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Numero do processo: 13839.720505/2012-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - II. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. REFLEXOS NA BASE DE CÁLCULO DE PIS E COFINS-IMPORTAÇÃO. REVISÃO DE LANÇAMENTO. CLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO NA NESH E NA TIPI. ALÍQUOTAS DE II, IPI, PIS E COFINS IMPORTAÇÃO - ERRO DE DIREITO - IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO - ARTS. 145, 146 E 149 DO CTN - SÚMULA 227 DO ANTIGO TFR - PRECEDENTES DO STJ E STF.
O erro na classificação do produto na TIPI ou na NESH e o decorrente erro de alíquota nos tributos incidentes na importação, por traduzirem erros de direito, não autorizam a revisão dos autolançamentos anteriores sujeitos à homologação (arts. 145, 146 e 149 do CTN), para a adoção de um novo critério jurídico de interpretação da Lei ou de ato normativo, como é o caso da TIPI e da NESH, que consubstanciam atos normativos (de caráter geral e abstrato) oriundos do Poder Executivo que elencam e classificam os produtos industrializados cuja saída enseja a tributação, correlacionando as alíquotas aplicáveis (art. 100, inc I do CTN).
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - II. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. REFLEXOS NA BASE DE CÁLCULO DE PIS E COFINS-IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REVISÃO DE LANÇAMENTO. CIRCUITOS INTEGRADOS ELETRÔNICOS MONOLÍTICOS NÃO MONTADOS.
A classificação fiscal adequada para os circuitos integrados eletrônicos monolíticos de memória, não montados, ainda que se apresentem sob a forma de disco (wafer) ainda não cortado, é na Posição NCM 8542.32.10. Não se mostra adequada a classificação na Posição NCM 8542.32.9 (Outros), quando os circuitos integrados eletrônicos de memória não se apresentem montados.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3402-002.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral Dra. Raquel Novais OAB/SP 76649.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR E FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. REFLEXOS NA BASE DE CÁLCULO DE PIS E COFINSIMPORTAÇÃO. REVISÃO DE LANÇAMENTO. CLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO NA NESH E NA TIPI. ALÍQUOTAS DE II, IPI, PIS E COFINS IMPORTAÇÃO ERRO DE DIREITO IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO ARTS. 145, 146 E 149 DO CTN SÚMULA 227 DO ANTIGO TFR PRECEDENTES DO STJ E STF. O erro na classificação do produto na TIPI ou na NESH e o decorrente erro de alíquota nos tributos incidentes na importação, por traduzirem erros de direito, não autorizam a revisão dos autolançamentos anteriores sujeitos à homologação (arts. 145, 146 e 149 do CTN), para a adoção de um novo critério jurídico de interpretação da Lei ou de ato normativo, como é o caso da TIPI e da NESH, que consubstanciam atos normativos (de caráter geral e abstrato) oriundos do Poder Executivo que elencam e classificam os produtos industrializados cuja saída enseja a tributação, correlacionando as alíquotas aplicáveis (art. 100, inc I do CTN). IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. REFLEXOS NA BASE DE CÁLCULO DE PIS E COFINSIMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REVISÃO DE LANÇAMENTO. CIRCUITOS INTEGRADOS ELETRÔNICOS MONOLÍTICOS NÃO MONTADOS. A classificação fiscal adequada para os circuitos integrados eletrônicos monolíticos de memória, não montados, ainda que se apresentem sob a forma de disco (“wafer”) ainda não cortado, é na Posição NCM 8542.32.10. Não se mostra adequada a classificação na Posição NCM 8542.32.9 (“Outros”), quando os circuitos integrados eletrônicos de memória não se apresentem montados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 05 05 /2 01 2- 25 Fl. 3417DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral Dra. Raquel Novais OAB/SP 76649. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho– Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR E FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta. Fl. 3418DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.418 3 Relatório Trata este processo de Autos de Infrações decorrentes de Revisão Aduaneira, os quais constituem de ofício crédito tributário relativo a Imposto de Importação – II, Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, PIS Importação e COFINS Importação, no valor total de R$116.961.929,39 (cento e dezesseis milhões, novecentos e sessenta e um mil, novecentos e vinte e nove reais e trinta e nove centavos), relativamente às importações levadas a cabo pelo contribuinte no período compreendido entre 01.01.2007 a 31.12.2011. A descrição dos fatos que motivaram o lançamento e a fiscalização que antecedeu a autuação, dá conta de que a autoridade fiscal entendeu como sendo equivocada a Classificação Fiscal adotada pelo contribuinte nas importações do produto descrito como “wafer” bolacha / lâmina de silício de circuito integrado de memória, na Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM 8542.32.10, com alíquotas de tributos incidentes na importação II (0 %), IPI (2 %), PIS/PASEP (1,65 %) e COFINS (7,6 %), conforme mostrado na Tabela 1constante do Relatório Fiscal. Além disso, o sujeito passivo foi titular dos benefícios fiscais decorrentes do REPETRO (entre 30.01.2007 e 27.11.08) e posteriormente passou a ser beneficiário de Regime Especial junto ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores PADIS, pelo que houve redução a zero das alíquotas do IPI e das contribuições ao Pis e CofinsImportação, para o produto importado pelo contribuinte sob o pálio da errônea Classificação NCM 8542.32.10, importando em falta de pagamento de tributos. Entendeu a autoridade autuante que a Classificação Fiscal adequada aos produtos eram aquelas ditadas pelas Posições NCM 8542.32.91 (lâminas de silício “wafer” para circuito integrado de memória FLASH) e 8542.32.99 (lâminas de silício “wafer” para circuito integrado de memória Dinâmica DDR), pelo que acabou revisando todas as importações levadas a efeito pelo sujeito passivo, exigindo os tributos devidos no Desembaraço Aduaneiro, acrescidos de multa de ofício e juros pela SELIC. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 23/02/2012, conforme assinatura contida nos próprios Autos de Infrações de fls. 1702 e seguintes (numeração eletrônica), o contribuinte protocolou sua Impugnação e documentos que foram juntados às fls. 1713 e seguintes (numeração eletrônica), em 23/03/2012, alegando em resumo que: Inicialmente, faz um histórico das atividades e das importações efetivadas pela empresa, que realizou centenas de importações das quais algumas foram parametrizadas em canal amarelo e vermelho, sendo que neste último caso, em duas oportunidades (DI 09/13116470, de 28/09/2009 e DI 10/05784894, registrada em 09/04/2010), foi determinado pela Fiscalização a elaboração Laudo Técnico por profissional credenciado, os quais concluíram estar correta a classificação adotada pelo contribuinte, sendo então deferidos os desembaraçados dos produtos importados com aceitação da Classificação por ela adotada. Do mesmo modo, a partir de fevereiro de 2011 as importações passaram a ser parametrizadas em Fl. 3419DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 canais amarelo e vermelho em função do PADIS que lhe concedera benefício fiscal. Que mesmo após a revisão aduaneira, a empresa continuou a importar, tendo realizado mais 32 operações das quais 29 foram em canal amarelo e 03 em canal vermelho, sendo que a Administração continuou acatando a Classificação indicada pelo importador. Finalmente, ainda a guisa de histórico, a Impugnante discorre que a Fiscalização embora tenha afirmado em seu TVF que estaria se baseando em informações técnicas e respostas apresentadas pelo contribuinte, na realidade em momento algum teria solicitado esclarecimentos técnicos sobre o produto em questão, nem à empresa ou perante técnicos habilitados, e mesmo tendo em sua posse os Laudos Técnicos pertinentes, entendeu por alterar a classificação fiscal e lavrar o lançamento. Após, argui: Preliminarmente: impossibilidade de alteração do critério jurídico, fundado nos argumentos de que a empresa já havia procedido há centenas de desembaraços aduaneiros, sendo que mais de 500 deles passaram pelo canal amarelo ou vermelho, com conferência aduaneira e ainda, em dois desses casos com solicitação de Laudos Técnicos que acataram a Classificação adotada pelo importador, sendo, portanto, vedada a alteração de critério jurídico, especialmente por auditorfiscal que não tem competência para contrariar o posicionamento de outro auditor fiscal, de igual hierarquia, mas que está responsável pelo processo de desembaraço. Que além disso, ao pleitear o benefício do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores PADIS, apresentou a Classificação adotada em suas operações, a qual foi acatada lhe sendo deferido o Regime Especial. Assim, aduz violação aos arts. 146 e 149, do CTN. No mérito, discorre sobre a análise técnica do produto, trazendo entendimentos de profissionais da área no afã de demonstrar que o produto importado consistiria em “circuitos integrados monolíticos de memória não montados”, à base de silício, adquiridos pela Impugnante sob a forma de “wafer”, este último (“wafer”) que pode apresentarse em estado nu ou processado, ou seja, submetidos aos processos de dopagem e difusão/fotolitografia, a partir dos quais passam a ser individualizáveis. Após isso, ainda prescindem de ser identificados e separados os funcionais daqueles imprestáveis, circuito por circuito (a partir do “wafer map”, fornecido pelo fornecedor de acordo com suas necessidades), para que tornemse passíveis de corte e individualização, para em seguida serem encapsulados (montados, através da aposição de invólucro protetor ao circuito integrado), para fins de comercialização. Diante desta forma de análise técnica, afirma que os insumos importados são os “circuitos integrados” não cortados e não montados, sendo o wafer meramente a “embalagem”, o meio que contém em si os circuitos integrados (microplaquetas), esses sim adquiridos como insumo, sendo que o wafer nu, isoladamente, é totalmente sem utilidade para a empresa, pois que o que lhe interessa são os referidos circuitos integrados sob a forma de microplaquetas. Afirma, portanto, ter havido impropriedade técnica na interpretação da autoridade fiscal, ao entender que os “circuitos integrados não montados” seriam apenas os circuitos que estiverem sob a forma de microplaquetas (“chips”) já cortados, de modo que o fato da empresa ter importado as microplaquetas sob a forma de wafer, porém “não cortados”, impediria a classificação como “não montados”, importando em alterar sua natureza para Fl. 3420DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.419 5 tornarem o produto em outro diverso dos circuitos integrados monolíticos “não montados”, permitindose, assim, lhe classificar em “Outros”. Deste modo, afirma que os produtos por ela importados tem posicionamento específico na Classificação NCM 8542.32.10, pois que os circuitos integrados monolíticos de memória são“não montados”, ainda que “não cortados” e embora possam apresentarse sob a forma de “wafer”, eis que contém a mesma essência e funcionalidade, não sendo, portanto, necessário ou correto socorrerse da Classificação genérica que referese à “Outros”, pois que não aplicável quando há classificação “mais específica”do produto em si. Ainda argui a impossibilidade de exigência e requer o afastamento de multa de mora e juros no caso em concreto, com fulcro no art. 100, do CTN; Finalmente, discorre sobre a impossibilidade requerendo o afastamento da incidência dos juros pela SELIC sobre a Multa de Ofício. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), houve por bem em considerar improcedente a Impugnação do contribuinte, proferido Acórdão nº. 1645.996, de 24 de abril de 2013, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 05/03/2007 RECOF Semicondutores. Classificação incorreta de lâminas de silício “wafer” para circuito integrado de memória no código NCM 8542.32.10. Classificação fiscal correta no código NCM 8542.32.9. Em momento algum a [sic] a fiscalização procedeu com a modificação de critérios jurídicos. A ação fiscal se baseia em erro de fato atribuído ao importador que elegeu uma classificação fiscal indevida. A NESH ao se referir a posição NCM 8542 é categórica em estabelecer uma tripla divisão. “Wafers” não fazem parte dos circuitos integrados monolíticos não montados. Possuem assim classificação fiscal no código NCM 8542.32.9. O entendimento da fiscalização sobre a classificação fiscal dos “wafers” não desobedece o que estabelece o Anexo III do Decreto n° 6.233/2007. Em apertada síntese a DRJ acima rejeitou a preliminar suscitada, de impossibilidade e incompetência de/para a modificação de critério jurídico, aos fundamentos da indisponibilidade do interesse público e da vinculação da atividade administrativa, entendendo viável a revisão do lançamento de ofício quando existe erro imputável ao sujeito Fl. 3421DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 passivo e desde que não esteja esgotado o prazo de revisão aduaneira de 05 anos previsto no art. 570, do Regulamento Aduaneiro. No mérito, entendeu como correta a classificação apontada na fiscalização, ao fundamento de que a NESH prevê três divisões para a Posição NCM 8542 (montados, não montados e sob a forma de discos “wafer”, já cortados), pelo que entendeu que o procedimento do contribuinte de importar circuitos sob a forma wafer “não cortados”, impediria a classificação na Posição NCM 8542.32.10, devendo prevalecer a NCM 8542.32.9 (atinente a “Outros”), afirmando que a Classificação adotada pela fiscalização não colide com o Anexo III, do Decreto nº 6.233/2007, que prevê estar incluso no benefício do PADIS os circuitos integrados sob a forma de disco (wafer) não cortados, afirmando que no caso em concreto o que se discute é o fato de referidos circuitos serem “não montados”, que não alberga a Classificação adotada pelo importador. Ao final, ainda rejeitou os pleitos de afastamento de juros e multa com fundamento no art. 100, do CTN, por entender devese aplicar o art. 44, da Lei nº 9.430/96 e o art. 161 do CTN; assim como quanto a SELIC sobre a multa, por não poder ser afastada por força de lei e por não deter competência para abordar argumentos de inconstitucionalidade. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da Decisão da DRJ/SP1, que foi disponibilizada no endereço digital em 02/05/2013, por meio consulta ao Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) realizada em 03/05/2013 (Fls. 3094 – numeração eletrônica), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 31/05/2013 (fls. 3096/3239 – n.e.), repisando os argumentos trazidos em sua Impugnação, apenas dandolhes o sentido de contraposição também aos fundamentos contidos na decisão recorrida, sendo que, por amor à brevidade e síntese, deixase de novamente reproduzilos. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, numerado eletronicamente até a folha 3241 (três mil, duzentos e quarenta e um), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 3422DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.420 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo, atendendo aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo dele, portando, se tomar conhecimento. A análise acurada dos autos dá conta de que a questão central da controvérsia reside em aquilatar a Classificação Fiscal adequada para os Circuitos Integrados Monolíticos de Memória importados pelo sujeito passivo por meio das DI´s listadas nos Autos de Infração, no período de 2007 a 2011, para então, aquilatar se está correta a Classificação Fiscal que a Autoridade Fiscal atribuiu, em sede de revisão aduaneira, como sendo nas Posições NCM 8542.32.91 (lâminas de silício “wafer” para circuito integrado de memória FLASH) e 8542.32.99 (lâminas de silício “wafer” para circuito integrado de memória dinâmica DDR). Sustenta a Recorrente que os produtos importados são circuitos integrados monolíticos de memória, importados sob a forma de disco (“wafer”), não cortados e não montados, sendo o “wafer” uma placa de silício que pode se apresentar no estado “nu”, ou então, já processado, o que é feito através de processo de dopagem e difusão/fotolitografia, a partir do qual passam a ser as microplaquetas individualizáveis. Após isso, ainda prescindem de ser identificados e separados os funcionais daqueles imprestáveis, circuito por circuito (a partir do “wafer map”, enviado pelo fornecedor de acordo com suas necessidades), para que tornemse passíveis de corte e individualização, para em seguida serem encapsulados (montados, através da aposição de invólucro protetor ao circuito integrado), para fins de comercialização. Portanto, afirma a Recorrente que importa regularmente os Circuitos Integrados e não os “wafers” em si, sendo tais circuitos “não montados” e não cortados , tendo informado em todas as suas operações de importações realizadas desde o início de suas atividades (2005), a Classificação Fiscal na Posição NCM 8542.32.10 (Circuito Integrado Monolítico de Memória “não montado”, à base de silício), e, mesmo após a lavratura do lançamento, continua a empregar a mesma Classificação e tem logrado desembaraçar os produtos importados, mesmo com parametrização em canais amarelo ou vermelho. Por sua vez, a autoridade autuante e a decisão recorrida, entenderam por bem manter a autuação ao fundamento de que, no texto da NESH para a Posição 8542, existem três categorias de circuitos integrados monolíticos, a saber: 1º) Montados, isto é, já providos das suas conexões, encapsulados ou não nos seus invólucros de metal, de cerâmica ou de plástico. Estes invólucros podem ter, por exemplo, a forma de cilindros ou de paralelepípedos; 2º) Não montados, isto é, sob a forma de microplaquetas (chips), frequentemente retangulares, em geral de alguns milímetros de lado; 3º) Sob a forma de discos (wafers),ainda não cortados em microplaquetas (chips). Fl. 3423DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 Consequentemente, por considerar que os produtos importados pela Recorrente o foram “sob a forma de discos (wafers)”, bem como por não terem sido “cortados” em microplaquetas, a Fiscalização não os enquadrou por entender inadequado o enquadramento na Posição NCM 8542.32.10, feito pelo contribuinte, entendendo que esta posição seria restrita aos “não montados”, deslocando, assim, a Classificação Fiscal para a situação do item 9, subitens 91 (NCM 8542.32.91) e 99 (NCM 8542.32.91). Com efeito, o cerne da controvérsia reside em perquirir se o fato de terem sido importados sob a forma de “wafers” (01) e ainda não cortados (02), desloca a Classificação Fiscal para as Posições 8542.32.91 (“Dos tipos RAM estáticas (SRAM) com tempo”) e 8542.32.99 (“Outros”), de modo a excluir a Classificação dos circuitos integrados monolíticos de memória na Posição NCM 8542.32.10, ante ao fato de que em sua descrição consta o termo “não montado” (Posição NCM 8542.32.10: Circuitos integrados eletrônicos Memória “Não montados”). Além disso, arguiu a Recorrente preliminar de improcedência do lançamento ante à impossibilidade de alteração de critério jurídico, de modo que estaria o lançamento contrariando o art. 146, do CTN. Bem como, em sede de pedido sucessivo, pleiteou o afastamento dos juros e das multas, com espeque no art. 100, do CTN, bem como, também em ordem sucessiva, da SELIC sobre a multa de ofício. Assim sendo, focalizados os pontos sob controvérsia, tanto em ordem preliminar, quanto ao mérito em si, e, se o caso, em sede sucessiva, passo a abordagem de cada uma das questões, separadamente. I.Preliminarmente: Impossibilidade de mudança de critério jurídico e nulidade do lançamento por ofensa ao art. 146, do CTN. Por se tratar de questão posta como preliminar, da qual se poderá inclusive tornar despicienda a análise do acerto (ou não) da Classificação Fiscal apontada pela Fiscalização no caso em análise, enfrento inicialmente a argumentação suscitada pela Recorrente relativamente à impossibilidade de mudança de critério jurídico, em respeito ao art. 146, do CTN. Sustenta a Recorrente que desde que iniciou suas atividades (em 2005), realiza a importação de Circuitos Integrados Monolíticos em Memória “Não Montado”, que vêm sob uma base em silício (“wafer”), sendo que sempre procedeu a Classificação Fiscal dos produtos na Posição NCM 8542.32.10. Até a lavratura dos Autos de Infração tinha efetivado cerca de 1.200 (mil e duzentos) processos de importação, sempre empregando a citada classificação, sendo que entre tais importações, a maioria foi parametrizada no “canal verde”, porém, que houveram alguns “canais amarelos” e também “vermelhos”, e, ainda, por duas ocasiões a autoridade fiscal lastreou o desembaraço aduaneiro em Laudo Técnico que analisou o produto importado, tendo respaldado a classificação empregada pelo contribuinte. Afirma ainda que após 2011, quando passou a ser titular de Regime Especial do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores PADIS, realizou praticamente 500 importações que passaram pelos “canais amarelo ou vermelho”, com conferência documental e conhecimento do produto fisicamente, em si, sendo que sempre foram despachados os produtos importados, acatando a Classificação Fiscal atribuída pela Recorrente. Fl. 3424DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.421 9 Além disso, a propósito do benefício do PADIS, afirma que ao pleitear o tratamento tributário em questão, que foi indicado qual produto que era importado e respectiva Classificação, e os técnicos do MDIC entenderam por enquadrar o produto importado como titular do Regime diferenciado, inclusive com conhecimento da classificação atribuída pela Recorrente. A partir destas razões de fato e respectivos fundamentos, entende que não seria possível a mudança de critério jurídico por uma autoridade fiscal de igual hierarquia que aquela que efetivamente deferiu os desembaraços aduaneiros, havendo falta de competência para referido ato de “reclassificação” do produto importado, em ofensa ao art. 149, do CTN, além de caracterizar indevida mudança de critérios jurídicos que não poderiam produzir efeitos retroativos, sob pena de afrontar ao preceito contido no art. 146, do CTN. De fato, tenho que assiste razão à Recorrente no que diz respeito aos efeitos que o lançamento em análise produziria, independentemente de se aquilatar se a Classificação Fiscal indicada pela autoridade autuante tem ou não procedência em face da análise técnica do produto em questão. E isto porque, tenho que cada uma das Declarações de Importações que foram levadas a efeito pela Recorrente no período de 2007 e 2011, equivalem a um “lançamento por homologação”, de modo que, sendo deferido o desembaraço sob a parametrização no “canal verde”, referida atividade por parte da Autoridade fiscal acaba deixando precária a homologação expressa da atividade de lançamento realizada pelo importador. No entanto, ao ser parametrizada em “canal amarelo”, com conferência documental, ou em “canal vermelho”, com conferência documental e física do produto importado, essa atividade da autoridade fiscal aduaneira representa uma homologação expressa da parte documental do lançamento do contribuinte (“canal amarelo”) ou também da parte física do produto importado (“canal vermelho”). Deste modo, havendo essa homologação do “autolançamento” efetivado pelo importador, em nível físico do produto importado, por parte da autoridade competente, temse que fixouse um critério jurídico que vincula o importador e a administração tributária, inclusive respaldando as importações anteriores, de produtos iguais. E este critério jurídico quanto aquela classe de produtos importados, pode sim ser alterado, porém apenas quando baseado em erro de fato quanto ao produto, e não quando há erro de direito, e, ainda, apenas com efeitos posteriores, nunca retroativos, segundo dicção do art. 146, do CTN, in verbis: “Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.” Embora a decisão recorrida da DRJ/SP1 tenha firmado que referido dispositivo apenas aplicarseia em caso de decisão administrativa ou judicial, tenho que o dispositivo alberga textualmente a modificação introduzida através de atividade “de ofício” da autoridade administrativa competente, que no caso, é a auditor fiscal responsável pelo desembaraço aduaneiro, e, também, aquele responsável pela revisão aduaneira. Fl. 3425DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 10 Deste modo, se na revisão aduaneira a autoridade competente entender