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Numero do processo: 10950.900769/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2000 a 30/12/2000
RESTITUIÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF retificadora. Por força do artigo 62-A do RICARF, aplica-se ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3101-001.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Roberto Domingo- Relator, Vice-Presidente no exercício da Presidência
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Fábia Regina Freitas (Suplente), José Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente E Luiz Roberto Domingo (Vice-Presidente no exercício da Presidência)
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF retificadora. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator, VicePresidente no exercício da Presidência Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Fábia Regina Freitas (Suplente), José Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente E Luiz Roberto Domingo (VicePresidente no exercício da Presidência) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 07 69 /2 00 8- 18 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10950.900769/200818 Acórdão n.º 3101001.626 S3C1T1 Fl. 253 2 Relatório Tratase de pedido de restituição cumulado com compensação – cujo direito creditório decorre do recolhimento da multa de mora quando do pagamento de tributos em atraso, em relação ao qual a Recorrente busca o reconhecimento da excludente da responsabilidade por infrações, em face da alegada denúncia espontânea. Adoto o relatório da Resolução nº 3101000.302, que, em 24/10/2013, converteu o julgamento em diligência para que repartição de origem confirmasse, “em face do sistema da Receita Federal, os DARF e as declarações (DCTF) apresentados” e informasse “se houve declaração dos débitos, objeto do presente feito, anterior ao pagamento, juntando, se for o caso, a respectiva declaração”. Foram juntados os documentos requisitados e elaborado demonstrativo da diligência conforme quadro abaixo: Processo Tributo PA Vencimento Data Entrega Vlr Principal Data Vlr Principal Vlr Juros Vlr Multa Vlr Total OBS 10950.900766/200876 2172 dez/00 15/01/2001 15/02/2001 31.549,26 13/02/2001 31.267,18 312,67 2.992,27 34.572,12 10950.900830/200819 2172 jul/02 15/08/2002 13/11/2002 50.421,29 08/11/2002 21.000,00 846,30 4.200,00 26.046,30 11/11/2002 23.000,00 926,90 4.600,00 28.526,90 12/11/2002 6.421,29 258,77 1.284,28 7.964,34 10950.900772/200823 2172 ago/02 13/09/2002 13/11/2002 38.091,11 22/10/2002 22.091,11 220,91 2.697,32 25.009,34 23/10/2002 16.000,00 160,00 2.006,40 18.166,40 24/10/2002 9.800,00 291,06 10.091,06 10950.900780/200870 2172 set/02 15/10/2002 13/11/2002 36.924,28 25/10/2002 9.800,00 323,40 10.123,40 12/11/2002 17.324,28 173,24 1.600,76 19.098,28 26/12/2003 5.000,00 199,00 1.000,00 6.199,00 10950.900782/200869 2172 ago/03 15/09/2003 31/03/2004 50.990,03 23/08/2004 45.990,03 45.990,03 DCOMP 10950.900769/200818 8109 dez/00 15/01/2001 15/02/2001 6.835,67 13/02/2001 6.777,39 67,77 648,60 7.493,76 10950.900764/200887 8109 jun/01 13/07/2001 15/08/2001 7.623,28 15/08/2001 7.623,28 76,23 830,18 8.529,69 10950.900770/200834 8109 ago/01 14/09/2001 14/11/2001 8.838,81 06/11/2001 8.838,81 223,62 1.487,57 10.550,00 10950.900773/200878 8109 nov/01 14/12/2001 15/02/2002 8.715,65 07/02/2002 8.715,65 220,51 1.524,37 10.460,53 Ciente da diligência, a recorrente reiterou os argumentos e pedidos formulados no recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. No presente caso, em apertadíssima síntese, o contribuinte efetuou o pagamento referente à sua obrigação tributária fora do prazo legal com todos os acréscimos legais, multa e juros de mora antes de qualquer fiscalização. Entende a Recorrente que tal recolhimento cumpre os requisitos do instituto da “denúncia espontânea”. As provas juntadas foram conferidas pela autoridade fiscal de origem. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10950.900769/200818 Acórdão n.º 3101001.626 S3C1T1 Fl. 254 3 É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ1, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal. Em recurso repetitivo o STJ pacificou o entendimento que se aplica o instituto da denúncia espontânea nos acasos em que o tributo sujeito a lançamento por homologação declarado parcialmente e pago integralmente com posterior retificação da declaração: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. 1 REsp 1360.365SC, Rel. Min. Humberto Martin, Segunda Turma, julgado em 09.04.2013, DJe 15.05.2013; REsp 1.309.163/AM, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 28.8.2012, DJe 3.9.2012; REsp 1086051/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/05/2010, DJe 02/06/2010; REsp 922.206/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/08/2008, DJe 22/08/2008 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10950.900769/200818 Acórdão n.º 3101001.626 S3C1T1 Fl. 255 4 Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Tal entendimento é uma variante que extraída da ratio decidendi utilizada a partir da Súmula 360 do E. STJ. É exatamente esse o caso dos autos, cujo pagamento ainda que extemporâneo, mas espontâneo, acrescido de juros de mora e antes de qualquer intervenção fiscalizadora estatal, afasta a incidência da multa de mora, que, recolhida, deve ser reconhecida como pagamento indevido. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo nos autos do REsp n° 1.149.022/SP Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente à multa de mora recolhida indevidamente, haja vista o reconhecimento da denúncia espontânea. Luiz Roberto Domingo Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 19515.720053/2013-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 31/01/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009
HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA.
A incidência da Contribuição, na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia.
BASE DE CÁLCULO PESSOA JURÍDICA BRASILEIRA. ASSUNÇÃO DO ÔNUS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RECOMPOSIÇÃO.
O valor do IRRF incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Recurso de Ofício Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o reajustamento da base de cálculo da CIDE. Vencidos os conselheiros Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan e Luiz Rogério Sawaya Batista. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim para a redação do voto vencedor nessa parte.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaia Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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A incidência da Contribuição, na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO PESSOA JURÍDICA BRASILEIRA. ASSUNÇÃO DO ÔNUS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RECOMPOSIÇÃO. O valor do IRRF incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Não Conhecido Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o reajustamento da base de cálculo da CIDE. Vencidos os conselheiros Alexandre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 53 /2 01 3- 00 Fl. 5607DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Kern, Rosaldo Trevisan e Luiz Rogério Sawaya Batista. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim para a redação do voto vencedor nessa parte. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaia Batista e Ivan Allegretti. Relatório NEXTEL TELECOMUNICAÇÕES LTDA teve contra si lavrado o Auto de Infração de fls. 2.224 a 2.226 e anexos, para determinação e exigência de crédito tributário relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE (Remessas ao Exterior), no valor total de R$ 11.205.770,26, em decorrência da constatação de insuficiência de recolhimento da contribuição referente a fatos geradores ocorridos nos anos de 2008 a 2009. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 2.233 a 2.247 constam os demonstrativos da base de cálculo apurada (fls. 2.243 e 2.244) e de seu reajuste pela inclusão do IRRF incidente nas respectivas remessas (fl. 2.247). Sobreveio impugnação, fls. 5.043 a 5.058. Sinteticamente, combate a exigência da contribuição sobre as remessas para pagamento de licenças de uso de software (beneficiários Actix, Motorola Inc., Ditech e Movius) e para pagamento de serviços técnicos, administrativos e semelhantes, pelo fato de não ter ocorrido transferência de tecnologia, elemento constante do aspecto material da hipótese de incidência da CIDE, por força dos artigos 20 e 21 da Lei nº 11.452, de 27 de fevereiro 2007, que alterou o artigo 2 da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000. Alega ainda que a exigência da CIDE sobre tais remessas é ilegal e ofende o artigo 149 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 – CRFB/88. Rechaça também a recomposição da base de cálculo, que entende ser carente de base legal. No que tange às diferenças entre os valores pagos e os declarados em DCTF, o impugnante reconhece que há diferenças por erro cometido no momento do preenchimento da DCTF, porém, informa que em muitos dos casos procedeu ao pagamento da contribuição, mas sem informar na DCTF. Indica pagamentos nos meses de dezembro de 2008, janeiro, abril, maio e novembro de 2009 (cópias de DARF nas fls. 5.482 a 5.493). A 15 ª Turma da DRJ/RJ1 julgou a impugnação parcialmente procedente, extirpando do lançamento as parcelas referentes às remessas para o exterior relativas a contratos de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de software sem transferência da correspondente tecnologia e deduzindo os valores relativos a indébito do contribuinte. O Presidente da 15ª Turma da DRJ/RJ1 recorreu de ofício desses cancelamentos. O Acordão nº 12058.777, de 21 de agosto de 2013, fls. 5.498 a 5.537, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 5608DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 3403003.029 S3C4T3 Fl. 5.608 3 Anocalendário: 2013 INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO DE ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas são obrigadas a observar a legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais e normativos regularmente editados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2008, 2009 CIDEREMESSAS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. ÔNUS ASSUMIDO PELA FONTE PAGADORA. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CideRemessas) instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, nas hipóteses em que esta seja devida, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do imposto. CIDEREMESSAS. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. A partir de 1 o de janeiro de 2002, a CIDE passou a ser devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes prestados por residentes ou domiciliados no exterior, não havendo, nestes casos, para a caracterização da hipótese de incidência da contribuição, qualquer vinculação com transferência de tecnologia. CIDEREMESSAS LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). Até 31 de dezembro de 2005, a empresa signatária de contratos de cessão de licença de uso de programa de computador (software) era contribuinte da Cide, com relação às remessas efetuadas ao exterior, independentemente de tais contratos estarem atrelados ou não à transferência de tecnologia. A partir de 1º de janeiro de 2006, à vista do disposto nos arts. 20 e 21 da Lei nº 11.452, de 2007, as remessas para o exterior relativas a contratos de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) passaram a estar sujeitas à incidência da Cide apenas na hipótese de ocorrer a transferência da correspondente tecnologia. Fl. 5609DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DE VALOR RELATIVO A INDÉBITO DO CONTRIBUINTE (PAGAMENTO SEM CONFISSÃO DO DÉBITO CORRESPONDENTE EM DCTF). O pagamento de tributo a maior do que o informado pelo contribuinte em DCTF não deverá ser considerado na apuração do tributo devido, devendo o respectivo crédito tributário ser constituído de ofício em sua totalidade. Comprovando o contribuinte, na impugnação, que já pagou o tributo lançado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento deverá exonerálo da multa de ofício, quando o pagamento houver sido tempestivo. (Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2007). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cuidase também de recurso voluntário contra a decisão da 15ª Turma da DRJ/RJ1. O arrazoado de fls. 5.559 a 5.568, após síntese dos fatos relacionados com a lide, rechaça a incidência da contribuição sobre as remessas à terceiros enquadradas como serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes sem que tenha havido a necessária transferência de tecnologia, bem como a inclusão na sua base de cálculo dos valores correspondentes ao IRRF. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Admissibilidade A decisão recorrida julgou o lançamento de ofício parcialmente procedente, para reduzir o valor de principal lançado para R$ 4.729.866,98, sendo que, deste valor, somente R$ 4.684.662,78, passaram a sofrer a incidência de multa de ofício de 75% e juros de mora. LANÇADO (R$) MANTIDO(R$) CANCELADO (R$) PRINCIPAL 5.725.600,51 4.729.866,98 545.733,53 MULTA DE OFÍCIO 3.956.700,42 3.531.497,09 443.203,34 TOTAL 9.682.300,93 8.261.364,07 988.936,87 Exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor INFERIOR ao fixado pela Portaria MF nº 03, de 2008, deixo de conhecer do recurso de ofício impetrado pelo presidente da 15ª Turma da DRJ/RJ1. Fl. 5610DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 3403003.029 S3C4T3 Fl. 5.609 5 Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 5.559 a 5.565 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRJ115ª Turma nº 12058.777, de 21 de agosto de 2013. Mérito Hipótese de inicdência da CIDERemessas financeiras para o exterior A recorrente combate a incidência da CIDE nas remessas financeiras relacionadas à prestação de serviços em que não há transferência de tecnologia. A questão que se coloca, nesse ponto, é a definição do fato gerador da Contribuição. Neste aspecto, devese considerar que a Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001, alterou os §§ 2º, 3º e 4º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, cuja redação atual transcrevo abaixo: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia.(Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) (grifei) § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento).(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) Fl. 5611DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 6 § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador.(Parágrafo incluído pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 6o Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. (Incluído pela Lei nº 12.402, de 2011) (Produção de efeito) Regulamentando o dispositivo acima, o Decreto nº 4.195, de 11 de abril de 2002, em seu artigo 10, esclarece em que situações ocorre a incidência da CIDE: Art.10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: Ifornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. De acordo com os dispositivos acima, concluise que a CIDE, além de incidir sobre contratos cujo objeto seja o fornecimento de tecnologia (inciso I), também incide quando a remuneração for relativa à contratos que tenham por objeto prestação de serviços técnicos (inciso III ), ainda que não haja transferência de tecnologia. Restou comprovado que houve a ocorrência da hipótese prevista em lei para incidência da CIDE, ou seja, remuneração a residentes no exterior, em decorrência de contratos para prestação de serviços técnicos. Continuando, a lei claramente estabelece quem é o sujeito passivo da obrigação tributária, no caso, aquele que efetua os pagamentos. Assim, uma vez que esta autoridade julgadora está vinculada aos ditames da lei, não cabe apreciar a alegação de que a lei não pode extrapolar o grupo de beneficiários diretos ou indiretos da atuação estatal, sob pena de inconstitucionalidade. E sequer pode aferir se há relação de proporcionalidade entra a contribuição criada e o âmbito da intervenção. A apreciação destas questões é de competência do poder judiciário, nos termos dos artigo 97 e 102 da CF/88. Pelo exposto, correto o presente lançamento para cobrança da CIDE, ainda que na prestação do serviço não tenha ocorrido transferência de tecnologia. Fl. 5612DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 3403003.029 S3C4T3 Fl. 5.610 7 Reajustamento da base de cálculo da CIDE O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da CIDE, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. Esse é o entendimento da Administração Tributária, manifestado na Solução de Divergência Cosit nº 17, de 29 de junho de 2011. Esse entendimento encontra respaldado na melhor doutrina. A propósito, transcrevo a lição de Higushi1: Dúvidas têm surgido na remessa de rendimentos, ao exterior, sujeitos ao pagamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE quando a fonte pagadora assumiu o ônus do imposto de renda na fonte. Para resolver a dúvida é necessário examinar a natureza da despesa representada pelo imposto de renda na fonte assumido pela fonte pagadora de rendimentos. O § 3o do art. 344 do RIR/99 dispõe que a dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do Imposto. A redação é infeliz porque quando a fonte pagadora do rendimento não assumir o ônus do imposto de renda não há que falar da dedutibilidade ou indedutibilidade do tributo. A origem daquele parágrafo está no Parecer Normativo CST n° 2/80 cuja ementa diz: Integra o montante do custo ou despesa, e como tal é dedutível, o imposto de renda devido na fonte quando a pessoa jurídica assuma o ônus do imposto e o rendimento pago ou creditado a terceiro seja dedutível como custo ou despesa. Quando a fonte pagadora de rendimentos assumir o ônus do imposto de renda, a legislação considera o tributo como parte integrante do rendimento pago ou creditado. Se pagou royalty e assumiu o imposto, este é considerado parte integrante de royalty. Se pagou remuneração de serviços técnicos e assumiu o imposto, este é parte integrante daquela remuneração. Como o imposto de renda assumido pela fonte pagadora de rendimentos passa a ter a mesma natureza do rendimento pago, a dedutibilidade ou indedutibilidade do imposto de renda assumido depende da natureza da despesa. Com isso, se pagou royalty dedutível, o imposto de renda assumido também é dedutível a título de royalty. Se a legislação do imposto de renda considera o imposto assumido pela fonte pagadora de rendimento como despesa de mesma natureza da despesa paga, a base de cálculo da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico CIDE é o rendimento líquido pago acrescido do imposto de renda assumido pela fonte pagadora, independente da dedutibilidade da despesa. O § 3o do art. 2° da Lei nº° 10.168/00, com nova redação dada pelo art. 6o da Lei nº 10.332, de 191201, dispõe que a contribuição incidirá sobre os valores 1 HIGUSHI, Hiromi; HIGUSHI, Fábio Hiroshi e HIGUSHI, Celso Hiroyuki. O IMPOSTO DE RENDA DAS EMPRESAS. Interpretação e prática. 36ª ed. São Paulo: IR Publicações. 2011. p.929 e 930. Fl. 5613DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 8 pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo. Nas expressões valores pagos ou creditados está compreendido o valor do imposto de renda assumido pela fonte pagadora de rendimentos. Isso porque o art. 123 do CTN dispõe que salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Isso significa que o sujeito passivo do imposto de renda na fonte é sempre o beneficiário do rendimento, salvo disposição de lei em contrário. Nos pagamentos sujeitos à CIDE a alíquota do imposto de renda é sempre de 15%, salvo no caso de beneficiário residente no Japão e o rendimento enquadrar na alíquota de 12,5%. Assim, no pagamento de R$ 500.000,00 de royalty pela licença de exploração de patente, com imposto de renda assumido pela fonte pagadora, a base de cálculo da CIDE será de: 500.000,00 + (100 15) = R$ 588.235,29 A alíquota de CIDE de 10% incidirá sobre o rendimento reajustado de R$ 588.235,29. É interessante notar que o ônus tributário modificou de acordo com as cláusulas contratuais existentes entre o beneficiário do rendimento e a fonte pagadora. Se o ônus do imposto de renda na fonte era do beneficiário do rendimento na forma da lei, este passou a ter menor ônus porque a alíquota do imposto foi reduzida de 25% para 15%. O ônus da fonte pagadora aumentou com a instituição da CIDE à alíquota de 10%. Se o ônus do imposto de renda era por conta da fonte pagadora, não houve alteração para o beneficiário do rendimento, mas houve pequena redução da carga tributária para a fonte pagadora. Isso porque, na remessa de R$ 75.000,00 o imposto de renda na fonte à alíquota de 25% era calculado sobre o rendimento reajustado de R$ 100.000,00 que resultava no imposto de R$ 25.000,00. Com a redução da alíquota do imposto de renda para 15% o rendimento reajustado passa para R$ 88.235,29. Neste caso, o imposto de renda à alíquota de 15% resulta em R$ 13.235,29 enquanto a CIDE à alíquota de 10% resulta em R$ 8.823,52 cuja soma resulta em R$ 22.058,81 em vez de R$ 25.000,00 quando não tinha CIDE. A Solução de Divergência da COSIT nº 17 (DOU de 050711) diz que o valor do imposto de renda na fonte incidente sobre pagamento, crédito ou remessa ao exterior compõe a base de cálculo da CIDE, independente de a fonte pagadora assumir o ônus do IRRF. A decisão é correta e tem base legal. Há também jurisprudência administrativa que defende que o IRRF e a CIDE, embora recaiam sobre a mesma base de cálculo, são tributos autônomos, não havendo superposição entre eles no que diz respeito ao cálculo do valor devido a título de cada um. Portanto, o valor correspondente ao IRRF, sendo o seu ônus assumido ou não pela fonte pagadora, compõe a base de cálculo da CIDE, nas hipóteses em que esta seja devida. Vejase, por exemplo, o Acórdão nº 3301001.683, de 29 de novembro de 2012, da 1ª Turma da 3ª Câmara do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO – CIDE Período de apuração: 05/06/2003 a 21/12/2004 Fl. 5614DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 3403003.029 S3C4T3 Fl. 5.611 9 CIDE. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. A base de cálculo da CIDE é o valor do serviço contratado, creditado e/ ou pago ao prestador no exterior. Inexiste amparo legal para a exclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), em nome e por conta a licenciante, da base de cálculo desta contribuição. Recurso Voluntário Negado. Assim, amparado pela doutrina de Higuchi e acompanhando a jurisprudência referida, adoto como razão de decidir as conclusões da SD Cosit nº 17, de 2011, ousando discordar de entendimento contrário, manifestado pelo ínclito Conselheiro Antonio Carlos Atulim, presidente deste Colegiado, proferido no Acórdão nº 3403001.732, de 22 de agosto de 2012. Mantenhase o reajustamento da base de cálculo da CIDE, para fazêla incidir inclusive sobre o IRRF devido. Conclusões À vista do exposto, deixo de conhecer o recurso de ofício e nego provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões, em 29 de maio de 2014 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, redator designado. No que tange ao reajustamento da base de cálculo da CIDE, controvertese exclusivamente sobre matéria de direito. A questão versada nos autos diz respeito à possibilidade jurídica de a CIDE incidir sobre o valor pago ao fornecedor no exterior, adicionado do IRRF retido sobre o valor da remessa, cujo ônus foi assumido pelo tomador do serviço no Brasil. O art. 149 da CF/88 atribuiu à União a competência para instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais, observadas as limitações contidas no art. 146, III, e 150, I e III, quanto às duas últimas espécies. No julgamento do RE nº 451.915, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento segundo o qual as contribuições de intervenção no domínio econômico podem Fl. 5615DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 10 ser instituídas por lei ordinária. A menção à observância do art. 146, III pelo art. 149 da Constituição significa apenas que as contribuições de intervenção no domínio econômico estão sujeitas à lei complementar de normas gerais e não que a União deva lançar mão dessa espécie normativa para instituílas. Sendo assim, é perfeitamente válida a exigência da CIDE segundo os ditames do art. 2º da Lei nº 10.168, de 29/12/2000 (DOU 30/12/200 extra), com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.332, de 19/12/2001 (DOU de 20/12/2001), que para maior comodidade transcrevese a seguir: “Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subsequente ao mês de ocorrência do fato gerador.” Interessa ao deslinde da controvérsia instaurada nos autos desvendar o conteúdo do critério quantitativo do consequente da regramatiz de incidência do tributo. No caso da CIDE, o critério quantitativo é definido pela alíquota de 10%, prevista no § 4º, que deverá incidir sobre a base de cálculo prevista no § 3º. A base de cálculo está descrita no texto legal como sendo o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título da remuneração estipulada para as obrigações contraídas por meio de contratos que envolvam licença de uso ou transferência de conhecimentos tecnológicos. A palavra chave para definir a base de incidência da CIDE é remuneração. Isto porque “pagar”, “creditar”, “entregar”, “empregar” ou “remeter” quantias ao exterior como contraprestação dos contratos que envolvam o uso ou a transferência de tecnologia, significa o mesmo que remunerar o fornecedor domiciliado ou residente no exterior pelas obrigações contraídas. O estudo do critério quantitativo do consequente da regramatriz revela que em momento algum a Lei nº 10.168/2000 cogitou da incidência da CIDE sobre o IRRF quando o tomador do serviço, domiciliado no Brasil, assume o ônus financeiro por aquele imposto. Fl. 5616DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 3403003.029 S3C4T3 Fl. 5.612 11 Muito menos cogitou da hipótese contrária, qual seja: a de exclusão do IRPF da base de cálculo da CIDE, quando o contribuinte daquele imposto (o prestador do serviço domiciliado no exterior) arca com o ônus pelo recolhimento do tributo. Em outras palavras: a assunção do ônus financeiro pelo recolhimento do IRRF é um fato juridicamente irrelevante para o fim de se determinar a base de cálculo da CIDE. Isto porque a base de incidência é mesmo aquela definida no art. 2º, § 3º da Lei nº 10.168/2000, in verbis: "§ 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo." A fiscalização e o ilustre relator entenderam que o valor do IRRF deveria ser adicionado ao valor transferido para o exterior a título de remuneração pois, no caso concreto, a empresa brasileira (tomadora do serviço) assumiu o ônus pelo pagamento do IRRF, cujo contribuinte é o beneficiário do pagamento localizado no exterior. Em outras palavras, entenderam que os pagamentos efetivamente realizados teriam sido maiores do que os valores remetidos a título de remuneração, consistindo a base de cálculo efetiva da CIDE na soma desta quantia com a quantia provisionada ou recolhida pela empresa brasileira a título de IRRF. Tal entendimento seria o resultado lógico da comparação do caso concreto com a situação econômica encontrada na hipótese contrária, quando o ônus do IRRF é suportado pelo próprio beneficiário do pagamento no exterior. Nesta hipótese, entendem alguns que ocorreria a incidência da CIDE sobre o IRRF, em razão de o valor