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Numero do processo: 18471.000701/2005-81
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.083
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF n.º 01/2012. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Jorge Cláudio Duarte Cardoso que votaram
pelo julgamento do processo.
Nome do relator: German Alejandro San Martín Fernández
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF n.º 01/2012. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Jorge Cláudio Duarte Cardoso que votaram pelo julgamento do processo. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 03/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Eivanice Canário da Silva, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Tratam os presentes autos de Auto de Infração de fls. 441/451, relativo à constituição de crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, ano calendário de 2000, no valor de R$ 54.533,48, acrescido dos juros de mora, multa de ofício, calculados de acordo com a legislação de regência. O lançamento de ofício decorre da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (fl. 442), cujos extratos foram apresentados pelo contribuinte após intimação fiscal. Apresentada Impugnação (fls. 453/467), a ação fiscal foi julgada procedente, por não ter o Recorrente comprovado, mediante documentação hábil e idônea a origem dos Fl. 670DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000701/200581 Resolução n.º 2802000.083 S2TE02 Fl. 571 2 recursos e mantida a multa isolada por ausência de impugnação específica (507/512), sob os seguintes fundamentos: “O contribuinte aduz, em relação ao depósito no valor de R$ 180.000,00, de 05/04/00, que o Fisco desconsiderou a escritura (doc. 2) que foi parte a Caixa Econômica Federal como agente financeiro da operação. Nesta transação a empresa foi representada por outro procurador, a Sra. Patricia Felix Tassara. Conforme (doc. 1), a empresa Aida Finance Corporation teria recebido o cheque administrativo da CEF no valor de R$ 180.000,00. O sujeito passivo juntou a guia autenticada de depósito do Bradesco (doc. 3), onde se confirmaria o crédito na conta do requerente. Como prova entende que poderia se observar a ordem sequencial de datas, escritura de 13/03/00, cheque de 15/03/00 e comprovante de depósito de 05/04/00. Com isso, segundo o interessado, estaria comprovada a origem do citado depósito. Entretanto, não pode ser acatada a argumentação do contribuinte. Observandose a documentação juntada aos autos, concluise que não há como vincular a referida operação imobiliária ao impugnante. Cabe frisar que na mencionada operação de compra e venda de imóvel, o autuado não foi sequer o representante da firma Aida Finance Corporation, ou seja, empresa vendedora do imóvel em questão. Além disso, não existe no presente processo qualquer documento que porventura pudesse demonstrar que o impugnante teria repassado a quantia recebida à supracitada empresa vendedora. Sendo assim, não restou justificada a origem do depósito de R$ 180.000,00, devendo permanecer no rol dos depósitos de origem não comprovada sujeitos a tributação. O interessado também alega que os demais depósitos listados na peça defensória (fls. 458 e 459) e no Termo de Verificação Fiscal seriam provenientes de operações imobiliárias, tendo o contribuinte atuado apenas como procurador. Diz que os depósitos de R$ 4.000,00 e R$ 6.000,00 também teriam como origem as citadas operações imobiliárias. Cita como exemplo os cheques de R$ 500,00 e R$ 1.000,00 (docs. 06 e 07), que teriam sido emitidos por adquirentes de unidades imobiliárias e tais valores seriam reembolsos de escrituras à conta corrente do HSBC. Todavia, mais uma vez não há como se acatar a alegação do contribuinte. A documentação anexada aos autos pelo impugnante junto com a sua peça defensória, não logrou êxito em demonstrar que tais depósitos teriam algum vinculo com as operações imobiliárias suscitadas pelo interessado. Inconformada, o Recorrente interpôs Voluntário (fls. 515/532) com vistas a obter a reforma do julgado. Reitera os argumentos apresentados por ocasião da Impugnação e junta documentos já analisados durante o processo de fiscalização. Era o de essencial a ser relatado. No caso presente, os extratos bancários foram apresentados “espontaneamente” pelo Recorrente, após intimação fiscal. Constatada a omissão de rendimentos decorrente de depósitos de origem não comprovada, foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430/96. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000701/200581 Resolução n.