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Numero do processo: 37324.002545/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 649 1 648 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37324.002545/200792 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2301000.430 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de fevereiro de 2014 Assunto Conversão em Diligência. Recorrente SOCIEDADE CAMPINEIRA DE EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior. Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, correspondendo à contribuição destinada ao FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias os valores pagos ou creditados aos contribuintes individuais (autônomos) que lhe prestaram serviços no período de 01/1996 a 12/2004. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 73 24 .0 02 54 5/ 20 07 -9 2 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 37324.002545/200792 Resolução nº 2301000.430 S2C3T1 Fl. 650 2 O Relatório Fiscal aduz que a Sociedade Campineira de Educação e Instrução (SCEI) dirige, supervisiona e administra a Pontifícia Universidade Católica de Campinas e o Hospital e Maternidade Celso Pierro. Assegura que a isenção foi cancelada por descumprimento ao disciplinado nos incisos IV e V do artigo 55 da Lei 8.212/91, que transitou em julgado no âmbito administrativo em 28/03/2006, quando o CRPS emitiu o Acórdão 240/2006 mantendo o cancelamento da isenção de cota patronal a partir de 01/01/1994; O sujeito passivo apresentou impugnação sustentando o direito à isenção. Em 07 de fevereiro de 2007, foi emitida a DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21424.4/129/2007, considerando o lançamento procedente. Foi interposto recurso voluntário, o qual foi acolhido pela 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária/2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para anular a citada decisão, já que não havia se manifestado sobre aspectos fundamentais trazidos em impugnação. A DRJ de Campinas acolheu parcialmente a impugnação para reconhecer a decadência nos moldes do artigo 173, inciso I, conforme ementa abaixo: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. REMUNERAÇÃO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais, na forma da Lei. DIREITO ADQUIRIDO À MANUTENÇÃO DE REGIME JURÍDICO. INEXISTÊNCIA Inexiste direito adquirido em regime jurídico, motivo pelo qual não há razão para se falar em direito à imunidade por prazo indeterminado. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, julgar a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio. DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias estão sujeitas ao prazo decadencial de cinco anos e havendo pagamento a menor, o prazo de decadência é de cinco anos contados da data do fato gerador, na forma da legislação. Foi interposto recurso voluntário pela recorrente sustentando que: i) nos autos da ação ordinária 1999.61.05.0095167 foi confirmado o direito à imunidade da recorrente; a entidade atendeu os requisitos da Lei 8.212/91; ainda que assim não fosse a entidade está submetida a Lei nº 3577/59. É o relatório. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 37324.002545/200792 Resolução nº 2301000.430 S2C3T1 Fl. 651 3 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério. A r. decisão recorrida, ao tratar das questões suscitadas pelo sujeito passivo acerca do direito à isenção prevista na Lei 3.577/79 e de que não houve remuneração ao Monsenhor José Machado Couto, matéria essa repisada em recurso voluntária, não poderia ser analisada nesses autos, uma vez que essa matéria já foi apreciada pelo CRPS nos autos originados do Ato Cancelatório 21.727.1/002/2004. Considerando que nesses autos não há cópia referente ao processo cancelatório de modo que esse E. CARF possa averiguar se há identidade de matéria versada no recurso voluntário e naqueles autos, VOTO no sentido de converter em diligência, a fim de que sejam anexados a esses autos o Ato Cancelatório 21.727.1/003/2004, defesas e recursos contra este apresentado, bem como Acórdão nº 240, de 28/03/2006 do Conselho de Recursos da Previdência Social. Após, intimese o sujeito passivo a se manifestar no trintídio legal. Ultrapassado o prazo retornem os autos ao CARF para processamento e julgamento do recurso. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 651DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.004546/2008-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 17/12/2007, 11/01/2008, 23/01/2008, 20/02/2008
17/03/2008, 16/04/2008, 24/04/2008, 15/05/2008, 30/05/2008, 19/06/2008,
18107/2008, 30/07/2008.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS ORIUNDOS DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO ELETROBRÁS. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre pedido de compensação cujos créditos são oriundos de empréstimo compulsório da ELETROBRÁS.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2801-002.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente na data da formalização da decisão.(Ordem de Serviço n° 01, de 8 de março de 2013)
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 17/12/2007, 11/01/2008, 23/01/2008, 20/02/2008 17/03/2008, 16/04/2008, 24/04/2008, 15/05/2008, 30/05/2008, 19/06/2008, 18107/2008, 30/07/2008. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS ORIUNDOS DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO ELETROBRÁS. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre pedido de compensação cujos créditos são oriundos de empréstimo compulsório da ELETROBRÁS. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente na data da formalização da decisão.(Ordem de Serviço n° 01, de 8 de março de 2013) Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS ORIUNDOS DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO ELETROBRÁS. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre pedido de compensação cujos créditos são oriundos de empréstimo compulsório da ELETROBRÁS. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente na data da formalização da decisão.(Ordem de Serviço n° 01, de 8 de março de 2013) Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 45 46 /2 00 8- 10 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10950.004546/200810 Acórdão n.º 2801002.962 S2TE01 Fl. 323 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/CTA (Fls. 128), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o processo de lançamento de R$ 205.413,49 de multa de 75%, exigida isoladamente, por meio do auto de infração de fls. 1001105, em virtude de compensações consideradas não declaradas, conforme Despacho Decisório da DRF/Maringá, emitido no Processo Administrativo n ° 13956.000927/200787 (fls. 87/93), decorrente de crédito que adviria de cautela de obrigações das Centrais Elétricas Brasileiras S/A, cuja restituição foi solicitada em processo administrativo distinto (nº 13956.000170/200641); o fundamento legal da autuação encontrase descrito às fls. 103/104. Cientificada em 04/09/2008 (fl. 10.7), a interessada apresentou, em 02/10/2008, a impugnação de fls. 108/125, trazendo os argumentos sintetizados a seguir. Após falar, sinteticamente, sobre os fatos que levaram à autuação, no item "III.1 Empréstimo Compulsório sobre Energia Elétrica, Receita da União, Competência para a Administração de Tributos Federais (SRF)" (fls. 110/120), contesta o entendimento do fisco de ser indevida a compensação declarada, tecendo considerações, com menções à doutrina e à jurisprudência, sobre ser a Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB competente para administrar, e, portanto, para restituir empréstimo compulsório, dizendo que não há como dissociar esse órgão, a RFB, da pessoa jurídica União Federal. Por seu turno, no título "Da alegada compensação indevida", argúi que não pode ser `penalizada' com a imposição de multa isolada de 75%, sob o pretexto de compensação indevida, uma vez que não haveria dolo em sua conduta, além de que o fisco não estaria inibido, após o exaurimento da discussão administrativa, de exigir os valores que lhe são devidos, sustentando, ainda, que sua compensação não se amoldaria às hipóteses arroladas no art. 18 da Lei n ° 10.833, de 2003, pois, primeiro, inexistiria disposição legal expressa impossibilitando a compensação com obrigações da eletrobrás; segundo, o crédito é de natureza tributária; e, terceiro, não teria omitido nenhum Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10950.004546/200810 Acórdão n.º 2801002.962 S2TE01 Fl. 324 3 dos elementos do fato gerador, fracionando ou retardando o pagamento do tributo. Prosseguindo, no item "Da vedação ao confisco", faz breves considerações sobre o princípio constitucional do nãoconfisco (art. 150, IV, CF/1988), depois do que diz: "a cobrança de multa no valor de 750lo, demonstra a ilegalidade e a abusividade na cobrança de eventual crédito tributário, impondo ao contribuinte excessiva carga econômica que pode ser traduzido como a implicância do indesejado efeito confiscatório. "; fala, ainda, que a redução da multa em até 50% no caso de "pagamento até o vencimento da intimação", evidenciaria que "a mensuração da alíquota sobre a multa administrativa foi estabelecida por um critério amoral, ou seja, sem qualquer correlação econômico financeira pela falta de pagamento no momento oportuno". Por fim, requer que: (a) seja considerado improcedente o lançamento da multa isolada de ofício, posto que o crédito utilizado na compensação declarada possuiria natureza tributária (empréstimo compulsório sobre energia elétrica, instituído pela União); (b) alternativamente, caso seja mantida a multa, "sua minoração em razão da inexistência de ato detende (sic) a impedir o fato gerador do tributo, uma vez que a compensação tributária é causa extintiva da obrigação tributária, e não causa impeditiva do fato gerador dos tributos compensação, razão da inaplicabilidade do disposto no art. 72 da Lei 4.502164'; (c) caso seja diverso o entendimento, se considere improcedente o lançamento, com espeque no art. 100, parágrafo único do CTN, uma vez que seu procedimento seria consentâneo com as normas complementares da RFB; (d) a decisão seja prolatada nos moldes do art. 31 do Decreto nº 70.235, de 1972, devendo, dentre outros requisitos, referirse expressamente às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências, sob pena de se incorrer em cerceamento do direito de defesa. À fl. 126, despacho da ARF/Umuarama atestando a tempestividade da impugnação. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. CAUTELAS ELETROBRÁS. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. Considerada nãodeclarada a compensação em face da pretensão de utilização de crédito nãoadministrado pela Secretaria da Receita Federal, aplicável a multa isolada na forma prevista na legislação. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10950.004546/200810 Acórdão n.º 2801002.962 S2TE01 Fl. 325 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 08/12/2009 (Fls. 138), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08/01/2010 (fls. 139 140), reiterando os argumentos apresentados quando da impugnação. Acrescentando ainda que diferentemente do que prega o acórdão recorrido, à Administração é possível verificar a constitucionalidade e legalidade de seus atos: O Relator, ao proferir seu voto, anunciou que não cabe à administração pública verificar a constitucional idade das leis e nem de seus atos. Afirma estar a fazenda vinculada somente à legalidade Ledo engano. O Supremo Tribunal Federal em dois momentos já pronunciou de forma sumulada a possibilidade da administração verificar a constitucionalidade e legalidade de seus atos, analise: "Súmula 346: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos." "Súmula 473: A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos, ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial". Isto quer dizer que toda a sua atuação pode ser pautada pelos princípios constitucionais, retirando a força normativa infraconstitucional quando verificado contraposição aos nortes magnos definidos na carta maior. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. De início, verifico que o objeto do presente processo versa sobre não homologação de declarações de compensações de tributos federais com créditos oriundos de empréstimos compulsórios para as Centrais Elétricas Brasileiras S/A –ELETROBRÁS. Ocorre que o Regimento Interno do CARF, m seu Anexo II, Art. 7, § 1, assim preconiza: Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10950.004546/200810 Acórdão n.º 2801002.962 S2TE01 Fl. 326 5 § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Por sua vez, o Inciso VII do Art. 2 do Anexo II, do mesmo Regimento Interno do CARF, estabelece que: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Do exposto acima, em razão do crédito alegado na compensação ser decorrente de empréstimo compulsório para a ELETROBRÁS, concluíse que cabe à Primeira Seção processar e julgar o recurso objeto deste processo. Ante o acima exposto, e o que mais constam nos autos, voto por não conhecer o recurso em tela, declinando da competência para julgálo, e o devolvendo para a Secretaria da Primeira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para as providências a seu cargo, tendo em vista que a competência para o julgamento da presente lide pertence a 1ª seção, não podendo ser apreciada por esta Turma Especial da 2ª Seção, nos termos do art. 2°, inciso VII, do Anexo II, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 326DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10935.003146/2006-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO.
Afora as exceções legais, a defesa deve estar instruída com os respectivos elementos que sustentem o direito afirmado.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. SÚMULA CARF Nº 14.
O caso sob análise, relativo à presunção de omissão de receitas decorrente da não comprovação da origem de depósitos bancários, assemelha-se a precedentes que justificaram a edição da Súmula CARF nº 14 (A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo), de observância obrigatória pelos membros do CARF, sendo de rigor a redução da multa de ofício ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS
Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõe-se a adoção de igual orientação decisória.
Numero da decisão: 1103-001.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado dar provimento parcial para afastar a qualificação da multa, reduzindo-a ao percentual de 75%, por maioria, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura e Aloysio José Percínio da Silva, que negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Omissão de receitas Recorrente ROADICLANE INDÚSTRIA E EMPACOTAMENTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida perante instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizamse como omissão de receitas. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. SÚMULA CARF Nº 14. O caso sob análise, relativo à presunção de omissão de receitas decorrente da não comprovação da origem de depósitos bancários, assemelhase a precedentes que justificaram a edição da Súmula CARF nº 14 (“A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”), de observância obrigatória pelos membros do CARF, sendo de rigor a redução da multa de ofício ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 31 46 /2 00 6- 13 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 386 2 Anocalendário: 2003 PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. Afora as exceções legais, a defesa deve estar instruída com os respectivos elementos que sustentem o direito afirmado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado dar provimento parcial para afastar a qualificação da multa, reduzindoa ao percentual de 75%, por maioria, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura e Aloysio José Percínio da Silva, que negaram provimento. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, anocalendário 2003, no valor total original de R$ 162.392,76 (cento e sessenta e dois mil, trezentos e noventa e dois reais e setenta e seis centavos), sobre o qual incidem multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora (fls.288/315). As infrações, quanto ao IRPJ, foram assim descritas no campo “Descrição do Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”: 001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. Valor referente a depósitos e créditos, realizados junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 002 – RECEITAS DA ATIVIDADE – A PARTIR DO AC 93 – RECEITAS DA ATIVIDADE. Receita da atividade, escriturada e não declarada, apurada conforme relatório em anexo. A ciência do contribuinte efetivouse em 20/7/06 (fls.288, 294, 301 e 308). No “Termo de Verificação Fiscal” (fls.281/287), a fiscalização consignou: Fl. 471DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 387 3 “1 OMISSÃO DE RECEITAS 1.1 — RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS (DEPÓSITOS BANCÁRIOS). Juntamente com mandado de procedimento fiscal acima, recebemos o Dossiê da fiscalizada onde continha informações dos sistemas da Receita Federal, em que constava que a fiscalizada manteve nos anos de 2002 e 2003, contas correntes em 02 (duas) instituições financeiras. Em 31 de janeiro de 2006, demos ciência ao contribuinte do termo de inicio da ação fiscal onde através de intimação solicitamos a documentação necessária à realização dos trabalhos (Fls.005). Em 06 de fevereiro de 2006 o contribuinte apresenta os documentos solicitados (Fls.006). Em confronto com a contabilidade da fiscalizada constatamos que a mesma registrou apenas a conta bancária mantida junto ao Banco Sudameris, S.A., (Fls.061 a 109), deixando de registrar as contas mantidas junto ao Banco Real S.A. Diante da não apresentação dos referidos extratos por parte da fiscalizada, em fevereiro de 2006, intimamos a instituição financeira a nos fornecer os extratos referentes aos anos de 2002 e 2003, (Fls.110 a 111). Em março de 2006, em atendimento a intimação, a instituição financeira nos enviou os referidos extratos, (Fls.125 a 206). Em, 12 de abril de 2006 intimamos a investigada a comprovar mediante apresentação de documentação hábil e idônea as origens dos recursos financeiros ingressados nas contas bancárias em nome da fiscalizada (Fls.207 a 238). Em 19 de abril de 2006 a fiscalizada apresenta pedido de prorrogação de prazo para atendimento da intimação alegando que se tratava de um volume muito grande de informações a serem fornecidas (Fls.278). Em 20 de junho de 2006 a investigada apresenta resposta firmada por seu sócio administrador informando que os valores originase de vendas realizadas, cujos valores foram contabilmente registrados à débito da conta ‘caixa’, (Fls. 279). Na justificativa da investigada, ela alega que os valores das movimentações financeiras sob investigação foram registrados a débito da conta caixa, isso não procede, pois, como se pode observar nos quadros abaixo, os valores registrados de receitas na sua contabilidade totalizou no ano de 2003 o montante de, R$2.493.722,65, enquanto que os valores das movimentações financeiras totalizaram para o mesmo período o montante de R$7.144.117,60, além do mais, no razão contábil da conta caixa apresentado a esta fiscalização, não contempla tais valores que a investigada alega estar contabilizado, (Fls.067 a 091), portanto fica provado que os valores que a investigada movimentou nas instituições financeiras são provenientes de suas atividades operacionais, e, que a diferença entre os valores registrados em sua contabilidade e os movimentados nas contas bancárias mantidas em nome da investigada constituem omissão de receita. Nas intimações para a investigada a comprovar as origens dos recursos financeiros ingressados nas contas bancárias mantidas Fl. 472DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 388 4 em nome da mesma junto as instituições financeiras (Fls.207 e 208), já foram excluídos os valores dos lançamentos a créditos que não representam efetiva entrada de recursos e que foram possíveis de identificação pelo próprio histórico dos extratos bancários, conforme demonstrado abaixo: ..... Os depósitos bancários, sem comprovação de origem, passaram a constituir presunção legal de omissão de receita, com o advento do art. 42 da referida Lei n° 9.430, de 1996 [...]”