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Numero do processo: 11080.002380/2007-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 10/06/1999 a 24/04/2002
Ementa:
RESTITUIÇÃO. DIREITO DE PLEITEAR. DECADÊNCIA.
Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 daquele Código.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE EM FORMULÁRIO DE PAPEL. SITUAÇÃO EM QUE A ADMINISTRAÇÃO, EM FACE DE PROCESSO, TOMA CONHECIMENTO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE DE EFETIVAR A COMPENSAÇÃO.
Os procedimentos fixados em instrução normativa prevendo a compensação por meio eletrônico têm por finalidade a eficiência administrativa decorrente da agilização, controle e racionalização dos atos administrativos. Isto, todavia, não impede que a Administração em constatando, a partir de
requerimento escrito, pagamento a maior, deixe de proceder a compensação requerida pelo sujeito passivo. Agir de forma diversa seria subtrair o direito ao crédito do seu titular, sem respaldo legal para tanto.
Numero da decisão: 1402-000.362
Decisão: Acordam os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para homologar a compensação do valor correspondente a R$ 33,37, vencido o relator, que entendia que o restante do valor pleiteado não havia sido alcançado pela decadência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/06/1999 a 24/04/2002 Ementa: RESTITUIÇÃO. DIREITO DE PLEITEAR. DECADÊNCIA. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 daquele Código. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE EM FORMULÁRIO DE PAPEL. SITUAÇÃO EM QUE A ADMINISTRAÇÃO, EM FACE DE PROCESSO, TOMA CONHECIMENTO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE DE EFETIVAR A COMPENSAÇÃO. Os procedimentos fixados em instrução normativa prevendo a compensação por meio eletrônico têm por finalidade a eficiência administrativa decorrente da agilização, controle e racionalização dos atos administrativos. Isto, todavia, não impede que a Administração em constatando, a partir de requerimento escrito, pagamento a maior, deixe de proceder a compensação requerida pelo sujeito passivo. Agir de forma diversa seria subtrair o direito ao crédito do seu titular, sem respaldo legal para tanto.
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DIREITO DE PLEITEAR. DECADÊNCIA. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 daquele Código. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE EM FORMULÁRIO DE PAPEL. SITUAÇÃO EM QUE A ADMINISTRAÇÃO, EM FACE DE PROCESSO, TOMA CONHECIMENTO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE DE EFETIVAR A COMPENSAÇÃO. Os procedimentos fixados em instrução normativa prevendo a compensação por meio eletrônico têm por finalidade a eficiência administrativa decorrente da agilização, controle e racionalização dos atos administrativos. Isto, todavia, não impede que a Administração em constatando, a partir de requerimento escrito, pagamento a maior, deixe de proceder a compensação requerida pelo sujeito passivo. Agir de forma diversa seria subtrair o direito ao crédito do seu titular, sem respaldo legal para tanto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para homologar a compensação do valor correspondente a R$ 33,37, vencido o relator, que entendia que o restante do valor pleiteado não havia sido alcançado pela decadência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUG USTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.002380/200775 Acórdão n.º 140200.362 S1C4T2 Fl. 156 2 (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUG USTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.002380/200775 Acórdão n.º 140200.362 S1C4T2 Fl. 157 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação, entregue em papel, protocolada em 30/03/2007 (fl. 01), visando compensar débito de CSLL com créditos de recolhimentos indevidos de SIMPLES, cujos pagamentos ocorreram no período de maio de 1999 a 24 de abril de 2002. Em relação aos fatos, do acórdão recorrido, peço vênia para utilizar o seguinte texto: “Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação formalizada em papel ( fl.01 ), protocolada em 30032007, visando compensar débito de CSLL, no valor de principal de R$ 7.101,64, com crédito no valor originário de R$ 3.561,00, que a interessada alega ser de pagamentos a maior/indevidos de SIMPLES, no período de maio/99 a fevereiro/2002 .” Como a matéria diz respeito ao marco inicial do prazo decadencial, observo que o tributo referente à competência de fevereiro de 2002 foi pago em 24/04/2002. A Sexta Turma da DRJ de Porto Alegre/RS considerou não declarada a compensação em papel referente aos recolhimentos a maior realizados 24/02/2002, no valor de R$ 33,37, sob o argumento de que a declaração deveria ter sido feita por meio eletrônico, conforme determina o artigo 76 combinado com o artigo 31 da IN/SRF n° 600, de 2005. Quanto aos demais créditos, cujo saldo importa em R$ 3.627,63 (3.561,00 – 33,37 = 3.627,63), especificados à fl. 114 do acórdão recorrido, recolhidos em data anterior a 30/03/2002, a decisão recorrida deixou de reconhecêlos em face da decadência, não homologando as compensações a eles vinculadas. No que diz respeito à decadência a decisão recorrida está alicerçada no 168, inciso I, do CTN, combinado com os artigo 3° e 4° da Lei Complementar nº 118, de 2005. Intimada em 27/05/2009 (fl 129), a autuada interpôs recurso voluntário em 23/06/2009 (fls. 130/146) , alegando em síntese: a) que a IN/SRF n° 600 de 2005, ultrapassa os limites estabelecidos no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que não estabelece restrição ao meio de declaração das compensações a ser utilizado; b) que o direito de pleitear o indébito nos tributos sujeitos a lançamento por homologação decai em 5 (cinco) anos da data da homologação do lançamento do contribuinte pelo Órgão Fazendário; c) que a regra introduzida pela Lei Complementar n° 118 de 2005, só é aplicável aos indébitos tributários surgidos após sua publicação, tendo em vista o princípio da irretroatividade. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUG USTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.002380/200775 Acórdão n.º 140200.362 S1C4T2 Fl. 158 4 Voto Vencido Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. No caso em exame, a interessada apresentou, em 30/3/2007, declaração de compensação de débitos de CSLL com créditos de recolhimentos indevidos de SIMPLES, pagos no período de maio de 1999 a 24 de abril de 2002. Inicialmente, no que diz respeito à aplicação das normas contidas no artigo 3° da Lei Complementar nº 118 de 2005, entendo que tal norma, por mudar o critério de contagem do prazo decadencial, não possui natureza interpretativa, mas sim verdadeiro direito material, só se aplicando aos fatos, no caso aos pagamentos, ocorridos após sua entrada em vigor, o que não é o caso dos autos. Partindo do conceito legal de tributo, de que trata o artigo 3º do CTN, como sendo “toda a prestação de natureza pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”, temse que editada norma pela Administração exigindo tributo cabe ao particular, independentemente de sua vontade ou concordância, satisfazer a exigência tributária. Mesmo nos casos em que a norma que exige o tributo esteja em desconformidade com o texto constitucional, cabe ao sujeito passivo a obrigação de satisfazer o pagamento, pois os atos editados pelo poder público, até decisão em contrário, gozam de presunção de legalidade. Nesta linha, mesmo diante das hipóteses de exigência indevida de tributo cabe ao sujeito passivo efetuar o pagamento até que se verifique uma das seguintes hipóteses: a) Decisão do Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, declarando a inconstitucionalidade da norma que instituiu o tributo; b) Resolução do Senado Federal editada nos termos do artigo 52, X, da CF, suspendendo a execução, no todo ou em parte, da norma declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e c) A Administração Pública, através de ato competente, administrativamente reconhece que o tributo cobrado é indevido. Para os pagamentos realizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, nos casos de situação litigiosa, o marco decadencial, à luz do artigo 168, II, do CTN, se dá quando verificada uma das condições acima elencadas. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUG USTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.002380/200775 Acórdão n.º 140200.362 S1C4T2 Fl. 159 5 Em relação aos demais casos de pagamentos indevidos, realizados com base em erro de cálculo, erro na identificação do sujeito passivo, erro na determinação da alíquota, erro da base de cálculo aplicável ou do sujeito passivo, e nos casos ocorridos após a vigência da Lei Complementar 118, de 2005, no que diz respeito a restituição, aplicamse as disposições dos artigos 165 e 168, I, do CTN, que assim dispõem: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ... Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Afastada, em relação ao caso concreto, a aplicação do artigo 3° da Lei Complementar 118, de 2005, há que se analisar o disposto no artigo 168, I, do CTN, que dispõe que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. A questão a ser superada diz respeito ao momento da extinção do crédito tributário. No que diz respeito a extinção do crédito tributário, o artigo 156 do CTN contém as seguintes previsões: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV a remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus § § 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; Fl. 180DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUG USTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.002380/200775 Acórdão n.º 140200.362 S1C4T2 Fl. 160 6 IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado; XI a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (AC) (Inciso acrescentado pela Lei Complementar nº 104, de 10.01.2001, DOU 11.01.2001). Nos casos de lançamento por homologação, em relação à extinção do crédito tributário, a situação se subsume ao disposto no inciso VII do artigo 156, do CTN, que dispõe que a extinção do crédito tributário se dá com o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º. Assim, nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre o auto lançamento, para extinção do crédito tributário são necessários, concomitantemente, dois requisitos, quais sejam: a) o pagamento; b) a homologação do lançamento, nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º. O § 1° do artigo 150, do CTN, é expresso ao prever que a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado está condicionado a uma condição resolutória, qual seja, a homologação do lançamento que, se não realizada de forma expressa, ocorrerá, tacitamente, após o decurso de cinco anos, conforme previsto no artigo 150, § 4° do CTN. Assim, o crédito tributário somente estará extinto após sua respectiva homologação que, se não realizada de forma expressa, se dá no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Até a presente data, para os pedidos de restituições referentes a fatos anteriores à vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005, meu entendimento era de que o marco do prazo decadencial para o pedido de restituição, ressalvadas as hipóteses de litigiosidade acerca da legalidade ou constitucionalidade da exigência, davase com a data do pagamento. No entanto, em face ao que dispõe o artigo 156, VI, combinado com o artigo 150, §§ 1° e 4° e artigo 168, I, todos do CTN, tenho que a melhor posição é a que se firmou junto ao STJ, motivo pelo qual, com tais considerações, reviso posição anterior para, doravante, para os fatos ocorridos anteriores à vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005, adotar a tese dos 5 + 5, respeitado, todavia, para os casos que se vencerem após início da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005, o prazo de cinco anos contados da vigência desta Lei que entrou em vigor em 09 de junho de 2005. Em resumo, mesmo adotando a tese dos 5 + 5, para os pagamentos indevidos realizados antes de 09 de junho de 2005, o prazo para pedido de restituição, se não vencido em momento anterior pela tese dos 5 + 5, termina em 09 de junho de 2010. No caso concreto, adotando a tese dos 5 + 5, não há o que se falar em decadência, razão pela qual, neste ponto, reconheço o crédito tributário, objeto de pedido de compensação, no valor de R$ 3.627,63. Para o caso de ser vencido em relação à decadência, resta a análise do crédito de R$ 33,37, recolhido em 20 de abril de 2002, em relação ao qual deve ser aplicado o disposto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou Fl. 181DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUG USTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.002380/200775 Acórdão n.