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Numero do processo: 10480.723405/2011-89
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
CISÃO PARCIAL. INCORPORAÇÃO DE PARTE DOS BENS DO ATIVO DA EMPRESA CINDIDA. EMPRESA SUCESSORA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF MENSAL.
Fica obrigada à apresentação de DCTF mensal a pessoa jurídica de direito privado sucessora, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados.
A partir do ano-calendário de 2005, uma vez enquadrada em uma das hipóteses de obrigatoriedade de apresentação da DCTF Mensal, a pessoa jurídica permanecerá obrigada a sua apresentação nos anos-calendário posteriores, independentemente da alteração dos parâmetros considerados.
DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA.
A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito.
O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal.
Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição.
PROCESSO DE CONSULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias.
Numero da decisão: 1802-001.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 CISÃO PARCIAL. INCORPORAÇÃO DE PARTE DOS BENS DO ATIVO DA EMPRESA CINDIDA. EMPRESA SUCESSORA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF MENSAL. Fica obrigada à apresentação de DCTF mensal a pessoa jurídica de direito privado sucessora, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. A partir do ano-calendário de 2005, uma vez enquadrada em uma das hipóteses de obrigatoriedade de apresentação da DCTF Mensal, a pessoa jurídica permanecerá obrigada a sua apresentação nos anos-calendário posteriores, independentemente da alteração dos parâmetros considerados. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. PROCESSO DE CONSULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias.
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INCORPORAÇÃO DE PARTE DOS BENS DO ATIVO DA EMPRESA CINDIDA. EMPRESA SUCESSORA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF MENSAL. Fica obrigada à apresentação de DCTF mensal a pessoa jurídica de direito privado sucessora, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. A partir do anocalendário de 2005, uma vez enquadrada em uma das hipóteses de obrigatoriedade de apresentação da DCTF Mensal, a pessoa jurídica permanecerá obrigada a sua apresentação nos anoscalendário posteriores, independentemente da alteração dos parâmetros considerados. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 34 05 /2 01 1- 89 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 105 2 As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. PROCESSO DE CONSULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 106 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 74/84 contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife (fls. 64/67) que julgou improcedente a impugnação da Notificação de Lançamento – multa por atraso na entrega da DCTF mensal do PA Abril/2008 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta da Notificação de Lançamento (fl. 59) que a Contribuinte, em 16/05/2011, entregou ao fisco a DCTF mensal do PA Abril/2008, com atraso de 36 (trinta e seis) meses ou fração de mês calendário. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 06/06/2008; b) data de entrega: 16/05/2011; montante dos tributos/contribuições informados na DCTF: R$ 28.920,76; multa aplicada por entrega da DCTF em atraso: 2% ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante de tributos/contribuições informados na DCTF, limitada a 20%; cálculo da multa: 20% x R$ 28.720,76 = R$ 5.784,15; redução da multa em 50% (entrega voluntária e a destempo da DCTF, ou seja, antes da ciência de início do procedimento de ofício) = R$ 5.784,15 x 50% = R$ 27.686,14 (multa a pagar). Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. Enquadramento legal: Art. 7º da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 107 4 A Contribuinte tomou ciência, eletronicamente, da Notificação de Lançamento em 31/05/2011 (fl. 60), e apresentou defesa Manifestação de Inconformidade em 24/05/2011 (fls.02/08), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que em 2005 efetuou alteração cadastral, para fins de aumento de capital; que incorporou bens oriundos do ativo da empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA no valor de R$ 1.241.189,96, empresa do mesmo grupo econômico, conforme 14ª Alteração Contratual – Consolidação, de 10/01/2005 (fls.31/43 ); que, no caso, houve cisão parcial da MARDISA VEÍCULOS LTDA; que o PL remanescente da sociedade cindida (após a cisão parcial) totaliza R$ 16.732,624,35, conforme Décima Sétima Alteração do Contrato Social de 10/01/2005 (fls. 22/30); que a RFB entendeu, equivocadamente, ter havido sucessão empresarial pura e simples da empresa apenas cindida, em parte; que, diversamente, a empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA continua existindo, ou seja, permanece, persiste com suas atividades normalmente e com respectivo CNPJ, com sede em Nossa Senhora do Socorro/SE; que, não obstante, a RFB passou, equivocadamente, a exigir da Impugnante a apresentação de DCTF mensal, e não mais semestral, em decorrência da referida incorporação de parte dos bens da empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA, como se tivesse havido sucessão pura e simples da empresa cindida; que o fisco bloqueou eletronicamente a possibilidade de entrega, transmisão eletrônica da DCTF semestral; que na DRF/PE protocolizou: a) pedido, em 06/10/2008, para continuar apresentando DCTF semestral quanto ao 2º semestre de 2007 e quanto ao 1º semestre de 2008, até que fosse solucionada consulta processo de consulta nº 19647.016179/200813, gerando o processo administrativo nº 19647.017324/200875, no qual anexou formulários preenchidos das DCTF semestrais, fornecendo, apresentando ainda explicação ao fisco da citada operação de cisão parcial; que, ao final, seu pleito foi denegado nesse processo, tendo tomado ciência da decisão em 04/05/2011, cujas cópias das peças juntou aos presentes autos (fls. 48/55); b) pedido, em 06/04/2009, para continuar apresentando DCTF semestral quanto ao 2º semestre de 2008, até que fosse solucionada consulta processo de consulta nº 19647.016179/200813, gerando o processo administrativo nº 19647.004279/200970, no qual anexou formulário preenchido da DCTF semestral, fornecendo, apresentando ainda explicação ao fisco da citada operação de cisão parcial; que, ao final, seu pleito foi denegado nesse processo, tendo tomado ciência da decisão em 04/05/2011, cujas cópias das peças juntou aos presentes autos (fls. 48/55); que, ante a negativa de aceitação das DCTF semestrais pelo fisco, entregou, então, em 16/05/2011 as DCTF mensais quanto aos 1º e 2º semestres de 2008; que, entretanto, imediatamente foram lavradas pelo fisco as respectivas Notificações de Lançamento para exigência de multa, por entrega das DCTF mensais em atraso; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 108 5 que as Notificações de Lançamento foram emitidas, expedidas, sem levar em conta a existência do processo de consulta com efeito suspensivo, o qual estava em curso, na época, sem manifestação ou apreciação (processo nº 19647.016179/200813); que para o fisco federal, ainda, a Impugnante, como empresa sucessora por cisão parcial, é responsável – solidariedade passiva – pelas obrigações tributárias da empresa cindida quanto a fatos geradores ocorridos anteriores à data da operação, cuja responsabilidade não se restringe, portanto, apenas aos bens incorporados pela sucessora; que o fisco federal está exigindo da empresa sucessora por cisão parcial débitos da empresa cindida anteriores à operação de cisão parcial (processo nº 13401.000234/200_56); que não tem sentido o CNPJ de uma empresa ativa, que sofreu cisão parcial, estar atrelado a outro CNPJ, ou seja, da empresa que incorporou ou absorveu apenas parte da patrimônio da empresa objeto da cisão parcial; que discute judicialmente, nos autos do processo da Ação de Mandado de Segurança (processo nº 000098252.2009.4.05.8300), negando, rechaçando, a pretensão do fisco federal de responsabilização por sucessão (solidariedade passiva) por débitos tributários da empresa cindida anteriores à data da operação de cisão de que tratra o processo administrativo 13401.000234/200_56; que o Mandamus foi ajuizado e distribuído em 16/01/2009 (fls. 55/56); que, em relação à lide objeto destes autos, não tendo ocorrido sucessão total (incorporação integral de empresa), a Impugnante não pode ser abrigada a apresentar DCTF mensal, mas sim semestralmente; que inexiste obrigatoriedade da Impugnante apresentar DCTF mensal em decorrência da incorporação de parcela dos bens da empresa cindida parcialmente, pois pertence ao mesmo controle societário da empresa cindida parcialmente (Lei nº 9.959/00, art. 5º; Lei nº 9.249/95, art. 21, § 4º; Lei nº 9.430/96, art. 1º, § 1º e IN SRF 903/2008, art. 7º). Por todas essas razões, a Impugnante pediu a improcedência do lançamento fiscal e que seja permitida a apresentação de DCTF semestral. A DRJ/Recife, à luz da legislação e dos fatos, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 22/11/2012 (fls.64/67), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 109 6 Anocalendário:2008 PROCESSO DE CONSULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 25/02/2013 (fl. 72), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18/03/2013 (fls. 74/84), reiterando, em síntese, as razões já apresentadas na Manifestação de Inconformidade, na primeira instância. Por fim, a Recorrente pediu a reforma da decisão recorrida, ou seja, a improcedência do lançamento fiscal e apresentação da DCTF semestral, para o período objeto dos autos. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 110 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega de DCTF do PA Abril/2008, ou seja, pela inobservância de prazo limite no cumprimento de obrigação acessória autônoma. O prazo limite para apresentação tempestiva da DCTF era 06/06/2008. Entretanto, a Contribuinte cumpriu essa obrigação acessória autônoma a destempo, ou seja, apenas em 16/05/2011. Por isso da imposição em concreto da multa pecuniária objeto dos autos. Nas razões do recurso a Recorrente reconhece, admite o fato imputado pelo fisco, ou seja, “entrega de DCTF mensal em atraso do PA Abril 2008”; porém nega efeito jurídico a esse fato, aduzindo: a) que o fisco federal passou a exigir a apresentação de DCTF mensal para o período objeto da autuação, em face da incorporação pela Recorrente de parte do ativo da empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA no valor de R$ 1.241.189,96, empresa do mesmo grupo econômico. Operação de cisão parcial, conforme 14ª Alteração Contratual – Consolidação, de 10/01/2005 (fls.31/43); b) que, até então, estava obrigada à apresentação de DCTF semestral; c) que, a partir da incorporação de bens do ativo da empresa cindida parcialmente, a RFB bloqueou a entrega ou transmissão eletrônica da DCTF semestral, por parte da Recorrente; d) que, no caso, como já dito, houve apenas cisão parcial da MARDISA VEÍCULOS LTDA, empresa do mesmo grupo econômico; e) que o PL remanescente da sociedade cindida (PL após a cisão parcial) totaliza R$ 16.732,624,35, conforme 17ª Alteração do Contrato Social de 10/01/2005 (fls. 22/30); f) que a RFB, diversamente, entendeu ter havido sucessão empresarial pura e simples da empresa cindida parcialmente; g) que a empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA continua existindo, ou seja, persiste com suas atividades normalmente e com respectivo CNPJ; h) que pleiteou na DRF/PE, muito tempo antes da Notificação de Lançamento, a continuidade de apresentação de DCTF semestralmente para os 1º e 2º Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 111 8 semestres/2008, juntando cópias das DCTF semestrais, preenchidas em formulário papel, mas foi denegado o seu pedido (processos 19647.017324/200875 e 19647.004279/200970); i) que ante a negativa da RFB nesses processos, com ciência das decisões em 04/05/2011, entregou, então, as DCTF mensais em 16/05/2011 (fls. 48/55); j) que logo, na sequência, recebeu Notificação de Lançamento, onde o fisco exige o valor da multa pecuniária por descumprimento de o obrigação acessória autônoma (entrega em atraso da DCTF mensal); i) que a aplicação de ofício da multa pecuniária pela RFB ocorreu antes da apreciação ou ter o resultado da consulta formulada, a qual teria efeito suspensivo. A consulta foi protocolada em 2008 (processo nº 19647.016179/200813). k) que, por fim, a Recorrente (empresa sucessora em face da operação de cisão parcial) informou, nos autos, que trava discussão na Justiça Federal, em sede de Ação de Mandado de Segurança (processo nº 000098252.2009.4.05.8300) para livrarse da exigência de débitos da empresa cindida parcialmente, alegando inaplicabilidade de responsabilidade por sucessão (solidária passiva); que o Mandamus foi ajuizado e distribuído em 16/01/2009 (fls. 56/57); Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito da lide. A irresignação da Recorrente não merece prosperar. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. MATÉRIA NÃO IDÊNTICA. CONCOMITÂNCIA NÃO CONFIGURADA. Primeiro, convém frisar, desde o início, que, no caso, não existe e não restou caracterizada a concomitância de processos administrativo e judicial. Vale dizer, o processo judicial tem por objeto lide diversa do presente processo administrativo (não há identidade de objeto). O litígio objeto deste processo administrativo referese à exigência de multa pecuniária aplicada, em concreto, por entrega de DCTF mensal em atraso, quanto ao PA Abril/2008. Notificação de Lançamento da multa com ciência em 31/05/2011. A Recorrente discute, nas razões do recurso objeto deste processo, a questão da obrigação acessória autônoma, se estava ou não obrigada a apresentar a DCTF mensal, quanto ao período de apuração em tela. Como visto, a Recorrente, nos presentes autos, rebelase contra a exigência de débito lançado de ofício – multa pecuniária em maio de 2011 (fl. 60), ciência em 31/05/2011 (fl. 61). Débito decorrente de descumprimento de obrigação acessória autônoma (entrega em atraso de DCTF). Portanto, débito próprio, e não de terceiros. Já no referido processo judicial, Ação de Mandado de Segurança ajuízado e distribuído em 16/01/2009, a Contribuinte (Sucessora por cisão parcial), por ter incorporado bens do ativo da empresa sucedida Mardisa Veículos Ltda (cisão parcial), discute débito tributário da empresa sucedida (débitos de terceiros) de que trata o processo administrativo 13401.000234/200_56. Portanto, débito de terceiros (débitos da empresa cindida), em face da Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 112 9 aplicação pelo fisco da responsabilidade do sucessor (solidariedade passiva) (CTN, arts. 129, 132 e 133). A propósito, transcrevo o relatório da decisão judicial publicada em 23/01/2009 que descreve, narra, com precisão, o objeto do litígio deduzido em juízo (fl. 57), in verbis: (...) Vistos, etc. Cuidase de mandado de segurança. Alega a parte autora que houve uma cisão parcial da empresa Mardisa Veículos Ltda, com incorporação de bens por parte da impetrante. Relata, ainda, que lhe vem sendo cobrados débitos tributários que não seriam de sua responsabilidade, e, sim, da empresa cindida. Alega, ainda, que não existem os débitos que vêm sendo cobrados, tendo em vista compensação ocorrida. Requer, diante do que relata, que lhe seja garantido o direito de expedição de Certidão Negativa de Débito. Há pedido de liminar. Inicialmente, foi proferida decisão em que se determinou a ouvida da autoridade coatora (fl. 157). A impetrante, posteriormente, vem informar que depositou em juízo o valor cobrado, pelo que reitera o pedido de expedição de Certidão Negativa de Débito. É o relatório. DECIDO. A concessão de liminar em mandado de segurança exige a conjunção de dois requisitos: o fumus boni júris e o periculum in mora. No caso dos autos, entendo presentes ambos os requisitos. O crédito tributário, nos termos do art. 151, II do CTN, tem sua exigibilidade suspensa, com o depósito do montante integral. Tendo em vista o comprovante do depósito do valor de R$ 245.729,72 (duzentos e quarenta e cinco mil, setecentos e vinte e nove reais e setenta e dois centavos) fl. 165, cristalino que o crédito em nome da parte autora, relativo a este montante, está suspenso. Assim, ante a suspensão do crédito tributário, faz jus a parte autora à emissão da CND, in casu, certidão positiva com efeitos de negativa, caso o débito apontado nesta ação, com o valor depositado sendo integral (Súmula 112 do STJ), seja o único óbice à emissão da mesma. O periculum in mora em situações como tais se presume, tendo em vista a necessidade das empresas de certificados de regularidade fiscal para diversas operações. Assim, presentes ambos os requisitos, concedo a liminar solicitada. Determino, portanto, a expedição de Certidão Positiva com efeitos de negativa, caso esta seja a única pendência que impede a expedição da mesma, e uma vez comprovado que o depósito se deu no valor integral do crédito tributário (súmula 112 do STJ) questionado na presente