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Numero do processo: 11030.904004/2012-70
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 40 04 /2 01 2- 70 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 66 3 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 67 4 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 68 5 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 69 6 “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 70 7 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 71 8 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 72 9 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 73 10 Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 74 11 fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 75 12 VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 76 13 Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 77 14 Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 78 15 Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 79 16 Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 80 17 mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 81 18 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. 1 ADC n° 18/DF Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 82 19 Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904004/201270 Acórdão n.º 3803005.443 S3TE03 Fl. 83 20 Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 19515.003681/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COFINS.
A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS é um tributo, em regra, sujeito a lançamento por homologação. Em caso de pagamento do tributo, ainda que parcial, e não ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial rege-se pela norma contida no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional - CTN. Caso contrário, o prazo decadencial fica sujeito à disposição do art. 173, I, do referido código.
NÃO CUMULATIVIDADE.
As despesas ensejadoras de créditos devem estar registradas na escrituração contábil da recorrente, não sendo possível o reconhecimentos destas quando apenas informadas em DACON.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COFINS. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS é um tributo, em regra, sujeito a lançamento por homologação. Em caso de pagamento do tributo, ainda que parcial, e não ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial rege-se pela norma contida no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional - CTN. Caso contrário, o prazo decadencial fica sujeito à disposição do art. 173, I, do referido código. NÃO CUMULATIVIDADE. As despesas ensejadoras de créditos devem estar registradas na escrituração contábil da recorrente, não sendo possível o reconhecimentos destas quando apenas informadas em DACON. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COFINS. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS é um tributo, em regra, sujeito a lançamento por homologação. Em caso de pagamento do tributo, ainda que parcial, e não ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial regese pela norma contida no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional CTN. Caso contrário, o prazo decadencial fica sujeito à disposição do art. 173, I, do referido código. NÃO CUMULATIVIDADE. As despesas ensejadoras de créditos devem estar registradas na escrituração contábil da recorrente, não sendo possível o reconhecimentos destas quando apenas informadas em DACON. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 81 /2 00 9- 32 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adoto, por bem retratar o caso dos autos, trecho do relatório utilizado no acórdão de impugnação: Em procedimento fiscal realizado na empresa em epígrafe, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 233/242), no período fiscalizado de 01/2004 a 12/2004, foram constatadas irregularidades relativas à COFINS e ao PIS, pois o contribuinte, devidamente intimado, deixou de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, valores excluídos da base de cálculo da COFINS de 01/2004 contida na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ e despesas de aluguéis inexistentes escrituração contábil, porém, informadas nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais — DACON como créditos de PIS e COFINS nos quatro trimestres de 2004. 2. 0 referido Termo de Verificação Fiscal informa essencialmente, que: 2.1. A empresa apresentou um contrato de locação de imóvel a fim de justificar os aluguéis. No entanto, o documento apresentado não foi reconhecido como idôneo, pois estava em desacordo com a legislação. Reintimada a comprovar os referidos aluguéis, a empresa nada respondeu. 2.2. Ademais, foram observadas divergências entre os valores contabilizados e os declarados em DACON, sendo aqueles utilizados nos cálculos do PIS e da COFINS. 3. Em decorrência das irregularidades apontadas acima, foram lavrados, em 11/09/2009, e cientificados ao sujeito passivo, em 14/09/2009, os seguintes autos de infração: 3.1. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 255/258): Crédito tributário no valor total de R$ 848.648,90 (oitocentos e quarenta e oito mil, seiscentos e quarenta e oito reais e noventa centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora, calculados até 31/08/2009, com enquadramento legal descrito As fls. 257/258, cujos demonstrativos se encontram nas fls. 251/254. 3.2. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 264/267): Crédito tributário no valor total de R$ 102.286,30 (cento e dois mil, duzentos e oitenta e seis reais e trinta Fl. 456DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19515.003681/200932 Acórdão n.º 3302002.122 S3C3T2 Fl. 455 3 centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora, calculados até 31/08/2009, com enquadramento legal descrito às fls. 266, cujos demonstrativos se encontram nas fls. 260/263. Em sua Impugnação a Recorrente alegou a decadência dos lançamentos efetuados por aplicação do art. 150, § 4º do CTN, bem como a improcedência das glosas efetuadas em relação às despesas de aluguel. Por conta da impugnação parcial, haja vista não ter ocorrido insurgência quanto às divergências entre os valores contabilizados e os declarados em DACON, foi aberto o processo nº 16151.000304/200920 para a cobrança dos valores não contestados. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem manter parcialmente o lançamento em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 LIMITES DO LITÍGIO. 0 exame da Turma de Julgamento deve cingirse aos limites do litígio, não analisando o crédito tributário controlado em autos apartados nos termos do § 10 do art. 21 do Decreto 70.235/1972 e nem se manifestando sobre avisos de cobrança deste credito. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COFINS. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social CORNS é um tributo, em regra, sujeito a lançamento por homologação. Em caso de pagamento do tributo, ainda que parcial, e não ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial regese pela norma contida no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional CTN. Caso contrário, o prazo decadencial fica sujeito à disposição do art. 173, I, do referido código. SÚMULAS VINCULANTES. OBSERVÂNCIA PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A Administração Pública está sujeita à estrita observância das súmulas vinculantes editadas pelo Supremo Tribunal Federal STF, devendo darlhes imediato cumprimento a partir de sua publicação, como dispõem o art. 103A da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004, e o art. 2° da Lei n° 11.417/2006. PARECERES DA PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN). FORÇA NORMATIVA. Os pareceres da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, quando aprovados pelo Ministro da Fazenda, adquirem força normativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sujeitando este órgão à rigorosa observância das normas neles contidas. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 DACON. NATUREZA JURÍDICA. 0 Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON tem caráter meramente informativo, ou seja, não têm natureza de confissão de divida, portanto, não constitui o crédito tributário. DESPESAS DE ALUGUEIS. DACON. NÃO COMPROV GLOSA. A não comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, de despesas de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos pagos à pessoa jurídica, utilizados na atividade da empresa, enseja a glosa dos valores informados em DACON. CONTRATO DE LOCAÇÃO. INSTRUMENTO PARTICULAR. TERCEIROS. EFEITOS. 0 contrato de locação celebrado por instrumento particular somente produzirá efeitos em relação a terceiros após o registro público. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2004 LIMITES DO LITÍGIO. 0 exame da Turma de Julgamento deve cingirse aos limites do litígio, não analisando o crédito tributário controlado em autos apartados nos termos do § 1° do art. 21 do Decreto 70.235/1972 e nem se manifestando sobre avisos de cobrança deste crédito. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PIS. A Contribuição para o Programa de Integração Social PIS é um tributo, em regra, sujeito a lançamento por homologação. Em caso de pagamento do tributo, ainda que parcial, e não ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial regese pela norma contida no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional CTN. Caso contrário, o prazo decadencial fica sujeito à disposição do art. 173, I, do referido código. SÚMULAS VINCULANTES. OBSERVÂNCIA PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A Administração Pública está sujeita à estrita observância das súmulas vinculantes editadas pelo Supremo Tribunal Federal STF, devendo darlhes imediato cumprimento a partir de sua publicação, como dispõem o art. 103A da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004, e o art. 2° da Lei n° 11.417/2006. PARECERES DA PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN). FORÇA NORMATIVA. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19515.003681/200932 Acórdão n.º 3302002.122 S3C3T2 Fl. 456 5 Os pareceres da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, quando aprovados pelo Ministro da Fazenda, adquirem força normativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sujeitando este órgão à rigorosa observância das normas neles contidas. DACON. NATUREZA JURÍDICA. 0 Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON tem caráter meramente informativo, ou seja, não têm natureza de confissão de divida, portanto, não constitui o crédito tributário. DESPESAS DE ALUGUEIS. DACON. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. A não comprovação, por meio de documentação hábil e id despesas de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos pagos à p sa jurídica, utilizados na atividade da empresa, enseja a glosa dos valore informados em DACON. CONTRATO DE LOCAÇÃO. INSTRUMENTO PARTICULAR. TERCEIROS. EFEITOS. 0 contrato de locação celebrado por instrumento particular somente produzirá efeitos em relação a terceiros após o registro público. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignado com o teor do acórdão de impugnação, o contribuinte protocolizou recurso voluntário, aduzindo em síntese que: a) Sem sombra de dúvidas aplicase ao presente caso o disposto no artigo 150, §4° do CTN, estando decaídos os créditos mantidos pelo nobre julgador de 1ª instancia; b) Houve a impugnação de todo o auto de infração, devendo os créditos apartados serem apreciados e julgados dentro do processo n° 1915.003.681/200932; c) Houve o devido pagamento, bem como da juntada dos recibos pagos comprovando os efetivos gastos com locação; d) foi comprovada a existência de legal contrato de locação, que autoriza as declarações feitas pela Impugnante nas DACONS fiscalizadas; É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Inicialmente analiso a eventual decadência de parte dos lançamentos efetuados. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 Via de regra, o CTN estabelece que o lançamento tributário deve observar o art. 173 do Código Tributário Nacional, que determina: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Referida regra, no entanto, comporta exceções para os casos em que os tributos estão sujeitos ao pagamento através do regime de homologação, como é o caso das contribuições discutidas nestes autos. Nestes casos, aplicável o prazo estabelecido pela redação do art. 150 do Código Tributário, senão vejamos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem o prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (grifouse) A jurisprudência do E. STJ, com a interpretação que vem sendo dada ao Resp 973.733 – SC de relatório do Ministro Luiz Fux, acabou por decidir, no rito do art. 543 C, que se deve aplicar o art. 150, § 4º do CTN , quando tenha havido pagamento parcial e o 173, I do CTN, nos casos em que nçao houve pagamento, senão vejamos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19515.003681/200932 Acórdão n.º 3302002.122 S3C3T2 Fl. 457 7 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. No presente processo se verificou recolhimentos de COFINS apenas para os fatos geradores ocorridos em 31/01/2004 (fls. 355), 3104 e 31/07/2004 (fls. 356), e de PIS somente para os fatos geradores ocorridos em 31/05/2004 e 31/07/2004 (fls. 357), e por este motivo os lançamentos efetuados em relação a estas competências já foi exonerado pelo acórdão recorrido. Em relação as demais competências não houve pagamento e, por força do recurso repetitivo do STJ, deve ser aplicado o art. 173 do CTN, o que afasta as alegações de decadência. Lembro que, de acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões do STJ exaradas no rito do art. 543 C do CPC, são de reprodução obrigatório pelos membros deste colegiado. Quanto à alegação de que teria contestado todo o auto de infração lavrado e, portanto, seria indevida apartação dos créditos efetuada através do processo nº 16151.000304/200920, sem razão o Recorrente. A simples leitura de sua impugnação mostra claramente que a insurgência ocorreu apenas em relação a decadência e as glosas de aluguel, não havendo insurgência quanto as demais matérias tratadas. Quanto ao mérito propriamente dito, melhor sorte não socorre o recorrente. Como já me manifestei em diversas ocasiões, tenho, sempre que possível, adotado como regra a necessidade de aplicação do principio da verdade material no âmbito do processo administrativo, visando não somente a defesa dos direitos dos contribuintes mas também a proteção dos cofres públicos, uma vez que a cobrança de créditos de forma indevida fatalmente é cancelada no judiciário, onerandose assim a União. No caso sob análise, a questão debatida em relação a legalidade dos contratos e recibos apresentados perde relevância para, o que considero, o ponto mais importante. Retiro da decisão recorrida: Ademais, a Fiscalização declara que "não existem lançamentos contábeis na escrituração da empresa correspondentes a pagamentos de aluguéis de qualquer natureza" (fls. 235), o que se coaduna com a ausência de valores relativos a despesas operacionais de aluguéis, conforme item 16 da Ficha 05A — Despesas Operacionais — PJ em Geral da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ 2005 referente ao anocalendário de 2004 (fls. 46). Ou seja, os alegados pagamentos de aluguel sequer foram registrados na escrituração contábil (Livros e DIPJ) da Recorrente, tendo sido lançados apenas os créditos em DACON. Esta informação não foi, em nenhum momento, contestada pela Recorrente o que, a meu ver, é determinante para negarse o direito ao crédito de tais despesas. Por todo o exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19515.003681/200932 Acórdão n.º 3302002.122 S3C3T2 Fl. 458 9 (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 463DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 15504.721726/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presente autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 21 72 6/ 20 13 -1 7 Fl. 19697DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernentes à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 01/2009 a 12/2009. Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária. O Relatório Fiscal informa que os fatos geradores decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, oriundos dos seguintes fatos: 1. aluguéis residenciais do apartamento à rua Paulo Camil Pena, 585, Belvedere, Belo Horizonte/MG, cedido para moradia do empregado Jean Joseph Marie Bouckaert, contratado para atuar na matriz em Belo Horizonte, onde se deu sua admissão; 2. cartão ecx combustível, em valores fixos, fornecidos no período 01/2008 a 01/2009, a Dejair Soares Porto e Carlos Roberto de Oliveira; 3. PLR a empregados em desacordo com a Lei 10.101/2000; 4. despesas de farmácia e reembolso óculos pagos apenas a empregados da filial Florianópolis; 5. bolsas de estágio pagas sem o termo de compromisso no mês de competência da prestação de serviços; 6. valores pagos a pessoas físicas que prestaram serviços à empresa com todos os requisitos da figura do segurado empregado, porém, indevidamente tidos como segurados contribuintes empresários de pretensas pessoas jurídicas contratadas. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 08/03/2013 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. Ilegalidade na caracterização como empregados da impugnante, dos sócios das empresas contratadas. Fl. 19698DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 4 3 2. Ofensa ao regime de tributação instituído pelo art. 129 da Lei 11.196/2005. O lançamento contraria o art. 50 do Código Civil de duas formas: Primeiro, porque inexiste no caso autorização legal para que a própria autoridade administrativa, à margem do processo judicial, proceda à desconsideração da personalidade jurídica das contratadas. Segundo, porque a responsabilidade pelas obrigações decorrentes da desconsideração da personalidade jurídica é dos sócios da pessoa jurídica desconsiderada. Transcreve o art. 150, §1º, inciso II e §2º, incisos I e II do RIR/99, concluindo que essa legislação, anterior ao art. 129 da Lei 11.196/2005, impedia a constituição de uma sociedade com o fim de atrair as normas de tributação da pessoa jurídica a uma pessoa física que prestasse serviços de engenheiros ou assemelhados com os caracteres de uma relação personalíssima. Ademais, o lançamento fere o art. 129 da Lei 11.196/2005, que alterando a legislação anterior, trouxe novo regime de tributação definido em razão da natureza do serviço prestado, e não mais em razão do caráter personalíssimo ou da relação existentes entre seu sócio e terceiros. A nova ordem jurídica teria impedido a desconsideração da personalidade jurídica para fins de aplicar normas tributárias pertinentes à pessoa física, na medida em que ela própria atribui a essas sociedades o regime de tributação de pessoas jurídicas unicamente em razão da natureza do serviço prestado, sendo irrelevante o caráter personalíssimo e demais características existentes na relação entre seu sócio e terceiros. Não se trata, pois, de simulação de sociedades com o intuito de encobrir uma relação de emprego. A partir da Lei 11.196/2005, constituída a sociedade para a prestação de serviços técnicos, a lei determina a incidência da legislação aplicável às pessoas jurídicas; 3. Ilegalidade da utilização da aferição indireta sem a presença dos pressupostos autorizadores. Outra ilegalidade que acomete o lançamento foi de, sem que estivessem presentes os pressupostos legais do arbitramento (art. 148 do CTN e art. 33, §6º da Lei 8.212/91), utilizar o método da aferição indireta para apurar os valores da remuneração paga ao prestador de serviços em caráter pessoal: presumiuse que todos os valores pagos pela impugnante às sociedades contratadas foram direcionados integralmente ao sócio. Cita doutrina de Mizabel Derzi e Sacha Calmon sobre a excepcionalidade da adoção do procedimento do arbitramento, que só pode ser utilizado se esgotadas as possibilidades de reconstrução da verdade material. No caso concreto, não foi realizada qualquer medida para verificar quanto dos valores pagos pela impugnante constituiu remuneração do sócio apontado como prestador de serviço em caráter pessoal, de forma a segregálo dos valores direcionados aos outros sócios da contratada. Não é razoável supor que todo o valor pago foi todo direcionado ao sócio prestador dos serviços porque seria afirmar que o outro sócio nada recebeu, o que significa a presunção de uma nulidade do contrato de constituição da sociedade desconsiderada, que não foi sequer levantada, muito menos comprovada. Logo, presunção desconectada da realidade, Fl. 19699DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 5 4 desarrazoada, contraria o que comumente ocorre e o que determina o art. 1.008 do Código Civil. Conclui que a apuração da base de cálculo destoa dos parâmetros do art. 148 do CTN e do art. 33 da Lei 8.212/91; 4. Nulidade por ausência de fundamentação legal para a aferição indireta. O lançamento contém vicio de motivação legal a demandar sua anulação uma vez que não constou do anexo “fundamentos legais do débito” os §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei 8.212/91. Cita jurisprudência administrativa; 5. Equívoco na composição da base de cálculo. Necessidade de exclusão dos valores de tributos retidos nas notas fiscais. A base de cálculo não poderia ser fixada no valor integral das notas fiscais de serviços. Partindose da premissa de que a desconsideração é válida, o correto seria apurar os lucros distribuídos aos sócios das pessoas jurídicas desconsideradas e a tributação como salário apenas de parte desses valores, ou seja, o que a pessoa física do sócio recebeu como remuneração pela prestação laboral. Assim, seria necessário, no mínimo, que fosse abatido o montante da carga tributária suportada pelas pessoas jurídicas desconsideradas, de modo a alcançar valores mais próximos do salário de contribuição. Neste contexto e considerando que as notas fiscais de prestação de serviço sofrem retenções na fonte, impõese, subsidiariamente, a redução da base de cálculo apurada para que dela sejam excluídos os tributos retidos na nota fiscal, quais sejam IR, CSLL, PIS e CONFINS. Logo, ainda que se pretendesse utilizar o valor das notas fiscais para apurar o salário de contribuição este nunca poderia ser o montante bruto da nota, eis que as retenções na fonte realizadas pela impugnante reduzem a remuneração paga à pessoa jurídica contratada, diminuindo a base de cálculo previdenciária; 6. Inexistência de simulação e vínculo empregatício. Da atividade da impugnante e característica dos serviços por ela tomados. O falso cenário apresentado pelo lançamento. As contratações debatidas ocorrem em um cenário em que a impugnante é uma empresa tem por atividade fim desenvolvimento de trabalhos técnicos relacionados à engenharia para usinas de energia elétrica e infraestrutura, que consiste na elaboração de projetos completos de engenharia relativos a essas obras. Dada a magnitude e complexidade dessa atividade fim, a impugnante necessita de mãodeobra de diversas especialidades. A demanda por determinadas capacidades e especializações técnicas é, porém, variável em função da especificidade de cada obra. Logo, não há necessidade manter em seu quadro de empregados as mais diversas especialidades, que nem sempre serão utilizados nos projetos em que a empresa está envolvida. São profissionais que autuam nos mais variados projetos desenvolvidos por diversas empresas e se lançam no mercado por meio de sociedades profissionais regularmente constituídas que são contratadas quando forem necessárias a determinado projeto. Esse cenário afasta o contexto apresentado no Fl. 19700DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 6 5 lançamento fiscal, de contratos de emprego por meio de simulação de contratos com pessoas jurídicas. Pelo número de empregados da impugnante devidamente declarados em RAIS e GFIP (doc. 05) nota se que os sócios das empresas contratadas correspondem apenas a 10% do total de empregados. A contratação de pessoas jurídicas de profissionais especializados não é regra, se dá em razão de necessidades momentâneas da impugnante. A presença isolada da onerosidade e a não eventualidade nos contratos não é suficiente para configurar a relação de emprego. São características comuns a quase a totalidade dos contratos típicos do direito privado. Quanto aos demais requisitos da relação de emprego, não se encontram presentes; 7. Inexistência de subordinação. A subordinação que caracteriza o contrato de emprego é a subordinação sobre como fazer, como realizar o trabalho, por meio do qual o empregador controla e dirige qual técnica será utilizada e como será utilizada. Transcreve jurisprudência. Não se pode confundir a subordinação do empregado ao poder diretivo do empregador com a subordinação das partes ao contrato celebrado, próprio do contrato civil de prestação de serviços. A subordinação presente no contrato civil se apresenta como vinculação das partes às obrigações do contrato, em razão o princípio pacta sunt servanda. O tomador dos serviços, por exemplo, é obrigado a respeitar os prazos e não exigir a conclusão dos trabalhos antes do prazo, é obrigado a realizar o pagamento do preço do contrato. Enquanto que o prestador deve concluílo no prazo, respeitar os limites de despesas reembolsáveis, cobrar pelas horas efetivamente trabalhadas e ter como diretriz a obra para a qual seu trabalho se destina. Porém, o desenvolvimento das atividades é realizado com independência e autonomia técnica, ou seja, sem subordinação do prestador ao tomador. Na área de engenharia é isso que ocorre: o prestador se obriga a entregar os trabalhos técnicos contratados (planta, laudo, etc.) sem que tais trabalhos tenham sido desenvolvidos com a ingerência técnica do contratante. Enquanto na relação de emprego há subordinação técnica de como realizar o trabalho, na relação de prestação de serviços a técnica é de aplicação exclusiva e independente do prestador. Assim, não se pode confundir a obrigação do prestador de se submeter a controle de prazos e financeiros do tomador (por exemplo, medição de horas de serviços, atenção para características da obra para a qual se destina o trabalho técnico) com a subordinação técnica de como fazer o trabalho. A Leme não tem nenhuma ingerência sobre a aplicação dos conhecimentos técnicos por parte dos profissionais que integram as pessoas jurídicas que contrata, apenas exige que atentem para as características da obra e o escopo do projeto. A Lei 5.194/66, que regula a profissão de engenheiro, determina que esses profissionais tenham autonomia e independência na elaboração de projetos. Transcreve os arts. 18 e parágrafo único, 19 e 20, parágrafo único da citada Lei. No caso dos autos, é incontroverso que os trabalhos deveriam ser realizados de forma pessoal pelo profissional motivo pelo qual não se revela possível que outro profissional tenha assumido os projetos. Conclui Fl. 19701DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 7 6 se que, por determinação legal, esses profissionais assumem a responsabilidade exclusiva pelo projeto, o que inviabiliza a ingerência técnica da Leme sobre os projetos por eles elaborados. Logo, impossível caracterizar, diante da pessoalidade da prestação e da responsabilidade exclusiva pelo projeto, qualquer ingerência técnica da Leme Engenharia, o que descaracteriza a presença de subordinação. O trabalho pessoal do sócio é elemento característico das sociedades destinadas à prestação de serviços intelectuais de forma pessoal pelos sócios e não uma razão para desconsideração de sua personalidade jurídica. Os serviços constantes do lançamento são técnicos de engenharia ou relacionados à engenharia. Logo, nítido o caráter intelectual dos mesmos. Em assim sendo, o art. 966, parágrafo único do CC exclui o caráter empresarial da sociedade. Não sendo empresária a sociedade organiza os fatores de produção para exercer sua atividade, dentre eles a mãodeobra, pois esta organização é característica de uma sociedade empresária (CC art. 982); 8. Da variabilidade e descontinuidade dos pagamentos realizados pela impugnante: descaracterização da relação de emprego. A considerável variabilidade dos valores pagos mensalmente pela execução dos contratos, demonstrada através de planilhas anexas à defesa (doc. 06) comprovam que a impugnante celebra legítimos contratos civis de prestação de serviços e apontam para a validade e legitimidade dos mesmos, impedindo sua desconsideração para fins de tributar uma suposta relação de emprego. Tal variação afasta a pretensão de classificar como empregados as pessoas jurídicas contratadas uma vez que, em contrato de emprego, a remuneração é a mesma em todos os meses trabalhados, pois paga pelo tempo que o empregado fica à disposição do empregador e que a jornada de trabalho é definida, a teor do art. 74 da CLT. No caso dos autos, as pessoas jurídicas contratadas trabalham o tempo necessário para cumprir o contrato celebrado e entregar o trabalho técnico no prazo avençado. Esta é a razão dos valores mensais pela execução do contrato serem extremamente variáveis: não existe tempo certo pelo qual as pessoas envolvidas na execução do contrato ficavam à disposição da impugnante. Em muitos casos a remuneração sofre diminuição de um mês para outro, principalmente nos últimos pagamentos realizados, o que é incompatível com o já citado artigo da Constituição Federal. A explicação é que os pagamentos não se dão em função da disponibilidade, mas das horas efetivamente gastas na execução do contrato. O contrato se dá para a execução de um contrato com autonomia e independência e não na remuneração pelo tempo à disposição do contratante. Ademais os anexos CE2008 e CV 2009 demonstram que na grande maioria dos casos não há emissão de notas fiscais em todos os meses e verificase emissão de mais de uma nota fiscal no mesmo mês com valores distintos. O pagamento agrupado por sociedade contratada permite ainda visualizar o total equivoco ao afirmar a suposta não eventualidade.Cita exemplos. De qualquer forma, tratandose de contratos para desempenho de trabalhos técnicos não há impedimento para que os pagamentos sejam Fl. 19702DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 8 7 feitos mensalmente de maneira uniforme. Os contratos que tenham por objeto a entrega de trabalho técnico de engenharia (desenho, laudo, projeto, etc) para que seja integrado pela impugnante a um projeto maior que deve entregar a seu cliente configurase como contrato de empreitada que, geralmente, é fechado a preço global, pratica não vedada em lei. Assim, não descaracteriza o contrato o fato de o preço ser pago de forma parcelada durante a execução do trabalho, inexistindo motivo para desconsideração do contrato de prestação de serviço pela uniformidade dos pagamentos ao longo do contrato; 9. Distinção entre os objetos dos contratos da Leme com seus clientes e aqueles celebrados pela Leme com as sociedades contratadas. As sociedades contratadas não desempenham a atividade fim da Leme uma vez que esta é contratada por suas clientes para desenvolver e entregar um projeto completo de obras nos ramos de energia elétrica e infraestrutura. O objeto contratado é amplo, abrangendo diversos aspectos da engenharia, não podendo ser desenvolvido por uma única equipe. É um trabalho técnico complexo, abrangendo várias áreas de conhecimento e demandando atividades diversas, porém, integradas. Pelos objetos dos contratos celebrados com as sociedades contratadas notase que inexiste uma coincidência de objeto, ou seja, o contrato da Leme com suas clientes é mais abrangente e não se confunde com o contrato dessas sociedades prestadoras de serviços, que desenvolvem tarefas técnicas específicas, com autonomia e independência, visando sua integração ao projeto maior contratado junto a Leme pelos seus clientes. Equívoco de tentar enquadrar as sociedades na estrutura da Impugnante. Os cargos constantes do organograma da Leme não são destinados às tarefas contratadas junto às sociedades, pois estas, como visto são tarefas técnicas destinadas a serem utilizadas pela impugnante na elaboração de projetos maiores. As RAIS e GFIP anexas (doc. 05) comprovam que o organograma é preenchido pelos vários empregados que a impugnante tem. O equívoco decorre da suposição de que a impugnante se utiliza exclusivamente de sociedades para exercer suas tarefas, o que se comprovou ser mentira: para trabalhos técnicos específicos, destinados a utilização em projeto, a impugnante contrata sociedades profissionais especializadas e independentes, enquanto que, para o trabalho interno da empresa. realizado pelos cargos constantes do organograma, possui empregados devidamente registrados; 10. A utilização de recursos da conta contábil Participação nos Resultados Geral – Ano anterior não significa pagamentos a empregados. De acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, principalmente o da essência sobre a forma, os registros contábeis devem atentar para substancia econômica e não para formas legais. Eventuais pagamentos a prestadores de serviços pessoas jurídicas em razão de bônus de performance calculados com base nos resultados gerados ou mesmo a distribuição de resultados a Fl. 19703DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 9 8 diretores não empregados constituem economicamente participação nos resultados. E por esta razão foram assim lançados na contabilidade. É equivocada a premissa do lançamento fiscal, de que são empregados os beneficiários dos pagamentos lançados na conta contábil “participação nos resultados” uma vez que, de acordo com a Lei 10.101/2000, apenas empregados recebem tais pagamentos. O registro contábil se dá com atenção ao aspecto econômico e não legal. Exclusão dos valores relativos à participação nos lucros e resultados. Caso não sejam acolhidas as alegações de que a desconsideração da personalidade jurídica das contratadas é nula, ao menos os valores apontados como sendo de pagamento de participação de lucros e resultados aos sócios das contratadas devem ser excluídos da base de cálculo. A Participação nos lucros e resultados