do imposto de renda estar “embutido” no valor da remuneração paga ao beneficiário no exterior. É que após a retenção do valor do IRRF pelo tomador do serviço (responsável pela retenção), o valor líquido efetivamente enviado ao exterior seria menor do que o valor da remuneração pactuada em contrato. Desse modo, com base nesse raciocínio econômico, os partidários do reajustamento da base de cálculo da CIDE sustentam que se ocorre a incidência da CIDE sobre o IRRF quando o contribuinte deste imposto assume o ônus financeiro por seu recolhimento, por uma questão de isonomia também deverá incidir quando o ônus financeiro for assumido pela fonte pagadora (tomador do serviço), resultando daí a conclusão no sentido de que é preciso reajustar a base de cálculo da CIDE por meio da adição do valor do IRRF. Entretanto, tal raciocínio carece de sustentabilidade jurídica. A uma porque o fato de o IRRF estar "embutido" na remuneração do serviço e de uma das partes assumir o ônus pelo seu recolhimento é um dado econômico não juridicizado pelo legislador. E, a duas, porque o aplicador do direito não pode estabelecer como premissa válida que o IRRF deve incidir antes da CIDE para, em seguida, concluir que a CIDE deve incidir sobre o IRRF. Vejamos. A incidência tributária é um fenômeno puramente jurídico, não sendo lícito ao aplicador do direito utilizar dados econômicos para alterar a base de cálculo da CIDE, que se encontra prevista em lei. Não se olvide que a assunção do ônus financeiro pelo recolhimento do IRRF é um fato juridicamente irrelevante para a Lei nº 10.168/2000. Fl. 5617DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 12 Nesse passo, não se pode assumir que o valor a ser pago ao beneficiário no exterior seja composto pela remuneração do serviço e pelo IRRF. Isto porque, num primeiro momento, o que existe é a apenas a remuneração estabelecida em contrato, ou seja, um valor único a ser pago a título de contraprestação por um bem ou serviço recebido. Somente após o pagamento, ou melhor, somente após o pagamento se transformar em rendimento do beneficiário no exterior é que será cabível falar em incidência de Imposto de Renda. Assim, embora sob o ponto de vista econômico seja possível sustentar que o valor do IRRF esteja contido no valor da remuneração do serviço, sob o ponto de vista jurídico o que existe é apenas a remuneração. E apenas a remuneração estipulada em contrato foi eleita pela lei como sendo a base de cálculo da CIDE. Além disso, o raciocínio engendrado para sustentar a possibilidade de reajustamento da base de cálculo da CIDE encerra um vício de ordem lógica, pois estabelece como válida a premissa de que o IRRF incide ou deve incidir antes da CIDE. Ao criticar as teorias tradicionais que tentam explicar o fenômeno da isenção tributária, Paulo de Barros Carvalho consignou que não existe cronologia entre as normas jurídicas que incidem sobre um mesmo fato da realidade social, in verbis: "(...) E, de fato, é insustentável a teoria da isenção como dispensa do pagamento de tributo devido. Traz o pressuposto de que se dá a incidência da regra matriz, surge a obrigação tributária e, logo a seguir, acontece a desoneração do obrigado, por força da percussão da norma isentiva. O preceito da isenção permaneceria latente, aguardando que o fato ocorresse, que fosse juridicizado pela norma tributária, para, então, irradiar seus efeitos peculiares, desjuridicizandoo como evento ensejador de tributo, e transformandoo em fato isento. Essa desqualificação factual seria obtida mediante a exclusão do crédito, outra providência logicamente impossível. Traduz, na verdade, uma cadeia de expedientes imaginativos, para amparar uma inferência absurda e contrária ao mecanismo da dinâmica normativa. Não há cronologia na atuação de normas vigorantes num dado sistema, quando contemplam idêntico fato do relacionamento social. Equivaleria a atribuir maior velocidade à regramatriz de incidência tributária, que chegaria primeiro ao fato, de tal sorte que, quando chegasse a norma de isenção, o acontecimento do mundo real já se encontrasse juridicizado. Sobre ferir concepções elementares do modo como se processa a normatização dos fatos sociais pelo direito, a tese confere predicados à dinâmica de atuação das normas, que elas verdadeiramente não têm. (...)"2 Mutatis mutandis, não se pode atribuir maior velocidade de incidência à normapadrão do IRRF de modo que ela alcance a remessa efetuada ao exterior antes do que a normapadrão da CIDE. Portanto, se não existe cronologia na incidência de normas jurídicas que atuem sobre um mesmo fato, então não é possível estabelecer como premissa válida, no caso das remessas ao exterior pela remuneração de serviços, que primeiro se deve apurar o imposto de renda sobre a operação para depois adicionálo à base de cálculo da CIDE, caso o responsável pela retenção do IRRF assuma o ônus financeiro pelo seu pagamento. Sem previsão legal expressa, o aplicador do direito não pode escolher o tributo que deve incidir primeiro sobre as remessas ao exterior. Isto porque as hipóteses de incidência do IRRF e da CIDE estão previstas em normas jurídicas de igual hierarquia, 2 Carvalho, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 7 ed, 1995, pág 326327. Fl. 5618DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 3403003.029 S3C4T3 Fl. 5.613 13 vigentes de forma concomitante no tempo e no espaço. Se as duas leis são concomitantes no tempo e no espaço, é necessário fazer as seguintes indagações: 1) com base em quê o aplicador do direito escolherá a norma que incidirá primeiro?; 2) por qual razão o IRRF deve incidir primeiro? 3) no caso do ônus pelo IRRF ser assumido pelo tomador do serviço, com base em qual razão jurídica o IRRF deve ser adicionado ao valor da remuneração para só então ocorrer a incidência da CIDE? Parece óbvio que diante da inexistência de lei determinando a precedência de um tributo sobre o outro ou mesmo a incidência em cascata de um sobre o outro, não cabe ao intérprete valerse de considerações econômicas e não cogitadas pela lei (o IRRF estar embutido” na remuneração e a assunção do ônus pelo seu pagamento) para concluir que o valor desse imposto deva ser adicionado à base de cálculo da CIDE. Tratandose de tributos cujas normas de incidência estão vigentes de forma concomitante no tempo e no espaço e diante da inexistência de lei, não só no sentido de determinar a precedência de um tributo relação ao outro, mas também no sentido de que um deva integrar a base de cálculo do outro, só resta ao aplicador do direito fazer com que as normas incidam de forma isolada e simultânea sobre o mesmo fato. Não há como sustentar com argumentos jurídicos válidos a incidência de um tributo sobre o outro. Se não existe cronologia entre normas que incidam sobre o mesmo fato, o IRRF e a CIDE devem incidir no mesmo instante sobre a remuneração estipulada em contrato, não havendo que se cogitar da inclusão ou da exclusão do IRRF de sua base de cálculo. Não foi por outro motivo que o art. 10 do Decreto nº 4.195/02, que regulamentou a Lei nº 10.168/00, reafirmou que a base de cálculo da contribuição é a remuneração prevista "nos respectivos contratos", in verbis: "Art.10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, (...)" Por outro lado, é necessário lembrar que a fonte pagadora ao assumir o ônus financeiro pelo pagamento do IRRF recolhe tributo de terceiro, mas, ao recolher a CIDE, recolhe tributo em nome próprio. No caso do IRRF, sustentouse no passado que quando o ônus financeiro do contribuinte era suportado pela fonte pagadora, o pagamento efetivo era maior do que a importância líquida transferida ao beneficiário, pois nesta hipótese a fonte pagadora incorria em uma despesa maior ao recolher um encargo que não era dela. Tratavase, como é óbvio, de um raciocínio econômico e para que fosse possível o reajustamento da base de cálculo nos casos em que o ônus financeiro do imposto de renda fosse assumido pela fonte pagadora, foi necessária a introdução de previsão legal específica no art. 5º da Lei nº 4.154/62 (art. 725 do RIR/99). Com o advento do art. 5º da Lei nº 4.154/62, o raciocínio econômico foi juridicizado pelo legislador, tornando jurídica a exigência no sentido de que a fonte pagadora considerasse líquida a quantia creditada ao beneficiário, cabendo o reajustamento da base de cálculo do IRRF. Fl. 5619DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 14 Entretanto, a mesma situação não ocorre no caso da CIDE, pois neste caso o contribuinte é a própria fonte pagadora da remuneração. Portanto, não existe justificativa econômica para reajustar a base de cálculo da CIDE, uma vez que ao recolher esta contribuição a fonte pagadora recolhe tributo próprio e não de terceiro. Por tais razões é que nem a Lei nº 10.168/2000 e tampouco o decreto que a regulamentou cogitaram do reajustamento da base de cálculo da CIDE por meio da adição de um valor que corresponde a outra espécie tributária: o IRRF. Resumindo: independente de quem assuma o ônus financeiro pelo recolhimento do IRRF, a contribuição instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168/00 incide sobre o valor da remuneração pactuada em contrato, sendo incabível incluir ou excluir de sua base de cálculo o IRRF incidente sobre o mesmo fato. Com esses fundamentos, divirjo do ilustre relator e voto no sentido de excluir do lançamento o crédito tributário apurado em decorrência do reajustamento da base de cálculo da CIDE. Sala de sessões, em 29 de maio de 2014 Antonio Carlos Atulim Fl. 5620DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 19647.001919/2003-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.131
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 01 91 9/ 20 03 -0 2 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0811.330/2007, da 4ª Turma da DRJ/FortalezaCE (fls. 120)1. Os fatos se encontram assim relatados na decisão contestada: "Cuida o presente processo de Declaração de Compensação de débitos de tributos diversos, com a indicação de que o crédito tributário utilizado decorreria de saldo negativo do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica – IRPJ apurado no anocalendário de 2001. Consubstanciado no Relatório de Informação Fiscal (fl. 81), o Titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife – PE prolatou o Despacho Decisório Seort/IRPJ (fl. 82), não homologando a compensação pleiteada, sob o fundamento de inexistência dos créditos informados e determinando a cobrança dos débitos não compensados constantes das declarações de compensações. Inconformado com a não homologação da Declaração de Compensação, do qual tomou ciência por meio do Edital nº 89 (fl. 87), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 20/10/2005 (fls. 91/92), contra o Despacho Decisório Seort/IRPJ (fl. 82), na qual fundamenta sua defesa com os argumentos a seguir descritos: (...)" O crédito requerido neste processo foi utilizado para compensação ex officio com débitos apurados em procedimento fiscal no processo nº 19647.013200/200497 (fls. 85 e 86). O órgão de primeira instância não conheceu da manifestação de inconformidade, por considerála intempestiva, assim resumindo a decisão: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001 Intempestividade da Impugnação Considerase intempestiva a peça impugnatória ofertada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal." Nas fls. 127/130 estão o aviso de recebimento dos Correios (AR) enviado para a Av. Caxangá, 3841, SL 10, Iputinga, RecifePE, devolvido com indicação "mudouse", o extrato de dados cadastrais e o edital de intimação. Extrato de dados cadastrais de Hipercard Banco Mulutiplo S/A nas fls. 131. Hipercard Banco Múltiplo S/A apresentou recurso voluntário na condição de sucessora por incorporação de Hipercard Administradora de Cartão de Crédito Ltda (fls. 190). 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 380DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.001919/200302 Resolução nº 1103000.131 S1C1T3 Fl. 4 3 Alegou ser tempestivo o recurso apresentado em 25/06/2008, tendo em vista a ciência do acórdão no dia 23/05/2008, uma sextafeira, vencendose o prazo recursal de 30 (trinta) dias no dia 24 do mês seguinte (terçafeira), feriado no Recife por ocasião dos festejos juninos (fls. 227/229). Defendeu o provimento do recurso para o fim de deferimento dos pedidos de restituição/compensação formulados ou que, ao menos, seja reconhecida a tempestividade da manifestação de inconformidade com a conseqüente devolução dos autos para que a DRJ se manifeste sobre o mérito. Requereu o sobrestamento do julgamento na hipótese de se entender que o pedido de restituição/compensação só deve ser deferido se houver o provimento do recurso voluntário interposto no processo nº 19647.013200/200497 (fls. 24). O recurso foi considerado intempestivo pelo órgão preparador (fls. 235 e 265/270), com seguimento negado, sendo encaminhado a este Conselho por determinação do Sr. Superintendente da Receita Federal na 4ª Região Fiscal (fls. 283) em face da apreciação do pedido de reconsideração formulado pela contribuinte (fls. 238). É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. Viuse no relatório a existência de questionamento acerca da tempestividade do recurso interposto no dia 25/06/2008 (fls. 190). A contribuinte alegou ter sido formalmente cientificada do acórdão de primeira instância no dia 23/05/2008, segundo comprovaria o aviso de recebimento (AR) de fls. 188. Juntou o envelope a si endereçado via Correios sob o registro RB935252242BR (fls. 253), coincidente com o indicado no AR. Segundo despacho do órgão preparador (DRF/RecifePE), a ciência à contribuinte teria ocorrido por edital no dia 24/03/2008, o que significaria a intempestividade do recurso apresentado cerca de 3 meses depois. Consta dos autos prova de tentativa de intimação do Acórdão por via postal para o endereço da Av. Caxangá, 3841, SL 10, Iputinga, RecifePE (fls. 126/128). A correspondência retornou à origem com indicação de "mudouse" (fls. 128). Com efeito, há dúvida quanto à data de ciência da decisão de primeira instância e até mesmo a respeito da intempestividade da manifestação de inconformidade considerada na decisão recorrida, haja vista a informação contrária prestada por servidora do órgão preparador, atestando a sua tempestividade (fls. 118). Fl. 381DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.001919/200302 Resolução nº 1103000.131 S1C1T3 Fl. 5 4 O exame dos autos revela a necessidade de instrução complementar, prestigiandose o princípio da verdade material, orientador do processo administrativo tributário, devendo o processo ser devolvido à DRF de origem para, em procedimento de diligência, a adoção das seguintes medidas: a) informar se o AR de fls. 188 se refere à ciência do Acórdão recorrido (em 23/05/2008) e juntar prova, tendo em vista constar como "declaração de conteúdo" apenas a indicação do número deste processo; b) informar se o AR de fls. 90/91 se refere à ciência da intimação de fls. 89, relativa ao Despacho Decisório SEORT/IRPJ (fls. 87), e juntar prova, tendo em vista constar como "declaração de conteúdo" apenas a indicação do número deste processo, entre outros; c) ainda quanto ao AR do item anterior ("b"), percebese inexistirem registros de entrega à destinatária ou de motivo de devolução. Esclarecer qual das duas hipóteses referidas ocorreu e juntar prova; d) trazer aos autos a "informação contida no verso do Edital" referida no voto condutor do acórdão contestado, tendo em vista não se encontrar na versão digitalizada deste processo, única disponível para o exame deste relator, o verso da referida peça (fls. 92); e) informar a data da incorporação de Hipercard Administradora de Cartão de Crédito Ltda por Hipercard Banco Múltiplo S/A, a data da aprovação da operação pelo Banco Central e a data da comunicação formal à RFB da mudança de endereço ou da sua realização ex officio, da Av. Caxangá, 3841, SL 10, Iputinga, RecifePE, para a R. Ernesto de Paula Santos, 187, loja 1, Boa viagem, RecifePE. A autoridade fiscal encarregada do procedimento deverá (i) elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de documentação que entender necessária, (ii) entregar cópia do relatório à contribuinte e (iii) concederlhe prazo de 30 (trinta) dias para pronunciamento sobre o relatório de diligência, em observância às prescrições do art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/2011, após o que o processo deverá retornar a esta Turma para prosseguimento do julgamento. Conclusão Pelo exposto, converto o julgamento em diligência nos termos acima propostos. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 382DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10680.905925/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
JUNTADA INTEMPESTIVA DE DOCUMENTOS.
As hipóteses em que o Decreto n° 70.235, de 1972, admite a juntada intempestiva de documentos são taxativas.
COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE.
Não se admite a compensação de débito com crédito que não se comprova existente.
Numero da decisão: 1202-001.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por maioria de votos, em não conhecer dos documentos apresentados nesta fase recursal, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Geraldo Valentim Neto; por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório; pelo voto de qualidade, em afastar a preliminar de preclusão da análise do valor do direito creditório, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 JUNTADA INTEMPESTIVA DE DOCUMENTOS. As hipóteses em que o Decreto n° 70.235, de 1972, admite a juntada intempestiva de documentos são taxativas. COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE. Não se admite a compensação de débito com crédito que não se comprova existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por maioria de votos, em não conhecer dos documentos apresentados nesta fase recursal, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Geraldo Valentim Neto; por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório; pelo voto de qualidade, em afastar a preliminar de preclusão da análise do valor do direito creditório, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 59 25 /2 01 2- 32 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Conforme o relatado no Acórdão 0239.576 2ª Turma da DRJ/BHE, de 05/06/2012 (Fls. 192 a 207): O despacho decisório de fl. 53 foi emitido contra o interessado acima identificado, para homologar parcialmente a compensação efetuada no PER/DCOMP n.º 05104.10977.160807.1.3.027829. A homologação parcial foi motivada pela insuficiência do crédito utilizado para compensar os débitos informados. Tal crédito decorreria da apuração de saldo negativo de IRPJ referente ao exercício de 2007, anocalendário de 2006. Conforme PER/DCOMP e DIPJ, o valor desse saldo negativo seria igual a R$ 63.924.297,98. As parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP são constituídas imposto pago no exterior, retenções na fonte, pagamentos e compensação de estimativas mensais. No despacho decisório, só não foi confirmado o imposto pago no exterior. As parcelas admitidas somam R$ 155.620.383,84. Considerandose que, conforme DIPJ, o IRPJ anual devido é igual R$ 92.249.863,59, foi reconhecido saldo negativo disponível no valor de R$ 63.370.520,25. Os débitos indevidamente compensados somam R$ 2.821.466,87 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: art. 168 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN); § 1º do art. 6º e art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996; art. 4º da IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. A ciência do despacho se deu em 16/04/2012 (fl. 56). Em 16/05/2012, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fl. 02 a 25. Nela constam os seguintes argumentos: o imposto pago no exterior deverá compor o saldo negativo de IRPJ; não cabe aplicação das multas de mora assim identificadas: Fl. 523DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 4 3 a) Para a PER/Dcomp na. 07959.41618.110707.1.7.024484 (doc. 08, ci t) , a multa de 9,90% sobre o débito corresponde a aplicação proporcional, no percentual de 0,33%/dia pelo período de 30 dias, decorridos entre o vencimento do tributo, ocorrido em 28.02.2007 e o envio da DCOMP realizado em 30 03.2007. b) Para a PER/Dcomp n° 26941.54649.160807.1.7.020709 (doc. 08, ci t) . a multa de 13,53% sobre o débito corresponde a aplicação proporcional, no percentual de 0,33%/dia. pelo período de 41 dias, decorridos entre o vencimento do tributo, ocorrido em 31.05.2007 e o envio da DCOMP original realizado em 11.07.2007. o despacho decisório deve ser anulado, por vício substancial, em face da limitada possibilidade de cognição dos fatos e do direito, decorrente da adoção de cruzamento eletrônico de declaração como única causa de decidir no presente processo: despachos eletrônicos não substituem a inteligência fiscal e não permitem a cognição dos fatos pertinentes ao objeto da exigência tributária, tampouco são aptos ao manejo e aplicação do direito em toda sua extensão e complexidade que a matéria sob apreciação envolve; não há motivo ou motivação movendo o ato administrativo do lançamento; as razões invocadas nos despachos eletrônicos resumemse a cruzamentos de informações prestadas em obediência a um dever instrumental imposto por lei, inaptas a desconstituir o direito material dos contribuintes; a decisão fiscal não se preocupa se os dados da realidade efetivamente correspondem àqueles constantes das declarações cotejadas pelo cruzamento eletrônico e se as mesmas teriam sido retificadas; a autuação fiscal carece de fundamentos válidos, já que se socorre de aspectos meramente formais para negar o direito substantivo à compensação, deixando de averiguar a verdade material; a Receita Federal se furta de seu dever legal de apreciar efetivamente a relação jurídica substantiva estabelecida entre fisco e contribuinte, a pretexto de supostas irregularidades formais, pretendendo que a DRJ, com base nos elementos de prova trazidos pelo contribuinte, sane a falta de fundamentação do seu despacho decisório; o despacho não logrou demonstrar a ocorrência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos hábeis para negar o direito do contribuinte ao exercício da compensação; o despacho decisório deve ser anulado, porque a multa de mora contestada não poderia ser exigida pela via indireta e insidiosa da não homologação: Fl. 524DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 5 4 a prévia constituição do débito por meio de lançamento de ofício é necessária para a cobrança de multa de mora; não houve lavratura de nenhum auto de infração para constituição e cobrança dos referidos encargos moratórios, de modo que jamais poderiam ser exigidos pelo fisco; a imputação do pagamento de tributo, tal como prevista no art. 163 do CTN, é inconstitucional; não se admite que o fisco, pelo artifício da imputação do pagamento, exija do sujeito passivo tributo que ele não deseja pagar; ainda que não fosse inconstitucional, a imputação é instituto incompatível com a compensação; a Receita Federal fere o caput do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, quando quita parte da multa que o contribuinte não deseja pagar, segundo o qual, cabe ao contribuinte dizer qual crédito e qual débito deseja quitar com o instituto da compensação; a aplicação da imputação na compensação leva ao absurdo de que ao contribuinte só cabe declarar o crédito, ficando a identificação do débito a cargo da Receita Federal; em abono de sua tese são invocados acórdãos do CARF e jurisprudência; o direito de o fisco reapurar o saldo negativo de 2006 decaiu em 31/12/2011 e os valores informados em DIPJ devem ser mantidos: o IRPJ é tributo que se sujeita ao lançamento por homologação; aplicase a ele a regra do § 4º do art. 150 do CTN; assim é que, transcorridos cinco anos do fato gerador sem que a autoridade administrativa tenha contestado a regularidade das apurações declaradas pelo contribuinte, estas se consideram homologadas, ainda que tacitamente; se não é mais permitido lançar tributo devido, tampouco poderá ser revista a declaração apresentada pelo contribuinte; os resultados lançados pelo contribuinte em sua declaração tornamse imutáveis com o decurso do prazo decadencial; em abono de sua tese são invocados acórdãos do CARF; a contagem do prazo pelo envio da DCOMP não é adequada porque não há sentido na renovação de prazo decadencial e porque a lei complementar prevalece sobre a lei ordinária que a confronta, por força do art. 146 da CF; o imposto retido no exterior pode ser compensado com o IRPJ devido no Brasil, conforme art. 395 do RIR de 1999: Fl. 525DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 6 5 tratase de imposto de renda retido na fonte decorrente de assessoria técnica prestada pela requerente; os serviços foram prestados no exterior; os valores foram recolhidos no exterior por controlada; os valores retidos podem ser compensados com o IRPJ devido no Brasil, conforme art. 395 do RIR de 1999; o despacho eletrônico não se preocupa se os dados da realidade efetivamente correspondem àqueles das declarações cotejadas pelo cruzamento de informações e se as mesmas teriam sido retificadas; instruem a manifestação de inconformidade informes de rendimentos (Declaracion jurada de retenciones em la fuente), que são documentos aptos a comprovarem a retenção na fonte; pedese prazo de 30 dias para apresentação dos informes traduzidos por tradutor juramentado; a recorrente pugna pela juntada posterior de documentação suporte que seja capaz de comprovar o pagamento do IR no exterior; a aplicação da multa de mora contestada é afastada pela denúncia espontânea: os débitos foram compensados por meio de PER/DCOMP enviado depois do vencimento; não obstante, os débitos foram compensados antes de serem informados em qualquer declaração por parte do contribuinte e antes de qualquer fiscalização por parte da autoridade administrativa; esses fatos afastam a exigência da multa de mora, por força do art. 138 do CTN; o entendimento do STJ sobre tributo declarado e pagos a destempo, expresso na Súmula n.º 360, não se aplica ao caso, uma vez os PER/DCOMP foram transmitidos em momento concomitante ao da transmissão das DCTF em que foram declarados; o débito de estimativa de IRPJ do mês de janeiro de 2007, vencido em 28/02/2007, foi extinto em 30/07/2007, com o PER/DCOMP n.º 25814.40889.300307.1.3.028453, retificado pelo PER/DCOMP n.º 07.959.41618.110707.1.7.024484; o débito de estimativa de IRPJ do mês de abril de 2007, vencido em 31/05/2007, foi extinto em 11/07/2007, com o PER/DCOMP n.º 26941.54649.160807.1.7.020709; Fl. 526DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 7 6 em ambos os PER/DCOMP, o contribuinte deixou de incluir a multa de mora e incluiu os juros de mora, calculados entre o vencimento e a extinção do débito; o preenchimento do PER/DCOMP n.