ação, Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 113 10 referente ao Processo Administrativo 13401.000234/200_56. Oficiese à autoridade coatora, com urgência. Intimese a autoridade coatora para prestar informações, no prazo legal. Após, vista ao MPF, com ulterior conclusão para sentença. (...) Conforme demonstrado, o lançamento fiscal objeto dos presentes autos (exigência de ofício de multa pecuniária, por descumprimento de obrigação acessória autônoma = entrega de DCTF intempestivamente) não é objeto da lide deduzida judicialmente. Portanto, não restou caracterizada renúncia da Recorrente à discussão na órbita administrativa da matéria obrigatoriedade, ou não, de apresentação da DCTF mensalmente, a partir da incorporação de parte do ativo da empresa Mardisa Veículos Ltda (empresa objeto da cisão parcial) e exigência de multa pecuniária de ofício, por descumprimento de obrigação acessória autônoma (entrega em atraso da DCTF). OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DA DCTF MENSAL PELO SUJEITO PASSIVO, A PARTIR DA INCORPORAÇÃO DE PARTE DO ATIVO DA EMPRESA CINDIDA PARCIALMENTE. INCLUSIVE, MATÉRIA ENFRENTADA, DE FORMA REITERADA E CABAL, NA ESFERA ADMINISTRATIVA, EM DIVERSOS PROCESSOS ANTES DA AUTUAÇÃO. A Recorrente, de forma veemente, rechaça o entendimento da RFB de que, a partir da operação de incorporação de parte do ativo da empresa cindida Mardisa Veículos Ltda, empresa do mesmo grupo econômico, passou a estar obrigada à apresentação de DCTF mensal, e não DCTF semestral, alegando, para tanto, que inexistiu, no caso, sucessão pura e simples de empresas (incorporação total), mas apenas cisão parcial; que a empresa objeto da cisão parcial nunca foi extinta; que continua existindo normalmente e exercitando suas atividades operacionais, sendo empresa ativa nos cadastros da Receita Federal do Brasil. Não merece guarida a argumentação da Recorrente. Em momento algum, o fisco federal tratou a questão da incorporação, pela Recorrente, de bens do ativo da Mardisa Veículos Ltda como sendo incorporação total (não houve imputação de tal situação). Pelo contrário, tratase sim de cisão parcial; porém, essa incorporação de bens do ativo pela Recorrente determinou, juridicamente, alguns efeitos tributários para a Recorrente, como: a) responsabilidade tributária do sucessor na cisão parcial, por débitos da empresa cindida em relação a fatos geradores dos tributos ocorridos até a data da operação de cisão (CTN, arts. 129, 132 e 133).; b) obrigatoriedade de cumprimento de obrigação acessória autônoma pela sucessora do mesmo modo e forma a que estava sujeita a empresa objeto da cisão, antes da operação de cisão; A responsabilidade do sucessor pelos tributos da empresa cindida parcialmente não é objeto dos presentes autos, mas sim da referida ação judicial, como já demonstrado no tópico anterior. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 114 11 Por outro lado, é objeto dos presentes autos a questão da obrigatoriedade de apresentação de DCTF pela Recorrente (de sua atividade), a partir da operação de cisão, do mesmo modo e forma vigentes à empresa objeto da cisão (desde antes da operação de cisão). A cisão parcial ocorreu em 10/05/2005, conforme 14ª e 17ª Alterações do Contrato Social (fls. 32/44 e 23/31). Por força da legislação tributária, quanto à apresentação de DCTF (obrigação acessória autônoma), a empresa sucessora (no caso a Recorrente) segue o mesmo tratamento aplicado à cindida, quanto a essa obrigação acessória. Vale dizer: como a empresa cindida, na época da cisão parcial (10/01/2005), já estava obrigada à apresentação de DCTF mensal, então doravante a empresa sucessora da cindida por operação de cisão parcial ficou, do mesmo modo e forma, obrigada à apresentação de DCTF mensal. Tratase de aplicação da inteligência da Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007 (art. 3º, III, § 1º e art. 7º), vigente quando da ocorrência do fato gerador da obrigação acessória autônoma (obrigatoriedade de entrega da DCTF do PA Abril/2008 em 06/06/2008, em decorrência da operação de cisão parcial ocorrida em 10/01/2005, in verbis: Art. 3ºFicam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas de direito privado: I – (...) II – (...) III sucessoras, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. § 1º A partir do anocalendário de 2005, uma vez enquadrada em uma das hipóteses de obrigatoriedade de apresentação da DCTF Mensal, a pessoa jurídica permanecerá obrigada a sua apresentação nos anoscalendário posteriores, independentemente da alteração dos parâmetros considerados. (grifei) (...) Art. 7ºAs pessoas jurídicas devem apresentar a: I DCTF Mensal até o 5º (quinto) dia útil do 2º (segundo) mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; ou II – (...) § 1º No caso de extinção, incorporação, fusão ou cisão total ou parcial, a DCTF Mensal ou (...) deve ser apresentada pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 115 12 ou cindida, até o 5º (quinto) dia útil do 2º (segundo) mês subseqüente ao da realização do evento. § 2º A obrigatoriedade de apresentação na forma prevista no § 1º não se aplica, para a incorporadora, nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento. (Grifei) Como visto, em face da incorporação de parte do patrimônio da empresa cindida do mesmo grupo econômico, a Recorrente ficou dispensada de apresentação de DCTF especial (IN RFB nº 786/2007, art. 7º, § 2º), mas ficou obrigada a apresentar DCTF mensalmente, seguindo o mesmo tratamento dado à empresa cindida que, na época da cisão parcial, estava obrigada à apresentação de DCTF mensal (IN SRF RFB nº 786/2007, art. 3º, III, § 1º). No caso, a empresa cindida estava, sim, obrigada à apresentação de DCTF mensal na data da cisão parcial (10/01/2005), conforme consta, de forma expressa, nas decisões de 29/04/2011, nos processos administrativos nºs 19647.017324/200875 e 19647.004279/200970. A propósito, transcrevo a decisão constante do processo nº 19647.004279/200970, de 29/04/2011, in verbis: (...) A empresa em epígrafe apresentou, em 06/04/2009, requerimento de fls. 01 e 02 solicitando, referentemente ao 2o semestre de 2008, o recebimento do DACON e da DCTF semestral até que fosse decidida a CONSULTA formulada através do processo 19647.016179/200813. Em 31/08/2009 tomou ciência da INFORMAÇÃO FISCAL (fls. 232 e 233) que lhe negou o pleito, verbis: "Pelas Instruções Normativas n°s. 786/2007 e 903/2008 acima citada, a empresa está obrigada a apresentar a DCTF mensal, pelo fato da Cisão Parcial da empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA, CNPJ N° 63.411.623/000177, que estava obrigada a entrega da DCTF/DACON mensal. (...) “ Em 17/12/2008, foi cientificada (cópia do AR fl. 262) da solução da CONSULTA (cópia às fls. 244/251) formulada no processo 19647.016179/200813, cuja conclusão reproduzimos: "16. Frente ao exposto, é forçoso concluir que a Mardisa Veículos Ltda. é responsável pelos tributos devidos pela Cruzeiro do Sul Veículos e Peças S/A, relativos a fatos geradores ocorridos até a data da incorporação desta por aquela. Outrossim, a sociedade cindida (no caso, a Mardisa Veículos Ltda.) e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio (Plus Car Veículos Ltda.) respondem solidariamente pelo total das obrigações tributárias da primeira, surgidas até a data da sucessão, e não proporcionalmente ao patrimônio vertido, não importando a Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 116 13 data em que tenha sido ou venha a ser feito o lançamento do tributo. 17. Por último, convém esclarecer que a notificação de fl. 71 foi emitida pela DRF Recife/PE em estrita observância ao disposto no art. 3º, III, da IN SRF n° 695, de 14 de dezembro de 2006." Em 07/0402009 resultante da apreciação de recurso interpretativo por ela interposto contra a solução da consulta supramencionada, tomou ciência (cópia do AR fl. 263) do despacho denegatório (cópia fls. 252/254), legalmente destituído de efeito suspensivo, que assim conclui: "12. A dissidência interpretativa, para efeito de conhecimento do recurso especial, pressupõe a existência de teses jurídicas antagônicas, eliminandose, assim, as divergências internas quanto à interpretação do direito, o que não ocorreu no caso dos autos. Em virtude da falta de similitude fática e jurídica entre os casos confrontados, não há parâmetro de comparação possível entre a decisão hostilizada e os supostos paradigmas colacionados. Mercê do exposto, ressalvando sempre o muito respeito, entendemos que a vertente pretensão recursal não merece conhecimento, impondose a confirmação da decisão vergastada. A consideração superior. (...) Ordem de Intimação 14. Diante da conclusão de não haver similitude entre os quadros fáticos das matérias jurídicas tratadas nas decisões guerreada e paradigmas, não conheço do especial. Assinalese que não cabe a interposição de recurso deste despacho denegatório, nos termos do art. 16, § 2o, in fine, da sobredita IN RFB n° 740, de 2007. Remetamse os autos ao Seort da DRF Recife/PE, para ciência deste ato à aqui recorrente, com as cautelas de praxe e homenagens de estilo." Vêse, até este ponto, que a contribuinte não teve acolhida a sua pretensão de entrega das referidas declarações de forma semestral; quer pela informação fiscal, quer pela solução da consulta, quer pelo despacho que denegou o recurso interpretativo vinculado a esta última. Pois bem, no que pese já haver sido cientificada em 17/12/2008 (cópia do AR fl. 262) da decisão resultante da decisão de consulta (cópia às fls. 244/251) como também, em 07/04/2009, (cópia do AR fl. 263) do despacho denegatório (cópia às fls. 252/254) resultante da apreciação de recurso interpretativo de sua insurgência contra o resultado da consulta, formulou em 30/09/2009 manifestação de inconformidade (fls. 237 a 240) contra a informação fiscal (fls. 232 e 233). Ocorre que da informação fiscal não caberia "manifestação de inconformidade" conforme despacho da DRJ à fl. 257, excerto: "São passíveis de análise pelas DRJ as manifestações de inconformidade apresentadas pelo contribuinte contra apreciação das Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 117 14 autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e a redução de tributos e contribuições. Logo, a manifestação de inconformidade contra a decisão proferida pela unidade de origem não está sujeita a julgamento, falecendo competência a esta DRJ para se pronunciar acerca da matéria." Na verdade, o requerimento às fls 01 e 02 é uma solicitação ("...até que seja decidida a CONSULTA protocolada sob o n° 19647.016179/200813 ..." fl. 02); da qual, por falta de comando normativa que o preveja, não cabe recurso; e, de forma muito bem posta e clareza meridiana não poderia ser atendida, conforme a já citada informação fiscal exarada neste processo. Em 17/08/2010, não obstante, como demonstrado anteriormente, o reiterado insucesso da requerente em relação a seu pleito, tanto neste processo como no de consulta, traz aos autos (fl. 259) peça em que pede a suspensão da notificação (fl. 264) de lançamento de DCTF mensal do período de apuração de dezembro de 2008 "...até que seja resolvida a questão da forma de transmissão da DCTF, se semestral ou mensal." Ora, "...a questão da forma de transmissão da DCTF, se semestral ou mensal..." já estava perfeitamente resolvida e dela a contribuinte cientificada; a forma de transmissão, no caso, é mensal, tanto ao teor da informação fiscal quanto da decisão da consulta. Além disso, a insurgência quanto à notificação claramente deveria ser dirigida à DRJRecife, e não a esta unidade, conforme item 5 da intimação. Por tudo, finalizando, reiterase o que já está explicitado na informação fiscal (fls. 232 e 233) e na decisão da consulta: a contribuinte deve apresentar os DACONs e as DCTFs referentes ao segundo semestre de 2008 na forma mensal. (...) Pela transcrição acima, restou claro que a contribuinte, nesta instância de julgamento, mais uma vez, assim como já o fez de forma insistente naqueles processos citados, procura voltar, retornar ao mesmo assunto, ou seja, rediscutir matéria já decidida, de forma irreformável, naqueles processos administrativos, quanto à obrigatoriedade de apresentação da DCTF mensal para o período de apuração Abril/2008 e seguintes. Portanto, deve ser mantida a exigência da multa pecuniária objeto dos presentes autos, pois a Recorrente, a partir da data da operação de cisão parcial, ficou obrigada a apresentar DCTF mensalmente, seguindo o mesmo tratamento dado à empresa cindida que, na época da cisão parcial, estava obrigada à apresentação de DCTF mensal (IN SRF RFB nº 786/2007, art. 3º, III, § 1º). Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 118 15 DCTF. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. Apenas para argumenar, no caso de sucessão de empresa, inclusive na hipótese de cisão parcial, há obrigação acessória decorrente dessa operação, a ser cumprida, adimplida pela empresa cindida e pela empresa sucessora que, no caso, incorporou parte do patrimônio da empresa que sofreu a cisão. No caso da DCTF (declaração de débitos e créditos federais), essa obrigação acessória autônoma foi implementada pela Instrução Normativa SRF nº 129/86, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e no art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...) No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 119 16 complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (...) 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...) 2. A incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por força de instrumento legislativo próprio (lei ordinária), sem importar qualquer afronta à Constituição Federal. 3. O encargo legal de 20%, referente à inscrição em dívida ativa, é constitucional, compõe o débito exeqüendo e é sempre devido nas execuções fiscais, substituindo, nos embargos, a condenação em honorários por expressa previsão legal (artigo 1º, do Decretolei nº 1.025/69). (...) 2) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 120 17 configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. (...) Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória. Nesse sentido, é a posição consolidada do STJ, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). Já, a multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, in verbis: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 121 18 apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) O dispostivo legal transcrito acima é norma específica para imposição de multa pecuniária por descumprimento de obrigação acessória relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. No caso, em face da incorporação de parte do patrimônio da empresa cindida do mesmo grupo econômico, a Recorrente ficou dispensada de apresentação de DCTF especial (IN RFB nº 786/2007, art. 7º, § 2º), mas ficou obrigada a apresentar DCTF mensalmente, pois a empresa objeto da cisão, na época, conforme já demonstrado alhures, estava sim obrigada a apresentação da DCTF mensal (IN SRF RFB nº 786/2007, art. 3º, III, § 1º), aplicandose, por conseguinte, à empresa sucessora por cisão parcial, no caso a Recorrente, as mesmas condições de apresentação da DCTF aplicada à empresa cindida. PROCESSO DE CONSULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. O processo de consulta está legalmente previsto nos arts. 48 a 50 da Lei nº 9.430/96 e disciplinado, na legislação infralegal, pela Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007. Diversamente do alegado pela Recorrente, o processo de consulta quanto aos efeitos não suspende a obrigatoriedade de cumprimento de obrigações acessórias, mormente o prazo para entrega de declaração de rendimentos, inclusive DCTF. Logo, não configura empecilho para o lançamento de ofício (Notificação de Lançamento de Multa por descumprimento de obrigação acessória autônoma), a imputação da infração “descumprimento de obrigação acessória autônoma”, para exigência da respectiva multa pecuniária, no caso entrega intempestiva, ou seja, a destempo de DCTF. Ademais, quanto ao processo de consulta (processo nº 19647.016179/2008 13), comungo, também, do mesmo entendimento do acórdão recorrido de que a consulta não tem efeito suspensivo, não impedindo o lançamento da multa de ofício. Nesse sentido, adoto inclusive, como razão de decidir, os mesmos fundamentos constantes do voto condutor da decisão a quo (fls. 67/68), in verbis: (...) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723405/201189 Acórdão n.º 1802001.992 S1TE02 Fl. 122 19 De acordo com a IN RFB nº 740, de 2 de maio de 2007, que dispõe sobre o processo de consulta relativo à interpretação da legislação tributária entre outras disposições, o § 5º, do art 14 assim determina: § 5º A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias. (...) Por último, ainda diversamente do alegado pela Recorrente, a Notificação de Lançamento, como demonstrado alhures, foi efetuada algum tempo após a ciência da decisão final em processo de consulta (decisão sujeita à instância única). Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 11080.005994/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE EXTENSÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS.
Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CAUSADO PELO FONTE PAGADORA DOS RENDIMENTOS.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF nº 73)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi, Eivanice Canário da Silva e Atílio Pitarelli, que davam provimento ao recurso. O Conselheiro Atílio Pitarelli fará declaração de voto.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 02/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Atilio Pitarelli, Alice Grecchi, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei n 9.250, de 1996. MULTA DE OFÍCIO. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CAUSADO PELO FONTE PAGADORA DOS RENDIMENTOS. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF n 73) Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi, Eivanice Canário da Silva e Atílio Pitarelli, que davam provimento ao recurso. O Conselheiro Atílio Pitarelli fará declaração de voto. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 59 94 /2 00 9- 71 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.005994/200971 Acórdão n.º 2102002.715 S2C1T2 Fl. 469 2 JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 02/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Atilio Pitarelli, Alice Grecchi, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra NADINE OLIVEIRA CLAUSELL foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/20, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, exercícios 2006, 2007 e 2008, no valor total de R$ 201.247,97, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/08/2009. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Relatório de Ação Fiscal, fls. 06/15, foi a classificação indevida de rendimentos tributáveis como isentos, ou seja, a contribuinte classificou indevidamente os rendimentos recebidos da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, decorrentes da prestação de serviços, como isentos, razão pela qual procedeuse o lançamento. Inconformado com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 72/98, onde sustenta, em suma, que os valores recebidos da Fundação Médica do Rio Grande do Sul são realmente relativos a bolsas de estudo, de modo que entende que não incide o imposto de renda sobre tais rendimentos, nos termos do disposto no art. 26 da Lei nº 9.250 de 26 de dezembro de 1995. A autoridade julgadora de primeira instância considerou improcedente a impugnação, conforme Acórdão DRJ/POA nº 1030.411, de 30/03/2011, fls. 419/433. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 12/05/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 436, a contribuinte apresentou, em 09/06/2011, recurso voluntário, fls. 437/458, no qual reproduz e reforça as mesmas alegações trazidas na impugnação. É o Relatório. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.005994/200971 Acórdão n.º 2102002.715 S2C1T2 Fl. 470 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No recurso, a contribuinte insiste em afirmar que os rendimentos recebidos da Fundação Médica do Rio Grande do Sul são isentos do imposto de renda, nos termos do disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996, abaixo transcrito: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Contudo, da análise dos documentos que compõe o processo verificase que não assiste razão à contribuinte. Nesse sentido, importa dizer que andou bem o relator da decisão recorrida ao apreciar a questão, de modo que adoto na íntegra as suas razões de decidir, sendo pertinente que aqui se transcreva parte do voto condutor da referida decisão: No caso em apreço, a contribuinte, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na qualidade de membro da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, CNPJ 94.391.901/000103, desenvolve atividades de preceptoria, "coordenando e controlando as atividades complementares dos alunos residentes, quando estes prestam assistência médica a pacientes do SUS" sob forma de programa de extensão. Nesse aspecto, importante transcrever trechos relevantes do Termo de Compromisso (fls.30/32) lavrado em 01/07/2006, excertos esses que encontram a devida correspondência nos outros Termos constantes do processo: “CLÁUSULA PRIMEIRA: O presente instrumento tem por objeto propiciar ao professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, supra nomeado e qualificado, enquanto membro da FUNDAÇÃO MÉDICA, o desempenho de atividades complementares à docência, sob a forma de atividade de extensão nos termos da Resolução 02/94 do COCEP, visando o desenvolvimento e execução dos projetos denominados e [sic] “GESTÃO DA INFORMAÇÃO E DA QUALIDADE ASSISTENCIAL NO HCPA” junto ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre HCPA. Parágrafo Primeiro: As atividades de extensão, conforme o caso, compreenderão, atividades de preceptoria e coordenadoria, assim entendidas: Fl. 482DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.005994/200971 Acórdão n.º 2102002.715 S2C1T2 Fl. 471 4 a) Preceptoria: atividades de extensão de supervisão e treinamento e seleção de profissionais de nível superior que sejam alunos de Programa de Residência Médica e outros Programas de Especialização desenvolvidos pelas instituições apoiadas. b ) Coordenadoria: atividades de extensão de coordenação dos Programas e Projetos de Extensão em desenvolvimento pelas instituições apoiadas. Parágrafo Segundo: O desenvolvimento e participação no projeto de extensão, na forma do previsto no artigo 5º, § 2º, do Decreto n° 5.204/04 não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, devendo ser desenvolvido sem prejuízo de suas atribuições funcionais. CLÁUSULA SEGUNDA: Em contrapartida às atividades de extensão objeto do presente instrumento, complementares às atividades de docência desenvolvidas pelo(a) professor(a) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na forma do disposto no artigo 4º, § 1º da Lei n° 8.958/94 e Art. 5º, § 2º e Art. 6º 3º do Decreto n° 5.204/04, a FUNDAÇÃO MÉDICA concederá a(o) professor(a) uma bolsa de extensão, na forma do disposto no "Regulamento para Concessão de Bolsas de Extensão (BE)” devidamente arquivado junto ao Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul — Procuradoria de Fundações, e registrado no Serviço de Registro de Títulos e Documentos das Pessoas Jurídicas da comarca de Porto Alegre RS. [...] Parágrafo Segundo: O pagamento da bolsa de extensão será efetivado até o último dia útil de cada mês, mediante depósito em conta corrente de titularidade do BOLSISTA em banco credenciado pela FUNDAÇÃO MÉDICA. (...) CLÁUSULA QUINTA: Fica assegurada à FUNDAÇÃO MÉDICA, a qualquer tempo, fiscalizar o andamento do projeto, sugerir a adoção de procedimentos técnicos e operacionais, analisar, enfim tudo o que for necessário para o melhor desenvolvimento e atendimento dos objetivos do programa de extensão. " (Grifos do original) Os documentos sob exame, não obstante denominados de "Termo de Compromisso", tratam, na verdade, de acordos de vontades contratos estipulados entre a Fundação e a impugnante, determinando direitos e deveres para ambas as partes. A prestação das atividades de preceptoria e coordenadoria, obrigação da contribuinte, corresponde a obrigação da Fundação de pagamento da "bolsa de extensão", durante a vigência do contrato, obrigação essa que possui o nítido caráter de contraprestação. Os projetos realizados, de acordo com o contrato, propiciam ao professor da UFRGS, instituição à qual o HCPA está vinculado, o desempenho de atividades complementares à docência, sob a forma de preceptoria e/ou coordenadoria. Essas atividades se Fl. 483DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.005994/200971 Acórdão n.º 2102002.715 S2C1T2 Fl. 472 5 consubstanciam, na realidade, em efetiva prestação de serviços educacionais, médicos ou de consultoria. O Convênio Operacional n° 01/2004 (fls. 247/261), firmado entre o HCPA e a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, trata desse programa os posteriores Convênios a ele relacionados simplesmente reiteram os seus termos. Pelo referido Convênio, de acordo com seu item "7", a Fundação Médica tem como obrigação "desenvolver programa de extensão de preceptoria em residência médica mediante assistência pelos professores e médicos residentes aos pacientes do SUS – Sistema Único de Saúde, em nível ambulatorial, hospitalar e de diagnósticos, perante o HCPA" (Grifei). Destarte, o Convênio deixa inequívoco que o “preceptor” realiza suas atividades de preceptoria mediante “orientação de médicos residentes no seu treinamento médico” a pacientes do SUS no HCPA. Além disso, importa notar que a Fundação em comento como a leitura dos itens "5" e "7", alínea "e" do Convênio Operacional n° 01/2004 elucida utiliza recursos do SUS para o custeio do Programa em foco, por meio de repasse da instituição apoiada, o HCPA. Desse modo, as "bolsas de extensão" relativas a esse projeto são pagas pelo HCPA ao recorrente com recursos do SUS, atuando a Fundação, na prática, como pessoa interposta na mediação desses recursos. Destaquese que o HCPA é diretamente beneficiado com o pagamento das "bolsas de extensão" pela Fundação, pois a atividade do recorrente contribui tanto para que o Hospital realize a prestação de serviços médicos para os pacientes do SUS (do qual recebe verbas federais), quanto para que o HCPA atue como hospital escola da UFRGS. Tais benefícios à pessoa doadora (HCPA) têm, indubitavelmente, clara faceta econômica, desnaturando, conjuntamente com o caráter de prestação de serviços das atividades desenvolvidas sob o programa, a pretensão à isenção com relação às "bolsas de extensão" concedidas pela Fundação ao contribuinte. E mais, tal questão já foi apreciada neste CARF, conforme se infere dos Acórdãos nºs 2101001.950, de 18/10/2012 (Relator Conselheiro José Evande Carvalho Araújo) e 2201001.926, de 22/01/2013 (Relatora Conselheira Rayana Alves de Oliveira França), sendo que em ambas ocasiões entendeuse de forma unânime pela tributação dos rendimentos recebidos da Fundação Médica do Rio Grande do Sul. Sobre o tema o Conselheiro José Evande Carvalho Araújo assim se pronunciou: Desta forma, para que as bolsas de estudo e de pesquisa não sofram a incidência do imposto de renda, é necessário: a) que sejam caracterizadas como doação; Fl. 484DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.005994/200971 Acórdão n.º 2102002.715 S2C1T2 Fl. 473 6 b) que sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; c) que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; d) que os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços. Assim, devese verificar se as verbas em discussão atendem, cumulativamente, a todos os requisitos acima elencados. Basta que um deles não ocorra no caso concreto, para que prevaleça a regra geral de tributação. Acrescentese que o simples fato dos rendimentos pagos se denominarem de bolsas de extensão não afasta a aplicação da isenção legal para bolsas de estudo e de pesquisa, desde cumpridos os mesmos requisitos. Neste processo, a recorrente foi remunerada por meio de bolsa de extensão, na forma do disposto no art. 4º, §1º, da Lei n° 8.958, de 20 de dezembro de 1994 e nos arts. 5°, §2º, e 6º, §3º, do Decreto n° 5.204, de 14 de setembro de 2004. (...) Assim, é fato que a legislação que criou e regulamentou as fundações de apoio às instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica determinou que as bolsas de ensino, pesquisa e extensão pagas aos professores daquelas instituições deveriam atender aos requisitos da lei isentiva, e portanto não deveriam ser tributadas pelo imposto de renda. Entretanto, na situação sob análise, concordo com a conclusão do lançamento e do acórdão a quo de que os pagamentos decorreram da contraprestação de serviços, como passo a esclarecer. Caso concreto: A recorrente é professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS em Porto Alegre/RS, e nesta condição tornouse membro da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, onde desempenha atividades complementares à docência, sob a forma de atividade de extensão. A Fundação Médica do Rio Grande do Sul é uma fundação de apoio ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), que é o hospital escola da UFRGS. As verbas lançadas decorrem dos projetos de extensão denominados “PROGRAMA DE GESTÃO DE INFORMAÇÕES HOSPITALARES”, “GESTÃO DA INFORMAÇÃO E DA QUALIDADE ASSISTÊNCIA NO HCPA” e “PROGRAMA DE DOCÊNCIA EM RESIDÊNCIA MÉDICA E ASSISTÊNCIA À SAÚDE”. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.005994/200971 Acórdão n.º 2102002.715 S2C1T2 Fl. 474 7 De acordo com os Termos de Compromisso firmados para participação nos projetos, as atividades a serem desempenhadas eram: a) Preceptoria: atividades de extensão de supervisão e treinamento e seleção de profissionais de nível superior que sejam alunos de Programa de Residência Médica e outros Programas de Especialização desenvolvidos pelas instituições apoiadas; b) Coordenadoria: atividades de extensão de coordenação dos Programas e Projetos de Extensão em desenvolvimento pelas instituições apoiadas; c) Consultoria: atividades de extensão de suporte acadêmico ao desenvolvimento do ensino, assistência e da pesquisa no âmbito das instituições apoiadas, respeitados os respectivos regimentos internos. Os projetos e os termos de compromisso esclarecem que, em contrapartida às atividades de extensão realizadas, complementares às atividades de docência desenvolvidas pelo professor da UFRGS, seria paga uma bolsa de extensão, na forma do disposto no art. 4°, §1º, da Lei n° 8.958, de 1994 e nos arts. 5°, §2º, e 6º, §3º, do Decreto n° 5.204, de 14 de setembro de 2004. Contudo, apesar de instituídas com base nessa legislação, há que se considerar que as bolsas de extensão sob análise possuem nítido caráter de contraprestação de serviços. Observese que a principal função realizada pela contribuinte é a de supervisão e treinamento dos médicos residentes do Hospital Escola da UFRGS, que possui a mesma natureza da sua ocupação de professora dessa universidade. E isso é ainda mais evidente quando se verifica que a residência médica constitui modalidade de ensino de pós graduação. Além disso, na função de supervisão e treinamento dos médicos residentes, a contribuinte certamente presta serviço de atendimento médico, atividade própria do hospital escola. O mesmo raciocínio se aplica às outras atividades dos projetos de extensão: a de coordenação de programas e projetos de extensão e de consultoria. Tratase de prestação de serviços em benefício da fundação de apoio e do hospital escola. Acrescentese que, em cada ano fiscalizado, as bolsas pagas pela Fundação equivaliam a cerca de 50% do total de rendimentos pagos pela UFRGS. Não se trata, assim, de parcelas esporádicas e eventuais, mas verdadeira complementação salarial, paga no decorrer de diversos anos, o que reforça a convicção de sua natureza remuneratória. A recorrente centra boa parte do seu recurso na importante função social do hospital escola, que teria sua imunidade Fl. 486DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.005994/200971 Acórdão n.º 2102002.715 S2C1T2 Fl. 475 8 reconhecida por decisão judicial, e no fato dos serviços prestados se darem em benefício da sociedade, e não da fundação de apoio. Certamente, não se pretende contestar a importância e a excelência dos serviços prestados à população. Mas o que se deve entender é que a imunidade com relação aos impostos das instituições de assistência social não se estende para as remunerações pagas a seus prestadores de serviço. Se os argumentos do recurso fossem válidos, isentos também seriam os salários pagos aos médicos do hospital escola. Desta forma, entendo que os valores pagos na forma de bolsa de extensão constituem pagamento pelos serviços de ensino, coordenação e consultoria prestados em favor da Fundação Médica do Rio Grande do Sul e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Considerando as razões expostas no voto acima transcrito, resta claro que os rendimentos recebidos pela contribuinte da Fundação Médica do Rio Grande do Sul são tributáveis. Por fim, devese aplicar ao caso a Súmula CARF n° 73, que a seguir se transcreve: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Veja que constam dos autos os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, fls. 39/41, fornecidos pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul, com indicação de que os rendimentos levados à tributação no lançamento seriam isentos e não tributáveis, de modo que, em respeito ao disposto na Súmula CARF nº 73, acima transcrita, não pode prosperar a exigência da multa de ofício. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para cancelar a exigência da multa de ofício. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 487DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.005994/200971 Acórdão n.º 2102002.715 S2C1T2 Fl. 476 9 Declaração de Voto A controvérsia do presente julgamento cingese à aplicabilidade da isenção inscrita no art. 26 da Lei nº 9.250/96 às bolsas de extensão e pesquisa pagas à recorrente pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul. O texto do supracitado dispositivo é o que segue: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Da leitura do enunciado, concluise que existem três requisitos para que se reconheça que a isenção é aplicável: a) natureza de doação; b) inexistência de vantagem econômica para o doador; c) não importar contraprestação de serviços. Passase à análise tópica. Da Natureza das Bolsas A doação, de acordo com o art. 538 do Código Civil, é o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Tal espécie contratual pode, ainda, ser classificada em três subespécies: a) doação pura e simples; b) doação condicional; c) doação modal. A doação pura e simples é aquela em que a transferência da propriedade depende tão somente da vontade do doador, sem que exista qualquer óbice ou condição imposta à pessoa do donatário. Na doação condicional, o contrato fica vinculado a eventos futuros e incertos, que condicionam a transferência da propriedade. Tais condições podem ser cláusulas suspensivas ou resolutórias. Na doação modal, ou com encargo, o donatário fica incumbido de assumir determinado ônus para fazer jus à doação. Esse ônus pode ser a execução de atividade em prol do doador, do interesse geral ou de terceiro. A diferença entre a doação modal e a doação condicional, é que na doação modal o direito ao bem transferido depende de ato do próprio donatário, e não de evento alheio a sua vontade. Identificando que para receber as bolsas a recorrente assumiu termo de compromisso de participação em projeto de extensão, há que se reconhecer que a bolsa em questão é doação modal. O Decreto nº 5.205/04 corrobora tal conclusão, em seu art. 6º: Fl. 488DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.005994/200971 Acórdão n.º 2102002.715 S2C1T2 Fl. 477 10 Art. 6º As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. § 3º A bolsa de extensão constituise em instrumento de apoio à execução de projetos desenvolvidos em interação com os diversos setores da sociedade que visem ao intercâmbio e ao aprimoramento do conhecimento utilizado, bem como ao desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da instituição federal de ensino superior ou de pesquisa científica e tecnológica apoiada. Em outras palavras, cumpre referir que quando uma instituição federal de ensino – IFE – recorre à contratação de uma Fundação de Apoio, como no caso da Fundação Médica, tem como objetivo a realização dos seus projetos de ensino, pesquisa e extensão. A conclusão dos objetivos institucionais das IFEs não deve ser confundido com a “existência de vantagem” referida no art. 26, da Lei nº 9.250/95, pois nessa última está se falando de “vantagem econômica”. Logo, entendo que correta a natureza de doação civil para a prática dos atos mencionados nos convênios firmados entre a Fundação Médica e a recorrente, conforme adiante será demonstrado. Da Vantagem Econômica Para o Doador Embora o acórdão de impugnação refira o Hospital de Clínicas como o doador, entendo que se trata de um equívoco na leitura dos fatos. Isso porque o doador é aquele que possui o controle sobre os elementos da vontade na concessão das bolsas, papel exercido pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul. Tal conclusão é extraída da leitura sistemática dos termos de compromisso e dos Convênios Operacionais, que estipulam como obrigações suas a seleção dos preceptores e determinação do valor das bolsas pagas. Vejamos o Convênio de Cooperação firmado entre a Fundação Médica do Rio Grande do Sul e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre: A FUNDAÇÃO MÉDICA obrigase a: c) promover a execução de programa de extensão de preceptoria em residência médica, mediante processo de seleção próprio, visando o aperfeiçoamento e a capacitação técnicocientífica do profissional da área médica. Em conjunto, o Termo de Compromisso refere que cabe à diretoria da Fundação Médica do Rio Grande do Sul definir o valor das bolsas: Parágrafo Primeiro A bolsa de extensão terá seu valor definido em reunião de Diretoria da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, mensalmente, levandose em conta as atividades de extensão em desenvolvimento pelo bolsista, os recursos destinados aos programas e projetos de extensão pela Concedente e pelas instituições apoiadas de acordo com orçamentos previstos de instrumentos de convênio específicos e valores existentes no Fundo de Apoio e Incentivo às Atividades de Extensão. Uma vez estabelecida a Fundação Médica do Rio Grande do Sul como a doadora, é impossível vislumbrar qualquer vantagem econômica que essa possa retirar dos Fl. 489DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.005994/200971 Acórdão n.