são desvinculados da remuneração e sobre eles não incidem contribuições previdenciárias, pois os pagamentos respeitaram os termos da Lei 10.101/2000, conforme o exposto no item específico de pagamento de PLR a empregados; 11. PLR a empregados. O fato de o Acordo Coletivo ter sido formalizado posteriormente ao exercício do pagamento da PLR não atrai a incidência de contribuição previdenciária porque a Lei 10.101/2000 só usa o ano civil como parâmetro da periodicidade da remuneração, não demandando acordo prévio. Cita decisão do CARF. A Lei 10.101/2000 não determinou quais critérios deveriam ser seguidos na negociação, limitandose a sugerir duas possibilidades no art. 2º §1º, o que é evidenciado pelo uso da expressão “podendo ser consideradas”. Assim, o que caracteriza a PLR é a negociação entre as partes envolvidas, não se exigindo um programa de resultado previamente estipulado, como pretendido no Auto de Infração. No caso da PLR paga aos empregados do escritório de Belo Horizonte, através de Acordo Coletivo, as partes negociaram e consentiram em delegar ao acionista a escolha do montante a ser distribuído, em função dos resultados atingidos no período, dentre os diversos parâmetros previstos no art. 187 da Lei 6.404/76. No caso da PLR paga aos empregados da filial Florianópolis, a fiscalização alega ausência de avaliação de desempenho que justificasse o pagamento da PLR. Entretanto, o Termo Aditivo, cláusula 2ª do Extra Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009 entre a Leme e SENGE/SC, detalhou inclusive o valor a ser distribuído (50% da remuneração do empregado em dezembro de 2008), sua origem, a base e o percentual do pagamento. No mesmo sentido o Termo Aditivo relativo ao ano de 2007. Quanto a filial do Pará, os pagamentos foram feitos com base no acordo celebrado pela matriz. Se a essência do pagamento é a participação nos lucros e resultados, aplicação do acordo da matriz é suficiente para afastar a tributação. Todos os pagamentos obedeceram aos requisitos da Lei, não incidindo contribuição previdenciária. Cita decisão do STJ; 12. Não incidência de contribuição previdenciária sobre valores despendidos a título de aluguel residência ao Sr. Jean Joseph Fl. 19704DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 10 9 Marie Bouckaer. O Sr. Bouckaert é estrangeiro expatriado da Bélgica, trazido pela empresa para trabalhar no Brasil de acordo com seu programa de mobilidade sumarizado no documento anexo (doc. 08). Tratase, pois, de fornecimento de moradia para estrangeiro não residente no Brasil, essencial para viabilizar seu trabalho em território nacional. Assim, constituise verba indispensável à prestação do serviço, não integra o salário e não sofre tributação. Portando ilegal a inclusão do aluguel na base de cálculo das contribuições devidas, quer por não constituir remuneração pelo trabalho, quer por ser um pagamento eventual, que perdurou apenas enquanto o trabalhador desenvolveu suas atividades na localidade; 13. Valescombustível em forma de cartão – comprovação das despesas. Os valores fornecidos a empregados referentes a combustíveis, sob a forma de cartões ECX CAD, não sofrem a incidência tributária porque se enquadram como ”ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado”, hipótese excluída de tributação pelo art. 28, §9º, “s” da Lei 8.212/91. Acrescenta que o caso concreto se amolda àquela previsão legal porque as despesas em questão estão devidamente comprovadas através dos extratos de uso emitidos pela empresa fornecedora dos cartões (doc. 08). Os referidos cartões foram devolvidos à empresa (doc. 08) ao término da atuação dos referidos profissionais no projeto localizado em Nova Era/MG, haja vista que com a finalização dos serviços cessouse a ocorrência desses gastos específicos; 14. Não incidência sobre reembolso óculos e auxilio farmácia. O reembolso óculos e auxílio farmácia não sofrem incidência de contribuição por não ter natureza remuneratória, mas nítida natureza assistencial, suprindo necessidades do empregado relacionada à saúde e integridade física as quais, de acordo com a Constituição Federal, deveriam ser satisfeitas pelo Estado, a quem cabe, portanto, estimular as empresas que optem pela concessão de tais benefícios, e não penalizálas, com a imposição de um ônus adicional, como é a sujeição da verba à incidência de contribuições previdenciárias. Conforme comprova o lançamento, as verbas têm o caráter de reembolso, eis que é necessário que a despesa seja incorrida, não bastando o fato de ser empregado para recebêlas. Demonstrada, assim, a natureza assistencial. O fato das verbas serem disponibilizadas apenas para os empregados do estabelecimento de Florianópolis não é suficiente para afastar a aplicação do art. 28, § 9º, “r”, da Lei 8.212/91, pois a expressão “empresa” contida na parte final desse dispositivo legal (“abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa” grifamos) deve ser entendida como “estabelecimento”. Não há sentido em exigir que a parcela abranja todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, pois as características regionais podem demandar, a bem do principio da igualdade, a concessão de benefícios para atender apenas as necessidades dos trabalhadores de determinada localidade, que não pode não se reproduzir em todos os estabelecimentos; Fl. 19705DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 11 10 15. Não incidência sobre a bolsa de estágio. As relações de estágio para as quais a defesa não apresentou “termo de estágio” podem ser comprovadas através de relatórios e fichas de avaliação anexa à defesa, documentos estes que demonstram tratarse de relação marcada pelo aprendizado, pela compatibilidade entre as atividades desenvolvidas e os estudos do estagiário, bem como pela supervisão e avaliação regulares da empresa. Comprovado que se trata efetivamente de contrato de estágio e que o processo administrativo fiscal é regido pelo principio da verdade material, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre as bolsas de estágio em foco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0246.448 da 6a Turma da DRJ/BHE (fls. 14690/14721) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 19706DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 12 11 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isso porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito às matérias fáticas relacionadas ao pagamento de PLR aos empregados em desacordo com a Lei 10.101/2000, aos Termos de Compromissos dos estagiários e à apuração da base de cálculo para o estabelecimento 33.633.561/000691, competência 03/2009. No que tange às matérias submetidas à controvérsia instaurada, o Fisco informa o seguinte: (i) o pagamento a título de PLR está em desacordo a Lei 10.101/2000, eis que na filial de Florianópolis (33.633.561/000500) não foi apresentada a avaliação de desempenho e a data de homologação do acordo foi em 01/05/2008, posterior ao exercício de 2008. Também não foram apresentados os acordos coletivos que respaldassem os pagamentos da participação nos resultados das Filiais Brasília 33.633.561/000420, Rio de Janeiro 33.633.561/000691, Pará 33.633.561/001159; e para a matriz (Belo Horizonte/MG) a homologação do acordo que versa sobre o exercício de 2008 ocorreu em 29/05/2009; (ii) houve a análise de todos os documentos apresentados pela Recorrente, inclusive dos Termos de Compromisso inseridos aos autos (doc. 10 da peça de impugnação); e (iii) para a apuração da base de cálculo dos prestadores de serviços, foram examinadas as notas fiscais de prestadores de serviços, contratos assinados com os prestadores de serviços, documentos emitidos pela Leme, referentes aos prestadores de serviços, dentre outros. “[...] 3.5. Levantamento PL Participação nos lucros e resultados da empresa PLR (...) Filial Florianópolis 33.633.561/000500: (...) No que concerne ao acordo referente ao exercício de 2008 com pagamento em 2009, assinado em Santa Catarina cabe elucidar, que embora a sua homologação tenha ocorrido 01/05/2008 e, defina que utilizará a avaliação de desempenho individual dos empregados a ser realizada conjuntamente pelos Gerentes de Projeto e Diretoria, não foi apresentada qualquer avaliação de desempenho que justificasse o pagamento escriturado na conta contábil 2.1.08.08.000001 – “PARTICIPACAO RESULTADOS GERAL ANO ANTERIOR”, está claro que se trata na verdade de um premio de desempenho coletivo travestido de participação nos lucros e resultados, onde a autuada busca se beneficiar da inexistência da tributação expressa na Lei 11.101/2000. Não foram apresentados acordos coletivos que respaldassem os pagamentos da participação nos resultados das Filiais Brasília 33.633.561/000420, Rio de Janeiro 33.633.561/000691, Pará 33.633.561/001159 referente ao desempenho do exercício de 2008 com pagamento em 2009. Considerando que não foram comprovadas as exigências apresentadas na Lei 10.101/2000, que dá a verba escriturada na conta contábil 2.1.08.08.000001 – “PARTICIPACAO RESULTADOS GERAL ANO ANTERIOR” a possibilidade de Fl. 19707DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 13 12 enquadrala na categoria almejada, a rubrica em quest. Os valores pagos encontramse detalhamentos no anexo PR, sendo pago a titulo de participação nos resultados um percentual de 50% (cinquenta por cento) sobre o salário base do empregado. ão foi considerada fato gerador das contribuições previdenciárias e das destinadas aos terceiros. 5. Foram examinadas as Notas Fiscais de Prestadores de Serviços, Contratos assinados com os Prestadores de Serviços, documentos emitidos pela Leme, referentes aos prestadores de serviços, que obedecem a um formato padrão e são gerados pela autuada dentre eles as Folhas de Medição de Serviços, de Despesas de Viagens, GPS, GFIP, Acordos Coletivos, Contratos de Estágio, Controle de utilização de Farmácia, escrituração contábil Sped e folhas de pagamento digitais devidamente autenticadas pela empresa no SVA, comprovante anexo ao presente processo e, demais documentos que compõem os lançamentos contábeis. [...]” (Relatório Fiscal, fls. 90/92) Em sentido contrário, a Recorrente afirma, na peça recursal, o seguinte: (i) o pagamento da PLR foi realizado de acordo com a Lei 10.101/2000 e não houve pagamento da participação nos resultados para as filiais de Brasília (33.633.561/000420) e do Rio de Janeiro (33.633.561/000691), para a filial do Pará o pagamento obedeceu às regras da matriz (Belo Horizonte); (ii) o Fisco não analisou todos os Termos de Compromisso dos estagiários, inclusive estes documentos foram inseridos aos autos (doc. 10 da peça de impugnação), assim os valores relacionados a esses documentos (doc. 10) deverão ser excluídos; e (iii) na apuração da base de cálculo do levantamento CVCARACT EMPREGADO, ocorreu um erro na competência 03/2009, estabelecimento 33.633.561/000691, sendo que o Fisco informa o valor de R$223.016,96 e o correto seria de R$206.465,12, conforme planilha contendo os números das notas fiscais e o destinatário de pagamento. Segundo a Recorrente, os documentos que confirmam as suas alegações foram devidamente acostados ao processo no prazo estabelecido pela legislação de regência. Fatos registrados na peça recursal: “[...] O Acordo Coletivo pertinente ao escritório de Belo Horizonte estabelece as regras de aferição do direito dos trabalhadores (doc. 07 da impugnação). A negociação realizada pelas partes resultou na reserva ao acionista, da escolha do montante, ou seja, a delegação da escolha foi consentida. Por fim, é ver que o relatório fiscal, apesar de informar que a filial de Brasília e Rio de Janeiro não tinham celebrado nenhum acordo coletivo, não identifica pagamentos por ela realizados nos Anexos PL 2008 e PR 2009. No caso da filial do Pará, os pagamentos foram feitos com base no acordo celebrado pela matriz. É que não seria justo que, na falta de acordo com os sindicatos daquele Estado os trabalhadores daquela filial ficassem sem receber o pagamento apenas por causa da tributação que incide sobre a empresa. Logo, se a essência do pagamento é de participação nos lucros e resultados, a aplicação do acordo pertinente à matriz é suficiente para afastar a tributação. (...) Fl. 19708DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 14 13 Pois bem. Primeiramente, relembrese que foram apresentados termos de estágio devidamente celebrados entre a Recorrente e seus estagiários. Desta forma, o acórdão recorrido deveria ter, ao mínimo, determinado a exclusão dos valores referentes aos termos apresentados, o que por si só enseja sua reforma. Ademais, ainda nem todos os termos encontremse disponíveis, fato é que, ao contrário do que alega o acórdão, a relação de estágio dos demais pode ser efetivamente comprovada através dos mencionados relatórios e fichas de avaliação em anexo, das quais se desprende tratarse de relação marcada pelo aprendizado, pela compatibilidade entre as atividades desenvolvidas e os estudos do estagiário e pela supervisão e avaliação regulares pela empresa. (...) Como as alíquotas totais são respectivamente de 21% e 5,8%, a base de cálculo considerada para o cálculo foi de R$ 223.016,96. Ocorre que a soma das notas fiscais constantes do ANEXO CV 2009, pagas pelo referido estabelecimento em março de 2009 não totalizam R$223.016,96, mas sim R$ 206.465,12. É ver a relação: (...) Portanto, o lançamento adotou base de cálculo superior àquela demonstrada pelo Fisco, motivo pelo qual deve ser anulado o crédito tributário relativo à rubrica CV CARACT EMPREGADO APÓS 1108 atribuída ao estabelecimento 33.633.561/000691 no mês de março de 2009. [...]” (Recurso Voluntário) A Recorrente argumenta ainda, dentre outros, que, para o levantamento CV CARACT EMPREGADO, ocorreu o lançamento por arbitramento sem a devida motivação. Registrase também que a Recorrente juntou aos autos várias cópias de contratos de prestação de serviços, acompanhados de declarações das prestadoras de serviços, e afirma que: “[...] a) considerando que a LEME não é a única tomadora dos serviços das sociedades desconsideradas, temse que essas são efetivas pessoas jurídicas não havendo qualquer simulação de relação de emprego; b) conforme decorre da sua própria atividade e, nos termos da Lei 5.194/66 (arts. 18 a 20), os serviços são executado com autonomia e independência, de modo que inexiste a subordinação técnica a ensejar vínculo empregatício (TRT, 4a Região, Proc. Nr.00449200638304 001); sendo certo que as sociedades contratadas não desempenham atividadefim e os serviços individualmente considerados não são capazes de satisfazer o interesse dos clientes da Recorrente; c) a maioria das pessoas jurídicas tem em sua composição mais de um sócio habilitado para a mesma profissão o que prova que os sócios atuam em conjunto nos diversos trabalhos da pessoa jurídica, sem prejuízo de indicar um sócio interlocutor representante junto a clientes determinados, o que não faz deste um empregado da Recorrente; d) além disto, os contratos sociais comprovam a ilegalidade da base de cálculo eleita pela fiscalização, por incidir sobre o valor total das Fl. 19709DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 15 14 NF's, nas quais há remunerações de outro(s) sócio(s) e tributos retidos na fonte (IR, CSLL, PIS e COF1NS); e) Por fim, percebese dos contratos sociais, ainda, que a data de constituição dessas PJ's desconsideradas é muito anterior ao período autuado, o que prova que a constituição das pessoas jurídicas não teve como finalidade encobrir relação de emprego. [...]” Assim, necessitamos que a AuditoriaFiscal (Fisco) examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos na peça recursal (ou na peça de impugnação). Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, poderá acarretar o lançamento tributário, ato administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento também está em consonância com o art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999 – processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Fl. 19710DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 16 15 Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal, acompanhada de um conjunto probatório (contratos sociais e declarações das prestadoras de serviços). Tal Parecer deverá responder, dentre outros, os seguintes quesitos: 1. os valores oriundos do pagamento de PLR abarcaram, ou não, as filiais de Brasília (33.633.561/000420) e do Rio de Janeiro (33.633.561/0006 91); 2. os Termos de Compromisso acostados aos autos (doc. 10) já foram, ou não, analisados pelo Fisco, demonstrar a ocorrência do fato; 3. para o levantamento CVCARACT EMPREGADO, a base de cálculo da competência 03/2009 está correta, ou não; 4. dentro ainda do levantamento CVCARACT EMPREGADO, deverá analisar e emitir parecer sobre os documentos acostados pela Recorrente (contratos sociais e declarações), verificando; (i) se a Recorrente é, ou não, a única tomadora dos serviços das sociedades desconsideradas; (ii) se a base de cálculo eleita pelo Fisco abarcou, ou não, outros valores não pagos pela Recorrente; (iii) se o único propósito das sociedades desconsideradas é, ou não, a prestação de serviços para a Recorrente; dentre outros a critério do Fisco na elucidação da controvérsia instaurada. Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 19711DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13808.000983/99-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1996
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. AMPLIAÇÃO. CASOS PENDENTES. Aplica-se aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008. Recurso de ofício não conhecido.
IRRF. OMISSÃO DE RECEITAS. ARTIGO 44 DA LEI Nº 8.541/92. A tributação prevista no artigo 44 da Lei nº 8.541/92 não tem natureza de penalidade, inexistindo previsão legal para aplicação do princípio da retroatividade benigna.
IRRF. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. A exigência de imposto de renda na fonte a que se refere o art. 44 da Lei nº 8.541/92 deve ser levada a efeito quando a natureza da redução indevida do resultado permite a presunção de distribuição de recursos a sócios.
DESPESAS FINANCEIRAS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO, À AUTORIDADE FISCAL, DA DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE DA DEDUÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Os contribuintes devem manter em boa guarda os comprovantes de deduções e outros valores pagos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário. Devem ser reconhecidas, na apuração do lucro tributável, as despesas financeiras documentalmente demonstradas pelo sujeito passivo, e glosadas aquelas carentes de idêntico supedâneo.
Numero da decisão: 1101-000.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso de ofício e, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Junior, que dava provimento em maior extensão, acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga.
Observação: este documento retifica o acórdão publicado em 19/08/2003.
Nome do relator: Relator
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LIMITE DE ALÇADA. AMPLIAÇÃO. CASOS PENDENTES. Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008. Recurso de ofício não conhecido. IRRF. OMISSÃO DE RECEITAS. ARTIGO 44 DA LEI Nº 8.541/92. A tributação prevista no artigo 44 da Lei nº 8.541/92 não tem natureza de penalidade, inexistindo previsão legal para aplicação do princípio da retroatividade benigna. IRRF. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. A exigência de imposto de renda na fonte a que se refere o art. 44 da Lei nº 8.541/92 deve ser levada a efeito quando a natureza da redução indevida do resultado permite a presunção de distribuição de recursos a sócios. DESPESAS FINANCEIRAS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO, À AUTORIDADE FISCAL, DA DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE DA DEDUÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Os contribuintes devem manter em boa guarda os comprovantes de deduções e outros valores pagos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário. Devem ser reconhecidas, na apuração do lucro tributável, as despesas financeiras documentalmente demonstradas pelo sujeito passivo, e glosadas aquelas carentes de idêntico supedâneo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso de ofício e, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Junior, que dava provimento em maior extensão, acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 09 83 /9 9- 53 Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 3 2 termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR – Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Observação: este documento retifica o acórdão publicado em 19/08/2003. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório A empresa acima identificada foi autuada e notificada a recolher crédito tributário ORIGINAL no valor de R$ 1.931.176,67, referente a Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ; Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; multa e acréscimos legais. Termo de Constatação (fl. 16) apresenta as seguintes verificações: o contribuinte foi intimado a comprovar os lançamentos efetuados em suas contas 3.13.051.0090 Despesas Bancárias e 3.1.5.051.0150 Despesas Financeiras Juros, durante o período de apuração de 1995. em decorrência, a empresa apresentou inúmeros documentos, comprovando as despesas contabilizadas a que se referem cada um deles. não obstante, o contribuinte deixou de apresentar parte dos documentos solicitados. foram elaborados os Anexos 1 a 4 (fls. 18 a 30), em que estão discriminados os valores objeto dos termos intimatórios, detalhandose aqueles cujos lançamentos tiveram suas quantias comprovadas pela fiscalizada. Nas colunas "não comprovadas", por sua vez, detalhamse os valores dos lançamentos para os quais não houve comprovação da despesa realizada. no Anexo 5 (fl. 17) procedeuse à totalização das quantias mensais apuradas nos anexos citados, todas sujeitas à tributação pelo IRPJ, nos termos do art. 242 do Regulamento para o Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041 de 11/01/1994 (RIR11994) e demais reflexos. foram lavrados, em 12/07/1999, os seguintes autos de infração: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (fls. 52 e 53), com fundamento nos arts. 197, parágrafo único; 242 e parágrafos e 318, I, do RIR/1994; CSLL (fls. 57 e 58), com fundamento no art. 2° e seus parágrafos da Lei 7.689 de 15/12/1988, e art. 57 da Lei 8.981/1995, com as alterações do art. 1° da Lei 9.065/1995; IRRF (fls. 63 e 64), com fundamento no art. 739 do RIR/1994; art. 62 da Lei 8.981/1995 e art. 44 da Lei 8.541 de 23/12/1992 com a redação dada pelo art. 3° da Lei 9.064 de 20/06/1995. Em 11/08/1999, a empresa apresentou, por seu representante, impugnação (fls. 68 a 78), alegando, basicamente, o seguinte: a autuação se deu porque a fiscalização recusou os documentos apresentados, representados por extratos bancários, contratos de financiamento e empréstimos, alegando ser indispensável para justificar a despesa operacional o "aviso de lançamento" emitido pelo estabelecimento bancário, julgando que não merecem crédito boa parte dos inúmeros documentos que lhe foram apresentados, desconsiderandoos sem qualquer razão a respeito de sua autenticidade; Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 5 4 assim, dos montantes individuais que figuram como "não comprovados" dos anexos 01, 02, 03 e 04, elaborados pela fiscalização no Termo de Constatação a titulo de "despesas bancárias" e "despesas financeiras — juros", todos tiveram sua origem em documentos válidos apresentados quando da fiscalização; com a rapidez das transações bancárias, com a multiplicidade das operações, com os meios eletrônicos à disposição das instituições bancárias, o "aviso de lançamento bancário", na maioria das vezes, deixa de ser emitido, mormente quando operações são creditadas ou debitadas "online", servindo como documento para espelhar o lançamento o contrato de financiamento ou empréstimo (em que aparece, em seu corpo, o montante creditado, bem como os juros e as despesas cobradas pela instituição); da mesma foram, a cobrança das despesas bancárias, em sua multiplicidade, não mais são objeto de "avisos de débito" ou "avisos de lançamento", mas cobrados diretamente mediante débito nas contas correntes, objeto de conciliação "a posterior" quando do controle pelos extratos de lançamento elaborados e remetidos pelos estabelecimentos bancários; além de apresentar os documentos em que lastreou seus lançamentos, prontificouse a impugnante a solicitar, dos estabelecimentos de crédito, os "avisos de lançamentos". Ignorou o agente fiscalizador o esforço da defendente para superar os óbices por ele levantados; no que concerne ao IRRF, o lançamento improcede, uma vez que inexistente redução do lucro líquido (uma vez que a impugnante operou com prejuízo) determinante da exação, e ainda porque, mesmo que as deduções pudessem ser consideradas indevidas, o que se admite apenas para argumentar, não autorizam, por si só, a presunção de transferência de recursos para o patrimônio de seus sócios; reapresenta nesta oportunidade a impugnante os documentos já anteriormente fornecidos à fiscalização e mais as cartas remetidas aos estabelecimentos bancários e suas respostas, para afastar o lançamento do crédito ilegalmente exigido, vinculando cada documento ao anexo do Termo de Constatação a que se refere; observese que para os lançamentos em que os contratos e os avisos de lançamento de débito dependem de cumprimento, por parte dos estabelecimentos bancários, da solicitação de fornecimento de cópia dos mesmos, a despesa consta especificamente dos extratos bancários ora também anexados. A 2ª TURMA – DRJ EM SÃO PAULO – SP I, ao decidir a respeito da impugnação apresentada, exonerou, em parte, o crédito tributário lançado, reconhecendo a demonstração de parcela das despesas financeiras glosadas. Assim restou ementando o despacho prolatado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 6 5 Ementa: COMPROVAÇÃO DE DESPESAS Aceitase a dedutibilidade de despesas cuja juntada de documentos comprovou sua efetividade; e, mantémse a tributação com relação às demais despesas não apoiadas em documentação hábil. AUTOS REFLEXOS IRRF CSLL – A procedência parcial do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção parcial das exigências fiscais dele decorrente. Lançamento Procedente em Parte” Foi interposto recurso de ofício. Cientificado da decisão em 15/12/2006, apresentou o contribuinte, em 16/01/2007, recurso voluntário a este conselho, apontando, por amostragem, pretensas comprovações de despesas erroneamente desconsideradas pelo aresto recorrido, de um lado, e aduzindo, de outro, considerações já elencadas na peça impugnatória. É o relatório do essencial. Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: (1) Da admissibilidade do recurso de ofício Inicialmente, devese analisar os requisitos de admissibilidade pertinentes ao recurso de ofício, proposto, pela autoridade inferior, em virtude de o acórdão ter exonerado montante de crédito tributário (principal + multa proporcional) equivalente a R$ 615.450,69 (seiscentos e quinze mil, quatrocentos e cinquenta reais e sessenta e nove centavos). À época do julgamento recorrido, vigia o artigo 2º da Portaria MF nº 375/01, responsável por determinar a necessidade de recurso de ofício sempre que decisão administrativa afastasse a cobrança de valores superiores a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais): “Art. 2º O Presidente da turma de julgamento das DRJ deve recorrer de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento do tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).” Ulteriormente, todavia, dito dispositivo foi revogado pela Portaria MF nº 03/08, que passou a estatuir alçada mais elevada para a interposição do recurso mandatório: “Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo.” Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 8 7 Entendo, então, que os recursos oficiosos pendentes de julgamento, ao tempo da edição desta segunda Portaria, tornaramse, de pronto, carentes de condição inafastável de admissibilidade, sempre que derivados de exoneração fiscal inferior à monta de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Como a majoração do piso de alçada representa modificação de regra processual, ela deve ser aplicada, imediatamente, a todos os atos ainda não definitivamente consumados, impondose o nãoconhecimento dos recursos de ofício que com o novo valor não guardem pertinência. Este é o entendimento que vem sendo adotado por este colegiado: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REEXAME NECESSÁRIO LIMITE DE ALÇADA AMPLIAÇÃO CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF nº. 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). Recurso de Ofício não conhecido. (Ac. 1º CC – 10423.484/08)” “RECURSO DE OFÍCIO LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA NÃO CONHECIMENTO Não se conhece de apelo de ofício quando, em face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado.” (Ac. 1º CC – 10423.391/08)” Assim, é imperiosa a inadmissão do recurso de ofício interposto. Passemos, pois, à análise do remédio formulado pelo contribuinte. (2) Da comprovação das deduções de despesas glosadas O recurso voluntário, por sua vez, atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço, iniciando a perscrutação de seu mérito. As autuações em tela (lançamento principal e reflexos) tiveram, por fulcro, como noticiado, pretensa falta de comprovação documental das despesas financeiras alegadas pela peticionária, deduzidas dos resultados do período (anobase de 1995). O trabalho fiscal empreendido desconsiderou, originalmente, parcela aguda das provas documentais trazidas à baila pelo contribuinte, adotando como ilegítimos, arbitrariamente, contratos, extratos bancários e outros elementos similares de instrução. O subjetivismo que eivou o labor fazendário inicial foi parcialmente corrigido pelo aresto atacado. A DRJ recorrida discriminou, então, as despesas fundamentadas Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 9 8 pelo contribuinte, de um lado, e aquelas que, em seu entender, não estavam suficientemente demonstradas, de outro, excluindo parte dos lançamentos constituídos. Buscouse, mês a mês, contabilizações por contabilizações, a existência de comprovações hábeis, dentre todo o arcabouço documental juntado pela interessada, concluindo o colegiado a quo pela aceitação de montante considerável das despesas deduzidas. Apesar disso, a postulante não se deu por contente, entendendo que todos os gastos financeiros poderiam ser comprovados, a partir do estudo dos elementos probatórios juntados. A fim, então, de analisar a lidimidade dos lançamentos, repassei cada um dos documentos comprobatórios insertos nos autos, naquilo que se reporta às despesas financeiras cujas glosas não foram infirmadas em primeira instância. Como resultado deste labor, colacionei, inicialmente, todas as despesas que, não obstante arroladas nos Anexos produzidos pelo fiscal autuante, não foram demonstradas, de forma alguma, pela peticionária: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 21 Jan R$ 15.059,87 Não comprovada Não há 42 Fev R$ 24.017,98 Não comprovada Não há 60 Mar R$ 16.926,03 Não comprovada Não há 63 Mar R$ 6.303,09 Não comprovada Não há 65 Mar R$ 565,46 Não comprovada Não há 76 Mar R$ 5.328,38 Não comprovada Não há 81 Mar R$ 1.000,00 Não comprovada Não há 82 Mar R$ 34.327,05 Não comprovada Não há 89 Mai R$ 363,99 Não comprovada Não há 92 Mai R$ 344,94 Não comprovada Não há 95 Mai R$ 392,35 Não comprovada Não há 96 Mai R$ 448,70 Não comprovada Não há 98 Mai R$ 394,88 Não comprovada Não há 100 Mai R$ 400,73 Não comprovada Não há 101 Mai R$ 400,97 Não comprovada Não há 102 Mai R$ 380,27 Não comprovada Não há 103 Mai R$ 380,27 Não comprovada Não há 104 Mai R$ 235,49 Não comprovada Não há Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 10 9 107 Mai R$ 377,84 Não comprovada Não há 109 Mai R$ 377,84 Não comprovada Não há 110 Mai R$ 9.916,00 Não comprovada Não há 111 Mai R$ 297,76 Não comprovada Não há 112 Mai R$ 473,85 Não comprovada Não há 113 Mai R$ 375,43 Não comprovada Não há 118 Mai R$ 14.916,06 Não comprovada Não há 158 Set R$ 12.726,59 Não comprovada Não há 160 Set R$ 2.970,82 Não comprovada Não há 184 Nov R$ 31,32 Não comprovada Não há TOTAL R$ 139.817,96 Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo II do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 07 Abr R$ 247,95 Não comprovada Não há 08 Abr R$ 492,51 Não comprovada Não há 11 Abr R$ 492,46 Não comprovada Não há 13 Abr R$ 470,69 Não comprovada Não há 15 Abr R$ 474,63 Não comprovada Não há 19 Abr R$ 490,61 Não comprovada Não há 20 Abr R$ 474,63 Não comprovada Não há 21 Abr R$ 474,63 Não comprovada Não há 23 Abr R$ 326,61 Não comprovada Não há 24 Abr R$ 387,51 Não comprovada Não há 26 Abr R$ 472,14 Não comprovada Não há 28 Abr R$ 81,33 Não comprovada Não há 30 Abr R$ 118.647,44 Não comprovada Não há 33 Abr R$ 23.250,43 Não comprovada Não há 35 Jun R$ 294,54 Não comprovada Não há 38 Jun R$ 294,55 Não comprovada Não há 40 Jun R$ 583,88 Não comprovada Não há Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 11 10 42 Jun R$ 349,26 Não comprovada Não há 46 Jun R$ 300,35 Não comprovada Não há 47 Jun R$ 459,21 Não comprovada Não há 48 Jun R$ 23.735,42 Não comprovada Não há 52 Jun R$ 557,80 Não comprovada Não há 56 Jun R$ 12.851,20 Não comprovada Não há TOTAL R$ 186.209,78 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 03 Jan R$ 79,03 Não comprovada Não há 04 Jan R$ 73,00 Não comprovada Não há 05 Jan R$ 18,00 Não comprovada Não há 07 Jan R$ 57,16 Não comprovada Não há 13 Jan R$ 170,00 Não comprovada Não há 17 Jan R$ 69,50 Não comprovada Não há 19 Jan R$ 95,00 Não comprovada Não há 25 Jan R$ 50,00 Não comprovada Não há 32 Jan R$ 71,54 Não comprovada Não há 34 Jan R$ 68,48 Não comprovada Não há 50 Fev R$ 80,30 Não comprovada Não há 53 Fev R$ 36,00 Não comprovada Não há 61 Fev R$ 97,82 Não comprovada Não há 68 Fev R$ 50,00 Não comprovada Não há 70 Fev R$ 85,50 Não comprovada Não há 96 Mar R$ 404,50 Não comprovada Não há 110 Mar R$ 50,00 Não comprovada Não há 111 Abr R$ 50,00 Não comprovada