ter havido erro quanto ao emprego de critério jurídico (classificação fiscal contida na TIPI) aos fatos concretos e correspondentes bases de cálculo, este somente poderá produzir efeitos “ex nunc”, ou seja, apenas a partir desta nova interpretação que se lhe atribua a autoridade administrativa competente, pois que tratarseia de um “erro de direito” e não em erro de fato. Evidentemente que o emprego pelo importador de meios e ardis fraudulentos que levem à alteração da descrição do real produto importado, materializando falsidade quanto ao mesmo, por informar produto diverso daquele objeto da DI, será sempre passível de revisão aduaneira e de autuação com efeitos retroativos, pois que, no caso, tratarseá de “erro de fato”, inerente ao produto importado. Diferente se mostra o “erro” quanto a Classificação Fiscal do produto descrito e declarado pelo sujeito passivo, vindo a retratar divergências quanto à interpretação das TIPI ou da NESH, que pacificamente veiculam normas jurídicas e traduzem se em regras de fixação de “critérios jurídicos”, submissos, portanto, ao preceito do art. 146, do CTN. Mas o caso dos autos encerra uma realidade prática diferente de quaisquer possibilidades de erro de fato ou de fraude na Classificação Fiscal atribuída pela Recorrente, sendo relevante destacar que houveram importações realizadas pela empresa, com emprego da mesma Classificação, que foi objeto de parametrização no “canal vermelho”. Extraíse da DI nº 09/13116470, com registro realizado em 28.09.2009 (fl. 1978) e da DI nº 10/05784894, registrada em 09.04.2010 (fl. 1997), que as mesmas teriam sido submetidas a conferência, em virtude de dúvidas geradas a partir de informações apostas pelo fornecedor Samsung, a qual motivou a elaboração de dois Laudos Técnicos por peritos credenciados pela Receita Federal (docs. Acostados às fls. 1991 a 1996 e 2010 e 2021). Do Laudo Técnico emitido pelo Engenheiro Boris Largmann, endereçado ao Setor de Controle Aduaneiro da Inspetoria da Receita Federal em Campinas, houve a conclusão seguinte: “Após as devidas análises técnicas foi possível constatar que as descrições detalhadas das mercadorias para despacho NÃO apresentam divergências estando em conformidade com a descrição apresentada, e enquadramento técnico realizado pela importadora SMART MODULAR TECHNOLOGIES IND DE COMP ELETR.” (fl. 2012). Além disso, a importação do produto em questão, para as atividades da Recorrente, foi objeto de pleito de Regime Tributário especial no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores – PADIS, instituído pelos arts. 1º a 11 da Lei nº 11.484, de 31 de maio de 2007, e aprovado pelo Decreto nº 6.233/2007, no qual foi informada a natureza do produto, das atividades da Recorrente a partir do referido produto como “insumo”, sendo indicada a Classificação Fiscal por ela empregada como sendo na Posição NCM 8542.32.10 (conforme indicação à fl. 2057), sendo que foi deferido o benefício fiscal através da Portaria nº 931, de 05.11.2010 (fl. 2967 e 2968). Estes episódios envolvendo o produto importado pela Recorrente, por certo que leva a convicção de que havia pleno conhecimento por parte das autoridades fazendárias da Classificação Fiscal empregada pela empresa importadora, lhe sendo dado analisar diversas vezes o produto em si, seu processo produtivo e demais características, sendo em todas elas acatado o posicionamento na TIPI/NCM empregado pela mesma. Por certo que diante disso não poderia haver, de parte da Recorrente, dúvidas no emprego da Classificação que sempre adotou, de modo que é previsível que estivesse segura do critério contra si empregado pelo Poder Público. Fl. 3426DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.422 11 Deste modo, independentemente do (des)acerto da Classificação Fiscal indicada pela Autoridade Fiscal para o caso da revisão aduaneira objeto de análise neste processo administrativo, é certo que ela representa modificação de critério jurídico com relação aquele empregado até então pela autoridade fiscal aduaneira, responsável pelas conferências realizadas tanto em documentos como também em produtos importados, inclusive com a disponibilidade de Laudos Técnicos respectivos. Não se trata, portanto, de mudança de critério fático e sim jurídico. Nesta linha de fundamentação, peço vênia para invocar parte de voto da lavra do ilustre Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça, por ocasião do julgamento do Processo nº 10314.002287/200898 (Acórdão nº 3402001.972), nos seguintes termos: “(...) Com efeito, desde logo verifico que os pretextos invocados nos lançamentos excogitados de COFINS e PIS devidos na importação para justificar a sua pretensão à revisão de auto lançamentos sujeitos à homologação – suposto “erro na classificação” e conseqüentes “erros de alíquota” do II e IPI incidentes na importação traduzem na realidade erros de aplicação das normas aos fatos e valores oferecidos à tributação, ou seja, um erro de direito que não autoriza a revisão do lançamento, pois está na lei (arts. 145, 146 e 149 do CTN) e proclama a Jurisprudência há muito pacificada (v. Ac. STF nº. RE nº 104.226SC in RTJ 113/908), que o erro de direito no lançamento anterior não autoriza a sua revisão, que portanto não pode ser promovida para a adoção de um novo critério de interpretação da Lei ou de ato normativo, tal como recentemente proclamado pelo E. STJ e se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: ´TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. AUTUAÇÃO POSTERIOR. REVISÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. SÚMULA 227/TRF. PRECEDENTES. “Á mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento” (Súmula 227 do TFR). A revisão de lançamento do imposto, diante de erro de classificação operada pelo Fisco aceitando as declarações do importador, quando do desembaraço aduaneiro, constituise em mudança de critério jurídico, vedada pelo CTN. O lançamento suplementar resta, portanto,motivado por erro de direito. (Precedentes: Ag 918.833/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 11.03.2008; AgRg no REsp 478.389/PR, Min. HUMBERTO MARTINS, DJ. 05.10.2007, REsp 741.314/MG, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ. 19.05.2005; REsp 202958/RJ, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, DJ 22.03.2004; REsp 412904/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 27/05/2002, p. 142; Resp n° 171.119/SP, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ em 24.09.2001). Fl. 3427DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 12 Recurso Especial desprovido´. (cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 1.112.702SP, Reg. nº 2008/01053272, em sessão de 20/10/09, Rel. Min. Luiz Fux, publ. in DJU de 06/11/09) Nessa ordem de ideias, se não bastasse a expressa disposição do art. 100, inc. I do CTN, a Jurisprudência do STJ também já assentou que a TIPI, tal como a NESH consubstancia “ato normativo (de caráter geral e abstrato) oriundo do Poder Executivo que elenca e classifica os produtos industrializados cuja saída enseja a tributação pelo IPI, correlacionando as alíquotas aplicáveis, de acordo com os critérios da essencialidade e especificidade, (...).” (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no AgRg no REsp nº 644600RS, Reg. nº 2004/00324897, em sessão de 07/10/08, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, publ. in DJU de 04/11/08). Na mesma linha, cabe também citar entendimento do STJ, nos seguintes termos: “o artigo 146 do CTN positiva, em nível infraconstitucional, a necessidade de proteção da confiança do contribuinte na Administração Tributária, abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos que implique prejuízo relativamente à situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores’. (Leandro Paulsen, in Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 8ª ed., Ed. Livraria do Advogado, Porto Alegre, 2006, pág. 1.086)” (cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 810565SP, REg. nº 2006/00085950, em sessão de 11/12/07, Rel. Min LUIZ FUX, publ. in DJU de 03/03/2008) Com efeito, tendo havido o emprego retroativo de critério jurídico modificado pela autoridade administrativa apenas por ocasião do lançamento tributário objeto dos Autos de Infração em análise neste PAF, resta induvidoso que o crédito tributário decorrente é fruto de modificação de critério jurídico, o que, no entanto, não pode produzir efeitos retrospectivos, na dicção do art. 146, do CTN. Ante o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar suscitada para determinar o cancelamento do crédito tributário em discussão, por ofensa ao art. 146, do CTN. II.No mérito: Análise da Classificação Fiscal empregada na Revisão Aduaneira. Em sendo o caso se vir a ser superada a preliminar, restando particularmente vencido nesse aspecto, passo a análise das razões de mérito que sustentam o lançamento tributário, que deve dirigirse à análise da Classificação Fiscal do produto em si, para com isso, se perquirir se aquela apontada pela Autoridade Fiscal está correta, mantendose o lançamento, ou se estiver incorreta (mesmo que não coincida com a Posição atribuída pela Recorrente), ter seá que cancelar o lançamento em questão. Neste sentido, devese desde já destacar o fato de que a autoridade autuante, ao desenvolver os trabalhos de revisão aduaneira, não valeuse de nenhum estudo técnico, mais Fl. 3428DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.423 13 precisamente um Laudo confeccionado por profissionais credenciados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que pudesse amparar suas conclusões, as quais baseiamse, consequentemente, unicamente na interpretação feita pela própria autoridade (e respaldada pela DRJ/SP1), no tocante à aplicabilidade da NESH ao produto em questão. Além disso, outro ponto que pode ser fundamental para o enfrentamento da questão, reside no fato de que por se tratar de revisão aduaneira, relativamente a procedimento encerrado em 2012 envolvendo importações de produtos que ingressaram no território nacional no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2011, as análises jamais estiveram baseadas concretamente nos produtos efetivamente nacionalizados, por questão física, obviamente. Disto decorre que quaisquer provas que se pudesse produzir, seja pela Recorrente, seja pela Autoridade Fiscal, colheria como amostras produtos atualmente importados, sem se poder efetivar o cotejo com o efetivo produto que adentrou ao país nos anos anteriores. Daí porque esta Turma negou provimento ao Recurso de Ofício relativo ao Processo nº 15165.002600/201087, em sessão 27/02/2013, de minha Relatoria, cuja Ementa restou assim redigida: “Assunto: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de Apuração: 11/04/2008 a 17/03/2010 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO PRODUTO. PROVA TÉCNICA. INDISPENSABILIDADE. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Tratandose de reclassificação fiscal que exija análise técnica da natureza, composição e constituição do produto, não basta apenas que a fiscalização apresente o seu entendimento sobre a descrição formulada pela interessada e à aplicação das regras de classificação fiscal, incumbindolhe o ônus da prova que atestem, através de elementos técnicos, que a classificação atribuída pela Administração deva prevalecer àquela empregada pelo contribuinte. A ausência de elementos probantes suficientes a sustentar a acusação fiscal, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública, por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário, importa em improcedência do lançamento.” Desta realidade emerge incontestável que terseá que basearse nas declarações da Recorrente, que não nega que os produtos importados sempre foram os mesmos, e continuam a ser idênticos ainda que após a lavratura do lançamento, e que foi nesta assertiva que a autoridade autuante se pautou para aplicar retroativamente a interpretação que atingiu na revisão aduaneira. Deste modo, não poderia a autoridade fiscal afirmar que o produto seria diverso daquele apresentado pela Recorrente, objeto dos desembaraços aduaneiros e constante dos Laudos Técnicos (fls. 1991 a 1996 e 2010 e 2021), apresentados para fins de atender à solicitação efetivada ao longo da conferência em “canal vermelho” levada a efeito em relação a DI nº 09/13116470, com registro realizado em 28.09.2009 (fl. 1978) e a DI nº 10/05784894, registrada em 09.04.2010 (fl. 1997). Fl. 3429DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 14 Com efeito, a análise que deve ser efetivada neste processo, é a mesma que foi efetivada pela autoridade aduaneira quando deferiu o desembaraço aduaneiro após solicitar e receber os referidos Laudos Técnicos. E isto porque, repitase, a autoridade autuante não solicitou a elaboração de um Laudo Técnico específico para sustentar a reclassificação fiscal, enquanto que a Recorrente, por seu turno, além dos mencionados Laudos Técnicos apresentados à Fiscalização na ocasião do desembaraço das DI´s acima referidas, trouxe ainda outros Laudos que respaldam a Classificação por ela adotada. Com efeito, analisando o Laudo Técnico apresentado à Administração, da lavra do Engenheiro Israel Geraldi, em data de 05/10/2010, acostado às fls. 1991 a 1996, extraise o seguinte: (...) Os dispositivos em análise são claramente circuitos integrados eletrônicos monolíticos, “não montados”, na forma de “wafers” com função de Memória. Quanto a forma de apresentação devemos salientar que um circuito integrado pode se apresentar nas seguintes formas: “Montado”: Já provido das suas conexões elétricas aos pinos externos (´pads´ já soldados aos pinos do circuito) e encapsulado dentro de um invólucro, normalmente cerâmico; “Não montado”: ainda não provido das suas conexões elétricas aos pinos externos nem encapsulado dentro de um invólucro. Os circuitos “não montados” podem se apresentar, ainda, em duas formas diferentes, a saber: “Wafers”, que correspondem ao conjunto de circuitos iguais, ainda não individualizados; “Microplaquetas”, que correspondem aos circuitos já individualizados (´serrados´). Portanto, em relação à característica de montagem, os circuitos podem se apresentar apenas de duas formas: “não montados” ou “montados”, sendo que os “não montados” podem se apresentar na forma de “microplaquetas” ou de “wafer”. (...) Determinação da classificação fiscal aplicável segundo a TEC NCM: Tendo elucidado o aspecto referente à característica de um circuito apresentado sob a forma de “wafer”, vamos partir para a definição da classificação. (...) Os componentes analisados se apresentarem na forma de “wafer”, forma esta como já vimos anteriormente pertence à classe dos “não montados”, levanos a classificar os componentes importados na posição/item/subitem 8542.32.10. Conclusão: Tendo sido os dispositivos perfeitamente caracterizados em termos de aplicação, princípio de funcionamento e finalmente de Fl. 3430DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.424 15 sua forma de apresentação, e procedendo com a análise das Regras Gerais Interpretativas e notas do capítulo 85, podemos concluir, com segurança, que o código NCM correto para a classificação dos produtos analisados é: 8542.32.10. Também contemporâneo às importações objeto da Revisão Aduaneira, também é mister proceder a análise do Laudo Técnico, da lavrado Engenheiro Boris Largmann e encaminhado à RFB, acostado às fls. 2010 a 2021, extraise o seguinte: “(...) Os produtos acima mencionados utilizaram na sua base estrutural de um dispositivo semicondutor, conhecido como “Wafer” virgem, e que após uma série de aplicações de dióxido de silício (Si02), fotolitografia, aplicação de máscaras e metal para integrar as conexões, o Wafer deixou de ser “virgem” e não apresenta mais as características de simples dispositivo semicondutor, portanto em sua massa já existem os circuitos integrados. Os produtos em analise são circuitos integrados monolíticos, ainda não cortados e não montados em que os elementos do circuito (diodos, transistores, resistências, condensadores, indutâncias, etc.) foram criados e existem essencialmente em sua massa e superfície do wafer. (...) Após as devidas análises técnicas foi possível constatar que as descrições detalhadas das mercadorias para despacho NÃO apresentam divergências estando em conformidade com a descrição apresentada, e enquadramento técnico realizado pela importadora SMART MODULAR TECHNOLOGIES IND DE COMP ELETR.” (fl. 2012 e 2013). Assim sendo, os laudos apresentados por ocasião do desembaraço aduaneiro das DI´s citadas, em 2009 e 2010, indicaram que a Classificação adequada dos produtos concretamente analisados naquela nacionalização, deveriam ser posicionados na NCM 8542.32.10. Embora não se podendo afirmar que esta Classificação aplicase para todas as importações havidas, passadas ou futuras, é certo que também não há discordância entre o contribuinte e a administração que sempre se trataram dos mesmos produtos, em face do que, apenas resta concluir que efetivamente os produtos analisados devem ser classificados na Posição indicada nos Laudos Técnicos analisados em sede de “canal vermelho”. A recorrente trouxe aos autos, ainda, um Laudo Técnico elaborado pelo Doutor PhD em Engenharia Elétrica pela Universidade de Princeton, Professor da UNICAMP, que efetivou análise de todo o processo produtivo da empresa e das amostras por ela apresentadas, cabendo destacar para os seguintes quesitos: 02. Queira V.Sa. identificar o produto circuito integrado eletrônico de memória sob análise, importado pela SMART, especificando sua natureza, forma e aplicação. O circuito integrado eletrônico de memória importado pela SMART corresponde às memórias DRAMs e FLASH RAMs, conforme descrito no item 01 acima, na forma de “wafer de Fl. 3431DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 16 silício”, o que é essencialmente um conjunto de várias microplaquetas (chips) de memória não montadas. (...) 09. Considerando a definição das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (“NESH”) de circuito integrado não montado, qual seja “sob a forma de microplaquetas (chips), frequentemente retangulares, em geral de alguns centímetros de lado”, queira V.Sa. confirmar se o produto importado pela SMART pode ser considerado como circuito integrado de memória não montado. Sim, o produto importado pela SMART pode ser considerado um circuito integrado de memória não montado. 10. Como se sabe, existem circuitos integrados eletrônicos monolíticos montados e não montados. Queira V.Sa. informar se existe uma terceira categoria de circuitos integrados eletrônicos monolíticos. Circuitos integrados eletrônicos monolíticos somente podem se apresentar como montados ou não montados, não existindo uma terceira categoria. (...) 11. De acordo com as especificações técnicas do circuito integrado sob análise, queira V.Sa. informar qual a categoria acima mencionada ele estaria enquadrado. O circuito integrado eletrônico monolítico de memória, como importado pela SMART é considerado, dentro da área de Microeletrônica como não montado, uma vez que somente após sua separação do wafer, wiring e encapsulamento, o circuito pode ser considerado como montado. O fato de ele estar presente, ainda não cortado, na superfície de um wafer não o define como estando montado no wafer, de acordo com utilização deste termo dentro da área de Microeletrônica. Seria equivalente a dizer que uma lâmpada estaria montada a uma caixa contendo outras 100 lâmpadas, antes desta ser retirada da caixa e efetivamente montada no soquete de um lustre.”(fls. 1828 e 1839). Até este ponto, o Laudo do perito da Unicamp demonstrou que o produto pode ser considerado “não montado”, mesmo que se apresente sob a forma de wafer (disco) não cortado, o que leva a necessidade de interpretar se, havendo duas características essenciais (“não montado” e “não cortado”), derivaria uma outra classificação possível para os circuitos integrados monolíticos, sendo que neste sentido, o mesmo Perito afirmou o seguinte: 14. Considerando a resposta ao quesito anterior no tocante a possibilidade de existência de circuito integrado montado de forma outra que não aquela montagem em superfície (SMD), queira V.Sa. esclarecer a sua essência, aplicação e função e confirmar se é adequada a classificação desse específico produto na posição 8542.32.9 (91 ou99) da TEC, Queira, ainda, apresentar as principais diferenças desse produto em relação ao circuito integrado eletrônico de memória objeto de análise e importado pela SMART, se existentes. A microplaqueta (chip) objeto desta análise, e importada pela SMART, pode ser montada de várias outras formas conforme Fl. 3432DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.425 17 descrito na resposta ao quesito 13, não nos parecendo adequado a classificação deste item na posição 8542.32.2 (SMD) da referida tabela. Além disto, como a microplaqueta (chip) é importada sob a forma não montada, seguindo a resposta ao quesito 11, a sua classificação como 8542.32.9 é tampouco adequada. O interessante, portanto, é que neste quesito, a partir das análises técnicas realizadas, assim como pelo conhecimento profundo do segmente, o Perito rechaça a possibilidade de classificação fiscal dos referidos circuitos integrados eletrônicos de memória, na Posição 8542.32.9, que segundo afirma não contempla a microplaqueta importada sob a forma “não montada”. Daí emerge o desamparo, sob o ponto de vista da “perícia técnica”, da classificação adotada pela autoridade autuante. Por seu turno, o Laudo Técnico emitido pelo Departamento de Engenharia e de Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – USP (fls. 1840 a 1872), pelo Professor Ferdinando Luiz Cavallante, respondendo ao mesmo Quesito 14, acima transcrito, conclui: 14.Considerando a resposta ao quesito anterior no tocante a possibilidade de existência de circuito integrado montado de forma outra que não aquela montagem em superfície (SMD), queira V.Sa. esclarecer a sua essência, aplicação e função e confirmar se é adequada a classificação desse específico produto na posição 8542.32.9 (91 ou99) da TEC, Queira, ainda, apresentar as principais diferenças desse produto em relação ao circuito integrado eletrônico de memória objeto de análise e importado pela SMART, se existentes. RESPOSTA: Na montagem através de furos (thougthole technology), os terminais existentes nos circuitos eletrônicos montados são inseridos em orifícios perfurados de cartões de circuito impressos e soldados em pads existentes no lado oposto do cartão. De acordo com essa característica, não sendo um circuito não montado, nem um circuito montado próprio para montagem em superfície de acordo com a TEC estes circuitos seriam corretamente classificados na posição 8542.32.9 (outros), sendo 8542.32.91 para memórias FLASH e 8542.32.99 para memórias DRAM. A diferença básica entre estes dois produtos reside no fato de que os wafers são constituídos por microplaquetas não montadas. No wafer elas não estão providas das conexões elétricas entre os contatos elétricos das microplaquetas através dos pads ao redor de seu perímetro e os contatos elétricos do substrato onde se localizam os terminais internos dos condutores externos. E é somente a partir desta etapa que as microplaquetas assumem a condição montada. Ou seja, a Escola Politécnica da USP, após explicar a diferença entre os circuitos classificados na posição 8542.32.9 (“Outros”), que foi adotada como correta pela Fiscalização, é taxativa ao diferenciálos dos circuitos integrados de que trata os presentes autos, de modo a “infirmar” a classificação empregada pela Administração neste lançamento. E afirma que a diferença fundamental está no fato que as classificações empregadas pela autoridade fiscal tratam de circuitos integrados para memórias montadas, enquanto que o Fl. 3433DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 18 produto importado pela recorrente inegavelmente é “não montado”, sendo essa a filigrana que distingue os produtos classificados pelo fiscal daqueles de fato tomados como importados. Emerge desta avaliação técnica, portanto, que a classificação apontada na autuação não reflete os produtos importados, porque não se aplicam a circuitos integrados “não montados”. Em outro Laudo Técnico (fls. 1873 a 1899), agora da lavra dos Professores Dr. Antonio Carlos Seabra, Titular do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos, e Dr. Nilton Itiro Morinoto, Coordenador da Divisão de Microeletrônica do Laboratório de Sistemas Integráveis, ambos da Escola Politécnica da USP, igualmente oferecem os seguintes ensinamentos de ordem técnica: 14.Considerando a resposta ao quesito anterior