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Numero do processo: 15586.720516/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.
Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de Cofins, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.
Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
AUDITORIA POR AMOSTRAGEM. POSSIBILIDADE.
O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil pode valer-se, na realização de sua atribuição legal, de qualquer método de fiscalização não vedado por norma legal ou administrativa, inclusive da auditoria por amostragem.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO.
A não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração enseja a aplicação da multa isolada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.
Numero da decisão: 3201-004.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) cancelar a multa aplicada com fundamento no art. 62 da Lei 12.249, de 2010; e b) aplicar aqui o que foi decidido no julgamento do processo administrativo nº 15586.720483/2012-48.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA ISOLADA Recorrente CBF INDÚSTRIA DE GUSA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de Cofins, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 16 /2 01 2- 50 Fl. 1545DF CARF MF 2 da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AUDITORIA POR AMOSTRAGEM. POSSIBILIDADE. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil pode valerse, na realização de sua atribuição legal, de qualquer método de fiscalização não vedado por norma legal ou administrativa, inclusive da auditoria por amostragem. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. A não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração enseja a aplicação da multa isolada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) cancelar a multa aplicada com fundamento no art. 62 da Lei 12.249, de 2010; e b) aplicar aqui o que foi decidido no julgamento do processo administrativo nº 15586.720483/201248. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.546 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da aplicação da multa isolada prevista no art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação (Dcomp) de créditos relativos ao PIS e a Cofins não cumulativos associados a operações de exportação, referentes aos 1º trimestre de 2005 até 4º trimestre de 2008. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 4.420/4.431, com base no Parecer SEFIS/DRF/VIT nº 081/2012 em fls.3.772/3.915, decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado e homologar parcialmente as compensações declaradas. Em decorrência da decisão proferida foi lavrado o Auto de Infração anexado em fls.20/31 do processo apenso nº 15586.720516/201248 (na verdade, 15586.720483/201250), no valor total de R$ 14.995.407,63, relativo à multa isolada decorrente de compensação indevida, apurada sobre o valor do débito indevidamente compensado (períodos de 06/2007 a 05/2012 COFINS, e períodos de 06/2007 a 06/2009 PIS) e multa aplicada em decorrência de compensação não homologada ( período de 05/2012). Igualmente em decorrência do despacho decisório antes referido foi lavrado Auto de Infração anexado às fl.12/21, do processo apenso 15586.720585/201263, no valor total de R$ 271.725,82 (PIS) e R$ 1.255.165,51 (COFINS), em virtude da falta de recolhimento das contribuições nos períodos de apuração 05/2007 e 06/2007. No Parecer SEFIS/DRF/VIT nº 081/2012 consta consignado, em resumo, que: 1) Com base na legislação da contribuição ao PIS e COFINS apurados sobre o regime da não cumulatividade, o crédito passível de utilização na compensação de outros tributos e contribuições é o apurado após a dedução de débitos da própria contribuição, e mais, o crédito deve ser decorrente de operações Fl. 1547DF CARF MF 4 de mercadorias para o exterior ou de vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; 2) Durante o procedimento fiscal, a fiscalização tomou ciência, mediante grande divulgação pela mídia, da operação “Ouro Negro”, deflagrada em 2011 pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e a Corrupção – NUROC/ES, no combate ao bilionário esquema de sonegação fiscal envolvendo a comercialização ilegal de carvão vegetal, no norte do estado do Espírito Santo e sul da Bahia, sendo usadas várias empresas laranjas para emissão de notas fiscais “frias”, tendo como beneficiárias as Siderúrgicas, grandes adquirentes do carvão vegetal; 3) Diante desses fatos, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, solicitou ao Delegado Chefe do NUROC/ES a relação das empresas investigadas nos autos da operação Ouro Negro, envolvidas em atividades ilícitas na área tributária, bem como, os depoimentos, as diligências e demais documentos vinculados, juntamente com a cópia da autorização judicial que franqueou o acesso a Receita Federal do Brasil aos referidos documentos; 4) De posse das 1ªs vias das notas fiscais, sobre as quais, a fiscalizada, nos sistemas informatizados da RFB e nas provas contidas nos Inquéritos Policiais, ficou constatado que a pessoa jurídica efetuou aquisições de carvão vegetal de empresa constituída por sócio inexistente de fato, ou seja, em nome de pessoa fictícia, de empresas constituídas por interposta pessoa e de empresas que se encontram em “situação irregular” com o fisco federal, dentre outras situações; 5) As irregularidades foram divididas em três etapas: 5.1) Primeira Etapa: aquisição de carvão vegetal de empresa constituída em nome de pessoa fictícia. Empresa criada em nome de pessoa física inexistente, com nítido objetivo de sonegação fiscal e geração de créditos tributários para terceiros; 5.2) Segunda Etapa: aquisições de carvão vegetal de empresas constituídas em nome de interpostas pessoas popularmente conhecidos como laranjas. Pessoas humildes que cederam seus dados pessoais, com ou sem contraprestação em dinheiro, com vista ao acobertamento dos reais proprietários da empresa, com evidente objetivo de sonegação fiscal e geração de créditos tributários para terceiros; 5.3) Terceira Etapa: aquisições de carvão vegetal de empresas que se encontram em situação irregular com o fisco federal, as quais constam no cadastro da Receita Federal do Brasil como inapta, inativa, sem nenhum recolhimento ou com recolhimentos irrisórios ou ainda cuja movimentação financeira é totalmente incompatível com a receita bruta informada; 6) Com base nos documentos apresentados, consta que a CBF Indústria de Gusa adquiriu carvão vegetal da empresa Jayr Souza Oliveira – ME (CNPJ 09.483.406/000147) e filiais, constituída em 01/04/2008. Somente nesse ano, a empresa emitiu Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.547 5 R$ 649.653,84 de notas fiscais de vendas de carvão vegetal para a CBF; 7) O Relatório Final do Inquérito Policial nº 013/2011 concluiu que a Jayr Souza Oliveira – Me é a principal empresa envolvida no esquema de sonegação fiscal da máfia do carvão no Estado do Espírito Santo. Referida empresa foi constituída em nome de uma pessoa fictícia. Verificouse que o número do documento de identidade em nome de Jayr Souza Oliveira é falso. O número pertence ao RG de uma mulher de nome Karla Rios Sabia; 8) Com a prisão preventiva de Marcelo Meirelles Muniz, até então conhecido como Jayr Souza Oliveira, novos fatos foram trazidos ao Inquérito Policial nº 013/2011, entre os quais se destaca a confirmação de que Marcelo é o verdadeiro responsável pela empresa Jayr Souza Oliveira – ME e de ter utilizado documentos falsos para a abertura da mesma e filiais; 9) No citado depoimento, Marcelo Meirelles Muniz confessa de maneira cristalina que sua participação na empresa é meramente figurativa, pois recebia uma contraprestação em dinheiro de R$ 1.000,00 a R$ 2.000,00 por mês para se fazer passar pela pessoa de Jayr Souza Oliveira; 10) Diligência realizada pelo NUROC/ES no endereço comercial da JayrME em Conceição da Barra/ES (foto nos autos), comprova que a empresa não possui patrimônio e nem tampouco capacidade operacional para a realização de seu objeto social. Tais fatos, obviamente, já eram de se imaginar, em razão do quadro societário ser constituído por “sócio inexistente de fato”; 11) A empresa de energia do Espírito Santo informa que não consta no cadastro de seus clientes o endereço cadastral de JayrME. Além disso, pesquisas aos sistemas da RFB, mostram que o capital social registrado pela JAYRME é incompatível com as expressivas movimentações realizadas pela empresa em 2008; 12) Não restam dúvidas de que a empresa Jayr Souza Oliveira – ME é uma empresa constituída em nome de pessoa fictícia, ou seja, inexistente no mundo real, com evidente intuito de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros; 13) A firma individual J.A.S. da HORA COMÉRCIO DE CARVÃO VEGETAL –ME, CNPJ 08.757.953/000100, foi constituída em 10/04/2007, em nome do senhor José Augusto Santos da Hora, CPF 011.552.42580, com sede à Av. Central, 1.181 A, Por do Sol, Mucuri/BA; 14) A abertura da empresa ocorreu após a criação das Leis que instituíram os créditos da não cumulatividade do Pis (Lei nº 10.637/2002) e da Cofins (Lei nº10.833/2003). Somente para a CBF emitiu R$ 2.307.520,43 de notas fiscais de vendas de carvão vegetal no período de 2007 e 2008; Fl. 1549DF CARF MF 6 15) Apesar da expressiva receita bruta de vendas auferidas, apresentou DIPJ com receita “zerada” em 2007, não apresentou DIPJ em 2008 e não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos nesse período. Além disso, declarou GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) com a condição Sem Movimento no período de 01/2007 a 12/2008. Esta situação declarada pela própria “empresa” quer dizer que ela nunca teve empregados, comercializou produtos rurais ou qualquer outro fato que a obrigasse informar à previdência social; 16) Mediante depoimento do senhor José Augusto Santos da Hora, na Operação Ouro Negro, o mesmo confessa de forma bastante clara que sua participação na empresa é meramente figurativa. Corroborando com suas declarações, verificamos nos sistemas da RFB que não possui capacidade sócioeconômica compatível para ser proprietário de fato de uma empresa que movimenta milhões de reais; 17) Não restam dúvidas de que o senhor José Augusto Santos da Hora cedeu seus dados pessoais para constituição da empresa J.A.S. da Hora Comércio de Carvão Vegetal – ME, sendo usado como “laranja”; 18) Diante do exposto, concluise que a empresa J.A.S. da Hora Comércio de Carvão Vegetal – ME foi constituída por interposta pessoa, com objetivos claros de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros, tendo em vista que não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos; 19) A firma individual G.A Matos Indústria & Comércio de Carvão Vegetal, CNPJ 05.459.646/000155, foi constituída em 30/12/2002, em nome de Gildato Ancelmo Matos, CPF 142.073.38500, com sede a Rua Pedreira Franco, 679A, Centro, Mucuri/BA. Somente para a interessada emitiu R$ 849.861,55 de notas fiscais de vendas de carvão vegetal no período de 2006 e 2007; 20) Apesar da expressiva receita bruta de vendas auferidas, recolheu valores irrisórios aos cofres públicos. Não declarou DIPJ em 2006 e apresentou DIPJ com receita irrisória em 2007. Além disso, não declarou nenhum empregado na GFIP; 21) A DRF/Itabuna, em procedimento de diligência fiscal, no período de 13 a 15/02/2012, compareceu no domicilio fiscal da empresa G. A. Matos, onde “em tese” deveria funcionar a empresa, ocasião em que teve contato com o responsável pela empresa senhor Gildato Ancelmo Matos, onde o mesmo confessou que foi usado como “laranja” na constituição da empresa G. A. Matos; 22) Corroborando com suas declarações, foi verificado nos sistemas da RFB que o mesmo não possui capacidade sócioeconômica compatível para ser proprietário de fato de uma empresa que movimenta milhões de reais. Não restam dúvidas de que o senhor Gildato Ancelmo Matos cedeu seus dados pessoais para constituição da empresa G. A. Matos, sendo usado como “laranja”; Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.548 7 23) Concluise que a empresa G. A. Matos Indústria e Comércio de Carvão Vegetal – Me foi constituída por interposta pessoa, com objetivos claros de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros, tendo em vista que recolheu valores irrisórios; 24) A firma Forno e Carvão Comércio e Indústria de Carvão Ltda, CNPJ 06.155.658/000159, foi constituída em 15/03/2004 com sede a Faz. Chapada, S/N, Ribeirão do Meio, Aracruz/ES, tendo como sócios o senhor Antonio Carlesso (admitido na sociedade em 18/11/2004) e a senhora Edinea Terezinha Morellato Carlesso (admitida na sociedade em 29/06/2006); 25) Interessante observar que a empresa foi aberta logo após a criação das Leis que instituíram os créditos da não comulatividade do Pis (Lei nº 10.637/2002) e da Cofins (Lei nº 10.833/2003). Somente para a CBF emitiu R$ 1.180.489,75 de notas fiscais de vendas de carvão vegetal em 2005; 26) Apesar da expressiva receita bruta de vendas auferidas, apresentou DIPJ em 2005 com receita bruta de vendas irrisória e não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos a título de impostos e contribuições federais nesse período. Além disso, não declarou nenhum empregado na GFIP; 27) Conforme consta no Inquérito Policial nº 013/2011, instaurado pelo NUROC/ES, o sócio administrador da empresa senhor Antônio Carlesso – CPF nº 317.697.30710, prestou esclarecimentos nos autos da operação “Ouro Negro” e basicamente confirmou sua participação na qualidade de “laranja” da empresa Forno e Carvão; 28) Corroborando com as constatações realizadas pela Autoridade Policial, observase nos sistemas da RFB que o sócio administrador da empresa não possui capacidade sócio econômica compatível para ser sócio de fato de uma empresa que movimenta milhões de reais. Diante do exposto, não restam dúvidas de que quadro societário da empresa Forno e Carvão Comércio e Indústria de Carvão Ltda, a partir de 18/11/2004, passou a ser constituída por interposta pessoa, com objetivos claros de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros; 29) A firma individual J. Azevedo do Espírito Santo – ME, CNPJ 07.879.420/000139, foi constituída em 20/02/2006 em nome de José Azevedo do Espírito Santo, CPF nº 244.494.74600, com sede a Fazenda Colorado, S/N, Cristal do Norte, Pedro Canário/ES e com uma filial em Conceição da Barra/ES. Somente para a CBF emitiu R$ 384.197,47 de notas fiscais de vendas de carvão vegetal no período de 2006 a 2008; 30) Apesar da expressiva receita bruta de vendas auferidas, apresentou DIPJ em 2006 com receita “zerada”, não declarou DIPJ em 2007 e recolheu valores irrisórios aos cofres públicos nesse período. Em 2008 embora tenha confessado débitos insuficientes na DASN, no entanto, também não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos; Fl. 1551DF CARF MF 8 31) No depoimento do senhor José Azevedo do Espírito Santo, extraído do Inquérito Policial nº 020/2011, da Operação Ouro Negro, o mesmo confessou claramente que sua participação na empresa é meramente figurativa, pois recebia uma contraprestação em dinheiro de 01 salário mínimo por mês, por ter cedido seus dados pessoais; 32) Corroborando com seu depoimento, verificamos nos sistemas da RFB que o titular da empresa não possui capacidade sócio econômica compatível para ser proprietário de fato de uma empresa que movimenta milhões de reais. Diante do exposto não restam dúvidas de que a empresa J. Azevedo do Espírito Santo – ME foi constituída por interposta pessoa, com objetivos claros de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros, tendo em vista que não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos; 33) A firma individual Pedro Octávio da RosME, CNPJ 05.893.812/000127, foi constituída em 18/09/2003 em nome de Pedro Octávio da Ros, CPF nº 379.742.38704, com sede em Conceição da Barra/ES, com uma filial em Montanha/ES. Somente para a CBF emitiu R$ 375.059,95 de notas fiscais de vendas de carvão vegetal em 2008; 34) Apresentou Declaração anual do Simples Nacional (DASN), no entanto, não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos em 2008. É importante ressaltar que a confissão de impostos e contribuições através da DASN é uma estratégia utilizada para não se chegar aos verdadeiros donos, já que a empresa e seu titular de direito não possuem qualquer patrimônio passível de execução fiscal pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN; 35) As investigações realizadas pelo NUROC/ES operação “Ouro Negro”, no combate a máfia do carvão vegetal, comprovou que o proprietário de fato da empresa Pedro Octavio da Ros – ME não é o senhor Pedro Octávio da Ros e sim o senhor Paulo José Gava; 36) No depoimento prestado pelo senhor Pedro Octávio da Ros, no inquérito policial, o mesmo confessou claramente que sua participação na empresa é meramente figurativa, pois recebia uma contraprestação em dinheiro de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês, por ter cedido sua empresa e seus dados pessoais; 37) Corroborando com seu depoimento, foi verificado nos sistemas da RFB que o titular da empresa não possui capacidade sócioeconômica compatível para ser proprietário de fato de uma empresa que movimenta milhões de reais; 38) Cumpre informar que o senhor Paulo José Gava foi indiciado nos autos do Inquérito Policial nº 016/2011, instaurado pelo Delegado Chefe da NUROC/ES operação “Ouro Negro”, devido seu envolvimento na comercialização ilegal de carvão vegetal no Estado do Espírito Santo e sul do Estado da Bahia; 39) Não restam dúvidas de que a empresa Pedro Octávio da Ros ME foi constituída por interposta pessoa, agindo com objetivos claros de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros, Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.549 9 tendo em vista que não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos. 40) A empresa Comercial de Carvão Hikari Ltda ME, CNPJ 74.026.774/000128, foi constituída em 06/01/1994 com sede em Caravelas/BA e com uma filial em Belmonte/BA, tendo como sócio desde a sua abertura o senhor José Wellington Benedito Guedes Filho, CPF: 844.637.08591. Somente para a CBF emitiu R$ 11.616.466,79 de notas fiscais de vendas de carvão vegetal no período de 2005 a 2008; 41) Apesar da expressiva receita bruta de vendas auferidas, apresentou DIPJ com receita “zerada” e não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos no referido período. Não declarou nenhum empregado na GFIP, o que por si só já é uma situação atípica, ou seja, uma empresa sem empregados movimentar milhões de reais; 42) Conforme informações constantes no Inquérito Policial nº 025/2011, instaurado pelo Delegado Chefe da NUROC/ES operação “Ouro Negro”, o senhor José Wellington foi usado como interposta pessoa “laranja” na constituição da empresa e que o responsável de fato é o senhor Marciano Vescovi Sacani; 43) Além disso, observase nos sistemas da RFB que o titular da empresa não possui capacidade sócioeconômica compatível para ser proprietário de fato de uma empresa que movimenta milhões de reais; 44) Mediante tais fatos, não restam dúvidas de que a empresa Comercial de Carvão Hikari Ltda foi constituída por interposta pessoa, agindo com objetivos claros de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros, tendo em vista que não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos. É importante mencionar que o senhor Marciano Vescovi Sacani foi indiciado nos Inquéritos Policiais nº 013/2011 e 025/2011, instaurados pelo Delegado Chefe da NUROC/ES operação “Ouro Negro”, devido seu envolvimento na comercialização ilegal de carvão vegetal no Estado do Espírito Santo e sul do Estado da Bahia, sendo indiciado inclusive pelo crime, em tese, contra a ordem tributária; 45) A relação comercial entre a CBF e a empresa Comercial de Carvão Hikari Ltda foi objeto de investigação pelo NUROC/ES e consta no Inquérito Policial nº 025/2011; 46) Além das empresas anteriormente listadas, citese que os principais fornecedores de carvão vegetal da CBF Indústria de Gusa S/A, praticamente nada recolheram aos cofres públicos a título de contribuições para o Pis e para a Cofins. A maioria desses fornecedores, apesar de emitirem notas fiscais, encontramse em situação irregular junto a RFB; 47) No Inquérito Policial nº 016/2011, inúmeras conversas telefônicas foram monitoradas, entre as quais, devem ser destacadas àquelas que pontuaram evidências do envolvimento Fl. 1553DF CARF MF 10 da CBF Indústria de Gusa S/A, no esquema de compra ilegal de carvão vegetal, através do seu Gerente de Compras senhor Thiciano da Ross Rosa. Chama atenção as conversas realizadas com o responsável pela movimentação financeira da empresa JAYR –ME, senhor Uelinton Spinassé de Jesus. 48) De acordo com o teor dos diálogos ficou evidenciado que o senhor Ricardo Carvalho Nascimento (Diretor da CBF) e o senhor Thiciano da Ross Rosa (Gerente de Compras da CBF), tinham conhecimento do esquema ilícito referente à compra de carvão vegetal adquirido pela CBF; 49) Nos Inquéritos Policiais ficou também evidenciado que Thiciano da Ross Rosa e Uelinton Spinassé de Jesus (responsável pela movimentação financeira da empresa JAYR ME) se uniram para que o carvão de origem duvidosa fosse adquirido pela CBF; 50) Por tudo que consta nos Inquéritos Policiais instaurados pelo NUROC/ES, a Autoridade Policial decidiu pelo indiciamento dos senhores Ricardo Carvalho Nascimento (Diretor da CBF), Thiciano da Ross Rosa (Gerente de Compras da CBF) e Fabrício Baptista (exfuncionário da CBF que trabalhava no setor de compras de carvão vegetal, desligado da empresa em junho de 2009) pela prática, em tese, de diversos crimes, dentre eles, crime contra a ordem tributária, tipificado no art. 1º, incisos I, II e art. 2º , inciso I , ambos da Lei nº 8.137, de 1990 (na forma continuada); 51) Não restam dúvidas de que a CBF Indústria de Gusa S/A (adquirente de carvão vegetal) tinha conhecimento e se beneficiou do esquema ilícito de aquisição de carvão vegetal realizado com empresa constituída por pessoa fictícia, nos moldes da JAYRME e constituídas por interpostas pessoas, que praticamente não recolheram nada aos cofres públicos, portanto, a CBF não pode ser considerada adquirente de boafé; 52) As informações disponíveis não deixam margem à dúvida de que o senhor Jayr Souza Oliveira não existe no mundo real, portanto, não poderia ser o titular de fato do empreendimento denominado Jayr Souza Oliveira–ME, tratandose, na verdade, de um caso de simulação de negócio jurídico com objetivo de lesar o fisco e gerar créditos tributários para terceiros; 53) O mesmo ocorrendo com os fornecedores constituídos por sócios laranjas. Empresas criadas em nome de terceiros com objetivo de acobertar os seus reais proprietários, com evidente intuito de sonegação fiscal e geração de créditos tributários para terceiros; 54) Dessa forma foram excluídos da base de cálculo dos créditos do Pis e da Cofins às aquisições adquiridas da JAYRME, cujo titular já foi identificado neste parecer como fictício e das demais empresas constituídas por interpostas pessoas e que se encontram em situação irregular no cadastro da RFB, sob pena de patrocinar o enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos. As referidas glosas encontramse discriminadas no Anexo I deste Parecer; Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.550 11 55) A contribuinte buscou valerse de créditos de Pis e Cofins referente às aquisições de insumos pagos ou creditados a pessoa física, o que é vedado pela legislação, conforme previsto no art. 3º, § 2º, I, das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003; 56) As referidas aquisições foram excluídas da base de cálculo dos créditos do Pis e da Cofins e encontramse relacionadas no Anexo II deste parecer; 57) Ao analisar o documentário fiscal dos insumos adquiridos pela CBF e o seu efetivo pagamento, foi constatado aquisições realizadas com pessoas jurídicas, com emissão de nota fiscal, tendo como beneficiários dos pagamentos pessoas físicas; 58) Os documentos apresentados pela CBF não foram suficientes para justificar o fato do insumo ter sido comprado com um fornecedor e efetuado o pagamento a uma pessoa física. Nas referidas aquisições não restou comprovado pela CBF quem foram os efetivos vendedores. As referidas aquisições foram excluídas da base de cálculo dos créditos do Pis e da Cofins e estão relacionadas no Anexo III deste parecer; 59) A contribuinte também buscou valerse de créditos de Pis e da Cofins referente às aquisições de insumos de sucata de ferro, sucata de ferro gusa e sucata de aço, cujo crédito a partir de 01/03/2006 passou a ser vedado pela legislação. Com a vigência do art. 47 da Lei nº 11.196, de 2005, essas aquisições passaram a não gerar mais direito ao crédito do Pis e da Cofins. Essas aquisições foram excluídas da base de cálculo dos créditos do Pis e da Cofins e estão discriminadas no Anexo IV deste parecer; 60) A contribuinte considerou como insumo de “carvão vegetal” com direito a crédito de Pis e Cofins, as despesas de fretes relativas às transferências internas entre estabelecimentos. Esses fretes se referem a deslocamentos entre estabelecimentos da própria CBF, relativos ao envio da matériaprima de uma filial para outra. Notese que aqui não há que se falar em frete vinculado à compra, tampouco de frete relacionado à operação de venda de que trata o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833, de 2003; 61) Nessas transferências não há vínculos jurídicos estabelecidos entre a CBF e terceiros (compradores ou vendedores da matériaprima/produto). Os produtos são transportados entre as filiais da CBF com notas de simples remessa emitidas pela própria CBF. Ou seja, não tratam de insumos diretos, serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, como define o art. 8º, §4º, I, “b”, da IN SRF nº 404, de 2004, nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003. Tais despesas foram excluídas da base de cálculo dos créditos do Pis e da Cofins e se encontram discriminadas no Anexo V deste parecer; 62) A contribuinte descontou créditos apurados sobre os gastos contabilizados na conta de despesas comerciais 3.3.2.02.0015 Combustíveis e Lubrificantes. No entanto, de acordo com as Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, as aquisições de Fl. 1555DF CARF MF 12 combustíveis somente geram direito ao credito de Pis e da Cofins se aplicados diretamente como insumo no processo produtivo; 63) O conceito de insumo consta no art. 66, § 5°, I, da IN SRF nº 247, de 2002, introduzido pela IN SRF nº 358, de 2003. Desse modo, para haver o direito a credito, não é suficiente que tenham sido adquiridos combustíveis e lubrificantes. É necessário que essa aquisição seja para uso como insumo. Assim, as despesas comerciais com combustíveis, informadas na conta 3.3.2.02.0015 Combustíveis e Lubrificantes, foram afastadas da base de cálculo do crédito da contribuição para o Pis e para a Cofins e as mesmas encontramse discriminadas no Anexo VI deste parecer; 64) A contribuinte pelo fato de efetuar venda de gusa em estado líquido e fazer uso de serviços de escolta, informou despesas de escolta relacionadas à comercialização dos produtos. A análise da legislação mostra que os gastos com armazenagem e frete passaram a dar direito ao desconto de crédito do Pis e da Cofins com o advento da Lei nº 10.833/2003; 65) Notase, que o contribuinte incluiu dentre os serviços de armazenagem e frete, outros serviços correlatos, porém que não encontram previsão legal. É imperativo afirmar que cabe a interpretação literal (restritiva) do dispositivo supra citado. Desta forma, estas despesas foram excluídas da base de cálculo dos créditos de PIS e da COFINS e as mesmas encontramse discriminadas no Anexo VII deste Parecer; 66) A contribuinte informa despesas de serviços de embarque. Nesta conta são registrados os serviços referentes ao embarque, a movimentação do produto acabado no entreposto para embarque nos navios, conforme informado pelo contribuinte. A análise da legislação mostra que os gastos com armazenagem e frete passaram a dar direito ao desconto de crédito do PIS e da COFINS com o advento da Lei nº 10.833, de 2003; 67) Notase, que da mesma forma do item anterior o contribuinte incluiu dentre os serviços de armazenagem e frete, outros serviços correlatos, porém que não encontram previsão legal. É imperativo afirmar que cabe a interpretação literal (restritiva) do dispositivo supra citado. Desta forma, estas despesas foram excluídas da base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS e as mesmas encontramse discriminadas no Anexo VIII deste Parecer; 68) Conforme o inciso II, do art. 16 da Lei nº 11.116/2004, o saldo credor do Pis e da Cofins vinculado a vendas não tributadas no mercado interno, acumulado ao final de cada trimestre calendário, poderá ser utilizado para fins de compensação ou ressarcimento. Neste sentido, o sujeito passivo pode solicitar o ressarcimento do saldo credor por ventura apurado, desde que o faça para cada trimestrecalendário; 69) No presente processo administrativo foi solicitado o ressarcimento/compensação de saldo credor apurado no 1º Trimestre de 2005 ao 4º Trimestre de 2008. Após a análise dos créditos pleiteados, foram efetuadas às glosas dos créditos Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.551 13 indevidamente apurados pela contribuinte e confeccionados o Demonstrativo de Apuração do PIS Não Cumulativo, constante no anexo IX deste Parecer e o Demonstrativo de Apuração da COFINS Não Cumulativa, constante no anexo XI deste Parecer, onde se encontram detalhados os créditos pleiteados, as glosas efetuadas pela fiscalização e finalmente o crédito reconhecido em cada trimestre; 70) Em virtude de fatos mencionados neste Parecer (aquisições de carvão vegetal de empresas constituídas em nome de pessoa fictícia e interpostas pessoas) configurarem, em tese, crime contra ordem tributária, tipificado nos incisos I, II e IV do artigo 1º e inciso I do artigo 2º ambos da Lei nº 8.137, de 1990, foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais, mediante processo administrativo protocolizado sob o nº 15586.720517/201202, em cumprimento ao disposto no artigo 1º do Decreto nº 2.730, de 1998 e artigos 1º e 4º da Portaria RFB nº 2.439, de 2010 (com as alterações promovidas pela Portaria RFB nº 3.182, de 2011); 71) As glosas realizadas resultaram no não reconhecimento de parcela dos créditos pleiteados nos Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação envolvendo a existência, em tese, de dolo ou indícios veemente dessa circunstância no aproveitamento de crédito integral decorrente de aquisições de empresas constituídas em nome de pessoa fictícia e por interpostas pessoas, o que resultou na aplicação de multa isolada conforme dispositivo legal, referentes ao período de 01/2005 a 12/2008; 72) Os valores e o devido enquadramento legal estão discriminados no Auto de Infração lavrado e no Termo de Verificação Fiscal constantes no Processo Administrativo nº 15586.720516/201250, o qual foi devidamente apensado a este Processo, para fins de julgamento simultâneo, segundo o disposto no art. 66, §6º da IN RFB nº 900, de 2008 e na Portaria RFB nº 666, de 2008. No Relatório de Fiscalização do processo nº 15586.720585/201263, anexo ao Auto de Infração (fls.3/9 e 12/21 do processo apenso), a autoridade lançadora consigna, em resumo, que: 1) A fiscalização elaborou os Demonstrativos de Apuração do Pis e da Cofins, compilados com base no Parecer Sefis nº 081/2012 constante no processo nº 15586.720483/201248. Nestes Demonstrativos foram discriminadas as glosas procedidas na base de cálculo dos créditos a descontar, de tal sorte que não foi possível homologar, em sua totalidade, os Per/Dcomps apresentados pela CBF Indústria de Gusa S/A, por insuficiência de créditos; 2) Nos meses em que restou comprovada a falta/insuficiência de recolhimentos de PIS/COFINS não cumulativos (saldo devedor), resultado da recomposição dos créditos a descontar e que não Fl. 1557DF CARF MF 14 foram atingidos pelo instituto da decadência, procedeuse o devido lançamento de ofício; 3) As diferenças mensais apuradas e lançadas de ofício decorreram na grande maioria das glosas de aquisições de carvão vegetal de empresas constituídas em nome de pessoa fictícia, laranjas e que se encontram em situação irregular com o fisco federal. Importante ressaltar que o insumo carvão vegetal representou 94% (noventa e quatro por cento) do valor das glosas realizadas pela fiscalização; 4) Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, foi verificado que o contribuinte não efetuou nenhum recolhimento de Pis não cumulativo (código 6912) e Cofins não cumulativa (código 5856), no ano calendário 2007; 5) O aproveitamento integral de créditos de Pis e da Cofins não cumulativos com base em aquisições de carvão vegetal realizadas com empresas constituídas por pessoa física fictícia e interpostas pessoas, demonstra que a apuração dos créditos constituídos pela CBF Indústria de Gusa S/A se deu com dolo ou indícios veemente dessa circunstância, conforme demonstrado no Parecer Sefis nº 081/2012 (constante no processo nº 15586.720483/201248); 6) Sendo assim, sobre o saldo devedor de Pis e Cofins decorrente das glosas realizadas pela fiscalização, cabe ser aplicada a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), nos termos do §1º do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996; No Relatório de Fiscalização do processo nº 15586.720516/201250, anexo ao Auto de Infração – Multa Isolada (fls.3/19 e 20/31 do processo apenso), a autoridade lançadora consigna, em resumo, que: 1) Ocorrendo a não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, o lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado; 2) O aproveitamento integral dos créditos de Pis e da Cofins nãocumulativos com base em aquisições de carvão vegetal realizadas com empresas constituídas por pessoa física fictícia e interpostas pessoas, demonstra que a apuração dos créditos constituídos pela CBF se deu com dolo ou indícios veemente dessa circunstância, conforme relatado no Parecer Sefis nº 081/2012 (processo nº 15586.720483/201248). Assim, no caso de compensação não homologada e comprovada a falsidade da declaração, as penalidades aplicáveis estão previstas no caput e parágrafos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003; 3) Importante ressaltar que o insumo carvão vegetal representou 94% (noventa e quatro por cento) do valor total das glosas realizadas pela fiscalização; 4) Após o reconhecimento do crédito pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em VitóriaES, o Serviço de Controle e Arrecadação Tributária (SECAT) desta DRF efetuou a conciliação dos créditos apurados pela fiscalização com os Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.552 15 débitos, objeto de declarações de compensação – DCOMP’s apresentadas pela CBF Indústria de Gusa S/A, resultando em débitos indevidamente compensados (NÃO HOMOLOGADOS), sobre os quais a fiscalização aplicou a multa isolada de 150% que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme planilha de débitos indevidamente compensados por declaração de compensação, cujos demonstrativos encontramse no anexo I e II deste termo; 5) No Auto de Infração, a multa isolada calculada sobre as compensações não homologadas é lançada de forma consolidada por data de referência que é o momento da apresentação da compensação indevida, a saber: data da transmissão da DCOMP – que consta no próprio número de identificação do documento; 6) Com relação à decadência dos créditos tributários, o “dies a quo” para lançamento de ofício da multa isolada na hipótese de compensação não homologada ou não declarada é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a declaração de compensação tenha sido apresentada, nos termos do art. 173, inciso I, da Lei nº 5.172, de 27 de outubro de 1996 (CTN); 7) O contribuinte apresentou em 02/05/2012 a declaração de compensação retificadora nº 17654.37687.020512.1.7.091211, compensando créditos de Cofins referente ao 3º trimestre de 2008, ou seja, após a vigência da Lei nº 12.249, de 2010. A recomposição dos créditos da Cofins resultou no RECONHECIMENTO PARCIAL dos créditos pleiteados nos Per/Dcomp, referente ao 3º trimestre de 2008, o que gerou a aplicação de multa isolada conforme dispositivo legal; 8) Em conformidade com o art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010, foram estabelecidas multas, mediante alteração da redação da Lei nº 9.430, de 1996; 9) Com a edição da referida Lei, as situações sujeitas à aplicação de multa isolada passaram a ser as seguintes: 9.1) Multa de 50% (ou 100%) incidente sobre o valor do crédito não validado quando não for homologada a compensação; 9.2) Multa de 50% (ou 100%) incidente sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido; 10) As multas estabelecidas pela Lei nº 12.249, de 2010, mediante a inclusão dos §§º 15 ao 17 no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, devem ser aplicadas relativamente às declarações ou aos pedidos de ressarcimentos entregues a partir da data da publicação desta Lei, ou seja, a partir de 14 de junho de 2010, inclusive; 11) Quaisquer declarações de compensação ou pedidos de ressarcimento, retificadores ou não, entregues na vigência da Lei nº 12.249, de 2010, estarão sujeitos à aplicação das multas por ela previstas. A interessada pleiteou, por meio de Dcomp, Fl. 1559DF CARF MF 16 créditos da não cumulatividade da COFINS após o dia em que passou a surtir os efeitos do citado dispositivo legal; 12) Após a recomposição dos créditos a descontar, restou comprovado o NÃO RECONHECIMENTO do valor do crédito pleiteado nesta Dcomp. Neste sentido, foi aplicada multa isolada de 100% (cem por cento) sobre a parcela de crédito não homologada, em virtude da apuração dos créditos da Cofins pleiteados pela CBF terem sido constituídos com evidente intuito de dolo ou indícios veemente dessa circunstância, conforme demonstrado no Parecer Sefis nº 081/2012 (constante no processo nº 15586.720483/201248); 13) Em decorrência dos fatos relatados, foi efetuado o Lançamento de Ofício mediante lavratura do Auto de Infração, resultando no crédito tributário no valor de R$ 14.995.407,63 (quatorze milhões, novecentos e noventa e cinco mil, quatrocentos e sete reais e sessenta e três centavos); 14) Todos os elementos de prova que fundamentaram a emissão do presente Auto de Infração encontramse anexados aos autos do processo administrativo nº 15586.720483/201248. Por essa razão, e tendose em vista o disposto na Portaria RFB nº 666, de 2008, bem como §6º do art. 66 da Instrução Normativa RFB 900, de 2008, foi realizada a apensação deste processo ao processo acima mencionado, para fins de julgamento simultâneo. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 20/06/2012 (fl. 4.432/4.435), e dos Autos de Infração em 12/07/2012, e apresentou, em 19/07/2012, Manifestação de Inconformidade (fl. 4.477/4.550) e as Impugnações aos Autos de Infração em 10/08/2012 (fls. 12.052/12.107 e 22.270/22.302). Na Manifestação de Inconformidade alega, em síntese que: 1) A Fiscalização não deu ao caso o tratamento adequado, deixando de examinar devidamente os fatos e provas (documentos fiscais apresentados pela Impugnante) que demonstram a liquidez e certeza do crédito requerido; 2) A quase totalidade dos créditos requeridos nos PER/DCOMP´s, originalmente apurados no período compreendido entre o 1º trimestre de 2005 e o 4º trimestre de 2008, não podem mais ser glosados. Tais créditos foram obtidos a partir da atividade de apuração do PIS e da COFINS realizada pela impugnante no referido período, atividade esta que se considera tacitamente homologada depois de cinco anos dos respectivos fatos geradores; 3) Como esses fatos geradores aperfeiçoaramse nos respectivos meses de cada ano objeto da fiscalização, o presente despacho decisório não poderia glosar os créditos apurados no período de janeiro de 2005 a junho de 2007, considerando ser o despacho de 14/06/2012 e a ciência do impugnante de 20/06/2012; 4) A contribuinte apresentou à Fiscalização inúmeras notas fiscais de aquisição de carvão vegetal, bem como os comprovantes bancários de pagamento aos respectivos emitentes, o que demonstra que, efetivamente, houve o desembolso para a quitação do aludido insumo adquirido. Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.553 17 Mesmo diante disso, percebese que 58,00% do crédito pleiteado foi glosado, malgrado tenha sido apresentada a documentação fiscal que lhe deu origem; 5) Portanto, há pontos da atividade fiscalizatória que ficaram sem a devida justificação, mormente se considerado que a atividade fiscal é vinculada e, no caso em tela, ignorouse, por completo, o teor do parágrafo único do art. 82 da Lei n.9.430/96; 6) Estando a atividade fiscal vinculada às determinações da lei, não poderia o Auditor Fiscal ter deixado de analisar os documentos fiscais que lhe foram apresentados, sob o argumento da sua inidoneidade, pois o único requisito exigido pela lei para o creditamento é o de que haja a comprovação da aquisição dos insumos e do seu pagamento, o que foi feito pelo interessado. Desse modo, ao ignorar a existência dos aludidos documentos, a Autoridade Administrativa negou vigência ao parágrafo único do art.82 da Lei nº 9.430/96, o que lhe cabia aplicar incondicionalmente no exercício da sua competência administrativa; 7) Mesmo considerando inidônea a documentação fiscal que lhe foi apresentada, cabia ao Auditor Fiscal, por expressa determinação legal, tão somente verificar se a Impugnante comprovou a aquisição e o pagamento dos insumos, eis que a irregularidade das empresas emitentes das notas fiscais já é uma condição fática considerada pelo parágrafo único do citado art.82, comprovação essa feita à saciedade; 8) Aliado à estranheza desse procedimento fiscal, ainda há outro dado que expõe a ilogicidade da glosa dos créditos do PIS e da COFINS no caso sub examine: a escolha da amostragem, como técnica de inspeção fiscal, impede a não homologação total do direito creditório fiscalizado; 9) Não pode a Administração Tributária se valer de presunções ou de meros indícios, colhidos por meio de análise de amostras, para imputar uma suposta conduta dolosa à Impugnante e, com isso, contaminar todas as demais notas fiscais por elas apresentadas (porém não analisadas) e glosar a totalidade dos créditos correlatos; 10) Ao considerar que uma nota fiscal (colhida por amostragem) emitida por determinada empresa fornecedora de carvão vegetal inidônea, desconsiderou (e glosou) a totalidade dos créditos apurados pela interessada sobre todas as demais notas fiscais emitidas; 11) A constante busca pela verdade material constitui o regime jurídico administrativo. É conseqüência do princípio da legalidade, mas também da própria natureza da atividade estatal administrativa: como esta se desenvolve em um “regime de administração” –que é aquele em que alguém age em nome de outrem, é dizer, para outrem – ela está jungida a atender otimamente os fins dos próprios administrados; Fl. 1561DF CARF MF 18 12) Como a DRFVitória/ ES acabou por não analisar vários dos documentos apresentados pela impugnante, difícil afastar a nulidade de sua investigação, por desrespeito ao princípio em tela, nulidade esta que espalha seus efeitos para o despacho decisório guerreado; 13) A eventual conduta dolosa praticada por terceiros, que venderam o carvão vegetal à Impugnante, não pode ser utilizada para afastar a sua condição de adquirente de boafé, mormente quando a Autoridade Fiscal não apresenta elementos contundentes que comprovam a participação do contribuinte na prática do ato destinado a fraudar o Fisco; 14) Com base em provas indiciárias colhidas nos inquéritos policiais, especialmente escutas telefônicas autorizadas judicialmente, a polícia chegou ao nome de Thiciano da Ross Rosa, que ocupava o cargo de gerente de compras na usina da Impugnante, suspeito de ser um dos “cabeças” do esquema de comércio ilegal de carvão vegetal e sonegação fiscal. Várias são as ligações telefônicas interceptadas pela polícia em que apenas o sr. Thiciano aparece realizando operações com os suspeitos de integrarem a quadrilha, especialmente com a pessoa apontada de ser o seu chefe( de nome Uelinton Spinassé de Jesus), que não pertence aos quadros de empregados da pessoa jurídica; 15) E foi com suporte exclusivamente nessas escutas telefônicas e reportagens jornalísticas que a Fiscalização desconsiderou a condição de adquirente de boafé da Impugnante e glosou a totalidade do crédito apurado sobre as notas fiscais emitidas por 164 empresas que lhe forneciam carvão vegetal. Ou seja, a fiscalização utilizouse, para glosar os créditos da Impugnante, de fatos apurados em investigações policiais preliminares, cabendo salientar que, em relação a tais investigações, ainda não há sequer denúncia oferecida por parte do Ministério Público; 16) Os elementos indiciários que embasaram a desconsideração da Impugnante como adquirente de boafé não têm esse condão, inexistindo sequer indícios de que a interessada, ou seus diretores, tivessem conhecimento da operação ilegal de venda de carvão vegetal por meio de notas fiscais “frias”; 17) Com efeito, inquérito policial é um procedimento de instrução provisória e preparatória, destinado a reunir os elementos necessários à apuração da prática de uma infração penal e da sua autoria (art. 4º do Código de Processo Penal); 18) Ainda que fosse legítima a utilização de trechos de inquéritos policiais como elemento de prova para a glosa dos créditos de PIS e COFINS, no caso concreto o inquérito utilizado pela fiscalização não se presta a tal fim. É que retrata fatos e escutas telefônicas ocorridas em 2010/2011 e os créditos glosados referemse ao período de 2005 a 2008; 19) Com efeito, a operação policial “Ouro Negro” foi deflagrada em 2011, ou seja, os elementos colhidos por meio dos inquéritos policiais instaurados são bastante posteriores ao período no qual foram apurados os créditos do PIS e da COFINS(2005 a 2008), objeto de glosa da Fiscalização; Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.554 19 20) Quando da apuração dos créditos pela interessada, as empresas fornecedoras de carvão mencionadas no Parecer Sefis possuíam inscrição vigente, eficaz e válida no CNPJ/SINTEGRA. E ainda que já tivessem sido declaradas inaptas naquela época, os efeitos da inidoneidade dos documentos fiscais emitidos para a Impugnante, como já dito, estariam elididos pela comprovação do pagamento e recebimento das respectivas mercadorias; 21) Em verdade, a Administração Federal, até a presente data, não cuidou de declarar a inaptidão dos fornecedores da Impugnante. E, se não o fez, não pode exigir a glosa dos créditos relativos às aquisições destes fornecedores, ao argumento de que seriam inidôneos. Com efeito, nos termos do parágrafo único do art.3º da Portaria MF nº 187/93, a glosa apenas pode se legitimar após a respectiva declaração de inidoneidade pelo Poder Público; 22) Não pode a Fiscalização Federal exigir que a Impugnante, para a apuração dos seus créditos do PIS e da COFINS, tenha conhecimento ( o que seria, na prática, impossível) das irregularidades contábil e fiscal do fornecedor; 23) É inquestionável ter ocorrido a efetiva aquisição do carvão vegetal das pessoas jurídicas fornecedoras, o que se comprova não apenas pelas notas fiscais de compra, mas também por meio do registro contábil dos referidos documentos nos livros fiscais pertinentes (Livro de Registro de Entradas do ICMS, Livro Razão etc.) e pelos comprovantes de pagamento aos fornecedores, documentos estes já entregues à fiscalização e solenemente ignorados por esta; 24) Nunca é demais relembrar que, nos termos das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, o crédito é calculado sobre o valor da aquisição de insumos. Isto é, ocorrendo a aquisição é desimportante, para fins de tomada do crédito, a regularidade fiscal, contábil e cadastral do fornecedor; 25) Corroborando o exposto e sepultando definitivamente qualquer entendimento em contrário, a própria Lei nº 9.430/96, em seu artigo 82, parágrafo único, preceitua que a declaração de inaptidão de determinada pessoa jurídica fornecedora de bens e serviços não se aplicará aos adquirentes, para fins de desconsideração da idoneidade dos documentos fiscais emitidos, quando estes comprovarem a efetivação do pagamento respectivo preço e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços; 26) Os pagamentos realizados pela Impugnante a pessoas físicas em nada desvirtuam o fato de que as aquisições se deram de pessoas jurídicas produtoras de carvão vegetal. Os documentos fiscais comprovam cabalmente que a Impugnante adquiriu o carvão vegetal, utilizado como insumo em sua produção, de pessoas jurídicas. Observese que todos os registros de entrada do carvão foram feitos em nome das citadas pessoas jurídicas, não existindo qualquer recibo de venda emitido pelas pessoas físicas referidas no Parecer da Fiscalização; Fl. 1563DF CARF MF 20 27) Os comprovantes de pagamento em nome