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Numero do processo: 15374.913223/2008-23
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem informe o regime de apuração do imposto de renda da recorrente no ano-calendário 2003 e ateste a apuração dos créditos procedida. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem informe o regime de apuração do imposto de renda da recorrente no anocalendário 2003 e ateste a apuração dos créditos procedida. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 41789.88449.130804.1.3.041604, fls. 3/7, em que utilizou como crédito pagamento supostamente indevido de PIS cumulativo, relativo aos períodos de apuração agosto/2003, no valor de R$ 7.961,50. Despacho Decisório eletrônico, de 12 de agosto de 2008, da Derat/Rio de Janeiro, fl. 8, não homologou a DComp em face de o pagamento indicado na DComp ter sido RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 13 22 3/ 20 08 -2 3 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.913223/200823 Resolução nº 3803000.322 S3TE03 Fl. 492 2 utilizado integralmente para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PeR/DComp. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 10, a Manifestante alegou que a origem do crédito deuse pela alteração no regime de tributação, com a introdução da não cumulatividade veiculado pela Lei 10.637/2002, fazendo jus aos créditos do PIS pelos custos dos apartamentos construídos para venda, não computados na apuração do pagamento do PIS do mês de agosto de 2003, conforme DARF, mas corretamente declarada no DACON e na DCTF que retificou após o despacho decisório. Em julgamento da lide, a DRJ/Rio de Janeiro II asseverou que cabe à Contribuinte o dever de comprovar a origem do crédito alegado no PerDComp, com a exigência de que a prova deveria consubstanciarse em documentação contábil/fiscal robusta para suportar sua alegação. Afirmou que a Contribuinte apenas alegara que o Dacon, fl. 13, que deduz do PIS apurado o crédito no valor de R$ 7.958,67, está corretamente declarado e que retificara a DCTF, sem juntar aos autos qualquer documento contábil/fiscal que pudesse corroborar o direito alegado. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Cientificada da decisão em 24 de março de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, 51/62, em 24 de abril de 2012, em que, reiterou o seu direito aos créditos de PIS incidente sobre os bens e serviços aplicados na atividade, somados ao crédito derivado da presunção de abertura de estoque, segundo o art. 11 da Lei nº 10.637/2002. Anexou documentos e planilhas em que descreve os itens que compõem a base de cálculo dos créditos e reclama por sua admissão, em vista da aplicação do princípio da verdade material, com amparo em diversos julgados administrativos de primeira instância e do extinto Conselho de Contribuintes. É o relatório. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.913223/200823 Resolução nº 3803000.322 S3TE03 Fl. 493 3 VOTO Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. De início, registrese que não se pode atribuir erro à decisão recorrida, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte com base no que a Manifestante deixou de trazer na defesa: a prova da alegação de erro no preenchimento da DCTF. No presente processo temse como fatos que: (i) a Contribuinte transmitira a DComp em 13 de agosto de 2004; (ii) fêlo com suporte em anterior retificação que procedera no Dacon transmitido em 16 de julho de 2004; (iii) não houve modificação da base de cálculo do débito de PIS, que alcançou o valor de R$ 10.312,55, antes do desconto dos créditos, quitado; e (iv) a alteração que gerou o crédito utilizado na DComp deuse por conta de levantamento de créditos a cujos descontos a Contribuinte declara ter direito. No recurso voluntário a Recorrente anexou os documentos abaixo, todos referentes ao mês de agosto de 2003: a) notas fiscais de bens e serviços utilizados na atividade da empresa, incluindo as contas de água e energia elétrica; b) do livro fiscal Registro de Entradas de Materiais e Serviços de Terceiros, de exigência legal municipalREMAS, com Termo de Início; c) de planilhas descritivas dos elementos que compuseram as receitas e as entradas de insumos, com totalizações das bases de cálculo assim apuradas pela Contribuinte. A planilha de custos totaliza o valor de R$ 318.983,01, do qual informa ter utilizado como base dos créditos total de custos com bens e serviços o montante de R$ 274.427,53; d) folhas de pagamento de salários e rescisões de contrato de trabalho; e) contratos de Promessa de Compra e Venda e Outros Pactos. A duas, destaquese que, nada obstante a força dos indícios do direito alegado, os elementos de prova trazidos no recurso voluntário não tornam, ainda, o direito da Recorrente líquido e certo. Isso, porque o art. 8º da Lei nº 10.637/2002 estabelece que certas pessoas jurídicas, algumas atividades e determinadas receitas permanecem sob o regime de apuração do PIS previsto na Lei nº 9.718/981, e no rol estão as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido. Dos autos, extraise que nem a atividade nem a natureza jurídica da empresa a obrigam a apurar o seu resultado pelo lucro real. Por outro lado, as receitas informadas nos três 1 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: [..] II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.913223/200823 Resolução nº 3803000.322 S3TE03 Fl. 494 4 períodos de apuração atinentes aos processos ora em análise são um dado insuficiente para afirmar que esta empresa esteve obrigada ao lucro real no anocalendário 2003. Dessa forma, existe a possibilidade de que no anocalendário 2003 esta pessoa jurídica tenha apresentado seus resultados com base no lucro presumido. Confirmandose esta hipótese a Contribuinte não poderia apurar as contribuições pela sistemática não cumulativa. Este é o ponto que impede seja certo o direito da Recorrente. Contudo, é substancioso o acervo de documentos trazidos no recurso sob exame. Em vista deles, uma vez confirmada a opção desta pessoa jurídica pelo lucro real, não é de se fazer tabula rasa do direito ao creditamento pelo fato de a Recorrente têlos trazido apenas no recurso voluntário. Justifico. O litígio decorrente da apreciação das compensações declaradas passou a ser submetido ao rito do Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235/72, a partir da data publicação da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003). Assim, a princípio, deve o litigante submeterse à observância do art. 16, § 4º2, que trata do momento processual de apresentação das provas como sendo o da manifestação de inconformidade, ou, ainda, até a decisão de primeira instância, autorizado pelo órgão julgador3. É consabido que a norma legal do art. 16, § 4º, citado, tem sua aplicação originária ao processo de determinação e exigência de crédito tributário, cujos fatos imputados ao fiscalizado devem ser respaldados pela provas levantadas e apresentadas pelo fisco no procedimento inquisitório do lançamento. É exigência, ainda, desse feito que os fatos de que é acusado o autuado estejam pontual e claramente descritos. Este modelo de ação tem por fim permitir o exercício da ampla defesa do contribuinte, sob amparo de garantia constitucional. Este rito foi tomado por empréstimo para reger o procedimento administrativo de apreciação da compensação tributária, como acima referido (MP 135/2003), logo após a inauguração do seu novel regime pela MP nº 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002). O procedimento da compensação operada pelo contribuinte pode assemelharse ao de determinação e exigência de crédito tributário quando o despacho decisório sustentase em Termo de Verificação Fiscal elaborado presencialmente, forma por meio da qual ficam evidenciados os erros em que incorre o contribuinte, bem assim as providências e as provas que 2 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 3 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.913223/200823 Resolução nº 3803000.322 S3TE03 Fl. 495 5 ele deve suprir para elidir a apuração fiscal, permitindolhe amplamente o exercício do seu direito de defesa. O despacho decisório eletrônico não cumpre este desiderato. O meio eletrônico de sua emissão torna a sua diagramação sintética que, embora descreva de forma objetiva o fato imediato subjacente ao teor da decisão, não permite revelar os motivos mediatos, causais que resultam na não homologação. A decorrência disso é que o teor da intimação para a apresentação de manifestação de inconformidade não fornece todos os elementos de que deve se valer o contribuinte, e exigíveis pela Administração, para subsidiar a sua defesa. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador, por vezes, levanta a exigência das provas, e nem sempre de forma específica. Em situação como a presente, deixar de acolhêlas na fase recursal cerceia a ampla defesa do contribuinte, promove desvalor ao princípio da verdade material (que informa o Processo Administrativo Fiscal), e ao da moralidade (que rege os atos da Administração), este, a impedir que se negue a repetição de comprovado indébito e sua utilização na DComp, resultante de posterior apuração do contribuinte. Esta Contribuinte retificara o Dacon deduzindo do débito apurado (pago integralmente) crédito de mesmo valor, em data antecedente à transmissão da DComp, 16 de julho de 2004, para a seguir utilizar o indébito correspondente ao DARF pago na DComp em análise. No entanto, não retificou concomitantemente a DCTF, excluindo o débito. Se tomada esta providência a sua compensação, decerto, teria sido homologada eletronicamente. Por essas razões, entendo que o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite enquadrar a presente situação. No caso presente, os indícios da existência de créditos são sobremodo fortes, aptos a reduzir em algum valor a contribuição apurada. Nada obstante fortes, não os tornam líquidos ainda, ante a possibilidade de a Contribuinte ter incluído insumos que não sejam objeto de creditamento, nos termos legais. Pelo exposto, com fulcro no art. 18 , II, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência para que a Derat/Rio de Janeiro informe: a) qual o regime de apuração do imposto de renda desta pessoa jurídica no ano calendário 2003; b) se submetida à apuração pelo lucro real, ateste se os documentos trazidos aos autos respaldam a apuração dos créditos procedida pela Contribuinte no Dacon, composto de crédito presumido sobre os estoques em 31 de dezembro de 2002, no valor de R$ 3.607,46, e de crédito sobre bens e serviços no valor de 4.351,21, de cuja soma, R$ 7.958,67, foi utilizado o mesmo valor para dedução da contribuição relativa ao mês de agosto de 2003. Sala das sessões, 27 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.913223/200823 Resolução nº 3803000.322 S3TE03 Fl. 496 6 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000074/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONCESSÃO CESTAS BÁSICAS. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados, independentemente de haver ou não inscrição no PAT.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa.
Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para exluir as parcelas relativas à alimentação in natura, com base no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, devendo a multa ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Fez sustentação oral: Dr. Miguel de Oliveira Amarilli OAB/RJ 140.628
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI- Presidente.
(assinado digitalmente)
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ADRIANA SATO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONCESSÃO CESTAS BÁSICAS. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados, independentemente de haver ou não inscrição no PAT. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa. Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONCESSÃO CESTAS BÁSICAS. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados, independentemente de haver ou não inscrição no PAT. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa. Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 00 74 /2 01 0- 58 Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para exluir as parcelas relativas à alimentação in natura, com base no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, devendo a multa ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Fez sustentação oral: Dr. Miguel de Oliveira Amarilli OAB/RJ 140.628 (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente. (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ADRIANA SATO. Relatório Adoto o relatório de fls. 1.469/1.472: O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 37.261.7158 (CFL 68) consta do acervo processual da Secretaria da Receita Federal do Brasil, criada conforme art. 4° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, como processo n° 12898.000074/201058. 2. Tratase de autuação contra a empresa acima identificada, lavrado por infringência ao artigo 32, inciso IV, §§ 3 o e 5o , da Lei 8.212/1991, acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/1997, combinado com o artigo 225, inciso IV, § 4 o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. 2.1. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fls. 07/10, a empresa deixou de informar em suas GFIP do período de 01 a 12/2005 os salários de contribuição e correspondentes contribuições previdenciárias referentes aos segurados empregados que efetuaram serviços de construção civil nas obras REDUC e RELAM. 3. Conforme o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 11/14, esta correspondeu a R$ 42.323,70, com base no art.32, parágrafo 5o da Lei 8.212/1991, c/c art.284, inciso II do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, levandose em consideração Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 12898.000074/201058 Acórdão n.º 2302002.295 S2C3T2 Fl. 23 3 as ocorrências e mencionandose o limite de aplicação da multa, por competência. 3.1. Nos termos do art. 106, II do Código Tributário Nacional, foram separadas, nas planilhas de fls. 285/287 e 289/292 do Processo 12898.000078/201036, DEBCAD 37.261.7190, ao qual o presente foi apensado (fls. 23), as competências autuadas no presente Código de Fundamento Legal CFL 68 daquelas que foram consideradas para autuação no CFL 78, segundo a multa mais benéfica. 3.2. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes nem a atenuante, previstas, respectivamente, nos arts. 290 e 291 do RPSRegulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. 4. Informa o Relatório Fiscal do Processo 12898.000078/2010 36, DEBCAD 37.261.7190, ao qual o presente foi apensado (fls. 23), que a empresa foi indicada para verificação de sua regularidade fiscal por apresentar baixa massa salarial declarada em GFIP em relação aos rendimentos obtidos, informados por terceiros em DIRF. As circunstâncias de que decorreu o lançamento foram detalhadas como segue: 4.1. A empresa informou em GFIP remuneração total para o exercício de 2005 de R$ 114.059,94 e em RAIS R$ 157.420,60, enquanto que foi apurado em Folha de Pagamento R$ 158.109,08, cujas contribuições previdenciárias foram devidamente recolhidas. Constatouse que a divergência entre o informado em GFIP e o apurado em Folha de Pagamento devese a erros de informação nas GFIP. 4.2. O valor de faturamento da empresa obtido através das informações de terceiros em DIRF é de R$ 4.713.419,82 e o constante em DIPJ é de R$ 4.671.942, 79, que é o mesmo obtido pelo somatório das notas fiscais emitidas em 2005, conforme planilha de fls. 293/295 e 296/297 do Processo 12898.000078/201036, DEBCAD 37.261.7190, ao qual presente foi apensado (fls. 44). 4.2.1. A relação massa salarial / faturamento, ou seja, 158.109,08 / 4.671.942, 79, é igual a 0,034, o que está muito abaixo da relação de 0,20 esperada para a atividade de construção civil com fornecimento de materiais, o que foi considerado pela Fiscalização forte indício de omissão de Folhas de Pagamento. 4.3. Assim, procurouse encontrar o motivo do desvio acima relatado, através da análise dos documentos solicitados em TIPF Termo de Início de Procedimento Fiscal, dentre os quais Folhas de Pagamento, GFIP, Livros Contábeis, Contratos de Empreitada, Contratos de Prestação de Serviços, Livro de Registro de empregados, RAIS, Relação de Obras de Construção Civil, Comprovantes de fornecimento de Valestransporte. Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 4.4. A Relação de Obras apresentada à Fiscalização (fls. 67 do Processo 12898.000078/201036) o Auditor Fiscal concluiu corresponderem integralmente as Folhas de Pagamento, GFIP e GPS emitidas e pagas pela empresa. Tampouco foi constatada qualquer irregularidade quanto aos documentos e recolhimentos referentes ao pessoal administrativo da empresa fiscalizada. 4.5. Como situações relevantes, as quais foram consideradas pela Fiscalização como geradoras dos desvios descritos no subitem 4.2.1. acima, constatouse: 4.5.1. que o gasto anual com equipamentos para proteção individual do trabalhador (EPI) foi de R$ 148.440,74 (enquanto os salários para o mesmo periodo totalizaram R$ 158.109,08, como já mencionado). 4.5.2. que o gasto anual com alimentação do trabalhador foi de R$ 257.232,06, que, como visto, é muito superior ao gasto salarial. 4.5.3. que, mesmo deduzindo do montante do faturamento da empresa, para efeito de cálculo de estimativa de mãodeobra, o total de R$ 465.908,45, referente a serviços de projetos, a relação Massa salarial / Faturamento (158.109,08 / 4.206.034,25 =Q 0,038) continua muito abaixo do 0,20 esperado, já citado no subitem 4.2.1. acima. 