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Numero do processo: 15983.720104/2011-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CÂMARA DE VEREADORES - DEMANDA EM QUE SE DISCUTE EXIGIBILIDADE DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA ÀQUELES EXERCENTES DE MANDATO ELETIVO MUNICIPAL - DOCUMENTOS DE IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO - EMITIDOS EM NOME DOS MUNICÍPIOS SEGUIDO DE IDENTIFICAÇÃO DA CÂMARA DE VEREADORES
O Informativo STJ nº 428 dispõe que o Superior Tribunal de Justiça - STJ no REsp 1.164.017-PI, Rel Min. Castro Meira, julgado em 24.03.2010, afirma que as Câmaras Legislativas não detêm legitimidade para integrar o pólo ativo de demanda em que se discute a exigibilidade de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga àqueles que exercem mandato eletivo Municipal.
Em outras palavras a Câmara de Vereadores não possui personalidade jurídica, mas apenas personalidade judiciária, de modo que somente pode demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais, entendidos esses como sendo os relacionados ao funcionamento, autonomia e independência do órgão.
Cumpre ressaltar que o art. 62-A do Anexo I do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, dispõe que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Os art.340 e art. 639 da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, informam que os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome dos municípios seguido da identificação do órgão, quando a Auditoria-Fiscal se desenvolver nos órgãos públicos da administração direta, como é o caso da Câmara Municipal
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ABONO CONCEDIDO SEM PREVISÃO EXPRESSA EM LEI - INCIDÊNCIA
As importâncias pagas a título de abonos somente não integram o salário de contribuição quando expressamente desvinculadas do salário por força de lei em sentido estrito emanada do ente, no caso a União, com competência legislativa relativa às contribuições sociais previdenciárias.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PAGAMENTO VIA VALE-ALIMENTAÇÃO - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento, via vale-alimentação, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.139
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que, no AIOA n º 37.330.861-2 se recalcule o valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, e prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CÂMARA DE VEREADORES DEMANDA EM QUE SE DISCUTE EXIGIBILIDADE DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA ÀQUELES EXERCENTES DE MANDATO ELETIVO MUNICIPAL DOCUMENTOS DE IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO EMITIDOS EM NOME DOS MUNICÍPIOS SEGUIDO DE IDENTIFICAÇÃO DA CÂMARA DE VEREADORES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 01 04 /2 01 1- 56 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 O Informativo STJ nº 428 dispõe que o Superior Tribunal de Justiça STJ no REsp 1.164.017PI, Rel Min. Castro Meira, julgado em 24.03.2010, afirma que as Câmaras Legislativas não detêm legitimidade para integrar o pólo ativo de demanda em que se discute a exigibilidade de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga àqueles que exercem mandato eletivo Municipal. Em outras palavras a Câmara de Vereadores não possui personalidade jurídica, mas apenas personalidade judiciária, de modo que somente pode demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais, entendidos esses como sendo os relacionados ao funcionamento, autonomia e independência do órgão. Cumpre ressaltar que o art. 62A do Anexo I do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, dispõe que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Os art.340 e art. 639 da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, informam que os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome dos municípios seguido da identificação do órgão, quando a Auditoria Fiscal se desenvolver nos órgãos públicos da administração direta, como é o caso da Câmara Municipal PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ABONO CONCEDIDO SEM PREVISÃO EXPRESSA EM LEI INCIDÊNCIA As importâncias pagas a título de abonos somente não integram o salário de contribuição quando expressamente desvinculadas do salário por força de lei em sentido estrito emanada do ente, no caso a União, com competência legislativa relativa às contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO VIA VALE ALIMENTAÇÃO ALIMENTAÇÃO EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, via valealimentação, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 2403002.139 S2C4T3 Fl. 481 3 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que, no AIOA n º 37.330.8612 se recalcule o valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – MUNICÍPIO DE SÃO VICENTE / CÂMARA MUNICIPAL contra Acórdão nº 0537.102 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP que julgou procedentes os autos de infração AIOP nº 37.330.8620, AIOP 37.330.8639 e AIOA 37.330.8612. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância, a Autuação se refere aos lançamentos: (i) AIOP 37.330.8620 – correspondente à contribuição da parte da empresa e GILRAT Crédito lançado no montante de R$ 1.268.929,18 (um milhão duzentos e sessenta e oito mil novecentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), relativo às contribuições patronais apuradas nos seguintes levantamentos: Levantamento FV/FV2 – Folha de Pagamento Vereadores contribuições incidentes sobre remunerações pagas aos vereadores, discriminadas na planilha de fls. 29/31, apuradas em folhas de pagamento; Levantamento FC/FC2 – Folha de pagamento de comissionados contribuições incidentes sobre pagamento mensal de abonos habituais aos segurados comissionados apurado em folha de pagamento nas rubricas 1018 Abono Resolução 06/92, 1032 Abono Lei Complementar 276, 1402 Abono Resolução 25/95 e 2043Abono 40%, consideradas pela autuada como verbas indenizatórias. Anexados os instrumentos legais que os instituíram, resumos das folhas de pagamento do período e quadro demonstrativo das remunerações, fls. 32. Levantamento RE Vale refeição pago sem inscrição no PAT contribuições incidentes sobre pagamentos de vale refeição sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador/PAT, apuradas na escrituração contábil e notas fiscais apresentadas. Anexados cópia do Livro Razão com os lançamentos, quadro demonstrativo 2 contendo os valores e contribuições não declaradas em GFIP, fls 39 e 41, e as notas fiscais e notas de liquidação (amostragem). Levantamento EX – 13º salário contribuições incidentes sobre 13º salário pago nas rescisões contratuais dos comissionados exonerados, conforme relação anexa, fls. 35. Levantamento DR/DR2 – diferenças GILRAT contribuições incidentes sobre a diferença de 1% relativa a alíquota GILRAT que a partir de 06/2007 passou a ser de 2% para a atividade da autuada (CNAE 84.11600– Administração Pública em Geral), porém declarado em GFIP o percentual de 1% . Fl. 483DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 2403002.139 S2C4T3 Fl. 482 5 (ii) AIOP 37.330.8639 – correspondente à contribuição de segurados Crédito lançado no montante de R$ 108.949,36 (cento e oito mil novecentos e quarenta e nove reais e trinta e seis centavos) relativo às contribuições da parte dos segurados, não descontadas, apuradas no Levantamento CS – Contribuições de Segurados incidentes sobre: remunerações pagas a vereadores, conforme folhas de pagamento e escrituração contábil apresentada; 13 º salário pagos nas rescisões dos comissionados exonerados, conforme folhas de pagamento e escrituração contábil apresentada; diferença de remuneração dos comissionados nos mês de março a maio de 2008, em função da aplicação da tabela de desconto de janeiro/2008, com limite de desconto de R$ 318,37, quando o correto seria de R$ 334,28. Para a aplicação das alíquotas considerouse o limite máximo do salário de contribuição. (iii) AIOA 37.330.86 12 –obrigação acessória, correspondente ao CFL 68 Tratase de auto de infração lavrado por descumprimento da obrigação acessória insculpida no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91 pela entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência GFIP com informações inexatas ou omissas e relacionadas aos fatos geradores de contribuição previdenciária, nas competências de 01/2008 a 11/2008. Em decorrência da infração praticada foi aplicada a penalidade prevista no artigo 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91, c.c. artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, no valor de R$ 83.796,35 (oitenta e três mil setecentos e noventa e seis reais e trinta e cinco centavos), correspondente a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada respeitado o limite do § 4º do artigo 32, da Lei nº 8.212/91, em função do número de segurados, conforme demonstrado na planilha de fls. 47. Observase que foi elaborado o quadro comparativo de multas, com a aplicação da penalidade mais benéfica ao contribuinte, conforme informado no Relatório Fiscal e Quadro Comparativo às fls. 45 e 46. A Recorrente teve ciência dos AIOP e do AIOA em 27.06.2011, conforme fls. 03. O período objeto da autuação, conforme o Relatório Fiscal, é de 01/2008 a 12/2008. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 A Prefeitura Municipal de São Vicente, representado pelo Prefeito Municipal, apresentou Impugnação, aos autos de infração AIOP nº 37.330.8620, AIOP nº 37.330.8639 e AIOA nº 37.330.8612, às fls. 207 a 217, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Em preliminar afirma que o lançamento foi efetuado no CNPJ da Câmara Municipal de São Vicente, pessoa jurídica distinta do Município de São Vicente, e que, por este motivo, o Presidente da Câmara deveria ser intimado das autuações e não o Prefeito Municipal, ainda porque as omissões ou falhas foram cometidas pela Câmara, que tem personalidade jurídica própria e deve responder por seus atos. Apesar de a Câmara Municipal não constar do rol do artigo 41 do Código Civil, tem personalidade jurídica para defender seu atos na esfera administrativa, e, não havendo sua inclusão no pólo passivo da demanda, acarreta dificuldades de defesa à municipalidade, ainda porque há referência a matérias disciplinadas pelo Legislativo de competência exclusiva da Câmara Municipal, não cabendo ao Município conhecer desta matéria, dificultando sua defesa em ofensa ao contraditório e devido processo legal. Conclui que o Município de São Vicente não é parte legítima para figurar no pólo passivo das intimações e o prefeito não pode figurar como representante para receber o auto de infração e termo de encerramento de procedimento fiscal, pois a Prefeitura e a Câmara são pessoas jurídicas distintas com autonomia financeira, orçamentária e administrativa, não podendo o executivo intervir nos atos da Câmara, sob pena de violação ao princípio constitucional da independência dos poderes. Pleiteia a nulidade de todos os atos praticados no procedimento fiscal por ter sido intimada irregularmente e por ofensa aos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. No mérito, esclarece que apesar de não ter o exato conhecimento sobre a motivação da Câmara, esta não efetuou o recolhimento das contribuições sobre as remunerações dos vereadores com base na Resolução nº 26/2005 do Senado Federal, que suspendeu a alínea “h” do inciso I do artigo 12 da Lei nº 8.212/91, sendo indevidos os lançamentos pelo reconhecimento da inconstitucionalidade do dispositivo citado. Caso se cogite pela possibilidade da exigência de contribuição com base na Lei Federal nº 10.887/2004, que introduziu a alínea “j” ao inciso I, do artigo 12 da Lei nº 8.212/91, afirma que três dos vereadores discriminados na relação anexa ao auto (Alfredo Soares de Moura, José Eduardo Ottoni de Almeida e Mara Valeria Giangiulio) estão sujeitos a regime próprio da previdência social, conforme documentos que junta (doc. 4 a 7), não se sujeitando às contribuições exigidas, com fulcro no citado dispositivo, parte final. Sustenta em relação aos vereadores que cita, que no exercício de 2008 estes eram e ainda são servidores do quadro efetivo da Fl. 485DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 2403002.139 S2C4T3 Fl. 483 7 Prefeitura Municipal, sujeitandose a regime próprio de previdência decorrente da criação do Instituto de Servidores Municipais de São Vicente, conforme as Leis municipais que anexa (Doc 08). Acrescenta que outros vereadores podem ocupar cargos de servidores com regime próprio de previdência em outras pessoas jurídicas de direito público, e, que a municipalidade não possui tais informações, restando impedido o seu direito de defesa. Afirma em relação ao lançamento relativo a diferença de 1% de SAT que somente a Câmara Municipal poderia esclarecer quais atividades estariam sujeitas a alíquotas de 1 ou 2%, restando cerceado o direito de defesa da municipalidade . Defende que as verbas pagas a título de abonos com base nas Resoluções 29/95 e 06/96 têm natureza indenizatória não sendo, portanto, base de cálculo das contribuições previdenciárias, restando cerceado seu direito de defesa pois as Resoluções são de competência exclusiva da Câmara Municipal. Requereu ao final o reconhecimento da ilegitimidade passiva e nulidade dos autos, tendo em vista que o CNPJ que consta dos autos é o da Câmara Municipal que é representada por seu Presidente e não pelo Prefeito Municipal que não praticou e não poderia praticar quaisquer atos do presente processo, além de restar impedido o direito de defesa da impugnante pois os débitos são de obrigação da Câmara e o Prefeito não tem conhecimento das razões que levaram ao não recolhimento das contribuições previdenciárias consideradas pela fiscalização como não recolhidas. Subsidiariamente, requer o acolhimento da impugnação para o cancelamento dos débitos fiscais ou sua redução. Juntou documentos de fls. 218/446. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0537.102 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO FISCAL. CÂMARA MUNICIPAL. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. No caso de órgão municipal, a representação processual cabe ao Prefeito ou procurador, como preceitua o art. 12 do Código de Processo Civil. A Câmara Municipal como Órgão Público foi instituída para o desempenho de funções estatais, através de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 SEGURADO OBRIGATÓRIO. EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO. VEREADOR. CONCOMITÂNCIA COM CARGO PÚBLICO EFETIVO. O servidor público vinculado a Regime Próprio de Previdência Social / RPPS que exercer, concomitantemente, o mandato eletivo no cargo de vereador, será obrigatoriamente filiado ao Regime Geral da Previdência Social/RGPS em razão do cargo eletivo, devendo contribuir para este sobre a remuneração recebida pelo exercício do mandato eletivo e para o RPPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do cargo efetivo. ABONO NÃO PREVISTO EM LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os abonos pagos pelo empregador integram o salário de contribuição dos segurados empregados e sofrem incidência de contribuições previdenciárias. Exceção se faz aos abonos previstos em lei como expressamente desvinculados do salário dos empregados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação aos autos de infração AIOP nº 37.330.8620, AIOP 37.330.8639 e AIOA 37.330.8612, mantendo o crédito tributário neles exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo, conforme facultado pelo artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Sala de Sessões, em 06 de março de 2012. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Câmara Municipal de São Vicente, representada pelo seu Presidente e através de seu Consultor Jurídico, apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Preliminarmente, a Câmara Municipal tem personalidade judiciária e não jurídica. Não é parte legítima para figurar no pólo passivo de intimações e não em ações judiciais e administrativas preparatórias. (ii) A Lei Federal nº 10.887/2004, que introduziu a alínea “j” ao inciso I, do artigo 12 da Lei nº 8.212/91 “tentou driblar” a decisão do STF com a reedição do mesmo texto. A decisão do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 351.717/Pr considerou inconstitucional a inclusão da alínea "h" ao inciso I do artigo 12 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. Essa letra "h" foi suspensa Fl. 487DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 2403002.139 S2C4T3 Fl. 484 9 pela Resolução n° 26 do Senado Federal, de 21 de junho de 2005. Ocorre que a argumentação acerca da Emenda Constitucional n.° 20 não procede de modo algum. A Emenda Constitucional n.° 20 foi editada em 1998, anos portanto antes da decisão do Recurso Extraordinário que já a tinha em mente. O fundamento da inconstitucionalidade não foi, como mencionado no acórdão a questão da alteração da redação do artigo 195 mas tão somente a ausência de lei complementar. A Lei 8.212 é um a lei ordinária e não uma lei complementar. A lei n.° 10.887, de 18 de junho de 2004 que introduziu uma nova alínea com a mesmíssima redação, a alínea "h" não trouxe nenhuma novidade. Apenas se tentou "driblar" a decisão do Supremo Tribunal Federal com a reedição do mesmo texto (iii) Da não incidência de contribuição sobre os abonos. Quanto a incidência de contribuição previdenciária aos abonos entendemos que não são devidas por se tratar de abonos concedidos em caráter precário e de natureza indenizatória, não podendo ser incluídos na base de cálculo da contribuição previdenciária, ainda porque não sendo passíveis de incorporação aos vencimentos, dele não se beneficiariam no cálculo de eventuais proventos quando da aposentadoria. A exclusão está prevista em lei e constam das resoluções e lei complementar (fls. 128/130). (iv) Em relação ao PAT. Finalmente, quanto à adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, informamos que a empresa que presta os serviços de fornecimento de valerefeição está cadastrada no programa conforme documento já encaminhado. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 477. É o Relatório. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 477. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – MUNICÍPIO DE SÃO VICENTE / CÂMARA MUNICIPAL contra Acórdão nº 0537.102 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP que julgou procedentes os autos de infração AIOP nº 37.330.8620, AIOP 37.330.8639 e AIOA 37.330.8612. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foram lavrados Autos de Infração de Obrigação Principal e de Obrigação Acessória que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura dos AIOP e do AIOA) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: Fl. 489DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 2403002.139 S2C4T3 Fl. 485 11 IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); lk. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 50.006.0657, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (B) Da apreciação de inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de Fl. 491DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 2403002.139 S2C4T3 Fl. 486 13 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Parágrafo único.O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, § 6o, incluído pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25): Ique já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou IIque fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de junho de 2002; b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (i) Preliminarmente, a Câmara Municipal tem personalidade judiciária e não jurídica. Não é parte legítima para figurar no pólo passivo de intimações e não em ações judiciais e administrativas preparatórias. Analisemos. O Informativo STJ nº 428 dispõe que o Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1.164.017PI, Rel Min. Castro Meira, julgado em 24.03.2010, afirma que as Câmaras legislativas não detêm legitimidade para integrar o pólo ativo de demanda em que se discute a exigibilidade de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga àqueles que exercem mandato eletivo Municipal: A Seção, ao apreciar recurso representativo de controvérsia (art. 543C e Res. n. 8/2008STJ), reafirmou que as câmaras legislativas não detêm legitimidade para integrar o polo ativo de demanda em que se discute a exigibilidade de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga àqueles que exercem mandato eletivo municipal.Isso porque as câmaras de vereadores não possuem personalidade jurídica, mas apenas personalidade judiciária. Desse modo, só podem demandar em juízo para defender seus direitos institucionais, ou seja, aqueles Fl. 492DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 relacionados com seu funcionamento, autonomia e independência. Assim, para aferir a legitimação ativa dos órgãos legislativos, é necessário qualificar a pretensão em análise para concluir se essa pretensão está relacionada aos interesses e prerrogativas institucionais. No caso dos autos, a câmara de vereadores ajuizou ação ordinária inibitória com pedido de tutela antecipada contra a Fazenda Nacional e o INSS, com o objetivo de afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre os vencimentos pagos aos vereadores. Portanto, não se trata de defesa de prerrogativa institucional, mas de simples pretensão de cunho patrimonial. Precedentes citados: RMS 12.068MG, DJ 11/11/2002; REsp 649.824RN, DJ 30/5/2006; REsp 1.109.840AL, DJe 17/6/2009; REsp 946.676CE, DJ 19/11/2007; REsp 696.561RN, DJ 24/10/2005 e REsp 241.637 BA, DJ 20/3/2000.REsp 1.164.017PI, Rel.Min. Castro Meira, julgado em 24/3/2010. Em outras palavras a Câmara de Vereadores não possui personalidade jurídica, mas apenas personalidade judiciária, de modo que somente pode demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais, entendidos esses como sendo os relacionados ao funcionamento, autonomia e independência do órgão. Cumpre ressaltar que o art. 62A do Anexo I do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, dispõe que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ainda neste sentido, os art.340 e art. 639 da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, informam que os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome dos municípios seguido da identificação do órgão, quando a AuditoriaFiscal se desenvolver nos órgãos públicos da administração direta, como é o caso da Câmara Municipal: Art. 340. Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, quando a Auditoria Fiscal se desenvolver nos órgãos públicos da administração direta (ministérios, assembléias legislativas, câmaras municipais, secretarias, órgãos do Poder Judiciário, dentre outros), sendo obrigatória a lavratura de documento de constituição de crédito distinto para cada órgão. Art. 639. Em se tratando de órgão da Administração Pública direta, a NFLD será lavrada em nome da União, do estado, do Distrito Federal ou do município, seguido da identificação do órgão, devendo constar do relatório fiscal a identificação do dirigente e respectivo período de gestão Fl. 493DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 2403002.139 S2C4T3 Fl. 487 15 Em congruência aos citados art.340 e art. 639 da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, observase que nos Autos de Infração AIOPs e AIOA – consta o sujeito passivo MUNICÍPIO DE SÃO VICENTE / CÂMARA MUINICIPAL, bem como o fato de tais Autos de Infração foram recebidos pelo Prefeito, conforme consta às fls. 03, fls. 17 e fls. 196. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) A Lei Federal nº 10.887/2004, que introduziu a alínea “j” ao inciso I, do artigo 12 da Lei nº 8.212/91 “tentou driblar” a decisão do STF com a reedição do mesmo texto. A decisão do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 351.717/Pr considerou inconstitucional a inclusão da alínea "h" ao inciso I do artigo 12 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. Essa letra "h" foi suspensa pela Resolução n° 26 do Senado Federal, de 21 de junho de 2005. Ocorre que a argumentação acerca da Emenda Constitucional n.° 20 não procede de modo algum. A Emenda Constitucional n.° 20 foi editada em 1998, anos portanto antes da decisão do Recurso Extraordinário que já a tinha em mente. O fundamento da inconstitucionalidade não foi, como mencionado no acórdão a questão da alteração da redação do artigo 195 mas tão somente a ausência de lei complementar. A Lei 8.212 é um a lei ordinária e não uma lei complementar. A lei n.° 10.887, de 18 de junho de 2004 que introduziu uma nova alínea com a mesmíssima redação, a alínea "h" não trouxe nenhuma novidade. Apenas se tentou "driblar" a decisão do Supremo Tribunal Federal com a reedição do mesmo texto Analisemos. A argumentação central da Recorrente é no sentido de que a lei n.° 10.887/2004 viola dispositivo constitucional pois se trata de Lei Ordinária e não Lei Complementar, conforme o entendimento exarado pelo STF no RE nº 351.717/PR. Este argumento acerca de inconstitucionalidade já foi visto no tópico (B). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Da não incidência de contribuição sobre os abonos. Quanto a incidência de contribuição previdenciária aos abonos entendemos que não são devidas por se tratar de abonos concedidos em caráter precário e de natureza indenizatória, não podendo ser incluídos na base de cálculo da contribuição previdenciária, ainda porque não sendo passíveis de incorporação aos vencimentos, dele não se beneficiariam no cálculo de eventuais proventos quando da aposentadoria. A Fl. 494DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 exclusão está prevista em lei e constam das resoluções e lei complementar (fls. 128/130). Analisemos. A Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 11 determina, expressamente: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) A Lei nº 8.212/1991, em congruência com a norma constitucional citada, assim define para fins de incidência de contribuições à seguridade social que não integra o saláriodecontribuição as importâncias recebidas a título de abono expressamente desvinculadas do salário: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) e) as importâncias: 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Nesta mesma direção, o Decreto 3.048/1999, com a redação dada pelo Decreto nº 3.265/99 à alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214, explicita e ratifica esta interpretação ao reportarse aos abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei: Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) V as importâncias recebidas a título de: Fl. 495DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 2403002.139 S2C4T3 Fl. 488 17 (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Conforme previsto no § 6º do art. 150 da Constituição Federal, somente a Lei pode instituir isenções. Assim, não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/1991 o qual enumera, exaustivamente, as parcelas que não integram o saláriodecontribuição. Nesse contexto, os denominados abonos são verbas passíveis de incidência previdenciária, na medida em que conceitualmente tratamse de adiantamentos salariais, conforme o ensinamento de Maurício Godinho Delgado: Retomado o conceito próprio do abono, como antecipação salarial efetuada pelo empregador ao empregado, tornase inquestionável sua natureza jurídica, como salário (art. 457, § 1º). A jurisprudência foi além, contudo: firmouse no sentido de conferir à parcela todos os efeitos próprios ao salário básico – o que significa que prevalece no Direito brasileiro o entendimento de que o abono, depois de concedido, não pode ser retirado do contrato pelo empregador. (Delgado, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 10. ed. São Paulo: LTr, 2100. p. 710). Como bem ressaltado na doutrina mencionada, a própria CLT no art. 457, elenca como integrante da remuneração os abonos, in verbis: Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) Então, com fundamento no exposto acima, as importâncias pagas a título de abonos somente não integram o salário de contribuição quando expressamente desvinculadas do salário por força de lei. Outrossim, no caso concreto em questão, conforme consta dos autos, os abonos foram pagos em virtude de Resoluções da Câmara Municipal nº 06/96, nº 25/95 e Lei Complementar Municipal nº 276, juntadas pela fiscalização às fls. 128 a130. Portanto, os abono não foram concedidos com fulcro em lei em sentido estrito emanada do ente, no caso a União, com competência legislativa relativa às contribuições sociais previdenciárias. Logo, em função das provas da habitualidade do pagamento dos abonos, conforme relacionado pela AuditoriaFiscal às fls 64, 66, 67,69 a 77, 79 a 82, deve ser mantido o levantamento FC/FC2 – Folha de pagamento de comissionados na íntegra. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) Em relação ao PAT. Finalmente, quanto à adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, informamos que a empresa que presta os serviços de fornecimento de valerefeição está cadastrada no programa conforme documento já encaminhado. Analisemos. A decisão de primeira instância observa que o Impugnante não contestou os levantamentos realizados a título de vale refeição, às fl. 455: No mérito, o impugnante não contesta os levantamentos realizados quanto aos pagamentos de vale refeição (cópias das Notas fiscais da prestadora SODEXHO, relativas a cartões de refeição Smartcard juntadas pela fiscalização às fls. 176/ 195) e pagamento de 13º salário (Levantamentos RE e Levantamento EX). Outrossim, a alegação principal em sede de Recurso Voluntário é a de que a empresa que presta os serviços de fornecimento de valerefeição está cadastrada no programa PAT. Ora, conforme o informado no Relatório Fiscal (apurado na escrituração contábil e notas fiscais apresentadas, anexada cópia do Livro Razão com os lançamentos, quadro demonstrativo 2 contendo os valores e contribuições não declaradas em GFIP, fls 39 e 41, e as notas fiscais e notas de liquidação (amostragem)), a Recorrente fornece alimentação aos empregados, por meio de valealimentação, sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, requisito este disposto expressamente na legislação. A Lei n° 6.321/1976, que trata do Programa de Alimentação do Trabalhador: Art.3°. Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga 'in natura' pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. O Decreto n° 5/1991, que regulamenta a Lei n°6.321/76: Art. 1°. A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto de renda devido, valor equivalente a aplicação da aliquota cabível do imposto de renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social MTPS nos termos deste regulamento. (...) § 4° para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 2403002.139 S2C4T3 Fl. 489 19 (...) Art. 4°. Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (Redação dada pelo Decreto n. 0 2.101, de 23 de dezembro de 1996). Art. 6°. Nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência: Social a parcela paga natura' pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Desta forma, de acordo com a legislação de regência do PAT, o fornecimento de alimentação não integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n°6.321, de 1976, atenda os requisitos do programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. Conforme o disposto na legislação previdenciária, art. 28, § 9º, c, Lei 8.212/1991, o fornecimento de alimentação integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias quando não atenda os requisitos do programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho. (Lei 8.212/1991) Art. 28. Entendese por saláriode contribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Em que pese a Recorrente afirmar que o fornecedor dos valesrefeição para a Câmara Municipal estar inscrito no PAT, tal hipótese não é prevista como meio idôneo para se afastar a tributação de tais parcelas pagas, via valealimentação, como integrante do saláriode contribuição. Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente pois a legislação aponta expressamente a incidência de contribuição previdenciária na parcela recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social Programa de Alimentação do Trabalhador. CÁLCULO DA MULTA Fl. 498DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 Recálculo da multa com base no art. 32A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 2403002.139 S2C4T3 Fl. 490 21 No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.097.9125, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso para: (i) em relação ao AIOP nº 37.330.8620 e ao AIOP 37.330.8639; MANTER INTEGRALMENTE OS LANÇAMENTOS EFETUADOS; e (ii) em relação ao AIOA 37.330.8612, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 500DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10880.915895/2008-30
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). ISENÇÃO. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE.
A redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM) somente se deu a partir de 23 de julho de 2004. A alteração legal denota a inocorrência de isenção ou imunidade, pois operações isentas ou imunes não podem se submeter à alíquota zero, dada a incompatibilidade de convivência desses institutos de direito tributário.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. No mérito, pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que admitiam a juntada de provas e convertiam o julgamento em diligência à repartição de origem.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). ISENÇÃO. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE. A redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM) somente se deu a partir de 23 de julho de 2004. A alteração legal denota a inocorrência de isenção ou imunidade, pois operações isentas ou imunes não podem se submeter à alíquota zero, dada a incompatibilidade de convivência desses institutos de direito tributário. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. No mérito, pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que admitiam a juntada de provas e convertiam o julgamento em diligência à repartição de origem. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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NULIDADE DA DECISÃO “A QUO”. INOCORRÊNCIA DE VÍCIOS. A decisão da autoridade julgadora administrativa de 1ª instância se deu em conformidade com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). ISENÇÃO. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE. A redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM) somente se deu a partir de 23 de julho de 2004. A alteração legal denota a inocorrência de isenção ou imunidade, pois operações isentas ou imunes não podem se submeter à alíquota zero, dada a incompatibilidade de convivência desses institutos de direito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 58 95 /2 00 8- 30 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.915895/200830 Acórdão n.º 3803004.519 S3TE03 Fl. 103 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. No mérito, pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que admitiam a juntada de provas e convertiam o julgamento em diligência à repartição de origem. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado, relativo à Cofins, no valor de R$ 21.082,99, e não homologara a respectiva declaração de compensação, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu que o presente processo, assim como os demais a ele conexos, fossem apensados ao processo de nº 10880.915886/200849, para o exame de todas as compensações em conjunto, uma vez tratar se das mesmas razões de defesa, cuja prova seria de fracionamento impossível. Segundo o então Manifestante, os créditos objeto de compensação decorreriam de recolhimentos indevidos da contribuição para o PIS e da Cofins, no período de abril de 1999 a fevereiro de 2004, por terem sido calculados sobre as vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM), operações essas equiparadas, pelo Decretolei nº 288, de 1967, a operações de exportação. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, por ausência de comprovação do indébito alegado, assim como pelo descabimento da isenção no que tange às vendas para a ZFM, considerando que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, não projetaria isenções futuras. Cientificado da decisão em 15 de julho de 2011, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em 3 de agosto do mesmo ano, e requereu, em preliminar, a declaração de nulidade do acórdão recorrido, por se pautar em premissas confusas e obscuras, que impossibilitariam o pleno exercício do seu direito de defesa, tendo em vista a falta de clareza quanto à razão para a negativa de provimento de sua manifestação de inconformidade. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.915895/200830 Acórdão n.º 3803004.519 S3TE03 Fl. 104 3 No mérito, alegou o Recorrente a aplicação de isenção nas operações de vendas destinadas à ZFM, nos termos do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, combinado com o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e o art. 14, inciso II, da Medida provisória nº 2.158. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. 1 Decisão administrativa a quo. Arguição de nulidade. Inocorrência. De início, registrese que se mostram descabidos os argumentos apresentados pelo Recorrente para requerer a nulidade da decisão administrativa de primeira instância, uma vez que esta se pautou pelas regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), regulado pelo Decreto nº 70.235/1972, tendo aquela autoridade se pronunciado com base nos elementos probatórios constantes dos autos. Nos termos do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 2003, a manifestação de inconformidade e o recurso apresentados pelos contribuintes para se contraporem às decisões administrativas relativas à compensação tributária devem obedecer o rito processual do PAF. No voto condutor do acórdão recorrido, consta de forma evidente a razão da não homologação da compensação, qual seja, a ausência de comprovação hábil e idônea da liquidez e certeza do direito creditório reclamado, assim como a inaplicabilidade da isenção às vendas destinadas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período sob análise. Notese que o julgador administrativo, a par da defesa genérica do então Manifestante, que apenas arguiu naquela instância a equiparação das vendas à ZFM a operações de exportação, buscou identificar o fundamento jurídico do indébito reclamado na imunidade tributária, em conformidade com a previsão contida no § 2º, inciso I, do art. 149 da Constituição Federal de 19881. Destacou, também, o relator a quo que, ainda que aplicasse a isenção ao presente caso, ela se restringiria às hipóteses dos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 20012, e não a todas as vendas destinadas à ZFM. 1 Art. 149 (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) 2 Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.915895/200830 Acórdão n.º 3803004.519 S3TE03 Fl. 105 4 Inexiste, portanto, qualquer preterição do direito de defesa do Recorrente, devendose ressaltar que, em conformidade com o direito fundamental à ampla defesa e ao contraditório (art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal), ao contribuinte foi assegurado o direito de se valer do contencioso administrativo, em duas instâncias, para se contrapor às decisões da Administração tributária, inclusive apresentando, na defesa do seu direito, outras informações e documentos ainda não apreciados pela Fazenda Pública. As regras de funcionamento do litígio administrativo, conforme já apontado, devem ser buscadas, primariamente, no Decreto nº 70.235/1972 e, subsidiariamente, nas demais regras que regulam o processo administrativo e/ou judicial, sendo que, não se vislumbrando qualquer ofensa a tais atos normativos, inexiste fundamento a apoiar a pretendida declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Por fim, destaquese que, em conformidade com o contido art. 59 do PAF, somente são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses essas que, conforme já apontado, não se coadunam com a tramitação e a realidade fática deste processo. Nesse contexto, afastase a preliminar de nulidade arguida. 2 Prova do indébito. Ônus da prova. Vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM). De início, registrese que, não obstante a alegação do Recorrente de que a prova do indébito reclamado seria de fracionamento impossível, encontrandose no bojo do processo nº 10880.915886/200849, temse que, conforme se demonstrará na sequência, a presente controvérsia se resolve, quanto ao mérito, com a análise da legislação de regência, pois tratase de matéria com jurisprudência consolidada nesta 3ª Turma Especial. Antes, contudo, devese ressaltar que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da emissão do despacho decisório. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; (...) VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; (...) VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto Lei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.915895/200830 Acórdão n.º 3803004.519 S3TE03 Fl. 106 5 mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchimento da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. No que tange à prova do seu direito, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento, tendo requerido, após o início do julgamento, a juntada de cópias de notas fiscais que estariam apensadas ao processo nº 10880.915886/200849, notas essa que, conforme o Recorrente alegara, comporiam um todo que seria de fracionamento impossível. No entanto, mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova não foi submetida à apreciação da primeira instância administrativa, o que fere a previsão contida no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF) 3, não se tratando de nenhuma das exceções previstas no § 4º do mesmo artigo. A não apresentação de provas dos fatos apontados no momento devido e a alegação de inoperância do Fisco, por não trazer aos autos as provas presentes em outro processo administrativo, encontramse em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do citado Decreto nº 70.235, de 1972, e com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mas, mesmo que se superasse a preclusão processual, no mérito, tratase de matéria com jurisprudência consolidada nesta 3ª Turma Especial, conforme acima apontado. 3 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.915895/200830 Acórdão n.º 3803004.519 S3TE03 Fl. 107 6 Embora o art. 4° do Decretolei n° 288/1967 tenha equiparado a venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus (ZFM) a uma exportação para o estrangeiro, deve ser ressalvado que tal determinação não impede que a matéria possa ser disciplinada de forma diferente em atos legais posteriores. A Medida Provisória n° 2.15835/2001 estabelece, em seu art. 14, que a isenção da Cofins e da Contribuição para o PIS se aplica às hipóteses elencadas em seus incisos I a IX, não havendo referência expressa ou literal à Zona Franca de Manaus, fato esse que, por si só, já afastaria a isenção pleiteada, uma vez que, nos termos do art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), a outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Tendo em vista esse mesmo dispositivo do CTN, é possível concluir que, embora o art. 4° do Decretolei n° 288/1967 tenha equiparado a venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus (ZFM) a uma exportação para o estrangeiro, não se tem por definida uma hipótese de isenção. Notese que, conforme consta do recurso voluntário, a Lei nº 9.004, de 19954, posterior, portanto, ao referido decretolei, assim como à Constituição Federal de 1988, já havia definido que a isenção da contribuição para o PIS das receitas de exportação não alcançaria as vendas para a ZFM. No período de 1° de fevereiro de 1999 a 17 de dezembro de 2000 – período esse que não alcança o presente processo –,vigia a redação original do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586/1999 – dicção essa que constou do dispositivo até a edição da Medida Provisória n° 2.03724/2000 –, que, expressamente, excluía as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus da previsão legal isentiva. A medida liminar que foi deferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI n° 2.3489/2000 suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus" que constava do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória n° 2.03724/2000, mas apenas com efeitos ex nunc, não alcançando, portanto o período identificado no parágrafo anterior. Os efeitos prospectivos da decisão do STF, a meu ver, possibilitam interpretações incongruentes quanto ao alcance da matéria decidida. Tendo o acórdão do STF sido proferido com efeitos ex nunc, temse que a norma vigente em períodos anteriores a essa decisão, relativamente à exclusão da isenção nas vendas para a ZFM (como no caso da Lei nº 9.004, de 1995), não foi apreciada no julgamento da ADI, não tendo sido considerada, por conseqüência lógica, afrontosa ao art. 40 do Ato das 4 Art. 1º O art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988, acrescido dos §§ 1º e 2º, passa a vigorar com a seguinte alteração: "Art. 5º Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. (...) § 2º A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.915895/200830 Acórdão n.º 3803004.519 S3TE03 Fl. 108 7 Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), da Constituição Federal de 19885, não obstante esse art. 40 ter a mesma redação desde a sua origem, em 1988. A questão se torna ainda mais controversa quando se constata que, não obstante tal decisão do STF, remanesceu no dispositivo legal (inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória n° 2.03724/2000) o afastamento da isenção em relação às vendas realizadas para “empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio” (grifei). Notese que o pedido formulado na ação pretendeu, também, suspender a expressão “ou em área de livre comércio”, mas tal pedido não foi conhecido, por unanimidade, pelo Tribunal Pleno. Considerando que, de acordo com o art. 40 do ADCT, a Zona Franca de Manaus (ZFM) é uma área de livre comércio, temse que a previsão normativa que restou mantida após a decisão do STF permite uma interpretação no sentido de se afastar a isenção nos casos da espécie, quais sejam, de vendas a área de livre comércio, como o é a ZFM. Essa interpretação não só é possível como se encontra em consonância com a legislação que sobreveio desde então. Em 23 de julho de 2004, a Medida Provisória nº 202, convertida, em 9 de novembro de 2004, na Lei n° 10.996, inovou em relação a essa matéria nos seguintes termos: Art. 2°. Ficam reduzidas a O (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM §1° Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. §2° Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do §2° do art. 3° da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do incisoIIi do §2° do art. 3° da Lei n°10.833, de 29 de dezembro de 2003. Constatase do excerto acima que, a partir de sua vigência – que não alcança o caso sob análise –, as alíquotas das contribuições foram reduzidas a zero, o que denota a inexistência de isenção anterior, ou mesmo de imunidade, uma vez que não haveria justificativa que sustentasse a definição de uma alíquota zero relativamente a fatos isentos ou imunes, dada a incompatibilidade de convivência desses institutos de direito tributário. Na imunidade tributária, dada a inexistência de competência para o ente político instituir o tributo, não há que se falar em alteração de alíquota, pois que inexistente a 5 Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.915895/200830 Acórdão n.º 3803004.519 S3TE03 Fl. 109 8 norma impositiva; na isenção, uma vez delimitado o alcance da imposição, com a exclusão de determinado fato, situação ou pessoa, não há incidência a exigir a definição da alíquota aplicável. Portanto, concluise pela inexistência de isenção relativamente às vendas para a ZFM. 3 Conclusão. Diante do exposto, voto por AFASTAR a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da preclusão processual, bem como em decorrência da inexistência de isenção ou imunidade nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus (ZFM). É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.004199/2008-52
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA.
