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Numero do processo: 11516.003442/2007-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 30/10/2006
Ementa: DECADÊNCIA – De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2301-002.054
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN as
contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001,
para os levantamentos relativos à retenção, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro
de Moraes, que votaram em aplicar a regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido à regra decadencial do § 4º, Art. 150, do CTN as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, para os demais levantamentos, nos termos do voto do(a) Relator(a). Os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes acompanharam a votação por suas conclusões; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Matéria SALÁRIO INDIRETO: CESTA BÁSICA SEM PAT Recorrente CBEMI CONSTRUTORA BRASILEIRA E MINERADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 30/10/2006 Ementa: DECADÊNCIA – De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, para os levantamentos relativos à retenção, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar a regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido à regra decadencial do § 4º, Art. 150, do CTN as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, para os demais levantamentos, nos termos do voto do(a) Relator(a). Os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes acompanharam a votação por suas conclusões; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Adriano Gonzáles Silvério. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Wilson Antonio De Souza Correa Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à contribuição dos segurados, à da empresa, à destinada ao SAT e aos Terceiros, incidentes sobre o pagamento de segurados empregados e contribuinte individuais, e a referente à retenção de 11%, prevista no art. 31, da Lei 8.212/91, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviço de construção civil ou com cessão de mãodeobra. Conforme Relatório Fiscal (fls.648 a 661), o fato gerador da contribuição lançada é: a) pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais (administradores), no período de 10/1997 a 10/2006 (período não contínuo), informados em folhas de pagamento e em GFIP (após 1998); b) pagamentos efetuados a segurados empregados (levantamentos 48A, 48B, 49A, e 55B), verificados na contabilidade, no período de 02/1998 a 02/2001 (período não contínuo), e não informados em folhas de pagamento e nem em GFIP (após 1998); c) pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais (autônomos), no período de 02/1997 a 12/2005 (período não contínuo), informados em folhas de pagamento e em GFIP (após 1998); Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.003442/200707 Acórdão n.º 230102.054 S2C3T1 Fl. 782 3 d) Pagamentos de valores a título de cesta básica, considerados salário de contribuição pela auditoria fiscal, tendo em vista a não inscrição da empresa ao PAT no período 01/2004 a 12/2005. Segundo relato fiscal, o débito referese também ao desconto da contribuição de onze por cento (11%), devida pelo Contribuinte Individual a partir de 04/2003 e às retenções destinadas aos terceiros (Sest e Senat) de 06/2000 a 12/2005 (período não contínuo), também não efetuada pela empresa quando do pagamento da remuneração por serviços de frete, a cargo dos prestadores pessoas físicas. Integra, ainda, a NFLD, as contribuições incidentes sobre o valor bruto das notas fiscais de serviço ou faturas, dos prestadores de serviço/empreiteiros de mão de obra, no período de 02/1999 a 071999 e 11/1999 a 12/2005. A autoridade lançadora informa que foi constatado, na ação fiscal, por meio do exame dos documentos apresentados (Notas Fiscais de Prestação de Serviços NFS, Contratos de Execução de Obras), que a CBEMI efetuou parcialmente e também deixou de efetuar a integralidade das retenções sobre os diversos serviços de construção civil (relacionados à pavimentação de rodovias) e de outros serviços contratados mediante cessão de mão de obra, bem como deixou de fazer o respectivo recolhimento, em nome das contratadas, para a Previdência Social, não atendendo, assim, o disposto no artigo 31 e parágrafos da Lei n° 8212/1991 e alterações posteriores. A recorrente apresentou defesa alegando, em apertada síntese, decadência do débito lançado entre 02/97 e 11/2001 e informando que a empresa possui diversos créditos oriundos das retenções calculadas sobre o valor das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, e de valores pagos a maior que estão sendo objeto de pedido de restituição perante a Autarquia e que não foram considerados pela fiscalização. A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação 20.401.4/0143/2007 (fls 679 a 673), julgou o lançamento procedente, afastando a preliminar de decadência e observando que tratase de impugnação parcial, uma vez que não houve contestação dos valores consolidados no lançamento. Inconformada com a decisão, a notificada recorreu tempestivamente (fls. 677, vol. IV), alegando, em síntese, o que se segue, Preliminarmente, assevera que a primeira instância administrativa excedeuse na sua competência quando impôs limitações ao conteúdo do Recurso ao Conselho de Recurso da Previdência Social, pois o Regulamento da Previdência Social e as Portarias MPS 88/2004 e 520/2004 e, subsidiariamente, o Decreto n°. 70.235/1972, não estabelecem qualquer limitação a Recurso ao CRPS em abordar matéria nova, eventualmente não alegada na defesa. No mérito, insiste na decadência do débito lançado em período anterior a 12/01 e reafirma que a fiscalização não compensou, no débito lançado, os valores relativos à retenção prevista no artigo 31 da Lei previdenciária, provocando, assim, lançamento indevido. Ressalta que, no período de 12/2001 a 09/2006 o lançamento é improcedente em face de que o responsável pelo recolhimento é o contratante dos serviços. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Inova em relação a sua defesa alegando que as contribuições ao SEST SENAT devidas pelos transportadores autônomos são ilegais e que é inaplicável o artigo 31 da Lei n° 8.212/91 às empresas contratadas pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro O recurso é tempestivo e os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos. Preliminarmente, a recorrente alega decadência de parte do débito. Verificase que a fiscalização lavrou o presente AI com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n.)” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.003442/200707 Acórdão n.º 230102.054 S2C3T1 Fl. 783 5 Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. A NFLD foi consolidada em 15/12/2006, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 22/12/2006, conforme AR de fl. 602. Constatase que, por qualquer regra do CTN, os levantamentos 43A, 43B, 41A, 48A, 48B, 49A, encontramse totalmente decadente. O levantamento relativo à cesta básica, para os quais não houve recolhimento antecipado, se refere à competências não alcançadas pela decadência, independente da regra a ser aplicada . Com relação aos levantamentos relativos à obrigatoriedade do contratante de serviço mediante cessão de mãodeobra ou empreitada de reter 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviço, verificase que não houve adiantamento do tributo, tratandose, portanto, de lançamento de ofício, caso em que se aplica o disposto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Em que pese o entendimento desta Conselheira de que, para a competência 12/2000, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/2001, iniciandose a contagem do prazo somente em 01/01/2002, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima, deixo de aplicálo tendo em vista o disposto no art. 62A, do Regimento deste CARF, que obriga a todos os Conselheiros reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ, julgados na sistemática do art. 543C.. Dessa forma, considerando o exposto acima e considerando que o STJ julgou, em maio de 2009, o Recurso Especial 973.933 – SC como recurso repetitivo, para os levantamentos relativos à retenção de que trata o art. 31, da Lei 8.212/91, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito apenas para os valores lançados até a competência 12/2000, inclusive. Para os demais levantamentos, verificase, dos relatórios que integram a NFLD, que trata de diferença de contribuição, caso em que se aplica a regra do art. 150, § 4o, citado acima. Portanto, reconheço a decadência de parte do débito, nos termos expostos acima. Ainda em preliminar, a recorrente alega que a primeira instância administrativa excedeuse na sua competência quando impôs limitações ao conteúdo do Recurso ao Conselho de Recurso da Previdência Social. Porém, observase que em nenhum momento a autoridade julgadora de 1a instância impôs qualquer limitação ao conteúdo do recurso que seria apresentado pela recorrente. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.003442/200707 Acórdão n.º 230102.054 S2C3T1 Fl. 784 7 Ela apenas observou, com muita propriedade, que empresa não contestou, em sua peça impugnatória, as matérias de mérito, se limitando alegar a decadência. De fato, a empresa, em sua defesa, não impugnou as bases de cálculo ou as alíquotas aplicadas, e nem mesmo a caracterização da cessão de mãodeobra, tratandose, portanto, de impugnação parcial, como tão bem observado pelo julgador singular, na decisão recorrida. A recorrente afirma que as Portarias MPS 88/2004 e 520/2004 e, subsidiariamente, o Decreto n°. 70.235/1972, não estabelecem qualquer limitação a Recurso ao CRPS em abordar matéria nova, eventualmente não alegada na defesa. Todavia, a Portaria 88/04, citada pela recorrente, estabelece, em seu artigo 54, parágrafo 5º, inciso V, que a preclusão processual é razão de não conhecimento do recurso. Portanto, cabe ao Conselho não conhecer as matérias não impugnadas. Assim, rejeito a preliminar suscitada. No mérito, a recorrente insiste em afirmar que a fiscalização não aproveitou os valores relativos às retenções sofridas. Contudo, além de essa afirmação ter sido feita apenas em sede recursal, a empresa não prova o alegado. Não junta notas fiscais que comprovem a retenção sofrida e nem guias de recolhimento ou contratos de prestação de serviços que demonstrem a veracidade de suas afirmações. Já a fiscalização constatou, por meio da análise dos documentos apresentados pela própria empresa, que a empresa deixou de recolher toda a contribuição devida. Cumpre frisar que os valores devidos, objeto da NFLD em tela, foram confessados pela própria empresa em documento próprio, qual seja, GFIP. Se a ausência de recolhimento da contribuição apurada pela fiscalização se deu em razão de retenções sofridas e compensadas pela empresa, caberia à ela comprovar tal fato. À fiscalização, cabe o lançamento de contribuições devidas, declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria. Quanto às alegações de inaplicabilidade do art. 31 da Lei 8.212/91 ao presente caso e de ilegalidade de cobrança da contribuição ao SEST/SENAT, vale ressaltar que tais matérias não foram apresentadas pela recorrente perante a primeira instância de julgamento. Dessa forma, entendo que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 Portanto, no que tange às inovações trazidas no recurso, não foi instaurado o contencioso administrativo fiscal, motivo pelo qual não conheço dessa parte do recurso. