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Numero do processo: 10380.909171/2008-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA DE IRPJ. CRÉDITO UTILIZADO INTEGRALMENTE NA APURAÇÃO ANUAL DO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE.
Não obstante ser possível a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa do IRPJ/CSLL, é imprescindível que esse crédito não tenha sido utilizado na apuração anual do tributo.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Não colacionado aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, para fins de comprovação do direito creditório, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado.
Numero da decisão: 1001-001.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Severo Chaves - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), André Severo Chaves, Andréa Machado Millan e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDRE SEVERO CHAVES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA DE IRPJ. CRÉDITO UTILIZADO INTEGRALMENTE NA APURAÇÃO ANUAL DO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. Não obstante ser possível a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa do IRPJ/CSLL, é imprescindível que esse crédito não tenha sido utilizado na apuração anual do tributo. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não colacionado aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, para fins de comprovação do direito creditório, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA DE IRPJ. CRÉDITO UTILIZADO INTEGRALMENTE NA APURAÇÃO ANUAL DO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. Não obstante ser possível a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa do IRPJ/CSLL, é imprescindível que esse crédito não tenha sido utilizado na apuração anual do tributo. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não colacionado aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, para fins de comprovação do direito creditório, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), André Severo Chaves, Andréa Machado Millan e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata-se, o presente processo, de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão de nº 08-25.225, da 4ª Turma da DRJ/FOR, que julgou improcedente a Manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 91 71 /2 00 8- 98 Fl. 169DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-001.396 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909171/2008-98 Inconformidade, apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Transcreve-se, portanto, o relatório da supracitada DRJ, que resume o presente litígio: “Trata-se de apreciar manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório de fls. 07/08 que não homologou a compensação declarada por meio do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação - PER/DCOMP nº 29027.63626.051104.1.3.04-7009. O pedido de compensação objetiva compensar débitos fiscais com alegados pagamentos a maior de estimativa de IRPJ relativos a janeiro de 2004. O crédito original utilizado no referido PER/DCOMP foi, segundo o administrado, R$2.604,34 (fl. 03). O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 2.604,34 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 10/13), com os seguintes argumentos em síntese: À vista do que foi expendido acima, tem-se que em sede de "processo administrativo tributário" vale o princípio da verdade material. Este mandamento nuclear impele a Administração a decidir sempre com arrimo nos fatos tais como eles se apresentam na realidade. Sobre o conteúdo de tal postulado, esclarece-nos José Arthur Lima Gonçalves. O crédito existe e conforme a documentação acostada verificasse o Direito Potestativo da parte de ter seus créditos reconhecidos, sob pena de enriquecimento sem causa por parte do fisco federal. Nesse sentido, requer que seja reconhecido o crédito e, por azo de conseqüência, realizada a compensação anteriormente manifestada, face a atual regularidade dos DARFs, PER/DCOMP e IRPJ. Atente-se para o fato de que a referida regularização não causará nenhum prejuízo ao Fisco Federal, de outra feita, o não reconhecimento poderá causar um dano irreparável ao contribuinte mesmo estando patente o saldo que o mesmo possui. Enfim, sempre que houver a possibilidade de se impor medida menos gravosa à esfera jurídica do contribuinte, cujo efeito seja semelhante àquele decorrente da aplicação de atos mais limitadores, deve o Estado optar pela primeira, por exigência do princípio da proporcionalidade em seu aspecto necessidade. Perceba-se que não há nenhum inconveniente a Receita Federal, mormente quando não há crédito prescrito ou que tenha sido alcançado pela decadência. A documentação que ora acostamos atesta a veleidade dos fatos alegados bem como a existência dos referidos créditos. Fl. 170DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-001.396 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909171/2008-98 Anexei as fls. 44/147. É o relatório.” Entretanto, a DRJ, julgou totalmente improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, conforme ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. O pagamento da estimativa de IRPJ não é passível de restituição/compensação, de forma autônoma, quando previamente computado no saldo negativo correspondente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” No voto proferido pela DRJ, esta destacou: “Conforme relatado, o litígio do presente processo envolve a análise da liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de compensação, referente a supostos pagamentos a maior efetuados em 27/02/2004 (R$4.859,32) e 04/05/2004 (R$639,54). Como o contribuinte informou em PER/DCOMP que o valor total do DARF seria R$5.498,86 com data de arrecadação em 29/02/2004, o pleito foi indeferido sob a justificativa de inexistência do crédito nos sistemas da Receita Federal. Localizados os DARFs (fl. 45) , resta analisar o mérito do pedido. Para se requerer restituição de estimativa mensal de IRPJ, o contribuinte não pode ter solicitado o mesmo valor no saldo negativo daquele ano. Verificando os valores das estimativas mensais, tem-se: (...) Ocorre que, na linha 17 da ficha 12A da DIPJ, o administrado deduziu do imposto sobre o lucro real o valor de R$71.664,65 (fl. 63) a título de estimativas pagas, ou seja, mais de R$26.000,00 em relação às estimativas mensais declaradas em DIPJ e DCTF (vide tabela acima). Assim, a verdade material extraída dos autos é que os valores pagos a título de estimativa de janeiro/2004 já foram utilizados no cálculo do saldo negativo de IRPJ do ano- calendário 2004, pelo que se indefere o pleito de restituição/compensação.” Fl. 171DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-001.396 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909171/2008-98 Cientificado da decisão de primeira instância em 07/05/2013 (Aviso de Recebimento à e-Fl. 154), inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 24/05/2013 (e-Fls. 156 a 165). Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e, ainda, impugnou alguns fundamentos da decisão de 1ª Instância, que serão abordados a seguir no voto. É o relatório. Voto Conselheiro André Severo Chaves, Relator. Inicialmente, ao compulsar os autos, verifico que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade do Processo Administrativo Fiscal, previstos no Decreto nº 70.235/72. Razão, pela qual, dele conheço. Concerne, portanto, a presente controvérsia, a verificar o direito creditório informado em PER/DCOMP decorrente de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, no valor originário de R$ 2.604,34, referente ao mês de Janeiro de 2001. Compulsando os autos, verifica-se no Despacho Decisório que o crédito não fora homologado sob o fundamento de que o crédito não fora localizado, ante a um erro na transmissão das informações pelo contribuinte, que posteriormente fora retificado. Já sob a análise da DRJ/FOR, esta localizou os DARF’s, entretanto, ao consultar as informações da DIPJ, verificou que o contribuinte deduziu do IRPJ (Linha 17, Ficha 12A) uma quantia maior do que o valor das estimativas localizadas, concluindo, portanto, que não restariam créditos disponíveis. Da Análise Do Direito Creditório. Fl. 172DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-001.396 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909171/2008-98 O art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN estabelece que a lei pode, nas condições e garantias que especifica, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Em consonância com o art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN, o art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e respectivas alterações, estabelece que a compensação deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que constem informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados. O mencionado dispositivo estabelece, ainda, que a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Faz-se necessário, portanto, que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado (art. 170 CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). Nesse sentido, a verdade material, como corolário do princípio da legalidade dos atos administrativos, impõe que prevaleça a verdade acerca dos fatos alegados no processo, tanto em relação ao contribuinte quanto ao Fisco. O que nos leva a analisar, ainda que sucintamente, o ônus probatório. Nos termos do art. 373 da Lei 13.105/ 2015 (CPC), o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia, provar os fatos alegados, garantindo-se à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. Nessa esteira, para fins de comprovação do direito creditório, cabe ao contribuinte provar o direito alegado. Uma vez colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis, o crédito merece ser reconhecido. Caso contrário, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado. Nesse sentido, a DRJ/FOR decidiu acertadamente, vez que constatou, em análise a DCTF e a DIPJ, que o crédito apresentado na Declaração de Compensação, decorrente de pagamento indevido a maior de estimativa, fora integralmente utilizado na apuração anual do IRPJ. Fl. 173DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-001.396 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.909171/2008-98 A DRJ verificou, inclusive, que na apuração anual do IRPJ fora deduzido a quantia R$ 71.664,65 de estimativas supostamente pagas (DIPJ Linha 17, Ficha 12A), sendo que em DCTF só foram apuradas estimativas no valor de R$ 44.768,06, não restando, portanto, créditos disponíveis. Ademais, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente basicamente repisa os argumentos da Manifestação de Inconformidade, não se desincumbindo do ônus de comprovar a existência e disponibilidade do crédito. Diante do exposto, tendo em vista que a Recorrente não apresentou elementos probatórios capazes de infirmar o decidido pela DRJ, o direito creditório não deve ser reconhecido. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.901890/2008-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITÓRIO. ERRO DE FATO NA DCTF. ÔNUS PROBATÓRIO.
Incumbe ao sujeito passivo comprovar com a escrita contábil e fiscal o erro de fato no preenchimento da DCTF. A ausência de comprovação compromete a liquidez e certeza do crédito pleiteado e impossibilita o provimento do recurso voluntário.
INTIMAÇÃO DOS ADVOGADOS. SÚMULA CARF Nº 110. IMPOSSIBILIDADE.
Não encontra acolhida a pretensão de que as intimações no processo administrativo fiscal sejam dirigidas aos advogados da parte, conforme Súmula CARF nº 110.
Numero da decisão: 1401-003.767
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. ERRO DE FATO NA DCTF. ÔNUS PROBATÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo comprovar com a escrita contábil e fiscal o erro de fato no preenchimento da DCTF. A ausência de comprovação compromete a liquidez e certeza do crédito pleiteado e impossibilita o provimento do recurso voluntário. INTIMAÇÃO DOS ADVOGADOS. SÚMULA CARF Nº 110. IMPOSSIBILIDADE. Não encontra acolhida a pretensão de que as intimações no processo administrativo fiscal sejam dirigidas aos advogados da parte, conforme Súmula CARF nº 110.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-10-04T17:20:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-10-04T17:20:51Z; Last-Modified: 2019-10-04T17:20:51Z; dcterms:modified: 2019-10-04T17:20:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-10-04T17:20:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-10-04T17:20:51Z; meta:save-date: 2019-10-04T17:20:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-10-04T17:20:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-10-04T17:20:51Z; created: 2019-10-04T17:20:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-10-04T17:20:51Z; pdf:charsPerPage: 1448; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-10-04T17:20:51Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10283.901890/2008-69 Recurso Voluntário Acórdão nº 1401-003.767 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2019 Recorrente MOTO HONDA DA AMAZÔNIA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. ERRO DE FATO NA DCTF. ÔNUS PROBATÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo comprovar com a escrita contábil e fiscal o erro de fato no preenchimento da DCTF. A ausência de comprovação compromete a liquidez e certeza do crédito pleiteado e impossibilita o provimento do recurso voluntário. INTIMAÇÃO DOS ADVOGADOS. SÚMULA CARF Nº 110. IMPOSSIBILIDADE. Não encontra acolhida a pretensão de que as intimações no processo administrativo fiscal sejam dirigidas aos advogados da parte, conforme Súmula CARF nº 110. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 18 90 /2 00 8- 69 Fl. 103DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.767 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.901890/2008-69 Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata o presente feito de PER/DComp por meio do qual a contribuinte pede o reconhecimento de direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL e declara a compensação deste valor com débitos de sua responsabilidade. A unidade da RFB de jurisdição, por meio de Despacho Decisório, indeferiu o pleito creditório. O fundamento para o indeferimento foi a inexistência de saldo disponível tendo em vista a utilização integral do pagamento efetuado, conforme débito declarado em DCTF. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual, em síntese, alegou que: - Cotejando-se os valores declarados em DIPJ com os recolhimentos efetuados e a utilização parcial do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior em outras DComp, resta um saldo a compensar suficiente para a compensação de que trata o presente feito; - Houve um erro de fato no preenchimento da DCTF. Ao invés de declarar o débito de acordo com o apurado na DIPJ, a contribuinte declarou um débito no mesmo montante do pagamento efetuado; - o equívoco no preenchimento da DCTF não pode servir de fundamento para o indeferimento do direito creditório, especialmente em função dos princípios da verdade material, da moralidade e da eficiência e das normas de regência. Ao final, pugnou pela homologação da compensação declarada. Para instruir a impugnação, juntou cópias do PER/DComp, da DIPJ, do DARF e de outras compensações. Requereu, também, a intimação por meio de seus procuradores. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e a ementa do acórdão ora vergastado restou consignada nos seguintes termos, na parte que interessa para o deslinde do presente feito: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. LIQUIDEZ DO CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As provas constantes dos autos não indicam que o pagamento indevido ou a maior foi desconsiderado na apuração anual da CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. UTILIZAÇÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. A época de transmissão da declaração de compensação era vedada a utilização, em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal CSLL. Fl. 104DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.767 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.901890/2008-69 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NORMAS DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. No processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A aplicação do principio da verdade material deve se compatibilizar com os demais princípios processuais existentes e as determinações legais especificas. Diante da decisão da autoridade de piso, a contribuinte manejou o recurso voluntário sob análise, por meio do qual, resumidamente, reiterou as alegações esgrimidas na manifestação de inconformidade. Em essência, era o que havia a relatar. Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, tomo conhecimento. Mérito. Inicialmente, impende registrar que restou pacificado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o entendimento de que é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa, conforme previsão da Súmula CARF nº 84, que possui efeito vinculante por força da Portaria ME nº 129/2019. Assim, caso restasse comprovado o efetivo pagamento indevido, estaria superado o fundamento adotado pela instância a quo e seria possível reconhecer o direito ao crédito da recorrente oriundo do pagamento indevido de estimativa de CSLL. Contudo, a questão central posta para análise é essencialmente probatória. Vejamos. A questão posta na espécie é a desconstituição de débito declarado por meio de DCTF, que requer a comprovação de qual é o débito condizente com a verdade material. É preciso lembrar o caráter constitutivo do crédito tributário inerente à DCTF. Uma vez constituído o crédito tributário pelo próprio sujeito passivo, a desconstituição deste requer robusta comprovação do erro de fato. Em outras palavras, se o contribuinte equivocou-se na DCTF e declarou débitos maiores do que os devidos, deve comprovar o erro e qual o montante efetivamente devido. Fl. 105DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.767 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.901890/2008-69 Somente com tal comprovação será possível aferir a liquidez e certeza de eventual pagamento indevido. É preciso lembrar que, de acordo com artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve apresentar na impugnação "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". No mesmo sentido, o artigo 373, I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, determina que incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Entretanto, a contribuinte não logrou fazer tal prova. Apresentou tão-somente a DIPJ onde consta o débito que alega ser o correto. A DIPJ não constitui débitos e créditos. Trata- se de uma declaração unilateral de informações que não são sujeitas à revisão de ofício por parte da administração tributária. Para dar suporte à alegação de que o débito de CSLL é inferior ao declarado em DCTF, deve a contribuinte apresentar sua escrituração comercial e fiscal, acompanhada, se for o caso, dos respectivos documentos de suporte. Neste sentido, é recorrente o posicionamento deste Conselho, conforme se pode observar nos seguintes julgados: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) Fl. 106DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.767 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.901890/2008-69 Uma vez que a contribuinte não trouxe aos autos elementos mínimos de prova de que teria havido um erro de fato no valor do débito declarado em DCTF, é de se negar o provimento do recurso voluntário. Intimações encaminhadas aos procuradores. Assim como na manifestação de inconformidade, a recorrente requer que as intimações sejam encaminhadas aos procuradores. Todavia, tal pretensão não encontra respaldo na legislação de regência, especialmente no artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. Neste diapasão, a matéria foi consolidada no âmbito do CARF por meio da Súmula CARF nº 110: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Conclusão. Indefiro o pedido de intimação dos procuradores e, em face da ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado pela recorrente, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721925/2010-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Não será conhecida a Impugnação apresentada após o prazo de trinta dias contados da data de ciência do lançamento.
Numero da decisão: 2002-001.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que votou pelo não conhecimento, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecida a Impugnação apresentada após o prazo de trinta dias contados da data de ciência do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que votou pelo não conhecimento, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de Auto de Infração (e-fls. 03/09) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF dos anos calendário 2006 a 2008. O lançamento decorre da apuração de Dedução Indevida de Despesas Médicas, conforme detalhado no Termo e Verificação Fiscal (e-fls. 10/12). O contribuinte apresentou Impugnação (e-fls. 91/93) com os argumentos resumidos no relatório do acórdão recorrido (e-fls. 121/123): Cientificado do lançamento em 26/7/2010 (fl. 88), o contribuinte apresentou impugnação (fls. 91 a 93), em 7/10/2010, contestando o lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 19 25 /2 01 0- 10 Fl. 144DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.516 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.721925/2010-10 Alega que na data da petição (30/9/2010) tomou ciência do auto de infração. Prossegue afirmando que discorda da cobrança do imposto e aplicação da multa de ofício, pois o valor apresentado pela autoridade fiscal não segue as regras da tabela do imposto de renda amplamente divulgado pela imprensa. Apresenta, como prova de sua alegação, demonstrativo de cálculo de apuração do imposto a pagar para os exercícios em questão. Protesta ainda não terem sido considerados os recibos apresentados, especialmente os emitidos pela profissional Sueli Maria de Jesus, no valor de R$ 5.000,00. Solicita o parcelamento do débito que calcula (R$ 421,50, R$ 403,55 e R$ 1.363,28, exercícios de 2007 a 2009, respectivamente), com a redução da multa que é de direito. A 7ª Turma da DRJ/BHE não conheceu da Impugnação conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FASE LITIGIOSA. INSTAURAÇÃO. PRAZO. A fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente é instaurada se a impugnação é apresentada dentro do prazo de trinta dias contados da ciência do lançamento. Cientificado do acórdão de primeira instância em 06/02/2013 (e-fls. 127), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 01/03/2013 (e-fls. 129/133) com as alegações a seguir sintetizadas. - Requer seu endereço seja atualizado para Praça Senador Ribeiro, 203 - apartamento 303, Centro, Entre Rios de Minas-MG, CEP 35.490.000. - Sustenta que a alegada intempestividade da impugnação não procede. Expõe que até setembro/outubro de 2008 o seu endereço era Praça Senador Ribeiro, 210, Centro, Entre Rios de Minas-MG (imóvel alugado), a partir de outubro de 2008 passou a ser Praça Senador Ribeiro, 234-A, Centro, Entre Rios de Minas-MG (imóvel alugado), e a partir de março de 2011 mudou para Praça Senador Ribeiro, 203 - sala 303, Centro Entre Rios de Minas-MG. Aduz que, com as mudanças de endereço, vinha tendo problemas com o recebimento de correspondências, principalmente no endereço da Praça Senador Ribeiro, 234 - A, pois, no imóvel funcionavam várias atividades comerciais e residenciais e não havia porteiro. - Afirma que recebeu a correspondência da Receita Federal vários dias após a entrega pelos Correios, ou seja, somente no final de setembro de 2010. Defende que não foi o responsável pelo atraso e que não existe qualquer prova de que ele ou qualquer pessoa de seu convívio tenha assinado o AR - Aviso de Recebimento. Acrescenta que não sabe informar quem assinou e recebeu a correspondência. - Aponta erro no DARF encaminhado pela Receita. - Transcreve sua impugnação e requer que ela tenha o mérito analisado para que seu direito de defesa seja respeitado. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 145DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.516 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.721925/2010-10 Impõe-se analisar, inicialmente, a tempestividade da Impugnação suscitada pelo interessado. Verifica-se que o Auto de Infração foi recebido em 26/07/2010 na Praça Senador Ribeiro, 234-A, como indicado no AR dos Correios (e-fls. 88). O próprio contribuinte informa no Recurso Voluntário que era este o seu endereço à época (e-fls. 129): A partir de outubro de 2008, o endereço provisório passou a ser Praça Senador Ribeiro, 234-A, Centro, Entre Rios de Minas-MG (imóvel alugado). Já a partir de março de 2011, o endereço, atual, é Praça Senador Ribeiro, 203 - sala 303, Centro Entre Rios de Minas-MG. Cumpre ressaltar nesse ponto que a intimação por via postal prevista no art. 23, II, do Decreto 70.235/72 exige apenas a prova de seu recebimento no domicilio tributário do sujeito passivo, ainda que este não tenha sido o recebedor da correspondência. É nesse sentido a Súmula CARF nº 9, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal, nos termos da Portaria MF nº 277 de 07/06/2018: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Dessa forma, conclui-se que a ciência do lançamento foi regularmente realizada, sendo válida, portanto, para a contagem do prazo para Impugnação. Segundo o art. 15 do Decreto 70.235/72, o prazo a apresentação de Impugnação é de 30 dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, ou seja, da data do recebimento do Auto de Infração. Por outro lado, extrai-se do seu art. 5º que os prazos são contínuos e devem começar e terminar em dias úteis, excluindo-se da contagem o dia do início e incluindo-se o dia do vencimento. Sendo assim, uma vez que a ciência do lançamento se deu por via postal em 26/07/2010, como já exposto, e que a Impugnação só foi apresentada em 07/10/2010, conforme carimbo da ARF Conselheiro Lafaiete (e-fls. 91), resta clara a intempestividade da mesma, não merecendo reforma a decisão recorrida. Importa salientar que o atendimento da preliminar de tempestividade é pressuposto necessário para que se instaure o contencioso administrativo e, consequentemente, sejam analisadas as questões relativas ao mérito do processo, independentemente das razões de cunho pessoal trazidas pelo recorrente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 146DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.516 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.721925/2010-10 Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.900111/2012-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
SALDO CREDOR INICIAL. INEXISTENTE. CRÉDITOS DO PERÍODO. UTILIZAÇÃO.