de pessoas físicas não são suficientes para deturpar a natureza da aquisição e a origem dos créditos tributários. O pagamento é apenas um dos elementos da compra; 28) As notas fiscais dos fornecedores, aliadas aos registros contábeis, demonstram, com clareza meridiana, que a relação de compra e venda se aperfeiçoou plenamente. O pagamento realizado em nome de pessoas físicas não desnatura essa relação; 29) Não pode o Fisco simplesmente desconsiderar tais pagamentos, porque, embora atípicos, são perfeitamente válidos, e viciam a relação principal. Tratase de dois negócios jurídicos distintos: (a) aquisição de carvão vegetal de pessoa jurídica e (b) cessão do crédito da pessoa jurídica a pessoas físicas. É certo que a obrigação foi adimplida em relação à pessoa jurídica vendedora; 30) Foram glosados ainda os créditos apurados pela Impugnante sobre a aquisição (a) de combustível, (b) serviço de escolta, (c) transporte de insumos entre os estabelecimentos da Impugnante, (d) serviço de movimentação de produto acabado/embarque e (e) aquisição de desperdícios, resíduos ou aparas, que constituem insumos extremamente necessários à consecução das atividades da empresa, quais sejam, a produção e a exportação do ferro gusa; 31) As já citadas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, em seu art.3º, incisos II e IX, atribuem aos contribuintes o direito de se creditarem por todas e quaisquer despesas relativas aos custos de armazenamento e transporte de mercadoria contratados junto a terceiros; 32) É inegável que o legislador federal pretendeu, para fins de plena efetividade da não cumulatividade prevista constitucionalmente para o PIS e para a COFINS, que todo o ônus envolvido na aquisição de combustível e dos serviços de frete, armazenamento, escolta e movimentação/embarque das mercadorias, desde que a cargo do vendedor, fossem hábeis à concessão do crédito. Não se poderia esperar menos porque, ao fim e ao cabo, essa despesa é parte do próprio custo da mercadoria a ser vendida; 33) O Despacho Decisório não reconheceu o direito ao crédito previsto na legislação em tela, porque as despesas com escolta, combustível e movimentação do produto acabado/embarque foram lançadas contabilmente na conta de despesas comerciais com frete e armazenagem, tendo o Auditor Fiscal entendido que inexiste previsão legal para tal; 34) As referidas despesas nada mais são do que despesas com frete realizado por conta própria do vendedor, sem a contratação de um serviço de terceiro. Nesse sentido, ainda que sejam despesas incorridas na etapa de comercialização, todo e qualquer custo que essa logística demande deve ser entendido como passível de gerar créditos; Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.555 21 35) Ainda que sob uma denominação diferente, meramente contábil, as despesas incorridas pela Impugnante com combustível, escolta, movimentação e embarque se traduzem em despesa de frete, cujo crédito encontrase expressamente autorizado pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03; 36) Tomandose as despesas com escolta, frisese que se trata de despesa obrigatória. Diante da alta periculosidade, o ferrogusa em estado líquido só pode ser transportado com escolta especializada. De forma alguma, tal gasto é um preciosismo da contribuinte, senão despesa inarredável para o transporte do produto fabricado, que constitui a sua atividadefim; 37) Com relação ao transporte de insumos entre estabelecimentos da contribuinte, é evidente que se trata de custo de produção do produto final, e desta forma, gera o direito ao creditamento; 38) No tocante aos desperdícios, resíduos ou aparas industriais, a própria RFB entende que são mercadorias e, portanto, as receitas decorrentes da sua venda compõem o faturamento da empresa e, conseqüentemente, a base de cálculo do PIS e da COFINS. De igual modo, sua aquisição deve ensejar, para os adquirentes, o direito ao crédito das referidas contribuições; 39) Assim, restando comprovado que todas as despesas com (a) combustível; (b) transporte de insumos entre estabelecimento da contribuinte; (c) serviço de escolta; (d) serviço de movimentação de produto acabado/embarque e (e) aquisição de desperdícios, resíduos ou aparas são necessárias ao exercício da atividade da Impugnante, as glosas dos créditos relativos a essas despesas devem ser anuladas; 40) Solicita Perícia e/ou Diligência Fiscal para o exame de toda a documentação relativa à apuração do crédito no período de 2005 a 2008; 41) Por todo o exposto, requer: 41.1) Preliminarmente, o reconhecimento da decadência do direito do Fisco Federal de glosar os créditos de PIS e COFINS apurados no período de janeiro de 2005 a maio de 2007, visto o disposto no art.150 e § 4º, do CTN; 41.2) nulidade do Despacho Decisório face a falta de análise da documentação apresentada; 41.3) No mérito, reconhecimento do crédito relativamente às despesas/insumos sob pena de violação ao princípio da verdade material. Na Impugnação apresentada contra o lançamento de multa isolada formalizado em auto de infração (processo nº 15586.720516/201250, em apenso), a empresa alega, em síntese, que: 1) Diante da suposta conduta dolosa da Impugnante, o Auditor Fiscal aplicou sobre os débitos indevidamente compensados(nãohomologados) a multa qualificada de 150% ou, ainda, a multa qualificada de 100% (esta sobre os créditos Fl. 1565DF CARF MF 22 nãohomologados, objeto de PER/DCOMP´s posteriores à publicação da Lei nº 12.249/10); 2) A Fiscalização, contudo, não deu ao caso o tratamento adequado, deixando de examinar devidamente os fatos e provas (documentos fiscais apresentados pela Impugnante) que demonstram a liquidez e a certeza do crédito requerido e, conseqüentemente, a impossibilidade de não homologação dos PER/DCOMP´s apresentados e aplicação da multa isolada; 3) Como se vê do relatório fiscal que embasa este Auto de Infração, quase todos os PER/DCOMP´s não homologados ou homologados parcialmente sofreram a incidência da multa isolada de 150%, com base no art.18 da Lei nº 10.833/2003; 4) O lançamento da multa isolada em questão só tem cabimento quando a não homologação dos pedidos de compensação decorrer da comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, ou seja, da prática concreta e demonstrada de um ilícito, doloso, por parte do contribuinte; 5) No caso, contudo, vale reafirmar que a idoneidade das notas fiscais que ensejaram a apuração do crédito pela Impugnante não pode ser utilizada como fundamento para lhe imputar a prática de uma conduta dolosa, pois o parágrafo único do art.82 da Lei nº 9.430/96 mantém a sua condição de adquirente de boa fé e, por via de conseqüência, o seu direito ao creditamento, uma vez comprovado o pagamento do preço respectivo; 6) Uma vez comprovada a aquisição e recebimento do carvão vegetal, bem como o respectivo pagamento feito aos fornecedores, impossível aplicar à Impugnante a multa isolada prevista no art.18 da Lei nº 10.833/03, não só em razão do fato de que os créditos apurados devem ser mantidos, deferindose as compensações requeridas (o que é objeto de discussão no processo nº 15586.720483/201248), mas também pelo fato de que o citado dispositivo legal somente prevê a aplicação da multa isolada nas hipóteses em que restar comprovada a falsidade da declaração prestada pelo contribuinte; 7) Além disso, a multa de 150% aplicada sobre os PER/DCOMP´s não homologados (ou homologados parcialmente), transmitidos antes da vigência da Lei nº 12.249/10, deve ser reduzida ao patamar de 100%, em razão do princípio da retroatividade da lei benigna, previsto no art.106, inciso II, alínea “c” do CTN; 8) Conforme narrado no relatório fiscal, em 14 de junho de 2010 foi publicada a Lei nº 12.249, que acrescentou os parágrafos 15, 16 e 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, instituindo a aplicação de multa isolada sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação nãohomologada, independentemente da existência de dolo por parte do contribuinte. Assim, ao contrário do previsto no art.18 da Lei nº 10.833/03 – que determina a aplicação da multa isolada somente nas hipóteses de comprovada falsidade da declaração de compensação – a atual redação do art.74 da Lei nº 9.430/96 (em seus parágrafos 15 a 17) prevê aplicação de multa isolada em qualquer hipótese de não homologação das declarações de compensação Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.556 23 apresentadas. Apenas o percentual da multa é que poderá variar, dependendo da existência de conduta dolosa ou não por parte do contribuinte: inexistindo falsidade da declaração, a multa será de 50% sobre o valor do crédito, existindo falsidade, ela será aplicada no percentual de 100%; 9) Uma vez que ambos os diplomas regulam a mesma situação fática, qual seja, a aplicação de multa isolada quando a declaração de compensação não for homologada e houver dolo do contribuinte na sua apresentação, resta claro que, se mantida a multa qualificada aplicada contra a Impugnante, o que se admite para argumentar, deve ser ela reduzida ao patamar de 100% por ser mais benéfico à Impugnante; 10) Sobre o crédito nãohomologado objeto do PER/DCOMP mº 17654.37687.020512.1.7.091211, correspondente a R$ 21.417,47, foi aplicada pela Fiscalização a multa isolada de 100%, que atingiu o idêntico valor de R$ 21.417,47. Contudo, ao analisar os anexos do presente Auto de Infração, percebese que o Auditor Fiscal, equivocadamente, fez incidir sobre o referido crédito não homologado a multa isolada de 150%. Com isso, a multa lançada atingiu o montante de R$ 32.126,21 e não os R$ 21.417,47 apontados no relatório fiscal que embasa o Auto de Infração. Se mantida a multa qualificada (100%), deve ser retificado o valor da penalidade aplicada sobre o referido PER/DCOMP; 11) Ademais, verificase nos Anexos I e II que o valor da multa aplicada em relação aos créditos do PIS (R$ 2.631.063,89) e da COFINS (R$ 12.342.926,09) totaliza a importância de R$ 14.973.989,98, ao passo que o crédito tributário informado no relatório fiscal e lançado neste Auto de Infração soma o montante de R$ 14.995.407,63, ou seja, exatamente R$ 21.417,65 a mais do que o informado nas planilhas que compõem os citados anexos; 12) Concluise, portanto, que além de ter aplicado equivocadamente a multa de 150% sobre o crédito de COFINS constante no PER/DCOMP nº 17654.37687.020512.1.7.091211, o Auditor Fiscal lançou a penalidade em duplicidade: uma no valor de R$ 32.126,21 (150%) e outra no valor de R$ 21.417,65 (100%). Flagrante, portanto, o erro cometido, que deverá ser sanado na hipótese de manutenção da multa qualificada objeto desta autuação. Na Impugnação apresentada contra o lançamento pela falta de recolhimento das contribuições formalizado mediante auto de infração (processo nº 15586.720585/201263, em apenso), a empresa alega, em síntese, que: 1) O presente lançamento, nos períodos de apuração 05/2007 e 06/2007, é resultante do Despacho Decisório proferido nos autos do processo nº 15586.720483/201248, com homologação parcial de Declarações de Compensação, diante glosa de créditos; 2) Na sistemática do lançamento por homologação, se transcorridos cinco anos do fato gerador sem a prática do ato Fl. 1567DF CARF MF 24 homologatório pela autoridade fiscal, dáse a homologação tácita, que é, ressaltese mais uma vez, da atividade perpetrada pelo contribuinte. Ou seja, passado o qüinqüênio legal, as operações praticadas pelo sujeito passivo (para quitação da obrigação tributária) não podem ser mais fiscalizadas/questionadas, eis que verdadeiramente petrificadas pela consumação da homologação tácita; 3) Por isso, independentemente da data em que foram transmitidos os PER/DCOMP´s pela Impugnante e das datas em que foram apurados os créditos de PIS e COFINS glosados pela Fiscalização, o crédito tributário lançado neste Auto de Infração encontrase extinto pela decadência. Como os fatos geradores das contribuições lançadas aperfeiçoaramse nos respectivos meses de cada ano objeto da fiscalização, ou seja, em maio de 2007 e junho de 2007, o presente lançamento, efetivado em 12/07/2012, somente poderia abranger eventuais créditos tributários de PIS e COFINS do período de julho de 2007 em diante; 4) Não bastasse a indevida glosa dos créditos a que fazia jus, que deu ensejo à apuração de um suposto saldo devedor de PIS e COFINS a ser quitado pela Impugnante, o Auditor Fiscal aplicou sobre o crédito tributário lançado a multa qualificada de 150%, por presumir que os créditos de PIS e COFINS informados nos PER/DCOMP´s não homologados foram constituídos “com dolo ou indícios veemente dessa circunstância...”; 5) A multa qualificada deve ser reduzida ao patamar de 75%, nos termos do art.44, I, da Lei nº 9.430/96, diante da comprovação de que a Impugnante não incorreu nas hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502,64 e, portanto, não agiu de forma dolosa; 6) Inobstante a vasta argumentação tecida anteriormente, o artigo 82, parágrafo único da Lei nº 9.430/96, que mantém a condição de adquirente de boafé do contribuinte que, embora tenha apurado créditos sobre notas fiscais comprovadamente inidôneas, comprova a aquisição/recebimento das mercadorias e o seu efetivo pagamento aos fornecedores. A 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou improcedente a manifestação de inconformidade e as impugnações apresentadas, proferindo o Acórdão DRJ/RJI n.º 1258.313, de 08/08/2013 (fls. 32547 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 GLOSA DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA. Não há como confundir a proibição de constituição do crédito tributário, presente no CTN, que trata da decadência, com proibição de apuração dos créditos provenientes da não Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.557 25 cumulatividade do PIS e da COFINS, com o objetivo de verificar a correção do valor solicitado em ressarcimento. Não encontra respaldo nas normas que regem a matéria a impossibilidade de glosa de créditos indevidos com vistas a apuração dos saldos solicitados em ressarcimento ou declaração de compensação. AMOSTRAGEM Ao realizar os trabalhos de fiscalização a ele atribuídos, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil pode valerse de qualquer método de fiscalização não vedado por norma legal ou administrativa, inclusive da auditoria por amostragem. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. COMPROVADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da não cumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. MULTA DE OFÍCIO.QUALIFICAÇÃO.FRAUDE. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. DECADÊNCIA.LANÇAMENTO. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o interregno decadencial deve ser computado na forma Fl. 1569DF CARF MF 26 determinada pelo art. 173, I, do CTN, isto é, contase o prazo de 5(cinco) anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. Aplicase a multa isolada de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE CRÉDITO OBJETO DE PEDIDO RESSARCIMENTO INDEFERIDO OU INDEVIDO. Aplicase a multa isolada de 100% sobre o valor do crédito objeto de Ressarcimento quando se comprove falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 32797 e ss., por meio do qual alega, em síntese, os mesmos argumentos já declinados em sua primeira peça de defesa. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou inúmeros pedidos eletrônicos de ressarcimento/compensação, por meio dos quais requer créditos de PIS/Cofins não cumulativos associados a operações de exportação, com origem no período que vai do 1º trimestre de 2005 até o 4º trimestre de 2008. Em face do deferimento parcial, a fiscalização lavrou autos de infração para exigência de multa isolada e das contribuições não recolhidas, formalizados, respectivamente, nos processos de nº 15586.720483/201250, o ora em julgamento, e 15586.720585/201263. Como os fatos dos decorrem os autos de infração são exatamente os mesmos apreciados no processo administrativo nº 15586.720483/201248, passamos a reproduzir, no presente, os votos vencido e vencedor neste proferidos, para, somente ao depois, enfrentarmos os argumentos que lhe são particulares: Em síntese, foram glosados créditos sobre a aquisição de carvão vegetal, combustíveis e lubrificantes, resíduos ou aparas (sucatas), serviços de escolta, transporte de insumos entre os Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.558 27 estabelecimentos e no embarque e movimentação do produto acabado e embarque nos portos. Antes de ingressar nas razões de defesa, cabe pontuar que parte significativa dos créditos glosados tem origem na aquisição de carvão vegetal (95% das glosas), utilizado na produção de ferro gusa, o produto elaborado pela Recorrente. O fundamento adotado pela fiscalização para efetuar as glosas de carvão vegetal devese à apuração de práticas criminosas por algumas siderúrgicas, entre as quais a Recorrente, e podem ser resumidas nos seguintes parágrafos extraídos do PARECER SEFIS Nº 081/2012, acostado às fls. 3772: "20. Durante o procedimento fiscal, tomamos conhecimento através da imprensa, da operação “Ouro Negro” deflagrada em 2011 pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e a Corrupção – NUROC/ES, no combate ao bilionário esquema de sonegação fiscal envolvendo a comercialização ilegal de carvão vegetal, no norte do estado do Espírito Santo e sul da Bahia, sendo usadas várias empresas laranjas para emissão de notas fiscais “frias”, tendo como beneficiárias as Siderúrgicas, grandes adquirentes do carvão vegetal. (...) As investigações apontam que, as madeiras eram furtadas de áreas de preservação ambiental e de empresas que fazem plantio de eucalipto no Norte do ES e/ou Sul da Bahia. Quinze pessoas presas e um rombo que ultrapassa R$100 milhões aos cofres da Receita Federal. O saldo é decorrente uma organização criminosa que roubava madeira em alguns municípios do Norte do Estado e Sul da Bahia, e sonegava impostos. As prisões ocorreram nesta terçafeira (5), através da "Operação Ouro Negro" deflagrada pelo Núcleo de Repressão ás Organizações Criminosas e a Corrupção (Nuroc). Entre os presos estão empresários, contadores e "laranjas" do município de João Neiva e também da Bahia. Jordano Gasperazzo, delegado do Nuroc, informou que a quadrilha movimentava cerca de R$ 1,6 milhões por mês. Além desses, outras 18 pessoas são alvos de investigação por suposto envolvimento com a quadrilha. Foram apreendidos celulares, computadores, notas fiscais e seis carros de luxo, sendo um com placa de Linhares e cinco de João Neiva. As investigações apontam que, as madeiras eram furtadas de áreas de preservação ambiental e de empresas que fazem plantio de eucalipto no Norte do ES e/ou Sul da Bahia. Após o furto a carga era direcionada as empresas constituídas por "laranjas", pessoas que emprestavam seus nomes a troco de dinheiro ou droga, conforme o delegado. Fl. 1571DF CARF MF 28 As madeiras após transformadas em carvão eram "vendidas" com "notas frias" a empresa Jayr Souza Oliveira ME, que repassava as siderúrgicas localizadas no Estado, na Bahia e Minas Gerais, sem gerar dívida proveniente da arrecadação de ICMS. A sonegação fiscal acontece no momento que a empresa capixaba, por exemplo, a Jayr Souza Oliveira ME, vende o carvão pelo mesmo valor de compra da primeira operação. Deste modo, a empresa zera o seu crédito junto a Receita Federal, e não acumula nenhum débito, uma vez que, o produto é vendido pelo valor comprado. Entenda o esquema passo a passo 1º Pessoas de baixa renda, usuários de droga e pessoas criadas a partir de documentos falsos, no Sul da Bahia, eram convencidas a entrarem no esquema, abrindo empresas "laranjas". Como recompensa elas recebiam dinheiro ou drogas. O pagamento variava de R$ 500 a R$ 50, dependendo da situação financeira de cada um, explicou Gasperazzo. 2º As empresas situadas na Bahia emitiam notas fiscais de venda de carvão vegetal ou insumo para empresas capixabas. Estas, por sua vez, emitiam notas fiscais de venda de carvão para usinas da Bahia, Minas Gerais e ES. Sendo a Jayr Souza Oliveira ME, a empresa "cabeça" em solo capixaba. Nomes e participação na quadrilha, segundo o Nuroc: (...) 22. Dentre as matérias publicadas pela imprensa, destacamos a que diz respeito do envolvimento da empresa CBF Indústria de Gusa S/A, no esquema de sonegação fiscal envolvendo comercialização ilegal de carvão vegetal, através do seu Diretor, senhor Ricardo Carvalho Nascimento e do seu Gerente de Compras, senhor Thiciano da Ross Rosa cujas reportagens transcrevemos abaixo. 11/11/2011 às 15h46 Atualizado em 11/11/2011 às 16h54 Diretor de siderúrgica capixaba é preso acusado de participação na máfia do carvão do Norte do ES Folha Vitória Redação Folha Vitória O diretor de uma siderúrgica foi preso acusado de participação na máfia do carvão, na última quartafeira (11), pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc). Ricardo Carvalho Nascimento, de 33 anos, atua na siderúrgica CBF, localizada em João Neiva, e seria responsável pela compra de R$ 107.608.00,00 em carvão vegetal de 16 empresas capixabas e da Bahia, com indícios de irregularidades. De acordo com as investigações do Nuroc, as empresas que forneciam milhões de reais em carvão vegetal para a siderúrgica CBF, possuíam somente existência jurídica, ou seja, em documentos, tendo endereços falsos, sócios que não existem ou não são encontrados. Além disso, as empresas foram constituídas com uso de documentos falsos. Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.559 29 Ainda segundo as investigações, elas forneciam grandes quantidades de carvão e não possuíam autorização para produzir ou comercializar o vegetal. Outra irregularidade constatada é que as empresas forneciam carvão vegetal em quantidade absurdamente acima de sua capacidade, tendo em vista os poucos fornos de carvão vegetal que possuía registrados. A polícia ainda identificou que pequenos e médios produtores de carvão vegetal capixabas e baianos eram forçados a vender a produção na ilegalidade, com notas fiscais de determinadas empresas que faziam parte do esquema de acobertamento para a siderúrgica CBF. As investigações apontam para um esquema que funcionava no Espírito Santo a cerca de dez anos e trazia retornos financeiros milionários para poucos empresários do ramo da siderurgia. Tudo isso, à custa do trabalho de regime familiar de centenas de pessoas de baixa renda que produzem carvão vegetal em fornos artesanais no norte do ES e sul da Bahia. Outras duas siderúrgicas capixabas estão sob investigação, também pela compra de milhões de reais em carvão vegetal produzido na ilegalidade e sem procedência da madeira usada. Novos mandados de prisão podem ser expedidos nos próximos dias em desfavor dos responsáveis pelas empresas. (...) TV Vitória denunciou máfia do carvão com exclusividade A máfia do carvão no Norte capixaba e Sul da Bahia foi denunciada pela TV Vitória com exclusividade. A matéria mostrou como funcionava uma das maiores organizações criminosas do Estado, abordando exploração infantil, trabalho escravo, trafico de drogas em um universo quase infinito de crimes. Só em sonegação fiscal a polícia calcula que em dez anos o prejuízo aos cofres públicos federal e estadual pode superar R$ 1 bilhão. A operação, intitulada Ouro Negro, identificou ao todo 5.824 crimes cometidos pela máfia do carvão. Entre eles, formação de quadrilha, crime ambiental, lavagem de dinheiro, homicídios, entre outros. Com tantos delitos a polícia ainda não em como calcular uma pena para os suspeitos. Seis policiais civis da Bahia também podem estar envolvidos no esquema. "Infelizmente existem indícios claros da conivência de servidores policiais nesse esquema", completou o delegado. A operação continua em andamento. Ao todo 357 pessoas foram presas em dez meses de trabalho. De acordo com o Nuroc, as investigações revelaram o maior esquema de sonegação fiscal e comercialização de produtos de procedência ilícita descoberto no Espírito Santo. (...) Fl. 1573DF CARF MF 30 Na terceira fase da Operação Ouro Negro, comandada pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc) do Espírito Santo, foram presas, 18 pessoas acusadas de causarem um rombo de mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos estaduais e federais. As prisões começaram acontecer no último dia 11 de outubro, nos municípios de Vila Velha, Serra e Cariacica, na região metropolitana de Vitória (ES), João Neiva, Conceição da Barra, São Mateus e Pedro Canário, no norte do Espírito Santo, Belo Horizonte (MG), além de outras prisões cumpridas no extremo sul da Bahia, na cidade de Mucuri, no distrito de Posto a Mata no município de Nova Viçosa e em Teixeiras de Freitas. Essa á a terceira fase da Operação Ouro Negro, comandada pelo delegado Jordano Bruno Leite, titular do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc), da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Espírito Santo, que tem por objeto combater as máfias do carvão e da madeira instaladas no extremo norte do Espírito Santo e no extremo sul da Bahia. A primeira fase da operação começou com a identificação das quadrilhas que furtavam madeira de eucalipto de empresas privadas para serem usadas em carvoarias e cerrarias, causando prejuízos mensais acima de R$ 2 milhões, e movimentado uma complexa rede criminosa envolvida com homicídios, assaltos e tráfico de drogas. Nesta fase foram presas e indiciadas mais de 140 pessoas por diversos crimes como furto qualificado, homicídios, pose de arma de fogo, receptação, roubo de veículos, crimes ambientais, dentre outros. A segunda fase da operação foi dirigida às carvoarias clandestinas e atravessadores de carvão vegetal produzido clandestinamente para siderúrgicas. Foi feito mapeamento de quarenta e cinco carvoarias no extremo norte do Espírito Santo e no extremo sul da Bahia, que agiam na ilegalidade, comprando madeira furtada, isso quando os próprios carvoeiros furtavam a madeira. Nesta fase, foram presos e indiciados mais de noventa pessoas por crimes de receptação qualificada, furto qualificado, formação de quadrilha, sonegação fiscal. Crimes ambientais etc.. Apenas uma das quadrilhas movimentava mais de R$ 20 milhões por ano em carvão vegetal produzido de forma clandestina. No desenrolar da operação, 17 veículos foram judicialmente resgatados, 24 pessoas físicas e jurídicas tiveram contas bancárias bloqueadas. (...) Como o esquema funcionava Segundo o delegado Jordano Bruno Leite, titular do Nuroc, o esquema funcionava da seguinte forma: As empresas baianas emitiam notas fiscais de venda de carvão vegetal ou insumos para sua produção para as empresas capixabas, e estas emitiam notas fiscais de venda de carvão vegetal para usinas da Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. O Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.560 31 esquema de emissão de notas “frias” teria duas finalidades: a primeira, a de acobertar a venda do carvão vegetal produzido com madeira furtada de empresas que plantam eucalipto no extremo norte capixaba e no extremo sul baiano; a segunda seria a acumulação de créditos tributários para as grandes siderúrgicas adquirentes de carvão vegetal. “Laranjas” – No momento em que as empresas “laranjas” emitiam notas fiscais de venda de carvão vegetal para empresas capixabas, as empresas baianas passavam a ser responsáveis pelo recolhimento do ICMS das operações de venda, o que acabava não se consumando e gerando prejuízos aos cofres públicos e evasão tributária. Além disso, a empresa capixaba que comprava o carvão dessas empresas fantasmas acumulava créditos tributários. Em seguida, a empresa capixaba vendia neste momento carvão para usina da Bahia, e, pelo mesmo valor de compra da primeira operação, a empresa capixaba zerava o seu crédito com a Receita Estadual, sem acumular nenhum débito, pois o carvão era vendido pelo mesmo valor da primeira operação. Esquema sonegou mais de R$ 1 bi em 10 anos É o maior caso de rombo fiscal já descoberto no Estado. Com esta dinâmica, a usina que adquiria o carvão vegetal da empresa capixaba ficava com o crédito tributário gerado na primeira operação de venda do carvão – da empresa “laranja” baiana para a empresa “laranja” capixaba. Passado algum tempo, a quadrilha abandonava as empresas baianas com enormes dívidas fiscais, e, em seguida, destruíam qualquer vestígio que pudesse ligar as empresas aos seus integrantes. Com este esquema, foram acumulados milhões de reais em créditos fiscais para as grandes usinas compradoras de carvão vegetal. De Acordo com as investigações do Nuroc, Receita Federal e Secretaria de Estado da Fazenda, a principal empresa envolvida no esquema de sonegação era Jayr Souza Oliveira ME, que teria recebido milhões de reais em notas fiscais de entrada das empresas “laranjas” constituídas na Bahia e no Espírito Santo. Cerca de 60 caminhões pertencentes à quadrilha circulavam todos os dias entre o Espírito Santo, Bahia e Minas Gerais transportando carvão ilegal com notas fiscais “frias” em nome da empresa Jayr. Quatro mil viagens de caminhões Foram identificadas pelo menos quatro mil viagens de caminhões carregados de carvão vegetal com notas da empresa Jayr, com toda movimentação sendo feita sem qualquer recolhimento de impostos. A estimativa prevista de lucro anual era da ordem de R$ 20 milhões por ano, e o esquema funcionou pelo menos dois anos. Foram financiados veículos de alto valor comercial em nome da empresa e também foram realizados empréstimos bancários. Assim, e empresa Jayr Souza Oliveira Me acumulou dívidas superiores a R$ 200 mil junto a instituições financeiras. A empresa havia sido constituída Fl. 1575DF CARF MF 32 com documento de identidade falso e devem aos cofres públicos estaduais cerca de R$ 10 milhões. As seguintes empresas foram usadas como “laranjas” para abastecer a empresa Jayr com créditos tributários e esta os repassava para as siderúrgicas: R. Pereira Thomaz, G. Santos Matos Carvão Vegetal. Cid Ferreira Machado Me, Forno e Carvão Comércio e Indústria de Carvão Ltda, Brazilian Trade Export Ltda, New Star –Indústria, Comércio, Exportação e Transportes Ltda., e Rosana Gomes Nascimento. Segundo levantamentos preliminares, essas empresas devem mais de R$ 100 milhões em impostos para a Receita Federal e ao Fisco do Estado do Espírito Santo. Os valores teriam sido repassados através de notas fiscais “frias” para as siderúrgicas. (...) Até agora, cinco siderúrgicas – uma baiana, uma mineira e três capixabas – aparecem como as maiores beneficiárias do esquema criminoso e seus representantes foram denunciados por centenas de crimes fiscais e de receptação. Um representante de siderúrgica capixaba já respondia a ação penal por receptação do carvão produzido com madeira de procedência ilícita. Principais investigados que tiveram mandados de prisão preventiva decretados: Thiciano Rosa – diretor de compra de carvão vegetal da CBF INDÚSTRIA DE GUSA S/A; Paulo José Gava, conhecido como Barão do Carvão; José Benso Maciel, responsável por carvoarias pertencentes à quadrilha; Sérgio Antônio Ferreira, era sócio e parceiro de Paulo Gava; Liliane Ferraz de Oliveira Barcellos, responsável por adquirir carvão vegetal clandestino na Bahia para a quadrilha; Elberton Ferreira Alves, investigado por fornecer carvão e crédito tributário para empresas do Espírito Santo; Adaiton Figueiredo de Melo, parceiro de Paula Gava, em uma das empresas que pertencia ao esquema. (...) ENVOLVIMENTO DA CBF INDÚSTRIA DE GUSA S/A NO ESQUEMA DE COMPRA ILEGAL DE CARVÃO VEGETAL 297. O senhor Marcelo Meirelles Muniz, nos autos da operação “Ouro Negro”, declarou em depoimento ao NUROC/ES, que cedeu sua fotografia e assinatura para se passar pela pessoa fictícia de Jayr Souza Oliveira. Declarou ainda que o senhor Uelinton era encarregado de fazer a movimentação financeira da empresa Jayr Souza Oliveira – Me. 298. No Inquérito Policial nº 016/2011, inúmeras conversas telefônicas foram monitoradas, entre as quais, destacamos àquelas que pontuaram evidências do envolvimento da CBF Indústria de Gusa S/A, no esquema de compra ilegal de carvão vegetal, através do seu Gerente de Compras senhor Thiciano da Ross Rosa. Chamamos atenção para conversas realizadas com o responsável pela movimentação financeira da empresa JAYR – ME, senhor Uelinton Spinassé de Jesus. Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.561 33 299. Abaixo transcrevemos trechos das conversas telefônicas monitoradas pelo NUROC/ES, autorizadas judicialmente, envolvendo o senhor Thiciano da Ross Rosa. (...) 300. De acordo com o teor dos diálogos acima ficou evidenciado que o senhor Ricardo Carvalho Nascimento (Diretor da CBF) e o senhor Thiciano da Ross Rosa (Gerente de Compras da CBF), tinham conhecimento do esquema ilícito referente à compra de carvão vegetal adquirido pela CBF. 301. Nos Inquéritos Policiai ficou também evidenciado que Thiciano da Ross Rosa e Uelinton Spinassé de Jesus (responsável pela movimentação financeira da empresa JAYR ME)se uniram para que o carvão de origem duvidosa fosse adquirido pela CBF. (...) 302. Por tudo que consta nos Inquéritos Policiais instaurados pelo NUROC/ES, a Autoridade Policial decidiu pelo indiciamento dos senhores Ricardo Carvalho Nascimento (Diretor da CBF), Thiciano da Ross Rosa (Gerente de Compras da CBF) e Fabrício Baptista (exfuncionário da CBF que trabalhava no setor de compras de carvão vegetal, desligado da empresa em junho de 2009) pela prática, em tese, de diversos crimes, dentre eles, crime contra a ordem tributária, tipificado no art. 1º, incisos I, II e art. 2º , inciso I , ambos da Lei nº 8.137, de 1990 (na forma continuada). 303. Não restam dúvidas de que a CBF Indústria de Gusa S/A (adquirente de carvão vegetal) tinha conhecimento e se beneficiou do esquema ilícito de aquisição de carvão vegetal realizado com empresa constituída por pessoa fictícia, nos moldes da JAYRME e constituídas por interpostas pessoas, que praticamente não recolheram nada aos cofres públicos, portanto, a CBF não pode ser considerada adquirente de boa fé.” Diante desse quadro, a fiscalização intimou a Recorrente a apresentar, para o período de 1º trimestre de 2005 até 4º trimestre de 2008, as notas fiscais de aquisição de carvão vegetal (a intimação, segundo se registrou, foi feita por amostragem em face da grande quantidade de notas), acompanhadas dos respectivos comprovantes pagamentos. Constatouse que a Recorrente adquiriu, de empresa constituída por sócio inexistente de fato (nome de pessoa física fictícia), de empresas constituídas por interpostas pessoas e de empresas que se encontram em “situação irregular” no cadastro da Receita Federal (inapta, inativa, sem nenhum recolhimento de tributos ou com recolhimentos irrisórios; a partir da fl. 3812, passa a descrever as irregularidades de cada umas dessas empresas, Fl. 1577DF CARF MF 34 acompanhada de farto conjunto probatório das irregularidades constatadas). Ao final, após informar do indiciamento, pela autoridade policial competente, dos senhores Ricardo Carvalho Nascimento (Diretor da Recorrente), Thiciano da Ross Rosa (Gerente de Compras da Recorrente) e Fabrício Baptista (exfuncionário da Recorrente), pela prática, em tese, de diversos crimes, registra que, da base de cálculo dos créditos do PIS/Cofins, foram excluídas as aquisições realizadas à empresa cujo sócio inexistia de fato, as realizadas a empresas constituídas por interpostas pessoas e, também, as realizadas àquelas que se encontravam em situação irregular perante o cadastro da RFB. Também foram glosados: a) as aquisições de carvão vegetal realizadas a pessoas físicas (o que seria vedado pela legislação do PIS/Cofins não cumulativo); b) as aquisições realizadas a pessoas jurídicas, com emissão de nota fiscal, mas tendo como beneficiários dos pagamentos pessoas físicas; c) as aquisições de insumos de sucata de ferro, sucata de ferro gusa e sucata de aço, cujo crédito, a partir de 01/03/2006, passou a ser vedado pela legislação; d) os gastos com fretes nas transferências internas entre estabelecimentos da própria Recorrente (esta considerou como insumo de carvão vegetal); e) os gastos contabilizados na conta de despesas comerciais 3.3.2.02.0015 Combustíveis e Lubrificantes (segundo a fiscalização, só se fosse insumo da produção); f) gastos com serviços de escolta; e, finalmente, g) os serviços referentes ao embarque, à movimentação do produto acabado no entreposto para embarque nos navios. O primeiro argumento de defesa direcionase a atacar a higidez do procedimento, ao fundamento de que a fiscalização, ao efetuar a análise dos documentos por amostragem (algumas das notas emitidas pelas "empresas" fornecedoras, mas não de todas as por esta emitidas), terseia desconsiderado, de conseguinte, a totalidade dos créditos apurados pela interessada sobre todas as demais notas fiscais emitidas. Também sustenta que a fiscalização baseouse em prova emprestada, frágil e que não admite o exercício do contraditório e da ampla defesa. Ora, nada há de equivocado no procedimento. Não há norma que obrigue a fiscalização a proceder à análise de toda a documentação contábil e/ou fiscal de um contribuinte, quando parte dela já indica, pela irregularidade que contém, que a infração se estende a todo o resto. É o que ocorre com as notas fiscais requeridas, emitidas pelas mesmas "empresas" (assim, mais uma vez, entre aspas) cujas ilegalidades pululam nos autos, uma das quais, sublinhese, "dirigida" por um fantasma, uma pessoa física de existência apenas espectral. A propósito, amostragem sequer meio de prova é, mas um método, uma forma de conhecer a totalidade de algo, mediante a análise de parcela dele (conhecer a população pela análise dos indivíduos). Prova, por seu turno, é coisa diferente: é o meio se demonstra a verdade de um fato. No caso em exame: os Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.562 35 depoimentos, as diligências, a documentação apreendida, as fotos etc. Repisese também aqui, por necessário, o que a respeito se disse no acórdão recorrido: a Recorrente não impugnou "um item sequer, dentre os glosados, que demonstrasse que o resultado, mesmo que realizado por amostragem, tenha sido marcado pela incerteza. Mais ainda, não demonstrou ou apontou valores que deixaram de ser considerados pela autoridade fiscal, que tenham causado prejuízo no cálculo do direito creditório pleiteado. Frisese, tendo permanecido apenas no campo da argumentação, a contribuinte pôs por terra a argüição de invalidade da decisão e do trabalho fiscal, ainda mais que, a partir da ciência do Despacho Decisório, teve a oportunidade de se manifestar e indicar possíveis mal feitos da fiscalização que teriam invalidado o trabalho de auditoria". A utilização de prova emprestada de outro processo administrativo, policial ou judicial, ademais, nada há de ilegal, quando ao contribuinte é oferecido, na esfera administrativa, a possibilidade de contraditar as provas coletadas e oferecer as suas razões de defesa. É o que ocorre no caso em exame. Também não há que se aventar da aplicação do disposto no art. 82 da Lei nº 9.430, de 19961. Obviamente, o legislador teve o claro desiderato de não prejudicar o adquirente de boafé, de modo que ao contribuinte assim enquadrado não se possa vir a exigir o conhecimento da situação fiscal de todas as pessoas jurídicas com as quais se relacionar comercialmente, como se lhe fosse possível a onisciência própria das divindades. Não é o caso, porém, da Recorrente, conforme acima demonstrado, tanto que foram indiciados, pela autoridade policial, um de seus diretores, o seu gerente de compras responsável pela aquisição de carvão vegetal e um de seus exfuncionários, todos, segundo se afirma, envolvidos nos ilícitos. Aplicálo, portanto, seria premiar a mais deslavada ilicitude. Entende a Recorrente que as provas carreadas aos autos somente podem servir de comprovação dos ilícitos a partir do início de sua coleta pela autoridade policial, como se não se pudesse olhar para o passado das "empresas" envolvidas. Nada mais equivocado. A depender de sua natureza, as irregularidades constatadas podem, sim, servir para exigência dos tributos não recolhidos ou para a glosa, como no caso, de créditos de PIS/Cofins não cumulativos, antes mesmo do início da investigação policial, da autoridade fazendária ou — 1 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Fl. 1579DF CARF MF 36 destaquese aqui porque especialmente contestado no recurso — da declaração de inidoneidade da pessoa jurídica, uma vez que podem ser, no caso em exame, de tal importância, que não contaminem apenas operações isoladas ou a partir de determinada data, mas todas as que com aquelas foram realizadas. Os pagamentos realizados a pessoas físicas, não obstante acobertadas por notas fiscais emitidas pelas "empresas" envolvidas, também não podem ensejar o creditamento pretendido, especialmente porque, como destacado no Parecer, foram insuficientes as justificativas para o fato do insumo ter sido comprado de um fornecedor e o respectivo pagamento ter sido efetuado a uma pessoa física. Não se paga a quem não se deve, sob pena de se pagar duas vezes. Se o pagamento foi realizado a uma pessoa física, é porque cabia a esta o valor pago. E se cabia a esta o valor pago, não cabe à Recorrente, por expressa vedação legal, o crédito de PIS/Cofins correspondente. As demais glosas que resta examinar são as seguintes: a) os gastos com fretes nas transferências de matériaprima entre estabelecimentos da própria Recorrente; b) os gastos contabilizados na conta de despesas comerciais 3.3.2.02.0015 Combustíveis e Lubrificantes; c) gastos com serviços de escolta; e, finalmente, d) os serviços referentes ao embarque, à movimentação do produto acabado no entreposto para embarque nos navios. Correta, ainda, a glosa de créditos com gastos com fretes nas transferências de matériaprima entre estabelecimentos da própria Recorrente (segundo a fiscalização, foram considerados como insumo carvão vegetal), uma vez que, no nosso entender, não podem compor a base de cálculo dos créditos de PIS/Cofins reclamados. Aqui não se trata de transporte de produtos em elaboração, para que seja submetido a posterior processo de industrialização por outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica, mas da própria matériaprima. Todavia, como este não é o entendimento dos demais integrantes da Turma, passamos a adotálo, por economia processual e apreço ao princípio da colegialidade. Confiramse, a respeito, ementas de acórdãos proferidos por esta Turma e pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, que o reproduz: GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO.POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. (Acórdão nº 3201004.053, de 24/07/2018). Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.563 37 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303007.283, de 15/08/2018). Contudo, somente se pode admitir a concessão do crédito no caso em que não tenha havido a glosa do crédito de PIS/Cofins correspondente à aquisição da matériaprima transportada, já que a esta umbilicalmente interrelacionada. A razão é evidente e dispensa maiores comentários. Já os gastos contabilizados na conta de despesas comerciais (3.3.2.02.0015 Combustíveis e Lubrificantes) e aqueles despendidos com serviços de escolta, porque não aplicados na produção, não podem ser considerados insumos. É intuitivo, tratandose de pessoa jurídica que se dedica à produção de ferrogusa, nem por hipótese os gastos assim realizados podem se apresentar com a natureza de insumo, admitindose, por hipótese, no segundo caso, se a Recorrente, por exemplo, se dedicasse ao transporte de valores2. Não é a sua atividade, porém. Pelo mesmo motivo, concordamos com a glosa de créditos oriundo dos gastos com os serviços decorrentes do embarque e da movimentação do produto acabado no entreposto para os navios, em comunhão, aliás, com o entendimento esposado pela a 3ª CSRF: PIS. SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVAS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Os serviços de capatazia e estivas por não serem utilizados no processo produtivo, não geram créditos de PIS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. 2 O art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, delimitaram o conceito de insumos àqueles bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, é dizer, aqueles insumos efetivamente empregados no produto final do processo de industrialização ou no serviço prestado ao tomador. Fl. 1581DF CARF MF 38 (Acórdão nº 9303004.383, de 08/11/2016) Por fim, há ainda que se enfrentar o fato da impossibilidade de gerar créditos as aquisições de insumos de sucata de ferro, sucata de ferro gusa e sucata de aço. Com efeito, conforme lembrado no aqui mencionado, tal creditamento passou a ser vedado a partir de 01/03/2006 (art. 47 da Lei nº 11.196, de 20053), de modo que não cabe às instâncias administrativas afastar a sua aplicação ao fundamento de sua incompatibilidade com o Texto Constitucional4. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para conferir o direito ao crédito sobre as despesas com fretes para o transporte de matériaprima entre os estabelecimentos da Recorrente, desde que não glosado o crédito correspondente à aquisição do insumo transportado. Voto vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado O presidente incumbiume de redigir o acórdão na parte pertinente aos gastos de capatazia e estiva. Os gastos com logística, na operação de aquisição de insumos, geram direito a crédito por comporem o conceito contábil de custo de aquisição de mercadoria5. Os gastos logísticos para movimentação de insumos, internamente ou entre estabelecimentos da mesma empresa, inseremse no contexto de produção do bem, porque inerentes e relevantes ao respectivo processo produtivo. Desse modo, devem gerar direito de crédito, na esteira do Resp 1.221.170/PR, que tramitou sob o regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), e que vincula o Carf (art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno). No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda. 3 Lei nº 11.196, de 2005 Art. 47. Fica vedada a utilização do crédito de que tratam o inciso II do caput do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o inciso II do caput do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, nas aquisições de desperdícios, resíduos ou aparas de plástico, de papel ou cartão, de vidro, de ferro ou aço, de cobre, de níquel, de alumínio, de chumbo, de zinco e de estanho, classificados respectivamente nas posições 39.15, 47.07, 70.01, 72.04, 74.04, 75.03, 76.02, 78.02, 79.02 e 80.02 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, e demais desperdícios e resíduos metálicos do Capítulo 81 da Tipi. 4 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 5 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.273/10) Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 15586.720516/201250 Acórdão n.º 3201004.888 S3C2T1 Fl. 1.564 39 Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos da Lei, como, por exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado. As matérias que resta apreciar, porque particulares ao presente litígio, são as seguintes: a) aplicação do princípio da retroatividade benigna, b) redução da multa de 150% (art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003) para o percentual de 100% (art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei 12.249, de 2010) e c) erro de cálculo no lançamento da multa isolada. Uma das penalidades aplicadas nos autos é a prevista no art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, cuja redação é a seguinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (g.n.) É, justo, a hipótese tratada nos autos, uma vez que, conforme consignado no Parecer já aqui referido e em parte reproduzido, afigurase doloso o aproveitamento integral dos créditos de PIS e da Cofins não cumulativos com base em aquisições de carvão vegetal realizadas com empresas constituídas por pessoa física fictícia e interpostas pessoas, ensejando, assim, no caso de compensação não homologada e de comprovada falsidade da declaração, as penalidades aplicáveis previstas no caput e parágrafos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003 (multa no percentual de 150%). Contudo, os §§ 15 e 16 do art. 62 da Lei 12.249, de 2010, foram revogados pela Medida Provisória MP nº 668, de 2015, convertida na Lei nº 13.137, de 2015, de sorte que a penalidade cominada com tal fundamento deve ser cancelada (nesse contexto, desnecessário apreciar alegação de eventual erro na sua aplicação). Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para: a) cancelar a multa aplicada com fundamento no art. 62 da Lei 12.249, de 2010; e b) aplicar aqui o que foi decidido no julgamento do processo administrativo nº 15586.720483/201248. É como voto. Fl. 1583DF CARF MF 40 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1584DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001165/2001-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIA-PRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE.
