Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13603.724183/2012-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula nº 1 do CARF.
Numero da decisão: 2402-006.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por desistência da discussão administrativa em razão de ingresso na instância judicial.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício e Redator-Designado ad hoc para formalizar o acórdão
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula nº 1 do CARF.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13603.724183/2012-57
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5976235
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-006.823
nome_arquivo_s : Decisao_13603724183201257.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
nome_arquivo_pdf_s : 13603724183201257_5976235.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por desistência da discussão administrativa em razão de ingresso na instância judicial. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício e Redator-Designado ad hoc para formalizar o acórdão Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Renata Toratti Cassini.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7667576
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660907970560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1628; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.487 1 1.486 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.724183/201257 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.823 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de dezembro de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente URB TOPO ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula nº 1 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por desistência da discussão administrativa em razão de ingresso na instância judicial. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício e RedatorDesignado ad hoc para formalizar o acórdão Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 41 83 /2 01 2- 57 Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 13603.724183/201257 Acórdão n.º 2402006.823 S2C4T2 Fl. 1.488 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, contra Acórdão da DRJ/SDR que, por unanimidade, decidiram por manter a integralidade do crédito apurado nos Autos de Infração integrantes do processo nº 13603.724183/201257. Por bem retratar o corrido na demanda, adotaremos parte do relatório da decisão recorrida: Do lançamento. Tratase de processo que abrange Auto de Infração (AI) lavrado por descumprimento de obrigação tributária principal, consolidado em 23/12/2012. A ação fiscal foi autorizada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 061.1000.2012.00483, código de acesso 91732816, e iniciada com o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, cientificado pessoalmente pelo contribuinte. A atividade principal da empresa é a execução de obras e serviços de construção civil. O período fiscalizado e as contribuições apuradas correspondem ao período de janeiro/2008 a dezembro/2008, incluído o 13o salário de 2008. O presente processo compreende o seguinte Auto de Infração: SENAI; d) Serviço Social da Indústria SESI; e) Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, incidentes sobre salários de contribuições pagos a segurados empregados, não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, identificados por meio dos levantamentos AA e AA2, discriminados na planilha número 1 denominada REMUNERAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES SE NÃO DECLARADAS EM GFIP, conforme as folhas de pagamentos de salários exibidas pelo sujeito passivo, por meio de arquivo digital no formato MANAD e no correspondente Discriminativo de Débito DD; Por tal conduta, prevista no inciso I do artigo 1° da Lei 8.137/1990, a fiscalização emitiu Representação Fiscal Para Fins Penais a ser encaminhada ao Ministério Público em conformidade com o disposto no artigo 66 do DecretoLei n° 3.688, de 3 de outubro de 1941, publicado no Diário Oficial da União DOU de 3 de outubro de 1941 e no inciso VI artigo 116 da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, publicada no DOU de 12 de dezembro de 1990. Dos outros Autos de Infração lavrados na mesma ação fiscal. Na mesma ação fiscal foram lavrados os Autos de Infração de Obrigações Principais AIOP seguintes: DEBCAD n° Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 13603.724183/201257 Acórdão n.º 2402006.823 S2C4T2 Fl. 1.489 3 37.353.3616 e DEBCAD 37.353.3675– incluídos no processo COMPROT n° 13603.724037/201221; DEBCAD n° 37.353.3624 e DEBCAD 37.353.3667– incluídos no processo COMPROT n° 13603.724038/201276; DEBCAD 37.353.3632 COMPROT n° 13603.724043/201289; DEBCAD 37.363.3640 COMPROT n° 13603.724181/201268; DEBCAD 37.353.3659– COMPROT n° 13603.724182/201211; DEBCAD 37.353.3691– COMPROT n° 13603.724184/201200; DEBCAD n° 37.353.3705 COMPROT n° 13603.724185/201246; e os Autos de Infração de Obrigações Acessórias AIOA seguintes: DEBCAD 51.001.2817 COMPROT n° 13603.724186/201291; DEBCAD 37.353.3594 e DEBCAD 37.353.3608 COMPROT n° 13603.724187/201235. A fiscalização foi atendida no estabelecimento do sujeito passivo, por Áureo César dos Santos, CPF 432.960.92668. O estabelecimento centralizador do sujeito passivo no período fiscalizado é o de endereço Rua Joaquim Nabuco, 59, Bairro Jardim Industrial, CEP 32215220. Da impugnação apresentada pela empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda. A empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda apresentou impugnação em 01 de fevereiro de 2013. A defesa apresentada, em face da discordância do lançamento constituído pelo AI nº 37.353.3683, alega, em síntese, o que se relata a seguir Cancelamento do lançamento. Discrepância de valores apurados no confronto entre GFIP e DIRF. O Auto de Infração AI encontrase eivado de inconsistências, notadamente no tocante à apuração do quantum debeatur, pelo que o lançamento merece ser cancelado. O agente fiscalizador, talvez pela iminência da decadência qüinqüenal, utilizou metodologia extremamente questionável, como por exemplo, realizou confrontações de dados entre GFIP e DIRF. Verificase que o trabalho fiscal praticamente limitouse a confrontar dados da GFIP com a DIRF, pouco ou nada importando para a fiscalização se tais modalidades de informações fiscais possuem elementos díspares, como por exemplo, enquanto uma adota regime de caixa a outra adota regime de competência. Além disso, as bases de cálculo são diferentes, pois nem toda verba que é levada à tributação do IRPF necessariamente será igualmente tributada pelo INSS. E curiosamente, as discrepâncias apuradas no confronto entre GFIP e DIRF sequer foram alvo de uma revisão/pesquisa, eis que a fiscalização, por razões óbvias, sempre adotou os dados de maior resultado. A validade jurídica do ato administrativo depende do cumprimento dos princípios da legalidade, impessoalidade, Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 13603.724183/201257 Acórdão n.º 2402006.823 S2C4T2 Fl. 1.490 4 moralidade, publicidade e eficiência, caso contrário, estará comprometida a sua própria validade jurídica. Podese afirmar que o lançamento fiscal que deixar de cumprir esses princípios, não pode ser exigível, pois este ato requer uma segurança jurídica de que o contribuinte não será privado de seus bens sem o devido processo legal conforme principio emoldurado no inciso no LIV, do art. 5º da Lei Fundamental. Em razão do exposto, não resta alternativa que não seja o cancelamento "in continenti" do presente lançamento. Inexistência de solidariedade. A fiscalização, após apurar valores não recolhidos ou recolhidos a menor pelo contribuinte, imputou responsabilidade solidária à URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda, sem, contudo, apontar, na verdade, os motivos jurídicos e fáticos. Simplesmente, o agente fiscalizador entendeu pela existência de um grupo econômico de fato, sob o seu pseudo fundamento de que se estaria diante de um grupo de empresas com direção, controle e administração exercidos direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas (sic Relatório Fiscal do Auto de Infração). A ingerência fiscal desconhece seus limites, "concessa venia". O trabalho fiscal deveria ter sido conduzido de maneira mais aprofundada, pautando pela verdade, no sentido de realmente apurar a existência ou não de grupo econômico de fato e, mais, deveria ter procedido à leitura dos fatos à luz das regras tributárias, notadamente o art. 128, do CTN, que é o pilar de sustentação de toda a responsabilização tributária, eis que dele se denota a existência de condição sine qua non à solidariedade vinculação ao fato gerador praticado. Ou seja, só se pode admitir a imposição de responsabilidade a terceiro quando este necessariamente mantiver vinculação com o fato imponível. Em outras palavras, imputar responsabilidade solidária a determinada pessoa não praticante do fato gerador requer que esse terceiro tenha controle da situação, inclusive para até mesmo impedir a sua prática por parte do sujeito passivo. Traduzindo: a) em primeiro lugar, como pode haver grupo econômico de fato entre o contribuinte e a URB Mix Concreto Ltda se a mesma não gera faturamento algum desde 2007, não contrata empregados, não realiza qualquer tipo de atividade? b) em segundo lugar, a WIR Feira Shopping Ltda possui objeto social completamente distinto do praticado pelo contribuinte, conforme demonstra o seu contrato social; c) em terceiro lugar, o Consórcio Urb Topo Marins, como a própria razão social Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 13603.724183/201257 Acórdão n.º 2402006.823 S2C4T2 Fl. 1.491 5 indica, tratase de uma Sociedade de Propósito Específico SPE criada finalisticamente para atender um determinado evento (obra específica), que inclusive será formalmente encerrada após a conclusão do contrato. Despiciendo lembrar que “consórcio” é um tipo societário sui generis, já que nesse não há uma corporificação, eis que ambas as empresas consorciada simplesmente envidam esforços mútuos, estrutura e mão de obra próprias para a realização daquela específica atividade. Além disso, o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8212/1991 carece ser interpretado à luz da regra contida no art. 128, do CTN. Nesse sentido, os incisos do art. 124, do CTN, ao dispor sobre a solidariedade, devem ser interpretados à luz da regra insculpida no art. 128, do mesmo Repositório Tributário. Inclusive, o inciso II, que descreve a solidariedade entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deve ser interpretado abstraindose quaisquer tipos de interesses econômicos no fato gerador, eis que apenas deverá ser observada a existência ou não da prática de condutas concomitantes. Em outras palavras, somente quando o fato gerador seja praticado por mais de uma pessoa (contribuinte) é que haverá o “interesse comum” exigido pelo inciso II, do art. 124, do CTN. Ademais, salvo nas hipóteses de simulação, fraude ou de qualquer outro ardil, as relações jurídicas travadas por uma sociedade não interferem na esfera jurídica das demais sociedades do grupo. Sim, somente quando presentes os motivos que possam ensejar a superação episódica da personalidade jurídica é que se admite a responsabilização às demais sociedades integrantes do grupo, sem necessidade da presença de outros requisitos, conforme, aliás, já decidiu o STJ (STJ 3ª Turma, REsp 228.357/SP, Rel. Min. Castro Filho, 2003). A sociedade que domine a direção unitária do grupo apenas define questões estratégicas, mas não desenvolvem concretamente o objeto social das demais sociedades, não se vinculando aos fatos geradores realizados. A atribuição de responsabilidade solidária é permitida quando a direção do grupo, além de decidir pela realização do fato gerador em si, igualmente exerce a atividade tributária (cumprimento das obrigações principal e acessória). Portanto, mister se faz a presença da competência decisória concreta e não em função de simplesmente pertencer ao grupo, sob pena de violar o preceito contido no art. 128, do CTN. Simples interesse econômico não justifica a imputação de solidariedade. Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 13603.724183/201257 Acórdão n.º 2402006.823 S2C4T2 Fl. 1.492 6 O ônus de fazer tais provas pertence unicamente ao fisco ex vi do art. 142 e 149, do CTN. E inexiste nos presentes autos qualquer elemento concreto de prova que possa validamente atribuir responsabilidade solidária às empresas retro citadas. Diante dos fatos, é medida imperativa o cancelamento da solidariedade imputada às sociedades URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda, porquanto o trabalho fiscal se baseia em pura presunção. Do caráter pessoal atribuído às infrações. Outro aspecto que merece destaque é a ilegalidade em se exigir das empresas tidas como solidárias o pagamento da multa pelo não recolhimento tributário. Isso porque a multa nada mais é do que uma sanção (condenação) pelo descumprimento de determinada obrigação. A multa exigida em razão de uma infração tributária não pode validamente ser exigida daquelas empresas que não praticaram de per si o fato gerador, ainda que existisse um grupo formalmente organizado, eis que faltará o nexo de causalidade, motivo pelo qual apenas a sociedade infratora é quem poderá ser apenada. Assim, tendo em vista o caráter pessoal da pena prevista no art. 5º, inciso XLV, da CF/88, em caso de descumprimento de obrigação tributária, tão somente ao contribuinte (aquele que pratica o fato gerador) é que poderá ser imputado o ônus de pagar as multas exigidas pela legislação. Portanto,as multas, se porventura devidas, somente poderão ser exigidas do contribuinte. Da regra do art. 123 do CTN às avessas. A forma com que o fisco está atribuindo responsabilidade solidária às demais empresas nada mais é do que aplicar às avessas a regra estatuída no art. 123, do CTN. Portanto, se, salvo disposição legal em contrário, não podem os contribuintes alterar por convenção particular as regras tributárias relativas à definição legal do sujeito passivo, da mesma forma não pode o fisco se valer pura e simplesmente dos instrumentos societários para sobretudo impingir solidariedade passiva fora das situações previstas pelo próprio art. 124 e 128, do CTN e sem qualquer robusta prova de participação efetiva de mais de uma pessoa na prática do fato gerador. Ex positis, vem o contribuinte requerer o cancelamento do presente lançamento pelas diversas inconsistências apresentadas no trabalho de apuração fiscal e, se porventura, não for esse o entendimento, pelo que se admite apenas ad argumentandum tantum, que sejam desconstituídos todos os termos de Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 13603.724183/201257 Acórdão n.º 2402006.823 S2C4T2 Fl. 1.493 7 responsabilização passiva solidária, a fim de que apenas o contribuinte seja responsabilizado por eventuais valores não recolhidos, bem como que sejam canceladas as exigências de multas às demais empresas pelo princípio da pessoalidade das sanções. Em seu recurso reprisa os fundamentos da impugnação. Compulsando os autos, verificamos a existência de ofício da PGFN informando a respeito de possível concomitância de processo judicial, porém não juntou as peças para confirmação do alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, RedatorDesignado ad hoc para formalizar o acórdão. Pelo fato de o ConselheiroRelator Jamed Abdul Nasser Feitoza, que já não se encontra mais no quadro de Conselheiros do CARF, não ter formalizado o presente acórdão, fui designado para proceder à sua formalização, nos termos do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 17, inciso III. Destaco, contudo, que apenas formalizei o acórdão, transcrevendo a integra do relatório e do voto apresentados pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, durante a sessão de julgamento, e que foram deixados em pasta compartilhada. Do conhecimento O recurso interposto é tempestivo, no entanto, não preenche todos os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal, não devendo ser conhecido. À fl. 1.031, foi juntada, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, informação no sentido de que haveria em curso ação judicial, concomitantemente à presente demanda, e relativa à mesma matéria, qual seja, os lançamentos efetuados nos Autos de Infração postos no item 3 do Relatório Fiscal de fls. 158 a 173 e fls. 174 a 179. Em vista disso, este colegiado decidiu por converter o julgamento anterior em diligência determinando que viessem aos autos a constatação de movimentação de demanda judicial e suas peças de modo a confirmar ou infirmar a alegação da PGFN quanto a conformação de concomitância de lides. Cumprida a diligência determinada às fls. 1.036 a 1038, restouse evidente, pela peças juntadas, que o litígio judicial apontado pela D. PGFN possui as mesmas partes, objeto e pedido do presente PAF. Isso porque, no documento de fl. 1.044, petição inicial da Ação Ordinária nº 3259966.2016.4.601.3800, movida pelo ora Recorrente, e que tramita perante a 13ª Vara Federal de Belo Horizonte, estão relacionados todos os Autos de Infração e processos conexos Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 13603.724183/201257 Acórdão n.º 2402006.823 S2C4T2 Fl. 1.494 8 ao presente crédito perseguido pelo Fisco, bem como, à fl. 1.074, requerse o afastamento da solidariedade das empresas e pessoas inseridas no pólo passivo da presente demanda administrativa, abolindo, portanto, a jurisdição deste e. Órgão Julgador administrativo, tendo em vista a preponderância da decisão proferida em instância judicial. Assim o é, uma vez que, com o início do oferecimento da pretensão resistida ao Poder Judiciário, temse renúncia às vias administrativas, que vem confirmado pelo art. 5º , XXXV , da CF/88. Confirase o texto da Lei Maior: XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. De tal modo, tendo em vista o já cediço princípio da unicidade da jurisdição, resta prejudicado o presente recurso, uma vez que lhe falta elemento intrínseco de admissibilidade, a saber, o interesse recursal, desdobramento lógico do interesse de agir, ambos repousados no binômio necessidade e utilidade. A necessidade referese à imprescindibilidade do provimento jurisdicional pleiteado para a obtenção do bem da vida em litígio, ao passo que a utilidade cuida da adequação da medida recursal alçada para atingir o fim colimado, ambos agora entregues ao entendimento do Poder Judiciário, instância superior à administrativa. Sobre tal situação processual, já há muito foi firmado entendimento, no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de que importa renúncia às instâncias a propositura de ação judicial, entendimento este esposado através da Súmula CARF nº 1, com a seguinte redação: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (g.n.) De mesmo modo, o que constante no Parecer Normativo COSIT nº 7/2014 e art. 87 do Decreto nº 7.574/2011. Confirase: A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente a autuação, com o mesmo objeto, acarreta a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Portanto, inconcebível que se tramite discussões referentes à mesma matéria em instâncias diversas, administrativas ou judiciais, conforme mansa e pacífica jurisprudência deste Conselho de Contribuintes (Acórdão 101002.585, CSRF; Acórdão nº 20177430, de 29/01/2004 Acórdão nº 20177706, de 06/07/2004 Acórdão nº 20215883, de 20/10/2004 Acórdão nº 20178277, de 15/03/2005 Acórdão nº 20178612, de 10/08/2005 Acórdão nº 201 77430, de 29/01/2004 Acórdão nº 30330029, de 07/11/2001 Acórdão nº 30131241, de 16/06/2003 Acórdão nº 30236429, de 19/10/2004), bem como dos Tribunais Pátrios. Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 13603.724183/201257 Acórdão n.º 2402006.823 S2C4T2 Fl. 1.495 9 Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de não se conhecer do recurso voluntário. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira RedatorDesignado ad hoc Fl. 1495DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.901757/2015-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2009
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não restou caracterizado o cerceamento do direito de defesa, uma vez que o contribuinte teve oportunidade de comprovar a existência do direito creditório, mas não o fez.
NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ausência de motivação do despacho decisório e da decisão recorrida, pois ambas as decisões indeferiram o pedido de compensação do contribuinte com fundamento na falta de comprovação da existência do direito creditório.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIDO.
Indefere-se o pedido de compensação quando durante todo o curso do processo, o contribuinte não apresenta quaisquer documentos para comprovação do existência de crédito líquido e certo. Cabe ao contribuinte comprovar a liquidez e certeza do crédito que pretende ver compensado ou restituído.
Numero da decisão: 1301-003.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10865.722985/2015-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não restou caracterizado o cerceamento do direito de defesa, uma vez que o contribuinte teve oportunidade de comprovar a existência do direito creditório, mas não o fez. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ausência de motivação do despacho decisório e da decisão recorrida, pois ambas as decisões indeferiram o pedido de compensação do contribuinte com fundamento na falta de comprovação da existência do direito creditório. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIDO. Indefere-se o pedido de compensação quando durante todo o curso do processo, o contribuinte não apresenta quaisquer documentos para comprovação do existência de crédito líquido e certo. Cabe ao contribuinte comprovar a liquidez e certeza do crédito que pretende ver compensado ou restituído.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10865.901757/2015-91
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5992147
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-003.787
nome_arquivo_s : Decisao_10865901757201591.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10865901757201591_5992147.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10865.722985/2015-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7705223
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660913213440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.901757/201591 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.787 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2019 Matéria DCOMP DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente LIMERCART INDUSTRIA E COM DE EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não restou caracterizado o cerceamento do direito de defesa, uma vez que o contribuinte teve oportunidade de comprovar a existência do direito creditório, mas não o fez. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ausência de motivação do despacho decisório e da decisão recorrida, pois ambas as decisões indeferiram o pedido de compensação do contribuinte com fundamento na falta de comprovação da existência do direito creditório. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIDO. Indeferese o pedido de compensação quando durante todo o curso do processo, o contribuinte não apresenta quaisquer documentos para comprovação do existência de crédito líquido e certo. Cabe ao contribuinte comprovar a liquidez e certeza do crédito que pretende ver compensado ou restituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 17 57 /2 01 5- 91 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10865.901757/201591 Acórdão n.º 1301003.787 S1C3T1 Fl. 3 2 decidido no julgamento do processo 10865.722985/201504, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de DCOMP Declarações de Compensação, que pleiteiam compensação de débitos de PIS/PASEP e COFINS com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico constante dos autos, tendo em vista que o contribuinte devidamente intimado não apresentou documentos que demonstrassem a razão pela qual o pagamento se tornou indevido. A empresa apresentou manifestação de inconformidade onde pede reconsideração do despacho decisório, alegando que foi intimado eletronicamente, que não foi identificado o responsável pelo recebimento da intimação, e ao final, requereu que as intimações fossem consideradas nulas e que os autos retornassem à origem para novas diligências, com a finalidade de se comprovar a existência dos créditos postulados. Não anexou provas à manifestação de inconformidade. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob os argumentos de que não cabia ao contribuinte eximirse da responsabilidade pelo recebimento de intimação eletrônica, que não houve nulidade no Despacho Decisório, que o direito creditório não restou comprovado após sucessivas intimações e, indeferiu o pedido de diligência. Em 26/06/2017, foi cientificado da decisão da DRJ. Em 26/07/2017, ainda inconformada, a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual alega que a decisão recorrida não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindoa de demonstrar a existência do crédito. Argui nulidade do despacho decisório e, por fim, requer que seja reformada a r. decisão de primeira instância, declarando insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação, sendo acolhido o recurso para homologar a compensação. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10865.901757/201591 Acórdão n.º 1301003.787 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.780, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10865.722985/2015 04, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1301003.780): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A Recorrente alega que o despacho decisório não se encontra devidamente fundamentado, posto que indeferiu a compensação sob o fundamento de inexistência de crédito, sem qualquer esclarecimento adicional, limitandose a mencionar artigos genéricos. Argumentou também que este fato teria prejudicado seu direito ao contraditório e ampla defesa. Conforme relatado, o contribuinte apresentou pedido de compensação e indicou como crédito pagamentos indevidos ou a maior (...). A Auditora encarregada da análise do pedido intimou o contribuinte para demonstrar a apuração do tributo devido em face daquele recolhido. Apesar de intimado e reintimado, o contribuinte não apresentou qualquer documento. Por conseguinte, a autoridade fiscal emitiu despacho decisório onde indefere o pedido de compensação por falta de comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior e citou o art. 170 do Código Tributário Nacional, bem como o art. 2º da IN RFB nº 1300/2012, abaixo transcritos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Art. 2º Poderão ser restituídas pela RFB as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; Com efeito, o Fisco entendeu que não havia crédito tributário líquido e certo a título de pagamento indevido ou a maior que Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10865.901757/201591 Acórdão n.º 1301003.787 S1C3T1 Fl. 5 4 pudesse ser objeto de compensação, e portanto, indeferiu o pedido da Recorrente. Logo, encontrase devidamente fundamentado o despacho decisório, uma vez que não havia nada mais a esclarecer, tendo em vista que o contribuinte não trouxe um único documento aos autos para comprovar a existência de direito creditório ou para demonstrar a apuração do tributo. Ressaltese que o contribuinte teve mais duas oportunidades de comprovar a existência de crédito, uma quando da apresentação da manifestação de inconformidade, e novamente, ao interpor o presente recurso voluntário. Todavia, em nenhuma das ocasiões juntou qualquer documento, limitandose a fazer alegações genéricas acerca do cerceamento do direito de defesa e ausência de motivação dos atos administrativos. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, posto que o contribuinte teve diversas oportunidades de provar o seu direito, sendolhe dado prazo para trazer documentos e demonstrar a existência do seu crédito, mas o contribuinte insistiu na inércia. Por tudo o exposto, constatase que o despacho decisório e a decisão a quo foram devidamente fundamentados, e o contribuinte foi devidamente intimado para comprovar a existência do seu direito creditório, bem como foi devidamente cientificado no curso do processo administrativo fiscal, tendo apresentado recursos, razão pela qual também não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Considerando que além das alegações de ausência de fundamentação das decisões e cerceamento do direito de defesa, a Recorrente não trouxe documentos que comprovassem a existência de crédito líquido e certo, há de ser mantida a decisão recorrida, no sentido de indeferir os pedidos de compensação constantes do presente processo. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e no mérito por NEGAR LHE PROVIMENTO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1ºe 2º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e no mérito por NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10865.901757/201591 Acórdão n.º 1301003.787 S1C3T1 Fl. 6 5 Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721762/2015-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.744
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.721762/2015-46
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5994338
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.744
nome_arquivo_s : Decisao_16682721762201546.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 16682721762201546_5994338.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7707806
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660928942080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1422; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721762/201546 Recurso nº Resolução nº 3201001.744 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 31 de janeiro de 2019 Assunto MULTA ISOLADA Recorrente PETROLEO BRASILEIRO SA PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 76 2/ 20 15 -4 6 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16682.721762/201546 Resolução nº 3201001.744 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16682.721762/201546 Resolução nº 3201001.744 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720128/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. POSSIBILIDADE.
O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. Nos casos em que a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a amortização do ágio, há que se admitir a produção dos efeitos desejados pelo contribuinte.
INCORPORAÇÃO DE EMPRESA - AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO - COMPROVAÇÃO
Somente produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, suportado por comprovação com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, os dispêndios apropriados como despesas.
CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade.
Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Súmula CARF 108, no sentido de que: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício".
JUROS SELIC.
Súmula CARFnº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais".
Numero da decisão: 1401-003.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e arguições de decadência para, no mérito, dar parcial provimento tão somente para afastar a glosa do valor de R$73.800.000,00, relativo à operação de aquisição da empresa Supermercado Planaltão e R$183.931.366,00 relativos à operação de aquisição da empresa RDC.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva Luiz, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. POSSIBILIDADE. O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. Nos casos em que a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a amortização do ágio, há que se admitir a produção dos efeitos desejados pelo contribuinte. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA - AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO - COMPROVAÇÃO Somente produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, suportado por comprovação com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, os dispêndios apropriados como despesas. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Súmula CARF 108, no sentido de que: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício". JUROS SELIC. Súmula CARFnº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais".
