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Numero do processo: 16682.900663/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. São acolhidos sem efeitos infringentes os embargos para esclarecer aspectos que, embora abordados no voto condutor do julgado, demandavam melhor estruturação argumentativa em face das razões dc defesa apresentadas em recurso voluntário.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES. Nos termos da Súmula CARF n° 80, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.
OMISSÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF PLEITEADO COM A APRESENTAÇÃO DO INFORME DE RENDIMENTOS. RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. Para efeito de determinação do saldo negativo dc IRPJ, a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Ademais, a prova hábil da retenção do IRRF é o informe de rendimentos emitido pelas fontes pagadoras.
Numero da decisão: 1302-001.874
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em ACOLHER os Embargos de Declaração e dar-lhes parcial provimento para sanar a Obscuridade e Omissão.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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OBSCURID sem efeitos infringentes os emb embora abordados no voto conduto estruturação argumentativa em fa em recurso voluntário. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONT SALDO NEGATIVO. NECESSIDADE DE OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS CORRESPONDENTES. Nos termos da apuração do IRPJ, a pessoa juríd o valor do imposto de renda reti retenção e o cômputo das receita do imposto. OMISSÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A APRESENTAÇÃO DO INFORME DE RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREIT efeito de determinação do saldo pode deduzir do imposto devido o retido na fonte, incidente sobre do lucro real. Ademais, a prova de rendimentos emitido pelas font Vistos, relatados e discutidos os p Acordam os membros do colegiado, Declaração e dar-lhes parcial provime 1 Fl. 217DF CARF MF Cópia Simples Documento de 10 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14137.QXIP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n' 16682.900663/2011-03 Acórdão n.' 1302-001.874 apontadas, atribuindo-lhes efeitos infr para modificar a decisão original no s voluntário para fins de reconhecimento montante de R$ 32.047,52 (trinta e doi centavos). EDELI PEREIRA BESSA - Presidente. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA- Participaram da sessão de julgament (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Na sessão plenária de 07 de maio Seção de Julgamento deste Conselho julg A decisão foi formalizada no Acórd ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE Exercício: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO N HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDA Com o transcurso do prazo decade constituir o crédito tributário e decadência é uma das modalidades d Não se submetem à homologação táci Renda de Pessoa Jurídica apurados serem regularmente comprovados, qu ou compensação. S1-C3T2 Fl. 217 2 Fl. 218DF CARF MF Cópia Simples Documento de 10 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14137.QXIP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n' 16682.900663/2011-03 Acórdão n.' 1302-001.874 VERIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO D VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO A verificação da base de cálculo fundamentar lançamento de ofício, da análise das declarações de com da certeza e liquidez do crédito, extinção de outros débitos fiscais SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITO RETENÇÃO NA FONTE. A retenção na fonte sobre rendime compensado na declaração da pesso comprovante de retenção emitido e apresentados os comprovantes é pl mediante pesquisa em DIRF. O sald Pessoa Jurídica apurado em Declar retenção na fonte, só pode ser re montante efetivamente confirmado, lhe deram origem foram oferecidas Preliminar de decadência rejeitada Recurso Voluntário negado. Os autos seguiram para a Unidade fls. 171, da qual a contribuinte foi c documento postado em sua caixa postal contribuinte opôs embargos tempestivame razão da negativa de provimento ao rec comprovante de retenção, apesar de o i sido anexado como imagem no recurso vo juntado à defesa. Em despacho exarado às fls.213 do 2ª Turma Ordinária admitiu os Embargos S1-C3T2 Fl. 218 3 Fl. 219DF CARF MF Cópia Simples Documento de 10 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14137.QXIP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n' 16682.900663/2011-03 Acórdão n.' 1302-001.874 fundamento no art. 65, §2', e no art. 4 do CARF, aprovado pela Portaria MF n' 3 Os motivos suscitados para admiss foram os seguintes: A contradição que desafia embargos seus fundamentos. Neste sentido, provimento ao recurso voluntário direito alegado. Todavia, os fato de ponto sobre o qual a Turma dev mencionado informe de rendimentos juntado à fl. 148, sendo certo qu arrolada no despacho decisório de na fonte aproveitada na formação calendário 2005 e não confirmada. A recorrente, por sua vez, alegar informe de rendimentos emitido pe ser penalizada por erro em infor quanto ao código de retenção. O porém, apenas menciona a segunda não as enfrenta diretamente, como condutor do julgado: Quanto à retenção na fonte inform apresentou o comprovante de rendi descumprimento ao exigido pelo art A interessada apresenta trechos d de retenção informados na PER/DC somente faz prova a favor do suj documentos hábeis da efetividade fonte. S1-C3T2 Fl. 219 4 Fl. 220DF CARF MF Cópia Simples Documento de 10 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14137.QXIP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n' 16682.900663/2011-03 Acórdão n.' 1302-001.874 Ora, em regra, o sujeito passivo juntados às declarações entregues prazo previsto em lei para que a que é de cinco anos contados do àquele em que o lançamento já p ocorrência do fato gerador, nos t do Código tributário Nacional. Entretanto, sempre que os documen situações que repercutem em exerc deve ser contado em relação aos situações. É o caso, por exemplo, de saldo negativo de IRPJ ou CSLL devem ser mantidos. Assim, caberia à interessada apre recebidos e de retenção na fonte respectiva para confirmar a deduçã É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCE Os embargos atendem os requisito o despacho exarado às fls.213 dos autos Conforme exposto no exame de ad declaração em referência, ele foi OMI “porque o menciona rendimentos noticiado pela Embargante, fl. 148, sendo certo que a fonte pagad decisório de fl. 9 como origem da única S1-C3T2 Fl. 220 5 Fl. 221DF CARF MF Cópia Simples Documento de 10 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14137.QXIP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n' 16682.900663/2011-03 Acórdão n.' 1302-001.874 saldo negativo de IRPJ do ano-calendári sua vez, alegara que as retenções eram pelo Senado Federal e que não poderia fonte pagadora, inclusive quanto ao có embargado, porém, apenas menciona a seg não as enfrenta diretamente, como se ob julgado.” Como se pode verificar pela le Aclaratórios foram opostos objetivando de rendimento reproduzido à fl. 108 e direto da possibilidade de penalização informações da fonte pagadora, haja vi eram superiores ao informe de rendiment Contudo, cabe frisar, que difere despacho de admissibilidade dos prese referente a suposta penalidade por erro OBSCURIDADE do acórdão embargado, par abordados no voto condutor do julgad argumentativa em face das razões de def Pois bem, quanto à comprovação Embargante eram superiores ao informe d CARF já firmou seu entendimento no sen penalizado pela ausência de entrega do pagadora, sendo possível a comprovação Convém relembrar que a matéria CARF: Súmula CARF nº 80: Na apuração d deduzir do imposto devido o valo desde que comprovada a retençã correspondentes na base de cálcul S1-C3T2 Fl. 221 6 Fl. 222DF CARF MF Cópia Simples Documento de 10 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14137.QXIP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n' 16682.900663/2011-03 Acórdão n.' 1302-001.874 S1-C3T2 Fl. 222 O raciocínio desenvolvido pela E concreto, não há nos autos comprovação planilha anexada às fls. 147 dos autos Senão vejamos: A fim de demonstrar que todo o re (R$ 6.004.155,92) já havia sido ofereci elementos de prova correspondentes, co apenas anexar a ficha 50 da DIPJ, cópia fls.137/146), dos extratos bancários qu recebeu o valor líquido (descontados os pagamento por ela recebido, ou ainda, Pagadora acima aludida. Mas, tais provas não foram coligi ônus da prova em matéria de indébito. integralidade o valor do Imposto de Ren em sua DIPJ para fins de composição do 2005. Superada essa questão, passamos a 7 Fl. 223DF CARF MF Cópia Simples Documento de 10 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14137.QXIP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n' 16682.900663/2011-03 Acórdão n.' 1302-001.874 reproduzido à fl. 108 e juntado à fl.14 Compulsando o comprovante de rete pagadora emitente é a mesma arrolada no única retenção na fonte aproveitada na calendário 2005 e não confirmada. Desta feita, o contribuinte compr União, devendo a retenção na fonte do I de 2005 no montante de R$ 32.047,52 ( cinquenta e dois centavos), conforme pl S1-C3T2 Fl. 223 8 Fl. 224DF CARF MF Cópia Simples Documento de 10 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14137.QXIP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 16682.900663/2011-03 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-001.874 Fl. 224 MÊS DO PAGAMENTO CÓDIGO DE RETENÇÃO VALOR PAGO VALOR TOTAL RETIDO IRPJ‐1,2%/4,8% CSü•1% PIS-0,6% O0F53% TOTAL JANEIRO 6147 523.634,27R$ R$ 30.632,60 6.283,R$ 61 5.236,R$ 34 3.403,R$ 62 15.709,03R$ R$ 30.632,60 DEZEMBRO 6147 R$ 1.074.273,36 R$ 62.844,99 12.891,R$ 28 10.742,R$ 73 6.982,R$ 78 32.228,20R$ R$ 62.844,99 JANEIRO 6190 76.876,53R$ R$ 7.264,83 3.690,R$ 07 76877R$ 499,R$ 70 2.306,30R$ R$ 7.264,83 DEZEMBRO 6190 191.303,17R$ R$ 18.078,14 9.182,R$ 55 1.913,R$ 03 1.243,R$ 47 5.739,10R$ R$ 18.078,15 TOTAL 1.866.087,R$ 33R$ 118.820,56 32.047,R$ 52 18.660,R$ 87 12.129,R$ 57 55.982,62R$ 118.820,R$ 58 Cabe destacar, que os percentuais anexo I da IN SRF 480/2004, com as alte conformidade da tabela abaixo reproduzi ANEXO I – TABELA DE RETENÇÕES NATUREZA DO BEM FORNECIDO OU DO SERVIÇO PRESTADO (01) ALÍQUOTAS PERCENTUAL A SER APLICADO (06) CÓDIGO DA RECEITA (07) IR (02) CSLL (03) COFINS (04) PIS/PASEP (05) · Alimentação; · Energia elétrica; · Serviços prestados com emprego de materiais; · Construção Civil por empreitada com emprego de materiais; · Serviços hospitalares; · Transporte de cargas, exceto os relacionados no código 8767; · Mercadorias e bens em geral. 1,2 1,0 3,0 0,65 5, 6147 · Serviços de abastecimento de água; · Telefone; · Correio e telégrafos; · Vigilância; · Limpeza. · Locação de mão de obra; · Intermediação de negócios; · Administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; · Factoring; · Demais serviços. 4,80 1,0 3,0 0,65 9, 6190 Diante do exposto, voto no senti 9 Fl. 225DF CARF MF Cópia Simples Documento de 10 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14137.QXIP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n' 16682.900663/2011-03 Acórdão n.' 1302-001.874 Declaração e dar-lhes parcial provime apontadas, atribuindo-lhes efeitos infr para modificar a decisão original no s voluntário para fins de reconhecimento montante de R$ 32.047,52 (trinta e doi centavos). É o voto. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOS S1-C3T2 Fl. 225 1 Fl. 226DF CARF MF Cópia Simples Documento de 10 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14137.QXIP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento juntado ao processo por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, servidor habilitado e reconhecido via certificado digital (CÓPIA SIMPLES). Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA em 27/07/2016 14:31:00. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 21/02/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP21.0217.14137.QXIP Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16682.900663/2011-03. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10120.005525/2007-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 55 25 /2 00 7- 11 Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 9202004.796 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 9202004.796 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 9202004.796 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 9202004.796 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 9202004.796 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 9202004.796 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 9202004.796 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 9202004.796 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 9202004.796 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.723725/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Cabível a aplicação de multa de ofício pela omissão de rendimentos na declaração anual de ajuste retificadora apresentada pelo contribuinte. Assim, o valor pago não é suficiente para quitar a totalidade do valor do tributo e da multa de ofício, devendo ser mantido o lançamento.
Numero da decisão: 2402-005.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
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DECLARAÇÃO OMISSA. MULTA. Recorrente WALTER ROLLIN PINHEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Cabível a aplicação de multa de ofício pela omissão de rendimentos na declaração anual de ajuste retificadora apresentada pelo contribuinte. Assim, o valor pago não é suficiente para quitar a totalidade do valor do tributo e da multa de ofício, devendo ser mantido o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 37 25 /2 01 2- 41 Fl. 66DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 12448.723725/201241 Acórdão n.º 2402005.769 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, transcrevemos o relatório da decisão recorrida (fls. 35/39), por bem representar os fatos ocorridos até aquele momento: Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.04/07, relativa ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2010, para cobrança do crédito tributário de R$ 8.279,17. O lançamento é decorrente da seguinte infração: * omissão de rendimentos do trabalho recebidos do Comando do Exército , no valor de R$ 150.965,94. O enquadramento legal encontrase às fls. 05 e 07. Inconformado, o próprio interessado ingressou com a impugnação de fl.02, argumentando que os rendimentos ora considerados omissos foram tributados e pagos em 08/04/2011,por meio de Darf, o valor de R$ 4888,06, quando da entrega de sua declaração de ajuste original. Acrescenta que apresentou declaração de ajuste retificadora porque , de acordo com laudo médico acostado ao presente é portador de degeneração macular cegueira desde maio de 2007. Em conseqüência, após perícia médica foi considerado isento. Para corroborar seus argumentos, relaciona os documentos acostados junto com a peça defensória. Por fim, solicita prioridade na análise de seu pleito, tendo em vista o Estatuto do Idoso. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, que manteve integralmente o crédito tributário lançado, tendo a ementa do acórdão sido proclamada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS.MOLÉSTIA GRAVE. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. DECLARAÇÃO DE AJUSTE RETIFICADORA. Fl. 68DF CARF MF 4 A declaração de ajuste retificadora entregue espontaneamente tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, substituindoa integralmente, conforme preconiza o inciso I do artigo 54 da IN SRF nº 15/2001. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do lançamento em 21/08/2014 (fl. 46), o sujeito passivo apresentou petição (fls. 49/50), em 17/09/2014, na qual concorda com o acórdão da DRJ na parte que conclui o contribuinte não tem direito à isenção. Porém, não concorda com a parte que determinou a confirmação do recolhimento, por estar divergente do comprovante original pago. Junta documento de identificação (fl. 51) e cópias DARF (fls. 52/53). Em despacho de fl. 54, o Centro de Atendimento ao Contribuinte (CAC) explica que, embora o contribuinte entenda que pagou todo o valor principal no prazo de vencimento, o sistema SIEF imputou proporcionalmente o pagamento realizado, pois a notificação de lançamento gerou multa de ofício. Inconformado, o contribuinte ingressou com nova petição (fls. 57/58), em 18/09/2014, aduzindo que o valor foi pago na declaração original, dentro dos prazos previstos, já registrada e reconhecida pela Receita Federal. Entende que não deve haver a cobrança de multa, uma vez que a malha fiscal revisou toda a declaração, voltando todos os dados e informações à original, entregue dentro do prazo previsto, no valor de R$ 4.488,06. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.723725/201241 Acórdão n.º 2402005.769 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Recebemos a petição (fls. 49/50) como recurso voluntário. Tendo sido apresentada no trintídio assinalado para a manifestação do sujeito passivo, constatase a sua tempestividade. Presentes os demais requisitos, o recurso deve ser conhecido. O sujeito passivo foi notificado da omissão de rendimentos no valor de R$ 150.695,94 na sua declaração de ajuste anual (DAA), anocalendário 2010, entregue em 12/11/2011 (fls. 22/27). Os rendimentos foram recebidos da fonte pagadora Comando do Exército, CNPJ 00.394.452/053304 (fls. 10/11). Na notificação de lançamento (fls. 3/8) exige se: Imposto de renda pessoa física suplementar R$ 4.488,09 Multa de ofício (passível de redução) R$ 3.366,06 Juros de mora (calculados até 29/02/2012) R$ 425,02 O contribuinte impugnou o lançamento alegando que referidos rendimentos seriam isentos. A DRJ manteve o lançamento, por entender que não havia fundamento legal para a isenção dos referidos rendimentos. Na peça recursal, o sujeito passivo aduziu que não havia sido considerado, no lançamento, um recolhimento no valor de R$ 4.488,09, conforme DARF que anexa (fl 52). Do exame dos documentos constantes dos autos, observase que o sujeito passivo apresentou declaração retificadora do exercício 2011 (fls. 22/27) excluindo parte dos rendimentos tributáveis anteriormente oferecidos à tributação, alterando, deste modo, o resultado constante de declaração originalmente entregue ao Fisco (fls. 14/19). No entanto, aduz no recurso que recolhera o saldo de imposto a pagar apurado por ocasião da apresentação da declaração original, que representa o valor do imposto suplementar que lhe está sendo exigido no lançamento em discussão. Em despacho, o órgão preparador informou (fl. 54) que o valor recolhido foi imputado proporcionalmente, já que no lançamento havia multa de ofício. De se esclarecer que, mesmo considerando o recolhimento, persiste a omissão de rendimentos na DAA apresentada pelo sujeito passivo em 12/11/2011, fato que impõe exigência da multa de ofício, pela declaração inexata dos rendimentos, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei no 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 70DF CARF MF 6 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Nesses termos, cabível o lançamento da multa de ofício, conforme exigida na notificação de lançamento. Assim, mesmo com a apropriação do recolhimento de R$ 4.488,09, resta saldo de imposto de renda e multa de ofício devidos, pelo que é improcedente a argumentação do sujeito passivo na matéria. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.007099/2001-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ILL. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSTO SOBRE LUCRO LÍQUIDO. FATO GERADOR DO IMPOSTO. DISPONIBILIDADE DOS LUCROS.
