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Numero do processo: 15374.984021/2009-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM CRÉDITOS DE OUTROS PROCESSOS. HOMOLOGAÇÃO DEFINITIVA.
Homologa-se a declaração de compensação cujo direito creditório, a título de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, é formado por estimativas mensais cuja compensação, por sua vez, foi homologada em decisão definitiva, no âmbito de outros processos, conferindo ao direito creditório os atributos de certeza e liquidez exigidos pelo art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 9101-003.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para homologar a compensação nos limites dos créditos reconhecidos definitivamente nos processos de nº 16682.720726/2011-31 e 16682.901948/2011-53. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício)
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. Recorrente FMC TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM CRÉDITOS DE OUTROS PROCESSOS. HOMOLOGAÇÃO DEFINITIVA. Homologase a declaração de compensação cujo direito creditório, a título de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, é formado por estimativas mensais cuja compensação, por sua vez, foi homologada em decisão definitiva, no âmbito de outros processos, conferindo ao direito creditório os atributos de certeza e liquidez exigidos pelo art. 170 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para homologar a compensação nos limites dos créditos reconhecidos definitivamente nos processos de nº 16682.720726/201131 e 16682.901948/201153. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 98 40 21 /2 00 9- 47 Fl. 575DF CARF MF Processo nº 15374.984021/200947 Acórdão n.º 9101003.959 CSRFT1 Fl. 1.384 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório FMC TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA., recorre a este Colegiado por meio do Recurso Especial de efls. 459/543, contra o Acórdão nº 1803002.150, proferido pela então Terceira Turma Especial da Primeira Seção do CARF, em sessão realizada em 9/4/2014, pelo qual a turma, por voto de qualidade, negou provimento ao seu Recurso Voluntário, não reconheceu o direito creditório em litígio e não homologou as compensações declaradas (efls. 416/437). Tratase de PER/DCOMPs transmitidas com o objetivo de quitar débitos próprios de sua responsabilidade com direito creditório a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário 2006, no valor de R$ 641.884,40. Depois de anulado um primeiro despacho decisório pelo Acórdão nº 12 36.570 da 1ª Turma da DRJ/RJI, de 07/04/2011, o órgão de origem analisou a composição do referido saldo negativo e constatou que várias das estimativas que o compunham foram objeto de compensações não homologadas no âmbito de outros processos administrativos. Em razão disso foi proferido um novo despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações a ele vinculadas (fls. 152/154) Irresignado, o contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade (efls. 164/178), julgada improcedente (efls. 293/296). Na sequência, foi interposto Recurso Voluntário (efls. 335/407), apreciado pela 3ª Turma Especial da Primeira Seção do CARF, em sessão realizada em 9/4/2014, a qual lhe negou provimento. No acórdão nº 1803002.150 deduziuse a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 15374.984021/200947 Acórdão n.º 9101003.959 CSRFT1 Fl. 1.385 3 Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. JUROS DE MORA E MULTA DE MORA. VALORAÇÃO DOS DÉBITOS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, ou seja, de juros de mora a taxa Selic e aplicação da multa moratória, na forma da legislação de regência. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O voto condutor registrou que as compensações das estimativas que compuseram o saldo negativo de CSLL de 2006 restaram não homologadas pela autoridade julgadora de 1ª Instância no âmbito dos processos administrativos nº 16682.901948/201153 e 16682.720726/201131. Após considerar não haver previsão na legislação permitindo o sobrestamento dos autos para aguardar decisão final naqueles processos, indeferiu o pleito, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações declaradas. Cientificado, o contribuinte, tempestivamente, apresentou recurso especial (e fls. 459/543) apontando divergência jurisprudencial em relação ao seguinte tema: "o aproveitamento de estimativas para a apuração do saldo negativo pela simples declaração em DCOMP, ainda que posteriormente não homologada". Indicou como paradigma o acórdão nº 1801001.891, cuja ementa tem o seguinte teor: Acórdão nº 1801001.891 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 IRPJ. PERDCOMP. COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE DE CÔMPUTO NO SALDO NEGATIVO. A estimativa confessada em declaração de compensação, já está, desde tal constituição de débito, apta a compor o saldo negativo do período de apuração. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 15374.984021/200947 Acórdão n.º 9101003.959 CSRFT1 Fl. 1.386 4 Em suas razões recursais, em apertada síntese, aduz o recorrente que a decisão recorrida carece de lógica e gera dupla tributação. Isto porque, alega, apenas duas situações podem ocorrer com relação aos processos administrativos que discutem os pagamentos de CSLL por estimativa em 2006: (i) caso sejam julgados favoravelmente à recorrente, implicaria que os pagamentos via compensação serão válidos e integrantes do saldo negativo e, por consequência, as compensações nestes autos serão homologadas e, (ii) caso sejam julgados em seu desfavor, implicará na obrigação de quitar as estimativas não compensadas acrescidas de juros e de multa, mas também, por consequência, esses valores integrarão o saldo negativo de forma que as compensações neste processo também serão homologadas. E caso nenhuma das situações não ocorra, haverá dupla exigência pelo Fisco dos mesmos valores. Pede, ao final, pelo conhecimento e provimento do recurso para ser reconhecido o saldo negativo de CSLL de 2006 e homologadas as compensações a ele vinculadas. Feita a análise de admissibilidade, o Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF entendeu por caracterizada a divergência e admitiu o Recurso, nos termos do despacho de efls. 551/552. Notificada, a PFN apresentou contrarrazões (efls. 555/560). No mérito, após referirse à legislação que rege a compensação, tece, em resumo, os seguintes argumentos: a) nos termos da legislação, a demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação, sob pena de desrespeito à própria natureza do instituto da compensação; b) a compensação por iniciativa do sujeito passivo ocorre mediante a entrega, por este, de pedido/declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados; c) se não homologada a compensação, a estimativa não pode integrar o saldo negativo postulado em outro processo de compensação, por faltarlhe os atributos de liquidez e certeza; d) não se admite no nosso sistema PER/DCOMPs condicionais, ou seja, créditos ainda não líquidos e certos que poderão gozar desses atributos em momento posterior em razão do reconhecimento do crédito discutido em outro feito, situação que poderá ocorrer ou não. Ao final pede que seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Fl. 578DF CARF MF Processo nº 15374.984021/200947 Acórdão n.º 9101003.959 CSRFT1 Fl. 1.387 5 Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora O recurso é conhecido nos termos do despacho de admissibilidade de fls. 551/552. No mérito, tratase de apreciar a possibilidade de se computar, no saldo negativo de CSLL do anocalendário 2006, valores de estimativas de 2006 indicados para compensação com saldos negativos de períodos anteriores, tratadas em outros processos administrativos e que restaram não homologadas ou se encontram pendentes de julgamento. O art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, instituiu a opção para o contribuinte de apurar o lucro real em bases anuais, desde que observe, durante o ano calendário em questão, a antecipação mensal do imposto sobre uma base de cálculo estimada. Tal sistemática se estende à CSLL por força do disposto no art. 30 da mesma lei. Eventual diferença a maior entre as antecipações mensais de IRPJ e o valor apurado como devido na declaração de ajuste anual configura saldo negativo, o que representa um pagamento a maior de tributo. Ocorre que, em muitos casos, os contribuintes pretendem utilizar o instituto da compensação para fins de obter a quitação de débitos de estimativas que, posteriormente, irão compor eventual saldo negativo, o qual, por sua vez, será utilizado como crédito de outras compensações, como acontece nos presentes autos. A problemática da compensação dos débitos decorrentes das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não deve mais ocorrer, haja vista que, recentemente, foi aprovada a vedação legal da quitação dessas estimativas pela via da compensação declarada ao Fisco, o que já havia sido tentado com a edição da Medida Provisória nº 449, de 2008, porém não fora confirmado quando de sua conversão na Lei nº 11.941, de 2009. Desta feita, a Lei nº 13.670, de 30 de maio de 2018, através do art. 6º, logrou incluir, dente outras, a seguinte restrição à declaração de compensação: § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003): [...] IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. (Redação dada pelo Lei nº 13.670, de 2018) (grifouse) Todavia, em obediência aos princípios que regem as relações tributárias e, ainda, ao princípio do devido processo legal, a análise da compensação em litígio deve observar as regras dispostas no art. 74 da referida lei, vigentes à época da entrega da respectiva declaração de compensação DCOMP (in verbis): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou Fl. 579DF CARF MF Processo nº 15374.984021/200947 Acórdão n.º 9101003.959 CSRFT1 Fl. 1.388 6 contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] Com base nesse dispositivo, admitiase, no preenchimento da DIPJ, o cômputo, na formação do saldo negativo, de estimativas compensadas por meio de DCOMP. Como relatado, as estimativas não homologadas nestes autos estão sendo tratadas nos processos de nº 16682.720726/201131 e nº 16682.901948/201153. Cumprese, pois, observar a relação de causa e efeito em relação a este processo decorrente. O processo nº 16682.720726/201131 cuida da compensação das estimativas de CSLL parcela do mês de abril e a estimativa de setembro de 2006 com saldos negativos de períodos anteriores. Referido processo encontrase arquivado desde 12/02/2015, conforme demonstra consulta ao sítio www.comprot.fazenda.gov.br. A última decisão revelouse favorável ao contribuinte, através do Acórdão nº 1102001.186, de 27 de agosto de 2014, através do qual a turma decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para homologar o pedido de compensação. Assim, os valores das estimativas a ele vinculadas, nos montantes respectivos de R$ 71.612,08 e R$ 1.817.591,36, podem compor o saldo negativo de CSLL de 2006 reivindicado neste processo. Já no processo nº 16682.901948/201153, foram objeto de não homologação pelo órgão de origem a compensação dos débitos de estimativas de CSLL do anocalendário 2006 meses de janeiro, no valor de R$ 271.132,97, fevereiro, no valor de R$ 12.095,51, março de R$ 148.752,15, e abril, no valor de R$ 191.805,48 com o saldo negativo de CSLL do ano de 2005. Em razão da vinculação com o presente processo, solicitouse a distribuição por conexão a esta relatora que o pautou na sessão de julgamento de 8 de novembro de 2018, propondo conhecer do recurso especial do contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento. O voto foi fundamentado na falta de homologação das referidas compensações, uma vez que o contribuinte havia desistido do recurso especial no processo nº 15374.918644/200921, onde se discutia o respectivo direito creditório, prevalecendo a decisão anterior pela não homologação. Ocorre que, durante o julgamento do recurso especial nos autos deste último processo (nº 16682.901948/201153(, através do acórdão nº 9101003.891, a maioria do colegiado decidiu dar provimento ao recurso do contribuinte, no que esta relatora restou vencida. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 15374.984021/200947 Acórdão n.º 9101003.959 CSRFT1 Fl. 1.389 7 Aquela lide referiase apenas ao valor da estimativa de CSLL do mês de julho de 2005, no montante de R$ 44.890,00, o qual havia sido excluído da apuração do saldo negativo por falta de comprovação, mas foi reconhecido pela maioria da turma em razão da notícia nos autos de que teria havido desistência para inclusão em parcelamento (PERT) e, assim, a dívida teria sido confessada. Considerandose que o resultado daquele processo julgado pela 1ª Turma da CSRF no último mês de novembro, em última instância, restou homologada naqueles autos a compensação de parte da estimativa de abril de 2006. Assim, o montante homologado poderá ser computado no saldo negativo de CSLL do anocalendário 2006 pleiteado nestes autos. Desta feita, como os processos administrativos vinculados ao PER/DCOMP objeto destes autos foram decididos de forma definitiva, resta aqui apenas homologar a compensação nos limites dos créditos neles reconhecidos. Conclusão Em face ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial do contribuinte e, no mérito, darlhe provimento para homologar a compensação nos limites dos créditos reconhecidos definitivamente nos processos de nº 16682.720726/201131 e 16682.901948/201153. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 581DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001921/00-73
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/11/1988 a 30/09/1995
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrando-se através de relatórios, pareceres e informações a metodologia de cálculo e a apuração do direito creditório e não havendo neles inconsistências, obscuridade ou falhas não há que se falar em vício relativo a ausência de motivação.
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. CRÉDITO RECONHECIDO EM PROCESSO JUDICIAL. LIQUIDEZ E CERTEZA QUANTO AO CRÉDITO. APURAÇÃO.