. A autoridade fazendária fundamentou a qualificação da multa de ofício nos termos abaixo: “[...] 2 – MULTAS Foi aplicada a multa de 150%, tomandose por base o artigo 44 da Lei 9.430/96. Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I — De setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte: II — cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1.964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Não vislumbra, esta fiscalização, outra possibilidade de omissão das informações por parte do contribuinte, senão com a finalidade de esquivarse do pagamento de tributos, pois o mesmo omitiu 51,85% de suas movimentações das receitas totais, ou seja, 1 por 1, a cada um real declarado um foi omitido. O artigo 44 da Lei 9.430/96, acima transcrito, é claro quando trata da aplicação de multa de 150% nos casos de evidente intuito de fraude. Interessante neste caso é vermos o conceito de fraude constante da Lei 4.502/94 em seu artigo 72. Artigo 71 da Lei 4.502/94 — Sonegação é toda a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária. Art. 72 — Fraude é toda a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir seu pagamento. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 389 5 Art. 73 — Conluio é o ajuste dolosamente entre duas ou mais pessoas, naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos Arts. 354 e 355. Aqui podemos nos socorrer do dicionário Aurélio para aprofundarmos o entendimento do legislador acerca do assunto, quando trata da fraude como uma omissão dolosa. ‘dolo’ 1. Qualquer ato consciente com que alguém induz, mantém ou confirma outrem em erro; máfé, logro, fraude, astúcia; maquinação. 2. Jur. Vontade conscientemente dirigida ao fim de obter um resultado criminoso ou de assumir o risco de o produzir. Entende esta fiscalização, ter restado comprovado, de forma inequívoca, que o contribuinte agiu conscientemente, na tentativa de ocultar da autoridade tributária, resultado que deveriam ser oferecidos à tributação e não o foram.”. Os lançamentos foram considerados parcialmente procedentes pela Segunda Turma da DRJ – Curitiba (PR), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.332/346): PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas, em nome dos sócios, junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. A parcela da receita bruta, com prestação de serviços, escriturada e não declarada na DIPJ 2004 deve ser objeto de lançamento de oficio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA. Aplicável a multa qualificada de 150% por restar caracterizada a ocorrência de dolo em face da constatação de créditos bancários cuja origem dos recursos deixou de ser comprovada. MULTA DE OFICIO DE 75%. Reduzse o percentual da multa de oficio de 150% para 75% sobre a receita bruta escriturada e Fl. 474DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 390 6 não declarada em face de não restar caracterizada a ocorrência de dolo. DECORRÊNCIA. PIS. COFINS E CSLL. Tratandose de tributações reflexas de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constantes do mesmo processo, e dada a relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao Pis, Cofins e CSLL. Na oportunidade, afastouse a qualificação da multa de ofício relativamente à omissão de receita decorrente da não declaração das receitas escrituradas (IRPJ e CSLL). Devidamente cientificado de tal decisão em 10/1/07 (fl.361), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 9/2/07 (fls.362/372), em que alega, em síntese: desde a impugnação, já havia informado que para comprovar suas afirmações necessitaria realizar minuciosa apuração nos documentos contábeis, de maneira que “...pretendia comprovar que, no mínimo, estão incorretos os valores consignados pela autoridade fiscal como sendo relativos à diferença (R$2.686.384,76) entre a receita declarada (R$2.493.722,65) e a movimentação financeira (R$5.180.107,41) da empresa apurada pela autoridade fiscal”; poderia comprovar que “...dentro da aludida diferença compreendemse os valores declarados (se não em sua totalidade, ao menos em sua grande maioria)”; “estaria realizando nova conferência em sua documentação, para a demonstração do erro da fiscalização ou, quando menos, para atestar que houve verdadeiro equívoco de valores”; seria inaplicável a taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Resp 205375SP); quanto à multa de ofício, “...não restou comprovado nenhum dos elementos capazes de justificar a imposição da multa em sua forma qualificada. Nesse sentido, vale ressaltar que para a configuração de um daqueles elementos (sonegação, fraude ou conluio) é indispensável que se comprove de forma cabal a intenção do autuado de praticar condutas que caracterizariam ilícitos. Porém, no caso dos presentes autos, a autoridade fiscal limitouse a tipificar a multa em sua forma qualificada, não informando no auto de infração as razões que o levaram a assim agir”; na hipótese de presunção de omissão de receitas com base em movimentação financeira, “...a fraude strictu sensu estaria configurada se a ora Recorrente se utilizasse de contas frias e/ou em nome de interposta pessoa, ou caso se configurasse outra situação que visasse dar vestes de veracidade onde esta não existisse”; a autoridade fiscal apenas presumira a fraude; conforme jurisprudência administrativa, a constatação de omissão de receitas, por si só, não autorizaria a aplicação da multa qualificada, sendo indispensável a comprovação inequívoca da prática de atos ilícitos. Ainda em suas razões de defesa o Recorrente solicitou autorização para apresentar “...a documentação tendente a comprovar suas alegações, mesmo em fase de recurso, sendo, em razão disso, equivocado o entendimento exarado no acórdão proferido pela DRJ de Curitiba”. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 391 7 Em 6/8/13, esta Terceira Turma Ordinária resolveu sobrestar o julgamento com base no art.62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, nos termos da Resolução nº 1103000.100 (fls.376/383). Com a revogação de tal dispositivo regimental pela Portaria MF nº 545, de 28/11/13, os autos foram disponibilizados para julgamento, conforme despacho de fl.384. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Presentes requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Um dos fundamentos das autuações foi exatamente o art.42, caput, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, que dispõe: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os valores depositados nas contas correntes do contribuinte foram descortinados, conforme “Termo de Verificação Fiscal”, por meio de informações obtidas diretamente de instituição financeira. Senão, vejamos: “[...] Diante da não apresentação dos referidos extratos por parte da fiscalizada, em fevereiro de 2006, intimamos a instituição financeira a nos fornecer os extratos referentes aos anos de 2002 e 2003, (Fls. 110 a 111). Em março de 2006, em atendimento a intimação, a instituição financeira nos enviou os referidos extratos, (Fls.125 a 206).” Quanto à comprovação da origem dos depósitos bancários, o Recorrente limitouse a afirmar que estaria providenciando a documentação pertinente, tendo solicitado autorização em tal sentido. O rito do processo administrativo tributário federal não comporta, em regra, instrução probatória posterior à entrega da impugnação, pois este é o momento em que as provas devem ser apresentadas, consoante artigos 15, caput, e art.16, III, do Decreto nº 70.235/72: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. ..... Fl. 476DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 392 8 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. ..... §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. ”(destaquei) A anexação posterior de documentos é possibilidade excepcional. O supracitado art.16, §5º, admitea, porém, desde que o contribuinte demonstre a ocorrência de ao menos uma das situações contempladas nas alíneas do §4º daquele mesmo artigo, o que, concretamente, não ocorreu. Cabe ainda observar que em julgamentos no âmbito deste Conselho, inclusive nesta Terceira Turma Ordinária, prestigiase a apreciação de documentos trazidos aos autos apenas com o recurso voluntário, o que não é o caso. O Recorrente deseja, na verdade, uma nova oportunidade para apresentar provas, à margem do que dispõe a legislação processual administrativa tributária. Decorridos mais de sete anos da ciência do acórdão a quo, e considerando que o Recorrente não carreou aos autos mínima prova de suas alegações, o caso sequer reclama a conversão de julgamento em diligência. Quanto à multa de ofício, justificouse a qualificação no fato de se ter apurado no anocalendário 2003, com base na presunção de omissão de receitas decorrente de Fl. 477DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 393 9 depósitos bancários de origem não comprovada, o montante de R$ 5.180.107,41, enquanto o contribuinte declarou R$ 2.493.722,65. Sobre a matéria, a súmula de jurisprudência dominante no CARF contempla o Enunciado nº 14, com o seguinte teor: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Analisando os paradigmas que justificaram a aprovação de tal verbete, é possível concluir que trataram de caso semelhante ao ora analisado. Primeiramente, citese o acórdão nº 10194.351, de 10/9/03, que tratou também de omissão de receitas, tendo o contribuinte sido intimado a comprovar a origem de determinados depósitos bancários quanto a três meses (novembro/95, dezembro/95 e janeiro/96). O respectivo voto condutor restou assim formalizado: “[...] De plano podemos afirmar não haver como qualificar a penalidade ex officio, sem se atentar para o fato de que, em matéria de penalidades, é imperioso encontrarse evidenciado nos autos o intuito de fraude. No caso sob exame, várias são as circunstâncias que devem ser ponderadas, analisadas e consideradas para efeito de se ter como comprovado o requisito legal exigido, qual seja, que tenha havido evidente intuito de fraude, no mínimo, para o que é necessário seja comprovado, como alegado pela Fiscalização, que a recorrente tenha agido com dolo, fraude e conluio. Como visto, nos exercícios em questão, a contribuinte ofereceu à tributação seus resultados por meio do lucro presumido, tendo a autoridade autuante procedido ao lançamento tributário a título de omissão de receita com base na falta de comprovação de depósitos bancários. Entendo que para que a multa de lançamento de ofício seja transformada de 75% para 150%, é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Nesse caso, devese ter como princípio o brocado de direito que prevê que ‘fraude não de presume’, ‘se prova’. Ou seja, há que se ter provas sobre o evidente intuito de fraude praticado pela empresa. Não é razoável se querer, simplesmente, presumir a ocorrência de fraude, ainda mais que se trata de exigência constituída a partir de receitas tempestivamente declaradas ao fisco. Para que fosse provada a intenção de fraudar o fisco, seria necessário, antes de tudo, provar que os depósitos bancários são de fato, receitas omitidas. Pois, antes disso, a simples existência de depósitos bancários não escriturados tratamse de simples indício de omissão de receitas. A norma legal estabelece que, no caso da existência de indício de omissão de receitas pela falta de escrituração de depósitos bancários, presumese omissão de receitas, sendo possível o lançamento do tributo. Essa presunção tem respaldo na lei, porém, não se pode provar, por via indireta, o evidente intuito de fraude. Essa prova tem de ser direta, como se pode dar por exemplo, o caso da utilização de documentos inidôneos, ou notas fiscais frias, ou mesmo notas Fl. 478DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 394 10 calçadas, ou ainda, contacorrente bancária em nome de interposta pessoa, entre tantos outros. Nessas situações, não existe a necessidade de outro prova da intenção de sonegar, pois a comprovação se dá pela ocorrência do fato irregular e pela utilização dos citados documentos, os quais já fazem a prova necessária da fraude.” No mesmo sentido, têmse os acórdãos nº 10419.384, de 11/6/03, e 104 19.806, de 18/2/04, relativos a autos de infração de IRPF, que se referiram a um único ano calendário (1998). Vejamos as respectivas ementas: “MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. A falta de inclusão na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, cuja origem não comprove, caracterizam falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994.” “SANÇÕES TRIBUTÁRIAS MULTA QUALIFICADA — JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. A não inclusão como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores depositados em contas correntes ou de investimentos pertencentes ao contribuinte fiscalizado, sem comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994.” Por fim, mencionese o acórdão nº 10419.855, de 17/3/04, também relativo a lançamento de IRPF, sendo uma das infrações a presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários sem comprovação da origem, tendo o julgado recebido a seguinte ementa, no que importa reproduzir: “[...] IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS Presumem omissão de rendimento os valores creditados em conta bancária cuja origem não restar comprovada, mormente quando a base tributável foi Fl. 479DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 395 11 tida como recurso na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. IRPF MULTA QUALIFICADA FRAUDE A simples omissão de receitas não representa, por si só, fato relevante para a caracterização de fraude, que não se presume, devendo ser comprovada conduta material suficiente para sua caracterização.” Vale lembrar que no anocalendário 2003, a redação do art.44, II, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, ainda exigia a comprovação do evidente intuito de fraude. Considerando que os membros do CARF devem, por força do art.72 do Anexo II do Regimento Interno, observar os entendimentos sumulados, não resta outra solução, à vista dos precedentes que levaram à aprovação do Enunciado nº 14, senão acolher, ainda que outro seja o meu pessoal entendimento, as alegações do Recorrente para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Nesse contexto, cabe ressaltar que apesar de no Termo de Verificação Fiscal ter sido mencionado que o contribuinte não escriturou contas correntes mantidas perante o Banco Real S.A, tal particularidade não foi imputada especificamente para qualificar a multa de ofício, que se fundamentou no fato de a omissão total, considerados os depósitos em todas as contas mantidas no Banco Sudameris S.A e no Banco Real S.A, ter representado 51,85% das receitas. Quanto ao cálculo dos juros moratórios, a Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejamos: Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ..... §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A legalidade do cálculo pela taxa SELIC já se consolidou no âmbito administrativo, sendo, inclusive, objeto de enunciado da súmula de jurisprudência dominante do CARF, de observância obrigatória por seus membros: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Por fim, aplicamse as conclusões acima aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, haja vista a íntima relação de causa e efeito. Dispõe a Lei nº 9.249/95: Fl. 480DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 396 12 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ..... §2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. No mesmo sentido, mencionese, ainda o Decreto nº 4.524/02, que regulamenta a contribuição para o PIS/PASEP e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral: Art. 91. Verificada a omissão de receita ou a necessidade de seu arbitramento, a autoridade tributária determinará o valor das contribuições, dos acréscimos a serem lançados, em conformidade com a legislação do Imposto de Renda (Lei n° 8.212, de 1991, art. 33, Caput e §§ 3° e 6º, Lei Complementar n° 70, de 1991, art. 10, parágrafo único, Lei n° 9.715, de 1998, arts. 9° e 11, e Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24). Pelo exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 481DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10530.721433/2010-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção.
ATIVIDADE RURAL. PREJUÍZOS APURADOS. GUARDA DA DOCUMENTAÇÃO.
O Contribuinte deve conservar e guardar os Livros Caixa e documentos fiscais que demonstram a apuração do prejuízo a compensar em períodos futuros. A referida documentação deve ser mantida até o momento em que o prejuízo seja integralmente aproveitado e o imposto compensado em face desse prejuízo reste definitivamente homologado.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. MANUTENÇÃO.
Deve ser mantida a qualificadora da multa de ofício quando restar comprovado que o contribuinte dolosamente concorreu para supressão ou redução do pagamento de imposto.