no tocante a possibilidade de existência de circuito integrado montado de forma outra que não aquela montagem em superfície (SMD), queira V.Sa. esclarecer a sua essência, aplicação e função e confirmar se é adequada a classificação desse específico produto na posição 8542.32.9 (91 ou99) da TEC, Queira, ainda, apresentar as principais diferenças desse produto em relação ao circuito integrado eletrônico de memória objeto de análise e importado pela SMART, se existentes. A TEC estabelece três opções de classificação para circuitos integrados eletrônicos monolíticos de memórias: 8542.32.10Não montadas 8542.32.2Montadas próprias para montagem em superfície (SMD) 8542.32.9Outras Uma vez que a classificação em memórias montadas e não montadas é mutuamente excludente, a classificação 8542.32.9 (Outras) não se aplica para a distinção entre memórias montadas ou não montadas. A classificação 8542.32.9 (Outras) se aplica para distinção entre “próprias para montagem em superfície (SMD)” ou “não próprias para montagem em superfície (SMD)”. Nesse sentido cabe observar que as subclassificações 8542.32.21 e 8542.32.91 utilizam a mesma descrição “Dos tipos RAM estáticas (SRAM) com tempo de acesso inferior ou igual a 25 ns, EPROM, EEPROM, PROM, ROM e FLASH” e para não criar inconsistências os itens 8542.32.2 e 8542.32.9 devem ser mutuamente excludentes. Desta leitura novamente se extrai que a Classificação empregada pela fiscalização destinase a circuitos integrados eletrônicos que já sejam “montados”, distinguindoos em função da aptidão de serem aplicáveis (ou não) na montagem em superfície SMD, sendo que em qualquer hipótese não se aplicará na classificação que tenha como produto um circuito integrado “não montado”. Com efeito, tenho que, de um lado, a ausência de prova técnica por parte da Fiscalização, e de outro lado, a existência de provas através de Laudos Técnicos emitidos por centros tecnológicos científicos respeitáveis no país, levam a conclusão de que os produtos analisados não se enquadram na classificação atribuída pela Fiscalização, já que eles referem se a circuitos integrados eletrônicos monolíticos já montados. Isso, por si só, já é suficiente Fl. 3434DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.426 19 para infirmar a classificação atribuída, e, consequentemente, cancelar o lançamento que está nela lastreado. Porém, não responde a classificação que o produto em si, importado, efetivamente possui. E aqui, cabe reprisar que a Recorrente afirma que desde que iniciou suas atividades (em 2005), realiza a importação de Circuitos Integrados Monolíticos em Memória “Não Montados”, que vêm sob uma base em silício (“wafer”), o qual é assim veiculado pois que este referido “wafer” serve para efetivar a proteção dos circuitos integrados (microplaquetas) nele “impressos”, mas que já traz consigo todas as características essenciais do insumo por ela adquirido. Opta, então, por trazer as microplaquetas por meio do disco (“wafer”), para melhor proteção do produto no transporte e manuseio, sendo que recebe do fornecedor o “wafer map” (mapa do wafer/disco), que permite identificar no disco respectivo, quais e quantos “circuitos integrados” (microplaquetas) estão funcionais, de modo a separálos dos imprestáveis (danificados). Até poderia optar por importar os circuitos integrados já cortados, ou seja, apenas os “funcionais”, porém, como se tratam de produtos muito susceptíveis a danos, sempre preferiu realizar a importação dos circuitos integrados no disco, para então, já no seu processo produtivo e através das informações contidas no “wafer map”, efetivar o “corte”, para posteriormente iniciar o processo de montagem das microplaquetas. Ou seja, é inegável que os produtos importados são circuitos integrados de memória ainda “não montados”, embora também não sejam ainda “cortados”, sendo esta atividade própria do processo produtivo da Recorrente. Vimos, pelos Laudos citados, que o fato de serem importados microplaquetas sob a forma de discos (“wafers”) ainda “não cortados”, não os distingue dos circuitos integrados eletrônicos de memória “não montados”. Ambos, por óbvio, trazem consigo o atributo de serem “não montados”. O fato de não serem cortados, neste sentido, apenas reforça a classificação na posição “não montado”, pois que soa óbvio que para ser “montado”, deverá submeterse ao processo de “corte”, que é feito a partir do “wafer map”, para seguir ao processo que culminará no encapsulamento, e, assim, passar a ser considerado “montado”. Quanto a correta classificação do produto pela Recorrente, apenas a título ilustrativo reportase ao Laudo Técnico do Perito da UNICAMP, que em resposta ao Quesito 15, ainda pontua: 15. Com base nas respostas dos quesitos precedentes, poderia V.Sa. concluir que é correto o enquadramento dos circuitos integrados eletrônicos de memória objeto de análise, importados pela SMART sob a forma de discal ou wafers, na classificação fiscal NCM 8542.32.10, aplicável a circuitos integrados eletrônicos de memória não montados? Queira V.Sa. fundamentar sua resposta. Considerandose que, para o caso do objeto em análise, que: (a) o wafer por si só é um conjunto de circuitos integrados eletrônicos de memória (vide resposta ao Quesito 6); (b) todos os circuitos integrados eletrônicos de memória de um wafer possuem exatamente a mesma funcionalidade (vide resposta ao Quesito 12); Fl. 3435DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 20 (d) circuito integrado de memória em forma de wafer possui exatamente as mesmas funcionalidades que um circuito int3grado eletrônico de memória já separado (cortado) do seu wafer, ainda não montado; (vide resposta ao Quesito 12) (e) após os circuitos serem separados do seu wafer, o wafer deixa de existir (vide resposta ao Quesito 6); (f) um circuito integrado eletrônico de memória presente em um wafer, não pode ser considerado montado no wafer, de acordo com o conceito de montagem usado na área de Microeletrônica (vide resposta ao Quesito 11); (g) na área de Microeletrônica, um circuito é considerado montado apenas depois que ele é incapsulado (vide resposta aos Quesitos 10 e 11); , podese concluir que os circuitos integrados eletrônicos de memória objeto de análise, importados pela SMART sob a forma discal ou wafers estão corretamente enquadrados dentro da classificação 8542.32.10. Esta conclusão, que é uníssona nos demais Laudos, também ratifica a conclusão dos Laudos Técnicos entregues à Fiscalização quando da conferência efetivada pela autoridade aduaneira por ocasião da análise da DI nº 09/13116470, com registro realizado em 28.09.2009 (fl. 1978) e da DI nº 10/05784894, registrada em 09.04.2010 (fl. 1997), antes já mencionados. Logo, se o “wafer” já é considerado um circuito integrado eletrônico de memória “não montado” (conforme os Laudos), o fato de ser “não cortado” não apenas reforça a classificação empregada pelo importador – que é quem efetiva o “corte” para viabilização da etapa de montagem/encapsulamento , como também serve para afastar a classificação “residual” efetivada nas Posições referentes à “Outros”, que são referentes a circuitos integrados eletrônicos “montados”. Finalmente, esta conclusão acaba coincidindo com o que prevê o Anexo III, do Decreto nº 6.233/2007, que regulamenta o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores – PADIS, instituído pelos arts. 1º a 11 da Lei nº 11.484, de 31 de maio de 2007, da qual a Recorrente tornouse titular através da Portaria nº 931, de 05.11.2010 (fl. 2967 e 2968).Referido Anexo III, prevê que: ANEXO III (Redação dada pelo Decreto nº 7.600, de 2011) Insumos para emprego nas atividades vinculadas aos produtos finais Circuitos integrados sob a forma de discos (wafers) ainda não cortados em microplaquetas (chips) 8542.31.10 8542.32.10 8542.33.20 8542.39.20 A leitura do Anexo III, acima, na parte que diz respeito ao insumo empregado nas atividades relativas ao PADIS, deixa expresso que são beneficiados os circuitos integrados sob a forma de wafers “não cortados” que são classificados na Posição 8542.32.10, deixando claro que o Executivo pretendeu atingir com o beneplácito fiscal os circuitos integrados eletrônicos “não montados”, pois que indicou a Posição destacada. Cabe frisar que essa interpretação também decorre do fato de que, dentre as classificações citadas no Anexo III, a Fl. 3436DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.427 21 Posição 8542.31.10 diz respeito a circuitos integrados eletrônicos de controladores e processadores; a Posição 8542.33.20 aplicase a circuitos integrados eletrônicos de amplificadores; e a Posição 8542.39.20 está dirigido a outros circuitos integrados eletrônicos. Deste modo, apenas resta a Posição NCM 8542.32.10 para os circuitos integrados eletrônicos não cortados, pois que, à toda evidência, essas microplaquetas ainda estão na forma “não montada”. Consequentemente, a Classificação utilizada pela Fiscalização não representa os circuitos integrados eletrônicos monolíticos “não montados”, mas referemse a outros circuitos “montados”, o que já é suficiente para o cancelamento do lançamento em questão. Apesar disto, temse que os produtos sob análise não tem sua classificação deslocada para a posição “Outros” pelo fato de ser “não cortados”, já que este estado do produto está compreendido no atributo “não montado”, de modo que classificamse efetivamente na Posição NCM 8542.32.10. III.Pedidos Sucessivos: Exclusão de Juros e Multa, conforme art. 100, do CTN; e Afastamento dos Juros sobre a Multa. Tais pedidos, diante do provimento do Recurso, ficam com análise prejudicada. IV.Dispositivo: Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 3437DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
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Numero do processo: 10380.006452/2007-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PROVAS. UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS.
A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar nº 105/2001, constitui simples transferência à RFB e não quebra de sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
A autoridade administrativa não possui competência para apreciar arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas, segundo o procedimento legislativo apropriado, gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade, até decisão em sentido contrário, com efeito erga omnis, emanada do Poder Judiciário.
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP nº 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA.
A prestação de informações à RFB, pelas instituições financeiras, não constitui quebra de sigilo bancário, mas transferências de dados a serem mantidos sob a proteção do sigilo fiscal.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Uma vez formalizada o lançamento com base em omissão de receita, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizá-la, demonstrar especificadamente que o valor depositado não se sujeita à tributação ou não decorreu da empresa; ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Anocalendário: 2004
CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplica-se a mesma decisão do principal.
Numero da decisão: 1802-002.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e no mérito NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Impedida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que participou do processo fiscalizatório como Delegada.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Vice-Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PROVAS. UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar nº 105/2001, constitui simples transferência à RFB e não quebra de sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas, segundo o procedimento legislativo apropriado, gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade, até decisão em sentido contrário, com efeito erga omnis, emanada do Poder Judiciário. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP nº 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A prestação de informações à RFB, pelas instituições financeiras, não constitui quebra de sigilo bancário, mas transferências de dados a serem mantidos sob a proteção do sigilo fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Uma vez formalizada o lançamento com base em omissão de receita, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizá-la, demonstrar especificadamente que o valor depositado não se sujeita à tributação ou não decorreu da empresa; ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplica-se a mesma decisão do principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e no mérito NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Impedida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que participou do processo fiscalizatório como Delegada. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Vice-Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
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UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar nº 105/2001, constitui simples transferência à RFB e não quebra de sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas, segundo o procedimento legislativo apropriado, gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade, até decisão em sentido contrário, com efeito erga omnis, emanada do Poder Judiciário. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP nº 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A prestação de informações à RFB, pelas instituições financeiras, não constitui quebra de sigilo bancário, mas transferências de dados a serem mantidos sob a proteção do sigilo fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 64 52 /2 00 7- 14 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 37 2 Uma vez formalizada o lançamento com base em omissão de receita, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizála, demonstrar especificadamente que o valor depositado não se sujeita à tributação ou não decorreu da empresa; ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e no mérito NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Impedida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que participou do processo fiscalizatório como Delegada. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão VicePresidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: “Tratase de impugnação a lançamentos tributários do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (fls 16/22), da Contribuição para o PIS/Pasep (fls 24/31), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls 32/38), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls 39/45) e da Contribuição para a Seguridade Social – INSS (fls 44/50), todos com fatos geradores no ano de 2004, totalizando o montante de R$ 304.005,59, já acrescidos dos juros moratórios e da multa de ofício (75%). 2. Conforme descrição dos fatos contida nos autos de infração, submetido ao sistema simplificado de pagamento dos tributos e contribuições federais (Simples), o contribuinte incorrera nas seguintes infrações fiscais no ano de 2004: (I) OMISSÃO DE RECEITA, legalmente presumida a partir de depósito bancário de origem não comprovada, conforme Termo de Constatação às fls 53/63; (II) INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, decorrente da alteração de percentuais utilizados pelo contribuinte no cálculo do Simples sobre a receita declarada. 3. Cientificado da pretensão fiscal em 10.07.2007 (fl 206), o contribuinte apresentou impugnatória em 08.08.2007 (fls 207/213), requerendo a improcedência dos lançamentos, ante a incorreta interpretação ou aplicação da presunção de omissão de receita, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e a consideração em duplicidade de depósitos bancários resultantes de transferências entre contas do mesmo titular ou decorrentes de cheques depositados e posteriormente liberados. 4. O impugnante solicitou a realização de perícia contábil, nomeando o seu assistente e indicando quesitos a serem respondidos. 5. Em 10 de março de 2011, o julgamento foi convertido em diligência, a fim de que a Unidade Local verificasse a existência de depósitos computados em duplicidade na apuração das receitas omitidas (fls 222/223). 6. Exarado o relatório de diligência fiscal (fls 225/226), contra o qual nada deduziu o impugnante (fl 227). 7. É o relatório.” A DRJ em Fortaleza (CE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 39 4 Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Uma vez formalizada a omissão de receita com base na presunção legal, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizála, demonstrar que o valor depositado não se sujeita à tributação ou não decorreu da empresa; ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Impugnação Improcedente” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 17/07/2012, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 16/08/2012, onde argui e requer em apartada síntese: a) a impossibilidade de quebra de sigilo bancário pela Receita Federal; b) a impossibilidade de presunção de omissão de receita fundada em depósito bancário de origem não comprovada. Este é o Relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase o processo administrativo em que a fiscalização imputou a Recorrente uma omissão de receitas, decorrente de valores depositados em conta bancária para os quais não houve qualquer comprovação de sua origem através de documentos hábeis e idôneos. No Recurso Voluntário a Recorrente se limita a alegar: 1. a ilegalidade da obtenção dos dados bancários, via Requisição de Movimentação Financeira (RMF); 2. a impossibilidade de presunção de omissão de receita fundada em depósito bancário de origem não comprovada. Como se observa a Recorrente em momento algum entra no mérito dos depósitos bancários não comprovados, mas apenas e tão somente em preliminares de cerceamento do dreito de defesa e da impossibilidade de quebra do sigilo bancário por parte da Receita Federal. A Recorrente alega a ilegalidade/inconstitucionalidade da Requisição da Movimentação Financeira (RMF). De acordo com o entendimento externado em sua defesa a Administração Tributária não pode requisitar diretamente à instituição financeira a movimentação bancária do contribuinte, seguindo o entendimento que somente o Poder Judiciário poderia determinar que a instituição financeira fornecesse os extratos bancários considerados quando do lançamento fiscal. Não tendo havido esse permissivo, o lançamento deveria ser invalidado em razão da ilegalidade da prova em que se fundamentou. A Lei Complementar nº 105, de 2001, reza que a Administração Pública pode solicitar informações amparadas pelo sigilo fiscal às instituições financeiras: “Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 41 6 Art. 2º O dever de sigilo é extensivo ao Banco Central do Brasil, em relação às operações que realizar e às informações que obtiver no exercício de suas atribuições. (...) Art. 3º Serão prestadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas instituições financeiras as informações ordenadas pelo Poder Judiciário, preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito às partes, que delas não poderão servirse para fins estranhos à lide. (...) Art. 4º O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários, nas áreas de suas atribuições, e as instituições financeiras fornecerão ao Poder Legislativo Federal as informações e os documentos sigilosos que, fundamentadamente, se fizerem necessários ao exercício de suas respectivas competências constitucionais e legais. (...) Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) § 5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Com efeito, no caso em tela, por expressa disposição contida na Lei Complementar nº 105, de 2001 art. 1º, § 3º, VI , a prestação de informações, pelas instituições financeiras às autoridades fazendárias, não constitui violação do dever de sigilo. A esse respeito: “a) Acórdão Nº 10248998, de 23/04/2008 – 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 42 7 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL QUEBRA INDEVIDA DO SIGILO BANCÁRIO INOCORRÊNCIA A Lei Complementar nº 105, de 2001, e o Decreto nº 3.724, também de 2001, permitem à autoridade administrativa requisitar informações às instituições financeiras, nos casos em que especifica. Pressupõese que os princípios constitucionais estejam nelas contemplados pelo controle a priori da constitucionalidade das leis.” b) Acórdão nº 10517389, de 04/02/2009 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda “REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA – INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. A Administração Tributária pode requisitar informações bancárias do contribuinte às Instituições Financeiras quando este, após regular intimação, deixa de apresentálas espontaneamente. A requisição de informações bancárias do contribuinte não configura quebra de sigilo, posto que as informações arrecadadas estão protegidas pelo sigilo fiscal.” c) Acórdão nº 0400.456, de 13/12/2006 – Câmara Superior de Recursos Fiscais “SIGILO BANCÁRIO Os agentes do Fisco podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. “ No que diz respeito a suposta inconstitucionalidade na obtenção dos extratos bancários, as considerações aventadas pela impugnante somente poderiam ser direcionadas ao Poder Judiciário, que detém a competência para a apreciação da constitucionalidade do dispositivo legal que deu azo ao lançamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). À Administração Pública, falece competência para o julgamento da matéria considerada, visto que o contencioso administrativo não se presta ao questionamento da constitucionalidade das normas jurídicas inseridas no ordenamento jurídico nacional de forma válida e eficaz, uma vez que a própria Carta Magna reservou dita atribuição ao Poder Judiciário. Aos julgadores administrativos cumpre observar as disposições contidas nas normas formalmente inseridas no ordenamento jurídico, sendolhes vedada eventual apreciação quanto a sua validade. É o que determina o Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal PAF) artigo 26A: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 43 8 fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”. Assim sendo, pretensas inconstitucionalidades de leis, que não tenham sido decretadas com efeito erga omnes pelo Poder Judiciário, não podem ser apreciadas na esfera administrativa, que se limita ao cumprimento das determinações legais. Essa matéria já está sumulada no próprio Conselho, de modo que me reporto a Súmula 2 a seguir transcrita: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A presunção de omissão de receitas também está calcada em texto legal, senão vejamos a Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, com as modificações introduzidas pela Lei 9.481, de 13 de agosto de 1997, art. 4º, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 44 9 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002).” O texto legal estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Com isso, basta à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram na contacorrente do contribuinte para que haja a presunção de omissão de receitas tributáveis. Assim, a Lei n° 9.430, de 1996, art 42, estabelece a presunção de que ocorreu o fato gerador, sempre que o contribuinte não conseguir comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária. Desse modo, havendo indícios de depósitos bancários não comprovados, cabe a autoridade fazendária intimar o sujeito passivo para que demonstre sua origem, sob pena de caracterização de omissão de receitas com o lançamento dos créditos tributários Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 45 10 Nesse sentido cito julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao proferir o acórdão nº 0105.312, de 21 de setembro de 2005: “OMISSÃO DE RECEITA – DEPÓSITO BANCÁRIO – LANÇAMENTO EM DEPÓSITO BANCÁRIO – PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO O lançamento por presunção de omissão de receitas com base em depósito bancário de origem não comprovada somente tem lugar a partir do anocalendário de 1997, por força do disposto no art. 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Assim como o questionamento anterior, essa matéria também encontrase sumulada por esse Conselho, senão vejamos: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Diante do exposto, voto no sentido de afastar a preliminar suscitada e no mérito NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
score : 1.0
Numero do processo: 10435.001469/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS.
Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2302-002.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 14 69 /2 00 9- 56 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.001469/200956 Acórdão n.º 2302002.696 S2C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal nº 37.227.2487, lavrado em 06/07/2009, em face de LOURIVAL JOSE DA SILVA ESPOLIO, no valor de R$ 771.742,59 (setecentos e setenta e um mil, setecentos e quarenta e dois reais e cinqüenta e nove centavos), referente às contribuições previdenciárias da parte patronal e SAT, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2006 a 12/2008. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 181 e seguintes, entretanto, a autuação foi mantida pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, às fls.294/304, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRÍAS. PROCEDIMENTO FISCAL. INTIMAÇÕES. REGULARIDADE. As intimações perpetradas pelo auditor autuante no desenvolvimento do procedimento fiscal foram efetuadas de forma regular. Qualquer prejuízo que porventura tenha suportado o autuado, deuse por culpa in eligendo ou irt vigilando, de responsabilidade exclusiva do mesmo. As Lei 9.784/1999 e 5.869/1973 aplicamse ao Processo Administrativo Fiscal apenas de forma subsidiária, enquanto o Regulamento do Estado da Paraíba sequer subsidiariamente se aplica ao caso concreto. RECOLHIMENTOS EFETUADOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. Constitui obrigação de quem alega fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do lançamento, proválos. CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. PRONUNCIAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de normas. MULTA APLICADA. LEGALIDADE. As penalidade aplicadas obedeceram à legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, respeitando a retroatividade benigna provocada pela posterior vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Impugnação Improcedente Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.001469/200956 Acórdão n.º 2302002.696 S2C3T2 Fl. 4 3 Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte interpôs, em 13/04/2011, Recurso Voluntário, sob exame, às fls. 309/345, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: a) A intimação da conclusão da fiscalização é nula, uma vez que foi realizada a pessoa que não detinha poderes para tal ato. b) Também nulo é o Auto de infração por ausência de requisitos essenciais para sua validade e constituição, qual seja, a indicação da fundamentação legal da autuação. c) Outra causa de nulidade do Auto de Infração é o cerceamento de defesa promovido em razão de não constar, na autuação, a alíquota e a base de cálculo utilizadas. d) O crédito está parcelado, nos termos da lei n° 11.941/2009. e) A Recorrente está sendo bitributada pelo mesmo fato gerador, visto que recolheu as contribuições previdenciárias no prazo. f) A cobrança do SAT é inconstitucional, por ferir o princípio da legalidade, uma vez que a lei 8.212/91 não trata dos conceitos básicos relativos ao fato gerador do tributo, e o princípio da isonomia, além de afrontar os arts. 154, I e 195, parágrafo 4º, da CF/88, que exige lei complementar para a instituição de contribuições para custeio da seguridade social. Ademais, o Poder Executivo não pode, por ato próprio, aumentar a sua alíquota. g) A multa é nula, em razão de terem sido aplicadas concomitantemente a multa de ofício (75%), as multas referente às CFL 67 e 68 e a multa de mora. h) A multa não observa os princípios da tipicidade, proporcionalidade e da razoabilidade. i) A penalidade imposta possui caráter confiscatório. j) É possível aos tribunais administrativos apreciar a inconstitucionalidade das normas. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade A ora Recorrente tomou ciência do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, no dia 03/03/2011, e apresentou seu Recurso Voluntário em 13/04/2011. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.001469/200956 Acórdão n.º 2302002.696 S2C3T2 Fl. 5 4 Todavia, o art. 33, da Lei 70.235/75, diz que o prazo para a apresentação do referido Recurso é de 30 dias, contados a partir da ciência da decisão pelo contribuinte, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Desta feita, se a ciência da decisão deuse em 03/03/2011, o fim do prazo para a apresentação do Recurso ocorreu em 02/04/2011. Sendo assim, se a ora Recorrente apresentou suas razões em época posterior à data supramencionada (13/04/2011), temos que o Recurso em referência se encontra intempestivo, tornando, portanto, incabível sua apreciação por este Conselho. Da Conclusão Ante ao exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, por ser este, intempestivo. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10850.904411/2012-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. ALEGAÇÃO GENÉRICA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Vooluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. ALEGAÇÃO GENÉRICA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Vooluntário Negado.
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FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. ALEGAÇÃO GENÉRICA. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 44 11 /2 01 2- 61 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 14 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Vooluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 14 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da DRJ/POR, referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/RPO, que assim relata: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato, em face do Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação do documento Declaração de Compensação e dos demais documentos associados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter compensado crédito. Em seu pedido, a contribuinte expressamente declara no campo próprio que "o crédito não tem como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2) não tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; 4) não tenha sido objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal". Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição, o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos autos (fl. 004) com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP, que emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, sob o fundamento de que os pagamentos localizados foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. 3 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 14 Cientificada do Despacho Decisório a contribuinte ingressou, com a manifestação de inconformidade e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Preliminarmente, reclama o recebimento do recurso, não obstante a intimação ter sido recebida eletronicamente e considerar tal via em desacordo com os fatos, emfunção das garantias constitucionais e legais que aponta, dentre elas o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, o art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430/1996, e o art. 35, do decreto70.235/1972. 2. Alega a nulidade do Despacho Decisório decorrente da insuficiência de fundamento, dado que não foi esclarecida a indisponibilidade de crédito tampouco houve intimação da empresa para esclarecer o porquê de ter considerado o recolhimento indevido ou a maior, e, em conseqüência, não teria sido efetivamente julgado o motivo da restituição. Cita o art. 37, da Constituição Federal, e os artigos 2º, inciso VIII, e 50, da Lei nº 9.784/1999. Afirma que o despacho eletrônico não teria passado pelo crivo de um auditor fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade de crédito. Entende que o indeferimento se deveu exclusivamente ao encontro de contas entre o débito recolhido por DARF e o crédito declarado em DCTF e que não teria sido investigadas as possíveis causas para restituição, sequer aquelas reconhecidas pela própria Receita Federal no art. 2º da IN nº 900/2008. Reforça a argüição de nulidade com fundamento no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972, pois a falta de explicação sobre os motivos da suposta indisponibilidade de crédito tornaria a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência do crédito. Traz decisão administrativa. 3. Alega também ter havido cerceamento do direito de defesa, citando o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, e doutrina. Fundamenta a alegação no fato de que a autoridade administrativa não teria analisado o mérito do pedido nem intimado a empresa para prestar esclarecimentos, nos termos do art. 65, da IN nº 900/2008, o que teria violado o direito à ampla defesa e o dever de eficiência dos atos administrativos. Expõe também que a autoridade administrativa quedouse omissa quanto aos fundamentos que formaram seu entendimento e que tal falta de motivação obstaria até mesmo a produção de provas necessárias, já que sequer seria sabido o que não foi reconhecido. 4. No mérito, afirma a legitimidade do crédito postulado. Esclarece que procedeu ao envio eletrônico do pedido de restituição/compensação, em atendimento ao disposto na IN RFB nº 900/2008, tendo utilizado para tanto o programa PER/DCOMP, e, no entanto, a análise da restituição/compensação se deu também por via eletrônica sem considerara causa do pedido, que teria sido a utilização da base 4 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 14 de cálculo ampliada para o cálculo da contribuição, com a inclusão tanto da receita decorrente de seu faturamento quanto das demais receitas que não deveriam compor aquela base de cálculo, de acordo com teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes. Portanto, o pedido formulado tem como base declaração de inconstitucionalidade já transitada em julgado, em consonância com o disposto na Lei nº 9.430/1996. 5. Clama pela produção posterior de provas, conforme regra autorizadora do art. 16, §4º, alínea a, a ser realizada no momento em que a lide esteja delineada nos seus termos, considerando que nem a autoridade administrativa nem a impugnante sabem ao certo o motivo do indeferimento, em virtude da omissão dos motivos do indeferimento pela autoridade administrativa e da falta de oportunidade para esclarecimentos por parte da empresa, conforme já defendido nos outros pontos da manifestação da contribuinte. Conclui requerendo o recebimento do recurso, em seus efeitos devolutivo e suspensivo, para seu julgamento, a declaração de nulidade do Despacho Decisório, a remessados autos à Delegacia de origem para que sejam promovidas as diligências necessárias à comprovação do crédito, o julgamento pela total procedência do recurso, caso não sejam reconhecidas as nulidades argüidas, com o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação, e a produção de todos os meios de prova admitidos em direito,em especial prova documental, bem como o direito de produzilas em momento posterior. É o relatório. Acordaram os membros da Turma de Julgamento da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, restando assim a ementa do referido julgado com o seguinte teor, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PROFUNDIDADE DA APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO. Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da compensação no limite do teor do pedido apresentado, não podendo ser caracterizado como falta de aprofundamento da análise a não apreciação de fundamento não registrado no corpo do pedido e trazido somente na contestação. INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO GENÉRICA. 5 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 14 Não pode prosperar a alegação genérica de que são inconstitucionais as normas aplicáveis ao caso concreto e/ou a menção a teses tributárias e jurisprudência não especificadas, por impossibilitar à instância julgadora identificar suficientemente os argumentos a serem apreciados. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada apresenta a contribuinte Recurso Voluntário, onde apresenta resumo dos fatos, e após, nas razões de direito, requer a nulidade do acórdão, por ausência de motivação e fundamentação, bem como pela falta das diligências necessárias à comprovação do crédito pela Delegacia de origem. Por fim, caso não sejam acolhidas as nulidades argüidas, requereu que seja reconhecido o direito creditório. É o relatório. 6 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 14 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, não se vislumbra razões para reforma do acórdão da DRJ de Ribeirão Preto (SP), conforme se verá a seguir. Em recurso voluntário a contribuinte requereu a nulidade do acórdão, por ausência de motivação e fundamentação do despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido tratou com perfeição o assunto. No tocante às preliminares de nulidade, não se vislumbra a sua ocorrência, conforme pretende a contribuinte, eis que o despacho decisório, além de se revestir dos requisitos e formalidades necessários à sua constituição, nos termos da legislação de regência da matéria, está adequadamente caracterizado e motivado, de modo a justificar a não aceitação do crédito alegado, como também, não se caracteriza cerceamento de defesa o fato de a Contribuinte não ter sido intimada a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, como será demonstrado. Com relação ao instituto da compensação cumpre transcrever o regramento emanado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 7 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 14 Nesses termos, a compensação deve ser implementada pelo sujeito passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações relativas aos créditos que seriam utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O PER/DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre a contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevêm a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. No caso concreto, a contribuinte declarou débitos de PIS, COFINS e IPI, e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior” . Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a integralmente utilizado, não havendo, portanto, o referido “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR” do tributo em exame. Assim, a análise declaração prestada pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito pretendido pela compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pela contribuinte. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que motivou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado, conforme consta do Despacho Decisório. Em suma, os motivos da não homologação da compensação pleiteada residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. Cabe observar ainda que o fato de o Contribuinte não ter sido previamente intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar prova sobre o alegado crédito indicado na Declaração de Compensação eletrônica ("DCOMP"), objeto do despacho decisório, não configura cerceamento de defesa. Isso porque o referido e fundamentado Despacho foi exarado por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil e dele foi a contribuinte regularmente cientificada, sendolhe possibilitada a apresentação, no prazo regulamentar de 30 dias a manifestação de inconformidade, tal como fez, contudo desacompanha de documentos comprobatórios do direito alegado. Acrescentase que, distintamente do que ocorria no regime de compensação por requerimento (art. 74 da Lei n° 9.430/96 em sua redação original), quando o contribuinte deveria apresentar prova do seu crédito quando da formalização do pedido de restituição ou compensação, já que compete ao requerente provar o seu direito, a partir da vigência da Instrução Normativa SRF n° 210/2002, dentro, portanto, do regime de compensação por via 8 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 14 declaratória (art. 74 da Lei n° 9.430/96 em sua nova redação), não é exigido que a prova documental do indébito acompanhe a Declaração de Compensação eletrônica ("DCOMP"). Ao contrário do que alega a impugnante, o art. 65 da IN n°900/08 faculta à autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação, que se condicione o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, quando houver necessidade de se comprovar a exatidão das informações prestadas, o que não ocorreu no presente caso. A Autoridade da RFB competente dispunha de todos os dados necessários, informados pelo próprio contribuinte, para decidir sobre o referido pedido de compensação, não caracterizando cerceamento de defesa a sua não intimação. Cabe observar ainda que o artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972 prescreve que "A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, sendo tal disciplina, afeta ao Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, aquela que rege o contencioso concernente à nãohomologação da compensação. Assim, temos que Despacho Decisório não homologatório de compensação não se confunde com lançamento ou revisão de lançamento, estando ligado ao instituto da compensação, enquanto a manifestação de inconformidade obedece ao mesmo rito processual que também submete a impugnação do lançamento, conforme comanda o art. 74, § 11, da Lei n° 9.430/96. Portanto, é a partir da não homologação da Declaração de Compensação que o contribuinte poderá opor resistência à pretensão, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, como ocorreu no presente caso. Não se vislumbra, assim, no Despacho Decisório recorrido qualquer ofensa ao princípio da ampla defesa, visto que ele foi plenamente observado pela Autoridade que o proferiu e exercitado pela Interessada, por meio da manifestação apresentada. Ademais, todos os elementos próprios devidos ao processo foram respeitados, em estreita obediência aos ditames da Lei n° 9.784/99 e do Decreto n° 70.235/72, não se observando, ainda, qualquer das situações de nulidade enumeradas no art. 59, do Decreto n° 70.235/1972. Sendo assim, é de se rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, pois não há qualquer razão para que seja considerado inválido o Despacho Decisório recorrido. Assim, consoante restou apreciado pela DRJ de Ribeirão Preto, verificase que em seus pedidos originais, a contribuinte informou, no campo próprio da PER/DCOMP, que a restituição pleiteada se fundava em “pagamento indevido ou a maior” e não há registro nesse documento que indique se tratar de pedido fundado em alegação de inconstitucionalidade de norma jurídica. Ao contrário do afirmado na manifestação de inconformidade e recursos voluntário, o campo referente à existência de fundamento de inconstitucionalidade, a seguir transcrito, está preenchido com informação negando se tratar dessa situação para os casos ali expressamente identificados: O CRÉDITO, perfeitamente identificado no presente documento eletrônico, TEM como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de 9 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 14 constitucionalidade; 2) não tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; 4) não tenha sido objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal? NÃO (grifouse) Deste modo, a contribuinte para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, acena com a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS alegando hipoteticamente e genericamente que haveriam afrontas a Constituição Federal, apesar de ter respondido “NÃO” ao questionamento da PER/DCOMP, consoante se verifica a fl. 02 do presente processo administrativo fiscal. Assim, temos que a contribuinte apresentou em Manifestação de Inconformidade pretensão de revisão do valor do débito confessado por ter utilizado equivocadamente a base de cálculo ampliada para o cálculo da contribuição, com a inclusão tanto da receita decorrente de seu faturamento quanto das demais receitas que não deveriam compor aquela base de cálculo, “de acordo com teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes”. Quanto a referida alegação de inconstitucionalidade, não vislumbro motivos para alterar os argumentos trazidos no voto da DRJ de origem, in verbis: “Em primeiro lugar, a alegação de inconstitucionalidade como fundamento para o pedido deve ser analisada considerando os termos em que o próprio pedido foi materializado. O fundamento apontado no momento do registro do pedido original pela requerente foi o “pagamento indevido ou a maior”, complementado pela informação de que não se trata de “alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2) não tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; 4) não tenha sido objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal”. Portanto, se no momento da impugnação é explicitado pela requerente tratarse de fundamento de inconstitucionalidade, esse só poderá ser considerado dentro do contorno estabelecido no pedido inicial, sob pena de se caracterizar inovação e, conseqüentemente, restar configurado novo pedido. Além do mais, para pedido a partir da vigência da MP nº 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que alterou a redação do art. 74, da Lei nº 9.430/1996, considerase não declarada a compensação cujo crédito tenha como fundamento alegação de inconstitucionalidade fora daquelas 10 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 14 hipóteses; portanto, a alegação de inconstitucionalidade só pode ser conhecida no regime de apreciação da manifestação de inconformidade dentro das hipóteses que não caracterizariam a compensação como não declarada. Nesses termos, há que se enquadrar o fundamento de inconstitucionalidade em uma das quatro hipóteses descritas nos parágrafos anteriores. No entanto, a precariedade da descrição do fundamento não permite sequer adentrar essa seara. A contribuinte limitase a mencionar genericamente “teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes”, sem sequer indicar uma decisão específica ou dispositivos legais objeto dessas teses, apenas se referindo a receitas que não deveriam compor a base de cálculo do tributo e a inconstitucionalidade na ampliação da base de cálculo declarada em ação já transitada em julgado. A fundamentação apresentada é tão genérica que a contribuinte sequer esclarece em seu instrumento quais seriam as parcelas indevidamente incluídas na base de cálculo ou se a contribuição seria aquela sujeita ao regime cumulativo ou ao regime nãocumulativo, apenas aponta o tipo de contribuição, o período de apuração e o valor pleiteado. Dentre outras não menos relevantes, também a omissão do regime de tributação é essencial, pois cada regime se encontra sujeito a arcabouço normativo distinto e, portanto, eventuais inconstitucionalidades seriam atribuídas a leis distintas, leis essas também não citadas na singela argumentação apresentada. Ora, a omissão, pela manifestante, da natureza das parcelas questionadas, dos dispositivos legais que estariam eivados de inconstitucionalidade, da explicitação da tese de inconstitucionalidade sustentada e das decisões de tribunais que tenham discutido a matéria impede a consideração dessa linha de argumentação por total impossibilidade de identificação da tese a ser debatida e dos elementos fáticos correspondentes. Logo, é improcedente a alegação genérica da contribuinte.” Salientase ainda que diante da alegação da contribuinte de inconstitucionalidade de lei tributária, necessária a aplicação ao presente caso do disposto na Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disto, deixou de fazer pronunciamento sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, por força do disposto na Súmula acima transcrita. 11 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 14 Ainda, cumpre registrar que a contribuinte não traz em momento algum aos autos qualquer documento/prova que dê sustentação a qualquer de suas alegações, tratando sempre de forma genérica. Ou seja, as conjecturas aventadas não são suficientes para comprovar a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, tal como expressamente referido no pedido de compensação (PER/DCOMP). O chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o sujeito passivo assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza nos termos do disposto no art.170 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Ao não trazer aos autos documentos que comprovem suas alegações, a contribuinte viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende dos artigos 15, caput, e 16, inciso III, do Decreto n° 70.235, de 1972, abaixo transcrito: "Art. 15 A impugnação, formalizada por escrito e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. " Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do Código de Processo Civil: 12 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 14 “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Necessário destacar que o presente Recurso Voluntário, tal qual a Manifestação de Inconformidade, vieram desacompanhados de qualquer documento comprobatório do direito alegado. Diante disto, resta devidamente demonstrado que competia à contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, conforme exigido no art. 170 do CTN. A comprovação do indébito é um requisito indispensável e cabe ao suposto credor fazêla. No entanto, a Manifestante não logrou tal comprovação. Assim, não vislumbrase nenhuma nulidade, não existindo violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, previsto no art. 5°, LV, da CF/88, devendo ser afastadas por completo a preliminares de nulidade do Acórdão recorrido. Deste modo, em conformidade com o art. 170 do CTN, bem como com ao art. 333, I, do CPC e também com os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72, verificase que as razões expostas no Recurso Voluntário da contribuinte não procedem. Quanto a alegação de inconstitucionalidade de lei tributária, aplicável ao caso concreto a Súmula 02 do CARF, não sendo o presente Conselho competente para análise de tal matéria. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 13 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 14 14 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721725/2012-87
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. PLR. DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. CONSEQUENCIAS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO E LEGISLAÇÃO. PREVALÊNCIA DA LEI.