No procedimento de homologação de pedido de restituição/declaração de compensação decorrente de crédito tributário reconhecido por decisão judicial transitada em julgado compete à autoridade administrativa a apuração da certeza e liquidez de direito creditório postulado pelo contribuinte, com base nos documentos do contribuinte e nas decisões judiciais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3003-000.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/11/1988 a 30/09/1995 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrando-se através de relatórios, pareceres e informações a metodologia de cálculo e a apuração do direito creditório e não havendo neles inconsistências, obscuridade ou falhas não há que se falar em vício relativo a ausência de motivação. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. CRÉDITO RECONHECIDO EM PROCESSO JUDICIAL. LIQUIDEZ E CERTEZA QUANTO AO CRÉDITO. APURAÇÃO. No procedimento de homologação de pedido de restituição/declaração de compensação decorrente de crédito tributário reconhecido por decisão judicial transitada em julgado compete à autoridade administrativa a apuração da certeza e liquidez de direito creditório postulado pelo contribuinte, com base nos documentos do contribuinte e nas decisões judiciais. Recurso Voluntário Negado
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrandose através de relatórios, pareceres e informações a metodologia de cálculo e a apuração do direito creditório e não havendo neles inconsistências, obscuridade ou falhas não há que se falar em vício relativo a ausência de motivação. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. CRÉDITO RECONHECIDO EM PROCESSO JUDICIAL. LIQUIDEZ E CERTEZA QUANTO AO CRÉDITO. APURAÇÃO. No procedimento de homologação de pedido de restituição/declaração de compensação decorrente de crédito tributário reconhecido por decisão judicial transitada em julgado compete à autoridade administrativa a apuração da certeza e liquidez de direito creditório postulado pelo contribuinte, com base nos documentos do contribuinte e nas decisões judiciais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 19 21 /0 0- 73 Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10875.001921/0073 Acórdão n.º 3003000.036 S3C0T3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação a ele vinculada, decorrente de crédito pagamento indevido de Contribuição para o PIS/Pasep, efetuado durante a vigência dos Decretosleis nº 2.445/88 e 2.449/88, protocolizado em 15/06/2000, no valor de R$ 92.287,94 (em 01/01/1996). O pedido foi inicialmente indeferido pela decisão de fls. 163/167, por decadência e por ter se entendido que não se aplicaria a semestralidade, sendo que a decisão foi mantida pela DRJ de Campinas (fls. 202/2015). O Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte, por entender que o prazo prescricional seria de cinco anos contados a partir da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49/95, e para determinar a aplicação da semestralidade. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial, ao qual foi negado provimento (fls. 273/277). A DRF Guarulhos proferiu novo despacho decisório, fls. 452/456, para reconhecer parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 81.668,83, atualizados até 01/01/1996, e homologar as compensações até o limite do direito creditório. Cientificado do despacho em 21/09/2016 (fl. 473), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 491/499, em 21/10/2016 (fl. 475), para alegar que o despacho decisório seria nulo, já que não conteria fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para a não homologação das compensações, acarretando ainda o prejuízo de seu direito de defesa. Defendeu que o despacho não teria qualquer explicação sobre o motivo do crédito não ter sido reconhecido integralmente. Argumentou, ainda, que o crédito pleiteado pelo recorrente teria sido reconhecido pelo CARF. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10875.001921/0073 Acórdão n.º 3003000.036 S3C0T3 Fl. 4 3 Concluiu, para requerer a nulidade do despacho decisório, ou, alternativamente, o provimento da manifestação de inconformidade e a homologação da compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/11/1988 a 30/09/1995 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à nulidade do despacho decisório e, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação pleiteada. É o Relatório. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10875.001921/0073 Acórdão n.º 3003000.036 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. Suscita a recorrente que o despacho decisório não foi claro ao identificar os motivos que justificaram a homologação parcial das compensações pleiteadas. Explica que a decisão recorrida não dispõe de condições mínimas de validade, vez que inexistem, em seu bojo, fundamentos suficientes para a não homologação das compensações declaradas, visto que não são trazidas com clareza as razões da decisão e, mais ainda, os pressupostos fáticos utilizados para assim se proceder não são definitivamente verificáveis. Argumenta que é flagrante a ofensa ao direito constitucional subjetivo à ampla defesa e ao contraditório, porquanto não há justificativa clara e fundamentada para a não homologação da Declaração de Compensação. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O despacho decisório proferido pela DRF Guarulhos, fls. 452/456, em atendimento à decisão do Segundo Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao recurso do contribuinte, por entender que o prazo prescricional seria de cinco anos contados a partir da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49/95, e para determinar a aplicação da semestralidade, mantida pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou as compensações até o limite do direito creditório. Uma vez que o direito creditório foi parcialmente reconhecido, as compensações pleiteadas não foram totalmente homologadas e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais, sendolhe facultada a apresentação, no prazo regulamentar, de Manifestação de Inconformidade e, posteriormente, Recurso Voluntário. A fundamentação quanto ao reconhecimento parcial do direito creditório consta no Despacho Decisório, às fls. 453, ao frisar que alguns períodos não teriam sido apreciados, por falta de confirmação dos pagamentos e porque o contribuinte não teria fornecido a base de cálculo do sexto mês anterior: Deixamos de apreciar os períodos de apuração dos pagamentos relativos a: 11/1988, 06/1990, 07/1990, 10/1990, 07/1995 e 08/1995, em razão dos pagamentos informados nos DARFs não terem sido localizados na base de dados da RFB, e os períodos de 01/1989 a 04/1989 e 06/1989 por falta da base de cálculo relativo ao sexto mês dos P.As de 06/1988 a 10/1988 e 12/1988, embora a interessada tenha sido intimada para que apresentasse Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10875.001921/0073 Acórdão n.º 3003000.036 S3C0T3 Fl. 6 5 documentos contendo os valores que deram origem à base de cálculo para a apuração da contribuição, em resposta informa que: “consta a base de cálculo do PIS Faturamento durante o período englobado no pedido na planilha apresentada ”. Os demais valores foram reconhecidos no limite do crédito pleiteado pelo contribuinte, conforme planilha demonstrativa de cálculo às fls. 454/455, onde consta o valor passível de ressarcimento para cada período de apuração e a soma total. Verificase assim que a fundamentação do Despacho Decisório foi clara quanto aos motivos que levaram ao reconhecimento parcial do direito creditório. No entanto, a recorrente não trouxe no recurso ou indicou nos autos nenhuma documentação que pudesse infirmar as conclusões da autoridade fiscalizadora no Despacho Decisório, se limitando a apresentar alegações genéricas quanto a nulidade do feito. Os relatórios e informações fiscais produzidas em face de análise do pedido de restituição/declaração de compensação, os pareceres que antecederam os despachos da autoridade competente e as informações fiscais prestadas nas várias fases do contencioso são fartos em discorrer acerca da metodologia de cálculo do direito creditório, do histórico do processo judicial, dos índices de atualização utilizados e as explicações dos vários demonstrativos emitidos pelos sistemas informatizados da Receita Federal e pela autoridade fiscal com a apuração dos créditos. Em atendimento à decisão do Segundo Conselho de Contribuintes, a autoridade fiscal juntou aos autos os demonstrativos e demais documentos relativos à apuração do crédito pleiteado pela contribuinte, mediante decisão judicial, bem como explica o procedimento adotado na citada apuração. Portanto, devem ser repelidas as alegações preliminares de nulidade por suposto cerceamento de defesa. Como já visto, tratarse aqui de um processo formalmente revestido de todas as condições de legalidade, onde o contribuinte foi cientificado de todos os elementos constantes dos autos, os quais se revelam suficientes para a compreensão dos procedimentos de cálculo do direito creditório e julgamento da lide. Quanto a alegação de que o crédito pleiteado pela Recorrente já havia sido homologado pelo E. CARF, em decisão definitiva, melhor sorte não assiste à recorrente. A decisão do Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte, por entender que o prazo prescricional seria de cinco anos contados a partir da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49/95, e para determinar a aplicação da semestralidade, conforme consta no seu dispositivo: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho Contribuintes, 1: em dar provimento ao recurso: I) por maioria de votos, considerando direito à restituição em cinco anos da publicação da Resolução do Senado Federal. Vencidos os Conselheiros Gustavo Vieira de Melo Monteiro (Relator), que dava provimento parcial quanto à prescrição em cinco anos e mais cinco anos, e Antonio Carlos Atulim, que considerava a decadência em cinco anos do pagamento. Designada a Conselheira Adriana Gomes Rego Galvão para Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10875.001921/0073 Acórdão n.º 3003000.036 S3C0T3 Fl. 7 6 redigir o voto vencedor; e II) por unanimidade de votos, quanto à semestralidade. Tal decisão foi mantida pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, que foi assim ementado: PIS. RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o Prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, iniciase na data da publicação da resolução. Inaplicabilidade da Lei Complementar nº 118/2005. Recurso especial negado. Coube assim a autoridade fiscal proceder a apuração dos créditos decorrentes de decisão judicial, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170 .A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. O instituto da compensação está previsto ainda no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, o procedimento de homologação de pedido de restituição/declaração de compensação é efetuado pela autoridade administrativa cujo mister é promover a análise da liquidez e certeza do crédito, com base nos documentos do contribuinte e nas decisões judiciais, tendo sempre por norte o princípio da verdade material, decidindose quanto à apuração do direito creditório. No caso dos autos, o indébito é determinado pela apuração da parcela que excedeu o cálculo do PIS devido na sistemática da LC nº 07/70, em razão da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, ou seja, é Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10875.001921/0073 Acórdão n.º 3003000.036 S3C0T3 Fl. 8 7 necessário que autoridade administrativa ateste a regularidade do crédito, por meio da análise da composição da base de cálculo da Contribuição, para que dela extraia o valor pago a maior. O que foi feito por meio do despacho decisório proferido pela DRF Guarulhos, às fls. 452/456, que reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou as compensações até o limite do direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 577DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000928/2009-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9303-007.796
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11516.000928/200947 Recurso nº 1 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303007.796 – 3ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria CONSTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMOS DIVERSOS. Recorrentes INDÚSTRIA CARBONÍFERA RIO DESERTO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 28 /2 00 9- 47 Fl. 678DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 3 2 bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3803003.877, que deu provimento parcial ao recurso voluntário. Após ser integrado por acórdão que acolheu, em parte, os embargos de declaração interpostos por Conselheiro, restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao conceito de insumo aplicável para fins de tomada de créditos das contribuições não cumulativas. Dentre outros argumentos, defende que, para dos créditos em foco, a legislação estabelece que se incluem no conceito de insumo, além das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração alegando contradição e obscuridade quanto ao pronunciamento acerca dos concretos e corretos itens passíveis de aproveitamento do crédito. Todavia, seus embargos foram rejeitados. Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda foram apresentados pelo sujeito passivo. Em síntese, o contribuinte defende que não se deve considerar, para fins de creditamento do PIS e da Cofins não cumulativos, os conceitos de insumos aplicáveis à apuração de créditos do IPI e do ICMS. O sujeito passivo também interpôs Recurso Especial ao qual foi dado seguimento. Foi admitida a rediscussão da questão relativa ao conceito de insumo aplicável para o reconhecimento do direito de créditos das contribuições não cumulativas. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Especial do sujeito passivo. Alega, essencialmente, que não há como se admitir a adoção da legislação do IRPJ para se conceituar insumo para fins de constituição de créditos de PIS e Cofins não cumulativos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.785, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 11516.000925/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.785): "Depreendendose da análise dos recursos interpostos pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que em relação às matérias trazidas foram comprovadas as divergências, conforme preceitua o art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com os exames constantes dos Despachos de Admissibilidade. Em vista do exposto, conheço os recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois, em fevereiro de 2018, o STJ, em sede de recurso repetitivo, ao apreciar o REsp 1.221.170, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 5 4 Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Definiu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que a descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 6 5 Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, era de se constatar que o entendimento predominante considerava o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de Fl. 682DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 7 6 insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Fl. 683DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 8 7 Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): Fl. 684DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 9 8 “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 10 9 Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados Fl. 686DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 11 10 IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Fl. 687DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 12 11 Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, o STJ, que apreciou, em sede de repetitivo, o REsp1.221.170 – trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Ademais, importante trazer ainda a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." Tal Nota contempla em seus itens 41 a 43: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Sendo assim, fica firmado pela PGFN o seguinte conceito de insumos: Fl. 688DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 13 12 “Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.” Após superada a conceituação de insumos para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a analisar os itens trazidos pelo sujeito passivo que, por sua vez, tem como atividade a exploração e produção do carvão mineral. Para tanto, importante recordar o voto constante do acórdão recorrido: “[...] Não é possível reconhecer o direito creditório em relação às despesas com o transporte de funcionários, fornecimento de água, leite, pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, refeição, vigilância, limpeza, encadernação, controle e prevenção de pneumoconiose, fornecer equipamento de proteção individual etc, pois estas despesas não podem ser consideradas insumo para efeito de creditamento, ainda que o Acordo Coletivo de Trabalho tenha obrigado a empresa a fornecer, equipamento de proteção aos funcionários, aquisição de caixas de papelão, bem como o fornecimento de água e leite aos seus funcionários. Por certo que estes 2 (dois) últimos produtos, dentre outros, não apresentam nenhuma relação com o processo produtivo de uma mina de extração de carvão mineral e por isso agiu bem a fiscalização em glosálos. [...] A mesma sorte ocorre em relação às despesas resultantes das aquisições com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão e aquisição de caixas de papelão, pois penso que aqui falhou a interessada ao não ter demonstrado se estes produtos foram efetivamente aplicados na atividade de extração mineral. Ainda não deve ser concedido crédito em relação as despesas com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, uma vez que as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, não provam que estes serviços tenham sido realizados em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Cumpre ainda observar que embora a empresa tenha juntado aos autos as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, por outro lado não há provas de que estes serviços tenham sido realizado em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Quanto às despesas com aquisições de explosivos e cursos em relação aos mesmos, penso que estas despesas estão relacionadas com o processo produtivo. Entretanto, o contribuinte não instruiu os autos com notas fiscais de aquisição e nem mesmo contratos de prestação de serviços em relação aos cursos de operacionalização destes explosivos, razão pela qual não demonstrando o seu direito não há fundamento para o reconhecimento dos créditos neste particular. O mesmo digase em relação às despesas com embalagens e etiquetas.” Fl. 689DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 14 13 Após breve recordação, considerando que o acórdão de recurso voluntário não trouxe especificamente os diversos itens constantes do recurso voluntário, ainda que tenha sido apreciado pelo colegiado a quo ao adotar o termo “etc.” no voto recorrido, passarei a analisar os diversos itens questionados em recurso voluntário, com exceção daqueles que o contribuinte logrou êxito no acórdão recorrido (custos relacionados às obrigações ambientais e aos custos de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos, monitoramento do ar e serviços necessários para a recuperação do meio ambiente): 1. Despesas com o transporte de funcionários em trajetos específicos, por não conseguir identificar se referia a trajeto interno (na produção) ou externo (do domicílio do trabalhador para a produção), entendo que não há como reconhecer o crédito das contribuições; 2. Fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches, entendo serem itens passíveis de geração de crédito das contribuições, vez que, pela atividade do contribuinte, o trabalho em minas de carvão traz uma particularidade crítica na movimentação dos trabalhadores – inclusive para sair desse ambiente à procura de estabelecimentos de comércio alimentar e, adotando o teste de subtração da Nota PGFN, entendo que tal item é essencial para a sua atividade; 3. Exames e tratamentos médicos e assistência ao trabalhador acidentado, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições, pois não entendo que há como se vincular direta ou indiretamente à produção do carvão, por exemplo; 4. Uniformes e Equipamentos de Proteção Individual, entendo que tais custos geram o direito ao crédito das contribuições, inclusive por ser obrigatório nessa atividade. Recordo que essa turma já apreciou esse item – o que peço licença para transcrever parte das ementas dos seguintes acórdãos: · Acórdão 9303006.222 – Conselheiro Demes Brito “[...] COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORME/VESTUÁRIO. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. LUBRIFICANTES E COMBUSTÍVEIS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS uniforme, vestuário, equipamento de proteção individual, combustíveis e lubrificantes.[...]” · Acórdão 9303005.526 – Charles Mayer de Castro Souza “[...] No caso julgado, são exemplos de insumos: a) os materiais de segurança ou proteção individual, tais como: avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas; b) materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, Fl. 690DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 15 14 parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC [...]” · Acórdão 9303005.912 – Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas “[...] PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acatase os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. [...]” 5. Controle e Prevenção de Pneumoconiose, tal como os custos com exames e tratamentos médicos, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições; 6. Auditorias de certificação de qualidade e de procedimento como as ISO, ainda que necessários, não há como se gerar crédito pois não vinculada diretamente ou indiretamente à produção do carvão; 7. Caixas de Papelão e Sacos BIG Bag, entendo que geram direito ao crédito, pois essenciais para o acondicionamento do carvão produzido; ademais as etiquetas decorrem de exigência obrigatória, por se tratar de produtos perigosos; 8. Correias de Transporte, entendo ser essencial à atividade na exploração da mina, o que entendo ser gerador de crédito; 9. Gastos com explosivos e cursos técnicos relativos à operação da mina, entendo serem essenciais à sua atividade de exploração, bem como o curso atrelado a esses gastos, para se prevenir a segurança; 10. Sondagens, entendo que serem geradores de crédito, pois essencial à sua atividade; 11. Pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, vigilância, limpeza, encadernação, entendo que não há como se reconhecer o crédito, vez que são meros custos administrativos. Quanto à limpeza, não há comprovação da vinculação à sua atividade fim; 12. Custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, entendo que tais itens são essenciais à sua atividade. Em vista do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto aos itens trazidos em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, importante recordar o voto do acórdão recorrido: Fl. 691DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 16 15 “[...] Assim, considerando a planilha anexa aos autos em que estão relacionados os serviços e produtos glosados pela fiscalização, ou seja, excluídos do creditamento da contribuição, reconheço do pleito do contribuinte em relação todas as despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FÁTMA. Assim, partindo da planilha elaborada pelo agente fazendário, concedo créditos em relação às aquisições de serviços e produtos mencionados na tabela abaixo, por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público: [...] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja: risco ambiental, recuperação ambiental, auditorias ambiental, terraplanagem para recuperação ambiental, prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia, prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas, serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental, serviços de estudos hidrológicos, locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental, de ensaio técnico, serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA), prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas, prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina, prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas, prestação de serviços planialtimétricos, anteprojeto de recuperação de área ambiental e drenagem, serviços de coleta de resíduos sólidos. Ainda assiste razão ao contribuinte quando requer os créditos em relação a depreciação dos bens do ativo imobilizado, principalmente quando o fiscal nada comenda a respeito, bem mesmo o julgador de primeiro grau, uma vez que os contribuintes sujeitos a incidência não cumulativa do PIS/COFINS, em relação aos bens adquiridos, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. Assim, podem gerar direito a estes créditos as depreciações das empilhadeiras, bombas hidráulicas, motores etc, desde que registrados no ativo imobilizado.[...]” Em relação aos itens descritos no voto do acórdão recorrido, manifesto minha concordância, pois entendo que todos são essenciais à atividade do sujeito passivo, o que, fazendo o teste de subtração, impossível a operacionalização de sua atividade. Em vista do exposto, voto por: · Dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo; Fl. 692DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 17 16 · Negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional." (...) Transcrevese, a seguir, o voto vencedor do acórdão paradigma, que tratou do direito de crédito quanto ao fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina: "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo parcialmente de suas conclusões quanto aos itens que são possíveis de creditamento à luz do novo conceito de insumos introduzidos pela decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pós industriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, como bem esclareceu a relatora em seu voto, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A própria Fazenda Nacional, editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, a partir desta sessão de julgamento, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado pela relatora e também pela citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos Fl. 693DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 18 17 mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) Fl. 694DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 19 18 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Portanto, partindo dessas premissas é que iremos analisar, em cada caso, o direito ao crédito de PIS e Cofins de que tratam o inc. II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Passemos então à análise dos itens específicos do presente processo, dos quais discordamos da ilustre relatora. No caso específico nossa discordância é em relação a fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Apesar de tanto a relatora quanto eu estarmos em sintonia em relação ao conceito de insumos trazidos pela decisão do STJ, não tenho a mesma conclusão que ela que tais itens possam ser considerados insumos e serem relevantes e pertinentes para a atividade produtiva exercida pelo contribuinte. Com a devida venia, não considero que sejam itens, cuja subtração possa obstar a atividade produtiva do contribuinte. Não há como considerálos como insumos da atividade produtiva do contribuinte. Veja como dispõe a legislação do PIS e da Cofins quanto à possibilidade de creditamento: Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) Creio que a atenta leitura do dispositivo legal é suficiente para afastar o crédito da nãocumulatividade em relação a itens estranhos ao processo produtivo do contribuinte. Portanto, deixo de acompanhar a relatora em relação aos itens: fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Em conclusão, nego o aproveitamento de créditos da nãocumulatividade de PIS/Cofins sobre esses itens." Fl. 695DF CARF MF Processo nº 11516.000928/200947 Acórdão n.º 9303007.796 CSRFT3 Fl. 20 19 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Recurso Especial do Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão. O colegiado também conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 696DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720615/2007-29
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE CRÉDITO
As compensações informadas tiveram como origem do crédito o processo 13820.000272/2003-59 arquivado sem análise. O processo 10805.720616/2007-73 onde constava o PER/DCOMP 15942.66266.290305.1.3.01-1677, que substituiu, não expressamente, os débitos e créditos constantes do processo original, foi julgado improcedente pela ausência de comprovação da existência de saldo credor que suportasse os débitos objeto de compensação.
