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Numero do processo: 10940.720004/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2004
ITR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO.
Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão
legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra do art. 150, §4º, do CTN.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 2101-002.251
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial deslocase para a regra do art. 150, §4º, do CTN. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 72 00 04 /2 00 9- 98 Fl. 232DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.08324.355S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10940.720004/200998 Acórdão n.º 2101002.251 S2C1T1 Fl. 233 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de fls. 208/212, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que, por unanimidade de votos, exonerou o crédito tributário exigido pelo lançamento de fls. 01/04, lavrado em 02 de fevereiro de 2009, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2004. O acordão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2004 NIRF: 6.350.8125 – Fazenda Campina DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Havendo pagamento tempestivo do imposto calculado na declaração, a contagem do prazo decadencial de cinco ano tem início na data de ocorrência do fato gerador. Crédito tributário extinto pela decadência. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado” (fl. 208). É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.08324.355S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10940.720004/200998 Acórdão n.º 2101002.251 S2C1T1 Fl. 234 3 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Em relação à decadência, vinha me manifestando no sentido de que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sempre seria aplicável o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN, independentemente da existência ou não de princípio de pagamento, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Homologase, na verdade, a atividade do contribuinte. Todavia, cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia acerca do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário, assim se manifestou: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 234DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.08324.355S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10940.720004/200998 Acórdão n.º 2101002.251 S2C1T1 Fl. 235 4 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ, Primeira Seção, REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (Grifouse). Como é cediço, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros desse Conselho Administrativo no julgamento dos respectivos recursos. Vejase: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Assim, muito embora já tenha me manifestado em diversas oportunidades, anteriormente ao julgamento do Recurso Especial n.º 973.733, acerca da aplicabilidade do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional àqueles casos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, independentemente de haver início de pagamento, tratandose, o caso concreto, da exata hipótese apreciada sob a sistemática dos Fl. 235DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.08324.355S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10940.720004/200998 Acórdão n.º 2101002.251 S2C1T1 Fl. 236 5 recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, passei a adotar, nos termos do aludido art. 62A do Anexo II do RICARF, o entendimento daquela Corte infraconstitucional. Tendo o lançamento sido realizado em 02 de fevereiro de 2009, correta a decisão que conheceu a decadência do direito de lançar referente ao exercício de 2004, pois conforme demonstra o documento de fl. 207, houve princípio de pagamento. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 236DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.08324.355S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA em 18/07/2013 14:42:02. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA em 18/07/2013. Documento assinado digitalmente por: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS em 23/07/2013 e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA em 18/07/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 16/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP16.0919.08324.355S Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 1F91C96717A20BFE18041D0CDDD33815423CC6DF Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10940.720004/2009-98. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10283.720554/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
ITR. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. INTIMAÇÃO AO DE CUJUS. DESCONHECIMENTO DO FATO.
Não há como não admitir a notificação endereçada ao "falecido", uma que vez que o Sr. Fiscal não tinha conhecimento do acontecido e quando do início do procedimento este era vivo. Além do mais, o procedimento sucessório, até a data do protocolo do recurso, ainda não fora aberto.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente e reserva legal, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico e/ou outros documentos que possibilitasse a comprovação da existência da área de preservação permanente.
Numero da decisão: 2401-006.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer à isenção da área de utilização limitada (reserva legal). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720544/2007-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 ITR. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. INTIMAÇÃO AO DE CUJUS. DESCONHECIMENTO DO FATO. Não há como não admitir a notificação endereçada ao "falecido", uma que vez que o Sr. Fiscal não tinha conhecimento do acontecido e quando do início do procedimento este era vivo. Além do mais, o procedimento sucessório, até a data do protocolo do recurso, ainda não fora aberto. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente e reserva legal, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico e/ou outros documentos que possibilitasse a comprovação da existência da área de preservação permanente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer à isenção da área de utilização limitada (reserva legal). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720544/2007-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. INTIMAÇÃO AO DE CUJUS. DESCONHECIMENTO DO FATO. Não há como não admitir a notificação endereçada ao "falecido", uma que vez que o Sr. Fiscal não tinha conhecimento do acontecido e quando do início do procedimento este era vivo. Além do mais, o procedimento sucessório, até a data do protocolo do recurso, ainda não fora aberto. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente e reserva legal, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico e/ou outros documentos que possibilitasse a comprovação da existência da área de preservação permanente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer à isenção da área de utilização limitada (reserva legal). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720544/2007-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 05 54 /2 00 7- 36 Fl. 172DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.545 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720554/2007-36 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.540, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10283.720544/2007-09, paradigma deste julgamento. “MIRTYL FERNANDES LEVY, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Turma da Delegacia Regional de Julgamento, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural - ITR, em relação ao exercício em questão, conforme Notificação de Lançamento e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Notificação de Lançamento, lavrada nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindo-se crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente da glosa da área de preservação permanente por não restar comprovada e arbitramento do valor da terra nua - VTN. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, preliminarmente requer a nulidade do lançamento, uma vez que o espólio não foi regularmente intimado do procedimento. No mérito, repisa às alegações da impugnação, afirmando que devem ser consideradas as áreas de reserva legal constantes da matrícula do imóvel, devidamente averbadas, colacionando jurisprudência em seu favor. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornando-o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Fl. 173DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.545 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720554/2007-36 Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.540, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10283.720544/2007-09, paradigma deste julgamento. Apresenta-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os fundamentos do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.540, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço dos recursos e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE Primeiramente esclareça-se que o Recurso Voluntário foi apresentado pela viúva e por um dos filhos. Tendo o autuado falecido após o Termo de Intimação Fiscal e antes da lavratura do Auto de Infração. O "contribuinte" preliminarmente requer a nulidade do lançamento, uma vez que o espólio não foi regularmente intimado do procedimento. Tem-se que o procedimento fiscal (Termo de Intimação Fiscal) e a Notificação Fiscal foram endereçadas ao Sr. Mirtyl. Acontece que no decurso do procedimento fiscal o contribuinte veio a óbito. No entanto, constata-se que a autoridade fiscal não tinha conhecimento/notícia do falecimento do contribuinte. Agindo da melhor forma e obedecendo a legislação de regência naquele momento. Ademais, até a interposição do Recurso Voluntário, não tinha sido efetuado o inventário do de cujus, não cabendo falar em erro da intimação. Não há como não admitir a notificação endereçada ao "falecido", uma que vez que o Sr. Fiscal não tinha conhecimento do acontecido e quando do início do procedimento este era vivo. Além do mais, o procedimento sucessório, até a data do protocolo do recurso, ainda não fora aberto. MÉRITO No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR, a fiscalização resolveu glosar integralmente a área de preservação permanente declarada e a área de utilização limitada, além de rejeitar o Valor da Terra Nua (VTN), disto resultando o imposto suplementar. Em outro viés, o contribuinte afirma que devem ser consideradas as áreas de reserva legal constantes da matrícula do imóvel, devidamente averbadas, colacionando jurisprudência em seu favor. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da exigência de apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA dentro do prazo legal, quanto às áreas de preservação permanente e reserva legal, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural - ITR. Fl. 174DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.545 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720554/2007-36 Consoante se infere dos autos, conclui-se que a pretensão do Contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, de acordo a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constata-se que o Acórdão recorrido merece reforma, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: I - VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7 o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1 o , deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal/utilização limitada. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a Fl. 175DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2166-67.htm#art3 Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.545 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720554/2007-36 inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerá-la como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa das áreas de reserva legal (utilização limitada) e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não apresentação do ADA (como defendeu a DRJ), e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal ou procedida a averbação tempestiva, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, deve-se admiti-las para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.166-67/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa - SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural - ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tão-somente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.00011206-7/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17-O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.166-67/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao Fl. 176DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.545 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720554/2007-36 contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retro- operância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17-O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região - AMS 2005.36.00.008725-0/MT - e-DJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT - DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.166-67/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT - Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas. (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região - APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.006274-2/PR - 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA ou mesmo a averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Pois bem. De acordo com a explanação encimada, destaco que, no tocante às Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, o Poder Judiciário consolidou o entendimento no sentido de que, em relação aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, é desnecessária a apresentação do ADA para fins de exclusão do cálculo do ITR, sobretudo em razão do previsto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Fl. 177DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.545 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720554/2007-36 Inclusive, observa-se que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, reconhecendo o entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça sobre a inexigibilidade do ADA, nos casos de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de fruição do direito à isenção do ITR. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. É preciso deixar registrado que neste processo a lide diz respeito exclusivamente à glosa das áreas de reserva legal (utilização limitada) e preservação permanente de 135.841,0 e 35.157,0 ha, respectivamente. Quanto a área de preservação permanente, não vislumbro nos autos nenhuma documentação capaz de comprovar a sua existência. Caberia ao contribuinte trazer Laudo Técnico de Avaliação entre outros documentos que dadivassem suporte a sua declaração. Relativamente à Área de Reserva Legal, consta dos autos comprovação de sua existência, conforme se extrai da Certidão apresentada. Observa-se pela averbação (AV. 07-041), feita em 2000, a área fica vinculada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama. Realmente, sendo feita a averbação da reserva legal esta área averbada fica vinculada ao Ibama, fl. 32. Neste diapasão, estando à área de 138.710,2399 hectares relativa ao imóvel "Vila Martins Conceição" averbada como sendo de Reserva Legal, impõe-se reconhecer a isenção pleiteada sobre essa fração. Quanto às demais alegações do contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância, especialmente no que diz respeito ao pacto federativo. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento sub examine em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO afastando a preliminar e, no mérito, DAR- LHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer à isenção da área de utilização limitada (reserva legal) de 138.710,2399 hectares, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 178DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-006.545 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720554/2007-36 Fl. 179DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.901869/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO FORMADO A PARTIR DE RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa, não sendo obrigatória, por conseguinte, a inclusão do valor pago a maior na apuração do IRPJ ou da CSLL no ajuste anual. Súmula CARF nº 84.
Numero da decisão: 1201-003.122
Decisão:
Vistos, discutidos e relatados os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe parcial provimento no sentido de restituir os autos à DRF de origem a fim de que esta, superando o óbice quanto à impossibilidade de indébito de estimativa, proceda à análise da existência e da disponibilidade do crédito reclamado pela recorrente na compensação declarada, prolatando, ao final, novo Despacho Decisório. Após, que se reinicie o rito processual.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Allan Marcel Warwar Teixeira Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO FORMADO A PARTIR DE RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa, não sendo obrigatória, por conseguinte, a inclusão do valor pago a maior na apuração do IRPJ ou da CSLL no ajuste anual. Súmula CARF nº 84.
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decisao_txt : Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe parcial provimento no sentido de restituir os autos à DRF de origem a fim de que esta, superando o óbice quanto à impossibilidade de indébito de estimativa, proceda à análise da existência e da disponibilidade do crédito reclamado pela recorrente na compensação declarada, prolatando, ao final, novo Despacho Decisório. Após, que se reinicie o rito processual. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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INDÉBITO FORMADO A PARTIR DE RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa, não sendo obrigatória, por conseguinte, a inclusão do valor pago a maior na apuração do IRPJ ou da CSLL no ajuste anual. Súmula CARF nº 84. Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe parcial provimento no sentido de restituir os autos à DRF de origem a fim de que esta, superando o óbice quanto à impossibilidade de indébito de estimativa, proceda à análise da existência e da disponibilidade do crédito reclamado pela recorrente na compensação declarada, prolatando, ao final, novo Despacho Decisório. Após, que se reinicie o rito processual. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 18 69 /2 00 9- 06 Fl. 55DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.122 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11020.901869/2009-06 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade que pleiteou indébito de estimativa de CSLL. O valor do DARF do pagamento alegado a maior importa em R$ 8.830,30 e se refere ao período de 10/2004. O valor a maior pleiteado é de R$ 5.339,93 (=R$ 8.830,30 – 3.490,37). A Perdcomp correspondente foi transmitida em 31/03/2005. Alega a recorrente que aplicou a alíquota de estimativa com base na receita bruta equivocadamente. Em vez de aplicar 12%, como entende ser o correto, aplicou 32%, resultando assim recolhimento a maior. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em acórdão assim ementado: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetua pagamento indevido ou a maior de tributo a título de estimativa mensal, somente pode utilizar o valor pago ou retido na dedução do valor devido ao final do período de apuração em que ocorreu o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. No recurso voluntário, reitera a recorrente, em síntese, as razões da Manifestação de Inconformidade. É o relatório Voto Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão por que dele conheço. Mérito A questão trata da possibilidade de indébito de estimativa de CSLL. A autoridade julgadora a quo julgou improcedente o pleito da recorrente ao fundamento de que pagamento a maior de estimativa deve ser obrigatoriamente aproveitado no cômputo do Saldo Negativo. Ocorre, porém, que esta questão foi sumulada pelo CARF em sentido contrário, isto é, de ser possível o indébito de estimativas, conforme prevê a Súmula nº 81: Fl. 56DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.122 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11020.901869/2009-06 Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Assim, a decisão de piso deve ser revista, bem como o próprio Despacho Decisório, no sentido de se proceder à análise do direito creditório reclamado. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe parcial provimento no sentido de restituir os autos à DRF de origem a fim de que esta, superando o óbice quanto à impossibilidade de indébito de estimativa, proceda à análise da existência e da disponibilidade do crédito reclamado pela recorrente na compensação declarada, prolatando, ao final, novo Despacho Decisório. Após, que se reinicie o rito processual. É como voto. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000200/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Ano-calendário: 2012
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
Segundo a Súmula CARF n. 154, constatada a oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei 11.457/2007
RESTITUIÇÃO. TAXA SELIC QUE DEVERIA TER INCIDIDO SOBRE VALORES JÁ RESSARCIDOS.
Se o contribuinte tinha direito à correção do valor do ressarcimento pela taxa Selic e o valor ressarcido não foi corrigido à época, defere-se o pedido de restituição do valor da correção.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-007.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito do contribuinte à correção do ressarcimento de crédito presumido de IPI pela taxa Selic a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do seu pedido.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente).