º 140200.362 S1C4T2 Fl. 161 7 contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, conversão da Medida Provisória nº 66, de 29.08.2002, DOU 30.08.2002, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, conversão da Medida Provisória nº 66, de 29.08.2002, DOU 30.08.2002, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, conversão da Medida Provisória nº 66, de 29.08.2002, DOU 30.08.2002, com efeitos a partir de 01.10.2002). O acórdão recorrido deixou de homologar a compensação em relação ao crédito recolhido em 20 de abril de 2002, no valor de R$ 33,37, sob o argumento de que tal pedido devia ser feito por meio eletrônico. Os procedimentos fixados em instrução normativa prevendo a compensação por meio eletrônico têm por finalidade a eficiência administrativa decorrente da agilização, controle e racionalização dos atos administrativos. Isto, todavia, não impede que a Administração em constatando, a partir de requerimento escrito, pagamento a maior, deixe de proceder a compensação requerida pelo sujeito passivo. Agir de forma diversa seria subtrair o direito ao crédito do seu titular, sem respaldo legal para tanto. ISSO POSTO, afasto a decadência e reconheço o direito de compensação do valor de R$ 3.627,63. Para o caso de ser vencido em relação à decadência, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para homologar a compensação do valor correspondente a R$ 33,37. É o voto. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator Fl. 182DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUG USTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.002380/200775 Acórdão n.º 140200.362 S1C4T2 Fl. 162 8 Voto Vencedor Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator Designado. Peço vênia para discordar do i. Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva quanto à contagem do prazo decadencial. Entendo acertada a decisão recorrida, que considerou a contagem do prazo decadencial com supedâneo no art. 168, inciso I, do CTN, combinado com os artigo 3° e 4° da Lei Complementar nº 118, de 2005. O art. 168 do CTN assim prescreve: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I. nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; II. Omissis. Já o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 prevê que, para efeito de interpretação do inciso I do citado art. 168, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Portanto, à luz dos comandos legais acima, quanto à contagem do prazo decadencial, não há reparos a se fazer na decisão recorrida. Ex positis, voto por dar provimento parcial ao recurso, para homologar apenas a compensação efetuada em papel, referente aos recolhimentos a maior realizados em 24/02/2002, no valor de R$ 33,37, deixando de reconhecer os valores recolhidos em data anterior a 30/03/2002, em face da decadência e, por conseqüência, não homologando as compensações a eles vinculadas. Sala das Sessões, em 16 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator Designado. Fl. 183DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por FREDERICO AUG USTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10882.907191/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2009
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.226
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2009 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 71 91 /2 01 2- 50 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907191/201250 Acórdão n.º 3302004.226 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.828. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907191/201250 Acórdão n.º 3302004.226 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907191/201250 Acórdão n.º 3302004.226 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907191/201250 Acórdão n.º 3302004.226 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907191/201250 Acórdão n.º 3302004.226 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907191/201250 Acórdão n.º 3302004.226 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.001517/2002-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/04/1997 a 30/06/1997
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO.Aplica-se retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados as normas legais que beneficiam o sujeito passivo, excluindo-se a multa no lançamento de oficio do crédito tributário constituído em face da não-confirmação dos pagamentos informados em DCTFs.Com a edição da MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, não cabe mais a imposição de multa, desde que não se trate das hipóteses descritas em seu art.18. Tal dispositivo art. 18 da Lei 10.833/03 seria aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP 135/03 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN).
No caso vertente, o instituto da compensação não foi utilizado de forma fraudulenta.
Numero da decisão: 9303-005.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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LANÇAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO.Aplicase retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados as normas legais que beneficiam o sujeito passivo, excluindose a multa no lançamento de oficio do crédito tributário constituído em face da nãoconfirmação dos pagamentos informados em DCTFs.Com a edição da MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, não cabe mais a imposição de multa, desde que não se trate das hipóteses descritas em seu art.18. Tal dispositivo art. 18 da Lei 10.833/03 seria aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP 135/03 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN). No caso vertente, o instituto da compensação não foi utilizado de forma fraudulenta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 15 17 /2 00 2- 03 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10730.001517/200203 Acórdão n.º 9303005.179 CSRFT3 Fl. 184 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 20312.678, de 13 de dezembro de 2007 (fls. 96 a 103 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do antigo CARF, decisão que: I) por unanimidade de votos, não conheceu do recurso em face da opção pela via judicial; e II) por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso na parte conhecida, para afastar a multa de oficio, conforme acórdão assim ementado in verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 30/04/1997 a 30/06/1997 Ementa: SÚMULA N° 1. SEGUNDO CONSELHO. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA ELETRÔNICA EM DCTF. DESCRIÇÃO DOS FATOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O simples fato de a exigência estar contida em lançamento eletrônico não lhe retira as características de legalidade, especialmente quando descreve claramente os fatos e os dispositivos legais infringidos, permitindo ampla defesa. MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10730.001517/200203 Acórdão n.º 9303005.179 CSRFT3 Fl. 185 3 Excluise a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003. JUROS DE MORA. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic, no caso de recolhimento a destempo de tributo, está prevista no artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96 c/c art. 13 da Lei n°9.065/95. Recurso provido em parte. O presente processo tem origem no procedimento fiscal que decorreu de auditoria eletrônica em DCTF, por meio do qual se verificou que o processo judicial informado pela autuada para fazer frente à compensação não fora comprovado. A DRJ considerou ter se dado a concomitância de objeto, haja vista a existência de uma ação judicial interposta pelo contribuinte em que pleiteara o direito à restituição de Finsocial (não obstante se referisse em sua impugnação ao PIS/Pasep) recolhido a maior seguido de sua compensação com a Cofins. Segundo a DRJ, a ação não transitara em julgado e não restara demonstrado que o crédito reconhecido pela Justiça Federal fosse líquido e certo, não obstante os demonstrativos que foram anexados aos presentes autos. Assim, fundamentouse nas orientações contidas no Ato Declaratório Normativo da CST n° 3, de 1996. O Contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, argumentando que o credito tributário é inconsistente e está com a exigibilidade suspensa. A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte julgou declarar definitiva à exigência discutida no que se refere a matéria objeto de ação judicial (compensação de crédito de Finsocial) e julgar procedente o lançamento no que concerne à matéria diferenciada, nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o colegiado entendeu em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, não conheceu do recurso em face da Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10730.001517/200203 Acórdão n.º 9303005.179 CSRFT3 Fl. 186 4 opção pela via judicial; e II) por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso na parte conhecida, para afastar a multa de oficio. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 107 a 114) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte, argumentando que se tratando de cancelamento de aplicação de multa de lançamento de ofício de débitos confessados em DCTF, a decisão ora vergastada violou o art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, já que no entendimento da Fazenda Nacional, o art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, foi concebido para disciplinar apenas e exclusivamente os fatos atrelados a sistemática de declaração da PER/Dcomp. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 117 e 118, sob o argumento que analisando os pressupostos formais de verificouse, quanto ao prazo legal, que o recurso foi tempestivo. Ademais, tratouse de decisão não unânime, sujeita à revisão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por contrariar em tese, lei. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 134 a 139, manifestando para que seja negado provimento ao Recurso Especial e mantido o v. acórdão. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 120 a 130), em face do acórdão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário, apontando divergência jurisprudencial com relação à aplicação da Súmula CARF n. 001, mais especificamente quanto ao conceito de identidade de objeto, pois entende que a aplicação dessa súmula exige idêntico objeto entre o da ação judicial e o do processo administrativo, o que não se deu no caso. Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma o Acórdão de nº 20500.717, sendo que a cópia da publicação da ementa foi juntada aos autos às fls. 131. O Recurso especial do Contribuinte não foi admitido, conforme despacho às fls. 165 a 170, sob o argumento que na análise do acórdão paradigma não ficou comprovada a divergência jurisprudencial. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10730.001517/200203 Acórdão n.º 9303005.179 CSRFT3 Fl. 187 5 No reexame de admissibilidade às fls. 171 e 172 foi mantido o despacho que negou o seguimento ao Recurso especial interposto pelo Contribuinte. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. No caso do presente autos tem origem no procedimento fiscal que decorreu de auditoria eletrônica em DCTF, por meio do qual se verificou que o processo judicial informado pelo Contribuinte para fazer frente à compensação não fora comprovado. A DRJ considerou ter se dado a concomitância de objeto, haja vista a existência de uma ação judicial interposta pelo Contribuinte em que pleiteara o direito à restituição de Finsocial (não obstante se referisse em sua impugnação ao PIS/Pasep) recolhido a maior seguido de sua compensação com a Cofins. O processo judicial que a auditoria eletrônica da DCTF não reconheceu como válido para suportar as compensações informadas pela autuada é o de n° "9500166267", conforme se vê do "Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados", de fl. 5, informação essa que se atesta pela análise dos documentos trazidos pela autuada as fls. 19/35 (cópia da petição inicial, onde se vê o referido número na primeira página) e as fls. 36/41 (cópia da decisão de Primeira Instância). Tanto os referidos documentos, quanto a decisão do TRF de fl. 42, bem como ainda os documentos as fls. 43/49, estão a deixar bem claro que os créditos da interessada tem direito provém de pagamentos feitos a maior a titulo de Finsocial. Diante disto, o acórdão recorrido decidiu por afastar a penalidade, com o entendimento de que a partir da vigência do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, a multa ofício, em se tratando de diferenças apuradas em DCTF, não mais se aplicaria à hipótese dos autos. