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Numero do processo: 13706.001645/2007-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CRUZAMENTO DE DADOS INFORMADOS EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL E DIRF APRESENTADA PELA FONTE PAGADORA.
Prevalece o lançamento fiscal por omissão de rendimentos quando os valores lançados na declaração de ajuste anual estão em descompasso com os valores informados em DIRF pela fonte pagadora, hipótese em que o contribuinte não comprova de forma inequívoca a não omissão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-002.003
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CRUZAMENTO DE DADOS INFORMADOS EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL E DIRF APRESENTADA PELA FONTE PAGADORA. Prevalece o lançamento fiscal por omissão de rendimentos quando os valores lançados na declaração de ajuste anual estão em descompasso com os valores informados em DIRF pela fonte pagadora, hipótese em que o contribuinte não comprova de forma inequívoca a não omissão. Recurso Voluntário Negado
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CRUZAMENTO DE DADOS INFORMADOS EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL E DIRF APRESENTADA PELA FONTE PAGADORA. Prevalece o lançamento fiscal por omissão de rendimentos quando os valores lançados na declaração de ajuste anual estão em descompasso com os valores informados em DIRF pela fonte pagadora, hipótese em que o contribuinte não comprova de forma inequívoca a não omissão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 16 45 /2 00 7- 49 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 69/74) interposto em 10 de dezembro de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II (RJ), (fls. 65/68), do qual o Recorrente teve ciência em 17 de novembro de 2009 (fls.67), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 03/05, lavrado em 23 de abril de 2007, em decorrência de deduções indevidas de despesas médicas, verificada no anocalendário de 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O lançamento é efetuado de ofício quando o contribuinte deixa de informar rendimentos em sua Declaração de Ajuste Anual. (art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1999 – RIR/1999 e art; 149, inc. II e IV, do CTN) Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 69/74), aonde argumenta que: a) Que o lançamento suplementar tem como única e exclusiva base hipótese de omissão de rendimentos. b) O documento apresentado pela fonte pagadora, datado de 24/02/2004 é que deve prevalecer. c) Houve erro técnico e contradição lógica tanto no auto de infração quanto na diligência fiscal. d) Fora omitida a responsabilidade da pessoa jurídica (fonte pagadora) já que a mesma apresentou duas declarações, uma para o empregado e outra para o fisco, com valores divergentes. e) Cumpriu rigorosamente suas obrigações fiscais. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.001645/200749 Acórdão n.º 2101002.003 S2C1T1 Fl. 114 3 Fez apensar, ainda, aos 04/06/2010 (fls.94/95) cópia de email fonte pagadora, destinado aos professores, onde é tratado a questão dos créditos tidos como pagamentos bem como da DIRF Retificadora. Por fim, requer seja declarado insubsistente o lançamento suplementar. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No tocante ao mérito, o litígio cingese à omissão de rendimentos, haja vista a diferença constatada entre o valor dos rendimentos informados pelo Recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, Anocalendário 2003, e o constante na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, apresentada pelo ente empregador “SOCIEDADE BRASILEIRA DE INSTRUÇÃO – CNPJ nº 33.646.001/000167”. De início, o contribuinte pondera que a autuação teve como única e exclusiva base, hipótese de omissão de rendimentos. Examinando os autos, contudo, verifico que a autuação se fez em conformidade com a legislação de regência, tendo sido assegurado ao interessado o exercício do contraditório e da ampla defesa, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário. Ademais, registrese, a fase processual de fiscalização é uma atividade administrativa de investigação, onde o que se busca é a verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelos sujeitos passivos. A fonte pagadora emitiu os seguintes comprovantes: CNPJ 33.646.001/001210 CNPJ 33.646.001/000167 Comprovante nº Data Valor Comprovante nº Data Valor Diferença 1 24/02/2004 39.441,85 2 28/02/2004 19.067,77 20.374,08 O recorrente carreou para os autos, cópias de emails, cujo assunto é IRPF 2.010 – Retificação de DIRF, onde se vê que houve, pela fonte pagadora, erro na informação da DIRF, não apenas do recorrente mas também de outros professores. Ora, não há como Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 admitir como prova documentos relativos a exercício estranho à autuação objeto do processo em julgamento, ou seja, IRPF 2.010. O contribuinte, na condição de funcionário da fonte pagadora, teve oportunidade de apresentar outros documentos tais como contracheques, extratos bancários contendo os valores creditados, entretanto não o fez. Poderia, ainda, ter apresentado cópia do recibo de eventual DIRF Retificadora – anocalendário 2003, com data/horário posterior à declaração retificadora transmitida em 15/01/07 às 11:48 (fls.41), bem como da folha alusiva à informação dos rendimentos retificados, documentos esses passíveis de serem obtidos junto ao ente empregador, contudo não o fez. Em situações análogas, onde, porém, o contribuinte carreou aos autos provas robustas, assim tem se manifestado este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RETIFICAÇÃO DA DIRF. Apurada omissão de rendimentos, constatada pelas informações contidas na DIRF, a informação prestada pela fonte pagadora acerca de erro no preenchimento da DIRF, corroborada pela apresentação de DIRF retificadora excluindo os respectivos rendimentos, constitui motivo suficiente para cancelar a exigência fiscal. Recurso provido. (Acórdão nº 280101.669 – 1ª Turma Especial – Sessão de 9 de junho de 2011) Destarte, considerando que o recorrente não apresentou, juntamente com o recurso ora analisado, quaisquer novos elementos de prova que demonstrassem a inocorrência da omissão de rendimentos, voto por NEGAR provimento ao recurso. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727750/2016-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.630
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 77 50 /2 01 6- 69 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10166.727750/201669 Acórdão n.º 3302006.630 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.675. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10166.727750/201669 Acórdão n.º 3302006.630 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10166.727750/201669 Acórdão n.º 3302006.630 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10166.727750/201669 Acórdão n.º 3302006.630 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10166.727750/201669 Acórdão n.º 3302006.630 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.917550/2009-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/01/2009
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. POSSIBILIDADE. ESCRITURAÇÃO RETROATIVA. VEDAÇÃO.
O contribuinte tem o direito de se apropriar a destempo de créditos ainda não escriturados, desde que acompanhados dos documentos comprobatórios e dentro do prazo prescricional de 5 anos. Contudo, é vedada a escrituração retroativa de tais créditos extemporâneos.
CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR IPI Recorrente CLICHERLUX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CLICHÊS E MATRIZES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/01/2009 CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. POSSIBILIDADE. ESCRITURAÇÃO RETROATIVA. VEDAÇÃO. O contribuinte tem o direito de se apropriar a destempo de créditos ainda não escriturados, desde que acompanhados dos documentos comprobatórios e dentro do prazo prescricional de 5 anos. Contudo, é vedada a escrituração retroativa de tais créditos extemporâneos. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 75 50 /2 00 9- 97 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.917550/200997 Acórdão n.º 3002000.689 S3C0T2 Fl. 172 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP 15512.19098.230409.1.3.046613 (fl. 23/28), transmitido em 29/04/2009, cujo crédito teria origem em recolhimento do IPI efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 21), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada desse despacho, a contribuinte apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 04/08), a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO, por Acórdão (fl. 60/62) que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/01/2009 RESTITUIÇÃO/RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, nem comprovado O direito ao ressarcimento, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa O ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.917550/200997 Acórdão n.º 3002000.689 S3C0T2 Fl. 173 3 Cientificada dessa decisão, a ora recorrente apresentou Recurso Voluntário (fl. 67/87), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando em sua defesa alegações sobre a localização do Darf nos sistemas da Receita Federal, sobre a opção pelo recurso, sobre a escrituração de créditos extemporâneos e sobre os institutos do ressarcimento e da restituição. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Com o objetivo de melhor circunscrever a lide a ser decidida no presente julgamento, entendo ser oportuno esclarecer, por um lado, que a principal alegação da contribuinte, desde a peça recursal inaugural, para a existência do crédito de IPI pretendido foi o pagamento indevidamente realizado, por não terse considerado, à época da escrituração, um crédito extemporâneo e, por outro, que os fundamentos do Acórdão recorrido para indeferir a Manifestação de Inconformidade foram a escrituração equivocada de supostos créditos extemporâneos e, de qualquer forma, a não comprovação da liquidez e certeza desses créditos. Dito isso, de pronto, afirmese que as alegações trazidas em sede de Voluntário sobre a localização do documento de arrecadação nos sistemas informatizados da Receita Federal e sobre a opção da contribuinte pela apresentação de Manifestação de Inconformidade não têm o condão de infirmar as conclusões exaradas no Acórdão recorrido, pois essas conclusões, como mencionado, não foram embasadas naquelas matérias. Com efeito, os pontos fundamentais a serem analisados para a solução da lide dos autos se referem ao direito e forma de escrituração de créditos extemporâneos e ao direito probatório em processos administrativos fiscais. Quanto à primeira matéria a ser enfrentada, temos que o princípio da não cumulatividade está disposto no art. 153 da Constituição Federal, in verbis: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I omissis ......................................................................................................... Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.917550/200997 Acórdão n.º 3002000.689 S3C0T2 Fl. 174 4 IV produtos industrializados; ......................................................................................................... §1º Omissis ......................................................................................................... § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) ......................................................................................................... (grifo nosso) O Código Tributário Nacional também trata da não cumulatividade do IPI no seu art. 49, como segue: Art. 49 O imposto é nãocumulativo dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. Recorrendose ao regramento contido no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados vigente à época dos fatos, Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, percebese a consonância desse ao ditame constitucional: Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.917550/200997 Acórdão n.º 3002000.689 S3C0T2 Fl. 175 5 § 1º O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2º Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem assim os resultantes das situações indicadas no art. 178. Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Art. 196. O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 195 está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, neste Regulamento. (grifo nosso) Ainda, por oportuno, reproduzse o disposto no art. 371 daquele Regulamento: Art. 371. A escrituração dos livros fiscais será feita a tinta, no prazo de cinco dias, contados da data do documento a ser escriturado ou da ocorrência do fato gerador, ressalvados aqueles a cuja escrituração forem atribuídos prazos especiais. § 1º A escrituração será encerrada periodicamente, nos prazos estipulados, somandose as colunas, quando for o caso. § 2º Quando não houver período previsto, encerrarseá a escrituração no último dia de cada mês. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.917550/200997 Acórdão n.º 3002000.689 S3C0T2 Fl. 176 6 § 3º Será permitida a escrituração por sistema mecanizado, mediante prévia autorização do Fisco Estadual, bem assim por processamento eletrônico de dados observado o disposto no art. 317. (grifo nosso) Assim, evidenciase a existência de toda uma legislação própria para o IPI, a qual cuida do tratamento a ser dispensado aos créditos desse tributo escriturados pelo contribuinte em seus livros fiscais no que concerne à sua apuração, aproveitamento e utilização. Dessa forma, a escrituração dos créditos do IPI devem ser efetuados por ocasião da efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, com base em documento que lhes confira legitimidade. Ademais, deverá ser observado o prazo máximo de 5 dias para a escrituração desses documentos fiscais, contados a partir dessa entrada, ou seja, a escrituração fiscal não poderá ficar atrasada por mais de 5 dias. Entretanto, há casos em que o sujeito passivo deixa de efetuar o lançamento do crédito no prazo regularmente estabelecido, ou seja, ele deixa de escriturar no Livro de Apuração do IPI, por um lapso qualquer, notas fiscais, que poderiam gerar crédito, no período em que os insumos entraram efetivamente no estabelecimento industrial. Por este lapso cometido pelo contribuinte e pela limitação temporal imposta pela legislação à escrita fiscal, surge o chamado "crédito extemporâneo". A jurisprudência administrativa, tanto quanto a judicial, tem manifestado o entendimento uníssono no sentido de ser perfeitamente possível a utilização extemporânea de créditos de IPI, podendo tais créditos não escriturados na época própria serem aproveitados em até 5 anos, contados da data de entrada dos insumos no estabelecimento industrial, desde que acompanhados dos documentos fiscais que lhes confira legitimidade e apropriados pelos valores nominais, isto é, não haja qualquer tipo de correção. Como amostra dessa jurisprudência administrativa, reproduzse parte da Solução de Consulta Cosit nº 74, de 2017: "15. No que tange à indagação relativa ao crédito extemporâneo, assim entendido aquele que não é escriturado no momento da entrada da mercadoria no estabelecimento do adquirente, comungo no entendimento, ainda hoje adequado, da Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT n° 49, de 2001, o qual adapto livremente, com a devida vênia do seu autor, a este parecer: "A IN SRF nº 33, de 1999, trata da apuração e utilização do crédito do IPI, tendo em vista o que dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e os artigos 256 e 257 do Decreto nº 7.212, de 2010, atual Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI. Observo que não consta dos comandos de regência em alusão qualquer óbice ao aproveitamento do crédito do imposto Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.917550/200997 Acórdão n.º 3002000.689 S3C0T2 Fl. 177 7 escriturado de modo extemporâneo. O aproveitamento do crédito extemporâneo está consagrada, mutatis mutandis, na orientação do Parecer Normativo CST n° 515, de 1971, itens 5 e 6. Segundo a sua locução, é admitido o aproveitamento do crédito extemporâneo do IPI nas condições abaixo: a) desde que o crédito não esteja prescrito; b) respeitado o prazo prescricional de cinco anos, consoante o art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932; c) o termo inicial da prescrição é a entrada dos produtos no estabelecimento industrial, acompanhados da respectiva nota fiscal; e d) o exercício desse direito está subordinado às exigências regulamentares, bem como às previstas em atos administrativos pertinentes. Saliento que, sobre os créditos extemporâneos, não incidem juros por absoluta falta de previsão legal, razão pela qual devem ser escriturados os exatos valores destacados nas notas fiscais de aquisição." 16. Portanto, a resposta à terceira indagação da interessada (se poderá aproveitarse do crédito extemporâneo) é positiva." Do todo o exposto até aqui, constatase que o contribuinte tem o direito de se apropriar a destempo de créditos ainda não escriturados, contudo, tais créditos extemporâneos devem ser lançados no Livro de Apuração do IPI no período de apuração em que se constatou a ocorrência do lapso cometido anteriormente. Ou seja, é possível o aproveitamento de créditos extemporâneos, mas é vedada sua escrituração retroativa. Exemplifiquese para clarificar a situação: Consideremos um contribuinte que, em janeiro de 2019, percebeu que, por um erro qualquer, deixou de se creditar de insumos recebidos no seu estabelecimento industrial em outubro de 2015. Nessa situação, ele poderá escriturar tais créditos extemporâneos a partir de janeiro de 2019, tendo como limite a prescrição qüinqüenal, porém, ele não poderá refazer a escrituração de outubro de 2015 ou de qualquer outro período para se apropriar do crédito não lançado anteriormente. É de suma importância frisarse que a falta de escrituração de um crédito, no momento oportuno, não acarreta um pagamento indevido ou a maior do IPI, tendo em vista que o saldo a pagar do tributo naquele período de apuração foi resultado da escrituração do próprio contribuinte. Assim, é absolutamente insofismável a impossibilidade de subsunção do fato ora analisado à hipótese de restituição, porque, por um lado, a Fazenda Pública não deu causa à escrituração acrônica do contribuinte e, por outro, por expressa disposição legal, é vedado o lançamento retroativo no livro de apuração do tributo. No caso concreto dos autos, da própria narrativa recursal, verificase que o sujeito passivo refez sua escrituração retroativamente, quando percebeu a falta do lançamento de supostos créditos no momento apropriado (fl. 68): Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.917550/200997 Acórdão n.º 3002000.689 S3C0T2 Fl. 178 8 "A escrituração da Manifestante apresentava debito de IPI em dezembro de 2008 no montante de R$ 31.215,17 valor recolhido originados a partir de créditos do imposto aproveitados no valor de R$ 5.199,02 e saídas tributadas de R$ 36.414,19. Contudo, após criteriosa análise dos documentos fiscais relativos às aquisições de insumos destinados à industrialização dos produtos do contribuinte, bem como seus respectivos registros nas obrigações acessórias correspondentes identificou se créditos de IPI não aproveitados na escrita fiscal decorrentes de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem geradores de crédito nos termos da legislação tributária regente. (...) O valor do crédito extemporâneo lançado na escrita fiscal do Contribuinte no mês de dezembro de 2008 soma R$ 24.992,57. Onde antes havia um débito de IPI de R$ 36.414,19, com o lançamento do crédito extemporâneo, esse débito deixou de existir, remanescendo um saldo credor, configurando o recolhimento indevido efetuado." (grifo nosso) Logo, resta inconteste que o aproveitamento dos créditos extemporâneos ocorreu de forma retroativa, procedimento vedado pela legislação de regência. Dessa forma, não há como negar que inexiste o direito de crédito pleiteado pela contribuinte nessa restituição. Assim, se mostra correta a decisão tomada pela primeira instância. Embora a questão analisada anteriormente seja suficiente para a negativa do pleito recursal, o voto condutor do Acórdão recorrido também fundamentou sua decisão na falta de comprovação dos supostos créditos extemporâneos, isto é, não foram carreadas aos autos as provas de que as entradas consideradas seriam geradoras de crédito, em conformidade com o disciplinado pela legislação do IPI. De fato, o art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10830.917550/200997 Acórdão n.º 3002000.689 S3C0T2 Fl. 179 9 Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10830.917550/200997 Acórdão n.º 3002000.689 S3C0T2 Fl. 180 10 circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. No caso concreto ora analisado, a comprovação da existência de créditos extemporâneos somente poderia ter sido comprovada com a apresentação das notas fiscais, que demonstrassem que tais aquisições estariam aptas a gerar créditos na sistemática de apuração do IPI, e deveria ter sido comprovado, ainda, que esses supostos créditos não teriam sido apropriados anteriormente. Comprovações que não foram realizadas. Por fim, quanto à alegação recursal de que o deferimento de seu pedido de ressarcimento em outro processo comprovaria o crédito pleiteado a ser restituído no presente processo, também não merece prosperar. Ressaltese que os institutos do ressarcimento e da restituição são diferentes, assim como o crédito supostamente sujeito à restituição e aquele sujeito ao ressarcimento são diversos. Em decorrência disso, a comprovação de cada um dos créditos deve ser realizada pelo contribuinte em cada procedimento específico. Ademais, o julgador está livre para analisar as provas produzidas na formação de sua convicção. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.903554/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 35 54 /2 00 9- 18 Fl. 988DF CARF MF 2 Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), de n. 07875.22795.060706.1.3.048476 (efls. 193/197), de 04/07/2006, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos referente a DARF com as seguintes características: IRPJ cod. 2362 (PA 15/12/2005 data de cisão parcial), recolhimento em 30/01/2006, R$ 265.636,07, oriundo do DARF de IRPJ cod. 2362 referente ao período de apuração 15/12/2005, recolhido em 31/01/2006 no valor de R$ 994.658,27. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 831286910 (efl. 04), que analisou as informações e concluiu tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do imposto de renda ou IRPJ devido no final do período de apuração anual. Em atenção ao Acórdão 1802002.555 da 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF (efls. 177/191), que anulou o primeiro Despacho Decisório e asseverou que não há restrição legal da compensação quanto ao crédito de estimativa de recolhimento de IRPJ, a DRF/Osasco (jurisdição da sucessora), emitiu novo Despacho Decisório (de n. 371/2016, efls. 887/895) não homologando a declaração de compensação apresentada pela interessada devido à falta de documentação hábil para a comprovação dos valores apurados. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que foi indeferida pelo Acórdão 1469.817 6ª Turma da DRJ/RPO, de 24/08/2017, (efls. 931/944), sob o fundamento de que, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Pela precisão na descrição dos fatos adotamos o Relatório constante do Acórdão Recorrido (n° 1469.817, 6ª Turma da DRJ/RPO, de 24/08/2017), efls. 931/944, do qual reproduzimos parte a seguir: (...) Em cumprimento ao Acórdão proferido pelo CARF, a DRF/Osasco (jurisdição da sucessora), emitiu intimação ao interessado (fls. 203) para este comprovar a operação de cisão parcial que teria ocorrido em 15/12/2005; comprovar o alegado erro de fato na apuração do IRPJ e CSLL que teria culminado nos pagamentos indevidos ou a maior e apresentar a escrituração contábil/fiscal referente ao anocalendário de 2005. Com base na documentação apresentada pela interessada (fls. (fls. 206 a 627) e pesquisas realizadas no sistemas de controle da RFB, DCTF, DIPJ e DIRF (fls. 630 a 886), a unidade de origem emitiu o Parecer e Despacho Decisório de fls. 887 a 894 não homologando a declaração de compensação apresentada pela interessada, cujos trechos principais se transcreve a seguir: (...) Comprovação da operação de cisão parcial A contribuinte apenas juntou a ata da reunião das sócias em 01/08/2006 que comprova a incorporação da ALBA ADESIVOS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA pela HENKEL LTDA, juntamente com laudo de avaliação. O documento referente à incorporação já constava no processo às folhas 61/67. Quanto à operação de cisão parcial que teria ocorrido em 15/12/2005, nenhum documento foi apresentado. Consta na última DIPJ Fl. 989DF CARF MF Processo nº 10855.903554/200918 Acórdão n.º 1201002.910 S1C2T1 Fl. 989 3 entregue pela contribuinte, em 14/06/2007, a seguinte informação, não comprovada por documentação: Ficha 52 Dados das Sucessoras 001. Evento: Cisão Parcial. Data: 15/12/2005 (...) Comprovação do alegado erro de fato na apuração da CSLL sobre a receita bruta ou com base em balancete de suspensão/redução quanto ao PA 15 de dezembro de 2005 Quanto à escrituração contábil/fiscal, a contribuinte informou que não possui os arquivos originais (fl. 490). Além da não apresentação da escrituração, não comprovação da alegada cisão parcial, os valores apurados em relação ao PA 15/12/2005 na última DIPJ não estão de acordo com os valores da planilha apresentada. Na DIPJ foram informados: o valor de R$ 730.022,20 a pagar de estimativa de IRPJ de dezembro, o valor de R$ 265.636,07 de saldo negativo e o valor de R$ 4.204.383,09 referente ao imposto de renda mensal pago por estimativa. Registrese que há também divergência entre os valores declarados em DCTF retificadoras e apurados em DIPJ retificadoras, de acordo com a tabela abaixo e tela à folha 630. (...) Ademais, não foi confirmado o Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 829.091,03 pelo CNPJ 61.460.150/000172 (alegada sucessora na cisão parcial), conforme DIRF à folha 884. (...) Não há comprovação nos autos da alegada operação de cisão parcial, portanto há dúvida sobre a legitimidade da interessada em face da cisão. Com a falta de documentação hábil para a comprovação dos valores apurados, somada à divergência entre as próprias declarações do contribuinte, não é possível confirmar a existência do direito creditório. Pelo exposto, não homologo a declaração de compensação apresentada pela interessada. Cientificada desta decisão em 11/08/2016 (AR às fls. 896), a interessada apresentou em 06/09/2016 a manifestação de inconformidade de fls. 899 a 905, onde alega, em síntese: [...] Fl. 990DF CARF MF 4 Assim, tendo em vista a autorização da IN nº 1300/2012, bem como a previsão, no CTN, de suspensão do crédito tributário quando da propositura de reclamação ou recurso administrativo, a presente Manifestação de Inconformidade também suspende a exigibilidade do crédito tributário até decisão definitiva no âmbito administrativo. [...] No presente caso, verificase que o montante utilizado pela Manifestante se originou de pagamento indevido feito por esta durante o mês de janeiro de 2006 para quitação de impostos supostamente devidos no mês de dezembro de 2005, o que somente pôde ser apurado quando da entrega da competente DIPJ. Nesse diapasão, ao analisar a DIPJ apresentada pela contribuinte referente ao exercício de 2005 verificase que a mesma traz em seu bojo um saldo de IRPJ a pagar negativo de R$ 265.636,07 (duzentos sessenta e cinco mil, seiscentos e trinta e seis reais e sete centavos),), saldo este averiguado após o término do período total de apuração competente. Tal saldo decorre de pagamento de DARF realizado em 21/01/2006 referente ao período de apuração 15/12/2005, no valor de R$ 994.658,27 (novecentos e noventa e quatro mil, seiscentos e cinquenta e oito reais e vinte e sete centavos), posteriormente verificado como incorreto, vez que o valor efetivamente devido era R$ 729.022,20 (setecentos e vinte e nove mil, vinte e dois reais e vinte centavos), o que acarretou no pagamento indevido da quantia de R$ 265.636,07 (duzentos e sessenta e cinco mil, seiscentos e trinta reais e sete centavos), ou seja, exatamente a quantia cuja compensação fora requerida pela Manifestante na PER/DCOMP objeto do Despacho Decisório ora impugnado.Notase que o valor de crédito utilizado pela Manifestante em sua PER/DCOMP somente fora apurado após a entrega de sua DIPJ referente ao exercício de 2005, conforme se denota da leitura da mesma, de modo que não se pode imputar à contribuinte pagamento realizado a título de estimativa mensal, quando, comprovadamente, foi a compensação requerida sobre pagamento indevido de tributo cuja apuração somente ocorreu após o encerramento do período de apuração e após a entrega da competente DIPJ referente ao exercício de 2005. Desta forma, resta comprovado a validade do crédito fiscal pleiteado pela ora Manifestante. [...] Diante disso, não se pode deixar de apontar que o processo administrativo fiscal deve ser pautado com base na verdade material. Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10855.903554/200918 Acórdão n.º 1201002.910 S1C2T1 Fl. 990 5 [...] Rememorase que o despacho decisório além da exigência do principal, exige multa e juros, no entanto, entende a Manifestante que não merece prosperar a exigência em relação ao principal, pois conseguiu comprovar por meio dos documentos acostados o direito ao credito. Assim, se for para ser aplicada alguma penalidade será apenas a aplicação de multa por descumprimento de uma obrigação acessória. Ex positis, requer a Manifestante que se digne Vossa Senhoria em receber a presente Manifestação de Inconformidade, determinando que seja reconsiderado o despacho decisório, a fim de que seja ressarcido ou autorizado à compensação da diferença pleiteada no PER/DCOMP 07875.22795.060706.1.3.048476. Se necessário para elucidar a questão, requer a contribuinte, que sejam realizadas diligências para apurar a veracidade das informações prestadas em observância ao princípio da verdade material. A decisão de primeira instância (Acórdão n° 1469.817, 6ª Turma da DRJ/RPO, de 24/08/2017, efls. 931/944) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas sobre a inexigibilidade do crédito (estimativa de IRPJ, PA 15/12/2005 (data de cisão parcial), IRPJ no valor original de R$ 265.636,07, oriundo do DARF de IRPJ cod. 2362 referente ao período de apuração 15/12/2005, recolhido em 31/01/2006 no valor de R$ 994.658,27.). Cientificada da decisão de primeira instância em 05/09/2017 (efl. 949) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 05/10/2017 (efl. 950), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e aduz: (...) Pois bem, conforme intimação expedida pela DRF/SOR/SEORT nº. 6382017 – RRR, é possível perceber que o crédito aqui discutido possui vinculação direta com a exigibilidade de suposto débito tributário discutido no Processo Administrativo Fiscal nº. 10855.904024/200989. (...) a tramitação do Processo Administrativo Fiscal nº. 10855.904024/200989 deve ser SOBRESTADA até o findar destes autos. (...) No presente caso, verificase que o montante utilizado pela Recorrente se originou de pagamento indevido feito por esta durante o mês de janeiro de 2006 para quitação de impostos supostamente devidos no mês de dezembro de 2005, o que somente pôde ser apurado quando da entrega da competente DIPJ. Fl. 992DF CARF MF 6 Nesse diapasão, ao analisar a DIPJ apresentada pela contribuinte ao exercício de 2005, verificase que a mesma traz em seu bojo um saldo de IRPJ pagar negativo de R$ 265.636,07 (duzentos sessenta e cinco mil, seiscentos e trinta e seis reais s sete centavos), ou seja, exatamente o valor de crédito principal utilizado pela Recorrente para a elaboração de seu pedido de compensação. Tal saldo decorre de pagamento de DARF realizado em 21/01/2006 referente ao período de apuração 15/12/2005, no valor de R$ 994.658,27 (novecentos e noventa e quatro mil, seiscentos e cinquenta e oito reais e vinte e sete centavos), posteriormente verificado como incorreto, vez que o valor efetivamente devido era R$ 729.022,20 (setecentos e vinte e nove mil, vinte e dois reais e vinte centavos), o que acarretou no pagamento indevido da quantia de R$ 265.636,07 (duzentos e sessenta e cinco mil, seiscentos e trinta reais e sete centavos), ou seja, exatamente a quantia cuja compensação fora requerida pela Manifestante na PER/DCOMP objeto do Despacho Decisório ora impugnado. Notase que o valor de crédito utilizado pela Recorrente em sua PER/DCOMP somente fora apurado após a entrega de sua DIPJ referente ao exercício de 2005, conforme se denota da leitura da mesma, de modo que não se pode imputar à contribuinte pagamento realizado a título de estimativa mensal, quando, comprovadamente, foi a compensação requerida sobre pagamento indevido de tributo cuja apuração somente ocorreu após o encerramento do período de apuração e após a entrega da competente DIPJ referente ao exercício de 2005. (...) Rememorase que o despacho decisório além da exigência do principal, exige multa e juros, no entanto, entende a Recorrente que não merece prosperar a exigência em relação ao principal, pois conseguiu comprovar por meio dos documentos acostados o direito ao credito. Assim, se for para ser aplicada alguma penalidade será apenas a aplicação de multa por descumprimento de uma obrigação acessória. (...) Ademais, em razão da apresentação tempestiva do presente Recurso Voluntário, REQUER a suspenção da exigibilidade do Crédito Tributário aqui discutido, bem como o sobrestamento tramitação do Processo de débito nº. 10855.904024/200989, conforme determina o art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10855.903554/200918 Acórdão n.