Numero da decisão: 3001-000.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelo conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante (relator), vencido também o conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelo conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante (relator), vencido também o conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. Recorrente NET SIGN COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE CRÉDITO As compensações informadas tiveram como origem do crédito o processo 13820.000272/200359 arquivado sem análise. O processo 10805.720616/200773 onde constava o PER/DCOMP 15942.66266.290305.1.3.011677, que substituiu, não expressamente, os débitos e créditos constantes do processo original, foi julgado improcedente pela ausência de comprovação da existência de saldo credor que suportasse os débitos objeto de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelo conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante (relator), vencido também o conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 06 15 /2 00 7- 29 Fl. 233DF CARF MF 2 Marcos Roberto da Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Em 04/09/2003, o Contribuinte transmitiu Pedido de Ressarcimento ou Restituição, acompanhado de Declaração de Compensação, fracionado em 04 (quatro) requerimentos, que receberam os nºs PER/DCOMP 28709.02142.040903.1.3.01.1220, 40748.64214.040903.1.3.01.7298, 40012.31482.040903.1.3.011004, relacionados aos 4ºTrimestre/2001, 1ºTrimestre/2002, 2ºTrimestre/2002 e 3ºTrimestre/2002. O quarto pedido resultou na instauração do presente processo administrativo, distribuído sob o nº 10805.720615/200729, e os demais, 10805.720612/200795, 10805.720613/200730 e 10805.720614/200784. Na sequência, o Auditor Fiscal concluiu pela impossibilidade de homologar os pedidos de compensação, por considerar que o Contribuinte não poderia ter formulado, em conjunto, o pedido de compensação. Explica para tanto que, na realidade, o requerimento foi inicialmente distribuído sob o nº 13820.000272/200359, nele o Contribuinte conjugou os 04 (quatro) trimestres em referência em apenas 01 (um) requerimento, ao passo que deferia ter fracionado em 04 (quatro) requerimentos distintos. E, nesse contexto, o requerimento original seria arquivado sem exame. O Contribuinte, notificado dessa decisão, apresentou novos Pedido de Ressarcimento ou Restituição, distribuídos sob os números acima relacionados. Tal despacho é comum em todos os processos em referência. O Contribuinte, por sua vez, manejou Manifestação de Inconformidade, uma para cada processo, idêntica no conteúdo, diferenciada apenas pelo número do processo e o trimestre de apuração. Em síntese, afirma, em primeiro lugar, que está diante de situação “sui generis”, visto que, apesar da matéria está pendente de exame, recebeu cobrança para promover o pagamento do tributo. Em seguida, argumenta que o cotejo entre os valores que se postula compensação e os tributos em cobrança revela correspondência de valores, reforçando a possibilidade de compensação. Por fim, requer seja deferida a compensação, visto que atendidos todos os requisitos legais para tanto. A 8ª Turma da DRJ/POR, em sessão realizada em 21 de setembro de 2010, deliberou, por “julgar procedente o pedido de cancelamento formulado na manifestação de inconformidade com o consequente cancelamento do PER/DCOMP”. Fundamento que o requerimento deveria se restringir a cada 01 (um) dos trimestres de referência, sem cumulação e a apresentação de requerimentos na sequência caracteriza pedido de cancelamento, devendo o Contribuinte reapresentálos, um a um, trimestre a trimestre. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância, conforme AR recebido no dia 11.04.2011, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 05/05/2011. Alega que “A empresa recorrente requereu os benefícios que a Lei lhe concedia e realizou única e exclusivamente o estorno dos créditos na forma técnica e corretamente permitidos. O engano Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10805.720615/200729 Acórdão n.º 3001000.578 S3C0T1 Fl. 3 3 cometido em relação ao PerdCompo quanto ao período de apuração, posteriormente retificado, apenas adequa o pedido para a referência correta do pedido. Outrossim, em nenhum instante foi manifestada sequer a intenção de cancelamento do PerdComp de 2003, e, tampouco o de 2005 foi apresentado coo sendo retificador, o que ensejaria o cancelamento daquele de 2003. Dessa forma, jamais poderá ser admitido qualquer cancelamento quando o documentos não se referir efetivamente à retificação de qualquer outro apresentado anteriormente. S.M.J., há sem sombra de dúbidas, equívoco na apreciação e consideração de todos os fatos e documentos apresentados no sentido de se considerar correto o “estorno” do crédito do IPI. Repitase aqui, que as providências, os meios, a forma e a interpretação realizada pela recorrente estão certas e absolutamente dentro da legalidade. Dessa forma e ainda com base nos processos em que a Fazenda pretendia a cobrança em dublicidade dos mesmos valores, e, em razão do que gerou inclusive, o documento que necessitou de nova apresentação, deve o presente processo administrativo ser reanalisado de forma integral, com a apreciação inclusive, dos processos que exigiam a cobrança em duplicidade, para, ao final se dar pela procedência do recurso na forma da Lei”. Instruiu seus argumentos com farta documentação (fls. 69/206), referentes a demonstrativos de apuração de créditos de 01.10.2001 a 31.12.2002; apuração de IPI de 01.10.2001 a31.03.2003; matéria prima utilizada para apuração dos créditos de IPI de 01.10.2001 a 30.09.2002. É O RELATÓRIO. Voto Vencido Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Conforme relatado, tratase de recurso voluntário interposto por NET SIGN COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA em face de Acórdão proferido pela 8ª Turma da DRJ/RPO. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância, conforme AR recebido no dia 11.04.2011 (fls. 76), o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário (fls. 77), em 05/05/2011, subscrito pelo representante DANIS SANCHES, e, atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução n° 3001 000.575, de 20.11.2018, proferida no julgamento do processo 10805.720612/200795, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionada Resolução que determinou o retorno à DRJ recorrida, quanto segue. Em síntese, a Primeira Instância recebeu os requerimentos de compensação subsequentes, em que foi apenas fracionado o período e ratificados os demais termos, como pedido de cancelamento tácito de todos os requerimentos formulados. Nesse contexto, concentrase a controvérsia em aquilatar se os novos requerimentos distribuídos, e ora em exame, constituem em essência pedido de cancelamento. Fl. 235DF CARF MF 4 Em que pese o esforço argumentativo exposto pela Turma de Julgamento de Primeira Instância, a meu sentir não se afigura pertinente receber o requerimento de compensação fracionado em trimestres como pedido de cancelamento dos requerimentos anteriores, bem como dos próprios requerimentos em exame. No próprio portal da Receita Feral, há expressa orientação a respeito do procedimento a ser observado diante de pedido de ressarcimento formulado em duplicidade (vide o teor da orientação publicada originalmente em 30/01/2015, com última modificação empreendida em 22/03/2016), a saber: 'Ocorrência. O pedido de ressarcimento objeto da intimação representa solicitação em duplicidade, pois o mesmo crédito demonstrado no PER/DCOMP objeto da intimação foi detalhado em outro pedido de ressarcimento transmitido em data anterior. Origem provável da inconsistência I) Contribuinte não solicitou a totalidade do crédito no primeiro PER/DCOMP e transmitiu pedido de ressarcimento complementar; e, II) Contribuinte identificou erroneamente o crédito pretendido.' Assim, entendo que outras providências deveriam ter sido tomadas pelo contribuinte, isto é, (i) transmitir PER/DCOMP retificador para um dos Pedidos de Ressarcimento, alterando a identificação e o detalhamento do crédito pretendido, ou (ii) transmitir Pedido de Cancelamento para o pedido de ressarcimento em duplicidade e, sendo o caso, retificar o primeiro pedido de ressarcimento apresentado referente ao mesmo crédito, para nele informar todo o saldo passível de ressarcimento no trimestre. Caso o sujeito passivo, devida e expressamente intimado, não atenda à intimação para informar e esclarecer sobre os itens i e ii acima, e não tome nenhuma providência, após transcorrido o prazo para regularização das inconsistências (pedido de ressarcimento em duplicidade), é que o pedido de ressarcimento apresentado em duplicidade poderia ser indeferido, ainda que traga inovações no detalhamento do crédito demonstrado, sendo emitido despacho decisório para o contribuinte informandoo da ocorrência e de forma fundamentada. Todavia, caso haja Declarações de Compensação vinculadas ao Pedido de Ressarcimento indeferido, elas serão vinculadas ao primeiro pedido de ressarcimento apresentado para o mesmo crédito, como se pode depreender das orientações constantes do sitio seguinte. (in http:// idg.receita.fazenda.gov.br/ orientacao/tributaria/restituicaoressarcimentoreembolsoe compensacao/perdcomp/termodeintimacaoperdcomp/ inconsistenciasentredoisoumaisperdcomps/pedidode ressarcimentoemduplicidade). Vale recordar, a propósito, que o Contribuinte, notificado da impossibilidade de formulação conjunta de mais de 01 (um) trimestre, fracionou em 04 (quatro) os requerimentos, cujos Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10805.720615/200729 Acórdão n.º 3001000.578 S3C0T1 Fl. 4 5 números foram acima relacionados. Ao lado dessa informação, observese as providências que o Contribuinte deveria tomar: transmitir novo PER/DCOMP retificador ou transmitir Pedido de Cancelamento daquele em duplicidade e, sendo o caso, retificar o outro subsistente. Na hipótese de o Contribuinte não atender a intimação dentro do prazo assinado, o último pedido de ressarcimento formulado em duplicidade será indeferido e, caso haja combinação de requerimento de compensação, esta será anexada ao pedido que permanecer ativo. Ocorre que, a despeito da lógica intrínseca ao sistema, a Turma de Primeira Instância compreendeu mais pertinente cancelar todos os requerimentos, alijando o Contribuinte da possibilidade de reaver o crédito oriundo de tributos recolhidos a maior, ao passo que deveria ter novamente notificado o Contribuinte para definir qual o requerimento prevaleceria, de modo a requer o cancelamento do(s) outro(s), promovendo a retificação do subsistente, se necessário. Registrese, ademais que, como relatado, o Recurso Voluntário do contribuinte foi instruído com farta documentação (fls. 82/207), referentes a demonstrativos de apuração de créditos de 01.10.2001 a 31.12.2002; apuração de IPI de 01.10.2001 a31.03.2003; matéria prima utilizada para apuração dos créditos de IPI de 01.10.2001 a 30.09.2002; e que tais documentos, posto que exibidos em sede de Recurso Voluntário, não foram apreciados pela autoridade recorrida de primeira instância. Como de todos conhecido, esta e outras Turmas do CARF, e a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, possuem firme jurisprudência no sentido de que os documentos e provas carreados para os autos, mesmo que em grau de recurso voluntário, deverão ser recebidos, conhecidos e remetidos à autoridade julgadora de primeira instância para considerálos e, sendo o caso, proferir nova decisão, sob pena de restarem caracterizados a supressão de instância e o cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, ora recorrente, entendimento este que restou consolidado, no âmbito desta 1ª TE/3ªSE, a partir da Resolução nº 3001000.085, de 10 de julho de 2018, de minha relatoria (baixada com supedâneo no Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017, proferido pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF), cuja decisão unânime restou assim resumida, verbis. 'Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF.' Fl. 237DF CARF MF 6 Pertinente reproduzir, a propósito, partes do voto condutor da supracitada Resolução nº 3001000.085, desta 1ª Turma, da 3ª Seção de Julgamento, a saber. 'Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). .......................................................(omissis)................................... Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinterecorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10805.720615/200729 Acórdão n.º 3001000.578 S3C0T1 Fl. 5 7 para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos". Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF (fls. 654/659), tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão (fls. 654), e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3 ª Turma (fls. 654/664). Desta forma, CONHEÇO do Recurso Voluntário intentado por NET SIGN COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA., AFASTO O CANCELAMENTO PRONUNCIADO DE OFÍCIO pelo Acórdão proferido pela autoridade recorrida, e VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, à Unidade de Origem, que deverá notificar o contribuinte para que: (i) transmita PER/DCOMP retificador para cada um dos Pedidos de Ressarcimento, alterando a identificação e o detalhamento do crédito pretendido, e/ou, (ii) transmita Pedido de Cancelamento para o pedido de ressarcimento em duplicidade e, sendo o caso, para retificar o primeiro pedido de ressarcimento apresentado referente ao mesmo crédito, para nele informar todo o saldo passível de ressarcimento no trimestre; (iii) na hipótese de o Contribuinte ter recebido o Termo de Intimação e não ter tomado nenhuma providência, após transcorrido o prazo para regularização das inconsistências (pedido de ressarcimento em duplicidade), o último(s) pedido(s) de ressarcimento apresentado(s) em duplicidade será(ão) indeferido(s), ainda que traga(m) inovações no detalhamento do crédito demonstrado, sendo emitido despacho decisório para o contribuinte informandoo da ocorrência; (iv) caso haja Declarações de Compensação vinculadas ao Pedido de Ressarcimento indeferido, elas serão vinculadas ao primeiro pedido de ressarcimento apresentado para o mesmo crédito; e, (v) em seguida, deverão os autos, com ou sem os esclarecimentos acima referenciados, serem reavaliados pelos órgãos de origem, antes de retornarem a este Colegiado, com o resultado desta Diligência. Vencido na preliminar de Diligência, diante dos fatos e circunstâncias acima relatados e demonstrados nestes autos; considerando os robustos fundamentos sustentados no voto vencido; tendo em vista que diversos outros documentos foram trazidos aos autos pela empresa com o Recurso Voluntário, os quais não foram apreciados pelos julgadores do v. acórdão recorrido; coerente com o posicionamento adotado anteriormente por esta Turma e constante da Resolução 3001000.085, de 10.07.2018, de minha relatoria, baixada com supedâneo no Acórdão da 3ª Turma da CSRF/Nº 9303005.065, de 16.05.2017; coerente Fl. 239DF CARF MF 8 também com meu posicionamento em voto proferido no julgamento do Processo número 10805.720612/200795, da mesma empresa NET SIGN COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA.; e, ainda, para que futuramente não se alegue supressão de instância e/ou cerceamento ao direito de defesa da empresa, VOTO novamente para dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Voto Vencedor Conselheiro Marcos Roberto da Silva Redator designado. Considerando o bem elaborado voto do ilustre Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, ouso divergir do seu entendimento para se baixar o processo em diligência pelos motivos que serão explanados a seguir. Inicialmente cabe destacar que a Recorrente formalizou o processo 13820.000272/200359 com um Pedido de Ressarcimento (efl 43) e uma Declaração de Compensação (efl 42). Contudo, o Pedido de Restituição foi formalizado de forma errada indicando vários trimestres de apuração (4º Trim/2001 a 1º Trim/2003), o que levou aos SEORT/DRF Santo André a lavrar despacho (efl 44) determinando que a Recorrente formalizasse um pedido para cada trimestre de acordo com o art. 14 da IN SRF no 210/2002. Neste mesmo despacho afirma que irá excluir os débitos do PROFISC e arquivar o processo sem análise. Os débitos que constavam da Declaração de Compensação do processo 13820.000272/200359 foram os seguintes: TRIBUTO COMPETÊNCIA VALOR 2172 – COFINS 03/03 R$12.890,00 8109 – PASEP 03/03 R$2.780,00 2089 – IRPJ 1º Trim/2003 R$18.560,00 2089 – IRPJ 1º Trim/2003 R$10.370,00 2372 – CSLL 1º Trim/2003 R$5.780,00 2089 – IRPJ 1º Trim/2003 R$14.825,00 TOTAL R$65.205,93 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10805.720615/200729 Acórdão n.º 3001000.578 S3C0T1 Fl. 6 9 Após este fato, a Recorrente formalizou outros cinco processos conforme tabela abaixo na qual coloco as seguintes colunas: A – Número do Processo B – 4 últimos dígitos das seguintes PER/DCOMPs 28709.02142.040903.1.3.011220 40748.64214.040903.1.3.017298 40012.31482.040903.1.3.011004 21315.92574.040903.1.3.010074 15942.66266.290305.1.3.011677 C – Tributo Compensado, Competência do Débito e Valor do Débito D – Trimestre do Crédito E – Valor do Crédito Destaquese aqui que as PER/DCOMP destes processos já foram eletrônicas cuja indicação do processo de crédito apontam para o processo 13820.000272/200359. A B C D E 10805.720612/200795 1220 PASEP MAR/03 2.321,65 1º Trim/2003 R$2.321,65 10805.720613/200730 7298 PASEP MAR/03 458,35 IRPJ 1T/03 20.252,27 COFINS 12.890,00 1º Trim/2002 R$33.600,62 10805.720614/200784 1004 IRPJ 1T/03 8.677,73 CSLL 1T/03 5.780,00 IRPJ 1T/03 1.826,22 2º Trim/2002 R$16.283,95 10805.720615/200779 0074 IRPJ 1T/03 12.999,71 3º Trim/2002 R$12.999,71 Somatório acima R$65.205,93 10805.720616/200773 1677 OS MESMOS DO PROCESSO 13820.000272/200359 1º Trim/2003 R$65.205,93 Fl. 241DF CARF MF 10 Com isso percebese que os débitos constantes do processo 13820.000272/200359 e do processo 10805.720616/200773 são idênticos, o que se conclui que a Recorrente acatou a determinação constante do despacho do SEORT/DRF Santo André (efl 44). Entretanto, continuou informando como processo de crédito (vide efl 3 do processo 10805.720616/200773 – Ressarcimento de IPI / Linha 1 “Informado em Processo Administrativo Anterior: SIM” / Linha 2 “Número do Processo: 13820.000272/200359”). O processo 10805.720616/200773 foi julgado em 23/04/2013 e teve o Recurso Voluntário negado conforme Acórdão 3202000.716, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 Ementa: IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DESISTÊNCIA. A sobreposição de pedidos de compensações, contendo os mesmos débitos, autoriza a autoridade administrativa a concluir que houve desistência dos primeiros pedidos formulados. IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE RAZÕES PARA INFIRMAR O ACÓRDÃO RECORRIDO. A recorrente não indicou nenhuma contraprova nem tampouco se verifica documentação, mediante o exame dos autos, que contradite o assentado pelo acórdão recorrido, a respeito da existência de saldo devedor, e não saldo credor, na data de formulação do PER/DCOMP em 2005. Recurso Voluntário negado. Todas as compensações informadas nos processos (PER/DCOMP finais 1220, 7298, 1004 e 0074) tiveram como origem do crédito o processo 13820.000272/200359 que foi arquivado sem análise. Outro ponto relevante para o deslinde do presente processo é a negativa ao recurso voluntário do processo 10805.720616/200773 onde constava o PER/DCOMP 15942.66266.290305.1.3.011677, se houvesse sido indicado como origem do crédito na presente PER/DCOMP, também não ficou comprovada a existência de saldo credor que suportasse os débitos do presente processo de compensação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Redator designado Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10805.720615/200729 Acórdão n.º 3001000.578 S3C0T1 Fl. 7 11 Fl. 243DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000480/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/07/2005 a 31/07/2005, 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/07/2006 a 31/07/2006
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP, APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária.
PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADORES.
A participação no lucro prevista na Lei n° 6.404/1976 paga a administradores contribuintes individuais integra a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias.
Numero da decisão: 2201-004.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/07/2005 a 31/07/2005, 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/07/2006 a 31/07/2006 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP, APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADORES. A participação no lucro prevista na Lei n° 6.404/1976 paga a administradores contribuintes individuais integra a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 80 /2 01 0- 46 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 16327.000480/201046 Acórdão n.º 2201004.829 S2C2T1 Fl. 172 2 (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 1626.687 14a Turma da DRJ/SP1 , que improcedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Adoto o relatório da decisão de primeira instância pela sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD n° 37.095.5986, lavrado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, por infração ao artigo 32, inciso IV, e parágrafo 5o da Lei n° 8212/91, com a redação dada pela Lei n° 9528/97, c/c o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048/99. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 08/11, a empresa apresentou as GFIP's (Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), das competências 01/2005, 07/2005, 01/2006 e 07/20065, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deixando de informar os valores pagos a administradores não empregados, a título de “Participação nos Lucros e Resultados PLR” , que foram considerados pela fiscalização como salário de contribuição. Os valores devidos, referentes às contribuições não recolhidas (obrigação principal) foram lançados por meio do Auto de Infração DEBCAD n° 37.271.7179, lavrado na mesma ação fiscal. A multa aplicada foi a prevista no artigo 32, § 5o, da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 284, inciso II, do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, no valor de R$ 112.863,20 (cento e doze mil, oitocentos e sessenta e três reais e vinte centavos), correspondente a 100% (cem por cento) de contribuição previdenciária devida não declarada, limitada, por competência, a um multiplicador, obtido em função do número de empregados da empresa, sobre o valor mínimo atualizado, conforme artigos 284, II e 373, do Decreto 3.048/99. 1.3.0 Relatório Fiscal esclarece também que, em virtude das alterações introduzidas na legislação pela MP 449 de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, foi feita a comparação, em cada competência, do valor da multa conforme legislação anterior (Auto de Infração FL 68) somada à Fl. 172DF CARF MF Processo nº 16327.000480/201046 Acórdão n.º 2201004.829 S2C2T1 Fl. 173 3 multa de mora de 24%, com a nova multa de 75%, sobre o valor total devido sem Terceiros, para fins de aplicação da benéfica ao Contribuinte. Conforme se verifica nas planilhas anexas, foi aplicada, em todas as competências, a multa correspondente à legislação vigente à época dos fatos geradores, tendo em vista que a multa prevista após a edição da MP 449, de 03/12/2008 (convertida na Lei n° 11941/2009) é mais gravosa ao sujeito passivo. DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou defesa tempestiva, razões às fls. 52/80, alegando, que consoante lhe possibilita o art. 152, da Lei 6.404/76, promoveu a distribuição de verbas a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR aos seus administradores, nos períodos de 11/2004 a 12/2006, devidamente autorizado pela Assembléia Geral Ordinária; que a Constituição de 1988, no seu Art. 7°, XI, exclui da incidência da contribuição social o montante que é concedido, aí incluído indubitavelmente o administrador, a título de participação nos lucros, sendo equivocada a interpretação dada pelo agente fiscal aos dispositivos constitucionais e legais que regem a proteção social do trabalho; que o legislador deixou bem claro e definido, no comando e§ no § 9o, do art. 28 da Lei 8.212/91, que não pode ser considerado como base de cálculo como saláriodecontribuição, o valor pago a título de participação nos lucros aos segurac investidos em funções dirigentes no âmbito da relação de custeio da seguridade social; que está claro, na Lei n° 8.212/91, que não integra o saláriode contribuição a participação nos lucros, ou seja, qualquer participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga de acordo com lei específica, no caso dos diretores não empregados, a Lei n 6.404 de 1976, sendo irrelevante o fato do administrador ou membro do conselho de administração da sociedade ser enquadrado na categoria de contribuinte individual; que não há que se falar em necessidade de expressa previsão legal para a isenção, como quer o Fisco, porquanto a própria Lei n° 8.212/91 não inclui entre as verbas que integram o saláriodecontribuição “a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada de acordo com lei específica”; que para sacramentar a total improcedência do lançamento fiscal em questão, cabe ressaltar que a verba relativa à participação nos lucros e resultados não está inserida no disposto no art. 195,1, “a”, da Constituição federal, pela simples Fl. 173DF CARF MF Processo nº 16327.000480/201046 Acórdão n.º 2201004.829 S2C2T1 Fl. 174 4 razão de que não é relativa à retribuição recebida pelo trabalho realizado, mas relativa à retribuição do capital investido que em face das disposições constitucionais e legais a verba denominada PLR distribuída aos seus administradores não se insere no conceito de saláriode contribuição, razão pela qual não há que se falar em recolhimento de contribuição previdenciária e, tampouco, na declaração de tais verbas em GFIP, na medida que tal fato caracteriza como hipótese de não incidência constitucionalmente qualificada, impondose por conseguinte o cancelamento do presente auto, dada a improcedência da multa aplicada; DO PEDIDO Pelo exposto a Impugnante solicitou que seja acolhida a sua impugnação e cancelado o AutodeInfração, eis que restou cabalmente comprovado que não deve haver incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas aos administradores a título de Participação nos Lucros, sendo desnecessário a declaração de tais valores em GFIP, não havendo que se falar em aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. É o relatório. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 113/126): Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/07/2005 a 31/07/2005, 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/07/2006 a 31/07/2006 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP, APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRI S. Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DIRETOR NÃO EMPREGADO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Para o contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre com o exercício de atividade remunerada, incidindo a contribuição sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título no decorrer do mês. Integra a remuneração a parcela recebida a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada a administradores não empregados. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 16327.000480/201046 Acórdão n.º 2201004.829 S2C2T1 Fl. 175 5 Em face da referida decisão, da qual foi intimada em 18/10/2010 (fl.129) a contribuinte manejou Recurso Voluntário, tempestivamente em 05/11/2010 (fls.130/160), reiterando os mesmos argumentos apresentados na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Considerações Iniciais De início, impende ressaltar que o presente processo trata de descumprimento da obrigação acessória de apresentar GFIP com informações de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. A recorrente deixou de informar a GFIP os pagamentos de PLR pagos a seus diretores não empregados. Toda a tese de defesa apresentada no recurso voluntário já foi objeto de enfrentamento por este colegiado nos autos do processo nº 16327.000481/201091, tendo a turma decidido, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Assim sendo, não há insurgência ao descumprimento da obrigação acessória propriamente dito. Dessa forma, não é exaustivo transcrever o que já abordado por ocasião do julgamento da referida obrigação principal. Do mérito Defende a empresa que, diante da imunidade constitucional prevista no inciso XI do art. 7° da Carta Política de 1988, a não incidência das contribuições previdenciárias a diretores não empregados. Adiciona que a própria Lei n° 6.404, de 1976, lei especial que regula as sociedades anônimas, dá guarida ao pagamento de PLR aos administradores estatutários, cumprindo, desse modo, o requisito estabelecido pela Lei n° 8.212, de 1991, para o fim de escapar à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Pois bem. A alínea "j" do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, reproduzida novamente abaixo, ao afastar a incidência tributária sobre a participação nos lucros ou resultados da empresa paga ou creditada, de acordo com lei específica, está se referindo à Lei n° 10.101, de 2000, a qual é destinada tão somente aos segurados empregados: Art. 28 (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Fl. 175DF CARF MF Processo nº 16327.000480/201046 Acórdão n.º 2201004.829 S2C2T1 Fl. 176 6 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...)De fato, ao explicitar a norma de não incidência, o inciso X do § 9° do art. 214 do RPS, toma o cuidado de acrescentar a expressão "empregado": Art. 214 (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição,exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (GRIFEI) Isso porque a Lei n° 10.101, de 2000, não trata de pagamentos a trabalhadores não empregados, haja vista constar expressamente em seu corpo o regramento destinado à negociação entre empresa e seus empregados: Art. 2°A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo : I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) (GRIFEI) Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisou a disciplina jurídica relativa à participação nos lucros ou resultados prevista no inciso XI do art. 7° da Carta Política de 1988. Concluiu a Corte Suprema que sendo o preceito constitucional de eficácia limitada, a regulamentação somente se operou com a edição da Medida Provisória n° 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada inúmeras vezes até a conversão na Lei n° 10.101, de 2000, incidindo contribuição previdenciária relativamente aos fatos geradores concretizados antes da vigência daquele ato normativo. Eis a ementa do Recurso Extraordinário (RE) n° 569.441/RS, submetido a sistemática de repercussão geral, Relator Ministro Dias Toffoli e Redator do Acórdão Ministro Teori Zavascki, julgado na sessão de 30/10/2014: EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7°, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 16327.000480/201046 Acórdão n.º 2201004.829 S2C2T1 Fl. 177 7 INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7°, XI, da CF inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários depende de regulamentação. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. Recurso extraordinário a que se dá provimento. De modo que não há como acolher o entendimento de que a expressão "lei específica", contida na alínea "j" do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, referese a mais de uma lei ordinária, além da Lei n° 10.101/2000, abarcando a distribuição de valores também com base na Lei n° 6.404, de 1976. Menciona a recorrente, ainda, que as parcelas não podem compor o salário decontribuição do trabalhador em razão do cumprimento de todos os requisitos para a distribuição da participação nos lucros aos administradores elencados no art. 152 da Lei n° 6.404/1976. Quanto ao tema, utilizo como fundamento da minha decisão o brilhante voto proferido pelo Conselheiro Cleberson Alex Friess, acórdão nº 2401004.411 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, na parte que se relaciona especificamente à matéria: Para melhor compreensão da previsão contida na lei das sociedades anônimas, transcrevo o art. 152 da Lei n° 6.404, de 1976: Remuneração Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. § 1° O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2° Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 16327.000480/201046 Acórdão n.º 2201004.829 S2C2T1 Fl. 178 8 Os pagamentos realizados a título de "atribuição estatutária", também conhecidos como "participação estatutária", como ora se cuida, não se equiparam a valores decorrentes da remuneração de capital. A remuneração do administrador pode ser composta por duas parcelas, uma fixa, conhecida como prólabore (art. 150, "caput") e outra variável, consistente na participação nos lucros da companhia por ações, conforme definido pelos acionistas (art. 150, § 1°). Em um e outro caso, não há como liberar a empresa da tributação, porquanto as verbas possuem natureza remuneratória. É verdade que a participação estatutária dos administradores, assim como o pagamento de dividendos aos acionistas, são contabilizadas em contas de patrimônio líquido, mediante redução do lucro acumulado, e não mediante débito em contas de resultado do exercício social. Porém, tal característica contábil comum é insuficiente para agregar a natureza de remuneração do capital à participação estatutária. O dividendo pago a acionista decorre da participação acionária na sociedade, ao passo que a participação estatutária ao diretor não empregado é paga em razão da prestação do trabalho. Nessa mesma linha, trago à colação decisão da CSRF a seguir ementada: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76. Tratandose de valores pagos aos diretores não empregados, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da Lei 10.101/2000, posto que nos termos do art. 2° da referida lei, essa só é aplicável aos empregados. A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição, posto que não remunerou o capital investido na sociedade, mas, sim, o trabalho executado pelos diretores, compondo dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da lei 8212/91.A regra constitucional do art. 7o, XI possui eficácia limitada, dependendo de lei regulamentadora para produzir a plenitude de seus efeitos, pois ela não foi revestida de todos os elementos necessários à sua executoriedade. Inteligência dos entendimentos judiciais manifestados no RE 505597/RS, de 01/12/2009 (STF), e no AgRg no AREsp 95.339/PA, de 20/11/2012 (STJ). Somente com o advento da Medida Provisória (MP) 794/94, convertida na Lei 10.101/2000, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores empregados no lucro das sociedades empresárias. Inteligência do RE 569441/RS, de Fl. 178DF CARF MF Processo nº 16327.000480/201046 Acórdão n.º 2201004.829 S2C2T1 Fl. 179 9 30/10/2014 (Info 765 do STF), submetido a sistemática de repercussão geral. Acórdão n° 9202005.705, sessão de 29.08.2017 Logo, escorreito o lançamento fiscal que entendeu pela incidência da tributação sobre os pagamentos à diretores não empregados, a título de participação nos lucros ou resultados. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002739/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.139
Decisão: RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Marco Andre Ramos Vieira
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score : 1.0
Numero do processo: 10630.902295/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO APÓS O VENCIMENTO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS.
Haverá a incidência dos acréscimos moratórios até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme expressa previsão legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, incluindo a multa de mora estabelecida em norma vigente, conforme sua Súmula nº 2.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
De acordo com a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
Numero da decisão: 1201-002.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10630.902292/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO APÓS O VENCIMENTO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Haverá a incidência dos acréscimos moratórios até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, incluindo a multa de mora estabelecida em norma vigente, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10630.902292/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO APÓS O VENCIMENTO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Haverá a incidência dos acréscimos moratórios até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, incluindo a multa de mora estabelecida em norma vigente, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10630.902292/200909, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 22 95 /2 00 9- 34 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10630.902295/200934 Acórdão n.º 1201002.393 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo recurso voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando parcialmente a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) pela inexistência do crédito suficiente. De acordo com referido despacho decisório, "considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada." Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável suficiente, questionando a incidência de juros e multa de mora sobre o valor devido e vencido, quando da mencionada transmissão da declaração de compensação (DCOMP). Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.391, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10630.902292/2009 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.391): Divergindo sobre os acréscimos de juros e multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP), o contribuinte narrou os seguintes fatos em seu recurso voluntário: Desta forma, descabe, portanto, o auto de infração originário, já que não houve atraso nos referidos pagamentos, sem a ocorrência de quaisquer prejuízos à Fazenda Federal. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10630.902295/200934 Acórdão n.º 1201002.393 S1C2T1 Fl. 4 3 O I. Presidente e Relator alega que a transmissão da Dcomp se deu após o vencimento dos débitos levados à compensação, e que neste caso deve incidir juros e multa. Ocorre que a referida transmissão da Dcomp ocorreu após o vencimento dos débitos devido ao fato do desenquadramento do Simples para o Lucro Presumido ter sido comunicado somente em 26 de agosto de 2004. Ademais, os valores entraram nos cofres da SRF antes mesmo de existir o débito, não havendo que se falar. Todavia, o acórdão recorrido concluiu pela insuficiência do crédito, ressaltando a incidência de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) e multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP). O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". A Lei nº 9.430/1996 regulamentou o procedimento de ressarcimento, restituição e compensação, determinando a incidência dos acréscimos moratórios no seu artigo 61: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei). Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10630.902295/200934 Acórdão n.º 1201002.393 S1C2T1 Fl. 5 4 À época, o artigo 28 da IN SRF nº 460/2004 exigia os acréscimos moratórios quando da entrega da Declaração de Compensação (DCOMP), após o vencimento do tributo: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (grifei) A Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) orienta sobre o acréscimo de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), não havendo dissidência jurisprudencial sobre o tema: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Isto posto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e NEGOLHE PROVIMENTO." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 68DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720832/2014-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2010 a 30/09/2011
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE.
O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos.
PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADORES.
A participação no lucro prevista na Lei n° 6.404/1976 paga a administradores contribuintes individuais integra a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, §3°,da Lei 9.430/96.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. SÚMULA.
"A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." (Súmula CARF n° 88).