º 2102002.715 S2C1T2 Fl. 478 11 projetos de extensão. A um, pois é Fundação de Apoio sem fins lucrativos, e, a dois, pois dos valores a si repassados pelo Hospital de Clínicas, apenas pequeno percentual é mantido pela Fundação, e tal quantia serve tão somente para cobrir os custos administrativos da execução dos projetos (compra de materiais, pagamento de taxas administrativas, etc.). Supondo, contudo, que a decisão da DRJ estivesse correta quanto ao fato de o Hospital de Clínicas ser o efetivo doador, conforme trecho abaixo, ainda assim estaria errada a conclusão: Destaquese que o HCPA é diretamente beneficiado com o pagamento das "bolsas de extensão" pela Fundação, pois a atividade do recorrente contribui tanto para que o Hospital realize a prestação de serviços médicos para os pacientes do SUS (do qual recebe verbas federais), quanto para que o HCPA atue como hospital escola da UFRGS. Tais benefícios à pessoa doadora (HCPA) têm, indubitavelmente, clara faceta econômica, desnaturando, conjuntamente com o caráter de prestação de serviços das atividades desenvolvidas sob o programa, a pretensão à isenção com relação às "bolsas de extensão" concedidas pela Fundação ao contribuinte. Isso porque o Hospital de Clínicas os preceptores não atendem aos pacientes, ou seja, sua atividade não importa acréscimo no número de atendimentos e, por conseguinte, não se reflete em aumento da receita do Hospital. Ainda, de acordo com o informado pelos procuradores da recorrente, os convênios entre SUS e o Hospital de Clínicas possuem metas de atendimentos que, quando atingidas, importam em um repasse fixo previamente acordado. Tal meta sempre é atingida mesmo sem computar as atividades dos projetos de extensão em residência médica, ou seja, estes atendimentos acabam sendo gratuitos, e não aumentam a receita do Hospital de Clínicas. Desse modo, entendo atendido o segundo requisito. Da Contraprestação de Serviços Por fim, o auto de infração imputa à recorrente a contraprestação de serviços de assistência médica, coordenadoria e docência. Este mesmo entendimento foi utilizado pelo Conselheiro José Evande Carvalho Araújo, que ao examinar o processo referente a um dos professores membros da Fundação Médica assim referiu (acórdão 2101001.950, de 18/10/2012): Os projetos e os termos de compromisso esclarecem que, em contrapartida às atividades de extensão realizadas, complementares às atividades de docência desenvolvidas pelo professor da UFRGS, seria paga uma bolsa de extensão, na forma do disposto no art. 4°, §1º, da Lei n° 8.958, de 1994 e nos arts. 5°, §2º, e 6º, §3º, do Decreto n° 5.204, de 14 de setembro de 2004. Contudo, apesar de instituídas com base nessa legislação, há que se considerar que as bolsas de extensão sob análise possuem nítido caráter de contraprestação de serviços. Observese que a principal função realizada pela contribuinte é a de supervisão e treinamento dos médicos residentes do Hospital Escola da UFRGS, que possui a mesma natureza da sua ocupação de professora dessa universidade. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.005994/200971 Acórdão n.º 2102002.715 S2C1T2 Fl. 479 12 E isso é ainda mais evidente quando se verifica que a residência médica constitui modalidade de ensino de pós graduação. Além disso, na função de supervisão e treinamento dos médicos residentes, a contribuinte certamente presta serviço de atendimento médico, atividade própria do hospital escola. O mesmo raciocínio se aplica às outras atividades dos projetos de extensão: a de coordenação de programas e projetos de extensão e de consultoria. Tratase de prestação de serviços em benefício da fundação de apoio e do hospital escola. Com a devida vênia, peço licença para discordar dos argumentos acima transcritos pelas razões que passa a expor. Quanto ao atendimento assistencial aos pacientes do hospital, a prova audiovisual apresentada aos julgadores em meio digital deixa claro que o atendimento a pacientes não faz parte das atribuições usuais dos preceptores. A recorrente enquanto preceptora apenas discute os resultados das consultas realizadas pelos médicos residentes. Em nenhum momento, a recorrente tem contato com os pacientes do hospital, papel esse que é realizado pelo médico residente e pelo médico contratado do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Em relação aos outros dois “serviços” (supervisão e treinamento), é importante notar que são relacionados à atividade de extensão. O art. 7º, do Decreto nº 5.205/04 enquadra as bolsas concedidas em conformidade com o r. Decreto na isenção inscrita no art. 26, da Lei nº 9.250/95: Art. 7º As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. Tendo por premissa que para o enquadramento na isenção em comento é necessário que não exista contraprestação de serviços, e que o Decreto expressamente enquadra as bolsas em questão na isenção, a conclusão só pode ser no sentido de que as atividades desenvolvidas nos âmbitos dos programas de extensão não importam contraprestação de serviços. Ainda, o §3º, do art. 4º, da Lei nº 8.958/94 — diploma legal que disciplina entre fundações de apoio e instituições apoiadas—, vetou expressamente a utilização de Fundações para contratação de docentes para prestarem serviços: § 3º É vedada a utilização dos contratados referidos no caput para a contratação de pessoal administrativo, de manutenção, docentes ou pesquisadores para prestarem serviços ou atender necessidades de caráter permanente das instituições federais contratantes. Aliás, o Tribunal de Contas da União, ao analisar a regularidade dos contratos entra a Fundação Médica do Rio Grande do Sul e o Hospital de Clínicas, ressaltou que a “contraprestação de serviços” que é referida no artigo tem um significado específico, conforme pode ser extraído do trecho abaixo: Fl. 491DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.005994/200971 Acórdão n.º 2102002.715 S2C1T2 Fl. 480 13 Foi utilizado como fundamento legal da determinação impugnada também o §3º do art. 4º da Lei 8.958/94: “É vedada a utilização dos contratos referidos no caput [fundação de apoio] para contratação de pessoal administrativo, de manutenção, docentes ou pesquisadores para prestarem serviços ou atender a necessidades de caráter permanente das IFES e ICTs contratantes” (grifei) Ora, tal dispositivo busca evitar a terceirização indevida, por meio das fundações de apoio, de serviços que devem ser realizados pelos servidores da contratante. Esses “serviços e necessidades permanentes” são aqueles necessários ao próprio funcionamento da instituição, de sua atribuição regular, tais como as atividades administrativas elencadas no inciso I do §3º do art. 1º da Lei 8.958/94. Não se trata aqui dos projetos de extensão e pesquisa, pois, mesmo que repetidos no tempo, não assumem eles o caráter de essencialidade para o funcionamento da instituição de ensino, embora, por certo, não se olvide da sua relevância. Ou seja, no Acórdão nº 5682/2010 da 2ª Câmara do TCU, (anexado às fls. 407417), foi feita distinção entre as atividades de pesquisa e extensão e a “contraprestação de serviços”. Isso porque a contraprestação de serviços seria o exercício de atividade usual da própria instituição apoiada. Exemplos de contraprestação de serviços seriam: atendimento a pacientes; limpeza do hospital; agendamento de consultas. Não é o caso dos projetos de pesquisa e extensão, porquanto nesses realizam se atividades complementares, mas não intrínsecas às instituições apoiadas, tais como a preceptoria de residentes e o controle de dados dos atendimentos realizados pelos residentes. Nesse sentido, é correto dizer que o funcionamento do hospital, no tocante ao atendimento dos seus pacientes, bem como na realização de suas atividades gerais não depende da atuação dos professores vinculados à Fundação Médica. A atividade desses professores, como no caso da recorrente, está relacionada ao aprimoramento da saúde pública — finalidade almejada pelas IFEs —, sendo realizada através de pesquisa de novos medicamentos e tratamentos, bem como pelo aperfeiçoamento dos médicos residentes. Sendo assim, as atividades desempenhadas pela recorrente não podem ser enquadradas enquanto prestação de serviços. Diante do cumprimento dos três requisitos à fruição da isenção, entendo que deve ser declarada a não incidência do IRPF sobre os valores pagos a título de bolsa de pesquisa/extensão à recorrente. Assinado digitalmente Atilio Pitarelli Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.005994/200971 Acórdão n.º 2102002.715 S2C1T2 Fl. 481 14 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904575/2012-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/01/2007
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 75 /2 01 2- 58 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904575/201258 Acórdão n.º 3801002.372 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904575/201258 Acórdão n.º 3801002.372 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904575/201258 Acórdão n.º 3801002.372 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904575/201258 Acórdão n.º 3801002.372 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000040/2004-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/12/2002 a 31/12/2002, 01/05/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/04/2004 a 30/04/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. COMPENSAÇÃO.
A compensação de créditos da Contribuição, quando efetuada após o encerramento do trimestre-calendário, deve ser precedida do competente pedido de ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho (Relator). Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/12/2002 a 31/12/2002, 01/05/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/04/2004 a 30/04/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. COMPENSAÇÃO. A compensação de créditos da Contribuição, quando efetuada após o encerramento do trimestre-calendário, deve ser precedida do competente pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho (Relator). Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) Alexandre Kern Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente PARÁ PIGMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/12/2002 a 31/12/2002, 01/05/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/04/2004 a 30/04/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. O termo inicial do prazo para a homologação de declaração de compensação passa a ser a data da transmissão da última declaração retificadora admitida. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HIPÓTESES ADMITIDAS. A possibilidade de retificação de declaração de compensação restringese à correção de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento, desde que não impliquem a inclusão de novo débito ou majoração do valor do débito original ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/12/2002 a 31/12/2002, 01/05/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/04/2004 a 30/04/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. COMPENSAÇÃO. A compensação de créditos da Contribuição, quando efetuada após o encerramento do trimestrecalendário, deve ser precedida do competente pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 40 /2 00 4- 49 Fl. 520DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho (Relator). Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Apresentado Recurso Voluntário visando modificar o entendimento contido no Acórdão de nº 0123.706 da 3ª Turma da DRJ/BEL, que manteve intacto o Despacho Decisório que indeferiu as compensações de crédito com débitos do próprio contribuinte. Transcrevo o relatório da decisão recorrida por espelhar bem a situação dos autos. “Relatório. Trata o presente processo de Declarações de Compensação, lastreadas em créditos de Contribuição para o PIS/Pasep (PA’s 12/2003, 12/2002, 05/2003, 07/2003 a 12/2003 e 01/2004 a 04/2004), formalizadas por meio dos formulários às fls 03/04 e retificadas por meio dos formulários às fls 76/99, nos termos da requisição à fl. 75. 2. A DRF/Belém, através do Despacho Decisório de fls. 206/210: a) indeferiu os pedidos de retificação em que foram apontados créditos distintos da compensação original, por entender que se tratam de novas compensações e que não poderiam ser apresentadas como retificadoras; b) alerta que o crédito original apontado como sendo decorrente de custos, despesas e encargos havidos em 12/2003, no valor de R$ 1.266.050,71, corresponde, na verdade, aos créditos que teriam sido apurados ao longo de todo o ano calendário de 2003, conforme DACON original anexada; c) admite as demais retificadoras, considerando não homologada a compensação em função da inexistência de pedido de ressarcimento prévio; (grifo é nosso) d) determina a cobrança dos débitos constantes da Dcomp não homologada, confessados em DCTF. (grifo é nosso). Fl. 521DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13204.000040/200449 Acórdão n.º 3403002.645 S3C4T3 Fl. 521 3 3. Cientificada em 22.07.2011 (AR fl. 237), a interessada postou em 23.11.2011 (fl. 241), tempestivamente, portanto, manifestação de inconformidade (fls. (243/264), na qual alega, em síntese: a) Requer o reconhecimento da homologação tácita das declarações de compensação apresentadas, uma vez decorridos mais de cinco anos da apresentação do pedido original; b) Procura demonstrar que a disposição contida no art. 21, §8°, da IN/SRF n° 600, de 2005, extrapola o seu poder regulamentar, além de não haver qualquer justificativa plausível para esse tipo de exigência (realização de um pedido de ressarcimento prévio à declaração de compensação), uma vez que a liquidez e certeza dos créditos podem ser verificadas dentro do próprio pedido de compensação; c) “Vêse, portanto, que é manifesta a ilegalidade e a inconstitucionalidade do art. 21, §8°, da IN/SRF n° 600/2005, eis que estabeleceu nova condição (apresentação prévia de pedido de ressarcimento) para a realização da declaração de compensação, indo além dos limites impostos pelas Leis nº 10.637/2002 e 11.116/2005.”; d) Cita o art. 26, § 5º, I da mesma IN, que permite a compensação com crédito objeto de pedido de ressarcimento ainda pendente de decisão, para ressaltar: “Ora, se o pedido de ressarcimento fosse, de fato, indispensável à apuração da liquidez e certeza do crédito tributário, somente seria permitida a realização de Declaração de Compensação naqueles casos em que o pedido de ressarcimento tivesse sido definitivamente deferido, o que não é o caso do dispositivo acima transcrito, no qual claramente se permite a apuração da liquidez e certeza o crédito dentro da própria Declaração de Compensação, na hipótese de não haver nenhum pronunciamento prévio (no corpo do pedido de ressarcimento) sobre o assunto.”; e) No que diz respeito às retificadoras não aceitas, julga que as alterações feitas podem ser consideradas inexatidões materiais, uma vez que modificaram os créditos indicados e não os débitos, hipótese expressamente vedada pelo art. 59 da IN 600, de 2005; f) “Ainda que não se considerasse que as retificações são decorrentes de meras inexatidões materiais, o que se admite apenas para argumentar, as Declarações de Compensação retificadoras deveriam ter sido recebidas como originais, e não rejeitadas como foram, em atenção ao princípio da verdade material e da informalidade que regem o processo administrativo tributário”; g) Defende a necessidade de ser efetuado o lançamento de ofício dos débitos objeto das retificadoras não admitidas, declarados em DCTF e a decadência do direito da Fazenda fazêlo. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Argumenta: “Ora, se no corpo do próprio despacho decisório é afirmado taxativamente que não existe DCOMP que justifique a vinculação desses débitos ao presente processo administrativo (isto é, não existe declaração de compensação para esses débitos), logo não há que se falar em confissão de dívida por parte da REQUERENTE, tendo, por conseguinte, a Fiscalização a obrigação de efetuar o lançamento de ofício dos supostos débitos indicados na DCTF, antes de iniciar qualquer procedimento de cobrança dos mesmos. Cumpre frisar que a necessidade do lançamento de ofício desses débitos também se justifica pelo fato de a REQUERENTE não ter indicado em sua DCTF nenhum saldo positivo a pagar, pois todos os débitos indicados foram vinculados aos créditos objeto do presente pedido de compensação. (transcreve doutrina sobre o tema) Por seu turno, o último dos débitos declarados na DCTF da REQUERENTE é referente ao período de apuração de dezembro de 2003, logo o lançamento de ofício do referido débito deveria ter sido efetuado até dezembro de 2008, o que não foi feito pelo Fisco, estando, por conseguinte, o débito assim como todos os demais débitos, referentes aos meses precedentes fulminado pela decadência, nos termos do art. 150, §4°, do CTN. Note se que mesmo que se adotasse o termo inicial previsto no art. 173, I, do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial, o Fisco também teria decaído do direito de efetuar o lançamento do último crédito tributário passível de ser exigido em janeiro de 2009.” Os argumentos apresentados foram examinados e deixados de serem acolhidos como se vê das ementas: “COMPENSAÇÃO. A compensação com créditos de PIS/Pasep, na sistemática da não cumulatividade, quando efetuada após o encerramento do trimestre calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. JULGADOR ADMINISTRATIVO. VINCULAÇÃO. O julgador administrativo, nesta instância, deve estrita observância aos atos expedidos pela Receita Federal, consoante estabelece o art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13204.000040/200449 Acórdão n.º 3403002.645 S3C4T3 Fl. 522 5 Admitida a retificação de Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação será a data da apresentação da retificadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito. “Creditório Não Reconhecido”. Em razões recursais aponta, segundo a recorrente, os desacertos do Acórdão: a) Homologação tácita o prazo conta da apresentação da declaração original e não da retificadora; b) Necessidade de Lançamento de Ofício dos Débitos Declarados em DCTF e Decadência do Direito da Fiscalização de Fazêlo, nos Termos do Art. 150,§4º do CTN; c) Necessidade de se Considerar s Declarações Retificadoras de fls. 64, 80, 82, 84 e se Suspender a Exigibilidade dos débitos indicados nelas; É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relatório. Cuidase de recurso tempestivo e encontram preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A questão apresentada para o não acolhimento da compensação desejada encontra assentada no fato da ausência de pedido prévio de ressarcimento, justificada no Acórdão recorrido que na sistemática da não cumulatividade, quando efetuada após o encerramento do trimestre calendário, deverá ser precedida da referida solicitação. Ao contrário do que pensa a Administração Fiscal, o Contribuinte diz da desnecessidade e que a exigência por meio de instrução extrapola os limites da Lei de regência. As demais alegações serão resolvidas ao longo dessa decisão, exceção da argumentação da ocorrência de homologação tácita que deve ser examinada em caráter preliminar por ser prejudicial em parte ao exame da matéria de fundo. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Como se sabe a decadência é um prazo extintivo, e, sendo assim, o seu curso não é suscetível de suspensão e interrupção. O chamado lançamento por homologação atribui às pessoas envolvidas na relação jurídica tributária, sujeito passivo da obrigação, assim como, ao sujeito ativo, encargos, ao primeiro o dever de apurar e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 524DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN 6 administrativa e ao segundo, tomando conhecimento da atividade exercida e achando certa a obrigação de confirmar o ato praticado para radiar os efeitos jurídicos da extinção da obrigação, o que se dá expressamente pela homologação. É como ensina Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, 8ª edição, Ed. Saraiva, 1996, p.286: “... a natureza do ato homologatório difere da do lançamento tributário... Um certifica a quitação, outro certifica a dívida”. Cumprido obrigação por parte do Contribuinte, cabe a Autoridade Tributária se manifestar homologando ou não no prazo estipulado, deixandoa de fazer a homologação darseá tacitamente. Assim, do ato de homologar ou não é que está a Autoridade Administrativa incumbida de dar notícia ao contribuinte, para isso o legislador ordinário fixou lapso temporal que entendeu suficiente, in casu, 05 (cinco) anos contados do momento do protocolo do pedido. É o que se vê da redação do art. 74 da lei nº 9.430/96: “O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5(cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Portanto, é do ato que se está reclamando da Administração Fiscal, pois esse empresta definitividade à situação jurídica, assim está a tratar de tempo e não da origem do crédito. Deixando a Fazenda Pública de criticar ou se manifestar no tempo fixado, visto que, tratase de prazo decadencial, o direito encontra caducado. O caso concreto trazido no bojo deste caderno se refere à contagem do prazo, se esse deve ser contado do protocolo do pedido original ou da data da apresentação da Declaração Retificadora, é o dilema a ser enfrentado e decidido. A contagem de prazo está sujeita à regra legal, isso é, aquela instituída por meio de Lei. A Instrução Normativa nº 600 ao tratar do assunto tenho que não ofende a norma do art. 74 da Lei nº 9430/96, pois não altera o que encontra estipulado, apenas disciplina administrativamente o andamento. A provocação da mudança do momento decorre do Interesse do contribuinte. É oportuno imaginar que sucessivamente e propositalmente fossem apresentadas Declarações Retificadoras de modo a exaurir o interregno de cinco anos fixado pelo art. 74 do diploma legal acima mencionado. No caso concreto ao longo da apreciação das declarações apresentadas foram verificados erros praticados quando do preenchimento, existindo autorização legal da possibilidade de correção dos deslizes cometidos, autorizado está o contribuinte em proceder os acertos que julga adequados, provocando retardamento no exame da novel declaração. Assim, penso que o retardamento do exame da declaração inicial ocorre exclusivamente por provocação do Interessado, a contagem do tempo deve ser efetivada apartir dessa nova intervenção no processo de análise. Firme nessas razões entendo que a orientação da Instrução Normativa combatida não extrapola os limites fixados na norma do dispositivo da Lei 9.630/96. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13204.000040/200449 Acórdão n.º 3403002.645 S3C4T3 Fl. 523 7 De modo que, o termo inicial da contagem do prazo deve acontecer tendo como marco a data da apresentação das declarações retificadoras. Contatado que data da apresentação da última retificadora, no caso, em 04.08.2006 e tendo sido a ciência da não homologação em 22.07.2011, não ocorreu homologação tácita para o presente caso. Assim, não merece reparo o julgado recorrido nesta parte. Da Necessidade de Lançamento de Ofício dos Débitos Declarados em DCTF e Decadência do Direito da Fiscalização de Fazêlo, nos Termos do Art. 150,§4º do CTN. A declaração de débitos com a Fazenda Nacional incluídos na DCTF configura para todos os efeitos jurídicos confissão, e, dispensa a constituição do crédito tributário por meio de lançamento de ofício. Desde o evento do Decreto Lei nº 2.124 de 13 de junho de 1984, que constituiu obrigação acessória de declaração dos tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que se tem a certeza de tratarse de documento formalizador da existência do crédito tributário, portanto, constituise em confissão de dívida e se revela instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Discordo dos que pensa da necessidade de lançamento de ofício, mesmo nos casos que haja declaração de débito vinculados com créditos a efetivar extinção da obrigação. O documento é de declaração de débito, declarado o quanto devido deve indicar em seguida o modo pelo qual ocorreu a extinção, o fato de apontar a extinção, se é por compensação, pagamento, etc., não desnatura o crédito tributário indicado como devido em primeiro momento. Assim, afasto o argumento da decadência argüida. Da Necessidade de se Considerar as Declarações Retificadoras de fls. 64, 80, 82, 84 e Suspender a Exigibilidade dos Débitos indicados. Nessa parte assiste razão a recorrente e o acórdão está equivocado. O motivo do não acolhimento deve ser modificado, e considerálas declarações retificadoras, visto que, o equivoco do julgado que não as aceitas por considerar que as correções estão fora do campo das inexatidões materiais tendo como certeza alteração nos débitos informados na peça inicial. As declarações retificadoras apresentadas alteram o crédito e não os débitos apontados, assim não há como vislumbrar a vedação imposta pelo art. 59 da IN 600/2005: “No caso presente, a declaração original foi apresentada em 03.05.2004 e as retificadoras em 04.08.2006. Quando da apresentação das retificadoras, encontrava se em vigor Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, assim dispondo acerca da retificação de declarações de compensação: Fl. 526DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN 8 “Parágrafo único – Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de compensação.” Diante do equivoco do julgador, cabe rever o julgado e modificálo, para dizer que não existindo modificação do débito, deve ser recebidas como Declaração Retificadora, consequentemente, produzir os efeitos jurídicos. NÃO OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO PRÉVIO À DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Essa obrigação encontra encartada no art. 21, § 8º da Instrução Normativa da SRF nº 600/2005. Nesse caso tenho que a exigência extrapola a norma autorizativa contida no artigo 5º, § 2º da Lei nº 10.637/2002, que permite a compensação de créditos apurados estipulados no art. 3º do mesmo diploma legal com outros débitos próprios desde que administrado pela Secretária da Receita Federal. “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: “II – compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrada pela Secretária da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria”. Assim, enxergo a exigência como verdadeiro obstáculo ao direito do contribuinte em exercer em sua plenitude, contraria a norma legal que autoriza a compensação de créditos sem motivo plausível. O pedido de ressarcimento em dinheiro está no campo de interesse do contribuinte, isso não pode ser transformado em obrigatoriedade capaz de criar estorvo no dia a dia dos procedimentos administrativos perante SRF do Brasil. Portanto, inexistindo barreira proveniente do texto da Lei nº 10.637/2002, cabe afastar esse empecilho e assegurar o direito de compensação, sem prejuízo da verificação da certeza e liquidez do crédito apontado para procedimento de compensação. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para acolher o pleito em: a) reconhecer as Declarações de Compensações 64, 80, 82, 84 e atribuir os efeitos desejados pelo contribuinte; b) afastar o empecilho relativo à exigência de pedido de ressarcimento prévio para o procedimento de compensação, assegurando a Administração o direito de verificar a certeza e a liquidez dos créditos que se pretende utilizar no procedimento de compensação apontado nas DCTF. E como voto. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Fl. 527DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13204.000040/200449 Acórdão n.º 3403002.645 S3C4T3 Fl. 524 9 Conselheiro Alexandre Kern, redator designado. O presente voto detémse, exclusivamente, sobre a possibilidade (a) de acolhimento das retificações de Declaração de Compensação DComp, pretendidas pelo recorrente e (b) de conhecimento de Declaração de Compensação desacompanhada de prévio pedido de restituição ou ressarcimento, matérias em que o entendimento do colegiado divergiu do adotado no voto do Conselheiro Domingos de Sá Filho. Retificação de Declaração de Compensação Na esteira do voto condutor da decisão recorrida, a retificação de DComp, nos termos em que foi regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro e 2005, vigente à época dos fatos, restringese à correção de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento, desde que não impliquem a inclusão de novo débito ou majoração do valor do débito original. No caso concreto, o recorrente pretende que se conheçam retificações que envolvem a alteração dos créditos, i. é, referentes a outros períodos de apuração distintos daqueles constantes da DComp original. Obviamente, tal alteração não corresponde a correção de inexatidão material, razão pela qual não se lhes acolhe. Ilegalidade/inconstitucionalidade do art. 21, §8°, da INSRF nº 600, de 2005 A propósito da restrição erigida pelo art. 21, § 8º, da INSRF nº 600, de 2005, convém sempre lembrar, antes de tachála de ilegal ou inconstitucional, que a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, expressamente outorgou à Secretaria da Receita Federal SRF a obrigação de disciplinar a matéria § 12, incluído pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 20031) Assim, não há como declarar a ilegalidade e a inconstitucionalidade arguida, sob pena de infirmar a própria Lei nº 9.430, de 1996. A Súmula CARF nº 2 expressamente o veda: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na verdade, a prévia apresentação do pedido de ressarcimento, requerido pelo dispositivo vergastado, é requisito lógico. Afinal, como admitir a compensáção de um débito sem aferir previamente a liquidez e a certeza do crédito oposto no encontro de contas? Assim com essas considerações e com as da própria decisão recorrida, que adoto como razão de decidir e passam a fazer parte integrante desse voto,, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, nego provimento ao recurso. 1 § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 528DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN 10 Sala de sessões, em 26 de novembro de 2013 Alexandre Kern Redator designado. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10380.012653/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/09/2009
OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO ÓRGÃO PÚBLICO.
A responsabilidade tributária prevista no artigo 41 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 traz regra especial de substituição do contribuinte pela autoridade com poder decisório pelos atos ou omissões contrárias à legislação das contribuições previdenciárias. Assim, quando revogada a regra de responsabilidade volta a recair sobre o contribuinte a obrigação tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.043
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1293; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 186 1 185 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.012653/200912 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.043 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE GENERAL SAMPAIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/09/2009 OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO ÓRGÃO PÚBLICO. A responsabilidade tributária prevista no artigo 41 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 traz regra especial de substituição do contribuinte pela autoridade com poder decisório pelos atos ou omissões contrárias à legislação das contribuições previdenciárias. Assim, quando revogada a regra de responsabilidade volta a recair sobre o contribuinte a obrigação tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 26 53 /2 00 9- 12 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.012653/200912 Acórdão n.º 2402004.043 S2C4T2 Fl. 187 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação lavrada em 05/10/2009. O crédito é decorrente do descumprimento da obrigação acessória de apresentar documentos de interesse da arrecadação de contribuições previdenciárias. O termo de intimação data de 21/09/2009 com prazo de 05 dias úteis para cumprimento (28/09/2009), fls. 19. Seguem transcrições do acórdão recorrido: Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 AIOA DEBCAD n.º 37.243.2425 (CFL 38) DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livros relacionados com as contribuições previdenciárias. ... Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA– DEBCAD nº 37.243.2425, consolidado em 05/10/2009, emitido contra a empresa em epígrafe, em razão de haver infringido o dispositivo previsto nos §§ 2° e 3° do artigo 33 da Lei 8.212/91, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, pelo fato de a empresa deixar de apresentar documento relacionado com as contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05/07, o presente autodeinfração foi lavrado por não ter a empresa, embora notificada, mediante pelo Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAF, de fls. 18/19, apresentado à fiscalização os Contratos de Prestação de Serviços de empresas contratadas, mediante cessão de mão de obra e GPS da retenção de 11% e Contratos de Prestação de Serviços e/ou aquisição de material, conforme relação anexa, à fl. 07. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: que existe parcelamento firmado pela impugnante referente a débito de contribuições previdenciárias para o mesmo período do presente AI, que está sendo pago pelo Município, o que, no entendimento do contribuinte, suspende a exigibilidade do processo em tela(art. 151, VI do CTN); Fl. 188DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 que foi emitido um único Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal para todas as (21) autuações do Município, o que fere o art. 37 da CF/88, no tocante aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, e que, nesta mesma linha, o art. 9º do Decreto 70.235/72 já dispunha que se deve ter um lançamento específico para cada tributo e, conseqüentemente, seu relatório, contendo todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos comprobatórios do ilícito; alega a ausência da lavratura dos AI no local de verificação da falta, em ofensa ao art. 10 do citado Decreto 70.235/72, implicando em cerceio de defesa, com o agravante de que, no período de 2005 e 2006, a competência para fiscalizar era do INSS, no entanto, foi realizada pela RFB, entidade que não reúne todos os dados contábeis do município; registra que, além de ter sido lavrado fora do estabelecimento da empresa, não lhe foram solicitadas as explicações e/ou esclarecimentos por escrito de eventuais falhas, como também não lhe foi indicada a forma do procedimento de auditoria efetuado; esclarece que o Município possui Fundo Municipal de Previdência; sendo assim, as contribuições dos servidores incidentes sobre a folha de pagamento são revertidas a este e não à Previdência Social; com relação às divergências encontradas no confronto entre os valores declarados em GFIP com os recolhidos em GPS, aduz serem retidos automaticamente do FPM, no montante entendido devido pelo próprio INSS, o que, de acordo com o item 2.7 da impugnação, gera um saldo positivo para o Município; confirma a existência de contrato de locação e não de frete e requer diligência para nova análise e redução dos valores das contribuições devidas pelo Município a esse título; insurgese contra a utilização de base de fiscalização somente nas GFIP e da ausência de identificação nominal dos contribuintes individuais ditos fora das GFIP e agrupamento nos empenhos de pagamento de folha de empregados; ausência de informação quanto à qualidade do infrator (reincidência) para fins de futuros benefícios fiscais. Ante o exposto, requer a nulidade do presente AI, e caso não seja esse o entendimento, que sejam determinadas diligências, a possibilidade de juntada de documentos e a dedução dos valores a titulo de frete e crédito de retenção nas cotas do FPM devidamente corrigidas pela SELIC. ... É o Relatório. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.012653/200912 Acórdão n.º 2402004.043 S2C4T2 Fl. 188 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Das preliminares Responsabilidade do ente público por infrações Com a revogação do artigo 41 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 atribuiuse à pessoa jurídica de direito público a responsabilidade pelas infrações, antes imputadas ao dirigente de órgão público. A recorrente é entidade de direito público. No caso, até a vigência da Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, a responsabilidade por infrações cabia ao dirigente, conforme dispunha o art. 41 da Lei nº 8.212/1991, revogado pela citada Medida Provisória, in verbis: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição Como se vê até a edição da Medida Provisória nº 449/2008, de 03/12/2008, publicada no D.O.U. em 04/12/2008, não havia previsão para aplicação de multa ao órgão público, sendo que esta obrigação cabia ao dirigente por disposição legal. Portanto, a responsabilidade tributária prevista no aludido artigo trazia regra especial de substituição do contribuinte pela autoridade com poder decisório pelos atos ou omissões contrárias à legislação das contribuições previdenciárias. Assim, quando revogada a regra de responsabilidade volta a recair sobre o contribuinte a obrigação tributária. A infração objeto da autuação é por descumprimento de obrigação acessória; como definida pelo Código Tributário Nacional que também cuida de determinar o momento quando a considera inadimplida para fins de aplicação da penalidade correspondente: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. ... § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. ... Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Assim, temos que a infração no presente caso fica configurada na data fixada pela autoridade fiscal para que o recorrente apresentasse os documentos de interesse da arrecadação de contribuições previdenciárias, dia 28/09/2009. Como a MP nº 449/2008 entrou em vigor em novembro de 2008, as infrações ocorridas após 10/2008 não eram mais de responsabilidade do dirigente, mas do próprio órgão público. Assim, com acerto a autuação recaiu sobre o órgão público. Portanto, rejeito a preliminar de ilegitimidade passiva. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.012653/200912 Acórdão n.º 2402004.043 S2C4T2 Fl. 189 7 Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à competência para fiscalizar, à época já vigia a Lei nº 11.457, de 16/03/2007. AS contribuições previdenciárias passaram a ser arrecadadas e fiscalizadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Quanto aos efeitos do parcelamento das contribuições sobre as obrigações principais objeto de parcelamento, não assiste razão à recorrente. Ao contrário, ao reconhecer como devidas as contribuições apuradas pela fiscalização, também seriam procedentes as autuações por descumprimento de obrigações acessórias que guardem correlação com os mesmos fatos. Quanto ao local da autuação, verifico que todos os documentos foram emitidos pela fiscalização no local de sede da Prefeitura do Município de General Sampaio. Quanto as alegações de que os contratos não seriam de frete, mas de locação, ressaltase que essa discussão não tem relação com a infração em questão. Como também não é objeto do processo requerimentos relacionados à compensações com o fundo de participação dos municípios. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do mérito Quanto à infração, ficou suficientemente demonstrado nos autos do processo que a recorrente deixou de apresentar os contratos de prestação de serviços e outros documentos necessários para o trabalho da fiscalização, solicitados através de intimação e não trouxe qualquer contraprova que afastasse a infração cometida, limitandose a contestar em tese a cobrança da multa. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 193DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.012653/200912 Acórdão n.º 2402004.043 S2C4T2 Fl. 190 9 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.904110/2008-99
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Composição do Saldo Negativo. IRRF. Prova.