No âmbito da lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG), aplicado ao caso, nos termos do Regimento Interno do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. APROVEITAMENTO. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP. 1.075.508/SC.
Conforme definido no artigo 3° da Lei nº 9.363/96, os conceitos de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem aplicáveis na apuração do crédito presumido previsto nessa Lei nº 9.363/96 são os mesmos daqueles definidos na legislação do IPI. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa.
A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543-C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
É legítima a incidência de correção monetária desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-006.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para reverter as exclusões/glosas/ajustes da base de cálculo do crédito presumido relativas à matéria-prima adquirida de pessoas físicas e cooperativas; e (ii) por maioria de votos, para estabelecer a incidência da Taxa Selic a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (relator) e Marcos Antônio Borges (suplente convocado) quanto ao momento da incidência da taxa Selic. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos,Thais De Laurentiis Galkowicz e Marcos Antônio Borges (Suplente convocado). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(INCORP. POR CARGILL AGRÍCOLA S.A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIAPRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE. No âmbito da lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG), aplicado ao caso, nos termos do Regimento Interno do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. APROVEITAMENTO. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP. 1.075.508/SC. Conforme definido no artigo 3° da Lei nº 9.363/96, os conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem aplicáveis na apuração do crédito presumido previsto nessa Lei nº 9.363/96 são os mesmos daqueles definidos na legislação do IPI. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 11 65 /2 00 1- 95 Fl. 496DF CARF MF 2 É legítima a incidência de correção monetária desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para reverter as exclusões/glosas/ajustes da base de cálculo do crédito presumido relativas à matériaprima adquirida de pessoas físicas e cooperativas; e (ii) por maioria de votos, para estabelecer a incidência da Taxa Selic a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (relator) e Marcos Antônio Borges (suplente convocado) quanto ao momento da incidência da taxa Selic. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos,Thais De Laurentiis Galkowicz e Marcos Antônio Borges (Suplente convocado). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS), que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese a realização de diligência considerada prescindível ao deslinde do processo. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 497 3 1. O valor das matériasprimas adquiridas de pessoas físicas e cooperativas, sem a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não se computa no cálculo do crédito presumido. 2. Também não se incluem no cálculo do benefício os gastos com energia elétrica, combustíveis e água, ainda que consumidos pelo estabelecimento industrial, que não revestem a condição de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) ou material de embalagem (ME), únicos insumos admitidos pela lei. 3. Integra a base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre do ano em que houver exportação para o exterior o valor de MP, PI e ME utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos existentes em estoque no último trimestre do ano anterior. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de atualização monetária e de juros Selic, aos ressarcimentos do crédito presumido do IPI. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Versa o processo sobre Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que excluiu do cálculo do crédito presumido, apurado pela Lei n° 9363/96 e Portaria MF n° 38/97. Por bem narrar os fatos e com a devida clareza, valhome dos principais trechos reproduzidos do relatório da decisão recorrida, nos seguintes termos (fls. 423/424): O pedido de ressarcimento foi protocolizado em 27/06/2001 e a compensação vinculada foi declarada através da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 34806.23174.150805.1.3.011619, transmitida em 15/08/2005. No Despacho Decisório de fl. 371, a Delegacia da Receita Federal do Brasil da Administração Tributária em São Paulo DERAT, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI relativo ao 1º trimestre de 2001 no valor de R$ 426.598,84 e homologou compensações até o limite do crédito apurado no valor de R$ 101.037,97. A análise da legitimidade do crédito está pormenorizada no relatório que acompanha o Despacho Decisório (fl. 365 e seguintes). Não concordando com a decisão, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 374 a 390), na qual aponta inicialmente que haveria erro na apuração da base de cálculo do benefício, na qual foram incluídas apenas as aquisições de pessoas jurídicas, e, ainda assim, parcialmente. Na sequência, procura demonstrar que a base de cálculo que entende correta (R$ 18.020.071,65), representando o somatório do valor considerado pela fiscalização (R$ Fl. 498DF CARF MF 4 4.267.975,53) aos das glosas de aquisições de cooperativas, de pessoas físicas, combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, água, além de aquisições de matéria prima, embalagens e produtos químicos consideradas a menor, bem como o valor de estoque do período anterior, que também não foi computado pela fiscalização. Em conseqüência, solicita a baixa do processo em diligência, para que a fiscalização ajuste a base de cálculo de R$ 8.356.031,10 para R$ 11.534.861,92, para fins de apuração do valor real do crédito. Quanto ao mérito, prossegue atacando a exclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas com fundamento no art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa SRF (à época) nº 23, de 1997, alegando que esse ato, assim como os que o seguiram, estaria limitando o alcance da Lei nº 9.363, de 1996, cujo art. 2º contém determinação genérica, no sentido que a totalidade dos insumos seja computada no cálculo do crédito presumido de IPI, desde que consumidos em processo de industrialização de produtos exportados, sem vedar o creditamento em questão. Cita precedentes do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual CARF, e dos tribunais judiciais superiores que vão ao encontro de seu entendimento e prossegue argumentando que embora pessoas físicas e cooperados não sejam obrigados ao recolhimento de PIS e Cofins, são contribuintes de fato em relação aos insumos que vendem, os quais sofreram a incidência em cascata destas, legitimando também o direito ao crédito presumido. E desde a edição da Medida Provisória 905/95, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei 9.363/96, não haveria mais qualquer ato normativo exigindo a comprovação de pagamento das aludidas contribuições, a exemplo do que ocorria com a revogada Medida Provisória 674/94, art. 5º. Com respeito às glosa de aquisições de energia elétrica, água e combustíveis, alega que se trata de produtos intermediários, conforme a legislação do IPI, e que embora não integrando o produto final, são utilizados no processo de industrialização. Cita precedentes judiciais no sentido de reconhecer o direito ao crédito presumido, nesses casos. Por fim, protesta pela aplicação da Taxa Selic na correção do crédito a ser ressarcido, a fim de recompor seu valor inicial, bem como por medida de isonomia, tendo em vista que os débitos para com a União sofrem esse acréscimo. No entanto, o julgador de 1ª instância acolheu parcialmente as razões de defesa da Recorrente, sob os seguintes fundamentos principais: a) que os valores referentes às aquisições de insumos de pessoa não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal; b) os conceitos de produção, matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível; c) que integra a base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro do ano em que houver exportação para o exterior o valor de MP, PI e ME utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos existentes em estoque no último trimestre do ano anterior; e d) inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 498 5 Cientificada dessa decisão em 14/08/2013 (fl. 431), a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 16/08/2013 (fl. 432), mediante o qual repisou as alegações da Manifestação de Inconformidade e acrescentou outras, sob os seguintes tópicos (fls. 432/461): i) considerando o posicionamento unânime que predomina em âmbito dos Tribunais Administrativos e Judiciais, os fundamentos expostos no recurso e por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, o qual determina a aplicação das decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia, forçoso reconhecer que deve ser provido, reconhecendose o direito da Recorrente de incluir, no cálculo do crédito presumido, o custo das matérias primas adquiridas de pessoas físicas e sociedades cooperativas; ii) os créditos referentes aos gastos com energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha foram glosados pela fiscalização, em função do entendimento de que não se constituem em MP, PI ou ME, e de que não se integram ao produto final, nem são consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta nele exercida. Tal entendimento, contudo, não pode ser aplicado, já que, na condição de produtos intermediários, legitimam o creditamento pretendido; iii) já que os débitos dos contribuintes para com a União são acrescidos da taxa Selic, é a presente para requerer seja reconhecido o direito da Recorrente ao ressarcimento de seus créditos presumidos de IPI com o acréscimo de juros Selic, desde a data de seu protocolo do pedido. Alega também por questão de isonomia, já que os débitos dos contribuintes para com a União são acrescidos da Taxa Selic, é o presente para requerer seja reconhecido o direito da Recorrente ao ressarcimento de seus créditos presumidos de IPI com o acréscimo de juros Selic, desde a data de seu protocolo do pedido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do Recurso Voluntário. MÉRITO 1. Dos insumos adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS (Pessoas Físicas e Cooperativas). Aduz a Recorrente que considerando o posicionamento que predomina em âmbito dos Tribunais Administrativos e Judiciais, é de se concluir que não merece prosperar a glosa fiscal referente às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, devendo ser integralmente reformada a decisão recorrida, para restar integralmente reconhecidos os créditos presumidos de IPI requeridos a tal titulo. Fl. 500DF CARF MF 6 Quanto à possibilidade de se incluir as aquisições de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96, é consabido que o tema foi objeto de recurso repetitivo do STJ (REsp nº 993.164/MG), que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1.241.856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula 494/STJ, de seguinte teor: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. O REsp nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que é, portanto, vinculante nos julgamentos deste Conselho Administrativo por força do seu Regimento Interno, tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. (...) 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 499 7 § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010). Por força do art. 62, §2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça para o caso dos autos deve ser reproduzido por este Conselho, sendo reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI com relação às aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS pessoas físicas e cooperativas. Dessa forma devem ser revertidas as glosas, reconhecendose o direito creditório correspondente. 2. Dos Insumos que não se alteram em função de ação exercida sobre a fabricação do produto exportado Alega a Recorrente que "(...) Os créditos referentes aos gastos com energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha foram glosados pela fiscalização, em função do entendimento de que não se constituem em MP, PI ou ME, e de que não se integram ao produto final, nem são consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta nele exercida". Fl. 502DF CARF MF 8 Afirma que tal entendimento, contudo, não pode ser aplicado, já que, na condição de produtos intermediários, legitimam o creditamento pretendido. Pois bem. No que concerne à natureza dos gastos com combustíveis, lenha, telefonia, água e energia elétrica, impende consignar que a legislação que rege a matéria para efeito de cálculo do crédito presumido não se refere a insumos genericamente utilizados na produção, mas especificamente à matériaprima, ao produto intermediário e ao material de embalagem. Logo, para se considerar que tais gastos ensejam o direito ao crédito presumido, estes terão que se enquadrar em algum daqueles insumos citados. Conforme definido no artigo 3° da Lei nº 9.363/96, abaixo transcrito, os conceitos de MP, PI e ME aplicáveis na apuração do crédito presumido previsto nessa Lei nº 9.363/96 são os mesmos daqueles definidos na legislação do IPI: Lei 9.363/96: Art.3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único.Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (Grifei) Com efeito, o art. 147, I do RIPI/981, vigente à época dos fatos geradores, dispõe que os estabelecimentos industriais e os equiparados podem creditarse do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Também os Pareceres Normativos CST nº 65/79 e nº 181/74, que são atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, nos termos do art. 100, I do CTN, auxiliam na determinação do sentido e alcance das normas legais e do regulamento acerca de quais insumos ensejam aproveitamento de créditos do IPI. Não obstante a técnica da não cumulatividade do IPI tenha amparo no art. 153, §3° da Constituição Federal, esse dispositivo, por si só, não assegura o direito ao crédito do IPI sobre os produtos adquiridos, havendo a necessidade de lei, regulamento e normas complementares (art. 100 do CTN) que tragam as condições e as formas para que esse crédito possa ser aproveitado pelo contribuinte. Assim, em consonância à lei, ao regulamento do IPI e aos atos normativos acima mencionados, o aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, assim considerado como o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização, bem como que não estejam compreendidos no ativo permanente da empresa. 1 Dispõem no mesmo sentido os arts. 66, I do RIPI/79; 82, I do RIPI/82; e 164, I do RIPI/2002. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 500 9 Nesse mesmo sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508), cujos termos vincula este colegiado consoante regra contida no art. 62, §2° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O RE nº 1.075.508/SC (2008/01532905), representativo de controvérsias, traz a seguinte ementa: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; (...) 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nesta esteira, em julgamento anterior deste Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3302002.475, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária desta 3ª Seção de Julgamento, cuja ementa segue abaixo, foi adotado o entendimento do referido Recurso Especial: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. Fl. 504DF CARF MF 10 O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana deaçúcar. O cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Recurso Voluntário Negado No caso sob análise, a fiscalização glosou o crédito relativos aos insumos que integram a planilha de custo de produção dos produtos exportados pela empresa, os gastos com energia elétrica, água, combustíveis, lenha, telefonia e outros (demonstrativo de compras de fl. 348), os quais não se encontram relacionados como passíveis de inclusão na base de cálculo do crédito presumido, conforme disposto no art. 2°, § 2°, da IN SRF n° 23, de 13 de março de 1997, que foi objeto de glosa. Desta forma, cabe frisar que somente os insumos conceituados como tal, pela legislação do IPI, podem ser computados nos cálculos desse benefício fiscal. Observese que a referida conceituação não compreende todos os insumos utilizados na produção, genericamente, mas, especificamente, MP, PI e ME. Neste sentido, a Portaria MF n° 64, de 2003, expedida com fulcro no § único do art. 3° c/c o art. 6° da Lei n° 9.363 de 1996, assim dispôs no § 11 do art. 3°: “Os conceitos de produção, matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação do IPI”. Assim, para que o insumo seja incluído no cálculo do crédito presumido, deve, forçosamente, subsumirse a esses conceitos. Como dito, para efeito de crédito do IPI, tanto os Regulamentos do Imposto sobre Produtos Industrializados anteriores, quanto o aprovado pelo Decreto n° 4.544, de de 2002 RIPI/2002 (art. 164, I), esclarecem que se incluem no conceito de matéria prima e produto intermediário os bens que, embora não se integrando ao produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente. É entendimento que “consumo” decorre de contato físico, uma ação diretamente exercido pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele, conforme o PN CST n° 65/79. Nos termos do Parecer Normativo acima citado e em consonância com o inciso I do art. 82 do RIPI/ 1982, geram direito ao crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários “strictosensu” e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente que se consumam por decorrência de um contato físico , ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 501 11 tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. Para fins de crédito de IPI na exportação, as aquisições de outros insumos que não sejam matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, que não tenham sido adquiridos no mercado interno, ou não reste nos autos comprovação de que integram o processo produtivo devem ser excluídos dos cálculos do crédito presumido em obediência aos artigos 1° e 2° da Lei n° 9.363/96. Deste modo, excluemse os combustíveis, lubrificantes, água, telefonia, a energia elétrica e a lenha. Portanto, somente as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, previstos pela legislação tributária instituidora do crédito presumido podem ser computados na composição da base de cálculo do incentivo fiscal. Finalizando, apenas na hipótese de opção pela sistemática de regime alternativo instituído pela Lei n° 10.276/2001, é possível a inclusão dos valores relativos a combustíveis e energia elétrica na base de cálculo do crédito presumido, diferente no caso em apreço, no qual o contribuinte optou pela forma de cálculo prevista na Lei n° 9.363/96. Como se vê, o entendimento da fiscalização está em consonância com o conceito de insumo para fins de creditamento do IPI exposto acima neste Voto. 3. Da Incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI No acórdão recorrido, entendeuse pela impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre o crédito presumido o de IPI a ser ressarcido. Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, é cediço que o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo CPC). No entanto há que se ressaltar que concerne à incidência da Taxa Selic sobre os créditos pleiteados, entendese que o parágrafo 4º do art. 39 da Lei n. 9.250/95, inseriu no seu comando a incidência da Selic somente sobre valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de ressarcimento de tributo presumidamente calculado, cujo direito somente se concretiza depois de reconhecido pela autoridade administrativa fiscal, nos termos da lei. Portanto, o § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei n° 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão, não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). Fl. 506DF CARF MF 12 Neste diapasão, quanto a atualização do valor do direito creditório, utilizome para o deslinde da questão sob discussão, do Voto Vencedor do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, no Acórdão nº 9303005.425, de 25/07/2017, da 3ª Turma da CSRF: "A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp n° 1.035.847/RS e no REsp n° 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp nº 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizalos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp n° 993.164: Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 502 13 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC.APLICAÇÃO.VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535,DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF23/97,ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo,impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o Fl. 508DF CARF MF 14 reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. (Grifei). Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidência da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp n° 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72.ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5°, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: ..........) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7°, § 2°, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: Art. 7º. (...) 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 503 15 no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Nesse mesmo sentido, verificase que foi o decido nos seguintes julgados do STJ: AgRg no REsp 1.400.909/SC, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2015, DJe 05/02/2016 e AgInt no REsp 1.585.275/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/10/2016, DJe 14/10/2016. Da leitura das decisões acima, concluise que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que Fl. 510DF CARF MF 16 indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Parece me um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, tendo entendido a turma de julgamento, a despeito de voto contrário deste julgador, que é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda, sobre esta parcela permitese a incidência da taxa Selic a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização (...)". Com esses fundamentos, voto para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. 4. Dispositivo Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para, (i) reverter as exclusões/glosas/ajustes da base de cálculo do crédito presumido relativas à matériaprima adquirida de pessoas físicas e cooperativas e (ii) estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 504 17 Voto Vencedor Thais De Laurentiis Galkowicz, Redatora designada. Com a devida vênia, ouso divergir do Ilustre Relator no que tange ao termo inicial de incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI. Tratase de matéria que foi minuciosamente abordada pela Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne no Acórdão 3402006.254, quando este Colegiado mais uma vez decidiu que sua incidência deve ocorrer desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Por concordar com seus fundamentos, adotoos como razão de decidir, com fulcro no artigo 50, §1º da Lei n, 9.784/99, transcrevendoos abaixo: Com efeito, ainda que não seja possível a correção a partir da data da geração do crédito por ausência de previsão legal, com o impedimento da utilização do crédito com a emissão do despacho decisório relativo ao pedido de ressarcimento, passou a ser necessária a sua correção desde a data do protocolo do pedido por ter ocorrido uma oposição do fisco ao legítimo aproveitamento do crédito. Este entendimento está em conformidade com o entendimento sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.035.847/RS, em sede de recursos repetitivos, que deve ser aplicado por este CARF na forma do art. 62, §2º, do Regimento Interno: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em Fl. 512DF CARF MF 18 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) A aplicação analógica deste julgamento tem sido feita de forma reiterada pelo Conselho Superior deste CARF, como se depreende dos julgados já trazidas acima, e dos seguintes julgados apenas a título de exemplo: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...) Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte." (CSRF, Processo 10675.001666/200195 Data da Sessão 04/04/2011 Relator Rodrigo Cardozo Miranda. Redator designado Antônio Carlos Atulim. Acórdão n.º 9303001.407 grifei) "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/01/2000 (...) NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DE DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES PROFERIDAS NA SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC Dispõe o art. 62A do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13811.001165/200195 Acórdão n.º 3402006.328 S3C4T2 Fl. 505 19 OPOSIÇÃO INJUSTIFICADA DA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Nos termos da decisão proferida pelo STJ no RE 993.164: 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). NORMAS REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. Não se admite recurso especial cuja divergência não esteja comprovada nos termos do artigo 67 do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009." (CSRF, Processo 13971.001062/0040 Data da Sessão 23/02/2016 Relator Julio Cesar Alves Ramos. Acórdão n.º 9303003.460 grifei) Como se depreende dos julgados acima colacionados, não se cabe falar em correção desde a data da geração do crédito vez que o crédito presumido é um crédito escritural para o qual não há previsão legal de atualização. Uma vez emitido o despacho decisório com a oposição à utilização do crédito presumido, cabível a inclusão da SELIC desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, para evitar o locupletamento ilícito do fisco. Com todo respeito ao entendimento do I. Conselheiro Relator, a tese por ele sustentada, no sentido de que a incidência da SELIC somente seria cabível a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, não possui qualquer respaldo na legislação ou no precedente do Superior Tribunal de Justiça. Com efeito, como visto, o que é relevante identificar é a existência de uma oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, que impeça a utilização do direito de crédito pelo contribuinte. Com a descaracterização do crédito como um crédito escritural, ele deverá ser atualizado. E para evitar o locupletamento ilícito do fisco, essa atualização deve ocorrer desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, data que marca o momento quando o contribuinte exerceu o seu direito ao crédito, na forma do art. 165, do CTN. Fl. 514DF CARF MF 20 É no momento do protocolo do pedido de ressarcimento que o contribuinte exerce o seu direito ao crédito, direito este que foi indevidamente obstado pela Administração Pública por meio da emissão do despacho decisório, que caracterizou a oposição estatal indevida suscetível a autorizar a atualização monetária do crédito posteriormente reconhecido pelas instâncias de julgamento. E essa atualização deve ocorrer desde a data do exercício do direito obstado, repitase, desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Dispositivo Nesses termos, voto por dar provimento em maior extensão ao Recurso voluntário, para estabelecer a incidência da Taxa Selic sobre os créditos presumidos de IPI a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 515DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721020/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO.
Deve ser declarado extinto o crédito tributário objeto de pagamento ocorrido em outro processo, na forma do art. 156, I do Crédito tributário Nacional, mas relativo aos mesmos tributos e períodos de apuração, quando verificado o equivocado lançamento em duplicidade.
Numero da decisão: 3401-005.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado) e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. Deve ser declarado extinto o crédito tributário objeto de pagamento ocorrido em outro processo, na forma do art. 156, I do Crédito tributário Nacional, mas relativo aos mesmos tributos e períodos de apuração, quando verificado o equivocado lançamento em duplicidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado) e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
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EXTINÇÃO. Deve ser declarado extinto o crédito tributário objeto de pagamento ocorrido em outro processo, na forma do art. 156, I do Crédito tributário Nacional, mas relativo aos mesmos tributos e períodos de apuração, quando verificado o equivocado lançamento em duplicidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Relatora (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado) e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 10 20 /2 01 2- 17 Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16327.721020/201217 Acórdão n.º 3401005.916 S3C4T1 Fl. 326 2 Relatório Cuidase de lançamento para exigência de Cofins, períodos de apuração novembro/2008 e dezembro/2008, decorrente de diferenças entre os valores declarados em DCTF e DACON e a escrituração. Esclareceu, ainda, a fiscalização que houve interposição de mandado de segurança (1999.61.00.0455826) para questionar os arts. 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718/98, não se encontrando, todavia, o crédito tributário com a exigibilidade suspensa. Em impugnação o contribuinte defendeu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98; que o conceito de faturamento válido é aquele veiculado pela LC 70/91; que, em função de seu objeto social (previdência complementar), não pratica operações de venda e/ou prestação de serviços; que não se sujeita à Cofins, por força da isenção do art. 11, parágrafo único, da LC 70/91; e, que houve indevida ampliação da base de apuração da contribuição, para alcançar as receitas advindas das atividades típicas; que as receitas de aluguéis imobiliários e rendimentos de aplicações financeiras não constituem receita própria da atividade, correspondendo a investimentos impositivos de normas legais e regulamentares do mercado de previdência privada. A DRJ São Paulo I/SP deu parcial provimento à impugnação para afastar do lançamento as receitas de aluguéis, em decisão assim ementada: “EMPRESA DE SEGUROS E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. A realização de investimentos e a administração da alocação dos recursos em diferentes aplicações financeiras constituem atividade empresarial típica desse ramo de negócios, sendo inerentes ao desenvolvimento das atividades que compõem o objeto social. Assim, as receitas decorrentes de aplicações financeiras devem compor a base de cálculo da Cofins. EMPRESA DE SEGUROS E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS PROVENIENTES DE ALUGUEL DE IMÓVEIS. A locação de bens imóveis não se caracteriza como atividade empresarial típica das sociedades seguradoras e de previdência complementar, estando as respectivas receitas excluídas da incidência da Cofins. PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial importa em renúncia à discussão na via administrativa da matéria levada à apreciação do Poder Judiciário. Deve ser conhecida a impugnação em relação à matéria não discutida no processo judicial.” Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16327.721020/201217 Acórdão n.º 3401005.916 S3C4T1 Fl. 327 3 Conforme consta no acórdão recorrido o crédito exonerado não atinge o limite de alçada por isso não houve recurso de oficio: Portanto, as receitas financeiras relativas aos ativos garantidores das provisões técnicas do ramo de previdência complementar já haviam sido excluídas na apuração da base de cálculo da Cofins e não foram objeto da presente autuação, restando prejudicados os argumentos da impugnante referentes a essa matéria. Cabe agora analisar as demais receitas financeiras (R$13.164.259,51 em novembro/2008 e R$21.928.025,10 em dezembro/2008) e também as receitas de aluguel de imóveis (R$51.480,29 em novembro/2008 e mesmo valor em dezembro/2008). Como já citado, a impugnante exerce atividades de previdência complementar e de seguros de vida. Assim, a locação de imóveis não está entre suas atividades empresariais típicas, devendo ser excluídas as respectivas receitas na apuração da base de cálculo da contribuição, o que resulta na exoneração de créditos tributários nos valores de R$2.059,21 em novembro/2008 e R$2.059,21 em dezembro/2008. Em relação às aplicações financeiras, cabe observar que a realização de investimentos financeiros e sua administração cotidiana são atividades inerentes às sociedades seguradoras e de previdência complementar, que recebem recursos de seus clientes (prêmios de seguros e contribuições para previdência) e têm o dever de, eventual e/ou futuramente, pagar os valores contratados. Assim, tratandose de operações típicas da atividade empresarial da impugnante, as receitas financeiras devem compor a base de cálculo da Cofins, excetuandose a exclusão já tratada neste voto.O recurso voluntário sustentou a ilegitimidade da cobrança da Cofins, das instituições financeiras, na forma prevista pelos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98; a não incidência da Cofins sobre as receitas não operacionais; que as receitas financeiras não são receitas próprias da atividades, ostentando caráter acessório em relação à finalidade do negócio; e, que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário fora restabelecida por decisão judicial exarada no MS 1999.61.00.0455826. Em 12/08/2015 (efls. 275/276) o contribuinte apresentou petição comunicando a extinção do crédito tributário, por pagamento, relativo à Cofins de novembro/2008 e dezembro/2008, no PA 16327.721227/201372, e pleiteando a declaração de extinção do crédito tributário também neste processo. Em 27/09/2016, através da Resolução nº 3401000.952, o julgamento foi convertido em diligência para verificar a relação existente entre os débitos formalizados em ambos os processos (PAs 16327.721227/201372 e 16327.721020/201217) e o respectivo pagamento. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16327.721020/201217 Acórdão n.º 3401005.916 S3C4T1 Fl. 328 4 Realizada a diligência, retornaram os autos para julgamento, sendo submetido a novo sorteio, ante o desligamento voluntário do relator originário. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e por isso deve ser conhecido. Para a solução do litígio é suficiente a transcrição do resultado da diligência determinada (efls. 304/310), que, resumidamente, reconheceu a exigência em duplicidade da Cofins dos meses de novembro e dezembro, ambos de 2008, bem como, a sua extinção por pagamento: “Conclusão Em vista do exposto, em relação à primeira questão da diligência, informo que os valores do crédito tributário relativo ao principal da COFINS de novembro (R$ 321.201,37) e de dezembro (R$ 2.452.384,91) de 2008, Processo 16327.721020/201217, foram lançados também no Processo 16327.721227/201372 que têm os valores principais de R$ 347.794,29 e R$ 2.471.298,97, respectivamente. Em relação à segunda questão, informo que os valores do crédito tributário relativo ao principal da COFINS de outubro, novembro e dezembro de 2008 do Processo 16327.721227/2013 72, nos valores de R$ 327.413,05, R$ 347.794,29 e R$ 2.471.298,97, respectivamente, no valor total de R$ 3.146.506,31, foram liquidados em 28/11/2013 com os benefícios do art. 39 da Lei nº 12.865/2013. Significa, s.m.j., a extinção do crédito tributário discutido nos autos do Processo nº 16327.721020/201217.” O cotejo entre os valores destacados na informação supra e aqueles formalizados no lançamento não deixa dúvidas quanto à duplicidade de cobrança dos débitos relativos aos períodos de apuração em comento, situação essa que, por si só, já justificaria o cancelamento de uma das autuações. Entretanto, para além da duplicação, a unidade de jurisdição confirma a ocorrência de pagamento dos débitos respectivos, incidindo na espécie as disposições do art. 156, I do Código Tributário Nacional. Por conveniente, cumpre registrar que não é o caso de se reconhecer a desistência do recurso apresentado, consoante art. 78, § 2º do RICARF/15 (Portaria MF 343/15), ao passo que a extinção do crédito se verificou em outro feito, sendo de todo cabível a extensão dos efeitos do pagamento lá realizado para o presente processo e o reconhecimento da liquidação da dívida. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16327.721020/201217 Acórdão n.º 3401005.916 S3C4T1 Fl. 329 5 Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso e declarar extinto o crédito tributário nele consignado. Mara Cristina Sifuentes, Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720944/2017-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013, 2014
NULIDADE. SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE.
Nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1979, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Para a configuração da responsabilidade solidária prevista no art. 135. III, do CTN, é imprescindível que o auto de infração descreva especificamente a conduta praticada em excesso de poder ou de infração de lei ou contrato social e identifique o seu agente.