Numero da decisão: 2201-002.413
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 16/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção. ATIVIDADE RURAL. PREJUÍZOS APURADOS. GUARDA DA DOCUMENTAÇÃO. O Contribuinte deve conservar e guardar os Livros Caixa e documentos fiscais que demonstram a apuração do prejuízo a compensar em períodos futuros. A referida documentação deve ser mantida até o momento em que o prejuízo seja integralmente aproveitado e o imposto compensado em face desse prejuízo reste definitivamente homologado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. MANUTENÇÃO. Deve ser mantida a qualificadora da multa de ofício quando restar comprovado que o contribuinte dolosamente concorreu para supressão ou redução do pagamento de imposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
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SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção. ATIVIDADE RURAL. PREJUÍZOS APURADOS. GUARDA DA DOCUMENTAÇÃO. O Contribuinte deve conservar e guardar os Livros Caixa e documentos fiscais que demonstram a apuração do prejuízo a compensar em períodos futuros. A referida documentação deve ser mantida até o momento em que o prejuízo seja integralmente aproveitado e o imposto compensado em face desse prejuízo reste definitivamente homologado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. MANUTENÇÃO. Deve ser mantida a qualificadora da multa de ofício quando restar comprovado que o contribuinte dolosamente concorreu para supressão ou redução do pagamento de imposto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 14 33 /2 01 0- 48 Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Por meio Auto de Infração de fls. 03 e seguintes, lavrado em 29/03/2010, exige se do Contribuinte – MAURÍLIO COMPARIN, o montante de R$ 1.828.232,85 a título de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), R$ 825.712,40 de juros de mora e R$ 2.091.853,79 de multa de ofício agravada e qualificada, totalizando R$ 4.745.799,04 (atualizados até a data da autuação) referente ao anoscalendário de 2004 e 2005. O lançamento decorreu em razão de: (i) omissão de rendimentos provenientes de atividade rural, (ii) compensação indevida de prejuízos da atividade rural e (iii) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 14 a 25), a fiscalização solicitou esclarecimentos quanto à origem dos depósitos efetuados na conta bancária de titularidade do Contribuinte. O Contribuinte justificou parte deles como sendo lançamentos de estornos (não autuados pela fiscalização) e demais referentes à atividade rural (compra e venda de bovinos). O Contribuinte apresentou documentação (aproximadamente 166 notas fiscais) das transações de compra e venda de bovinos. Porém, a fiscalização ao cotejar tais provas com os depósitos, o valor das notas fiscais eram muito inferiores aos dos depósitos. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10530.721433/201048 Acórdão n.º 2201002.413 S2C2T1 Fl. 3 3 Desta feita, a fiscalização solicitou ao Contribuinte que apresentasse o Livro Caixa da Atividade Rural. O Contribuinte apresentou o referido livro sem outra documentação que viesse comprovar a origem dos depósitos. A fiscalização formulou pedido para apresentação das notas fiscais de todas as receitas da atividade rural escrituradas no Livro Caixa e notas fiscais de todas aquisições bovinas no período. O Contribuinte apresentou documentos de despesas e pequena quantidade de documentos de receitas, repetindo algumas notas fiscais de venda já entregues anteriormente. A autoridade fiscal volta a intimar o Contribuinte para apresentar os Livros Caixa de todos os anos calendário que compuseram o prejuízo de exercício anterior declarado no anocalendário 2005 e todos os documentos fiscais comprobatórios das despesas neles escrituradas. Não apresentado pelo Contribuinte. Ao final da fiscalização, restou uma parte dos depósitos bancários sem a origem comprovada, os quais foram lançados como renda e, no tocante à atividade rural, contatouse que os valores reportados na Declaração de Ajuste Anual (DAA) não correspondem ao apurado no Livro Caixa da Atividade Rural. Além disso, notas fiscais que foram utilizadas para justificar a origem dos depósitos bancários como sendo da atividade rural não foram incluídas na sua apuração. Desta feita, após os ajustes, restou verificado uma insuficiência de renda de atividade rural a ser submetida à tributação. O Contribuinte justifica que se valeu de prejuízos de períodos passados para compensação, porém não logrou êxito em comproválos, sob o argumento que não mais detinha a documentação em face do prazo decadencial para a guarda de documentos. Assim, a fiscalização efetuou o lançamento, sendo que agravou a multa de ofício no tocante ao lançamento de depósito bancário pelo fato do Contribuinte não ter apresentado os extratos bancários e qualificou a referida multa no tocante à glosa dos prejuízos da atividade rural, por entender que o Contribuinte falseou os valores de prejuízos reportados em suas DAAs anteriores com o intuito de suprimir/reduzir pagamento de tributo. O Contribuinte foi cientificado do lançamento em 09/04/2010 (fls. 877) e apresentou Impugnação (fls. 878 a 1025) em 10/05/2010, com as seguintes alegações, conforme trecho extraído do Relatório da decisão da DRJ: · Foi irregular a quebra do sigilo bancário, pois não se enquadrava nas condições que autorizam esta medida. Em nenhum momento foi comprovado que o exame destas informações fosse indispensável para a ação fiscal em curso, como exige a lei, nem lhe foi informado quais seriam estes motivos, o que constitui cerceamento do direito de defesa. · O lançamento seria nulo porque efetuado após opção para parcelamento do débito, conforme facultado pela Lei nº 11.941/2009. Nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009 e da Instrução Normativa RFB nº 968/2009, que regulamentaram a matéria, protocolizara em março de 2010 petição para que fosse sustado o procedimento fiscalizatório até consolidação dos débitos do mencionado parcelamento, o que foi absurdamente desconsiderado pelo autuante. O lançamento somente poderia ser efetuado após esta consolidação, como dispõe a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 5, de 2010. · Os depósitos foram simplesmente equiparados a rendimentos, sem que tenham sido submetidos a qualquer análise por parte da autoridade lançadora, que assim não demonstrou haver Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 ocorrido hipótese de incidência do imposto, pois depósitos bancários não correspondem necessariamente a rendimentos nem a acréscimos patrimoniais. No caso, os depósitos apenas transitaram por sua conta, sem representar fato patrimonial positivo. · Ainda que os depósitos pudessem ser equiparados a rendimentos, caberia neste caso tributar apenas a parcela de 20%, pois correspondem necessariamente a receitas da atividade rural, uma vez que não obtivera rendimentos de outras fontes, tendo declarado apenas rendimentos desta natureza. · Quanto aos rendimentos da atividade rural que lhe são atribuídos no auto de infração, a autoridade lançadora desconsiderou completamente os registros do Livro Caixa, como se esta escrituração nunca houvesse existido. Neste caso, deveria ter arbitrado os rendimentos em 20% da receita bruta, como determina o § 2º do art. 60 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999, RIR), e não considerála integralmente como rendimentos, como fizera. · Improcedente a glosa dos prejuízos da atividade rural devidamente apurados, provados e contabilizados nos exercícios anteriores. Quanto aos documentos comprobatórios, já estava prescrita a obrigação de guardálos, como estabelece o art. 37 da Lei 9.430/1996. · Incabível a aplicação de multa qualificada de 150% somente pelo fato de haver descartado os comprovantes de prejuízos de exercícios anteriores, documentos que sequer lhe poderiam ser exigidos, considerando a decadência da obrigatoriedade de preserválos, como já acima demonstrado. De modo que não houve qualquer ato doloso ou fraudulento que justificasse a aplicação da multa mais gravosa. A 3ª Turma da DRJ/SDR, em 01/09/2010, em decisão de fls. 1050 a 1056, julgou o lançamento procedente, conforme ementa destacada a seguir: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Consideramse rendimentos omitidos os depósitos bancários de origem não comprovada. O Contribuinte foi notificado da decisão em por meio de edital em 01/09/2011 (fls. 1062), tendo apresentado Recurso Voluntário (fls. 1063 a 1074) com os seguintes argumentos: · Inconstitucionalidade do acesso aos dados bancários pela fiscalização sem autorização judicial. · Inexistência dos requisitos para qualificação da multa de ofício. Alega não ter existido intuito de sonegação. · Não observância do art. 60, § 2º do RIR/99 para apuração da base de cálculo. · Resta decaído o prazo para guarda de documentação que comprove o prejuízo apurado na atividade rural de períodos passados. Toma como base o art. 37 da Lei nº 9.430/96. Pela Resolução nº 220200.552 de 15/10/2013, às fls. 1077, a 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do CARF decidiu sobrestar o presente processo administrativo tributário, com base no art. 62A, §1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o presente tema encontrase em sede de Recurso Repetitivo no STF através do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, de 22/10/2009, onde o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1º, do CPC, combinado com art. 323, §1º, do Regimento Interno do STF, no que diz respeito à Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10530.721433/201048 Acórdão n.º 2201002.413 S2C2T1 Fl. 4 5 constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Posteriormente a Portaria/MF nº 545/13 revogou os dispositivos do Regimento Interno do CARF que determinavam o sobrestamento dos autos, nos termos já referidos, possibilitando o prosseguimento do feito, eis que a sua inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. I. Da Preliminar I.1. Quebra de Sigilo Bancário Inconstitucionalidade O Contribuinte alega a inconstitucionalidade do acesso aos dados bancários pela fiscalização sem autorização judicial. Apresenta cenário judicial, no qual o tema vem sendo debatido pelos Tribunais pátrios. Em que pese a discussão judicial existente acerca do tema, é cediço que esse Tribunal administrativo presume pela constitucionalidade das Leis e não é competente para afastar sua aplicação sob o argumento da inconstitucionalidade. Logo, enquanto não declarada inconstitucional pelo Tribunal competente, não pode esse órgão afastar a aplicação da Lei. Neste sentido, há o enunciado da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Preliminar rejeitada. II. Do Mérito II.1 – Base de Cálculo – Atividade Rural O Contribuinte pugna pela não observância do art. 60, § 2º do RIR/99 para apuração da base de cálculo da atividade rural. Defende que tais valores devem estar sujeitos Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 ao arbitramento de 20% e não serem autuado com base em depósitos bancários sem origem comprovada (tabela progressiva). O lançamento foi decorrente de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem origem comprovada. O Contribuinte, em face do disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96, deveria comprovar a origem de cada depósito de forma individual, com vistas que fosse atribuída a tributação pertinente. Porém, o Contribuinte não logrou êxito em comprovar a origem dos depósitos. Alega que como sua renda decorre de atividade rural, tais valores são decorrentes de atividade rural e, portanto, devem ser assim considerados para fins de tributação. Não obstante a alegação do Contribuinte, não se pode presumir que os depósitos decorrem de atividade rural por essa ser a atividade preponderante do Contribuinte. Deve haver prova de esses depósitos de fato decorrem de atividade rural. Desta feita, como não restou comprovado que a origem de tais depósitos é proveniente da atividade rural, resta acertado o lançamento com base em omissão de receita por depósitos bancários de origem não comprovada. II.2 – Guarda de Documentação – Decadência O Contribuinte argumenta que resta decaído o prazo para guarda de documentação que comprove o prejuízo apurado na atividade rural de períodos passados. Toma como base o art. 37 da Lei nº 9.430/96. É possível a compensação de prejuízos apurados em períodos anteriores em face de resultados positivos futuros da atividade rural. Entretanto, a prova da apuração dos referidos prejuízos deve ser mantida até quando reste homologado definitivamente o imposto em face do qual foi compensado. Isso porque o prejuízo passado ao ser aproveitado em face de imposto devido, acaba por participar da base de cálculo desse imposto. Logo, o prazo decadencial para comprovação desse prejuízo deve ser contado juntamente com o imposto que é compensado. Caso contrário, restaria impossível de a autoridade fiscal auditar a base de cálculo do imposto compensado, pois lhe faleceria a composição do referido prejuízo. Desta feita, a documentação que comprova a apuração do prejuízo deve ser mantida até o momento em que o prejuízo seja integralmente aproveitado e o imposto compensado em face desse prejuízo reste definitivamente homologado. II.3 – Qualificação da Multa de Ofício O Contribuinte se insurge quanto à inexistência dos requisitos para qualificação da multa de ofício. Alega não ter existido intuito de sonegação e pede a desqualificação da multa. Em face do exposto nos autos, depreendese que o saldo de prejuízos da atividade rural informado pelo Contribuinte é fictício. Quando intimado para comprovar os referidos prejuízos, o Contribuinte alegou decadência do prazo de guarda para a documentação comprobatória e não tentou sua prova. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10530.721433/201048 Acórdão n.º 2201002.413 S2C2T1 Fl. 5 7 Além disso, o Contribuinte apresentou DAA do anocalendário de 2003, sem reporte de rendimentos da atividade rural e nos anos seguintes retorna com a declaração de atividade rural. Verificase que pela essência da atividade é muito improvável que no ano calendário de 2003 não tenha existido resultados da atividade rural. Esse é mais um fator que atesta a inveracidade dos prejuízos reportados anteriores ao anocalendário de 2004 (aproximadamente R$ 13.500 milhões). Adicionese o fato que se somados os resultados da atividade rural do ano calendário de 1995 em diante, não se alcança a monta de prejuízos da atividade rural reportado pelo Contribuinte. Desta feita, considerando o arcabouço fático em questão, a multa qualificada deve ser mantida, tendo em vista que o Contribuinte reportou saldo fictício de prejuízo com vistas a suprimir/reduzir o pagamento de imposto. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 15504.018031/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.294
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2006
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que o Fisco informe se o crédito lançado foi objeto de Parcelamento.
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
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Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2006 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que o Fisco informe se o crédito lançado foi objeto de Parcelamento. Liege Lacroix Thomasi Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. .
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2006 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que o Fisco informe se o crédito lançado foi objeto de Parcelamento. Liege Lacroix Thomasi – Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 18 03 1/ 20 08 -8 9 Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo PROMOVE SEVRIÇOS EDUCACIONAIS LTDA E OUTROS em face da decisão da 7ª Turma da DRJ/BHE que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. De acordo com o relatório fiscal de fls. 26/39, o crédito lançado referese a contribuição destinada à Seguridade Social incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 09/2003 a 09/2006. Estão incluídos os seguintes levantamentos: a) PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) período 09/2003 a 09/2006 A autuada não comprovou sua adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador. Por isso, os valores suportados pela empresa, para pagamento das notas fiscais emitidas pela empresa VR Vales Ltda. ficam sujeitos à incidência de contribuição previdenciária; b) RPA contribuição Contribuinte Individual período 01/2005 a 06/2006. A fiscalização foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal n° 09421018, do Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF, fls. 86/87, do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, fls. 188 e 190/191, tendo sido encerrada em 23/10/2008, conforme Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal, fls. 192/193 (as folhas citadas são do processo 15504.018030/200834 a que este está apensado). O crédito previdenciário foi constituído no montante de R$ 46.706,37 (quarenta e seis mil setecentos e seis reais e trinta e sete centavos). De acordo com a fiscalização, ficou constatado o interesse comum entre as seguintes empresas: Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda, CNPJ. 05.385.879/0000150; Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda, CNPJ. 05.401.768/000190; Pampulha Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 06.001.557/000123; Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda, CNPJ. 05.401.766/000100; Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda, CNPJ.05.392.395/000139; Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 06.001.546/000143; Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 04.901.337/000120; Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda, CNPJ. 02.636.995/000107; Promove Participações Ltda, CNPJ. 05.376.569/000170; Promove Serviços Educacionais Ltda, CNPJ. 05.376.559/000134; Promove Cursos Livres e Mercantil, CNPJ. 42.975.896/000174, Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda, CNPJ. 05.399.437/000163, Sociedade Educacional Sistema Ltda., CNPJ. 23.840.945/000117. Restando configurada a sujeição passiva entre elas, foram emitidos em nome das empresas os Termos de Sujeição Passiva cuja ciência ocorreu no PAF 15504.018030/200834 (fls. 213/222, 226 e 227). Ainda no relatório, informa o auditor que a Associação Educativa do Brasil — SOEBRAS, CNPJ. 22.669.915/0001 27, foi eleita responsável subsidiária, nos termos do art. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.018031/200889 Resolução nº 2302000.294 S2C3T2 Fl. 4 3 133 do CTN por ter adquirido do grupo PROMOVE o direito de uso da marca PROMOVE, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca", continuando a explorar a antiga atividade econômica da autuada. Para o exercício das atividades então pactuadas, a adquirente inscreveu novos estabelecimentos no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, manteve o mesmo endereço e CNAE da cedente (fls. 139 a 150 do PAF 15504.018030/200834). Em segundo ato, a SOEBRAS através do Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial — TRESPASSE, adquiriu das empresas do grupo todo o complexo de bens organizados para exercício da atividade, composto da titularidade do estabelecimento empresarial, incluindo todo o ativo e passivo, bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, e semoventes e afins (fls. 151 a 159 do PAF 15504.018030/200834). Com isso, a SOEBRAS fez constar em seu balanço patrimonial, em 31/12/2007, a referida aquisição, lançando em seu ativo diferido o montante de R$ 14.383.436,00 referente a incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS E PROMOVE FACULDADES, incluindo a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, semoventes e afins. Todavia, informa ainda o auditor, a Autuada (Promove Serviços) não procedeu as devidas anotações nos Órgãos Oficiais de Registro, não arquivando na JUCEMG qualquer alteração contratual de dissolução ou liquidação, sendo seu último arquivamento nesse órgão o contrato de alienação mencionado conforme registro de n° 3818113 (fls. 108/109 do PAF 15504.018030/200834). Registra também que a autuada não cumpriu com as obrigações frente à administração tributária, permanecendo ativa no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica. A Autuada, após ciência do auto de infração, em 12/11/2008, apresentou defesa juntamente com a empresa Promove Serviços Educacionais Ltda, Promove Participações Ltda, o sócio Luiz Magno da Silva Saramago, o sócio Hélio Soares Bazzoni, o sócio João Bosco Fontoura, o sócio Paulo Estevam da Silva Bastos, o sócio José Alyrio Bicalho Mourdo, Sociedade Educacional Sistema Ltda, Centro Mineiro de Ensino Superior — CEMES Ltda, Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi S/C Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda, Pampulha Ensino Fundamental Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda, Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda, Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda, Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda e o sócio Carlos Alberto Moreira, fls. 59 a 83, alegando em síntese: a) ILEGITIMIDADE DOS CORESPONSÁVEIS A inclusão dos representantes legais como coresponsáveis não merece prosperar, uma vez que não foram provados os incontestes motivos justificadores da coobrigação. As pessoas jurídicas e físicas discriminadas na Relação de Vínculo sequer foram notificadas acerca do mesmo, o que não é permitido pelo Ordenamento Jurídico. Não houve no caso, a comprovação de que os representantes legais agiram com excesso de mandato; b) DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS E COBRANÇAS RELATIVAS AO PAT De acordo com os impugnantes, a multiplicidade de cobrança e o ímpeto da fiscalização em multar o contribuinte geraram duplicidade de exigências, pois como comprovam os Relatórios de Lançamento foram também lançados no auto Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.018031/200889 Resolução nº 2302000.294 S2C3T2 Fl. 5 4 de infração 37.052.8220 (PAF 15504.018030/200834), valores a título de PAT — alimentação. Assim, devem ser excluídos do lançamento, as parcelas relativas a tal rubrica, sob pena de repetição de indébito e enriquecimento ilícito do fisco; c) PRESCRIÇÃO São indevidos os lançamentos, multas e juros relativos a supostas infrações apuradas em período anterior a 20/10/2003, por estarem prescritos; d) NORMAS LEGAIS INFRINGIDAS. IMPOSSIBILIDADE DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA Comenta que o Poder Judiciário já reconheceu a inconstitucionalidade da cobrança de INSS sobre pagamento de alimentação, de multas e de impostos de forma arbitrária e ilegal. e) Que a manutenção do auto de infração configura cerceamento de defesa e ofensa ao artigo 5°, inciso LV, da Constituição da República. A autuação não atende aos princípios básicos inerentes à Administração Pública, previstos na Lei 9.789/99, pois, quando da auditoria realizada, o auditor poderia ter alertado acerca dos eventuais problemas, a exemplo da apresentação de documentos/dados faltantes, conferindo a defendente a oportunidade de regularizar a situação antes mesmo de ser autuada. Que o Relatório Fiscal da aplicação da multa é nulo por não observar as determinações contidas no artigo 243 do Regulamento da Previdência Social. O artigo 244 do mesmo Regulamento só teria eficácia se o próprio contribuinte tivesse apurado e confessado sua dívida. O Decreto 3048/1999, no artigo 245, confirma a tese de que não pode haver, simultaneamente, uma notificação de lançamento como são as LDC's e uma confissão de divida, prevalecendo a que foi realizada em momento anterior. f) MULTA EXCESSIVA COM EFEITO CONFISCATÓRIO. AFRONTA A CONSTITUIÇÃO FEDERAL ARTIGO 150 A multa aplicada é excessiva, absurda além de confiscatória; g) DEMAIS AUTOS DE INFRAÇÃO Informam os impugnantes que em relação aos demais autos de infração lavrados na mesma ação fiscal, cuja matéria guarda identidade com a presente, especialmente no que se refere à amplitude e falta de especificação, serão objeto de defesas em apartado, com as devidas especificações; h) ERRÔNEA IMPOSIÇÃO DE MULTA E JUROS Face à impossibilidade de se aferir valores, a multa aplicada tem efeito de confisco, o que é vedado pela CF/88, razão pela qual fica, desde já, expressamente, impugnados os lançamentos de multas e juros, mesmo porque, em sua maioria já foram objeto de outros Autos de Infração; i) INOCORRÊNCIA DE INFRAÇÃO CRIMINAL Como já informado anteriormente, não houve, em momento algum por parte da autuada, omissão de fatos, dados e documentos, pelo que impugna a eventual configuração de crime nos moldes do art. 337A do Código Penal Brasileiro; j) FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT A Constituição Federal, no seu artigo 7°, inciso XXVI, reconhece legalmente as Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.018031/200889 Resolução nº 2302000.294 S2C3T2 Fl. 6 5 convenções e acordos coletivos de trabalho. É ilegítima, ilegal e inconstitucional a exigência de contribuição social sobre o fornecimento de alimentação a empregados, já que prevista em convenção coletiva como verba indenizatória e nos mesmos moldes do PAT. l) Que a inscrição no PAT é mera formalidade e por tal motivo não pode servir como fundamento para a aplicação de penalidade; m) Ao final, pleiteou a improcedência da ação, a juntada posterior de outros documentos e que todas as notificações sejam emitidas em nome de Maria Fernanda Guimarães Castro, procuradora, no endereço Av. Raja Gabaglia — 1093, 90 andar, Cidade Jardim Belo Horizonte. A SOEBRAS Associação Educativa do Brasil, CNPJ 22.669.915/000127, na condição de subsidiária, impugnou o lançamento (fls. 424/430), arguindo: a) Que arrendou em 01/11/2006 a utilização da marca "Promove" em troca de pagamento em dinheiro para o Grupo "Promove"; b) Que o Grupo Promove mantém suas atividades empresariais normais, tanto que possui as unidades Mangabeiras, Pampulha, Núcleo e Supletivo; c) Que a Promove e a SOEBRAS são empresas diversas, com sócios distintos, personalidades jurídicas próprias, independentes e atuam cada qual em seus objetivos sociais, não se podendo falar em sujeição passiva subsidiária; d) Que a Impugnante goza de isenção/imunidade tributária, por ser entidade beneficente de assistência social; e) Que pelo simples fato de ter arrendado a marca não pode ser responsabilizada pelas obrigações da empresa cedente; f) Que o período do arrendamento ocorreu no final de 2007 e a autuação compreendeu as competências a partir de 2003; g) Que as diversas alterações ocorridas no sistema de entrega de dados, como envio das GFIPs, causaram certa confusão e desconhecimento técnico, o que não pode ser considerado má fé. Entende que não pode ser punida sem ter concorrido para a prática de ato ilícito; h) Que a SOEBRAS apresentou pedidos de parcelamento de débitos protocolados em 15/10/2007, pelo que roga seja transferido todo o passivo fiscal para o CNPJ 22.669.915/000127, permitindo a sua inclusão nos parcelamentos já solicitados, o que é justo e de direito; i) Requereu: a insubsistência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF; o não reconhecimento da sujeição passiva subsidiária; a anulação do procedimento e o reconhecimento da imunidade tributária da SOEBRAS; Na decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/BHE ACORDÃO 0228.202 (fls. 482/505), por unanimidade de votos, foi o crédito mantido pelas seguintes razões: Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.018031/200889 Resolução nº 2302000.294 S2C3T2 Fl. 7 6 a) Não há prescrição; b) No pólo passivo estão incluídas as pessoas jurídicas responsáveis pelo pagamento do crédito lançado, contribuinte e componentes do mesmo grupo econômico, por solidariedade; c) Sobre as contribuições sociais em atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, aplicados sobre o valor atualizado, e multa de mora, de caráter irrelevável; d) A alegação de que a multa em face de seu elevado valor é confiscatória não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente a qual o julgador está vinculado; e) É obrigação legal do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais sempre que, no exercício de suas funções, constatar a ocorrência de crime contra a Seguridade Social; f) Integram o saláriodecontribuição as parcelas pagas a funcionários a título de AuxílioAlimentação cujo programa não tenha sido aprovado pelo Ministério do Trabalho; g) A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual; h) A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato; i) Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante; j) Tendo a autoridade fiscal observado o cumprimento dos requisitos legais indispensáveis a validade do lançamento do crédito tributário, eventuais questionamentos acerca da emissão ou execução do MPF, por constituir essencialmente um instrumento de controle administrativo, não importam em nulidade do procedimento fiscal; k) A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática; l) Quanto aos percentuais de multa tanto do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, quanto do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, sofrem variação de acordo com o prazo do pagamento do crédito. Logo, com base no CTN, artigo 106, inciso II, alínea 'c', e na forma da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 4 de dezembro de 2009, publicada no Diário Oficial da União em 8/12/2009, artigo 2°, § 4°, a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento do Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.018031/200889 Resolução nº 2302000.294 S2C3T2 Fl. 8 7 crédito previdenciário, atentandose para as orientações contidas no artigo 3° da referida portaria. O sujeito passivo PROMOVE SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA e seus Responsáveis Solidários tiveram ciência do Acórdão 0228.202/2010 (fls. 507/555). Inconformados, apresentaram Recurso Voluntário único (fls. 556/577), em 23.02.2011, defendendo, em breve síntese: a) A decadência da cobrança efetuada no período anterior a 20/10/2003, dado que a Administração Pública tem o direito de constituir o crédito tributário no prazo 5 (cinco) anos, consoante Súmula Vinculante nº 08/2009 e art. 144 do CTN; b) A aplicação de penalidade menos severa aos Recorrentes, a teor do que dispõe o art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, bem como, a anulação do Auto de Infração em decorrência da ausência de fundamentação legal para incidência da penalidade; c) A ilegitimidade da SOEBRAS para figurar como devedora das dívidas contraídas pelo grupo "Promove" pela mera utilização da marca em contrato de licença para uso de marca, por inexistir previsão legal de que o uso da marca acarreta responsabilidades tributárias; d) A exclusão do pólo passivo da obrigação os sócios das empresas Recorrentes; e) A redução das multas aplicadas, em aplicação ao disposto no art. 150, IV da CR/88 c/c art. 10 da Lei 9.784/99; f) A imunidade tributária da SOEBRÁS atinge os contratos de TRESPASSE realizados com todos os entes que foram objeto do aludido contrato. Eis o relatório. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.018031/200889 Resolução nº 2302000.294 S2C3T2 Fl. 9 8 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora Consta à fls. 1152 dos autos que a empresa teria optado por parcelar, nos termos da Lei nº 11.941/09, todos os débitos da PGFN e Receita Federal. Todavia, à fl. 1157, esclareceu o Fisco que em alguns extratos juntados aos autos foi verificado o pedido de parcelamento e em outros não tem qualquer registro. Nos termos do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 22/07/2009, no prazo determinado pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, de 19/11/09, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deveria desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria. Posteriormente, o art. 1º, §1º da Portaria Conjunta da PGFN/RFB nº 03, de 29.04.2010, estabeleceu que o sujeito passivo que teve deferido o pedido de parcelamento deveria entre os dias 1º a 30 de junho manifestarse sobre a inclusão dos débitos nas modalidades de parcelamento para as quais tenha feito opção na forma da Portaria Conjunta PGFN/RFB Nº 6, de 22 de julho de 2009, não sendo necessária a manifestação para os débitos que estivessem com exigibilidade suspensa nos termos dos incisos III, IV, V e VI do art. 151 do Código Tributário Nacional, para os quais não houve desistência da respectiva ação judicial ou administrativa ou do parcelamento anterior, vide: "Art. 1º O sujeito passivo que teve deferido o pedido de parcelamento previsto nos arts. 1º a 3º da Lei Nº 11.941, de 27 de maio de 2009 , deverá, no período de 1° a 30 de junho de 2010, manifestarse sobre a inclusão dos débitos nas modalidades de parcelamento para as quais tenha feito opção na forma da Portaria Conjunta PGFN/RFB Nº 6, de 22 de julho de 2009. § 1º A manifestação de que trata o caput: I não contempla débitos que estejam com exigibilidade suspensa na forma dos incisos III, IV, V e VI do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), para os quais não houve desistência da respectiva ação judicial ou administrativa ou do parcelamento anterior..." No caso em análise, no período de 1º a 30 de junho/2010 os débitos objeto deste lançamento estavam com a exigibilidade suspensa por força da interposição da Impugnação Administrativa (cujo julgamento pela DRJ só ocorreu em 17.08.2010) e, no contexto, por não haver pedido de desistência, não obstante conste na fl. 1152 a informação de que o contribuinte tenha optado em parcelar todo o crédito tributário, esta opção, a princípio, não abarcaria o valor exigido neste lançamento. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 15504.018031/200889 Resolução nº 2302000.294 S2C3T2 Fl. 10 9 Sendo assim, para o fim de dirimir quaisquer dúvidas quanto a inclusão ou não destes débitos no parcelamento converto o julgamento em diligência. Por todo o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o Fisco informe se os débitos objeto deste lançamento foram objeto de parcelamento pelo contribuinte ou pelas demais empresas responsáveis (solidária ou subsidiariamente). Sala das Sessões, em 13 de Maio de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI
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Numero do processo: 13894.001162/2003-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires, Manoel Mota Fonseca e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires, Manoel Mota Fonseca e Orlando José Gonçalves Bueno.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2003; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 303 1 302 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13894.001162/200341 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1202000.246 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 03 de junho de 2014 Assunto DILIGÊNCIA. Recorrente BEMGE ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires, Manoel Mota Fonseca e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos, adoto o Relatório do Acórdão nº 0522.165 da DRJ/Campinas, de fls. 230 a 240, que passo a transcrever: “Tratase de Auto de Infração eletrônico decorrente do processamento da DCTF do anocalendário 1998, lavrado em 18/06/2003, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.078.319,10, discriminado em contribuição, multa vinculada e juros de mora calculados até 30/06/2003. A infração decorre da constatação da falta de localização de pagamento, tudo vinculado a débitos de CSLL, e foi enquadrada nos dispositivos legais indicados no demonstrativo de fls. 08. A interessada foi cientificada via postal, em 11/07/2003 (AR de fls. 164). Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por intermédio de seus RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 94 .0 01 16 2/ 20 03 -4 1 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13894.001162/200341 Resolução nº 1202000.246 S1C2T2 Fl. 304 2 representantes legais, apresentou, em 08/08/2003, impugnação de fls. 01/04, acompanhada de documentos de fls. 05/64, dizendo, após breve resumo dos fatos: ‘Todos os valores apontados encontramse devidamente depositados em juizo, em razão da Ação Judicial n° 1997.38.00.0403119, conforme restará demonstrado a seguir. Relativamente aos períodos de apuração de 2/98; 04/98; 05/98; 7/98; 8/98; 10/98 e 11/98, os respectivos valores foram depositados integralmente, conforme comprovam as guias de depósitos em anexo (docs. 04 a 10). Quanto ao período de apuração de 1/98, foi depositado o valor total autuado, porém em guias distintas, conforme demonstram as guias de depósitos em anexo (docs. 11 —R$25.043,99 a 12R$12.686,58). Por fim, o valor relativo ao período de apuração 12/98 foi inclusive depositado em valor superior ao considerado pela autuação, conforme guia de depositado (sic) judicial em anexo (doc. 13).’ Encerra requerendo a improcedência do auto de infração. Em 29/05/2006, a interessada novamente se manifesta nos autos (fls. 74), por força do Termo de Comunicação de Revisão do Lançamento e Cobrança recebido, oportunidade na qual informa da apresentação da impugnação e protesta pela suspensão do crédito tributário, tudo acompanhado dos documentos de fls. 75/91. 