Sendo o saldo credor inicial do trimestre igual a zero, os créditos apurados no trimestre em curso serão utilizados prioritariamente para quitar os débitos do imposto apurados no mesmo trimestre.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.866
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 SALDO CREDOR INICIAL. INEXISTENTE. CRÉDITOS DO PERÍODO. UTILIZAÇÃO. Sendo o saldo credor inicial do trimestre igual a zero, os créditos apurados no trimestre em curso serão utilizados prioritariamente para quitar os débitos do imposto apurados no mesmo trimestre. Recurso Voluntário Negado.
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INEXISTENTE. CRÉDITOS DO PERÍODO. UTILIZAÇÃO. Sendo o saldo credor inicial do trimestre igual a zero, os créditos apurados no trimestre em curso serão utilizados prioritariamente para quitar os débitos do imposto apurados no mesmo trimestre. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 01 11 /2 01 2- 21 Fl. 300DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-000.866 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.900111/2012-21 Relatório O processo administrativo ora em análise trata do Pedido de Ressarcimento de IPI, referente ao 4º trimestre de 2005 (fl. 02/55), cumulado com compensações, cujo crédito foi deferido parcialmente, por terem sido constatado que o saldo credor passível de ressarcimento era inferior ao valor pleiteado, conforme Despacho Decisório de fl. 56. Irresignada com tal decisão, a contribuinte apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade (fl. 62/65). Em seguida, o recurso interposto foi julgado improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DCOMP. SALDO INICIAL. APURAÇÃO. O saldo credor inicial do livro de apuração do imposto (que corresponde ao saldo credor final do período anterior) não é àquele a ser considerado na Dcomp como o saldo credor de período anterior. Na Dcomp, o saldo credor inicial do período é o saldo credor do livro de apuração do IPI no período anterior subtraído do valor dos créditos, cujo pedido de ressarcimento ou compensação já foi transmitido para a Receita Federal, pois os valores já ressarcidos não podem constar no cálculo para abatimento dos débitos do contribuinte no período seguinte, sob pena de dupla utilização. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 188/199), no qual alegou, basicamente, que o parcial deferimento de seu pedido de ressarcimento decorreu de dupla redução do valor de pedido de ressarcimento, referente ao trimestre anterior, do seu saldo credor inicial e, ainda, argumentou sobre o correto método de apuração do saldo credor passível de ressarcimento e sobre o direito da contribuinte usufruir dos créditos do imposto devidamente escriturados. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontra-se dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23-B do RICARF. Fl. 301DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-000.866 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.900111/2012-21 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Em seu Voluntário, conforme já relatado, a ora recorrente alegou que o deferimento parcial de seu crédito decorreu da dupla redução do valor de pedido de ressarcimento, referente ao trimestre anterior, do seu saldo credor inicial, conforme se constata do seguinte excerto da peça recursal: "Contudo, a autoridade administrativa que elaborou o demonstrativo do saldo credor passível de ressarcimento não observou que a Recorrente JÁ HAVIA REDUZIDO o valor de pedido de ressarcimento ou compensação anterior, por meio de lançamento de débito à conta do citado tributo. Assim, ao deduzir do saldo credor "novamente" o valor de pedido de compensação/ressarcimento de período anterior, sem excluir o lançamento de débito efetuado pela Recorrente, verifica-se que houve uma duplicidade de deduções, acarretando em um indevido saldo credor a menor." Compulsando-se os autos, verifica-se que tal alegação não procede. O deferimento parcial do valor a ser ressarcido no presente pedido não decorreu de dupla subtração indevida do valor anteriormente pedido, referente a trimestre anterior. Por oportuno, deve-se também rejeitar a afirmação de que teria sido utilizado pela fiscalização um método de apuração do saldo passível de ressarcimento diverso do previsto na legislação de regência. De fato, o saldo credor inicial de um trimestre é composto pela saldo credor passível de ressarcimento acrescido do saldo credor não ressarcível, ambos oriundos do trimestre anterior. Quanto à primeira parcela, este valor deve ser posteriormente estornado, quando da entrega do pedido de ressarcimento do trimestre anterior. Já em relação a segunda, este valor só poderá ser utilizado para abater débitos do imposto no trimestre corrente. No caso dos autos, o saldo credor ressarcível do trimestre anterior foi corretamente estornado. Contudo, o saldo não ressarcível do trimestre anterior declarado pela contribuinte não foi ratificado pela fiscalização, pois teria sido glosado ou já utilizado para quitar débitos do imposto em períodos anteriores. O que, realmente, ocorreu. Importante relembrar que as glosas realizadas em um trimestre podem afetar não só o valor a ser ressarcido naquele trimestre, mas também o saldo credor não ressarcível a ser transportado para o trimestre seguinte. Dessa maneira, tendo em vista que o saldo inicial não ressarcível era zero, pelos motivos acima expostos, parte dos créditos apurados no 4º trimestre de 2005 foram utilizados para quitar os débitos do imposto apurados no mesmo trimestre. Com efeito, decorre deste fato o indeferimento parcial do pedido formulado pela contribuinte, conforme já havia sido consignado no voto condutor do Acórdão recorrido: "De acordo com referido demonstrativo, a empresa possuía R$ 0,00 (zero) de saldo credor de período anterior disponível para o abatimento de débitos de IPI no período, pois o estes créditos já teriam sido utilizados por ressarcimento ou compensação, ou foram glosados pelo fisco naqueles períodos, conforme processos administrativos anteriores.(...)" Fl. 302DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-000.866 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.900111/2012-21 Portanto, há que se reconhecer que tanto o Despacho Decisório como o Acórdão recorrido estão corretos e devem ser ratificados. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 303DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721830/2017-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase a lide de Recurso Voluntário e de Ofício interpostos em face do acórdão nº 1160.607, proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, que ao analisar a impugnação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 83 0/ 20 17 -3 9 Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.170 2 apresentada, decidiu, por unanimidade de votos, julgála parcialmente procedente, para manter parcialmente o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valhome parcialmente do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito, complementandoo ao final: Tratam os autos de lançamentos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativos ao anocalendário 2012, e de multas isoladas pela falta de recolhimento de estimativas de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas aos meses de julho a dezembro de 2012, consubstanciados nos autos de infração às fls. 1329 a 1350, com crédito tributário total de R$ 129.946.380,17, bem assim redução a zero do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL apurados no anocalendário 2012 nos montantes de R$ 124.228.037,23 e de R$ 139.438.423,87, respectivamente. 2. Consoante descrição dos fatos contida nos autos de infração e no Termo de Verificação Fiscal (TVF), parte integrante daqueles, às fls. 1302 a 1328, os lançamentos decorreram de glosa de amortização de ágio deduzida nas apurações das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem assim apuração de insuficiência no recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL. 3. Os fatos, as considerações e conclusões narrados no TVF estão resumidos abaixo: 3.1. No curso do procedimento fiscal constatouse que o contribuinte integra um grupo econômico de pessoas jurídicas (Grupo GE) que realizou diversas operações de reorganização societária (subscrição de capital, cisão e incorporação) e que a combinação dessas operações gerou um ágio (ágio interno) que refletiu na apuração do IRPJ e da CSLL; 3.2. O contribuinte foi constituído em 20/02/2003, com razão social de ABB Óleo e Gás Ltda. Passou a Vetco Gray Óleo e Gás Ltda em 02/08/2004 (Anexo D, Doc.1). e a GE Oil & Gas do Brasil Ltda (GE Oil) em 27/09/2010 (Anexo D, Doc. 2). A fim de fornecer uma visão geral da dinâmica das alterações societárias do Grupo GE, dois conjuntos de operações devem ser analisados: um, envolvendo GE Oil, e o outro, GE Participações (GE do Brasil Participações Ltda): 3.2.1. Em 23/11/2009, GE Oil e GE Participações tinham como sócio majoritário GE Brazil Holding Limited (GE Brazil), constituída na Irlanda, sendo também seus quotistas, respectivamente, Fernando Cesar Monteiro Martins (FCMM) e General Eletric International BV (BENELUX); Fl. 2170DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.171 3 3.2.2. Em 24/11/2009, GE Brazil e BENELUX decidiram aumentar o capital social de GE Participações em R$ 2.673.393.854,22, mediante emissão de 2.673.393.854 quotas de valor nominal R$ 1,00, sendo o valor remanescente (R$ 0,22) alocado em reserva de capital (Anexo D, Doc. 3). Tais quotas foram subscritas por GE Brazil mediante a contribuição da totalidade das quotas por ela detidas nas sociedades Vetco Gray Óleo e Gás Ltda (GE Oil), PII South America do Brasil Ltda (PII SAB), Bently do Brasil Ltda (Bently), General Eletric do Brasil Ltda (GE Brasil), CE Celma Ltda (CELMA), BHA do Brasil Ltda e GE Healthcare Life Sciences do Brasil Ltda (HEALTH). A sócia BENELUX renunciou ao seu direito de preferência na subscrição de novas quotas. GE Participações passou a ser sócia majoritária de GE Oil no lugar da GE Brazil, além de PII SAB, BENTLY, GE Brasil, CELMA, HEALTH, entre outras; 3.2.3. Em 13/07/2010 a GE Brasil ingressa no quadro societário da GE Oil no lugar de FCMM (Anexo D, Doc. 4); 3.2.4. Em 31/10/2010 a GE Brasil e a GE Participações deliberam incorporar PII SAB por GE Oil e aprovar o laudo elaborado pela KPMG Auditores Independentes (KPMG), segundo o qual se apurou o valor do acervo incorporado. 3.2.5. Em 30/11/2010 a GE Participações e a GE Brasil, únicas sócias da GE Oil, resolvem aumentar seu capital social em R$ 4.637.456,00, mediante emissão de 4.637.456 quotas de valor nominal R$ 1,00, Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.172 4 totalmente subscritas pela GE Brasil, integralizadas mediante conferência de complexo de bens, direitos e obrigações relacionados aos negócios Nuovo Pignone e PII (denominados NPPII). A sócia GE Participações renunciou ao direito de preferência na subscrição de tais quotas, alterandose, assim, sua participação em GE Oil (na figura foram suprimidos os investimentos da GE Participações em outras sociedades que não a GE Oil em virtude da irrelevância); 3.2.6. Em 01/12/2010 a GE Participações passa a ser a única sócia da GE Oil. A mudança decorreu do deliberado na 82ª alteração do contrato social da GE Brasil, diante da redução do seu capital social, cedendo à GE Participações, sua quotista, as quotas que detinha junto à GE Oil (Anexo D, Doc. 7); 3.2.7. Ainda em 01/12/2010, GE Brazil e BENELUX, únicas sócias de GE Participações, decidem cindila parcialmente, com versão da parcela cindida do patrimônio líquido em favor de GE Oil e outras empresas. Segundo o protocolo e instrumento de justificação da cisão parcial, a operação buscou deter, por intermédio da GE Brazil e BENELUX a participação direta no capital social da GE Oil, justificando a operação como meio de redução de custos financeiros e organizacionais, entre outras alegações (Anexo D, Doc. 8); 3.2.7.1. Em face da operação, as quotas da GE Oil, anteriormente detidas pela GE Participações, foram distribuídas para a GE Brazil e BENELUX. O acervo líquido cindido compunhase da totalidade do investimento societário de GE Participações em GE Oil (quotas do capital), bem como da totalidade do ágio e provisões relativos a esse investimento. O resumo do acervo contábil líquido incorporado por GE Oil, conforme o laudo elaborado por KPMG, consta abaixo (Anexo D, DOC 8). O valor contábil dos bens, direitos e obrigações integrante da parcela cindida do patrimônio líquido da GE Participações é de R$ 111.968.287,70, correspondente à soma do investimento de R$ 107.330.829,45 em GE Oil (balancete de 31/10/2010) com as quotas Fl. 2172DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.173 5 cedidas por GE Brasil em favor da GE Participações, de R$ 4.637.458,25. Também foi incorporado o ágio registrado em GE Participações em face dos investimentos em GE Oil, de R$ 293.752.109,39, que corresponde à soma do ágio registrado em eventos anteriores a 01/12/2010, de R$ 196.587.926,57, com o ágio de R$ 97.164.182,82, referente à participação societária detida por GE Brasil em GE Oil, transferida para a GE Participações; 3.2.7.2. Em vista desses eventos, a GE Oil passou a amortizar, a partir de 12/2010, o ágio decorrente da parcela do patrimônio vertido na cisão da GE Participações. 3.2.7.2.1. Em relação ao ágio de R$ 196.587.926,57, constituiuse provisão na Parte B do Lalur em 2010, conta "Provisão para perda Synergy (Vecto)". No AC 2010 houve reversão de R$ 2.730.387,87 (1/72 do ágio), vez que a incorporação ocorreu em dez/2010, e nos AC 2011 e 2012, de R$ 32.764.654,43, cada (=196.587.926,57 x 1/72 x 12). (Anexo E, Doc. 1, p. 52); 3.2.7.2.2. Quanto ao ágio de R$ 97.164.182,82, constituiuse provisão no Lalur em 2011, conta "Provisão para Perda Sinergy (NPPII)", revertendose, ainda nesse ano, R$ 10.796.020,31 (8/72 do ágio), e,em 2012, R$ 16.194.030,47 (= 97.164.182,82 x 1/72 x 12). (Anexo E, Doc. 1, p. 53); 3.2.8. Em 29/11/2011, GE Brazil e BENELUX, únicas sócias da GE Oil, deliberaram aumentar seu capital social por meio de aporte de R$ 268.154.903 quotas de emissão de Wellstream do Brasil Indústria e Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.174 6 Serviço Ltda (WELLSTREAM), CNPJ 05.379.542/000130, detidas por GE Brazil, com valor patrimonial de R$ 1.236.134.110,00 (Anexo D, Doc. 9, p. 287) 3.2.9. Em 29/02/2012, GE Brazil e BENELUX aprovam a incorporação de WELLSTREAM por GE Oil, com a consequente extinção da incorporada. No mesmo dia ratificam a avaliação do valor contábil do patrimônio da incorporada em R$ 265.201.801,59. No Lalur de 2012, constituise a conta "Ajuste de IFRS Goodwill Wellstream", com saldo de R$ 873.811.688,08 a título de ágio (Anexo E, Doc. 1, p. 51). Como a incorporação ocorreu em 29/02/2012, o aproveitamento da dedutibilidade fiscal do ágio nesse ano restringiuse a 10 meses, ocorrendo a reversão de R$ 121.362.7 (= 873.811.688,08 x 1/72 x 10): 3.2.10. Em 31/12/2012, GE Brazil e BENELUX decidiram pela extinção da GE Participações (que já não exercia atividade operacional desde 31/07/2012), além de aprovar retificação dos laudos de avaliação acerca dos acervos líquidos de parcelas outrora cindidas da GE Participações para sociedades incorporadoras, entre elas a GE Oil (Anexo D, Doc. 11). O montante do ágio por rentabilidade futura de GE Oil, registrado em GE Participações, de R$ 293.752.109,39, conforme laudo da KPMG elaborado em 28/12/2010 (Anexo D, Doc. 8, fl. .281), foi retificado para R$ 281.770.743,44, de acordo com novo laudo elaborado por RB&S Auditoria e Consultoria S/S Ltda (Anexo D, Doc. 12, fl. 417); 3.3. Os diversos eventos societários culminaram no aproveitamento fiscal da amortização de ágio por GE Oil como sintetizado na planilha abaixo, elaborada a partir das contas de ajuste do Lalur 2012 (Anexo E, Doc. 1, Fls. 5153):1 1 A parte de interesse do presente lançamento está destacada em vermelho. Fl. 2174DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.175 7 3.4. Ante os fatos expostos, foram feitas as seguintes considerações: 3.4.1. Dentre as diversas alterações societárias pelas quais passou o Grupo GE, destacamse os seguintes eventos, tendo por foco o surgimento e aproveitamento do ágio interno: (EVENTO 1) em 24/11/2009 aumentase expressivamente o capital social da GE Participações em R$ 2.673.393.854,22, integralizado por GE Brazil com a totalidade das quotas que detinha em diversas empresas, entre as quais, GE Oil; com a GE Participações registrando um ágio de R$ 196.587.926,57 relativamente à participação na GE Oil; (EVENTO 2) em 30/11/2010 GE Brasil integraliza aumento de capital em GE Oil com complexo de bens, direitos e obrigações relacionados aos negócios NPPII, registrando nesse momento, GE Brasil, um ágio de R$ 97.164.182,82; (EVENTO 3) em 01/12/2010, GE Brasil cede a GE Participações as quotas que detinha em GE Oil, transferindo a esta o ágio de R$ 97.164.182,82; (EVENTO 4) ainda em 01/12/2010 GE Oil incorpora parcela do patrimônio cindido de GE Participações, sua investidora (incorporação às avessas), com transferência para GE Oil do ágio de R$ 293.752.109,39 (= R$ 196.587.926,57 + R$ 97.164.182,82); (EVENTO 5) em 29/11/2011, GE Brazil integraliza o aumento de capital em GE Oil com quotas que detinha em WELLSTREAM, registrando em GE Oil um ágio de R$ 873.811.688,08; e (EVENTO 6) GE Oil incorpora WELLSTREAM (nova incorporação às avessas); 3.4.2. Constatase um claro processo de "inchaço" de GE Participações (Evento 1). Até então a GE Brazil exercia o controle direto da GE Oil e outras empresas do grupo, mas com as alterações esse controle passou para GE Participações. A troca de titularidade foi apenas formal, porque GE Participações era mero braço operacional de GE Brazil. Assim, o aumento de capital da GE Participações teve como fim precípuo a geração de ágio pela reavaliação dos ativos dados em integralização de capital (ágio interno). Mas como a amortização desse ágio não poderia gerar efeitos fiscais, o próximo passo foi a cisão de parcela da GE Participações (investidora) e sua incorporação por GE Oil (investida), configurando uma clássica incorporação às avessas (Evento 4) destinada a se aproveitar dos comandos dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997; 3.4.3. Ou seja, a GE Brazil reavaliou o valor patrimonial de suas controladas GE Oil, utilizou quotas desse investimento para integralizar capital subscrito de outra controlada (GE Participações), fazendo surgir ágio, para, após, fatiar a GE Participações para esvaziar seu capital social, fazer com que a investida GE Oil incorporasse a parte da investidora GE Participações a ela relativa, e conseguir, ao fim, retomar o controle direto da controlada GE Oil, só que agora com a possibilidade adicional de aproveitamento de ágio por esta sua controlada; Fl. 2175DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.176 8 3.4.4. No biênio 2011/2012 a GE Participações contava apenas com um empregado, com receitas provenientes basicamente de resultados positivos em participações societárias e aplicações financeiras, sem qualquer outra atividade produtiva, conforme DIPJs. Se de um lado tal circunstância não pode suscitar estranheza, pois é da natureza de empresas de participação tais características, por outro, causa espécie o "efeito sanfona" sofrido por essa sociedade, "engordando" e "emagrecendo" subitamente, demonstrando que a sequência de operações não teve outro sentido senão engendrar um ágio e seu aproveitamento fiscal; 3.4.5. Prosseguindo a análise, verificase que o ágio registrado na GE Brasil, em relação às quotas pelo aumento de capital na GE Oil (Evento 2), foi transferido para a GE Participações (Evento 3), que por sua vez foi transladado para a GE Oil (Evento 4). Tratase de mais um caso de ágio interno, aproveitado para efeitos fiscais por processo de incorporação da investidora pela investida. Notese a proximidade das operações (dois dias). É irrefutável concluir que GE PARTICIPAÇÕES serviu como mera empresa de passagem (conduit company), destinada a viabilizar a dedutibilidade fiscal de ágio que jamais foi pago, sem desembolso de um centavo sequer, num processo artificial e desprovido de propósito negocial; 3.4.6. A última sequência de eventos envolve WELLSTREAM. Num primeiro momento a GE Brazil aumentou o capital de GE Oil e o integralizou com quotas que detinha de WELLSTREAM, fazendo surgir ágio interno na investida (Evento 5). Três meses depois, WELLSTREAM foi incorporada por GE Oil, iniciando a dedutibilidade fiscal do ágio interno (Evento 6); 3.4.7. Fica evidente que a prática adotada pelo Grupo GE objetivou, com muita artimanha, derruir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL da GE Oil, utilizandose do permissivo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997 (e do art. 386 do RIR/99). A série de operações cuidadosamente encadeadas, algumas num curto intervalo de tempo, objetivou construir uma situação contábil que permitisse o aproveitamento indevido do benefício fiscal da amortização do ágio. As reestruturações não passaram de atos formais desprovidos de racionalidade econômica, conseguindo o Grupo GE: (a) permanecer com seus investimentos em GE Oil intocados; e (b) constituir na contabilidade desta uma conta de ativo imobilizado em valor igual ao ágio interno, de forma a poder amortizálo, fabricando uma extraordinária despesa. Não houve propósito negocial relevante, racionalidade econômica ou sacrifício financeiro para o surgimento do ágio. No fim das contas, a GE Brazil continua a ser detentora de 100% das quotas da GE Oil (todas menos uma), como antes das reestruturações; 3.4.8. À vista do narrado, verificase uma sequência de operações cujo propósito inequívoco foi o de tornar o ágio intragrupo uma despesas dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL. Mas por inexistir amparo legal para que tais operações repercutam na base de cálculo desses tributos, restam caracterizadas as seguintes infrações à legislação tributária: (a) excluir indevidamente do lucro líquido do período de apuração os montantes de R$ 43.560.674,74 e R$ 48.598.684,90, nos Fl. 2176DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.177 9 anoscalendário 2011 e 2012; e (b) deixar de adicionar ao lucro líquido do período de apuração o montante de R$ 121.362.419,36, no anocalendário 2012: 3.5. Tendo em vista que o contribuinte apurou prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, esses valores foram considerados no presente lançamento; 3.6. Verificada a insuficiência ou a falta de pagamento das estimativas de IRPJ e de CSLL após o encerramento do anocalendário, aplicase a multa de ofício isolada sobre os valores não recolhidos. 