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10730.001517/200203 Acórdão n.º 9303005.179 CSRFT3 Fl. 188 6 Em respeito ao art. 18 da MP n° 135/2003, que foi convertida na Lei 10.833/03, houve previsão, a priori, que o lançamento de ofício decorrente de diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação, seria cabível na hipótese em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal; o crédito for de natureza nãotributária e às demais hipóteses em que ficar caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio – infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64. Posteriormente, com o advento da Lei 11.488/07, que alterou o art. 18 da Lei 10.833/03 de conversão da MP 135/03, vêse que tal dispositivo sofreu alteração em sua redação – passando a estabelecer: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” Verificase que anteriormente a não homologação da compensação decorrente de crédito ou débito não passível de compensação por expressa disposição legal, ou com crédito de natureza não tributária (compensação não declarada), estava sujeita à multa prevista no art. 18 da MP, independentemente de ser ou não decorrente de prática de fraude ou conluio do sujeito passivo. E foi suprimida, conforme exposto, da redação original as hipóteses em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal e o crédito for de natureza nãotributária – para a imputação da multa no lançamento de ofício. Dessa forma, a hipótese de lançamento de ofício e de aplicação da respectiva multa para autuações decorrentes de compensações indevidas, passou a ter aplicação ainda Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10730.001517/200203 Acórdão n.º 9303005.179 CSRFT3 Fl. 189 7 mais restrita, qual seja, apenas para os casos em que se comprovasse a falsidade da declaração do sujeito passivo, além das hipóteses de compensações "não declaradas". Vale ressaltar que a restrição das hipóteses para a aplicação da multa nos lançamentos de ofício não as conduziu automaticamente à aplicação da multa tratada no art. 44 da Lei 9.430/96 – eis que esse dispositivo traz a regra geral – que não seria aplicável aos casos de compensação – como nunca foi. Com o advento da Lei 11.488/07, que alterou o art. 18 da Lei 10.833/03, houve apenas a restrição da aplicação da multa no lançamento de ofício para aqueles casos de não homologação de compensação sem comprovação de falsidade da declaração. Ademais, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, para restar caracterizada a infração devem estar presentes e devidamente demonstradas nos autos as ações relativas às condutas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, transcritos acima. Haverá fraude ou sonegação tão somente quando se verificar que o procedimento impediu ou retardou a ocorrência do fato gerador ou do conhecimento do mesmo pelo Fisco, ou ainda quando visar excluir ou modificar as suas características essenciais. As ações infracionais descritas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 objetivam punir ações dolosas vinculadas ao fato gerador, e não a outros aspectos da relação jurídica entre Fisco e Contribuinte, não se podendo buscar definições amplas e livres de fraude e sonegação para punir comportamentos tributários diversos. No caso dos autos, a transmissão de pedido de compensação com crédito tributário não comprovado está longe de enquadrarse nas condutas enunciadas nos dispositivos legais inicialmente. A empresa não praticou as condutas descritas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, mas sim utilizouse de meio de extinção de tributo (a compensação), não travando qualquer discussão quanto à origem do fato gerador ou à sua dimensão monetária. Por fim, importante lembrar que a MP 135/03 convertida na Lei 10.833/03, que trouxe novo regramento legal para as compensações, também, dispôs sobre a Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10730.001517/200203 Acórdão n.º 9303005.179 CSRFT3 Fl. 190 8 operacionalização a ser observada mediante entrega da "DComp", estabelecendo, inclusive em seu art. 17 – que, por sua vez, alterou o art. 74 da Lei 9.430/96 que tal declaração constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Dessa forma, vêse que com a constituição da DCOMP em confissão de dívida, perdeuse o sentido a aplicação da multa por descumprimento da obrigação tributária – por exemplo, entrega da DCTF com inexatidão quando identificada irregularidade na compensação sem comprovação de falsidade nas informações. O que afastaria a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96. Com efeito, é de se clarificar que o art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96 trata da multa isolada – como regra geral, não alcançando as hipóteses de compensação referendadas no caput do art. 18 da Lei 10.833/03 que faz referência aos lançamentos de ofício de que trata o art. 90 da MP 2.15835/01. Ora, o art. 90 da MP trata especificamente do lançamento de ofício das "diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal". Em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali é de se aplicar o art. 18 da Lei 10.833/03. Eis que prevê processo administrativo próprio. Dessa forma, entendo ser plenamente aplicável o instituto da retroatividade benigna – tal como estabelece o art. 106 do Código Tributário Nacional: "Art. 106 . A lei aplica se a ato o u fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratando se de ato não definitivamente julgado: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10730.001517/200203 Acórdão n.º 9303005.179 CSRFT3 Fl. 191 9 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática ". Com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, no caso vertente, há de ser afastada a aplicação da multa de ofício, para se adotar a multa de mora – considerando a redação do art. 18 da Lei 10.833/03 com a redação dada pela Lei 11.488/07. Assevera ainda a própria DRJ a aplicação desse entendimento. O que, para melhor elucidar, trago algumas ementas de outros acórdãos das delegacias de julgamento nesse sentido: “MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL 9 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1653421 de 05 de Dezembro de 2013 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833, DE 2003. Com a edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, não cabe mais imposição de multa, excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, em face da retroatividade benigna (ex vi alínea “c”, inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Período de apuração: : 01/09/1997 a 30/09/1997” MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO 6 º TURMA. ACÓRDÃO Nº 1615182 de 23 de Outubro de 2007 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário. EMENTA: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em razão da aplicação retroativa (retroatividade benigna) do art. 18 da Lei 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051/04, deve ser excluída a multa de ofício imposta. Período de apuração: : 01/02/2002 a 31/05/2002, 01/08/2002 a 30/04/2003 “MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL 9 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1644304 de 28 de Fevereiro de 2013 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10730.001517/200203 Acórdão n.º 9303005.179 CSRFT3 Fl. 192 10 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Período de apuração: : 01/12/1998 a 31/12/1998” MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM FORTALEZA 4 º TURMA ACÓRDÃO Nº 0823210 de 10 de Abril de 2012 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tendo em conta a nova redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei 10.833, de 2003, em combinação com o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, cancelase a multa de ofício aplicada. Anocalendário: : 01/01/1997 a 31/12/1997” Proveitoso também trazer no mesmo sentido parte da ementa da Solução de Consulta Cosit Interna nº 3, de 08 de janeiro de 2004: “Nos julgamentos dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo”. O que, por conseguinte, em vista de todo o exposto, resta afastar a aplicação da multa de ofício, conforme art. 18 da Lei 10.833/03 e, considerando, não se tratar de conduta dolosa à fraude praticada pelo sujeito passivo. Por fim, transcrevo o voto do ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres que proferiu voto afastando a incidência da multa de ofício, com os seguintes fundamentos, que passam a integrar a presente decisão: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10730.001517/200203 Acórdão n.º 9303005.179 CSRFT3 Fl. 193 11 [...] Quanto ao afastamento da multa de ofício lançada afastada pelo julgador a quo, por entender que o §2º do art. 52 do DecretoLei nº 2.124/84 exoneraria sua imposição sobre débitos regularmente declarados em DCTF, entendo que, por outros fundamentos, que passo a expor, deve ser mantida a decisão recorrida. No caso em questão, a autuação teve por base diferenças do PIS, decorrentes de compensação glosada pela fiscalização a partir de informações prestadas pela recorrida em sede de DCTF, de onde se depreende não se aplicar à presente hipótese a disposição do § 2° do art. 5° do DL n° 2.124/84, incidente apenas nos casos em que desnecessário o lançamento de oficio. A multa de oficio lançada teve por fundamento o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, já que decorrente de declaração inexata prestada pela contribuinte em DCTF, de onde se apurou falta de pagamento ou recolhimento do tributo devido, verificado a partir de glosa de compensação. Com efeito, dispõe o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 (redação vigente à época dos fatos): Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 04.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora;" (destacouse). Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10730.001517/200203 Acórdão n.º 9303005.179 CSRFT3 Fl. 194 12 Ocorre que, com a edição da Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, o lançamento que tivesse como pressuposto a apuração de diferenças em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, limitarseia à imposição de multa de ofício isolada e, ainda assim, quando constatada compensação indevida em razão da configuração de alguma das três hipóteses enumeradas no dispositivo. Confirase a nova redação. Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A partir do dispositivo novel não mais havia espaço para a imposição da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. Foi instituída penalidade específica para tais hipóteses em que o contribuinte promove compensação indevida, que só poderia ser aplicada se configurada uma das seguintes circunstâncias: a) o crédito ou débito não ser passível de compensação, por expressa disposição legal; b) pleitearse a compensação a partir de créditos de natureza nãotributária; e c) ficar caracterizada uma das qualificadoras previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. O direito creditório que respalda a compensação debatida no presente processo, esclareçase, decorre de crédito presumido do IPI, para o qual não há qualquer vedação. Por outro lado, não foi formulada acusação da prática de conduta que pudesse se subsumir aos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Assim, imagino, mesmo se confirmadas as acusações da recorrente e, consequentemente, configurada a irregularidade da compensação, não há espaço para a manutenção da multa de ofício, por força da aplicação do instituto da retroatividade benigna, previsto no art. 106, II, "a", do CTN. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10730.001517/200203 Acórdão n.º 9303005.179 CSRFT3 Fl. 195 13 Acrescentese, finalmente, que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da CoordenaçãoGeral de Tributação expediu a Solução de Consulta Interna nº 3/2004, cujo seguinte trecho da ementa é por demais esclarecedor: No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP no 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo. Desta feita, à multa deve ser excluída.” Em vista de todo o exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.923677/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE.