4.5.4. que a empresa emitiu notas fiscais para obras (efetuadas na REDUC Refinaria Duque de Caxias e RLAM Refinaria Landulpho Alves) não constantes da Relação de Obras apresentada à Fiscalização citada no subitem 4.4 acima, para as quais não foram apresentadas Folhas de Pagamento ou GFIP. 4.5.5. que a empresa lançou na conta 4.1.2.01.0124 Lanches e Refeições apenas os valores de notas fiscais de compras de alimentos referentes às obras omitidas (REDUC e RLAM). Quanto a essas compras de alimentos, constatouse, na obra REDUC, a média de 827 cafés da manhã e almoços por mês, correspondendo à média de 39 empregados por mês. Na obra RLAM, houve o fornecimento médio de 154 cestas de alimentos por mês aos empregados, correspondendo à média de 154 empregados por mês. 5. As situações verificadas nos subitens 4.5.1 a 4.5.5 acima levaram o Auditor Fiscal a concluir que a empresa fiscalizada omitiu Folhas de Pagamento referentes a segurados das obras omitidas (39 empregados/mês na REDUC e 154 empregados/mês na RLAM), os quais tampouco foram informados em GFIP e RAIS e, portanto, a empresa não recolheu os valores de contribuições previdenciárias e para Terceiros incidentes sobre os salários de contribuição desses segurados, inclusive deixando arrecadar, mediante desconto, as contribuições devidas por esses segurados empregados. DA IMPUGNAÇÃO 6. A CRISFLAN, notificada do lançamento em 27/01/2010, contestouo em 26/02/2010 através do instrumento de fls. 314/1.751, juntando comprovantes de capacidade postulatória e, Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 12898.000074/201058 Acórdão n.º 2302002.295 S2C3T2 Fl. 24 5 dentre outros, cópias de Folhas de Pagamento, GPS, GFIP, os contratos principais efetuados entre a TECNOSOLO e a PETROBRÁS e os contratos de subempreitada e parceria para execução de empreitada mencionados no relatório fiscal). Em síntese: 6.1. Defende não ter sido omissa quanto à elaboração e apresentação das Folhas de Pagamento dos empregados que executaram os serviços nas obras RLAM e REDUC, já que, por exigência da PETROBRÁS, a contratação dessa mãodeobra era responsabilidade da TECNOSOLO, empreiteira vencedora das licitações, conforme cláusulas dos correspondentes contratos. 6.2. A CRISFLAN teria sido subcontratada pela TECNOSOLO para realizar apenas o gerenciamento das referidas obras, até porque os contratos efetuados entre a TECNOSOLO e a PETROBRÁS não admitem na execução dos serviços outros segurados empregados que não os da TECNOSOLO. 6.3. Comparandose a quantidade de segurados que o Auditor Fiscal concluiu ter sido omitida e aquela constante das Folhas de Pagamento e GFIP apresentadas pela impugnante (todas emitidas pela TECNOSOLO para as obras REDUC e RLAM e vinculadas a matrículas CEI e GPS), seria possível verificar que todos os segurados que trabalharam em tais obras foram informados e tiveram seus salários de contribuição tributados. 6.4. Alega que todos os gastos com alimentação e equipamentos de proteção individual feitos em 2005 (os quais conduziram à conclusão de existência de uma Folha de Pagamentos da CRISFLAN muito superior àquela apresentada à Fiscalização) foram realizados, apenas para dar agilidade à execução dos serviços, a pedido da TECNOSOLO. 6.4.1. Assim, reputa mero erro de fato a falha que cometeu ao não discriminar em suas notas fiscais de serviços, e nem a elas anexar as notas de reembolso relativas aos gastos efetuados com EPI e alimentação para os segurados empregados da TECNOSOLO que estavam sob supervisão da CRISFLAN. 6.5. Finda pedindo seja julgada a improcedência do lançamento e que seja cancelado o arrolamento de bens efetuado. Em 11 de maio de 2011, a 14ª Turma da DRJ/RJ proferiu Acórdão n. 12 37.103 [fls. 1467 e ss] que manteve a autuação lavrada: INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, §§ 3 o e 5o , da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/97, combinado com o artigo 225, inciso IV, § 4 o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, a Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 empresa apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS ELISIVOS Contratos de subempreitada e parceria para execução de empreitada na construção civil apresentando indícios de locação de mãodeobra, associados à inexistência de documentos provando em contrário, justificam a manutenção integral dos valores lançados por aferição indireta segundo art. 33,§§3°,4° Lei 8.212/91 Redação Lei 11.941/09, tendo como decorrência a manutenção integral da multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória. RETROATIVIDADE DE NORMA BENIGNA. O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparandose a legislação vigente a época da infração com os termos da Lei n°11.941/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimado do decisum [06/07/2011], o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 04/08/2011, que alegou, em síntese: (i) nulidade do auto de infração por suposto excesso de prazo para lavratura; (ii) inexistiu cessão de mãodeobra; (iii) houve quitação previdenciária das obras REDUC e RLAM; (iv) inaplicável a aferição indireta; (v) não incide contribuição previdenciária em face de salario in natura; e (vi) requer, ao final, a nulidade ou insiubsistência do processo em referencia, tornandose sem efeito o imposto exigido, bem como os consectários. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator. O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 06/07/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 04/08/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 12898.000074/201058 Acórdão n.º 2302002.295 S2C3T2 Fl. 25 7 MÉRITO Da Aferição Indireta A recorrente reclama que o lançamento foi lavrado com base em aferição indireta, porém não teria a Fiscalização demonstrado que havia motivos para utilização desta sistemática excepcional para apuração da base de cálculo das contribuições, conforme os requisitos legais do §6º do art. 33 da Lei 8.212/91 que assim preceitua: “§ 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” A questão central, portanto, reside no fato de ter havido ou não adequado enquadramento do caso dentro do permissivo legal que trata da aferição indireta, pois é fora de dúvidas que se trata de sistemática excepcional que só pode ser utilizada se configurados os requisitos legais para tanto. Como visto no Relatório Fiscal [fls. 34 e ss], o objeto da autuação referese a 02 [dois] levantamentos: OB (existência de mãodeobra sem inscrição na Previdência Social para as obras REDUC e RLAM) e AL [alimentação (cestas de alimentos)]. Após analisar todos os fundamentos e documentos apresentados, entendo que a utilização do procedimento foi correto e se arrimou em robusta prova indiciária que, ressaltese, não foi refutada. Da prova indiciária no direito tributário A recorrente não admite a prova indiciária no direito tributário, o que nos induz a alguns considerações sobre tal tipo de elemento probatório. Fabiana Del Padre Tomé, autora com obra relativamente recente e que é freqüentemente citada no estudo das provas, é enfática ao afirmar que “toda prova é indireta, pois nunca se tem acesso aos fatos, que são sempre passados. Daí por que toda prova é uma conjectura, levando à presunção acerca da ocorrência ou não de certo fato”(A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 94) e acrescente aque “ toda prova é indiciária, visto que jamais toca o objeto a que se refere”(op.cit., p. 94). Em outro trecho de sua obra, a autora destaca que “o indício em nada difere da prova”(op. cit., p. 138). A respeitável autora reconhece a existência de uma distinção tradicional entre indício e prova em função do grau de convicção que o fato provado acarrete no julgador, de modo que seria prova quando levar à certeza, e indício se dele decorrer mera possibilidade. Porém, sua lição é de que a verdade jurídica decorre da decisão do julgador após a análise do conjunto probatório. Este, o conjunto probatório, pode ser composto por indícios que podem ser de duas espécies: indícios necessários e indícios contingentes. Os indícios necessários revelam, com alto grau de probabilidade, determinada situação. Os indícios contingentes indicam de forma mais ou menos provável a ocorrência de certo acontecimento. Além de necessários ou contingentes. Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Os indícios podem ser homogêneos ou heterogêneos. São homogêneos os indícios que tem conteúdo convergente, todos conduzindo ao mesmo resultado, ao passo que são heterogêneos os indícios que indicam fatos diversos. A autora conclui que “a força probatória de qualquer indício(...) deve ser avaliada no caso concreto, de modo que, havendo um único indício necessário(prova no sentido comumente empregado) ou vários indícios contingentes e convergentes, terseá por provado o fato”. (op. cit., p. 1389). É de ser observado que as lições de Fabiana Del Padre Tomé que adotamos divergem da doutrina de Marcus Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López(Processo administrativo fiscal federal comentado. 2. ed. São Paulo, Dialética, 2004, p. 173). O autor, em certo trecho de sua doutrina, exige que os indícios no direito tributário sejam graves, ou seja, sejam aceitos somente se tiverem como conseqüência apenas um único fato. Essa exigência, no entanto, é qualidade dos indícios chamados necessários e que se equiparam ao que comumente se denomina de prova. Deixam de ser indícios, portanto. Exigir tal qualidade dos indícios é o mesmo que negar a utilidade deles para o direito tributário, mesmo quando convergentes. Em outro trecho de sua obra, entretanto, Marcus Vinicius admite a prova indiciária. Vejamos: “O trabalho investigatório realizado pelo agente fiscal é muito parecido com o desenvolvido pelo paleontólogo que aproveita diversas peças análogas de um animal. Completandoas uma com outras para formar o esqueleto do animal. Nesse trabalho de reconstrução, Le não precisa obter todos os ossos do esqueleto para ter uma idéia clara e precisa do animal e a a certeza da espécie que foi descoberta. Basta que o conjunto de vestígios lhe dê segurança de suas conclusões. O julgador, de maneira análoga, vai reunindo indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desse indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desses indícios, sua comparação e a exclusão das hipóteses contraditórias, de modo a reconstruir o passado de forma segura.”(p. 173) Fácil notar, portanto, que mesmo Marcus Vinicius e Maria Teresa admitem a prova indiciária no direito tributário. Sobre o assunto, não poderíamos deixar de fazer referência ao mestre Alberto Xavier (Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 133), que assim expressa seu entendimento: “Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema da prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substitutiva) prevista na lei: só que num caso a verdade material se obtém de um modo direto e nos Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 12898.000074/201058 Acórdão n.º 2302002.295 S2C3T2 Fl. 26 9 outros de um modo indireto, fazendo intervir ilações, presunções, juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade.” O que queremos destacar de tais abalizadas lições é que não somente as provas ou indícios necessários é que conduzem à certeza jurídica construída pelo julgador, mas também um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Cada um dos indícios contingentes nunca se equipara, isoladamente, a um indício necessário (prova no sentido tradicional) e não pode ser excluído do conjunto probatório por tal razão. A análise de um conjunto de indícios contingentes deve ser feita em duas etapas. Na primeira, analisamos a existência em si de cada indício. Na segunda etapa, analisamos o conjunto de indícios para qualificarmos se tratamos de um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Se forem contingentes e convergentes, os indícios que compõem o conjunto terão alto valor probatório, habilitandose a fundamentar o convencimento do julgador que emitirá sua decisão conformadora da verdade jurídica aplicável ao caso. Por óbvio, não podemos olvidar da possibilidade da utilização da análise do conjunto probatório baseado em indícios para o direito tributário. Qual qualidade superior ao direito penal teria o direito tributário para negarmos a utilização de conjuntos indiciários, tendo em vista que no direito penal tal metodologia probatória é amplamente aceita? Se aqui lidamos com o patrimônio do contribuinte, no direito penal tratamos da liberdade do cidadão. Teria o patrimônio um valor mais nobre que a liberdade individual em nosso Estado Democrático Direito de tal sorte que na análise das provas no direito que pode afetar o patrimônio devemos ser mais restritivos do que no direito que afeta a liberdade? Teria a legalidade tributária uma força jurídicoaxiológica maior que a legalidade no direito penal? Com todo respeito aos que pensam diferente, nossa resposta é não! Se para o direito penal é assente a utilização da análise do conjunto indiciário, o direito tributário há de admitila. Talvez a busca por uma verdade material como corolário do princípio da legalidade seja o argumento dos que querem afastar do direito tributário a análise do conjunto indiciário. Mas voltandonos para as lições de Fabiana Del padre Tomé, é certo que “a verdade que se busca no curso do processo de positivação do direito, seja ele administrativo ou judicial, é a verdade lógica, quer dizer, a verdade em nome da qual se fala, alcançada mediante a constituição de fatos jurídicos, nos exatos termos prescritos pelo ordenamento: a verdade jurídica”. O que comumente é denominado princípio da verdade material se conforma na possibilidade de a administração pública carrear aos autos outras provas de modo a possibilitar que sua decisão se aproxime da realidade. Não se relaciona, portanto, com a vedação à análise do conjunto indiciário. Registramos que no CARF, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, há várias decisões que acatam a utilização da prova indiciária: Acórdão 10708326 PAF PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, quando a sua formação está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador. Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Acórdão 10707083 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é aceita em matéria tributária, quando formada a partir de um juízo instrumental que leve em conta a existência de vários indícios convergentes. Acórdão CSRF/0105.132 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. O que não se aceita no Processo Administrativo Fiscal é a autuação sustentada em indício isolado, o que não é o caso desses autos que está apoiado num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levaram ao convencimento do julgador. Tomando tais considerações jurídicas gerais sobre os indícios, passamos a outras questões de relevo para o caso. Da regularidade do procedimento A Empresa foi indicada para verificação da regularidade fiscal em relação às contribuições previdenciárias por apresentar baixa massa salarial declarada em GFIP em relação aos rendimentos obtidos, informados por terceiros em DIRF. A Empresa informou em GFIP remuneração total para exercício de 2005 de R$ 114.059,94 e em RAIS R$ 157.420,60; apurouse em folha de pagamento R$ 158.109,08, cujas contribuições previdenciárias estão devidamente recolhidas. A divergência entre o informado em GFIP e o apurado em folha de pagamento devese a erros de informações nas GFIP. O valor do faturamento da Empresa obtido através das informações de terceiros na DIRF é de R$ 4.713.419,82 e o constante da DIPJ é de R$ 4.671.942,79, o mesmo obtido pelo somatório das Notas Fiscais emitidas em 2005, conforme planilha anexa. A partir dos valores anteriormente apurados verificouse que a relação Massa Salarial / Faturamento, ou seja, 158.109,08 / 4.671.942,70 é igual a 0,034, que está muitíssimo abaixo do esperado, que seria algo em torno de 0,20 para a atividade de construção civil com fornecimento de materiais; forte indício de que a Empresa tenha omitido folhas de pagamento. A Fiscalização buscou então através da análise dos documentos solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal, entre outros: folhas de pagamento, GFIP, Livros Contábeis, Contratos de Empreitada, Contratos de Prestação de Serviços celebrados com terceiros, Livro de Registro de Empregados, RAIS, Relação de obras de Construção Civil e Comprovantes de fornecimento de Valestransporte, encontrar o motivo do desvio anteriormente relatado. A Empresa apresentou a seguinte Relação de Obras, assinada pelo sócioadministrador Carlos Alberto Carneiro: a)Sociedade de Educação e Caridade (Instituto Pio XI). b)Associação Filhas de Santa Maria da Providência. c)Parque das Ruínas. Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 12898.000074/201058 Acórdão n.