Não há 120 Abr R$ 50,00 Não comprovada Não há 126 Abr R$ 2.118,85 Não comprovada Não há 127 Abr R$ 404,35 Não comprovada Não há 134 Mai R$ 839,81 Não comprovada Não há Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 12 11 136 Mai R$ 136,30 Não comprovada Não há 143 Mai R$ 412,61 Não comprovada Não há 153 Jul R$ 3.046,06 Não comprovada Não há 155 Jul R$ 60,00 Não comprovada Não há 156 Jul R$ 60,00 Não comprovada Não há 157 Jul R$ 1.480,03 Não comprovada Não há 158 Jul R$ 966,90 Não comprovada Não há 159 Jul R$ 80,00 Não comprovada Não há 162 Ago R$ 58,88 Não comprovada Não há 167 Ago R$ 697,97 Não comprovada Não há 168 Ago R$ 453,81 Não comprovada Não há 174 Set R$ 116,03 Não comprovada Não há 182 Set R$ 334,44 Não comprovada Não há 183 Set R$ 5.415,65 Não comprovada Não há 184 Set R$ 55,58 Não comprovada Não há 186 Set R$ 105,12 Não comprovada Não há 189 Out R$ 9.648,45 Não comprovada Não há 190 Out R$ 53,60 Não comprovada Não há 191 Out R$ 58,69 Não comprovada Não há 192 Out R$ 72,71 Não comprovada Não há 200 Out R$ 478,44 Não comprovada Não há 201 Out R$ 478,44 Não comprovada Não há 203 Nov R$ 53,56 Não comprovada Não há 206 Nov R$ 478,44 Não comprovada Não há 208 Nov R$ 115,22 Não comprovada Não há 209 Nov R$ 399,96 Não comprovada Não há TOTAL R$ 30.335,73 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo IV do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 1 Jun R$ 2.402,39 Não comprovada Não há Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 13 12 2 Jun R$ 50,00 Não comprovada Não há 3 Jun R$ 49,30 Não comprovada Não há 4 Jun R$ 637,00 Não comprovada Não há 7 Jun R$ 50,00 Não comprovada Não há 8 Jun R$ 530,40 Não comprovada Não há 9 Jun R$ 5,84 Não comprovada Não há 10 Jun R$ 896,20 Não comprovada Não há 11 Jun R$ 129,28 Não comprovada Não há 12 Jun R$ 542,96 Não comprovada Não há 13 Jun R$ 4,70 Não comprovada Não há 15 Jun R$ 553,99 Não comprovada Não há 16 Jun R$ 217,07 Não comprovada Não há 17 Jun R$ 1.156,91 Não comprovada Não há 19 Jun R$ 10,34 Não comprovada Não há 21 Jun R$ 50,00 Não comprovada Não há 22 Jun R$ 134,25 Não comprovada Não há 23 Jun R$ 10,40 Não comprovada Não há 25 Jun R$ 10,50 Não comprovada Não há 26 Jun R$ 10,50 Não comprovada Não há 28 Jun R$ 13,68 Não comprovada Não há 29 Jun R$ 57,39 Não comprovada Não há 30 Jun R$ 3.897,80 Não comprovada Não há TOTAL R$ 11.420,90 Em segundo lugar, dei ensejo, então, à síntese daquelas despesas que, não obstante alegadamente fundadas em arrimos documentais, não puderam ser consideradas, porquanto incongruentes as cifras dos gastos, de um lado, e os montantes indicados nos pretensos comprovantes, de outro. Cuidase aqui, noutras palavras, de despesas computadas em quantias que não guardam correspondência com os valores indicados nos extratos bancários, nos avisos de lançamento de débito e nos demais documentos que, na visão do contribuinte, serviriam para respaldálas. Em parte das vezes, a impossibilidade do reconhecimento da despesa se calcou no fato de os encargos financeiros não estarem discriminados e destacados do valor global da operação correlata (em regra, mútuos tomados junto a instituições financeiras): Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 14 13 Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 133 Jul R$ 38.286,25 Não comprovada Aviso de Lançamento de Débito de Empréstimo 189 e 192 185 Nov R$ 45.659,90 Não comprovada Aviso de Lançamento de Débito de Empréstimo 230 TOTAL R$ 83.946,15 Noutras oportunidades, foi, simplesmente, inviável apurar em quais lançamentos se incluía a despesa contabilizada, porquanto inexistente correlação entre quaisquer dos importes: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 115 Mai R$ 110.881,14 Não comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 23 – Aditamento ao Recurso Voluntário TOTAL R$ 110.881,14 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 33 Jan R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 272 36 Jan R$ 161,33 Não comprovada Extrato Bancário – Banco Itaú Doc. 04 – Aditamento ao Recurso Voluntário 40 Fev R$ 50,00 Não comprovada Aviso de 306 Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 15 14 Débito – Banco Itaú 51 Fev R$ 239,30 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 291 54 Fev R$ 200,00 Não comprovada Aviso de Crédito – Banco Itaú 288 57 Fev R$ 75,00 Não comprovada Aviso de Crédito – Banco Itaú 289 60 Fev R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 290 75 Mar R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 305 78 Mar R$ 52,10 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 307 103 Mar R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 306 109 Mar R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 309 113 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 328 114 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 330 115 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 329 118 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 329 119 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 329 132 Mai R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – 332 Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 16 15 Itaú 133 Mai R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 332 144 Mai R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 333 149 Jun R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 337 152 Jul R$ 3.590,10 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 337 154 Jul R$ 4.789,41 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 337 160 Jul R$ 1.017,81 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 339 166 Ago R$ 4.043,22 Não comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 27 – Aditamento ao Recurso Voluntário 180 Set R$ 60,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 343 181 Set R$ 965,80 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 345 185 Set R$ 1.036,67 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 345 188 Set R$ 226,20 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 344 197 Out R$ 1.981,96 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 347 TOTAL R$ 19.188,90 Em terceiro lugar, também deixei de legitimar aquelas despesas correspondentes a pagamento de juros sobre capital próprio. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 17 16 O não acolhimento da pretensão recursal, nesse ponto, deuse, de um lado, em virtude de os documentos carreados – consubstanciados em simples Avisos de Lançamento de Crédito, lavrados pela própria autuada em nome de seus sócios – não serem, por si só, suficientes para comprovar o efetivo suporte destes gastos. Doutro lado, imperou lembrar, no mais, que o pagamento de juros sobre capital próprio só gerou valores dedutíveis do lucro exacionável a partir do anocalendário de 1996 – átimo de início da vigência da Lei nº 9.249/95. Antes disso – inclusive, no curso do anobase de 1995, ora cuidado –, erradiava efeitos o disposto no artigo 287 do RIR/94, in verbis: “Art. 287. Não serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as importâncias creditadas ao titular ou aos sócios da empresa, a título de juros sobre o capital (Lei n° 4.506/64, art. 49). Parágrafo único. Não são alcançados pelo impedimento a que se refere este artigo: a) a amortização dos juros pagos ou creditados aos acionistas nos termos da alínea g do inciso II do art. 266; b) os juros, pagos pelas cooperativas a seus associados, de até doze por cento ao ano sobre o capital integralizado (Leis n°s 4.506/64, art. 49, parágrafo único, e 5.764/71, art. 24, § 3°). “ As despesas contabilizadas à conta de juros sobre capital próprio, ora mantidas como indedutíveis, são as seguintes: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 119 Jul R$ 9.200,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio 194 135 Ago R$ 6.428,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio 206 136 Ago R$ 7.265,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre 207 Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 18 17 Capital Próprio 152 Set R$ 5.253,60 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio 214 153 Set R$ 7.238,40 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio 215 TOTAL R$ 35.385,00 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 145 Mai R$ 5.323,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio Doc. 09 – Aditamento ao Recurso Voluntário TOTAL R$ 5.323,00 Há, por fim, no entanto, uma plêiade de despesas financeiras que, embora afastadas pelo colegiado inferior, deveriam, sim, ter sido consideradas como comprovadas. Nestes casos, entendi que os documentos anexados – quer extratos bancários, quer avisos de lançamento de débito elaborados pelas instituições financeiras – serviam, isoladamente, a atestar a veracidade de cada um dos encargos suportados. As despesas cujas glosas se deve afastar são, destarte, as adiante listadas: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 20 Jan R$ 6.022,89 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 06 – Aditamento ao Recurso Voluntário 62 Mar R$ 18.706,55 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 07 – Aditamento ao Recurso Voluntário Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 19 18 64 Mar R$ 2.018,89 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 01 – Aditamento ao Recurso Voluntário 70 Mar R$ 246,16 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 01 – Aditamento ao Recurso Voluntário 197 Dez R$ 3.245,44 Comprovada Extrato Bancário – Banco Cidade Doc. 14 – Aditamento ao Recurso Voluntário 114 Mai R$ 15.984,52 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 167 134 Jul R$ 12.470,62 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 167 161 Set R$ 125.028,37 Comprovada Aviso de Débito – Banco Safra 204/205 162 Set R$ 35.728,29 Comprovada Aviso de Débito – Banco BBV 212/3 186 Nov R$ 290,50 Comprovada Aviso de Débito – Banco BBV 231 190 Nov R$ 23.295,04 Comprovada Aviso de Débito – Banco BBV 232 191 Nov R$ 7.738,30 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 167 204 Dez R$ 8.853,25 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 168 TOTAL R$ 259.628,82 Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo II do Termo de Constatação) Nº de ordem Mês Valor Comprovação Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 20 19 (1995) Situação Documento Fls. 32 Abr R$ 13.617,18 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 254 44 Jun R$ 89.505,85 Comprovada Aviso de Débito – Banco BMC 261/6 TOTAL R$ 103.123,03 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 107 Mar R$ 669,60 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 01 – Aditamento ao Recurso Voluntário 128 Abr R$ 87,50 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 02 – Aditamento ao Recurso Voluntário 130 Mai R$ 404,05 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 05 – Aditamento ao Recurso Voluntário 141 Mai R$ 319,07 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 24 – Aditamento ao Recurso Voluntário 164 Ago R$ 1.494,00 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 26 – Aditamento ao Recurso Voluntário 165 Ago R$ 60,00 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 26 – Aditamento ao Recurso Voluntário 195 Out R$ 1.789,60 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 28 – Aditamento ao Recurso Voluntário Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 21 20 198 Out R$ 961,70 Comprovada Aviso de Débito 348 211 Nov R$ 579,28 Comprovada Extrato Bancário – Sudameris Doc. 25 – Aditamento ao Recurso Voluntário TOTAL R$ 6.365,25 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo IV do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 24 Jun R$ 13,50 Comprovada Aviso de Débito – Bicbanco 496 TOTAL R$ 13,50 EM TEMPO: a i. conselheira Edeli Pereira Bessa pediu vistas dos autos, na sessão de 04 de agosto de 2011. Em consequência, de volta os recursos à pauta de julgamento, a douta colega, com o brilhantismo que lhe é peculiar, procedeu ao recálculo das glosas efetivadas, chegando a conclusões um pouco dessemelhantes das que alhures pugnamos. Nesse cenário, creio ser essencial que nos manifestemos acerca do trabalho da nobre conselheira, para aquiescermos com o que for pertinente ou, eventualmente, mantermos nosso posicionamento naquilo com o que não concordarmos. Inicialmente, insta pisar que reconhecemos, de fato, a existência de equívocos na decisão de primeiro grau. Com efeito, segundo bem sintetizado pela conselheira Edeli Pereira Bessa “(...) a autoridade julgadora concluiu que todas as glosas pertinentes a julho/95, apontadas no Anexo 3, restaram não comprovadas sob diversos fundamentos. Todavia, ao elaborar o quadro “Resumo dos valores comprovados e não comprovados relativos a Despesas Bancárias e Despesas Financeiras – Juros – 1995”, reconstituindo o Anexo 5 do Termo de Constatação Fiscal, a autoridade julgadora fez constar que a totalidade das glosas indicadas para julho/95 no Anexo 3 haviam sido comprovadas na impugnação. (...)” A correção destas claudicações resultaria, em princípio, em reduções de prejuízos fiscais e de bases negativas de cálculo de CSLL maiores do que as realizadas pela Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 22 21 autoridade julgadora inferior. Similarmente, implicaria em minoração mais exígua dos valores de IRRF lançados de ofício. Ocorre, no entanto, que não parece ser possível, em meu entendimento, que se reforme in pejus o aresto recorrido. Afinal, só se conheceu do recurso voluntário, e não do recurso de ofício. O pior dos cenários, para o contribuinte, pode ser o da manutenção do acórdão recorrido, sendo inviável qualquer agravamento de sua situação anterior. O apontamento do artigo 60 do Decreto nº 70.235/72, para fins de legitimação da revisão perpetrada, não muda este cenário. Este dispositivo, como se pode ver abaixo, só autoriza o saneamento de incorreções que resultem em prejuízo para o sujeito passivo – o que não é o caso, evidentemente: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (g.n.) Assim, não compactuo das emendas propostas pela i. conselheira Edeli Pereira Bessa ao acórdão de primeira instância, muito embora aplaudamos a diligência dedicada à refeitura do trabalho julgador a quo. De outro lado, devemos também atentar para o fato de a iluminada colega ter apontado supostos equívocos no labor que engendramos. Prontamente, noto que talvez tenhamos dedicado tratamento equivocado a algumas das comprovações disponibilizadas pelo contribuinte. Os apontamentos feitos pela i. conselheira Edeli Pereira Bessa, naquilo que toca às despesas arroladas pelo item 81 do Anexo I, de um lado, e pelo item 96 do Anexo III, de outro, exsurgem, com efeito, mais adequados. Por esta razão, acolhendo os apontamentos realizados, reconheço a comprovação daqueles dispêndios, cancelando as respectivas glosas. Aquiesço, também, com as demais alterações de forma realizadas, que não implicaram em alteração dos valores glosados ou comprovados. Por esta razão, reconheço como escorreitos os quadros intitulados “Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação)”, “Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo II do Termo de Constatação)” e “Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação)”, constantes da Declaração de Voto incrustada a este documento. Considerando, ainda, que os ajustes aduzidos para as planilhas nomeadas “Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação)”, “Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo II do Termo de Constatação)” e “Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação)” foram apenas formais, sem reflexo quantitativo nenhum, compactuo com as modificações propostas pela douta conselheira, por melhor auxiliar na exposição do caso. Outrossim, no que toca ao terceiro conjunto de operações, atinente ao pagamento de “juros sobre capital próprio”, informo que a natureza das despesas foi informada pelo próprio contribuinte, em suas peças. De toda maneira, sem adentrar a considerações respeitantes à efetiva qualificação destas expensas (quer como juros sobre capital próprio, quer como juros sobre Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 23 22 capital de giro), certo é que apenas focamos na questão fática de suas comprovações. Por esta razão, nesse ponto, mantemos nosso voto, em suas feições originais. Por derradeiro, também discordo da i. conselheira revisora em relação aos itens 128 e 130 do Anexo III, resguardando meu entendimento anterior. Neste caso, especificamente, creu aquela julgadora que os históricos descritos em extratos bancários, para cada uma destas expensas, não deixariam clara a natureza dos dispêndios, dado não terem sido apresentados os respectivos avisos de lançamento de débito. De fato, vejo que a rubrica “lançamento de débito”, constante dos extratos, é bastante rasa. No entanto, creio que houve comprovação, sim, das despesas, em virtude da identidade de valores e de datas atrelados aos apontamentos bancários, lado um, e aos respectivos lançamentos contábeis, lado outro. Pareceme certo, pois, que a glosa daquelas cifras não pode subsistir com base, exclusivamente, em aspecto colateral dos instrumentos comprobatórios – atinente não à sua efetividade, mas, sim, a sua qualificação. Acredito que estão superadas, assim, as discussões referentes à comprovação empírica das despesas infirmadas. Passo, pois, a analisar questão de direito, substancialmente levantada, em sessão, pelo patrono da recorrente, atinente à fundamentação legal da incidência de IRRF. (3) Do artigo 44 da Lei nº 8.541/92 De antemão, mister relevar que a recorrida alega, erroneamente, ter havido incidência de IRRF sobre valores que, uma vez não comprovados como despesas, foram reputados como rendimentos distribuídos a beneficiários não identificados, a teor do artigo 61 da Lei nº 8.981/95. Com fulcro nessa errônea premissa é que, então, aventa, com alguma razão, não poder o Fisco presumir qualquer distribuição, cabendo a este, antes de tudo, provála diretamente, para fins de incidência de imposto retido na fonte. Ocorre, todavia, que o arrimo legal do lançamento de IRRF, externado no corpo do AII, correspondeu ao artigo 44 da Lei nº 8.541/92, outrora vigente: “Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 24 23 § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios.” Ao contrário do que ocorre com o artigo 61 da Lei nº 8.981/95 – que demanda mostra fazendária da distribuição a beneficiários não identificados –, o dispositivo encimado autorizava a presunção iuris tantum da repartição de lucros a sócios ou acionistas, desde que verificada a redução indevida, por qualquer meio, do lucro líquido do período. Assim, cai por terra, em princípio, a alegação ventilada, na medida em que o ônus probante tinha sido atribuído ao contribuinte, e não à Fazenda. A despeito disso, outras ilações se fazem presentes. Turno um, é fundamental notar que o artigo 44 da Lei nº 8.541/92 fora revogado, explicitamente, pelo artigo 36, inciso IV, da Lei nº 9.249/95, a partir de 01/01/1996. Não há, pois, como aplicar a incidência de IRRF a valores reduzidos incorretamente do lucro líquido, naquilo que reporta a fatos geradores perfeitos depois deste átimo. Mais ainda, entretanto, visualizo que o preceito em comento encerrava previsão de natureza punitiva. A cobrança do IRRF, aqui, parece, a mim, muito mais uma pena, cominada a quem reduzisse ilicitamente as bases de cálculo dos tributos incidentes sobre a renda ou o lucro. Enxergo, portanto, que a revogação do artigo 44 da Lei nº 8.541/92 fez aplicar, à hipótese, a regra da retroatividade benigna, forte no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II – tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” A cobrança do IRRF, ora analisada, não pode, portanto, subsistir. O mecanismo presuntivo questionado não tem mais lugar, depois da edição da Lei nº 9.249/95. Acaso quisesse o Fisco cobrar imposto retido na fonte, deveria aplicar a hipótese do artigo 61 da Lei nº 8.981/95, produzindo provas diretas da distribuição de recursos a beneficiários não identificados, fruto da dedução de despesas inexistentes ou não comprovadas. Não foi esse o caso. Logo, há de serem cancelados os lançamentos de IRRF, mantendose apenas os demais, em observância às glosas de expensas acima mantidas. Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 25 24 Este Conselho assim já se manifestou, nos seguintes termos: “IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS LUCRO ARBITRADO – ANOCALENDÁRIO DE 1995 – A tributação prevista nos artigos 43 e 44 da Lei n. 8541 /92, por ter natureza de norma sancionadora, aplicase, retroativamente, o art. 36 da Lei nº. 9.249/95, que os revogou, ao teor dos artigos 106 e 112 do Código Tributário Nacional. (Ac. nº 10194.502/ 04).” “IMPOSTO DE RENDA NA FONTE . OMISSÃO DE RECEITAS ART. 44 DA LEI Nº 8.541/92 – A tributação prevista no artigo 44 da Lei nº 8.541/92 tem natureza de penalidade, aplicandose retroativamente o artigo 36 da Lei nº 9.249/95, que o revogou. Em conseqüência, tratandose de ato não definitivamente julgado, o lucro apurado no ano de 1993, referente às receitas não declaradas, não se sujeita à incidência na fonte. (Ac. nº 108 06.049/00)” Ainda que assim não se entendesse, parece claro que a mera incomprovação de dispêndios deduzidos não legitimaria a adoção da presunção esculpida pelo caput do artigo 44 acima debatido. Isto porque o próprio § 2º daquele dispositivo determinava que “o disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios”. Ora, evidente que a simples inferência de expensas incomprovadas não autoriza a presunção de repasses clandestinos de valores a sócios ou acionistas. O permissivo em tela cuida, em verdade, de outras formas mais específicas de minoração indevida do lucro líquido. Também há manifestações deste colegiado, em casos semelhantes, no sentido que ora se esposa: “IRF GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS – A exigência de imposto de renda na fonte a que se refere o art. 44 da Lei nº 8.541/95 só pode ser levada a efeito quando a natureza da redução indevida do resultado comportar efetiva distribuição de recursos a sócios ou terceiros. (Ac. nº 10708.638/06)” “IR FONTE RECEITA OMITIDA – A tributação prevista no art. 44 da Lei n.º 8.541/92 (incorporado ao art. 739 do RIR/94) aplicase aos casos em que a redução do lucro líquido possa de fato ensejar distribuição de valores, como, por exemplo, no caso de omissão de vendas. (Ac. nº 10191.987/98).” Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 26 25 Isto posto, NÃO CONHEÇO do recurso de ofício e CONHEÇO do recurso voluntário, a ele dando PARCIAL PROVIMENTO para: i) cancelar todas as exigências de IRRF formatadas; ii) nulificar as glosas das despesas financeiras documentalmente comprovadas, na forma das planilhas ora encartadas ao voto, em todos os seus reflexos. Sala das Sessões, em 24 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 27 26 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O presente voto expressa o entendimento majoritário da Turma em face das divergências que remanesceram entre o posicionamento desta Conselheira e do I. Relator, concernentes a: 1) correção do erro na liquidação do acórdão recorrido; 2) comprovação dos itens 128 e 130 do Anexo III; 3) incidência do IRRF sobre o valor das despesas glosadas. Isto porque, após apresentação da declaração de voto desta Conselheira, o I. Relator acolheu parte do entendimento ali expresso, reduzindo as divergências inicialmente existentes. Reproduzse, a seguir, a declaração de voto apresentada na sessão de julgamento, a qual, ante a concordância da maioria da Turma Julgadora, passou à condição de voto vencedor. A decisão recorrida e o voto do I. Relator deixam claro que a solução do litígio presente nestes autos exige o exame individualizado das provas juntadas pela interessada. E, em vistas aos autos, constatei que as conclusões extraídas pela autoridade julgadora de 1a instância e pelo I. Relator são orientadas por premissas coerentes com o que as provas revelam, evidência de um exaustivo exame dos elementos que compõem os autos. Contudo, nesta análise por mim procedida, não alcancei integral concordância com o entendimento expresso pelo I. Relator, razão pela qual pontuo minhas divergências. Inicialmente no que tange ao não conhecimento do recurso de ofício, embora concordando com o I. Relator, registro que houve erro na liquidação do crédito tributário pela autoridade julgadora de 1a instância, o qual entendo passível de correção com fundamento no art. 60 do Decreto nº 70.235/72. Isto porque, no exame de provas realizado em 1a instância, a autoridade julgadora concluiu que todas as glosas pertinentes a julho/95, apontadas no Anexo 3, restaram não comprovadas sob diversos fundamentos. Todavia, ao elaborar o quadro “Resumo dos valores comprovados e não comprovados relativos a Despesas Bancárias e Despesas Financeiras – Juros – 1995”, reconstituindo o Anexo 5 do Termo de Constatação Fiscal, a autoridade julgadora fez constar que a totalidade das glosas indicadas para julho/95 no Anexo 3 haviam sido comprovadas na impugnação. No âmbito do IRPJ e da CSLL, este equívoco resultou em reduções de prejuízo fiscal e base negativa inferiores àquelas que deveriam decorrer do que decidido. Já com referência ao IRRF, restou registrado nos sistemas informatizados da Receita Federal uma redução de crédito tributário superior àquela que deveria ser aplicada em razão da decisão. De fato, na totalização anual, o cálculo da autoridade julgadora resultou na exoneração de R$ 343.822,20, quando o correto seria R$ 338.540,65. Especificamente em julho/95, conforme demonstrativo de fl. 878, a exigência foi reduzida ao principal de R$ 20.984,90, quando o correto seria R$ 26.266,51 (35% das glosas de R$ 75.047,18, equivalente Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 28 27 à soma da base de cálculo mantida no Anexo 5, R$ 59.956,87, e das glosas do Anexo 3 que foram consideradas não comprovadas, R$ 15.090,31). Por tais razões, embora não conhecendo do recurso de ofício, voto por determinar a correção do erro cometido pela autoridade julgadora de 1a instância, adequandose aos fundamentos da decisão a redução de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa apurada em julho/95, bem como a exigência de IRRF neste mesmo período. Quanto à matéria sob exame em razão do recurso voluntário, adotando a mesma estrutura do voto do I. Relator, observei alguns elementos, nos autos, que corresponderiam a despesas por ele consideradas como não demonstradas pela recorrente. Em parte destes casos a prova seria suficiente para desconstituir a glosa, e em outros não. Aponto, inicialmente, os itens nos quais a prova, no meu entender, seria suficiente para justificar a despesa questionada: Anexo I, item 81 (R$ 1.000,00): às fls. 141/142 a impugnante apresentou contrato de empréstimo no valor principal de R$ 64.000,00, pago em 02/03/95 no valor de R$ 68.034,13, evidenciando juros incorridos de R$ 4.034,13, sendo que esta documentação foi admitida, na decisão recorrida, apenas para convalidar a despesa de R$ R$ 3.034,13, apontada no item 44 do Anexo I; Anexo 3, item 96 (R$ 404,05): houve duas despesas neste valor contabilizadas em março/95 e ambas não foram comprovadas no curso do procedimento fiscal. Na impugnação, a contribuinte juntou os elementos de fls. 329/330 que evidenciam o débito deste valor em 23/03/95, em conta mantida junto ao Banco Nacional S/A, decorrente de registro de documentação de crédito em cartório. Já no aditamento ao recurso voluntário, o documento nº 01 corresponde a extrato de conta de titularidade da empresa junto ao Banco Safra S/A, no qual o mesmo valor está debitado, em 22/03/95, sob o histórico tx reg contrato, inexistindo qualquer indício, ante os demais valores debitados e creditados nos extratos, que se tratasse, em ambos, da mesma movimentação financeira. E, prosseguindo, descrevo as despesas cuja demonstração apresentada não é suficiente para reverter a glosa procedida pela Fiscalização: Anexo I, itens 21 (R$ 15.059,87), 42 (R$ 24.017,98), 82 (R$ 34.327,05) e 118 (R$ 14.916,06), e Anexo II, item 33 (R$ 23.250,43): no documento nº 03, juntado em aditamento ao recurso voluntário, a interessada apenas apresentou correspondência dirigida ao Banco Rural, solicitando segunda via de avisos de débitos que corresponderiam a juros devedores debitados em conta corrente ali indicada, normalmente ao final de cada mês de 1995; Anexo II, item 30 (R$ 118.647,44): no documento nº 18, juntado em aditamento ao recurso voluntário, a interessada apenas apresentou correspondência dirigida ao Banco Safra, solicitando segunda via de aviso de débito que corresponderia ao histórico Safra Garantida 04/95 divs; Anexo III, item 127 (R$ 404,35): no documento nº 05, juntado em aditamento ao recurso voluntário, a interessada apresentou extrato de conta corrente de sua titularidade mantida junto ao Banco Itaú, mas que vincula este valor a débito efetuado em Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 29 28 23/05/95 sob o histórico lançamento de débito, que não se presta a identificar a natureza da despesa; Assim, quanto ao primeiro conjunto analisado pelo I. Relator, consolido minha divergência nos destaques a seguir (tachando os itens que considerei comprovados e alterando a motivação daqueles cuja comprovação identificada não se prestou a desconstituir as glosas), mas antes observando que houve um equívoco na totalização original do primeiro quadro, cujas operações representariam R$ 149.733,96, e não R$ 139.817,96: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 21 Jan R$ 15.059,87 Não comprovada Não há Insuficiente 42 Fev R$ 24.017,98 Não comprovada Não há Insuficiente 60 Mar R$ 16.926,03 Não comprovada Não há 63 Mar R$ 6.303,09 Não comprovada Não há 65 Mar R$ 565,46 Não comprovada Não há 76 Mar R$ 5.328,38 Não comprovada Não há 81 Mar R$ 1.000,00 Não comprovada Não há 82 Mar R$ 34.327,05 Não comprovada Não há Insuficiente 89 Mai R$ 363,99 Não comprovada Não há 92 Mai R$ 344,94 Não comprovada Não há 95 Mai R$ 392,35 Não comprovada Não há 96 Mai R$ 448,70 Não comprovada Não há 98 Mai R$ 394,88 Não comprovada Não há 100 Mai R$ 400,73 Não comprovada Não há 101 Mai R$ 400,97 Não comprovada Não há 102 Mai R$ 380,27 Não comprovada Não há 103 Mai R$ 380,27 Não comprovada Não há 104 Mai R$ 235,49 Não comprovada Não há 107 Mai R$ 377,84 Não comprovada Não há 109 Mai R$ 377,84 Não comprovada Não há 110 Mai R$ 9.916,00 Não comprovada Não há 111 Mai R$ 297,76 Não comprovada Não há 112 Mai R$ 473,85 Não comprovada Não há 113 Mai R$ 375,43 Não comprovada Não há Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 30 29 118 Mai R$ 14.916,06 Não comprovada Não há Insuficiente 158 Set R$ 12.726,59 Não comprovada Não há 160 Set R$ 2.970,82 Não comprovada Não há 184 Nov R$ 31,32 Não comprovada Não há TOTAL R$ 139.817,96 R$ 148.733,96 Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo II do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 07 Abr R$ 247,95 Não comprovada Não há 08 Abr R$ 492,51 Não comprovada Não há 11 Abr R$ 492,46 Não comprovada Não há 13 Abr R$ 470,69 Não comprovada Não há 15 Abr R$ 474,63 Não comprovada Não há 19 Abr R$ 490,61 Não comprovada Não há 20 Abr R$ 474,63 Não comprovada Não há 21 Abr R$ 474,63 Não comprovada Não há 23 Abr R$ 326,61 Não comprovada Não há 24 Abr R$ 387,51 Não comprovada Não há 26 Abr R$ 472,14 Não comprovada Não há 28 Abr R$ 81,33 Não comprovada Não há 30 Abr R$ 118.647,44 Não comprovada Não há Insuficiente 33 Abr R$ 23.250,43 Não comprovada Não há Insuficiente 35 Jun R$ 294,54 Não comprovada Não há 38 Jun R$ 294,55 Não comprovada Não há 40 Jun R$ 583,88 Não comprovada Não há 42 Jun R$ 349,26 Não comprovada Não há 46 Jun R$ 300,35 Não comprovada Não há 47 Jun R$ 459,21 Não comprovada Não há 48 Jun R$ 23.735,42 Não comprovada Não há 52 Jun R$ 557,80 Não comprovada Não há 56 Jun R$ 12.851,20 Não comprovada Não há Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 31 30 TOTAL R$ 186.209,78 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 03 Jan R$ 79,03 Não comprovada Não há 04 Jan R$ 73,00 Não comprovada Não há 05 Jan R$ 18,00 Não comprovada Não há 07 Jan R$ 57,16 Não comprovada Não há 13 Jan R$ 170,00 Não comprovada Não há 17 Jan R$ 69,50 Não comprovada Não há 19 Jan R$ 95,00 Não comprovada Não há 25 Jan R$ 50,00 Não comprovada Não há 32 Jan R$ 71,54 Não comprovada Não há 34 Jan R$ 68,48 Não comprovada Não há 50 Fev R$ 80,30 Não comprovada Não há 53 Fev R$ 36,00 Não comprovada Não há 61 Fev R$ 97,82 Não comprovada Não há 68 Fev R$ 50,00 Não comprovada Não há 70 Fev R$ 85,50 Não comprovada Não há 96 Mar R$ 404,50 Não comprovada Não há 110 Mar R$ 50,00 Não comprovada Não há 111 Abr R$ 50,00 Não comprovada Não há 120 Abr R$ 50,00 Não comprovada Não há 126 Abr R$ 2.118,85 Não comprovada Não há 127 Abr R$ 404,35 Não comprovada Não há Insuficiente 134 Mai R$ 839,81 Não comprovada Não há 136 Mai R$ 136,30 Não comprovada Não há 143 Mai R$ 412,61 Não comprovada Não há 153 Jul R$ 3.046,06 Não comprovada Não há 155 Jul R$ 60,00 Não comprovada Não há 156 Jul R$ 60,00 Não comprovada Não há 157 Jul R$ 1.480,03 Não comprovada Não há Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 32 31 158 Jul R$ 966,90 Não comprovada Não há 159 Jul R$ 80,00 Não comprovada Não há 162 Ago R$ 58,88 Não comprovada Não há 167 Ago R$ 697,97 Não comprovada Não há 168 Ago R$ 453,81 Não comprovada Não há 174 Set R$ 116,03 Não comprovada Não há 182 Set R$ 334,44 Não comprovada Não há 183 Set R$ 5.415,65 Não comprovada Não há 184 Set R$ 55,58 Não comprovada Não há 186 Set R$ 105,12 Não comprovada Não há 189 Out R$ 9.648,45 Não comprovada Não há 190 Out R$ 53,60 Não comprovada Não há 191 Out R$ 58,69 Não comprovada Não há 192 Out R$ 72,71 Não comprovada Não há 200 Out R$ 478,44 Não comprovada Não há 201 Out R$ 478,44 Não comprovada Não há 203 Nov R$ 53,56 Não comprovada Não há 206 Nov R$ 478,44 Não comprovada Não há 208 Nov R$ 115,22 Não comprovada Não há 209 Nov R$ 399,96 Não comprovada Não há TOTAL R$ 30.335,73 R$ 29.931,23 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo IV do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento 1 Jun R$ 2.402,39 Não comprovada Não há 2 Jun R$ 50,00 Não comprovada Não há 3 Jun R$ 49,30 Não comprovada Não há 4 Jun R$ 