º 1201002.910 S1C2T1 Fl. 991 7 A respeito do pedido de sobrestamento do processo n. 10855.904025/2009 23, que se refere ao débito confessado via PERDCOMP, e a despeito de que estes autos tratam de recurso sobre o indeferimento da compensação, a suspensão conseqüente da cobrança do débito é expressamente determinada pela legislação: art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/96. Tratase de compensação declarada e não homologada de crédito decorrente de pagamento indevido referente a DARF com as seguintes características: CSLL 2484 (PA 15/12/2005 data de cisão parcial), recolhimento em 30/01/2006, no valor de R$ 25.419,51. O não reconhecimento do crédito deveuse à inércia do recorrente de apresentar os documentos fiscais e contábeis que comprovariam, ou não, seu direito. Observo que o momento de colação das provas pelo recorrente está fixado no art. 16 do Decreto 70235/72, razão pela qual não cabe o atendimento do pedido do recorrente de que o próprio fisco diligencie para colher provas que a ele caberia trazer aos autos. Nem mesmo quando da apresentação do recurso à DRJ (efls. 199), ou quando da apresentação do Recurso Voluntário ao CARF (efls. 298) houve a apresentação dos documentos contábeis e fiscais requeridos. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário comprovar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (mesmo quando da apresentação do recurso voluntário) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. A recorrente alega erro de fato na apuração do IRPJ sobre a receita bruta ou com base em balancete de suspensão/redução quanto ao PA 15 de dezembro de 2005. Alega que o erro de fato na apuração decorreu de uma dedução equivocada das estimativas pagas ao longo do ano, conforme terceira retificadora da DIPJ do PA 01/01/2005 15/12/2005 (data de cisão parcial), efls. 587/592. Farseia indispensável juntar aos autos os livros contábeis referentes ao período e à cisão citada a fim de aferir o direito de crédito requerido. Mas o recorrente afirma categoricamente que não os possui (efl. 490). Quanto à incidência de multa e juros de mora, conforme já destacado na decisão de primeira instância, a partir da data do vencimento de quaisquer tributos e Fl. 994DF CARF MF 8 contribuições passam a incidir os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei n° 9.430/96. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 995DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720462/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1996
COMPENSAÇÃO. DECORRÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
A homologação de compensação declarada está condicionada ao prévio exame pela autoridade fiscal da liquidez e certeza do crédito reclamado. Verificada a existência do crédito, deve ser efetuada a compensação solicitada.
Numero da decisão: 3301-005.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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DECORRÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A homologação de compensação declarada está condicionada ao prévio exame pela autoridade fiscal da liquidez e certeza do crédito reclamado. Verificada a existência do crédito, deve ser efetuada a compensação solicitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de piso: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 04 62 /2 00 7- 11 Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10768.720462/200711 Acórdão n.º 3301005.880 S3C3T1 Fl. 593 2 Tratase no presente processo de declaração de compensação (Dcomp) anexada às fls. 04/07, envolvendo crédito de pagamento indevido ou a maior relativo ao PIS e débitos de Cofins e de PIS. A autoridade fiscal, com base no Parecer Conclusivo nº 453/2008 (fls. 27/29), exarou o despacho decisório de fl. 30, decidindo não homologar compensação declarada. No Parecer Conclusivo consta consignado, resumidamente, que: a) A interessada declara na DCOMP que o crédito utilizado foi informado em processo administrativo anterior de nº 13706.001300/200361. O crédito objeto do processo citado não foi reconhecido pela Derat, sendo consideradas não declaradas as compensações. O citado processo tinha como objeto crédito pleiteado também em processo anterior, de nº 10070.002227/200117, cujo direito creditório não foi reconhecido pela Diort e a decisão foi mantida pela Delegacia de Julgamento no Acórdão DRJ/RJOII nº 1.777/2003; b) A IN SRF 210/2002 dispunha no 4º do art. 21que o sujeito passivo poderá utilizar na compensação de débitos próprios, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou ressarcimento encaminhado à SRF desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da DCOMP; c) A IN SRF 600/2005 dispõe de forma semelhante; d) Não tendo sido o crédito em questão reconhecido como passível de restituição para aproveitamento em compensação pela interessada no processo nº 10070.002227/200117, não se homologa a compensação na presente Dcomp. Cientificada do Parecer Conclusivo e do despacho decisório em 07/11/2008 (fls. 36), a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade em 17/11/2008 (fls. 43 a 49), alegando, em síntese, que: a) O pedido de restituição original e parte dos pedidos e das declarações de compensação protocolados pela interessada formaram o processo nº 10070.002227/200117, o qual se encontra pendente de julgamento definitivo na esfera administrativa por força da interposição de recursos especiais pela interessada e pela Fazenda Nacional contra a decisão do Conselho de Contribuintes; b) À época em que protocolizada a DCOMP (13/11/2003), a redação do art. 74 da Lei 9.430/96, alterado pela Lei 10.637/2002 não vedava a utilização na compensação de créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição pendente de decisão administrativa na data do encaminhamento da DCOMP; c) A IN SRF 210/2002 extrapola sua competência ao criar óbice à compensação não previsto no CTN nem no art. 74 da Lei 9.430/96; Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10768.720462/200711 Acórdão n.º 3301005.880 S3C3T1 Fl. 594 3 d) Apenas com a edição da Lei 11.051/2004 é que foi incluído o § 12 do art.74 da Lei 9.430/96 que passou a vedar a compensação de valor objeto de pedido de restituição já indeferido pela autoridade competente, ainda que pendente de decisão final administrativa; e) Essa vedação não é aplicável ao caso, porque somente passou a produzir efeitos a partir de sua vigência, em 30/12/2004, conforme art. 34 da Lei 11.051/04; f) Em relação ao mérito, o direito de a interessada utilizar o referido crédito de PIS não está prescrito, porque utilizado dentro do decêndio legal, conforme jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes; g) Ainda no mérito, a interessada tem direito ao crédito do PIS pago a maior, pois nos termos da LC 07/70 sua base de cálculo é o faturamento do 6º mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem a incidência de correção monetária e o crédito a ser utilizado na compensação deve ser corrigido pela taxa SELIC. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1996 COMPENSAÇÃO. DECORRÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A homologação de compensação declarada está condicionada ao prévio exame pela autoridade fiscal da liquidez e certeza do crédito reclamado. Constatada a inexistência do crédito, não há que se falar em compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reitera suas razões. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Em sua petição, informou a Recorrente que: 1. Em 13.11.2003, a PETICIONARIA transmitiu eletronicamente Declaração de Compensação (DCOMP) Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), pleiteando a compensação de parte do crédito relativo ao PIS recolhido a maior no período de janeiro de Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10768.720462/200711 Acórdão n.º 3301005.880 S3C3T1 Fl. 595 4 1992 a abril de 1996 (vinculado ao processo administrativo n° 10070.002227/200117 Processo "Matriz"), no valor de R$ R$ 92.640,57, com Indébitos de PIS e COFINS relativos ao periodo base de outubro de 2003, nos valores de R$ 15.933,33 e R$ 91.205,49, respectivamente. 2. Em 21.10.2008, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT/EQPEJ) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (DERAT/RJ) não homologou a DCOMP, por entender que o crédito objeto de pedido de restituição teria sido indeferido pela autoridade competente, razão por que não poderia ser aproveitado para compensação. 3. Contra a referida decisão a PETICIONARIA apresentou manifestação de inconformidade. 4. A decisão de 1a instância manteve o Despacho Decisório e não homologou a DCOMP sob o fundamento de que, como o crédito do processo em epigrafe estava sendo analisado e discutido no citado processo n° 10070.002227/200117, ainda pendente de decisão administrativa definitiva, não haveria liquidez e certeza no crédito reclamado 5. A PETICIONARIA interpôs recurso voluntário contra a referida decisão, que ainda se encontra pendente de julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). 6. Ocorre que, em 28.08.2012, no julgamento do referido processo administrativo no 10070.002227/200117, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) reconheceu a integralidade do crédito relativo ao PIS recolhido a maior no período de janeiro de 1992 a abril de 1996, conforme certidão de julgamento anexa (DOC. 01). Diante do exposto, proponho que seja homologada a compensação solicitada pela Recorrente com os créditos reconhecidos no Processo no. 10070.002227/200117 (Acórdão nº 9900000.305 – Pleno), conforme pleiteado no Recurso Voluntário. Dessarte, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 595DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.901280/2015-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APRESENTADA TEMPESTIVAMENTE, POR VIA POSTAL, DEVIDAMENTE RECEPCIONADA NOS AUTOS. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE JULGAR SEU MÉRITO.