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do valor do débito, por decadência, os valores lançados nas competências compreendidas entre 02/1997 a 11/2000, inclusive, para os levantamentos relativos à retenção de que trata o art. 31, da Lei 8.212/91, e de 02/97 a 11/2001, para os demais levantamentos. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Declaração de Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Apenas em relação à contagem do prazo decadencial ouso divergir em parte da Ilustre Conselheira Relatora, uma vez que a meu ver deve ser aplicado como regra decadencial nesse caso apenas aquela prevista no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, cujo dies a quo é o da ocorrência do fato gerador. Isto porque tenho para mim que a autuação versa somente sobre um fato gerador, qual seja, aquele arrolado pela Constituição Federal no artigo 195, inciso I, “a”, que nos autos revelase em pagar remuneração a segurados empregados ou contribuintes individuais. O mesmo se dá com a retenção de 11%, já que a autuada está, na sistemática do artigo 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, antecipando a contribuição previdenciária que estaria a cargo da empresa prestadora de serviços, nos moldes autorizados pela Carta Magna no artigo 150, § 7º, isto é, sob o regime de substituição tributária como já decidiu o Egrégio Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial 1.036.375, na sistemática de recurso repetitivo, o qual deve ser acatado nos julgamentos desse Conselho, em virtude do disposto no artigo 62A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria nº 256/2009. Assim tratandose do mesmo fato gerador no qual, como se extrai dos autos, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, há de ser aplicado o prazo decadencial qüinqüenal, que tem como termo inicial de contagem a ocorrência do fato gerador, como decidiu o Colendo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, entendimento esse que deve ser acatado, por força do Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.003442/200707 Acórdão n.º 230102.054 S2C3T1 Fl. 785 9 disposto no mencionado artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A ementa do paradigma está assim redigida: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 10 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” Diante do exposto e tendo em vista que o contribuinte foi intimado da NFLD em 22 de dezembro de 2006 e que o débito apurado alberga o período de fevereiro de 1997 a outubro de 2006, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, considerando a decadência do período compreendido entre fevereiro de 1997 a novembro de 2001, por força do disposto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10980.010562/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de
transcorridos cinco anos de encerramento do anocalendário,
salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o que não ocorre no presente caso.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos de encerramento do anocalendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o que não ocorre no presente caso. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rubens Maurício Carvalho – Presidente substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator EDITADO EM: 29/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rubens Maurício Carvalho (Presidente substituto), Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 2 Relatório O contribuinte acima identificado foi autuado, por meio de Auto de Infração (fl. 45 a 48), em decorrência da revisão de sua Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício 2000, anocalendário 1999, na qual foi efetuada a alteração, de ofício, nos valores do imposto de renda retido na fonte, sendo apurado imposto suplementar de R$ 2.220,00 (dois mil, duzentos e vinte reais) e multa de ofício de R$ 1.665,00 (mil seiscentos e sessenta e cinco reais), face a glosa de parte do IRRF compensado indevidamente. O contribuinte apresentou impugnação em primeira instância em 27 de setembro de 2005, alegando, preliminarmente, a decadência. No mérito, questiona não lhe caber a responsabilidade pela retenção na fonte, já que a fonte pagadora efetuou a retenção, pagandolhe apenas os rendimentos líquidos. Recorre também contra a multa de ofício, alegandoa abusiva e confiscatória em descompasso com o sistema infraconstitucional e a própria CF/1988. A 4ª Turma da DRJ/CTA decidiu, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. No voto, o relator entende que, quanto à decadência, “o fato jurídico tributário somente considerase consumado por ocasião da entrega de rendimentos”, nos termos do art. 173, I, do CTN. Em relação à retenção na fonte, diz que “o contrato de locação estabelece disciplina apenas à relação econômicojurídica firmada pelas partes, não se prestando à comprovação do tratamento tributário que foi dado aos rendimentos oriundos desta transação”. Assim, que “as clausuras estipuladas no contrato, em hipótese alguma comprovam a retenção de valores a título de imposto de renda retido na fonte.” Fundamenta a sua decisão no art. 87 do RIR/1999, com matriz legal no art. 55 da Lei nº 7.450/1985; no art. 941 do RIR/1999, com matriz legal o art. 86 da Lei nº 8.981/1995; no art. 2º, §2º do RIR/1999; no art. 620 e §2º do RIR/1999; e nos arts. 118 e 121 do CTN. Quanto à multa, informa que a mesma foi aplicada e, consonância com o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. O recorrente recebeu ciência do julgamento em 22 de setembro de 2008 (fl. 83) e apresentou recurso no dia 10 de outubro do mesmo ano (fls. 84 a 101). Alega a necessidade de reforma na decisão recorrida, já que o AuditorFiscal procedeu a revisão da Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício 2000, anocalendário 1999, por suposta dedução indevido do imposto de renda retido na fonte, constituindo o crédito tributário apenas em 26 de agosto de 2005, quando já se encontrava extinto, e apresenta três pontos de discordância, a seguir relatados: a) Decadência, já que é ao imposto de renda pessoa física sujeito ao lançamento por homologação aplicase o disposto no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (CTN). Para justificar sua tese cita ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes; b) Ausência de responsabilidade do recorrente na comprovação do recolhimento do IRRF, pois não cabe ao recorrente a prova do recolhimento do imposto e sim sua retenção, o que efetivamente ocorreu, conforme demonstram as cópias dos recibos de pagamento de aluguel já anexados, nos quais há expressa dedução do valor relativo ao imposto de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO Processo nº 10980.010562/200541 Acórdão n.º 210201.205 S2C1T2 Fl. 104 3 renda retido. Justificando sua tese cita acórdãos do Conselho de contribuintes e dos REsps 652293/PR e 281.732, do STJ; e c) O caráter confiscatório da multa de ofício (75%), por ser abusiva e em descompasso com o sistema infraconstitucional e a própria Constituição Federal. Para justificar sua argumentação cita o resultado do Ac. 2002.84.00.097390/RN. da 3ª Turma do TRF 5ªRegião. Requer, por fim, que seja reconhecida a decadência do lançamento fiscal, ou não sendo este o entendimento, seja julgado procedente o lançamento fiscal na forma das razões expostas. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. No auto de infração (fl. 45) apurouse, em decorrência de glosa do imposto de renda retido na fonte compensado indevidamente, o imposto suplementar de R$ 2.220,00 (dois mil, duzentos e vinte reais) e a multa de ofício de R$ 1.665,00 (mil seiscentos e sessenta e cinco reais). O contribuinte apresentou em 27 de abril de 2000, via internet (fl. 50), a Declaração de Ajuste Anual do imposto de renda das pessoas físicas, exercício 2000, ano calendário 1999, deduzindo do imposto devido o valor retido na fonte de R$ 9.084,77. Desse valor a fiscalização excluiu R$ 2.220,00, por falta de comprovação, em lançamento ocorrido em 26 de agosto de 2005. O contribuinte argui a decadência do crédito tributário nos termos do artigo 150, §4º do CTN, tese prevalente no âmbito da 2a Seção de Julgamento do CARF, quando há antecipação de pagamentos, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim dispõe o § 4º, do art. 150 do CTN: Art. 150. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (Grifo não original) De fato, quando cabe ao próprio beneficiário proceder ao recolhimento do imposto em prazo específico, caracterizadamente em um lançamento por homologação, a decadência será concebida pelo § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Esse é o entendimento do STJ na ementa abaixo parcialmente transcrita: Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) O entendimento também está respaldado no julgado do STJ, abaixo, onde se firmou que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO Processo nº 10980.010562/200541 Acórdão n.º 210201.205 S2C1T2 Fl. 105 5 passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), de 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 6 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Ressaltase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. E sendo assim, não há razões para que tenha entendimento diverso a instância máxima da esfera administrativa. Não procede as teses levantadas quanto à ausência de responsabilidade e ao caráter confiscatório. Uma, que se refere a ausência de responsabilidade do recorrente na comprovação do recolhimento do IRRF, por não haver nos autos quaisquer elementos convincentes que provem, se não o pagamento, mas pelo menos que ocorreu a retenção. A outra, que se refere ao caráter confiscatório da multa de ofício, por ser inaplicável na esfera administrativa. A vedação é orientada à elaboração da lei. Uma vez positivada a norma, é inaplicável o conceito. Entretanto, no caso em análise ocorreu a retenção do imposto de renda e ainda o recolhimento das parcelas do Imposto de Renda a Pagar (fl. 42 e 43). Assim, o fato gerador do imposto de renda auferido no anocalendário 1999 ocorreu em 31 de dezembro de 1999, decaindo em 31 de dezembro de 2004. Portanto, não há dúvida que, por ocasião do lançamento suplementar, já havia ocorrido a decadência do crédito tributário nos termos do art. 150, §4o, do CTN. Assim, conheço do recurso e voto no sentido de darlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO
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Numero do processo: 10675.002158/2005-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIASExercício: 2002EmentaPRAZO PRESCRICIONAL. FLUÊNCIA. TERMO INICIAL.Com a lavratura do auto de infração, consuma-se o lançamento do crédito tributário (art. 142 do CTN). Por outro lado, a decadência só é admissível no período anterior a essa lavratura; depois, entre a ocorrência dela e enquanto não for decidido o recurso administrativo de que se tenha valido a contribuinte, não mais corre prazo para decadência, e tampouco se iniciou a fluência de prazo para prescrição; apenas depois de decidido o recurso administrativo interposto pela contribuinte é que há a constituição definitiva do crédito tributário, a que alude o art. 174 do CTN, começando a fluir, daí, o prazo de prescrição da pretensão do Fisco.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1402-000.434