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16561.720128/2014-81
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5971358
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.120
nome_arquivo_s : Decisao_16561720128201481.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
nome_arquivo_pdf_s : 16561720128201481_5971358.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e arguições de decadência para, no mérito, dar parcial provimento tão somente para afastar a glosa do valor de R$73.800.000,00, relativo à operação de aquisição da empresa Supermercado Planaltão e R$183.931.366,00 relativos à operação de aquisição da empresa RDC. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva Luiz, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7649737
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660948865024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 9.216 1 9.215 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720128/201481 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.120 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2019 Matéria IRPJ Recorrente CARREFOUR COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. POSSIBILIDADE. O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. Nos casos em que a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a amortização do ágio, há que se admitir a produção dos efeitos desejados pelo contribuinte. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO COMPROVAÇÃO Somente produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, suportado por comprovação com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, os dispêndios apropriados como despesas. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Súmula CARF 108, no sentido de que: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 28 /2 01 4- 81 Fl. 9216DF CARF MF 2 JUROS SELIC. Súmula CARFnº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e arguições de decadência para, no mérito, dar parcial provimento tão somente para afastar a glosa do valor de R$73.800.000,00, relativo à operação de aquisição da empresa Supermercado Planaltão e R$183.931.366,00 relativos à operação de aquisição da empresa RDC. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva Luiz, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 9217DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.217 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão 1668.521 2ª Turma da DRJ/SPO que por unanimidade de votos julgou procedente o lançamento, sob fundamento de que não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem comprovação com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, os dispêndios apropriados como despesas, pois compete ao contribuinte o ônus da prova da dedutibilidade das despesas que importem redução do crédito tributário, condicionadas à sua efetiva realização, necessidade, normalidade e usualidade. Mantida a multa de ofício, multa isolada, juros de mora e Taxa Selic. Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso: Contra a contribuinte, acima qualificada, foi lavrado em 24/11/2014, o Auto de Infração de fls. 4.898/4.929, através do qual foi formalizado o crédito tributário referente ao IRPJ no valor de R$ 13.490.311,77 e de CSLL no valor de R$ 4.302.778,15, para os anoscalendário de 2009 a 2012. Fundamento legal: 1) IRPJ: fls.4.899 2) CSLL: fls.4.916. De acordo com o Termo de Verificação fiscal (fls.4.866/4.896), a fiscalização, para os períodos de 2009 a 2012, sob o amparo do Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.85.002014.000155, atevese à verificação das amortizações de ágio contabilizados a partir das aquisições das empresas: CONSENSUS COMÉRCIO VAREJISTA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, LOJAS AMERICANAS S/A – LASA, ORGANIZAÇÃO MINEIRA DE SUPERMERCADOS S/A, SUPERMERCADOS PLANALTÃO LTDA, RDC SUPERMERCADOS LTDA, CRL COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A, REDE POSTOS ZAP, SUPERMERCADOS GIMENES S/A. Cientificada do feito em 28/11/2014 (fl.4.934) apresenta, em 24/12/2014, impugnação, de fls. 4.948/5.043, argüindo, em síntese, o seguinte: · O presente Auto de Infração é nulo pois cerceou o direito de defesa da contribuinte; Houve a decadência da exigência fiscal das aquisições realizadas nos anoscalendário de 1998 a 2008, quando o prazo é contado a partir da data do registro do ágio na aquisição do investimento; · Constatase a decadência do ativo diferido formado há mais de 5 anos, pois nas operações de amortização de ágio não importa se os seus efeitos ocorrem futuramente, ou seja, levase em consideração a data de formação do ativo diferido; · Defende que não é possível a exigência de documentos relacionados a operações ocorridas há mais de 5 anos, pois não era mais obrigada a guardar os documentos fiscais referentes aos anos calendário de 1998 a 2008; · A contribuinte requer a anulação do Auto de Infração, pois a matéria está fundamentada em regras contábeis que não eram aplicáveis à época dos fatos Fl. 9218DF CARF MF 4 geradores (Lei nº 11.638/2007). Aplicase o RTT – Regime Tributário de Transição aplicável a partir de 2008 e que perdurou até a Lei nº 12.973/2014; · Aquisição do Supermercado Planaltão: O Carrefour adquiriu a participação no Planaltão pelo preço de R$ 73.800.000,00 pago a favor dos cotistas mediante subscrição em aumento de capital e outro desembolso de R$ 28.804,00 destinada ao capital da Planaltão (docs.05, 06 e 07). Após a aquisição houve uma cisão em que a JJPA (única cotista à época da compra) ficou com participação de 10% e o Carrefour passou a deter 90% (com registro de ágio). Com isso o Carrefour passou a ser possuidor de R$ 70.311.600,00 (decorrente da participação de 90%) cuja base de cálculo para o ágio foi de R$ 3.876.000,00 (doc.08); · O ágio pago pela requerente foi fundamentado em laudo de avaliação econômicofinanceira da Planaltão preparado pela CCF Brasil; O Carrefour efetuou a compra do restante de 10% de participação da Planaltão (doc.09) pelo preço de R$ 9.500.000,00 mediante a emissão de uma nota promissória prosoluto, emitida em favor da JJPA com vencimento em 05/01/2001. A operação gerou um ágio de R$ 9.329.672,76 decorrente de um desembolso de R$ 9.500.000,00 subtraído de um patrimônio líquido de R$ 1.703.272,39 e de R$ 170.327,24 do PL adquirido pela requerente (10%). Dessa forma, o ágio total na operação resultou em R$ 79.641.272,76 (docs.12 e 13). A operação foi amplamente anunciada (doc.14) e aprovada pelo CADE (doc.15); · Aquisição da Organização Mineira de Supermercados Ltda (OMS): foi deliberado aumento de capital social da OMS no valor de R$ 225.000.000,00 a ser integralizado pela Belopar Ltda, empresa do Grupo Carrefour (docs.16/21). Na mesma data, a OMS foi cindida com incorporação da parcela cindida na Nova Ltda e, portanto se retirou da OMS, passando a Belopar a ser a única acionista. O patrimônio líquido cindido da OMS, após a cisão, era de R$ 61.000.504,15, valor este adquirido pela Belopar na aquisição. O ágio resultante da operação foi de R$ 163.999.495,85, pois foi pago R$ 225.000.000,00 deduzido do PL líquido da OMS na data da aquisição de R$ 61.000.504,15 (doc.23); · O ágio pago pela Belopar está fundamentado em laudo de avaliação da OMS, preparado pela CCF Brasil (doc.24) com base no método de fluxo de caixa descontado (valor econômico de R$ 227.859.000,00 em 18/07/1999). Em 30/12/1999, a OMS incorporou sua controladora Belopar, a valor de livros (doc.26) e passou a ser detentora do ágio antes registrado na Belopar, passível de amortização fiscal (arts.7º e 8º da Lei nº 9.532/97); · Em 01/01/2001, a OMS foi incorporada pela requerente, a valor de livros (doc.27). A operação foi amplamente anunciada (doc.29) e aprovada pelo CADE (doc.30); Aquisição da Consensus Comércio Varejista de Produtos Alimentícios Ltda. A transferência das quotas da Consensus para a requerente foi realizada em 15/06/2005 (doc.36) por R$ 313.040.000,00 (doc.34), a qual resultou em pagamento de ágio de R$ 151.365.887,37 em razão de o patrimônio líquido de a investida totalizar R$ 176.871.257,00 (doc.37). Este valor inclui o montante pago de R$ 15.197.144,37 relativo ao ajuste de estoque e reclassificação de ativos imobilizados (doc.38). O laudo de avaliação foi preparado pela KPMG (doc.39) com base no método de fluxo de caixa descontado, o qual concluiu que o valor econômico da sociedade era de R$ 379.479.000,00 em 30/06/2005 (doc.40); · Em 31/07/2006, a requerente incorporou a Consensus, a valor de livros (doc.43) o que possibilitou que o ágio antes registrado se tornasse ativo diferido passível de amortização fiscal nos termos dos arts.7º e 8º da Lei nº 9.532/97; Fl. 9219DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.218 5 · Aquisição da 5329 Comércio e Participações (Lojas Americanas): o Grupo Carrefour decidiu pela compra da 5329 mediante o intermédio da Compoirs Modernes S/A pertencente a interessada (doc.47). O depósito do valor pela transação foi efetuado em 21/10/1998 pela Stoc Supermercados, pertencente à Compoirs Modernes S/A por R$ 326.534.000,00 (docs.48 e 49). Em decorrência da compra foi apurado um ágio de R$ 266.579.000,00, pois o patrimônio líquido da adquirida era de R$ 59.955.000,00, conforme laudo elaborado pela CCF Brasil (doc.46 e 50). O laudo com base no fluxo de caixa descontado que o valor econômico da 5329 era de R$ 340.000.000,00 em 21/10/1998; · Em 30/04/1999, a Compoirs Modernes S/A foi incorporada pela Brepa a valores contábeis (doc.51) passando a ser a controladora da Stoc. Em 30/04/1999, a Stoc foi incorporada pela requerente a valor de livros (doc.52) e, assim, registrou o ágio; Em 30/04/1998, a requerente incorporou a 5239 a valor de livros (doc.53) passando o ágio antes registrado a ser um ativo diferido passível de amortização fiscal; · Aquisição da CRL Comércio, Importação e Exportação S/A: o Grupo Carrefour decidiu pela compra da CRL mediante o intermédio da Saintpar pertencente a interessada (docs.56 a 59). O valor da transação acertado em 02/07/1999 foi de R$ 90.000.000,00. Em decorrência da compra foi apurado um ágio de R$ 87.500.000,00, pois o patrimônio líquido da adquirida era de R$ 30.636.000,00. O referido valor é resultado de um investimento de R$ 118.136.000,00 e dedução do valor do patrimônio líquido de R$ 30.636.000,00, conforme laudo elaborado pela CCF Brasil (doc.60). O laudo com base no fluxo de caixa descontado que o valor econômico da CRL era de R$ 92.776.000,00 em 30/06/1999; · Em 29/12/1999, a CRL incorporou a sua controladora a valor de livros (doc.62) passando o ágio antes registrado a ser um ativo diferido passível de amortização fiscal. Por fim, em 31/03/2001, a CRL foi incorporada à requerente a valor de livros (doc.63) passando o ágio para o Grupo Carrefour; · Aquisição da RDC Supermercados Ltda: o Grupo Carrefour decidiu pela compra da RDC mediante o intermédio da Brepa pertencente a interessada (docs.66 a 68). O valor da transação acertado em 02/07/1999 foi de R$ 664.837.252,00 (doc.69). Em decorrência da compra foi apurado um ágio de R$ 661.438.252,00, pois o patrimônio líquido da adquirida era de R$ 3.399.000,00. O referido valor devidamente fundamentado, conforme laudo elaborado pela CCF Brasil (doc.71). O laudo com base no fluxo de caixa descontado que o valor econômico da CRL era de R$ 688.038.000,00; · Em 05/09/2000, a Carrefour Part., uma das sócias da Rivierepar Participações Ltda, foi incorporada pela requerente (doc.72); Em 02/10/2000, a RDC incorporou a sua controladora a valor de livros (doc.74) passando o ágio antes registrado a ser um ativo diferido passível de amortização fiscal. Por fim, a RDC foi incorporada à requerente a valor de livros (docs.75/85) passando o ágio para o Grupo Carrefour; · Aquisição da Elysee Comércio e Indústria Ltda (Supermercado Gimenes S/A): O preço pago pela requerente (doc.96) para a aquisição da Elysee foi de R$ 54.997.452,12 pago em 04/08/2009 (doc.97) resultando em apuração de ágio de R$ 44.507.130,12, pois o valor da investida era de R$ 10.490.322,00 (doc.98) na data de Fl. 9220DF CARF MF 6 31/08/2009. O referido valor devidamente fundamentado, conforme laudo elaborado pela KPMG (doc.99). O laudo com base no fluxo de caixa descontado que o valor econômico da Elysee era de R$ 61.300.000,00 em 31/07/2009; · Em 31/07/2000, a requerente incorporou a Elysee a valor de livros (docs.101 e 102) passando o ágio antes registrado a ser um ativo diferido passível de amortização fiscal; · Aquisição da Rede ZAP: O preço pago pela requerente (doc.106) para a aquisição da ZAP foi de R$ 45.000.000,00 resultando em apuração de ágio de R$ 36.674.677,64, pois o valor da investida era de R$ 12.157.495,55 (doc.110) na data de 30/07/2009. O referido valor devidamente fundamentado, conforme laudo elaborado pela KPMG (doc.111). O laudo com base no fluxo de caixa descontado que o valor econômico era de R$ 45.900.000,00 em 09/08/2008; · Em 30/09/2009, a requerente incorporou a ZAP a valor de livros (docs.115) passando o ágio antes registrado a ser um ativo diferido passível de amortização fiscal; · Do Direito relacionado à Glosa das Despesas de Amortização de Ágio: os documentos exigidos para as operações originárias dos ágios são apenas os contratos firmados pelas partes interessadas e as atas societárias, cujos efeitos devem ser refletidos na contabilidade; · Cabe ao Fisco o ônus da prova de que os valores das transações societárias não foram efetuadas bem como a inexistência dos ágios; · No caso do Planaltão os contratos avençados entre as partes comprovam a compra e a venda bem como o processo de formação do ágio; · Na aquisição da OMS, o preço de aquisição foi demonstrado por meio da Carta de Intenção, assinada em 19/05/1999 bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio; · Na aquisição da Consensus, o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças, assinado em 08/06/2005 bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio; · Na aquisição da 5239, o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Contrato de Compromisso de compra e Venda de Ações, bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio; · Na aquisição da CRL, o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda Condicional de Novas Ações, assinada em 02/07/1999 bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio; · Na aquisição da RDC, o preço de aquisição foi demonstrado pelo pagamento efetuado pela Brepa bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio. Cabe destacar que a maioria das lojas da RDC foram fechadas devendo as parcelas dos fundos de comércio ou ágio ser baixadas como perdas dedutíveis; · Na aquisição da Elysee, o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças, bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio; Fl. 9221DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.219 7 · Na aquisição da Rede ZAP, o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avencas bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio; · A contabilidade da empresa bem como os demais documentos apresentados nestes autos seriam suficientes para a prova da formação dos ágios apurados bem como sua dedutibilidade; · O art.20 do DecretoLei nº 1.598/77 permite a alocação exclusiva para expectativa de rentabilidade futura. Somente com a edição da Lei n º 12.973/2014 passou a existir a obrigatoriedade de alocação do ágio como maisvalia de ativo e só o restante ser alocada como rentabilidade futura; · A Fiscalização deve apresentar um laudo específico para invalidar os documentos apresentados pela contribuinte; · As formalidades exigidas pela Lei nº 12.973/2014, em relação ao laudo de avaliação, não se aplicam para participações societárias adquiridas até 31/12/2013 (para optantes) ou até 31/12/2014 (para os não optantes); · Todos os laudos apresentados pela contribuinte estão de acordo com a legislação tributária. No caso de laudos feitos depois da aquisição da participação societária, os mesmos são igualmente válidos, pois não há na legislação tributária qualquer proibitivo neste sentido; · Nas lojas fechadas, o ágio correspondente, poderia ser deduzido de acordo com a Lei nº 9.532/97, art.7º; · É vedada a incidência de juros SELIC sobre a multa; · É inaplicável a taxa SELIC para a atualização de débitos tributários; Apreciada as impugnação, afastada a preliminar de nulidade da autuação, cerceamento de defesa e a prejudicial de decadência, e o lançamento foi mantido integralmente, pois após minuciosa análise documental, verificouse a pendência da necessária documentação que comprovasse tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, quanto demonstração de ser o ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não sendo possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Portanto, foi mantida glosa das amortizações de ágio contabilizados a partir das aquisições das empresas: CONSENSUS COMÉRCIO VAREJISTA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, LOJAS AMERICANAS S/A – LASA, ORGANIZAÇÃO MINEIRA DE SUPERMERCADOS S/A, SUPERMERCADOS PLANALTÃO LTDA, RDC SUPERMERCADOS LTDA, CRL COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A, REDE POSTOS ZAP, SUPERMERCADOS GIMENES S/A, mantida a multa de ofício em 75%. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário, no qual levanta preliminar de nulidade por cerceamento de defesa da Recorrente e no mérito reproduz os argumentos levantados na impugnação, embora de forma mais aprimorada. Fl. 9222DF CARF MF 8 Vindo os autos para julgamento, o colegiado entendeu por bem convertêlos em diligência nos termos do voto da Conselheira Livia De Carli Germano, com as seguintes indagações a serem respondidas: Quanto aos demais fundamentos, passo a analisar brevemente cada ágio, a fim de contextualizar as diligências solicitadas: OMS No caso da OMS o laudo/demonstrativo foi apresentado e é contemporâneo à operação. De fato, o Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, firmado em 12/07/1999, estabelece que o preço a ser pago pela aquisição foi fixado em R$ 225.000.000,00, por 100% das ações. O Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira da OMS, de 18/07/1999, conclui, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de R$ 227.859.000,00, em 30/06/1999 (fl. 2.897). Não obstante o laudo tenha sido elaborado 6 dias após a assinatura do contrato, o fechamento da operação e o respectivo pagamento dos valores ocorreu após a emissão do laudo, em 19/07/1999. Neste caso, podese considerar o laudo como contemporâneo à operação já que, nos termos da legislação aplicável, o demonstrativo/laudo tem por objetivo comprovar a escrituração (art. 20 § 3o do DecretoLei 1.598/1977, em sua redação original) e esta só ocorre quando do fechamento da operação. Quanto à prova do pagamento, a Recorrente apresentou cópia de 4 cheques emitidos em favor de OMS, totalizando o valor de R$ 225.000.000,00, no entanto os cheques nos valores de R$ 42.000.000,00 e R$ 10.000.000,00 foram depositados em conta bloqueada, a serem liberados depois de satisfeitas determinadas condições contratuais, a teor do disposto nas cláusulas 3.1.1 e 3.1.3 do Contrato de Compra e Venda das Ações e a exemplo do contrato de depósito de fls. (fls. 997 a 1.005). Diante disso, o TVF conclui que a pretensão de que tais cheques comprovem o pagamento do preço não se concretiza. De fato, quanto aos valores depositados em contas bloqueadas, estes não podem ser considerados como preço final do negócio, estando pendente de comprovação se realmente foram levantados pelos vendedores ou se retornaram ao adquirente. Esta conclusão também vai ao encontro do entendimento da Receita Federal manifestado na Solução de Consulta Cosit nº 3/2016 que, após citar os artigos 481 e 487 do Código Civil, resume: "41. Em síntese, o preço de aquisição da participação societária não restou determinado no contrato apresentado pela Consulente, pois, em razão das diversas condições estipuladas no texto, é possível que o montante total a ser pago pelo Comprador seja ajustado para mais ou para menos, a depender de eventos futuros e incertos. Contudo, os valores já transferidos aos Vendedores correspondem a pagamento do preço acordado entre as partes, caracterizandose, desta forma, como custo de aquisição da participação societária para fins de apuração do ágio verificado no negócio celebrado pela Consulente. E, contrario sensu, os valores devolvidos pelos Vendedores representam redução desse custo de aquisição. Por óbvio, essas alterações influenciarão a apuração do ágio na transação, o que será melhor visto a seguir." A Recorrente, embora solicitada ainda por ocasião da fiscalização, não fez prova do ajuste de preço previsto no contrato. Fl. 9223DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.220 9 Neste sentido, quanto ao valor depositado em conta de bloqueada, sua natureza de preço efetivamente pago não resta comprovada. A conclusão acima resultaria em alteração no valor do ágio, como resultado reflexo de se considerar um valor menor de preço pago no caso, poderia ser considerado como preço pago pela OMS não os R$225.000.000,00, mas apenas o valor final do negócio, isto é, o valor entregue aos vendedores não depositado em conta bloqueada, de 173.000.000,00, mais (eventualmente) o valor depositado em conta bloqueada que foi efetivamente levantado pelos vendedores, se aceita tal prova posterior. Todavia, a partir das informações constantes dos autos não é possível dizer qual seria o valor da glosa para os anos de 2009 a 2012 considerando tais parâmetros, seja pela falta da informação quanto aos valores das contas bloqueadas que foram levantados pelos vendedores, seja pela ausência de informação completa quanto aos critérios utilizados para o cálculo do ágio glosado, já que a glosa foi integral. Neste sentido, após deliberar sobre o tema a Turma resolveu baixar o processo em diligência para, no caso do ágio referente à OMS: (i) intimar a Recorrente a apresentar prova do valor depositado em conta bloqueada que foi efetivamente entregue aos vendedores da OMS e indicar os motivos pelos quais tal documento não foi apresentado por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor de R$173.000.000,00, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. Da mesma forma, resolveuse aplicar o raciocínio acima aos demais casos em que a despesa de amortização de ágio pode ser considerada não dedutível por ausência de pagamento, conforme se explica abaixo. RDC No caso do ágio RDC, o demonstrativo existe e é contemporâneo à operação. O Compromisso de Aquisição de Participação Societária e Outras Avenças para a aquisição de todas as cotas de RDC SUPERMERCADOS LTDA foi firmado em 04/12/1999 e o fechamento da operação e efetiva transferência das quotas ocorreu em 21/01/2000. Nesta mesma data foi elaborado o Laudo Econômico Financeiro, que concluiu, com base no método do fluxo de caixa descontado, que o valor econômico do RDC era de R$ 688.038.000,00. Já quanto à prova do pagamento, à fl. 2107 há quadro demonstrativo dos valores que, na data do fechamento, teriam sido disponibilizados aos vendedores do RDC. Ali consta que do valor total, equivalente a R$ 664.837.252,00, R$175.000.000,00 foram liberados aos vendedores e o restante depositado em contas bloqueadas. Diante disso, no caso do ágio referente à RDC a diligência servirá para: Fl. 9224DF CARF MF 10 (i) intimar a Recorrente a apresentar prova do valor depositado em conta bloqueada que foi efetivamente entregue aos vendedores da RDC e indicar os motivos pelos quais tal documento não foi apresentado por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor de R$175.000.000,00, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. Supermercados Planaltão No caso dos Supermercados Planaltão, o demonstrativo existe e é contemporâneo à operação, pelo menos em parte, já que esta foi realizada em duas etapas. O Contrato de Aquisição de Participação Acionária e Outras Avenças, firmado em 13/05/1999, fixa o preço a ser pago pela aquisição de 90% das ações em R$73.800.000,00. O Laudo de Avaliação EconômicoFinanceiro da PLANALTÃO, elaborado em maio de 1999, concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de R$ 82.100.000,00, em 31/12/1998. No dia 28/12/2000, a Recorrente acordou a compra dos 10% restantes das ações de PLANALTÃO, pelo valor de R$ 9.500.000,00 (Cláusula Terceira do Contrato de fls. 2.006 a 2.016). Quanto à prova do pagamento, a Recorrente apresentou, além dos respectivos contratos de compra e venda, cópia de página 399 do Diário Geral onde estaria registrado o pagamento referente à aquisição da primeira parcela do patrimônio do supermercado PLANALTÃO, bem como a ata de aumento de capital da sociedade de 31 de maio de 1999. O TVF considerou que "a pretensão de que esses documentos sirvam como prova do valor pago não se concretiza, isto porque os lançamentos contábeis não esclarecem o impacto da auditoria mencionada no item acima, passível de modificar o preço acordado. (...) 38. Não fica de modo algum claro qual teria sido o impacto da auditoria sobre o preço final, posto que não nos foi apresentado nenhum relatório com as conclusões do trabalho dos auditores nem tampouco qualquer comprovante de pagamento do valor da aquisição." Diante disso, no caso do ágio referente ao Supermercados Planaltão a diligência servirá para: (i) intimar a Recorrente a apresentar prova do preço final efetivamente pago aos vendedores, após os ajustes de preço previstos nos respectivos contratos, bem como indicar os motivos pelos quais tal documento não foi apresentado por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor de R$73.800.000,00, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. Fl. 9225DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.221 11 Consensus Na aquisição da Consensus o demonstrativo existe mas é posterior inclusive ao fechamento da operação. O Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças, firmado em 08/06/2005, estabelece que o preço a ser pago pela aquisição foi fixado em R$ 317.000.000,00, por 100% das ações. O fechamento da operação ocorreu em 15/06/2005. O Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira da CONSENSUS, elaborado apenas em 25/01/2006, concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de R$ 379.479.000,00 em 30/05/2005. Diante disso, no caso do ágio referente à Consensus a diligência servirá para: (i) intimar a Recorrente a apresentar prova do preço final efetivamente pago aos vendedores, após os ajustes de preço previstos no respectivo contrato, bem como indicar os motivos pelos quais tal documento não foi apresentado por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor trazido na resposta do item (i) imediatamente acima, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. 