º 2302002.295 S2C3T2 Fl. 27 11 d)Escola Municipal Altivo César Barreto (Barreto). e)Rodovia BR 101 (Florianópolis/Osório). Foram também apresentadas as folhas de pagamento, as GFEP e as GPS relativas às obras acima e ao pessoal administrativo. Os valores constantes das folhas de pagamento encontramse devidamente contabilizados, e os pagamentos da contribuição previdenciária foram integralmente realizados por meio das GPS. Analisada a contabilidade verificaramse as seguintes situações relevantes: a) O gasto anual com a compra de equipamentos para proteção individual do trabalhador (EPI) e uniformes, lançado na conta 4.1.2.01.0074 Uniformes e Equipamentos de Segurança do Trabalho foi de R$ 148.440,74, praticamente igual ao gasto com salários, que como informado anteriormente foi de R$ 158.109,08. b) O gasto anual com alimentação do trabalhador, lançado na conta 4.1.2.01.0124 Lanches e Refeições foi de R$ 257.232,06, em muito superior ao gasto salarial. Deste modo a prova indiciária de que a Empresa teria apresentado a folha de pagamento e a GFIP com informação diversa da realidade, consolidavase. Analisadas as Notas Fiscais emitidas pela Empresa, a Fiscalização verificose que a mesma também realizou serviços de projetos, que por sua natureza devem ser excluídos do montante do faturamento para efeito de estimativa de cálculo de mãodeobra. O valor total recebido de projetos no ano foi de R$ 465.908,45. Ainda assim a relação Massa Salarial / Faturamento, ou seja: 158.109,08 / 4.206.034,25, igual a 0,038, continua muitíssimo abaixo do esperado, segundo consta do Relatório Fiscal. Verificouse ainda a emissão de Notas Fiscais para obras não constantes da Relação de Obras apresentada inicialmente pela Empresa, para as quais não foram apresentadas folhas de pagamento ou GFIP. Deste modo a Fiscalização constatou a existência de mãodeobra sem inscrição na Previdência Social As obras omitidas são oriundas de contratos de subempreitada firmados entre a Crisflan Engenharia (empresa sob ação fiscal) e a Tecnosolo Engenharia e Tecnologia de Solos e Materiais S.A., CNPJ 33.111.246/000190 vencedora das licitações junto à Petrobras Petróleo Brasileiro S.A., a saber: REDUC [Refinaria Duque de Caxias] e RLAM [Refinaria Landulpho Alves]. Da leitura dos Contratos de subempreitada, concluise que foi utilizado um contrato padrão para os três serviços a serem realizados na obra RLAM pela autuada. Verifica se que a Empresa contratada (sob ação fiscal) realizou a execução de parte do contrato firmado entre a Tecnosolo e a Petrobras pelo regime de empreitadas por preços unitários (fornecimento de materiais e mãodeobra). Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 É cediço que o arbitramento deve ter a sua utilização reservada somente para os casos excepcionais, após ficar demonstrada a impossibilidade de se obter as informações de forma convencional, ou seja, com base nos registros oferecidos pelo contribuinte ou constantes em sua contabilidade. Os fatos conforme narrados apontam exatamente no sentido da ocorrência real das situações excepcionais apontadas pelo contribuinte como autorizadoras da condução do levantamento da base de cálculo por arbitramento. No plano infraconstitucional, a matéria relativa à apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias foi confiada à Lei nº 8.212/91, a qual dispõe em seu art. 33 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Esmiuçando a matéria em realce, a Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, inserida no conceito de “Legislação Tributária” adotado pelo codex, conferiu o Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 12898.000074/201058 Acórdão n.º 2302002.295 S2C3T2 Fl. 28 13 detalhamento dos procedimentos fiscais a serem conduzidos pela fiscalização, assim dispondo em seu art. 487, verbis: Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 486. A obra ou o serviço de construção civil, de responsabilidade de pessoa jurídica, deverá ser auditada com base na escrituração contábil, observado o disposto nos arts. 433 e 435, e na documentação relativa à obra ou ao serviço. Parágrafo único. Os livros Diário e Razão, com os lançamentos relativos à obra, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores. Art. 487. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I – quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil; II – quando não houver apresentação de escrituração contábil no prazo fixado no § 6º do art. 65; III quando a contabilidade não espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; IV – quando houver sonegação ou recusa, pelo responsável, de apresentação de qualquer documento ou informação de interesse do INSS; (grifos nossos) V – quando os documentos ou informações de interesse do INSS forem apresentados de forma deficiente. (grifos nossos) §1º Nas situações previstas no caput , a base de cálculo aferida indiretamente será obtida: I mediante a aplicação dos percentuais previstos nos arts. 441, 619 e 623, sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços ou sobre o valor total do contrato de empreitada ou de subempreitada; II– pela aferição do valor da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão em relação à obra de responsabilidade da empresa, nas edificações prediais; (grifos nossos) III por outra forma julgada apropriada, com base em contratos, informações prestadas aos contratantes em licitação, publicações especializadas ou em outros elementos vinculados à obra, quando não for possível a aplicação dos procedimentos previstos nos incisos I e II. Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 §2° Na contratação de serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada total ou parcial, até janeiro de 1999, aplicarseá a responsabilidade solidária, na forma da Seção III do Capítulo X do Título II, em relação às contribuições incidentes sobre a base de cálculo apurada na forma deste artigo, deduzidas as contribuições já recolhidas, se existirem. §3° Na contratação de empreitada total a partir de fevereiro de 1999, não tendo o contratante usado da faculdade da retenção prevista no art. 200, aplicarseá a responsabilidade solidária em relação às contribuições incidentes sobre a base de cálculo apurada na forma deste artigo, deduzidas as contribuições já recolhidas, se existirem. A conduta infracional perpetrada pelo Recorrente culminou por frustrar os objetivos da lei e, como consequência, prejudicou a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce. Para não permitir que tórpidos venham a se valer da própria torpeza, mediante a intercalação artificial de embaraços e percalços no curso regular dos procedimentos fiscais, a lei, de forma expressa, promoveu a inversão do ônus probante nas situações em que o iter procedimental da fiscalização tenha que ser desviado por culpa ou dolo do sujeito passivo. É exatamente o que ocorre no caso da apuração da base de cálculo de contribuições previdenciárias, nas hipóteses em que o agente do fisco tenha que se valer do expediente da aferição indireta para apurar a matéria tributável, em razão de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou de sua apresentação deficiente; de falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, ou, ainda, nos casos em que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, dentre outras. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 12898.000074/201058 Acórdão n.º 2302002.295 S2C3T2 Fl. 29 15 extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Dessa forma, o fisco procedeu à confecção dos cálculos com base em valores aferidos indiretamente, os quais resultaram em um débito para o contribuinte, como restou demonstrado nos autos. O procedimento indireto adotado encontra respaldo na Legislação Previdenciária, conforme se depreende da combinação do disposto na Lei n.º 8.212/91; com o Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo de sua contabilidade regular, deverá ser aferida, de forma indireta, a mãodeobra mínima a ser considerada na execução dos serviços para o cálculo da contribuição a ser recolhida. Os parágrafos, do artigo 33 da Lei de Organização da Seguridade Social, trazem em seu texto: “Art. 33 (...). § 1 É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. § 2 A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3 Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. § 4 Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” (g.n.) Nesse sentido, artigos 232 a 234 do Regulamento da Previdência Social, dispõem: “Art.232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. ... Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 12898.000074/201058 Acórdão n.º 2302002.295 S2C3T2 Fl. 30 17 Art.234. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, de acordo com critérios estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social, cabendo ao proprietário, dono da obra, incorporador, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário.” (g.n.) Dessa forma, não tendo a empresa colacionado aos autos a documentação comprobatória de sua regularidade contábil e dos termos alegados, e tendo sido configurado que a mesma, na verdade está em débito para com o fisco, uma vez que não recolheu o valor devido, correto o procedimento de aferição indireta. 1.2Levantamento OB Conforme visto anteriormente constatouse de forma inequívoca a existência de mãodeobra sem inscrição na Previdência Social para as obras REDUC e RLAM. O sujeito passivo foi intimado através do TIP Termo de Intimação Fiscal n°. 03 em 18/01/10 a apresentar as folhas de pagamento e as GFIP das obras REDUC e RLAM, não tendo atendido ao intimado, desta forma, não restou outra alternativa para se apurar a contribuição social devida pela Empresa se não por AFERIÇÃO INDIRETA, visto que a mesma não apresentou folhas de pagamento, não elaborou GFIP, nem mesmo a RAIS, deixando também de contabilizar os valores pagos aos trabalhadores das obras REDUC e RLAM. Desta forma a base de contribuição previdenciária foi obtida aplicandose o percentual de 40% sobre a metade do valor bruto das notas fiscais, como determinado no § I o do art. 401 da IN/RFB 971/2009, visto que a Empresa estava contratualmente obrigada a fornecer o material necessário à execução das obras. Portanto, correta a apuração e a autuação realizada. 1.3Levantamento AL A irresignação da recorrente merece acolhimento,consubstanciado nos atuais entendimentos administrativos e jurisprudenciais e em face do julgamento realizado nesta assentada, onde foram julgados os processos 10166.723053/201043 e 10166.723054/201098 referentes às obrigações principais, dandolhes provimento parcial para a exclusão das rubricas “vale transporte” e “cesta básica” conforme as razões abaixo: DO FORNECIMENTO DE CESTAS BÁSICAS Recentemente a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, após reiteradas decisões judiciais que entenderam não incidir contribuições previdenciárias sobre o fornecimento de alimentação in natura aos segurados das empresas, emitiu o Parecer PGFN 2117/2011, que assim dispõe: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 18 Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Este posicionamento da Procuradoria foi emitido uma vez que “no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tão somente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais, razão pela qual os levantamento referentes à Cestas Básicas devem ser excluídos da presente autuação. 2 MULTA – RETROATIVIDADE BENIGNA Não assiste razão à recorrente ao afirmar que não poderiam ser imputadas conjuntamente as infrações por deixar de recolher o tributo e deixar de informar em GFIP. Não NFLD estão sendo cobradas multa pelo atraso no recolhimento do tributo, obrigação principal. Por sua vez, no presente caso estão sendo cobradas multas por descumprimento de obrigação acessória, não preenchimento adequado da GFIP. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é cediço, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Não procede o argumento recursal de que haveria excesso na aplicação da multa, por não ter observado os limites legais. Conforme relatório fiscal às fls. 14 a 27, o limite previsto no art. 32 da Lei n 8.212 foi corretamente observado pela fiscalização e deve ser observado mês a mês, pois caso contrário o contribuinte que praticou uma infração seria penalizado da mesma maneira que um outro que infringiu durante trinta meses. Não assiste razão à recorrente ao afirmar que os autos de infração guardam relação entre si, sendo o caso de infração continuada, deveria ser aplicada uma única multa, Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 12898.000074/201058 Acórdão n.º 2302002.295 S2C3T2 Fl. 31 19 observandose os artigos do Código Penal relativos ao crime continuado. De fato ocorreram diversos descumprimentos de obrigações acessórias, e cada obrigação descumprida enseja a lavratura de um auto de infração. Ao contrário do que afirma a recorrente, os diversos autos de infração lavrados não possuem o mesmo fundamento jurídico. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Ide dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e IIde R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. §1oPara efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: Ià metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou IIa setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. §3o A multa mínima a ser aplicada será de: IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 20 ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 12898.000074/201058 Acórdão n.º 2302002.295 S2C3T2 Fl. 32 21 A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 22 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Também deve ser reconhecida a fluência em parte do prazo decadencial, na forma do art. 173, inciso I do CTN. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Conselheiro Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 15374.907840/2008-90
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DIREITO CREDITÓRIO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A compensação é condicionada à prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
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AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DIREITO CREDITÓRIO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação é condicionada à prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 78 40 /2 00 8- 90 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro II/RJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese parte do relatório do acórdão da DRJ: “Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica nº 02867.34306.270904.1.7.049140 (fls. 03/07), transmitida em 27/09/2004, de débito de COFINS (cód. 5856), relativo ao período de apuração de fevereiro de 2004, com crédito oriundo de pagamento a maior, a título de COFINS (cód. 2172), recolhido em 15/02/2000, atinente ao Período de Apuração 31/01/2000, tudo conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. Por meio do Despacho Decisório (fl. 10) emitido eletronicamente, a DERATRio de JaneiroRJ, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 30/07/2008 (fl. 11), a interessada ingressou, em 28/08/2008, com manifestação de inconformidade (fls. 12/21), na qual alega, em síntese, que: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.907840/200890 Acórdão n.º 3802001.722 S3TE02 Fl. 185 3 1. As receitas relativas às atividades próprias das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, civis que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, são isentas da COFINS; 2. Alega que é uma associação civil sem fim lucrativo e portanto, é isenta da COFINS; 3. Atividades próprias das associações seriam aquelas para as quais elas tenham sido criadas, ou seja, aquelas previstas em seu estatuto social, cita o parecer normativo CST nº 162/74; 4. As atividades exercidas são aquelas que constam do Estatuto social; 5. Em 2006 tentou retificar sua DCTF e não conseguiu; 6. Caberia a autoridade administrativa ter diligenciado no sentido de analisar os documentos e escritas fiscais do Manifestante a fim de averiguar a proveniência de tais créditos; Encerra a manifestação, requerendo seu provimento, para reformar a decisão a quo e homologar a compensação efetuada por intermédio da declaração de compensação objeto do presente processo. Acrescenta que não sendo este o entendimento, requer seja o julgamento convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal apure o montante das receitas próprias indevidamente incluído em setembro de 1999 na base de cálculo da COFINS.” A Recorrente, nas razões de fls. 136 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo, por fim, o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 24/04/2012 (fls. 134), interpondo recurso tempestivo em 22/05/2012 (fls. 136). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A Recorrente, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação, consoante o despacho decisório a seguir: “3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL [...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Em casos dessa natureza, a Turma tem reconhecido o direito à compensação, desde que o contribuinte: (i) retifique a Dctf antes da ciência do despacho decisório; ou (ii) ainda que a posteriormente, o faça antes da inscrição do débito em dívida ativa e comprove, de plano, a existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes acórdãos, de nossa relatoria, acompanhados pela unanimidade do colegiado: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. POSSIBILIDADE. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.125. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 28/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.907840/200890 Acórdão n.º 3802001.722 S3TE02 Fl. 186 5 apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). Contudo, no presente caso, verificase que o interessado não retificou a Dctf do período correspondente. Por outro lado, limitouse a juntar aos autos seus estatutos sociais, alegando que, devido a sua natureza jurídica, não estaria sujeito à incidência da contribuição. Não há, ademais, qualquer prova da liquidez e da certeza do direito creditório nem mesmo a demonstração de que houve o pagamento gerador do indébito que se pretende repetir por meio da compensação. Assim, devido à ausência de prova da liquidez e da certeza do direito creditório, votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 16327.001383/2001-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CSLL
Data do fato gerados: 31/12/2001
RECURSO VOLUNTÁRIO - CONHECIMENTO - DECISÃO JUDICIAL.