Provada a retenção do IRRF indicado em PERDCOMP, deve ser reconhecida a parcela comprovada do direito creditório e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1801-001.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que votou pela nulidade da decisão da Turma Julgadora de 1a. Instância.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Maria de Lourdes Ramirez (presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Composição do Saldo Negativo. IRRF. Prova. Provada a retenção do IRRF indicado em PERDCOMP, deve ser reconhecida a parcela comprovada do direito creditório e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. IRRF. PROVA. Provada a retenção do IRRF indicado em PERDCOMP, deve ser reconhecida a parcela comprovada do direito creditório e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que votou pela nulidade da decisão da Turma Julgadora de 1a. Instância. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Maria de Lourdes Ramirez (presidente em exercício). Relatório Em respeito à economia processual transcrevo relatório dos fatos constante da Resolução n º 1801000.193, de 06/03/2013, desta 1a. TE/3a.CAM/1a.SEÇÃO do CARF: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 41 10 /2 00 8- 99 Fl. 391DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 2 Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0531.427/10 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, fls. 133 a 141, que julgou procedente em parte o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como homologar em parte as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – 29922.07479.260404.1.3.020240; 40491.53703.030504.1.3.028269; 35846.77630.100504.1.3.025242. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentados, por meio dos quais a interessada pleiteia o reconhecimento de direito creditório com origem em saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, para a compensação dos débitos declarados. A autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada, nos termos do Despacho Decisório de fls. 69/73, que se transcreve: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 38.032,74 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 129.684,36 [...] Cientificada do Despacho Decisório em 04 de novembro de 2008, conforme documento de fl. 74, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 03 de dezembro de 2008, fls. 01/14, com as alegações que se seguem. Discorda do Despacho Decisório, pois as compensações efetuadas são legítimas, tendo em conta que é detentora de créditos com origem em saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ. Afirma que o saldo negativo de R$ 129.684,36 é composto, entre outras parcelas, pelo montante de R$ 91.566,26, relativo ao IRRF indicado na linha 13 da página 11 da DIPJ. Sobre a divergência entre o saldo negativo apurado na DIPJ e os informados nos PER/DCOMP, afirma que: "Nada obstante, ainda que caracterizado equívoco na declaração prestada pela Impugnante, deve ser reforçado, desde logo, que ela procedeu à compensação apenas e tão somente do valor do crédito que efetivamente dispunha. Em outras palavras, não houve qualquer prejuízo ao Erário, dado o fato de que o valor total pela Impugnante compensado corresponde, exatamente, ao valor de seu direito creditório, decorrente do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendario de 2003." Esclarece que no PER/DCOMP número 40491.53703.030504.1.3.038269 informou um saldo negativo de R$ 91.566,26, quando o correto seria R$ 129.684,36, Fl. 392DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 10830.904110/200899 Acórdão n.º 1801001.939 S1TE01 Fl. 3 3 tendo em conta que lançou como valor de seu crédito os recolhimentos do IRRF, em vez de informar o efetivo saldo negativo. Em relação ao PER/DCOMP número 35486.77630.100504.1.3.025242, depois de utilizarse de um crédito de R$ 50.917,76 no documento anterior, restou lhe ainda um montante de R$ 78.766,60, sendo legítima a compensação de débitos da Cofins do mês de abril de 2004, na quantia original de R$ 40.648,51. No que se refere ao PER/DCOMP número 29922.07479.260404.1.3.020240, dispunha ainda de um crédito de R$ 38.119,09, utilizado na compensação de débitos de IRPJ do primeiro trimestre de 2004, valor original de R$ 38.032,74. Em suas palavras: [...] VOTO [...] De início, é oportuno esclarecer à interessada que desde a instituição da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, pela Instrução Normativa SRF n° 127, de 30 de outubro de 1998, a declaração apresentada à RFB tem caráter meramente informativo, constituindose apenas num demonstrativo da apuração da base de cálculo, do imposto devido, e dos saldos a pagar ou a restituir de imposto, passível de verificação: (i) nos prazos decadenciais previstos no CTN, para a constituição de crédito tributário; ou (ii) no prazo da homologação tácita das compensações, para fins de restaurar a exigibilidade dos débitos fiscais indevidamente compensados. Por seu turno, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência dos créditos, a teor do art. 74, § 5o da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. [...] Continuando, da análise do Despacho Decisório, depreendese que o presente processo tem por objeto os PER/DCOMP abaixo relacionados: Dessa forma, a partir do demonstrativo acima, contatase que a contribuinte pretende o reconhecimento de direito creditório na importância de R$ 129.599,01, equivalente à soma das parcelas relativas ao "Crédito Original utilizado", informado em cada documento objeto de apreciação, visando a compensação dos débitos Demonstrativo dos PER/DCOMP apresentados PER/DCOMP Data Apresentação Saldo Negativo Informado Crédito Original Utilizado 29922.07479.260404.1.3.020240 26/04/04 38.032,74 38.032,74 40491.53703.030504.1.3.028269 03/05/04 91.566,26 50.917,76 35846.77630.100504.1.3.025242 10/05/04 40.648,51 40.648,51 Totais 129.599,01 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 4 declarados, com origem em saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2003, importância esta apurada a partir das informações constantes nos PER/DCOMP acima discriminados. Prosseguindo, a partir dos dados presentes na DIPJ, informados pela interessada, consolidase a apuração das estimativas de IRPJ no anocalendário de 2003: [tabela] [...] Portanto, temse um valor de estimativa, a ser considerado no encerramento do período de apuração, de R$ 78.180,75. No que se refere ao Imposto de Renda Retido na Fonte utilizado como dedução no encerramento do período de apuração, compulsandose a Lei n.° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, verificase que esta foi condicionada à apresentação dos respectivos comprovantes de retenção: [...] No entanto, consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil indicam a retenção de IRRF, informada em DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte. [...] Como se trata de declaração apresentada pelas fontes pagadoras, portanto, por terceiros, as informações constantes das DIRF podem ser utilizadas para a validação de dados informados pelos contribuintes em suas Declaração de Rendimentos. Dessa forma, a partir dos dados informados pela interessada na Ficha 43 de sua Declaração de Rendimentos e confrontandoos com os presentes na DIRF, elaborase a planilha: Consolidação do IRRF Retido AnoCalendário de 2001 DIPJ Ficha 43 DIRF Respectivas Fonte Pagadora Código Receita Rendimentos IRRF Rendimentos IRRF 33.479.023/000180 1708 7.782,48 116,73 33.479.023/000180 1708 10.569,34 158,54 18.994,14 275,28 subtotal 18.351,82 275,27 18.994,14 275,28 43.073.394/000119 5273 228.538,25 45.707,65 228.538,25 45.707,65 60.701.190/000140 5273 56.000,81 11.200,12 56.000,81 11.200,12 subtotal 284.539,06 56.907,77 284.539,06 56.907,77 60.701.190/000104 6800 171.916,78 34.383,22 171.916,78 34.383,22 subtotal 171.916,78 34.383,22 171.916,78 34.383,22 Totais 474.807,66) 91.566,28 475.449,98 91.566,27 Do demonstrativo acima, depreendese que houve a retenção de IRRF no valor de R$ 91.566,26, incidente sobre rendimentos com origem na prestação de serviços (código de receita 1708), Operações de SWAP (código de receita 5273) e Aplicações Financeiras em Fundos de Investimentos Renda Fixa (código de receita 6800). Fl. 394DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 10830.904110/200899 Acórdão n.º 1801001.939 S1TE01 Fl. 4 5 Para melhor elucidação da questão, a partir das informações constantes no "PIR Programa Imposto de Renda 2001 Imposto de Renda Retido na Fonte" (MAFON), temse que o código de receita 6800 abrange os rendimentos produzidos por aplicações em fundos de investimentos financeiros e em fundos de aplicação em quotas de fundos de investimentos financeiros, enquanto o código de receita 5273 corresponde aos rendimentos auferidos em operações de swap, inclusive nas operações de cobertura (hedge), realizadas por meio de swap. Por sua vez, o Manual de Preenchimento da DIPJ assim prescreve sobre o preenchimento da Ficha 06A Demonstração do Resultado: [...] Por outro lado, em consulta à D1PJ, Ficha 06 A Demonstração do Resultado, é possível extrair as seguintes informações: Ficha 06 A Demonstração do Resultado Descrição Valor 08. Receita da Prestação de Serviços 442.760,71 20. Variações Cambiais Ativas 661.165,43 21. Ganhos aufer. No Merc. Ren. Variável, Exc. DayTrade 0,00 24. Outras Receitas Financeiras 429.322,01 [...] Quanto aos rendimentos auferidos com Operações de SWAP, deveriam ser oferecidos à tributação na Linha 21, Ficha 06A, da Declaração de Rendimentos. No entanto, como o montante informado na DIPJ pela interessada mostrase zerado, depreendese que os rendimentos auferidos, presentes na DIRF como sendo de R$ 284.539,06, não teriam sido oferecidos à tributação. Por sua vez, é fato que somente pode ser aproveitado como dedução, na liquidação das estimativas mensais, ou no encerramento do anocalendário, o IRRF cujas receitas tenham integrado a base de cálculo do IRPJ, portanto, desde que tenham sido oferecidas à tributação. [...] Dessa forma, apurase um Saldo Negativo de IRPJ, anocalendário de 2003, na importância de R$ 72.573,39, reconhecese o direito creditório respectivo e homologamse as compensações declaradas, até o limite de tal direito.” Resumindo os fatos, a autoridade a quo indeferiu as Dcomp – Declarações de compensações – sob análise pelo fato de os valores dos créditos identificados como saldo negativo de IRPJ informados nas Dcomp não coincidirem com o valor deste saldo informado na DIPJ correspondente (relativo ao anocalendário de 2003) – R$ 129.683,76. A turma julgadora a quo admitiu o erro de preenchimento das Dcomp e corrigiu os valores dos créditos pleiteados para o valor total do saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ/04, dirimindo o litígio neste aspecto. Daí passou a revisar os valores que compõem o saldo negativo de IRPJ para averiguar a sua liquidez e certeza. O saldo negativo de IRPJ em questão foi composto por R$ 78.383,96, informado a título de estimativas, e R$ 91.566,26 a título de IR retidos pelas fontes pela Fl. 395DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 6 prestação de serviços (cod. 1708) e aplicações financeiras (cods. 5273 swap e 6800 – renda fixa). A turma julgadora legitimou R$ 78.180,75, a título de estimativas de IRPJ, R$ 34.658,50, a título de IRRF, mas não admitiu o IRRF incidente sobre as operações swap porque a empresa não informou na linha adequada (conforme orientação do Manual para preenchimento de DIPJ) qualquer valor de receita, pelo que concluiu que as receitas respectivas não foram oferecidas à tributação. Assim, o saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2003, foi reconhecido no valor de R$ 72.573,39, e não no valor originalmente pleiteado (R$129.683,76). A empresa interpôs tempestivamente (AR – 14/01/11, efls. 176; Recurso – 14/02/11, efls. 178) o Recurso de efls. 178 a 209, reiterando os termos da defesa exordial, mas, em preliminar requer a nulidade da decisão de primeira instância por inovação nos fundamentos do indeferimento das Dcomp objetos deste processo. Discorre amplamente sobre supressão de instância, cerceamento de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e defesa. Em sessão realizada em 06/03/2013 esta 1a.TE/3a.CAM/1a.SEÇÃO do CARF converteu o julgamento na realização de diligência a fim de que a autoridade fiscal de jurisdição da recorrente: (i) intimasse a empresa interessada a demonstrar, mediante apresentação de elementos de sua escrituração contábil e fiscal, os valores de todas as receitas financeiras auferidas e os valores de IRRF, identificadas por tipo de receita e por código de tributo, respectivamente, demonstrando, ainda, se todas foram oferecidas à tributação, na DIPJ do exercício, ainda que tenham sido informadas em linha diversa ou equivocada da DIPJ; (ii) se necessário, também fossem intimadas as fontes pagadoras a informar os valores dos rendimentos pagos à empresa interessada e os respectivos valores retidos na fonte. Cumprida a solicitação pelo órgão de origem foi produzida a “Informação Fiscal “inserta às fls. 317/320 do processo digital. Na referida informação o agente fiscal encarregado dos trabalhos concluiu que o IRRF total dedutível do IR a pagar para formação do saldo seria de R$ 34.666,61 (trinta e quatro mil seiscentos e sessenta e seis reais e sessenta e um centavos), e que o contribuinte, ainda que intimado, não teria comprovado o oferecimento à tributação em sua DIPJ dos R$ 286.250,02 restantes recebidos a título de receitas financeiras, declarados em DIRF. Feitos os ajustes na apuração final do anocalendário 2003, agente fiscal calculou o saldo negativo de IRPJ do período em R$ 72.784,41 como passível de aproveitamento como direito creditório nas compensações pleiteadas. Cientificada do resultado da diligência, em 29/11/203, como atesta o “Termo de Ciência por Decurso de Prazo” (fl. 322 p.d.), apresentou a recorrente, em 18/12/2003, suas considerações a respeito das conclusões da auditoria (fls. 324/329 p.d.). Aduz que em atendimento à intimações lavradas pela auditoria fiscal teria apresentado cópias dos informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras, Livro Razão Analítico, elementos de sua escrituração contábil e fiscal, os valores de todas as receitas auferidas e os valores de IRRF identificados por tipo de receita e código de tributo, contemplando os valores declarados e confirmando as respectivas retenções de IR sofridas, Fl. 396DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 10830.904110/200899 Acórdão n.º 1801001.939 S1TE01 Fl. 5 7 demonstrando, ainda, que os rendimentos auferidos foram oferecidas à tributação na DIPJ do exercício. Afirma ter apresentado Balancete do anocalendário 2003 com os seguintes valores auferidos a titulo de receitas financeiras: Conta Contábil Valor 3.7.2.1 241.127,29 3.7.2.4.01 179.525,28 3.7.2.4.02 8.669,44 Total 429.322,01 Salienta que na cópia da DIPJ observarseia, na Ficha 06, linha 24, o montante de R$ 429.322,01, mas admite que a informação deveria ter sido consignada na linha 21. Também apresentou razão contábil individualizando os lançamentos a débito no ativo dos valores de IRRF, assim demonstrados: Conta Contábil Valor Janeiro 4.061,99 Fevereiro 6.424,29 Março 764,80 Maio 45.982,92 Outubro 25.814,36 Novembro 2.684,62 Dezembro 5.879,01 Total 91.611,99 Assinala que o valor informado na DIPJ, na Ficha 12 A – Linha 13 e utilizado para compor o saldo negativo foi de R$ 91.566,26, menor que aquele registrado na sua contabilidade. Ratificando informação prestada em atendimento às intimações, relaciona os informes de rendimentos e as notas fiscais de prestação de serviços, cujo IR lhe foi retido que Fl. 397DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 8 devem legitimamente compor o saldo negativo do período, individualizados no seguinte quadro: Valor IRRF Fonte Pagadora Valores descritos nos documentos anexos R$ 158,54 R$ 275,27 33.479.023/000180 R$ 116,73 R$ 45.707,65 60.394.079/000104 R$ 45.707,65 R$ 4.061,99 R$ 6.373,33 R$ 11.200,12 60.701.190/000104 R$ 764,80 R$ 4.122,63 R$ 4.874,58 R$ 8.057,81 R$ 8.764,58 R$ 2.684,61 R$ 34.383,22 60.701.190/000104 R$ 5.879,01 Total R$ 91.566,26 Afirma que não deve prevalecer o entendimento fiscal no sentido de que não foram encontrados os registros referentes às operações swap ou demais aplicações financeiras não consideradas e, ao final, pede pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 10830.904110/200899 Acórdão n.