5239/STOC No caso da 5239/STOC o demonstrativo existe mas é posterior inclusive ao fechamento da operação. O Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, firmado em 19/08/1998, entre LASA TRADING S/A, pessoa jurídica brasileira, e COMPTOIRS MODERNES S/A, sociedade francesa, estabelece que o preço a ser pago pela aquisição foi fixado em US$ 260.000.000,00, por 100% das ações. O Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira da STOC, elaborado em 31/10/1998, concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de US$ 285.800.000,00, que equivaleria a R$ 340.100.000,00 em 21/10/1998. O fechamento da operação, com o depósito dos valores em questão ocorreu em 21/10/1998. Quanto à prova dos pagamentos, a Recorrente apresentou cópias de recibos firmados pela vendedora que totalizam apenas US$ 204.437.660,40. Esse valor, convertido para reais pela taxa de câmbio fornecida pelo Banco Central do Brasil para o dia da assinatura do contrato de compra e venda (R$ 1,1756), resultaria em R$ 240.336.913,00. Assim, o TVF conclui que "74 Na ausência de qualquer outro comprovante de pagamento, o ágio máximo admitido seria de R$ 172.936.913,00. A amortização acumulada, até o ano de 2008, alcança a quantia de R$ 234.713.000,00 e nada haveria para ser deduzido nos períodos sob análise." Diante disso, no caso do ágio referente à 5239/STOC a diligência servirá para: (i) intimar a Recorrente a apresentar prova do preço final efetivamente pago aos vendedores, após os ajustes de preço previstos no respectivo contrato, bem como indicar os motivos pelos quais tal documento não foi apresentado por ocasião da fiscalização; Fl. 9226DF CARF MF 12 (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor de R$240.336.913,00, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); e (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. CRL No caso da CRL o demonstrativo existe e é contemporâneo à operação. O Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda Condicional de Novas Ações e Outras Avenças, firmado em 02/07/1999, estabelece que o preço a ser pago pela aquisição foi fixado em R$ 90.000.000,00, por 100% das ações. O Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira da CRL, elaborado em 30/07/1999, concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de R$ 92.776.000,00, em 30/06/1999. O fechamento ocorreu em 2/08/1999 quando ocorreu a subscrição de capital da CRL pela SaintPar. Diante disso, no caso do ágio referente à CRL a diligência servirá para: (i) intimar a Recorrente a apresentar prova do preço final efetivamente pago aos vendedores, após os ajustes de preço previstos no respectivo contrato, bem como indicar os motivos pelos quais tal documento não foi apresentado por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor trazido na resposta do item (i) imediatamente acima, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. Rede de Postos ZAP A fiscalização considera que não foi fornecido nenhum demonstrativo que demonstre e comprove que o ágio foi pago em razão de expectativa de rentabilidade futura da adquirida. no caso da Rede de Postos ZAP. Quanto à prova de pagamento, a Recorrente juntou cópia de transferências bancárias destinadas aos exproprietários da REDE DE POSTOS ZAP que somam o montante de R$ 19.835.575,47. Diante disso, no caso do ágio referente à Rede de Postos ZAP a diligência servirá para: (i) intimar a Recorrente a apresentar (a) demonstrativo de avaliação do investimento baseado em rentabilidade futura e (b) prova do preço final efetivamente pago aos vendedores, após os ajustes de preço previstos no respectivo contrato, bem como indicar os motivos pelos quais tais documentos não foram apresentados por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor trazido na resposta do item (i.b) imediatamente acima se não houver, considerando o valor de R$ 19.835.575,47 , indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço Fl. 9227DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.222 13 pago e o valor em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. Supermercados Gimenes A fiscalização considera que não foi fornecido nenhum demonstrativo que demonstre e comprove que o ágio foi pago em razão de expectativa de rentabilidade futura da adquirida no caso dos Supermercados Gimenes. Diante disso, no caso do ágio referente ao Supermercados Gimenes, a diligência servirá para: (i) intimar a Recorrente a apresentar (a) demonstrativo de avaliação do investimento baseado em rentabilidade futura e (b) prova do preço final efetivamente pago aos vendedores, após os ajustes de preço previstos no respectivo contrato , bem como indicar os motivos pelos quais tais documentos não foram apresentados por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor trazido na resposta do item (i.b) imediatamente acima, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. Após a adoção das providências acima referentes a cada ágio, solicitase a elaboração de parecer conclusivo, sobre o qual as partes serão intimadas a se manifestar, após o que deverão os autos retornar a este CARF para que se prossiga o julgamento. Em respostas aos questionamentos acima, sobreveio resultado de diligência, conclusivo em infirmar a correção do trabalho fiscal relativo as glosas dos ágios amortizados pelo Carrefour durante os anoscalendário de 2009 a 2012. Ágio Supermercados OMS O questionamento sobre o destino do valor depositado em conta bloqueada não foi respondido. Reafirmouse, no entanto, que o total que teria sido pago pela aquisição dos SUPERMERCADOS OMS foi de R$ 225.000.000,00. O laudo contábil de fls. 9.086 a 9.090 avaliou o patrimônio líquido da adquirida em R$ 61.000.504,15, que resultaria em ágio de R$ 163.999.495,75. No início do procedimento de fiscalização, no entanto, informouse sobre preço de R$ 211.581.393,61 (fls. 364), condizente com o total constante da conta contábil “Ágio sobre Consolidadas” componente do ativo diferido do CARREFOUR. Considerando como preço pago o valor de R$ 173.000.000,00 e R$ 61.000.504,15 o patrimônio líquido da adquirida, o ágio total seria de R$ 111.999.495,85. Tendo em vista que o saldo de ágio no final de 2008 era de R$ 46.061.081,77 (fls. 9.074), significa dizer que, frente ao total de R$ 211.581.393,61, originalmente apropriado pelo CARREFOUR em sua contabilidade, restou amortizado o montante Fl. 9228DF CARF MF 14 de R$ 165.520.311,84 até dezembro de 2008. Dessa forma, nada haveria para ser deduzido nos períodos seguintes. O Laudo econômicofinanceiro que estaria sendo elaborado com vistas a determinar prazo mínimo necessário para amortizar o saldo de ágio traz a informação de que 40% do ágio apropriado na aquisição foi deduzido entre 01/01/2001 e 31/12/2002, restando R$ 126.948.836,16 a ser abatido em 113 meses a partir de 01/01/2003 (fls.1.071) ou R$ 1.123.441,02 ao mês. Ágio Supermercados RDC Não foram apresentados documentos comprobatórios dos valores depositados em contas bloqueadas e que foram entregues aos vendedores. No anexo 04 à resposta ao Termo de Início desta diligência juntouse cópia dos protocolos de Justificação de Cisão Parcial de RAINHA, DALLAS e CONTINENTE SUPERMERCADOS, que verteram patrimônio para à composição do acervo de RDC SUPERMERCADOS. Os documentos societários trazem laudo de avaliação dos patrimônios líquidos cindidos, que somam R$ 3.390.000,00. Considerando como preço pago o valor de R$ 175.000.000,00, o ágio total seria de R$ 171.610.000,00. Até 31/12/2008, o CARREFOUR amortizou R$ 349.793.862,40, que supera em muito eventual ágio calculado a partir do valor que teria sido desembolsado, reconhecido por essa egrégia Turma. O saldo remanescente do ágio em 31/12/2002, no montante de R$ 559.459.000,00, passou a ser amortizado no período de 12 anos e 2 meses ou 146 meses (fls. 1.360). Ágio Supermercados Planaltão Foi entregue, em resposta ao requerido nesta diligência, cópia dos mesmos elementos que já constam no processo de constituição do crédito tributário. Não há laudo contábil, apenas referência retirada do relatório de avaliação econômico financeira, que não se constitui em documento hábil para demonstrar o valor do patrimônio líquido da adquirida. Dessa forma, não é possível nem calcular o valor total do ágio que teria surgido na aquisição nem se apurar o eventual montante do pagamento pela expectativa de rentabilidade futura. O saldo remanescente do ágio em 31/12/2002, no montante de R$ 49.637.000,00, passou a ser amortizado no período de 11 anos e 7 meses (fls. 1.564) Ágio Supermercados Consensus Em resposta ao Termo de início desta diligência, o CARREFOUR juntou cópia de comprovante de transferência bancária destinada à SONAE DISTRIBUIÇÃO BRASIL, efetuada no dia 15/06/2005, no valor de R$ 63.400.000,00. Provavelmente, essa soma referese ao cumprimento do estipulado na Cláusula 4.1.1(i) do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças. Mesmo que a transferência bancária relatada no item anterior fosse identificada como pagamento, não seria possível se chegar ao valor do ágio apurado na aquisição do investimento, haja vista que o patrimônio líquido da adquirida somava mais de R$ 176 milhões. Os outros dois documentos (cópia do razão contábil da empresa e de planilha que registraria eventual ajuste na composição do preço final) são elementos que já constam no processo e não são suficientes para atestar o valor total que foi pago na compra da participação, de modo que não é possível nem calcular o valor total do Fl. 9229DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.223 15 ágio que teria surgido na aquisição nem se apurar o eventual montante do pagamento pela expectativa de rentabilidade futura. A amortização do ágio deuse em 60 meses, até junho de 2012. Ágio Supermercados 5239/STOC Os documentos juntados pelo CARREFOUR em atendimento ao requisitado nesta diligência, com vistas à comprovação do preço final pago pelo investimento, são os mesmos que foram entregues durante o procedimento de fiscalização. O documento nº 13, anexo à resposta ao Termo de Início traz balanço patrimonial de 5239 COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES S.A., que avaliou o patrimônio líquido da empresa em R$ 59.955.000,00. Considerandose comprovado o valor de R$ 240.336.912,00, temos que o ágio total seria de R$ 180.381.912,00. Como a amortização acumulada registrada pelo CARREFOUR até o final do ano de 2008 foi de R$ 234.713.000,00, nada haveria para ser deduzido nos períodos subsequentes. O saldo remanescente do ágio em 31/12/2002, no montante de R$ 85.108.000,00, passou a ser amortizado no período de 10 anos. (fls. 1.538) Ágio Supermercados CRL Nenhum comprovante de pagamento foi apresentado pelo CARREFOUR nesta oportunidade. O anexo 14 da Resposta ao Termo de Início da diligência traz apenas cópia do Protocolo e Justificação de Cisão Parcial de CRL COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A e de Incorporação das Parcelas Cindidas pelas Sociedades UNIBRAS ALIMENTOS LTDA, RR PARTICIPAÇÕES LTDA, AS PARTICIPAÇÕES LTDA, JF PARTICIPAÇÕES LTDA e ME PARTICIPAÇÕES LTDA. No anexo 15 juntouse cópia da página 07 do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda Condicional de Novas Ações e Outras Avenças, já constante dos autos. O saldo remanescente do ágio em 31/12/2002, no montante de R$ 39.535.000,00, passou a ser amortizado no período de 10 anos. (fls.575). Ágio Postos ZAP Forneceuse no curso desta diligência laudo de avaliação econômico financeira, elaborado com vistas a dar suporte ao preço pago. O estudo foi entregue ao CARREFOUR alguns meses após a conclusão do negócio. O documento nº 18, anexo à resposta ao Termo de Início deste procedimento (fls. 8.719) é cópia do que consta nos autos do processo e não traz os critérios de avaliação nem identifica seus autores. Os balanços patrimoniais das empresas adquiridas e apresentados nesta coleta de informações foram levantados no momento da incorporação ao patrimônio do adquirente, que ocorreu cerca de 16 meses após a assinatura do contrato de aquisição do investimento. Dessa forma, não é possível nem calcular o valor total do ágio que teria surgido na aquisição nem se apurar o eventual montante do pagamento pela expectativa de rentabilidade futura. Fl. 9230DF CARF MF 16 Ainda, segundo informação do Carrefour, a amortização do ágio ocorreu entre outubro de 2009 e setembro de 2014. Ágio Supermercados Gimenes O CARREFOUR apresentou cópia do laudo de avaliação econômica do investimento adquirido, que foi elaborado cerca de 15 (quinze) meses após a assinatura do contrato que selou a compra dos SUPERMERCADOS GIMENES. Nenhuma novidade em relação ao documento representativo da situação patrimonial da adquirida. A informação juntada nesta diligência é a mesma que se encontra no processo e que foi rejeitada por não discriminar os critérios de avaliação nem identificar seus autores. Nada se acrescentou, igualmente, no que tange aos comprovantes de pagamento do preço final. Dessa forma, não é possível nem calcular o valor total do ágio que teria surgido na aquisição nem se apurar o eventual montante do pagamento pela expectativa de rentabilidade futura. Segundo informação do CARREFOUR, a amortização do ágio ocorreu entre agosto de 2010 e julho de 2015. Sobre o resultado da diligência, a Recorrente foi instada a se manifestar, e defendeu que ele estaria equivocado e requereu fossem considerados os argumentos de fato e de direito trazidos por ela, com o consequente cancelamento integral da exigência (principal, multa e juros), uma vez que conduzem à conclusão inequívoca de que os atos por ela praticados são válidos e estão integralmente de acordo com a legislação fiscal aplicável. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Preliminar Cerceamento de defesa. A Recorrente reclama nulidade da autuação por cerceamento de defesa, pois o exímio prazo de 30 (trinta) dias para elaborar e organizar a respectiva documentação de um questionamento altamente complexo, que envolve 8 (oito) operações realizadas entre 1998 e 2009. Ainda que razoável o argumento, destaco que o prazo para apresentação da peça impugnatória é de 30 (trinta) dias por expressa previsão legal constante no art. 15 do Decreto 70.235/70: Fl. 9231DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.224 17 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Portando, não há nulidade possível quando a autuação oportunizou a ampla defesa nos moldes da lei pertinente. Decadência. A Recorrente alega decadência da exigência fiscal das aquisições realizadas nos anos calendários de 1998 a 2008, isto porque, segundo ela: "o prazo decadencial para as autoridades fiscais questionarem as operações dos contribuintes deve ser contado a partir do momento em que a adquirente registra o ágio na aquisição do investimento". Assim, com base nesse argumento, defende que as despesas de amortização de ágio geradas nas oito aquisições de participação societária distintas da recorrente: 1) operação de aquisição da RDC Supermercados Ltda ocorrida em 4.12.1999; 2) operação de aquisição da 5239 Comercio e Participações S.A. ocorrida em 19.08.1998; 3) operação de aquisição da Consensus Comercio Varesgista de Produtos Alimentícios Ltda ocorrida em 8.6.2005; 4) operação de aquisição da Organização Mineira de Supermercados Ltda, ocorrida em 12.07.1999; 5) operação de aquisição da CRL Comércio Importação e Exportação S.A. ocorrida em 2.7.1999; 6) operação de aquisição dos Supermercados Planaltão Ltda ocorrida em 13.05.1999; 7) operação de aquisição das quotas de 12 empresas que atuavam no ramo de combustível (Rede ZAP) em 9.6.2008, restariam decaídas. Contudo, tal argumento não procede, pois como bem consignado pela DRJ, para efeitos fiscais, somente quando a interessada passa a utilizarse da prerrogativa de amortização do ágio, o fato adquire relevância para fins tributários. Desse modo, em razão dos efeitos para fins fiscais surgirem a partir da amortização do ágio, a contagem do prazo decadencial deve ser contado a partir do momento de sua amortização, que no presente caso ocorreu a partir do anocalendário de 2009. O prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador do tributo (§4º do art. 150 do CTN) lançamento por homologação ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inc. I do art. 173 do CTN) lançamento direto. Ou seja, a contagem do prazo decadencial tem pertinência com o fato gerador do tributo, com o fato que reduziu a base de cálculo do tributo, não cabendo interpretar que os eventos de geração do ágio e de incorporação têm seus efeitos diferidos no tempo para fins do pagamento do IRPJ decorrente da amortização de ágio, como quer fazer crer a recorrente. Neste caso, conforme informação colacionada aos autos pela própria Recorrente (fls. 4859/4863) as amortizações do ágio surgido das operações de aquisição acima relacionadas se processaram nos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012, nos valores e datas abaixo: Fl. 9232DF CARF MF 18 De maneira que, em sendo a data do fato gerador (amortização do ágio) o termo inicial da contagem do prazo decadencial e em tendo sido a atuação fiscal lavrada em 24.11.2014, não há que se falar em decadência. Também não cabe o argumento de que o termo inicial da contagem do prazo decadencial se daria a partir da data da incorporação que transformou o ágio em ativo diferido, posto que conforme já posicionado, o prazo decadencial tem início não a partir da formação do ágio, mas sim da sua amortização. Isso porque o registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. Ora, sendo o prazo decadencial aquele após o qual o fisco perde o direito de constituir o crédito tributário, e sendo tal constituição possível apenas quando ocorre o fato gerador, fica fácil perceber que não há que se falar em início de contagem do prazo decadencial pelo mero registro contábil de uma potencial despesa. Assim se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito dos prejuízos fiscais, cujo paralelo pode ser traçado com o ágio: ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. (acórdão 9101002.387, julgado em 13/07/2016) Assim afasto a alegação de decadência. Fl. 9233DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.225 19 Da guarda de documentos possibilidade de exigência de documentos relacionados à operações ocorridas. Aduz a recorrente que por disposição legal, no momento da fiscalização (2014) não tinha mais a obrigação de guardar mais os documentos relativos às operações realizadas nos anos calendários 1998 a 2008, tendo em vista inclusive a decadência do direito de a fiscalização constituir os créditos tributários em relação à questão. Ao disciplinar sobre a necessidade de guarda de documentos contábeis, a Lei da S.A, regulamenta em seu art. 37., que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". De acordo com este preceito legal, uma vez não decaído o direito da Fisco de lançar os créditos tributários correspondentes as amortizações do ágio surgido das operações de aquisição em questão, era sim dever da Recorrente a manutenção e guarda dos documentos aptos a prova do direito por ela alegado, independentemente do transcurso do prazo de 5 anos da data das operações de aquisição das empresas mencionadas. Além do mais, uma análise mais detida a legislação revela que o requisito de que o destaque do ágio esteja respaldado em demonstração que o contribuinte deve arquivar como comprovante de sua escrituração existiu desde a redação original do artigo 20 Decreto Lei 1.598/1977, não sendo assim uma novidade trazida pela Lei 9.532/1997. Vejase: Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Fl. 9234DF CARF MF 20 Portanto, não procede a alegação da Recorrente quando a desobrigatoriedade da guarda dos documentos contábeis necessários ao respaldo das operações por ela praticadas. Da legislação utilizada para fundamentar a autuação. Como bem observado na decisão DRJ, ao discorrer a respeito da legislação aplicada na autuação inclusive com a transcrição dos dispositivos nos quais fundamentou a decisão, o ágio surge na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial e corresponde à diferença a maior entre o preço de aquisição e o valor do patrimônio líquido contábil da participação societária adquirida. Sendo que essa parcela faz parte do custo de aquisição da participação societária e tem grande relevância na determinação do valor do eventual ganho de capital. Nos termos do art. 20 do Decreto Lei 1.598/77, aplicado, o ágio, decorrente de negociações societárias, deve obedecer a determinadas diretrizes estabelecidas pela Lei nº 9.532/97, vigente à época dos fatos, na qual legislador definiu os contornos das situações em que os encargos dessa amortização podem ser deduzidos para a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL como consta do parágrafo 11 da Exposição de Motivos n° 644/MF, relacionada à Medida Provisória n° 1.602, que por sua vez foi convertida (com alterações) na Lei n° 9.532/97, transcrito abaixo: “O art. 8o estabelece o tratamento do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários ", vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendoem vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo.” Como bem descrito no Termo de Verificação Fiscal, “a Lei n° 9.532/97 passou a estabelecer as condições para a dedutibilidade dos encargos de amortização do ágio pago, cujo descumprimento implica a impossibilidade de o sujeito passivo deduzilos na apuração de seu lucro real e da base de cálculo da CSLL.” Os artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/97 disciplinam o tratamento tributário a ser dado na hipótese de apuração de ágio nas operações societárias: “Art. 7o A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória n° 135, de 30.10.2003) Fl. 9235DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.226 21 I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2o do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2odo art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei n°9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2o do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § Io O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2o Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3o O valor registrado na forma do inciso lido caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4o Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. Fl. 9236DF CARF MF 22 § 5o O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8o O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” Os artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, tendo como base os dispositivos legais citados anteriormente, disciplinam o tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão. Desdobramento do Custo de Aquisição Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1" O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 20, § Io). § 2" O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 20, §2°): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. §3" O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 20, §3°). Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei n" 9.532, de 1997, art. 7o, e Lei n°9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2o do artigo anterior, em Fl. 9237DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.227 23 contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2° do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2odo artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2o do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § Io O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei n° 9.532, de 1997, art. 7°, § Io). §2" Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei n" 9.532, de 1997, art. 7o, §2°): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3o O valor registrado na forma do inciso II (Lei n° 9.532, de 1997, art. 7° § 3o): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4o Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei n°9.532, de 1997, art. 7o, § 4o). Fl. 9238DF CARF MF 24 § 5° O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei n°9.532, de 1997, art. 7° § 5o). § 6" O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei n" 9.532, de 1997, art. 8o): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7o Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2o deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei n° 9.718, de 1998, art. 11). O art. 385 do RIR/99 faz menção ao ágio pago na aquisição de participação societária, pela contribuinte a qual avalia seu investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido. Por este dispositivo legal entendese que a existência de ágio pressupõe a identificação de seu fundamento econômico e o cumprimento de todos os requisitos legais, de acordo com o parágrafo 2º do referido artigo, ponto relevante paraa determinação do tratamento tributário a ser dado ao ágio. Já o artigo 426 do RIR/99, diz que se a participação societária for alienada, o ágio verificado na aquisição do investimento faz parte do valor contábil para a determinação do ganho (tributável) ou perda (dedutível) de capital. A base legal da presente infração está prevista no art. 249, I, do RIR/99 (Art. 6º, § 2º , alínea "a", do Decreto Lei n° 1.598/77) , o qual é transcrito a seguir: “Art.249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §2º): Ios custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real;” Dado esse contexto legislativo, que aponta o correto enquadramento legal da atuação a decisão de piso fundamenta a manutenção da glosa do ágio das 8 (oito) operações de aquisição mencionadas pela ausência de provas. Observase que a Recorrente, em suas razões, não se contrapõe aos fatos apurados pela fiscalização e pela DRJ, no que tange à comprovação dos pagamentos. Apenas entende que os contratos de compra e venda de ações/quotas, os recibos de pagamento, as atas societárias referentes às reorganizações e os lançamentos contábeis fazem prova suficiente de que o valor foi efetivamente pago. Em que pese a Recorrente tenha trazido documentos relativos às negociações que deram ensejo aos ágios, o efetivo sacrifício patrimonial oferecido em troca das participações societárias adquiridas não foi comprovado. Fl. 9239DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.228 25 Asseverese que não foram juntados novos documentos no recurso voluntário, de modo que o que há nos autos são os documentos sobre os quais já se manifestaram a autoridade fiscal lançadora e a DRJ. Para a demonstração da existência do ágio, não basta a comprovação do negócio que lhe deu origem, mas sim a prova de que houve o efetivo pagamento do preço que inclui o ágio. Sem essa comprovação, não há como atestar que o ágio exista, pois, não obstante um acordo ser celebrado, ele pode não ser cumprido, ou ser cumprido de forma diversa do que inicialmente foi combinado entre as partes. Diante de tal possibilidade, nos termos do artigo 923 do RIR/99, a documentação hábil a comprovar o pagamento de um ágio só pode ser aquela que evidencia não apenas os termos de um acordo inter partes, mas também o efetivo desembolso da quantia correspondente. Como será detalhado adiante, diversos dos compromissos de aquisição firmados pela recorrente dispunham de cláusula que sujeitava os valores contratados a ajustes, a depender do resultado de auditorias a serem realizadas após o fechamento da negociação. DOS LAUDOS DE AVALIAÇÃO Outra razão que levou à lavratura do auto de infração foram os questionamentos fiscais acerca dos laudos apresentados pela recorrente. A autoridade fiscal discordou da fundamentação econômica dos ágios como sendo a expectativa de rentabilidade futura das participações adquiridas, apurada pelo método do fluxo de caixa descontado. Isto porque o contribuinte deveria proceder à avaliação do valor de mercado dos ativos das adquiridas, sendo que apenas o valor pago que, porventura, viesse a exceder essa avaliação poderia ser considerado ágio por expectativa de rentabilidade futura. Segundo a fiscalização, “os laudos econômicofinanceiros apresentados não se prestam para quantificar o valor do ágio fundamentado no valor de rentabilidade. A expectativa da rentabilidade é valor residual a ser apurado depois de valorados a mercado os ativos e passivos identificáveis, e este levantamento não se encontra presente naqueles relatórios técnicos e nem em qualquer outro documento que o Carrefour juntou por cópia ao longo deste procedimento de fiscalização” (pág. 15 do Termo de Encerramento e Constatação). Segundo a recorrente, a autoridade fiscal queria que a recorrente “alocasse” parte do valor do ágio à avaliação da empresa a valor de mercado. Mas, no seu entender, foi apenas em 2014 que a Lei passou a indicar uma ordem de alocação para o fundamento econômico do ágio (pág. 57 do RV). E, segundo se depreende de seu raciocínio, se a lei não determinava essa alocação prévia do ágio aos ativos da empresa adquirida, ela poderia atribuir o ágio a qualquer um dos fundamentos citados no art. 20 do DL 1598/77. Menciona que a própria decisão recorrida admite não haver qualquer disposição legal que “determine” a “alocação” do ágio para os ativos da sociedade adquirida. Equivocase a recorrente. Em primeiro lugar, registrese que é incontroverso que os laudos de avaliação trazidos pela recorrente não trouxeram os ativos das empresas adquiridas a valor de mercado. Fl. 9240DF CARF MF 26 Isto posto, cumpre esclarecer que a autoridade fiscal não está a exigir que a recorrente “aloque” parte do ágio nos ativos da empresa adquirida. O que se está a afirmar é que os laudos apresentados negligenciaram a avaliação dos ativos a valor de mercado, o que, por imperativo lógico, inviabiliza a correta determinação do valor pago especificamente pela expectativa de rentabilidade futura do empreendimento. Para fins legais tributários, entretanto, denominouse ágio toda diferença entre o valor de patrimônio liquido do investimento e o seu custo de aquisição. Isto a que a lei chamou de ágio, por sua vez, pode ter 3 fundamentos: (i) valor de mercado dos ativos; (ii) valor de rentabilidade prevista para o futuro; e (iii) fundo de comércio/intangíveis e outras razões econômicas. Assim, sempre que um investimento é adquirido por valor superior ao valor contábil, a diferença entre o patrimônio líquido na época da aquisição e o valor efetivamente pago pode ter causa em qualquer um desses aspectos, em qualquer proporção. É possível que a diferença seja inteiramente fundada na expectativa de rentabilidade futura, como parece defender a recorrente nos casos concretos. Basta, para isso, que seja demonstrado que o valor de mercado dos ativos/passivos adquiridos correspondia exatamente ao valor contábil desses ativos/passivos. É perfeitamente possível que isso ocorra, porém é imprescindível que seja demonstrado. Até porque, quando se trata de negócios realizados entre terceiros independentes, foge à lógica econômica que, possuindo os ativos valor de mercado superior ao valor contábil, a parte os venderia considerando este último. Por isso é que a autoridade fiscal fala que “a expectativa da rentabilidade é valor residual a ser apurado depois de valorados a mercado os ativos e passivos identificáveis”. De fato, não há que se falar em ágio por expectativa de rentabilidade futura sem antes avaliar o valor de mercado do patrimônio adquirido. Em que pese a imprecisão da terminologia utilizada no texto legal (que sugere ser ágio a diferença entre valor de patrimônio liquido e valor de mercado), está claro que apenas o valor pago em função da rentabilidade futura é que é passível de ter sua amortização deduzida para fins fiscais. Assim, o laudo que atesta o valor da empresa tomando como base apenas a valoração contábil do seu PL, sem valorar a mercado seus ativos e passivos (ainda que essa valoração viesse a demonstrar que o valor de mercado era exatamente igual ao valor contábil), não se presta a quantificar com precisão a parte do valor desembolsado que se refere ao ágio fundado na expectativa de rentabilidade futura da adquirida. Esta é a questão primordial levantada pela autoridade fiscal, e que a recorrente não logrou infirmar. Pelo contrário, no entender da recorrente, como a lei não especifica em detalhes como deve se dar a demonstração da diferença entre o valor de PL e o custo de aquisição (art. 385 §3º do RIR/99), essa demonstração pode ser feita ao bel critério do contribuinte. Ao contrário do que afirma a recorrente, não se trata de tese baseada meramente na doutrina contábil posterior à adoção das novas regras contábeis pela Lei 11.638/07. Tais observações decorrem da lógica econômica e contábil, e são extraídas do próprio texto legal, tal qual consta do RIR/99 desde sua edição (arts. 385 e 386). Fl. 9241DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.229 27 Até porque, mesmo antes da vigência da Lei 12.973/2014, o Decreto 1.598/77 exigia que o lançamento contábil do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura fosse baseado em demonstração que o contribuinte deveria arquivar como comprovante, segundo a antiga redação de seu art. 20, parágrafo 3o. É bem verdade que, conforme a legislação vigente à época dos fatos, tal demonstração poderia se dar tanto através de laudo ou por meio de qualquer outro elemento de prova que efetivamente comprovasse o fundamento econômico do ágio com base na expectativa de sua rentabilidade futura, contanto que de fato fossem trazidos aos autos elementos suficientes para o preenchimento deste requisito. Neste sentido: ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Contudo, não é possível se admitir que laudo elaborado mais de um ano após os fatos, sem qualquer suporte em documentos contemporâneos à aquisição de terceiros, sirva para fundamentar o ágio em uma das modalidades que permitam o benefício fiscal. Acórdão CARF 1102001.182, Rel. Jose Evande Carvalho Araujo Sessão de 27/08/2014. ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Tratase de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido. Não tem o Fisco que demonstrar qual seria o “outro fundamento econômico” para o ágio pago, mas sim ao contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que pagou o ágio baseado na rentabilidade futura projetada para o investimento. Acórdão CARF 1301001.637, Rel. Luiz Tadeu Matosinho Machado. Sessão em 28/08/2014. Fl. 9242DF CARF MF 28 Diante dessas considerações, passase a análise dos elementos de prova referentes a cada uma das operações de aquisição que geraram o ágio em questão. a) Da Aquisição do Supermercado Planaltão. Segundo a Fiscalização, não foi apresentado nenhum relatório com as conclusões do trabalho dos auditores a respeito do valor do patrimônio da adquirida nem tampouco qualquer comprovante de pagamento do valor da aquisição. A apresentação de cópia de página 399 do Diário Geral onde estaria registrado o pagamento referente à aquisição da primeira parcela do patrimônio do supermercado PLANALTÃO não foram suficientes como prova do valor pago, isto porque os lançamentos contábeis não esclarecem o impacto da auditoria mencionada, passível de modificar o preço acordado. Ademais, não foi apresentado o laudo contábil que deveria ter sido levantado na data da aquisição ou até trinta dias, no máximo, antes dessa data. Portanto, na pendência da necessária documentação que comprovasse tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não foi possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Por seu lado, a Recorrente aduz que a operação de aquisição do Supermercado Planaltão está suficientemente demonstrada, pois foi objeto de análise pelo CADE no Ato de Concentração nº 08012.004818/9941, no qual o órgão regulador concluiu pela aprovação da operação, sem quaisquer restrições. De modo que, a primeira aquisição no valor de R$ 73.800.000,00 foi devidamente demonstrada por meio do contrato de compra e venda celebrado pelas partes, por meio do Diário da Recorrente do período de 1.6.1999 a 30.6.1999 e por meio da ata de aumento de capital da Planaltão datada de 31.5.1999. O valor de patrimônio líquido da Planaltão nessa primeira aquisição era de R$ 3.876.000,00, conforme balanço patrimonial datado de 31.12.1998. Na segunda aquisição, referente aos 10% da Planaltão, o pagamento do preço foi estabelecido no contrato de Opção Preferencial de Compra e Venda de Ações (Quotas) de Participação em Sociedade, assinado em 28.12.2000, e no Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra de Ações. Neste contrato, foi declarado que o preço desta segunda fase da operação foi de R$ 9.500.000,00, pago por meio da emissão de uma nota promissória pro soluto. O patrimônio líquido da sociedade Planaltão era de R$ 1.703.272,39, conforme se depreende do balanço patrimonial da Planaltão apontado no Laudo de Avaliação, a valores contábeis, preparado para fins de incorporação da sociedade na Recorrente (database de 31.12.2000). Desta forma, segundo a Recorrente, o ágio foi suportado por laudo de avaliação preparado de acordo com a legislação tributária em vigor ao tempo dos fatos. A exigência da D. Fiscalização no sentido de que ela deveria ter apresentado novo laudo de avaliação econômicofinanceira para a segunda aquisição não merece prosperar, uma vez que a legislação vigente à época não estipulava qualquer requisito a ser obedecido pelo contribuinte na demonstração de suporte do ágio. A aquisição da Planaltão foi um negócio único, de forma que o Grupo Carrefour utilizou a mesma avaliação econômica que havia sido preparada ao tempo da primeira aquisição, em completa consonância com a legislação tributária. Em relação a esta operação o questionamento a ser respondido pela diligência foi: (i) intimar a Recorrente a apresentar prova do preço final efetivamente pago aos vendedores, após os ajustes de preço previstos nos respectivos contratos, bem Fl. 9243DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.230 29 como indicar os motivos pelos quais tal documento não foi apresentado por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor de R$73.800.000,00, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. Em resposta o Relatório Conclusivo da Diligência asseverou que: Foi entregue, em resposta ao requerido nesta diligência, cópia dos mesmos elementos que já constam no processo de constituição do crédito tributário. Não há laudo contábil, apenas referência retirada do relatório de avaliação econômico financeira, que não se constitui em documento hábil para demonstrar o valor do patrimônio líquido da adquirida. Dessa forma, não é possível nem calcular o valor total do ágio que teria surgido na aquisição nem se apurar o eventual montante do pagamento pela expectativa de rentabilidade futura. O saldo remanescente do ágio em 31/12/2002, no montante de R$ 49.637.000,00, passou a ser amortizado no período de 11 anos e 7 meses (fls. 1.564) Ao se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente insiste na viabilidade do ágio, mencionando que: 26. Primeiramente, a Recorrente esclarece que a estrutura de aquisição implementada para aquisição do Planaltão foi dividida em duas partes, mais especificamente, em duas aquisições: uma aquisição realizada em 1999 e outra aquisição realizada em 2000. O valor total que foi investido pela Recorrente para adquirir 100% da Planaltão atingiu o montante de R$ 83.300.000,00. 27. Na primeira aquisição, o preço pago foi de R$ 73.800.000,00 foi devidamente demonstrada por meio do Contrato de Aquisição de Participação Societária e Outras Avenças (doc. nº 5 da Impugnação), do Diário da Recorrente do período de 1.6.1999 a 30.6.1999 (doc. nº 6 da Impugnação) e da ata de aumento de capital do Planaltão datada de 31.5.1999. 28. Como resultado dessa primeira aquisição, a Recorrente registrou ágio no valor de R$ 70.311.600,00. Isso porque, o valor investido foi de R$ 73.800.000,00, enquanto que o patrimônio líquido adquirido pela Recorrente – equivalente a 90% do valor de patrimônio líquido da Planaltão – foi de R$ 3.488.400,00, conforme balanço patrimonial datado de 31.12.1998, apontado na página 13 do laudo de avaliação econômicofinanceira da Planaltão preparado pela CCF Brasil (doc. nº 8 da Impugnação). 29. Já na segunda aquisição, o preço pago foi de R$ 9.500.000,00, conforme estabelecido no Contrato de Opção Preferencial de Compra e Venda de Ações (Quotas) de Participação em Sociedade, assinado em 28.12.2000 (doc. nº 9 da Impugnação), e no Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra de Ações (doc. nº 10 da Impugnação). 30. Com relação a essa aquisição, a Recorrente registrou ágio no valor de R$ 9.329.672,76. Isso porque, o valor investido foi de R$ 9.500.000,00, enquanto que o Fl. 9244DF CARF MF 30 patrimônio líquido adquirido pela Recorrente – equivalente a 10% do valor de patrimônio líquido da Planaltão – foi de R$ 170.327,24, conforme Laudo de Avaliação (doc. nº 11 da Impugnação). 31. Dessa forma, o ágio total registrado pela Recorrente na aquisição de 100% das quotas do Planaltão foi de R$ 79.641.272,76 (soma do ágio registrado na primeira aquisição com o ágio registrado na segunda aquisição). De fato a Recorrente apresentou cópia de Laudo de Avaliação Econômico Financeiro da PLANALTÃO, elaborado em maio de 1999, firmado e com identificação de seus autores. Esse relatório concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de R$ 82.100.000,00, em 31/12/1998. O Contrato de Aquisição de Participação Acionária e Outras Avenças, firmado em 13/05/1999, preço a ser pago pela aquisição foi fixado em R$ 73.800.000,00, por 90% das ações. Em relação a este valor o laudo é valido e suficiente. Para os 10% remanescentes, o laudo de 18 meses reflete a expectativa de rentabilidade futura na data da formação do preço, contudo não resta comprovado o pagamento do preço. No dia 28/12/2000, a Recorrente acordou a compra dos 10% restantes das ações de PLANALTÃO, de propriedade de JJPA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, pelo valor de R$ 9.500.000,00 (Cláusula Terceira do Contrato de fls. 2.006 a 2.016) Em 18/02/2013, o CARREFOUR apresentou cópia de página 399 do Diário Geral onde estaria registrado o pagamento referente à aquisição da primeira parcela do patrimônio do supermercado PLANALTÃO. No entanto, a pretensão de que esses documentos sirvam como prova do valor pago não se concretiza, isto porque os lançamentos contábeis não esclarecem o impacto da auditoria mencionada no item acima, passível de modificar o preço acordado. Não fica de modo algum claro qual teria sido o impacto da auditoria sobre o preço final, posto que não nos foi apresentado nenhum relatório com as conclusões do trabalho dos auditores nem tampouco qualquer comprovante de pagamento do valor da aquisição Mantenho a glosa do àgio correspondente a parte correspondente aos 10% referidos como segunda parcela remanesce, pela falta de comprovação do efetivo desembolso. Ante o exposto, dou parcial provimento ao denominado Ágio Planaltão para afastar a glosa dos valores referidos às operações de aquisição das empresas Supermercado Planaltão (comprovado 73.800.000,00). Aquisição da Organização Mineira de Supermercados Ltda. Segundo a Fiscalização, não foi apresentado nenhum relatório com as conclusões do trabalho dos auditores a respeito do valor do patrimônio da adquirida nem tampouco qualquer comprovante de pagamento do valor da aquisição. Ademais, não foi apresentado o laudo contábil que deveria ter sido levantado na data da aquisição ou até trinta dias, no máximo, antes dessa data. Portanto, na pendência da necessária documentação que comprovasse tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não foi possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Na aquisição da OMS, alega a Recorrente o preço de aquisição é demonstrado por meio da Carta de Intenção, assinada em 19/05/1999 bem como os outros Fl. 9245DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.231 31 documentos apresentados reforçam os pagamentos efetuados bem como o processo de formação do ágio. Tal operação foi objeto de análise pelo CADE no Ato de Concentração nº JUR_SP 26802733v1 514016.370244 9 08012.006899/9914, no qual o órgão regulador concluiu pela aprovação da operação, sem quaisquer restrições. Além disso, em decisão proferida nos autos do Processo Administrativo nº 16561.720140/201224, que discute a glosa de despesas de amortização de ágio que foram deduzidas pela Recorrente no anocalendário de 2007, as DD. Autoridades Julgadoras de 1ª Instância reconheceram 100% do ágio decorrente da aquisição da OMS pela Recorrente. Informa também que o pagamento do preço foi comprovado por meio Carta de Intenção, assinada em 19.5.1999, do Contrato de Compromisso de Venda e Compra de Ações e Outras Avenças, datado de 12.7.1999, e por meio da ata societária de aumento de capital da OMS pela Belopar (sociedade do Grupo Carrefour), de 18.7.1999. Além disso, foram apresentados todos os cheques relacionados à aquisição, que atingem o exato montante de R$ 225.000.000,00. Não bastasse isso, foi apresentada também a ata de cisão da OMS, por meio da qual os vendedores se retiraram da sociedade e receberam o valor do preço a que faziam jus pela transferência da participação societária. O valor do patrimônio líquido da OMS na data da aquisição pela Belopar atingia o montante de R$ 61.000.504,15, conforme Laudo de Avaliação do acervo líquido cindido da OMS. Contudo, conforme anotado na resolução de diligência, a Recorrente, embora solicitada ainda por ocasião da fiscalização, não teria feito prova do ajuste de preço previsto no contrato. Neste sentido, quanto ao valor depositado em conta bloqueada, sua natureza de preço efetivamente pago não restaria comprovada. A conclusão acima resultaria em alteração no valor do ágio, como resultado reflexo de se considerar um valor menor de preço pago no caso, poderia ser considerado como preço pago pela OMS não os R$225.000.000,00, mas apenas o valor final do negócio, isto é, o valor entregue aos vendedores não depositado em conta bloqueada, de 173.000.000,00, mais (eventualmente) o valor depositado em conta bloqueada que foi efetivamente levantado pelos vendedores, se aceita tal prova posterior. Todavia, a partir das informações constantes dos autos não é possível dizer qual seria o valor da glosa para os anos de 2009 a 2012 considerando tais parâmetros, seja pela falta da informação quanto aos valores das contas bloqueadas que foram levantados pelos vendedores, seja pela ausência de informação completa quanto aos critérios utilizados para o cálculo do ágio glosado, já que a glosa foi integral. Sobre tais fatos o pedido de diligência buscou esclarecer melhor a prova do pagamento e o valor a ser amortizado, com base nos seguintes questionamentos: (i) intimar a Recorrente a apresentar prova do valor depositado em conta bloqueada que foi efetivamente entregue aos vendedores da OMS e indicar os motivos pelos quais tal documento não foi apresentado por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor de R$173.000.000,00, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de Fl. 9246DF CARF MF 32 patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. Contudo, sobre tais questionamentos, conforme constatado pela diligência fiscal: O questionamento sobre o destino do valor depositado em conta bloqueada não foi respondido. Reafirmouse, no entanto, que o total que teria sido pago pela aquisição dos SUPERMERCADOS OMS foi de R$ 225.000.000,00. O laudo contábil de fls. 9.086 a 9.090 avaliou o patrimônio líquido da adquirida em R$ 61.000.504,15, que resultaria em ágio de R$ 163.999.495,75. No início do procedimento de fiscalização, no entanto, informouse sobrepreço de R$ 211.581.393,61 (fls. 364), condizente com o total constante da conta contábil “Ágio sobre Consolidadas” componente do ativo diferido do CARREFOUR. Considerando como preço pago o valor de R$ 173.000.000,00 e R$ 61.000.504,15 o patrimônio líquido da adquirida, o ágio total seria de R$ 111.999.495,85. Tendo em vista que o saldo de ágio no final de 2008 era de R$ 46.061.081,77 (fls. 9.074), significa dizer que, frente ao total de R$ 211.581.393,61, originalmente apropriado pelo CARREFOUR em sua contabilidade, restou amortizado o montante de R$ 165.520.311,84 até dezembro de 2008. Dessa forma, nada haveria para ser deduzido nos períodos seguintes. O Laudo econômicofinanceiro que estaria sendo elaborado com vistas a determinar prazo mínimo necessário para amortizar o saldo de ágio traz a informação de que 40% do ágio apropriado na aquisição foi deduzido entre 01/01/2001 e 31/12/2002, restando R$ 126.948.836,16 a ser abatido em 113 meses a partir de 01/01/2003 (fls.1.071) ou R$ 1.123.441,02 ao mês. Em sua manifestação sobre o Resultado da diligência, a Recorrente insiste que não haveriam dúvidas de que todos os atos envolvidos na operação de aquisição da OMS estão devidamente evidenciados e comprovados, não sendo legítima qualquer alegação que pretendesse colocar em dúvida os seus devidos efeitos fiscais e reclama que: 14. O preço pago pela Recorrente na aquisição de 100% das quotas da OMS foi de R$ 225.000.000,00, conforme ficou comprovado pelos seguintes documentos juntados pela Recorrente: (i) Carta de Intenção, assinada em 19.5.1999 (doc. nº 17 da Impugnação); (ii) Contrato de Compromisso de Venda e Compra de Ações e Outras Avenças, datado de 12.7.1999 (doc. nº 19 da Impugnação), e (iii) ata societária de aumento de capital da OMS pela Belopar (sociedade do Grupo Carrefour), de 18.7.1999 (doc. nº 22 da Impugnação). Além disso, foram apresentados todos os cheques relacionados à aquisição, que atingem o exato montante de R$ 225.000.000,00 (docs. nº 20 e 21 da Impugnação). 15. Como forma de comprovar o preço efetivamente pago, a Recorrente ainda apresentou a ata de cisão da OMS (doc. nº 22 da Impugnação), por meio da qual os vendedores se retiraram da OMS e receberam o valor do preço a que faziam jus pela transferência da participação societária. 16. De acordo com o Laudo de Avaliação do acervo líquido cindido da OMS (doc. nº 23 da Impugnação), o patrimônio líquido remanescente da OMS após a cisão era de R$ 61.000.504,15. É exatamente esse o valor de patrimônio líquido que Fl. 9247DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.232 33 foi adquirido pela Recorrente (valor do patrimônio líquido no dia do fechamento do negócio, póssaída dos vendedores). 17. Portanto, como resultado dessa aquisição da participação societária, registrouse um ágio no valor de R$ 163.999.495,85 (e não R$ 211.581.393,61, como afirmado no Relatório Conclusivo de Diligência). Isso porque, o valor investido pela sociedade para adquirir 100% das quotas da OMS atingiu o montante de R$ 225.000.000,00, enquanto que o patrimônio líquido adquirido foi de R$ 61.000.504,15. 