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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FLUÊNCIA. TERMO INICIAL. Com a lavratura do auto de infração, consumase o lançamento do crédito tributário (art. 142 do CTN). Por outro lado, a decadência só é admissível no período anterior a essa lavratura; depois, entre a ocorrência dela e enquanto não for decidido o recurso administrativo de que se tenha valido a contribuinte, não mais corre prazo para decadência, e tampouco se iniciou a fluência de prazo para prescrição; apenas após decidido o recurso administrativo interposto pela contribuinte é que há a constituição definitiva do crédito tributário, a que alude o art. 174 do CTN, começando a fluir, daí, o prazo de prescrição da pretensão do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.002158/200558 Acórdão n.º 140200.434 S1C4T2 Fl. 51 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Relatório Sindicato Trab Serv Pub Mun Grupiara/MG recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ1 Rio de Janeiro/RJ, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Versa o presente processo sobre o auto de infração (AI) de fl. 4, no qual é exigida da interessada acima identificada multa por atraso na entrega da Declaração de Informações – DIPJ, relativa ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, no valor de R$ 500,00. 2. O lançamento tem o seguinte fundamento legal: art. 106, II, “c”, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (CTN); art. 88 da Lei nº 8.981/95, art. 27 da Lei nº 9.532/97; art. 7º da Lei nº 10.426/2002 e Instrução Normativa SRF nº 166/99 – vide quadro 5 do AI. 3. Inconformada com a exigência, a interessada interpôs a petição de fls. 01 a 02, na qual alega, em síntese, que: i há vedação constitucional para a tributação, pela União, Estados e Municípios, do patrimônio, renda ou serviços das entidades sindicais dos trabalhadores, atendidos os requisitos da lei; ii os valores aplicados como penalidades não podem ser superior a valor do tributo e que não havendo tributo a ser cobrado não há penalidade a ser aplicada; iii a instituição não tem recursos financeiros para arcar com o ônus da multa e é uma entidade sem fins lucrativos; iv que a DIPJ foi entregue espontaneamente antes de qualquer ação fiscal. 4. Requer o acolhimento da impugnação e o cancelamento do AI. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 12 21.418 (fls. 2225) de 16/10/2008, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, mantendo a multa de ofício de R$ 500,00, por atraso na entrega da Declaração de Informações – DIPJ, conforme entendimento a seguir ementado. “MULTA POR APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO DA DIPJ. O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica nos prazos Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.002158/200558 Acórdão n.º 140200.434 S1C4T2 Fl. 52 3 fixados, ou a entregar após o prazo, sujeitarseá à multa por atraso na entrega.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 06/02/2009 (A.R. de fl. 29), a interessada interpôs recurso voluntário em 06/03/2009 (fls. 30) onde alega, em apertada síntese, ter ocorrido a prescrição do débito, já que a data da entrega da DIPJ em referência teria ocorrido em 28/06/2002, e o julgamento do recurso se dera em 16/10/2008, com ciência pela recorrente em 06/02/2009. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. De se ressaltar, inicialmente, que o crédito tributário referente à multa ora discutida foi regularmente constituído por meio do auto de infração de fl. 04, cuja ciência à interessada se deu em 08/07/2005 (AR de fl. 08). Ora, a multa em discussão referese ao atraso na entrega da DIPJ, cujo termo final era 31/05/2002. A interessada, apenas em 28/06/2002, cumpriu a obrigação tributária de entrega da declaração ao Fisco, caracterizando o atraso ensejador da multa aplicada. Do exposto, vêse que a constituição do crédito tributário pelo Fisco se deu dentro do prazo qüinqüenal, donde não há que se cogitar a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento. Ademais, também não há que se falar em prescrição da cobrança do crédito tributário, a teor do art. 174 do CTN. Isso porque o presente processo ainda não transitou em julgado na esfera administrativa, não havendo, dessa forma, a constituição em definitivo do crédito tributário, marco inicial para a fluência do prazo prescricional. Tal entendimento é assente na jurisprudência Pátria, conforme ementa representativa, transcrita a seguir, do Supremo Tribunal Federal. “Com a lavratura do auto de infração, consumase o lançamento do crédito tributário (art. 142 do CTN). Por outro lado, a decadência só é admissível no período anterior a essa lavratura; depois, entre a ocorrência dela e até que flua o prazo para a interposição do recurso administrativo, ou enquanto não for decidido o recurso dessa natureza de que se tenha valido o contribuinte, não mais corre prazo para decadência, e ainda não se iniciou a fluência de prazo para prescrição; decorrido o prazo para interposição do recurso administrativo, sem que ela tenha ocorrido, ou decidido o recurso administrativo interposto pelo contribuinte, há a constituição definitiva do crédito tributário, a que alude o art. 174, começando a fluir, daí, o prazo de prescrição da pretensão do Fisco. ....” (STF. ERE 94462/SP. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.002158/200558 Acórdão n.º 140200.434 S1C4T2 Fl. 53 4 Rel.: Min. Moreira Alves. Tribunal Pleno. Decisão: 06/10/82. DJ de 17/12/82, p. 13.209.) Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela contribuinte. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 18108.000441/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.997
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicar-se o art. 150, paragrafo 4 do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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Recorrente FACULDADES METROTOPOLITANAS UNIDAS ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicarse o art. 150, paragrafo 4 do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 732DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Ausente momentaneamente o Conselheiro Thiago Davila Melo Fernandes. Fl. 733DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.000441/200753 Acórdão n.º 230200.997 S2C3T2 Fl. 407 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados e da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a Terceiros, sobre a remuneração paga aos segurados empregados assim enquadrados pela fiscalização previdenciária, referentes ao período compreendido entre as competências janeiro de 1996 a março de 2006, fls. 191 a 196. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 338 a 341. A DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 367 a 371. Não concordando com a decisão da Receita Previdenciária, foi interposto recurso, conforme fls. 377 a 389. Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: a) Houve cerceamento do direito de defesa, pois os autos do processo fiscal, necessária e obrigatoriamente, devem estar à disposição do contribuinte a partir da sua notificação, no endereço indicado na notificação de lançamento, e, comprovadamente, isto não ocorreu; b) Deve ser reaberto o prazo para impugnação; c) Restou caracterizada a refiscalização; Não foram apresentadas contrarazões. É o relato suficiente. Fl. 734DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 393. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao argumento recursal de que teria havido cerceamento do direito de defesa, pois os autos do processo fiscal não teriam ficado à disposição do contribuinte; não há provas nos autos de tal alegação. Não há provas de que o contribuinte teria solicitado cópia dos autos, ou acesso aos mesmos e teria sido negado tais pedidos pelo órgão fazendário. O que consta nos autos é justamente prova de que foram entregues ao contribuinte o relatório fiscal bem como todos os anexos que o compõem, conforme expressamente consignado à fl. 196. O extrato à fl. 363 apenas indica a relação de processos constantes no sistema da Procuradoria do INSS, os presentes autos em 12 de julho de 2006 não estavam na Procuradoria, mas sim ainda se localizavam na unidade da Receita Previdenciária. Além do mais, o termo Administrativo utilizado no extrato da Procuradoria é apenas para distinguir dos que já estão em cobrança judicial, por meio de execução fiscal. Assim, não há que ser reaberto o prazo para impugnação haja vista ter sido concedido à autuada todos os prazos regulamentares o que possibilitou o contraditório e a ampla defesa. Conforme informado pela Receita Previdenciária na decisão de primeira instância, não se tratou de procedimento de refiscalização. Na presente ação fiscal foram lavradas notificações que contemplam fatos geradores distintos daqueles levantados na ação fiscal anterior. A Receita Previdenciária informou que a ação fiscal anterior teve que ser encerrada em dezembro de 2.005 a fim de que pudessem ser efetuados os lançamentos referentes ao ano de 1.995, evitandose, assim, a decadência das contribuições previdenciárias. Mesmo que se considerasse uma refiscalização não há qualquer nulidade procedimental. Há previsão no Código Tributário Nacional, mais precisamente no art. 149, para que a fiscalização proceda à nova ação fiscal. O procedimento que confere origem à refiscalização independe da participação do sujeito passivo, portanto não há que lhe conferir ciência dos motivos que ensejaram o procedimento. Deve ser conferida ciência ao contribuinte do inicio da ação fiscal e da solicitação de documentos, fato que foi devidamente cumprido pela fiscalização no presente caso. Para período não abrangido pela fluência do prazo decadencial, sempre estará autorizada a Receita Federal proceder novas fiscalizações, conforme expressamente previsto no art. 149 do CTN. O contribuinte não ser informado do motivo de estar sendo fiscalizado não nulifica e nunca nulificou qualquer ação fiscal. Afinal não se pode esquecer que o procedimento fiscal possui natureza inquisitiva; o contraditório somente é conferido após a ciência do lançamento. Fl. 735DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.000441/200753 Acórdão n.º 230200.997 S2C3T2 Fl. 408 5 Contudo, há que se reconhecer a fluência parcial do prazo decadencial. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. No presente caso tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi realizado, sendo necessário o lançamento de ofício. Por não ter pago, nem declarado em GFIP, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, daí a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN, para efeitos da contagem do prazo decadencial. A obrigação não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 1996 a março de 2006. O lançamento foi realizado em julho de 2006. Caso o sujeito passivo não antecipe o pagamento, porque entende que o tributo não é devido, obviamente não haverá crédito a ser extinto por homologação. Seguindo a interpretação da 1a Seção do STJ (Recurso Especial n 973.733, cuja ementa foi publicada no DJe de 18/09/2009) contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário quando, a despeito da previsão legal para pagamento antecipado, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2000, inclusive esta, bem como o décimo terceiro desse ano. A competência dezembro de 2000 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, ou seja em 2 de janeiro de 2001; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja o dia 1o de janeiro de 2002, a qual findaria em 1o de janeiro de 2007. Fl. 736DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Nesse sentido da contagem segue entendimento exarado pelo STJ nos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n 674.497, cuja ementa foi publicada nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo que parte do lançamento já foi atingida pela fluência do prazo decadencial. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 737DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10920.001423/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2006
EXCLUSÃO.