Nos pedidos de restituição de tributos sujeitos a homologação anteriores ao advento da Lei Complementar n. 118/2005, o prazo é de 5 (cinco) anos, nos termos do art. 150 do CTN, acrescidos ao prazo de mais 5 anos, contados da homologação do lançamento.Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
Numero da decisão: 1302-002.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a ocorrência de prescrição do prazo para solicitar a restituição do crédito pleiteado e determinar o retorno à DRJ-Brasília para continuar o exame de mérito do crédito alegado.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ILL. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSTO SOBRE LUCRO LÍQUIDO. FATO GERADOR DO IMPOSTO. DISPONIBILIDADE DOS LUCROS. Nos pedidos de restituição de tributos sujeitos a homologação anteriores ao advento da Lei Complementar n. 118/2005, o prazo é de 5 (cinco) anos, nos termos do art. 150 do CTN, acrescidos ao prazo de mais 5 anos, contados da homologação do lançamento.Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ILL. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSTO SOBRE LUCRO LÍQUIDO. FATO GERADOR DO IMPOSTO. DISPONIBILIDADE DOS LUCROS. Nos pedidos de restituição de tributos sujeitos a homologação anteriores ao advento da Lei Complementar n. 118/2005, o prazo é de 5 (cinco) anos, nos termos do art. 150 do CTN, acrescidos ao prazo de mais 5 anos, contados da homologação do lançamento.Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a ocorrência de prescrição do prazo para solicitar a restituição do crédito pleiteado e determinar o retorno à DRJBrasília para continuar o exame de mérito do crédito alegado. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 70 99 /2 00 1- 21 Fl. 401DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte face ao Acórdão nº 03051.483 da 4ª Turma da DRJ de Brasília, cuja ementa assim dispõe: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1990, 1991, 1992 e 1993 DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA. Extinguese em cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, o direito de pleitear a restituição. RESTITUIÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO DE ILL IMPOSSIBILIDADE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IMPOSTO. Comprovado no contrato social da manifestante a distribuição aos sócios dos lucros apurados em 31 de dezembro de cada ano, evidenciando a ocorrência do fato gerador do imposto fixado no art. 43 do CTN, é de se indeferir o pedido de restituição de suposto crédito relativo a recolhimento indevido de ILL. COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade é norma prevista no artigo 151, III, do Código Tributário Nacional. Daí, com a apresentação da manifestação de inconformidade, a suspensão da exigência de créditos tributários é automática, até a decisão final da controvérsia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 18/06/2001, a recorrente ingressou com processo de pedido de restituição (fls. 5/10) na qual sustentou seu direito de restituição de pagamento indevido a título do Imposto sobre o Lucro Líquido – ILL. Pontuase: Afirma que o requerente é contribuinte do Imposto sobre o Lucro Líquido – ILL, efetuando recolhimento conforme dispõe a Lei 7.713/88. Ocorre que, o art. 35 do referido diploma legal fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, e em consequência, o Senado Federal suspendeu seus efeitos através da Resolução nº 86/1996; Defende que, a declaração de inconstitucionalidade, na via indireta, não anula nem revoga a lei, nesse meiotempo, teoricamente, a lei continuaria em vigor, eficaz e aplicável até que o Senado Federal suspenda sua executoriedade. Desta forma opera com efeitos “ex tunc”; Considerando a suspensão do artigo 35 da Lei n. 7.713/88, com eficácia “erga omnes” e efeitos “ex tunc”, o Requerente recalculou os valores devidos pelos períodos de 1989 a 1992; Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10166.007099/200121 Acórdão n.º 1302002.020 S1C3T2 Fl. 3 3 Entende que o prazo de prescrição para repetição do indébito tributário começa a fluir a partir da data da Resolução do Senado Federal; e que, o prazo decadencial, estabelecido pelo art. 168, inciso I do CTN seria de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário; Ademais, ressalta que a extinção definitiva do crédito tributário somente ocorre após a Resolução do Senado Federal, e, somente a partir desse momento é que começa a correr prazo previsto no CTN (art. 168); Menciona entendimento da COSIT através do Parecer 058/98, consoante ao aduzido pela requerente, no sentido de contarse o prazo de 5 anos dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade para aquele contribuinte que participou da ação, ou da Resolução do Senado Federal para os demais, não se tratando de ADIN; Colaciona julgados do Conselho de Contribuintes para reforçar o entendimento de que o prazo decadencial prescricional contase a partir da Resolução do Senado Federal. Motivo que enseja o recálculo dos valores devidos a título de pagamento do Imposto sobre o Lucro Líquido – ILL, compreendido entre o período de 1989 a 1992; No que tange a correção monetária e expurgos inflacionários, afirma serem cabíveis nos termos da Súmula nº 162 do STF; Por fim, requer a procedência do pedido de restituição. O Despacho Decisório/DRF/BSB/DIORT (fls. 226) indeferiu o Pedido de Restituição (fls. 1/18), julgou improcedentes os Pedidos de Compensação, Homologou por disposição legal os Pedidos de Compensação, convertidos em Declaração de Compensação de fls. 20, 28, 32, 53 e 59, a Declaração de Compensação de fls. 43, e as Declarações de Compensação Eletrônicas de nº 17828.71411.081105.1.7.049720, 15207.62449.181105.1.3.040142, 28173.33147.071205.1.3.041400 e 01816.12201.020106.1.3.040171, e, decidiu não homologar as Declarações de Compensação Eletrônicas de nº 30660.56140.240107.1.7.047231, 06538.73965.240107.1.7.042037, 27133.89361.240107.1.7.046601 3 08394.30662.240107.1.7.0149010. Nesse sentido, transcrevese as razões: Preliminarmente, enfatizou o direito de a contribuinte pedir a restituição e efetuar a compensação, previsto nos arts. 165 e 170 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que faculta ao sujeito passivo o direito de utilizar o credito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB na compensação de débitos próprios; Menciona que a Instrução Normativa SRF nº 63, de 24 de julho de 1997 dispõe que fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, aplicandose às demais sociedades nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do período base de apuração, não previa a disponibilidade econômica ou jurídica imediata ao sócio cotista do lucro liquido; Aponta que, o sujeito passivo protocolou em 29/05/2001 o pedido de restituição de supostos pagamentos indevidos referentes ao imposto de renda na fonte incidente sobre o lucro líquido, efetuados nos anoscalendários de 1990 a 1993, Entretanto, o Ato Declaratório SRF nº 096/1999 determina que o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, ou seja, da data do pagamento; Adentra no mérito do pedido, ressaltando que a exigência do imposto fica adstrita à análise do contrato social da empresa vigente na data do encerramento do período de apuração a que se refere o pagamento realizado. Desta forma, concluiuse que o contrato social da empresa vigente em 31/12/1989, 31/12/1990, 31/12/1991 e 31/12/1992 previa a imediata disponibilidade jurídica, pelos sócios cotistas, do lucro apurado em 31 de dezembro de cada Fl. 403DF CARF MF 4 ano, evidenciando a ocorrência do fato gerador do imposto fixado no art. 43 do CTN. Fato motivador do indeferimento do pedido de restituição; Quanto aos pedidos de compensação, a Lei n. 10.637/2002, art. 49, alterou o art. 74 da Lei n 9.430/1996, prevendo a conversão dos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em declaração de compensação, desde o seu protocolo, sendo os débitos neles declarados extintos sob condição resolutória de sua posterior homologação; Desta forma, em 01/10/2002, data em que o art. 49 da Lei n. 10.637/2002 passou a produzir efeitos, os pedidos de compensação de fls. 20, 24, 28, 32, 36, 39, 53 e 59 encontravamse pendentes de decisão administrativa. Assim, destes, os pedidos de fls. 20, 28, 32, 36, 53 e 59 forma convertidos em DCOMP, homologadas por transcurso do prazo de 5 anos que a fazenda possui para apreciação das mesmas, contado da entrega da declaração de compensação, que, no caso, corresponde à data do protocolo dos respectivos pedidos de compensação, ao longo dos anos de 2001 e 2002; Já os pedidos de compensação de fls. 24 e 39 foram protocolados pela empresa Administradora Brasal LTDA, e não pela Brasal Caminhões LTDA, solicitando compensação de débitos da Administradora com suposto crédito solicitado pela Brasal Caminhões no pedido de restituição, ou seja, com crédito de terceiro. Ocorre que, o art. 74 da Lei n.9.430/1996, ao instituir a declaração de compensação, expressamente previu que a mesma só poderia ser prestada pelo próprio detentor do crédito contra o Fisco, ou seja, para que a declaração de compensação extinga o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, mister se faz que o contribuinte utilizese de créditos próprios. Logo, se não existe declaração de compensação com crédito de terceiros, por óbvio, os pedidos de compensação com crédito que não pertençam ao próprio contribuinte, mesmo que pendentes de análise por parte da RFB, não podem trasmudarse naquela. E, portanto, concluiuse que os pedidos de compensação de fls. 24 e 39 não foram convertidos em DCOMP e não se sujeitam ao disposto no art. 74 da Lei n. 9.430/1996. Com isso, estes pedidos não são atingidos pela homologação por disposição legal e não constituem confissão de dívida; Os débitos informados no pedido de compensação de fls. 39 já se encontravam extintos, por compensação no processo de nº 10166.007097/200131, conforme evidenciado às fls. 215 e 216. Já os débitos informados no pedido de compensação de fl. 24 foram declarados em DCTF (fls. 217 e 219), porém já foram atingidos pela prescrição. Logo, concluiuse que, apesar de os pedidos serem improcedentes, não caberia cobrança dos débitos neles informados; Quanto ao pedido de compensação de fls. 43, tratase, na realidade, de uma declaração de compensação, visto que foi protocolado em 14/11/2002, ou seja, após 01/10/2002 (data em que o art.49 da Lei n. 10.637/2002 passou a produzir efeitos). Considerando que não existia à época previsão de não declaração de DCOMP em que o crédito seja de terceiros, concluiuse que a DCOMP de fls. 43 foi homologada por disposição legal; Por fim, da análise das DCOMP eletrônicas de fls. 126 a 214, o pedido de restituição tendo sido indeferido, as referidas DCOMP devem ser consideradas não homologadas por inexistência de crédito; Porém, por força do § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996, as DCOMP de nº 17828.71411.081105.1.7.049720, 15207.62449.181105.1.3.040142, 28173.33147.071205.1.3.041400 e 01816.12201.020206.1.3.040171, transmitidas respectivamente em 08/11/2005, 18/11/2005, 07/12/2005 e 02/02/2006, foram homologadas por transcurso do prazo de 5 anos que a fazenda possui para apreciação das mesmas, contado da entrega da declaração de compensação; Irresignada com o teor do decisório que concluiu pela inexistência do crédito correspondente ao ILL e pela homologação parcial dos créditos levados a compensação, a recorrente apresentou em 18/01/2012 sua Manifestação de Inconformidade (fls. 244/258) nos seguintes termos: Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10166.007099/200121 Acórdão n.º 1302002.020 S1C3T2 Fl. 4 5 Na identificação da autoria da manifestação, informa que a BRASAL CAMINHÕES LTDA fora incorporada pela empresa POSTO BRASAL LTDA. (atualmente denominada BRASAL COMBUSTÍVEIS LTDA.); Trata o presente processo de Pedido de Restituição interposto pela recorrente para o fim de compensar as parcelas indevidamente pagas a título de Imposto de Renda retido na fonte sobre o lucro líquido ILL, instituído pela Lei n° 7.713/88 em relação aos fatos geradores ocorridos nos exercícios de 1989 a 1992. No concernente a incorrência da decadência e prescrição, alega que já se tem entendimento pacificado tanto na esfera administrativa, como na judicial, sendo o termo inicial da sua contagem a Resolução do Senado Federal ou ato administrativo que suspender a cobrança, quando houver; Menciona que o Parecer da COSIT 58/98, consolidou entendimento ao definir que o praz o de 5 anos se faria dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade para aquele contribuinte que participou da ação ou da Resolução do Senado Federal para os demais, ou ainda, a partir da declaração de inconstitucionalidade, desde que pelo controle direto (ADIN); Portanto, adicionada a data em que ocorreu a publicação da Resolução do Senado, o prazo de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168 do CTN, teria como termo final para os pleitos de restituição data de 19/11/2001. Ocorre que o pedido de restituição foi protocolizado em 18/06/2001, portanto dentro do lapso prescricional/decadencial de 5 anos. Informa que, a recorrente optou por aguardar a definição pelo STF, para somente depois, sendo o caso, no prazo hábil, pedir a restituição, até que houvesse a definição pelo Poder Judiciário; Transcreve decisões judiciais que reforçam o entendimento defendido, bem como julgados do Conselho de Contribuintes; Aduz pela impossibilidade de se falar em distribuição dos lucros nos períodos pleiteados no Pedido de Restituição, uma vez demonstrado que não houve tal distribuição; Das compensações formalizadas pelo contribuinteRECORRENTE as fls. 20; 24; 28; 32; 36; 43; 53; 59 e as PER/DCOMPs transmitidas sob Ns° 17828.71411.081105.1.7.049720; 15270.62449.181105.1.3.040142; 281736.33147.071205.1.3.041400 e 01816.12201.020206.1.3.0171, porque protocoladas ou enviadas antes de dezembro de 2006 foram consideradas HOMOLOGADAS com base no disposto no § 5o, do artigo 74, da Lei 9.430/96. Contudo, e em decorrência da conclusão contida no despacho recorrido, relacionada a ausência de crédito a restituir, não foram homologadas as compensações formalizadas por meio das PER/DCOMPs N°s 30660.56140.240107.1.7.047231; 06538.73965.240107.1.7.042037; 27133.89361.240107.1.7.046601 e 08396.30662.240107.1.7.049010. Desta forma, entende que, superada a questão relacionada ao reconhecimento do direito de crédito da RECORRENTE decorre o seu direito a compensação, já que formalizada, à época, de conformidade com a legislação vigente, qual seja, art. 74 da Lei n. 9.430/1996; Assim, as compensações efetuadas obedeceram às legislações reguladoras do procedimento administrativo fiscal à época dos fatos, inclusive, aquelas editadas pela própria SRF, especialmente a IN nº 210/2012; No que tange a correção monetária entende que, os valores a serem restituídos à RECORRENTE deveriam ser atualizados monetariamente, já que, na medida em que foi recolhido aos cofres públicos um valor que não era devido, imperioso que a restituição desse montante se dê com a incidência da atualização monetária correspondente, sob pena de incorrer a Administração em locupletamento ilícito, ofendendo ao princípio da moralidade administrativa (art. 37 da CF) e ao princípio da supremacia do interesse público; Fl. 405DF CARF MF 6 Ao final, aduziu que resta claro o direito da recorrente e, por consequência, de sua incorporadora de ver reconhecido a integralidade do seu crédito acrescido de correção monetária e expurgos inflacionários, a contar de 1992 e a taxa SELIC a contar de 1996; Requereu o acolhimento da Manifestação de inconformidade, o integral acolhimento do Pedido de Restituição, que tramita sob o n° 10166.007099/200121 a fim de possibilitar ao final o reconhecimento do seu direito de repetir a integralidade dos valores pagos indevidamente a título de ILL corrigido monetariamente por índices que reflitam a real variação inflacionária do período, e ainda; a homologação na integralidade todas as Declarações de Compensações e DCOMPs efetivadas pela RECORRENTE ou por sua empresa incorporadora, no curso do presente processo administrativo e que se valeram dos créditos constantes do referido Pedido de Restituição, a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados com os créditos oriundos deste processo enquanto pendente de julgamento a presente manifestação, e, por fim, que sejam obstados eventuais atos de cobrança ou atos constritivos de direito, inclusive inscrição em Dívida Ativa e expedição de Certidão Conjunta Negativa de Débito relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União. Acordaram os julgadores da 4ª Turma da DRJ/BSB, em 28 de março de 2013º, Acórdão nº 03051.483 (fls.314/320), pelo indeferimento do pedido da recorrente, nos seguintes termos: O direito de pleitear a restituição, nos termos do art. 168I do CTN, extinguese em cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Em 2005 teve vigência a Lei Complementar 118 que determinou, para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1° do art. 150 da referida Lei 5.172/1996 CTN. Por isso, mantemse o decidido no Despacho Decisório, por força do art. 168 do CTN, inciso I e artigos 3° e 4° da Lei Complementar 118/2005; RESTITUIÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO DE ILL IMPOSSIBILIDADE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IMPOSTO. Outra razão que resultou em indeferimento do pedido de restituição do crédito reclamado, em consequência, a não homologação das declarações de compensação, se deve ao fato de constar no contrato social da empresa vigente em 31/12/1989, 31/12/1990, 31/12/1991 e 1º/12/1992 cláusula que previa a imediata disponibilidade jurídica, pelos sócios cotista do lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano, evidenciando a ocorrência do fato gerador do imposto fixado no art. 43 do CTN. Temse que, acertadamente, conclui a autoridade administrativa: “nesse sentido, descabe no presente caso a aplicação do parágrafo único do art. 1° da IN SRF n° 63/1997, restando devido o crédito tributário correspondente ao ILL com fundamento no art. 35 da Lei n° 7.713/1998.” Na manifestação de inconformidade a reclamante aduz que não houve distribuição imediata aos sócios cotistas, do lucro líquido apurado, como reza a IN SRF n° 63, de 1997, mas apenas uma previsão na forma ali determinada, previsão esta contrária à disponibilidade imediata prevista na IN n° 63, de 1997. Assim, em se tratando de uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada, fazse necessário analisar o que teria sido decidido pelo Supremo Tribunal Federal como sendo disponibilidade econômica dos sócios, nas sociedades de quotas por responsabilidade limitada; Logo, dentre as três categorias de sujeito passivo apontadas no dispositivo legal, o pleno do STF, no julgamento do aludido RE 172.058/SC, reconheceu a inconstitucionalidade da expressão o acionista, a constitucionalidade da expressão titular de empresa individual e quanto ao sócio quotista, que interessa no presente processo, declarou a constitucionalidade, em interpretação conforme a Constituição, quando o contrato social prevê a disponibilidade econômica ou jurídica imediata, pelo sócio, do lucro líquido apurado ao final do período base; Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10166.007099/200121 Acórdão n.