Numero da decisão: 1401-003.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar a arguição de nulidade da decisão recorrida para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário do Sr. Marcelo Bahia Odebrecht, ora apontado como responsável solidário pelo crédito tributário. Declarou-se impedido o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, substituído pelo Conselheiro Breno Do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado para eventuais substituições).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012, 2013, 2014 NULIDADE. SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1979, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Para a configuração da responsabilidade solidária prevista no art. 135. III, do CTN, é imprescindível que o auto de infração descreva especificamente a conduta praticada em excesso de poder ou de infração de lei ou contrato social e identifique o seu agente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013, 2014 NULIDADE. SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1979, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Para a configuração da responsabilidade solidária prevista no art. 135. III, do CTN, é imprescindível que o auto de infração descreva especificamente a conduta praticada em excesso de poder ou de infração de lei ou contrato social e identifique o seu agente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar a arguição de nulidade da decisão recorrida para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário do Sr. Marcelo Bahia Odebrecht, ora apontado como responsável solidário pelo crédito tributário. Declarouse impedido o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, substituído pelo Conselheiro Breno Do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 09 44 /2 01 7- 61 Fl. 3041DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado para eventuais substituições). Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 16682.720944/201761 Acórdão n.º 1401003.094 S1C4T1 Fl. 3.042 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do v. acórdão n. 03078.497 8ª Turma da DRJ/BSB, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo recorrente Marcelo Bahia Odebrecht e manteve sua responsabilidade solidária pelos tributos e multas apurados, na qualidade de responsável de fato, como administrador da pessoa jurídica Construtora Norberto Odebrecht S/A, ainda que seus poderes não constassem expressamente do estatuto ou contrato social. Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo em parte o Relatório DRJ, naquilo que interessa a solução da controvérsia: I. Do Procedimento Fiscal Do Relatório Fiscal de fls. 2719/2759, parte integrante dos autos de infração, lavrados contra a contribuinte CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S.A., CNPJ: 15.102.102/000182, doravante denominada CNO, extraemse as seguintes informações. No mencionado Relatório, consta o que presente procedimento fiscal decorreu da construtora Odebrecht estar envolvida na operação denominada “Lava Jato”, deflagrada pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal do Brasil, que desbaratou um esquema de corrupção na Petrobras, envolvendo as maiores empreiteiras do país, conforme veremos a seguir. Diante da abrangência dos fatos, as ações fiscais foram encerradas parcialmente, já tendo sido constituídos créditos tributários formalizados nos processos (PAF) nº 13888.724224/201690 e nº 13888.724540/201661. A fiscalização iniciouse em 21/05/2015, quando a ODEBRECHT foi comunicada que sua escrituração contábil, entregue via SPED, seria baixada para análise. Após as idas e vindas nas respostas obtidas ao longo de diversos Termos de Intimação fiscal, foram lavrados autos de infração, incluídos juros e multa, para exigência de: (1) IRPJ (2) CSLL e (3) IRRF, cumulados com multa de ofício qualificada (150%) e isolada em razão da ausência de recolhimento de estimativas mensais dos tributos relacionados no item (1) e (2), bem como juros de mora relativos aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2011, 2012, 2013 e 2014, no montante de R$ 763.862.713,98. Da multa qualificada Imputou a autoridade fiscal a multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), com base no art. 44, I, c/c § 1º, da Lei n.º 9.430/96, com redação conferida pela Lei n.º 11.488, de 15/06/2007, em virtude das irregularidades apuradas pela fiscalização. Portanto, constatou aquela autoridade que o contribuinte incorreu em sonegação, fraude e conluio, uma vez que sonegação e fraude se caracterizam em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou de ocultação, e pressupõe Fl. 3043DF CARF MF 4 sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, pois os envolvidos tinham conhecimento da inidoneidade dos pagamentos realizados e da conseqüência tributária na apuração dos tributos devidos (Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Imposto de Renda Retido na Fonte), mas preferiram agir de maneira evasiva, registrar os pagamentos com histórico contábil falso, utilizandose de documentação inidônea. Dessa forma, tais pessoas praticaram atos que deliberada e sistematicamente demonstram a presença do DOLO, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação e agir em conluio com outras empresas, descritas nos art. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, justificando a aplicação de tal qualificação. Da sujeição passiva solidária Asseverou a autoridade fiscal que os depoimentos públicos dos executivos e exexecutivos da Odebrecht, inclusive os do próprio Marcelo Odebrecht, descrevem em detalhes o mecanismo de pagamento de propinas do Grupo e o envolvimento do Sr. Marcelo no esquema. O Sr. Marcelo Odebrecht, conforme se pode ver nas diversas denúncias anexadas ao processo, assim como nos depoimentos dos colaboradores, foi o líder do Grupo, pois traçava e coordenava as estratégias para alavancar os negócios por meio da institucionalização do pagamento de propina. Dessa forma, aquela autoridade fiscal entendeu ter ocorrido infração à lei e arrolou o Sr. Marcelo Odebrecht como responsável tributário, de acordo com o art. 135, III do CTN. A contribuinte Construtora Norberto Odebrecht S/A apresentou a petição de folhas 2776/ 2777, em 21 de junho de 2017, na qual, além de aceitar de forma plena e irretratável todas as condições estabelecidas no inciso I do parágrafo 3° do art. 1° da Medida Provisória n. 766/2017, formalizou a sua desistência integral à discussão administrativa, bem como sua renuncia a quaisquer alegações de direito referentes aos créditos tributários envolvidos nos presentes autos, uma vez que todos os valores em discussão foram incluídos no Programa Especial de Regularização Tributária (PERT). Apreciada a impugnação do Recorrente Marcelo Odebrecht na qual suscitou a nulidade da imputação de sua responsabilidade tributária, por ausência de motivação, inaplicabilidade do art. 135, III, do CTN no caso concreto e falta de comprovação individualizada e direta das condutas previstas no art. 135, inciso III, do CTN. O lançamento foi mantido, com a rejeição de todas as preliminares suscitadas e o reconhecimento de que o Sr. Marcelo Bahia Odebrecht era o diretor de fato, pois, ainda que não seja diretor de direito era ele quem traçava a estratégia da CNO e, portanto, era ele quem liderava o esquema de pagamentos de propinas, cuja forma de operacionalização de tais pagamentos deu origem às autuações objeto de discussão nos presentes autos. Inconformado, Marcelo Odebrecht apresentou Recurso Voluntário, reprisando em suma os argumentos já apresentados na impugnação, acrescentando o preliminar de nulidade do julgamento, em razão de inovação pela DRJ dos fatos que fundamentaram a acusação fiscal. É o breve relatório. Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 16682.720944/201761 Acórdão n.º 1401003.094 S1C4T1 Fl. 3.043 5 Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isto dele conheço. Conforme decisão DRJ, a imputação da responsabilidade solidária ao Recorrente Marcelo Odebrecht, restou mantida sob os seguintes fundamentos: O impugnante suscitou que não seria possível responsabilizálo no período autuado, pois ele não possuía qualquer poder de gestão, de mandato ou de representação daquela companhia, dado que não seria administrador da sociedade autuada. Afirmou ainda que ele não possuiria poder no grupo Odebrecht, sob o argumento de que não seria diretor de direito, conforme cópia da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da CNO, realizada em 14.01.2010 (doc. 02), na qual haveria evidência de que naquela data o Sr. Marcelo Bahia Odebrecht teria deixado de fazer parte dos quadros de diretores da CNO. Previamente, salientese que é de conhecimento público que o Sr. Marcelo Bahia Odebrecht tornouse presidente da holding ODEBRECHT S.A. desde 2008, a qual controla a CNO e também as demais empresas do grupo, conforme se pode confirmar no endereço do sitio do Grupo Odebrecht constante do Relatório Fiscal (fl. 2.720), bem como no ANEXO 12 do mesmo relatório (fls. 2.126 a 2.173), publicado em 2014, extraído do sitio da mencionada holding, cujo nome é “RA Odebrecht2014FINAL_PDF_site_PT” , onde se encontra um panorama do grupo, bem como informações sobre seus administradores. Alem disso, no relatório fiscal, na folha 2.733, há menção ao Processo Penal nº 501972795.2016.404.700015, também de domínio público, no qual o Sr. Marcelo Odebrecht foi denunciado por manter o funcionamento do Setor de Operações Estruturadas na Odebrecht (“setor estruturado”), que seria destinado especificamente à operacionalização e coordenação dos pagamentos sistemáticos de propina, tanto no Brasil como no exterior, cuja efetivação de tais pagamentos, segundo os procuradores, ocorriam com o intuito de ocultar a origem dos valores, bem como seus destinatários, dissimulando sua natureza ilícita. Com efeito, constatase que o Sr. Marcelo Bahia Odebrecht é o Diretor Presidente da Holding, tendo sob sua supervisão os Líderes Empresariais (LE) e os Diretores Empresariais (DE), os quais administram as diversas unidades de negócios do Grupo, entre elas a CNO. Ademais, os depoimentos dos executivos e exexecutivos da ODEBRECHT, inclusive os de Marcelo Odebrecht, descrevem em detalhes o mecanismo de pagamento de propinas do Grupo e o envolvimento do próprio Sr. Marcelo no esquema de funcionamento do chamado “setor estruturado”. Nesse sentido, o artigo 135 do CTN assim dispõe: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 3045DF CARF MF 6 (...) III os diretores, Gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.(grifado) No mesmo diapasão, o entendimento manifestado pela douta Procuradoria no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 toma por base a jurisprudência do STJ e externa as seguintes conclusões: (...) c) Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social; Na verdade, o Sr. Marcelo Bahia Odebrecht é o diretor de fato, pois, ainda que não seja diretor de direito era ele quem traçava a estratégia da CNO e, portanto, era ele quem liderava o esquema de pagamentos de propinas, cuja forma de operacionalização de tais pagamentos deu origem às autuações objeto de discussão nos presentes autos. Quanto à alegação de que a fiscalização não teria apontado os fatos que demonstrassem a ação do Sr. Marcelo Bahia Odebrecht nos fatos geradores em litígio, parece inadmissível cogitar que todos esses serviços não prestados e todos esses pagamentos fraudulentos ocorressem sem que o real administrador, criador de políticas, incluindo ai a política da propina no chamado “setor estruturado”, não soubesse de tudo. Na verdade, não só o Sr. Marcelo Bahia Odebrecht sabia de tudo, como tudo era feito sob suas ordens, uma vez que ele era o presidente da holding e mantinha o mencionado “setor estruturado”. Quanto à não juntada dos depoimentos citados pela impugnante, isso em nada macula a responsabilidade atribuída ao Sr. Marcelo Bahia Odebrecht, haja vista que tais depoimentos são públicos e de conhecimento de todos. Inclusive, tais depoimentos são desnecessários para o deslinde da questão da controvérsia no âmbito tributário, bem como em nenhum momento trouxeram prejuízo ou cerceamento ao seu direito de defesa. Justamente, por essa argumentação é que o Recorrente aponta inovação da acusação fiscal, tendo em vista que conforme por ele defendido a decisão recorrida introduziu fundamentação jamais formulada pela fiscalização para justificar a responsabilidade solidária, qual seja, a de que o Recorrente seria o administrador “de fato” da sociedade enquanto que no Termo de Verificação Fiscal de fls. , a acusação fiscal limitouse a apontar o Recorrente como responsável tributário com base no art. 135, III, do CTN, mediante a seguinte descrição: a) Marcelo Bahia Odebrecht, CPF nº 487.956.23515, administrador vinculado ao Grupo ODEBRECHT, com endereço à Rua Joaquim Cândido de Azevedo Marques, nº 750, Lote 19 Quadra3, Morumbi, CEP 05688020, São Paulo (SP). (sem grifo no orginal). A falta de maiores esclarecimentos fáticos quanto a forma com que esta "vinculação" teria sido caracterizada é que segundo o Recorrente teria cerceado seu direito a plena defesa e causadolhes prejuízos no exercício do contraditório pleno, posto que concentrou sua defesa na demonstração da inexistência da dita "vinculação" do recorrente à administração do Grupo ODEBRECHT, especificamente em relação à Construtora Norberto Odebrecht S/A. Como se vê, o i. Relator da r. decisão recorrida introduziu pela primeira vez a “tese” de que o Recorrente seria, “na verdade” o “diretor de fato” ou o “real administrador” da Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 16682.720944/201761 Acórdão n.º 1401003.094 S1C4T1 Fl. 3.044 7 CNO, “tese” esta jamais sustentada pelo i. fiscal autuante, que não só jamais afirmou que responsabilização do Recorrente se justificava por ser ele administrador de fato, como também sequer fez referência ao mencionado Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009. Assim, temos que o TVF sustenta a responsabilidade do Recorrente na acusação que ele seria administrador "vinculado" ao Grupo ODEBRECHT, sem descrever a maneira como acontecia essa vinculação, por outro lado, por sua vez a DRJ diz que o Sr. Marcelo Bahia Odebrecht é o diretor de fato, pois, ainda que não seja diretor de direito era ele quem traçava a estratégia da CNO e, portanto, era ele quem liderava o esquema de pagamentos de propinas, cuja forma de operacionalização de tais pagamentos deu origem às autuações objeto de discussão nos presentes autos o que não foi descrito pela acusação inicial, daí o prejuízo da defesa e o cerceamento configurado. Evidente a divergência de premissa adotada na acusação fiscal e a utilizada pela DRJ para manter o lançamento. Neste sentido: AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Acórdão 9303001.690 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE SANEAMENTO LANÇAMENTO. INOVAÇÃO. MUDANÇA CRITÉRIO JURÍDICO. É defeso à autoridade julgadora de primeira instância, em sua Decisão, complementar o Relatório Fiscal e/ou outro anexo da autuação, trazendo as normas legais e/ou novos elementos, critérios de apuração e/ou complementação da acusação fiscal, afora aqueles utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário e que serviram como fundamento ao lançamento fiscal, sob pena de afronta ao disposto no artigo 146 do Códex Tributário. Recurso Voluntário Provido. Acórdão 2401003.463 O cerceamento de defesa está caracterizado, justamente porque à recorrente só cabe defenderse dos fatos imputados na acusação fiscal representada no TVF e no Auto de Infração, não podendo lhe serem exigidos esforços além disso. Fl. 3047DF CARF MF 8 Contudo, verifico que além da questão preliminar que implicaria na nulidade da decisão recorrida, por alteração de critério jurídico da respectiva decisão, verifico que no mérito, não há como manter o lançamento no que diz respeito à responsabilização do Recorrente Marcelo Bahia Odebrecht. Neste caso, perfeitamente cabível a aplicação do §3o. do art. 59 do Decreto 70.235/72, segundo o qual: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. De modo que, seguindo a disposição legal acima, entendo por bem, superar as preliminares para analisar o mérito por entender que é possível prover o recurso do Recorrente. Mérito. Recorrente defendese da acusação de que seria pretenso “administrador vinculado ao Grupo ODEBRECHT”, o que justificaria a sua responsabilização em relação aos créditos tributários objeto de lançamento dos presentes autos de infração lavrados contra a CNO, sob o argumento de que teria se desligado em 2010 da Construtora Norberto Odebrecht S.A. (sociedade autuada), não exercendo qualquer cargo diretivo ou de gerência, nem desempenhando o papel de representante dessa sociedade. Neste contexto, relembro os argumentos do Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto na votação do Acórdão 1401003.046, de 12/12/2018, quando do julgamento da responsabilidade tributária dos solidários pelo pagamento dos crédito tributário lançado contra a empresa Galvão Engenharia S/A, também proferida em contexto essencialmente idêntico ao caso concreto, no qual em face de autuação contra empresa de construção civil (no caso Galvão Engenharia) efetuada em decorrência das investigações da Operação Lava Jato. Anota o Conselheiro que: "Não se pode exigir algum documento escrito para que se possa realizar a imputação da responsabilidade solidária com base no art. 135, III, do CTN. Os ilícitos praticados são do tipo que as pessoas simplesmente tomam todos os cuidados para não deixar possibilidade de rastreamento. Por isso é impraticável se exigir a apresentação de atos formais para responsabilizar os administradores da empresa. O conhecimento deste tipo de ato é inerente à direção da empresa posto que são atos que atendem a interesses maiores de atuação da empresa como um todo. Vejase, nenhum supervisor ou gerente de menor escalão da empresa poderia contratar e autorizar pagamentos vultosos sem o conhecimento da diretoria, isso simplesmente porque é incondizente com a realidade de controles que existem em grandes empresas que, por ter estrutura avantajada, detém processos de decisão e controles de modo a minorar as falhas, os desperdícios e evitar danos patrimoniais. Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 16682.720944/201761 Acórdão n.º 1401003.094 S1C4T1 Fl. 3.045 9 Por isso, querer fazer crer que a diretoria da empresa não tinha nenhum, repito, NENHUM, conhecimento sobre as irregularidades praticadas parece ser um entendimento ingênuo demais para que se possa acreditar". Concordo com o conselheiro, no que diz respeito à situação de que o excesso de exigências na produção da prova pode levar à sua inviabilidade, contudo, ainda que possa, a depender do contexto fático, ser dispensada a apresentação de atos formais para responsabilizar os administradores da empresa, era no mínimo necessária a descrição na acusação fiscal de quais atos, formais ou não, seriam suficientes a "vincular" a pessoa de Marcelo Odebrecht à ações caracterizadas como excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Ora, o artigo 135, III, do CTN, responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Tratase de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais. Ou seja, para a configuração de tal responsabilidade, é imprescindível que o auto de infração descreva especificamente a conduta praticada em excesso de poder ou de infração de lei ou contrato social e identifique o agente, no que o auto de infração em questão foi falho. A falha da acusação fiscal resta evidenciada pela própria decisão DRJ, que precisou socorrerse em demais elementos de prova, documentos que ela classificou como "depoimentos públicos e de conhecimento de todos", disponibilizados pelo Ministério Público em canal aberto, através da internet, para sustentar a manutenção do Recorrente como responsável solidário. Observo que a gravidade dos crimes e do esquema de pagamentos de propinas, cuja forma de operacionalização de tais pagamentos deu origem às autuações objeto de discussão nos presentes autos, escândalo que chocou o país, ainda que amplamente veiculado na mídia, com divulgação de documentos nos mais diversos canais, seja através de sites específicos na internet ou até em TV aberta de mais canais de imprensa, não podem ser interpretados como elementos suficientes a suplantar o requisito formal quanto à precisão que deve revestir a acusação fiscal. Neste sentido, oriento meu voto para, superar a nulidade e no mérito dar provimento ao recurso voluntário para excluir a responsabilidade tributária do Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Fl. 3049DF CARF MF 10 Fl. 3050DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720728/2012-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESERVAÇÃO DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS RECURSAIS INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. ALEGAÇÕES RECURSAIS GENÉRICAS. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA PELA DECISÃO HOSTILIZADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS E SUFICIENTES DO ACÓRDÃO RECORRIDO. DUPLO GRAU DO CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. PROIBIÇÃO DA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. VEDAÇÃO DE DISCUSSÃO DE MATÉRIA NÃO DECIDIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA.
O recurso voluntário interposto, apesar de ser de fundamentação livre e tangenciado pelo princípio do formalismo moderado, deve ser pautado pelo princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal genérico dos recursos. Isto exige que o objeto do recurso seja delimitado pela decisão recorrida havendo necessidade de se demonstrar as razões pelas quais se infirma a decisão. As razões recursais precisam conter os pontos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito, impugnando especificamente a decisão hostilizada, devendo haver a observância dos princípios da concentração, da eventualidade e do duplo grau de jurisdição. A ausência do mínimo de arrazoado dialético direcionado a combater as razões de decidir da decisão infirmada, apontando o error in procedendo ou o error in iudicando nas suas conclusões, acarreta o não conhecimento do recurso por ausência de pressuposto extrínseco de admissibilidade pertinente a regularidade formal. De igual modo, a preclusão, decorrente da não impugnação específica no tempo adequado, redunda no não conhecimento por ausência de pressuposto intrínseco de admissibilidade pertinente ao fato extintivo do direito de recorrer.
ABORDAGEM CONSTITUCIONAL E DE ILEGALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF N.º 2
É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de ilegalidade e/ou de inconstitucionalidade. O pleito de reconhecimento de inconstitucionalidade materializa fato impeditivo do direito de recorrer, não sendo possível conhecer o recurso neste particular. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2202-005.055
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, vencidos os conselheiros Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e José Alfredo Duarte Filho, que o conheciam.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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PRESERVAÇÃO DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS RECURSAIS INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. ALEGAÇÕES RECURSAIS GENÉRICAS. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA PELA DECISÃO HOSTILIZADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS E SUFICIENTES DO ACÓRDÃO RECORRIDO. DUPLO GRAU DO CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. PROIBIÇÃO DA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. VEDAÇÃO DE DISCUSSÃO DE MATÉRIA NÃO DECIDIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. O recurso voluntário interposto, apesar de ser de fundamentação livre e tangenciado pelo princípio do formalismo moderado, deve ser pautado pelo princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal genérico dos recursos. Isto exige que o objeto do recurso seja delimitado pela decisão recorrida havendo necessidade de se demonstrar as razões pelas quais se infirma a decisão. As razões recursais precisam conter os pontos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito, impugnando especificamente a decisão hostilizada, devendo haver a observância dos princípios da concentração, da eventualidade e do duplo grau de jurisdição. A ausência do mínimo de arrazoado dialético direcionado a combater as razões de decidir da decisão infirmada, apontando o error in procedendo ou o error in iudicando nas suas conclusões, acarreta o não conhecimento do recurso por ausência de pressuposto extrínseco de admissibilidade pertinente a regularidade formal. De igual modo, a preclusão, decorrente da não impugnação específica no tempo adequado, redunda no não conhecimento por ausência de pressuposto intrínseco de admissibilidade pertinente ao fato extintivo do direito de recorrer. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 07 28 /2 01 2- 69 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10530.720728/201269 Acórdão n.º 2202005.055 S2C2T2 Fl. 209 2 ABORDAGEM CONSTITUCIONAL E DE ILEGALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF N.º 2 É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de ilegalidade e/ou de inconstitucionalidade. O pleito de reconhecimento de inconstitucionalidade materializa fato impeditivo do direito de recorrer, não sendo possível conhecer o recurso neste particular. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, vencidos os conselheiros Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e José Alfredo Duarte Filho, que o conheciam. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 190/205), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 181/183), proferida em sessão de 21/08/2013, consubstanciada no Acórdão n.º 1443.960, da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação (efls. 151/165), mantendo integralmente o crédito tributário lançado, cujo acórdão de impugnação restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ARGUIÇÃO. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10530.720728/201269 Acórdão n.º 2202005.055 S2C2T2 Fl. 210 3 Não será conhecida a impugnação fundamentada exclusivamente na inconstitucionalidade de lei, vez que a instância administrativa não dispõe de competência para apreciar questões dessa índole. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Do lançamento fiscal A essência e as circunstâncias do lançamento fiscal, com auto de infração efetivado em 08/02/2012 (efls. 02/17), notificado em 22/02/2012 (efl. 147), no Procedimento Fiscal n.º 0510200.2011.00419, DEBCAD 37.330.0450, 37.330.0468 e 37.330.0476, com fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 a 31/12/2008, cujo crédito tributário total constituído foi de R$ 487.407,89 (efl. 18), foram bem delineadas e sumariadas no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotálo: Tratase de processo lavrado pela fiscalização em 08/02/2012 e levado à ciência do contribuinte em 22/02/2012, incluindo os seguintes AutosdeInfração (AI): Debcad 37.330.0468 – destinado ao lançamento da contribuição devida pelo produtor rural pessoa jurídica, incidente sobre a comercialização da produção rural própria, nos termos do artigo 25 da Lei n.º 8.870/94, na redação dada pela Lei n.º 10.256/2001, no valor de R$ 430.100,53 (quatrocentos e trinta mil, cem reais e cinquenta e três centavos), incluindo o valor principal, juros e multas de ofício e de mora. Debcad 37.330.0476 – destinado ao lançamento da contribuição ao SENAR incidente sobre a comercialização da produção rural própria, no valor de R$ 41.136,16 (quarenta e um mil, cento e trinta e seis reais e dezesseis centavos) incluindo o valor principal, juros e multa de mora. Debcad 37.330.0450 referente ao descumprimento da obrigação tributária acessória de declarar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas, conforme previsto no artigo 32, IV, e § 5.º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, IV, e § 4.º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Foi aplicada a multa no valor de R$ 16.171,20 (dezesseis mil, cento e setenta e um reais e vinte centavos), prevista no artigo 32, § 5.º, da Lei n.º 8.212/91 e artigos 284, II, e 373 do RPS. A fiscalização abrange o período de 01/2008 a 12/2008 e os fatos geradores foram apurados com base na contabilidade da empresa, cotejada com as notas fiscais de saída, e referemse a comercialização no mercado interno de soja produzida pela autuada. Da Impugnação O contencioso administrativo teve início com a impugnação efetivada pelo recorrente, em 20/03/2012, a qual pretendeu delimitar os contornos da lide instaurando a matéria controvertida. Conforme consta no relatório da decisão vergastada, em suma, o ora recorrente, naquela ocasião impugnante, apresentou na impugnação teses arguindo unicamente Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10530.720728/201269 Acórdão n.º 2202005.055 S2C2T2 Fl. 211 4 a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que fundamentam as contribuições lançadas e as multas aplicadas. Do Acórdão de Impugnação A impugnação não foi conhecida pela DRJ, primeira instância do contencioso fiscal, eis, em síntese, nas palavras do juízo a quo, as razões de decidir do meritum causae: A impugnação apresentada não atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, não deve ser conhecida. A autuada aduz que o artigo 25 da Lei n.º 8.870/94 contempla para as contribuições previdenciárias a mesma base de cálculo do PIS/COFINS, ensejando bitributação e representando um indevido alargamento da base de cálculo. Entende ainda que essa situação caracteriza afronta aos princípios constitucionais da igualdade, isonomia e proporcionalidade. Também alega que a multa aplicada possui caráter confiscatório. Considerandose que tanto as contribuições lançadas quanto as multas aplicadas estão fundamentadas em dispositivos legais vigentes, as alegações da impugnante contrapostas a estas normas representam arguições de inconstitucionalidade. A respeito, não cabe à Administração Pública deixar de aplicar a legislação vigente, pois, toda atividade administrativa passase na esfera infralegal e as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legislador competente, gozam de presunção de constitucionalidade e legalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. É oportuno registrar que a atribuição dos julgadores da esfera administrativa está limitada a afastar a aplicação apenas de leis e atos normativos excluídos do ordenamento jurídico, nos termos dispostos na Portaria RFB 10.875, de 16 de agosto de 2007 (publicada no DOU 24/08/2007) em seu artigo 18 e no Decreto n.º 70.235/72, artigo 26A, introduzido pela Medida Provisória 449/2008, convertida pela Lei 11.941/2009. Assim, a análise da inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação vigente esbarra na impossibilidade deste órgão julgador administrativo apreciar questões desta índole e representa óbice ao conhecimento da impugnação apresentada, cujo conteúdo limitase a questões dessa natureza. Pelo exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO, com a manutenção do crédito tributário lançado. Do Recurso Voluntário No recurso voluntário, interposto em 05/11/2014, o sujeito passivo postula considerar insubsistente a autuação, desconstituindose o crédito tributário lançado e seus acréscimos, julgando improcedente o auto de infração Debcad's ns.º 37.330.0450, 37.330.046 8 e 37.330.0476 e/ou ser reduzida a multa de 75% imposta para no máximo 30%. Para tanto, em síntese, o recorrente alega em suas razões: a) Insubsistência da autuação por violações constitucionais; Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10530.720728/201269 Acórdão n.º 2202005.055 S2C2T2 Fl. 212 5 b) Inaplicabilidade do art. 25 da Lei n.º 8.870, de 1994 (Empregadores Rurais Pessoas Jurídicas), por violações constitucionais; c) Inaplicabilidade dos §§ 1.º e 2.º do art. 245 da Instrução normativa n.º 3, de 2005, da Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social (Exportações Indiretas via empresas comerciais exportadoras), por violações constitucionais e, consequentemente, violação legal; d) Multa de caráter confiscatório, por força constitucional, autorizandose a sua redução. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator, em data de 12/02/2019. Observo nos autos que consta termo de apensação certificando ter sido apensado a este caderno processual o Processo n.º 10530.720730/201238 (efls. 149), que trata da lavratura de representação para fins penais, no entanto, neste particular, conforme dispõe a Súmula CARF n.º 28, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário, em sua íntegra, não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e, igualmente, não atende a todos os pressupostos de admissibilidade extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, não devendo ser conhecido. Explico. O recurso se apresenta tempestivo (ciência em 22/10/2014, efl. 189, e protocolo recursal em 05/11/2014, efl. 190, além do despacho de encaminhamento, efl. 207), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal. Inexiste necessidade de preparo, sendo inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo (Súmula Vinculante n.º 21, do STF), demais disto a interposição do recurso voluntário resulta na automática suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na forma do art. 151, III, do Código Tributário Nacional ― CTN, e estes efeitos se propagam até que se tenha uma decisão administrativa final irrecorrível. Observo, ainda, que o recurso é cabível por estar disposto em lei, verifico o interesse recursal por haver sucumbência do recorrente e adequação no manejo recursal escolhido, igualmente constato que a recorrente detém legitimidade e identifico correção na representação processual, inclusive contando com advogado regularmente constituído, de toda sorte, registrese que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10530.720728/201269 Acórdão n.º 2202005.055 S2C2T2 Fl. 213 6 fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. No entanto, constato que não foi atendido o pressuposto extrínseco de admissibilidade pertinente a "regularidade formal", ainda que esta seja bastante relativizada no processo administrativo fiscal por se aplicar o princípio do formalismo moderado, mas isto não é sinônimo de desnecessidade de ser apresentado o mínimo de arrazoado dialético para combater as razões de decidir da decisão recorrida. A questão é que não se observa no recurso uma só linha impugnando especificamente o conteúdo decisório da decisão de primeira instância, para apontar o error in procedendo ou o error in iudicando nas conclusões da decisão atacada e, então, fundamentar, o mínimo possível, o motivo para reforma ou nulidade da decisão guerreada. Vejase que a decisão vergastada decidiu pelo "NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO", uma vez que a impugnação não atendia aos requisitos de sua admissibilidade, tendo em vista que o recorrente pretendia o reconhecimento de inconstitucionalidades nas normas que amparam o lançamento em comentário, sendo pontuado pelo julgador de piso que "não cabe à Administração Pública deixar de aplicar a legislação vigente, pois, toda atividade administrativa passase na esfera infralegal e as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legislador competente, gozam de presunção de constitucionalidade e legalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade" e que "a atribuição dos julgadores da esfera administrativa está limitada a afastar a aplicação apenas de leis e atos normativos excluídos do ordenamento jurídico" e que "a análise da inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação vigente esbarra na impossibilidade deste órgão julgador administrativo apreciar questões desta índole e representa óbice ao conhecimento". Em nenhum momento do recurso voluntário o recorrente adentra na temática "não conhecimento da impugnação" para atacar, seja por error in procedendo, seja por error in iudicando, onde estaria o equívoco no julgamento proferido pela decisão de piso para autorizar o conhecimento do recurso voluntário, ocasião em que se analisaria se foi acertada, ou errada, a decisão de primeira instância. O mero protocolo de recurso voluntário, com várias razões outras, todas diversas da ratio decidendi da decisão hostilizada, sem elementos inteligíveis para obviar o contraditório em relação ao quanto decidido na forma das razões da primeira instância, não permite conhecer o recurso voluntário. Não tendo a decisão recorrida conhecido à impugnação por buscar aquela declarações de inconstitucionalidade e, noutro ponto, ter o recurso voluntário apresentado temáticas de constitucionalidade, sem enfrentar o não conhecimento (sem explicar o porquê da impugnação dever ser conhecida; apenas tratando, novamente, de temáticas constitucionais), não é suficiente para satisfazer a admissibilidade, como alguns poderiam eventualmente suscitar. Limitandose o recurso voluntário a repisar os fundamentos desenvolvidos na impugnação, que não foi conhecida pela primeira instância, não merece ser objeto de conhecimento também o recurso voluntário, por completa ofensa ao princípio da dialeticidade, uma vez que não infirma as conclusões do não conhecimento da impugnação que está assentada em fundamento autônomo e suficiente. Deveria explicar o motivo pelo qual entende que a decisão é equivocada ao não conhecer da impugnação, Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10530.720728/201269 Acórdão n.º 2202005.055 S2C2T2 Fl. 214 7 para, então, pedir a nulidade e retorno dos autos a instância a quo. O recorrente não agiu desta forma. Afinal, o recorrente tem o ônus da impugnação específica, devendo apresentar seus pontos de discordância e os motivos de fato e de direito, considerando não infirmada a matéria não expressamente tratada, conforme dispõe o inciso III do art. 16 e o art. 17 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que regem a impugnação, mas que também são aplicados ao recurso voluntário, na fase recursal, por serem normas gerais do processo administrativo fiscal. Portanto, não foi atendido o pressuposto extrínseco de admissibilidade pertinente a "regularidade formal". Aliás, esta premissa também tem por base o princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal genérico dos recursos. De mais a mais, observo, ainda, agora sob a ótica dos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, que há fatos impeditivos e mesmo extintivos do direito de recorrer, o que, de igual sorte, resulta no não conhecimento do Recurso Voluntário. É que verifico "preclusão" e, outrossim, "pretensão de declaração de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de lei pelo CARF". Estes se caracterizam como fatos impeditivo e extintivo do direito de recorrer. Não tendo sido impugnada a razão de decidir da decisão vergastada ocorre a preclusão. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento. Assim, não é possível à instância superior o conhecimento de quaisquer outras temáticas do recurso voluntário, não decididas pela primeira instância, para evitar supressão de instância. Como se percebe, o juízo de piso não adentrou no mérito da autuação, no mérito do lançamento, tampouco adentrou no mérito das temáticas constitucionais para que pudesse haver a devolutividade da matéria para este Egrégio Conselho quanto a estas temáticas. Portanto, não houveram pronunciamentos para tais matérias e, por sua vez, o recorrente não se insurgiu quanto ao não conhecimento destas matérias, deixando precluir o seu direito de impugnar o não conhecimento. O recorrente unicamente apresentou teses de mérito reeditadas da impugnação para que, agora, sejam conhecidas diretamente pelo Egrégio Conselho, o que resultaria em supressão de instância. Nesse sentido, o CARF tem decidido por não conhecer de matérias que não tenham condições de serem devolvidas a sua apreciação, por ausência de pronunciamento da DRJ, a fim de evitar, inclusive, a chamada "supressão de instância", a teor da ratio decidendi colhida nos precedentes constantes dos Acórdãos ns.º 1002000.355, 1002000.399, 1002000.103 e 1002000.084, todos de minha relatoria, mas unânimes neste particular, lavrados em sessão de julgamento quando integrei a 2.ª Turma Extraordinária da 1.ª Seção de Julgamento. A competência do CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", tendo índole revisional a partir da dialética estabelecida entre decisão impugnada e recurso veiculado, de forma que não se aprecia a matéria não decidida ou não não recorrida. Se não houve o apontamento daquela matéria necessária para possibilitar o debate recursal ocorreu a preclusão consumativa. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, ele tem que analisar o que foi decidido por ela, caso contrário, estar seia, inclusive, diante de uma evidente supressão de instância, eis a questão. Se a DRJ Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10530.720728/201269 Acórdão n.º 2202005.055 S2C2T2 Fl. 215 8 eventualmente errou em seu julgamento, deixando de se pronunciar sobre temas necessários ao debate, caberia ao recorrente requerer a anulação do julgamento da decisão de piso, apresentando o mínimo de razões quanto ao error in procedendo. Ainda no mesmo prisma, a pretensão de declaração de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de lei pelo CARF resulta, de modo idêntico, no não conhecimento do recurso voluntário, por fato impeditivo e extintivo do direito de recorrer. Isto porque, este Egrégio Conselho não pode adentrar no controle de constitucionalidade das leis, somente outorgada esta competência ao Poder Judiciário, devendo o CARF se ater a observar o princípio da presunção da constitucionalidade das normas legais, exercendo, dentro da devolutividade que lhe competir frente a decisão de primeira instância com a dialética do recurso interposto, o controle de legalidade do lançamento para observar se o ato se conformou ao disposto na legislação que estava em vigência por ocasião da ocorrência dos fatos, não devendo abordar temáticas de constitucionalidades, salvo em situações excepcionais quando já houver pronunciamento definitivo do Poder Judiciário sobre dado assunto, ou se eventualmente houvesse dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n.º 10.522, de 2002, ou súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n.º 73, de 1993, ou pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n.º 73, de 1993. Não há situação excepcional nestes autos e o caso sequer é de conhecimento. Ora, o requerente pretende o reconhecimento de inconstitucionalidades, não reconhecidas de forma vinculativa pelo Poder Judiciário, sendo que no relatório restou claro as temáticas e pretensões postas. Pasmem, o assunto é sumulado administrativamente, a teor da Súmula CARF n.º 2, sendo pacificado o entendimento de que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Outrossim, o art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei 11.941, de 2009, enuncia que, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Deveras, é vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de alegada ilegalidade de lei e/ou de inconstitucionalidade de lei. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro da devolutividade que lhe competir frente a decisão de primeira instância com a dialética do recurso interposto, analisa a conformidade do ato da administração tributária em parâmetro com a legislação vigente, observa se o ato administrativo de lançamento atendeu seus requisitos de validade, se o ato observou corretamente os elementos da competência, da finalidade, da forma, os motivos (fundamentos de fato e de direito) que lhe dão suporte e a consistência de seu objeto, sempre em dialética com as alegações postas em recurso, observandose a matéria devolvida para a apreciação na instância revisional, não havendo permissão para declarar ilegalidade de lei e/ou a sua inconstitucionalidade, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário este controle. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10530.720728/201269 Acórdão n.º 2202005.055 S2C2T2 Fl. 216 9 Logo, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, mantenho íntegra a decisão recorrida não conhecendo do Recurso Voluntário. Dispositivo Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 216DF CARF MF
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Numero do processo: 13701.000937/2001-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL.
Deve ser mantida a infração apurada se reflete com perfeição a verdade material.
CONHECIMENTO DE OFÍCIO. MATÉRIA VINCULANTE. ENUNCIADO CARF nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2402-007.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário e, de oficio, aplicar o disposto na Súmula CARF nº 73, excluindo do lançamento a multa de ofício de 75%.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. Deve ser mantida a infração apurada se reflete com perfeição a verdade material. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. MATÉRIA VINCULANTE. ENUNCIADO CARF nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
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VERDADE MATERIAL. Deve ser mantida a infração apurada se reflete com perfeição a verdade material. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. MATÉRIA VINCULANTE. ENUNCIADO CARF nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário e, de oficio, aplicar o disposto na Súmula CARF nº 73, excluindo do lançamento a multa de ofício de 75%. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 1. 00 09 37 /2 00 1- 19 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13701.000937/200119 Acórdão n.º 2402007.060 S2C4T2 Fl. 95 2 Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1316.746, da 1ª Turma da DRJ/RJOII, com o seguinte dispositivo: Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento. São os seguintes os termos do relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de impugnação contra o crédito tributário constituído mediante Auto de Infração (fls. 02 a 04) lavrado contra a pessoa física em epígrafe relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 2000, anocalendário 1999, que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao mencionado período de imposto a restituir no valor de R$ 2.020,14 para imposto suplementar de R$ 2.035,27. Este valor acrescido de multa de oficio e juros de mora perfaz crédito tributário da ordem de R$ 4.067,07. O lançamento originouse de procedimento de revisão interna da declaração original (ND 24.022.178) entregue pelo contribuinte em 16/03/2000 (fls. 12 a 14), no qual foi apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, conforme "Demonstrativo das Infrações" à fl. 04. Cientificado do lançamento em 12/12/2001, segundo Aviso de Recebimento (AR) à fl. 23, o interessado apresentou peça impugnatória (fl. 01), datada de 27/12/2001, na qual nega a ocorrência da infração tributária a ele imposta, alegando que o valor considerado omitido, no montante de R$ 16.300,00, lhe fora pago pela FUNDAÇÃO COPPETEC, CNPJ 72.060.999/000175, a título de bolsa acadêmica, configurando se, pois, como rendimento isento, tal como consigna o Comprovante de Rendimentos apenso à fl. 05. Todavia, denotase que em informação prestada a este órgão mediante entrega de Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), a fonte pagadora não corroborou as informações prestadas ao recorrente (fl. 26). A documentação inicialmente acostada aos autos foi considerada insuficiente para esclarecer a mencionada divergência, situação esta motivadora da realização da di1igência nº 357/2006 às fls. 27 e 28. Em seu recurso voluntário, o recorrente argumenta ter apresentado declaração compatível com as informações fornecidas pela COPPETEC, que registrava se tratar de bolsa Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13701.000937/200119 Acórdão n.º 2402007.060 S2C4T2 Fl. 96 3 de ensino, que não tem culpa se a fonte pagadora apresentou informação equivocada ao fisco e reitera as alegações quanto ao erro na declaração. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. Como registrado pelo acórdão recorrido: "o procedimento de oficio lastreiase na comparação entre as informações prestadas pelo contribuinte e pela fonte pagadora a este órgão. Assim, é de se notar que o recorrente figura como beneficiário de rendimentos em DIRF de duas fontes pagadoras: UNIÃO DE BANCOS BRASILEIROS S/A (UNIBANCO) e FUNDAÇÃO COPPETEC. Comprovase que a DTRF entregue pela fonte pagadora FUNDAÇÃO COPPETEC, mesmo após retificação, atesta como percebido pelo interessado rendimentos tributáveis da ordem de R$ 40.705,00, com retenção correlata de R$ 3.127,63. Estes valores foram identificados pelo Ente Fiscal e acrescidos às informações prestadas em declaração na forma de apuração de omissão de rendimentos. Todavia, em comprovante de rendimentos emitido ao contribuinte (fl. 05), esta fundação desmembrou os rendimentos informados em DIRF da seguinte maneira: R$ 24.405,00, rendimentos tributáveis, e R$ 16.300,00, rendimentos isentos ou nãotributáveis, qualificandoos como bolsa de estudos, montantes estes devidamente espelhados em Declaração de Ajuste Anual entregue pela parte autora. Nos termos do art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Portanto, verificase que o recorrente prestou ao Fisco as informações tal qual recebera da fonte pagadora e, em se tratando de bolsa de estudos, conforme dispositivo supra transcrito, tratase de rendimento isento e não tributável. Em decorrência disso, foi realizada diligência junto à fonte pagadora, que Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13701.000937/200119 Acórdão n.º 2402007.060 S2C4T2 Fl. 97 4 "resultou na confirmação dos dados contidos em DIRF, com negativa de pagamento de rendimentos isentos ou não tributáveis ao impugnante. À frente do resultado da diligência e do silêncio do autor após ciência desta, esta instância administrativa, a quem importa a busca pela verdade material afeta ao lançamento, não pode furtarse de considerar legítimo o procedimento de oficio e o ato administrativo apurador da infração tributária. Em diligência, aditou ainda a fonte pagadora ter incorrido em erro ao deixar de reter o imposto de renda referente aos meses de janeiro a maio do anocalendário de 1999 sob os valores pagos ao interessado, e diz têlo feito em 12/02/2007 conforme Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) apensos às fls. 34 a 38." Em decorrência do apurado, a decisão recorrida registrou que a não retenção de imposto de renda em época própria pela fonte pagadora nos remete ao conteúdo do Parecer Normativo nº 1, de 24 de setembro de 2002, publicado no Diário Oficial da União (DOU) de 25/09/2002, reproduzido pelo relator: IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de oficio e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de oficio e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de oficio Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13701.000937/200119 Acórdão n.º 2402007.060 S2C4T2 Fl. 98 5 e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. (...) Responsabilidade tributária na hipótese de nãoretenção do imposto 12. Como o dever do contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação surge tãosomente na declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, ao se atribuir à fonte pagadora a responsabilidade tributária por imposto não retido, é importante que se fixe o momento em que foi verificada a falta de retenção do imposto: se antes ou após os prazos fixados, referidos acima. 13. Assim, se o fisco constatar, antes do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, que a fonte pagadora não procedeu à retenção do imposto de renda na fonte, o imposto deve ser dela exigido, pois não terá surgido ainda para o contribuinte o dever de oferecer tais rendimentos à tributação. Nesse sentido, dispõe o art. 722 do RIR/1999, verbis: "Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (DecretoLei n 2 5.844, de 1943, art. 103)." 13.1. Nesse caso, a fonte pagadora deve arcar com o ônus do imposto, reajustando a base de cálculo, conforme determina o art. 725 do RIR/1999, a seguir transcrito. "Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº 4.154, de 1962, art. 52 e Lei nº 8.981, de 1995, art. 63, § 2º)." 14. Por outro lado, se somente após a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, for constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte. Com efeito, se a lei exige que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos, a partir das datas referidas não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13701.000937/200119 Acórdão n.º 2402007.060 S2C4T2 Fl. 99 6 Como se pode verificar no próprio informe de rendimentos juntado pelo recorrente (fls. 84), sobre a parcela informada como isenta, não houve retenção, portanto, está correta a decisão recorrida. Em seu recurso, como já fizera na impugnação, o recorrente junta uma série de DARF's da fonte pagadora alegando que se referem ao recolhimento dos referidos tributos. Como bem observado pelo acórdão recorrido, vencido o prazo e não realizada a retenção, o recolhimento posterior não pode ser aproveitado para a finalidade pretendida. Em que pese o recorrente não tenha tratado do tema, considerando ser entendimento pacífico e vinculante deste tribunal, aplicável ao presente caso, tendo em vista que inquestionavelmente a fonte pagadora o induziu a erro, apesar desse fato não afatar a obrigação tributária, é excludente de penalidade de multa de oficio de 75%, nos termos do enunciado nº 73 da súmula da jurisprudência deste tribunal, que entendo deva ser afastada. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário e, de oficio, aplicar o enunciado nº 73 da súmula da jurisprudência deste tribunal, excluindo do lançamento a multa de ofício de 75%. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.900199/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004.
Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.