A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo seja intimado para tanto, proporcionando-lhe a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO. GLOSA. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo seja intimado para tanto, proporcionandolhe a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 41 99 /2 00 8- 52 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.004199/200852 Acórdão n.º 2801003.208 S2TE01 Fl. 95 2 Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fls. 49/50 deste processo digital), reproduzido a seguir: Cuidase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda de Pessoa Física, exercício 2005, anocalendário 2004 que formalizou a exigência do crédito tributário assim discriminado: IMPOSTO DE RENDA SUPLEMENTAR R$ 5.076,93 MULTA DE OFÍCIO R$ 3.807,69 JUROS DE MORA (ate 29/02/2008) R$ 1.996,75 TOTAL R$ 10.881,37 Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, procedeuse ao lançamento de oficio do Imposto de Renda, originário das alterações promovidas conforme demonstrativo de fl. 08, momento em que a autoridade lançadora apurou glosa de deduções indevidas da base de cálculo a titulo de despesas médicas (R$11.986,50), Previdência Privada e Fapi (R$3.975,22), dependentes (R$2.544,00) e instrução (R$1.998,00), em razão do não atendimento à intimação. Cientificado do lançamento, o contribuinte, apresenta a peça de defesa acostada às fls. 01/02. Aduz preliminarmente a nulidade do lançamento, por não ter sido intimado a apresentar documentos referentes à declaração de ajuste anual. Requer a revisão do lançamento com base nas cópias de documentos acostadas aos autos. Por não ter sido intimado adverte que a multa de oficio e os juros não podem incidir como penalidades legais. Após análise preliminar da documentação acostada, os autos foram remetidos à unidade de origem, fls. 32/33, para que o contribuinte fosse intimado a apresentar a comprovação do efetivo pagamento da despesa declarada com o profissional Marc Paul Garcia. Devidamente intimado do teor do despacho de diligência, o contribuinte apresentou as observações de fl. 37 e verso, aduzindo sinteticamente possuir numerário em espécie, suficiente para fazer frente as despesas medicas declaradas. Informa que se aposentou no ano de 2004 e recebeu da CEMIG, além do FGTS, o PDI (Programa de Demissão Incentivado). Alerta também ter declarado no exercício 2005 a importância de R$ 25.000,00 em dinheiro, com a qual teria estrutura para efetuar o pagamento com o dentista Marc Paul Garcia. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.004199/200852 Acórdão n.º 2801003.208 S2TE01 Fl. 96 3 A impugnação apresentada foi julgada procedente em parte. A decisão recorrida restabeleceu as deduções efetuadas, exceto despesas médicas com o Instituto de Ortodontia Avançada, no valor de R$ 30,00, e com o dentista Marc Paul Garcia, no valor de R$ 8.055,00. Cientificado da decisão de primeira instância em 23/03/2011 (fl. 57), o Interessado interpôs, em 25/04/2011, o recurso de fls. 59/64, acompanhado dos documentos de fls. 65/88. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Regularmente intimado pela Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte apresentou, tempestivamente, os recibos de pagamento das despesas que teve com o dentista Marc Paul Garcia, no valor de R$ 8.055,00. A prova da quitação de qualquer dívida se dá por meio de instrumento particular em que conste o valor, a espécie da divida quitada, o nome do devedor, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor (Código Civil 2002, art. 320). Os recibos apresentados preenchem todos estes requisitos. Ficou incontestavelmente demonstrado que o contribuinte efetuou, no ano calendário de 2004, o pagamento das despesas com o referido dentista, tendo por isso, o direito líquido e certo, previsto na Lei n° 9.250/1995, de que as mesmas sejam deduzidas da base de cálculo de seu imposto. A declaração de renda do Recorrente demonstra que o mesmo possuía renda mais do que suficiente para arcar com as despesas em questão. Além disso, jamais foi considerado um ilícito penal ou civil o fato de se ter uma reserva de dinheiro em sua residência que, inclusive, foi declarada em sua declaração anual de imposto de renda. O ônus de produzir a prova necessária para invalidar os recibos apresentados é da RFB, sendo vedada a glosa de despesas odontológicas com base em simples suposições, já que o contribuinte não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Ao final, requer a reforma, em parte, do acórdão recorrido, para cancelar a manutenção parcial do imposto de renda suplementar no valor de R$ 1.661,73, bem como da multa de oficio de 75% e demais encargos legais (juros de mora e/ou multa). Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O Interessado foi cientificado da decisão de 1ª instância em 23/03/2011 (quartafeira). O prazo recursal iniciouse em 24/03/2011 e findouse em 22/04/2011 (sexta feira – feriado nacional). O primeiro dia útil após o término do prazo foi 25/04/2011 (segunda feira), data em que protocolada a insurgência recursal. Portanto, tempestivo o recurso apresentado. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.004199/200852 Acórdão n.º 2801003.208 S2TE01 Fl. 97 4 À fl. 65 deste processo digital foi acostada procuração outorgando poderes ao patrono do Recorrente. Assim, conheço do recurso, porquanto presente os requisitos de admissibilidade. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS O art. 73 do vetusto DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, faculta à Autoridade lançadora solicitar outros elementos que comprovem o efetivo pagamento das despesas deduzidas e/ou a efetiva prestação dos serviços (Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora). No caso concreto, no entanto, impossível à Autoridade lançadora solicitar qualquer elemento adicional de prova em relação à documentação apresentada, haja vista que as glosas de despesas médicas se deram por falta de atendimento à intimação (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 9 deste processo digital), sendo que a apresentação dos recibos só ocorreu por ocasião da impugnação. Embora a faculdade de solicitação da comprovação do efetivo pagamento das despesas tenha sido atribuída à Autoridade lançadora, nada obsta que a Autoridade julgadora de 1ª instância, para formar a sua livre convicção, também o faça em hipóteses excepcionais como esta, em que a Notificação foi lavrada por falta de atendimento à intimação, mas a documentação relacionada às deduções somente foi apresentada no curso do contencioso administrativo. Por força do Despacho de Diligência da 9ª Turma da DRJ/BHE (fls. 36/37), o Recorrente foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas realizadas com o profissional de saúde Marc Paul Garcia (Intimação à fl. 39 deste processo digital). Em resposta à diligência fiscal (fls. 41/42), sustentou que teria estrutura para pagamento do dentista em espécie, porquanto havia declarado R$ 25.000,00 em dinheiro. À evidência, a informação de valores em espécie na “Declaração de Bens e Direitos” da Declaração do Imposto de Renda, situação em 31 de dezembro de 2004, não comprova, a meu ver, o efetivo pagamento de despesas realizadas no curso do anocalendário de 2004. É sabido que o contribuinte não está obrigado a efetuar os pagamentos mediante a utilização de título de crédito, sendolhe lícito fazêlo em dinheiro. Contudo, se nesta hipótese for instado a comprovar o efetivo pagamento, deve evidenciar a posse do numerário em valores e datas compatíveis com os recibos apresentados, podendo, ainda, demonstrar que houve a efetiva prestação dos serviços (por exemplo, mediante a apresentação de prontuários odontológicos), nos moldes propostos na diligência fiscal solicitada pelos julgadores de 1ª instância, a ver: Assim é que em relação ao recibo abaixo, o contribuinte deverá demonstrar o efetivo pagamento, que pode ocorrer por meio da apresentação de cópias de cheques compensados, eventualmente emitidos para quitar os serviços prestados ou de extratos bancários através dos quais seja possível identificar saques em valores e datas compatíveis com os recibos apresentados, em caso de pagamento em espécie. R$ 8.055,00 — Marc Paul Garcia Dentista — fls. 13 e 15; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.004199/200852 Acórdão n.º 2801003.208 S2TE01 Fl. 98 5 Em complemento à comprovação do efetivo pagamento, o contribuinte poderá carrear aos autos, odontogramas, raios X e outros elementos que confirmem de forma clara e inequívoca a efetividade da prestação do serviço. Por derradeiro, registro que compartilho, às inteiras, com a observação lançada no acórdão recorrido, assim descrita: Importante frisar que no tocante a manutenção desta glosa, esta decisão não está fundamentada na falsidade dos documentos. A motivação para este entendimento está alicerçada na falta de comprovação do efetivo pagamento. Isso não implica, necessariamente, falsidade documental, mas, sim, a imprestabilidade dos recibos apresentados para fruição do beneficio fiscal. CONCLUSÃO Nesse contexto, em que o Recorrente não se desincumbiu de comprovar o efetivo pagamento das despesas realizadas com o profissional de saúde Marc Paul Garcia, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 14367.000419/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2007
IMUNIDADE. EXIGÊNCIAS LEGAIS.
No que se refere ao período em questão, as entidades beneficentes de assistência social, para fazerem jus ao benefício do parágrafo 7o do artigo 195 da CF/88, devem comprovar o atendimento às exigencias estabelecidas no artigo 55 da Lei n° 8.212/91.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998.
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negadot
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-002.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
LIEGE LACROIX THOMASI - Presidenta Substituta.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
Erro! A origem da referência não foi encontrada. - Redator designado.
EDITADO EM: 20/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANA SATO, ARLINDO DA COSTA E SILVA E PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2007 IMUNIDADE. EXIGÊNCIAS LEGAIS. No que se refere ao período em questão, as entidades beneficentes de assistência social, para fazerem jus ao benefício do parágrafo 7o do artigo 195 da CF/88, devem comprovar o atendimento às exigencias estabelecidas no artigo 55 da Lei n° 8.212/91. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negadot Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. LIEGE LACROIX THOMASI - Presidenta Substituta. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. Erro! A origem da referência não foi encontrada. - Redator designado. EDITADO EM: 20/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANA SATO, ARLINDO DA COSTA E SILVA E PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS.
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EXIGÊNCIAS LEGAIS. No que se refere ao período em questão, as entidades beneficentes de assistência social, para fazerem jus ao benefício do parágrafo 7o do artigo 195 da CF/88, devem comprovar o atendimento às exigencias estabelecidas no artigo 55 da Lei n° 8.212/91. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 04 19 /2 00 9- 63 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negadot Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. LIEGE LACROIX THOMASI Presidenta Substituta. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. Erro! A origem da referência não foi encontrada. Redator designado. EDITADO EM: 20/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANA SATO, ARLINDO DA COSTA E SILVA E PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS. Relatório Adoto o relatório de fls. 251/254: Tratase de crédito constituído por meio do Auto de Infração AI, DEBCAD n° 37.255.7520, referente a contribuições apuradas em ação fiscal como não recolhidas à Seguridade Fl. 326DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000419/200963 Acórdão n.º 2302002.086 S2C3T2 Fl. 24 3 Social, referente ao período de janeiro a dezembro de 2007, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuinte individuais que lhes prestaram serviços, destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS (parte patronal 20%) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT (1%), no valor de R$555.646,64 (consolidado em 07/12/2009), já incluídos os valores de multas e juros aplicáveis. O Relatório Fiscal de fls. 41/48 informa em síntese que: 1 0 contribuinte informou em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social ser portador de isenção da quota patronal referente a contribuições sociais previdenciárias, mediante a alocação do código FPAS 639 Entidade Filantrópica (Lei n° 3.577/59 e DecretoLei n° 1.572/77) e Entidade Beneficente de Assistência Social (Lei n° 8.212/91); 2 Embora tenha apresentado o CEBAS Certificado de Empresa Beneficente de Assistência Social, o contribuinte não requereu a isenção de contribuições previdenciárias à Receita Federal do Brasil RFB, conforme determinava o artigo 303, §1°, I, da Instrução Normativa IN/SRP n° 03/2005; 3 Pelo descumprimento do preceito legal acima e pelos motivos expostos, o contribuinte não faz jus à isenção da parcela patronal de contribuição previdenciária; 4 Foi aplicado, então, o código FPAS 574 Estabelecimento de Ensino para fins de aplicação das alíquotas patronal, GILRAT e outras entidades e/ou terceiros; 5 Em decorrência da desconsideração da empresa como entidade beneficente de assistência social EBAS e da retificação dos códigos FPAS, CNAE e CNAEFISCAL, foram alterados os códigos de recolhimentos de GPS 2305 Entidades Filantrópicas com Isenção Total ou Parcial para 2100 Empresas em Geral, para que fossem aproveitados os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, sendo que não foram efetuadas alterações no contracorrente da empresa; 6 Ao utilizar o código FPAS 639, em GFIP, o contribuinte teve a intenção de iludir a autoridade fazendária com conduta sistemática no período referente ao Exercício de 2007; 7 Para fins de apuração do débito, foram criados os levantamentos fiscais "GFD DECLARAÇÕES EM GFIP " e "Zl TRANSE DO LEV GFD ATÉ 11/2008 ", sendo o tipo de multa aplicada a única diferença entre os dois levantamentos, tendo sido aplicada exclusivamente a multa de mora de 24% no levantamento GFD e, no levantamento 21, tãosomente a multa de ofício de 75% infrações de não recolher, de não declarar ou declarar com omissões/incorreções , por conta da publicação Fl. 327DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 da Medida Provisória de n° 449/2008 combinado com o disposto no artigo 106, II, do CTN Princípio da Retroatividade Benigna. 8 Foram comparadas, então, as multas antes e após a edição da Medida Provisória MP n° 449/2008, aplicandose a mais benéfica (planilha em anexo). 9 Nos levantamentos fiscais efetuados, foram considerados estritamente os montantes declarados em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social; 10 Os lançamentos/fatos geradores estão discriminados nos anexos que compõem o presente auto de infração; 1 1 0 crédito tributário lançado encontrase fundamentado na legislação constante no anexo FLD Fundamentos Legais do Débito, considerandose a legislação vigente no período relativo às competências deste auto de infração. 12 Dentre outros, os seguintes documentos subsidiaram a auditoria fiscal em questão. Estatuto Social e alterações; Certificado de Empresa Beneficente de Assistência Social CEBAS; Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP; e Guias de Recolhimento da Previdência Social GPS; 13 Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais pela prática, em tese, de crime de sonegação fiscal previdenciária, sendo anexadas fotocópias de documentos (elementos de prova), que evidenciam a prática do ilícito, incluindo o Estatuto Social e Alterações, CEBAS, Cartão do CNPJ, GFIP's e GPS; 14 — Documentos lavrados no procedimento fiscal: AIOP DEBCAD 37.258.2125 (parte segurados); AIOP DEBCAD 37.255.7520 (parte patronal); AIOP DEBCAD 37.255.7449 (parte Terceiros); AIOA DEBCAD 37.255.7430 (CFL 68); e AIOA DEBCAD 37.258.2117 (CFL 78) A Associação em tela foi pessoalmente cientificada da autuação em 09/12/2009, conforme data da assinatura da ciência aposta à fl. 01, e apresentou defesa em 07/01/2010, acostada aos autos às fls. 112/131 e anexos de fls. 132/246, assim dispostos: Na impugnação, a interessada defende que faz jus à imunidade tributária concedida pela Constituição Federal, pelos documentos que anexa e argumentos que apresenta, abaixo sumarizados: 1 O lançamento em tela se fundamentou em normativos inconstitucionais contidos na instrução normativa SRP n° 03/2005, uma vez que estes normativos regulamentam dispositivos inconstitucionais da Lei n° 8.212/91, que tratam indevidamente da isenção/imunidade acima mencionada; 2 As leis de n° 8.212/91 e 12.101/09 não poderiam regulamentar as exigibilidades para que uma instituição de assistência social pudesse ou possa fazer jus à isenção/imunidade prevista no artigo 150, VI, "c", da Constituição Federal de 1988, pois apesar de o aludido dispositivo mencionar simplesmente "lei", o que vários juristas entenderiam como regulamentação por lei Fl. 328DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000419/200963 Acórdão n.º 2302002.086 S2C3T2 Fl. 25 5 ordinária, o referido benefício é uma notória limitação ao poder de tributar, classificada na própria seção, devendo portanto ser regulamentado por lei complementar, formalmente superior à ordinária; 3 — Não cabe à lei ordinária, mas sim à lei complementar, a função de explicitar o conteúdo de norma constitucional de imunidade de impostos e contribuições sociais tendo como destinatárias as entidades beneficentes de assistência social e educação, veiculada no art. 150, inciso VI, letra "c" e no §7° do art. 195 da CF, quanto aos pressupostos de sua aplicação; 4 — Para afastar a possibilidade de aplicação de lei ordinária, os juristas redigiram o CTN Código Tributário Nacional, estabelecendo norma geral sobre a imunidade, consagrando como critérios para o seu gozo pela entidades previstas na alínea "c" do inciso IV do artigo 9o , apenas três condições; 5 — 0 Ministro Marco Aurélio, Presidente do STF à época, em decisão liminar proferida na ADIN 20285, referendada pelo Plenário do STF, não deixa dúvida quanto à necessidade de lei complementar para regular a imunidade de que cuida o §7° do art. 195 da CF, eis que trata de limitação ao poder de tributar, incidindo o art. 146, II, CF, de forma que deveriam ser atendidos os artigos 9o e 14 do CTN e não o artigo 55 da Lei n° 8.212/91, por inconstitucionalidade formal do mesmo; 6 Isto posto, é de se reconhecer a inconstitucionalidade formal do art. 55 da Lei n° 8.212/91, devendo ser o §7° do artigo 195 da CF regulamentado pelo art. 9o e 14 do CTN; 7 O simples fato da entidade ser reconhecida pelo órgão competente já a tornaria apta a fazer jus à imunidade em questão (transcreve ementa de decisão judicial) 8 A competência para reconhecer uma instituição como Entidade Beneficente de Assistência Social EBAS é do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, e não da Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB. 9 0 certificado emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS é o documento que exterioriza o direito à imunidade inserta no art. 195, §7°, da Carta da República e, não, o pretenso ato declaratório anteriormente emitido pelo INSS e agora pela RFB, previsto no art. 208, do RPS Regulamento da Previdência Social, haja vista, tratarse de Em 12 de novembro de 2010, a DRJ em Belém/PA entendeu ser improcedente a impugnação apresentada. Devidamente intimado do decisum, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário que, em síntese, repetiu as argumentações dispostas na impugnação. É o relatório. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. 1PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 330DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000419/200963 Acórdão n.º 2302002.086 S2C3T2 Fl. 26 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 2APLICABILIDADE DO ARTIGO 14, CTN VS ART. 55, DA LEI N. 8.212/91 Necessário, inicialmente distinguir a aplicação das disposições do art. 14 do CTN daquelas estabelecidas no art. 55 da Lei n° 8.212/91. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Importante deixar patente que as contribuições sociais não foram inseridas no contexto do Código Tributário Nacional, não sendo regidas pelas regras dele emanadas, mormente naquelas relativas à fruição de imunidade ou isenção. Prova disso está no texto de DecretoLei n° 27, editado posteriormente à aprovação da Lei n°5.172, conforme se depreende de seu texto de abertura, verbis: DecretoLei n°27, de 14 de Novembro de 1966 Acrescenta à Lei 5172, de 25 de outubro de 1966, artigo referente às contribuições para fins sociais. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o parágrafo único do art. 31 do Ato Institucional n°2, tendo em vista o Ato Complementar n°31 CONSIDERANDO a necessidade de deixar estreme de dúvidas a continuação da incidência e exigibilidade das contribuições para fins sociais paralelamente ao Sistema Tributário Nacional, a que se refere a Lei número 5.172, de 25 de outubro de 1966; É certo que o Supremo Tribunal Federal afirmou a natureza tributária das contribuições sociais instituídas pela Constituição Federal de 1988. Entretanto, o mesmo Tribunal também reconhece que tais exações não se vinculam integralmente ao texto do referido Código. Assim, o art. 14 do CTN destinase, exclusivamente, a delimitar os requisitos necessários à fruição da imunidade de impostos. A norma do art. 150, VI, "c", da CF/88, disciplinou a imunidade aos impostos, vedando sua incidência sobre as seguintes situações, verbis: "c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Já as contribuições para a seguridade social, a seu turno, têm a imunidade prevista no § 7º do art. 195da Constituição da República, nos seguintes termos: "§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Como já declarado pelo Supremo Tribunal Federal — STF, em diversas oportunidades, dentre elas a ADIN n. 2.0285, quando a Carta Magna utiliza o termo isenção, está, na realidade, tratando de imunidade. Assim, contatase na literalidade dos textos constitucionais acima transcritos que os destinatários da imunidade de impostos não coincidem com os destinatários da imunidade das contribuições sociais. O legislador ordinário cumprindo o comando constitucional quanto às contribuições sociais delineou os requisitos de fruição do beneficio no art. 55 da Lei n. 8.212/91, como segue: Fl. 332DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000419/200963 Acórdão n.º 2302002.086 S2C3T2 Fl. 27 9 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficias a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. A redação acima transcrita encontrase isenta da alteração introduzida pela Lei n. 9.732/98, suspensa por liminar do STF na Ação Direita de Inconstitucionalidade n. 2.0285. A respeito do tema, peço vênia para me reportar aos substanciosos fundamentos insertos no Acórdão nº 1613.990, exarado pela 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos autos do processo administrativo n° 36624.002167/200708, tendo em vista rechaçarem de uma vez por todas a pretensão da recorrente a propósito da matéria, como segue: “ […] 4.20. O Contribuinte alega que sendo a imunidade do art. 195, §, da CF, uma limitação ao poder de tributar, os requisitos para o seu gozo somente podem ser instituído por lei complementar, em face do disposto no art. 146, II, razão pela qual o art. 55 da Lei nº 8.212/81, por ser dispositivo de legislação ordinária, seria inconstitucional. Entretanto, entendemos que tal posicionamento não está de acordo com o Sistema Constitucional Brasileiro e, tampouco, com o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 4.21. Vários argumentos há para evidenciar que o dispositivo constitucional não exige lei complementar para sua regulamentação. A interpretação sistemática do disposto no artigo 195, § 7º com o disposto no artigo 146, II da Carta que exige lei complementar para regular as limitações constitucionais ao poder de tributar também não prospera. Senão vejamos: a) O artigo 150, VI, “c”, que regulamenta a imunidade de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços das entidades de assistência social e de educação sem fins lucrativos, a despeito de ser regulamentado pelo artigo 14 do CTN, igualmente foi regulamentado por uma lei ordinária, a Lei nº 9.532/98, que teve sua constitucionalidade formal questionada na ADIn 1.802, tendo o STF admitido que lei ordinária possa regulamentar a imunidade de impostos: b) A própria Carta criou exceções à regra do artigo 146, II. São elas: i) imunidade de Imposto de Renda, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, à pessoa com idade superior a 65 (sessenta e cinco) anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimento de trabalho (art. 153, § 2º, II da CF, posteriormente revogado pela EC 20); ii) imunidade do Imposto Territorial Rural sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, § 4º da CF, alterado pela EC 42); iii) imunidade do ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, no qual somente incidirá somente o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro (art. 153, § da CF). Tais leis, que regulam a imunidade do IR, do ITR, e do IOF são ordinárias. A imunidade do IR a do IOF pela Lei nº 7.766 e 8.894/94. c) a Constituição Federal deve ser interpretada de forma ampla, de modo que desapareçam as aparentes contradições entre seus dispositivos quando considerados de forma isolada. Assim, para se fazer esta interpretação sistemática não cabe interpretar somente dois dispositivos constitucionais, e sim todos os que tratem da matéria. Deve ser salientado que contribuições sociais. Estatui o artigo 149 da Constituição Federal: “Compete exclusivamente à União instituir contribuições econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo”. De verse que às contribuições sociais, só tem aplicabilidade o inciso III do art. 146 da Carta Magna, excluindose, portanto, os incisos I e II do dispositivo em foco. d) se fosse necessária lei complementar regulamentadora o artigo 195, § 7º da Carta não teria mencionado expressamente “que atenda requisitos de lei”, visto que, por se tratar de imunidade, teria incidência a regra geral do art.146, II. È evidente que o caso em questão é uma das exceções à regra geral que exige lei complementar em tais hipóteses. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000419/200963 Acórdão n.º 2302002.086 S2C3T2 Fl. 28 11 e) uma da finalidades da exigência de regulamentação por lei complementar de dispositivo constitucional é estimular na legislação ordinária dos entes federados um mínimo de unidade e coerência. No caso da imunidade das contribuições da Seguridade Social isso não seria sequer necessário, porquanto somente a União pode instituir contribuições para o custeio da seguridade social da empresas privadas, dentre elas as entidades beneficentes. Estados, o Distrito Federal e os Municípios, segundo o artigo 146, § 2º da Carta, somente pedem instituir cobrança de seus servidores para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de seus servidores. Diverso é o caso dos impostos, e que é prevista competência concorrente da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sendo necessário que lei complementar regule as limitações constitucionais ao poder de tributar. 4.22. Por outro lado, em conformidade com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal só é exigível a lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, ou seja, quando a Carta Magna alude genericamente a “lei” para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende toda a legislação ordinária. 4.23. Assim, de acordo com a orientação consolidada pelo STF, quando a Constituição afirma que “são isentas de contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, § 7º), ela está exigindo que a isenção somente ocorrerá se houver efetivamente o cumprimento de requisitos estabelecidos em lei ordinária. Não há que se falar em inconstitucionalidade do art. 55, da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que, conforme foi acima mencionado, leis complementares somente se justificam nas hipóteses expressamente mencionadas no próprio texto constitucional, como sabidamente tem decido, há muito, o Pretório Excelso. 4.24. No Mandado de Injunção 616SP, o STF discutiu o tema, figurando na relatoria o Ministro Nelson Jobim. Na oportunidade, o STF decidiu que a norma constitucional já havia sido regulamentada pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO”. 4.25. Recentemente, o STF manteve tal posicionamento, conforme pode ser constatado na decisão proferida pelo Fl. 335DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Ministro Sepúlveda Pertence (AG. REG no Recurso Extraordinário nº 408823), cujo teor é o seguinte: “DECISÃO: Agravo regimental de decisão pela qual, por entender não préquestionada a questão referente à ausência de regulamentação do artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, neguei provimento ao recurso extraordinário. Sustenta a agravante que a questão suscitada no RE não é a existência de regulamentação do referido dispositivo constitucional, mas a aplicação, pelo acórdão recorrido, do artigo 14 do CTN como norma regulamentadora, quando deveria ser aplicada o art. 55 da Lei nº 8.212/91. Tem razão o agravante. Reconsidero a decisão de fl. 329, e passo à análise do recurso extraordinário. Decido. RE, a, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, em razão do disposto no art. 195, § 7º da Constituição, reconheceu à inexigibilidade de contribuição previdenciária a entidade de natureza beneficente e assistência social, preenchido os requisitos do artigo 14 do CTN. Alega o RE que, para a concessão de isenção de contribuição social, as entidades beneficentes de assistência social devem preencher os requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98, entende que o acórdão recorrido, ao afastar a aplicação dos referidos dispositivos legais, violou os artigos 97, 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal. Tem razão o recorrente. O acórdão recorrido dissente da orientação estabelecida pelo Plenário deste Tribunal no julgamento do MI 616, 17.06.2002, Nelson Jobim, assim ementado: ‘CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃOPARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO.” Na linha do precedente, dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, § 1A, do C. Pr. Civil). Brasília, 02 de outubro de 2006. “MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – RELATOR.” 4.26. O Supremo Tribunal Federal, no agravo de instrumento nº 647933, publicado em 15 de março de 2007, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, novamente consolidou esse entendimento: Fl. 336DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000419/200963 Acórdão n.º 2302002.086 S2C3T2 Fl. 29 13 RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MATÉRIA FÁTICA – INVIABILIDADE – DESPROVIMENTO DO AGRAVO. O Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negou provimento ao recurso de apelação, mediante o acórdão de folhas 46 a 55, assim resumido: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. O § 7º do art. 195 da CF/88 aduz que não estão sujeitas à contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos previstos em lei, parâmetros estes que estão dispostos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. É bem verdade que a imunidade constitui uma das formas de limitação constitucional ao poder de tributar, o que, nos termos do art. 146, II, CF, exigiria lei complementar para tratar do tema. Ocorre que, in casu, há regra específica a requerer tãosó lei ordinária (art. 195, § 7º, já mencionado), pois quando a Constituição faz alusão genérica à “lei”, não há necessidade de que a matéria seja disciplinada por lei complementar. Hipótese em que a associação autora não comprovou o cumprimento das exigências insculpidas na cidade lei ordinária, pelo que não merece as benesse constitucional, ainda que se entendesse aplicável ao caso a lei complementar (Código Tributário Nacional, art. 14). Apelação improvida. A recorribilidade extraordinária é distinta daquela revelada por simples revisão do que decidido, na maioria das vezes procedida mediante o recurso por excelência a apelação. Atuase em sede excepcional à luz da moldura fática delineada soberanamente pela Corte de origem, considerandose as premissas constantes do acórdão impugnado. A jurisprudência sedimentada é pacífica a respeito, devendose ter presente o Verbete nº 279 da Súmula deste Tribunal: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. As razões do extraordinário partem de pressupostos fáticos estranhos à decisão atacada, buscandose, em última análise, conduzir esta Corte ao reexame dos elementos probatórios para, com fundamento em quadro diverso, assentar a viabilidade do recurso. A Corte de origem assentou que não houve a comprovação do enquadramento das atividades desenvolvidas pela recorrente, mesmo que se entendesse aplicável ao caso o artigo 14 do Código Tributário Nacional (folhas 49). Conheço do agravo e o desprovejo. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Publiquem. Brasília, 15 de março de 2007. 4.27. Deve ser enfatizado que o art. 14 do CTN regulamenta a imunidade relativa a impostos incidentes sobre o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal. Não é aplicável às contribuições devidas à seguridade social, que não são impostos, muito menos incidentes sobre o patrimônio, a renda e serviços. A imunidade, nos casos destas contribuições, está prevista no art. 195, § 7º, da CF e a sua regulamentação não está sujeita a lei complementar, conforme determinação do próprio legislador constituinte. 4.28. Portanto, ficam afastadas as alegações referentes à aplicação do art. 14 do CTN, no caso em questão, tendo em vista que conforme posicionamento consolidado no Supremo Tribunal Federal, os requisitos a serem cumpridos para o exercício do direito ao benefício fiscal previsto no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, estão previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98. 4.29. Desta forma, para terem direito à isenção das contribuições devidas à seguridade social, às entidades beneficentes de assistência social não basta o cumprimento dos requisitos previstos no art. 14 do CTN. Para tanto, é necessário o cumprimento, de forma cumulativa, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei nº 8.212/91, conforme determina a própria Constituição Federal. […]” O legislador infraconstitucional acresceu aos requisitos que considerou necessários à imunidade das contribuições sociais as mesmas regras previstas no art. 14 do CTN para os impostos. Tal entendimento está em consonância com aquele já manifestado pela Segunda Turma da CSRF, em 15 de outubro de 2007: Acórdão n° CSRF/0202.808 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 30/06/1997 Ementa: IMUNIDADE. Somente fazem jus à imunidade do art. 195, § 7 º da CF/88 as entidades beneficentes de assistência social que preencham os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Como dito no relatório, a empresa teve cancelada a partir de 01/01/1994, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n. 8.212/91, por meio do Ato Cancelatório n. 001/2005, de 21/02/2005, por infração ao artigo 55, da Lei n. 8.212/91, uma Fl. 338DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000419/200963 Acórdão n.º 2302002.086 S2C3T2 Fl. 30 15 vez que, as entidades de fins filantrópicos devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. Registrese que houve contencioso administrativo [Acórdão n. 2115/2005, exarado pela 4ª Turma de Julgamento do CRPS – fls. 237/244], tendo sido mantida validade e eficácia do ato cancelatório. Nesse sentido, entendo improcedentes as alegações recorrentes. 3MÉRITO 3.1Histórico e Ausência de pedido de fruição Para melhor esclarecimento fazse necessário apontar o histórico das isenções de contribuições no direito pátrio em função das alterações legislativas que envolveram a matéria. Primeiramente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 4/7/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, e às entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa Lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social – CNSS a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, aquelas que: estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social; cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: de declaração de utilidade pública; Fl. 339DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado;desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme se depreende do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos – CEFF a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. No presente caso, como já analisado a recorrente não possuía direito adquirido anteriormente à Constituição de 1988. Por meio da Lei n ° 8.909 de 06/07/1994,foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, criado pela Lei n.º 8.742 de 07/12/1993,prorrogandose a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/05/1992. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000419/200963 Acórdão n.º 2302002.086 S2C3T2 Fl. 31 17 Desse modo, ao contrário do afirmado pela recorrente, a mesma não possui direito adquirido à imunidade. As decisões do STJ no Mandado de Segurança 10.375 e do STF no Agravo 634.048 tiveram objeto distintos. Nesses autos discutiuse o direito adquirido à renovação do CEBAS. O motivo para emissão do Ato Cancelatório foi a remuneração de diretores. Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADIn 2.0285/1999. Aplicandose portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei n ° 9.732/1998. Assim, ao contrário do afirmado pela recorrente, o STF não declarou inconstitucional o art. 55 da Lei 8.212, o que foi declarado inconstitucional foi a alteração promovida pela Lei 9.732 no art. 55 da Lei n 8.212. Em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.1296, de 23/02/2001, reeditada até a de nº 2.18713, de 24/08/2001, vigorando em função do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11/09/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, sendo a existência de débito motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal. Dispõe o art. 195, § 3º da Constituição Federal, nestas palavras: § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. O art. 55 da Lei n º 8.212 de 1991 que previa os requisitos necessários à obtenção do direito à isenção foi revogado pelo art. 44 da Lei n º 12.101 (DOU de 30 de novembro de 2009). De acordo com o previsto no art. 31 da Lei n º 12.101 de 2009, a Receita Federal deixou de ter competência para apreciar os requerimentos de isenção. O direito ao benefício será exercido pela entidade desde a data da publicação da concessão da certificação, atendidos os requisitos do art. 29 da Lei n º 12.101, independentemente de pedido ao órgão fazendário. Nesse sentido é o teor do art. 31, in verbis: Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Destacase que o reconhecimento do direito à recorrente se efetivou em 29 junho de 2005, conforme Ato Declaratório. Portanto, em período anterior à alteração da Lei n 12.101. A atuação do órgão fiscalizador ocorrerá na hipótese de descumprimento pela entidade do art. 29 da Lei n º 12.101, sendo lavrado diretamente o auto de infração, conforme expressamente previsto no art. 32 da Lei n º 12.101, nestas palavras: Fl. 341DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 18 Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção.7 § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Por seu turno, a concessão ou de renovação dos certificados não é mais de competência do CNAS, passando tal exercício para os Ministérios respectivos, nestas palavras: Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. § 1o A entidade interessada na certificação deverá apresentar, juntamente com o requerimento, todos os documentos necessários à comprovação dos requisitos de que trata esta Lei, na forma do regulamento. § 2o A tramitação e a apreciação do requerimento deverão obedecer à ordem cronológica de sua apresentação, salvo em caso de diligência pendente, devidamente justificada. § 3o O requerimento será apreciado no prazo a ser estabelecido em regulamento, observadas as peculiaridades do Ministério responsável pela área de atuação da entidade. § 4o O prazo de validade da certificação será fixado em regulamento, observadas as especificidades de cada uma das áreas e o prazo mínimo de 1 (um) ano e máximo de 5 (cinco) anos. § 5o O processo administrativo de certificação deverá, em cada Ministério envolvido, contar com plena publicidade de sua tramitação, devendo permitir à sociedade o acompanhamento pela internet de todo o processo. § 6o Os Ministérios responsáveis pela certificação deverão manter, nos respectivos sítios na internet, lista atualizada com os dados relativos aos certificados emitidos, seu período de vigência e sobre as entidades certificadas, incluindo os serviços Fl. 342DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000419/200963 Acórdão n.º 2302002.086 S2C3T2 Fl. 32 19 prestados por essas dentro do âmbito certificado e recursos financeiros a elas destinados. Como regra de transição, a Lei n º 12.101 dispõe em seu artigo 35 que os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social protocolados e ainda não julgados até a data de publicação dessa Lei serão julgados pelo Ministério da área no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias a contar da referida data. Para os pedidos de isenção em curso na Receita Federal não há regra de transição prevista na Lei n º 12.101. Desse modo, para os pleitos formulados até a data da publicação da Lei n o. 12.101 há que se observar o procedimento disposto na Lei n 8.212. Para os fatos geradores ocorridos após a publicação da Lei n 12.101, não é mais necessária formulação de pedido do reconhecimento do direito. No caso, somente estão sendo cobrados fatos geradores ocorridos anteriormente à publicação da Lei n ° 12.101, e que também são anteriores ao requerimento da isenção (29 de junho de 2005). De acordo com o previsto no art. 55 da Lei n 8.212 (na redação vigente à data do pedido) é necessário que a entidade entre outros requisitos formulasse o requerimento, o que não foi feito [fato inconteste]. 3.2Obrigatoriedade Do Recolhimento O lançamento teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores constantes das folhas de pagamento e recolhidos em GPS, de forma que se tornam inócuas as alegações de que não há razão para a cobrança do tributo As folhas de pagamento foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização, que foram arrecadadas dos segurados. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Ademais, o lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, suas folhas de pagamento e informações prestadas pela mesma em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Fl. 343DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 20 (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Por todo o exposto não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Também, se refere o crédito à alíquota de 11%, relativa a parte do segurado contribuinte individual que deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, a partir da competência 04/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. O valor retido da remuneração dos segurados e seu não repasse à Seguridade Social, configura, em tese, a prática de crime previsto no art. 168A do Código Penal Brasileiro, com redação da Lei n.º 9.983/2000, para as competências a partir de 10/2000. À área administrativa não discute a conduta criminosa do contribuinte, mas lhe cumpre informar à autoridade competente, o Ministério Público Federal, o que não pode ser desconsiderado. Todavia, tal fato não tem influência na aplicação da multa moratória e de ofício. 3.2Da multa QUANTO À MULTA, tenho o entendimento que à luz da legislação vigente, devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000419/200963 Acórdão n.º 2302002.086 S2C3T2 Fl. 33 21 O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, constatase que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 345DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 22 quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas por descumprimento de obrigação principal e acessória devem ser aplicadas isoladamente e da forma menos onerosa ao contribuinte. 3.3SELIC No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 346DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000419/200963 Acórdão n.º 2302002.086 S2C3T2 Fl. 34 23 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 14485.002088/2007-98
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/09/2003
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS.
Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária.
MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE
O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II c, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.553
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/09/2003 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II c, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/09/2003 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 20 88 /2 00 7- 98 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.002088/200798 Acórdão n.º 2803002.553 S2TE03 Fl. 3 2 darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.002088/200798 Acórdão n.º 2803002.553 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por não ter declarado em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social as remunerações pagas a contribuintes individuais. O r. acórdão – fls 439 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, aplicando a relevação em relação às competências 01/1999 a 07/1999, 10/1999 a 01/2000, 04/2000 a 06/2000, 10/2000 a 11/2001, e 01/2002 a 06/2003. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · Inexistência de fundamentação legal e motivação do ato administrativo de lançamento. Analisarmos o auto de infração, verificase que o mesmo é desprovido de clareza e precisão, é incompreensível o mandamento legal supostamente contrariado pela autuada. A Fiscalização omitiu a DISCRIMINAÇAO CLARA E PRECISA dos dispositivos de lei aplicáveis ao caso e por este motivo dificulta de forma incontornável a defesa da autuada. · As competências 08.1999. 09.1999. 02.2000. 03.2000, 07.2000, 08.2000. 09.2000 e 12.2001 também foram objeto de retificação, conforme cópias anexas ao presente recurso. O que sem sobra de dúvida almeja a relevação da multa nos termos do artigo 291 do decreto 3.048/99. · Não encontra respaldo no ordenamento tributário pátrio a cominação de penalidade pecuniária para o não cumprimento de obrigações acessórias ou os chamados deveres instrumentais, como é o caso vertente. Assim, o presente Auto de Infração deve ser julgado improcedente por parte de V. Exas. tendo em vista a impossibilidade jurídica de atribuição de patrimonialidade à deveres que efetivamente não o possuem. · Ilegal cobrança de multa equivalente a porcentagem do valor do débito. · Multa confiscatória. · Requer i)seja julgado nulo o presente Auto de Infração n° 35.539.397 2, em razão das preliminares argüidas.ii) Na hipótese do afastamento da preliminar, seja julgado totalmente procedente o presente recurso administrativo para desconstituir o presente AI em razão de serem inexigíveis os valores correspondentes a multa; ou iii) Seja julgada indevida ida ou graduada a multa aplicada de 100%, por se ela claramente confiscatória afrontando, assim, o artigo 150, inciso IV do Constituição Federal de 1988, ou relevada a multa com base no artigo 291 do Decreto 3.048/99; Fl. 572DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.002088/200798 Acórdão n.º 2803002.553 S2TE03 Fl. 5 4 É o relatório. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.002088/200798 Acórdão n.º 2803002.553 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Do que consta dos autos, temos que o contribuinte foi autuado pela entrega de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Apesar de ter apresentado novas GFIP´s em sua defesa, entendeu a autoridade julgadora que as mesmas não sanaram a falta completamente. Nas competências 08.1999. 09.1999. 02.2000. 03.2000, 07.2000, 08.2000. 09.2000 e 12.2001, não abarcadas pela relevação aplicada, persistiriam as seguintes informações não declaradas. 08/99 440,00 Divino Vieira da Silva 09/99 1500,00 Tadeu Benedito 02/00 10000,00 Luiz Vassimoni 03/00 890,00 c/c 332016 compras n/ mês 23 manut maq e equip eletricos 07/00 1300,00 Tadeu Benedito 08/00 303,7 doc 34184 ch 640931 09/00 2450,00 c/c 332016 compras n/ mês 34 tb manut maq e equip eletr 12/01 300 José Heronides dos Santos Na peça recursal apresentada, a recorrente não trouxe elementos que desconstituísse a r.decisão ou que demonstrasse a devida declaração dos valores pagos aos contribuintes individuais. Assim sendo, correta a não relevação nas competências acima. DA MULTA APLICADA Fl. 574DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.002088/200798 Acórdão n.º 2803002.553 S2TE03 Fl. 7 6 A multa aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. A multa aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais elencados na capa do auto de infração e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal. Em razão de posterior alteração legislativa trazida pela lei 11.941/09, a multa deverá ser recalculada na forma descrita a seguir. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE O art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente, caso esta seja mais benéfica ao contribuinte. As multas em GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, senão vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 575DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.002088/200798 Acórdão n.º 2803002.553 S2TE03 Fl. 8 7 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A,I, da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. No cálculo da multa devem se observados os valores mínimos, por competência, elencados no parágrafo 3º do mesmo artigo 32A. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do presente recurso e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 13292.000049/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
PRAZO DE DECADÊNCIA PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RE 566.621
Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a aplicação plena do novo prazo de decadência para a repetição do indébito tributário, relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, se aplica apenas aos casos em que o pedido de restituição ou compensação foi apresentado após 09.06.2005.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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COMPENSAÇÃO Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE GUAXUPÉ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1995 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelo artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A do Regimento Interno. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 PRAZO DE DECADÊNCIA PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RE 566.621 Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a aplicação plena do novo prazo de decadência para a repetição do indébito tributário, relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, se aplica apenas aos casos em que o pedido de restituição ou compensação foi apresentado após 09.06.2005. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 29 2. 00 00 49 /2 01 0- 56 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Juiz de Fora que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, por entender que não teria sido observado o prazo decadência de cinco anos contados da data do pagamento indevido. A ora recorrente apresentou, em 01.06.2010, pedido de restituição (fl. 02) de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no valor de R$ R$ 1.625.335,29, relativos ao período de 1995. O indébito seria decorrente dos pagamentos indevidos em virtude de interpretação e aplicação de critérios de fato e/ou de direito (jurídicos), considerandoo art.15 da MP n° 1.212/95 e suas reedições e art. 18 da Lei Federal nº 9.715/98 que foram declarados inconstitucionais pela Egrégia Suprema Corte, por meio do RE. n° 232.8963/PA. A DRF de Poços de Caldas emitiu despacho decisório indeferindo o seu pedido, por entender que teria operado a decadência do direito à repetição pela fluência de prazo superior a cinco anos entre as datas dos recolhimentos supostamente indevidos e a data da Declaração de Compensação, nos termos do Ato Declaratório SRF nº 96/99. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, alegando, em estreita síntese, que (i) o prazo decadencial é de 10 anos, conforme Decreto 4.524/2002 (arts. 95 e 96) e IN SRF 247/2002; (ii) na situação em discussão, o prazo começa a ser contado a partir do momento da data da publicação da Resolução do Senado n° 10/2005, como j á se manifestou o Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF em situação semelhante. Assim, o prazo decadencial é de dez anos contados a partir de 07 de junho de 2005; (iii) a MP 1.212/95, convertida na Lei 9.715/98, desrespeitou a anterioridade tributária ao determinar a absurda hipótese da retroatividade de seu art. 15, sem observar igualmente o prazo nonagesimal, próprio de nova contribuição social. Com a reedição das MP e sua respectiva conversão em lei, as irregularidades permaneceram até 01 de março de 1999, somados noventa dias para que entrassem em vigor. A DRJ de Juiz de Fora julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contado da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13292.000049/201056 Acórdão n.º 3301001.704 S3C3T1 Fl. 11 3 Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa, essencialmente, sobre a definição do prazo de decadência para a restituição de indébito tributário, relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. Pois bem. O Supremo Tribunal Federal, valendose da sistemática prevista no art. 543B, do CPC, pacificou, no RE 566.621, o entendimento de que é inconstitucional a atribuição de feitos retroativos ao art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, devendo sua aplicação plena se restringir às ações ajuizadas a partir de 09.06.05: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) E o caso concreto submetido à análise enquadrase perfeitamente no precedente acima transcrito. Afinal, tratase de compensação de indébito tributário, relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. Todavia, o pedido de ressarcimento fora protocolado em 01.06.2010, ou seja, em data posterior à 09.06.05. Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste contexto, não resta dúvida de que no caso sob análise operou a decadência do direito da Recorrente. Por outro lado, não procede a alegação da Recorrente no sentido de que a suposta declaração de inconstitucionalidade do PASEP no período de outubro de 1995 a outubro de 1988 deveria ser tomada como marco inicial para contagem do referido prazo. Sem entrar no mérito a respeito da possibilidade de declaração de inconstitucionalidade reabrir o prazo para repetição, certo é que, no caso concreto, não há qualquer manifestação do STF nesse sentido. Pelo contrário, o que existe é decisão do STJ (REsp nº 1136210/PR), julgada sob da sistemática prevista no art. 543, “c”, do CPC, declarando a exigibilidade da referida contribuição nesse período. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13292.000049/201056 Acórdão n.º 3301001.704 S3C3T1 Fl. 12 5 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 10865.908860/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A decisão recorrida que não enfrenta todas as matérias objeto da defesa do contribuinte, em especial preliminar de nulidade que reclama a existência de cerceamento ao direito de defesa, deve ser anulada.
Numero da decisão: 3803-004.258
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para anular os atos processuais a partir da decisão recorrida inclusive. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Hélcio Lafetá Reis que rejeitavam as preliminares e não conheciam do recurso.
[assinado digitalmente]
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A decisão recorrida que não enfrenta todas as matérias objeto da defesa do contribuinte, em especial preliminar de nulidade que reclama a existência de cerceamento ao direito de defesa, deve ser anulada. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para anular os atos processuais a partir da decisão recorrida inclusive. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Hélcio Lafetá Reis que rejeitavam as preliminares e não conheciam do recurso. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 60 /2 00 9- 13 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 29/04/2008, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de PIS/Pasep, período de apuração julho de 2007, com débitos de CSLL de apuração fevereiro de 2008, no valor total de R$ 8.040,69. Através de despacho decisório eletrônico, a DRF em Limeira/SP não homologou a compensação, sob o argumento de que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Abaixo reproduziremos a boa síntese feita pela DRJ de origem acerca do recurso administrativo interposto: Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitou se a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10865.908860/200913 Acórdão n.º 3803004.258 S3TE03 Fl. 11 3 Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. A DRJ em Ribeirão Preto/SP não conheceu a manifestação de inconformidade apresentada. Considerou que a matéria do processo não foi expressamente contestada, e, portanto, definitiva a exigência a ela relativa. Ementou nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário a esta turma, onde preliminarmente defende a nulidade do despacho decisório por violação ao principio da ampla defesa e, por conseguinte, também do principio do devido processo legal. No mérito volta a argumentar sobre o prazo decadencial, defendendo o prazo de 10 anos para lançamentos por homologação. Ao final traz os seguintes pedidos: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 “Por fim, o Poder Público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos (art. 37, "caput", CF), sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado até em órbita normativoadministrativa, de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela. Por outro lado, é de se reconhecer que a iminencia dc dano de difícil ou impossível reparação repousa na necessidade do contribuinte de exercer suas atividades, gesto inerentes à livre iniciativa, assegurada desde o plano constitucional, "ex vi" dos artigos 1 0, inciso IV, 5°, "caput", inciso XXII e 170, inciso II da CF, in exemplis. Assim, requerse que fique sobrestada a cobrança das compensações realizadas com os supostos créditos oriundos deste processo e que se encontram juntadas/apensadas a estes autos até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo, vedada a inserção de qualquer restrição ou qualquer ato tendente à cobrança, até que definitivamente julgadas as discussões. Destarte, reiterase todos os demais termos já aduzidos no pedido de restituição, razão pela qual o contribuinte inconformado requer o regular processamento, ulterior apreciação e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO. Requerse, preliminarmente, seja anulada a r. decisão monocrática de primeiro grau, nos termos da preliminar acima suscitada, pela violação aos princípios acima invocados. E caso este Conselho dos Contribuintes entenda por bem não anular, de plano, a r. decisão recorrida, e entenda que deve ser apreciado o mérito recursal, requerse que seja dado TOTAL PROVIMENTO ao presente recurso para que seja integralmente reformada a r. decisão monocritica, determinandose a definitiva e integral HOMOLOGACAO das compensações pleiteadas, nos exatos termos explanados na prefacial, por ser medida da mais lídima e cristalina justiça! positis, com base no farto conteúdo jurídico já citado, assim como reiterando todos os demais termos já aduzidos no pedido de restituição e na impugnação administrativa anteriormente manifestada, o contribuinterecorrente requer o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e provimento total ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar a r. decisão a quo, julgandose procedente (deferindose) o pedido de Restituição/Compensação formulado pelo contribuinte, culminando com o reconhecimento total do crédito pleiteado, comunicandose o que de necessário, por ser medida da mais lídima justiça!” Diante do acórdão da 4ª Turma da DRJ/RPO, que não conheceu da manifestação de inconformidade por considerar não impugnada a matéria, a SEORT em Limeira às fls. 73 a 75, negou seguimento ao Recurso Voluntário com fundamento no artigo 17 do Decreto 70.235/72, entendendo como definitiva a decisão na esfera administrativa. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10865.908860/200913 Acórdão n.º 3803004.258 S3TE03 Fl. 12 5 Ciente de tal decisão, o contribuinte ajuizou Mandado de Segurança que foi distribuído para a 4a Vara Federal de Piracicaba – Seção de São Paulo, sob o nº 0002361 88.2011.403.6109, no qual obteve decisão favorável, em dispositivo conclusivo nos seguintes termos: “Face ao exposto, . concedo a segurança para determinar que a autoridade impetrada dê seguimento aos recursos administrativos interpostos 'pela re nos processos identificados As fls. 04 e 05 'dos autos, remetendoos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise; e declarar a suspensão dos créditos tributários declarados em virtude da pendência de recurso administrativo.” Grifamos. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira. O recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, especialmente em obediência à segurança obtida através do provimento judicial no Mandado de Segurança nº 000236188.2011.403.6109 da 4a Vara Federal de PiracicabaSP, destacado ao final do relatório. O sujeito passivo argui, preliminarmente, em manifestação de inconformidade a nulidade do despacho decisório por violação ao principio da ampla defesa e, por conseguinte, também ao principio do devido processo legal. Passemos à leitura de trechos da impugnação mencionada: “...em seu apertadíssimo tópico que verte sobre a fundamentação e razões que ensejaram a não homologação da compensação colimada, a DRF de Limeira/SP simplesmente limitase a aduzir,de forma vaga e genérica, que não reconheceu como declaradas, ou transmitidas, as PERDCOMp' S acima especificadas. Ora, ao contrário do que lhe incumbia, a r. decisão recorrenda sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar, minuciosamente, o porque o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos, que se analisados, lhe permitia inferir de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar suas razões de decidir e darlhes minima sustentabilidade. Temse, pois, in concreto, que ao não adentrar no mérito propriamente dito das suas razões de decidir, conseqüentemente, a r. decisão combatida não possibilita ao contribuinte ora manifestante, condições ideais para combatêla, visto que não há como contra argumentar uma Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 decisão que se apresenta lacônica, e que beira as mias da inépcia(...) A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar a r. decisão ora recorrida, implicam na anulação da mesma pois ao não garantir o amplo direito de defesa A recorrente, a r. decisão que objeta a presente manifestação de inconformidade avilta também, conseqüentemente, o principio do devido processo legal.” Entendemos que a preliminar de nulidade antecede à análise do mérito, mesmo porque aquela pode ser prejudicial a esta, neste sentido, mostrase indispensável a superação da preliminar de nulidade para então o julgador adentrar no mérito da questão, a não ser que possa decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem interessaria a declaração de nulidade nos termos do artigo 59 § 3º do Decreto 70.235/72, o que não é o caso do presente processo. A DRJ/RPO se furtou a enfrentar a preliminar de nulidade em sua decisão, tanto que não dedicou uma linha sequer ao pedido do contribuinte (veja acórdão de fls. 36 a 40), partindo diretamente para o mérito da questão como se preliminar não houvesse, entendemos que ao agir desta forma a DRJ/RPO preteriu o direito de defesa do contribuinte não lhe permitindo uma defesa efetiva das razões de fato e de direito que se fundamentaram a sua decisão, ferindo assim o disposto no inciso II do art. 59 do Decreto 70.235/72, senão vejamos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Negritamos Portanto, por mais cuidadosa e bem fundamentada que tenha sido a decisão recorrida, sob pena de supressão de instância e de cerceamento do direito de defesa, deve a mesma pronunciarse acerca da preliminar aludida, para que sob tal entendimento, ao ser proferida nova decisão, possa o interessado apresentar o recurso pertinente. Ressaltamos que a defesa do contribuinte deve aterse à matéria efetivamente controvertida nos autos, sob pena de não ser conhecida sua peça recursal. É sabido que a não homologação manifestada em Despacho Decisório Eletrônico se deu em razão do valor recolhido em DARF do PIS referente ao mês de janeiro de 2005 ter sido declarado em DCTF no exato valor que foi recolhido, daí a informação de que o valor recolhido fora integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Sendo a DCTF instrumento de confissão de dívida e o DARF recolhido a liquidação do valor confessado, não é possível ao sistema de cruzamento eletrônico identificar crédito a favor do contribuinte quando o valor recolhido é exatamente igual ao valor confessado. Se a origem do crédito deuse em razão das inconstitucionalidades alegadas em defesa, cabe ao contribuinte carrear aos autos toda a documentação que comprove a apuração da nova base de cálculo e a consequente redução do quanto devido, isto deve ser feito através de planilhas demonstrativas, escrita fiscal, escrita contábil, documentos que suportaram a sua escrituração e que tenham pertinência com a pretensa redução da base de cálculo. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10865.908860/200913 Acórdão n.º 3803004.258 S3TE03 Fl. 13 7 Observase ainda que em momento alguma, o despacho decisório mencionou prescrição e decadência, não entendemos como ou porque a requerente chegou a tal conclusão fazendo extensa explanação sobre a matéria, porém, completamente estranha ao objeto da decisão recorrida. Pelo exposto voto no sentido de anular a decisão de primeira instância, qual seja, o acórdão 1430109 da 4ª Turma da DRJ/RPO, para que outra seja proferida em seu lugar, desta feita analisando o pedido preliminar do contribuinte e assim dê seguimento ao presente processo nos termos do Decreto 70.235/72, respeitando o provimento judicial obtido no Mandado de Segurança o nº 000236188.2011.403.6109 da 4a Vara Federal de Piracicaba SP. É como voto. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 19515.004350/2010-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
DESTRUIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. INCÊNDIO. PROCEDIMENTOS REGULAMENTARES.
Ocorrendo a eventual destruição de livros e documentos que amparam a escrituração, em decorrência de incêndio, é mister que o contribuinte adote, no intuito de provar suas alegações, todas as providências previstas no art. 264, § 1º, do RIR/99.
Numero da decisão: 1401-001.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. DESTRUIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. INCÊNDIO. PROCEDIMENTOS REGULAMENTARES. Ocorrendo a eventual destruição de livros e documentos que amparam a escrituração, em decorrência de incêndio, é mister que o contribuinte adote, no intuito de provar suas alegações, todas as providências previstas no art. 264, § 1º, do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 50 /2 01 0- 53 Fl. 517DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.004350/201053 Acórdão n.º 1401001.005 S1C4T1 Fl. 518 2 (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.004350/201053 Acórdão n.º 1401001.005 S1C4T1 Fl. 519 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 13º Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo ISP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: 1. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 138/145, datado de 16/10/2010, tratase de crédito lançado pela Fiscalização contra o Contribuinte acima identificado (optante pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições), em relação ao anocalendário de 2006, vez que no procedimento fiscal foi verificada omissão de receitas, o que resultou na lavratura de Autos de Infração (acompanhados de demonstrativos de apuração dos valores devidos e demonstrativos de acréscimos legais multa e juros), fls. 161/210. 1.1. Em atendimento à determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 03), a AutoridadeFiscal emitiu Termo de Início de Fiscalização (fls. 23/26) recebido pelo Contribuinte em 21/06/2010 (fls. 26). 1.2. O Contribuinte, em resposta datada de 20/08/2010, consoante fls. 27, apresentou a alterações de seu contrato social (fls. 28/45); informou que os livros de registro de saída; de apuração do ICMS; de registro de inventário; de registro de utilização de documentos e livro caixa foram destruídos em incêndio ocorrido em 18/05/2007. Ainda, solicitou prazo para apresentação dos extratos bancários. 1.3. Em 30/09/2010, fls. 46, o Sujeito Passivo apresentou extratos bancários e cópia do boletim de ocorrência relatando o incêndio anteriormente mencionado, vide fls. 47/49 (cópia do boletim de ocorrência) e 50/116 (cópias dos extratos bancários). 1.4. Após análise dos extratos pela Autoridade Fiscal, em 11/10/2010, o Contribuinte foi intimado (fls. 120) a comprovar a origem dos valores depositados/creditados na conta bancária da Fiscalizada, identificados em planilha, fls. 119 e 121/136. Não houve manifestação do Fiscalizado. 1.5. Ainda, em 10/11/2010, fls. 136, considerando as justificativas apresentadas, o Contribuinte foi intimado a proceder a reescrituração dos livros para apresentação à fiscalização no prazo de 20 dias. A intimação, apesar de recebida (fls. 137), não foi atendida pelo fiscalizado. 2. Do Termo de Verificação Fiscal às fls. 138/145 (ciência no próprio Termo, em 16/12/2010, fls. 145) e dos elementos acostados aos autos, destacamse as seguintes intimações, documentos e informações: 2.1. De início, Autoridade Fiscal trata do direito discorrendo sobre a sistemática do SIMPLES, sua estrutura e fundamentação legal; dos conceitos e suporte legal da receita bruta, regime de competência e de caixa, bem como das presunções. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.004350/201053 Acórdão n.º 1401001.005 S1C4T1 Fl. 520 4 2.2. Em seguida relata os fatos, mencionando os atos praticados durante o procedimento fiscal, as intimações realizadas e as manifestações e documentos apresentados pelo Contribuinte, conforme já narrado. 2.3. Da análise dos depósitos bancários, a Autoridade Fiscal verificou a ocorrência de omissão de rendimentos declarados à RFB nos termos do art. 849 do RIR/99; apresentou resumo dos valores apurados dos créditos/depósitos bancários no ano calendário de 2006 no referido Termo e lançou o crédito tributário com a lavratura dos Autos de Infração para a exigência dos tributos não declarados e não recolhidos. 2.4. Informada a fundamentação legal de cada tributo abrangido pelo SIMPLES objeto de autuação com a indicação dos dispositivos legais específicos. 2.5. O Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, fls. 04, informa que o valor total do crédito apurado no presente processo é de R$ 5.389.488,58, incluídos o principal, multa e juros. 2.6. O presente processo contém o demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta (fls. 146/147), o demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 148/154), assim como o demonstrativo de apuração dos imposto/contribuição sobre diferenças apuradas, fls. 155/160. 2.7. Em 16/12/2010 foram lavrados os seguintes Autos de Infração, cujas cópias foram entregues ao Contribuinte (ciência aposta em cada um deles), assim como os respectivos valores de crédito apurado, demonstrativo dos valores devidos e demonstrativo de multa e juros: Imposto de Renda Pessoa Jurídica SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 380.287,71; Auto de Infração, fls. 166/170 e demonstrativos às fls. 161/165; Contribuição para o PIS/PASEP SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 278.173,92; Auto de Infração, fls. 176/180 e demonstrativos às fls. 171/175; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 380.287,71; Auto de Infração, fls. 186/190 e demonstrativos às fls. 181/185; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 1.117.045,95; Auto de Infração, fls. 196/200 e demonstrativos às fls. 191/195; Contribuição para Seguridade Social INSS SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 3.233.693,29; Auto de Infração, fls. 206/210 e demonstrativos às fls. 201/205. 2.8. Anotase que ao final de cada Auto de Infração, consta a respectiva fundamentação legal relativa ao tributo e aos acréscimos legais (multa e juros). 2.9. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada é o artigo 44, Inciso I, da Lei n° 9.430/1996 c/c art. 19 da Lei n° 9.317/96 (75%) e o enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996. 2.10. O Termo de encerramento da Ação Fiscal, datado de 16/12/2010, foi juntado às fls. 211/212; dada ciência pessoal na mesma data (fls. 212). Fl. 520DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.004350/201053 Acórdão n.º 1401001.005 S1C4T1 Fl. 521 5 2.11. Identificado um veículo do Contribuinte objeto de arrolamento, fls. 213. 2.12. Reiterase que o Fiscalizado foi cientificado pessoalmente do Termo de Verificação, de todos os Autos de Infrações, do Termo de Encerramento em 28/09/2010 e do bem arrolado, vide assinatura em cada um dos documentos. 3. A Autoridade Fiscal formulou Representação Fiscal para exclusão do Simples Federal e Representação Fiscal para exclusão do Simples Nacional, autuadas em processos apartados n° 19515.004577/201007 e n° 19515.004578/201043, processos estes anexados ao presente, Termos às fls. 380 e 381. 4. O Contribuinte apresentou, tempestivamente (fls. 378), impugnação à autuação (razões às fls. 218/238). Acompanham a impugnação os seguintes documentos: "relação de lojas"; alterações de contratos sociais; planilha com demonstrativo de créditos bancários; cópia do Termo de Verificação, das autuações, do Termo de Encerramento e da consulta ao DENATRAN do Renavam do veículo arrolado (fls. 239/372). Os argumentos impugnativos, em síntese, são: 4.1. Inicialmente a Defendente sintetiza o quanto relatado no Termo de Verificação Fiscal e esclarece que apresenta sua impugnação em peça única abrangendo todos os tributos e contribuições, tendo em vista que as autuações foram lavradas com base nos mesmos elementos de prova, na presunção de omissão de receita com base no art. 849 do RIR/99. 4.2. Alega que os depósitos bancários considerados como receita omitida unicamente da Autuada é descabida porque são referentes a várias empresas e não só à ASG. 4.3. Informa que a família constituiu várias empresas "de bairro'" por se tratar de "ramo de negócio de pequeno porte", o que pode ser confirmado pelos componentes do contrato social, juntando, também a relação das treze "lojas" e respectivos contratos sociais, acrescentando que cada qual possui CNPJ independente. 4.4. Acrescenta que por razões de praticidade a administração das "lojas" ficou a cargo de apenas uma pessoa, que centralizou toda a movimentação financeira na conta corrente n° 00715107, agência 0294 do Banco Bradesco S/A, concluindo que a movimentação financeira engloba todas as lojas, tendo instruído sua impugnação com um demonstrativo de créditos bancários de 2006 discriminando os créditos das outras pessoas jurídicas, identificadas também em sua peça de defesa. 4.5. Aduz que a documentação contendo o controle das receitas por estabelecimento foi destruída no incêndio que atingiu as instalações da empresa, restando apenas os extratos bancários. 4.6. Afirma que não houve omissão de receita tributável, a autuação decorreu da falta de identificação das demais pessoas jurídicas, reais detentoras das receitas. 4.7. Acredita que pela documentação juntada à sua impugnação esclareceu que os valores considerados pela Fiscalização não pertencem apenas à Impugnante, mas também a "várias outras pessoas jurídicas mantidas pelo contribuinte". Fl. 521DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.004350/201053 Acórdão n.º 1401001.005 S1C4T1 Fl. 522 6 4.8. Como o procedimento fiscal considerou que os valores eram unicamente da Fiscalizada e a autuação foi dirigida apenas contra a ASG, ausentes a identificação dos demais sujeitos passivos, entende que não pode prosperar, alegando vicio abinitio, por tributação indevidamente considera em seu nome. 4.9. Acrescenta que a autuação lavrada é insubsistente, descumpre o art. 43 do CTN, pois os depósitos são elementos meramente indiciários, ilegítimos para dar base ao lançamento. Esteiase em jurisprudência que transcreve. 4.10. Conclui que "somente se o Fisco constatar pelo exame dos documentos apresentados pelo contribuinte a existência de rendimentos tributáveis, e sobre os quais não houve recolhimento do tributo devido, tornase legítimo o lançamento." 4.11. Reitera que foram considerados valores pertencentes a outras pessoas jurídicas. Reproduz a Súmula 183 do extinto TFR: "É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base em extratos e depósitos bancários". 4.12. Transcreve o art. 142 do CTN para encadear seu raciocínio no sentido de que não é cabível a tributação direta dos depósitos bancários presumidos como renda, que incumbe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ressaltando que somente a autoridade lançadora poderia reunir provas, razão pela qual, os extratos bancários são indícios insuficientes, não podendo prevalecer o lançamento. 4.13. Ainda, rebate a afirmativa da Autoridade Fiscal de que não atendeu à intimação para comprovar a origem dos recursos depositados, uma vez que não o fez por falta de condições, pois os documentos foram consumidos pelo incêndio. 4.14. Reitera que a autuação teve suporte em elementos meramente indiciários, sem pesquisa da verdade, de averiguação dos fatos, acrescentando que por ser optante do SIMPLES "não poderia ter receita no montante levantado pelo Fisco". 4.15. Retoma que o lançamento fundado em mera presunção vulnera o princípio da legalidade e colaciona doutrina neste sentido que destaca o art. 142 do CTN. 4.16. Em acréscimo, alega que a lei ordinária que inverte o ônus probante não pode contraporse ao CTN que é norma de hierarquia superior. 4.17. Quanto às autuações decorrentes contribuição para o PIS/PASEP Simples, Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoSimples; Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialSimples e Contribuição para a Seguridade SocialINSSSimples, por se tratar de tributações reflexas aplicamse todas as razões de defesa expostas. 4.18. Destarte, julgada improcedente a autuação principal do Imposto de Renda pretende a mesma sorte às autuações reflexas, cancelandose as exigências no que se refere a essas autuações. 4.19. Em seu pedido requer provimento à sua impugnação, julgada insubsistente a autuação relativa ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaSimples, bem como autuações reflexas e determinado o arquivamento dos feitos. 4.20. Por fim, requer, ainda, seja procedida diligência para verificação e confirmação das razões apresentadas. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.004350/201053 Acórdão n.º 1401001.005 S1C4T1 Fl. 523 7 5. Nestas condições, fls. 379 e 382, o presente processo e seus apensos, acima mencionados, foram encaminhados para esta Delegacia, para julgamento. É o relatório. A DRJ Manteve os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. A empresa optante pelo Simples está sujeita às regras do art. 18 da Lei n° 9.317/96 e, consequentemente, à presunção de omissão de receita existente na legislação do imposto de renda, apurável com base em depósito bancário de origem não comprovada de acordo com o art. 42 da Lei n° 9.430/96, alterado pela Lei n° 9.481/97. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.004350/201053 Acórdão n.º 1401001.005 S1C4T1 Fl. 524 8 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. A princípio cabe esclarecer que os extratos bancários, base da autuação da omissão de receitas por falta de comprovação da sua origem, foram fornecidos espontaneamente pela Recorrente sem a necessidade da expedição de RMF para os bancos, motivo pelo qual se afasta do caso concreto da necessidade de sobrestamento por questão ligada à Repercussão geral no STF. A recorrente apesar de ter sido intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários, justificou a não apresentação do livro Caixa e de outros devido a ocorrência de um fato fortuito ou de força maior. É que os livros que permitiriam justificar a origem dos depósitos teriam sido destruídos em incêndio ocorrido em 18/05/2007. A esse respeito, o art. 264 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, dispõe: “Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10).” (grifei) De observar que o supracitado dispositivo legal elenca as providências que o contribuinte, ante a destruição dos seus livros, deve adotar como elementos de prova de suas alegações. .No caso que se cuida, prova não há de que o estabelecimento do contribuinte tomou tais providências, a não ser a apresentação de um Boletim de Ocorrência (BO). Atendose ao caso concreto, não consta dos autos prova de que o contribuinte não demonstrou que tenha cumprido a determinação de prestar minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, com cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição, neste mesmo prazo, além de não dar notícia do fato em jornal de grande circulação. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.004350/201053 Acórdão n.º 1401001.005 S1C4T1 Fl. 525 9 Ademais, mesmo que tivesse tomado tais providências ainda assim não poderia se eximir de ter procedido com a reescrituração de sua contabilidade. E tempo não faltou para tal. O suposto evento se deu em 18/05/2007 e a ação fiscal inciouse em 2010. Mais de três anos, portanto, do suposto sinistro, a fiscalização ainda oportunizou uma nova chance à Recorrente. Em 10/11/2010, fls. 136, considerando as justificativas apresentadas, o Contribuinte foi intimado a proceder a reescrituração dos livros para apresentação à fiscalização no prazo de 20 dias. A intimação, apesar de recebida (fls. 137), não foi atendida pelo fiscalizado. A recorrente não pode se valer de um evento fortuito para se blindar contra qualquer fiscalização e verificação que por ventura o Fisco queira fazer. Isso, no mínimo seria imoral. Afasto, portanto, essa justificativa. PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos Bancários Sem Comprovação da Origem dos Recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. A recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a ligação dos recursos recebidos em conta bancária e o seu discurso apresentado. Na verdade, a interessada ao invés de tentar provar os fatos alegados, se limita a tecer considerações de direito, no sentido de enfraquecer o lançamento por ter sido lastreado apenas em presunções. Em verdade, a argumentação da recorrente denota um total desconhecimento da existência do art. 42 da Lei nº 9.43096 que representa um verdadeiro marco em termos de presunção legal de omissão de receitas, verbis: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar Fl. 525DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.004350/201053 Acórdão n.º 1401001.005 S1C4T1 Fl. 526 10 de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Feitas tais digressões e, evidenciada a absoluta licitude do estabelecimento das presunções legais, cumpre dizer que, em relação aos anoscalendários autuados, as alegações trazidas pelo contribuinte mostramse despropositadas, visto que, o simples fato da existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, conforme dito, não as apresentou. Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. À recorrente, comprovar a origem desses depósitos. Ademais a suas justificativas em relação ao fato de a referente conta corrente que foi autuada ser a concentração de movimentações financeiras de outras empresas do mesmo grupo, só depõe contra ela mesma, pois além de ferir o princípio contábil básico da Entidade, apenas demonstra mais uma motivação para a fiscalização têla excluída mesmo do Simples e têla responsabilizado pela movimentação em seu nome: A esse respeito, trago a colação a bem alinhavada fundamentação trazida pela DRJ: 8.8. Há que ficar registrado que a articulação do Impugnante é equivocada e confusa: por vezes afirma a existência de treze "lojas" (portanto, seriam filiais) para, em seguida, atestar que possuem contratos sociais e CNPJ independentes (nestas condições são empresas), alegando que são empresas interligadas, "de bairro", com "ramo de negócio de pequeno porte". 8.9. Ademais, se a hipótese de grupo fosse real, tal fato poderia ensejar a pluralidade de sujeitos passivos como solidários do crédito tributário, mas sua ausência não seria eficiente para macular o lançamento, nos termos articulados e pretendidos pelo Impugnante. 8.10. Adicionalmente, deve ficar registrado que nos termos do art. 9° da Lei n° 9.317/96 não poderia optar pelo Simples a pessoa jurídica: IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2o; XIV que participe do capital de outra pessoa jurídica, ressalvados os investimentos provenientes de incentivos fiscais efetuados antes da vigência da Lei no 7.256, de 27 de novembro de 1984, quando se tratar de microempresa, ou antes da vigência desta Lei, quando se tratar de empresa de pequeno porte; XVII que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei; A argumentação de conta bancária da Autuada usada para várias empresas apenas atesta a irregularidade do contribuinte que é responsável pela movimentação em seu nome e pelas consequências dos valores que ingressaram em sua conta bancária e não foram justificados pelo Interessado, ou seja: a presunção legal de omissão de receitas e, tendo em vista o montante apurado, a representação e exclusão do Simples. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.004350/201053 Acórdão n.º 1401001.005 S1C4T1 Fl. 527 11 Outrossim, verifico que nem mesmo essa justificativa a Recorrente consegue demonstrar com provas substanciosas, pelo contrário apenas alega. E que somente alega, nada prova. Por fim, em sede de recurso a Recorrente ainda se aproveita dessas constatações para dizer que o auto de infração deveria ser invalidado, pois a recorrente já deveria então ter sido excluída do simples anteriormente. Ora, por óbvio tal argumentação não lhe aproveita. Primeiro, porque através de outros processos a empresa foi representada para que essa exclusão fosse providenciada e lá poderá se defender. Segundo, a Lei apenas comanda a exclusão a partir da constatação de determinadas infrações e delimita o marco temporal para cada caso em que isso ocorra. No caso concreto, o empresa ultrapassou o limite de receitas para permanecer nesse regime beneficiado do Simples e a Lei comanda a exclusão apenas para o exercício seguinte ao dessa ocorrência. E isso foi estritamente cumprido pelo Fiscal, sendo que a sua não exclusão em períodos anteriores apenas o favorece não sendo isso motivo para impingir qualquer mácula ao auto de infração. Portanto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 527DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10980.722071/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original.
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. RECÁLCULO DOS LIMITES. DESCONSIDERAÇÃO DOS EFEITOS DO ÁGIO. Não subsiste a exigência se a autoridade lançadora deixa de considerar outros efeitos das operações societárias que alterariam a composição do patrimônio líquido da investida.
LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. O lançamento complementar somente pode ser formalizado com vistas a ajustar a exigência do crédito tributário à motivação do lançamento, ou diante de fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação. Inadmissível a exigência suplementar decorrente da alteração de critérios expressamente adotados no lançamento original.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário.
CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-000.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto à glosa de amortizações de ágio, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva; 2) por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; 3) por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências de multa isolada, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva; 4) por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao lançamento complementar; 5) por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. RECÁLCULO DOS LIMITES. DESCONSIDERAÇÃO DOS EFEITOS DO ÁGIO. Não subsiste a exigência se a autoridade lançadora deixa de considerar outros efeitos das operações societárias que alterariam a composição do patrimônio líquido da investida. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. O lançamento complementar somente pode ser formalizado com vistas a ajustar a exigência do crédito tributário à motivação do lançamento, ou diante de fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação. Inadmissível a exigência suplementar decorrente da alteração de critérios expressamente adotados no lançamento original. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o anocalendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 20 71 /2 01 2- 76 Fl. 2684DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 3 2 tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto à glosa de amortizações de ágio, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva; 2) por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; 3) por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências de multa isolada, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva; 4) por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao lançamento complementar; 5) por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 2685DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório ARCELORMITTAL GONVARRI BRASIL PRODUTOS SIDERÚRGICOS S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 04/04/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 15.980.475,93. O crédito tributário exonerado superou o limite estipulado na Portaria MF nº 3/2008, motivo pelo qual a Turma Julgadora submeteu sua decisão a reexame necessário. O lançamento decorre de glosa de amortizações de ágio excluídas na apuração do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário 2009 e 2010, bem como de despesas de juros sobre o capital próprio deduzidas acima do limite legal nos anos calendário 2008 a 2010. Exigiuse, também, multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas em vários meses dos anoscalendário 2009 e 2010. As amortizações de ágio advieram da incorporação do patrimônio da ARCELORMITTAL BRASIL SSC PARTICIPAÇÕES S/A. Resume a Fiscalização que se trata, aqui, de operação de incorporação às avessas com aproveitamento de “ágio de si mesmo” gerado em negociação entre partes relacionadas, por meio de transações sem propósito negocial. A fiscalizada apresentou ACORDO DE INVESTIMENTO celebrado entre ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES e GONVARRI CORPORACION FINANCIERA, bem como o LAUDO DE AVALIAÇÃO para verificar a fundamentação, pela rentabilidade futura, do ágio gerado na aquisição da GONVARRI BRASIL PRODUTOS SIDERÚRGICOS S/A (nome anterior de ARCELORMITTAL GONVARRI BRASIL PRODUTOS SIDERURGICOS S/A [...]) pela ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES (fls. 09 a 584). A autoridade lançadora assim inicia a descrição dos fatos que motivaram a glosa das amortizações: 13. Em apertada síntese, podemos dizer que o GRUPO ARCELOMITTAL é um conglomerado industrial de produção de aço surgido da fusão, ocorrida no ano de 2006, entre o grupo indiano Mittal Steel Company e o grupo francoespanhol Arcelor. O Grupo Arcelor (transformado depois em GRUPO ARCELORMITTAL) possuía, ao menos desde o ano de 2003, participações nos Grupos espanhois GONVARRI e GESTAMP (vide Arcelor Annual Report 2003 e 2006 e ArcelorMittal Annual Report 2007, 2008 e 2009 extraídos do sitio www.arcelomittal.com, anexos às fls. 892 a 1661). Os Grupos GONVARRI e GESTAMP, por sua vez, eram controladores de 100% do capital da GONVARRI BRASIL antes desta receber a entrada da ARCELOMITTAL PARTICIPAÇÕES (controlada pelo GRUPO ARCELORMITTAL), cuja transação aliás é o escopo da presente AuditoriaFiscal. 14. Em suma, o negócio ora em análise é o seguinte: a) a empresa espanhola GONVARRI CORPORACION FINANCIERA SL (controlada pelos Grupos GONVARRI e GESTAMP) era acionista da GONVARRI Fl. 2686DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 5 4 BRASIL PRODUTOS SIDERÚRGICOS S/A (GONVARRI BRASIL) com 100% de participação, sendo portanto parte vendedora da operação ora em análise; b) o GRUPO ARCELORMITTAL, via ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES mas com recursos da empresa espanhola ARCELOR SPAIN HOLDING S.L. , figura como parte compradora; c) após o ingresso direto do GRUPO ARCELORMITTAL na GONVARRI BRASIL com sua consequente transformação em ARCELORMITTAL GONVARRI, a GONVARRI CORPORACION FINANCIERA SL passou a deter 50% de participação na mesma e a ARCELOR SPAIN HOLDING SL outros 50%. 15. Damos ênfase ao termo ingresso direto, uma vez que, conforme anteriormente comentado, antes do início das tratativas que culminaram na concretização do negócio em tela, indiretamente, o GRUPO ARCELORMITTAL já detinha direitos sobre a GONVARRI BRASIL. Portanto, para sermos mais diretos, estamos diante de análise de negociação entre partes relacionadas. Segundo a Fiscalização, no início do ano de 2008 (ou seja, antes de qualquer transação envolvendo o ingresso de novo sócio), a participação societária na fiscalizada (então denominada GONVARRI BRASIL) tinha a seguinte configuração: Em 07/12/2007 havia sido constituída THEOBROMA PARTICIPAÇÕES S/A, que em 22/02/2008 passou a ser denominada ARCELORMITTAL BRASIL PARTICIPAÇÕES S/A. Na seqüência: 27. Em 03/03/2008, na GONVARRI BRASIL (nome anterior da fiscalizada), conforme ATA DE AGE de fls. 62 a 63: é aprovada a redução do Capital Social da empresa em R$ 150.963.495,00, pela justificativa de ser o mesmo excessivo em Fl. 2687DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 6 5 relação ao seu objeto e às operações atuais e projeções futuras, o qual diminuiu de R$ 200.963.495,00 para R$ 50.000.000,00, mantendose o número de ações em 200.963.495. Todavia, essa redução se realizou somente no âmbito contábil, uma vez que somente em 29/10/2008, e com recursos aportados pela ARCELOMITTAL PARTICIPAÇÕES, é que referida importância de R$ 150.963.495,00 foi paga à sócia então detentora de 100% da GONVARRI BRASIL, a empresa espanhola GONVARRI CORPORACION FINANCIERA S.L. (vide Contrato de Fechamento de Câmbio de fls. 610 e 619, Registro de Investimento Externo Direto no SISBACEN de fls. 620 a 623 e Extrato da Conta Bancária da GONVARRI BRASIL então já transformada em ARCELORMITTAL GONVARRI de fls. 747 a 753). Ou seja, para que efetivamente ocorresse geração de ágio, antes da realização do negócio em tela, o valor nominal das ações da GONVARRI BRASIL foi forçadamente desvalorizado por uma pseudo redução do PL. No decorrer do presente relatório falaremos mais sobre o pagamento dessa redução de capital, pois a forma como ele se procedeu é de fundamental importância dentro desse contexto. 28. Em 14/03/2008 é assinado o INVESTMENT AGREEMENT (ACORDO DE INVESTIMENTO) entre GONVARRI CORPORACION FINANCIERA S.L. (empresa espanhola então proprietária de 100% das ações da fiscalizada) e ARCELORMITTAL BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A. A empresa GONVARRI BRASIL PRODUTOS SIDERÚRGICOS S.A. é apontada como parte interveniente no ACORDO e HOLDING GONVARRI SL e ARCELORMITTAL STEEL SERVICES CENTRES como partes garantidoras (fls. 100 a 137). Por meio deste documento ficou estabelecido ingresso da ARCELORMITTAL BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A no quadro societário da GONVARRI BRASIL PRODUTOS SIDERÚRGICOS S.A. (fiscalizada), passando aquela a deter 50% de participação nesta. Em suma, para chegar a este percentual de participação na GONVARRI BRASIL PRODUTOS SIDERÚRGICOS S.A. (atual ARCELORMITTAL GONVARRI), primeiramente ARCELORMITTAL BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A deveria adquirir, pelo preço de R$ 54.223.355.72, 39.025.800 ações desta sociedade então de propriedade de GONVARRI CORPORACION FINANCIERA S.L (o que representaria a compra de 19,42% de participação da GONVARRI BRASIL); em seguida, subscreveria 122.911.895 novas ações emitidas pela mesma pelo preço total de R$ 170.776.644,28, chegando assim a 50% de participação. O ACORDO ainda previa que do preço de emissão total mencionado (R$ 170.776.644,28), o valor de R$ 30.580.756,48 seria alocado ao capital social da ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES que saltaria de R$ 50.000.000,00 para R$ 80.580.756,48, e o montante remanescente de R$ 140.195.887,80 seria contabilizado com Reserva de Ágio. A autoridade fiscal indica que em 02/04/2008 a ARCELORMITTAL BRASIL PARTICIPAÇÕES S/A altera seu endereço e, em 26/05/2008 tem seu capital aumentado de R$ 800,00 para R$ 54.430.991,00, mediante integralização por ARCELOR SPAIN HOLDING SL, a qual é controlada por ARCELOMITTAL S/A. Conclui estar evidenciado que o GRUPO ARCELOMITTAL (compradora no negócio pactuado no referido ACORDO DE INVESTIMENTO) e o GRUPO GONVARRI (vendedora no negócio pactuado no referido ACORDO DE INVESTIMENTO) são partes relacionadas no exterior ao menos desde o ano de 2003, e apresenta o seguinte quadro com a configuração das participações societárias das empresas envolvidas no negócio em tela, antes da assinatura do citado ACORDO DE INVESTIMENTO: Fl. 2688DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 7 6 Observa que o GRUPO ARCELOMITTAL já detinha, nesta formatação, 57,75% (35% + 35%x65%) de participação na GONVARRI BRASIL. Em 06/06/2008 a ARCELORMITTAL BRASIL PARTICIPAÇÕES registra o ingresso do aumento de capital no valor de R$ 54.465.324,00, evidenciado em sua movimentação bancária e nos registros de câmbio. Em 09/06/2008, cumprindo a primeira parte do ACORDO DE INVESTIMENTO, a ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES adquire as ações da GONVARRI BRASIL PRODUTOS SIDERÚRGICOS S/A e registra em seu patrimônio ágio por expectativa de rentabilidade futura no valor de R$ 39.901.084,71. A Fiscalização destaca que em contrapartida a esta aquisição foi contabilizado crédito em favor de Credores Diversos empresas do grupo, confirmando que a transação é entre partes dependentes. Os cálculos do ágio apresentados pela fiscalizada estão, a seguir, reproduzidos: Fl. 2689DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 8 7 Diz a Fiscalização que do total remetido de R$ 47.641.447,82, a parcela de R$ 27.485.423,14 já pertenceria ao GRUPO ARCELORMITTAL, dada a participação indireta deste, no percentual de 57,75%, antes demonstrado. Considerando a remessa de R$ 54.465.324,00 feita pelo GRUPO ARCELORMITTAL em 06/06/2008, conclui que somente R$ 20.108.383,13 ficou disponível aos demais sócios da GESTAMP, permitindo afirmar que a remessa de R$ 47.641.447,82 feita pela ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES à Espanha tem natureza de restituição de capital a sócio e não de pagamento de ágio (mesmo porque não há que se falar em ágio em transação entre partes relacionadas), o que implica dizer que seu PL ficou artificialmente inflado. Embora sem ter acesso à movimentação financeira das empresas espanholas, a autoridade fiscal traça a seguinte demonstração de direito sobre a remessa feita por ARCELOMITTAL PARTICIPAÇÕES à Espanha: A autoridade lançadora prossegue relatando que em 09/06/2008 a autuada alterou sua denominação para ARCERLORMITTAL GONVARRI BRASIL PRODUTOS SIDERÚRGICOS S.A, e que em 10/06/2008 a GONVARRI CORPORACION FINANCIERA SL é incorporada por GONVARRI INDUSTRIAL SL, que assume a denominação da incorporada. A situação societária das empresas envolvidas passa a ser a seguinte: Fl. 2690DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 9 8 A autoridade fiscal aborda o laudo de avaliação da autuada, confeccionado em 16/06/2008 a pedido de ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES, segundo o qual a rentabilidade acumulada da GONVARRI BRASIL, considerando o resultado de equivalência patrimonial de 50%, seria de R$ 254 milhões em 5 anos a partir daquela data. Tendo em conta o investimento de R$ 225 milhões realizado pela ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES (R$ 54 milhões em junho/2008 e R$ 170.776.644,28 milhões em outubro/2008), ao final da operação, haveria o registro, no ATIVO da ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES, de ágio de R$ 92 milhões referente a expectativa de rentabilidade futura de investimento na GONVARRI BRASIL, consoante cálculos apresentados pela fiscalizada. A validade do laudo é questionada com os seguintes argumentos: 43. Destacamos que o Laudo de Avaliação supra, datado de 16/06/2008, foi confeccionado e assinado: a) depois da assinatura do ACORDO DE INVESTIMENTO entre GONVARRI CORPORACION FINANCIERA SL e ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES, para aquisição, por parte desta, de 50% da GONVARRI BRASIL (atual ARCELORMITTAL GONVARRI); b) após compra pela ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES de 19,42% das ações da GONVARRI BRASIL (atual ARCELORMITTAL GONVARRI) por R$ 54 milhões; c) após a mudança do nome da GONVARRI BRASIL PRODUTOS SIDERÚRGICOS S.A. (GONVARRI BRASIL) para ARCERLORMITTAL GONVARRI BRASIL PRODUTOS SIDERÚRGICOS S.A. (ARCERLORMITTAL GONVARRI), a despeito do Laudo ainda apontar como empresa objeto de avaliação a GONVARRI BRASIL; e Fl. 2691DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 10 9 d) antes do efetivo pagamento da importância de R$ 150.963.495,00 à GONVARRI CORPORACION FINANCIERA SL referente à supramencionada redução de Capital Social da ARCERLORMITTAL GONVARRI (à época ainda denominada GONVARRI BRASIL) para restituição a sua então única sócia, redução esta aprovada e contabilizada em 03/03/2008, mas só concretizada realmente em 29/10/2008 e com recursos aportados pelo GRUPO ARCELORMITTAL. 44. Ora, as práticas de mercado sugerem um estudo prévio por parte do comprador da situação econômica da empresa objeto de seu investimento. O ágio a ser apresentado numa Demonstração Contábil Consolidada é aquele resultante da diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos da controlada. Daí vem a utilidade dos Laudos de Avaliação. Como assinar um compromisso de investimento, com preço estipulado, sem uma avaliação que dê suporte acerca da viabilidade e rentabilidade do negócio? Entendemos que a assinatura do Contrato de Compra e Venda (ou Acordo de Investimento) antes da confecção do Laudo de Avaliação denota a característica meramente formal dos atos praticados pelas partes. Somese a isso a seguinte situação paradoxal: o GRUPO ARCELOMITTAL, parte que solicitou a confecção do Laudo, figura como acionista, mesmo que indireto, da empresa objeto da avaliação. Ou seja, considerando que ambas as empresas envolvidas na transação são sociedades anônimas, houve, neste caso, confusão jurídica, ao menos que parcial, previstas nos artigos 381 e 382 do Código Civil, pois que nas qualidades de credores e devedores desta relação jurídica, reuniramse as mesmas pessoas e, o encontro dessa dupla qualidade na mesma pessoa, extingue qualquer obrigação, por confusão. Acrescenta que o Laudo toma por base a expectativa de crescimento do lucro da fiscalizada, o qual não se verificou na prática. Cita o art. 8o da Instrução Normativa CMV nº 319/99 e o Pronunciamento Técnico CPC nº 01, acerca da redução ao valor recuperável de ativos, mas finaliza aduzindo que a despeito desses equívocos cronológicos e contábeis relacionados, respectivamente, ao Laudo de Avaliação da GONVARRI BRASIL PRODUTOS SIDERÚRGICOS S/A e à origem do ágio, o foco dessa AuditoriaFiscal diz respeito ao reconhecimento pela fiscalizada de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado intragrupo, o qual é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Prosseguindo, a autoridade fiscal relata: 1) o aumento de capital da ARCELORMITTAL BRASIL PARTICIPAÇÕES S/A em 22/09/2008 no valor de R$ 171.428.070,95, promovido por ARCELOR SPAIN HOLDINGS SL; 2) o ingresso desta importância em conta bancária da beneficiária em 09/10/2008; 3) a integralização de aumento de capital da autuada por ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES S/A em 29/10/2008, no valor de R$ 170.776.644,28 em razão do qual seu capital social é aumentado em R$ 30.580.756,48, e a diferença é registrada como Reserva de Capital referente a Ágio na Venda de Ações, no valor de R$ 140.195.887,80. No ativo de ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES é registrado ágio de R$ 52.540.161,90, cujo cálculo foi assim detalhado pela fiscalizada: Fl. 2692DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 11 10 A partir de então, a configuração das participações societárias é a seguinte: A Fiscalização relata que do aporte de R$ 170.776.644,28, R$ 150.963.495,00 foi utilizado para pagamento da acionista espanhola, GONVARRI CORPORACION FINANCIERA SL, em razão da redução de capital aprovada em 03/03/2008. Destaca que, desta forma: 1) o pagamento não foi feito com disponibilidades previamente existentes na GONVARRI BRASIL, mas sim com recursos de sócio desta que só veio a ingressar na empresa em data ulterior a realização da assembléia que aprovou a redução do capital social; 2) em razão da redução de capital antes deliberada, mas só efetivada em 29/10/2008, o PL da GONVARRI BRASIL estava indevidamente subavaliado, o que ajudou demais na confecção (ou geração) do ágio; 3) não fosse pela pseudo redução do capital social, o surgimento do pretenso ágio estaria praticamente inviabilizado. E arremata: Fl. 2693DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 12 11 60. Entendemos que a importância de R$ 140.195.887,80 supra não pode ser contabilizada como reserva de ágio pela ARCELORMITTAL GONVARRI, mesmo porque não há que se falar em ágio em transação entre partes relacionadas. A importância de R$ 170.776.644,28 tem natureza de empréstimo e, portanto, deveria ter sido contabilizada como tal. Ora, este recurso, supostamente utilizado para “pagamento” do ágio na subscrição de ações na ARCELORMITTAL GONVARRI, não ficou à disposição desta nem um dia sequer. Ele foi utilizado para pagamento de obrigação desta para com seus acionistas. Aliás, como à época da aprovação da redução do capital social o GRUPO ARCELORMITTAL detinha, mesmo que indiretamente, 57,75% de participação da GONVARRI BRASIL, o que ocorreu foi que parte da importância de R$ 170.776.644,28 enviada ao Brasil em 09/10/2008 pelo GRUPO ARCELOMITTAL, ficou novamente disponível a ele na GONVARRI CORPORACION FINANCIERA SL no dia 29/10/2008. Em novo gráfico, a Fiscalização mostra o direito que cada empresa envolvida no negócio tem sobre a referida importância de R$ 170.776.644,28: Em 19/12/2008 é assinado Laudo de Avaliação Contábil da ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES, com vistas à sua incorporação pela autuada, destacando a Fiscalização que seu único ativo era a participação na autuada. Em 22/12/2008 é assinado o protocolo de incorporação da ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES pela autuada, justificada pelo fato de que as atividades da ArcelorMittal Brasil SSC poderão ser exercidas pela ArcelorMittal Gonvarri e, ainda, que a centralização de ambas em uma única sociedade atende aos objetivos das partes e de seus acionistas, uma vez que permitirá a racionalização de suas atividades administrativas e financeiras. Em 31/12/2008 a incorporação é aprovada, e o grupo passa a ter a seguinte configuração societária: Fl. 2694DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 13 12 O ágio registrado como pago pela subscrição de ações da autuada, no montante de R$ 86.073.464,31, aumenta o patrimônio líquido da autuada e passa a ser amortizado. A Fiscalização conclui, então, que todas essas as operações em sequência (step transactions) foram realizadas com desiderato específico de diminuir pagamento de tributos. Verificase que não há qualquer suporte fático atinente à prática empresarial que justifique a sequência dos atos supra envolvendo principalmente a ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES. Não fosse pelo interesse tributário, os mesmos jamais teriam sido levado a cabo. E acrescenta que o ágio em questão foi gerado em negócio entre partes relacionadas. Os valores estipulados no supramencionado ACORDO DE INVESTIMENTO não surgiram de uma negociação de mercado, a qual requer um ambiente de livre concorrência e independência entre os envolvidos. Ao contrário, o mesmo contém a mácula de apresentar como parte compradora (GRUPO ARCELOMITTAL) e vendedora (GONVARRI CORPORACION FINANCIERA SL) empresas que são partes relacionadas no exterior. O art. 7o da Lei nº 9.532/97 exige que se verifique, na incorporada, participação societária adquirida com ágio. E, no presente caso, os valores registrados como ágio não se coadunam com o conceito contábil do termo, posto que não cumpre os pressupostos básicos comuns ao ágio, a dizer: a substância econômica e a bilateralidade na relação que deu origem ao mesmo. Reportandose ao Ofício Circular CVM SNC SEP nº 01/2007, assevera que para efeito da legislação societária, a perda da substância econômica do ágio deve ser imediatamente reconhecida na contabilidade, e no presente caso, ao menos, no momento da incorporação da ARCELOMITTAL PARTICIPAÇÕES pela ARCELOMITTAL GONVARRI com versão parcial do patrimônio daquela nesta, pois, se não há substância econômica em negócios realizados entre empresas ligadas aos mesmos acionistas, ainda mais não haverá quando os direitos de uma pessoa jurídica são registrados contra ela mesma. A autuada Fl. 2695DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 14 13 deveria ter se abstido de registrar o ágio, dada a inexistência de substância econômica no reconhecimento e manutenção de ágio sobre si mesma. Destaca que além de infringir a legislação tributária, a contribuinte fez uso distorcido da legislação tributária, como inclusive observado no parecer dos professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior (“A Incorporação Reversa com ágio gerado internamente: Conseqüências da Elisão Fiscal sobre a Contabilidade”). Reportase a documentos disponíveis no sítio do Grupo Arcelormittal na Internet como evidências de que GONVARRI INDUSTRIA S.A., a GESTAMP e a GONVARRI BRASIL são partes relacionadas à companhia, bem como ao ACORDO DE INVESTIMENTOS que no mesmo sentido indica. E assim constata que os pagamentos que deram origem ao ágio têm natureza de restituição de capital a sócio e de empréstimo, respectivamente. Questiona a razão de o Grupo Arcelormittal não ter aumentado sua participação na autuada mediante subscrição de ações, à semelhança do que verificado em 31/12/2000 com o ingresso do novo acionista GONVARRI PRODUCTOS SIDERÚRGICOS S/A (empresa com sede em Portugal), e aduz: 86. Por que o ingresso da ARCELOR SPAIN HOLDING S.L na GONVARRI BRASIL (atual ARCELOMITTAL GONVARRI) não se deu da mesma forma? Por que utilizarse do expediente de reativar um “CNPJ de Prateleira” (THEOBROMA PARTICIPAÇÕES S/A transformado depois em ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES), capitalizálo para que o mesmo viesse a comprar e subscrever ações da GONVARRI BRASIL, e ato contínuo extinguilo via incorporação por esta última? Porque com a utilização da ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES – “empresa veículo” sem nenhum propósito negocial e receptora de investimentos de curta duração – podese transportar da controladora original para a controlada, o suposto ágio originado nessa transação. De fato, o único substrato econômico que subsistiu nesses arranjos societários foi o pretenso benefício fiscal com a possibilidade de amortização do ágio pela própria empresa que o gerou. Abordando o conceito de empresa, assevera que jamais houve, por parte do GRUPO ARCELORMITTAL, a intenção de viabilizar a ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES, de sorte que esta pudesse conservar as ações da ARCELOMITTAL GONVARRI (ex GONVARRI BRASIL). Ao contrário, trata, a ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES, de uma sociedade efêmera, que nasceu para morrer ou para ser extinta tão logo fosse cumprido seu papel na operação. Acrescenta tratarse de uma Pessoa Jurídica Interposta utilizada na realização de negócio que se fosse realizado por outra pessoa o efeito tributário seria diferente. E finaliza observando que: 90. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis, via Pronunciamento Técnico CPC 15, analisou combinação de negócios envolvendo empresas veículo como a ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES, e chegou à seguinte conclusão: Nos casos em que há incorporações da controlada na controladora e que a controladora é somente uma empresa “veículo” sem operações, o saldo do ágio deve ser baixado, por meio de provisão, em contrapartida ao patrimônio líquido, no momento da incorporação. A Fiscalização constatou que não houve registro contábil das amortizações a partir de janeiro/2009, de acordo com as novas normativas contábeis, mas tais despesas foram Fl. 2696DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 15 14 consideradas pela empresa quando da apuração do Ajuste do RTT. Em conseqüência, a autoridade fiscal anulou, nestes ajustes, as amortizações verificadas em 2009 e 2010, nos valores anuais de R$ 18.452.041,78. Quanto à glosa de juros sobre o capital próprio, a autoridade fiscal observou que seu cálculo foi efetuado com base em PL inflado artificialmente pela contabilização de Reserva de Ágio. Considerando que o Pronunciamento Técnico CPC 15 determina que, nos casos em que há incorporações da controlada na controladora e que a controladora é somente uma empresa “veículo” sem operações (como é o caso da ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES), o saldo do ágio deve ser baixado por meio de provisão, em contrapartida ao patrimônio líquido, no momento da incorporação, bem como em respeito à doutrina contábil e às legislações tributária e societária, a autoridade fiscal baixou o ágio da contabilidade da fiscalizada e glosou os lançamentos de R$ 140.195.887,80 e R$ 86.073.464,31 contabilizados em seu PL a título de Reserva de Ágio. Destacou, ainda, que a parcela de R$ 140.195.887,80 tem natureza de empréstimo e deveria estar contabilizada no passivo, e não no Patrimônio Líquido. Calculando os novos limites de dedução, a autoridade fiscal determinou as glosas de juros sobre o capital próprio nos anoscalendário 2008 a 2010. Nos anoscalendário 2008 e 2009, a reconstituição da base de cálculo autuada, para fins de IRPJ e CSLL, considerou acréscimos de compensação de prejuízos e bases negativas anteriores até o limite legal de 30%. Já no anocalendário 2010, a reconstituição somente pode deduzir o saldo de prejuízos fiscais e bases negativas disponíveis. Ainda, tendo em conta os balancetes mensais que se prestaram à apuração das estimativas recolhidas em 2009 e 2010, a autoridade fiscal promoveu ajustes em razão das infrações apuradas, determinando as parcelas que deixaram de ser recolhidas, sobre as quais aplicou a multa isolada aqui exigida. Ao final, observou que os saldos negativos de IRPJ e CSLL originalmente apurados pela contribuinte no anocalendário 2008 foram reduzidos, e aqueles referentes aos anoscalendário 2009 e 2010 foram anulados. Na medida em que a contribuinte apresentou Declarações de Compensação – DCOMP para utilizálos, informou que representaria ao setor competente para providenciar a nãohomologação das compensações. Impugnando a exigência, a autuada descreveu a atuação do grupo; disse que em abril/2008 o Grupo ArcelorMittal, por meio de sua controlada ArcelorMittal Participações, firmou a intenção de adquirir 50% do capital da Gonvarri Brasil, formando a joint venture ArcelorMittal Gonvarri Brasil; contestou a alegação fiscal de que o Grupo ArcelorMittal e o Grupo Gonvarri são partes relacionadas no exterior, assim como de que o Grupo ArcelorMittal deteria indiretamente, via participações na Gonvarri Industrial SA e na Gestamp, 57,75% das participações societárias da Gonvarri Brasil. Abordou o tratamento do ágio interno no âmbito contábil, reportandose aos Pronunciamentos Técnicos do CPC nº 14 e 15, e ressalvando que as participações detidas por não controladores, independentemente de sua extensão, afastam a caracterização de controle comum. Destaca que o Grupo ArcelorMittal detinha participação minoritária de 35% na controladora indireta da autuada antes dos eventos de 2008, e que a aquisição da participação direta na autuada foi efetuada entre partes independentes. Questiona a vinculação que classifica como “coligação indireta”, defende a validade do laudo, discorda da necessidade de ele ser prévio à aquisição, e opõese aos demais argumentos da autoridade fiscal. Fl. 2697DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 16 15 Reportase aos estudos de impairment do ágio em 2008 e 2009, aborda o propósito negocial das operações, defende a regularidade da redução do capital social, apresenta restrições à abordagem fiscal acerca da utilização de “empresa veículo”, e afirma a regularidade do cômputo da Reserva de Ágio em seu Patrimônio Líquido para fins de cálculo dos juros sobre o capital próprio. Menciona outros efeitos jurídicos dos negócios praticados e questiona a desconsideração da personalidade jurídica da Gonvarri Espanha e da Holding Gonvarri SL. Por fim, discordou da exigência cumulada da multa de ofício e da multa isolada, e além de pedir o cancelamento integral da exigência, protestou pela posterior juntada de cópia do doc. 03 e da tradução juramentada dos documentos ora apresentados em língua estrangeira, dentre outros requerimentos. A autoridade julgadora de 1a instância devolveu os autos à DRF/Curitiba, com fundamento no art. 18, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 1972, para lavratura de autos de infração complementares de IRPJ e CSLL para exigência das parcelas dos saldos negativos já utilizadas em declarações de compensação e cujos valores foram indevidamente deduzidos na apuração das exigências de IRPJ e CSLL, com reabertura do prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Os lançamentos complementares foram juntados às fls. 2369/2384, impugnados pela contribuinte que argüiu sua nulidade porque não observados os requisitos legais para sua formalização, apontando a alteração do critério jurídico do lançamento, e a correta fundamentação do lançamento original, invocando a Solução de Consulta Interna nº 23/2006 e o Ato Declaratório Normativo nº 58/94. A Turma julgadora afastou a glosa de juros sobre o capital próprio, por constatar que caso se desconsidere a redução do capital social da ArcelorMittal Gonvarri, assim como as operações relativas ao ágio apurado pela ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A, o Patrimônio Líquido da interessada seria, de qualquer modo, suficiente para dar respaldo ao Juros Sobre o Capital Próprio pago pela interessada. No mais, rejeitou os argumentos da impugnante em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008, 2009, 2010 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. Legítima a lavratura de auto de infração complementar quando, em exames posteriores, no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, pois foi devolvido ao sujeito passivo o prazo para impugnação no concernente à matéria modificada, nos termos dos art. 18, § 3º, e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 Fl. 2698DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 17 16 ÁGIO GERADO EM OPERAÇÕES INTRAGRUPO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CONTROLE INDIRETO SOBRE A SOCIEDADE INVESTIDA. A premissa adotada pela autoridade fiscal de que o ágio foi gerado em operações intragrupo restou prejudicada em face de inexistir nos autos comprovação de que o grupo econômico ao qual pertence a sociedade investidora deteria, indiretamente, o controle sobre a sociedade investida. ÁGIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. FALTA DE LAUDO OU ESTUDO PRÉVIO À AQUISIÇÃO DO INVESTIMENTO. A dedutibilidade do ágio com base em expectativa de rentabilidade futura exige que o valor de aquisição do investimento esteja lastreado em laudo ou estudo prévio, que a contribuinte deve manter arquivado como comprovante da sua escrituração. ÁGIO. INCORRETA APURAÇÃO SOBRE INVESTIMENTO EM SOCIEDADE CUJO CAPITAL SOCIAL HAVIA SIDO APENAS FORMALMENTE REDUZIDO. Considerando que o ágio somente foi apurado em decorrência de o custo de aquisição do investimento ter sido comparado com o valor patrimonial de sociedade investida cujo capital social havia sido apenas formalmente reduzido, porquanto a restituição ao sócio não foi efetuada com disponibilidades financeiras ou com bens previamente existentes, mas com os recursos que ingressaram na empresa com a posterior integralização de aumento de capital na operação que deu causa à apuração desse ágio, indedutível na apuração do lucro real é o encargo com sua amortização. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. [...] Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50%. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. COMPATIBILIDADE. Tratandose de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do anocalendário, com base no lucro real anual. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. Cientificada da decisão de primeira instância em 26/10/2012 (fl. 2543), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 26/11/2012 (fls. 2544/2593). Inicialmente observa que deixa de combater as alegações de que o Grupo ArcelorMittal seria seu controlador indireto anteriormente à formação da joint venture com o Grupo Gonvarri, bem como de que inexistiria propósito negocial para a realização da Fl. 2699DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 18 17 operação de formação de joint venture, na medida em que a autoridade julgadora de 1a instância acolheu a argumentação apresentada em impugnação. De toda sorte, apresenta relatório elaborado pela empresa de renome internacional KPMG, que comprova, mais uma vez, que o Grupo ArcelorMittal não era controlador indireto da recorrente. Considerando que a decisão recorrida manteve a glosa da despesa de amortização do ágio por entender que o laudo que amparou a respectiva fundamentação econômica teria sido elaborado posteriormente à formação da joint venture, bem como porque o ágio teria sido registrado em razão da indevida redução de capital da ora Recorrente, além de manter as exigências de multa isolada e o crédito tributário consignado no lançamento complementar, a recorrente apresenta suas razões para reforma parcial da decisão recorrida nestes pontos. Principia traçando o contexto da formação da joint venture, abordando as atividades do Grupo ArcelorMittal e indicando sua origem em fusão dos Grupos Mittal Steel e Arcelor em 2006, de modo a distinguilo do Grupo Gestamp, este dividido em três segmentos distintos, quais sejam, Gonvarri, Gestamp Automación e Gestamp Renewables. Esclarece, então que: 21. O segmento GONVARRI tem por foco a prestação de serviços para o setor siderúrgico, notadamente, o processamento de bobinas de aço. No Brasil, suas atividades eram desenvolvidas pela Gonvarri Brasil, centro de serviço especializado no processamento e distribuição de aços planos. 22. Já o segmento Gestamp desenvolve atividade complementar à do ramo Gonvarri, qual seja, a estamparia das peças obtidas pelo processamento das bobinas de aço. 23. Por razões comerciais que serão exploradas adiante, em 14 de março de 2008, o Grupo ArcelorMittal, por meio de sua controlada ArcelorMittal Participações, firmou a intenção de adquirir 50% do capital da Gonvarri Brasil, formando a joint venture ArcelorMittal Gonvarri Brasil. 24. Referida aquisição foi realizada em duas etapas: (i) na primeira, em JUNHO de 2008, a ArcelorMittal Participações adquiriu ações ordinárias da Gonvarri Brasil, então detidas pela Gonvarri Espanha; e (ii) na segunda, em OUTUBRO de 2008, novas ações ordinárias da Gonvarri Brasil foram subscritas e integralmente integralizadas pela ArcelorMittal Participações. Aduz que esta operação modificou substancialmente a forma de gestão da Gonvarri Brasil apontando: a alteração de sua denominação social, a constituição de um Conselho de Administração composto por membros indicados por ambos os acionistas, e a reforma integral do Estatuto Social. A joint venture assim constituída permitiu que os grupos independentes e autônomos no exterior pudessem desenvolver atividades complementares em conjunto no Brasil, consoante preâmbulo do Acordo de Investimentos e excertos do Parecer do CADE que aprovou a operação, os quais transcreve. Reputa nítida a sinergia entre as atividades de cada um dos grupos, visto que o Grupo ArcelorMittal manufatura as bobinas, que são processadas pela Recorrente, e diretamente integradas ao produto dos clientes tanto do Grupo ArcelorMittal, quanto da Recorrente, e discorre sobre a expansão das atividades do grupo. Discorda dos argumentos opostos pela decisão recorrida à validade do laudo de avaliação pois: 1) a aquisição não ocorreu em abril/2008, mas sim em junho e outubro do Fl. 2700DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 19 18 mesmo ano; 2) em março/2008 apenas foi assinado o Acordo de Intenções entre as partes, sujeito a condições para que a compra se efetivasse; 3) a Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 09/06/2008 atesta a transferência de ações da autuada, detidas pela Gonvarri Corporacion Financiera SL, para a ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A; 4) a Ata de Assembléia Geral Extraordinária e Boletim de Subscrição da Companhia de 29/10/2008 atestam a subscrição, pela ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A de ações emitidas somente nesta data; e 5) a aquisição das ações somente ocorre com a transferência de sua titularidade. Nega a validade jurídica do relatório das demonstrações financeiras do Grupo ArcelorMittal, emitido na Europa, destinado aos seus acionistas europeus, no qual se sustenta a acusação fiscal, dado que a recorrente não participou de sua elaboração, não sabe a origem da informação, e seu conteúdo é incorreto. Observa, ainda, que nos termos da legislação tributária, o laudo de avaliação não é obrigatório, bastando uma demonstração elaborada pela própria empresa, de modo que sua elaboração evidencia o zelo da adquirente em dar suporte ao ágio em questão. Acrescenta que a elaboração do laudo de avaliação não deve ser necessariamente prévia, mas contemporânea à aquisição, e que a determinação legal neste sentido apenas busca permitir que o adquirente da participação societária possa apontar de forma apropriada a justificativa econômica da parcela do preço que exceder ao PL da investida. Discorda do entendimento da autoridade julgadora de que o laudo se prestaria a fixar o preço de aquisição, asseverando que ele serve como justificação econômica do ágio, bastando que seja contemporânea à aquisição. No caso, como o Acordo de Investimentos apenas definiu os termos gerais da negociação, o laudo de avaliação, além de se reportar à data base de 31/05/2008, foi emitido e assinado em 16/06/2008, uma semana após a compra das ações na primeira etapa do acordo (09/06/2008), e em data bem anterior à segunda etapa de aquisição (29/10/2008). Adiciona que a Apsis Consultoria Empresarial Ltda certamente não elaborou o laudo em uma semana, mas sim já o estava preparando e discutindo em momento anterior à aquisição, de modo que a ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A obviamente sabia que o ágio estava baseado em expectativa de rentabilidade futura. Ressalta que a própria autoridade julgadora de 1a instância reconheceu que o Acordo de Investimentos continha condições precedentes à conclusão do negócio, e assevera que não tivessem as condições precedentes sido cumpridas, a aquisição provavelmente não teria sido realizada e não haveria que se falar em pagamento do preço ou em registro do ágio. Conclui, assim, que a avaliação é contemporânea à aquisição, refletindo a expectativa de rentabilidade da Recorrente naquele momento. Passa, então, a abordar a acusação de redução indevida do PL da Recorrente. Inicialmente opõese à alegação de que o registro do ágio decorreria unicamente da diminuição indevida do PL da Recorrente em função da redução de capital deliberada em 03.03.2008, pois, inexistindo qualquer vício nesta operação, os questionamentos apresentados são improcedentes. Afirma ser notório que tendo sido a redução de capital deliberada em março de 2008, o valor patrimonial do qual partiu a negociação do preço de aquisição das ações da Recorrente tomou por base o valor de seu PL já reduzido. Acrescenta que não tivesse a redução de capital sido deliberada, o PL da Impugnante seria de R$ 224 milhões, aumentando Fl. 2701DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 20 19 em R$ 150 milhões (valor da redução de capital) o valor patrimonial de suas ações. Em conseqüência, o valor de 100% da empresa passaria a ser de R$ 600 milhões (i.e., 225 (50% de 74) + 75 (50% de 150) = 300 x 2 = R$ 600 milhões), e a aquisição de 50% da empresa deveria ser feita por R$ 300 milhões, e não R$ 225 milhões como efetivado, permitindo a formação do mesmo montante de ágio, que considerando agora o valor patrimonial de R$ 112 milhões (50% de 224 milhões), equivaleria a R$ 188 milhões (apesar de o valor efetivamente registrado ter sido inferior, visto que parte da aquisição se deu por meio de subscrição de capital da Recorrente.) Conclui, assim, que o efeito da redução de capital na formação do ágio é totalmente neutro, na medida em que eventuais alterações neste sentido afetariam diretamente a negociação de preço. Por estas razões, reputa impossível a manutenção da glosa das despesas de ágio também por este fundamento. Defende a impossibilidade de se exigir multa isolada prevista pelo artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 após o encerramento do anocalendário, asseverando que esta penalidade somente é aplicável quando verificada a falta de recolhimento das estimativas mensais antes do encerramento do anocalendário. Encerrado o anobase, eventuais insuficiências de recolhimento só serão exigidas quando examinados todos os elementos integrantes da renda em 31 de dezembro do anocalendário, como inclusive dispõe o art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 93/97. Reportase a julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais e a outros acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes. Pleiteia, ainda, a aplicabilidade da jurisprudência relativa a período anterior à Lei nº 11.488/07 ao presente caso, dado que a materialidade sobre a qual incide a multa permanece rigorosamente a mesma, consoante se infere, inclusive, da Exposição de Motivos da medida provisória que deu origem à referida alteração legislativa. Complementa alegando a impossibilidade de se exigir cumulação de multas pelo mesmo fato gerador, na medida em que tanto a multa isolada como a multa de ofício possuem os mesmos elementos centrais e a mesma natureza jurídica, qual seja, a de sanção pelo não recolhimento do tributo. Reportase a julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes e desta Primeira Seção de Julgamento em favor da sua tese. Finaliza observando que aparente conflito entre as normas é resolvido pela absorção da multa isolada pela multa proporcional de ofício, consoante manifestações da Câmara Superior de Recursos Fiscais e desta Primeira Seção de Julgamento. Pede, também, o cancelamento do auto de infração complementar porque: 1) a autorização concedida pela DRJ para sua lavratura não se funda no art. 18, §3o do Decreto nº 70.235/72, mas sim na regra geral de revisão de ofício do lançamento tributário contida nos arts. 145 e 149 do CTN; e 2) o critério de apuração da base tributável utilizado no AI original estava totalmente correto e pautado em orientações da própria Receita Federal. Transcreve as hipóteses do art. 149 do CTN e constata que nenhuma delas se verificou no presente caso. Cita doutrina e invoca o princípio da segurança jurídica. Reportase a doutrina para reforçar seu entendimento de que a permissão contida no art. 18, §3o do Decreto nº 70.235/72 tem como base as hipóteses do art. 149 do CTN. E aduz: 136. Nesse contexto, se o art. 149 do CTN não especificasse quais as situações em que a revisão do lançamento seria possível, as autoridades fiscais teriam uma espécie de “cheque em branco” em seu poder para lavrar autos de infração complementares toda vez que verificassem que outros critérios poderiam ser aplicados ao lançamento original de forma a agraválo, o que significaria afronta Fl. 2702DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 21 20 ao princípio da segurança jurídica, pois o sujeito passivo, a qualquer tempo, teria que se defender de novas autuações consubstanciadas por meio de autos de infração complementares. Invoca doutrina para argumentar que o auto de infração tem como elemento essencial o seu motivo, o qual abrange os pressupostos de fato e de direito que o embasam, afirmando que identificado erro no pressuposto de direito, o ato administrativo é inválido, a ensejar a nulidade do lançamento complementar. De outro lado, a autoridade fiscal, ao apurar os tributos devidos, deduziu o montante do saldo negativo objeto de compensações da Recorrente, de modo que o lançamento complementar desfez esta apuração, exigindo aqueles valores no lançamento complementar. Defende que o art. 2o, §4o, inciso IV e art. 30 da Lei nº 9.430/96 determinam a dedução das antecipações para apuração do saldo a pagar a título de IRPJ e CSLL, de modo que a autoridade fiscal também devem considerálas, compensando o saldo negativo na autuação. Complementa que o critério adotado no lançamento original atende à Solução de Consulta Interna nº 23/2006, bem como ao Ato Declaratório Normativo nº 58/94. Reporta se a julgados administrativos no mesmo sentido, e reputa inaceitável a alteração de critério adotado no lançamento original, argumentando que se estava correto o critério jurídico de apuração na base tributável no AI original, a D. Fiscalização, ao alterálo no AI complementar, incorreu em nítido erro de direito, ensejando a nulidade não só do AI complementar, como do AI original. Associa o erro no critério jurídico utilizado ao princípio da legalidade e ao art. 142 do CTN, conceituando o erro de direito como inadequada aplicação da norma jurídica pelo auditor fiscal, em razão de equivocado entendimento sobre o seu comando ou puro desconhecimento. E conclui que este tipo de erro fere a substância da exigência, impondo o cancelamento do auto de infração, como inclusive reconhecido nos acórdãos que cita. Inexistindo fato novo, mas sim revisão sobre o critério da base de cálculo apurada no auto de infração original, a qual culminou em agravamento da cobrança, pede o cancelamento do auto de infração complementar, a fim de que seja decretada a nulidade dos lançamentos fiscais indevidamente constituídos. Por fim, afirma a ilegalidade da incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício, porque a lei somente autoriza seu acréscimo a débitos decorrentes de tributos e contribuições, na medida em que se prestam a remunerar o credor pela privação do uso de seu capital, no caso, o que deveria ter sido recolhido e não foi. A multa prestase apenas a atribuir eficácia ao cumprimento da obrigação principal, e a aplicação de juros sobre ela acarreta afronta ao princípio do não confisco e viola o direito de propriedade. Cita jurisprudência administrativa em favor do seu entendimento. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário e razões ao recurso de ofício, por meio das quais pleiteia a manutenção integral da exigência fiscal. Inicialmente no que se refere ao lançamento complementar, observa a existência de representação por parte da autoridade lançamento, informando à DRJ Curitiba o erro cometido no cálculo do débito lançamento, e solicitando autorização para sua revisão de ofício. A autoridade julgadora analisou a solicitação e entendeu necessária a correção, caso Fl. 2703DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 22 21 contrário o contribuinte seria duplamente beneficiado por um mesmo direito creditório, assim determinando a revisão nos termos do art. 18, §3o do Decreto nº 70.235/72. A autoridade lançadora, por sua vez, além de reportar a este dispositivo, fundamentou a revisão no art. 145, inciso III e no art. 149, inciso IX, ambos do CTN. Ao final, o lançamento complementar não importou qualquer alteração do critério jurídico inicialmente aplicado, mas apenas imputou ao sujeito passivo uma nova infração em face da revisão dos fatos apurados. Reportase a julgado deste Conselho favorável à revisão de ofício e quanto ao cabimento meritório da revisão realizada, destaca que ela procurou evitar que o contribuinte gozasse duplamente de um mesmo direito creditório. Assim, como ele já havia utilizado os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados nos anoscalendários de 2008 e 2009 para reduzir débitos tributários (DCOMP’s), não há como esses mesmos saldos justificaram a redução de novos débitos. Concordar com a segunda dedução desses saldos, importará o enriquecimento sem causa do contribuinte. Prosseguindo, defende a indedutibilidade do ágio escriturado pois, além da clara imprestabilidade do laudo apresentado e da artificialidade da redução de capital realizada, há nos autos provas suficientes que demonstram que o ágio decorreu de operações realizadas entre partes relacionadas. Historia os fatos societários que reputa relevantes, e reportase aos “Relatórios Anuais do Grupo ARCELORMITTAL”, nos quais consta claramente que esse grupo, além de controlar de forma absoluta a ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES, também detinha participação societária da empresa espanhola GONVARRI INDUSTRIAL SL, a qual era a única sócia da também espanhola GONVARRI CORPORACION, esta última única controladora da GONVARRI BRASIL (cuja negociação deu ensejo ao ágio glosado). A referida participação representa 59,8% em 2003, e fora reduzida em 2006 para 35%, patamar no qual foi mantida até 2008. Estando, portanto, o Grupo ARCELORMITTAL presente nos dois polos de negociação, não há como negar que o ágio decorreu de uma operação entre partes relacionadas (empresas que pertencem a um mesmo grupo). Reportase, também, às inúmeras notícias jornalísticas juntadas pela Fiscalização, e desta aquela publicada (em português) pelo sítio eletrônico “Económico.fórum” no dia 27/09/2004. Observa, ainda, que, com base na ligação existente entre a GONVARRI CORPORACION e a ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES, primeiro, a parte alienante reduziu o capital social do investimento que seria negociado com vistas a criar um ágio a ser deduzido pela adquirente, sem gerar para si, por outro lado, o correspondente ganho de capital tributável, e, segundo, para atestar o fundamento econômico do ágio, fora elaborado um laudo após o preço ter sido negociado e o seu pagamento iniciado. Entende que a artificialidade da redução do capital social da GONVARRI BRASIL resta evidente quando a análise das operações se concentra em três aspectos: primeiro, a relação existente entre as partes negociantes; segundo, a proximidade temporal entre a redução do capital e a negociação do investimento; e, terceiro, a utilização dos recursos oriundos da negociação do investimento para a concretização da redução do capital. Analisando “o filme completo” com base nessas três premissas, será possível alcançar a real intenção da GONVARRI CORPORACION e da ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES desde a redução do capital até a dedução do ágio que surgiu da aquisição de 50% das ações da GONVARRI BRASIL. Fl. 2704DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 23 22 Como as referidas empresas integravam o mesmo grupo empresarial, é possível concluir que a Gonvarri Corporacion, ao reduzir seu capital na Gonvarri Brasil, já sabia da futura venda de metade desta empresa à outra integrante do grupo. E, sendo partes relacionadas, não havia razão para a alienante (GONVARRI CORPORACION) cobrar ágio da adquirente (ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES), dado que eventual ágio cobrado de uma parte seria neutralizado pelo ganho auferido pela outra). Logo, o correto e normal seria a transferência da participação societária da GONVARRI BRASIL pelo seu valor de patrimônio líquido. Assim, as empresas começaram a orquestrar uma forma dessa transferência ocorrer pelo seu valor de PL, e ainda propiciar uma redução fiscal, vislumbrada com o ágio que poderia ser amortizado em razão da aquisição da participação societária. Daí a solução: a alienante, antes da negociação do investimento, iria reduzir o seu capital social, contudo, essa redução somente iria se concretizar após o fechamento da negociação, a fim de que o pagamento fosse disfarçado de redução de capital. Por meio dessa fórmula, mesmo o investimento sendo transferido pelo seu valor de PL, o adquirente registra um ágio, e o alienante não aufere ganho de capital, porque o dinheiro que recebeu foi registrado em seu patrimônio como redução de capital social de uma controlada. Entende demonstrada a artificialidade da redução do capital social da GONVARRI BRASIL realizada pela GONVARRI CORPORACION. Tendo sido realizada poucos dias antes da negociação de 50% da GONVARRI BRASIL, e dependendo financeiramente dos recursos que seriam entregues pela ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES, a redução de capital da GONVARRI BRASIL não pode ser aceita pelo Fisco como um ato verdadeiro e válido. Não fosse tal redução artificial de capital social, a ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES não teria registrado praticamente nenhum ágio em face da aquisição da participação societária da GONVARRI BRASIL (o ágio seria de R$ 1 milhão, e não de R$ 92 milhões como registrado). Refuta o raciocínio desenvolvido no recurso voluntário acerca da manutenção do ágio mesmo sem a redução do capital social, porque a recorrente se olvida é que o contexto negocial por ele proposto somente é cabível quando as partes contratantes são independentes entre si. Quando há contraposição de interesses. Quando o interesse da parte adquirente (pagar menos) vai de encontro com o interesse da parte alienante (ganhar mais), permitindo, assim, que se estabeleça um valor justo que satisfaça a todos. Quanto ao laudo, assevera que ele não foi elaborado à época em que o ágio foi negociado, assim como quando foi paga a sua primeira parcela, de modo que sua apuração se fez com base em quaisquer outras razões econômicas, mas não na rentabilidade futura da GONVARRI BRASIL. Defende que a legislação exige a prova do fundamento em documento elaborado antes do efetivo pagamento dessa “mais valia”, e diz: Por fundamento, razão ou justificativa econômica, que leva ao surgimento de um ágio, por sua vez, deve se entender o elemento volitivo que faz uma empresa adquirir a participação societária de outra. O fundamento econômico, assim, não é um simples documento, mas sim a vontade real que fez parte do negócio firmado. A rentabilidade futura, por exemplo, traduz o interesse da empresa adquirente de auferir no futuro a rentabilidade que será distribuída pelo investimento adquirido. A legislação fiscal exige que o lançamento contábil do ágio esteja amparado por documento arquivado na contabilidade da empresa. Daí porque o laudo deve ser elaborado Fl. 2705DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 24 23 antes do desembolso pela aquisição. Se este documento inexistir, o laudo não terá qualquer fundamento no momento da contabilização do ágio. Ademais: Com efeito, a anterioridade que deve existir do documento que atesta o fundamento econômico do ágio ao seu efetivo pagamento, em que pese não estar expressamente prevista na lei, decorre de uma estrutura lógica que se impõe à realização dos atos negociais que propiciam o surgimento de um ágio. Sendo o ágio fruto de uma negociação, onde uma parte adquire de outra um bem (participação societária), a ordem necessária dos fatos é que a parte adquirente estude o seu interesse no bem antes do negócio ser fechado. Imaginar o contrário seria admitir que a parte adquiriu o bem e depois analisou se tinha interesse na compra já realizada. O ato existiria antes da vontade. Um absurdo! Em seu entendimento, admitir que, na realização de um negócio, a efetiva circulação de riquezas entre as partes possa anteceder a razão econômica que levou ao estabelecimento do valor que seria recebido/pago, significa afastar, em última análise, a regra fundamental da Economia da oferta e da demanda. Além disso, referido disparate hermenêutico implicaria a permissão de inimagináveis situações fraudulentas, mediante manipulação das informações que comprovaria a materialidade dos fatos, pois o fundamento do ágio seria o que a parte que o suportou quiser que o seja. A contribuinte não trouxe aos autos um documento hábil a demonstrar o fundamento econômico do ágio, pois o laudo é posterior ao pagamento da primeira parte do ágio paga, e inexiste no momento em que o ágio é negociado, em 14/03/2008. Por sua vez, a elaboração de um laudo no presente não é hábil a atestar o elemento volitivo das partes em um negócio que se realizou no passado. Observa que como regramatriz de julgamento eleita pelo CARF, a verdade material deve sempre ser buscada. No presente caso, a verdade material só pode ser averiguada pelos documentos produzidos à época do pagamento do ágio. Por fim, defende a possibilidade de aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, bem como a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Fl. 2706DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 25 24 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Apenas o seguinte trecho da acusação fiscal já seria suficiente para, inviabilizar a amortização do ágio, no entendimento desta Relatora: 86. Por que o ingresso da ARCELOR SPAIN HOLDING S.L na GONVARRI BRASIL (atual ARCELOMITTAL GONVARRI) não se deu da mesma forma? Por que utilizarse do expediente de reativar um “CNPJ de Prateleira” (THEOBROMA PARTICIPAÇÕES S/A transformado depois em ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES), capitalizálo para que o mesmo viesse a comprar e subscrever ações da GONVARRI BRASIL, e ato contínuo extinguilo via incorporação por esta última? Porque com a utilização da ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES – “empresa veículo” sem nenhum propósito negocial e receptora de investimentos de curta duração – podese transportar da controladora original para a controlada, o suposto ágio originado nessa transação. De fato, o único substrato econômico que subsistiu nesses arranjos societários foi o pretenso benefício fiscal com a possibilidade de amortização do ágio pela própria empresa que o gerou. A descrição feita pela autoridade lançadora deixa claro que os recursos utilizados para aquisição de participação na autuada foram aportados pela Arcelor Spain Holding SL na ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A, e imediatamente transferidos para Gonvarri Corporacion Financiera SL (na primeira parte do acordo) ou para a autuada (na segunda parte do acordo), prestandose a ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A apenas como extensão do caixa da Arcelor Spain Holding SL no Brasil. Ao final, Arcelor Spain Holding SL passa a ser detentora de 50% das ações da autuada, adquiridas mediante interposição da Arcelor Mittal Brasil SSC Participações S/A, a qual não apresenta outra utilidade senão sua posterior extinção, em razão de incorporação pela autuada, de modo a construir o cenário a partir do qual poderia ser almejada a aplicação do art. 7o, inciso III da Lei nº 9.532/97 c/c art. 8o, alínea “b” da mesma lei. Nas palavras da Fiscalização: 87. Marco Aurélio Grecco destaca em sua obra (Planejamento tributário. S. Paulo, Dialética, 2004), que o elemento relevante quando se está perante uma pessoa jurídica não é apenas a sua existência formal. Em matéria tributária, tão ou mais importante que o preenchimento das formalidades legais para sua constituição é a identificação do empreendimento que justifica sua existência. A criação de uma empresa tem sentido na medida em que corresponda “a vestimenta jurídica de um determinado empreendimento econômico ou profissional”. A idéia de empresa é o núcleo a ser investigado. O Código Civil define no caput do art. 966 que “considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços”. Sendo assim, no contexto aqui analisado, qual seria o papel da ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES? 88. Acrescentese que a ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES, extinta em 31/12/2008, manteve atividade unicamente no anocalendário 2008, quando teve apenas 253 lançamentos contábeis (vide Diário Geral de fl. 1668 a 1685), sendo Fl. 2707DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 26 25 nenhum deles relacionado a alguma atividade comercial, industrial, mas somente a atos de reorganização societária, pagamentos de consultoria e amortização de ágio. Esta Relatora já se posicionou contrariamente a operações desta espécie, em razão das quais as amortizações mostramse indedutíveis porque não representam despesas próprias, mas sim despesas da adquirente original do investimento, que subsiste ativa, e com o investimento registrado em seu patrimônio por valor correspondente ao sacrifício financeiro que experimentou para adquirilo. Neste sentido é o voto vencedor do Acórdão nº 1101 000.899, acolhido pela maioria desta Turma de Julgamento na sessão de 11 de junho de 2013, quando apreciado recurso voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 19515.005924/200977: Interpreto a acusação fiscal de forma distinta do I. Relator, pois observo que a autoridade lançadora fez referência à Nota Explicativa à Instrução CVM nº 349, de 06/03/2001, destacando que operações desta espécie acabam por ensejar o reconhecimento de um acréscimo patrimonial se a efetiva substância econômica, mediante a criação de uma sociedade veículo que transfere da controladora original para a controlada o ágio pago na sua aquisição, e ao final do processo de incorporação, o investimento e, conseqüentemente, o ágio permanecem inalterados na controladora original. E, ao longo de todo seu arrazoado, a autoridade lançadora destacou que a AVERDIN criou nas empresas veículo APENINA e MKV o patrimônio necessário para que estas adquirissem a LISTEL e nelas restasse registrado o ágio pago nesta operação. Nas palavras da Fiscalização, em 01/06/1999 a AVERDIN detinha, direta ou indiretamente, controle de 100% do capital da LISTEL. Assim, com os recursos aportados por AVERDIN, as empresas veículo APENINA e MKV realizam a operação que gera o ágio aqui amortizado, após a extinção, apenas, de APENINA e MKV, incorporadas pela autuada. A investidora original, AVERDIN, que efetivamente adquiriu a LISTEL, subsistiu ativa e, inclusive, mantendo em seu patrimônio o investimento feito na LISTEL, por seu valor majorado pelo ágio pago. Esta a razão, portanto, para a Fiscalização concluir que a operação entre LISTEL, APENINA e MKV ocorreu em circuito fechado. O adquirente, terceiro estranho à investida, nesta operação, é a AVERDIN, representante no Brasil do Grupo BellSouth, como demonstrado no organograma societário de fl. 1256, citado pelo I. Relator. Por sua vez, a Lei nº 9.532/97 assim dispõe: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à Fl. 2708DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 27 26 incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. [...] Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (negrejouse) Claro está que as empresas envolvidas na incorporação devem ser, necessariamente, a adquirente da participação societária com ágio e a investida adquirida. O procedimento aqui realizado não extingue, na real adquirente, a parcela do investimento correspondente ao ágio, de modo que ao final dos procedimentos realizados, com a incorporação da empresa veículo pela investida, a propriedade da participação societária adquirida com ágio subsiste no patrimônio da investidora original, diversamente do que cogita a lei. Em tais condições, a amortização do ágio que passou a existir no patrimônio da investida, LISTEL, somente poderia surtir efeitos na apuração do seu lucro real caso se verificasse a extinção da investidora original (AVERDIN), mediante incorporação, fusão ou cisão entre elas promovida, por meio da qual o ágio subsistisse evidenciado apenas no patrimônio resultante desta operação, na forma do art. 7o da Lei nº 9.532/97. Na medida em que tal não ocorreu, a dedutibilidade do ágio submetese à regra geral exposta no Decretolei nº 1.598/77: Art. 23. [...] Parágrafo único Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País.(Incluído pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). [...] Art 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. Fl. 2709DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 28 27 [...] Pertinente citar abordagem contida na obra Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), de autoria de Luís Eduardo Schoueri. Nela o autor preliminarmente expõe o entendimento de que o ágio, para o investidor, é custo que deve ser considerado em caso de alienação do investimento. Os resultados auferidos com este investimento são reconhecidos, no patrimônio do investidor, como resultados da equivalência patrimonial, não sujeitos a tributação nesta ótica. Seguindo a mesma lógica, a amortização contábil do ágio por rentabilidade futura, por parte do investidor, também não deve afetar o lucro tributável. Diante deste contexto, o autor reputa incabível afirmar que o ágio, ainda que fundamentado na rentabilidade futura, pode ser considerado realizado antes da incorporação de uma das pessoas jurídicas envolvidas (exceto se antes disso tiver ocorrido baixa da participação societária adquirida, quando, em regra o ágio será realizado) (Op. cit. p. 73). E complementa mais à frente: com a incorporação, alerte se, já não há mais que falar em investimento nem em ágio. Ambas as figuras desaparecem (Op. cit. p. 74). Entende o referido autor que a partir da incorporação, os lucros passam a ser tributados na investidora, pois antes disso no máximo haverá receita de equivalência patrimonial, não tributável (Op. cit. p. 79). Aqui, porém, os lucros permanecem tributados na investida, que os reduz mediante amortização de ágio decorrente de investimento que subsiste no patrimônio da investidora original. Deste modo, não fosse a provisão determinada pela Instrução Normativa CVM no 349/2001, a equivalência patrimonial faria refletir no patrimônio da investidora o valor líquido dos resultados, produzindo o mesmo efeito que teria o reconhecimento bruto dos resultados da investida, associado à amortização do ágio pela investidora. A diferença está na redução da carga tributária da investida que esta manobra permite, em desrespeito ao que autorizado pelo art. 7o da Lei no 9.532/97. Evidenciado, portanto, que não houve a extinção do investimento, inadmissível a amortização fiscal do ágio. Significa dizer que a amortização contábil do ágio transferido para o patrimônio da LISTEL deve ser adicionada ao lucro real, e seu reflexo no patrimônio da investidora AVERDIN, mediante equivalência patrimonial, deve ser controlado na parte B do LALUR para integrar o valor contábil do investimento na apuração de ganho ou perda de capital em caso de alienação ou liquidação do investimento. A interessada argumentou, em impugnação, que a legislação tributária – isto é, a Lei 9.532/97 – não traz qualquer restrição à amortização do ágio por questões de fato relacionadas à constituição, duração ou atividade da investidora. A amortização do ágio é direito que decorre tão somente do pagamento de preço que supere o PL da coligada ou controlada e da existência de demonstrativo que justifique sua fundamentação econômica. Todavia, a Lei nº 9.532/97 faz expressa referência ao ágio formado segundo os parâmetros do art. 20 do Decretolei nº 1.598/77, o qual teve por finalidade adaptar a legislação tributária às alterações trazidas com a Lei nº 6.404/76, e adotou como conceito de ágio o mesmo expresso na legislação societária: ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido da investida. E, neste contexto, importa inicialmente ter em conta que a falta de substância econômica para o acréscimo patrimonial que passa a existir na autuada após a incorporação da ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A ensejaria, na sistemática contábil anterior à Lei nº 11.638/2007, a constituição da provisão para manutenção da integridade do patrimônio líquido, prevista no art. 6o, §1o da Instrução CVM nº 319/99, na redação dada pela Instrução CVM nº Fl. 2710DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 29 28 346/2001. Assim, restariam anulados os efeitos da reserva de capital decorrente destas operações, não só para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, mas desde a apuração do lucro líquido – com conseqüente repercussão na base de cálculo da CSLL –, e também para determinação dos limites de dedução de juros sobre o capital próprio. No mesmo sentido é a orientação posterior, citada pela Fiscalização, e veiculada no Pronunciamento Técnico CPC nº15, na parte final de seu parágrafo 27: Nos casos em que há incorporações da controlada na controladora e que a controladora é somente uma empresa “veículo” sem operações, o saldo do ágio deve ser baixado, por meio de provisão, em contrapartida ao patrimônio líquido, no momento da incorporação. E aqui, embora as operações que deram ensejo ao ágio tenham se verificado na vigência da Lei nº 11.638/2007, como bem observado pela Fiscalização o lucro tributável somente foi por elas afetado a partir do anocalendário 2009, quando a autuada já era optante pelo Regime Tributário de Transição – RTT, o que lhe impõe a observância dos métodos e critérios contábeis vigentes em 31/12/2007, e isto inclusive no anocalendário 2008, por força do art. 15, §2o e seu inciso I, da Lei nº 11.941/2009. Nestas condições, ainda que a pessoa jurídica não se sujeite às determinações da Comissão de Valores Mobiliários – CVM, não se pode perder de vista que elas foram orientadas pela falta de substância econômica do acréscimo patrimonial, duplicado no patrimônio da investida, e subsistente no patrimônio da investidora original. Seu registro, portanto, ofende o próprio princípio da entidade, estampado na Resolução CFC nº 750/93: Art. 4º O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único – O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil. Ainda em impugnação, a interessada reiterou o propósito negocial de formação de joint venture, mormente tendo em conta a perda de competitividade no Brasil pelo Grupo ArcelorMittal. Reportouse ao documento que se prestou como subsídio técnico para avaliação dessa estratégia de investimento pela Diretoria do Grupo ArcelorMittal no exterior, de modo a alavancar sua participação no mercado de distribuição. Traduzido como “Movimentos estratégicos preliminares para liderança do mercado brasileiro de distribuição”, destacou no referido documento a pretensão de adquirir inicialmente 50% da Gonvarri Brasil e 70% de outra empresa brasileira (“Manchester), e até 2011 a totalidade das ações destas empresas. Neste contexto, a ArcelorMittal Participações teria sido constituída com o objetivo de concentrar os projetos relacionados ao setor de distribuição, os quais abrangeriam não só a autuada, como também a empresa “Manchester”, relativamente à qual a negociação com os acionistas se mostrou mais complexa. A autuada relatou o atraso e citou alguns motivos que dificultaram esta negociação, culminando atualmente em litígio junto ao Centro de Arbitragem e Mediação – CCBC. Fl. 2711DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 30 29 Prosseguiu esclarecendo que o Acordo de Acionistas estabelecido com o Grupo Gonvarri previa exclusividade em favor da joint venture ali criada, e na medida em que o Grupo Gonvarri desistiu de prosseguir com o investimento na “Manchester”, com a anuência dos acionistas da autuada o Grupo ArcelorMittal prosseguiu na aquisição, mas sem poder realizála por meio da ArcelorMittal Participações em razão de exigências impostas pelos acionistas da Manchester e que foram acatadas pelo Grupo ArcelorMittal para viabilizar a aquisição da participação na sociedade. Mencionou que o documento “Movimentos estratégicos preliminares para liderança do mercado brasileiro de distribuição” previa também a realização de futuros projetos relacionados ao setor de distribuição, inclusive a possibilidade de construção e uma nova planta, pela ArcelorMittal Participações. Porém, a partir de setembro de 2008, com a quebra do Banco NorteAmericano Lehman Brothers, a economia mundial foi abatida por grave crise econômica, afetando significativamente o setor siderúrgico. Disto decorreu a suspensão a médio prazo dos demais projetos, e a incorporação da ArcelorMittal Participações pela Gonvarri Brasil, visto que, conforme informado no próprio Protocolo de Justificação e Incorporação (fls. 186), as atividades da ArcelorMittal Participações puderam passar a ser exercidas pela Gonvarri Brasil, reduzindose o custo operacional e administrativo do Grupo ArcelorMittal. Inicialmente cumpre observar que o documento “Movimentos estratégicos preliminares para liderança do mercado brasileiro de distribuição” não está traduzido para a língua portuguesa, conforme previsto no art. 224 do Código Civil e arts. 156 e 157 do Código de Processo Civil. De toda sorte, todos os investimentos ali referidos aparentam estar associados sempre ao Grupo ArcelorMittal (“AM”), sem qualquer menção expressa à ArcelorMittal Participações, nem mesmo quanto ao desenvolvimento, por esta, de futuros projetos relacionados ao setor de distribuição, inclusive a possibilidade de construção de uma nova planta. Mas, ainda que a ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A apresentasse outra finalidade, que não a de intermediária da aquisição de 50% da Gonvarri Brasil pelo Grupo ArcelorMittal, o fato é que, ao final das operações, esta foi sua única utilidade efetiva. Logo, ainda que sua extinção se mostrasse imperiosa, ela jamais poderia justificar a amortização do ágio pago pela representação do Grupo ArcelorMittal no exterior. Frisese que a atuação da ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A como extensão do caixa da Arcelor Spain Holding SL no Brasil resta patente quando se examinam os lançamentos escriturados em seu livro Diário, durante seu curto período de atividades, entre 02/06/2008 e 31/12/2008 (fls. 1668/1685). A parcela de R$ 54.258.355,77 ingressa como aumento de capital social em 06/06/2008 e em 09/06/2008 é integralmente destinada à aquisição de investimento na Gonvarri Brasil, quer seja para favorecer o Grupo Gonvarri (em conta denominada Credores Diversos empresas do grupo), quer seja para liquidar os tributos decorrentes desta operação. Em 29/10/2008 é integralizada outra parcela do capital no valor de R$ 170.776.644,28, distribuído na ArcellorMittal Brasil SSC Participações S/A na proporção de R$ 140.195.887,80 como reserva de ágio na venda de ações, e de R$ 30.580.756,48 como capital social, o qual se destina à aquisição, na mesma data, de investimento na Gonvarri Brasil, distribuído entre as parcelas de R$ 118.236.482,38 a título de equivalência patrimonial, e R$ 52.540.161,90 como ágio. Fl. 2712DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 31 30 Nestes termos, os recursos aportados por Arcelor Spain Holding SL para figurar, ao final das operações, como titular de 50% do capital da autuada, temporariamente registrados como investimentos na ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A no valor total de R$ 225.035 mil, subsistiram no patrimônio daquela investidora, ao final das operações, como custo do investimento adquirido na Gonvarri Brasil. Por todo o exposto, inadmissível que parcelas deste custo de aquisição possam ser deduzidas na apuração do lucro tributável da investida no Brasil. A interessada também observou, em impugnação, que o procedimento em questão seria amparado pela jurisprudência deste Conselho, citando, dentre outros, o Acórdão nº 110100.354. Relevante, então, destacar que o entendimento aqui firmado não pode ser comparado ao posicionamento desta Relatora expresso em declaração de voto no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 110100.354, divergindo dos fundamentos do voto condutor de lavra do I. Conselheiro José Ricardo da Silva (caso Vivo): Com a devida vênia, registro as razões de minha divergência quanto ao posicionamento do I. Relator, que acolheu os fundamentos adotados pela 5a Turma da DRJ/Porto Alegre para exoneração parcial da exigência, bem como deu provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Como relatado, a Turma Julgadora restringiu as hipóteses de transferência de ágio aos casos de fusão, cisão ou incorporação envolvendo a investida e a investidora, e afastou tal hipótese no contexto presente nestes autos, no qual vislumbrou aquisição de investimento por realização de capital, em razão da qual surgiria novo ágio na nova investidora, ao passo que a antiga investidora deve baixar seu investimento (e respectivo ágio), apurando eventual ganho de capital. Admitiu aquela Turma Julgadora que a entrega, à “Investidora”, de ações (ou quotas de capital) de emissão da “Nova Investida” representaria um “pagamento” desta em favor daquela, e sendo ele maior que o valor patrimonial da participação societária adquirida (referente à antiga “Investida”), seria possível o registro de ágio na aquisição de ações. E transportando estes conceitos para o caso concreto, assim concluiu o I. Relator da DRJ/Porto Alegre: Ora, foi esta a situação que ocorreu com a criação da empresa TULA Part. Ltda.. Com efeito, a empresa “Nova Investida” (TULA Part. Ltda.): (1) recebe ações da antiga “Investida” (Celular CRT Part.) e (2) entrega à “Investidora” (TBS Celular Part. S/A) quotas de capital de sua própria emissão. No caso o valor “pago” pela “Nova Investida” – TULA Part. Ltda. (representado pelo valor de seu capital, entregue à “Investidora” – TBS Celular Part. S/A – na forma de quotas de capital de sua emissão) foi maior do que o valor patrimonial da participação societária adquirida (referente à antiga “Investida” – Celular CRT Part., entregue pela “Investidora” à empresa “Nova Investida” – TULA Part. Ltda.). Assim, nos termos do art. 385 do Decreto 3.000, de 1999, cabe o registro de ágio na aquisição de ações, no patrimônio de TULA Part. Ltda. Por outro lado, há que ser baixado o investimento anteriormente mantido pela Investidora – TBS Celular Part. S/A – na Antiga Investida – Celular CRT Part. – podendo gerar um ganho de capital para a Investidora. Dessa forma, depreendese claramente que o ágio eventualmente existente na “Investidora” não é transferido para a “Nova Investida”, mas somente é baixado do ativo da “Investidora”, reduzindo o eventual ganho de capital a ser por ela auferido. Isso denota que os vícios dos ágios anteriormente existentes em empresas do grupo não têm o condão de serem transferidos para o ágio surgido no patrimônio da TULA Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 32 31 Part. S/A. Com efeito, esses vícios lograriam a existência de ganho de capital nas empresas que deram baixa de seus investimentos (e dos respectivos ágios). Entretanto, não foi esse o lançamento efetuado. Todavia, como bem consignou o autuante nos demonstrativos anexos ao Relatório Fiscal, não houve ali ágio pago, ao qual pudesse ser associado o motivo expresso no laudo de rentabilidade futura apresentado pela empresa fiscalizada. E isto porque não houve terceiros envolvidos nesta operação, mas sim transferência da titularidade das ações entre empresas do mesmo grupo, sob controle comum. O próprio procedimento adotado para esta transferência, e para aquelas que a antecederam, evidenciam que o ágio em questão, na verdade, formouse quando da privatização dos serviços de telefonia, e foi sendo atribuído às empresas sucessoras/adquirentes pelo valor remanescente após as amortizações apropriadas nas empresas sucedidas/alienantes, enquanto estas eram titulares do investimento. Ressalto que o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP) elaborado por Sérgio de Iudicibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke (7a Edição) é claro quanto à inexistência de ágio formado em operações de transferência como estas: [...] Logo, é necessária uma aquisição onerosa de terceiros para formação do ágio, exigência também expressa na legislação tributária: Decretolei nº 1.598, de 30 de dezembro de 1977 [...] Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997 [...] É, portanto, o ágio pago na aquisição de investimentos que pode ser amortizado. Referese o art. 7o da Lei nº 9.532/97 ao ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e este, por sua vez, trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. Assim, se houver uma efetiva aquisição, e o patrimônio líquido da adquirida se mostrar menor que o custo de aquisição do investimento surgirá o ágio passível de amortização com efeitos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, desde que a pessoa jurídica detentora da participação societária adquirida com ágio incorpore a investida, ou viceversa (art. 8o, alínea “b” da Lei nº 9.532/97). Tal tema, inclusive, já foi apreciado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas em situações mais gravosas, nas quais o ágio surge internamente, mediante reorganização societária envolvendo apenas empresas sob controle comum. Neste contexto, foram as seguintes as conclusões do I. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, expressas no Acórdão nº 130100.058 e acolhidas por unanimidade pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara desta 1a Seção de Julgamento, em sessão de 13 de maio de 2009: [...] Aqui, porém, a autoridade lançadora entendeu que houve formação de ágio na criação da TBH S/A, cujo capital foi integralizado mediante conferência das ações (mantidas pelos antigos acionistas) da CRT, o qual não estava devidamente fundamentado em rentabilidade futura, a inviabilizar a dedução parcial dos valores contabilizados pela autuada. Fl. 2714DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 33 32 No entanto, há evidências de formação de ágio na aquisição original da CRT por aqueles acionistas, aquisição esta que se deu em razão da privatização daquela empresa, cujo Edital estipularia preço inicial fundamentado em rentabilidade futura. Assim, no suposto de que sejam verdadeiras estas alegações contidas em recurso voluntário – até porque sua confirmação não se justifica ante o resultado do julgamento favorável à autuada, pelas razões expostas pelo I. Relator José Ricardo da Silva – o ágio transferido até o momento em que se verificou o evento previsto no art. 7o da Lei nº 9.532/97 teria fundamento, sim, em rentabilidade futura, não havendo motivo para acolher o recurso de ofício decorrente da exoneração desta exigência. Naquele caso, a acusação fiscal centravase na falta de comprovação do fundamento do ágio amortizado e, admitindose a transferência do ágio, vislumbrouse a possibilidade de seu fundamento em rentabilidade futura estar evidenciado no momento da aquisição em processo de privatização, o que desconstituiria a acusação fiscal, vez que não opostas outras condições para dedutibilidade do ágio amortizado. Já no presente caso, a autoridade fiscal, além de questionar o fundamento do ágio contabilizado, apontou requisitos preliminares que impedem a repercussão de sua amortização na apuração do lucro real. Importante observar, ainda, que o parecer elaborado por KPMG Assessores Tributários Ltda, juntado com o recurso voluntário, alcança conclusão diferente desta até aqui exposta: Dessa forma, podese concluir sob a ótica contábil vigente antes do advento da Lei nº 11.638/2007, bem como depois da referida lei, ou seja, posteriormente à alteração ocorrida nas práticas contábeis brasileiras com a convergência para a IFRS (normas internacionais de relatório financeiro), que o ágio registrado quando da efetivação dos eventos ocorridos no ano de 2008 foi decorrente de transação entre partes que não compunham o mesmo grupo econômico e, portanto, não podendo o mesmo ser caracterizado como ágio gerado internamente de acordo com as normas contábeis usualmente aplicadas no Brasil. Mas isto porque referida consultoria foi contratada para demonstrar a inexistência de controle do Grupo ArcelorMittal sobre a autuada, e a partir da observação prática aplicado ao caso, desenvolvida ao final da página 12 do parecer, reportouse às partes envolvidas no negócio apenas como “ArcelorMittal”, “grupo Gonvarri” e “Gonvarri Brasil”, de modo a demonstrar que a transação se verificou entre partes que não compunham o mesmo grupo econômico, sem adentrar à análise dos efetivos desembolsos feitos pela ArcelorMittal Spain Holding SL, para passar a deter 50% do capital social da autuada. Para além das conclusões acima expostas, os argumentos da Fiscalização acerca dos efeitos da prévia redução do patrimônio líquido da interessada na apuração do ágio também devem ser considerados. Ainda que o negócio não tenha sido realizado entre partes dependentes, é certo que também não foi promovido entre partes totalmente independentes. A autoridade julgadora de 1a instância, em cuidadoso exame dos autos, constatou que: 38. [...], da análise dos autos verificase que no presente caso houve efetivo pagamento nas operações que deram causa à apuração do ágio amortizado pela interessada, pois a compra de 39.025.800 ações da interessada foi quitada pela ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A mediante remessa de R$ 47.641.447,82 Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 34 33 (18.741.718,26 euros) para a Gonvarri Corporación Financiera, SL (fls. 624626), enquanto a subscrição de 122.811.895 novas ações da interessada foi paga mediante transferência bancária de R$ 170.776.644,28 efetuada em 09/10/2008 (fl. 16761677). 39. A autuação fiscal está fundada na premissa de que o Grupo ArcelorMittal detinha à época, indiretamente, participação de 57,75% do capital social da Gonvarri Brasil (35% + 35% x 65%), razão pela qual o ágio teria sido gerado em operações realizadas intragrupo. 40. Tal conclusão baseouse no Ato de Concentração nº 08012.002543/200808 do Conselho Administrativo de Defesa Econômico do Ministério da Justiça (fls. 870 a 872) e no Parecer 06288/2008/DF COGC/SEAE/MF da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda (fls. 873 a 891) – que analisaram a aquisição pela ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A de 50% do capital social da Gonvarri Brasil Produtos Siderúrgicos S/A –, nos quais foi relatado que 65% do capital social da Gonvarri Corporación Financiera, SL, pertencia à Corporación Gestamp, SL, enquanto os 35% remanescentes eram detidos pela Arcelor France (24,90%), Arcelor Percebras (5,10%) e Arcelor Espana (5,00%). 41. A autoridade fiscal também se baseou no documento denominado ArcelorMittal Anual Report 2008 (fls. 13901557), em cujo quadro Notes to the Consolidated Financial Statements (Notas à Demonstrações Financeiras Consolidadas, à fl. 1497) foi informado que o Grupo ArcelorMittal detinha participação de 35% na Gonvarri Industrial (Spain) e 35% da Gestamp (Spain). Como foi efetuada referência genérica à participação na “Gestamp”, concluiu que a correspondia a 35% das ações na Corporación Gestamp, SL (empresa holding do Grupo Gestamp). 42. Inobstante os documentos em língua estrangeira juntados aos autos pela autoridade fiscal não estejam traduzidos para a língua portuguesa, conforme previsto no artigo 224 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil) e artigos 156 e 157 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), foi possível verificar que a informação da participação de 35% na Gestamp já constava do documento Arcelor Annual Report 2006 (fls. 11061249), no qual foi detalhado no quadro Listing of Group Companies (Lista de Empresas do Grupo, à fl. 1217) que se tratava de participação na Gestamp Automación, SL. 43. Destaquese que consta da Certidão do Registro Comercial de Madrid (fls. 840 849, com tradução juramentada às fls. 850869), relativa à fusão por incorporação da Gonvarri Corporación Financiera, SL, pela Gonvarri Industrial, SL, em 10/06/2008, que a sociedade incorporadora era titular de 763.612 quotas das 829.293 em que se encontra dividido o capital da sociedade incorporada (Gonvarri Corporación Financiera, SL), de modo que o capital social da incorporadora (Gonvarri Industrial, SL) foi aumentado pelas restantes 65.681 quotas da sociedade incorporada pertencentes à Holding Gonvarri SRL, que ainda subscreveu 26.762 novas quotas da sociedade incorporadora. 44. Logo, as ações da incorporada Gonvarri Corporación Financiera, SL, eram detidas pelo Gonvarri Industrial, SL (92,08% das ações) e Holding Gonvarri SRL (7,92%), de modo que o controle pela Corporación Gestamp, SL, era indireto. Ainda consta da referida certidão que a sociedade incorporadora Gonvarri Industrial, SL, alterou sua denominação para Gonvarri Corporación Financiera, SL. 45. A autoridade fiscal também juntou aos autos notícias extraídas da internet (fls. 16621667) que informam que: i) em 2004 o Grupo Arcelor vendeu participação de 25% do capital social da Holding Gonvarri para a Corporación Gestamp, SL, de forma que a estrutura acionária da Holding Gonvarri restou assim configurada: Fl. 2716DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 35 34 35% para o Grupo Arcelor e 65% para a Corporación Gestamp, SL; ii) em 2007 a Corporación Gestamp vendeu participação de 5% do capital social da Holding Gonvarri para a Casa Madrid. 46. Conforme alegado pela impugnante, verificase que o Grupo Gestamp é liderado pela Corporación Gestamp, SL, e consiste em um conglomerado espanhol de prestação de serviços relacionados ao aço, sendo dividido em três segmentos distintos: Holding Gonvarri, Gestamp Automoción e Gestamp Renovables. 47. O Grupo ArcelorMittal, através da ArcelorMittal France, ArcelorMittal Espanha e ArcelorMittal Basque Holding, realmente detinha 35% da participação societária da Holding Gonvarri, SL, controladora indireta da Gonvarri Brasil Produtos Siderúrgicos S/A. No entanto, inexiste nos autos comprovação de que o Grupo ArcelorMittal também possuiria 35% do capital social da Corporación Gestamp, SL, sendo que, ao que consta, detém participação de 35% no capital social da Gestamp Automación, SL, informação esta também confirmada por novas notícias obtidas em pesquisa efetuada na internet (fls. 25002501). 