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Ano-calendário: 2012 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. Segundo a Súmula CARF n. 154, constatada a oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei 11.457/2007 RESTITUIÇÃO. TAXA SELIC QUE DEVERIA TER INCIDIDO SOBRE VALORES JÁ RESSARCIDOS. Se o contribuinte tinha direito à correção do valor do ressarcimento pela taxa Selic e o valor ressarcido não foi corrigido à época, defere-se o pedido de restituição do valor da correção. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito do contribuinte à correção do ressarcimento de crédito presumido de IPI pela taxa Selic a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do seu pedido. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Ano-calendário: 2012 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. Segundo a Súmula CARF n. 154, constatada a oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei 11.457/2007 RESTITUIÇÃO. TAXA SELIC QUE DEVERIA TER INCIDIDO SOBRE VALORES JÁ RESSARCIDOS. Se o contribuinte tinha direito à correção do valor do ressarcimento pela taxa Selic e o valor ressarcido não foi corrigido à época, defere-se o pedido de restituição do valor da correção. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito do contribuinte à correção do ressarcimento de crédito presumido de IPI pela taxa Selic a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do seu pedido. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 02 00 /2 00 8- 92 Fl. 97DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.000200/2008-92 Relatório Segundo consta dos autos, por meio do despacho decisório de fls. 43/49, que foi proferido no processo nº 13971.000725/2004, o contribuinte obteve o ressarcimento de créditos de IPI no valor de R$ 916.583,56, sendo uma parte utilizada na homologação de compensações e outra parte ressarcida em espécie. Tendo em vista que a repartição fiscal efetuou aquele ressarcimento sem aplicar a taxa selic entre a data de protocolo do processo 13971.000725/2004 e a data da utilização do crédito, o contribuinte formalizou este processo solicitando a restituição do valor adicional de R$ 240.917,18, correspondente à correção do ressarcimento pela taxa selic que deixou de ser aplicada na ocasião. O pedido de restituição foi negado por meio do despacho decisório de fls. 51/58, por inexistência de previsão legal para a correção do ressarcimento de IPI. A autoridade administrativa entende que como não existia previsão legal para aplicar a taxa selic ao ressarcimento, não existe nenhum valor adicional a restituir. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 60/70, onde sustenta, em síntese, que o ressarcimento de créditos de IPI seria similar à restituição e que o direito à correção do ressarcimento de IPI pela taxa selic seria garantido pela Lei nº 9.250/95. Por meio do Acórdão nº 36.592, de 15/02/2012, a 2ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O julgado recebeu a seguinte ementa: RESSARCIMENTO. . JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Regularmente notificado da decisão em 14/08/2012, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 80/92, em 11/09/2012, no qual reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade e invocou entendimento do STJ manifestado em sede de recurso repetitivo. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme deflui do relatório, o contribuinte está solicitando a restituição do valor da taxa selic que deveria ter sido aplicada sobre o valor do ressarcimento de IPI já recebido em outro processo. É fato incontroverso nos autos que o ressarcimento no valor de R$ 916.583,56 foi efetuado em outro processo sem a aplicação da taxa Selic, porque a Administração entendeu que não existia previsão legal para a correção. Contudo, o STJ tem entendimento diferente expressado por meio do RE nº 1.035.847 proferido na sistemática do art. 543-C do CPC, in verbis: Fl. 98DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.000200/2008-92 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não- cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrer-se do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, posterga-se o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá-los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A leitura do inteiro teor do julgado revela que o voto do Ministro Luiz Fux versou sobre um caso de mora da Administração, conforme se pode conferir no seguinte excerto do voto: “Noticiam os autos que MINUANO PNEUS E ADUBOS LTDA., em 29.06.2005, ajuizou ação ordinária em face da FAZENDA NACIONAL, pleiteando a restituição dos valores correspondentes à correção monetária desde a data de apuração do saldo credor de IPI até a data da efetiva compensação. Informou que requerera a restituição dos créditos do IPI do período de agosto de 2000 e outubro de 2001, mas somente no ano 2005 foi comunicada do deferimento do pedido. Destacou que apesar de terem sido reconhecidos os créditos, a autoridade fiscal apurou débitos do PIS e COFINS e por esse motivo, iria proceder à compensação dos valores. Argumentou que os débitos das contribuições seriam atualizadas monetariamente, enquanto os créditos do IPI seriam utilizados no seu valor nominal, causando violação ao princípio da isonomia.” Desse modo, o entendimento do RE nº 1.035.847, quanto à correção do ressarcimento de créditos de IPI pela taxa Selic, aplica-se não só aos casos em que ocorre oposição estatal injustificada à utilização do crédito, mas também aos casos em que ocorra a simples demora da Administração em deferir o pedido. Considerando que o art. 62, § 2º, do RICARF, determina que os conselheiros devem reproduzir em seus votos os julgados do STJ proferidos na sistemática dos recursos repetitivos, deve ser reconhecido o direito à correção do ressarcimento pela taxa Selic. No que tange ao termo inicial de incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI, trata-se de matéria que foi minuciosamente abordada pela Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne no Acórdão 3402006.254, quando este Colegiado mais uma vez Fl. 99DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.000200/2008-92 decidiu que sua incidência deve ocorrer desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Transcrevo seus fundamentos abaixo: Com efeito, ainda que não seja possível a correção a partir da data da geração do crédito por ausência de previsão legal, com o impedimento da utilização do crédito com a emissão do despacho decisório relativo ao pedido de ressarcimento, passou a ser necessária a sua correção desde a data do protocolo do pedido por ter ocorrido uma oposição do fisco ao legítimo aproveitamento do crédito. Este entendimento está em conformidade com o entendimento sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.035.847/RS, em sede de recursos repetitivos, que deve ser aplicado por este CARF na forma do art. 62, §2º, do Regimento Interno: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não- cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrer-se do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, posterga-se o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá-los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) A aplicação analógica deste julgamento tem sido feita de forma reiterada pelo Conselho Superior deste CARF, como se depreende dos julgados já trazidas acima, e dos seguintes julgados apenas a título de exemplo: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de Fl. 100DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.000200/2008-92 mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...) Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte." (CSRF, Processo 10675.001666/200195 Data da Sessão 04/04/2011 Relator Rodrigo Cardozo Miranda. Redator designado Antônio Carlos Atulim. Acórdão n.º 9303001.407 grifei) "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/01/2000 (...) NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DE DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES PROFERIDAS NA SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC Dispõe o art. 62A do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI. OPOSIÇÃO INJUSTIFICADA DA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Nos termos da decisão proferida pelo STJ no RE 993.164: 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). NORMAS REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. Não se admite recurso especial cuja divergência não esteja comprovada nos termos do artigo 67 do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009." (CSRF, Processo 13971.001062/0040 Data da Sessão 23/02/2016 Relator Julio Cesar Alves Ramos. Acórdão n.º 9303003.460 grifei) Como se depreende dos julgados acima colacionados, não se cabe falar em correção desde a data da geração do crédito vez que o crédito presumido é um crédito escritural para o qual não há previsão legal de atualização. Uma vez emitido o despacho decisório com a oposição à utilização do crédito presumido, cabível a inclusão da SELIC desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, para evitar o locupletamento ilícito do fisco. Com todo respeito ao entendimento do I. Conselheiro Relator, a tese por ele sustentada, no sentido de que a incidência da SELIC somente seria cabível a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, não possui qualquer respaldo na legislação ou no precedente do Superior Tribunal de Justiça. Com efeito, como visto, o que é relevante identificar é a existência de uma oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, que impeça a utilização do direito de crédito pelo contribuinte. Com a descaracterização do crédito como um crédito escritural, ele deverá ser atualizado. E para evitar o locupletamento ilícito do fisco, essa atualização deve ocorrer desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, data que marca o momento quando o contribuinte exerceu o seu direito ao crédito, na forma do art. 165, do CTN. Fl. 101DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.000200/2008-92 É no momento do protocolo do pedido de ressarcimento que o contribuinte exerce o seu direito ao crédito, direito este que foi indevidamente obstado pela Administração Pública por meio da emissão do despacho decisório, que caracterizou a oposição estatal indevida suscetível a autorizar a atualização monetária do crédito posteriormente reconhecido pelas instâncias de julgamento. E essa atualização deve ocorrer desde a data do exercício do direito obstado, repita-se, desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Assim, no entendimento pessoal dessa Relatora, deveria ser reconhecido o direito à correção pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento até a data em que os créditos foram utilizados pelo contribuinte nas Dcomp tratadas no despacho decisório. Esclareço que a data em que o crédito foi utilizado é a data de transmissão de cada Perdcomp declarando compensação com o ressarcimento deferido neste processo, pois conforme o art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96, a extinção do crédito por compensação ocorre no momento da entrega da declaração de compensação. Contudo, não é esse o posicionamento do CARF, que recentemente editou a Súmula 154, com o seguinte teor: Constatada a oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei 11.457/2007. É consabida a necessidade de observância pelas turmas do CARF dos enunciados sumulares emitidos pelo órgãos, por previsão regimental, o que faço nesse acórdão em detrimento do meu entendimento pessoal sobre tema. Voltando ao caso concreto: é incontroverso que o valor apurado no processo nº 13971.000725/2004, R$ 916.583,56, foi compensado e o valor remanescente devolvido ao contribuinte sem a devida correção. Também não existe nenhuma controvérsia acerca do valor de R$ 240.917,18, pleiteado pelo contribuinte a título de restituição da taxa Selic, que deveria ter sido aplicada sobre o valor originário do crédito reconhecido naquele processo (R$ 916.583,56), uma vez que o único motivo declinado pela Administração para negar a restituição dos R$ 240.917,19 foi a falta de previsão legal para correção do ressarcimento (fls. 51/58). Desse modo, como a correção do ressarcimento pela taxa Selic deve ser reconhecida com base na Súmula CARF n. 154, deve ser deferida a restituição pleiteada pelo contribuinte no valor original de R$ 240.917,56, que deverá ser corrigido na forma pela taxa Selic a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do seu pedido. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Fl. 102DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.000200/2008-92 Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.905999/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS.
Descumpridos os requisitos legais, há que ser cassada a imunidade, por se caracterizar como imunidade condicionada
Numero da decisão: 3301-006.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS. Descumpridos os requisitos legais, há que ser cassada a imunidade, por se caracterizar como imunidade condicionada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratam estes autos de análise de Pedido Eletrônico de Restituição – PER ,de valor recolhido indevidamente a título de PIS FOLHA DE PAGAMENTO, no valor de R$ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 59 99 /2 01 2- 35 Fl. 3425DF CARF MF 2 31.265,80, relativo ao período de 07/2007, transmitida eletronicamente pelo Sistema PER/DCOMP, disponível no sitio da Secretaria da Receita Federal na Internet. 2. Os presentes autos foram formalizados para tratar manualmente o processo relativo ao crédito vinculado ao PER de nº 11169.33333.040610.1.2.040482, tendo sido emitido o Despacho Decisório Eletrônico nº de rastreamento 040971525, de fls. 146 dos autos digitais, exarado pela DEMAC/RIO DE JANEIRO, onde foi indeferido o pedido de restituição, sob o fundamento de que não havia crédito disponível, por estar o pagamento alegado como indevido integralmente utilizado para a quitação de débito declarado como devido. 3. Adoto, por economia processual e por bem descrever os fatos, o relatório constante do Acórdão DRJ/RIO DE JANEIRO nº 1281.195, combatido pela recorrente : Trata o presente processo do PER/DCOMP nº 11169.33333.040610.1.2.040482, transmitido em 04/06/2010 pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de parte do valor pago a título de PIS – Folha de Pagamento, R$ 31.265,80, relativo ao período de apuração 07/2007, recolhido em 16/08/2007. À fl. 146 consta despacho decisório proferido pela DEMAC/RJ, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão em 17/12/2012 (fl. 147), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva em 15/01/2013 (fls. 02 a 54), alegando, em resumo, que: ꞏ Originariamente, tratase do processo administrativo nº 10768.003554/201021, relativo a pedido de restituição de recolhimentos indevidos de PIS, para os fatos geradores ocorridos a partir de jun/2000, até a data de protocolo do requerimento; ꞏ Aquele pedido foi formulado em razão de tratarse a requerente de entidade constitucionalmente imune ao recolhimento do PIS, nos termos do art. 195, § 7º, da Constituição, tendo sido instruído com os documentos necessários à comprovação da natureza jurídica da entidade de assistência social, e do cumprimento dos requisitos dos arts. 14 do CTN e 55 da Lei nº 8.212/91; ꞏ Porém, a requerente foi cientificada em 17/12/2012, por meio de despacho decisório, de que seu pedido fora indeferido, sob o único argumento da inexistência do crédito; ꞏ Tal decisão não deve prevalecer, uma vez que a requerente, além de consagrada como entidade de assistência social pelos órgãos competentes, dentre eles o CNAS, atendia, no período dos fatos geradores em questão, e ainda atende aos requisitos da legislação em vigor para fruição da imunidade tributária, bem como aos ditames das normas infraconstitucionais; Fl. 3426DF CARF MF Processo nº 16682.905999/201235 Acórdão n.º 3301006.624 S3C3T1 Fl. 3.426 3 ꞏ Também restou demonstrado o recolhimento dos valores que a requerente pretende ver restituídos, conforme DARF anexado, demonstrando a efetiva existência do crédito que pretende ver restituído; ꞏ Os argumentos de fato e de direito a seguir expostos, anteriormente apresentados nos autos do processo nº 10768.003554/201021, demonstrarão a necessidade de a decisão ser revista; ꞏ Preliminarmente, cabe discorrer sobre a ausência de fundamento no despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição formulado no processo nº 10768.003554/2010 21, pois a afirmação da inexistência de crédito não cumpre a formalidade exigida na expedição dos atos administrativos, nos quais devem constar as razões de decidir da autoridade; ꞏ A autoridade que proferiu o despacho decisório não observou a natureza jurídica da entidade requerente, instituição beneficente de assistência social, portadora do CEBAS, usufruindo dos benefícios da imunidade tributária, o que ensejaria o deferimento da restituição requerida; ꞏ A autoridade fiscal também deixou de observar a juntada de documento no processo originário de restituição registrado sob o nº 10768.003554/201021, consubstanciado no DARF recolhido no montante que se pretende ver restituído, conforme nova apresentação nos presentes autos, o que ensejará a reforma da decisão atacada; ꞏ Citase doutrina acerca do conceito de ato administrativo; ꞏ Além disso, sendo espécie de ato administrativo, o indeferimento está submetido aos dispositivos normativos que regem o gênero, devendo observar os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência, estabelecidos no art. 37 da Constituição, além daqueles previstos na Lei nº 9.784/99, sob pena de nulidade; ꞏ Citase doutrina acerca dos requisitos do ato administrativo; ꞏ O ato administrativo deve ser motivado, pois sem motivação não há que se falar em devido processo legal, pois é ela que fornece os meios para interpretar a decisão relativa ao ato impugnado, viabilizando o controle da legalidade do ato da Administração; ꞏ Motivar significa mais do que mencionar o dispositivo legal aplicável ao caso concreto, devendo a autoridade administrativa relacionar os fatos que levaram à aplicação daquele determinado dispositivo, o que não ocorreu no presente caso, pois a menção em uma única linha escrita do indeferimento do pedido de restituição, sem qualquer fundamentação jurídica capaz de respaldar a legalidade e validade do ato administrativo; Fl. 3427DF CARF MF 4 ꞏ Citase doutrina acerca da motivação do ato administrativo; ꞏ No presente caso, faltou ao despacho decisório a fundamentação que motivou o indeferimento, restando ausente a explicitação dos motivos de fato e de direito que levaram a tal decisão; ꞏ A ausência ou insuficiência de motivação torna nulo o ato praticado, por ofensa ao art. 37 da Constituição e aos arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784/99, o que deve ser revisto pela Administração a qualquer tempo, conforme Súmula nº 473 do STF; ꞏ A requerente, conforme documentos comprobatórios, é associação civil, sem fins lucrativos, de finalidades educacionais, assistenciais, filantrópicas, conforme ato constitutivo; ꞏ A requerente tem proporcionado educação à população em geral, por meio de bolsas de estudos e de atividades culturais de ensino, e tem realizado projetos assistenciais à população de baixa renda, atuando na promoção do bem estar social; ꞏ A partir de 2002, quando da criação da Assessoria de Pesquisa, Extensão e Assuntos Comunitários, ampliou seu espectro de atuação, criando também novos núcleos dentro da instituição, além de realizar ações sociais em comunidades carentes; ꞏ O estatuto social da requerente não apenas comprova o desenvolvimento de atividades sociais, mas também evidencia o atendimento aos condicionantes estabelecidos pelo art. 14 do CTN e pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91; ꞏ A requerente é portadora de diversos títulos reconhecedores de sua importância social na área da educação; ꞏ A requerente protocolou seu pedido de renovação do CEAS junto ao MEC, o qual está pendente de análise; ꞏ Também obteve a renovação do Título de Utilidade Pública Federal, com validade até 30/04/2012, comprovando as atividades sociais desenvolvidas e o devido registro contábil de suas receitas e despesas; ꞏ Em razão de suas atividades na área educacional e cultural, a requerente não apenas se enquadra na categoria de entidade de educação sem fins lucrativos, mas possui prerrogativa de imunidade tributária relativa às contribuições sociais, dado seu status de entidade beneficente de assistência social, conforme expedição do CEAS; ꞏ A requerente também se encontra há muito no gozo do benefício fiscal sob a ótica das contribuições previdenciárias, nos termos da Lei nº 3.577/1959 e do Decreto nº 1.117/1962; Fl. 3428DF CARF MF Processo nº 16682.905999/201235 Acórdão n.