637,00 Não comprovada Não há 7 Jun R$ 50,00 Não comprovada Não há 8 Jun R$ 530,40 Não comprovada Não há 9 Jun R$ 5,84 Não comprovada Não há Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 33 32 10 Jun R$ 896,20 Não comprovada Não há 11 Jun R$ 129,28 Não comprovada Não há 12 Jun R$ 542,96 Não comprovada Não há 13 Jun R$ 4,70 Não comprovada Não há 15 Jun R$ 553,99 Não comprovada Não há 16 Jun R$ 217,07 Não comprovada Não há 17 Jun R$ 1.156,91 Não comprovada Não há 19 Jun R$ 10,34 Não comprovada Não há 21 Jun R$ 50,00 Não comprovada Não há 22 Jun R$ 134,25 Não comprovada Não há 23 Jun R$ 10,40 Não comprovada Não há 25 Jun R$ 10,50 Não comprovada Não há 26 Jun R$ 10,50 Não comprovada Não há 28 Jun R$ 13,68 Não comprovada Não há 29 Jun R$ 57,39 Não comprovada Não há 30 Jun R$ 3.897,80 Não comprovada Não há TOTAL R$ 11.420,90 Passando ao segundo conjunto de operações analisadas no voto do I. Relator, compartilho de suas conclusões acerca da incompatibilidade de valores entre os documentos comprobatórios apresentados pela interessada e os fatos que pretendia demonstrar. Apenas consigno algumas observações. Inicialmente quanto à falta de discriminação dos encargos financeiros acrescidos na liquidação de operações de empréstimos, registro um acréscimo quanto às folhas dos autos nas quais foram juntados os documentos trazidos na impugnação: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 133 Jul R$ 38.286,25 Não comprovada Aviso de Lançamento de Débito de Empréstimo 189 e 192 185 Nov R$ 45.659,90 Não comprovada Aviso de Lançamento de Débito de Empréstimo 230 TOTAL R$ 83.946,15 E adiciono também que: Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 34 33 Relativamente ao item 133 do Anexo I, a contribuinte apresentou, em aditamento ao recurso voluntário, como documento nº 19, correspondência dirigida ao Banco BMC, solicitando segunda via de avisos de débitos que corresponderiam a juros debitados em razão de empréstimo em 25/07/95, a qual nada comprova; Relativamente ao item 185 do Anexo I, a contribuinte apresentou, em aditamento ao recurso voluntário, como documento nº 11, aviso de lançamento sem identificação da instituição financeira emitente, acusando débito em conta corrente no valor de R$ 1.045.659,90, idêntico ao apresentado à fl. 230, e que não discrimina qual parcela deste débito corresponderia a despesas financeiras e/ou bancárias. Ainda neste segundo conjunto analisado pelo I. Relator, concordo com a impossibilidade de se correlacionar as demais despesas por ele apontadas, com os valores expressos nos documentos juntados pela interessada. Mas, como observei que, em alguns casos, outras seriam as folhas nas quais se localizam estes elementos nos autos, faço estes registros abaixo, depois de ser tachada a informação do quadro original: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 115 Mai R$ 110.881,14 Não comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 23 – Aditamento ao Recurso Voluntário TOTAL R$ 110.881,14 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 33 Jan R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 272 36 Jan R$ 161,33 Não comprovada Extrato Bancário – Banco Itaú Doc. 04 – Aditamento ao Recurso Voluntário 40 Fev R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 306 51 Fev R$ 239,30 Não comprovada Aviso de Débito – 291 Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 35 34 Banco Itaú 54 Fev R$ 200,00 Não comprovada Aviso de Crédito – Banco Itaú 288 57 Fev R$ 75,00 Não comprovada Aviso de Crédito – Banco Itaú 289 60 Fev R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 290 75 Mar R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 305 78 Mar R$ 52,10 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 307 103 Mar R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 306 109 Mar R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 309 113 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 328 348 114 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Banco Itaú 330 354 115 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 329 351 118 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 329 352 119 Abr R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 329 353 132 Mai R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 332 364 133 Mai R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 332 365 Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 36 35 144 Mai R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 333 374 149 Jun R$ 50,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 337 387 152 Jul R$ 3.590,10 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 337 389 154 Jul R$ 4.789,41 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 337 337 160 Jul R$ 1.017,81 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 339 391/399 166 Ago R$ 4.043,22 Não comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 27 – Aditamento ao Recurso Voluntário 180 Set R$ 60,00 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 343 441 181 Set R$ 965,80 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 345 444/458 185 Set R$ 1.036,67 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 345 445/458 188 Set R$ 226,20 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 344 443 197 Out R$ 1.981,96 Não comprovada Aviso de Débito – Itaú 347 469/473 TOTAL R$ 19.188,90 Considero relevante, também, destacar que neste conjunto de operações: A contribuinte, por diversas vezes, procurou justificar despesas bancárias no valor de R$ 50,00 apresentando avisos de crédito ou de débito de valores em suas contas bancárias com diferentes valores, possivelmente correspondentes à concessão ou pagamento de empréstimos identificados como hot money. À fl. 272, inclusive, apresenta um aviso de lançamento de débito no valor de R$ 214,67 para justificar despesa de R$ 50,00 (item 33 do Anexo 3), no qual há anotação manuscrita de que cada operação de hot money tem R$ 50,00 Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 37 36 de tarifa, insuficiente, como as demais, para demonstrar que assim foi contratado com a instituição financeira; A comprovação de diversas despesas foi feita mediante a apresentação de um conjunto de avisos de lançamento de débitos de tarifas neles identificadas, e esta prova foi admitida pela autoridade julgadora de 1a instância quando o seu somatório correspondia ao valor que a contribuinte pretendia comprovar. A prova somente foi rejeitada em 1a instância, e também pelo I. Relator, no que o acompanho, quando este somatório não equivale à operação a ser comprovada; O item 188 do Anexo 3 corresponde a uma despesa de R$ 226,60 registrada em setembro/95, e, para comprovála, a contribuinte juntou o documento de fl. 443, consistente em aviso de débito em conta corrente mantida pela empresa junto ao Banco Itaú no valor de R$ 226,60, mas sob o histórico de que este valor se referiria a débito de título, cujo importe correto, de R$ 181,29, teria sido posteriormente efetuado. Portanto, este débito corresponderia ao estorno do recebimento de um direito da interessada, e não poderia, em princípio, ter sido contabilizado como despesa. Adentro, então, ao terceiro conjunto de operações examinadas pelo I. Relator, compreendidas como pagamento de juros sobre capital próprio. Concordo que as despesas correspondentes aos itens por ele indicados não podem ser admitidas, mas divirjo de sua motivação, pois não vislumbro nos pagamentos a mesma natureza por ele imputada. Vejo, nos documentos apresentados, possíveis débitos lançados contra a autuada em operações de crédito eventualmente realizadas entre empresas do mesmo grupo empresarial, formalizados mediante preenchimento de aviso de lançamento com o timbre do Grupo Empresarial “Billi”, no qual o débito contra a autuada está associado a juros s/ capital de giro. Tais documentos, porém, deveriam ter sido acompanhados dos contratos formalizados entre as empresas do grupo, de modo a evidenciar a compatibilidade de empréstimos concedidos à autuada e a compatibilidade dos encargos daí decorrentes. Por estas razões, concordo que as despesas assim consolidadas pelo I. Relator são indedutíveis: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 119 Jul R$ 9.200,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio de Giro 194 135 Ago R$ 6.428,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio de Giro 206 136 Ago R$ 7.265,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre 207 Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 38 37 Capital Próprio de Giro 152 Set R$ 5.253,60 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio de Giro 214 153 Set R$ 7.238,40 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio de Giro 215 TOTAL R$ 35.385,00 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 145 Mai R$ 5.323,00 Não comprovada Aviso de Lançamento de Crédito ref. Juros sobre Capital Próprio de Giro Doc. 09 – Aditamento ao Recurso Voluntário TOTAL R$ 5.323,00 Quanto às demais despesas cuja glosa encontrase em litígio, admitidas como comprovadas pelo I. Relator, registro inicialmente que concordo com sua interpretação de que extratos bancários ou avisos de lançamento de débito em contas correntes mantidas pela autuada, ainda que considerados isoladamente, são provas de despesas bancárias ou financeiras. Contudo, para tanto, reputo necessário que o histórico associado à operação evidencie, minimamente, qual a natureza do valor debitado contra a empresa. Assim, considero não comprovadas algumas operações vinculadas, apenas, a extratos bancários nos quais o valor questionado está associado ao histórico lançamento de débito, casos nos quais seria necessário que o extrato bancário estivesse associado a avisos de lançamento que discriminassem a natureza dos débitos, como fez a contribuinte ao apresentar o conjunto probatório relativamente ao item 141 do Anexo III (fl.s 369/373 complementada pelo documento nº 24, juntado em aditamento ao recurso voluntário). Assim, quanto a este último conjunto analisado pelo I. Relator, consolido minha divergência nos destaques a seguir, tachando os itens que não admiti comprovados pela razão acima exposta: Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo I do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 20 Jan R$ 6.022,89 Comprovada Extrato Bancário – Doc. 06 – Aditamento Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 39 38 Banco Safra ao Recurso Voluntário 62 Mar R$ 18.706,55 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 07 – Aditamento ao Recurso Voluntário 64 Mar R$ 2.018,89 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 01 – Aditamento ao Recurso Voluntário 70 Mar R$ 246,16 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 01 – Aditamento ao Recurso Voluntário 197 Dez R$ 3.245,44 Comprovada Extrato Bancário – Banco Cidade Doc. 14 – Aditamento ao Recurso Voluntário 114 Mai R$ 15.984,52 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 167 134 Jul R$ 12.470,62 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 167 161 Set R$ 125.028,37 Comprovada Aviso de Débito – Banco Safra 204/205 162 Set R$ 35.728,29 Comprovada Aviso de Débito – Banco BBV 212/3 186 Nov R$ 290,50 Comprovada Aviso de Débito – Banco BBV 231 190 Nov R$ 23.295,04 Comprovada Aviso de Débito – Banco BBV 232 191 Nov R$ 7.738,30 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 167 204 Dez R$ 8.853,25 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 168 TOTAL R$ 259.628,82 Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 40 39 Despesas Bancárias – Juros – Conta 3.1.5.051.0150 (Anexo II do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 32 Abr R$ 13.617,18 Comprovada Aviso de Débito – Banco Sudameris 254 44 Jun R$ 89.505,85 Comprovada Aviso de Débito – Banco BMC 261/6 TOTAL R$ 103.123,03 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo III do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 107 Mar R$ 669,60 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 01 – Aditamento ao Recurso Voluntário 128 Abr R$ 87,50 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 02 – Aditamento ao Recurso Voluntário 130 Mai R$ 404,05 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 05 – Aditamento ao Recurso Voluntário 141 Mai R$ 319,07 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 24 – Aditamento ao Recurso Voluntário 164 Ago R$ 1.494,00 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 26 – Aditamento ao Recurso Voluntário 165 Ago R$ 60,00 Comprovada Extrato Bancário – Itaú Doc. 26 – Aditamento ao Recurso Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 41 40 Voluntário 195 Out R$ 1.789,60 Comprovada Extrato Bancário – Banco Safra Doc. 28 – Aditamento ao Recurso Voluntário 198 Out R$ 961,70 Comprovada Aviso de Débito 348 211 Nov R$ 579,28 Comprovada Extrato Bancário – Sudameris Doc. 25 – Aditamento ao Recurso Voluntário TOTAL R$ 6.365,25 R$ 5.873,25 Despesas Bancárias – Conta 3.1.5.051.0090 (Anexo IV do Termo de Constatação) Comprovação Nº de ordem Mês (1995) Valor Situação Documento Fls. 24 Jun R$ 13,50 Comprovada Aviso de Débito – Bicbanco 496 TOTAL R$ 13,50 Registro, também, que a contribuinte juntou, ao final do conjunto probatório apresentado por ocasião da impugnação, vários extratos de contas bancárias por ela mantidas, nos quais, eventualmente, poderiam estar registradas despesas que foram questionadas pela autoridade fiscal. Todavia, caberia à interessada demonstrar o fato que deseja provar, indicando nestes documentos quais itens glosados estariam ali evidenciados, à semelhança de como procedeu na maior parte das provas apresentadas. Incabível, portanto, o exame de todas as operações indicadas nestes extratos bancários, e o seu confronto com as despesas bancárias e financeiras aqui glosadas, com vistas a verificar se, eventualmente, algum indício ali presente se prestaria a desconstituir a exigência remanescente. Assiste razão parcialmente a recorrente quando discorda do fato de a autoridade julgadora de 1a instância ter reclamado a apresentação de extratos bancários como prova, mas tão só nos casos em que a única prova apresentada foram avisos de lançamento de débitos emitidos pelas instituições financeiras, devidamente associados ao item de despesa a ser comprovado. Por fim, pareceme que a recorrente apresenta um derradeiro argumento de defesa, ao contestar o fato de despesas, embora existentes, mas não comprovadas com documentos considerados aptos, gerarem pagamento a beneficiário não identificado. Mais à frente acrescenta que se despesa foi paga não há que se argumentar com distribuição. Não há fonte a ser cobrada. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 42 41 Afirma que é do Fisco o ônus da prova desta distribuição, bem como da inutilidade das provas por ela apresentadas, e discorda do lançamento que entende ter sido formalizado com base em presunção sem amparo legal, ensejando a tributação da Recorrente como se distribuído tivesse o resultado de omissão de receita. Nestes termos, penso que além de discordar da manutenção parcial das glosas promovidas no lançamento, a interessada também questiona a exigência do IRRF sobre estes valores, por entender que não seria possível presumir que eles foram distribuídos a beneficiário não identificado. Reputo, portanto, relevante acrescentar que, quanto à manutenção parcial das glosas, restou evidente no voto do I. Relator, mesmo considerando os ajustes que reputei necessários, que a autuada não logrou comprovar todas as operações que reduziram seu lucro tributável nos períodos de apuração de 1995. A apreciação da prova, em todos os momentos do contencioso aqui instaurado, foi calcada em motivos objetivamente expostos pelas autoridades que sobre elas se debruçaram, subsistindo glosas em razão da incapacidade da contribuinte de demonstrar documentalmente os fatos registrados em sua escrituração contábil. E, relativamente à incidência do IRRF, adiciono que seu fundamento legal está expresso no auto de infração questionado (fl. 64) Art. 739 do RIR/94; Art. 44 da Lei n° 8.541/92 com a redação dada pelo art. 3o da Medida Provisória n°492/94, convalidada pela Lei n°9.064/95; Art. 62 da Lei n° 8.981/95; Art. 44 da Lei nº 8.541/92 com a redação dada pelo art. 3o da Lei nº 9.064/95. Por sua vez, o art. 44 da Lei nº 8.541/92 apresentava a seguinte redação à época dos fatos geradores, antes de sua revogação pela Lei nº 9.249, publicada em 27/12/95: Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios. Esclareço que o art. 62 da Lei nº 8.981/95 (resultante da conversão da Medida Provisória nº 812/94) estabeleceu que a partir de 1º de janeiro de 1995, a alíquota do Imposto de Renda na fonte de que trata o art. 44 da Lei nº 8.541, de 1992, será de 35%, percentual aplicado no presente lançamento. Acrescento, ainda, que a Lei nº 9.249/95 somente produziu efeitos a partir de 01/01/96, a teor de seu art. 35. Ressalto, porém, que não compartilho do entendimento antes adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais acerca dos efeitos retroativos desta revogação. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 43 42 De fato, em consulta aos acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, observei que o posicionamento daquele órgão oscilou, em vários momentos, acerca da aplicação do art. 44 da Lei nº 8.541/92: Acórdão CSRF nº 0104.952, de 13 de abril de 2004: IRF — ANOCALENDÁRIO 1994 — OMISSÃO DE RECEITA COMPROVADA — ART. 44 DA LEI N° 8.541/92 — APLICAÇÃO RETROATIVA DA NORMA REVOGADORA — EXCLUSÃO DO ACRÉSCIMO PENAL — Revela caráter penalizante a tributação instituída no art.. 44 da Lei n° 8.541/92 e incidente sobre o lucro indevidamente reduzido e presumido distribuído ao sócio da pessoa jurídica tributada com base no lucro real Por força do art.. 106, II, do Código Tributário Nacional, aplicase retroativamente a revogação prevista no art 36, inciso IV, da Lei n° 9.249/95 Excluise do lançamento o excesso de alíquota que constitui acréscimo penal no anocalendário 1994, a alíquota será reduzida de 25% para 15%, percentual previsto no art. 2° da Lei n° 8.849/94 para a regular distribuição de lucros aos sócios Acórdão CSRF nº 0105.182, de 14 de março de 2005: IRFONTE — LUCRO REAL — OMISSÃO DE RECEITAS — ANO CALENDÁRIO DE 1995 Cabível a exigência do Imposto de Renda na Fonte calculado sobre a redução indevida do lucro pela pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, tendo por fundamento legal os artigo 44 da Lei n°8.541/92. Acórdão CSRF nº 0105.618, de 26 de março de 2007: IRPJ — LUCRO PRESUMIDO — APLICAÇÃO DOS ARTS. 43 E 44 DA LEI N° 8.541/92, ALTERADOS PELA LEI N° 9.064/95 E REVOGADOS PELA LEI N° 9.249/95 — RETROATIVIDADE BENIGNA: A forte conotação de penalidade da norma de incidência, combinada com a quebra da isonomia e da sistemática que instrui o lucro presumido e o conflito entre os conceitos de receita e lucro, fazem com que seja aceitável a aplicação da retroatividade benigna quando da revogação da norma de caráter punitivo, aplicandose aos casos de omissão de receitas de empresa que tributou pelo lucro presumido seus resultados do anocalendário de 1.995. Por impedimento legal, inevitável o cancelamento da exigência como um todo. Acórdão nº 910100.225, de 28 de julho de 2009: IRPJ. 1RRF. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. APLICAÇÃO DO ART. 43 DA LEI N° 8.541/92, ALTERADO PELA LEI N° 9.064/95. O atual entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é no sentido de que a norma veiculada pelos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 não tem caráter de penalidade, não sendo, portanto, aplicável os efeitos da retroatividade benigna. É certo que, em sessão de 23 de fevereiro de 2010, o Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento em favor da retroatividade da norma revogadora, no acórdão proferido no AgRg no Recurso Especial nº 1.106.260 PR (2008/02622086): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA. IRPJ. BASE DE CÁLCULO. OMISSÃO DE RECEITAS. REVOGAÇÃO DOS ARTS. 43 E 44 DA LEI 8.541/92. PENALIDADES. RETROAÇÃO DA LEI MAIS BENIGNA. APLICABILIDADE. ART. 106 DO CTN. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 44 43 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. ENTENDIMENTO DA CORTE ESPECIAL DO STJ. 1. Posicionamento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal no sentido de reconhecer a retroatividade benigna (art. 106 do CTN) provocada pela revogação dos artigos 43 e 44 da Lei 8.541/92, que continham normas com caráter de penalidade e estabeleciam a incidência em separado do imposto de renda sobre o valor da receita omitida. 2. Precedentes citados: AgRg no REsp n. 716.208/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 6/12/2009 e REsp n. 801.447/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 26/10/2009. 3. Entendimento da Corte Especial do STJ de que, em sendo vencida a Fazenda Pública, quanto à fixação dos honorários advocatícios, fazse necessário observar a regra do § 4º do art. 20 do CPC e os requisitos das alíneas "a", "b" e "c" do § 3º do citado dispositivo processual. (EREsp 624.356/RS, Rel. Min. Nilson Naves, Corte Especial, DJ de 8/10/2009). 4. Agravo regimental provido, em parte, para fixar os honorários advocatícios, a serem suportados pela Fazenda Nacional, em R$ 1.000,00 (um mil reais). Todavia, a Câmara Superior de Recursos Fiscais reafirmou seu posicionamento contrário à retroatividade da norma revogadora em sessão de 17 de maio de 2010, no Acórdão nº 910100.574, assim ementado: IRPJ E CSLL. OMISSÃO DE RECEITA. ART. 43 DA LEI N. 8.541/92. LUCRO PRESUMIDO. CARÁTER PENAL. INEXISTÊNCIA. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. O art. 43 da Lei n. 8.541/92, com a redação dada pela Medida Provisória n. 492/94, quando prevê a tributação em separado e definitiva das receitas omitidas pelo contribuinte, não tem natureza de penalidade, Tratase de norma que define a base de cálculo do imposto e da contribuição social, no caso específico da omissão de receita. Inexiste, pois, previsão legal para aplicação do princípio da retroatividade benigna ao caso. Acompanho, assim, o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contrário à aplicação da retroatividade benigna no presente caso. Quanto aos demais períodos, bem observou a autoridade julgadora de 1a instância que as despesas que não foram comprovadas ocasionaram uma redução do lucro líquido, independentemente da impugnante ter tido lucro real ou prejuízo fiscal e estão sujeitas à incidência do IRRF, pois, como visto no referido artigo, estas despesas não comprovadas, que formam a receita omitida, presumemse automaticamente recebidas pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual. Evidente está que não se trata de exigência de IRRF sobre pagamento a beneficiário não identificado (hipótese contida no art. 61 da Lei nº 8.981/95), mas sim de presunção de distribuição de lucros a sócios da pessoa jurídica que reduz indevidamente seus resultados. De outro lado, apesar da empresa autuada ter tido prejuízo fiscal e contábil em todos os períodos autuados (fls. 101/112), inclusive em valores superiores às glosas mantidas, quer pelo I. Relator, quer nos termos do presente voto, o §2o do art. 44 da Lei nº 8.541/92 deixa claro que somente não se sujeitam à incidência de IRRF as deduções que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 45 44 Já no presente caso, a contribuinte reduziu suas disponibilidades ou direitos mediante contabilização de despesas que não logrou comprovar, substrato fático suficiente para, com base na lei, presumir que estes valores não se destinaram a quitar despesas financeiras ou bancárias, mas sim favoreceram seus sócios, sujeitando a pessoa jurídica à tributação correspondente. Concluindo, consolido as divergências aqui apresentadas seguindo a mesma estrutura apresentada na decisão recorrida, confrontando o seu resultado com as conclusões do I. Relator e deste voto: DESPESAS BANCÁRIAS – JUROS – CONTA 3.1.5.051.0150 – ANEXO 1 Nº de ordem MÊS NÃO COMPROVADOS NA IMPUGNAÇÃO NÃO COMPROVADOS VOTO RELATOR NÃO COMPROVADOS DIVERGÊNCIA 20 jan/95 6.022,89 21 jan/95 15.059,87 15.059,87 15.059,87 42 fev/95 24.017,98 24.017,98 24.017,98 60 mar/95 16.926,03 16.926,03 16.926,03 62 mar/95 18.706,55 63 mar/95 6.303,09 6.303,09 6.303,09 64 mar/95 2.018,89 65 mar/95 565,46 565,46 565,46 70 mar/95 246,16 76 mar/95 5.328,38 5.328,38 5.328,38 81 mar/95 1.000,00 1.000,00 82 mar/95 34.327,05 34.327,05 34.327,05 89 mai/95 363,99 363,99 363,99 92 mai/95 344,94 344,94 344,94 95 mai/95 392,35 392,35 392,35 96 mai/95 448,70 448,70 448,70 98 mai/95 394,88 394,88 394,88 100 mai/95 400,73 400,73 400,73 101 mai/95 400,97 400,97 400,97 102 mai/95 380,27 380,27 380,27 103 mai/95 380,27 380,27 380,27 104 mai/95 235,49 235,49 235,49 107 mai/95 377,84 377,84 377,84 109 mai/95 377,84 377,84 377,84 110 mai/95 9.916,00 9.916,00 9.916,00 111 mai/95 297,76 297,76 297,76 112 mai/95 473,85 473,85 473,85 113 mai/95 375,43 375,43 375,43 114 mai/95 15.984,52 115 mai/95 110.881,14 110.881,14 110.881,14 118 mai/95 14.916,06 14.916,06 14.916,06 119 jul/95 9.200,00 9.200,00 9.200,00 Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 46 45 133 jul/95 38.286,25 38.286,25 38.286,25 134 jul/95 12.470,62 135 ago/95 6.428,00 6.428,00 6.428,00 136 ago/95 7.265,00 7.265,00 7.265,00 152 set/95 5.253,60 5.253,60 5.253,60 153 set/95 7.238,40 7.238,40 7.238,40 158 set/95 12.726,59 12.726,59 12.726,59 160 set/95 2.970,82 2.970,82 2.970,82 161 set/95 125.028,37 162 set/95 35.728,29 184 nov/95 31,32 31,32 31,32 185 nov/95 45.659,90 45.659,90 45.659,90 186 nov/95 290,50 190 nov/95 23.295,04 191 nov/95 7.738,30 197 dez/95 3.245,44 204 dez/95 8.853,25 DESPESAS BANCÁRIAS – JUROS – CONTA 3.1.5.051.0150 – ANEXO 2 Nº de ordem MÊS NÃO COMPROVADOS NA IMPUGNAÇÃO NÃO COMPROVADOS VOTO RELATOR NÃO COMPROVADOS DIVERGÊNCIA 7 Abril 247,95 247,95 247,95 8 Abril 492,51 492,51 492,51 11 Abril 492,46 492,46 492,46 13 Abril 470,69 470,69 470,69 15 Abril 474,63 474,63 474,63 19 Abril 490,61 490,61 490,61 20 Abril 474,63 474,63 474,63 21 Abril 474,63 474,63 474,63 23 Abril 326,61 326,61 326,61 24 Abril 387,51 387,51 387,51 26 Abril 472,14 472,14 472,14 28 Abril 81,33 81,33 81,33 30 Abril 118.647,44 118.647,44 118.647,44 32 Abril 13.617,18 33 Abril 23.250,43 23.250,43 23.250,43 35 Junho 294,54 294,54 294,54 38 Junho 294,55 294,55 294,55 40 Junho 583,88 583,88 583,88 42 Junho 349,26 349,26 349,26 44 Junho 89.505,85 46 Junho 300,35 300,35 300,35 47 Junho 459,21 459,21 459,21 Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 47 46 48 Junho 23.735,42 23.735,42 23.735,42 52 Junho 557,80 557,80 557,80 56 Junho 12.851,20 12.851,20 12.851,20 DESPESAS BANCÁRIAS EM 1995 – CONTA 3.1.5.051.0090 ANEXO 3 Nº de ordem MÊS NÃO COMPROVADOS NA IMPUGNAÇÃO NÃO COMPROVADOS VOTO RELATOR NÃO COMPROVADOS DIVERGÊNCIA 3 jan/95 79,03 79,03 79,03 4 jan/95 73,00 73,00 73,00 5 jan/95 18,00 18,00 18,00 7 jan/95 57,16 57,16 57,16 13 jan/95 170,00 170,00 170,00 17 jan/95 69,50 69,50 69,50 19 jan/95 95,00 95,00 95,00 25 jan/95 50,00 50,00 50,00 32 jan/95 71,54 71,54 71,54 33 jan/95 50,00 50,00 50,00 34 jan/95 68,48 68,48 68,48 36 jan/95 161,33 161,33 161,33 40 fev/95 50,00 50,00 50,00 50 fev/95 80,30 80,30 80,30 51 fev/95 239,30 239,30 239,30 53 fev/95 36,00 36,00 36,00 54 fev/95 200,00 200,00 200,00 57 fev/95 75,00 75,00 75,00 60 fev/95 50,00 50,00 50,00 61 fev/95 97,82 97,82 97,82 68 fev/95 50,00 50,00 50,00 70 fev/95 85,50 85,50 85,50 75 mar/95 50,00 50,00 50,00 78 mar/95 52,10 52,10 52,10 96 mar/95 404,05 404,05 103 mar/95 50,00 50,00 50,00 107 mar/95 669,60 109 mar/95 50,00 50,00 50,00 110 mar/95 50,00 50,00 50,00 111 abr/95 50,00 50,00 50,00 113 abr/95 50,00 50,00 50,00 114 abr/95 50,00 50,00 50,00 115 abr/95 50,00 50,00 50,00 118 abr/95 50,00 50,00 50,00 119 abr/95 50,00 50,00 50,00 120 abr/95 50,00 50,00 50,00 Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 48 47 126 abr/95 2.118,85 2.118,85 2.118,85 127 abr/95 404,35 404,35 404,35 128 abr/95 87,50 87,50 130 mai/95 404,05 404,05 132 mai/95 50,00 50,00 50,00 133 mai/95 50,00 50,00 50,00 134 mai/95 839,81 839,81 839,81 136 mai/95 136,30 136,30 136,30 141 mai/95 319,07 143 mai/95 412,61 412,61 412,61 144 mai/95 50,00 50,00 50,00 145 mai/95 5.323,00 5.323,00 5.323,00 149 jun/95 50,00 50,00 50,00 152 jul/95 3.590,10 3.590,10 3.590,10 153 jul/95 3.046,06 3.046,06 3.046,06 154 jul/95 4.789,41 4.789,41 4.789,41 155 jul/95 60,00 60,00 60,00 156 jul/95 60,00 60,00 60,00 157 jul/95 1.480,03 1.480,03 1.480,03 158 jul/95 966,90 966,90 966,90 159 jul/95 80,00 80,00 80,00 160 jul/95 1.017,81 1.017,81 1.017,81 162 ago/95 58,88 58,88 58,88 164 ago/95 1.494,00 165 ago/95 60,00 166 ago/95 4.043,22 4.043,22 4.043,22 167 ago/95 697,97 697,97 697,97 168 ago/95 453,81 453,81 453,81 174 set/95 116,03 116,03 116,03 180 set/95 60,00 60,00 60,00 181 set/95 965,80 965,80 965,80 182 set/95 334,44 334,44 334,44 183 set/95 5.415,65 5.415,65 5.415,65 184 set/95 55,58 55,58 55,58 185 set/95 1.036,67 1.036,67 1.036,67 186 set/95 105,12 105,12 105,12 188 set/95 226,60 226,60 226,60 189 out/95 9.648,45 9.648,45 9.648,45 190 out/95 53,60 53,60 53,60 191 out/95 58,69 58,69 58,69 192 out/95 72,71 72,71 72,71 195 out/95 1.789,60 197 out/95 1.981,96 1.981,96 1.981,96 198 out/95 961,70 Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 49 48 200 out/95 478,44 478,44 478,44 201 out/95 478,44 478,44 478,44 203 nov/95 53,56 53,56 53,56 206 nov/95 478,44 478,44 478,44 208 nov/95 115,22 115,22 115,22 209 nov/95 399,96 399,96 399,96 211 nov/95 579,28 DESPESAS BANCÁRIAS EM 1995 – CONTA 3.1.5.051.0090 ANEXO 4 Nº de ordem MÊS NÃO COMPROVADOS NA IMPUGNAÇÃO NÃO COMPROVADOS VOTO RELATOR NÃO COMPROVADOS DIVERGÊNCIA 1 Junho 2.402,39 2.402,39 2.402,39 2 Junho 50,00 50,00 50,00 3 Junho 49,30 49,30 49,30 4 Junho 637,00 637,00 637,00 7 Junho 50,00 50,00 50,00 8 Junho 530,40 530,40 530,40 9 Junho 5,84 5,84 5,84 10 Junho 896,20 896,20 896,20 11 Junho 129,28 129,28 129,28 12 Junho 542,96 542,96 542,96 13 Junho 4,70 4,70 4,70 15 Junho 553,99 553,99 553,99 16 Junho 217,07 217,07 217,07 17 Junho 1.156,91 1.156,91 1.156,91 19 Junho 10,34 10,34 10,34 21 Junho 50,00 50,00 50,00 22 Junho 134,25 134,25 134,25 23 Junho 10,40 10,40 10,40 24 Junho 13,50 25 Junho 10,50 10,50 10,50 26 Junho 10,50 10,50 10,50 28 Junho 13,68 13,68 13,68 29 Junho 57,39 57,39 57,39 30 Junho 3.897,80 3.897,80 3.897,80 TOTAL GERAL 1.001.554,66 632.424,51 631.512,01 Transporto, ainda, estes valores para o Anexo 5 elaborado pela autoridade fiscal, e reconstituído na decisão recorrida: VALORES (em R$) Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 50 49 MÊS ANEXO NÃO COMPROVADOS NA IMPUGNAÇÃO NÃO COMPROVADOS VOTO RELATOR NÃO COMPROVADOS DIVERGÊNCIA JAN ANEXO 1 – desp financeiras juros 21.082,76 15.059,87 15.059,87 ANEXO 3 – desp bancárias 963,04 963,04 963,04 SOMA 22.045,80 16.022,91 16.022,91 FEV ANEXO 1 – desp financeiras juros 24.017,98 24.017,98 24.017,98 ANEXO 3 – desp bancárias 963,92 963,92 963,92 SOMA 24.981,90 24.981,90 24.981,90 MAR ANEXO 1 – desp financeiras juros 85.421,61 64.450,01 63.450,01 ANEXO 3 – desp bancárias 1.325,75 656,15 252,10 SOMA 86.747,36 65.106,16 63.702,11 ABR ANEXO 1 – desp financeiras juros ANEXO 2 – desp financeiras juros 160.400,75 146.783,57 146.783,57 ANEXO 3 – desp bancárias 2.960,70 2.873,20 2.960,70 SOMA 163.361,45 149.656,77 149.744,27 MAI ANEXO 1 – desp financeiras juros 157.343,03 141.358,51 141.358,51 ANEXO 3 – desp bancárias 7.584,84 6.861,72 7.265,77 SOMA 164.927,87 148.220,23 148.624,28 JUN ANEXO 2 – desp financeiras juros 128.932,06 39.426,21 39.426,21 ANEXO 3 – desp bancárias 50,00 50,00 50,00 ANEXO 4 – desp bancárias 11.434,40 11.420,90 11.420,90 SOMA 140.416,46 50.897,11 50.897,11 JUL ANEXO 1 – desp financeiras juros 59.956,87 47.486,25 47.486,25 ANEXO 3 – desp bancárias 15.090,31 15.090,31 15.090,31 SOMA 75.047,18 62.576,56 62.576,56 AGO ANEXO 1 – desp financeiras juros 13.693,00 13.693,00 13.693,00 Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 51 50 ANEXO 3 – desp bancárias 6.807,88 5.253,88 5.253,88 SOMA 20.500,88 18.946,88 18.946,88 SET ANEXO 1 – desp financeiras juros 188.946,07 28.189,41 28.189,41 ANEXO 3 – desp bancárias 8.315,89 8.315,89 8.315,89 SOMA 197.261,96 36.505,30 36.505,30 OUT ANEXO 1 – desp financeiras juros ANEXO 3 – desp bancárias 15.523,59 12.772,29 12.772,29 SOMA 15.523,59 12.772,29 12.772,29 NOV ANEXO 1 – desp financeiras juros 77.015,06 45.691,22 45.691,22 ANEXO 3 – desp bancárias 1.626,46 1.047,18 1.047,18 SOMA 78.641,52 46.738,40 46.738,40 DEZ ANEXO 1 – desp financeiras juros 12.098,69 SOMA 12.098,69 TOTAL GERAL 1.001.554,66 632.424,51 631.512,01 Por todo o exposto, voto no sentido de: a) NÃO CONHECER do recurso de ofício, mas determinar a correção do erro cometido pela autoridade julgadora de 1a instância, adequandose aos fundamentos da decisão a redução de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa apurada em julho/95, bem como a exigência de IRRF neste mesmo período; b) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para: b.1) Manter as reduções de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas dos meses de 1995 em montantes equivalentes às despesas não comprovadas, acima consolidadas; b.2) Manter as exigências de IRRF correspondentes a 35% das despesas não comprovadas, acima consolidadas, de janeiro a dezembro/95. EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 13808.000983/9953 Acórdão n.º 1101000.627 S1C1T1 Fl. 52 51 Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Numero do processo: 11065.914586/2009-08
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE.
A redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM) somente se deu a partir de 23 de julho de 2004. A alteração legal denota a inocorrência de isenção anterior, pois operações até então isentas não poderiam se submeter à alíquota zero posteriormente definida em lei, dada a incompatibilidade de convivência desses institutos de direito tributário.
ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS E FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDAS. INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO.
As despesas com armazenagem de mercadorias e fretes nas operações de vendas somente passaram a gerar direito a crédito na apuração da contribuição não cumulativa a partir de 1º de fevereiro de 2004, não se aplicando, por conseguinte, ao presente caso.