18. Dessa forma, tendo em vista que o saldo de ágio em dezembro de 2008 era de R$ 46.061.081,77, significa dizer que, frente ao total de R$ 163.999.495,85, originalmente apropriado pela Recorrente em sua contabilidade, restou amortizado o montante de R$ 117.938.414,08 (e não R$ 165.520.311,84, como afirmado pela Fiscalização – fls. 9108). Assim, o ágio teria sido suportado por laudo de avaliação preparado de acordo com a legislação tributária em vigor ao tempo dos fatos. A legislação tributária não estipula qualquer requisito no sentido de que a demonstração de suporte de ágio deve corresponder a laudo preparado por empresa terceira e especializada, elaborado ao tempo da aquisição. Ainda que referido laudo de avaliação tenha sido elaborado após a data da aquisição, a sua database e os dados utilizados como base para a avaliação estão relacionados ao tempo da aquisição. Contudo em tendo sido demonstrado pelo resultado da diligência que o saldo de ágio no final de 2008 era de R$ 46.061.081,77 (fls. 9.074), significa dizer que, frente ao total de R$ 211.581.393,61, originalmente apropriado pelo CARREFOUR em sua contabilidade, restou amortizado o montante de R$ 165.520.311,84 até dezembro de 2008. Dessa forma, nada haveria para ser deduzido nos períodos seguintes. Em nada influenciando, neste resultado a decisão proferida nos autos do Processo Administrativo 16561.720140/201224, que se discute a glosa de despesas de amortização de ágio foram deduzidas pela Recorrente no ano calendário 2007, no qual foi reconhecida a dedutibilidade de 100% do ágio decorrente da aqusição da OMS, já que os valores identificados como de possível amortização esgotaramse em dezembro de 2008. Anoto que não se trata de inovação no critério de julgamento, mas de questão de prova do valor efetivamente comprovado, não adianta apenas o ágio ser bom, mas deste ser suficiente à amortização pretendida, e no caso dos autos o valor comprovado como existentes foi inferior ao contabilizado. Assim mantenho a glosa do ágio OMS. Aquisição da Consensus: Segundo a Fiscalização, não foi apresentado nenhum relatório com as conclusões do trabalho dos auditores a respeito do valor do patrimônio da adquirida nem tampouco qualquer comprovante de pagamento do valor da aquisição. Ademais, não foi apresentado o laudo contábil que deveria ter sido levantado na data da aquisição ou até trinta dias, no máximo, antes dessa data. No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal ressalta que a contribuinte apresentou cópia de Laudo de Avaliação EconômicoFinanceiro da CONSENSUS, Fl. 9248DF CARF MF 34 elaborado em janeiro de 2006. O citado relatório concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de R$ 379.479.000,00, em 30/05/2005 . Primeiro, celebrase o contrato, fixase o preço, depois, encomendase Laudo que se espera dê suporte ao fundamento econômico escolhido para o registro do ágio, em claro confronto com o disposto no § 3º do artigo 385 do RIR/99. Ressalta a autoridade fiscal que o Diário Geral registra ágio sobre estoques da CONSENSUS, no valor de R$ 13.286.000,00.e alerta que esse tipo de mais valia não pode ser confundido com ágio sobre a expectativa de rentabilidade futura, devendo ser registrado em conta própria. Conclui a autoridade fiscal que na pendência da necessária documentação que comprove tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não é possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Na aquisição da Consensus, a interessada afirma que o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças, assinado em 08/06/2005 bem como os outros documentos apresentados reforçariam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio. Destaca a Recorrente que a operação foi objeto de análise pelo CADE no Ato de Concentração nº 08012.004692/200551, no qual o órgão regulador concluiu pela aprovação da transação sem quaisquer restrições. O pagamento do preço foi comprovado por meio do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças, de 8.6.2005, e por meio dos lançamentos contábeis da Recorrente que evidenciam a saída do dinheiro. O ajuste de preço da aquisição, no valor de R$ 15.197.144,37 teria comprovado por meio do demonstrativo de ajuste de estoque e reclassificação de ativos imobilizados. Demonstra ela que o valor do patrimônio líquido da Consensus era de R$ 176.871.257,00, conforme balanço patrimonial datado de 15.6.2005. Foi também juntado demonstrativo de cálculo efetuado para alcançar o valor do ágio. Ágio suportado por laudo de avaliação preparado de acordo com a legislação tributária em vigor ao tempo dos fatos. Ainda que referido laudo de avaliação tenha sido elaborado após a data da aquisição, a sua database e os dados utilizados como fundamento para a avaliação estão relacionados ao tempo da aquisição. Analisando o contexto probatório, a diligência apontou que: Em resposta ao Termo de início desta diligência, o CARREFOUR juntou cópia de comprovante de transferência bancária destinada à SONAE DISTRIBUIÇÃO BRASIL, efetuada no dia 15/06/2005, no valor de R$ 63.400.000,00. Provavelmente, essa soma referese ao cumprimento do estipulado na Cláusula 4.1.1(i) do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças. Mesmo que a transferência bancária relatada no item anterior fosse identificada como pagamento, não seria possível se chegar ao valor do ágio apurado na aquisição do investimento, haja vista que o patrimônio líquido da adquirida somava mais de R$ 176 milhões. Os outros dois documentos (cópia do razão contábil da empresa e de planilha que registraria eventual ajuste na composição do preço final) são elementos que já constam no processo e não são suficientes para atestar o valor total que foi pago na Fl. 9249DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.233 35 compra da participação, de modo que não é possível nem calcular o valor total do ágio que teria surgido na aquisição nem se apurar o eventual montante do pagamento pela expectativa de rentabilidade futura. Assim, uma vez constatada a ausência de comprovação do pagamento do preço aos junto aos vendedores, nego provimento ao recurso em relação a este item. Aquisição da LASA 5239. Na aquisição da 5239, segundo a contribuinte, o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Contrato de Compromisso de compra e Venda de Ações, bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio. No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal ressalta que a contribuinte apresentou cópia de Laudo de Avaliação EconômicoFinanceiro da STOC, elaborado em 31/10/1998. O citado relatório concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de U$ 285.800.000,00, o qual equivaleria a R$ 340.100.000,00 em 21/10/1998. Neste presente caso, o trabalho fiscal constatou algumas inconsistências em análise da documentação apresentada pela contribuinte, as quais merecem ser reproduzidos a seguir: Na cópia do relatório preliminar, que estaria sendo elaborado para fornecer subsídios para ampliação do prazo de amortização do saldo remanescente do ágio, consta que o CARREFOUR teria desembolsado a quantia e R$ 326.534.000,00 na aquisição, que frente ao valor dos investimentos na rede STOC, avaliado em R$ 57.777.000,00, geraria o ágio de R$ 68.757.000,00, registrado pelo CARREFOUR; Vejase, no entanto, que o montante de R$ 57.777.000,00 provavelmente se refere ao capital social da empresa e não ao valor do patrimônio líquido da sociedade adquirida, conforme se depreende do Laudo de avaliação Contábil elaborado em 29/04/1999 (fls. 1.518 a 1538), para fins de incorporação da STOC ao CARREFOUR, que foi objeto da 9ª Alteração do Contrato Social do CARREFOUR; Na hipótese de que os valores de aquisição e do patrimônio líquido a STOC refletirem a realidade, colhidos indiretamente por menção nos documentos citados nos itens anteriores, o ágio máximo que se poderia contabilizar seria de R$ 259.134.000,00. Ainda assim, a amortização estaria condicionada a demonstração de que todo o excesso pago na aquisição poderia ser atribuído à expectativa de rentabilidade dos exercícios futuros da empresa adquirida; Em 10/02/2014, foram juntadas cópias de recibos firmados pela vendedora que totalizam apenas US$ 204.437.660,40. Esse valor, convertido para reais pela taxa de câmbio fornecida pelo Banco Central do Brasil para o dia da assinatura do contrato de compra e venda (R$ 1,1756), resultaria em R$ 240.336.913,00; Na ausência de qualquer outro comprovante de pagamento, o ágio máximo admitido seria de R$ 172.936.913,00. A amortização acumulada, até o ano de 2008, alcança a quantia de R$ 234.713.000,00 e nada haveria para ser deduzido nos períodos sob análise. Fl. 9250DF CARF MF 36 Conclui a autoridade fiscal que na pendência da necessária documentação que comprove tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não é possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Na defesa de seu interesse a Recorrente aduz que a operação foi analisada pelo CADE, que concluiu pela aprovação da operação sem quaisquer restrições, conforme Ato de Concentração nº 08012.008782/9867. O pagamento do preço de aquisição da 5239 pelo Grupo Carrefour foi comprovado pelo Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, pelo laudo de rentabilidade futura citado pela D. Fiscalização, demonstrando que o valor pago foi de R$ 326.534.000,00, e pelos contratos de depósito e recibos. O valor do patrimônio líquido da 5239 era de R$ 59.955.000,00, conforme o Laudo de Avaliação preparado para fins de contribuição dos bens das Lojas Americanas em aumento de capital da sociedade. Contudo, o resultado da Diligência apontou que: Os documentos juntados pelo CARREFOUR em atendimento ao requisitado nesta diligência, com vistas à comprovação do preço final pago pelo investimento, são os mesmos que foram entregues durante o procedimento de fiscalização. O documento nº 13, anexo à resposta ao Termo de Início traz balanço patrimonial de 5239 COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES S.A., que avaliou o patrimônio líquido da empresa em R$ 59.955.000,00. Considerandose comprovado o valor de R$ 240.336.912,00, temos que o ágio total seria de R$ 180.381.912,00. Como a amortização acumulada registrada pelo CARREFOUR até o final do ano de 2008 foi de R$ 234.713.000,00, nada haveria para ser deduzido nos períodos subsequentes. O saldo remanescente do ágio em 31/12/2002, no montante de R$ 85.108.000,00, passou a ser amortizado no período de 10 anos. (fls. 1.538) Assim, considerando que o auto de infração em discussão trata de glosa as despesas relativas à amortização de ágio nos anos de 2009 a 2012. Observo que os mesmos ágios (mesmas operações societárias) relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008 foram objeto do processo 16561.720.140/201224, já julgado por outra turma deste CARF nos termos do acórdão 1402002.144 e constado a diligência que a amortização acumulada registrada pelo CARREFOUR até o final do ano de 2008 foi de R$ 234.713.000,00, nada haveria para ser deduzido nos períodos subsequentes, mantenho a glosa. Aquisição CRL Segundo a Fiscalização, não foi apresentado nenhum relatório com as conclusões do trabalho dos auditores a respeito do valor do patrimônio da adquirida nem tampouco qualquer comprovante de pagamento do valor da aquisição. Ademais, não foi apresentado o laudo contábil que deveria ter sido levantado na data da aquisição ou até trinta dias, no máximo, antes dessa data. Ressaltou a autoridade fiscal que o CARREFOUR apresentou cópia de Laudo de Avaliação Econômico Financeiro da CRL, elaborado em 30/07/1999. Esse relatório concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de R$ 92.776.000,00, em 30/06/1999. Primeiro, celebrase o contrato, fixase o preço, depois, encomendase Laudo que se espera dê suporte ao fundamento econômico escolhido para o registro do ágio, em claro confronto com o disposto no § 3º do artigo 385 do RIR/99. Fl. 9251DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.234 37 Portanto, na pendência da necessária documentação que comprovasse tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não foi possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Na aquisição da CRL, afirma a interessada que o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda Condicional de Novas Ações, assinada em 02/07/1999 bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio, a operação foi objeto de análise pelo CADE no Ato de Concentração nº 08012.006526/9915, concluindo pela aprovação da transação, sem quaisquer restrições. O pagamento do preço de aquisição foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda Condicional de Novas Ações e Outras Avenças, de 2.7.1999, e por meio da ata societária de aumento de capital da sociedade pela Saintpar, de 2.8.1999. Demonstra também que o pagamento também foi evidenciado pela ata de cisão da CRL, na qual houve a retirada dos vendedores e o recebimento do preço acordado contratualmente. O valor de patrimônio líquido da CRL era de R$ 30.636.000,00, conforme Protocolo e Justificação de Cisão Parcial da CRL que estabeleceu que a parcela remanescente do patrimônio da CRL após a cisão passou a ser de R$ 30.636.000,00. Desta forma, o ágio suportado por laudo de avaliação preparado de acordo com a legislação tributária em vigor ao tempo dos fatos. Mais uma vez, a Recorrente esclarece que a legislação tributária não estipula qualquer requisito no sentido de que a demonstração de suporte de ágio deve corresponder a laudo preparado por empresa terceira e especializada, elaborado ao tempo da aquisição. Essa exigência não se encontra no artigo 385, §3º, do RIR/99, ao contrário do que foi afirmado na r. Decisão recorrida. A contribuinte apresentou a mesma documentação já analisada pela Fiscalização (fls.6.415/6.685) não havendo a comprovação dos pagamentos efetuados nas transações bem como não foi apresentado laudo contábil que deveria ter sido levantado na data da aquisição ou até trinta dias, no máximo, conforme já solicitado pela autoridade fiscal. Nenhum esclarecimento adicional foi constatado após a realização da diligência ou manifestação da Recorrente, razão pela qual mantenho a glosa do ágio pela falta de comprovação do efetivo desembolso, pois o contrato prevê hipótese de ajustes no preço acertado, a depender de futura auditoria a ser realizada, sendo que não há notícia do resultado dessa auditoria, e nem comprovante dos valores efetivamente desembolsados. Mantenho a glosa. Aquisição RDC Segundo a Fiscalização, o documento apresentado pela interessada (Compromisso de Aquisição de Participação Societária e Outras Avenças firmado em 04/12/1999) a cláusula 4.1 do Contrato, estipulou que parte do preço total a ser pago pela aquisição estava vinculada a evento futuro, que dependia da apuração do faturamento de algumas lojas. Somemse a isso as previsões dispostas na seção nº 4 do Contrato, que estipulam que o preço a ser pago poderia também ser alvo de ajustes, a depender da conclusão de auditorias a serem realizadas para avaliar o patrimônio que estava sendo adquirido. Fl. 9252DF CARF MF 38 A autoridade fiscal faz em seu TVF menção à apresentação da documentação no curso da fiscalização entre eles o quadro demonstrativo dos valores que, na data do fechamento, teriam sido disponibilizados pela BREPA aos exproprietários do RDC equivalente a R$ 664.837.252,00, R$ 175.000.000,00 liberados aos vendedores e o restante depositado em contas bloqueadas (fl. 1.207) e recibos que totalizam R$ 13.101.000,00, referentes a reembolsos feitos pelos antigos sócios da empresa adquirida em virtude de ajustes apurados pelo confronto entre o faturamento estimado e o realizado em algumas das lojas que compunham o acervo transacionado (fls.1.226 a 1.230). Neste caso, não foi apresentado nenhum relatório com as conclusões do trabalho dos auditores a respeito dos valores e das quantidades dos ativos que seriam transferidos e também para apuração de diferença entre saldos dos valores do ativo circulante mais realizável a longo prazo, inclusive estoque, e dos valores do passivo circulante mais exigível a longo prazo, nos termos da cláusula 3.4.2 do Contrato. Ressalta a autoridade fiscal que o CARREFOUR apresentou cópia de Laudo de Avaliação Econômico Financeiro da RDC, elaborado em 21/01/2000. Esse relatório concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor do capital da empresa seria de R$ 688.038.000,00. A autoridade fiscal verificou que não constava entre as declarações de imposto de renda do RDC apresentadas no período nenhuma menção a qualquer outro evento societário, dentre os previstos no artigo 386 do RIR/99, que autorizassem a amortização do ágio. Frisa a Fiscalização que na pendência da necessária documentação que comprove tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser o ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, é motivo suficiente para não aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Concluiu a autoridade fiscal ser inadmissível a amortização do ágio registrado na apuração do lucro real, mormente a pendência de comprovação tanto em relação ao seu montante quanto ao seu correto enquadramento em um dos fundamentos ditados no § 2º do artigo 385 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99,cuja matriz legal é o § 2º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/77. Por seu lado, na aquisição da RDC, a Recorrente diz que o preço de aquisição foi demonstrado pelo pagamento efetuado pela Brepa bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio. Cabendo destacar que a maioria das lojas da RDC foram fechadas devendo as parcelas dos fundos de comércio ou ágio ser baixadas como perdas dedutíveis. A operação foi objeto de análise pelo CADE no Ato de Concentração nº 08012.008326/9999, concluindo pela sua aprovação, sem quaisquer restrições. Além disso, a decisão proferida nos autos do Processo Administrativo nº 16561.720140/201224, que discute a glosa de despesas de amortização de ágio que foram deduzidas pela Recorrente no anocalendário de 2007, as DD. Autoridades Julgadoras de 1ª Instância reconheceram o ágio decorrente da aquisição da RDC pelo Grupo Carrefour. O pagamento do preço de aquisição segundo a recorrente teria sido demonstrado por meio do Compromisso de Aquisição Societária e Outras Avenças e por meio dos recibos e contratos de depósito do total do preço. Fl. 9253DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.235 39 O valor de patrimônio líquido da RDC era de R$ 3.399.000,00, identificado por meio dos Laudos de Avaliação das parcelas que foram cindidas da Rainha, Dallas e Continente para fins de incorporação ao patrimônio da RDC, em momento anterior à transferência das quotas da sociedade para o Grupo Carrefour. Além disso, conforme recorrente teria sido comprovada e demonstrada a forma como o valor total do ativo diferido, antes registrado na RDC, foi transferido para a Recorrente: (i) duas cisões da RDC, com posterior incorporação da parcela cindida na Recorrente, em que houve transferência de R$ 199.718.715,40 do ativo diferido (soma da primeira cisão, no valor de R$ 112.331.958,50, com a segunda cisão no valor de R$ 87.386.756,91) e (ii) a venda dos estabelecimentos anteriormente operados pela RDC à Recorrente, na qual foi transferida parcela de R$ 427.834.125,32 do ativo diferido, acrescido do JUR_SP 26802733v1 514016.370244 12 valor de R$ 5.801.877,60 que corresponde ao custo adicional que a Recorrente teve para assumir o ativo diferido no âmbito da aquisição dos estabelecimentos. Assim, o ágio teria sido suportado por laudo de avaliação preparado de acordo com a legislação tributária em vigor ao tempo dos fatos. Além disso, a Recorrente destaca que a parcela de ágio no valor de R$ 20.766.411,27 foi alocada para a maisvalia dos bens do ativo da RDC. Anoto que a autoridade fiscal faz em seu Termo de Encerramento e Constatação menção à apresentação da documentação apresentada no curso da fiscalização entre eles o quadro demonstrativo dos valores que, na data do fechamento, teriam sido disponibilizados pela BREPA aos exproprietários do RDC equivalente a R$ 664.837.252,00, R$ 175.000.000,00 liberados aos vendedores e o restante depositado em contas bloqueadas. Foram encontrados recibos que totalizam R$ 13.101.000,00, referentes a reembolsos feitos pelos antigos sócios da empresa adquirida em virtude de ajustes apurados pelo confronto entre o faturamento estimado e o realizado em algumas das lojas que compunham o acervo transacionado (fls.1.226 a 1.230). Consta nos autos que a Recorrente firmou, em 04/12/1999, o Compromisso de Aquisição de Participação Societária e Outras Avenças para a aquisição de todas as cotas de RDC SUPERMERCADOS LTDA. No dia 21/01/2000, data do “closing”, momento no qual se transfeririam as quotas, o CARREFOUR indicou sua controladora, BREPA COMÉRCIO E PARTICIPAÇÃO LTDA, como sucessora de seus direitos e obrigações criados por meio do Contrato. Foi nos fornecida cópia do Laudo EconômicoFinanceiro, que concluiu, com base no método do fluxo de caixa descontado, que o valor econômico do RDC era, em 21/01/2000, de R$ 688.038.000,00. No processo 16561.720140/201224 foi reconhecido pela 2a TO da 4a CAM que o ágio da RDC tinha a comprovação de pagamentos e montava num total de R$ 622.552.841,73, conforme abaixo transcrito na decisão. Fl. 9254DF CARF MF 40 A fiscalização informa, conforme informado em TVF que até 31/12/2008 a recorrente havia utilizado R$ 349.793.862,40. O valor do ágio RDC que foi objeto de glosa no presente auto de infração foi de R$ 183.931.366,00. Temos então que a soma do ágio utilizado até 31/12/2008 mais o ágio utilizado em 209, 2010, 2011 e 2012 totalizam R$ 533.725.228,40, ou seja, valor inferior ao montante do ágio cujos pagamentos estão comprovados que é de R$ R$ 622.552.841,73. Assim, ao contrário da conclusão exarada pela diligência, o ágio comprovado foi suficiente para suportar os lançamentos realizados pelo contribuinte a título de despesas de ágio, razão pela qual deve ser cancelada a glosa RDC. Razão pela qual, dou provimento ao recurso em relação a este item. Aquisição Elysee Na aquisição da Elysee (Supermercados Gimenes), o preço de aquisição, segundo a Recorrente, foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças, bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio. No referido instrumento, o pagamento do preço restaria demonstrado pelo Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças, pela proposta para aquisição judicial de 22 (vinte e duas) filiais, apresentada junto com a Nações Unidas, e pelos comprovantes de pagamento. Após os ajustes realizados, o preço efetivamente pago pela Recorrente pela aquisição da sociedade Elysee foi de R$ 54.997.452,12. Segundo informação prestada pelo CARREFOUR, o ágio que vem sendo amortizado teve como fundamento econômico a rentabilidade prevista em exercícios futuros da adquirida, conforme previsto no § 2º, do inciso II, do art. 385, do RIR/99. Não nos foi fornecido, no entanto, nenhum demonstrativo de que comprove que todo o ágio foi pago em razão de expectativa de rentabilidade futura da adquirida. Diante disso, concluiu a autoridade fiscal que na pendência da necessária documentação que comprove tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser o ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não é possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. O resultado da diligência apontou que: O CARREFOUR apresentou cópia do laudo de avaliação econômica do investimento adquirido, que foi elaborado cerca de 15 (quinze) meses após a assinatura do contrato que selou a compra dos SUPERMERCADOS GIMENES. Fl. 9255DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.236 41 Nenhuma novidade em relação ao documento representativo da situação patrimonial da adquirida. A informação juntada nesta diligência é a mesma que se encontra no processo e que foi rejeitada por não discriminar os critérios de avaliação nem identificar seus autores. Nada se acrescentou, igualmente, no que tange aos comprovantes de pagamento do preço final. Dessa forma, não é possível nem calcular o valor total do ágio que teria surgido na aquisição nem se apurar o eventual montante do pagamento pela expectativa de rentabilidade futura. Dessa forma, mantémse a glosa, conforme proposto pela autoridade fiscal. Aquisição Rede ZAP Na aquisição da Rede ZAP, o preço de aquisição, segundo a Recorrente, foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avencas bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio. A operação foi objeto de análise pelo CADE no Ato de Concentração nº 08012.005888/200813, concluindo pela sua aprovação, sem quaisquer restrições. Após todos os ajustes decorrentes da negociação, o preço efetivamente pago pela Recorrente foi de $ 24.517.182,09 e o valor de patrimônio líquido das 12 (doze) empresas da Rede ZAP, na data da aquisição pela Recorrente, era negativo em R$ 12.157.495,55, conforme balanço patrimonial datado de 30.7.2009. A autoridade fiscal constatou que, segundo informação prestada pelo CARREFOUR, o ágio que vem sendo amortizado teve como fundamento econômico a rentabilidade prevista em exercícios futuros da adquirida, conforme previsto no § 2º, do inciso II, do art. 385, do RIR/99. Não foi fornecido, no entanto, nenhum demonstrativo que comprove que todo o ágio foi pago em razão de expectativa de rentabilidade futura da adquirida. Concluiu a autoridade fiscal que na pendência da necessária documentação de comprovação tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não era possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. A contribuinte apresentou a mesma documentação já analisada pela Fiscalização (fls.7.790/ 8.287) não havendo apresentação do laudo contábil que deveria ter sido levantado na data da aquisição ou até trinta dias, no máximo, conforme já solicitado pela autoridade fiscal, ou documento que lhe fizesse as vezes. Referendando este entendimento o resultado da diligência constatou: Forneceuse no curso desta diligência laudo de avaliação econômico financeira, elaborado com vistas a dar suporte ao preço pago. O estudo foi entregue ao CARREFOUR alguns meses após a conclusão do negócio. O documento nº 18, anexo à resposta ao Termo de Início deste procedimento (fls. 8.719) é cópia do que consta nos autos do processo e não traz os critérios de avaliação nem identifica seus autores. Os balanços patrimoniais das empresas adquiridas e apresentados nesta coleta de informações foram levantados no momento da incorporação ao patrimônio do adquirente, que ocorreu cerca de 16 meses após a assinatura do contrato de aquisição do investimento. Fl. 9256DF CARF MF 42 Dessa forma, não é possível nem calcular o valor total do ágio que teria surgido na aquisição nem se apurar o eventual montante do pagamento pela expectativa de rentabilidade futura. Mantenho a glosa do ágio pela falta de comprovação do efetivo desembolso, pois o contrato prevê hipótese de ajustes no preço acertado, a depender de futura auditoria a ser realizada, sendo que não há notícia do resultado dessa auditoria, e nem comprovante dos valores efetivamente desembolsados. Assim mantenho a glosa. Juros sobre multa de ofício Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Assim, não procede o argumento no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. Ademais, no que diz respeito a esse questionamento anoto a solução proposta pela Súmula CARF 108, no sentido de que: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício". Razão pela qual , conforme apresentado acima, entendo estar correta a decisão de Piso na parte em manteve a exigência da aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário relativo à multa de ofício. Assim, complemento o voto por negar provimento ao recurso quanto a este ponto. Assim, mantenho os juros sobre a multa de ofício. Juros Selic Fl. 9257DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Acórdão n.º 1401003.120 S1C4T1 Fl. 9.237 43 No que se refere aos juros de mora, a questão resta pacificada pela Súmula CARFnº 4, segundo a qual "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Confisco e Multa de Ofício. A multa de ofício foi aplicada por ter sido constatada, pela fiscalização, indedutibilidade das despesas a amortização ágio por permuta de ativos, sendo o montante da penalidade aplicado sobre o valor apurado dos tributos, nos termos do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96. Ademais, em relação a questões relacionadas a constitucionalidade do instituto, vale lembrar o conteúdo da Súmula CARF n. 2, segundo a qual: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Mantenho a multa de ofício em 75%. Conclusão: Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para afastar as preliminares de nulidade e arguições de decadência para, no mérito, dar parcial provimento tão somente para afastar a glosa do valor de R$73.800.000,00, relativo à operação de aquisição da empresa Supermercado Planaltão e R$183.931.366,00 relativos à operação de aquisição da empresa RDC. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 9258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901308/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 28/12/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE.
Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a não-homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito.
INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE.
A simples retificação da DCTF não é meio hábil para comprovar o direito creditório reclamado.