A empresa insiste na anulação do Auto de Infração em razão de suposta existência de vício insanável de cerceamento de defesa. No ponto, improcedem as alegações em relação ao vício. No acórdão recorrido, depois de uma atenta leitura no Relatório Fiscal, ficou bem evidenciado o correto trabalho levado a efeito pela autoridade lançadora.
Vê-se, portanto, que na apuração do crédito tributário a autoridade administrativa observou adequadamente a legislação de regência, ou seja, o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei 8.212/91, bem como o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, situação que afasta o argumento de cerceamento de defesa.
Da análise dos autos, nota-se que a empresa pagou a PLR de forma distinta da prevista na Lei nº 10.101/2000. Tal fato resta incontroverso quando observado o pagamento mensal da referida verba. Ou seja, a empresa descumpriu a lei especifica e essa situação não pode ser contemplada pela fiscalização. Assim sendo, correto o lançamento e seus consectários legais em relação à Participação nos Lucros ou Resultados.
O argumento de que a Convenção Coletiva da Categoria prevê o benefício (intervalo suprimido), sem que isso resultasse em tributação, não pode prosperar. O convencionado pelos particulares não pode prevalecer sobre situação plenamente legislada, sob pena de se tornar inócuo o trabalho dos representantes do povo nas casas legislativas, in casu, o Congresso Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.116
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. PLR. DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. CONSEQUENCIAS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO E LEGISLAÇÃO. PREVALÊNCIA DA LEI. A empresa insiste na anulação do Auto de Infração em razão de suposta existência de vício insanável de cerceamento de defesa. No ponto, improcedem as alegações em relação ao vício. No acórdão recorrido, depois de uma atenta leitura no Relatório Fiscal, ficou bem evidenciado o correto trabalho levado a efeito pela autoridade lançadora. Vê-se, portanto, que na apuração do crédito tributário a autoridade administrativa observou adequadamente a legislação de regência, ou seja, o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei 8.212/91, bem como o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, situação que afasta o argumento de cerceamento de defesa. Da análise dos autos, nota-se que a empresa pagou a PLR de forma distinta da prevista na Lei nº 10.101/2000. Tal fato resta incontroverso quando observado o pagamento mensal da referida verba. Ou seja, a empresa descumpriu a lei especifica e essa situação não pode ser contemplada pela fiscalização. Assim sendo, correto o lançamento e seus consectários legais em relação à Participação nos Lucros ou Resultados. O argumento de que a Convenção Coletiva da Categoria prevê o benefício (intervalo suprimido), sem que isso resultasse em tributação, não pode prosperar. O convencionado pelos particulares não pode prevalecer sobre situação plenamente legislada, sob pena de se tornar inócuo o trabalho dos representantes do povo nas casas legislativas, in casu, o Congresso Nacional. Recurso Voluntário Negado
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. PLR. DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. CONSEQUENCIAS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO E LEGISLAÇÃO. PREVALÊNCIA DA LEI. 1. A empresa insiste na anulação do Auto de Infração em razão de suposta existência de vício insanável de cerceamento de defesa. No ponto, improcedem as alegações em relação ao vício. No acórdão recorrido, depois de uma atenta leitura no Relatório Fiscal, ficou bem evidenciado o correto trabalho levado a efeito pela autoridade lançadora. 2. Vêse, portanto, que na apuração do crédito tributário a autoridade administrativa observou adequadamente a legislação de regência, ou seja, o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei 8.212/91, bem como o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, situação que afasta o argumento de cerceamento de defesa. 3. Da análise dos autos, notase que a empresa pagou a PLR de forma distinta da prevista na Lei nº 10.101/2000. Tal fato resta incontroverso quando observado o pagamento mensal da referida verba. Ou seja, a empresa descumpriu a lei especifica e essa situação não pode ser contemplada pela fiscalização. Assim sendo, correto o lançamento e seus consectários legais em relação à Participação nos Lucros ou Resultados. 4. O argumento de que a Convenção Coletiva da Categoria prevê o benefício (intervalo suprimido), sem que isso resultasse em tributação, não pode prosperar. O convencionado pelos particulares não pode prevalecer sobre situação plenamente legislada, sob pena de se tornar inócuo o trabalho dos representantes do povo nas casas legislativas, in casu, o Congresso Nacional. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 17 25 /2 01 2- 87 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721725/201287 Acórdão n.º 2803003.116 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721725/201287 Acórdão n.º 2803003.116 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições devidas a Seguridade Social, correspondente à parte descontada das remunerações pagas a segurados empregados, apuradas nas filhas de pagamento, bem como as parcelas incidentes sobre as rubricas “Participação nos Lucros” e “Indenização Pecuniária” e dos contribuintes individuais, nas competências 01/2008 a 12/2008. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 14 de maio de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa paga em desacordo com a lei 10.101/2000 integra o saláriode contribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária, na inteligência do art. 28, § 9º, alínea “j” da lei nº 8.212/91. INTERVALO INTRAJORNADA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. São passíveis de tributação, dada a sua natureza remuneratória, as horas pagas pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso intrajornada. CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS. As convenções entre particulares, que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Em 05 de dezembro de 2012, foi concluída ação fiscal na empresa impugnante, segundo o TEAF. Da referida ação resultou o AI 37.390.8458, referente à contribuição social da parte do segurado incidentes sobre o pagamento referentes a Participação nos Lucros e Resultados e Indenização Pecuniária, bem como contribuições relativas aos contribuintes individuais. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721725/201287 Acórdão n.º 2803003.116 S2TE03 Fl. 5 4 Por entender que o débito em questão está maculado por vícios de legalidade e forma que clamam por suas correções, a Empresa vem expor as suas razões de recurso. Inexiste fato gerador de contribuições sociais relativas à participação nos lucros e resultados da empresa. a fiscalização aponta esta razão para caracterização da distribuição dos lucros como salário de contribuição: pagamentos com periodicidade inferior a seis meses. Somente por argumentação, caso se considere que a periodicidade maculou os objetivos da Lei, este efeito só se daria para as parcelas que ultrapassassem o previsto na mesma, ou seja, para 2 (duas) parcelas a Lei teria alcançado seus objetivos. Inexiste fato gerador de contribuições sociais relativamente á indenização pecuniária. A rubrica em questão é paga em função do intervalo alimentar suprimido em parte, tendo caráter indenizatório, estando determinada pela Convenção Coletiva da Classe – Parágrafo Primeiro da Cláusula Terceira. Inexiste diferenças de contribuições (não recolhidas), incidentes sobre a folha de pagamento. O débito lançado encontrase completamente parcelado, com sua exigibilidade suspensa, devendo o auto de infração nº 37.390.8458, ora em lide serem declarados improcedentes. A ilustre Relatora afirma que os débitos em questão também foram inseridos nos lançamentos 40.425.3962 e 40.425.3954, no que está correta, mas não são esses lançamentos que foram parcelados na Lei nº 11.941/2009 e sim as competências originais, de forma que o débito em questão se encontra 3 (três) vezes lançados. Ressaltese que nem a Relatora do processo ora em lide, nem o Auditor Fiscal Notificante se preocuparam em analisar as alegações da Empresa, verificando o rol de débitos parcelados no âmbito da Lei nº 11.941/2009. E mais, os débitos 40.425.3962 e 40.425.3954, que comprovadamente foram lançados em duplicidade (item 11 do Acórdão discutido), se encontram inscritos com execução fiscal (CDA com mesmo nº), com embargos em execução. Por todo o exposto, requer que se digne a declarar a improcedência do Processo Administrativo Fiscal nº 10073.721725/201287, bem como dos Autos de Infração nº 37.390.8431 e AI nº 37.390.8458. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721725/201287 Acórdão n.º 2803003.116 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em seu recurso a empresa insiste na anulação do Auto de Infração em razão de suposta existência de vício insanável de cerceamento de defesa. No ponto, improcedem as alegações em relação ao vício. No acórdão recorrido, depois de uma atenta leitura no Relatório Fiscal, ficou bem evidenciado o correto trabalho levado a efeito pela autoridade lançadora. Vêse, portanto, que na apuração do crédito tributário a autoridade administrativa observou adequadamente a legislação de regência, ou seja, o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei 8.212/91, bem como o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, situação que afasta o argumento de cerceamento de defesa. No que diz respeito à participação de lucros ou resultados, observase que o contribuinte não conseguiu se enquadrar nas disposições contidas na alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, afastando a tributação. Da análise dos autos, notase que a empresa pagou a PLR de forma distinta da prevista na Lei nº 10.101/2000. Tal fato resta incontroverso quando observado o pagamento mensal da referida verba. Ou seja, a empresa descumpriu a lei especifica e essa situação não pode ser contemplada pela fiscalização. Assim sendo, correto o lançamento e seus consectários legais em relação à Participação nos Lucros ou Resultados. De outra parte, sem razão o contribuinte em relação ao lançamento incidente sobre os valores pagos a título de indenização pecuniária (intervalo suprimido). O argumento de que a Convenção Coletiva da Categoria prevê o benefício (intervalo suprimido), sem que isso resultasse em tributação, não pode prosperar. O convencionado pelos particulares não pode prevalecer sobre situação plenamente legislada, sob pena de se tornar inócuo o trabalho dos representantes do povo nas casas legislativas, in casu, o Congresso Nacional. Nesse sentido, e com a devida vênia, transcrevo importantes trechos da decisão recorrida, in verbis: 21. Assim, entendo que as horas pagas com esteio no art. 71, § 4º, da CLT, integram o saláriodecontribuição posto que se subsumem integralmente ao disposto no “caput” do art. 28 da Lei nº 8.212/91, não havendo qualquer previsão no § 9º do mesmo artigo que pudesse excluir estes pagamentos do campo de incidência das contribuições Fl. 478DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721725/201287 Acórdão n.º 2803003.116 S2TE03 Fl. 7 6 previdenciárias, mesmo havendo previsão quanto à matéria em ajuste coletivo de trabalho. 22. É oportuno mencionar que a exclusão de verbas pagas aos empregados da base de cálculo das contribuições previdenciárias é matéria reservada ao ente tributante, neste sentido, somente a lei e a legislação previdenciária que lhe regulamenta têm o condão de afastar da incidência tributária de qualquer rubrica constante em folha de pagamento, não sendo cabível o entendimento da impugnante de que acordo ou convenção coletiva de trabalho seriam instrumentos hábeis a determinar se uma parcela integra ou não o saláriodecontribuição. A alegada improcedência do lançamento, em virtude da opção pelo parcelamento da Lei nº 11.941/2209, também não merece acolhida. Sobre tal assunto, as explicações contidas a partir do item 22 da decisão recorrida não deixam qualquer dúvida do correto procedimento levado a efeito pela autoridade lançadora. A confusão, como se pode observar, partiu da apresentação de GFIP retificadoras após o início da ação fiscal, sendo que, após consulta ao sistema GFIP WEB, constatouse que para cada competência em discussão, o contribuinte apresentou, em média, 40 GFIP retificadoras. A retificação das GFIP após o início da ação fiscal não dá ensejo ao instituto da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. A existência de duplicidade de valores lançados, como se vê, ocorreu por exclusiva responsabilidade do contribuinte. A correção, não caberá aos órgãos julgadores de primeira e segunda instância, devendo o contribuinte seguir as orientações contidas no item 24 do acórdão recorrido, considerando que a competência para promover os devidos acertos é da Delegacia da Receita Federal do Brasil. Destarte, não há que se falar em cerceamento de defesa, bem como em improcedência do lançamento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721725/201287 Acórdão n.º 2803003.116 S2TE03 Fl. 8 7 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.003338/2005-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3101-000.237
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o
julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-05-06T23:07:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 6; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-11-21T14:41:41Z; Last-Modified: 2020-05-06T23:07:55Z; dcterms:modified: 2020-05-06T23:07:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:12514c68-ce68-4929-9512-300ee2442cef; Last-Save-Date: 2020-05-06T23:07:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2020-05-06T23:07:55Z; meta:save-date: 2020-05-06T23:07:55Z; pdf:encrypted: false; modified: 2020-05-06T23:07:55Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-11-21T14:41:41Z; created: 2012-11-21T14:41:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2012-11-21T14:41:41Z; pdf:charsPerPage: 1232; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-11-21T14:41:41Z | Conteúdo => Tardsio Campe o — Presidente Substituto Luiz Roberto Domingo - Relator S3-C1T1 Fl. 860 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19515.003338/2005-64 Recurso n° 887.783 Voluntário Resolução n° 3101-000.237 — P Camara / P Turma Ordinária Data 25 de abril de 2012 Assunto Diligência Recorrente SCARLAT COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem. Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Garcia de Los Rios (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Tardsio Campelo Borge (Presidente Substituto). Relatório Trata-se de lançamento de crédito tributário de diferenças apuradas de PIS c COFINS entre os valores declarados e os valores escriturados pela Recorrente, referente aos períodos de 2002 a 2004, do qual se insurgiu a Contribuinte alegando, preliminarmente, a nulidade do auto de Infração, e no mérito, as inconsistências apuradas foram sanadas pelo pagamento ou são indevidas. Processo n° 19515.003338/2005-64 S3-C I T I Resolucdo n.° 3101-000.237 11. 861 Sob julgamento da DRJ São Paulo foi mantido o lançamento corn base nos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 LIMITES DO LITÍGIO. Não compõem a matéria controversa os créditos tributários extintos mediante pagamento e que não tenham sido, expressamente, contestados. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. DIFERENÇA ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS/PAGOS. Constatada a falta de recolhimento de contribuição apurada pela fiscalização com base na contabilidade e documentos elaborados pelo sujeito passivo, porém, não declarada/paga antes do inicio do procedimento fiscal, legitimo é o lançamento de oficio. DCTF/DCOMP. ENTREGA. CURSO DA AÇÃO FISCAL. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF e/ou de Declaração de Compensação - DCOMP que tiver por objeto a confissão de débitos relativos a contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica já tenha sido intimada do inicio de procedimento fiscal não tern o condão de impedir o lançamento fiscal e de eximir o sujeito passivo da multa de oficio pertinente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PAGAMENTO POSTERIOR. O pagamento realizado pelo sujeito passivo, após a ciência do auto de infração, não repercute na procedência do lançamento formalizado de oficio, devendo apenas ser considerado para fins de extinção da parcela do crédito tributário a ele correspondente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 LIMITES DO LITÍGIO. Não compõem a matéria controversa os créditos tributários extintos mediante pagamento e que não tenham sido, expressamente, contestados. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. DIFERENÇA ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS/PAGOS. Constatada a falta de recolhimento de contribuição apurada pela fiscalização com base na contabilidade e documentos elaborados pelo sujeito passivo, porém, não declarada/paga antes do inicio do procedimento fiscal, legitimo é o lançamento de oficio. 2 Processo n" 19515.003338/2005-64 S3-C IT I Reso1uc5o n.° 3101-000.237 Pl. 862 DCTF/DCOMP. ENTREGA. CURSO DA AÇÃO FISCAL. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF e/ou de Declaração de Compensação - DCOMP que tiver por objeto a confissão de débitos relativos a contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica já tenha sido intimada do inicio de procedimento fiscal não tem o condão de impedir o lançamento fiscal e de eximir o sujeito passivo da "India de oficio pertinente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PAGAMENTO POSTERIOR. 0 pagamento realizado pelo sujeito passivo, após a ciência do auto de infração, não repercute na procedência do lançamento formalizado de oficio, devendo apenas ser considerado para fins de extinção da parcela do crédito tributário a ele correspondente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto n° 70.235/1972. INICIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE PROVA. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. Não trazendo aos autos nada mais que meras alegações e documentos que não as sustentam, manténi-se o lançamento efetuado. Lançainento Procedente Inconformada, foi apresentado Recurso Voluntário requerendo a reforma do Acórdão, sob os seguintes fundamentos: (i) preliminar de nulidade do Auto de Infração por falta de demonstração dos critérios utilizados para apuração do tributo; (ii) o pagamento dos débitos referentes ao ano-base de 2003; (iii) apuração incorreta das contas contábeis da Recorrente para apuração do tributo; e, (iv) a demonstração mediante documentos fiscais c contábeis do recolhimento dos valores devidos à titulo de PIS e COFINS de 2003 e 2004. É o relatório. 3 Processo n° 19515.003338/2005-64 S3-C ITI Resolução n.° 3101-000.237 11. 863 Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo, por atender aos requisitos regulamentares de admissão e por conter matéria de competência deste Conselho. A questão sob discussão refere-se à desconexão entre os fatos jurídicos objeto do lançamento e os levantamentos contábeis realizados pela Recorrente, bem como as retificações de suas declarações e compensações que comprovariam a extinção dos débitos exigidos. Em que pese a documentação e argumentos trazidos pela Recorrente em sua Impugnação, a DRJ julgou improcedente sua impugnação, em síntese, pelo fato das DCTFs e DCOMP efetuadas pela Recorrente terem sido transmitidas após o inicio do Mandado de Procedimento Fiscal que ensejou a lavratura do Auto de Infração. 0 PIS e a COFINS são espécie de tributo sujeito ao lançamento por homologação, e portanto, jungido às regras previstas no art. 150, §§ 1° a 4° do CTN, segundo as quais, compreende como atividade do Contribuinte de apurar o montante do tributo devido e efetuar o recolhimento antecipado, ficando o crédito extinto sob condição resolutória de ulterior homologação. Para estes casos, o crédito tributário propriamente dito constitui-se com a formalização da obrigação tributária mediante a apuração e entrega pelo sujeito passivo, da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais — DCTF, cujo efeito é a confissão de divida feita pelo Contribuinte, conforme §1° do artigo 5° do Decreto-Lei n°2.124/84. Embora a entrega da DCTF constitua confissão de divida, a legislação na época da retificação permitia que tais valores fossem retificados pelo próprio Contribuinte, sendo que, ambas as declarações — retificadora e original - possuíam a mesma natureza de constituir o crédito tributário, podendo ser retificada a qualquer momento independentemente de autorização, conforme §1° do artigo 10 da IN RFB n°482/2004: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. 5S' I° A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. sS' 2 0 Não semi aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I - cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Divida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II - cujos valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos as informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados 4 Processo n° 19515.003338/2005-64 S3-C IT I Resolução n.° 3101-000.237 11. 864 Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Divida Ativa du União; ou III - em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do inicio de procedimento fiscal. § 3 0 A retificação de valores informados na DCTF, que resulte ent alteração do montante do débito já inscrito em Divida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4° A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. ,sç' 5 0 Verificando-se a existência de imposto de renda postergado, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período ent que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. ,sç' 6° A retificação da DCTF não será admitida com o objetivo de alterar a periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Veja que, no momento da retificação dos valores declarados na DCTF original, a única hipótese em que a retificação não poderia ser emitida, e no caso dos débitos já terem sido remetidos à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, o que não é o caso. No presente caso, não havia nenhuma norma que impossibilitava a Recorrente de retificar as DCTFs ou pagar o tributo devido. 0 fato de já ter iniciado a Fiscalização com a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal não exclui o direito A. retificação da DCTF e pagamento do valor que a Recorrente apurar ter sido declarado equivocadamente. Para tanto, o Auto de Infração não pode desconstituir todas as retificações e pagamentos realizados pela Recorrente durante o procedimento fiscal. 0 Auto de Infração é ato administrativo que se reporta à data de sua lavratura, e não à época do inicio do procedimento fiscal. Todas as exclusões e pagamentos/compensações efetuados pela Recorrente deveriam ter sido consideradas pelo agente fiscal no momento da lavratura do Auto de Infração, para que fosse verificado realmente se existe saldo remanescente a recolher a titulo de PIS e COFINS. Assim, considerando que a planilha que instruiu o Auto de Infração não esta lastreada pela comprovação do fato, torna-se impossível confirmar a exigência. Diante do exposto, CONVERTO os autos em diligência à repartição de origem para que faça o confronto entre a planilha apresentada pela Recorrente, considerando as retificações de DCTF apresentadas (fls. 487/510), as DCOMP transmitidas (fls. 512/559), as guias de recolhimento - DARFs, as receitas bruta decorrente de faturamento com as exclusões legais cabíveis, ou seja, tudo que se fizer necessário com os documentos constantes dos autos juntados pela fiscalização originária e os trazidos. (2, 5 Luiz Robert o Ingo /7/ • Processo n° 19515.003338/2005-64 S3-C IT I Resoluçao n.° 3101-000.237 Fl. 865 Demonstrar a fiscalização a apuração da base de cálculo a partir da receita de faturamento e as exclusões legais, os créditos considerados, os créditos glosados, e a demonstração da não cumulativ ade o IS e da COFINS, bem como qual a dedução dada para as compensav -es solicitas as pet R;corrente em 2005. 6
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Numero do processo: 10882.910019/2011-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação.
