo de irreversibilidade do provimento antecipado. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) Fl. 638DF CARF MF 12 § 3º A execução da tutela antecipada observará, no que couber, o disposto nos incisos II e III do art. 588. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) § 3º A efetivação da tutela antecipada observará, no que couber e conforme sua natureza, as normas previstas nos arts. 588, 461, §§ 4o e 5o, e 461A. (Redação dada pela Lei nº 10.444, de 7.5.2002) § 4º A tutela antecipada poderá ser revogada ou modificada a qualquer tempo, em decisão fundamentada. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) § 5º Concedida ou não a antecipação da tutela, prosseguirá o processo até final julgamento. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) § 6º A tutela antecipada também poderá ser concedida quando um ou mais dos pedidos cumulados, ou parcela deles, mostrarse incontroverso. (Incluído pela Lei nº 10.444, de 7.5.2002) § 7º Se o autor, a título de antecipação de tutela, requerer providência de natureza cautelar, poderá o juiz, quando presentes os respectivos pressupostos, deferir a medida cautelar em caráter incidental do processo ajuizado. (Incluído pela Lei nº 10.444, de 7.5.2002) Desde a Lei nº 10.352/2001, a sentença (primeiro grau) que confirmasse a tutela implicaria na atribuição de efeito meramente devolutivo ao recurso de apelação, nos termos do artigo 520, VII, do CPC/1973: Art. 520. A apelação será recebida em seu efeito devolutivo e suspensivo. Será, no entanto, recebida só no efeito devolutivo, quando interposta de sentença que: (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) (...) VII confirmar a antecipação dos efeitos da tutela; (Incluído pela Lei nº 10.352, de 26.12.2001) O CPC/1973 também tratava da possibilidade de deferimento de antecipação de tutela em recursos de apelação, na forma tratada pelos artigos 527 e 558, parágrafo único: Art. 527. Recebido o agravo de instrumento no tribunal, e distribuído incontinenti, o relator: (Redação dada pela Lei nº 10.352, de 26.12.2001) III poderá atribuir efeito suspensivo ao recurso (art. 558), ou deferir, em antecipação de tutela, total ou parcialmente, a pretensão recursal, comunicando ao juiz sua decisão; (Redação dada pela Lei nº 10.352, de 26.12.2001) Art. 558. O relator poderá, a requerimento do agravante, nos casos de prisão civil, adjudicação, remição de bens, levantamento de dinheiro sem caução idônea e em outros casos dos quais possa resultar lesão grave e de difícil reparação, sendo relevante a fundamentação, suspender o cumprimento da Fl. 639DF CARF MF Processo nº 16327.000582/200928 Acórdão n.º 9101002.743 CSRFT1 Fl. 634 13 decisão até o pronunciamento definitivo da turma ou câmara. (Redação dada pela Lei nº 9.139, de 30.11.1995) Parágrafo único. Aplicarseá o disposto neste artigo as hipóteses do art. 520. (Redação dada pela Lei nº 9.139, de 30.11.1995) Finalmente, os artigos 497 e 542, do CPC/1973 evidenciavam que o recurso especial e o recurso extraordinário não teriam efeito suspensivo, mas apenas o efeito devolutivo: Art. 497. O recurso extraordinário e o recurso especial não impedem a execução da sentença; a interposição do agravo de instrumento não obsta o andamento do processo, ressalvado o disposto no art. 558 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.038, de 25.5.1990) Art. 542. Recebida a petição pela secretaria do tribunal, será intimado o recorrido, abrindoselhe vista, para apresentar contrarazões. (Redação dada pela Lei nº 10.352, de 2001) § 1º Findo esse prazo, serão os autos conclusos para admissão ou não do recurso, no prazo de 15 (quinze) dias, em decisão fundamentada. (Incluído pela Lei nº 8.950, de 1994) § 2º Os recursos extraordinário e especial serão recebidos no efeito devolutivo. (Incluído pela Lei nº 8.950, de 1994) Se em primeira instância, a confirmação da tutela por decisão final (sentença) ocasionava a atribuição de efeito meramente devolutivo ao recurso cabível (apelação), com mais razão, a antecipação de tutela (no segundo grau), confirmada por decisão da Turma do TRF atestava o efeito meramente devolutivo do recurso (especial ou extraordinário). Nesse panorama, considerando que a Turma do TRF confirmou a decisão do Juiz Relator mesmo que implicitamente, na medida em que julgou o recurso em favor do contribuinte o impedimento ao lançamento tributário (tributo e multa) persistiu até a reforma da decisão do TRF pelo Supremo Tribunal Federal. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 640DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.003133/2004-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 14/04/2004
NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PRODUTOS DE NOME COMERCIAL "FILLITE 500, 500 HA E 160 W. CLASSIFICAÇÃO FISCAL NO CÓDIGO NCM 7020.00.00. POSSIBILIDADE.