º 1302002.020 S1C3T2 Fl. 5 7 Decorrente desta decisão do STF, o Senado Federal suspendeu a execução do art. 35, da Lei 7.713, de 1988, ao editar a Resolução n° 82, de 18/11/1996, apenas no que diz respeito à expressão o acionista, pois, no tocante ao sócio quotista, a interpretação dada conforme a Constituição, sem redução de texto, efetivada pelo STF, leva a análise para o caso concreto, observandose a especificidade do contrato social de cada sociedade; Visando dar efetividade a tais comandos, tendo como suporte de validade o Decreto 2.194, de 07/04/1997, que se fundava no art. 77 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, o Secretário da Receita Federal editou a IN SRF n° 63, de 24/07/1997, com a finalidade de evitar litígios em processos administrativos e judiciais, sobre as matérias tidas por inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal; Assim, a IN SRF n° 63/97 não pode ser interpretada de forma a que reste ampliada a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF. Nesse sentir, o alcance da norma legal contida no parágrafo único do art. 1° da IN SRF 63/97 que veda a constituição de crédito tributário relativo ao ILL, quando o contrato social não previa a sua disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio deve ser buscado na própria jurisprudência do STF, a qual, desde a apreciação do RE 172.058/SC, é uníssona acerca de tal ponto; Ressaltou que, naquele julgamento o Relator, Ministro Marco Aurélio de deixou expresso que somente seria inconstitucional a exigência do tributo quando o Contrato social fosse omisso sobre a distribuição dos lucros, pois no caso aplicarseia o Código Comercial, e por decorrência a solução adotada para a expressão os acionistas, ou quando o contrato preveja, independentemente da manifestação dos sócios, destinação dos lucros outra que não a sua distribuição; Reforçou interpretação do Ministro Celso de Mello, seguindo precedente do Tribunal, quanto ao conceito de disponibilidade jurídica imediata dos rendimentos dos sócios quotistas, disposto no seu voto, no RE 198.1431, julgado em 25/03/97; Sintetizou que a jurisprudência do STF, sobre o tema, é firme no sentido de que somente será inconstitucional a exigência do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido quando o contrato social for omisso sobre a distribuição dos lucros, pois no caso aplicarseá o Código Comercial, e por decorrência a solução adotada para a expressão os acionistas, ou quando o contrato preveja, destinação dos lucros, independentemente da manifestação dos sócios, outra que não a sua distribuição; Contudo, afirmou que, quando o contrato social prevê que a destinação do lucro líquido, depende de disposição dos sócios a respeito, se configurase ou não a disponibilidade jurídica dos rendimentos, como bem apontou o Ministro Celso de Mello. Sendo este o caso da recorrente, conforme cláusulas do seu contrato social em vigor à época; E, nesse sentido é que se deve interpretar o disposto no parágrafo único do art. 1° da IN SRF 63/97, haja vista que essa instrução normativa, como dito alhures, apenas veio dar maior eficácia à decisão do STF, prevenindo litígios, ou seja, não pretendeu, em nenhum momento, dispor contra a decisão da Corte Suprema; Logo, sendo constitucional a exigência do ILL devido pela sociedade por quotas de responsabilidade limitada, tornase indevido, também por esse motivo, o pedido de restituição do recolhimento, em virtude da ausência de indébito, pois se houve a incidência e recolhimento de ILL, à alíquota de 8% (oito por cento), calculado com base no lucro liquido apurado no encerramento do períodobase, em princípio, é porque houve distribuição de lucro; COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. No que tange a compensação de créditos tributários, o art. 170 do CTN somente poderá autorizar com crédito liquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. Desse Fl. 407DF CARF MF 8 modo, como bem sustenta a autoridade fiscal, no despacho decisório questionado, as compensações de créditos tributários realizadas nos pedidos de compensação, considerados declarações de compensação, por força do § 4° do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, não devem ser homologadas, por inexistência do crédito, pleiteado; Com efeito, como a atividade fiscal é vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional, deve autoridade fiscal competente ou o julgador administrativo cumprir rigorosamente o que tiver sido determinado nos atos legais e normativos vigentes, não lhe sendo permitindo a utilização de discricionariedade; CONSIDERAÇÃO FINAL SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Por fim, em relação à suspensão da exigibilidade, é norma prevista no artigo 151, III, do Código Tributário Nacional. Assim, a contribuinte ao apresentar a manifestação de inconformidade, a suspensão da exigência de créditos tributários é automática, até a decisão final da controvérsia. Demais disso, não consta nos autos existência de ato administrativo que lhe tenha negado vigência, logo, o pedido perdeu o objeto; Finaliza o voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade formulada, para manter o Despacho Decisório que indeferiu o Pedido de Restituição e não homologou as Declarações de Compensação de final 7231, 2037, 6601 e 9010 (fl. 235). O recebimento do AR está datado de 31.10.2013 (fl. 324/325). Todavia, o recurso voluntário (Fls. 326/347) apresenta duas datas de recebimento, o PROTOCOLO/SAMF/SPOA/SE/MF em 29/11/2013, e o recebimento pela AFRFB, Maria Carmem de Castro, Chefe DIORT/DRF/Brasília em 02/12/2013. Das razões do recurso voluntário, a recorrente trouxe, basicamente, os mesmos argumentos elucidados na Manifestação de Inconformidade, com acréscimos de alguns pontos os quais transcrevese a seguir: Na identificação da autoria da manifestação, informa que a BRASAL CAMINHÕES LTDA fora incorporada pela empresa POSTO BRASAL LTDA. (atualmente denominada BRASAL COMBUSTÍVEIS LTDA.); Trata o presente processo de Pedido de Restituição interposto pela RECORRENTE para o fim de compensar as parcelas indevidamente pagas a título de Imposto de Renda retido na fonte sobre o lucro líquido ILL, instituído pela Lei n° 7.713/88 em relação aos fatos geradores ocorridos nos exercícios de 1989 a 1992. No concernente a inocorrência da decadência e prescrição, alega que já se tem entendimento pacificado tanto na esfera administrativa, como na judicial, sendo o termo inicial da sua contagem a Resolução do Senado Federal ou ato administrativo que suspender a cobrança, quando houver; Menciona que o Parecer da COSIT 58/98, consolidou entendimento ao definir que o praz o de 5 anos se faria dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade para aquele contribuinte que participou da ação ou da Resolução do Senado Federal para os demais, ou ainda, a partir da declaração de inconstitucionalidade, desde que pelo controle direto (ADIN); Portanto, adicionada a data em que ocorreu a publicação da Resolução do Senado, o prazo de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168 do CTN, teria como termo final para os pleitos de restituição data de 19/11/2001. Ocorre que o pedido de restituição foi protocolizado em 18/06/2001, portanto dentro do lapso prescricional/decadencial de 5 anos. Informa que, a recorrente optou por aguardar a definição pelo STF, para somente depois, sendo o caso, no prazo hábil, pedir a restituição, até que houvesse a definição pelo Poder Judiciário; Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10166.007099/200121 Acórdão n.º 1302002.020 S1C3T2 Fl. 6 9 Transcreve decisões judiciais que reforçam o entendimento defendido, bem como julgados do Conselho de Contribuintes; Aduz que, apesar da RECORRENTE, apresentar em seus argumentos, nova motivação para inibir direito de restituição do contribuinte, qual seja a _ei Complementar n° 118, claro está que tal pretensão não pode atingir as demandas distribuídas antes da vigência da referida norma, haja vista a expressa previsão contida no seu artigo 4º que determina que ela deve vigorar somente a partir de 9 de junho de 2005, ou seja, 120 dias após sua publicação; Logo, a pretendida imposição da Lei Complementar, no caso em tela, que foi formalizado em Junho de 2001. é visivelmente inconstitucional. Isto porque, a RECORRENTE aproveitase de uma "interpretação" maliciosa da lei para tentar afastar um direito já constituído em favor da RECORRENTE; Salienta que, mesmo que seja definida, por imposição do art. 3º da nova LC n° 118, que o prazo para pleitear a reposição dos valores é de cinco anos contados a partir do pagamento indevido, tal alteração é capaz de produzir efeitos "ex nunc" e não "ex tunc" como quer o art. 4º da referida lei, que, de maneira flagrantemente inconstitucional, procura atribuir efeitos meramente interpretativos à referida norma. Pontua que, indeferimento do Pedido de Restituição formalizado pelo contribuinte, ora RECORRENTE, se baseou também no equivocado entendimento da autoridade recorrida no que tange a forma de distribuição dos lucros apurados no exercício. Segundo o despacho recorrido o contrato social da RECORRENTE estaria em desacordo com o parágrafo único, do art.l0 da IN/SRF 63, de 24/07/97; Entretanto, na leitura do contrato social e suas alterações posteriores, não havia qualquer menção da disponibilidade imediata do lucro líquido apurado e distribuído aos sócios, mas sim apenas uma previsão de que os lucros e prejuízos poderiam ser distribuídos na forma ali determinada, previsão esta contrária a disponibilidade imediata prevista na Instrução Normativa n° 63, de 24 de julho de 1997; Todavia, a principal questão desse tema não deve prenderse ao fato de haver ou não menção da disponibilidade do lucro líquido apurado e distribuído aos sócios, mas sim se houve ou não a efetiva distribuição imediata de tais valores; Ocorre, que a própria Instrução Normativa n° 63, de 24 de julho de 1997, exigia a disponibilidade "imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado", fato não ocorrido em relação aos créditos aqui reclamados, do que decorre o direito do contribuinte de requerer a restituição do imposto pago, com base no art. 35 da Lei n° 7.713/88, declarado inconstitucional; Aduz pela impossibilidade de se falar em distribuição dos lucros nos períodos pleiteados no Pedido de Restituição, uma vez demonstrado que não houve tal distribuição; Das compensações formalizadas pelo contribuinteRECORRENTE as fls. 20; 24; 28; 32; 36; 43; 53; 59 e as PER/DCOMPs transmitidas sob Ns° 17828.71411.081105.1.7.049720; 15270.62449.181105.1.3.040142; 281736.33147.071205.1.3.041400 e 01816.12201.020206.1.3.0171, porque protocoladas ou enviadas antes de dezembro de 2006 foram consideradas HOMOLOGADAS com base no disposto no § 5o, do artigo 74, da Lei 9.430/96. Contudo, e em decorrência da conclusão contida no despacho recorrido, relacionada a ausência de crédito a restituir, não foram homologadas as compensações formalizadas por meio das PER/DCOMPs N°s 30660.56140.240107.1.7.047231; 06538.73965.240107.1.7.042037; 27133.89361.240107.1.7.046601 e 08396.30662.240107.1.7.049010. Fl. 409DF CARF MF 10 Desta forma, entende que, superada a questão relacionada ao reconhecimento do direito de crédito da RECORRENTE decorre o seu direito a compensação, já que formalizada, à época, de conformidade com a legislação vigente, qual seja, art. 74 da Lei n. 9.430/1996; Das compensações formalizadas pelo contribuinteRECORRENTE as fls. 20; 24; 28; 32; 36; 43; 53; 59 e as PER/DCOMPs transmitidas sob Ns° 17828.71411.081105.1.7.049720; 15270.62449.181105.1.3.040142; 281736.33147.071205.1.3.041400 e 01816.12201.020206.1.3.0171, porque protocoladas ou enviadas antes de dezembro de 2006 foram consideradas HOMOLOGADAS com base no disposto no § 5o, do artigo 74, da Lei 9.430/96. Contudo, e em decorrência da conclusão contida no despacho recorrido, relacionada a ausência de crédito a restituir, não foram homologadas as compensações formalizadas por meio das PER/DCOMPs N°s 30660.56140.240107.1.7.047231; 06538.73965.240107.1.7.042037; 27133.89361.240107.1.7.046601 e 08396.30662.240107.1.7.049010. Desta forma, entende que, superada a questão relacionada ao reconhecimento do direito de crédito da RECORRENTE decorre o seu direito a compensação, já que formalizada, à época, de conformidade com a legislação vigente, qual seja, art. 74 da Lei n. 9.430/1996; Assim, as compensações efetuadas obedeceram às legislações reguladoras do procedimento administrativo fiscal à época dos fatos, inclusive, aquelas editadas pela própria SRF, especialmente a IN nº 210/2012; No que tange a correção monetária entende que, os valores a serem restituídos à RECORRENTE deveriam ser atualizados monetariamente, já que, na medida em que foi recolhido aos cofres públicos um valor que não era devido, imperioso que a restituição desse montante se dê com a incidência da atualização monetária correspondente, sob pena de incorrer a Administração em locupletamento ilícito, ofendendo ao princípio da moralidade administrativa (art. 37 da CF) e ao princípio da supremacia do interesse público; Ao final requereu acolhimento, provimento e deferimento do Recurso Voluntário, determinandose a reforma integral do Acórdão ora combatido, DJ/BSB 03051.483, proferido pela 4ªTurma de Julgamento, reconhecendo assim seu direito a integral restituição dos recolhimentos indevidos/ou a maior que o devido a título de Imposto sobre o Lucro Líquido – ILL, corrigidos monetariamente pelos índices que refletiram a real variação inflacionária do período; homologandose, ainda, as compensações realizadas pela Recorrente valendose dos créditos constantes do referido Pedido de Restituição; Além disso, que sejam obstados eventuais atos de cobrança ou atos constritivos de direito, inclusive no que diz respeito a inscrição em Dívida Ativa da União, e expedição de Certidão Conjunta Positiva com efeito de Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Na forma acima, cumpre destacar que o recebimento do AR está datado de 31.10.2013 (fl. 324/325), todavia, o recurso voluntário (Fls. 326/347) apresenta duas datas de recebimento, o PROTOCOLO/SAMF/SPOA/SE/MF em 29/11/2013, e o recebimento pela AFRFB, Maria Carmem de Castro, Chefe DIORT/DRF/Brasília em 02/12/2013. Desta forma, considero 29/11/2013 a data de interposição do recurso. Assim, por estar a recorrente regularmente representada e por considerar tempestivo, conheço do recurso. Ressaltase que a questão debatida nos autos gira em torno da inconstitucionalidade do art. 35 da Lei n. 7.713/88, trazendo à discussão os tipos de controle de constitucionalidade adotados pelo sistema jurídico brasileiro, no que tange a tempestividade do Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10166.007099/200121 Acórdão n.º 1302002.020 S1C3T2 Fl. 7 11 pedido de restituição/compensação de valores pagos indevidamente ou a maior à título de Imposto sobre Lucro Líquido. Desta forma, fazse importante destacar o prazo prescricional em sede de controle concentrado, com efeitos vinculantes e erga omnes, o termo a quo é a data da publicação do acórdão do STF que declarou a inconstitucionalidade e o controle difuso, com efeito inter partes, com termo a quo sendo a data da publicação da resolução do Senado que suspende, erga omnes, o dispositivo declarado inconstitucional incidenter tantum pelo STF. A discussão abrange divergências quanto ao prazo prescricional para o contribuinte exercer seu direito de repetir o indébito, especificamente, no que tange ao termo a quo deste prazo. A DRJ/BSB entende que, o direito de pleitear a restituição, nos termos do art. 168I do CTN, extinguese em 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário. E, nesse sentido, com a vigência da Lei Complementar n. 118/2005, passou a se interpretar a extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento, e manteve o teor do Despacho Decisório. O recorrente, em seu recurso voluntário, defende que o termo inicial da contagem do prazo prescricional para pleitear o pedido de restituição seria a Resolução do Senado Federal ou ato administrativo que suspender a cobrança, quando houver. Ocorre que, o tema foi questão de inúmeras divergências doutrinárias e jurisprudenciais, principalmente com o advento da LC n. 118/2005, acerca da constitucionalidade do disposto na parte final do art. 4º, o qual mencionava termo a quo como sendo o pagamento antecipado. Assim sendo, após muitas discussões acerca do tema, o Supremo Tribunal Federal pronunciouse, e ao exame do RE nº 566.621, de relatoria da. Min. Ellen Gracie, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo prescricional de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Deste modo, restou firmado entendimento de que os recolhimentos efetuados antes da LC nº 118/2005, temse o prazo de 10 anos (tese dos 5+5), a contar da ocorrência do fato gerador. Já dos recolhimentos realizados após a vigência da LC nº 118/2005, o prazo seria de 5 anos a contar da data do pagamento indevido. Vale ressaltar que, conforme dispõe o art. 62 do Regimento Interno do CARF, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial Repetitivo. Neste mister, pronunciouse também o CARF com relação ao termo inicial da contagem do prazo prescricional, insta salientar o que dispõe a súmula CARF 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Logo, no presente caso, a recorrente protocolizou pedido de restituição/compensação do Imposto Sobre o Lucro Líquido ILL, em 18/06/2001, relativamente a recolhimentos efetuados nos anos calendário de 1989 a 1992, tendose o fato gerador no encerramento dos períodos base, nos termos do artigo 35 da Lei n 7.713/1988. Fl. 411DF CARF MF 12 Desta forma, estariam sob a égide do decurso do prazo decenal os fatos geradores em questão, ocorridos em de 1989 a 1992. Nesse sentido, considerandose que a DRJ manteve o entendimento de que teria decaído, em cinco anos, o direito a restituição do ILL, verificase, por conseguinte, que não caberialhe adentrar no mérito, sendo, assim, nulos os atos praticados a partir de tal conclusão. Assim, à vista da demonstração de que é tempestivo o referido pedido de restituição, acolho as respectivas alegações preliminares da recorrente e voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a ocorrência de prescrição do prazo para solicitar a restituição do crédito pleiteado e determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja apreciado o mérito. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 412DF CARF MF
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Numero do processo: 11330.000933/2007-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS DA PRESTADORA
Constatada a antecipação de pagamento parcial do tributo, o critério para aplicação da regra decadencial será o previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Nos casos de lançamento por responsabilidade solidária, cessão de mão de obra, a comprovação de existência de pagamento antecipado sobre o fato gerador lançado pode ser constatada, tanto no contribuinte original, como naquele ao qual se atribuiu a responsabilidade por solidariedade.