A constatação de inexistência de saldo credor em revisão da escrita fiscal impossibilita a compensação pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.099
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
RICARDO PAULO ROSA - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DCOMP. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. Recorrente HIDROALL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE. A constatação de inexistência de saldo credor em revisão da escrita fiscal impossibilita a compensação pleiteada. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar decisão que manteve intacto o indeferimento de aproveitamento de saldo credor de IPI referente ao período de apuração de 01/04/2008 a 30/06/2008, ao argumento de que há lançamento de ofício (com decisão administrativa definitiva), lançamento que esgotou o saldo credor originalmente apurado pelo contribuinte, razão pela qual as compensações declaradas não foram homologadas, por inexistência do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 92 36 77 /2 00 9- 45 Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10830.923677/200945 Acórdão n.º 3302004.099 S3C3T2 Fl. 3 2 A escrita fiscal do IPI foi refeita em virtude da apuração de débitos do imposto pelo Fisco. Mesmo aproveitando os créditos escriturados pelo contribuinte, houve apuração de saldos devedores, do que resultou a lavratura do auto de infração, processo n° 10830.720891/201166. Apresentada Manifestação de Inconformidade, os argumentos de defesa foram rechaçados pela decisão recorrida. Argumentou a DRJ que há decisão nos autos n° 10830.720891/201166, que julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o lançamento do imposto, o que implica a inexistência de saldos credores passíveis de ressarcimento/compensação. Por consequência, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada neste processo, permanecendo não homologadas as compensações declaradas por inexistência de crédito, nos termos do Acórdão 14041.869 Na Manifestação de Inconformidade, bem como nas razões recursais, sustenta a Recorrente que a classificação fiscal adotada para o produto desinfetante estaria correta, classificado como produto químico orgânico, por tratarse de composto clorado, sob o código 29.33.69.19. Em suma, traz os mesmos argumentos sustentados na Impugnação do Auto de Infração, processo n° 10830.720891/201166, conforme afirmativa da própria Recorrente. A 1ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, através da Resolução nº 3801 000.761, converteu o julgamento do recurso em diligência para que a unidade de origem juntasse a este processo a decisão administrativa definitiva proferida no processo 10830.720891/201166 (Auto de Infração vinculado a este processo de ressarcimento/compensação). Posteriormente foram juntados aos autos a decisão proferida no processo 10830.720891/201166 (Auto de Infração), que negou provimento ao recurso voluntário apresentado naqueles autos (Acórdão 3302002.153), bem como pedido de desistência apresentado pelo contribuinte naquele processo, do que resultou a definitividade daquela decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.085, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.720617/201197, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.085): " Cuidase de recurso tempestivo e atende as demais formalidades de admissibilidade, assim sendo, tomo conhecimento. Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10830.923677/200945 Acórdão n.º 3302004.099 S3C3T2 Fl. 4 3 O pedido foi indeferido por inexistência de saldo credor após revisão da escrita fiscal, o que levou a fiscalização proceder lançamento de ofício, impugnado, esses fatos restaram dirimidos nos autos do processo de n° 10830.720891/201166, que julgou improcedente a Impugnação e manteve o lançamento intacto, decisão com transito em julgado. O voluntário sequer tratou desse assunto, reprisou os mesmos argumentos da fase instrutora. Não rebateu os argumentos utilizados no julgamento de piso. Sendo assim, não resta outra hipótese de que não seja reconhecer a inexistência de saldo credor passível de compensação. Diante do exposto, nego provimento ao recurso." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o pedido de ressarcimento/compensação foi indeferido por inexistência de saldo credor de IPI após revisão da escrita fiscal, o que levou a fiscalização a proceder ao lançamento de ofício, impugnado. Esses fatos restaram dirimidos nos autos do processo de n° 10830.720891/201166, no qual consta decisão definitiva negando provimento ao recurso voluntário e mantendo o lançamento intacto. Mantido o lançamento do IPI, inexiste saldo credor que ampare o presente pleito. Desta forma, o fundamento adotado para concluir pela inexistência de saldo credor passível de ressarcimento/compensação no caso do paradigma, também justifica sua aplicação nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 726DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11042.000301/95-43
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 302-00.902
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: HENRIQUE PRADO MEGDA
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Numero do processo: 10660.001695/2003-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. PERDA DE OBJETO
Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem a autuação fiscal, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento, em respeito ao art. 10, inciso III, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 9303-004.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. PERDA DE OBJETO Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem a autuação fiscal, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento, em respeito ao art. 10, inciso III, do Decreto 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. PERDA DE OBJETO Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem a autuação fiscal, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento, em respeito ao art. 10, inciso III, do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 16 95 /2 00 3- 88 Fl. 155DF CARF MF 2 Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 29400.154, da 4ª Turma Especial do 2º Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO FUNDAMENTAÇÃO FATICA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem a autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento. SÚMULA VINCULANTE EFEITOS SOBRE A ADMINISTRAÇÃO DIRETA A súmula vinculante editada pelo STF obriga a Administração Direta à adoção do entendimento nela fixado, a partir de sua publicação no órgão de imprensa oficial. COFINS DECADÊNCIA Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, com a edição de súmula vinculante, cabe a aplicação da regra de decadência prevista no CTN. Recurso provido” O Colegiado entendeu, em síntese, quanto: · À decadência do direito de lançar, que: ü O STF, analisando o referido art. 45 no exercício do controle difuso da constitucionalidade das normas, concluiu que tal dispositivo violava o artigo 146IIIb da Constituição. Em consequência, foi publicada, em 20.6.08, a Súmula Vinculante n° 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10660.001695/200388 Acórdão n.º 9303004.920 CSRFT3 Fl. 149 3 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. ” ü A empresa autuada recolheu parcialmente a Cofins devida nos períodos lançados (fls. 29 a 32 e 37 a 42), compensando o restante, correspondendo a presente exigência; ü Desta forma, é cabível a aplicação do disposto no art. 150, §4º do CTN, considerando que houve efetivamente pagamento, ainda que parcial, pelo sujeito passivo, de valores devidos a título da referida contribuição para os períodos fiscalizados, cabendo sua homologação, ou não, por parte da Fiscalização, no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. · Ao Cancelamento do lançamento da única imputação que lhe foi feita na autuação — ação judicial de outro CNPJ — que comprovou documentalmente que efetivamente integrava a ação judicial por ele informada, não constando do lançamento qualquer outra alegação que fundamentasse a exigência. O que, por conseguinte, entendeu ser improcedente o presente lançamento por não se comprovarem os fundamentos fáticos que o basearam. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial para reformar a decisão recorrida, suscitando, entre outros, que: · Só existe nulidade do lançamento por cerceamento de defesa se restar caracterizado o óbice ao exercício do direito, de modo que o tema sub examine não tenha sido aventado na impugnação e no recurso voluntário; · Ocorre o dito cerceamento quando a imputação e a finalidade do auto de infração não são sequer compreendidas pelo sujeito passivo; · Não houve nenhum cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo apto a ensejar o cancelamento do lançamento, tendo em vista que a empresa autuada debateu todas as matérias em suas peças de impugnação e em seu recurso voluntário, oportunidades em que se insurgiu contra a imposição do lançamento. Fl. 157DF CARF MF 4 O apelo da Fazenda Nacional foi admitido em Despacho de Admissibilidade às fls. 135/136. Quanto à falta de apresentação de contrarrazões pelo sujeito passivo, importante transcrever parte da Informação Fiscal SACAT/DRF/VAR 314/2011: “[...] A correspondência foi devolvida pelos Correios, sob a alegação "endereço insuficiente" (envelope de fl. 138). Consequentemente, elaborouse o Edital DRF/VAR/SACAT no 104/2010 (fl. 139), afixado no quadro de avisos desta DRF/Varginha, em 07/12/2010. Tentouse ainda a remessa da documentação em questão para o endereço da matriz da empresa (tela CNPJ de fl. 140), que mais uma vez resultou improfícua, sob a alegação "mudouse" (envelope de fl. 141). Não tendo o contribuinte apresentado contrarrazões ao recurso especial da PFN, até a presente data, proponho o retorno dos autos ao CARF para prosseguimento. [...]” É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e ao Despacho de Admissibilidade, entendo que deva ser conhecido, vez que tempestivo e atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso, conforme reza o art. 67 do RICARF/2015. Recordase que a controvérsia suscitada se cinge à questão da existência ou inexistência do pressuposto de fato que lastreia o auto de infração eletrônico lavrado com base na constatação de que o processo judicial não foi comprovado, quando o sujeito passivo efetivamente comprova a existência do processo judicial. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10660.001695/200388 Acórdão n.