º 3301006.624 S3C3T1 Fl. 3.427 5 ꞏ Conforme declaração expedida pelo órgão de fiscalização, à época, temse que a requerente possui o seu reconhecimento como entidade filantrópica, encontrandose no gozo do benefício fiscal relativo às contribuições sociais; ꞏ A requerente obteve decisão no TFR, cujos efeitos de validade foram consagrados pelo instituto da coisa julgada, consagrando o benefício fiscal e afastando qualquer dúvida acerca de tal direito, o que ensejará o deferimento do pedido de restituição; ꞏ Assim, com o advento da Lei nº 8.212/91, a requerente esteve sob a condição estabelecida no art. 55, § 1º, ou seja no gozo da imunidade tributária, dispensados quaisquer procedimentos formais de reconhecimento deste direito; ꞏ Com a Constituição de 1988, o benefício fiscal relativo à cota patronal outorgado às entidades filantrópicas ganhou ares constitucionais, conforme art. 195, § 7º, sendo delegada à lei a missão de estipular os critérios para a sua concessão, o que só ocorreu com a Lei nº 8.212/91, observandose que no período entre a promulgação da Constituição e a edição da Lei foi respeitado o direito das entidades que já gozavam da isenção; ꞏ Assim, não só pela disposição expressa do art. 55, § 1º, da Lei nº 8.212/91, ao qual se aplica a interpretação literal, nos termos do art. 111 do CTN, mas também pelo cumprimento dos requisitos previstos em seus dispositivos, restou assegurado o direito à imunidade tributária relativa às contribuições sociais a seu favor; ꞏ Em conformidade com tais argumentos, foi proferida sentença nos autos dos embargos à execução fiscal nº 2007.51.01.5315750, que, em análise idêntica ao presente caso, reconheceu o direito à imunidade da requerente no tocante às contribuições sociais; ꞏ O PIS, à época de sua instituição pela LC nº 7/70, também era cobrado de instituições filantrópicas, referindo a norma ao caráter fiscal das exações; ꞏ Foi recepcionado pela Constituição em seu art. 239, impondolhe a característica de contribuição social, dada sua finalidade; ꞏ Em que pese o art. 9º, incs. III e IV, do Decreto nº 4.524/2002 determinar que são contribuintes do PIS incidente sobre a folha de salários as instituições de educação e de assistência social, que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532/1997, e as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532/1997, evidente a sua Fl. 3429DF CARF MF 6 inconstitucionalidade por infringir o art. 195, § 7º, da Constituição; ꞏ Desta forma, ratificase a violação da garantia constitucional da imunidade às contribuições sociais a que as instituições beneficentes de assistência social fazem jus; ꞏ O STF já se manifestou favoravelmente acerca da incidência da regra de imunidade para as entidades sem fins lucrativos, conforme decisão citada, não havendo que se falar em incidência de PIS sobre folha de salários das instituições de assistência social; ꞏ Com a Constituição de 1988, art. 195, § 7º, ficou garantida não só a imunidade dos impostos (art. 150, inc. VI, alínea “c”), como também das contribuições sociais para as entidades de assistência social, ratificando o benefício social, isenção, que a Lei nº 3.577/1959 instituiu, com força maior; ꞏ Quanto às normas regulamentadoras, o art. 14 do CTN encontrase espelhado no art. 55 da Lei nº 8.212/91, ambos estabelecendo os requisitos para que a entidade usufrua da imunidade constitucional, diferindo apenas nos requisitos formais, quais sejam os títulos; ꞏ Sendo a requerente uma entidade beneficente de assistência social, possuidora do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, declarada de utilidade pública federal, estadual e municipal, além de inscrita no CMAS, promotora de assistência social, que não distribui lucros aos seus sócios, nem remunera seus diretores e aplica seu resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seu fim, não há questionamentos a serem feitos sobre o cumprimento dos critérios estabelecidos no art. 55 da Lei nº 8.212/91; ꞏ Entendimento contrário infringiria o princípio da segurança jurídica, vez que os documentos acostados foram emitidos por órgãos públicos competentes para tal, com presunção de veracidade; ꞏ A requerente é detentora do CEAS desde 1981, requerendo a cada três anos sua renovação, inexistindo pedido administrativo indeferido; ꞏ Não havendo decisão nos demais pedidos de renovação, prevalecerá o último CEAS válido, nos termos do § 3º do art. 3º do Decreto nº 2.536/1998; ꞏ Por todo o exposto, temse que o benefício fiscal relativo às contribuições sociais está assegurado pela Constituição, não sendo devido qualquer valor relativo ao PIS incidente sobre a folha de pagamento; ꞏ Por fim, ressaltese que independentemente do entendimento deste órgão, seja pelo art. 14 do CTN, seja pelo art. 55 da norma previdenciária, a requerente cumpre com ambos os dispositivos legais; Fl. 3430DF CARF MF Processo nº 16682.905999/201235 Acórdão n.º 3301006.624 S3C3T1 Fl. 3.428 7 ꞏ Por todo o exposto, requerse que seja declarada a nulidade do despacho decisório emitido em 05/12/2012, tendo em vista os argumentos e provas trazidos. É o relatório. 4. A DRJ/RIO DE JANEIRO assim ementou o Acórdão de nº 1281.195 : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 ENTIDADE EDUCACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNIDADE MATÉRIA JÁ APRECIADA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo administrativo diverso, relativo aos mesmos fatos, ao mesmo período de apuração e ao mesmo tributo. DECISÃO ADMINISTRATIVA NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO NÃO OCORRÊNCIA Não padece de nulidade a decisão administrativa que contenha as informações relativas aos fundamentos fáticos e legais que ensejaram o indeferimento do pedido formulado pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 5. Irresignada, a requerente apresentou recurso voluntário, onde, em síntese, repisando os mesmos argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade, alega : I ´SÍNTESE DA DEMANDA Tratase, originalmente, de processo administrativo registrado sob o n. 10768.003554/201021, relativo ao pedido de restituição dos recolhimentos indevidos relativos à contribuição social instituída para financiamento do Programa de Integração Social (PIS), no período do fato gerador a partir de junho de 2000, até a data do protocolo do requerimento. Ocorre que, a ora recorrente teve seu pedido negado por meio despacho decisório, sob o infundado argumento de ausência de crédito. Consequentemente, a ora recorrente apresentou manifestação de inconformidade em face da referida decisão, porém de forma equivocada e com base na decisão proferida nos autos de outro processo administrativo, manteve negado o pedido de restituição da ora recorrente, o que não pode prevalecer Nada obstante, em que pese tais ilações cumpre mencionar que a decisão que não admitiu a presente manifestação de inconformidade não pode prevalecer, tendo em vista que a ora recorrente se trata de instituição beneficente, sem fins lucrativos, fiel cumpridora dos requisitos necessários para a fruição do benefício fiscal da imunidade nos termos que reza o artigo 197, parágrafo 7o, da Constituição da República. Com base nisso, compreendese que o acórdão que negou o direito a restituição não pode ser mantido, sob o risco de incorrer em patente violação a norma Constitucional, motivo pelo qual se interpõe o presente recurso voluntário. Fl. 3431DF CARF MF 8 II – PRELIMINARMENTE – DA TEMPESTIVIDADE DO PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO o acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade foi formalizado em 18 de julho 2016 (segunda feira), tendo sido recebido pelo contribuinte no dia 19 de julho de 2016 (terçafeira), desta forma, e segundo a legislação vigente, iniciouse o prazo para a interposição do presente recurso no dia subsequente, findandose, consequentemente, no dia 17 de agosto de 2016 (quartafeira), o que demonstra sua evidente tempestividade. III – PRELIMINARMENTE III.I – DA NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DESTE PROCESSO EM RAZÃO DO JULGAMENTO DO PROCESSO Nº 10768.003554/201021 – APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA ECONOMIA E CELERIDADE – POSSIBILIDADE DE DECISÃO CONFLITANTE A ora recorrente requereu por meio do processo administrativo autuado e distribuído sob o no 10768.003554/201021, a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de Contribuição Social instituída para o financiamento do Programa de Integração Social (PIS), no período de junho de 2000 a maio de 2010, tendo em vista que esta se trata de instituição beneficente, sem fins lucrativos, notadamente reconhecida como entidade de assistência social, fazendo jus ao benefício fiscal atinente à imunidade tributária nos termos que estabelece o parágrafo sétimo do artigo 195 da Constituição da República. Instruíram o processo acima mencionado as planilhas demonstrativas de recolhimentos com os devidos comprovantes de cada competência, entre outros documentos para comprovação da natureza jurídica da requerente como entidade de assistência social, e de seu cumprimento efetivo aos requisitos dos artigos 14 do CTN e 55 da Lei n.o 8.212, de 1991. De acordo com o que se pode perceber, o presente recurso voluntário tem como objeto refutar a decisão que negou o pedido de restituição concernente a competência ora pleiteada, porém sabese que este processo está vinculado a decisão do processo n.o 10768.003554/201021, visto ter sido ele que deflagrou na constituição do presente, ao passo que é certo ressaltar que este se trata de uma obrigação acessória que está amplamente vinculado ao principal, evidenciando assim uma latente relação de prejudicialidade diante do eventual julgamento descompassado destes processos administrativos fiscais. Nestes termos, compreendese que a decisão final do pedido de restituição a ser proferida nos autos do processo no 10768.003554/201021, implicará na alteração da decisão deste feito. Assim, primando pela aplicação dos princípios da celeridade e economia processual que rege o processo administrativo fiscal, mister que seja determinado a suspensão deste feito até que seja proferida a decisão final nos autos do processo principal, além do fato que a referida decisão não implicará em nenhum prejuízo a ora recorrente, bem como evitará possíveis decisões conflitantes. III.II – NULIDADE DA DECISÃO COMBATIDA – AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO NOS AUTOS DO PROCESSO Nº 10768.003554/201021 – INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS INERENTES AO ATO ADMINISTRATIVO De plano, insta consignar que o pedido de restituição objeto deste processo, tem como fundamento o processo principal n Fl. 3432DF CARF MF Processo nº 16682.905999/201235 Acórdão n.º 3301006.624 S3C3T1 Fl. 3.429 9 10768.003554/201021, que se trata do pedido restituição dos recolhimentos indevidos relativos à contribuição social instituída para financiamento do Programa de Integração Social (PIS), encontrase maculado, ante a ausência do preenchimento dos requisitos mínimos dos princípios e normas que regem a administração pública, motivo pela qual a presente negativa não pode ser mantida, nos termos que restará demonstrado a seguir. Neste ínterim, mister destacar que a decisão que negou o direito a restituição nos autos do processo n.o 10768.003554/201021, não o fez com a devida fundamentação, carecendo de amparo legal, ao passo certo que a ausência de fundamentação naquela decisão, via de consequência, implicada na nulidade da negativa do presente pedido de restituição. Em análise aos autos do processo n.o 10768.003554/201021, constatase que a r. decisium, que negou o direito a restituição do valores, não cuidou em analisar detidamente todo os pontos suscitados no pedido de restituição dos valores decorrentes do recolhimento de Contribuição Social destinada ao Programa de Integração Social (PIS), formulado pela ora recorrente, utilizando para a negativa apenas argumentos genéricos extraídos dos autos do processo administrativofiscal n.o 16682.720677/201137 , o qual se encontra em trâmite perante a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, referente ao cumprimento dos requisitos necessários para fruição do gozo da imunidade tributária no período de fevereiro de 2006 a dezembro de 2007. No referido caso, de acordo com o Parecer n.o 863, de 2015, emitido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária, verifica se que não houve análise do cumprimento dos requisitos que ensejasse a restituição dos valores recolhidos indevidamente pela ora recorrente, por se tratar de entidade imune, sendo que a autoridade julgadora apenas se limitou a transcrever os fundamentos extraídos do processo administrativofiscal n.o 16682.720677/201137, além do fato que a autoridade julgadora quedouse inerte frente ao pedido de restituição correspondente ao período de junho de 2005 a janeiro de 2006 e janeiro de 2008 a junho de 2010, visto que a decisão dispõe expressamente sobre o período de fevereiro de 2006 a dezembro de 2007, veja : 4. CONCLUSÃO 41.Da análise realizada acima, concluímos que, para todas as datas anteriores a 07/06/2005 (inclusive), é insubsistente o pedido de ressarcimento por advento da prescrição do direito de pedir pelo decurso de prazo superior a cinco anos entre a data do pedido de restituição e os pagamentos efetuados, em contrariedade ao art. 168, inc. i, c/c arts; 150, § 1º e 165, inc. I, do Código Tributário nacional CTN, conforme entendido no Despacho Decisório nº 134/2012 da Divisão de Orientação e Análise Tributária da delegacia Especial da Receita Federal de Maiores Contribuintes 9DIORT/DEMC/RJO) de 1/09/2012, fls. 835/838, e ratificado pelo Despacho Decisório nº 211 – SRRF07/Disit de 11/12/2014, ás fls. 909/916. 4.2 . Além disso, os períodos relativos á competência compreendida entre fevereiro de 2006 e dezembro de 2007 foram objeto de Auto de Infração sob o Mandado de Procedimento Fiscal (mpf) DE Nº 07185.00.2010.0037755, ás fls. 494/527 do processo nº Fl. 3433DF CARF MF 10 16682.720677/201137, mantido quanto á cobrança do tributo pelo acórdão de nº 1339.502, em 24 de janeiro de 2012. Desta forma, não cabe a repetição do indébito para este período. 4.3. Por fim, concluímos que a Solução de Divergência COSIT nº 3, de 14/02/2008, o art. 9º, incs III e IV, do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, e o arrazoado no voto da 4ª Turma da DRJ/RJ2, no acórdão de nº 1339.502, em 24 de janeiro de 2012, indicam claramente que a SOCIEDADE UNIFICADA DE ENSINO AUGUSTO MOTTA deve pagar o PISFolha. 4.4. Desta foram, proponho NEGAR INTEGRALMENTE O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO no presente processo. A conclusão do Parecer que lastreou a decisão proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 7a Região Fiscal acerca do pedido da restituição formulado pela ora recorrente nos autos do processo n.o 10768.003554/20102, concernente aos valores recolhidos a título de Contribuição Social destinada ao PIS é expressa ao dispor sobre o processo administrativofiscal n.o 16682.720677/201137, no período de fevereiro de 2006 a dezembro de 2007, para respaldar a negativa do direito da ora recorrente, não fazendo sequer nenhuma menção ao período anterior ou posterior a este, que também fora objeto do processo de restituição. Neste passo, compreendese que a decisão que negou o direito da ora recorrente nos autos do processo principal à restituição carece de motivação, sendo este imprescindível para formação dos atos praticados pela Administração Pública. (…) Ou seja, a Administração Pública não pode praticar seus atos de forma aleatória e discricionária, tendo em vista que a legislação responsável estabelece que ela deve fundamentar de forma específica e expressa todos os seus atos. Dessa forma, ao analisar o pedido formulado pela ora recorrente, o qual suscitou a restituição do período de agosto/2005 para frente, constatase que o Órgão não poderia ter simplesmente negado o referido pedido com base em uma fundamentação diversa daquela formulada no pleito inicial, utilizandose de argumentos de decisão proferida no âmbito da DRJ nos autos do processo administrativofiscal n.o 16682.720677/201137, mormente porque o referido processo versa apenas sobre o período de fevereiro de 2006 a dezembro de 2008, pendente de julgamento em definitivo pelo Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF). Depreendese que no caso mencionado não houve a motivação apta a ensejar na negativa do pedido de restituição formulado pela ora recorrente, tendo em vista que a Administração Pública transcreveu na referida negativa apenas argumentos genéricos, extraídos de outro processo administrativofiscal, que estava pendente de julgamento perante o Órgão Administrativo competente, com intuito de verificar a validade do ato jurídico concernente ao lançamento. Isto é, um ato que sequer havia se tornado definitivo. Ademais, mister ressaltar que o teor da decisão proferida menciona que a ora recorrente não se trata de entidade de assistência social, mas sim de entidade educacional. Vejase que o teor da decisão sustenta que a ora recorrente não se trata de uma entidade de natureza assistencial, mas apenas educacional, porém sequer analisa os Certificados por ela mencionados em seu pedido de restituição, que atestam com veemência seu status de entidade beneficente de assistência social, Fl. 3434DF CARF MF Processo nº 16682.905999/201235 Acórdão n.