Numero da decisão: 3803-005.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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CNPJ 92.660.604/000182) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 19 /2 01 1- 01 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido em 29 de julho de 2005, através do qual Yara Brasil Fertilizantes S.A., sucessora da Benspar S.A., busca restituição de crédito de COFINS, relativo ao período de apuração janeiro de 2004, no valor de R$ 588,84. O pagamento foi identificado mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do despacho decisório emitido em 2 de dezembro de 2011, que indeferiu o pedido de restituição. A ciência do indeferimento ocorreu mediante AR em 21 de dezembro de 2011. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestivamente, alegando que ocorreu homologação tácita do pedido de restituição, pois se passaram 5 anos desde a apresentação do PER até a emissão do Despacho Decisório. O interessado fundamentou sua defesa no § 5º do art. 74 da Lei nº 9430/1996, assim como nos arts. 150 e 174 do Código Tributário Nacional e no art. 37 da Instrução Normativa RFB Nº 900/08. Ao final requer que se reconheça a homologação tácita dos créditos tributários relativos ao PER constante do despacho decisório e que se determine o imediato pagamento da restituição postulada e a posterior baixa do processo. A 2ª Turma da DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, afirmando que, diferentemente do que ocorre na declaração de compensação, é impossível a homologação tácita nos pedidos de ressarcimento ou restituição, por falta de previsão legal. Ainda afirmou que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, que, de acordo com o art. 170 do CTN, são essenciais para que seja efetivada a restituição pela Fazenda Nacional. Irresignado, o contribuinte protocolou Recurso Voluntário, onde defende que a homologação tácita é instituto atrelado a segurança jurídica, sob pena de estarse outorgando à Fazenda o direito de reter pedidos de restituição indeterminadamente. Tomando por base os arts. 173 e 174 do CTN, sustenta que o prazo de 5 anos transcorre tanto para o contribuinte, como para o fisco e que não se pode ignorar a garantia constitucional de que todos são iguais perante a lei. Afirma que o § 4º do art. 150 do CTN dispõe que, quando a lei não fixar prazo para homologação, será ele de 5 anos. Nesse caso, quando o contribuinte declara ser titular de crédito, o fisco teria 5 anos para se manifestar sobre esse crédito, sob pena de decadência para a glosa eventualmente cabível. Ao final requer que se proveja o recurso para, reformandose a decisão recorrida, reconhecerse a homologação tácita dos créditos tributários relativos ao PER constante do despacho decisório, e que se determine o imediato pagamento da restituição postulada e a posterior baixa do processo. É o Relatório. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910019/201101 Acórdão n.º 3803005.401 S3TE03 Fl. 11 3 Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Fato incontroverso é a emissão do despacho decisório após 5 anos da data do protocolo de transmissão do Pedido Eletrônico de Restituição, o litígio reside na caracterização, ou não, deste fato como homologação tácita. O instituto da compensação encontrase previsto no art. 170 do CTN. No âmbito administrativo, a Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008 disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após a entrega da Declaração de Compensação (PER/DCOMP), a Secretaria da Receita Federal deverá analisar o pedido de compensação num prazo máximo de 5 (cinco anos), contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Este é o texto do § 2º do artigo 37 da Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008, in verbis: “§ 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação.” Como visto, a homologação tácita da compensação se dá após decorrido o prazo de cinco anos contados da data de transmissão do PER/DCOMP. A Fazenda afirma que, diferentemente da declaração de compensação,o pedido de restituição à Receita Federal não é satisfeito desde logo. Isso por que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório, enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento. Ainda afirma que não há previsão legal para homologação tácita de pedido de ressarcimento, pois o § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96 apenas se refere às declarações de compensação. A pretensão do contribuinte, de que deva haver um prazo para que a fazenda se manifeste sobre pedidos de restituição, é razoável. Inclusive em concordância com princípio constitucional da razoabilidade expressa no art. 5º da Constituição Federal, citase: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Entretanto, a legislação é carente de uma norma que estabeleça período específico para que a Fazenda Nacional se posicione a respeito de pedidos de restituição ou ressarcimento e o CARF, em virtude de seu regimento, observa a estrita legalidade. Com efeito, a decisão da DRJ/POA não merece reparos. No caso, pedido de restituição formulado à Receita Federal não se submete ao prazo de homologação tácita de cinco anos, previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96, aplicado expressamente aos pedidos de compensação. Vejamos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (grifamos) Ocorre que não há previsão legal estabelecendo prazo para homologar pedidos de Restituição, e a norma acima colacionada não se aplica ao caso. Tal entendimento é o adotado pela jurisprudência da 1ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 130200285 do Processo 108800354929962. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ.ANOCALENDÁRIO: 1998PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR E FALTA DE COMPROVAÇÃO, INDEFERIMENTO. NÃO TENDO A CONTRIBUINTE APURADO SALDO CREDOR DE IRPJ, NEM COMPROVADO O IRRF, NEM O OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES, CORRETA O INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, QUE JÁ DEVERIA ESTAR INSTRUIDO COM OS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, COMPENSAÇÃO. A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA ADMITE A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E NÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NO CASO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE JUNTAMENTE COM O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO NÃO ESPECIFICAR OS DÉBITOS A SEREM COMPENSADOS, NÃO HÁ DE SE FALAR EM HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO RECONHECER A HOMOLOGAÇÃO TÁTICA E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO Fl. 47DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910019/201101 Acórdão n.º 3803005.401 S3TE03 Fl. 12 5 AO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. (G.N.) Ante a falta de guarida legal que determine a homologação tácita a pedidos de restituição, não cabe ao julgador criar normas ou interpretálas de forma a beneficiar o contribuinte ou a Fazenda quando a própria Lei não autoriza. Observase, também, que em manifestação de inconformidade, assim como em sede de recurso voluntário, o contribuinte se eximiu do direito de se pronunciar quanto ao mérito, assim como não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido. Não há como avaliar o mérito da lide uma vez que o contribuinte abriu mão de defenderse quanto ao mérito. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, tendo em vista que em relação ao Pedido de Restituição não existe previsão legal que discipline a ocorrência de homologação tácita, sendo inaplicável, ao caso, a aplicação da regra de homologação tácita dos pedidos de compensação, porquanto, são de naturezas distintas e portanto não se confundem. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 48DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10218.720193/2007-10
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA
Não houve declaração tampouco glosa de área de utilização limitada/reserva legal, a teor da Notificação de Lançamento do ITR para o exercício de 2003. Recurso que foge ao objeto do presente lançamento. Incabível discussão da matéria.
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE.
A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra.
ALÍQUOTAS DO ITR. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Alíquota aplicada conforme a Lei nº 9.393/1996. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996).
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2801-003.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA Não houve declaração tampouco glosa de área de utilização limitada/reserva legal, a teor da Notificação de Lançamento do ITR para o exercício de 2003. Recurso que foge ao objeto do presente lançamento. Incabível discussão da matéria. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. ALÍQUOTAS DO ITR. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 01 93 /2 00 7- 10 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720193/200710 Acórdão n.º 2801003.441 S2TE01 Fl. 95 2 Alíquota aplicada conforme a Lei nº 9.393/1996. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Contra o contribuinte interessado foi lavrada, em 08/10/2007, a Notificação de Lançamento nº 02103/00160/2007 de fls. 02/05, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 11.316,22, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR suplementar, do exercício de 2003, acrescido de multa de ofício (75,0%) no valor de R$ 8.487,16 e mais juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Porto Real”, cadastrado na RFB sob o nº 6.702.3657, com área declarada de 1.669,8 ha, localizado no Município de São Félix do Xingu/PA. A ação fiscal foi iniciada com o Termo de Intimação Fiscal constante das fls. 10 e 11, com Aviso de Recebimento datado de 01/08/2007, considerando que a declaração apresentada para o referido imóvel rural incidiu em parâmetros de Malha Fiscal, conforme fl. 13, apontando “quando o imóvel, cujo VTN declarado pelo contribuinte, confrontado com o Fl. 95DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720193/200710 Acórdão n.º 2801003.441 S2TE01 Fl. 96 3 menor valor das aptidões agrícolas informado no Sistema de Preços de Terra – SIPT para o município em questão, esteja abaixo do limite mínimo definido”. O contribuinte apresentou “pedidos de prorrogação” (fls. 27 e 31), demonstrando ter recebido a intimação fiscal, que foi despachado pelo Auditor Fiscal, concedendose prorrogação do prazo para atendimento das exigências feitas no Termo. Em 28 de setembro de 2007, o contribuinte, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, informou, em suma, que: a) não teve como apresentar o Laudo de avaliação do imóvel, conforme solicitado, uma vez que só existiam dois profissionais qualificados para tal no Município e que não conseguiram concluir os trabalhos até a data estipulada; b) não conseguiu regularizar a área que ocupava e da qual detinha apenas a posse, após apresentar as DITR de 2003 e 2004, pois não foi possível protocolar documentos junto aos órgãos de controle estadual e federal (Iterpa/Sema e Ibama) c) perdera a posse do imóvel em questão em 19 de abril de 2007, considerando Decreto federal que homologou a demarcação definitiva de terras indígenas na região; d) a partir do momento em que os índios tomaram conhecimento do Decreto, “anteciparam as desapropriações” e não foi mais possível que profissionais executassem serviços de campo na região; e) requer que sejam desconsideradas as informações contidas no Termo de Intimação uma vez que o imóvel não mais lhe pertencia, à época, e que, na situação, seria impossível cumprir o ali disposto. O Auditor Fiscal relatou que “expirado o prazo e não tendo sido apresentada a documentação solicitada”, procedeu á emissão da Notificação de Lançamento. Assim, o contribuinte apresentou Impugnação, conhecida pela DRJ, em 1ª Instância, que relatou sobre a mesma: “Cientificado do lançamento em 19/10/2007 (fls. 04/05), o contribuinte postou em 20/11/2007 (fls. 44) a impugnação de fls. 31/32, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 33/42, alegando, em síntese: (grifos originais) não pôde apresentar o laudo de avaliação no prazo prorrogado, pois o único profissional habilitado no município não conseguiu concluir os trabalhos a tempo; o direito de posse de toda a área do imóvel, informada na DITR/2003 e 2004, não mais lhe pertence, depois de esgotados todos os meios possíveis de sua regularização, pois estava prestes a ser declarada área de reserva Fl. 96DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720193/200710 Acórdão n.º 2801003.441 S2TE01 Fl. 97 4 indígena, o que ocorreu em 19/04/2007, a partir de quando os próprios índios anteciparam as desapropriações. Ao final, requer seja desconsiderada a cobrança dos respectivos impostos suplementares, visto que, dadas as circunstâncias, os valores pagos de ITR nesses exercícios refletiam a realidade dos preços praticados na região, ou, então, que seja feita avaliação in loco pela RFB, pois os valores arbitrados não condizem com a realidade local. Desta feita, após tecer considerações sobre a questão da posse à época do fato gerador, que conferiu a condição de contribuinte do imposto; sobre o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, tendo como base o menor VTN/há, por aptidão agrícola, para o exercício de 2003, para o Município de São Feliz do Xingu/PA (R$ 80,00/há); sobre a não apresentação do Laudo de avaliação do imóvel com base na NBR 14.6533, da ABNT, e sobre a improcedência perícia aventada, o julgamento a quo deuse para: “considerar improcedente a impugnação referente ao lançamento constituído pela notificação/anexos de fls. 01/03, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Cientificado do Acórdão de 1ª instância em 25/10/2011, (fl. 66), apresentou recurso voluntário em 23/11/2011 (fl. 67), onde, considerando a confusão feita pelo recorrente em relação a dois lançamentos com objetos distintos, para os exercícios de 2003 e 2004, depreendemos que manifesta sua inconformidade em relação ao lançamento e decisão de 1ª instância, no seguinte sentido: área de reserva legal foi glosada em sua totalidade e, considerando que por força das alterações provocadas pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, não há previsão legal para a exigência de Ato Declaratório Ambiental (ADA) para a exclusão do ITR sobre as áreas declaradas como de Utilização Limitada, são indevidos o imposto suplementar, a multa de ofício e os juros de mora exigidos na Notificação de Lançamento; como “preliminar”, requer que, a partir de decisões judiciais que colaciona, que tratam da exigência do ADA para a exclusão das áreas de preservação permanente e utilização limitada de cálculo do imposto, seja “anulado o lançamento determinandose o cancelamento da Notificação de Lançamento...isso porque restou inobservada a vinculação do ato administrativo” à Lei; a utilização do valor arbitrado, de R$ 80,00 por hectare, é absurda e não pode prosperar, pois suplanta em muito o valor médio da região, para aquela data, em 1º de janeiro de 2003, mostrandose incompatível com a realidade a alíquota aplicada de 8,6% para a obtenção do tributo devido é claramente confiscatória, “ferindo de morte” o princípio constitucional do não confisco. Discorre sobre o choque entre as alíquotas estabelecidas pela Lei nº 9.393/1996 e o artigo 150, inciso IV da Constituição Federal; “no mérito”, então, trata sobre o VTN declarado, aludindo que no município em questão são inúmeros os tipos de terra e formações agrícolas, e, a partir de pesquisas feitas na internet (anexas), observa que em 2004, o “preço mínimo” por hectare era de R$ 67,55, em Fl. 97DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720193/200710 Acórdão n.º 2801003.441 S2TE01 Fl. 98 5 2005 de R$ 76,35 e em 2006 de R$ 81,71, somente ultrapassando R$ 100,00 com a publicação de Decreto Municipal, em 2007. Assim, pressupõe que o valor do VTN/há para 2003 não poderia ser maior que o valor estipulado para 2004. Desta feita, conclui que não há como persistir o lançamento que considerou o valor de R$ 80,00 por hectare para a área em questão, que está localizada a 107 Km da sede do município; conclui que com a “desapropriação” do imóvel rural, em 2007, do qual detinha apenas a “posse mansa e pacífica”, viuse desamparado legalmente, perdendo seus direitos de receber qualquer indenização do governo federal, e, não possuindo nenhum outro tipo de imóvel, seja urbano ou rural, élhe injusta a imposição do pagamento de “valores astronômicos” a título de ITR. assim, requer que seja julgado procedente o presente recurso, para declarar a nulidade do lançamento contido na Notificação de Lançamento, em face das irregularidades apontadas. Requer ainda que seja acatado o pedido de adequação de alíquota inferior ao estabelecido na Notificação de Lançamento, cobrandose apenas o valor sobre a área tributável e também que sejam excluídos os valores de multa e juros Selic. Submetido o recurso à apreciação desta Turma Especial em Sessão de 18 de junho de 2013, entendeu a maioria pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do Voto proferido pela Redatora designada, que transcrevo da folha 87: Uma das questões em litígio referese à alteração do Valor da Terra Nua (VTN) declarado. Verificase que não constam dos autos as informações disponíveis no SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, que foram utilizadas pela autoridade fiscal para proceder o arbitramento contestado pelo recorrente. Dessa forma, com a devida vênia do nobre Relator, Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada, permitome divergir de seu entendimento pela procedência, de pronto, do arbitramento, propondo a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade competente anexe aos autos as informações do SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, que embasaram o procedimento fiscal em apreço. Dessa feita, foram os autos à Unidade de origem para que fosse providenciada a anexação da tela com as informações do SIPT e fosse dada ciência ao interessado do teor da Resolução proferida por este CARF. Na folha 91, consta a tela informativa, com a expressão dos valores de VTN médio por aptidão agrícola para o Município de São Feliz do Xingu/PA, no exercício de 2003 e na folha seguinte o AR como prova de que o contribuinte foi cientificado da Resolução citada. Retornaram os autos para prosseguimento do julgamento. É o Relatório Fl. 98DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720193/200710 Acórdão n.