4. Cientificado dos lançamentos por meio eletrônico em 28/11/2017 conforme fl. 1356, em 27/12/2017 o contribuinte apresentou a impugnação às fls. 1361 a 1460, instruída com os documentos às fls. 1461 a 1699, onde argumentou, em síntese, o que segue: Histórico da GE OIL e das operações que geraram o direito à amortização do ágio 4.1. A atuação do Grupo GE no mercado de óleo e gás teve início a partir da década de 1990, com a aquisição da Nuovo Pignone (NP), com sede na Itália, e da Pipeline Inspection and Integrity Services (PII), também sediada na Itália. Ao longo dos anos 2000, expandiuse com a aquisição da Bentrly Nevada B.V., sediada na Holanda. No Brasil, os reflexos da expansão nesta área também ocorreram ao longo dos anos 2000, com o estabelecimento da PII South America do Brasil Ltda (PII SAB2) e a abertura de unidades de negócio dentro da General Electric do Brasil Ltda (GE Brasil), sob a forma de filiais, atuando em conjunto com as sociedades italianas, NP e PII; 2 Para as sociedades que a autoridade fiscal elaborou siglas distintas das presentes na impugnação, adotarei as constantes no TVF a fim de permitir uma padronização, facilitando o entendimento. Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.178 10 4.2. Em 1997 a sociedade GE Participações foi fundada, tendo como objeto social a compra, venda, importação e exportação de equipamentos em geral, bem como a participação em outras sociedades. Neste mesmo ano foi adquirida pelo Grupo GE, alterando sua denominação social para Gecits Brasil Ltda.. Em meados de 2005, a General Eletric International B.V. (BENELUX) ingressou em seu quadro societário. Em 02/2007, com ingresso da sócia GE Holdings Luxemburgo & COS.à.r.l. (GE Lux), teve sua denominação alterada para GE Participações, oportunidade em que foi cindida com transferência de parte de seu patrimônio para a GE Comércio e Serviço de Equipamentos de Tecnologia Ltda. A sua composição acionária era, então: GE Lux (1 quota no valor de R$ 1,00) e BENELUX (4.905 quotas no valor de R$ 4.905,00). Em 08/2007, em decorrência de estudos no segmento do Grupo GE voltado para tratamento de águas, onde atuavam as empresas GE Betz Ltda., Zenon Ltda e Ecolochem Ltda., a GE Participações alterou seu objeto social para participação em sociedades e industrialização de produtos químicos para tratamento de água, e em 06/2008 teve seu capital aumentado para R$ 416.543.308,55, pela GE Lux, mediante conferência de participações societárias detidas nas três empresas citadas (por seu valor de custo registrado nos livros contábeis); 4.3. Em 2003 foi fundada a sociedade ABB Óleo e Gás Ltda, ainda não integrante do Grupo GE (esta empresa viria a se tornar a impugnante). Em 2004, tal empresa foi adquirida pela Vetco Internacional Holding 4 Ltd., passando a denominarse Vetco Gray Óleo e Gás Ltda. Em 2007, o Grupo GE adquiriu o Grupo Vetco Gray, no Reino Unido, passando a produzir efeitos no Brasil daí em diante; 4.4. Nos anos seguintes a 2008, o grupo passou por extenso processo de reorganização societária, tanto no Brasil como no exterior, tendo por objetivo simplificar a estrutura administrativa e societária do grupo, reduzindo grande número de sociedades adquiridas e promovendo a racionalização de recursos humanos e materiais. Com isso, houve redução de custos operacionais e maior competitividade de suas operações; 4.5. Dentro do conjunto de reestruturações com vistas à reorganização dos negócios no seguimento de óleo e gás no Brasil: 4.5.1. em 2009 a GE Brazil Holding Limited (GE Brazil), sociedade holding com sede na Irlanda, com função de consolidar diversos investimentos do grupo no Brasil, passou a ser sócia controladora da GE Participações; 4.5.2. em 11/2009 a GE Brazil passou a ser sócia controladora da Vetco Gray (antiga denominação do impugnante), mediante cessão da participação que a Bently Nevada B.V. possuía nesta empresa, sendo também quotista Fernando Cesar Monteiro Martins; 4.5.3. em 24/11/2009 a GE Participações passa a ser sócia majoritária da Vetco Gray no lugar da GE Brazil, adquirindo desta (GE Brazil) as quotas na Vetco Gray com pagamento mediante a emissão de novas quotas para a GE Brazil. A aquisição foi feita a valor dos livros, ou seja, pagou o mesmo valor contábil do investimento registrado, desdobrando o valor da aquisição em uma conta de investimento e uma Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.179 11 de ágio (fundado em expectativa de rentabilidade futura suportada em laudo da Ernst & Young). Nesta operação com a GE Brazil, a GE Participações também adquiriu participação nas seguintes sociedades: PII SAB; Bently do Brasil Ltda; GE Brasil; GE Celma Ltda (CELMA); BHA do Brasil Ltda; e GE Healthcare Life Sciences do Brasil Comércio de Produtos e Equipamentos para Pesquisa Científica e Biotecnologia Ltda (HEALTH); 4.5.4. em 30/12/2009 a GE Participações adquire participação nas sociedades GE Supply do Brasil Ltda e Druck Brasil Ltda, emitindo novas quotas para a GE Brazil; 4.5.5. em 13/07/2010, a GE Brasil entra no quadro societário da Vetco Gray (antiga denominação da impugnante) mediante a aquisição de quotas pertencentes ao antigo sócio desta, Fernando Cesar Monteiro Martins; 4.5.6. em 11/2010, a Vetco Gray incorpora a PII SAB, passando a se denominar GE Oil & Gas do Brasil Ltda (GE OIL), atual denominação da impugnante; 4.5.7. em 30/11/2010, a GE Oil adquire as unidades de negócio de óleo e gás da GE Brasil (filiais que atuavam em conjunto com NP e PII) por meio de aumento de seu capital social. A GE Oil paga o mesmo valor contábil dos investimentos registrados nos livros da GE Brasil; 4.5.8. em 01/12/2010: 4.5.8.1. a GE Brasil reduz seu capital social, mediante entrega da participação societária na GE Oil para a GE Participações. Em função disso, a GE Participações adquire novas quotas da GE Oil, o que a obrigou a desdobrar o custo de aquisição desta nova parcela em contas de investimento e ágio; 4.5.8.2. ocorre a cisão parcial da GE Participações com versão de uma parte de seu patrimônio líquido para a GE Oil, qual seja, o investimento que aquela possuía nesta. Esta incorporação da parcela cindida é que permitiu o impugnante (GE Oil) amortizar fiscalmente o ágio. Observar que nesta cisão parcial foram vertidas outras parcelas do patrimônio da GE para outras sociedades; 4.5.9. em novembro de 2011, visando crescer no mercado de perfuração de poços de petróleo, o grupo GE adquire as empresas do Grupo Wellstream, cujo reflexo no Brasil se deu (i) com a aquisição da totalidade das quotas da WELLSTREAM detidas pela General Eltric Austria GmbH; e (ii) pelo aumento do capital da GE Oil pela GE Brazil, de R$ 90.837.456,00 para R$ 1.326.971.566,00, com registro de ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, suportada em laudo de avaliação econômicofinanceira preparado pela empresa de auditoria EY mediante conferência da participação societária detida na WELLSTREAM. Posteriormente, em 28/02/2012, concluindo a expansão operacional e reorganização dos negócios, ocorreu a incorporação da WELLSTREAM pela GE Oil, oportunidade a partir da qual passou a amortizar o ágio. Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.180 12 4.6. Nesse contexto, com as reestruturações ocorridas ao longo dos anos 2009 a 2012, o cenário corporativo e as divisões de negócios do grupo restringiramse a apenas dezoito entidades legais, sendo que inicialmente eram mais de oitenta. Tanto a GE Participações quanto a GE Oil estão inseridas em um grande contexto de movimentação societária plenamente embasada pela legislação em vigor, sendo totalmente legítima, devendo ser considerada usual e comum no contexto empresarial do Grupo GE; Preliminar de decadência 4.7. O ágio surgiu da transferência de participações societárias do impugnante para o capital social da GE participações nos anos calendário 2009 e 2010. Embora o ágio tenha sido amortizado para fins fiscais a partir de dezembro de 2010, os fatos contábilsocietários que deram origem à primeira parcela do ágio ocorreram em 2009, e aqueles relativos à segunda parcela do ágio, em 2010. Assim, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), o prazo decadencial relativo à primeira parcela findou em 2014, e o relativo à segunda parcela, em 2015; 4.8. Corroborando tal raciocínio está o Decreto nº 70.235, de 1972, ao trazer expressamente a possibilidade de lavratura de auto de infração sempre que houver infração à legislação tributária, ainda que tal infração não resulte em exigência imediata de crédito tributário. Assim, entendesse haver vício nas operações societárias aqui contestadas, o Fisco poderia lavrar o auto de infração antes mesmo do início da amortização. Nesse sentido está o Acórdão nº 10708.306, de 2005, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf); Preliminar de nulidade Ausência de motivação 4.9. A autuação não está baseada em um descumprimento da lei, vez que inexistente, mas sim em suposto não atendimento a conceitos criados de forma arbitrária pela autoridade fiscal ("ágio interno", "propósito negocial", etc). A glosa se deu com base no entendimento de que as reestruturações societárias efetuadas pelo grupo econômico do impugnante tiveram por objetivo gerar ágio internamente a ser utilizado posteriormente pelas sociedades operacionais. Mas esta conclusão não foi alcançada por meio da aplicação da norma aos fatos, mas pelo uso de conceitos não presentes na legislação; 4.10. Evidente o flagrante erro de direito perpetrado pela fiscalização ao furtarse ao dever legal de motivar o ato praticado em normas jurídicas propriamente introduzidas no ordenamento jurídico, incorrendo em vício de motivação, além de afronta aos diversos princípios que devem nortear a conduta da administração (legalidade, moralidade, razoabilidade, etc.); 4.11. O descumprimento do ônus de motivação enseja nulidade do auto de infração; Análise da legislação aplicável e uso de empresas de propósito específico 4.12. Em razão do mecanismo de amortização fiscal do ágio instituído pela Lei nº 9.532, de 1997, estabelecido com o objetivo de incentivar as aquisições de empresas públicas ou de economia mista Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.181 13 vinculadas a programas de desestatização implantados no governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, que induziu a conduta de utilização de empresas com o propósito específico de aquisição de participações societárias (empresas veículo), tal procedimento traduz se em ato e negócio jurídico válido e fiscalmente fomentado pelo Poder Público, sendo típico dos processos de fusões e aquisições brasileiros, seja por investidores estrangeiros ou nacionais; 4.13. No caso específico de investidores estrangeiros, é a única forma de colocálos em situação isonômica aos investidores brasileiros diante das regras de mercado, vez que eles não poderiam ultrapassar os valores ofertados pelos participantes brasileiros, que certamente levariam em conta a possibilidade futura de amortização do ágio; 4.14. A mencionada lei não se aplica tãosomente às aquisições feitas no âmbito de processos licitatórios ou com a participação de investimentos estrangeiros, mas sim a todas as aquisições de participações societárias; Legitimidade da amortização realizada Inaplicabilidade do conceito de ágio interno ao caso concreto 4.15. O ágio interno surge quando há uma reavaliação de investimento societário (acréscimo patrimonial) em transações envolvendo partes relacionadas (empresas de mesmo grupo econômico). À época dos fatos que envolveram a aquisição da impugnante pela GE Participações não havia vedação contábil ou fiscal expressa para esse tipo de ágio interno (ágio interno com reavaliação espontânea). Em relação à WELLSTREAM, sob o prisma contábil, as regras para a contabilização do ágio à época da operação em novembro de 2001 já se encontravam sob a égide das regras do CPC 15, a partir do qual restou impossibilitada a amortização do ágio gerado entre partes relacionadas. Porém, as regras de amortização fiscal do ágio permaneciam as mesmas quando da aquisição e incorporação da WELLSTREAM pela impugnante. A legislação garantiu a neutralidade fiscal dos novos parâmetros por meio da introdução do Regime Tributário de Transição (RTT); 4.16. De qualquer forma, este ágio interno não se encaixa no caso presente, onde não houve reavaliação interna, intragrupo, mas sim transferência de participação societária a custo contábil, com o ágio existente nos livros. Os fatos por si já demonstram que as alegações contidas no TVF, no sentido de que ainda que a operação esteja amparada pelo ponto de vista formal, a falta de independência das partes impede que tias transações sejam passíveis de registro contábil, não são verdadeiras; 4.16.1. Para o caso da participação societária na impugnante, anteriormente detida pela GE Brazil, esta foi entregue a título de pagamento do aumento de capital da GE Participações, com base no mesmo valor registrado nos livros da GE Brazil, conforme alteração do contrato social da GE Participações de 24/11/2009; 4.16.2. No que se refere à participação societária na impugnante anteriormente detida pela GE Brasil, essa pagou para a GE Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.182 14 Participações por redução de capital social. A entrega da participação foi realizada com base nos valores registrados até então na GE Brasíl; 4.16.3. No caso específico da operação envolvendo a aquisição da WELLSTREAM, essa operação jamais poderia ser enquadrada no conceitochavão de "ágio inerno", vez que a aquisição global do Grupo Wellstream deuse entre partes totalmente independentes. A General Eletric Austria GmbH adquiriu a Wellstream Holdings PLC e suas subsidiárias de terceiro não relacionado ao Grupo GE. Em novembro de 2011, a GE Brazil comprou da General Electric Austria GmgH a participação na WELLSTREAM, efetivamente pagado em dinheiro os valores então registrados nos livros da General Eletric Austria GmbH. Tal participação societária foi entregue a título de pagamento de aumento de capital da GE Oil, com base no mesmo valor então registrado no livro da GE Brazíl; 4.17. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não rechaça todo e qualquer ágio gerado em operações realizadas intragrupo, mas apenas as operações que não geram riquezas. O que se depreende do Ofício Circular CVM nº 01/07 (citado pela autoridade fiscal) é que esse órgão não se preocupou com o registro e manutenção do ágio propriamente dito, mas com o impacto patrimonial que dele poderia decorrer para a sociedade consolidadora que possui valores mobiliários negociados no mercado, notadamente quanto à falsa percepção de geração de riqueza. Assim, tal normativo não rechaça todo e qualquer ágio gerado em operações intragrupo, mas sim aqueles decorrentes de operações que não geram riquezas; o que não é o caso; 4.18. O acórdão do Carf trazido pela autoridade fiscal trata do caso Gerdau, onde houve reavaliação de ativos, o que não ocorreu na espécie, não servindo como comparação. Ademais, tal acórdão foi decidido por voto de qualidade, o que demonstra que o entendimento está longe de estar firme e consolidado; 4.19. Junta parecer do professor Eliseu Martins, que atesta que todos os procedimentos adotados pela impugnante estavam corretos do ponto de vista das normas contábeis em vigor à época dos fatos discutidos, e que a operação não se configura como uma reavaliação espontânea de ativos; Ágio interno em reavaliação espontânea nas demonstrações financeiras individuais 4.20. Para as normas contábeis, o ágio interno que envolve reavaliação de ativos somente é condenável em sede de demonstrações consolidadas e não nas demonstrações individuais, que são base de apuração do lucro real. Nesse sentido decisão colegiada da CVM nos autos do processo nº RJ 2010/16665; 4.21. Diferentemente do sistema adotado no Brasil, onde as demonstrações consolidadas (do grupo) têm apenas efeitos acessórios às demonstrações individuais de cada sociedade do grupo, há países que consideram o grupo econômico como entidade única que deve apurar seus ganhos e perdas de forma consolidada. Para estes, é compreensível não se aceitar o reconhecimento de ágios internos com reavaliação espontânea gerados em transações realizadas entre Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.183 15 empresas do grupo, já que representaria criação de ágio em operações de uma entidade consigo mesma; 4.22 Se o ágio interno decorrente de reavaliação espontânea é permitido pelas normas contábeis nas demonstrações financeiras individuais, com mais razões se pode sustentar a validade do ágio reconhecido na operação em exame, que não contempla uma reavaliação espontânea; Ausência de vedação de operações com partes relacionadas 4.23 De acordo com os arts. 385 e 386 do RIR/99, com base legal no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, e nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, não há qualquer restrição posta para a amortização de ágio reconhecido em operações envolvendo partes relacionadas. A circunstância de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo e aquele surgido em operações entre empresas sem vínculo, não é relevante para fins fiscais. Ao invocar o ágio interno, a autoridade fiscal extrai conceito não existente em lei; 4.24 Tanto não havia vedação ao ágio entre pessoas ligadas, que foi publicada a MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, vedando expressamente o seu aproveitamento fiscal entre empresas dependentes. Ou seja, tal norma trouxe pela primeira vez a restrição ao ágio interno. A MP é do ano 2013, enquanto as operações aqui tratadas ocorreram em 2009 e 2010. Não pode ser aplicada retroativamente, tanto que seu art. 98 dispôs expressamente sobre a vigência apenas a partir de 01/01/2015. Segundo a Exposição de Motivos nº 00187/2013 MF, a finalidade da MP foi a de proibir as operações com ágio dentro do mesmo grupo. Se existisse vedação anterior, não seria preciso veicular uma nova norma reiterando a anterior; 4.25. Na linha do entendimento da impugnante estão os Acórdãos nºs 1302002.060 e 1302001.978 do Carf; Regras fiscais de desdobramento das contas de investimento e ágio Normas cogentes 4.26. Avaliando as operações realizadas, resta evidente que não houve reavaliação de ativos já detidos ou um ágio em si mesmo. Ocorreu de fato uma aquisição de participação societária até então pertencente à GE Brazil e à GE Brasil por parte da GE Participações; 4.27. A GE Brazil conferiu participação que detinha no impugnante (GE OIL) em aumento de capital na GE Participações, que pagou por estas com a emissão de novas quotas; 4.28. No que se refere à GE Brasil, essa sociedade reduziu seu capital, entregando para sua controladora, GE Participações, quotas do impugnante (GE OIL), constituindo em nova aquisição de participação societária no impugnante por parte da GE Participações; Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.184 16 4.29. Tais aquisições de novos ativos pelo valor de custo então registrado na GE Brazil e na GE Brasil gerou os ágios questionados, baseados na rentabilidade futura dos investimentos adquiridos; 4.30 No caso do ágio gerado na aquisição das participações da WELLSTREAM, houve os seguintes eventos: (i) aquisição da Wellstream Holdings PLC pela GE Austria GmbH; (ii) aquisição da participação na Wellstream pela GE Brazil a valor dos livros e (iii) aquisição de participação societária até então pertencente à GE Brazil por parte da GE Oil;. A GE Brazil conferiu participação que até então detinha na WELLSTREAM em aumento de capital na GE Oil, que pagou pelas participações com emissão de novas quotas; 4.31. Ante as normas fiscais vigentes, não restava à GE Participações outra alternativa para o registro dos investimentos adquiridos que não a divisão do valor pago em custo de aquisição e ágio, nos termos do art. 385 do RIR/99. Tratase de norma cogente que não permite outro procedimento. Nesse sentido o parecer de Eliseu Matins anexado; Regras tributárias para precificação de operações entre partes relacionadas 4.32. A autoridade lançadora, na constante tentativa de invocar uma suposta vedação ao aproveitamento do ágio interno, preferiu ignorar o fato de que a própria legislação fiscal determina que partes relacionadas devem negociar em bases comutativas mediante a adoção de valores de mercado (praticado entre partes independentes), em respeito ao princípio do arm's length. A título de exemplo de legislação fiscal nesse sentido citamse as regras de distribuição disfarçada de lucros, preços de transferência (Lei nº 9.430, de 1996), empréstimos entre empresas do mesmo grupo (Lei nº 12249, de 2010); 4.33. Assim, se a legislação fiscal e as próprias autoridades fiscais exigem que as transações entre partes relacionadas observem o referido princípio, devem reconhecer como válido o registro de ágio para o adquirente de participação societária de parte relacionada, desde que respaldado em valores e operações legítimas; 4.34. No caso, a aquisição de participações no impugnante pela GE Participações tomou por base o valor contábil dessas participações nos livros da GE Brazil e da GE Brasil. Além disso, a fim de demonstrar que o referido valor observou o princípio arm's length, a empresa de auditoria Ernst & Young preparou laudos de avaliação econômico financeira (com o ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura). Se não tivesse procedido assim, a GE Participações incidiria na presunção de distribuição disfarçada de lucro estabelecida no art. 464, incisos I e II do RIR/99; Comprovação do pagamento do ágio 4.35. O TVF, nos itens IV.3 e V.1, às fls. 22 a 24, por diversas vezes sustenta que em nenhum momento houve o efetivo pagamento do ágio pela GE Participações, o que reflete uma interpretação equivocada do disposto no art. 385 do RIR/99, o qual não impõe qualquer restrição à forma de aquisição do investimento ou à maneira escolhida pelas partes para a quitação do pagamento pelo investimento adquirido. Tal Fl. 2184DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.185 17 dispositivo não contempla a palavra pagamento e, muito menos, pagamento em dinheiro. As Resoluções CFC nº 1110/07 e 1157/09 e a Instrução CVN nº 247/96, por exemplo, contemplam a possibilidade de geração de ágio em subscrição, ou seja, sem pagamento em dinheiro. A aquisição pode ainda se dar por permuta, dação em pagamento, doação etc. Para haver ágio é necessário que haja aquisição, a qual título for, que tenha por efeito a transmissão da propriedade de participação em