º 3301006.624 S3C3T1 Fl. 3.430 11 notadamente reconhecida perante a União, o Estado do Rio de Janeiro e o Município do Rio de Janeiro. Deste modo, evidente que a autoridade julgadora não analisou com o devido cuidado o pedido formulado nos autos do processo principal referente ao pedido de ressarcimento, tendo em vista que menciona que o ora recorrente demonstra ser entidade notadamente reconhecida como assistencial, porém a entidade sequer enfrenta a questão. Com respaldo nos aspectos ora delineados, concluise que a decisão ora guerreada não trouxe argumentos válidos aptos a motivar a fundamentação que negou o direito de restituição formulado pela ora recorrente, pautandose em argumentos genéricos, os quais não se sustentam. Sendo assim, ante à ausência de motivação da decisão proferida nos autos do processo n.o 10768.003554/201021, concluise pela violação dos preceitos que regem o processo administrativo no âmbito federal, nos termos que restou delineado acima. Importante esclarecer que a ausência ou insuficiência de motivação torna nulo o ato praticado pelo agente público, por ofensa ao artigo 37 da Constituição da República e aos artigos 2o e 50 da Lei n.o 9.784, de 1999, o que deve ser revisto pela Administração Pública a qualquer tempo, conforme estabelece a Lei n.o 9.784, de 1999 (artigo 53) e as Súmulas n.os 346 e 473 do Supremo Tribunal Federal (STF). (…) Ante à fundamentação carreada no presente tópico, concluise pela necessidade de reconhecimento da nulidade da decisão que negou à ora recorrente o pedido de restituição, vez que a autoridade julgadora utilizou de fundamentação estranha à realidade do processo n.o 10768.003554/201021, mormente pelo fato que esta restringiu seus argumentos apenas a parte do período requerido, não enfrentando todo o pleito formulado no mencionado processo, o que, por conseguinte, enseja na nulidade do acórdão que negou o direito de restituição ora pleiteado. IV – DO MÉRITO IV.I. IMPOSSIBILIDADE DE VINCULAÇÃO DA COBRANÇA DE MENSALIDADE COM A CONDIÇÃO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – ENQUADRAMENTO DAS ATIVIDADES DE EDUCAÇÃO NO CONCEITO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL EM SENTIDO AMPLO Anotase que decisão que ensejou na negativa do pedido de restituição nos autos do processo n.o 10768.034/201021, suscitou que o pagamento de mensalidades pelos alunos da ora recorrente macula a natureza jurídica da entidade e, via de consequência, seu direito à fruição da imunidade tributária, consoante se verifica pelo excerto extraído da decisão do referido processo(…) Todavia, evidente que a decisão retrocitada no tocante ao fundamento acima transcrito não merece prevalecer, isto porque o simples fato de uma contraprestação pelo serviço educacional desenvolvido pela instituição não afasta sua natureza jurídica, posto que esta foi constituída sob a égide de se tratar de uma entidade beneficente de assistência social, sem fins lucrativos, com finalidade de exercer atividade de cunho educacional na região onde se encontra inserida, conforme seu Estatuto Social1 (doc. 2), sendo esta previsão em escorreita consonância com a Constituição da Fl. 3435DF CARF MF 12 República.(…) De acordo com os enunciados prescritivos e descritivos acima, constatase que o percebimento de valores em contraprestação aos serviços educacionais desenvolvidos pela ora recorrente não macula seu enquadramento como entidades beneficente, sem fins lucrativos, de caráter assistencial, sendo que aqueles valores são revestidos em prol da própria instituição, vertendo nos fins por ela colimados. Isto é, os valores percebidos a título de mensalidades são utilizados para manter as atividades da empresa, inexistindo o objetivo de lucro.(…) Nesses termos, compreendese que embora a ora recorrente receba contraprestação pelas atividades prestadas, no caso, mensalidades referentes aos serviços educacionais disponibilizados, cobradas de alguns alunos com capacidade para arcar com tal custo, estas são totalmente revestidas em prol do desenvolvimento das atividades assistenciais praticadas, vez que a entidade não tem finalidade lucrativa.(…) De tal maneira, compreendese que o argumento utilizado na decisão que negou o direito da restituição não guarda previsão legal, não podendo prevalecer, o que certamente será reconhecimento por esta Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) por meio da análise e procedência da manifestação de inconformidade em espécie. Isto posto, chegase a conclusão que a decisão proferida nos autos do processo n.o 10768.003554/201021, a qual negou o pedido de restituição sobre o fato que a ora recorrente não se enquadra como entidade beneficente de assistencial social não pode ser utilizado para ensejar na negativa do referido pedido de restituição, tendo em vista que a Constituição da República, bem como a jurisprudência consolidada no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), somado à disposição doutrinária, possui entendimento divergente quanto ao tema, sendo cediço que o simples fato de receber valores a título de contraprestação não lhe descaracteriza com entidade beneficente de assistencial social, motivo pelo qual deve ser reformado o equivocado entendimento disposto no Despacho Decisório ora combatido. IV.II. PERÍODO DE JULHO/2005 A JANEIRO/2006 E JANEIRO/2008 A MARÇO/2009: AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE EVENTUAL DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS AUTORIZADORES DO BENEFÍCIO FISCAL – COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CEBAS VÁLIDO Anotase ainda que no caso em relevo, o acórdão apenas mencionou que a ora recorrente havia descumprido os requisitos necessários a fruição no período de fevereiro de 2006 a dezembro de 2007 alvo de discussão nos autos do processo administrativo sob n.o 16682.720677/201137, não fazendo menção quanto ao período remanescente requerido no pedido de restituição, bem como olvidou em dispor que a ora recorrente é detentora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), sendo certo que a sua mera concessão por si só constitui instrumento suficiente para a fruição do gozo benéfico fiscal, como estabelece a Lei n.o 12.101 de 2009. (…) Além do mais, caso fosse negado o pedido de restituição no período de fevereiro de 2006 a dezembro de 2007, em razão do processo administrativofiscal n.o 16682.720677/201137, temse que a negativa não poderia ter se estendida ao período julho de 2005 a janeiro de 2006 e janeiro de 2008 a março de 2009, tendo em vista que a fiscalização ocorreu em momento posterior ao período da restituição, sendo assim, a autoridade fiscal poderia ter instaurado o processo sobre todo o período objeto do pedido. Anotase ainda, que a decisão que negou o direito a restituição utilizou como argumento pertencente ao Fl. 3436DF CARF MF Processo nº 16682.905999/201235 Acórdão n.º 3301006.624 S3C3T1 Fl. 3.431 13 processofiscal n.o 16682.720677/201137 o qual engloba o período de fevereiro de 2006 a dezembro de 2007, restando descoberto o período de julho de 2005 a janeiro de 2006 e janeiro de 2008 a março de 2009. De modo que a negativa de restituição referente a este período, mas tão somente aquele que foi objeto de análise pro meio do mandado de procedimento fiscal n.o 071850.2010.003777. Portanto, por ser a ora recorrente fiel cumpridora dos requisitos necessários à fruição do gozo da imunidade tributária, detentora de Certificado e pelo fato que a decisão tão somente fundamentou a negativa em razão do processo administrativofiscal n.o 16682.720677/201137, requer seja revertida a referida decisão, determinando a restituição do PIS a ora recorrente, nos termos expostos acima. IV.III. DA DEMONSTRAÇÃO DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS NO PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE FEVEREIRO/2006 E DEZEMBRO/2007 A decisão que negou o direito à restituição pleiteada nos presentes autos utilizou como principal argumento as razões dispostas no acórdão proferido pelo CARF que reformou o acórdão n.o 1339.502 (doc. 6) proferido pela Delegacia Regional de Julgamento (DRJ), pertencente ao processo administrativo fiscal n.o 16682.720677/201137, o qual manteve afastado o benefício fiscal da ora recorrente no período compreendido entre fevereiro/2006 e dezembro/2007. Antes de entrar no cerne da questão, ora discutida neste tópico, importa aduzir a fragilidade da fundamentação respaldada na fiscalização que ensejou o processo administrativo n.o 16682.720677/201137. Isto porque o referido processo é proveniente do Mandado de Procedimento Fiscal n.o 071850.2010.003777 (doc. 4), o qual também deflagrou na constituição de crédito tributário referente a Contribuições Previdenciárias nos autos do processo n.o 16682.720013/201178 (doc. 5), sendo referente ao mesmo fato gerador e mesmo período. Ocorre que neste segundo caso, restara provido o recurso voluntário da ora recorrente, tendo em vista que o ato administrativo que constituiu o crédito tributário está eivado de vício de nulidade insanável, o que atesta a fragilidade da Fiscalização que resultou no processo administrativo n.o 16682.720677/201137 o processo n.o 16682.720013/201178 foi extinto em decorrência dos vícios insanáveis em sua constituição. De modo que resta certo que a fiscalização realizada em decorrência do Mandado de Procedimento Fiscal n.o 071850.2010.003777, que também constituiu o processo n.o 16682.720677/201137, utilizado pela fiscalização para negar provimento ao pedido de restituição, não pode ser mantido ante à inconsistência dos atos que deflagraram em sua Constituição. (…) Diante disso, ao constatar que no caso em apreço, o processo n.o 16682.720013/201178 foi extinto em virtude de um vício, sendo este processo inclusive proveniente do mesmo Mandado de Procedimento Fiscal que deflagrou na constituição do processo administrativo n.o 16682.720677/201137, conforme documentos ora anexos, compreendese que este processo também se encontra viciado, não podendo ser utilizado, portanto, para negar o direito da ora recorrente a restituição. Fl. 3437DF CARF MF 14 Além disso, frisase que o processo que anulou o crédito tributário já transitou em julgado. Assim, questionase sobre qual processo deve ser utilizado na decisão que analisa o pedido de restituição, se aquele que foi favorável ao contribuinte, determinando a extinção do crédito tributário em decorrência de ato maculado, ou aquele que pugnou pela manutenção do crédito, que partiu de premissas equivocadas para se chegar a tal conclusão. Assim, após restar demonstrado a fragilidade do processo n.o 16682.720677/201137, insta consignar acórdão n.o 3201001.394 (doc. 7) proferido pela 1a Turma da 2a Câmara da 3a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), o qual reformou substancialmente o acórdão n.o 13 39.502 (doc. 6), de lavra da 4a Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro, servindo de fundamentação para o Despacho Decisório ora combatido, afastando a fundamentação utilizada pela autoridade fiscal para constituição do crédito, restando apenas 3 (três) questões fáticas, que foram refutados em sede de recurso especial perante o CARF, bem como disposto no mandado de segurança distribuído e autuado sob n.o 1005731 18.2016.4.01.3400, em trâmite perante 7a Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, que discute a decisão que equivocadamente não admitiu o recurso especial do contribuinte nos autos do processo administrativofiscal n.o 16682.720677/201137, de modo que o crédito tributário disposto neste processo ainda está pendente de discussão. (…) Nada obstante, em que pese terem sido mantidas assituações fáticas mencionadas acima por meio do julgamento do recurso voluntário nos autos do processo administrativofiscal n.o 16682.720677/201137, as respectivas questões fáticas não merecem subsistir a uma análise mais aprofundada, sendo esta questão demonstrada por meio do recurso especial, bem como tratada a seguir, ao passo que resta certo o direito da ora recorrente em fazer jus ao gozo do benefício fiscal e, por conseguinte, na restituição dos valores pagos indevidamente a título PIS. (…) Portanto, de acordo com o arrazoado, concluise que não houve nenhuma violação aos requisitos necessários para fruição do gozo do benefício fiscal estabelecido pela Constituição da República, razão pela qual deve ser devidamente determinada a restituição dos valores pagos indevidamente pela ora recorrente ora pleiteado. V. DO PEDIDO Diante de todo o exposto, requerse a Vossa Senhoria o seguinte: a) Inicialmente, requer seja sobrestado o presente recurso voluntário até o julgamento final do processo administrativo n.o 10768.003554/201021, tendo em visto que este se trata do processo principal concernente ao pleito de restituição dos valores pleiteados no período de junho de 2000 a maio de 2010, sendo certo o deferimento do pedido de restituição naquele processo, implicará no deferimento da restituição suscitada no presente feito, motivo pelo qual deve ser sobrestado o presente processo; b) Alternativamente, requer seja declarada a nulidade da decisão ora combatida, vez que a autoridade julgadora utilizou de fundamentação estranha à realidade fática processo n.o 10768.003554/201021, restringindo seus argumentos apenas a Fl. 3438DF CARF MF Processo nº 16682.905999/201235 Acórdão n.º 3301006.624 S3C3T1 Fl. 3.432 15 parte do período requerido, não enfrentando todo o pleito inicial, além do fato que ela sequer analisou os documentos apresentados pela ora recorrente, ensejando dessa maneira na ausência de fundamentação capaz de macular o ato administrativo; c) Caso não seja acolhido o pleito acima, o que se admite somente por hipótese, que seja acolhida a tese de mérito, para reformar a decisão ora guerreada, determinando que seja realizada a restituição dos valores atinentes ao recolhimento indevido a título de Contribuição Social destinada ao Programa de Integração Social (PIS), tendo em vista que a ora recorrente demonstrou cumprir todos os requisitos necessários para fruição do benefício fiscal atinente à imunidade tributária, de acordo com todo o exposto no presente recurso voluntário. 6. Os autos foram então a mim distribuídos. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini 1. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. PRELIMINARES NULIDADE DO ACÓRDÃO DRJ 2. Alega a recorrente : De plano, insta consignar que o pedido de restituição objeto deste processo, tem como fundamento o processo principal n 10768.003554/201021, que se trata do pedido restituição dos recolhimentos indevidos relativos à contribuição social instituída para financiamento do Programa de Integração Social (PIS), encontrase maculado, ante a ausência do preenchimento dos requisitos mínimos dos princípios e normas que regem a administração pública, motivo pela qual a presente negativa não pode ser mantida, nos termos que restará demonstrado a seguir. Neste ínterim, mister destacar que a decisão que negou o direito a restituição nos autos do processo n.o 10768.003554/201021, não o fez com a devida fundamentação, carecendo de amparo legal, ao passo certo que a ausência de fundamentação naquela decisão, via de consequência, implicada na nulidade da negativa do presente pedido de restituição. 3. A recorrente é titular de processo administrativo de n 19768.003554/2010 21, onde pleiteia a restituição de valores pagos a título de PISFOLHA DE PAGAMENTO, referente ao período de junho/2000 a maio/2010, processo este em Fl. 3439DF CARF MF 16 andamento na DEMAC/RJ. 4. O pedido constante do PER objeto destes autos referese a PISFOLHA DE PAGAMENTO, do período de julho/2007, portanto período compreendido no processo citado. 5. Consta do Acórdão DRJ/RJ as seguintes informações a respeito do processo administrativo nº 19768.003554/201021 : O contribuinte, em sua manifestação, informa que o direito creditório informado no presente PER/DCOMP já havia sido objeto de análise nos autos do processo administrativo nº 10768.003554/201021. Em consulta ao sistema eProcesso, verificase que o processo citado corresponde a pedido de restituição, formulado em papel pelo contribuinte em 07/06/2010, relativo a valores de PIS recolhidos com base na folha de salários, no período entre jun/2000 e a data de protocolo daquele pedido, abrangendo, portanto, o período de apuração objeto do presente pedido, 04/2008. Em 11/09/2012 foi proferida decisão pela DEMAC/RJ, com o seguinte teor em sua parte dispositiva: Diante de todo o exposto, no uso da competência prevista no artigo 295, inciso VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012 publicada no DOU em 17/05/2012, e tendo em vista a delegação de competência disposta no artigo 5o , inciso I da Portaria DEMAC/RJO n° 63, de 18/07/2012, publicada no D.O.U. De 23/07/2012, em consonância com o que dispõe o artigo 39, § I o da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008, DECIDO CONSIDERAR NÃO FORMULADOS os pedidos de restituição constantes deste processo. Apesar de não haver menção na parte dispositiva da referida decisão, a autoridade local, na verdade, considerou extinto pelo decurso do prazo decadencial o direito à restituição dos valores recolhidos anteriormente a 08/06/2005, conforme demonstra o trecho abaixo reproduzido: Pelo acima exposto, fica confirmada a extinção do direito à restituição, relativamente aos pagamentos efetuados anteriormente a 08/06/2005, pelo decurso de prazo superior a cinco anos entre a data do pedido de restituição e estes pagamentos. Já em relação aos pagamentos realizados a partir daquela data, os pedidos de restituição foram considerados não formulados, conforme consta na parte dispositiva da decisão. O contribuinte apresentou pedido de reexame da decisão, o que foi indeferido pela DEMAC/RJ. Interposto recurso hierárquico pelo contribuinte, foi proferido o Despacho Decisório nº 211, de 11/12/2014, pela SRRF07/Disit, com a seguinte ementa: RESTITUIÇÃO. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A restituição será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante formulário Pedido de Restituição, previsto na legislação, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Será considerado não formulado o pedido de restituição quando o sujeito passivo não tenha utilizado o Programa Fl. 3440DF CARF MF Processo nº 16682.905999/201235 Acórdão n.º 3301006.624 S3C3T1 Fl. 3.433 17 PER/DCOMP para formular pedido de restituição e não tenha apresentado justificativa aceitável para a sua impossibilidade de utilização. Às fls. 925 a 937 daquele processo consta o Parecer Diort/DRF/RJI nº 863/2015, proferido em 10/06/2015, em razão do Mandado de Segurança nº 2015.51.01.0384286, impetrado em 15/04/2015 pelo interessado, para requerer que fosse suspenso o óbice relativo à formalização do pedido de restituição em formato papel, devendo ser realizados a análise e o julgamento do mérito do pedido, proferindose novo despacho decisório. Naqueles autos judiciais foi concedida medida liminar em 15/04/2015, conforme transcrição abaixo: Diante do exposto, DEFIRO o pedido liminar, para que seja apreciado e decidido o requerimento elaborado pela impetrante através de formulário impresso, nos autos do Processo Administrativo n. 10768.003554/201021, nos termos da exordial. Em conseqüência, o referido Parecer analisou o mérito do pedido, e concluiu da seguinte forma: 4. CONCLUSÃO 4.1 Da análise realizada acima, concluímos que, para todas as datas anteriores a 07/06/2005 (inclusive), é insubsistente o pedido de ressarcimento por advento da prescrição do direito de pedir, pelo decurso de prazo superior a cinco anos entre a data do pedido de restituição e os pagamentos efetuados, em contrariedade ao art. 168, inc I, c/c arts. 150, § 1º e 165, inc I, do Código Tributário Nacional – CTN, conforme entendido no Despacho Decisório nº 134/2012 da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial da Receita Federal de Maiores Contribuintes (DIORT/DEMAC/RJO) de 1/09/2012, fls. 835/838, e ratificado pelo Despacho Decisório nº 211 – SRRF07/Disit de 11/12/2014, às fls. 909/916. 4.2 Além disso, os períodos relativos à competência compreendida entre fevereiro de 2006 e dezembro de 2007 foram objeto de Auto de Infração sob o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de nº 07185.00.2010.0037755, às fls. 494/527 do processo de nº 16682.720677/201137, mantido quanto à cobrança do tributo pelo acórdão de nº 1339.502, em 24 de janeiro de 2012. Desta forma, não cabe a repetição de indébito para este período. 4.3 Por fim, concluímos que a Solução de Divergência COSIT nº 3, de 14/02/2008, o art. 9º, incs III e IV, do Decreto n º 4.524, de 17 de dezembro de 2002, e o arrazoado no voto da 4ª Turma da DRJ/RJ2, no acórdão de nº 1339.502, em 24 de janeiro de 2012, indicam claramente que a A SOCIEDADE UNIFICADA DE ENSINO AUGUSTO MOTTA deve pagar o PISFolha. 4.4 Desta forma, proponho NEGAR INTEGRALMENTE O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO no presente processo. Foi, então, proferido novo despacho decisório, encaminhado para ciência ao contribuinte em 26/06/2015, com o seguinte teor: Com fulcro no Parecer nº 863/2015, às fls. 924/937 deste processo, que aprovo e adoto como parte integrante deste Despacho Decisório, DECIDO INDEFERIR o Pedido de Restituição contido nas fls. 48/49 do presente processo, e DETERMINO: Fl. 3441DF CARF MF 18 1) Não reconhecer o direito creditório pleiteado. 2) Indeferir todos os pedidos de restituição do presente processo. 3) Não homologar os débitos constantes nas DCOMP do presente processo. 4) Encaminhar os débitos relativos às DCOMP do item acima para cobrança. 5) Fazer a ciência do contribuinte do inteiro teor deste Despacho Decisório, e do Parecer nº 863/2015 às fls. 924/937 deste processo. 6) Fazer conhecer do prosseguimento ao atendimento do Mandado de Notificação nº MTL.0026.0000327/2015, da 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro, cientificando a autoridade judicial do inteiro teor deste Despacho Decisório, e do Parecer nº 863/2015 às fls. 924/937 deste processo. 6. Portanto, verificase que, no processo administrativo de nº 10768.003554/201021, não foi reconhecido o direito creditório pretendido pela recorrente e que tal processo administrativo se encontra em fase de ciência da decisão ao requerente., o que parece já ter sido providenciado, pois que a recorrente cita a falta de fundamentação do despacho decisório emitido naqueles autos. 7. O despacho decisório eletrônico emitido nos presentes autos, portanto, foi emitido de forma correta, uma vez que o pagamento efetivado não está disponível para ser considerado indevido e, por consequencia, não há crédito a ser reconhecido á requerente, assim foi indeferido e pedido de restituição 8. Também correta a fundamentação do Acórdão DRJ/RJ, uma vez que manteve o despacho decisório eletrônico, pois no processo administrativo nº 10768.003554/201021 o crédito não foi reconhecido. 9. Alega a recorrente que a falta de fundamentação no despacho decisório emitido no processo administrativo n 10768.003554/201021, o que implicaria na nulidade do presente pedido de restituição. 10. Equivocada a recorrente, pois qualquer discussão referente a decisão constante daqueles autos deve ser travada lá, naqueles autos, não nestes. 11. Portanto, não há nulidade no despacho decisório eletrônico tampouco no Acórdão DRJ/RJ, pois corretamente fundamentados. 12. Ademais, não estão presentes os motivos de nulidade constantes do artigo 59 do Decreto n 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 3442DF CARF MF Processo nº 16682.905999/201235 Acórdão n.º 3301006.624 S3C3T1 Fl. 3.434 19 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 13. Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. SOBRESTAMENTO DOS PRESENTES AUTOS 14. Defende a recorrente, como argumento preliminar a necessidade de sobrestamento dos presentes autos, diante da dependência do andamento destes autos com a decisão a ser tomada nos autos do processo administrativo n 10768.003554/201021, assim argumentando : Requer seja sobrestado o presente recurso voluntário até o julgamento final do processo administrativo n.o 10768.003554/201021, tendo em visto que este se trata do processo principal concernente ao pleito de restituição dos valores pleiteados no período de junho de 2000 a maio de 2010, sendo certo o deferimento do pedido de restituição naquele processo, implicará no deferimento da restituição suscitada no presente feito, motivo pelo qual deve ser sobrestado o presente processo. 15. O que de fato pretende a recorrente é vincular estes autos ao processo administrativo n 10768.003554/201021, para ver seu direito creditório reconhecido. 16. Não cabe razão á recorrente, pois o pedido naqueles autos compreende o pedido objeto destes autos, portanto não há fundamento no sobrestamento destes autos, se tratam de mesmo objeto, uma vez decididos aqueles autos, estariam automaticamente decididos estes, por absoluta identidade de objetos. 17. Desta forma, rejeito esta preliminar por absoluta falta de objeto. NO MÉRITO 18. No mérito, o que se verifica é uma duplicidade de pedidos de restituição, um efetivado nos autos do processo administrativo n 10768.003554/201021, qual seja pedido de restituição de valores recolhidos a título de PIS FOLHA DE PAGAMENTO, referentes ao período de junho/2000 a maio/2010 e o efetivado no PER – Pedido Eletrônico de Restituição de nº 37248.08468.040610.1.2.040573, de valor recolhido a título de PIS – FOLHA DE PAGAMENTO, referente ao período de julho/2007, analisado nestes autos. 19. Claramente o pedido analisado nestes autos está compreendido no efetivado naqueles autos em análise na DEMAC/RJ, onde se concentra toda a discussão a respeito do direito da recorrente com relação á restituição da Contribuição ao PIS FOLHA DE PAGAMENTO. 20. Como bem assevera o Ilustre Julgador da DRJ, em seu voto condutor do Acórdão aqui combatido, deve ser dado prosseguimento aos autos do processo nº Fl. 3443DF CARF MF 20 10768.003554/201021, que se encontra pendente de ciência de decisão á ora recorrente, pois lá naqueles autos se encontra toda a fundamentação e discussão do mérito da matéria de fundo, qual seja a imunidade da instituição requerente da restituição do tributo. Desta forma, o mérito da questão está todo concentrado naqueles autos. 21. Reproduzimos aqui, trecho do voto condutor do Acórdão em lide, por esclarecer a questão fulcral, da ligação estreita dos autos do processo nº 10768.003554/201021 (onde se encontra o pedido de restituição referente ao período 2000/2010) com os autos do processo nº 16682.720677/201137 (que contém lançamento formalizado em auto de infração para exigir PIS e COFINS incidentes sobre o faturamento da recorrente, no período de apuração 02/2006 a 12/2007, compreendendo, portanto, o período objeto dos presentes autos – julho/2007),com o qual concordo e utilizo como razões de decidir : Por todo o acima exposto, constatase que, relativamente ao período de apuração objeto do presente pedido de restituição, jul/2007, concluiuse nos autos do processo nº 10768.003554/201021 que não era cabível a restituição pretendida do PIS – Folha de Salários recolhido, em razão da lavratura de auto de infração nos autos do processo nº 16682.720677/201137, mantido quanto à cobrança deste tributo pelo Acórdão nº 1339.502, de 24/01/2012, proferido pela então 4º Turma de Julgamento da DRJ/RJ2. Portanto, a análise do mérito do presente pedido de restituição está diretamente vinculada à análise das decisões acima transcritas, assim como, e principalmente, do lançamento efetuado no processo nº 16682.720677/201137, o que se fará adiante, em item específico deste voto. 22. Quanto aos autos do processo nº 16682.720677/201137, o Ilustre Julgador da DRJ, mais uma vez nos esclarece sobre sua situação e a sua ligação com o processo nº 10768.003554/201021. Mais uma vez, reproduzimos os dizeres do Ilustre Julgador e, pela clareza, os adotamos como razão de decidir no presente voto : O processo nº 16682.720677/201137, mencionado nos autos do processo administrativo nº 10768.003554/201021, acima citado, corresponde a auto de infração lavrado pela DEMAC/RJ contra o contribuinte, para exigência de Cofins e PIS incidentes sobre o faturamento, relativas aos períodos de apuração 02/2006 a 12/2007, com multa de ofício de 150%. Relativamente ao período objeto do presente pedido de restituição, 07/2007, foi apurado naquele lançamento o PIS – Faturamento a recolher no valor de R$ 84.482,04. Do relatório fiscal que acompanha aquela exigência citamse os trechos abaixo: 6. DA CONCLUSÃO Já examinamos que tanto a imunidade tributária de impostos quanto a isenção de contribuições sociais não é absoluta e estão condicionadas ao atendimento de determinados requisitos previstos em Lei. Concluiuse que a entidade fiscalizada, a SOCIEDADE UNIFICADA DE ENSINO AUGUSTO MOTTA deve ter Fl. 3444DF CARF MF Processo nº 16682.905999/201235 Acórdão n.º 3301006.624 S3C3T1 Fl. 3.435 21 suspensa a imunidade/isenção das contribuições nos anos de 2006 e 2007 em virtude do não cumprimento dos seguintes requisitos legais: a) A empresa feriu a aplicação do Princípio da Entidade, que preconiza a autonomia patrimonial da pessoa jurídica, garantindo que o patrimônio desta não se confunda com o dos seus sócios ou proprietários, promovendo or/parente ao pagar suas despesas médicas em desacordo com artigo 55 IV da Lei 8212/91. b) Promoveu vantagem indevida ao pagar salários robustos a seus dirigentes e conselheiros, três deles filhos da Chanceler, em desacordo com artigo 55 IV da Lei 8212/91. c) Promoveu vantagem indevida à sua chanceler ao pagar, mesmo que durante curto período, um VGBL tendoa como sua beneficiária, em desacordo com artigo 55 inciso IV da Lei 8.212/91. d) Promoveu despesas incompatíveis com seu objetivo social, em desacordo com o art. 55 IV da Lei 8212/91 ao realizar despesas de patrocínio com clubes de futebol. e) Realizou despesas com empresa extinta ou inexistente, sem comprovação com documentação hábil e idônea de sua necessidade e cujo objetivo não foi esclarecido, fato este que está em desacordo com o art. 55 IV da Lei 8212/91. f) Promoveu vantagem indevida a seu REITOR ao pagar a empresa a ele pertencente valores consideráveis, em desacordo com artigo 55 IV da Lei 8212/91. 7. DAS INFRAÇÕES Lei 12.101/2009 Do Reconhecimento e da Suspensão do Direito à Isenção Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1º. Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2º. O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Fl. 3445DF CARF MF 22 (…) 7.2 – PIS Do mesmo modo, em virtude do não atendimento dos requisitos para pagamento do PIS na modalidade de PIS Folha, conforme já relatado, lavramos Auto de Infração da PISfaturamento para os anoscalendário de 2006 e 2007. Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, assim dispôs: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; (…) Art. 17. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991,. Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): (...) III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; (…) Lei 9.532/97: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; Fl. 3446DF CARF MF Processo nº 16682.905999/201235 Acórdão n.º 3301006.624 S3C3T1 Fl. 3.436 23 b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. São sujeitas, portanto, ao PIS/Pasep na forma cumulativa as receitas decorrentes de prestação de serviços de educação infantil, ensino fundamental e médio e educação superior (Lei nº 10.637/2002, art. 8º, inciso IV e art. 68, inciso II). Impugnado aquele lançamento, foi proferida decisão de 1ª instância,conforme Acórdão nº 1339.502, de 24/01/2012, da então 4ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ2, considerando parcialmente procedente a exigência, apenas para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%, mantendo integralmente as contribuições exigidas, com as ementas abaixo: IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NÃO APLICAÇÃO. Pelas atividades desempenhadas, as instituições de educação, ainda que sem fins lucrativos, não se confundem com as entidades beneficentes de assistência social, não se lhes aplicando o benefício constitucional a essas restrito. MULTA QUALIFICADA – A impossibilidade de se escamotear a ocorrência do fato gerador, ainda que eventualmente tenham sido utilizados subterfúgios por parte da impugnante, impede a qualificação da multa de ofício. Contra esta decisão foram interpostos recursos voluntário e de ofício, relativamente aos quais foi proferido o Acórdão nº 3201 001.394, em 21/08/2013, pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, negando provimento a ambos os recursos, com as seguintes ementas: Fl. 3447DF CARF MF 24 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. As instituições sem fins lucrativos dedicadas à área educacional enquadramse como entidades beneficentes de assistência social para fins da imunidade estabelecida pelo artigo 195, §7º da CF/88. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As entidades beneficentes de assistência social, para gozarem da imunidade prevista no art. 195, §7º da CF, devem atender aos requisitos definidos no artigo 14 do CTN, bem como, em relação à época de ocorrência dos fatos que ensejaram no presente lançamento, aos requisitos previstos no artigo 55 da Lei 8.212/92 em sua redação originária. Quando descumpridos os requisitos para o gozo da imunidade, esta deve ser suspensa durante o período em que se constatar o descumprimento, exigindose os tributos não recolhidos em decorrência da imunidade. Deste último Acórdão extraise, ainda, o trecho abaixo: Diante do exposto, concluise as condutas praticadas pela recorrente violam os requisitos impostos pelo artigo 14 do CTN e pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91, mostrandose correta a suspensão da imunidade e a consequente exigência dos tributos não recolhidos pela recorrente. Foi, ainda, interposto recurso especial pela PFN à CSRF, visando manter a multa qualificada, ao qual foi dado seguimento na análise de sua admissibilidade. Contra tal recurso foram interpostas contrarazões pelo contribuinte, tendo sido também interpostos pela instituição embargos de declaração contra o Acórdão nº 3201001.394. Ambos os recursos, embargos e especial, encontramse pendentes de apreciação pelo CARF. Na manifestação de inconformidade que ora se analisa, o contribuinte traz, como a própria instituição afirma, relativamente ao mérito de seu pedido de restituição, as mesmas alegações já apresentadas nos autos do processo administrativo nº 10768.003554/201021, entendendo tratarse de entidade imune à incidência do PIS, com fundamento no artigo 195, § 7º, da Constituição, atendendo aos requisitos previstos nos artigos 14 do CTN e 55 da Lei nº 8.212/91. A mesma alegação é trazida pela requerente também na impugnação interposta contra o auto de infração lavrado no processo nº 16682.720677/201137, conforme demonstram os trechos abaixo reproduzidos, extraídos daquele recurso: Diante da vasta fundamentação acima mencionada, resta patente o reconhecimento do direito à imunidade tributária estabelecida no artigo 195, parágrafo 7º, da Constituição da Fl. 3448DF CARF MF Processo nº 16682.905999/201235 Acórdão n.