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Numero do processo: 10840.905897/2009-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, torna-o líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, desde que ainda não tenha sido utilizado em procedimento de compensação ou ressarcido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que não tenha sido utilizado pelo contribuinte em procedimento de compensação ou ressarcido.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, tornao líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, desde que ainda não tenha sido utilizado em procedimento de compensação ou ressarcido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que não tenha sido utilizado pelo contribuinte em procedimento de compensação ou ressarcido. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 58 97 /2 00 9- 78 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de pedido de compensação não homologado decorrente de direito de crédito tributário oriundo de pagamento a maior de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/PASEP, relativo ao período de apuração 01.03.2004 a 31.03.2004 no valor de R$ 656,70 (seiscentos e cinqüenta e seis reais e setenta centavos). A Recorrente se insurgiu contra a não homologação da Dcomp nº 19954.29919.150905.1.3.042098, por meio da qual pretendia compensar o PIS incidente em 08/2005 no valor de R$ 17,16 com créditos referentes ao PIS recolhido a maior em 15/04/2004 referente ao período de apuração de 03/2004. O pleito restou indeferido. Ciente da decisão foi apresentado Manifestação de Inconformidade, anexado cópia da DIPJ e cópia do DARF. Sustenta que o pedido está consubstanciado nos dados registrados nos livros fiscais e contábeis e declarados por meio da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. A decisão hostilizada afastou os argumentos da Recorrente escorado ao fato de que a DIPJ não se revelar documento hábil e capaz de provar a existência do crédito que se está pleiteando. Afirma também se existisse deveria ter sido apresentado DCTF retificadora. Na fase recursal a Recorrente cuidou de trazer à colação cópia dos livros contábeis, notas fiscais e planilhas de cálculos buscando demonstrar a real base de cálculo e o valor correto do débito apurado, que comparado com o DARF de pagamento restaria confirmado o recolhimento a maior do que o devido. Por meio da Resolução nº 3403.000.296 de 13 de fevereiro de 2012 essa Turma decidiu em transformar o julgamento em diligência para que fosse apurado a existência de saldo credor favorável ao contribuinte com base nos documentos fornecidos e outros procedimentos que entendesse necessário para apurar a verdade. Concluído a diligência esses autos retornam a esse Colegiado com o parecer da fiscalização informando a existência de saldo disponível para ser utilizado na DCOMP de R$ 656,70 (seiscentos e cinqüenta e seis reais e setenta centavos), como se infere do próprio relatório aqui transcrito: “Processo 10840.905.897/200978 Contribuinte SERVIÇOS MÉDICOS E ASSISTENCIAIS DE BARRINHA S/S LTDA EPP CNPJ/CPF 03.330.439/000170 Sr. Chefe, O presente processo trata de manifestação de inconformidade através da qual o contribuinte se insurgiu contra a não homologação da Dcomp nº 19954.29919.150905.1.3.04 2098, por meio da qual pretendia compensar o PIS incidente em 08/2005 (R$ 17,16) com créditos referentes ao PIS recolhido a maior em 15/04/2004 (período 03/2004). O contribuinte transmitiu ao todo 25 Dcomp’s nas quais pretendia aproveitar o mesmo crédito, incluindo a analisada no presente processo: Fl. 191DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.905897/200978 Acórdão n.º 3403002.710 S3C4T3 Fl. 9 3 Nº PER/Dcomp Processo PER/Dcomp Valor pleiteado Situação 25463.75448.150405.1.3.040408 10840.905887/200932 R$ 12,28 Recurso voluntário 40272.41692.130505.1.3.043878 10840.905.889/200921 R$ 44,65 Homologação total 26944.17107.130605.1.3.04 2689 10840.905891/200909 R$ 30,04 Recurso Voluntário 30234.53676.130705.1.3.046325 10840.905893/200990 R$ 37,03 Recurso Voluntário 35375.39706.110805.1.3.04 2669 10840.905895/200989 R$ 28,15 Homologação total 19954.29919.150905.1.3.042098 10840.905897/200978 R$ 17,16 Recurso Voluntário 26004.50337.141005.1.3.04 0197 10840.905898/200912 R$ 19,63 Manif. inconformidade 40884.09947.111105.1.3.043795 10840.905901/200906 R$ 33,69 Manif. inconformidade 27705.95364.151205.1.3.04 7034 10840.907134/200961 R$ 34,09 Res. Recurso voluntário improvido 08464.63606.150206.1.3.045540 10840.907137/200903 R$ 20,24 Res. Recurso voluntário improvido 04713.67529.150306.1.3.045656 10840.907139/200994 R$ 75,75 Recurso voluntário 16457.08486.150506.1.3.040308 10840.907142/200916 R$ 53,93 Res. Manif. inconformidade 35760.87220.140606.1.3.044008 10840.907143/200952 R$ 32,89 Homologação total 22908.03324.140706.1.3.04 0432 10840.907146/200996 R$ 34,75 Recurso voluntário 09240.09708.150906.1.3.048160 Cancelado 03129.96442.190906.1.7.040004 Não admitido 18055.23556.150409.1.7.048623 15,85 RDC – sem crédito 18266.24787.111006.1.3.046256 10840.907149/200920 18,98 Res. Recurso voluntário improvido 18982.07030.141106.1.3.049262 10840.907151/200907 37,54 Recurso voluntário 42876.43114.151206.1.3.042030 10840.907847/200925 52,11 Nº PER/Dcomp Processo PER/Dcomp Valor pleiteado Situação 05971.54075.120107.1.3.047006 10840.902639/201073 54,45 Manif. inconformidade 25917.79856.160207.1.3.048400 10840.902641/201042 55,50 Manif. inconformidade 20102.62108.200307.1.3.044300 10840.902643/201031 124,44 Manif. inconformidade 38173.06938.050407.1.3.04 7770 10840.902645/201021 0,76 Dispensa recolhimento 10271.70818.200407.1.3.040108 10840.902648/201064 34,86 Manif. inconformidade O despacho decisório não homologou a compensação, em virtude do pagamento de PIS já ter sido integralmente utilizado (f. 7), já que na DCTF, o valor devido do PIS coincidia com o valor total do pagamento (R$ 656,70). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (f. 11), alegando que a DIPJ é que conteria o valor correto do PIS devido em 03/2004, que seria zero. O processo foi encaminhado para a DRJ, que jugou a manifestação improcedente (fs. 129135). Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 O contribuinte apresentou recurso, encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que converteu o julgamento em diligência (fs. 169170): “Diante do exposto, voto no sentido de transformar o julgamento em diligência para que os autos retornem a Autoridade de Piso para apurar com base nos elementos fornecidos e outros procedimentos que se fizerem necessários o valor correto do indébito. Deise vista a Interessada, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, após retorne os autos a esse Colegiado.” Os autos foram encaminhados a este Setor. Inicialmente, cabe observar que o ramo de atividade do contribuinte na época era clínica médica (CNAE nº 85.13 8/01). A partir de 12/2002, conforme a Lei nº 10.637/2002, a base de cálculo do PIS era composta por: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.” Sendo o contribuinte optante da tributação pelo lucro real, em 03/2004, apurava o PIS pelo regime nãocumulativo. De acordo com as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, o Livro Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados, a DIPJ e a Dacon, o total da base de cálculo do PIS no período 03/2004 era R$ 68.299,01. De acordo com o artigo 2º da Lei nº 10.637/2002, a alíquota do PIS era de 1,65%. Assim, temse que: Período Base de Cálculo PIS Valor do PIS 03/2004 R$ 68.299,01 R$ 1.126,93 Do valor do PIS apurado, a Lei nº 10.637/2002 permitia que fossem descontados créditos calculados, entre outros itens, em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços (inciso II do artigo 3º). Conforme a DIPJ, a Dacon e as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, foram descontados os seguintes créditos relativos a serviços e mercadorias utilizados como insumos: Fl. 193DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.905897/200978 Acórdão n.º 3403002.710 S3C4T3 Fl. 10 5 Tipo de Insumo Notas Fiscais Valor total Serviços 5084, 5067, 61173, 31283, 4542 R$ 41.832,57 Mercadorias 71774, 71881, 71892, 72521, 19660 R$ 1.698,43 Apesar de algumas aquisições de mercadorias terem sido efetuadas em 02/2004, foi considerado que as mesmas gerariam crédito para o período 03/2004, em virtude do parágrafo 4º do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002: “§ 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes.” Foi verificado nos trabalhos conduzidos nos processos que tratam dos créditos de PIS do período 02/2004, como o nº 10840.905.884/200907, que tais notas fiscais não integraram o total de créditos do mês 02/2004. O inciso IX do mesmo artigo previa ainda que poderiam ser descontados créditos referentes à energia elétrica. Conforme a nota fiscal de energia elétrica e o informado na DIPJ e Dacon, o gasto de energia elétrica em 03/2004 foi de R$ 1.313,28. Portanto, o contribuinte tem direito aos seguintes créditos de PIS: Bens utilizados como insumos R$ 1.698,43 Serviços utilizados como insumos R$ 41.832,57 Despesas de energia elétrica R$ 1.313,28 Total de créditos R$ 44.844,28 Créditos de PIS (alíquota 1,65%) 739,93 Conforme a Dacon e as notas fiscais de prestação de serviços apresentada pelo contribuinte, ele descontou ainda o PIS retido na fonte por outras pessoas jurídicas, conforme artigos 30 e 31 da Lei nº 10.833/2003: “Art. 30. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (…) Art. 31 . O valor da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, de que trata o art. 30, será determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente.” Fl. 194DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Observese que na DIPJ o contribuinte informou tal retenção como “outros créditos”, quando na realidade se tratava da retenção na fonte. Nas notas fiscais emitidas pelo contribuinte Serviços Médicos e Assistenciais de Barrinha S/S Ltda. EPP, pela prestação de seus serviços, pôdese verificar que houve retenção do PIS à alíquota de 0,65%, conforme tabela a seguir: Nota Fiscal Valor Total do Serviço PIS retido 167 R$ 13.000,00 R$ 84,50 168 R$ 458,13 R$ 2,98 169 R$ 9.023,06 R$ 60,00 170 R$ 3.972,63 R$ 25,82 171 R$ 605,19 R$ 3,94 172 R$ 41.000,00 R$ 266,50 173 R$ 60,00 R$ 0,00 Total R$ 443,74 Portanto, o total do PIS retido com base no artigo 30 da Lei nº 10.833/2003 no período 03/2004 foi de R$ 443,74. Concluindo, o PIS a pagar apurado em 03/2004 está demonstrado a seguir: Receita da Prestação de Serviços (BC PIS) R$ 68.299,01 PIS (1,65%) R$ 1.126,93 () Créditos descontados no mês R$ 683,19 (=) PIS após desconto dos créditos R$ 443,74 () PIS retido na fonte R$ 443,74 (=) PIS a pagar R$ 0,00 Pagamento efetuado em 15/04/2004 R$ 656,70 Total do pagamento que restou disponível para compensação, após amortizar o PIS incidente em 03/2004 R$ 656,70 Portanto, após análise, foi apurado que o valor do PIS em 03/2004 foi totalmente amortizado pelos créditos e pelas retenções na fonte, não havendo saldo a pagar. Assim, resta inteiramente disponível o pagamento realizado em 15/04/2004, de forma que o total de créditos de PIS disponíveis para compensação é de R$ 656,70. Observese que entre as Dcomp´s que aproveitaram o mesmo crédito, três (3) já foram homologadas, enquanto que quinze (15) permanecem em discussão administrativa. À consideração superior. (Assinado digitalmente) Denise Aparecida Aguiar Vilas Boas Fantinel Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil Matrícula 1.220.539 Data: 09/04/2013 De acordo. Encaminhese o processo à Eqorc/Seort/DRF/RPO para que o contribuinte seja cientificado da Resolução de fs. 169170 e deste despacho, e apresente manifestação no prazo de 30 dias, se assim desejar. Após a ciência, retornar este processo ao CARF.(Assinado digitalmente) José Manoel Polacchini Chefe Seort Mat. 65.432 Data: 09/04/2013 Del. Competência – Port. DRF/RPO nº 46/2011 DOU 08/06/2011”. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.905897/200978 Acórdão n.º 3403002.710 S3C4T3 Fl. 11 7 Instado a manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente quedouse. É o Relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A contenda neste caderno gira em torno da existência de saldo credor favorável a Recorrente, cujo pleito restou indeferido, assim como, restou mantido pela decisão ora recorrida. Pouco há de se discutir e acrescentar ao trabalho da diligência efetivada em razão da clareza, a qual possibilita o julgador a decidir alicerçado em dados concretos. A interessada foi intimada a se manifestar não se opôs ao resultado da diligência fiscal. Tomando os cálculos contidos na diligência como embasamento para decidir, conforme transcrito aqui: “Assim, resta inteiramente disponível o pagamento realizado em 15/04/2004, de forma que o total de créditos de PIS disponíveis para compensação é de R$ 656,70. Observese que entre as Dcomp´s que aproveitaram o mesmo crédito, três (3) já foram homologadas, enquanto que quinze (15) permanecem em discussão administrativa”. Em assim sendo, norteado no parecer fiscal de fls. 182/186 que aponta existência de crédito decorrente de pagamento a maior da COFINS disponível para compensação ou restituição no total de R$ 656,70 (seiscentos e cinquenta e seis reais e setenta centavos) impõe em reconhecer o direito buscado pelo contribuinte. Diante do exposto conheço do recurso e voto no sentido de dar provimento parcial para assegurar o direito de compensar débitos até o limite do valor reconhecido e indicado no relatório fiscal. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 196DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722058/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO INCORRETA DOS FATOS. NULIDADE.