Deve ser conhecido o Recurso Voluntário que, por força de provimento judicial, teve determinado o seguimento e apreciação da matéria mesmo não sendo o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF) competente para apreciar questões envolvendo prescrição.
Numero da decisão: 1302-001.134
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao
recurso voluntário, para conhecer a prescrição, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencido o conselheiro Eduardo de Andrade que votava pela conversão em diligência
para que a Procuradoria da Fazenda Nacional se manifestasse previamente sobre a higidez da CDA.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Deve ser conhecido o Recurso Voluntário que, por força de provimento judicial, teve determinado o seguimento e apreciação da matéria mesmo não sendo o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF) competente para apreciar questões envolvendo prescrição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário, para conhecer a prescrição, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencido o conselheiro Eduardo de Andrade que votava pela conversão em diligência para que a Procuradoria da Fazenda Nacional se manifestasse previamente sobre a higidez da CDA. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade Relatório Fl. 473DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 2 Contra o contribuinte foi formalizado o Processo Administrativo Fiscal n.º 10805.001238/9864, com a lavratura de Auto de Infração de CSLL no valor de R$ 10.324.260,85 (30.06.1998). Remetido os autos para julgamento do recurso voluntário, a antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do acórdão n.º 10193.326, cuja decisão, na parte que interessa, está assim ementada: DÉBITO DECLARADO DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O débito relativo à Contribuição Social declarado na declaração do Imposto de Renda espontaneamente entregue pode ser cobrado em conformidade com o disposto nos parágrafos 1º e 2º do Decretolei n.º 2.124/84. Declarase nulo, por desnecessário, o lançamento de ofício. Provimento parcial do recurso. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para declarar nulo o lançamento de ofício, prosseguindo a cobrança do crédito tributário através da Declaração de IRPJ, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” De acordo com a decisão do Primeiro Conselho de Contribuintes, ante o uníssono entendimento, administrativo e judicial, de que é desnecessária a formalização da exigência de valores de CSLL, já espontaneamente declarados pela contribuinte, foi declarado nulo o auto de infração. Baixados os autos à Delegacia Especial de Instituição Financeira (DEINF/SP), esta proferiu o seguinte despacho / representação: “O presente originase devido ao acórdão n.º 10193.326, proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, no processo 10805.001238/9864, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, declarando nulo o lançamento de ofício, porém determinou o prosseguimento da cobrança do crédito tributário através das Declarações de Rendimentos. Nos termos do despacho juntado no processo citado, proferido pela DEINF/DISAR, a cobrança do crédito tributário em questão deve ser efetuada em processo administrativo distinto do processo de auto de infração. Assim, proponho que o presente seja formalizado para controle do crédito da CSLL constituído nas DIRPJ relativas aos exercícios de 1994 e 1995. Protocolizese e encaminhese à DISAR/EQCCT.” Na sequência, em cumprimento ao referido despacho, foi formalizado o Processo Administrativo n.º 16327.001383/200180 para cobrança dos créditos tributários de CSLL declarados pelo contribuinte nas DIPJ dos exercícios 1994 e 1995. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 16327.001383/200180 Acórdão n.º 1302001.134 S1C3T2 Fl. 63 3 Embora notificado, o contribuinte não procedeu à liquidação dos débitos constantes no presente processo administrativo, razão pela qual foi proposto o encaminhamento deste à Procuradoria da Fazenda Nacional e feita a inscrição em Dívida Ativa da União. Em 24 de outubro de 2001, o contribuinte ingressou com requerimento administrativo dirigido ao Procurador Geral da Fazenda Nacional, no qual pretendia o reconhecimento da prescrição da cobrança dos débitos objetos do presente processo, por entender que já havia transcorrido o quinquênio legal, previsto no artigo 174, caput, do Código Tributário Nacional, senão vejamos, na parte que interessa,o que diz a petição do contribuinte: (....). “26. Diante da decisão exarada pelo E. Conselho de Contribuintes, tornada publicada em 17/04/2001, e que declarou o Auto de Infração nulo, fazendo retornar a relação jurídicotributária relativa à CSLL em questão à situação anterior ao lançamento dos créditos tributários declarado nulo, portanto restabelecendo a exigibilidade dos créditos tributários desde sua constituição definitiva, ou seja, a partir da entrega das respectivas DIRPJ dos anoscalendário 1993 e 1994, jamais esteve com sua exigibilidade suspensa, não há como desconhecer a prescrição dos mesmos a teor do disposto no art. 174, caput, do CTN. O que encontravase com sua exigibilidade suspensa era o lançamento de ofício envolvendo, inclusive, multas, juros e etc., repitase, declarado nulo. Nunca o declarado devido segundo as Declarações de Rendimentos; (....) Ato contínuo, no dia 25 de outubro de 2001, a Procuradoria da Fazenda Nacional determinou a remessa dos autos ao Delegado da DEINF/SP, para que se manifestasse sobre as alegações do contribuinte. O Delegado da DEINF/SP, por sua vez, enfrentando o mérito das alegações do contribuinte, decidiu por indeferir o pedido de reconhecimento da prescrição dos créditos tributários da CSLL dos anoscalendários 1993 e 1994, nos termos do Despacho Decisório de fls. 307/318, cuja fundamentação, na parte que interessa, segue abaixo transcrita: “ASSUNTO: CSLL. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA EMENTA: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. AÇÃO JUDICIAL. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DOS ANOSCALENDÁRIO 93 E 94. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO DECLARADO NULO PELO CONSELHO DE CONTRIBUINTES E EXIGÊNCIA DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EM CONFORMIDADE COM O DECLARADO EM DIRPJ. DÉBITOS NÃO LIQUIDADOS, INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA. DECURSO DO PRAZO PRESCRICIONAL. EXTINÇÃO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. PEDIDO INDEFERIDO. PROSSEGUIMENTO DA COBRANÇA EXTRAJUDICIAL. FUNDAMENTOS LEGAIS: ART. 471, I, DO CPC, C/C O PARECER PGFN/CRJN 1.277/94; ARTIGOS 59, §§ 1º E 2º, E 61 DO DECRETO 70.235/72; ART. 46 DA LEI 8.212/91. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 4 FUNDAMENTOS E ENQUADRAMENTO LEGAL. (...) 24. Nesse aspecto, assiste razão ao interessado ao afirmar que a declaração de nulidade do Auto de Infração da CSLL dos períodos de Mar/93 a Dez/94, conforme acórdão exarado com fundamento na Norma Conjunta COSIT/COFIS/COSAR n.º 535/97 pela autoridade administrativa julgadora colegiada, tornou nulo todos os atos administrativos que dele decorreram retornando à situação “ex ante” da lavratura do Auto de Infração, a teor do art. 59, §§ 1º e 2º, do Decreto 70.235/72 (folha 82); 25. Na mesma linha de raciocínio do interessado, restaria à autoridade fiscal tão somente cobrar os créditos tributários da CSLL, se não prescritos, através das DIRPJ dos anoscalendário 93 e 94, como determinou o E. 1º CC no Acórdão exarado; 26 .Com efeito, em relação à alegada prescrição, há que se reconhecer que não caberia à autoridade fiscal falar, no caso vertente, da interrupção do prazo prescricional, a partir da lavratura do Auto de Infração, a que alude o inciso I do parágrafo único do art. 174 do CTN, mesmo porque a nulidade do Auto de Infração fulminou todo os atos praticados pela autoridade fiscal e dele decorrentes. Porém restou não discutida a aplicação do disposto no art. 46 da Lei 8.212/91. Neste sentido, tal dispositivo estabeleceu, para os créditos da Seguridade Social, entre eles a CSLL, o prazo de prescrição de 10 (dez) anos, derrubando, assim, a pretensão do interessado; 27. Por fim, no mérito, considerando a decisão do E. 1º Conselho de Contribuintes, que declarou nulo o Auto de Infração, e por consequência todos os atos decorrentes do procedimento fiscal, a teor dos artigos 59, §§ 1º e 2º, e 61 do Decreto 70.23572, retornando os créditos tributários em questão à situação original, e determinou o prosseguimento da cobrança da referida exação em conformidade com o declarado pelo interessado em DIRPJ, o prazo prescricional de 10 (dez) anos, conforme previsto no art. 46 da Lei 8.212/91, teria seu termo inicial contado a partir da data de apresentação das respectivas declarações dos anoscalendários 93 e 94, ou seja, 30/05/94 e 31/05/95, respectivamente, razão pela qual o decurso do lapso decenal da prescrição seguramente não ocorreu, restando agora à autoridade fiscal manter a inscrição dos débitos em Dívida Ativa da União (fls. 304 e 305).” Intimado da decisão proferida pelo Delegado da DEINF/SP, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reforçando e reiterando as alegações contidas no pretérito requerimento administrativo, notadamente quanto extinção dos créditos tributários de CSLL dos anoscalendários 1993 e 1994, em razão da da prescrição, nos termos dos artigos 156, V e 174, caput, do CTN c/c Súmula Vinculante nº 08 do STF. O processo foi novamente remetido para o Delegado da DEINF/SP que, por meio de despacho, decidiu pelo indeferimento do pedido de seguimento do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte e, pelo prosseguimento da cobrança extrajudicial dos débitos da CSLL dos anoscalendário 1993 e 1994 inscritos em Dívida Ativa da União. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 16327.001383/200180 Acórdão n.º 1302001.134 S1C3T2 Fl. 64 5 Contra o ato do Delegado da DEINF/SP que negou seguimento ao Recurso Voluntário, o contribuinte ingressou com o Mandado de Segurança n.º 0005892 30.2002.4.03.6100/SP a fim de que seu recurso fosse processado e encaminhado para a instância julgadora competente para sua apreciação. A Colenda Turma C do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, na sessão de julgamento do dia 26 de novembro de 2010, reformando a decisão denegatória de primeira instância, concedeu a segurança ao contribuinte, nos seguintes termos: “ADMINISTRATIVO. RECURSO DA DECISÃO QUE RECONHECEU A PRESCRIÇÃO. POSSIBILIDADE. SENTENÇA REFORMADA. 1. Se a autoridade administrativa reabre discussão em sede de procedimento administrativo formal, proferindo decisão de mérito (prescrição), cabível se faz a interposição de recurso. 2. Apelação provida. VOTO A sentença há de ser reformada. Se a autoridade administrativa reabre discussão em sede de procedimento administrativo formal, proferindo decisão de mérito (prescrição), cabível se faz a interposição de recurso. A prescrição, além de matéria de ordem pública, é tema que pode ser conhecido a qualquer momento também pela Administração Pública, evitandose, em última instância, a prática de atos fadados à desconstituição futura, se demonstrada sua efetiva ocorrência. Assim, dou provimento ao recurso da impetrante para reformar a sentença e, de conseguinte, julgar procedente o pedido e conceder a ordem para determinar à autoridade coatora que dê seguimento ao recurso interposto pela impetrante no PA. 16327.001383/200180, de decisão que não reconheceu a ocorrência da prescrição e, assim, declaro extinto o processo, com resolução de mérito.” Portanto, em razão do pronunciamento judicial, o Recurso Voluntário, interposto em 21 de dezembro de 2001, foi encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. É o relatório. Voto Fl. 477DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 6 Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. O Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente teve a sua admissibilidade superada em virtude do pronunciamento judicial da Turma C do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, de modo que, por força do provimento jurisdicional, dele tomo conhecimento. A priori o recurso voluntárionão não deveria ter seu mérito apreciado, em razão dos arts. 2º, 3º e 4º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria nº 256/2009, que não dá competência ao CARF para julgar litígio sobre prescrição de cobrança de débito tributário. Por outro lado, não pode o Recorrente ser prejudicado em seu pleito, uma vez que “se a autoridade administrativa reabre discussão em sede de procedimento administrativo formal, proferindo decisão de mérito (prescrição), cabível se faz a interposição de recurso”, conforme ressaltado no v. acórdão proferido pelo Sr. Desembargador Wilson Zauhy do E. Tribunal Regional Federal da Terceira Região, que decidiu in verbis: “VOTO A sentença há de ser reformada. Se a autoridade administrativa reabre discussão em sede de procedimento administrativo formal, proferindo decisão de mérito (prescrição), cabível se faz a interposição de recurso. A prescrição, além de matéria de ordem pública, é tema que pode ser conhecido a qualquer momento também pela Administração Pública, evitandose, em última instância, a prática de atos fadados à desconstituição futura, se demonstrada sua efetiva ocorrência. Assim, dou provimento ao recurso da impetrante para reformar a sentença e, de conseguinte, julgar procedente o pedido e conceder a ordem para determinar à autoridade coatora que dê seguimento ao recurso interposto pela impetrante no PA. 16327.001383/200180, de decisão que não reconheceu a ocorrência da prescrição e, assim, declaro extinto o processo, com resolução do mérito. É COMO VOTO.” Tratandose de débitos declarados em DIPJ, tinha o fisco 5 anos a contar da entrega da mencionada declaração, ter inscrito o débito em dívida ativa, o que não ocorreu. Optou pelo lançamento de ofício, que restou posteriormente anulado por este Conselho, ocorrendo a prescrição que obsta a cobrança dos débitos sob exame. Portanto, tendo em vista a citada decisão judicial que determinou o julgamento do recurso voluntário e a economia processual, como se trata de matéria de ordem pública voto pela admissão da prescrição do crédito sub censura. Com as presentes considerações, encaminho meu voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 478DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 16327.001383/200180 Acórdão n.º 1302001.134 S1C3T2 Fl. 65 7 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE
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Numero do processo: 13827.000600/2002-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/07/2002
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas (RESP 993.164).
Numero da decisão: 9303-002.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 04/09/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas (RESP 993.164). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 06 00 /2 00 2- 76 Fl. 877DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 04/09/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño. Relatório Insurgese o contribuinte acima identificado, por meio deste especial, contra decisão da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que entendeu incabível a inclusão das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem efetuadas junto a pessoas físicas na base de cálculo do incentivo instituído pela Lei 9.363/96. Foram juntados acórdãos que entenderam o oposto, comprovando a divergência, e houve tempestivas contrarazões da PFN pugnando pela mantença do julgado. É o Relatório, sucinto porquanto a matéria é já pacífica. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como adiantado, tratase de recurso bem admitido pelo Presidente da então Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, uma vez que, à época, controverso o tema e existentes decisões conflitantes. Dele conheço. A controvérsia, entretanto, cessou com a decisão proferida pelo e. STJ no julgamento do RE 993.164. Isso porque o art. 62A do nosso Regimento impôs a reprodução das decisões do Superior Tribunal de Justiça que tenham sido proferidas já na sistemática do art. 543C como a acima. Em seu fiel cumprimento, limitome a reproduzila: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA Fl. 878DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13827.000600/200276 Acórdão n.º 9303002.433 CSRFT3 Fl. 6 3 DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, Fl. 879DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não Fl. 880DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13827.000600/200276 Acórdão n.º 9303002.433 CSRFT3 Fl. 7 5 estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie.. Saliento que no mesmo recurso o STJ tratou também da aplicabilidade de juros calculados pela taxa Selic em tais situações, mas que não se aplica ao caso em questão já que a matéria relativa a juros não subiu para apreciação deste Colegiado administrativo Voto, assim, pelo provimento do recurso especial do contribuinte para reconhecer a possibilidade de inclusão no cômputo do incentivo das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas. É o voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 881DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11159.000001/2002-47
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003
MULTA. ABUSIVIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF No 02. VEDAÇÃO AO CONTROLE DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS NORMATIVOS NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
De acordo com a Súmula Carf no 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Matéria não conhecida.
IMPUGNAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO REPRESENTANTE. INEXISTÊNCIA.
Inexistindo a identificação do signatário da impugnação, bem como a prova de sua capacidade para representar a impugnante, considera-se sem validade o documento que contesta o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-001.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Goncalves Pereira, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003 MULTA. ABUSIVIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF No 02. VEDAÇÃO AO CONTROLE DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS NORMATIVOS NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. De acordo com a Súmula Carf no 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Matéria não conhecida. IMPUGNAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO REPRESENTANTE. INEXISTÊNCIA. Inexistindo a identificação do signatário da impugnação, bem como a prova de sua capacidade para representar a impugnante, considera-se sem validade o documento que contesta o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003 MULTA. ABUSIVIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF No 02. VEDAÇÃO AO CONTROLE DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS NORMATIVOS NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. De acordo com a Súmula Carf no 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Matéria não conhecida. IMPUGNAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO REPRESENTANTE. INEXISTÊNCIA. Inexistindo a identificação do signatário da impugnação, bem como a prova de sua capacidade para representar a impugnante, considerase sem validade o documento que contesta o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 15 9. 00 00 01 /2 00 2- 47 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Goncalves Pereira, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 82): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 IMPUGNAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO REPRESENTANTE. INEXISTÊNCIA. Inexistindo a identificação do signatário da impugnação, bem como a prova de sua capacidade para representar a impugnante, considerase sem validade o documento que contesta o lançamento. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 3638, sustenta ter sido devidamente identificado na petição de impugnação. No mérito, por sua vez, admite ter pago o tributo em atraso, questionado, no entanto, o valor da multa, que seria cerca de 8000% acima do que entende devido. Requer a reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 08/11/2011 (fls. 35) e o protocolo do recurso tempestivamente, em 01/12/2011 (fls. 36). O pagamento em atraso foi reconhecido expressamente pelo sujeito passivo. Este, entretanto, direciona a sua irresignação recursal à suposta abusividade da multa, matéria que pressupõe o exame da constitucionalidade de atos normativos e que, como se sabe, encontra obstáculo na Súmula Carf no 02 e no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11159.000001/200247 Acórdão n.º 3802001.729 S3TE02 Fl. 72 3 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. A matéria, portanto, não pode ser conhecida no presente recurso. Por fim, em relação à identificação do signatário na petição de impugnação, entendo que razão não assiste ao Recorrente, porque este, mesmo intimado em duas oportunidades, não demonstrou sua capacidade para representar o sujeito passivo no procedimento administrativo fiscal. Votase, portanto, pelo conhecimento parcial do recurso e, na parte conhecida, pelo seu desprovimento. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001908/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.539
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ISABELI FONTANA FERNANDES.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral a Dra. Vanessa Pereira Rodrigues Domene, OAB/SP n º 158120.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral a Dra. Vanessa Pereira Rodrigues Domene, OAB/SP n º 158120. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 01 90 8/ 20 09 -9 3 Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11516.001908/200993 Resolução nº 2202000.539 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, ISABELI FONTANA FERNANDES, foi lavrado auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 1.842.948,89 (um milhão e oitocentos e quarenta e dois mil e novecentos e quarenta e oito reais e oitenta e nove centavos), acrescido da multa de oficio de 75% e juros de mora, e a Multa Isolada no valor de R$ 1.122.673,27 (um milhão e cento e vinte e dois mil e seiscentos e setenta e três reais e vinte e sete centavos), referentes aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Os dispositivos legais infringidos constam do referido auto de infração. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), as folhas 965 a 995, verificase que a autuação é decorrente das seguintes infrações: 1. Omissão de rendimentos recebidos de fontes pagadoras situadas no exterior: Em relação aos rendimentos recebidos do exterior, consta que a contribuinte foi intimada por meio do Termo de Inicio de Fiscalização n° 246/08 a apresentar as cópias de todos os contratos de trabalho firmados no Brasil e no exterior, referentes aos anos calendário 2004, 2005 e 2006. Com base na documentação apresentada às fls. 63 a 189, 381 a 480 e 584 a 721, a autoridade lançadora apurou o recebimento dos seguintes rendimentos tributáveis recebidos no exterior, parte deles não declarados pela interessada e objeto da autuação: Tocante à compensação do imposto pago no exterior, foram observados os acordos e tratados internacionais firmados entre o Brasil e o pais de origem dos rendimentos e a reciprocidade de tratamento. Esclarece a autoridade lançadora que, apesar da contribuinte ter apresentado comprovantes de pagamento de impostos no exterior referentes aos anos calendário de 2005 a 2006 (fls. 587, 588, 603, 618, 648, 617, 646, 476, 760, 763, 617, 646, 747, 669, 668, 669, 688, 671, 752, 757, 670 e 690), esses valores não foram considerados no lançamento para fins de compensação, uma vez que a interessada apresentou as declarações dos anoscalendário 2005 e 2006 no modelo simplificado (fls. 12 e 17). Com relação ao ano calendário 2004, a contribuinte compensou R$ 1.012.038,64 a titulo de imposto pago no exterior (fl. 07), mas só apresentou a comprovação de R$ 175.759,51 (fls. 937, 930, 931, 932, 465, 475, 765 a 779). A Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11516.001908/200993 Resolução nº 2202000.539 S2C2T2 Fl. 4 3 compensação indevida resultou em notificação de lançamento processo administrativo fiscal n ° 11516.001911/200915. 2. Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais Relata a autoridade lançadora que em 15/10/2001 a contribuinte adquiriu um terreno urbano, designado por área 24 Condomínio horizontal unifamiliar Vilas do Porto Aldeia 3 Porto da Lagoa Lagoa da Conceição Florianópolis (SC) pelo custo de R$ 36.290,00, tendo alienado esse imóvel em 31/08/2005 pelo valor de R$ 525.000,00 e, conforme manifestado pela interessada (fl. 68), não houve a apuração do ganho de capital. Foi então apurado o ganho de capital conforme demonstrativo de fls. 946 e 947 e lançado o imposto de R$ 62.207,89, de acordo com a legislação tributária aplicável. 3. Ganhos de Capital na alienação de bens e direitos 3.1 Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira. A contribuinte adquiriu em 05/11/2002 um apartamento na cidade de New York City, NY, EUA, pelo custo de US$ 695.000,00 com despesas de aquisição de US$ 14.190,00, o qual foi alienado em 19/10/2005 pelo valor de US$ 1.160.000,00 com despesas de alienação de US$ 98.195,00. Consta que a contribuinte não informou o ganho de capital na declaração de ajuste anual do IRPF 2006, anocalendário 2005, tampouco houve a comprovação do recolhimento do imposto devido (fl. 952). Foi apurado o ganho de capital de acordo com a legislação aplicável, conforme demonstrativo de fls. 948 a 950, obtendose a base de cálculo de R$ 640.472,00 e o imposto devido sobre o ganho de capital de R$ 96.700,94. 3.2. Omissão de juros recebidos em conta remunerada mantida no exterior. Com base nos documentos apresentados pela contribuinte, constatou se que ela obteve rendimentos relativos a juros recebidos em conta bancária no exterior (fls. 282 a 380), o qual implica na apuração de ganhos de capital. Foi elaborada, com base nos extratos apresentados pela contribuinte, a planilha de fls. 724 a 725, que demonstra os valores dos juros convertidos em reais. Intimada (fls. 722) a comprovar o pagamento de impostos relativo ao ganhos de capital referente aos juros recebidos nos anoscalendário 2004 e 2005, a interessada alegou que não conseguiu obter os comprovantes com os Bancos nos EUA, muito embora os impostos Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11516.001908/200993 Resolução nº 2202000.539 S2C2T2 Fl. 5 4 devidos tenham sido descontados diretamente nas suas contas bancárias. Como tais descontos não foram localizados nos extratos bancários apresentados à fiscalização (fls. 282 a 380), foi efetuado o lançamento referente ao ganho de capital. 4. Dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente (ajuste anual). Dedução indevida de dependente. A contribuinte informou como dependente na DIRPF 2005, anocalendário 2006, sua mãe Maribel Bergossi, CPF n° 394.125.04934. Na autuação, foi procedida a glosa dessa dedução, porquanto a citada dependente apresentou declaração de ajuste anual em seu próprio nome e não poderia ser considerada dependente na DIRPF da filha. 5. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Conforme as informações prestadas por instituições financeiras (fls. 12, 17 e 22), a contribuinte movimentou nos anos de 2005 e 2006 recursos que ultrapassaram 10 (dez) vezes o total dos rendimentos declarados. No ano de 2005, foram movimentadas nas instituições financeiras Banco do Brasil, CNPJ 00.000.000/000191, HSBC Bank Brasil S.A., CNPJ 01.701.201/000189, e Banco Bradesco, CNPJ 60.746.948/0001 12, quantias que totalizaram R$ 2.941.282,26 (fls. 22, 25 e 26), mas a interessada informou na sua declaração de ajuste anual do imposto de renda rendimentos que somaram R$ 31.200,74 (fl.12). Da mesma forma, no ano de 2006, foram movimentados R$1.361.334,01 nas contas bancárias da contribuinte (fls. 22, 27, 28 e 29), mas os rendimentos declarados totalizaram R$ 86.945,77 (fl. 17). Assim, por meio do Termo de Inicio de Fiscalização n° 246/08 foi solicitado à contribuinte a apresentação dos extratos bancários e também a comprovação da origem dos recursos movimentados referente aos períodos de 01/2005 a 12/2005 e 01/2006 a 12/2006 (fls.59 a 62). Em atenção, a mesma apresentou os documentos de fls. 63 a 523 e prestou os seguintes esclarecimentos à fl. 67: "No ano calendário de 2005, a razão da movimentação bancária da declarante ter sido muito superior aos valores de sua renda auferida no mesmo exercício reside no fato do uso, através do sistema bancário, do dinheiro em espécie que se encontrava em poder da declarante já desde o ano anterior, em moeda nacional e em dólares americanos, devidamente declarado no IRPF do ano calendário de 2004, além da venda do bem imóvel situado na Rod. SC 405, Rio Tavares, Florianópolis/SC, adquirido por Benoit Cousin, CPF 059.755.80781, pelo valor de R$ 525.000,00 (quinhentos e vinte e cinco mil reais)". Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11516.001908/200993 Resolução nº 2202000.539 S2C2T2 Fl. 6 5 "[...] da mesma forma, no ano calendário de 2006, a razão da movimentação bancária da declarante ter sido muito superior aos valores de sua renda auferida no mesmo exercício reside também no fato do uso, através do sistema bancário, do dinheiro em espécie que encontravase em poder da declarante já desde os anos anteriores, em moeda nacional e em dólares americanos, devidamente declarado nos IRPFs dos anos calendário de 2004 e 2005". Acontece que na declaração de bens e direitos dos exercícios de 2006 e 2007 (anos calendário de 2005 e 2006) o montante de dinheiro em espécie em poder da declarante permaneceu constante, entendendo a autoridade lançadora que a resposta da contribuinte não foi suficiente para justificar a origem dos recursos movimentados. Assim, foram elaboradas planilhas (fls. 571 a 576) com base nos extratos bancários apresentados pela contribuinte, referentes aos anos calendário de 2005 e 2006 (fls. 199 a 281, 497 a 508, 513 a 523), e, por meio da Intimação n° 514/08 a mesma foi reintimada a informar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias nos anos de 2005 e 2006 (fls. 569 a 570). Em resposta A Intimação n° 514/08, a contribuinte prestou a seguinte informação: "A origem dos recursos depositados nas contas correntes de sua titularidade, conforme as planilhas `Depósitos Bancários sem origem' e `Depósitos sem origem em contas no exterior', anexas A intimação referida, são os trabalhos realizados pela declarante no exterior, e os respectivos rendimentos desses trabalhos, ou seja, depois de receber no exterior os valores decorrentes dos trabalhos que lá realizava, a declarante mandava dinheiro para suas contas bancárias no Brasil para pagar suas obrigações e eventuais compromissos financeiros aqui (no Brasil) assumidos; do mesmo modo, todos os depósitos feitos em conta no exterior são provenientes dos trabalhos realizados pela declarante no exterior, como informado e demonstrado pelas suas declarações de renda feitas ao Fisco dos EUA" (fl. 582). Todavia, no comparativo dos dados constantes nos extratos bancários (fls. 199 a 380; 497 a 508; 513 a 523) com as informações contidas nos relatórios "Women Amministrazione" (fls. 590 a 591; 604 a 606), "Bulletin de paie" (fls. 593 a 594; 607 a 610), "Models Jobs Statement" (fls. 382 a 386), e "Model Statement Details" (fls. 623 a 643; 653 a 665; 677 a 683; 701 a 703) verificou a fiscalização que não há coincidência de datas e valores entre os pagamentos e os depósitos, não sendo possível vincular os rendimentos do trabalho de modelo com os depósitos efetuados nas contas bancárias da contribuinte fiscalizada. Cientificada (fl. 722), a interessada informou que: "com referência aos depósitos relacionados na planilha 'Depósitos bancários sem origem em contas mantidas no Brasil', como já foi informado anteriormente foi a própria contribuinte que realizou referidos depósitos, nos anos de 2005 e 2006, notadamente quando precisou fazer a troca de moeda estrangeira (dólares americanos) por moeda nacional para fazer frente aos seus compromissos, convindo lembrar que a moeda estrangeira que estava em seu poder foi declarada no ano exercício de 2004; Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11516.001908/200993 Resolução nº 2202000.539 S2C2T2 Fl. 7 6 contudo, a contribuinte não tem mais em seu poder os comprovantes dos depósitos realizados" (fls. 744 e 745). Sobre a posse dos recursos em moeda americana no ano 2004, a contribuinte prestou o seguinte esclarecimento: "a declarante não possui nenhuma comprovação da posse dos recursos em moeda americana no ano de 2004, no valor de US$ 300,000.00 (trezentos mil dólares americanos), pois sempre ganhou aos poucos, e por isso, sempre trouxe aos poucos do exterior, sempre em quantias inferiores a US$ 10,000.00 (dez mil dólares), o que a desobrigava de qualquer declaração na entrada do Pais; foram inúmeros os trabalhos feitos no estrangeiro e inúmeras viagens (o que pode ser constatado pelas informações de saída e de regresso da declarante ao Pais durante o ano de 2004), e a declarante foi juntando todo esse dinheiro aos poucos e, por fim, cumpriu com sua obrigação legal de declarar à Receita Federal do Brasil todo o montante (fl. 582)". Apesar de a contribuinte alegar o porte de moeda estrangeira em espécie, não houve a comprovação da operação de câmbio. Consta, ainda, que a explicação da contribuinte não foi aceita para justificar os depósitos nas contas bancárias mantidas no Brasil porque não é crivei que ela tenha realizado tantas viagens. Exemplifica a fiscalização, nesse sentido: "em setembro de 2006 o total depositado foi de R$ 174.936,44 (fl. 941). Se a contribuinte portava menos de R$ 10,000.00 em cada viagem, seriam necessárias 17 viagens para o Brasil, ou seja, no mínimo 33 viagens no trecho Brasil EUA. Se considerarmos que o tempo de vôo de São Paulo a Nova York é de 9 horas, seriam necessárias 297 horas para a realização das viagens (41% do tempo disponível no mês)". Discorre ainda a fiscalização, que conforme o disposto no art. 65 da Lei 9069, de 29 de junho de 1995, o porte de moeda estrangeira em espécie estava limitado a R$ 10.000,00 e observa que na declaração de bens e direitos contida na declaração de ajuste anual do IRPF 2005 (fl. 09) a contribuinte informou a posse de dinheiro em espécie em moeda americana, em 31/12/2004, no valor de US$ 300,000.00 (R$ 839.490,00), mas na declaração de bens do ano seguinte não existe nenhuma informação sobre a posse de moeda americana (fls.13 e 14), destacando, ainda, que não foi apresentado nenhum outro documento para comprovar a posse de US$ 300,000.00 em 31/12/2004. Com relação aos depósitos nas contas bancárias mantidas nos EUA, a contribuinte informou que os valores depositados no ano de 2005 (US$ 284,712.74; US$ 276,989.52; US$ 91,680.75) referemse à venda de um imóvel localizado na 330 East 38th Street, em Nova York (fl.782), e que o depósito realizado no dia 06/12/2006, no valor de US$ 38.586,00, foi decorrente de restituição de imposto estadual (fl. 954). A interessada também apresentou uma declaração do banco HSBC na qual consta que os depósitos com os históricos "CAMBIO FINANC" e "CAMBIO EXPORT" registrados na conta 01342336507 referemse às remessas efetuadas do exterior (fl.784). Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11516.001908/200993 Resolução nº 2202000.539 S2C2T2 Fl. 8 7 Além disso, declarou que os valores depositados no ano de 2006, notadamente os depósitos de US$ 100,000.00 referemse a adiantamentos de pagamentos feitos pela agência Women (fl. 782). Considerando as informações disponíveis, a autoridade lançadora procedeu revisão da planilha de depósitos sem origem (fls. 938 a 943) e efetuou o lançamento por omissão de rendimentos com base na presunção legal para os depósitos sem comprovação de origem, os quais se encontram listados as fls. 984 a 985, com base no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. 6. Multa isolada Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de caraleão. O autuante efetuou o lançamento da multa isolada decorrente da falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carneledo, em virtude das omissões de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Intimada, a contribuinte não apresentou comprovação do recolhimento do carneleão a que estava sujeita mensalmente na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988. A fl. 992 consta o valor do imposto referente ao carneleão, calculado com a aplicação da tabela progressiva mensal e o lançamento referente à multa isolada calculada sobre esse valor (50%). Consta ainda do mesmo relatório, que foi elaborada representação fiscal para fins penais, por haver indícios de crime contra a ordem tributária. Em 15/06/2009, a contribuinte, mediante procurador constituído (fl. 1041), apresenta a impugnação de folhas 1.020 a 1.040, na qual, após resumo das infrações imputadas, apresenta suas razões. Tocante aos FATOS, alega, em síntese: 1. Rendimentos recebidos de fontes do exterior Afirma que não é possível inferirse com clareza absoluta das planilhas elaboradas pela fiscalização os valores mencionados no auto de infração. Nesse sentido, questiona como a planilha de fl. 934, na qual foram consolidados todos os rendimentos recebidos pela impugnante no exterior no ano de 2004, traz o montante total de R$ 4.788.690,48, enquanto a autoridade fiscal considerou o valor de R$ 5.402.043,09 para lavratura do AI. Disso também decorre o erro no valor apurado de R$ 1.721.902,60 a titulo de rendimentos omitidos pela impugnante no ano de 2004. Aduz que os vultosos valores apontados como rendimentos recebidos pela impugnante no exterior nos anos calendário 2005 e 2006, de R$ 2.638.707,49 e R$ 1.075.976,21, respectivamente, não condizem com os valores informados nas declarações do imposto de renda norte americano, tampouco com a documentação apresentada, sendo impossível saber como a autoridade lançadora chegou a esse montante. Por tais motivos e devido à complexidade dos cálculos, é imperiosa a realização de perícia, o que desde já requer. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11516.001908/200993 Resolução nº 2202000.539 S2C2T2 Fl. 9 8 Tocante aos comprovantes de pagamento de impostos no exterior apresentados na ação fiscal e não considerados na apuração do imposto lançado, alega a flagrante dupla tributação(bis in idem), uma vez que a autoridade lançadora está exigindo os impostos mesmo tendo a contribuinte apresentado os comprovantes de pagamento, pelo simples fato de ter cometido o equivoco de apresentar suas declarações no modelo simplificado. Em relação à alegada 'compensação Indevida' no ano calendário de 2004, que resultou em notificação de lançamento no Processo Administrativo Fiscal n° 11516.001911/200915, destaca que a autoridade fiscal desconsiderou os documentas de folhas 25 a 34 (com tradução juramentada as folhas 35 a 41) e 42 a 55 (com tradução juramentada às folhas 56 a 71) do referido feito fiscal, que comprovam cabalmente o recolhimento total de US$ 300.611,00 (trezentos mil, seiscentos e onze dólares norteamericanos) nos Estados Unidos da América e não apenas US$ 36.001,07 (trinta e seis mil e um doláres norte americanos e sete centavos), como concluído as folhas 87 e 90. Particularmente os documentos de folhas 45 e 46 (com tradução juramentada As folhas 60 e 61) do referido processo, que comprovam o recolhimento de US$ 263.000,00 (duzentos e sessenta e três mil dólares norte americanos) aos Estados Unidos da América, foram ignorados pela fiscalização no demonstrativo de folhas 87 e 90 do mencionado Processo Administrativo Fiscal n° 11516.001911/200915. Considerandose esses documentos, estará devidamente comprovada a correta compensação do valor de R$ 1.012.038,64 (um milhão, doze mil e trinta e oito reais e sessenta e quatro centavos), tendo em conta a conversão pelas respectivas taxas de câmbio. 2. Ganhos de capital na alienação de bens e direitos. Quanto à omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais, alega a impugnante que informou expressamente à folha 744 que arcou com as despesas de pagamento da comissão de corretagem de 6% (seis por cento) ao corretor que intermediou o negócio, uma vez que era sua obrigação legal, de acordo com o artigo 725 do Código Civil, todavia, a autoridade lançadora desconsiderou essa informação e não abateu nos cálculos os valores pagos a esse titulo. Lembra que por se tratar de obrigação legal, não cabe exigir prova concreta do referido pagamento, tendo em vista a presunção legal do mesmo, conforme disposto no art. 334, IV, do Código de Processo Civil Brasileiro. Portanto, está incorreta a apuração dos referidos valores. Em relação A omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira assevera que também informou expressamente, à folha 952, que o pagamento do Imposto nos Estados Unidos da América referente ao ganho de capital sobre a venda do Imóvel localizado na 330 East 38th Street, em Nova York, está sendo apurado, em sede de recurso administrativo, motivo pelo qual ainda não foi pago, mas, tão logo seja corretamente apurado, referido Imposto será pago naquele pais. Acrescenta que a legislação fiscal norteamericana prevê a dedução de US$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil dólares) na base de cálculo Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11516.001908/200993 Resolução nº 2202000.539 S2C2T2 Fl. 10 9 do ganho de capital proveniente da venda da residência principal. Tal previsão encontrase expressa na Seção 121 do Código Fiscal norte americano (United States Internal Revenue Code), a legislação que rege o sistema fiscal dos EUA. Esta informação também foi transmitida expressamente pela impugnante à autoridade fiscal, que, entretanto, desconsideroua totalmente na apuração do quantum. Entende que nessas circunstâncias, e mesmo a despeito da incorreta apuração do valor do imposto, não se pode exigir da Impugnante o pagamento deste imposto se é certo que ele será exigido pelo governo norteamericano, sob pena de incorrer em dupla tributação. Diz estar caracterizada hipótese de prejudicialidade externa, uma vez que, tendo em vista a localização do imóvel no território norte americano, antes da correta apuração e respectivo pagamento nos Estados Unidos da América, do imposto referente ao ganho de capital sobre a venda do imóvel acima citado, não se pode exigir da Impugnante o pagamento deste imposto. Quanto a ultima omissão, de juros recebidos em conta remunerada mantida no exterior, argumenta que embora não tenha obtido os comprovantes com os bancos dos EUA, conforme esclarecido A. fl. 744, todos os impostos foram devidamente descontados diretamente das contas da impugnante, tratandose de fato público e notório, conforme disposto no art. 334, I, do CPC, que, no mundo inteiro, todo e qualquer valor creditado pelo banco na conta corrente do cliente, decorrente do pagamento de juros, tratase de valor liquido, ou seja, descontados os impostos devidos. 3. Dedução indevida de dependente Alega que de fato sua mãe Maribel Bergossi Fontana é sua dependente, vez que arca com o sustendo da mesma conforme já informado a fl. 66, requerendo a improcedência da infração. 4. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Relata as comunicações entre a autoridade lançadora e transcreve os esclarecimentos prestados na oportunidade. Acrescenta que, além dessas informações, apresentou, a fl. 784, uma carta do Banco HSBC, declarando que os lançamentos feitos em sua conta corrente sob as expressões "CAMBIO FIANC" e "CAMBIO EXPORT" referemse a valores oriundos de transferências do exterior, comprovando, cabalmente, que a origem dos recursos depositados nas contas correntes de sua titularidade foram os trabalhos realizados no exterior. Alega o bis in idem, posto que os rendimentos recebidos no exterior e enviados para suas contas bancárias no Brasil serão duplamente tributados, no caso, como "rendimentos recebidos de fontes no exterior" e como "depósitos bancários de origem não comprovada". Cita precedente do Conselho de Contribuintes segundo o qual a "dupla penalização sobre a mesma base de cálculo, envolvendo o mesmo fato jurídico, não encontra amparo em nosso ordenamento jurídico" (1° CC — 2a Camara — Ac. 10248728/2007). Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11516.001908/200993 Resolução nº 2202000.539 S2C2T2 Fl. 11 10 5. Multa isolada. Falta de Recolhimento do IRPF a titulo de carnê leão. Discorre que o egrégio Conselho de Contribuintes tem entendimento sedimentado no sentido da inaplicabilidade de multa de oficio e da multa isolada concomitantemente, pela evidente e inquestionável ausência de amparo legal, em nosso ordenamento jurídico para a dupla penalização sobre a mesma base de cálculo, envolvendo o mesmo fato jurídico. Transcreve acórdãos e requer sua exclusão. No item II de sua impugnação, discorre a interessada quanto ao DIREITO E DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS, expondo as razões abaixo sintetizadas: Repisa que seu direito fundase no principio da proibição de dupla tributação que rege o sistema tributário brasileiro, bem como na previsão expressa de compensação do imposto pago no exterior trazida pela Instrução Normativa SRF n°. 15/2001, nos artigos 24, 29 e 36, especialmente. Em face do Ato Declaratório SRF n° 28/2000, que permite a compensação no Brasil do imposto pago nos Estados Unidos da América, por reciprocidade de tratamento e do Decreto n°. 70.506/72 e Lei Federal n°. 9.250/95, que estabelecem expressamente a compensação (e sua devida forma) dos impostos pagos no exterior, notadamente na França e nos Estados Unidos da América, a impugnante tem o direito de compensar os impostos pagos nos EUA, em sua integralidade, até o limite correspondente a diferença entre o imposto calculado com a inclusão dos rendimentos la auferidos e do imposto calculado sem inclusão desses rendimentos; e, ainda, os Impostos pagos na França, até o limite equivalente a fração do imposto brasileiro correspondente a participação dos rendimentos la auferidos na renda tributável no Brasil. Pelo mesmo fundamento a proibição de dupla tributação, defende seu direito de compensar os impostos pagos no exterior no anocalendário de 2004, no valor de R$ 1.012.038,64, conforme sua DIRPF. No que refere aos ganhos de capital com a alienação de bens e direitos adquiridos em reais e em moeda estrangeira, dos juros em conta remunerada mantida no exterior, dedução indevida de dependente, depósitos bancários de origem não comprovada e multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêledo, repisa os argumentos já transcritos no item 2, acima. No item III, requer a produção de todos os meios de provas em direitos admitidas que se façam necessárias no decorrer do processo. No item IV requer a realização de perícia contabil, indicando contador e apresentando quesitos. Ao final, requer seja acolhida a impugnação e cancelado ou anulado o lançamento. Conforme termo de juntada de documentos, fl. 1054, foi anexada aos autos manifestação subscrita por procurador também constituído pela Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11516.001908/200993 Resolução nº 2202000.539 S2C2T2 Fl. 12 11 impugnante, Dr. Fábio Lugari Costa (fls. 1055 a 1070), datada de 23 de junho de 2009, onde são reforçados os argumentos já apresentados na impugnação, acrescentando que possui outros documentos a serem apresentados, em face do que requer a suspensão do processo pelo prazo de 90 dias para anexação dos mesmos. Aponta, ainda, que o lançamento ofendeu aos princípios constitucionais da legalidade, segurança jurídica e da razoabilidade em face do uso das presunções legais no âmbito do direito tributário, e defende a inconstitucionalidade do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Em 01/09/2010, por intermédio do procurador acima indicado, a impugnante atravessou aos autos outra manifestação, onde aponta erro por parte da fiscalização na consolidação dos valores referentes aos rendimentos recebidos no exterior no ano calendário 2004, mesmo argumento já constante da impugnação de fls. 1024 a 1040; tocante a omissão de juros recebidos em conta remunerada mantida no exterior, pede que seja observada a Instrução Normativa n° 599, de 28 de setembro de 2005, que isenta as operações de até R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais) por mês do ganho de capital, e, quanto a essa infração, aduz que houve um ardil por parte da autoridade lançadora, ao inserir o valor de R$ 640.472,97 a fl. 977 do AI, quando, a fl. 976, indicou que o valor referente a mês de outubro de 2005 seria de R$ 1.997,53. Tocante aos depósitos bancários de origem não comprovada, apresenta razões de direito para afastar o procedimento da autoridade lançadora, questionando, novamente, a presunção. Requer, ao final, a conversão do feito em diligência para melhor se apurar o ocorrido. A DRJ julga a impugnação procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO EXTERIOR. TRATAMENTO FISCAL. Os rendimentos comprovadamente omitidos na declaração de ajuste, detectados em procedimento de oficio, serão adicionados A. base de cálculo declarada, para efeito de cálculo do imposto devido. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. ACORDO. RECIPROCIDADE DE TRATAMENTO. As pessoas fisicas que declarem rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir do imposto apurado na declaração de ajuste, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, quando estiverem em conformidade com o previsto no acordo ou convenção internacional fixado corn o pais de origem dos rendimentos (se não houver sido restituído ou compensado naquele pais) ou quando haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. DECLARAÇÃO DE AJUSTE a ANULA NO MODELO SIMPLIFICADO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11516.001908/200993 Resolução nº 2202000.539 S2C2T2 Fl. 13 12 0 contribuinte que deseje compensar imposto pago no exterior não pode optar pela Declaração Simplificada. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR. PAGAMENTO MENSAL DO TRIBUTO. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de fontes situadas no exterior rendimentos que não tenham sido tributados na fonte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de deposito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de forma individualizada. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. PAIS. Os pais podem ser considerados como dependente, para fins de dedução na declaração de ajuste anual, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊLEÃO. devida a multa isolada concomitantemente com a multa sobre o imposto suplementar apurado na declaração, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão), que deixar de fazêlo, por serem penalidades que têm por origem fatos distintos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ONUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. 0 conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11516.001908/200993 Resolução nº 2202000.539 S2C2T2 Fl. 14 13 PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. 