O exercício da atividade de cessão de mão-de-obra não autoriza a pessoa jurídica a ingressar e se manter no Simples
Numero da decisão: 1201-000.461
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. O Conselheiro Régis Magalhães Soares de Queiroz acompanhou pelas conclusões.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 EXCLUSÃO. O exercício da atividade de cessão de mãodeobra não autoriza a pessoa jurídica a ingressar e se manter no Simples Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. O Conselheiro Régis Magalhães Soares de Queiroz acompanhou pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Fl. 206DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10920.001423/200612 Acórdão n.º 120100.461 S1C2T1 Fl. 189 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Conforme descrito no despacho decisório de fls. 99/103 e no ato declaratório executivo de fl. 104, a contribuinte foi excluída do Simples, com efeitos a partir de 14/07/2004, em virtude de exercer atividade vedada pelo art. 9º, XII, “f”, da Lei nº 9.317/96, qual seja, a prestação de serviços de facção com locação/cessão de mãodeobra. A ação fiscal foi motivada pela representação de fls. 1/3, na qual a autoridade relata o seguinte: Desde a sua constituição, a atividade de fato exercida pela empresa consiste apenas em contratar empregados em seu nome e colocálos à disposição da LUNENDER S/A, sendo remunerada por "prestação de serviços de facção". Esta constatação decorre dos seguintes fatos apurados na NEON: a) prestação de serviço exclusivamente para a LUNENDER; b) está estabelecida em instalações da ANBELLI (empresa do grupo LUNENDER); c) todas as máquinas foram fornecidas pela LUNENDER a título de comodato, sem ônus; d) sua sócia majoritária, ALCIONE MARIA ZIMMERMANN ROCHA, foi empregada da LUNENDER, "demitida" antes de ingressar como sócia; e) todo o controle e processamento administrativo, financeiro e contábil é efetuado por empregados da LUNENDER, por exemplo: ARILDO BUZZI, do setor de pessoal, e RÉGIS AUGUSTO SCHIMANKO, da contabilidade; f ) a mãodeobra é seu único fator de produção relevante, e; g) foi constituída por capital social irrisório, de R$ 10.000,00. Portanto, apesar de constar em seus livros e documentos fiscais operações de entradas de mercadorias para industrialização por encomenda (CFOP 190.1) e de saídas como retorno de industrialização por encomenda (CFOP 590.2) ao único contratante (LUNENDER), a empresa se limita a fornecer a mãodeobra registrada em seu nome, remunerada mediante emissão mensal de nota fiscal de prestação de serviços (CFOP 512.4). Logo, restou caracterizada a cessão de mãodeobra, atividade vedada às empresas optantes pelo SIMPLES, conforme previsão do Art. 9°, XII, "f”, da Lei n° 9.317/96. Apresentada manifestação de inconformidade (fls. 110/124), a DRJ de origem decidiu pela procedência da exclusão (fls. 165/168). Inconformada, a autuada interpôs recurso voluntário (fls. 172/186) pedindo ao final seja anulado o ato de exclusão, sob as seguintes alegações, em síntese: a) a empresa tem como objeto social a confecção de artigos de vestuário – facção, entre outros, conforme atos constitutivos juntados, não podendo sua atividade ser confundida com a cessão de mãodeobra; b) a contribuinte em momento algum utilizou trabalho alheio, sendo que seus sócios e funcionários constam do quadro funcional da empresa; Fl. 207DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10920.001423/200612 Acórdão n.º 120100.461 S1C2T1 Fl. 190 3 c) inexiste qualquer previsão legal que impeça uma determinada empresa de utilizar, por meio de contrato de comodato, maquinário de outro estabelecimento. Este argumento, por si só, não configura afronta alguma aos requisitos de admissibilidade ao Simples; d) o material fornecido pela empresa contratante restringese ao produto objeto do contrato de industrialização por encomenda; e) o fato de a ora requerente estar localizada em instalações da empresa ANBELLI é irrelevante, pois amparado em contrato de locação; f) o conceito de cessão de mãodeobra presente no art. 143 da IN SRP nº 3/2005 indica que os funcionários prestarão serviço nas dependências da empresa contratante ou em dependências de terceiros indicadas pela contratante, mas nunca nas dependências da contratada, como no presente caso; g) é ilegal a retroação dos efeitos da exclusão do Simples; h) a exclusão do Simples após decorridos dois anos da opção viola o princípio da segurança jurídica. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Atividade Exercida pela Pessoa Jurídica Segundo os atos constitutivos da interessada, seu objeto social é “a exploração do ramos de atividade de Confecções de Artigos do Vestuário Facção, bem como a participação no capital de outras Sociedades nacionais ou estrangeiras, na condição de sócia, em caráter permanente ou temporário, como controladora ou minoritária” (fl. 17). Igualmente, os contratos celebrados com a empresa LUNENDER têm por objeto a prestação de “serviços de facção de costura de artefatos de malha” (fl. 43). Por sua vez, sua exclusão do Simples foi realizada em virtude de a autoridade haver concluído que, efetivamente, a empresa exerce a atividade de cessão de mãodeobra. Essa conclusão está fundada no seguinte conjunto fatos (fls. 2/3): a) a contribuinte presta serviços exclusivamente à empresa LUNENDER; b) está estabelecida nas instalações da empresa ANBELLI, do grupo LUNENDER; c) todo o maquinário utilizado na consecução de suas atividades pertence à empresa LUNENDER, que o cedeu à contribuinte a título de comodato, sem ônus; Fl. 208DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10920.001423/200612 Acórdão n.º 120100.461 S1C2T1 Fl. 191 4 d) a sócia majoritária da empresa, Alcione Maria Zimmermann Rocha, foi empregada da LUNENDER, demitida antes de ingressar na sociedade; e) todo o controle e processamento administrativo, financeiro e contábil é efetuado por empregados da LUNENDER; f) a mãodeobra é seu único fator de produção relevante; g) foi constituída por capital social irrisório, de R$ 10.000,00. Em primeiro lugar é de se ressaltar que a recorrente não contestou a veracidade dos fatos acima elencados. Limitouse apenas a afirmar tais fatos não autorizam concluir que sua atividade seja a cessão de mãodeobra. Pois bem, os fatos narrados pela autoridade, quando examinados isoladamente, como quer a recorrente, realmente não permitiriam concluir que a atividade da empresa seja a cessão de mãodeobra. Entretanto, quando analisados em seu conjunto, autorizam afirmar ser essa a atividade efetivamente exercida pela contribuinte, e não a industrialização por encomenda. De fato, na industrialização por encomenda, via de regra, a prestadora dos serviços utiliza instalação e maquinário próprios. No caso sob exame, o maquinário é de propriedade da tomadora dos serviços, e as instalações pertencem a empresa do mesmo grupo econômico. Da mesma forma, é incomum na industrialização por encomenda que os serviços sejam prestados exclusivamente a uma única encomendante. Somese a isso o fato de a sócia majoritária da contribuinte ter sido empregada da tomadora dos serviços, bem como o fato de o controle e processamento administrativo, financeiro e contábil ser efetuado por empregados da tomadora dos serviços. Em verdade, a contribuinte tãosomente põe à disposição da LUNENDER, tomadora exclusiva, a mãodeobra necessária à consecução dos serviços de facção, serviço esse prestado mediante utilização de maquinário da própria LUNENDER, em estabelecimento pertencente à empresa do grupo LUNENDER. Tratase, portanto, de prestação de serviço de cessão de mãodeobra, que por meio de uma série de contratos, a contribuinte procurou fazer parecer prestação de serviço de industrialização por encomenda. Sendo a prestação de serviço de cessão de mãodeobra uma atividade que não admite a opção pelo Simples, correta a exclusão da contribuinte dessa forma unificada de pagamento de tributos e contribuições. 3) Dos Efeitos Temporais da Exclusão Não assiste razão à recorrente quando afirma ser ilegal a retroação dos efeitos da exclusão à data de constituição da empresa. Sobre o assunto, a Lei nº 9.317/96 assim prescreve: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) Fl. 209DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10920.001423/200612 Acórdão n.º 120100.461 S1C2T1 Fl. 192 5 XII que realize operações relativas a: (...) f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; 4) Do Princípio da Segurança Jurídica Ao contrário do alegado pela defendente, não viola o princípio da segurança jurídica o fato de a Administração haver exarado o ato de exclusão após dois anos da data da opção pelo Simples. No que toca ao aspecto temporal, o princípio da segurança jurídica prescreve que não podem ser anuladas as relações entre os particulares, ou entre estes e o estado, quando decorrido determinado tempo de seu estabelecimento. É a chamada função estabilizadora do direito, desempenhada principalmente pelos institutos da prescrição e da decadência. A legislação do Simples não estabelece prazo prescricional ou decadencial do direito de o Fisco excluir a contribuinte que haja optado irregularmente por aquela forma simplificada de pagamento de tributos. Isso não significa, todavia, que a Administração poderá a qualquer tempo promover a exclusão, pois essa interpretação violaria o princípio da segurança jurídica. Entendo que o direito de a Fazenda realizar a exclusão do Simples decai no mesmo prazo em que decai o direito de efetuar o lançamento, já que não haveria interesse na exclusão se não pudesse exigir o correspondente crédito tributário. Como o prazo decadencial é de cinco anos, concluo que, no caso, não ocorreu a alegada violação ao princípio da segurança jurídica. 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 210DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10920.001423/200612 Acórdão n.º 120100.461 S1C2T1 Fl. 193 6 Fl. 211DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
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Numero do processo: 10680.001094/00-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1996, 1997, 1998
ANULAÇÃO DA DECISÃO DE 1ª. INSTÂNCIA. FALTA DE ANÁLISE DE TODOS OS PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO
Deve ser anulada a decisão de 1ª. instância que não se manifestou sobre todos os pedidos de compensação formulados pela contribuinte e vinculados ao crédito alegado.