coligada ou controlada; 4.36. Ou seja, para fins de amortização fiscal do ágio, é irrelevante a existência de desembolso de recursos, pois mesmo nos casos de aumento ou redução de capital, como no caso presente, há legítimo custo de aquisição, que corresponde ao valor das quotas entregues em pagamento; 4.37. O Carf reiteradamente se manifestou que a origem dos recursos que são utilizados na aquisição de investimento não é relevante para a dedutibilidade fiscal do ágio, podendo a contraprestação da aquisição societária ocorrer com recursos financeiros, conferência de bens ou de participações societárias; Existência de propósito negocial e substância econômica na aquisição do investimento 4.38. Um dos argumentos para justificar a glosa referese à suposta falta de propósito negocial na reestruturação societária realizada, ou seja, que esta foi efetuada visando apenas a construção artificiosa de uma situação contábil que permitisse o aproveitamento indevido do benefício fiscal da amortização do ágio; 4.39. Todavia, é imperioso ressaltar que os contribuintes possuem liberdade para conduzir seus negócios de forma que lhes parecer mais adequada, desde que esta não seja ilícita. Não cabe ao Fisco exigir do contribuinte a prática desse ou daquele ato em datas específicas e nem tampouco que opte pela forma mais onerosa do ponto de vista fiscal; 4.40. As conclusões fiscais somente se sustentam se as operações forem analisadas de forma isolada, ignorandose o contexto histórico e econômico em que se inseriu a reestruturação; 4.41. Analisando o contexto da reestruturação, composta por atos jurídicos praticados de forma lícita conforme se infere das informações constantes dos autos, chegase forçosamente à conclusão de que cada uma das operações societárias questionadas possuía propósito negocial, vez que todas visaram, conjuntamente, permitir a implementação do plano de negócios pretendido pelo Grupo GE; 4.42. No caso, as operações de reorganização envolvendo o impugnante e a GE Participações tiveram como fundamento econômico o processo de otimização e centralização individualizada das operações e negócios do Grupo GE, de forma a simplificar a estrutura negocial no Brasil e participar do mercado de forma mais eficiente, evitando ineficiências internas (vários negócios distintos oferecendo partes de uma solução única) e externas (clientes do Grupo GE tendo diferentes reuniões com vários negócios do conglomerado com soluções por vezes concorrentes), bem assim racionalizar e organizar Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.186 18 os processos de contabilidade, finanças, folha de pagamento e planejamento de recursos; 4.43. Com a unificação dos negócios de óleo e gás em uma única sociedade, os contratos firmados pelo impugnante cresceram exponencialmente, como já explanado anteriormente; 4.44. Ao contrário do que quer fazer parecer a Fiscalização, esse processo não ocorreu em curto espaço de tempo, mas foi cautelosamente estruturado pelo Grupo GE ao longo de 3 anos. Todos os atos societários praticados inseriramse congruentemente no contexto dessa concentração que teve por resultado o direcionamento e o desenvolvimento dos negócios do grupo, bem como a economia dos elevados custos decorrentes da vasta gama de empresas existentes à época das reorganizações; 4.45. Percebese que a amortização do ágio realizada é válida, já que preenchidos os requisitos dos arts. 385 e 386 do RIR/99, teve origem em atos que obedeceram forma válida, tiveram objeto lícito e foram respaldados em legítimos propósitos comerciais e operacionais; GE Participações Empresa veículo Descabimento 4.46. A autoridade fiscal, por meio de expressões como "conduit company", "inchaço" e "efeito sanfona" qualificou a GE Participações como mero braço operacional da GE Brazil, envolvida apenas em operações formais, entendendo que, por sua natureza de empresa de participações, não tinha qualquer outra atividade produtiva. Com isso sustentou que o objetivo único da GE Participações na reorganização societária procedida foi o de possibilitar posterior amortização fiscal de ágio pelo impugnante. Contudo, tal afirmação não resiste a uma análise dos fatos; 4.47. Como visto, todos os atos societários praticados inseriramse no contexto da concentração de segmentos negociais em determinadas empresas do grupo, possuindo propósito negocial. Tais atos foram realizados em conformidade com o direito aplicável, não podendo ser desqualificados; 4.48. A GE Participações já existia desde 1997, antes da reestruturação, atuando na gestão de negócios. Na década dos anos 2000, muda de função, passando a ter como atividades principais: (a) avaliação de oportunidades de eficiência do grupo na área industrial no Brasil; (b) busca de ganhos operacionais; (c) reunião das equipes de contabilidade, contas a pagar e logística; (d) definição da forma de cada negócio GE ir ao mercado; (e) gestão financeira das necessidades de numerário das empresas investidas. Em 2007 chegou a ser operacional, desenvolvendo atividade de industrialização de produtos químicos. A partir de 2008, com o início da reestruturação, passou a desempenhar importante atividade de organização de eventos societários que ocorreriam. A partir de outubro de 2009, seu quadro de pessoal passou a ser composto por gerentes de projetos designados pelas sociedades operacionais, que reuniamse para debater os impactos de cada evento societário, visando promover a reorganização societária para maximizar os resultados e reduzir custos. Sempre possuiu sede e empregados próprios. Como prova do exposto, anexa o Fl. 2186DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.187 19 Cadastro Geral de Empregados e Desempregados para os anos 2007 a 2010, indicando existência de 15 empregados em seus quadros, o que pode ser confirmado nos registros contábeis e DIPJs. Além de receber os dividendos pagos por suas controladas, possuía investimentos que geravam receitas e despesas financeiras, além do que contratava terceiros não relacionados e, se necessário, fazia empréstimos a partes relacionadas, tudo registrado em balanços e nas DIPJs. Em 2012, concluída a reestruturação societária do grupo e tendo cumprido todas as suas funções como holding do grupo e gestora da reorganização, a GE Participações foi dissolvida. No biênio 2011/2012 estava em processo de encerramento, razão pela qual possuía apenas um funcionário; 4.49. Todos estes fatos demonstram a regular operação da GE Participações como holding do grupo, ou seja, sociedade com propósito específico; 4.50. De qualquer forma, não se pode enquadrar uma sociedade como veículo apenas porque não desempenha atividades operacionais, haja vista que seria colocar todas as holding como empresas veículo, desconsiderando suas atividades por ausência de propósito negocial. Como já visto, a utilização de sociedades com propósito específico de adquirir investimentos é característica típica de processos de fusões e aquisições brasileiros, bem como decorrência natural do mecanismo de ágio criado pela Lei nº 9.532, de 1997. A própria autoridade lançadora reconhece como válidas as operações envolvendo o uso de empresa veículo, entendendo ser fundamental a participação de sociedades holdings em reestruturações societárias no âmbito do Programa Nacional de Desestatização e ser absolutamente legal esta estruturação; 4.51. Frisese que a autoridade fiscal, à fl. 6 do TVF, reconhece a legalidade dos atos societários aqui discutidos; 4.52. O Carf vem decidindo reiteradamente que a existência de empresa veículo não é elemento suficiente para desqualificar a validade das operações, desde que os requisitos legais sejam cumpridos. Em casos similares, nos quais o investidor estrangeiro decidiu adquirir investimentos no Brasil, tal tribunal administrativo concluiu pela possibilidade de registro e amortização do ágio pelas sociedades intermediárias; 4.53. Com base nos requisitos considerados nos acórdãos do Carf, é possível concluir que somente poderiam ser desconsideradas as operações em que fossem encontrados vícios na formação do ágio e não em reorganização societária que, por consequência, possibilitou seu aproveitamento para fins fiscais; 4.54. Enfim, ainda que fosse possível comprovar ausência de propósito negocial da GE Participações e seu caráter de empresa veículo, o que não é o caso, tais elementos, isoladamente considerados, não são suficientes para justificar a glosa das amortizações do ágio; Legalidade das operações envolvendo incorporação às avessas Fl. 2187DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.188 20 4.55. A acusação Fiscal acerca do descabimento da incorporação às avessas representa interpretação contra legem. Ora, o art. 8º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a amortização fiscal do ágio nos casos de incorporação reversa, não pode a autoridade fiscal recusar sua aplicação; Do reflexo na CSLL 4.56. Inexiste disposição legal que imponha condição de dedutibilidade do ágio para fins de apuração da CSLL, bem assim que sejam estendidas a essa contribuição as disposições relativos ao IRPJ. Esse o entendimento do Carf; 4.57. O art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, e o art. 13, III, da Lei nº 9.249, de 1995, não se prestam a impedir a dedução de despesas de amortização de ágio da base de cálculo da CSLL. O primeiro não autoriza que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ, conforme ACórdão 9101002.310 da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Quanto ao segundo dispositivo, o ágio pago no caso em tela não se amolda a nenhum espectro desse comando legal. De qualquer forma, a autoridade fiscal não citou o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, mas apenas o art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995 4.58 Somente a partir da edição da Lei nº 12.973 passou a haver vedação à amortização do ágio na apuração da CSLL, conforme seu art. 50, que determinou expressamente a aplicação para a CSLL das normas legais aplicáveis ao IRPJ; 4.59. De qualquer maneira, há que se considerar o art. 75 da IN SRF nº 390, de 2004, que autoriza a amortização do ágio pago na hipótese de incorporação da sociedade investidora pela investida; Dos graves erros de cálculo da multa isolada 4.60. De início, ao calcular a multa isolada (fl. 1246) a autoridade fiscal a determinou sobre a base de cálculo do IRPJ antes do cálculo do efetivo imposto devido, e não sobre as estimativas mensais a recolher, como preconiza o art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996: 4.61. Além disso, a autoridade fiscal não considerou as deduções do IRPJ devido das despesas relativas ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Para demonstrar tal fato, juntou planilha de cálculo (Doc 06). A impugnante está devidamente inscrita no PAT, consoante comprovante de inscrição em anexo (Doc 07). Cumpre Fl. 2188DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.189 21 observar que o lançamento efetuado tomou por base as declarações da impugnante, onde não constavam tais deduções vez que apurara prejuízo fiscal e base negativa. Se tivesse apurado lucro tributável, também teria efetuada as deduções cabíveis. A norma não exige formalização de opção na DIPJ para a fruição de benefícios do PAT. O mero fato de o IRPJ e da CSLL terem sido cobrados mediante lançamento de ofício não afasta a possibilidade de utilizarse dos benefícios fiscais autorizados em lei. Conforme a planilha citada, na aba "Multa Isolada IST", entre os meses de julho a dezembro de 2012, registrou despesas com alimentação de trabalhadores, apurando incentivo de PAT a deduzir no valor de R$ 1.206.768,67, não considerado pela autoridade fiscal; 4.62. Também não foram deduzidas na apuração da multa isolada as retenções de IRPJ e de CSLL sofridas ao longo do anocalendário. Os valores considerados nos cálculos efetuados pela impugnante na planilha antes referida foram baseados nos informes de rendimentos juntados (Doc. 08). Ainda que as retenções na fonte tenham sido convertidas ao final do ano em saldo negativo, e que o saldo negativo tenha sido compensado em períodos posteriores, ao longo do ano as retenções deveriam ter sido reconhecidas pela fiscalização; Indevida imposição de multa isolada 4.63. Não é possível exigir a multa isolada após o encerramento do anocalendário, vez que o contribuinte não está mais sujeito ao pagamento do valor mensal, mas sim ao pagamento do ajuste anual sobre a base consolidada. A sistemática do IRPJ e da CSLL impõe que, encerrado o anocalendário, qualquer divergência quanto aos valores recolhidos seja feita considerando a base em 31 de dezembro. Além disso, ilegítima a cobrança cumulativa da multa isolada e da multa de ofício para o mesmo fato gerador, isto é, insuficiência do recolhimento do IRPJ e da CSLL ao longo do anocalendário. Inclusive foi editada a Súmula Carf nº 105, segundo a qual "a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 §1º, inciso IV da Lei 9.430/96, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Embora editada com o dispositivo anterior à Lei nº 11.488, de 2007, continua aplicável,conforme se depreende do Acórdão nº 1301001.680. Também há que se considerar a multa isolada aplicada afronta aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao confisco; Ilegalidade da Incidência de Juros Selic sobre a Multa de Ofício 4.64. Há diversos precedentes do Carf e da CSRF em que foi afastada a aplicação de juros sobre a multa de ofício por falta de previsão legal. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela procedência parcial da impugnação, nos termos do acórdão a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Fl. 2189DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.190 22 A formação do ágio não tem como consequência o surgimento de uma obrigação tributária. Já a amortização do mesmo nas hipóteses previstas em lei enseja redução do tributo devido (IRPJ e CSLL), ou seja, produz efeitos fiscais. Somente com a amortização do ágio em desacordo com a legislação aplicável, que acarreta a redução indevida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, é que ocorre infração à legislação tributária, sendo devida, a partir de então, a lavratura de auto de infração. O Termo inicial de contagem do prazo decadencial, seja pelo regramento do art. 150, §4º, ou do art. 173, I, do CTN, deve levar em consideração o momento em que ocorreu a amortização indevida e não o momento da formação do ágio. PRELIMINAR DE NULIDADE. PRESENTE A MOTIVAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Eventual discordância da motivação do lançamento apresentada pela autoridade fiscal, quando esta permitiu o perfeito entendimento por parte do contribuinte da infração que lhe foi imputada, não autoriza a nulidade do lançamento, medida a ser adotada apenas quando tal requisito não estiver presente. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSÁRIA CONFUSÃO PATRIMONIAL ENTRE INVESTIDOR REAL E INVESTIDA. USO DE EMPRESA VEÍCULO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a uma "empresa veículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outra empresa e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou os valores que propiciaram o surgimento do ágio. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ÁGIO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE. É inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA DE DESPESA. DESPESA CRIADA ARTIFICIALMENTE. INDEDUTIBILIDADE. A amortização do ágio constituise em espécie do gênero despesa, e, naturalmente, encontrase sujeita ao regramento geral disposto no art. 299 do RIR/99, que vincula a sua dedutibilidade a despesa decorra de operação necessária, normal e usual da pessoa jurídica. Não há como estender tais atributos para despesas derivadas de operações montadas artificialmente com o fim único de economia tributária. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO APÓS ANO Fl. 2190DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.191 23 CALENDÁRIO. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. INAPLICÁVEL PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. É possível a aplicação de multa isolada em decorrência da falta de pagamento de estimativa após o encerramento do anocalendário. Além disso, é devida sua exigência concomitantemente com a multa de ofício vinculada ao tributo devido que deixou de ser recolhido, vez que são sanções decorrentes de situações fáticas distintas, que geram obrigações também distintas e são determinadas a partir de bases de cálculo diferentes por definição. Inaplicável o princípio da consunção. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A análise de alegação contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Devida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário quando este se torna definitivo, ou seja, em fase de cobrança. ERROS NA CONTABILIZAÇÃO OU NA DECLARAÇÃO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. INDEVIDA RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Possíveis erros na contabilização ou na DIPJ verificados pelo contribuinte, que lhe sejam desfavoráveis, devem ser apontados durante o procedimento fiscal, mas não em fase contencioso, pois compete ao julgador administrativo apenas apreciar inconformidade do contribuinte relativamente às matérias que foram objeto dos lançamentos. A retificação de ofício somente se justifica em relação a matéria que mantenha relação direta com alguma infração apurada pela autoridade fiscal, como, por exemplo, no caso de um lançamento de omissão de receitas, cujos respectivos tributos retidos ou despesas que ensejaram tais receitas, se não considerados pela autoridade fiscal autuante, devem ser deduzidos de ofício pela autoridade julgadora. DEDUÇÃO DO PAT. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte não logrou comprovar que realizou despesas com alimentação de trabalhadores, razão pela qual não há que se falar em dedução do incentivo. IRRF. DEDUÇÃO. MENSAL OU NO AJUSTE. ALTERAÇÃO DA OPÇÃO EM FASE DE CONTENCIOSO. Cabe ao contribuinte decidir em que momento fazer uso dos tributos retidos: se mês a mês, compondo o valor da estimativa paga no ajuste anual, ou se diretamente no ajuste anual, em linhas específicas relativas a retenções na fonte, ou se, em uma combinação das situações anteriores, usar parte no cálculo da estimativa e outra parte diretamente no ajuste. Na espécie, o contribuinte poderia ter deduzido mês a mês as retenções na fonte, mas não o fez, optando por declará las apenas no ajuste anual. Não cabe aqui, em fase de julgamento, Fl. 2191DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.192 24 alterar a opção realizada pelo contribuinte, para deduzir todo o montante acumulado de tributo retido na fonte, simplesmente porque agora ele percebeu que a opção adotada não foi a ideal ante o novo quadro de lançamento da multa isolada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO, MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA E JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DE CSLL RETIDA NA APURAÇÃO DA ESTIMATIVA. A decisão relativa ao IRPJ quanto a estas matérias aplicase no julgamento do auto de infração da CSLL, vez que ambos os lançamentos estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após tomar ciência em 28/09/2018 do acórdão recorrido (fls. 1774), autuada apresenta em 30/10/2018 seu Recurso Voluntário (fls. 1776), tempestivamente, cujos argumentos apresentados serão a seguir analisados. Antes que o processo fosse distribuído a este Relator, a Recorrente aporta aos autos petição de fls. 1929/1932, juntando novos documentos, pugnando pelo cancelamento da multa aplicada e, adicionalmente, acosta tradução juramentada da Recommmend Cash Ofter, que noticia a aquisição pela General Eletric Austria GmbH da totalidade das ações da Wellstream Holding PLC, bem como de todas as suas subsidiárias, inclusive a Wellstream do Brasil Indústria e Serviço Ltda. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Porém, do exame dos autos, considero que o processo ainda não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Síntese dos Fatos A presente discussão gira em torno da dedutibilidade, ou não, das amortizações de ágio formadas em operações e reorganizações societárias, que resultaram lançamentos que se referem ao anocalendário de 2012, com aplicação de multa isolada sobre a insuficiência de estimativas mensais pagas em razão da amortização do ágio. Discutese a regularidade da dedução, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, das despesas de amortização de 3 (três) ágios pela GE OIL (fiscalizado) consecutivamente à incorporação de parcela cindida do patrimônio de sua investida GE Participações, onde os ágios estavam registrados contabilmente, bem assim à incorporação da investida WELLSTREAM. Fl. 2192DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.193 25 Em síntese, os passos da reestruturação de interesse podem ser apresentados gráficos e a partir de esclarecimentos necessários, abaixo copiados, baseados em informações contidas no TVF e na defesa do contribuinte: Fl. 2193DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.194 26 Portanto, são três ágios nas etapas de reorganização societária acima Fl. 2194DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.195 27 detalhadas, os quais restaram registrados ao final no contribuinte (GE Oil), onde foram amortizados e excluídos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, do período: O primeiro, no valor de R$ 196.587.926,57, decorreu de aumento de capital da GE Participações, subscrito e integralizado pela GE Brazil mediante a transferência de quotas da GE Oil e de outras empresas, sendo que a participação na GE Oil foi repassada com ágio devidamente registrado pela GE Participações em conta própria. Tal operação ocorreu pouco tempo após a GE Brazil ter se tornado sócia controladora da GE Participações. Com esta medida a GE Brazil deixou de ter controle direto da GE Oil, a qual tinha sido adquirida dias antes da operação (no mesmo mês de novembro). Este ágio foi transferido para a GE Oil um ano após, quando a GE Participações foi cindida parcialmente, com parte do acervo cindido, relativo ao investimento na GE Oil (inclusive o ágio), vertendo para a GE Oil. Com tal etapa, além da transferência do ágio registrado na investidora GE Participações para a investida GE Oil, a GE Brazil volta a ter o controle da GE Oil. Nos gráficos acima, tais transações constam detalhadas nos Passos 1, 2 e 7; O segundo, no valor de R$ 97.164.182,82, foi gerado na operação em que houve aumento do capital da GE Oil, com subscrição e integralização pela GE Brasil mediante transferência de complexo de bens, direitos e obrigações relacionados aos negócios Nuovo Pignone (NP) e PII (Passo 5). Com tal operação, a GE Brasil aumentou sua participação na GE Oil e o investimento feito foi registrado com o ágio referido. Interessante notar que: (i) as quotas da GE Brasil haviam sido transferidas para a GE Participações um ano antes pela GE Brazil (Passo 2); e (ii) a GE Brasil passou a ser quotista minoritária (1 quota) da GE Oil cerca de quatro meses antes no lugar da pessoa física Fernando Cesar (FCMM) (Passo 3). Apenas um dia após esta operação, a GE Brasil reduz seu capital social, cedendo à GE Participações (sua quotista) as quotas que detinha junto à GE Oil, e recebendo em troca suas quotas detidas pela GE Participações, se desligando desta (Passo 6). Com isso, o ágio registrado na GE Brasil, relativo ao investimento na GE Oil, é repassado à GE Participações. No mesmo dia, com a cisão parcial da GE Participações, já abordada acima, este ágio é transferido para a GE Oil (Passo 7); O terceiro, no valor de R$ 873.811.688,08, decorreu de aumento de capital da GE Oil, integralizado pela BE Brazil mediante a transferência de quotas da WELLSTREAM com ágio. Tal operação ocorreu no mesmo mês em que a GE Brazil adquiriu a WELLSTREAM. Cerca de dois meses depois a GE Oil incorporou a WELLSTREAM. Tais transações constam detalhadas nos passos 8 a 10. Ciente do auto de infração, a autuada apresentou impugnação, por meio da qual questionou a glosa das amortizações fiscais do ágio apurado no período que deu ensejo ao lançamento de ofício, alegando em síntese que: (i) o caso em concreto não se confunde com o controverso "ágio interno". O Agente Fiscal não considerou a diferença entre os ágios existentes nos livros da GE Participações e da GE O&E e o controverso "ágio interno". O "ágio interno" muitas vezes questionado é o ágio criado a partir de uma reavaliação espontânea decorrente de uma transação intragrupo; (ii) os ágio amortizados pela Recorrente não decorrem de uma reavalização espontânea de ativos, como quer fazer parecer o Agente Fiscal, tratandose de ágios plenamente legítimos tanto pelo aspecto contábil quanto pelo aspecto fiscal; Fl. 2195DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.196 28 (iii) a aquisição da Wellstream pelo Grupo GE ocorreu globalmente e entre partes totalmente independentes; (iv) o fato do ágio gerado na aquisição da Wellstream ter sido registrado contabilmente como ativo intangível da GE O&G, sujeito ao teste de impairment e amortizado apenas para fins fiscais, mesmo após a vigência do Pronunciamento Técnico nº 15 do Comitê de Pronuciamento Contábeis ("(CPC 15"), demonstra como ainda mais clareza que o ágio em discussão não se afigura como "ágio interno" (i.e., se fosse ágio interno, como quer fazer cre a autoridade fiscal, referido ágio deveria ter sido baixado contabilmente); (v) para fins de amortização fiscal do ágio, a existência, ou não, do pagamento em moeda é irrelevante, pois mesmo nos casos de aumento e redução de capital, como é o caso ora analisado, há um legítimo custo de aquisição, que corresponde ao valor das quotas entregues, seja em pagamentos dos bens e direitos devolvidos, seja por aumento de capital; (vi) não deve prosperar a alegação quanto à suposta falta de propósito negocial na reestruturação realizada pela Recorrente. O objetivo final das reestruturações foi o de criar condições para que cada linha de negócio fosse desenvolvida através de uma sociedade especializada, evitando ineficiências internas (vários negócios distintos oferecendo parte de uma solução única) e externas (clientes do Grupo GE tendo diferentes reuniões com vários negócios do conglomerado com soluções por vezes concorrentes). Como será explanado a seguir, antes da reestruturação, o Grupo GE detinha mais de 80 sociedades no Brasil. Ao final da reestruturação, restaram apenas 18; (vii) a GE Participações, em nenhuma hipótese, poderia ser enquadrada como "empresa veículo". A Recorrente demonstrará a regular operação da GE Participações como sociedade holding do Grupo GE, que até operou em alguns momentos como sociedade operacional; (viii) ainda que a GE Participações fosse uma "empresa veículo", o próprio E. CARF e a C. Câmara Superior de Recursos Fiscais ("CSRF") têm proferido diversas decisões e de maneira reiterada esclarecendo que a existência de uma "empresa veículo" não é elemento suficiente para desqualificar a validade das operações (e, conseqüentemente, do ágio a elas associado), contando que os requisitos legais sejam cumpridos. Tais decisões reforçam a linha de raciocínio da Recorrente quanto à ausência de fundamento legal claro para a desqualificação, para fins fiscais, das transações em comento. Ao julgar a impugnação, a DRJ deulhe parcial provimento, reduzindo o valor da multa isolada pela falta de recolhimento de IRPJ de R$ 100.564.055,65 para R$ 25.084.513,91. Após intimada, a autuada maneja recurso voluntário, sem juntada de novos documentos, ratificando os argumentos de defesa inicialmente mencionados, e pugnam pelo provimento dos recursos. Antes que o processo fosse distribuído a este Relator, a Recorrente aporta aos autos petição de fls. 1929/1932, juntando novos documentos, pugnando pelo cancelamento da multa aplicada e, adicionalmente, acosta tradução juramentada da Recommmend Cash Ofter, que noticia a aquisição pela General Eletric Austria GmbH da totalidade das ações da Wellstream Holding PLC, bem como de todas as suas subsidiárias, inclusive a Wellstream do Brasil Indústria e Serviço Ltda. Fl. 2196DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.197 29 Da Juntada de Novos Documentos em sede de Recurso Voluntário Antes da análise dos argumentos de defesa, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação da petição de fls. fls. 1929/1932. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação. Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com fulcro nesse dispositivo, penso que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas, sob pena de ferir os princípios da verdade material, da racionalidade, da formalidade moderada e o da própria efetividade do processo administrativo fiscal. Primeiro, de acordo com esse mesmo Decreto, em seu artigo 18, pode o julgador, espontaneamente, em momento posterior à impugnação, determinar a realização de diligência, com a finalidade de trazer aos autos outros elementos de prova para seu livre convencimento e motivação da sua decisão. Se isso é verdade, porque não poderia o mesmo julgador aceitar provas, ainda que trazidas aos autos após à Impugnação, quando verificado que são pertinentes ao tema controverso e servirão para seu livre convencimento e motivação da decisão? A rigidez na aceitação de provas apenas em um momento processual específico não se coaduna com a busca da verdade material, que é indiscutivelmente informador do processo administrativo fiscal pátrio. Desse modo, existindo matéria controvertida, e o contribuinte traz novos elementos de provas relacionados a essa matéria, de modo a corroborar, materialmente, com o desfecho da lide, ainda que as apresente após sua Impugnação. não deve estas provas ser desconsideradas pelo julgador administrativo, em face do momento processual em que ocorre a juntada. Notese que a possibilidade de conhecer de elementos de provas trazidos posteriormente à impugnação, não só representa uma medida de racionalização e maximização da efetividade jurisdicional do processo administrativo fiscal, como também representa um positivo reflexo na redução da judicialização de litígios tributários. Logo, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça regra atribuindo o efeito de preclusão a respeito de prova documental, isso não impede, segundo meu modo de ver, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial os princípios da verdade material, da racionalidade e o da própria efetividade do processo administrativo fiscal, que o julgador conheça e analise novos documentos apresentados após a defesa inaugural. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101 002.781, em que também se conheceu da possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE Fl. 2197DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.198 30 DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por estes motivos, os documentos apresentados devem ser admitidos e apreciados. Da Conversão do Julgamento em Diligência Entre as questões controversas, há a acusação de que a Autoridade Lançadora equivocadamente calculou a multa isolada sobre a base de cálculo do IRPJ antes do cálculo do efetivo imposto devido e não sobre as estimativas mensais a recolher do IRPJ, tal como preconiza o artigo 44, inciso II, item b da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, resultando na exigência de multa isolada de mais de cem milhões de reais. A DRJ reconheceu parcialmente o equívoco apontado, reduzindo a multa de R$ 100.564.055,65 para R$ 25.084.513,91. Não obstante, em recurso, sustenta a Recorrente que os cálculos preparados pela Autoridade Lançadora para o anocalendário de 2012 também não consideraram as deduções do IRPJ devido das despesas relativas ao Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) e as retenções de imposto de renda e contribuição social sofridas pela Recorrente ao longo desse anocalendário, que foram devidamente comprovadas por meio dos devidos informes de rendimento do período. A fim de demonstrar o acima exposto, a Recorrente apresentou planilha de crédito (doc. 06 da Impugnação), os informes de rendimento do anocalendário de 2012 (doc. 08 da Impugnação) e o comprovante de inscrição no PAT (doc. 07 da Impugnação), que detalham e comprovam como deveria ter sido realizado o cálculo da multa isolada e, em petição posterior, faz a juntada do razão contábil da rubrica E13018001 que comprova que a Requerente incorreu no valor total de R$ 5.714.441,92 em despesas com alimentação no ano calendário de 2012 e cópias de notas fiscais relacionadas às despesas com alimentação. Em sua petição, esclarece a requerente que a conta contábil E13018001 contempla outros registros além das despesas com alimentação e, por esse motivo, preparou e acostou aos autos sumário demonstrando especificamente as despesas com alimentação. Como se pode observar do cotejo do razão contábil com a documentação apresentada, em tese, as despesas discutidas foram efetivamente incorridas e corretamente contabilizadas pela Recorrente, sendo imperativa, assim, a sua dedução no cálculo do IRPJ devido. Dessa forma, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem efetue novo cálculo da multa isolada, exclusivamente com relação às deduções das despesas de PAT e das retenções na fonte de imposto de renda e contribuição social sofridas pela Recorrente no anocalendário de 2012, de acordo com os valores que constam nos informes de rendimentos também juntados aos presentes autos (fls. 1668 a 1675). Fl. 2198DF CARF MF Processo nº 16682.721830/201739 Resolução nº 1301000.724 S1C3T1 Fl. 2.199 31 Após, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 2199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013651/2005-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ABONO VARIÁVEL. JUIZ CLASSISTA. RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. NATUREZA JURÍDICA INDENIZATÓRIA. EQUIPARAÇÃO. MAGISTRATURA DA UNIÃO.
Os representantes classistas da Justiça do Trabalho, ainda que ostentem títulos privativos da magistratura e exerçam função jurisdicional nos órgãos cuja composição integram, não se equiparam e nem se submetem, só por isso, ao mesmo regime jurídico-constitucional e legal aplicável aos magistrados togados.
A natureza jurídica indenizatória do abono variável e provisório concedido pelo art. 6°. da Lei n. 9.655/1998, com alteração do art. 2°. da Lei n. 10.474/2002, prevista na Resolução n. 245/2002 do STF, aplica-se tão-somente à magistratura da União, regida pela Lei Complementar n. 35/1979, não se estendendo aos juízes classistas, que naquela Lei não se abrigam.
É procedente a retenção de imposto de renda na fonte quando materializada a hipótese de incidência tributária do imposto de renda pessoa física, a teor do art. 43 do CTN c/c art. 3°., § 1°., da Lei n. 7.713/1988, e art. 37 do Decreto n. 3.000/1999 - RIR/99, vigente à época dos fatos.
Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção.
Numero da decisão: 2402-007.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Gregório Rechmannn Júnior, Gabriel Tinoco Palatnic, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, que deram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ABONO VARIÁVEL. JUIZ CLASSISTA. RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. NATUREZA JURÍDICA INDENIZATÓRIA. EQUIPARAÇÃO. MAGISTRATURA DA UNIÃO. Os representantes classistas da Justiça do Trabalho, ainda que ostentem títulos privativos da magistratura e exerçam função jurisdicional nos órgãos cuja composição integram, não se equiparam e nem se submetem, só por isso, ao mesmo regime jurídicoconstitucional e legal aplicável aos magistrados togados. A natureza jurídica indenizatória do abono variável e provisório concedido pelo art. 6°. da Lei n. 9.655/1998, com alteração do art. 2°. da Lei n. 10.474/2002, prevista na Resolução n. 245/2002 do STF, aplicase tão somente à magistratura da União, regida pela Lei Complementar n. 35/1979, não se estendendo aos juízes classistas, que naquela Lei não se abrigam. É procedente a retenção de imposto de renda na fonte quando materializada a hipótese de incidência tributária do imposto de renda pessoa física, a teor do art. 43 do CTN c/c art. 3°., § 1°., da Lei n. 7.713/1988, e art. 37 do Decreto n. 3.000/1999 RIR/99, vigente à época dos fatos. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 36 51 /2 00 5- 24 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10680.013651/200524 Acórdão n.º 2402007.593 S2C4T2 Fl. 54 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Gregório Rechmannn Júnior, Gabriel Tinoco Palatnic, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, que deram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 46/51) em face do Acórdão n. 02 26.827 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte DRJ/BHE (efls. 39/43), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 30/35), apresentada em 28/11/2008, mantendo o indeferimento de pedido de restituição (efl. 02), consoante o Despacho Decisório DRF/BHE n. 2128, de 12 de novembro de 2008 (efls. 27/29), de cujo teor o contribuinte foi cientificado em 20/11/2008 (e fl. 30). Cientificado do teor da decisão de piso em 09/06/2010 (efl. 45), o impugnante, agora Recorrente, apresentou recurso voluntário na data de 22/06/2010, alegando, em apertada síntese, que o abono variável (auxíliomoradia) tem natureza indenizatória e assim não se sujeita á tributação de imposto de renda. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele conheço. O cerne da presente lide concentrase no indeferimento, consignado no o Despacho Decisório DRF/BHE n. 2128, de 12 de novembro de 2008, do pedido de restituição Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10680.013651/200524 Acórdão n.º 2402007.593 S2C4T2 Fl. 55 3 de valores referentes à retenção a maior de IRPF a título de Gratificação Natalina, tendo em vista a edição da Resolução n. 245/2002, pelo Supremo Tribunal Federal, que considerou de natureza jurídica indenizatória os reajustes concedidos ou incorporados à remuneração dos magistrados, a contar de janeiro de 1998 até a edição da Lei 10.474/02. Ao apreciar a impugnação, a instância de piso decidiu pela procedência do indeferimento da restituição pleiteada, com espeque em entendimento firmado pelo STF: [...] Consoante o art. 1° da Resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002, do Supremo Tribunal Federal, o abono variável e provisório concedido pelo art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com alteração do art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, tem natureza jurídica indenizatória. [...] Salientese que o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal firmou entendimento de que "os representantes classistas da Justiça do Trabalho, ainda que ostentem títulos privativos da magistratura e exerçam função jurisdicional nos órgãos cuja composição integram, não se equiparam e nem se submetem, só por isso, ao mesmo regime jurídicoconstitucional e legal aplicável aos magistrados togados. A especificidade da condição jurídicofuncional dos juízes classistas autoriza o legislador a reservarlhes tratamento normativo diferenciado daquele conferido aos magistrados togados. O juiz classista, em conseqüência, apenas faz jus aos benefícios e vantagens que lhe tenham sido expressamente outorgados em legislação específica". Deste modo, não se pode automaticamente concluir que a natureza jurídica indenizatória do abono variável e provisório concedido pelo art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com alteração do art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, estabelecida pelo art. 1° da Resolução n° 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal, seja aplicável aos juízes classistas. Cumpre destacar que a Associação Nacional dos Juízes Classistas AJUCLA apresentou recurso administrativo visando reverter a parte da decisão do Exmo Presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 3' Região que indeferiu a expedição de novas "DI do imposto de renda retido na fonte visando a restituição das parcelas referentes ao imposto incidente sobre o auxíliomoradia" aos classistas de 1° grau (Processo n° 010502003 00003009 RA). Dos autos, todavia, não consta nenhum documento que indique que o contribuinte esteja representado pela AJUCLA na referida ação. Sendo assim, aplicase ao caso a regra geral prevista no § 1° do art. 3° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que determina que "constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10680.013651/200524 Acórdão n.º 2402007.593 S2C4T2 Fl. 56 4 qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados". Essa norma é reproduzida no art. 37 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda). Por fim, cabe esclarecer que as autoridades fiscais, sob pena de responsabilidade funcional, não se podem furtar ao cumprimento da legislação, posto que sua atividade é plenamente vinculada (art. 3° e parágrafo único do art. 142 do CTN). Ante o exposto, voto por indeferir a solicitação do contribuinte. [...] Em sede de recurso voluntário, o Recorrente reitera, em linhas gerais, os argumentos da impugnação, sem aduzir novas razões de defesa perante a segunda instância. Muito bem. O art. 4°. da Lei n. 9.655, de 2 de junho de 1998, informa: Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.(grifei) Por sua vez, o art. 6°., caput e § 1°., da Lei n. 10.474, de de 27 de junho de 2002, estabelece: [...] Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida por Magistrado, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos Magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. [...](grifei) No plano infralegal, a Resolução n. 245, de 12 de dezembro de 2002, do Supremo Tribunal Federal, esclarece, em seu art. 1°., que o abono variável e provisório concedido pelo art. 6°. da Lei n. 9.655/1998, com alteração do art. 2°. da Lei n° 10.474/2002, tem natureza jurídica indenizatória. Ocorre que os dispositivos acima transcritos referemse, de forma expressa, à Magistratura da União, cujos cargos, garantias, prerrogativas, vencimentos, vantagens e Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10680.013651/200524 Acórdão n.º 2402007.593 S2C4T2 Fl. 57 5 direitos, entre outras matérias, são disciplinados pela Lei Complementar n.. 35, de 14 de março de 1979, que não faz qualquer menção a juízes classistas. É dizer: os juízes classistas não se revestem da condição de magistrados da União. É exatamente nesse sentido o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) esposado no âmbito do Mandado de Segurança (MS) n. 27051, que remete ao MS n. 21466, cujo teor transcrevo no essencial: [...] Entretanto, bem ressaltou o impetrado em suas informações, este Supremo Tribunal firmou, bem antes do início do gozo das férias pelo impetrante, entendimento no sentido da ausência de direito líquido e certo dos juízes classistas a um mesmo regime jurídico dos magistrados togados, conforme se infere do seguinte trecho do acórdão lavrado no MS 21.466 (rel. Min. Celso de Mello, Plenário, unânime, DJ de 6.5.94): “ Os representantes classistas da Justiça do Trabalho, ainda que ostentem títulos privativos da magistratura e exerçam função jurisdicional nos órgãos cuja composição integram, não se equiparam e nem se submetem, só por isso, ao mesmo regime jurídicoconstitucional e legal aplicável aos magistrados togados. A especificidade da condição jurídicofuncional dos juízes classistas autoriza o legislador a reservarlhes tratamento normativo diferenciado daquele conferido aos magistrados togados. O juiz classista, em conseqüência, apenas faz jus aos benefícios e vantagens que lhe tenham sido expressamente outorgados em legislação específica. Assistelhe o direito de ver computado, para efeito de gratificação adicional por tempo de serviço, tão somente o período em que desempenhou a representação classista nos órgãos da Justiça do Trabalho, excluído, portanto, desse cômputo, o lapso temporal correspondente à atividade advocatícia. A interpretação dada pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Rp. N. 1.490DF, ao art. 65, VIII, da LOMAN e ao art. 1º do Decretolei n. 2.019/79 concerne, estritamente, aos magistrados togados.” Assim, pareceme, em juízo prefacial, inaplicável o art. 66 da Loman na espécie. [...] 6. Ante o exposto, indefiro a liminar. (Ministra Ellen Gracie, Presidente, em 08/01/2008 DJE nº 18, divulgado em 31/01/2008 ) Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10680.013651/200524 Acórdão n.º 2402007.593 S2C4T2 Fl. 58 6 Nessa perspectiva, não vislumbro, na espécie, possibilidade de afastar a materialização da hipótese de incidência tributária do imposto de renda pessoa física, a teor do art. 43 do CTN c/c art. 3°., § 1°., da Lei n. 7.713/1988, e art. 37 do Decreto n. 3.000/1999 RIR/99, vigente à época dos fatos. De se observar ainda que, consoante dispõe o art. 111, II, do CTN, interpreta se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, sendo assim defeso ao julgador administrativo reconhecer isenção por analogia, na forma pretendida pelo Requerente. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.901988/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2010
CONEXÃO. IDENTIDADE FÁTICA. INEXISTÊNCIA.