0 prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. PERÍCIA. Cabe ao julgador administrativo apreciar o pedido de realização de perícia, indeferindoo se a entender desnecessária, protelatória ou impraticável, ou ainda, não conhecêlo quando o requerimento não preencher os requisitos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. Enfatiza os seguintes pontos: Da ofensa ao contraditório, ao principio da ampla defesa e ao princípio da verdade material, tendo em vista que os seu pedido de perícia foi indeferida; Dos rendimentos recebidos de fontes no exterior – Omissão de rendimentos de fontes no exterior efetivamente erro por parte da fiscalização na consolidação dos valores referentes aos rendimentos recebidos no exterior no ano de 2004. Na planilha consolidada (e não comprovada) pela fiscalização indica o montante de R$ 4.788.690,48 (quatro milhões, setecentos e oitenta e oito mil, seiscentos e noventa reais e quarenta e oito centavos), quando no auto de infração consta o valor de R$ 5.402.043,09 (cinco milhões, quatrocentos e dois mil, quarenta e três reais e nove centavos). Portanto, nos termos da defesa apresentada pela contribuinte existe um erro no valor de R$ 1.721.902,60 (um milhão, setecentos e vinte e um mil, novecentos e dois reais e sessenta centavos) a titulo de "rendimentos omitidos" no ano de 2004. O contribuinte requer a nulidade do auto de infração, uma vez que a fiscalização contemplou de maneira equivocada (regime de competência) os valores recebidos pela recorrente, quando na verdade, com base na legislação tributária vigente, deveria ter sido contemplado o regime de caixa, adequado e aplicável às pessoas físicas. As operações de remuneração de conta remunerada, além de já terem sido tributadas nos EUA, pelos valores apresentados nas planilhas de fls. 944 e 945 são isentas, nos termos da legislação tributário aplicável. É imprescindível a prova da utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. No que toca ao ganho de capital, indica que arcou com comissão de corretagem de 6 %, ao corretor que intermediou a venda do imóvel, e que a mesma não foi considerada; Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11516.001908/200993 Resolução nº 2202000.539 S2C2T2 Fl. 15 14 A legislação fiscal norteamericana prevê a dedução de US$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil dólares) na base de cálculo do ganho de capital proveniente da venda da residência principal. Tal previsão encontrase expressa na Seção 121 do Código Fiscal norteamericano (United States Internal Revenue Code), legislação que rege o sistema fical dos EUA. O fato da Sra. Maribel Bergossi ter apresentado declaração de imposto de renda não exclui a questão fática, de que a recorrente sustenta financeiramente sua mãe. Questiona a concomitância da multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a tíulo de carnê leão, com a multa de ofício. As fls. 1138 a 1139, por despacho ocorreu o sobrestamento do processo pois teria sido entendido que o foram acostados nos autos extratos bancários mediante solicitação de emissão de requisição de movimentação financeiro (RMF). Entretanto em análise posterior, notouse que os extratos bancários foram trazidos pela própria recorrente. Não sendo nesse contexto caso de sobrestamento. As fls.1140 a 1143 se noticia da revogação do poderes anteriormente concedidos ao advogado. As fls, 1146 e 1147, novo patrono assume o papel no processo, representando a contribuinte Em razões finais datada de 04/02/2013, a recorrente apresenta o que seriam inconsistências do lançamento e apresenta diversas razões adicionais para análise deste conselho. As razões adicionais são protocoladas as fls 1620 a 1672 (do processo digital) Que a fiscalização tributária durante o procedimento realizado para apuração dos rendimentos auferidos pela recorrente no exterior acabou por incorrer em equívocos na apuração da base de cálculo. Que a fiscalização no lançamento teria adotado o regime de competência, quando o correto seria que tivesse sido aplicado o regime de caixa. Nesse sentido tenta explicitar com exemplos numéricos o equivoco que teria sido cometido quando do lançamento tributário. Indica desse modo que tendo em vista o equivoco cometido, não é possível o aproveitamento do lançamento, pois implicaria em mudança de critérios jurídicos. Indica que o modelo utilizado de declaração decorre de vício de vontade; Aponta que ao contrario do que foi afirmado pela fiscalização a recorrente possuiria rendimentos suficientes para justificar os depósitos no Brasil. Indica que na apuração dos rendimentos deveria se abater as despesas internacionais, apurandose os rendimentos liquido antes de descontar o IR fonte. Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11516.001908/200993 Resolução nº 2202000.539 S2C2T2 Fl. 16 15 No que se refere aos juros indica que os rendimentos decorrente de conta poupança no exterior são isentos do pagamento do imposto de renda, a exemplo do que ocorre nos depósitos no Brasil; Em função das razões adicionais apresentadas e da ausência de um dos volumes do processo em fevereiro de 2013, o processo foi retirado de pauta para que fosse anexado ao mesmo volume ausente e para que fosse dado vistas a procuradoria em função da razões adicionais. Incorporado o volume ausente, a procuradoria se manifesta em despacho de fls. 1673 a 1680. A procuradoria alerta que a recorrente não observa, com o devido respeito, o processo administrativo fiscal que determina a concentração de alegações e provas. Entende que a contribuinte não é ofertada a possibilidade de se insurgir indefinidamente, por sucessiva e reiteradas vezes, à cobrança lançada pelo fisco, sob pena de o processo não caminhar, e vulnerar o princípio constitucional da duração razoável do processo. Argumenta pela preclusão do direito do contribuinte de apresentação de novas provas documentais, de sorte que os documentos acostados aos autos com a petição protocolada em 20/03/2013 não devem ser conhecidos; Registra que houve inovação nas alegações suscitadas no aditamento do recurso voluntário, em comparação àquelas apresentadas por ocasião da impugnação, e mesmo trazidas quando da interposição do recurso. Em suma o contribuinte inovou no objeto litigioso, trazendo novas argumentações; Indica que a apreciação dessas matérias ( que não se configuram como de ordem pública) resultaria em contrariedade aos princípios da eventualidade e do ônus da impugnação específica; Desse modo, o colegiado não deve considerar os aditamentos ao recurso voluntário, uma vez que afrontosos ao devido processo administrativo fiscal. Porém se assim não entender o julgador, os autos devem ser remetidos à 1ª. Instância para apreciação do feito pela autoridade julgadora de piso, sob pena de supressão de instância. Em 18/04/2013, a recorrente apresenta novo aditamento ao Recurso Voluntário, onde solicita que seja considerada a decisão da Corte Administrativa Superior dos Estados Unidos, sendo que ela tem caráter definitivo, no que toca ao ganho de capital na alienação de bens e direitos em moeda estrangeira, trazendo prova do recolhimento do imposto relativo ao ganho de capital verificado na alienação do imóvel em New York. É o relatório. Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11516.001908/200993 Resolução nº 2202000.539 S2C2T2 Fl. 17 16 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A recorrente argumenta que teriam ocorrido erros na base de cálculo no relativo à infração, omissão de rendimento no exterior, que comprometeria o lançamento: Que os rendimentos de 2004 seriam menores, pois a apuração da fiscalização teria utilizado o regime de competência, quando o correto seria operar pelo regime de caixa. Nesse sentido indica que teria ocorrido um lançamento a maior no ano calendário de 2004. Indica que as mesmas circunstâncias teriam ocorrido ao longo dos exercícios de 2005 e 2006, quando teriam sido considerados rendimentos de outros períodos. Adicionalmente, argumenta que alguns depósitos teriam sido contabilizados em duplicidade, bem como algum dos rendimentos deveriam ter sido tratados como reembolsos de despesas. É importante destacar que no processo a recorrente foi a responsável por trazer todos os documentos ao processo e com base neles, fundamentouse o lançamento. A recorrente em seu recurso reitera a necessidade pela realização de diligência para verificação e confirmação dos fatos, visando resguardar o principio da verdade material. Diante dos fatos, para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para a repartição de origem para que : 1 – A contribuinte seja intimada a apresentar minuciosamente quais foram efetivamente os rendimentos, recebidos de fontes pagadoras no exterior nos anos calendários de 2004, 2005 e 2006, justificando a sua distribuição entre os anos calendários, enumerando uma eventual dupla contagem com depósitos bancários e eventuais erros de transcrição, tais como alegado em seu recurso; 2 – Que a fiscalização aprecie a relação indicada pela recorrente e a documentação de suporte, realize intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento sobre os rendimentos propostos pela recorrente; 3 – Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre a validade das alegações efetuadas no recurso em face dos elementos coletados na diligência no que toca a omissão de rendimentos no exterior, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 14337.000216/2010-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.169
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Ivacir Júlio de Souza Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 10950.902903/2009-98
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado
Numero da decisão: 1802-001.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 100 1 99 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.902903/200998 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802001.823 – 2ª Turma Especial Sessão de 10 de setembro de 2003 Matéria IRPJ Recorrente BONADIO, FAVARON & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 29 03 /2 00 9- 98 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba – DRJCTA, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta, não homologando a declaração de compensação número 07345.90110.121206.1.7.043360. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o processo de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 07345.90110.121206.1.7.043360, às fls. 01/05, em que foram declarados credito de pagamento indevido de estimativa de IRPJ (código 2362) do período 05/2005, pago em 30/06/2005, no valor originário de R$ 1.816,26, e débito de estimativa de IRPJ (código 5993) do períodos 01/2006. 2. Conforme Despacho Decisório emitido pela DRF/Maringá, em 20/04/2009, à fl. 06, a autoridade fiscal não homologou a compensação. Cientificado da decisão em 30/04/2009, conforme informação de fl. 09, tempestivamente, em 01/06/2009, o contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 10/13, acompanhada dos documentos de fls. 14/76, que se resume a seguir: a. Alega que, no ano calendário de 2005, optou pelo lucro real anual, e efetuou, nos períodos de janeiro a agosto, pagamentos de IRPJ por estimativa com base na receita bruta, e a partir de setembro, levantou balancetes de suspensão, pois os valores pagos com base na receita bruta já superavam o IRPJ devido, apurado com base no lucro real; b. Explica que, nos meses de março, abril, maio, junho e julho de 2005, os pagamentos por estimativa foram feitos em valores superiores aos devidos com base na receita bruta, e estes excessos não foram utilizados no final do período de apuração, ou seja, em dezembro de 2005, tampouco compuseram o saldo negativo do IRPJ do período, apurado na DIPJ/2006, portanto, sem qualquer sombra de dúvida, tratamse de pagamentos indevidos; c. Esclarece que os valores efetivamente devidos durante o ano calendário de 2005 foram regular e tempestivamente declarados nas DCTFs dos primeiro e segundo semestres, bem como na DIPJ do ano; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10950.902903/200998 Acórdão n.º 1802001.823 S1TE02 Fl. 101 3 d. Afirma que os créditos gerados pelos pagamentos indevidos em questão foram utilizados em compensações através das Per/Dcomps: 10946.60190.121206.1.7.042276, 42767.79730.171007.1.7.044108, 07345.90110.121206.1.7.04 3360, 21912.97327.121206.1.7.046259 e 31928.77930.121206.1.7.047603, com débitos de IRPJ e CSLL devidos a partir do período de apuração janeiro/2006, portanto, as compensações somente se efetivaram a partir do exercício seguinte; e. Anexa demonstrativo dos pagamentos a maior e das compensações por período de apuração; f. Frisa que a autoridade fiscal não contestou os valores pagos, cujos recolhimentos geraram os créditos, depreendendose serem os mesmos procedentes, e portanto, compensáveis; g. Para a compensação de que houve pagamentos a maior, junta cópia das fichas relativas ao IRPJ da DIPJ/2006, das DCTFs do primeiro e segundo semestres de 2005 e do livro razão do ano 2005, onde se encontram escriturados os valores devidos e efetivamente recolhidos a titulo de IRPJ, bem como os valores pagos indevidamente; h. Reclama que o auditor fiscal não homologou as compensações sob a alegação de se tratarem os créditos de pagamentos por estimativa, os quais só poderiam ser utilizados no mês de dezembro ou para compor o saldo negativo do IRPJ do próprio exercício; i. Reitera que não se tratam meramente de pagamentos por estimativa, mas sim de pagamentos por estimativas indevidos, ou seja, pagos cm valores maiores que os devidos por estimativa; j. Acrescenta que no ano 2005, já no mês de agosto, havia pago IRPJ em valor superior ao efetivamente devido com base no lucro real, fato que se repetiu nos meses seguintes; e que na DIPJ não lid linhas disponíveis para lançamentos de valores pagos a maior que os devidos por estimativa; k. Questiona se os valores pagos e comprovadamente indevidos não poderão ser compensados com débitos mesmo que de exercícios futuros; 1. Aduz que os créditos utilizados nas Per/Dcomps originaram se de pagamentos de tributos federais (IRPJ) a maior ou indevidamente, portanto, passíveis de compensação, conforme preceitua o art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637/2002; m. Requer a homologação das compensações e anexa documentos. 3 É o relatório.” Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 4 Em sua decisão, a DRJCTA houve por bem não reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, conforme ementa transcrita abaixo: “COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. VIGÊNCIA DA 1N/SRF N° 600/2005. IMPOSSIBILIDADE. Na vigência da IN/SRF n° 600/2005, o pagamento indevido de estimativas de IRPJ ou CSLL somente poderá ser utilizado ao final do período, para ser deduzido na apuração do tributo devido, sendo irrelevante a revogação da limitação pela IN RFB n° 900/2008, a qual não retroage, por força da regra de direito intertemporal do tempus regit actus.” Ante a improcedência da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte pleiteia a reforma do julgado, para que seja reconhecido o crédito contido na declaração de compensação submetida e, consequentemente, seja esta última homologada. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho Da Admissibilidade A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 15.10.2011, conforme aviso de recebimento e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 04.11.2011, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Do Mérito Consoante o próprio reconhecimento por parte da DRJCTA, o contribuinte, ora Recorrente, de fato recolheu indevidamente CSLL no anocalendário 2005, no montante de R$ 1.816,26, o que ficara evidenciado ao se compulsar os autos do presente processo administrativo. Durante a construção da sua tese de defesa, a Recorrente alega que restou comprovado nos documentos apresentados perante a Delegacia Regional de Julgamento a existência do crédito tributário, decorrente do pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJEstimativa (código 2362), referente ao período de apuração de maio de 2005, recolhido Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10950.902903/200998 Acórdão n.º 1802001.823 S1TE02 Fl. 102 5 em 30/06/2005, no valor originário de R$1.816,26, sendo assim, não haveria motivo para não homologação da Per/Dcomp nº 07345.90110.121206.1.7.043360. A DRJ concluiu que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega que a existência do recolhimento a maior da estimativa mensal de IRPJ, seria suficiente para embasar o pedido de compensação. À época em que a compensação foi processada encontravase em vigor a Instrução Normativa nº 460/2004, que em seu artigo 10 previa a impossibilidade de compensação em caso de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal e, quando do julgamento se encontrava em vigor a Instrução Normativa nº 600/2005, que em seu artigo 10, reproduzia de forma integral o preceito da Instrução Normativa nº 460/2004, também vedando a possibilidade de compensação do pagamento a maior efetuado a título de estimativa. Sobre os mencionados atos normativos deve ser admitida, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 6 I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Sobre essa matéria, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula no. 84, em 10.12.2012, com o seguinte teor: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10950.902903/200998 Acórdão n.º 1802001.823 S1TE02 Fl. 103 7 Súmula 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como visto, os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, tanto pela DRF, quanto pela DRJ, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Nesse sentido, ante a documentação acostada dos autos, não fora possível aferir qual valor das estimativas levado para compor o ajuste final. Desta forma, tornase inviável, nessa fase processual, a análise quanto ao crédito alegado e conseqüente compensação pleiteada. Porém, a motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da Receita Federal, quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PERDCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem para análise do PERDCOMP no. 07345.90110.121206.1.7.043360, e, proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 8 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 14485.001827/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2004
ATUAÇÃO DO AUDITOR. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÕES. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. LEGALIDADE. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. SEM ADESÃO AO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÀRIA. NÃO INCIDÊNCIA. CORRESPONSABILIDADE. SÓCIOS E PROCURADORES. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 88 DO CARF.