º 11771.41577.140807.1.3.024842 se fez de forma diferente, porque ele foi transmitido em 14/08/2007, depois da entrega da DCTF, em 11/07/2007; nesse caso, foram incluídos juros de mora e multa de mora; por todo o exposto pedese: a homologação da compensação com a extinção do débito compensado; a concessão de prazo de 30 dias para apresentação de informes de rendimentos devidamente traduzidos por tradutor juramentado. O acórdão recorrido apresenta a seguinte ementa: GLOSA DE PARCELAS QUE COMPÕEM O SALDO NEGATIVO DECADÊNCIA. O procedimento de verificação do saldo negativo de IRPJ utilizado em compensação não está limitado pelo prazo decadencial de que trata o § 4º do art. 150 do CTN. COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE. Não se admite a compensação de débito com crédito que não se comprova existente. MULTA DE MORA. A aplicação da multa de mora deve ser afastada, na situação em que o contribuinte efetua o pagamento ou a compensação do débito (tributo, acrescido dos juros de mora), antes ou concomitantemente à apresentação das declarações em que façam a confissão de dívida respectiva (tais como DCTF, DIRPF, GFIP e Dcomp), e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da referida decisão em 20/07/2012 (Fls. 210), a Recorrente interpôs o presente recurso em 20/08/2012 (Fls. 211) requerendo a reforma parcial do acórdão em Fl. 527DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 8 7 primeira instância para que se reconheça a insubsistência do Despacho Decisório n° 020766391, com conseqüente homologação da compensação declarada e a extinção do débito fiscal nesta compensado (Fls. 17). Em 18/09/2012, a Recorrente protocolou tradução juramentada de documentos apresentados junto ao presente recurso (Fls. 480 a 520). Subiram os autos ao CARF com distribuição a este relator em 06/08/2013 por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator. Tratase de recurso contra acórdão que homologou parcialmente a compensação efetuada pela Recorrente no PER/DCOMP n° 05104.10977.160807.1.3.027829. Segundo o acórdão recorrido: Os débitos compensados com o saldo negativo de IRPJ do exercício 2007 são os abaixo discriminados: PER/DCOMP Data DCOMP original Código da Receita PA Vencimento Valor do principal 07959.41618.110707.1.7.024484 30/03/2007 2362 jan/07 28/02/2007 12.616.965,91 14677.81815.110707.1.7.026221 30/03/2007 2362 fev/07 30/03/2007 9.642.881,19 36035.34054.140807.1.7.021705 27/04/2007 2362 mar/07 30/04/2007 12.069.347,36 26941.54649.160807.1.7.020709 11/07/2007 2362 abr/07 31/05/2007 6.706.953,50 00240.13341. 160807.1.7.021520 11/07/2007 2362 jun/07 31/07/2007 14.069.035,88 11771.41577.140807.1.3.024842 14/08/2007 2362 mar/07 30/04/2007 3.001.410,09 05104.10977.160807.1.3.027829 16/08/2007 2362 jul/07 31/08/2007 8.161.854,07 66.268.448,00 Excluída a multa de mora incidente sobre os débitos compensados referentes a janeiro e abril, a compensação se faz conforme cálculos que se seguem: Débito compensado Crédito Utilizado Juros de Mora Multa de Mora Crédito original antes da compens. Cód. De Rec. PA Principal compens. % Valor % Valor Selic Crédito original usado na compens. Saldo do crédito original 63.370.520,25 2362 jan/07 12.616.965,91 1,00% 126.169,66 9,90% 2,95% 12.377.985,01 50.992.535,24 50.992.535,24 2362 fev/07 9.642.881,19 2,95% 9.366.567,45 41.625.967,79 41.625.967,79 2362 mar/07 12.069.347,36 4,00% 11.605.141,69 30.020.826,10 30.020.826,10 2362 abr/07 6.706.953,50 1,91% 128.102,81 13,53% 6,88% 6.395.075,14 23.625.750,95 23.625.750,95 2362 jun/07 14.069.035,88 6,88% 13.163.394,35 10.462.356,61 10.462.356,61 2362 mar/07 3.001.410,09 3,91% 117.355,13 20,00% 600.282,02 7,85% 3.448.351,64 7.014.004,97 7.014.004,97 2362 jul/07 5.340.387,20 7,85% 4.951.680,30 2.062.324,67 2.062.324,67 2362 jul/07 2.224.217,16 7,85% 2.062.324,67 Total 65.671.198,29 371.627,61 600.282,02 \\\\\\\\ 63.370.520,25 \\\\\\\\\\\\\ Fl. 528DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 9 8 No demonstrativo acima, o débito de julho de 2007, compensado no PER/DCOMP n.º 05104.10977.160807.1.3.027829, foi desmembrado em duas parcelas, em razão do objeto do litígio. Nesse PER/DCOMP, o contribuinte pretendeu compensar débito no valor de R 8.161.854,07. Desse valor, no despacho decisório, foram considerados compensados R$ 5.340.387,20. Assim sendo, o objeto do litígio é a compensação da diferença, no valor de R$ 2.821.466,87. Mesmo feita a pleiteada exclusão da multas de mora, o crédito reconhecido no despacho decisório não é suficiente para homologar a compensação de todo o valor do débito de julho (R$ 8.161.854,07), mas de apenas R$ 7.564.604,36. Conforme fl. 69, considerouse, no despacho decisório, que, após as compensações anteriores efetuadas, restou crédito original na data da transmissão do PER/DCOMP n.° 05104.10977.160807.1.3.027829 no valor de R$ 4.951.680,30. Excluídas as multas, verificase que o crédito original na data da transmissão do PER/DCOMP n.° 05104.10977.160807.1.3.02 7829 é igual a R$ 7.014.004,97. Após a compensação já homologada no despacho de parte do débito de julho de 2007 no valor de R$ 5.340.387,20, restou crédito original no valor de R$ 2.062.324,67. Esse crédito é suficiente para acobertar parte do débito em litígio, no valor de R$ 2.224.217,16. Restam indevidamente compensados R$ 597.249,71 (2.821.466,87 2.224.217,16). Destarte, o litígio em análise referese ao valor de imposto sobre a renda retido no exterior de R$553.778,13 (Fls. 65) não reconhecido pelo despacho decisório (Fls. 119). Segundo a Recorrente (Fls. 213): Tendo em vista a homologação parcial do crédito compensado, o débito foi reformulado e atualmente encontrase assim decomposto (em jul/2012): Ocorre que a Recorrente não pode concordar com o entendimento da DRJ quanto à parcela do crédito não reconhecida, pelos fatos que passa a expor. Preliminarmente ao conhecimento do presente recurso, cumpre destacar a apresentação de petição incidental em 18/09/2012, requerendose a este colegiado a juntada da tradução pública juramentada dos seguintes documentos: "contrato de assistência técnica e licença de conhecimento knowhow" (doc. 01), e "faturas comerciais" (doc. 02), os quais se prestam a comprovar o vínculo da empresa como beneficiária dos valores pagos no exterior, que sofreram a retenção do Imposto de Renda. Segundo justifica a Recorrente: (...)a juntada posterior dos referidos documentos se deu em razão do prazo necessário para que fosse realizada a tradução juramentada, requisito essencial para que os documentos redigidos em língua estrangeira possam produzir efeitos legais no país e serem apreciados por este órgão julgador. Principal Multa Juros Total 597.249,71 119.449,94 302.745,87 1.019.445,52 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 10 9 Segundo os §§ 4° e 5°, do art. 16, do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As referidas alíneas constituem as exceções, autorizadas pela Lei do Processo Administrativo Fiscal, ao Princípio da preclusão, cujos esclarecimentos de Dionísio Koch (Processo Administrativo Tributário e Lançamento, São Paulo: Malheiros, 2012, 2ed. pp. 65 a 67) : Princípio da Preclusão Dizse que ocorreu a preclusão quando a parte no processo perde uma faculdade de exercer um ato processual, ou o exerceu de forma a não produzir efeitos, por ser intempestivo ou contaminado por outra irregularidade, extinguindose o direito de reproduzir o ato. É a perda da oportunidade processual. A preclusão extingue o direito de praticar um ato processual, sem, entretanto, interferir no direito material nele discutido. Assim, por exemplo, se o contribuinte perdeu o prazo para impetrar a reclamação, preclui o seu direito para essa fase de defesa, e o seu recurso ordinário, ainda que interposto dentro do prazo, não modificará a decisão singular que julgou a reclamação intempestiva. O processo se extingue e o lançamento permanecerá inalterado. Porém, o contribuinte não perderá o direito material e terá duas alternativas para reivindicálo: a) paga o crédito relativo à notificação fiscal e requer a repetição do indébito, considerando que o lançamento era indevido e que à Fazenda Pública não é lícito exigir um tributo que não teve origem num fato gerador respectivo; b) recorre ao Judiciário para discutir o mérito. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 11 10 Para algumas legislações, temse como exemplo de preclusão a impossibilidade de aduzir vícios de nulidades relativas na constituição do crédito tributário na fase de recurso voluntário, na segunda instância, portanto, que não foram suscitadas na primeira oportunidade em que o contribuinte se manifestou no processo, no caso, na impugnação do lançamento. Não é o caso da nulidade absoluta que, por ser de interesse público, pode ser levantada a qualquer tempo, inclusive de ofício. Na lição de Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martínez López, a preclusão tem o seguinte significado: “ Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior”. O princípio da preclusão não figura em todas as obras que tratam deste tema específico, o que implica dizer que nem todos os autores reconhecem este princípio no processo administrativo tributário ou, pelo menos, não lhe dão a importância que justifique a inclusão neste rol. Todavia, preferimos abordar este princípio, não pelo seu poder de particularização no processo administrativo, mas pela discussão que encerra se confrontado com outros princípios, tais como o da informalidade ou formalidade moderada e o da verdade real, princípios estes informadores do mesmo tipo de processo. Como admitir a coexistência do princípio da preclusão que limita a oportunidade de aduzir razões de defesa com o princípio da verdade real que prima pela busca de informações e provas fora do processo, permitindo até que o julgador levante questões contrárias ao lançamento de ofício? A justificativa do princípio da preclusão está na própria vocação instrumental do processo, de qualquer esfera (administrativa ou judicial). O processo, como instrumento que é, para se obter uma decisão no final, deve ser impulsionado a prosseguir, sem retrocessos, sem voltar a estágios anteriores, considerando os atos processuais praticados definitivos, ressalvados, é claro, os casos de nulidades. Há que se admitir que o reconhecimento da preclusão em processo administrativo abre uma tensão diante de princípios que informam esta espécie de processo, tais como o da verdade real, o da informalidade ou mesmo diante da possibilidade de a Administração Pública poder rever os seus atos quando contrários à lei. A coexistência destes princípios é matéria tormentosa e desafia o exegeta a fazer as mitigações necessárias para que estes não colidam frontalmente, anulandose uns aos outros. Porém, a permissão para introduzir na via administrativa a preclusão decorre da própria essência instrumental do Fl. 531DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 12 11 processo, na medida em que este instrumento representa o caminho em direção a uma conclusão final, dentro de um propósito de irreversibilidade dos atos praticados. Admitir novos argumentos da parte contestatória a cada momento paralisaria o processo, visto que haveria um retrocesso em sua tramitação na necessidade de proferir novos julgamentos neles baseados. A preclusão pode ser traduzida no princípio da eventualidade ou da concentração da defesa na contestação, ao se tratar de processo judicial. Este princípio adaptado ao processo administrativo tributário requer que todas as razões de defesa que o contribuinte pretenda argüir devam ser apresentadas na primeira oportunidade em que ele questionar o lançamento. A não contestação de determinado fato impõe ao julgador presumir verdadeira a acusação fiscal. Portanto, a admissão de inovações nas razões de defesa aniquilaria os fundamentos do processo, pois que a ordem seqüencial dos atos praticados se inverteria e o processo teria o seu ciclo de tramitação tumultuado, só servindo aos interesses daqueles que se utilizam do processo como uma maneira de postergar a solução final. É tradição do Direito considerar não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na primeira oportunidade em que a parte interessada falar no processo. É neste sentido que orienta o art. 302 do CPC, ao afirmar que “Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados (...)”. No mesmo sentido prescreve o art. 58 do Decreto 7.574/2011 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal federal. Eis os seus termos: “Art. 58 Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” O Decreto também delimita a oportunidade da apresentação da prova documental no contencioso administrativo tributário, ao exigir que esta prova seja apresentada junto com a impugnação, reconhecendo a preclusão do direito de fazêlo posteriormente, ressalvadas as seguintes hipóteses: (I) quando se demonstre a impossibilidade da apresentação da prova no momento oportuno por motivo de força maior; (II) que a prova se refira a fato ou direito superveniente; ou (III) que a prova se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos pelas partes processuais (§4o. do art. 57). O duplo grau de jurisdição, que é uma garantia do litigante para julgamento de processo administrativo e judicial, também fornece suporte de admissibilidade da preclusão. No caso do processo administrativo tributário, se a matéria não for apresentada na primeira oportunidade em que o acusado se manifesta no processo, que é a impugnação do lançamento, Fl. 532DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 13 12 sempre haverá supressão de instância, pois o julgador singular não irá apreciar a matéria somente apresentada na fase de recurso. Além disso, não reconhecer a preclusão no direito de recorrer traria como conseqüência a dilação do prazo recursal, visto que o contribuinte poderia apresentar uma petição preliminar, sem conteúdo capaz de atacar o ato fiscal, para cumprir formalmente o prazo protocolar, e, em tempo posterior, produzir e apresentar a defesa de fato, com todos os argumentos de vigor para contraditar o lançamento. Portanto, não estivesse previsto em lei, a ordem normal das coisas induz à conclusão da necessidade de se aduzir todas as razões de defesa e suas respectivas provas, na primeira manifestação no processo. Por outro lado, têmse os argumentos que militam conta a preclusão no processo administrativo. Em primeiro lugar, conforme já mencionado, os princípios da verdade real e da informalidade abrem uma maior liberdade de ação da defesa e uma perspectiva investigatória pelo julgador durante a fase processual para trazer aos autos novas informações, novas provas, novos fatos, para a busca da melhor verdade. E esta conduta ativa do julgador no processo não se compatibiliza com o fenômeno da preclusão. O segundo aspecto que se contrapõe à preclusão é de origem normativa e se verifica na Lei 9.784/1999, que dispõe sobre o processo administrativo federal. Pelo §2o. do art. 63, o não conhecimento do recurso pelas razões expostas no caput do artigo, “não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida a preclusão administrativa”. O mesmo diploma legal, em seu art. 65, prevê que “Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada”. Para concluir, a despeito destas orientações aparentemente contraditórias, parece possível a coexistência dos princípios mencionados no processo administrativo tributário, desde que a sua aplicação seja mitigada a ponto de trazer benefícios à tramitação e à objetividade do processo. A busca da verdade real e o informalismo não podem ser justificativas para tumultuar a tramitação processual nem biombo para dissimular práticas processuais incompatíveis com a prática da dialética, que consistem em trazer aos autos provas e argumentos novos, de forma extemporânea, para surpreender a outra parte, tentando desarmála em sua argumentação. A boafé das partes deve nortear o julgador neste particular. Cabe ao julgador, com seu poder de discernimento, detectar as hipóteses em que as inovações no processo (novas matérias e novas provas) devam ser necessariamente acolhidas, em razão do princípio da verdade real e a partir de que ponto estas inovações devam ser repelidas por representarem medidas protelatórias, ou mesmo litigância de máfé. À preclusão deve ser atribuída esta Fl. 533DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 14 13 importante função de moderar as inovações no processo para que este não se desvie de sua finalidade de solução da lide. A Recorrente incorreu em preclusão por não ter justificado com base em, pelo menos, uma das alíneas do § 4° do referido artigo a falta de apresentação intempestiva dos documentos "contrato de assistência técnica e licença de conhecimento knowhow" (doc. 01), e "faturas comerciais" (doc. 02), acompanhados das correspondentes traduções juramentadas, sem as quais os documentos originais não produzem efeitos, segundo informa a própria petição incidental. Diante do exposto, indefiro o pedido de juntada aos autos da tradução juramentada dos "contrato de assistência técnica e licença de conhecimento knowhow" (doc. 01), e "faturas comerciais" (doc. 02). Quanto ao requisito da tempestividade do art. 33, do Decreto n° 70.235, de 1972, a seguir transcrito, conheço do presente recurso de acordo com o período transcorrido entre a intimação e a interposição mencionado no relatório. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Passo à análise das razões do presente recurso na mesma ordem apresentada pela Recorrente. I Do indeferimento do pedido de juntada posterior de documentos: Segundo as razões recursais: Inicialmente, temse que o acórdão recorrido negou o pedido formulado pela Recorrente de juntada posterior de documentos que comprovem o seu direito, sob o fundamento de que "o momento oportuno para a juntada de provas em que se fundamentem as alegações é quando da apresentação da impugnação (art. 15 do Dec. 70.235/72)". Afirmou ainda que, sem a comprovação da ocorrência das condições expressas nos §§ 4o e 5o do art. 16 do Dec. 70.235/72, "não há falarem juntada de novos documentos". Ocorre que, um dos principais motivos que levaram a Recorrente a solicitar a juntada posterior de documentos foi o fato de que até o prazo fatal para o protocolo da Manifestação de Inconformidade, não havia como apresentar um dos documentos que estavam em língua estrangeira, traduzido por tradutor juramentado, no caso, a declaração de retenção na fonte do IR pago no exterior Declaración jurada de retenciones em la fuente, documento essencial para o correto deslinde do feito e que a Recorrente traz aos autos neste momento (doc. 03). Fl. 534DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 15 14 A importância do referido documento foi inclusive reconhecida pelo próprio acórdão recorrido ao afirmar que "os documentos trazidos aos autos, pelo simples fato de apresentaremse em língua estrangeira sem a correspondente tradução firmada por tradutor juramentado, não podem ser aceitos como comprovação de pagamento válido de tributo no exterior". Ora, desde já é latente a contradição exposta no próprio acórdão recorrido, uma vez que, ao mesmo tempo em que indefere a juntada posterior de documentos, não aceita a comprovação de pagamento válido de tributo no exterior porque o documento encontravase em língua estrangeira. Não admitir a juntada posterior de documentos no processo administrativo tributário, principalmente no presente caso, seria o mesmo que permitir a tributação de fato não tributável. Explicase. Como se sabe, o processo administrativo fiscal serve como instrumento de realização do princípio da legalidade objetiva, na medida em que será feito o controle da legalidade dos atos praticados pelas autoridades administrativas, para confirmação da efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, garantindo a justiça social e a segurança jurídica dos contribuintes. Além disso, temse que do princípio da legalidade tributária decorre outro princípio que rege o processo administrativo tributário, qual seja, o princípio da verdade material. Esse princípio impõe às autoridades administrativas o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, não se limitando a emitir juízo acerca dos documentos analisados a partir da mera presunção, a fim de se evitar a tributação de situação que não configura fato gerador da obrigação tributária. (...) Ante o exposto, desde já a Recorrente requer seja deferida a juntada do informe de rendimentos, anteriormente apresentado em língua estrangeira, traduzido por tradutor juramentado (doc. 03, cit.). A importância do referido documento foi expresso inclusivo no próprio acórdão recorrido, no entanto não foi possível a sua juntada no momento do protocolo da impugnação em razão do prazo requerido para a realização da tradução. A Recorrente, ao longo desta peça, juntará outros documentos, igualmente necessários para refutar as alegações da decisão recorrida. No Sistema Tributário Nacional, não há que se falar em antinomia na interpretação da legislação tributária. Segundo o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1976: Art. 16 (...) Fl. 535DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 16 15 § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5o A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. A norma oriunda do referido artigo não se contrapõe ao Princípio da Verdade Material, como quer fazer crer a Recorrente. Ao elencar as situações em que se admite a apresentação de prova documental em momento posterior à impugnação inicial, a lei compatibiliza a preclusão, de observância obrigatória pela autoridade julgadora administrativa, com a busca das provas que possibilitem a elucidação dos fatos, em conformidade com a verdade a que se refere à Recorrente e com os princípios dispostos no caput do art. 2° da Lei n° 9.784, de 1999: legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. A obediência aos prazos processuais, incluindose os de apresentação tempestiva de documentos, constitui garantia ao próprio administrado de que não haverá supressão de instância e de que a nova decisão tenha suporte nos mesmos fatos. No caso, nem a justificativa do requerimento, no momento da apresentação da manifestação de inconformidade, para a juntada posterior da tradução juramentada (Fls. ) nem a justificativa apresentada por ocasião da impugnação inicial (Fls. ) e do presente recurso (Fls. ) enquadramse nas situações previstas na referida Lei do Processo Administrativo Fiscal. Ao contrário do afirmado pela Recorrente, não houve contradição nos fundamentos do Acórdão recorrido ao justificar o indeferimento do pedido para posterior juntada da tradução juramentada da declaração de retenção na fonte do IR pago no exterior Declaración jurada de retenciones em la fuente. O acórdão recorrido demonstrou que, além da ausência da referida tradução, a Recorrente não cumpriu outros requisitos exigidos por lei, como descrito a seguir (Fls.): Os documentos trazidos, juntados nas fls. 100 a 113, não preenchem os requisitos legais necessários para permitir a dedução de imposto pago no exterior. Inicialmente, qualquer documento redigido em língua estrangeira, para produzir efeitos legais no país e para valer contra terceiros e em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ou em qualquer instância, juízo ou tribunal, deve ser traduzido para o português, por tradutor juramentado. É o que determinam o artigo 224 do atual Fl. 536DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 17 16 Código Civil (Lei n° 10.406, de 2002), o artigo 157 do Código de Processo Civil, os artigos 129, §6°, e 148 da Lei n° 6.015, de 1973 (que dispõe sobre os registros públicos), e o artigo 18 do Decreto n° 13.609, de 1943 (que regulamenta o ofício de tradutor público), a seguir transcritos: Código Civil (Lei n° 10.406/2002): Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. Código de Processo Civil: Art. 157 Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado. Lei n°6.015, de 31/12/1973: Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: (...) 6°). todos os documentos de procedência estrangeira, acompanhados das respectivas traduções, para produzirem efeitos em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal; (...) Art. 148. Os títulos, documentos e papéis escritos em língua estrangeira, uma vez adotados os caracteres comuns, poderão ser registrados no original, para o efeito da sua conservação ou perpetuidade. Para produzirem efeitos legais no País e para valerem contra terceiros, deverão, entretanto, ser vertidos em vernáculo e registrada a tradução, o que, também, se observará em relação às procurações lavradas em língua estrangeira. Decreto n° 13.609/1943: Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que for exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartição da União, dos Estados ou dos Municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade desse regulamento. (...). Por conseguinte, os documentos trazidos aos autos, pelo simples fato de apresentaremse em língua estrangeira sem a correspondente tradução firmada por tradutor juramentado, não podem ser aceitos como comprovação de pagamento válido de tributo no exterior. Adiantase que, no caso, a tradução por tradutor juramentado, cuja entrega posterior foi requerida na manifestação de inconformidade, não os tornam aptos para a comprovação pretendida. A dedução de imposto pago no exterior está condicionada, ainda, à apresentação de documento reconhecido pelo órgão arrecadador respectivo e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 18 17 Na manifestação de inconformidade, alegase que o imposto incidiu sobre receita da prestação de serviços efetuada diretamente pela interessada no exterior. Sobre a matéria dispõe o art. 15 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 15. A pessoa jurídica domiciliado no Brasil que auferir, de fonte no exterior, receita decorrente da prestação de serviços efetuada diretamente, poderá compensar o imposto pago no país de domicílio da pessoa física ou jurídica contratante, observado o disposto no art. 26 da Lei n.°9.249, de 26 de dezembro de 1995. Por sua vez, disciplina o § 2° do art. 26 da Lei n.° 9.249, de 1995, abaixo transcrito: "Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. [...] § 2o Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto." Consolidando as matrizes legais acima, o art. 395 do Decreto n.° 3000, de 26 de março de 1999 (Regulamento de Imposto de Renda, RIR, de 1999), assim dispõe: "Art. 395. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente, computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços (Lei n°9.249, de 1995, art. 26 e Lei n°9.430, de 1996, art. 15). [...] §2°Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (Lei n°9.249, de 1995, art. 26, § 2°) No caso, como se pode verificar, os documentos que instruem a manifestação de inconformidade não trazem os reconhecimentos exigidos para fins de dedução. Assim sendo, a legalização dos referidos documentos não se impõem. Ainda que assim não fosse, eles nada provam em favor da interessada. Aparentemente, tais documentos seriam declarações de retenção na fonte preenchida por terceiros, que o reclamante alega ser pessoa jurídica controlada (fl. 17), em formulário que se pretende do fisco da República da Costa Rica (pais com tributação favorecida). Tais documentos dão conta de supostas remessas ao exterior para pagamento de serviços de assessoramento sobre os quais teria incidido retenção na fonte. Os documentos, contudo, não identificam a interessada como Fl. 538DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 19 18 beneficiária das remessas, nem mesmo esclarecem se as remessas tiveram como destino o Brasil. Ainda que superadas todas essas faltas, os impostos neles referidos não seriam dedutíveis. Pelo que dispõe o caput do artigo 395 do RIR, acima transcrito, outra condição para a dedução é que a receita da prestação de serviços esteja computada no lucro real. Tal condição, no caso, não se confirma. Analisandose a DIPJ do exercício de 2007, verificase que na linha 04 da ficha 06 A, "Receita da Prestação de Serviços'", foi informado valor igual a R$ 0,00 (fl. 144). Nas fichas 29, 30, 43, não foram informadas receitas da prestação de serviços em operações com o exterior (fls. 147 a 155 e 168). Em face do exposto, indefiro o pedido de juntada intempestiva da tradução juramentada da declaração de retenção na fonte do IR pago no exterior. II Da nulidade do despacho decisório eletrônico por vício substancial Segundo as razões recursais: (...) O direito de defesa foi cerceado, o que enseja a nulidade do despacho decisório, conforme expresso pelo inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. Isto posto, em face da limitada possibilidade de cognição dos fatos e do direito decorrente da adoção pelo Fisco, do cruzamento eletrônico de declarações como única causa de decidir no presente processo, deve ser declarado nulo, por vício substancial, o despacho decisório. Adoto nesse ponto os mesmos fundamentos do acórdão recorrido, os quais transcrevo a seguir (Fls. 192 a 207): Quanto à arguição de nulidade do despacho, ela é descabida. A matéria é regida exclusivamente pelos arts. 59 e 60 do Dec. n.