Numero da decisão: 3201-004.941
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NA REVENDA. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente DIBEM DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS MARANHENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 01 99 /2 01 1- 70 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10320.900199/201170 Acórdão n.º 3201004.941 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de pedido de ressarcimento de COFINS mercado interno. A DRF em São Luís, por intermédio de Despacho Decisório, indeferiu o pleito alegando impossibilidade de confirmar a existência do direito creditório, tendo em vista que a interessada, mesmo intimada, não apresentou Dacon contendo informações do período de apuração do crédito pleiteado. Adotou por fundamento legal os arts. 39 e 40 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade argumentando que agiu de boafé quando transmitiu o Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS e Cofins, com amparo no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. E que a falta de preenchimento do Dacon, à época, se deu por situações alheias a sua vontade. A DRJ/Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação declarada, nos termos do Acórdão 06050.494. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. OBRIGATORIEDADE DA APRESENTAÇÃO DO DACON. Cabe ao sujeito passivo o ônus de comprovar a existência do direito creditório, demonstrando a base de cálculo dos créditos aproveitados, vinculados aos respectivos elementos de prova, podendo a autoridade administrativa condicionar o reconhecimento dos créditos à apresentação de documentos, escrituração fiscal ou informações que julgar necessárias. COFINS. MERCADO INTERNO. VENDAS A VAREJO E NO ATACADO DE BEBIDAS E REFRIGERANTES. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, realizadas por comerciantes atacadistas e varejistas de bebidas e refrigerantes, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito de aquisições, nas vendas submetidas à incidência monofásica, desde a sua definição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10320.900199/201170 Acórdão n.º 3201004.941 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação declarada. Suscita que a manutenção dos créditos de PIS/Cofins na escrita fiscal tem respaldo no art. 17 da Lei 11.033/04. Aduz que o fato de as aquisições serem efetuadas com alíquota zero não impede o creditamento dessas Contribuições. Por ser tal norma posterior, que regulamenta a mesma matéria, revogou o art. 3º, I, b da Lei nº 10.833/03. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.933, de 25/02/2019, proferido no julgamento do processo 10320.900191/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.933): "(...) O litígio, conforme pontuado pela decisão recorrida, versa sobre o indeferimento no despacho decisório de direito creditório (ressarcimento/compensação) em razão da impossibilidade de análise do crédito pleiteado em face da omissão da contribuinte na entrega de Dacon. Todavia, o fundamento da DRJ para negativa ao pleito, contrapondo as razões arguidas na manifestação de inconformidade, foi de que as saídas por revenda de produtos da contribuinte (bebidas e refrigerantes) inseremse no regime de tributação concentrada (na indústria) com alíquota zero em suas operações e, portanto, vedada a apropriação de crédito de PIS/Cofins a teor do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. A recorrente insiste que o art 17 da Lei nº 11.033/04 revogou os dispositivos que vedam o crédito de que trata o referido art. 3º, mantendo, assim, os créditos apurados. A solução do litígio cingese, então, acerca da possibilidade ou não da apuração e manutenção de crédito nas aquisições de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas, classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 da TIPI, pela recorrente Não há controvérsia nos autos sobre a vedação do créditos ns aquisições da recorrente nos termos do art. 3º, I, b, das referidas Leis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10320.900199/201170 Acórdão n.º 3201004.941 S3C2T1 Fl. 5 4 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b no § 1o do art. 2o desta Lei.” A divergência entre a decisão recorrida e a contribuinte é acerca da possibilidade de manutenção dos créditos nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/04. Destarte, a solução do litígio é decidir quanto à aplicação no caso dos autos da vedação de crédito expressa nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 frente ao disposto no art. 17. A matéria foi tratada com acurada análise no voto condutor do Acórdão nº 3401 003.517, de lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan, sessão de 25/04/2017, sobre fatos ocorridos no mesmo período do presente processo, que ao final conclui pela natureza interpretativa do art. 17 da Lei nº 11.033/04, além de que se trata de uma lei geral, na trazendo nenhuma disposição nova e mais específica que as constantes nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Assim, adoto as razões de decidir naquele Acórdão fazendo meus fundamentos na situação dos autos, o que peço vênia para reproduzilas: " Da natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 No próprio despacho decisório, destaca a autoridade fiscal que o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 trata de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Por outro lado, a recorrente dispõe que a Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38), veio a corrigir situação desigual entre os diferentes elos da cadeia produtiva automobilística, que, de fato, não é monofásica, mas com um dos elos sujeitos à alíquota zero. Sobre o correto emprego do termo “monofásico”, é de se informar que a legislação aqui já transcrita não se preocupou efetivamente em definilo, precisamente, mas expressamente estabeleceu vedação ao desconto de créditos em relação a determinadas situações (sejam elas ou não “monofásicas”, na acepção restrita do termo, defendida pela recorrente) previstas em lei, entre as quais a Lei no 10.485/2002, na qual indiscutivelmente se enquadram as operações da recorrente. Assim, é irrelevante ao deslinde do presente contencioso a discordância terminológica, visto que as menções da lei não são simplesmente a operações monofásicas, mas a operações expressamente previstas em determinadas leis, entre as quais aquela na qual se enquadra a situação da operação realizada pela recorrente. Aliás, o termo “monofásica” aparece uma única vez na Lei no 10.833/2003, no artigo 12, § 7o (que trata do desconto correspondente ao estoque de abertura). E basta a leitura de tal parágrafo para que se perceba que o legislador não teve a mesma visão restritiva do termo albergada pela recorrente: “§ 7o O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7o a 9o do art. 3o desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição.” (grifo nosso) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10320.900199/201170 Acórdão n.º 3201004.941 S3C2T1 Fl. 6 5 Portanto, as discussões suscitadas pela recorrente em relação a monofasia, ou à sistemática de apuração das contribuições, assumem reduzida importância diante dos textos expressos dos comandos legais, que indiscutivelmente vedavam o desconto de créditos para as operações em análise, textos legais esses que não podem ser afastados pelo julgador administrativo em função de eventuais inconstitucionalidades apontadas pela empresa, como aqui já destacado. Resta, assim, à defesa, um único argumento que não esbarraria na discussão sobre a constitucionalidade das vedações existentes, de que teria a Lei no 11.033/2004, resultante da conversão da Medida Provisória no 206/2004, efetivamente criado uma nova hipótese de desconto de crédito, derrogando a existente nas leis de regência das contribuições. Sobre a alegação, cabe salientar que, em 09/08/2004 foi publicada a Medida Provisória no 206/2004 (vigente a partir de 09/08/2004), que, em seu art. 16, dispôs: “Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” A Exposição de Motivos da Medida Provisória (EM No 00111/2004 MF) parece não deixar dúvidas sobre o caráter declaratório (e não constitutivo) do comando: “19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”(sic) (grifo nosso) Não se cria obrigação, assim, com o art. 16, nem se derroga eventual vedação existente nas leis de regência das contribuições. Apenas se garante a “manutenção” (palavra essa que já sugere o caráter interpretativo do comando) dos créditos vinculados, já se destacando que a “manutenção” do crédito pressupõe a prévia existência do direito ao crédito. E isso decorre claramente da conclusão lógica/semântica de que é impossível “manter” aquilo que não se tem. E, com a publicação da Lei no 11.116, de 18/05/2005 (vigente a partir de 19/05/2005), também não há revogação de vedação ou alteração substancial no direito de crédito previsto nas leis de regência das contribuições. Já enfrentamos o tema em mais de uma oportunidade, chegando a entendimento consolidado no sentido de que: “Sintetizando nosso entendimento: é possível a apuração de créditos previstos nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 em relação a insumos tributados na aquisição (ainda que a saída do produto final esteja sujeita a alíquota zero), cabendo apenas observar se tal direito de crédito não encontra óbice nas vedações estabelecidas no corpo das próprias leis (v.g. inciso II do § 2o do art. 3o). E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004), que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldocredor acumulado no trimestre.” (grifo nosso) (Acórdão no 3403003.488, Rel. Cons. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10320.900199/201170 Acórdão n.º 3201004.941 S3C2T1 Fl. 7 6 Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao entendimento em apreço, sessão de 27 jan. 2015) No mesmo sentido, de que não houve revogação de vedação a direito de crédito existente nas leis de regência pela Lei no 11.033/2004, em casos de revendedora de veículos e autopeças, já decidiu unanimemente este tribunal administrativo: “COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDEDORA DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de máquinas e veículos relacionados no art. 1º da Lei 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS e da Cofins,, dada a expressa vedação, consoante o art. 3o , inciso I, alínea "b”” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, respectivamente. A previsão contida no art. 17 da Lei n° 11.033/04 tratase de regra geral não se aplicando nos casos de tributação monofásica por força da referida vedação legal.” (grifo nosso) (Acórdãos n. 3801004.111 a 139, todos unânimes, Rel. Cons. Marcos Antonio Borges, sessão de 19 ago. 2014) “DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e COFINS, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.” (Acórdão n. 3302002.272, unânime, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, sessão de 21 ago. 2013) Em síntese, a falta de uniformidade sobre o que se designa exatamente como “monofásico” é absolutamente marginal diante das vedações, que remetem a dispositivos legais, e não à “monofasia”, em geral. E a Lei no 11.033/2004 não afetou a vigência de tais vedações, previstas nas leis de regência das contribuições. Não socorre a recorrente, a nosso ver, então, a tese de que a Lei no 11.033/2004 teria revogado dispositivos legais que vedavam o aproveitamento de créditos, nas leis de regência das contribuições. A Lei no 11.033/2004 não traz disposição “mais específica” que as constantes nas leis de regência, mas disciplina adicional a elas, com caráter explicativo, e não derrogador de disposição legal expressa, não sendo difícil concluir que a palavra “manterão”, nem de longe, parece ter o condão de transformar vedação expressa em permissão. Derradeiramente, adicionese que as disposições constantes em medidas provisórias diversas, e que não foram convertidas em lei, relacionadas pela recorrente, não se prestam a formar conclusões a contrário senso. O complexo processo que leva à não conversão de medidas provisórias em lei (de concordância parcial, discordância, desnecessidade, irrelevância, inadequação redacional, entre outros) não pode ser simploriamente resumido à conclusão de que cada comando da MP não convertida em lei deveria ser interpretado como comando legal vigente com a redação oposta. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10320.900199/201170 Acórdão n.º 3201004.941 S3C2T1 Fl. 8 7 Ressaltase, ainda, que o creditamento nos casos em que a saída é tributada à alíquota zero como a revenda de produtos tributados de forma concentrada implicaria verdadeira isenção (posicionamento jurisprudencial dos tribunais superiores), sendo ilógico assegurarlhe crédito, quando inexiste disposição expressa e específica em Lei. Por fim, há posicionamentos da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça que mantém, em seus precedentes, a impossibilidade de aproveitamento dos créditos postulados, inclusive com o fundamento de que é irrelevante à solução da controvérsia decidir quanto a aplicação do art. 17 da Lei nº 11.033/04 apenas ao REPORTO. Transcrevo precedentes: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO PELO SUJEITO INTEGRANTE DO CICLO ECONÔMICO QUE NÃO SOFRE A INCIDÊNCIA DO TRIBUTO 1. O Superior Tribunal de Justiça possui jurisprudência no sentido de que as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência Não Cumulativo, a teor dos artigos 2º, § 1º, e incisos; e 3º, I, "b" da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003. 2. Com efeito, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei 11.033/2004, e 16, da Lei 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime Não Cumulativo, salvo determinação legal expressa. 3. Ademais, ressalvase a impertinência para a solução da controvérsia da verificação da abrangência do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1.698.583/DF, Rel. Ministro HERMAM BENJAMIN, segunda TURMA, julgado em 16/11/2017, DJe 19/12/2017) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO A EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. SÚMULA 83/STJ. 1. A Segunda Turma do STJ firmou o entendimento de que a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento, e que o benefício instituído no art. 17 da Lei 11.033/2004 somente é aplicável às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado Reporto (Precedente: REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2.9.2010, DJe 22/9/2010). 2. Agravo Interno não provido Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10320.900199/201170 Acórdão n.º 3201004.941 S3C2T1 Fl. 9 8 (AgInt no Agravo em REsp 1.199.305/SP, Rel. Ministro HERMAM BENJAMIN, segunda TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 23/11/2018) Portanto, mantémse a vedação ao crédito de PIS e Cofins nas aquisições de produtos sujeitos à tributação monofásica, conforme disposições estabelecidas nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, que não foram revogadas pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que este não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, e não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." (...)1 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto, apresentada no processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. No entanto, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303004.933). Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722030/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento no Art. 65 do Ricarf.
Numero da decisão: 3201-004.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para manter a decisão embargada.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento no Art. 65 do Ricarf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para manter a decisão embargada. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 30 /2 01 2- 41 Fl. 1335DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em fls. 1322, em face do Acórdão desta Turma de Julgamento de fls. 1307, em razão de omissão e contradição. O Presidente desta Turma de julgamento admitiu os Embargos, conforme Despacho de Admissibilidade fls. 1330, transcrito a seguir: "Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, por intermédio de petição fundamentada de sua Procuradora, ao amparo do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3201003.776 (Doc. fls.1307 a 1320)1, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, proferido em sessão de 19/06/2018. A Ementa se transcreve abaixo em sua integralidade. "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 DECADÊNCIA. Não havendo acusação ou qualquer evidência de fraude, assim como não existindo nenhuma controvérsia nos autos sobre a existência de pagamentos parciais do Pis e da Cofins, assim como a existência de débitos e créditos, em lançamento realizado com base na premissa "insuficiência de recolhimento", o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador, com base no julgamento do REsp 973.733 RS do STJ em sede de recurso repetitivo e Art. 150, §4.º, do CTN." A Decisão foi assim registrada. "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Correia Lima Macedo e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. Ficaram de apresentar declaração de voto os conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza." São estes os fatos. Passo ao exame dos pressupostos formais e materiais para a admissibilidade do presente remédio processual. PRESSUPOSTOS PRELIMINARES Tempestividade O recurso é tempestivo. A Fazenda Nacional tomou ciência do Acórdão de Recurso Voluntário em 18/07/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1321) e, consoante o disposto no art. 79, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, com a redação da Portaria MF no 39, de 2016, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 17/08/2018. Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 19515.722030/201241 Acórdão n.º 3201004.870 S3C2T1 Fl. 1.336 3 De acordo com o art. 7o, §§ 3o e 5o, da Portaria MF no 527, de 2010, tratandose de processo eletrônico, os Procuradores da Fazenda Nacional são considerados intimados pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN. O prazo para a interposição do recurso pela PGFN será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes da data prevista. A contagem do prazo para interposição dos Embargos iniciase, então, após a intimação presumida. Sendo de 5 (cinco) dias o prazo para interposição dos Embargos, e considerando em estes foram regularmente encaminhados em 16/08/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1328), concluise que os Embargos foram apresentados dentro do prazo legal. Legitimidade do Embargante Os Embargos de Declaração foram formalizados por Procuradora da Fazenda Nacional, legitimada a opor esse tipo de recurso, conforme o que estabelece o § 1o do art. 65 do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, com a redação da Portaria MF no 39, de 2016, de sorte que podem ser conhecidos. EXAME DO VÍCIO APONTADO Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem Embargos de Declaração quando o Acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, podendo ser interpostos mediante petição fundamentada. Nos Embargos de Declaração (Doc. fls. 1322 a 1327), a Representação Jurídica da Fazenda Nacional acusa a ocorrência dos vícios de omissão e contradição no Acórdão embargado e requer sejam estes acolhidos para saneamento dos vícios apontados. A propósito dos vícios apontados na petição, importante desde já recorrer à doutrina de Moacyr Amaral dos Santos2 (1998, p. 146 a 148) para lembrar que se dá omissão quando o julgado não se pronuncia sobre ponto, ou questão, suscitado pelas partes, ou que os julgadores deveriam pronunciarse de ofício. Humberto Theodoro Junior3 (2004, p. 560), a seu turno, leciona que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam a reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. A existência dos vícios de obscuridade, contradição ou omissão, pressupostos dos aclaratórios, deve ser cabalmente demonstrada Fl. 1337DF CARF MF 4 pela parte quando avia esse remédio recursal. Detectado vício de intelecção no julgado, deve a parte lançar mão do remédio apropriado, obtendo do órgão jurisdicional esclarecimento, "(...) tornando claro aquilo que nele é obscuro, certo aquilo que nele se ressente de dúvida, desfaça a contradição nele existente, supra ponto omisso (...)" (SANTOS, p. 151). Com o norte desses ensinamentos, passo à analise dos vícios. Sustenta a Fazenda Nacional que a decisão embargada teria sido omissa e contraditória, argumentando que o Acórdão embargado, embora tendo acolhido o entendimento de que somente seria possível a aplicação do art. 150, § 4o, do CTN se constatada a antecipação de pagamento, não cita em quais provas baseou seu convencimento de que haveria a referida antecipação. Nesse sentido, aduz que (fls. 1325): "Daí fica evidenciado, a um só passo, os vícios da contradição e da omissão. Omissão, porque vigora no nosso ordenamento jurídico, como regra geral, o princípio do livre convencimento motivado ou da persuasão racional e não da convicção íntima do julgador. Nesses termos, cabe ao órgão julgador, sob pena de nulidade, fundamentar de modo adequado suas conclusões, indicando em quais parâmetros e provas baseou sua conclusão. (...) Há ainda omissão no acórdão embargado quando afirma que “não existe nenhuma controvérsia nos autos sobre a existência de pagamentos parciais do Pis e da Cofins”. Vejase o que está consignado no Termo de Verificação Fiscal: (...) Há ainda o vício da contradição, pois uma vez agasalhado o entendimento do STJ sedimentado no Recurso Especial nº 973.733SC, autos nº 2007/01769940, julgado nos termos do art. 543C do CPC, somente se afigura possível a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, na hipótese de ser comprovada a antecipação, ainda que parcial, do pagamento devido. Contudo, na espécie, de modo contraditório com a tese perfilhada, não foi indicada nenhuma prova dessa antecipação." Nessa toada, afirma a Fazenda Nacional que "cumpre referir a falta de fundamentação do acórdão em relação à matéria, em atenção ao disposto no art. 93, inciso IX, da Constituição Federal, no artigo 50 da Lei nº 9.784/99 e art. 31 e da Lei nº 9.784/99, sob pena de decretação de nulidade". Consoante aponta a Fazenda Nacional, vejo que a ausência de pagamento antecipado teria sido questionada pela autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal (Doc. fls. 669 a 678), conforme se observa às fls. 677, quando assevera que (grifos nossos): "Naquelas hipóteses em que não há o pagamento antecipado aplicase a regra geral do inciso I do art. 173 do CTN, aplicável Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 19515.722030/201241 Acórdão n.º 3201004.870 S3C2T1 Fl. 1.337 5 ao lançamento de ofício, que determina que “o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Assim, no caso em tela, como não houve valores de PIS e COFINS declarados em DCTF, e, em consequência, não houve recolhimento por parte do contribuinte como se depreende das DCTFs referentes ao 2º e 3º trimestres de 2007, destacadas neste processo o prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, em 1º de janeiro de 2008". Tal afirmação pode apontar incongruência com afirmação constante do voto que conduziu a decisão, acerca da inexistência de controvérsia nos autos sobre a existência de pagamentos parciais, como se verifica às fls. 1317 (grifos nossos): "Não havendo acusação ou qualquer evidência de fraude, assim como não existe nenhuma controvérsia nos autos sobre a existência de pagamentos parciais do Pis e da Cofins, assim como a existência de débitos e créditos, visto que o próprio lançamento foi realizado com base na premissa "insuficiência de recolhimento", o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador, com base no julgamento do REsp 973.733 RS do STJ em sede de recurso repetitivo e Art. 150, §4. º, do CTN." Assim, entendo que apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos. CONCLUSÕES Entendo presentes elementos indiciários suficientes para a admissão dos aclaratórios. A meu pensar, a omissão alegada reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Convém notar que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO aos Embargos de Declaração opostos pela Procuradora da Fazenda Nacional. Encaminhese o presente processo ao i. Relator, Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, a fim de que indique o processo para inclusão em pauta." Após, os autos foram pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Fl. 1339DF CARF MF 6 Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o Despacho de Admissibilidade, os tempestivos Embargos de Declaração devem ser conhecidos. Com o habitual e sincero cumprimento ao sério e detalhado trabalho exposto nos Embargos de Declaração, verificase que as alegações de omissão e contradição procedem. Mas primeiro, é importante registrar que as matérias que são objeto destes embargos são, em sua maioria, as mesmas matérias presentes no lançamento original e que foram amplamente discutidas em sessão e refletidas de forma fiel no voto condutor e vencedor da aplicação da decadência. Em fls. 630 e 638 dos autos, consta a premissa de lançamento dos Autos de Infração: O Termo de Verificação fiscal, em fls 669 registrou que os créditos glosados, em outros processos, não seriam suficientes para quitar a integralidade dos débitos: O contribuinte, por sua vez, alegou as compensações escrituradas teriam configurado o pagamento parcial que é exigido no entendimento solidificado no julgamento do RESP 973.733/SC do STJ. As compensações são incontroversas, como afirmado no Acórdão recorrido, logo, os pagamentos parciais são, da mesma forma, incontroversos. É neste ponto que é possível verificar a ausência de fundamentação e descrição, no acórdão embargado, a respeito da equivalência da compensação ao pagamento. Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 19515.722030/201241 Acórdão n.º 3201004.870 S3C2T1 Fl. 1.338 7 Nos termos da legislação (Art. 156, §2.º do CTN) e da majoritária jurisprudência pátria, assim como exposto em diversos precedentes deste Conselho, compensações extinguem o crédito tributário e, portanto, equivalemse à pagamentos e, portanto, o requisito "pagamentos parciais", com base no julgamento do REsp 973.733 RS do STJ em sede de recurso repetitivo, foi cumprido. Este é o raciocínio utilizado para a aplicação do Art. 150, §4.º, do CTN no acórdão embargado. A declaração de voto que acompanhou o voto vencedor apontou que não havia saldo a recolher, antes do lançamento, em todos os períodos, assim como não houve acusação de fraude. Em fls 17 dos autos encontramos a Ficha 15B da Dacon, assim como em fls 31 encontramos a Ficha 25B, documentos que comprovam a existência da compensação escritural, realizada também com créditos não glosados: ... Fl. 1341DF CARF MF 8 Por fim, o resultado do julgamento do RESP 973.733/SC deixou claro tal forma de raciocínio, conforme trecho de sua ementa transcrita a seguir: “o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Diante de todo o exposto, com fundamento no Art 65 do Ricarf, votase para que os Embargos Declaratórios SEJAM ACOLHIDOS, sem efeitos infringentes, para registrar que a compensação equivale a pagamento. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 1342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720275/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003, 2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITO. ATIVIDADE COMERCIAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL
Despesas com combustíveis e lubrificantes apenas geram crédito na sistemática não-cumulativa, quando utilizados como insumos na atividade industrial ou de prestação de serviços. Na atividade comercial, tais despesas não geram crédito das Contribuições por ausência de previsão legal
NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETES. CRÉDITO. VIGÊNCIA
Somente a partir de 1° de fevereiro de 2004 é que a pessoa jurídica pode descontar créditos da Contribuição para o PIS e Cofins decorrentes das despesas de frete, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS PARA REVENDA. CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES. GLOSA.
Correta a glosa de créditos das Contribuições para o PIS e Cofins nas aquisições de mercadorias para revenda de pessoas jurídicas emitentes de documentos fiscais considerados inidôneos, decorrente de inexistência de fato ou quaisquer outras irregularidades que as incapacitam para a realização de vendas regulares, comprovadas em procedimento administrativo fiscal.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003, 2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITO. ATIVIDADE COMERCIAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL
Despesas com combustíveis e lubrificantes apenas geram crédito na sistemática não-cumulativa, quando utilizados como insumos na atividade industrial ou de prestação de serviços. Na atividade comercial, tais despesas não geram crédito das Contribuições por ausência de previsão legal
NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETES. CRÉDITO. VIGÊNCIA
Somente a partir de 1° de fevereiro de 2004 é que a pessoa jurídica pode descontar créditos da Contribuição para o PIS e Cofins decorrentes das despesas de frete, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS PARA REVENDA. CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES. GLOSA.
Correta a glosa de créditos das Contribuições para o PIS e Cofins nas aquisições de mercadorias para revenda de pessoas jurídicas emitentes de documentos fiscais considerados inidôneos, decorrente de inexistência de fato ou quaisquer outras irregularidades que as incapacitam para a realização de vendas regulares, comprovadas em procedimento administrativo fiscal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004
DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AGRAVAMENTO. ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96.
A multa de oficio será qualificada e agravada, ao mesmo tempo, no percentual total de 225%, conforme estabelece o art. 44, inciso I e §§ 1º e 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, e na situação em que o sujeito passivo, no prazo marcado, deixe de atender intimação fiscal para apresentar os arquivos magnéticos relativos à sua escrita contábil ou fiscal.
LEI N° 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. FATURAMENTO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Podem ser aceitas como exclusões da base de cálculo das contribuições àquelas que estejam autorizadas pela legislação tributária. Enquanto a inconstitucionalidade do art. 3°, §1°, da Lei n° 9.718/1998, que exprimia o caráter bastante amplo da incidência da Cofins e do PIS/Pasep, deve ser reconhecida e as contribuições deverão observar o conceito obrigatório de faturamento estabelecido pelo STF.
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. SUPERAÇÃO.
Tendo em vista que o próprio STJ vem afastando a aplicação da decisão proferida nos autos do REsp 1144469/PR, em sede de Recurso Repetitivo, quanto à impossibilidade da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, deve-se aplicar o acórdão proferido pelo STF nos autos do RE 574.706, ainda que em repercussão geral.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3201-003.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso para: (i) excluir da base de cálculo do PIS/Cofins apuradas no regime cumulativo as receitas não operacionais; (ii) excluir da base de cálculo do PIS/Cofins, nos regimes cumulativo e não cumulativo, o ICMS sobre vendas, vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), que lhe deu provimento parcial em maior extensão, para também cancelar o agravamento da multa e permitir o creditamento sobre as aquisições de combustíveis e lubrificantes, exceto os utilizados nas motocicletas e veículos de passeio, e os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que deram provimento parcial ao recurso, apenas para excluir da base de cálculo do PIS/Cofins apuradas no regime cumulativo as receitas não operacionais. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003, 2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITO. ATIVIDADE COMERCIAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Despesas com combustíveis e lubrificantes apenas geram crédito na sistemática não-cumulativa, quando utilizados como insumos na atividade industrial ou de prestação de serviços. Na atividade comercial, tais despesas não geram crédito das Contribuições por ausência de previsão legal NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETES. CRÉDITO. VIGÊNCIA Somente a partir de 1° de fevereiro de 2004 é que a pessoa jurídica pode descontar créditos da Contribuição para o PIS e Cofins decorrentes das despesas de frete, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS PARA REVENDA. CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES. GLOSA. Correta a glosa de créditos das Contribuições para o PIS e Cofins nas aquisições de mercadorias para revenda de pessoas jurídicas emitentes de documentos fiscais considerados inidôneos, decorrente de inexistência de fato ou quaisquer outras irregularidades que as incapacitam para a realização de vendas regulares, comprovadas em procedimento administrativo fiscal. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003, 2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITO. ATIVIDADE COMERCIAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Despesas com combustíveis e lubrificantes apenas geram crédito na sistemática não-cumulativa, quando utilizados como insumos na atividade industrial ou de prestação de serviços. Na atividade comercial, tais despesas não geram crédito das Contribuições por ausência de previsão legal NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETES. CRÉDITO. VIGÊNCIA Somente a partir de 1° de fevereiro de 2004 é que a pessoa jurídica pode descontar créditos da Contribuição para o PIS e Cofins decorrentes das despesas de frete, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS PARA REVENDA. CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES. GLOSA. Correta a glosa de créditos das Contribuições para o PIS e Cofins nas aquisições de mercadorias para revenda de pessoas jurídicas emitentes de documentos fiscais considerados inidôneos, decorrente de inexistência de fato ou quaisquer outras irregularidades que as incapacitam para a realização de vendas regulares, comprovadas em procedimento administrativo fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AGRAVAMENTO. ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96. A multa de oficio será qualificada e agravada, ao mesmo tempo, no percentual total de 225%, conforme estabelece o art. 44, inciso I e §§ 1º e 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, e na situação em que o sujeito passivo, no prazo marcado, deixe de atender intimação fiscal para apresentar os arquivos magnéticos relativos à sua escrita contábil ou fiscal. LEI N° 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. FATURAMENTO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Podem ser aceitas como exclusões da base de cálculo das contribuições àquelas que estejam autorizadas pela legislação tributária. Enquanto a inconstitucionalidade do art. 3°, §1°, da Lei n° 9.718/1998, que exprimia o caráter bastante amplo da incidência da Cofins e do PIS/Pasep, deve ser reconhecida e as contribuições deverão observar o conceito obrigatório de faturamento estabelecido pelo STF. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. SUPERAÇÃO. Tendo em vista que o próprio STJ vem afastando a aplicação da decisão proferida nos autos do REsp 1144469/PR, em sede de Recurso Repetitivo, quanto à impossibilidade da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, deve-se aplicar o acórdão proferido pelo STF nos autos do RE 574.706, ainda que em repercussão geral. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
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COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITO. ATIVIDADE COMERCIAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Despesas com combustíveis e lubrificantes apenas geram crédito na sistemática nãocumulativa, quando utilizados como insumos na atividade industrial ou de prestação de serviços. Na atividade comercial, tais despesas não geram crédito das Contribuições por ausência de previsão legal NÃOCUMULATIVIDADE. FRETES. CRÉDITO. VIGÊNCIA Somente a partir de 1° de fevereiro de 2004 é que a pessoa jurídica pode descontar créditos da Contribuição para o PIS e Cofins decorrentes das despesas de frete, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS PARA REVENDA. CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES. GLOSA. Correta a glosa de créditos das Contribuições para o PIS e Cofins nas aquisições de mercadorias para revenda de pessoas jurídicas emitentes de documentos fiscais considerados inidôneos, decorrente de inexistência de fato ou quaisquer outras irregularidades que as incapacitam para a realização de vendas regulares, comprovadas em procedimento administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003, 2004 NÃOCUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITO. ATIVIDADE COMERCIAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 02 75 /2 00 8- 81 Fl. 15237DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.236 2 Despesas com combustíveis e lubrificantes apenas geram crédito na sistemática nãocumulativa, quando utilizados como insumos na atividade industrial ou de prestação de serviços. Na atividade comercial, tais despesas não geram crédito das Contribuições por ausência de previsão legal NÃOCUMULATIVIDADE. FRETES. CRÉDITO. VIGÊNCIA Somente a partir de 1° de fevereiro de 2004 é que a pessoa jurídica pode descontar créditos da Contribuição para o PIS e Cofins decorrentes das despesas de frete, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS PARA REVENDA. CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES. GLOSA. Correta a glosa de créditos das Contribuições para o PIS e Cofins nas aquisições de mercadorias para revenda de pessoas jurídicas emitentes de documentos fiscais considerados inidôneos, decorrente de inexistência de fato ou quaisquer outras irregularidades que as incapacitam para a realização de vendas regulares, comprovadas em procedimento administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AGRAVAMENTO. ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96. A multa de oficio será qualificada e agravada, ao mesmo tempo, no percentual total de 225%, conforme estabelece o art. 44, inciso I e §§ 1º e 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, e na situação em que o sujeito passivo, no prazo marcado, deixe de atender intimação fiscal para apresentar os arquivos magnéticos relativos à sua escrita contábil ou fiscal. LEI N° 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. FATURAMENTO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Podem ser aceitas como exclusões da base de cálculo das contribuições àquelas que estejam autorizadas pela legislação tributária. Enquanto a inconstitucionalidade do art. 3°, §1°, da Lei n° 9.718/1998, que exprimia o caráter bastante amplo da incidência da Cofins e do PIS/Pasep, deve ser reconhecida e as contribuições deverão observar o conceito obrigatório de faturamento estabelecido pelo STF. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. SUPERAÇÃO. Tendo em vista que o próprio STJ vem afastando a aplicação da decisão proferida nos autos do REsp 1144469/PR, em sede de Recurso Repetitivo, quanto à impossibilidade da exclusão do ICMS da base de cálculo da Fl. 15238DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.237 3 COFINS, devese aplicar o acórdão proferido pelo STF nos autos do RE 574.706, ainda que em repercussão geral. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso para: (i) excluir da base de cálculo do PIS/Cofins apuradas no regime cumulativo as receitas não operacionais; (ii) excluir da base de cálculo do PIS/Cofins, nos regimes cumulativo e não cumulativo, o ICMS sobre vendas, vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), que lhe deu provimento parcial em maior extensão, para também cancelar o agravamento da multa e permitir o creditamento sobre as aquisições de combustíveis e lubrificantes, exceto os utilizados nas motocicletas e veículos de passeio, e os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que deram provimento parcial ao recurso, apenas para excluir da base de cálculo do PIS/Cofins apuradas no regime cumulativo as receitas não operacionais. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 1469 em face de decisão da DRJ/MG de fls.1243 que manteve os lançamentos de PIS e COFINS sob os regimes de incidência cumulativa e não cumulativa. Por ser costume desta Turma de Julgamento a transcrição do relatório constante das decisões de primeira instância, segue para apreciação: Fl. 15239DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.238 4 “Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado O Auto de Infração de fls. 11/13, que exige a Contribuição para Financiamento da seguridade Social COFINS, no valores de R$ 5.605.391,90 e R$ 1.618.099,26, respectivamente, para a incidência cumulativa (períodos anteriores a janeiro de 2004, inclusive), e para a incidência não cumulativa (períodos a partir de fevereiro de 2004), acrescida de multa de oficio, concomitantemente, qualificada e agravada, no percentual total de 225%, e juros de mora pertinentes calculados até 29/08/2008. Também em decorrência dessa ação fiscal, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 21/24, que exige a Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 2.300.901,55, cumulado com multa de ofício, concomitantemente, qualificada e agravada, no percentual total de 225% , e juros de mora pertinentes calculados até 28/08/2008. Lançamento da COFINS e do PIS/Pasep. Descrição dos Fatos. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: (...) “NO TERMO DE VERIFICAÇAO FISCAL às fls.150 a 347.estão detalhados os eventos ocorridos durante o procedimento de auditoria fiscal, bem como a apuração das bases de cálculo e a responsabilização pessoal e ou solidária, pelo crédito tributário lançado, na forma dos arts. 124I e 135II/III da Lei n. 5.172/66, das pessoas físicas e jurídicas: Márcio Vilefort Martins CPF 434.695.23649, Márcia Vilefort Martins Chemicharo CPF 494.972.94620, Antônio Vilefort Martins CPF 146.424.41620, Marília Vilefort Martins CPF 445.512.58687 e MVM Empreendimentos e Participações Ltda CNPJ 03.887.036/000127. Às fls. 350 a 956 estão as provas documentais, parte integrante deste Auto de Infração. Do Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 150/347). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. PARTE I DA DESCRIÇÃO DOS FATOS À RESPONSABILIDADE PELO CREDITO TRIBUTARIO. 1. DESCRIÇÃO DOS FATOS Iniciada a ação fiscal, em 11/08/2005, a empresa foi intimada a apresentar elementos da escrituração contábil e fiscal, referentes aos anoscalendário de 2000 a 2004. Em 17/08/2005, no TI n° 001, foram requisitados os arquivos magnéticos da escrituração contábil da empresa (plano de contas, lançamentos e saldos mensais), relativamente aos anos de 2000 a 2004. Intimação não atendida. Fl. 15240DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.239 5 O contribuinte apresentou alguns dos elementos solicitados, em 31/08/2005, pedindo prorrogação de prazo para entrega dos demais, o que foi feito em 13/09/2005. Foi lavrado o TI de n° 002, com ciência em 21/09/2005, intimando a apresentar arquivos magnéticos da escrita fiscal (mestre e itens de mercadorias de entradas e saídas). Em 11/10/2005 foi concedida a prorrogação de prazo solicitada, de vinte dias para atendimento ao TI n° 002. Foi protocolizado um expediente pelo contribuinte, em 01/11/2005, informando da impossibilidade de apresentação dos arquivos magnéticos de notas fiscais de entradas e saídas no formato solicitado e previsto na legislação, uma vez que o programa utilizado pela empresa não permitia a geração desses, na forma utilizada pela Receita. Através do TI n° 003 foi pedida a relação dos bens constantes do ativo permanente da empresa, dentre outras informações, respondido em 20/12/2005. O TI n° 004, cientificado em 29/12/2005, reiterou o de n° 002, quanto aos arquivos magnéticos da escrita fiscal, permitindo que o contribuinte apresentasse os dados no formato em que os possuía armazenados, sem a obrigatoriedade de adequálos ao layout previsto na IN 86/2001. Em resposta datada de 17/01/2006, foram solicitados seis meses de prazo “na expectativa de composição e organização dos dados ", acrescentando que a empresa contratada e proprietária do sofiware se comprometeu a informar, oportunamente, as razões técnicas que tem dificultado o atendimento aos termos de intimação. Foi lavrado o TI n° 005 solicitando a apresentação das bases de cálculo do COFINS e PIS para o ano de 2005, atendido em 07/03/2006. Transcorrido o prazo de 180 dias desde a expedição do TI n° 002, o contribuinte foi cientificado do TI n° 006, em 29/03/2006, reiterandoo e o de n° 004, quanto à solicitação dos arquivos magnéticos da escrita fiscal. Novamente o contribuinte foi orientado das penalidades previstas na legislação para o caso de não apresentação dos arquivos magnéticos. Em 15/04/2006 o contribuinte apresentou resposta, ratificando a impossibilidade de apresentação dos arquivos magnéticos, acrescentando, literalmente, que: “Diante da informação expressa da empresa contratada para sessão e manutenção do software, da impossibilidade técnica de atender às exigências do TI n°004. Ratificamos nossa posição anterior.”(sic). Em resumo, a empresa não apresentou nenhum dos arquivos magnéticos solicitados, seja os da escrita contábil (TI n° 001) ou da escrita fiscal (TI n°s 002, 004 e 006). Fl. 15241DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.240 6 A obrigatoriedade de manutenção e apresentação destes arquivos magnéticos está regida pelo Art. 265 do RIR/1999. Por descumprimento desta norma legal, a empresa incidiu na hipótese de agravamento de penalidades previsto no § 29 inciso II do art. 44 da Lei n9 9.430/96, com nova redação dada pelo art. 14 da Lei ni' 11.488/2007. Estas serão exigidas nos períodos abrangidos pela intimação do fisco não atendida, conforme detalhado à frente, no item 3. DAS PENALIDADES APLICADA S. No TI n° 007, foram solicitadas informações sobre as deduções de produtos isentos, de alíquotas zero e específicas, utilizados no cálculo da COFINS e PIS devidos. Resposta protocolada em 12/06/06. O TI n° 008 solicitou a apresentação da DACON 2003 e dos contratos de mútuos existentes. Através do TI n° 009, recebido em 13/10/2006, foi reiterada a intimação para apresentação da referida DACON e solicitada a apresentação dos livros de Registro de Inventário e cópias de contratos sociais. Resposta protocolada em 18/10/2006. O TI n° 010 requisitou informações sobre o ativo permanente da empresa, ciência em 27/11/2006 e resposta em 04/12/2006. O TI n° 011, de 06/02/2007, solicitou cópias de contratos de mútuo firmados com instituições financeiras privadas e públicas. Respondido em 13/03/2007. A empresa foi cientificada do TI n° 012 em 29/O3/2007, tendo respondido em 09/04/2007. No TI n° 013, de 24/05/2007, 'foram solicitadas cópias de todas as procurações outorgadas pela empresa e sócios, no período de dezembro de 2002 a maio de 2007. Atendido em 31/05/2007. No TI n° 14, de 08/06/2007, foi solicitado o detalhamento das contas e lançamentos contábeis que compuseram os valores declarados nas fichas 04 e 06 da DACON AC 2004. Respondido em 28/06/2007. No TI n° 15, de 26/09/2007, foram requisitados mais dados sobre valores declarados na DACON AC 2004 e DIPJ AC 2003, dentre outros. Em 03/10/2007 procedeuse à devolução de livros e documentos ao contribuinte, mediante lavratura de termo. Ato contínuo, efetuouse a apreensão dos originais de algumas notas fiscais de compras de mercadorias, apresentadas pela empresa, com indícios de serem documentos inidôneos, conforme relação constante de termo específico. Em 01/10/2007, foi lavrado o Termo de Intimação n° 16 (documento de fls. 535/536 e respectivo anexo, documento de fls. Fl. 15242DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.241 7 537/555), exigindo do contribuinte o seguinte, dentre outros, comprovar 0 efetivo fornecimento de mercadorias pelas empresas emitentes das Notas Fiscais relacionadas no demonstrativo anexo, numerado de 01 a 17, tanto sob o aspecto financeiro (pagamento) quanto à efetividade do ingresso da mercadoriaš. Apesar de regularmente intimado a promover a comprovação do acima exigido, o contribuinte não logrou fazêlo, limitandose a apresentar os evasivos esclarecimentos consignados no documento de fls. 557/558. Analisando a contabilidade da Fiscalizada, foi constatado que as compras efetuadas dos fornecedores relacionados no item I do Termo de Intimação n° 17, fls. 560/563, em sua maior parte não eram pagas nos prazos normalmente praticados no mercado nem nos prazos de pagamento de outros fornecedores da empresa, permanecendo por anos no passivo da BM. Neste Termo de Intimação, foi solicitado que a empresa informasse se é parte, de alguma ação judicial movida por algum dos fornecedores relacionados, seja de cobrança, execução ou qualquer outro tipo. Em resposta, fls. 572, informou que não. Também foram solicitadas e apresentadas, às fls. 572/584, as cópias dos Termos de Dação e Pagamento firmados com as empresas: a) REALMIX COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA 05.647.261/000111; b) REBELA COMERCIAL EXPORTADORA LTDA 69.234.853/000185; c) MSP COMÉRCIO DE MERCADORIAS EM GERAL LTDA 05.158.490/000172; d) CASA NASCIMENTO LTDA, 18.943.977/000108. Prosseguindo as pesquisas nos livros Razão do contribuinte, foi observado que a maior parte das notas fiscais apreendidas estavam contabilizadas como pagas através de cheques de pequeno valor, creditados em contas bancos, com exceção dos quatro fornecedores acima enumerados, cujas compras estão escrituradas como pagas através de Termos de Dação e Pagamento. Na Parte II deste Termo de Verificação Fiscal, estão detalhados, por fornecedor, a forma de contabilizarão das notas fiscais de compras e do seu correspondente pagamento. 