É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não descreve corretamente os fundamentos de fato que ensejaram a constituição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de nulidade por vício formal, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Tânia Mara Paschoalin que rejeitava a preliminar de nulidade e, no mérito, negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (12/03/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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DESCRIÇÃO INCORRETA DOS FATOS. NULIDADE. É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não descreve corretamente os fundamentos de fato que ensejaram a constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de nulidade por vício formal, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Tânia Mara Paschoalin que rejeitava a preliminar de nulidade e, no mérito, negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (12/03/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 20 58 /2 00 9- 17 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722058/200917 Acórdão n.º 2801002.842 S2TE01 Fl. 143 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/BSB/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Por meio da Notificação de Lançamento nº 02101/00202/2009, de fls. 01/04, emitida em 06/07/2009, o contribuinte identificado no preâmbulo foi intimado a recolher o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício de 2005, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda São Bernardo”, cadastrado na RFB sob o nº 6.739.4957, com área declarada de 9.260,0 ha, localizado no município de Moju – PA. O crédito tributário apurado pela fiscalização compõese de diferença no valor do ITR de R$ 113.802,44 que, acrescida dos juros de mora, calculados até 30/07/2009 (R$ 54.295,14) e da multa proporcional (R$ 85.351,83), perfaz o montante de R$ 253.449,41. A ação fiscal iniciouse com intimação ao contribuinte (Termo de Intimação Fiscal nº 02101/00027/2007, de fls. 05/06, cuja ciência se deu por meio do Edital nº 03/2008, de fls. 08), para apresentar, relativamente a DITR, do exercício de 2005, os seguintes documentos de prova: 1º Laudo de Engenheiro Civil que demonstre a área ocupada com benfeitorias úteis e necessárias à atividade rural existente no imóvel em 01/01/2005; 2º cópia da matrícula atualizada do registro imobiliário; 3º cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA, protocolado no IBAMA; 4º Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2º da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado de ART registrada no CREA, com memorial descritivo da propriedade, de acordo com o art. 9º do Decreto 4.449/2002; 5º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei 4.771/65 (código florestal), acompanhado do ato do poder público que assim o declarou, e 6º Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa Fl. 143DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722058/200917 Acórdão n.º 2801002.842 S2TE01 Fl. 144 3 identificados, sob pena de arbitramento de novo VTN, com base no VTN médio, por hectare, apontado no SIPT da RFB. Por não ter sido apresentado, em tempo hábil, qualquer documento de prova a correspondência de fls. 25/27 e documentos de fls. 28/32, foram recepcionados em 21/07/2009, portanto, depois da data de emissão da presente Notificação , a autoridade fiscal resolveu lavrar a presente Notificação de Lançamento, com a glosa integral das áreas declaradas de preservação permanente e como ocupadas com benfeitorias, respectivamente, de 7.408,0 ha e 550,0 ha, e rejeição do VTN declarado, de R$ 1.000,00 (R$ 0,11/ha), que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 569.212,00 ou R$ 61,47/ha, correspondente ao VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2005, para o município onde se localiza o imóvel, com conseqüentes aumentos da área tributável/aproveitável, VTN tributável e alíquota aplicada no lançamento, disto resultando imposto suplementar de R$ 113.802,44, conforme demonstrado às fls. 03. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 02 e 04. Da Impugnação Cientificado do lançamento, em 14/07/2009 (AR/cópia de fls. 53), o interessado postou sua impugnação, em 11/08/2009 (às fls. 34), anexada às fls. 35/37, instruída com os documentos de fls. 38/52. Em síntese, alega e requer o seguinte: informa que adquiriu, de boa fé, imóveis rurais que lhe foram oferecidos, localizados na Margem Esquerda do Furo Jabotinema, afluente do Pacajá, no município de Moju – PA, entre os quais consta a Fazenda São Bernardo, NIRF 6.739.4957; naquela ocasião lhe foram apresentados, pelas pessoas que intermediaram o negócio, documentos que certificavam a veracidade e regularidade no registro dos imóveis; para sua surpresa, soube a posteriori, por fontes não oficiosas, que corre ação judicial movida pelo Ministério Público do Estado do Pará, objetivando o cancelamento de falsas escrituras de imóveis rurais, dentre os quais havia grande probabilidade de estarem os imóveis que adquiriu, em face de ocorrência de indícios que tais imóveis foram vendidos a compradores distintos, por diversas vezes; achou por bem continuar cumprindo a obrigação acessória de entrega das declarações anuais do ITR, até o desfecho da situação, posto que uma investigação por sua própria conta no Estado do Pará o oneraria em demasia e ampliaria o prejuízo que é iminente; o lançamento não pode prevalecer, pois foi efetuado sem respeitar o prazo concedido para que o impugnante pudesse Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722058/200917 Acórdão n.º 2801002.842 S2TE01 Fl. 145 4 apresentar sua manifestação e/ou documentos (conforme despacho, datado de 23/06/2009, foi reaberto o prazo por mais vinte dias), portanto, o prazo concedido expiraria somente no dia 13/07/2009 e o lançamento foi realizado em 06/07/2009, em total desconsideração ao prazo então concedido; ainda, por razões que não pôde o impugnante ter acesso junto ao Cartório de Registro de Imóveis (e ao que acredita que se deu pela constatação pelos entes públicos competentes de irregularidade na venda do imóvel), foi cancelada a matrícula no Cartório de Registro de Imóveis; portanto, por inexistência do imóvel, conforme informado à Receita Federal, o lançamento cabe ser cancelado, bem como a declaração de ITR que lhe deu origem; diante da declaração de inexistência do registro, fica demonstrado a inexistência do Imóvel Rural que acreditava o requerente ter adquirido, o que torna insubsistente qualquer acessório por inexistir o principal, e por fim, demonstrada a insubsistência e improcedência da Notificação, requer seja acolhida a presente impugnação, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o lançamento fiscal reclamado e qualquer outro efeito oriundo do seu objeto, além de protestar pela produção de outras provas, especialmente pela juntada de outros esclarecimentos e/ou documentos. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 116/123, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DO FATO GERADOR DO ITR E DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA O ITR tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Não comprovado nos autos, com documentos hábeis, que a matrícula do imóvel, constante do correspondente título translativo de propriedade, não existe no competente Cartório de Registro de Imóveis, tratandose de imóvel inexistente, cabe manter o lançamento e o contribuinte no pólo passivo da relação jurídicotributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com a autuação fiscal, mantida integralmente pela DRJ, o Recorrente sustenta, basicamente, (i) a nulidade do Auto de Infração, ante suposto cerceamento à ampla defesa em fase fiscalizatória; (ii) a impossibilidade de prosperar o lançamento, haja vista o cancelamento da inscrição imobiliária do imóvel ensejador do ITR em cobrança. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722058/200917 Acórdão n.º 2801002.842 S2TE01 Fl. 146 5 É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A decisão recorrida rejeitou a preliminar de nulidade suscitada pelo impugnante, com base na seguinte conclusão: Inicialmente, cabe deixar registrado que o fato de a presente Notificação de Lançamento ter sido lavrada, em 06/07/2009, portanto, antes de expirado o novo prazo de 20 (vinte) dias, concedido pela autuante para que o interessado pudesse atender ao solicitado no referido Termo de Intimação Fiscal (às fls. 05/06 e 40), não pode implicar na nulidade dessa Notificação, conforme aventado pelo requerente. Cabe considerar que, além de os documentos encaminhados pelo interessado, em atendimento a essa intimação fiscal, somente terem sido recepcionados pela autuante em 21/07/2009, portanto, depois de expirado esse prazo de 20 (vinte) dias então concedido, a contar de 23/06/2009 (às fls. 39), o interessado, à luz do art. 23, inciso III, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, já tinha sido devidamente intimado, por meio do Edital nº 03/2008, de fls. 08 e 41, publicado em 02/06/2008, com data de ciência em 17/06/2008, para apresentar os documentos relacionados no referido Termo de Intimação Fiscal nº 02101.00027/2007. Isto em razão ter sido infrutífera a tentativa de intimação por via postal, sendo devolvida a intimação encaminhada ao contribuinte no endereço por ele indicado na sua DITR/2005 (extrato/Sucop de fls. 07). Entretanto, discordo do referido entendimento, pois, além de restar confirmado que a presente Notificação de Lançamento foi lavrada antes de expirado o prazo de 20 (vinte) dias concedido pela autuante para que o interessado pudesse atender ao solicitado em Termo de Intimação Fiscal, revelase ilegítima a intimação editalícia promovida pela DRF de origem, porquanto não comprovado que a intimação postal se mostrou infrutífera, haja vista que não consta dos autos o correspondente Aviso de Recebimento (AR), devolvido diretamente pelo Correio à repartição fiscal. A pesquisa ao sistema de informação da RFB denominada "Consulta Postagem", embora seja documento subsidiário, não pode, a meu ver, ser utilizada isoladamente para provar que a intimação postal se mostrou infrutífera. Assim, o defeito apresentado reveste a natureza de vício de forma, porquanto a exteriorização das razões de fato encontrase divorciada do pressuposto fático que autorizaria o agente fiscal a efetuar o lançamento. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722058/200917 Acórdão n.º 2801002.842 S2TE01 Fl. 147 6 Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para declarar a nulidade, por vício formal, da presente Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10925.905098/2012-67
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 50 98 /2 01 2- 67 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905098/201267 Acórdão n.º 3801002.880 S3TE01 Fl. 58 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905098/201267 Acórdão n.º 3801002.880 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905098/201267 Acórdão n.º 3801002.880 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905098/201267 Acórdão n.º 3801002.880 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905098/201267 Acórdão n.º 3801002.880 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905098/201267 Acórdão n.º 3801002.880 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907260/2012-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 60 /2 01 2- 81 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 2.610,88, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/08/2003. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos da Cofins e do PIS; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907260/201281 Acórdão n.º 3803005.761 S3TE03 Fl. 57 3 Em julgamento da lide a DRJ/Belo Horizonte fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 24 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907260/201281 Acórdão n.º 3803005.761 S3TE03 Fl. 58 5 segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907260/201281 Acórdão n.º 3803005.761 S3TE03 Fl. 59 7 faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Por fim, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10880.729484/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2007
LICENÇA DE USO OU AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO TECNOLÓGICO. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGAMENTO, CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONDIÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, eroyalties.
A transferência de conhecimento tecnológico não é condição para incidência da Contribuição.
FATO GERADOR. LEGISLAÇÃO REGULAMENTAR. DECRETO. DEFINIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. RESERVA LEGAL.
Dispõe o Código Tributário Nacional, que somente a lei pode definir o fato gerador da obrigação tributária principal. O Decreto editado com a finalidade de regulamentá-la deve ser interpretado em conformidade suas disposições.
Harmoniza-se com esse pressuposto, a ausência, no Decreto, de expressões taxativas, que delimitem, ainda que no fito de interpretar, o universo das hipóteses de incidência previstas na Lei.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-002.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por voto de qualidade, negar Provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
[assinado digitalmente]
Luiz Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa Redator Designado.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Raquel Brandão Minatel, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2007 LICENÇA DE USO OU AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO TECNOLÓGICO. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGAMENTO, CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONDIÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, eroyalties. A transferência de conhecimento tecnológico não é condição para incidência da Contribuição. FATO GERADOR. LEGISLAÇÃO REGULAMENTAR. DECRETO. DEFINIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. RESERVA LEGAL. Dispõe o Código Tributário Nacional, que somente a lei pode definir o fato gerador da obrigação tributária principal. O Decreto editado com a finalidade de regulamentá-la deve ser interpretado em conformidade suas disposições. Harmoniza-se com esse pressuposto, a ausência, no Decreto, de expressões taxativas, que delimitem, ainda que no fito de interpretar, o universo das hipóteses de incidência previstas na Lei. Recurso Voluntário Negado
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DESCRIÇÃO DOS FATOS. OMISSÃO DE PARTE DO TEXTO LEGAL TRANSCRITO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa por falta de embasamento fático e motivação idônea do lançamento, quando apontadas no Relatório de Auditoria Fiscal, de forma expressa, a fundamentação fática e jurídica da autuação. Assegurado ao contribuinte a condição de contraditar a exigência da Contribuição incidente sobre as remessas ao exterior a título de pagamento do direito de transmissão de sinal de programa televisivo, não há que se falar em nulidade do lançamento. Somente se cogita de preterição do direito de defesa, quando for possível constatar que o prejuízo de fato ocorreu. Tratase de um evento que não comporta alegações em tese. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 LICENÇA DE USO OU AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO TECNOLÓGICO. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGAMENTO, CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONDIÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 94 84 /2 01 1- 29 Fl. 4912DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 3 2 A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, eroyalties. A transferência de conhecimento tecnológico não é condição para incidência da Contribuição. FATO GERADOR. LEGISLAÇÃO REGULAMENTAR. DECRETO. DEFINIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. RESERVA LEGAL. Dispõe o Código Tributário Nacional, que somente a lei pode definir o fato gerador da obrigação tributária principal. O Decreto editado com a finalidade de regulamentála deve ser interpretado em conformidade suas disposições. Harmonizase com esse pressuposto, a ausência, no Decreto, de expressões taxativas, que delimitem, ainda que no fito de interpretar, o universo das hipóteses de incidência previstas na Lei. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por voto de qualidade, negar Provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. [assinado digitalmente] Luiz Marcelo Guerra de Castro Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa – Redator Designado. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Raquel Brandão Minatel, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício interposto em face de decisão da DRJ em São Paulo que julgou procedente em parte a impugnação apresentada, mantendo a exigência fiscal apenas em relação “às remessas ao exterior de royalties relativos aos direitos de transmissão de programas de televisão”. A ora Recorrente teve contra si lavrado Auto de Infração e Imposição de Multa em face da suposta apuração de falta de recolhimento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE, instituída pela Lei n° 10.168/00 e alterações posteriores. Fl. 4913DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 4 3 Durante a fiscalização foram constatados os seguintes fatos, narrados no Termo de Constatação Fiscal de fls. 110/118: (i) a empresa fiscalizada é fornecedora de serviços a cabo de TV por assinatura, internet banda larga e voz. A fiscalização alcançou não só as operações da própria Recorrente Net S/A , como também as operações e remessas efetuadas pela empresa Vivax Ltda., CNPJ 01.402.946/000147, incorporada pela Net S/A em 30/11/2009; (ii) a Recorrente a empresa incorporada durante o período fiscalizado contrataram de empresas sediadas no exterior o direito de transmitir programas televisivos. Por essa licença para transmissão do sinal a seus assinantes se comprometeram a pagar valores previstos contratualmente. (iii) as remessas ao exterior feitas para o pagamento de transmissão de eventos estariam enquadradas no campo de incidência da CIDE, que prevê ser a contribuição devida pela pessoa jurídica detentora do direito de uso. (iv) o Anexo I ao Termo de Constatação relaciona todas as remessas ao exterior realizadas pela Recorrente sob a rubrica "Transmissão de Eventos", em relação às quais, todavia, não houve recolhimento da contribuição. Neste Demonstrativo houve o reajustamento da base de cálculo como determinado na legislação. O Anexo II, por sua vez, relaciona essas mesmas remessas, só que realizadas pela empresa incorporada. (v) a empresa incorporada, durante o período fiscalizado, remeteu divisas para as empresas General Inst. Corporation e Scientific Atlanta a título de "Importação Geral" e para a empresa Empirix Inc. a título de "direitos autorais sobre programas de computador", conforme consta nos contratos de câmbio apresentados pela empresa e anexados ao processo como resposta à Intimação de 19/05/2011, com insuficiência/não recolhimento da CIDE. (vi) no que se refere à remessa feita pela empresa incorporada à Empirix Inc., em 13/03/2007, constatouse uma diferença a menor do tributo de R$ 21,45, conforme demonstrado no Anexo III. Relativamente às remessas feitas pela empresa incorporada à General Inst. Corporation e Scientific Atlanta não foram localizados pagamentos da CIDE; (vii) verificouse, também, que as remessas efetuadas pela Recorrente a título de serviços técnicos e profissionais foram seguidas dos respectivos recolhimentos da CIDE, à exceção de duas remessas feitas em 17/04/2007, tendo como beneficiário Debevoise & Plimpton, que apresentaram cálculo insuficiente do tributo; (viii) a Recorrente, no período de janeiro a dezembro/2007, realizou duas remessas ao exterior a título de cursos e congressos. A remessa efetuada em 11/06/07, tendo como beneficiário Decisioneering, teve R$ 381,81 recolhidos de CIDE, quando o valor devido era de R$ 449,19, o que implica uma diferença a recolher de R$ 67,38. Observouse que a remessa se referia à participação em treinamento de informática. (ix) constatouse que para a remessa efetuada em 26/11/07, no valor de R$ 60.500,00, tendo como beneficiário Insead, não houve qualquer recolhimento da contribuição. Verificouse na invoice correspondente que se tratava do pagamento antecipado de participação em Programa de MBA a ser realizado no ano de 2008, o qual se enquadra no conceito de serviço técnico, assim entendido como o trabalho, obra ou empreendimento cuja Fl. 4914DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 5 4 execução dependa de conhecimentos técnicos especializados, prestados por profissionais liberais ou de artes e ofícios, e, portanto, sujeito à incidência da CIDE. (x) na análise e cálculos gerais da incidência da CIDE sobre as remessas efetuadas no período de janeiro a dezembro de 2007, a