Numero da decisão: 2201-004.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2010 a 30/09/2011 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADORES. A participação no lucro prevista na Lei n° 6.404/1976 paga a administradores contribuintes individuais integra a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, §3°,da Lei 9.430/96. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. SÚMULA. "A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." (Súmula CARF n° 88). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 32 /2 01 4- 15 Fl. 748DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 749 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão 1540.506 6ª Turma da DRJ/SDR, que julgou improcedente a sua impugnação. Adoto, em parte, o relatório do acórdão recorrido por sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: Tratase de processo que agrupa os Autos de Infração (AI) lavrados por descumprimento de obrigações tributárias principais, sob os seguintes DEBCAD n°: 51.025.6350 e 51.025.6368, consolidados em 10/09/2014. A tabela abaixo apresenta um resumo dos Autos de Infração que compõem o processo sob julgamento: DEBCAD N° COMPETÊNCIAS MATÉRIA CÓDIGO LEVANTAMENTO VALOR TOTAL 51.025.6350 02/2010 a 09/2011 Contribuições previdenciárias parte patronal, inclusive SAT/RAT, incidentes sobre as remunerações de empregados pagas pela empresa e contribuições previdenciárias parte patronal, incidentes sobre as remunerações de contribuintes individuais pagas pela empresa. PA PARTICIPAÇÃO ADMINISTRADORES; PE PARTICIPAÇÃO EMPREGADOS. R$18.451.849,77 51.025.6368 02/2010 a 09/2011 Contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos (terceiros). PE PARTICIPAÇÃO EMPREGADOS. R$851.981,72 A fiscalização informa que: Constituem fatos geradores das contribuições ora lançadas as seguintes remunerações: Fl. 749DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 750 3 pagas aos segurados empregados a propósito de “Participação nos Lucros ou Resultados”, em desacordo com a legislação específica; pagas aos segurados contribuintes individuais (diretores não empregados), a título de participação nos lucros. Os valores apurados de Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados foram obtidos de dados constantes em planilhas, contendo os pagamentos por beneficiário (formato Excel), fornecidas pela empresa ora notificada, em 14/03/2014. Tais dados foram extraídos e confirmados com as folhas de pagamento do contribuinte. Tais valores foram confirmados também com a contabilidade do sujeito passivo constante do SPED. Além disso, também foram obtidos das folhas de pagamento os valores da Participação nos Lucros dos Administradores. A participação nos lucros ou resultados, como prevista constitucionalmente, é desvinculada da remuneração, não possuindo natureza jurídica salarial e não integrando, portanto, o salário de contribuição, somente quando paga em conformidade com lei específica: Lei n° 10.101, de 2000. Resta claro na Lei n° 10.101, de 2000, que o programa de participação nos lucros ou resultados deve ser implantado como forma de integrar o capital e o trabalho, sendo imperioso o estabelecimento prévio dos indicadores que serão utilizados para este fim. Os trabalhadores devem conhecer previamente todos os critérios e condições a que devam atender para o recebimento de valores a título de participação nos lucros ou resultados. Para tanto, é fundamental que a negociação entre o empregador e seus empregados, com a necessária participação do sindicato da categoria, seja precedente ao período objeto da aferição dos lucros ou resultados, vez que os pagamentos a serem efetuados a este título devem estar vinculados a regras claras e objetivas previamente estabelecidas. Esses pagamentos, cujos montantes por beneficiário e rubrica são apontados nas planilhas de PLR apresentadas pelo contribuinte em 14/03/2014, junto com a Carta datada de 13/03/2014, foram realizados com base nos subsequentes instrumentos de negociação, conforme informação prestada pela empresa em Nota Explicativa entregue em 25/11/2013: Regulamento do Plano de Participação nos Resultados 2009, celebrado entre Itaú Seguros S/A e Comissão Interna de Trabalho em 04/09/2009, referente ao ano base de 2009, com vigência retroativa no período de 01/01/2009 a 31/12/2009; Regulamento do Plano de Participação nos Resultados Exercício 2009, celebrado entre a empresa e Comissão Interna de Trabalho em 03/12/2009, referente ao ano base de 2009, com vigência retroativa no período de 01/01/2009 a 31/12/2009; Fl. 750DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 751 4 Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados, celebrado entre a empresa e Comissão de Representantes dos Empregados em 01/02/2010, referente ao ano base de 2010, com vigência de um ano; Acordo de Participação nos Resultados, firmado entre a empresa e Comissão de Representantes dos Empregados em 15/06/2010, referente ao ano base de 2010, com vigência de um ano; Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados, celebrado entre a empresa e Comissão de Representantes dos Empregados em 01/02/2011, referente ao ano base de 2011, com vigência de um ano; Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) específica sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados das empresas de seguros privados e de capitalização em 2009, datada de 21/01/2010, referente ao ano base de 2009; Convenção Coletiva de Trabalho específica sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados das empresas de seguros privados e de capitalização em 2010, assinada em 08/02/2011, referente ao ano base de 2010. No caso em tela, a empresa não comprovou que as comissões de empregados, que negociaram os Planos Próprios apresentados, foram escolhidas com a participação dos empregados, parte que elas representam. Sabemos apenas que os membros de tais comissões são escolhidos de forma aleatória, nada mais. Ora, uma vez que a autuada não disponibilizou qualquer documento que pudesse comprovar a anuência dos empregados em serem representados pelos membros da comissão, nem qualquer documento que registrasse o processo de escolha dos mesmos; carecem tais membros de representatividade e assim não são parte legítima para assinar os instrumentos de negociação sobre PLR em nome dos empregados. Sendo assim, por falta de representatividade e consequente ilegitimidade de parte, os acordos próprios não são válidos e, portanto, não podem ser considerados. Nem se trata de PLR os pagamentos com base neles realizados. E ainda que o fossem, estão revestidos de outros vícios que contrariam os dispositivos legais, demonstrados no decorrer do relatório. Analisando a periodicidade dos pagamentos efetuados como sendo PLR, constatouse o não atendimento ao disciplinado no §2° do art. 30 da Lei n° 10.101/2000, anteriormente transcrito, que expressamente veda o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Como pode ser observado pela amostragem consignada nos Demonstrativos: Periodicidade dos Pagamentos de PLR (2010 e 2011), houve casos em que para o mesmo beneficiário existiram três pagamentos dentro do mesmo ano civil ou dois pagamentos no mesmo semestre, havendo casos em que o mesmo empregado recebeu até quatro pagamentos no ano. Dessa forma, por ter sido descumprida essa importante determinação legal e Fl. 751DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 752 5 sendo a PLR um instituto único, todos os valores pagos a esse título, constantes dos Demonstrativos PLR Paga por Beneficiário (2010 e 2011), que incluem tanto os pagamentos fundamentados nas Convenções Coletivas de Trabalho específicas de PLR quanto os relativos aos Planos Próprios de PLR (citados no item 5.14 do relatório fiscal), não se desvinculam da remuneração e foram considerados integrantes do salário de contribuição. Continuando o exame dos instrumentos de negociação da PLR, verificase que todos os instrumentos arrolados nas alíneas do item 5.14 do relatório fiscal possuem vigência retroativa e que, portanto, não foram elaborados antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, como exige a lei. Destacam se aí as convenções coletivas sobre PLR, as quais foram todas celebradas no ano seguinte ao período a que se referem. Percebese claramente que durante todo o ano de 2009 e 2010, os empregados sequer sabiam da existência de tais convenções e desconheciam completamente os requisitos a que deveriam atender para fazer jus ao recebimento da verba referente à PLR, uma vez que os critérios e condições para o recebimento da PLR só foram estabelecidos posteriormente, após o final do período a que se referiam, demonstrando a ausência de prévia negociação, o que fere diretamente os ditames legais. Logo, não há que se falar em metas preestabelecidas. Também não foram pactuados previamente os planos próprios, pois a assinatura e o conhecimento das regras por parte dos empregados ocorreram no decorrer do ano, ou mesmo já transcorrido quase a metade do ano ou todo o ano. Destarte, os pagamentos a título de PLR realizados por intermédio dos planos próprios e das convenções coletivas em tela, que por sua vez não atendem à exigência legal de prévia negociação entre as partes, foram considerados como integrantes do salário de contribuição por terem sido efetuados em desacordo com a lei específica. Não houve comprovação de que os Planos Próprios foram arquivados na competente entidade sindical, como estabelecido no art. 2°, em seu § 2°, da Lei n° 10.101/2000. Por meio do item 11 do Termo de Início de Procedimento Fiscal, lavrado em 28 de dezembro de 2012, a empresa foi solicitada a apresentar: "Comprovação do arquivamento dos Acordos Próprios sobre Participação nos Lucros ou Resultados dos, anosbase 2009, 2010 e 2011 na entidade sindical dos trabalhadores". Em resposta, no item 11 da Carta datada de 30/01/2013, entregue nessa mesma data, a empresa apenas informa que "O comprovante do arquivamento é o carimbo do representante da entidade sindical no próprio acordo". No caso em tela, chama a atenção que nenhuma das convenções coletivas de PLR apresentadas sé coaduna com as exigências legais, uma vez que não restaram identificadas as regras objetivas, os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado ou qualquer tipo de programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente, ou seja, não se aponta a forma como será alcançado o objetivo para que os empregados façam jus à PLR, contrariando o real Fl. 752DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 753 6 propósito do instituto e em total afronta à legislação. Igualmente, não se encontram nos planos próprios regras claras e objetivas; sobre as metas a serem atingidas para o recebimento do benefício da PLR, sendo o conteúdo dos mesmos bastante vagos. Não é possível identificar em tais planos, respostas a indagações como: Quais são as metas que os beneficiários necessitam atingir para receber a PLR? O que terão de fazer para atingilas? Com o intuito de analisar o cumprimento dos dispositivos legais específicos sobre a PLR, a empresa foi intimada por meio dos Termos de Intimação Fiscal lavrados em 08 de março de 2013 e 08 de julho de 2013 a apresentar, "Demonstrativo pormenorizado, individualizado por segurado e por cada pagamento por ele recebido em 2010 e 2011, explicando a base de composição do cálculo dos valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultados, acompanhado dos respectivos demonstrativos de apuração das metas (estipuladas x cumpridas) e das memórias de cálculo", de alguns segurados selecionados por amostragem. Em atendimento ao solicitado, a empresa apresentou, no dia 19 de agosto de 2013, um CD contendo documentos os quais denominou "Demonstrativos". Além dos motivos até aqui expostos, tais documentos não podem ser considerados, devido às seguintes irregularidades: a) nenhum deles traz a assinatura do empregado e/ou do gestor; b) nenhum deles demonstra a data de estipulação das regras acordadas; c) nenhum deles contém a data de ciência de tais regras nem do contrato em si por parte dos empregados, sendo impossível a comprovação de quando os empregados tomaram conhecimento das metas envolvidas no pagamento. Diante disso, novamente temos configurado o desrespeito pela empresa às normas que regem a distribuição de PLR, uma vez que não se pode falar aqui da existência de regras claras e objetivas, nem de conhecimento prévio das metas a serem atingidas. Os dispositivos legais mais importantes nesse tema que é aquele que determina que a participação nos lucros ou resultados não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. Essa disposição legal, que se aplica a todos os instrumentos de negociação da PLR adotados pela empresa, quais sejam, as Convenções Coletivas de Trabalho e os Planos Próprios, uma vez que a PLR é um instituto único, demonstra claramente a preocupação do legislador era não permitir que a PLR fosse utilizada em substituição de parcela salarial, o que não foi respeitado pela empresa ora autuada. Além de todos os problemas até aqui relatados, como periodicidade dos pagamentos de PLR inadequada, retroatividade da vigência, planos próprios não arquivados na entidade sindical, metas não terem sido pactuadas previamente, ausência de regras claras e objetivas, dentre outros, há ainda aquele relacionado ao fato de a empresa ter efetuado pagamento de remunerações por meio de PLR. Do exame das folhas de pagamento, observaramse diversos casos em que a verba paga a título de PLR aos empregados excedia em várias vezes o valor do salário base (do ordenado) do próprio empregado, como destacados por amostragem nos Demonstrativos PLR x Ordenado. Há casos Fl. 753DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 754 7 em que o valor da PLR excede em mais de dezoito vezes o salário base do funcionário. Cabe ressaltar que da leitura dos planos e dos seus anexos, não foi verificada a possibilidade da verba paga a título de PLR alcançar valores tão vultosos. Percebese claramente que, na realidade, as verbas pagas pela empresa a título de PLR, nada mais são do que instrumento de premiação/bonificação/comissão ou qualquer que seja a sua nomenclatura, travestido de PLR, com nítido caráter retributivo e em substituição salarial. Esse fato contraria claramente o caput do art. 3° da Lei n° 10.101/2000, que prevê que a participação não substitui ou complementa a remuneração, visto que, como evidenciado acima, para muitos empregados beneficiários, a PLR passa a ser a remuneração principal e, como tal, integra o salário de contribuição. Mais um motivo que demonstra que as verbas a título de PLR foram pagas aos empregados da empresa em desacordo com a Lei n° 10.101/2000. Devido a todas as razões expostas no Relatório Fiscal, a fiscalização caracterizou a "participação nos lucros ou resultados" paga com base nos Planos Próprios e nas Convenções Coletivas Específicas de PLR como integrante do salário de contribuição, visto que não atende aos requisitos da lei em seu aspecto formal e material. A participação nos lucros a administradores de uma sociedade anônima (caso da empresa ora autuada) está prevista na Lei n°. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a qual regulamenta também os parâmetros de seu pagamento. Tratase de uma faculdade da empresa efetuar o pagamento da referida verba aos seus administradores, que compreendem os diretores e conselheiros consoante o art. 145 da referida lei. Utilizandose dessa faculdade a empresa efetuou pagamentos de participação nos lucros a seus diretores não empregados, os quais são segurados contribuintes individuais. Ocorre que, em virtude da Lei n° 6.404, de 1976 não desvincular da remuneração tal verba e não citar que sobre ela não haverá incidência de contribuição previdenciária, tais pagamentos integram o salário de contribuição desses administradores e sobre os mesmos incidem as contribuições previdenciárias, nos moldes da Lei n° 8.212, de 1991. Da leitura dos direitos dos trabalhadores que estão listados nos incisos do art. 7° da Carta Magna, tais como segurodesemprego, piso salarial, décimo terceiro salário, notamos que os mesmos pertencem somente aos segurados empregados, pois o segurado contribuinte individual, por exemplo, não possui os direitos mencionados nos incisos. Logo, o constituinte, ao utilizar o termo "trabalhadores", no caput do art. 7°, referiuse à espécie empregado. O art. 218, § 40, da Constituição, ratifica esse entendimento, especialmente em relação à participação nos lucros ou resultados, deixando claro que o constituinte, no art. 7°, ao falar em trabalhador, referiuse à espécie empregado. Pela leitura dos artigos 2° e 3° da Lei n° 10.101/2000, não resta dúvida de que a intenção do legislador foi desvincular da remuneração a participação nos lucros ou resultados recebida apenas pelo segurado empregado, ou seja, a Fl. 754DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 755 8 participação paga ao contribuinte individual ou a outra espécie de segurado, será considerada base de incidência de contribuição previdenciária por falta de previsão legal de não incidência. Os valores pagos da participação em tela aos diretores não empregados da empresa, objeto do presente lançamento, foram encontrados em sua contabilidade (conta n° 3921110001 Administradores), bem como em suas folhas de pagamento (rubrica 394 Particip. Resultados), demonstrados em tabela no relatório fiscal. Foi aplicada a multa de ofício de 75%, tanto em razão do não pagamento do tributo devido, quanto da não apresentação da declaração ou sua apresentação de forma inexata. DA IMPUGNAÇÃO. A empresa tomou ciência em 26 de setembro de 2014 e apresentou impugnação em 29 de outubro de 2014, alegando, em síntese, que: Alega a tempestividade da impugnação. Afirma que para desqualificar a PLR paga pela Impugnante, a Fiscalização alega que não teria sido comprovada a legitimidade das comissões de representantes dos empregados que assinaram os Planos Próprios que lastreiam os pagamentos autuados, pelo que estes estariam em desacordo com os requisitos estabelecidos pela Lei n° 10.101/00. Alega que a Lei n° 10.101, de 2000, não estabelece essa exigência quanto à forma de composição da comissão de representantes dos empregados. Transcreve o art. 2° da referida lei e defende que nele não há qualquer exigência em relação aos aspectos formais exigidos pela Autoridade Fiscal quanto à representatividade dos empregados. Transcreve decisão do CARF. Afirma que as comissões de representantes dos empregados foram compostas por integrantes da categoria com plena legitimidade para representar seus pares, e que foi atingido o escopo do constituinte de "integração entre o capital e o trabalho", eis que assegurada participação dos empregados nas discussões do programa, o que não é refutado pelo AuditorFiscal. Expõe que para realçar tal legitimidade, é imprescindível notar que todos os Planos Próprios foram subscritos, também, por representantes das entidades sindicais, o que corrobora a devida representação dos empregados. Afirma que a Autoridade Fiscal alega que a Impugnante teria efetuado pagamento de PLR mais de duas vezes ao ano, conforme consignado no Relatório Fiscal. Nega que tenha havido pagamento de PLR em desacordo com a periodicidade estabelecida na Lei n° 10.101, de 2000. Esclarece que um 4° pagamento, considerado como 4a parcela pela Fiscalização, ocorreu apenas em relação a duas pessoas, o que demonstra não serem sequer suficientes como amostragem à assertiva fiscal em prol da inobservância da periodicidade da PLR. Alega que esses pagamentos constituem, em verdade, meros resíduos das duas parcelas pagas na respectiva competência, apuradas pela Fl. 755DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 756 9 impugnante por ocasião da revisão dos valores, tratandose de mero acertamento da primeira ou da segunda parcela da PLR nos períodos considerados, o que não pode, de maneira alguma, ser considerados como uma parcela excedente para fins de verificação da periodicidade de pagamentos. Defende que houve mero equívoco no cálculo da PLR, razão pela qual foi paga a diferença. Argui que deveria a autoridade fiscal aprofundarse na natureza e origem dos valores, ao invés de presumir que tal pagamento se referiria a uma terceira parcela de PLR. Afirma que as parcelas excedentes são sempre muito inferiores às antecedentes guardando nítido caráter de complemento/resíduo. Defende que está provado que: (i) o pagamento efetuado até o mês de março corresponde à segunda parcela da PLR da competência do ano anterior e decorre da Cláusula Segunda dos CCTs, da Cláusula oitava dos PPRs 2009/2010 e dos Itens 4 ou 7 dos ACTs; e (ii) o pagamento efetuado no mês de agosto corresponde à 1a parcela da PLR do respectivo ano em curso, como