0 processo foi instruído com documentos de fls. 95/153. As fls. 161/163, consta o seguinte despacho da autoridade preparadora: ‘"0 contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n° 1997.38.00.0403119, perante a 17° Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, Belo Horizonte, objetivando se eximir do recolhimento da Contribuição Social instituída pela Lei Complementar n°84/96 e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido instituída pela Lei n° 7.689/88 (vide folhas 20 a 40); A Liminar foi indeferida e a segurança denegada (Sentença em 11/06/1999, vide folhas 96 a 99); A apelação do contribuinte foi recebida no efeito devolutivo e também homologada a desistência do recurso em relação a Contribuição Social instituída pela Lei Complementar n°84/96 (vide folha 103); 0 Agravo de Instrumento no 2000.01.00.0231518/MG autorizou o levantamento dos valores depositados na conta n° 2173716, referente a Contribuição Social instituída pela Lei Complementar n° 84/96 (vide folhas 135 a 143). Os depósitos relativos a CSLL, efetivados até 30/11/1998, continuam na conta n° 2174232 (vide extrato da CEF emitido em 11/03/2008 de folhas 147 a 153); Pesquisa "online" ao site do E.TRF1° Região verificase que não há nenhuma decisão acerca da Apelação em Mandado de Segurança interposta pelo contribuinte (vide folhas 144 a 146); 0 interessado apresentou impugnação tempestiva alegando em síntese que: a) Efetuou depósitos judiciais, relativos aos períodos de apuração de fevereiro, abril, maio, julho, agosto, outubro e novembro de 1998; Fl. 304DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13894.001162/200341 Resolução nº 1202000.246 S1C2T2 Fl. 305 3 b) Quanto ao período de janeiro de 1998, efetuou dois depósitos (R$ 25.043,99 e R$ 12.686,58); e c) 0 período de dezembro de 1998 foi depositado a maior. Os depósitos do item a) foram encontrados no extrato da CEF, exceção do período de novembro de 1998 que foi encontrado no SINAL08; O depósito de R$ 25.043,99 foi efetuado na conta n° 2173716 onde eram depositados os valores discutidos relativos à Contribuição Social instituída pela Lei Complementar n° 84/96, depósitos estes que já foram levantados pelo contribuinte (vide guia de depósito de folha 47 e alvará de levantamento de folhas 129 a 131); O depósito de R$ 12.686,58, relativo ao débito de janeiro de 1998, mostrase insuficiente (vide relatório SICALC de folhas 155 a 157). Mesmo considerando o depósito efetuado na conta errada e já levantado pelo contribuinte, ele também se mostra insuficiente (vide relatório SICALC de folhas 158 a 160); Planilha abaixo consta o resumo dos débitos declarados nas DCTFs e controlados através dos processos administrativos. [planilha]’ As fls. 169, houve a revisão do lançamento, sem qualquer resultado, conforme demonstrativos de consolidação e recálculo de fls. 166/168.” Na seqüência, foi emitido o Acórdão nº 0522.165 da DRJ/Campinas, de fls. 230 a 240, julgando procedente em parte a impugnação, com o seguinte ementário: ESTIMATIVAS. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal de lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. Já, outros aspectos do lançamento, não submetidos à esfera judicial, são passíveis de apreciação na esfera administrativa. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003. Lançamento Procedente em Parte Contra essa decisão, foi impetrado recurso voluntário, de fls. 249 a 254, com documentos anexos, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na impugnação. Adicionalmente, alega não incidir os encargos moratórios mencionados no acórdão recorrido, posto que os depósitos judiciais foram feitos no prazo legal. É o Relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13894.001162/200341 Resolução nº 1202000.246 S1C2T2 Fl. 306 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomase conhecimento. Como já relatado, o contribuinte sofreu autuação sobre os valores das estimativas mensais da CSLL não recolhidas no anocalendário de 1998. A matéria encontrase em discussão na esfera judicial (processo n° 1997.38.00.0403119), de modo que não foi conhecida pelo órgão julgador de primeira instância, face ao reconhecimento da concomitância de discussão com a esfera administrativa (presente processo). Restou em debate apenas a questão relativa à incidência da multa de ofício aplicada. O acórdão recorrido julgou parcialmente procedente a exigência fiscal em litígio administrativo, cancelando a multa de ofício aplicada e decidindo pela incidência da multa de mora aos débitos da CSLL pagos fora do prazo legal. O Quadro com o Demonstrativo de Débito, anexo ao Acórdão nº 0522.165 da DRJ/Campinas, dá a entender que todas as parcelas de depósito das estimativas mensais da CSLL foram feitas em atraso, incidindo sobre elas os juros e a multa de mora, fls. 240 do eprocesso. Já a recorrente, em seu recurso voluntário, alega, em síntese, que efetuou no prazo legal o depósito judicial de todas as parcelas da CSLL exigidas na autuação e, portanto, descaberia em falar da incidência dos juros e da multa de mora. Alega ainda em seu recurso, fls. 252: “Esclarece a recorrente, por oportuno, que o depósito referente ao mês de janeiro de 1998 (vencimento 27/02/2008) foi indevidamente realizado na conta de contribuições previdenciárias ao INSS (já foi levantado — no pagamento com o beneficio da anistia fiscal). Assim, a recorrente realizou novo depósito com os encargos moratórios computados (doc. 04). Comprova a existência dos depósitos, o extrato atualizado fornecido pela Caixa Econômica Federal (doc. 05). Como se vê, restam dúvidas a respeito da tempestividade dos depósitos judiciais da CSLL, se foram feitos no prazo de vencimento legal, portanto sem a incidência dos acréscimos moratórios, ou fora do prazo de vencimento legal, com incidência dos respectivos acréscimos, como dá a entender o acórdão recorrido. Em que pese o contribuinte ter juntado aos autos os respectivos depósitos judiciais da CSLL na impugnação, fls. 41 e seguintes do eprocesso, que demonstraria que os depósitos foram feitos no prazo de vencimento, a decisão da DRJ veio em sentido contrário. Com efeito, para melhor proceder no julgamento do recurso voluntário, necessário, antes, a verificação, pelo órgão de origem, da tempestividade dos depósitos judiciais relativos às estimativas mensais da CSLL do anocalendário de 1998, objeto do presente recurso. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13894.001162/200341 Resolução nº 1202000.246 S1C2T2 Fl. 307 5 Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, retornando o processo ao órgão de origem para: a) com base no Quadro anexo ao Acórdão nº 0522.165 da DRJ/Campinas, fls. 240 do eprocesso, e, confrontado com a planilha e cópias dos depósitos judiciais juntados com o recurso voluntário, fls. 289 e seguintes do eprocesso, emitir despacho conclusivo a respeito da tempestividade de cada parcela das estimativas mensais da CSLL depositada judicialmente (mandado de segurança nº 1997.38.00.0403119), do ano de 1998; b) cientificar o contribuinte do despacho do item anterior, para manifestação, querendo, no prazo de 30 dias; c) após, retorno a este CARF; d) na seqüência, a Secretaria desta 2ª Câmara deverá proceder na ciência à PGFN do resultado da diligência proposta; e) após o transcurso do prazo regimental de ciência à PGFN, retornem os autos para julgamento do recurso voluntário; (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 307DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/06/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720095/2013-63
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2008 a 01/01/2012
EMPRESA QUE SE AUTO ENQUADRAVA NO SIMPLES NACIONAL. PORÉM SEUS PEDIDOS DE ADESÃO/OPÇÃO/INCLUSÃO ESTAVAM INDEFERIDOS. IRREGULARIDADE DA CONDUTA. DECLARAÇÃO DA GFIP COMO EMPRESA ENQUADRADA NO SIMPLES NACIONAL. VIOLAÇÃO DA LEI. MULTA CONFISCATÓRIA E VIOLADORA DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INOCORRÊNCIA. PERCENTUAL PREVISTO EM LEI E ADMITIDO PELO STJ E STF. APLICAÇÃO DE MULTA BENÉFICA. VERIFICAÇÃO NO MOMENTO DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que seja aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, ou seja, a do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação das Lei 9.528/97 e 9.876/99, limitando-se essa multa a setenta e cinco por cento, nos termos do artigo 35-A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, tudo a ser verificado no momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, aos DEBCAD's 37.378.111-3 e 37.378.112.1. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2008 a 01/01/2012 EMPRESA QUE SE AUTO ENQUADRAVA NO SIMPLES NACIONAL. PORÉM SEUS PEDIDOS DE ADESÃO/OPÇÃO/INCLUSÃO ESTAVAM INDEFERIDOS. IRREGULARIDADE DA CONDUTA. DECLARAÇÃO DA GFIP COMO EMPRESA ENQUADRADA NO SIMPLES NACIONAL. VIOLAÇÃO DA LEI. MULTA CONFISCATÓRIA E VIOLADORA DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INOCORRÊNCIA. PERCENTUAL PREVISTO EM LEI E ADMITIDO PELO STJ E STF. APLICAÇÃO DE MULTA BENÉFICA. VERIFICAÇÃO NO MOMENTO DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente TRANSPORTADORA WILMAR LTDA ME. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2008 a 01/01/2012 EMPRESA QUE SE AUTO ENQUADRAVA NO SIMPLES NACIONAL. PORÉM SEUS PEDIDOS DE ADESÃO/OPÇÃO/INCLUSÃO ESTAVAM INDEFERIDOS. IRREGULARIDADE DA CONDUTA. DECLARAÇÃO DA GFIP COMO EMPRESA ENQUADRADA NO SIMPLES NACIONAL. VIOLAÇÃO DA LEI. MULTA CONFISCATÓRIA E VIOLADORA DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INOCORRÊNCIA. PERCENTUAL PREVISTO EM LEI E ADMITIDO PELO STJ E STF. APLICAÇÃO DE MULTA BENÉFICA. VERIFICAÇÃO NO MOMENTO DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que seja aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, ou seja, a do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação das Lei 9.528/97 e 9.876/99, limitandose essa multa a setenta e cinco por cento, nos termos do artigo 35A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, tudo a ser verificado no momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, aos DEBCAD's 37.378.1113 e 37.378.112.1. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. –Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 00 95 /2 01 3- 63 Fl. 651DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.720095/201363 Acórdão n.º 2803003.372 S2TE03 Fl. 651 2 (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.720095/201363 Acórdão n.º 2803003.372 S2TE03 Fl. 652 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.378.1113, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual – cota patronal sobre prólabore, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.378.112.1, que objetiva a contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada as trabalhadores da categoria de empregados – parte descontada do trabalhador, e, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.378.1130, que objetiva o lançamento da contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 24 a 31, com período de apuração de 06/2008 a 12/2011, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 382 a 383. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 25/02/2013, conforme Folhas de Rosto dos Autos de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03; 10 e 15. O contribuinte apresentou suas defesas/impugnações, petições com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 418 e 433; 472 a 487 e 526 a 541, recebida, em 26/03/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 418; 472 e 526, estando acompanhada dos documentos, de fls. 434 a 469; 488 a 523 e 542 a 577. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0431.963 4ª, Turma DRJ/CGE, em 06/06/2013, fls. 585 a 592. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 20/09/2013, conforme AR, de fls. 613, bem como de forma pessoal em 01/10/2013, fls. 616. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 619 a 632, recebida, em 14/10/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 619, acompanhada dos documentos, de fls. 633 a 644, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Preliminares. · que a recorrente entregou todas as GFIP’s ao agente fiscal, estando relatado por este que analisou as referidas GFIP’s; · que não há indícios de crime, pois todos os recolhimentos foram efetuados no sistema do SIMPLES NACIONAL, modalidade de tributação na qual esta enquadrada a recorrente, sendo a ocorrência do crime alegado só se daria se a recorrente não entregasse a GFIP, Fl. 653DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.720095/201363 Acórdão n.º 2803003.372 S2TE03 Fl. 653 4 devendo ser declarada a nulidade do auto de infração em razão do vício insanável; Mérito. · que a recorrente enquadrase no SIMPLES NACIONAL modalidade onde todos os tributos são recolhidos em um só documento, inclusive, previdenciários com acréscimos, devendo ser anulada a autuação em razão de sua flagrante ilegalidade; · que a multa fiscal imposta é inconstitucional em razão da não observação da proporcionalidade é o que ocorre com o percentual de 75% dos presentes autos, cita SCNC, bem como decisão do TRF3 e TRF5, ficando claro que o patamar da multa é abusivo, injusto e inconstitucional, devendo ser reduzida; · que a multa aplicada no percentual de 75% viola o princípio da capacidade contributiva; · que a recorrente não incorreu em omissão ou sonegação que justificasse as penalidades aplicadas, inclusive, o auto foi lavrado com base nos documentos emitidos, escriturados e contabilizados, devendo tais penalidades serem impostas apenas em casos extremos de sonegação, o que aqui não ocorreu, sendo ilegítimo e arbitrário o percentual de multa aplicada, o que fere o princípio do não confisco e da capacidade contributiva, devendo ser reduzido; · que a recorrente sempre entregou as GFIP’s e que estas foram disponibilizadas ao agente fiscal, que reconheceu em seu relatório que as analisou, não havendo sonegação, pois a recorrente é do SIMPLES NACIONAL recolhendo com base nesse sistema, não procedendo a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais, requerendo a nulidade do auto pelos motivos expostos; · Do pedido e requerimento: a) que as notificações sejam feitas diretamente ao procurador que informa; b) integral acolhimento do recurso, julgando integralmente nula a autuação e descabidas as penalidades, cancelando a multa, juros e a expedição da RFFP ou que a multa seja reduzida a patamares mínimos. A autoridade preparadora reconheceu e a tempestividade do recurso, fls. 646. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 649. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 19/02/2014, Lote 01. É o Relatório. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.720095/201363 Acórdão n.º 2803003.372 S2TE03 Fl. 654 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminar. O fato de a recorrente ter entregue todas as GFIP’s ao agente fiscal e este ter dito que as analisou, não faz prova alguma da regularidade das declarações e informações feitas e prestadas por meio da GFIP. A afirmação inicial, não prova nem mesmo que todas as GFIP’s foram declaradas e entregues, pois quanto a declaração só o recebido da conectividade social faz prova disso, mas só faz prova da declaração e não da correção das informações declaradas. No entanto, quanto a entrega de todas as GFIP’s ao agente fiscal, apenas um recebido de recepção do fisco ou o seu auto reconhecido provaria essa alegação. Todavia, o agente lançador após entregar o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 382 e 383, a empresa fiscalizada, faz novo pedido em razão de GFIP, no Termo de Intimação Fiscal – TIF, Nº 002, de fls. 385 e 386, onde pede, em relação a GFIP, o que segue abaixo. Porém, o agente lançador deixa claro em seu Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC – PAF, de fls. 24 a 31, em diversas passagens que as informações declaradas em GFIP estão erradas, conforme a seguir transcrito. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.720095/201363 Acórdão n.º 2803003.372 S2TE03 Fl. 655 6 O que demonstra que apesar de ter recebidos tais documentos, suas informações não demonstram a realidade fiscal da empresa. Não cabe a essa instância julgadora se ater a matéria fora de sua ordem de competência, pois ao CARF cabe apenas julgar o crédito e nada mais. Aliás, a súmula 28 a seguir transcrita é claro sobre isso. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. O agente lançador deixa claro que a empresa se autoenquadrava como SIMPLES NACIONAL e assim promovia suas declarações e recolhimentos, mas que na realidade nunca fez parte de tal sistema, pois teve indeferido todos os pedidos de inclusão no sistema, conforme documentos, de fls. 117 a 124, relativamente, aos anos de 2007; 2008 e 2010. Não havendo pedido para os anos de 2009 e 2011, estando pendente de análise o pedido de 2012. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.720095/201363 Acórdão n.º 2803003.372 S2TE03 Fl. 656 7 Assim sendo, não existe nulidade a ser reconhecida no auto em razão das preliminares. Mérito. A questão do não enquadramento da recorrente no SIMPLES NACIONAL ficou elucidada como supramencionado e assim a recorrente não esta enquadrado no sistema de recolhimento de tributos favorecidos da LC 123/2006 e assim deve recolher as contribuições sociais previdenciárias e as contribuições para terceiros na forma normal do artigo 195, I, “a” e “b” da CRFB/88 e na forma da legislação específica de terceiros, conforme consta dos Fundamentos Legais do Débitos – FLD, de fls. 08 e 09; 13 e 14; 19 a 21. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.720095/201363 Acórdão n.º 2803003.372 S2TE03 Fl. 657 8 Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de constitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. No entanto, o contrário é admitido, ou seja, a análise da constitucionalidade e assim farei. A multa de setenta e cinco por cento está estabelecida em lei e como a lei está em vigor, é válida e eficaz é de observação obrigatória pelos agentes do Estado, em especial o fisco, artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 142, parágrafo único da Lei 5.172/66. Aliás, nossos tribunais superiores Superior Tribunal de Justiça – STJ e Supremo Tribunal Federal – STF admitem multa de até cem por cento do tributo como legítimas, observese a decisões trazidas a colação. EMEN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL DO CPC. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ENTREGA DA GFIP (LEI 8.212/91). DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ENQUADRAMENTO NA HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 11, I, § 1º, DA MP 38/2002. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE APENAS DE MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONVOLAMENTO EM OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ART. 113, § 3º, DO CTN. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. Os benefícios fiscais devem ser interpretados restritivamente, prevalecendo a máxima lex dixit quam voluit (art. 111 do CTN). Precedentes: REsp 989.193/PR, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/11/2009, DJe 18/12/2009; REsp 1089202/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 20/08/2009. 2. O benefício previsto no art. 11, § 1º, I, da MP 38/2002 (dispensa de acréscimos legais), direcionase tãosomente àqueles acréscimos incidentes sobre débitos oriundos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, o que não inclui, obviamente, as multas impostas em virtude do inadimplemento de obrigação acessória, (in casu, a apresentação de GFIP/GRFP com informações errôneas acerca dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, conduta tipificada no art. 32, § 5º, da Lei 8.212/91, que determina que a apresentação de documento, com dados não correspondentes aos fatos geradores, sujeita o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada). 3. É que a MP 38/2002 estabelece, verbis: "Art. 11. Poderão ser pagos ou parcelados, até o último dia útil do mês de julho de 2002, nas condições estabelecidas pelo art. 17 da Lei no Fl. 658DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.720095/201363 Acórdão n.º 2803003.372 S2TE03 Fl. 658 9 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e no art. 11 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, decorrentes de fatos geradores ocorridos até 30 de abril de 2002, relativamente a ações ajuizadas até esta data. § 1o Para os fins do disposto neste artigo, a dispensa de acréscimos legais alcança: I as multas, moratórias ou punitivas;" 4. Ressoa inequívoco, da dicção do referido dispositivo legal, que, para beneficiarse da dispensa das multas moratórias ou punitivas (§ 1º, I, art. 11), impõese a observância, de forma cumulativa, dos seguintes requisitos: (i) os débitos sobre os quais esses acréscimos incidem hão que ser oriundos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal; (ii) os fatos geradores da obrigação tributária devem ter ocorrido até 30 de abril de 2002; (iii) os referidos débitos devem ser objeto de discussão judicial até 30/04/2002. 5. Destarte, interpretandose finalisticamente a norma jurídica supratranscrita, forçoso concluir que a mens legis reside no incentivo ao pagamento ou parcelamento de tributos (por isso exclui as multas) e não na instituição de remissão irrestrita do inadimplemento de obrigação instrumental. 6. In casu, o auto de infração é constituído tãosomente pelo valor principal, sem acréscimos, decorrente de multa por descumprimento de dever instrumental que, nos termos do art. 113, § 3º, do CTN convolou se em obrigação principal. 7. O caput do art. 11 da MP 38/2002 prevê que os referidos débitos tributários podem ser pagos ou parcelados nas condições previstas nos arts. 17 da Lei 9.779/1999, e no art. 11 da Medida Provisória 2.15835/2001, os quais ostentam a seguinte redação, litteris: "Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal. (vide Medida Provisória nº 2.15835, de 24.8.2001)" "Art. 11. Estendese o benefício da dispensa de acréscimos legais, de que trata o art. 17 da Lei no 9.779, de 1999, com a redação dada pelo art. 10, aos pagamentos realizados até o último dia útil do mês de setembro de 1999, em quota única, de débitos de qualquer natureza, junto à Secretaria da Receita Federal ou à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, desde que até o dia 31 de dezembro de 1998 o contribuinte tenha ajuizado qualquer processo judicial onde o pedido abrangia a exoneração do débito, ainda que parcialmente e sob qualquer fundamento.(Vide Medida Provisória nº 38, de 13.5.2002) § 1o A dispensa de acréscimos legais, de que trata o caput deste artigo, não envolve multas moratórias ou punitivas e os juros de mora devidos a partir do mês de fevereiro de 1999." 8. Destarte, ao Fl. 659DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.720095/201363 Acórdão n.º 2803003.372 S2TE03 Fl. 659 10 contrário do alegado pela recorrente, não se vislumbra o seu enquadramento em qualquer das condições previstas nos artigos supratranscritos, uma vez que: (i) o art. 17, da Lei 9.779/99, não faz qualquer alusão a débitos decorrentes de multa por descumprimento de obrigação acessória, tratando especificamente de valor relativo a tributo, cuja regra matriz de incidência tenha sido declarada inconstitucional, e cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal; (ii) o art. 11 da MP 2.15835/2001, conquanto possibilite a dispensa dos acréscimos legais aos pagamentos de débitos de qualquer natureza, restringea a duas condições concomitantes, quais sejam: a) que a ação, objetivando a exoneração do débito, tenha sido ajuizada até o dia 31 de dezembro de 1998, o que não ocorreu no caso sub examine (o mandamus foi impetrado em 2001, consoante exposto pela própria recorrente às fls. eSTJ 5); b) conforme disposto no § 1º, as multas de qualquer natureza e juros de mora têm que ser anteriores a fevereiro de 1999, fato que, à míngua de menção nas instâncias ordinárias, atrai a incidência da Súmula 07 do STJ. 9. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 10. Recurso especial desprovido. ..EMEN: (RESP 200802699820, LUIZ FUX, STJ PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:05/11/2010 ..DTPB:.) (o grifo é meu). Além, do que já disse o Superior Tribunal de Justiça – STJ e o Supremo Tribunal Federal – STF, também, proclamaram a constitucionalidade e legalidade de multa aplicada em valor de até cem por cento do tributo, veja a ementa. Ementa: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ICMS. MULTA MORATÓRIA APLICADA NO PERCENTUAL DE 40%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES DO TRIBUNAL PLENO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal já decidiu, em diversas ocasiões, serem abusivas multas tributárias que ultrapassem o percentual de 100% (ADI 1075 MC, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, DJ de 24112006; ADI 551, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Tribunal Pleno, DJ de 14022003). 2. Assim, não possui caráter confiscatório multa moratória aplicada com base na legislação pertinente no percentual de 40% da obrigação tributária. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 400927 AgR, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Segunda Turma, julgado em 04/06/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe 115 DIVULG 17062013 PUBLIC 18062013. (destaquei o trecho). Evidente que o patamar aplicado esta dentro do admitido pelas nossas cortes superiores, bem como está prevista em lei, não havendo nenhuma mácula nessa situação. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.720095/201363 Acórdão n.º 2803003.372 S2TE03 Fl. 660 11 Tão pouco a multa no percentual que estabelecido viola o principio da capacidade contribuinte, pois esse é aplicado em razão dos impostos e contribuição social previdenciária não é imposto, assim, este instituto não se aplica a ela é o que o texto constitucional, veja a transcrição. CRFB/88 Art. 145. omissis. § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (o destaque é meu). Ficou demonstrado acima que a empresa recorrente de forma deliberada sem ser integrante do sistema de tributação beneficiado do SIMPLES NACIONAL faz sua declarações em GFIP informado o código de empresa desse sistema e assim fica sem pagar a contribuição da parte patronal, bem como as contribuições para outras entidades e fundos – terceiros. Ao iniciar o presente voto consignei que o fato de ter sido declarada e entregue todas as GFIP’a ao agente lançador em absoluto implica em dizer que tais declarações estavam corretas, bem como que o agente lançador consignou e demonstrou que as GFIP’s não representam a realidade fiscal da empresa em passagens que transcrevi no tópico Preliminar, a qual remeto o leitor para evitar repetição. De modo análogo, a questão da RFFP, também, foi abordada, inclusive, com a citação e transcrição da súmula 28 do CARF. No tocante a multa de ofício de setenta e cinco por cento aplicada na maioria dos levantamentos, entendo que a mesma não é adequada, uma vez que esta foi introduzida pela MP 449/2008 e assim não pode ser aplicada para competências anteriores, ainda, que o lançamento se dê depois da edição da citada MP, em razão do artigo 144, da Lei 5.172/66. O presente crédito foi constituído, em 23/02/2013, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Porém o presente crédito encerra contribuições do período de apuração de 06/2008 a 12/2011,Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 382 e 383. Desta forma, para o período de 06/2008 a 11/2008, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde Fl. 661DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10140.720095/201363 Acórdão n.º 2803003.372 S2TE03 Fl. 661 12 que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. No que tange as competências 12/2008 e posteriores a multa a ser aplicada é a do artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, pois já se encontrava em vigor esse dispositivo. Isso, no tocante os créditos DEBCAD’s 37.378.1113 e 37.378.112.1. Indefiro o pedido de intimação em nome do causídico e no endereço deste, uma vez que o artigo 127, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 23, do Decreto 70.235/72 não trazem tal hipótese e estabelecem as formas de comunicações ao sujeito passivo. Todavia, esse providência é da DRF – origem e não do CARF, assim sendo cabe a ela decidir. Expostos os argumentos acima rejeito todos os pedido da recorrente em preliminar ou mérito. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento, para no mérito darlhe provimento parcial, a fim de que seja aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, ou seja, a do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação das Lei 9.528/97 e 9.876/99, limitandose essa multa a setenta e cinco por cento, nos termos do artigo 35A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, tudo a ver verificado no momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, aos DEBCAD’s 37.378.1113 e 37.378.112.1. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11070.900211/2008-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/08/2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei.
DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO.
DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
Numero da decisão: 3803-004.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. À exceção do Relator os demais Conselheiros e Suplentes votaram pelas conclusões.
[assinado digitalmente]
Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/08/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. À exceção do Relator os demais Conselheiros e Suplentes votaram pelas conclusões. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 90 02 11 /2 00 8- 01 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 2 Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 13/08/2004 que buscou compensar créditos de PIS/Pasep alegadamente pago indevidamente ou a maior, de período de apuração novembro de 2003, com débitos de COFINS, de competência de julho de 2004, no valor total de R$ 3.106,80. Através de Despacho Decisório eletrônico, recebido em 24/04/2008, a DRF em Santo Ângelo/RS não homologou o pedido do contribuinte indicando que, a partir das informações do DARF indicado foram localizados pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do sujeito passivo. Irresignado o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que transcreveremos, em sua integralidade, abaixo: "A empresa IRMÃOS SALVATI LTDA, localizada em pinhalzinho Santo Augusto/RS, inscrita no CNPJ No 01323689000158, vem através deste manifestar sua inconformidade quanto ao despacho decisório de não homologação do PER/DCOMP No. 12227.88675.130804.1.3.04 7828, sendo que ocorreu erro de preenchimento na Dacon e DCTF ref. ao 4o Trimestre/03. Efetuamos as referidas retificações para sanar os erros que (sic)causou a não homologação do crédito em questão. Segue em anexo recibos de transmissão da Dacon e DCTF retificadas para avaliação." Anexou DACON e DCTF retificadores transmitidos em 19/05/2008. A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação apresentada. Fundamentou sua decisão na falta de provas para se comprovar o direito. Discorre acerca da falta de espontaneidade da retificação da DCTF e DACON após o inicio do procedimento fiscal, e em consequência, a falta do caráter probatório destas. Inconformada o contribuinte protocolou Recurso Voluntario sucinto que transcreverei a seguir na sua íntegra: "Quanto a manifestação de inexistência de credito, gostaríamos de argumentar que esse credito que a empresa se refere é de direito da mesma, só que o mesmo não foi utilizado no ano que entrou em vigor a lei, efetuando os pagamentos integrais do PIS em 2003, não utilizando os créditos a que tinha direito, devido a esse fato que o imposto foi compensado posteriormente, eu não iria me creditar de um valor que não fosse de direito. Primeiramente entrou a MP 107/03 que concede o direito a credito s/ compras de Pessoa Física, sendo que no ramo da referida empresa(frigorífico) a compra é exclusivamente de produtores rurais(pessoa física); apos saiu a lei 10.684/03 de 30/05/03 art. 25 a 29 fala da retroatividade da concessão de credito. Então, a empresa não se beneficiou dos créditos no período de 02/2003 a 12/2003, vindo a compensálos no ano de 2004, sendo Fl. 41DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900211/200801 Acórdão n.º 3803004.161 S3TE03 Fl. 41 3 que os mesmos foram inseridos na conta contábil no mês de maio/2004, conforme demonstrações contábeis anexas.” Anexa “planilha de calculo contábil de PIS”, extratos de balancete de verificação, copias do Razão Analítico e Diário Geral. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Das retificações da DCTF e da DACON posteriores ao Despacho Decisório. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF e DACON retificadoras tem a mesma natureza das originais, substituindoas integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida como prova suficiente para redução do valor do tributo devido. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1°, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 e do disposto no art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 543, de 20 de maio de 2005, a seguir transcritos: “Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 4 c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. Grifamos” “Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins: I que já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desses débitos; II em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em procedimento de ofício, relativas às informações, indevidas ou não comprovadas, prestadas no Dacon original e que tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. Grifamos” O contribuinte retificou a DCTF e DACON do período, após a ciência do despacho decisório, com isso as declarações retificadoras, não produzem os efeitos modificativos dos débitos originalmente confessados. Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900211/200801 Acórdão n.º 3803004.161 S3TE03 Fl. 42 5 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” No caso em análise, o contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS/Pasep, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos, em sede de manifestação de inconformidade, nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Da apresentação das provas. O mesmo artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A analise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade. A mesma norma elenca as possibilidades para a apresentação de provas em outro momento processual. Nenhuma das hipóteses acima alberga o caso do sujeito passivo. O direito da contribuinte em arrolar documentos probatórios está precluso. Ressaltamos que em sede de Recurso Voluntário o contribuinte carreou aos autos tão somente, partes do que chamou de balancete de verificação onde aparece apenas as contas de Passivo, o mesmo em relação às contas razão, bem como Diário do mês de maio, não trazendo documentos fiscais de compras das mercadorias de pessoas físicas nem mesmo a escrita fiscal que registrou tais entradas. Conclusão Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 6 A retificação da DCTF e da DACON após o conhecimento do despacho decisório não produz os efeitos pretendidos pela requerente, restava ao contribuinte comprovar seu direito creditório em manifestação de inconformidade, não o fez. Somente em recurso voluntario anexa escrituração contábil, porém nesse momento processual as provas só são admitidas nos casos elencados no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, não sendo o caso da contribuinte. Mesmo que fossem admitidas as provas anexadas em sede de Recurso Voluntario, estas se mostram insuficientes a comprovar a liquidez e certeza do direito perseguido. Nada a reparar na decisão da DRJ/POA. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO e não reconhecer o direito creditório. É como voto. Sala das Sessões, 25 de abril de 2013. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000507/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
DECADÊNCIA. SIMPLES. IRPJ e CONTRIBUIÇÕES.
Os impostos e contribuições devidos mensalmente pelas empresas optantes pelo SIMPLES sujeitam-se ao regime do lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário é de 5 (cinco) anos contados do fato gerador
NULIDADE NÃO DECLARADA.
A autoridade julgadora não pronunciará a nulidade ou mandar repetir o ato ou suprir-lhe a falta quando puder decidir o mérito em favor do contribuinte.
OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE COMPRAS. DESCABIMENTO. IRPJ/SIMPLES.
A falta de contabilização de compras de mercadorias, por si só, não é elemento suficiente para caracterizar omissão de receitas (omissão de compras), se o procedimento fiscal não verificou se os pagamentos estavam ou não contabilizados, nos termos do disposto no art. 40 da Lei n° 9.430/1996, descabendo a autuação.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO FISCO.
Cancelada integralmente a autuação fundamentada em omissão de receitas, por consequência cancela-se a exclusão do SIMPLES promovida por Ato Declaratório Executivo motivado pelo fato de a empresa ter ultrapassado o limite legal para opção, o que afinal não restou comprovado.