º 1801001.939 S1TE01 Fl. 6 9 Como já fora consignado no voto vencedor que converteu o julgamento na realização de diligência a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa invocada pela recorrente restou afastada, pelos seguintes fundamentos, ora transcritos: 1 Preliminar. Nulidade da Decisão No muito bem fundamentado voto da Ilustre Conselheira Relatora foram deduzidas as razões que a levaram a considerar nulo o acórdão prolatado pela Turma Julgadora de 1a. instância. Apesar de muito bem fundamentadas as razões, divirjo do posicionamento. Meu entendimento vai em outra direção. Não houve inovação nos fundamentos de decidir adotados pela Turma Julgadora de 1a. instância, como alega a defesa. Tampouco houve, no acórdão mencionado, cerceamento do direito de defesa, como entende a Ilustre Relatora. Com efeito, o próprio interessado, ao apresentar PERDCOMP reivindicando direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL já delimita, ele mesmo, o seu pedido à análise da composição desse saldo negativo reivindicado, pois é dever da autoridade administrativa, inclusive a de julgamento, aferir a certeza e liquidez do direito creditório invocado pelo interessado. E o saldo negativo, seja o de IRPJ, seja o de CSLL, é composto, também, por parcelas recolhidas por antecipação, a título de estimativas e a título de IRRF. Apesar de a DIPJ ser meramente informativa, como foi sobejamente consignado nos autos, o sujeito passivo tem o dever de prestar, corretamente, tais informações ao Fisco, sob pena, inclusive, de incorrer em falsidade. Assim, presumese, sempre, que as informações prestadas pelo sujeito passivo em DIPJ estão corretas. Quando o interessado invoca direito creditório a título de saldo negativo – IRPJ/CSLL a DIPJ é o primeiro elemento a ser analisado e as informações nela prestadas devem ser comparadas àquelas consignadas no PERDCOMP. Mas a Turma Julgadora “a quo” foi além em sua análise e estendeu suas pesquisas aos dados fornecidos por terceiros, constantes das DIRF pesquisadas. Portanto, a Turma Julgadora de 1a. instância agiu nos limites de sua atribuição, analisou a formação do crédito e indeferiu a parcela que considerou não comprovada, de acordo com os elementos de que dispunha e que constavam dos autos, especialmente no que toca às informações prestadas pelo interessado na DIPJ apresentada e nas informações prestadas por terceiros, em DIRF. Aquela autoridade considerou suficientes, para sua análise, e para a formação de sua convicção, as informações constantes dos autos. E neste ponto destaco que tudo isso faz parte do campo do livre convencimento do julgador. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 10 Sob outro enfoque, poderia, a Turma Julgadora de 1a. instância ter avançado um pouco mais na sua análise e determinado a realização de diligências. Mas devemos observar que o termo “poderia” não deve ser entendido como “deveria”. O Decreto n º 70.235, de 1972 e alterações posteriores, PAF prevê que as diligências devem ser deferidas, a pedido ou de ofício, quando a autoridade encarregada do julgamento da lide julgálas necessárias e aquela autoridade não considerou necessária, naquela ocasião, a diligência. E isso também faz parte do livre convencimento do julgador. Entender de forma diversa é tolher a livre convicção do julgador. Consignouse, nos autos, que não é defeso o procedimento da Turma Julgadora de 1a. Instância que sequer considerou a necessidade de intimar a interessada a comprovar cada parcela formadora do saldo negativo. Ora, se não há vedação legal, não há que se falar em ilegalidade, âmbito no qual se insere o cerceamento do direito de defesa. Sendo a diligência uma faculdade, como bem salientou a Ilustre Conselheira Relatora, ela pode não ser exercida o que, de forma alguma, acarreta ilegalidade do ato. Fundamentando esse entendimento, transcrevo, uma vez mais, o dispositivo legal já mencionado pela Ilustre Relatora: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (*) destaques acrescidos Afasto, portanto, a preliminar de nulidade da decisão da autoridade julgadora “a quo”. 2 Mérito Contextualizando os fatos, o presente processo tem por objeto os PER/DCOMP abaixo relacionados: A DRJ em Campinas constatou que a contribuinte pretenderia o reconhecimento de direito creditório na importância de R$ 129.599,01, equivalente à soma das parcelas relativas ao "Crédito Original utilizado", consignado na tabela acima e, assim, analisou a composição do saldo negativo: Demonstrativo dos PER/DCOMP apresentados PER/DCOMP Data Apresentação Saldo Negativo Informado Crédito Original Utilizado 29922.07479.260404.1.3.020240 26/04/04 38.032,74 38.032,74 40491.53703.030504.1.3.028269 03/05/04 91.566,26 50.917,76 35846.77630.100504.1.3.025242 10/05/04 40.648,51 40.648,51 Totais 129.599,01 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 10830.904110/200899 Acórdão n.º 1801001.939 S1TE01 Fl. 7 11 Nesse sentido confirmou, aquela autoridade, o recolhimento de estimativas totais da ordem de R$ 78.180,75 que poderiam compor a apuração. Já, em relação ao IRRF, aquela autoridade apurou: Consolidação do IRRF Retido AnoCalendário de 2001 DIPJ Ficha 43 DIRF Respectivas Fonte Pagadora Código Receita Rendimentos IRRF Rendimentos IRRF 33.479.023/000180 1708 7.782,48 116,73 33.479.023/000180 1708 10.569,34 158,54 18.994,14 275,28 subtotal 18.351,82 275,27 18.994,14 275,28 43.073.394/000119 5273 228.538,25 45.707,65 228.538,25 45.707,65 60.701.190/000140 5273 56.000,81 11.200,12 56.000,81 11.200,12 subtotal 284.539,06 56.907,77 284.539,06 56.907,77 60.701.190/000104 6800 171.916,78 34.383,22 171.916,78 34.383,22 subtotal 171.916,78 34.383,22 171.916,78 34.383,22 Totais 474.807,66) 91.566,28 475.449,98 91.566,27 Com base no demonstrativo acima aquela autoridade consignou a comprovação da retenção de IRRF no valor de R$ 91.566,26, incidente sobre rendimentos com origem na prestação de serviços (código de receita 1708), Operações de SWAP (código de receita 5273) e Aplicações Financeiras em Fundos de Investimentos Renda Fixa (código de receita 6800). Na DIPJ do respectivo exercício a recorrente informou: Ficha 06 A Demonstração do Resultado Descrição Valor 08. Receita da Prestação de Serviços 442.760,71 20. Variações Cambiais Ativas 661.165,43 21. Ganhos aufer. No Merc. Ren. Variável, Exc. DayTrade 0,00 24. Outras Receitas Financeiras 429.322,01 Apoiandose nas informações prestadas pela recorrente na DIPJ a DRJ em Campinas concluiu que os rendimentos auferidos com Operações de SWAP presentes na DIRF como sendo de R$ 284.539,06, não teriam sido oferecidos à tributação, pois a Linha 21, Ficha 06A, da Declaração de Rendimentos, campo no qual deveriam ter sido informados esses rendimentos, encontravase zerada. Em razão disso aquela autoridade não considerou o IRRF retido sobre operações SWAP, no valor de R$ 56.907,76 como dedutível na apuração final do IRPJ e determinou que o saldo negativo de IRPJ do período passível de ser utilizado em compensações seria de R$ 72.573,39, e não de R$ 129.599,01 Contudo, em vista das afirmações da recorrente no sentido de que seus registros contábeis demonstrariam que os rendimentos auferidos com operações de SWAP teriam sido corretamente escriturados e oferecidos à tributação, ainda que em campo diverso da Fl. 401DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 12 DIPJ, especificamente na linha 24 da Ficha 06A, converteuse o julgamento na realização de diligência para que a autoridade fiscal intimasse a empresa a demonstrar, mediante apresentação de elementos de sua escrituração contábil e fiscal, os valores de todas as receitas financeiras auferidas e os valores de IRRF, identificadas por tipo de receita e por código de tributo, respectivamente, demonstrando, ainda, se todas foram oferecidas à tributação, na DIPJ do exercício, ainda que tenham sido informadas em linha diversa ou equivocada da DIPJ. Em atendimento à solicitação foi emitida a intimação de fl. 222/223 do p.d., cientificada em 29/04/2013, de seguinte teor: demonstrar, mediante apresentação de elementos de sua escrituração contábil e fiscal, os valores de todas as receitas financeiras auferidas e os valores de IRRF, identificadas por tipo de receita e por código de tributo, respectivamente, demonstrando, ainda, se todas foram oferecidas à tributação, na DIPJ do exercício, ainda que tenham sido informadas em linha diversa ou equivocada da DIPJ. Em resposta a empresa apresentou cópias dos informes de rendimentos. Reintimada do teor da solicitação anterior, em 14/10/2013, apresentou balancetes e razão contábil demonstrando os valores auferidos com receitas financeiras e razão contábil da conta IRRF a recuperar, além dos informes de rendimentos e das cópias de notas fiscais de prestação de serviços. Com base nos elementos apresentados a auditoria fiscal deduziu suas conclusões na Informação Fiscal anexada às fls...., da qual extraio os seguintes trechos: [...] Por conseguinte, foi encaminhada a intimação SEORT 294/2013, para a qual o interessado apresentou resposta juntando razão analítico da conta 1.1.7.1 – IMPOSTOS A RECUPERAR, assim como Comprovantes de Rendimentos Pagos relativo a operações de Swap s/Hedge emitido pelo BankBoston Banco Multiplo SA, e Operações de Swap e Fundos de Investimento, emitido pelo Banco Itau. Em seguida, foi emitido o Termo de Reintimação Fiscal 924/2013, solicitando demonstrativo indicando quais receitas financeiras foram apresentadas à tributação, discriminando a composição das linhas da DIPJ em que se encontram, não apresentado na primeira resposta. Informou, em seguida, que a composição da linha 24 da ficha 06A da DIPJ 2004 possui a seguinte composição: Conta Contábil Valor 3.7.2.1 241.127,29 3.7.2.4.01 179.525,28 3.7.2.4.02 8.669,44 Total 429.322,01 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 10830.904110/200899 Acórdão n.º 1801001.939 S1TE01 Fl. 8 13 Juntou, ainda, o Razão Analítico para as contas 3.7.2.4.01 – JUROS SOBRE APLICAÇÃO FINANCEIRA e 3.7.2.4.02 – DESCONTOS OBTIDOS, assim como o Balancete Analítico, o qual identifica a conta totalizadora 3.7.2.1 – JUROS como composta unicamente da conta 3.7.2.1.01 – JUROS DE MORA – DUPLICATA. Discriminou ainda, a apropriação do IRRF em sua contabilidade, juntando a respectiva escrituração e comprovantes de rendimentos pagos. Por sua vez, em pesquisa às DIRF como beneficiário dos declarantes, temos os seguintes rendimentos e respectiva retenção: Código Descrição Nome do Declarante Rend. Trib. IRRF Banco Citibank SA 18.994,14 275,28 Cimento Rio Branco 90.300,58 0,00 Duo Arquitetura e Design SC Ltda. 540,62 8,11 1708 Remuneração dos Serviços Profissionais Prestados por Pessoa Jurídica Itaú Seguros SA 82.418,85 0,00 Banco Nossa Caixa SA 1.455,91 290,94 3426 Aplicações Financeiras de Renda Fixa 1.455,91290,94exceto em Fundos de Investimento –PJ Tele Nordeste Celular SA 0,06 0,01 Banco ABN Amro Real SA 254,99 50,99 Banco Itaú SA 56.000,81 11.200,12 5273 Operações de Swap Bankboston Banco Múltiplo SA 228.538,25 45.707,65 5706 Juros s/ o Capital Próprio Brasil Telecom Participações SA 8,87 1,33 6800 Fundos de Investimento Banco Itaú SA 171.916,78 34.383,22 Total Resultado 91.917,65 Ao destacarmos as Receitas Financeiras, temos os seguintes resultados: Código Descrição Nome do Declarante Rend. Trib. IRRF Banco Nossa Caixa SA 1.455,91 290,94 3426 Aplicações Financeiras de Renda Fixa 1.455,91290,94exceto em Fundos de Investimento –PJ Tele Nordeste Celular SA 0,06 0,01 Banco ABN Amro Real SA 254,99 50,99 Banco Itaú SA 56.000,81 11.200,12 5273 Operações de Swap Bankboston Banco Múltiplo SA 228.538,25 45.707,65 6800 Fundos de Investimento Banco Itaú SA 171.916,78 34.383,22 Total Resultado 458.166,80 91.632,93 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 14 Do ultimo quadro, somente os rendimentos pagos pelo BANCO ITAU SA referentes à retenção de código 6800 se encontram escriturados, sob a conta 3.7.2.4.01 – JUROS SOBRE APLICAÇÃO FINANCEIRA, conforme comprovantes juntados ao processo. Por conseguinte, não foram encontrados registros referentes às operações de swap ou demais aplicações financeiras em renda fixa, exceto fundos de investimento. Nesse diapasão, concluise que, relativo à conta 3.7.2.4.01 – JUROS SOBRE APLICAÇÃO FINANCEIRA, temos em DIRF o valor de R$ 171.916,78, com retenção de IR no montante de R$ 34.383,22, não havendo evidências no sentido que as contas 3.7.2.4.02 – DESCONTOS OBTIDOS e 3.7.2.1.01 – JUROS DE MORA – DUPLICATA se refiram aos valores declarados em DIRF, acima elencados. Em suma, para a linha 24 da ficha 06A da DIPJ 2004 apresentada, desmembramos, conforme informado pelo contribuinte: Conta Contábil Descrição Rendimento IRRF 3.7.2.1.01 Juros de Mora Duplicata 241.127,29 0,00 3.7.2.4.01 Juros sobre Aplicação Financeira 179.525,28 34.383,22 3.7.2.4.02 Descontos Obtidos 8.669,44 0,00 Total 429.322,01 34.383,22 Somando o resultado acima à retenção de R$ 283,39, que corresponde à retenção de IR sobre a remuneração de serviços prestados, temse que o IRRF dedutível do IR a pagar para formação do saldo é de R$ 34.666,61 (trinta e quatro mil seiscentos e sessenta e seis reais e sessenta e um centavos), não tendo comprovado o contribuinte o oferecimento à tributação em sua DIPJ dos R$ 286.250,02 restantes recebidos a título de receitas financeiras, declarados em DIRF. A ficha 12A, portanto, se reconfigura conforme o seguinte: IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL DECLARADO CALCULADO 01. Alíquota de 15% 39.507,70 39.507,70 03. Adicional 2.338,47 2.338,47 DEDUÇÕES 05. () Programa de Alimentação do Trabalhador 1.580,31 1.580,31 13. () Imp. de Renda Ret na Fonte 91.566,26 34.666,61 17. () Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa 78.383,96 78.383,96 19. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 129.684,36 72.784,71 Em que pese a inconformidade da recorrente, fato é que a auditoria fiscal auditou os elementos de sua escrita contábil e fiscal, cotejandoos com os informes de rendimentos e notas fiscais de prestação de serviços e concluiu que não ficou comprovado o oferecimento à tributação, na DIPJ do anocalendário 2003, do valor de R$ 286.250,02 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 10830.904110/200899 Acórdão n.º 1801001.939 S1TE01 Fl. 9 15 auferidos pela empresa a título de receitas financeiras, e declarados pelas fontes pagadoras em DIRF. Por tal razão, por expressa disposição legal, o IRRF incidente sobre tais rendimentos não pode ser utilizado como dedução na apuração final do IRPJ do anocalendário 2003, para compor o saldo negativo. Assim, tendo em conta que a DRJ em Campinas já reconheceu, a título de direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, o valor de R$ 72.573,39, do total de R$ 129.599,01, e, uma vez que em diligência fiscal restou apurado o saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 72.784,71, devese reconhecer a diferença do saldo negativo, que ainda não fora reconhecida. Encaminho meu voto, portanto, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 211,32 e homologar as compensações até o limite do crédito ora reconhecido. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 405DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Numero do processo: 10935.904541/2012-63
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/05/2008
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 41 /2 01 2- 63 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904541/201263 Acórdão n.º 3801002.343 S3TE01 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904541/201263 Acórdão n.º 3801002.343 S3TE01 Fl. 66 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904541/201263 Acórdão n.º 3801002.343 S3TE01 Fl. 67 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904541/201263 Acórdão n.º 3801002.343 S3TE01 Fl. 68 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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Numero do processo: 10920.911391/2012-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.