Numero da decisão: 9202-005.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, quanto ao critério de pagamento antecipado suficiente para atração da regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS DA PRESTADORA Constatada a antecipação de pagamento parcial do tributo, o critério para aplicação da regra decadencial será o previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Nos casos de lançamento por responsabilidade solidária, cessão de mão de obra, a comprovação de existência de pagamento antecipado sobre o fato gerador lançado pode ser constatada, tanto no contribuinte original, como naquele ao qual se atribuiu a responsabilidade por solidariedade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 09 33 /2 00 7- 66 Fl. 5427DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, quanto ao critério de pagamento antecipado suficiente para atração da regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 5428DF CARF MF Processo nº 11330.000933/200766 Acórdão n.º 9202005.159 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, nº 35.605.9316, lavrado contra o contribuinte identificado em decorrência da responsabilidade solidária pelo recolhimento das contribuição supostamente não adimplidas, em razão da prestação de serviço executado pela empresa Perbras Empresa Brasileira de Perfurações Ltda (CNPJ 15.126.451/000147); e tem por finalidade apurar e constituir as contribuições previdenciárias, correspondente às contribuições dos segurados, da empresa, do financiamento concedido em razão do grau de incidência laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (antigo SAT). O crédito, relativo às competências 12/1997 a 12/1998, com data de consolidação em 05/09/2003, assumiu o montante de R$ 581.941,49 (quinhentos e oitenta e um mil, novecentos e quarenta e um reais e quarenta e nove centavos). De acordo com o Relatório da NFLD, fls. 17/20, os serviços que deram ensejo ao lançamento foram aqueles previstos no Contrato n. 110.2.055.971, quais sejam: execução dos serviços de completação simples e múltipla, avaliação, estimulação, restauração, limpeza, recuperação de revestimento, pescaria, abandono e aprofundamento de poços, descida e retirada de "liners"e outras intervenções em poços de óleo, gás e ainda em poços dos sistemas de combustão "in sito", injeção de vapor ou gás carbônico, mediante a utilização de sondas de produção terrestre e seus equipamentos auxiliares, fornecidas pela contratada, em campos petrolíferos localizados em áreas terrestres. Assevera o fisco que a empresa contratante não comprovou o cumprimento das obrigações da empresa contratada para com a Seguridade Social, deixando de apresentar as guias de recolhimento específicas para o serviço contratado e as folhas de pagamento especificas dos segurados empregados alocados no serviço, assim, por não haver conseguido se eximir da responsabilidade solidária, nos termos da legislação vigente, deve responder pelo crédito lançado. A autuada e solidárias apresentaram impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal Previdenciária, julgado o lançamento procedente, fls. 165/171. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Para esclarecimento dos fatos o processo foi convertido em diligência em duas oportunidade, inicialmente para verificar as alegações da prestadora de serviços cerca do recolhimento integral dos fatos geradores ora lançados e posteriormente para cientificação dos solidários do resultado da diligência. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 1226 e seguintes (efls. 5017), o Colegiado, I) Por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 09/1998; II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que subsistam no lançamento apenas as quantias de R$ 488,54 e R$ 1.009,07, correspondentes às contribuições previdenciárias, em valores originários, devidas nas competências 11/1998 e 12/1998, respectivamente. Portanto, em sessão plenária de 14/4/2014, deuse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2401003.476, assim ementado: Fl. 5429DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998 DÉBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DECORRENTE DE EXECUÇÃO DE SERVIÇO POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO CONSTRUTOR. A falta de apresentação pelo contratante dos documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, autorizam o Fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa prestadora. FALTA DE PROVA REGULAR E FORMALIZADA DAS REMUNERAÇÕES PAGAS AOS EMPREGADOS DE EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA.POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Para as competências até 01/1999, abrese ao fisco a possibilidade de arbitrar as contribuições previdenciárias devidas, quando a empresa tomadora deixa de apresentar prova regular e formalizada das remunerações pagas pela empresa que lhe prestou serviço mediante cessão de mãodeobra. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE DO SUJEITO PASSIVO FAZER PROVA EM CONTRÁRIO. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Se o sujeito passivo, valendose da prerrogativa de fazer prova em contrário, consegue demonstrar que os valores obtidos por arbitramento são superiores aos efetivamente devidos, é cabível a revisão do lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério Fl. 5430DF CARF MF Processo nº 11330.000933/200766 Acórdão n.º 9202005.159 CSRFT2 Fl. 4 5 previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 21/5/2014, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 20/6/2014, Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido a fim de afastar integralmente a decadência. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho 2400 632/2014, efls. 5176, de 20/8/2014. A recorrente traz como alegações, que: · Afirma que, para o fim de perquirir a extinção do crédito tributário pela decadência, os paradigmas entenderam que a intimação do primeiro devedor afastou o prazo decadencial para todos os devedores, inclusive os solidários. · Observa que a decisão recorrida, em sentido oposto, considerou decaído o crédito tributário em relação aos devedores solidários, mesmo tendo sido realizada a ciência do primeiro devedor corresponsável. · Destaca para acatar sua tese: 1. Em diligencia realizada em face da empresa PERBRAS EMPRESA BRASILEIRA DE PERFURAÇÕES LTDA., foram requisitadas as informações necessárias, consubstanciadas pela documentação pertinente, para que pudesse ser respondida definitivamente se as Guias de Pagamento Previdencidrias — GPS — acostadas ao processo 11330.000993/2007 66 seriam suficientes para quitar as contribuições relativas a todos os contratos executados para a empresa PETROBRAS S.A., no período que compreende as competências 10/1998 a 12/1998. (...) 2. 10. Donde concluise que os valores pagos em GRPS são suficientes para quitar_ TOTALMENTE as contribuições previdenciárias e de terceiros devidas na competência 10/1998 e as contribuições de terceiros nas competências 11/1998 e 12/1998. Porém, quitam parcialmente as contribuições previdenciárias devidas nas competências 11/1998 e 12/1998, restando um passivo a pagar, em valores originários da época, que montam a importância de R$ 488,54 em 11/1998 e R$ 1.009,07 em 12/1998.” · Logo, não houve qualquer manifestação do Fisco quanto ao período de apuração 09/1998. Noutros termos, não houve constatação, por parte da Fiscalização, de que a empresa tomadora, fez a comprovação dos recolhimentos exigidos para se afastar a responsabilidade solidária em relação à competência 09/1998, razão pela qual, diante da ausência de benefício de ordem, pode a União cobrar o tributo de Fl. 5431DF CARF MF 6 qualquer um dos devedores. Isso é o que dispunha, à época dos fatos geradores, o art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991: · Em relação ao aproveitamento da decadência em relação aos coobrigados descreve que a notificação do primeiro coobrigado aproveita aos demais, razão pela qual esse deve ser o marco para apuração de período decadente, se existir. · Além disso, o acórdão recorrido baseandose na tese de que o termo ad quem do prazo decadencial seria a data de intimação do lançamento do último coobrigado, não solicitou à fiscalização que se pronunciasse quanto à comprovação de pagamento da competência 09/1998. · Não havendo comprovação de pagamento, cujo ônus da prova cabia ao contribuinte por ser argumento que lhe seria favorável por ocasionar, ao menos parcialmente, a extinção do feito (fato extintivo), não caberia a incidência do disposto no § 4º do art. 150 do CTN e sim da prescrição contida no art. 173, incido I, do mesmo diploma legal. · Notese, nesses termos, que a eventual comprovação de recolhimento das contribuições devidas quanto a determinada competência não aproveita às demais, não tendo o condão de fazer incidir para todos os períodos de apuração objetos do lançamento o art. 150, § 4º do CTN. Vale dizer: para a aplicação do art. 150, § 4º do CTN, devese analisar cada competência individualmente considerada. · Não suficiente, o presente feito trata de NFLD lavrada contra o contribuinte em decorrência da responsabilidade solidária pelo recolhimento da contribuição não adimplida, em razão da prestação de serviço executado pela empresa Perbras Empresa Brasileira de Perfurações Ltda.. Assim, também sob essa ótica a comprovação do pagamento estaria a cargo do sujeito passivo do lançamento, uma vez que, para elidir a responsabilidade solidária, seria necessária a demonstração de que houve o “recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura”, conforme prescrição do art. 31, § 3º, da Lei nº 8.212/91, com a redação vigente à época dos fatos geradores. · Nesse contexto, seria imperativo o afastamento da incidência do disposto no § 4º do art. 150 do CTN para a contagem do prazo decadencial relativamente à competência 09/1998, devendo ser aplicado em seu lugar o art. 173 do CTN. Cientificado do Acórdão nº 2401003.476, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, em 25/11/2014, a solidária Petróleo Brasileiro s/a Petrobrás, conforme informação, fls. 5189, apresentou, tempestivamente em 26/11/2014, contrarrazões em que alega: § Inexistir nos autos o fundamento da responsabilidade solidária, apenas apontando a legislação de forma genérica razão pela qual requer a nulidade da autuação; Fl. 5432DF CARF MF Processo nº 11330.000933/200766 Acórdão n.º 9202005.159 CSRFT2 Fl. 5 7 § Considerando a data da autuação em outubro de 2003, os créditos anteriores a outubro de 1998 encontramse decadentes . § Em relação a solidariedade, argumenta que inaplicável antes que se verifique a existência do débito no prestador de serviços, responsável originário, para só então ser atribuída ao solidário. § Requer ao fim o cancelamento da NFLD, tendo em vista a nulidade apontada. Posteriormente, pede o não conhecimento e ao final que se negue provimento ao recurso, extinguindo integralmente o lançamento. Também cientificado do Acórdão nº 2401003.476, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, em 25/11/2014, o contribuinte originário Petróleo Brasileiro s/a Petrobrás, conforme informação, fls5259, apresentou, tempestivamente em 09/12/2014, contrarrazões em que alega o não conhecimento do recurso, por veicular teses já superada pela CSRF, bem como adota paradigmas desprovidos de similitude fática. Assim manifestase: Quanto ao conhecimento: Quanto ao mérito: Fl. 5433DF CARF MF 8 É o relatório. Fl. 5434DF CARF MF Processo nº 11330.000933/200766 Acórdão n.º 9202005.159 CSRFT2 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial de divergência apresentando pelo sujeito passivo é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 5167. Quanto ao questionamento por parte da responsável solidária Petrobrás, embora tenha pedido o não conhecimento, não foi apresentado qualquer argumento para demonstrar os motivos pelos quais estaria incorreta a admissibilidade do recurso em sede de contrarrazões, razão pela qual entendo não existir o que apreciar a respeito. Já com relação ao recurso do responsável originário (PERBRAS), prestador de serviços, passo a apreciar as questões de não conhecimento. Quanto a questões fáticas diversas, fato que ensejaria o não cumprimento dos requisitos para conhecimento do recurso, entendo que não existem motivos para seu acatamento. Duas foram as teses trazidas para reapreciação: primeiro, qual a data a ser considerada para efeitos de apuração do período decadente: data da cientificação do primeiro ou data de cientificação do último autuado. Quanto a este ponto, entendo que o primeiro paradigma, em sua própria ementa deixa claro a tese tratada no acórdão, demonstrando a divergência em relação ao momento da contagem do prazo com interpretações distintas pelos colegiados. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 30/04/1998 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. TERMO AD QUEM. NOTIFICAÇÃO DO PRIMEIRO CORESPONSÁVEL. Como é de conhecimento geral, a solidariedade implica necessariamente a unidade de objeto com a simultânea pluralidade subjetiva. Assim, a relação jurídica tributária surgida com o fato gerador faz nascer um único débito tributário, tendo mais de um responsável pelo mesmo. Quando houve a notificação do primeiro solidário a decadência automaticamente está superada para esse devedor, e consequentemente para os demais; pois a dívida é a mesma. Não é razoável interpretar que a notificação estaria a depender de qualquer outra condição para ocasionar a superação do lapso decadencial. Conforme previsto expressamente no art. 125 do CTN, um dos efeitos da solidariedade é que a interrupção da prescrição em favor ou contra um dos demais coobrigados, favorece ou prejudica aos demais. Assim, se apenas um dos Fl. 5435DF CARF MF 10 devedores tiver ordenada a citação, com a consequente interrupção do prazo prescricional, de pleno direito o prazo estará interrompido para os demais solidários. Como regra geral do direito casos similares merecem soluções semelhantes, dessarte utilizandose da analogia, prevista no art. 108 do CTN, a decadência superada para um dos solidários, prejudica aos demais consortes. A decadência é instituto que visa estabilizar relações jurídicas em virtude da inércia do titular no exercício de seu direito. No presente caso, não se pode reconhecer que a Fazenda Pública foi inerte. Dentro do quinquênio a fiscalização federal realizou ação fiscal, efetuou o lançamento, e conseguiu notificar, dentro do prazo, o sujeito passivo. Quanto a questão de tratarse de tese superada, entendo de forma diversa do sujeito passivo. A tese superada que enseja o não conhecimento, diz respeito as questões tratadas no RICARF, art. 67. O fato da CSRF ter se posicionado de forma diversa da tese trazida no paradigma, não o invalida, salvo: a edição de súmula do CARF, ou mesmo de reforma do acórdão paradigmático, o que não é o caso do presente processo. Em relação ao segundo paradigma apresentado, 20501.497, o recorrente alega tratarse da demarcação do termo a quo para fins de contagem do lapso decadencial, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação. Neste ponto, argumenta que a ausência de similitude repousa no fato de que no paradigma não houve pagamento antecipado, ao passo que no recorrido encontrase expressamente consignado o recolhimento parcial. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, não comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 173, I. Ao contrário do alegado no Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 924, o Colegiado, por unanimidade de votos, acordaram em dar provimento parcial no que diz respeito a decadência, pautados na regra do art. 173, I do CTN, excluindo as contribuições até a competência 12/1999, inclusive. A tese adotado pelo acórdão condutor foi no seguinte sentido: Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já Fl. 5436DF CARF MF Processo nº 11330.000933/200766 Acórdão n.º 9202005.159 CSRFT2 Fl. 7 11 admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.933SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.933/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Fl. 5437DF CARF MF 12 Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Assim, entendo correto o despacho de admissibilidade, em situações fáticas similares os colegiados aplicaram interpretações diversar, razão pela qual passo a apreciar o mérito. Já com relação a tese de momentos distintos para declaração da decadência, qual seja, em relação ao devedor principal e ao solidário notificado, ressaltase que essa questão não foi objeto de apreciação no acórdão recorrido. Senão vejamos a questão trazida pela procuradoria: Ocorre que, para o fim de perquirir a extinção do crédito tributário pela decadência, os paradigmas entenderam que a intimação do primeiro devedor afastou o prazo decadencial para todos os devedores, inclusive os solidários. Portanto, em sentido diametralmente oposto ao adotado decisão recorrida, tendo em vista que esta considerou decaído o crédito tributário em relação aos devedores solidários, mesmo tendo sido realizada a ciência do primeiro devedor corresponsável. Cumpre assentar inclusive que o voto condutor do acórdão nº 2302001.179, afirmou expressamente que a constituição do crédito pode ocorrer tanto no prestador como no tomador de serviços. Tese essa defendida neste recurso, pois no presente caso, devese adotar, para todos coobrigados, como marco temporal final da contagem de decadência, data de ciência do lançamento pelo primeiro coobrigado, assim como ocorreu nos paradigmas. Já no acórdão recorrido não se enfrenta a questão sobre a mesma ótica, conforme passamos a apreciar: [...] A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o Fl. 5438DF CARF MF Processo nº 11330.000933/200766 Acórdão n.º 9202005.159 CSRFT2 Fl. 8 13 pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. No caso sob apreciação, verificase a existência de guias de recolhimento para todo o período lançado, conforme documentos colacionados às fls. 2.535 e segs. Considerando que a ciência do lançamento pela última das coobrigadas deuse em 22/10/2003, devem ser excluídas pela decadência as competências de 12/1997 a 09/1998, por aplicação da regra do § 4. do art. 150 do CTN. Ou seja, ao declarar a decadência não se manifestou, o relator, acerca da decadência em relação a todos os solidários, mas tão somente, considerando a data da notificação da Petrobrás. Notese que no presente caso, pelos documentos constantes dos autos, ocorreu apenas a notificação da responsável solidária Petrobrás, sendo que não identifiquei o chamamento ao processo do devedor principal. Importante destacar, que o instituto da responsabilidade solidária na cessão de mão de obra, admite ao fisco a escolha de qual responsável será chamado a adimplir o divida, mas essa escolha, no meu entender, não dá direito a escolher momentos distintos para o lançamento em relação a cada um deles. Neste ponto, entendo que não há o que conhecer do recurso da PGFN em relação a essa matéria. Do mérito Após as considerações acerca do conhecimento da matéria submetida a reapreciação desse colegiado, delimitase o objeto da lide a aplicação da regra decadencial nos casos de responsabilidade solidária, e se poderíamos considerar os recolhimentos comprovados em sede de diligência, para chancelar a aplicação da regra do art. 150, §4º do CTN. Assim, o ponto relevante é: como deve ser aplicada a decadência em relação ao casos de responsabilidade solidária por cessão de mão de obra? Embora tenha me manifestado em outras oportunidade no colegiado a quo acerca da questão em sentido diverso, ou seja, pela aplicabilidade do art. 173, I do CTN em todas as situações, entendo que a posição trazida no acórdão recorrido mostrase mais acertada. A responsabilidade solidária no presente caso. trata de um débito único, recolhimento de contribuições previdenciárias sobre os serviços prestados pela prestadora PREBAS para a tomadora Petrobrás em relação aos segurados colocados à sua disposição. Assim, em existindo comprovação de recolhimentos antecipados de folha de pagamento da tomadora descritos pela própria fiscalização, não há como aplicar a tese de inexistência de pagamento para aplicação do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, entendo que o próprio voto do relator do acórdão recorrido esclarece a motivação para aplicação da regra vertida no art. 150, §4º do CTN, ou seja, comprovação de recolhimentos por meio de guias, que embora não se referissem ao contrato Fl. 5439DF CARF MF 14 específico, demonstram cabalmente tratarse de segurados colocados à disposição do tomador Petrobrás, ou seja, existe recolhimento sobre folha, demonstrando tratase do mesmo fato gerador. Quanto à competência 09/1998, embora tenha entendido a PGFN, não ter sido contemplada na diligência, razão pela qual incorreta a presunção de existência de recolhimentos, destaco que existem, nos autos, GRPS (guias de recolhimentos) para essa competência, fls. 112/113, o que nos leva a concluir pela aplicação do art. 150, §4º do CTN, inexistindo qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER EM PARTE do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 5440DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.900013/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96.