todos os títulos, foram considerados além dos pagamentos de tributos efetuados mediante DARF, também as compensações — PERDCOMP. As remessas com insuficiência ou falta de recolhimento da CIDE foram reunidas no Anexo VI, perfazendo o total de R$ 20.395.114,08, cobrados no auto de infração anexo e parte integrante deste Termo de Constatação Fiscal, e o crédito fiscal apurado está formalizado no presente processo. Inconformada, a ora Recorrente apresentou tempestivamente impugnação alegando, preliminarmente, que efetuará o pagamento de parte do crédito tributário. Por conta disso, sua defesa voltase exclusivamente à exigência fiscal relativa aos direitos de transmissão e, no que se refere à importação geral, direitos autorais e manutenção de software, somente ao crédito tributário correspondente ao fornecedor Scientific Atlanta. Ainda em sede de preliminares, sustenta que o Auto de Infração é nulo, uma vez que não contém a clara descrição da suposta infração, em total desrespeito ao art. 10, III, do Decreto n° 70.235/72. Afirma que a fiscalização apenas reproduz a legislação pertinente à matéria, como se isso fosse suficiente para justificar o enquadramento pretendido. Ademais, o termo de constatação fiscal não deixa claro se a transferência de tecnologia é, ou não, condição para a exigência da CIDE. Alega, ainda, que o art. 27 da Lei nº 11.452/2007, indicado na autuação, é inexistente, o que evidencia a sua nulidade por vício formal insanável em sua motivação. No mérito, sustenta que: (i) é empresa que se dedica à prestação de serviço de telecomunicação, dentre eles o serviço de TV por assinatura. Esse serviço consiste na distribuição de sinais de vídeo ou áudio a assinantes, mediante transporte por meios físicos. O conteúdo dos sinais transmitidos aos seus assinantes é produzido por terceiros. (ii) no contexto da prestação de seu serviço, celebra com programadoras localizadas no exterior, contratos de licença para a transmissão de programação. A programação é transmitida aos assinantes sem que a Recorrente a altere de alguma forma. Ao adquirir o direito de transmitir a programação internacional, não recebe nenhuma tecnologia. Tanto é assim que sequer a d. autoridade autuante demonstrou a propugnada transferência de tecnologia, a fim de justificar a exigência fiscal; (iii) a legislação tributária em vigor é de hialina clareza ao dispor que, a partir de 01.01.2006, somente haverá incidência da CIDE sobre os contratos em que houver transferência de tecnologia; (iv) não se atentou a d. autoridade fiscal para o fato de que não houve transferência de tecnologia na licença de transmissão de programação televisiva pactuada entre a Impugnante e as programadoras internacionais. E, se não há transferência de tecnologia na aquisição de direitos em tela, não há fato gerador a ensejar a incidência dessa contribuição. (v) em momento algum, a d. autoridade fiscal demonstrou que os contratos e aquisição de direitos de transmissão implicaram transferência de tecnologia. O que se extrai do Termo de Constatação Fiscal é que a CIDE Remessas ao Exterior está sendo exigida, apenas e tão somente, pelo fato de a Impugnante ser pessoa jurídica detentora de direitos; Fl. 4915DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 6 5 (vi) sustenta que a autuação que deu origem ao lançamento tributário baseou se em mera presunção de ocorrência do fato jurídico "remessa ao exterior a título de aquisição de licença com transferência de tecnologia". Pressupôs, equivocadamente, a Administração Pública que a atividade descrita nos contratos de câmbio abrangeria a transferência de tecnologia; (vi) não bastasse esses argumentos, também não se sustenta a autuação por configurar bis in iden, já que as remessas constituem hipótese de incidência de outra contribuição: a CONDECINE, prevista no art. 32 da Medida Provisória n° 2.2281, de 06.09.2011, a qual foi recolhida relativamente a todas as remessas objeto da autuação, conforme atesta o relatório emitido pela Agência Nacional do Cinema que anexa. Afirma, ainda que a CONDECINE possui caráter específico, razão pela qual prevalece em relação à CIDE Remessas ao Exterior (vii) alega que do fornecedor Scientific Atlanta não foram adquiridos softwares, mas apenas e tão somente hardwares, a afastar qualquer dúvida que pudesse restar acerca da contratação de serviços de manutenção de software. Tratase de hardwares que compõem a rede de cabos da Recorrente. Esta (a rede) é dividida em três blocos principais headend, rede externa e rede interna, sendo que esses hardwares estão acoplados em cada um deles, a fim de permitir o perfeito funcionamento da rede; (viii) defende que a multa imposta, correspondente a 75% do tributo, não pode prevalecer, sob pena de destruir a própria fonte do tributo. Outrossim, referida multa não respeita os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, o direito de propriedade dos cidadãos, nem os princípios da capacidade contributiva, do não confisco e da continuidade do exercício das atividades da empresa. A DRJ em São Paulo julgou a impugnação procedente em parte, nos seguintes termos: CIDE REMESSAS. DIREITO DE TRANSMISSÃO DE PROGRAMAS DE TELEVISÃO. A partir de 1o de janeiro de 2002, a CIDE passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. CIDE REMESSAS. AQUISIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE MANUTENÇÃO. A ausência de prova que demonstre que o contribuinte adquiriu programa de computador associado à prestação de serviço de manutenção leva ao cancelamento da exigência fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo em vista o valor do crédito tributário exonerado, a DRJ em São Paulo recorreu de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e Fl. 4916DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 7 6 alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. Relativamente à parte mantida pela DRJ em São Paulo, o contribuinte recorre a este Conselho. Além de repetir as razões apresentadas na sua impugnação, sustenta a nulidade da decisão recorrida por deficiência na fundamentação e mudança de critério jurídico, uma vez que tratou as remessas realizadas pela Recorrente como royalties, quando não tinha recebido esse tratamento jurídico pela fiscalização. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Medrado Darzé. Recurso de Ofício Como é possível perceber do relato acima, a DRJ em São Paulo cancelou parte da exigência fiscal (referente à Importação Geral), por entender que não estaria sustentada em provas cabais da infração. De acordo com a fiscalização, a empresa incorporada, durante o período fiscalizado, remeteu divisas para a empresa Scientific Atlanta a título de "Importação Geral", conforme demonstram os contratos de câmbio de fls. 2.262/2.311 e 2.312/2.361, 2.578/2.581 e 2.589/2.592, 2.599/2.606 e 2.637/2.640. Intimado, o contribuinte não teria apresentado o contrato celebrado com esta empresa, porém em face das explicações fornecidas pelo interessado concluiu a autoridade fiscal que as referidas remessas deveriam ser tributadas pela CIDE, por entender que se referiam não só à licença de uso de software, mas também a serviços de manutenção, atualização e suporte. Neste ponto, vale ressaltar que o próprio Termo de Constatação Fiscal atesta que não foram apresentados à fiscalização os contratos firmados com a empresa Scientific Atlanta e que a autuação teria se lastrado exclusivamente na seguinte manifestação do interessado (fls. 84/85): "Pelo fato da NET SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO S.A., atuar na distribuição de sinais de televisão por assinatura através de sua rede, se faz necessária a aquisição de softwares para ativação do equipamento do Headend, sendo este o local onde se faz a captação e processamento dos sinais de vídeo. Portanto, os softwares adquiridos têm a finalidade de acionar a emissão dos sinais, para que sejam distribuídos através da rede de cabos. Os referidos softwares foram adquiridos dos fornecedores GENERAL INST. CORPORATION, SCIENTIFIC ATLANTA e EMPIRIX INC., ou seja, os favorecidos das remessas ao exterior, questionados nos itens "2" e parte do item "3 ".” Como bem colocado pela decisão recorrida, “percebese claramente que o contribuinte em sua ponderação referese especificamente à empresa Net, não fazendo remissão à empresa VIVAX Ltda., portanto a premissa de que as remessas em tela decorreram da aquisição de programas de computador não se sustenta. A partir desta suposta premissa, Fl. 4917DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 8 7 ou seja, houve aquisição de software, a fiscalização concluiu também com base em presunção que além da aquisição de programas de computador houve a aquisição de serviços de manutenção. Esta conclusão da fiscalização decorreu da leitura dos contratos firmados entre a Net e outras empresas, conforme se verifica no Termo de Constatação Fiscal (fls. 116/117)” Neste contexto, não resta dúvida de que esta parte do lançamento é frágil, sem qualquer respaldo em provas. E o que é pior, foi feita com base em mera declaração do contribuinte relativa à empresa incorporadora, a qual, o Fisco entendeu por bem estender a empresa incorporada sem que houvesse ao menos um indício a legitimar tal inferência. Neste ponto, são bastante elucidativas as afirmações do acórdão recorrido: 65. Portanto, o lançamento fiscal partiu de duas presunções que não se sustentam: a) as remessas questionadas foram efetuadas pela VIVAX Ltda para a aquisição de programas de computador, conforme confissão do contribuinte (acima ficou demonstrado que o contribunte em sua manifestação fez referência apenas às operações da empresa Net); b) estas remessas possuiam também como escopo a prestação de serviços de manutenção de programas de computador (acima ficou demonstrado que a prestação de serviços de manutenção de programas de computador estava prevista nos contratos firmados pela empresa Net, não podendo ser ampliada esta previsão aos contratos firmados pela Vivax, que sequer foram apresentados) 66. Destarte, tendo em vista que o lançamento do crédito tributário não pode ocorrer com base em presunções não aceitas pela legislação deve ser cancelada a exigência fiscal. 67. Ademais, o contribuinte acostou aos autos as invoices (fls. 4.398/4.582) que seriam referentes às remessas em tela que indicariam que não houve aquisição de prestação de serviços. 68. Ao compulsar estas invoices se verifica que elas não contemplam todas as remessas colocadas sob suspeita, a título exemplificativo se destacam as remessas nos valores de USD 1.041.697,51 e USD 1.205.981,30 que não foram integramente comprovadas. 69. Porém, as invoices servem para demonstrar que ao menos parte das remessas se deveu à aquisição de hardware e não de programas de computador como entendeu a fiscalização. Assim, ausentes as provas, não há como sustentar a presente exigência. Com efeito, ao disciplinar o processo administrativo fiscal federal, o legislador estabeleceu expressamente no art. 9° do Decreto n° 70.235/72, a necessidade de o lançamento ser instruído com prova concludente de que os eventos tributários ocorreram em estrita conformidade com a descrição de hipóteses normativas. Ao assim prescrever, deixou claro que a linguagem jurídica dos atos de gestão tributária, mesmo quando o sujeito competente para expedila seja a Fl. 4918DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 9 8 Administração Pública, deve estar devidamente respaldada em provas. Ausentes estas, ilegítima aquela. Em termos mais diretos, para que o auto de infração possa prevalecer, surtindo o efeito que lhe é próprio, deve ser realizado de maneira clara e objetiva, revestido com os meios de prova que lhe dão suporte. Afinal, da mesma forma que o particular, não pode a Fazenda simplesmente alegar fatos. Tem que demonstrar a sua ocorrência pelos instrumentos juridicamente admissíveis, sob pena de invalidade do ato produzido. Não há de se admitir, sob qualquer argumento, que o atributo da “presunção de legitimidade”, próprio ao ato de lançamento e ao auto de infração e imposição de multa, seja suficiente para inverter o ônus da prova, atribuindo aos particulares o dever de fazer prova contrária às cogitações não demonstradas do Fisco. Direitos e garantias individuais, tais como o princípio da estrita legalidade tributária, o da ampla defesa, o do contraditório e, em especial, o da segurança jurídica, impedem entendimento nesse sentido. Nesse contexto, não resta dúvida que deve ser mantida a decisão recorrida que cancelou parte do Auto de Infração por ausência de motivação. Recurso Voluntário O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a ora Recorrente alega em sua defesa que: (i) o lançamento seria nulo por cerceamento do direito de defesa em face da falta de embasamento fático e motivação idônea; (ii) haveria, igualmente, nulidade da decisão recorrida, por violação ao art. 146 do CTN; (iii) a autuação não se sustentaria, na medida em que seria indispensável a transferência de tecnologia e a referibilidade para autorizar a incidência da CIDERoyalties, o que não se verificaria no caso em apreço; (iv) que a multa aplicada feriria os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco e ao próprio direito de propriedade. Passemos à análise de cada um desses argumentos. Preliminar de nulidade da decisão recorrida em face da mudança de critério jurídico Preliminarmente, alega a Recorrente que o processo seria nulo, sob o argumento de que a autoridade julgadora de primeira instância teria alterado a fundamentação jurídica do lançamento, ao tratar as remessas como royalties, o que não teria sido suscitado em momento algum no lançamento ou no termo de constatação fiscal. Nas suas palavras: Ocorre que, da leitura do auto de infração em epígrafe, não é possível identificar o motivo pelo qual está sendo exigida a CIDERemessas ao exterior da Recorrente, a despeito de a legislação federal exigir a descrição dos fatos que constituem a infração. Os fundamentos legais contidos no Auto não são suficientes à sua correta motivação. Prova disso é a própria decisão recorrida que fundamentou a exigência considerando tratarse de royalties. Todavia, em momento algum o lançamento e o termo de constatação alegam tratarse de royalties. Fl. 4919DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 10 9 Nos termos do item "enquadramento legal” do Auto de Infração, o d. Fiscal aponta como violados os arts. 2º e 3º da Lei nº 10.168/2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332/2001, o art. 27 da lei nº 11.452/2007 e o art. 10 do Decreto nº 4.195/2002. Todavia, esses dispositivos não determinam, com segurança, o motivo pelo qual a presente cobrança está sendo realizada em face da Recorrente. Tais artigos se limitam a estabelecer a obrigatoriedade de recolhimento de CIDE, não apontando a razão fática de se exigir referida contribuição pelas obrigações pactuadas com empresas localizadas no exterior. De forma mais direta, defende a contribuinte que houve mudança do critério jurídico adotado no AI já que, originalmente, o lançamento não apontaria, com segurança, a razão fática de se exigir referida contribuição pelas obrigações pactuadas com empresas localizadas no exterior, ao passo que a decisão recorrida teria fundamentado a exigência considerando tratarse de royalties. Pois bem. Analisando o Termo de Constatação Fiscal que instrui o presente AI, verificase que a autoridade lançadora esclareceu que o presente lançamento decorreu do não pagamento de CIDE nas remessas ao exterior, a título de pagamento do direito de transmissão de sinal de programa televisivo, para as empresas que relacionou em quadro analítico de fls. 113/114. Neste contexto, não resta dúvida que a fiscalização, ao realizar o lançamento, apontou expressamente o fato que no seu entender ensejaria a cobrança da CIDE. Da mesma forma, a DRJ entendeu que se estaria diante de fato passível de incidência da contribuição interventiva de que trata o art. 2º, da Lei n° 10.168/00, com as alterações posteriores, por se tratar de remessas ao exterior referentes ao pagamento de taxa de licença para transmissão de sinal de programa televisivo, os quais se ajustam ao conceito de royalties. Isso fica bem evidente na passagem abaixo do acórdão: Ao compulsar os contratos, memorandos de entendimento, cartas contrato e cartas de intenções, reunidos pela fiscalização (fls. 2.683/3.059), notase que são contratos de licenciamento, por intermédio do qual o licenciador permite que a Net S/A distribua no território brasileiro o canal (programação) gerado pelo programadores. 41. Em contrapartida a Net S/A e a Vivax se obrigam a pagar uma determinada taxa de licença. Esta taxa, que resultou em remessas ao exterior, foi questionada pela fiscalização. (...) 45. Esta ampliação do campo de incidência da contribuição, contida no § 2º do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, redação dada pela Lei nº 10.332/2001, fez com que o fato apurado pela fiscalização se subssumisse à hipótese de incidência da CIDE Remessas. 46. De fato, os pagamentos efetuados a programadores domiciliados no exterior em contrapartida ao direito de Fl. 4920DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 11 10 distribuir programas de televisão se amolda ao conceito de pagamento de royalties a qualquer título. 47. A definição de royalties pode ser encontrada no “caput” do artigo 22 da Lei 4.506/1964 como sendo: “os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos”. 48. Portanto, correta a exigência fiscal. Assim, verificase que o fato considerado tanto pela fiscalização como pela DRJ é o mesmo “remessas ao exterior, a título de pagamento do direito de transmissão de sinal de programa televisivo”. A circunstância de a DRJ ter ido além, uma vez que qualificou as remessas como royalties, não me parece ser suficiente para concluir ter havido mudança de critério jurídico no caso concreto. Ressaltese que, além de o fato considerado ser o mesmo, a consequência jurídica imputada também foi mantida: exigência da CIDE prescrita no art. 2º, da Lei n° 10.168/00, com as alterações da Lei nº 10.332/01. Assim, não há que se falar em modificação do critério jurídico adotado, a qual pressupõe a mudança do relato do evento ou da consequência jurídica que dele decorre. Em face do exposto, rejeito a presente preliminar de nulidade do presente AI. Preliminar de nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa Sustenta, ainda, a Recorrente que o lançamento seria nulo por ter havido preterição do direito de defesa por falta de embasamento fático e motivação idônea. Com efeito, conforme é possível verificar da leitura do Termo de Constatação Fiscal, o presente lançamento decorreu, na parte que permanece em litígio, da realização, pela Recorrente e por empresa por ela incorporada, de remessas ao exterior, a título de pagamento do direito de transmissão de sinal de programas televisivos (royalties), às empresas que relaciona em quadro analítico de fls. 113/114. Ocorre que, a despeito de a fiscalização ter indicado a legislação que suportaria o presente lançamento, suprimiu justamente a parte do parágrafo segundo que refere aos royalties. De fato, o Termo de Verificação Fiscal que instruiu o Auto, a despeito de reconhecer a existência de alteração legislativa, não fez referência a parte do texto legal que trata exatamente dos royalties (fls. 110/111). Ao assim proceder e partindo da premissa consignada no tópico anterior no sentido de que os fatos considerados pela fiscalização, para fins de exigência do tributo, foram justamente as remessas ao exterior ao título de royalties, há de se concluir que a presente omissão comprometeu a plena defesa da Recorrente e a própria validade do AI. Isso porque a correta fundamentação jurídica da autuação é, nos termos do art. 11 do Decreto 70.235/72, requisito essencial de validade dos lançamentos, justamente para que seja garantido o pleno direito de defesa e contraditório (art. 59) Em face do exposto, acolho a presente preliminar de nulidade do presente AI. Todavia, tendo em vista que não foi este o entendimento que prevaleceu neste colegiado, passo à análise do mérito do recurso. Fl. 4921DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 12 11 Mérito Hipótese de incidência da CIDERoyalties A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico regulada pela Lei n° 10.168/00, usualmente denominada de CIDERoyalties, foi instituída, nos termos do art. 1º deste mesmo diploma normativo, com a finalidade de estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Ao assim determinar, o legislador deixou claro que apenas se autoriza a sua cobrança sobre operações jurídicas que envolvam a transferência de tecnologia. E nem poderia ser diferente. Afinal, ao outorgar competência para a União instituir Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, a Constituição Federal, em seu art. 149, exige que ela sirva de instrumento de atuação na respectiva área. Por conta disso, podese validamente afirmar que o critério material possível das contribuições interventivas é sempre uma atividade relacionada ao setor da economia que sofrerá intervenção, que, no caso concreto, por expressa determinação legal, corresponde ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. Quanto ao tema, bem esclarece Marco Aurélio Greco que a Cide – mais do que outras figuras tributárias – não pode ser analisada isoladamente, como se fora bastante em si. Ao contrário, o art. 149, da CF determina que a Cide é instrumento da atuação da União. Como tal, só pode ser compreendida no contexto da atuação na qual se insere. Este é que irá determinar a seu sentido e alcance. A natureza e a função de um instrumento não são dadas por ele, mas pelo ambiente em que se encontra e pela finalidade a que serve.1 Tratase de aplicar ao caso a visão que Tercio Sampaio Ferraz Júnior expõe como sendo um exame da correlação entre meios e fins2, a qual mostra que os meios não podem ser incompatíveis ou conflitantes com os fins, nem podem extrapolar a esfera de pertinência por ela determinada. Assim, e como bem pontuou o próprio Marco Aurélio Greco, se o fim é estipulado pela Constituição, ultrapassar o limite corresponde a hipótese de inconstitucionalidade. Por outro lado, se o fim escolhido pela própria lei, o limite na escolha dos meios é resultante da racionalidade que deve informar a produção legislativa e ao principio da razoabilidade que exclui a existência de leis razoáveis por irracionalidade, posto que violam o devido processo legal em sentido material.3 Dito isso, inferese que, se a própria lei instituidora do tributo estabeleceu que a CIDERoyalties visa a estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo, não resta dúvida de que a escolha de hipóteses de incidência que não atendem esta finalidade é uma questão de ilegalidade, não de inconstitucionalidade, sendo, por esta mesma razão, passível de análise por esta Corte Administrativa. Neste contexto, analisando o art. 2º da Lei n° 10.168/00, em sua redação original, concluise que só poderão integrar a base de cálculo da referida Contribuição os 1 GRECO, Marco Aurélio. Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre “Royalties”. Revista Dialética de Direito tributário nº 99, p. 136. 2 FERRAZ JÚNIOR, Tercio Sampaio. Introdução do Estudo de Direito. São Paulo: Atlas, 1988, p. 172. 3 GRECO, Marco Aurélio. Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre “Royalties”. Revista Dialética de Direito tributário nº 99, p. 136. Fl. 4922DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 13 12 valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, em razão das obrigações decorrentes dos seguintes fatos: (i) deter licença de uso de conhecimentos tecnológicos; (ii) adquirir conhecimentos tecnológicos; e (iii) ser signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia. Posteriormente, com a edição da Lei nº 10.332/01, foram introduzidas alterações no § 2º daquele dispositivo, passando a ser objeto de tributação também as remessas ao exterior decorrentes de (i) contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; (ii) pagamentos, creditamentos, entregas, empregos ou remessas de royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Todavia, considerandose os requisitos para a instituição de Contribuições Interventivas, bem como a finalidade da criação da CIDERoyalties expressamente disposta na lei, concluise que as remessas enumeradas no § 2º do art. 2º, mesmo com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.332/01, devem, necessariamente, envolver transferência de tecnologia para autorizar a cobrança do presente tributo. Com efeito, as alterações introduzidas pela Lei n° 10.332/01 no § 2°, do art. 2°, da Lei n° 10.168/00, apenas complementam as disposições do caput desse dispositivo, estabelecendo outras formas jurídicas de transferência ou aquisição de tecnologia. Não autorizam, ao contrário, a inclusão indiscriminada de qualquer remessa para o exterior na base de cálculo da referida contribuição, sem que haja a necessária transferência de tecnologia. Corrobora esse entendimento o disposto no art. 11 da Lei Complementar n° 95/98, o qual estabelece que: “os parágrafos e os incisos não podem ser considerados isoladamente, devendo ser analisados no contexto do artigo no qual se inserem”. Portanto, devese entender que o alargamento da hipótese de incidência da CIDERoyalties, determinado pela nova redação do § 2° do art. 2° da Lei n° 10.168/00, se restringiu à permissão de sua incidência sobre outras modalidades de aquisição ou transferência de tecnologia para além daquelas taxativamente previstas no caput do art. 2º. Assim, concluise que a hipótese de incidência da presente contribuição é pagar, creditar, empregar ou remeter valores decorrentes de (i) licença de uso de conhecimentos tecnológicos; (ii) aquisição de conhecimentos tecnológicos; (iii) contratos de transferência de tecnologia; (iv) serviços técnicos, assistência administrativa e semelhantes, prestados por residentes ou domiciliados no exterior; ou (v) royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. No caso concreto, interessa apenas a licença de uso, ou para usar a terminologia da autuação, o direito de uso. Pois bem, a presente materialidade para autorizar a incidência tributária deve implicar autorização conferida pelo proprietário (licenciador) da tecnologia ao usuário (licenciado), a fim de que este último possa empregála na produção de bem ou serviço. Contratos de transferência de tecnologia, na dicção do § 2º, do art. 2º, da Lei nº 10.168/00, são “os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica”. Em consonância com as disposições constitucionais – que utilizam o vocábulo tecnologia como conjunto de conceitos acerca de técnicas e métodos de produção, e não como Fl. 4923DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 14 13 ciência ou produto – podemos afirmar que, neste contexto, tecnologia é empregada no sentido de conjuntos de conhecimentos, noções, ideias sobre técnicas, métodos ou habilidades especiais, para a produção de determinado serviço. . Ocorre que é incontroverso nos autos a ausência de transferência de tecnologia. O acórdão recorrido foi enfático ao afirmar o seguinte: 50. No caso em pauta, a autoridade fiscal não demonstrou que os contratos pactuados pela Net S/A e Vivax previam o fornecimento de tecnologia. A fiscalização não juntou aos autos todos os contratos firmados entre os programadores e a Net S/A (fls. 2.683/3.059), porém, a leitura dos poucos contratos anexados demonstra que não há previsão de fornecimento de tecnologia. 51. Ademais, em princípio, a aquisição de programas de televisão não implica na aquisição de nenhum conhecimento tecnológico. 52. Porém, este não foi o fundamento da ação fiscal. A autoridade fiscal entendeu que a simples remessa ao exterior decorrente da aquisição do direito de uso de programação de televisão, independentemente da ocorrência de transferência de tecnologia, acarretaria a tributação da CIDE. Está claro, portanto, que os presente fatos não se subsomem à hipótese de incidência da CIDERoyalties por lhes faltar um elemento essencial, qual seja, a necessária transferência de tecnologia, razão pela qual a autuação deve ser cancelada neste ponto. Vale esclarecer que este Conselho, quando a instado a se manifestar sobre situação análoga à presente, relativamente a fatos ocorridos posteriormente às alterações introduzidas pela Lei nº 10.332/01 no § 2º da Lei n° 10.168/00, decidiu que só poderão integrar a base de cálculo da referida contribuição as operações que representem transferência de tecnologia. CIDE . NÃO INCIDÊNCIA. A incidência da CIDE não alcança pagamentos efetuados por pessoas sediadas no Brasil a pessoas residentes ou domiciliados no exterior por compra de programa de computadores que não representam transferência de tecnologia e a título royalties, ainda mais quando resta evidente tratarse de mercadorias, jogos. Recurso Voluntário Provido. (Processo nº 11080.010264/200819, Acórdão nº 3403001.717– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, Sessão de 21 de agosto de 2012) Por outro lado, mesmo que assim não se entenda, ou seja, que a transferência de tecnologia não é elemento necessário para autorizar a incidência desta contribuição interventiva, ainda assim não se sustenta a presente autuação. Isso por uma razão muito simples, mas decisiva: o pagamento, ainda que de royalties, para remunerar a cessão ou licença do direito de transmitir programas televisivos não se amolda a nenhuma das hipóteses enumeradas no Decreto nº 4.195, de 2002, o que impede a sua exigência. Com efeito, o Decreto nº 4.195, de 2002, regulamentou a Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, que institui contribuição de intervenção no domínio econômico destinada a financiar o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para Apoio Fl. 4924DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 15 14 à Inovação, e a Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, que institui mecanismos de financiamento para programas de ciência e tecnologia, e dá outras providências. Ao tratar da hipótese de incidência da CIDERoyalties, mais especificamente do art. 2º da Lei nº 10.168/01, já com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/01, estabeleceu rol taxativo das situações alcançadas pela incidência deste tributo. Eis sua fórmula literal: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2º da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. Como se vê, diversamente do que sugere a decisão recorrida, conforme expressamente consignado pelas disposições regulamentares não é qualquer pagamento de royalties que implica do dever de pagar CIDE, mas tão somente aqueles destinados a remunerar contratos que tenham por objeto: (i) o fornecimento de tecnologia; (ii) a prestação de assistência técnica; (iii) a prestação de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; (iv) a cessão e licença de uso de marcas; e/ou (v) a cessão e licença de exploração de patentes. Ora, está claro que os contratos objeto da presente autuação têm por objeto exclusivamente a cessão ou licença do direito de transmitir programas televisivos. Assim, não se pode legitimamente falar que eles se enquadrem em qualquer das materialidades listadas acima, nem mesmo nas hipóteses dos incisos IV e V. Isso porque, patente significa ter direito de exclusividade sobre a exploração industrial ou comercial de uma invenção ou modelo de utilidade, conferido após um processo de registro no INPI. Ela pode ser cedida ou licenciada, e o contrato firmado com quaisquer desses propósitos resultará na transmissão dos conhecimentos técnicos necessários para a produção do bem objeto dos direitos de exclusividade. Marca, por sua vez, é signo distintivo das empresas e seus produtos. Sendo estas as definições de marca e patente resta claro que o pagamento, ainda que de royalties, para remunerar a cessão ou licença do direito de transmitir programas televisivos não se ajustam às hipóteses arroladas nos incisos IV e V do art. 10 do Decreto nº 4.195/02. Fl. 4925DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 16 15 Por outro lado, restou incontroverso nos autos que os contratos celebrados pela Recorrente não implicam transferência de tecnologia, o que, por si só, é suficiente para afastar a aplicação do inciso I. Por fim, também não há como defender tratarse de assistência técnica ou administrativa, haja vista que os contratos relativos a estas materialidades receberam tratamento diverso pela autuação, tendo sido, inclusive, objeto de pagamento pelo contribuinte. Dito isso, inferese que as remessas em análise, mesmo que realizadas a título de royalties, para remunerar a cessão ou licença do direito de transmitir programas televisivos não se amoldam a nenhuma das hipóteses relacionadas no art. 10 do Decreto nº 4.195, de 2002, o que impede a exigência de CIDE. Vale ressaltar que também foi este o entendimento adotado pelos Conselheiros Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária para dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte no julgamento do Acórdão nº 3403001.717. Assim, seja por uma razão, seja por outra, certo é que a presente autuação não pode subsistir neste ponto. Inconstitucionalidades Por outro lado, deixo de apreciar as alegações de inconstitucionalidade na presente cobrança da CIDERoyalties em face: (i.1) da existência de bis in idem com a CONDECINE; (i.2) da ausência de referibilidade, caso se autorize a exigência sobre fatos que não envolvem a transferência de tecnologia, bem assim (ii) na cobrança da multa, (ii.1) por ferir os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco e ao próprio direito de propriedade, por se tratar de matérias que escapam à competência deste tribunal administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face do exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa – Redator Designado Ouso divergir da insigne Relatora em relação a dois dos entendimentos firmados no Voto. Primeiro, a preliminar de preterição do direito de defesa em face das omissões identificadas no Termo de Constatação Fiscal. Não restam dúvidas de que a Fiscalização Federal, ao transcrever a legislação na qual está fundamentado o lançamento do crédito neste controvertido, acabou suprimindo do Fl. 4926DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 17 16 texto legal justamente a parte que refere a incidência da Contribuição sobre a remessa de valores a título de royalties4, como se observa à folha 111 do Processo. A despeito disso, como bem destacou a própria Conselheira Relatora ao abordar a questão atinente à mudança de critério jurídico, o que está em discussão nos Autos é a incidência ou não da Contribuição nas “remessas ao exterior, a título de pagamento do direito de transmissão de sinal de programa televisivo”. Acessório que o conceito que se lhes atribua tenha sido omitido na transcrição da norma legal que embasou o lançamento, no mesmo diapasão do entendimento atribuído ao fato de a Delegacia têlas identificado (as remessas) como royalties, sem que a Fiscalização tenha suscitado esse enquadramento no Auto de Infração. Ademais, logo a seguir, na reprodução do Decreto nº 4.195/02 e da Instrução Normativa nº 252/02, consta a hipótese de incidência no caso de remessa de royalties, fato que, acaso considerássemos a falha na transcrição da Lei 10.168/00 capaz de acarretar a preterição do direito de defesa, terminaria por suprir tal lacuna, subtraindolhe o efeito. E não será demais reiterar posicionamento que tenho defendido desde há muito tempo. Para que ocorra preterição ao direito de defesa do contribuinte, deve ser possível identificar o prejuízo concreto. O cerceamento da defesa não comporta alegações em tese. No vertente caso, não me parece que isso tenha ocorrido. Passo ao mérito. Encontramse no bem conduzido Voto da i. Relatora do Processo as duas razões porque considerou, no mérito, indevida a exigência imposta à Recorrente. Os excertos abaixo, extraídos do Voto Vencido, retratam com precisão as duas motivações para a posição escolhida. Está claro, portanto, que os presente fatos não se subsumem à hipótese de incidência da CIDERoyalties por lhes faltar um elemento essencial, qual seja, a necessária transferência de tecnologia, razão pela qual a autuação deve ser cancelada neste ponto. (...) Por outro lado, mesmo que assim não se entenda, ou seja, que a transferência de tecnologia não é elemento necessário para autorizar a incidência desta contribuição interventiva, ainda assim não se sustenta a presente autuação. Isso por uma razão muito simples, mas decisiva: o pagamento, ainda que de royalties, para remunerar a cessão ou licença do direito de transmitir programas televisivos não se amolda a nenhuma das hipóteses enumeradas no Decreto nº 4.195, de 2002, o que impede a sua exigência. Inicio pela possibilidade de que haja incidência da CIDE sobre os valores pagos em operações que não envolvem a transferência de tecnologia. 4 "bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior." Fl. 4927DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 18 17 A esse respeito, peço vênia para apresentar minha divergência em relação ao entendimento defendido de que tratase de uma condição sine qua non para ocorrência do fato gerador da Contribuição. Com efeito, encontrase na própria explicação contido no Voto vencido a conclusão de que, originalmente, a Contribuição incidia sobre valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos em três hipóteses, sendo que apenas uma delas envolvia a transferência de tecnologia, se não vejamos. Neste contexto, analisando o art. 2º da Lei n° 10.168/00, em sua redação original, concluise que só poderão integrar a base de cálculo da referida Contribuição os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, em razão das obrigações decorrentes dos seguintes fatos: (i) deter licença de uso de conhecimentos tecnológicos; (ii) adquirir conhecimentos tecnológicos; e (iii) ser signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia. Quando mais tarde a Lei nº 10.332/01 introduziu alterações no § 2º do precitado artigo 2º da Lei nº 10.168/00, criando hipótese de incidência também sobre as remessas ao exterior decorrentes de (i) contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e (ii) valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos como royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, o fez sem em nenhum momento vincular tais operações à transferência de tecnologia, em harmonia com as disposições legais precedentes, uma vez que o caput do artigo 2º da Lei nº 10.168/00 nunca restringiu a incidência às situações nas quais houvesse transferência de tecnologia. De fato, percebo até mesmo um conflito lógico na interpretação sugerida. Se três hipóteses existem, sendo duas delas nomeadas como operações realizadas por adquirente de conhecimentos tecnológicos e por signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, e a terceira refere apenas pessoa jurídica detentora de licença de uso, então qual haveria de ser a distinção existente entre as duas primeiras e a terceira. Pareceme; se em um caso há aquisição de conhecimentos tecnológicos e no outro transferência de tecnologia, o a situação descrita como licença de uso, por certo não requer a ocorrência de nenhum dos outros dois eventos. Finalmente, cumpre examinar as disposições do Decreto nº 4.195/02. No intento de regulamentar as Leis sob escrutínio, o Decreto deu margem a diferentes interpretações ao não reproduzir com fidedignidade as hipóteses de incidência da Contribuição especificadas nas normas hierarquicamente superiores. Quanto a isso, de início, trago à consideração o comando insculpido no Código Tributário Nacional, artigo 97, no que se refere à definição dos elementos constitutivos da obrigação tributária e o expediente legal que lhes são próprios. Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Fl. 4928DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 3102002.020 S3C1T2 Fl. 19 18 III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Necessariamente, ao examinar a questão colocada, devese ter a clareza de que somente a Lei pode estabelecer, dentre outros, o fato gerador de tributos ou contribuições. A luz desse preceito, outra possibilidade não há que não interpretação do Decreto em conformidade com a Lei que definiu o fato gerador da Contribuição em exame. Não sendo ele instrumento hábil a definir as hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico – CIDE, por certo há que se fixar o insofismável entendimento de que o Decreto é enumerativo, exemplificativo, ou qualquer outro qualificativo que lhe possa ser atribuído, desde que não se lhe considere, em hipótese nenhuma, Norma legal de caráter taxativo, pois, se assim fosse, terminaria ele modificando a Lei em uma definição que não lhe é dado estabelecer. Outrossim, não identifico no texto legal correspondente nenhuma menção restritiva, tal como o seria a expressão exclusivamente, o que corrobora a interpretação aqui defendida. VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. Brasília, 25 de setembro de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Fl. 4929DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 p or ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assi nado digitalmente em 12/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10980.726765/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
OMISSÃO. O julgador administrativo não está obrigado a responder todos os argumentos da defesa se já expôs motivo suficiente para fundamentar a sua decisão sobre as matérias em litígio. Todavia, a omissão acerca do exame de argumento apresentado como hábil a isoladamente afastar a exigência, ou ao menos parte dela, enseja cerceamento do direito de defesa por supressão de instância e impõe a declaração de nulidade da decisão recorrida.