Em caso de ser apresentada manifestação de inconformidade, de forma tempestiva e regular, por via postal, devidamente recepcionada pela unidade da Administração Tributária, é dever da Administração apreciar suas razões e seu mérito, emitindo decisão fundamentada.
Numero da decisão: 3301-005.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, .por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e a realização de um novo julgamento enfrentando o mérito.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APRESENTADA TEMPESTIVAMENTE, POR VIA POSTAL, DEVIDAMENTE RECEPCIONADA NOS AUTOS. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE JULGAR SEU MÉRITO. Em caso de ser apresentada manifestação de inconformidade, de forma tempestiva e regular, por via postal, devidamente recepcionada pela unidade da Administração Tributária, é dever da Administração apreciar suas razões e seu mérito, emitindo decisão fundamentada.
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DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE JULGAR SEU MÉRITO. Em caso de ser apresentada manifestação de inconformidade, de forma tempestiva e regular, por via postal, devidamente recepcionada pela unidade da Administração Tributária, é dever da Administração apreciar suas razões e seu mérito, emitindo decisão fundamentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, .por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e a realização de um novo julgamento enfrentando o mérito. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 12 80 /2 01 5- 88 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10640.901280/201588 Acórdão n.º 3301005.987 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam estes autos de análise de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER, de créditos de PIS, cujo pleito não foi integralmente reconhecido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. A requerente foi cientificada do Despacho Decisório, e apresentou manifestação de inconformidade, via postal. Em função de tal apresentação de manifestação da requerente, por via postal, a Agência da Receita Federal em Cataguases/MG enviou Ofício, ao requerente, onde se comunicava que : 2. Cumpre esclarecer que a Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013 em seu artigo 2º, §1º, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.629/2016, estabelece que “as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a entrega de documentos será realizada obrigatoriamente no formato digital”. A citada Instrução Normativa estabelece ainda as peculiaridades e procedimentos necessários para se efetivar a apresentação das manifestações de inconformidade em cada processo digital. 3. Diante do exposto, tendo em vista que a apresentação de documentação pelos correios foi realizada em desacordo com o que determina a Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013, não será dado conhecimento aos protocolos apresentados e os Despachos Decisórios exarados em cada processo serão considerados como não questionados. 4. Por último cumpre esclarecer que a empresa pode, ainda que intempestivamente, fazer a apresentação dos questionamentos digitalmente na forma da Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013. Em caso de discordância quanto à intempestividade, a empresa pode fazer as alegações preliminares que entender cabíveis. A requerente teve ciência deste Ofício, por acesso á sua caixa postal eletrônica,. Em resposta, a requerente apresentou sua Manifestação de Inconformidade por via eletrônica, acompanhada de Declaração de Tempestividade, nos seguintes termos: ' o contribuinte acima identificado vem solicitar a recepção pela Receita Federal da Manifestação de Inconformidade na forma digital (...), uma vez que a mesma fora encaminhada fisicamente pelos correios, tempestivamente, em face da autorização que consta no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 19/1997. Desta forma, ciente que apresentou sua irresignação tempestivamente, e considerando que eventual vício de forma não pode mitigar seu direito constitucional de petição e de ampla defesa, direito material, mormente ao considerarmos o princípio do formalismo moderado que rege o processo administrativo fiscal, roga pela recepção e regular processamento da Manifestação de Inconformidade em epígrafe.” Diante destes documentos, a Agência da Receita Federal em Cataguases/MG encaminhou os autos á DRJ/FUIZ DE FORA com o seguinte despacho : “O contribuinte inicialmente apresentou Manifestação de Inconformidade pelos correios dentro do prazo legal porém Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10640.901280/201588 Acórdão n.º 3301005.987 S3C3T1 Fl. 4 3 em desacordo com o que determina a IN 1.412/2013. Em seguida a empresa foi instada a apresentar o questionamento da forma como é determinada a legislação, o que ocorreu intempestivamente. Em seu protocolo porém a empresa alega preliminarmente a tempestividade da Manifestação de Inconformidade. Diante do exposto encaminho o presente processo à SECOJ/DRJ/JFA/MG para apreciação das preliminares, e julgamento se for o caso.” A DRJ/JUIZ DE FORA exarou o Acórdão de nº 09064.394, que julgou intempestiva a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o entendimento da unidade de origem. Irresignado, o requerente apresentou recurso voluntário, dirigido a este CARF, onde, em síntese, contesta a declarada intempestividade da manifestação de inconformidade, alegando : a Recorrente não pode concordar com o acórdão recorrido, o qual não conheceu da Manifestação de Inconformidade por entender ter sido a mesma apresentada intempestivamente. A autoridade preparadora, que detém competência legal para a instrução do processo, por sua vez acolheu a juntada digital dos documentos e enviou os autos para a Delegacia de Julgamento. entende a Recorrente que a tempestividade de sua Manifestação de Inconformidade é evidente, principalmente por conta das peculiaridades acerca da intimação que recebeu – sem instruções alguma sobre apresentação “eletrônica” da mesma confia e espera a Recorrente, lastreada na proficiência dos membros deste I. Órgão Judicante, na anulação da decisão que não conheceu de impugnação regularmente interposta, com a expressa determinação para que a Delegacia de Julgamento profira decisão de mérito sobre a irresignação tempestivamente ofertada, É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.974, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10640.901267/201529, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.974): "13 A questão central destes autos está centrada na tempestividade ou não da manifestação de inconformidade Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10640.901280/201588 Acórdão n.º 3301005.987 S3C3T1 Fl. 5 4 apresentada, que restou não conhecida pela decisão de piso. 14. Entretanto, a principal questão a ser enfrentada é a recepção de documento não entregue por meio digital, carreado aos autos como documento válido, pois que no momento de sua inclusão nos autos, devidamente numerado, tornouse documento devidamente recepcionado pela Administração Tributária. 15. O próprio julgador da DRJ enfrentou o problema ao afirmar “ Registro, de plano, que reputo correta a informação contida no ofício expedido pelo titular da ARF Cataguases quando vem dizendo que "tendo em vista que a apresentação de documentação pelos correios foi realizada em desacordo com o que determina a Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013, não será dado conhecimento aos protocolos apresentados e os Despachos Decisórios exarados em cada processo serão considerados como não questionados". Diante desse quadro, devo registrar que a ação, do mesmo servidor, de juntar ao processo os documentos dos quais informara que não tomaria conhecimento colide frontalmente com o disposto no diploma regulador e com a própria conclusão estampada no ofício. Ora, não se junta ao processo documento do qual não se toma conhecimento, devolvese o documento ao remetente para que este tome a atitude que entender mais adequada ao resguardo do seu direito. Temos então os seguintes fatos: a ciência do Despacho Decisório se deu em 22/06/2016; a postagem da Manifestação de Inconformidade se deu em 22/07/2016 e a apresentação, da mesma peça de defesa, na forma preconizada pela Instrução Normativa RFB n° 1.412/2013 se deu em 17/11/2016. Lembrando que esta última somente foi apresentada após a recepção do ofício expedido pelo titular da Agência da RFB em Cataguases, fato que nos permite concluir que o procurador da requerente ignorava a regra que estabelecia que a apresentação da manifestação de inconformidade deveria ser por meio eletrônico (digital). “ 12. Correto o julgador ao afirmar que não se junta ao processo documento do qual n~çao se toma conhecimento, devolvese o documento ao remetente para que este tome a titude que entender mais adequada ao resguardo do seu direito. 13. Entretanto, a contrario sensu, o documento foi efetivamente recepcionado e consta presente nos autos, e mais, foi entregue, mesmo que por via postal, tempestivamente, o que garante ao requerente que o documento seja analisado in totum. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10640.901280/201588 Acórdão n.º 3301005.987 S3C3T1 Fl. 6 5 14. Verificase, também, que, após a ciência do ofício emitido pela Agência da Receita Federal, a impugnante apresentou o mesmo documento, e seira claramente intempestivo, pois o ofício que comunicou a não aceitação da manifestação de inconformidade foi enviado após o transcurso de prazo legal para a apresentação da citada manifestação. 15. Desta forma, temos que o impugnante teve conhecimento do Despacho Decisório em 04/07/2016, apresentou manifestação de inconformidade em 03/08/2016, portanto tempestivamente, recebeu um ofício da Administração Tributária em 13/10/2016, comunicando lhe que não seria aceita sua manifestação de inconformidade pois que não entregue em meio digital, contrariando regra normativa em vigor e que poderia ser providenciada a apresentação, mesmo que intempestivamente, da manifestação de inconformidade, de forma digital de acordo com o ato normativo. Foi o que a impugnante fez. Apresentou sua manifestação de inconformidade, de forma digital, em 16/11/2016, intempestivamente, que não foi conhecida pela Delegacia de Julgamento, pelo mesmo motivo, intempestividade 16. Diante destes fatos, entendemos que dois fatos são extremamente relevantes para o deslinde da questão : um a juntada aos autos de documento que declaradamente foi considerado não recepcionado, dois a informação dada ao impugnante, de que poderia ser apresentada mesmo que intempestivamente a manifestação de inconformidade. 17. Estes dois fatos analisados conjuntamente trazem a convicção de que houve ferimento ao Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa, insculpido no inciso LV da Constituição Federal de 1988, que estabelece ; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. 18. O princípio do contraditório é inerente ao direito de defesa, é decorrente da bilateralidade do processo: quando uma das partes alega alguma coisa, há que ser ouvida a outra, dandolhe oportunidade de resposta. 19. Eivada, portanto, de nulidade a decisão de piso, pois que feriu o direito de defesa do impugnante ao não conhecer da manifestação de inconformidade, constante dos autos, devidamente recepcionada tempestivamente, Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10640.901280/201588 Acórdão n.º 3301005.987 S3C3T1 Fl. 7 6 incidindo no disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 19. Portanto, diante de todo o exposto, entendemos que deva ser analisada a manifestação de inconformidade apresentada, pois que tempestiva. Conclusão 20. Neste norte, voto pela nulidade do Acórdão DRJ, devendo ser os autos devolvidos á DRJ/JUIZ DE FORA para que emita novo Acórdão, analisando a manifestação de inconformidade apresentada, decidindo seu mérito." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e determinar a realização de um novo julgamento, enfrentando o mérito. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904441/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 29/08/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 29/08/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 41 /2 00 8- 03 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.904441/200803 Acórdão n.º 2201004.862 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro de fato, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.904441/200803 Acórdão n.º 2201004.862 S2C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.904441/200803 Acórdão n.º 2201004.862 S2C2T1 Fl. 5 4 contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo." Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.916174/2009-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES.