Os produtos de nome comercial "Fillite 500, 500 HA e 160 W", identificados como sendo obras de vidro do tipo "microesferas ocas de vidro, de tamanhos variáveis, com diâmetro médio menor que 1 mm", classificam-se no código 7020.00.00 da NCM.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/04/2004
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE.
Nos presentes autos, inaplicável a multa do controle administrativo porque não houve a infração por falta de Licenciamento de Importação (LI), uma vez que os produtos importados estavam dispensados de licenciamento na data da realização da operação de importação.
MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. APLICABILIDADE.
O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM constitui infração regulamentar por erro de classificação fiscal, descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, sancionada com a multa aduaneira ou regulamentar de 1% (um por cento) do valor da mercadoria.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/04/2004
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE.
Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários à formação da convicção do julgador quanto ao adequado deslinde da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia formulado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso para afastar a multa por falta de licenciamento de importação.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 14/04/2004 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PRODUTOS DE NOME COMERCIAL "FILLITE 500, 500 HA E 160 W. CLASSIFICAÇÃO FISCAL NO CÓDIGO NCM 7020.00.00. POSSIBILIDADE. Os produtos de nome comercial "Fillite 500, 500 HA e 160 W", identificados como sendo obras de vidro do tipo "microesferas ocas de vidro, de tamanhos variáveis, com diâmetro médio menor que 1 mm", classificam-se no código 7020.00.00 da NCM. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/04/2004 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. Nos presentes autos, inaplicável a multa do controle administrativo porque não houve a infração por falta de Licenciamento de Importação (LI), uma vez que os produtos importados estavam dispensados de licenciamento na data da realização da operação de importação. MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. APLICABILIDADE. O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM constitui infração regulamentar por erro de classificação fiscal, descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, sancionada com a multa aduaneira ou regulamentar de 1% (um por cento) do valor da mercadoria. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/04/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários à formação da convicção do julgador quanto ao adequado deslinde da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia formulado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 14/04/2004 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PRODUTOS DE NOME COMERCIAL "FILLITE 500, 500 HA E 160 W. CLASSIFICAÇÃO FISCAL NO CÓDIGO NCM 7020.00.00. POSSIBILIDADE. Os produtos de nome comercial "Fillite 500, 500 HA e 160 W", identificados como sendo obras de vidro do tipo "microesferas ocas de vidro, de tamanhos variáveis, com diâmetro médio menor que 1 mm", classificamse no código 7020.00.00 da NCM. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/04/2004 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. Nos presentes autos, inaplicável a multa do controle administrativo porque não houve a infração por falta de Licenciamento de Importação (LI), uma vez que os produtos importados estavam dispensados de licenciamento na data da realização da operação de importação. MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. APLICABILIDADE. O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM constitui infração regulamentar por erro de classificação fiscal, descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, sancionada com a multa aduaneira ou regulamentar de 1% (um por cento) do valor da mercadoria. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/04/2004 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 31 33 /2 00 4- 50 Fl. 226DF CARF MF 2 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários à formação da convicção do julgador quanto ao adequado deslinde da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia formulado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso para afastar a multa por falta de licenciamento de importação. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de lançamentos de crédito tributário, formalizados por meio dos Autos de Infração de fls. 04/11 e 12/15, em que exigidos, respectivamente, o (1) Imposto sobre a Importação, acrescido (i) da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros moratórios, e (ii) das multas do controle administrativo, por falta de licenciamento, e multa regulamentar, por classificação fiscal incorreta, e o (2) Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescido da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros moratórios. Os motivos da presente autuação, relados pela autoridade fiscal (fl. 06), e as razões de defesa, apresentadas nas peças impugnatórias (fls. 61/66 e 77/82), foram assim resumidas no relatório integrante do acórdão do recorrido, in verbis: A autoridade aduaneira afirma que o produto importado, descrito como “cinza de origem mineral” e enquadrado pelo importador no código 2621.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), na verdade tratase de “microesferas ocas de vidro, de tamanhos variáveis, com diâmetro médio menor que 1 mm” (fl. 2) e imputa o código NCM 7020.00.00. Intimado em 6/7/2004, o interessado apresentou “razões prévias de impugnação” em 19/7/2004, juntadas às fls. 53 e ss. e “razões definitivas” em 5/8/2004, juntadas às fls. 69 e ss. Alega, em síntese: Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11128.003133/200450 Acórdão n.º 3302004.109 S3C3T2 Fl. 227 3 O auditorfiscal adota como razão para reclassificar as mercadorias importadas o entendimento de que as mesmas configurariam “obras de vidro”. São esferas ocas produzidas pela combustão de carvão mineral. Tratase de um silicato de alumina na maior parte de sua composição, o que não a configura como obra de vidro. O carvão mineral gerado pela combustão produz uma gonza que é arrastada de forma mecânica para uma determinada área (lagoa), na qual as microesferas ocas flutuam. Cita documento juntado aos autos e respectiva tradução juramentada (fls. 86 89). O que levou o fiscal a supor que as microesferas ocas seriam de vidro foi a expressão “glass hard” empregada na literatura (fls. 33, 37 e 41). A expressão “glass hard” é utilizada no campo comercial como “dura como vidro”. O pó cinza, composto dos elementos que descreve em seus laudos, constitui uma outra cinza de origem mineral. Estas esferas não se confundem com outras que existem no mercado, que são mais uniformes, de cor clara ou branca e com aparência de vidro. Requer novo exame pericial. Junta relatório técnico efetuado por setor próprio seu (fls. 75 85). É indevida a imposição de multas, especialmente a por falta de licença de importação. Há licenciamento automático. A classificação indicada pela fiscalização não é correta. Requer que amostra do produto seja remetida ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT), indagando se o produto “é ou não obra de vidro, nos moldes como se poderia entender sob o ponto de vista das normas tarifárias” (fl. 73). Posteriormente, o interessado juntou cópia das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (fl. 109). Recebida a impugnação em face da tempestividade e aspectos formais, os autos foram encaminhados a esta Delegacia de Julgamento. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 119/123), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi julgado procedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 14/04/2004 Fl. 228DF CARF MF 4 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Produto: “microesferas ocas de vidro, de tamanhos variáveis, com diâmetro médio menor que 1 mm”. Correto o enquadramento imputado pela autoridade aduaneira no código NCM 7020.00.00. MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO. Não foi informado na declaração de importação aspecto fundamental para identificação e enquadramento tarifário. Procedente a multa capitulada no artigo 169, I, “b”, do DL 37/1966. Lançamento Procedente. A autuada foi intimada do referido acórdão em 3/12/2008 (fl. 125). Inconformada, em 30/12/2008, protocolou o recurso de voluntário de fls. 118/132, em que reproduz as alegações apresentadas na fase impugnatória, acrescidas das seguintes: a) a decisão recorrida não rebateu o substancioso Relatório Técnico e as Razões de defesa apresentados, em especial, o argumento de que as microesferas não eram uma obra de vidro, mas um produto natural, posto que obtido exclusivamente da natureza; b) o julgado não rebateu firmemente todas as considerações de ordem técnica e merceológica, limitandose unicamente às conclusões apresentadas no Laudo Técnico oficial, nem enfrentou os argumentos fáticos e jurídicos apresentados nas razões de defesa; c) são indevidas as multas mantidas no decisum, em especial, a multa do controle administrativo das importações, pois, a mercadoria estava sujeita a licenciamento automático, condição que seria mantida, caso houvesse uma eventual reclassificação, pois o produto era o mesmo, tendo havido apenas mudança de posição tarifária, o que afasta