Não se implica em nulidade de lançamento tributário se o auditor cientificar o contribuinte por meio do Mandado de Procedimento Fiscal, bem como de cada prorrogação, a fim de se garantir o regular procedimento fiscalizatório.
O Relatório de Representantes Legais (RepLeg) e a Relação de Vínculos, anexos ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas indicadas como corresponsáveis nesses documentos são de cunho informativo e não comportam discussão na esfera administrativa. Súmula 88 do CARF.
O pagamento dos auxílios alimentação e refeição não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.485
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir do lançamento as contribuições referentes a vale Alimentação, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: presentes Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2004 ATUAÇÃO DO AUDITOR. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÕES. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. LEGALIDADE. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. SEM ADESÃO AO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÀRIA. NÃO INCIDÊNCIA. CORRESPONSABILIDADE. SÓCIOS E PROCURADORES. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 88 DO CARF. Não se implica em nulidade de lançamento tributário se o auditor cientificar o contribuinte por meio do Mandado de Procedimento Fiscal, bem como de cada prorrogação, a fim de se garantir o regular procedimento fiscalizatório. O Relatório de Representantes Legais (RepLeg) e a Relação de Vínculos, anexos ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas indicadas como corresponsáveis nesses documentos são de cunho informativo e não comportam discussão na esfera administrativa. Súmula 88 do CARF. O pagamento dos auxílios alimentação e refeição não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 595 1 594 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.001827/200724 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.485 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2013 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente BV FINANCEIRA S.A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2004 ATUAÇÃO DO AUDITOR. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÕES. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. LEGALIDADE. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. SEM ADESÃO AO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÀRIA. NÃO INCIDÊNCIA. CORRESPONSABILIDADE. SÓCIOS E PROCURADORES. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 88 DO CARF. Não se implica em nulidade de lançamento tributário se o auditor cientificar o contribuinte por meio do Mandado de Procedimento Fiscal, bem como de cada prorrogação, a fim de se garantir o regular procedimento fiscalizatório. O Relatório de Representantes Legais (RepLeg) e a Relação de Vínculos, anexos ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas indicadas como corresponsáveis nesses documentos são de cunho informativo e não comportam discussão na esfera administrativa. Súmula 88 do CARF. O pagamento dos auxílios alimentação e refeição não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 18 27 /2 00 7- 24 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir do lançamento as contribuições referentes a vale Alimentação, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: presentes Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa BV FINANCEIRA S.A CÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o débito tributário referente ao período apurado de 01/2004 a 08/2004, constituído em 09/01/2007 (fls.267 e 268). 2. Conforme consta no relatório fiscal (fls. 71/74), a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD 37.049.0517 foi realizada em decorrência do não recolhimento de contribuições sociais – parte do segurado e parte da empresa – destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa (GILRAT), incidentes sobre pagamentos de valealimentação e valerefeição a segurados empregados, sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). 3. Destacase que a fiscalização ocorreu em relação às empresas BV SERVIÇOS LTDA., BV PROMOTORA DE VENDAS LTDA e BV FINANCEIRA, sendo que esta última empresa incorporou as duas primeiras em 02/09/2004 (fls. 246 e 247). 4. A empresa impugnou o débito (fls. 342/379) e a instância administrativa a quo decidiu converter o julgamento em diligência para o deslinde da questão (fls. 486/491): 20. Resolvo, nos termos do artigo 11 da Portaria MPS n° 52012004, converter o julgamento em diligência a ser executada pela Auditora Fiscal da Previdência Social — AFPS, Thaís Regina Rubira Parente, matrícula n° 1.260.106, para que sejam observadas as considerações acima e prestados os esclarecimentos e adotadas as providências seguintes: Fl. 596DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.001827/200724 Acórdão n.º 2301003.485 S2C3T1 Fl. 596 3 20.1. Com relação aos itens 5 a 9 acima, elaborar novas planilhas com a demonstração clara e precisa das contribuições dos segurados lançadas na presente NFLD, devendo constar nestas planilhas os valores dos salários de contribuição apurados para cada segurado empregado, o limite, as contribuições já consideradas, como por exemplo em folhas de pagamento, bem como as contribuições devidas. 20.2. Quanto aos itens 10 e 11 acima, emitir relatório fiscal substitutivo em duas vias contendo a descrição clara e precisa dos fatos geradores nos termos supramencionados. 20.3. Em relação aos itens 12 a 15, informar se houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais. Em caso positivo, incluir esta informação no relatório fiscal substitutivo emitido em duas vias. E, em caso negativo, justificar e fundamentar a não emissão de RFFP. 20.4. No tocante ao item 16, manifestarse, conclusivamente e de forma fundamentada, sobre as alegações da empresa e documentos apresentados em relação ao presente lançamento fiscal. 20.5. Com relação ao item 17, manifestarse, conclusivamente, sobre as divergências apontadas nos mencionados autos de infração em relação à presente NFLD. (fls. 152) 5. Em consequência do resultado da diligência requerida foi apresentada pelo auditor informação fiscal (fls. 503/507), com os seguintes esclarecimentos: a) para o período de 2001 a 2006, com base nos arquivos fornecidos à época pela empresa, foram elaboradas novas planilhas, demonstrando, passo a passo, o cálculo da contribuição dos segurados, de acordo com as etapas seguintes; b) a representação fiscal para fins penais não foi emitida, pois o auditor não encontrou elementos caracterizadores da intenção de sonegação de contribuições previdenciárias, mas apenas entendimentos equivocados quanto à aplicação das normas, uma vez que os fatos geradores estavam contabilizados e a empresa colaborou na apresentação dos documentos necessários à auditoria. c) quanto ao cadastramento das empresas no PAT, informou que as empresas BV SERVIÇOS e BV PROMOTORA, antes serem incorporadas, já não tinham inscrição válida e a sua incorporadora, BV FINANCEIRA, teve seu cadastramento inicial apenas em 02/09/2004; 6) Após o resultado da diligência, a contribuinte apresentou nova impugnação (fls.515 e 516), e a primeira instância julgou procedente o lançamento tributário cuja decisão restou ementada nos seguintes dizeres (fls. 521/539): CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. VALEREFEIÇÃO E VALEALIMENTAÇÃO. NÃO INSCRIÇÃO NO PAT. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Considerase saláriodecontribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Integram o saláriodecontribuição os valores pagos a título de vale alimentação e valerefeição alimentação sem a devida inscrição no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. CIÊNCIA. PRORROGAÇÃO. O MPF Mandado de Procedimento Fiscal será emitido por ocasião do início do procedimento fiscal e tem por objetivo informar ao sujeito passivo que está sujeito a verificações fiscais e que o agente fiscal indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar a ação fiscal. Do MPF será dada ciência ao representante legal, ao mandatário, ou ao preposto do sujeito passivo. O MPF pode ser prorrogado. A ciência da Notificação depois de expirado o prazo do MPF não implica nulidade do lançamento que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. O Relatório de Coresponsáveis não tem como escopo incluir os diretores da empresa no polo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, que, eventualmente, poderão ser responsabilizados na esfera judicial, nas hipóteses previstas em lei e após o devido processo legal. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. MULTA. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem, a partir de 01.04.1997, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no § 1 ° do art. 161. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 7. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo, em síntese, o seguinte (fls. 543/573): a) preliminarmente, anulação de todos os atos fiscais após a prorrogação irregular do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); Fl. 598DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.001827/200724 Acórdão n.º 2301003.485 S2C3T1 Fl. 597 5 b) não há responsabilidade dos sócios e procuradores da empresa para o pagamento do suposto crédito tributário de participação nos lucros; c) improcedência da exação fiscal, pois não se considerou o lapso temporal ínfimo de 2 (dois) dias de atraso no recadastramento da empresa no PAT, feito por simples protocolo em agência de Correios e Telégrafos, sem qualquer avaliação prévia pelo órgão gestor; d) independentemente de inscrição no PAT, não há incidência de contribuição previdenciária quando o valealimentação ou valerefeição é pago em pecúnia pela empresa, pois não integra o saláriodecontribuição; e e) inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa Selic para o cômputo dos juros de mora incidentes sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas. 8. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados para a apreciação deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. PRELIMINARES DO PROCEDIMENTO FISCAL 2. Preliminarmente, narra a recorrente que a prorrogação do MPF teria ocorrido de forma irregular, pois a ciência de cada prorrogação deuse após o término do prazo do MPF anterior e, assim, todos os atos do auditor estariam eivados de vício, requerendo, por fim, a sua anulação. 3. Contudo não merece prosperar esta arguição, pelas razões que passo a expor. Por primeiro é salutar lembrar que a instauração e execução de procedimento fiscalizatório dependem da expedição regular de Mandado de Procedimento Fiscal. Esse é o teor dos dispositivos que tratavam da matéria à época do lançamento fiscal: Decreto 3.724/2001: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 4. Ao examinar os autos, constato às ff. 26/68 que o contribuinte foi regularmente cientificado antes de serlhe exigida a apresentação de qualquer documento, por meio dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIADs). Além disso, verifiquei que tais prorrogações deramse antes mesmo de finalizado o prazo do mandado anterior. 5. Com isso, resta demonstrado que o fisco procedeu de forma regular do início do seu procedimento até à sua conclusão, com a constituição do crédito tributário em 09/01/2007 (fls.267 e 268), sem que houvesse prejuízo para o devido acompanhamento dos atos fiscalizatórios pelo contribuinte. 6. Feitas estas considerações, voto por negar a preliminar arguida pela recorrente, ante a prática regular pelo fiscal durante a realização e conclusão do procedimento. DA LISTA DE CORRESPONSÁVEIS 7. Acerca da lista de corresponsáveis argumenta a empresa recorrente o seguinte: é de ser ressaltado que não existem razões para que a NFLD indique como co responsáveis pelo débito os sócios e procuradores da Recorrente, haja vista não serem eles sujeitos passivos da obrigação tributária, séja:'pela categoria de contribuintes, seja pela categoria de responsáveis. (fls.566) 8. Todavia é inviável a discussão desta matéria na esfera administrativa, caso o auto de infração previdenciário tenha sido lavrado exclusivamente para responsabilizar a pessoa jurídica ora envolvida, conforme Súmula 88 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula 88 do CARF A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. 9. Assim, tenho em vista que o Relatório de Representantes Legais (RepLeg) e a Relação de Vínculos, anexos ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas indicadas como corresponsáveis nesses documentos são de cunho informativo e não comportam discussão na esfera administrativa, dou provimento parcial ao recurso voluntário nesta parte. DO MÉRITO DO VALEALIMENTAÇÃO E VALEREFEIÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT E A MULTA APLICADA 10. Segundo relato fiscal, constituíram os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas o valerefeição e o valealimentação pagos pelas empresas a seus empregados, no período de 01/2004 a 08/2004, sem que estivessem devidamente inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT (fls.71). Fl. 600DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.001827/200724 Acórdão n.º 2301003.485 S2C3T1 Fl. 598 7 11. Por sua vez, a empresa discorreu sobre o lançamento, trazendo legislação e vasta jurisprudência (administrativa e judicial) pela não inclusão desses valores ao saláriode contribuição de forma que não sofreriam a incidência de contribuição previdenciária, ainda que não regularizada sua inscrição no PAT, por 2(dois) dias de atraso do envio do formulário por correspondência comum. 12. Entendo que a empresa recorrente tem razão. O auxílio alimentação não perde a sua natureza jurídica indenizatória pela simples ausência de inscrição nos órgãos cadastrais do PAT, pois se trata de benefício que o trabalhador utiliza em decorrência da execução do trabalho e, por outro lado, a empresa recorrente não poderia ser penalizada para não ser desestimulada a sua colaboração social no ambiente de trabalho. 13. Vale ressaltar, nesse sentido, que o próprio Superior de Tribunal de Justiça – STJ tem firmado entendimento que tal inscrição é dispensável, mitigando os ditames do artigo 3º da Lei 6.321/76, como se verifica no RESP 977238, DJ 29.11.2007 p. 257, Rel. Ministro José Delgado: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da nãoocorrência da responsabilidade tributária será do sócioexecutado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sócio gerente.Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) (g.n.) 14. Inclusive, cumpre ressaltar que a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no PAT, possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. 15. Digase, também, pelo que se indica nestes casos, que a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei 8.212/91 que determina a não integração do saláriodecontribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7). 16. Em oportuno, trago parte da Ementa do julgado da Primeira Turma do STJ, o qual detalha esta questão e ainda faz comparação com um julgado pelo Supremo Tribunal Federal em caso análogo, in verbis: TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de valealimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o valetransporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.001827/200724 Acórdão n.º 2301003.485 S2C3T1 Fl. 599 9 5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho’ (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...) 6. Recurso especial provido. (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) (g.n.) 17. Assim, dou provimento ao recurso voluntário por considerar a impossibilidade de incidência da contribuição sobre os valores referentes ao auxílio alimentação, independentemente de inscrição no PAT. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 603DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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