Numero da decisão: 3803-004.470
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues, que davam provimento ao recurso para excluir da base de cálculo as vendas para a Zona Franca de Manaus.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 14/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE. A redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM) somente se deu a partir de 23 de julho de 2004. A alteração legal denota a inocorrência de isenção anterior, pois operações até então isentas não poderiam se submeter à alíquota zero posteriormente definida em lei, dada a incompatibilidade de convivência desses institutos de direito tributário. ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS E FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDAS. INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com armazenagem de mercadorias e fretes nas operações de vendas somente passaram a gerar direito a crédito na apuração da contribuição não cumulativa a partir de 1º de fevereiro de 2004, não se aplicando, por conseguinte, ao presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues, que davam provimento ao recurso para excluir da base de cálculo as vendas para a Zona Franca de Manaus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 45 86 /2 00 9- 08 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (DRF/NHO) que não homologou Declaração de Compensação (DCOMP) transmitida pela empresa acima identificada, na qual informa crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS. Referido despacho aponta como motivo para a não homologação da compensação a inexistência de crédito disponível, uma vez que o pagamento efetuado por meio do DARF indicado, no valor de R$ 16.623,27, já teria sido integralmente utilizado para quitar débito do próprio contribuinte. No mérito, a interessada alega que teria ocorrido erro de fato, pois, embora afirme que não retificou suas declarações (DCTF, DIPJ e DACON) o pagamento a maior, no valor original de R$ 16.547,30, teria sido reconhecido e registrado contabilmente, juntando cópias do comprovante de pagamento e de folha do seu livro razão na tentativa de comprovar suas alegações. Desta forma, conclui que deve ser revisto o "lançamento", pois entende que a decisão atacada estaria em dissonância com a verdade material. Em face da existência de elementos indicadores da plausibilidade do erro de fato alegado na manifestação e considerando a insuficiência de comprovação da existência do crédito informado em DCOMP, o presente processo foi remetido em diligencia à DRF jurisdicionante, nos termos dos art. 18 (com redação dada pela Lei 8.748/93) e art. 29 do decreto 70.235/1972, para análise e demonstração da composição da Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.914586/200908 Acórdão n.º 3803004.470 S3TE03 Fl. 3 3 base de cálculo dos créditos referentes ao período de apuração em questão, devendo a DRF pronunciarse a respeito da legitimidade dos referidos créditos e eventual saldo remanescente após os encontros de contas. Em resposta à diligência solicitada, a DRF de origem analisou os esclarecimentos apresentados pela interessada e concluiu que deveria ser glosado o montante creditório informado pelo interessado como “Despesas de Armazenagem de Mercadorias e Fretes nas Operações de Vendas” em face da ausência de previsão legal, em 2003, para o desconto de despesas incorridas com fretes pagos ou creditados a outras pessoas jurídicas domiciliadas no país, pois tal procedimento só foi possível a partir de 1° de fevereiro de 2004. Da mesma forma, foram também glosados os créditos informados como “Receitas Isentas, não Alcançadas pela Incidência da Contribuição, com Suspensão ou Sujeitas à Alíquota Zero” que se referem à “Vendas de Produção Destinada à Zona Franca de Manaus – ZFM”, pois aponta que somente a partir de 26 de julho de 2004, as vendas, efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas fora da ZFM, de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM poderiam ser desconsideradas na apuração da Contribuição devida. Assim, após demonstrar a recomposição da base de cálculo da contribuição, a fiscalização apurou um valor original de R$ 17.147,97 a recolher, concluindo então que o pagamento (crédito) informado na DCOMP teria sido totalmente utilizado, corroborando o Despacho Decisório Eletrônico. Após ciência do resultado da diligência, a interessada novamente se manifestou no sentido de defender seu procedimento adotado, argumentando que as despesas com frete utilizadas na consecução de suas atividades sempre deram direito ao crédito, desde a instituição da não cumulatividade da contribuição. Entende que tais créditos devem ser aceitos pois seriam oriundos de fretes utilizados na consecução do objetivo social da manifestante, os quais compõem o custo de produção do produto final, nos termos do art. 3º , II das Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03. Cita e transcreve solução de divergência emitida pela SRRF/8ª RF/Disit e acórdão do CARF para defender seu entendimento. Contesta também a glosa relativa à incidência da contribuição sobre a vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, pois considera que desde 1956, tais vendas receberiam proteção governamental, e, desde 1967, a legislação da ZFM vem, por ficção jurídica e fiscal, considerando tais operações como exportações para o exterior. Cita e transcreve o Art. 4º do Decretolei nº 288/67, o Art. 40 do ADCT da CF/88 e também o Art. 149 da CF/88, para embasar sua defesa neste ponto. Acrescenta que as legislações do PIS e da COFINS não cumulativas determinariam expressamente que as receitas não Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 alcançadas pela incidência do PIS e da COFINS e equiparadas à exportação (imunidade) não são tributadas. Transcreve jurisprudência do STJ que segundo seu entendimento já estaria assentada no sentido de que as vendas para a ZFM são equiparadas à exportação. Considera, ainda, que a exigência do PIS no período ora debatido estava regulada pela Lei n° 10.637, de 30/12/2002, a qual não previa expressamente a tributação das receitas das vendas para a ZFM. Sustenta que somente com a edição das Medidas Provisórias n° 1.8586, de 29 de junho de 1999 até a MP n° 2.03724, de 23 de novembro de 2000 que as vendas para a ZFM passaram a ser tributadas pelo PIS. No entanto, aponta que em face da ADIN n° 2.3489, o Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão plenária do dia 7 de dezembro de 2000, ao analisar pedido liminar, suspendeu a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, retirandoa do ordenamento jurídico, decisão esta até hoje estaria vigente. Desta forma, a partir desta decisão do STF, não mais seria possível a tributação das vendas para a ZFM, salvo com a edição de nova norma, o que ainda não teria ocorrido. Novamente cita e transcreve solução de divergência emitida pela SRRF/8ª RF e acórdão do CARF para defender seu entendimento. Reitera os pedidos feitos na manifestação de inconformidade original, e requer, assim, o reconhecido o crédito pretendido e a homologação da compensação efetuada. A DRJ em PORTO ALEGRE/RS julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 FRETES SOBRE VENDAS E ARMAZENAGEM. Os fretes sobre vendas e armazenagem só geraram créditos para a apuração da contribuição sob o regime não cumulativo a partir da edição da Lei nº 10.833/2003, no caso do ônus ser suportado pelo vendedor. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMUNIDADE. ISENÇÃO. Não há imunidade ou isenção do PIS para as receitas decorrentes de vendas a empresas situadas na Zona Franca de Manaus (ZFM), posto que só a partir da publicação da Lei n.º 10.996, de 2004, passou a existir norma prescrevendo alíquota zero do PIS para vendas, realizadas por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM, destinadas ao consumo ou à industrialização na referida Zona. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.914586/200908 Acórdão n.º 3803004.470 S3TE03 Fl. 4 5 Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual sustenta basicamente os mesmos argumentos esgrimidos na peça vestibular. Ao final requer a validação do crédito pretendido e da compensação realizada. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, passo à apreciação do apelo. Nada de novo veio aos autos desde a decisão recorrida, que mostrouse irretocável em seus fundamentos de fato e de direito, e bem por isso deve ser ratificada nesta segunda instância, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99. 1 Releva, outrossim, trazer a lume decisão deste Colegiado, desfavorável à pretensão da mesma recorrente, em sessão de julho do corrente, processo nº 11065.914600/200965, que tratava das mesmas matérias deste contencioso, em que o eminente relator Hélcio Lafetá Reis brilhantemente assim se manifestou: Conforme acima relatado, a controvérsia presente nos autos se restringe ao direito de creditamento decorrente de despesas com armazenamento de mercadorias e fretes nas operações de vendas e a tributação ou não das vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM). 1 Vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM). 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 De início, registrese que, não obstante o art. 4° do DecretoLei n° 288/1967 ter equiparado a venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus (ZFM) a uma exportação para o estrangeiro, deve ser ressalvado que tal determinação se aplicava aos fatos tributários disciplinados pela legislação então vigente, não estendendo seus efeitos às normas supervenientes de regência da matéria. A Medida Provisória n° 2.15835/2001 estabelece, em seu art. 14, que a isenção da Cofins e da Contribuição para o PIS se aplica às hipóteses elencadas em seus incisos I a IX, não havendo referência expressa ou literal à Zona Franca de Manaus, fato esse que, por si só, já afastaria a isenção pleiteada. Portanto, seriam aplicáveis ao presente caso somente as hipóteses de isenção dos incisos IV, VI, VIII e IX, a seguir discriminadas: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo a bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei n° 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o DecretoLei n° 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No período de 1° de fevereiro de 1999 a 17 de dezembro de 2000 – período esse que não alcança o presente processo –,vigia a redação original do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586/1999 – dicção essa que constou do dispositivo até a edição da Medida Provisória n° 2.03724/2000 –, que, expressamente, excluía as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus da previsão legal isentiva. A medida liminar que foi deferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI n° 2.3489/2000 suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus" que constava do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória n° 2.03724/2000, mas apenas com efeitos ex nunc, não alcançando, portanto o período acima identificado. Não obstante tal decisão do STF, remanesceu no dispositivo legal (inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória n° 2.037 24/2000) o afastamento da isenção em relação às vendas realizadas para “empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio” (grifei). Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.914586/200908 Acórdão n.º 3803004.470 S3TE03 Fl. 5 7 Considerando que, de acordo com o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a Zona Franca de Manaus é uma área de livre comércio, temse que a isenção sob comento permaneceu afastada nos casos da espécie. Além disso, em 23 de julho de 2004, a Medida Provisória nº 202, convertida, em 9 de novembro de 2004, na Lei n° 10.996, inovou em relação a essa matéria nos seguintes termos: Art. 2°. Ficam reduzidas a O (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. §1° Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. §2° Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do §2° do art. 3° da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do incisoIIi do §2° do art. 3° da Lei n°10.833, de 29 de dezembro de 2003. Constatase do excerto acima que, a partir de sua vigência – que não alcança o caso sob análise –, as alíquotas das contribuições foram reduzidas a zero, o que denota a inexistência de isenção anterior, uma vez que não haveria justificativa que sustentasse uma alíquota zero relativamente a fatos isentos, dada a incompatibilidade de convivência desses institutos de direito tributário. Portanto, concluise pela atuação escorreita da autoridade fiscal ao não reconhecer a isenção pleiteada relativa às vendas para a ZFM. 2 Armazenagem e fretes nas operações de venda. No que se refere ao direito ao creditamento decorrente de despesas com armazenamento de mercadorias e fretes nas operações de vendas, nada há a reformar na decisão de piso, pois conforme bem dito ali, tal direito passou a ser reconhecido somente a partir de 1/2/2004, quando passouse a viger o contido nos arts. 3º, inciso IX, e 15 da Lei nº 10.833, de 20032. 2 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Além disso, conforme também já afirmado pelo julgador a quo, o dispositivo invocado pelo Recorrente para se valer do crédito, qual seja, o art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, não tem a extensão pretendida, pois ele se restringe aos serviços utilizados como insumos, não correspondendo, portanto, aos serviços de armazenagem de mercadoria e fretes nas operações de vendas. Também aqui, nada há a reformar na decisão de primeira instância. Posto isso, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o, incisos II e III, 6o, inciso I, e 10 a 15 do art. 3o desta Lei; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10183.006015/2005-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE RESERVA LEGAL.AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR.
A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental.
Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior - Relator
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Elias Sampaio Freire, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Célia Maria de Souza Murphy ( suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 60 15 /2 00 5- 57 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Elias Sampaio Freire, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Célia Maria de Souza Murphy ( suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em sessão plenária de 20 de agosto de 2010, a Segunda Turma Ordinária da Primeira da Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF julgou o recurso voluntário n 337.355, interposto pela Companhia Vale do Rio Roosevelt, proferindo decisão consubstanciada no Acórdão n 2102000.815, assim resumida na ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2002 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente e a averbação da área de reserva legal, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir o benefício fiscal no âmbito do ITR. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRA (SIPT).VALOR MÉDIO DAS DECLARAÇÕES DE ITR. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO DO IMÓVEL RURAL ALICERÇADO EM MÚLTIPLAS INFORMAÇÕES DE PREÇO DA TERRA NUA, INCLUSIVE DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. MEIO HÁBIL A CONFRONTAR O VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua – VTN, pode a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o VTN, que servirá para apurar o ITR devido. Entretanto, apresentado laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, esse é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT, notadamente. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.006015/200557 Acórdão n.º 9202002.781 CSRFT2 Fl. 10 3 Formalizado o acórdão (fls. 336 a 339v), há registro de ciência pessoal do Procurador em 12 de janeiro de 2011 (fl. 340), com interposição tempestiva de recurso especial (fls. 342 a 381). Alega a Procuradoria da Fazenda Nacional que o acórdão merece ser reformado, tendo em vista que a concepção aludida diverge das interpretações de outros julgados do CARF, como a do Acórdão n 30134.352 e do Acórdão n 920200.194, que expõem o entendimento de ser necessária, para fins de isenção do ITR, a apresentação tempestiva do ato específico ao órgão competente, ou mesmo de requerimento do contribuinte para a emissão destes, para reconhecimento das áreas de preservação permanente e utilização limitada. A seguir transcrevese a divergência constante das ementas dos acórdãos paradigmas citados. Acórdão nº 30134.352: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR EXERCÍCIO: 2001 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de utilização limitada, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente essa obrigação (art. 17O da lei 6.938/81, na redação do art. 10 da Lei 10.165/2000). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Acórdão nº 920200.194: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício 1999. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA – RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR.. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei nº 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Por meio do Despacho n. 210000.189/2011 – 1ª Câmara/2ª Seção [fls. 393 e ss], o i. Presidente daquele Órgão do CARF entendeu pelo seguimento do Especial: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 [...]A controvérsia apresentada pela recorrente está delimitada em relação a apresentação tempestiva do ato declaratório ambiental. O primeiro acórdão paradigma trata de imprescindibilidade de apresentação do ADA para fruição do gozo da redução do ITR. O segundo, apesar de tratar de ITR exercício 1999, cita como diferencial a exigência do ato declaratório após a vigência da Lei nº 10.165, de 2000. De fato, as interpretações dos acórdãos paradigmas e do recorrido são divergentes. A primeira entende que, para fins de isenção, é imperiosa a apresentação tempestiva do ato específico ao órgão competente, para reconhecimento das áreas de preservação permanente e utilização limitada (ADA). A outra, que, por si só, não é a apresentação intempestiva do ADA condição para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. Assim, à vista dos elementos apresentados pela recorrente, não há como negar a existência do dissenso jurisprudencial. Ante o exposto, na forma dos arts. 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, DOU seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda no que se refere a apresentação tempestiva do ADA, devendo ser cientificado o sujeito passivo, assegurandolhe o prazo de 15 (quinze) dias para oferecer contrarrazões. Intimado para se manifestar, o sujeito passivo apresentou contrarazões [fls. 404 e ss] que reitera os argumentos do decisum recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Primeiramente, há que ser declarada a tempestividade do Recurso Especial, tendo em vista sua interposição no prazo estabelecido pelo artigo 68, caput, do Regimento acima mencionado. Durante o procedimento fiscal a contribuinte, intimada a apresentar a documentação relacionada às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, conforme Termo de Intimação fls. 16/19, apresentou cópia da matricula do imóvel, fls. 31/34 e laudo técnico de imóvel rural, fls. 38/47, donde se verifica a averbação da área de utilização limitada (17.387,0 ha) e existência da área de preservação permanente (8.092,4 ha). Assim, a autoridade fiscal procedeu à glosa das referidas áreas tãosomente em razão da falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), conforme se infere da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 06, parte integrante do Auto de Infração. Ocorre que quando da apresentação do recurso a contribuinte juntou aos autos cópia de ADA, fls. 192, protocolado em 30/09/2004. Considerando que o lançamento reportase ao exercício, 2002, temse que referido ADA foi apresentado depois de transcorrido o prazo previsto na IN SRF n° 60, de 6 de junho de 2001. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.006015/200557 Acórdão n.º 9202002.781 CSRFT2 Fl. 11 5 Alega a Procuradoria da Fazenda Nacional que o acórdão merece ser reformado, tendo em vista que a concepção aludida diverge das interpretações de outros julgados do CARF, como a do Acórdão n 30134.352 e do Acórdão n 920200.194, que expõem o seguinte entendimento: fazse necessário para fins de isenção do ITR, a apresentação tempestiva do ato específico ao órgão competente, ou mesmo de requerimento do contribuinte para a emissão destes, para reconhecimento das áreas de preservação permanente e utilização limitada. Logo, a lide que se impõe gira em torno de saber se a apresentação intempestiva do ADA impede a contribuinte de usufruir o beneficio de excluir da área tributável as áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Pois bem, o artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei nº 12.651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Claramente vêse que as áreas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sobre as áreas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária e extrativista. O nó górdio é definir quais os requisitos que devem ser implementados para• que uma área seja considerada de utilização limitada (reserva legal, reserva particular do patrimônio natural —RPPN, de declarado interesse ecológico, de servidão florestal, etc.) ou de preservação permanente para fins de fruição da isenção no âmbito do ITR. Aqui somente faremos considerações sobre a área de reserva legal, objeto do lançamento. A reserva legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse• rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. 1°, § 2°, III, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da propriedade rural que deve ser afetada à reserva legal, nas diversas regiões do país,determinando, ainda, que tal reserva seja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel (art. 16, § 8°, do Código Florestal). Partindo do princípio que o ITR incide sobre a área aproveitável da propriedade (área tributável menos a área de benfeitorias), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, pareceme claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essa área de utilização limitada, ou seja, caso a área de reserva legal não exista, afastarseia a isenção legal, não se podendo deferir a benesse tributária simplesmente a partir dos percentuais abstratos de reserva legal previstos no art. 16 do Código Florestal. De outra banda, existindo tal área, o contribuinte pode se beneficiar do favor legal. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Após profundos debates, principalmente no âmbito da Segunda Turma desta CSRF, da qual faço parte, firmei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Ademais, nos termos do artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008, cuja entrada em vigor restou prorrogada para 11/12/2011, por força do Decreto n° 7.497, de 09/06/2011, a ausência de averbação da reserva legal dá ensejo à aplicação de multa pecuniária. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.006015/200557 Acórdão n.º 9202002.781 CSRFT2 Fl. 12 7 O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da apuração do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, cuja redação à época do fato gerador, antes da alteração promovida pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, era a seguinte: “Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2º e 3º desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: a) nas regiões Leste Meridional, Sul e CentroOeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindose, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucaria angustifolia", não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerandose, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1º Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computarseão, para efeito de fixação do limite percentual, Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. § 3º Aplicase às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais.” (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 2º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com conseqüências diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: (i) para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, (ii) para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frustra o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 2º do Código Florestal. Por outro lado, existindo a averbação, ainda que posterior ao fato gerador, não é razoável recusar a desoneração tributária, notoriamente quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, sendo que uma área averbada e comprovada em exercício posterior provavelmente existia nos exercícios precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.006015/200557 Acórdão n.º 9202002.781 CSRFT2 Fl. 13 9 Ademais, nem a lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR, perfazendose com a averbação a qualquer data o viés indutivo de comportamento que informa a dispensa do tributo. Nada obstante, tenho para mim que com a averbação na matrícula do imóvel das áreas de reserva legal, ainda que posteriormente ao momento eleito como aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR ou ao início do procedimento fiscal, tais áreas devem ser excluídas da base de cálculo do tributo, pelas razões expostas acima. No presente caso, verifico que a divergência se cinge apenas em face da “necessidade de apresentação tempestiva de ADA para a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR”. Dito isso e não obstante os argumentos apresentados pela Recorrente, entendo que o Acórdão recorrido não merece qualquer reparo. DISPOSITIVO Portanto, voto pelo conhecimento do Recurso Especial interposto, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 9DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 11610.020593/2002-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1302-000.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 13/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros EDUARDO DE ANDRADE (Presidente em Exercício), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 13/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros EDUARDO DE ANDRADE (Presidente em Exercício), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 20 59 3/ 20 02 -3 9 Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/08/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11610.020593/200239 Resolução nº 1302000.252 S1C3T2 Fl. 2.530 2 Relatório e Voto Tratase de recurso voluntário interposto por Ericsson Telecomunicações S.A. em razão do não provimento de sua manifestação de inconformidade processada sob número 11610.020593/200239. A este procedimento, foram outros 25 (vinte e cinco), a saber: 11610.000510/200376, 11610.002395/200374, 11610.003689/200313, 11610.003690/2003 48, 11610.003923/200311, 11610.004189/200307, 11610.004824/200348, 11610.005236/200321, 11610.005338/200347, 11610.005581/200365, 11610.005582/2003 18, 11610.006064/200311, 11610.006225/200369, 11610.007279/200341, 11610.022022/200239, 11831.002209/200301, 11831.003253/200320, 11831.003254/2003 74, 11831.003256/200363, 11831.003257/200316, 11831.003258/200352, 11831.003259/200305, 11831.003260/200321, 11831.003261/200376, 11831.003675/2003 03. A controvérsia tem origem na não homologação das compensações acima, consoante de depreende do despacho de fls. 314. Os argumentos levantados pelo AFRFB encontramse adequadamente relatados no acórdão recorrido, razão pela qual peço venia para transcrevêlos (fl. 2021): A Interessada apresentou Declaração de Compensação (DCOMP), no valor de R$596.805,02 (fls. 01 e 02), além das DCOMP eletrônicas anexadas (fls. 132 a 260), todas referentes ao Saldo Negativo de IRPJ (SNIRPJ) apurado no anocalendário (AC) 2001. 2. Em 08/05/2004, a DERAT/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (ciência em 01/07/2004; AR fl. 362), em que NÃO RECONHECEU o direito creditório, e NÃO HOMOLOGOU as compensações apresentadas no presente processo, nas DCOMP eletrônicas de fls. 132 a 260 e nos processos relacionados às fls. 131 (visto que os créditos têm a mesma origem daquele aqui apreciado), nos seguintes termos, resumidamente (fls. 312 a 314). 2.1. O crédito pleiteado decorre do fato de que sendo optante pela tributação com base no lucro real anual, no AC 2001, o contribuinte apurou, na declaração respectiva, prejuízo fiscal e sofreu retenções do imposto de renda na fonte (IRRF), conforme fl. 271. 2.2. Analisando o pleito do contribuinte, no intuito de reconhecer seu direito creditório e conseqüentemente homologar as compensações ora apresentadas, encontraramse alguns fatos, que serão a seguir relatados, que impedem tal reconhecimento, haja vista, que de acordo com o art. 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN), tais créditos devem gozar de liquidez e certeza. 2.3. Assim, após pesquisas feitas nos sistema CNPJ/Consulta, Impressão PJ e DIRF/SIEF, verificouse o seguinte: 2.3.1. O valor do IRRF informado na ficha 43 (fls. 286 a 288) e confirmado pelas DIRF apresentadas pelas diversas fontes pagadoras Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/08/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11610.020593/200239 Resolução nº 1302000.252 S1C3T2 Fl. 2.531 3 é R$ 39.517.558,47 (fls. 290 e 291), enquanto que o IRRF compensado com o IR sobre o Lucro Real informado na DIPJ/2002 é R$ 39.905.138,83 (fls. 271); 2.3.2. Nas DIRF apresentadas pelas diversas fontes pagadoras, o valor dos rendimentos totais pagos em decorrência de operações de swap é R$193.519.181,60, enquanto que os rendimentos de aplicações financeiras somam R$4.184.689,22, perfazendo o total de R$197.703.870,82 (fls. 292 a 311), enquanto na DIPJ/2002 o valor declarado das receitas financeiras é R$66.910.818,18 (fls. 265), o que, caso o contribuinte não tenha incluído erroneamente os rendimentos provenientes de operações de swap na linha correspondente às variações monetárias ativas, evidencia possível omissão de receitas financeiras; 2.3.3. Na linha 29 da ficha 06A (Demonstração do Resultado), não foi informado nenhum valor a título de reversão dos saldos das provisões operacionais, enquanto na linha 25 da ficha 09A (Demonstração do Lucro Real) foi excluído R$56.856.443,95 como reversão dos saldos das provisões não dedutíveis, observandose, inclusive, que no AC anterior o valor das provisões não dedutíveis era R$37.816.095,88 (fls. 265, 266 e 289); 2.3.4. Na linha 32 da ficha 06A, o contribuinte apurou Variações Cambiais Passivas no valor de R$351.036.400,13, sem haver, entretanto, adicionado nenhum valor na linha 08 da ficha 09A (fls. 265 e 266) o que estaria obrigado a fazêlo caso tenha optado pelo reconhecimento de tais variações nas liquidações das operações correspondentes. 2.4. Diante do exposto e baseado no art. 170 do CTN, não foram homologadas as compensações apresentadas no presente processo, nas DCOMP eletrônicas de fls. 132 a 260 e nos processos relacionados às fls. 131. Contra as conclusões do AFRFB, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fl. 379), em resumo, alegando a incerteza das alegações do AFRFB e diversas inconsistências entre o que foi alegado pelo fiscal e o procedimento da recorrente. Ao seu turno, a Delegacia de Julgamentos baixou o processo em diligência (fl. 440), sobretudo pelo fato de a recorrente apresentado documentos e alegações que ainda não haviam sido analisados pelo AFRFB (cópia parcial da DIPJ/2003, informes de IRRF AC 2001, Demonstração de Provisões Não Dedutíveis – Efeitos AC 2000, Provisões Indedutíveis AC 2001). Na oportunidade, foi determinado que o AFRFB reanalisasse “cada um dos motivos que ensejaram a nãohomologação da compensação, procedendo, se for o caso, à retificação da DIPJ 2002/AC 2001 – origem dos créditos sobre os quais a requerente solicita compensação” (fl. 442). Na sequência, o AFRFB expediu Termo de Intimação Fiscal (fl. 444) requerendo a apresentação de diversos esclarecimentos, os quais foram oferecidos pela recorrente na petição de fl. 451. Nova intimação foi expedida (fl. 467), a qual também fora atendia pela recorrente (fl. 469). Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/08/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11610.020593/200239 Resolução nº 1302000.252 S1C3T2 Fl. 2.532 4 Ao final, lavrouse Relatório de Diligência (fl. 478), onde se analisa a questão do swap, da reversão da provisão e das variações cambiais. Ao final, concluise que “os fatos relatados neste relatório não permitem assegurar que os números lançados na DIPJ representam a segurança jurídica preconizada pelo artigo 170 do Código Tributário nacional (....)”. (fl. 487). Comunicada do relatório (fl. 1718), a recorrente apresentou manifestação específica (fl. 1720). Após, a Delegacia de Julgamento decidiu o feito na forma que indica a ementa a seguir reproduzida (fl. 2020): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. Não tendo sido apurado crédito líquido e certo em favor do contribuinte, referente ao IRPJ apurado no AC 2001, mantémse a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da decisão supra em 01/12/2011 (fl. 2105), a recorrente mantevese inconformada com o provimento oferecido na esfera administrativa, razão pela qual apresentou recurso voluntário protocolado em 20/12/2011 (fls. 2106 e ss.), onde são levantados os seguintes questionamentos, em resumo: (i) A DRJ violou o art. 59, §3º, do Dec. 70.235/72 ao determinar a baixa do processo em diligência e manter o indeferimento do direito creditório, ao invés de reconhecer a nulidade do primeiro despacho decisório, fato que cerceou o direito de defesa e impediu a comprovação do direito creditório pleiteado; (ii) É nula a decisão da DRJ, pois foi proferida prematuramente, sem que a recorrente fosse intimada a apresentar os documentos e argumentos que a DRJ entendeu necessários para homologar das declarações de compensação. Pelo que consta no acórdão recorrido, seria necessário novamente baixar o processo em diligência; (iii) É nula a decisão da DRJ, pois não houve análise conclusiva das provas juntadas aos autos do processo administrativo para comprovação do direito creditório; Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/08/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11610.020593/200239 Resolução nº 1302000.252 S1C3T2 Fl. 2.533 5 (iv) O art. 177 da Lei 6404/76 determina que as receitas financeiras (caso do Swap) devem ser reconhecidas pelo regime de competência. De outro lado, o IRRF é reconhecido pelo regime de caixa; (v) Para analisar a tributação do Swap, não é possível apenas analisar o valor declarado em DIPJ 2002 e o valor total declarado nos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras. As instituições financeiras emitem informes no ano da efetiva liquidação do Swap (regime de caixa). Assim, por vezes, o que consta na DIRF não coincide com o valor declarado na DIPJ; (vi) Por isso, a análise da tributação do Swap deve verificar as informações contábeis e fiscais no anocalendário em que se iniciou o investimento e também no que se encerrou. A autoridade fiscal apenas analisou a DIPJ do ano calendário de 2002, por isso é nula a decisão recorrida; (vii) É nula a decisão recorrida, pois da simples comparação entre sua motivação e o que consta no despacho decisório comprova que foram utilizados (indevidamente) novos critérios jurídicos para manter o indeferimento do direito creditório pleiteado; (viii) Há vício no procedimento adotado pela 4ª Turma da DRJ/SP, pois não é possível: (I) a realização de adições ao "Lucro Líquido"; (II) a glosa de despesas computadas na apuração do "Lucro Real"; (III) o questionamento do oferecimento de receitas à tributação; e (IV) a glosa do IRRF; no bojo de um processo administrativo de restituição/compensação; (ix) A pretexto de analisar o direito crédito pleiteado, a 4ª Turma da DRJ/SP revisou a apuração do IRPJ do anocalendário de 2001 (ou seja, fiscalizou a apuração do "Lucro Real"), e, de ofício, efetuou adições ao "Lucro Líquido" e glosou despesas, alterando o resultado do anocalendário de 2001. No entanto, para tal fim, deveria ser lavrado um auto de infração (art. 142, CTN, e art. 2º, IN SRF 77/98); (x) Ocorre que o prazo de 5 (cinco) anos para que a autoridade alterasse o resultado do anocalendário de 2001 já havia transcorrido quando do acórdão da DRJ, de modo que a apuração original do IRPJ se consolidou no tempo, não havendo possibilidade de realização de adições ao "Lucro Líquido" e glosa de despesas, bem como de alteração do crédito apurado originalmente pela Recorrente, de modo que o seu pedido de restituição/compensação deve ser integralmente deferido; (xi) Ainda que o caso não cuidasse de revisão da apuração do IRPJ do ano calendário de 2001, mas sim da escrita fiscal do contribuinte, o que seria absolutamente equivocado, haveria de ser aplicada, neste caso, a disposição constante do artigo 1° da Lei n° 9.873, de 23/11/1999, que limita no tempo o exercício do poder de polícia da Administração Pública Federal frente ao administrado em 5 (cinco) anos; (xii) Afirma que não preenchimento da Linha 29 da Ficha 06A da DIPJ 2002 não afetou o "resultado" para efeito de determinação do "Lucro Real" no ano calendário de 2001; Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/08/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11610.020593/200239 Resolução nº 1302000.252 S1C3T2 Fl. 2.534 6 (xiii) Aduz que a decisão recorrida glosou (indevidamente) a despesa incorrida com "variação cambial passiva", no valor de R$ 174.092.021,66, relacionada aos empréstimos concedidos pela "Ericsson Treasury Services AB", aos argumentos de que não teriam sido apresentados os contratos que dariam origem e as folhas do "Livro Razão" referentes às contas do passivo, com as mutações ocorridas no anocalendário de 2001, que demonstrassem e respaldassem os lançamentos efetuados na conta contábil n° 3320030 (fls. 1002/1013). 144. Contudo, ao longo do processo administrativo e da diligência fiscal, a Recorrente jamais foi intimada especificamente para comprovar o preenchimento dos requisitos necessários para a dedutibilidade da despesa em questão. Apresenta, então, o contrato firmado com a “Ericsson Treasury Services AB”, documentos comprobatórios de empréstimos concedidos pela “Ericsson Treasury Services AB”, telas extraídas do SISBACEN, cópia autenticada das folhas do Livro Razão das contas contábeis 2110016 e 2110019, referentes ao AC 2000 e 2001; (xiv) Quanto à glosa de despesas incorridas com juros incidentes sobre os empréstimos contraídos com as empresas "Ericsson Serviços de Telecomunicações Ltda.", "Ericsson Amazônia S.A.", "Ericsson ESA", e "Ericsson HPT", apresenta planilhas demonstrativas dos juros incorridos mensalmente, razões contábeis das contas patrimoniais e de resultado, e contratos firmados com as empresas "EBS" e "EDA" (doc. 07), sendo certo que os contratos firmados com as empresas "ESA" e "EHPT", até o momento, ainda não foram localizados nos arquivos da Recorrente, embora estes empréstimos possam ser verificados no fluxo financeiro do pagamento da recorrente; (xv) Sustenta o princípio da verdade material para a produção de provas em sede de recurso voluntário e conclui requerendo o cancelamento das glosas das despesas incorridas com “variação cambial passiva” e “juros”; (xvi) Afirma que o valor informado na DIPJ 2002 (linha 13 Ficha 12A) relativo ao IRRF está correto. A divergência com as informações das fontes pagadoras não se sustenta, sobretudo porque foram apresentadas DIRFs retificadoras. Alega que não foram consideradas a DIRF da fonte pagadora CNPJ 01.701.201/000189, CNPJ 33.479.023/000180; (xvii) Quanto à tributação do Swap, alega que a autoridade fiscal desconsiderou a conta contábil n. 4340031 também registrou receitas de Swap, conforme mapas juntados (fl. 1436 e 1249), razões contábeis (fl. 1505, 1511, 1525, 1533, 1540 e 15701). Essa conta comprova o oferecimento à tributação das receitas de Swap no valor de R$ 16.988.647,19 na Linha 24 da Ficha 06A da DIPJ 2002; (xviii) Aduz que o total comprovado de receitas de "SWAP" oferecidas tributação nos anoscalendário de 2000 e 2001 é mais do que suficiente para suportar o IRRF que compôs o saldo negativo de IPRJ. Apresenta o seguinte quadro: Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/08/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11610.020593/200239 Resolução nº 1302000.252 S1C3T2 Fl. 2.535 7 Anocalendário N. da conta contábil Descrição da conta contábil Valor (R$) Folha dos autos 2000 4340026 Resultado c/ variações s/ hedge 20.601.906,22 2079 e doc. 08 2001 4340026 Resultado c/ variações s/ hedge 162.523.607,08 2079 2001 4340031 Receita prêmio s/ opções 16.988.647,19 1436, 1249 e 1251 TOTAL 200.114.160,49 (xix) Sobre o suposto não oferecimento à tributação das receitas de aplicações financeiras, o que gerou glosa de IRRF no valor de R$ 1.524.312,14 (códigos 33426, 6800 e 6813), apresenta as contas 43400001, 4340002, 340003, 4340005, 4340006, 4340011, 4340012, 4340015, 4340016, 4340020 e 4340021 par comprovar o valor lançando na Linha 24 da Ficha 06A da DIPJ 2002. Alega que a DRJ deveria têla intimado antes de realizar referida glosa; (xx) Junta também contrato de mútuo com o CNPJ 03.677.562/000162 para comprovar o pagamento de IRRF; (xxi) Encerra invocando o princípio da verdade material para comprovar o direito creditório de que cuida o processo. É o relatório. Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/08/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11610.020593/200239 Resolução nº 1302000.252 S1C3T2 Fl. 2.536 8 Voto Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo, Relator. O recurso é tempestivo, e, portanto, dele conheço. Vêse que o presente processo está absolutamente vinculado à questões fáticas, o que torna relevante a apreciação exaustiva dos argumentos da recorrente e das informações constantes em documentos contábeis. Assim, considerando que o princípio da verdade material é orientador do processo administrativo, entendo adequado e extremamente necessário para o deslinde da presente demanda a busca de informações através do processo de diligência, por parte da autoridade fiscal. Ressalto que o presente processo tem origem nos poucos argumentos empregados pelo AFRFB (conforme sucinto TVF) quando da não homologação as compensações em questão (fl. 314 e ss.), fato que tem suscitado a apresentação de documentos no desenvolver do feito por parte da recorrente. Outrossim, em diversos momentos não se percebe certeza nas afirmações das autoridades fiscais, e também não é possível verificar cabalmente a veracidade da documentação apresentada, o que impede o julgamento do processo. 1. Do IRRF Em memoriais apresentados, a recorrente afirma que não foram considerados as seguintes DIRFs retificadoras: (i) Fonte pagadora CNPJ n. 01.701.201/000189 – comprovaria o rendimento no valor de R$ 723.660,82 e IRRF no valor de R$ 144.732,16 (Folhas 299); (ii) Fonte pagadora CNPJ n. 33.479.023/000180 – comprovaria o rendimento no valor de R$ 36.613.861,03 e IRRF no valor de R$ 6.993.110,69. (Folhas 297) Assim, a recorrente junta as declarações retificadoras as folhas 297 e 299. Porém, fico impossibilitado de averiguar se tais declarações estão realmente refletidas no sistema da Receita Federal do Brasil, e se representam as últimas declarações apresentadas pelo contribuinte e pela recorrente. Assim determino diligência para que a autoridade fiscal verifique, no sistema da Receita Federal do Brasil, relativamente às declarações retificadoras constante dos itens “i” e “ii” supra, o seguinte: (i) A veracidade das informações, ou seja, confirme as informações apresentadas nas declarações retificadoras, quanto a beneficiário (recorrente), seus valores e datas; (ii) A existência, ou seja, se a declaração retificadora foi realmente entregue. Em caso positivo, qual data de sua entrega e se há outras declarações posteriores que retificam estas informações. 