º 9303004.920 CSRFT3 Fl. 150 5 O acórdão recorrido trouxe que no lançamento eletrônico calcado em "proc jud não comprovad" devese cancelar o auto de infração quando o sujeito passivo comprova a existência do processo judicial, consignando, assim, a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins Anocalendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO — FUNDAMENTAÇÃO FATICA — AUSÉNCIA DE COMPROVAÇÃO — Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem a autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento. [...]” A Fazenda Nacional indicou como paradigma o acórdão 203 12.427, que consignou a seguinte ementa: “COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PERÍODOS DE APURAÇÃO 08/1997 A 12/1997. VALOR DECLARADO EM DCTF COM COMPENSAÇÃO. SALDO A PAGAR REDUZIDO. CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃO CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. LEI N° 11.051/2004, ART. 25. EXONERAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. No período em que a DCTF considera confissão de dívida apenas os saldos a pagar, os valores Declarados como compensados devem ser lançados, sendo as multas de oficio respectivas exoneradas em virtude da aplicação retroativa do art. 25 da Lei nº 11.051/2004, que alterou a recta(*) do art. 18 da Lei ii° 10.833/2003 de modo a determinar o lançamento da multa isolada apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Recurso provido em parte." Depreendendose somente da leitura das ementas, é de se antecipar que não se trata de situações e discussões semelhantes. Não obstante, é de se entender o contrário ao trazer o voto vencedor (Grifos meus): "A nobre relatora não vê configurada a concomitância por considerar que, nesta seara administrativa, em face do Fl. 159DF CARF MF 6 enquadramento legal e da situação descrita no auto de infração, discutese tãosomente a existência ou não do processo judicial, no qual a recorrente seja parte e lhe garanta (ou não) o direito de proceder a compensação vinculada em DCTF, cuja origem é o indébito do PIS pago indevidamente. Para ela, a exigência tributária, no que fundada na inexistência do processo judicial informado como origem dos créditos vinculados aos débitos declarados nas DCTF, deve ser cancelada porque demonstrado o contrário: existe sim, a ação judicial referida Entendo diferente porque o pressuposto fático do lançamento é, no fundo, a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial informada na DCTF, e não simplesmente a inexistência do processo judicial referido. Embora admitindo que a descrição constante do auto de infração é lacônica e podia ser aperfeiçoada, ressalto que não houve qualquer prejuízo defesa do contribuinte, que desde o primeiro momento demonstrou compreender por inteiro a autuação. Tanto assim que na impugnação o contribuinte já informa que os créditos têm origem em pagamentos a maior do próprio PIS, e que o seu direito foi reconhecido judicialmente nos autos do processo n° 96.0017913." Sendo assim, cotejandose o acórdão recorrido com o paradigma colacionado, constatase que restou comprovado o dissídio jurisprudencial entre os arestos. Entendo, em vista do exposto, que se deve conhecer o Recurso interposto pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide – qual seja, se na hipótese de ser lavrada autuação eletrônica com indicação da não comprovação do processo judicial informado em DCTF, uma vez demonstrada a existência da citada demanda, se seria cabível ou não manter o lançamento por outro Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10660.001695/200388 Acórdão n.º 9303004.920 CSRFT3 Fl. 151 7 fundamento – qual seja, a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial em objeto. Depreendendose da análise dos autos, entendo que se deve manter a decisão proferida no acórdão recorrido, em respeito ao art. 10, inciso III do Decreto 70.235/72. O que compartilho do entendimento exposto no voto da ex conselheira Magda Cotta Cardozo (Grifos meus): “DA FUNDAMENTAÇÃO FATICA DO LANÇAMENTO 0 presente auto de infração originouse da realização de auditoria interna nas DCTF relativas ao ano de 1998, tendo sido constatada, segundo a descrição dos fatos e o demonstrativo de créditos vinculados não confirmados, a falta de recolhimento da Cofins, decorrente de declaração inexata, sendo de outro CNPJ o processo judicial informado pelo contribuinte, vinculado a compensações. Em sua defesa, a recorrente traz aos autos cópia da petição inicial da Ação Ordinária n° 94.00184271 (fls. 43 a 57), por meio da qual requer, em litisconsórcio, seja declarada a inconstitucionalidade das majorações de alíquota do Finsocial e, em consequência, lhe seja reconhecido o direito a compensar o excesso recolhido com outros tributos federais. A empresa junta, ainda, cópia da decisão de i a instância (fls. 58 a 63 e 70/71), julgando procedente o pedido e autorizando a compensação pleiteada. As fls. 64 a 68 consta, também, cópia do acórdão do TRF 1ª Região, negando provimento ao recurso da Fazenda Nacional e remessa oficial. Conforme comprova a documentação anexada pela autuada, bem como as informações de fls. 98 a 103, a empresa ajuizou a Ação Ordinária n° 94.00184271, em litisconsórcio, em 08/09/94, nos termos do pedido acima transcrito. Da referida ação decorreu decisão favorável ao seu pleito, transitada em julgado em 23/02/99. Desta forma, concluise que a ocorrência que deu origem à presente autuação, "Processo judicial de outro CNPJ", no que se Fl. 161DF CARF MF 8 confirma, uma vez que a autuada efetivamente consta como uma das autoras na Ação Ordinária n° 94.00184271, informada corretamente nas DCTF em questão como fundamento para a compensação dos créditos tributários correspondentes. Não procede, portanto, o lançamento, por não se comprovar a fundamentação que o originou, ressaltandose que não integra o objeto deste voto a correção, ou não, do procedimento adotado pelo contribuinte em relação dos créditos tributários objeto do lançamento, em função da autorização judicial obtida, uma vez que tal questão não foi analisada quando da realização do lançamento. Com base na autorização obtida, pretendendo a empresa efetuar compensação de valores de Finsocial que entendesse recolhidos acima do devido com a Cofins, caberia a aplicação do disposto na norma administrativa relativa à matéria vigente à época (1998) — IN/SRF 21/97 Portanto, a partir das informações contidas nas DCTF em análise, caberia â Administração avaliar a correção do procedimento adotado pelo contribuinte, relativamente às bases de cálculo corretas, aos valores de Cans devidos com base na legislação aplicável, aos valores de Finsocial efetivamente recolhidos, ao prazo decadencial de que dispunha o contribuinte para realizar a compensação e à comprovação documental da realização da compensação. No entanto, nenhum desses aspectos foi analisado na autuação em questão, restringindose a ocorrência que fundamentou o lançamento à existência de outro CNPJ vinculado ao processo judicial informado pelo contribuinte nas DCTF, estando, porém, tal informação, como se viu, correta. Portanto, não se comprova a fundamentação fática que baseou o lançamento, elemento obrigatório do auto de infração, nos termos do artigo 10III do Decreto n° 70.235/72, não podendo este, em decorrência, ser mantido. Ressaltese, ainda, que o colegiado de 1a instância manteve o lançamento baseandose no argumento de que a autuada deveria Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10660.001695/200388 Acórdão n.º 9303004.920 CSRFT3 Fl. 152 9 ter discriminado e comprovado, em sua impugnação, o montante dos créditos compensáveis. Independentemente de analisarse a correção, ou não, do procedimento adotado pela empresa, é fundamental observar que o argumento trazido pela DRJ somente foi apresentado ao contribuinte em sede de julgamento de 1a instância, e não no lançamento, constatandose, além da clara supressão de instância de defesa, a imposição de nova fundamentação fática para o lançamento não pela autoridade fiscalizadora, mas pela autoridade julgadora, o que é, por certo, inadmissível. Da única imputação que lhe foi feita na autuação — ação judicial de outro CNPJ — o contribuinte defendeuse, comprovando documentalmente que efetivamente integrava a ação judicial por ele informada, não constando do lançamento qualquer outra alegação que fundamentasse a exigência. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, considerandose improcedente o presente lançamento por não se comprovarem os fundamentos fáticos que o basearam. [...]” Ora, traz o art. 10 do Decreto (Grifos meus): “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; [...]” Sendo assim, o lançamento deve considerar obrigatoriamente, entre outros, a descrição do fato. O único “fato” que poderseia extrair do lançamento eletrônico é a não comprovação do processo judicial. Fl. 163DF CARF MF 10 O que, por conseguinte, haja vista a breve “descrição” daquele fato, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando e comprovando que possuía ação judicial. Somente considerou essa alegação em sua impugnação, visto que a “descrição do fato” que ensejou o lançamento eletrônico foi a não comprovação do processo judicial. Quando da apreciação da impugnação pela DRJ, aquele colegiado inovou a motivação do lançamento, trazendo que o sujeito passivo deveria, em verdade, ter discriminado e comprovado, em sua impugnação, o montante dos créditos compensáveis, e não meramente comprovar a existência de ação judicial. OU seja, aquele colegiado explicitamente corrigiu o lançamento trazendo novos fatos ao sujeito passivo – de que o lançamento eletrônico não seria decorrente da falta de comprovação de processo judicial, tal como constou do ato administrativo, mas sim da falta de comprovação do crédito tributário que foi utilizado em pedido de compensação do sujeito passivo. Não há que se falar, nesse caso, que o lançamento defeituoso não ensejou o cerceamento do direito de defesa, vez que o sujeito passivo, entendendo se tratar apenas de processo judicial não comprovado, apenas trouxe em suas alegações a existência da ação judicial em sua primeira defesa. Dessa forma, em respeito ao art. 10 do Decreto 70.235/72 que traz que o lançamento deve obrigatoriamente conter, entre outros, a descrição dos fatos, é de se cancelar o lançamento eletrônico, quando se perde o objeto do ato. Nesse caso, o objeto era a falta de comprovação de processo judicial – que fora devidamente demonstrado a sua existência nas alegações de defesa do sujeito passivo. Ademais, caso insistíssemos com a nova motivação trazida pela DRJ, poderíamos ofender o devido processo legal, pois restaria claro o prejuízo do sujeito passivo ao ter apresentado impugnação, considerando somente a motivação constante do lançamento eletrônico, enquanto, ao ver da autoridade fazendária, deveria ter vislumbrado, “com vidência” “por evidência”, em sua defesa a eventual “pretensão” de o colegiado da 1ª instância de julgamento alterar os fatos do Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10660.001695/200388 Acórdão n.º 9303004.920 CSRFT3 Fl. 153 11 lançamento para que não mais comprove a existência de ação judicial, mas o crédito, objeto dessa ação, que fora, por sua vez, utilizado em pedido de compensação. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903500/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 35 00 /2 01 0- 32 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 16327.903500/201032 Acórdão n.º 1301002.328 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 16327.903500/201032 Acórdão n.º 1301002.328 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 181DF CARF MF Processo nº 16327.903500/201032 Acórdão n.º 1301002.328 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 16327.903500/201032 Acórdão n.º 1301002.328 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 183DF CARF MF Processo nº 16327.903500/201032 Acórdão n.º 1301002.328 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 184DF CARF MF Processo nº 16327.903500/201032 Acórdão n.º 1301002.328 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 185DF CARF MF Processo nº 16327.903500/201032 Acórdão n.º 1301002.328 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721024/2014-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO NÃO APRECIADA DURANTE O JULGADO. EXCLUSÃO.