48. Assim, não há como se acatar a alegação fiscal de que o Grupo ArcelorMittal deteria antes dos eventos ocorridos em 2008, indiretamente, via participações na Gonvarri Industrial SA e na Corporación Gestamp, 57,75% das participações societárias da Gonvarri Brasil Produtos Siderúrgicos S/A. 49. A Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, regula, em seu capítulo XX, as sociedades coligadas, controladas e controladoras, tendo o artigo 243, §§ 1º, 2º, 4º e 5º, assim definido essas sociedades: “Art. 243. O relatório anual da administração deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificações ocorridas durante o exercício. § 1º. São coligadas as sociedades quando uma participa, com 10% (dez por cento) ou mais, do capital da outra, sem controlála. § 1º. São coligadas as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, conversão da Medida Provisória nº 449, de 2008) § 2º. Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. § 3º. A companhia aberta divulgará as informações adicionais, sobre coligadas e controladas, que forem exigidas pela Comissão de Valores Mobiliários. § 4º. Considerase que há influência significativa quando a investidora detém ou exerce o poder de participar nas decisões das políticas financeira ou operacional da investida, sem controlála. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, conversão da Medida Provisória nº 449, de 2008) § 5º. É presumida influência significativa quando a investidora for titular de 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante da investida, sem controlála. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, conversão da Medida Provisória nº 449, de 2008)” (Grifouse) Dessa forma, restou incomprovado nos autos que antes do Acordo de Investimento firmado em 14/03/2008 (fls. 100137) o Grupo ArcelorMittal já era titular de direitos que lhe assegurassem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores da interessada. Fl. 2717DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 36 35 Todavia, estas considerações somente desmerecem a acusação fiscal nas inferências de que parcelas do ágio aqui em debate teriam sido pagas por Arcelor Spain Holding SL para ela própria. A afirmação de que a operação se verificou entre partes relacionadas no exterior subsiste, não só porque, como delimitado pela autoridade julgadora de 1a instância, o Grupo ArcelorMittal, através da ArcelorMittal France, ArcelorMittal Espanha e ArcelorMittal Basque Holding, realmente detinha 35% da participação societária da Holding Gonvarri, SL, controladora indireta da Gonvarri Brasil Produtos Siderúrgicos S/A, como também em razão da parceria comercial entre os grupos empresariais, reconhecida até mesmo no preâmbulo do Acordo de Investimentos firmado entre Gonvarri Corporación Financiera SL e ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A: 3. Considerando que o Grupo ArcelorMittal e o Grupo Gonvarri, por intermédio de diferentes subsidiárias, são sócias comerciais desde 1992. Quanto ao mercado de “centros de serviços siderúrgicos no Brasil”, objeto deste Acordo, o Grupo ArcelorMittal, através da CST [Companhia Siderúrgica de Tubarão], e o Grupo Gonvarri, através da Sociedade, já celebraram determinados contratos relacionados a corte de silhueta, corte longitudinal, corte transversal e decapagem e óleo. No mesmo sentido são as conclusões de KPMG Assessores Tributários Ltda, em parecer fornecido à autuada e que instrui o recurso voluntário (fl. 2640): Ademais, da análise das demonstrações financeiras de 2007 do Grupo ArcelorMittal (“Annual Repport”), podemos extrair da seção empresas associadas e joint ventures (administração compartilhada), a informação de que o relacionamento entre este Grupo e a Gonvarri Industrial era de associada, uma vez que detinha 35% de participação naquela empresa. Assim, com base nesse documento público, não foi identificada nenhuma referência a possível relação de controle entre o Grupo ArcelorMittal e a Gonvarri Industrial. Mais à frente, os pareceristas ainda consignam que antes de 2008, o Grupo ArcelorMittal detinha influência significativa, de forma indireta, na Gonvarri Brasil. E influência significativa representando o poder de participar nas decisões financeiras e operacionais da investida, sem controlar de forma individual ou conjunta essas políticas. Ao final, contatam: a. que a relação existente entre as empresas do Grupo ArcelorMittal e a Gonvarri Brasil, até subscrição de novas ações pela ArcelorMittal Participações, a qual ocorreu em outubro de 2008, pode ser caracterizada como de “partes relacionadas”, considerando a existência de “influência significativa”, uma vez que não havia controle da Gonvarri Brasil por parte do Grupo da ArcelorMittal (controle então detido, de forma indireta, pela empresa Cartera Gonvarri); E é neste contexto que deve ser apreciada a acusação fiscal assim sintetizada na abordagem inicial do Termo de Verificação Fiscal: 27. Em 03/03/2008, na GONVARRI BRASIL (nome anterior da fiscalizada), conforme ATA DE AGE de fls. 62 a 63: é aprovada a redução do Capital Social da empresa em R$ 150.963.495,00, pela justificativa de ser o mesmo excessivo em relação ao seu objeto e às operações atuais e projeções futuras, o qual diminuiu de R$ 200.963.495,00 para R$ 50.000.000,00, mantendose o número de ações em 200.963.495. Todavia, essa redução se realizou somente no âmbito contábil, uma vez que somente em 29/10/2008, e com recursos aportados pela ARCELORMITTAL PARTICIPAÇÕES, é que referida importância de R$ 150.963.495,00 foi paga à Fl. 2718DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 37 36 sócia então detentora de 100% da GONVARRI BRASIL, a empresa espanhola GONVARRI CORPORACION FINANCIERA S.L. (vide Contrato de Fechamento de Câmbio de fls. 610 e 619, Registro de Investimento Externo Direto no SISBACEN de fls. 620 a 623 e Extrato da Conta Bancária da GONVARRI BRASIL então já transformada em ARCELORMITTAL GONVARRI de fls. 747 a 753). Ou seja, para que efetivamente ocorresse geração de ágio, antes da realização do negócio em tela, o valor nominal das ações da GONVARRI BRASIL foi forçadamente desvalorizado por uma pseudo redução do PL. Referida redução de capital beneficia a única acionista da autuada, à época. A ata é lavrada em 03/03/2008 e levada a registro em 13/05/2008. E dias após a ata ser lavrada, em 14/03/2008 é assinado o Acordo de Investimento por meio do qual os Grupos ArcelorMittal e Gonvarri estendem sua parceria mediante aquisição de 50% das ações da autuada pela ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A. Não é crível que a redução de capital social, em tão próxima data, tenha sido deliberada de forma autônoma, sem a intenção de projetar efeitos na alienação de participação societária que, certamente, já estava sendo acordada entre os grupos empresariais. E isto também porque a redução de capital é deliberada naquela data, mas não se efetiva, na medida em que os correspondentes valores somente são pagos àquela sócia depois de o Grupo ArcelorMittal aportar na autuada a segunda parcela devida em razão do acordo que lhe conferiria 50% de participação na ArcelorMittal Gonvarri Brasil Produtos Siderúrgicos Ltda. Recordese, ainda, que o veículo para este aporte de capital é a Arcelor Mittal Brasil Participações S/A, reativada em 22/02/2008, como descrito pela autoridade lançadora, pouco mais de uma semana antes da redução de capital em questão. A Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 03/03/2008 veiculou a deliberação de reduzir o Capital Social da Companhia, em função de ser excessivo em relação ao seu objeto e às operações atuais e projeções futuras, em R$ 150.963.495,00, passando dos atuais R$ 200.963.495,00 para R$ 50.000.000,00, mantendose o mesmo número de ações de 200.963.495, sem valor nominal por ação. Redução de tamanha monta, de fato, somente poderia ser cogitada em razão de projeções futuras, dentre as quais certamente já se encontrava o aporte de capital proveniente do Grupo ArcelorMittal. Em tais condições, a redução de capital representou, nada mais, que a constituição antecipada da obrigação de pagamento, pela autuada, do valor que nela seria aportado pelo Grupo ArcelorMittal, como parte da aquisição de metade da participação acionária detida pelo Grupo Gonvarri na autuada. A recorrente insiste que inexiste qualquer vício na operação que ensejou a redução de capital deliberada em 03/03/2008, abordandoa isoladamente, de modo a desqualificála como um dos passos da estruturação societária esmiuçada no procedimento fiscal. Afirma ser notório que tendo sido a redução de capital deliberada em março de 2008, o valor patrimonial do qual partiu a negociação do preço de aquisição das ações da Recorrente tomou por base o valor de seu PL já reduzido. Reputa, assim, fora de dúvida que o acordo entre os grupos empresariais tenha sido entabulado a partir de 03/03/2008, e finalizado em 14/03/2008, já sob esta nova realidade. Quer fazer crer que o Grupo ArcelorMittal passaria a deter 50% da participação acionária até então integralmente detida pelo Grupo Gonvarri na autuada, mas pagando ao antigo proprietário apenas o equivalente a 19,42% das ações efetivamente adquiridas no primeiro passo do Acordo de Investimentos (em 09/06/2008). A parcela restante do Acordo seria capitalizada diretamente na investida, ao invés de ser paga ao Grupo Gonvarri, mas viabilizando o pagamento da redução de capital convenientemente antes deliberada pelos proprietários da investida. Fl. 2719DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 38 37 A inferência feita pela recorrente, no sentido de que não tivesse a redução de capital sido deliberada, o ágio na aquisição de 50% das ações da impugnante poderia chegar a R$ 188 milhões, como bem observa a Fazenda Nacional, somente poderia ser tomada como válida se os grupos empresariais fossem partes efetivamente independentes, e não pessoas ligadas, como antes demonstrado, com parcerias comerciais de longa data. Pertinente recordar, mais uma vez, excerto da acusação fiscal: 72. Ademais, consoante relatado alhures, o ágio em questão foi gerado em negócio entre partes relacionadas. Os valores estipulados no supramencionado ACORDO DE INVESTIMENTO não surgiram de uma negociação de mercado, a qual requer um ambiente de livre concorrência e independência entre os envolvidos. Ao contrário, o mesmo contém a mácula de apresentar como parte compradora (GRUPO ARCELOMITTAL) e vendedora (GONVARRI CORPORACION FINANCIERA SL) empresas que são partes relacionadas no exterior. Interessante, também, o detalhe notado pela Fiscalização, quando do registro contábil temporário da obrigação líquida de R$ 47.641.447,82, da ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A em face da Gonvarri Corporacion Financiera SL, pela aquisição de 19,42% de sua participação na autuada. A empresa do Grupo ArcelorMittal fez uso da conta “Credores diversos empresas do grupo” para registrar obrigação em face de empresa do Grupo Gonvarri (fl. 1993). Efetivamente, a subscrição promovida em 29/10/2008, que resulta na entrega de R$ 170.776.644,28 pela ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A à autuada, nada mais é do que parte do pagamento do Grupo ArcelorMittal ao Grupo Gonvarri pela aquisição que lhe conferiria participação de 50% do capital da autuada. Com bem demonstrado pela autoridade fiscal, os recursos provêm da Arcelor Sapin Holding SL e são remetidos à Gonvarri Corporacion Financiera SL, de modo que ao final das operações que ensejam este fluxo financeiro e aquele realizado em 09/06/2008, a Gonvarri Corporación Financiera SL vê sua participação na autuada reduzida de 100% para 50%, ao passo que a Arcelor Spain Holdin SL passa a deter estes 50% das ações. Pertinente reproduzir os quadros inicial e final elaborados pela autoridade lançadora, que refletem o contexto societário antes e depois das operações aqui em debate, nos quais deve ser desconsiderada a participação do Grupo Arcelor na Corporación Gestamp SL: a) situação no início de 2008: Fl. 2720DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 39 38 b) situação ao final de 2008: A recorrente diz que o efeito da redução de capital na formação do ágio é totalmente neutro, na medida em que eventuais alterações neste sentido afetariam diretamente a negociação de preço, conclusão prejudicada ante a demonstração de que a operação se verificou entre partes relacionadas. Ademais, considerando que o Acordo de Investimentos Fl. 2721DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 40 39 estabeleceu o pagamento, pelo Grupo ArcelorMittal, das parcelas de R$ 54.223.355,72 e de R$ 170.776.644,28, para que este passasse a deter 50% de participação acionária na autuada, o expurgo dos efeitos da redução de capital social poderia ser demonstrado mediante restituição da parcela de R$ 150.963.495,00 ao patrimônio líquido da investida, com conseqüente recomposição dos cálculos de ágio apurados pela autuada. Em tais condições: · Na aquisição de 09/06/2008, o preço de R$ 54.223.355,72 seria confrontado com 19,42% do Patrimônio Líquido elevado de R$ 74.682.331,16 para R$ 225.645.826,16. Em consequência, o alegado ágio de R$ 39.720.047,01 seria reduzido para R$ 10.402.936,28; · Na subscrição de 29/10/2008, o preço de R$ 170.776.644,28, somado à participação já detida pelo Grupo Arcelor (R$ 20.850.407,85), seria confrontado com 50% do Patrimônio Líquido elevado de R$ 107.417.136,18 para R$ 258.380.631,18. Uma vez somado ao segundo aporte, 50% do Patrimônio Líquido da investida representaria R$ 214.578.637,73 (50% da soma de R$ 258.380.631,18 e R$ 170.776.644,28). Comparando esta equivalência patrimonial com o custo do capital do Grupo Arcelor (R$ 170.776.644,28 somado a R$ 20.850.407,85), inexistiria ágio a ser registrado nesta ocasião. Ao contrário, existiria deságio de R$ 22.951.585,60, que anularia o ágio verificado no aporte inicial. Contudo, não se pode olvidar que a redução de capital social em favor do Grupo Gonvarri, seguida da emissão de novas ações que são subscritas pelo Grupo ArcelorMittal, revela seqüência de operações que no âmbito patrimonial da investida se anulam, e só geram alterações substanciais na esfera de interesses dos dois grupos empresariais que pretendem estar associados na execução das atividades pela investida. E, sob este outro ponto de vista, considerando que o Grupo Gonvarri recebeu, nesta operação, as parcelas de R$ 54.223.355,72 (aquisição de 09/06/2008) e de R$ 150.963.495,00 (restituição de capital em 29/10/2008), ao passo que o Patrimônio Líquido reconstituído da investida era, num primeiro momento, R$ 225.645.826,16, e num segundo momento R$ 258.380.631,18, notase um ganho de capital, por parte do Grupo Gonvarri, de no mínimo R$ 75.996.535,13 (comparandose os pagamentos com 50% do maior valor de patrimônio líquido), significativamente superior àquele tomado por referência no pagamento de 09/06/2008, quando descontouse, a título de IRRF, R$ 6.581.907,90 do preço de R$ 54.223.355,72, para remessa à Gonvarri Corporación Financiera. Deste outro lado, as operações realizadas apresentam algumas semelhanças com aquelas por várias vezes discutidas neste Conselho, e assim esquematizadas pelo Conselheiro Marcos Vinícius Neder, no Acórdão CSRF nº 0106015: Esse conjunto de atos muito se assemelha a uma espécie de planejamento tributário muito conhecida dos membros deste Conselho, comumente denominada de operação "casa e separa". Esse planejamento é motivado pelo interesse de determinada sociedade Y em adquirir ativo de outra sociedade X. Se Y adquirir diretamente o ativo haverá ganho de capital na operação e, por seguinte, X terá que recolher o imposto de renda respectivo. Para evitar a tributação, concebemse uma série de operações realizadas passo a passo. Fl. 2722DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 41 40 Primeiro passo: criase uma nova sociedade Z, apenas temporária, a partir da integralização de capital com a entrega (pelo valor contábil) do ativo por X. A sociedade Y, logo após a criação da sociedade efêmera Z, subscreve capital em 2, aceitando pagar um sobrevalor a título de ágio sob o fundamento da existência de bens subavaliados em Z. Esse ágio será registrado como Reserva de Ágio no Patrimônio Líquido de Z. No passo seguinte, X, como controladora de 2, ajusta o investimento em Z (constante de seu ativo) pelo método da equivalência patrimonial. Ou seja, com o aumento do patrimônio liquido de Z pelo recebimento do valor do ágio na subscrição, o investimento constante do ativo de X sofre um ajuste para manter o mesmo percentual de participação de X no patrimônio de Z. Dois meses depois, os acionistas acordam a extinção da sociedade efêmera Z e a restituição do capital aos seus únicos acionistas, X e a Y. Assim, Y recebe o ativo que lhe interessava e X recebe o valor em dinheiro correspondente. Obedecida a sucessão de atos formais, O diferencial, no presente caso, é o fato de alienante e adquirente estarem situadas no exterior, negociarem a participação societária por valor superior ao patrimonial, e pretenderem que este sobrevalor prestese a amortizações na investida, que está situada no Brasil. Além disso, a saída do alienante é antecipada, mediante prévia redução do capital social, de modo a tentar desvincular o pagamento feito pelo adquirente da posterior remessa dos correspondentes recursos ao alienante. Em tais condições, a reativação da ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A prestase não só à posterior incorporação, em razão da qual será pretendida a amortização do ágio, como também de anteparo à realização de pagamento diretamente por uma empresa espanhola a outra. Por todo o exposto, mesmo que se possa vislumbrar, com a desconsideração da redução de capital deliberada em 03/03/2008, a existência de um sobrevalor na aquisição, pelo Grupo ArcellorMittal, de participação acionária correspondente a 50% do capital da autuada, antes detida pelo Grupo Gonvarri, ainda assim ele seria inferior ao ágio contabilizado de R$ 92.260.208,91, e, para além disso, decorreria de investimento realizado por Arcellor Spain Holding SL, e não pela incorporada ArcellorMittal Brasil SSC Participações S/A, na qual o ágio foi contabilizado sem substância econômica. Frente a tais constatações, resta claro que as operações promovidas não autorizam a amortização de ágio, na medida em que a participação societária detida pelo Grupo Gonvarri não foi adquirida por ArcellorMittal Brasil SSC Participações S/A, mas sim por Arcellor Spain Holding SL, prestandose a ArcellorMittal Brasil SSC Participações S/A apenas como empresa veículo na qual restou duplicado o custo daquela aquisição e, por conseqüência, o ágio indevidamente amortizado após sua incorporação pela autuada. Irrelevantes, assim, os argumentos da recorrente em favor da validade do laudo apresentado para atribuir ao referido ágio o fundamento em rentabilidade futura. Dessa forma, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para manter as glosas de amortização de ágio veiculadas no presente lançamento. Quanto às glosas de juros sobre o capital próprio, o recálculo promovido pela Fiscalização ensejou a exclusão das parcelas de R$ 140.195.887,80 e R$ 86.073.464,31, contabilizados no Patrimônio Líquido da autuada a título de Reserva de Ágio. A autoridade fiscal afirmou que o ágio gerado em negócio entre partes relacionadas, com fundamento no que Fl. 2723DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 42 41 antes exposto, deveria ser baixado da contabilidade da autuada, assim repercutindo no cálculo dos limites de dedução daquela despesa. A autoridade julgadora de 1a instância cancelou as exigências correspondentes sob o seguinte fundamento: Com relação aos juros sobre o capital próprio, entendeu a autoridade fiscal que o patrimônio líquido da impugnante teria sido indevidamente aumentado pelas reservas de ágio de R$ 140.195.887,80 (registrada por ocasião do aumento de capital subscrito pela ArcelorMittal Participações) e R$ 86.073.464,31 (reconhecida em decorrência da incorporação daquela mesma sociedade pela impugnante em 31/12/2008). A impugnante alegou que a reserva de ágio foi registrada em atenção ao artigo 182, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976, e que realizou estudo para avaliar a recuperabilidade do ágio registrado pela ArcelorMittal Participações; que, na medida em que não havia razão para determinar a baixa do ágio, não se pode questionar o aumento do PL em função da absorção do acervo incorporado, inclusivo o ágio; que a ArcelorMittal Participações e a Gonvarri Espanha se submeteram a todos os efeitos do negócio jurídico praticado, acolhendo e observando integralmente o regime jurídico aplicável; que a autoridade fiscal não esclareceu qual o fundamento legal (art. 50 do Código Civil e art. 135 do CTN) utilizado para desconsiderar a personalidade jurídica da Gonvarri Espanha e da Holding Gonvarri SL e concluir que os recursos recebidos pela Gonvarri Espanha podem ser considerados imediata e simultaneamente percebidos pela ArcelorMittal Espanha, ArcelorMittal France e ArcelorMittal Basque Holding; que, como não é facultado à autoridade fiscal desconsiderar atos e negócios jurídicos segundo o seu critério pessoal, não lhe cabe desconsiderar o aporte de recursos na Gonvarri Brasil e, ao mesmo tempo, aceitar silenciosamente a redução de capital praticada; considerando que o aporte foi de R$ 170.776.644,28, enquanto a redução de capital foi de R$ 150.963.495,00, é forçoso concluir que não houve a redução de capital; Da análise dos autos chegase à conclusão de que cabe razão à impugnante. Os encargos de juros sobre o capital próprio dedutíveis na apuração do lucro real foram tratados pelo art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 (base legal do art. 347 do RIR de 1999), nos seguintes termos: [...] Portanto, a pessoa jurídica pode deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da TJLP, condicionado à existência de lucros ou lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. No presente caso, verificase que a integralização de R$ 170.776.644,28 – sendo a parcela de R$ 30.580.756,48 destinada ao Capital Social e a de R$ 140.195.887,80 à Reserva de Ágio – efetuada pela ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A realmente ocorreu, conforme transferência bancária creditada em 09/10/2008 na conta bancária mantida no Banco Itaú S/A (fl. 16761677). Ainda que o ágio apurado pela investidora ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A não fosse dedutível para fins tributários, é fato que o ingresso desse recurso na investida deve, de qualquer forma, ser contabilizado no Patrimônio Líquido. Quanto à Reserva de Ágio de R$ 86.073.464,31 reconhecida na incorporação da ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A pela interessada em 31/12/2008, decorre o ágio indedutível apurado sobre as operações de compra de 39.025.800 Fl. 2724DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 43 42 ações da interessada em 09/06/2008 e de subscrição de 122.811.895 novas ações em 29/10/2008, conforme já relatado nos tópicos anteriores do presente voto.O surgimento desse ágio somente foi possibilitado pela redução indevida de R$ 150.963.495,00 no capital social da interessada deliberada em 03/03/2008 (fls. 62 63) e efetivamente paga à sócia Gonvarri Corporación Financeira,SL, em 29/10/2008. Logo, caso se desconsidere a redução do capital social da ArcelorMittal Gonvarri, assim como as operações relativas ao ágio apurado pela ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A, o Patrimônio Líquido da interessada seria, de qualquer modo, suficiente para dar respaldo ao Juros Sobre o Capital Próprio pago pela interessada. Dessa forma, voto por cancelar a exigência correspondente. Como antes exposto neste voto, embora não subsistindo a caracterização do ágio amortizado como interno, vez que não provado o controle do Grupo ArcelorMittal sobre a investida, ora autuada, restou demonstrada a utilização de empresa veículo para aquisição, pela Arcelor Spain Holding SL, de investimento na Gonvarri Brasil. Na operação de 09/06/2008, o preço de R$ 54.223.355,72 pago por Arcelor Spain Holding SL foi entregue à Gonvarri Corporación Financiera SL, de modo que este fato somente repercutiria no patrimônio destas pessoas jurídicas. A intermediação da ArcelorMittal Participações fez surgir, no patrimônio desta: a) no ativo, investimento de R$ 14.503.308,71 e ágio de R$ 39.720.047,01; e b) no passivo, capital social de R$ 54.465.324,00. No patrimônio da investida nada deveria ser registrado. Na operação de 29/10/2008, o preço de R$ 170.776.644,28 pago por Arcelor Spain Holding SL foi aportado na autuada, seguindose nesta o pagamento da redução de capital em favor de Gonvarri Corporación Financiera SL no valor de R$ 150.963.495,00. A intermediação da ArcelorMittal Participações fez surgir, no patrimônio desta: a) no ativo, investimento de R$ 118.236.482,38 e ágio de R$ 52.540.161,90; e b) no passivo, capital social de R$ 30.580.756,48 e reserva de ágio na venda de ações de R$ 140.195.887,80. No patrimônio da investida, além do ingresso da parcela de R$ 170.776.644,28 em disponibilidades, há alterações no passivo: aumento do capital social em R$ 30.580.756,48 e de reserva de capital por ágio na venda de ações de R$ 140.195.887,80. A incorporação de ArcelorMittal Participações não resultou em aumento de capital social da autuada, mas apenas no cancelamento das ações detidas por ArcelorMittal Participações e sua substituição por novas ações da autuada, atribuídas aos acionistas da ArcelorMittal Participações. O patrimônio líquido da ArcelorMittal Participações, equivalente a R$ 88.284.624,80, foi destinado à autuada como Reserva de Ágio Especial na Incorporação da Incorporadora, conforme Protocolo e Instrumento de Justificação da Incorporação da ArcelorMittal Brasil SSC Participações S/A pela autuada (fls. 186/189). Se a aquisição da participação societária fosse processada entre adquirente (Arcelor Spain Holding SL) e alienante (Gonvari Corporación Financiera SL), o ágio contabilizado na autuada, como reserva especial de ágio na incorporação, não existiria, pois somente se formaria no patrimônio da efetiva investidora. Já quanto à reserva de capital por ágio na venda de ações, contabilizada tanto na ArcelorMittal Participações, como na autuada pelo valor de R$ 140.195.887,80, ela somente se verificou na autuada em razão da prévia redução de seu capital social, e da conseqüente emissão de novas ações para subscrição pela ArcelorMittal Participações. Se o aporte fosse promovido sem a redução de capital social, não Fl. 2725DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 44 43 haveria razão para emissão de novas ações, bastando a alienação das ações que permaneceriam de propriedade de Gonvarri Corporación Financiera Ltda. Por esta razão, a reserva de ágio na emissão de ações, que subsistiu no patrimônio da autuada, prestase a recompor seu patrimônio líquido em razão da redução de capital que, como visto, suscitou indevidamente a formação de ágio na subscrição de ações pelo Grupo ArcelorMittal. Diante deste contexto, a autoridade lançadora não poderia simplesmente excluir do patrimônio líquido da autuada a reserva especial de ágio na incorporação (no valor atualizado de R$ 86.073.464,31), bem como a reserva de ágio na emissão de ações, no valor de R$ 140.195.887,80. Embora este último valor aumente, de fato, o patrimônio líquido da autuada, está evidente na demonstração datada de 31/12/2009, que o capital social permaneceu reduzido em R$ 80.580.756,48, ao passo que antes das operações aqui em debate representava R$ 200.963.495,00. A conclusão fiscal, portanto, é incompatível com sua constatação de que, em 29/10/2008 o PL da GONVARRI BRASIL estava indevidamente subavaliado, o que ajudou demais na confecção (ou geração) do ágio. Esta subavaliação deveria ter sido revertida juntamente com a exclusão dos efeitos das reservas de capital decorrentes do ágio indevidamente formado nas operações em análise. Em termos semelhantes, inclusive, manifestase a autuada em sua impugnação: 240. Em termos concretos, o aporte foi de R$ 170.776.644,28 (fls. 11 do TVF), enquanto a redução de capital foi de R$ 150.963.495,00 (fls. 10 do TVF). Portanto, caso não se considere o aporte de capital, forçoso é concluir que não houve a redução de capital, tendo em vista que a movimentação de recursos no país e no exterior não ocorreu em montante suficiente a fim de permitir a redução de capital e, ao mesmo tempo, a entrega de recursos por parte da ArcelorMittal Participações diretamente para o exterior. As glosas de despesas com juros sobre o capital próprio promovidas no presente lançamento decorrem basicamente do baixo limite aferido a partir da aplicação da TJLP sobre as contas do patrimônio líquido. De fato, embora 50% dos lucros auferidos nos anoscalendário 2008 e 2010 comportassem as despesas contabilizadas nestes períodos, a aplicação da TJLP sobre o patrimônio líquido expurgado das reservas de ágio resultou em limites inferiores às despesas praticadas (fls. 2055 e 2057). Diante deste contexto, não é possível, em sede de julgamento, integrar à acusação fiscal as repercussões desconsideradas pela autoridade lançadora, e assim reconstituir os cálculos dos limites de dedução dos juros sobre o capital próprio para eventualmente manter, ao menos em parte, as exigências correspondentes. Quanto à glosa do anocalendário 2009, vêse à fl. 2056 que as despesas de R$ 18.289.999,24 são superiores também a 50% do lucro do exercício (R$ 14.223.758,91). Todavia, a Fiscalização assim expôs a motivação para a glosa promovida: 109. Em 2009, da mesma forma, tendo em vista o efetivo pagamento de JSCP no valor de R$ 18.289.999,24 em 2009, sendo o limite dedutível de R$ 6.137.799,06 (vide Cálculo do JSCP feito por esta Fiscalização constante do ANEXO II do presente TVF), adicionamos a diferença de R$ 1.862.200,65 ao Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL para apuração do IRPJ e da CSLL, respectivamente. Fl. 2726DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 45 44 Na medida em que o limite excedido correspondente à aplicação da TJLP sobre o patrimônio líquido minorado na forma antes exposta, constatase que a autoridade fiscal não acusou a contribuinte de ter também excedido o limite de lucros disponíveis para pagamento de juros sobre o capital próprio. E esta omissão impediu a interessada de demonstrar que estes cálculos estariam equivocados ou que existiram lucros acumulados disponíveis para suportar este pagamento. Assim, também aqui não é possível manter qualquer parcela da glosa promovida pela Fiscalização. Por todo o exposto, embora discordando dos fundamentos adotados pela autoridade julgadora de 1a instância para cancelar a exigência, na medida em que no contexto aqui vislumbrado ela também não pode subsistir, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. Prosseguindo, a recorrente questiona a exigência da multa isolada depois de encerrado o anocalendário, e aponta a sua indevida cumulação com a multa de ofício proporcional. A autoridade julgadora de 1a instância cancelou apenas as multas isoladas exigidas em dezembro/2009 e dezembro/2010, porque justificadas pelas glosas de juros sobre o capital próprio. De fato, observase que em dezembro/2009 as glosas de amortização de ágio não são suficientes para reverter para lucro o prejuízo verificado naquela apuração mensal. Já na apuração da CSLL, embora a amortização glosada (R$ 1.537.670,15) supere a base negativa acumulada (R$ 906.773,19), a base imponível seria inferior à apurada em novembro/2009, não ensejando estimativa devida em dezembro/2009. De forma semelhante, em dezembro/2010 as glosas de amortização de ágio aumentam o lucro apurado, mas ainda assim ele continua inferior às bases de cálculo de IRPJ e CSLL apuradas em novembro/2010, não ensejando estimativa devida em dezembro/2010. Correta, portanto, a exoneração promovida na decisão de 1a instância, motivo pelo qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício. Quanto à formalização concomitante da multa isolada com a multa de ofício aplicada sobre o ajuste anual, em decorrência da mesma infração, vêse que a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, desde a redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: Fl. 2727DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 46 45 [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o anocalendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o anocalendário. Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, ainda que verificando que os tributos devidos ao final do anocalendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do anocalendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 2728DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 47 46 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, em ambos os dispositivos estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário. A única distinção é o percentual aplicado, agora de 50% e não mais de 75.% Impróprio, assim, falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: o fato típico que enseja a aplicação da multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação acessória imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis – e o motivo da imputação da multa proporcional é o não cumprimento da obrigação referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. Fl. 2729DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 48 47 Por estas razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e manter as exigências de multa isolada que subsistiram no julgamento de 1a instância. A recorrente pede, também, o cancelamento do auto de infração complementar porque: 1) a autorização concedida pela DRJ para sua lavratura não se funda no art. 18, §3o do Decreto nº 70.235/72, mas sim na regra geral de revisão de ofício do lançamento tributário contida nos arts. 145 e 149 do CTN; e 2) o critério de apuração da base tributável utilizado no AI original estava totalmente correto e pautado em orientações da própria Receita Federal. A complementação do auto de infração teve em conta os efeitos do saldo negativo originalmente apurado pela contribuinte. Disse a autoridade fiscal no lançamento original, à fl. 2026: DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÕES 122. Em decorrência da presente autuação os Saldos Negativos de IRPJ e CSLL apurados pelo sujeito passivo nos AC 2009 e 2010 deixaram de existir. Vejamos a comparação: Crédito AC 2008 AC 2009 AC 2010 Saldo Negativo de CSLL Apurado pelo Sujeito Passivo (2.225.106,30) (889.021,62) (1.002.261,83) Saldo Negativo de CSLL Apurado pela Fiscalização (1.899.221,18) Saldo Negativo de IRPJ Apurado pelo Sujeito Passivo (623.112,37) (3.727.254,09) (5.164.000,10) Saldo Negativo de IRPJ Apurado pela Fiscalização (505.793,73) 123. Pois bem, em consulta às Declarações de Compensação (DCOMP) enviadas pelo sujeito passivo à Receita Federal constatamos que o mesmo utilizou esses pretensos créditos em compensações conforme quadro a seguir. DCOMP Crédito Utilizado Valor 15824.66449.090610.1.3.033563 Saldo Negativo de CSLL AC 2009 592.086,86 01781.72706.280611.1.3.025515 Saldo Negativo de IRPJ AC 2009 403.225,11 31243.26526.200611.1.3.025354 Saldo Negativo de IRPJ AC 2009 561.976,05 14040.30504.200611.1.3.031454 Saldo Negativo de CSLL AC 2009 117.473,27 124. Tal constatação será objeto de Representação ao Seort da Delegacia da Receita Federal em Curitiba – Serviço Responsável pela análise de PER/DCOMP – para que a mesma tome as providências necessárias no sentido de não homologar referidas compensações e, por conseguinte, cobrar os débitos indevidamente compensados. Os demonstrativos de apuração dos autos de infração indicam que: · No anocalendário 2008: o Não houve exigência de IRPJ porque o débito apurado era inferior ao saldo negativo originalmente apurado pelo sujeito passivo, que restou reduzido em R$ 325.885,12; o Não houve exigência de CSLL porque o débito apurado era inferior às estimativas pagas sujeito passivo, que foram consumidas no importe de R$ 117.318,64; Fl. 2730DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 49 48 · No anocalendário 2009: o O IRPJ apurado de R$ 4.991.385,00 foi reduzido a R$ 1.264.130,91, porque deduzidas retenções e estimativas do período, no total de R$ 3.727.254,09; o A CSLL apurada de R$ 1.805.538,60 foi reduzida a R$ 916.516,98, porque deduzidas estimativas do período, no total de R$ 889.021,62; · No anocalendário 2010: o O IRPJ apurado de R$ 6.832.870,72 foi reduzido a R$ 1.668.870,62, porque deduzidas retenções e estimativas do período, no total de R$ 5.164.000,10; o A CSLL apurada de R$ 2.263.912,42 foi reduzida a R$ 1.261.650,59, porque deduzidas estimativas do período, no total de R$ 1.002.261,83. Ao consumir integralmente as antecipações promovidas pela contribuinte no anocalendário 2009, a autoridade fiscal concluiu pela inexistência dos saldos negativos originalmente apurados, e registrou no Termo de Verificação Fiscal que representaria à autoridade competente para que as compensações vinculadas àqueles créditos fossem não homologadas. Depois de impugnada a exigência, foi juntada aos autos representação fiscal nas quais os auditores responsáveis pelo lançamento descrevem o procedimento acima demonstrado, reportamse a outras DCOMP apresentadas pelo sujeito passivo, concluindo que apenas os saldos negativos apurados no anocalendário 2009 ainda não haviam sido integralmente consumidos em compensações (fls. 2357/2360). E, frente a este cenário, asseveram: De fato, o procedimento correto a ser seguido em casos em que os Saldos Negativos de IRPJ e de CSLL (decorrente do pagamento das estimativas mensais em montante superior ao imposto anual declarado) tenham sido objeto de compensação (DCOMP) é o do proceder ao lançamento de ofício do total do imposto devido correspondente à receita omitida, sem deduzir o montante objeto de aproveitamento mediante compensação. Mesmo porque a análise das DCOMP não pode ficar "pendente" até a constituição definitiva do Crédito Tributário em comento. Portanto, os Créditos Tributários por nós constituídos para lançamento referentes aos AC 2008 e 2009 não deveriam ter sido deduzidos dos valores de Saldo Negativo de IRPJ e CSLL. Em relação à dedução do IRPJ e CSLL a lançar referentes ao AC 2010 feita por esta Fiscalização, a mesma foi feita corretamente, haja vista que os Saldos Negativos de IRPJ e CSLL apurados pelo contribuinte nesse período usados nessa dedução não foram utilizados pelo mesmo em DCOMP. Requereram, assim, a reabertura da presente fiscalização para que possamos fazer um lançamento complementar, onde desta feita não serão deduzidos os saldos negativos que foram incluídos nas DCOMP da autuada. Ou, em outras palavras, para que possamos lançar os saldos negativos indevidamente deduzidos em Auto de Infração. Fl. 2731DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 50 49 Com a concordância da autoridade superior, referida representação foi encaminhada à DRJ/Curitiba, que assim se manifestou: Logo, considerando que os saldos negativos de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 2008 e 2009, originalmente declarados, já haviam sido utilizados como direito creditório em diversas declarações de compensação apresentadas pela contribuinte, cabe o retorno dos autos à DRF/Curitiba, com fundamento no artigo 18, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, para lavratura de auto de infração complementar para exigência das parcelas dos saldos negativos indevidamente deduzidas na apuração da exigência fiscal em litígio, com reabertura de prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Os autos de infração complementares apresentam a seguinte motivação na descrição dos fatos: Por intermédio do presente Auto do Infração estão sendo lançados Saldos Negativos de IRPJ [CSLL] apurados pelo Sujeito Passivo (decorrentes dos pagamentos das estimativas mensais e de Imposto de Renda Retido na Fonte em montante superior ao imposto anual declarado) os quais foram indevidamente utilizados como dedução no Auto de Infração Original datado de 03/04/2012. Como referidos Saldos Negativos já foram usados pelo sujeito passivo em compensações todas realizadas antes da ciência do Auto de Infração Original, cabe enfatizar os mesmos não poderiam ter sido utilizados novamente na apuração da exigência fiscal original. A Turma Julgadora de 1a instância rejeitou a argüição de nulidade apresentada em impugnação porque o lançamento observou as disposições do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, bem como o art. 142 do CTN. Disse inexistir violação ao art. 146 do CTN porque não há no lançamento complementar qualquer mudança do critério jurídico originalmente utilizado pela autoridade fiscal, mas apenas correção no cálculo da exigência fiscal para ajuste dos valores deduzidos a maior a título de saldos negativos de IRPJ e CSLL declarados nas DIPJ’s 2009 e 2010. O lançamento complementar está assim disciplinado no Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União: Art.41 . Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 18, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º ). §1º O lançamento complementar será formalizado nos casos: I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou Fl. 2732DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 51 50 II em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. §2º O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I complementar o lançamento original; ou II substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. §3º Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. §4º O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. §5º O julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no § 4º será objeto de um único acórdão. No presente caso, a autoridade fiscal assevera que houve apuração incorreta do crédito tributário exigido. Ainda que o erro não tenha se verificado na base de cálculo do crédito tributário, mas sim na determinação do tributo a pagar, constatase que a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, não é possível afirmar que a apuração incorreta se verificou no momento da formalização da exigência. Ao contrário, a descrição dos fatos é coerente com os cálculos da exigência: a autoridade fiscal entendeu que as antecipações deveriam ser deduzidas na apuração dos tributos exigíveis, e assim procedeu ao elaborar os demonstrativos de apuração do crédito tributário. A redação do §1o do art. 41 do Decreto nº 7.574/2011 deixa claro que o lançamento complementar somente é possível para ajustar a exigência do crédito tributário à motivação do lançamento. Ou seja, deve ser mantida a descrição dos fatos e os demais documentos produzidos na ação fiscal e apenas ajustado o cálculo da exigência, mediante retificação da base de cálculo, ou inclusão de matéria antes devidamente identificada. Para além disso, o dispositivo regulamentar somente autoriza o agravamento da exigência inicial diante de fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, o que não é o caso destes autos. Assim, devidamente motivados os cálculos realizados para quantificação da exigência, a complementação da exigência somente seria possível se a autoridade fiscal tivesse afirmado que as antecipações não eram dedutíveis no lançamento, mas ainda assim as tivesse computado como redutoras dos tributos apurados. Como visto, porém, não foi este o caso: a autoridade fiscal deduziu as antecipações e conscientemente concluiu que esta utilização deveria ensejar a nãohomologação das compensações vinculadas aos créditos por elas formados. Mais à frente, vislumbrando dificuldades para implementar esta nãohomologação, que em seu entender não poderia ser promovida enquanto pendente a constituição definitiva do crédito tributário aqui lançado, os agentes fiscais procuraram retificar seu procedimento, ou seja, exigir crédito tributário suplementar por uma motivação diversa daquela que constou do lançamento original, providência que somente seria possível se constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados Fl. 2733DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 52 51 aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial, a teor do art. 41, §1o, inciso II do Decreto nº 7.574/2001. Por estas razões, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento complementar formalizado nestes autos. Por fim, a recorrente questiona a incidência de juros sobre a multa de ofício, e quanto a este aspecto são aqui adotadas as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Fl. 2734DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 53 52 Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. Fl. 2735DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 54 53 A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 2736DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 55 54 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Assim, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Por todo o exposto, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício e DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para cancelar as exigências veiculadas em lançamento complementar. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.722071/201276 Acórdão n.º 1101000.942 S1C1T1 Fl. 56 55 Fl. 2738DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 16682.720216/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LEGALIDADE DA ART. 7º, §1º, DA IN SRF Nº 213/02. A VARIAÇÃO CAMBIAL DO INVESTIMENTO DETIDO EM SUAS CONTROLADA NO EXTERIOR. PERTINENTE AO REGISTRO CONTÁBIL DE EQUITY ESTRANGEIRO, INCLUSIVE DA REFERIDA VARIAÇÃO MONETÁRIA DE MOEDA ESTRANGEIRA ATRELADA AO INVESTIMENTO EFETUADO.