º 2802000.083 S2TE02 Fl. 572 3 Irrelevante a entrega “espontânea” dos extratos bancários pelo sujeito passivo, sem a necessidade de obtenção das informações financeiras por ordem administrativa, diante da possibilidade da criação de situação desigual entre contribuintes que se encontram em situação equivalente. Isso porque, a obtenção dos dados bancários após regular intimação da fiscalização, não pode ser chamada de “espontânea”, por decorrente de enunciado legal provido de presunção de validade, portanto, cogente para todos os contribuintes. Logo, a aplicação de futuro precedente do Sumo Pretório sobre a obtenção dados bancários sem autorização judicial deve ser isonômica tanto para os contribuintes que confiaram na presunção de validade da legislação vigente, quanto para aqueles que simplesmente decidiram por sua conta e risco não colaborar com a fiscalização, após regular intimação. As intimações fiscais, por se tratarem de atos administrativos, se revestem de presunção de legalidade, bem como a lei que fundamenta o acesso às informações bancárias (LC 105/2001), possui presunção relativa de constitucionalidade. Daí a colaboração do contribuinte na colheita de provas na fase fiscalizatória, não pode ser chamada de “espontânea”. A negativa na entrega dos extratos bancários, de acordo com a legislação vigente e válida por ocasião da realização dos atos preparatórios do lançamento, implicaria na inevitável, por vinculada, expedição de RMF. Logo, a não entrega dos dados bancários solicitados, se tornaria medida apenas protelatória. Apesar de se tratar de tema submetido a Repercussão Geral pelo pleno STF (RE 601314, Relator Min. Ricardo Lewandowski), não há determinação expressa naqueles autos pelo sobrestamento dos feitos nas instâncias inferiores, o que em tese, impõe o julgamento do feito, nos termos da determinação contida no parágrafo único do artigo 1º da Portaria CARF n. 1/2012. Entretanto, de se constatar, que o posicionamento do STF tem sido no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário n.º 601.314, a seguir: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) Fl. 672DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000701/200581 Resolução n.º 2802000.083 S2TE02 Fl. 573 4 DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a Fl. 673DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000701/200581 Resolução n.º 2802000.083 S2TE02 Fl. 574 5 decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente) (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe 100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, é inquestionável o enquadramento do presente caso ao disposto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 (RICARF), ratificado pelas decisões acima transcritas, que impedem a apreciação do mérito do feito. Nesses termos, proponho o sobrestamento do processo, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário n.º 601.314, pelo STF. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 674DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15374.964238/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
VALMAR FONSÊCA DE MENEZES - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) VALMAR FONSÊCA DE MENEZES - Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 221 1 220 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.964238/200931 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.207 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 08 de maio de 2014 Assunto Compensação Pagamento Indevido ou a maior Recorrente TRANSREDES DO BRASIL HOLDING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) VALMAR FONSÊCA DE MENEZES Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 64 23 8/ 20 09 -3 1 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.964238/200931 Resolução nº 1301000.207 S1C3T1 Fl. 222 2 Relatório TRANSREDES DO BRASIL HOLDING LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de JaneiroI/RJ, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro – DERAT/RJ. Trata a lide de pedido de compensação de pagamento indevido ou à maior relativo ao recolhimento do IRPJ pelo Lucro Real referente ao 2º Trimestre de 2005. A unidade administrativa (DERAT/RJ) que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa os indeferiu, após concluir que embora confirmado o recolhimento no valor de R$ 2.321.492,75, em 29/07/2005, o mesmo foi utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte ao IRPJ –cód.220 PA 06/2005. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à DRJ SÃO PAULOI(SP) trazendo, em resumo, os seguintes argumentos, assim resumidos pelo acórdão recorrido: Para comprovação do crédito, juntase trechos do Razão e Diário, além da DCTF retificadora de junho de 2005, transmitida em 10/11/2009. Na DCTF de junho de 2005, transmitida em 03/08/2005, o débito foi de R$ 3.043.576,21, vinculando totalmente o DARF de R$ 2.321.492,75. Com a DCTF retificadora transmitida em 10/11/2009 e os ajustes no Razão feitos em 01/01/2009, fica comprovado o crédito. Após os ajustes do Razão, o valor do IRPJ do 2º trimestre de 2005 é R$ 831.585,24, quitado por DARF, onde somente foi utilizado o valor de R$ 109.501,78 e a Dcomp 33958.54886.250705.1.3.023499 (R$ 722.083,46), validando assim o crédito de R$ 2.211.990,97. Apresentase DIPJ/2006 retificadora, transmitida em 03/10/2008, para a comprovação do valor apurado no 2º trimestre de2005. A 8ª Turma da DRJSÃO PAULOI(SP) analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1245.811, de 26/04/2012, indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: COMPENSAÇÃO A falta de comprovação do crédito implica no não reconhecimento do direito creditório e conseqüentemente a não homologação da compensação. Ciente da decisão de primeira instância em 04/05/2012, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 05/06/2012, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: a) Que o acórdão recorrido apegouse ao formalismo excessivo ao indeferir a manifestação de inconformidade sob o argumento de que a recorrente apresentou a DCTF Fl. 222DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.964238/200931 Resolução nº 1301000.207 S1C3T1 Fl. 223 3 retificadora somente depois de proferido o despacho decisório pela DERAT/RJ, o que por si só demonstra a necessidade de sua reforma pela não observância do princípio da verdade material. b) Que, não obstante, o acórdão recorrido deve ser reformado, tendo em vista que antes do julgamento apresentou petição requerendo o cancelamento do PER/DCOMP em virtude da quitação do débito compensado no âmbito do Refis (Lei nº 11.941/2009). c) Explica que, ao receber carta de cobrança relativa ao Processo Administrativo nº 16832.000564/200936, através do qual lhe foram exigidos valores a título de IRPJ e CSLL de todo o anocalendário 2004, optou por usufruir dos benefício de redução de multa e juros do Refis, quitou a integralidade dos débitos em 15/10/2009, incluído o IRPJ referente ao 4ºtrimestre de 2004, justamente o débito cuja compensação era pleiteada na PER/DCOMP analisada neste processo. d) Que, como não conseguiu fazer o pedido de cancelamento do PER/DCOMP por via eletrônica, protocolizou uma petição em 27/09/2010, através do qual pleiteou o cancelamento do pedido de compensação e informou que o débito já estava quitado. e) Que, paralelamente, a fim de resguardar seu direito ao crédito utilizado na compensação analisada neste processo, formalizou pedido de restituição que se encontra pendente de análise. f) Que, embora tenha pretendido quitar o débito referente ao IRPJ do 4º trimestre de 2004 mediante compensação, fato é que em outubro de 2009 quitou o débito através de seu efetivo pagamento, aduzindo que ao lançar mão da extinção do crédito tributário mediante duas modalidade (compensação e pagamento) adimpliu o mesmo débito duas vezes. g) Que, ainda que não se reconheça o crédito utilizado neste processo para a realização da compensação, não pode ser mantida a cobrança do débito que se pretendeu compensar inicialmente, uma vez que o mesmo foi extinto posteriormente pelo pagamento. h) Que é evidente a nulidade do acórdão recorrido ao julgar o presente processo administrativo quando o débito objeto da controvérsia já se encontrava extinto pelo pagamento. i) Pugna para que seja cancelado não apenas o PER/DCOMP, mas principalmente o débito consignado no processo de débito nº15374.973371/200902. j) Que, com relação ao mérito da compensação, é legítimo o crédito pleiteado e que a apresentação de DCTF retificadora, depois de proferido o despacho decisório, não constitui óbice ao reconhecimento do direito creditório, por força do princípio da verdade material. k) Que, diferentemente da conclusão do acórdão recorrido, comprovou a existência do crédito mediante cópias dos livros Diário e Razão de 2009, ocasião em que identificou que o valor efetivamente devido relativo ao IRPJ do 2º trimestre de 2005 correspondia somente à importância de R$ 831.585,24 e não de R$ 3.043.576,21, do que resultou na apuração de um saldo à restituir no valor R$ 2.211.990,97 que poderia ser objeto de restituição/compensação. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.964238/200931 Resolução nº 1301000.207 S1C3T1 Fl. 224 4 l) Que antes mesmo de protocolizar sua PER/DCOMP, em 03/10/2008 procedeu à retificação de sua DIPJ 2006 para retificar o valor do IRPJ do 2º trimestre de 2005 para o valor de R$ 831.585,24. m) Que, de fato, a sua DCTF retificadora foi apresentada somente após ter tomado ciência do despacho decisório, mas que não há qualquer vedação legal para a apresentação de declarações retificadoras depois de proferido o despacho decisório que não homologa a compensação. n) Que o acórdão recorrido não examinou com atenção as cópias dos Livros Diário e Razão apresentadas, que demonstram o estorno, em janeiro de 2009, do DARF no valor de R$ 2.211.990,97, bem como da provisão do IRPJ efetuada em 30/06/2005, ou seja, antes mesmo da apresentação da PER/DCOMP. o) Que no que tange a DCTF retificadora não se verifica qualquer divergência entre os dados nela indicados e aqueles que já haviam sido informados na DIPJ/2006 retificadora e que já constavam nos Livros Diário e Razão. Ao final, requer que seja reconhecido que o PER/DCOMP em questão perdeu seu objeto em razão do pagamento do débito e, por consequência, a nulidade do acórdão recorrido, bem como seja cancelada a cobrança do débito constante do processo nº 15374.973371/200902. E, que na hipótese de não ser anulado o acórdão recorrido, seja ele reformado para o fim de reconhecer o direito creditório. É o Relatório. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.964238/200931 Resolução nº 1301000.207 S1C3T1 Fl. 225 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A recorrente alega que após ter apresentado PER/DCOMP na qual pleiteia a compensação de pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo ao 2º trimestre de 2006 com débito de IRPJ relativo ao 4º trimestre de 2004, pleito que restou indeferido, optou pela quitação do débito indicado na declaração de compensação no âmbito do Refis/2009 e que pleiteou o cancelamento da PER/DCOMP. Que não obstante, a DRJ/RJOI ignorou a solicitação e manteve o despacho decisório que indeferiu o pleito, proferindo o acórdão, ora recorrido. Sustenta que é nulo o acórdão recorrido na medida em que manteve a exigência do débito que já encontravase quitado pelo pagamento. Quanto ao mérito, reafirma que comprovou o pagamento indevido ao trazer aos autos os ajustes na provisão do IRPJ do 2º trimestre/2005, realizados em sua escrituração contábil no início de 2009, bem como a retificação tempestiva da DIPJ com os novos valores devidos. Analisando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Em que pese a interessada argumentar que efetuou a quitação do débito, cuja compensação era pleiteada no presente processo, não é possível identificar nos comprovantes de recolhimentos apresentados qualquer referência efetiva que os vincule ao período de apuração do IRPJ respectivo (4º trimestre de 2004). Tais recolhimentos teriam sido efetuados no âmbito do Refis/2009, que propiciou a redução de multas e juros, o que dificulta a correta identificação dos débitos e respectivos acréscimos legais. A recorrente afirma, ainda, que esses débitos teriam sido cobrados por meio de carta de cobrança vinculados ao processo administrativo nº 16832.000564/200936, pelo qual estarseia exigindo o IRPJ e a CSLL de todo o anocalendário 2004. Além disso, a interessada menciona que o débito, cuja compensação não foi homologada, estaria sendo exigido no processo nº 15374.973371/200902. Se tal informação estiver correta, este processo deveria estar apensado aos presentes autos, pois a exigência dos débitos cuja compensação não foi homologada é parte indissociável deste procedimento. Necessário se faz, portanto, que a unidade preparadora esclareça o objeto de cada um dos processos mencionados acima e identifique a existência ou não de vinculação com o presente, bem como informe se, de fato, é possível vincular um dos recolhimentos apresentados pela recorrente à quitação do IRPJ devido no 4º trimestre de 2004, que foi objeto do pedido de compensação sob análise. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.964238/200931 Resolução nº 1301000.207 S1C3T1 Fl. 226 6 Por outro lado, no tocante ao exame do direito creditório, em que pese a recorrente tenha apresentado alguns elementos (cópia parcial de DIPJ retificadora, cópias parciais de Livros Diário e Razão) que indicam que retificou o IRPJ devido, relativo ao 2º trimestre de 2006, entendo que tais documentos podem ser considerados como início de prova, mas não permitem concluir que, de fato, os valores apurados inicialmente e declarados estavam incorretos. Explico. A recorrente trouxe aos autos cópias dos Livros Diário e Razão de janeiro de 2009 nos quais constam lançamentos de ajustes da provisão do IRPJ realizada no 2º trimestre do anocalendário 2006, além de cópia da DIPJ e DCTF retificadoras que demonstram a retificação do IRPJ devido, em consonância com os ajustes contábeis. No entanto, não há nos autos quaisquer elementos ou esclarecimentos quanto à origem dos erros que, identificados a posteriori, teriam dado ensejo à apuração majorada da base de cálculo num primeiro momento. A recorrente apresenta apenas a retificação do valor da provisão do imposto na contabilidade e de sua informação na DIPJ e na DCTF. Assim, é imprescindível que a recorrente demonstre e comprove os erros que teriam ocorrido na apuração do imposto que, uma vez retificados, reduziram a base de cálculo e o valor do imposto apurados e declarados originalmente. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, devendo os presentes autos retornar à unidade de origem para que a autoridade preparadora : a) Esclareça qual é o objeto dos processos administrativos nº 16832.000564/200936 e nº 15374.973371/20090 e identifique a existência ou não de vinculação com o presente. Caso o débito exigido no processo nº 15374.973371/200902, seja o mesmo informado na DCOMP analisada neste processo (IRPJ4º trimestre de 2004), aquele processo deve ser apensado ao presente. b) Informe se, de fato, é possível vincular um dos recolhimentos apresentados pela recorrente (fls. 21 a 26) à quitação do IRPJ devido no 4º trimestre de 2004, que foi objeto do pedido de compensação sob análise. c) Designe autoridade fiscal para: c.1) intimar a interessada a apresentar documentação comprobatória (livros contábeis e fiscais, demonstrações de resultado e outros documentos) que demonstrem as bases de cálculos e IRPJ, relativos ao 2º trimestre de 2006, apurados originalmente e, a base e imposto apurados a posteriori, que deram ensejo à retificação; e, ainda, a demonstrar e comprovar o erro verificado na apuração do IRPJ, que deu causa à retificação posterior dos valores declarados na DIPJ e DCTF. c.2) Elaborar relatório conclusivo sobre os elementos apresentados pela interessada e se os mesmos são hábeis, idôneos e Fl. 226DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.964238/200931 Resolução nº 1301000.207 S1C3T1 Fl. 227 7 suficientes para comprovar a retificação da base de cálculo e do IRPJ apurados e informados nas declarações apresentadas. c.3) Dê ciência à interessada do relatório fiscal conclusivo das diligências (subitem c.2), abrindolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Após esgotado o prazo para a manifestação da interessada, os autos devem retornar a este colegiado para a apreciação do Recurso Voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 08 de Maio de 2014 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 227DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /06/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.009267/2003-02
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
As deduções relativas a despesas médicas restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitam-se a pagamentos especificados e comprovados.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2801-003.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. As deduções relativas a despesas médicas restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitam-se a pagamentos especificados e comprovados. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. As deduções relativas a despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitamse a pagamentos especificados e comprovados. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 92 67 /2 00 3- 02 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10830.009267/200302 Acórdão n.º 2801003.733 S2TE01 Fl. 322 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 214/216, acompanhado dos demonstrativos de fls. 217/218, do termo de verificação fiscal de fls. 221/226 e das planilhas de fls. 227/228, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário de 1998, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 69.136,81, composto de: Conforme descrição dos fatos de fls. 215/216, a exigência decorreu das seguintes infrações à legislação tributária: dedução indevida de despesas médicas — glosa de deduções com despesas odontológicas, pleiteadas indevidamente, conforme Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante do Auto. Fato gerador, valor tributável e enquadramento legal a fl.215; omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta (s) de depósito ou de investimento, mantida (s) em instituição (ões) financeira (s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal e Demonstrativo de Créditos, os quais fazem parte integrante do Auto. Fatos geradores, valores tributáveis e enquadramento legal as fls. 215/216. No referido Termo de Verificação Fiscal de fls. 221/226, consta o seguinte: o contribuinte foi selecionado e incluído pela Secretaria da Receita Federal em operação de fiscalização, denominada Movimentação Financeira Incompatível com os Rendimentos Declarados. O valor da movimentação financeira foi obtido com base nas informações prestadas à Secretaria da Receita Federal, pela instituição financeira Fl. 348DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10830.009267/200302 Acórdão n.