° 70.235, de 1972, abaixo transcritos: "Art. 59 São nulos: 1 os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Fl. 539DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 20 19 O despacho contestado não é nulo, porque não observadas as hipóteses do inciso II do art. 59 acima transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente e não houve preterição do direito de defesa. Realmente, o despacho não deixa dúvida: o fundamento de fato para a homologação parcial é a insuficiência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.° 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência de parte do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a homologação parcial. O despacho decisório explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência de parte do saldo negativo de IRPJ utilizado. Consta do despacho decisório que as parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP devem ser suficientes para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo. Lá constam, também, as parcelas de composição do saldo negativo informadas no PER/DCOMP e as confirmadas pelo fisco. Trecho do despacho decisório em que consta a fundamentação é abaixo transcrito: As razões pelas quais o imposto retido no exterior não foi considerado constam da coluna "Justificativa'" da tabela que se encontra no documento fl. 65, intitulado "PER/DCOMP Despacho Decisório Análise de Crédito1", trazido pelo próprio contribuinte junto com a manifestação de inconformidade. Referida tabela é abaixo reproduzida: Imposto de Renda Pago no Exterior Valor Ccrníirm atto Valarítao Justificativa Fl. 540DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 21 20 553.778.13 0,00 Pagamento no exterior não comprovado No documento de fl. 69, intitulado "PER/DCOMP Despacho Decisório Detalhamento da Compensação"", foi demonstrada como foi feita a operacionalização da compensação, com identificação dos valores do principal e dos acréscimos legais considerados compensados. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva. O contribuinte, por sua vez, demonstra que a compreendeu perfeitamente, defendendose de forma coerente. Teve, portanto, a cognição dos fatos e do direito pertinentes ao objeto do ato contestado em toda sua extensão e complexidade. Assim sendo, não houve preterição do direito de defesa Vêse que o despacho contestado foi motivado. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Outras irregularidades, incorreções e omissões não importam nulidade, mas saneamento, quando muito. Entretanto, nada há que demande o saneamento previsto no art. 60 do Dec. n.° 70.235, de 1972, transcrito no item anterior deste voto. No ato contestado não há o que prejudique o próprio processo, ou o estabelecimento da relação jurídica processual, nele constando todas as formalidades exigidas na legislação para que seja considerado válido ou juridicamente perfeito. Em verdade, não se verificam, no despacho decisório, irregularidades, incorreções nem omissões que prejudiquem o reclamante, ou influam na solução do litígio. Na manifestação de inconformidade alegase vício substancial do despacho, porque o cruzamento eletrônico de declaração teria sido única causa de decidir no presente processo. O fato invocado, além de não caracterizar hipótese de nulidade nem de saneamento, não ocorreu, na espécie. A multa de mora cuja incidência o contribuinte discorda decorre da aplicação de disposição expressa da legislação tributária (art. 36 da IN RFB n.° 900, de 2008), e não do cruzamento de declarações. A desconsideração do imposto supostamente pago no exterior, conforme fl. 65, tem por motivação a falta de comprovação. No caso dessa glosa, fica evidente que o fisco, diferente do alegado, se preocupa em verificar se os dados da realidade efetivamente correspondem àqueles constantes das declarações. O contribuinte tenta, na manifestação de inconformidade, suprir a falta de prova que motivou a glosa, mas sem êxito, como se verá na análise do mérito. Não comprovado que o pagamento do imposto no exterior pelo interessado é um fato real, desconsiderase o dado declarado. Fica prejudicada, portanto, toda a argumentação construída a partir da falsa premissa de que a única causa de decidir no presente processo é o cruzamento eletrônico de dados. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 22 21 Ainda que fosse, tal fato não constituiria nenhum vício. É condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que incumbirá a ele o contribuinte – demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, concluise que é lícito à RFB indeferir o pedido ou não homologar a compensação, quando há falta de certeza e liquidez, como ocorre nos casos de contradição do próprio contribuinte em suas declarações. Quando há contradição entre declarações, é dada oportunidade para o contribuinte se esclarecer. O presente processo é exemplo disso. Antes da lavratura do despacho decisório em litígio, foi expedido contra o contribuinte o Termo de Intimação de fl. 142. Por meio dele o fisco comunicou divergências entre PER/DCOMP e DIPJ, solicitando a retificação de uma dessas declarações. Ocorrida a ciência da intimação em 04/12/2008, em 21/12/2008 foi apresentada a DIPJ retificadora de fl. 144. Os dados do despacho são os que constam dessa DIPJ retificadora. Portanto, não é verdade a acusação contida na manifestação de inconformidade de que o fisco não se preocupa se a declaração foi retificada. No caso, a divergência foi sanada pelo contribuinte e, como visto, a motivação do despacho não é o cruzamento de dados. Mas, quando a contradição persiste, é correto que o fisco não reconheça crédito não confirmado em declaração anterior, seja ela DIPJ, DCTF, ou qualquer outra. Referidas declarações presumemse verdadeira em relação ao declarante (art. 131 do CC e art. 368 do CPC). Como essa presunção não é absoluta, admitese que o signatário possa impugnar sua veracidade, alegando serem ideologicamente falsas, isto é, que os seus dizeres são falsos, embora sejam materialmente verdadeiras. Entretanto, a presunção de veracidade faz com que o declarante tenha que provar o que alega e, na falta de prova, prevalece o teor do documento. Noutras palavras, referidas declarações fazem prova em favor do fisco. Para contrariar sua própria palavra, dada como expressão da verdade, deve o interessado comprovar o erro ou a falsidade de sua declaração. (...) Em face do exposto, afasto a preliminar de nulidade do despacho decisório. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 23 22 III Da preclusão do direito do fisco em reapurar as bases de cálculo de IRPJ de 2007 (AnoCalendário 2006). Segundo a Recorrente: O acórdão recorrido afirma que não está precluso o direito do fisco em reapurar as bases de cálculo do IRPJ anocalendário 2006, uma vez que "o direito da Fazenda Pública que se extingue com o decurso do prazo de que trata o §4° do art. 150 do CTN é o de constituir o crédito tributário mediante lançamento" e que "constatar quanto de IRPJ foi efetivamente pago antecipadamente durante o anocalendário de 2006 não constitui lançamento nem exigência de crédito tributário". Desta forma conclui que, "no presente processo, ao se proceder à conferência da origem do crédito utilizado na compensação, verificouse que o pagamento do imposto no exterior não pode ser comprovado pelo declarante [...]. Tal verificação não caracteriza lançamento, mas apenas constata o não pagamento e, conseqüentemente, a inexistência de parte do direito creditório pretendido pelo contribuinte". No lançamento por homologação, como se sabe, o contribuinte fica responsável por apurar e recolher o tributo devido, sem qualquer interferência da autoridade administrativa. Ao Fisco, por sua vez, cabe o dever de analisar as declarações dos contribuintes, fiscalizandoos para efetuar o lançamento de ofício nos casos em que considere incorreta a apuração do sujeito passivo. Ocorre que o Fisco não dispõe de prazo ilimitado para efetuar a revisão da atividade de apuração efetuada pelo contribuinte. Ao contrário, esta reapuração somente poderá ser feita dentro do prazo de que a autoridade administrativa dispõe para efetuar a constituição do crédito tributário, que, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é de cinco anos a contar do fato gerador, nos termos do § 4o do art. 150 do CTN: (...) De fato, transcorrido o prazo decadencial previsto no dispositivo acima, o Fisco não poderá mais pretender a reapuração das bases adotadas pelo contribuinte para apuração originária do débito (devidamente informadas nas declarações fiscais), por uma razão simples: qualquer crédito tributário decorrente de operações realizadas no período já estará extinto pela decadência. Assim, se o Fisco não poderá efetuar o lançamento substitutivo (de ofício) de tributo não declarado ou declarado a menor pelo contribuinte, também não terá ele legitimidade para revisar as bases apuradas pelo sujeito passivo e informadas em sua declaração fiscal. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 24 23 (...) Assim, como a ciência do presente Auto de Infração se deu em 16.04.2012, encontrase invariavelmente atingido pela decadência a possibilidade de reapuração das bases tributáveis referentes ao anocalendário de 2006, conforme procedimento adotado pela fiscalização no presente PTA. Tem razão a Recorrente quanto ao argumento de que o “Fisco não dispõe de prazo ilimitado para efetuar a revisão da atividade de apuração”. Equivocouse, no entanto, quanto à legislação de regência sobre a matéria, pois confundiu a constituição e exigência do crédito tributário, cujo o prazo obedece ao disposto no § 4o do art. 150 do CTN, com a verificação do direito creditório para quitação de débitos que pretende compensar, cujo prazo regese pelo disposto no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação Nesse ponto esclarecem os fundamentos do acórdão recorrido: (...) O contribuinte alega que, quando da emissão do despacho decisório, já se havia extinguido o direito de o fisco alterar o saldo negativo apurado no anocalendário de 2006. O argumento não procede. O direito da Fazenda Pública que se extingue com o decurso do prazo de que trata o § 4° do art. 150 do CTN é o de constituir o crédito tributário mediante lançamento. O art. 150 do CTN assim dispõe: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutoria da ulterior homologação ao lançamento. § 2 ° Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 25 24 § 3° Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." No dispositivo transcrito, o CTN conceitua lançamento por homologação o que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, ressalvado o controle posterior desta. A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo a lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e a eventual imposição de sanção (auto de infração). Portanto, o art. 150 do CTN impõe a obrigatoriedade de recolhimento antecipado pelo sujeito passivo independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, que só agirá para homologar o recolhimento ou para exigir eventuais diferenças mediante o lançamento de ofício. A homologação declara a concordância da administração com os dados levantados pelo contribuinte e com o pagamento por ele efetuado e, exatamente por isso, extingue o crédito como proclama o inciso VII do art. 156 do CTN. A conseqüência da homologação tácita de que trata o § 4° do art. 150 do CTN é a definitividade dos efeitos extintivos que já se vinham operando sob condição resolutória, por força do § 1° do mesmo artigo, desde a data em que o pagamento foi efetuado. Considerado definitivamente extinto o crédito tributário, não pode mais o fisco constituir nenhuma parcela a ele referente. No caso, nenhuma diferença de IRPJ do exercício 2007 foi exigida. O presente processo não trata de determinação e exigência de crédito tributário, mas de "nãohomologação" de compensação. A "nãohomologação" contestada não depende da constituição e exigência de nenhum crédito tributário. A alteração do saldo negativo apurado em DIPJ em decorrência de glosa de dedução de imposto pago no exterior não se confunde com constituição e exigência de crédito tributário. O procedimento fiscal que antecede o despacho de não homologação da compensação compreende verificar se o direito creditório existe e se é suficiente para quitar os débitos que se pretende compensar. A verificação da existência do crédito e sua quantificação consistem em confrontar o valor do débito com os valores efetivamente pagos. A conferência do direito creditório mediante confronto de débito com pagamento não caracteriza lançamento, quando respeitado o valor do débito apurado pelo contribuinte. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 26 25 No caso, o débito de IRPJ anual referente exercício de 2007 que consta do despacho decisório tem valor igual a R$ 92.249.863,59 (fls. 53 e 63). O IRPJ e o adicional apurados em 31/12/2006, nos valores de R$ 58.255.882,64 e 38.813.255,09 (fl. 63), não foram constituídos por nenhum lançamento de ofício, mas foram apurados pelo contribuinte, como é próprio do lançamento por homologação. A não homologação em questão não tem por fundamento a inclusão da receita omitida na base de calculo do IRPJ do exercício 2007, nem a alteração de nenhum de seus elementos constitutivos. Assim sendo, o imposto e respectiva base de cálculo apurados na DIPJ permaneceram imutáveis. O despacho decisório também não nega a extinção do débito de IRPJ referente ao exercício de 2007, no valor de R$ 92.249.963,59, apurado na DIPJ. Ao reconhecer como efetivamente pago o total de R$ 155.620.383,84 (valor maior do que o devido), o despacho reitera a extinção total do débito, já definitiva por força do § 4° do art. 150 do CTN. Portanto, nada do que consta do despacho contraria o invocado dispositivo. Por sua vez, constatar quanto de IRPJ foi efetivamente pago antecipadamente durante o anocalendário de 2006 não constitui lançamento nem exigência de crédito tributário. Conferir as deduções feitas nas fichas 11 e 12 A da DIPJ é verificar o quanto foi antecipadamente pago. No presente processo, ao se proceder à conferência da origem do crédito utilizado na compensação, verificouse que o pagamento do imposto no exterior não pode ser comprovado pelo declarante ("dado da declaração não corresponde a dado da realidade"). Tal verificação não caracteriza lançamento, mas apenas constata o não pagamento e, conseqüentemente, a inexistência de parte do direito creditório pretendido pelo contribuinte. O direito à restituição decorre do efetivo pagamento indevido ou a maior "dado da realidade" e não da formalidade de declarar suposto pagamento. A extinção do direito de o fisco proceder à verificação da compensação e, conseqüentemente, de aferir o direito creditório nela utilizado (no caso, saldo negativo), decorre de dispositivo legal diverso. De acordo com o § 2° do art. 74 da Lei n.° 9.430, 27 de dezembro de 1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Diz o § 5° do mesmo art. 74, que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo, o fisco não pode mais praticar ato de "nãohomologação" da compensação efetuada. Assim sendo, depois de cinco anos da transmissão do PER/DCOMP sem que o fisco tenha se manifestado, considerase definitivamente extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado. No caso, o PER/DCOMP não homologado foi transmitido em 16/08/2007. A ciência do despacho se deu em Fl. 546DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 27 26 16/04/2012, antes de transcorridos os cinco anos da transmissão do PER/DCOMP. Não há, pois, falar em decadência. Como não foi exigida nenhuma diferença de IRPJ referente ao exercício de 2007, a contagem do prazo na forma do § 5° do art. 74 da Lei n.° 9.430 não contraria o disposto no § 4° do art. 150 do CTN. No caso, não há conflito entre lei ordinária e lei complementar, sendo inoportuna a alegação do contribuinte fundada no art. 146 da CF. Não há que se falar, por conseguinte, em preclusão da verificação de direito creditório pelo Fisco, pois, o PER/DCOMP fora entregue em 16/08/2007 e a ciência do despacho decisório ocorreu em 16/04/2012, menos de cinco anos da data de entrega do PER/DCOMP. Em face do exposto, afasto a preliminar de preclusão suscitada no presente recurso. IV DO MÉRITO: DA NECESSIDADE DE RECONHECIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. Segundo a Recorrente: (...) Como demonstrado na Manifestação de Inconformidade, o Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2006, foi composto, dentre outras parcelas, por Imposto de Renda pago no Exterior. No entanto, essa parcela não foi reconhecida pelo Despacho Decisório e quando analisada pelo órgão julgador de primeira instância, manteve o entendimento baseado em dois principais motivos: (...) (b) Outro argumento levantado pelo acórdão recorrido e que não possui sustentação é o fato de que os documentos trazidos pela Recorrente não a identificam como beneficiária as remessas, nem mesmo esclarecem se as remessas tiveram como destino o Brasil. Os valores se referem a royalties de assistência técnica. Com efeito, a Recorrente adquiriu algumas empresas na Costa Rica, em 2006, e celebrou um contrato de transferência de tecnologia com elas. Assim, quando das remessas de tais valores ao Brasil, o imposto de renda devido era retido no país de origem, tudo conforme os documentos acima mencionados. Acontece que os informes, de fato, não mencionam a empresa beneficiária dos valores pagos, mas para demonstrar a plena vinculação a empresa junta em anexo os contratos de câmbio, o razão contábil, demonstrando que tais valores recebidos foram contabilizados, assim como as invoices, fazendo a plena vinculação desejada pela decisão recorrida. Para facilitar, num Fl. 547DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 28 27 único conjunto junta a Recorrida os contratos de câmbio, invoice e comprovante da retenção (doc. 04). Note que na documentação anexa consta a planilha que faz plena vinculação com os contratos de câmbio, com a devida conversão, nela constando a memória da contabilização da receita de royalties (Assistência técnica) do anocalendário 2006 que compõe a conta contábil 34003001. Esse valor foi informado (R$2.313.971,44 25% = 578.492,86) na ficha 42 da DIPJ/2007 anocalendário 2006. Os comprovantes de retenção na fonte somam R$ 588.594,90. (...) Por fim, mais duas observações da decisão recorrida devem ser rechaçadas: a) diz a decisão recorrida que a empresa não cumpriu o requisito do documento de retenção do imposto de renda no país de origem ser reconhecido pelo Consulado Brasileiro. Contudo, o parágrafo quinto do art. 395 do RIR dispensa tal apresentação quando comprovado que no país de origem a retenção era devida. Ora, a simples declaração do país de que o tributo foi retido já demonstra que a legislação determina tal tributação. Mas ainda assim, de forma a cumprir o requisito do art. 395 do RIR/99, verificase que na legislação do país de origem do lucro, a Costa Rica, há na lei atual que disciplina a tributação sobre a renda (Lei n.° 7.092/88), um capítulo específico acerca da incidência do imposto sobre as remessas ao exterior (TITULO IV Del impuesto sobre las remesas al exterior), no qual em seu artigo 58, disciplina: ARTICULO 58 Base de la imposición. La base de la imposición será el monto total de las rentas remesadas, acreditadas, transferidas, compensadas o puestas a disposición dei beneficiário domiciliado en el exterior. b) quanto a DIPJ, os valores estão declarados como outras receitas, portanto, suprida mais esta questão posta na decisão recorrida. Desta forma, devidamente comprovado o pagamento do Imposto de Renda no exterior, a conseqüência que se impõe é o provimento do presente Recurso Voluntário. Em relação aos argumentos que envolvem os documentos contratos de câmbio, razão contábil, invoice e comprovante da retenção (doc. 04), os motivos do indeferimento, neste voto, da petição de juntada dos referidos documentos fundamentam a manutenção da decisão recorrida. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 29 28 Quanto ao conteúdo da Ficha 42 da DIPJ (Fls. ), o seu preenchimento, de per si, não é suficiente para comprovação do direito creditório da Recorrente, remetendose a análise à questão, já abordada, do conhecimento das provas apresentadas. No que diz respeito ao disposto no o parágrafo quinto do art. 395 do RIR, as provas juntadas aos autos por ocasião da manifestação de conformidade não comprovam a retenção na fonte como quer fazer crer a Recorrente. Segundo dispõe o RIR/99: Art. 395. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente, computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços (Lei n° 9.249, de 1995, art. 26, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 15). (...) § 5o Fica dispensada da obrigação de que trata o § 2o deste artigo a pessoa jurídica que comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado (Lei n° 9.430, de 1996, art. 16, § 2o, inciso II). Mesmo com a previsão de incidência do imposto de renda a que se refere o § 5° do art. 395 do RIR/99, a Recorrente não fez prova do documento de arrecadação correspondente, quer pelo descumprimento da legislação da tradução juramentada, conforme abordagem supra, quer pela seguinte fundamentação da decisão em primeira instância: (...) No caso, como se pode verificar, os documentos que instruem a manifestação de inconformidade não trazem os reconhecimentos exigidos para fins de dedução. Assim sendo, a legalização dos referidos documentos não se impõem. Ainda que assim não fosse, eles nada provam em favor da interessada. Aparentemente, tais documentos seriam declarações de retenção na fonte preenchida por terceiros, que o reclamante alega ser pessoa jurídica controlada (fl. 17), em formulário que se pretende do fisco da República da Costa Rica (pais com tributação favorecida). Tais documentos dão conta de supostas remessas ao exterior para pagamento de serviços de assessoramento sobre os quais teria incidido retenção na fonte. Os documentos, contudo, não identificam a interessada como beneficiária das remessas, nem mesmo esclarecem se as remessas tiveram como destino o Brasil. (...) Destarte, o conjunto probatório apresentado pela recorrente não embasa o direito creditório alegado, faltandolhe a certeza e liquidez exigidas pelo art. 170 do Código Tributário Nacional: Fl. 549DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 30 29 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Em face do exposto e de tudo o mais constante dos autos, nego provimento ao presente recurso. Plínio Rodrigues Lima Fl. 550DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10830.008227/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
Ementa:
IRPF - TITULARES DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO.
Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição Federal, podem deduzir da receita e/ou rendimentos decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreado em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade.
DEDUÇÕES. DESPESAS DE CUSTEIO. INDEDUTIBILIDADE DE APLICAÇÕES DE CAPITAL EM BENS DO ATIVO PERMANENTE
O titular de serviços notariais e de registro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Entretanto, não constituem despesas de custeio, não sendo, portanto, dedutíveis, as aquisições consideradas como ativo permanente ou aplicações de capital, tais como reforma do prédio, aquisição de móveis, utensílios e equipamentos eletrônicos.
MULTA ISOLADA - IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL - Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento.
JUROS DE MORA CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 2202-002.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A MULTA ISOLADA: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Fábio Brun Goldschnmidt que negava provimento e apresentará declaração de voto. QUANTO A DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA - GLOSAS DE DESPESAS DA TRANSMAFE NOTIFICAÇÕES E MICROFILMAGENS DE DOCUMENTOS: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, reconhecendo a dedutibilidade das despesas de notificações e de microfilmagem, no valor de R$ 11.715,00 e R$ 1.565,00, respectivamente. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins, que negava provimento nesta parte. QUANTO A DEDUÇÃO DE INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA - DEMAIS GLOSAS MANTIDAS PELA DRJ: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschnmidt, que proviam o recurso nesta parte. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente convocado), Fabio Brun Goldschimidt.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007 Ementa: IRPF - TITULARES DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO. Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição Federal, podem deduzir da receita e/ou rendimentos decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreado em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. DEDUÇÕES. DESPESAS DE CUSTEIO. INDEDUTIBILIDADE DE APLICAÇÕES DE CAPITAL EM BENS DO ATIVO PERMANENTE O titular de serviços notariais e de registro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Entretanto, não constituem despesas de custeio, não sendo, portanto, dedutíveis, as aquisições consideradas como ativo permanente ou aplicações de capital, tais como reforma do prédio, aquisição de móveis, utensílios e equipamentos eletrônicos. MULTA ISOLADA - IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL - Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento. JUROS DE MORA CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, por absoluta falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A MULTA ISOLADA: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Fábio Brun Goldschnmidt que negava provimento e apresentará declaração de voto. QUANTO A DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA - GLOSAS DE DESPESAS DA TRANSMAFE NOTIFICAÇÕES E MICROFILMAGENS DE DOCUMENTOS: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, reconhecendo a dedutibilidade das despesas de notificações e de microfilmagem, no valor de R$ 11.715,00 e R$ 1.565,00, respectivamente. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins, que negava provimento nesta parte. QUANTO A DEDUÇÃO DE INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA - DEMAIS GLOSAS MANTIDAS PELA DRJ: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschnmidt, que proviam o recurso nesta parte. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Redator Designado (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente convocado), Fabio Brun Goldschimidt.