2. Da Reversão de Provisão Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/08/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11610.020593/200239 Resolução nº 1302000.252 S1C3T2 Fl. 2.537 9 Percebese que a DRJ julgou como determinante para afastar as argumentações da recorrente apresentadas em impugnação o fato de não terem sido apresentado “documentos hábeis e idôneos a comprovar o por ela alegado” (fl. 2068). Afirma que “deveria ter sido apresentado cópia do Razão (e outros documentos, como planilhas) em que demonstrado que as reversões efetivamente foram contabilizadas nos custos, provocando sua redução”. Em recurso voluntário, a recorrente sustenta a nulidade da decisão recorrida, pois não foi intimada a apresentar tais documentos. No mérito, aduz que as provisões foram adicionadas ao lucro líquido; que o controle das provisões era feito em contas de resultado e patrimoniais. Em suma, sustenta que seu procedimento não afetou o resultado, a despeito do não preenchimento da linha 29 da ficha 06A da DIPJ 2002. Analisando os memoriais apresentados, vejo que são consistentes os argumentos e os documentos apresentados pela recorrente, pois, pelo que se observa, existe a contabilização real das reversões (provisão), o que autorizaria sua exclusão. No caso da provisão de diferença de alíquotas do ICMS, a recorrente alega que procedeu da seguinte forma: Natureza Valor Data do Lançamento Contra Partida Fl. dos autos Transferência 761.504,54 28/09/2001 1160038 1934 Reversão 313.495,46 28/09/2001 3019017 1933 Reversão 1.500.000,00 28/09/2001 3019017 1933 ∑ 2.575.000,00 Conta Número Descrição D C 2180062 – patrimonial Prov. Dif. Alíquota ICMS 2.575.000,00 2180062 – patrimonial Fornecedores 761.504,54 3019017 – resultado Reversão de despesas c/ provisão de exercícios anteriores 313.495,46 1.500.000,00 2180001 – Provisão para contingência Multas (patrimonial 2180062 – Provisão dif. Alíquota – ICMS (patrimonial) D 3.000.000 C 28.055.157 D 2.575.000 C 3.000.000 1160038 – Adiantamento p/ controle devedores (patrimonial) 3019017 – reversão despesas c/ provisão de exercícios anteriores (resultado) D C 761.504 D C 313.495 1.500.000 Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/08/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11610.020593/200239 Resolução nº 1302000.252 S1C3T2 Fl. 2.538 10 No caso da provisão de déficit de informática, a recorrente alega que procedeu da seguinte forma: Natureza Valor Data do Lançamento Contra Partida Fl. dos autos Reversão 12.595.000,00 30/03/2001 3310031 1941 Reversão 31.396.000,00 30/03/2001 3310031 1941 Constituição 3.736.000,00 14/12/2001 3310031 1947 Constituição 718.000,00 14/12/2001 3310031 1947 ∑ 39.537.000,00 Conta D C Número Descrição 2180042 – patrimonial Prov. Para déficit de informática 12.595.000,00 31.396.000,00 3.736.000,00 718.000,00 Despesas com déficit de informática 3.736.000,00 718.000,00 12.595.000,00 31.396.000,00 2180042 – Provisão para déficit de informática (patrimonial) 3310031 – Despesa com déficit de informática (resultado) D 12.595.000 31.396.000 C 43.991.000 3.736.000 718.000 D 3.736.000 718.000 C 12.595.000 31.396.000 No caso da provisão de multas contratuais, a recorrente alega que procedeu da seguinte forma: Natureza Valor Data do Lançamento Contra Partida Fl. dos autos Reversão 738.053,53 31/10/2001 3310002 1919 Transferência 1.208.280,91 31/10/2001 2120001 Aguarda juntada Transferência 1.719.668,56 31/10/2001 2120001 Aguarda juntada Transferência 112.613,55 27/11/2001 2120001 Aguarda juntada Transferência 1.002.313,48 27/11/2001 2120001 Aguarda juntada Transferência 84.158,46 27/11/2001 2120001 Aguarda juntada Transferência 184.878,01 30/11/2001 2120001 Aguarda juntada Transferência 47.540,32 30/11/2001 2120001 Aguarda juntada Transferência 325.894,20 06/12/2001 2120001 Aguarda juntada Transferência 17.051,18 06/12/2001 2120001 Aguarda juntada Transferência 122.462,20 06/12/2001 2120001 Aguarda juntada Transferência 611.334,82 06/12/2001 2120001 Aguarda juntada Transferência 23.672,16 06/12/2001 2120001 Aguarda juntada Transferência 230.414,52 06/12/2001 2120001 Aguarda juntada Transferência 411.354,56 06/12/2001 2120001 Aguarda juntada Transferência 351,00 21/12/2001 2120001 Aguarda juntada ∑ 6.840.041,46 Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/08/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11610.020593/200239 Resolução nº 1302000.252 S1C3T2 Fl. 2.539 11 Conta Número Descrição D C 2180059 – patrimonial Prov. p/ contingência multa embratel 738.053,53 1.208.280,91 1.719.668,56 1.002.313,48 112.613,55 84.158,46 184.878,01 47.540,32 411.354,56 230.414,52 23.672,16 611.334,82 325.894,20 17.051,18 122.462,20 2120001 – patrimonial Adioantamento de cliente 1.208.280,91 1.719.668,56 1.199.085,49 184.878,01 47.540,32 75.890,22 1.666.293,42 3310002 – resultado Despesas com prov. Diversas 739.053,53 2180001 – Provisão p/ contingência (patrimonial) D 8.319.122 C 28.055.157 2180059 – Prov. p/ contingência multa Embratel (patrimonial) 2120001 – adiantamentos de clientes (patrimonial) D 738.053 1.208.280 1.719.668 1.002.313 112.613 84.158 184.878 47.540 411.354 230.414 23.672 611.334 325.894 17.051 122.462 C 8.319.122 D C 1.208.280 1.719.668 1.199.085 184.878 47.540 75.890 1.666.293 Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/08/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11610.020593/200239 Resolução nº 1302000.252 S1C3T2 Fl. 2.540 12 3310002 – despesas com prov. Diversas (resultado D C 738.053 No caso da provisão de market communication, a recorrente alega que procedeu da seguinte forma: Natureza Valor Data do Lançamento Contra Partida Fl. dos autos Pagamento 6.197.640,30 30/01/2001 2130004 1981 Pagto / IRRF 2.06.880,10 30/01/2001 2190026 1960 ∑ 8.263.520,40 Conta Número Descrição D C 2170007 – patrimonial Royalties e comissões a pagar BT 8.263.520,40 2190026 – patrimonial IRRF 2.065.880,10 2130004 – patrimonial Fornecedores 6.197.640,30 2170007 – Royalties e Comissões a pagar BT (patrimonial) D 8.263.520 C 8.263.520 2190026 – IRRF (patrimonial) 2130004 – Fornecedores (patrimonial) D C 2.065.880 D C 6.197.640 Assim determino diligência para que a autoridade fiscal verifique junto aos documentos fiscais, regulamente registrados, da recorrente se tais lançamentos e operações ocorreram da forma apresentada nos memoriais da recorrente, os quais devem ser juntados tão logo disponíveis à secretaria. Especificamente, que verifique as seguintes contas: Tipo de provisão Contas envolvidas Descrição 2180062 – patrimonial Prov. Dif. Alíquota – ICMS 2130001 – patrimonial Fornecedores Diferença de alíquota de ICMS 3019017 – resultado Reversão de despesa c/ provisão de exercícios anteriores 2180042 – patrimonial Provisão p/ déficit informática Déficit de informática 3310031 – resultado Despesa c/ déficit informática 2180059 – patrimonial Prov. p/ Contingência multa Embratel 2120001 – patrimonial Atendimento de clientes Multas contratuais 3310002 – resultado Despesas com prov. diversas 2170007 – patrimonial Royalties e Comissões a pagar BT 2190026 – patrimonial IRRF Provisão de Market Communication 2130004 – patrimonial Fornecedores Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/08/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11610.020593/200239 Resolução nº 1302000.252 S1C3T2 Fl. 2.541 13 Ou seja, verifique se a sistemática de contabilização apresentada no presente recurso condiz com a realmente efetuada nos livros fiscais da recorrente. Pois, pelo que se pode observar do recurso, é possível concluir que as provisões foram efetivamente levadas a resultado na sua reversão, o que acarretaria direito a sua exclusão. A sistemática utilizada pela recorrente consistia em excluir a totalidade da provisão da apuração do lucro, porém somente a parte revertida da provisão que era levada ao resultado, uma vez que a parte efetivada da provisão já iria diretamente para conta do passivo. Isso faz crer que pode a recorrente ter excluído um valor maior que o efetivo a título de provisão. Entretanto, alega a recorrente que a parte da provisão lançada diretamente em conta de passivo representava uma despesa efetiva e que não era lançada na contabilidade da ocorrência. Assim, deve a autoridade fiscal, em diligência, verificar se os valores das provisões que foram excluídos, porém lançados diretamente na conta de passivo, representam uma efetiva despesa, e se esta não foi lançada em duplicidade (quando da origem efetiva). Nos memorias apresentado antes da sessão de julgamento, a recorrente apresentou detalhadamente a evolução de cada uma das contas, o que fez por meio de demonstrativos, inclusive razonetes em “T” e cópia do Lalur, parte A e B (doc. 1). Dessa forma, entendo que é preciso que a autoridade fiscal aprecie os documentos originais da empresa, que se encontram em seu poder, na forma cima descrita. 3. Das Despesas Financeiras (juros) Quanto às despesas financeiras, pairam dúvidas sobre o montante dos juros contabilizados pela recorrente como devidos para as empresas EBS, EDA, ESA e EHPT, conforme planilha folhas 2.075 dos autos. Assim, solicito que a autoridade fiscal, através da análise dos documentos fiscais, apresente planilha com o valor dos juros realmente contabilizados pela recorrente frente às empresas EBS, EDA, ESA e EHPT, confirmando ou não os valores apresentados nas planilhas folhas 2.075. 4. Do SWAP Quanto às operações de SWAP, é preciso que seja elucidado se tais receitas foram realmente lançadas como receita na contabilidade da recorrente, pois tal fator interfere na compensação do IRRF. Assim conforme alegado pela requerente, a totalidade destes valores foram oferecidos à tributação, conforme quadro abaixo: Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/08/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11610.020593/200239 Resolução nº 1302000.252 S1C3T2 Fl. 2.542 14 AC Conta Contábil Descrição Valor (R$) Folha dos Autos 2000 4340026 Resultado c/ variação s/ hedge 20.601.906,22 Razão em fl. 2452/2453. Confirmação do valor no r. acórdão em fl. 2079/ item 13.5.3.2.4.2 Doc. 5 2001 4340026 Resultado c/ variação s/ hedge 162.523.607,08 Mapa em 1249/razões em 834 e 845 Doc. 5.I 2001 4340031 Receita prêmio s/ opções 16.988.647,19 Mapa em 1436, 1249 / razões em 1505, 1511, 1525, 1533, 1540, 1576 Doc. 5.II TOTAL 200.114.160,49 Assim, deve a autoridade fiscal, em diligência, verificar se as informações quanto ao oferecimento a tributação de tais valores procede. Em procedendo, em qual montante. Pedese, também, que seja destacada a proporção do IRRF que pode ser considerado nos processos de compensação. 5. Das Conclusões Ante ao exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que sejam prestados os esclarecimentos solicitados no voto, bem como apresentado parecer conclusivo. Determino também que a autoridade fiscal dê ciência das análises e do parecer conclusivo ao contribuinte, para que este possa, no prazo de 30 dias, apresentar manifestação. Após, retornem os autos ao CARF para julgamento. Outrossim, determino À Secretaria desta Turma que não baixe os autos em diligência antes da juntada dos documentos protocolados pela recorrente na Secretaria do CARF. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/08/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 10830.720323/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2009
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. METAS E PLANOS DIFERENCIADOS POR CARGO. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRÊMIO PAGO A TERCEIRO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ENQUADRAMENTO. IMPROCEDENTE.
Acordo para pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) que preveja plano e metas diferenciadas de acordo com o cargo do segurado não está em desacordo com a legislação, motivo da não incidência da contribuição previdenciária sobre essa parcela.
No caso concreto as regras do Acordo foram conhecidas previamente pelos empregados da recorrente. Ficou comprovado a participação do sindicato no estabelecimento das normas da PLR, sendo assim, não se pode ignorar os termos que restaram afixados por ambas as partes e corroborados pela entidade sindical.
Os valores pagos a título de vale transporte pagos em pecúnia não estão na base de incidência de contribuição previdenciária, conforme Súmula Carf nº 89.
Exige-se a comprovação da efetiva prestação de serviços por parte do segurado contribuinte individual, como condição para a incidência de contribuição social previdenciária.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-003.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, quanto à data de celebração de acordo para pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, quanto à questão da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), para os cargos de gerência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, na questão dos prêmios pagos a pessoas jurídicas, conceituados como contribuintes individuais, nos termos do voto do Relator; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, na questão do auxílio transporte, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, quanto à questão das metas e direitos diferentes aos segurados, na PLR, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao Recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator; Sustentação oral: Diego Zenatti. OAB: 276.019/SP.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. METAS E PLANOS DIFERENCIADOS POR CARGO. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRÊMIO PAGO A TERCEIRO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ENQUADRAMENTO. IMPROCEDENTE. Acordo para pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) que preveja plano e metas diferenciadas de acordo com o cargo do segurado não está em desacordo com a legislação, motivo da não incidência da contribuição previdenciária sobre essa parcela. No caso concreto as regras do Acordo foram conhecidas previamente pelos empregados da recorrente. Ficou comprovado a participação do sindicato no estabelecimento das normas da PLR, sendo assim, não se pode ignorar os termos que restaram afixados por ambas as partes e corroborados pela entidade sindical. Os valores pagos a título de vale transporte pagos em pecúnia não estão na base de incidência de contribuição previdenciária, conforme Súmula Carf nº 89. Exigese a comprovação da efetiva prestação de serviços por parte do segurado contribuinte individual, como condição para a incidência de contribuição social previdenciária. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 03 23 /2 01 1- 65 Fl. 985DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, quanto à data de celebração de acordo para pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, quanto à questão da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), para os cargos de gerência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, na questão dos prêmios pagos a pessoas jurídicas, conceituados como contribuintes individuais, nos termos do voto do Relator; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, na questão do auxílio transporte, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, quanto à questão das metas e direitos diferentes aos segurados, na PLR, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao Recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator; Sustentação oral: Diego Zenatti. OAB: 276.019/SP. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 2301003.422 S2C3T1 Fl. 2.382 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa HUNTER DOUGLAS DO BRASIL LTDA em face da decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada e manteve parte do lançamento de débito referente ao período de 01/01/2007 a 31/01/2009. 2. O crédito tributário referese às contribuições patronais destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS) e ao financiamento concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais (AI 37.300.496 6); contribuições dos segurados empregados (AI 37.300.4982); contribuições destinadas a terceiros (FNDE, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE) e por descumprimento de obrigações acessória (AI 37.300.4974). 3. Conforme descreve o relatório fiscal, o auditor fiscal considerou como base de cálculo para contribuições previdenciárias, o pagamento de valetransporte aos funcionários em dinheiro e informado em folhas de pagamento; gastos com viagens de turismo e com premiação de automóveis pagos em dinheiro, tendo como beneficiários terceiros, diga se: donos de revenda dos produtos fabricados pela recorrente e/ou arquitetos vencedores das campanhas de incentivo “Talent”. 4. Além do pagamento de participação nos lucros e resultados (PLR) em suposta desconformidade com a Lei 10.101/2000, tendo em vista os seguintes aspectos constatados pela fiscalização: a) metas atribuídas aos funcionários, gerentes e á alta administração não seriam iguais; b) metas conferidas aos gerentes e à alta administração não integrariam o acordo coletivo; c) as regras dos acordos não seriam claras e objetivas; d) o programa de metas, resultados e prazos não teria sido pactuado previamente; e) foram constatados pagamentos sob essa rubrica mais de duas vezes ao ano. 5. A empresa foi devidamente cientificada do lançamento fiscal em 21/03/2011 (f. 231) e em seguida apresentou impugnação tempestiva às fls. 234/275. 6. O Colegiado de primeira instância ao analisar os argumentos trazidos pela recorrente julgou parcialmente procedente a impugnação da empresa, cancelando as contribuições relativas ao valetransporte e à PLR, pagos no período de 01/2007 a 04/2007, em razão da autoridade julgadora ter constatado lançamento em duplicidade nesse período. 7. O acórdão da decisão restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: Fl. 987DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 “VALETRANSPORTE. O valetransporte pago em dinheiro, cuja causa não tenha sido demonstrada pela empresa, integra a base de cálculo das contribuições exigidas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) integra o saláriodecontribuição a PLR PAGA EM DESCONFORMIDADE COM A Lei nº 10.101, de 2000. a celebração do acordo deve ser prévia a fim de permitir a integração do capital com o trabalho bem como incentivar a produtividade. PROGRAMAS DE PREMIAÇÃO. Os programas de premiação criados com o objetivo de induzir em terceiros condutas que resultem na prestação de serviços que proporcionem proveito econômico à empresa resulta em exigência das contribuições previdenciárias cabíveis. JUNTADA DE PROVAS. para que seja autorizada a juntada de provas após o decurso do prazo para oferecimento da impugnação, a notificada deve demonstrar a ocorrência de uma das hipóteses do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido para realização de perícia quando as provas trazidas aos autos não ensejaram dúvidas acerca da procedência da autuação. Impugnação Improcedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (f. 891) 8. Inconformada com a decisão proferida o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 922/966), no qual aduz em síntese: a) Preliminarmente, pugna pela nulidade dos lançamentos decorrentes dos pagamentos a título de PLR, pois a decisão de primeira instância ao considerar que não restou demonstrada a participação de representante sindical nos acordos coletivo, inovou nos critérios jurídicos da autuação, uma vez que no lançamento original o auditor fiscal não faz qualquer ressalva quanto a esse aspecto; b) no mérito, suscita a validade dos acordos coletivos de PLR, pois tais documentos, ao contrário do que afirma o colegiado de primeira instância, possuem metas claras e objetivas para todos os empregados; c) alega que os acordos coletivos relativos à PLR foram devidamente pactuados e arquivados na entidade sindical dos trabalhadores, e reitera que as regras do programa foram conhecidas previamente pelos funcionários da recorrente; d) sustenta que os valores pagos a título de valetransporte em pecúnia não podem ser considerados salário de contribuição, informa ainda que não se trata de uma prática comum da empresa e que os pagamentos foram efetuados em situações extraordinárias, quando o serviço era prestado fora da jornada normal de trabalho; e) aduz que os prêmios concedidos aos parceiros da recorrente por meio das campanhas PLANO NACIONAL DE INCENTIVO DE VENDAS LUXAFLEX e TALENT não podem ser considerados salário de Fl. 988DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 2301003.422 S2C3T1 Fl. 2.383 5 contribuição, tendo em vista que esse pagamento não possui natureza remuneratória; f) por fim, pugna pela improcedência do lançamento relativo à multa, pois os valores pagos pela recorrente a título de participação nos resultados, vale transporte e prêmios entregues a parceiros não podem ser considerados salários de contribuição. 9. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO MÉRITO DO PAGAMENTO DE PLR 2. Narra o auditor fiscal que o lançamento teve como base de cálculo os pagamentos e créditos efetuados a funcionários a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), apurados no LEVANTAMENTO “PL” e “PL2”. A fiscalização considerou que tais pagamentos não estavam isentos de incidência de contribuição previdenciária, por não atenderem aos requisitos exigidos pela Lei 10.101/200, que regula a participação dos funcionários nos resultados da empresa. 3. Em síntese os pagamentos efetuados pela recorrente estariam eivados de vícios tendo em vista que os acordos coletivos não apresentariam metas e regras claras, não teriam sido pactuados previamente e as metas seriam desiguais entre os funcionários e gerentes, além de a PLR ter sido paga mais de duas vezes ao ano, conforme trecho do relatório fiscal (f. 691) que transcrevo a seguir: “ as metas são desiguais entre funcionários, gerentes e alta gerência; Não apresenta as metas que deveriam ser parte integrante do acordo relativamente aos Gerentes e alta gerência; As regras destes Acordos não são claras e objetivas quando, por exemplo são elaboradas em 30/11/2007, pra o período de 01/01/2007, ou elaboradas em 21/12/2006 para o período de 01/01/2006 a 31/12/2006, ou elaboradas em 20/10/2008 para o período de 01/01/2008 a 31/12/2008; Fl. 989DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Qual seria então o prazo para revisão destas regras, nestes Acordos?? O programa de metas, resultados e prazos, não foram pactuados previamente; Os pagamentos destas rubricas foram em mais de 2 vezes anuais; Portanto estes pagamentos intitulados PLR, estão em desacordo coma Lei 10.101/2000, e são bases de cálculo para o INSS, conforme previsto no inc. I do art. 28 da Lei n. 8.212/91 inc. I do art. 214 do regulamento da Previdência Social – RPS/99.” 4. O colegiado de primeira instância ao se manifestar quanto a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos e manteve o lançamento efetuado pelo auditor fiscal, retirando somente algumas competências que entendeu estarem em duplicidade. 5. Nessa decisão, um dos principais motivos que foram considerados para a manutenção do débito tributário foi o fato de a empresa consolidar os acordos coletivos somente ao final do ano de exercício conforme trecho extraído do acórdão a quo, fl. 16: “os acordos coletivos foram celebrados ao final o ano, quando os resultados da empresa já estariam consolidados. não houve integração capital e trabalho nem incentivo à produtividade. logo, não obstante a existência de regras claras sobre os valores a que teriam direito os empregados, não foi observada a Lei nº 10.101, de 2000” 6. A recorrente por sua vez alega que “as regras do Acordo foram conhecidas previamente pelos funcionários da recorrente, em que pese tais documentos terem sido formalmente celebrados e arquivados ao final de cada anocalendário, momento este em que conheceuse, efetivamente, o lucro obtido período”. 7. Posta a questão controvertida, oportuno trazer uma análise contextual do instituto da PLR. 8. A PLR visa a disposição das estratégias organizacionais com a participação dos empregados no ambiente de trabalho, pois só será feita a distribuição dos lucros aos funcionários segundo o cumprimento de metas. O programa PLR é uma ferramenta de gestão que permite a motivação dos empregados na produtividade da empresa, proporciona a atração de melhores resultados, e é regulada pela lei 10.101/2000. 9. Como é cediço, a Constituição Federal de 1988, no inc. XI do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados dos seus empregadores. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais. Eis o teor do dispositivo: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.” Fl. 990DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 2301003.422 S2C3T1 Fl. 2.384 7 10. Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” 11. Deste modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do referido benefício, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” 12. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração”. (RE 398284, Relator Min. Menezes Direito, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei 10.101/00. (RE 393764 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, julgado em 25/11/2008) 13. É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância de requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. Uma vez descaracterizado o benefício, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 14. Contudo o Superior Tribunal de Justiça analisando a incidência da contribuição previdenciária sobre PLR vem firmando posição no sentido de que nem todas as irregularidades apontadas pela fiscalização possuem o condão de descaracterizar o benefício, a exemplo disso é o Recurso Especial nº 865489, no qual o Ministro Luiz Fux preleciona que “a ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária”. 15. Nesse sentido, me filio à tese de que as regras estipuladas pela Lei 10.101/2000 devem ser postas com vistas a preservar os direitos do empregado, observando o princípio da razoabilidade, de maneira que meras irregularidades não desnaturem o benefício. DA DATA DA ASSINATURA DOS ACORDOS COLETIVOS 16. In casu, o argumento do auditor fiscal de que o fato do contribuinte assinar os acordos coletivos somente ao final do ano descaracterizaria a natureza da verba paga a título de PLR, ao meu ver não merece guarida. 17. Isso por que a data de assinatura dos acordos coletivos não possui o condão de desnaturar a validade do acordo realizado entre as partes, tampouco retira a natureza jurídica do pagamento da rubrica. 18. Ao final de cada exercício, após apurar o lucro efetivo, estes eram rateados entre os empregados que atingiram as metas determinadas, fato que que pressupõe o conhecimento prévio das metas do programa pelos empregados. 19. Ademais, há que se mencionar que a própria norma, não estabelece momento exato para a assinatura dos acordos coletivos referente à participação nos lucros. Nesse sentido tem se firmado o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em vista que “a legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após a sua realização, baseandose no fato de que a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido” (2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento do CARF, Ac. 2402.00.508, de 22/2/2010, rel. Rogério de Lellis Pinto, processo nº 14485.000326/200721. 20. Tal decisão do Conselho vai além da analise das datas das assinaturas dos acordos e adentra na percepção jurídica e conceitual quanto a natureza da rubrica e o seu fim precípuo no âmbito da empresa. “Talvez o que aqueles que defendem que a implementação de um plano de participação nos lucros deve sempre prever metas ou resultado, inadvertidamente esteja, confundindo essa distribuição com incentivo à produção, confusão essa que a melhor doutrina não aceita. É obvio que o incremento da produção e a obtenção de lucros são questões que interessam a ambas as partes envolvidas no pagamento da verba e questão mas não é seu objetivo principal. a origem da PLR não remonta a busca por resultados ou lucros em si, mas como consagrado pela própria CF e visto acima, representa uma forma de socializar o capital alcançado pela empresa, mediante distribuição entre aqueles que ajudaram a construílo (trabalhadores). Portanto, a previsão constitucional de conferir aos trabalhadores o direito a PLR existe não para se alcançar resultados ou metas, incentivar a produção etc., mas sim para viabilizar a integração entre capital e trabalho, conferindo a estes últimos o direito ao acesso a riqueza produzida com seu esforço”. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 2301003.422 S2C3T1 Fl. 2.385 9 21. Ademais, cumpre mencionar que a Lei n. 10.101/2000 silencia quanto o momento da assinatura dos acordos coletivos, não cabendo à fiscalização, de ofício, limitar aspecto temporal que a própria norma não se preocupou em restringir. 22. Insta mencionar que essa Turma, em momento anterior assim se posicionou, conforme ementa e trecho extraído do julgado, de minha lavra, que transcrevo a seguir: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA O Supremo tribunal Federal, através da Súmula Vinculante nº 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Não integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de participação nos lucros e resultados, quando pagas de acordo com a lei nº 10.101/2000. As regulamentação normativa é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Recurso Voluntário Provido. (1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento do CARF, Ac. 230100.569, de 20/8/2009, rel. Damião Cordeiro de Moraes, processo nº 14485.001013/200790). “10. Com efeito, o art. 2º, parágrafo 1º, inciso II, da citada Lei 10.101 estabeleceu que os programas de metas, resultados e prazos devem ser pactuados previamente. Entretanto, como argumentado pela recorrente, a pactuação ocorreu na empresa através de uma ampla discussão sobre o plano PLR desde o início do ano, entre representantes da empresa, dos empregados e do Sindicato, de maneira que considero atendido o dispositivo acima citado. Não podendo o auditor fiscal se ater apenas à data de assinatura dos acordos coletivos de trabalho para desqualificar o beneficio pactuado. 11. Alias, se faz necessário ressaltar que, nos termos da legislação de regência da PLR, a pactuação prévia das metas e resultados pelas partes envolvidas não exige forma especial para validação do programa e nem mesmo há que se falar em momento para ocorrer tal formalização haja vista que a lei não faz menção expressa nesse sentido. 12. Guardadas as devidas ressalvas no campo tributário, é bom sempre lembrar que o Código Civil é firme ao dispor que, “a validade de declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente exigir”. (art. 107, CC).” Fl. 993DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 23. Dessa forma, como já exposto e na mesma linha do entendimento do egrégio Conselho, in casu, o fato dos acordos coletivos referentes ao pagamento de PLR terem sido assinados apenas ao final de cada ano, não pode descaracterizar a natureza jurídica indenizatória da verba e assim, tais valores permanecem excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias sociais. DA PLR PAGA AOS GERENTES 24. A recorrente suscita nulidade dos lançamentos decorrentes dos pagamentos a título de PLR, por considerar que a instância a quo inovou nos critérios jurídicos da autuação, ao considerar que não restou demonstrada a participação de representante sindical nos acordos coletivos, uma vez que no lançamento original o auditor fiscal não faz qualquer ressalva quanto a esse aspecto. 25. Tal conclusão, entretanto, não merece prevalecer, pois equivocase o contribuinte ao afirmar que essa formalidade não deveria ter sido objeto de apreciação do Colegiado de primeira instância, isso porque basta ler o texto do relatório fiscal para perceber que um dos motivos enumerados expressamente para descaracterizar a PLR foi o fato de as metas estabelecidas pela empresa serem desiguais entre funcionários, gerentes e alta gerência, além de a empresa não ter apresentado as metas que deveriam ser parte integrante do acordo relativamente a esses funcionários, conforme item 2.2. do relatório fiscal, f. 691. 26. Com isso resta demonstrado que agiu corretamente a primeira instância ao analisar essa questão, até porque não lhe restava outra alternativa, tendo em vista que tais itens foram objeto da impugnação da recorrente e, por consequência, caberia ao órgão julgador a análise pormenorizada desse critério. 27. Ainda sobre a PLR o colegiado de primeira instância tece argumentos fundamentados sobre o fato de os acordos coletivos não terem a participação do sindicato, para ao final concluir que a quantia paga tratase de pagamento de prêmio e não de PLR “(...) não ocorreu a necessária participação do sindicato na elaboração da PLR concernente aos gerentes e à alta administração (...). A participação dos resultados da empesa em decorrência do cumprimento de metas preestabelecidas não fixadas em acordos coletivos que tratem da PLR se enquadra perfeitamente no conceito de prêmio. Os gerentes e os empregados que exercem a alta gerência, na realidade não receberam a PLR prevista em lei, mas prêmios, os quais estão sujeitos à tributação”. (f. 17/18). 28. No entanto, se analisarmos os acordos coletivos que constam nos autos, perceberemos que a Cláusula quarta item 4.3 prevê que “os empregados que exercem cargos de gerência terão a participação nos resultados da HUNTER DOUGLAS definida em metas previamente acordadas e formalizadas com a Diretoria Geral, sendo certo que referidas metas farão parte do presente instrumento para todos os efeitos”, ou seja, o sindicato teve ciência da situação em questão e promoveu a assinatura do acordo coletivo, assegurando os direitos dos empregados. 29. Cumpre mencionar que a participação sindical nos acordos de PLR se trata de formalidade exigida pela legislação a ser observada para assegurar o direito dos trabalhadores ao recebimento dos benefícios e não para descaracterizar a natureza jurídica do benefício. Os documentos trazidos aos autos possuem regras para os pagamentos acordados entre representantes da empresa e representantes dos segurados empregados, de maneira que para chegarse a esse ponto concluise que houve uma negociação prévia entre as partes. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 2301003.422 S2C3T1 Fl. 2.386 11 30. Assim, não cabe ao fisco ignorar os termos acordados entre as partes, bem como a autonomia de ambos. O STJ tem reconhecido que “a evolução legislativa da participação nos lucros e resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados” (STJ. Primeira Turma. Resp nº 965489. Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 26/10/2010). No caso concreto, a entidade responsável pela tutela dos direitos trabalhistas da categoria não apresentou óbice aos termos do acordo e assim, a função primordial de proteção aos direitos dos beneficiários do plano restou cumprida. 31. Ademais, ao meu ver, o fato de estabelecer metas adjetivas para gerentes e ocupantes de cargos especiais é uma característica razoável, tendo em vista que não seria adequado, ou até mesmo isonômico, estabelecer metas iguais para aqueles que, em função do seu cargo, terão mais responsabilidade pelo resultado da empresa do que outros. 32. Dessa forma, entendo que resta incontestável a necessidade de metas diferenciadas para determinados cargos no âmbito empresarial, da mesma forma que resta comprovado a participação do sindicato no estabelecimento das regras da PLR, tendo conhecimento das regras adjetivas elaboradas posteriormente, sendo assim, não se pode ignorar os termos que restaram afixados por ambas as partes e corroborados pela entidade sindical. 33. No caso concreto, ao analisar pormenorizadamente o instrumento de acordo identifico presente os requisitos necessários para excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias, os valores pagos a título de PLR. DO VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA 34. Depreendese da leitura dos autos que a autuação se originou também de valores declarados pelo contribuinte em suas folhas de pagamentos, rubrica de provento intitulado reembolso de transporte (código n. 225 de remuneração), pagamentos efetuados aos funcionários, sem comprovação da despesa. 35. O pagamento de vale transporte em dinheiro estava previsto em acordos coletivos celebrados entre a empresa e a entidade sindical, conforme o próprio relator admite em sua decisão: “A previsão em acordo coletivo de pagamento do valetransporte em dinheiro não é suficiente para macular a autuação. os acordos coletivos são contratos celebrados entre as partes que não podem vincular terceiros, principalmente o Fisco Federal, que age com estrita observância ao princípio da legalidade. Se a lei nº 7.418 de 1985, determina que os vales devem ser fornecidos aos trabalhadores e se o Decreto nº 95.247, de 1987, veda o pagamento em dinheiro, não é o acordo coletivo que irá impedir a tributação” 36. No entanto, ainda assim a delegacia de julgamento manteve o lançamento sobre tais valores, pois considerou que os acordos coletivos que preveem o pagamento do valetransporte em dinheiro, com a correspondente exclusão de sua natureza remuneratória ou salarial, não têm eficácia na seara tributária. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 37. Divirjo da posição adotada pelo julgador a quo, isso por que independentemente de previsão em acordo coletivo considero que os valores pagos a título de transporte, ainda que pagos em dinheiro não possuem natureza salarial. 38. Isso porque a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois foi assim que a norma, que criou o benefício, deixou consignada. 39. Vejase que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) 40. Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. 41. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho, e não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. 42. De outro lado, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 458...................................................... § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) 43. Com isso, considerando o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 2301003.422 S2C3T1 Fl. 2.387 13 44. E sobre a natureza indenizatória do benefício o Conselho já sumulou o assunto, conforme Súmula CARF nº 89: “A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia”. 45. Dito isso, verificase que a exigência pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros. DO PAGAMENTO DE PRÊMIO “incentivo de venda” e “Talent” 46. Há que se lembrar que, além das rubricas já mencionadas, o auditor fiscal também considerou como base de cálculo das contribuições previdenciárias os pagamentos e/ou créditos efetuados aos segurados a seu serviço (empregados e contribuintes individuais) salários e parcelas utilidade identificados nas contas contábeis da empresa “viagens e estadas – 3240601” e “premiações – 3240723”. 47. Conforme consta nos autos os lançamentos contábeis que deram origem à autuação foram: despesas relativas a 207 viagens de turismo a Europa (2006/2007), 298 ao Caribe (2007/2008) todas ofertadas a beneficiários (donos de revenda e acompanhantes, que atingiram as metas de vendas estabelecidas no programa), por meio do projeto Marketing incentivo nacional de vendas; despesas relativas a 65 viagens de turismo para Nova York (2007/2008) ofertadas a beneficiários (arquitetos que atingiram metas estabelecidas no programa) por meio do projeto de Marketing Talent (2007/2008); bem como as custas relativas a carros ofertados a 15 beneficiários (arquitetos que atingiram metas estabelecidas no programa), por meio do projeto de Marketing Talent (2007/2008). 48. Diante disso a recorrente apresentou recurso voluntário, defendendo que, ao contrário do que afirma a fiscalização, os beneficiários não podem ser considerados como contribuintes individuais, pois não se trata de prestação de serviço. 49. De fato, no momento em que o auditor fiscal afirma que determinada pessoa física, na verdade, para fins tributários, deve ser enquadrada como contribuinte individual, a sua opção de enquadramento deve estar devidamente fundamentada nos autos para que o julgador possa aferir precisamente os aspectos que o levaram a desconsiderar a primeira condição do indivíduo. 50. Isso é, sem deixar de lado a devida observância do que determina a legislação previdenciária. A esse respeito, oportuno trazer os termos do art. 12, inciso V, alínea “g” da Lei nº 8.212/91 que define contribuinte individual. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência social as seguintes pessoas físicas: (...) V – como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego” 51. Na sequência o texto legal estabelece a obrigação da empresa de pagar “vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuinte individuais que lhe preste serviço”, conforme o texto do art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212/91. 52. Os dispositivos legais supra mencionados definem que a característica primordial para a incidência de contribuição previdenciária nessa relação jurídica é “prestar serviços”, assim é imprescindível constatarse a prestação de serviço por parte da pessoa física, para que surja a obrigação da empresa de pagar o referido tributo. 53. No caso concreto, a empresa HUNTER DOUGLAS DO BRASIL LTDA tem como atividade principal a fabricação, comércio, importação e exportação de forros pré fabricados, divisórias, luminárias, materiais para revestimento, e outros materiais para a indústria de construção civil, além de prestar serviços de representação comercial, assistência técnica e elaboração de projetos. 54. Com o objetivo de aumentar as indicações de seus produtos por profissionais especializados e consequentemente elevar sua receita, a recorrente estabeleceu uma política de incentivo às vendas de seus produtos. 55. Assim, incentivava os profissionais da área (arquitetos de interiores, decoradores e engenheiros) devidamente cadastrados nas revendas credenciadas da recorrente a especificar em seus projetos o maior número de produtos da recorrente e em contra partida esses profissionais acumulavam pontos para concorrer a viagens e a automóveis que seriam dados aos vencedores ao final de cada programa de marketing. 56. Dentro dessa sistemática pergunto: onde houve a prestação de serviço? Como já mencionado, aspecto essencial para que o auditor pudesse considerar tais pessoas como contribuinte individual. 57. Data vênia, não consigo vislumbrar a hipótese de prestação de serviço à recorrente por parte dos profissionais elencados na autuação, a uma por que não resta configurada a prestação efetiva de serviço, visto que dentre 600 revendas credenciadas apenas 201 dessas foram premiadas com as referidas viagens e carros, a duas por que, se todos fossem de fato contribuintes individuais, não deveriam todos receber os prêmios, já que se trataria de remuneração pelo trabalho prestado? 58. Ademais, ainda ressalto um fato que nos leva, no mínimo, a uma situação de dúvida, quando na decisão de primeira instância, f. 914, mantémse a incidência das contribuições previdenciárias sob o argumento de que “estes profissionais agem como quasevendedores, convencendo seus clientes a adquirirem os produtos da Hunter Douglas”. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 2301003.422 S2C3T1 Fl. 2.388 15 59. Diante disso, não é razoável manter um crédito tributário sob o argumento de que os contribuintes individuais eram “quasevendedores”, quando na realidade a autuação requer uma equivalência perfeita entre os serviços prestados pelo contribuinte individual. 60. Dessa forma, por constatar que não foram cumpridos os requisitos normativos, para que se caracterizase as pessoas jurídicas como contribuintes individuais e por considerar vulnerável e imprecisa a argumentação fiscal para manutenção do lançamento, entendo que não devem incidir tributos sobre os valores pagos a título de prêmios a terceiros. DO AUTO DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 61. Quanto ao auto de infração referente a descumprimento de obrigação acessória (AI 37.300.4990) entendo que este não deve subsistir, considerando que não há obrigatoriedade de declaração dos valores mencionados por não se tratarem de base de cálculo das contribuições previdenciárias. CONCLUSÃO 62. Diante do exposto, voto no sentido de dar PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 999DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722771/2010-13
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.