º 2801003.733 S2TE01 Fl. 323 3 — HSBC Bank Brasil S/A — Banco Múltiplo — de acordo com o artigo 11, § 2°, da Lei n.° 9.311/96; em 01/09/2003, o contribuinte tomou ciência da instauração do procedimento fiscal através do Termo de Início de Fiscalização, tendo sido, na mesma data, intimado a apresentar os extratos das contas bancárias que deram origem à movimentação financeira e comprovar mediante apresentação de documentação hábil, a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos depósitos e/ou créditos nas referidas contas bancárias; a quebra do sigilo bancário foi autorizada pelo Juiz da 1' Vara Criminal Federal em Campinas, no Inquérito Policial n.° 2000.61.05.0119693; em 26/09/2003, o contribuinte entregou os extratos bancários referentes ao ano fiscalizado — HSBC BANK BRASIL S/A — BANCO MÚLTIPLO, Ag. 1306, C/C 00164 44 e prestou as informações contidas no documento datado de 23/09/2003; após análise das informações contidas nos extratos bancários apresentados, elaboramos a planilha denominada Demonstrativo de Créditos, que é parte integrante do Auto de Infração, com o resumo dos depósitos e créditos constantes dos referidos extratos. Foram excluídos todos os créditos decorrentes de resgates de aplicações financeiras; em seguida, intimamos o contribuinte a comprovar a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos depósitos de forma individualizada e a apresentar, além de outros documentos, os comprovantes de despesas médicas/odontológicas lançadas na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 1999, no valor de R$ 31.000,00; em 28/10/2003, o contribuinte apresentou os documentos relacionados no Termo de Comparecimento lavrado na mesma data e uma vez que atendeu parcialmente às exigências contidas no Termo de Intimação de 10/10/2003, reintimamos a apresentar os documentos faltantes até 05/11/2003; em 12/11/2003, o contribuinte retornou a esta DRF/Campinas —SP e esclareceu parcialmente a origem dos depósitos; diante dos fatos descritos, dos documentos e esclarecimentos apresentados pelo contribuinte e pelas fontes pagadoras e tendo em vista a comprovação parcial da origem dos recursos, foram considerados como rendimentos omitidos os valores demonstrados a seguir, apurados após conciliação bancaria, com base nos Fl. 349DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10830.009267/200302 Acórdão n.º 2801003.733 S2TE01 Fl. 324 4 depósitos/créditos constantes dos extratos apresentados e conforme Demonstrativo de Créditos anexo: serão, portanto, tributados, submetendose aos limites individual e anual, como omissão de rendimentos, utilizandose a tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela Instituição Financeira; intimado a comprovar com documentação hábil e idônea, as despesas odontológicas lançadas em sua Declaração de Ajuste Anual em nome de Heloísa Helena Navero Picchi, no valor de R$ 23.000,00, a qual figura como cônjuge do fiscalizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal e de João Horácio de Oliveira Lara, no valor de R$ 8.000,00. Na mesma data, foram intimados os citados médicos/dentistas a comprovarem mediante apresentação do talonário de recibos e do Livro Caixa, os valores pagos pelo contribuinte; em 02/12/2003, o contribuinte apresentou declaração firmada pelo Dr. João Horácio de Oliveira Lara, onde atesta a prestação de serviços odontológicos ao declarante e sua família durante o ano de 1998. Afirma ainda o contribuinte não ter encontrado os recibos de pagamentos efetuados a Dra. Heloísa Helena Navero; a declaração firmada pelo Dr. João Horácio de Oliveira Lara não identifica os usuários da família do contribuinte, beneficiários do serviço odontológico; em face do exposto, foi lavrado Auto de Infração para cobrança do crédito tributário decorrentes das infrações constatadas. Cientificado pessoalmente do lançamento, em 11/12/2003 (fl. 214), o autuado apresentou, em 07/01/2004, a impugnação de fls. 231/243, alegando que: erro na determinação do momento de ocorrência do fato gerador — o § 1°, do artigo 42 da Lei n.° 9.430/96, é claro ao determinar que os valores tidos como receita ou rendimentos auferidos pelo contribuinte deverão ser apurados mensalmente e o § 4° do mesmo art. 42 arremata que os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos. Não foi Fl. 350DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10830.009267/200302 Acórdão n.