º 2801003.441 S2TE01 Fl. 99 6 Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, já que tempestivo e com condições de admissibilidade. PRELIMINARES. O contribuinte questiona o lançamento, pugnando que seja reconhecida a nulidade do feito administrativo, mas com argumentos que se misturam a questões de mérito e, no caso, totalmente indevidas. O presente processo administrativo, de nº 10218.720193/200710, acolhe a Notificação de Lançamento nº 02103/00160/2007, que trata do exercício de 2003, onde se verifica que a única infração descrita foi a não comprovação por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, do valor da terra nua declarado (fl. 3). Também, na seqüência, se pode verificar que no “demonstrativo de apuração do imposto” não houve alteração de área de utilização limitada, mesmo porque na DITR 2003 (DIAT, cópia na fl.17) não foi declarada nenhuma área como de preservação permanente ou utilização limitada. Assim, por transcender o objeto do lançamento, para o ITR do exercício de 2003, não cabe serem analisadas as questões relativas a uma suposta desconsideração das áreas de utilização limitada/reserva legal. Não foi exigida a apresentação de ADA (Ato declaratório Ambiental) para o exercício, conforme Termo de Intimação Fiscal, e não houve alteração dos valores declarados na DITR 2003, nesse aspecto. Ainda, não foi apontada pelo recorrente nenhuma razão que demonstre afronta ao Art. 142, do CTN, nem aos Arts. 11 ou 59 do Decreto nº 70.235/1972, na constituição do crédito tributário, pelo lançamento. Nesse sentido, não verificamos qual requisito formal do ato administrativo estaria desvinculado da lei como mencionou o contribuinte que foi regularmente cientificado da Notificação de Lançamento, lavrada por autoridade competente, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo o pleno exercício do direito de defesa e se constata que conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito. Desta feita, não há de ser acatada preliminar de nulidade. Importante ressaltar, ainda, que o contribuinte não questiona sua condição de responsável pelo imposto devido nos exercícios de 2003 e 2004, para os quais apresentou DITR, mencionando a questão da perda da posse, em 2007, apenas no sentido de justificar a não apresentação da documentação exigida pela fiscalização, depois de têla justificado com outras razões, anteriormente. MÉRITO. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720193/200710 Acórdão n.º 2801003.441 S2TE01 Fl. 100 7 DO ARBITRAMENTO DO VTN. SIPT com Base nos levantamentos informados pelas Secretarias Estaduais e Municipais. O valor da terra nua – VTN, declarado pelo contribuinte na DITR/2003, foi alterado com base no SIPT (Sistema de Preços de Terras da RFB) pela autoridade fiscal, uma vez que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, através de Laudo de Avaliação do imóvel, nos ditames da NBR 14.653 da ABNT, o valor declarado, passandose a considerar o valor de R$ 80,00 por hectare, por ela constatado, para o imóvel. É o que se depreende da Notificação de Lançamento. A tela informadora do sistema SIPT não se encontrava anexada ao processo. Contudo, na Decisão de 1ª Instância, afirma o julgador, em seu voto (fl. 61): “A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado de para o ITR/2003, R$ 2.000,00 (R$ 1,20/ha), arbitrandoo em R$ 133.584,00 (R$ 80,00/ha), com base no SIPT da Receita Federal, instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, e observado o art. 3º da Portaria SRF nº 447/2002. Esse valor tem por base o menor VTN/ha, por aptidão agrícola, para o exercício de 2003, para os imóveis rurais localizados em São Felix do Xingu – PA, constante do SIPT, alimentado com base nos valores fornecidos pela Secretaria Municipal de Agricultura, nos termos do § 1º do art. 14 da Lei 9.393/1996.” (grifos originais) Já é ponto pacífico em diversas decisões deste CARF a possibilidade do arbitramento efetuado com base nos levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, quando o contribuinte, intimado, não comprove o valor declarado por meio de prova a seu cargo, senão vejamos: Acórdão nº 2801002.942 – 2ª Câmara / 1ª Turma Especial (12/03/2013) VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Acórdão nº 2201001.945 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (22/01/2013) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720193/200710 Acórdão n.º 2801003.441 S2TE01 Fl. 101 8 O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Recurso Voluntário Provido. Assim, é importante trazer o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: “Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.”(grifei) Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: “Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Fl. 101DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720193/200710 Acórdão n.º 2801003.441 S2TE01 Fl. 102 9 §1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” Na ocasião do primeiro julgamento, já tinha considerado que, no caso, além de constar a afirmação feita pela autoridade julgadora de 1ª instância de que o lançamento considerou o valor estabelecido com base nas informações da Secretaria Municipal de Agricultura, o valor inteiro e múltiplo de 10 (dez) de R$ 80,00 (oitenta reais) por hectare, nos impelia a crer que não foi decorrente do “VTNmédio das DITR” para o Município em questão, sendo este, por sua formação, estatisticamente sempre expresso em valores não inteiros. Ademais, o próprio contribuinte anexara telas de consultas sobre o SIPT, conforme fls. 78 e ss., para os exercícios de 2004, 2005, 2006 e 2007, onde se pode verificar as ilações lógicas efetuadas acima, sobre os valores. Agora, após a diligência, não restam dúvidas que o valor empregado para o lançamento de ofício, de R$ 80,00 por hectare de área tributável, é o constante do sistema SIPT, para a aptidão agrícola “floresta”, conforme informado pela Secretaria Municipal de Agricultura, sendo, aliás, o menor valor dentre os informados e mais benéfico ao contribuinte. (folha 91) Sobre suas alegações de que o valor de R$ 80,00 para o exercício de 2003 não poderia prevalecer posto que superior aos R$ 67,56 calculados para o exercício de 2004 e seguintes, cumpre esclarecer expressamente que se tratam de fontes de informação diversas. Os valores de R$ 67,56, para 2004; de R$ 76,35 para 2005, de R$ 81,71 para 2006 e de R$ 94,18 para 2007 são obtidos a partir da média dos VTN declarados pelos próprios contribuintes em suas DITR, para imóveis localizados no Município de São Félix do Xingu/PA. Observo agora, na tela de folha 91, que o “VTNmédio das DITR” para o exercício de 2003 foi de R$ 62,31. O valor utilizado no lançamento, de R$ 80,00 por hectare para a terra nua, decorre de informação da Secretaria Municipal de Agricultura, onde se estabelece o VTN médio/há para os diversos tipos de “aptidão agrícola”, considerandose ainda a localização do imóvel (em relação às estradas e sede do Município), como poderá ser observado nas telas que foram anexadas juntamente com este recurso voluntário e respeitando as questões nesse sentido levantadas em suas alegações. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720193/200710 Acórdão n.º 2801003.441 S2TE01 Fl. 103 10 Ressaltese que foi utilizado “o menor VTN/há” informado pela Secretaria Estadual, existindo outros muito superiores, como por exemplo o valor de R$ 1.000,00/ha (mil reais) para “pastagem/pecuária”. Mostrouse irreal, salvo prova em contrário, o valor declarado na DITR/2003, de R$ 1,20 (um real e vinte centavos) por hectare para a “terra nua” do imóvel em questão. Quanto ao Laudo a ser apresentado com finalidade de demonstrar esse valor declarado, primeiramente o contribuinte solicitou prorrogação de prazo para apresentação, sob o argumento de que não existiriam profissionais qualificados em seu município para concluir o documento de acordo com as normas legais exigidas, o que o obrigou a contratar profissional em outro município, necessitando portanto da requerida dilação temporal. Isso em 20 de agosto de 2007. Em sede de impugnação, apresenta argumentos para a não apresentação do Laudo, pois diz que: “Temos a informar que lamentavelmente não tivemos como apresentar o Laudo de avaliação do imóvel, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal de n° 02103/00308/2007, uma vez que, no município de São Félix do Xingu/PA., contamos apenas com um profissional Engenheiro Agrônomo, que faz Laudo de acordo com a ABNT e que não conseguiu concluir os trabalhados a tempo de apresentálos em data estipulada por Vossa Senhoria, pois como foi declarado no pedido de prorrogação de prazo, o profissional, estaria disposto a prestar os serviços para cinco contribuintes que foram intimados ao mesmo tempo, mas, conseguiu concluir os serviços h. tempo somente para dois destes contribuintes, devido is distâncias de cada imóvel da sede deste município e as demais circunstâncias necessárias As conclusões dos serviços.” Para depois alegar que: Por fim foi o que ocorreu, no dia 19 de abril de 2007, dia do Índio, o Governo Federal, Decretou e homologou a demarcação administrativa e definitiva da Terra indígena Apyterewa, localizada neste município de São Félix do Xingu/PA, na qual a sua área ficou totalmente dentro dos limites da reserva. E a partir do momento em que os índios tomaram conhecimento do Decreto, eles mesmos, anteciparam desapropriações de áreas dentro dos limites da reserva, usando seus métodos próprios para intimidar as pessoas que tentavam chegar até a região popularmente conhecida como "Região do Paredão". Com isso, inclusive, o engenheiro agrônomo, contratado para fazer os trabalhos de laudo de avaliação, dispensou o serviço, com medo de represálias por parte dos indígenas, quando este tivesse que fazer os trabalhos de campo na área ora em questão”. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720193/200710 Acórdão n.º 2801003.441 S2TE01 Fl. 104 11 Assim, não se sabe ao certo se o Laudo não foi apresentado naquele e em outro momento processual porque o profissional contratado não teve tempo ou se porque desistiu do serviço em função da posse indígena. Também não é possível formar convicção se o imóvel declarado está dentro da área de que trata o Decreto que homologou a demarcação de terra indígena ou não, a partir da documentação que consta dos autos. De qualquer forma, essa questão não foi alegada em sede de recurso voluntário para expressamente contradizer o lançamento do ITR e, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972, considerarseá matéria não contestada pelo Recorrente. Fato é que não consta do processo o Laudo técnico de avaliação do imóvel ou qualquer documento que possa firmar convicção sobre esse valor, em 01/01/2003, devendo prevalecer, em meu entendimento, o valor de R$ 80,00 arbitrado pela autoridade com base no SIPT, a partir de informação prestada pela Secretaria Municipal de Agricultura, sendo este o menor valor por aptidão agrícola para o exercício de 2003, para o município de localização do imóvel em discussão. DA ALÍQUOTA APLICADA PARA CÁLCULO DE IMPOSTO. O art. 11 da Lei nº 9.393/1993, que dispõe sobre o ITR, estatui que: “Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicandose sobre o Valor da Terra Nua Tributável VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização GU. § 1º Na hipótese de inexistir área aproveitável após efetuadas as exclusões previstas no art. 10, § 1º, inciso IV, serão aplicadas as alíquotas, correspondentes aos imóveis com grau de utilização superior a 80% (oitenta por cento), observada a área total do imóvel.” A tabela de alíquotas leva em consideração o Grau de Utilização e a dimensão do imóvel e prevê, para o caso declarado pelo contribuinte, em sua DITR/2003 (área total do imóvel de 1669,8 há e G.U de 14,5%) a alíquota de 8,6%, que foi a aplicada ao lançamento, conforme fl.04. Se o contribuinte entende que a Lei está destoante dos preceitos constitucionais e que a alíquota legalmente prevista possui efeitos confiscatórios, devese ter em conta que a instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre aludido conflito da legislação tributária com a Carta Magna. Tais argumentos, a teor da própria Constituição Federal, somente poderiam ser apreciados pelo juízes e tribunais do Poder Judiciário. Esse entendimento já foi objeto de Súmula, aplicada por este CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)” DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA Fl. 104DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720193/200710 Acórdão n.º 2801003.441 S2TE01 Fl. 105 12 Neste aspecto, importante frisar que a falta de recolhimento do imposto constatada nos autos enseja sua exigência por meio de lançamento de ofício, com a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44. Para aplicação da multa de 75,0% devese observar, primeiramente, o disposto no § 2º do art. 14, da Lei nº 9.393/1996, que assim estabelece: “Art. 14 (...) § 1º (...) § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais.” Essas multas, aplicadas aos tributos e contribuições federais, estão previstas no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Portanto, a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada nos dispositivos legais citados anteriormente (§ 2º do art. 14 da Lei nº 9.393/1996 c/c o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996). Novamente, importante lembrar da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DOS JUROS DE MORA. Apesar de mencionado apenas no pedido, pelo recorrente, destacamos que, neste aspecto, é pacífico o entendimento esposado nesta instância administrativa, inclusive já sendo matéria constante de Súmula. Assim, os créditos tributários são cobrados e pagos com a aplicação de juros de mora, com base na Taxa SELIC, vejamos: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)” CONCLUSÃO Fl. 105DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720193/200710 Acórdão n.º 2801003.441 S2TE01 Fl. 106 13 Aplicável o valor da terra nua arbitrado no lançamento, com base no SIPT, tendo como informação dada pela Secretaria Municipal de Agricultura o menor valor por aptidão agrícola, no ano de 2003, para o Município de localização do imóvel. Inalteráveis a alíquota aplicada no cálculo do imposto devido (8,6%), o percentual de multa de ofício aplicada, de 75% sobre o valor da infração apontada, e o percentual de juros de mora calculado na forma legal (Selic) Desta feita, VOTO no sentido indeferir a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, de negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 11020.901558/2012-34
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
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Numero da decisão: 3802-002.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 15 58 /2 01 2- 34 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela primeira instância. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, nos quais não foi homologado seu pedido por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. A empresa contesta a decisão administrativa alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, por desvio de finalidade e por prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal. No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material, bem como alega o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, bem como a inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que não concorda pela não homologação por falta de direito creditório, bem como insiste que o despacho decisório deve ser anulado por estar sem motivação. E, pela não aplicação da multa, em face do princípio constitucional do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Assim como, a imputação dos juros moratórios seriam ilegais e inconstitucionais. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901558/201234 Acórdão n.º 3802002.803 S3TE02 Fl. 94 3 Antes de adentrar no mérito, inicialmente, em sede de preliminar, não assiste razão a recorrente em alegar que o Despacho Decisório deve ser anulado, já que o mesmo preenche todos os requisitos formais e materiais para a sua validade. O despacho decisório possui todos os elementos necessários para que a empresa possa se defender, não obstante, de forma sintética. Consta a base legal, a declaração de compensação enviada pela empresa, a data do envio, o crédito oposto pela empresa, oriundo de determinado pagamento apontado pela empresa na Dcomp, bem como o período de apuração a que se refere, assinado pela autoridade competente. No tocante à motivação/fundamentação pela não homologação da compensação há a indicação que os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp”. Enfim, o alegado pagamento indevido não fora compensado/restituído, pois já tinha sido usado para quitar outros débitos. Quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, no que diz respeito ao caráter confiscatório da multa de ofício, como alega a empresa; cabe observar que não foi aplicada a multa de ofício, e sim a multa de mora de 20% sobre os valores indevidamente compensados. Assim sendo, a multa de mora aplicada está correta sua exigência. Quanto à exigência de juros de mora, também está sendo efetuada na forma da lei, ao contrário do entendimento da empresa, pois o artigo 161 do Código Tributário Nacional determina: “ Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ( um por cento ) ao mês.” Foi editada a lei específica, a de Lei nº 9.065/95, que em seu artigo 13 previu que os débitos tributários junto à Fazenda Nacional, originados a partir 1° de abril de 1995, teriam seus juros de mora e correção segundo a taxa Selic: Art. 13. A partir de julho de abril de 1995, os juros de mora de que tratam a alínea “c” do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8.981/1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Aplicado o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que trata da exigência de juros de mora à taxa Selic, ou seja, a exigência está prevista em normas legais em pleno vigor, não competindo a este julgador apreciar sua constitucionalidade, função reservada ao poder judiciário, como já comentado. Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito da empresa, incide na hipótese a Súmula CARF n° 4, in verbis: Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Passando ao mérito, o cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. Para a verificação do direito creditório afirmado, a recorrente não traz ao processo nenhuma comprovação da efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais teriam sido realizados. Inclusive, apenas indica julgados e doutrinas sobre nulidades. Ocorre que nos sistemas da Receita Federal constam que os valores recolhidos já foram utilizados para quitar outros débitos e nada a recorrente contrapõe sobre isso, dessa forma, não há o que reconsiderar ou anular. Não procede a argumentação da recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, socorrendolhe o Princípio da Verdade Material, pois não se está diante de lançamento de ofício. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Assim sendo, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Em razão dos motivos acima expostos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901558/201234 Acórdão n.º 3802002.803 S3TE02 Fl. 95 5 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10074.722527/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 24/02/2010 a 13/07/2012
DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA, CAMBIAL OU COMERCIAL. INEXATIDÃO. INFRAÇÃO. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. MULTA. INAPLICABILIDADE.