2. DOS LANÇAMENTOS E DAS INFRAÇÕES APURADAS (...) Fl. 15243DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.242 8 2.3. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS ANOCALENDARIO DE 2003 e 2004 REGIME NÃO CUMULATIVO. O contribuinte declarou a menor a contribuição para o PIS, em DCTF, referente aos periodosbase dos anoscalendário de 2003 e 2004, em virtude das ocorrências descritas nos itens a seguir: 2.3.1 Valores Consignados em Notas Fiscais Inidôneas e Indevidamente Considerados como Integrantes da Base de Cálculo dos Créditos a Descontar. Conforme visto no item 2.1 e amplamente relatado e detalhado na Parte II deste Termo, a empresa BM COMERCIAL LTDA reduziu o montante do PIS a recolher, devido pela sistemática da não cumulatividade, relativamente a fatos geradores ocorridos nos anos de 2003 e 2004, através da apropriação indevida de créditos da contribuição, MEDIANTE O RECEBIMENTO, UTILIZAÇÃO E REGISTRO EM SEUS LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS, DE NOTAS FISCAIS QUE NÃO CORRESPONDEM À SAÍDA EFETIVA DAS MERCADORIAS NELAS DESCRITAS, DOS ESTABELECIMENTOS EMITENTES. O “DEMONSTRATIVO DOS VALORES DAS AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS CONSIGNADOS EM NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS E QUE GERARAM INDEVIDAMENTE CRÉDITO DE PIS E DE COFINS INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA” (fls. 127/l47_) trás o detalhamento de todos os valores que foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar para fins de apuração do PIS. Destaquese que: I) Cópia reprográfica das notas fiscais em questão compõem 0 Anexo II; 2) Cópia reprográfica das folhas dos Livros Razão onde encontramse contabilizadas essas notas fiscais constituem o Anexo III; 3) Cópia reprográfica de cheques contabilizados como pagamento de notas fiscais inidôneas, conforme relatado no item 2.2 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE: PAGAMENTO SEM CAUSA E A BENFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO, constituem o Anexo IV; 4) Foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar os valores das mercadorias cujas saídas estão sujeita à tributação do PIS, conforme a seguir esclarecido. A partir de 01/05/2004, nos termos do art. 28, caput, e inciso III da Lei n° 10.865/2004, foram reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, Fl. 15244DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.243 9 classificados na posição 04.07, todos da TIPI. Eis que várias das mercadorias consignadas nas notas fiscais inidôneas, a partir de 01/05/04, enquadramse nas citadas classificações da TIPI, não gerando, portanto, crédito de PIS quando adquiridas. Não estamos, assim, excluindo esses valores ou seja, sujeitos à alíquota zero da base de cálculo dos créditos a descontar para efeito de recomposição da contribuição efetivamente devida. Frisese, então, que somente os créditos relativos aos produtos tributáveis foram glosados. A Fiscalização reproduziu, no TVF, na íntegra, os capítulos 07 e 08 da TIPI. 2.3.2 Valores Indevidamente Considerados como Integrantes da Base de Cálculo dos Créditos a Descontar a Título de Outros Valores/Operações com Direito a Crédito. Relativamente ao mês de janeiro de 2003, tratase de despesa indevidamente considerada como integrante da base de cálculo dos créditos a descontar, consoante linha 13 da Ficha 20 da DIPJ. Essa despesa foi contabilizada como FRETE PJ, conta contábil 3l.03.0l.l0. Nos termos do art. 3°, inciso IX, 15, inciso II, e 93, inciso I, todos da Lei 10.833/2003, e alterações posteriores, os valores de frete nas operações de vendas só passaram a gerar crédito dedutível do PIS apurado a partir de 1° de fevereiro de 2004 e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. O DEMONSTRATIVO DE VALOR INDEVIDAMENTE CONSIDERADO COMO BASE DE CÁLCULO DE CRÉDITOS A DESCONTAR A TÍTULO DE OUTROS VALORES COM DIREITO A CRÉDITO (fl. 43) indica esse valor. Referentemente ao ano de 2004 tratase de: “a) janeiro de 2004: despesa indevidamente considerada como integrante da base de cálculo dos créditos a descontar, informado na linha 13 da Ficha 04 do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) a título de Outros Valores com Direito a Crédito. O valor do PIS foi diretamente provísionado na conta FRETE PJ, conta contábil 31.03. 01.10, e efetivamente aproveitada como integrante da base cálculo dos créditos a descontar consoante Demonstrativos anexos apresentados pelo contribuinte em atendimento a Termo de Intimação expedido. Nos termos do art. 3 °, inciso IX: 15, inciso II, e 93, inciso I, todos da Lei I0. 833/2003, e alterações posteriores, os valores de frete nas operações de vendas só passaram a gerar crédito dedutível do PIS apurado a partir de 1” de fevereiro de 2004 e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor e pago a pessoa jurídica. b) janeiro a dezembro de 2004.' despesa indevidamente considerada como integrante da base de cálculo dos créditos a descontar, informados na linha 13 da Ficha 04 dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais Fl. 15245DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.244 10 (DACON) a título de Outros Valores com Direito a Crédito. Essa despesa foi contabilizada como COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES, conta contábil 31.03. 02.04.01, e efetivamente aproveitada como integrante da base cálculo dos créditos a descontar consoante Demonstrativos anexos apresentados pelo contribuinte em atendimento a Termo de Intimação No. 014, datado de 28/06/2007. Nos termos da IN SRF 247/2002, com as alterações da IN SRF 358/2003 e IN SRF 464/2004 os bens e serviços, utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, geram crédito dedutível do PIS apurado. Entretanto, no caso em questão, os valores declarados como despesa de combustíveis e lubrificantes não se enquadram no conceito de insumos. O “DEMONSTRATIVO DOS VALORES INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO INTEGRANTE DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A DESCONTAR A TÍTULO DE OUTROS CRÉDITOS TRANSPORTE” e o “DEMONSTRATIVO DOS VALORES INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO INTEGRANTE DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A DESCONTAR A TITULO OUTROS CRÉDITOS COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES” (fls. 70 e 71) indicam esses valores. 2.3.3 Valores Indevidamente Considerados como Integrantes da Base de Cálculo dos Créditos a Descontar a Título de Bens Utilizados como Insumos. Tratase de despesa indevidamente considerada como integrante da base de cálculo dos créditos a descontar, relativamente aos meses de fevereiro a dezembro de 2003, consoante linha 02 da Ficha 20 da DIPJ. Essa despesa foi contabilizada como COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES, conta contábil 3l.03.02.04.0l. Nos termos da IN SRF 247/2002, com as alterações da IN SRF 358/2003 e IN SRF 464/2004 os bens e serviços, utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, geram crédito dedutível do PIS apurado. Entretanto, no caso em questão, os valores declarados como despesa de combustíveis e lubrificantes não se enquadram no conceito de insumos, conforme acima já revelado. O DEMONSTRATIVO DOS VALORES INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS ,COMO INTEGRANTE DA BASE DE CALCULO DOS CREDITOS A DESCONTAR A TITULO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS” (fls. 44) indica esses valores. 2.3.4 Valores Indevidamente Considerados como Integrantes da Base de Cálculo dos Créditos a Descontar a Título de Serviços Utilizados como Insumos. Fl. 15246DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.245 11 Tratase de despesa indevidamente considerada' como integrante' da base de cálculo dos créditos a descontar, consoante linha 03 da Ficha 20 da DIPJ, fatos geradores de fevereiro a dezembro de 2003. Essa despesa foi contabilizada como FRETE PJ, conta contábil 31 .03.0l .l0. Nos termos do art. 3°, inciso IX, 15, inciso II, e 93, inciso I, todos da Lei 10.833/2003, e alterações posteriores, os valores de frete nas operações de vendas só passaram a gerar crédito dedutível do PIS apurado a partir de 1° de fevereiro de 2004 e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor e os valores sejam devidos a pessoas jurídicas domiciliadas no pais. O DEMONSTRATIVO DOS VALORES INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO INTEGRANTE DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A DESCONTAR A TÍTULO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS” (fl. 45) indica esses valores. 2.3.5 Diferença entre o valor de Receita de Vendas de Mercadorias Declarado na DIPJ e o contabilizado nos Livros Diário e Razão. O contribuinte informou, no mês de abril de 2003, na linha 03 da ficha 21 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, valor de receita de mercadoria inferior ao efetivamente auferido no mês, conforme contabilizado e constante do balancete mensal elaborado, conforme cópia em anexo. O “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE RECEITAS NÃO DECLARADAS” (fl. 46) indica o valor da diferença apurada. Destaquese que, além dos demonstrativos já citados, foram elaborados os seguintes: “a) Demonstrativo Mensal das Receitas da Atividade (fls. 31 a 32 e 48 a 49), onde estão detalhadas as receitas de vendas, devoluções e outras receitas, contabilizadas nos balancetes da empresa, em 2003 e 2004. b) Demonstrativo Consolidado das Reduções das Bases de Cálculo dos Créditos a Descontar (/I. 72). Esse demonstrativo concentra, relativamente aos fatos geradores de janeiro a dezembro de 2004, as reduções totais das bases de cálculo dos créditos a descontar efetuadas. c) Demonstrativos dos Créditos da Contribuição para o PIS Incidência Não Cumulativa e Demonstrativos do Cálculo da Contribuição para o PIS Incidência Não Cumulativa, fatos geradores de janeiro de 2003 a dezembro de 2004 (fls. 35 a 41 e 62 a 69). Esses demonstrativos trazem, de maneira analítica, os valores do PIS declarados pelo contribuinte os efetivamente apurados, considerandose detalhadamente todos os valores que integraram a composição dos resultados. Fl. 15247DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.246 12 d) Demonstrativo Sintético de Apuração da Contribuição para o PIS Incidência Não Cumulativa (fls. 47 e 73). Esse demonstrativo aponta, de forma sintética, os valores de PIS declarados e os apurados, considerandose apenas os débitos, os créditos e os saldos mensais dessa contribuição. 2.4. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) ANOSCALENDARIO DE 2003 E 2004. 2.4.1 PeríodosBase de janeiro de 2003 a janeiro de 2004 Regime Cumulativo. O contribuinte declarou nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativas ao período de janeiro de 2003 a janeiro de 2004, fls. 600 a 602, valores de COFINS inferiores aos efetivamente devidos com base na contabilidade e documentos apresentados. O art. 7°. da Instrução Normativa SRF 126, de 30/10/1998, preconiza que são considerados como confissão de dívida e passíveis de auditoria interna, apenas os valores declarados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, possuindo os valores constantes da DIPJ e da DACON, apenas caráter informativo. No presente caso, o contribuinte utilizouse do artifício de declarar à Receita Federal, através da DCTF, de forma sistemática e reiterada, valores de COFINS muito inferiores aos efetivamente devidos e com plena consciência do fato, uma vez que as bases para apuração das contribuições corretas constam de sua própria contabilidade, caracterizandose assim o É do agente. A reiteração desta prática encontrase comprovada nas autuações já realizadas, referentes aos anocalendário. “2000 e 2001.' Auto de Infração COFINS 10680.100282/2005 17 e PIS 10680100281/200564; 2002: Auto de Infração COFINS e PIS 10680. 013587/200662; Nestas, ficou constatado que o contribuinte adotou a mesma sistemática de apuração, registro e declaração dessas contribuições, sempre em valores inferiores aos efetivamente devidos. Nos “DEMONSTRATIVOS MENSAIS DAS RECEITAS DA ATIVIDADE” e de “APURAÇÃO DA COFINS FATURAMENTO”, às fls. 31 a 33, estão detalhados os valores corretos da contribuição, apurados de acordo com as receitas de vendas, outras receitas e exclusões, constantes da escrituração contábil e documentos apresentados pela empresa. As cópias dos Livros Razão utilizados são parte integrante do Anexo III. Fl. 15248DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.247 13 2.4.2 PeríodosBase de fevereiro a dezembro de 2004 Regime Não Cumulativo.` O contribuinte declarou a menor, em DCTF, a COFINS a pagar, em períodos base do anocalendário de 2004, em virtude das ocorrências descritas nos itens a seguir. 2.4.2.1 Valores Consignados em Notas Fiscais Inidôneas e Indevidamente Considerados como Integrantes da Base de Cálculo dos Créditos a Descontar. Conforme visto no item 2.1 e amplamente relatado e detalhado na Parte II deste Termo, a empresa BM COMERCIAL LTDA reduziu o montante da COFINS a recolher, devido pela sistemática da não cumulatividade, relativamente a fatos geradores ocorridos de fevereiro a dezembro de 2004, através da apropriação indevida de créditos da contribuição, MEDIANTE O RECEBIMENTO, UTILIZAÇÃO E REGISTRO EM SEUS LIVROS FISCAIS E coNTÁBE1S, DE NoTAS FISCAIS QUE NÃo CORRESPONDEM À SAÍDA EFETIVA DAS MERCADORIAS NELAS DESCRITAS, DOS ESTABELECIMENTOS EMITENTES. O “DEMONSTRATIVO DOS VALORES DAS AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS CONSIGNADOS EM NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS E QUE GERARAM INDEVIDAMENTE CRÉDITO DE PIS E DE COFINS INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA” (fls. 127/147) trás o detalhamento de todos os valores que foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar para fins de apuração da COFINS. Destaquese que: 1) Cópia reprográfica das notas fiscais em questão compõem o Anexo II; 2) Cópia reprográfica das folhas dos Livros Razão onde encontramse contabilizadas essas notas fiscais constituem o Anexo III; 3) Cópia reprográfica de cheques contabilizados como pagamento de notas fiscais inidôneas, conforme relatado no item 2.2 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE: PAGAMENTO SEM CAUSA E A BENFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO, constituem o Anexo IV; 4) Foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar os valores das mercadorias cujas saídas estão sujeita à tributação da COFINS, conforme a seguir esclarecido. A partir de 01/05/2004, nos termos do art. 28, caput, e inciso III da Lei n° 10.865/2004, foram reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para a COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado intemo, de produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI. Eis que várias das mercadorias Fl. 15249DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.248 14 consignadas nas notas fiscais inidôneas, a partir de 01/05/04, enquadramse nas citadas classificações da TIPI, não gerando, portanto, crédito de PIS quando adquiridas. Não estamos, assim, excluindo esses valores ou seja, sujeitos a alíquota zero da base de cálculo dos créditos a descontar para efeito de recomposição da contribuição efetivamente devida. Frisese, então, que somente os créditos relativos aos produtos tributáveis foram glosados. Os capítulos 07 e 08 da TIPI foram acima integralmente reproduzidos, no TVF. 2.4.2.2 Valores Indevidamente Considerados como Integrantes da Base de Cálculo dos Créditos a Descontar, a Título de Outros Valores/Operações com Direito a Créditos. Tratase de despesa indevidamente considerada como integrante da base de cálculo dos créditos a descontar, informados na linha 13 da Ficha 06 dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) a título de Outros Valores com Direito a Crédito. Essa despesa foi contabilizada como COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES, conta contábil 31.03.02.04.0l, e efetivamente aproveitada como integrante da base cálculo dos créditos' a descontar consoante Demonstrativos anexos apresentados pelo contribuinte em atendimento ao Termo de Intimação n° 014, datado de 28/06/2007. Nos termos da IN SRF 247/2002, com as alterações da IN SRF 358/2003 e IN SRF 464/2004 os bens e serviços, utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, geram crédito dedutível da COFINS apurada. Entretanto, no caso em questão, os valores declarados como despesa de combustíveis e lubrificantes não se enquadram no conceito de insumos. O DEMONSTRATIVO DOS VALORES INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO Dos CRÉDITOS A DESCONTAR A TÍTULO DE OUTROS CRÉDITOS COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES (fl. 59) detalha esses valores. I O DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DAS REDUÇÕES DAS BASES DE CALCULO DOS CREDITOS A DESCONTAR (fi. 60) detalha a consolidação dos valores excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar na apuração da COFINS. Destaquese que, além dos demonstrativos já citados, foram ainda elaborados os seguinte: “a) Demonstrativo Mensal das Receitas da Atividade (fls. 48 a 49), onde estão detalhadas as receitas de vendas, devoluções e outras receitas, contabilizadas nos balancetes da empresa, em 2004. Fl. 15250DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.249 15 b) Demonstrativos dos Créditos da Cofins Incidência Não Cumulativa e Demonstrativos do Cálculo da Coƒins Incidência Não Cumulativa, fatos geradores de fevereiro a dezembro de 2004 (fls. 51 a 58). Esses demonstrativos trazem, de maneira analítica, os valores do PIS declarados pelo contribuinte os efetivamente apurados, considerandose detalhadamente todos os valores que integraram a composição dos resultados. c) Demonstrativo Sintético de Apuração da COFINS Incidência Não Cumulativa (fls. 61). Esse demonstrativo aponta, deforma sintética, os valores da COFINS declarados e os apurados, considerandose apenas os débitos, os créditos e os saldos mensais dessa contribuição. 3. DAS PENALIDADES APLICADAS. De todo o exposto, ficou caracterizada a conduta claramente dolosa adotada pelo sujeito passivo, que visava impedir ou retardar a ocorrência e O conhecimento, por parte da autoridade fiscal, dos fatos geradores das obrigações tributárias principais, inclusive natureza e circunstâncias materiais, enquadrandose O contribuinte nas hipóteses previstas nos artigos 71, inciso I, e 72 da Lei 4.502/1964 Sonegação e Fraude. Assim disciplina O art. 44 da Lei n.º 9.430/1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei n.º 11.488/2007. No caso em tela, à luz do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei n.º 11.488/2007, estando demonstrado o dolo dos agentes' e a ocorrência de sonegação e fraude, aplicase a todos lançamentos efetuados, a multa qualificada de 150 %. Para o caso específico dos Autos de Infração de IRPJ/CSLL e PIS/COFINS, a penalidade sofrerá o agravamento previsto na legislação acima descrita, que a eleva para 225 %, em punição pela não apresentação dos arquivos magnéticos Plano de Contas, Saldos Mensais, Lançamentos Contábeis, Mestre e Itens de Mercadorias, solicitados nos Termos de Intimaçao de números 001, 002, 004 e 006, conforme explanado no item acima, “DESCRIÇÃO DOS FATOS. 4. DA RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. No período de ocorrência dos fatos narrados, a BM Comercial Ltda teve seu quadro societário composto pelos quotistas Márcia Vilefort Martins Chemicharo (CPF 494.972.94620) e Márcio Vilefort Martins (CPF 434.695.23649 de 01/03/2003 a 22/03/2003) e procuradores constituídos Antônio Vilefort Martins (CPF 146.424.41620) e Marilia Vilefort Martins (CPF 445.512.58687), que concorreram solidariamente para ocorrência das infrações destacadas, vez que exerceram conjuntamente poderes de administração da empresa nos Fl. 15251DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.250 16 períodos sob análise, agindo em conluio, nos termos do previsto no artigo 73 da Lei 4.502/ 1964. A atuação dos Srs. Márcio e Márcia Vilefort Martins Chemicharo ocorreu tanto diretamente, como administradores e sócios da BM Comercial Ltda, como através da pessoa jurídica quotista MVM Empreendimentos e Participações Ltda (CNPJ 03.887.036/000127). Esta última, passou a ser sócia da autuada a partir de 23/06/2000 e teve a participação de ambos os Vilefort em seu quadro societário, estando sempre, ao menos um dos dois, exercendo os poderes de administração da empresa. A seguir, o Fisco faz um resumo das alterações ocorridas no quadro societário da BM Comercial Ltda, e da sua acionista MVM Empreendimentos e Participações Ltda. As cópias dos contratos sociais da BM Comercial Ltda estão às fls. 642/722, MVM Empreendimentos e Participações Ltda às fls. 723/759 e VAL Empreendimentos e Participações Ltda às fls. 760/781. Tendo em vista que o contrato social da BM Comercial Ltda admitia que a sociedade fosse administrada também por outras pessoas, na forma de mandato, foram identificadas as procurações, cujas cópias constam das fls. 776/781. Em decorrência de todo o exposto, concluise que Márcia Vilefort Martins Chemicharo, sócia da pessoa jurídica com poderes de administração, de acordo com os fatos apurados, é solidária e pessoalmente responsável pelos créditos tributários resultantes dos atos praticados com infração à legislação tributária federal, nos termos dos arts. 124, I e 135, III do CTN, apurados em todo o período compreendido neste Auto de Infração. Idêntica responsabilidade, solidária e pessoal, é atribuída a Márcio Vilefort Martins, sócio com poderes de administração, no período de 01/01/2003 a 22/03/2003, nos termos dos arts. 124, I' e 135 III, do CTN, passando a solidária, conforme art. 124 inc. I do CTN, de 28/02/2005 até a presente data, devido ao seu retorno ao quadro societário da MVM. A responsabilidade solidária e pessoal é também imputada aos Srs. Antônio e Marília Vilefort Martins, por terem agido como procuradores com poderes de administração, gerenciando e representando a empresa, demonstrando interesse comum no negócio e tendo concorrido para a prática das infrações apontadas, conforme revelado, nos termos dos arts. 124, 1 e 135, do CTN. Ainda, a pessoa jurídica MVM Empreendimentos e Participações Ltda, como sócia majoritária da BM, por ter interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das Fl. 15252DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.251 17 obrigações tributárias autuadas, tornase solidariamente obrigada, nos termos do art. 124 I, do CTN. A ciência deste Auto de Infração será dada ao representante legal da pessoa jurídica autuada, bem como aos Srs. Márcio, Márcia, Antônio e Marília Vilefort Martins e à MVM Empreendimentos e Participações Ltda, para que tenham conhecimento do crédito tributário apurado e responsabilidade a eles atribuída. PARTE II CQMPROVAÇÃO DA INIDONEIDADE DE DOCUMENTACAO FISCAL. Inicialmente, o Fisco ressaltou que o contribuinte BM COMERCIAL LTDA foi devida e regularmente intimado a comprovar o pagamento e o efetivo ingresso das mercadorias contabilizadas como adquiridas para revenda das empresas que a seguir detalhadas, tudo consoante Termo de Intimação n°16. Em atendimento a esse Termo de Intimação o contribuinte prestou as seguintes informações, literalmente: Item I : ”a) As compras efetuadas pela empresa intimada, são geralmente consumadas através de corretores de mercadorias que são geralmente itinerantes. b) Os transportadores estão identificados individualmente no rodapé de cada documento fiscal. c) Vide resposta ao item b. d) As respectivas informações estão consignadas nos respectivos livros diário e razão (...). e) empresa não dispõe deste arquivo e não consta nenhuma norma legal que nos obrigue a mantêlo salientando que os estratos bancários, bem como os lançamentos que os sustentam estão contemplados no livro diário e razão. " (Destaques nossos) Frisese, ainda, que as cópias reprográficas das notas fiscais citadas nessa parte, integram o Anexo II e ali se encontram dispostas, na mesma seqüência em que as empresas são relacionadas e descritas, a seguir. Ou Seja, a Fiscalização, minuciosamente, uma a uma, esclarece os motivos e as provas que redundaram nas glosas dos custos deduzidos pelo contribuinte, na apuração do IRPJ e da CSLL, relativamente a documentos fiscais inidôneos emitidos pelas seguintes empresas: Fl. 15253DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.252 18 Da Impugnação. Tendo sido dele cientificado, tanto o sujeito passivo quanto as pessoas físicas ou jurídicas arroladas como responsáveis pelo crédito tributário lançado, esses contestaram o lançamento, conforme discriminado no quadro abaixo: Adiante compendiamse suas razões. I e II DA TEMPESTIVIDADE E DOS FATOS. Inicialmente, o Impugnante esclarece acerca da tempestividade da defesa e faz um breve relato dos fatos que redundaram nas autuações de que trata o presente processo. III DAS PRELIMINARES. Fl. 15254DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.253 19 Da Decadência. Substancialmente, citando o art. 150, § 4°, do CTN, defende que ocorreu a decadência para os fatos geradores acontecidos de janeiro 2003 a setembro de 2003, tendo em vista que a formalização do lançamento se deu em outubro de 2008. Sustenta, ainda, que não se aplica o prazo previsto no art. 173, I, do CTN. III.2 Da Ilegitimidade Passiva dos “COOBRIGADOS”. Sustenta a ilegitimidade passiva de todas as pessoas físicas e jurídicas apontadas como “coobrigadas”, sendo evidente a necessidade de sua exclusão do pólo passivo da lide. Diz que o Fisco, na dúvida de quem deva assumir a pretensa carga tributária, chamou todos para responder, pessoas físicas ou jurídicas, aos quais imputou responsabilidade solidária, ainda que inexista qualquer vínculo societário. III.2.1 Márcio e Márcia Vilefort Martins e MVM Empreendimentos e Participações Ltda. Aos Srs. Márcio e Márcia Vilefort Martins e à empresa MVM Empreendimentos e Participações Ltda, foi imputada a responsabilidade prevista no art. 124, I e 135, III, ambos do CTN. No entanto, no caso em tela, é evidente a inaplicabilidade do art. 124, I, do CTN, pois ao contrário do que pretende o Fisco, esse dispositivo legal não visa instituir uma nova espécie de responsabilidade indireta, ou seja, não pretende determinar que toda e qualquer pessoa que tenha qualquer tipo de interesse na situação que constitua o fato gerador seja responsável solidária pelo crédito lançado. Salienta que a melhor doutrina tem entendido que o art. 124, do CTN, deve ser aplicado nos casos em que ocorrer uma pluralidade de pessoas no pólo passivo da obrigação tributária (contribuintes ou responsáveis), justamente para disciplinar a relação entre eles, se será solidária, subsidiária, etc. Diz, nesse sentido, o art. 124, do CTN, visa ordenar a relação entre aqueles que devem responder pelo crédito tributário, sejam contribuintes ou responsáveis, não se constituindo como uma nova “forma” de responsabilidade tributária. Por fim, mesmo que não se entenda o art. 124, I, do CTN, como sendo mecanismo de graduar a responsabilidade daqueles que já estavam inclusos no pólo passivo da obrigação tributária em caso~de pluralidade de obrigados, não pode ser aplicado à hipótese dos autos porque a expressão “interesse comum” somente pode ser entendida como sendo aqueles que praticaram em conjunto os negócios jurídicos ensejadores do fato gerador. Fl. 15255DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.254 20 No caso, o “interesse comum” aplicase àqueles que efetivamente autuaram como responsáveis da BM Comercial, participando das operações que geraram o suposto recolhimento, a menor, dos tributos em comento, não bastando simplesmente a qualidade de sócio. O “interesse comum” mencionado no CTN não significa interesse econômico no resultado da situação que constitui o fato gerador. No que se refere ao art. 135, III, do CTN, a responsabilidade capitulada nesse dispositivo legal diz respeito à extensão da responsabilidade ao administrador da pessoa juridica “devedora”. Tal responsabilidade existe, desde que comprovada a prática de atos com excesso de poderes, infração da lei, contrato social ou estatutos. Alega, no caso presente, todavia, a Fiscalização se eximiu de comprovar suas alegações. Diz, ocorre que o critério para atribuir a responsabilidade prevista no art. 135, do CTN, não se resume ao simples fato de gestão da sociedade. E preciso estar presente a culpa subjetiva. Nesse prisma, a questão é saber se o mero não pagamento de tributos acarreta infração à lei para os fins colimados no art. 135, do CTN. A seguir, citando doutrina e jurisprudência, defende que o inadimplemento da obrigação tributária por si só não enseja a aplicação da responsabilidade pessoal. Concluindo, diz, salta aos olhos que, na messe tributária, o átimo limiar que atribui responsabilidade ao administrador é o seu grau de atuação à frente dos interesses da pessoa jurídica, de forma que sua responsabilidade pessoal surge com a não observância das diretrizes legais, desde que amplamente alegadas, individualizadas e, principalmente, comprovadas. O arrepio desta conjectura inutiliza qualquer pretensão, devendo ser afastada a responsabilidade que se pretende imputar aos Impugnantes MVM Empreendimentos Ltda, Márcio e Márcia Vilefort Martins, seja com base no art. 124, I, ou no art. 135, III, do CTN. III. 2.2 Antônio Vilefort Martins e Marilia Vilefort Martins. Os Impugnantes, embora não tenham integrado o quadro societário da autuada BM Comercial Ltda, foram também incluídos no pólo passivo da autuação em razão de procurações que lhes foram outorgadas pela sociedade. Ressalta, inicialmente, que meros instrumentos de procuração não geram responsabilidade tributária, sob pena de qualquer cidadão sujeitarse a ações desta natureza, o que desafia a segurança jurídica. Diz, os Impugnantes, que nunca pertenceram ao quadro societário da empresa, jamais exerceram atos de gesta de cunho Fl. 15256DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.255 21 fiscal, o que lhes retira totalmente do campo de abrangência do auto de infração em tela. Os instrumentos de mandato, não há como se furtar, constituem fraca presunção alegada pelo Fisco acerca da responsabilidade tributária. Assevera que cabia à Fiscalização provar que os Impugnantes realizaram operações associadas às razões que culminaram na exigência fiscal. Todavia, se eximiu de fazêlo, restando evidenciada a subjetividade do lançamento, o que não se coaduna com as peculiaridades deste instituto. Salienta que os Irnpugrrantes, legitimados pelas procurações que lhes foram outorgadas, praticaram apenas atos de cunho comercial e de gestão empresarial, tal qual a assinatura de cheques, aberturas de contas e endosso de duplicatas. Notese que a Fiscalização não aponta qualquer evidência de que os Impugnantes concorreram para a alegada omissão no recolhimento dos tributos lançados. Por tais razões os Impugnantes devem ser excluídos do pólo passivo da relação processual. III.3 Da Infringência ao Princípio da Ampla Defesa Argumenta que a ampla defesa, por ser um direito e garantia constitucional e segundo os melhores ditames da hermenêutica constitucional, não pode ser interpretada de forma restritiva, sendo que qualquer irregularidade no processo administrativo fiscal que leve o contribuinte a ter dificuldade em compreender o fato que lhe foi imputado e, por conseguinte, elaborar uma ampla defesa sólida, deve culminar na nulidade de todo o procedimento. Sustenta que, no caso em tela, o Auto de Infração não preenche os requisitos legais indispensáveis à sua validade, não possibilitando aos Impugnantes 0 exercício pleno de seu direito de defesa, eis que a falta de informações essenciais dificulta a elaboração de uma malha de argumentação sólida. Em relação ao PIS e à COFINS, alega que não foi intimada do procedimento que culminou na desconsideração das notas fiscais que fundamentaram o presente lançamento, fato que não se pode aceitar. Sustenta, sendo a declaração de inidoneidade dos documentos fiscais a causa do lançamento, resta concluir que a ausência da ciência da autuada nos processos/procedimentos que resultaram nessa declaração macula todo o trabalho. Evidencia a dificuldade que o contribuinte tem de se defender no prazo destinado à apresentação da Impugnação, considerando que o Termo de Verificação Fiscal TVF tem um grande volume de páginas (198 fls.), sendo que, acrescidos do Auto de Infiação propriamente dito, constituem um montante considerável de documentos para serem analisados no prazo exíguo da Impugnação. Somase a isso o fato de que todos os documentos Fl. 15257DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.256 22 apontados no TVF, cuja referência da página encontrase em parênteses, encontramse sem preenchimento dessa referência. Alega, ainda, que a Administração Pública deve preencher os requisitos do art. 142, do CTN, independentemente da postura do administrado. DO MÉR1TO. IV.1 Do Pis e Da Cofins NãoCumulativos. O presente tópico trata apenas do PIS e da Cofins sujeitos á sistemática não cumulativa de recolhimento e apuração. IV.1.1 Da Glosa Indevida de Créditos Consignados em Notas Fiscais Consideradas Inidôneas. IV.1.1 Da Impossibilidade de Prevalecerem os Procedimentos da Fiscalização Da Ausência de Competência (Lega e Técnica)_para que a Autuada Realize a Fiscalização de seus Fornecedores e Respectivos Documentos Fiscais, Contábeis e Societários. A Fiscalização alega que as contribuições teriam sido recolhidas, a menor, em razão de ter ocorrido aproveitamento de créditos indevidos, eis que destacados em notas fiscais de entrada consideradas inidôneas e que, no entender, do Fisco, não corresponderem à saída efetiva de mercadorias dos estabelecimentos emitentes. Sustentase, assim, a autuação na descabida alegação de que diversas notas fiscais escrituradas pela Autuada seriam inidôneas, assim caracterizadas por Atos Declaratórios emitidos pela Secretaria de Estado da Fazenda/MG posteriormente à realização das compras e vendas firmadas e devidamente cumpridas entre a empresa Impugnante e seus fornecedores. A Fiscalização também apurou informações sobre os fornecedores, bem como realizou diligências em seus estabelecimentos e em cartórios, diligências essas que poderiam, à primeira vista, corroborar o lançamento. Entretanto, após uma análise mais apurada, denotase claramente que os esforços da Fiscalização somente serviram para “incrementar” o quadro, data venia, fantasioso imaginado pelo Fisco. Ora, isso porque todas as informações e diligências foram apuradas e realizadas recentemente, ou seja, aproximadamente 05 cinco anos após a ocorrência das operações comerciais celebradas entre a Autuada e seus fornecedores. Sustenta, a investigação sobre se uma empresa funcionava ou não de fato em uma determinada época realizada anos depois gera, no máximo, conjecturas (nem mesmos presunções), que certamente não podem ser utilizadas para fins de lançamento, em razão dos princípios da legalidade. Fl. 15258DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.257 23 Ressalta, por outro lado, não foram realizados quaisquer procedimentos no estabelecimento da Autuada que pudessem conferir a certeza necessária ao crédito tributário. E o que é pior, a Fiscalização jamais possibilitou a efetiva participação da empresa autuada durante as suas investigações, impossibilitando o pleno exercício de seu direito de defesa. Dessa forma, os laudos contábeis e documentos anexados à presente Impugnação refutam completamente as informações colhidas pela Fiscalização. Salienta, a declaração de inidoneidade baseada em atos declaratórios e procedimentos realizados após tantos anos da ocorrência das operações é assunto controvertido, haja vista o fato que os Atos Declaratórios de falsidade ou inidoneidade de documentos fiscais, embora posteriores às operações mercantis, no equivocado entender do Fisco, teriam efeito retroativo. Diz, declarar unilateralmente que este ou aquele documento fiscal é falso ou inidôneo é comportamento temerário do Fisco, desestabilizador das relações entre este e o contribuinte e derrogador dos direitos e garantias constitucionais, sobretudo porque tal declaração (com efeitos retroativos) não é precedida de notificação aos interessados, nem tampouco decorre de processo regular, provedor dos meios legais de defesa. Alega, a verdade é que a Impugnante não tem como atestar se o fornecedor está em dia com suas obrigações fiscais ou se aquele documento realmente não legitimaria a tomada de crédito. Primeiro porque a Impugnante não tem o dever legal de atuar como agente fiscalizador, ou melhor, sequer possui legitimidade para tanto; e segundo, em razão de não deter capacidade técnica para analisar requisitos' estruturais das notas fiscais a fim de apontar se são “paralelas” ou não. Esclarece que, mesmo sabendo que o encargo de fiscalizar o funcionamento de seus fornecedores não lhe pertence, promoveu, à época das operações mercantis realizadas com cada fornecedor, consulta ao SINTEGRA/ICMS, no “site” www.sintegra.sefmggov.br, a fim de verificar a situação cadastral dos mesmos. Realizando essa diligência, ficou comprovada, vez por todas, a insubsistência do feito fiscal, eis que há empresas fomecedoras, cujas notas fiscais foram glosadas, encontramse, até a presente data, com situação cadastral HABILITADA no SINTEGRA (telas em anexo), sendo verdadeiro absurdo considerar que operações com contribuintes de tanta tradição possam não ter ocorrido na realidade. E não é só isso, analisandose a situação cadastral de seus fornecedores e fazendo um confronto com a data de emissão das notas fiscais constantes do Auto de Infração, verificouse que o cadastro da todas as empresas, somente foi considerado “não habilitado” em data posterior a da operação realizada com a Fl. 15259DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.258 24 Impugnante, conforme se confere em quadro constante da defesa (planilha informativa e relas do SINTEGRA em anexo). Enfatiza, a obrigação determinada pela legislação tributária é a de que o comprador ao receber a nota fiscal, formalmente em ordem, exija da outra parte que apresente o documento comprobatório de sua inscrição na competente repartição fazendária, o que foi cumprido a contento pela Autuada. Conferido todos os dados constantes na nota fiscal quando chegou acobertando o transporte das mercadorias, essa foi encaminhada, com visto de controle para a contabilidade, onde foi feito o lançamento nos livros de escrita fiscal e processado o pagamento na forma e condições ajustadas. Ressalta, se os fornecedores, quando da realização das operações questionadas, apresentam carimbos, autenticações, contratos sociais e demais documentos falsos ou inidôneos para a Autuada, não há que se falar em qualquer penalidade a essa empresa, mas sim aos citados fornecedores. Frisa que as mercadorias realmente adentraram em seu estabelecimento. Alega que não pode ser responsabilizada por atos de seus fornecedores, pois somente muito tempo depois das operações é que tomou ciência das irregularidades dos respectivos documentos fiscais. Desse modo, nenhuma responsabilidade lhe pode ser imputada, pois em momento algum tinha condições de saber a respeito da idoneidade da empresa que emitiu a nota fiscal questionada.. Cita trechos de um Acórdão da 1” Câmara do Conselho de Contribuintes. Assevera, na verdade, é impossível saber se uma empresa é idônea porquanto o processo que a declara como inidônea é feito à revelia de todos os contribuintes, culminando com o absurdo efeito retroativo da declaração. " Resta evidente que no caso de notas “paralelas” ou sem autorização do Fisco, a verdade é que o adquirente de boafé, no momento da compra, não tem como aferir a validade formal de tais documentos. Diante disso, seja em razão da ausência de competência (legal e técnica) da Autuada para testar sobre a idoneidade dos documentos emitidos pelos fornecedores, seja pela efetiva ocorrência das operações mercantis glosadas, resta incabível a glosa dos custos pretendida no presente Auto de Infração. IV.l.l.2 Da Ausência de Diligências Tendentes a Comprovar que Inocorreu Efefiva Entrada e Pagamento de Mercadorias no Estabelecimento da Autuada e Do Onus da Prova. Fl. 15260DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.259 25 Reafirmando que o Fisco não diligenciou no sentido de tentar comprovar se houve, ou não, a efetiva entrada das mercadorias no seu estabelecimento, a Impugnante cita que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes é pacífica no sentido que somente com a comprovação inequívoca de que as operações efetivamente não ocorreram pode se decretar a inidoneidade de documentos fiscais. Ressalta que, no caso em tela, não se observa a existência de nenhuma prova direta, apenas indícios interpretados pelo Fisco de fonna a tentar caracterizar a inidoneidade da documentação fiscal. Todavia, diz que trouxe aos autos provas que contradizem os argumentos do Fisco (planilhas, comprovantes de pagamentos, comprovantes de importação, notas fiscais de transferência com carimbos das barreiras fiscais, etc.) Salienta que os indícios foram contraditados na impugnação, inclusive com a juntada de planilhas, notas fiscais com carimbos opostos pela fiscalização estadual, comprovantes de importações, dentre outros. Salienta, apenas para ilustrar, que no caso da Nota Fiscal n° 00649, emitida pela empresa Realmix Comércio e Distribuição, que vendeu para essa empresa 1.450 caixas de maçãs “gala”, através da Nota Fiscal n° 021608, no valor de R$ 17.400,00. Entretanto, a Realmix entendeu por bem ficar com apenas 893 caixas, devolvendo 557, através da nota fiscal acima mencionada, no valor de R$ 6.684,00. Toda a operação foi realizada via bancos, com pagamentos de boletos em nome das próprias empresas, conforme documentos anexos. Desse modo, o exemplo acima serve para refutar o trabalho da Fiscalização, tendo em vista que esse documento fiscal é idêntico aos demais emitidos por esse fornecedor, não havendo como a Autuada verificar se havia ou não algum problema nas demais notas emitidas por essa empresa. . Diante disso, como nos autos não pode ser atestada inequivocamente a inidoneidade dos documentos fiscais, sendo os supostos indícios coletados pelo Fisco insuficientes para conferir ao crédito tributário a certeza e a liquidez necessárias, tendo em vista a ausência de comprovação de que não houve a efetiva entrada e pagamento de mercadorias no estabelecimento da Autuada, deve a presente Impugnação ser provida para cancelar o Auto de Infração. IV.l.l.3 Da Indevida Retroação da Inidoneidade dos Documentos Fiscais. Aduz, mesmo ocorrendo a constatação da inidoneidade, somente agora a Fiscalização pretende que tais efeitos retroajam à data das compras realizadas pela Autuada, fato que não se pode admitir no paradigma do Estado Democrático de Direito. Fl. 15261DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.260 26 Salienta que os referidos atos foram publicados após a realização das operações comerciais discutidas no presente processo. Sustenta, desse modo, seja tomando como marco a verificação da inidoneidade do Fiscal Federal ou a data de publicação dos Atos Declaratórios pelo Fisco Estadual, somente prevaleceria a autuação fiscal se os efeitos da suposta inidoneidade retroagissem até a data da ocorrência das operações comerciais realizadas entre a Autuada e seus fornecedores, fato que não pode prevalecer. Nesse sentido, a Impugnante apresenta quadro demonstrativo indicando que os Atos Declaratórios foram publicados, no Diário Oficial do Estado de Minas Gerais, em data posterior a da emissão dos documentos fiscais glosados. Ocorre, todavia, que o efeito retroativo que pretende o Fisco atribuir aos Atos Declaratórios não encontra respaldo no campo jurídico. Citando os arts. 100, I, 103, I, 105 e 106, todos do CTN, alega a impossibilidade da retroatividade dos efeitos dos referidos Atos Declaratórios. Diz que a pretensão do Fisco de proceder a glosa das despesas realizadas pela Autuada, sob alegação de falsidade ou inidoneidade dos documentos fiscais que acobertaram dada operação mercantil, constitui verdadeira arbitrariedade. A Impugnante, nesse sentido, cita jurisprudência do STJ. Alega também que o Conselho de Contribuinte manifestou seu entendimento no sentido que os atos declaratórios de inaptidão não têm o condão de descaracterizar documentos fiscais emitidos antes de sua edição. IV.l.l.4 Da Tributação das Mercadorias em Questão em sua Saída do Estabelecimento da Autuada Conseqüência Inafastável de sua Entrada Improcedência do Auto de Infração. Diz, o Fisco desconsiderou os créditos de PIS e Cofins decorrentes da aquisição de mercadorias devidamente escrituradas nos livros da Impugnante, reconstituindo a sua receita tributável. Contudo o Fisco não poderia simplesmente eliminar os referidos créditos. Salienta que o lançamento teve como fundamento a inidoneidade das notas fiscais e, por conseguinte, a suposta inocorrência da entrada das mercadorias mencionadas nesses documentos no estabelecimento da Impugnante. Diz, na prática, o Fisco determinou que não houve a entrada da mercadoria. Fl. 15262DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.261 27 Então, cabe indagar: como pode exigir o PIS e a Cofins, referentemente à receita apurada com a saída dessas mercadorias nas operações futuras realizadas pela Autuada? Na, data vênia, ABSURDA hipótese de se considerar inexistente a entrada de produtos, adotada somente a título de argumentação, deveria ter sido realizada diligência tendente a verificar a efetiva saída de mercadorias para que fosse devidamente recomposta a receita tributável da Autuada. Assim, ou se entende que as mercadorias realmente foram adquiridas (o que traduz a verdade), ou se entende que as notas são inidôneas/falsas, não representando entrada de mercadorias, o que significa a impossibilidade de saída de produtos para revenda. Diz, em síntese, a receita tributável deveria ter sido recomposta. IV.l.l.5 Da Comprovação da Ocorrência das Operações Mercantis Da Fragilidade do Feito Fiscal. Ao contrário do alegado no TVF, a verdade é que os pagamentos realizados pela Autuada, longe de constituírem em parcelas destinadas a beneficiários desconhecidos, trataramse de efetivas quitações das transações comerciais ocorridas entre a BM e seus fornecedores, sendo que anexo à presente Impugnação encontrase um levantamento detalhado, nota por nota, que comprova a efetiva ocorrência de todas as operações glosadas. Cita Jurisprudência do STJ, que já se manifestou no sentido de que comprovada a ocorrência da operação comercial, não se pode responsabilizar o adquirente de boafé, sobre qualquer irregularidade de seu fornecedor. Diz, no presente caso, a Autuada anexa provas no sentido de demonstrar inequivocamente as ocorrências fáticas das operações comerciais. Seguindo essa ótica, mister adentrar mais profundamente no caso das notas fiscais emitidas pela empresa “MSP COMERCIO DE MERCADORIAS EM GERAL LTDA”. Salienta, o ANEXO 10 (e “subanexos”) da presente Impugnação demonstra inequivocamente que ocorreram de fato as operações comerciais, como circulação física de mercadorias. O ANEXO 10.1 comprova o início da cadeia de circulação das mercadorias com os documentos relativos à sua importação; As mercadorias que a BM adquiriu da MSP foram devidamente importadas. No ANEXO 10.2, por amostragem, constam as notas ficais de venda dos produtos da MSP para a filial da BM em São Paulo e as notas de transferência dessas mercadorias para o estabelecimento Autuado em Minas Gerais. Essas mercadorias transferidas foram devidamente analisadas pelo Fisco Mineiro. Fl. 15263DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.262 28 No ANEXO 10.3, juntamse comprovantes bancários do pagamento das mercadorias. A autuada pagou pelas mercadorias através de transferência bancária de dinheiro., sendo debitado o respectivo valor de sua conta e creditado diretamente na conta bancária da MSP. Destaca que todas as provas colacionadas nesse caso servem para demonstrar que todo o quadro dantesco pintado pela Fiscalização não possui nenhuma conotação técnico jurídica, não podendo prevalecer após um olhar mais aprofundado. A ausência de certeza quanto ao fato tributável