Restando comprovada a inclusão no voto condutor do acórdão de entendimento do relator não apreciado pelo colegiado, deve-se suprimir da decisão o texto correspondente.
Numero da decisão: 2402-005.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por acolher os embargos de declaração sem alteração no resultado do julgamento, para que haja a substituição de trecho do voto do acórdão embargado, conforme mencionado no voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Embargante FERROUS RESOURCES DO BRASIL S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO NÃO APRECIADA DURANTE O JULGADO. EXCLUSÃO. Restando comprovada a inclusão no voto condutor do acórdão de entendimento do relator não apreciado pelo colegiado, devese suprimir da decisão o texto correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por acolher os embargos de declaração sem alteração no resultado do julgamento, para que haja a substituição de trecho do voto do acórdão embargado, conforme mencionado no voto do Relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 10 24 /2 01 4- 14 Fl. 3230DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados pelo contribuinte contra acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção. Do acórdão embargado A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2402 005.392, em 13/07/2016, fls. 3.139 a 3.190, dando provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte, conforme ementa e resultado a seguir transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 ERRO NA CITAÇÃO DO NOME EMPRESARIAL DO DEVEDOR SOLIDÁRIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O mero erro no nome empresarial do devedor vinculado ao crédito por solidariedade não importa em nulidade do lançamento, posto que não causou prejuízo ao devedor, cujo CNPJ foi corretamente indicado e recebeu regularmente o Termo de Sujeição Passiva Solidária. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 MATÉRIA FÁTICA TRAZIDA EM MEMORIAIS. CONHECIMENTO. Circunstancialmente, cabe o conhecimento de matéria fática trazida em sede de memoriais, mormente quando sua apreciação não demanda dilação probatória adicional, tampouco prejudica o adequado andamento do julgamento. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES ADSTRITA À OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RATEIO. IMPOSSIBILIDADE. Os bônus de contratação pagos a empregados da recorrente têm natureza salarial por representarem parcelas pagas como antecipação pecuniária para manutenção do empregado na empresa por um período de tempo preestabelecido, não se verificando neste caso a ocorrência de pagamento eventual Possuindo os bônus de contratação pagos a empregados caráter remuneratório, a incidência das contribuições previdenciárias dáse na Fl. 3231DF CARF MF Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.820 S2C4T2 Fl. 3 3 data do pagamento, não estando previsto nas normas aplicáveis eventual rateio do valor ao longo do período de carência. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR. AUTO APLICABILIDADE DA NORMA CONSTITUCIONAL. INEXISTÊNCIA. O pagamento da PLR, para que não sofra a incidência de contribuições sociais, deve ser efetuado em consonância com a legislação infraconstitucional que regulou o inciso XI do art. 7.° da Constituição Federal, o qual não possui eficácia plena. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE ACORDO PRÉVIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A inexistência de acordo prévio à aquisição do direito, para pagamento de participação nos lucros e resultados, desatende ao art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000, fazendo com que incidam contribuições sociais sobre a verba em comento. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. APURAÇÃO SOBRE STOCK OPTIONS. LEGITIMIDADE DA EMPRESA AUTUADA. A empresa autuada é quem deve figurar no polo passivo do lançamento, pois é com ela que mantinham vínculos de prestação de serviços os segurados beneficiados com as outorgas de direito de compra de ações, além de que, conforme os registros contábeis, foi esta empresa quem suportou as despesas decorrentes das referidas outorgas. PLANOS DE OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições previdenciárias sobre os ganhos que os segurados obtêm pelo exercício do direito de compra de ações quando se caracteriza a inexistência de risco para o beneficiário. No caso sob apreço, inexistia qualquer desembolso quando do fechamento dos contratos de opção entre a empresa e seus diretores e estes poderiam ao final do período de carência exercer as opções a valor simbólico, estando isentos de qualquer risco de perda. A ocorrência do fato gerador para a verba em questão se dá quando da transferência das ações ao patrimônio dos beneficiários, que se concretiza no momento do exercício do direito de compra. Fl. 3232DF CARF MF 4 BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPÇÃO NO MOMENTO DA OUTORGA. EQUÍVOCO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. O entendimento do Fisco no sentido de mensurar a base de cálculo levando em conta o valor justo da opção no momento da outorga traduzse em equívoco da autoridade lançadora cuja correção extrapola os limites do julgamento administrativo, devendo ser cancelado o respectivo lançamento. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PELO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES COM A SEGURIDADE SOCIAL No presente caso a existência de grupo econômico é questão incontroversa, portanto, cabível a responsabilidade solidária imputada pelo fisco, uma vez que as empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO. Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa imposta por descumprimento de obrigação pagar o tributo, sob o fundamento de que seria confiscatória. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte. Dos Embargos de Declaração Cientificado da decisão em 03/10/2016, por meio da abertura da sua Caixa Postal, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), fl. 3.210, o contribuinte opôs os Embargos de Declaração de fls. 3.212 a 3.215, em 06/10/2016, nos termos do Regimento Interno do CARF (RICARF), Anexo II, art. 65, inciso II, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, alegando contradição e obscuridade no Acórdão nº 2402005.392, conforme razões a seguir transcritas: Em segunda instância administrativa, por maioria de votos, o Recurso Voluntário da Embargante foi parcialmente provido para excluir do lançamento o levantamento a título de bônus (Levantamento D1), bem como aquele relativo aos planos de opções de compra de ações (“Stock Options” Levantamento F1). No que se refere ao Levantamento Participação nos Resultados dos Empregados, restou indeferido o pleito da Embargante sob a justificativa de existência de acordo prévio à aquisição do direito, Fl. 3233DF CARF MF Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.820 S2C4T2 Fl. 4 5 desconformidade esta, aplicável a B1, B2 e B3, e prejudicial à segunda e última desconformidade apontada em Relatório Fiscal: pagamento em valores fixos, aplicável apenas a B1 – Participação no Resultados Geral. Em debate oral realizado no dia do julgamento, o Conselheiro Relator do processo, Sr. Kleber Ferreira de Araújo, sugeriu, como critério de julgamento, que fosse julgado de forma apartada cada uma das duas desconformidades do Relatório Fiscal. Assim, caso a primeira fosse acatada, qual seja, a ausência de acordo prévio, prejudicial seria a segunda, motivo pelo qual sequer precisaria ser pronunciada no debate oral ocorrido no julgamento. Acordes os demais Julgadores com o formato de julgamento proposto, procedeuse ao julgamento do primeiro fundamento, reconhecendoo, por unanimidade, a desconsideração da natureza de PLR, ante a ausência de Acordo Prévio. Reconhecida a prejudicial suscitada, não se procedeu à leitura do voto em relação à suposta segunda desconformidade (fls. 3.172 a 3.174) e este ponto, por consequência, não foi colocado em julgamento. Todavia, o r. acórdão, contraditoriamente ao julgamento ocorrido, trouxe em seu corpo (fls. 3.172 a 3.174) a análise de tal segunda desconformidade. Justificamse os presentes embargos, portanto, para alinhamento entre a decisão aqui embargada e o julgamento ocorrido, requerendose seja decotado do acórdão o trecho do voto não lido e não julgado em sessão, por ter sido prejudicado pelo acolhimento da ausência de acordo prévio. (Grifos no original) Ainda, segundo o Embargante, ao tratar da segunda desconformidade, o Conselheiro Relator extrapolou o Auto de Infração, nos seguintes termos: (iii) inovou, ao não se limitar o voto à aplicabilidade da segunda desconformidade constante do Relatório Fiscal (B1), considerandoa ocorrida também em relação a B2 e B3, o que acaba por extrapolar o Auto de Infração. Em face a essas alegações, o Embargante aponta a presença de contradição e obscuridade no acórdão embargado, pois: (i) não foram [...] lidas pelo relator na sessão de julgamento [as páginas referentes à segunda desconformidade]; (ii) não foi tal segunda desconformidade debatida pelos julgadores; (iii) extrapola o Relatório Fiscal [...]; (iv) obstou o exercício do direito de defesa pleno da parte em relação [ao] tema Fl. 3234DF CARF MF 6 Os embargos foram admitidos pelo Presidente da Turma, conforme despacho de fls. 3.221/27. É o relatório. Fl. 3235DF CARF MF Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.820 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Da mácula apontada Como mácula no aresto hostilizado, o embargante aponta a inserção no voto de matéria que não foi objeto de julgamento pelo colegiado. Afirmase que, durante a sessão, o relator propôs que a análise da incidência de contribuições sobre a verba paga a título de PLR fosse feita inicialmente com relação ao requisito de acordo prévio e, caso prevalecesse a sua tese, não haveria necessidade de se abrir votação acerca das outras desconformidades apontadas pela autoridade lançadora. Assegurou a empresa que, como a turma decidiu manter a incidência de contribuições sobre essa verba com base na inexistência de acordo prévio ao período aquisitivo para obtenção do benefício, as outras questões envolvendo o tema não foram objeto de julgamento, assim, não poderiam constar no voto do relator. Em adição menciona suposta inovação nos fundamentos do relator em relação à questão da inexistência de regras claras no acordo para pagamento da PLR. Embora não me recorde com precisão desse aspecto do julgamento, nem tenha como recuperar tal informação, entendo ser plausível a tese da embargante e concordo com a supressão das outras questões tratadas acerca da incidência de contribuições sobre a PLR paga aos empregados, devendo o voto ficar restrito à análise da existência de acordo prévio. Nesse sentido, deve ser substituído do voto o seguinte trecho: "Como poderei ser vencido neste entendimento, passo a apreciar a outra desconformidade apontadas pelo fisco. b) inexistência de regras claras O parágrafo 1.