A decisão transitada em julgado pelo judiciário que determina, no caso concreto, ser art. 7º, §1º, da IN SRF nº 213/02 além de legal e constitucional, alberga todo e qualquer elemento pertinente ao registro contábil de equity estrangeiro, inclusive da referida variação monetária de moeda estrangeira atrelada ao investimento efetuado. Assiste razão à Recorrente em ter computado à apuração do lucro real e à base de cálculo da CSLL relativas ao ano-calendário de 2005 a variação cambial do investimento detido em suas controlada no exterior, sob pena de descumprimento de decisão judicial transitada em julgado.
ENTENDIMENTO REITERADAMENTE APLICADO PELAS AUTORIDADES FISCAIS. BOA FÉ
Não pode ser punido o contribuinte que, de boa fé, age com supedâneo no entendimento reiteradamente aplicado pelas autoridades fiscais.
DUBIEDADE QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE FATO JURÍDICO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL. ART. 112 DO CTN
Uma vez que a existência de clara dubiedade quanto ao tratamento tributário de um determinado fato jurídico deve ser interpretado de forma mais favorável ao contribuinte, o que pense ser exatamente o ocorrido no presente lançamento.
Numero da decisão: 1101-000.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão e votando pelas conclusões da divergência a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LEGALIDADE DA ART. 7º, §1º, DA IN SRF Nº 213/02. A VARIAÇÃO CAMBIAL DO INVESTIMENTO DETIDO EM SUAS CONTROLADA NO EXTERIOR. PERTINENTE AO REGISTRO CONTÁBIL DE EQUITY ESTRANGEIRO, INCLUSIVE DA REFERIDA VARIAÇÃO MONETÁRIA DE MOEDA ESTRANGEIRA ATRELADA AO INVESTIMENTO EFETUADO. A decisão transitada em julgado pelo judiciário que determina, no caso concreto, ser art. 7º, §1º, da IN SRF nº 213/02 além de legal e constitucional, alberga todo e qualquer elemento pertinente ao registro contábil de equity estrangeiro, inclusive da referida variação monetária de moeda estrangeira atrelada ao investimento efetuado. Assiste razão à Recorrente em ter computado à apuração do lucro real e à base de cálculo da CSLL relativas ao ano-calendário de 2005 a variação cambial do investimento detido em suas controlada no exterior, sob pena de descumprimento de decisão judicial transitada em julgado. ENTENDIMENTO REITERADAMENTE APLICADO PELAS AUTORIDADES FISCAIS. BOA FÉ Não pode ser punido o contribuinte que, de boa fé, age com supedâneo no entendimento reiteradamente aplicado pelas autoridades fiscais. DUBIEDADE QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE FATO JURÍDICO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL. ART. 112 DO CTN Uma vez que a existência de clara dubiedade quanto ao tratamento tributário de um determinado fato jurídico deve ser interpretado de forma mais favorável ao contribuinte, o que pense ser exatamente o ocorrido no presente lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão e votando pelas conclusões da divergência a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720216/201083 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.944 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2013 Matéria IRPJ/CSLL Lucros no Exterior Recorrente LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LEGALIDADE DA ART. 7º, §1º, DA IN SRF Nº 213/02. A VARIAÇÃO CAMBIAL DO INVESTIMENTO DETIDO EM SUAS CONTROLADA NO EXTERIOR. PERTINENTE AO REGISTRO CONTÁBIL DE EQUITY ESTRANGEIRO, INCLUSIVE DA REFERIDA VARIAÇÃO MONETÁRIA DE MOEDA ESTRANGEIRA ATRELADA AO INVESTIMENTO EFETUADO. A decisão transitada em julgado pelo judiciário que determina, no caso concreto, ser art. 7º, §1º, da IN SRF nº 213/02 além de legal e constitucional, alberga todo e qualquer elemento pertinente ao registro contábil de equity estrangeiro, inclusive da referida variação monetária de moeda estrangeira atrelada ao investimento efetuado. Assiste razão à Recorrente em ter computado à apuração do lucro real e à base de cálculo da CSLL relativas ao anocalendário de 2005 a variação cambial do investimento detido em suas controlada no exterior, sob pena de descumprimento de decisão judicial transitada em julgado. ENTENDIMENTO REITERADAMENTE APLICADO PELAS AUTORIDADES FISCAIS. BOA FÉ Não pode ser punido o contribuinte que, de boa fé, age com supedâneo no entendimento reiteradamente aplicado pelas autoridades fiscais. DUBIEDADE QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE FATO JURÍDICO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL. ART. 112 DO CTN Uma vez que a existência de clara dubiedade quanto ao tratamento tributário de um determinado fato jurídico deve ser interpretado de forma mais favorável ao contribuinte, o que pense ser exatamente o ocorrido no presente lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 02 16 /2 01 0- 83 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão e votando pelas conclusões da divergência a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Rio de JaneiroI que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 25/11/2010, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 131.588.455,66. O lançamento decorre da tributação de lucros auferidos no exterior por intermédio das controladas Lir Energy Limited (LIR) e Light Overseas Investments Limited (LOI), no anocalendário 2005. Afirmou a fiscalizada que tributara os resultados auferidos no exterior, reconhecendoos pelo método da equivalência patrimonial, consoante determina a Instrução Normativa SRF nº 213/2002. Noticiou a impetração do Mandado de Segurança nº 2003.51.01.00551418, do qual desistiu para aderir ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, promovendo os ajustes necessários nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL desde o ano calendário 2002. A contribuinte esclareceu que não incluíra, no referido parcelamento, débitos de IRPJ e CSLL vinculados aos lucros auferidos no exterior no anocalendário 2005, mas apenas ajustou as bases de cálculo de IRPJ e CSLL desde 2002, em fiel cumprimento às disposições contidas na IN 213/02 e MP nº 2.15835/01. Contudo, este procedimento representou, em 2005, o reconhecimento de ganhos, incluindo variação cambial, de R$ 520.038.469,33 integralmente excluídos, e de perdas, também incluindo variação cambial, de R$ 489.885.707,85 integralmente adicionadas ao lucro tributável, sem que o valor correspondente a lucros no exterior, no montante de R$ 242.603.190,47, fosse adicionado no mesmo período, motivo da exigência fiscal. A autoridade lançadora observou que a legislação exclui a tributação da contrapartida do ajuste de equivalência patrimonial nas situações que não representa lucro auferido no exterior, e que a tentativa de tributação da variação cambial dos investimentos no exterior foi afastada por meio do veto presidencial ao art. 46 da Lei nº 10.833/2003, restando frustrada também a tentativa, no mesmo sentido, veiculada na Medida Provisória nº 232/2004, como reconhecido em Soluções de Consulta da 8a e da 9a Região Fiscal da Receita Federal. Acrescentou, ainda, que: Ademais, as empresas Lir Energy Limited (LIR) e Light Overseas Investments Limited (LOI) tem como objetivo a captação de recursos no exterior, os seus ativos são compostos basicamente de títulos de renda fixa de emissão da controladora, Light Serviços de Eletricidade S/A. Desse modo, representando um passivo da controladora no Brasil, incidindo juros, que são dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Por sua vez as empresas no exterior (LIR e LOI) geram anualmente lucros decorrentes das receitas de juros auferidas nos citados títulos de renda fixa. O fiscal autuante também consignou que não há notícia de comunicações feitas pela contribuinte acerca dos ajustes procedidos nas apurações de IRPJ e CSLL dos anos calendário de 2002 a 2004, mas apenas a informação prestada depois do início do procedimento fiscal. O saldo acumulado de prejuízos fiscais no início de 2005 não contempla referidos ajustes, notandose apenas um registro, em 31/12/2005, no valor de R$ Fl. 781DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 5 4 192.130.307,59, a título de compensação, ao passo que apenas o ajuste de 2002 representaria, segundo informações da contribuinte, redução de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados de R$ 942.719.917,07. Em impugnação, a contribuinte reportouse a seu procedimento para desistência do Mandado de Segurança nº 2003.51.01.0055148 e afirmou que após isto procedeu a nova apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL desde 2002, reconhecendo os resultados pela equivalência patrimonial com a inclusão da variação cambial, tributandoos quando positivos e adicionandoos à base tributável quando negativos. Em 2005, nos moldes do que dispõe a Instrução Normativa SRF nº 213/2002, o resultado foi negativo, nada havendo a recolher no âmbito do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. Quanto aos períodos anteriores, esclareceu que não poderia retificar declarações e o LALUR depois do transcurso do prazo decadencial, mas tais ajustes teriam sido considerados no anocalendário 2005, que apresentaria saldo de prejuízos muito superior ao declarado, se estes procedimentos não tivessem sido adotados. Afirmou que o art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 determina a tributação dos resultados por equivalência patrimonial, que esta disposição normativa não tinha base legal, mas tal tributação foi prevista pelo art. 46 da Medida Provisória nº 135/2003, e que a aplicação da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 deve levar em conta aqueles resultados. Entende ser dever das autoridades fiscais aplicarem o dispositivo legal, não lhes cabendo interpretálos, e aponta divergência com a interpretação adotada pela Fazenda Nacional no âmbito do Mandado de Segurança, já transitado em julgado. O lançamento caracterizaria, assim, ofensa à coisa julgada, bem como haveria mudança de critério jurídico, a teor do art. 146 do CTN. Alegou que os resultados totais de 2002 a 2009 seriam inferiores aos reconhecidos, se desconsiderada a variação cambial, mas a Fiscalização centrouse em 2005, período no qual a variação foi benéfica à autuada. Questionou a aplicação de multa, por ser excessiva, bem como por se tratar de matéria discutida judicialmente e tratada em instrução normativa, e discordou dos juros de mora calculados com base na taxa SELIC e aplicados sobre a multa de ofício. A Turma julgadora rejeitou os argumentos da impugnante, declarando que a retificação dos resultados de 2002 a 2004 não influenciavam o presente lançamento, e afirmando que o art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 deve ser interpretado à luz da legislação que rege a tributação de lucros no exterior, de modo a alcançar apenas estes resultados reconhecidos por meio da equivalência patrimonial, sem atingir os demais valores que a compõem, que permanecem submetidos ao tratamento previsto pela legislação anterior à Lei nº 9.249/95. No mais, destacouse que não houve questionamento acerca do valor dos lucros auferidos no exterior no anocalendário 2005, validouse a exigência de CSLL como decorrência do IRPJ, afirmouse o cabimento da multa de ofício por inexistir amparo normativo à conduta da autuada, e a regularidade dos juros calculados com base na taxa SELIC, inclusive na parte incidente sobre a multa de ofício. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/05/2011 (fl. 640/641), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 10/06/2011 (fls. 642/696), no qual volta a descrever as ocorrências verificadas no âmbito do Mandado de Segurança nº 2003.51.01.0055148, frisando aspectos de sua desistência, antes da qual esclareceu ao juízo da causa que a aplicação do método da equivalência patrimonial ensejava a tributação da variação Fl. 782DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 6 5 cambial dos lucros auferidos no exterior, e que assim pretendia continuar discutindo este aspecto, desistindo apenas dos questionamentos acerca do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Contudo, mesmo ante tal argumentação, seu pedido de desistência parcial não foi homologado, e embora interposto agravo regimental contra esta decisão, a recorrente optou por desistir integralmente da ação, para não ficar impedida de optar pelos benefícios da Lei nº 11.941/2009. Na medida em que a extinção daquele processo se deu com resolução do mérito, prevaleceu o entendimento da Fazenda Nacional acerca da necessária incidência sobre a variação cambial computada no resultado da equivalência patrimonial. Por esta razão, ao recompor suas apurações a contribuinte considerou todo o resultado da equivalência patrimonial, que no anocalendário 2005 foi negativo, consoante sua reprodução de registros contábeis nos mesmos moldes apontados pela Fiscalização. Consigna que tais alterações foram comunicadas ao mercado por meio de Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras de 2005. Reitera que os resultados de 2005, 2007 e 2009 foram negativos, mas nos demais períodos houve aumento do lucro tributável. Inclusive, o resultado global de 2002 a 2007 foi positivo e houve, efetivamente, pagamento de tributos por meio da utilização de prejuízos fiscais da Recorrente. A carga tributária apurada foi maior se comparada com a não inclusão da variação cambial em seus resultados. O entendimento da Fiscalização contraria posicionamentos firmados ao longo de todo o processo judicial e até mesmo em manifestações da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (“RFB”), além de contrariar os termos da decisão judicial que denegou a segurança. A recorrente, então, depois de abordar os fundamentos da decisão recorrida, reportase aos motivos determinantes de sua reforma integral, fazendo considerações iniciais acerca do conceito de equivalência patrimonial, para demonstrar que sempre se preocupou em deixar evidente seu posicionamento acerca do cômputo da variação cambial naquele resultado, e ainda assim, a Fazenda Nacional exigiu que a Recorrente desistisse e renunciasse de todo o objeto da discussão judicial, obrigandoa a aplicar as disposições literais da IN 213/2002. Afirma que a Instrução Normativa SRF nº 213/2002 previu, literalmente, a tributação da variação cambial dos investimentos auferidos por coligadas e controladas no exterior, mesmo sem base legal, o que ensejou a sua criação por meio do art. 46 da Medida Provisória nº 135/2003, que acabou vetado de forma casuística. Conclui que a edição deste dispositivo legal deixa patente que a Instrução Normativa SRF nº 213/2002 previa a tributação de todo o resultado da equivalência patrimonial. Aborda o dever funcional das D. Autoridades Fiscais de aplicarem literalmente a IN 213/02, que presumese legal até que sua ilegalidade seja declarada expressamente. Discorda da interpretação restritiva e casuística feita no lançamento, reafirmando a necessidade de aplicação literal do ato normativo, até porque a recorrente ficou obrigada a aplicálo literalmente por decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2003.51.01.0055148. Questiona, ainda, como deveria proceder nos anos subseqüentes (2006 e 2008), nos quais haveria redução de seu lucro tributável, quando, então, poderia ser também questionada pela Fazenda Nacional. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 7 6 Reportase à petição inicial da ação mandamental e ao Agravo Regimental interposto contra a decisão que não homologou seu pedido de desistência parcial, como evidências de que seu posicionamento era contrário à tributação da variação cambial. De outro lado, transcreve manifestação da Fazenda Nacional em defesa da tributação afirmada na Instrução Normativa SRF nº 213/2002, e menciona que este entendimento foi acolhido pelo TRF/2a Região conforme documentos juntados à impugnação, citando outro Mandado de Segurança no qual a matéria é debatida. Aponta ofensa à segurança jurídica e conclui, sob três ângulos distintos, que o procedimento defendido pelas D. Autoridades Fiscais no presente processo já foi discutido nos autos do Mandado de Segurança nº 2003.51.01.0055148 e não teve provimento. Reporta se, também, à manifestação da DEFIC/RJ nos autos do Mandado de Segurança e às contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional ao recurso de apelação interposto naqueles autos. Argúi, então, a impossibilidade de se exigir comportamento da Recorrente oposto àquele decidido em decisão judicial transitada em julgado, esclarecendo que sua argumentação está centrada na decisão final proferida em 14/10/2010, por conta de seu pedido de desistência do Mandado de Segurança nº 2003.51.01.0055148, e ressaltando que a extinção do processo se deu com julgamento do mérito, nos termos do art. 269, inciso V, do Código de Processo Civil. Transcreve doutrina e jurisprudência acerca dos efeitos da renúncia e da coisa julgada, e em extenso arrazoado defende o respeito a esta, com o cancelamento da presente exigência. Reportase, ainda, ao princípio da celeridade processual, afirmando que a manutenção da exigência remeterá a discussão para a esfera judicial, onde a controvérsia já está resolvida com resolução de mérito. Ainda, aponta a ausência de prejuízo ao Fisco, dado o aumento do recolhimento por parte da Recorrente, quando considerados os demais períodos envolvidos na lide, apresentando quadro demonstrativo neste sentido, e afirmando a redução do montante de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSL. Argúi, também, ofensa ao art. 3o e ao art. 142 do CTN, bem como ao seu art. 146 por mudança de critério jurídico, reportandose a interpretações doutrinárias acerca da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 e às orientações contidas no Perguntas e Respostas da Receita Federal em 2011. Por fim, reitera o não cabimento da multa de ofício, por ter observado orientação normativa e determinação judicial, invocando o art. 100, inciso I e parágrafo único, do CTN. Alega ser confiscatória a penalidade aplicada, na medida em que não houve fraude, sonegação, dolo ou máfé, e também se opõe à utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, além de afirmar a impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, na qual reportouse a petições e decisões referentes ao Mandado de Segurança nº 2003.51.01.0055148 e afirmou inexistir decisão transitada em julgado em favor da recorrente. No entendimento da recorrente, como o trânsito em julgado é da decisão de renunciar ao direito de não aplicar a variação cambial, se ela renuncia a “não aplicação”, é porque se aplica a variação cambial. Todavia, o efeito da imutabilidade do manto da coisa julgada que acoberta a decisão de renúncia ao direito que se funda ação é tão somente no sentido de não mais ser possível a reclamação judicial do direito subjetivo que se renunciou, Fl. 784DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 8 7 não tendo o efeito de formar qualquer juízo de valor acerca do direito subjetivo que se renunciou. Sendo a renúncia ato unilateral, não teria ela o condão de impedir que a Fiscalização exerça o seu direito (dever) de efetuar o lançamento fiscal nos moldes da legislação em vigor. De toda sorte, a Fazenda Nacional afirmou que não houve manifestação nos autos do MS pela inclusão da variação cambial, especialmente tendo em conta a decisão proferida em sede de embargos de declaração opostos contra a sentença. Na seqüência, procurou demonstrar que a aplicação da IN SRF 213/2002, à luz da evolução legislativa da tributação universal, notadamente com o art. 74 da MP n.º 2.15835/2001, não inclui a variação cambial, seja positiva ou negativa, tendo em vista tributação apenas dos lucros, o que se ratifica pelos entendimentos do CARF e STJ. Para tanto, traçou a evolução legislativa da tributação universal, abordou o conteúdo do art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 frente ao seu fundamento de validade (art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001), e concluiu que há tributação apenas do resultado positivo da equivalência patrimonial que se refira a lucros, rendimentos e ganhos de capital. De outro lado, o procedimento da recorrente não tributou o lucro auferido no exterior, eis que incluída a variação cambial, ensejou um resultado negativo de equivalência patrimonial. Por fim, defende a validade da aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício e pede que seja negado provimento ao recurso voluntário. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O Código de Processo Civil insere a homologação de renúncia do autor ao direito sobre que se funda a ação dentre modalidades de extinção do processo com resolução de mérito (art. 269, inciso V). Por esta razão, a recorrente entende que o Poder Judiciário já se manifestou acerca do motivo da presente exigência, e discorda dos questionamentos dirigidos ao seu procedimento de limitar a tributação de lucros auferidos no exterior ao resultado apurado por meio de equivalência patrimonial. Necessário, portanto, abordar preliminarmente os efeitos da sentença que homologa a renúncia do autor no processo civil. Embora a lei classifique esta espécie de sentença como forma de extinção do processo com julgamento de mérito, a doutrina destaca que assim se faz por equiparação. Isto porque a solução ordinária e natural da ação é a extinção do processo quando o juiz acolhe ou rejeita o pedido do autor, sendo as demais situações de extinção do processo consideradas anômalas, ou, pelo menos em princípio, não desejadas pela ordem processual, porque o que se deseja é que o juiz possa examinar o pedido, acolhendoo ou rejeitandoo, e que a questão se estabilize com a coisa julgada. 1 A renúncia do autor vincula o juiz, que deve extinguir o processo e julgar a ação improcedente, salvo se o direito em que se funda a ação for indisponível2. Significa dizer que ocorrendo renúncia do direito afirmado pelo autor, não há preocupação do juízo em descobrir se o direito objeto da disposição efetivamente existe, bastando para a solução definitiva da lide a homologação judicial do ato de vontade do autor3. A lide deixa de existir e o processo é extinto. Esta sentença é classificada como de mérito porque forma coisa julgada material, e impede a repetição da ação, motivo pelo qual a homologação da renúncia independe da concordância do réu, ao contrário do que ocorre na desistência. Conseqüência disto, no caso concreto, é a retomada da presunção de legitimidade do ato normativo questionado (Instrução Normativa SRF nº 213/2002) e da eficácia do ato legal reputado inconstitucional (art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001). Aliás, por esta razão, não há que se discutir, aqui, o sobrestamento do julgamento do presente feito, ante as disposições do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (alterado pela Portaria MF nº 586/2010) e as decisões proferida nos autos dos Recursos Extraordinários nº 611.586 (02/05/2012) e 574.975 (25/05/2012), na forma do art. 543B do Código de Processo Civil. Se a contribuinte renunciou ao direito de discutir judicialmente a validade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, impedida também 1 GRECO FILHO, Vicente. Direito Processual Civil Brasileiro. 14. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2000. Vol. 2. p. 72. 2 Op. cit., p. 75. 3 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. 4. ed. São Paulo: Método. 2012. p. 514. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 10 9 está de abordar esta matéria no contencioso administrativo. Em conseqüência, a solução do litígio presente nestes autos independe da interpretação que o Supremo Tribunal Federal venha a fixar, relativamente àquele dispositivo legal, em sede de repercussão geral. Tem razão, portanto, a Fazenda Nacional quando afirma que o efeito da imutabilidade do manto da coisa julgada que acoberta a decisão de renúncia ao direito que se funda ação é tão somente no sentido de não mais ser possível a reclamação judicial do direito subjetivo que se renunciou, não tendo o efeito de formar qualquer juízo de valor acerca do direito subjetivo que se renunciou. Os fatos questionados pela autora em suas petições e recursos, os argumentos das decisões judiciais proferidas antes da renúncia, e as razões de defesa apresentadas pela Fazenda Nacional e pela autoridade impetrada, não se convertem em verdade imutável em razão da sentença de mérito que homologa a renúncia da autora em discutilos judicialmente. De toda sorte, importa analisar detidamente as ocorrências alegadas pela recorrente, com vistas a afastar a aplicação do parágrafo único do art. 100, do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. A leitura da petição inicial do Mandado de Segurança nº 2003.51.01.005514 8, juntada à impugnação (fls. 389/412), não deixa dúvida de que a contribuinte pretendeu discutir a legalidade e a constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 – de modo a ser dispensada do oferecimento à tributação dos lucros auferidos no exterior a partir de 2002, antes de sua efetiva disponibilização –, bem como de seu parágrafo único relativamente aos lucros acumulados gerados até 31.12.2001. Ainda, claro está que ela questionou a legalidade e a constitucionalidade do art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002, afirmando que tal ato normativo determinaria a adição dos resultados positivos de equivalência patrimonial na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pretendendo incluir na base de cálculo do IRPJ e CSLL outros valores que não se confundem com o lucro gerado no exterior (variações cambiais e outras variações patrimoniais). A liminar pleiteada foi deferida sob a justificativa de que, em análise perfunctória: 1) o art. 74, caput, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 ofenderia o conceito da renda e o princípio da legalidade; 2) o art. 74, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 contrariaria o princípio da irretroatividade tributária; e 3) o art. 7o, §1o, da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 teria determinado a tributação dos resultados de equivalência patrimonial sem previsão legal (fls. 413/414). A autoridade impetrada (DEFIC/RJ) prestou informações, reproduzidas às fls. 532/537. Na parte legível, é possível observar que, depois de discorrer sobre a legalidade Fl. 787DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 11 10 do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, a referida autoridade discorda dos questionamentos acerca da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 porque o lucro da investida aumenta o custo do investimento na investidora e tem como contrapartida o resultado do exercício, não devendo ser excluído para apuração do lucro real. Na seqüência, são feitos esclarecimentos acerca da variação cambial, argumentando que não haveria alteração do patrimônio da investida no exterior por efeito da variação da cotação da moeda no Brasil, e citando entendimento da COSIT/RFB no sentido de que a alteração do valor do investimento mediante variação no câmbio no Brasil não provoca naturalmente nenhuma alteração no patrimônio da investida no exterior, tampouco no percentual de participação no capital da investida. Concluiuse, então, que a valorização de ativo em moeda estrangeira da investidora em razão da cotação da moeda nacional, evidencia ganho cambial no país e não no exterior, o qual não se confunde com resultado de equivalência e tem tratamento próprio para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Vêse, daí, que diversamente do afirmado pela recorrente, a autoridade impetrada reconheceu que a tributação do resultado da equivalência patrimonial visava alcançar o lucro das investidas no exterior, o qual não poderia ser excluído para apuração do lucro real sob aquela classificação. Ainda, ressaltou o entendimento da Receita Federal de que a variação cambial de investimento no exterior não integraria o resultado da equivalência patrimonial, e teria tratamento tributário próprio. Não disse, em momento algum, que a variação cambial integraria a base tributável do IRPJ e da CSLL por compor o resultado da equivalência patrimonial tratado no art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002. Em sentença, a segurança foi denegada, afirmandose a validade do art. 74, caput e parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 relativamente às empresas controladas pela autuada, com fundamento nas razões de decidir da Ministra Ellen Gracie ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2588 (fls. 415/417). A impetrante opôs embargos de declaração, apontando omissão relativamente aos questionamentos apresentados contra o art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002, e acolhendo estes embargos, o juiz da causa assim se manifestou em acréscimo à decisão anterior (fls. 422/423): Por fim, não pode prevalecer a alegação da impetrante quanto à ilegalidade e inconstitucionalidade da Instrução Normativa nº 213/2002, da Secretaria da Receita Federal, visto que tal ato normativo não tratou de tributação da variação cambial, mas, apenas, de lucros no exterior de empresas coligadas à empresa sediada no Brasil ou por esta controladas. O ilustre representante do Ministério Público Federal, em seu parecer de fls. 255/260, corroborou o entendimento deste Juízo: ‘A IN SRF nº 213/2002, encontra respaldo no artigo 25, caput da Lei 9249/96, dispondo esta lei que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas. Cabe ressaltar, que quando ocorre o resultado negativo de equivalência patrimonial, este integra o lucro real, nos termos do artigo 7o, parágrafo 2o da mencionada instrução normativa e a base de cálculo do IRPJ e da CSL é reduzida, quando existir empresas coligadas ou controladas com resultados negativos. A IN nº 213/2002 não tratou de tributação da variação cambial, mas tão somente de lucros no exterior. A forma de realizar a tributação é que se considerou o resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributando, portanto, excessivamente, a impetrante (fls. 260).’ A decisão judicial, mais uma vez, não afirma a incidência tributária sobre variação cambial, mas sim sobre os lucros auferidos no exterior reconhecidos por meio de Fl. 788DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 12 11 equivalência patrimonial. É certo que se tomou por fundamento informação do Ministério Público Federal, na qual há equívoco quanto ao tratamento do resultado negativo da equivalência patrimonial – vislumbra a adição mencionada no §2o do art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 como redutor das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL – , mas no que interessa ao objetivo da norma questionada, o direcionamento é o mesmo adotado na sentença. Em sua apelação, a interessada assim interpretou a resposta judicial (fl. 433): 15. – Em relação ao § 1o do artigo 7o da IN 213/02, a r. Decisão entendeu que o referido dispositivo não seria ilegal e inconstitucional, posto que suas determinações procuram tributar apenas os lucros gerados no exterior, sem nada mencionar a respeito de variação cambial. 16. – Citou ainda o parecer do ilustre representante do Ministério Público para o qual a IN 213/02 “não tratou de tributação de variação cambial, mas tão somente de lucros no exterior. A forma de realizar a tributação é que se considerou o resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributando, portanto, excessivamente, a impetrante. Como se vê, a própria recorrente extraiu da sentença o conteúdo aqui afirmado: não há tributação excessiva porque a tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial busca alcançar apenas os lucros gerados no exterior, sem incidir sobre a variação cambial. Não obstante, ao determinar os efeitos da renúncia, a contribuinte preferiu fazer valer a interpretação por ela questionada no Mandado de Segurança, e utilizar a variação cambial, quando passiva, para reduzir o lucro auferido por intermédio de suas controladas no exterior. Prosseguindo na apelação, a contribuinte voltou a insistir que o resultado de equivalência patrimonial não é composto exclusivamente do lucro gerado na sociedade controlada ou coligada sediada no exterior, de modo que a pretensão do Fisco seria incluir na base de cálculo do IRPJ e da CSL outros valores que não se confundem com o lucro gerado no exterior (fls. 424/460). As contrarrazões à apelação, apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional, estão juntadas às fls. 538/572 e apontam que a polêmica em torno do art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 surge em razão da interpretação de que a variação cambial de investimentos no exterior estaria contida no resultado da equivalência, entendimento não compartilhado pela RFB, que vislumbra tal variação como ganho cambial no país e não no exterior, o qual não compõe o resultado da equivalência patrimonial e tem tratamento próprio para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 213/2002 não tratou de tributação da variação cambial, mas tãosomente dos lucros no exterior. A argumentação da Procuradoria da Fazenda Nacional alinhase às informações prestadas pela autoridade impetrada: a tributação do resultado da equivalência patrimonial visa alcançar o lucro das investidas no exterior; a variação cambial de investimento no exterior não integra o resultado da equivalência patrimonial e tem tratamento tributário próprio. Inexiste, portanto, qualquer interpretação que favoreça a recorrente. Por ocasião da tentativa inicial de desistir parcialmente do processo judicial, a contribuinte reportouse aos três itens de seu pedido, esclarecendo que sua pretensão seria parcelar, apenas, os valores relativos aos lucros auferidos e não disponibilizados pelas suas Fl. 789DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 13 12 controladas no exterior, mencionados nos itens (i) e (ii) de seu pedido – incidência do IRPJ e CSLL sobre os lucros auferidos antes de sua efetiva disponibilização – mas não os valores concernentes à não aplicação do disposto no artigo 7o da IN 213/02, que trata da tributação dos resultados de equivalência patrimonial relacionados ao investimento detido em suas controladas no exterior, veiculado em seu pedido nos seguintes termos: (iii) suspender a exigibilidade do crédito tributário de IRPJ e CSL dos valores relativos aos “resultados de equivalência patrimonial” concernentes ao investimento detido na LIR e LOI, afastando a aplicação do artigo 7o, §1o da IN 213/02 para os períodos base até 2002 e posteriores (fls. 461/464). A manifestação contrária da Procuradoria da Fazenda Nacional está assim fundamentada (fls. 465/466): Não se vislumbra como possa a parte renunciar à discussão concernente à constitucionalidade do art. 74 da MP nº 2.15835/2001, que estabelece que o momento do fato gerador do imposto de renda e da CSLL, incidentes sobre a renda e o lucro das empresas controladoras e coligadas ocorre na data do balanço no qual tiverem sido apurados, e permanecer discutindo a questão da legalidade da IN nº 213/2002, que explicitou que o método de cálculo para se apurar o lucro real de empresas controladoras ou coligadas brasileiras é o método de equivalência patrimonial, já previsto na Lei das Sociedades Anônimas. A IN nº 213/2002, que autoriza os agentes fiscais a considerarem como renda, para fins de tributação da renda de empresa situada no Brasil, a publicação do balanço patrimonial positivo de empresa controlada no estrangeiro, apenas explicitou o disposto na legislação infraconstitucional (art. 43, §2o, do CTN c/c art. 74 da MP nº 2.15835/2001, art. 25, da Lei nº 9.249/96 e art. 248, da Lei nº 6.404/76). Desse modo, a renúncia parcial é impossível, pois não é cabível continuar discutindo a questão do método de equivalência patrimonial, eis que esse é o meio de que dispõe o Fisco de apurar o lucro real das empresas controladas ou coligadas brasileiras. A permanecer tal discussão o fisco poderá ser impedido de cobrar os créditos os quais a parte está renunciando, eis que a forma pela qual eles serão calculados está ainda sob pendência judicial. A preocupação da Fazenda Nacional era pertinente. A generalidade do pedido feito pela impetrante suspender a exigibilidade do crédito tributário de IRPJ e CSL dos valores relativos aos “resultados de equivalência patrimonial” concernentes ao investimento detido na LIR e LOI, afastando a aplicação do artigo 7o, §1o da IN 213/02 para os períodos base até 2002 e posteriores – significava manter a discussão judicial em torno do art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002, permitindolhe discordar de débitos relativos a lucros auferidos no exterior, mas reconhecidos contabilmente por meio de equivalência patrimonial. A contribuinte peticionou nos autos da apelação argumentando que lucros e resultados positivos de equivalência patrimonial são coisas distintas e que não se confundem, sendo perfeitamente possível a distinção dos valores que compõem cada uma das figuras, de modo a determinar quais são os débitos relacionados aos lucros apurados no exterior pelas controladas da Requerente, e quais são os débitos que dizem respeito aos resultados positivos de variação cambial (equivalência patrimonial). Pediu, assim, que fosse mantida a discussão em relação à não aplicabilidade do artigo 7o da IN 213/02 para os períodosbase até 2002 e posteriores (fls. 467/472). Fl. 790DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 14 13 Ao indeferir esta pretensão, o Desembargador Relator discordou das alegações da União Federal, afirmando que o oferecimento à tributação dos lucros auferidos no exterior não se confunde com o resultado positivo obtido em equivalência patrimonial. Mas considerando que no caso em exame discutiase a incidência e o reflexo de lançamentos e ajustes contábeis na apuração do lucro tributável (lucro real), entendeu incabível a separação pretendida, asseverando que os pedidos influenciam na base de cálculo do mesmo período de apuração de ambos os tributos. Assim, se admitida a cisão, no momento do parcelamento, a requerente e o Fisco teriam apenas uma base de cálculo provisória, pendente de ajuste a depender do resultado do pedido remanescente, situação incompatível com o programa de parcelamento (fls. 472/486). Consta às fls. 487/497 agravo regimental no qual a contribuinte afirmou a possibilidade de distinção dos débitos, até porque a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é composta por elementos de diferentes naturezas e origens, o mesmo ocorrendo com outros tributos, de modo que a posição firmada na decisão anterior ensejaria a desistência de discussões judiciais e administrativas que envolvessem débitos de um mesmo tributo. Todavia, a desistência integral do pedido alcançou, também, este último recurso, que não foi apreciado (fls. 498/501). A impetrante deveria ter limitado a discussão judicial à aplicação do art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 aos resultados que, reconhecidos por meio de equivalência patrimonial, não correspondessem a lucros auferidos por intermédio de suas controladas no exterior. Apresentando claramente a distinção das bases de cálculo em debate, talvez lograsse êxito no convencimento do Desembargador Relator da causa acerca da possibilidade de renúncia parcial ao seu direito. Contudo, em razão de outros interesses, a renúncia foi integral, de modo que inexiste qualquer provimento judicial em seu favor, restringindo a interpretação do art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 pela autoridade lançadora e a conseqüente formalização do presente lançamento. Existe, apenas, uma decisão que impede a contribuinte de discutir judicialmente a legalidade daquele ato normativo, mas que, de forma alguma, obrigam as autoridades lançadora ou julgadora a admitir a interpretação que a contribuinte extraiu do referido ato normativo, e assim contrariar o princípio da legalidade em virtude de uma pretendida celeridade processual. Não há prova, também, de qualquer norma complementar que, na forma do art. 100, parágrafo único do CTN, possa excluir a imposição de penalidade ou a cobrança de juros de mora sobre os valores não recolhidos. Aliás, especificamente quanto a este ponto, a contribuinte também se reporta ao conteúdo do Perguntas e Respostas editado anualmente pela Receita Federal, transcrevendo os seguintes esclarecimentos contidos na versão 2011: 088. Como deverão ser considerados (para fins de apuração do lucro real) os lucros auferidos por intermédio de controladas ou coligadas sediadas no exterior a partir do ano calendário de 2002? A partir de 1º/01/ 2002, os lucros auferidos por intermédio de controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço em que tiverem sido apurados. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação vigente à época, referidas na pergunta anterior. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 15 14 Normativo: MP 2.15835, de 2001, art. 74; e IN SRF nº 213, de 2002, art. 2º, § 7º. 089. Qual o tratamento fiscal da equivalência patrimonial calculada e contabilizada a partir do ano calendário de 2002? Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do ano calendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do ano calendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Os resultados negativos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial deverão ser adicionados para fins de determinação do lucro real trimestral ou anual e da base de cálculo da CSLL, inclusive no levantamento dos balanços de suspensão e/ou redução do imposto de renda e da CSLL. Normativo: IN SRF nº 213, de 2002, art. 7º, §§ 1º e 2º. Em nenhum ponto, porém, afirmase que a variação cambial integra o resultado da equivalência patrimonial apurada em razão de investimentos no exterior. Ao contrário, ao esclarecer na resposta à pergunta nº 88 que os lucros apurados por controlada no exterior devem ser considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço em que tiverem sido apurados, a Receita Federal fundamentase no questionado art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002. E na resposta à pergunta nº 89, ao esclarecer o tratamento fiscal da equivalência patrimonial, não se afirma diretamente a tributação do resultado positivo, mas sim dos valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, expressão que, dentro de um conjunto de esclarecimentos que somente tratam de lucros auferidos por intermédio de controladas ou coligadas sediadas no exterior, tem alcance limitado a este contexto. No mais, equivocase a recorrente quando afirma que a Instrução Normativa SRF nº 213/2002 previu, literalmente, a tributação da variação cambial dos investimentos auferidos por coligadas e controladas no exterior, e que o art. 46 da Medida Provisória nº 135/2003 pretendeu dar base legal a esta exigência. Colhese da obra de HIGUCHI4 a descrição da problemática que envolve o reconhecimento da variação cambial de investimentos no exterior: O § 6° do art. 25 da Lei n° 9.249/95 dispõe que os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método de equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1 °, 2° e 3°. Isso significa que a contrapartida do ajuste de investimento não será computada na apuração do lucro real. O imposto incidirá exclusivamente sobre o lucro da controlada ou coligada que for disponibilizado para a investidora no Brasil. A Receita Federal expediu a IN n° 98, de 210787, dispondo que não será computada na determinação do lucro real das pessoas jurídicas detentoras de investimento em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas, que não funcionem no Brasil a diferença, positiva ou negativa, entre a atualização monetária procedida com base na variação da OTN e a atualização cambial efetuada com base na moeda do país do investimento. A IN n° 79, de 010800, declara revogada a IN n° 98/87. 4 HIGUCHI, Hiromi; Fábio Hiroshi e Celso Hiroyuki. Imposto de Renda das Empresas Teoria e Prática. São Paulo: IR Publicações, 36. ed., 2011, p. 146147. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 16 15 A CVM expediu a Instrução n° 170, de 030192, dispondo no art. 2° que será considerado como resultado operacional de equivalência patrimonial o valor da diferença entre a variação cambial de investimento no exterior e a correção monetária contabilizada à conta de investimento, na investidora ou controladora. A Instrução CVM n° 247, de 270396, revogou aquele art. 2° e no art. 16 veio dispor: Art. 16. A diferença verificada, ao final de cada período, no valor do investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial, deverá ser apropriada pela investidora como: I receita ou despesa operacional, quando corresponder: a) a aumento ou diminuição do patrimônio líquido da coligada e controlada em decorrência da apuração de lucro líquido ou prejuízo no período ou que corresponder a ganhos ou perdas efetivos em decorrência da existência de reservas de capital ou de ajustes de exercícios anteriores; e b) a variação cambial de investimento em coligada e controlada no exterior. II ........................... O parágrafo único do art. 16 da Instrução CVM n° 247, de 1996, recebeu nova redação com a Instrução CVM n° 469, de 2008, dispondo: Parágrafo único. Não obstante o disposto no art. 12, o resultado negativo de equivalência patrimonial terá como limite o valor contábil do investimento, que compreende o custo de aquisição mais a equivalência patrimonial, o ágio e c deságio não amortizados e a provisão para perdas. A controvérsia gira em torno da contabilização da contrapartida do ajuste cambial dos investimentos no exterior, isto é, se compõe o resultado da equivalência patrimonial ou tratase de variação monetária ativa ou passiva, apesar de não existir lei que determine, em cada período de apuração, o ajuste cambial de investimento em coligada ou controlada no exterior. Se a empresa investidora no Brasil não fizer o ajuste cambial não há infração fiscal. O ajuste obrigatório é somente de créditos e obrigações, não estando incluídas as participações societárias. No DOU de 080503 foram publicadas as Soluções de Consultas n°s 54 e 55 da 9a RF definindo que a contrapartida de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras, coligadas ou controladas que não funcionem no País, decorrente da variação cambial, não será computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. O art. 46 da Lei n° 10.833, de 2003, que foi vetado, dispunha que a variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial é considerada receita ou despesa financeira, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL relativos ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Nas razões do veto está dito: "Não obstante tratarse de norma de interesse da administração tributária, a falta de disposição expressa para sua entrada em vigor certamente provocará diversas demandas judiciais, patrocinadas pelos contribuintes, para que seus efeitos alcancem o anocalendário de 2003, quando se registrou variação cambial negativa de, aproximadamente, quinze por cento, o que representaria despesa dedutível para as pessoas jurídicas com controladas ou coligadas no exterior, provocando, assim, perda de arrecadação, para o ano de 2004, de significativa monta, comprometendo o equilíbrio fiscal." O art. 9° da MP n° 232, de 2004, não convertida em lei, dispunha que a variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência Fl. 793DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 17 16 patrimonial é considerada receita ou despesa financeira, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL do período de apuração. O 1° C.C. decidiu pelos ac. n° 10195.302/2005 e 10195.304/2005 (DOU de 16 0306) que tendo em vista as razões contidas na mensagem de veto ao art. 46 do projeto de conversão da MP 135/03, a variação cambial de investimento no exterior não constitui nem despesa dedutível nem receita tributável, indicando necessidade de lei expressa nesse sentido. Exclusão indevida na determinação do IRPJ e CSLL. As empresas de capital fechado não devem efetuar os ajustes de investimentos com base na variação cambial para não correr o risco de autuação. As empresas de capital aberto que contabilizarem, na conta de resultados, a contrapartida do ajuste de investimento com base na variação cambial e considerarem como despesa dedutível ou receita não tributável, correm o risco de autuação. Não há lei na legislação tributária que permite ou obrigue fazer o ajuste de investimento no exterior com base na variação cambial. Com isso, a despesa é indedutível e a receita que for lançada na conta de resultados é tributável por falta de lei que permita sua exclusão no LALUR. O art. 250 do RIR/99 dispõe sobre as exclusões do lucro líquido na determinação do lucro real. Se não tiver previsão em lei, autorizando a exclusão, a exclusão é ilegal como ocorre com a receita do ajuste de investimento com base na variação cambial. O art. 249 do RIR/99, por outro lado, dispõe que na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ressalvadas as disposições especiais deste Decreto, as quantias tiradas dos lucros ou de quaisquer fundos ainda não tributados para aumento de capital, para distribuição de quaisquer interesses ou destinadas a reservas, quaisquer que sejam as designações que tiverem, inclusive lucros suspensos e lucros acumulados. O aumento ou diminuição do valor de investimento, decorrente de ajuste com base na variação cambial, não é resultado da equivalência patrimonial porque não decorreu de aumento ou diminuição do valor de patrimônio líquido da controlada ou coligada. Se a contrapartida do ajuste não for tributável a empresa terá benefício indevido porque o aumento do valor do investimento resultará em menor ganho de capital na futura alienação do investimento. Não há determinação legal expressa de atualização contábil de investimentos mantidos no exterior segundo a variação da taxa de câmbio. Há orientações da CVM neste sentido, bem como orientações contábeis, como expresso no “Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações” 5: C) AJUSTES AO VALOR DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Também nesse caso a técnica de equivalência patrimonial é idêntica pela aplicação da porcentagem de participação sobre o Patrimônio Líquido da controlada ou coligada já convertido para moeda nacional, conforme técnicas discutidas adiante. O Patrimônio Líquido deve ser ajustado (a) aos critérios contábeis adotados pela investidora em nosso país, como analisados em tópicos específicos, e (b) pelos resultados não realizados na forma já descrita neste capítulo. Destacase, porém, que o ajuste do investimento ao valor de equivalência patrimonial apresenta uma característica especial, tratada no item 21 do Pronunciamento Ibracon, como segue: 5 IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. São Paulo: Atlas. 7. ed. 2007. p. 182. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 18 17 O ajuste decorrente da comparação do valor final em relação ao valor contábil do investimento, tendo como contrapartida conta de resultado do exercício à medida que corresponda a ganhos ou perdas efetivos, relativamente (1) à participação da investidora no resultado do exercício da coligada ou controlada e nos acréscimos ou diminuições realizados na coligada ou controlada ou (2) à diferença entre o valor em moeda nacional registrado na conta de investimento e a paridade cambial utilizada. Tais ganhos ou perdas devem ser apresentados em destaque nas demonstrações contábeis, em função de sua origem, sendo que o resultado da equivalência patrimonial aplicável ao item (1) representa resultado operacional e o aplicável ao item (2) resultado não operacional (ganhos e perdas de capital). Notemos que, contrariando o disposto pelo Ibracon para o item (2), a CVM determina que a variação cambial de investimento em coligada e controlada no exterior deve ser apropriada pela investidora como receita ou despesa operacional (art. 16, inciso I, alínea “b” da Instrução CVM nº 247/96). Ambos, o Ibracon e a CVM, inserem a variação cambial no acréscimo patrimonial ocorrido na empresa controladora decorrente da avaliação do investimento no exterior pelo método da equivalência patrimonial. Mas também orientam o seu registro em separado dos ganhos ou perdas decorrentes da participação da investidora no resultado do exercício da controlada e nos acréscimos ou diminuições realizados no patrimônio desta, sendo que o Ibracon classifica a variação cambial como resultado não operacional e a CVM como resultado operacional. Ou seja, não há dúvida que este resultado reconhecido por meio de equivalência patrimonial não guarda relação com o lucro auferido por intermédio das controladas ou coligadas no exterior, ótica sob a qual deve ser interpretada a determinação contida no art. 7o, §1o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002: Art. 7º A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, conforme estabelece a legislação comercial e fiscal brasileira, deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil. § 1º Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do anocalendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. § 2º Os resultados negativos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial deverão ser adicionados para fins de determinação do lucro real trimestral ou anual e da base de cálculo da CSLL, inclusive no levantamento dos balanços de suspensão e/ou redução do imposto de renda e da CSLL. § 3º Observado o disposto no § 1º deste artigo, a pessoa jurídica: I que estiver no regime de apuração trimestral, poderá excluir o valor correspondente ao resultado positivo da equivalência patrimonial no 1º, 2º e 3º trimestres para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL; II que optar pelo regime de tributação anual não deverá considerar o resultado positivo da equivalência patrimonial para fins de determinação do imposto de renda e da CSLL apurados sobre a base de cálculo estimada; III optante pelo regime de tributação anual que levantar balanço e/ou balancete de suspensão e/ou redução poderá excluir o resultado positivo da equivalência patrimonial para fins de determinação do imposto de renda e da CSLL. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 19 18 Se a referida Instrução Normativa dispõe sobre a tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no País, como consta de sua ementa, e tem em conta as disposições da Lei nº 9.249/95 e 9.532/97, bem como da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que tratam, tão só, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por intermédio de controladas e coligadas no exterior, é razoável concluir que o art. 7o da referida Instrução Normativa alcança apenas as parcelas do resultado da equivalência patrimonial que representem lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Importante recordar que o art. 25, §6o da Lei nº 9.249/95 prevê, expressamente, a nãotributação do resultado positivo da equivalência patrimonial também nos investimentos externos. Logo, parcelas integrantes deste resultado somente poderiam ser alcançadas quando representassem lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, cuja tributação no momento da apuração pela investida no exterior foi autorizada pelo art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Eventualmente poderseia cogitar que a variação cambial seria, também, um rendimento ou ganho de capital exteriorizado por meio da equivalência patrimonial. Todavia, se esta interpretação fosse possível, desnecessária seria a inclusão, na Lei nº 10.833/2003, do seguinte dispositivo vetado pelo Presidente da República: Art. 46. A variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial é considerada receita ou despesa financeira, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL relativos ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Esta pretensão legislativa deixa patente a ausência de norma que autorize a tributação ou a dedução de valores contabilizados a título de variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Vejase que o objetivo não era tornar tributável parcela do resultado da equivalência patrimonial no qual a variação cambial estivesse inserida, pois neste caso outra seria a redação utilizada, limitando a adição ou exclusão autorizadas para tais resultados. Assim, implícito também está que, no âmbito fiscal, a variação cambial de investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial seria despesa ou receita independente do resultado da equivalência patrimonial. No presente caso importa, ainda, destacar que no Perguntas e Respostas editado pela Receita Federal, invocado pela recorrente em outro ponto de sua defesa, a variação cambial ativa não é cogitada como exemplo de rendimento ou ganho de capital auferido no exterior e sujeito a tributação no Brasil. Vejase: 078 Quais os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior que devem ser tributados no Brasil? Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitos à tributação no Brasil são aqueles auferidos diretamente pela pessoa jurídica. São exemplos de rendimentos auferidos diretamente no exterior, os obtidos com a remuneração de ativos tais como: os juros, os aluguéis, os demais resultados positivos de aplicações financeiras. Considerase como ganho de capital o valor recebido pela alienação do bem diminuído do custo de aquisição do ativo alienado. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 20 19 Relevante destacar, também, os posicionamentos da Receita Federal do Brasil em favor do entendimento até aqui esposado, expressos em Soluções de Consulta: Solução de Consulta nº 132/2007, da 8a Região Fiscal: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: Variação Cambial.Investimento em coligada ou controlada. A contrapartida do ajuste de investimentos no exterior, avaliados pelo método da equivalência patrimonial, quando decorrente da variação cambial, não será computada na determinação do lucro real. Dispositivos Legais: RIR/1999, art. 247, §1º, e art. 389, §§ 1º e 2º; Lei nº 6.404/1976, art. 177; Lei nº 4.506/1964, art. 63; Lei nº 9.249/1995, art. 25; Decreto Lei nº 1.598/1977, art. 23; DecretoLei nº 1.648/1978,art. 1º, IV; Instrução CVM nº 247/1996, art. 16; Instrução Normativa SRF nº 213/2002, art. 7º. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ementa: Variação Cambial. Investimento em coligada ou controlada. A contrapartida do ajuste de investimentos no exterior, avaliados pelo método da equivalência patrimonial, quando decorrente da variação cambial, não será computada na determinação da base de cálculo da CSLL. Dispositivos Legais: Lei nº 7.689/1988, art. 2º; MP nº 2.158/2001, art. 21; Instrução CVM nº 247/1996, art. 16; Instrução Normativa SRF nº 213/2002, art. 7º. Soluções de Consulta nºs 54 e 55/2003, da 9a Região Fiscal: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: A contrapartida de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras, coligadas ou controladas que não funcionem no país, decorrente da variação cambial, não será computada na determinação do lucro real. Dispositivos Legais: CTN, arts. 43 e 44; RIR/1999, art. 247, §1º, e art. 389, §§ 1º e 2º; Lei nº 6.404/1976, art. 177; Lei nº 4.506/1964, art. 63; Lei nº 9.249/1995, art. 25; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 23; DecretoLei nº 1.648/1978, art. 1º, IV; Instrução CVM nº 247/1996, art. 16; Instrução Normativa SRF nº 213/2002, art. 7º. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ementa: A contrapartida de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras, coligadas ou controladas que não funcionem no país, decorrente da variação cambial, não será computada na determinação da base de cálculo da CSLL. Dispositivos Legais: Lei nº 7.689/1988, art. 2º; MP nº 2.158/2001, art. 21; Instrução CVM nº 247/1996, art. 16; Instrução Normativa SRF nº 213/2002, art. 7º. Como se vê, estas interpretações têm em conta, justamente, o disposto no art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002. A jurisprudência administrativa também trilhou esta via interpretativa, como se vê nas ementas de julgados proferidos desde 2004: VARIAÇÃO CAMBIAL — Tendo em vista as razões contidas na da mensagem de veto ao artigo 46 do projeto de conversão da MP 135/03, a variação cambial de investimento no exterior não constitui nem despesa dedutível nem receita tributável, indicando necessidade de lei expressa nesse sentido. (Acórdão nº 10194.747, sessão de 22 de outubro de 2004.) Fl. 797DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 21 20 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. VARIAÇÃO CAMBIAL Nos termos de manifestação advinda do Ministério da Fazenda no âmbito do veto parcial ao Projeto de Lei de Conversão n° 30, de 2003 (art. 46 da Medida Provisória n° 135/03), a tributação da variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial exigirá que, antes, seja editada norma legal prevendo tal incidência. (Acórdão nº 105 16.365, sessão de 28 de março de 2007.) IRPJ — EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL — INVESTIMENTOS NO EXTERIOR — Os resultados positivos da avaliação dos investimentos pelo método de equivalência patrimonial, segundo a legislação do Imposto de Renda, não se enquadram na categoria de lucros auferidos pela controladora sujeitos à incidência desse Imposto. Entretanto, com o comando fixado pelo artigo 74 da Medida Provisória n.2.158 35/2001, o resultado positivo dessa equivalência decorrente de investimentos no exterior, integram a base de cálculo do lucro real e da CSLL.[...] VARIAÇÃO CAMBIAL — Tendo em vista as razões contidas na da mensagem de veto ao artigo 46 do projeto de conversão da MP 135/03, a variação cambial de investimento no exterior não constitui nem despesa dedutível nem receita tributável, indicando necessidade de lei expressa nesse sentido. (Acórdão nº 10196.318, sessão de 13 de setembro de 2007.) EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL VARIAÇÃO CAMBIAL Tendo em vista as razões contidas na da mensagem de veto ao artigo 46 do projeto de conversão da MP 135/2003, a variação cambial de investimento no exterior não constitui nem despesa dedutível nem receita tributável, indicando necessidade de lei expressa nesse sentido. (Acórdão nº 10196.364, sessão de 17 de outubro de 2007.) VARIAÇÃO CAMBIAL Tendo em vista as razões contidas na da mensagem de veto ao artigo 46 do projeto de conversão da MP 135/03, a variação cambial de investimento no exterior não constitui nem despesa dedutível nem receita tributável, indicando necessidade de lei expressa nesse sentido. (Acórdão nº 10197.070, sessão de 17 de dezembro de 2008.) VARIAÇÃO CAMBIAL. A variação cambial de investimentos no exterior não constitui nem despesa dedutível nem receita tributável. (Acórdão nº 110200.117, sessão de 10 de dezembro de 2009.) EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. VARIAÇÃO CAMBIAL. O resultado positivo da equivalência patrimonial na investidora, decorrente da variação cambial no patrimônio da investida, não integra a apuração do lucro real por ausência de previsão em lei formal nesse sentido. (Acórdão nº 130100.264, sessão de 11 de dezembro de 2009.) LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. VARIAÇÃO CAMBIAL Nos termos de manifestação advinda do Ministério da Fazenda no âmbito do veto parcial do Projeto de Lei de Conversão n. 30, de 2003 (art. 46 da MP 135/03), a tributação da variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo metido da equivalência patrimonial exigirá que antes, seja editada norma legal prevendo tal incidência. (Acórdão nº 120200.273, sessão de 06 de abril de 2010.) LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR COM EMPRESAS CONTROLADAS. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. VARIAÇÃO CAMBIAL. A contrapartida do ajuste de investimentos no exterior, avaliados pelo método da equivalência patrimonial, quando decorrente da variação cambial, não deve ser computada na Fl. 798DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 22 21 determinação do lucro real e nem na base de cálculo da CSLL. Recurso de ofício negado. (Acórdão nº 140200.433, sessão de 24 de fevereiro de 2011.) O Superior Tribunal de Justiça também já se manifestou acerca do art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002. Inicialmente afirmou, na apreciação do Recurso Especial nº 983.134, que sob o prisma infraconstitucional, como visto, nada há de ilegal na Instrução Normativa, que encontra amparo nas regras dos arts. 43, § 2º, do CTN e 74 da MP 2.15835/2001, que permitem seja considerada disponível a renda desde a publicação dos balanços patrimoniais das empresas coligadas e controladas no estrangeiro. Porém, a discussão naquele momento limitavase aos questionamentos da Procuradoria da Fazenda Nacional contra entendimento firmado pelo TRF/4a Região acerca da ilegalidade do art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002, por determinar a adição, à base de cálculo do IR e da CSL, dos resultados positivos da equivalência patrimonial em investimentos no exterior, o que não significaria a incidência de IR e CSL somente sobre os lucros, mas sim sobre investimentos ainda não realizados. A Fazenda Nacional argumentou, e a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça confirmou, que esta interpretação não levaria em conta o disposto no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. O debate restringiuse à definição do momento em que se considera disponibilizada a renda para a empresa controladora ou coligada no Brasil do balanço patrimonial positivo auferido por empresa coligada ou controlada no exterior. Não houve qualquer abordagem acerca dos diversos conteúdos revelados pelo resultado da equivalência patrimonial. Já em posicionamento mais recente, nos autos do Recurso Especial nº 1.211.882RJ, o Superior Tribunal de Justiça confirma o entendimento, até aqui defendido, de que o resultado da equivalência patrimonial é tributável até o limite da participação da investidora no lucro auferido pela empresa investida: PROCESSUAL CIVIL. PRAZO. CONTAGEM. [...] IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. EMPRESAS CONTROLADAS E COLIGADAS SITUADAS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO DO RESULTADO POSITIVO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE NAQUILO QUE EXCEDE A PROPORÇÃO A QUE FAZ JUS A EMPRESA INVESTIDORA NO LUCRO AUFERIDO PELA EMPRESA INVESTIDA. ILEGALIDADE DO ART. 7º, §1º, DA IN/SRF N. 213/2002. [...] 3. É ilícita a tributação, a título de IRPJ e CSLL, pelo resultado positivo da equivalência patrimonial, registrado na contabilidade da empresa brasileira (empresa investidora), referente ao investimento existente em empresa controlada ou coligada no exterior (empresa investida), previsto no art. 7º, §1º, da Instrução Normativa SRF n. 213/2002, somente no que exceder a proporção a que faz jus a empresa investidora no lucro auferido pela empresa investida, na forma do art. 1º, §4º, da Instrução Normativa SRF n. 213, de 7 de outubro de 2002. 4. Muito embora a tributação de todo o resultado positivo da equivalência patrimonial fosse em tese possível, ela foi vedada pelo disposto no art. 23, caput e parágrafo único, do DecretoLei n. 1.598/77, para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, e pelo art. 2º, §1º, "c", 4, da Lei n. 7.689/88, para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, mediante artifício contábil que elimina o impacto do resultado da equivalência patrimonial na determinação do lucro real (base de cálculo do IRPJ) e na apuração da base de cálculo da CSLL, não tendo essa legislação sido revogada pelo art. 25, da Lei n. 9.249/95, nem pelo art. 1º, da Medida Provisória n. 1.602, de 1997 (convertida na Lei n. 9.532/97), nem pelo art. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 23 22 21, da Medida Provisória n. 1.8587, de 29, de julho de 1999, nem pelo art. 35, Medida Provisória n. 1.99115, de 10 de março de 2000, ou pelo art. 74, da Medida Provisória n. 2.15834, de 2001 (edições anteriores da atual Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001). 5. Recurso especial não provido. Destacase no voto condutor do referido acórdão que a lei brasileira admite apenas a tributação dos lucros auferidos pelas investidas e não pelas investidoras, no exterior. Assim, a tributação de parcela do resultado da equivalência patrimonial que corresponda a outros ganhos das investidoras no exterior permanece vedada pelo art. 23, caput e parágrafo único, do DecretoLei n. 1.598/77, para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, e pelo art. 2º, §1º, "c", 4, da Lei n. 7.689/88. A recorrente, inclusive, reportase a este posicionamento do Superior Tribunal de Justiça como exemplo de que as posições aqui discutidas são diametralmente divergentes, para demonstrar a total insegurança jurídica quanto aos procedimentos a serem adotados. Todavia, como visto, as contradições apontadas pela contribuinte não se confirmaram, pois em momento algum, no Mandado de Segurança por ela impetrado, foi afirmada a tributação das variações cambiais decorrentes de investimentos mantidos no exterior. Deste modo, temse, apenas, que a contribuinte renunciou ao seu direito de questionar judicialmente o alcance do art. 7o da Instrução Normativa SRF nº 213/2002, e interpretou equivocadamente suas disposições, inclusive em sentido oposto ao que expresso em Soluções de Consulta da Receita Federal e em vasta jurisprudência deste Conselho. Registrese, ainda, que imprópria se mostra a referência ao dever funcional das D. Autoridades Fiscais de aplicarem literalmente a IN 213/02, pois raramente a interpretação é possível apenas no plano literal. De outro lado, a interpretação feita pela autoridade administrativa não foi restritiva e casuística, mas sim sistemática e teleológica, tendo em conta o contexto legal no qual o ato normativo em referência foi editado, inexistindo qualquer ofensa ao art. 3o e ao art. 142 do CTN, ou mesmo mudança de critério jurídico veda no art. 146 do CTN. Com referência aos questionamentos acerca dos procedimentos a serem adotados nos anos de 2006 e 2008, nos quais haveria redução de seu lucro tributável, e à afirmação de ausência de prejuízo ao Fisco, quando considerados os demais períodos envolvidos, não cabe aqui esta discussão. O crédito tributário lançado decorre da falta de adição, à base tributável, dos lucros auferidos em 2005 por intermédio de controladas no exterior, fato que não é influenciado pelos resultados auferidos em períodos posteriores, e não caracteriza postergação ou antecipação de recolhimento. Em outras palavras, o valor aqui exigido é devido independentemente de eventual recolhimento a maior verificado em períodos subseqüentes, cujo reconhecimento e eventual compensação depende de ato próprio, praticado pelo interessado (pedido de restituição e declaração de compensação), e dirigido à autoridade competente para sua apreciação. Quanto à penalidade aplicada, como já dito, resta injustificada a invocação do art. 100, inciso I e parágrafo único, do CTN, devendo ser mantida a penalidade aplicada, a qual independe da caracterização de fraude, sonegação, dolo ou máfé, e está objetivamente prevista em lei (art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96), inexistindo espaço para discussão do alegado efeito confiscatório, na medida em que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Fl. 800DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 24 23 Quanto à utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, tratase também de tema já consolidado na Súmula CARF nº 4 (A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais), e sua aplicação sobre a multa de ofício é regular, como bem abordado nas razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma noima não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: Fl. 801DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 25 24 "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser Fl. 802DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 26 25 acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 27 26 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Por estas razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 804DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 28 27 Voto Vencedor O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele, portanto, conheço. Não obstante o brilhantismo e a excelência do voto da ilustre relatora, ouso dele discordar com base nos argumentos de direito a seguir aduzidos: A Recorrente foi autuada por ter considerado na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL, relativas ao anocalendário de 2005, a variação cambial decorrente de investimentos em duas controladas no exterior. Referido item foi considerado como elemento quantitativo incerto da hipótese de incidência destas exações pela contribuinte, dentro do contexto do resultado de equivalência patrimonial. O procedimento tabulado pela autuada deuse como corolário do resultado final de empreitada judicial perpetrada por meio do mandando de segurança nº 2003.51.01.0055148, em que a Recorrente pleiteava o reconhecimento: (i) do direito de não ser compelida a recolher IRPJ e CSLL sobre os lucros acumulados e futuros de duas controladas, tendo em vista as inconstitucionalidades e ilegalidades do art. 74, parágrafo único da MP nº 2.15835/01, e (ii) de resguardar o direito de não ser compelida a recolher o IRPJ e a CSLL sobre os valores de resultado de equivalência patrimonial concernentes ao investimento detido em suas controladas, afastando a aplicação do artigo 7º, §1º da IN SRF nº 213/02, vez que tal previsão infralegal macula o artigo 389 do RIR/99, fundado com arrimo no art. 23 do DecretoLei nº 1.598/77. Como já exposto pela relatoria, em razão de adesão ao parcelamento especial da Lei nº 11.941/09 e consequente desdobramento processual que levou a Recorrente a desistir integralmente da ação judicial suso referida, extinta com resolução do mérito, nos termos do art. 269, V, do CPC, suas apurações foram refeitas para fazer constar do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos termos do que ficou decidido para a contenda, os resultados de equivalência patrimonial decorrentes de resultados apurados por suas controladas no exterior. O ponto nodal da controvérsia gira em torno da correção ou não de considerar a variação cambial do investimento como parte integrante do equity estrangeiro, em face do que foi pleiteado e decidido no âmbito da medida judicial. A Recorrente pondera que o teor da decisão judicial transitada em julgado, que manteve in totum a aplicação do art. 7º, §1º da IN SRF nº 213/07, aliada a interpretação corrente das autoridades fiscais para referido dispositivo infralegal, faz com que a variação cambial tornese parte integrante e indissociável dos resultados de equivalência patrimonial, registrados em decorrência de investimentos em participações societárias no exterior. Pois bem, eles são os componentes de fato a serem considerados. 1. DA DECISÃO JUDICIAL PROFERIDA E TRANSITADA EM JULGADO NO MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2003.51.01.0055148. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 29 28 Já se destacou de forma muito clara os termos do pedido da Recorrente na ação judicial proposta para discutir o art. 74 da MP nº 2.15835/01 e o art. 7º, §1º da IN SRF nº 213/02. Também já se ponderou que a resposta do Poder Judiciário ao pleito deuse por meio de sentença de primeira instância em 12.08.2003, posteriormente homologada pelo TRF 1ª Região em face da desistência do processo pela autuada e renúncia integral dos direitos nela arguidos. Na referida sentença houve clara omissão do magistrado quanto a declaração de ilegalidade/inconstitucionalidade do art. 7º, §1º da IN SRF nº 213/02, tanto que a Recorrente se viu obrigada a propor embargos de declaração para obter o juízo de mérito acerca desta parte do pedido. Em resposta a este recurso, reconheceuse por meio de decisão proferida em 16.09.2003, a omissão apontada, tendo sido acrescido à sentença a seguinte fundamentação: “Por fim não pode prevalecer a alegação da impetrante quanto à ilegalidade e inconstitucionalidade da Instrução Normativa nº 213/02, da Secretaria da Receita Federal, visto que tal ato normativo não tratou de tributação da variação cambial, mas, apenas, de lucros no exterior de empresas coligadas à empresa sediada no Brasil ou por esta controladas. O ilustre representante do Ministério Público Federal, em seu parecer de fls. 255/260 corroborou o entendimento deste Juízo: “A IN SRF nº 213/02, encontra respaldo no artigo 25 caput da Lei nº 9.249/95, dispondo esta lei que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas. Cabe ressaltar, que quando ocorre o resultado negativo de equivalência patrimonial, este integra o lucro real, nos termos do art. 7º, §2º da mencionada instrução normativa e a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é reduzida, quando existir empresas coligadas ou controladas com resultados negativos. A IN nº 213/2002 não tratou da tributação da variação cambial, mas tão somente de lucros no exterior. A forma de realizar é que considerou o resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributando, portanto, excessivamente, a impetrante (fls.260)” Por todo o exposto, conheço dos embargos de declaração (...), e, no mérito, julgoos PROCEDENTES, para acrescentar a sentença embargada, em sua fundamentação, o texto acima, que passa a integrála; mantendose, porém, inalterado o seu dispositivo.” Em uma primeira leitura, não se consegue depreender da lacônica manifestação, qual a Inteligência do magistrado sobre a e pertinência ou não da variação de caráter monetário no contexto do equity atrelado ao investimento estrangeiro. Em outras palavras, não é possível determinar pela decisão exarada se há relação de continência entre estas grandezas, ou se inexiste interação entre estes conceitos. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 30 29 O julgado apenas menciona em suas razões de decidir que a instrução normativa não trata da tributação da variação cambial. Resta claro, também que a simples e isolada leitura do pedido da ação judicial não teria como ter servido de motivação para a manifestação proferida acerca da variação cambial, vez que este não versou especificamente sobre a mesma. Por conta desta peculiaridade, decidi analisar as causas de pedir da inicial proposta pela Recorrente, para constatar em que contexto se deu referida prelação monocrática. Nesta tentativa, pude verificar a existência nos itens 2.45 a 2.49 da inicial, de comentários acerca dos elementos que no entendimento da impetrante, ora Recorrente, compõem o resultado de equivalência patrimonial de investimento feito no exterior e seu receio de que os mesmos viessem a ser alcançados pelos efeitos do art. 7º, §1º, da IN SRF nº 213/02. Vejase: “2.45 Em relação aos investimentos mantidos em sociedades controladas e coligadas sediadas no exterior, existe a mesma obrigação de aplicação do método de equivalência patrimonial. Nada obstante, neste caso, o valor do resultado da equivalência patrimonial é composto pela soma de vários fatores, entre os quais: (i) da participação da investidora no resulta (lucro ou prejuízo) do exercício da coligada ou controlada e outros aumentos e diminuições no patrimônio da sociedade controlada e coligada; e (ii) da variação cambial do valor do investimento. O Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (...) – FIPECAFI, ed. Atlas, São Paulo, 200, pág. 174/175, ratifica esse entendimento: Pronunciamento do Ibracon, como segue: O ajuste decorrente da comparação do valor final em relação ao valor contábil do investimento representará um ajuste à conta de investimento, tendo como contrapartida conta de resultado do exercício à medida que corresponda a ganhos ou perda efetivos, relativamente a (i) à participação da investidora no resultado do exercício da coligada ou controlada e nos acréscimos ou diminuições patrimoniais realizados na coligada ou controlada ou (2) à diferença entre o valor em moeda nacional registrado na conta de investimento e a paridade cambial utilizada” 2.46 No mesmo sentido,vale transcrever trecho transcrito por NILTON LATORRRACA, in verbis: “Todavia, diante de tudo o que foi exposto, entendemos que a variação cambial de investimento no exterior e os ganhos ou perdas de capital por variação de percentagem de participação são parte integrante dos “resultado de avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido” e, como tal, deve ser incluídos (se perda) ou excluídos (se receita) ao lucro líquido do período, para fins de cálculo da contribuição social e do imposto de renda sobre o lucro líquido.”(destaques da impetrante) (ob. Cit, pág 536)” Fl. 807DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 31 30 2.47 Dessa forma, resta claro que o resultado de equivalência patrimonial não é composto exclusivamente do lucro gerado na sociedade controlada ou coligada sediada no exterior. Assim, desde logo, fica demonstrada a ilegalidade e a inconstitucionalidade do §1º do art. 7º da IN nº 213/02, ao pretender incluir na base de cálculo do IRPJ e da CSLL outros valores que não se confundem com o lucro gerado no exterior. (...) 2.49 Ressaltese ainda que a ilegal e inconstitucional tentativa de tributar resultados positivos de equivalência patrimonial pode levar a situações em que, mesmo sendo gerado prejuízo nas sociedade controladas ou coligadas ou sediadas no exterior, haveria valores a serem tributados no Brasil. De fato, é possível que uma empresa no exterior, gere prejuízo mas que, em função de outras grandezas que o resultado de equivalência (tal como, mas não limitado, à alguma reserva especial no balanço da controlada ou coligada), seja reconhecido um resultado positivo de equivalência patrimonial. (...)” Não restam dúvidas pela transcrição efetuada, que uma das causas de pedir (conjunto de fatos ao qual o requerente atribui o efeito jurídico que deseja) da Recorrente em seu mandamus, foi o fato de a variação cambial ser considerada sob a ótica contábil como componente do resultado de equivalência patrimonial advindo de suas participações no exterior, podendo via de consequência ser albergada pelos efeitos tributários do art. 7º, §1º, da IN SRF nº 213/02. Foi com base nesta causa de pedir que o magistrado manifestouse em sede de embargos de declaração suscitando de forma breve e um tanto quanto descontextualizada, haja vista não ter dado cabo à conclusão do raciocínio iniciado, que a “IN SRF nº 213/02, não tratou de tributação da variação cambial, mas, apenas, de lucros no exterior de empresas coligadas à empresa sediada no Brasil ou por estas controladas”. Na medida em que foi clara a causa de pedir da impetrante, ora Recorrente, quanto à necessidade também de exclusão da variação cambial da apuração do IRPJ/CSLL como componente do resultado de equivalência patrimonial de investimento no exterior, sua negativa de forma definitiva pelo Poder Judiciário, ainda que de forma singela, simplória e até de certa forma atécnica, revela a criação pela decisão prolatada de norma individual e concreta entre a impetrante a e Receita Federal do Brasil, no sentido de que o art. 7º, §1º, da IN SRF nº 213/02 além de legal e constitucional, albergaria todo e qualquer elemento pertinente ao registro contábil de equity estrangeiro, inclusive da referida variação monetária de moeda estrangeira atrelada ao investimento efetuado. Com base neste entendimento, assiste razão a Recorrente em ter computado à apuração do lucro real e à base de cálculo da CSLL relativas ao anocalendário de 2005 a variação cambial do investimento detido em suas controlada no exterior, sob pena de descumprimento de decisão judicial transitada em julgado. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 32 31 2. DAS REITERADAS AUTUAÇÕES QUE CONFIRMAM A INTERPRETAÇÃO APLICADA PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Na eventualidade de não ser acompanhado por meus pares na digressão exposta no tópico precedente, tenho para mim ainda a existência de uma segunda linha de entendimento que corrobora o procedimento da Recorrente e em contrapartida torna impossível a manutenção do lançamento perpetrado. É de notória ciência, as inúmeras autuações lavradas pela Receita Federal do Brasil, para exigir dos contribuintes a inclusão nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL da variação cambial decorrente de investimentos em controladas ou coligadas no exterior. Em que pese a evolução e a sedimentação da jurisprudência tanto nesta casa quanto no Poder Judiciário (Superior Tribunal de Justiça) de que esta variação monetária não deve ser considerada como componente da equivalência patrimonial para fins de tributação de resultado do exterior nos termos do art. 74 da MP nº 2.15835/01, o fato é que na prática a fiscalização diverge dessa linha de entendimento. Para corroborar o aqui exposto colaciono a seguir alguns julgados do antigo Conselho de Contribuinte e do próprio CARF que denotam de forma irrefutável a postura das autoridades, atuantes nas DRF’s espalhadas pelo país, que sistematicamente constituem créditos tributários para a rubrica em destaque. “CARF 1a. Seção / 2a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 130200.506 em 24/02/2011 IRPJ VARIAÇÃO CAMBIAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EMENTA Ano calendário: 2002 LUCROS DISPONIBILIZADOS NO EXTERIOR . TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL.DATA DE CONVERSÃO DA MOEDA. A data de conversão da moeda aplicável aos lucros disponibilizados no exterior é determinada pelo §4º do art. 25 da Lei nº 9.249/95. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. INVESTIMENTO NO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMBIAL. A variação cambial ativa resultante investimento no exterior avaliado pelo método da equivalência patrimonial não é tributável, por ausência de previsão legal.” (destaquei) “CARF 1a. Seção / 2a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 140200.213 em 06/07/2010 IRPJ LUCRO REAL ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EMENTA Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2003, 31/12/2004. (...) LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. VARIAÇÃO CAMBIAL Descabe a tributação da variaçãocambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial. “ (destaquei) Fl. 809DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 33 32 “CARF 1º Seção / 1a. Turma da 2a. Câmara / ACÓRDÃO 110200.117 em 10/12/2009 Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do Fato Gerador: 31/12/2002, 31/12/2003, 31/12/2004 Ementa: (...) A variação cambial de investimentos no exterior não constitui nem despesa dedutível nem receita tributável (...). (destaquei) “1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.364 em 17.10.2007 IRPJ E OUTRO Ex(s): 2003 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: (...)EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL INVESTIMENTOS NO EXTERIOR Os resultados positivos da avaliação dos investimentos pelo método de equivalência patrimonial, segundo a legislação do Imposto de Renda, não se enquadram na categoria de lucros auferidos pela controladora sujeitos a incidência daquele. Entretanto, com o comando fixado pelo artigo 74 da Medida Provisória n. 2.15835/2001, o resultado positivo dessa equivalência decorrente de investimentos no exterior, integram a base de cálculo do lucro real e da CSLL.” (destaquei) EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL VARIAÇÃO CAMBIAL Tendo em vista as razões contidas na da mensagem de veto ao artigo 46 do projeto de conversão da MP 135/2003, a variação cambial de investimento no exterior não constitui nem despesa dedutível nem receita tributável, indicando necessidade de lei expressa nesse sentido. (...)” (destaquei) Frisese apenas a título de curiosidade que a primeira manifestação do antigo Conselho de Contribuintes sobre o assunto remonta de 2005, e desde aquela época este pretório se vê obrigado a rever os lançamentos efetuados a cancelar a exigência aqui debatida. Para mim resta claro que o entendimento corrente da fiscalização leva os contribuintes mais conservadores como a Recorrente a incluir a variação cambial decorrente de equity em seus resultados tributáveis. Ademais, verificase no caso em análise que não houve máfé da contribuinte, pelo contrário. Explicome: Se consideradas as demonstrações de IRPJ e CSLL de 2002 a 2009 apresentadas pela Recorrente, a desafetação da variação cambial do investimento para fins tributários, teria em uma análise global, desonerado sua bases de cálculo do IRPJ/CSLL de forma que a carga tributária teria sido inferior a apurada. A foto isolada tirada pela fiscalização para o ano de 2005, não deixa transparecer este filme. 3. CONCLUSÃO É ululante, ao meu sentir, o acerto da Recorrente em manter nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL a variação cambial decorrente do investimento de controladas no exterior, seja por conta do resultado final do mandado de segurança perpetrado, seja, por sua anuência e conivência, por conservadorismo, ao entendimento correntemente aplicado pelas autoridades fiscais nas diversas fiscalizações e lançamentos oriundos deste assunto. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 34 33 Para que os contribuintes possam se ver livres de forma soberana e cristalina da malfadada interpretação fiscalista farseia necessária a ocorrência de uma das seguintes hipóteses, sendo que até o presente não tenho notícia de que algumas delas tenha se materializado: publicação ato legal (inclusão no rol do art. 18 da Lei nº 10.522/02) ou infralegal (ato declaratório interpretativo, parecer PGFN) de caráter geral que exonere de forma expressa tal cômputo; a obtenção de decisão judicial inter partes que afaste expressamente para fins tributários a inclusão da variação cambial, como componente do equity estrangeiro. a edição de súmula vinculante pelo STF, cujos efeitos se irradiam para todas as esferas da Administração Pública. Neste liame, vejome no dever de não punir o contribuinte que tenha agido em conformidade com entendimento reiteradamente aplicado pelas autoridades fiscais, sendo que o fato de o mesmo pouco a pouco estar sendo defenestrado pela jurisprudência, não afeta a possibilidade da exigência na ótica do Fisco. Em suma, a questão aqui debatida não é o direito que há muito já vem sendo guerreado por este tribunal administrativo e no Poder Judiciário, mas sim uma questão ancilar, qual seja, a inexistência de uma norma que expressamente afaste a inclusão da variação cambial de investimento em participação societária no exterior das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de forma a evitar exigências por parte do Fisco federal. Diante de tal lacuna, não vejo como apenar a Recorrente pela lisura adotada em suas apurações. Para finalizar, entendo que se trata para o presente caso, de aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional, uma vez que a existência de clara dubiedade quanto ao tratamento tributário de um determinado fato jurídico deve ser interpretado de forma mais favorável ao contribuinte, o que pense ser exatamente o ocorrido no presente lançamento. “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Diante nas razões aqui expendidas, CONHEÇO do recurso da Recorrente para no mérito DARLHE PROVIMENTO, cancelando os lançamentos de IRPJ e CSLL. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Fl. 811DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720216/201083 Acórdão n.º 1101000.944 S1C1T1 Fl. 35 34 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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