A instauração da fase litigiosa do procedimento dá-se com a impugnação da exigência no prazo legal. A apresentação de impugnação fora do prazo de 30 (trinta) dias conforme estabelecido no artigo 15 do Decreto 70.235, de 1972 e alterações posteriores, implica em revelia, ensejando a este Colegiado não conhecer da peça trazida aos autos como recurso, por não ter se estabelecido o litígio.
Numero da decisão: 1802-001.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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INTEMPESTIVIDADE. A instauração da fase litigiosa do procedimento dáse com a impugnação da exigência no prazo legal. A apresentação de impugnação fora do prazo de 30 (trinta) dias conforme estabelecido no artigo 15 do Decreto 70.235, de 1972 e alterações posteriores, implica em revelia, ensejando a este Colegiado não conhecer da peça trazida aos autos como recurso, por não ter se estabelecido o litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 71 /2 01 0- 13 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Por considerar pertinente e economia processual adoto o relatório da decisão recorrida, fl.25, que a seguir transcrevo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra o Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional, expedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com fundamento na atividade vedada (CNAE 85333/00 – Educação Superior – pósgraduação e extensão), com fundamento no art. 17, inciso XI da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 (fl.05). A empresa estava em início de atividade, com data de abertura no CNPJ em 17/11/2009 e a data do deferimento da última inscrição deuse em 14/01/2010. A solicitação de ingresso atinente ao termo atacado é datada de 01/02/2010, dentro dos 30 dias previstos para solicitar sua opção, e o registro do Termo de Indeferimento ocorreu em 06/04/2010 ( fls. 05 e 21 ) . Em 04/08/2010 apresenta sua manifestação de inconformidade alegando que o objeto social da empresa é a realização de cursos, palestras, orientação a grupos de estudos, consultorias na área de artes, participações em júris de seleção de eventos artísticos, composição de trilhas musicais, elaboração de textos, realização de obras de arte, elaboração de projetos artísticos, bem como cursos de pósgraduação voltados para área cultural e artística. Na prática nunca houve e nem haverá a exploração da atividade impeditiva, até mesmo porque esta fora cadastrada de forma secundária, sendo sua principal atividade “ministrar cursos e palestras de curta duração voltados para o público em geral, sem vínculo acadêmico”. A atividade de fato e de direito exercida pela sociedade empresarial não apresenta nenhuma restrição ao seu enquadramento no sistema de tributação simplificada. Para melhor fundamentar seu protesto, está providenciando na alteração contratual, expurgando tal atividade do objeto social da empresa. Ao final requer sua inclusão no Simples Nacional. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Porto Alegre/RS) por unanimidade de votos, não tomou conhecimento da impugnação por ser intempestiva conforme decisão proferida no Acórdão nº 1036.950, de 10 de fevereiro de 2012 fls.24/28), cientificado ao sujeito passivo por termo de ciência e recebimento em 25/05/2012. O mencionado acórdão está assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 17/11/2009 INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. REVISÃO DE OFÍCIO. A petição apresentada fora do prazo de trinta dias contados da ciência do indeferimento da opção pelo Simples Nacional não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito Fl. 70DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11080.722771/201013 Acórdão n.º 1802001.865 S1TE02 Fl. 3 3 tributário, nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. A manifestação de inconformidade apresentada intempestivamente impede que o órgão julgador aprecie o mérito do pedido por ausência de litígio instaurado. Tal fato, no entanto, não impede à repartição fiscal de origem ou órgão preparador que indeferiu o pleito do contribuinte, se assim entender, de rever de ofício o ato administrativo de indeferimento de inclusão no Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/06/2012 no qual requer a reapreciação e reconsideração da decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade por considerála INTEMPESTIVA. A Recorrente reconhece que o pedido (sic) fora intempestivo, mas, aduz que não reconhecer a verdade dos fatos, ou seja, que a empresa (contribuinte) não se valeu do beneficio fiscal indevidamente, é cometer injustiça fiscal e tratamento diferenciado ao Requerente Micro Empreendedor. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Os presentes autos chegam a esse colegiado para sua análise. No entanto, conforme consta do relatório apesar de a pessoa jurídica se insurgir contra o Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional, expedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, reconhece que a manifestação de inconformidade fora INTEMPESTIVA. Como cediço, a instauração da fase litigiosa do procedimento dáse com a impugnação da exigência no prazo legal. A apresentação de impugnação fora do prazo de 30 (trinta) dias conforme estabelecido no artigo 15 do Decreto 70.235, de 1972 e alterações posteriores, implica em revelia, ensejando a este Colegiado não conhecer da peça trazida aos autos como recurso, por não ter se estabelecido o litígio em sede de primeira instância nos moldes da legislação vigente. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10380.723668/2010-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1302-000.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Cristiane Silva Costa.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1421; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.707 1 1.706 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.723668/201035 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.270 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 10 de outubro de 2013 Assunto IRPJ Suspensão de Imunidade. Recorrente ACEF ASSOCIAÇÃO CULTURAL E EDUCACIONAL DE FORTALEZA (COM SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DE TERCEIROS) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Cristiane Silva Costa. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 23 66 8/ 20 10 -3 5 Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.708 2 Relatório ACEF ASSOCIAÇÃO CULTURAL E EDUCACIONAL DE FORTALEZA E OS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS ARROLADOS, já qualificados nestes autos, inconformados com o Acórdão n° 0822.927, de 29 de fevereiro de 2012, da 3ªª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FortalezaCE, recorrem voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. A exigência foi lavrada após a expedição do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 032, de 10 de março de 2011, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza que declarou suspensa a imunidade tributária da Associação Cultural e Educacional de Fortaleza (ACEF), relativamente aos anoscalendário 2006 e 2007, face à inobservância do disposto nos incisos I e II do art. 14 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Em decorrência da suspensão da imunidade, foram lavrados Autos de Infração (e termo de sujeição passiva solidária) com aplicação da multa qualificada de 150%, relativos a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 12.834.391,91; Contribuição para o PIS/Pasep no valor de R$ 631.948,12; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$ 4.671.226,99 e Contribuição para Financiamento da Seguridade social (COFINS) no valor de R$ 2.904.358,77, alcançando o Crédito Tributário – consolidado até o dia 31.5.2011 – a importância de R$ 21.041.925,79 (vinte e um milhões, quarenta e um mil, novecentos e vinte e cinco reais e setenta e nove centavos). Foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária, de fls. 462 a 468, contra José Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.492.84315), Davi Lima de Carvalho Rocha (CPF 170.953.36334), Eduardo Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.493.14320) e Estevão Lima de Carvalho Rocha (CPF 221.767.64315). Cientificados do Auto Declaratório e dos autos de infração, os interessados impugnaram tempestivamente o ato declaratório e o lançamento, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. Suas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, nos seguintes termos: I ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE Os fatos que deram margem à “Notificação Fiscal de Suspensão de Imunidade" (fls. 2/7), conforme relatado pelos autores do procedimento, foram apurados a partir de fiscalização iniciada junto à empresa Comércio de Produtos Educacionais e Participação S/A (COPEP). Foi constatado que, por intermédio dessa empresa (COPEP), a Associação Cultural e Educacional de Fortaleza (ACEF), que se apresenta como uma das mantenedoras do Colégio Christus, teria desviado recursos da ordem de R$ 10.008.200,00 (anocalendário 2006) e R$ 2.150.400,00 (anocalendário 2007), originários das receitas auferidas sob o manto da imunidade tributária, para empresas mercantis vinculadas aos proprietários do referido Colégio, burlando, dessa forma, os requisitos inseridos nos incisos I e II do art. 14 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 1966, para o gozo da referida imunidade tributária. Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.709 3 Analisando as alegações e provas apresentadas pela ACEF, às fls. 360/364, contra a proposta de suspender a imunidade em questão, a autoridade fazendária produziu a Informação Fiscal, de fls. 375/380, que serviu de base para a expedição do Despacho Decisório (fls. 382) e do Ato Declaratório Executivo nº 032, de 10 de março de 2011 (fls. 383), suspendendo a imunidade da interessada, com relação aos anos calendário 2006 e 2007. IMPUGNAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO Cientificada do Ato Declaratório e do Despacho Decisório em 16.3.2011, a entidade apresentou, em 5.4.2011, às fls. 386 a 394, impugnação dirigida a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), alegando que: a ação fiscal é nula porque, no seu entender, o fisco teria utilizado indevidamente o parágrafo único do art. 116 do CTN (norma até hoje não regulamentada) com a finalidade de desconsiderar o investimento realizado pela ACEF (ato jurídico perfeito de compra de partes beneficiárias) para enquadrálo como uma "distribuição de lucro", o que na verdade não é; tentando fugir ao limite imposto pela lei, o Delegado da Receita Federal chega a afirmar que "por sua vez, as operações de aquisição de partes beneficiárias não foram desconsideradas pela fiscalização, mas sim demonstradas que tal operação serviu para comprovar que a empresa COPEP foi utilizada apenas como instrumento para a dissimulação dos aportes de capital oriundo das receitas do Colégio Christus, auferidas sob o manto da imunidade e, posteriormente desviadas..” (item 18, p. 358); embora diga que as operações de aquisição de partes beneficiárias não foram desconsideradas pela fiscalização, logo em seguida o Delegado da Receita diz que essas mesmas operações teriam sido utilizadas apenas como instrumento para a dissimulação dos aportes de capital... A contradição é evidente. Na verdade, as operações de aquisição de partes beneficiárias foram sim desconsideradas pela fiscalização e pelo Delegado da Receita. Isso, todavia, não poderia e não pode ocorrer sem o procedimento a ser estabelecido em lei ordinária; da forma que foi realizada, portanto, toda a ação fiscal é nula de pleno direito por ofensa frontal ao disposto na parte final do parágrafo único, do art.116 do CTN; além disso, nada justifica a desconsideração da compra das partes beneficiárias em causa, que foi feita às claras, com propósito negocial e com regular registro na contabilidade da ACEF, da COPEP e das empresas nas quais a COPEP investiu; não houve a alegada dissimulação, muito menos desvio de recursos da defendente; é incontroverso nos autos que todos os fatos estão regularmente documentados e indicados na contabilidade da ACEF, da COPEP e das empresas nas quais a COPEP investiu; o ato declaratório, baseado no fato de a empresa emitente das partes beneficiárias ter apurado lucro modesto, enquanto a ACEF obteve superávit elevado, revela uma contradição; não é razoável que a imunidade tenha sido suspensa em razão de a ACEF ter apurado no curto prazo um pequeno lucro no investimento que fez em partes beneficiárias e, por outro lado, ter auferido um bom superávit na prestação dos serviços de ensino; Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.710 4 o investimento que a ACEF fez ao adquirir partes beneficiárias não tem pela sua própria natureza valor certo de remuneração e no caso é de longo prazo, com o seu maior retorno ainda por vir. Tem por objetivo a constituição de fundo de reserva necessário ao importante investimento que pretende fazer na expansão de suas atividades. Por sua vez, o superávit alcançado pela ACEF na prestação do serviço de ensino não é proibido por lei, e vem sendo no todo aplicado no desenvolvimento de suas atividades; a autoridade fazendária dá à expressão sem fins lucrativos o significado de funcionar apurando prejuízos, mas essa expressão está regulada no art. 14, do CTN, cujos requisitos foram atendidos pela ACEF; a única razão apontada para a suspensão da sua imunidade – repitase – foi a (indevida) desconsideração da operação de aquisição de partes beneficiárias, que está regularmente documentada e registrada; merece destaque a regra contida no Regulamento do Imposto de Renda, segundo a qual a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º; RIR, art. 923); diante da prova documental da regularidade da operação questionada, o fisco apresentou apenas a alegativa vazia de que o estabelecimento da COPEP encontrase fechado. Isso, data venia, não é verdade. A COPEP tem operado normalmente através do trabalho direto e pessoal de seus sócios, com os quais os dirigentes da ACEF nunca tiveram dificuldade para manter os contatos necessários para a formalização da operação em comento. A questão meramente circunstancial de no dia e hora em que a fiscalização se dirigiu ao referido estabelecimento eventualmente não o ter encontrado aberto não significa de forma alguma que o mesmo está sempre fechado e inoperante. Isso é evidente. A simples descrição verbal dessa alegada diligência não tem o condão de afastar a prova documental apresentada pela ACEF; os argumentos postos pela ACEF na sua defesa preliminar não foram devidamente considerados pelo Delegado da Receita Federal em Fortaleza, razão pela qual pede vênia para renoválos; protesta pelo direito de provar suas afirmações por todos os meios lícitos de prova, inclusive e principalmente quando se tratar de contraprova, notadamente com a juntada posterior de documentos, realização de perícias, requisição de informações, ouvida de testemunhas a serem oportunamente arroladas, tudo desde logo requerido; em razão do exposto, pede que seja acolhida a impugnação e revogado o Ato Declaratório Executivo DRF/FOR nº 032, de 10 de março de 2011, com a conseqüente improcedência de toda a ação fiscal dele decorrente e arquivamento dos processos administrativos respectivos. Na peça de impugnação dos Autos de Infração relativos à constituição dos créditos tributários envolvidos, a defesa repete os argumentos contra a suspensão da imunidade, acrescentando que (fls. 752): 4.10 Não houve a alegada dissimulação, muito menos desvio de recursos do Defendente. Quanto a esse ponto, importa destacar que as mencionadas partes beneficiárias serão integralmente quitadas, e, aliás, já o foram em grande parte pela Companhia emissora, com os recursos obtidos nos investimentos realizados (Doc. 05). Com isso, fica Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.711 5 absolutamente fora de dúvida a legitimidade da operação. Tal circunstância, a propósito, poderá ser devidamente esclarecida por meio de perícia contábil, desde logo requerida. No item 9.1 da peça de impugnação mencionada (fls. 763) a entidade formula o quesito da perícia requerida nestes termos: A ACEF contabilizou o recebimento dos valores decorrentes do resgate das partes beneficiárias emitidas por COPEP? Caso afirmativa a resposta ao quesito anterior, em que data isso se deu? Quais foram os montantes? Em seguida indica para atuar como assistente técnico a Sra. Raimunda Doralice Menezes de Lima, CPF 366.158.46349, estabelecida na rua Júlio Cesar, 1830, Bloco 15, apto 101, CEP 60.425350, damas, casada, contadora, CRC Ce 014435/04. II – AUTOS DE INFRAÇÃO Em decorrência da expedição do Ato Declaratório de suspensão da imunidade, foram lavrados Autos de Infração, com aplicação da multa qualificada de 150%, relativos a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 12.834.391,91; Contribuição para o PIS/Pasep no valor de R$ 631.948,12; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$ 4.671.226,99 e Contribuição para Financiamento da Seguridade social (COFINS) no valor de R$ 2.904.358,77, alcançando o Crédito Tributário – consolidado até o dia 21.6.2011 – a importância de R$ 21.041.925,79 (vinte e um milhões, quarenta e um mil, novecentos e vinte e cinco reais e setenta e nove centavos). IMPUGNAÇÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Tomando ciência dos Autos de Infração no dia 22 de junho de 2011, a ACEF apresentou impugnação em 21 de julho de 2011, às fls. 750/764, reiterando os termos da defesa apresentada contra o ato declaratório de suspensão da imunidade e acrescentando que as partes beneficiárias objeto da discussão sobre o desvio de recursos da Entidade já foram quitadas em grande parte pela Companhia emissora, com os recursos obtidos nos investimentos realizados (doc 05), circunstância que poderá ser esclarecida por meio de perícia contábil, desde logo requerida (item 4.10 – fls. 752). Sujeição Passiva Solidária Apresenta os seguintes argumentos quanto à imputação de sujeição passiva solidária: os auditores fiscais tentam atribuir a terceiros, inteiramente estranhos aos quadros da ACEF, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos cobrados em razão da suspensão de sua imunidade; como tal atribuição de responsabilidade não tem fundamento na lei, os agentes do fisco amparamse em versão fantasiosa dos fatos, dizem que a ACEF não teria uma sede social e que as senhoras NEIDE QUEIROZ FARACHE e ZÉLIA SOUZA PINTO não seriam as reais dirigentes da ACEF; isso não é verdade, a ACEF está regularmente estabelecida, primeiro no endereço indicado como sede, a partir do qual alugou os prédios necessários para o exercício de suas atividades educacionais (Doc. 06), que estão indicados pelo próprio agente fiscal no início do termo antes referido; a ACEF é sim dirigida por NEIDE QUEIROZ FARACHE e ZÉLIA SOUZA PINTO, como provam os documentos indicativos de sua relação com bancos, órgãos públicos e, principalmente, com seus clientes, alunos do Colégio Christus, nas quais sempre se faz representar por seus reais e únicos dirigentes (docs. 07 a 10); Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.712 6 a condição de a ACEF ser uma das entidades mantenedoras daquele Colégio também não pode ser apontada como uma situação irregular. A Lei nº 9.394/1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, prevê que as instituições privadas de ensino poderão ser instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado (art.20); o fato de a ACEF ter mantido o Professor José Lima de Carvalho Rocha como diretor do Colégio Christus, por sua vez, é perfeitamente natural, uma vez que ele já funcionava como diretor do Colégio há bastante tempo e desempenha seu papel com brilho e eficiência; a administração da ACEF como entidade mantenedora não se confunde com a direção do Colégio. São duas coisas distintas e separadas. Tanto é assim que o mesmo Colégio Christus tem algumas entidades mantenedoras, todas distintas umas das outras e com administração individualizada para cada uma delas. A direção do Colégio, contudo, é a mesma, de natureza pedagógica; nada justifica, portanto, a desconsideração da personalidade jurídica da ACEF e de seus dirigentes, como tenta fazer o agente fiscal autuante; a procederem todas as inverdades imaginadas pela fiscalização, a ACEF seria "mera representação jurídica" do Colégio Christus. Dizem os fiscais (erradamente) que a ACEF não teria sede, não teria representantes verdadeiros, não teria existência própria, nada. Seria apenas uma "casca" do próprio Colégio Christus, tendo sido esse, aliás, motivo usado para estender a sujeição passiva solidariamente ao Sr. José Lima de Carvalho Rocha; se procedentes os argumentos, por coerência, seria impositivo que os fiscais tivessem lavrado o auto de infração contra o próprio Colégio do qual a ACEF seria a "mera representação jurídica", considerando suas as receitas e as despesas da ACEF, para a obtenção de um resultado global, como se houvesse uma única mantenedora, decorrente da consideração conjunta de todas as demais; é contraditório considerar que a ACEF existe, para a finalidade de indicála como principal sujeito passivo (contribuinte) do presente auto de infração, partindo de sua escrita contábil para apurar o lucro tributável, mas, de outro lado, considerar que ela não existe, para indicar como responsáveis solidários, nos termos do art. 135 do CTN, pessoas que não fazem parte de seu quadro societário, mas seriam integrantes de outras pessoas jurídicas das quais ele seria a "representação"; desse modo, vêse que o auto de infração, no mérito, ou é improcedente por exigir dívida inexistente, de entidade imune; ou é improcedente, por evidente erro na eleição do sujeito passivo (contribuinte). Multa Qualificada Quanto à multa de ofício lançada no percentual de 150%, entende que não está comprovada a alegativa dos fiscais para embasar a qualificação da penalidade, no sentido de que os fatos arrolados na notificação fiscal de suspensão da imunidade denotariam "conduta de cunho doloso visando subverter o fundamento constitucional do instituto da imunidade tributária, mediante a prática de atos simulados e abuso de forma", aduzindo que: Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.713 7 não houve fraude ou simulação, todos os atos e negócios praticados retratam a realidade econômica e estão regularmente formalizados e escriturados na contabilidade da ACEF e das empresas com as quais firmou os contratos; não está demonstrada no auto de infração qual teria sido a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente (art. 71 da Lei nº 4.502, de 30.11.1964); também não está demonstrada qual teria sido a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento (art. 72 da Lei nº 4.502, de 30.11.1964); no caso presente, tudo foi feito às claras e sem ocultação de qualquer espécie, até porque todos os atos jurídicos em causa são válidos e legítimos. Não haveria e não há razão para ocultálos ou dissimulálos; os agentes autuantes não tiveram a menor dificuldade para realizar o lançamento aqui combatido, utilizandose dos elementos que colheram nos livros da escrita contábil e fiscal da ACEF, que, segundo esses mesmos auditores fiscais, "reúnem as condições para a apuração do lucro líquido de todo o período sob fiscalização."; neste caso não houve e não há o evidente intuito de fraude que é exigido por lei como condição para a qualificação da multa, que, por isso mesmo, é ilegal. Decadência A Suplicante entende que, como não houve intuito de fraude, a decadência do direito de o fisco lançar o tributo deve atender ao prazo fixado no § 4º, do art. 150, do CTN, ou seja, cinco anos contados do respectivo fato gerador. Desse modo, alega que, no caso, o lançamento (auto de infração) ocorrido em 21 de junho de 2011, não poderia alcançar, com o IRPJ e a CSLL, o lucro auferido no primeiro trimestre de 2006, assim como não pode alcançar, com o PIS/COFINS, o faturamento relativo aos meses de janeiro a maio de 2006. Pedido Após toda a exposição, a Autuada pede: 1) a realização de perícia contábil, destinada a esclarecer, sobretudo, a regularidade da operação relativa às partes beneficiárias, indicando assistente técnico e formulando os seguintes quesitos: a) A ACEF contabilizou o recebimento dos valores decorrentes do resgate das partes beneficiárias emitidas por COPEP? b) Caso afirmativa a resposta ao quesito anterior, em que data isso se deu? Quais foram os montantes? 2) caso algum outro fato seja considerado carente de comprovação e relevante para o deslinde deste feito, a oportunidade para exercer o direito de provar suas Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.714 8 afirmações por todos os meios lícitos de prova, inclusive e principalmente quando se tratar de contraprova, notadamente com a juntada posterior de documentos, realização de perícias, requisição de informações, ouvida de testemunhas a serem oportunamente arroladas, tudo desde logo requerido. 3) a intimação de sua representante legal, a Sra. NEIDE QUEIROZ FARACHE, CPF nº 141.367.91372, para sustentar oralmente suas razões de defesa na sessão de julgamento dos presentes autos na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Concluindo, requer o acolhimento da impugnação, julgandose no todo IMPROCEDENTE a ação fiscal decorrente do auto de infração, que exige o pagamento do IRPJ relativo aos anos de 2006 e 2007, assim como os demais lançamentos reflexos de CSLL, COFINS e PIS, e o arquivamento dos autos. Pede, sucessivamente, a desqualificação da multa com a respectiva redução para 75% e o reconhecimento da decadência relativa ao primeiro trimestre de 2006. III – TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Foi atribuída, em relação ao crédito tributário resultante da fiscalização, a coresponsabilidade aos Srs. José Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.492.84315), Davi Lima de Carvalho Rocha (CPF 170.953.36334), Eduardo Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.493.14320) e Estevão Lima de Carvalho Rocha (CPF 221.767.64315), por meio do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 462/468). IMPUGNAÇÃO DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Irresignados, os coresponsáveis elencados no Termos de Sujeição Passiva compareceram aos autos apresentando as respectivas impugnações. José Lima de Carvalho Rocha Ciência do Termo de Sujeição Passiva em 27.6.2011 (fls. 746), impugnação apresentada em 21.7.2011, às fls. 1450/1454, resumida nos seguintes termos: o termo de sujeição passiva é nulo do ponto de vista formal porque o impugnante não tomou ciência da fiscalização, foi surpreendido com a comunicação de que seria responsável solidário pelo crédito tributário lançado ao final de um procedimento, do qual não teve conhecimento, nem oportunidade de participar; do ponto de vista substancial, a atribuição de responsabilidade é inválida (como é inválido todo o auto de infração), tendo em vista que a fiscalização: aplicou ao presente caso, por via transversa, o disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN, que até o presente momento não foi regulamentado; desconsiderou atos válidos e eficazes por entender que “não teriam propósito negocial” ou que teriam sido praticados “com abuso de forma”. Para fazêlo, porém, deveria, se fosse o caso, instaurar procedimento próprio, no qual tais aspectos pudessem ser discutidos de forma prévia ao lançamento de qualquer tributo, nos termos em que se pretendeu fazer com as disposições da MP 66/2002, a qual, todavia, quando convertida na Lei nº 10.637/2002, teve extirpados os artigos que cuidavam do assunto; atribuiu ao defendente a condição de verdadeiro dirigente da entidade autuada (ACEF), com base em suposições, sem oferecer qualquer elemento de prova; Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.715 9 imaginou que o impugnante teria "influência" sobre os dirigentes da ACEF, mas não juntou um documento que o demonstre, ônus que é seu, a teor do que dispõe o art. 9º do Decreto 70.235/72; a ACEF é, de fato e de direito, administrada pelas senhoras Neide Queiroz Farache e Zélia de Sousa Pinto, as quais não têm com o impugnante o vínculo de dependência que o fiscal sugere; o defendente não é responsável pela firma Copy Vip Comércio Representação e Serviços Ltda., como erroneamente se afirma no "relatório"; não há nenhuma ilegalidade no fato de existirem entidades mantenedoras diferentes para diferentes unidades de um Colégio, não sendo procedente a afirmação de que a existência de outras mantenedoras revelaria a "falta de propósito negocial" desta; quanto ao fato de o defendente ter se "autonomeado" diretor do Colégio, independentemente de indicação formal da ACEF, cabe observar que isso não aconteceu da forma como sugere a fiscalização. Na verdade, o defendente já era diretor do Colégio desde muito tempo antes. O que houve foi que, com a alteração em uma das mantenedoras, não se alterou essa sua condição; é arbitrária a decisão de alocar o defendente como responsável tributário por débitos da mantenedora, apenas por ser ele um dos diretores pedagógicos do Colégio mantido, o qual possui outros diretores pedagógicos, que assim como o defendente assinam certificados, decidem a respeito da proposta pedagógica do Colégio etc.; na visão do fiscal, o fato de não ter localizado a sede da ACEF, somado à inexistência de imóveis em nome da entidade, seria a "prova", de que se estaria a praticar alguma irregularidade; ora, a ACEF, na condição de mantenedora da escola, tem sua sede no próprio Colégio, imóvel alugado pela entidade, fato de fácil constatação; a fiscalização insiste no fato de que o impugnante seria diretor do Colégio Christus, inclusive das unidades mantidas pela ACEF, mas é preciso esclarecer que a palavra "diretor", nesse contexto, nada tem a ver com a gerência, a administração ou a representação de uma pessoa jurídica, ligada às atividades econômicofinanceiras desta; a mantenedora encarregase do aspecto econômicofinanceiro destinado a manter em funcionamento o estabelecimento de ensino. Este, por sua vez, tem um diretor, que trata não de sua manutenção sob o prisma econômico (esse é o papel da mantenedora), mas sob o aspecto educacional e pedagógico. Assim, "diretor", no contexto de um Colégio, diz respeito ao desempenho de atividades pedagógicas, ligadas à atividade docente. É como o coordenador de uma faculdade, que também a "dirige", em certo sentido, mas que nada tem a ver com as receitas e as despesas da entidade mantenedora dessa faculdade; compreendida a distinção entre o diretor (pedagógico) de um Colégio e o dirigente (representante jurídico) da pessoa jurídica que mantém esse Colégio, não há qualquer amparo legal para se pretender imputar ao defendente a condição de responsável tributário pelos débitos ora em lançamento; o art. 135, III, do CTN, foi indevidamente invocado para reforçar a fundamentação do fisco, pois esse dispositivo cuida da responsabilidade de terceiros, diretores de pessoas jurídicas, por débitos devidos por esses contribuintes, não se aplicando ao rol de empresas (das quais o defendente é membro), que receberam Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.716 10 recursos provenientes das partes beneficiárias alienadas, pois não é de débitos dessas pessoas jurídicas, indicadas na parte final do relatório, que se cogita aqui; já o art. 124, I, do CTN, cuida da apenas da FORMA como alguém, já passível de responsabilização nos termos dos art. 128 a 135 do CTN, poderá responder, se solidária ou subsidiariamente. Assim, também não tem relevo aqui, até porque o defendente não tem interesse jurídico comum nas situações que configuram o fato gerador dos tributos objeto de lançamento; por outro lado, não há irregularidade na operação realizada entre as pessoas jurídicas indicadas na parte final do relatório e a Companhia que alienou partes beneficiárias adquiridas pela entidade autuada; como reconhece o próprio fiscal, os recursos investidos pela entidade mantenedora continuam em seu patrimônio, devidamente contabilizados, não havendo sequer razão para a suspensão de sua imunidade; a prevalecer o entendimento da fiscalização, uma entidade imune não poderia sequer aplicar eventual superávit em fundo de investimento, que tivesse ações em sua carteira, pois isso implicaria a destinação de parte de seu patrimônio às companhias emissoras das tais ações. Na verdade, não é isso o que se dá, eis que a entidade imune está apenas realizando investimentos, adquirindo títulos (ou, no caso, partes beneficiárias) que continuam em seu patrimônio; isso deixa claro, também, o despropósito de aplicar, ao defendente, e a todos os demais alocados no polo passivo da autuação de que se cuida, a multa de 150%; não houve qualquer intuito de fraude; nenhum fato foi ocultado; nenhum documento foi adulterado ou falsificado; tudo o que aconteceu foi contabilizado da forma mais clara possível, sem ocultações; a fiscalização até poderia discordar do procedimento adotado pela entidade autuada, mas em momento algum pode dizer que esse procedimento lhe foi ocultado; não cabe, portanto, a aplicação da multa agravada, que, também ela, é indevida; protesta provar o alegado por todos os meios admitidos, a oitiva de testemunhas, a juntada posterior de documentos, a realização de perícias, tudo requerido; requer a sustentação oral de suas razões de defesa na sessão de julgamento em que se apreciará a impugnação; Pede que seu nome seja excluído do polo passivo do crédito tributário impugnado. Estevão Lima de Carvalho Rocha Ciência do Termo de Sujeição Passiva em 25.6.2011 (fls. 744), impugnação apresentada em 20.7.2011, às fls. 1443/1447, resumida nos seguintes termos: o termo de sujeição passiva é nulo do ponto de vista formal porque o impugnante não tomou ciência da fiscalização, foi surpreendido com a comunicação de que seria responsável solidário pelo crédito tributário lançado ao final de um procedimento, do qual não teve conhecimento, nem oportunidade de participar; do ponto de vista material, a atribuição de responsabilidade também é descabida, pois o fato apontado – o impugnante ser sócio de três pessoas jurídicas que teriam celebrado contrato de sociedade em conta de participação (SCP) com a empresa COPEP, que sequer foi autuada – não pode configurar a norma invocada pelo fiscal (art. 135, III, e 124, I, do CTN); Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.717 11 não há qualquer irregularidade em celebrar um contrato de sociedade em conta de participação com outra pessoa jurídica; o fato de os recursos empregados pela "COPEP" na aludida "SCP" serem oriundos de um investimento feito pela entidade autuada não torna a COPEP, nem as empresas que celebraram os contratos, responsáveis por possíveis débitos dessa entidade autuada; com menos razão se pode almejar a extensão dessa responsabilidade ao impugnante, sócio das empresas que se agregaram à pessoa jurídica que recebeu investimento da entidade autuada; o art. 135, III, do CTN, cuida da responsabilidade de diretores, gerentes e administradores por possíveis débitos das pessoas jurídicas por eles dirigidas, geridas ou administradas, decorrentes de fatos geradores praticados pessoalmente em tal mister, o que não é o caso dos autos. De fato, não se tem, aqui, dívida tributária de Comercial LCR e Representações Ltda., de LCR Viagens e Turismo Ltda ou de Auto Vale Veículos Ltda., sociedades que a fiscalização afirmou serem integradas pelo impugnante; tampouco se afirmou que o impugnante teria praticado qualquer irregularidade no âmbito da gestão dessas empresas, que pudesse ter