Numero da decisão: 1101-001.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para ANULAR o processo a partir, e inclusive, da decisão de primeira instância, divergindo a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, que dava provimento ao recurso voluntário no mérito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. O julgador administrativo não está obrigado a responder todos os argumentos da defesa se já expôs motivo suficiente para fundamentar a sua decisão sobre as matérias em litígio. Todavia, a omissão acerca do exame de argumento apresentado como hábil a isoladamente afastar a exigência, ou ao menos parte dela, enseja cerceamento do direito de defesa por supressão de instância e impõe a declaração de nulidade da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para ANULAR o processo a partir, e inclusive, da decisão de primeira instância, divergindo a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, que dava provimento ao recurso voluntário no mérito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 67 65 /2 01 1- 00 Fl. 4433DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Fl. 4434DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório O BOTICÁRIO FRANCHISING S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 23/12/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 148.012.675,66. A primeira operação descrita no Termo de Encerramento de Ação Fiscal às fls. 1364/1427 ensejou exclusões indevidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, ao longo dos anoscalendário 2006 a 2009, à razão de R$ 419.477,25 ao mês até outubro/2009, sob o histórico “Provisão p/ Realização de Ágio”, em virtude de valores incorporados ao patrimônio da empresa O Boticário Franchising S.A. quando da cisão da empresa Boticário Participações Ltda em 01/11/2004, no montante de R$ 25.168.634,90. A contribuinte esclareceu, durante o procedimento fiscal, que o valor de R$ 25.168.634,90 tem origem na aquisição, pela empresa Boticário Participações Ltda, de 58.103.998 ações representativas do capital da O Boticário Franchising S.A., (“Investimento”) pelo valor de R$ 106.626.761,00, conforme “CONTRATO DE CONSTITUIÇÃO DE BOTICÁRIO PARTICIPAÇÕES LTDA” em anexo. Na ocasião, o valor do patrimônio líquido de Boticário Franchising S.A. era de R$ 81.458.128,90, conforme demonstrado pelo balancete encaminhado. Ao ser realizada a primeira equivalência patrimonial, conforme rito previsto no Art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda, apurou se o ágio de R$ 25.168.634,90, já que se constatou diferença entre o valor de aquisição do investimento e o seu respectivo valor patrimonial contábil. Referido ágio está sustentado economicamente na perspectiva de rentabilidade futura da empresa, conforme “LAUDO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICA” em anexo, emitido por peritos independentes. A autoridade fiscal observa que não houve pagamento relativo ao ágio nesta operação (se houve, este não foi comprovado), embora a contribuinte tenha sido intimada a demonstrálo. Relata que a Boticário Participações Ltda foi constituída em 08/12/2003 com cotas da autuada e Aerofarma Perfumarias Ltda, acompanhadas do ágio referido e do ágio referente à Aerofarma Perfumarias Ltda. Aduz que em 01/11/2004 verificase a cisão total da Boticário Participações Ltda, com o retorno do patrimônio às empresas de origem, acompanhado do ágio referido, que começa a ser amortizado pelas empresas cindendas em novembro/2004. Ressalta que os sócios de todas as empresas envolvidas são os mesmos, Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum, e que não houve transferência de recursos financeiros (pagamento ou recebimento) em nenhuma dessas operações. Além dessa operação, em 15/12/2006, quando a autuada tornouse subsidiária integral de G&K Holding S/A, tendo em conta laudo que atribuiu à autuada o valor de mercado de R$ 605.537 mil, a controladora registrou em seu Ativo Permanente o investimento na autuada de R$ 53.858.131,43 e o ágio de R$ 551.741.868,57. Posteriormente, em 03/11/2008, os acionistas da G&K Holding S/A decidiram cindila, vertendo para a autuada o investimento então avaliado em R$ 91.893.855,00, acrescido de ágio no valor de R$ 541.813.468,64 (inferior ao original em razão de amortizações em 2007 e 2008 e da parcela remanescente na cisão equivalente a 1%), anulado pela provisão estipulada na Instrução CVM nº 319/349. Em Fl. 4435DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 5 4 decorrência, foram redistribuídas aos sócios da G&K Holding S/A 19.800.000 ações ordinárias nominativas, no montante de R$ 19.800.000,00, que correspondem a 99% do capital da excontrolada, cujo valor total era de R$ 20.000.000,00. A partir de novembro/2008 (embora no primeiro mês apenas com efeitos em dezembro/2008) a contribuinte passou a excluir do lucro real e da base de cálculo da CSLL amortizações mensais do referido ágio no valor de R$ 9.030.224,48, bem como parcelas complementares mensais no valor de R$ 74.258,94, correspondentes ao ágio originalmente amortizado por G&K Holding S/A. O procedimento fiscal teve em conta as amortizações promovidas até dezembro/2009. Em abril/2009 a contribuinte deixou de promover a amortização contábil de ambos os ágios, registrando apenas as correspondentes exclusões, e justificou a alteração de seu procedimento no CPC nº04, emitido em decorrência da Lei nº 11.638, de 2007. A Fiscalização ressalta que segundo referido pronunciamento contábil, se o ágio tiver por base a expectativa de rentabilidade futura e for gerado internamente, não deve ser reconhecido sequer como ativo. Observa, ainda, que a provisão que anulou a amortização contábil do ágio deveria ter sido adicionada ao lucro tributável, mas a contribuinte assim não procedeu, ensejando a redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Acrescenta que o tratamento contábil determinado pela CVM nos casos de ágio interno é de que ele seja totalmente baixado do ativo da incorporadora em respeito à doutrina contábil, a qual rejeita o reconhecimento de um ágio formado internamente. As instruções CVM nº 319/1999 e 349/2001 foram editadas antes da alteração das regras contábeis internacionais, e tinham como objetivo justamente impedir que o lucro líquido fosse diminuído por uma “despesa” que não existia (uma vez que não houve pagamento/desembolso) como é o caso do ágio interno, prejudicando, desta maneira, os acionistas minoritários. Na seqüência, cita o parecer dos professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior (“A Incorporação Reversa com ágio gerado internamente: Conseqüências da Elisão Fiscal sobre a Contabilidade”). Destaca que o ágio, sob a ótica da legislação tributária, somente será dedutível na apuração do lucro real se originado de uma contraprestação de receita para quem vende e de um desembolso (custo) para quem compra. Os pressupostos do ágio são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico. Tanto no caso do ágio referente à Boticário Participações Ltda, quanto no caso do ágio referente à G&K, restam prejudicados ambos os pressupostos. E, embora no caso das operações realizadas pela G&K, envolvendo a autuada e também outras empresas do grupo, do total de R$ 1.776.161.561,96 registrado como ágio, houve desembolso de apenas R$ 45.386.382,00 pagos pelo investidor externo (IGP Fundo de Investimento em Participações). O restante não foi objeto de nenhum pagamento por parte de qualquer dos sócios, de modo que o custo de aquisição foi o valor do patrimônio aumentado e entregue aos titulares das ações incorporadas. Mais à frente observa que o IGP Fundo de Investimento em Participações, ao adquirir participação na G&K pagando por ela R$ 50 milhões – dos quais um ágio de R$ 45.386.382,00 , adquirirá o direito de amortizar o ágio pago. Já a G&K não tem este direito apenas a parir de laudos de avaliação e tendo como custo tão somente o preço cobrado pela empresa que os elaborou, elevando os investimentos em suas quatro controladas, repentinamente, de R$ 249.984.438,04 para R$ 2.026.146.000,00. Fl. 4436DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 6 5 Ressalta que a G&K, embora seja uma sociedade devidamente constituída e ainda ativa, funcionou como uma espécie de empresa veículo e que a OBF, assim como as outras três investidas acima citadas, recebeu de volta da investidora seu próprio patrimônio (na verdade, 99% dele, uma vez que 1% de seus respectivos patrimônios líquidos permaneceram na G&K), devidamente acrescidos do “ágio” produzido na operação anterior de incorporação de ações. Desta forma, nenhuma alteração substancial ocorreu quanto à efetiva titularidade patrimonial das ações nessa operação. Transcrevendo os arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97, diz que as reestruturações em tela foram realizadas com o intuito de se adequarem ao disposto na referida lei, dada a possibilidade de amortização ali prevista a partir de incorporação, fusão ou cisão. Contudo, embora conste na exposição de motivos de ambas reestruturações outros argumentos, o fato é que o resultado delas foi inócuo sob qualquer ponto de vista, exceto o tributário, ou seja, o único intuito foi a economia fiscal. Efetivamente, o que houve na OBF foi a contabilização do “ágio de si mesma”, abordado no OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, de 14/02/2007 (cuja edição em 2007 não significa que os fatos ocorridos antes de sua edição seja legais ou possuam substância econômica). Cita também lições de Marco Aurélio Greco, observando mais à frente que os casos aqui tratados são situações diversas da ali abordada, onde o ágio havia sido realmente pago por alguém que adquiriu de outrem determinada participação societária. Reitera que o ágio admitido pela Contabilidade é aquele resultante de uma transação de compra e venda entre partes independentes e não relacionadas. E acrescenta que se contabilmente o ágio interno não é aceito, não deve ser aceito também para efeitos tributários, pois se o intangível gerado internamente não é Ativo para a Contabilidade, o lucro líquido, do qual se parte para se chegar ao lucro real, não pode estar reduzido por encargo que nada mais é do que a alocação, pro rata temporis, de um “ativo” inexistente. As despesas também inexistentes são, assim indedutíveis, até porque a legislação fiscal somente admite a dedução de despesas necessárias, usuais e normais, na forma do art. 299 do RIR/99. Descreve as glosas promovidas nos períodos fiscalizados, das quais também decorrem recolhimentos estimados inferiores aos devidos, submetidos à aplicação da multa isolada prevista no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, já com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Abordando a conduta da fiscalizada, e reportandose à doutrina de Marco Aurélio Greco, destaca a necessidade de análise do conjunto as etapas ou negócios como um todo, observa que uma operação estruturada como esta em exame indica que o fim (a redução de tributos) é definido antes dos meios (assembléias, alterações contratuais, laudos, protocolos e justificação, etc.). Reportandose a excertos do Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações para conversão da fiscalizada em subsidiária integral da G&K Holding S/A, diz ser notório que o Grupo O Boticário buscou desviar o foco da operação apontando como finalidade “uma melhor conformação das estruturas de capital e patrimonial” ao concentrar o controle dos diversos segmentos de negócio numa única empresa (holding), procurando não chamar muita atenção para o estratosférico ágio de R$ 1,776 bilhão que estava sendo gerado. Depois, desfez esta mesma estrutura, antes justificada pelo Grupo como de vital importância, com a cisão parcial da holding, sob uma nova alegação (aliás, há sempre uma justificativa para cada etapa”) – “permitir a separação dos acionistas da holding G&K, de acordo com os Fl. 4437DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 7 6 seus interesses empresariais, notadamente viabilizando a segregação da participação do acionista VOTORANTIM apenas nas operações das companhias OBF e CÁLAMO” – conforme encontramos no Protocolo e Justificação no Anexo I à ata da AGE da G&K de 03/11/2008. Prossegue abordando características das operações realizadas, mencionando o risco de questionamento das operações pelo Fisco Federal e classifica de estranha a coincidência de uma companhia assim avaliada não possuir lastro patrimonial que viesse a garantir um possível lançamento tributário do referido Fisco, em momento futuro. Observa, então, que no período auditado, de 2006 a 2009, a OBF obteve um resultado positivo de R$ 315.226.018,39, tendo distribuído aos seus acionistas, a título de dividendos e juros sobre capital próprio – JCP, a fabulosa soma de R$ 261.169.191,09. Discorre sobre a administração dos negócios atribuída desde 30/04/2005 aos beneficiários de 88,33% dos lucros distribuídos (Miguel Gellert Krisgner e Artur Noemio Grynbaum) e assevera que: 122. A concatenação dos fatos acima relatados expõe o lado oculto do planejamento abusivo minuciosamente arquitetado para dar uma aparência legal a todos os atos praticados, desviando da incidência tributária um enorme volume de recursos, os quais, em sua quase totalidade, sequer permaneceram na empresa mas foram, sim, diretamente para o patrimônio pessoal dos administradores/acionistas supracitados. A verdade cristalina é que, mais algum tempo e a decadência se incumbiria de sepultar qualquer possibilidade de tais tributos serem lançados. Aliás, a garantia da realização do crédito tributário ora constituído somente existe em função da responsabilidade solidária dos referidos administradores/acionistas no pólo passivo (a ser discutida em outro item), já que a fiscalizada não dispõe de bens suficientes arrolados, pelos motivos claramente apresentados. Afirma flagrante a ação dolosa dos administradores para obterem para a empresa – e, em última análise, para si próprios – o maior benefício possível às custas do erário público, estando, assim, presente o dolo previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64, a ensejar a qualificação da penalidade. E, quanto à responsabilidade dos administradores, depois de discorrer sobre o art. 124 do CTN, conclui que os números aqui apresentados, por si só, constituem uma prova irrefutável do interesse comum dos mencionados acionistas no resultado de todas as reestruturações societárias, em última análise, por eles próprios deliberadas. Adicionalmente aduz que o art. 135, inciso III do CTN, também impõe aos diretores e gerentes da pessoa jurídica a responsabilidade pelo crédito tributário nos caos de infração de lei, aqui presente em razão do intuito doloso, embutido no seu planejamento e execução, de uma redução indevida de tributos, pela ausência de substância econômica ou propósito negocial, em que a economia de tributo é a única ou principal motivação, o que caracteriza uma evasão fiscal. Cita também o art. 187 da Lei nº 10.406/2002 e o Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 acerca da natureza da responsabilidade tributária dos administradores, e finaliza imputando responsabilidade solidária, com base nos arts. 124, I e 135, III do CTN aos acionistas majoritários e administradores da pessoa jurídica Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum, lavrando os correspondentes Termos de Declaração de Sujeição Passiva Solidária (fls. 1299/1305). A pessoa jurídica impugnou a exigência inicialmente discorrendo sobre as operações realizadas na reestruturação societária de 2006, alegando que a apuração do ágio é Fl. 4438DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 8 7 uma conseqüência do processo desenvolvido, e abordando a atuação do IGP – Fundo de Investimento em Participações nestas operações, bem como o incremento do desempenho empresarial do grupo em 2007 e 2008, seguindose a transferência das quotas do Fundo IGP para a Votorantim Asset Management DTVM Ltda, e posteriores divergências na condução da gestão estratética das operações do grupo, o que ensejou a cisão parcial seletiva da holding GK. Abordou também a efetiva implementação do plano de expansão do grupo, a evidenciar que a cisão parcial e seletiva da G&K foi norteada por razões empresariais sólidas, reputando infundadas as alegações das autoridade fiscais para glosar os encargos de amortização de ágio nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL. Argüiu a decadência do direito de o Fisco questionar, em 23/12/2011, o ágio apurado em 2006, bem como mudança de critério jurídico em face de lançamentos anteriores contra outras empresas do Grupo, pelos mesmos agentes fiscais, mas sem qualificação da penalidade. Discordou da classificação do ágio como interno, na medida em que a operação de incorporação de ações viabilizou o ingresso do IGP como novo acionista do grupo, envolvendo legítima negociação entre as partes. Abordou as manifestações da CVM e o tratamento contábil da matéria, discordou da classificação da G&K como empresa veículo, e defendeu a exclusão das provisões constituídas com base nas Instruções CVM 319 e 349. Subsidiariamente defendeu a amortização do ágio independentemente da caracterização que possa lhe ser atribuída pela ciência contábil, opõese à aplicação do Ofício Circular CVM/SNS/SEP nº 01/2007 e do parecer de autoria de Eliseu Martins, mormente tendo em conta a inexistência de empresa veículo neste caso. Discorreu sobre o negócio jurídico de incorporação de ações e a contraprestação nele existente, discordou da necessidade de pagamento para formação do ágio e da existência de restrições a negócios entre partes relacionadas. Defendeu a isonomia com tratamento fiscal do deságio, asseverou que o lançamento é contrário à Lei nº 9.532/97, oposse à aplicação do art. 299 do RIR/99, e afirmou a legalidade de sua conduta, apontando “omissões” dos agentes fiscais acerca de aspectos fáticos das operações. Negou a existência de abuso de direito, bem como de dolo e fraude, e apontou a inexistência de previsão legal para adição, na base de cálculo da CSL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização. Invocou a aplicação do art. 112 do CTN no âmbito de planejamentos tributários, opondose à aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada, e afirmou a ilegalidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. No que tange às operações no anocalendário 2003, discorreu sobre a constituição da Boticário Participações Ltda e os demais fatos que se seguiram, reafirmando a decadência do direito de o Fisco questionar aquelas operações em 23/12/2011, e apontando a ausência de fundamentos para qualificação da penalidade. Arguiu também a decadência do direito de o Fisco lançar multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas até novembro/2006. No mérito, defendeu que a dedutibilidade das amortizações não está condicionada a pagamento em dinheiro, que houve efetiva alienação das ações da pessoa física para a pessoa jurídica e desta operação decorre o ágio formado, e que na cisão também não é necessária a circulação financeira do dinheiro. Fl. 4439DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 9 8 Artur Noemio Grynbaum e Miguel Gellert Krigsner também impugnaram a exigência, reiterando as alegações apresentadas pela pessoa jurídica autuada e opondose à imputação de responsabilidade em razão da ausência de motivação e fundamentação quanto à suposta ilicitude dos atos praticados em 2003 e 2006. Discordam da caracterização do interesse comum com base no seu direito de receber dividendos e juros sobre o capital próprio, bem como da atribuição de sujeição passiva com base no art. 124 do CTN. Negam a existência de qualquer ilegalidade ou abuso de direito que possa ensejar a aplicação do art. 135, III do CTN. A Turma julgadora rejeitou os argumentos deduzidos nas impugnações em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. NULIDADE. MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. A vedação à modificação dos critérios jurídicos anteriormente adotados pela autoridade administrativa aplicase apenas a lançamento fiscal efetuado contra um mesmo sujeito passivo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. É descabida a amortização de ágio interno, com fundamento econômico em expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. RECUPERAÇÃO DO VALOR PAGO ANTECIPADAMENTE POR CONTA DA EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. É condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros; o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais lucros futuros, pois as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora por eles pagou antecipadamente, devendo baixar o ágio contra esses valores. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. Os sócios controladores devem compor o rol dos responsáveis solidários pelo crédito tributário em face de terem participado diretamente de todas as operações que possibilitaram à interessada amortizar o ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, além de terem sido diretamente beneficiados, Fl. 4440DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 10 9 mediante distribuição de lucros e dividendos, com os ganhos indevidos de natureza tributária decorrentes da amortização desse ágio interno. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 POSSIBILIDADE DE FISCALIZAÇÃO DE FATOS OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. Os contribuintes estão sujeitos à fiscalização de fatos ocorridos há mais de cinco anos, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos; assim, não há como se iniciar a contagem do prazo decadencial no momento da constituição do ágio interno, pois não havia ainda crédito tributário algum a ser constituído; apenas com o início da exclusão no LALUR dos encargos com amortização do ágio interno passou a haver redução indevida do resultado tributável, quando, então, foi iniciada a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública efetuar o pertinente lançamento de ofício, inclusive com a correspondente multa de ofício. DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. É incabível a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN para a multa de lançamento de ofício exigida isoladamente, porquanto inexiste nos autos comprovação de que tenha a interessada efetuado qualquer antecipação a título de multa de ofício isolada cujo pagamento estivesse sujeito à homologação da autoridade administrativa. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado o intuito de fraude para possibilitar à contribuinte a amortização de ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, pois ela estava perfeitamente consciente da falta de propósito negocial do ágio gerado em operações realizadas intragupo, em transações que não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50%. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. COMPATIBILIDADE. Tratandose de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do anocalendário, com base no lucro real anual. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. Concluído o julgamento, os autos foram encaminhados à Agência de São José dos Pinhais/PR, e em 22/03/2012 foi lavrada intimação para cientificar a pessoa jurídica Fl. 4441DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 11 10 autuada da decisão em referência (fl. 4089/4093). Consoante fls. 4094/4095, os documentos para ciência foram disponibilizadas na caixa postal eletrônica da contribuinte em 22/03/2012, verificandose a ciência por decurso de prazo em 06/04/2012, muito embora a pessoa jurídica tenha aberto os mencionados documentos em 26/03/2012. Em 04/05/2012 a pessoa jurídica autuada interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 4114/4254), estruturado sob o seguinte sumário: PARTE A DO ÁGIO APURADO NA OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES EM 2006 A.1 DAS RAZÕES EMPRESARIAIS QUE ENSEJARAM A APURAÇÃO DO ÁGIO E SUA AMORTIZAÇÃO PELA RECORRENTE: Neste tópico a Recorrente comprova que a apuração e amortização do ágio foi motivada por uma ampla reestruturação societária do grupo Boticário com propósitos negociais legítimos e verdadeiros, com suficiente motivação extratributária ............................................. 8 A.2 DAS INFUNDADAS ALEGAÇÕES DAS AUTORIDADES FISCAIS PARA GLOSAREM OS ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSL: Síntese das razões contidas no Termo de Verificação Fiscal .................................................................................................... 21 A.3 – DO ACÓRDÃO PROFERIDO PELA 1a TURMA DA DRJ EM CURITIBA: Síntese do acórdão de primeira instância ................................................................24 A.4 DAS QUESTÕES SUPERADAS TACITAMENTE PELO ACÓRDÃO RECORRIDO E QUE DEIXARAM DE INTEGRAR O LANÇAMENTO POR NÃO SE TRATAR MAIS DE MATÉRIA LITIGIOSA: Neste tópico a Recorrente demonstra que uma série de acusações contidas no Termo de Verificação Fiscal foram afastadas tacitamente pelo acórdão recorrido por absoluta ausência de manifestação a respeito ........................................................................................... 25 A.5 DAS PRELIMINARES: A.5.1 Da decadência do direito do Fisco questionar o ato societário que ensejou a apuração do ágio em 2006 (incorporação de ações) e sua respectiva dedução subseqüente, mediante auto de infração lavrado somente em 23/12/11: Em sede de preliminar, a Recorrente demonstra a decadência/preclusão do direito do Fisco questionar o ato societário que ensejou a apuração do ágio em 18/12/2006, portanto quando já transcorridos 5 (cinco) anos em relação ao auto de infração lavrado em 23/12/11 .................................................................................................................... 29 A.5.2 Da nulidade do lançamento referente à multa qualificada de 150% por violação ao art. 146 do CTN: Neste tópico a Recorrente demonstra que houve nova interpretação dos fatos e da legislação, com vistas à subsunção desses mesmos fatos a normas distintas daquelas aplicadas nos lançamentos efetuados contra outras empresas do grupo da Recorrente (Embralog e Cálamo), violandose o art. 146 do CTN ......................................................................................................................... 34 A.6 DA QUESTÃO PREJUDICIAL AO MÉRITO NÃO ENFRENTADA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO: O acórdão recorrido não analisou questão fundamental prejudicial ao mérito, qual seja, a impossibilidade de tributação da receita de reversão da provisão constituída com base nas Instruções 319 e 349 da CVM, a qual foi adicionada ao lucro real e base de cálculo da CSL quando de sua constituição .............................................................................................................. 39 A.7 DA QUESTÃO PREJUDICIAL AO MÉRITO OBJETO DO ACÓRDÃO RECORRIDO, QUE APRESENTOU MERA REPRODUÇÃO DAS RAZÕES Fl. 4442DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 12 11 CONTIDAS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL: Neste tópico a Recorrente demonstra que a figura do ""ágio interno"" é incompatível com a essência empresarial e econômica da reorganização societária ocorrida e que a operação de incorporação de ações não pode ser considerada isoladamente, mas sim como uma das etapas de um legítimo movimento de reestruturação muito mais abrangente, envolvendo terceiros independentes em uma única transação ............ 41 A.8 DO DIREITO QUE AMPARA A AMORTIZAÇÃO DO AGIO PELA RECORRENTE, INDEPENDENTEMENTE DA CARACTERIZAÇÃO QUE POSSA LHE SER ATRIBUÍDA PELA CIÊNCIA CONTÁBIL: ""ÁGIO INTERNO"": Neste tópico a Recorrente demonstra a total distinção entre os objetivos e campos de atuação da Ciência Contábil e do Direito Tributário para o tratamento do ágio, evidenciando que as normas tributárias amparam a conduta da Recorrente ................................................................................................................ 46 A.9 DAS EQUIVOCADAS CONSIDERAÇÕES FEITAS PELO ACÓRDÃO RECORRIDO QUANTO ÀS DIVERSAS FORMAS DE AQUISIÇÃO DE BENS REGULADAS PELO DIREITO: Neste tópico a Recorrente demonstra que na incorporação de ações ocorre a efetiva aquisição das ações incorporadas pela incorporadora, sem que seja necessário um "pagamento" no sentido de desembolso de recursos, devendo o custo de aquisição ser desdobrado em ágio ou deságio ..................................................................................................................... 58 A.10 ISONOMIA COM O TRATAMENTO FISCAL DO DESÁGIO: E SE FOSSE APURADO UM DESÁGIO NA OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES, ESTE SERIA ISENTADO DE TRIBUTAÇÃO POR SER CONSIDERADO UM "DES"ÁGIO INTERNO"?: Neste tópico é demonstrado que a própria Receita Federal do Brasil entende ser tributável o "des"ágio interno", não podendo deixar de admitir a dedução do suposto ""ágio interno"".................. 68 A.11 DO LANÇAMENTO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIO À LEI: VIOLAÇÃO AO ARTS. 142 DO CTN E 8º, "B" DA LEI N° 9.532/97: Neste tópico a Recorrente demonstra que a suposta figura do "ágio de si mesmo" é amparada pelo Direito Tributário (art. 8º, "b" da Lei n° 9.532/97)...........................................70 A.12 DA INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A ADIÇÃO, NA BASE DE CÁLCULO DA CSL, DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO CONSIDERADA INDEDUTÍVEL PELA FISCALIZAÇÃO NOS TERMOS DO ART. 299 DO RIR/99: Não há previsão legal determinando a adição da despesa correspondente à amortização do ágio na base de cálculo da CSL ..................................................... 72 A.13 DA INDEVIDA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA AO CASO CONCRETO: Neste tópico a Recorrente demonstra que não houve dolo ou fraude para a qualificação da multa de ofício .................................................................... 76 A.14 DO CANCELAMENTO DA MULTA QUALIFICADA POR APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN: Neste tópico a Recorrente demonstra a necessidade de aplicação do art. 112 do CTN ao caso concreto ...................................................... 85 A.15 DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: DUPLA PENALIDADE SOBRE A MESMA SUPOSTA INFRAÇÃO: Neste tópico a Recorrente demonstra a impossibilidade de aplicação de multa isolada concomitante com a multa de ofício ........................................................................ 89 A.16 DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO ................................................................................................................... 92 PARTE B Fl. 4443DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 13 12 DO ÁGIO APURADO NA OPERAÇÃO DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL DA BOTICÁRIO PARTICIPAÇÕES LTDA. EM 2003. B.1. DOS FATOS: Neste tópico a Recorrente faz uma breve demonstração da forma como foi apurado o ágio na operação de integralização de capital da Boticário Participações em 2003 ............................................................................................. 93 B.2. DAS PRELIMINARES: B.2.1 Da decadência do direito do Fisco questionar o ato societário que ensejou a apuração do ágio em 2003 (integralização de capital na empresa BP) e sua respectiva amortização subsequente, mediante auto de infração lavrado somente em 23/11/11: Em sede de preliminar, a Recorrente demonstra a decadência/preclusão do direito do Fisco questionar o ato societário que ensejou a apuração do ágio em 08/12/2003, portanto quando já transcorridos 5 (cinco) anos em relação ao auto de infração lavrado em 23/12/11 .............................................. 99 B.2.2 Da não aplicação da multa qualificada por falta de motivação e fundamentação pelas autoridades fiscais: Neste tópico a Recorrente demonstra que as autoridades fiscais não fundamentaram, em nenhum momento do TVF, as razões pelas quais deveria ser aplicada a multa qualificada sobre os valores supostamente devidos .................................................................................................................... 101 B.2.3. Da decadência do direito do Fisco questionar o não recolhimento das supostas estimativas mensais de IRPJ e CSL no período de janeiro a novembro de 2006: Neste tópico a Recorrente demonstra a decadência do direito do Fisco questionar supostos valores devidos a título de estimativas do IRPJ e da CSL no período em questão, portanto quando já transcorridos 5 (cinco) anos em relação ao auto de infração lavrado em 23/12/11 ................................................................... 105 B.2.4 Da decadência do direito do Fisco lançar multa isolada sobre supostas estimativas mensais do período de janeiro a novembro de 2006: Neste tópico a Recorrente demonstrada a decadência do direito do Fisco lançar multa isolada sobre supostos valores devidos a título de estimativas do IRPJ e da CSL no período em questão, portanto quando já transcorridos 5 (cinco) anos em relação ao auto de infração lavrado em 23/1/11 .................................................................................. 107 B.3 DAS INFUNDADAS RAZÕES DO ACÓRDÃO RECORRIDO PARA JUSTIFICAR A IMPOSSIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO DECORRENTE DA OPERAÇÃO DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL NA BP: Neste tópico a Recorrente demonstra que as alegações do acórdão recorrido para sustentar a inexistência do ágio em questão são infundadas ........................ 109 Finaliza com o seguinte pedido: Diante de todo o exposto, protestando desde logo provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, reformandose o acórdão recorrido para que sejam acolhidas as razões de fato e de direito anteriormente aduzidas, com a declaração da improcedência integral das presentes autuações, extinguindose, por consequência, os supostos créditos tributários de IRPJ e de CSL relativos aos anos calendário de 2006, 2007, 2008 e 2009, tanto em relação ao ágio apurado em 2006 (Parte A deste recurso) como em relação ao ágio apurado em 2003 (Parte B deste recurso), arquivandose o respectivo processo administrativo. Caso assim não seja entendido, requerse, subsidiariamente, seja dado parcial provimento ao Recurso Voluntário, para o acolhimento dos pedidos a seguir, de forma isolada ou cumulada entre si, conforme o caso e em benefício da maior redução possível do valor do auto de infração: Fl. 4444DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 14 13 (i) seja reconhecida a decadência/preclusão do direito do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio apurado em 2006 (incorporação de ações G&K) e sua respectiva dedução quando ocorrida a partir de 2008 (cisão parcial e seletiva da G&K seguida de versão do patrimônio cindido), uma vez que já transcorridos cinco anos entre o fato que ensejou a apuração do ágio e a lavratura do auto de infração; (ü) o cancelamento da multa qualificada por afronta ao art. 146 do CTN, uma vez que restou configurada modificação dos critérios jurídicos adotados no exercício do lançamento; (iii) o cancelamento da multa qualificada por aplicação do art. 112 do CTN, uma vez que restaram configuradas todas as hipóteses previstas nos incisos do referido dispositivo; (iv) seja reconhecida a decadência/preclusão do direito do Fisco questionar a legalidade do ágio apurado em 2003 (integralização de capital na empresa BP) e sua respectiva amortização no período de 2006 a 2009 (cisão total da BP com incorporação parcial do patrimônio pela Recorrente), uma vez que já transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre o fato que ensejou a apuração do ágio e a lavratura do auto de infração; (v) o cancelamento da multa qualificada aplicada para o ágio decorrente da operação de integralização de capital na BP, por completa ausência de motivação e fundamentação pelas autoridades fiscais; (vi) o reconhecimento da decadência em relação as estimativas mensais de IRPJ e da CSL no período de janeiro a novembro de 2006 para ágio apurado em 2003 (integralização de capital na empresa BP), uma vez que já transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre o fato gerador e a lavratura do auto de infração; (vii) o reconhecimento da decadência da multa isolada aplicada sobre as estimativas mensais do período de janeiro a novembro de 2006, uma vez que já transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre o fato gerador e a lavratura do auto de infração; (viii) o cancelamento do lançamento em relação à CSL, uma vez que não há previsão legal que determine que os encargos com amortização do ágio ou mesmo as despesas não dedutíveis para fins de apuração do lucro real (base de cálculo do IRPJ), deverão ser adicionados à base de cálculo da CSL; (ix) o cancelamento da multa isolada aplicada concomitante com a multa de ofício, por configurar dupla penalidade sobre a mesma suposta infração cometida pela Recorrente; (x) a exclusão dos juros sobre a multa de ofício aplicada ao caso concreto, por ausência de previsão legal e de plena conformidade com a jurisprudência administrativa a respeito do tema. Artur Noemio Grynbaum e Miguel Gellert Krigsner foram cientificados da decisão em 10/04/2012 (fl. 4098/4105) e apresentaram recursos voluntários tempestivamente em 04/05/2012 (fls. 4255/4293 e 4294/4332), com idêntico teor. Os recorrentes apresentam alegações semelhantes às apresentadas pela pessoa jurídica autuada, apontando as questões superadas tacitamente pelo acórdão recorrido e que deixaram de integrar o lançamento por não se tratar mais de matéria litigiosa, para vincular a imputação de responsabilidade apenas à sua participação direta nas operações, ao benefício auferido com a distribuição de lucros e dividendos e à violação dos arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97 e 10 da Lei nº 9.718/98, esta última para justificar a aplicação do art. 135, III do CTN. Fl. 4445DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 15 14 Em preliminar, afirmam a ausência de responsabilidade tributária do recorrente pelos supostos créditos tributários associados ao ágio apurado na integralização de capital na BP por falta de motivação e fundamentação, na medida em que as operações de ambos os ágios são distintas e a acusação fiscal somente contém elementos vinculados à operação de 2006. Manifestamse contrariamente à analogia, destacam que fraude e dolo não se presumem, e acrescentam que também o acórdão recorrido silenciou quanto à questão. Assim como alegou a pessoa jurídica autuada, afirmam a nulidade do lançamento por violação ao art. 146 do CTN, em razão da anterior lavratura de lançamentos contra Embralog e Cálamo, pelas mesmas razões e pelos mesmos Agentes Fiscais, mas sem a qualificação da penalidade e sem a imputação de responsabilidade aos recorrentes. No mérito, inicialmente negam a existência de dolo e fraude, e destacam que a responsabilidade solidária está justificada pela fórmula: montante do ágio + condição de acionista + dividendos e juros sobre capital próprio recebidos = dolo, sem se vincular ao que denominam elementos clássicos aptos a caracterizar a vontade exclusive de suprimir ou reduzir tributos de forma legal. Quanto ao recebimento de lucros e juros sobre o capital próprio, diz tratarse apenas do exercício de um direito previsto na legislação societária e tributária, mormente tendo em conta que não houve provas convincentes acerca de condutas dolosas e fraudulentas. A Fiscalização afirma que a “concatenação dos fatos” teria exposto o lado oculto do suposto planejamento abusivo que teria sido arquitetado para dar uma aparência legal a todos os atos praticados, mas o que ocorreu foi uma reorganização empresarial legítima, consistente no tempo, sem qualquer contradição entre os respectivos eventos que a suportaram. Destacam a presença de investidor externo, e reiteram o silêncio do acórdão recorrido acerca da defesa contra a caracterização de “step transactions” para afirmar que houve concordância com estas alegações. Argúem a total inaplicabilidade do art. 124, I do CTN ao caso concreto, na medida em que o interesse comum foi vinculado ao recebimento de dividendos e juros sobre o capital próprio, argumento incoerente com a possibilidade de apuração de prejuízos pela pessoa jurídica, a evidenciar presunção de solidariedade. Asseveram que o interesse comum somente estará presente quando duas ou mais pessoas pratiquem conjuntamente um determinado fato gerador e sejam, todas elas, sujeitos passivos do mesmo tributo. Afirmam, também, a ausência de responsabilidade prevista no artigo 135, III do CTN, vez que o dolo decorrente das denominadas “step transactios” é questão superada pelo acórdão recorrido, o qual também deixou de apreciar a acusação de abuso de direito, também invocada para firmar violação de lei. Concluem que há incertezas quanto ao dispositivo que teria sido violado, em razão da indicação de outros dispositivos na decisão recorrida, o que evidenciaria a ausência de comprovação das condições para aplicação do art. 135, III do CTN. De toda sorte, defendem a inaplicabilidade do referido dispositivo com fundamento nas razões de decidir do acórdão recorrido, vez que a conduta supostamente contrária às leis tributárias teria sido da pessoa jurídica autuada, e ainda com fundamento em justificativas de natureza contábil. Ademais, as infrações de lei citadas no mencionado dispositivo seriam aquelas típicas do direito societário e capazes de gerar a responsabilidade do administrador em razão da prática de atos contrários ao interesse da sociedade. Fl. 4446DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 16 15 Ao final, afirmam a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício, e pedem sua exclusão da qualidade de responsável tributário solidário ou, subsidiariamente, a exclusão dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões aos recursos voluntários (fls. 4335/4419) nas quais destaca, em preliminar, a inexistência de violação ao artigo 146 do CTN e a inexistência de decadência do direito do Fisco de questionar os atos societários ocorridos em 08/12/2003 e 18/12/2006. No mérito, afirma a indedutibilidade dos ágios registrados, apresentando breve historio das alterações societárias realizadas pelo grupo empresarial do qual o contribuinte faz parte, abordando o benefício fiscal previsto nos artigos 7o e 8o da Lei nº 9.532/1997, e 385 e 386 do RIR/99, para assim destacar a ausência de propósito negocial e de substrato econômico, bem como de documento que ateste o fundamento econômico do ágio gerado em 2003. Quanto ao ágio gerado em 2006, afirma também sua inexistência. Defende a manutenção da multa qualificada, reportase a jurisprudência deste Conselho declarado a procedência de exigências semelhantes e, quanto à responsabilidade solidária dos acionistas autuados, anota que eles se beneficiaram diretamente de parte dos recursos que não foram recolhidos à União, e assevera não haver como negar que essas pessoas físicas foram quem na realidade infringiram a lei. Manifestase, também, em favor da exigência de CSLL, vez que inexiste norma autorizando a dedução da despesa de amortização de ágio, observando que mesmo se reconhecida sua dedubitilidade no âmbito do IRPJ, o lançamento de CSLL deve ser mantido. Encerrando, afirma a possibilidade de aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, assim como da cobrança de juros sobre a multa de ofício. Fl. 4447DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 17 16 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente cumpre apreciar as alegações da pessoa jurídica autuada e dos responsáveis tributários acerca das omissões verificadas no acórdão recorrido. No tópico A.4 de sua defesa, abordando as operações vinculadas ao ágio formado em 2006, a pessoa jurídica enuncia as questões superadas