° do art. 2.° da Lei n.° 10.101/2000 dispõe que o direito à participação nos lucros deve vir estabelecido em regras claras e objetivas no acordo que preside o pagamento da verba, que deve também apresentar os mecanismos de aferição dos resultados a serem alcançados para que o trabalhador venha a receber o benefício. Ali o legislador não estabeleceu quais parâmetros devem obrigatoriamente ser avaliados, mas exemplificou determinadas metas que poderiam ser incluídas neste tipo de acordo. Vale a pena transcrever o dispositivo: (...) Assim as parcelas de PLR pagas a empregados, por não atenderem as prescrições da lei específica, devem ser tributadas nos termos da alínea "j" do § 9.° do art. 28 da Lei n.° 8.212/1991." Fl. 3236DF CARF MF 8 Atendendo ao inconformismo da embargante, excerto em questão passará a ter a seguinte redação. "Considerando que esse entendimento prevaleceu no colegiado por unanimidade, não há necessidade de apreciar a outra desconformidade apontadas pelo fisco. Assim as parcelas de PLR pagas a empregados, por não atenderem as prescrições da lei específica, devem ser tributadas nos termos da alínea "j" do § 9.° do art. 28 da Lei n.° 8.212/1991." Conclusão Voto por acolher os embargos de declaração sem alteração no resultado do julgamento, para que haja a substituição de trecho do voto do acórdão embargado, conforme mencionado no voto acima. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Fl. 3237DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.905564/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.786
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 64 /2 01 2- 96 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13888.905564/201296 Acórdão n.º 3201002.786 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.303, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13888.905564/201296 Acórdão n.º 3201002.786 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13888.905564/201296 Acórdão n.º 3201002.786 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13888.905564/201296 Acórdão n.º 3201002.786 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13888.905564/201296 Acórdão n.º 3201002.786 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13888.905564/201296 Acórdão n.º 3201002.786 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13888.905564/201296 Acórdão n.º 3201002.786 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13888.905564/201296 Acórdão n.º 3201002.786 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.723387/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática de repercussão geral (art. 543-B da Lei nº. 5.869/73), é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho.
Numero da decisão: 2401-004.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os levantamentos "CO - Serv Cooperativa Trabalho" e "RS rescisões - Aviso Prévio Indenizado".
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática de repercussão geral (art. 543B da Lei nº. 5.869/73), é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 33 87 /2 01 3- 13 Fl. 632DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os levantamentos "CO Serv Cooperativa Trabalho" e "RS rescisões Aviso Prévio Indenizado". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 11516.723387/201313 Acórdão n.º 2401004.733 S2C4T1 Fl. 633 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 563/585) interposto em face do Acórdão nº. 1454.474 17ª Turma da DRJ/RPO, cuja ementa restou assim redigida: NULIDADE PRAZO MPF. INOCORRÊNCIA. Constatada a validade das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal no período em que o contribuinte esteve sob procedimento fiscal, não há que se falar em nulidade da autuação. COMPENSAÇÃO. GLOSA. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional/CTN, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez constatado não serem verdadeiras as declarações apresentadas pela empresa, é correta a aplicação da multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor total das contribuições indevidamente compensadas. MULTA CONFISCO. A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, é dirigida ao legislador, não cabendo a autoridade administrativa afastar a incidência da lei. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. O emprego dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autoriza o julgador administrativo a dispensar ou reduzir multas expressas na lei, não havendo desrespeito a estes princípios quando a autuação se pauta pelo princípio da legalidade. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. O foro administrativo é inapropriado para as discussões relativas à inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo, sendo defeso à autoridade administrativa afastar a aplicação de normas que gozem de plena eficácia. AVISO PRÉVIO INDENIZADO.. Fl. 634DF CARF MF 4 Integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, os valores pagos a título de aviso prévio indenizado. REPRESENTAÇÃO FISCAL. A Representação Fiscal para Fins Penais é formalizada na presença de fato que possa configurar crime em tese, no dever de ofício da fiscalização, não competindo às Delegacias de Julgamento a análise do mérito nela contido. O presente lançamento visa a exigência das contribuições sociais incidentes sobre serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, com aplicação do Fator Acidentário de Prevenção FAP, contribuições incidentes sobre pagamentos a título de aviso prévio indenizado e glosa de compensação indevida de contribuições previdenciárias efetuada pela empresa, bem como aplicação de multa isolada, nos termos do relatório fiscal de fls. 80/92. Foram realizados os seguintes levantamentos: Levantamento GC Glosa de Compensação Indevida referese a glosa de compensação efetuada no período de 02/2011 a 06/2012, deduzidas as retenções de contribuições previdenciárias apuradas nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela autuada. Alega a fiscalização que o contribuinte não comprovou a origem dos créditos compensados, não apresentou planilhas solicitadas e não apresentou nenhum documento que comprovasse a existência dos créditos lançados no campo compensação das GFIP, concluindo a fiscalização pela inexistência dos créditos. Em decorrência da apuração de declaração de créditos inexistentes em GFIP, foi lançada a multa isolada de 150% calculada sobre o valor indevidamente compensado, com fulcro no art. 89, § 10º, da Lei nº. 8.212/91. Levantamento CO Serv Cooperativa de Trabalho contribuições incidentes sobre o valor bruto das faturas de prestação de serviços, relativa aos serviços prestados por cooperados por intermédio da cooperativa de trabalho UNIMED de Tubarão Cooperativa de Trabalho Médico da Região da Amurel. Levantamento DI Diferença RAT Reajustado diferença de contribuições resultantes da aplicação de alíquota do RAT, considerando o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) de 1,00. A empresa utilizou para alíquota do RAT 3%, no período de 01/2010 a 04/2010, o índice FAP de 0,500, quando o correto seria 1,000, calculando e pagando um valor inferior ao realmente devido. Levantamento RS rescisões Aviso Prévio Indenizado contribuições incidentes sobre pagamentos a título de aviso prévio indenizado; Levantamento FP Folha de Pagamento contribuições apuradas do confronto da base de cálculo informada pela empresa nas folhas de pagamento com a base de cálculo declarada em GFIP. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 11516.723387/201313 Acórdão n.