a sanção por suposta classificação incorreta; e d) a negativa ao seu pedido de exame pericial, sob alegação de que quesito formulado (o produto é ou não obra de vidro?) não era de natureza técnica, foi absurda e cerceou o seu direito de defesa. No final, requereu a improcedência e insubsistência da presente ação fiscal, mediante o cancelamento das exigências que nelas contidas. Na Sessão de 17/3/2010, por meio da Resolução nº 310200.107 (fls. 147/152), os membros da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção, converteram o julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem providenciasse a realização de um novo exame laboratorial, desta feita a cargo do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), para que fossem respondidos os quesitos que fossem formulados pela autoridade fiscal e/ou pela recorrente e, em especial, os seguintes: a) os produtos de nome comercial Fillite 500, 500 HA e 160 W, importados pela recorrente e descritos nas adições 001 e 002 da DI de fls. 17/20, são obras de vidros produzidas por processo industrial? Caso positivo, descrever, em detalhes, o respectivo processo produtivo; b) os citados produtos são uma cinza de origem mineral (ao microscópio: microesferas ocas de vidro), obtida a partir da Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11128.003133/200450 Acórdão n.º 3302004.109 S3C3T2 Fl. 228 5 queima do carvão mineral? Caso afirmativo, descrever em detalhes o respectivo processo de obtenção; c) os referidos produtos são as mesmas Cenospheres (Floaters) ou Fillite Microsfere extraídos da PFA (Pulverized Fuel Ash), expressão genérica que representa todas as cinzas oriundas da queima do carvão mineral? Caso negativo, qual diferença entre eles?; e d) demais considerações julgadas pertinentes. Por meio do Despacho de fl. 186, a autoridade fiscal informou que a recorrente fora intimada e havia concordado em arcar com os custos do novo laudo técnico. Ato contínuo, a amostra foi fracionada e entregue ao INT, que não apresentou orçamento para os serviços e, após algumas tentativas de obtenção de resposta, o referido Instituto comunicou (fl. 185) que não tinha condições de realizar os serviços solicitados. Em 3/10/2013, a recorrente foi intimada (fl. 191/192), a se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, a respeito da referida instrução processual. Em resposta, por meio da petição de fls. 194/197, a recorrente requereu acolhimentos dos fundamentos apresentados pela autuada, uma vez que o Laudo Técnico oficial limitarase a afirmar que o produto era uma obra de vidro sem no entanto descrever o processo de sua obtenção, o que suscitara dúvida no julgador. Enfim, em 2/12/2013, por meio dos Despachos de fls. 223/224 foi determinado o retorno dos autos à este Conselho, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomase conhecimento. Previamente, cabe esclarecer, que, na fase de conferência física, foram retiradas as amostras dos produtos descritos na DI como “Fillite 500, 500 HA e 160 W cinza de origem mineral”. Após serem submetidas a exame, o Laboratório de Análise da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (FUNCAMP) expediu os Laudos de Análise de fls. 38/49, com a informação de que os citados produtos tratavamse de “Microesferas Ocas de Vidro, de tamanhos variáveis, com diâmetro médio menor que 1 mm”. Com base em tal conclusão, a autoridade fiscal procedeu a reclassificação dos produtos do código NCM 2621.90.90, informado na DI, para o código NCM 7020.00.00, conforme consignado nos referidos autos de infração. Da preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau. Em preliminar, a recorrente alegou cerceamento do seu direito de defesa, sob argumento de que era um absurdo o indeferimento do seu pedido de realização de novo exame Fl. 230DF CARF MF 6 pericial, com base no argumento de que o quesito por ela formulado não era de natureza técnica. Sem razão a recorrente. A decisão quanto ao deferimento ou não de realização de nova prova pericial tratase de prerrogativa da autoridade julgadora, relacionada à formação da sua convicção sobre as provas coligidas aos autos. Assim, dada essa circunstância, somente se esta entender necessário obter informações adicionais para o deslinde da controvérsia baixará os autos do processo em diligência, caso contrário, indeferirá o pedido, sendo suficiente a apresentação de fundamentação adequada para a decisão. Esse é o entendimento que se extrai da leitura combinada dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/1972 e alterações posteriores, que seguem transcritos. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Além disso, da simples leitura do voto condutor da decisão recorrida, verificase que foram apresentadas, de forma clara e suficiente, as razões pelas quais a Turma de Julgamento de primeiro grau considerou desnecessária a realização do novo exame pericial requerido pela recorrente, sob o argumento de que o esclarecimento solicitado pela recorrente contrariava o disposto no art. 30, § 1º, do Decreto 70.235/1972 (PAF). Assim, uma vez que devidamente fundamentado o indeferimento da realização da referida prova pericial, não procede o alegado cerceamento do direito de defesa suscitado pela recorrente. Aliás, na atual fase processual, foi oportunizado à recorrente a produção da referida prova pericial querida, no entanto, conforme precedentemente relatado, o INT, o órgão a quem foi solicitada a produção da nova prova pericial, informou que não tinha condições de realizar os serviços solicitados. Além disso, realizada uma nova leitura dos Laudos Técnicos colacionados aos autos (fls. 38/49), este Relator convenceuse de que ele contém os elementos necessários à realização da classificação fiscal dos produtos importados pela recorrente e objeto da presente autuação. Com base nessas considerações, rejeitase a preliminar suscitada e, em decorrência, passase a análise das questões de mérito. Do mérito: classificação fiscal dos produtos. No mérito, o cerne do presente contraditório reside na divergência em relação ao enquadramento tarifário dos referidos produtos na NCM. A recorrente classificou o produto Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11128.003133/200450 Acórdão n.º 3302004.109 S3C3T2 Fl. 229 7 no código NCM 2621.90.90, baseada no entendimento de que as mcroesferas eram um produto natural, obtido a partir da queima do carvão mineral, enquanto que a autoridade fiscal classificouo no código TECNCM 7020.00.00, por respaldado no entendimento de que o produto uma obra de vidro, obtido por meio de processo de industrialização. No caso, como se trata de controvérsia em torno da classificação fiscal, o primeiro passo para solucionála consiste na perfeita identificação do produto (característica, composição química, destinação, finalidade etc.). Uma vez conhecido os aspectos técnicos do produto, o passo seguinte é localizar na NCM o código em que ele se enquadra. No que tange ao aspecto técnico, no caso em tela, a divergência cingese a forma de obtenção dos citados produtos. No entendimento da recorrente, os citados produtos eram uma cinza de origem mineral, obtida a partir da queima do carvão mineral, enquanto que, nos referidos Laudos Técnicos, o produto foi identificado como sendo microesferas ocas de vidro, especificamente, uma de obra de vidro. Em outras palavras, no entendimento da recorrente os mencionados produtos não eram obras de vidro, produzidos por processo industrial, mas produtos obtidos por processo físico natural de decantação das cinzas, resultantes da queima do carvão mineral. No voto condutor do julgado que decidiu por determinar a realização da diligência, com vista a produção de nova prova pericial pelo INT, este Relator expressou o entendimento de que o modo de obtenção dos produtos, ou seja, mediante processo industrial ou processo físico de decantação das cinzas era relevante para definição do enquadramento tarifário do produto. Após detida leitura da literatura técnica sobre o assunto e dos documentos técnicos colacionados aos autos, este Relator convenceuse de que o modo de obtenção do referido produto, seja mediante processo físico de decantação das cinzas ou outro qualquer não tem qualquer relevância para fim caracterização do referido produto como obra de vidro, conforme conclusão exarada nos citados Laudos Técnicos, até porque o processo físico de decantação das cinzas também se caracteriza como um processo fabril, controlado pelo técnica desenvolvida pelo homem. Dessa forma, fica demonstrado que, para o deslinde da presente controvérsia, a produção da referida nova prova pericial era despecienda. Em decorrência, para o deslinde da controvérsia será leva em conta as conclusões apresentados nos mencionados Laudos Técnicos. Nesse sentido, não se pode olvidar que, nos termos do art. 30 do PAF, os Laudos Técnicos, emitidos pelo Laboratório de Análise da Funcamp, são os documentos legítimos para fins de identificação dos produtos em referência, até prova em contrário. Assim, superada a questão técnica, com a perfeita identificação do produto apresentada nos citados Laudos Técnicos, passo a análise do seu enquadramento tarifário, partindo da premissa de que cada produto pertence a apenas um único código da TECNCM. Dessa forma, como existe dois códigos em discussão, apenas um deles poderá ser o verdadeiro código atribuído aos citados produtos. O correto enquadramento do produto na NCM regese por critérios claros e objetivos estabelecidos nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado Fl. 