tacitamente pelo acórdão recorrido e que deixaram de integrar o lançamento por não se tratar mais de matéria litigiosa, quais sejam: (i)Da efetiva existência de propósito negocial e motivação empresarial no caso concreto8 (conforme itens A.1 e subitens da Impugnação); (ii)Da inexistência de empresa veículo9 (conforme item A.5 da Impugnação); (iii)Da inaplicabilidade do art. 299 do RIR/9910 (conforme item A.9 da Impugnação); (iv)Da inexistência de step transactions11 (conforme item A.10. da Impugnação); e (v)Da inexistência de abuso de direito 12 (conforme itens A.10. e A.11. da Impugnação). A pessoa jurídica autuada reitera estes argumentos ao abordar o ágio formado em 2003, e os responsáveis tributários desenvolvem argumentação semelhante, mas apontando apenas os dois últimos itens acima. Entendem que estes aspectos não mais integram o lançamento fiscal e não podem ser aventados neste Conselho, sob pena de supressão de instância e cerceamento do direito de defesa. Argumentam que os efeitos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 também devem ser aplicados em seu favor, e recordam que o art. 31 do mesmo Decreto impõe à autoridade julgadora de 1a instância a apreciação de todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante. A pessoa jurídica autuada observa que especialmente a efetiva existência de propósito negocial e motivação extratributária para as operações em questão foram tacitamente reconhecidas, admitindo os julgadores que as operações realizadas não tiveram como único intuito ou propósito a economia fiscal. Cita ementas de julgados administrativos em favor de seu entendimento. De toda sorte, se outro for o entendimento deste Colegiado, remete sua defesa para as razões exposta nos itens A.1. a A.1.4. da Impugnação (propósito negocial e motivação empresarial), nos itens A.3.4. e A.5. (inexistência de empresa veículo), A.9. (inaplicabilidade do art. 299 do RIR/99), item A.10. (inexistência de step transactions) e A.10.1. (inexistência de abuso de direito). Mais à frente, ainda na defesa pertinente ao ágio formado em 2006, a pessoa jurídica autuada aponta as seguintes questões prejudiciais ao mérito: Fl. 4448DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 18 17 · Impossibilidade de tributação da receita de reversão da provisão constituída com base nas Instruções 319 e 349 da CVM, a qual foi adicionada ao lucro real e base de cálculo da CSL quando de sua constituição, não enfrentada no acórdão recorrido: observa que referida questão não pode deixar de ser apreciada neste Conselho, resume a argumentação apresentada em impugnação e afirma que houve tributação em duplicidade em razão da autuação dos valores correspondentes à exclusão da receita de reversão da provisão, cuja despesa de constituição já havia sido adicionada pela Recorrente, quando da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, o que é suficiente para demonstrar a insubsistência dos lançamentos fiscais em questão, impondo os seus respectivos cancelamentos. · Abordagem, no acórdão recorrido, mediante mera reprodução das razões contidas no Termo de Verificação Fiscal, acerca da incompatibilidade do ágio interno com a essência empresarial e econômica da reorganização societária ocorrida, e impossibilidade de se considerar isoladamente a operação de incorporação de ações: argumenta que a figura teórica do ""ágio interno"" deve ser interpretada com base no "filme" representado por uma negociação ampla, envolvendo terceiros independentes; e não com base em duas "fotografias": a primeira, apenas quando da entrada do IGP; a segunda, representada por uma mera etapa da reorganização, consistente na operação de incorporação das ações da Recorrente pela holding G&K. E, quanto à afirmação de que as condições não seriam as mesmas em operações com terceiros, diz que assim se verificou pois seus acionistas negociaram as ações da OBF, ora Recorrente, com terceiros representados pelo IGP. Tratase, portanto, de uma única operação envolvendo terceiros e lastreados em laudos de avaliação devidamente fundamentados, muito embora as negociações tenham se mostrado convenientes, também, para os acionistas do grupo, por evitar a diluição injustificada de sua participação. Reitera a existência de substância econômica da operação, a valoração imparcial do investimento, e opõese à exigência de pagamento, na medida em que o ativo é contabilizada em contrapartida à constituição de um passivo com os sócios (capital social). Apenas o segundo tópico foi apontado pela pessoa jurídica autuada como defesa aplicável também às operações vinculadas ao ágio formado em 2003. Ainda, ao abordar especificamente estas operações, a pessoa jurídica autuada menciona que em nenhum momento o acórdão recorrido fez qualquer referência à suposta “ausência de circulação de recursos financeiros”, inexistência de pagamento, etc. Por fim, os responsáveis tributários também consignam que o acórdão recorrido silenciou acerca da ausência de responsabilidade tributária do recorrente pelos supostos créditos tributários associados ao ágio apurado na integralização de capital na BP por falta de motivação e fundamentação, na medida em que as operações de ambos os ágios são distintas e a acusação fiscal somente contém elementos vinculados à operação de 2006. Fl. 4449DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 19 18 O Decreto nº 70.235/72 orientase pelo princípio do livre convencimento motivado, como se verifica nos artigos abaixo reproduzidos: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. [...] Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Significa dizer que, ao identificar motivo suficiente para fundamentar sua decisão, o julgador administrativo está dispensado de responder a todos os argumentos apresentados na defesa. Neste sentido, aliás, é a orientação do Superior Tribunal de Justiça: COMPENSAÇÃO DE RESULTADOS NEGATIVOS ANTERIORES A 1992 IMPOSSIBILIDADE LEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 90/92. 1. Ao Juiz cabe apreciar a lide de acordo com o seu livre convencimento. não estando obrigado a analisar todos os pontos suscitados pelas partes nem a rebater, um a um. todos os argumentos levantados nas razões ou nas contrarazões de recurso. Ausência de violação ao art. 535 do Código de Processo Civil. [...] (Recurso Especial nº 361.026/PI – Relator Ministro Castro Meira, data do julgamento: 02/02/2006, data da publicação no DJ: 20/02/2006) TUTELA ANTECIPADA. TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS. “CEGONNHEIROS'. INDÍCIOS DE ABUSO DE PODER ECONÔMICO E FORMAÇÃO DE CARTÉIS A violação do art. 535 do CPC ocorre quando há omissão, obscuridade ou contrariedade no acórdão recorrido. Inocorre o referido vicio in procedendo posto não estar o juiz obrigado a tecer comentários exaustivos sobre todos os pontos alegados pela parte, mas antes, a analisar as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. [...] (Recurso Especial nº 677.585/RS – Relator Ministro Luiz Fux, data do julgamento: 06/12/2005, data da publicação no DJ: 13/02/2006) No presente caso, a autoridade julgadora de 1a instância expressou seus argumentos para classificar de artificiais os ágios amortizados, e a partir destas evidências concluiu que os negócios careciam de propósito negocial, motivo pelo qual desnecessário se mostrou apreciar as demais razões da interessada para demonstrar referido propósito negocial sob outra ótica, bem como evidenciar a inexistência de empresa veículo, de step transactions e de abuso de direito. Além disso, ao demonstrar que os dispositivos legais acerca da dedutibilidade da amortização do ágio não amparavam os valores assim constituídos pela interessada, a autoridade julgadora de 1a instância ficou dispensada de abordar a inaplicabilidade do dispositivo legal que regula a dedutibilidade das despesas em geral (art. 299 do RIR/99). Com referência ao fato de a autoridade julgadora de 1a instância ter promovido mera reprodução das razões contidas no Termo de Verificação Fiscal, acerca da incompatibilidade do ágio interno com a essência empresarial e econômica da reorganização societária ocorrida, a recorrente pretende, em verdade, nova avaliação dos fatos, na qual não se considere isoladamente a operação de incorporação de ações e aspectos atinentes à circulação de recursos financeiros ou pagamento. Por sua vez, no acórdão recorrido há Fl. 4450DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 20 19 fundamentos suficientes para a conclusão acerca da validade das conseqüências atribuídas pela Fiscalização às operações analisadas, mormente tendo em conta as referências à doutrina e aos atos editados pela CVM e pelo CPC. Assim, cabe a esta instância administrativa de julgamento, nesta segunda oportunidade conferida à contribuinte para discutir a exigência, reavaliar estes critérios e decidir sobre a pertinência do lançamento. E, no que tange à responsabilidade de Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum acerca dos créditos tributários associados ao ágio apurado na integralização de capital na BP, a autoridade julgadora esclareceu porque correlacionava a acusação acerca desta operação com aquela verificada em 2006, especialmente com vistas à manutenção da multa qualificada, bem como observou que os responsáveis estavam ativamente vinculados às situações ocorridas e aos atos praticados durante sua gestão ou administração, de modo que participaram diretamente de todas as operações que permitiram a amortização do ágio. Assim, também não se constata, aqui, omissão passível de saneamento. Já no que se refere às alegações de impossibilidade de tributação da receita de reversão da provisão constituída com base nas Instruções 319 e 349 da CVM, o mesmo não se verifica. Referido argumento é autônomo e, embora apresentado em impugnação e consignado no relatório da decisão recorrida, não foi apreciado. Consta da impugnação apresentada pela pessoa jurídica autuada (fls. 2970/2974): A.3.5. Da impossibilidade de tributação da receita de reversão da provisão constituída com base nas Instruções 319 e 349 da CVM – Provisão que foi adicionada quando de sua constituição Por este terceiro aspecto, também de plano, verificase a total improcedência do lançamento procedido pelos Srs. Agentes Fiscais, pois este carece de objeto por versar sobre a glosa de exclusões procedidas no LALUR, exclusões estas que se referem a valores de provisão anteriormente adicionadas quando de sua respectiva constituição. OU SEJA, PROVISÕES JÁ TRIBUTADAS E QUE NÃO PODEM SER TRIBUTADAS NOVAMENTE! Com efeito, nos termos do item 95 do TVF, os Srs. Agentes Fiscais procederam ao lançamento nas seguintes bases: “Com o intuito de corrigirmos as irregularidades tributárias encontradas, procedemos às glosas dos seguintes valores excluídos no LALUR a título de ágio (...): R$ 23.242.693,87 – somatório das parcelas de R$ 5.033.726,90 (“Provisão p/ Realização de Ágio” referente à Boticário Participações Ltda.) e das parcelas de R$ 18.060.449,08 (“Provisão p/ Realização de Ágio – Incorp G&K) e de R$ 148.517,89 (“Ágio incorporação G&K”) excluídas no LALUR de janeiro a dezembro de 2009; R$ 113.448.573,53 – somatório das parcelas de R$ 4.194.772,48 (“Provisão p/ Realização de Ágio” referente à Boticário Participações Ltda.) R$ 108.362.693,73 (“Provisão p/ Realização do Ágio – Incorp G&K”) e de R$ 891.107,32 (“Ágio Incorporação G&K”) excluídas no LALUR de janeiro a dezembro de 2009. Já os itens 78 e 79 do TVF referemse exatamente à reversão da provisão para preservação de dividendos futuros, constituída pela G&K, no processo de cisão seguida de incorporação da parcela cindida pela Impugnante, nos exatos termos das Instruções CVM 319/349. Vejase o quanto explicitado no TVF: Fl. 4451DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 21 20 “78. De acordo com o explicado no item 66, de novembro de 2008 a março de 2009, o sujeito passivo constituiu mensalmente a provisão da amortização do ágio em sua contabilidade no valor de R$ 9.030.224,48, e promoveu a reversão da referida provisão, tornandoa, assim, sem qualquer efeito fiscal. 79. No entanto, no período citado no parágrafo anterior e de abril a dezembro de 2009, a empresa excluiu o valor de R$ 9.030.224,48, também mensalmente, nos respectivos LALUR, alcançando, com isto, uma redução do lucro real (base do IRPJ) e na base de cálculo da CSLL, nos seguintes montantes: a) em 2008 – R$ 18.060.449,08 (relativo a novembro e dezembro); b) em 2009 – R$ 108.362.693,73 (relativo aos 12 meses do ano).” Notese que o item 62 do TVF trata exatamente dos efeitos contábeis referentes à reversão da provisão para preservação de dividendos futuros.16 Conforme aqui já demonstrado, esta provisão foi constituída como forma de evitar os efeitos negativos do ágio no fluxo de dividendos futuros, conforme proteção prevista e regulamentada no artigo 60 da Instrução CVM nº 319/9917 (com redação dada pela Instrução CVM nº 349/01, adotada pelas empresas do grupo Boticário por representar referência das melhores práticas contábeis e societárias definidas pela CVM. Destaquese que a despesa correspondente à referida provisão foi adicionada ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL da G&K, nos termos do artigo 335 do RIR/99, uma vez que não se trata de provisão com dedutibilidade expressamente autorizada. Neste sentido, a Impugnante junta aos autos a folha da Parte A do LALUR da G&K onde constou a referida adição (Doc. 13) bem como a folha da Parte B na qual a provisão estava controlada, cujo saldo foi transferido para a Parte B do LALUR da Impugnante por força da sucessão universal em direitos e obrigações relativos à parcela do patrimônio vertido na cisão da G&K para a Impugnante, mediante incorporação. Com efeito, uma vez tendo sido ADICIONADO o valor da despesa com a constituição da provisão, o valor das receitas incorridas contabilmente com a reversão da referida provisão devem ser EXCLUÍDAS do lucro real e da base de cálculo da CSL, sob pena de tributação em duplicidade. A interessada reproduziu jurisprudência administrativa em favor de seu entendimento, e aduziu estar caracterizada a nítida tributação em duplicidade ocorrida no presente caso, à vista da autuação dos valores correspondentes à exclusão da receita de reversão da provisão, cuja despesa de constituição já havia sido adicionada pela Impugnante, quando da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL. Concluiu, assim, que este aspecto já seria suficiente para que não possa prosperar o lançamento em questão, motivo pelo qual requereu o cancelamento integral dos lançamentos. Por sua vez, a autoridade julgadora de 1a instância fez constar do relatório do acórdão recorrido, dentre os argumentos de impugnação da pessoa jurídica autuada, o que segue: q) que é descabida a tributação da receita de reversão da provisão constituída com base nas Instruções 319 e 349 da CVM, por versar sobre a glosa de exclusões procedidas no LALUR e cujo valor havia sido anteriormente adicionado quando da constituição da provisão; que, tendo sido adicionado o valor da despesa com a constituição da provisão, o valor das receitas incorridas contabilmente com a reversão da referida provisão deve ser excluído do lucro real e da base de cálculo da CSL, sob pena de tributação em duplicidade; Fl. 4452DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 22 21 Apresentado argumento que, no entender da pessoa jurídica autuada, seria suficiente para cancelamento integral da exigência, e não se manifestando a autoridade julgadora de 1a instância a este respeito, a apreciação por este Colegiado desse tópico, renovado no recurso voluntário da pessoa jurídica autuada, representaria cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo que, a teor do Decreto nº 70.235/72, tem assegurada a possibilidade de ver seu argumento apreciado ao menos por duas instâncias administrativas de julgamento, antes de se tornar definitiva a exigência. Em tais condições, o Decreto nº 70.235/72 impõe a declaração de nulidade da decisão recorrida: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (negrejou se) Esclareçase não ser possível a aplicação do §3o acima transcrito. Isto porque eventual decisão de mérito proferida nesta instância administrativa de julgamento não reúne condições para, por si só, ser classificada como favorável ao sujeito passivo, na medida em que à Fazenda Nacional está assegurado o direito de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais se caracterizada a divergência de entendimento em relação a julgado proferido por outro Colegiado desta Casa. Assim, por economia processual, é desnecessário prosseguir na análise dos demais argumentos dos recorrentes e aferir o posicionamento de todos os membros do Colegiado para determinar se o sujeito passivo seria, eventualmente, favorecido com o cancelamento integral das exigências. Frente ao exposto, o presente voto é no sentido de ANULAR o processo a partir, e inclusive, da decisão de primeira instância, para que novo acórdão seja produzido, integrado com a apreciação da matéria omitida, disto cientificandose novamente os sujeitos passivos com reabertura do prazo para apresentação de novos recursos voluntários. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 4453DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1101001.038 S1C1T1 Fl. 23 22 Fl. 4454DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13931.000368/2008-74
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converteu-se o julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões nos processos nº 12571.000200/2010-57 e 12571.000201/2010-00 as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues -Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converteuse o julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões nos processos nº 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000 as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório. Retornam os autos diligência à repartição de origem para onde foram encaminhados por meio da Resolução nº 3803000.175, com a finalidade de obtenção do inteiro teor das decisões prolatadas nos processos de nº 12571.000200/201057 e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 36 8/ 20 08 -7 4 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13931.000368/200874 Resolução nº 3803000.418 S3TE03 Fl. 4 2 12571.000201/201000, respectivamente, haja vista a possibilidade de influência do resultado daquelas demandas em face desta, uma vez detectada que são conexas. Do Relatório anexo podese inferir que os acórdãos referentes a esses processos foram providos, para a anulação dos respectivos autos de infração, sob o fundamento de que as declarações de compensação constituem instrumentos de confissão de dívida bastante e suficiente para a exigência dos débitos e, que vindo a ser objeto de lançamento, ensejariam a duplicidade de cobrança entre os valores lançados e aqueles objeto das compensações não homologadas. Vale dizer que nos referidos acórdãos não foram analisadas a matéria atinente ao mérito das querelas, a saber: o pedido de ressarcimento de crédito relacionado à Cofins não cumulativa mercado externo 2º trimestre/2003. Outra informação relevante constante do citado relatório é que os acórdãos inda não são definitivos, pois em face do acórdão proferido nos autos do PAF 12571.000201/2010 00 foram interpostos embargos de declaração pela representação da Fazenda Nacional, o que se presume por conter matéria e decisão semelhante, deverá ocorrer em relação ao outro processo. A conclusão a que chegou o referido relatório é que os dois processos retrocitados deveriam ser reunidos ao presente e demais correlatos para análise em conjunto. É o relatório. VOTO. Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator. O código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente nos julgamentos de processos administrativos tributários pelos órgãos julgadores do CARF/MF, preceitua em seu artigo 103, que há conexão entre duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir, havendo sido tal situação reconhecida pela Turma e convertido o julgamento em diligência, de onde retornaram os autos para este Juízo. Isto posto e considerando a pesquisa previamente realizada acerca dos autos, bem assim a conclusão a que chegou o relatório e, voto pela conversão em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões definitivas nos processos nºs 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo. É como voto. Sala de sessões em 30 de janeiro de 2014. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13931.000368/200874 Resolução nº 3803000.418 S3TE03 Fl. 5 3 (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930705/2009-73
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
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PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 07 05 /2 00 9- 73 Fl. 813DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.930705/200973 Acórdão n.º 3803005.968 S3TE03 Fl. 814 3 efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 12 de março de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de abril de 2013, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço predeterminado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.930705/200973 Acórdão n.º 3803005.968 S3TE03 Fl. 815 5 Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: IN SRF 468/04: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como Fl. 818DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.930705/200973 Acórdão n.º 3803005.968 S3TE03 Fl. 816 7 preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.930705/200973 Acórdão n.º 3803005.968 S3TE03 Fl. 817 9 dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 822DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.930705/200973 Acórdão n.º 3803005.968 S3TE03 Fl. 818 11 Fl. 823DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10875.003084/00-53
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.
Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante.
Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
Numero da decisão: 9900-000.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
EDITADO EM: 28/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator EDITADO EM: 28/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 30 84 /0 0- 53 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator EDITADO EM: 28/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, versando sobre a contagem do prazo prescricional do direito à repetição de indébitos tributários. A recorrente assevera que referido prazo seria de 5 (cinco) anos a contar da data em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior que o devido, consoante interpretação a ser dada ao inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN, interpretação essa que teria sido referendada pela Lei Complementar nº 118/2005. A discussão em causa, portanto, reportase exclusivamente ao prazo prescricional para requerer a repetição de indébito tributário, sendo importante ressaltar que o presente pedido foi formalizado anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 118/2005, que passou a viger a partir do dia 09/06/2005. No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 31/08/2000, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 09/1989 e 02/1992. É o relatório. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.003084/0053 Acórdão n.º 9900000.727 CSRFPL Fl. 11 3 Voto Conselheiro Francisco Sales Ribeiro de Queiroz Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante atesta o despacho competente, devendo ser conhecido. Conforme relatado, a questão que se põe à apreciação deste Colegiado diz respeito exclusivamente à preliminar de prescrição do direito à repetição de indébitos fiscais, merecendo ressaltar que o acórdão paradigma considerou irrelevante que o indébito tenha por fundamento a declaração de inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo quinquenal a partir da extinção do crédito tributário, conforme se extrai da leitura da ementa transcrita no recurso extraordinário, a seguir: ACÓRDÃO PARADIGMA "Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido." (grifo nosso). (Recurso n° 102147786. Processo n° 10183.003219/200293. Acórdão CSRF/0400.810. Quarta Turma. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). Os dispositivos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, citados na ementa acima transcrita, estão assim redigidos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 ......................................................................................................... Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (vide art. 3º da LC. nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. ......................................................................................................... A modalidade de extinção do crédito tributário a que se refere o supra transcrito dispositivo do inciso I, do art. 168 é o definido no inciso I, do art. 156, também do CTN, a seguir: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...). Assim, contado da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, teria o contribuinte cinco anos para fazer valer o seu direito à restituição, entendimento que mereceu intermináveis discussões no âmbito do contencioso administrativo tributário e nos Tribunais Superiores do Poder Judiciário pátrio. Dessa forma, em face da interminável batalha judicial estabelecida sobre o tema, e com a pretensão de pacificar e tornar definitivo um entendimento a respeito, sobreveio a Lei Complementar LC nº 118/2005, cujos artigos 3º e 4º alteraram e acrescentaram dispositivos ao Código Tributário Nacional CTN, dispondo ainda sobre a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 da mesma Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por seu turno, o mencionado inciso I, do art. 106, do CTN, estabelece que: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...). Fl. 309DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.003084/0053 Acórdão n.º 9900000.727 CSRFPL Fl. 12 5 Assim, a questão já teria sido definitivamente resolvida com a edição dos suso transcritos dispositivos da LC nº 118/2005, segundo o qual a interpretação a ser dada ao inciso I, do art.168, do CTN, é a de que “a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.” (Lei nº 5.172/1966 – CTN) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça STJ declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da LC nº 118/2005, ao entender que não se trata de lei meramente interpretativa, já que inova o ordenamento jurídico no tocante ao momento em que o crédito tornase extinto, e que, portanto, não pode retroagir nos moldes do artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de ofender o princípio da segurança jurídica, de respeitável proteção em nosso ordenamento. Referida matéria, até a sessão de 04/08/2011 do Supremo Tribunal Federal – STF, encontravase submetida ao regime de repercussão geral, oportunidade em que foi negado provimento ao RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, declarando a inconstitucionalidade do acima transcrito art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005, tendo referida decisão Suprema sido assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts . 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a Fl. 310DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça STJ, em recentíssima decisão (sessão de 02/08/2012), ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp nº 1.269.570 MG, entre muitas outras mais antigas, seguiu a referida posição jurisprudencial proferida do Tribunal Maior, consoante se extrai da leitura da ementa do REsp 1089356/PR, assim disposta: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09/06/2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI Nº. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o Fl. 311DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.003084/0053 Acórdão n.º 9900000.727 CSRFPL Fl. 13 7 entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei nº. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Nessa mesma linha, transcrevo ementa de outros julgados do STJ, nos quais o prazo prescricional é contado, em se tratando de pagamentos indevidos cuja repetição fora requerida anteriormente à vigência da LC nº 118∕2005 (09/06/2005), da data do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos REsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] Fl. 313DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.003084/0053 Acórdão n.º 9900000.727 CSRFPL Fl. 14 9 autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si". (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Através da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, diante dessas decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores, outra não poderia ser minha posição a respeito da matéria, senão a de aplicar ao caso os estritos termos das sobreditas decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 9 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), valeria o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseia a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Fl. 314DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 31/08/2000, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 09/1989 e 02/1992. Sendo assim, encontramse alcançados pela prescrição o direito à repetição referente aos fatos geradores corridos até 31/08/1990. Isto posto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para considerar prescritos os indébitos fiscais sobre fatos geradores ocorridos até 31/08/1990, devendo o processo retornar à repartição de origem para que seja analisada a viabilidade do pedido quanto às questões de mérito, sua liquidez, demais matérias não examinadas e adoção das providências que considerar cabíveis, devendo o processo, posteriormente, seguir seu trâmite de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. É assim que voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 315DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 28/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11853.000864/2011-78
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso com o reconhecimento da ocorrência da denúncia espontânea. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso com o reconhecimento da ocorrência da denúncia espontânea. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 08 64 /2 01 1- 78 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000864/201178 Acórdão n.º 3801002.655 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000864/201178 Acórdão n.º 3801002.655 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 0348.232, julgado na sessão de 10 de maio de 2012, pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Brasília, referente ao processo administrativo n° 11853.000864/201178, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, mantendose por conseguinte o Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Contra a contribuinte acima identificada foi formalizado Auto d e Infração relativo a cobrança de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon do mês de apuração de setembro/ 2007, no qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$ 9.395,99. O enquadramento legal do lançamento é o art 7 o da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 5/9) ao lançamento alegando, em síntese, que de acordo com as imposições do Art 142 do CTN, o lançamento fiscal obrigatoriam ente deve conter elementos confirmatórios para a sua essência, e deixar clara a tipificação e fundamentação da origem da infraçãotributária. Observa que o inciso IV, art 10 do Dec. 70.235/72, obriga o autu ante a mencionar o dispositivo legal infringido pela contribuinte. No caso, a autoridade lançadora no campo 05 (descrição dos fa tos e fundamento legal) identificou a Lei nº10.246, de 24/04/2002 com fundamento para lançamento de multa por atraso na entreg a do Dacon, normativo este que não trata de penalidades tributárias e sim da Política Agrícola no País; capitulação imprópria que torna nulo o lançamento fiscal.Acrescenta que apresentou a Declaração em atraso, porém espontaneamente, nos termos do artigo 138 do CTN, não cabendo a aplicação de multa sancionatória ou moratória. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes nesse sentido, de não cabimento da multa. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório. ” Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000864/201178 Acórdão n.º 3801002.655 S3TE01 Fl. 5 4 A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DDF de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DDF conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (DACON). ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o rec olhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal,não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 21.06.2012, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 5356, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000864/201178 Acórdão n.º 3801002.655 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, temos que o Despacho Decisório ora contestado não homologou a compensação declarada, sob o argumento de inexistência do crédito a compensar, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos da pessoa jurídica. Esclareceu a recorrente que o pagamento efetuado seria indevido, por se tratar de sociedade civil de profissão regulamentada, prestando serviços de engenharia, e, como tal, estaria isenta da Cofins, nos termos do artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91. Alegou, também que o STF ainda não teve uma solução definitiva sobre a matéria. Em que pese em casos idênticos, este Relator tenha sido vencido na questão, entendo ainda assim, por bem, acompanhar a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, nos termos da declaração de voto proferida no acórdão nº 3801002.085, desta Colenda Turma Especial: Como bem se infere da análise do lançamento, tratase de imposição de Multa Regulamentar pelo descumprimento de obrigação acessória convertida em obrigação principal em relação à penalidade aplicável. Há lei em vigor prevendo a aplicação da multa na data da ocorrência da situação que constitui o fato gerador da obrigação acessória. No caso em questão, foi realizada a entrega do DACON após o prazo especificado em lei, o que ensejaria a aplicação da Multa. Ocorre que o artigo 138 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Trata o dispositivo transcrito da chamada denúncia espontânea. A denúncia espontânea, por sua vez, é o instrumento através do qual se exclui a responsabilidade pela prática de alguma infração tributária por parte do contribuinte, ou responsável, desde que sejam obedecidos os preceitos ali constantes, quais Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000864/201178 Acórdão n.º 3801002.655 S3TE01 Fl. 7 6 sejam, pagamento do tributo devido, se for o caso, e inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da autoridade fazendária. Deveras, o sujeito passivo tem determinadas obrigações para com o sujeito ativo da relação jurídico tributária, seja de pagamento de tributos no prazo correto, seja de entregar o DACON dentro de prazo determinado pela lei, dentre outros comportamentos legalmente previstos. É, pois, a infração tributária, uma ação ou omissão praticada pelo agente da relação jurídica que, seja de forma direta ou indireta, descumpra deveres jurídicos normatizados em legislações fiscais. No caso em análise, de fato, o Recorrente cometeu uma infração, de natureza formal: a entrega do DACON em atraso. Sempre que ocorrida uma infração tributária, fato seguinte é o surgimento de suas respectivas sanções, as quais fazem com que o contribuinte tenha a ele imputada determinada penalidade. Ocorrida a infração tributária, podem ser desencadeadas três distintas situações: 1) Na primeira, o agente responsável pela infração não realiza nenhum procedimento, que dandose silente e aguarda a eventual ocorrência da decadência do direito da Fazenda Pública em lançar tais valores. 2) A segunda possibilidade é a Fazenda Pública fiscalizar o agente infrator e, desta feita, lavrar o Auto de Infração, onde o sujeito passivo poderá impugnálo administrativamente, recorrer ao Poder Judiciário para anulálo ou, até, adimplir os valores devidos de pronto. 3) Terceira possibilidade é a chamada denúncia espontânea, ou seja, o agente se antecipa a qualquer procedimento fiscalizatório do Poder Público e efetua o pagamento dos valores de pronto, ou realiza a obrigação que deixou de cumprir, comunicandoo, após, do ocorrido. Neste último caso, como exposto acima, o CTN expressamente prevê que, para beneficiar tanto o contribuinte como o próprio Fisco, os contribuintes se valham de um instituto excludente de responsabilidade, desde que cumpram os requisitos lá constantes para sua fruição. A referida norma, art. 138 do CTN, nada mais é do que uma norma indutora de conduta, uma vez que sua hipótese de incidência conclama apenas uma atitude exclusiva do sujeito passivo, não havendo qualquer obrigação para forçálo a agir de tal forma. É uma faculdade do sujeito passivo em se autodenunciar perante a fiscalização e, desta feita, ser beneficiado pela exclusão da penalidade decorrente da infração cometida. E tal faculdade tem Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000864/201178 Acórdão n.º 3801002.655 S3TE01 Fl. 8 7 o dom de beneficiar tanto o sujeito passivo que recebe tal benesse, quanto à própria Fazenda. O primeiro é beneficiado porque a legislação lhe dá a oportunidade de ser perdoada a sanção, desde que satisfeitos os pressupostos daquele instituto, o que estimula o adimplemento volitivo de suas obrigações tributárias; enquanto que, para o segundo, representa um estímulo maior para o controle fiscal e o ingresso de divisas, sem que este tenha que ir fiscalizar as empresas e verificar a correição dos procedimentos adotados pelos contribuintes Para que a denúncia espontânea surta seus efeitos, imprescindível a ocorrência de seus pressupostos. No caso ora analisado, todos os pressupostos foram observados, senão vejamos: Os pressupostos da denúncia espontânea são os seguintes: 1º) Denúncia espontânea da infração entrega extemporânea do DACON, e, conseqüentemente, o surgimento da respectiva sanção – no caso, o pagamento de multa pelo descumprimento da obrigação fiscal. Passada esta parte, necessário se faz que o contribuinte realize a chamada “denúncia espontânea”, ou seja, que comunique à Fazenda a ocorrência da infração e o seu respectivo adimplemento. A comunicação solene foi realizada pela Recorrente, através da entrega da DACON espontaneamente, em atraso. 2º) Pagamento do tributo devido e dos juros de mora, se for o caso. Como segundo pressuposto para a plena realização da denúncia espontânea, há a necessidade do adimplemento da obrigação que eventualmente não foi realizada a tempo correto. Neste sentido, mister é que o sujeito passivo, ao denunciarse espontaneamente para o Fisco, acompanhe junto desta comunicação o comprovante de que, ressalvada a multa, a obrigação que deveria ter sido adimplida épocas atrás tenha sido efetivamente cumprida. Vale ressaltar que, apesar de a norma referirse a “pagamento do tributo devido”, a aplicação do instituto da denúncia espontânea não fica reservado apenas para os casos de descumprimento da obrigação tributária principal, relacionada com o recolhimento do tributo efetivamente. A sanção decorrente da inobservância das regras instrumentais do Direito Tributário, notadamente aquelas relacionadas com as obrigações acessórias, também pode ser elidida pela aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esta assertiva resta absolutamente óbvia quando o legislador utiliza a expressão “se for o caso”. Com efeito, este pressuposto guarda íntima e direta relação com a chamada natureza das infrações fiscais, que podem ser tanto materiais, resultantes diretamente do não adimplemento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária; quanto formais, decorrentes do não cumprimento de uma obrigação, seja através de uma atitude positiva ou negativa. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000864/201178 Acórdão n.º 3801002.655 S3TE01 Fl. 9 8 Assim, o não cumprimento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária acarretará no nascimento de uma infração tributária material, relacionada com a expressão “pagamento do tributo”. Já o de um dever instrumental, uma infração formal, está relacionada com a expressão “se for o caso”. Sempre que uma obrigação tributária principal for inadimplida, para os efeitos da aplicação do art. 138 do CTN, necessário será que se pague o tributo devido. Entretanto, se a infração ocorrida for de natureza formal, como no caso presente, a denúncia espontânea consiste simplesmente na formalização junto ao órgão fiscal, do descumprimento de sua obrigação de prestar informações tempestivamente. Não há dúvidas, portanto, que a Recorrente preencheu este segundo pressuposto necessário para que possa usufruir do instituto da denúncia espontânea como forma de afastar a responsabilidade (leiase, punição) pela infração formal cometida. Vale reiterar a importância do caput do artigo 138 do CTN, que abrange sua aplicação tanto para os casos em que há “pagamento do tributo devido”, quanto para os casos em que não há “pagamento do tributo”, como é o caso da expressão “se for o caso”, constante do final daquele texto. Qual a validade da expressão “se for o caso”, se não para as infrações em que não há qualquer relação com valores pecuniários, como são os casos dos deveres instrumentais? CTN, pois não teria aplicação alguma. Só haverá pagamento de tributo devido quando a infração tenha sido não pagálo. Nesse caso, o autodenunciante, ao confessarse, deverá pagar o tributo nãopago. Mas se a infração cometida tenha sido a não prestação de uma informação, a confissão do Recorrente não ensejará o pagamento de tributo, porquanto esse pagamento representaria a não observância do artigo 138 do CTN. 3º) Inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Último pressuposto para a configuração da denúncia espontânea se encontra na figura da ausência de fiscalização, por parte do Fisco, em relação ao tributo sobre o qual o contribuinte, ou o responsável, se autodenuncia. Em suma, entendo que a Recorrente preencheu correta e satisfatoriamente todos os requisitos inerentes ao instituto da denúncia espontânea. É justamente no afastamento da responsabilidade pela infração e, consequentemente, na escusa de toda forma de penalidade, de sanção, que age a denúncia espontânea. Ela funciona como uma “excludente da culpabilidade”. A infração continua existindo. Todavia, o contribuinte não é mais punível. Ou seja, as conseqüências oriundas desta nova relação jurídica (todas elas) não podem mais se externar, pois prejudicado jus puniendi em relação àquele infrator. Isto é o que diz o artigo 138 do Código Tributário Nacional ao dispor que o agente, uma vez realizada a denúncia espontânea, Fl. 75DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000864/201178 Acórdão n.º 3801002.655 S3TE01 Fl. 10 9 não pode mais ser responsabilizado pela infração cometida. A norma optou por ser o mais abrangente possível e excluiu a própria responsabilização do agente, o que impossibilita, de resto, a incidência de qualquer penalidade – ou seja, de qualquer medida que possa lhe prejudicar. Por todo o acima exposto, divirjo do voto do Exmo. Relator, e decido no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração de fls.. É assim que voto. Muito embora ainda seja vencido nesta Colenda Turma quanto a presente matéria, mantenho as referidas razões de decidir, nos termos do voto da ilustre Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Discordo do voto do Conselheiro Relator, pelas razões abaixo. A fiscalização apurou que a contribuinte entregou fora do prazo o Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon e exigiu multa pelo atraso. Os fatos são incontroversos. A infração está tipificada no art. 7º, da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19, da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. Cito: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e Fl. 76DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000864/201178 Acórdão n.º 3801002.655 S3TE01 Fl. 11 10 sujeitarseá às seguintes multas: ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004.) (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004.) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004.) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (...) § 6º No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo.( Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.) Logo, não há razão para se considerar nula a exigência. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF nº 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000864/201178 Acórdão n.º 3801002.655 S3TE01 Fl. 12 11 O enunciado da súmula é o seguinte: “Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração.” Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: CSRF/0400.574, de 19/06/2007; 19200.096, de 06/10/2008; 10709.410, de 30/05/2008; 101 96.625, de 07/03/2008; 10516.674, de 14/09/2007; 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000864/201178 Acórdão n.º 3801002.655 S3TE01 Fl. 13 12 A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO – DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF nº 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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