antecipação. Transcreve disposições dos respectivos pactos laborais. Transcreve decisões do CARF. Trás na impugnação o exemplo do beneficiário Diego Vendrani, que recebeu em 02/2010 o valor de R$ 1.340,44; em 08/2010 o valor de R$ 313,99 e em 09/2010 o valor de R$ 3,18. Afirma que o pagamento de 09/2010, tratado pelo AuditorFiscal como "3a parcela de PLR", corresponde à mera diferença da parcela de PLR relativa a 08/2010, que concerne à antecipação da PLR do próprio ano de 2010, e que foge à razoabilidade que se possa considerar pagamento de tal proporção como terceira parcela a descaracterizar a PLR por descumprimento da periodicidade preconizada pela legislação de regência. Alega que apenas os valores pagos em fevereiro e em agosto afiguramse efetivas parcelas de PLR, sendo os demais pagamentos meras diferenças ou resíduos dessas duas parcelas. Defende que somente eventual parcela excedente poderia, ad argumentandum, ser objeto de lançamento, conforme votos condutores do acórdão 20601.025, de 02/07/2008, de relatoria da Conselheira Ana Maria Bandeira, e do acórdão 20501171, de 07/10/2008, de relatoria do Conselheiro Marcelo Oliveira, com trechos transcritos na impugnação. Afirma que relativamente aos pagamentos de PLR efetuados pela Impugnante com base nos pactos laborais, a Autoridade Fiscal alega que a sua assinatura teria ocorrido no curso do período aquisitivo, o que, de per se, descaracterizaria a PLR, uma vez que sugeriria a ausência de negociação entre a Impugnante e seus funcionários, o que não procede no presente caso. Alega que embora os pactos laborais tenham sido assinados no curso dos exercícios a que se referiam, é fato que as condições ao recebimento da PLR já eram de amplo conhecimento dos funcionários da Impugnante antes mesmo do início do período aquisitivo. Defende que a assinatura no curso do exercício de per se não significa que os empregados não tivessem conhecimento prévio das regras de distribuição de PLR, notadamente porque, neste caso, as regras vigentes no período autuado (anoscalendário de 2010 e 2011) eram absolutamente similares às regras vigentes nos anos anteriores, o que é Fl. 756DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 757 10 admitido pela própria Fiscalização. Expõe que os pactos laborais decorreram de clara e suficiente negociação entre as partes, não apenas em relação aos períodos autuados mas, antes mesmo, sendo certo que os acordos laborais em disputa são fruto da sinergia entre empregados e empregador, atendendo à finalidade intentada pelo constituinte, bem como pelo legislador ordinário. Argui que, ao contrário do que entende a Fiscalização, o art. 2°, §1°, da Lei n° 10.101/00 não condiciona a legitimidade da participação nos lucros ou resultados a um programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente (antes do exercício a que se refere a PLR). Alega que o legislador não impôs ao contribuinte a necessidade de observância dos critérios constantes dos incisos I e II do § 1° do supracitado dispositivo, mas utilizou a expressão "podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições", o que deixa claro que a adoção de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente nada mais é do que uma sugestão do legislador, mas jamais uma condição à legitimidade da participação nos lucros ou resultados. Afirma que a jurisprudência pátria já consolidou o entendimento de que a negociação quanto à distribuição do lucro pode ser concretizada mesmo após a sua apuração (o que, via de regra, só ocorre após o término do respectivo exercício), sendo que o único requisito relativo à data de realização do acordo é de que este seja firmado anteriormente ao pagamento da respectiva participação nos lucros ou resultados, o que ocorreu in casu. Transcreve decisões do CARF. Expõe que os pactos foram assinados antes dos pagamentos e que, em relação aos PPR, eles foram assinados no início ou no curso do ano: PPR de 2009, assinados em 04/09/2009 e 03/12/2009; PPR de 2010, assinados em 01/02/2010 e 15/06/2010; PPR de 2011, assinado em 01/02/2011. Conclui que restou comprovado que a negociação e a assinatura dos pactos laborais antecederam o pagamento da PLR autuada, devendo ser cancelados os autos de infração em debate. Em relação à falta de arquivamento dos Planos Próprios junto a entidade sindical, alegada pela fiscalização, a impugnante aduz que os referidos Planos foram sim arquivados pelo Sindicato dos Securitários do Estado de São Paulo, em 01/02/2010 e 01/02/2011, conforme comprova o carimbo aposto nos aludidos planos próprios. Afirma que diligenciou junto ao Sindicato da categoria dos beneficiários, que emitiu certidão reiterando o devido arquivamento, conforme se verifica na imagem colacionada na impugnação (doc 04). Consta imagem de Declaração onde o Sindicato dos Securitários do Estado de São Paulo afirma que os acordos de Participação nos Resultados dos anos de 2009 a 2011 foram arquivados junto a esta entidade sindical. Afirma que a fiscalização alegou que os pactos laborais não conteriam regras claras e objetivas. Aduz que a fiscalização despendeu quase 8 páginas detalhando com significativa precisão as regras dos pactos laborais vigentes no período autuado, tendo a fiscalização elencado apenas dúvidas pontuais Fl. 757DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 758 11 em relação a alguns aspectos dos planos autuados. Aduz que, inicialmente, a fiscalização critica o fato da PLR distribuída pela impugnante basearse em critérios outros que não a produtividade, o que, no seu entender, constituiria violação à Lei n° 10.101/00. Defende que o art. 2° da Lei n° 10.101/00 conferiu ampla autonomia às empresas para a elaboração de seus planos de PLR, não restringindo os planos de PLR à lucratividade ou produtividade da empresa, pelo contrário, expressamente assevera que podem ser considerados outros critérios e condições que não aqueles arrolados nos incisos I e II do supracitado dispositivo, como, por exemplo, o critério de qualidade. Alega que também não merece prosperar a alegação da fiscalização de que as regras e condições fixadas infringiriam a Lei n° 10.101/00, eis que não seria possível saber se e como foram utilizadas para avaliação do desempenho individual dos empregados. Argui que, conforme já decidido pelo E. CARF, devese entender por regras claras e objetivas aquelas que possibilitem a aferição do cumprimento das metas necessário à distribuição da verba, sendo certo que a Lei n° 10.101/00 conferiu ampla autonomia às partes ao estabelecimento das diretrizes do plano de PLR, não possuindo rol taxativo de espécie de regras/metas a serem adotadas pelos acordantes. Expõe que a autuação em tela não decorre do descumprimento da Lei n° 10.101/00 por parte da Impugnante, mas sim da avaliação pessoal por parte do Sr. Auditor Fiscal em contraposição à vontade das partes externada nos pactos laborais, violando sua autonomia e descumprindo o que a regulamentação da participação nos lucros mais exalta a integração entre capital e trabalho como pretexto para desqualificar a natureza da PLR. Transcreve acórdãos do CARF. Alega que, se os planos autuados não possuíssem regras claras e objetivas ou visassem à complementação da remuneração dos empregados da Impugnante sem a incidência das contribuições previdenciárias, não seriam aceitos pelo Sindicato da classe, eis que a elaboração de planos de PLR com tais características seria prejudicial aos próprios empregados. A Impugnante carreia aos autos exemplos das avaliações de desempenho (Doc. 05) que denotam claramente a completude dos quesitos que as lastreiam. Afirma que, dentre os "Indicadores Específicos", por exemplo, identificamse quatro critérios: (i) atendimento à reclamações inerentes aos seguros residenciais; (ii) cumprimento de prazos entre o aviso do sinistro e seu encerramento; (iii) sinistros médios por evento; e (iv) colaboração do colaborador para redução de despesas administrativas. No quesito "Projetos", dois projetos internos em implantação são auferidos: um, de redução de volume da regulação internalizada; (ii) o outro acerca da conclusão de estratégia de fornecimento, este baseado em um projeto piloto da empresa em um município do Estado de São Paulo. Por fim, no quesito "Gestão de Pessoas", avaliouse o desempenho do candidato na pesquisa de clima institucional passada no período. Destarte, resta patente a existência de regras claras e objetivas nos ACTs autuados, inclusive com mecanismos de Fl. 758DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 759 12 aferição de desempenho individual, devendo ser rechaçado o entendimento fiscal. Alega que a norma constitucional ao utilizar a expressão "trabalhadores" é genérica, não fazendo qualquer distinção quanto aos trabalhadores não empregados, tampouco estando adstrita aos empregados. Destaca que o CARF recentemente se posicionou no sentido de que a expressão "empregadores" deve ser utilizada em uma acepção mais ampla, transcrevendo parte do acórdão. Expõe que tal posicionamento é corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme ementa transcrita na impugnação. Defende que por trabalhador devese compreender não só aquelas pessoas que tem vínculo empregatício, mas toda e qualquer pessoa vinculada à empresa, como é o caso dos diretores estatutários. Alega que, diante do comando auto aplicável da norma vertida do artigo 7°, inciso XI, do texto constitucional, mesmo que não houvesse a edição da Medida Provisória n.° 794/94, convertida na Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, os pagamentos efetuados pela empresa a título de participação nos lucros ou resultados estariam desvinculados da remuneração, razão pela qual sequer sofreriam a incidência da contribuição previdenciária. Transcreve doutrina nesse sentido. Conclui que as quantias derivadas da participação nos lucros, percebidas pelos diretores estatutários da Impugnante não integram a sua remuneração, haja vista a expressa dicção constitucional que as desvinculam da remuneração (artigo 7°, inciso XI, da Constituição Federal), razão pela qual se afigura manifestamente ilegítima e despida de validade a pretensão da Autoridade Fiscal de exigir a contribuição previdenciária a cargo do empregador incidente sobre tal pagamento. Transcreve jurisprudências, incluindo jurisprudência trabalhista que reconhece o vínculo empregatício entre diretor estatutário e empresa. Defende que tendo sido reconhecido o vínculo entre diretor estatutário e empresa, os valores pagos a eles a título de participação nos lucros e resultados não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Aduz que a Autoridade Fiscal, ao implementar requisito inexistente na legislação, qual seja, conferir imunidade, no que tange a incidência de Contribuição Previdenciária sobre a Participação nos Lucros, somente aos empregados, fere o princípio da legalidade, posto que a legislação utiliza a expressão trabalhadores sem fazer qualquer distinção entre eles (com ou sem vínculo empregatício). Alega que eventual Lei que se repute aplicável à participação nos resultados paga a administradores não estaria consubstanciada na Lei n° 10.101/00, mas sim na Lei n° 6.404/76, que não impõe a incidência previdenciária objetivada na autuação em tela. Defende que a previsão de pagamento da participação nos lucros e resultados aos administradores estatutários está expressamente contida na Lei n° 6.404, de 1976. Transcreve jurisprudência nesse sentido. Salienta que a verba autuada foi paga aos administradores uma única vez no ano de 2011, mais especificamente em 04/2011, a alguns diretores, fato este que Fl. 759DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 760 13 demonstra a falta de habitualidade do referido pagamento, de modo a afastálo da composição do salário de contribuição, já que se tratou de ganho eventual pago uma única vez aos beneficiados. Cita a instrução normativa n° 04, de 1999, que dispõe que não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais. Expõe que a conclusão que se tira da simples leitura do artigo 22 da Lei n° 8.212, de 1991, é que a natureza salarial ou remuneratória dos pagamentos efetuados aos trabalhadores depende da caracterização de alguns elementos, destacandose, dentre eles, o da habitualidade. Transcreve doutrina e jurisprudência do STJ sobre habitualidade. Afirma que a partir da efetivação do lançamento, a RFB tem por costume atualizar o valor dos créditos tributários constituídos por lançamento de ofício aplicando juros sobre a multa de ofício imposta. A Impugnante traz à baila o julgado da C CSRF, por meio do qual se decidiu cancelar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Expõe que a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada carece de base legal, já que o § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/96, é claro ao restringir a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado. Afirma que o § único do artigo 43, da Lei n° 9.430/96, prevê a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente. Conclui que a expressão "(...) débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições (...)" não contempla a multa de ofício, pois se assim não fosse, não haveria necessidade alguma para a existência do § único, do artigo 43, da Lei n° 9.430/96. Expõe que, ao analisar conjuntamente os artigos 161, 139 e 113, do CTN, verificase que o próprio CTN não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada proporcionalmente ao tributo. Entende que deve ser afastada a responsabilidade das pessoas físicas listadas no Relatório de Vínculo anexo aos presentes AI, conforme dispõe a Súmula n° 88, do CARF. Requer a procedência da impugnação, cancelando a autuação, ou, subsidiariamente, o afastamento da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício e a exclusão da pretensa responsabilidade das pessoas físicas listadas no Relatório de Vínculo. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 586/605): PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. PRÉVIO ESTABELECIMENTO DAS METAS. A lei exige que os instrumentos de negociação fixem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos à Participação nos Lucros ou Resultados, bem como as metas, resultados e prazos devem ser pactuados previamente. Fl. 760DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 761 14 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. O art. 2°, inciso I, da Lei n° 10.101, de 2000, estabelece que a comissão deve ser escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PERIOCIDADE. O §2° do art. 3° da Lei n° 10.101, de 2000, veda o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NÃO COMPLEMENTA OU SUBSTITUI REMUNERAÇÃO. Quando a suposta "participação nos lucros ou resultados" paga pela empresa aos seus funcionários sobrepuja e é tão ou mais relevante do que o próprio salário base contratado com a empresa, resta evidenciada a existência de substituição de remuneração, contrariando claramente o caput do art. 3° da Lei n° 10.101/2000, que prevê que a participação não substitui ou complementa a remuneração. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. A Lei n° 10.101, de 2000, bem como a regra da alínea “j”do § 9o do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, não contemplam a participação nos lucros e resultados de outros trabalhadores, que não os empregados, logo os valores pagos a este título aos diretores não empregados (segurados contribuintes individuais) integram o salário de contribuição. JUROS SELIC. MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros SELIC sobre os débitos para com a União encontra se expressamente prevista no § 3° do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996. Os juros incidem tanto sobre o valor do principal (tributo ou contribuição), quanto sobre a multa. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. O Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, que, eventualmente, poderão ser responsabilizados na esfera judicial, nas hipóteses previstas em lei e após o devido processo legal. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 762 15 Em face da referida decisão, da qual foi intimada em 10/10/2016 (fl.613), a contribuinte manejou Recurso Voluntário (fls. 615/662) tempestivamente, em 09/11/2016, alegando, em síntese, que: Da ausência de regras claras e objetivas A legitimidade dos acordos de PLR não está condicionada à existência de metas ou ao alcance de resultados por parte da empresa, eis que a Lei n° 10.101/00 não restringiu a PLR a tais critérios. É possível afirmar que a jurisprudência administrativa pátria já consolidou o entendimento no sentido de que os critérios e condições elencados na Lei n° 10.101/00 são meramente exemplificativos, podendo ou não ser utilizados nos programas de PLR. Revelase equivocado o entendimento esposado pela D. Fiscalização e chancelado pela DRJ/SDR, eis que as regras que possibilitam a aferição das metas necessárias à distribuição da PLR estão estampadas nos aludidos instrumentos. Exemplificativamente, vejamos as regras ao cálculo e pagamento da PLR aplicáveis aos empregados da Recorrente, constante do ACT 2010 (fls. 133135). A Lei n° 10.101/00 exige é que os contornos (claros e objetivos) estejam estampados no instrumento de negociação da PLR, não havendo qualquer previsão que obrigue o detalhamento todas as metas, critérios de avaliação e formas de pagamento no acordo coletivo, ou que o imponha como condição de sua validade. Aspecto temporal da assinatura do acordo de PLR Os acordos para o período fiscalizado reproduzem as condições ao recebimento da PLR vigentes nos anos anteriores, de modo que, ao contrário do que alega a D. Fiscalização e corrobora a D. Autoridade Julgadora, os funcionários da ora Recorrente possuíam amplo conhecimento das regras relativas à distribuição da PLR antes mesmo do início do período aquisitivo. A assinatura no curso do exercício de per se não significa que os empregados não tivessem conhecimento prévio das regras de distribuição de PLR, notadamente porque, neste caso, as regras vigentes no período autuado (anoscalendário de 2010 e 2011) eram absolutamente similares às regras vigentes nos anos anteriores, o que foi admitido pela própria D. Fiscalização. No presente caso, os acordos foram celebrados antes dos pagamentos da PLR. E, em relação aos PPRs, vejase que foram assinados no início ou no curso do ano: Pacto Exercício Data de Assinatura PPR 2009 04/09/2009 e 03/12/2009 PPR 2010 01/02/2010 e 15/06/2010 PPR 2011 01/02/2011 Fl. 762DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 763 16 Vejase a falta de razoabilidade da autuação em discussão, tomando como exemplo a data de assinatura dos PPRs 2010 e 2011: 01/02/2010 e 01/02/2011. Naquele caso, o Sr. Agente Fiscal autuou a totalidade da PLR paga com base nos PPRs, por terem sido assinados apenas 1 mês após o início do período! Ou seja, a despeito de os empregados terem 335 dias, no ano, para observar as condições dos PPRs, a D. Fiscalização considerou insubsistente os planos pelo 1 mês do início do ano em que os PPRs ainda não estavam assinados. O único requisito relativo à data de realização do acordo é de que este seja firmado anteriormente ao pagamento da respectiva participação nos lucros ou resultados, o que ocorreu in casu. Da ausência de legitimidade da comissão de empregados De acordo com a Fiscalização, a ausência de documentos que pudessem comprovar a anuência dos empregados em serem representados pelos membros da comissão e/ou registros do processo de escolha dos mesmos, além do fato de a comissão ser composta apenas por empregados que ocupariam cargos de liderança, sugeriria um desequilíbrio de força na negociação dos Planos Próprios, pelo que os pagamentos efetuados a título de PLR estariam em desacordo com o art. 2o, I da Lei n° 10.101/00. Ocorre que, com todo respeito, tal entendimento não deve prosperar, uma vez que o aludido artigo não impõe nenhuma exigência em relação aos aspectos formais relativos à eleição dos representantes dos empregados, tampouco quanto à posição que estes devem ocupar para que sejam elegíveis à comissão. Desse modo, na ausência de determinação legal expressa, a comissão dos empregados avultase legitima no presente caso. Da periodicidade dos pagamentos Os pagamentos considerados parcelas excedentes pela Fiscalização e pela Autoridade Julgadora constituem, de fato, meros resíduos das duas parcelas de PLR pagas na respectiva competência, apuradas por ocasião da revisão dos valores. Tratase de mero acertamento da primeira ou da segunda parcela da PLR nos períodos considerados, o que não pode ser considerado como parcela excedente para fins de verificação da periodicidade de pagamentos. Logo, os pagamentos efetuados entre fevereiro e março compõem uma única parcela de PLR, relativa à competência do ano anterior com diferenças passíveis de pagamento nos meses subsequentes restando apenas uma segunda parcela de PLR paga no ano, no mês de agosto, esta relativa à competência do ano em curso com diferenças passíveis de pagamento no mês subsequente, o que não viola a Lei nº 10.101/00 e não descaracteriza a PLR, Na remota hipótese de se entender pela incidência tributária no presente caso, a Recorrente reitera o pedido de revisão do lançamento apresentado em sua Impugnação, o qual deixou de ser analisado pela D. Autoridade Julgadora infra, sob a alegação de que a discussão sobre qual parcela poderia ter sido objeto do lançamento “perde o sentido ao ter sido demonstrado o descumprimento de outros requisitos da citada lei, além do referido requisito de periodicidade, aplicável a todos os valores pagos, conforme já exposto nesta decisão. ” Fl. 763DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 764 17 Da PLR como substituição da remuneração Uma vez mais, a D. Autoridade Fiscal e a D. DRJ/SDR se distanciaram da legislação específica, em prejuízo do direito da Recorrente, eis que, a Lei não impõe que os pagamentos de PLR efetuados aos empregados possuam paridade com o seu salário mensal. Até porque, seria totalmente ilógica qualquer previsão nesse sentido, uma vez que, como se sabe, o pagamento de PLR está sujeito ao cumprimento de metas e outros eventos previstos nos instrumentos de negociação coletiva, que podem ou não ser alcançadas pelos diferentes funcionários. Do pagamento de PLR a diretores não empregados Como dito, o acórdão recorrido apenas ratificou o entendimento da D. Autoridade Fiscal lançadora, segundo o qual os valores pagos a título de PLR a diretores não empregados estariam sujeitos às Contribuições Previdenciárias e somente estariam desvinculados da remuneração e fora do seu campo de incidência se destinados a segurados empregados. Entretanto, tal assertiva improcede, pois olvida da imunidade de que goza a PLR, nos termos do artigo 7o, XI, da CF/88, que detém aplicabilidade integral. Conclusão Por fim, pugna pelo conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário, reformandose o acórdão recorrido, a fim de que seja integralmente cancelada a autuação em tela, ou, subsidiariamente, seja mantida a exigência apenas sobre os pagamentos efetuados em desacordo com a periodicidade, afastandose a desconsideração integral das verbas distribuídas a título de participação nos lucros ou resultados. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. DDoo MMéérriittoo DDaa PPaarrttiicciippaaççããoo nnooss LLuuccrrooss ee RReessuullttaaddooss Considerando a matéria sob julgamento, temos a observar, preliminarmente, que a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa é um direito social de matriz constitucional, e regulada no plano infraconstitucional pela Lei n° 10.101/2000, como segue: Fl. 764DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 765 18 Constituição Federal 1988 Art. 7° São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) (grifos nossos) Lei n° 10.101/2000 (Texto vigente à época do Período de Apuração) Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1 oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de Fl. 765DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 766 19 qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) (grifos nossos) Embora a CF/88 assegure o direito dos empregados à participação nos lucros ou resultados das empresas, tal comando é de eficácia limitada, ou seja, depende de lei ordinária federal para sua aplicação plena. O legislador constituinte, ao estabelecer aquele direito social, desvinculado da remuneração, remeteu à lei ordinária o poder de disciplinar o acesso dos empregados àquele direito, definindo o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício para fins tributários, seja quanto à incidência do imposto de renda, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Assim, somente com a superveniência da Medida Provisória n° 794/1994, sucessivamente reeditada e com numeração variada até a MP 1.98277, de 23 de novembro de 2000, convertida na Lei n° 10.101/2000, é que foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito dos trabalhadores àquela participação, desvinculada da remuneração. A Lei n° 10.101/2000, deixa explícito que a PLR tem como um dos seus objetivos incentivar a produtividade, e o § 1° do artigo 2° determina que as regras para o pagamento da PLR devem constar do documento que fixa os termos da negociação. Ora, a concessão da PLR sem a exigência de meta a ser atingida não cumpre o objetivo de incentivar a produtividade. Do instrumento de negociação firmado entre as partes devem constar regras claras e objetivas das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para que ocorra o pagamento ou crédito da parcela correspondente à participação nos lucros ou resultados (direito substantivo), conforme disposto no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/2000. Nesse contexto, logicamente, os trabalhadores precisam saber previamente dos critérios e condições acordados com a empresa, constantes daquele instrumento de negociação, tais como metas, resultados, índices de produtividade ou lucratividade, dentre outros, de forma que possam, de forma periódica, acompanhar e avaliar a evolução dos indicadores vinculados ao pagamento da PLR. Desta forma, na hipótese de haver outro documento detalhando as regras, ele fará parte integrante do primeiro instrumento e, da mesma forma que este, aquele também deve ser celebrado antes do início do cumprimento das condições para a PLR. Do exame dos dispositivos contidos na Lei n° 10.101/2000, temos que, afora os parâmetros nela estabelecidos, não constam regras detalhadas sobre as características dos acordos a serem celebrados, de forma que os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do art. 2°, tem liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As disposições contidas na Lei n° 10.101/2000, nos permitem inferir, portanto, que o objeto do acordo não pode se limitar à simples concessão da parcela atinente à PLR, independentemente de fixação dos objetivos a serem alcançados. Os exemplos reportados na Lei em comento indicam que algum lucro ou resultado deve ser perseguido, de forma que a natureza jurídica específica de tal verba seja preservada. Assim, o pagamento da PLR não se constitui em mera gratificação legalmente prevista, mas em verdadeiro mecanismo de integração entre o capital e o trabalho, pois, atingidas as metas estabelecidas no acordo ou convenção coletiva, tanto os trabalhadores como os empregadores sairão beneficiados. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 767 20 Com as considerações acima, passase à análise da matéria sob o enfoque da legislação previdenciária, notadamente quanto à integração ou não da referida verba no conceito de salário de contribuição para fins de determinação da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse contexto, a Lei n° 8.212/1991, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, assim trata do conceito de salário de contribuição bem como das hipóteses de nãoincidência tributária, conforme segue: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (grifos nossos). Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9°Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. (...) (grifos nossos) Fl. 767DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 768 21 Os Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho CCT são instrumentos de negociação e previsão de direitos reconhecidos pela Constituição Federal, mas nunca podem alterar a disciplina que a lei, previamente, traz em relação a um determinado instituto. O conhecimento da lei, inescusável que é, contorna a atividade tanto do empregador quanto dos trabalhadores, de modo que se os mesmos quiserem estipular a participação, não tributável, nos lucros e/ou resultados da empresa (PLR), devem estabelecer condições que se afinem aos postulados da norma regulamentadora, no caso, a Lei n° 10.101/2000. A Lei n° 10.101/2000 permite a livre negociação entre as partes, desde que com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos (necessidade de o programa estar vinculado ao alcance do lucro ou dos resultados), e quanto às regras adjetivas (possibilidade de se aferir o cumprimento das metas da empresa, como um todo). É, portanto, um acordo prévio quanto aos direitos e quanto às obrigações. O Acórdão CARF n° 240100.545, de 19/08/2009, é nesse sentido: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados é a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Com essas considerações, podese perceber que o objetivo do legislador é a integração do trabalhador na empresa, não de forma aleatória, mas efetiva, de modo que uma melhor produtividade, melhor eficiência, ou melhores índices alcançados pelo empreendimento resultem na participação dos empregados no capital social. Para tanto, a Lei 10.101/2000, pressupõe a existência de regras, as quais, efetivamente, devem ser cumpridas pelas partes. As partes acordantes são os empregados e o empregador, mas sempre com a participação do Sindicato dos trabalhadores, seja através de um representante indicado pela entidade (inciso I do artigo 2° da Lei n° 10.101, de 2000), seja por instrumento de Convenção ou Acordo Coletivo de trabalho (inciso II do referido artigo 2°). Resta, pois, verificar, para a situação apresentada nos autos, se foram perseguidos nos acordos celebrados os ditames estabelecidos pela lei de regência. A decisão de piso afastou a irregularidade apontada pela Fiscalização no que concerne à ausência de arquivamento do acordo de PLR na entidade sindical. Além da PLR paga a administradores não empregados, a autuação remanesce quanto ao descumprimento dos seguintes requisitos em relação aos empregados: Fl. 768DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 769 22 Existência de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e quanto aos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Os pagamentos efetuados a título de PLR excederiam “várias vezes” o salário base dos empregados, o que denotaria o caráter retributivo de tais verbas, pelo que deveriam integrar a remuneração. Conhecimento prévio das regras de distribuição da participação nos lucros e resultados, uma vez que os pactos laborais foram assinados após o início do período aquisitivo. Representatividade/legitimidade da comissão de empregados. Periodicidade dos pagamentos. Da fixação de regras claras e objetivas Quanto a este aspecto, é necessário salientar que a recorrente sustenta a tese de que não há obrigatoriedade de regras claras e objetivas no PLR em comento, quando afirma: “A legitimidade dos acordos de PLR não está condicionada à existência de metas ou ao alcance de resultados por parte da empresa, eis que a Lei n° 10.101/00 não restringiu a PLR a tais critérios. É possível afirmar que a jurisprudência administrativa pátria já consolidou o entendimento no sentido de que os critérios e condições elencados na Lei n° 10.101/00 são meramente exemplificativos, podendo ou não ser utilizados nos programas de PLR”. Ainda assim, argumenta que as regras que possibilitam a aferição das metas necessárias à distribuição da PLR estão estampadas nos aludidos instrumentos. Exemplificativamente, vejamos as regras ao cálculo e pagamento da PLR aplicáveis aos empregados da Recorrente, constante do ACT 2010 (fls. 133135). Inicialmente, deve ser rechaçada a afirmação defensiva de que a lei de regência não impõe, mas faculta ao PLR a existência de regras claras e objetivas e que, a legitimidade dos acordos não está condicionada à existência de metas ou alcance de resultados da empresa. É da própria essência de um plano de participação nos lucros e resultados, que tem como objetivo a integração entre o capital e o trabalho e incentivo à produtividade, o estabelecimento de metas previamente ajustadas e os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. A sistemática acordada no ACT (fls.133135) não cumpre os requisitos da Lei nº 10.101/2000. Consta um quadro genérico de estabelecimentos de metas, sem nenhum critério de aferição. Não restou especificado, através de regras claras e objetivas, qual o esforço adicional o empregado teria que despender para atingir os resultados pretendidos pela empresa. Assim, não existia critério de avaliação claro e objetivo, em uma evidente infringência à Lei nº 10.101/2000, mais especificamente ao § 1º do art. 2º: Art. 2º (...) (...) § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos Fl. 769DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 770 23 substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições. É forçoso reconhecer que não existiram metas claras e objetivas no plano de PLR da recorrente. Havia, inclusive, pagamento de PLR pelo simples fato de o beneficiário ser funcionário da empresa, sem empreender nenhum esforço adicional. A forma encontrada pela empresa para avaliar o alcance das metas institucionais não poderia ser mensurada pelo empregado, sendo obtidas através de percentuais globais, não guardando nenhum parâmetro estabelecido. Destarte, entendo que a autoridade lançadora agiu com acerto ao considerar o PLR da recorrente em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. Aspecto temporal da assinatura do acordo de PLR De acordo com a recorrente, os acordos para o período fiscalizado reproduzem as condições ao recebimento da PLR vigentes nos anos anteriores, de modo que, ao contrário do que alega a autoridade lançadora, os seus funcionários possuíam amplo conhecimento das regras relativas à distribuição da PLR antes mesmo do início do período aquisitivo. São abalizadas as teses que se formaram neste Conselho acerca do momento da assinatura do PLR. Alguns firmaram entendimento no sentido de que a formalização do plano deve ser anterior ao exercício a que corresponde; outros entendem que essa formalização pode ocorrer mesmo após o início do período de apuração dos critérios pertinentes ao programa de PLR. É sabido que a assinatura do plano representa apenas o encerramento formal de todo um ciclo de negociações, muitas vezes pautadas por inúmeras reuniões para se chegar a um acordo final de PLR, que atenda aos objetivos traçados pela legislação de regência. Assiste razão ao recorrente quando assevera que a Lei n° 10.101/2000 não delimita um marco temporal para assinatura do acordo. Todavia, mesmo não me filiando ao entendimento dos que pensam que a assinatura do programa deve ser obrigatoriamente anterior ao exercício a que se refere, entendo que a formalização do PLR deverá se dar anteriormente ao pagamento de suas parcelas e, ao menos, no decorrer do exercício a que faça referência. Em relação a data da assinatura do plano, assim dispõe o art. 2° da Lei nº10.101/2000: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei n° 12.832, de 2013) (Produção de efeito) II convenção ou acordo coletivo. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 771 24 § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. No caso dos autos, o Auditor notificante assinala que: “todos os instrumentos arrolados nas alíneas do item 5.14 do relatório fiscal possuem vigência retroativa e que, portanto, não foram elaborados antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, como exige a lei. Destacamse aí as convenções coletivas sobre PLR, as quais foram todas celebradas no ano seguinte ao período a que se referem. Percebese claramente que durante todo o ano de 2009 e 2010, os empregados sequer sabiam da existência de tais convenções e desconheciam completamente os requisitos a que deveriam atender para fazer jus ao recebimento da verba referente à PLR, uma vez que os critérios e condições para o recebimento da PLR só foram estabelecidos posteriormente, após o final do período a que se referiam, demonstrando a ausência de prévia negociação, o que fere diretamente os ditames legais. Logo, não há que se falar em metas preestabelecidas. Também não foram pactuados previamente os planos próprios, pois a assinatura e o conhecimento das regras por parte dos empregados ocorreram no decorrer do ano, ou mesmo já transcorrido quase a metade do ano ou todo o ano. Destarte, os pagamentos a título de PLR realizados por intermédio dos planos próprios e das convenções coletivas em tela, que por sua vez não atendem à exigência legal de prévia negociação entre as partes, foram considerados como integrantes do salário de contribuição por terem sido efetuados em desacordo com a lei específica”. Diante da demonstração de que o PLR foi formalizado em exercício posterior ao período a que se referem, entendo que o mesmo não atende ao aspecto temporal em relação à prévia pactuação das regras/metas. Da ausência de legitimidade da comissão de empregados De acordo com a Fiscalização, a ausência de documentos que pudessem comprovar a anuência dos empregados em serem representados pelos membros da comissão e/ou registros do processo de escolha dos mesmos, além do fato de a comissão ser composta apenas por empregados que ocupariam cargos de liderança, sugeriria um desequilíbrio de força na negociação dos Planos Próprios, pelo que os pagamentos efetuados a título de PLR estariam em desacordo com o art. 2º, I da Lei n° 10.101/00. Nesse tocante, entendo que assiste razão à recorrente. De fato, a Lei nº 10.101/00, não impõe nenhuma exigência em relação aos aspectos formais relativos à eleição dos representantes dos empregados, tampouco quanto à posição que estes devem ocupar para que sejam elegíveis à comissão. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 772 25 Quanto ao tema, eis a redação da Lei nº 10.101/00, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; Não há nenhuma exigência quanto à legitimidade de representação dos membros escolhidos em relação aos empregados da empresa. No caso concreto, restou consignada a assinatura dos empregados membros da comissão, não existindo elemento nos autos capaz de apontar qualquer vício de consentimento em relação à composição da referida comissão. Dessa forma, a exigência da Fiscalização não encontra amparo na legislação de regência, não servindo, por si só, para descaracterizar o PLR da recorrente. Da periodicidade dos pagamentos De acordo com a recorrente, os pagamentos considerados parcelas excedentes pela Fiscalização constituem, de fato, meros resíduos das duas parcelas de PLR pagas na respectiva competência, apuradas por ocasião da revisão dos valores. Tratase de mero acertamento da primeira ou da segunda parcela da PLR nos períodos considerados, o que não pode ser considerado como parcela excedente para fins de verificação da periodicidade de pagamentos. Os pagamentos efetuados entre fevereiro e março compõem uma única parcela de PLR. Com base na planilha de fls. 418/425 e diante das afirmações supra, é fato incontroverso que, para o exercícios de 2010 e 2011, ocorreram pagamentos a título de PLR nos meses em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Para o ano de 2010, a referida planilha destaca pagamentos para inúmeros empregados no meses de fevereiro, março, agosto e setembro. No ano de 2011 foram efetuados pagamentos nos meses de fevereiro, março, abril, maio, agosto e setembro. As alegações da recorrente não merecem prosperar. A uma, porque não restou provada, na medida que não há informação da motivação do erro, a duas, porque a legislação de regência não excepciona os pagamentos. O art. 3°, § 2° da Lei n. 10.101/2000 é cristalino ao estabelecer que é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa. Impende ressaltar que o mencionado dispositivo legal não diferencia o PLR pago em decorrência de CCT ou ACT, portanto o pagamento ocorreu em desacordo com a legislação de regência a época: Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 773 26 (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Desse modo, entendo o pagamento de três parcelas relativas à PLR no ano de 2010 e 2011 é causa suficiente para se declarar a invalidade do programa em tais exercícios. Da PLR como substituição da remuneração É certo que a lei não limita os pagamentos de PLR ao empregado, mas a mesma é taxativa ao prevê que tais pagamentos não podem substituir ou complementar a remuneração do empregados. A Lei nº 10.101/2000 em seu art. 3º veda expressamente que a PLR substitua ou complemente a remuneração do obreiro. Cabe ao intérprete analisar caso a caso, a tentativa de burla à lei. Não me parece razoável e proporcional que um empregado auferindo pouco mais de R$ 22.000,00 mensais, como foi o caso de RONALDO DE BARROS BARRETO FILHO, possa receber mais de 400.000,00 anuais de PLR, valor esse que corresponde a mais de 18 vezes o seu salário mensal, sem que isso não possa ser caracterizado como uma remuneração disfarçada. A