A conexão de processo exige identidade fática e ainda que a matéria tratada nos demais processos possa ser interligada àquela tratada neste, divergem ou no tributo em discussão ou no trimestre em discussão.
PIS/COFINS. INSUMO. CONCEITO.
Nos termos de Precedente Vinculante do Tribunal da Cidadania, despesa é considerada insumo caso ligada por vínculo direto ou indireto de necessidade ou importância ao processo produtivo ou ao serviço executado pela empresa que pleiteia o crédito.
SERVIÇOS ADUANEIROS. LOGÍSTICA PARA TRANSPORTE INTERNACIONAL.
Os serviços de despacho aduaneiro e os serviços logísticos interligados ao comércio exterior antecedem ou sucedem o processo produtivo e não são insumos.
COMPENSAÇÃO. PROVA.
É dever do contribuinte provar a titularidade de seus créditos em pedidos de compensação e restituição.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
O conceito de insumo é jurídico, logo o enquadramento de determinada despesa como insumo é matéria de competência do interprete da norma.
Numero da decisão: 3401-006.860
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para afastar as glosas das despesas com serviços de movimentação de insumos no curso do processo produtivo e com a locação de empilhadeiras elétricas e plataformas elevatórias.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2010 CONEXÃO. IDENTIDADE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. A conexão de processo exige identidade fática e ainda que a matéria tratada nos demais processos possa ser interligada àquela tratada neste, divergem ou no tributo em discussão ou no trimestre em discussão. PIS/COFINS. INSUMO. CONCEITO. Nos termos de Precedente Vinculante do Tribunal da Cidadania, despesa é considerada insumo caso ligada por vínculo direto ou indireto de necessidade ou importância ao processo produtivo ou ao serviço executado pela empresa que pleiteia o crédito. SERVIÇOS ADUANEIROS. LOGÍSTICA PARA TRANSPORTE INTERNACIONAL. Os serviços de despacho aduaneiro e os serviços logísticos interligados ao comércio exterior antecedem ou sucedem o processo produtivo e não são insumos. COMPENSAÇÃO. PROVA. É dever do contribuinte provar a titularidade de seus créditos em pedidos de compensação e restituição. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. O conceito de insumo é jurídico, logo o enquadramento de determinada despesa como insumo é matéria de competência do interprete da norma. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para afastar as glosas das despesas com serviços de movimentação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 19 88 /2 01 5- 13 Fl. 403DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.860 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.901988/2015-13 insumos no curso do processo produtivo e com a locação de empilhadeiras elétricas e plataformas elevatórias. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Relatório Trata-se de pedido de compensação de PIS/COFINS. A DRJ de Juiz de Fora deu parcial provimento à Impugnação. Intimada da decisão, a Recorrente busca guarida neste Conselho insistindo nas teses descritas em sede de Manifestação de Inconformidade, com exceção da tese acerca da nulidade da autuação, sustentando, em síntese: Conexão entre o presente processo e diversos outros que têm por objeto o direito ao crédito dos mesmos tributos em períodos diferentes; “Nulidade do despacho decisório vez que “não houve discriminação detalhada das Notas Fiscais ou itens que foram objeto da glosa, de modo que a Impugnante, a fim de demonstrar que a base de cálculo declarada na DACON está correta, refez toda a composição da base com base na presunção das Notas Fiscais e itens glosados de seus demonstrativos apresentados durante a Fiscalização, em total desrespeito ao princípio da Eficiência e da Razoabilidade”; “Para fins de apuração da contribuição ao PIS/COFINS, no regime não cumulativo, o artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 e 10.637/2002, prevê o desconto, na base de cálculo da contribuição, dos bens e serviços, utilizados como insumo na fabricação dos produtos destinados à venda; despesas vinculadas ao processo produtivo da empresa, tais como energia elétrica, aluguéis de prédios e máquinas; despesas vinculadas a destinação dos produtos a venda, tais como frete e armazenagem”; “Em relação aos gastos incorridos com despachantes aduaneiros, serviços logísticos de exportação, frise-se que a atividade-fim da Impugnante está diretamente relacionada a comércio exterior (importação de bens, equipamentos, Fl. 404DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.860 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.901988/2015-13 insumos e exportação dos seus produtos acabados), sendo natural que haja contratação de terceiros para acompanhar esse tipo de operação relacionada ao Despacho Aduaneiro, de modo que a glosa deve ser revista para todas as despesas relacionadas a ponto”; “No que tange às despesas gastas na contratação de serviços de transporte (Guindastes e Munks), resta claro a essencialidade desses serviços para a movimentação de pás e equipamentos dentro do processo produtivo, ao passo que a ausência deles, decerto, inviabilizaria a consecução das atividades da Empresa de produzir o seu produto acabado”; “Conforme comprovantes de pagamento por amostragem (Doc. 04), resta claro que a Impugnante incorreu nessa despesa suportando o ônus econômico nas vendas (exportação da mercadoria), fazendo também jus ao crédito descontado de todas as despesas da mesma natureza, nos termos do art. 3º, IX, da Lei 10.833/2003, que não faz qualquer distinção entre despesas com frete com vendas no mercado interno/externo;” “Em relação ao frete relacionado ao processo produtivo, para transportes de pás entre estabelecimentos, ainda inacabada, visando o seu aperfeiçoamento, tal despesa está intrinsecamente vinculada ao processo produtivo, razão pela qual se amolda ao conceito de insumo”; “A assunção do ônus financeiro [com benfeitorias em edificações] está revelada pelos documentos anexados, inequivocamente provada em lançamento contábil, bem como em contradição apresentada pela própria fiscalização”; “Conforme imagens extraídas do Google Earth (Doc. 05), os terrenos “sem edificação/benfeitoria” objeto da glosa no presente item, ao contrário do que aduz a fiscalização possuem “edificações” e “benfeitorias” e fazem parte do conglomerado das Plantas, a exemplo do CONTRATO ERGOFF”: AVENIDA HOLLINGSWORTH: PLANTA 8”; Foi a responsável por transformar os lotes e glebas em prédios; “A Impugnante anexou à presente Manifestação de Inconformidade os comprovantes de pagamento das despesas com os alugueres dão suporte à memória de cálculo da DACON”; “A legislação não pode restringir o conceito de insumo, principalmente em relação ao o conceito de “aluguel predial” que representa o gênero, sendo que os lotes, terrenos, glebas tornam a sua espécie quando vinculadas a atividade produtiva da empresa”; Todos os descontos de aluguéis de máquinas e arrendamento mercantil estão diretamente atrelados às atividades da empresa; Deve ser realizada diligência para confirmar: Fl. 405DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.860 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.901988/2015-13 “Se os serviços de Movimentação de Pás (Guindaste) e com Despachante Aduaneiro, objeto das Notas Fiscais glosadas, estão vinculados a atividade fim da empresa?” “De que forma esses serviços são aplicados no Processo Produtivo e/ou Operação de Venda dos Produtos?” “Se houve a realização de edificação/benfeitorias nos imóveis de terceiros?” Voto Conselheiro ROSALDO TREVISAN, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 3401-006.853, de 21 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10855.900544/2015-61. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401-006.853): “2.1. A Recorrente pleiteia inicialmente a CONEXÃO entre o presente processo e diversos outros que têm por objeto o direito ao crédito dos mesmos tributos em períodos diferentes, sendo que tal pedido foi simplesmente ignorado pela instância de piso. 2.1.1. O instituto da conexão possui finalidade específica, decorrente de sua função teleológica, quais sejam, economia processual, melhor apreciação dos fatos e não contradição dos julgados (TORNAGHI e FREDERICO MARQUES). 2.1.2. Todavia, a conexão é regra de fixação de competência como qualquer outra em direito (em razão da matéria, territorial, alçada, etc) e, como qualquer outra regra de fixação de competência, a conexão tem como finalidade precípua o respeito ao princípio do juízo natural, isto é, a possibilidade de que a parte interessada conheça de antemão o(s) Órgão(s) competente(s) para julgamento. Portanto, para se aferir no caso concreto se existe ou não conexão, o interprete deve debruçar-se sobre a regra de fixação de competência tendo em mente a teleologia do instituto. 2.1.3. O artigo 6° § 1° do RICARF estabelece a possibilidade de conexão de processos que tratem de fato idêntico. Ainda que não se tenha dificuldade em compatibilizar uma regra de competência optativa (facultas agendi) - em especial quando a opção cabe ao Órgão Julgador - com o princípio do juízo natural, é certo que opera-se a conexão para efeitos de julgamento neste Conselho os processos que possuam identidade de fatos. 2.1.4. A Recorrente apresenta no item dedicado ao tema em análise lista que trata dos pedidos de compensação, dos tributos em análise, dos trimestres de competência destes tributos e dos números de processo que entende Fl. 406DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-006.860 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.901988/2015-13 conexos: 2.1.5. Como se nota da listagem acima, ainda que a matéria tratada nos demais processos possa ser interligada àquela tratada neste, divergem ou no tributo em discussão ou no trimestre em discussão, logo inexiste identidade fática a atrair a conexão de processos. De todo modo, os processos mencionados serão julgados na mesma seção, inexistindo prejuízo à Recorrente. 2.2. Para justificar o creditamento a Recorrente afirma, com base e Jurisprudência deste Conselho, que o CONCEITO DE INSUMOS DAS CONTRIBUIÇÕES em voga é “todo e qualquer custo ou despesa necessária ao desenvolvimento ou atividade da empresa”. 2.2.1. De outro lado, ao negar o direito ao crédito à Recorrente, a fiscalização aproxima o conceito de insumos aqui debatido do conceito de MP, PI e ME do Imposto sobre Produtos Industrializados, exigindo contato direto do insumo com o produto acabado. 2.2.2. A tese esposada pela fiscalização encontra guarida no portentoso Voto de lavra do não menos Eminente Ministro Og Fernandes prolato por ocasião do julgamento do REsp 1.221.170/PR no rito dos repetitivos (Tema 779 e 780): “O conceito de 'insumos' para fins de incidência das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 compreende as matérias-primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado” 2.2.3. Todavia, como de conhecimento, a tese acima foi expressamente afastada pelo Tribunal da Cidadania. Em primeiro porque (citando voto do Ministro Campbell Marques), quando a Legislação quer equiparar conceitos de insumos de PIS/COFINS com o de custos e despesas do IRPJ ou com MP, PI e ME de IPI o faz expressamente. 2.2.3.1. Ademais, a materialidade do IPI é restrita apenas aos bens produzidos, o que não ocorre com a PIS e COFINS, cuja materialidade é a aferição de receitas. Por fim, a admissão de creditamento de serviços como insumos é “prova cabal de que o conceito de ‘utilização como insumo’ não tem por critério referencial o objeto físico” (GRECO). Fl. 407DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-006.860 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.901988/2015-13 2.2.4. Assim, após a adequação do voto do Ministro Campbell Marques e alteração do voto do Ministro Napoleão Nunes Maia, restaram assentados pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça os critérios da essencialidade e relevância para definição do conceito de insumos passíveis de creditamento para efeito da incidência não cumulativa do PIS e da COFINS. Coube a Douta Ministra Regina Helena Costa (relatora do voto condutor) melhor desenhar os critérios de essencialidade e relevância: O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI) 2.2.5. Como se nota da descrição acima, não há um apego a conceitos econômicos ou contábeis na definição de insumos e, tampouco, vínculo direto com o produto final ou com o serviço prestado. Os critérios da relevância e da essencialidade estão umbilicalmente ligados por vínculo direto ou indireto de necessidade ou importância ao processo produtivo ou ao serviço executado pela empresa que pleiteia o crédito. Em assim sendo, impossível afirmar categoricamente se determinado custo ou despesa podem ou não ser caracterizados como insumos antes de analisar qual o processo produtivo da empresa ou o serviço executado. 2.2.6. O objeto social da ora Recorrente é: Fl. 408DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-006.860 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.901988/2015-13 2.3. Em seu arrazoado, a Recorrente afirma que “em relação aos gastos incorridos com DESPACHANTES ADUANEIROS, SERVIÇOS LOGÍSTICOS DE EXPORTAÇÃO, frise-se que a atividade-fim da Impugnante está diretamente relacionada a comércio exterior (importação de bens, equipamentos, insumos e exportação dos seus produtos acabados), sendo natural que haja contratação de terceiros para acompanhar esse tipo de operação relacionada ao Despacho Aduaneiro, de modo que a glosa deve ser revista para todas as despesas relacionadas a ponto”. 2.3.1. Ao afastar o direito ao crédito a DRJ assevera que nos termos do artigo 8° da IN SRF 404/04 e artigo 66 da IN SRF 247/02 “não se enquadram itens como “CORRESPONDÊNCIA ENTRE FILIAIS”, “HONORÁRIOS DE DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO”, “PRÉ-STACKING PARA EXPORTAÇÃO”, “SERVIÇO LOGÍSTICO – COORDENAÇÃO DE EMBARQUE”, “ATENDIMENTO A CARREGAMENTO DE CARGA NO NAVIO”, “IMUNIZAÇÃO E CONTROLE DE PRAGAS URBANAS”, “AGENCIAMENTO DE VIAGENS”, “COLETA DE RESÍDUOS DE PÁS”, entre outros, ainda que sejam necessários para o ciclo da empresa”. 2.3.2. Ainda que equivocado o conceito de insumos adotado pela DRJ, os serviços de despacho aduaneiro de exportação e os serviços logísticos de exportação (pré-stacking para exportação, coordenação de embarque, atendimento a carregamento de carga no navio, imunização e controle de pragas e agenciamento de viagens) sucedem o processo produtivo da Recorrente. 2.3.3. Na esteira do Repetitivo base para a presente decisão, para se caracterizar como insumo o custo deve ser essencial ou relevante ao processo produtivo da empresa. Desta feita, os dispêndios efetuados após o processo produtivo não são insumos para fins de creditamento de PIS e COFINS não cumulativos. Em assim sendo, correta a glosa, como já se pronunciou este Conselho: INSUMOS. FRETES. DESPESAS COM IMPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. No caso do frete com importação, não há pagamento das contribuições em apreço. No frete internacional, há expressa previsão de isenção das contribuições. Por fim, no frete de amostras, que ocorre após o processo produtivo, não há previsão legal para tanto, há se fosse caso de venda, o que não é, e se o ônus fosse suportado pelo vendedor. No que concerne aos serviços de embarque rodoviário e serviços de despacho aduaneiro, tais serviços se enquadram após o processo produtivo. (Acórdão 3302-004.624 – Relatora: Conselheira Sarah Maria Linhares de Araujo Paes de Souza) PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE DESPACHANTE ADUANEIRO E TELEFONIA. IMPOSSIBILIDADE. Despesas incorridas com serviços de despachante aduaneiro e telefonia por não serem utilizados no processo produtivo da Contribuinte, não geram créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo, por Fl. 409DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-006.860 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.901988/2015-13 absoluta falta de previsão legal. (Acórdão 9303-007.783 – Relator: Conselheiro Demes Brito) 2.4. Sobre gastos NA CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE (GUINDASTES E MUNKS), a Recorrente assevera que, “resta claro a essencialidade desses serviços para a movimentação de pás e equipamentos dentro do processo produtivo, ao passo que a ausência deles, decerto, inviabilizaria a consecução das atividades da Empresa de produzir o seu produto acabado”. 2.4.1. Ademais, prossegue a Recorrente “em relação ao frete relacionado ao processo produtivo, para transportes de pás entre estabelecimentos, ainda inacabada, visando o seu aperfeiçoamento, tal despesa está intrinsecamente vinculada ao processo produtivo, razão pela qual se amolda ao conceito de insumo”. 2.4.2. Em resposta algo genérica (beirando a nulidade) afirma a DRJ que “por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para simples transferências, a qualquer título, de mercadorias acabadas ou em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins devida apuradas de forma não-cumulativa”. 2.4.3. A Recorrente produz pás eólicas e é incontroverso (porquanto não questionado) que há o transporte entre estabelecimentos no curso do processo produtivo – até porque a fiscalização mantém a descrição dos serviços como MOVIMENTAÇÃO DE PÁS PARA ACABAMENTO EM OUTRA FILIAL”, “FRETE DE INSUMOS ENTRE FILIAIS”, “MOVIMENTAÇÃO DE PÁS ENTRE FILIAIS”, “MOVIMENTAÇÃO DE PÁS PARA ACABAMENTO EM OUTRA PLANTA” e “MANUTENÇÃO GUINDASTE PARA MOVIMENTAÇÃO DE PÁS INTERNAMENTE (PEÇAS)”. 2.4.4. O transporte no curso do processo produtivo é essencial ao mesmo. Sem o transporte das pás entre filiais o processo produtivo resulta inacabado. Portanto, deve ser concedido o crédito para a Recorrente nas despesas com movimentação dos insumos no curso do processo produtivo deste, na forma antedita por este Turma em Acórdão unânime no ponto em questão de Lavra do Saudoso Conselheiro Tiago Guerra Machado: CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Por integrar o valor do estoque de matéria-prima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matéria-prima entre estabelecimentos da mesma empresa. (Acórdão 3401-006.135) 2.5. A Recorrente assevera que suportou o ônus econômico dos FRETES DE EXPORTAÇÃO logo, faz jus ao crédito descontado de todas as despesas desta natureza nos termos do artigo 3°, inciso IX da Lei 10.637/02: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. 2.5.1. Em contraponto a DRJ afirma inexistir prova de que a Recorrente custeou os fretes. Ainda, no entender da DRJ, serviço de frete contratado de pessoa jurídica Fl. 410DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-006.860 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.901988/2015-13 estrangeira não gera direito ao crédito, ex vi incisos I e II do § 3° do artigo 3° e artigo 15 inciso I da Lei 10.833/03: Art. 3° (...) § 3° O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I - nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; 2.5.3. Conjugando as normas sobreditas com o caso em liça, é possível o crédito de PIS/COFINS não cumulativo dos fretes de exportação caso o emitente do Conhecimento de Transporte Marítimo Filhote (House B/L) ou de AWB seja pessoa jurídica nacional e se demonstre que o pleiteante ao crédito suportou financeiramente a operação. 