Não cabe imposição de multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria quando a informação prestada com inexatidão na declaração de importação não é necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado e não está especificada dentre as situações sujeitas à imposição da penalidade.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3102-002.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 14/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA, CAMBIAL OU COMERCIAL. INEXATIDÃO. INFRAÇÃO. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. MULTA. INAPLICABILIDADE. Não cabe imposição de multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria quando a informação prestada com inexatidão na declaração de importação não é necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado e não está especificada dentre as situações sujeitas à imposição da penalidade. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 14/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 72 25 27 /2 01 2- 21 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. A Subsecretaria de Tributação e Contencioso, no uso da atribuição conferida pelo inc. II do art. 282 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, transferiu a competência de julgamento deste processo administrativo da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (DRJ/FNS) para esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DRJ/FOR), por meio do art. 1º da Portaria nº 513, de 24 de abril de 2013 (DOU 25/04/13). Tratase de impugnação ao auto de infração de fls. 664/673, lavrado pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (IRF/RJO) para cobrança da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 84, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 combinado com o art. 69 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, perfazendo na data da autuação, segundo informação de fl. 664, um valor total de R$ 15.406.158,80 (quinze milhões, quatrocentos e seis mil, cento e cinquenta e oito reais e oitenta centavos). O autuante informa no item 1 do Relatório de Fiscalização de fls. 642/663, parte integrante do auto de infração, que a ação fiscal teve como objeto verificar a correção da informação quanto ao método de valoração aduaneira utilizado nas Declarações de Importação (DI) do interessado, registradas no período de fevereiro de 2010 a julho de 2012, referentes à admissão temporária de embarcações com base no Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural (Repetro) e, após discorrer nos itens 2 a 6 sobre: o histórico da Valoração Aduaneira, o primeiro método de valoração, o conceito de venda constante do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), os ajustes ao valor de transação de que trata o Artigo 8 do AVA e, os casos de não aplicação do 1º método e do arbitramento do valor, trata, a partir do item 7, do caso concreto, afirmando, em síntese que: “Considerando que os bens importados sob o regime de admissão temporária não são bens comprados pelo importador brasileiro, não se pode utilizar o 1º método de valoração para tais importações, (...), o uso deste método somente pode ocorrer na importação de bens submetidos a contratos de compra e venda”; “A utilização de método incorreto de valoração aduaneira implica, em tese, cálculo dos tributos aduaneiros sobre bases inexatas”, o que não se observou nessa auditoria, tendo em vista a aceitação dos valores atribuídos às embarcações, por estarem embasados em laudos de avaliação; “A IN SRF nº 327/2003 ‘estabelece normas e procedimentos para a declaração e o controle do valor aduaneiro de mercadoria importada’. Ao utilizar o primeiro método de valoração, o importador descumpriu o Acordo de Valoração Aduaneira. Foi inserida informação inexata frustrandose a aplicação do correto procedimento de controle do valor aduaneiro”; a correta informação do método de valoração permitiria a comparação automática pelo Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) dos preços declarados com os preços constantes da base de dados da Receita Federal, “o que Fl. 812DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.722527/201221 Acórdão n.º 3102002.209 S3C1T2 Fl. 3 3 poderia acarretar o direcionamento das declarações de importação para um controle fiscal mais rigoroso, por exemplo, a instauração de um procedimento especial de fiscalização ou a seleção automática das declarações para um canal de conferência (exame documental, conferência física, exame de valor, etc)”; “a informação precisa referente ao método de valoração é de fundamental importância, porquanto influencia na determinação de medidas que visam ao controle aduaneiro por parte da Receita Federal do Brasil”; após ser intimado a explicar o motivo de ter informado o método 1 nas suas DI de admissão temporária o contribuinte respondeu que “o método de valoração aduaneira adotado pela MAERSK nas DIs relacionadas no Termo de Intimação e o respectivo valor atribuído aos bens importados estão devidamente alicerçados nas disposições do artigo 34 da IN 327/2003”, no entanto, em sua reposta a empresa somente se detém sobre o valor utilizado por ela para valorar as embarcações, o que não se questiona em nenhum momento, vez que o valor atribuído às embarcações, tem como procedência os laudos de avaliação apresentados pela própria empresa, acrescidos dos melhoramentos, atualizações e maquinário que foram repostos ao longo do tempo em virtude do desgaste natural pelo uso; a auditoria aceitou o valor aduaneiro das embarcações conforme DI preenchidas pela MAERSK. O que a empresa não conseguiu justificar foi o porquê de ter informado nas DI estes valores como sendo referentes ao método 1 de valoração aduaneira constante do AVA; a informação prestada pela MAERSK referente ao método de valoração foi imprecisa e o art. 34 da IN SRF nº 327/03, citado por ela, foi um dos dispositivos, dentre outros, que infringiu, “o que somente faz prova contra a fiscalizada e robustece a posição do fisco, pois como já explicado neste expediente é de fundamental importância, a informação correta nas DIs do método de valoração aduaneira porquanto influencia na determinação de medidas que visam ao controle aduaneiro por parte da Receita Federal do Brasil”. Por fim, o autuante conclui que nas DI em que o importador informou o método 1 de valoração aduaneira ocorreu a irregularidade ensejadora da multa de 1% de que trata o art. 711, inc. III, do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 (Regulamento Aduaneiro – RA) por declaração inexata. Cientificado pessoalmente do auto de infração em 7/1/13 (fl. 673), o interessado apresentou, em 6/2/13, a impugnação de fls. 684/716, onde alega, em resumo, que: embora o próprio agente fazendário expressamente reconheça que não houve nenhum prejuízo ao Erário e que o valor aduaneiro condiz com a realidade, afirma que o suposto equívoco enseja a aplicação da penalidade; a fundamentação não vem acompanhada da explicação de como o correto procedimento de controle do valor aduaneiro teria sido “frustrado”. Na verdade, a fiscalização reconhece que os laudos de avaliação apresentados condizem com a realidade e que nenhum ajuste ao valor aduaneiro informado seria necessário; a penalidade sugerida pelo autuante não tem por objetivo autuar equívocos relacionados com a prestação de informação incorreta quanto ao método de valoração aduaneira utilizado; Fl. 813DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 4 não houve nenhum prejuízo ao controle aduaneiro, como também a sistemática de preenchimento das DI, em operações realizadas sob o regime especial, exige que o Método 1 seja utilizado. Tal exigência é corroborada pelas regras específicas de valoração aduaneira de operações envolvendo regimes especiais, previstas no art. 34 da IN SRF nº 327/03; a base legal da autuação é o art. 84, da MP nº 2.15835/01, combinado com o art. 69 da Lei nº 10.833/03, sendo que este último dispositivo expressamente estabelece que a aplicação dessa penalidade fica restrita aos casos em que a informação omitida ou apresentada de forma equivocada seja necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Significa dizer que as informações desnecessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, ainda que omitidas ou apresentadas de forma indevida, não estão abrangidas por essa penalidade; o parágrafo 2º do art. 69 da Lei nº 10.833/03 lista as informações julgadas como necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Esse dispositivo atribui ainda competência à então Secretaria da Receita Federal (SRF), por meio de ato normativo, de ampliar esse rol. Significa dizer que são somente consideradas como necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado as informações listadas nos diversos incisos daquele dispositivo, bem como em eventuais atos normativos da SRF editados com o fim específico de ampliar esse rol. Informações não constantes desses dispositivos, a contrário senso, não são consideradas “necessárias” à determinação do procedimento de controle aduaneiro adequado e não ensejam a aplicação da penalidade em discussão; não foi encontrado, nem sequer mencionado no relatório fiscal nenhum ato normativo editado pela RFB que tenha por objetivo ampliar o rol de informações consideradas como informações necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado e dentre as listadas na lei (reproduzidas no regulamento) não se encontram informações quanto à metodologia utilizada à definição do valor aduaneiro. Assim sendo, ainda que se admita que cometeu um equívoco ao informar o método do valor da transação, certo é que esse equívoco não materializa a conduta infratora tipificada pelo art. 711 do RA, como quer fazer crer o agente fazendário; no relatório fiscal não se discute essa questão. Lá, encontrase somente uma breve informação de que a prestação de informação incorreta acabou por “frustrar” a aplicação do correto procedimento de controle do valor aduaneiro, já que outras medidas poderiam ter sido tomadas pela Aduana; a justificativa não só não possui lastro com a realidade, na medida em que a instauração de procedimento de fiscalização especial e determinação de conferência aduaneira possuem procedimentos específicos não atrelados a questões de valoração aduaneira, como ela é absolutamente contraditória ao fato de o próprio agente fazendário ter expressamente reconhecido que o valor aduaneiro praticado era correto e que nenhuma alteração nesse sentido se fazia necessária; a penalidade em questão tem o objetivo muito claro de penalizar contribuintes que, de forma dolosa, omitem e/ou manipulam informações visando a auferir uma vantagem fiscal. Em outros termos, visa coibir a prática de fraudes aduaneiras. É o que se extrai dos itens 40 a 42 da Exposição de Motivos da MP nº 135/03, convertida na Lei nº 10.833/03; a penalidade prevista no art. 711 do RA em nenhum momento tem por objetivo penalizar o contribuinte que, de boa fé, comete equívocos no preenchimento de obrigações acessórias. Pelo contrário, o item 42 da Exposição de Motivos da MP nº 135/03 deixa claro que dita penalidade tem o objetivo de combater fraudes Fl. 814DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.722527/201221 Acórdão n.º 3102002.209 S3C1T2 Fl. 4 5 aduaneiras. O termo fraude remete à conduta dolosa cometida com vistas a obter vantagens de natureza fiscal/financeira. No item V da impugnação, o interessado defende a legitimidade da sua conduta, afirmando, em síntese, que: ainda que se admita que as opiniões consultivas e estudos de caso realizados no âmbito do AVA e constantes do Anexo Único à IN SRF nº 318/03 se posicionam no sentido de que o método do valor de transação não poderia ser utilizado em operações semelhantes às suas, essa eventual vedação teórica não possui substrato prático no Brasil. Isso porque, da maneira como o preenchimento das DI é feita no Siscomex, exigese que o importador informe o Método 1 como a metodologia utilizada à valoração aduaneira; como disposto no art. 4º da IN SRF nº 327/03, valores relativos ao transporte, carga, descarga e manuseio de mercadorias, bem como o respectivo seguro, devem ser incluídos ao valor aduaneiro, qualquer que seja o método adotado. No caso de beneficiários de regime de admissão temporária, embora os tributos não devam ser recolhidos, em razão da suspensão concedida, devem estar descritos em termo de responsabilidade assinado pelo beneficiário do regime, ou seja, referidos valores entram na base de cálculo dos tributos aduaneiros suspensos; a prática demonstra que no preenchimento do campo relativo ao valor aduaneiro de DI para consumo e admissão temporária (tipo 12), caso seja informado qualquer método de valoração que não o método 1, o sistema imediatamente bloqueia o preenchimento de informações quanto ao Incoterm utilizado, bem como o campo destinado a informar os “acréscimos” incorridos na importação, como por exemplo, os custos de embalar, embalagens, comissões e corretagem, serviços de carga e descarga, conforme demonstram as telas do Siscomex em anexo (doc. 4); se tivesse optado por informar qualquer outro método as informações exigidas pelo art. 4º da IN SRF nº 327/03 não só deixariam de ser apresentadas nas DI, como o valor total dos tributos suspensos seria reduzido; da maneira como o preenchimento de DI no Siscomex é parametrizado, qualquer que fosse a postura adotada, a conduta poderia ser penalizada. Caso optasse por informar outro método que não o valor de transação, deixaria de prestar informações expressamente exigidas pela legislação aduaneira. Caso optasse por prestar tais informações, seria necessário informar o método 1 nas DI, expondoo à penalidade pelo inadimplemento de obrigações acessórias. Qualquer que fosse a sua conduta poderia ser questionado pela Aduana. Mesmo buscando adimplir todas as sua obrigações perante o Fisco, sempre lhe poderia ser imputado o descumprimento de obrigação tributária. Nada mais absurdo; aceitar a penalização em razão de conduta adotada em face da precariedade sistêmica do Siscomex representa tributar por tributar, penalizar por penalizar, sem qualquer nexo causal com a legislação que regula o tema e/ou com a conduta que a legislação visa coibir; o art. 34 da IN SRF nº 327/03 em nenhum momento indica qual das metodologias de valoração aduaneira deveria ser utilizada e não veda expressamente a utilização do método do valor de transação para a valoração de operações sob o amparo de regimes aduaneiros especiais. Referido artigo exclusivamente estabelece que o valor aduaneiro deveria ser baseado “nos documentos da operação comercial”, ou seja, no valor informado nos documentos que formalizam a operação comercial, por exemplo, no caso de afretamento de embarcações, o contrato de Fl. 815DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 6 afretamento celebrado com o armador estrangeiro acompanhado do laudo de avaliação; no caso de arrendamento de equipamentos, o contrato de arrendamento assinado com o proprietário acompanhado do laudo de avaliação, e assim por diante; embora não expressamente, o art. 34 acaba por exigir nos regimes aduaneiros especiais a adoção do método do valor de transação, que parte da premissa de que o valor da operação é a melhor medida do valor real, uma vez que o mesmo é definido em condições de livre mercado. Por essa razão, os documentos que instruem tal operação são utilizados para demonstrar a legitimidade do valor aduaneiro praticado. O art. 34, ao estabelecer que o valor aduaneiro em importações realizadas sob o amparo de regimes aduaneiros especiais deveria ser determinado com base “nos documentos da operação comercial”, elege a mesma base da documentação utilizada pelo método do valor de transação. Em seguida, o interessado pugna, no caso de decisão que lhe seja desfavorável, que, considerando a complexidade da matéria valoração aduaneira, a sua boafé e que a suposta infração não resultou em falta ou insuficiência de recolhimento de tributos, se releve a penalidade com lastro, segundo entende, no Artigo 11 do AVA, na Opinião Consultiva 11.1 do Comitê de Valoração Aduaneira da Organização Mundial de Comércio, esta divulgada no Brasil pela IN SRF nº 318/03, e no art. 736 do Regulamento Aduaneiro. Traz também argumentos visando demonstrar a abusividade da penalidade, que considera 1) “absolutamente desproporcional à ‘infração’ cometida, desvirtuandose da finalidade para qual a mesma foi instituída”, contrária ao art. 150, inc. IV da CF/88 que veda expressamente a utilização de tributo com efeito de confisco, princípio aplicável às penalidades, na medida em que essas visam a estimular o adimplemento de obrigação tributária e não onerar o patrimônio do contribuinte e; 2) violadora dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, positivados no art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que guiam a Administração no sentido de evitar que atos claramente fora da normalidade sejam praticados. Por fim, a impugnante requer que, no caso de manutenção da penalidade, não incidam juros de mora sobre ela, pois, afirma, desde a vigência da Lei nº 9.430/96, não há base legal para isso, uma vez que o legislador ordinário federal decidiu no art. 61 daquela lei “exigir juros de mora apenas e tão somente sobre os tributos e contribuições apurados, ou seja, sobre o montante principal”. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 24/02/2010 a 13/07/2012 INFORMAÇÃO INEXATA NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO CONTROLE ADUANEIRO. ATIPICIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA. Em obediência ao princípio da tipicidade, somente se aplica a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, ao beneficiário de regime que prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial, se ficar demonstrado o prejuízo à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente a impugnação apresentada pela empresa. Em Recurso de Ofício, submete a decisão ao crivo este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em obediência ao disposto no art. 34 do Decreto Fl. 816DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.722527/201221 Acórdão n.º 3102002.209 S3C1T2 Fl. 5 7 nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Segundo entendimento do i. Julgador de primeira instância, a penalidade imposta pela Fiscalização Federal não pode prosperar porque, em linhas gerais, (i) a determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado não foi comprometida e (ii) não há previsão legal específica para conduta do sujeito passivo nas situações previstas em Lei como passíveis de aplicação da penalidade, se não vejamos, Vêse que o legislador ordinário não prestigiou a informação quanto ao método na DI para constar de forma expressa no § 2º, do art. 69, da Lei nº 10.833/03, entre as julgadas necessárias para a “descrição detalhada da operação”, mas, além disso, ainda que se entenda que aquela lista é exemplificativa, para que o equívoco que ora se comenta possa ser penalizado na forma da lei é imprescindível a demonstração da tipicidade da conduta. Extraise da lei que o beneficiário do regime deverá ser penalizado se a informação que omitir ou prestar de forma inexata prejudicar a “determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado”, se a sua operação não estiver detalhadamente descrita. No caso sob exame, o autuante afirma que a correta informação do método de valoração permitiria a comparação automática pelo Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) dos preços declarados com os preços constantes da base de dados da Receita Federal, “o que poderia acarretar o direcionamento das declarações de importação para um controle fiscal mais rigoroso, por exemplo, a instauração de um procedimento especial de fiscalização ou a seleção automática das declarações para um canal de conferência (exame documental, conferência física, exame de valor, etc)”. Sobre essa afirmação, esclareçase que a seleção automática de mercadoria para fins de controle do valor ocorria, no passado1, com o direcionamento da DI para o canal cinza de conferência aduaneira do Siscomex, cujos critérios decorriam da combinação de parâmetros gerenciados pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana) desta Secretaria. No entanto, a seleção automática para controle do valor ocasionou significativo acúmulo de processos administrativos relativos à matéria, falta de uniformidade de procedimentos, multiplicidade de esforços, entre outros problemas. Além disso, constatouse que parte das operações selecionadas ensejava a aplicação de procedimentos e penalidades diversos daqueles previstos na legislação de regência do AVA, relacionados com o combate à fraude. Com base nessa experiência, procedeuse à reavaliação do canal cinza, decidindose que o mesmo deixaria de ser um canal da valoração aduaneira, 1 De 1998 a 2002. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 8 passando a ser, com a publicação da IN SRF nº 206, de 25 de setembro de 2002, um canal de conferência aduaneira em procedimento especial de controle aduaneiro, para verificar elementos indiciários de fraude. Em seguida, a partir da publicação da IN SRF nº 327/03, que instituiu um novo modelo de controle administrativo do valor aduaneiro, consolidouse formalmente o entendimento de que os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras e disposições estabelecidas na legislação deveriam ser realizados após o despacho de importação, nos termos estabelecidos no art. 31 da norma: Art. 31. Os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras e disposições estabelecidas na legislação serão realizados após o despacho aduaneiro de importação, sob a responsabilidade da unidade da SRF com jurisdição sobre o domicílio fiscal do importador e que possua atribuição regimental para executar a fiscalização aduaneira. Entre outras medidas, aboliuse os critérios de seleção no Siscomex vinculados ao tema e a Administração redirecionou seus esforços nessa matéria para as auditorias pósdespacho de empresas que realizam operações legítimas de comércio. No novo modelo, a rotina de exame conclusivo do valor aduaneiro foi absorvida pelos procedimentos de uma auditoria de zona secundária. A apresentação da Declaração de Valor Aduaneiro (DVA), inclusive, deixou de ser obrigatória no momento do despacho (“poderá ser exigida Declaração de Valor Aduaneiro (DVA) relativa à mercadoria objeto de valoração, conforme o método aplicado (...)” art. 30, § 2º, inc. I, da IN SRF nº 327/03). Daí porque a informação sobre o método utilizado para a valoração não ter influência, no momento do despacho, “na determinação de medidas que visam ao controle aduaneiro por parte da Receita Federal do Brasil”, como afirma a fiscalização. Ou seja, se equivocou o autuante ao julgar que o erro do importador pudesse interferir de algum modo na seleção automática das DI. Além disso, em consulta ao histórico dos despachos, verificase que, como resultado da seleção parametrizada, treze DI foram direcionadas para o canal amarelo (52%) e doze para o canal vermelho (48%), denotando perfeita normalidade, tendo em vista que o canal mais rígido que estes, o cinza, se justificaria apenas na presença de indícios de fraude, o que não se cogitou ser o caso de nenhuma das operações acompanhadas neste processo. Não se sustenta, assim, a acusação de que o erro do interessado teria prejudicado a determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado no momento do despacho aduaneiro. Conforme dito, a auditoria de valoração aduaneira é um procedimento típico de zona secundária, e como tal é ordinariamente inserido entre os temas constantes do planejamento sistemático de fiscalização. Assim, nessa atividade, como em qualquer outro tipo de auditoria, há a prerrogativa da utilização de todos os instrumentos inerentes a esse momento da atividade de fiscalização, como emissão de intimações, exigência de apresentação de documentos (inclusive a DVA), no intuito de esclarecimentos de quaisquer dúvidas. De modo que, também não se vislumbra como o equívoco no preenchimento do campo da DI referente ao método poderia ter prejudicado o procedimento de zona secundária. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.722527/201221 Acórdão n.º 3102002.209 S3C1T2 Fl. 6 9 Inferese do que consta no processo que a auditoria de valor não sofreu qualquer prejuízo e transcorreu dentro dos padrões de normalidade, culminando com a conclusão de que o interessado, com exceção do equívoco quanto ao método informado na DI, descreveu detalhadamente suas operações, uma vez que não há nada que infirme todas as demais informações prestadas, e que também, segundo o entendimento da fiscalização, aplicou corretamente o AVA, pois após o uso da metodologia daquele Acordo, chegouse aos mesmos valores declarados pelo beneficiário do regime. De modo que, no caso concreto, acato os argumentos da defesa de que a fiscalização não logrou êxito em demonstrar de que modo a informação inexata na DI, quanto ao método de valoração, frustrou “a aplicação do correto procedimento de controle do valor aduaneiro”, sendo insuficientes os elementos apresentados pela acusação para caracterizar a conduta do autuado como aquela do tipo abstrato da lei. Não há reparo e poucos acréscimos a fazer na fundamentação do Voto condutor da decisão recorrida de ofício, que, desde já, acolho como fundamento da decisão ora conduzida. Pertinente o esclarecimento de que, hodiernamente, assim como na data da ocorrência dos fatos geradores objeto do Procedimento Fiscal, a auditoria de valoração aduaneira era um procedimento típico de zona secundária. O “Controle Aduaneiro”, por sua vez, conforme testemunham os artigos extraídos do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/09), a seguir transcritos, está identificado com determinadas situações nas quais revelase presente a necessidade de uma atenção especial dedicada aos eventos que se pretende controlar. Art. 5o Os portos, aeroportos e pontos de fronteira serão alfandegados por ato declaratório da autoridade aduaneira competente, para que neles possam, sob controle aduaneiro: (...) Art. 9o Os recintos alfandegados serão assim declarados pela autoridade aduaneira competente, na zona primária ou na zona secundária, a fim de que neles possam ocorrer, sob controle aduaneiro, movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de: (...) Art. 11. Portos secos são recintos alfandegados de uso público nos quais são executadas operações de movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de mercadorias e de bagagem, sob controle aduaneiro. (...) Art. 26. A entrada ou a saída de veículos procedentes do exterior ou a ele destinados só poderá ocorrer em porto, aeroporto ou ponto de fronteira alfandegado. § 1o O controle aduaneiro do veículo será exercido desde o seu ingresso no território aduaneiro até a sua efetiva saída, e será estendido a mercadorias e a outros bens existentes a bordo, inclusive a bagagens de viajantes. (...) Fl. 819DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 10 Art. 62. A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá estabelecer procedimentos de controle aduaneiro para o tráfego de veículos nas localidades fronteiriças do Brasil com outros países. Isso remete à inevitável conclusão de que as informações prestadas na Declaração de Importação relacionadas à Valoração Aduaneira que poderão ser objeto de auditoria em Zona Secundária não estão vinculadas a nenhum procedimento de controle aduaneiro específico e, por conseguinte, não se conformam nem mesmo à condição descrita no parágrafo primeiro do artigo 69 da Lei 10.833/03 para tipificação da conduta apenável, como a seguir se vê. Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1o A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Ainda mais, como também foi assentado na decisão de piso, as hipóteses identificadas no parágrafo segundo do mesmo artigo 69, necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, não incluem a informação quanto ao método de valoração aduaneira. § 2o As informações referidas no § 1o, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. E não me parece que tratese de uma relação exemplificativa. Creio que o enunciado legal é taxativo em determinar que as informações referidas no § 1o compreendem as relacionadas nos incisos I a V, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria a da Receita Federal. Há que se admitir uma interpretação distinta. A de que as informações referidas no § 1o compreendem a descrição detalhada da operação, que, por sua vez, restringe se às informações elencadas nos itens I a V e, assim, que outras informações, não relacionadas à descrição detalhada da mercadoria poderiam dar ensejo, se inexatas, à imposição da penalidade. Contudo, ainda que a recomendável abordagem literal da norma aproxime o intérprete desse entendimento, não me parece que faça sentido cogitar que apenas as Fl. 820DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.722527/201221 Acórdão n.º 3102002.209 S3C1T2 Fl. 7 11 informações adicionais relacionadas à descrição detalhada da mercadoria dependam de ato normativo da RFB, ficando as demais dispensadas de tal providência. Neste cenário, me sinto seguro em dizer que nem é de falar em dúvida. Mas se dúvidas houver, há de se aplicar o disposto no Código Tributário Nacional, em relação à infração e cominação de penalidade. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. VOTO por negar provimento ao Recurso de Ofício. Sala de Sessões, 23 de abril de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 821DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA
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