º 3301006.624 S3C3T1 Fl. 3.437 25 República, tendo em vista a prova incontroversa do cumprimento pela impugnante aos requisitos necessários ao gozo da benesse, consoante previsto no artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991.” “Desta forma, em vista da natureza de contribuição social da exação instituída pela Lei Complementar nº 7, de 1970, a incidência do PIS, inclusive no que pertine à folha de pagamento, às entidades beneficentes de assistência social, resulta na flagrante violação da garantia constitucional da imunidade as contribuições sociais a que estas instituições fazem jus, como ocorre no caso da impugnante que, ao contrário do que foi autuado, por ter sido imune a época dos fatos geradores, não pode ser atingida pela incidência do PIS, quer seja sobre a folha de salários, quer seja sobre o total do faturamento, como foi lançado, indevidamente. Portanto, não havia e não há que se falar na incidência de PIS no faturamento da impugnante, que era a época discutida, reprisese, comprovadamente entidade beneficente de assistência social, sem finalidade de lucro, em observância ao artigo 195, parágrafo 7º da Constituição da República, que prevê a imunidade das contribuições sociais, nos termos estabelecidos em lei, o que implica a inviabilidade de se exigir o recolhimento dos valores lavrados, visto serem indevidos, por total respaldo no que reza a Lei Maior, a própria Constituição Federal.” Analisando tal alegação, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF assim concluiu, conforme trechos do Acórdão nº 3201 001.394, abaixo transcritos: “Diante do explanado, em síntese, temos que as entidades de assistência social, para gozarem da imunidade prevista no art. 195, §7º da CF, devem atender aos requisitos definidos no artigo 14 do CTN, bem como, em relação à época de ocorrência dos fatos que ensejaram no presente lançamento, aos requisitos previstos no artigo 55 da Lei 8.212/92 em sua redação originária. Ressaltase que os requisitos necessitam ser cumpridos de forma integral sob pena de não ensejarem no direito à imunidade.” “Mostrase necessário ainda fundamentar a suspensão do direito a imunidade, estabelecida pelo artigo 32 da Lei nº12.101, de 27/11/09: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. Fl. 3449DF CARF MF 26 § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Segundo este dispositivo, quando descumpridos os requisitos para o gozo da imunidade, esta será suspensa durante o período em que se constatar o descumprimento, devendo se lavrado o auto de infração referente aos tributos não recolhidos em decorrência da imunidade. Tal dispositivo mostrase em harmonia com o parágrafo 1º do artigo 14 do CTN, que determina a suspensão da imunidade quando descumpridos os seus requisitos de concessão. Observase que, em que pese a norma prevista pelo artigo 32 da Lei nº 12.101/09 não ser contemporânea dos fatos que ensejaram o lançamento, ela se aplica ao presente processo dado não se tratar de direito material, mas sim possuir caráter processual.” “No tocante à análise da possibilidade de fruição da imunidade por entidades de educação, a controvérsia reside no fato de que o artigo 150, VI, c, da CF/88 confere expressamente imunidade em relação a impostos às instituições de assistência social e de educação, ao passo que ao artigo 195, 7º, faz referência exclusivamente às entidades de assistência social. As diferentes redações levam ao entendimento de que as instituições de educação não estariam albergadas pela imunidade em relação a contribuições sociais estabelecida pelo artigo 195, §7º da CF. Em que pese a falta de univocidade de sentido dos termos empregados pela CF, temos que o conceito abrange todas as entidades de assistência social, entre elas as dedicadas a área educacional. Afinal, a própria CF estabelece em seu artigo 6º que a educação é um direito social de grande relevância, como a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. Ademais, a legislação que rege a imunidade – notadamente o inciso III do artigo 55 da Lei nº 8212/91 (redação original) – estabelece a concessão de imunidade para entidade que “promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes”.” “O primeiro fato aventado diz respeito aos pagamentos efetuados pela requerente entre 24/01/2007 e 28/02/2007, Fl. 3450DF CARF MF Processo nº 16682.905999/201235 Acórdão n.º 3301006.624 S3C3T1 Fl. 3.438 27 que totalizaram o valor de R$ 59.230,00, referentes à cirurgia e tratamento feito pelo sócio ARAPUAN MEDEIROS DA MOTTA, Chanceler da entidade até 25/10/2002. (…) As entidades assistenciais, para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º, devem caracterizarse como tal, atendendo aos hipossuficientes, e não utilizando seu patrimônio para cobrir despesas de seus exdirigentes.” “O segundo fato trazido aos autos referese a 87 pagamentos feitos à empresa "VIDA ESTÉTICA INTERNACIONAL", CNPJ 40.258.386/000150, entre 3/2/06 e 18/12/07, que totalizaram mais de R$ 570.000,00 em 2006 e mais de R$ 537.000,00 em 2007. (…) Desta forma, concluo que a recorrente não atendeu aos requisitos necessário à manutenção da imunidade em relação a contribuições sociais durante o período em que efetuou os citados pagamentos, compreendidos entre 3/2/06 e 18/12/07. “ “A fiscalização afirma ainda que cinco pagamentos de planos de previdência privada feitos pela fiscalizada entre 24/2/2006 e 29/6/2006, totalizando R$ 25.000,00, e tendo como beneficiária a Sra. Ana Cristina Monteiro da Motta Cruz, Chanceler da instituição, corresponderiam a remuneração indireta. (…) Desta forma, os citados pagamentos de planos de previdência privada à chanceler da instituição configura remuneração indireta, incidindo na hipótese do artigo 55, inciso IV da Lei 8.212/91, mostrandose correta a suspensão da imunidade em relação ao período de 24/2/2006 e 29/6/2006.” “A fiscalização afirma ainda que os pagamentos feitos à empresa GARRIDO SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO E NEGÓCIOS EMP. LTDA, do então Reitor da SUAM (até 03/2008), José Remizio Moreira Garrido, que totalizaram mais de R$ 760.000,00 em 2007, corresponderiam à vantagem indevida a dirigente da entidade. (…) Diante do exposto, concluise as condutas praticadas pela recorrente violam os requisitos impostos pelo artigo 14 do CTN e pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91, mostrandose correta a suspensão da imunidade e a consequente exigência dos tributos não recolhidos pela recorrente.” Fl. 3451DF CARF MF 28 Conforme demonstrado acima, o colegiado de 2ª instância concluiu que as entidades de assistência social gozam da imunidade prevista no artigo 195, § 7º da Constituição, devendo, para tanto, atender os requisitos definidos no artigo 14 do CTN e, ainda, considerando os períodos objeto daquele lançamento, 2006 a 2007, aqueles previstos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91. Descumpridos os requisitos para gozo da imunidade, esta será suspensa durante o período em que se constatar o descumprimento, devendo ser exigidos os tributos não recolhidos em decorrência da imunidade. O Acórdão conclui, ainda, que o conceito constitucional de “entidade de assistência social”, para fins de fruição da imunidade, abrange também aquelas dedicadas à área educacional, como é o caso do contribuinte. A partir de tais definições, o Acórdão passa a analisar os diversos fatos apurados pela Fiscalização naqueles autos, os quais ensejariam a suspensão da imunidade, nos termos dos dispositivos legais acima citados, concluindo que a instituição não atendeu os requisitos legais para a manutenção da imunidade em relação às contribuições sociais no período compreendido entre fev/2006 e dez/2007, violando os requisitos previstos nos artigos 14 do CTN e 55 da Lei nº 8.212/91, estando correta a suspensão da imunidade aplicada pela Fiscalização e a conseqüente exigência dos tributos lançados, não recolhidos pelo contribuinte. Desta forma, constatase que o mérito do presente pedido de restituição já foi apreciado nos autos do processo nº 16682.720677/201137, conforme decisão proferida em 2ª instância de julgamento, a qual manteve a exigência do PIS Faturamento no valor de R$ 84.482,04 para o período objeto do presente pedido, jul/2007. Assim, não pode esta Turma de Julgamento pronunciarse novamente acerca de tal questão, uma vez que a aplicação da imunidade pretendida pelo contribuinte naquele período já foi afastada pelo julgamento efetuado pelo CARF, tratandose, portanto, de matéria já julgada administrativamente. Em conseqüência, sendo devido o valor de R$ 84.482,04 a título de PIS para o período jul/2007, não há como autorizar a devolução do valor recolhido pelo contribuinte, R$ 31.265,80. No entanto, o valor já recolhido deverá ser considerado quando da fase de cobrança dos créditos lançados por meio do processo nº 16682.720677/201137,evitandose duplicidade de recolhimento. 23. Em pesquisa no sítio deste CARF na Internet, encontramos o Acórdão 9303004.602, exarado pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos autos do processo 16682.720677/201137, onde não foi conhecido o recurso especial interposto pela PGFN, assim ementado : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Fl. 3452DF CARF MF Processo nº 16682.905999/201235 Acórdão n.º 3301006.624 S3C3T1 Fl. 3.439 29 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Não tendo o colegiado recorrido analisado a matéria de que se pretende recorrer, não se pode admitir, por falta de prequestionamento, recurso que a pretenda discutir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do relator. 24. Por elucidativo, destacamos o seguinte trecho do relatório constante do voto condutor do citado Acórdão : Admitido o recurso da Fazenda Nacional, o sujeito passivo, dela cientificado, apresentou contrarrazões nas quais postula o não conhecimento do recurso da Fazenda por não haver similitude entre as situações lá discutidas reiteração da conduta de declarar e recolher valores menores do que os devidos por entidade comercial e a do recorrido, no qual se discute se os pagamentos efetuados contrariam as normas reguladoras da "imunidade" das entidades sem fins lucrativos. O sujeito passivo também apresentou recurso especial contra a manutenção da exigência. Ele, entretanto, não foi admitido. 25. Portanto, concluise que a recorrente cometeu as infrações descritas Conclusão 27. Diante das infrações cometidas, não há como prosperar o recurso interposto, portanto NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como voto Assinado digitalmente Ari Vendramini – Relator Fl. 3453DF CARF MF 30 Fl. 3454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002911/2007-45
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/04/2007
RAZOÁVEL DURAÇÃO DOS PROCESSOS. INAPLICABILIDADE AO DECRETO 70.235/1972.
A razoável duração dos processos, prevista no texto constitucional, pode ser interpretada como um princípio-regra. O texto do inciso LXXVIII do artigo 5º da CR carece de eficácia plena, de modo que sua aplicabilidade fica limitada à norma ulterior que lhe dê o complemento.
EXCLUSÃO DO ICMS-ST DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
A receita do substituído não pode sofrer a exclusão do ICMS, por falta-lhe de previsão legal.
Numero da decisão: 3003-000.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Presidente
(documento assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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INAPLICABILIDADE AO DECRETO 70.235/1972. A razoável duração dos processos, prevista no texto constitucional, pode ser interpretada como um princípio-regra. O texto do inciso LXXVIII do artigo 5º da CR carece de eficácia plena, de modo que sua aplicabilidade fica limitada à norma ulterior que lhe dê o complemento. EXCLUSÃO DO ICMS-ST DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. A receita do substituído não pode sofrer a exclusão do ICMS, por falta-lhe de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 29 11 /2 00 7- 45 Fl. 111DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.519 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.002911/2007-45 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 8ª Turma da Delegacia de Julgamento de Campinas, que julgou improcedente manifestação de inconformidade que visava garantir o direito creditório de COFINS do PA janeiro/2007 à abril/2007, que teria origem na exclusão do ICMS-ST da base de cálculo da COFINS apurada no período em questão. Por bem retratar o histórico da controvérsia, adoto o relatório elaborado pela instância a quo: Trata-se de processo em que o contribuinte formalizou Pedido solicitando restituição de valores recolhidos a título de Cofins em 01/08/2007, na quantia de R$8.144,66, referentes à incidência da alíquota de Cofins sobre valores relativos ao Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O contribuinte juntou planilhas pelas quais pretende demonstrar o valor do pretenso crédito e sua atualização. Informou ainda o presente processo como origem do crédito em Declaração de Compensação (DCOMP) eletrônica formalizada em 01/08/2007, por meio da qual pretende liquidar débitos de IRPJ e CSLL de sua responsabilidade, vencidos em 31/07/2007, no valor total de R$6.792,98. O Despacho Decisório DRF/JUN/SEORT, de 07/08/2007, assim concluiu: Dentre as exclusões da receita bruta para a determinação da base de cálculo das contribuições para a COFINS consta o ICMS quando cobrado do vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário (art. 3º, § 2º, I). Ora, o interessado, que atua no ramo de combustíveis automotivos no varejo, vende o combustível (no caso, a gasolina) ao consumidor final, que não é contribuinte da referida contribuição. Logo, o interessado não atua como substituto tributário. Na realidade, o interessado é substituído pela refinaria, de modo que esta deve reter o valor da contribuição para a COFINS, que é calculada como disposto no art. 4° da Lei no 9.718/98. No parágrafo único do referido artigo é fixado o valor sobre o qual será calculada a contribuição, nada sendo mencionado a respeito de exclusão de valores do ICMS: (...) Porquanto os recolhimentos das contribuições para a COFINS nos períodos aqui considerados tenham sido ao amparo de legislação vigente, está provado que não existe nenhum crédito a favor do interessado. (...) À vista da informação supra, e no uso das atribuições do art. 243 da Portaria MF n° 95/2007 e da Portaria DRF/Jundiaí n° 81 de 22/05/2007, e com fundamento no art. 47 da IN SRF no 600/2005, decido indeferir o pedido e não homologar a compensação. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: Em 01/08/2007 o contribuinte requereu restituição correspondente ao expurgo do ICMS substituição tributária da base de cálculo da Cofins, procedendo, na seqüência, a compensação tributária no valor de R$6.792,98, e recebendo Fl. 112DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.519 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.002911/2007-45 posteriormente comunicação do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação efetuada. PRELIMINARMENTE DOS VÍCIOS DE LEGALIDADE A Lei n° 9784/99 estabelece que: "Art. 13. Não podem ser objeto de delegação: I — a edição de atos de caráter normativo; II — a decisão de recursos administrativos (gn); III — as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade". (...) (...) Com base nestas premissas, o Conselho de Contribuintes já se manifestou no sentido de anular o processo, a partir da decisão de primeira instância, no caso de a decisão singular ter sido emitida por pessoa outra, que não o(a) Delegado(a) da Receita Federal de Julgamento, por delegação de competência. (AC nº 20213.025 de 24 de maio de 2001): (...) A jurisprudência do Conselho de Contribuintes já se encontra pacificada quanto à impossibilidade legal da delegação do poder de decidir e da consequente anulação dos atos processuais contaminados com tal vício (...) (...) DO MÉRITO Alega a manifestante que as parcelas de ICMS substituição tributária incidentes sobre os combustíveis: derivados de petróleo, gás natural veicular e álcool hidratado, deverão ser expurgadas, da base de cálculo do Pis e da Cofins, cobradas em regime de tributação concentrada pelas Refinarias de Petróleo e Distribuidoras de GNV – Gás Natural Veicular e Álcool Carburante. E segue argumentando: Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições Pis/Cofins, exclue-se da receita bruta o ICMS cobrado pelo vendedor dos bens na condição de substituto tributário (§ 2° do art. 3° da Lei 9.718/98). Cita o art. 8º da Lei Complementar 87/96, e conclui: Estes créditos são aqueles verdadeiramente considerados liquidos e certos, porque decorrem de expressa determinação legal, portanto, devem ser reconhecidos de plano pela autoridade administrativa. Pelo exposto, requer respeitosa e preliminarmente a nulidade do ato proferido por autoridade outra, que não o Delegado da Receita Federal. E, no mérito seja considerado insubsistente o indeferimento do Pedido de Restituição para que seja homologada a compensação. Em Recurso Voluntário foram trazidos, em suma, os seguintes argumentos: a) Preliminar de preclusão para prolação de decisão com fundamento no inciso LXXVIII do artigo 5º da Constituição da República; Fl. 113DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.519 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.002911/2007-45 b) Que ainda que na condição de substituído na cadeia do ICMS em venda de combustíveis, deveria ter assegurado o direito de excluir da base de cálculo da COFINS o valor referente ao ICMS recolhido pelo substituto; São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, Relator. 1 Da Preliminar de Preclusão A Recorrente argumenta que, por força do disposto no inciso LXXVIII do artigo 5º da Constituição da República, que assegura aos administrados a razoável duração dos processos teria ocorrido o fenômeno da preclusão contra a Administração Pública, de modo que estaria impedida de proferir decisão sobre a matéria trazida a julgamento. Apesar de pleito controverso – vez que se pretende que a Administração não profira decisão, bastaria a não interposição do presente Apelo, é necessário tecer breves comentários sobre o instituto em comento. A razoável duração dos processos, prevista no texto constitucional, pode ser interpretada como um princípio-regra. Como já bem se manifestou a doutrina sobre Teoria Geral do Direito, uma norma jurídica necessita de um comando deôntico que estabeleça uma relação de incidência caso determinado fato ocorra. É bastante evidente que o texto do inciso LXXVIII do artigo 5º da CR carece de eficácia plena, de modo que sua aplicabilidade fica limitada à norma ulterior que lhe dê o complemento. Ainda sobre as alegações da Recorrente, fora invocado o artigo 24 da Lei 11.457/2007. Muito embora o enunciado que se veicula neste dispositivo estabeleça o prazo de 360 dias para o julgamento dos processos administrativos, há de se recordar duas premissas inafastáveis: a) O Processo Administrativo Tributário é regulamentado por normas próprias do Decreto 70.235/1972, sendo norma especial a qual não se aplica o mandamento genérico; b) os prazos do processos de compensação são regulamentados pela Lei 9.430/1996, em específico no §5º do art. 74. Em complemento, apesar da clara inaplicabilidade do instituto da preclusão contra a Administração Pública, ainda que fosse alegada a prescrição intercorrente, é matéria pacificada por meio da Súmula CARF n. 11, com efeito vinculante: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Pelo exposto, rejeito a preliminar de preclusão e passo a análise do mérito recursal. Fl. 114DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.519 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.002911/2007-45 2 Exclusão do ICMS-ST da Base de Cálculo da COFINS A Recorrente pretende valer-se de suposto crédito com origem na exclusão dos valores recolhidos a título de ICMS, pela sistemática de substituição tributária para frente, da base de cálculo da COFINS. A atividade desenvolvida pela Recorrente é o comércio varejista de combustível carburante (gasolina), que por determinação legal o ICMS é recolhido pela refinaria conforme os critérios da lei estadual competente. O primeiro ponto a se observar é a posição que se encontra a Recorrente na cadeia de substituição tributária. Sendo ela substituída, não lhe compete apuração e recolhimento de ICMS ao Estado, de modo que o produto das suas vendas representa seu exato faturamento/receita bruta. Sendo assim, ainda que fosse possível a este Tribunal manifestar-se sobre matéria sem autorização de lei, não há como segregar da receita bruta da Recorrente o suposto montante de crédito que compõe o seu quinhão de ICMS na cadeia. No caso em estudo, como esclareceu o Despacho Decisório, o contribuinte é varejista e, portanto, o substituído, sendo a vendedora Refinaria o substituto. De acordo com o art. 3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718/1998, o ICMS só se exclui da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Ou seja, o ICMS só é excluído quando o vendedor substituto tributário reteve o montante referente ao ICMS em substituição ao varejista. Tendo em vista que o ICMS não mais é exigido em toda a cadeia de revenda do produto por já ter sido integralmente recolhido na saída do estabelecimento industrial. Desta forma, o substituto (Refinaria) não paga Cofins sobre o ICMS embutido na receita do substituído, ou seja, da Recorrente, mas apenas sobre aquele embutido em sua própria receita. Assim, a receita do substituído não pode sofrer a exclusão do ICMS, por falta-lhe de previsão legal. Sobre o tema é salutar recordar que a alteração de base de cálculo de tributo é matéria atinente à competência tributária, e por consequência controvérsia de ordem constitucional. Assim transcrevo Súmula CARF n. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Formo meu convencimento no sentido de que há vedação a este Tribunal Administrativo para pronunciar-se sobre matéria constitucional, e nesta toada não merece acolhida a pretensão da Recorrente. Pelo exposto, voto para conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Fl. 115DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.519 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.002911/2007-45 Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.917023/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito, que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1402-004.048