planilha de fls. 426/428 aponta a discrepância entre a PLR e os salários pagos a vários empregados nos anos de 2010 e 2011. Para esses obreiros, a meu ver, restou caracterizada a PLR como substituto ou complemento da remuneração, posto que as parcelas recebidas do programa pela sua proporção representavam uma contraprestação pelo trabalho ordinário realizado mensalmente, e não um plus pecuniário pelo incremento produtivo, resultante da integração entre o capital e o trabalho. Destarte, é imperioso reconhecer que os pagamentos efetuados sob o manto da imunidade, devem ser considerados como integrantes do salário de contribuição, eis que pagos em desacordo com os ditames estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. Do pagamento de PLR a diretores não empregados Defende a empresa que, diante da imunidade constitucional prevista no inciso XI do art. 7° da Carta Política de 1988, a não incidência das contribuições previdenciárias abrange não só os pagamentos a empregados a título de PLR, como também a diretores não empregados. Adiciona que a própria Lei n° 6.404, de 1976, lei especial que regula as sociedades anônimas, dá guarida ao pagamento de PLR aos administradores estatutários, cumprindo, desse modo, o requisito estabelecido pela Lei n° 8.212, de 1991, para o fim de escapar à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Pois bem. A alínea "j" do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, reproduzida novamente abaixo, ao afastar a incidência tributária sobre a participação nos lucros ou resultados da empresa paga ou creditada, de acordo com lei específica, está se referindo à Lei n° 10.101, de 2000, a qual é destinada tão somente aos segurados empregados: Fl. 773DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 774 27 Art. 28 (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...)De fato, ao explicitar a norma de não incidência, o inciso X do § 9° do art. 214 do RPS, toma o cuidado de acrescentar a expressão "empregado": Art. 214 (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição,exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (GRIFEI) Isso porque a Lei n° 10.101, de 2000, não trata de pagamentos a trabalhadores não empregados, haja vista constar expressamente em seu corpo o regramento destinado à negociação entre empresa e seus empregados: Art. 2°A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo : I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) (GRIFEI) Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisou a disciplina jurídica relativa à participação nos lucros ou resultados prevista no inciso XI do art. 7° da Carta Política de 1988. Concluiu a Corte Suprema que sendo o preceito constitucional de eficácia limitada, a regulamentação somente se operou com a edição da Medida Provisória n° 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada inúmeras vezes até a conversão na Lei n° 10.101, de 2000, incidindo contribuição previdenciária relativamente aos fatos geradores concretizados antes da vigência daquele ato normativo. Eis a ementa do Recurso Extraordinário (RE) n° 569.441/RS, submetido a sistemática de repercussão geral, Relator Ministro Dias Toffoli e Redator do Acórdão Ministro Teori Zavascki, julgado na sessão de 30/10/2014: Fl. 774DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 775 28 EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7°, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7°, XI, da CF inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários depende de regulamentação. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. Recurso extraordinário a que se dá provimento. De modo que não há como acolher o entendimento de que a expressão "lei específica", contida na alínea "j" do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, referese a mais de uma lei ordinária, além da Lei n° 10.101/2000, abarcando a distribuição de valores também com base na Lei n° 6.404, de 1976. Menciona a recorrente, ainda, que as parcelas não podem compor o salário decontribuição do trabalhador em razão do cumprimento de todos os requisitos para a distribuição da participação nos lucros aos administradores elencados no art. 152 da Lei n° 6.404/1976. Quanto ao tema, utilizo como fundamento da minha decisão o brilhante voto proferido pelo Conselheiro Cleberson Alex Friess, acórdão nº 2401004.411 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, na parte que se relaciona especificamente à matéria: (...) ara melhor compreensão da previsão contida na lei das sociedades anônimas, transcrevo o art. 152 da Lei n° 6.404, de 1976: Remuneração Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. § 1° O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração Fl. 775DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 776 29 anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2° Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. Os pagamentos realizados a título de "atribuição estatutária", também conhecidos como "participação estatutária", como ora se cuida, não se equiparam a valores decorrentes da remuneração de capital. A remuneração do administrador pode ser composta por duas parcelas, uma fixa, conhecida como prólabore (art. 150, "caput") e outra variável, consistente na participação nos lucros da companhia por ações, conforme definido pelos acionistas (art. 150, § 1°). Em um e outro caso, não há como liberar a empresa da tributação, porquanto as verbas possuem natureza remuneratória. É verdade que a participação estatutária dos administradores, assim como o pagamento de dividendos aos acionistas, são contabilizadas em contas de patrimônio líquido, mediante redução do lucro acumulado, e não mediante débito em contas de resultado do exercício social. Porém, tal característica contábil comum é insuficiente para agregar a natureza de remuneração do capital à participação estatutária. O dividendo pago a acionista decorre da participação acionária na sociedade, ao passo que a participação estatutária ao diretor não empregado é paga em razão da prestação do trabalho. Nessa mesma linha, trago à colação decisão da CSRF a seguir ementada: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76. Tratandose de valores pagos aos diretores não empregados, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da Lei 10.101/2000, posto que nos termos do art. 2° da referida lei, essa só é aplicável aos empregados. A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição, posto que não remunerou o capital investido na sociedade, mas, sim, o trabalho executado pelos diretores, compondo dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da lei 8212/91.A regra constitucional do art. 7o, XI possui eficácia limitada, dependendo de lei regulamentadora para produzir a plenitude de seus efeitos, pois ela não foi revestida de todos os elementos necessários à sua executoriedade. Inteligência dos Fl. 776DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 777 30 entendimentos judiciais manifestados no RE 505597/RS, de 01/12/2009 (STF), e no AgRg no AREsp 95.339/PA, de 20/11/2012 (STJ). Somente com o advento da Medida Provisória (MP) 794/94, convertida na Lei 10.101/2000, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores empregados no lucro das sociedades empresárias. Inteligência do RE 569441/RS, de 30/10/2014 (Info 765 do STF), submetido a sistemática de repercussão geral. Acórdão n° 9202005.705, sessão de 29.08.2017 Logo, escorreito o lançamento fiscal que entendeu pela incidência da tributação sobre os pagamentos à diretores não empregados, a título de participação nos lucros ou resultados. Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Ao contrário da tese defendida pela recorrente, a aplicação de juros sobre a multa de ofício é plenamente regular, na medida em que este faz parte do crédito tributário correspondente apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN) autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito tributário junto com o tributo. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2° O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito'não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário e de acordo com o CTN esse decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. O § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, por sua vez, preconiza: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto n° 7.212, de 2010) Fl. 777DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 778 31 §1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei n° 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as vertentes multas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Tal deve ser a linha de raciocínio para a exegese do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, entendo que as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Corroborando com o entendimento supra, essa matéria foi objeto da Súmula Vinculante n. 108: Súmula CARF 108: Incidem juros moratórias, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Desse modo, não merecem prosperar as alegações recursais. Da Relação de CoResponsáveis Argumenta a recorrente que os representantes legais da empresa foram incluídos na qualidade de coresponsáveis, não havendo, porém, nenhuma norma que lhes atribua a responsabilidade sem que sejam preenchidos os requisitos do art. 135 do CTN. Outrossim, que o art. 13 da Lei n° 8.620/1993, já foi afastado pelo STJ e revogado expressamente pela Lei n° 11.941/2009, devendo haver retroatividade benigna, nos termos do art. 106 do CTN. Acontece que este CARF já consolidou o entendimento de que: Fl. 778DF CARF MF Processo nº 16327.720832/201415 Acórdão n.º 2201004.828 S2C2T1 Fl. 779 32 Súmula CARF n° 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Desse modo, não merecem prosperar as alegações recursais. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 779DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902151/2013-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.604
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 15 1/ 20 13 -7 0 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10850.902151/201370 Resolução nº 3401001.604 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10850.902151/201370 Resolução nº 3401001.604 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.726090/2017-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em preclusão quanto à aplicação da retroatividade benigna das multas previdenciárias, visto tratar-se de procedimento que pode ser adotado de ofício pela Autoridade Administrativa, conforme Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119).
Numero da decisão: 9202-007.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para aplicação da Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em preclusão quanto à aplicação da retroatividade benigna das multas previdenciárias, visto tratar-se de procedimento que pode ser adotado de ofício pela Autoridade Administrativa, conforme Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1870; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 410 1 409 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.726090/201743 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.424 – 2ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria PRECLUSÃO E RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDAÇÃO AMAZONPREV ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em preclusão quanto à aplicação da retroatividade benigna das multas previdenciárias, visto tratarse de procedimento que pode ser adotado de ofício pela Autoridade Administrativa, conforme Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 60 90 /2 01 7- 43 Fl. 451DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 14367.000040/200953 37.221.9136 (Emp.) Obrig. Principal Recurso Voluntário 14367.000041/200909 37.221.9144 (Terceiros) Obrig. Principal Dívida Ativa 10283.726090/201743 (apartado do processo 14367.000042/200942) 37.221.9152 (Seg. C.I.) Obrig. Principal Recurso Especial xxxxxxxxxxxxxxxxxxx 37.221.9160 Obrig. Acessória xxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxx 37.221.9179 Obrig. Acessória xxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxx 37.221.9187 (AI68) Obrig. Acessória xxxxxxxxxxxxxxxx O presente processo trata do Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.221.9152, referente às Contribuições Previdenciárias não descontadas pela empresa, devidas pelos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre os valores a eles pagos não declarados em GFIP, no período de 01/2004 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal de fls. 44 a 47. Em sessão plenária de 19/11/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.324 (efls. 201 a 213), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 ESTADO. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. SERVIÇO SOCIAL AUTÔNOMO. PESSOAS EM COOPERAÇÃO. AMAZONPREV A AMAZONPREV foi criada como Serviço Social Autônomo (Pessoas em cooperação), com natureza jurídica de direito privado, para gerir o Regime Próprio da Previdência Social do Estado do Amazonas. Apesar de serem entidades que cooperam com o Poder Público, não integram o elenco das pessoas da Administração Indireta, razão por que seria impróprio considerálas pessoas administrativas. O fato de serem elas submetidas a algumas formas de controle especial por parte do Poder Público não Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10283.726090/201743 Acórdão n.º 9202007.424 CSRFT2 Fl. 411 3 enseja seu enquadramento como pessoas da Administração Indireta, uma vez que não estão previstas em Lei. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: "ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora." O processo foi encaminhado à PGFN em 03/01/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 214) e, em 07/01/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 221), a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de efls. 215 a 220, rejeitados conforme Despacho nº 2403011, de 31/01/2014 (efls. 223 a 225). Foi o processo novamente encaminhado à PGFN em 08/05/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 226) e, em 09/05/2014, foi interposto o Recurso Especial de efls. 227 a 258 (Despacho de Encaminhamento de efls. 259), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: preclusão, relativamente à multa aplicada e não contestada de forma específica na impugnação; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 17/08/2015 (efls. 261 a 270). Relativamente à primeira matéria, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: Fl. 453DF CARF MF 4 operouse a preclusão administrativa, na forma dos arts. 14, 16, 17 e 42, do Decreto nº 70.235, de 1972; o Processo Administrativo Fiscal seghe os mesmos princípios adotados pelo Código de Processo Civil, dentre eles, o do ônus da impugnação específica dos fatos e da sanção processual pela inércia do interessado no momento adequado (preclusão); com base nisso, o sujeito passivo perdeu o momento processual oportuno de recorrer e/ou postular sobre matérias que não foram objeto de sua Impugnação, como inevitável efeito da preclusão; e mais, permissa vênia, houve um julgamento extra petita por parte do colegiado, pois os julgadores analisaram argumentos que estão fora de alcance neste processo administrativo, tendo em vista que não foram objeto de questionamento específico e de pleito expresso pelo interessado, no momento processual oportuno; assim, registramse em suma os seguintes vícios no acórdão recorrido: não reconheceu a preclusão com referência à multa imposta, em face da ausência de insurgência específica pelo contribuinte na Impugnação e/ou no Recurso Voluntário, sendo, dessa forma, definitiva a exigência, na forma dos dispositivos do Decreto nº 70.235, de 1972; não se aplica ao caso o disposto no inciso II, do art. 106, do CTN, que reclama para sua incidência “ato não definitivamente julgado”, pois, como ocorreu a preclusão da matéria em face da falta de irresignação no momento processual oportuno, consolidouse definitivamente sua exigência na esfera administrativa; se o sujeito passivo decidiu não se insurgir contra determinada cobrança, resta inviável ao órgão julgador, de ofício, suscitar a matéria, salvo quando se tratar de questão de ordem pública, que não é o caso analisado nos autos. No que tange à segunda matéria aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 a Fazenda Nacional pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 21/07/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 274), a Contribuinte, em 05/08/2016, interpôs o Recurso Especial de efls. 276 a 401 e ofereceu as Contrarrazões de efls. 402 a 408. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte argumenta: não merece guarida a pretensão de reforma do acórdão recorrido, no que se refere à multa aplicada, pois não há que se falar em somar as multas das obrigações principais e acessórias, com o fito de comparar o resultado com a multa atual, não devendo ser aplicado o que dispõe a Instrução Normativa SRF nº 1.027, de 2010, devendo prevalecer o entendimento manifestado no acórdão recorrido, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ao final, a Contribuinte pede que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não seja admitido e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Ao Recurso Especial da Contribuinte foi negado seguimento, conforme despacho de 16/11/2016 (efls. 412 a 414). Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10283.726090/201743 Acórdão n.º 9202007.424 CSRFT2 Fl. 412 5 Cientificada do Despacho de Admissibilidade em 11/01/2017 (AR de efls. 418), a Contribuinte apresentou, em 20/01/2017 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 419), o Requerimento de Agravo de efls. 420 a 427, não conhecido conforme despacho de 1º/09/2017 (efls. 443/444). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Embora a Contribuinte peça, ao final das Contrarrazões oferecidas tempestivamente, o não conhecimento do apelo, não especificou qualquer fundamento para tal pedido, de sorte que não cabe a esta Relatora perquirir sobre tal matéria. Tratase do Debcad 37.221.9152, referente às Contribuições Previdenciárias não descontadas pela empresa, devidas pelos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre os valores a eles pagos não declarados em GFIP, no período de 01/2004 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal de fls. 44 a 47. O apelo visa rediscutir as seguintes matérias: preclusão, relativamente à multa aplicada e não contestada de forma específica na impugnação; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. No caso do acórdão recorrido, determinouse o recálculo da multa de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 (art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996). Quanto à primeira matéria, constatase que o art. 2º, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, assim estabelece: "Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. Fl. 455DF CARF MF 6 § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento." (grifei) Destarte, verificase que a aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c", do inciso II, do art. 106, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), pode ser levada a cabo de ofício pela Autoridade Administrativa, ou seja, independentemente de requerimento específico do sujeito passivo, em sede de Impugnação ou de Recurso Voluntário. Aliás, a concessão de ofício não requer sequer a formalização desses remédios processuais, podendo ser efetuada inclusive por ocasião do ajuizamento da execução fiscal, conforme disposto expressamente na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009. Assim, constatandose que o lançamento pode ser retificado de ofício pela autoridade administrativa, para aplicação da penalidade mais benéfica, não há que se falar em preclusão, razão pela qual nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional nesta matéria. Quanto à segunda matéria suscitada aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 conforme o quadro demonstrativo constante do relatório, no mesmo procedimento fiscal foi exigida a presente multa por descumprimento de obrigação principal, bem como multa por descumprimento de obrigação acessória por falta de declaração em GFIP, portanto a retroatividade benigna deve ser aplicada em conformidade com a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14, de 2009, e a Súmula CARF nº 119: "Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento parcial, determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10283.726090/201743 Acórdão n.º 9202007.424 CSRFT2 Fl. 413 7 Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 457DF CARF MF
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