O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.
Numero da decisão: 3803-005.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 13 91 /2 01 2- 11 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Pedido de Restituição (PeR) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 201,09, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 12/08/2004. Despacho Decisório do DRF/Joinville indeferiu o Pedido de Restituição, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado no PeR acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que o Pedido de Restituição referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins e do PIS/Pasep, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições. Argumentou que o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto, que determina a inclusão na base de cálculo do imposto o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Aduziu que o PIS ou a Cofins só podem incidir sobre o faturamento, representado, unicamente, pelo somatório dos valores das operações negociadas, descabendo assentar que os contribuintes “faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa, e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Em julgamento da lide a DRJ/Fortaleza fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2003 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Cientificada da decisão em 9 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 5 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 240.7852/MG que teve seu julgamento suspenso, com votos da maioria consignados defendendo o entendimento ora controvertido , bem como no RE 574.706 no qual foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Voto Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911391/201211 Acórdão n.º 3803005.333 S3TE03 Fl. 49 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do Cofins e do PIS/Pasep. De início, destaco que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade das decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implicitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 Se o cálculo do ICMS fosse por fora Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911391/201211 Acórdão n.º 3803005.333 S3TE03 Fl. 50 5 O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de fevereiro de 2014 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911391/201211 Acórdão n.º 3803005.333 S3TE03 Fl. 51 7 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10845.000917/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IMPUGNAÇÃO DESTITUÍDA DE PROVAS.
A impugnação deverá ser instruída com os documentos que fundamentem as alegações do interessado.
JURISPRUDÊNCIA ARGÜIDA
Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga omnes.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no cálculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal.
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 25/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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IMPUGNAÇÃO DESTITUÍDA DE PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. JURISPRUDÊNCIA ARGÜIDA Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiarse dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga omnes. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no cálculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. IRPF. DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 09 17 /2 00 9- 72 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 25/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 96 a 104: Fl. 152DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 4 3 Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, não acatou as preliminares de nulidade e no mérito, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente e provas apresentadas foram insuficientes, no seu entender, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 5 4 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 113 a 147, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume em alegações de cerceamento de defesa, invalidade da decisão recorrida, presunção de veracidade dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte, da não apreciação no acórdão recorrido dos argumentos da impugnação e não observância da jurisprudência firmada. Ao final do recurso fez constar as seguintes conclusões e requerimentos: Como se viu acima, a decisão proferida neste processo é nula de pleno direito, porquanto: a) alterou o fundamento da autuação, que, da falta de comprovação do desembolso do valor pago. passou a ser a invalidada do comprovante de pagamento; b) a prova da efetividade da prestação dos serviços mediante a apresentação de ficha médica, exames, radiografias, relatórios, etc., é medida que se impõe apenas na hipótese de que existam fundadas suspeitas de que o serviço não tenha sido efetivamente prestado, conforme iterativa jurisprudência administrativa reproduzida nos SUBITENS 3.1.7,3.1.10 e 4.3.2, acima; c) na decisão ora recorrida, a autoridade julgadora deixou de examinar argumento essencial da impugnação, qual seja o da existência de presunção legal em favor do contribuinte, quanto aos esclarecimentos por ele prestados; d) na decisão ora recorrida, a autoridade julgadora deixou de justificar a não observância de pacífica e torrencial jurisprudência administrativa em favor do contribuinte, determinada no artigo 50, VII, da LEI N° 9.784/99. Depois, na medida em que nenhuma suspeita foi levantada quando à idoneidade dos recibos apresentados, a exigência de provar a "efetividade da prestação do serviço" (exames, orçamentos, etc) vulnera o principio do direito à intimidade ("s4o invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra o a imagem das pessoas,..."), de que trata o artigo 5o, X. da CF/88, que dizem respeito, unicamente, à esfera médico / paciente. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 6 5 PRELIMINARES ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A matéria trazida com o presente recurso não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratada em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como prosperar nesse julgamento as referidas alegações. CERCEAMENTO DE DEFESA. Alega a recorrente cerceamento ao amplo direito de defesa na formalização da autuação e na decisão de primeira instância, eivandoos de nulidade. Na autuação, adotouse o critério legal e normativo de apuração do tributo e não é crível que a contribuinte possa não ter entendido os procedimentos adotados e as provas que deveriam ser produzidas por ele. Da análise dos autos, verificase que o interessado foi intimado a apresentar documentação comprobatória das despesas glosadas durante a fiscalização, como se vê, v.g., às fls.: 40 e com base nos documentos e provas trazidos aos autos fezse o lançamento. Ainda, ao contribuinte foi dado oportunidade em todas as fases processuais de julgamento administrativo, de primeira e segunda instância, condições necessárias para apresentar provas das suas alegações, contudo, preferiu apenas repetir as mesmas razões sem juntar documentos comprobatórios. Sendo assim, tendo sido facultado ao interessado o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, que lhes são assegurados pelo art. 5.º, inciso LVI, da Constituição, inexiste o alegado cerceamento, muito menos de se requerer qualquer nulidade por essa razão. Registro que julgados administrativos ou judiciais somente tem efeito vinculantes às partes e não vinculam o presente processo, especialmente, pelo fato que estamos diante de análise de provas que são distintas em cada caso. MÉRITO. OBJETO DO RECURSO Salvo as razões preliminares já superadas, o presente recurso trata apenas da infração devida a glosa das despesas médicas. Assim sendo, considero definitivas as demais infrações, devendo seguir a unidade de origem na cobrança dos respectivos créditos tributários lançados. DESPESAS MÉDICAS Fl. 155DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 7 6 Discutese as glosas das despesas médicas no valor de R$72,550,13. Nesse ponto destaco a complementação da descrição dos fatos constante da autuação e mão contestada pelo contribuinte: Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 156DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 8 7 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: 1. as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; 2. houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie sem comprovação de qualquer pagamento; 3. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, p.ex. no caso da edição de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; 4. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; 5. houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pago em espécie; 6. houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Por tudo, não há qualquer dúvida que o contribuinte se enquadrou na tipologia 1 (R$ 281mil de rendimentos Brutos e desp. médicas de aprox. R$ 79mil, fl. 39), na tipologia 2 (todas despesas quitadas em espécie sem nenhuma comprovação de pagamento), na tipologia 5, p. ex.: (10/12/2005sábado fl. 84,) e tipologia 6 (múltiplas glosas de outras despesas). Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Entendo que diante dos fatos narrados, a apresentação das declarações e radiografias sem nenhuma comprovação de pagamento não traz a substância de prova que se procura. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute Fl. 157DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 9 8 aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. A opção pelo pagamento em espécie, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Ressalto que o contribuinte declarou fundamentalmente fontes de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas (apenas R$12mil de pessoas físicas), que preferencialmente fazem os seus pagamentos via contas bancárias, em função de controle contábil e, não seria, assim, difícil de se fazer a prova dos pagamentos seja por cheques, transferências bancárias ou saques com datas e valores coincidentes dos pagamentos das deduções pleiteadas. Ainda, aceitável se não fosse possível a prova de todos pagamentos mas de alguns pagamentos pelo menos, contudo, no presente caso, nenhum pagamento foi efetivamente comprovado. Verificase que a contribuinte contestou, contudo, não apresentou qualquer documento ou sequer indicou quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. Por oportuno, cabe aqui transcrever o disposto no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (alterado pelas Leis nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, e nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997), arts. 16, III, e 17, que disciplina o processo administrativo fiscal: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifei) Em citação contida na obra de Miranda, Darcy Arruda e outros, CPC nos Tribunais, Editora Jurídica Brasileira Ltda., 1995, v. V, p. 3.768, ao comentar o art. 302 do CPC, o qual trata da necessidade de o réu “manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial”, salienta o Prof. J. J. Calmon de Passos: Se o fato narrado pelo autor não é impugnado especificamente pelo réu e de modo preciso, este fato, presumido verdadeiro, deixa de ser objeto de prova, visto como só os fatos controvertidos reclamam prova. (Comentários ao Código de Processo Civil, Forense, v. III, n.º 151, p. 275). É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000917/200972 Acórdão n.º 2102002.603 S2C1T2 Fl. 10 9 Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Em se tratando de uma questão de prova, incumbe o seu ônus a quem alega ou aproveita. É princípio consagrado em direito “quem alega tem que provar”. Allegatio et non probatio quasi non allegatio (alegar e não provar é quase não alegar). Considerando o exposto acima, há que se manter a glosa da dedução de despesas médicas em apreço. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10380.012654/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE.
Com a revogação do artigo 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratando-se de regra impositiva de responsabilidade pelo descumprimento de obrigação acessória e conseqüente penalidade pelo seu descumprimento, não é possível a sua aplicação retroativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do artigo 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratandose de regra impositiva de responsabilidade pelo descumprimento de obrigação acessória e conseqüente penalidade pelo seu descumprimento, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 26 54 /2 00 9- 59 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.012654/200959 Acórdão n.º 2402004.044 S2C4T2 Fl. 201 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal realizada em 05/10/2009 pela falta de exigência de documento de regularidade fiscal das empresas contratadas. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006. AIOA DEBCAD n.º 37.243.2433 (CFL 41) Deixar o servidor, o serventuário da justiça ou órgão de exigir a CND da empresa quando da contratação com o poder público, ou no recebimento de benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios concedidos por ele. ÓRGÃO PÚBLICO O Órgão Público é equiparado à empresa, nos termos do art. 15, I, da Lei n.º 8.212/91. Incidem contribuições para a Seguridade Social sobre as remunerações pagas aos servidores efetivos na qualidade de segurados empregados. ... Segundo o Relatório Fiscal de fls. 05/06, consultando os sistemas da Previdência Social, constatouse que o órgão deixou de exigir a CND das empresas com as quais contratou, uma vez que, para as empresas listadas em planilha anexa, não havia CND emitida pelo INSS na data da contratação, o que caracteriza o descumprimento da legislação previdenciária. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: que existe parcelamento firmado pela impugnante referente a débito de contribuições previdenciárias para o mesmo período do presente AI, que está sendo pago pelo Município, o que, no entendimento do contribuinte, suspende a exigibilidade do processo em tela(art. 151, VI do CTN); que foi emitido um único Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal para todas as (21) autuações do Município, o que fere o art. 37 da CF/88, no tocante aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, e que, nesta mesma linha, o art. 9º do Decreto 70.235/72 já dispunha que se deve ter um lançamento específico para cada tributo e, conseqüentemente, seu relatório, contendo todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos comprobatórios do ilícito; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 alega a ausência da lavratura dos AI no local de verificação da falta, em ofensa ao art. 10 do citado Decreto 70.235/72, implicando em cerceio de defesa, com o agravante de que, no período de 2005 e 2006, a competência para fiscalizar era do INSS, no entanto, foi realizada pela RFB, entidade que não reúne todos os dados contábeis do município; registra que, além de ter sido lavrado fora do estabelecimento da empresa, não lhe foram solicitadas as explicações e/ou esclarecimentos por escrito de eventuais falhas, como também não lhe foi indicada a forma do procedimento de auditoria efetuado; esclarece que o Município possui Fundo Municipal de Previdência; sendo assim, as contribuições dos servidores incidentes sobre a folha de pagamento são revertidas a este e não à Previdência Social; com relação às divergências encontradas no confronto entre os valores declarados em GFIP com os recolhidos em GPS, aduz serem retidos automaticamente do FPM, no montante entendido devido pelo próprio INSS, o que, de acordo com o item 2.7 da impugnação, gera um saldo positivo para o Município; confirma a existência de contrato de locação e não de frete e requer diligência para nova análise e redução dos valores das contribuições devidas pelo Município a esse título; insurgese contra a utilização de base de fiscalização somente nas GFIP e da ausência de identificação nominal dos contribuintes individuais ditos fora das GFIP e agrupamento nos empenhos de pagamento de folha de empregados; ausência de informação quanto à qualidade do infrator (reincidência) para fins de futuros benefícios fiscais. Ante o exposto, requer a nulidade do presente AI, e caso não seja esse o entendimento, que sejam determinadas diligências, a possibilidade de juntada de documentos e a dedução dos valores a titulo de frete e crédito de retenção nas cotas do FPM devidamente corrigidas pela SELIC. É o Relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.012654/200959 Acórdão n.º 2402004.044 S2C4T2 Fl. 202 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminares Responsabilidade do ente público por infrações A recorrente é entidade de direito público. No caso, até a vigência da Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, a responsabilidade por infrações era atribída ao dirigente, conforme dispunha o art. 41 da Lei nº 8.212/1991, revogado pela citada Medida Provisória, in verbis: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição Como se vê até a edição da Medida Provisória nº 449/2008, de 03/12/2008, publicada no D.O.U. em 04/12/2008, não havia previsão para aplicação de multa ao órgão público, sendo que esta obrigação cabia ao dirigente por disposição legal. A infração objeto da autuação é por descumprimento de obrigação acessória: não teria exigido das empresas contratadas a comprovação de regularidade fiscal. Para verificação do momento que se considera incorrida a infração, o Código Tributário Nacional define que a infração ocorre quando reunidas todas as circunstanciais materiais: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. ... § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. ... ... Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Assim, temos que a infração no presente caso fica configurada na data de licitação/contratação das empresas. Como a MP nº 449/2008 entrou em vigor em dezembro de 2008 e prevalece como regra a irretroatividade da legislação tributária, que somente nos casos elencados no CTN pode ser excepcionada, em especial no artigo 106, a infração já havia ocorrido, o que impede a imputação da responsabilidade ao ente público, já que, como informado, vigia o artigo 41, cuja regra era a responsabilidade do dirigente do órgão. Acolho a preliminar de nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva do órgão público recorrente. Voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 205DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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