232DF CARF MF 8 (RGI/SH), Regras Gerais Complementares (RGC) da NCM e Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH1). Por sua vez, a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 (RGI1) dispõe que, para os efeitos legais, a classificação de um produto na TECNCM é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. No recurso em apreço, a recorrente alegou que os referenciados produtos classificarseiam no código NCM 2621.90.90, com base no argumento de que eles eram esferas ocas (“ao microscópio: microesferas ocas de vidro”) obtidas a partir das cinzas oriundas da queima do carvão mineral em pó, realizada nas usinas termelétricas, conhecida pela sigla PFA2 (“Pulverized Fuel Ash) em inglês. Segundo a recorrente, o processo produtivo dos citados produtos realizavase da seguinte forma, in verbis: O produto, como se constata, é gerado (obtido) pelo calor oriundo de uma combustão. Dessa geração de calor de um carvão mineral nasce uma gonza que é arrastada de uma forma mecânica para uma área como uma lagoa onde as microesferas ocas flutuam devido a sua baixa densidade. Ditas esferas são separadas e selecionadas fisicamente par se constituírem já no produto final a ser utilizado como redutor de peso. (grifos do original). Essa descrição não deixa qualquer dúvida no sentido de que as denominadas "microesferas ocas de vidro" tratase um produto industrial, ainda que utilizado em alguma etapa da sua produção processo físico de decantação natural. Portanto, não resta qualquer de que os produtos importados pela recorrente são obras de vidro do tipo microesferas ocas de vidro, conforme identificado nos referidos Laudos Técnicos. Dessa forma, certamente, os referidos produtos não se enquadram no código NCM 2621.90.90, defendido pela recorrente, haja vista que classificamse, no referido código, apenas as escórias e cinzas, conforme dispõe os textos das NESH da posição 26.21 da NCM, que seguem transcritos: [...] 2621.90 Outras Esta posição abrange as escórias e cinzas (exceto as das posições 26.18, 26.19 ou 26.20 e as escórias de desfosforação que se classificam no Capítulo 31), quer provenham do tratamento dos minérios, quer de outras origens, ainda mesmo que possam ser utilizadas como corretivos de terras. 1 As NESH foram incorporadas à legislação aduaneira pelo Decreto nº 435, de 1992, definindoas no § único do art. 1º como "elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado". 2 Segundo o Parecer Técnico apresentado pela recorrente a "expressão genérica para todas as cinzas oriundas da queima do carvão em pó é Pulverized Fuel Ash (PFA). Consiste essencialmente de: Flyl Ash – coletado tanto em filtros de feltro ou nos precipitadores eletrostáticos; Furnace Bottom Ash (FBA) – que é um material mais grosso, retirado de depósitos que se formam na base do forno; e Cenospheres (Floaters) – que se formam sobre a superfície da água, após as cinzas serem transferidas para lagoas de sedimentos.” Cenospheres (Floaters) é outra denominação comercial do produto Fillite Microsfere. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11128.003133/200450 Acórdão n.º 3302004.109 S3C3T2 Fl. 230 9 São, entre outras: 1) As cinzas de origem mineral (cinzas de hulha, linhita, turfa) e as escórias provenientes da combustão da hulha. 2) As cinzas de algas e outras cinzas vegetais. As cinzas de algas resultam da incineração de certas algas marinhas (kelp). No estado bruto, apresentamse em pedaços de cor negra, pesados, irregulares, ásperos e crivados de pequenos orifícios; refinadas, têm o aspecto de pó branco baço. São especialmente utilizadas para a extração do iodo e na indústria do vidro. (grifos do original) Assim, fica demonstrado que os referidos produtos não se enquadram no código NCM 2621.90.90, pretendido pela recorrente. Por sua vez, a fiscalização enquadrou os referidos produtos no código NCM 7020.00.00. De acordo com as NESH da posição 70.20 da NCM, essa posição abrange as obras de vidro não incluídas nas posições precedentes do Capítulo 70. Eis redação da nota da referida nota: A presente posição abrange as obras de vidro não incluídas nas posições precedentes deste Capítulo, nem em qualquer outra posição da Nomenclatura. Estas obras são classificadas na presente posição, mesmo quando associadas a outras matérias, desde que conservem a característica de artigos de vidro. [...] (grifos não originais) Com base nesses esclarecimentos da NESH e tendo em conta que os produtos foram devidamente identificados, nos citados Laudos Técnicos, como sendo uma obras de vidro do tipo "Microesferas Ocas de Vidro, de tamanhos variáveis, com diâmetro médio menor que 1 mm", chegase a conclusão que eles classificamse no código NCM 7020.00.00, conforme determinado pela fiscalização. Assim, uma vez definida a