Numero da decisão: 2201-005.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 28/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a não-homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE. A simples retificação da DCTF não é meio hábil para comprovar o direito creditório reclamado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.901308/2009-78
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5987289
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-005.038
nome_arquivo_s : Decisao_16327901308200978.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 16327901308200978_5987289.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7695805
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660976128000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 128 1 127 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.901308/200978 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201005.038 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente BANCO ALFA DE INVESTIMENTO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 28/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE. A simples retificação da DCTF não é meio hábil para comprovar o direito creditório reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 13 08 /2 00 9- 78 Fl. 129DF CARF MF 2 Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário de fls. 57/65 apresentado em face da decisão de primeiro grau (fls. 44/49) que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido, a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório (fl. 8), inexiste o crédito pleiteado pelo ora Recorrente. Da Manifestação de Inconformidade Intimada do despacho decisório, apresentou manifestação de inconformidade que constou do relatório da decisão recorrida, da seguinte forma: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/Dcomp nº 31625.71284.040106.1.3.040023, formulada para extinguir débito de IRRF de R$ 37.634,09, código 6800, com vencimento em 04/01/2006, com crédito decorrente de pagamento indevido de IRRF de R$ 82.274,09, código 6800, realizado por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), com data de arrecadação de 28/12/2005 e valor de R$ 82.274,09. O crédito apontado pela interessada não foi reconhecido porque ele teria sido integralmente utilizado em um ou mais pagamentos anteriores, não restando valor disponível para compensação do débito informado no PER/Dcomp, conforme consignado na decisão recorrida de fls. 8 na qual consta que o crédito foi utilizado para pagamento de débito de valor idêntico ao respectivo pagamento sem que restasse qualquer saldo. Notificada da decisão por via postal em 04/03/2009, conforme informado em fls. 36, a contribuinte manifestou seu inconformismo em 03/04/2009, fls. 02, alegando que a divergência apontada no despacho decisório seria decorrente de uma falta de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de dez/2005, omissão que já teria sido sanada em 03/04/2009 para regularizar a pendência apontada. Em primeiro grau a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 44/49) sob o entendimento de que: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 16327.901308/200978 Acórdão n.º 2201005.038 S2C2T1 Fl. 129 3 Em síntese, repisa a pertinência do crédito declarado na PER/DCOMP supracitada, assentando que a entidade incorreu em erro de preenchimento do montante do débito supracitado, confessado na DCTF mensal atinente a dez/2005. Nesse sentido, sustenta sua alegação acerca da existência do indébito tributário amparandose tão somente nas alterações levadas a efeito através da declaração retificadora transmitida em 03/04/2009, fls. 35. Assim sendo, notase que efetivou a redução extemporânea do débito originalmente confessado no valor de R$ 82.460,80, alterandoo para R$ 45.280,24 mediante entrega de alteração da declaração, feita em 03/04/2009, fls. 35, após a data de ciência do despacho decisório em 04/03/2009, fls. 36. Apesar dos argumentos que cogitam demonstrar a inconsistência das conclusões expressas no despacho decisório, compete elucidar que tal iniciativa, por si só, não permite corroborar a pretensão demandada na manifestação de inconformidade, porquanto carente da pertinente dilação probatória necessária à aferição do cumprimento dos pressupostos de existência e validade do crédito postulado, bem como a disponibilidade patrimonial da importância reivindicada para exercício da compensação declarada. Importa acentuar que a iniciativa levada a efeito em relação aos dados originalmente confessados em DCTF perfaz evidenciar, tão somente, a mera intenção de reduzir o tributo que serviu de diretriz para a análise da pertinência da origem do crédito e alicerce para as inferências reportadas no despacho decisório, assim, denotando o único propósito de se estabelecer uma tênue conexão com as alusões que tencionam persuadir a autoridade julgadora acerca de pretensa lidimidade do importe noticiado na DCOMP eletrônica. Outrossim, as medidas supostamente corretivas promovidas a destempo revelam a desídia do requerente quanto à rigorosa observância das normas de regência das matérias inerentes à lide e, notadamente, a absoluta ausência de instrução dos autos com provas concludentes que exprimam materialmente as arguições tuteladas na manifestação de inconformidade. É de ser destacado que, antes da ciência do despacho decisório, conservouse inerte no tocante às circunstâncias afetas ao débito confessado pela entidade. Aliás, justamente em razão do montante declarado, as inferências assentadas na decisão administrativa certificaram a inexistência do direito creditório proveniente do DARF veiculado na aludida DCOMP eletrônica. Sob tais perspectivas, vale realçar que as informações prestadas em DCTF possuem o caráter de confissão de dívida e tem seus efeitos determinados com fulcro no art. 5o, do Decretolei nº 2.124, de 13/06/1984, cujo exercício da retificação espontânea das declarações deve ser executado mediante observância dos requisitos fixados pela legislação tributária, entre os quais a Fl. 131DF CARF MF 4 observância dos aspectos limitadores da espontaneidade do exercício desta prática pelo sujeito passivo. Neste cenário, defronte tais evidências, transferese ao sujeito passivo o ônus probante pertinente à colação de provas da ocorrência de imperfeições das informações prestadas na declaração precedente, bem como a adequada sustentação cabal das alterações levadas a efeito na DCTF retificadora transmitida extemporaneamente. É certo que a pretensão de retificação da CTF após a emissão do Despacho Decisório deve estar apoiada em suportes fáticos que revelem, de forma pormenorizada e cristalina, a pretensa ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF em referência; ou seja, as provas oferecidas a exame perante o órgão julgador devem corroborar na formação da convicção acerca da certeza e liquidez do crédito reclamado. Nestes termos, a comprovação das alegações aduzidas na fase litigiosa do procedimento deve ser conduzida mediante juntada de prova inequívoca hábil e idônea devidamente conjugada com a escrituração contábil e demonstrações financeiras, firmadas e regularmente levados a registro no órgão competente, à época dos fatos, as quais devem ser mantidas em boa ordem e conservados, sob a responsabilidade do sujeito passivo, a fim de serem colocadas à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, enquanto não ocorrida a prescrição do créditos tributários conexos aos fatos atrelados à declaração de compensação e outras conexas ao pretenso direito creditório, conforme disciplina o art. 195, parágrafo único do Código Tributário Nacional. Em síntese, compete ao requerente trazer aos autos o acervo documental competente e associado à tributação específica concernente ao período de apuração, acompanhados das respectivas Demonstrações Financeiras, do Livro Razão e do Livro Diário, devidamente escriturados e registrados na forma da legislação de regência, evidenciando, assim, os fatos contábeis e fiscais atrelados ao montante da base imponível que entende pertinente, sua apuração e recolhimentos correspondentes, compulsandose com a evolução do saldo da conta patrimonial de controle do indébito tributário, sem prejuízo da observância dos pressupostos legais norteados pelo art. 166 do Código Tributário Nacional, visto que a origem do crédito em apreço derivar de sujeição passiva exercida na condição de responsável tributário. Cientificada desta decisão (fl. 54), apresentou Recurso Voluntário. Do Recurso Voluntário Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 16327.901308/200978 Acórdão n.º 2201005.038 S2C2T1 Fl. 130 5 Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. A simples retificação da DCTF não tem o condão de reduzir tributo, pelo menos para o fim a que se pretende nos presentes autos. Ela deve estar lastreada com documentação contábil e fiscal, além disso, deveria ter sido trazida aos autos, de forma didática. Nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda Fl. 133DF CARF MF 6 exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário provalo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) No caso em tela,verificase de fato que houve a retenção do IRRF conforme se verifica do Extrato Caixa (fl. 122). Cumpre ressaltar que quanto à Fundação Eletrobras de Seguridade Social Eltros, é uma entidade entidade fechada de previdência social. Sendo assim, aplicase a ela o disposto no artigo 5º da Lei nº 11.053/2004, que dispõe: “Art. 5º A partir de 1o de janeiro de 2005, ficam dispensados a retenção na fonte e o pagamento em separado do imposto de renda sobre os rendimentos e ganhos auferidos nas aplicações Fl. 134DF CARF MF Processo nº 16327.901308/200978 Acórdão n.º 2201005.038 S2C2T1 Fl. 131 7 de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos de planos de benefícios de entidade de previdência complementar, sociedade seguradora e FAPI, bem como de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência.” Em outros termos, a dispensa da retenção do imposto de renda na fonte nos termos do disposto no artigo 5º contemplou expressamente as entidades de previdência complementar, sociedade seguradora e FAPI. Por outro lado, verificouse a situação em que houve um recolhimento indevido em nome da Fundação Eletrobras de Seguridade Social Eltros e por isso, com razão a decisão proferida, quando menciona o disposto no artigo 166, do CTN que dispõe: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Ocorre que se de fato não houvesse incidência do IRRF para a Fundação Eletrobras, estaríamos diante de um pagamento indevido a ele e por tal razão, a Recorrente deveria estar por ela autorizada a fazêlo, o que não comprovou nos presentes autos. Também não favorece à Recorrente a comprovação da devolução ao fundo de investimento, que consta na fl. 123, o valor retido, de forma indevida: Por outro lado, o comprovante de transferência ao fundo de investimento não deveria ter sido feito, mas para a Fundação Eletrobras. Fl. 135DF CARF MF 8 Sendo assim, não merece reparos a decisão proferida em sede de primeira instância. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007334/2005-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.948
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10380.007334/2005-53
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5988086
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.948
nome_arquivo_s : Decisao_10380007334200553.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10380007334200553_5988086.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7696729
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660984516608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1515; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 163 1 162 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.007334/200553 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.948 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de março de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente MAJELA HOSPITALAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo no Acórdão nº 0819.123: Trata o presente processo de Pedido de Compensação/Ressarcimento protocolado em 25 de agosto de 2005, relativo a valores de COFINS referentes aos 3o e 4o trimestres de 2004 e 1o e 2o trimestres de 2005. totalizando o montante de RS 2.791.302,60, conforme folhas 01/07 e 27/32, posteriormente retificado, tendo sido excluído o período de apuração referente aos 1o e 2o trimestres de 2005 (fls. 41). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 07 33 4/ 20 05 -5 3 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10380.007334/200553 Resolução nº 3201001.948 S3C2T1 Fl. 164 2 Irresignada com o não reconhecimento do crédito e a não homologação das compensações pela instância "a quo' a interessada oferece manifestação de inconformidade às folhas 97/112, alegando, em síntese, que: • DA AUSÊNCIA DE ANÁLISE QUANTO À POSSIBILIDADE DE TOMADAS DE CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE DESPESAS COM FRETE SOBRE VENDAS, DESPESAS DE ALUGUÉIS A PESSOAS JURÍDICAS, DESPESAS COM ARRENDAMENTO MERCANTIL, DESPESAS E CUSTOS COM ENERGIA, ALÉM DE OUTROS CRÉDITOS. "O pedido de ressarcimento/compensação pleiteado pela Requerente abrange créditos de COFINS calculados sobre bens adquiridos para revenda, despesas com frete sobre vendas, despesas de aluguéis a pessoas jurídicas, despesas com arrendamento mercantil, despesas e custos com energia, além de outros créditos, tais quais discriminados no 'DACON Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais', acostados às fls. 76/81 dos presentes autos. Ocorre que ao analisar o direito envolvido no referido processo, o Ilmo. Sr. Auditor Fiscal apenas atevese à impossibilidade de desconto de créditos calculados sobre bens adquiridos para revenda enquanto sujeitos à tributação monofásica da Contribuição para a COFINS, olvidando a análise dos demais créditos apresentados. Não há dúvidas quanto à possibilidade do reconhecimento do direito ao crédito relativo aos demais itens elencados no DACON, conforme preceitua art. 3º da Lei n°. 10.833/2003. Assim, requer sejam apreciados por esse Douto Órgão, os demais itens apresentados pela Requerente, com a homologação do pedido de ressarcimento quanto aos créditos de COFINS calculados sobre demais bens adquiridos para revenda, despesas com frete sobre vendas, despesas de aluguéis a pessoas jurídicas, despesas com arrendamento mercantil, despesas e custos com energia, além de outros créditos, tais quais discriminados no 'DACON'. • DA SEDE CONSTITUCIONAL DO REGIME NÃOCUMULATIVO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O P1S/PASEP E COFINS. Uma vez instituída pelo legislador ordinário para um setor de atividade econômica, a nãocumulatividade, por ter sede constitucional, deve ser entendida na sua amplitude constitucionalmente delimitada. E o que ocorre com o setor em questão (medicamentos): uma vez incluídos no regime nãocumulativo os produtos chamados 'monofásicos' (a partir de agosto de 2004), devese considerar que o objetivo (constitucional) da técnica (constitucional) da não cumulatividade é neutralizar a incidência em cascata do tributo. Destarte, a instituição da técnica pelo legislador pressupõe a garantia do uso do crédito da entrada tributada de modo que a incidência tributária total após as sucessivas operações tributáveis chegue ao consumidor final, necessariamente, apenas sobre o valor agregado. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10380.007334/200553 Resolução nº 3201001.948 S3C2T1 Fl. 165 3 O critério quantitativo do PIS/PASEP e COFINS diz respeito à "totalidade das receitas auferidas", que é fenômeno relacionado ao contribuinte (pessoa jurídica), não possuindo qualquer identidade com algum fenômeno circulatório, traço característico originário do IPI e do ICMS. No caso das contribuições em exame, estas incidem sobre o faturamento ou receita, diferindo dos moldes do IPI e do ICMS, que incidem sobre uma cadeia econômica. A nãocumulatividade do PIS/PASEP e COFINS é operada mediante redução da base de cálculo, com a respectiva dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens e/ou serviços objeto de faturamentos em etapas anteriores. Ressaltese que, a nãocumulatividade ora tratada, difere da existente para o IPI e o ICMS, em função de suas matrizes constitucionais de incidência destes com a do PIS/PASEP e COFINS. De qualquer sorte, a nãocumulatividade deve se compatibilizar com o pressuposto de fato eleito para deflagrar a incidência da espécie tributária. (...) Como outrora afirmado, as pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras dós produtos comercializados pela Impetrante estão sujeitas à incidência monofásica das referidas contribuições, que consiste na concentração da tributação de toda a cadeia de circulação econômica do produto na etapa do produtor / importador, mediante aplicação de alíquotas majoradas, atribuindose aos distribuidores e varejistas (tal qual a Impetrante) alíquota zero. Contudo, por sofrerem tributação majorada na primeira etapa da cadeia, os fabricantes e importadores embutem no preço de venda os valores pagos a título da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, majorandoos, custo este que é repassado aos adquirentes de tais produtos, como os comerciantes atacadistas e varejistas, resultando na excessiva tributação ao longo da cadeia, até o consumidor final. Assim, não se pode negar o direito ao desconto de créditos calculados em relação aos bens adquiridos para revenda aos comerciantes atacadistas e varejistas, sob pena de contrariar o desiderato constitucional da nãocumulatividade prevista para o PIS/PASEP e COFINS, sobretudo se tal vedação decorre de norma infraconstitucional. " • DA INCLUSÃO DOS SETORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA NO REGIME NÃOCUMULATIVO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. Aduz que a nãocumulatividade da Contribuição para a COFINS teve origem em 1o de fevereiro de 2004, como resultado da edição da Medida Provisória n° 135/2003, posteriormente convertida na Lei n° 10.833/03. No art. 10 da Lei n° 10.833/03 encontramse relacionadas as hipóteses de exclusão da sistemática nãocumulativa da apuração da referida Contribuição, as quais permaneceriam sujeitas às normas da legislação anterior. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10380.007334/200553 Resolução nº 3201001.948 S3C2T1 Fl. 166 4 Inicialmente, constavam no rol destes dispositivos os produtos sujeitos à tributação monofásica, como é o caso dos produtos comercializados pela Impetrante (relacionados na Lei n°. 10.147, de 21 de dezembro de 2000, alterada pela Lei 10.548, de 13 de novembro de 2002), os quais ficaram de início excluídos do regime de tributação nãocumulativo. Até agosto de 2004, o inciso IV do §3° do art 1o das Leis supracitadas cuidava dos produtos sujeitos à tributação monofásica, sendo vedada, portanto, a introdução da sistemática nãocumulativa para os mesmos, e, conseqüentemente, a possibilidade de desconto de créditos. A modificação introduzida pela Lei n° 10.865/2004, no inciso IV do § 3o do art. 1o da Lei n° 10.833/2003, cujos efeitos se deram a partir de 1o de agosto de 2004, substituiu o texto original quando tratou de produtos monofásicos, para tratar apenas da venda de álcool para fins carburantes. Como o art. 10, inciso V, alínea 'a', da Lei n° 10.833/2003, reportava se à vedação da inclusão na sistemática nãocumulativa das receitas decorrentes de operações com produtos constantes do inciso IV do § 3o do art. 1o, com a alteração legislativa decorrente da Lei n° 10.865/04, a vedação passou a ser apenas para as receitas decorrentes da venda de álcool para fins carburantes, e não mais para a totalidade dos produtos chamados 'monofásicos'. A partir dessas alterações foi permitido que as empresas sujeitas à tributação monofásica optassem, de forma antecipada, pelo regime nãocumulativo de apuração das contribuições, sendo que a partir de agosto/2004 foi viabilizado às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real a tomada de créditos para abater as contribuições devidas no regime monofásico. Desse modo, com essa nova alteração legislativa, restou permitido ao setor farmacêutico trabalhar com o regime monofásico e não cumulativo da contribuição para o PIS e da Cofins, podendo descontar das contribuições devidas os créditos calculados com base nos arts. 3o da Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como, art. 15 da Lei 10.865/2004. Dessa forma, após a alteração legislativa de agosto de 2004, não houve previsão quanto à exclusão das receitas decorrentes dos produtos que estivessem sob a incidência monofásica do regime de apuração nãocumulativo das referidas Contribuições Sociais. • DA INTERPRETAÇÃO EQUIVOCADA DA AUTORIDADE COATORA: NÃO APLICAÇÃO DAS NORMAS AOS COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS. REFERÊNCIA APENAS AOS BENS VENDIDOS POR IMPORTADORES E PRODUTORES. Prossegue afirmando que as receitas decorrentes das operações com produtos monofásicos passaram a ser incluídas no regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, quando da modificação introduzida pela Lei n° 10.865/2004, inciso IV do § 3o do art. 1º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10380.007334/200553 Resolução nº 3201001.948 S3C2T1 Fl. 167 5 A autoridade Coatora vedou o aproveitamento de tais créditos, alegando o impedimento previsto no art. 3o inciso I, alínea 'b' da Lei n° 10.833/2003, com redação alterada pela Lei n° 10.865/2004. Entretanto, a norma contida no art. 3o, inciso I, alínea 'b' da Lei n° 10.833/03, segunda a qual não poderiam ser descontados créditos com relação aos bens adquiridos para revenda previsto no § 1o do art. 2° da referida Lei, é destinada somente a produtores ou importadores, não se aplicando aos comerciantes distribuidores, atacadistas e varejistas, de sorte que a suposta vedação alegada pela Autoridade Coatora não se aplica à Impetrante. Isto porque o art. 3o, inciso I, alínea V da Lei n° 10.637/2002, com igual redação para a Lei n° 10.833/2003, disciplina que a pessoa jurídica não poderá descontar créditos calculados em relação a bens adquiridos para revenda, referidos no § 1o do art. 2o das mencionadas Leis, que, por sua vez, referemse à "receita bruta auferida pelos produtores ou importadores", senão vejase: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá. sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: [...] Tratandose, portanto, de receita bruta auferida por produtores ou importadores, não pode ser dada interpretação extensiva para abranger a vedação aos créditos decorrentes das receitas dos comerciantes varejistas e atacadistas, que revendem os produtos elencados pela Lei. Destarte, a norma que supostamente vedaria a manutenção do crédito trata apenas de produtores e importadores e não de distribuidores, a exemplo da Impetrante. • DA REVOGAÇÃO DO ART. 3°, INCISO I, ALÍNEA 'B' DAS LEIS N°S 10.637/02 E 10.833/03 PELO ART. 16 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 206/04, CONVERTIDA NA LEI NO 11.033/2004. A decisão ora combatida resta apoiada em premissa equivocada, pois se existisse qualquer vedação imposta pelo art. 3o, inciso I, alínea V das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, esta deixou de existir com a autorização prevista no art. 16 da Medida Provisória n° 206, de 06 de agosto de 2004. posteriormente, convertida na Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, ao contrário do que expôs o nobre Auditor. Nesta linha de pensamento, no artigo "Créditos do PIS/COFÍNS Monofásico", da coletânea "Fundamentos do PIS e da COFINS", publicada pela editora MP, o Doutor em legislação tributária Helenilson Cunha Pontes comenta este tipo de posicionamento do Fisco, asseverando que: "O "entendimento oficial é manifestamente ilegal, podendo ser desafiado junto ao Poder Judiciário [...] por todos os contribuintes que auferem receitas com a venda dos produtos submetidos ao regime monofásico esclarecendo em seguida que "a razão da ilegalidade está Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10380.007334/200553 Resolução nº 3201001.948 S3C2T1 Fl. 168 6 em que o art. 17 da Lei n° 11.033/04 claramente confere aos contribuintes que vendem produtos submetidos á alíquota zero de PIS/Cofins o direito de manutenção dos créditos relativos à aquisição destes produtos [...] Diante da clareza do art. 17 da Lei n° 11.033/04 não há como negar aos contribuintes atacadistas ou varejistas de qualquer dos produtos sujeitos à tributação monofásica (combustíveis, medicamentos, automóveis, autopeças, etc.) o direito ao crédito relativo à aquisição destes produtos ", para arrematar a questão afirmando que "o art. 17 da Lei nº 11.033/04, a claras luzes, por ser norma posterior, regulando a mesma matéria — alcance do direito de crédito — revogou o comando do art. 3o, I, b, da Lei n° 10.833/03, que negava o aludido direito ao crédito ". Aliandose ao tema, sobre a plena vigência do art. 17 da Lei 11.033/04, temse a decisão emanada nos autos do Recurso de Agravo de Instrumento nº 2007.03.00.0961053, cuja Relatora Desembargadora Federal Regina Costa, da Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região, publicada em 07.12.2007, consignou o seguinte: "Tal dispositivo [art. 17 da Lei n° 11.033/04], ao menos numa primeira análise, confere à Agravante o alegado direito ao aproveitamento dos respectivos créditos. Com efeito, no regime apontado [monofásico], todos os demais elos da cadeia produtiva, à exceção do produtor ou importador que são responsáveis pelo recolhimento do tributo à uma alíquota mais gravosa ficam desobrigados do recolhimento porque, sobre a receita por eles auferida, aplicase a alíquota zero. Ora, o fato de tal receita estar submetida à alíquota zero, não obsta que tais contribuintes mantenham os créditos de todas as aquisições por eles efetuadas, como expressamente assegura o art. 17 da Lei n. 11.033/04. " Vale observar que no caso em tela, não se trata apenas de revogação de norma anterior, mas sim da promulgação de disposição que autoriza o aproveitamento do crédito, ora reclamado. Neste sentido as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, a partir de 1o de agosto de 2004, como visto, restou possibilitada a tomada de créditos decorrentes da aferição de receita pela comercialização de produtos monofásicos, incluídos na sistemática nãocumulativa. Corroborando com esse entendimento, foi editada a Medida Provisória n° 206, de 06 de agosto de 2004, posteriormente, convertida na Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, a qual em seu art. 16 (art. 17 da referida Lei) concedeu, expressamente, amplo direito ao creditamento, relativo às saídas com alíquota zero da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS: Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10380.007334/200553 Resolução nº 3201001.948 S3C2T1 Fl. 169 7 A Lei n° 11.033/2004, resultado da conversão da MP 206/2004, portanto, é norma de igual hierarquia às Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Como foi editada posteriormente, prevalece sobre estas, confirmando, portanto, o direito à manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados às operações de vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições Sociais em comento. Aplicase ao presente caso, em relação ao conflito de normas, o §1° do art. 2o da L1CC (Lei de Introdução ao Código Civil), no tocante ao Princípio da Posterioridade: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a ' modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. [...] Com efeito, se a primeira norma (art. 3o, inciso 1, alínea 'b' das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03) supostamente vedou o crédito por entradas de produtos sujeitos à tributação monofásica — sistemática na qual as saídas do distribuidor e do varejista estão sujeitas à alíquota zero (considerandose o entendimento da Autoridade Coatora), a segunda (art. 16 da MP 206/04, convertido no art. 17 da Lei n° 11.033/04) concede, sem restrições, a todo e qualquer contribuinte que tem saídas com alíquota zero o direito ao crédito pelas suas entradas. Assim, aplicase o critério cronológico, concluindose que a norma posterior revogou a norma anterior com ela incompatível. Recorrese, pois, aos sólidos argumentos da hermenêutica jurídica e da Lei de Introdução ao Código Civil, segundo os quais a lei posterior revoga a anterior quando há incompatibilidade entre as suas disposições e as da lei nova ou, quando esta regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. O critério lex posterior derosat legi priori significa que, se duas normas são antinômicas e de mesma hierarquia, a mais recente deverá prevalecer sobre a mais antiga; disso se concluí que a determinação expressa do art. 17 da Lei n° 11.033/04 culminou por revogar a suposta vedação estabelecida no art. 3º, inciso I, alínea 'b' das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Por fim mencionese que esta revogação, aliás, coadunase com o novo contexto de inclusão do setor no regime de incidência não cumulativa das contribuições, posto que não faria qualquer sentido o legislador inovar colocando o setor no regime nãocumulativo, e, por outro lado, estabelecendo que seus integrantes não teriam direito ao crédito pelas suas entradas. Assim, do confronto das sucessivas alterações legislativas verificase que não há mais qualquer vedação legal ao desconto de créditos por parte dos revendedores, dos valores recolhidos a título de PIS/COFINS pelos fabricantes e/ou importadores na operação anterior, ainda que os comerciantes não estejam sujeitos ao recolhimento dos tributos mencionados nas operações de alienação ao consumidor por força de beneficio fiscal (alíquota zero). Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10380.007334/200553 Resolução nº 3201001.948 S3C2T1 Fl. 170 8 Portanto, resta inteiramente aplicável à espécie o art. 17, da Lei n° 11.033/04 (art. 16, da MP n. 206, de 06.08.2004), bem assim a disposição contida no art. 16, "caput", da Lei nº 11.116/05. Concluise, portanto, que desde agosto de 2004, a Impetrante possui pleno direito ao desconto de créditos quando da aquisição de bens para revenda, dentro da sistemática da nãocumulatividade, já que (a) a receita submetida à incidência monofásica, decorrente das vendas de produtos comercializados pela Impetrante, fora incluída no regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, através da modificação introduzida pela Lei n° 10.865/2004, ao inciso IV do § 3o do art. l1º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, e (b) foilhe concedido, expressamente, o direito ao creditamento pelo art. 16 da MP n° 206/04, convertido no art. 17 da Lei n° 11.033/04. • DA CONFIRMAÇÃO DA INTENÇÃO DO LEGISLADOR; EDIÇÃO DA LEI Nº 11.116/2005, QUE ESTABELECEU O MODO DE APROVEITAMENTO DO SALDO CREDOR DECORRENTE DA LEI N° 11.033/04. A confirmação de que passou a vigorar um novo regime de creditamento a partir da vigência da MP 206/04, veio com a edição da Lei n° 11.116, de 18 de maio de 2005, ao disciplinar o modo de aproveitamento do saldo credor de PIS/PASEP e COFINS por essa reconhecido: Art 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de; I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendario anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. • DA EDIÇÃO DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 594, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2005 VIOLAÇÃO A OS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA HIERARQUIA DAS NORMAS. A Receita Federal editou a Instrução Normativa n° 594, publicada no DOU de 30 de dezembro de 2005, que dispôs: Art. 26. Na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofms a pagar no regime de nãocumulatividade, a pessoa jurídica pode descontar, do valor das contribuições decorrente de suas vendas, créditos relativos a: (...) Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10380.007334/200553 Resolução nº 3201001.948 S3C2T1 Fl. 171 9 § 5o Não gera direito a créditos o valor: (...) IV da aquisição no mercado interno, para revenda, dos produtos relacionados no art 1º, ressalvado o disposto no art. 27. O art 1o dessa mesma Instrução trata justamente dos produtos sujeitos à incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS. A IN SRF 594/05 trouxe uma restrição não contida na legislação pertinente, em ofensa ao Principio da Legalidade, insculpido no inciso II, do art. 5o e no inciso I do art. 150 da Constituição Federal de 1988, bem como ao Princípio da Hierarquia das Normas, uma vez que os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas prestam se para complementar as leis, não podendo ir de encontro a elas, nos termos do art. 100 do CTN — de modo que não pode ser óbice ao direito à manutenção de créditos pela Impetrante. • DA EDIÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 413/2008 E SUA CONVERSÃO NA LEI Nº 11. 727/2008. Em 03 de janeiro de 2008 foi editada a Medida Provisória n° 413. introduzindo em seus arts. 14 e 15 os §§ 14 e 22 ao art. 3o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, determinando que aos distribuidores e aos comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos com incidência monofásica, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicaría à manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004. As modificações introduzidas, cujos efeitos passaram a ser produzidos a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao da publicação da supra referida Medida Provisória, ou seja, a partir de 1o de maio de 2008, apenas reafirmam que, até essa data, era plenamente possível a tomada de créditos pelos distribuidores e comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos sujeitos à tributação monofásica, posto que, antes da edição dessa MP, vigorava o entendimento manifestado pelo art. 16 da MP n° 206/2004, convertido no art. 17 da Lei n° 11.033/2004, segundo o qual as vendas efetuadas com alíquota 0 (zero) não impediriam a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Vejase, pois, que a novel legislação inovou no plano jurídico impondo vedação que antes não existia, motivo pelo qual não pode ser aplicada retroativamente, no sentido de impedir a tomada de créditos no caso em comento, por obediência ao Princípio da Irretroatividade das Leis, previsto no art. 6o da LICC (Lei de Introdução ao Código Civil), e no art. 5o, inciso XXXVI c/c art. 150, inciso III da Constituição Federal. • DO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DE PIS/PASEP E COFINS. No que concerne ao modo de aproveitamento dos créditos decorrentes de operações com mercadorias e produtos sujeitos à incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, disciplina a legislação de regência, sobre a sistemática da nãocumulatividade Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10380.007334/200553 Resolução nº 3201001.948 S3C2T1 Fl. 172 10 (Leis 10.687/2002 e 10.833/2003), que do valor apurado das referidas Contribuições, relativamente à aplicação das alíquotas de 7,6% e 1,65% sobre o faturamento, poderá a pessoa jurídica descontar créditos calculados em relação aos bens adquiridos para revenda, reduzindo o montante a pagar, procedimento este, efetivado dentro da sua própria contabilidade. O valor apurado é informado no 'DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais', onde consta o 'saldo de créditos' e o valor das Contribuições a pagar, após as deduções dos mencionados créditos, campo este transportado para a 'DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais'. Dessa forma, em sendo reconhecido o direito ao cálculo de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda de produtos sujeitos à incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, não poderá haver qualquer impedimento à sua utilização quando da apuração das Contribuições devidas. Quanto à possibilidade de aproveitamento do saldo credor, remanescente da apuração acima, para os casos em que o valor dos créditos é superior ao valor a pagar, restou demonstrada a possibilidade de aproveitamento sob a forma de compensação ou restituição, a teor do que disciplina o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Por fim, em face de todo o exposto, requer a reforma do Despacho Decisório para reconhecer o direito ao ressarcimento dos valores a título de Cofins, referentes ao 3o e 4o trimestres de 2004 e 1o e 2o trimestres de 2005, homologando as compensações pleiteadas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0819.123, sessão de 22/10/2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e indeferiu o pedido, assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO CRÉDITOS DE PIS E COFINS IMPOSSIBILIDADE As receitas auferidas pelos comerciantes varejistas de produtos farmacêuticos, os quais são submetidos à alíquota zero da Cofins, não gera direito ao aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses bens. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade de leis e o contencioso administrativo não é o foro próprio para discussões dessa natureza, haja vista que a apreciação e Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10380.007334/200553 Resolução nº 3201001.948 S3C2T1 Fl. 173 11 a decisão de questões que versarem sobre inconstitucionalidade dos atos legais é de competência do Supremo Tribunal Federal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual solicita a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito pleiteado e a homologação da compensação. Em síntese repisa as matérias e seus fundamentos suscitados em manifestação de inconformidade acerca da possibilidade de creditamento/manutenção de crédito (i) nas aquisições de mercadorias para revenda e sujeitas à tributação monofásica de que trata a Lei nº 10.147/2001; e (ii) na realização de despesas vinculadas às suas atividades comerciais, previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A contribuinte exerce atividade de revenda de produtos hospitalares cuja aquisição do industrial/importador é tributada na sistemática monofásica e a saída sujeitase à alíquota zero nos termos do art. 2º da Lei nº 10.147/20011. Entende a recorrente que a alteração promovida no regime nãocumulativo das Contribuições ( Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03) pela Lei nº 10.865/042, que passou a surtir efeitos em 01/05/2004, e também em razão do art. 17 da Lei nº 10.033/043 foilhe permitido apurar e manter créditos a serem descontados do PIS e Cofins sobre sua receita bruta, em relação aos produtos submetidos à tributação monofásica e às despesas vinculadas à sua atividade empresarial, conquanto as saídas tenham alíquota reduzidas a zero, o que equivale a não tributação. Fundada nessa concepção a contribuinte formalizou pedido de ressarcimento/compensação de saldos credores de Cofins apurados no regime da não cumulatividade. 1 Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1º, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. 2 Art. 21. Os arts. 1o, 2o, 3o, 6o, 10, 12, 15, 25, 27, 32, 34, 49, 50, 51, 52, 53, 56 e 90 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: 3 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10380.007334/200553 Resolução nº 3201001.948 S3C2T1 Fl. 174 12 A Unidade de Jurisdição da RFB analisou o pleito considerando apenas os créditos decorrentes da aquisição de produtos para revenda submetidos à tributação monofásica e deixou de proceder qualquer exame quanto aos créditos decorrentes das despesas da pessoa jurídica (incisos III a XI da Lei nº 10.833/03). Assim, a proposta para o indeferimento do ressarcimento e não homologação da compensação não emitiu qualquer juízo de admissibilidade no tocante aos créditos não relacionados aos produtos monofásicos. De igual modo, a decisão recorrida relevou o enfrentamento da matéria apenas com o argumento de que a legislação não permite tais créditos. Conquanto não se entre no mérito acerca da possibilidade das pessoas jurídicas revendedoras de produtos tributados pela monofasia apropriaremse dos créditos das Contribuições previstos no art. 3º, incisos III e XI da Lei nº 10.833/03, entendo que a RFB tem se posicionado que as alterações promovidas pela Lei nº 10.865/04 são no sentido de admitir essa modalidade de crédito. Tal posicionamento é expresso em diversas Soluções de Consultas: 218/2014, 64/2016, 02/2017 (Solução de Divergência), 265/2017, 299/2017, 311/2017 329/2017, 481/2017, 496/2017, 9.128/2017 e 78/2018. Como exemplo transcrevo três delas: Solução de Consulta Cosit nº 64/2016, de 19/05/2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS A SUJEIÇÃO AO REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA EM RELAÇÃO ÀS RECEITAS AUFERIDAS PELA REVENDEDORA DE PRODUTOS SUJEITOS Â TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA É CONDICIONADA À APURAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS (IRPJ) COM BASE NO LUCRO REAL. A partir de 1o de maio de 2004, as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à tributação concentrada, tais como a gasolina ou o diesel, incluemse no regime de apuração não cumulativa sempre que o contribuinte apurar o IRPJ pelo lucro real, salvo as exceções previstas no art. 10 da Lei n°10.833, de 2003. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. RECEITAS AUFERIDAS PELA REVENDEDORA DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. CUSTOS. ENCARGOS OU DESPESAS, EXCETO REFERENTES A PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA SUJEITOS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. POSSIBILIDADE. Desde 1° de maio de 2004, não há mais vedação ao desconto de créditos da Cofins, em relação a custos, encargos ou despesas vinculados a receitas auferidas pela revendedora de produtos sujeitos á tributação concentrada no regime não cumulativo, exceto aqueles decorrentes da aquisição de produtos para revenda sujeitos à tributação concentrada, atendido o disposto nos incisos II a XI e §§ do art. 3o da Lei n° 10.833. de 2003. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO OU ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10380.007334/200553 Resolução nº 3201001.948 S3C2T1 Fl. 175 13 A regra geral esculpida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, autoriza que os créditos devidamente apurados porventura existentes sejam mantidos, mesmo após a venda com suspensão, isenção ou alíquota 0 (zero), não autorizando o aproveitamento de créditos cuja apuração seja vedada. Dispositivos Legais: Lei n° 9.718. de 1998, art. 4o; Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 42, inciso I; Lei n° 10.833. de 2003, art. 3o, inciso I alínea "b" e art. 10. incisos II e III; Lei n° 10.865, de 2004, art. 21 c/c art. 53; Lei n° 11.033, de 2004, art. 17. Solução de Consulta Cosit nº 265, de 29/05/2017 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins BEBIDAS FRIAS. COMÉRCIO ATACADISTA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A partir de 1º de agosto de 2004, com a entrada em vigor dos arts. 21 e 37 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, desde que cumpridos os requisitos legais, é possível a apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins (art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003) em relação a dispêndios vinculados a receitas submetidas ao regime de apuração não cumulativa decorrentes da revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada, exceto em relação a dispêndios decorrentes da aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada para revenda. Todavia, entre 1º de maio de 2008 e 23 de junho de 2008 e entre 1º de abril de 2009 e 4 de junho de 2009, esteve vedada a possibilidade de apuração, por comerciantes atacadistas e varejistas, de créditos em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas decorrentes da revenda de mercadorias submetidas à incidência concentrada ou monofásica da Cofins. Dispositivos legais: Lei nº 10.833, de 2003; Lei nº 13.097, de 2015; Lei nº 11.033, de 2004, art. 17; Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Solução de Consulta Cosit nº 78/2018, de 26/06/2018: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP RECEITA DA VENDA DE ÁLCOOL. PRODUTOR. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. NÃO CUMULATIVIDADE. REGIME ESPECIAL. ALÍQUOTA ESPECÍFICA (AD REM). CRÉDITO. O sistema de tributação monofásica não se confunde com os regimes de apuração cumulativa e não cumulativa das contribuições. O enquadramento de uma pessoa jurídica que se dedique à venda de produtos sujeitos à tributação monofásica, ao Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10380.007334/200553 Resolução nº 3201001.948 S3C2T1 Fl. 176 14 regime de apuração cumulativa ou não cumulativa, segue as mesmas regras a que se sujeitam as pessoas jurídicas que não comercializem produtos monofásicos. Caso a pessoa jurídica esteja submetida à sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os produtos sujeitos à tributação monofásica também estarão a ela submetidos, permitindo à pessoa jurídica o aproveitamento de créditos, de acordo com a regra geral. (...) Dispositivos Legais: Lei nº 11.727, de 2008, arts. 7º e 42, III, “c” e “d”; Lei nº 10.637, de 2002, com alterações, arts. 1º, 2º, 3º e 8º; Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com alterações, arts. 3º e 15; Lei nº 9.718, de 1998, art. 5º, com alterações; Decreto nº 6.573, de 2008; Decreto nº 7.997, de 2013. Depreendese da leitura dos atos normativos emanados da Receita Federal a evidência de que aos produtos sujeitos à tributação monofásica, a partir da vigência dos dispositivos da Lei nº 10.865/04, tornouse possível a apropriação de créditos da não cumulatividade, observado os limites e requisitos legais. Dessa forma, impende à Unidade de Origem, uma vez superada a vedação de apropriação de créditos no regime geral da nãocumulatividade (art. 3º, incisos III a XI da Lei nº 10.833/03), analise e se manifeste quanto aos dispêndios vinculados a receitas submetidas ao regime de apuração não cumulativa decorrentes da revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada, exceto em relação a dispêndios decorrentes da aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada para revenda, informados em sua Dacon (fls. 77/82). Diante do exposto, em homenagem ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal, voto para a conversão do presente julgamento em diligência para que: a) A unidade de origem proceda à intimação da contribuinte para que, no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, comprove pelos meios que a autoridade fiscal julgar conveniente, as despesas de/com: a1) Energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; a2) Aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades comerciais da empresa; a3) Contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica; a4) Armazenagem de mercadoria adquiridas para revenda e frete na operação de venda, cujo ônus seja suportado pela recorrente; b) A unidade de origem manifestese sobre os documentos apresentados pela Contribuinte, com a elaboração de relatório, podendo, inclusive, realizar diligências. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10380.007334/200553 Resolução nº 3201001.948 S3C2T1 Fl. 177 15 c) Cientifique a recorrente sobre o resultado do relatório da fiscalização, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, improrrogável, manifestação. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.903730/2010-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI 1.510/76. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018. EFEITO VINCULANTE. ART. 62, §1º, II, 'C' DO RICARF.
O contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária.
Numero da decisão: 9202-007.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito à isenção apenas sobre as ações adquiridas até 31/12/1983.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IRPF. ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI 1.510/76. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018. EFEITO VINCULANTE. ART. 62, §1º, II, 'C' DO RICARF. O contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10850.903730/2010-97
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5968564
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.512
nome_arquivo_s : Decisao_10850903730201097.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10850903730201097_5968564.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito à isenção apenas sobre as ações adquiridas até 31/12/1983. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7638153
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660989759488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1296; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10850.903730/201097 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202007.512 – 2ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria IRPF Recorrente ELIANA ZANCANER CASTILHO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IRPF. ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETOLEI 1.510/76. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018. EFEITO VINCULANTE. ART. 62, §1º, II, 'C' DO RICARF. O contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para reconhecer o direito à isenção apenas sobre as ações adquiridas até 31/12/1983. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 37 30 /2 01 0- 97 Fl. 817DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2802002.287, proferido pela 2ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade, fls. 2/18, em face do Despacho Decisório nº 880558795, emitido em 06/09/2010, fl. 26, que indeferiu o Pedido de Restituição – PER nº 29561.54408.270710.2.2.041003, que tinha como objetivo a restituição de pagamento do imposto de renda sobre ganho de capital obtido na venda de participação societária realizada em 29/01/2004, no montante de R$ 1.073.722,78, pago em 7 (sete) parcelas semestrais, entre julho/2004 e julho/2007. O pagamento efetuado a título de imposto de renda incidente sobre a parcela recebida em 16/07/2007, no valor de R$ 111.538,14, é objeto do PER Pedido de Restituição. O Contribuinte apresentou a impugnação. A DRJ/SDR, às fls. 215/223, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 228/249. A 2ª Turma Especial de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 271/276, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ISENÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INAPLICAÇÃO NO CASO CONCRETO. Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, trazem a marca de bens exonerados do pagamento do imposto sobre ganho de capital, na forma do art. 4° letra d, do DL 1.510/76, sendo irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei n o. 7.713/88 (Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais). Por força do art. 5º do referido decretolei, presumese que as alienação referemse às ações adquiridas em último lugar. Cabe ao requerente de repetição de indébito comprovar que as ações alienadas pertenciam ao seu patrimônio há mais de 5 anos, completados até 31/12/1988. No caso concreto, o recorrente não conseguiu Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10850.903730/201097 Acórdão n.º 9202007.512 CSRFT2 Fl. 10 3 êxito na citada comprovação, o que impede reconhecer o direito à restituição, notadamente quando há evidências de que foram alienadas ações que não atenderiam à isenção pleiteada. Às fls. 289/304, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, arguindo que o acórdão incorreu em omissão, porém, o mesmo restou rejeitado às fls. 695/697. Às fls. 710/732, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: 1. Nulidade de decisão por cerceamento do direito de defesa, decorrente de supressão de instância. Conforme alegou, ao ter acatado a tese da Recorrente pela existência de direito adquirido e a validade da isenção – restando superado esse entrave imposto pela DRJ à análise do mérito do crédito – o acórdão recorrido omitiuse quanto à necessidade de reenvio dos autos à DRJ para que a instância a quo analisasse as provas carreadas aos autos ou, ao menos, quanto à necessidade de aprofundamento das investigações pelo CARF para que a ampla defesa e o contraditório não fossem violados. Para tanto, apontou como paradigma duas ementas transcritas no corpo do Recurso 2. Critério para comprovação de titularidade de ações por mais de cinco anos, para fins de aplicação da isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido na alienação de participações societárias, de que trata o art. 4º, alínea "d", do Decreto Lei nº 1.510/76. Diante da mesma situação fática venda de ações pelo genitor da Contribuinte e de conjunto probatório similar, foram obtidos resultados diferentes: no paradigma, concluiu se que não havia dúvidas quanto aos fatos "a participação societária foi adquirida antes de 1977 e alienada apenas em 2005" ; já no recorrido, tal situação não foi reconhecida, de modo que o pedido de restituição foi indeferido. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, às fls. 778/785, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação apenas em relação à segunda matéria: Ganho de capital. Participação societária. Isenção na alienação, efetuada após a vigência da Lei nº 7.713, de 1988, de participação societária adquirida na vigência do Decretolei nº 1.510, de 1976. O Contribuinte foi cientificado à fl. 799. A União apresentou Contrarrazões, às fls. 803/814, preliminarmente alegando inadmissibilidade do recurso, pois visa o Contribuinte rediscutir matéria de prova, o que é vedado em sede de recurso especial. Além disso, arguiu também que, apesar do acórdão recorrido ter apontado três razões para o indeferimento do pedido de restituição, o contribuinte se insurgiu contra apenas um deles. No mérito, reforçou os argumentos do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 819DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade, fls. 2/18, em face do Despacho Decisório nº 880558795, emitido em 06/09/2010, fl. 26, que indeferiu o Pedido de Restituição – PER nº 29561.54408.270710.2.2.041003, que tinha como objetivo a restituição de pagamento do imposto de renda sobre ganho de capital obtido na venda de participação societária realizada em 29/01/2004, no montante de R$ 1.073.722,78, pago em 7 (sete) parcelas semestrais, entre julho/2004 e julho/2007. O pagamento efetuado a título de imposto de renda incidente sobre a parcela recebida em 16/07/2007, no valor de R$ 111.538,14, é objeto do PER Pedido de Restituição. O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a seguinte divergência: Ganho de capital. Participação societária. Isenção na alienação, efetuada após a vigência da Lei nº 7.713, de 1988, de participação societária adquirida na vigência do Decretolei nº 1.510, de 1976. O Contribuinte defende que muito antes da edição da Lei n° 7.713, de 1988, revogando a isenção do IRPF, já possuiria direito adquirido por ter cumprido a única condição imposta para o gozo do benefício fiscal, que seria a manutenção da participação societária por cinco anos. Assim, cingese a discussão acerca do direito a não incidência do IRPF, se este já estava consagrado e fazia parte do patrimônio jurídico do contribuinte. E se a garantia desse direito lhe seria advindo do transcurso do tempo protegido indiscutivelmente pelo texto constitucional pátrio. Em oportunidades anteriores inclusive, manifestei meu posicionamento contrário ao pleito do Contribuinte, por entender que embora injusto, as isenções tributárias possuem uma conotação temporal imediata, nos seguintes termos: No caso específico, o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital ocorreu no momento da alienação, ou seja, em 31 de outubro de 2003. Portanto, na vigência da Lei n° 7.713, de 1988. Cabe informar que a isenção, conforme a doutrina clássica, adotada pelo Supremo Tribunal Federal, é a dispensa legal de determinado tributo devido, podendo ser concedida de forma geral ou específica, mediante lei. No que tange, especificamente, à sua revogação ou modificação, o Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 7.1.1975). Fl. 820DF CARF MF Processo nº 10850.903730/201097 Acórdão n.º 9202007.512 CSRFT2 Fl. 11 5 O inciso III do artigo 104 diz expressamente que a isenção pode ser revogada ou modificada por lei, entrando em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação, quando se refere a impostos sobre o patrimônio ou a renda, conforme se vê a seguir: Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: III – que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Isso quer dizer que, em se tratando de isenção, prevalece a regra da revogabilidade a qualquer tempo, salvo nos casos de isenção condicional e concedida a prazo certo, que não é a situação em análise. Por fim, citase a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, especifica em relação à matéria com o advento da Lei nº 7.713, de 1988, conforme reproduzida na ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. DECRETOLEI 1.510/76. ISENÇÃO. REQUISITOS PARA IRREVOGABILIDADE. ART. 178 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. LEI 7.713/1988. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. A irrevogabilidade da isenção concedida, nos termos do art. 178 do CTN, só ocorrerá se atendidos os requisitos de prazo certo e condições determinadas. Situação não configurada nos autos. 2. O art. 4º, "d", do DecretoLei 1.510/76 fixa o termo inicial do benefício fiscal (após cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação), não determinando o termo final, ou seja, é isenção por prazo indeterminado, revogável, portanto, por lei posterior. 3. Com o advento da Lei 7.713/88 operouse a revogação da isenção. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental não provido. (Agravo Regimental no Recurso Especial n° 1.164.494/RS 09 de fevereiro de 2010) Assim sendo, considerando que o DecretoLei nº 1.510, de 1976, foi expressamente revogado, deve ser aplicada a Lei nº 7.713, de 1988, aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Todavia, como muito bem ressaltado em julgamento recente neste colegiado, em voto da relatoria da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, proferida nos autos 10830.723738/201352, o Superior Tribunal de Justiça ao manifestarse sobre a matéria em sede de julgamento de repetitivo de controvérsia aponta entendimento diverso, totalmente favorável ao Contribuinte. Tal entendimento restou recepcionado pela consultoria jurídica da Procuradoria da Fazenda Nacional que, com base na Portaria PGFN nº 502/2016, fez constar Fl. 821DF CARF MF 6 no item 1.22 do rol da lista dos "Temas com dispensa de contestar e/ou recorrer" a alínea 'u' que expressamente reconhece o direito adquirido à isenção prevista no Decretolei nº 1.510/76: 1.22 Imposto de Renda (IR) u) Alienação de participação societária Decretolei 1.510/76 Isenção Direito adquirido Precedentes: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1164768/RS, AgRg no REsp 1141828/RS e AgRg no REsp 1231645/RS. Resumo: A Primeira Seção do STJ fixou entendimento no sentido de que o contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. Em 27 de junho de 2018, foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 12/2018 comunicando a aprovação do Parecer SEI nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda. Referido ato declaratório possui o seguinte teor: O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do PARECER SEI Nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 22 de junho de 2018, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).” JURISPRUDÊNCIA: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1.164.768/RS, AgRg no REsp 1.231.645/RS, REsp 1.659.265/RJ, REsp 1.632.483/SP, AgRg no AgRg no AREsp 732.773/RS, REsp 1.241.131/RJ, EDcl no AgRg no REsp 1.146.142/RS e AgRg no REsp 1.243.855/PR. O Ato Declaratório em questão altera significativamente o deslinde da questão, agora em favor dos Contribuinte, no sentido de que este quando detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária Fl. 822DF CARF MF Processo nº 10850.903730/201097 Acórdão n.º 9202007.512 CSRFT2 Fl. 12 7 Registrese que tal parecer quando assinado pelo Ministro de Estado vincula os Conselheiros deste colegiado, conforme RICARF, art. 62. Observo que este Colegiado já se manifestou em questão análoga autos 10850.900553/201330, em processo de relatoria da Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, cujas ponderações lá lançadas devem ser aqui aproveitadas: Com esse panorama, temse que o percentual da participação societária referente às aquisições realizadas em 1997, 1988, 1991 e 1994 não se submete à isenção sob análise, pois não cumprido o requisito constante do Decreto 1.510/1976. Há uma seqüência de bonificações das ações, o que ocasionou o aumento do número de ações, sucessivamente, exceto nos anos de 1997, 1998 e 2003. Portanto, além das exclusões referentes à aquisições realizadas, também fazse necessário excluir o aumento de ações decorrente da retirada de outros sócios, no ano de 1995, as bonificações ocorridas fora do lapso temporal de 5 anos estabelecido no Decreto, estando abarcadas pela isenção apenas as ações adquiridas e bonificações ocorridas até 31/12/1983, que, pela documentação acostada aos autos, foram alienadas após os 5 anos da manutenção da titularidade. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial para reconhecer o direito à isenção apenas sobre as ações adquiridas até 31/12/1983. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 823DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000057/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1996
CONTRATANTE DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. TRANSPORTE DE CARGAS. INEXISTÊNCIA.
Constitui requisito para o contratante responder solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias a prestação dos serviços mediante cessão de mão de obra. Cabe afastar o lançamento fiscal quando a relação contratual entre as partes não confirma a colocação dos trabalhadores à disposição da empresa contratante na execução de serviços de transporte de cargas, indispensável para a caracterização da cessão de mão de obra.