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LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO. Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição Federal, podem deduzir da receita e/ou rendimentos decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreado em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. DEDUÇÕES. DESPESAS DE CUSTEIO. INDEDUTIBILIDADE DE APLICAÇÕES DE CAPITAL EM BENS DO ATIVO PERMANENTE O titular de serviços notariais e de registro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Entretanto, não constituem despesas de custeio, não sendo, portanto, dedutíveis, as aquisições consideradas como ativo permanente ou aplicações de capital, tais como reforma do prédio, aquisição de móveis, utensílios e equipamentos eletrônicos. MULTA ISOLADA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento. JUROS DE MORA CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 82 27 /2 00 8- 40 Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A MULTA ISOLADA: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Fábio Brun Goldschnmidt que negava provimento e apresentará declaração de voto. QUANTO A DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA GLOSAS DE DESPESAS DA TRANSMAFE NOTIFICAÇÕES E MICROFILMAGENS DE DOCUMENTOS: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, reconhecendo a dedutibilidade das despesas de notificações e de microfilmagem, no valor de R$ 11.715,00 e R$ 1.565,00, respectivamente. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins, que negava provimento nesta parte. QUANTO A DEDUÇÃO DE INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA DEMAIS GLOSAS MANTIDAS PELA DRJ: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschnmidt, que proviam o recurso nesta parte. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Redator Designado (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente convocado), Fabio Brun Goldschimidt. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.441 3 Relatório Versa este processo sobre exigência de crédito tributário relativa ao imposto de renda pessoa física, anoscalendários 2005 e 2006, conforme auto de infração de fls. 3/13 e demonstrativos de fls. 14/23. Foi lançado o imposto no valor de R$ 314.126,19, acrescido de juros de mora de R$ 62.206,91 (calculados até 31/07/2008) e de multa de ofício proporcional no valor de R$ 235.594,63, bem como a mula isolada de R$ 164.882,31, resultando no montante de R$ 776.810,04. Trata a autuação de: a) omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoas físicas; b) omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos; c) dedução indevida de despesas de livrocaixa;e, d) multas isoladas por falta de recolhimento de carnêleão. O enquadramento legal é informado às fls. 7, 8, 9, 11, 13 e 23. A descrição dos fatos é apresentada no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 25/35. Ressalto que, tendo o processo sido digitalizado, houve a renumeração automática de todas as suas folhas, sendo essa nova numeração a citada neste Acórdão. O autuado tomou ciência do auto de infração em 18/08/2008 (fl. 5) e apresentou, em 16/09/2008, a impugnação de fls. 1.324/1.348, cujos argumentos são apresentados a seguir O impugnante esclarece inicialmente que providenciou, dentro do prazo para impugnação, o parcelamento do imposto e acréscimos legais correspondentes às seguintes infrações: omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoas físicas, omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, dedução indevida no livrocaixa das despesas com ticket alimentação dos funcionários e das despesas pagas à Unimed. Essas duas despesas estão sendo objeto de parcelamento porque foram pagas pelo cartório, porém foram descontadas dos funcionários, tendo sido, portanto, lançadas indevidamente como dedutíveis no livrocaixa. O art. 11 da Lei n° 7.713/1988, prevê a possibilidade de deduzir todas “as despesas de custeio necessárias à manutenção dos serviços notariais e de registro”, de forma a permitir que se tribute a efetiva renda do titular da serventia, ou seja, só o acréscimo de riqueza Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Embora o dispositivo legal retrocitado dê a aparência de enumerar, taxativamente, as três únicas hipóteses de gastos que considerava dedutíveis na apuração da base tributável, a rigor técnico, as duas primeiras se continham na cláusula geral prevista no inciso III, visto que é indiscutível que a remuneração paga a terceiros, os encargos trabalhistas e previdenciários e também as importâncias dos emolumentos pagos a terceiros só serão dedutíveis quando "necessários à manutenção dos serviços notariais e de registro", que é a regra geral prevista no inciso III. Esse comando é suficiente para uma primeira conclusão: a regra que disciplina a dedutibilidade de gastos lançados no livrocaixa do titular do cartório (pessoa física) tem a mesma configuração da norma que regula a dedutibilidade de gastos registrados a contabilidade da pessoa jurídica, pois as duas estão sustentadas no mesmo pressuposto fático, qual seja, a necessidade dos gastos para manutenção da fonte produtora das receitas. De acordo com o comando contido no artigo 299 do RIR/99, são dedutíveis para as pessoas jurídicas as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora das receitas, entendendose por necessárias as despesas pagas ou incorridas que sejam usuais e normais no tipo de operação ou atividade da empresa. O Parecer Normativo n° 32/81 definiu o conceito de despesa necessária ao dizer que o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais e acessórias, que estejam intrinsecamente ligadas com a fonte geradora do rendimento. Assim, podese concluir que serão sempre dedutíveis os gastos necessários à manutenção da atividade, na busca de receitas, ou seja, receita e despesa devem estar atreladas, o que não poderia ser diferente, visto que a tributação deve incidir sobre a renda, no sentido de acréscimo de riqueza, como concebida no art. 43 do Código Tributário Nacional. Feitos esses necessários registros prévios, passase ao exame de cada uma das glosas efetuadas pela fiscalização para demonstrar que são todas descabidas, uma vez que as despesas indevidamente glosadas se encaixam perfeitamente no conceito da chamada "despesa necessária". Foram nominalmente glosadas as seguintes despesas: i) com assessoria jurídica sob a alegação de que: “o pagamento a titulo de assessoria jurídica diz respeito à remuneração paga a terceiros, sem vinculo empregatício e, portanto, não se enquadra no inciso I do art. 75 do RIR/99”; ii) com a faxineira, sob a seguinte alegação: “seguindo este raciocínio as despesas efetuadas com faxineiras também não podem ser deduzidas uma vez que, como afirmado pelo fiscalizado, não há vinculo empregatício, o mesmo ocorrendo com os pagamentos efetuados a terceiros pela prestação de serviços diversos”. Ora, é óbvio que tais despesas, por serem pagas a profissionais autônomos, ou seja, sem vinculo empregatício, não se encaixam no inciso I do artigo 75, inciso I, do RIR/99, mas é inegável que se encaixam perfeitamente no inciso III do mesmo artigo, como despesas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, e são perfeitamente usuais e normais para o desempenho da atividade do Cartório. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.442 5 O serviço de assessoria jurídica paga ao Dr. Mario Fernandes Braga, no valor mensal de R$ 1.164,00, durante os anos de 2005 e 2006, referese à prestação de serviços necessários à manutenção do Cartório, como também são necessários os serviços de contabilista que não foram questionados pelo Fisco. Os valores foram pagos a profissional de inegável saber jurídico, visto que é Juiz de Direito aposentado e que exerce a função de consultor jurídico das diversas questões que envolvem a complexa atividade de registro de imóveis, registro de loteamentos e registros preparatórios de incorporações imobiliárias. O conhecimento técnico do Tabelião titular não é suficiente para todas as demandas na área do Direito, sendo necessária essa assessoria também na relação interna com seus funcionários (trabalhistas e civis), e nas questões que envolvem o Cartório e os seus clientes (relação de prestação de serviço). O próprio auto de infração vem confirmar essa necessidade de advogado, pois detectou em outro item ação judicial de indenização contra o Cartório (e indevidamente glosou o pagamento), que necessariamente precisou de advogado para acompanhála, assim como diversas rescisões de contratos de funcionários, realizadas com apoio nessa assessoria. Relativamente à despesa com faxineiras, no valor aproximado de R$ 60,00 por quinzena, também não é razoável que seja considerada como desnecessária à atividade do impugnante, pois é essencial que o estabelecimento esteja limpo e organizado para que os clientes sintamse satisfeitos com o serviço prestado pelo Cartório, não havendo necessidade de tecer maiores considerações sobre a infundada glosa. Ademais, a legislação trabalhista não obriga a registrar e manter vinculo empregatício com aquele que presta serviço em caráter eventual e esporádico, sendo, portanto, descabido que a legislação tributária fizesse tal exigência para considerar tal despesa como dedutível. O Fisco glosou despesas com verbas rescisórias e indenizatórias pagas pelo impugnante a exfuncionários, sob a alegação de que “a atitude do fiscalizado em demitir seus funcionários, sem justa causa, revela ato de mera liberalidade”; portanto, tais despesas seriam indedutíveis. Ora, essa visão é totalmente equivocada e desatualizada, demonstrando falta de conhecimento do regime jurídico dos cartórios e de seus funcionários. Aliás, ninguém entende muito bem o que se passa nesse microcosmo dos serviços notariais e registrais brasileiros. Aliese a isso a falta de cultura e o preconceito, velado por alguns, mas escancarado por outros. A Lei n° 8.935/1994 (chamada Lei dos Cartórios), regulamentou o artigo 236 da Constituição Federal e prevê direitos e obrigações dos titulares da serventia. Trata, também, da contratação de escreventes, substitutos, auxiliares empregados, e do regime jurídico de contração, que passou a ser regido pela CLT (chamado regime celetista), conforme se pode verificar da simples leitura de seus artigos 20 e 21. Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 A partir da promulgação dessa lei, os funcionários contratados após 1994 passaram a ter como regime jurídico de trabalho o celetista, passando a contribuir para o INSS. Porém, quem já tinha sido contratado antes de 1994, se não fizesse a opção pelo regime de trabalho celetista, continuaria vinculado ao regime próprio de previdência estadual, conforme dispõe o artigo 48 da mesma lei. A Resolução n° 2/76 do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo regulou o Regime de Serventias Após a Constituição de 1988, os serviços notariais e de registro sofreram grandes modificações, desvinculando o seu regramento das regras relativas ao Poder Judiciário, e os escreventes e auxiliares contratados após essa data ficaram sem direito à estabilidade e ficaram também sujeitos, obrigatoriamente, ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FGTS. Assim, o regime jurídico dos prepostos e auxiliares sofreu diversas alterações, sendo que alguns dos escreventes dispensados pelo impugnante eram do regime estatutário, contratados antes de 1994, e, portanto, receberam suas verbas rescisórias (saldo de salário, férias, 13° salário proporcional, etc..) baseadas naquele regime e de acordo com os cálculos referentes ao reenquadramento realizados pelo Instituto de Previdência do Estado de São Paulo IPESP. Assim, ao contrário do que alega o AFRF, os encargos trabalhistas decorrentes da rescisão desses funcionários foram feitos nos exatos limites da lei de regência do regime jurídico de cada um dos auxiliares dispensados, se encaixando tais verbas perfeitamente na definição contida no inciso I do artigo 75 do RIR/99. Tais pagamentos não podem nunca ser encarados como mera liberalidade do impugnante, até mesmo porque o titular do cartório jamais iria pagar valores acima daqueles devidos por força de lei, tirando do seu próprio patrimônio para dar aos prepostos dispensados, por mera liberalidade! Essa alegação é totalmente despropositada! Ademais, em que pese o regime jurídico da contratação dos prepostos ser híbrido, se celetista ou estatutário, é inexorável a faculdade do titular do cartório de demitir seus auxiliares, funcionários e escreventes, desde que cumpridas as exigências legais, seja em função da má prestação do serviço desses contratados, seja em função de queda na receita do cartório, que foi exatamente o ocorrido no Segundo Oficial de Registro de Imóveis de Campinas, antigo Segundo Serviço de Registro de Imóveis e Segundo Tabelião de Protestos de Letras e Títulos de Campinas, do qual o impugnante é titular. As atividades do referido cartório foram desmembradas, por força do artigo 26 da Lei 8.935/1994 e do Provimento 747/2000 e 750/2001, ambos do Conselho Superior da Magistratura de São Paulo, que determinou a imediata reorganização das atividades dos cartórios no Estado de São Paulo. Assim, o 2° Cartório de Campinas deixou de ter as atividades de protesto, e ainda perdeu a jurisdição sobre algumas regiões imobiliárias de Campinas. Como se pode verificar, de forma alguma, a dispensa de prepostos pelo impugnante significou “mera liberalidade”; é fato que a receita do Cartório diminuiu de forma abrupta, e não podia mais continuar com o mesmo número de auxiliares e prepostos que detinha antes do desmembramento das atividades. Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.443 7 Demonstrada a pertinência da dispensa dos escreventes prepostos, e adequação das verbas rescisórias pagas, nos exatos limites da lei, deve ser de plano afastada a glosa feita pelo AFRF. Indenizações pagas a título de danos morais/materiais determinadas em ação judicial As despesas incorridas pelo impugnante a titulo de indenização por danos morais e materiais foram reconhecidas pelo Auditor Fiscal como gasto “resultante de processo que tramitou perante Vara Cível da Comarca de Campinas” e "resultante do processo n° 825/03, do Juizado Especial Cível”. No entanto, a glosa foi efetivada sob a singela alegação de que “em ambos os casos a dedutibilidade não encontra guarida na legislação de regência”. Qual a legislação de regência que impede a dedutibilidade? Em ambos os casos o cartório foi condenado a pagar danos morais e materiais em ações ingressadas por clientes que, por motivos já discutidos em juízo, que não cabe aqui retratar, se sentiram insatisfeitos com o serviço prestado pelo cartório e obtiveram na justiça o direito de serem indenizados; então qual o motivo pelo qual tal despesa não poderia ser deduzida? Tal despesa se encaixa perfeitamente no inciso III do artigo 75 do RIR/99. Despesas com associações de classe (Anoreg, Irib e Sindicato dos Notários e Registradores) Tais despesas foram glosadas sob a alegação de que “não são despesas de custeio, como ocorre com o material de expediente ou de consumo”. A ANOREG é “uma entidade da classe com legitimidade, pelos poderes constituídos, para representar os titulares de serviços notariais e de registro do Brasil em qualquer instância ou Tribunal, operando em harmonia e cooperação direta com outras associações congêneres, principalmente com os Institutos membros, representativos das especialidades”. (Definição extraída do site: www.anoreg.org.br.) Já o IRIB é “uma entidade sem fins lucrativos, com sede na cidade de São Paulo e atuação em todo o pais. Entre seus principais objetivos estão o estudo e pesquisa de procedimentos e normas jurídicas referentes ao registro de imóveis, e o assessoramento de autoridades públicas e órgãos governamentais no que diz respeito aos temas da especialidade registral imobiliária.” (Definição extraída do site: www.irib.org..br.) Ora, é óbvio que essas despesas com as entidades de classe, que são obrigatórias, são de custeio e totalmente necessárias à percepção da fonte produtora, pois caso o cartório deixe de pagar tais valores, ficará irregular perante essas entidades e deixará de receber a assessoria e a proteção desses órgãos, podendo eventualmente até perder seu registro impossibilitando de exercer suas atividades regularmente. A própria Receita Federal, por meio do manual “Perguntas e Respostas”, no item “Deduções no Livro Caixa”, dispõe: CONTRIBUIÇÃO A SINDICATOS E ASSOCIAÇÕES 396 As contribuições a sindicatos de classe, associações cientificas e outras associações podem ser deduzidas? Essas contribuições são dedutiveis desde que a participação nas entidades seja necessária à percepção do rendimento e as despesas estejam comprovadas com documentação hábil e idônea e escrituradas em livro Caixa. Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 O Fisco glosou as despesas de estacionamento, entendidas pelo AFRF como sendo de locomoção e transporte, por entender que tais despesas só são dedutiveis para os representantes comerciais autônomos. A marca da voracidade fiscal e do extremo rigor da fiscalização transparece, de forma inequívoca, neste tópico. O AuditorFiscal teve o capricho de glosar despesa mensal de aproximadamente R$ 300,00, sob o equivocado fundamento de tratarse de “despesa de locomoção e transporte”. Equivocado porque se trata de gasto com locação de Box de estacionamento (vaga de garagem), para uso por funcionário do cartório, mas também disponível para os clientes que procuram a serventia, visto localizarse na zona central da cidade. Tal despesa, inclusive, está em total consonância com a já noticiada Lei dos Cartórios (8.935/94), art. 4°: Art 4° Os serviços notariais e de registro serão prestados, de modo eficiente e adequado, em dias e horários estabelecidos pelo juizo competente, atendidas as peculiaridades locais, em local de fácil acesso ao público e que ofereça segurança para o arquivamento de livros e documentos. (grifos acrescidos Hoje em dia a maioria das pessoas que utilizam o cartório possui carro e necessita do estacionamento para ter acesso aos seus serviços. A irrisória expressão do montante da glosa frente aos seus rendimentos brutos declarados, ou mesmo frente ao volume dos gastos registrados com sua atividade já apontaria para o desprezo ao principio da materialidade. Todavia, em homenagem ao restabelecimento da verdade, é necessário que se reconheça que essa despesa é inteiramente necessária à obtenção da receita e se enquadra no conceito de gastos com locação (aluguel). Foram glosadas as despesas com combustíveis e lubrificantes, também entendidas como de locomoção e transporte, sob o fundamento de que não são necessárias à atividade do impugnante. O impugnante não localizou nenhuma despesa com combustível e lubrificante relacionada à locomoção e transporte que tenha sido considerada dedutível; não foi possível detectar tais despesas nas planilhas elaboradas pelo AFRF. Assim, não há como se defender de acusação vaga e sem documentação. A fiscalização realizou a glosa das despesas com livros jurídicos, materiais de construção (sem especificar que despesas foram consideradas como sendo materiais de construção) e canetas sob a alegação de que “o dispêndio com aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida ultrapasse o período de um exercício, e que não sejam consumíveis, isto é, não se extingam com sua mera utilização, referemse a aplicação de capital e são indedutíveis da receita”. Aqui se faz necessário dividir a glosa em dois tópicos: i) canetas e livros jurídicos; ii) materiais de construção. O primeiro tópico, caneta e livros, encaixas e perfeitamente no conceito de despesa necessária ao desempenho da já propalada função do impugnante; a própria Receita Federal por meio do manual “Perguntas e Respostas”, no item “Deduções no Livro Caixa” dispõe: Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.444 9 LIVROS, JORNAIS, REVISTAS, ROUPAS ESPECIAIS 395 O profissional autônomo pode deduzir as despesas com aquisição de livros, jornais, revistas, roupas especiais etc.? Sim, caso o profissional exerça funções e atribuições que o obriguem a comprar roupas especiais e publicações necessárias ao desempenho de suas funções e desde que os gastos estejam comprovados com documentação hábil e idônea e escriturados em livro Caixa. (Parecer Normativo CST n2 60, de 20 de junho de 1978) Ora, o impugnante é um serventuário da Justiça e como tal precisa estar constantemente se atualizando por meio de publicações e livros jurídicos para desenvolver suas atividades com adequação. Ademais, só é considerado, para as pessoas jurídicas, como gasto ativável, o bem adquirido com valor unitário superior a R$ 326,61 (art. 301 do RIR/99), o que ocorre com nenhum dos livros adquiridos pelo impugnante (vide todas as notas da Livraria Copola). Já a caneta é ferramenta de trabalho dos cartorários, utilizada para celebração de todos os atos públicos, sendo indiscutível sua dedutibilidade, se encaixando no conceito de despesa necessária à manutenção da receita, sendo pertinente sua dedutibilidade. Com relação ao tópico ii) materiais de construção, o impugnante esclarece que foram gastos com pequenos reparos e manutenção do imóvel ocupado pelo cartório, que é um prédio antigo e que exige constante manutenção para que os serviços sejam prestados com adequação aos clientes. O AFRF glosou parcialmente despesa referente à inscrição para o Seminário “A penhora no processo civil”, por entender dedutível “apenas a inscrição do titular do Cartório, no valor de R$ 528,96”; sendo assim, considerou as outras duas inscrições como indedutíveis. Ora, a glosa de despesa com seminário jurídico reconhecida e atestada pela fiscalização, que foi realizada em beneficio de outros dois funcionários do cartório é totalmente absurda e desarrazoada. Tratase de gasto mais que necessário, pois os funcionários precisam ser treinados constantemente para exercício de atividade de tamanha responsabilidade – registros públicos e protesto de títulos. Demais despesas glosadas sem justificativa Além das despesas glosadas e apontadas individualizadamente no Termo de Verificação Fiscal, pelas planilhas elaboradas pelo AFRF com base nos livroscaixa, foi possível detectar que foram glosadas, sem qualquer justificativa, diversas outras despesas rotineiras, ou ínfimas, todas relacionadas com a atividade do Cartório, tais como: Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 a) “Cemicres, no valor de R$ 1.565,60 mês de maio/2005”, sendo que esse valor foi pago à empresa que faz os serviços de microfilmagens de documentos para o Cartório, atividade inerente e totalmente necessária ao funcionamento da serventia, obrigação decorrente de lei, inclusive. b) “Transmafe Notificações, no valor de R$ 11.715,00 mês de maio/2005”: valor pago à empresa que realizava as notificações de protesto de títulos para o Cartório, gasto imprescindível e inerente ao exercício da especifica atribuição pública conferida ao Tabelião (protesto de títulos). c) IPTU dos imóveis ocupados pelo Cartório: diversos valores, em diversos meses. d) WS Sistema de Segurança, no valor de R$ 536,00 mês de maio/2005: também despesa inerente ao Cartório, que é obrigado a guardar com segurança todos os documentos que ficam sob a sua responsabilidade. Pela falta de razoabilidade no trabalho do Fisco, todas essas glosas sem justificativa devem ser canceladas, inclusive aquelas que por seus valores ínfimos, tais como “Chaveiro Sto. Antonio — R$ 8,00 (set/06)”, “X Camp Informática R$ 27,00 (ago/06)”, desproporcionalidade da autuação. A irrisória expressão do montante das pequenas glosas frente aos rendimentos brutos declarados pelo impugnante, ou mesmo frente ao volume dos gastos registrados com sua atividade, já apontaria para o desprezo frente ao principio da materialidade. Talvez, também pudesse ser razão suficiente para que o impugnante abdicasse da árdua tarefa de contraditar as exigências. Todavia, em homenagem restabelecimento da verdade não pode concordar com tamanha atrocidade, pelo que apela para o bom senso dos nobres julgadores para que seja reconhecida a normalidade dessas despesas, pois além daquelas que são módicas, as demais são inteiramente necessárias à obtenção da receita. Estando todos os gastos devidamente comprovados e compatíveis com a atividade e movimento do Cartório, é imperativo o reconhecimento da dedutibilidade, por estarem enquadrados no conceito de necessários e imprescindíveis à manutenção da fonte produtora. Do descabimento da chamada “multa isolada” A multa introduzida pelo § 1° do art. 44 da Lei 9.430/96 (com redação dada pelo art. 14 da MP 351/07), como ali consignado expressamente, deveria ser aplicada, “isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8° da Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1.988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste”. Claro que não é cabível essa multa na hipótese dos autos, pois os fatos apurados pelo Fisco levaram à exigência de diferença de imposto, não sendo o caso de imposição de “multa isolada”, porque contraditório o procedimento. Para que tivesse essa característica o auto de infração não deveria estar exigindo o imposto, só a multa. Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.445 11 A chamada “multa isolada” foi introduzida exatamente para poder sancionar condutas em que, comprovadamente, não havia imposto para ser exigido, como na hipótese de falta de recolhimentos mensais obrigatórios, mas em que o resultado do ajuste anual não revela imposto devido. Nesses casos, como não há imposto devido, mas houve infração pela falta das antecipações, só é cabível a imposição de penalidade, dai a apropriada denominação de “multa isolada”. É um verdadeiro abuso a aplicação dessa penalidade na hipótese dos autos, pois longe de ser “isolada”, operase juntamente com o imposto que supostamente lhe deu causa, porém desconectada do principal, ao arrepio dos princípios estabelecidos no ordenamento jurídico. Por esse motivo deve ser totalmente cancelada. Da indevida aplicação dos juros Selic sobre as multas lançadas Em que pese não estar demonstrada a aplicação de juros Selic sobre as multas, de oficio e isolada, no auto de infração, é sabido que a Secretaria da Receita Federal do Brasil vem reiterando essa prática quando da cobrança de valores remanescentes de eventual autuação mantida. Assim, requer desde já o afastamento dessa repudiosa cobrança, por ser abusiva e por absoluta falta de previsão lega A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – DRJ/SP2 ao analisar a impugnação, deu provimento parcial através do acórdão 1758014, de 06 de março de 2012, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 DEDUÇÃO. LIVROCAIXA NOTÁRIOS. Os notários e oficiais de registro não se equiparam a pessoa jurídica para fins de tributação do imposto de renda, sendo seus rendimentos tributados de acordo com as regras aplicáveis às pessoas físicas que recebem rendimentos do trabalho não assalariado; assim, não são dedutíveis de seus rendimentos os pagamentos efetuados a terceiros, sem vínculo empregatício, que não representem despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. CARNÊLEÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão é devida independentemente de ter sido apurado ou não imposto a pagar na declaração de ajuste anual. Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO E SOBRE AS MULTAS ISOLADAS. A multa de ofício e as multas isoladas integram o crédito tributário, sujeitandose, desta forma, à incidência de juros de mora, quando não pagas integralmente no vencimento. Devidamente cientificado dessa decisão o contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário onde alega em síntese: Descreve as atividades e o regime jurídico que o Recorrente se enquadra; Reforça os argumentos da impugnação que devemos aplicar para deduzir os emolumentos pagos a terceiros o conceito do artigo 299 do RIR/99, ou seja a despesa tem que ser necessária, usual e normal a atividade operacional do contribuinte; Que os pagamentos feitos a terceiros são necessários, portanto dedutíveis do livrocaixa; As indenizações trabalhistas pagas a exfuncionários também são dedutíveis, tendo em vista que não decorrem de mera liberalidade, mas de lei; Que as indenizações pagas a título de danos morais/materiais determinada em ação judicial de clientes do cartório também seriam despesas dedutíveis pois são despesas ; de custeio necessário a manutenção da fonte produtora. As despesas com associações de classe (ANOREG, IRIB e Sindicato dos Notários e Registradores) também são passiveis de dedução, uma vez que a sua filiação é obrigatória e necessária para percepção dos rendimentos do cartório; que as despesas com canetas também são dedutíveis, pois são necessárias ao percepção dos rendimentos do cartório. que não se justifica a glosa com despesas relativas a pequena reforma efetuada no estabelecimento do cartório; que a despesa paga a empresa que realizava as notificações – Transmafe – é gasto imprescindível para sua atividade; assim como o pagamento a empresa Cemicres que realizava o serviço de microfilmagem; as despesas com vigilância, iptu dos imóveis ocupados pelo cartório; a multa isolada não seria aplicável tendo em vista a concomitância; e, incabível a incidência de juros Selic sobre as multa lançadas. É o relatório. Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.446 13 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Deduções do LivroCaixa Consoante o que estabelece os arts 4º e 6º da Lei nº 8.134/90, submete a atividade do RECORRENTE as receitas auferidas com a sua atividade, deduzidas das despesas admitidas, à tributação do Imposto de Renda Pessoa Física, apurado através de escrituração realizada em Livro Caixa e ajustada ao final do anocalendário, através da Declaração de Ajuste Anual. Nos termos dessa legislação a tributação dos rendimentos auferidos se dá pelo regime de caixa e não pelo regime de competência. Podemos verificar que o artigo 6º da Lei nº 8.134 de 27 de dezembro de 1990, permite a dedução das despesas no livrocaixa: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (Vide Lei nº 8.383, de 1991) I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48 Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 14 Nos termos da legislação que rege a matéria todas a despesas de custeios pagas pelo contribuinte e necessárias à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora, são passíveis de dedução do livrocaixa. Cabe analisarmos qual a extensão desse conceito, se ele é objetivo ou ele é subjetivo. Podemos verificar que não é um conceito objetivo, mas subjetivo que depende da atividade do contribuinte. Algumas despesas são de fácil compreensão, portanto não há dúvidas se são passíveis ou não de dedução do livrocaixa, outras não pois dependem de uma interpretação mais apurada por parte do contribuinte ou da administração tributária, sob pena de violarmos o que está disposto no artigo 43 do CTN, que dispõe sobre o fato gerador do imposto de renda: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001). É muito semelhante ao conceito que as pessoas jurídicas optantes pela apuração do imposto de renda pelo lucro real, devem observar para poder deduzir os custos e despesas de base de cálculo para fins de apuração do IRPJ. Elas devem obedecer aos ditames estabelecidos no artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.447 15 Nos termos da referida norma legal, a despesa para ser dedutível ela tem que ser necessária, usual ou normal para a atividade operacional do contribuinte. Desta forma, podemos concluir que uma despesa, para ser considerada como dedutível, deverá preencher uma série de requisitos cumulativos, a saber: (i) deve ser usual e normal, face às atividades desenvolvidas pelo contribuinte que a suportou; (ii) se não paga, ao menos deve ter sido incorrida por esse contribuinte; e, por fim, (iii) deverá ser necessária a atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Sobre as despesas pagas ou incorridas, dispôs o Parecer Normativo CST nº 58/77, que “tais despesas, se pagas no próprio exercício em que nascerem as respectivas obrigações são tranquilamente dedutíveis neste mesmo exercício e somente nele. São as despesas pagas a que se refere o citado artigo (...) (parágrafo 1º, do artigo 242 do RIR/94). Despesas incorridas, de acordo com o mesmo dispositivo legal, são aquelas que, embora nascida a obrigação correspondente o momento ajustado para pagálas, ou seu vencimento, ou outra circunstância qualquer, determinam que o respectivo pagamento venha a ocorrer no exercício subsequente” (grifamos). Como se vê, a necessidade da despesa é demonstrada na medida em que ela seja indispensável para a realização de quaisquer dos negócios exigidos pela atividade que constitui o objeto da pessoa jurídica; já normal ou usual é a despesa costumeiramente realizada na consecução dessas atividades. Desta forma, o que se vê é que "despesa operacional” é um conceito que decorre da natureza da despesa, é uma definição inerente à atividade e ao gasto realizado, sendo apenas reconhecida pela legislação. Não há como dizer que as despesas relativas aos valores glosados do Recorrente traduzam atos de mera liberalidade, ao contrário, até com base em entendimento fixado pelo Fisco Federal no Parecer Normativo da CST nº 32/81, verificase que os dispêndios com tais pagamentos são essenciais às operações desenvolvidas pela mesma: “4. Segundo o conceito legal transcrito, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. 