Numero da decisão: 9303-004.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Marcio Canuto Natal - Relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Marcio Canuto Natal Relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 00 13 /2 00 9- 11 Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10783.900013/200911 Acórdão n.º 9303004.691 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10783.900013/200911 Acórdão n.º 9303004.691 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pelo contribuinte em face do Acórdão nº 3101001.245, de 25/09/2012, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluído em sua base de cálculo, prevista na Lei nº 9.363/96, o valor do serviço de industrialização por encomenda. Cuida o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 1793.93562.290404.1.1.010968, no qual a interessada acima qualificada pleiteia ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), previsto no art. 1º da Lei nº 9.363/96, no valor de 128.902,38, apurado no1º trimestre do ano de 2004, para posterior compensação. A controvérsia suscitada se refere à possibilidade de inclusão dos serviços de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996. Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou os seguintes paradigmas: CSRF nº 0202.320 e nº 930301.619. Reportando ao relatório do acórdão recorrido, constatase que as razões para o indeferimento tiveram as seguintes motivações em relação à parte ora controvertida: (...) Relativos às notas fiscais de entradas corn os CFOP 5.124, 5.125, 6.124 e 6.125, referentes a industrialização por encomenda (decorrentes do valor cobrado nos trabalhos de industrialização/beneficiamento efetuado por terceiros em matérias primas remetidas pela empresa, tais como a serragem e o polimento de chapas de granito e também o valor cobrado pelos serviços de manutenção como simples prestação de serviço, não se tratando, pois de aquisição de MP, PI ou ME; (...) Em apertada síntese, o contribuinte defende o seu direito à inclusão da industrialização por encomenda no cálculo do crédito presumido do IPI afirmando que esta é apenas uma das fases de industrialização do produto final e que não pode ser tratada como uma mera prestação de serviços. Cita doutrina e excertos da jurisprudência do CARF, bem como Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10783.900013/200911 Acórdão n.º 9303004.691 CSRFT3 Fl. 5 4 posicionamento do STJ sobre o assunto. Para uma melhor visão de sua defesa transcrevo resumo contido do relatório do acórdão recorrido: (...) pondera que remeteu blocos de granito para industrialização por encomenda, tendo recebido chapas brutas serradas. Após, promoveu industrialização sobre tais produtos, consubstanciados em beneficiamento, polimento e acondicionamento para exportação, o que faculta a usufruir do beneficio em comento; sustenta que a referida industrialização por encomenda equivale à aquisição de MP, PI e ME, suficientes para integrar a base de calculo do crédito presumido do IPI, na forma da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996; (...) O recurso especial do contribuinte foi admitido por meio do Despacho de e fls. 445/446. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais pede a manutenção do entendimento exarado no acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10783.900013/200911 Acórdão n.º 9303004.691 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial apresentado pelo contribuinte é tempestivo e atende aos requisitos legais para o seu conhecimento. Mérito Como visto, a controvérsia estabelecida referese à possibilidade de inclusão dos serviços de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996. Esta matéria não é nova no CARF e eu me filio à corrente de que no regime da Lei nº 9.363/96 tal apropriação está desamparada de previsão legal. Inicialmente partilho do entendimento de que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Não creio que está correta a conclusão de que as formas de exclusão do crédito tributário sejam somente as previstas no art. 175 do CTN. Na minha opinião o art. 175 do CTN somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não são as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, penso que a redação do art. 111 do CTN seria muito infeliz em prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Veja como é a redação do art. 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Portanto entendo que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe o art. 111 do CTN. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10783.900013/200911 Acórdão n.º 9303004.691 CSRFT3 Fl. 7 6 Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Estabelecido esta premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica definitivamente com qualquer dos itens Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10783.900013/200911 Acórdão n.º 9303004.691 CSRFT3 Fl. 8 7 citados na norma, quais sejam matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Portanto mesmo que nessa prestação de serviço possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matériaprima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, entendo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto é verdade, que posteriormente à edição do referido benefício fiscal, sobreveio por meio da Lei nº 10.276/2001, uma forma alternativa de apuração do crédito presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Ora, na minha opinião, evidente que se o contribuinte quiser se apropriar dos valores gastos com industrialização por encomenda é obrigatório que ele faça a opção pelo cálculo do crédito presumido do IPI na forma alternativa proposta pela Lei nº 10.276/2001. Ou seja, ao optar pela fórmula de cálculo da Lei nº 9.363/96 não há possibilidade desse aproveitamento por absoluta falta de previsão legal. Por todo o exposto voto por negar provimento ao recurso especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10783.900013/200911 Acórdão n.º 9303004.691 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Discordamos do il. Relator. Imaginemse as seguintes situações: uma primeira, em que a matériaprima sai do estabelecimento vendedor já definitivamente acabado e pronto para aplicação no processo produtivo do adquirente, ou seja, quando nela já se encontra aplicado aquele serviço que, se assim não fosse, o adquirente teria de encomendar a um terceiro a sua realização para o posterior emprego no seu processo produtivo. Neste caso, não se questiona que todo o valor do custo de aquisição da matériaprima gera o direito ao crédito pleiteado. Agora, uma segunda situação, na qual a matériaprima é adquirida do estabelecimento vendedor sem que nele tenha sido aplicado o serviço que se afigura necessário à sua utilização no processo produtivo do adquirente, que, por isso mesmo, o encomenda a um terceiro. Embora o gasto assim dispendido seja incorporado ao custo da matériaprima, a tese vencida o exclui da determinação do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996. Todavia, a Lei nº 9.363, de 1996, autoriza o direito ao crédito sobre todas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. Não havendo óbice legal, todos os gastos empregados na matériaprima a fim de permitir a sua utilização devem ser a ela incorporados, ainda que só empregados, por encomenda, por um terceiro, de modo que devem ser considerados na determinação do crédito presumido pelo encomedante. Adotando o nosso entendimento, confiramse os seguintes acórdãos desta mesma Turma e do Superior Tribunal de Justiça STJ: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. (Acórdão nº 9303001.721, de 07/11/2011). Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10783.900013/200911 Acórdão n.º 9303004.691 CSRFT3 Fl. 10 9 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Provado que o bem submetido a industrialização adicional em outro estabelecimento é empregado pelo encomendante em seu processo produtivo na condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, para obtenção do produto por ele exportado, o valor pago ao executor integra a base de cálculo do incentivo instituído pela Lei 9.363/96 deferido ao produtorexportador. (...) (Acórdão nº 930301.623, de 29/09/2011). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento o insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. 2. A respeito do pleito de cômputo dos valores referentes à energia e ao combustível consumidos no processo de industrialização no cálculo do crédito presumido do IPI, o recurso especial não foi conhecido em face da ausência de prequestionamento. Nesta feita, a agravante limitouse a repetir as teses jurídicas apresentadas no recurso especial, deixando de impugnar o fundamento específico da decisão hostilizada quanto ao ponto. Incidência da Súmula n. 182/STJ. 3. Em se tratando de ações que visam o reconhecimento de créditos presumidos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, a prescrição é qüinqüenal. Orientação fixada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do recurso especial representativo da controvérsia: REsp. Nº 1.129.971 BA. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10783.900013/200911 Acórdão n.º 9303004.691 CSRFT3 Fl. 11 10 4. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido e agravo regimental da contribuinte conhecido em parte e, nessa parte, não provido. (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 22/11/2011) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 464DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.001593/2003-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
SIGILO BANCÁRIO. ARTIGO 6º DA LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, em 24/02/2016, entendeu pela possibilidade de a Administração Tributária ter acesso aos dados bancários dos contribuintes, mesmo sem autorização judicial.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-003.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o valor de R$ 2.000,00 recebidos a título de doação.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 01/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 SIGILO BANCÁRIO. ARTIGO 6º DA LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, em 24/02/2016, entendeu pela possibilidade de a Administração Tributária ter acesso aos dados bancários dos contribuintes, mesmo sem autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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ARTIGO 6º DA LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, em 24/02/2016, entendeu pela possibilidade de a Administração Tributária ter acesso aos dados bancários dos contribuintes, mesmo sem autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o valor de R$ 2.000,00 recebidos a título de doação. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 15 93 /2 00 3- 73 Fl. 220DF CARF MF 2 EDITADO EM: 01/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, fls. 05/10, referente ao anocalendário de 1998, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 48.876,44, incluído multa de oficio e juros de mora, estes calculados até 29/08/2003. 2. O autuante descreve a infração apurada da seguinte forma: 2.1. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. 2.1.1. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme consta dos extratos bancários de fls. 37/134, de acordo com a planilha constante às fls. 172, cujos fatos geradores, valores tributáveis e multa aplicada, estão discriminados às fls. 08. 2.2. Enquadramento legal: Art. 42 da Lei n° 9.430/96; Art. 40 da Lei n° 9.481/97; Art. 21 da Lei n° 9.532/97. Encontrandose o enquadramento legal da multa e dos juros de mora no demonstrativo de fls. 10. 2.3. Foi anexado pelo autuante ao processo objeto do Auto de Infração acima, declaração de ajuste anual (fls. 11/16), termo de início de ação fiscal (fls.17/18), termo de continuidade do procedimento fiscal (fls. 20/23), requisição de informação sobre movimentação financeira (fls. 24/36), extratos bancários (fls. 37/134), termo de intimação n° 01 e planilhas anexas (fls.135/141), termo de intimação n° 02 e planilhas anexas (fls. 143/149), requerimento do contribuinte e comprovantes anexos (fls. 151/163, mandado de procedimento fiscal (fls. 164), termo de intimação n° 01 — extensivo (fls. 166/167), requerimento de contribuinte imbricado e comprovantes (fls. 168/170), planilhas (fls. 171/172) e termo de encerramento (fls. 173). Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13855.001593/200373 Acórdão n.º 2201003.465 S2C2T1 Fl. 3 3 3. Cientificado do referido Auto de Infração do qual tomou ciência em 19/09/2003 (AR. fls. 174), o contribuinte apresentou impugnação em 16/10/2003 (fls. 177/181), alegando, em síntese que: 3.1. foi apresentado na ação fiscal justificações relativas a este processo, entende tratarse de valores comprovadamente excludentes da pretensão tributária, portanto pede que os valores que menciona a seguir sejam excluídos da tributação; 3.1.1. Banco Itaú — Ag. 058 — c/c 009754/100, data 24/11/1998, foi lançado o valor de R$ 3.072,00 no extrato, desse valor R$ 2.000,00 referese a uma doação de sua mãe (c/c 1519 9, Ag. 034, Banco 151, conforme demonstrado anteriormente e cópia do canhoto do cheque em anexo; 3.1.2. Banco Banespa — c/c 022592 — 0003340, data 09/03/1998, referese ao levantamento do inventário (processon g142188);no valor de R$27.203,38, em que foi abatido pela fiscalização a quantia de R$ 23.003,38, tendo faltado abater a quantia de R$ 3.000,00, conforme cópia anexa; 3.2. apresentada justificativa quanto a alguns valores ainda não abatidos neste procedimento fiscal, passa a manifestarse sobre a resposta do Sr. Carlos Alberto Gomiero quanto a Ação Monitória movida por este em seu desfavor: 3.2.1. na Ação Monitória de cobrança o Sr. Carlos Alberto Gomiero afirma ser meu credor do valor original de R$ 114.614,00, sendo representado pelos cheques de minha emissão nos valores de R$ 5.200,00 para 12/01/1999; R$ 80.444,00 para 03/11/1998; R$ 15.450,00 para 09/11/1998 e R$ 13.520,00 para 03/11/1998; 3.2.2. questionado pela fiscalização o Sr. Carlos Alberto Gomiero respondeu (fls. 168/169), "que os cheques acima relacionados foram emitidos pelo Sr. Júlio César Vilas Boas Agosti, em contrapartida de empréstimos que havia feito a ele, com repasse de diversos valores e em datas variadas, sendo R$ 20.000,00 em 05/11/1997, R$ 4.197,31 em 21/11/1997, R$ 30.000,00 entregues em quantias variadas ao longo de 1997, R$ 6.906,00 em 06/11/1998, R$ 5.000,00 em 11/08/1998, R$ 2.500,00 em 29/07/1998 e R$ 15.000,00 em 27/04/1998"; 3.2.3. neste tipo de empréstimo o credor solicita alguma garantia do devedor para efetivar o negócio, que será resgatado futuramente e neste caso a garantia foi em cheques emitidos, como já demonstrado. Neste tipo de negócio, empréstimos com cheques em garantia, não ultrapassam cinco meses da emissão do mesmo, tendo em vista a perda da sua executividade, pelo lapso temporal. Não atento a este fato o Sr. Carlos Alberto afirma que a maioria dos empréstimos cobrados na monitoria são de origem de 1997 (R$ 54.197,31 dos 83.603,31 justificados) e que vinham sendo renegociados no decorrer do ano de 1998, devido a incapacidade de pagamento, culminando na quantia da monitoria; Fl. 222DF CARF MF 4 3.2.4. afirma o interessado que o Sr. Carlos Alberto, está equivocado, visto que os empréstimos objeto da monitoria foram todos contraídos no decorrer do ano de 1998, sendo os alegados por ele (1997) originados de empréstimos que foram saldados no decorrer de novos empréstimos. Pela lógica do caso em questão, se os empréstimos tivessem sido efetuados ao longo de 1997, e não tivessem sido pagos, e em conseqüência resultando na Monitória, como defendeuse o Sr. Carlos Alberto, não seria lógico que este concedesse novos empréstimos, visto que não é crível alguém emprestar dinheiro a quem de longa data ( mais de um ano), vem frustrando o pagamento dos cheques dados em garantia. Se os empréstimos efetuados, fossem realmente resultante de vários empréstimos realizados em 1997 e não pagos, não haveria motivo para emprestar mais R$ 29.406,00 a partir de 27/04/1998, conforme comprova a declaração de fls. 168/169; 3.2.5. o que realmente aconteceu é que tais empréstimos de 1997, ocorreram e não fazem parte dos valores constantes da Monitória. E que os cheques em caução da mesma são de empréstimos contraídos há cerca de cinco meses do seu vencimento (apresentados na monitória) e que na troca destes recebia vários cheques de terceiros que de alguma forma mantinha uma relação econômica com o Sr. Carlos Alberto; 3.2.6. acrescenta o interessado, " também alega o Sr. Carlos Alberto ter me emprestado a quantia de R$ 30.000,00 resgatados do Fundo de Investimento FAC 1 DI e a quantia de R$ 13:000,00 adquirido do seu filho, o Sr. Carlos Eduardo Gomiero, ao longo de 1997, que por hora de ser tido como emprestado ao longo do ano de 1998, como efetivamente foi, visto não ter o credor sequer apresentado indícios das suas alegações quanto às renegociações, bem como pelo contexto Tático do caso, que apresenta indícios de pagamento dos empréstimos contraídos em 1997 pelo fato do credor ter realizado novos empréstimos ao longo do ano de 1998. Desse modo entende que, os valores a serem desconsiderados pelas justificativas supra, são: Banco HSBC c/c 1014 — 0213110 data 16/06/1998 no valor de R$ 12.000,00; 29/07/1998, valor R$ 2.500,00; 10/08/1998 valor R$ 2.500,00; Banco Itaú Ag. 0058 c/c 009754/100 data 06/02/1998, valor R$ 4.300,00; Banco do Brasil Ag. 0118 c/c 107727 data 06/01/1998, valor R$ 2.000,00; 27/07/1998 valor R$ 4.100,00; 09/11/1998 valor R$ 5.000,00; 3.2.7. deve ser levado em consideração ainda a difícil situação financeira que se encontrava na época, como se constata pelos constantes empréstimos efetuados junto aos bancos, a constante negativação do saldo bancário, dados que a fiscalização teve acesso. Além do mais, sofreu Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13855.001593/200373 Acórdão n.º 2201003.465 S2C2T1 Fl. 4 5 involução patrimonial durante o período e que vem sofrendo até hoje, fato que pode ser observado nas declarações do imposto de renda do ano de 1998, e nos anos seguintes; 3.2.8. alude que os rendimentos tributáveis a que estava sujeito no ano de 1998, foram informados na declaração de ajuste anual e que os demais valores lançados nas suas contas correntes são provenientes de empréstimos, doações, heranças e venda de bens. 4. Diante do exposto, requer que seja acolhida as presentes justificativas, com o abatimento dos valores justificados e julgado improcedente o Auto de Infração. 5. A título de prova de seus argumentos o interessado acostou à impugnação os documentos de fls. 182 a 189. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento FortalezaCE julgou procedente em parte a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 Omissão de Rendimentos Depósitos Bancários Caracteriza omissão de rendimentos, não elidida pela defesa, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente em Parte Posteriormente, dentro do lapso temporal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, que: a) a quebra imotivada de sigilo bancário; b) quando da análise da decisão recorrida, o relator julgou improcedente o pedido de abatimento da quantia de R$ 2.000,00 do dia 24/11/1998, conta Banco Itaú, referente a doação da genitora, sob o fundamento de que já houve o abatimento pleiteado, mas sem indicar o abatimento, de modo que supõese não ocorrido; c) todos os empréstimos foram tomados no ano de 1998, conforme a Ação Monitória de fls. 154/156, mas a acórdão consignou que parte dos empréstimos ocorreu em 1997, desconsiderando o abatimento dos valores; Fl. 224DF CARF MF 6 d) o acórdão vergastado assevera que os empréstimos de 1998 foram abatidos, mas não se depreende dos autos tal situação; e) os empréstimos tinham encargos, de modo que não havia relação de identidade entre o valor do empréstimo tomado de fls. 182/184 com os depósitos em sua conta corrente e, em consequência, não há como existir identidade dos valores com a planilha de fls. 171/172. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. 