Numero da decisão: 1401-001.184
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso de OFÍCIO.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 DECADÊNCIA. SIMPLES. IRPJ e CONTRIBUIÇÕES. Os impostos e contribuições devidos mensalmente pelas empresas optantes pelo SIMPLES sujeitam-se ao regime do lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário é de 5 (cinco) anos contados do fato gerador NULIDADE NÃO DECLARADA. A autoridade julgadora não pronunciará a nulidade ou mandar repetir o ato ou suprir-lhe a falta quando puder decidir o mérito em favor do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE COMPRAS. DESCABIMENTO. IRPJ/SIMPLES. A falta de contabilização de compras de mercadorias, por si só, não é elemento suficiente para caracterizar omissão de receitas (omissão de compras), se o procedimento fiscal não verificou se os pagamentos estavam ou não contabilizados, nos termos do disposto no art. 40 da Lei n° 9.430/1996, descabendo a autuação. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO FISCO. Cancelada integralmente a autuação fundamentada em omissão de receitas, por consequência cancela-se a exclusão do SIMPLES promovida por Ato Declaratório Executivo motivado pelo fato de a empresa ter ultrapassado o limite legal para opção, o que afinal não restou comprovado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso de OFÍCIO. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
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SIMPLES. IRPJ e CONTRIBUIÇÕES. Os impostos e contribuições devidos mensalmente pelas empresas optantes pelo SIMPLES sujeitamse ao regime do lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário é de 5 (cinco) anos contados do fato gerador NULIDADE NÃO DECLARADA. A autoridade julgadora não pronunciará a nulidade ou mandar repetir o ato ou suprirlhe a falta quando puder decidir o mérito em favor do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE COMPRAS. DESCABIMENTO. IRPJ/SIMPLES. A falta de contabilização de compras de mercadorias, por si só, não é elemento suficiente para caracterizar omissão de receitas (omissão de compras), se o procedimento fiscal não verificou se os pagamentos estavam ou não contabilizados, nos termos do disposto no art. 40 da Lei n° 9.430/1996, descabendo a autuação. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO FISCO. Cancelada integralmente a autuação fundamentada em omissão de receitas, por consequência cancelase a exclusão do SIMPLES promovida por Ato Declaratório Executivo motivado pelo fato de a empresa ter ultrapassado o limite legal para opção, o que afinal não restou comprovado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 05 07 /2 00 8- 33 Fl. 2636DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso de OFÍCIO. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 17883.000507/200833 Acórdão n.º 1401001.184 S1C4T1 Fl. 2.637 3 Relatório Tratase de recurso de ofício no Acórdão nº 1226.276, da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro IRJ. Por pertinente, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 2480/2544, lavrados no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Volta Redonda/RJ, em 04/12/2008, por meio dos quais estão sendo exigidos da interessada acima identificada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ/SIMPLES, no valor de R$ 57.561,44 (fls. 2494/2503); a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/SIMPLES, no valor de R$ 57.501,44 (fls. 2504/2513); a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL/SIMPLES, no valor de R$ 89.684,14 (fls. 2514/2523); a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS/SIMPLES, no valor de R$ 179.368,21 (fls. 2524/2533) e a Contribuição para a Seguridade Social INSS/SIMPLES, no valor de R$ 374.345,27 (fls. 2534/2543), todos acrescidos de multa de 75% e juros de mora calculados até 28/11/2008. O valor total do crédito tributário constituído é R$ 1.894.719,63, conforme demonstrativo de fl. 01. Como parte integrante do auto de infração veio o Termo de Constatação Fiscal (fls. 2.477), onde estão detalhadas as razões da autuação, que reproduzse: "O contribuinte não escriturou no livro caixa e não incluiu em sua declaração anual simplificada PJS1 2004, referente ao anocalendário 2003, a maior parte das compras efetuadas, conforme cópias de notas fiscais e comprovações de pagamentos apresentados por onze empresas em respostas às intimações emitidas, conforme planilha intitulada "Consolidação das Compras" anexada a este termo. Face ao exposto estamos emitindo autos de infração SIMPLES baseados em pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração e por insuficiência de recolhimentos. " Anexo ao Termo de Constatação veio a tabela de fls. 2478/2479, onde estão indicadas as bases de cálculo constantes dos autos de infração, que se reproduz em duas partes em virtude de sua extensão: mês copersucar sara Ice bungc nova américa c. 1 alves ref, do sal j. macedo s/a dany laticínios jan/03 460.585.58 52.976,63 57.79620 4.400,00 fcv/03 332.232,12 51.233,73 5.750,00 mar/03 499.322.49 31.671,75 17.433,07 12.240,00 abr/03 412.096,92 45.079,34 10.991,09 1 1 .228,00 12.720,00 mai/03 377.957,34 50.051,26 21.600,00 6.325,66 12.900,00 26.280,00 jun/03 581.103,69 63.592,01 17.826,91 17.575,50 14.197,50 jul/03 488.154,85 83.995,55 56.133,67 10.173,54 10.92626 43.985,50 13.680,00 ago/03 547.156,40 66.699.69 56.634,00 11.528,00 17.34538 20.544,00 14.077,50 set/03 575.961 ¿4 92.729,03 68.834,40 57.56721 14.691,00 12.795,39 30.392,00 oul/03 586.743,40 83.236,66 89.649,72 17.478,00 10.324,50 18.473,70 24.252,00 nov/03 574.007,03 143.113,83 42.370,99 6.522,00 12.986,31 24.960,00 dez/03 410.324,61 71.259,76 35.41722 52.693,50 5.845.645,67 835.639.24 271.251,79 206.985,94 43.065,50 170.670,99 238.530,50 93.195,00 Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 mês alibra fósforos di conti total declarado omissão jan/03 3.010,00 8.155,50 586.923,91 27.99420 558.929,71 fev/03 389.215,85 28.44825 360.767,60 mar/03 23.120.00 2.716,80 586.504,11 29.816,16 556.687,95 abr/03 4.528,00 496.643,35 28.652,88 467.990,47 mai/03 4,074,00 6.052,30 505.240,56 32.959,27 472.28129 jun/03 694.295,61 29.399,27 664,896,34 jul/03 4.528,00 14.207,64 725.785,01 23.563,27 702.221,74 ago/03 4.528,00 8.082,88 746.595,85 19.264,84 727.331,01 sct/03 3.600,00 7.279,20 863.849,47 20.547,78 843.301,69 out/03 13.648,50 11.515,26 855.321,74 23.026,86 832.294,88 nov/03 10.408,53 814.368,69 25.107,32 789.261,37 dez/03 4.549,50 6.S47.01 580.791,60 23.001,79 557.789,81 33.804,00 49.933,50 56.813,62 7.845.535,75 311.781,89 7.533.753,86 De acordo com o descrito nos autos de infração as infrações são duas: a primeira suportada pela omissão de receitas indicada nos demonstrativos acima e, a segunda, relativa a insuficiência de recolhimento, decorrente de mudança de percentuais como conseqüência da mudança da receita bruta por conta das omissões, nos termos do artigo 188 do RIR/1999. Irresignada com a autuação a empresa apresentou, em 07/01/2009, a impugnação de fls. 2.547/2.560, onde alega resumidamente que: 1 Em sede de preliminar: a) Cerceamento do direito de defesa, pelas seguintes razões: • a autuação é nula de pleno direito, devendo a exigência fiscal ser anulada; • a autoridade lançadora não se preocupou em observar o devido processo legal e a garantia de defesa no curso do procedimento de fiscalização; • das duas imputações fiscais relacionadas na autuação apenas uma delas encontra descrição relacionada no Termo de Constatação Fiscal, de 04/12/2008; • a segunda imputação "falta de recolhimento" contida no item 002 da autuação simplesmente não contém qualquer descrição e/ou demonstrativos ao longo de todos os volumes da autuação, o que justifica a anulação do procedimento por cerceamento do direito de defesa; • o processo é composto por 12 volumes sendo que destes jamais teve qualquer acesso e, ainda, sequer foi intimada a prestar qualquer tipo de esclarecimento; • o açodamento demonstrado pela autoridade lançadora acabou por prejudicar diretamente o seu direito de defesa; • sequer teve a oportunidade de se manifestar sobre os vários documentos que foram anexados aos autos ao longo de inúmeros volumes, além de uma das acusações sequer estar lastreada em qualquer demonstrativo ao longo dos autos; Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 17883.000507/200833 Acórdão n.º 1401001.184 S1C4T1 Fl. 2.638 5 • jamais foi cientificada de qualquer demonstrativo de apuração, nem muito menos sabe quais foram os elementos adotados pela autoridade lançadora para formar a convicção acerca da infração lançada na autuação, ao arrepio da segurança constitucional da ampla defesa e do devido processo legal; • não possui elementos, nem lhe foram fornecidos, aqueles necessários para verificar a licitude dos trabalhos fiscais, o que senão dificulta, impossibilita e cerceia que o contribuinte possa verificar a legalidade e, eventualmente, reconhecer a infração que lhe é imputada. b) Da decadência, pelos seguintes fundamentos: • operouse a decadência do direito da Fazenda Pública Federal de efetuar os lançamentos, em decorrência do transcurso do prazo previsto no artigo 150, parágrafo 4o, do CTN; portanto, considerase homologado o lançamento e definitivamente extintos os créditos tributários quando passados mais de cinco anos desde a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, situação que ora se afigura; • a recente Súmula n.° 08 sacramentou que o prazo decadencial é de 5 anos, tendo essa sido estendida a todo e qualquer crédito de natureza tributária, conforme pronunciamento do E. Supremo Tribunal Federal; • os créditos tributários cobrados englobam fatos geradores relativos ao período total compreendido entre 31 de janeiro de 2003 a 31 de dezembro de 2003; • tendo sido cientificada da existência dos supostos créditos tributários em 07 de dezembro de 2008, seguindo o mandamento do supracitado artigo 150, § 4o do CTN, o Fisco não mais poderia ter sido efetuado o lançamento cujos fato geradores supostamente teriam ocorrido entre os meses de janeiro a novembro de 2003; • cita jurisprudência. II Do mérito. • os autos são compostos de 12 volumes compostos basicamente de notas fiscais de empresas que foram convidadas a prestar esclarecimentos, conforme planilha mencionada no Termo de Constatação Fiscal; • apenas teve acesso aos volumosos autos em uma única oportunidade uma semana antes do término do seu prazo de defesa; • em face do exposto não possui condições de rebater todos os documentos juntados nos 12 volumes de autos, pois simplesmente não os conhece por falta de acesso aos autos; • a autuação tem como escopo a omissão de receitas com base em pagamentos efetuados com recursos supostamente estranhos à escrituração e às suas disponibilidades; • a verificação de omissão de receitas pode ser constatada e comprovada por diversas formas, dentre elas, pela manutenção na escrituração do passivo de obrigações já quitadas, cuja exigibilidade não possa ser verificada ou comprovada, ou pela falta do registro de compras; Fl. 2640DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 • a legislação do imposto sobre a renda condiciona a faculdade da autoridade lançadora de efetuar o lançamento com base na presunção de omissão de receitas, desde que, em primeiro lugar, comprove haver no mínimo um fato relevante que possa ser um rastro de que a sociedade mantinha recursos à margem de sua escrituração, o que não ocorreu; • a autoridade lançadora simplesmente abandonou todos os critérios contábeis e não cotejou gasto por gasto com a disponibilidade de caixa, ou seja, simplesmente somou valores de faturas pela respectiva competência, sem observar que há prazo entre a emissão e a liquidação do compromisso; • não é lícito à autoridade lançadora efetuar lançamento, como fez no presente processo, sem demonstrar, em nenhum momento, que sua contabilidade continha, por exemplo, saldo credor na conta de caixa que justificasse a presunção de que os valores seriam, em verdade, recursos da própria pessoa jurídica, mantidos à margem da escrituração; • as "compras" reputadas como não registradas só poderiam ser consideradas como "recursos à margem de tributação" se comprovado pela autoridade lançadora que as liquidações não poderiam ser contabilizadas e registradas porque naquela data não poderiam ser honradas pela ausência de disponibilidades; • na autuação não consta a indicação precisa de qual seria o dispositivo legal que daria suporte à presunção; • os únicos dispositivos que mais se aproximam do tema "omissão de rendimentos" seriam a Lei n° 9.249/95, artigo 24 e o artigo 199 do RIR/99, mas ambos não instituem a presunção adotada pela autoridade lançadora e não se prestam para amparar a exigência fiscal; • compulsando os presentes autos evidenciase que a autoridade lançadora, em momento algum, fez prova cabal do fato imputado e descrito na autuação, apoiandose exclusivamente na presunção legal que acredita possuir, sem demonstrar em nenhum momento, qual seria o pressuposto autorizador desta conclusão; • a presunção no direito tributário, somente pode ser admitida com graves restrições sempre, desde que estabelecida em lei, e observados os seus pressupostos, o que não se constata na autuação;. • analisando os registros contábeis, e os demais documentos que dão suporte para a escrituração, é claro que houve equívocos no seu registro de operações, a exemplo de inúmeras outras pessoas jurídicas, entretanto, esses equívocos não são capazes de amparar a pretensão fiscal de omissão de receitas, muito menos, porque na autuação não há sequer a indicação de qualquer dispositivo legal que se amolde ou viabilize a pretensão fiscal; • cita jurisprudência e doutrina; • finaliza requerendo o cancelamento integral da autuação. Em decorrência da apuração de omissão de receitas no total de R$ 7.533.753,86 (fl. 2479), constatouse que a interessada ultrapassou o limite legal para permanência no SIMPLES ~ Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Como consequência, foi excluída do sistema pelo Delegado da Receita Federal de Volta Redonda/RJ, que emitiu o Ato Declaratório Executivo n° 8, de 09/02/2009 (fls. 2.588/2589), nos autos do processo 17883.000010/200904. Fl. 2641DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 17883.000507/200833 Acórdão n.º 1401001.184 S1C4T1 Fl. 2.639 7 Sucede que a Portaria RFB n° 666, de 24 de abril de 2008, determina, em seu artigo Io, inciso III, que serão objeto de um único processo administrativo as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada. Então, foi solicitado ao SECOJ/DRJ/RJOI que efetuasse a apensação do processo ° 17883.000010/200904 a este, conforme despacho de fl. 2.583, o que foi realizado em 15/09/2009 (vide fl. 2.621). Inconformada com a exclusão a interessada apresentou, em 30/07/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 2607/2611, onde alega resumidamente que: • em 04/12/2008 foi lavrado Auto de Infração nos autos do processo administrativo n° 17883000.507/200833, fundamentado em suposta omissão de receitas relativa ao anocalendário de 2003, exercício 2004; • contra o auto de infração foi tempestivamente interposta impugnação ao lançamento de ofício, que se encontra pendente de julgamento perante a la instância administrativa; • por força do disposto no artigo 151, inciso III, da Lei n° 5.172/66, a exigibilidade dos créditos tributários lançados de ofício encontrase suspensa, o que implica dizer que a exigência fiscal não pode ser cobrada pelo Fisco Federal até que haja decisão administrativa definitiva; • até que o crédito tributário lançado de ofício nos autos do processo administrativo n° 17883000.507/200833 esteja definitivamente constituído não pode ser considerada culpada pela infração de omissão de receitas e, em decorrência, tais receitas também não podem ser levadas em consideração para fins de verificação de adequação ao limite legal previsto na Lei n° 9.317/96, artigo 2o; • no ordenamento jurídico pátrio vigora o princípio da presunção da inocência, positivado na Carta Magna em seu artigo 5o, inciso LVII; • não pode ser considerada culpada da acusação de omissão de receitas e, antes que a referida acusação seja julgada definitivamente, desta sofrer reflexos, como sua exclusão do SIMPLES, sob pena de afronta aos princípios do devido processo legal e da presunção de inocência; • através da Comunicação n° 054/20093 DRF/Volta Redonda pretende exigir ainda a apresentação das Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF, e das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, referentes aos anos calendários de 2004 a 2006, alterando a apuração dos tributos federais para o lucro presumido ou real; • como esta essa exigência é decorrente da exclusão do SIMPLES, que está tempestivamente combatida pela presente Manifestação de Inconformidade, requer que até que haja o trânsito em julgado administrativo da discussão travada no processo administrativo n° 17883000.507/200833, ou no mínimo, o julgamento da presente manifestação de inconformidade, ou seja, que a exclusão ora combatida se torne definitiva, nos termos do Decreto n° 70.235/72, que seja dispensada do cumprimento da exigência; Fl. 2642DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 • finaliza requerendo que seja julgado improcedente o Ato Declaratório Executivo n° 008, de 09/02/2009, proferido pela Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda, restabelecendo a sua opção pelo SIMPLES, sendo canceladas quaisquer exigências fiscais, ou penalidades, que dele decorram entre os anos de 2004 a 2006. É o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos,CANCELOU os lançamentos e anulou o Ato Declaratório de exclusão, RECORRENDO DE OFÍCIO: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. SIMPLES. IRPJ e CONTRIBUIÇÕES. Os impostos e contribuições devidos mensalmente pelas empresas optantes pelo SIMPLES sujeitamse ao regime do lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário é de 5 (cinco) anos contados do fato gerador Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento operase a decadência, sendo, portanto, a atividade exercida pelo contribuinte considerada tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do art. 150, § 4o e do art. 156, inciso V, do CTN. SÚMULA VINCULANTE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O Supremo Tribunal Federal, em 12 de junho de 2008, editou enunciado de Súmula vinculante n° 8, publicada no D.O.U. em 20 de junho de 2008, declarando a inconstitucionalidade do art. 45, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. Segundo dispõe o art. 103A da Constituição Federal de 1988 e o art. 2o da Lei n" 11.417/2006, a súmula, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Portanto, nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, como é o caso destas contribuições, ausentes dolo, fraude e simulação, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme dispõe o art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. NULIDADE NÃO DECLARADA. A autoridade julgadora não pronunciará a nulidade ou mandar repetir o ato ou suprirlhe a falta quando puder decidir o mérito em favor do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE COMPRAS. DESCABIMENTO. IRPJ/SIMPLES. A falta de contabilização de compras de mercadorias, por si só, não é elemento suficiente para caracterizar omissão de receitas (omissão de compras), se o procedimento fiscal não verificou se os pagamentos estavam ou não contabilizados, nos termos do disposto no art. 40 da Lei n° 9.430/1996, descabendo a autuação. CONTRIBUIÇÕES/SIMPLES PIS, COFINS, CSLL e INSS Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 17883.000507/200833 Acórdão n.º 1401001.184 S1C4T1 Fl. 2.640 9 Ressalvados os casos especiais, os lançamentos reflexivos colhem a sorte daquele que lhes deu origem, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO FISCO. Cancelada integralmente a autuação fundamentada em omissão de receitas, por consequência cancelase a exclusão do SIMPLES promovida por Ato Declaratório Executivo motivado pelo fato de a empresa ter ultrapassado o limite legal para opção, o que afinal não restou comprovado. É o relatório. Fl. 2644DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O recurso limitase ao de ofício. Preenche o requisito de alçada, merecendo ser conhecido. A matéria submetida a análise de recurso de ofício restringese a 4 (matérias) matérias: 1) decadência parcial do lançamento; 2) Preliminar de Nulidade; 3) Omissão de receitas por “pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração” 4) Exclusão do Simples por ultrapassar os limites legais permitidos para esse regime (conseqüência do item “2”) 5) Insuficiência de recolhimentos em função da exclusão do Simples (item “3” da autuação. 1) ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO A DRJ acolheu a decadência parcial do lançamento (janeiro/2003 a novembro de 2003), nos seguintes termos: No caso concreto do lançamento de tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ e das contribuições lançadas, ausentes dolo, fraude e simulação, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme dispõe o art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Por extensão do disposto no atual Código Civil, e pelo fato do lançamento estar jungido ao princípio da legalidade, quando constatada a decadência do direito de lançar o julgador administrativo deve declarála de ofício. No que tange às contribuições, deve ser destacado que o Supremo Tribunal Federal, em 12 de junho de 2008, editou enunciado de Súmula vinculante n° 8, publicada no D.O.U. em 20 de junho de 2008, declarando a inconstitucionalidade do art. 45, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que previa que o direito de constituição do crédito tributário das contribuições para a seguridade social (CSLL, PIS, COFINS e INSS) extinguirseia somente após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Segundo dispõe o art. 103A da Constituição Federal de 1988 e o art. 2o da Lei n° 11.417/2006, a súmula, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação Fl. 2645DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 17883.000507/200833 Acórdão n.º 1401001.184 S1C4T1 Fl. 2.641 11 aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Portanto, diante do exposto, nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ e contribuições lançados, ausentes dolo, fraude e simulação, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme dispõe o art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). No caso em exame, a empresa autuada é optante pelo SIMPLES, estando sujeita ao pagamento mensal unificado de tributos e contribuições, nos termos do caput do artigo 187 e do artigo 188 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3000, de 26 de março de 1.999, a seguir: "Art. 187. As pessoas jurídicas de que trata este Capítulo poderão optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, sujeitandose ao pagamento mensal unificado dos impostos e contribuições federais relacionados no § 1"do art. 3"da Lei n"'9.317, de 1996, entre os quais o imposto de renda devido pelas pessoas jurídicas (Lei n"9.317, de 1996, art. 3", caput e § 1°, alínea "a"), "grifei Art. 188. O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais e nas condições estabelecidas no art. 5", e seus parágrafos, da Lei n" 9.317, de 1996, observado, quando for o caso, o disposto nos arts. 204 e 205. grifei Do exposto, defluise que os impostos e contribuições devidos mensalmente pelas empresas optantes pelo SIMPLES sujeitamse ao regime do lançamento por homologação, e, aplicando se a regra contida no artigo 150, parágrafo 4o, o direito da Fazenda de constituir o credito tributário relativo aos meses de janeiro/2003 a novembro de 2003, decaiu em 30/11/2008. Conclusivamente, em 08/12/2008 (fl. 2.545), quando foi dada ciência ao contribuinte dos autos de infração de IRPJ/SIMPLES, PIS/SIMPLES, CSLL/SIMPLES, COFINS/SIMPLES e INSS/SIMPLES, já havia decaído o direito do Fisco de exigir tais tributos quanto ao período de janeiro a novembro de 2003. Nada a reparar na decisão de piso que acolheu parcialmente a decadência utilizando se, no caso da regra do art. art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que houve pagamentos e não foi o caso da ocorrência de dolo ou fraude, o que conduziria a regra do art. 173, I do CTN. Restou apenas o mês de dezembro de 2003 que foi cancelado pelos motivos mais adiante tratados. Tributos lançados não atingidos pela decadência valores em reais R$ MES IRPJ PIS CSLL COFINS INSS TOTAL dez/03 4.429,34 4.429,34 6.814,37 13.628,75 29.301,78 58.603,58 Portanto, nego provimento ao recurso de ofício nesta parte. 2) Preliminar de Nulidade A DRJ, seja no voto vencedor seja na declaração de voto, enfileirou uma série de motivos para o cancelamento da autuação e conseqüente reversão da exclusão do SIMPLES e insuficiência de recolhimentos, reflexo dessa exclusão. Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 12 O primeiro deles seria de ordem preliminar. A DRJ acatou a alegação do contribuinte no sentido de que o mesmo não tivera acesso aos documentos que deram suporte à autuação, nos seguintes termos: A falta de ciência das notas fiscais constantes às fls. 14/2448, ou, pelo menos das tabelas de fls. 2451/2479, preteriu a compreensão do contribuinte quanto à matéria autuada. A título de exemplo, vejase que o valor de R$ 460.585,58, constante da tabela de fl. 2478, referese às aquisições efetuadas pela empresa junto à Copersucar no mês de janeiro/2003, conforme notas fiscais discriminadas à fl. 2451. De modo análogo, o valor de R$ 6.052,30, indicado à fl. 2479, relacionase a aquisições feitas pela autuada junto à Casa di Conti, no mês de maio/2003, conforme relação de notas fiscais de fl. 2476. Através destes exemplos, demonstrase que o contribuinte não teve acesso à fonte de informações que deu causa à autuação por omissão de receitas, o que impediu a compreensão do contribuinte quanto à matéria autuada, preterindo o seu direito de defesa, conforme alega, A doutrina é clara, ao ressaltar que a efetiva ocorrência de circunstâncias no auto de infração ou na fase de preparo que impeçam a perfeita defesa da autuada, impõe a anulação do lançamento efetuado. No presente caso, a falta de ciência dos documentos de fls. 14/2479, impediu conhecimento do contribuinte de como foi formada a base de cálculo utilizada para a autuação. O Conselho de Contribuintes em situações análogas assim procedeu: Apesar de a DRJ ter tratado dessa preliminar, ao final, na prática não a conhece, uma vez que invoca o dispositivo do PAF (o parágrafo 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72) que dispõe que a autoridade julgadora não pronunciará a nulidade ou mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta quando puder decidir o mérito em favor do contribuinte, situação que se afigurou no presente contexto. Dessa feita tal matéria não será aqui analisada, mas tão somente os outros fundamentos para o cancelamento que estão contidos no mérito da questão. MÉRITO 3) Omissão de receitas por “pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração” Conforme consta do TVF: "O contribuinte não escriturou no livro caixa e não incluiu em sua declaração anual simplificada PJS1 2004, referente ao anocalendário 2003, a maior parte das compras efetuadas, conforme cópias de notas fiscais e comprovações de pagamentos apresentados por onze empresas em respostas às intimações emitidas, conforme planilha intitulada "Consolidação das Compras" anexada a este termo. Face ao exposto estamos emitindo autos de infração SIMPLES baseados em pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração e por insuficiência de recolhimentos. " Consta do auto o seguinte enquadramento legal? Art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "a", 5°, 7°, § 1°, 18, da Lei n°9.317/96.; Art. 3° da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. A DRJ, seja no voto vencedor seja na declaração de voto, enfileirou uma série de motivos meritórios para o cancelamento da autuação e conseqüente reversão da exclusão do SIMPLES e insuficiência de recolhimentos, reflexo dessa exclusão. Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 17883.000507/200833 Acórdão n.º 1401001.184 S1C4T1 Fl. 2.642 13 O primeiro desses motivos seria o seguinte: “De início, cabe esclarecer que, se as compras deixaram de ser contabilizadas, os custos destas compras deixaram de ser apropriados, o que compensaria com as supostas receitas omitidas anteriormente, não havendo efeito fiscal. Então, por esta razão, descabe manter a autuação. Ademais, o contribuinte é optante pelo SIMPLES sendo sua tributação decorrente das receitas percebidas. Deste modo o autuante deveria ter comprovado a omissão com base no o art. 40 da Lei n° 9.430/1996, ou mediante prova direta da omissão.” Até concordo com a conclusão desse parágrafo, ou seja que “o autuante deveria ter comprovado a omissão com base no o art. 40 da Lei n° 9.430/1996, ou mediante prova direta da omissão” e não o fez, mas discordo da premissa a partir da qual parte a DRJ para cancelar o lançamento, qual seja, “se as compras deixaram de ser contabilizadas, os custos destas compras deixaram de ser apropriados, o que compensaria com as supostas receitas omitidas anteriormente, não havendo efeito fiscal.”. Ora, é claro que há efeito fiscal, pois o que se espera que as receitas sejam sempre superiores aos custos. Se acaso se comprovasse a omissão de receitas, o que não foi o caso (como se verá adiante), não seria óbice a tributação da mesma, o fato de os custos estarem ou não de fora, mormente quando o regime de tributação é baseado no faturamento e não no lucro real, como é o caso do SIMPLES. O segundo motivo para o cancelamento do auto de infração seria a falta da prova de que todos pagamentos não foram mesmo contabilizados: “No que se refere aos pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração, o autuante deveria ter anexado aos autos a prova de que os pagamentos não foram contabilizados, todavia não o fez. Releva notar que a infração poderia ser caracterizada sem a utilização da presunção por omissão de compras, através da prova direta de que os valores vendidos a maior não tivessem sido contabilizados, mas tal não foi investigado. Cabe ressaltar que o art. 40 da Lei n° 9.430/1996 dispõe que a falta de escrituração de pagamentos efetuados pelo interessado caracteriza omissão de receitas. Então, para caracterizar omissão de receitas, não basta que as compras não estejam contabilizadas, sendo preciso que os pagamentos não estejam contabilizados. Em outras palavras, para que reste caracterizada a omissão de receitas, os pagamentos não devem estar escriturados, independentemente das compras estarem ou não contabilizadas. No caso em concreto, a fiscalização, considerou que a falta de contabilização das compras, por si só, caracterizaria omissão de receitas, não havendo indicação, nos autos, que tenha verificado se os pagamentos estavam ou não contabilizados. Como já foi mencionado anteriormente, a falta de contabilização das compras, por si só, não caracteriza omissão de receita. Segundo o art. 40 da Lei n° 9.430/1996, o que caracteriza omissão de receita é a falta de escrituração do pagamento, o que não consta que tenha sido verificado pela fiscalização. Sendo assim, não cabe presumir que tenha havido omissão de receitas. Vale lembrar que quando o auditorfiscal ao elaborar o auto de infração deveria ter instruído o mesmo com todas as provas indispensáveis à caracterização do ilícito (art. 9o do Decreto n° 70.235/1972). Nesse sentido, a autuação carece de provas, posto não terem sido juntados aos autos os livros fiscais necessários à comprovação da falta de escrituração dos pagamentos.” Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 14 Fazendose um esforço exegético no sentido de entender que a autoridade lançadora quis afirmar que a falta de escrituração dos pagamentos relativos às compras, consubstancia uma presunção legal, que seria a omissão de receita prevista no art. 40 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Esclareçase, digo esforço exegético, pois a autoridade fiscal apenas deixa subentender que se estaria tributando por esse enquadramento legal, pois não explicitouo, nem deixou muito claro na descrição dos fatos, o que já seria outro motivo suficiente para o cancelamento do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, como constou inclusive da declaração de voto. Mas, prossigamos, transcrevase o dispositivo legal em que supostamente estaria lastreado o lançamento – art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita.” (g.n.) Como se verifica, a condição para que se caracterize a omissão de receitas é que tenha havido o pagamento das compras supostamente efetuadas pela empresa. No caso vertente, há inúmeras notas fiscais de vendas emitidas por diversos fornecedores tendo como destinatária a Recorrente, porém o autuante não se preocupou em deixar cabalmente provado que essas supostas compras tenham sido efetivamente pagas pela empresa, quer nos períodos objeto da autuação, quer em quaisquer outros períodos. Tratase de uma presunção legal, na qual a comprovação inequívoca do fato indiciário (o pagamento não escriturado) é fator imprescindível para comprovação do fato presumido (a omissão de receita). No caso concreto, a fiscalização fundamentou o lançamento com base nas compras omitidas pela recorrente. Não houve a comprovação inequívoca do fato indiciário, o pagamento não escriturado, mas apenas uma presunção de sua ocorrência, detonado pela omissão de compras. A omissão de compras, per si, não autoriza a presunção de omissão de receitas, por falta de amparo legal, constituindo apenas indício desta omissão. Não há no Termo de Verificação de Infração a indicação líquida e certa dos pagamentos que não foram escriturados pelo contribuinte. Nesse passo, concluise que a infração de omissão de receitas, caracterizada por pagamentos não escriturados, teve fundamentação fática exclusiva na omissão de compras, devendo ser cancelada diante de sua ilegalidade. Nesse sentido, é Pacífica a jurisprudência administrativa. Outrossim, subsiste ainda mais um outro motivo importante para o cancelamento da autuação e ligado à formação da base de cálculo, dessa feita encontrada na declaração de voto da DRJ. É que a fiscalização ao se basear simplesmente na data da emissão das Notas Fiscais de compras, e consolidálas, não levou em conta as datas de efetivo pagamento, que normalmente foram efetuados em meses posteriores, incorreu em erro de indicação do mês de ocorrência do fato gerador na apuração da base de cálculo. Pelo acima exposto, nego provimento ao recurso de ofício nesse item da autuação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS E EXCLUSÃO DO SIMPLES Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 17883.000507/200833 Acórdão n.º 1401001.184 S1C4T1 Fl. 2.643 15 Como as insuficiências de recolhimento decorrem das omissões apuradas que resultaram por sua vez na mudança de faixas de percentual a serem aplicados sobre as receitas declaradas (o artigo 188 do R1R/2.009), e como a infração de omissão de receitas não restou comprovada, também não pode prosperar este item da autuação, bem assim a exclusão do simples que são desdobramentos lógicos meramente reflexos daquela constatação de omissão de receitas. Por todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 19515.000733/2003-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/1999, 30/04/1999, 30/06/1999, 31/12/1999
AUTO DE INFRAÇÃO. REFIS.
Comprovado que todos os valores lançados foram objeto de regular parcelamento (Refis e PAES), despisciendo o lançamento.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-002.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Valmar Fonseca de Menezes; e II) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento. Fez sustentação oral o Dr. André Ricardo Lemos da Silva, OAB/SP nº 156.817, advogado do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto)
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres: Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Valmar Fonseca de Menezes; e II) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento. Fez sustentação oral o Dr. André Ricardo Lemos da Silva, OAB/SP nº 156.817, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto) (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres: Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMPRESA ELÉTRICA BRAGANTINA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/1999, 30/04/1999, 30/06/1999, 31/12/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. REFIS. Comprovado que todos os valores lançados foram objeto de regular parcelamento (Refis e PAES), despisciendo o lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Valmar Fonseca de Menezes; e II) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento. Fez sustentação oral o Dr. André Ricardo Lemos da Silva, OAB/SP nº 156.817, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto) (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres: Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 33 /2 00 3- 23 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que deu provimento, por unanimidade de votos, ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, para cancelar o lançamento de valores incluídos no Refis. Em seu Recurso Especial a PGFN alega que o lançamento é devido e que não há nenhuma norma que proíbe o lançamento de valores que constam em parcelamento. Também alega que o lançamento é vinculado e regido pelo CTN e que não acarretaria duplicidade de lançamento a presença de dois documentos relativos ao mesmo débito. Em contrarrazões o recorrido alega basicamente que o lançamento não é devido porque os valores ali contidos já foram objeto de parcelamento. Eis a ementa do acórdão recorrido: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/1999, 30/04/1999, 30/06/1999, 31/12/1999 Ementa: LANÇAMENTO. ADESÃO AO PROGRAMA REFIS. Constatado que os valores incluídos no auto de infração foram também objeto de adesão ao Refis em data anterior, correta é a exclusão dos valores, sob pena de duplicidade de cobrança. Recurso provido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Apresente lide trata tão somente da possibilidade de se efetuar o lançamento de valores regularmente parcelados junto à RFB. Incluo nas minhas razões de decidir as mesmas adotadas pela turma a quo, conforme voto transcrito abaixo, já que toda a parte probatória está no acórdão ali proferido. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.000733/200323 Acórdão n.º 9303002.208 CSRFT3 Fl. 403 3 Voto Conselheira NADJA RODRIGUES ROMERO, Relatora 0 recurso é tempestivo e reúne as demais condições de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Na Sessão de Julgamento desta Câmara, realizada em 27 de junho de 2006, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, nos termos da Resolução n2 20201.029, com a finalidade de que fosse esclarecido se os débitos objeto do presente estavam incluídos no Refis, como afirmado pela contribuinte na peça recursal. Em atendimento A diligência, a Unidade local da Secretaria da Receita Federal juntou os documentos de fls. 253/267, em seguida o Chefe da Diort/Derat/Sdo Paulo – SP expediu o Despacho de fls. 268/269, no qual informa que os valores relativos A Cofins, incluídos no procedimento, estão parcelados no Refis. Complementa a informação de que a empresa desistiu do Refis e consolidou os seus débitos no Parcelamento Excepcional — Paex. A Resolução de nº 20201.029, quando converteu o julgamento em diligência, já fez a apreciação das condições de admissibilidade do recurso voluntário em exame. A diligência foi no sentido de que a Unidade local da Secretaria da Receita Federal em Sao Paulo SP confirmasse ou não a informação prestada pela contribuinte no recurso interposto de que os valores constantes dos presentes autos teriam sido objeto de Parcelamento Especial. Em atendimento A diligência, o Chefe da Diort/Derat/Sdo Paulo SP expediu o Despacho de fls. 268/269, no qual informa que os valores relativos A Cofins, incluídos no procedimento fiscal constante do presente processo, foram objeto de parcelamento no Refis. Sendo que depois a empresa desistiu do Refis e consolidou os seus débitos no Parcelamento Excepcional — Paex. Diante do exposto, como o crédito tributário lançado nos presentes autos havia sido incluído no âmbito do Refis, deve ser o mesmo cancelado, pois a sua manutenção poderá acarretar a duplicidade de cobrança do tributo. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Assim, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Sala das Sessões, em 20 de setembro de 2007. O colegiado a quo, deu provimento, por unanimidade de votos, ao Recurso voluntário e considerou indevida a lavratura de auto de infração de valores comprovadamente incluídos em parcelamento. A turma, inclusive, fez uma solicitação, via resolução, junto à RFB, para que fosse comprovado se tais valores estavam incluídos em parcelamento. A resposta foi que exatamente os valores lançados eram objeto de parcelamento, em outro processo administrativo. Assim, a turma decidiu ser incabível o lançamento. A PGFN alega que nãoexiste norma proibindo o lançamente, até mesmo porque existe o CTN que obriga a autoridade fiscal a esse procedimento. Posso até concordar que não existe a proibição para o referido lançamento. Porém qualquer auditorfiscal que trabalha na fiscalização sabe que os levantamento que são feitos junto ao sujeito passivo leva em conta o fato gerador, a base de cálculo e se faz a exclusão dos valores pagos e/ou parcelados. A legislação de todos os parcelamentos, principalmente do Refis, traz garantias mais do que suficientes para a concretização do débito ali constante, seja para a cobrança administrativa seja para a judicial. No ato do parcelamento temse a confissão de dívida de todos os valores ali contidos o que torna os débitos ali constantes até mais garantidos do que se fosse lavrado o auto de infração. O que é desnecessário é o lançamento de débitos que já foram, objeto de parcelamento. Por mais que o art. 142 do CTN se refira ao lançamento como atividade vinculada e que a autoridade não pose se eximir de tal ato, temse que interpretar que a obrigatoriedade somente ocorre se o seu objeto ainda não foi “lançado” por outro modo, como por exemplo o pedido de parcelamento, que já é instrumento hábil a constituição da dívida ativa para posterior execução judicial. Assim, desnecessária a lavratura do auto de infração em epígrafe. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto pela PGFN. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 405DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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