5. Por outro lado, despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção habitual na espécie de negócio.” Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 16 Não permitir o Recorrente de deduzir tais valores, viola frontalmente o disposto no artigo 43 do CTN, pois não estaríamos tributando renda ou efetivo acréscimo patrimonial, mas sim patrimônio do Recorrente, o que não podemos admitir em momento algum. Desta forma, dou provimento ao recurso apresentado pelo Recorrente reestabelecendo a dedução dos valores glosados pela autoridade lançadora. Multa Isolada Concomitância Devemos analisar a questão da aplicação ou não da multa isolada, prevista no art. 44, § 1°, inciso III da Lei nº 9.430/96,, uma vez que já se aplica ao caso a multa albergada no inciso I do caput do mesmo artigo. Julgados anteriores desse Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, têm reconhecido a improcedência a cobrança simultânea das multas previstas no inciso I e no §1º III do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Dentre os argumentos utilizados para se afastar a incidência da multa isolada, quando já haja sido aplicada a multa do inciso, I, dizse que as hipóteses previstas para ambos são diferentes e excludentes, não comportando interpretação conciliatória. Inicialmente, pelo inciso I do art. 44, a multa de ofício será aplicada juntamente com o tributo, quando não houver sido anteriormente pago (regra geral). O inciso III, por sua vez, ao tratar da multa isolada, dispõe sobre a penalidade para o não recolhimento do imposto mensal, o carnêleão, e havendo saldo de imposto apurado mediante procedimento de ofício, tão somente deve ser aplicada a multa de ofício, ou seja, a prevista no inciso I do art. 44. No julgamento do Recurso Voluntário nº 131.038, o Relator AMAURY MACIEL, em seu voto vencedor, cita excerto do acórdão proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 125.987, de 19 de março de 2002, do Ilustre Conselheiro REMIS ALMEIDA ESTOL, de 19 de março de 2002, que assim resumiu a contenda: “No que tange às multas isoladas, são duas as espécies lançadas contra o contribuinte, uma delas sobre o imposto objeto do lançamento que já está com multa de ofício e, a outra, sobre rendimentos declarados e cuja antecipação não foi realizada, não obstante tenham sido oferecidos à tributação na declaração de ajuste. A primeira hipótese não oferece grandes dificuldades, posto que visivelmente afronta toda nossa construção jurídica que repudia a dupla penalização, sobre um mesmo fato e com a mesma base de cálculo, sendo razão suficiente para recomendar seu cancelamento. Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.448 17 Essa matéria já foi enfrentada por esta Câmara que, em diversas vezes e à unanimidade, tem decidido pelo afastamento da penalidade sob o argumento da impossibilidade de coexistirem a referida multa isolada, concomitantemente com a multa de ofício normal, incidente sobre o tributo objeto do lançamento. A outra mula isolada incide sobe a antecipação devida e não recolhida, relativamente a rendimentos declarados e oferecidos à tributação e prevista no inciso III do art. 44 da Lei n.° 9.430, que diz: (...) Isto significa dizer que, não obstante o contribuinte tenha declarado espontaneamente os rendimentos e recolhido o tributo, ou seja, cumprindo integralmente e antes do procedimentos fiscal a obrigação tributária, é penalizado com a multa de ofício isolada que é calculada com base em crédito tributário inexistente. Minha discordância em relação a essa penalidade repousa em dois aspectos, um de natureza lógica e outro de cunho legal. Pelo lado lógico, porque em situações em que essa multa alcança a hipótese de omissão de rendimentos e, ai sim, há crédito tributário lançado como também é o caso destes autos e já anteriormente decidido, esta mesma Câmara, à unanimidade, decide pelo afastamento da penalidade, como já dito, sob o argumento da impossibilidade de coexistirem a referida multa isolada, concomitantemente, com a multa de ofício normal, incidente sobre o tributo não pago. Em outras palavras, o contribuinte que omite rendimentos e não recolhe o tributo escapa da multa e, aquele que espontaneamente declara o rendimento e oferece à tributação, fica submetido à penalidade. Também à unanimidade e em relação aos casos em que o tributo é recolhido fora do prazo sem a multa de mora, este Colegiado prestigia a espontaneidade e afasta a imposição da multa isolada.” Desta forma, entendo que não é devida a multa isolada sobre os rendimentos omitidos no presente caso. Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 18 Incidência dos Juros Sobre a Multa de Ofício O RECORRENTE também questiona que, após a lavratura dos autos de infração, o fisco não pode exigir juros de mora sobre as multas de ofício lançadas, eis que não há base legal para tanto. Gostaria de destacar que nesse particular, o CTN tratou da incidência de juros de mora no art. 161, transcrito abaixo: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo das imposições das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas previstas nesta lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...)" A partir da leitura do dispositivo acima, percebese que o CTN autorizou o legislador ordinário (seja ele federal, estadual ou municipal) a exigir juros de mora sobre o montante do crédito tributário apurado, o que pode abranger tanto o tributo quanto a multa, estabelecendo como taxa de juros máxima o percentual de 1% ao mês sobre o valor do crédito pendente de pagamento. Nessa esteira, o legislador ordinário editou a Lei nº 9.430/96 a fim de tratar da exigência dos juros de mora: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 2007, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(...)” (grifos nossos) Muito embora o CTN tenha autorizado a cobrança de juros de mora sobre o crédito tributário (que, como salientado acima, inclui tributos e multas), o legislador ordinário federal decidiu exigir juros de mora apenas e tão somente sobre os tributos e contribuições apurados, ou seja, sobre o montante principal. Tal decisão, Ilmos. Srs. Julgadores, faz todo sentido, uma vez que uma multa, por si só, já é penalidade suficientemente pesada ao contribuinte, que não precisa ser onerado ainda mais com a cobrança de juros sobre tal pena, o que geraria inclusive o enriquecimento injustificado do Estado. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.449 19 Desse modo, partilho entendimento de que a partir de 1997, não há base legal para se exigir juros de mora sobre as multas de ofício, de tal modo que, caso alguma parcela dos autos de infração venha a ser mantida, o que se admite apenas por hipótese, não poderão ser exigidos os juros de mora sobre as multas de ofício aplicadas. A esse respeito, cumpre ressaltar que essa foi a interpretação dada pelo Segundo Conselho de Contribuintes no julgamento do recurso nº 125436, (Acórdão nº 202 16397). JUROS DE MORA CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. Ademais, se o legislador ordinário efetivamente pretendesse determinar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, ele teria feito essa determinação de forma clara e por escrito no próprio art. 61, da Lei nº 9.430/96, da mesma maneira como fez com relação às multas impostas isoladamente, nos termos do parágrafo único do art. 43 da mesma lei, abaixo transcrito para pronta referência: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento” Portanto, entendo que não há possibilidade de se exigir juros sobre as multas de ofício por absoluta ausência de previsão legal, tendo em vista que o art. 61 da Lei nº 9430/96 referese somente a tributos e contribuições (e não às multas). Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 20 Desta forma, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.450 21 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator Designado. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da validade das deduções de despesas indevidas do livro caixa devemos considerar a essencialidade das mesmas para atividade em cotejo, desse modo apenas nesse ponto gostaria de manifestar a divergência. É crucial registra que este voto se concentra apenas na dedução indevida de despesas do livro caixa – demais glosas mantidas pela DRJ, na qual o Conselheiro Relator resultou vencido na votação. Registrese que nas Despesas da Transmafe Notificações e Microfilmagens de Documentos acompanhei a posição do Conselheiro Relator, sendo esta a posição vencedora. O art. 11 da Lei n° 7.713/1988, abaixo transcrito, prevê a possibilidade de deduzir todas “as despesas de custeio necessárias à manutenção dos serviços notariais e de registro”, de forma a permitir que se tribute a efetiva renda do titular da serventia, ou seja, só o acréscimo de riqueza. Art. 11 Os titulares dos serviços notariais e de registro a que se refere o art. 236 da Constituição da República, desde que mantenham escrituração das receitas e as despesas, poderão deduzir dos emolumentos recebidos, para efeito da incidência do imposto: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, inclusive encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio necessárias à manutenção dos serviço notariais e de registro. Isto posto, segundo a legislação serão dedutíveis os gastos necessários à manutenção da atividade, na busca de receitas, ou seja, receita e despesa devem estar atreladas, o que não poderia ser diferente, visto que a tributação deve incidir sobre a renda, no sentido de acréscimo de riqueza, como concebida no art. 43 do Código Tributário Nacional. Para uma completa análise das glosas efetuadas cabe apontar as razões da DRJ para manutenção do lançamento. São apontados a seguir os itens mais relavantes: Da remuneração paga a terceiros sem vínculo empregatício De acordo com a DRJ: O impugnante defende que o rol de despesas dedutíveis relacionadas nos incisos I a III do art. 11 da Lei n° 7.713/1988 não é taxativo. Acrescenta, ainda, que a cláusula geral prevista no inciso III abrange, a rigor, as disposições dos incisos I e II. Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 22 Não vejo como concordar com essa posição, pois isso nos levaria a concluir que o legislador incluiu dois incisos completamente inúteis nesse artigo. E não só nele, mas também no art. 6° da Lei n° 8.134/1990, em que repetiu os mesmos mandamentos. Pareceme certo que, ao relacionar as despesas dedutíveis em três incisos distintos, o legislador procura deixar claro que elas possuem naturezas distintas, de modo que as despesas relacionadas nos incisos I e II não se enquadram entre as despesas de custeio. A leitura atenta do art. 6° da Lei n° 8.134/1990, inclusive de seus parágrafos, nos leva a inferir que as despesas de custeio se relacionam à aquisição de material de consumo e à contratação de serviços essenciais à manutenção da fonte produtora em relação aos quais não faça sentido a existência de vínculo empregatício. Assim, a exemplo do que consta na pergunta n° 385, da publicação IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA 2006 – ANOCALENDÁRIO 2005 PERGUNTAS E RESPOSTAS, por despesa de custeio devemos entender “aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo”. Diante de tais considerações, não há como acolher o argumento do impugnante de que as despesas com faxineiras seriam de custeio. Assim, como tais serviços foram contratados sem vínculo empregatício, está correta a glosa efetuada pela fiscalização. No que se refere à glosa com assessoria jurídica, também combatida expressamente pelo impugnante, também ela está correta. Com efeito, a assessoria jurídica, ainda que possa ser útil, não pode ser considerada necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Isso porque o conhecimento jurídico para o exercício de suas atividades é exigido do próprio titular dos serviços notariais e de registro, selecionado, em regra, por meio de concurso público. Assim, e como tais despesas também não se enquadram no inciso I do art. 11 da Lei n° 7.713/1988, já que não há vínculo empregatício, está correta a glosa efetuada pela fiscalização. Não identifico qualquer reparo nas razões da DRJ, efetivamente da leitura do dispositivo normativa, não me resta dúvida, de que toda a remuneração paga a terceiros sem vínculo empregatício não é passível de ser deduzida. Das indenizações trabalhistas Outro ponto suscitado pelo recorrente é aquele associado as indenizações trabalhista segundo o qual teria negociado com os seus funcionário, sendo no seu entendimento necessárias a atividade do Cartório. Sobre esse ponto assim se manifesta a DRJ: Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.451 23 A fiscalização procedeu à glosa dos seguintes valores relacionados à rescisão do contrato de trabalho de funcionários estatutários do Segundo Serviço de Registro de Imóveis de Campinas: 1) Indenização a José Mauro Coelho: R$ 12.314,92 em janeiro/2005 e R$ 10.000,00 em fevereiro/2005; 2) Ipesp José Mauro Coelho: R$ 5.200,00 em dezembro/2005 e R$ 5.280,00 em janeiro/2006; 3) Ipesp Irineu José Domingos de Moraes: R$ 93.000,00 em agosto/2005; 4) Indenização a Amaury César Magno: R$ 7.000,00 mensais, de fevereiro a dezembro/2006; e 5) Indenização a Antonio Bucater Júnior: R$ 38.853,95 em outubro/2006, R$ 154.000,00 em novembro/2006 e R$ 4.000,00 em dezembro/2006. Os documentos de rescisão do contrato de trabalho desses quatro funcionários, que exerciam a função de preposto escrevente estatutário, foram juntados, respectivamente, às fls. 1274/1275, fl. 1294, fls. 1286/1287 e 1280/1282. O inciso I do art. 6° da Lei n° 8.134/1990 dispõe que é dedutível a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os respectivos encargos trabalhistas e previdenciários. É claro que esses valores somente são dedutíveis quando seu pagamento decorra de obrigação legal, e não de mera liberalidade do empregador. O impugnante alega que os artigos 45 e 45.1 do Regime das Serventias, regulado pela Resolução n° 2/76 do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assegura o pagamento de indenização ao funcionário dispensado, por motivo de sensível diminuição de renda, comprovada perante o Juiz Corregedor Permante. Ocorre que, no presente caso, nenhum desses funcionários foi dispensado pelo empregador. Eles é que solicitaram exoneração, por livre e espontânea vontade, sem qualquer induzimento ou coação, conforme consta nos documentos de rescisão. Ressaltese, ainda, que nesses documentos não há a discriminação da natureza das verbas que compõem as indenizações pagas. Desta forma, devese manter a glosa dos valores de indenização escriturados no livrocaixa. No que se refere às glosas das despesas descritas como Ipesp José Mauro Coelho e Ipesp Irineu José Domingos de Moraes, devem elas ser mantidas, conforme a seguir se explica. Consta na cláusula 3a da Rescisão de Contrato de Trabalho do Sr. José Mauro Coelho (fl. 1274/1275) que o impugnante se Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 24 comprometeu a pagar a contribuição previdenciária (Ipesp) de seu exfuncionário até o término do ano de 2004. Consta ainda, na cláusula 4a, que uma parcela da indenização estipulada entre as partes seria paga por meio de 23 notas promissórias, nos valores de R$ 10.000,00, com vencimentos mensais. Posteriormente, consoante consta no documento de fl. 1276, o documento de rescisão foi aditado, tendo ficado estabelecido que, em decorrência da extinção das obrigações do pagamento das notas promissórias nos valores de R$ 10.000,00 cada uma, o impugnante deveria efetuar a contribuição devida ao Ipesp e Iamspe até dezembro de 2005. Assim, os valores escriturados no livrocaixa decorrem de mero acordo firmado entre o impugnante e o Sr. José Mauro Coelho, e não de obrigação legal. Por conseqüência, tais despesas não são dedutíveis. Na Rescisão do Contrato de Trabalho do Sr. Irineu José Domingos de Moraes (fl. 1294), há a informação de que, dentre outras obrigações assumidas, o impugnante se comprometeu a efetuar o pagamento da diferença para assegurar ao primeiro a aposentadoria pela entrância especial perante o Ipesp, no valor de R$ 93.011,99, apurado até o mês de junho de 2005, mais os meses que forem apurados e informados pelo Ipesp. O cálculo dessa diferença, para assegurar o reenquadramento do regime de aposentadoria, foi solicitado ao próprio Ipesp, que respondeu por meio do documento de fl. 1293. Observo, todavia, que o impugnante não demonstrou que estava obrigado por lei a propiciar esse reenquadramento por ocasião da rescisão do contrato de trabalho. Pelo contrário, o item 3°, letra a, do termo de rescisão demonstra que essa decisão decorreu pura e simplesmente de um acordo feito entre o impugnante e seu então funcionário, e não de lei. Desta forma, o valor pago não se enquadra em nenhuma das hipóteses de dedutibilidade do imposto, devendose manter a glosa. Ainda que o impugnante afirme que jamais pagaria, por mera liberalidade, valores acima daqueles devidos por força de lei, a verdade é que foi exatamente isso o que ocorreu. O impugnante, aliás, em todos esses casos também se comprometeu a pagar o Plano de Saúde da Unimed para esses funcionários por certo período após a rescisão do contrato de trabalho, tendo também, em alguns desses casos, se comprometido a continuar a proceder ao recolhimento do Ipesp. Certamente, a lei não lhe obrigou a conceder esses benefícios. Observo, ainda, que, no item 4.1 do Distrato de Contrato de Trabalho do Sr. Antonio Bucater Júnior (fl. 1.281), há a menção expressa de que a importância de R$ 200.000,00 pagas pelo impugnante decorre de mera liberalidade pelo tempo de serviço prestado. A luz dos elementos presentes nos autos, pessoalmente, não tenho nenhuma dúvida de que os pagamentos aqui discutidos não se enquadram em nenhuma das hipóteses legais de dedução do imposto de renda. Desse modo não vejo qualquer reparo a realizar na decisão da autoridade recorrida, mantendo essa parte do lançamento. Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.452 25 Das despesas com estacionamento, combustíveis e lubrificantes As despesas relativas a estacionamento e combustíveis pleiteadas pela recorrente não podem ser aceitas, por estarem em desacordo com aquilo que prescreve a legislação. A autoridade recorrida manifestou muito bem o seu ponto tal como reproduzimos a seguir: Das despesas com estacionamento Nos termos do art. 6°, § 1°, b, da Lei n° 8.134/1990, somente o representante comercial autônomo pode deduzir as despesas de locomoção e transporte. O impugnante alega, no entanto, que as despesas com estacionamento por ele escrituradas se referem, na verdade, à locação de vagas de garagem para uso por funcionário do Cartório e também por clientes. Não há, todavia, nos autos contrato de locação dessas vagas. Estamos nitidamente diante do pagamento de despesas com estacionamento, conforme o comprova, por exemplo, a nota fiscal de serviço de fl. 188. Deste modo, tais despesas estão, sim, relacionadas à locomoção e transporte, sendo indedutíveis. Vejase a esse respeito a pergunta n° 390 da publicação IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA 2006 – ANOCALENDÁRIO 2005 –PERGUNTAS E RESPOSTAS: 390 As despesas com transporte, locomoção, combustível, estacionamento e manutenção de veículo próprio são consideradas necessárias à percepção da receita e dedutíveis no livro Caixa? Referidas despesas não são dedutíveis, com exceção das efetuadas por representante comercial autônomo quando correrem por conta deste. (Lei nº 9.250, de 1995, art. 34; RIR/1999, art. 75, parágrafo único, II; IN SRF nº 15, de 2001, art. 51, § 1º, “b”) Das despesas com combustíveis e lubrificantes Consta, na fl. 31, no Termo de Verificação Fiscal, que as despesas com combustíveis e lubrificantes foram rejeitadas, por enquadraremse no conceito de despesas com locomoção e transporte, prevalecendo a vedação expressa do art. 75, parágrafo único, inciso II do RIR/1999. O impugnante esclarece que não localizou essas despesas, de modo que não tem como se defender de acusação vaga e sem documentação. Também não localizei na relação de despesas glosadas (planilhas de fls. 36/47), nenhuma despesa dessa natureza. Assim, não há litígio a esse respeito. Deste modo concordo com o arrazoado da autoridade recorrida, acompanhando em sua posição. Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 26 Das despesas com canetas Um dos requisitos para a dedutibilidade é necessidade da despesas. No caso em questão, não se justifica a dedução de canetas suntuosas, pois o luxo e a marca diferenciada não é um requisito necessário para a atividade em questão. A DRJ ao apreciar esse ponto assim se manifestou: A fiscalização glosou as seguintes despesas com a aquisição de canetas da marca Mont Blanc, escrituradas no livrocaixa, respectivamente, nos meses de janeiro, março e maio de 2005: R$ 1.272,00 Nota Fiscal à fl. 230: aquisição de uma caneta. R$ 2.460 Nota Fiscal à fl. 236: aquisição de três canetas. R$ 905,00 Nota Fiscal à fl. 235: aquisição de uma caneta. O impugnante alega que a caneta é ferramenta de trabalho dos cartorários, utilizada para a celebração de todos os atos públicos, sendo indiscutível sua dedutibilidade, encaixandose no conceito de despesa necessária à manutenção da receita. Ele pretende, portanto, enquadrar essas canetas como despesas de custeio. De fato, a grande maioria das canetas se enquadra no conceito de despesas de custeio, por serem materiais de consumo. Todavia, essas quatro canetas adquiridas pelo impugnante não possuem essa natureza. Elas são artigos de luxo, que não se consomem com o uso, sendo adquiridas normalmente em joalherias, como se pode verificar nas notas fiscais de fls. 230 e 236. De forma alguma poderiam se enquadrar no inciso III do art. 6° da Lei n° 8.134/1990, de modo que se deve manter a glosa. Vejase a esse respeito a pergunta n° 391 da publicação IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA 2006 – ANOCALENDÁRIO 2005 – PERGUNTAS E RESPOSTAS: 391 O contribuinte autônomo pode utilizar como despesa dedutível no livro Caixa o valor pago na aquisição de bens ou direitos indispensáveis ao exercício da atividade profissional? Apenas o valor relativo às despesas de consumo é dedutível no livro Caixa. Deve se, portanto, identificar quando se trata de despesa ou de aplicação de capital. São despesas dedutíveis as quantias despendidas na aquisição de bens próprios para o consumo, tais como material de escritório, de conservação, de limpeza e de produtos de qualquer natureza usados e consumidos nos tratamentos, reparos, conservação.Considerase aplicação de capital o dispêndio com aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício, e que não sejam consumíveis, isto é, não se extingam com sua mera utilização. Por exemplo, os valores despendidos na instalação de escritório ou consultório, na aquisição e instalação de máquinas, equipamentos, instrumentos, mobiliários etc. Tais bens devem ser informados na Declaração de Bens e Direitos da declaração de rendimentos pelo preço de aquisição e, quando alienados, Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.453 27 devese apurar o ganho de capital.(Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, III; RIR/1999, art. 75, III; PN CST nº 60, de 1978) Das despesas com materiais de construção O titular de serviços notariais e de registro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Entretanto, não constituem despesas de custeio, não sendo, portanto, dedutíveis, as aquisições consideradas como ativo permanente ou aplicações de capital, tais como reforma do prédio, aquisição de móveis, utensílios e equipamentos eletrônicos. A DRJ assim se pronunciou nesse ponto: Com relação às despesas com materiais de construção, o impugnante esclarece que se trata de pequenos gastos com reparos e manutenção do imóvel ocupado pelo Cartório. Está correta a glosa. As despesas com a aquisição desses materiais não se enquadram em nenhuma das hipóteses de dedutibilidade. Tais despesas estão vinculadas ao próprio imóvel, e não à atividade nele exercida. Assim, no caso de imóvel próprio, o custo das benfeitorias deve ser acrescido ao valor do próprio imóvel; e, no caso de imóvel alugado, pode ser abatida do valor do aluguel, desde que haja expressa disposição contratual. De qualquer forma, esses gastos jamais podem elas ser considerados despesas de consumo, razão pela qual não são dedutíveis. Não há reparos nesse parte. Mantém se o lançamento. Das despesas com seminário jurídico Consta na Nota Fiscal de Serviços de fl. 206 que o impugnante desembolsou o valor de R$ 1.586,88, em 01/02/2005, para participação no seminário intitulado “Penhora no Processo Civil”, promovido pelo Instituto de Estudos Jurídicos e Econômicos Ltda. Como o valor unitário da inscrição é de R$ 528,96, concluise que foram três os participantes no seminário. A fiscalização aceitou as despesas com a participação do titular da Serventia (R$ 528,96) e glosou as despesas com a participação dos outros dois funcionários (R$ 1.057,92). Se tais despesas são dedutíveis em relação ao titular da Serventia, como realmente o são, por se enquadrarem entre as despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, não vejo razão para considerálas despesas desnecessárias em relação aos outros dois funcionários. Devese, portanto, afastar essa glosa. Das despesas com livros Não foram aceitas como dedutíveis as despesas feitas na Livraria Pergaminho em 24/01/2005, no valor de R$ 215,10, uma vez que, consoante consta na Nota Fiscal de fl. 234, o livro adquirido não tem relação com a atividade do impugnante (“Aprenda em 21 dias a criar páginas Web HTML e IHTM”). Acrescentese, por pertinente, que foi mantida a glosa do valor de R$ 81,00, escriturado em 04/11/2005 como “Boletins Informativos”, por não ter localizado o documento Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 28 probatório de seu pagamento. As despesas deveriam ser portanto comprovadas e com afinidade com a atividade do recorrente. Das despesas com contribuições a sindicatos e associações A DRJ manteve a glosa dos pagamentos feitos ao Sindicato dos Escreventes e Auxiliares Notariais do Estado de São Paulo, uma vez que o impugnante não tinha a obrigação de proceder a tais recolhimentos, já que nem mesmo é filiado a esse sindicato. Nesse ponto não poderia ser de outra forma. O interessado fez, ainda, uma série de pagamentos à Associação dos Notários e Registradores do Estado de São Paulo ANOREG/SP. No entendimento da DRJ, as mensalidades pagas a essa Associação, para que se possa contar com o apoio dado aos associados, constituem despesas necessárias ao exercício da atividade notarial e de registro. Consoante consta nos recibos de fl. 416 e 460, a mensalidade devida a essa entidade era de R$ 262,00. Desse modo os demais pagamentos, todos no valor de R$ 100,00, teriam natureza de contribuição voluntária, consoante se depreende dos documentos probatórios juntados, como, por exemplo, o de fl. 205, em que consta a informação de que “o valor da contribuição é apenas um indicativo”. Entendo que o pagamento como mera liberalidade não pode ser passível de ser deduzido tal como pleiteado pelo recorrente. Das despesas com indenizações por danos morais e materiais. Outro despesa glosada pela autoridade fiscal foi a que o recorrente indicou como sendo uma indenização por danos morais ou materiais: a) R$ 35.109,71, pagos a Lucilene Ap. Georgetti, escriturados em 14/09/2006 (fl. 161); e b) R$ 6.193,02, pagos a Ocimar Denílson Belini, escriturados em 30/11/2006 (fl. 172). Da análise dos autos, constatase que o cartório foi condenado a pagar danos morais e materiais em ações ingressadas por clientes que se sentiram insatisfeitos com o serviço prestado pelo Cartório e obtiveram na justiça o direito de serem indenizados. Para ele, tal despesa se encaixa no inciso III do art. 75 do RIR/99, entanto não há como se considerar essa como uma despesa de custeio, pois não são necessárias à manutenção da fonte produtora e à percepção de receitas. Da alegação de glosa de despesas sem justificativa De maneira genérica o recorrente também apontou vária despesas que entende como necessárias, embora não tenha dado uma justificativa específica. Entre esses cabe destacar, nos dizeres da DRJ: O impugnante alega que, além das despesas glosadas e apontadas individualizadamente no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização relacionou nas planilhas a ele anexas, diversas outras despesas sem nenhuma justificativa, inclusive inúmeras despesas de valores ínfimos, o que demonstraria a falta de razoabilidade no trabalho da fiscalização. Observo, de início, que o impugnante não tem razão ao afirmar que as glosas foram realizadas sem justificativa. A fiscalização apresentou a justificativa dessas glosas na pág. 6 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 30 do processo), no subtítulo “Demais Despesas”, em que se lê: “As demais despesas que, juntamente Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.454 29 com as acima relacionadas, compõem a planilha que segue em anexo, foram glosadas por não se enquadrarem em nenhum das hipóteses contidas no art. 75 do RIR”. Saliento, também, que não há nenhum dispositivo legal que estabeleça um valor mínimo para a glosa das despesas escrituradas no livrocaixa. Assim, uma despesa não pode ser considerada dedutível apenas por ser de baixo valor. Independentemente do valor da despesa escriturada, é obrigação do impugnante apresentar os documentos probatórios a ela pertinentes e demonstrar seu enquadramento em uma das hipóteses de dedutibilidade de que trata o art. 6° da Lei n° 8.134/1990. Das despesas pagas a Ws Sistema de Segurança O recorrente almeja deduzir a despesa paga à empresa Ws Sistema de Segurança, em maio de 2005, no valor de R$ 536,00, entendendo ser inerente ao Cartório. Entretanto não foi identificado comprovantes do pagamento dessa despesa. Existe um orçamento feito pela empresa, em 23/05/2005, para a instalação de interfone. Porém registrese que ainda que comprovado, não seria um despesa dedutível por incorporarse no ativo da entidade. Das despesas com IPTU Não há identificação específica do imóvel a que se refere o IPTU. Nenhum dos documentos que constam nos autos comprovam o recolhimento do IPTU identificando claramento o imóvel a que ele se refere. Observar que as despesas devem estar associadas a atividade cartorial. Deste modo não há como reconhecer as despesas mencionadas anteriormente pois os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição Federal, podem deduzir da receita e/ou rendimentos decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreado em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. Das Despesas da Transmafe Notificações e Microfilmagens de Documentos Nas despesas relativas as notificações e microfilmagens acompanho os termos do voto do conselheiro relator, afastando aquelas mantidas pela DRJ no valor de R$ 11.715,00 e R$ 1.565,00, respectivamente. Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 30 Ante ao exposto, com exceção das despesas das Transmafe Notificações e a Microfilmagem de documentos no valor de R$ 11.715,00 e R$ 1.565,00, respectivamente, nego provimento ao recurso no que toca a dedução das despesas de livro caixa mantidas pela DRJ. Acompanhando o voto do relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002924/2002-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.667
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida.