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sérgio Abelson (Suplente Convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente o conselheiro Murillo Lo Visco.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito, que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 23 /2 00 8- 40 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 15374.917023/200840 Acórdão n.º 1402004.048 S1C4T2 Fl. 358 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sérgio Abelson (Suplente Convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente o conselheiro Murillo Lo Visco. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 15374.917023/200840 Acórdão n.º 1402004.048 S1C4T2 Fl. 359 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Para evitar repetições adoto o relatório do v. acórdão recorrido. Versa este processo sobre compensação. Através do Despacho Decisório n° 781150545, da Derat/RJO (fl.24), não foram homologadas as compensações declaradas nos documentos de fls. 02/23 PER/DCOMP. Nestes, a interessada declara compensar débitos de COFINS, referentes aos anoscalendário de 2004 e 2005, com crédito relativo a saldo negativo de IRPJ, relativamente ao anocalendário de 2000. O referido Despacho se fundamenta no fato de que não foi possível confirmar a apuração do saldo negativo do IRPJ, pois não foi identificado o período de apuração a que se refere o crédito informado, já que houve a entrega de duas DIPJ para o ano calendário de 2000. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 25/27, onde argumenta, em síntese, que tendo verificado a inconsistência dos créditos informados nas Dcomps em questão, apresentou, antes do Despacho Decisório ora em análise, novas Dcomps, em substituição àquelas, visando à compensação dos débitos com outros créditos por ela apurados, estes sim, dotados de liquidez e certeza. Reconhece que as Dcomps originalmente apresentadas deveriam ter sido canceladas quando apresentadas as novas Dcomps compensando os débitos registrados naquelas com outros créditos (diferentes do saldo negativo de IRPJ 2000), no entanto, por lapso, tal cancelamento deixou de ser solicitado. Requer sejam reconhecidos como inexigiveis os débitos cuja compensação não foi homologada: como também que sejam homologadas as novas Dcomps. Em 03/12/2008, a interessada, equivocadamente, apresentou nova manifestação de inconfomiidade (fls 28/32), acreditando que a de fls. 25/27 não havia sido entregue tempestivamente, conforme admite no documento de fls. 253/255. A DRJ proferiu o v. acórdão recorrido negando provimento a manifestação de inconformidade e mantendo integralmente o r. Despacho Decisório, nos seguintes termos: Fl. 359DF CARF MF Processo nº 15374.917023/200840 Acórdão n.º 1402004.048 S1C4T2 Fl. 360 4 [...] Rebelase a Interessada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro DERAT/RJO, que não homologou as compensações declaradas nos documentos de fls. 02/23. Como dito no Relatório, o Despacho Decisório se fundamenta no fato de que não foi possível confirmar a apuração do saldo negativo do IRPJ, pois não foi identificado o período de apuração a que se refere o crédito informado, já que houve a entrega de duas DIPJ para o ano calendário de 2000. Analisandose os PER/DCOMP de fls. 02/23, constatase que o crédito indicado para as compensações da COFINS seria o saldo negativo de IRPJ, exercício 2001, anocalendário de 2000, no valor original de R$ 244.767,46, corrigido para R$ 369.748,82 (fl. 03,ll,l5,2l). Acontece que esse saldo não tem correspondência com os valores apresentados na DIPJ do exercício de 2001, ano calendário de 2000. De fato, observase, conforme documentos de fls. 257/258, por mim anexados aos autos, que a interessada apresentou duas DIPJ relativas ao referido anocalendário, sendo que as duas registram saldo de Imposto de Renda a Pagar igual a zero linha 18 da ficha 13A. Além disso, a própria interessada admite em sua manifestação de inconformidade que o crédito não é líquido e certo, e que os débitos que seriam compensados por ele foram objeto de compensação de outras de Dcomps, com diferentes créditos. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração acompanhada das respectivas provas hábeis da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas a liquidez e a certeza do mesmo pela autoridade administrativa. A interessada diz que alguns dos débitos cuja compensação não foi homologada pelo Despacho n° 781150545 foram pagos, e outros compensados em outras Dcomps. Quanto aos pagamentos/compensações, cabe à unidade administrativa competente verificar, antes de dar ciência à interessada deste ato, se débitos foram extintos, cobrandose apenas os remanescentes, procedimento este que está sendo proposto no Acórdão. No que se refere às novas Dcomps, apresentadas objetivando compensar alguns dos demais débitos, e cuja homologação é pleiteada pela interessada, cabe lembrar que essas Dcomps não fazem parte do litígio ora em julgamento; sendo a Delegacia de Administração a instância competente para analisálas e, se for o caso, homologar os débitos nelas informados. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 15374.917023/200840 Acórdão n.º 1402004.048 S1C4T2 Fl. 361 5 Assim, diante do exposto, entendo não merecer reparos o Despacho Decisóiio n° 781150545, que não homologou as compensações efetuadas pela interessada, em razão de não haver crédito líquido e certo para isso, fato este admitido pela própria interessada. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo as mesmas alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 15374.917023/200840 Acórdão n.º 1402004.048 S1C4T2 Fl. 362 6 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que se equivocou/cometeu erro de fato ao informar nas PER/DCOMPs que o saldo negativo de IRPJ seria do anocalendário de 2000, sendo que o certo seria o saldo negativo do anocalendário de 2001, exercício 2002. Afirma que para solucionar o erro cometido, apresentou antes de ser proferido no r. Despacho Decisório novas DCOMPs para compensar com os débitos de COFINS, indicando o saldo negativo de IRPJ correto. Aduz que parte dos débitos que ficaram abertos com a não homologação das primeiras PER/DCOMPs foram pagas e outras parte foi compensada. Pois bem. Ao analisar a documentação dos autos, entendo que o v. acórdão deve ser mantido. Em relação a alegação da Recorrente de que apresentou novas DCOMPs indicando o crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 entendo que não deve ser acolhida, eis que não constam nos autos tais pedidos de compensação. Ademais, a Recorrente deveria ter cancelado as PER/DCOMPs antigas e informado que as DCOMPs apresentadas posteriormente seriam as retificadoras, procedimento que não foi feito. Em relação a alegação de que o débito de COFINS que não foi compensado e que ficou em aberto devido ao não reconhecimento do crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 foram pagos ou compensados, também entendo que não deve ser provida, eis que não constam nos autos as provas de pagamentos e as ditas compensações. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 15374.917023/200840 Acórdão n.º 1402004.048 S1C4T2 Fl. 363 7 Quanto a liquidez e certeza do crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000, também concordo com o v. acórdão recorrido, eis que não constam nos autos documentos contábeis e fiscais passíveis de se comprovar a existência e confirmar o período de apuração a que se refere tal crédito, pois o valor do saldo negativo não tem correspondência com o indicado na DIPJ/2000. Sendo assim, entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido em seus termos. De resto, adoto os fundamentos do v. acórdão recorrido para complementar meu voto. Rebelase a Interessada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro DERAT/RJO, que não homologou as compensações declaradas nos documentos de fls. 02/23. Como dito no Relatório, o Despacho Decisório se fundamenta no fato de que não foi possível confirmar a apuração do saldo negativo do IRPJ, pois não foi identificado o período de apuração a que se refere o crédito informado, já que houve a entrega de duas DIPJ para o ano calendário de 2000. Analisandose os PER/DCOMP de fls. 02/23, constatase que o crédito indicado para as compensações da COFINS seria o saldo negativo de IRPJ, exercício 2001, anocalendário de 2000, no valor original de R$ 244.767,46, corrigido para R$ 369.748,82 (fl. 03,ll,l5,2l). Acontece que esse saldo não tem correspondência com os valores apresentados na DIPJ do exercício de 2001, ano calendário de 2000. De fato, observase, conforme documentos de fls. 257/258, por mim anexados aos autos, que a interessada apresentou duas DIPJ relativas ao referido anocalendário, sendo que as duas registram saldo de Imposto de Renda a Pagar igual a zero linha 18 da ficha 13A. Além disso, a própria interessada admite em sua manifestação de inconformidade que o crédito não é líquido e certo, e que os débitos que seriam compensados por ele foram objeto de compensação de outras de Dcomps, com diferentes créditos. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração acompanhada das respectivas provas hábeis da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas a liquidez e a certeza do mesmo pela autoridade administrativa. A interessada diz que alguns dos débitos cuja compensação não foi homologada pelo Despacho n° 781150545 foram pagos, e outros compensados em outras Dcomps. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 15374.917023/200840 Acórdão n.º 1402004.048 S1C4T2 Fl. 364 8 Quanto aos pagamentos/compensações, cabe à unidade administrativa competente verificar, antes de dar ciência à interessada deste ato, se débitos foram extintos, cobrandose apenas os remanescentes, procedimento este que está sendo proposto no Acórdão. No que se refere às novas Dcomps, apresentadas objetivando compensar alguns dos demais débitos, e cuja homologação é pleiteada pela interessada, cabe lembrar que essas Dcomps não fazem parte do litígio ora em julgamento; sendo a Delegacia de Administração a instância competente para analisálas e, se for o caso, homologar os débitos nelas informados. Assim, diante do exposto, entendo não merecer reparos o Despacho Decisóiio n° 781150545, que não homologou as compensações efetuadas pela interessada, em razão de não haver crédito líquido e certo para isso, fato este admitido pela própria interessada. Pelo exposto e por tudo que consta nos autos, voto por conhecer do Recurso Voluntário e a ele negar provimento mantendo o v. acórdão recorrido. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 364DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.901110/2009-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja apurado o resultado de fevereiro de 2005 e, em consequência, se houve e, caso haja, qual o real valor de estimativa de IRPJ devida relativa ao período, bem como seja anexada ao processo cópia integral da DIPJ 2006, ano-calendário 2005.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja apurado o resultado de fevereiro de 2005 e, em consequência, se houve e, caso haja, qual o real valor de estimativa de IRPJ devida relativa ao período, bem como seja anexada ao processo cópia integral da DIPJ 2006, ano-calendário 2005. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja apurado o resultado de fevereiro de 2005 e, em consequência, se houve e, caso haja, qual o real valor de estimativa de IRPJ devida relativa ao período, bem como seja anexada ao processo cópia integral da DIPJ 2006, ano-calendário 2005. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 01 11 0/ 20 09 -0 7 Fl. 109DF CARF MF Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 2 ___________ Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 47/51) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 07, que não homologou a compensação declarada na DCOMP nº 40825.85622130106.1.3.04-9021, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior no valor original de R$ 50.638,78, período de apuração 28/02/2005, código de receita 2362 - IRPJ- PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL - ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS - ESTIMATIVA MENSAL, valor total do DARF R$ 50.638,78, data de arrecadação 31/03/2005, tendo em vista o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Na manifestação de inconformidade (folhas 12/14), a contribuinte informou que havia cometido erro de preenchimento da DCOMP, tendo informado débito de estimativa de IRPJ de fevereiro de 2005 no montante de R$ 50.638,78 e retificado para R$ 0,00 após tomar ciência do despacho decisório. Apresentou, para comprovação, DCTF retificadora, comprovante de arrecadação do DARF e a página 1 da ficha 11 da DIPJ 2006, ano-calendário 2005. No acórdão a quo, a não homologação foi mantida por falta de comprovação do crédito alegado. Ciência do acórdão DRJ em 18/05/2013 (folha 55). Recurso voluntário apresentado até 31/05/2010 (folha 56). A recorrente, às folhas 57/63, em síntese, ratifica suas alegações anteriores e anexa demonstrativos contábeis às folhas 70/103: termos de abertura e encerramento respectivamente do primeiro e último livros diários de 2005, balancete de verificação de fevereiro de 2005, folha do livro razão da conta de estimativas de IRPJ relativas a janeiro e fevereiro de 2005, parte A do Lalur relativa a fevereiro de 2005, com termos de abertura e encerramento, e a página 1 da ficha 11 da DIPJ 2006, ano-calendário 2005. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1001-000.158 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.901110/2009-07 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Do balancete de verificação de fevereiro de 2005 constam saldo devedor de estimativa de IRPJ a recuperar no valor de R$ 108.023,81 (R$ 57.385,03 referentes a janeiro e R$ 50.638,78 referentes a fevereiro) e saldo credor de estimativa de IRPJ a recolher no valor de R$ 50.638,78. Do livro razão consta lançamento que registra o pagamento de estimativa de IRPJ no mesmo valor. E o valor do resultado constante da parte A do Lalur coincide com o valor informado na DIPJ relativo a fevereiro de 2005, base de cálculo do imposto de renda negativa no valor de R$ (355.055,70). É necessário, portanto, confirmar a informação constante do Lalur, de que houve resultado negativo em fevereiro de 2005 e, portanto, não houve débito de estimativa de IRPJ relativa ao período. Tampouco consta do processo cópia integral da DIPJ 2006, ano-calendário 2005, em que se possa aferir se o pagamento de estimativa em questão foi utilizado na apuração do resultado do ano-calendário de 2005. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja apurado o resultado de fevereiro de 2005 e, em consequência, se houve e, caso haja, qual o real valor de estimativa de IRPJ devida relativa ao período, bem como seja anexada ao processo cópia integral da DIPJ 2006, ano-calendário 2005. A autoridade fiscal da unidade jurisdicionante da recorrente deverá examinar a escrituração contábil da recorrente, bem como documentos fiscais que entender necessários, produzindo relatório conclusivo que demonstre se há crédito líquido e certo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ de fevereiro de 2005 e informando seu eventual valor original. A recorrente deve ser cientificada, inicialmente, da presente resolução e, após as intimações próprias do procedimento, ao final, do referido relatório conclusivo para que, caso entenda necessário, adicione manifestação no prazo de 30 (trinta) dias a contar de sua ciência. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.911258/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-005.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.911257/2010-36, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. A relatoria foi atribuída ao presidente do colegiado, apenas como uma formalidade exigida para a inclusão dos recursos em pauta, podendo ser formalizado por quem o substituir na sessão.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.911257/2010-36, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. A relatoria foi atribuída ao presidente do colegiado, apenas como uma formalidade exigida para a inclusão dos recursos em pauta, podendo ser formalizado por quem o substituir na sessão. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-10-18T13:46:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-10-18T13:46:40Z; Last-Modified: 2019-10-18T13:46:40Z; dcterms:modified: 2019-10-18T13:46:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-10-18T13:46:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-10-18T13:46:40Z; meta:save-date: 2019-10-18T13:46:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-10-18T13:46:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-10-18T13:46:40Z; created: 2019-10-18T13:46:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-10-18T13:46:40Z; pdf:charsPerPage: 1777; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-10-18T13:46:40Z | Conteúdo => S2-C 2T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.911258/2010-81 Recurso Voluntário Acórdão nº 2202-005.464 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de setembro de 2019 Recorrente MARIA LOAR FISTANOL ARAÚJO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Data do fato gerador: 01/01/2005 PER/DCOMP Descabe acolher pedido de restituição de imposto declarado e pago pelo contribuinte- diante da comprovação de que a declaração de ITR do imóvel foi apresentada corretamente em nome da usufrutuária do imóvel. RECURSO. PROVAS. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE O recurso/impugnação deverá ser instruído com os documentos em que se fundamentar, cabendo ao contribuinte produzir as provas necessárias para justificar suas alegações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.911257/2010-36, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. A relatoria foi atribuída ao presidente do colegiado, apenas como uma formalidade exigida para a inclusão dos recursos em pauta, podendo ser formalizado por quem o substituir na sessão. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 12 58 /2 01 0- 81 Fl. 79DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.464 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.911258/2010-81 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202-005.463, de 10 de setembro de 2019 - 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10980.911257/2010-36, paradigma deste julgamento. “Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida em Manifestação de Inconformidade pela 1ª Turma da DRJ/CGE, que julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Por bem descrever os fatos, reproduz-se abaixo o relatório da decisão recorrida: (...) • Era proprietária de um imóvel rural no município de Palmas/PR e vinha apresentando regularmente as declarações em seu nome; em setembro/2000, com seu cônjuge, hoje falecido, promoveram adiantamento da legítima, procedendo à divisão amigável do imóvel em sete quinhões, doados totalmente aos filhos, resultando em sete imóveis diferentes; • Posteriormente, apresentou Documento de Informação e Atualização Cadastral - DIAC, para regularização da situação junto à Receita Federal, e foram emitidos novos números de NIRF para os respectivos quinhões, não restando nenhum em seu nome, o que deu ensejo a requerer a restituição dos valores do ITR recolhidos indevidamente, haja vista que os novos proprietários efetuaram os respectivos recolhimentos de ITR, com acréscimos legais e multa; • Discorda da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, haja vista que, no ano 2000, os imóveis rurais desmembrados tiveram suas matrículas registradas no Cartório de Registro de Imóveis em nome dos novos proprietários, fato que caracteriza a transmissão da propriedade dos imóveis e a sujeição passiva dos novos proprietários em relação ao ITR, afastando da doadora as obrigações tributárias futuras; • A partir do Exercício 2005, para cada imóvel foi apresentada a DITR e recolhido o imposto, sendo que o NIRF original ficou com um dos donatários; • O recolhimento que pretende restituir, no valor de R$ 301,53, refere-se a uma das parcelas do montante de R$ 1.206,12, recolhido indevidamente a título do ITR/2005 relativo ao imóvel com NIRF 3.733.184-1, para o qual houve recolhimento em duplicidade, não existindo relação jurídica entre ela e o órgão arrecadador, sendo justo reconhecer o direito creditório a seu favor. O contribuinte interpôs recurso voluntário, repisando em grande parte os termos da impugnação, tendo acrescentado os seguintes argumentos: - no presente caso, a ilustre relatora tenta desviar o núcleo da matéria discutida tratando-a de forma superficial, já que o fato gerador do imposto é a propriedade, o domínio útil ou a posse. Contudo, merece destaque a ocorrência do pagamento do Fl. 80DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.464 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.911258/2010-81 imposto em duplicidade aos cofres públicos, ou seja, tanto a recorrente (antiga usufrutuária) como pelo proprietário do imóvel efetuou o pagamento relativo ao ITR incidente sobre a mesma área, referente ao mesmo exercício e com a mesma base de cálculo. - isto pois os reais proprietários foram obrigados a recolher novamente os valores que já haviam sido pagos. Sem esta providência, não seria possível a regularização dos imóveis perante a Receita Federal e ao INCRA. Assim, o recolhimento em duplicidade não ocorreu por mera deliberação. - caso perdure esta situação, a União estaria burlando um dos princípios vedado pela própria constituição pátria, que é a do enriquecimento sem causa. - por consequência, o que se está buscando nos presentes autos é a recuperação de valores recolhidos aos cofres da União, que pelas circunstâncias, não pertencem ao erário público. - o fato de a legislação definir o contribuinte do ITR como sendo o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, não outorga o direito da Fazenda Nacional exigir o recolhimento do mesmo imposto de todos simultaneamente. - desta maneira, diante da comprovação da existência de pagamento em duplicidade, da inexistência atual de relação jurídica entre a Recorrente e o Órgão Arrecadador, nada mais justo reconhecer o direito creditório em seu favor e restituí-lo. É o relatório.” Fl. 81DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.464 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.911258/2010-81 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2202-005.463, de 10 de setembro de 2019 - 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10980.911257/2010-36, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202-005.463, de 10 de setembro de 2019 - 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: “O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De fato, os documentos juntados aos autos comprovam que, no ano 2000, a interessada e seu marido fizeram doação de um imóvel rural de sua propriedade, localizado no município de Palmas/PR, para várias pessoas, porém, com cláusula de usufruto vitalício em favor dos doadores, sendo que esse somente foi cancelado no ano de 2008, parte em razão do falecimento do marido e parte pela própria interessada por escritura pública de renúncia de usufruto lavrada em 17 de setembro de 2008. Com isso, constata-se que a Recorrente era usufrutuária do imóvel objeto da notificação até 17 de setembro de 2008, logo ela era considerada contribuinte do ITR, consoante previsão contida no art. 4º da Lei n. 9.393/1996, e art. 4º, parágrafo 2º, da Instrução Normativa SRF n. 256, de 11/12/2002 e, portanto, é parte legítima para figurar no polo passivo da exigência de ITR do Exercício 2005 sobre o imóvel. Lei n. 9.393/1996 Art. 4 o Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Parágrafo único. O domicílio tributário do contribuinte é o município de localização do imóvel, vedada a eleição de qualquer outro. (negritou-se) Instrução Normativa SRF n. 256 Art. 4 º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. § 1 o É titular do domínio útil aquele que adquiriu o imóvel rural por enfiteuse ou aforamento. § 2 o É possuidor a qualquer título aquele que tem a posse do imóvel rural, seja por direito real de fruição sobre coisa alheia, no caso do usufrutuário, seja por ocupação, autorizada ou não pelo Poder Público. Fl. 82DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.464 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.911258/2010-81 (...) (negritou-se) Em sede de Recurso, a contribuinte alega que houve pagamento em duplicidade do tributo devido, do imóvel rural em questão, uma vez que os novos proprietários efetuaram os respectivos recolhimentos de ITR, com acréscimos legais e multa devida. No que pese os argumentos apresentados pela Recorrente, não consta nos autos prova documental de que seus herdeiros tenham de fato efetuado os recolhimentos de ITR devidos incidente sobre a mesma área, referente ao mesmo exercício e com a mesma base de cálculo. Como se vê, na impugnação bem como na peça recursal a contribuinte não apresentou prova documental que respaldasse o pagamento em dobro. Observa-se que o contribuinte, em nenhum momento, seja durante a ação fiscal, seja na fase litigiosa, apresentou qualquer argumento ou elemento de prova que justificasse a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias. Releva notar que, cabia a contribuinte demonstrar com documento hábil e idôneo o pagamento em dobro, o que não ocorreu. As suas alegações não se encontram acompanhadas de documentos que as comprovem e é regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o Recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". Assim sendo, não deve ser acatado o pedido de restituição de ITR, por falta de comprovação do suposto pagamento em dobro. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso.” Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720366/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. CONTRADIÇÃO.
Cabíveis os embargos de declaração para retificar a conclusão do voto e o acórdão quando estes espelharem contradição com o teor do voto da relatora, voto este que está em conformidade com o entendimento da Turma Julgadora.
Numero da decisão: 2101-002.349
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para retificar a conclusão do voto da relatora, proferido no âmbito do Acórdão n.º 2101-002.283, de 17.9.2013, conforme seu voto, e o próprio Acórdão, que passa a ser: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para considerar como área de preservação permanente os 8 mil ha declarados no ADA tempestivamente apresentado ao Ibama. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Eivanice Canário da Silva”.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. CONTRADIÇÃO. Cabíveis os embargos de declaração para retificar a conclusão do voto e o acórdão quando estes espelharem contradição com o teor do voto da relatora, voto este que está em conformidade com o entendimento da Turma Julgadora.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para retificar a conclusão do voto da relatora, proferido no âmbito do Acórdão n.º 2101-002.283, de 17.9.2013, conforme seu voto, e o próprio Acórdão, que passa a ser: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para considerar como área de preservação permanente os 8 mil ha declarados no ADA tempestivamente apresentado ao Ibama. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Eivanice Canário da Silva”.
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ACOLHIMENTO. CONTRADIÇÃO. Cabíveis os embargos de declaração para retificar a conclusão do voto e o acórdão quando estes espelharem contradição com o teor do voto da relatora, voto este que está em conformidade com o entendimento da Turma Julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para retificar a conclusão do voto da relatora, proferido no âmbito do Acórdão n.º 2101002.283, de 17.9.2013, conforme seu voto, e o próprio Acórdão, que passa a ser: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para considerar como área de preservação permanente os 8 mil ha declarados no ADA tempestivamente apresentado ao Ibama. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Eivanice Canário da Silva”. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 03 66 /2 00 8- 20 Fl. 171DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.14365.JONY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, Celia Maria de Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Francisco Marconi de Oliveira Relatório Em 17 de setembro de 2013, este Colegiado emitiu o Acórdão n.º 2101 002.283, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pela parte interessada. Em procedimento de verificação, esta Relatora observou ter havido um equívoco na conclusão do voto, eis que esta não espelhou o correto posicionamento manifestado no seu teor. Este equívoco se refletiu no Acórdão, que, também em contradição com o conteúdo do voto, deu provimento integral ao recurso do sujeito passivo, quando deveria ter dado provimento em parte. Uma vez verificado o equívoco, foram opostos embargos de declaração, com base no artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009, ante o entendimento que os autos deveriam retornar à apreciação do Colegiado para que sobre eles se pronunciasse, diante da contradição apontada. Os embargos foram submetidos à apreciação do Presidente desta 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento, que determinou que os autos retornassem a esta Conselheira. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Esta 1.ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento emitiu, nos autos deste processo, o Acórdão 2101002.283, de 17 de setembro de 2013, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pela parte interessada, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Eivanice Canário da Silva. Ocorre que esta Conselheira, ao promover a verificação do texto integral produzido, verificou haver uma contradição, sobre a qual a seguir se discorrerá. Fl. 172DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.14365.JONY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.720366/200820 Acórdão n.º 2101002.349 S2C1T1 Fl. 3 3 No voto condutor da decisão deste Conselho, esta Relatora fez consignar o seguinte posicionamento: Na hipótese dos autos, o contribuinte protocolou ADA junto ao Ibama, de acordo com as normas vigentes: em 1999, declarou a existência de área de preservação permanente de 8.000,0 hectares, área essa que foi alterada para 10.000,0 hectares por meio do ADA protocolado em 1.4.2004 (fls. 19) (o ADA entregue em 2004, no formulário de 1997 – fls. 19 foi regularmente recebido na repartição do Ibama). Em 2007, apresentou ADA no qual declarou APP de 8.000 hectares. Não consta que a área de preservação permanente nele informada tenha sido objeto de modificação, em nenhum momento, pelo órgão ambiental, por meio de ADA lavrado de ofício. Diante disso, entendemos que o ADA entregue em data mais recente, anterior ao início da fiscalização, isto é, aquele apresentado em 2007 (fls. 20), prevalece sobre os demais e é apto para comprovar a existência da área de preservação permanente nele declarada, de 8.000 hectares, para o fim de excluíla do cômputo do ITR, tendo em conta que o órgão ambiental, responsável pela execução das políticas e diretrizes para a proteção do meio ambiente e responsável pela emissão e controle do ADA, não a alterou, o que, a rigor, significa dizer que com ela concordou, homologandoa. (grifouse) A compreensão do texto acima reproduzido conduz à conclusão que o entendimento manifestado foi de que estaria comprovada nos autos uma área de preservação permanente de 8.000 hectares. Tendo em vista que a área do imóvel rural é de 10.000 hectares, conforme Certidão do Cartório do Registro de Imóveis e Hipotecas de Barra (BA), anexado às fls. 16 dos autos, a exclusão da área de 8.000 hectares a título de preservação permanente ensejaria o provimento parcial do recurso voluntário. É esse o entendimento que consta da ementa do julgado, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA A partir da Lei n.º 10.165, de 2000, para a exclusão da área de preservação permanente da área total do imóvel rural, no cômputo do ITR, exigese Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao Ibama. Tempestivamente protocolado, o ADA tem o condão de comprovar, por presunção legal, que a área de preservação permanente nele declarada pelo titular do imóvel rural é reconhecida pelo Ibama. Fl. 173DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.14365.JONY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Na hipótese, a área de preservação permanente foi comprovada em parte por meio de ADA protocolado tempestivamente. (grifouse) No entanto, em contradição com esse entendimento, a conclusão que se fez consignar foi pelo provimento total do recurso, posição que não espelha o que se manifestou e fundamentou no decorrer do voto. O correto teria sido concluir pelo provimento em parte do recurso, para considerar comprovada a área de preservação permanente de 8.000 hectares. A fim de sanar a contradição apontada, propõese alterar a redação da conclusão do voto, substituindose pela seguinte: Ante todo o exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso, para considerar como área de preservação permanente os 8.000 ha declarados no ADA tempestivamente apresentado ao Ibama. O equívoco apontado refletiuse também na construção do Acórdão, que restou igualmente equivocado, e deve ser retificado, para os seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para considerar como área de preservação permanente os 8 mil ha declarados no ADA tempestivamente apresentado ao Ibama. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Eivanice Canário da Silva. Conclusão Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, para retificar a redação da conclusão do voto e do Acórdão n.º 2101002.283, de 17 de setembro de 2013, que devem manifestar a efetiva decisão deste Colegiado, por dar provimento em parte ao recurso para considerar como área de preservação permanente os 8.000 ha declarados no ADA tempestivamente apresentado ao Ibama. Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 174DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.14365.JONY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY em 20/11/2013 16:03:00. Documento autenticado digitalmente por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY em 20/11/2013. Documento assinado digitalmente por: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS em 12/12/2013 e CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY em 20/11/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 16/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP16.0919.14365.JONY Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 961505C3C4F0AFFE544F104F9C6EC524472D0AA4 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10530.720366/2008-20. 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