Numero da decisão: 1202-000.484
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão DRJ/BH 0218.518, e tornar sem efeito todas as demais peças processuais proferidas após o referido acórdão.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: VALERIA CABRAL GEO VERCOZA
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INSTÂNCIA. FALTA DE ANÁLISE DE TODOS OS PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO Deve ser anulada a decisão de 1a. instância que não se manifestou sobre todos os pedidos de compensação formulados pela contribuinte e vinculados ao crédito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão DRJ/BH 0218.518, e tornar sem efeito todas as demais peças processuais proferidas após o referido acórdão. (Documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado eletronicamente) Valéria Cabral Géo Verçoza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando José Gonçalves Bueno, Valéria Cabral Géo Verçoza, Carlos Alberto Donassolo, Flávio Vilela Campos, Nereida de Miranda Finamore Horta, Jaci de Assis Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO 2 Relatório Tratase de pedido de compensação formulado pela recorrente em razão de saldo negativo de Contribuição Social apurado nos anos calendários 1995, 1996 e 1997, exercícios 1996, 1997 e 1998 respectivamente. Para melhor compreensão reproduzo abaixo o relatório contido no despacho decisório, que analisou a existência dos créditos alegados pela recorrente (fls.309 e 310). Trata o presente processo de pedido de restituição(fls. 01/05) de créditos próprios decorrentes de saldos negativos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$ 508.681,97 relativos aos anoscalendários de 1995, 1996 e 1997, exercícios de 1996, 1997 e 1998, respectivamente. O valor acima mencionado é composto da seguinte forma, conforme informado pelo contribuinte: Saldo negativo do anocalendário de 1995: CNPJ: 52.226.073/000108: R$ 47.587,48 CNPJ: 05.447.834/000163: R$ 18.736,53 Saldo negativo do anocalendário de 1996: CNP.I: 52.226.073/000108: R$ 16.087,00 CNPJ: 05.447.834/000163: R$ 117.742,31 Saldo negativo do anocalendário de 1997: CNPJ: 52.226.073/000108: R$ 0,00 CNPJ: 05.447.834/000163: R$ 34.500,00 Aos valores acima o contribuinte aplicou a taxa Selic, chegando ao valor consolidado de R$508.681,97 em Fevereiro de 2000. Conforme explicitado pelo contribuinte à fls. 02 e de acordo com o Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas, A 'I'RICON Triunfo Componentes Eletrônicos S/A, CNPJ 52.226.073/000108 incorporou a BRASIF Eletronics S/A, CNPJ no 05.447.834/000163. Em maio/98, a TRICON Triunfo Componentes S/A incorporou a BRASIF S/A Exportação e Importação, CNPJ n" 20.515.441/000133, passando a assumir a razão social da incorporada. Posteriormente, em 14/06/2000, o contribuinte protocolou os pedidos de compensação de fls. 243(Cofins), com a vinculação da compensação aos créditos do processo 10680.001094/0012. Constatouse, ainda, que o contribuinte ingressou com pedidos de compensação entre os créditos do presente processo com débitos de terceiros (CNPJ 27.197.888/000150) por meio dos processos n°10680.009657/200416, 10768.001401/0079, e 10768.000653/0026. O despacho decisório, emitido em 07/12/2007, deixou de homologar a compensação de uma pequena parte dos créditos pleiteados pelos motivos abaixo expostos: 1) Crédito indicado pelo contribuinte relativo ao ano de 1995 (exercício 1996) Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) : O contribuinte apurou, em sua DIPJ, CSLL, a pagar de R$87.262,34, conforme ficha 11(fls. 265), tendo sido esse valor quitado em 30/04/96. Os valores recolhidos com base na receita bruta e acréscimos totalizam R$153.249,21, com a Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 120200.484 S1C2T2 Fl. 402 3 atualizações pela Ufir. Entretanto, pelo demonstrativo de fls. 02, apurou saldo credor de R$18.736,53. Assim, o resultado final deve ser: CSLL a pagar(apurada pelo contribuinte): R$234.018,64 () Valor recolhido em 30/04/96: (R$87.262,34) (=) Saldo devedor: R$146.756,00 ()Estimativas recolhidas (R$153.249,21) (,)Saldo credor remanescente R$6.493,21 2) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido(CSLL)Anocalendário de 1996: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido(CSLL)Anocalendário de 1996 Com relação ao anocalendário de 1996, o contribuinte recolheu efetivamente a importância de R$226.893,00 a título de CSLL apurada com base na receita bruta e acréscimos, que, confrontada com a CSLL, devida na DIPJ (ficha 11, fls. 271), resulta em um saldo negativo(credor) de R$115.574,95. Assim foi negado o reconhecimento das seguintes importâncias: 1) Anocalendário de 1995: R$ 12.243,32 (R$ 18.736,53 – R$ 6.493,21) 2) Anocalendário de 1996 R$ 2.167,36 (R$ 117.742,31 – R$ 115.574,95). Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que equivocou se o julgador ao desconsiderar essa pequena parcela de crédito por ela pleiteada. Vejamos seus argumentos (fls. 332 e seguinte): Incorreções Cometidas na Decisão Recorrida no Tocante aos Créditos Tributários Advindos da Brasif Eletronics S/A dos Anos Calendários de 1996 [sic] e 1997 [sic]. 3.1. Destarte, como primeiro ponto a merecer reparo naquele despacho, sobreleva que, no tocante ao anocalendário de 1995, a REQUERENTE solicitou a restituição/compensação de R$ 18.736,53, relativos a valores recolhidos indevidamente pela sua incorporada BRASIF Eletronics S/A, tendo a r. decisão recorrida reconhecido a procedência tão somente de R$ 6.493,21, partindo do pressuposto de somente terem sido recolhidos, segundo a DIPJ do anocalendário de 1995 da mencionada empresa, R$ 234.818,64 2 a titulo de CSLL. 3.1.1 Analisando, porém, os DARF de pagamento daquela contribuição no período, encontrase o total de R$ 253.555,17 (vide DARF de fls. 38/55), devendo se essa diferença a desconsideração, no r. despacho decisório, dos recolhimentos de multa e juros, os quais, a teor do § 1° do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, também são passíveis de restituição/compensação, nos seguintes termos: "Art. 2o. Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo indevido ou em valor maior que o devido; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO 4 II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. § 1o. Também poderão ser restituídas pela SRF, nas hipóteses mencionadas nos incisos I a III, as quantias recolhidas a título de multa e de juros moratórios previstos nas leis instituidoras de obrigações tributárias principais ou acessórias relativas aos tributos e contribuições administrados pela SRF." (...) 3.2 Nesse mesmo erro incorreu o Julgador. a quo em relação ao ano calendário de 1996 pois, ao acatar o valor de R$ 115.574,95, quando a REQUERENTE solicitava R$ 117.742,31, não levou em conta os valores recolhidos a título de multa e juros naquele anocalendário (fls. 56 a 74), que pelos motivos acima expostos devem ser restituídos e/ou aceitos em compensação. (...) 4. Na Data em que a Requerente Foi Cientificada do Despacho Decisório Contestado Algumas Compensações Já Estavam Homologadas Tacitamente. 4.1. Esses, porém, não são os únicos vícios a contaminar o despacho atacado. 4.1.1. Isso porque, a compensação, como modalidade de extinção de créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, encontrase regulada pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/96, vazado na seguinte dicção, com a redação que lhe foi dada pelas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo,de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados • § 2o. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 4o. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 120200.484 S1C2T2 Fl. 403 5 4.2. Deveras, como se verifica do § 4° desse dispositivo, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 30.12.2002 (data da publicação da Lei n° 10.637/2002), como era o caso dos de fls. 243 destes autos e os Pedidos de Compensação objeto dos processos n°s 10768.00140110079 e 10768.00065310026, foram considerados declarações de compensação desde os seus protocolos. 4.3. O § 5o. do mesmo artigo (com redação dada pela Lei n° 10.833/2003), estabeleceu que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. 4.4. Dessa forma, tendo os Pedidos de Compensação de fls. 243 e os constantes dos processos apensos n° 10768.001401/0079 e 10768.000653/0026 sido protocolizados no curso do ano de 2000, desde o ano de 2006 os créditos tributários neles compensados estavam homologados tacitamente e definitivamente extintos, sendo, portanto, nulo porque carente de objeto o Despacho Decisório ora combatido nesse particular, uma vez que dele a REQUERENTE só foi cientificada no dia 24.01.2008. Em 24 de julho de 2008, a 4a. Turma da DRJ/BHE por unanimidade de votos, homologou a compensação pleiteada nos termos do voto do relator a seguir transcrito: (fl. 361 v.) (...) verificase que o pleito da interessada, em grande parte, já se encontra atendido pelo Despacho Decisório contra o qual se insurge a empresa. Como visto, determina o § 4° do artigo 74 da Lei n.° 9.430, de 1996, fossem considerados declarações de compensação, desde o seu protocolo, os pedidos de pedidos neste sentido que, a exemplo daquele de fl. 243, ainda pendessem de apreciação pela autoridade administrativa. Por conseguinte, o respectivo débito encontrase extinto por compensação ex tunc, achandose tal compensação homologada por decurso in albis do prazo homologatório estipulado pelo § 5°, acima transcrito, dado que, entre a protocolização deste pedido (14 de junho de 2000) e a prolação do Despacho Decisório por parte da DRF — aperfeiçoado com sua ciência pela interessada, em 24 de janeiro de 2008— transcorreram mais de cinco anos. Desta forma, voto por considerar homologada a compensação na parte trazida à apreciação deste Colegiado ficando assim sem objeto as demais alegações da interessada. Cientificada em 12 de agosto de 2008, a contribuinte, em 08 de setembro de 2008 protocolizou petição dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte para que fosse complementada a decisão de 1a. Instância, que teria reconhecido a homologação tácita de todos os pedidos de compensação protocolados. Explica seu receio com relação ao entendimento da DERAT/RJ que supostamente não acata a oposição de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de compensações de créditos com débitos de terceiros. Vejamos abaixo a transcrição do argumento da contribuinte: (fl. 366) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO 6 5. Proferido, porém, posteriormente, o Acórdão n° 0218.518, a REQUERENTE está convicta de que nele foram reconhecidas homologadas também essas compensações. 