º 2401004.733 S2C4T1 Fl. 634 5 Foi ainda emitida Representação Fiscal para Fins Penais e Termo de Arrolamento de Bens e Direitos. Intimado do referido acórdão via AR em 10/11/2014 (fl. 594), o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 563/585) via postal em 05/12/2014 (fl. 596), onde alega, em síntese: a) Nulidade das notificações fiscais de lançamento de débito por desatendimento do prazo fixado pelo Decreto 70.235/72, ante o fato da fiscalização ter durado quase 8 (oito) meses ao invés dos 120 (cento e vinte) dias máximos permitidos pelo art. 7º, § 2º do referido decreto; b) Nulidade do Auto de Infração de obrigação principal, sob a alegação de que não poderia ter sido diretamente autuada, mas sim que deveria ter sido notificada para corrigir eventuais erros em compensações tidas como irregulares, por não haver qualquer prejuízo à Fazenda Nacional e que foram sanados a tempo, conforme declarações anexadas ao recurso; c) Improcedência do lançamento da contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado, por ausência de previsão legal; d) Inconstitucionalidade da aplicação de multa à compensação declarada indevida, por ferir o direito de petição, as garantias ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório, da capacidade contributiva, moralidade administrativa e caracterizandose como confisco; e) Improcedência do lançamento da contribuição de 15% incidente sobre a Nota Fiscal ou Fatura de Serviços prestados por Cooperativas de Trabalho; f) Improcedência do lançamento quanto às diferenças apuradas a título de RAT, ao passo que o fator de risco utilizado pela fiscalização (1.6), é superior ao realmente devido, que seria de 1.2; g) Requer as mesmas conclusões pleiteadas acima aos Autos de Infração das contribuições dos segurados (DEBCAD 51.035.9221) e de terceiros (DEBCAD 51.035.923 0). É o relatório. Fl. 636DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual do mesmo tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade Desatendimento do Prazo de Fiscalização Segundo a recorrente, há nulidade do lançamento ante o fato da fiscalização ter extrapolado o prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias para fiscalização previsto no art. 7º, § 2º do Decreto 70.235/72. Eis a redação do mesmo: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (grifamos) Nos termos do prescrito no § 2º acima, vêse que não há prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias para a realização do processo de fiscalização, mas sim que este pode ser prorrogado, sucessivamente, pelo prazo de 60 (sessenta) dias, desde que haja notificação do contribuinte sobre tal. O referido processo fiscalizatório se deu já sob a vigência da Portaria RFB nº. 3014, de 29 de junho de 2011, que estabelece o procedimento de MPF digital com Chave de Acesso ao contribuinte para verificação do seu andamento no sítio eletrônico da Receita Federal. Como se vê do presente processo, este foi o procedimento adotado no presente processo, já que no Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 73/74) foi informado à contribuinte a sua chave de acesso para consulta da autenticidade e validade do MPF e suas prorrogações. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 11516.723387/201313 Acórdão n.º 2401004.733 S2C4T1 Fl. 635 7 Isto posto, ante a inexistência de prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias para a fiscalização, aliada a obediência pela autoridade fiscal das regras que regem o processo de fiscalização, entendo por afastar a nulidade requerida pela recorrente. Mérito a) Da incidência de contribuição sobre prestação de serviços de cooperativas de trabalho Levantamento CO Serv Cooperativa Trabalho No tocante ao lançamento específico, é manifesta a decisão do Supremo Tribunal Federal, por meio do RE nº. 595.838, julgado em 23/04/2014, que julgou inconstitucional a cobrança da referida contribuição, sob a sistemática do art. 543B do CPC, nos seguintes termos: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Fl. 638DF CARF MF 8 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07 102014 PUBLIC 08102014) Assim, por força do art. 62, § 1º, II, b, do Regimento Interno do CARF (RICARF), as decisões definitivas de mérito julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B da Lei nº. 5.869/73, devem ser seguidas e reproduzidas pelos conselheiros: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Isto posto, aplico o entendimento do acórdão acima mencionado e, via de consequência, deve ser afastado o lançamento com base na contratação de serviços de cooperativas nos termos do art. 22, IV da Lei nº. 8.212/91. b) DEBCAD 51.035.9213 Auto de Infração por Compensações Indevidas Em face do lançamento decorrente das compensações realizadas, o contribuinte insurgese basicamente sob dois fundamentos: 1) improcedência do lançamento em virtude da inexistência de intimação prévia para correção de eventuais equívocos na compensação; 2) as declarações foram retificadas antes da notificação do referido lançamento, sanando os equívocos a tempo. Em que pese as alegações da recorrente, primeiramente, quanto a nulidade por ausência de intimação, esta não deve prosperar. Destaquese que a contribuinte fora reiteradamente intimada para prestar informações sobre as compensações realizadas, sem apresentar quaisquer esclarecimentos no curso fiscalizatório. Eis as intimações recebidas pela ora recorrente: 1 Termo de Inicio do Procedimento Fiscal, com ciência do sujeito passivo em 25/02/2013; Fl. 639DF CARF MF Processo nº 11516.723387/201313 Acórdão n.º 2401004.733 S2C4T1 Fl. 636 9 2 Termo de Intimação Fiscal n° 01/2013, com ciência do sujeito passivo em 02/04/2013; 3 Termo de Intimação Fiscal n° 02/2013, com ciência do sujeito passivo em 21/05/2013; 4 Termo de Intimação Fiscal n° 03/2013, com ciência do sujeito passivo em 28/06/2013; 5 Termo de Intimação Fiscal n° 04/2013, com ciência do sujeito passivo em 16/08/2013. Ainda, com relação a retificação das declarações antes da autuação fiscal, tratase de matéria restrita à interpretação destes julgadores, ante a existência da Súmula CARF nº. 33, assim disposta: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Por essas razões, afasto a alegação de improcedência do lançamento por erro no procedimento adotado pela autoridade fiscal, a qual entendo ter atendido aos requisitos legais. c) Do Lançamento sobre Aviso Prévio Indenizado Segundo a recorrente, o lançamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos a título de aviso prévio indenizado, deve ser excluído por se tratar de verba de cunho indenizatório. Ocorre que a matéria em questão foi submetida à apreciação do Superior Tribunal de Justiça, o qual julgou a matéria sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973, no julgamento do Recurso Especial nº. 1.230.957RS, reconhecendo a natureza do aviso prévio indenizado no seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. (...) 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se Fl. 640DF CARF MF 10 tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. De acordo com o artigo 62, § 1º inciso II, "b" do RICARF (Portaria MF nº. 343, de 09 de julho de 2015): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Diante do regramento acima, devem ser excluídos da base de cálculo o valor relativo ao aviso prévio indenizado. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 11516.723387/201313 Acórdão n.º 2401004.733 S2C4T1 Fl. 637 11 d) Das alegações quanto à inconstitucionalidade do lançamento de multa sobre as compensações tidas por irregulares DEBCAD 51.035.9213 No presente lançamento do DEBCAD acima, foi imputado ao contribuinte a aplicação da multa prevista no art. 89, § 9º da Lei 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (...) § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. Eis o referido artigo 35: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº. 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 642DF CARF MF 12 Por se tratarem de alegações única e exclusivamente calcadas na inconstitucionalidade da imposição da mesma, fica este julgador impedido de apreciálas e proferir decisão de mérito sobre tal, por força da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isto posto, deixo de conhecer das alegações do contribuinte para afastamento das multas de mora impostas no lançamento. e) Da Multa de 150% sobre as compensações glosadas DEBCAD 51.035.9248 Sobre as compensações glosadas, foi lançada a multa isolada consubstanciada no DEBCAD acima com fulcro no § 10º do artigo 89 da Lei nº. 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Em face da multa aplicada, insurgese a recorrente sob os mesmos fundamentos apresentados no tópico anterior quanto à multa de mora aplicada ao lançamento das contribuições previdenciárias. Ocorre que, neste caso, a questão a ser analisada é a da possibilidade ou não da aplicação da referida multa ante a comprovação de falsidade da declaração. Neste ponto, importante analisarmos as razões do lançamento: Fl. 643DF CARF MF Processo nº 11516.723387/201313 Acórdão n.º 2401004.733 S2C4T1 Fl. 638 13 Para a fiscalização, a declaração (compensação) foi considerada falsa porque os créditos seriam inexistentes, já que em momento algum a contribuinte justificou a natureza e/ou existência dos créditos, já que sequer respondeu às intimações realizadas. No presente caso, em que pese a ausência de maior comprovação por parte da fiscalização quanto à falsidade da declaração, ônus que entendo ser sempre da autoridade fiscal, bastaria o contribuinte demonstrar a existência dos créditos, ou quais seriam os créditos utilizados na compensação e o motivo de entender como aptos para tal. Todavia, nada apresentou. Nada justificou, sequer se insurgindo contra a alegação de "falsidade", calcando seus argumentos única e exclusivamente nos dispositivos e princípios constitucionais já mencionados. Portanto, ante a particularidade do presente caso, nos termos das razões acima expostas, entendo que deve ser mantido o lançamento da multa isolada nos termos do § 10º do art. 89 da Lei nº. 8.212/91. f) Do Diferencial do RAT Quanto à diferença do RAT apontada pela fiscalização, assim insurgese a recorrente: Fl. 644DF CARF MF 14 Ora, tal alegação limitase ao parágrafo acima apresentado, totalmente dissociada de provas, documentos ou outros argumentos que permitem atestar o equívoco que teria sido cometido pela autoridade fiscal. Isto posto, ante a ausência de alegações capazes de afastar o equívoco apontado pela autoridade fiscal que, ante a análise realizada, apresentase correto, entendo que deve ser mantido o lançamento no ponto específico. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário para, no mérito, julgarlhe parcialmente procedente, para o fim de excluir do lançamento os levantamentos "COServ Cooperativa Trabalho" e "RS rescisões Aviso Prévio Indenizado". É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 645DF CARF MF
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