RELATÓRIO
Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis:
Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, lavrado em 09/05/2002 (fls. 12) e cientificado por via postal em 11/06/2002 (fls. 119), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 21.110,74 em virtude de não comprovação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados para os períodos de outubro a dezembro de 1997.
Em oposição à presente exigência, foi apresentada, em 11/07/2002, impugnação de fls. 01/08, acompanhada dos documentos de fls. 09/113, com as razões de defesa a seguir sintetizadas.
De inicio, destaca que os débitos exigidos na presente autuação já foram objeto de impugnação à Carta de Cobrança nº 30/1339/01 e ao Comunicado nº 00313301, emitidos por esta Delegacia da Receita Federal.
Na seqüência reporta-se à amortização dos débitos através do instituto da compensação com crédito de terceiros, na forma do art. 15 da IN SRF nº 21/97, tendo em conta o pedido de restituição formulado por Unigel Participações Serv. Ind. Representação Ltda (13819.001788/97-69, doc 03 fls. 60/61).
Menciona que cometeu alguns equívocos ao preencher os formulários de compensação para pagamento de débitos com créditos de terceiro, mas retificou tais pedidos, substituindo o pedido de compensação com créditos próprios inicialmente apresentado, e corrigindo o CNPJ antes informado, pertencente a outra empresa do grupo. Ainda, foi. retificado o número do processo ao qual se vincula a compensação, de 13819.001866/97-71 (primeiro pedido de compensação apresentado pela impugnante) para 13819.001788/97-69.
Aduz que, além dos pedidos de compensação retificadores, providenciou a retificação das DCTFs dos períodos de outubro, novembro e dezembro de 1997 (doc 05 fls. 69/107), eis que constou a informação de que os valores objeto de compensação tinham como origem o Processo Judicial 93.00068628, quando o correto seria constar os créditos do Pedido de Restituição nº 13819.001788/97-69.
Entende, então, ser descabida a exigência.
Aborda seu direito à compensação na forma do art. 170 do CTN, do art. 66 da Lei nº 8.383/91, do art. 39 da Lei nº 9.250/95 e dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, bem como do então vigente art. 15 da IN SRF nº 21/97.
Finaliza requerendo a improcedência do lançamento. Por meio do despacho de fls. 47, a autoridade preparadora atestou ser tempestiva a impugnação e remeteu o processo para julgamento.
A 5ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas (SP) julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 05-35209, cuja ementa abaixo reproduzo:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Ano-calendário: 1997
DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO CONFIRMADO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CRÉDITO DE TERCEIRO.
Lançamento anterior a Medida Provisória 66, de 2002. Inexistindo certeza e liquidez acerca dos créditos alegados, à época do lançamento, confirma-se a sua validade, especialmente em vista do que dispunha o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Ademais, mesmo que o lançamento fosse posterior a 30/09/2002, pedido de compensação com crédito de terceiro não está amparado pela sistemática introduzida pela Medida Provisória nº 66, de 2002, a partir da referida data, não se cogitando de sua conversão em DCOMP nem da conseqüente extinção dos débitos.
DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO.
Em face do princípio da retroatividade benigna, exonera-se a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005
Impugnação Procedente em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que:
Os débitos exigidos estão controlados no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro n° 13819.001866/97-71, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97-69, ambos pendentes de decisão administrativa. Conforme restou demonstrado nos autos, as compensações foram centralizadas no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro nº 13819.001866/97-71, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97- 69. Naquele processo não houve até o momento, despacho decisório acerca das compensações pleiteadas;
É insubsistente o lançamento tendo cm vista que à época da lavratura do auto de infração sequer havia decisão acerca da compensação pleiteada, portanto, não haveria que se falar em compensação indevida passível de lançamento nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35;
Na época do protocolo dos pedidos de compensação com créditos de terceiros a legislação permitia o feito;
Quando do início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 66/2002 (01/10/2002), não havia sido proferido despacho decisório nos pedidos de compensação, logo, estes foram convertidos em declaração de compensação.
Termina a petição requerendo o provimento do recurso para reconhecer a inadequação do lançamento, a homologação tácita das compensações e o cancelamento integral do auto de infração.
É o Relatório.
VOTO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, lavrado em 09/05/2002 (fls. 12) e cientificado por via postal em 11/06/2002 (fls. 119), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 21.110,74 em virtude de não comprovação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados para os períodos de outubro a dezembro de 1997. Em oposição à presente exigência, foi apresentada, em 11/07/2002, impugnação de fls. 01/08, acompanhada dos documentos de fls. 09/113, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. De inicio, destaca que os débitos exigidos na presente autuação já foram objeto de impugnação à Carta de Cobrança nº 30/1339/01 e ao Comunicado nº 00313301, emitidos por esta Delegacia da Receita Federal. Na seqüência reporta-se à amortização dos débitos através do instituto da compensação com crédito de terceiros, na forma do art. 15 da IN SRF nº 21/97, tendo em conta o pedido de restituição formulado por Unigel Participações Serv. Ind. Representação Ltda (13819.001788/97-69, doc 03 fls. 60/61). Menciona que cometeu alguns equívocos ao preencher os formulários de compensação para pagamento de débitos com créditos de terceiro, mas retificou tais pedidos, substituindo o pedido de compensação com créditos próprios inicialmente apresentado, e corrigindo o CNPJ antes informado, pertencente a outra empresa do grupo. Ainda, foi. retificado o número do processo ao qual se vincula a compensação, de 13819.001866/97-71 (primeiro pedido de compensação apresentado pela impugnante) para 13819.001788/97-69. Aduz que, além dos pedidos de compensação retificadores, providenciou a retificação das DCTFs dos períodos de outubro, novembro e dezembro de 1997 (doc 05 fls. 69/107), eis que constou a informação de que os valores objeto de compensação tinham como origem o Processo Judicial 93.00068628, quando o correto seria constar os créditos do Pedido de Restituição nº 13819.001788/97-69. Entende, então, ser descabida a exigência. Aborda seu direito à compensação na forma do art. 170 do CTN, do art. 66 da Lei nº 8.383/91, do art. 39 da Lei nº 9.250/95 e dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, bem como do então vigente art. 15 da IN SRF nº 21/97. Finaliza requerendo a improcedência do lançamento. Por meio do despacho de fls. 47, a autoridade preparadora atestou ser tempestiva a impugnação e remeteu o processo para julgamento. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas (SP) julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 05-35209, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano-calendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO CONFIRMADO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CRÉDITO DE TERCEIRO. Lançamento anterior a Medida Provisória 66, de 2002. Inexistindo certeza e liquidez acerca dos créditos alegados, à época do lançamento, confirma-se a sua validade, especialmente em vista do que dispunha o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Ademais, mesmo que o lançamento fosse posterior a 30/09/2002, pedido de compensação com crédito de terceiro não está amparado pela sistemática introduzida pela Medida Provisória nº 66, de 2002, a partir da referida data, não se cogitando de sua conversão em DCOMP nem da conseqüente extinção dos débitos. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonera-se a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: Os débitos exigidos estão controlados no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro n° 13819.001866/97-71, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97-69, ambos pendentes de decisão administrativa. Conforme restou demonstrado nos autos, as compensações foram centralizadas no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro nº 13819.001866/97-71, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97- 69. Naquele processo não houve até o momento, despacho decisório acerca das compensações pleiteadas; É insubsistente o lançamento tendo cm vista que à época da lavratura do auto de infração sequer havia decisão acerca da compensação pleiteada, portanto, não haveria que se falar em compensação indevida passível de lançamento nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35; Na época do protocolo dos pedidos de compensação com créditos de terceiros a legislação permitia o feito; Quando do início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 66/2002 (01/10/2002), não havia sido proferido despacho decisório nos pedidos de compensação, logo, estes foram convertidos em declaração de compensação. Termina a petição requerendo o provimento do recurso para reconhecer a inadequação do lançamento, a homologação tácita das compensações e o cancelamento integral do auto de infração. É o Relatório. VOTO
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(assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .0 02 92 4/ 20 02 -4 8 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002924/200248 Resolução nº 3402000.667 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, lavrado em 09/05/2002 (fls. 12) e cientificado por via postal em 11/06/2002 (fls. 119), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 21.110,74 em virtude de não comprovação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados para os períodos de outubro a dezembro de 1997. Em oposição à presente exigência, foi apresentada, em 11/07/2002, impugnação de fls. 01/08, acompanhada dos documentos de fls. 09/113, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. De inicio, destaca que os débitos exigidos na presente autuação já foram objeto de impugnação à Carta de Cobrança nº 30/1339/01 e ao Comunicado nº 00313301, emitidos por esta Delegacia da Receita Federal. Na seqüência reportase à amortização dos débitos através do instituto da compensação com crédito de terceiros, na forma do art. 15 da IN SRF nº 21/97, tendo em conta o pedido de restituição formulado por Unigel Participações Serv. Ind. Representação Ltda (13819.001788/97 69, doc 03 – fls. 60/61). Menciona que cometeu alguns equívocos ao preencher os formulários de compensação para pagamento de débitos com créditos de terceiro, mas retificou tais pedidos, substituindo o “pedido de compensação” com créditos próprios inicialmente apresentado, e corrigindo o CNPJ antes informado, pertencente a outra empresa do grupo. Ainda, foi. retificado o número do processo ao qual se vincula a compensação, de 13819.001866/9771 (primeiro pedido de compensação apresentado pela impugnante) para 13819.001788/9769. Aduz que, além dos pedidos de compensação retificadores, providenciou a retificação das DCTF’s dos períodos de outubro, novembro e dezembro de 1997 (doc 05 fls. 69/107), eis que constou a informação de que os valores objeto de compensação tinham como origem o Processo Judicial 93.00068628, quando o correto seria constar os créditos do Pedido de Restituição nº 13819.001788/9769. Entende, então, ser descabida a exigência. Aborda seu direito à compensação na forma do art. 170 do CTN, do art. 66 da Lei nº 8.383/91, do art. 39 da Lei nº 9.250/95 e dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, bem como do então vigente art. 15 da IN SRF nº 21/97. Finaliza requerendo a improcedência do lançamento. Por meio do despacho de fls. 47, a autoridade preparadora atestou ser tempestiva a impugnação e remeteu o processo para julgamento. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002924/200248 Resolução nº 3402000.667 S3C4T2 Fl. 102 3 A 5ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas (SP) julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 0535209, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO CONFIRMADO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CRÉDITO DE TERCEIRO. Lançamento anterior a Medida Provisória 66, de 2002. Inexistindo certeza e liquidez acerca dos créditos alegados, à época do lançamento, confirmase a sua validade, especialmente em vista do que dispunha o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Ademais, mesmo que o lançamento fosse posterior a 30/09/2002, pedido de compensação com crédito de terceiro não está amparado pela sistemática introduzida pela Medida Provisória nº 66, de 2002, a partir da referida data, não se cogitando de sua conversão em DCOMP nem da conseqüente extinção dos débitos. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: a) Os débitos exigidos estão controlados no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro n° 13819.001866/97 71, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97 69, ambos pendentes de decisão administrativa. Conforme restou demonstrado nos autos, as compensações foram centralizadas no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro nº 13819.001866/9771, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97 69. Naquele processo não houve até o momento, despacho decisório acerca das compensações pleiteadas; b) É insubsistente o lançamento tendo cm vista que à época da lavratura do auto de infração sequer havia decisão acerca da compensação pleiteada, portanto, não haveria que se falar em compensação indevida passível de lançamento nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002924/200248 Resolução nº 3402000.667 S3C4T2 Fl. 103 4 c) Na época do protocolo dos pedidos de compensação com créditos de terceiros a legislação permitia o feito; d) Quando do início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 66/2002 (01/10/2002), não havia sido proferido despacho decisório nos pedidos de compensação, logo, estes foram convertidos em declaração de compensação. Termina a petição requerendo o provimento do recurso para reconhecer a inadequação do lançamento, a homologação tácita das compensações e o cancelamento integral do auto de infração. É o Relatório. VOTO Como já relatado, a lide posta nos autos diz respeito a constituição de créditos tributários em virtude da compensação pretendida pelo sujeito passivo não estar lastreada com direito creditório líquido e certo, conforme determina o art. 170 do Código Tributário Nacional. Analisando os autos, consto que o direito creditório e o pedido de compensação que sustenta a autuação estão sendo discutidos em processos administrativos próprios de nº 13819.001866/9771 e 13819.001788/9769. Já me posicionei em outras ocasiões no sentido de que processo que trate de compensação, cujo crédito a ser utilizado esteja sendo discutido em outro processo administrativo, deve esperar a decisão do processo conhecido como “mãe”, aquele que contém o crédito pleiteado, para então poder ter seu desfecho final. Mesmo entendimento tenho para os processos de auto de infração, cujo objeto é a compensação discutida em outro processo. Conforme já relatado, o recorrente protocolou pedido de compensação com créditos de terceiros que está sendo decidido nos autos do processo nº 13819.001866/9771. Já o crédito financeiro que poderá contemplar a compensação pretendida é objeto do processo nº 13819.001788/9769. Em face dessas dependências entre os processos citados, voto por converter o julgamento em diligência, determinando que a Unidade Preparadora acoste cópia das decisões definitivas dos processos nº 13819.001866/9771 e nº 13819.001788/9769 e que seja elaborada planilha demonstrativa do valor do crédito a ser restituído. Depois de tomadas as providências requeridas, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, 28/05/2014 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 314DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902524/2012-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/07/2008
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/07/2008 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 24 /2 01 2- 89 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902524/201289 Acórdão n.º 3801003.520 S3TE01 Fl. 140 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902524/201289 Acórdão n.º 3801003.520 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$ 23.238,32. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2008 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902524/201289 Acórdão n.º 3801003.520 S3TE01 Fl. 142 4 Data do fato gerador: 31/07/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902524/201289 Acórdão n.º 3801003.520 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 31/07/2008 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902524/201289 Acórdão n.º 3801003.520 S3TE01 Fl. 144 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902524/201289 Acórdão n.º 3801003.520 S3TE01 Fl. 145 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 35524.000413/2004-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 26/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 52 4. 00 04 13 /2 00 4- 00 Fl. 839DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Plantar Planejamentos Agropecuários e Assistência, foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 01/99, relativa às importâncias supostamente não lançadas correspondentes à parte patronal e do financiamento dos benefícios destinados às Entidades Terceiras – SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE e os concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), acrescidos de multa. A Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 2402001.892, que se encontra às fls. 346/354 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva. DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo Fl. 840DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35524.000413/200400 Acórdão n.º 9202003.174 CSRFT2 Fl. 9 3 prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. EXCLUSÃO DO SIMPLES DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA O não conhecimento de Recurso Especial apresentado pelo contribuinte frente à Câmara Superior de Recursos fiscais representa o trânsito em julgado administrativo da decisão de exclusão deste do SIMPLES. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por unanimidade de votos, declarou a decadência das contribuições apuradas até a competência de 03/1999, aplicando a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN por tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação. Intimada do v. acórdão em 16/09/2011 (fl. 355), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 358/376), sustentando divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos n° 230100.158 e 280300.279, no tocante à aplicação do artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional para fins de reconhecimento da decadência das contribuições previdenciárias em situações nas quais não há antecipação de pagamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 495/2011, de 25/10/2011 (fls. 396/399). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls. 703/707). É o Relatório. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nº 230100.158 e 280300.279. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados: Acórdão nº 230100.158 “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. (...)” Acórdão nº 280300.279 "PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO, ART. 105, § 4, E ART, 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art., 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Havendo pagamento antecipado e/ou GFIP sobre os valores lançados aplicase a regra prevista no art. 150, parágrafo 4 ° do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido.” Verifico, ainda, constar do voto condutor que integra o acórdão paradigma 230100.158: "As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarse a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do Fl. 842DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35524.000413/200400 Acórdão n.º 9202003.174 CSRFT2 Fl. 10 5 CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Na hipótese concretizada, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre algumas rubricas, conforme relatório fiscal (DAD). Assim, para os levantamentos FPA, FPI, FPN, aplicase o previsto no art. 150, parágrafo 4° do CTN; desse modo, a contar dos fatos geradores, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento fiscal. Para tais rubricas encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência julho de 2002, inclusive esta. Por seu turno para os levantamentos COP, FPC, VU; não houve pagamento antecipado, logo deve ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para essas competências encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2001, inclusive esta. A competência dezembro de 2001 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, data em que se exigia o pagamento antecipado, ou seja em 2 de janeiro de 2002; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de inicio o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, o dia 10 de janeiro de 2003, a qual findaria em 10 de janeiro de 2008.” No presente caso, o v. acórdão recorrido determinou, para fins de cômputo do prazo decadencial, a aplicação o §4º do art. 150 do CTN, tendo em vista a existência nos autos de guias de pagamento de contribuições previdenciárias para o período entre 12/1998 e 03/1999 (fls. 52/55), motivo pelo qual considerou haver antecipação do pagamento por parte do contribuinte e que se encontra decadente o lançamento até a competência de 03/1999. Os paradigmas colacionados, no entanto, manifestaram o entendimento de que o início do prazo decadencial está intrinsecamente relacionado à existência ou não do pagamento antecipado pelo sujeito passivo em relação à rubrica objeto de lançamento, entendendo que, nas hipóteses de inexistência de pagamento a homologar em relação à rubrica específica, deveria ser aplicado o art. 173, inciso I, do CTN. Destarte, patente a divergência, razão pela qual conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. A discussão no presente recurso é relativa ao termo inicial para contagem do prazo decadencial. Pois bem. Cabe examinar se deve ser aplicado ao caso o §4º do art. 150 ou art. 173, inciso I, do CTN, ambos para se determinar o termo inicial para contagem do prazo de decadência de 5 anos. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Em diversas oportunidades já manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existência de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, a partir de alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 22 de dezembro de 2010, introduziu no artigo 62A do Anexo II dispositivo que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar em 18/09/2009 o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 844DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35524.000413/200400 Acórdão n.º 9202003.174 CSRFT2 Fl. 11 7 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso, da análise das Guias de Recolhimento Registradas é possível inferir que houve o recolhimento de contribuições previdenciárias pelo sujeito passivo (fls. 52/55), ainda que em rubricas diversas das exigidas por meio da NFLD. Diversamente da posição defendida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, tenho me manifestado que o deslocamento da regra de contagem do prazo de decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, I, ambos do CTN, requer a total ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias pelo contribuinte relativamente aos fatos geradores questionados, que no caso em exame envolvem um universo de remunerações e verbas mensalmente pagas aos empregados e contribuintes individuais. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Tal entendimento, inclusive, foi objeto da Súmula CARF nº 99 a seguir transcrita: “Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Com base no referido raciocínio aplicase ao presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador. Assim, no caso em questão, considerando que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 22/04/2004, deve ser mantida a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 03/1999, nos termos consignados no v. acórdão recorrido. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 846DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 10920.721078/2012-85
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO
A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO.
Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico.