gerado créditos tributários dos quais elas seriam as contribuintes e ele, na condição de gerente, coresponsável. Tudo o que se conjecturou no relatório fiscal teria supostamente se passado no âmbito da administração da entidade autuada, e não das empresas geridas pelo impugnante, sendo isso suficiente para afastar, por completo, a descabida pretensão fiscal; quanto ao art. 124, I, do CTN, sua relação com o presente caso é de impertinência ainda maior, pois sequer se pode falar em interesse do impugnante na situação que configura o fato gerador, que é um suposto lucro, ou faturamento, da entidade ACEF; “ Interesse” para os fins do citado artigo, é evidentemente o interesse jurídico, como se dá entre coproprietários de um imóvel, em relação ao IPTU, ou entre marido e mulher casados em comunhão de bens, em relação ao IRPF. Não se pode dar à expressão o elastério pretendido pela fiscalização, sob pena de se terminar responsabilizando o empregado pela COFINS, pelo PIS e pelo ICMS devidos pela empresa, pois ele teria "interesse" nas vendas e no faturamento dela, sem o qual o seu salário não seria pago... não se pode absolutamente falar em "interesse comum", no caso, pois o impugnante não é integrante da entidade autuada, e nem o fiscal chegou a sequer conjecturar, no seu "relatório", de qualquer ato que pudesse ser imputado ao impugnante relativamente à tal ACEF; sem mencionar o nome do impugnante no relatório, o fiscal, depois de fazer ilações sobre o que teria sido feito por outras pessoas, arremata dizendo que "pelos mesmos motivos" o impugnante também seria responsável. Isso é absurdo, pois os "mesmos motivos", além de improcedentes, sequer seriam a ele aplicáveis, pela simples razão de que os tais "motivos" aludem ao comportamento de outras pessoas; em relação especificamente ao impugnante ESTEVÃO LIMA DE CARVALHO ROCHA, o fiscal não indicou, sequer no plano da conjectura, qual teria sido o ato praticado pessoalmente, que o tornaria responsável pelo crédito tributário ora constituído; Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.718 12 protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, tais como a ouvida de testemunhas, a juntada de documentos, a realização de perícias, tudo desde logo requerido; pede que seja intimado para fazer sustentação oral de suas razões de defesa na sessão de julgamento, em que se apreciará a impugnação; Finalmente, requer o acolhimento integral da defesa, para excluílo do pólo passivo do crédito tributário lançado. David Lima de Carvalho Rocha Ciência do Termo de Sujeição Passiva em 25.6.2011 (fls. 745), impugnação apresentada em 20.7.2011, às fls. 1457/1460, resumida nos seguintes termos: o termo de sujeição passiva é nulo do ponto de vista formal porque o impugnante não tomou ciência da fiscalização, foi surpreendido com a comunicação de que seria responsável solidário pelo crédito tributário lançado ao final de um procedimento, do qual não teve conhecimento, nem oportunidade de participar; do ponto de vista substancial, a atribuição de responsabilidade também não encontra amparo no direito tributário brasileiro, pois por meio dela se pretende responsabilizar o impugnante por débitos exigidos da ACEF, entidade que teria investido recursos em outra empresa [COPEP], a qual depois associouse a outras, sendo a única relação de sua pessoa com tudo isso o fato de fazer parte do quadro societário destas últimas; as pessoas jurídicas integradas pelo impugnante não participaram da prestação dos serviços educacionais, que originaram o faturamento e o lucro, objeto do auto de infração lavrado contra a ACEF; assim, é inviável responsabilizálas pelos tributos exigidos; mais inviável ainda é responsabilizar o defendente, apenas por ser membro de tais empresas; o art. 135 do CTN, foi invocado equivocadamente pela fiscalização, pois tal dispositivo trata da responsabilidade de diretores de pessoas jurídicas, por débitos devidos por elas, decorrentes de irregularidade no exercício desse cargo; no caso, o débito não foi lançado contra nenhuma das empresas arroladas na última folha do relatório fiscal; sequer foi mencionada qualquer participação do defendente nas decisões ou nos atos praticados pela entidade autuada, a ACEF; o fato de o defendente ser membro de pessoas jurídicas que se associaram a outra que, por sua vez, teria recebido investimentos da entidade autuada não violou qualquer disposição legal; esses atos são válidos, pois só poderiam ser desconsiderados seguindose o procedimento aludido pelo parágrafo único do art. 116 do CTN, a ser previsto em lei ordinária; por outro lado, não há, nos art. 128 a 135 do CTN, autorização para responsabilizar pessoas que estejam na situação do defendente; o art. 124, I, do CTN, também não ampara a pretensão fiscal, porque por meio dele não se pode responsabilizar pessoas que, à luz dos arts. 128 a 135, não possam ser consideradas previamente responsáveis; do contrário, interpretação isolada, do art. 124, II, do CTN, daria ao legislador autorização para responsabilizar qualquer pessoa, em Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.719 13 qualquer situação, por qualquer débito, o que aniquilaria todo o sistema tributário brasileiro; protesta provar o alegado por todos os meios admitidos, a oitiva de testemunhas, a juntada posterior de documentos, a realização de perícias, tudo requerido; requer a sustentação oral de suas razões de defesa na sessão de julgamento em que se apreciará a impugnação; Pede que seu nome seja excluído do polo passivo do crédito tributário impugnado. Eduardo Lima de Carvalho Rocha Ciência do Termo de Sujeição Passiva em 19.7.2011 (fls. 747), impugnação apresentada em 03.08.2011, às fls. 1462/1466, resumida nos seguintes termos: o termo de sujeição passiva é nulo do ponto de vista formal porque o impugnante não tomou ciência da fiscalização, foi surpreendido com a comunicação de que seria responsável solidário pelo crédito tributário lançado ao final de um procedimento, do qual não teve conhecimento, nem oportunidade de participar; a responsabilidade de terceiro, prevista no art. 134 do CTN, não contempla a situação do impugnante, que é sócio das empresas Metalúrgica LCR Ltda. e LCR Confecções LOAN LTDA, as quais celebraram contratos de sociedade por conta de participação com a COPEP, enquanto esta, por sua vez, havia alienado partes beneficiárias à entidade ACEF, que sofreu o auto de infração discutido no processo; o art. 135 do CTN, invocado pela fiscalização, também não se aplica ao caso, pois tal dispositivo trata da responsabilidade de dirigentes de pessoas jurídicas, pelos débitos, devidos por elas, decorrentes de irregularidades praticadas no exercício desse cargo; na presente situação, o débito não foi lançado contra as empresas dirigidas pelo impugnante; a questão gira em torno da gerência da entidade autuada, sobre a qual o defendente não tem participação; o art. 124, I, do CTN, também não ampara a pretensão fiscal, porque solidária é a forma como alguém, que já pode ser considerado responsável (nos termos dos arts. 128 a 135 do CTN), poderá ser chamado a solver o débito; a responsabilidade pode ser subsidiária ou solidária (nos casos do art. 124); além disso, o art. 124, I, do CTN, aplicase quando existe interesse jurídico comum na situação que configura o fato gerador, a exemplo dos coproprietários de um imóvel rural, no caso do ITR; neste caso, não há interesse do impugnante nos fatos geradores envolvidos; com o uso de outras palavras, os fiscais, invocando o art. 149 do CTN, como mero artifício para burlar a regra clara do parágrafo único do art. 116, do CTN, procederam a uma desconsideração de negócios e atos jurídicos existentes, válidos e eficazes, o que o art. 116, parágrafo único do CTN, permite, desde que observados os procedimentos a serem previsto em lei ordinária, o que até hoje não foi feito; Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.720 14 pede para fazer uso de todos os meios de prova em direito admitidos, a exemplo da ouvida de testemunhas, da juntada posterior de documentos e da realização de perícias, tudo desde logo requerido; Finalmente, requer exclusão do pólo passivo do crédito tributário lançado. A 3ª Turma da DRJ em FortalezaCE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0822.927, de 22 de fevereiro de 2012 (fls. 1475/1534), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 IMUNIDADE. SUSPENSÃO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. Constitui infração aos requisitos para o gozo da imunidade, ferindo os incisos I e II do art. 14 do CTN, a aplicação irregular do superávit de instituição de educação, por meio da aquisição simulada de partes beneficiárias de empresa mercantil, para posterior partilha, mediante a formação de sociedades em conta de participação, entre empresas pertencentes aos familiares dos proprietários do colégio, em que foram geradas as receitas da atividade educacional. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal possuem responsabilidade solidária, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN, em relação ao crédito tributário lançado de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. Responde solidariamente com a pessoa jurídica autuada pelos créditos tributários aquele que detendo, de fato, o poder decisório sobre a entidade imune, agiu com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 DILAÇÃO PROBATÓRIA. OITIVA DE TESTEMUNHA. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, salvo as exceções previstas na legislação, quando devidamente comprovadas nos autos. Não há previsão legal para que se realize oitiva de testemunhas no julgamento administrativo fiscal, mormente quando os elementos contidos nos autos são suficientes para solucionar o litígio. PEDIDO DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia/diligência que não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. Indeferese o Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.721 15 pedido de perícia/diligência quando estão presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à solução da lide. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode ser realizada por todos os meios admitidos em direito, inclusive a presuntiva, com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (arts. 131 e 332 do CPC e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972). PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de indícios que, isoladamente, nada atestam, mas agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. Caracterizase o ato simulado pela aplicação do superávit da entidade imune na aquisição de partes beneficiárias de empresa mercantil, destinandose os recursos em seguida para sociedades em conta de participação, quando se constata que o negócio efetivamente realizado, ou seja, a vontade não declarada, consistiu na distribuição dos recursos entre os familiares dos proprietários do colégio em que se realiza a atividade educacional, todos sócios das empresas beneficiadas com o aporte de capital. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. LUCRO REAL. É cabível a exigência do imposto de renda apurado de ofício sobre o lucro real, quando a instituição de educação que teve a imunidade suspensa mantém escrituração regular, permitindo a extração das informações para a composição da base de cálculo do imposto. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CNT). Todavia, quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no art. 173, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. Aplicase a multa qualificada de 150% quando resta comprovado nos autos a conduta dolosa, praticada para evitar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, configurando a sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.722 16 LANÇAMENTO DECORRENTES. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), aplicase aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS/Pasep e COFINS), quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientes da decisão de primeira instância em 30/04/2012, conforme Avisos de Recebimento à fl. 1553/1557, a contribuinte autuada e os responsáveis tributários arrolados apresentaram recurso voluntário em 23/05/2012. DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO POR ACEF No recurso interposto (fls. 1559/1696), a autuada alega preliminarmente a ocorrência de cerceamento de direito de defesa tendo em vista que a decisão recorrida indeferiu o seu pedido de realização de perícia, com o qual pretendia demonstrar a inexistência da infração apontada na autuação. No mérito, a autuada, ora recorrente, repete em linhas gerais os argumentos deduzidos em sua impugnação, dos quais destaca: a) Que a imunidade foi suspensa e a autuação lavrada, porque o Delegado da Receita federal desconsiderou um investimento feito pela recorrente para considerálo como distribuição de lucros, o que não condiz com a verdade; b) Que o ato jurídico perfeito de compra das partes beneficiárias pela recorrente não poderia ser simplesmente desconsiderado; c) Que a desconsideração de negócios jurídicos prevista no art. 116 do CTN depende da regulamentação dos procedimentos por lei ordinária; d) Que a decisão e 1a. instância tangenciou essa questão afirmando não ter havido desconsideração de atos lícitos, nos termos do art. 116 do CTN, mas sim a caracterização de simulação prevista no art. 149 do CTN, mas não foi o que de fato ocorreu; e) Que todos os atos praticados pela recorrente foram lícitos e declarados ao Fisco, não havendo nenhuma simulação; f) Que da forma como foi realizada, portanto, toda a ação fiscal é nula de pleno direito, por ofensa ao disposto na parte final do parágrafo único do art. 116 do CTN; g) Que nada justifica a desconsideração de compra das partes beneficiárias que foi feita às claras e com o devido registro contábil, nos termos da lei que regula esse tipo de operação e com propósito negocial. Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.723 17 h) Que não houve desvio de recursos da recorrente, pois todas as partes beneficiárias serão quitadas e que, aliás, grande parte já teria sido quitada pela Companhia emissora com recursos obtidos nos investimentos, o que poderia ser confirmado pela perícia solicitada e que foi indeferida; i) Que o investimento feito é de longo prazo e que, pela sua própria natureza, não tem valor certo de remuneração, e que o seu maior retorno ainda está por vir; j) Que a existência de superávit não viola a lei e que a sua aplicação tem por objetivo a constituição de fundo de reserva para a futura expansão das atividades k) Que a regularidade de sua escrituração faz prova a seu favor, conforme preceitua o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda; l) Que a perícia contábil arbitrariamente indeferida poderia demonstrar que nenhum patrimônio foi distribuído e que não houver violação ao art. 14 do CTN; m) Que a decisão de 1º grau estaria equivocada ao afirmar que a realização e investimentos que desembocaram em empresas privadas seria irregular, pois implicaria em aplicação em atividade não ligadas às finalidades essenciais; n) Que o patrimônio da recorrente mantevese íntegro, composto das partes beneficiárias e dos direitos dela decorrentes; o) Que é irrelevante a forma com que a COPEP utilizouse dos recursos investidos, desde que os recursos destinemse a preservação do patrimônio da recorrente e em momento subseqüente seja investido nas suas atividades essenciais; p) Que só se tais partes beneficiárias não fossem honradas, “dependendo de como isso viesse a acontecer, se poderia cogitar de distribuição do patrimônio, o que porém não é o caso dos autos”; q) Que o que importa é saber o que acontece com os rendimentos obtidos com o investimento realizado, “sendo certo que em momento algum a fiscalização afirmou que as partes beneficiárias não teriam sido honradas pela COPEP ou que os rendimentos advindos do investimento feito pela ACEF seriam ou teriam sido aplicados de forma indevida”; r) Que quanto à decadência dever ser aplicado o disposto no art. 150, § 4º do CTN, pois não teria havido dolo, fraude ou simulação; A recorrente reitera os argumentos quanto à imputação de sujeição passiva solidária a terceiros, concluindo que se preponderar a ótica da fiscalização poderia caracterizar se erro na eleição do sujeito passivo. Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.724 18 Insurgese, ainda, contra a qualificação da multa, sustentando inexistir a comprovação de dolo, fraude ou simulação no caso sob exame. Ao final requer a realização da perícia contábil, conforme pedido na impugnação, e ao final seja provido o recurso voluntário, com a extinção do crédito tributário e o arquivamento deste processo administrativo. DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO PELOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Eduardo Lima de Carvalho Rocha O recorrente apresenta recurso voluntário no qual reitera em grande parte os argumentos contidos na sua impugnação, aduzindo especialmente: a) Que embora os julgadores de 1ª instância tenham reconhecido a total inaplicabilidade do art. 135 do CTN, uma vez que não é sócio ou administrador da autuada, quer de fato ou de direito, equivocadamente mantiveram a sua responsabilização, com amparo no art. 124, inc. I do CTN; b) Que é sócio de empresas que celebraram contratos de sociedade em conta de participação com a empresa COPEP que, por sua vez, havia alienado partes beneficiárias à autuada; c) Que não há qualquer irregularidade nos mencionados negócios realizados, sendo despropositado que tudo seja desconsiderado para exigir do recorrente, que nem sócio é da autuada, o tributo por ela devido; d) Que tampouco pode ser exigida a multa agravada de 150%, pois não pode ser responsabilizado por negócios que deram causa a autuação, apenas porque é sócio das empresas que receberam investimentos da COPEP, ainda mais que os mesmos foram feitos às claras, sem qualquer adulteração ou fraude; e) Que a responsabilização solidária prevista no art. 124, inc. I do CTN “é a forma como alguém, que já pode ser considerado responsável (nos termos dos arts. 128 a 135 do CTN), poderá ser chamado a solver o débito”, não podendo esse dispositivo ser aplicado de forma apartada dos demais; f) Que, além disso, o art. 124, inc. I se refere à responsabilidade de pessoas que tenham interesse comum na situação que configura o fato gerador da obrigação tributária e que, no caso, não é sócio, gerente, preposto, administrador, empregado, nem tem qualquer relação com a entidade autuada, sendo absurdo responder pelos seus débitos; g) Que não há interesse algum do recorrente nos fatos geradores ocorridos, nem jurídico, nem de fato, pois embora seja sócio de empresas com entidade que recebeu investimentos da autuada, isso não faz dela interessada nos resultados da entidade autuada, e menos ainda o recorrente que é apenas sócio da Metalúrgica LCR e não a entidade autuada, nem da COPEP; Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.725 19 h) Alega ainda, subsidiariamente, a nulidade formal da responsabilização solidária, na medida em que somente ao final do procedimento de fiscalização foi notificado do lançamento e de sua responsabilização. Ao final pede provimento ao seu recurso voluntário e a sua retirada do pólo passivo da atuação, da qual não pode ser indicado como responsável solidário. José Lima de Carvalho Rocha O recorrente apresenta recurso voluntário no qual reitera em grande parte os argumentos contidos na sua impugnação, aduzindo especialmente: a) Que é inadmissível o entendimento da turma julgadora de 1ª instância segundo o qual ao recorrente seria responsável tributário pelos créditos lançados, nos termos do art. 124, inc. I do CTN, por ter interesse comum na situação que constituiu o fato gerador; b) Que o interesse a que se refere o dispositivo é interesse jurídico e não mero interesse de fato que poderia existir se os fatos alegados pelo Fisco fossem verdadeiros; c) Que a autoridade julgadora de primeira instância considerou existente o interesse do recorrente em razão de sua participação em uma suposta sociedade de fato, que jamais existiu a não ser no raciocínio dos agentes do Fisco; d) Que é frágil o argumento da autoridade julgadora ao imputar a responsabilidade prevista no art. 135 ao recorrente, pois a responsabilidade diz respeito a obrigação tributária decorrente de atos praticados por aquele a quem a mesma é atribuída; e) Que no caso que se cuida as obrigações tributárias decorrem de atividades inteiramente lícitas desenvolvidas pela pessoa jurídica autuada; f) Que a atribuição de responsabilidade deuse sem que o recorrente ao menos tivesse conhecimento oficial das diligências da fiscalização e que não teve a oportunidade de contestar a existência de qualquer fato que a fiscalização adotou como pressuposto para a autuação e responsabilização; g) Que não tem interesse jurídico na situação que constituiria o fato gerador da obrigação; que não é, nem nunca foi dirigente da pessoa jurídica autuada; que não há base probatória para a afirmação de que o recorrente é o representante de fato da pessoa jurídica; que há apenas o registro dele como diretor pedagógico da escola mantida pela entidade autuada; h) Que é incabível a aplicação da multa qualificada no caso dos chamados planejamentos tributários, que visam a impedir o nascimento da obrigação tributária ou reduzir o valor do tributo devido porque os atos ou Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.726 20 negócios jurídicos são lícitos e não envolvem a ocultação de fatos, como no caso que se cuida; i) Que a desconsideração de negócios jurídicos pelo Fisco, nos termos do art. 116, parágrafo único do CTN, carece de regulamentação por lei ordinária, conforme doutrina indicada; e j) Que sofreu flagrante cerceamento do direito de defesa, pois só teve ciência da ação fiscal quando intimado da lavratura do termo de sujeição passiva solidária e que em sua impugnação pediu a produção de provas testemunhais, realização de perícia, juntada de novos documentos e direito de assistir ao julgamento, mas tudo lhe foi negado. Ao final requer que seja julgada improcedente a ação fiscal ou seja excluída a responsabilidade solidária atribuída e, sucessivamente, que se exclua a multa qualificada ou, ainda, seja anulado o julgamento de primeira instância, para novo julgamento, com direito do recorrente a produzir as provas requeridas. Estevão Lima de Carvalho Rocha O recorrente apresenta recurso voluntário no qual reitera em grande parte os argumentos contidos na sua impugnação, aduzindo especialmente: a) Que há nulidade formal do procedimento de responsabilização, pois não teve conhecimento nem oportunidade de participar do procedimento fiscalizatório; b) Que a autoridade julgadora de 1ª instância reconheceu que o art. 135 do CTN não se aplica ao recorrente, que não é sócio, nem administrador da pessoa jurídica autuada, mas manteve a imputação com base no art. 124, inc. I do CTN; c) Que tal imputação não se sustenta, pois o fato de ser sócio de pessoas jurídicas que celebraram contrato de sociedade em conta de participação com a COPEP, da qual a autuada adquiriu partes beneficiárias é insuficiente para manter a responsabilização; d) Que não há que se falar em interesse comum entre o recorrente e a autuada apenas porque o recorrente é sócio de uma sociedade que recebeu investimentos de uma companhia que, por sua vez, teve partes beneficiárias adquiridas pela ACEF; e e) Que o interesse comum previsto na lei deve ser jurídico, o que não existe no presente caso. Ao final requer o acolhimento do recurso e a sua exclusão do pólo passivo tributário. Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.727 21 David Lima de Carvalho Rocha O recorrente apresenta recurso voluntário no qual reitera em grande parte os argumentos contidos na sua impugnação, aduzindo especialmente: a) Que deve ser reconhecida a nulidade formal do lançamento, pelo menos no que toca ao recorrente, na condição de co responsável, na medida em que não foi cientificado em momento algum do procedimento de fiscalização com relação às apurações efetuadas que culminaram na autuação; b) Que se equivoca o acórdão recorrido na parte que considera que a aplicação isolada do art. 124, inc. I do CTN autorizaria a responsabilização solidária do recorrente pelos supostos débitos da ACEF, pois o interesse comum a que alude o dispositivo seria interesse jurídico comum e não interesse de fato; c) Que o art. 124, I do CTN não cuida de atribuição de responsabilidade, mas sim regula a forma de como alguém que já pode ser considerado responsável por outros motivos, será responsabilizado; d) Que no caso concreto, o recorrente é sócio de pessoas jurídicas que celebraram contratos de sociedade em conta de participação com uma Companhia, que por sua vez teria alienado partes beneficiárias à ACEF, não sendo possível, por liame tão indireto, ser responsabilizados pelos débitos da autuada; e e) Que a situação descrita nos autos não faz, de modo algum, do recorrente titular de interesse comum com a ACEF em relação às suas receitas, sendo inaplicável ao caso o art. 124, I do CTN. Ao final requer o acolhimento integral de suas razões de defesa e a conseqüente extinção do crédito tributário atacado ou, pelo menos, a sua exclusão do pólo passivo correspondente. É o Relatório. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.728 22 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Analisando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A discussão no presente processo abrange a suspensão da imunidade de entidade de ensino em face de violação aos incisos I e II do art. 14 do CTN, com o conseqüente lançamento dos tributos devidos, bem como a atribuição de responsabilidade solidária a terceiros, por atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social e estatutos, na condição de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas (art. 135, III do CTN) e por interesse comum no fato gerador que constituiu obrigação (art. 124, I do CTN). A pessoa jurídica indicada como sujeito passivo, ora recorrente, alega que os atos praticados não violam os preceitos condicionadores da imunidade previstos no art. 14 do CTN, pois não houve distribuição de qualquer parcela do seu patrimônio ou de suas rendas, nem desvio dos recursos da manutenção de seus objetivos institucionais. Alega que os valores utilizados na aquisição de partes beneficiárias emitidas pela empresa COPEP consistem em investimentos com vistas a obtenção de novas rendas para futuro investimento na expansão de suas próprias atividades e que tais aplicações são lícitas e que encontram respaldo inclusive na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Alega ainda que, inclusive, grande parte dos valores investidos já teriam sido devolvidos pela empresa investida nos anos subseqüente, o que pretendia demonstrar mediante a realização de perícia, negada pela decisão de primeira instância. Os responsáveis tributários indicados, por sua vez, também recorrem da decisão de primeiro grau e negam ter qualquer interesse jurídico em comum nos fatos geradores que ensejaram a autuação, propugnando pela sua exclusão do pólo passivo da demanda. Examinando os documentos acostados aos autos verifico que a interessada é uma das entidades mantenedoras da rede de escola Christus, com sede na cidade de Fortaleza Ce que também teria como mantenedoras outras pessoas jurídicas. A interessada obteve superávits expressivos nos anos de 2006 e 2007, períodos em que efetuou a aquisição de partes beneficiárias emitidas pela empresa COPEP, fundada em final de 2005. A fiscalização apurou que esses valores uma vez creditados nas contas bancárias da empresa COPEP foram imediatamente transferidos para diversas pessoas jurídicas a título de investimentos em sociedades de conta de participação nas quais a empresa COPEP capitalizou cerca de 98% das quotas das sociedade, mas figurava como sócia oculta, cabendo o papel de sóciasostensivas às pessoas jurídicas minoritárias nas sociedades criadas. Entre as pessoas jurídicas que receberam o repasse de recursos da COPEP verificase pelos documentos acostados aos autos que pelo menos cinco delas exercem atividades na área de educação, sendo que pelo menos quatro das sociedades em conta de participação criadas tinham por objeto desenvolver empreendimentos educacionais. Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.729 23 Assim, para a correta análise e compreensão de todos os fatos ora discutidos e deslinde das questões envolvidas, julgo necessário que sejam colhidos mais elementos acerca dessas pessoas jurídicas que exercem atividades educacionais, especialmente se integram o grupo de entidades mantenedoras ou que atuam sob a denominação de Colégio Christus, qual o seu quadro societário, natureza jurídica, regime de tributação adotado, etc. Além disso, ante a alegação da interessada de que os valores repassados à empresa COPEP o foram a título de investimento, julgo importante que se traga aos autos documentação contábil da ACEF e da COPEP, de pelo menos três anos subseqüentes ao do período compreendido na autuação (2008 a 2010), que demonstrem o retorno financeiro do investimento obtido nesses períodos, bem como os valores recebidos pela empresa COPEP a título de resultado nas Sociedades em Conta de Participação que constituiu com os recursos obtidos com a alienação das partes beneficiárias à ACEF. Da mesma forma, devem ser trazidos aos autos as demonstrações de resultados das sócias ostensivas nas SCP criadas nesse mesmo período (2008 a 2010). Por fim, atendendo em parte o pleito da interessada quanto à solicitação de perícia, entendo que deve ser oportunizada à mesma a apresentação dos elementos e conclusões que demonstrem se a ACEF contabilizou o recebimento dos valores decorrentes do resgate das partes beneficiárias emitidas por COPEP e, em caso afirmativo, em que data isso se deu e quais foram os montantes. Como é cediço, o processo administrativo fiscal é regido, além de outros, pelos princípios da instrumentalidade processual e da verdade material, cabendo ao julgador sopesar os elementos do processo e, sendo imprescindível, promover as medidas necessárias para sanear o processo com vistas a um julgamento justo e objetivo. A jurisprudência administrativa é pacífica quanto à observância do princípio da verdade material, tendo a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciado sobre isto no Acórdão CSRF/0304.371, in verbis: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO — PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO.PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCADA VERDADE MATERIAL. A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 1031 8789 — 3' Câmara 1° C.C.).grifei Ante ao exposto, observando o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, considero imprescindível a realização de diligências para dirimir as dúvidas acima expostas. Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.730 24 Assim, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, devendo os presentes autos retornar à unidade de origem para que a autoridade preparadora designe autoridade fiscal competente para: a) Verificar, juntando aos autos os respectivos elementos de comprovação (contrato social ou estatutos com respectivas alterações, CNPJ, DIPJ, Balanços e Demonstrações de Resultados etc), em relação a cada uma das pessoas jurídicas abaixo relacionadas, no período de 2006 a 2010: · qual a atividade desenvolvida; · se integrava o grupo de escolas mantenedoras ou que atuam sob a denominação de Colégio Christus; · qual a composição de seu quadro societário; (inclusive modificações eventualmente ocorridas) · quais os administradores responsáveis; e · qual o regime de tributação adotado nesse período. NOME DA PESSOA JURÍDICA CNPJ Apel Associação PróEnsino Ltda 01.434.589/000107 Instituto Educacional Christus Ltda 41.595.505/000123 Ipade – Instituto para o Desenvolvimento da Educação Ltda 04.102.843/000150 Escola 21 de Março Ltda 03.385.687/000119 Instituto de Educação e Cultura Sapiens Ltda 07.731.949/000188 b) Verificar em relação às demais pessoas jurídicas, sócias ostensivas nas SCP abaixo relacionadas, trazendo aos autos os elementos de comprovação (contrato social ou estatutos com respectivas alterações, CNPJ, DIPJ, etc), no período de 2006 a 2010: · qual a atividade desenvolvida; · qual a composição de seu quadro societário; (inclusive modificações eventualmente ocorridas) · quais os administradores responsáveis; NOME DA PESSOA JURÍDICA CNPJ Copy Vip, Com. Repres. e Serviços Ltda 41.330.861/000115 Gráfica e Editora LCR Ltda. 23.481.062/000168 Metalúrgica LCR Ltda 06.04.777/000159 Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.731 25 Construtora e Imobiliária LCR Ltda 06.084.388/000132 LCR Viagens e Turismo Ltda 35.211.069/000149 ORMEL Organização e Métodos Ltda 00.808.751/000139 ELO Distribuidora Ltda 73.346.462/000139 GRAFEL Gráfica e Editora Ltda 07.768.454/000156 Comercial LCR Represenções Ltda 06.882.609/000118 LCR Confecções Loan Ltda 06.828.545/000177 Autovale Veículos Ltda 69.360.576/000166 Novem Construções Ltda 12.454.377/000108 c) Apurar, na escrituração contábil da interessada (ACEF) e da COPEP dos anos de 2008 a 2010, se existem registros de recebimentos/pagamentos de rendimentos relativos às partes beneficiárias, nos moldes previstos nos certificados emitidos, e em quais montantes, juntando aos autos as respectivas cópias dos livros diário, razão e outros elementos comprobatórios, se houver; d) Verificar, na escrituração contábil da empresa COPEP dos anos de 2008 a 2010, se existem registros de valores recebidos a título de resultado nas Sociedades em Conta de Participação que constituiu com os recursos obtidos com a alienação das partes beneficiárias à ACEF, especificando quais as origens e montantes respectivos, juntando aos autos as respectivas cópias dos livros diário, razão e outros elementos comprobatórios, se houver; e) Verificar junto às empresas (sócias ostensivas), os resultados apurados nas sociedades em conta de participação constituídas e se os valores, eventualmente distribuídos são proporcionais aos resultados apurados e à participação da COPEP nas SCP, juntando aos autos os balanços patrimoniais e as demonstrações de resultado das SCP nos anos de 2008 a 2010; f) Juntar aos autos cópia da DIPJ, dos anos de 2008 a 2010, da interessada (ACEF), da COPEP e de todas pessoas jurídicas com as quais esta última firmou contratos de sociedades em conta de participação; e g) Intimar a interessada a apresentar os elementos comprobatórios que demonstrem se a ACEF contabilizou o recebimento dos valores decorrentes do resgate das partes beneficiárias emitidas pela COPEP e, em caso afirmativo, em que data isso se deu e quais foram os montantes. A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências solicitadas deverá elaborar Relatório Fiscal sobre o fatos apurados e elementos coligidos. Os recorrentes (sujeito passivo e responsáveis tributários arrolados) devem ser cientificados das diligências realizadas mediante recebimento de cópia do Relatório Fiscal, Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.732 26 assinalando prazo para que, desejando, se manifestem sobre o seu conteúdo, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. Após esgotado o prazo para a manifestação da interessada e dos responsáveis tributários arrolados, os autos devem retornar a este colegiado para a apreciação do Recurso Voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de outubro de 2013 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
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