correção da classificação fiscal atribuída aos produtos pela fiscalização, passase analisar a legalidade das multas aplicadas. Da multa por falta de Licença de Importação (LI). Em relação a multa do controle administrativo das importações, por falta de licenciamento da importação, a recorrente alegou que ela era indevida, porque a mercadoria estava sujeita a licenciamento automático, condição que seria mantida, caso houvesse uma eventual reclassificação, pois o produto era o mesmo, tendo havido apenas mudança de posição tarifária. A multa que sanciona a infração administrativa ao controle das importações consistente na falta de Licença de Importação (LI), documento substituto da Guia de Importação (GI), encontrase prevista na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, a seguir transcrita: Fl. 234DF CARF MF 10 Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I importar mercadorias do exterior: (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. (...) (grifos não originais). Com a ratificação pelo Congresso Nacional, por meio do Decreto Legislativo 30/1994, e a promulgação pelo Presidente da República, por intermédio do Decreto 1.335/1994, em 1/1/1995 passou a vigorar no País, as novas regras para o licenciamento de importações estabelecidas no “Acordo Sobre Procedimentos para o Licenciamento das Importações”, também chamado, informalmente, de Código de Licenciamento das Importações, que prevê dois tipos de procedimentos para o licenciamento das importações: procedimentos relativos ao licenciamento automático e aqueles vinculados ao licenciamento não automático das importações. Com a implantação do Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) – Módulo Importação, em 1/1/1997, todo o controle aduaneiro, administrativo e cambial das importações brasileiras passou a ser realizado no âmbito do referido Sistema. No nova sistemática de controle administrativo das importações, a LI, que substituiu a GI, passou a ser o novo documento base do controle administrativo das importações, conforme estabelecido no § 1º do art. 6º3 do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992. Na data em que ocorreu o fato gerador dos impostos objeto da presente autuação (14/4/2004), em consonância com citado Acordo, o sistema administrativo das importações brasileiras encontravase disciplinado na Portaria Secex nº 17, de 1º de dezembro de 2003, e, de acordo com o art. 6º, era dividido em três modalidades: a) importações dispensadas de licenciamento; b) importações sujeitas a licenciamento automático; e c) importações sujeitas a licenciamento não automático. Segundo a referida Portaria, a regra geral passou a ser a dispensa de licenciamento das importações (caput do art. 7º4). O licenciamento automática apenas passou a 3 "Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. (...)" 4 "Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tãosomente providenciar o registro da Declaração de Importação DI no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Secretaria da Receita Federal SRF. Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de licenciamento: I sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial; II sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural Repetro; Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11128.003133/200450 Acórdão n.º 3302004.109 S3C3T2 Fl. 231 11 ser exigido nas operações de drawback e para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex (art. 8º5). Por fim, o licenciamento não automático foi estabelecido para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e nas operações de importações definidas no art. 9º da referida Portaria, a seguir transcrito: Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) sujeitas à obtenção de cotas tarifária e não tarifária; b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio; c) sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq; d) sujeitas ao exame de similaridade; e) de material usado; f) originárias de países com restrições constantes de Resoluções da ONU; g) sem cobertura cambial nos casos previstos nesta Portaria. (grifos não originais) Assim, a intensidade do controle administrativo das importações dependia da modalidade do tratamento administrativo. No que tange às importações dispensadas de licenciamento, os importadores estavam obrigados a providenciar somente o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de despacho aduaneiro de importação, perante unidade da Receita Federal com jurisdição sobre o recinto alfandegado em que localizada a mercadoria a ser liberada. Nas outras duas modalidades (licenciamento automático ou não), o importador deveria prestar, no Siscomex, as informações da operação de importação previamente ao embarque da mercadoria no