2.5.4. Pois bem, como prova do alegado a Recorrente colige por amostragem dois comprovantes de pagamento de uma mesma solicitação de numerário da empresa CLANSHIP Internacional LTDA: 2.5.5. Se bem que indique pagamento de Frete Marítimo e número do B/L, da solicitação de numerário apresentada não se consegue deduzir se o serviço prestado pela empresa CLANSHIP Internacional LTDA para a Recorrente foi de frete internacional de exportação ou de agenciamento de frete internacional (artigo 37 § 1° do Decreto-Lei 37/66). Desta forma, por insuficiência probatória, cabe indeferir o pedido de crédito da Recorrente. 2.6. A Recorrente alega que arcou com a CONSTRUÇÃO DE EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS em terrenos e glebas por ela locado. A Recorrente busca provar o alegado pelo lançamento contábil e por fotos extraídas do Google Earth que demonstram construções nos locais em que a fiscalização afirma existir terrenos e glebas apenas. 2.6.1. Ao analisar o pedido da Recorrente a DRJ afirma que no curso do procedimento que antecedeu o despacho decisório da DRF foi solicitado a Recorrente planilha descritiva das edificações ou benfeitorias, acompanhadas das informações sobre o Fl. 411DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-006.860 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.901988/2015-13 imóvel onde as obras foram feitas, dos bens utilizados para as obras, dos fornecedores e dos valores e da quantidade de itens adquiridos. Entretanto, a Recorrente quedou-se inerte, o que afastou o direito ao crédito por insuficiência probatória. 2.6.2. Com razão os Julgadores de Piso. O artigo 26 do Decreto 7574/2011 estabelece que os livros fiscais acompanhados de documentos que respaldem os lançamentos fazem prova em favor do sujeito passivo. Dito de outro modo, os livros fiscais desacompanhados de documentos que corroborem com os lançamentos nele descritos são insuficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito do Contribuinte. 2.6.3. Ainda, a foto extraída de satélite, prova, quando muito, que havia no momento em que a imagem foi capturada uma construção em um determinado local. Todavia, em nada auxilia na identificação da pessoa que arcou com os custos da obra, do material utilizado, do valor dos bens utilizados, etc. 2.6.4. Desta forma, inexistindo lastro probatório mínimo a respaldar o direito da Recorrente, deve ser mantida a glosa. 2.7. A Recorrente alega que coligiu com a Manifestação de Inconformidade documentos que comprovam o pagamento de ALUGUÉIS DE PRÉDIOS na forma descrita na DACON. 2.7.1. A DRJ fundamentou o indeferimento pedido de crédito da Recorrente neste ponto no fato desta última ter trazido aos autos apenas cópias de boletos bancários e outros documentos que “não permitem associar a que imóvel se referem e nem comprovam a vinculação dos pagamentos a despesas de aluguéis”. 2.7.2. Dos extratos bancários apresentados na Manifestação de Inconformidade temos algumas transferências de valores para pessoas jurídicas apontadas pela Recorrente como locadoras dos imóveis. 2.7.3. No entanto, há divergência entre os valores descritos em DACON e em extrato bancário como contraprestação de aluguel. Ademais, sem a juntada do inteiro teor dos contratos é impossível saber qual o negócio jurídico entabulado entre a Recorrente e as supostas locadoras de imóveis. Em assim sendo, de rigor a manutenção da glosa. 2.8. A Recorrente assevera que os documentos coligidos aos autos demonstram que as “MÁQUINAS ALUGADAS, OS BENS CLASSIFICADOS NO ATIVO E OS BENS OBJETO DO ARRENDAMENTO MERCANTIL estão diretamente atrelados a atividade fim da empresa”. 2.8.1. A DRJ foi sucinta ao afastar o direito ao crédito, limitando-se a apontar a genericidade da defesa da Recorrente. 2.8.2. Mais específica que ambos, a DRF aponta os já citados motivos do indeferimento do crédito: “1.2.11. A despesa com a empresa CAMARANTI Administração de Bens LTDA é de locação de imóveis devidamente contabilizados em rubrica própria e não de móveis, como descreve a Recorrente; 1.2.12. A Recorrente alugou retroescavadeira para beneficiar o galpão de produção e não para a atividade da mesma, sendo que tais despesas, se escrituradas corretamente no ativo imobilizado, apenas poderiam gerar créditos decorrentes de depreciação futura; 1.2.13. Não há menção de locação de equipamentos no serviço contratado pela Recorrente da empresa HUSZ Comercial e Construtora LTDA-ME e este serviço não foi aplicado nas atividades da empresa mas em “assessoria em implantação de avenida”; Fl. 412DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-006.860 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.901988/2015-13 1.2.14. A Recorrente descreve em planilha como aquisição de telefone o negócio entabulado com FONEPLAN Comércio e Administração Ltda-EPP e, a nota fiscal que embasa a planilha descreve venda de lâmpada e filtro para projetor; 1.2.15. O serviço de interligação wireless adquirido da empresa POX NET Comunicações LDTA-ME não gera direito ao credito; 1.2.16. O serviço de locação de veículos das empresas Monções Turismo Agência de Viagens LTDA, LOC VAN Locadora de Veículos LTDA-ME, JOTAME Locadora de Veículos LTDA-ME não gera direito ao crédito, pois a concessão limita-se a locação de máquinas e equipamentos; 1.2.17. Na planilha apresentada pela Recorrente há itens sem identificação de qual bem foi locado e com qual empresa realizou-se a transação; (...) 1.2.24. Os valores da contraprestação pela locação de empilhadeiras, ambulância e de Citroën C5 não correspondem aos valores descritos em planilha; 1.2.25. Ambulância e Citroën C5 não são despesas necessárias ao objeto social da empresa e não se vinculam às receitas com a venda dos produtos fabricados pela empresa”; 2.8.2. Como se observa da descrição acima, há três motivos de glosa: a) “aberratio ictus” probatório (a prova de determinado fato demonstrou outro); b) insuficiência probatória, e; c) despesas com bens e serviços que não geram direito ao crédito. 2.8.3. Acerca da questão probatória, não há o que reparar no descrito pela DRF. A Recorrente não apresentou documento capaz de demonstrar seu direito ao crédito. 2.8.4. Contudo na planilha do Anexo II que acompanha o Despacho Decisório há identificação de bens alugados pela Recorrente que são utilizados nas atividades da empresa, nomeadamente, empilhadeiras elétricas e plataformas elevatórias. 2.8.5. Portanto, nos termos do artigo 3° IV da Lei 10.637/02 a glosa referente a empilhadeiras elétricas e plataformas elevatórias deve ser afastada. 2.9. Por fim, a Recorrente reitera o pedido de diligência para esclarecer: a) a vinculação dos serviços de despacho e de movimentação de pás com a atividade fim da empresa e de que forma estes serviços foram prestados, e b) se houve realização de edificações/benfeitorias em imóveis de terceiros. 2.9.1. A Delegacia de Julgamento indeferiu o pedido de perícia por ser prescindível à análise do pedido de crédito pleiteado pela Recorrente. 2.9.2. A perícia tem lugar somente em caso de esclarecimento de ordem técnica imprescindível à solução do litígio. 2.9.3. No caso em destaque restou consignado impossibilidade de creditamento de despesas de despacho aduaneiro vez que estas ocorrem após o processo produtivo da Recorrente, no momento da exportação dos bens fabricados. De maneira diametralmente oposta, entendeu-se pela possibilidade da concessão do crédito decorrente da despesa com a movimentação de pás, vez que esta é imprescindível ao processo produtivo da Recorrente. Em assim sendo, o esclarecimento técnico é (e foi) desnecessário – até mesmo porque o conceito de insumo a ser aplicado no caso concreto é jurídico. 2.9.4. A seu turno, a Recorrente deixou de apresentar comprovantes de pagamentos e listagem descritiva das obras e benfeitorias realizadas em imóveis em sua posse e, por tal motivo, o pedido de crédito foi indeferido. Destarte, o conhecimento técnico é Fl. 413DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-006.860 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.901988/2015-13 prescindível vez que para a conclusão acerca das benfeitorias e edificações bastava a juntada de provas documentais. Dispositivo: Pelo exposto, conheço do recurso voluntário e dou parcial provimento para afastar as glosas das despesas com serviços de movimentação de insumos no curso do processo produtivo e com a locação de empilhadeiras elétricas e plataformas elevatórias.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário e dar parcial provimento para afastar as glosas das despesas com serviços de movimentação de insumos no curso do processo produtivo e com a locação de empilhadeiras elétricas e plataformas elevatórias. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Fl. 414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.002161/2008-04
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA NA ENTREGA DA DIRF.
A falta de apresentação nos prazos determinados pela legislação, apresentação fora do prazo ou a apresentação com irregularidades normativas da Dirf pelo sujeito passivo enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 1003-001.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA NA ENTREGA DA DIRF. A falta de apresentação nos prazos determinados pela legislação, apresentação fora do prazo ou a apresentação com irregularidades normativas da Dirf pelo sujeito passivo enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Auto de Infração Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração, fl. 02, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00 a título de multa de ofício isolada por falta de entrega, quando intimada em 02.09.2008, da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) do ano-calendário de 2002, cujo prazo final era 28.02.2003: DESCRIÇÃO DOS FATOS/FUNDAMENTAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 21 61 /2 00 8- 04 Fl. 29DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-001.020 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.002161/2008-04 A falta de entrega na Declaração de Imposto de Renda Rendo na Fome – Dirf, enseja a aplicação multa no valor de R$200,00, tratando-se de pessoa física ou jurídica optante pelo Simples e de R$500,00 nos demais casos. Foi considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originariamente fixado para a entrega da declaração e como ermo final a data da lavratura deste Auto de Infração. Enquadramento legal: Arts. 113 e §3º, 115 e 160 da Lei nº 5.172. de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN); Art. 7º incisos I e II da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e alterações posteriores. Impugnação e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 02-29.817, de 01.12.2010, fls. 18-20: Multa por falta de entrega da Dirf A falta de entrega da Dirf ou sua entrega após o prazo fixado sujeita o contribuinte a multa de oficio prevista na legislação tributária. Impugnação Improcedente Recurso Voluntário Notificada em 24.02.2011, fl. 25, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.03.2011, fl. 26, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: Vem pela presente data vênia inconformado com o acórdão 29.817/10 que julgou improcedente o recurso interposto para cancelamento de multa por falta de entrega da DIRF. Expor e requerer o seguinte: A impugnante revendo os arquivos e contabilidade não localizou nenhum DARF pago a titulo de IR retido, conforme alega a Receita Federal do Brasil. O fato gerador do referido imposto de acordo com o código de recolhimento 3280 - REMUNERAÇÃO SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS POR ASSOC. DE COOPERATIVA DE TRABALHO. Ora a impugnante não realizou qualquer transação com pessoas jurídicas dessa natureza; não sendo possível haver fato gerador do referido imposto. Portanto conclui que o DARF cod. 3280 no valor de R$ 36,08 foi recolhido por outra empresa de forma equivocada ou ate mesmo laborando de má-fé. No que concerne ao pedido conclui que: Posto isto requer que julgue procedente referido recurso, cancelando o auto de infração tendo em vista sua improcedência. É o Relatório. Fl. 30DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-001.020 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.002161/2008-04 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e Portaria CARF nº 146, de 12 de dezembro de 2018. Assim, dele tomo conhecimento. Multa de Ofício Isolada por Falta de Entrega da DIRF A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, tem-se que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (art. 113 do Código Tributário Nacional). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Fl. 31DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-001.020 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.002161/2008-04 Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). A Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 16, de 27 de dezembro de 2001, assim prevê: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I - de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II - de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III - de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV - de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I - à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II - a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I - R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II - R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerar-se-á não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. Fl. 32DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-001.020 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.002161/2008-04 § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitar-se-á à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. O art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 16 de 27 de dezembro de 2001, prevê que o sujeito passivo que deixar de apresentar Dirf, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela RFB, sujeita-se a multas previstas na legislação. Observe-se que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão irregular da Dirf. Ademais, verifica-se ainda que "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração", conforme Súmula Vinculante CARF nº 49, conforme Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018. A Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) deve ser apresentada pela fonte pagadora com o objetivo prestar informações a RFB sobre os rendimentos tributáveis pagos ou creditados, por si ou na qualidade de representante de terceiro, bem assim o respectivo imposto de renda retido na fonte, especificado nos atos próprios (art. 11 do Decreto-Lei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e o art. 10 do Decreto-Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983). Relativamente ao ano-calendário de 2002 a Dirf deve ser entregue até as 20:00 horas (horário de Brasília) do dia 28 de fevereiro de 2003 (Instrução Normativa SRF nº 269, de 26 de dezembro de 2002) no caso de a Recorrente como pessoa jurídica de direito privado ter pago ou creditado rendimentos que tenham sofrido retenção do imposto de renda na fonte, ainda que em um único mês do ano-calendário a que se referir a declaração, por si ou como representantes de terceiro. Esclareça-se que a dispensa do cumprimento de obrigação tributária acessória deve estar expressa em lei, a qual se interpreta literalmente (art. 111 do Código Tributário Nacional). A legislação expressamente prevê que o IRRF é devido no código de arrecadação nº 3280 a título de importâncias pagas ou creditadas por pessoa jurídica a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição (art. 45 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 64 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995). A Recorrente fez o recolhimento de IRRF, código 3280, conforme Darf no valor original de R$31,44 recolhido em 30.04.2002, fl. 15. Verifica-se que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. As informações constantes na peça de defesa não podem ser consideradas, pois não foram produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciem as alegações ali constantes, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. Observe-se que não foram carreados aos autos pela Recorrente os dados essenciais a produzir um conjunto probatório robusto de suas alegações. A sua inferência, nesse caso, não pode ser acatada. Fl. 33DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-001.020 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.002161/2008-04 Boa-Fé Pertinente a alegação de boa-fé cabe ressaltar que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (art. 136 do Código Tributário Nacional). A afirmação suscitada pela Recorrente, destarte, não é cabível. Declaração de Concordância Consta no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 02-29.817, de 01.12.2010, fls. 18-20, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): A compulsoriedade de entrega da Dirf decorre do disposto no artigo 7°, inciso II, da Lei n° 10.426, de 2002, que comina a multa para o caso de omissão no cumprimento dessa obrigação acessória. Quanto ao ano-calendário de 2002, a DIRF é disciplinada pela Instrução Normativa SRF n° 269, de 26.12.2002, a qual dispunha, no que toca aos contribuintes de que se exigia o cumprimento dessa obrigação, textualmente: [...] Assim, tanto a lei como a norma infralegal que a regulamenta estabelecem as pessoas obrigadas a entregar a Dirf e a sanção pelo descumprimento da obrigação. Por ser pessoa jurídica de direito privado, a autuada enquadra-se no inciso I supra. 0 dever surge pela retenção de IRRF, ainda que uma única vez no decurso do ano-calendário. E contrário ainda ao que assevera a impugnante, consulta aos bancos de dados eletrônicos da Receita Federal revela que, quanto ao ano-calendário a que se refere a Dirf em causa houve, sim, recolhimento por parte da autuada de IRRF. 0 resultado dessa consulta se acha juntado a folhas 13 a 17 e comprova que, em 30.04.2002, houve o recolhimento de R$ 31,44 a título de IRRF do código 3280, cujo vencimento se dera em 17.04.2002 (vide folhas 15). 0 código em questão aplica-se ao IRRF incidente sobre a remuneração de serviços pessoais prestados por associados de cooperativa de trabalho. Esse fato, por si só, é suficiente para tornar obrigatória a entrega da Dirf no ano- calendário em questão. Diante do recolhimento de IRRF comprovadamente efetuado, e para o qual a impugnante não oferece nenhuma justificativa, é imperioso concluir que devia ter entregue a Dirf. Em suma, a multa foi aplicada de acordo com a legislação em vigor. Deve, portanto, ser mantida em sua totalidade. Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Fl. 34DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-001.020 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.002161/2008-04 Dispositivo Em assim sucedendo voto em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 35DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.000689/2005-16
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 04/04/1999
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO ANTERIOR A 09/06/2005. PRAZO DE 10 ANOS. SÚMULA CARF 91.
Para os pedidos de compensação administrativos protocolados antes de 09/06/2005 aplica-se o prazo decadencial de 10 (5+5) anos. Matéria sumulada no enunciado 91.