5.1. Todavia, conhecedora do entendimento da DERAT/RJ de que Manifestação de Inconformidade não pode ser oposta ao indeferimento das compensações de créditos com débitos de terceiros e levando em conta que o r. voto condutor daquele acórdão referiuse expressamente apenas ao pedido de fls. 243 e declarou "sem objeto as demais alegações da interessada", a REQUERENTE, para prevenir discussões na execução do julgado, suplica que V.Sas. complementem o citado acórdão esclarecendo explicitamente que as compensações efetuadas com débitos de terceiros ao amparo do então vigente art. 15 da IN n° 21/95 estão igualmente homologadas. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 120200.484 S1C2T2 Fl. 404 7 Voto Conselheira Valéria Cabral Géo Verçoza O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Da leitura dos autos verificase que a parte litigiosa é a diferença não reconhecida no despacho decisório como crédito existente em nome da Recorrente. Levado a julgamento em 1a. Instância o litígio, a 4a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte reconheceu a homologação tácita pelo decurso de prazo entre a protocolização dos pedidos de compensação e a ciência do Despacho Decisório por parte da contribuinte, entretanto não se manifestou especificamente sobre a compensação com débitos de terceiros. A decisão de 1a. Instância restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Exercício: 1996, 1997, 1998 Compensação Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo e serão considerados homologados em 5 anos, contados desta data. Compensação Homologada Da leitura da fundamentação verificase que as alegações da contribuinte quanto à existência do crédito não foram examinadas uma vez que o voto condutor da decisão de 1a Instância considerou que as mesmas restaram prejudicadas frente ao reconhecimento da ocorrência da homologação tácita. Entretanto, o que se verifica no caso em apreço, é que a decisão de 1a. Instância deve ser anulada em razão de não haver apreciado a matéria relativa à compensação de créditos do presente processo com débitos de terceiros, o que acarretaria a supressão de instância, que não se pode admitir. Isso posto, voto por anular o acórdão DRJ/BH 0218.518, e tornar sem efeito todas as demais peças processuais proferidas após o referido acórdão. (documento assinado digitalmente) Valéria Cabral Géo Verçoza Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO
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Numero do processo: 12269.000095/2008-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/12/2007
Ementa: RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CORREÇÃO DA FALTA ATÉ A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessitava dos seguintes requisitos: Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; Primariedade do infrator; Correção da falta até a decisão do INSS; Sem ocorrência de circunstância agravante.
A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte.
Analisando os requisitos e os autos, verifica-se que não houve a correção da falta até a decisão do órgão previdenciário de primeira instância administrativa.
A atenuação e a relevação da multa são benefícios concedidos ao infrator, sendo uma contrapartida oferecida pela legislação previdenciária. Caso esse infrator corrija a falta, ficará responsável por um débito de menor valor, caso atenda aos demais requisitos a multa será relevada. Uma vez sendo em
beneficio do infrator, é necessário que este atenda aos requisitos exigidos pela Previdência Social e na forma pelo órgão estabelecida, traduzida no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449.
REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2302-001.189
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida
Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A,
inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/12/2007 Ementa: RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CORREÇÃO DA FALTA ATÉ A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessitava dos seguintes requisitos: Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; Primariedade do infrator; Correção da falta até a decisão do INSS; Sem ocorrência de circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verifica-se que não houve a correção da falta até a decisão do órgão previdenciário de primeira instância administrativa. A atenuação e a relevação da multa são benefícios concedidos ao infrator, sendo uma contrapartida oferecida pela legislação previdenciária. Caso esse infrator corrija a falta, ficará responsável por um débito de menor valor, caso atenda aos demais requisitos a multa será relevada. Uma vez sendo em beneficio do infrator, é necessário que este atenda aos requisitos exigidos pela Previdência Social e na forma pelo órgão estabelecida, traduzida no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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Recorrente COOPERATIVA DE TRABALHADORES ORGANIZADA LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE RS Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/12/2007 Ementa: RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CORREÇÃO DA FALTA ATÉ A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessitava dos seguintes requisitos: Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; Primariedade do infrator; Correção da falta até a decisão do INSS; Sem ocorrência de circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verificase que não houve a correção da falta até a decisão do órgão previdenciário de primeira instância administrativa. A atenuação e a relevação da multa são benefícios concedidos ao infrator, sendo uma contrapartida oferecida pela legislação previdenciária. Caso esse infrator corrija a falta, ficará responsável por um débito de menor valor, caso atenda aos demais requisitos a multa será relevada. Uma vez sendo em beneficio do infrator, é necessário que este atenda aos requisitos exigidos pela Previdência Social e na forma pelo órgão estabelecida, traduzida no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausente momentaneamente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.000095/200865 Acórdão n.º 230201.189 S2C3T2 Fl. 219 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 6º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, III do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o recorrente informou incorretamente o campo referente ao código de recolhimento no período de fevereiro de 2005 a outubro de 2006, conforme relatório fiscal às fls. 12 a 13. A autuada solicitou a relevação da multa, conforme fl. 19. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a Decisão, fls. 200 a 202, mantendo a autuação na integralidade. A autuada não concordando com a decisão emitida pelo órgão fazendário interpôs recurso, fls. 211 a 214. Em síntese a recorrente alega o seguinte: a) Houve correção da falta conforme orientação da própria Receita Federal; b) Foi cerceado o direito de defesa do contribuinte; c) O auditor orientou de forma equivocada a autuada; d) Deve ser declarada a nulidade do lançamento. Não foram apresentadas contrarazões pelo órfão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 209 a 211. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. A recorrente informa que foi orientada de foram equivocada pela própria Receita Federal, contudo não traz nenhuma prova de sua alegação. Pelo contrário, as provas contidas nos autos apontam os erros cometidos pela autuada, conforme relatório à fl. 12, assim bastava a recorrente apresentar as GFIP com as correções no código para ter direito à relevação da multa. Quanto ao cabimento da relevação da multa teço a seguinte análise. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessita dos seguintes requisitos: I. Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; II. Primariedade do infrator; III. Correção da falta até a decisão do INSS; IV. Sem ocorrência de circunstância agravante. Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verificase que não houve a correção da falta até a decisão do órgão previdenciário de primeira instância administrativa. O autuado não demonstrou por meio de documentação a correção das faltas. Assim, fica demonstrada a necessidade de ser identificada de maneira correta cada etapa processual, para fins de definição dos direitos que assistem aos contribuintes. Caso não seja exercido no tempo correto há a preclusão do direito. A atenuação e a relevação da multa são benefícios concedidos ao infrator, sendo uma contrapartida oferecida pela legislação previdenciária. Caso esse infrator corrija a falta, ficará responsável por um débito de menor valor, caso atenda aos demais requisitos a multa será relevada. Uma vez sendo em beneficio do infrator, é necessário que este atenda aos Fl. 225DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.000095/200865 Acórdão n.º 230201.189 S2C3T2 Fl. 220 5 requisitos exigidos pela Previdência Social e na forma pelo órgão estabelecida, traduzida no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Corroborando esse entendimento foi publicado o Parecer CJ/MPS n ° 3.194/2003, que assim dispõe: 23. Ante o exposto, este membro da AdvocaciaGeral da União, por meio desta Consultoria Jurídica, manifestase no seguinte sentido: a) o pedido de relevação da multa previsto no art. 291, § 1º, do Regulamento da Previdência Social deve ser feito no prazo de impugnação ao auto de infração lavrado pela fiscalização do INSS; b) a autoridade julgadora competente referida no caput do art. 291, citado, é aquela integrante dos quadros da autarquia previdenciária INSS. c) a multa somente será relevada na hipótese de o infrator ter corrigido a falta até decisão originária, ou seja, do órgão próprio do INSS. (grifei) Não tendo sido corrigida a falta é impossível juridicamente a relevação da multa. Não houve cerceamento de defesa, pois bastaria o autuado colacionar cópias das GFIP nos autos dos processos administrativos. Além do mais, o relatório indicou precisamente a falta encontrada. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como Fl. 226DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas Fl. 227DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.000095/200865 Acórdão n.º 230201.189 S2C3T2 Fl. 221 7 distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as Fl. 228DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10830.005653/2005-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: MPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
RECONHECIMENTO DE IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA.