Numero da decisão: 2401-006.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal e Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1996 CONTRATANTE DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. TRANSPORTE DE CARGAS. INEXISTÊNCIA. Constitui requisito para o contratante responder solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias a prestação dos serviços mediante cessão de mão de obra. Cabe afastar o lançamento fiscal quando a relação contratual entre as partes não confirma a colocação dos trabalhadores à disposição da empresa contratante na execução de serviços de transporte de cargas, indispensável para a caracterização da cessão de mão de obra.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12267.000057/2008-22
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5975517
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.024
nome_arquivo_s : Decisao_12267000057200822.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 12267000057200822_5975517.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal e Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7664762
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661006536704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1606; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 946 1 945 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12267.000057/200822 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401006.024 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Recorrente COSAN LUBRIFICANTES E ESPECIALIDADES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1996 CONTRATANTE DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. TRANSPORTE DE CARGAS. INEXISTÊNCIA. Constitui requisito para o contratante responder solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias a prestação dos serviços mediante cessão de mão de obra. Cabe afastar o lançamento fiscal quando a relação contratual entre as partes não confirma a colocação dos trabalhadores à disposição da empresa contratante na execução de serviços de transporte de cargas, indispensável para a caracterização da cessão de mão de obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 00 57 /2 00 8- 22 Fl. 946DF CARF MF Processo nº 12267.000057/200822 Acórdão n.º 2401006.024 S2C4T1 Fl. 947 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal e Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), por meio do Acórdão nº 1243.011, de 14/12/2011, cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado (fls. 776/784): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1996 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃO DE OBRA O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, em relação aos serviços a ele prestados. DECISÃO JUDICIAL Em cumprimento à decisão judicial que determinou a verificação de recolhimento pela prestadora de serviços foi constatado que não houve fiscalização e nem recolhimentos compatíveis com a massa salarial. Portanto, deve ser mantido o lançamento por responsabilidade solidária. TERCEIROS De acordo com o Parecer CJ/MPA n.º 1.710/99, não existe responsabilidade solidária na cobrança de contribuições para Terceiros para nenhuma empresa. Impugnação Procedente em Parte O lançamento fiscal deuse originalmente em nome de Esso Brasileira de Petróleo Ltda, CNPJ nº 33.000.092/000169, posteriormente alterada a razão social para Cosan Lubrificantes e Especialidades S/A. Extraise do Relatório Fiscal que, na origem, o processo administrativo é composto da Notificação de Lançamento de Débito Fiscal (NFLD) nº 32.593.6811, abrangendo as competências de 04/1995 a 12/1996, relativa à exigência das contribuições devidas à seguridade social e a terceiros, decorrentes da responsabilidade solidária do contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra (fls. 02/06 e 16/19). Fl. 947DF CARF MF Processo nº 12267.000057/200822 Acórdão n.º 2401006.024 S2C4T1 Fl. 948 3 A prestadora de serviços é a empresa Transportadora Tigre Ltda, CNPJ 13.594.965/000100. Cientificado da notificação fiscal, em 05/06/1997, o tomador dos serviços impugnou o lançamento tributário, tendo decidido a instância administrativa julgadora inicial pela manutenção do crédito lançado, por meio da emissão da DecisãoNotificação nº 091/98. Apresentado recurso voluntário contra a decisão de primeira instância, o Conselho de Recursos da Previdência Social proferiu acórdão para negar provimento ao apelo recursal (fls. 25/45, 382/387, 390/416 e 462/469). O crédito tributário foi inscrito em dívida ativa (fls. 475/506). Nada obstante, a empresa protocolou pedido de revisão de julgamento administrativo, o que restou deferido (fls. 516/517). Após a realização de diligência fiscal com vistas a esclarecimentos de fatos sobre a autuação fiscal, anulouse o acórdão de 2ª instância, com retorno dos autos à instância de origem para saneamento do processo, revisão do débito e nova decisão administrativa (fls. 519/525, 550/555, 587/589). Adotadas as providências determinadas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, a DecisãoNotificação nº 091/98 foi reformada, decidindose pela procedência parcial do lançamento, com exclusão dos valores referentes às contribuições destinadas a terceiros (fls. 603/604, 607/609, 621/626). Na sequência, foi comunicada a prolatação de acórdão pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.02.01.0527889, posteriormente com trânsito em julgado, no qual anulouse o processo administrativo, a partir da lavratura da notificação fiscal, determinando ao Fisco a prévia verificação da existência de pagamentos efetuados pelo prestador dos serviços no que tange às obrigações tributárias exigidas (fls. 631/642, 654/706 e 710/712). Com o retorno à fase administrativa, os autos foram baixados em diligência, com o objetivo de atender à decisão do Poder Judiciário. Quanto ao resultado da verificação fiscal, a prestadora e a tomadora de serviços foram cientificadas, porém apenas a segunda empresa apresentou manifestação escrita sobre o lançamento (fls. 715, 719/722, 747/749, 752/759 e 773). Realizouse mais uma vez o julgamento em primeira instância, substituindo as decisões administrativas até então proferidas. Dessa feita a impugnação foi considerada parcialmente procedente, confirmandose a exclusão das contribuições devidas a terceiros, remanescendo parte do lançamento (fls. 776/784). Intimada dessa decisão de primeira instância em 13/07/2012, por via postal, a empresa contratante dos serviços apresentou recurso voluntário no dia 13/08/2012, em que aduz, em síntese, os seguintes argumentos de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 792/795 e 807/813): (i) não foi cumprida a decisão judicial no mandado de segurança, visto que houve exclusivamente verificação dos pagamentos com base nos dados constantes do sistema de Fl. 948DF CARF MF Processo nº 12267.000057/200822 Acórdão n.º 2401006.024 S2C4T1 Fl. 949 4 informática da administração tributária, quando o correto é a fiscalização direta do prestador do serviço, através do exame de contabilidade, folhas de pagamento e guias de recolhimento; (ii) o prestador de serviços é o responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, obrigação que apenas transferese ao tomador, pela responsabilidade solidária, quando apurada e certificada a efetiva existência de inadimplemento; (iii) fazse também necessário verificar a eventual cobrança do crédito tributário junto à própria prestadora de serviços, dado que poderia caracterizar a exigência em duplicidade; (iv) além disso, quando não resta configurada a cessão de mão de obra na prestação de serviços, considerando a atividade desenvolvida pela contratada, o lançamento resulta improcedente; (v) as guias de recolhimento juntadas ao processo comprovam a correta quitação dos valores no que se refere à prestação dos serviços, incluso com respeito às competências que permanecem em cobrança; e (vi) os valores já satisfeitos pelo prestador e indicados no sistema de informática da RFB devem ser deduzidos da cobrança em nome da empresa tomadora dos serviços, sob pena de haver enriquecimento sem causa do Fisco. Em decorrência da falta de localização no seu domicílio fiscal, a pessoa jurídica executora dos serviços, Transportadora Tigre Ltda, foi intimada via edital da decisão de piso, em 30/10/2012, porém não consta manifestação no processo administrativo (fls. 849/854 e 856/857). Tendo em conta a emissão de diversas notificações fiscais em nome da empresa autuada, lavradas no curso do mesmo procedimento e envolvendo a mesma matéria de atribuição da responsabilidade tributária solidária ao contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, foi deferido o pedido de conexão para julgamento em conjunto dos recursos voluntários (fls. 858/859). É o relatório. Fl. 949DF CARF MF Processo nº 12267.000057/200822 Acórdão n.º 2401006.024 S2C4T1 Fl. 950 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito Antes da implantação do mecanismo de retenção do percentual de 11% na contratação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, o art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, estabelecia a responsabilidade tributária solidária, inclusive sob o regime de trabalho temporário. Tal dispositivo de lei sofreu evolução ao longo do tempo. A seguir, levando em consideração o texto original e as modificações promovidas pela Lei nº 9.032, de 28 de abril de 1995, e Lei nº 9.129, de 20 de novembro de 1995, reproduzo o conteúdo do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991: De 25/07/1991 até 28/04/1995 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação, à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos cujas características impossibilitem a plena identificação dos fatos geradores das contribuições, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros assemelhados especificados no regulamento, independentemente da natureza e da forma de contratação. Fl. 950DF CARF MF Processo nº 12267.000057/200822 Acórdão n.º 2401006.024 S2C4T1 Fl. 951 6 De 29/04/1995 a 20/11/1995 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. De 21/11/1995 a 29/04/1997 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, Fl. 951DF CARF MF Processo nº 12267.000057/200822 Acórdão n.º 2401006.024 S2C4T1 Fl. 952 7 manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento Independentemente do período do fato gerador, a responsabilidade solidária do contratante está vinculada, necessariamente, à prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, a qual pressupõe a colocação dos trabalhadores à disposição da empresa contratante. No caso sob exame, o conjunto probatório não confirma a prestação dos serviços contratados mediante cessão de mão de obra. Com efeito, segundo o agente lançador, no período do lançamento ficou constatado que a empresa ora recorrente contratou a prestação de serviços de transporte de cargas para a sua atividade de distribuição de combustíveis (fls. 19). À época dos fatos geradores, para fins de responsabilidade solidária do contratante, o transporte de cargas estava incluso no rol de atividades passível de enquadramento como serviço executado mediante cessão de mão de obra (art. 46, § 4º, alínea "f", do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Decreto nº 356, de 7 de dezembro de 1991). As cópias do contrato anexado pela recorrente, ainda em fase de impugnação, sinalizam para a contratação de serviços de transporte de combustíveis líquidos a granel, utilizandose de caminhõestanque, consistindo as atividades em carregamento, transporte e descarga dos produtos comercializados. O abastecimento de combustível se dava em instalações da contratante e a entrega da mercadoria em endereços de terceiros especificados em documentos fiscais que acobertavam a operação (fls. 66/83). É habitual na atividade de transporte de cargas a relação restrita às partes que assinam o contrato, tomador e prestador de serviços, de maneira tal que o contratante não fixa condições de execução dos serviços diretamente com os empregados e/ou demais colaboradores do prestador. Na situação em apreço, não se verifica a cessão de mão de obra porquanto o contratante não gerencia a realização do serviço pelo trabalhador, direcionando o que, como, quando e onde fazêlo. Pela própria natureza do contrato pactuado, não se faz presente a colocação dos segurados à disposição do contratante. Fl. 952DF CARF MF Processo nº 12267.000057/200822 Acórdão n.º 2401006.024 S2C4T1 Fl. 953 8 Todo o regramento para execução do contrato foi previamente definido entre adquirente e fornecedor dos serviços. O relacionamento do motorista para fins de desempenho de suas tarefas é feito com a empresa contratada, com a qual mantém vínculo de emprego ou autônomo, não havendo sequer cláusula sobre quantitativo de trabalhadores envolvidos na prestação de serviços. Tal cenário fático permite inferir que o objeto contratual é um resultado pretendido, e não a cessão de mão de obra dos segurados vinculados à Transportadora Tigre Ltda. Embora pouco usual nesse segmento, seria possível cogitar da existência da cessão de mão de obra na operação de transporte de cargas quando a empresa prestadora tivesse a obrigação contratual de manter uma equipe de motoristas à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros. Não é o caso, porém, segundo fls. que instruem os autos. Logo, cabe declarar a insubsistência do lançamento fiscal, pela falta de aderência aos requisitos previstos em lei para imposição da responsabilidade solidária ao contratante de serviços. Deixo de analisar os demais argumentos de defesa do recurso voluntário contra a pretensão fiscal e decisão de piso, por absoluta desnecessidade para o deslinde do presente julgamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para tornar insubsistente o crédito tributário da notificação de lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 953DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901356/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA.
A alegação de que se deva respeitar o princípio da verdade material implica na oferta de elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.642
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. A alegação de que se deva respeitar o princípio da verdade material implica na oferta de elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10882.901356/2013-61
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5968435
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.642
nome_arquivo_s : Decisao_10882901356201361.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10882901356201361_5968435.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
id : 7636365
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661014925312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1383; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.901356/201361 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.642 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente CIDADE DE DEUS COMPANHIA COMERCIAL DE PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. A alegação de que se deva respeitar o princípio da verdade material implica na oferta de elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 13 56 /2 01 3- 61 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10882.901356/201361 Acórdão n.º 3301005.642 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de parcelas pagas a maior da Contribuição para o PIS, pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo, inicialmente, a nulidade do despacho decisório, em razão (i) da superficialidade da busca de informações necessárias para embasar a decisão, violando o princípio da verdade material, uma vez que a autoridade fiscal deveria ter diligenciado para apurar a existência do crédito pretendido e (ii) de não constar do despacho decisório um relatório ou fundamentação que alicerçasse o indeferimento do pedido, violando os princípios da motivação e da legalidade. No mérito, o contribuinte afirmou o direito ao crédito em razão do disposto no Decreto nº 5.442, de 9 de maio de 2005, que reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa, a partir de 1º de abril de 2005. Assim, explicou o interessado que, ao efetuar a apuração das contribuições sobre a receita, constatara que grande parte dos recolhimentos, com base no imposto de renda devido (por força de liminar no Mandado de Segurança no 2003.61.00.0023490), era indevida porque a base de cálculo era composta, em sua maior parte, por receitas financeiras auferidas, sujeitas à alíquota zero. O contribuinte argumentou, ainda, que a demonstração do cálculo podia ser verificada no documento que juntou aos autos, devidamente comprovada no Dacon, o qual evidenciava as receitas auferidas sujeitas à alíquota zero. Explicou que, por erro de fato, informara na DCTF do período o valor do pagamento e, assim, pedia sua retificação de ofício. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07036.650, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da falta de prévia retificação da DCTF, tendo sido afastada a alegação de nulidade do despacho decisório que se encontrava, segundo a autoridade julgadora, devidamente formalizado e fundamentado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10882.901356/201361 Acórdão n.º 3301005.642 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.636, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10882.901350/201393, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.636): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0736.644 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA RESTITUIÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em pedido de restituição está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode deferir a restituição, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação do Pedido de Restituição, retifica regularmente a DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. NÃO OCORRÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade do despacho decisório, quando resta evidenciada a descrição dos fatos e os fundamentos do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO ELETRÔNICO. DESNECESSÁRIA INTIMAÇÃO PRÉVIA. É legítimo o despacho decisório eletrônico efetuado com os elementos necessários e suficientes à decisão, sem prévia intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10882.901356/201361 Acórdão n.º 3301005.642 S3C3T1 Fl. 5 4 Diante da decisão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte trata preliminarmente acerca de alegada superficialidade da instrução probatória e ausência de requisitos motivadores da decisão, o que implicaria em nulidade da decisão por violar o princípio da verdade material. Assim expressa o Contribuinte em trecho do seu recurso (fls. 156 e 157): Como relatado, a Autoridade Fiscal que reputou inexistente o crédito pleiteado no pedido de restituição da Requerente, em momento algum ficou evidenciado no Despacho Decisório que a D. Fiscalização teria procedido a todas as diligências para apurar a existência do crédito em questão. (...) Na busca da verdade material, deveria a D. fiscalização se amparar em toda a documentação contábil e fiscal da Requerente, e somente após uma análise completa da mesma, proferir decisão, e não se basear apenas no que consta nos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil. (grifouse). Em seguida o Contribuinte adentra no mérito alegando que tem direito a restituição do crédito pleiteado diante da aplicação da alíquota zero em relação ao PIS incidente sobre receitas financeiras e, por fim, requer: Seja retificada de ofício a DCTF de Ago/2009, para excluir o débito na quantia de R$ 30.350,29, valor este pago indevidamente, pois conforme demonstrado em toda a escrituração contabil e fiscal anexada ao respectivo processo, evidenciase que não há débito de PIS no respectivo período e; Seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para que seja reformado integralmente o Acórdão nº 0736.644 proferido pela 4ª Turma da DRJ/FNS, deferindose assim o pedido de restituição pleiteado; Se mesmo após análise de toda a documentação contábil e fiscal juntada aos autos (LALUR, Balancete, DACON e demonstrativos de cálculos de PIS do período em discussão), este E. Egrégio Conselho não se convença do direito creditório da Contribuinte, requerse que seja convertido o respectivo julgamento em diligência, especificando outros documentos que avaliem necessários, como medida de Direito e Justiça. Em que pese os argumentos do Contribuinte, tanto em preliminar, quanto ao mérito, entendo correto o entendimento da decisão ora recorrida. Cito trechos da mesma como razões para decidir: 1 – Preliminar de nulidade: Como do relatório se viu, a contribuinte alega a nulidade do DD, em razão (a) da superficialidade da busca de informações necessárias para embasar a decisão, violando o princípio da verdade material, uma vez que a autoridade fiscal deveria diligenciar para apurar a existência do crédito pretendido e (b) de que não consta do DD um relatório ou fundamentação que alicerce o indeferimento do pedido, violando os princípios da motivação e da legalidade. Diante do argumento posto, esclarecese que não compete à DRF apurar o crédito pleiteado, mas tão somente verificar se o interessado comprovou ou não o direito creditório. Se tiver dúvidas sobre as informações prestadas pelo interessado, a autoridade administrativa poderá intimar o contribuinte, tendo em vista o disposto no artigo 76 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, in verbis: Art. 76 A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10882.901356/201361 Acórdão n.º 3301005.642 S3C3T1 Fl. 6 5 reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. [grifei] O dispositivo legal acima transcrito é bem claro, no sentido de que a diligência é uma faculdade da autoridade administrativa. E não poderia ser diferente, já que o próprio artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748/1993, estabelece que as autoridades administrativas determinarão a realização quando entendêlas necessárias. Se pelo PER apresentado já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. Ademais, verificase que o Despacho Decisório é claro ao informar que a restituição foi indeferida porque o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Assim, a interessada teve pleno conhecimento dos fundamentos para indeferimento do pedido de restituição e pode exercer, sem qualquer restrição, seu direito de defesa, o que se constata, facilmente, pelo arrazoado apresentado. Por fim, esclarecese que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, não torna o DD ora analisado, nulo. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, não se aplica à presente situação, pois, como adiante se verá, nos casos em que a existência do indébito incluído em pedido de restituição está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode deferir a restituição, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação do PER, retifica regularmente a DCTF. Respeitados pela autoridade administrativa os princípios da legalidade, da motivação e do devido processo legal, portanto, improcedente é a alegação de nulidade do feito fiscal. 2 – Do pedido de restituição: No mérito, a contribuinte alega, em síntese, que, por erro de fato, informou na DCTF do período o valor do pagamento e não o valor do débito, assim, pede sua retificação de ofício. Da mesma forma, podese dizer que não tem razão a contribuinte em sua manifestação. Explicase. Primeiro, registrese que, como disposto de forma literal no artigo 165, inciso I, do CTN, o sujeito passivo tem direito à restituição do tributo, em razão de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. Ocorre que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10882.901356/201361 Acórdão n.º 3301005.642 S3C3T1 Fl. 7 6 menor). Desta forma, somente a partir da apresentação de uma DCTF retificadora poderseia reputar existente eventuais créditos do contribuinte, decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior por terem sido vinculados a débitos declarados anteriormente em DCTF. Com isso, restaria, então, conformada juridicamente a existência de crédito tributário passível de restituição. Isto porque, como se sabe, a DCTF é o documento no qual são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. No caso que aqui se tem, entretanto, a contribuinte não retificou a DCTF antes de apresentar o PER, de modo que não restou juridicamente firmada a existência do pagamento indevido alegado, o que retira do aludido crédito requisito essencial que a lei impõe a ele para que possa ser objeto de repetição. Ressaltese que a certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a PER apresentado posteriormente à retificação, mas não para validar pedido de restituição anterior. Independentemente da discussão acerca da apresentação ou não de uma DCTF retificadora, percebese que o Contribuinte alega, que em nome da verdade material, a fiscalização deveria comprovar o alegado crédito existente. Com a devida vênia, entendo que a alegação de respeito ao princípio da verdade material deve vir acompanhada de elementos de prova, e, estes, devem ser apresentados por quem alega a existência do direito. Portanto, diante dos autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002215/2006-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO.
Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF/2015, cabe refletir que a maioria dos conselheiros, ao analisar o caso vertente, se direcionou por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, considerando apenas as deduções previstas na norma interpretativa - § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013. Sendo assim, na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, é permitida a dedução dos valores inerentes aos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98, visto a norma interpretativa § 9ª do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
Observa-se que os custos assistenciais compreendem despesas com hospitais, exames laboratoriais, honorários médicos.
Numero da decisão: 9303-008.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF/2015, cabe refletir que a maioria dos conselheiros, ao analisar o caso vertente, se direcionou por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, considerando apenas as deduções previstas na norma interpretativa - § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013. Sendo assim, na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, é permitida a dedução dos valores inerentes aos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98, visto a norma interpretativa § 9ª do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Observa-se que os custos assistenciais compreendem despesas com hospitais, exames laboratoriais, honorários médicos.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10855.002215/2006-61
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986841
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.237
nome_arquivo_s : Decisao_10855002215200661.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 10855002215200661_5986841.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7692998
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661019119616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10855.002215/200661 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.237 – 3ª Turma Sessão de 19 de março de 2019 Matéria PIS/PASEP Recorrente UNIMED DE ITAPETININGA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF/2015, cabe refletir que a maioria dos conselheiros, ao analisar o caso vertente, se direcionou por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, considerando apenas as deduções previstas na norma interpretativa § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013. Sendo assim, na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, é permitida a dedução dos valores inerentes aos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98, visto a norma interpretativa § 9ª do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Observase que os custos assistenciais compreendem despesas com hospitais, exames laboratoriais, honorários médicos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 22 15 /2 00 6- 61 Fl. 11083DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 330100.651, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar suscitada e deu parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo do PIS as receitas financeiras, mantendo, no mais, a decisão recorrida. O Colegiado a quo, assim, consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. PIS. DECADÊNCIA. Fl. 11084DF CARF MF Processo nº 10855.002215/200661 Acórdão n.º 9303008.237 CSRFT3 Fl. 3 3 Uma vez que o STF, por meio da Sumula Vinculante n° 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, há que se reconhecer a decadência em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4°, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou artigo 173, I, em caso contrário. PIS. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A partir de novembro/1999 a contribuição passou a incidir sobre todo o seu faturamento, admitidas as exclusões estabelecidas na norma, sendo, portanto, a mesma aplicada às demais sociedades. PIS. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 9º. Aplicamse às cooperativas de trabalho que operam com planos de saúde o disposto no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, introduzido pelo art. 2º da MP nº 2.15835/2001, que permite deduzir da base de cálculo do PIS faturamento e da Cofins, a partir de dezembro/2001, as corresponsabilidades cedidas, a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas e o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Contudo, em tais deduções não se incluem custos e despesas relativos aos eventos com os próprios associados, mas com associados de outras operadoras. PROVA DAS ALEGAÇÕES São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão se acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem, de modo a elidir o lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida Fl. 11085DF CARF MF 4 aos julgamentos efetuados por este órgão julgador, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas que não decorram de seu faturamento. ” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração contra o r. acórdão, alegando omissão, requerendo, entre outros, o saneamento da omissão quanto à extensão do faturamento da embargante, enquanto operadora de planos de saúde, seja no atendimento a usuários próprios e de outras operadoras. Em Despacho à fl. 9878, os embargos foram rejeitados. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros: · A irrelevância da existência de lei que reconheça a não incidência sobre recursos meramente intermediados, característica de tributação esta própria de qualquer atividade de intermediação, inclusive operações de planos de saúde; · A previsão contida no inciso III do § 9º do art. 3º, § 9º da Lei 9.718/98, com a redação dada pelo art. 2º da MP 2.15835/01, deduzindose todos os custos assistenciais repassados a terceiros, no atendimento de usuários próprios e de outras operadoras, inclusive dentro da área de atuação da recorrente ou repassados a outras operadoras de planos de saúde (reforço no inciso I); e · A não incidência tributária que respaldam os atos cooperativos das sociedades cooperativas, e na extensão em que postulado na presente impugnação – atendimento médico hospitalar, intercâmbio e sobras; · A ausência de previsão legal para a incidência da Selic sobre a multa de ofício, limitandose a legislação a exigila sobre o tributo e sobre a multa de ofício nas hipóteses de auto de infração sem tributo. Em Despacho às fls. 11043 a 11060, foi dado seguimento parcial ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, apenas em relação às seguintes matérias: · Incidência da contribuição sobre repasse a terceiros de valores recebidos pela cooperativa de trabalho médico; Fl. 11086DF CARF MF Processo nº 10855.002215/200661 Acórdão n.º 9303008.237 CSRFT3 Fl. 4 5 · Dedução da base de cálculo da contribuição dos custos assistenciais no atendimento a usuários próprios, bem como no atendimento a usuários de outras operadoras; · Tributação dos valores repassados pela cooperativa aos médicos cooperados; e · Tributação dos valores relativos a atendimento hospitalar, laboratorial requisitado por médico cooperado. Em Despacho de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial, o Presidente da Câmara Superior em exercício à época decidiu por manter na íntegra o despacho do Presidente da Câmara. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, que: · A União entende, data vênia, que toda alegação referente à não incidência tributária sobre o ato cooperativo não há que prosperar porquanto tratase de tese afastada pelo Supremo Tribunal (ainda que se encontre pendente de julgamento o RE n. 672.215), e requer nesta parte não seja conhecido o recurso da cooperativa interessada; · O acórdão recorrido conferiu a correta interpretação à legislação tributária federal, em estrita consonância com o princípio da universalidade, expresso no artigo 195 da CF/88, regra matriz da COFINS/PIS, que estabeleceu que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das contribuições sociais; · Sobre todas as importâncias ingressadas em face da prestação de serviços pela cooperativa, independentemente de se tratarem de operações com cooperados ou com não cooperados, passaram a incidir a contribuição, permitindo se, estritamente, as exclusões previstas na legislação vigente à época dos fatos. Fl. 11087DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo na parte admitida em despacho de admissibilidade, eis que atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com o Despacho de Admissibilidade. Ventiladas tais considerações, recordo as matérias a serem analisadas: · Incidência da contribuição sobre repasse a terceiros de valores recebidos pela cooperativa de trabalho médico; · Dedução da base de cálculo da contribuição dos custos assistenciais no atendimento a usuários próprios, bem como no atendimento a usuários de outras operadoras; · Tributação dos valores repassados pela cooperativa aos médicos cooperados; e · Tributação dos valores relativos a atendimento hospitalar, laboratorial requisitado por médico cooperado. Quanto à segunda matéria – qual seja, “Dedução ou não da base de cálculo da contribuição dos custos assistenciais no atendimento a usuários próprios, bem como no atendimento a usuários de outras operadoras”, vêse que esse Colegiado já possui jurisprudência firmada. O que reflito a ementa consignada no acórdão 9303007.701 (Destaques meus): “OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, é permitida a dedução dos valores inerentes aos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98, visto a norma interpretativa § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.” Fl. 11088DF CARF MF Processo nº 10855.002215/200661 Acórdão n.º 9303008.237 CSRFT3 Fl. 5 7 Com o advento da MP 619/13, convertida na Lei 12.873/2013, essa discussão não mais existe – considerando o § 9A ao art. 3º da Lei 9.718/98, in verbis (Grifos meus): “Art. 19. A Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 3º. .........………………….................................... ...................................................................................…..... § 9ºA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. ...................................................................................” (NR) Com tal dispositivo, houve esclarecimento normativo de que, para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Eis que, tais custos assistenciais compreendem despesas com hospitais, exames laboratoriais, honorários médicos, dentre outros norma interpretativa § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Sendo assim, nessa parte, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Fl. 11089DF CARF MF 8 Relativamente à primeira matéria – qual seja, “incidência da contribuição sobre repasse a terceiros – médicos cooperados de valores recebidos pela cooperativa de trabalho médico” e à terceira discussão, qual seja, “tributação dos valores repassados pela cooperativa aos médicos cooperados”, temse que o assunto foi recentemente apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos, RE Nº 1.164.716 MG, no qual recebeu o seguinte tratamento: “RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.716 MG (2009/02107185) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : COOPERATIVA DOS INSTRUTORES DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL E PROMOÇÃO SOCIAL RURAL LTDA COOPIFOR ADVOGADO : DAVID GONÇALVES DE ANDRADE SILVA E OUTRO(S) INTERES. : ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB" AMICUS CURIAE" ADVOGADOS : ADRIANO CAMPOS ALVES E OUTRO(S) KARINE MANFREDINI DA CUNHA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios Fl. 11090DF CARF MF Processo nº 10855.002215/200661 Acórdão n.º 9303008.237 CSRFT3 Fl. 6 9 associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. E no corpo do voto: 3. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E ainda, em seu parágrafo único, alerta que ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria . 4. Dito isso, entendese que a norma declarou a hipótese de não incidência tributária, tendo em vista a mensagem que veicula, mesmo sem empregar termos diretos ou específicos, por isso que se obtém esse resultado interpretativo a partir da análise de seu conteúdo. Consequentemente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados), ou pela cooperativa com outras cooperativas, ou pelos associados (cooperados) com a cooperativa, na busca dos seus objetivos institucionais.” Conforme dispõe o artigo 62, §2º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais1, aprovado pela Portaria MF 343/15, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC). Frisese o acórdão 9303005.502– de relatoria do nobre Conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, que consignou a seguinte ementa: Fl. 11091DF CARF MF 10 “COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. As receitas decorrentes das operações realizadas entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais, são, nos termos do Recurso Especial Nº 1.164.716, decorrentes de atos cooperativos próprios ou internos, não devendo incidir sobre elas a Contribuição para o PIS/Pasep.” Sendo assim, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto à quarta discussão, qual seja, “tributação dos valores relativos a atendimento hospitalar, laboratorial requisitado por médico cooperado”, como dito anteriormente, os custos assistenciais compreendem despesas com hospitais, exames laboratoriais, honorários médicos. Sendo assim, resta permitida a dedução dos valores inerentes aos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98, visto a norma interpretativa § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013. Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Não obstante ao meu entendimento, em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF/2015, cabe refletir que a maioria dos conselheiros, ao analisar o caso vertente, se direcionou por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, considerando apenas a aplicação da norma interpretativa § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 11092DF CARF MF Processo nº 10855.002215/200661 Acórdão n.º 9303008.237 CSRFT3 Fl. 7 11 Fl. 11093DF CARF MF
score : 1.0