Numero da decisão: 3003-000.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar decadência.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Presidente
(documento assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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PRAZO DE 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. Para os pedidos de compensação administrativos protocolados antes de 09/06/2005 aplica-se o prazo decadencial de 10 (5+5) anos. Matéria sumulada no enunciado 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar decadência. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário que visa a reforma do acórdão de manifestação de inconformidade prolatado pela 4ª Turma da Delegacia de Julgamento de Fortaleza, que julgou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 06 89 /2 00 5- 16 Fl. 133DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.529 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13851.000689/2005-16 improcedente a inconformidade da Recorrente sob o argumento de que a compensação de créditos com origem judicial extingue-se no prazo de 5 anos do trânsito em julgado da decisão. Por bem descrever a narrativa fática, adoto o relatório elaborado pela instância a quo: Trata o presente de pedido de restituição, protocolizado em 08/06/2005, referente à suposto pagamento indevido ou maior que o devido a título de Cofins efetuado em 04/04/1999. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara, por meio do Despacho Decisório de fls, 26/31, indeferiu o pedido, com fundamento na ocorrência da decadência do direito de pedir e na falta de comprovação documental da existência do alegado crédito contra a Fazenda Nacional, de modo a permitir a aferição de sua liquidez e certeza. Cientificado em 04/05/2009, fls. 81, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2009, fls. 33/44, alegando, em breve síntese: a) Que, através do Mandado de Segurança n° 1999.61.02.007037-5, obteve provimento jurisdicional que lhe autorizou a recolher as contribuições para o PIS e Cofins sem o alargamento da base de cálculo estabelecida pelo § 3° da Lei n° 9.718, de 1998; b) Que, nos meses de março a junho de 1999, auferiu unicamente receitas financeiras e outros tipos de rendimentos não oriundos da venda de bens e serviços, conforme demonstrativo anexado e que, sobre tais rendimentos, aplicou as correspondentes alíquotas do PIS e Cofins, efetuando o recolhimento. c) Que o provimento jurisdicional transitou em julgado e lhe assegurou o direito de calcular o PIS e a Cofins com base na Lei n° 9.715, de 1998 e na Lei Complementar (LC) n° 70, de 1991, ou seja, somente sobre o faturamento, excluindo-se as demais receitas não caracterizadas como senda da venda de mercadorias ou serviços; A partir da exposição dos fatos que originaram o alegado crédito contra a Fazenda Nacional, contesta o decidido pela DRF em Araraquara, a saber: Inicialmente alega que houve uma distorção do instituto da decadência e o que se aplica, na realidade, é a prescrição de seu direito de pedir a restituição, e que mostrará a sua inocorrência no caso. Alega que conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, nos casos de lançamento por homologação, o prazo prescricional é cinco contados a partir da homologação tácita, ou seja, de dez anos contados a partir do fato gerador. Que o art. 3° da LC 118, de 2005 modificou, e não apenas interpretou o Código Tributário Nacional — CTN — e, assim, não pode ser aplicado aos pedidos apresentados anteriormente à entrada em vigor da dita lei, que ocorreu em 09/06/2005. Que, desse modo, o pedido foi apresentado dentro do prazo legal — 10 anos, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC n° 118, de 2005, que determina a aplicação retroativa de seu art. 3°. Ainda, alega que o ajuizamento do Mandado de Segurança importou em causa interruptiva da prescrição, nos termos do artigo 172 e 173 do Código Civil de 1916, vigente à época. Fl. 134DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.529 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13851.000689/2005-16 Uma vez que o trânsito em julgado da ação ocorreu em 30/05/2008, não há em que se falar em ocorrência do prazo prescricional, uma vez que este esteve interrompido até o referido transito em julgado. Continua, alegando que tem direito à restituição aos recolhimentos efetuados nos meses de março a junho de 1999, que se afiguram indevidos, uma vez que as únicas receitas auferidas pelo Requerente nesse período corresponderam a receitas financeiras e outras receitas não oriundas da venda de bens e prestação de serviços, estas as únicas passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, conforme o provimento jurisdicional conquistado. Inconformada, a Recorrente socorre-se a este Conselho alegando as mesmas razões apostas na manifestação de inconformidade, pleiteando o reconhecimento do direito creditório e ausência da decadência. São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e apresenta os demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. 1 Do Prazo Decadencial Para Compensação de Créditos Tributários O artigo 168 do CTN disciplina o efeito do tempo sobre os créditos tributários pendentes de pedido de ressarcimento/compensação. Trata-se de regra geral do Direito Tributário que visa alcançar o sobreprincipio da Segurança Jurídica. Com o decurso do prazo de 5 anos do pagamento indevido ou do trânsito em julgado da decisão judicial que o reconheça, haverá o perdimento da possibilidade de pleitear a compensação administrativamente. Trata-se de regra bilateral, pois alcança tanto a inércia do contribuinte detentor de crédito quando a Administração Pública, para constituí-lo pelo lançamento. Sabe-se que para a estabilidade das relações jurídicas as obrigações extinguem-se com o tempo quando houver inércia da parte. No caso em análise o pedido de compensação foi transmitido em 08/06/2005, e o despacho decisório de fls. 26/31 não o reconhece sob o argumento da decadência. Como é cediço que a LC 118 trouxe alteração ao CTN seus efeitos não serão retroativos, de modo que os pedidos de compensação protocolados antes de 09/06/2005 somente são alcançados pela decadência 5 anos após a homologação do pagamento indevido (5+5), sendo o prazo da Recorrente de 10 anos. Fl. 135DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.529 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13851.000689/2005-16 Como se verifica do pedido de compensação e sua data (08/06/2005), que pleiteia reconhecimento de crédito do PA 04/1999 não há que falar em decadência. Este entendimento encontra-se sumulado por esta Corte no enunciado 91 com eficácia vinculante: Súmula 91 - Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Por tratar de matéria sumulada neste Tribunal e de evidente verificação pela análise do conjunto probatório, entendo que o acórdão recorrido merece reforma em razão de não ter aplicado a correta regra de reconhecimento da decadência. Sendo assim, a Recorrente merece ter suas alegações apreciadas pela unidade de origem, afastada a decadência, para que seja verificada a extensão e consistência do seu crédito. No que diz respeito às demais matérias alegadas em recurso, por não terem sido objeto de apreciação da DRJ, furto-me a discorrer para evitar a supressão de instâncias, de modo que a unidade de origem deve afastar a decadência e reapreciar os argumentos da Recorrente. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito dar-lhe parcial provimento para afastar a decadência e determinar que a unidade de origem apure a extensão e consistência do direito creditório pleiteado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Fl. 136DF CARF MF
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Numero do processo: 11075.000722/2009-53
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA
Na análise do pedido de ressarcimento/restituição deve ser mantido na base de apuração da empresa as vendas de produtos não sujeitos a alíquota zero, com a finalidade de obter ressarcimento de créditos da não cumulatividade da COFINS, vez que faz-se necessário uma apuração ampla com base na verificação do valor da contribuição devida no período.
Numero da decisão: 3003-000.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA Na análise do pedido de ressarcimento/restituição deve ser mantido na base de apuração da empresa as vendas de produtos não sujeitos a alíquota zero, com a finalidade de obter ressarcimento de créditos da não cumulatividade da COFINS, vez que faz-se necessário uma apuração ampla com base na verificação do valor da contribuição devida no período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Este processo julga pedido de ressarcimento de R$ 21.083,87, decorrente de saldo credor da COFINS apurado no 3º trimestre de 2004. Tal pedido foi formulado eletronicamente (folhas 14 e 15). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 07 22 /2 00 9- 53 Fl. 196DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.478 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.000722/2009-53 A possibilidade de o contribuinte fazer tal solicitação, observada a legislação aplicável, está prevista nos incisos I e II do artigo 16 da Lei 11.116 de 2005, conforme descrito a seguir: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3a das Leis nas 10.637, de 30 de dezembro de 2002, 10.833, de 29 de dezembro de 2003, c do art. 15 da Lei na 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei na 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Em procedimento fiscal e após análise de documentos, a fiscalização relatou o seguinte entendimento: Para avaliarmos a procedência da Alíquota Zero invocada pelo contribuinte no período analisado, a qual resultou cm não tributação do montante de R$ 484.169,50, solicitamos todas as suas notas fiscais de vendas escrituradas conforme relação constante às folhas 30 a 31 a qual se refere às cópias das Notas Fiscais acostadas ao processo. 7. Analisando a descrição dos produtos registrados em tais documentos conclui-se que tais notas fiscais emitidas se referem a VENDA DE ARROZ " Q U E B R A D O , OU SEJA, NÃO-INTEIRO, FRAGMENTADO OU DE BAIXO PADRÃO", classificável na TIPI no código 1006.40 - A R R O Z Q U E B R A D O . 8. A Alíquota Zero sobre o Arroz foi criada pelo artigo I o , inciso V, da lei 10.925/04, o qual dispõe o seguinte, grifos nossos: Art. 1º- Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes na importação c sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: V - produtos classificados nos códigos 0713.33.19, 0713.33.29, 0713.33.99, 1006.20, 1006.30 ell06.20 da TIPI; 9. Conforme pode ser percebido, tal dispositivo não prevê redução para o código 1006.40 – ARROZ QUEBRADO . 10. Em função de inaplicabilidade legal, a redução calculada pelo contribuinte foi desconsiderada pelo fisco, ficando assim a apuração do débito da COFINS no período ora analisado: Fl. 197DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.478 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.000722/2009-53 11. Com a anulação dos efeitos da alíquota zero, procedida pelo fisco, o contribuinte passou a ser devedor no trimestre do montante de R$ 15.713,01. Tal valor foi compensado com o crédito existente no Despacho do processo 11075.000724/2009-42. CONCLUSÃO - INDEFERIMENTO INTEGRAL 12. Pelos motivos expostos o presente pedido de ressarcimento deve ser integralmente indeferido. Cientificada em 25/05/2010 (AR fl. 124.) a interessada apresentou, tempestivamente, em 24/06/2010 a Manifestação de Inconformidade (fls. 125/130), alegando que: (...) Com efeito, no exercício de seu direito, conferido-lhe pela Lei n° 10.925/2004, que alterou a exegese das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, a ora Recorrente protocolizou, janto à Delegacia da Receita Federal de Uruguaiana - RS, pedido de ressarcimento de crédito de COFINS Não-Cumulativa, decorrente de sua atividade de venda de arroz beneficiado, relativo ao 2° trimestre de 2007, classificados nos Códigos NCM 1006.20 e 1006.30, cuja alíquota da COFINS é reduzida a zero. No entanto, analisando o pedido de ressarcimento, o ilustre Auditor Fiscal da Receita Federal, de maneira totalmente equivocada e tendenciosa, analisando superficialmente os documentos ficais apresentados, afirma que as notas fiscais emitidas "se refere a VENDA NO MERCADO INTERNO DE ARROZ 'QUEBRADO, OU SEJA, NAO- INTEIRO, FRAGMENTADO OU DE BAIXO PADRÃO', classificável na TIPI no código 1006.40 —ARROZ QUEBRADO". Por sua vez, partindo deste entendimento, o Nobre Fiscal não reconheceu o direito pleiteado pela Recorrente, porquanto a redução da alíquota do PIS e da COFINS não se aplicada ao "arroz quebrado", classificado no código 1006.40, objeto dos pedidos de ressarcimento, mas apenas ao arroz classificados nos Códigos NCM 1006.20 e 1006.36. Todavia, sem nem mesmo fundamentar seu entendimento, esclarecendo qual o tipo de arroz poderia ser classificado nos Códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.4 da TIPI, supôs tratar as vendas da Recorrente de produtos sem direito ao crédito, ou seja, classificados no Código 1006.40 da NCM. Entretanto, conforme se demonstrará adiante, através de notas fiscais de saída, certificados técnicos e, principalmente, planilha com a discriminação de todas as vendas da Recorrente, com a sua respectiva classificação fiscal, o pedido formulado refere-se apenas às vendas de arroz classificadas nos Códigos 1006.20 e 1006.30 da TIPI. Desta feita, não se conformando com o entendimento perfilhado pelo i. Delegado da Receita Federal de Uruguaiana - RS, a Recorrente recorre a esta Egrégia Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, buscando seja reconhecida à equivocidade daquele despacho decisório, porquanto o crédito pleiteado pela Recorrente se refere apenas à venda de arroz classificados nos Códigos NCM 1006.20 e 1006.30, conforme memória de cálculo em anexo, senão vejamos: Inicialmente, urge esclarecer que é fato incontroverso que a Lei n° 10.925/2004, ao reduzir a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta de venda no mercado interno, especificamente no caso em testilha, diz respeito apenas à venda de arroz classificados nos Códigos NCM 1006.20 e 1006.30. Com força neste dispositivo legal, após realizar trabalho minucioso de análise de todas as suas vendas de arroz classificados neste códigos, a Recorrente pleiteou, junto à Secretaria da Receita Federal, os créditos daí decorrentes, ao passo em que promoveu a respectiva compensação de seus créditos. Fl. 198DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.478 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.000722/2009-53 Porém, como aduzido no escorço fálico, ao analisar superficialmente os pedidos de compensação levados a efeito pela Recorrente, o Nobre Fiscal Fazendário, preterindo a documentação fiscal apresentada, supôs que as vendas da Recorrente se referiam a "arroz quebrado" (Código TIPI 1006.40), indeferindo as compensações, porquanto, segundo seu juízo, a referida lei não reduziu a alíquota do PIS e da COFINS deste produto. No entanto, em momento algum o Nobre Fiscal Fazendário demonstrou que as vendas realizadas pela Recorrente, objeto do presente processo administrativo, se referiam a venda de arroz quebrado (Código 1006.40 da TIPI). PELO CONTRARIO, CONFORME NOTAS FISCAIS ORA ACOSTADAS AO FEITO (PARA EFEITO DE AMOSTRAGEM), FICA EVIDENCIADO QUE A RECORRENTE REALIZAVA VENDA DE PRODUTOS CLASSIFICADOS NOS CÓDIGOS 1006.20 E 1006.30 DA TIPI, OCASIONANDO A REDUÇÃO DA ALÍQUOTA DO PIS E DA COFINS E, CONSEQUENTEMENTE, DIREITO AO CRÉDITO PLEITEADO. ALÉM DO MAIS, CONFORME CERTIFICADOS EMITIDOS PELA ASSOCIAÇÃO RIOGRANDENSE DE EMPREENDIMENTOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL EMATER/SC — ASCAR. EM ANÁLISE AOS PRODUTOS COMERCIALIZADOS PELA RECORRENTE, VERIFICA-SE QUE ESTA COMERCIALIZA PRODUTOS CLASSIFICADOS NOS CÓDIGOS NCM (...) (...) (...) 1006.20 E 1006.30, E NÃO APENAS ARROZ CLASSIFICADOS NO CÓDIGO 1006.40, COMO ADUZ O FISCAL FAZENDÁRIO. Todas as vendas realizadas pela Recorrente atinentes aos produtos classificados no Código 1006.40 da TIPI (arroz quebrado) foram excluidos do pedido de ressarcimento em julgamento, nos termos da planilha enviada à Secretaria da Receita Federal, ora colacionada ao feito, não havendo qualquer pedido neste mister. Em contrapartida, repita-se novamente, a Recorrente elaborou planilha detalhada de todo o crédito pretendido, excluindo, expressamente, todas as vendas de arroz quebrado, apresentando- a à fiscalização para análise, juntamente com a respectiva documentação fiscal comprovando o crédito pleiteado. Desta forma, diante do erro material verificado no julgamento recorrido, onde o Nobre Fiscal não analisou os documentos fiscais apresentados pela Recorrente, os quais demonstram a venda de produtos classificados nos Códigos 1006.20 e 1006.30 da TIPI, aliado ao teor dos Certificados da EMATER/RS, requer-se seja providas as presente razões recursais, para o fim de reconhecer o direito da Recorrente ao crédito ora pleiteado, homologando os pedidos de compensação. (...). A recorrente junta à manifestação de inconformidade, notas fiscais aleatórias, relatório de notas fiscais de saída e certificado de classificação de mercadoria. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 01-20.668 com a seguinte ementa: Fl. 199DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.478 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.000722/2009-53 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 DIREITO CREDITÓRIO. PROFUNDIDADE DO EXAME. No pedido de restituição/ressarcimento, o direito respectivo deve ser analisado em toda sua completude, inexistindo legislação que vede a ampla apuração do direito creditório do contribuinte por parte do fisco, que poderá investigar de forma abrangente a existência ou não do crédito pleiteado. Assunto: Contribuição para o financiamento da Seguridade Social - COFINS Ano-calendário: 2007 JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO Indefere-se o pedido de diligência quando a autoridade julgadora considerá-la prescindível o u impraticável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O v. acórdão ressaltou ainda que o débito constante neste processo foi indevidamente abatido no crédito deferido no processo administrativo n° 11075.000724/2009- 42. Em face da inobservância da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, tal abatimento foi considerado indevido, restabelecendo o débito resultante da análise do presente processo, e concluiu que: “Isto posto, voto no sentido de julgar improcedente a presente Manifestação de Inconformidade.” A recorrente, interpôs recurso voluntário, no qual reafirma o seu inconformismo, replicando, em síntese, os argumentos de sua manifestação de inconformidade e contesta a decisão proferida pela Delegacia Regional, ressaltando que não incluiu nos seus cálculos de pedido de ressarcimento as saídas do arroz classificado com o código TIPI 1006.40. Requer, ainda, o reconhecimento da nulidade da decisão a quo porque alega que p fiscal fazendário não comprovou que as vendas realizadas pela Recorrente, objeto do presente processo administrativo, se referiam a venda de arroz quebrado (Código 1006.40 da TIPI). E por fim, clama pelo provimento do seu recurso voluntário com a consequente homologação do pedido de ressarcimento. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator Fl. 200DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.478 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.000722/2009-53 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento desta Turma. A controvérsia esta na apuração da venda no mercado interno, de produto não sujeito a alíquota zero, no caso, de arroz quebrado, ou seja, não inteiro, fragmentado ou de baixo padrão, classificado na tabela TIPI no código 1006.40 – arroz quebrado. O procedimento fiscal apurou diferença das contribuição devidas, em relação ao que foi informado pelo contribuinte, no que concerne a venda de produtos não sujeitos à alíquota zero, mais especificamente o “arroz quebrado”, classificado no código NCM 1006-40, que resultou em apuração do valor da contribuição maior do que o apurado no DACON e, consequentemente um crédito menor e/ou indevido em relação ao que o solicitado. Para contrapor as conclusões da apuração fiscal, com a finalidade de obter a homologação do seu pedido de ressarcimento e comprovar a correção de sua apuração, a recorrente alega que: Inicialmente, urge esclarecer que é fato incontroverso que a Lei n° 10.925/2004, ao reduzir a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta de venda no mercado interno, especificamente no caso em testilha, diz respeito apenas à venda de arroz classificados nos Códigos NCM 1006.20 e 1006.30. O art. 1º, V, da Lei n° 10.925/2004 prevê: Art. I o Ficam reduzidas a O ( z e r o ) a s alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta d e v e n d a no mercado interno de: [...] Omissis; V - produtos classificados nos códigos 0713.33.19, 0713.33.29, 0713.33.99, 1006.20. 1006.30 e 1106.20 da TIPI; Com força neste dispositivo legal, após realizar trabalho minucioso de análise de todas as suas vendas de arroz classificados neste códigos, a Recorrente pleiteou, junto à Secretaria da Receita Federal, os créditos daí decorrentes, ao passo em que promoveu a respectiva compensação de seus créditos. Em contrapartida a esse argumento, o acórdão da DRJ deixa claro que o recorrente não esta exonerada de computar em sua base de cálculos da contribuição as notas fiscais de venda de produtos não sujeitos à alíquota zero, conforme trecho abaixo colacionado: A alegação de que "a Recorrente elaborou planilha detalhada de todo o crédito pretendido, excluindo, expressamente, todas as vendas de arroz quebrado" não exonera a interessada de computar na base de cálculo da contribuição as notas fiscais de venda de produtos não sujeitos à alíquota zero, que, no caso concreto, é o arroz quebrado. De posse das informações prestadas pela empresa, os agentes do fisco encontraram diferenças do débito do mês analisado (fl.). É importante destacar que a Lei n° 10.833, de 2003 que trata da COFINS, incidência não cumulativa, assim dispõe: (...) Fl. 201DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.478 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.000722/2009-53 Vê-se que a sistemática da não-cumulatividade da COFINS nada mais é do que o direito de os contribuintes abaterem da contribuição devida o valor da contribuição que incidira na operação anterior, isto é, o direito de compensar o tributo que lhe foi cobrado na aquisição dos insumos (matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem) com o tributo referente aos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. Além disso, compulsando os autos não localizo nenhuma planilha na qual o recorrente contraponha os valores apurados pelo FISCO, onde possa ser verificado erro na apuração fiscal, em especial nos valores apontados pelo despacho decisório. Verifico ainda que as alegações estão embasadas apenas na afirmação de que o ressarcimento requerido não tinha em seu cálculo a saída de arroz quebrado, bem como na afirmação de que a empresa realiza venda de produtos classificados nos códigos NCM 1006.20 e 1006.30, ratificadas pelos certificados emitidos pela Associação Riograndensse de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural EMATER/SC- ASCAR. O supracitado Certificado comprova resultados a partir de uma amostra (safra) que classifica o arroz beneficiado, ocorre que não há dúvidas quanto a venda, por parte da empresa, de outros tipos de arrozes. Além disso, compulsando a relação de notas fiscais apresentadas, de fato a empresa comercializou arroz quebrado no período em análise, e sendo assim, deveria ter computado o faturamento na apuração. Importante ressaltar, apenas como ato elucidativo dos termos técnicos, na cadeia produtiva em um processo complexo que envolve diversas etapas, no beneficiamento do arroz os grãos quebrados são separados, o que dá sentido a distinção do NCM. Prosseguindo, filio-me ao entendimento da DRJ, pois não há razões para correção do acórdão proferido. Isso porque, não pode a empresa recorrente excluir da sua base de apuração as vendas de produtos não sujeitos a alíquota zero, com a finalidade de obter ressarcimento de créditos da não cumulatividade da COFINS, faz-se necessário uma apuração ampla com base na verificação do valor da contribuição devida no período, para que seja possível entender todo o valor ressarcível. Por fim, ao ler o egrégio voto proferido pela DRJ, o que se constata é que não se duvidou da venda de arroz classificados nos códigos NCM 1006.20 e 1006.30, tanto que houve o reconhecimento de crédito parcial na maioria dos períodos analisados. Não há dúvidas quanto a correta classificação dos produtos, a problemática aqui se refere apenas na apuração dos valores devidos para contribuição, em relação ao quantum faturado (receitas aferidas) nas vendas do arroz quebrado, consequentemente dos créditos sujeitos ao ressarcimento e sobre esse ponto o Recurso voluntário não nos trouxe nenhum esclarecimento. Diante do exposto, voto pelo não provimento do Recurso Voluntários. É o meu entendimento. Márcio Robson Costa. Fl. 202DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-000.478 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.000722/2009-53 Fl. 203DF CARF MF
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