Reconhecida a tempestividade da impugnação, os autos retornam à DRJ para que novo acórdão seja proferido com análise de mérito atendendo o Principio da Ampla Defesa e Devido Processo Legal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.097
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, para que a Delegacia de Julgamento aprecie o mérito da impugnação, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : MPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 RECONHECIMENTO DE IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA. Reconhecida a tempestividade da impugnação, os autos retornam à DRJ para que novo acórdão seja proferido com análise de mérito atendendo o Principio da Ampla Defesa e Devido Processo Legal. Recurso Voluntário Provido.
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Reconhecida a tempestividade da impugnação, os autos retornam à DRJ para que novo acórdão seja proferido com análise de mérito atendendo o Principio da Ampla Defesa e Devido Processo Legal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos presentes autos. Acordam os m, bros do Coliegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para que a Delega ia de Julgamento aprecie o nérito da impugnação, nos termos do voto do Relator /. Giovanni Christian sidente Rubens Mauricio Relator #f EDfl'ADO EM: 28,1 7/201 Participaram da s Ssão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Eivanice Canário da Silva, Ndbia Matos Moura, Carlos André Rpdrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 39 a 43 da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF (fls.28/32), referente ao exercício 2002, ano- calendário 2001. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: Imposto de Renda Suplementar 636,60 Multa de Oficio —75% (passive] de redução) 477,45 Juros de Mora — calculados até 09/2005 389,15 Total do crédito tributário apurado 1.503,20 O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas — glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2002, ano-calendário 2001. Valor: R$ 26.324,61. Motivo da glosa: o contribuinte foi intimado a apresentar a comprovação das despesas, porém não respondeu a intimação. A base legal do lançamento encontra-se descrita As fls. 30/33. Em 22 de novembro de 2005, o contribuinte apresentou impugnação(fls. 01/03 e anexos), alegando, em síntese, que: - só tomou ciência da autuação em 21/10/2005, logo apresentou a impugnação dentro do prazo legal; - o auto de infração em questão foi entregue em 17/10/2005 (segunda-feira), mas só tomou ciência no final de semana subsequente 22/10/2005, em razão de trabalhar em cidade diversa de seu domicílio, e só retornar a Sumaré nos finais de semana; - ao contrario do alegado no Relatório Fiscal, o impugmante não foi intimado para apresentar os comprovantes das depesas médicas, logo a intimação para apresentação dos comprovantes de despesas médicas é nula, sendo nulo, também, os atos posteriores, quais sejam: o auto de infração e a alegada perda da espontaneidade para apresentação da declaração retificadora. - se tivesse sido intimado, o impugnante teria prontamente apresentado os respectivos comprovantes, uma vez que os tem guardado justamente para esse fim; - foi enviada declaração retificadora à Receita Federal, em 22/05/2005, corrigido o campo deduções de despesas médicas para R$ 13.824,61 (Banco Central do Brasil, no valor de 1.324,61 e Dr. Edson Basso, no valor de 12.500,00), porém a alegação para Receita Federal não aceitar esta declaração foi de que teria sido entregue após intimação, o que não ocorreu de fato; 0 julgamento do presente processo pela DRJ/Brasilia-DF se dá em face da transferência de competência instituída pela Portaria SRF n° 509, de 24 de março de 2008, publicada no DOU em 26/03/2008. E o relatório. 2 Processo n° 10830.005653/2005-89 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.097 Fl. 13 Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unanime, preliminarmente considerou intempestiva a impugnação e não conheceu do mérito, mantendo o crédito consignado no auto de infração, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada fora do prazo legal, rejeita-se a preliminar de tempestividade suscitada, .ficando prejudicada a apreciação do mérito. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL Considera-se válida a intimação encaminhada e recebida no domicilio indicado pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 48 a 52, insistindo em preliminar na tempestividade da impugnação e no mérito repete que os recibos comprovam a realização das despesas glosadas, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instancia administrativa. RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. ADMISSIBILIDADE 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. No julgamento anterior, a autoridade ao analisar os supostos de admissibilidade, constatou que o contribuinte tornou ciência do Auto de Infração de tls. 28 a 34, em 17/10/2005, consoante AR de fl. 36/37 e protocolou, a impugnação em 21/11/2005, conforme o protocolo a fl. 1, ou seja: 35 dias depois. Corno a reclamação deveria ter sido interposta no prazo máximo de 30 (trinta) dias após a ciência, nos termos do artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972 (PAF), assim, observada a regra de contagem de prazos do art. 5 0 do PAF, o prazo final teria sido ultrapassado e dessa forma, a DRJ acertadamente não conheceu da impugnação por intempestiva. 3 Inconfonnado o contribuinte recorreu a essa segunda instância alegando que na verdade a impugnação teria sido enviada pelos correios, cuja data de postagem seria o dia 16/11/2005, sendo assim tempestiva a impugnação, conforme os documentos de fls. 53/54, anexados com o recurso. Da análise destes documentos digitalizados que me foram disponibilizados, estou convencido que o contribuinte realmente postou a DRF de Campinas sua impugnação em 16/11/2005, tornado-a tempestiva. Destarte para que não haja afronta ao devido processo legal e ao direito ao dupla grau do contencioso administrativo, determino o retorno dos autos A. DRJ, para que novo acórdão seja proferido com análise de mérito. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO-PRÓV ENTO DO RECURSO. Rubens Mauricio Ca` alho - ator 4
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000328/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006
OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DE TRIBUTAÇÃO
Não comprovada a percepção de receita supostamente omitida que deu
origem à autuação, afasta-se o lançamento.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2102-001.409
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DE TRIBUTAÇÃO Não comprovada a percepção de receita supostamente omitida que deu origem à autuação, afasta-se o lançamento. Recurso de Ofício Negado
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PROVA DE TRIBUTAÇÃO Não comprovada a percepção de receita supostamente omitida que deu origem à autuação, afastase o lançamento. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 01/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Atílio Pitarelli, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Fl. 783DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 15540.000328/200932 Acórdão n.º 2102001.409 S2C1T2 Fl. 2 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 759 a 760 da instância a quo, in verbis: Contra o Contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fl. 3 a 5 e 17 a 21, em virtude da apuração da seguinte infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS omissão de rendimentos apurada para os anoscalendário de 2004 e 2005, conforme descrito no Termo de Conclusão de Auditoria Fiscal e de Esclarecimentos de fls. 6 a 16. Enquadramento legal: arts. 1º a 3º da Lei nº 8.134, de 1990, arts. 1º a 3º e §§ da Lei nº 7.713, de 1988, arts. 37, 38, 43, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do RIR/1999, art. 1º da Lei nº 10.451, de 2002, e art. 1º da Lei nº 11.119, de 2005. Sobre o imposto apurado, no valor de R$ 765.440,44, foram aplicados multa de 150% e juros de mora regulamentares, com fulcro nos dispositivos legais de fl. 21, perfazendo um total de R$ 2.302.125,61. Após ciência do Auto de Infração em referência (fl. 4), o Interessado, por intermédio de seu procurador, instrumento de mandato à fl. 752, apresentou em 08/07/2009 as alegações de fls. 742 a 751, valendose, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) haveria evidente cerceamento do direito de defesa ao não terem sido indicados precisamente os fatos e o enquadramento legal da possível autuação, acarretando, em razão disso, a nulidade do lançamento; 2) os destinatários do dispositivo contido no art. 889 do RIR/1999 seriam as pessoas jurídicas que, em débito com a Receita Federal, distribuíram lucros, não se podendo, em virtude disso, penalizarse as pessoas físicas de seus sócios; 3) sem o lançamento não existiria crédito tributário, não havendo, então, débito das pessoas jurídicas das quais o Interessado participa como sócio; 4) quando da retificação das declarações de pessoa jurídica apresentadas anteriormente, teriam sido parcelados todos os débitos apurados e lançados, jamais estando tais empresas em débito com a Receita Federal; 5) por inferência lógica, se o relato fiscal põe em dúvida a própria existência dos supostos rendimentos, não poderia concluir que os mesmos eram tributáveis; 6) para aplicação da multa agravada seria necessário que a fiscalização apontasse e comprovasse o evidente intuito de fraude; 7) o simples fato de omitir rendimentos não constituiria base para a aplicação da multa agravada, conforme entendimento contido na Súmula 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, mormente quando tais rendimentos tiverem sido declarados, como no presente caso. Fl. 784DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 15540.000328/200932 Acórdão n.º 2102001.409 S2C1T2 Fl. 3 3 Ao final de sua impugnação, o Interessado solicita o cancelamento da exigência tributária lançada, em razão de ter sido constituída sem qualquer fundamentação legal que pudesse respaldála. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou improcedente o lançamento, exonerando todo crédito tributário uma vez que não foi demonstrado pela autoridade atuante a percepção dos rendimentos lançados como omissos, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. RECEBIMENTO. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Incumbe ao Fisco o ônus de provar o recebimento e a natureza tributável dos rendimentos considerados como omitidos. Sem apresentação de Recurso Voluntário pela ausência de sucumbência do sujeito passivo mas decorrente, do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 1997 e Portaria MF n° 3, de 2008, por força de recurso necessário o processo foi encaminhado para julgamento do Recurso de Ofício neste Conselho. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Trata o presente de recurso de oficio da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro II que exonerou o contribuinte nomeada à epígrafe de crédito tributário superior ao limite de alçada da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O valor exonerado, conforme a conclusão do acórdão recorrido, foi na totalidade do lançamento, no valor de R$ 2.302.125,61, calculados na data da autuação. Assim, o Recurso preenche os requisitos legais, devendo ser conhecido e apreciado. Passo à análise de dos trechos da decisão recorrida que tratou da exoneração tributária, objeto desse Recurso de Ofício, com meus destaques: Fl. 785DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 15540.000328/200932 Acórdão n.º 2102001.409 S2C1T2 Fl. 4 4 Fl. 760verso (...): A falta ou insuficiência da prova da natureza isenta dos rendimentos assim declarados pelo Interessado por si só não tem o condão de transformálos, automaticamente, em rendimentos tributáveis. Para que rendimentos declarados como isentos possam ser considerados como rendimentos omitidos seria necessário, antes de mais nada, que estivesse comprovado seu efetivo recebimento e sua natureza tributável. Destaquese que o ônus de provar o recebimento e a natureza tributável desses rendimentos não incumbiria ao Contribuinte, mas sim ao Fisco. Apenas em situações excepcionais, a legislação tributária inverte esse ônus, passando o sujeito passivo a ter o dever de provar que a infração não ocorreu. Na hipótese em estudo, porém, inexiste presunção legal que estabeleça a inversão do ônus da prova, cabendo ao Fisco demonstrar que os R$ 2.302.962,00 e os R$ 480.457,79 foram recebidos pelo Interessado e eram de natureza tributável. Apesar de o Termo de Conclusão de Auditoria Fiscal e de Esclarecimentos de fls. 6 a 16 referirse a expressivos valores mantidos pelo Interessado no exterior em anoscalendário anteriores, que até já teriam sido objeto de outras autuações, o fato é que em nenhum momento a Fiscalização comprovou o recebimento dos valores acima mencionados, nem tampouco que os mesmos eram de natureza tributável e teriam sido omitidos pelo Interessado nos anoscalendário de 2004 e 2005. Sem a prova do recebimento e da natureza tributável dos valores considerados pelo Fisco, não pode prosperar a omissão de rendimentos capitulada no auto de infração de fls. 3 a 5 e 17 a 21. Em razão disso, tornase prescindível o exame das demais alegações suscitadas pelo Contribuinte em sua impugnação. Alinhome ao entendimento exarado pela decisão recorrida que se o contribuinte foi incapaz de comprovar o recebimento de rendimentos isentos e não tributáveis, por conseqüência não poderia servir de justificativa para o acréscimo patrimonial e nessa linha poderia seguir a fiscalização para proceder o lançamento sobre Acréscimo Patrimonial a Descoberto, contudo, isso não foi feito. Para se efetivar a troca de rendimento isento para omisso, teria que estar presente a prova do efetivo recebimento dos valores lançados como omissos mas o que se vê no próprio Termo de Conclusão de Auditoria Fiscal e de Esclarecimentos, fls 6 e seguintes, é justamente a assertiva que o contribuinte não percebeu esses rendimentos, ex vi, fl. 15: (...) não comprovando ainda, sequer, por meio de documentos coincidentes em datas e valores o repasse dos valores que diz ter recebido. (...) Por toda a argumentação já exposta considerase não comprovada a • condição de rendimentos isentos ou não tributáveis dos valores de R$ 2,302.962,00 (dois milhões trezentos e dois mil novecentos e sessenta e dois reais), com relação ao Exercício da União de 2005, anocalendário de 2004 e R$ 480.457,79 (quatrocentos e oitenta mil quatrocentos e cinqüenta e sete reais e setenta e setenta e nove centavos), registrado igualmente como abrangido por isenção, pelo Fl. 786DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 15540.000328/200932 Acórdão n.º 2102001.409 S2C1T2 Fl. 5 5 contribuinte na declaração de ajuste anual relativa ao Exercício de 2006, anocalendário de 2005. Bem, aclarou a decisão recorrida: Se existiam dúvidas acerca da efetiva percepção de lucros pelo Interessado, tais valores, informados como rendimentos isentos ou não tributáveis nos exercícios 2005 e 2006, não poderiam lastrear qualquer incremento patrimonial nesses períodos. Em outras palavras, as aquisições de bens e as aplicações de recursos ocorridas nos anoscalendário de 2004 e 2005 não poderiam ser justificadas pelos rendimentos isentos declarados pelo Interessado. Para tanto, caberia à Fiscalização proceder ao confronto mensal de aplicações e origens, para então, se houvesse variação patrimonial a descoberto, tributar essa diferença com fulcro no art. 3º, §1º, da Lei nº 7.713, de 1988. Verifico pelas peças constantes dos autos que a autoridade julgadora singular decidiu o feito nos termos da legislação de regência e das provas apresentadas, especialmente aos fatos levantados pela própria autoridade preparadora, de fls. 6 a 16 e, desta forma, sua decisão não merece reparo. Por todo exposto, tomo conhecimento do recurso de ofício pelo fato do mesmo atender aos requisitos de sua admissibilidade, ao mesmo tempo que lhe NEGO PROVIMENTO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 787DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002857/2002-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ERRO NO PREENCHIMENTO.
O contribuinte não estando obrigado à entrega da declaração cancela-se a penalidade. O mero no preenchimento e entrega da Declaração Anual de Ajuste não justifica a manutenção da multa por atraso na entrega.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.108
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ERRO NO PREENCHIMENTO. O contribuinte não estando obrigado à entrega da declaração cancelase a penalidade. O mero no preenchimento e entrega da Declaração Anual de Ajuste não justifica a manutenção da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Marconi de Oliveira Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 23/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene e presente a Conselheira Eivanice Canário da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 24/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório O contribuinte acima identificado foi autuado, por meio da Notificação de Lançamento constante a folha 3, lavrada em 11 de abril de 2002, em decorrência da entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda fora do prazo, referente ao exercício 2001, com aplicação do valor mínimo da multa, estipulada em R$ 165,74. O requerente apresentou impugnação (fl. 1) alegando estar desempregado. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOII decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, por ter a contribuinte declarado rendimentos superiores ao limite estipulado na Instrução Normativa SRF nº 123, de 2000. O recurso voluntário foi apresentado em 04 de outubro de 2007 (fl. 26). Não se encontrando nos autos a ciência do contribuinte, presumese tempestivo. Alega o recorrente não ter auferido renda no ano base 2000, nem ter sido responsável pela apresentação da declaração de imposto de renda exercício 2001. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 24/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13804.002857/200221 Acórdão n.º 210201.108 S2C1T2 Fl. 40 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso referente à matéria em litígio que envolve multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001. A Lei nº 9.250, de 1995 determina a apresentação, anualmente, até o último dia útil do mês de abril do anocalendário subsequente, da declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. A exigência da multa em exame está amparada no artigo 88 da Lei nº 8.981, de 1995, que sujeita à multa a pessoa física ou jurídica que deixar de apresentar a declaração de rendimentos ou a entregar fora do prazo fixado, nos termos dos incisos abaixo transcritos: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; (Vide Lei nº 9.532, de 1997). II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1º O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas; O valor da multa foi convertido em reais pela Lei nº 9.532/97. Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. De acordo com o artigo 16 da Lei nº 9.779, de 1999, compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Entretanto, apesar de constar como rendimentos tributáveis na declaração o valor de R$ 21.600,00 (vinte e um mil e seiscentos reais), a consulta da DIRF formulada no sistema SIEF (fl. 27) apresenta rendimentos tributáveis bastante ínfimos, de R$ 125,44, condizentes com as informações prestadas pelo contribuinte, que nos demais anos entregou a Declaração Anual de Isentos (fl. 31). Não há nos autos nenhum outro requisito ou prova que obrigue o contribuinte à entrega da Declaração de Ajuste Anual de Pessoa Física. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 24/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS 4 O contribuinte poderia ter apresentado, a qualquer época, declaração retificadora. Por desconhecimento, preferiu recorrer às instâncias administrativas de julgamento. Ora, se era possível ao Fisco acatar a retificadora da declaração de rendimentos, não há razão para deixar de acatar os argumentos do recurso, já que não é mais possível a efetuar a retificação por meio de declaração. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de DAR provimento o recurso para o cancelamento da Declaração Anual de Ajuste e, consequentemente, da multa por atraso na entrega da declaração. Francisco Marconi de Oliveira – Relator (assinado digitalmente) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 24/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS
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