1. Da quebra de sigilo bancário alegada pelo recorrente Com relação à quebra de sigilo bancário alegada pelo contribuinte, cabe esclarecer que o Supremo Tribunal Federal, em importantíssimo julgado, em 24/02/2016, entendeu pela possibilidade de a Administração Tributária ter acesso aos dados bancários dos contribuintes, mesmo sem autorização judicial. O STF entendeu que esse repasse das informações dos bancos para o Fisco não pode ser chamado de "quebra de sigilo bancário". Isso porque as informações são passadas para o Fisco (ex: Receita Federal) em caráter sigiloso e permanecem de forma sigilosa na Administração Tributária. Logo, é uma tramitação sigilosa entre os bancos e o Fisco e, por não ser acessível a terceiros, não pode ser considerado violação (quebra) do sigilo. Para o Supremo, o simples fato de o Fisco ter acesso aos dados bancários do contribuinte não viola a garantia do sigilo bancário. Só haverá violação se esses dados "vazarem" para pessoas estranhas ao órgão fazendário. Aí sim haveria quebra do sigilo bancário por ter sido exposta a intimidade do contribuinte para terceiros. Além disso, restou consignado que o art. 6º da LC 105/2001 é taxativo e razoável ao facultar o exame de documentos, livros e registros de instituições financeiras somente se houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. A decisão mencionada foi proferida no julgamento das ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 e do RE 601.314 (repercussão geral), portanto, de observância obrigatória pelo colegiado, consoante dispõe o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Desse modo, rejeito a nulidade argüida. 2. Do Mérito No que se refere à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, o contribuinte expôs os seguintes argumentos: Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13855.001593/200373 Acórdão n.º 2201003.465 S2C2T1 Fl. 5 7 a) quando da análise da decisão recorrida, o relator julgou improcedente o pedido de abatimento da quantia de R$ 2.000,00 do dia 24/11/1998, conta Banco Itaú, referente a doação da genitora, sob o fundamento de que já houve o abatimento pleiteado, mas sem indicar o abatimento, de modo que supõese não ocorrido; b) todos os empréstimos foram tomados no ano de 1998, conforme a Ação Monitória de fls. 154/156, mas a acórdão consignou que parte dos empréstimos ocorreu em 1997, desconsiderando o abatimento dos valores; c) o acórdão vergastado assevera que os empréstimos de 1998 foram abatidos, mas não se depreende dos autos tal situação; d) os empréstimos tinham encargos, de modo que não havia relação de identidade entre o valor do empréstimo tomado de fls. 182/184 com os depósitos em sua conta corrente e, em consequência, não há como existir identidade dos valores com a planilha de fls. 171/172. Acerca das alegações descritas, o Acórdão recorrido assim se pronunciou: 9.1. Com relação ao depósito do Banco baú em 24/11/1998, no valor de R$ 3.072,00 alegando que nesse valor consta R$ 2.000,00 referente a doação de sua mãe. Cotejando os valores exigidos a título de omissão de rendimentos constantes às fls. 171/172, observase que o valor de R$ 2.000,00 a que o interessado se reporta, já foi considerado pela fiscalização, não fazendo parte do valor exigido no Auto de Infração, como pode ser visto às fls. 171/172, pois do valor (R$ 8.072,00) de depósitos no Banco Itaú (fls. 171), na verdade a fiscalização excluiu os R$ 2.000,00 pretendidos, tanto que só considerou a título de omissão de rendimentos com base nos depósitos não comprovados no Itaú' no mês de novembro de 1998, o valor de R$ 3.036,00, desse modo, não procede a argüição do requerente, mantendose a tributação como apurado no Auto de Infração, para o mês de novembro de 1998. 9.3. Com relação a afirmação do impugnante que os empréstimos concedidos pelo Sr. Carlos Alberto Gomiero que deram origem a Ação Monitória contra o interessado, referem se todos ao anocalendário de 1998, não pode ser aceito, pois, conforme consta da informação de fls. 168/169, está claro que parte dos empréstimos realmente ocorreram no anocalendário de 1997, e quanto aos que ocorreram no decorrer do ano calendário de 1998, já foram considerados pela fiscalização e não constam dos créditos ou depósitos apurados pela fiscalização a título de omissão de rendimentos, por falta de comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações mantidas junto as instituições financeiras, como pode ser visto nas planilhas de fls. 171/172. A respeito dessas alegações o requerente não acostou nenhuma prova, além daquelas já apresentadas ou alegadas no decorrer da ação fiscal, que no Fl. 226DF CARF MF 8 caso não foi acatada pela fiscalização no que se refere a transposição dos empréstimos efetivados no ano de 1997, para o ano de 1998, como pretende o interessado. 9.4. Nesse sentido, não pode prevalecer a pretensão do contribuinte de que sejam excluídom da tributação os valores mencionados a seguir: Banco HSBC c/c 1014 — 0213110 data 16/06/1998 no valor de R$ 12.000,00; 29/07/1998, valor R$ 2.500,00; 10/08/1998 valor R$ 2.500,00; Banco Itaú Ag. 0058 c/c 009754/100 data 06/02/1998, valor R$ 4.300,00; Banco do Brasil Ag. 0118 c/c 107727 data 06/01/1998, valor R$ 2.000,00; 27/07/1998 valor R$ 4.100,00; 09/11/1998 valor R$ 5.000,00. 9.5. Ademais, cotejandose os valores acima relacionados com os valores dos empréstimos constantes às fls. 168/169, verifica se não existir coincidência em datas e valores. Por outro lado, no que se refere ao depósito no Banco HSBC em 16/06/1998 no valor de R$ 12.000,00, não consta da planilha de fls. 172, a título de depósitos cuja origem não foi comprovada. Ressaltese entretanto, no que se refere aos demais valores constantes do item 9.4. acima relacionados, estes foram considerados a título de depósito cuja origem não foram comprovadas na planilha de fls. 172, apenas pela metade dos valores respectivos citados. Ou seja, ainda que tivesse o impugnante trazido provas da origem dos citados valores depositados, estes não poderiam ser excluídos em sua totalidade como pretende o peticionante. 9.6. Portanto, não tendo o interessado trazido aos autos provas capazes de comprovar a origem da metade dos valores dos depósitos considerados, como demonstrado no item precedente, mantémse a omissão de rendimentos dos citados valores como demonstrado na planilha de fls. 172 e apurado no Auto de Infração de fls. 5/10. Compulsandose os autos, fl. 171, observase que o valor de R$ 3.072,00 (dia 24/11/1998) está contido na planilha de depósitos não justificado pelo contribuinte, o que indica que o valor de R$ 2000,00 a título de doação não foi efetivamente excluído. Assim, dou provimento ao recurso do contribuinte para que seja excluído o valor de R$ 2.000,00, pois se tratou de doação realizada ao contribuinte, como reconheceu a Delegacia de origem, e, pelo que se depreende dos autos, tal valor não foi devidamente excluído do lançamento. No que se referem aos empréstimos realizados pelo contribuinte, não obstante suas alegações no sentido de que todos os empréstimos ocorreram em 1998, cabe destacar que a informação de fls. 168 a 169 (prestada pelo contribuinte) discrimina as datas dos empréstimos e esclarece que ocorreram também em 1997. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13855.001593/200373 Acórdão n.º 2201003.465 S2C2T1 Fl. 6 9 Sobre os empréstimos abaixo discriminados, cumpre destacar que, apesar de supostamente terem ocorrido no ano de 1998, não coincidem com as datas e valores dispostos na informação prestada pelo contribuinte com relação aos empréstimos, conforme segue: Banco HSBC c/c 1014 — 0213110 data 16/06/1998 no valor de R$ 12.000,00; 29/07/1998, valor R$ 2.500,00; 10/08/1998 valor R$ 2.500,00; Banco Itaú Ag. 0058 c/c 009754/100 data 06/02/1998, valor R$ 4.300,00; Banco do Brasil Ag. 0118 c/c 107727 data 06/01/1998, valor R$ 2.000,00; 27/07/1998 valor R$ 4.100,00; 09/11/1998 valor R$ 5.000,00. Com a averiguação dos números dos cheques e datas constantes da ação monitória e citados valores de cheques, não há como considerar a origem dos depósitos, diante da ausência de provas. Portanto, não merece reparo a decisão recorrida, sob esse aspecto, tendo em vista que o próprio contribuinte prestou a informação com as datas dos empréstimos realizados no ano de 1997 e não demonstrou, de forma individualizada, a origem dos depósitos em questão. Além do exposto, o recorrente dispõe que não foram abatidos os empréstimos, conforme asseverou o acórdão recorrido, mas não houve a indicação probatória de tal argumento. Ressaltase que o auto de infração descreveu a situação da seguinte forma, fl. 7: Todas as justificativas, com comprovação de datas e valores, foram verificadas por essa fiscalização, sendo confirmada a veracidade dos fatos e excluídos do presente lançamento os valores comprovados cuja origem não está sujeita à tributação. No que se refere, porém, a alegação genérica por parte do contribuinte que muitos depósitos eram referentes a empréstimos pessoais durante o ano de 1998, conforme comprovação de cobrança por parte, de credor através de Ação Monitória (fls.1541156), foi verificado junto ao suplicante que tais empréstimos ocorreram não só no ano de 1998 mas também em relação a exercícios anteriores à 1998 conforme documentos de fls. 166/170. Assim, foram excluídos os valores emprestados no ano de 1998, do presente lançamento, que foram comprovados com documentação hábil e idônea, não pelo contribuinte, mas pelo seu credor na Ação Monitória. Assim, nego provimento ao recurso, nessa parte, diante da ausência de provas do alegado Nesse contexto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir do lançamento o valor de R$ 2.000,00 recebidos a título de doação. Assinado digitalmente. Fl. 228DF CARF MF 10 Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 229DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.005139/2010-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
LEI N. 8.218/1991, ARTIGO 11. MANUTENÇÃO DE REGISTROS CONTÁBEIS E FISCAIS EM MEIOS INFORMATIZADOS. ALCANCE DESSE ARTIGO DA LEI.
O artigo 11 da Lei n. 8.218/1991: (i) não obriga a pessoa jurídica a adotar sistema informatizado para registrar negócios e atividades econômico-financeiras, (ii) não obriga que a pessoa jurídica que adote esse tipo de sistema de processamento de dados o faça para todos os seus negócio e atividades econômico-financeiras, mas possa incluir no sistema de processamento as partes de seus negócios e atividades e registros contábeis e empresariais que lhe for conveniente e possível, (iii) não pode obrigar a pessoa jurídica a incluir nesses arquivos os documentos que não foram emitidos por terceiros ou que não foram entregues à pessoa juridíca.
PAF. COMPETENCIA DO JULGADOR PARA EXCLUIR PENALIDADE DA EXIGÊNCIA FISCAL OU PARA REFORMAR DECISÃO PROFERIDA NO PROCESSO ADMINISTRATIVA.
Está assente a base de lei para o Colegiado, em processo administrativo, decidir pela exclusão da penalidade proposta pela autoridade fiscal ou pela administração tributário fiscal ou decide afastar as razões da autoridade de administração para reconhecer ou negar direito ou pretensão do administrado ou contribuinte. O exercício dessa competência e atribuição não colide com o disposto no inciso VI do artigo 97 do CTN, ao contrário, confirma-a na medida em que ela é a expressão dos Princípios maiores que regem o ordenamento jurídico a e a aplicação do direito, em especial a garantia do devido processo legal, do amplo direito de defesa e do contraditório.
Numero da decisão: 3401-003.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os embargos de declaração apresentados, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e André Henrique Lemos, que sequer conheciam dos embargos.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Erro! A origem da referência não foi encontrada. - Redator designado.
EDITADO EM: 09/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 LEI N. 8.218/1991, ARTIGO 11. MANUTENÇÃO DE REGISTROS CONTÁBEIS E FISCAIS EM MEIOS INFORMATIZADOS. ALCANCE DESSE ARTIGO DA LEI. O artigo 11 da Lei n. 8.218/1991: (i) não obriga a pessoa jurídica a adotar sistema informatizado para registrar negócios e atividades econômico financeiras, (ii) não obriga que a pessoa jurídica que adote esse tipo de sistema de processamento de dados o faça para todos os seus negócio e atividades econômicofinanceiras, mas possa incluir no sistema de processamento as partes de seus negócios e atividades e registros contábeis e empresariais que lhe for conveniente e possível, (iii) não pode obrigar a pessoa jurídica a incluir nesses arquivos os documentos que não foram emitidos por terceiros ou que não foram entregues à pessoa juridíca. PAF. COMPETENCIA DO JULGADOR PARA EXCLUIR PENALIDADE DA EXIGÊNCIA FISCAL OU PARA REFORMAR DECISÃO PROFERIDA NO PROCESSO ADMINISTRATIVA. Está assente a base de lei para o Colegiado, em processo administrativo, decidir pela exclusão da penalidade proposta pela autoridade fiscal ou pela administração tributário fiscal ou decide afastar as razões da autoridade de administração para reconhecer ou negar direito ou pretensão do administrado ou contribuinte. O exercício dessa competência e atribuição não colide com o disposto no inciso VI do artigo 97 do CTN, ao contrário, confirmaa na medida em que ela é a expressão dos Princípios maiores que regem o ordenamento jurídico a e a aplicação do direito, em especial a garantia do devido processo legal, do amplo direito de defesa e do contraditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 51 39 /2 01 0- 54 Fl. 712DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os embargos de declaração apresentados, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e André Henrique Lemos, que sequer conheciam dos embargos. Rosaldo Trevisan Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Erro! A origem da referência não foi encontrada. Redator designado. EDITADO EM: 09/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao amparo do art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão n° 3401003.218, que possui a seguinte ementa: Acórdão 3401003.219 4a Câmara / 1a Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2016. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2007 ARQUIVOS MAGNÉTICOS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. MULTA DESCABIMENTO Somente é aplicável a multa do inciso II do artigo 12 da Lei n. 8.218/1991 quando ficar comprovado que a contribuinte omitiu ou prestou informação incorreta de atividade, negócio, documento ou registro empresarial, contábil ou fiscal daquilo que ela abrangeu pelos seus sistemas informatizados, e que deve ser mantido em ordem à disposição da autoridade tributáriofiscal por 10 anos. O artigo 11 dessa Lei não obriga o contribuinte a incluir todas as suas atividades, negócios, documentos e registros em sistemas informatizados. O Ato Declaratório COFINS 15/2001 não obriga a contribuinte a incluir em seu sistema informatizado os documentos emitidos por terceiros e por ela não recebidos. NOTAS FISCAIS SIMBÓLICAS. NÃO OBRIGATORIEDADE. A não inclusão nos sistemas informatizados das notas fiscais simbólicas emitidas por terceiros e recebidas pela contribuinte não configura o sentido e o Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10283.005139/201054 Acórdão n.º 3401003.748 S3C4T1 Fl. 3 3 tipo infracional dado pelo inciso II do artigo 12 da Lei n. 8.218/1991, pois ela não constitui omissão de informação solicitada, ou de prestação incorreta de informação solicitada, além do fato delas não terem expressão de efetiva operação, mas apenas de controle formal adjetivo. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Waltamir Barreiros participou do julgamento e proferiu voto em sessão de julho/2016. Fez sustentação oral, pela recorrente, Cristiane Romano, OABDF n° 1.503A. Robson José Bayerl Presidente e Relator. Eloy Eros da Silva Nogueira Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Waltamir Barreiros, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. A Embargante afirma que o acórdão deixou de justificar o afastamento do artigo 97, inciso VI do CTN, pois afastou imotivadamente o comando da lei que motivou o lançamento, e terminou por criar hipótese de exclusão de penalidade não prevista em lei, violando o Princípio da Legalidade. Conclui pedindo que a E. Câmara se manifeste a respeito e justifique o afastamento desse dispositivo do CTN, uma vez que, em seu entendimento, isso correspondeu a verdadeira declaração de inconstitucionalidade por meio indireto. In verbis a argumentação da Ilustre embargante: A fiscalização identificou, com base no exame dos dados constantes dos arquivos digitais fornecidos pela autuada, referentes ao exercício fiscal 2006, a omissão do registro de retornos de mercadorias ou materiais remetidos para deposito ou para industrialização, respectivamente. Diante dessa constatação, considerou ter havido infringência aos requisitos legais estabelecidos para a elaboração dos referidos arquivos, eis que ausentes informações de fornecimento obrigatório, nos termos do ADE COFINS n° 15/2001, que tem fundamento legal nos arts. 11 e 12 da Lei n°8.218/91. [...] Consta na legislação tributária, a determinação de que os arquivos digitais obrigatórios devem conter todas as notas fiscais referentes às entradas e saídas ocorridas na pessoa jurídica, emitidas pela empresa ou por terceiros, ainda que não haja movimentação física de mercadorias ou a geração de débitos ou créditos tributários. Não existe na legislação, hipóteses de exclusão da citada imposição. No entanto, apesar da ausência dessa previsão legal, a e. 1a Turma Ordinária suprimiu a multa, sem, contudo, justificar o afastamento do art. 97, VI do CTN. Eis a redação do art. 97, VI do CTN: Fl. 714DF CARF MF 4 "Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades". (Grifos nossos) Ao afastar imotivadamente o referido comando, a e. P Turma terminou por criar hipótese de exclusão de penalidade não prevista em lei, violando, por consequência, o Princípio da Legalidade. [..] Ora, se não há dúvida de que o contribuinte praticou a conduta prevista no art. 12, II da Lei n° 8.218/91, não há qualquer possibilidade de se admitir, neste caso, um procedimento discricionário da autoridade fiscal, em que esta poderia deixar ou não de aplicar a penalidade, segundo sua mera conveniência. Por fim, ressaltase que não se pretende aqui, com a presente peça, alterar o entendimento do acórdão ora embargado. O que se busca é a manifestação do C. Colegiado sobre esse inafastável ponto. Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso, para que esta e. Câmara justifique o afastamento do art. 97, VI do CTN, fato que correspondeu à verdadeira declaração de inconstitucionalidade por meio indireto. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Este processo tem como objeto auto de infração que constituiu e exige multa por ausência de informações em arquivos magnéticos, baseada no art. 12, II da Lei n° 8.218/91. De acordo com o relator do acórdão recorrido, "... foi constatada expressiva movimentação de valores sob os títulos "Remessa para Industrialização", CFOP 5.901, e "Remessa para Depósito Fechado", CFOP 5.905, sem a indicação, nos arquivos magnéticos, dos respectivos retornos, segundo o contribuinte, realizados nos CFOPs 1.902, 1.903, 1.906 e 1.907. Intimado a justificar a situação e apresentar as notas fiscais correspondentes, o contribuinte inicialmente apresentou alguns documentos, porém, não incluídos nos arquivos magnéticos, informando, posteriormente, que as notas fiscais de retorno eram meramente simbólicas, não possuindo qualquer relevância no controle das operações." Na instância a quo, no mérito, os julgadores havia mantido a autuação, como se vê pelo entendimento firmado no trecho especifico da sua ementa, in verbis: Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10283.005139/201054 Acórdão n.º 3401003.748 S3C4T1 Fl. 4 5 ARQUIVOS DIGITAIS. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INFRAÇÃO DE MERA CONDUTA. MULTA Os dados das notas fiscais de retorno de mercadorias ou produtos remetidos para depósito ou industrialização devem estar inclusos nos arquivos digitais de fornecimento obrigatório ao Fisco, conforme se extrai das disposições contidas nos Itens 4.3 e 4.9 do Anexo Único do ADE Cofis n° 15/2001, que tem amparo legal no art. 11, § 3°, da Lei n° 8.218/91. A ausência dessas informações configura infração que, nos termos do caput do art. 12 do referido Diploma Legal, é de mera conduta, ensejando assim a aplicação da multa prescrita no inciso II desse mesmo artigo, independentemente das consequências dessa omissão, ou de sua vinculação a outras irregularidades eventualmente apuradas." Mas o Colegiado de 2º piso adotou entendimento diferente, e deu provimento ao recurso voluntário, como podemos ver na ementa reproduzida acima, e agora questionada pela Procuradoria da Fazenda Nacional por recurso singular em sede de Embargos. Vou expor aos Senhores Conselheiro as razões por que entendo que ele deve ser conhecido, mas, no mérito, não deve ser acolhido. Primeiramente, a embargante afirma que seriam de inclusão obrigatória nos registros, arquivos e sistemas informatizados e digitais (indicados nos artigos 11 e 12 da Lei n. 8218/1991) as notas fiscais simbólicas referentes a retorno de mercadorias/materiais para depósito ou para industrialização, Invoca o ADE COFINS n. 15/2001 para sublinhar que a legislação tributária traz determinação mandatória da inclusão de todas as notas fiscais "referentes às entradas e saídas ocorridas na pessoa jurídica, emitidas pela empresa ou por terceiros, ainda que não haja movimentação física de mercadorias ou a geração de débitos ou créditos tributários." Consciente de que a Embargante certamente não pretenderia rediscutir o contraditório e a matéria, apressome a trazer ao Colegiado o entendimento de que o acórdão recorrido adotou interpretação da legislação diametralmente oposta à esposada pela recorrente, e também pelos Julgadores a quo e pela autoridade de lançamento. Inicialmente, na visão do Colegiado o disposto no artigo 11 da Lei n. 8.218/1991: (i) não obriga a pessoa jurídica a adotar sistema informatizado para registrar negócios e atividades econômicofinanceiras, (ii) não obriga que a pessoa jurídica que adote esse tipo de sistema de processamento de dados o faça para todos os seus negócio e atividades econômicofinanceiras, mas possa incluir no sistema de processamento as partes de seus negócios e atividades e registros contábeis e empresariais que lhe for conveniente e possível, (iii) não pode obrigar a pessoa jurídica a incluir nesses arquivos os documentos que não foram emitidos por terceiros ou que não foram entregues à pessoa juridíca. Do mesmo modo o ADE COFIS n. 15/2001, que não pretende ir além do disposto na Lei, e não pretende impor que na pessoa jurídica adote sistema informatizado, ou o Fl. 716DF CARF MF 6 faça para a totalidade de seus negócios, atividades e registros, e não pretende que ela seja obrigada a incluir documentos que ela não tenha recebido. Naturalmente que a pessoa jurídica passa a estar obrigada a manter em ordem os arquivos e documentos dos negócios e das atividades e dos registros que tenham passado a ser tratados por sistema de processamento de dados. E esses arquivos e documentos eletrônicos devem estar à disposição da autoridade tributário fiscal. Ademais, a decisão recorrida apontou que o fato descrito não correspondeu ao tipo infracional: Ademais, nesse caso, a autoridade fiscal utilizou os registros de controle do estoque para demonstrar a ocorrência da infração. Entendemos que o controle do estoque pode demonstrar que houve uma falha nos registros de movimentação, justamente que seria saneado pela nota fiscal de movimentação simbólica. Mas, em nossa análise, essa constatação não se confunde com a base e a descrição da infração aqui em discussão: o fato de encontrar registro de movimentação de estoque a que se imputa falta de registro de nota fiscal simbólica não tem identidade com o fato de não estar mantida em meio digital nota fiscal simbólica. As suas materialidades são distintas. Se a infração fosse a existência de um controle de estoque em que se constata a falta de registro correspondente à nota fiscal simbólica, certamente o texto da lei não deixaria de apontar isso com precisão e clareza. Não procede imputar omissão de informação ou prestação incorreta de informação solicitada pela falta de inclusão nos sistema informatizados e nos arquivos digitais de notas fiscais simbólicas (que seriam emitidas pelos terceiros) deduzida a partir simplesmente da movimentação dos estoques, sem demonstrar que elas foram emitidas e chegaram à posse da contribuinte. De outro lado, o controle do estoque trazia a verdade dos fatos, ele não tinha recebido as notas fiscais simbólicas. Essa situação corresponde, a nosso ver, à forma que se espera de uma escrituração, que seja verdadeira, que não esteja trazendo informações inverídicas, falsas. A falta de registro das notas de movimentação simbólica emitidas por terceiros e recebidas pela contribuinte não corresponde ao tipo infracional (omissão e prestação incorreta de informações solicitadas e indiretamente o não atendimento da forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos). Com essas breves considerações, que, em resumo, sugerem que o fato (falta de notas fiscais de movimentação simbólica que seriam emitidas por terceiros, a partir do registro de movimentação de estoque) NÃO CORRESPONDE AO TIPO INFRACIONAL (omissão e prestação incorreta de informações solicitadas e indiretamente não atendimento da forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos por não manter digitalizadas as notas fiscais de movimentação simbólica), e que FALTOU COMPROVAÇÃO DO IMPUTADO (pois não demonstrado que a contribuinte não incluiu no sistema informatizado e nos arquivos digitais todas essas notas e que a contribuinte as tinha em sua posse), é que entendemos deverseia dar provimento ao recurso voluntário, de forma a cancelar a exigência. Daí o firmado na Ementa do acórdão recorrido: Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10283.005139/201054 Acórdão n.º 3401003.748 S3C4T1 Fl. 5 7 ARQUIVOS MAGNÉTICOS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. MULTA DESCABIMENTO Somente é aplicável a multa do inciso II do artigo 12 da Lei n. 8.218/1991 quando ficar comprovado que a contribuinte omitiu ou prestou informação incorreta de atividade, negócio, documento ou registro empresarial, contábil ou fiscal daquilo que ela abrangeu pelos seus sistemas informatizados, e que deve ser mantido em ordem à disposição da autoridade tributáriofiscal por 10 anos. O artigo 11 dessa Lei não obriga o contribuinte a incluir todas as suas atividades, negócios, documentos e registros em sistemas informatizados. O Ato Declaratório COFINS 15/2001 não obriga a contribuinte a incluir em seu sistema informatizado os documentos emitidos por terceiros e por ela não recebidos. NOTAS FISCAIS SIMBÓLICAS. NÃO OBRIGATORIEDADE. A não inclusão nos sistemas informatizados das notas fiscais simbólicas emitidas por terceiros e recebidas pela contribuinte não configura o sentido e o tipo infracional dado pelo inciso II do artigo 12 da Lei n. 8.218/1991, pois ela não constitui omissão de informação solicitada, ou de prestação incorreta de informação solicitada, além do fato delas não terem expressão de efetiva operação, mas apenas de controle formal adjetivo. Por isso, considero que o recurso da embargante parte de pressupostos (por exemplo: "Ora, se não há dúvida de que a contribuinte praticou a conduta prevista no artigo 12, inciso II da Lei n. 8.218/1991,,") que foram analisados e afastados pela decisão recorrida, e temos que cuidar para que não incorramos em reapreciar o mérito nesta oportunidade. Em segundo ponto, a Embargante sugere que decisão recorrida deixou de estar motivada para afastar o comando do inciso II do art. 12 da Lei n. 8.218/1991, e que a exclusão da penalidade desatendeu o Princípio da Legalidade e deixou de justificar o disposto no inciso VI do artigo 97 do CTN. Pareceme que está assente a base de lei para o Colegiado, em processo administrativo, decidir pela exclusão da penalidade proposta pela autoridade fiscal ou pela administração tributário fiscal. A meu ver, a motivação desse tipo de decisão pelo Colegiado, e a sua legalidade, residiria: · nos incisos XXIV, LIV, LV e LVI do artigo 5º da Constituição Federal CF/1988, · Lei n. 5.172, de 1966 (em especial artigos 7º, 96, 100, 149, 156 inciso IX, 170 a 173, título IV), · Decretolei n. 37, de 1966 (em especial artigos 97 a 103 e 125 ma 136), · Decretolei n. 822/1969, · Decreto 70.235, de 1972 (em especial os artigos 25 e 37), · Lei n. 9.784/1999, · Portaria MF n. 343 e Regimento Interno do CARF (em especial os artigos 1º, 2º e 63 do Anexo II do RICARF) Fl. 718DF CARF MF 8 Quando, por exemplo, o Colegiado decide que o fato descrito pela autoridade fiscal não se subsume à hipótese da lei, ela está afastando a exigência ou desconstituindoa com suporte na competência e na atribuição dada pelo conjunto legal acima listado. Analogamente quanto decide afastar as razões da autoridade de administração para reconhecer ou negar direito ou pretensão do administrado ou contribuinte. O exercício dessa competência e atribuição não colide com o disposto no inciso VI do artigo 97 do CTN, ao contrário, confirmaa na medida em que ela é a expressão dos Princípios maiores que regem o ordenamento jurídico a e a aplicação do direito, em especial a garantia do devido processo legal, do amplo direito de defesa e do contraditório. Por essas brevíssimas considerações é que espero ter conseguido apresentar a solicitada justificativa e que entendo não ter se dado as supostas ilegalidade ou declaração de inconstitucionalidade. Concluo propondo a este Colegiado seja negado provimento ao recurso interposto pela zelosa Procuradoria da Fazenda Nacional em sede de Embargos. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 719DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000773/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
IRRF. RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. AFRETAMENTO INTERNACIONAL.
É zero a alíquota do IRRF incidente sobre pagamentos de fretes, desde que o beneficiário não esteja domiciliado em país com tributação favorecida.
Numero da decisão: 2202-003.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 IRRF. RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. AFRETAMENTO INTERNACIONAL. É zero a alíquota do IRRF incidente sobre pagamentos de fretes, desde que o beneficiário não esteja domiciliado em país com tributação favorecida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1360; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2.822 1 2.821 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000773/200871 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2202003.620 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de janeiro de 2017 Matéria IRRF Remessas para o exterior Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GLOBAL TRANSPORTE OCEÂNICO S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 IRRF. RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. AFRETAMENTO INTERNACIONAL. É zero a alíquota do IRRF incidente sobre pagamentos de fretes, desde que o beneficiário não esteja domiciliado em país com tributação favorecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 07 73 /2 00 8- 71 Fl. 2822DF CARF MF 2 Reproduzo o relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), que bem sintetiza os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. 1. No dia 22.07.2008, foi lavrado o auto de infração de fls. 1.537/1.610 para exigir da interessada imposto de renda na fonte no valor de R$ 25.805.571,64 (IRRF), multa proporcional de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, sob a acusação de ela ter deixado de reter e recolher o referido imposto sobre rendimentos derivados de afretamentos pagos a residentes ou domiciliados no exterior (enquadramento legal: artigos 18 e 28 da Lei n° 9.249, de 1995, art. 12 da Lei n° 9.718, de 1998, e art. 2° da Lei n° 10.168, de 2000, com a redação dada pela Lei n° 10.332, de 2001). 2. Encontrase ás fls. 1.517/1.519 um termo de constatação fiscal no qual a autuante relata, em síntese: 2.1. que, intimada, a interessada lhe informou: a) que todos os afretamentos listados no termo de intimação fiscal n° 17 estão sujeitos à aliquota zero, de acordo com o inciso I do art. 691 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/1999); b) que a ANTAQ — Agência Nacional de Transportes Aquaviários — é a autoridade mencionada no referido dispositivo legal; e c) que, de acordo com a sua Resolução nº 195, de 2004, tais afretamentos prescindiram da sua autorização; 2.2. que, em face dessa informação, houve por bem deixar claro que não vislumbra o menor laivo de incompatibilidade entre os diplomas legais que lastreiam os artigos 691 e 711 do RIR/1999, pois o segundo instituiu a tributação em questão e o primeiro estabeleceu a isenção no caso de afretamento; 2.3. que a isenção prevista no inciso I do art. 691 é subordinada à aprovação, pela ANTAQ, dos serviços de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações ou aeronaves estrangeiras feitos por empresas; 2.4. que, como a interpretação da legislação tributária que disponha sobre isenção é literal por força do art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), não havendo a aprovação da ANTAQ, não há a redução a zero da alíquota do imposto; 2.5. que a ANTAQ tem a finalidade especifica de autorizar o afretamento de embarcações estrangeiras por empresas de navegação brasileiras, desde que atendidos os requisitos legais e sempre na defesa dos interesses da frota mercante nacional nas navegações de apoio portuário, marítimo, de cabotagem e de carga prescrita, isto é, federal, estadual, municipal ou importada com favores governamentais, ou com financiamento de estabelecimento oficial de crédito; 2.6. que, assim, a ANTAQ age na defesa do mercado interno reservado aos navios de bandeira brasileira na navegação de cabotagem, de apoios portuário e marítimo e de carga prescrita, não interferindo no afretamento de embarcações estrangeiras Fl. 2823DF CARF MF Processo nº 18471.000773/200871 Acórdão n.º 2202003.620 S2C2T2 Fl. 2.823 3 para transporte exclusivo de carga não reservada a embarcação nacional; 2.7. que, portanto, não existe sequer a previsão de autorização quando a operação aquaviária não estiver reservada a embarcação de bandeira brasileira; 2.8. que as autorizações, quando existentes, visam a defender os interesses nacionais, uma vez que a lei reservou, com exclusividade, algumas atividades para embarcações brasileiras e as autorizações liberam essa exclusividade quando atendidos os pressupostos e requisitos legais na defesa dos interesses do comércio marítimo nacional; 2.9. que, assim, se inexistem autorizações, inexistem interesses nacionais a serem defendidos; 2.10. que a ANTAQ, embora seja a autoridade competente constante no inciso I do art. 691 do RIR/1999, não se vincula diretamente à isenção nele prevista; em outras palavras, não concede autorizações visando às isenções de tributos, mas tão somente ao cumprimento da legislação pertinente ao transporte aquaviário; 2.11. que o procedimento da ANTAQ se encontra em total harmonia com a tributação existente, pois se não há autorização, não há interesse nacional algum a ser defendido; tributase então, portanto, a operação de afretamento de embarcação estrangeira, a não ser que haja reciprocidade no tratamento concedido as empresas brasileiras pelo país estrangeiro que sedie as empresas envolvidas no afretamento das embarcações estrangeiras; 2.12. que, desse modo, se os afretamentos, como os listados no termo de intimação n° 17, não dependem de autorização do órgão competente, significa dizer que não estão reservados às embarcações brasileiras; significa dizer, ainda, que não representam reserva de mercado; que não representam interesse nacional algum e, portanto, não estão amparados pelo beneficio fiscal; 2.13. que, no entendimento da interessada, a autorização da ANTAQ e a sua inexistência têm, ambas, o condão de conceder a isenção tributária; e 2.14. que, contudo, não há isenção sem que haja a aprovação daquela agência reguladora. 3. Cientificada do lançamento em 23.07.2008, a interessada o impugnou no dia vinte e um seguinte (fls. 1.619/1.637). Alegou, em resumo: 3.1. que a aplicabilidade da alíquota zero ao presente caso se fundamenta na literalidade da lei; Fl. 2824DF CARF MF 4 3.2. que o art. 10 da Lei n° 9.491, de 1997 (art. 691 do RIR/1999), alterado pelo art. 20 da Lei n° 9.532, de 1997, estabelece que a alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no Pais, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida a zero, na hipótese de esses rendimentos decorrerem de fretes, afretamentos, alugueis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobreestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; 3.3. que o art. 691, I, do RIR11999, é norma especifica, uma vez que norma geral de tributação sobre rendimentos auferidos no Pais por empresas de navegação marítima e aérea domiciliadas no exterior é a que se encontra no art. 711 daquele regulamento ("Estão sujeitos ao imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, os rendimentos recebidos por companhias de navegação aérea e marítima, domiciliadas no exterior, de pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no Brasil); 3.4. que, para dirimir qualquer dúvida sobre a existência de conflito entre esses artigos do RIR/1999, além do aspecto temporal, ou seja, o de que a lei da alíquota zero, o art. 691, é posterior à lei que determina a incidência da alíquota de 15% (quinze por cento), o art. 711 ; há de se ter em mente o principio da especialidade segundo o qual a norma especial prevalece sobre a geral; 3.5. que, enquanto o art. 691 trata especificamente das atividades sujeitas à alíquota zero, o art. 711 trata tãosomente dos demais rendimentos do residente ou domiciliado no exterior; 3.6. que tal princípio cria uma relação de especialidade e subsidiariedade entre os dois dispositivos que lhes permite vigência simultânea, na qual o especifico, o art. 691, é aplicado em regra, e o geral, o art. 711, é aplicado de forma subsidiária, tudo conforme o art. 2°, § 2°, da Lei de Introdução ao Código Civil ("Art. 2° Não se destinando .6 vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue". "§ 2° A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior."); 3.7. que, portanto, neste caso, as disposições do art. 691 devem prevalecer sobre as do art. 711; 3.8. que confirmam o seu entendimento o voto condutor ao Acórdão 1212.186, de 30.10.2006, proferido pela 2a Turma da DRJ/RJI no processo n° 18471.001396/200544, o Acórdão 10418.892, de 2002, do Primeiro Conselho de Contribuintes e as Soluções de Consulta n° 276, de 2004, e a n° 105, de 2001, da 9ª e da 7ª Regiões Fiscais, respectivamente; 3.9. que esse entendimento, contudo, não foi partilhado pela autuante, que, para lhe autuar, fundamentouse na tese de que a autorização da ANTAQ é pressuposto indispensável e indissociável para o gozo da redução a zero da aliquota do IRRF, nos termos exigidos pelo art. 691, I, do RIR/1999; Fl. 2825DF CARF MF Processo nº 18471.000773/200871 Acórdão n.º 2202003.620 S2C2T2 Fl. 2.824 5 3.10. que tal interpretação não é de modo algum literal, como exige o art. 111 do CTN, na medida em que transforma a dispensa de aprovação prévia das operações pela ANTAQ em justificativa para negar a aplicação da alíquota zero. Em outras palavras, a autuante assevera que, já que as operações autuadas estavam dispensadas de aprovação pela ANTAQ porque a agência apenas concede autorizações quando se trata de operações ligadas à reserva de mercado nacional (cabotagem e transporte de cargas prescritas), todas as demais operações não ligadas à tal reserva não poderiam gozar do favor fiscal, porque não contariam com a autorização expressa da agência reguladora; 3.11. que, dessa maneira, segundo a fiscalização, se não há interesse nacional a ser preservado nas operações de transporte marítimo, não há razão para lhes dispensar õ tratamento fiscal favorecido; 3.12. que, com a devida vênia, tal interpretação é absurda e desprovida de qualquer fundamento jurídico, e a sua autora tenta ser mais realista que o rei; 3.13. que é importante ressaltar também que todos os pagamentos a não residentes no Pais, objeto da autuação, foram verificados pelas instituições financeiras fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil (BACEN) e que não se pode remeter valores ao exterior sem que a instituição financeira — e por via de conseqüência, o BACEN — verifique a natureza e a regularidade da remessa, até mesmo se ela está sujeita à tributação do IRRF (RIR/1999, art. 880 — "O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do Pais, sem a prova de pagamento do imposto". Parágrafo único — "Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato"); 3.14. que jamais a instituição financeira ou o BACEN exigiram dela ou de qualquer outra empresa de navegação o recolhimento prévio do IRRF sobre as remessas de valores para pagamento de fretes e afretamentos, porque a legislação fiscal é cristalina ao estabelecer que tais operações estão sujeitas é alíquota zero; 3.15. que a expressão "desde que aprovadas pelas autoridades competentes" contida na lei quer dizer tãosomente "desde que não proibidas pelas autoridades competentes"; e 3.16. que a dispensa de aprovação pela ANTAQ, a qual decorre do art. 10, II, da Lei n° 9.432, de 1997, não pode significar que as operações em comento seriam proibidas pela legislação reguladora das atividades do transporte marítimo. 