ocorrida com a análise das provas anexadas culmina, portanto, na inevitável aplicação do art. 112, II, do CTN. IV.1.2 Da Validade do Aproveitamento de Créditos Decorrentes"'d'o Pagamento de Frete a Pessoas Jurídicas. A Fiscalização o também glosou os créditos relativos ao pagamento de frete a pessoas jurídicas. Segundo o Fisco, o frete somente poderia ser apropriado pelo contribuinte se for destinado à venda, caso consista ônus do vendedor e apenas após 1° de fevereiro de 2004. Alega, conforme comprovam os documentos anexos, não restam dúvidas de que os fretes em comento foram destinados aos clientes da Autuada, ou seja, realizados para a venda de mercadorias. A BM também é quem arca com as despesas (vendas com cláusula CIF). Quanto ao início do prazo do aproveitamento, não podem prevalecer as alegações do Fisco, eis que a legislação prevê seu creditamento em razão de que, além do valor despendido pelo contribuinte efetivamente caracterizarse como sua despesa, é fundamental para o desempenho de sua atividade. Diz, o legislador ordinário, ao aumentar a alíquota das duas contribuições, permitiu ao contribuinte o aproveitamento de diversos créditos para redução da base imponível. Dentre esses créditos estão os insumos vinculados à atividade da empresa. Sob essa ótica, todos os valores despendidos pela Autuada relacionados com as suas atividades comerciais deve estar alcançado pela norma que concede o direito ao crédito. Pensar o contrário é aplicar interpretação extremamente restritiva e gravosa à Autuada em sw ofensa não só aos Princípios da Legalidade e Capacidade Contributiva, mas também ao art. 108, do CTN. Dessa forma, seja através da analogia ou da aplicação dos Princípios da Legalidade e da Capacidade Contributiva, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que devese interpretar o conceito de insumo a todas as despesas Fl. 15264DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.263 29 fundamentais utilizadas pelo contribuinte em suas atividades, garantidolhe a integral tomada de créditos. IV.1.3 Da Validade do Aproveitamento de Créditos Decorrentes da Aquisição de Combustíveis e Lubrificantes. A Fiscalização também desconsiderou a apropriação de créditos decorrentes da aquisição de combustíveis e lubrificantes sob alegação de falta de previsão legal, eis que não se enquadrariam no conceito de insumos. Inicialmente, ressalta que a Autuada possui frota própria (documentos em anexo) e que os combustíveis e lubrificantes cujos créditos ora se debate foram efetivamente utilizados nos caminhões da própria empresa e em cumprimento de suas atividades comerciais, na~ o havendo dúvidas em sua classificação como insumos. Após uma análise apurada das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, sob o enfoque das regras de hermenêuticas do art. 108, do CTN, o conceito de insumos não deve ser utilizado de forma restrita a ponto de anular a própria nãocumulatividade das exações. Diz, na verdade, todas as despesas necessárias devem ser consideradas como insumo, conseqüentemente gerando o direito a crédito. Diversas Soluções de Consulta da Secretaria da Receita Federal do Brasil admitem créditos na esteira dos apropriados pela Autuada (transcrevese ementas). Assim, tendo em vista que a RFB já se manifestou expressamente sobre a possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes de despesas com combustíveis, lubrificantes, manutenção de veículos, dentre outros, similares àqueles glosados pela Fiscalização, deve ser considerado improcedente o lançamento quanto ao ponto ora analisado (cita o art. 100, do CTN). Frisa que constitui evidente ofensa ao Princípio da Isonomia Tributária considerar, por exemplo, que para empresas de engenharia as despesas com manutenção de veículos e combustíveis sejam consideradas como insumos, enquanto para Autuada não. No mesmo sentido viola o Primado da Igualdade entender que empresas destinadas a realização de eventos podem desconta despesas com passagem e hospedagem, sendo a Impugnante autuada pela mesma prática. IV.l.4 Da Necessidade de Exclusão da Base dos Créditos Glosados as ' Operações com Azeitonas Saídas Não tributadas. Alega que deve ser excluída da base dos créditos glosados todas as operações realizadas com azeitonas, tendo em vista que se tratam de casos nãotributados pelo PIS e pela Fl. 15265DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.264 30 No próprio TVF, afirma.se que as saídas nãotributadas devem ser excluídas da base dos créditos glosados. Entretanto, o Fisco não procedeu as exclusões dos casos em que houve comercialização de azeitonas. Salienta que as azeitonas (07.ll.20 e códigos derivados) estão compreendidas no Capítulo 7 da TIPI. A Autuada anexa aos autos comprovantes de importação dessas mercadorias. Ademais, no ANEXO 10.1, há diversas outras importações de azeitonas na classificação fiscal 07.11.20 e seus derivados, comprovando que esse produto era não tributado à época, portanto, devendo ser excluído do contexto do Auto de Infração. IV.2 Da Cofins Sujeita À Sistemática Cumulativa. Destaca que, em relação ao período de janeiro de 2003 a janeiro de 2004, exigese a COFINS, em razão de diferenças entre os valores informados em DCTF e os escriturados. Entretanto, ainda que prevalecesse essa alegação, haveria necessidade de provimento da presente impugnação em razão da adoção equivocada da base de cálculo, eis que no seu bojo estão incluídas parcelas não enquadradas no conceito de faturamento. Ademais, esclarece que a controladora da Autuada (empresa VAM) sofreu operação de cisão, em 31/12/2004, vertendo direitos e obrigações da Autuada para a empresa VALMIG Ltda, controlada pela empresa cindida (VAL Empreendimentos "e Participações Ltda). Dessa forma, ainda que fosse procedente o lançamento (fato que somente se admite para argumentar), é a empresa VALMIG a responsável pelo seu recolhimento, como comprovam os balanços constantes no Laudo do Protocolo de Justificativa de Cisão em anexo. IV.2.1 Da Necessidade de Exclusão da Base de Cálculo da Cofins de Valores que Não Correspondem às Receitas de Vendas de Mercadorias ou de Prestação de Serviços. Nessa parte da defesa, a Impugnante, substancialmente, defende que a base de cálculo da COFINS é o faturamento, definido pela LC n° 70, de 1991, art. 2°, ou seja, “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza Salienta que o art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998, alargou indevidamente o conceito de faturamento. Entretanto, em decisão datada de 09 de novembro de 2005, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o referido dispositivo legal, que procedeu ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 15266DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.265 31 Diz, dessa forma, não se pode exigir a COFINS (cumulativa) sobre a totalidade das receitas auferidas pela Autuada. IV.2.2 Da Necessidade da Exclusão do ICMS da Base de Cálculo do PIS e da Cof'ms Antes e depois da sistemática da não cumulatividade. Alega que na definição de “faturamento”, base de cálculo do PIS e da COFINS exigidos pelo Fisco, não se refere ao valor integral da nota fiscal ou fatura, incluindose o ICMS destacado para simples registro contábilfiscal. Diz, na verdade, não se fatura o ICMS, não podendo essa parcela ser inserida na base de cálculo das citadas contribuições. Por outro lado, na hipótese da sistemática nãocumulativa, a base de cálculo legalmente autorizada passou a ser tanto o faturamento quanto a receita das pessoas jurídicas, eis que as Leis n°s 10.833, de 2003, e 10.637, de 2002, foram editadas sob a égide da Emenda Constitucional n° 20, de 1998. Entretanto, ainda nesse contexto, o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins em razão de que o imposto estadual não pode ser considerado como faturamento da Autuada, nem mesmo como parcela de sua receita. Citando doutrina e jurisprudência, defende que o ICMS não é faturamento nem receita da Impugnante. Diz, desse modo, é patente a impossibilidade da inclusão do citado imposto estadual na base de cálculo do PIS e da Cofins. IV.3 Da Inaplicabilidade Das Multas da Forma como pretendido pelo Fisco. IV.3.1 Da Infringência aos Princípios da Vedação ao Confisco e da Capacidade Contributiva. Nessa parte da defesa, defende, substancialmente, que, em relação às penalidades aplicadas, mesmo havendo previsão legal, a aplicação de multa não pode violar o princípio do Não Confisco e é obrigada a observar a Capacidade Contributiva da Impugnante, devendo ser decotada do Auto de Infração, isso na impensável hipótese do tributo ser realmente considerado devido. IV.3.2 Da Infringência ao Princípio da Proporcionalidade/Razoabilidade. Em resumo, combate a exigência de multa isolada, porque é excessivamente onerosa, desproporcional e, portanto, flagrantemente ofensiva aos princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade. Assim, requer a supressão da multa ou sua redução para o patamar mínimo. Fl. 15267DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.266 32 IV.3.3 Da Multa Qualificada Inexistência dos Requisitos Legais para Sua Aplicação. Apenas para argumentar, a Impugnante combate a penalidade imposta, em especial, nesse tópico, no que se refere à qualificação da multa (150%). Alega que o enquadramento realizado pela Fiscalização (prática de sonegação e fraude, previstas nos arts. 71, I e 72, da Lei 4.502/1964) exige análise detida, eis que tal acusação somente merece prosperar em caso de provas inequívocas, que impossibilitem a existência de qualquer dúvida sobre a conduta dolosa dos imputados. Assevera que, após uma análise mais aprofundada, com parcimônia e sob o olhar exclusivamente técnicojurídico que a situação demanda, não há comprovação de quaisquer circunstâncias que autorizem o agravamento da penalidade pretendido pela Fiscalizaçao. Ora, são improsperáveis as alegações inferidas, especialmente quando em momento algum houve o intuito de sonegação. Durante toda defesa foi comprovado, à saciedade, a inexistência de dolo ou sonegação nas operações realizadas. A este respeito, foi visto que efetivamente ocorreram as operações comerciais glosadas e que os créditos de PIS e Cofins aproveitados são legítimos, não podendo o Fisco aplicar interpretação tão restritiva a ponto de ferir princípios constitucionais. Destaca, se houvesse o dolo não ação do contribuinte o alegado intuito de sonegação não teria este escriturado as receitas em sua contabilidade. Também não teria a Autuada, ao ser solicitada, prontamente apresentado à Fiscalização diversos documentos. Cita que os Conselhos de Contribuintes vêm consolidando a jurisprudência no sentido de que apenas a certeza do evidente intuito de agir contra a lei, permite e determina a majoração da multa de ofício. Em razão disso, fazse necessário sair da abstração proposta pela Fiscalização e enfrentar a realidade posta em exame, donde se concluirá pela inexistência de fraude que justifique a aplicação da multa exigida. Assim, requer a supressão da multa ou sua redução para o patamar mínimo (vinte por cento), conforme estabelece o art. 61, da Lei n° 9.430, de 1996. IV.34 Da Impossibilidade de Aplicação da Multa Agravada Do Atendimento a Todas as Intimações. Salientando que a multa qualificada foi ainda agravada, conforme previsto no art. 44, § 2°, da Lei n° 9.430,l996, tendo em vista que a Autuada teria deixado de apresentar arquivos magnéticos solicitados nos Termos de Intimação n°s 001, 002, Fl. 15268DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.267 33 004 e 006, defende, todavia, que o agravamento da penalidade somente pode ser aplicado nos caso em que o contribuinte simplesmente ignora as intimações, dificultando o trabalho do Fisco, o que não foi o caso dos autos. Em primeiro lugar, salienta que as informações contidas nos arquivos magnéticos solicitados nos Termos de Intimação .mencionados JA ERAM DE CONHECIMENTO DO FISCO eis que toda a escrita contábilfiscal já tinha sido V 3 disponibilizada através de meios “nãoeletrônicos”. 4 Sobre essa questão, alega que o Conselho de Contribuintes já se manifestou no sentido de que se a Fiscalização detinha as infom ações que necessitava para a conclusão do feito fiscal, não há que se falar em agravamento da multa, mesmo nos casos em que não há participação do contribuinte no fornecimento dessas informações, que dirá quando é o próprio contribuinte quem fornece tais dados, apenas deixando apenas de entregála. Em segundo lugar, frisa que TODAS as intimações foram devidamente respondidas pela Autuada. Diante disso, assevera que a multa deve ser aplicada em seu patamar mínimo. IV.4 Da Impossibilidade de Aplicação da Taxa SELIC. Defende, substancialmente, que o cômputo dos juros moratórios com base na Taxa SELIC é evidentemente ilegal por consistir em remuneração do capital. V DO PEDIDO. Por todo o exposto, pede seja recebida e julgada procedente a presente Impugnação. Alternativamente, pede seja determinada a retirada da multa ou sua redução . ao menor patamar legalmente possível. Pugna pela exclusão do crédito tributário dos valores cobrados a título de juros com base na Taxa SELIC, aplicandose tão somente os juros previstos no CTN, no importe de 1% (um por cento) ao mês, incidentes apenas sobre o principal, e não sobre as multas. Por fim, protesta pela realização de quaisquer tipos de prova e pela juntada de novos documentos capazes de elidir o feito fiscal. É o relatório. Da Portaria DRJ/BHE n° 2, de 28 de janeiro de 2009. Às fls. 1085, consta cópia da publicação no DOU, de 29 de janeiro de 2009, da Portaria DRJ/BHE n° 2, de 28 de janeiro de 2009, que distribuiu o presente processo administrativo fiscal para julgamento na Segunda Turma desta delegacia. Fl. 15269DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.268 34 É o relatório." A DRJ em sua decisão de primeira instância, manteve o lançamento, nos termos da ementa reproduzida abaixo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTARIO As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua O fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Comprovado O evidente intuito de fraude, O prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício àquele em que O lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO A multa de oficio será qualificada e agravada, ao mesmo tempo, no percentual total de 225%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis; e sempre que o sujeito passivo, no prazo marcado, deixe de atender intimação fiscal para apresentar os arquivos magnéticos relativos à sua escrita contábil ou fiscal. JUROS DE MORA TAXA É legitima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003, 2004 SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO CUMULATIVA. O faturamento como base de cálculo dessa contribuição será determinado pela totalidade das receitas auferidas, admitidas as exclusões expressamente listadas na lei. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes O tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 15270DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.269 35 Existe previsão legal apenas para a exclusão da base de' cálculo de valores relativos ao ICMS recolhidos na condição de substituto tributário. A SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. A abrangência da definição de “insumo” tanto no caso da produção ou fabricação de produtos para revenda como no de prestação de serviços, não pode ser interpretada como todo e qualquer bem ou serviço que produz despesa necessária à atividade da empresa, mas, tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam, direta e efetivamente, utilizados como insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Somente as azeitonas, conservadas transitoriamente, com água salgada, sulfurada ou adicionada de outras substâncias, mas impróprias para consumo imediato, nesse estado, classificadas na posição “07.1l.20 (e derivados), da TIPI, estão sujeitas à alíquota 0 (zero). A base de cálculo é tanto o faturamento quanto a receita da pessoa jurídica, não havendo previsão legal para exclusão do ICMS embutido no preço da mercadoria vendida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004 SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. Somente a partir de 1° de fevereiro de 2004 é que a pessoa jurídica pode descontar créditos da Contribuição para o PIS decorrentes das despesas de frete, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. A abrangência da definição de “insumo” tanto no caso da produção ou fabricação de produtos para revenda como no de prestação de serviços, não pode ser interpretada como todo e qualquer bem ou serviço que produz despesa necessária à atividade da empresa, mas, tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam, direta e efetivamente, utilizados como insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Somente as azeitonas, conservadas transitoriamente, com água salgada, sulfurada ou adicionada de outras substâncias, mas impróprias para consumo imed iato, nesse estado, classificadas na posição “07.11.20 (e subposições), da TIPI, estão sujeitas à alíquota 0 (zero). A base de cálculo é tanto o faturamento quanto a ' receita da pessoa jurídica, não havendo previsão legal para exclusão do ICMS embutido no preço da mercadoria vendida. Fl. 15271DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.270 36 Lançamento Procedente" Em Recurso Voluntário de fls. 1469 o contribuinte contestou o arrolamento de bens, alegou a decadência, da ilegitimidade passiva, ilegitimidade pela cobrança da Cofins cumulativa por ocorrência de cisão, da ilegitimidade dos sócios, Marília é funcionária da empresa, ampla defesa, do pis e Cofins não cumulativo empresas de nfs inidôneas continuam habilitadas normalmente, retroação da inidoneidade e defende a legitimidade das suas operações. Os autos foram distribuídos e pautados conforme Regimento Interno deste Conselho. Em fls. 14965, esta Turma de julgamento decidiu por converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: "Principalmente com relação às aquisições dos produtos e a situação da inidoneidade das notas fiscais e inaptidão das empresas fornecedoras desse produtos, em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que o contribuinte, podendo a receita se manifestar sobre, junte aos autos o seguinte: 1 Elabore quadro comparativo que informe em uma única planilha as datas das declarações de inidoneidade das pessoas jurídicas constantes nas operações e as datas das operações de aquisição de bens e/ou serviços, indicando quais notas foram emitidas antes e depois dos respectivos atos declaratórios; 2 Laudo Técnico que revele de forma concisa a relação dos insumos glosados com as atividades da empresas, com informações que revelem a utilização quantitativa e qualitativa e sua relação com a atividade da empresa e assim por diante, insumo por insumo, para que fique claro inclusive que a utilização se deu em razão destas atividades." Em fls. 15028 está a resposta do contribuinte à diligencia, oportunidade em que juntou laudo técnico e a planilha solicitada, assim como juntou decisão judicial comprovando que ela pode exercer atividade econômica e não está inapto. Em fls. 15048 juntou planilha com as datas das notas fiscais de aquisições e datas das idoneidades e inaptidões. Em fls. 15049 apresentou laudo técnico pericial e outros laudos do Inmetro confirmando quais foram as mercadorias e suas quantidades e NFs correspondentes de alho, maça e azeite, por exemplo. Em fls.15191 pretende comprovar que vendeu o que comprou, contraargumentando a discussão a respeito do seu estoque. Em fls. 15200 foi juntado o Relatório Fiscal elaborado com base no resultado da diligência e informações prestadas pelo contribuinte, com a seguinte conclusão: "A conclusão proferida pela perícia é equivocada, com base nas planilhas apresentadas com relação às compras, o perito levou Fl. 15272DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.271 37 em consideração somente as notas consideradas inidôneas, entretanto os produtos constantes das notas consideradas inidôneas também constam das notas fiscais que não foram questionadas e que foram mantidas. O prório perito informa que na “análise fica demonstrado também de forma clara, tendo em vista que o volume comercializado em Kg (quilograma) por produto é bem superior as compras ora questionadas, evidenciando também a existência de outras compras realizadas pela Empresa e que não foram objeto de questionamento”. Com relação às notas de saída o períto considerou notas fiscais com emissão de 2005 que fogem o período abrangido pela fiscalização (2003 e 2004). Nos termos em que foi feita a perícia não tem como traçar um quadro comparativo das quantidades entre as entradas e saídas de cada produto nos anocalendário de 2003 e 2004. Os elementos apresentados pela perícia não trazem quaisquer dados adicionais que refutem a inidoneidade dos documentos fiscais." Após, os autos retornaram para julgamento e foram pautados, nos moldes do regimento interno. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Com relação ao arrolamento de bens, por ausência de previsão legal expressa, este tema não é de competência deste Conselho e, portanto, não pode ser apreciado. Com relação ao tópico relativo às azeitonas e sua alíquotas, se zero ou não tributada, verificase nos autos que o contribuinte não contestou o julgamento de primeira instância e nem mesmo o fundamento do lançamento, que foi o creditamento indevido. Desse modo, resta preclusa esta matéria. Da Decadência. Fl. 15273DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.272 38 Comprovado o intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, com base no julgamento do REsp 973.733 RS do STJ em sede de recurso repetitivo e Art. 173, I, do CTN. Pis e Cofins não cumulativo. Depreendendose da análise do processo, vêse que o cerne da lide envolve a matéria do creditamento de Pis e Cofins no regime cumulativo e no regime não cumulativo, sobre os insumos do processo produtivo, matérias recorrentes nesta seção de julgamento. Sobre o regime não cumulativo, de forma majoritária, este Conselho segue a posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. Esta dicotomia retrata, em parte, a presente lide administrativa. Sem a qual não há solução de qualidade à lide, nos parâmetros atuais de jurisprudência deste Conselho no julgamento da matéria, definir quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase do processo produtivo eles estão vinculados. Conforme relatado, em Resolução de fls. 14965 foi dada a oportunidade do contribuinte identificar em qual momento e fase dos processo produtivo seus "insumos" estariam vinculados. Em sua manifestação de fls. 15028, verificase que o contribuinte cumpriu com a determinação de forma satisfatória, de modo que, em acordo com artigo 3º, II, da Lei nº 10.833/03 e Lei nº 10.637/021, visto que os combustíveis e lubrificantes são essenciais à atividade empresária, portanto, capazes de gerarem créditos de PIS e Cofins. Merece provimento o Recurso Voluntário no tema dos créditos de Pis e Cofins não cumulativos referentes aos combustíveis e lubrificantes, exceto nas operações em que foram utilizados veículos de passeio e motocicletas, especificidade decisória que será tratada com maior detalhe no julgamento do mérito. 1 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 15274DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.273 39 Ademais, além dos combustíveis e lubrificantes, todo o período fiscalizado está envolvido na acusação de fraude e/ou simulação das operações do contribuinte, de modo que os créditos teriam sido aproveitados de forma indevida, visto que algumas das empresas fornecedoras dos insumos teriam sido declaradas inaptas e, consequentemente, as Notas Fiscais seriam "frias" (emitidas de forma ilegal para simular operação inexistentes). Com relação às aquisições dos produtos e a situação da inidoneidade das notas fiscais e inaptidão das empresas fornecedoras desse produtos, em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, é possível concluir que não há comprovação da ilicitude das operações nos autos. Ao contrário, o conjunto de indícios e provas são favoráveis ao contribuinte, de forma que não é possível manter integralmente o lançamento. O contribuinte comprovou os pagamentos das mercadorias e a licitude das operações. Se os cheques foram circulados para terceiros ou não, nada retirou a ilegitimidade dos pagamentos, visto que é impossível exigir que o contribuinte fiscalize toda a cadeia produtiva do seu setor. Muito bem salientou o contribuinte em seu Recurso Voluntário a respeito desse tema: "O v. acórdão recorrido chega a afirmar categoricamente que a demonstração da efetividade das operações comerciais “somente seria possível com a prova de que [os cheques] foram emitidos nominalmente aos .supostos fornecedores, que, por sua vez, os tiveram depositados em contascorrentes bancárias próprias. " (fls. 190 do v. acórdão e fls. 1.276 dos autos). (...) A verdade é que o pagamento de uma mercadoria através de cheques nãonominais e o repasse desses cheques para terceiros é uma das práticas mais usuais no mercado e não possui qualquer proibição legal, desde que a escrita contábilfiscal dê suporte a toda essa movimentação. Aliás, ocorre justamente o contrário, não se pode olvidar que o cheque tem a natureza jurídica de TÍTULO DE CRÉDITO, tendo como um dos princípios basilares o da CIRCULAÇÃO, de forma que mais do que permitida a sua transferência do primeiro beneficiário para terceiros, tal característica é inerente a sua natureza. Os cheques podem ser nominais, contudo, não é juridicamente defensável que somente cheques nominais sejam considerados como comprovantes de pagamento relacionados com operações mercantis, sob pena de se desnaturar o próprio conceito de título de crédito, o que sería vetado, inclusive, pelo art. 110 do Código Tributário Nacional”." O que estava a seu alcance o contribuinte realizou. Fl. 15275DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.274 40 Este lançamento anda lado a lado ao conceito de prova impossível. Em fls. 15028 está a resposta do contribuinte à diligencia, oportunidade em que juntou laudo técnico e a planilha solicitada, assim como juntou decisão judicial comprovando que ela pode exercer atividade econômica e não está inapto. Em fls. 15048 juntou planilha com as datas das notas fiscais de aquisições e datas das idoneidades e inaptidões, que comprovou que alguma empresas sequer foram consideradas inaptas e estão ativas e legais, assim como todas as inaptidões foram decretadas anos após as operações comerciais dos autos. Em fls. 15049, 15191 e seguintes apresentou laudo técnico pericial e outros laudos do inmetro confirmando quais foram as mercadorias e suas quantidades e NFs correspondentes de alho, maça e azeite, comprovando que vendeu o que comprou, contra argumentando a discussão a respeito do seu estoque. Em fls. 15200 foi juntado o Relatório Fiscal elaborado com base no resultado da diligência e informações prestadas pelo contribuinte que se limitou a transcrever o lançamento e não considerou as provas, indícios, planilhas, laudos e documentos juntados pelo contribuinte. A empresa também retirou os extratos do Sintegra antes das operações e nada apontava sobre a inaptidão das empresas. A Notas Fiscais e duplicatas possuem os respectivos aceites. Diante do exposto e considerando que o ônus da prova é da fiscalização, conforme Art. 142 do CTN e demais dispositivos da legislação, nada retirou por inteiro a legitimidade das operações e, portanto, não merece prosperar a totalidade do lançamento. Mas dentro desse contexto e, sem prejuízo das demais operações, um único ponto remanesce: a impossibilidade de alguns veículos de passeio e motocicletas terem transportado toneladas dos produtos, conforme acusação fiscal reproduzida na decisão de primeira instância: "Concluise, conforme acima que: a) quatro dos veículos que teriam efetuado o transporte das mercadorias sequer estão registrados no RENAVAM, ou seja, não existe o número das placas apostas nos respectivas notas fiscais; b) os outros quatro veículos não têm a menor condição de ter transportado as mercadorias indicadas nas notas fiscais. Por absurdo, uma motoneta Honda de 100 cilindradas teria transportado de Elói Mendes, cidade no sul do estado de Minas Gerais, até Contagem/MG, quase sete toneladas de mercadorias (azeitona, bacalhau, ameixa, amêndoa, nozes etc)." Nesses casos específicos, as operações em sí não possuem a mesma força das demais operações e podem ter sido simuladas. Destacase que o contribuinte não contestou de forma específica tais transportes. Fl. 15276DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.275 41 Desse modo, nos casos específicos em que os transportes dos produtos foram realizados por veículos de passeio e motocicletas, o lançamento deve ser mantido e o crédito considerado indevido. Em geral, foram cumpridos todos os requisitos legais para o creditamento, ponto que não houve qualquer contestação da fiscalização, simplesmente arbitrou ter sido indevido o creditamento em virtude da declaração de inidoneidade dos documentos dos fornecedores. É certo que a mera declaração (posterior) de inidoneidade documental não constitui razão suficiente e capaz de prejudicar o exercício ao creditamento do ICMS, por exemplo, sobretudo, porque não está previsto entre as exceções da regra da não cumulatividade, de acordo com os Art. 155, §2.º, II, “a” e “b” da Constituição Federal. “A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico realizado, uma vez que caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos do ICMS.”. Conforme V. Acórdão anexo, é o que diz o STJ em seu Informativo n. 430, de 12 a 16.04.2010, da Primeira Seção, em julgamento com cunho REPETITIVO, decidiu: “REPETITIVO. ICMS. NOTAS INIDÔNEAS. A Seção, ao julgar o recurso sob o regime do art. 543C do CPC, c/c a Res. n. 8/2008STJ, reiterou o entendimento de que o comerciante de boafé que adquire mercadoria cuja nota fiscal, emitida pela empresa vendedora, seja declarada inidônea pode aproveitar o crédito do ICMS pelo princípio da não cumulatividade, uma vez que demonstrada a veracidade da compra e venda, porquanto o ato declaratório de inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade cabe ao Fisco, razão pela qual não incide o art. 136 do CTN, aplicável ao alienante. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico realizado, uma vez que caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos do ICMS. Assim, a Seção negou provimento ao recurso. Precedentes citados: REsp 737.135MG, DJ 23/8/2007; REsp 623.335PR, DJ 10/9/2007; REsp 556.850MG, DJ 23/5/2005, e REsp 246.134MG, DJ 13/3/2006. REsp 1.148.444MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 14/4/2010.”. Mais não precisaria ser dito. No entanto: Súmula 509 do STJ É lícito ao comerciante de boafé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda. (Súmula 509, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/03/2014, De 31/03/2014). Fl. 15277DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.276 42 O ato administrativo não goza da presunção absoluta de validade. Isto é, não é porque existe uma exigência tributária, existe uma exigência válida. Fundamentar um ato é, em termos mais genéricos, explicar as razões pelas quais tal ato foi praticado. Essa explicação, evidentemente, não há de ser qualquer afirmação sobre ditas razões, mas uma explicação que atenda à lógica e que permita ao acusado conhecer as imputações que lhe estão sendo feitas e delas se defender. Nesse sentido já se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTARIO. LANÇAMENTO FISCAL. REQUISITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO E ONUS DA PROVA. O lançamento fiscal, espécie de ato administrativo, goza da presunção de legitimidade; essa circunstância, todavia, não dispensa a Fazenda Pública de demonstrar, no correspondente auto de infração, a metodologia seguida para o arbitramento do imposto exigência que nada tem a ver com a inversão do ônus da prova, resultando da natureza do lançamento fiscal, que deve ser motivado. Recurso especial não conhecido.’ (REsp 48516/SP, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/09/1997, DJ 13/10/1997 p. 51553)”. Tratase, sim, de se observar as regras postas e de não criar juízos de exceção, seja para o bem ou mal, mas que devem ser evitados pelos aplicadores da lei. Diante do exposto, merece provimento parcial esse ponto do Recurso Voluntário. Pis e Cofins no regime cumulativo. Primeiro é importante considerar neste voto a inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), que tratam da inconstitucionalidade da alargada base de cálculo da COFINS, com parâmetro na receita bruta (receitas operacionais e não operacionais) e não no faturamento. Transcrevese trecho conclusivo do voto vencedor do Ministro Marco Aurélio no RE STF 346.084, que trata da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo assim como do conceito de faturamento, conforme segue: "Como, então, dizerse, a esta altura, que houve simples explicitação do que já previsto na Carta? É admitirse a vinda à balha de emenda constitucional sem conteúdo normativo. É admitirse que o legislador ordinário possa, até mesmo, modificar enfoque pacificado mediante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal , no que haja atuado, à luz das balizas Fl. 15278DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.277 43 constitucionais, como guardião da Lei Fundamental. Descabe, também, partir para o que seria a repristinação, a constitucionalização de diploma que, ao nascer, mostrouse em conflito com a Constituição Federal. Admitase a inconstitucionalidade progressiva. No entanto, a constitucionalidade posterior contraria a ordem natural das coisas. A hierarquia das fontes legais, a rigidez da Carta, a revelála documento supremo, conduz à necessidade de as leis hierarquicamente inferiores observaremna, sob pena de transmudála, com nefasta inversão de valores. Ou bem a lei surge no cenário jurídico em harmonia com a Constituição Federal, ou com ela conflita, e aí afigurase írrita, não sendo possível o aproveitamento, considerado texto constitucional posterior e que, portanto, à época não existia. Está consagra do que o vício da constitucionalidade há de ser assinalado em face dos parâmetros maiores, dos parâmetros da Lei Fundamental existentes no momento em que aperfeiçoado o ato normativo. A constitucionalidade de certo diploma legal deve se fazer presente de acordo com a ordem jurídica em vigor, da jurisprudência, não cabendo reverter a ordem natural das coisas. Daí a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o segundo pedido formulado na inicial, ou seja, para assentar como receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Deixo de acolher o pleito de compensação de valores, porque não compôs o pedido inicial." O conceito de "faturamento" determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços – é divergente do conceito de receita bruta considerado pela fiscalização e pela DRJ. De forma contrária a decisão de primeira instância decidiu o seguinte: "Portanto, conforme arts. 2° e 3°, § 1°, da Lei n.° 9.718, de 1998, cujos efeitos se produziram a partir de 01/02/1999 (art. 17, inciso I), passouse a adotar uma base universal para efeito de incidência do PIS e da COFINS (sistemática cumulativa), abrangendo a totalidade das receitas auferidas, inclusive receitas financeiras, cambiais, outras receitas operacionais, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida, a classificação contábil ou a denominação adotada para as receitas, ajustada pelas exclusões autorizadas pelo art. 3°, § 2°, da Lei n.° 9.718, com as alterações do art. 2° da Medida Provisória (MP) n.° 1.807, de 1999 e reedições, MP n.° 1.858/1999 e reedições, MP n.° 1.991/1999 e reedições, MP n.° 2.037/2000 e reedições, MP 2.158/2001 e reedições, e Decreto n.° 4.524, de 2002 (...) Vale lembrar que a decisão do STF, citada pela defesa, não se tratando de ação direta de inconstitucionalidade ou de constitucionalidade, relativas ao controle direto de constitucionalidade, exercido exclusivamente pelo STF, mas de Fl. 15279DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.278 44 controle difuso, onde foi apreciado um recurso extraordinário, não tem efeito vinculante." Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade da base de cálculo do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo da COFINS, o conceito de receita bruta não tem mais valia. Foi superado e, conforme Art. 62 do Regimento interno deste Conselho, o reconhecimento (e não decretação) de sua inconstitucionalidade é obrigatório neste Conselho. Logo, devem ser excluídas da base de cálculo da COFINS as receitas não operacionais, tais como as receitas de variações cambiais (fls. 39), por exemplo. Que fique claro, o PIS no regime cumulativo deve incidir somente se observado o conceito de "faturamento" aceito pelo Supremo Tribunal Federal STF (faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços). Assim, o contribuinte tem razão ao alegar a possibilidade de excluir os ingressos que não podem ser considerados como receita para fins de incidência do PIS, ao mesmo tempo que a fiscalização não tem razão em lançar o PIS sobre ingressos não descritos, individualizados ou descriminados e, por último mas não menos importante, não cabe às instâncias administrativas julgadoras a interpretação ou modificação do critério jurídico adotado no lançamento em observação ao disposto no Art. 146 do CTN. Exclusão do ICMS na base de cálculo do Pis e Cofins. O próprio conceito de faturamento (de aplicação obrigatória neste Conselho conforme disposto no Art. 62 do RICARF) proferido no âmbito do STF (Recursos Extraordinários STF 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840) deixa claro que o PIS e a Cofins deve incidir sobre às receitas das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços, ou seja, não incide sobre o ICMS de uma forma geral, porque este não é "faturamento", não é receita e não tem nenhuma conexão com as atividades econômicas do contribuinte, é um mero ingresso transitório que não agrega ao patrimônio do contribuinte. Se trata de uma questão hermenêutica e não de uma questão de "ausência de previsão expressa para exclusão do ICMS na base de cálculo do Pis cumulativo". Ainda que taxativo o rol de exclusões permitidas, a hermenêutica permite a correta avaliação dos fatos em relação à norma. Em adição, o ingresso do valor que será utilizado para pagamento do ICMS não caracteriza fato gerador e, portanto, não configura a hipótese de incidência prevista no Art. 2.º da Lei 9.718/98. 2 Sendo assim, não é possível cobrar tributo sem o surgimento da obrigação tributária principal, conforme garantia prevista no Art. 113 do Código Tributário Nacional. 3 2 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) 3 TÍTULO II Fl. 15280DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.279 45 Tal entendimento também tem expressão neste conselho, a exemplo o voto do Conselho Augusto Fiel no Acórdão 3401003.165, que de forma concisa, abordou a obrigatoriedade da aplicação de decisão definitiva do STF neste Conselho, sendo a decisão do Recurso Extraordinário n.º 240.785, a utilizada para a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS em sinergia com a decisão do STF que estabeleceu o conceito de faturamento. Pela Ementa facilmente se conclui tal entendimento, transcrita integralmente a seguir: "TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento." Somado ao fato de que o Recurso Extraordinário n.º 240.785 é decisão definitiva (transitada em julgado em 23/02/15), proferida pelo plenário do STF e, portanto, tem aplicação obrigatória neste Conselho conforme disposto no Art. 62 do RICARF4, é importante registrar que em 15/03/17 o Supremo Tribunal Federal decidiu no julgamento do RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, portanto, não pode integrar a base de cálculo das contribuições, conforme notícia oficial transcrita a seguir: "Quartafeira, 15 de março de 2017 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins é inconstitucional. Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão nesta quartafeira (15), decidiu que o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) não integra a base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Ao finalizar o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 574706, com repercussão geral reconhecida, os ministros entenderam que o valor arrecadado a Obrigação Tributária CAPÍTULO I Disposições Gerais Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. 4 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Fl. 15281DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.280 46 título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da seguridade social. Prevaleceu o voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, no sentido de que a arrecadação do ICMS não se enquadra entre as fontes de financiamento da seguridade social previstas nas Constituição, pois não representa faturamento ou receita, representando apenas ingresso de caixa ou trânsito contábil a ser totalmente repassado ao fisco estadual. A tese de repercussão geral fixada foi a de que “O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins”. O posicionamento do STF deverá ser seguido em mais de 10 mil processos sobrestados em outras instâncias. Além da presidente do STF, votaram pelo provimento do recurso a ministra Rosa Weber e os ministros Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello. Ficaram vencidos os ministros Edson Fachin, que inaugurou a divergência, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. O recurso analisado pelo STF foi impetrado pela empresa Imcopa Importação, Exportação e Indústria de Óleos Ltda. com o objetivo de reformar acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) que julgou válida a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Votos O julgamento foi retomado na sessão de hoje com o voto do ministro Gilmar Mendes, favorável à manutenção do ICMS na base de cálculo da Cofins. O ministro acompanhou a divergência e negou provimento ao RE. Segundo ele, a redução da base de cálculo implicará aumento da alíquota do PIS e da Cofins ou, até mesmo, a majoração de outras fontes de financiamento sem que isso represente mais eficiência. Para o ministro, o esvaziamento da base de cálculo dessas contribuições sociais, além de resultar em perdas para o financiamento da seguridade social, representará a ruptura do próprio sistema tributário. Último a votar, o ministro Celso de Mello, decano do STF, acompanhou o entendimento da relatora de que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins é inconstitucional. Segundo ele, o texto constitucional define claramente que o financiamento da seguridade social se dará, entre outras fontes, por meio de contribuições sociais sobre a receita ou o faturamento das empresas. O ministro ressaltou que só pode ser considerado como receita o ingresso de dinheiro que passe a integrar definitivamente o patrimônio da empresa, o que não ocorre com o ICMS, que é integralmente repassado aos estados ou ao Distrito Federal. Modulação Quanto à eventual modulação dos efeitos da decisão, a ministra Cármen Lúcia explicou que não consta no processo nenhum Fl. 15282DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.281 47 pleito nesse sentido, e a solicitação somente teria sido feita da tribuna do STF pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Não havendo requerimento nos autos, não se vota modulação, esclareceu a relatora. Contudo, ela destacou que o Tribunal pode vir a enfrentar o tema em embargos de declaração interpostos com essa finalidade e trazendo elementos para a análise." Ainda que não transitada em julgado, esta decisão do Supremo Tribunal federal colocará fim à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, reforçando diversos precedentes judiciais deste próprio tribunal, assim como alguns recentes do STJ (REsp 1606998/SC e REsp 430.921/SP ) e também de Tribunais Regionais Federais, a exemplo os Acórdãos do TRF da 3.ª Região, de n.º 4760892, n.º 4936897 e n.º 4947108. Também não há como completar o lançamento (em dizer que o ICMS está embutido no preço do produto por exemplo) sob a possibilidade de agressão ao critério jurídico adotado no lançamento, seja qual for, não tratou da possibilidade do Pis ou do Cofins incidir sobre o ICMS, o que configuraria o descumprimento do Art. 146 do CTN. O mesmo raciocínio deve ser aplicado na exclusão do ICMS da base de cálculo do Pis e Cofins não cumulativo. A exemplo, sequer as subvenções de investimento podem ser incluídas na base de cálculo dessas contribuições, quanto mais o valor que será destinado ao pagamento do ICMS. Não se trata de receita. A legislação expressamente exclui da base de cálculo as subvenções para investimento, por exemplo, conforme pode ser verificado a seguir: “Lei 10833/03: Art. 1.º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 3.º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: IX de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei 10637/02: Art. 1.º A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 15283DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.282 48 § 3.º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: X de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência).” Por serem posteriores, por ser Lei e por ser mais benéfica, sua aplicação ao caso em questão é correta e permite a exclusão das subvenções de investimento da base de cálculo das contribuições. Portanto, merece provimento o Recurso Voluntário neste tópico, de forma que deve ser cancelada toda a cobrança do ICMS na base de cálculo do PIS. Agravamento da Multa e Selic. Em fls. 1243 da DRJ verificase que a razão principal para manter o agravamento máximo da multa foi o fato do contribuinte ter entregado os cheques e comprovantes de pagamentos das mercadorias mas não ter entregado os microfilmes destes cheques: "Para finnar, de maneira definitiva e irrefutável, a conclusão acima declarada, intimados o sujeito passivo a comprovar o efetivo fomecimento de mercadorias pela empresa CASA NASCIMENTO, tanto sob o aspecto financeiro quanto à efetividade do ingresso da mercadoria, o contribuinte limitouse a prestar os evasivos esclarecimentos detalhadamente relatados na introdução, deixando de apresentar quaisquer dos documentos solicitados, inclusive a cópia microfilmada dos cheques. Diante da omissão do contribuinte e obedecendo estritamente os ditames legais, emitimos Requisição(ões) de Informações sobre Movimentação Financeira, a(s) qual(is) foi(ram) destinada(s) à(s) pertinente(s) instituição(ões) financeira(s). Em atendimento, a(s) instituição(ões) bancária(s) remeteu(ram) cópias microñlmadas de cheques solicitados. Constatamos que esses cheques foram, na verdade, destinados a terceiros não identificados, fato que gerou o lançamento do imposto de renda na fonte, conforme detalhadamente relatado no item 2.2 da Parte I desse Termo de Verificação Fiscal." Desse modo, como manter a multa de 225% pela não entrega dos microfilmes se a própria fiscalização já havia obtido estes microfilmes? Não há como. Verificase que o contribuinte cumpriu com as diligências durante a fiscalização e entregou tudo que estava a seu alcance. Todas as provas solicitadas foram juntadas e a cada cumprimento de diligência a fiscalização exigia algo mais detalhado e distante. Fl. 15284DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.283 49 A fiscalização utilizou o seguinte fundamento legal para a aplicação da multa de 225%: "MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores entre O1/01/1997 e 21/01/2007 1 225,00% Art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n°70/91; e art. 44, § 2°, da Lei n°9.430/96." Lavrado em 19/09/2008 os Autos de Infração, é importante considerar que desde 2007 o §2.º já não mais previa a multa de 225%, conforme trecho da lei reproduzido a seguir: "§ 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)." Assim, a fiscalização não poderia ter aplicado a multa de 225%. A legislação prevê o seguinte no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências): "Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo Fl. 15285DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.284 50 negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 15286DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.285 51 II – (VETADO). (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010)." Desse modo, mesmo na parte mantida do lançamento, a multa não pode ser agravada no patamar máximo de 225%, uma vez que poderia ter sido agravada somente até o patamar de 150%. Procedimento que não foi adotado pela fiscalização, o que faz com que todas as multas de 225% devam ser canceladas e reduzidas para o patamar regular de 75% nas partes que devem ser mantidas do lançamento. Com relação à SELIC, nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, nesse tópico o Recurso Voluntário merece provimento parcial. Conclusão. Diante do exposto, com fundamento na legislação correlata, votase para que seja DADO PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para: reconhecer os créditos sobre combustíveis e lubrificantes, exceto nos casos de moto e veículo de passeio; excluir as variações cambiais ativas e receitas não operacionais da base de cálculo do Pis e Cofins apurados no regime cumulativo; excluir o ICMS da base de cálculo do Pis e da Cofins e cancelar o agravamento da multa. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Redator designado Coubeme a redação do voto vencedor nas matérias em que o relator restou vencido, a saber: (i) glosa de créditos de PIS e Cofins com a aquisição de combustíveis e lubrificantes; (ii) glosa de créditos de PIS e Cofins no regime nãocumulativo; e (iii) agravamento da multa de ofício. Fl. 15287DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.286 52 Glosa de créditos: aquisições de combustíveis e lubrificantes, despesas com fretes O inconformismo da recorrente quanto à glosa das despesas com fretes, combustíveis e lubrificantes tem por fundamento o entendimento de que a Lei não restringiu o aproveitamento desses elementos apenas quando estiverem inseridos no processo produtivo, mas alcança igualmente as empresas comerciais. é o que se depreende de seu recurso voluntário (fls. 1.532/1.533): Ora, não restam dúvidas de que o legislador ordinário, ao aumentar a alíquota das duas contribuições, pretendeu, por outro lado, atender a um antigo pleito do empresariado brasileiro no sentido de retirar o chamado “efeito cascata” do PIS e da Cofins. Exatamente nesse sentido, instituindo a nãocumulatividade das citadas exações, permitiu a contribuinte o aproveitamento de diversos créditos para redução da base imponível desses dois tributos. Dentre esses créditos estão os insumos vinculados à atividade da empresa. Assim, a legislação pretendeu, inequivocamente, aproximar 0 máximo possível a base de cálculo do PIS e da Cofins ao valor efetivamente agregado pelo contribuinte, tomando a tributação coerente com o basilar Princípio da Capacidade Contributiva. Sob essa ótica, todos os valores despendidos pela Autuada relacionados com as suas atividades comerciais deve estar alcançado pela norma que concede o direito ao crédito. Pensar ao contrário é aplicar interpretação extremamente restritiva e gravosa à Autuada em ofensa não só aos Princípios da Legalidade e Capacidade Contributiva supramencionados, mas também ao art. 108 do Código Tributário Nacional. (...) O v. acórdão recorrido, nesse sentido, apenas afirma que insumo não é um conceito passível de ser aplicado às empresas comerciais, mas apenas às industriais e prestadoras de serviços, fato que certamente gera distorções inaceitáveis no Sistema Tributário Nacional, completamente atentatórias aos Princípios da Isonomia e da Capacidade Contributiva. De pronto discordo com o entendimento em relação aos combustíveis e lubrificantes, mormente na condição de insumos, com esteio no texto legal. O art. 3º da Lei nº 10.833/06 segrega a possibilidade de creditamento na aquisição de insumos e serviços para pessoas jurídicas comerciais e industriais. No inciso I, está abarcada somente as comerciais; no II, apenas as industriais (quanto aos bens) e as prestadoras de serviços (quanto aos serviços), incluindose os combustíveis e lubrificantes. Fl. 15288DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.287 53 Não há dúvida de que o legislador por entender que combustíveis e lubrificantes não são insumos na produção de bens ou prestação de serviços fez a opção de conceder o crédito com tais dispêndios. Acaso combustíveis e lubrificantes concedessem crédito também às empresas comerciais, estariam inseridos nos demais incisos que se referem aos créditos admitidos ao estabelecimento ou à pessoa jurídica, insertos nos incisos III e seguintes do referido artigo, que tratam dos créditos admitidos. O único argumento suscitado pela recorrente quanto à natureza de pessoa jurídica industrial o fez tãosó para afirmar sua equiparação ao estabelecimento industrial nas operações de importações, transcrevendo a legislação do IPI que trata de referida equiparação (fl. 1.538/1.539). Por fim, ainda que todos os argumentos ora descritos não seja suficientes para justificar a possibilidade o aproveitamento dos créditos indevidamente glosados pela fiscalização, seja a titulo de despesas com frete, ou mesmo com combustíveis e lubrificantes da frota própria, fato é que o argumento utilizado pelo v. acórdão recorrido de que às empresas comerciais não se aplica o conceito de “insumo” não pode prevalecer para o caso em comento. Isso porque é a própria legislação federal que expressamente equipara a Recorrente a um estabelecimento industrial, tendo em vista seu objeto social e as próprias operações de aquisição de produtos importados questionadas nos presente autos. (...) Diante desse quadro, não se pode imaginar que o Fisco utilize “dois pesos e duas medidas” de forma tão clara a fim de prejudicar o contribuinte, ou seja, quando há incidência do IPI, os estabelecimentos comerciais importadores são equiparados aos industriais, mas para fins de aproveitamento de créditos de PIS e Cofins, a citada equiparação não poderia ser aplicada com o fim de permitir a utilização de insumos em suas atividades. (...) Assim, ainda que prevaleça o argumento de que insumos somente são verificados nas atividades industriais e de prestação de serviços, fato que se admite apenas para argumentar, no presente caso há imperativamente a necessidade de aplicação desse conceito, tendo em vista o comando legal que determina expressamente a equiparação entre empresas como a Recorrente e as industriais. Contudo, não é tributação de IPI nas saídas do estabelecimento de mercadoria importada que cuida a autuação para efeitos de se considerar uma industrial. O crédito admitido com insumo está associado ao processo produtivo de um estabelecimento fabricante Fl. 15289DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.288 54 de bens destinados a venda ou seja, industrialização , e esta característica (fabricante) não fora aventada em recurso voluntário. Portanto, sendo a atividade da qual decorreu apropriação de créditos com combustíveis e lubrificantes tipicamente comercial, as despesas com combustíveis e lubrificantes não geram crédito na sistemática nãocumulativa, por ausência de previsão legal, seja na Lei nº 10.637/03 ou 10.833/03. Neste sentido invoco excerto do voto no acórdão nº 3302.005.334. A primeira glosa diz respeito ao aproveitamento de créditos na aquisição de óleo diesel, contabilizados na conta contábil 3.1.2.02.053 combustíveis e lubrificantes, utilizados em veículos que faziam a entrega das mercadorias vendidas pela própria recorrente. A recorrente, por seu turno, alega que o inciso I do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 crédito sobre bens adquiridos para revenda, bem como o inciso II, como bens utilizados como insumos na prestação de serviço de transporte. Sem razão, a recorrente. A atividade realizada foi de revenda de mercadorias e o óleo diesel utilizado nos veículos de frota própria que realizaram a entrega consiste em despesa operacional de vendas, de que trata o inciso III do artigo 187 da Lei nº 6.404/1976, a seguir transcrito: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; Sobre este tópico, assim dispôs o Manual de Contabilidade Societária1: "30.2.1 Despesas de vendas As despesas de vendas representam os gastos de promoção, colocação e distribuição dos produtos da empresa, bern como os riscos assumidos pela venda, constando dessa categoria despesas como: marketing, distribuição, pessoal da área de vendas, pessoal administrativo interne de vendas, comissões sabre vendas, propaganda e publicidade, gastos estimados com garantia de produtos vendidos, perdas estimadas dos valores a receber, perdas estimadas em creditos de liquidação duvidosa etc." Frisese que a recorrente não prestou serviço de transporte a terceiro, o que poderia caracterizar receita de prestação de serviços e, consequentemente, atribuir a natureza de insumo ao Fl. 15290DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.289 55 combustível utilizado, mas dispendeu gastos com a distribuição dos produtos revendidos, o que caracteriza despesa operacional e não custo de serviço prestado. Não há nos autos, prova da prestação de serviços a terceiros, mas gastos com o transporte das próprias mercadorias vendidas, o que, embora, componha o preço de venda das mercadorias (como todos os demais custos e despesas da empresa, seja de forma direta ou indireta), não descaracteriza a operação de venda de mercadorias transformandoa em prestação de serviços. Portanto, tais valores não compõem o valor de aquisição dos bens revendidos, não se subsumindo à hipótese de creditamento do inciso I do artigo 3º, nem tampouco consistem em custo de serviços prestados, hipótese de que trata o inciso II do referido artigo. Neste sentido, citamse os Acórdãos nº 380200.473. Acórdão nº 380200.473: DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Cofins nãocumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica. Acórdão nº 3402001.104 COFINS NÃOCUMULATIVIDADE FALTA DE RECOLHIMENTO CRÉDITOS INDEVIDOS – COMISSÕES DE COMPRAS, COMBUSTÍVEIS DA FROTA E ESTUFAMENTO DE CONTAINERS LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da nãocumulatividade do COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “bens e serviços utilizados como insumo” empregada pelo legislador, designa cada um dos elementos necessários ao processo de produção de bens ou serviços, o que obviamente exclui a possibilidade de crédito relativamente aos custos incorridos nas etapas anterior e posterior à produção, como é o caso de Comissões de compras, Combustíveis da frota e com Estufamento de containers, cujo crédito é desautorizando. Fl. 15291DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.290 56 Todavia, ad argumentandum tantum, conquanto o litígio se revestisse de argumentos quanto à natureza industrial (na essência, excluída equiparação no caso de revenda de mercadoria importada), a contribuinte não demonstrou essencialidade ou relevância dos combustíveis e lubrificantes empregados em alguma etapa da atividade produtiva. Repisase que o argumento principal da recorrente é de que todas as despesas permitem o aproveitamento de crédito, independentemente da atividade desenvolvida consubstanciarse em industrial ou comercial Em relação à glosa com fretes, igualmente a razão está com o Fisco. A fiscalização glosou os créditos de PIS e Cofins na sistemática não cumulativa tomados pela contribuinte nas despesas com frete, nos períodos de janeiro de 2003 a janeiro de 2004, sob o fundamento de que o direito ao crédito somente é permitido a partir de 01/02/2004, nos termos do art. 3º, inciso IX c/c o art. 15, inciso II e art. 93, I da Lei nº 10.833/04 que aplica à Cofins e ao PIS, e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor e pago a pessoa jurídica. Como se vê o crédito de PIS/Cofins com as despesas com frete encontra uma primeira e suficiente vedação de ordem legal, quanto à sua vigência, pois permitido somente após 01/02/2004. In casu, os crédito aproveitados pelo contribuinte são concernentes ao período de 01/2003 a 01/2004 e, portanto, antes do permissivo legal. Créditos glosados no regime não cumulativo O voto vencido iniciase assentado em duas premissas com as quais não coaduno. Vejamos sua redação na matéria que trata do PIS/Cofins não cumulativos: " Depreendendose da análise do processo, vêse que o cerne da lide envolve a matéria do creditamento de Pis e Cofins no regime cumulativo e no regime não cumulativo, sobre os insumos do processo produtivo, matérias recorrentes nesta seção de julgamento. Sobre o regime não cumulativo, de forma majoritária, este Conselho segue a posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. Esta dicotomia retrata, em parte, a presente lide administrativa". Observase dos autos que não há litígio quanto ao creditamento de despesas no regime das contribuições cumulativas (o contribuinte proclama a possibilidade de tomada de crédito em relação a todas as despesas, sejam consideradas as atividades comerciais ou industriais), cujas disposições legais inseremse na Lei nº 9.718/1998 e tem por base de tributação o faturamento das pessoas jurídicas admitidas as exclusões não o crédito Fl. 15292DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.291 57 relacionadas nos incisos do § 2º do art. 2º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, como regra geral, e nos parágrafos subsequentes quando se trata de pessoas jurídicas ou atividades com tratamento diferenciados. A outra premissa com a qual discordo (tangenciada alhures neste voto) é tratar a natureza da atividade da recorrente como industrial à vista dos elementos e matérias trazidas em debates nestes autos que a caracterizou como comercial, inclusive sendo admitida pela contribuinte apenas a equiparação à estabelecimento industrial se na hipótese dos autos as operações fossem de importação, o que de fato não são. Assim, inoportuno tratar do conceito de insumos neste voto. Devese enfrentar a natureza e o conteúdo do laudo técnico elaborado e aquele emitido pelo Inmetro, para o qual o voto vencido atribuilhes a aptidão de confirmar a "utilização no processo produtivo" (no caso de se considerar insumo da atividade industrial) ou "que vendeu o que comprou" (no caso de se considerar revenda de mercadoria na atividade comercial). Um primeira constatação quanto ao Laudo técnico elaborado em atendimento à Resolução nº 3201000.755, de 29/09/2016, diz respeito às respostas aos dois quesitos formulados: o primeiro, para correlacionar as datas das emissões de notas fiscais e das declarações de inidoneidade das pessoas jurídicas; o segundo, a demonstração de utilização de insumos, ou seja, a correlação entre a quantidade de entrada e de saída do "insumo". O segundo quesito teve como resposta apenas a demonstração quantitativa em unidade de peso (quilo) da mercadoria entrada no estabelecimento e saída por revenda. Tal procedimento, ao meu ver, não é outro senão a revenda de uma mercadoria adquirida, não submetida a qualquer etapa de industrialização. Assim, o escopo do Laudo, elaborado por perito contábil, mediante o cotejamento das notas fiscais de entrada e de saída de determinados bens do gênero alimentício, apenas conclui " que os produtos adquiridos se referem a atividade da empresa e possuem razoabilidade em relação aos volumes industrializados e comercializados". Considero irrelevante a elaboração e conclusões do laudo pericial contábil para o deslinde da questão atinente à glosa dos créditos nas aquisições das notas fiscais declaradas inidôneas emitidas por empresas declaradas inaptas, suspensas ou canceladas à época da emissão desses documentos. A fiscalização não glosou créditos de PIS/Cofins fundada em aquisições desacompanhadas de notas fiscais ou em conclusões de que o quantitativo de mercadoria saídas seriam superiores aos de entrada. Acaso fossem esses os fundamentos, o laudo contábil seria hábil e apto a demonstrar a situação fática. Pelo mesmo motivo, inábil os laudos emitidos pelo Inmetro pois que somente atestam para fins de comercialização regular que as quantidades de produtos revendidos pela contribuinte estão dentro dos parâmetros quantitativos estabelecidos em atos legais. Ou seja, apenas aferiu a quantidade de mercadoria indicada na embalagem; conclusão esta que não tem o condão de conferir idoneidade às notas fiscais de aquisição e sequer atestar a regularidade fiscal das pessoas jurídicas emitentes. Fl. 15293DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.292 58 Passemos à analise das glosas de créditos com notas fiscais declaradas inidôneas Consta do voto do Relator os seguintes fundamentos para dar provimento na matéria: "Com relação às aquisições dos produtos e a situação da inidoneidade das notas fiscais e inaptidão das empresas fornecedoras desse produtos, em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, é possível concluir que não há comprovação da ilicitude das operações nos autos. Ao contrário, o conjunto de indícios e provas são favoráveis ao contribuinte, de forma que não é possível manter integralmente o lançamento. O contribuinte comprovou os pagamentos das mercadorias e a licitude das operações. (...) Em geral, foram cumpridos todos os requisitos legais para o creditamento, ponto que não houve qualquer contestação da fiscalização, simplesmente arbitrou ter sido indevido o creditamento em virtude da declaração de inidoneidade dos documentos dos fornecedores. É certo que a mera declaração (posterior) de inidoneidade documental não constitui razão suficiente e capaz de prejudicar o exercício ao creditamento do ICMS, por exemplo, sobretudo, porque não está previsto entre as exceções da regra da não cumulatividade, de acordo com os Art. 155, §2.º, II, “a” e “b” da Constituição Federal." Não logro vislumbrar elementos que fundamentam tal conclusão. Os documentos juntados pela contribuinte, as planilhas, parecer técnico contábil, os extratos do Sintegra e de situação cadastral de seus "fornecedores", cujas notas fiscais são irregulares por motivos vários que não exclusivamente a declaração de inaptidão da inscrição no Estado ou do CNPJ, não me convenceram da comprovação da regularidade das aquisições de mercadorias consignadas nas notas fiscais glosadas pela Fiscalização. São cerca de 1.270 (um mil e duzentos e setenta) folhas inseridas nos autos no Anexo I (fls. 1.580 a 2.850), com os procedimentos adotados pelo Fisco (intimações e suas respostas, diligências e entrevistas, cópias de atos oficiais de entes públicos, Termos de constatações e outros) com a demonstração da inidoneidade das notas fiscais motivas, dentre outras situações de irregularidades, por falta de autorização para impressão, inexistência física do estabelecimento emitente, irregularidade fiscal da gráfica pretensamente autorizada à impressão de documentos fiscais, termos de extravio, furto e danificações de notas fiscais, e irregularidade cadastral do estabelecimento "fornecedor" de mercadorias à BM Comercial. Fl. 15294DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.293 59 O trabalho Fiscal fundado em inúmeros elementos de prova direta e indireta que se traduziram em um minucioso relato dos motivos que redundaram nas glosas dos custos, segregadas, uma a uma, as 23 (vinte e três) empresas emitentes dos documentos fiscais considerados inidôneos e/ou com situação cadastral irregular está consolidado na Parte II do Termo de Verificação Fiscal, folhas 180 a 350, ou seja, 170 (cento e setenta) folhas com os fundamentos para a glosa dos créditos com aquisições de mercadorias para revenda, baseado no extenso conjunto probatório (provas diretas e indiretas), que constam dos Anexos aos auto de infração. Repisase, o TVF demonstrando as irregularidades nas aquisições de mercadorias compõese de 170 folhas suportado em cerca de 1.270 folhas contendo os elementos comprobatórios. Ressaltase que a BM Comercial foi intimada a comprovar o pagamento e o efetivo ingresso da mercadoria contabilizada como adquirida, conforme o TVF (fls. 157/158): Em 01/10/2007, foi lavrado o Termo de Intimação n° 16 (documento de fls. 535 e 536 e respectivo anexo, documento de fls.537 a 555), exigindo do contribuinte o seguinte, literalmente: “I) Comprovar o efetivo fornecimento de mercadorias pelas empresas emitentes das Notas Fiscais relacionadas no demonstrativo anexo, numerado de 01 a 17, tanto sob o aspecto financeiro (pagamento) quanto à efetividade do ingresso da mercadoria, mediante: a) identificação, em relação a cada empresa fornecedora de mercadorias, das pessoas com as quais foram mantidos os contatos e relacionamentos comerciais. b) identificação do transportador (nome e endereço), do veículo utilizado (placa) e, quando for o caso, apresentar o respectivo conhecimento de transporte. c) no caso da própria empresa adquirente das mercadorias ter sido responsável pelo transporte das mercadorias, indicação do local onde as mesmas foram retiradas. d) esclarecimento da forma, valor e data efetiva do pagamento de cada nota fiscal relacionada, incluindo indicação do número da conta corrente e do banco sacado. e) apresentação de cópias microfilmadas, autenticadas g legíveis., fornecidas pelas instituições financeiras, de todos os cheques (frente g verso) comprobatórios dos pagamentos das notas fiscais relacionadas.” Apesar de regularmente intimado a promover a comprovação do acima exigido, o contribuinte não logrou fazêlo, limitandose a apresentar os evasivos esclarecimentos consignados no documento de fls. 557 e 558, os quais abaixo reproduzo, literalmente, item a item: Fl. 15295DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.294 60 Com o foco apenas na análise da contabilidade três foram as conclusões relevantes da Fiscalização para a apreciação da regularidade das aquisições glosadas por inidoneidade das notas fiscais: (i) constatou que as compras efetuadas dos fornecedores listados no Termo de Intimação nº 17, em sua maior parte, não eram pagas nos prazos normalmente praticados no mercado e nem nos prazos de pagamento de outros fornecedores da empresa; (ii) os valores dessas comprovas permaneceram por anos no passivo da BM Comercial; (iii) a maior parte das notas fiscais apreendidas estavam contabilizadas como pagas através de cheques de pequeno valor, creditados em contas bancos, com exceção dos quatro fornecedores, cujas compras estavam escrituradas como pagas através de Termos de Dação e Pagamento. Apontada as constatações da análise contábil, cumpre verificar os motivos que permitiram concluir pela inidoneidade das notas fiscais de aquisições de 23 (vinte e três) fornecedores e/ou as irregularidades cadastrais fundadas em situações de inexistência física e outras. Primeiramente, há de se pontuar que o ato oficial e público de declaração de inidoneidade de nota fiscal e de inaptidão de inscrição Estadual/CNPJ é sempre posterior ao procedimento que constatou irregularidades que culminaram em tal medida. Tanto é verdade que esses atos, em geral, declaram a situação fiscal e prescrevem a data a partir da qual passam a surtir efeitos jurídicos. Assim, uma inaptidão é precedida do bloqueio ou suspensão da inscrição (Estadual ou CNPJ) da pessoa jurídica, em data/período que remonta a própria prática do evento irregular e motivador da sanção. Nesse sentido foram editados os atos que declararam as diversas situações de irregularidades de documentos e das pessoas jurídicas (fornecedoras) das quais foram contabilizadas notas fiscais de aquisição de mercadoria pela BM Comercial cujos créditos foram glosados. Fl. 15296DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.295 61 Os eventos dessas situações de irregularidade nota fiscal / pessoa jurídica estão muito bem relatados e apontados pelo Fisco de forma que foi evidenciado o período em que se deram as pretensas operações comerciais e sua coincidência com os efeitos de inidoneidade dos documentos e irregularidade cadastral do fornecedor. Passemos à síntese e consolidação das irregularidades constatadas pela Fiscalização que alcançam as notas fiscais de aquisição de mercadorias e a própria pessoa jurídica emitente, apontando ainda para as situações em que os pagamentos se revelaram duvidosos quanto à forma, prazo ou valor. Tal conjunto probatório, a meu sentir, é coerente e suficiente para manter a glosa das notas fiscais das 23 (vinte e três) pessoas jurídicas emitentes: Situações comprobatórias direta ou indireta das irregularidades: 1. Declarações prestadas por sócios das pessoas jurídicas afirmam categoricamente desconhecer a BM Comercial ou nunca terem efetivado operações comerciais; 2. Declarações de sócios que afirmaram desconhecer sua inclusão no quadro social da pessoa jurídica emitente da nota fiscal; 3. Fornecedores que jamais recolheram tributos federais por declararem inexistência de receita no período de emissão das notas fiscais ou por ausência de declaração obrigatórias (DIPJ, Declaração de Simples, etc); 4. Fornecedores declaram receitas de vendas de mercadorias em valores (muito) inferiores àqueles declarados como de aquisição pela BM Comercial; 5. Fornecedores localizados em estabelecimento com incapacidade operacional para transacionar a quantidade de mercadoria consignadas nas notas fiscais. Alguns situações efetivamente retratavam pequenos comerciantes com atividades distintas das mercadorias "comercializadas" nas notas fiscais; 6. Intimados, os fornecedores não comprovaram com documentos fiscais hábeis e idôneos as "vendas" de mercadorias para a BM Comercial. Alguns sequer apresentaram suas vias de notas fiscais requeridas pela fiscalização e/ou foram evasivos nas respostas aos questionamentos; 7. Fornecedores importadores que "revenderam" mercadorias à BM Comercial foram submetidos à procedimentos especiais relacionados às operações de comércio exterior (IN SRF 228, em especial) restando constatadas irregularidades nessas operações; 8. Quantidade expressiva de cópias de notas fiscais apresentadas em vias que não são as admitidas para efeito de créditos a 1ª via (algumas delas são a 3ª via destinadas ao fisco); 9. Constam pagamentos nas próprias vias das notas fiscais com a anotação "contra apresentação", que presume retirada da mercadoria mediante pagamento à vista. Contudo, duas situações contradizem a informação no documentos fiscal: a primeira, de que os pagamentos são posteriores (novamente efetuados?) e realizados através de vários cheques de pequeno valor emitido em uma mesma data pela BM Comercial; segundo, há contabilização no Fl. 15297DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.296 62 passivo de valores expressivos de saldo credor em contas dos fornecedores que se perduraram por anos; 10. A BM Comercial, na condição de destinatária, retirava e transportava a mercadoria "adquirida" do fornecedor, inclusive deixando de informar placa do veículo transportador, o que impossibilitou a comprovação da operação, ou até mesmo indicou veículo incapaz do transporte, como é o caso de motocicleta ou veículo de passeio (situação essa considerada no voto vencido para glosar o crédito). Essa constatação é elemento relevante e suficiente para elidir a boafé da BM Comercial, pois impossibilita a alegação de desconhecer o fornecedor com o qual realizava operações comerciais e comprovar a efetiva entrada de mercadoria em seu estabelecimento; 11. A comprovação de pagamento de débitos na aquisição de mercadorias de quatro pessoas jurídicas foi com a quitação através de Termo de Dação em Pagamento; todavia, como demonstrado pela fiscalização parte dos títulos da dívida pública interna utilizados estavam prescritos. Por tudo exposto neste tópico é de se manter a glosa de créditos nas aquisições de mercadorias para revenda de pessoas jurídicas emitentes dos documentos fiscais considerados inidôneos em decorrente de inexistência de fato, incapacidade para realizarem as vendas ou quaisquer outras irregularidades, conforme demonstrado e consolidado na Parte II do Termo de Verificação Fiscal, às folhas 180 a 350. Qualificação (150%) e Agravamento (225%) da multa de ofício O voto vencido entende que o fundamento para o agravamento da multa foi a não apresentação dos microfilmes dos cheques utilizados para pagamento das mercadorias cujas notas fiscais era inidôneas, conforme deduziu: "Em fls. 1243 da DRJ verificase que a razão principal para manter o agravamento máximo da multa foi o fato do contribuinte ter entregado os cheques e comprovantes de pagamentos das mercadorias mas não ter entregado os microfilmes destes cheques". Entendo que há equívoco na premissa. O agravamento da multa foi motivado pela ausência de apresentação de arquivos magnéticos, exigência legal com supedâneo no art. 11 da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pelo art. 72 da MP nº 2.15835/2001, t com base no § 2º, inciso II, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Vejamos o que consta relatado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 155/156). O Termo de início do procedimento fiscal foi em 11/08/2005 e após sucessivos pedidos de prorrogação, em 15/04/2006, foi apresentada resposta na qual se afirmava a impossibilidade de apresentação dos arquivos magnéticos, acrescentando, que: Fl. 15298DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.297 63 “Diante da informação expressa da empresa contratada para sessão e manutenção do software, da impossibilidade técnica de atender às exigências do T I n°004. Ratificamos nossa posição anterior.” Isto posto, como asseverou a fiscalização, "a empresa não apresentou nenhum dos arquivos magnéticos solicitados, seja os da escrita contábil (TI N° 001) ou da escrita fiscal (TI N°s 002, 004 e 006)" e assentou a imprescindibilidade desses arquivos magnéticos na realização dos trabalhos, conforme excerto: Tendo em vista o porte da empresa e diversidade de produtos comercializados, a apresentação destes arquivos magnéticos é de suma importância para apuração dos tributos e contribuições devidas, principalmente quanto à conferência da efetiva receita de vendas e das exclusões da base de cálculo, em especial, a título de mercadorias isentas, não tributadas, sujeitas às alíquotas zero e especiais. A obrigatoriedade de manutenção e apresentação destes arquivos magnéticos está regida pelo Art. 265 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto 3.000/99, cuja matriz legal é o Art. 11 da Lei 8.218/91, com nova redação dada pelo Art. 72 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, abaixo transcritos : “Art. 72 Os arts. 11 e 12 da Lei n9 8.218, de 29 de agosto de 1991, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 11 As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária.” Por descumprimento desta norma legal, a empresa incidiu na hipótese de agravamento de penalidades previsto no § 29 inciso II do Art. 44 da Lei n9 9.430/96, com nova redação dada pelo Art. 14 da Lei n9 11.488/2007. Estas serão exigidas nos períodos abrangidos pela intimação do fisco não atendida, conforme detalhado à frente, no item: 3. DAS PENALIDADES APLICADAS." A seguir, no tópico "3. DAS PENALIDADES APLICADAS", a fiscalização discorreu acerca dos fatos praticados eivados de conduta dolosa enquadradoos no art. 71, inciso I e 72 da Lei nº 4.502/64, que caracteriza sonegação e fraude ensejando a multa qualificada de 150%. Vejamos os excertos do TVF (fls. 182/184): 3. DAS PENALIDADES APLICADAS De todo o exposto, ficou caracterizada a conduta claramente dolosa adotada pelo sujeito passivo, que visava impedir ou Fl. 15299DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.298 64 retardar a ocorrência e o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, dos fatos geradores das obrigações tributárias principais, inclusive natureza e circunstâncias materiais, enquadrandose o contribuinte nas hipóteses previstas nos artigos 71, inciso I, e 72 da Lei 4.502/64 Sonegação e Fraude. Lei 4.502/64 . “Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento.” Assim disciplina o Art. 44 da Lei nº 9.430/ 1996, com redação dada pelo Art. 14 da Lei nº 11.488/2007: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (...) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (...)" No caso em tela, estando demonstrado o dolo dos agentes e a ocorrência de sonegação e fraude, aplicase a todos lançamentos efetuados, a multa qualificada de 150 %. Fl. 15300DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.299 65 Para o caso específico dos Autos de Infração de IRPJ/CSLL e PIS/COFINS, a penalidade sofrerá o agravamento previsto na legislação acima descrita, que a eleva para 225 %, em punição pela não apresentação dos arquivos magnéticos Plano de Contas, Saldos Mensais, Lançamentos Contábeis, Mestre e Itens de Mercadorias, solicitados nos Termos de Intimação de números 001, 002, 004 e 006, conforme explanado no item acima, “DESCRIÇÃO DOS FATOS". Assim, equivocada e distante dos fatos narrados a conclusão a que chegou o voto vencido: "Desse modo, mesmo na parte mantida do lançamento, a multa não pode ser agravada no patamar máximo de 225%, poderia ter sido agravada somente até o patamar de 150%. Procedimento que não foi adotado pela fiscalização, o que faz com que todas as multas de 225% devam ser canceladas e reduzidas para o patamar regular de 75% nas partes que devem ser mantidas do lançamento." Destarte, encontrase plenamente demonstrada e fundamentada a qualificação da multa em 150% e seu agravamento ao patamar de 225% MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96. O não atendimento da intimação para entregar os arquivos magnéticos que o contribuinte deveria possuir justifica o agravamento da multa de ofício. (Processo nº 10680.013587/200662, Acórdão nº 9303004.316, sessão de 15 de setembro de 2016. Decisão por unanimidade de votos. Relator Cons. Charles Mayer de Castro Souza) Assim, voto para que (i) seja mantida a glosa de créditos de PIS e Cofins com as aquisições de (a) combustíveis e lubrificantes e (b) de mercadorias para revenda, de pessoas jurídicas emitentes dos documentos fiscais considerados inidôneos em decorrente de inexistência de fato, incapacidade para realizarem as vendas ou quaisquer outras irregularidades, conforme demonstrado e consolidado na Parte II do Termo de Verificação Fiscal, às folhas 180 a 350; e (ii) a qualificação da multa para 150% e o seu agravamento, elevandoa ao patamar de 225%. Por fim, cumpre assinalar que a matéria "responsabilidade tributária", solidária ou pessoal, não foi enfrentada no voto vencido, portanto, não houve manifestação da Turma no julgamento, bem como neste voto vencedor, quanto aos argumentos suscitados em recurso voluntário para o afastamento ou não da responsabilização pelo crédito tributário das pessoas arroladas nos autos. São esses os fundamentos deste voto vencedor. Fl. 15301DF CARF MF Processo nº 13603.720275/200881 Acórdão n.º 3201003.731 S3C2T1 Fl. 15.300 66 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 15302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000078/2011-55
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não se conhece de recurso que não comprove a divergência jurisprudencial nos termos do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9101-004.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA. Recorrente CARTA GOIAS INDUSTRIA E COMERCIO DE PAPEIS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se conhece de recurso que não comprove a divergência jurisprudencial nos termos do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 00 78 /2 01 1- 55 Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 9101004.026 CSRFT1 Fl. 1.848 2 Relatório CARTA GOIAS INDUSTRIA E COMERCIO DE PAPEIS LTDA. recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial (efls. 1.778/1.817), contra o acórdão de nº 1402002.003 (efls. 1.719/1.734) proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF que, em sessão realizada em 10/12/2015, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao seu Recurso Voluntário, reduzindo o valor tributável referente à glosa de custos por falta de comprovação (item 01 da autuação) de R$ 17.154.656,07 para R$ 12.290.392,49. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade de despesas impõe a prova de sua efetiva ocorrência, normalidade, usualidade e necessidade à atividade da empresa. NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. A interessada, irresignada, apresentou embargos de declaração contra o acórdão nº 1402002.003 (efls. 1.746/1.753), que foram rejeitados por despacho do presidente da turma (efls. 1.764/1.766). Em seguida, apresentou recurso especial em que afirma que pretende "que seja analisada uma questão de direito, acerca da possibilidade ou não, da glosa total de despesas essenciais a atividade do contribuinte, visto que tal procedimento foi adotado pela fiscalização tocante aos valores correspondentes às aquisições relativas a Disco Orbital, Óleo Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 9101004.026 CSRFT1 Fl. 1.849 3 Diesel e Gel." Como paradigmas indicou o acórdão nº 10708.308 e o acórdão nº 10322.289, que veicularam as seguintes ementas: acórdão nº 10708.308 IRPJ/CSLL GLOSA DO TOTAL DAS CONTAS DE CUSTOS/DESPESAS NÃO CABIMENTO Este Colegiado tem reiteradamente decidido que lançamentos calçados na glosa pura e simples dos totais da contas de custos ou despesas operacionais não reúnem os necessários requisitos de liquidez e certeza. A resistência do contribuinte em apresentar comprovantes de custos ou despesas deve ser enfrentada com as ferramentas legais disponíveis, entre elas o arbitramento dos lucros e o agravamento da penalidade por descumprimento do dever geral de se submeter à auditoria fiscal. acórdão nº 10322.289 CUSTOS. COMPROVAÇÃO. A inexistência de documentação fiscal própria, por si só, resta insuficiente para caracterizar glosa de custos quando a natureza dos bens utilizados e a sua quantidade são compatíveis com a atividade explorada pela empresa, revelando fortes evidências de efetividade das operações. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A lei autoriza presumirse receita omitida com base na constatação de saldo credor na conta caixa resultante de reconstituição ex officio do fluxo de entradas e saídas de recursos. Cabe ao fisco demonstrar o saldo credor para que reste caracterizada a presunção. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. A recorrente explica que o trabalho fiscal refutou, de pronto, os elementos de prova acerca dos custos e despesas que foram examinados, em que pese ter apresentado sua escrita, composta por cerca de dezoito caixas, contendo os Livros Diário, Razão Auxiliar e documentação de respaldo, do ano de 2006. Pugnou por diligências por ocasião da apresentação da impugnação, que foram indeferidas, tendo reiterado o pedido quando apresentou recurso voluntário, acrescentando outros elementos de prova a respeito de seus custos e despesas. O colegiado a quo, então, converteu o julgamento na realização de diligência, através da Resolução nº 1402000297 (fls.12211227), para que a autoridade fiscal examinasse os elementos apresentados. Ao final da diligência, a autoridade fiscal teria reconhecido, ainda que parcialmente, a legitimidade da dedução de alguns custos e despesas. O resultado da diligência foi acatado pelo colegiado que cancelou parte do lançamento. Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 9101004.026 CSRFT1 Fl. 1.850 4 A defesa entendeu que a decisão de piso foi omissa por não ter examinado a glosa em relação ao item "III.3 Disco Orbital, Óleo Diesel e Gel", apresentando embargos de declaração por considerar que não seria factível a glosa integral desta rubrica dos seus custos e despesas, visto que tais componentes são indispensáveis ao processo produtivo da empresa e que sem eles não haveria como produzir qualquer quantidade do material por ela industrializado. Contudo, os embargos teriam sido rejeitados sob a justificativa de que o resultado da diligência foi totalmente acatado pelo colegiado, daí porque não haveria um pronunciamento específico sobre o item "III.3". Afirma não ser seu intuito que a instância superior reaprecie elementos de prova acostados aos autos, mas que seja analisada questão de direito, atinente à possibilidade de glosa total de custos e despesas essenciais à atividade operacional/produtiva da empresa, cuja manutenção obstacularizaria todo o seu processo produtivo. Pede, ao final, pelo conhecimento e provimento do recurso. O despacho de admissibilidade (fls. 1.827/1.832) deu seguimento à matéria “possibilidade, ou não, da glosa total de despesas essenciais à atividade do contribuinte”. Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (e fls. 1.841/1.845), em que, em síntese, aponta para a necessidade de comprovação das despesas, lembrando que o ônus dessa prova invertese para o sujeito passivo que a lança como dedução na apuração do imposto e salienta ser indispensável que as provas sobre a efetividade dos custos sejam de tal qualidade que afastem todas as dúvidas e levem à plena convicção quem tenha que decidir a respeito, o que não teria ocorrido no caso. Ao final, requer seja negado provimento ao apelo, mantendose a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Conhecimento Embora tenha sido admitido em exame preliminar de admissibilidade (fls. 1.827/1.832), entendo que o presente recurso não deve ser conhecido por não preencher os requisitos de admissibilidade previstos no art. 67 do RICARF, que dispõe: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 9101004.026 CSRFT1 Fl. 1.851 5 (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. A recorrente aponta como matéria divergente a possibilidade ou não, da glosa total de despesas essenciais a atividade do contribuinte. Dos autos se extrai que se trata da glosa dos valores informados na linha 3 (compras de insumos a prazo) da Ficha 04, da DIPJ/2007, referentes à conta contábil nº 6.1.1.01.005 Óleo Combustível, cujo valor glosado foi de R$ 137.347,29 e conta contábil nº 6.1.1.01.099 Outros Insumos, cujo valor glosado foi de R$ 8.231.005,50, e também declarados como "componentes", na linha 16 "Outros Custos". De se notar que referidos valores estão incluídos, juntamente com outros, no item 1 do auto de infração. A autoridade fiscal considerou que a pessoa jurídica não comprovou os valores e promoveu a glosa. O colegiado a quo, diante da apresentação de alguns elementos junto do recurso voluntário, converteu o julgamento na realização de diligência. No voto proferido após o retorno dos autos para julgamento, o relator analisou de forma global a comprovação dos valores que se referem ao item 1 do auto de infração, considerando, a partir do relatório da diligência, a comprovação de algumas somas. E ressaltou: Da glosa de custos por falta de comprovação Item 01 da autuação A fim de comprovar as despesas que foram objeto do item 01 da autuação, a interessada limitouse a apresentar os extratos bancários, além dos Livros Diário e Razão. Quanto aos extratos, esclareço que o mero registro de trânsito financeiro, por si só, não faz prova da realização de determinada despesa e, em relação aos livros contábeis, reitero que a norma do já mencionado art 923 do RIR/1999 retira o valor de prova da contabilidade quando desprovida de documentação de respaldo. O esclarecimento, prestado pela interessada ao longo da auditoria – (fls 241/244), de que o valor de R$ 17.154.656,07 teria sido equivocadamente incorporado na ficha 4A linha 16 – “outros custos” não é suficiente para legitimar a dedução do referido valor e inclusive reforça a indevida redução do lucro tributável do período. Ressalto que o esclarecimento prestado foi genérico. Informou a interessada, apenas, que o valor questionado (R$ 17.154.656,07) corresponderia a “outras rubricas” por ela não especificadas, dentre as quais inclui o item “compra de insumos a prazo” . Não foram apresentados documentos que pudessem indicar que a dedução auditada , apesar de incorporada em local inadequado da DIPJ, representava redução legítima à tributação. Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 9101004.026 CSRFT1 Fl. 1.852 6 Em seguida o voto faz referência aos valores comprovados na diligência, bem como a subtração desses valores do total da glosa promovida. A recorrente apresentou embargos de declaração apontando obscuridade e omissão da decisão, que não teria se pronunciado especificamente a respeito do item "III.3 Disco Orbital, Óleo Diesel e Gel" do relatório da diligência, afirmando que tais insumos são essenciais ao desenvolvimento de sua atividade preponderante, razão pela qual não seria possível a glosa integral dos valores. No despacho que analisou e rejeitou a admissibilidade dos embargos a presidência da turma ressaltou que não haveria qualquer omissão ou obscuridade no julgamento, uma vez que o voto adotou integralmente o relatório de diligência, em que tais valores foram considerados não comprovados. Assim, a razão para a manutenção da glosa desses valores foi a falta de comprovação. Conquanto a recorrente questione "a possibilidade, ou não, da glosa total de despesas essenciais à atividade do contribuinte", na comparação entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados, não vislumbro a invocada divergência. Vejase que o primeiro paradigma acórdão nº 10708.308 apreciou caso em que a autoridade fiscal glosou a totalidade dos custos e despesas declarados na declaração do IRPJ, como se nota do seguinte relatório: Contra a contribuinte nos autos identificada foram lavrados Autos de Infração para formalização e cobrança de créditos tributários relativos diretamente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, Fls. 95/68, e reflexamente ao Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, Fls. 99/102; contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, Fls. 103/106; e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, Fls. 107/110, totalizando R$ 1.201.602,44, inclusos juros de mora e multa de ofício. Decorrente da glosa integral do custo dos serviços vendidos, anotados na Declaração de Rendimentos da interessada, o Auto de Infração principal encontra suporte nos artigos 195, I, 197, 242, 243 e 247, todos do Regulamento do Imposto de Renda — RIR194, aprovado pelo Decreto 1.041/94. [...] na impugnação [...] Requereu, caso a vasta documentação apresentada por ocasião da impugnação não fosse suficiente para provar o alegado, que se realizassem diligencias para a verificação dos livros e documentos fiscais, tudo no sentido de comprovar a efetividade dos custos registrados. (grifouse) E a glosa integral foi promovida porque a autoridade fiscal considerou fictos todos os valores declarados. Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 9101004.026 CSRFT1 Fl. 1.853 7 Naquele caso, entendeu o colegiado que caberia ao fiscal, ao invés de promover a glosa integral dos custos, arbitrar o lucro. Eis o trecho do voto: Este Colegiado tem reiteradamente decidido que lançamentos calçados na glosa pura e simples dos totais da contas de custos ou despesas operacionais não reúnem os necessários requisitos de liquidez e certeza. A resistência do contribuinte em apresentar comprovantes de custos ou despesas deve ser enfrentada com as ferramentas legais disponíveis, entre elas o arbitramento dos lucros e o agravamento da penalidade por descumprimento do dever geral de se submeter à auditoria fiscal Essa situação fática não guarda similaridade com aquela analisada pelo acórdão recorrido. No caso ora analisado não houve a glosa integral de custos e despesas, tampouco a auditoria fiscal considerou fictícios os valores declarados, mas apenas não comprovados. Portanto, este paradigma não se presta a caracterizar a divergência. O paradigma seguinte acórdão nº 10322.289 também apreciou fatos distintos. No paradigma foi lavrado auto de infração para exigir IRPJ sobre "Omissão de Receitas, Suprimento de Numerário Não Comprovada a Efetividade da Entrega" e "Custos ou Despesas Não Comprovadas Glosa de Custos" Relativamente a glosa de despesas e custos, apurouse que o sujeito passivo emprestava itens de seu estoque a pessoas ligadas e, assim, considerou a auditoria a existência de mútuo e que o procedimento correto seria a contabilização desses valores a débito de conta de ativo e não o registro em conta de despesa, daí a razão da glosa. No voto, o relator explicou o engano cometido pela auditoria, pois a fiscalizada teria contabilizado diretamente como custo, sem documentação hábil (notas fiscais), empréstimos de motores, peças, acessórios, pneus, material de carrocerias e óleo lubrificante, recebidos da controladora Viação Novo Horizonte Ltda., detentora de 99% do capital da fiscalizada, que informou que os produtos não transitaram pelo estoque "porque saíam do estoque da Viação Novo Horizonte Ltda. e, imediatamente, foram aplicados nos ônibus da Viação Central Bahia". E concluiu: Assim como afirmado pelo autor do voto condutor do acórdão recorrido, também penso que a documentação não é determinante para comprovação do custo incorrido. Esta Câmara consolidou o entendimento de que devem ser admitidos os custos, mesmo na hipótese de notas fiscais emitidas por fornecedores em situação irregular, desde que a efetividade das respectivas operações esteja comprovada [...] Assim, a decisão levou em conta que o sujeito passivo comprovou que os itens de consumo foram remetidos por sua controlada e, por terem sido empregados diretamente nos ônibus da viação, compuseram o custo e não transitaram pelo estoque. Daí porque considerou irrelevante, no caso, a apresentação de documentação de suporte dos referidos custos. Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 9101004.026 CSRFT1 Fl. 1.854 8 Como se vê é situação que não tem similaridade com aquela apreciada nos presentes autos. É claro que divergência jurisprudencial se caracteriza quando os acórdãos recorrido e paradigma, em face de situações fáticas similares, conferem interpretações divergentes à legislação tributária. Mas, tratandose de situações fáticas diversas, cada qual com seu conjunto probatório específico, as soluções diferentes não têm como fundamento a interpretação diversa da legislação, mas sim as diferentes situações fáticas retratadas em cada um dos julgados. Dessa forma, a recorrente não logrou caracterizar a divergência arguida, razão pela qual o recurso especial não deve ser conhecido. Conclusão Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1855DF CARF MF
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