São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa.
PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS COM SITUAÇÃO CANCELADA NO CADASTRO DO CNPJ. MERO ERRO FORMAL NA INDICAÇÃO DO CNPJ. REVERSÃO DA GLOSA.
Uma vez comprovado pelo contribuinte que a glosa decorreu de mero equívoco quanto à indicação do CNPJ correto, há de se reverter a glosa realizada.
Numero da decisão: 3002-000.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para fins de determinar a reversão da glosa no que tange às notas fiscais nº 195146, 196336, 086.316, 027866, 027867 e 028395.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o Conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS COM SITUAÇÃO CANCELADA NO CADASTRO DO CNPJ. MERO ERRO FORMAL NA INDICAÇÃO DO CNPJ. REVERSÃO DA GLOSA. Uma vez comprovado pelo contribuinte que a glosa decorreu de mero equívoco quanto à indicação do CNPJ correto, há de se reverter a glosa realizada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 252 1 251 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.916174/200908 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.678 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 21 de março de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE IPI. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. Recorrente IRRIGABRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MAQUINAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS COM SITUAÇÃO CANCELADA NO CADASTRO DO CNPJ. MERO ERRO FORMAL NA INDICAÇÃO DO CNPJ. REVERSÃO DA GLOSA. Uma vez comprovado pelo contribuinte que a glosa decorreu de mero equívoco quanto à indicação do CNPJ correto, há de se reverter a glosa realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para fins de determinar a reversão da glosa no que tange às notas fiscais nº 195146, 196336, 086.316, 027866, 027867 e 028395. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 61 74 /2 00 9- 08 Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10980.916174/200908 Acórdão n.º 3002000.678 S3C0T2 Fl. 253 2 Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o Conselheiro Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 171 dos autos: Em 11/05/2009, foi emitido 6 Despacho Decisório eletrônico de fl. 01 (cópia) que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 33.000,00 referente ao 3° trimestrecalendário de 2004, reconheceu a parcela de R$ 28.234,75, e, conseqüentemente, homologou parcialmente a compensação declarada em PER/DCOMP. 0 processo em apreciação tem protocolo de 06/05/2009. São indicados os( seguintes valores no saldo devedor consolidado: principal — R$ 4.765,25, multa — R$ ,953,05, juros — R$ 1.755;51. Os detalhamentos da análise do crédito e da compensação e saldo devedor, presentes no sitio da intemet da Secretaria da Receita Federal do Brasil, se encontram às fls. 03/08. A requerente, inconformada com a decisão administrativa, apresentou, em 09/06/2009, após ciência em 18/05/2009 conforme "histórico da(s) comunicação(ões)” de fl. 02, a manifestação de inconformidade de fls. 09/15, subscrita pelo representante legal que consta da alteração de contrato social de fls. 17/24, em que, em síntese, reclama que a glosa efetuada não tem respaldo jurídico, com o pedido de compensação de acordo com os pressupostos legais e com, os créditos escriturados corretamente e concernentes a insumos utilizados no processo industrial; por fim, requer que seja acolhida a manifestação, de inconformidade e julgada procedente, com a reforma da decisão proferida, o reconhecimento da regularidade dos créditos e o deferimento da pretensão de compensação na sua integralidade. O contribuinte juntou, com a manifestação de inconformidade, contrato social, recibo de entrega de DCOMP nº 2029.75741.130406.1.3.014841, despacho decisório, notas fiscais glosadas, e livro de apuração do IPI (fls. 17/167). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, conforme decisão (fls. 170/178) que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10980.916174/200908 Acórdão n.º 3002000.678 S3C0T2 Fl. 253 3 materiais de' embalagem emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS COM SITUAÇÃO CANCELADA NO CADASTRO DO CNPJ. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais emitidas por empresas com inscrição cancelada no, cadastro do CNPJ. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Credit6rio Reconhecido em Parte Na decisão recorrida, a DRJ entendeu que algumas das glosas referentes ao motivo n° 2 (empresas com situação cancelada no cadastro do CNPJ) seriam improcedentes, uma vez que determinadas empresas se encontravam cadastradas no CNPJ, tendo sido mantida, por outro lado, a glosa relacionada às empresas comprovadamente canceladas ao tempo da ocorrência dos fatos geradores (vide listagens às fls. 176/178). O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 08/03/12 (vide AR à fl. 184 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 04/04/12, Recurso Voluntário (fls. 185/193). Em seu recurso, o contribuinte argumentou, a respeito das glosas de crédito efetuadas, que todas seriam improcedentes pois se refeririam a erros materiais cometidos pelo contribuinte na inserção do CNPJ na nota fiscal, ou se refeririam a operações regulares, com empresas não optantes pelo Simples à época da operação, pois teria havido o destaque do IPI nas notas e não constaria da consulta ao sistema do Simples que tais empresas eram optantes. O recorrente fez menção a documentos que comprovariam suas alegações. Concluiu afirmando que a pretensão recursal possui amparo na legislação, inexistindo óbice ao pedido de compensação. Pediu, ao fim, o recebimento do recurso com efeito suspensivo, e o deferimento das compensações, sem as glosas efetuadas. Juntou, com seu recurso, documento de identificação do signatário do recurso, certidões de baixa de inscrição no CNPJ, cartões de CNPJ, notas fiscais, extrato de declaração de importação, comprovante de importação e contrato social (fls. 194/250). Os autos, então, vieramme conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10980.916174/200908 Acórdão n.º 3002000.678 S3C0T2 Fl. 253,5 4 Consoante acima narrado, verificase que a DRJ já reverteu em parte as glosas realizadas pelo despacho decisório, relativas ao segundo motivo da glosa (CNPJ cancelados) pondo fim à discussão administrativa no que tange aos valores relacionados. Restaram em discussão, então, apenas as glosas relacionadas ao primeiro motivo apresentado (fornecedores optantes pelo SIMPLES) e à parte mantida quanto ao segundo motivo constante do despacho decisório (empresas com situação cancelada no cadastro do CNPJ). 1. Das glosas relacionadas a fornecedores optantes pelo SIMPLES Sobre o primeiro fundamento, o contribuinte argumentou que as glosas foram indevidas, visto que se refeririam a operações regulares, com empresas não optantes pelo SIMPLES à época da operação, visto que teria havido o destaque do IPI nas notas e não constaria da consulta ao sistema do SIMPLES que tais empresas eram optantes. É o que se extrai da transcrição a seguir: A DRJ, por sua vez, assim se manifestou: Na hipótese de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem à vista de notas fiscais emitidas por estabelecimentos optantes pelo SIMPLES (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e. Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte), não há o direito ao crédito, muito menos o direito ao ressarcimento. ,Na verdade, em aquisições dessa natureza não há imposto destacado nas notas fiscais, pois, no âmbito do SIMPLES, o IPI é calculado segundo um percentual aplicado sobre o faturamento da empresa: o "crédito" jamais pode transitar pela escrita fiscal, já que se trata de um regime de tributação simplificada, tendo, inclusive, o IPISimples um código de receita especifico. Ainda que, equivocadamente, haja destaque do IPI na nota fiscal emitida pela empresa optante pelo SIMPLES, não há direito ao crédito, sendo que a referida parcela deve ser agregada ao custo das mercadorias. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10980.916174/200908 Acórdão n.º 3002000.678 S3C0T2 Fl. 254 5 Entendo que a decisão recorrida encontrase escorreita neste particular. Isso porque, penso que o destaque do IPI nas notas fiscais por si só, não leva ao reconhecimento do direito creditório. Como é cediço, o deferimento do pedido de compensação está condicionado, dentre outras condições dispostas em lei, à comprovação da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, representando este um requisito essencial e indispensável à tal concessão. É o que se extrai da leitura do art. 170 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Como se não bastasse, é certo que o ônus da prova nos casos de pedidos de ressarcimento/compensação é do contribuinte e não da fiscalização. No caso vertente, em que pese os argumentos trazidos aos autos pelo Recorrente em sua manifestação de inconformidade e em seu Recurso Voluntário, verificase que este não se desincumbiu deste ônus no caso concreto ora analisado, visto que não comprovou que a empresa não era optante do SIMPLES FEDERAL à época da emissão das notas fiscais em referência. É válido registrar, outrossim, que tampouco merece guarida a argumentação de que o direito creditório decorreria do destaque do IPI na nota fiscal. Isso porque, não há como se admitir o afastamento de exigência fiscal relacionada à insuficiência do recolhimento de tributo decorrente do usufruto de direito creditório que não possui respaldo legal, tal qual se verificou na presente contenda. Portanto, correta a glosa do crédito quando a informação aposta na nota fiscal não condiz com a realidade fática analisada. Em outras palavras, não há previsão legal apta a afastar a exigência do imposto efetivamente devido. Até porque, nos termos do que dispõe o parágrafo único do art. 142 do CTN, o ato de lançar é um ato administrativo plenamente vinculado, em que a fiscalização não possui qualquer margem de liberdade de decisão. É o que se extrai da transcrição a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse mesmo sentido vem decidindo este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a exemplo das decisões a seguir colacionadas: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. DILIGÊNCIA. ANÁLISE. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10980.916174/200908 Acórdão n.º 3002000.678 S3C0T2 Fl. 254,5 6 Tendo a fiscalização verificado na diligência que os documentos apresentados pela contribuinte eram suficientes para a comprovação parcial do crédito alegado, impõese o seu reconhecimento nessa medida. IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES. OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. Em face de determinação expressa na lei, é vedado o creditamento do IPI sobre aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES. Recurso Voluntário provido em parte. (Acórdão nº 3402003.182 de 21/07/2016). (Grifos apostos). *** Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. Recurso voluntário negado (Acórdão nº 3202001.592 de 18/03/2015). (Grifos apostos). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente neste ponto. 2. Das glosas relacionadas a empresas CANCELADAS Quanto ao segundo fundamento, alega a Recorrente que o crédito seria devido, visto que a operação fora realizada com empresas ativas. Esclarece que o equívoco decorreu tão somente de erros materiais, visto que, por lapso da recorrente, foram lançadas as notas fiscais com os seguintes equívocos: (i) quanto à indicação do CNPJ nº 61.150.561/0001 61, o CNPJ correto seria o 02.737.015/000677 (notas fiscais nº 195146, 196336); (ii) quanto à indicação do CNPJ nº 56.991.870/000124, o CNPJ correto seria o 66.220.047/000330 (nota fiscal nº 086.316); (iii) quanto à indicação do CNPJ 000.000.597/000174, o CNPJ correto seria o 72.360.084/000185 (notas fiscais nº 027866, 027867 e 028395). É possível constatar, então, que a DRJ limitou a sua fundamentação no fato de os CNPJs indicados estarem efetivamente cancelados à época da ocorrência dos fatos geradores, mantendo, portanto, a glosa no que tange a tais CNPJs. É o que se extrai da transcrição a seguir: Outrossim, são os seguintes os' CNPJ com inscrição cadastral CANCELADA comprovadamente à época da ocorrência dos fatos geradores: CNPJ: 61.150.561/0001 61 (MATRIZ) Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10980.916174/200908 Acórdão n.º 3002000.678 S3C0T2 Fl. 255 7 CPF RESP.: 408.392.30753 QUALIF..: PRESIDENTE N.EMP.: INDUSTRIA NACIONAL DE ACOS LAMINADOS INAL S/A DT kBERTURA: 13/07/1966 DT PRIM. ESTAB.:. 13/07/1966 SIT.CAD.CNPJ: BAIXADA MOTIVO: INCORPORACAO DATA DA SITUACAO : 30/04/2003(12/2006) PROC. INSCR. OFICIO: DT PUBLIC: PROC: 17878000022200657 ATO: , END.: AV CAVALHEIRO NAMI JAFET SN BAIRRO : VILA INDUSTRIAL MUNICIPIO: 6713 MOGI DAS CRUZES UF: SP CNPJ: 56.991.870/0001 24 (MATRIZ) CPF RESP.: 017.460.24801 QUALIF.: ADMINISTRADOR N.EMP.: KIDDE RESMAT PARSCH LTDA. DT ABERTURA: 12/07/1966(07/1966) DT PRIM. ESTAB.: 12/07/146 SIT.CAD.CNPJ: BAIXADA MOTIVO: INCORPORACAO DATA DA SITUACAO : 30/04/2003(08/2003) PROC. INSCR. OFICIO: DT PUBLIC: PROC: ATO: END.: R PARSCH 755 BAIRRO : DISTRITO INDUSTRIAL MUNICIPIO: 7237 VINHEDO UF: SP CNPJ: 00.000.597/0001 74 (MATRIZ) CPF RESP.: 052.964.78 .851 QUALIF.: SOCIOGERENTE • N.EMF'.: VIEIRA CARVALHO & ABREU ASSOCIADOS /C LTDA DT ABERTURA: 211/11/1994(02/1995) DT PRIM. ESTAB.: 21/11/1994 SIT.CAD.CNPJ: BAIXADA MOTIVO: EXTINCAO P/ ENC LIQ VOLUNTARIA DATA DA SITUACAO : 25/02/2003(06/2004) PROC. INSCR. OFICIO: DT PUBLIC: PROC: ATO: END.: R CONCEICAO DE MONTE ALEGRE 1499 BAIRRO : BROOKLIN • MUNICIPIO: 7107 SAO PAULO UF: SP Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10980.916174/200908 Acórdão n.º 3002000.678 S3C0T2 Fl. 255,5 8 Verificase, então, que a DRJ analisou apenas os CNPJs indicados inicialmente pelo Recorrente em DCOMP, não tendo verificado o argumento relacionado à indicação equivocada dos CNPJs. Neste particular, é importante registrar que as notas fiscais com a indicação dos CNPJs corretos havia sido anexadas pela Impugnante aos autos desde a sua manifestação de inconformidade, encontrandose às fls. 46 e seguintes dos autos. Nesse contexto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte neste particular, por entender que restou devidamente comprovado nos pressentes autos, conforme notas fiscais anexadas, que os verdadeiros emitentes encontravamse com os CNPJ ativos à época dos fatos geradores em referência. 3. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, para fins de reverter a glosa no que tange às notas fiscais nº 195146, 196336, 086.316, 027866, 027867 e 028395. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902569/2009-82
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. PEDIDO CONSIDERADO NÃO FORMULADO.
Considera-se não formulado o pedido de diligência genérico, efetuado sem formulação de quesitos, por não se coadunar às regras do artigo 16, § 1º, do Decreto n° 70.235/72.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE.
Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação.
Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
Numero da decisão: 1002-000.714
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Marcelo José Luz de Macedo. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rafael Zedral.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. PEDIDO CONSIDERADO NÃO FORMULADO. Considera-se não formulado o pedido de diligência genérico, efetuado sem formulação de quesitos, por não se coadunar às regras do artigo 16, § 1º, do Decreto n° 70.235/72. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
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INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. PEDIDO CONSIDERADO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligência genérico, efetuado sem formulação de quesitos, por não se coadunar às regras do artigo 16, § 1º, do Decreto n° 70.235/72. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 25 69 /2 00 9- 82 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10283.902569/200982 Acórdão n.º 1002000.714 S1C0T2 Fl. 153 2 Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Marcelo José Luz de Macedo. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rafael Zedral. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BEL: "Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 11.11.2005, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada com crédito de CSLL referente a pagamento indevido (efetuado através do DARF descrito na fl. 03), no valor original de R$ 24.659,64. 2. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico (fl. 06), indeferiu o pedido de restituição e considerou “não homologada” a referida compensação, em virtude do DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. 3. Cientificada em 02.04.2009 (fl. 10) a interessada apresentou, tempestivamente, em 29.04.2009, manifestação de inconformidade (fl. 11/12) na qual alega: '... De fato, a Requerente entende que informações prestadas na própria DCOMP ou DCTF geraram incompatibilidade, como no Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10283.902569/200982 Acórdão n.º 1002000.714 S1C0T2 Fl. 154 3 campo do período de apuração, de forma que o crédito não estava evidenciado no montante requerido, aparentando incorretamente a inexistência de crédito suficiente, o que não ocorre na realidade. A Requerente requer seja verificado que o único débito compensado com o montante de crédito pleiteado é exatamente este que se exige, sendo suficiente o crédito para fazer frente ao débito. Tão logo se afaste a presunção de ausência de crédito suficiente para extinguir os débitos, será obrigatório reconhecer o provimento da presente manifestação de inconformidade. 2 Conclusão e Pedidos Diante do acima exposto, deve ser reconhecido que o Despacho Decisório constante da Intimação referente ao Processo Administrativo de Crédito nº 10283.902569/200982; Número de rastreamento n° 824956781; Despacho decisório DRF Manaus; PER/DCOMP 36387.38132.111105.1.3.041346 é passível de revisão e reconsideração, diante do fato de que a suposta inexistência de crédito fica afastada por meio de documentos que evidenciam a existência e localização do crédito outrora não encontrado automaticamente pelo sistema da RFB. Caso essa D. Delegacia de Julgamento entenda necessário, que se baixe o processo em diligência para as devidas regularizações, de forma a se aproveitar o procedimento em questão, trazendo maior eficiência, economia, razoabilidade nos atos da administração pública.' " A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BEL, conforme acórdão n. 0121.966, de 6 de junho de 2011 (efl. 43), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratando se de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 46), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados (grifos do original). Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10283.902569/200982 Acórdão n.º 1002000.714 S1C0T2 Fl. 155 4 Contesta a não homologação da compensação, sustentando que "Em sede de manifestação de inconformidade a Recorrente, cerceada em seu direito de defesa diante da pouca fundamentação do despacho decisório eletrônico, argüiu que eventuais retificações de obrigações acessórias e alguma diferença de valor pudesse ter levado à Receita Federal do Brasil não detectar o crédito a ser restituído". Aduz que "que a Delegacia de Julgamento, tal como a Recorrente, não entendeu bem o conteúdo do despacho decisório ". Diz que " No caso concreto deste PER/DCOMP pedese a restituição da CSL paga a maior por antecipação realizada em relação ao período de novembro de 2002, que constou na DIPJ no valor de R$ 45.378,17 (página 16). Esse valor foi recolhido ao longo do ano e bem por isso abatido do valor apurado tara a CSL devida no ajuste daquele ano, que foi de R$ 26.919,19, resultando em uma antecipação à maior de R$ 19.458,58" e que "É esse valor de R$ 19.458,58 atualizado, que foi utilizado para fins do PER/DCOMP em questão, e que resultou em um valor de crédito de R$ 24.799,17, valor este que confere exatamente com o que consta no PER/DCOMP". Sustenta que "O resultado do ano gerou Imposto de Renda e CSL menores do que as respectivas antecipações realizadas no mês de novembro, de forma que a diferença do quanto apurado e do que foi antecipado é obrigatoriamente restituível, conforme a DIPJ anexa (pags. 6, 7, 16 e 17)" e que, portanto, "é equivocada a decisão da Delegacia de Julgamento ao se limitar a dizer que o crédito foi utilizado para pagar débito devido. Sim, o débito era devido como antecipação, e diante do resultado do ajuste ao final do ano se tornou restituível o montante apresentado no PER/DCOMP." Evoca jurisprudência do próprio CARF para sustentar suas alegações e a aplicação do Princípio da verdade material ao caso concreto. Ao final, requer a reforma do acórdão nº n. 0121.966 e, subsidiariamente, a baixa do presente processo em diligência a fim de que seja apurada a verdade material. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10283.902569/200982 Acórdão n.º 1002000.714 S1C0T2 Fl. 156 5 Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminar Como primeira preliminar, o Recorrente alega teve seu direito de defesa cerceado em razão da "pouca fundamentação do Despacho Decisório Eletrônico", entretanto não individualiza nem explica a natureza do prejuízo sofrido com tal cerceamento. Do ponto de vista processual, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa se ausente a demonstração de prejuízo concreto pelo Recorrente, conforme rezam os artigos 282 e 283 do CPC, que se aplicam subsidiariamente ao processo administrativo tributário1. Por outro lado, não vislumbro mácula no Despacho Decisório Eletrônico de efls. 6, eis que contém os dados de identificação do contribuinte e os elementos fáticos e jurídicos que fundamentaram a negativa de homologação da compensação, conforme mostra o excerto seguinte: 1 Art. 282. Ao pronunciar a nulidade, o juiz declarará que atos são atingidos e ordenará as providências necessárias a fim de que sejam repetidos ou retificados. § 1o O ato não será repetido nem sua falta será suprida quando não prejudicar a parte. § 2o Quando puder decidir o mérito a favor da parte a quem aproveite a decretação da nulidade, o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 283. O erro de forma do processo acarreta unicamente a anulação dos atos que não possam ser aproveitados, devendo ser praticados os que forem necessários a fim de se observarem as prescrições legais. Parágrafo único. Darseá o aproveitamento dos atos praticados desde que não resulte prejuízo à defesa de qualquer parte. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10283.902569/200982 Acórdão n.º 1002000.714 S1C0T2 Fl. 157 6 Além disso, o Recorrente demonstra ter tido plena compreensão dos motivos que consubstanciaram a decisão de não homologação do PER/DCOMP, tanto assim, que ofereceu fundamentos de fato e de direito contra ela na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário. Portanto, diante da convicção de que o Despacho Decisório Eletrônico foi emitido de forma regular e na falta de demonstração prejuízo concreto pelo ora Recorrente, rejeito a preliminar de mérito suscitada. Quanto ao requerimento de diligência apresentado por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário para "conferência da verdade material", noto que está em desacordo com a legislação de regência da matéria, eis que possui caráter genérico e não contém a formulação de quesitos pertinentes aos pontos que o Recorrente desejava examinar, não se coadunando com as regras insculpidas no inciso IV e no § 1º do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, que rezam: Art. 16. A impugnação mencionará: I (...); (...); IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Aliás, como muito bem pontuado no acórdão de Manifestação de Inconformidade, não há que se falar em determinação de diligência pelo órgão julgador para obtenção de documentos e provas que estão sob a guarda do próprio Manifestante, ora Recorrente. Confirase no trecho seguinte de seu voto condutor (destaques deste relator) : "14. Acerca do pedido de diligência, caberá inicialmente citar os arts. 18 e 28 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF): 'Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). (...) Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10283.902569/200982 Acórdão n.º 1002000.714 S1C0T2 Fl. 158 7 Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93)' 15. Na situação em exame considerase desnecessária a diligência proposta pela interessada, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento, mesmo porque tal procedimento somente se justificaria na hipótese da prova não poder ser produzida por uma das partes, o que não é o caso, uma vez que a empresa, ao efetivar sua compensação, deveria obrigatoriamente estar de posse dos documentos comprobatórios do crédito". A análise acima descrita não merece qualquer reparo, porquanto reflete o posicionamento deste julgador quanto ao tema ora examinado e porque seus fundamentos estão em perfeita consonância com a legislação regente da matéria. Aduzo que o ônus probatório de fato constitutivo do direito é do contribuinte interessado e não do Fisco, a teor do que dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333 (grifos nossos): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Pelos motivos expostos considero não formulado o pedido de diligência feito pelo Recorrente. Mérito Quanto ao mérito, constato que ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 36387.38132.111105.1.3.041346 transmitido em 11/11/2005, sob a alegação de que o crédito original de R$ 24.659,64 nele informado já havia sido utilizado integralmente no pagamento de outro débito. Observo que a circunstância fática que motivou o indeferimento do PER/DCOMP está inequivocamente registrada no Despacho Decisório Eletrônico, qual seja: a utilização anterior do crédito pleiteado no pagamento de tributo de código 2484 (CSLL demais PJ que apuram o IRPJ com base em Lucro Real Estimativa Mensal), do período de apuração de 30/11/2002. Em suas razões de defesa, o Recorrente confirma que o valor de R$ 24.799,17 constante do Despacho Decisório Eletrônico foi resultante da atualização do Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10283.902569/200982 Acórdão n.º 1002000.714 S1C0T2 Fl. 159 8 montante de R$ 19.458,58 recolhido a maior a título de antecipação de estimativas no ano calendário de 2002. Entretanto, constatase no presente caso que o Recurso Voluntário não traz novos argumentos, provas ou fundamentos de fato e de direito capazes de infirmar a decisão de indeferimento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação do PER/DCOMP proferida pela instância de origem. Em outras palavras, embora o Recorrente sustente o direito ao crédito pleiteado, não juntou aos autos elementos indispensáveis à comprovação de sua legitimidade, tais como, Livro Diário, Livro de Apuração do Lucro Real, os balancetes transcritos na escrita contábil, deixando, igualmente, de apresentar, quadro analítico descritivo e detalhado do suposto crédito e outras declarações fiscais do período com ele relacionadas (DCTF, DACON, etc). Neste sentido caminha a jurisprudência do CARF, conforme precedente abaixo: Acórdão n.º 3001000.312 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. Tal fato inviabiliza a homologação da compensação declarada, eis que o crédito pleiteado não satisfaz o requisito de liquidez e certeza exigidos por lei para deferimento da homologação da compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Aduzo que o Despacho Decisório Eletrônico foi emitido com base em informações constantes da base de dados da RFB e extraídas de documentos fiscais e declarações prestadas pelo próprio Recorrente, sendo, portanto, legalmente válidas, a não ser Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10283.902569/200982 Acórdão n.º 1002000.714 S1C0T2 Fl. 160 9 que tenham sido retificadas na forma da legislação tributária de regência, o que não ficou comprovado nos presentes autos. De outra parte não compete ao Fisco demonstrar que a não homologação da compensação foi equivocada, a uma, porque há comprovação evidente e insofismável nos autos de que o suposto crédito foi alocado a outro débito, conforme demonstrado anteriormente e, a duas, porque o ônus probatório do direito vindicado é do Recorrente, conforme prevê a legislação2 e de acordo com forte corrente jurisprudencial deste CARF, da qual colaciono, como exemplo, o Acórdão 3201002.303 no qual a referida temática foi objeto de apreciação: ACÓRDÃO 3201002.303 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. (...) Recurso Voluntário Negado Por todo o exposto, o improvimento do recurso é medida que se impõe. Dispositivo Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; que o suposto crédito de R$ 24.659,64 constante do PER/DCOMP de nº 36387.38132.111105.1.3.04 1346 fora integralmente utilizado na quitação de débitos de tributo do código 2484 de período de apuração de 30/11/2002; e, ainda, que o Recorrente não traz nenhum elemento de prova adicional capaz de infirmar os fatos aqui narrados, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) 2 Lei nº 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10283.902569/200982 Acórdão n.º 1002000.714 S1C0T2 Fl. 161 10 Aílton Neves da Silva Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902439/2014-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 39 /2 01 4- 52 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10580.902439/201452 Acórdão n.º 3401005.873 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10580.902439/201452 Acórdão n.º 3401005.873 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.547. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10580.902439/201452 Acórdão n.º 3401005.873 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10580.902439/201452 Acórdão n.º 3401005.873 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10580.902439/201452 Acórdão n.º 3401005.873 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10580.902439/201452 Acórdão n.º 3401005.873 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10580.902439/201452 Acórdão n.º 3401005.873 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10580.902439/201452 Acórdão n.º 3401005.873 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 160DF CARF MF
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