exterior, para os produtos relacionados no III sob os regimes aduaneiros especiais nas modalidades de loja franca, depósito afiançado, depósito franco e depósito especial alfandegado; IV de partes, peças e demais componentes aeronáuticos voltados à manutenção de aeronaves, novos ou recondicionados, de interesse de empresas autorizadas pelo Departamento de Aviação Civil (DAC) Cotac; V com redução da alíquota de imposto de importação decorrente da aplicação de " extarifário" (Resolução nº 8, de 23 de março de 2001, da Câmara de Comércio Exterior Camex);" 5 "Art. 8º Estão sujeitas a Licenciamento Automático as seguintes importações: I de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex, também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic; II as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) amparo do regime aduaneiro especial de ' drawback'". Fl. 236DF CARF MF 12 Tratamento Administrativo no Siscomex, ou anteriormente ao início do despacho aduaneiro, para as operações definidas no § 1º do art. 106 da Portaria Secex nº 14, de 2004. Em suma, em relação às importações dispensadas de licenciamento, a anuência prévia dos Órgão intervenientes no comércio exterior é sempre dispensável. De outra parte, no que concerne às duas últimas modalidades (licenciamento automático e não automático) a autorização prévia dos referidos Órgão, em regra, é sempre exigida. Nessas últimas modalidades, sem tal autorização, o Decex não emite a LI, acarretando o cometimento da infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a penalidade fixada na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decretolei 37/1966, em apreço. Os produtos importados pela recorrente, na data do registro da DI, não estava sujeito a licenciamento automático ou não, portanto, se estava dispensado de licenciamento, evidentemente, não houve a infração por falta de LI, prevista no citado preceito. Logo, por falta de subsunção do fato a norma legal que descreve a referida infração, não cabe a imposição da multa por falta LI. Da multa por classificação fiscal incorreta. No que tange a multa por erro de classificação fiscal da mercadoria, não procede a alegação da recorrente que ela era indevida. A previsão legal de aplicação da referida penalidade encontrase estabelecida no inciso I do art. 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir trasncrito: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; [...] De acordo com o disposto no referido preceito legal, não resta a menor dúvida a materialização da referida infração ocorre com o simples cometimento de erro de classificação do produto em pelo menos uma das referidas nomenclaturas ou catálogos de detalhamento da mercadoria. No caso em tela, ante às conclusões anteriormente apresentadas, induvidosamente, a referida infração encontrase devidamente caracterizada, haja vista que a autuada atribuiu ao produto importado o código NCM 2621.90.90, quando o correto seria o código NCM 7020.00.00. Dessa forma, deve ser mantida a cobrança da referida multa, conforme proposto no auto de infração em apreço. 6 "Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. § 1º Nas situações abaixo indicadas, o licenciamento poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria no exterior, mas anteriormente ao despacho aduaneiro, exceto para os produtos sujeitos a controles previstos no Tratamento Administrativo no Siscomex: I importações ao amparo do regime aduaneiro especial de " drawback" ; II importações ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio, exceto para os produtos sujeitos a licenciamento; III sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq". Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11128.003133/200450 Acórdão n.º 3302004.109 S3C3T2 Fl. 232 13 Da conclusão. Por todo o exposto, votase pela rejeição da preliminar de nulidade da decisão primeira instância e, no mérito, pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para excluir a cobrança da multa por infração ao controle administrativo das importações por falta LI. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907889/2012-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2009
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.798
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.796, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 78 89 /2 01 2- 64 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10875.907889/201264 Acórdão n.º 9303004.798 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10875.907889/201264 Acórdão n.º 9303004.798 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10875.907889/201264 Acórdão n.º 9303004.798 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 164DF CARF MF
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