4. É o relatório. A Sexta Turma da DRJ/RJOI, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, cuja decisão foi consubstanciada no Acórdão nº 1221.511. A ementa foi assim redigida: Fl. 2826DF CARF MF 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. AFRETAMENTO. Os pagamentos por afretamentos, feitos por empresas a residentes ou domiciliados em pais cuja tributação sobre a renda não seja inferior a 20% (vinte por cento), estão livres do imposto de renda na fonte em função da redução a zero da sua alíquota. Lançamento Improcedente Tendo em vista que o crédito tributário exonerado foi superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, foi submetido à apreciação do CARF o Recurso de Ofício. A Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) apresentou as seguintes razões para o provimento do Recurso de Ofício (fls. 2.685/2.719), em síntese: a premissa utilizada pela DRJ, da suposta dispensa de autorização, não é verdadeira, pois não é isso que se extrai da interpretação e da análise do caso concreto; o Contribuinte somente alega genericamente que os afretamentos realizados são dispensados de aprovação, sem fazer nenhuma prova de seu enquadramento na dispensa de autorização; para aferir se a situação do sujeito passivo efetivamente se enquadra no contexto de dispensa de autorização é necessário interpretar a legislação em regência; no caso de dispensa em destaque, temse o afretamento de embarcação estrangeira para navegação de longo curso ou interior de percurso internacional, quando não aplicáveis as disposições do DecretoLei nº 666/1969; em relação às navegações de longo curso, o Decretolei referido somente se aplica ao transporte de cargas importadas de países que favoreçam os navios de sua bandeira, tal como dispõe a Lei n° 9432/1997, em seu art. 5°, § 1°: do corpo normativo depreendese que a aprovação é dispensada quando as embarcações estrangeiras não sejam afretadas para o transporte de cargas não reservadas a bandeira brasileira. A PFN passa a apreciar cada afretamento individualizado, indicando tratarse de navegação de cabotagem e, nesse caso, defende que seria exigida a autorização do órgão competente, não se enquadrando na norma de isenção do art. 691, I, do RIR/99. A Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento, na sessão de 15 de outubro de 2013, resolveu converter o julgamento em diligência para que se desse vista ao Contribuinte das razões da PFN (fls. 2.726 a 2.733), visando à preservação do contraditório e da ampla defesa. O Contribuinte apresentou as contrarrazões (fls. 2.785 a 2.796), fazendo as seguintes alegações, em resumo: Fl. 2827DF CARF MF Processo nº 18471.000773/200871 Acórdão n.º 2202003.620 S2C2T2 Fl. 2.825 7 era incontroverso o fato de que a autuação tratava de pagamentos de fretes internacionais, como expressamente foram classificados pelas próprias autoridades fiscais, os quais estavam dispensados de autorizações prévias; a controvérsia somente existia quanto à interpretação jurídica dos fatos incontroversos, pois o Contribuinte entendia que seria aplicável a alíquota zero, uma vez que autorizados pela Resolução da ANTAQ, enquanto o Fisco defendia que, para tanto, seriam necessárias aprovações específicas, caso a caso; a decisão de primeira instância reafirmou o entendimento do CARF de que não há como admitir que uma operação de afretamento de embarcação estrangeira seja tributada simplesmente por não ter sido expressamente autorizada pela ANTAQ, quando essa autorização estava dispensada; A PFN tenta agora substituir a tese inicial do Fisco, procurando alterar os fundamentos fáticos e jurídicos da autuação, violando os princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal; se num primeiro momento as autoridades fiscais alegavam que a legislação aquaviária afirma não depender de autorização as operações, a PFN passa a sustentar exatamente o oposto, ou seja, que os afretamentos em questão não estavam dispensados de autorização do órgão competente; o CARF já firmou entendimento de não ser possível a retificação ou emenda do auto de infração equivocadamente lançado, ante o cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo; ainda que se pudesse aceitar a apreciação da tese da PFN por este Colegiado, o que se admite apenas pelo princípio da eventualidade, está correta a decisão de primeira instância; a Fazenda Nacional sustenta que os navios utilizados percorreram diversos pontos do território brasileiro, o que caracterizaria a navegação de cabotagem, nos termos do art. 2º, IX, da Lei nº 9.432/97, o que não consta da fundamentação legal do auto de infração; nos afretamentos em questão, embora o carregamento das embarcações ocorresse em diversos portos brasileiros, as respectivas descargas ocorriam apenas no exterior, conforme inúmeros conhecimentos de embarque anexados aos autos; não há que se falar em navegação de cabotagem senão quando houver efetivo transporte de carga de um ponto a outro dentro do território nacional. Ao final, requer o Contribuinte o desprovimento do Recurso de Ofício, com a manutenção integral do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 2828DF CARF MF 8 A decisão de primeira instância exonerou um valor de crédito tributário superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, que é de um milhão de reais, razão pela qual o recurso de ofício deve ser conhecido. O lançamento é referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte, sendo exigido um crédito tributário total de R$ 56.478.058,03, incluindo multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados até 30/06/2008, em virtude de o Contribuinte ter deixado de reter na fonte e de recolher o imposto sobre os pagamentos efetuados a residentes ou domiciliados no exterior a título de afretamento de embarcações. No entendimento da autoridade fiscal, não há redução a zero da alíquota do imposto, quando não há aprovação da ANTAQ Agência Nacional de Transportes Aquaviários, conforme Termo de Constatação Fiscal Anexo ao Auto de Infração (fls. 1.553/1.555), transcrito parcialmente abaixo. NÃO HAVENDO APROVAÇÃO PELA ANTAQ NÃO HÁ REDUÇÃO A ZERO DA ALÍQUOTA. Neste ponto devemos observar o real papel institucional da ANTAQ, motivo pela qual efetuamos diligencia nesta prestigiosa Autarquia Federal, através da qual pudemos com clareza alcançar os objetivos da legislação vigente sobre a matéria em discussão e que, em resumo, expomos abaixo: A ANTAQ Agencia Nacional de Transportes Aquaviários autarquia criada pela Lei 10.233/2001 e conforme disposições da Lei 9.432/97, tem, entre outras, a finalidade especifica de autorizar o afretamento de embarcações estrangeiras, pelas empresas de navegação brasileira, desde que atendidos requisitos legais e regulamentares, e sempre na defesa dos interesses da frota mercante nacional nas navegações de apoio portuário, marítimo, de cabotagem e de carga prescrita (i.e, aquela que é importada pela administração publica, direta ou indiretamente, Federal, Estadual ou Municipal ou importada com favores governamentais, ou com financiamento por estabelecimento oficial de crédito). Em suma, a ANTAQ age na defesa do mercado interno reservado aos navios de bandeira brasileira na navegação de cabotagem ,de apoios portuários e marítimos e de cargas prescritas, não interferindo no afretamento de embarcações estrangeiras para transporte exclusivo de carga não reservada a embarcação Nacional. Portanto, inexiste, sequer, a previsão de autorização quando a operação aquaviária não estiver reservada a embarcação de bandeira brasileira. As autorizações, quando existentes, visam defender os interesses nacionais, posto que a lei reservou, com exclusividade, algumas atividades para embarcações brasileiras e as autorizações liberam essa exclusividade atendidos pressupostos e requisitos legais e regulamentares na defesa dos interesses do comercio marítimo Nacional. Ora, se inexistem autorizações, inexistem interesses nacionais sendo defendidos. A ANTAQ, embora seja a "autoridade competente" constante do inciso I do artigo 691, no cumprimento de seus objetivos institucionais não se vincula diretamente a Fl. 2829DF CARF MF Processo nº 18471.000773/200871 Acórdão n.º 2202003.620 S2C2T2 Fl. 2.826 9 isenção prevista, isto é, não concede autorização visando isenções de tributos, mas, tão somente, visando cumprir a legislação referente ao transporte aquaviário. Devemos ainda salientar que o procedimento da ANTAQ se encontra em total harmonia com a tributação existente, pois se não há autorização, não há defesa dos interesses nacionais, tributase então a operação de afretamento de embarcação estrangeira, a não ser que haja reciprocidade com o país estrangeiro em questão. O contribuinte se confunde quando a legislação aquaviária afirma não depender de autorização as operações que listamos no Termo de Intimação Fiscal n° 017. Se os afretamentos listados não dependem de autorização significa dizer que não estão reservados às embarcações brasileiras; significa dizer ainda, que não representam reserva de mercado, que não representa Interesse Nacional e, portanto, não estão amparados pela isenção. Se os afretamentos de embarcações estrangeiras dependem de autorização e estas são concedidas, significa dizer que havia reserva de mercado às embarcações nacionais, mas que tendo sido cumpridos requisitos legais e regulamentares, autorizase a embarcação estrangeira a operar em mercado reservado a embarcação brasileira, neste caso, então, esta operação está abrangida pela isenção. No entendimento do contribuinte a autorização concedida pela ANTAQ e a inexistência de autorização tem, ambas, o mesmo condão de conceder isenção. Observese que o contribuinte obteve diversas autorizações junto a ANTAQ quando efetuou transporte de cabotagem com embarcação estrangeira, e neste caso, aplicamos a isenção do inciso I do artigo 691 do RIR/99, pois, embora a cabotagem seja reservada à embarcação nacional, a ANTAQ, após verificar o cumprimento de requisitos legais e regulamentares, autorizou tal operação, que, portanto, gozou de isenção, se estabelecendo desta forma, a literalidade determinada pela isenção: "NÃO HÁ ISENÇÃO SEM QUE HAJA APROVAÇÃO PELA ANTAQ" Pelo exposto, resta óbvio que os pagamentos dos fretes internacionais listados nos quadros demonstrativos vinculados aos Termos de Intimação Fiscal n° 017, 019 e 021, parte integrante do presente Auto de Infração, estão sujeitos à tributação do artigo 711 do RIR/99 com a aplicação do reajustamento das bases de cálculo previstas no artigo 725 do RIR/99 e Instrução Normativa 15/2001. (destaquei) Observo que a autoridade fiscal confundiu o papel desempenhado pela ANTAQ na regulação do mercado de navegação brasileiro com a instituição da isenção do imposto de renda prevista na legislação tributária. Fl. 2830DF CARF MF 10 A conclusão da Fiscalização foi no sentido de que se os afretamentos não dependem de autorização significa que não estão reservados às embarcações brasileiras e, em consequência não representam reserva de mercado, não estando, portanto, amparados pela isenção fiscal. Em outras palavras, segundo o Fisco, se não há interesse nacional a ser preservado nas operações de transporte marítimo não há razão para a concessão da isenção fiscal. Entretanto, essa conclusão não se baseia nas disposições legais que instituíram o benefício fiscal. O art. 1º, I, da Lei nº 9.481, de 1997 (base legal do art. 691 do RIR/1999), com a redação dada pelo art. 20 da Lei 9.532, de 1997, assim dispõe: Art. 1° A alíquota do imposto de renda na fonte sobre os rendimentos auferidos no Pais, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: I — receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobreestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; A Lei nº 9.779, de 1999, dispôs sobre a incidência do imposto de renda retido na fonte nas operações em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país com tributação favorecida (os chamados "paraísos fiscais"): Art. 8° Ressalvadas as hipóteses a que se referem os incisos V, VII, IX, X e XI do art. 10 da Lei n° 9.481, de 1997, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em pais que não tribute a renda ou que tribute à alíquota inferior a vinte por cento, a que se refere o art. 24 da Lei n° 9.430, de 1996, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de vinte e cinco por cento. Visando à regulamentação da questão, foi editada a Instrução Normativa IN SRF nº 252, de 03/12/2002: Art. 2° Sujeitamse ao imposto de renda na fonte, à alíquota zero, os rendimentos recebidos de fontes situadas no Brasil, por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, na hipótese de pagamento, crédito, emprego, entrega ou remessa de receitas de fretes, afretamentos, alugueis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias. Parágrafo único. Os rendimentos mencionados no caput recebidos por pessoa jurídica domiciliada em país com tributação favorecida sujeitamse ao imposto de renda na fonte alíquota de 25%. Vêse, portanto, que nos casos em que os beneficiários não são domiciliados em paraísos fiscais, os pagamentos por afretamentos feitos por empresas a residentes ou Fl. 2831DF CARF MF Processo nº 18471.000773/200871 Acórdão n.º 2202003.620 S2C2T2 Fl. 2.827 11 domiciliados no exterior estão sujeitos à alíquota zero, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes. No presente caso, verificase que as operações de afretamento em questão não necessitavam de autorização da autoridade competente, que é a ANTAQ, conforme se depreende do que foi relatado pela autoridade fiscal. Aqui cabe transcrever trecho da decisão da DRJ, com a qual concordo e adoto também como razões de decidir: Já adianto que não comungo no entendimento da autuante expresso no termo de constatação fiscal. Não há como admitir que uma operação de afretamento de embarcação estrangeira seja tributada simplesmente por não ter sido expressamente autorizada pela ANTAQ, quando dessa autorização ela estava dispensada. Ora, essa dispensa de autorização, longe de ser uma proibição, é, em última análise, uma autorização prévia. É igualmente um enorme equívoco sustentar que, se os afretamentos, como os listados no termo de intimação n° 17, independem de autorização da ANTAQ, não estão reservados as embarcações brasileiras, não representam reserva de mercado, não representam interesse nacional algum e, por conseguinte, não fazem jus ao beneficio fiscal da redução a zero da alíquota do IRRF. (destaquei) Nesse sentido temos as seguintes decisões do CARF, ressaltando que a primeira referese ao mesmo contribuinte aqui autuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Inocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IRRF RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR AFRETAMENTO INTERNACIONAL É zero a alíquota do IRRF incidente sobre pagamentos de fretes, desde que o beneficiário não esteja domiciliado em país com tributação favorecida. Recurso de Ofício Negado Provimento. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 140200.660, Rel. Carlos Pelá, data da sessão: 04/08/2011). Fl. 2832DF CARF MF 12 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Se legislação determina que a retenha e recolhimento do imposto sobre rendimentos destinados a residentes ou domiciliados no exterior, sem prévio exame da autoridade administrativa, o lançamento está sujeito ao prazo decadencial estabelecido no artigo 150, §4°, do CTN. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IRRF RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR FRETE INTERNACIONAL Será zero a alíquota do IRRF incidente sobre pagamentos de fretes, desde que o beneficiário não esteja domiciliado em país com tributação favorecida. Recurso de oficio negado. (Acórdão nº 10249.246, Rel. José Raimundo Tosta Santos, data da sessão: 10/09/2008). A Procuradoria da Fazenda Nacional defende que havia necessidade de autorização da ANTAQ porque se tratava na realidade de operações de cabotagem. No entanto, esse argumento é contrário ao que constatou a Fiscalização. A autoridade fiscal foi clara no sentido de que as operações efetuadas pelo Contribuinte eram fretes internacionais, tendo inclusive afirmado que, quando se tratava de transporte de cabotagem com embarcação estrangeira, a isenção foi concedida diante das autorizações obtidas junto a ANTAQ. O fundamento da autuação fiscal não foi a necessidade de autorização da ANTAQ em virtude de as operações realizadas terem sido de cabotagem e, por não existirem as autorizações necessárias, a isenção não poderia ser concedida. O verdadeiro argumento utilizado pela Fiscalização foi aquele já rebatido pela decisão da DRJ, ou seja, a autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício pois entendeu que se os afretamentos independem de autorização da ANTAQ é porque não estão reservados às embarcações brasileiras e não representam reserva de mercado, não constituindo interesse nacional algum e, consequentemente, não fazem jus ao beneficio fiscal da redução a zero da alíquota do IRRF. Não há como acolher os argumentos da PFN, uma vez que buscam alterar os verdadeiros fundamentos fáticos e jurídicos da autuação, consistindo em uma inovação, o que viola os princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. O entendimento pacificado no CARF é no sentido de afastar a inovação pelos órgãos de julgamento. Seguem algumas decisões nessa linha: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 Nulidade Da Decisão. Cerceamento Do Direito De Defesa. Constitui cerceamento de defesa a mudança dos critérios utilizados para a apuração dos tributos lançados ex officio em sede de decisão de julgamento, por consistir em inovação nos elementos materiais constituídos através do lançamento de ofício já realizado (artigo 142 do CTN), ainda que manifestada no sentido de salva guardar somente parte dos lançamentos Fl. 2833DF CARF MF Processo nº 18471.000773/200871 Acórdão n.º 2202003.620 S2C2T2 Fl. 2.828 13 tributários realizados em flagrante descompasso com as normas tributárias vigentes. (Acórdão nº 1801002.180, Rel. Ana de Barros Fernandes Wipprich, data da sessão: 23/10/2014) [...] LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO INOVAÇÃO IMPOSSIBILIDADE É insubsistente a parcela de crédito tributário, tida como ‘mantida’ pela autoridade administrativa julgadora, quando se constata que ela está fundada em elementos não considerados no lançamento original. (Acórdão nº 10516.834, Rel. Wilson Fernandes Guimarães, data da sessão: 22/01/2008) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: IRPF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de despesa com livro caixa é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. (Acórdão nº 2201002.503, Rel. Eduardo Tadeu Farah, data da sessão: 09/09/2014) A pretensão da Fazenda Nacional é de modificar a motivação do lançamento fiscal, pois inexiste tal fato imponível ao lançamento e não se pode admitir a inovação da fundamentação no julgamento por oposição de motivo não constante da autuação. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Fl. 2834DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912302/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.969
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 30 2/ 20 12 -5 5 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.912302/201255 Resolução nº 3402000.969 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10830.912302/201255 Resolução nº 3402000.969 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.912302/201255 Resolução nº 3402000.969 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