Na ausência de elementos fáticos que comprovem a existência dos pressupostos hábeis a caracterizar grupo econômico, não é possível dar ao grupo de empresas gerenciados por pessoas diversas da mesma família o status de tal instituo empresarial.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de não reconhecer a existência de vinculo empresarial advindo da formação de grupo econômico com as empresas SOCELPLAST INDÚSTRIA E PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ALBUNS LTDA. Contudo, nos termos em que a recorrente foi silente quanto ao débito contra ela lançado, manter a decisão da Delegacia Regional de Julgamento, por considerar matéria incontroversa, eis que a empresa apresentou inconformidade somente quanto à suposta caracterização de grupo econômico.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico. Na ausência de elementos fáticos que comprovem a existência dos pressupostos hábeis a caracterizar grupo econômico, não é possível dar ao grupo de empresas gerenciados por pessoas diversas da mesma família o status de tal instituo empresarial. Recurso Voluntário Provido em Parte
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AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico. Na ausência de elementos fáticos que comprovem a existência dos pressupostos hábeis a caracterizar grupo econômico, não é possível dar ao grupo de empresas gerenciados por pessoas diversas da mesma família o status de tal instituo empresarial. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de não reconhecer a existência de vinculo empresarial advindo da formação de grupo econômico com as empresas SOCELPLAST INDÚSTRIA E PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ALBUNS LTDA. Contudo, nos termos em que a recorrente foi silente quanto ao débito contra ela lançado, manter a decisão da Delegacia Regional de Julgamento, por considerar matéria incontroversa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 10 78 /2 01 2- 85 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 137 2 eis que a empresa apresentou inconformidade somente quanto à suposta caracterização de grupo econômico. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 138 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA., em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/POR) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento do crédito tributário. 2. De acordo com a descrição dos fatos, a empresa em epígrafe mesmo não sendo optante do regime tributário do Simples Nacional, declarava valores em GFIP como se assim fosse. Segue descrição dos fatos apresentada pela fiscalização: “IV. Contribuições Sociais 3. Este relatório é integrante do Auto de Infração, referente a valores apurados de contribuições normais devidas à Seguridade Social, correspondentes à: Parte patronal e GILRAT(*), que está identificada no DEBCAD n°51.013.8829. 4. Os detalhes do crédito previdenciário encontramse elencados no corpo deste relatório ou em seus anexos com suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas e fundamentação legal. 5. A razão pela qual foi efetuado o presente lançamento, prende se ao fato, de que em análise do batimento da Folha de Pagamento, GFIP e GPS, resultaram valores discrepantes, já que a empresa elaborava a GFIP como sendo do Regime Tributário do Simples Nacional – mesmo não sendo optante por este Regime e desta forma recolhia apenas os valores correspondentes ao desconto dos segurados. V. Fato Gerador 6. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, com relação às diferenças de contribuições delas resultantes, referentes ao período do lançamento, verificadas pela fiscalização através das folhas de pagamento e cujos valores estão descritos no Discriminativo de Débito DD, em anexo, e identificados no levantamento, a saber: FL2 – valores não lançados em GFIP é referente à contribuições apuradas sobre remunerações registradas na folha de pagamento normal de trabalhadores empregados e contribuintes individuais, abrangendo o período de 01/2009 a 12/2009. (fls. 12/13) (...) Fl. 138DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 139 4 VII. Outras Informações 11. Os fatos que ensejaram os lançamentos acima relatados, em tese configuram crimes de sonegação fiscal, razão porque será encaminhada a respectiva Representação Fiscal para Fins Penais à autoridade competente. 12. Tendo em vista que as empresas MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA, SOCELPLAST INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ALBUNS LTDA, apresentam os pressupostos caracterizadores do instituto de grupo econômico, foi emitido Termo de Sujeição Passiva Solidária. (fl. 13)”. 3. Após devidamente intimado do lançamento, em 10/04/2012, a contribuinte a apresentou impugnação tempestiva às fls. 43/48. Cientificadas do Termo de Sujeição Passiva, as empresas Socelplast Indústria de Plástico Ltda, Bianchi Álbuns Ltda. e CS Cobrança Ltda, , apresentaram impugnação às fls. 68/70, 77/79 e 85/87. 4. No entanto a Delegacia da Receita manteve o lançamento, a ementa do acórdão de primeira instância restou lavrada nos termos que transcrevo abaixo: “GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições sociais previdenciárias decorrentes da Lei nº 8.212, de 1991. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (f. 94) 5. Em sede recursal, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 110/122) alegando, em síntese, a inexistência de grupo econômico entre as empresas, sob os seguintes argumentos: (i) o fato de pessoas da mesma família serem sócios de diferentes empresas, por si só, não caracteriza o grupo econômico para qualquer fim; (ii) as empresas funcionam em diferentes galpões, ou seja, endereços diferentes; (iii) não há confusão patrimonial entre as empresas ou compartilhamento do quadro de funcionários; (iv) o julgado de primeira instância se utiliza de entendimento de legislação trabalhista para imputar responsabilidade tributária às empresas, o que inviável, pois aquela mais abrangente e inaplicável no caso em tela; (v) as empresas são autônomas, possuem objeto social diferenciado, empregados próprios e diferentes administradores; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 140 5 (vi) o corpo diretivo de cada empresa é distinto e autônomo, pois têm administradores diversos; e (vii) o fato de duas empresas possuírem um único sócio em comum também não justifica a caracterização do grupo econômico; 6. Alternativamente, considerando que os argumentos de descaracterização de grupo econômico não sejam aceitos, a recorrente pugna pela inexistência de responsabilidade entre empresas, ainda que reste caracterizada a existência de grupo econômico, sob os seguintes argumentos: (i) não há que se falar em responsabilidade das empresas SOCELPLAST, CS COBRANÇAS e BIANCHO ALBUNS por eventuais débitos da empresa MARÉ INDUSTRIAS; (ii) sustenta que segundo entendimento do STJ seria inviável a compensação de créditos de uma empresa com débitos previdenciários de outra empresa, ainda que sejam do mesmo grupo econômico. Assim, de forma análoga, a recorrente argumenta que, se inviável a compensação, também inviável a cobrança do tributo de empresa que não integrou o polo passivo da relação tributária. 7. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 141 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. BASE DE CÁLCULO E FATOS GERADORES INCONTROVERSO 2. Tendo em vista que a recorrente não apresentou impugnação quanto a ocorrência dos fatos geradores que ensejaram a lavratura do presente auto de infração, da mesma forma que assim se posiciona a respeito dos valores estipulados, resta incontroversa tais matérias no âmbito administrativo. DA CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO 3. A recorrente limitouse a questionar especificamente a caracterização do grupo econômico entre ela e as empresas SOCELPLAST INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ALBUNS LTDA. 4. Na peça acusatória, no item 25 (fl. 17), que o auto foi lavrado contra a pessoa jurídica do MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA, sendo as demais empresas cientificadas como sujeitos passivos solidários, (fls. 20/34) nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN) que identifica a obrigação solidária das pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. 5. O Código Tributário Nacional, de fato, prevê somente dois sujeitos subordinados à solidariedade tributária, quais sejam, as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e aquelas expressamente designadas por lei. 6. Esse interesse comum a que alude o inciso I, do art. 124, do CTN não se confunde com o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação, que constitui o fato gerador da obrigação principal. Tratase de interesse jurídico que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador da obrigação tributária. 7. No caso do grupo econômico, motivo determinante para a autuação da empresa, a Lei nº 8.212/91 em seu art. 30 c/c Regulamento da Previdência Social (RPS), art. 222, cuidaram de delimitar que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias previstas nesses diplomas legais, in verbis: Lei 8.212/91. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 142 7 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...). IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...)”. Regulamento da Previdência Social Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. 8. Incontestável a previsão legal que assegura a solidariedade existente entre empresas do mesmo grupo econômico, sendo, por consequência, considerada como devedora solidária, sem benefício de ordem. 9. No entanto para fins de autuação fiscal a formação de grupo econômico, deve ser claramente comprovada pela fiscalização, ou seja, é função do auditor fiscal, nos casos em que a existência do grupo econômico não é reconhecida pelas empresas, provar a existência fática do grupo econômico. 10. Primeiramente, quanto ao conceito do instituto, a doutrina não é uniforme ao conceituar grupo econômico. No entanto, a ideia que se pode extrair é comum a maioria das definições, como por exemplo: concentração de empresas com obediência de um gerenciamento único e controle, de maneira que, embora cada uma conserve sua identidade jurídica, na prática funcionam como se departamentos fossem da empresa “piloto” ou empresa mãe/controladora, representando assim nada mais nem menos do que uma técnica de gestão, na medida em que geralmente buscase a união de esforços e valores, monetários ou não, para atingir objetivos comuns. 11. A legislação trabalhista interpreta o conceito de grupo econômico, conforme art.2º, § 2º, da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT): como a composição de duas ou mais empresas, submetidas à direção única, a principal, controladora das demais, in verbis: Art.2º. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 2. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 143 8 12. Essa tem se pautado dos seguintes indícios para identificar grupos de empresas constituídos informalmente: (i) a direção e/ou administração das empresas pelos mesmos sócios e gerentes e o controle de uma pela outra; (ii) a origem comum do capital e do patrimônio das empresas; (iii) a comunhão ou a conexão de negócios; (iv) a utilização da mão de obra comum ou outras situações que indiquem o aproveitamento direto ou indireto por uma empresa da mão de obra contratada por outra. 13. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem considerado como requisito essencial ao reconhecimento de um grupo empresarial a subordinação empresarial (RE 824667/PR) bem como tem reconhecido a solidariedade quanto a débitos tributários, “desse que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente” (REsp 973733/SC). 14. Com tal respaldo verifico que o agente que lavrou o auto de infração bem fundamentou juridicamente a hipótese do grupo econômico e a respectiva obrigação solidária entre os seus integrantes. Não obstante, não consta claramente comprovada a situação fática que identificasse de forma inequívoca a existência de grupo econômico entre as empresas. 15. Isto é, não basta trazer à baila a legislação que trata da responsabilidade solidária entre as pessoas jurídicas que compõem o grupo econômico, é necessário comprovação da hipótese elencada pelo fisco no inciso I, do art. 124 do CTN, pois a ele é imputado o ônus da prova, segundo Fábio Pallaretti Calcini, em Responsabilidade tributária e solidariedade (RDDT 167/36, ago/09): Solidariedade tributária, no caso do grupo econômico, não decorre, simplesmente, da caracterização deste, cujo ônus da prova é do Fisco...É preciso também demonstrar o cumprimento dos requisitos estampados no art. 124, do Código Tributário Nacional... Por fim, o art. 30, inciso IX, da Lei n. 8.212/91 deve ser interpretado, conjuntamente, com o art. 124, do Código Tributário Nacional, em especial, no tocante ao inciso I, o qual há de ser considerado o núcleo fundamental e irradiador das diretrizes essenciais em matéria de responsabilidade tributária, de maneira que todos os requisitos devem ser preenchidos, principalmente, o interesse comum no fato gerador da obrigação principal. 16. Compulsando detidamente os argumentos fiscais para o lançamento, não resta cristalina a formação de grupo econômico pelas empresas envolvidas. Como exposto, a doutrina e a jurisprudência trabalhista e do STJ, são uníssonas no sentido de caracterizar grupo econômico entre empresas quando restar inequivocamente comprovado o compartilhamento de instalações e de funcionários entre as empresas e houver confusão patrimonial, administrativa e contábil entre as empresas, o que denota a ligação e o interesse comum dos contribuintes, entre outros aspectos. 17. In casu, no relatório fiscal dos autos não ficou claro – tampouco se preocupou em especificar – quais foram os pressupostos ponderados pela autoridade fiscal que o levou a considerar as empresas MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA., Fl. 143DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 144 9 SOCELPLAST INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA., CS COBRANÇA LTDA. e BIANCHI ÁLBUNS LTDA. grupo econômico de fato. 18. Conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária, são argumentos do auditor fiscal para justificar a solidariedade entre as empresas: “(...) 2. Neste mesmo endereço verificamos que funciona a empresa SOCELPLAST INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA., CNPJ – 03.485.170/000100. 3. Em consulta aos sistemas da RFB, verificamos que são sócios da empresa Socelplast, acima referida, Guilherme Nichues, CPF – 008.989.46930 e Maria Vieira, CPF – 548.746.10900. 4. Ainda na consulta aos sistemas da RFB podemos verificar a existência de outras empresas com os mesmos sócios: CS COBRANÇA LTDA, CNPJ – 04.735.236/000127 Sócios: Guilherme Niehues, CPF – 008898.46930 Solenir Terezinha Niehues, CPF – 417.536.58934 BIANCHI ÁLBUNS LTDA, CNPJ – 04.232.326/000103 Sócios: Solenir Terezinha Niehues, CPF – 417.536.58934 Claudemir Paludo, CPF – 884.659.42072 5. Assim, temos várias empresas pertencentes a mesma família, com o que concluímos que existem os pressupostos caracterizadores do instituto de grupo econômico do qual fazem parte as quatro empresas acima referidas. (...) 8. Assim sendo, as empresas SOCELPLAST INDÚSTRIA E PLÁSTICO LTDA, CNPJ – 03.485.170/000100, CS COBRANÇA LTDA, CNPJ – 04.735.236/000127 E BIANCHI ÁLBUNS LTDA, CNPJ – 04.232.326/000103 responderão solidariamente co a empresa MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA, CNPJ – 09599.573/001158 em relação aos créditos previdenciários ora constituídos, com base no artigo 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário nacional) e art. 30, IX da Lei nº 8.212, de 1991, que assim estabelecem: art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato ferrador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei; Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às Fl. 144DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 145 10 seguintes normas: (redação dada pela Lei n 8.620, de 05.01.1993) (...) IX – as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei (fls. 20/23). 19. Em que pese os argumentos supra mencionados, estes não balizam a realidade fática de grupo econômico entre as empresas, tampouco evidenciam documentalmente a existência dos requisitos de confusão jurídica, contábil ou sequer o compartilhamento de quadro de funcionários entre as pessoas jurídicas, esses sim, elementos robustos que dariam margem a subordinação e unicidade empresarial. 20. Assim, por não terem sido juntados aos autos qualquer documentação capaz de ratificar o lançamento realizado tampouco a explanação clara e precisa no relatório fiscal quanto aos elementos caracterizadores do grupo econômico de fato, voto pelo provimento ao recurso voluntário interposto, para afastar a responsabilidade solidária dessas pessoas jurídicas. CONCLUSÃO 21. Por todo o exposto conheço do recurso voluntário, para no mérito, darlhe provimento parcial, no sentido de não reconhecer a existência de vinculo empresarial advindo da formação de grupo econômico com as empresas SOCELPLAST INDÚSTRIA E PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ÁLBUNS LTDA. Contudo, nos termos em que a recorrente foi silente quanto ao crédito contra ela lançado, mantenho a decisão da Delegacia Regional de Julgamento, por considerar matéria incontroversa, eis que a empresa apresentou inconformidade somente quanto à suposta caracterização de grupo econômico. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 12897.000210/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2006
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO MENSAL. INOBSERVÂNCIA PELA FISCALIZAÇÃO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXONERAÇÃO.
Correto o entendimento de que o lançamento de ofício deve obedecer ao PERÍODO APURAÇÃO dos tributos. Todavia, uma vez que os dispositivos legais determinam que o Pis (art. 2º da Lei nº 9.715/1998) e a Cofins (art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991) sejam apurados mensalmente, a acumulação das receitas apuradas no último mês do trimestre evidencia ERRO no PERÍODO de APURAÇÃO apenas em face das parcelas correspondentes às receitas dos dois primeiros meses do trimestre, ali computadas.
Numero da decisão: 1101-001.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, divergindo o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, que negava provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO MENSAL. INOBSERVÂNCIA PELA FISCALIZAÇÃO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXONERAÇÃO. Correto o entendimento de que o lançamento de ofício deve obedecer ao PERÍODO APURAÇÃO dos tributos. Todavia, uma vez que os dispositivos legais determinam que o Pis (art. 2º da Lei nº 9.715/1998) e a Cofins (art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991) sejam apurados mensalmente, a acumulação das receitas apuradas no último mês do trimestre evidencia ERRO no PERÍODO de APURAÇÃO apenas em face das parcelas correspondentes às receitas dos dois primeiros meses do trimestre, ali computadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, divergindo o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, que negava provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 02 10 /2 01 0- 10 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12897.000210/201010 Acórdão n.º 1101001.123 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12897.000210/201010 Acórdão n.º 1101001.123 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório A 5a Turma da DRJ/Rio de JaneiroI submete a reexame necessário decisão na qual, por unanimidade de votos, foi julgada PARCIALMENTE PROCEDENTE impugnação interposta contra lançamento formalizado em 27/04/2010, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 7.130.848,10. As exigências decorrem da constatação de omissão de receitas presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. A apuração do IRPJ e da CSLL observou a opção da contribuinte pelo lucro presumido trimestral, e as exigências de Contribuição ao PIS e da COFINS foram calculadas na sistemática cumulativa, mas também reunindo trimestralmente as receitas apuradas. A Turma Julgadora rejeitou as alegações da contribuinte acerca da regular escrituração dos depósitos bancários, mas cancelou as exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS foram as bases de cálculo foram apuradas trimestralmente. O acórdão está assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada. CSLL. DECORRÊNCIA. O lançamento reflexo deve seguir o mesmo entendimento aplicado no julgamento do lançamento principal, se têm como fundamento as mesmas infrações, dada a relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2006 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO MENSAL. INOBSERVÂNCIA PELA FISCALIZAÇÃO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXONERAÇÃO. O lançamento de ofício deve obedecer ao PERÍODO APURAÇÃO dos tributos. Uma vez que os dispositivos legais determinam que o Pis (art. 2º da Lei nº 9.715/1998) e a Cofins (art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991) sejam apurados mensalmente, e considerando que a fiscalização, sem previsão legal, apurou as bases de cálculo e as contribuições devidas de Pis e Cofins na forma trimestral, devese cancelar os autos de infração de Pis e de Cofins, por ERRO no PERÍODO de APURAÇÃO. As exigências principais exoneradas, acrescidas da correspondente penalidade, totalizaram R$ 1.480.985,80, ultrapassando o limite estabelecido na Portaria MF nº 3/2008. Cientificada da decisão de primeira instância por meio de edital publicado em 22/08/2013 (fl. 402), a contribuinte não interpôs recurso voluntário, e os créditos tributários mantidos foram transferidos para cobrança nos autos do processo administrativo nº 12448.730666/201349. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12897.000210/201010 Acórdão n.º 1101001.123 S1C1T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A exoneração das exigências de Contribuição ao PIS e COFINS está assim fundamentada: [...] Dos lançamentos da Contribuição para o Pis e a Cofins De acordo com os autos de infração lavrados de PIS (fls. 345/9) e de COFINS (fls. 350/4), verificase que a fiscalização apurou as bases de cálculo e as contribuições devidas também na forma trimestral, para o anocalendário de 2006. Entretanto, para estas contribuições, o período de apuração é mensal. Acerca da apuração do crédito tributário, trago parte do voto proferido no Acórdão 1218.412, de 27 de fevereiro de 2008: “Todavia, o lançamento de ofício deve obedecer ao período apuração dos tributos, o que foi inobservado pela fiscalização. O art. 2º da Lei nº 9.715/1998 e o art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991 determinam, respectivamente, que o Pis e a Cofins sejam apurados mensalmente e não trimestralmente. Devese registrar que não cabe a esta autoridade julgadora alterar a forma de apuração, já que estaria inovando o lançamento, o que violaria o princípio da legalidade. Neste sentido, cabe citar a autora Mary Elbe Gomes Queiroz Maia, no Livro Do Lançamento Tributário – Execução e Controle, Ed. Dialética, São Paulo, 1999, p.163. “Igualmente é inadmissível que seja alterada a base legal ou a matéria fática objeto do lançamento inicial, inclusive não poderá ser modificada a identificação da infração, pois tais hipóteses implicariam em substituição e, por conseqüência, em novo lançamento diverso daquele inicialmente objeto do processo fiscal em que se está exercendo o controle, para cuja atividade o órgão julgador é inteiramente carente de competência....” No mesmo sentido, citase ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA APERFEIÇOAMENTO DA EXIGÊNCIA INICIAL POR DRJ NULIDADE A competência atribuída às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, nos termos do artigo 2.º da Lei n.º 8.748/93, não contempla a função de lançamento tributário, nos termos do disposto no artigo 142 do CTN, de modo a alterar a exigência impugnada, aperfeiçoando os termos da exigência inicial, sendo, pois, nulo tal procedimento (Acórdão n.º 10704.028, de 15/04/1997, 1.º CC). Portanto, considerando que a fiscalização, sem previsão legal, apurou indevidamente as bases de cálculo e as contribuições devidas de PIS e COFINS na forma diversa da mensal, voto pelo cancelamento dos créditos tributários lançados referentes ao ano calendário de 2006. Conclusão Fl. 422DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12897.000210/201010 Acórdão n.º 1101001.123 S1C1T1 Fl. 6 5 Por todo o exposto, voto no sentido de: 1 se manter integralmente os lançamentos de IRPJ, no valor de R$ 1.839.509,60 e da CSLL, de R$ 667.747,90, acrescidos da multa de 75% e dos juros de mora; 2 exonerar os lançamentos do PIS, de R$ 150.706,90 e da COFINS. de R$ 695.570,70, bem como a multa de ofício de 75% e dos juros de mora, por erro de lançamento. Em verdade, porém, os autos de infração reúnem nos fatos geradores de 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006 e 31/12/2006 as receitas omitidas nos trimestres finalizados naquelas datadas, e a planilha de fl. 252 evidencia as receitas que foram, antes, apuradas mensalmente: REAL BRADESCO HSBC ITAÚ ITAUBANK CEF UNIBANCO TOTAL janeiro 370.011,75 217.085,82 219.424,10 342.438,34 1.148.960,01 fevereiro 1.000,00 45.431,38 127.566,80 51.078,16 171.706,70 13.094,35 20.852,50 430.729,89 março 704.827,25 6.590,15 312.461,88 259.833,53 136.774,14 1.420.486,95 1 Trimestre 1.000,00 1.120.270,38 134.156,95 580.625,86 431.540,23 232.518,45 500.064,98 3.000.176,85 abril 30.117,49 891.876,25 184.959,80 185.171,03 418.769,03 224.532,32 199.659,54 2.135.085,46 maio 800.436,81 308.799,89 266.006,96 88.233,24 61.138,96 162.816,24 1.687.432,10 junho 3.185,00 1.324.340,02 245.410,03 313.822,76 235.996,88 214.822,40 128.245,12 2.465.822,21 2 Trimestre 33.302,49 3.016.653,08 739.169,72 765.000,75 742.999,15 500.493,68 490.720,90 6.288.339,77 julho 76.662,26 1.413.943,34 227.512,84 332.857,79 135.368,64 77.913,89 151.582,66 2.415.841,42 agosto 13.094,73 986.529,19 285.910,67 412.250,52 396.552,15 128.121,99 166.001,67 2.388.460,92 setembro 43.397,27 1.026.525,62 341.006,66 326.038,12 127.186,55 42.360,51 124.393,08 2.030.907,81 3 Trimestre 133.154,26 3.426.998,15 854.430,17 1.071.146,43 659.107,34 248.396,39 441.977,41 6.835.210,15 outubro 183.047,71 1.177.342,87 367.197,76 259.587,69 11.605,57 77.352,21 350.215,41 2.426.349,22 novembro 210.428,26 1.138.895,83 211.662,55 405.681,92 121.500,42 277.424,81 2.365.593,79 dezembro 261.357,06 1.000.643,53 350.474,60 237.630,11 213.999,41 205.918,13 2.270.022,84 4 Trimestre 654.833,03 3.316.882,23 929.334,91 902.899,72 11.605,57 412.852,04 833.558,35 7.061.965,85 O equívoco da autoridade fiscal, portanto, não foi aplicar a periodicidade trimestral para apuração das contribuições exoneradas, mas sim acumular no último mês do trimestre toda a receita do período. Em conseqüência, as exigências apontadas para os vencimentos de 13/04/2006, 15/05/2006, 13/10/2006 e 15/01/2007 apresentamse majoradas com parcelas que deveriam ter sido recolhidas em momento anterior, por corresponderem aos fatos geradores de 31/01/2006, 28/02/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/10/2006 e 30/11/2006. Assim, os valores exigidos podem ser regularizados com a exclusão daquelas parcelas indevidamente lançadas nos períodos de apuração autuados, sem qualquer alteração na forma de apuração adotada pela Fiscalização, a qual, frisese, está apontada com contornos de apuração mensal nos autos de infração. A mencionada alteração na forma de apuração somente se verificaria se as receitas pertinentes aos dois primeiros meses do trimestre foram alocadas, em julgamento, aos períodos de apuração aos quais competem, inovando o lançamento em relação aos fatos geradores autuados, com conseqüente alteração do vencimento do tributo e dos juros de mora sobre eles incidentes. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12897.000210/201010 Acórdão n.º 1101001.123 S1C1T1 Fl. 7 6 Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, para restabelecer as exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS correspondentes às bases de cálculo de R$ 1.420.486,95 em 31/03/2006; R$ 2.465.822,21 em 30/06/2006; R$ 2.030.907,81 em 30/09/2006 e R$ 2.270.022,84 em 31/12/2006. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 424DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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