º 2801003.733 S2TE01 Fl. 325 5 esse o procedimento adotado pela fiscalização. Trabalhou a autuante com o caput do artigo, desprezando seus parágrafos, por isso nulo o lançamento tributário que fincou um único fato gerador em 31.12.98, tendo por vencimento da obrigação a data prevista para entrega da declaração de rendimentos do contribuinte; se a lei prevê tributação mensal, "com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira", deve lançamento espelhar o nascimento de 12 obrigações tributárias no ano de 1998, com doze vencimentos diferentes; da decadência — se os fatos geradores são mensais, os meses de janeiro a novembro de 1998 estão atingidos pela decadência, pois o lançamento foi expedido em 09/12/2003, quando já passados os cinco anos regulamentares; os depósitos bancários não sustentam a presunção legal de omissão de rendimentos — os depósitos têm lastro nos rendimentos tributados, além de não terem superado a cifra anual de R$ 80.000,00 que dispensa a comprovação. A tributação foi ultimada porque a agente lançadora entendeu que a comprovação deve ser feita individualmente, depósito a depósito, o que é um absurdo! a presunção deve resultar sempre da experiência, da observação dos fatos na ordem natural das coisas, citando doutrina. Entre o fato conhecido (fato indiciário) e o fato desconhecido (provável) deve haver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas sobre a materialização dessa correlação, sob pena desse artifício legal resultar indevido por absoluta inadequação; no que tange às pessoas físicas, essa inadequação está presente na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n.° 9.430/96, posto que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura. Cita a Súmula 182 do extinto TFR, que conclui: "é ilegítimo o lançamento do imposto de Renda arbitrado apenas com base em extratos ou depósitos bancários"; a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda, vez que não é a operação que deve ser tributada, mas sim o ganho, o acréscimo patrimonial proveniente da mesma. Transcreve ementa do Acórdão n.° 10417.494 do 1° Conselho de Contribuintes; não existe uma interligação direta e segura entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos, o que torna imperativa a adoção de solução mais favorável ao contribuinte, conforme entendimento da própria Delegacia da Receita Federal em Campinas, na Decisão n° 111, de 02/02/2001, cuja ementa transcreve; os depósitos bancários poderiam no máximo, ser o marco inicial de investigação, mas nunca seu ato final, vez que os valores depositados podem estar relacionados com operações de natureza completamente diversa da imaginada pelo Fisco, como Fl. 351DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10830.009267/200302 Acórdão n.º 2801003.733 S2TE01 Fl. 326 6 por exemplo, um empréstimo, uma doação, uma atividade comercial indevidamente exercida em nome da pessoa física, etc. os depósitos bancários estão cobertos pelos rendimentos declarados — na resposta oferecida ao termo de intimação de 10/10/2003, foram prestados os seguintes esclarecimentos: o Termo de Intimação em referência, apresenta a seguinte exigência: "apontando individualmente, em relação a cada crédito ou depósito bancário, sua ORIGEM, acompanhada da documentação pertinente". No termo de intimação não está indicada a base legal para a exigência da comprovação individual dos valores lançados a crédito na conta bancária. A comprovação individual dos créditos — depósito a depósito — pressupõe a existência de uma contabilidade rigorosa e detalhada, o que não tem sentido ser exigido em relação ao declarante pessoa física. Ademais, pelas comprovações já apresentadas ao Fisco, o montante dos créditos bancários está plenamente coberto pelos rendimentos declarados; considerada toda documentação apresentada, resta ainda em pesquisa a cifra de R$9.500,00 (27.01.1998 dep. cheque 1.000,00; 27.03.98 dep. cheque 1.900,00; dep.cheque 01.04.98 dep. cheque 2.000,00; 01.04.98 dep. cheque 4.700,00), montante esse dispensado de comprovação por força do que dispõe o inciso II do § 3° do art. 42 da Lei n.° 9.430/96; pela pertinência desses esclarecimentos, quer o Impugnante que eles sejam recebidos como efetivas razões de impugnação; os depósitos tributados estão dispensados de comprovação — no caso vertente, a soma dos depósitos autuados atingiu a cifra de R$ 66.633,00, composta de inúmeros depósitos inferiores a R$ 12.000,00. Dessa forma, diante do inciso II do § 3° do art. 42 da Lei n.° 9.430/96, o Impugnante não conseguiu alcançar as razões que determinaram a emissão do discutido lançamento; do pedido de diligência fiscal — por cautela, está fazendo gestões perante os estabelecimentos bancários para levantar mais documentos, para os quais requer autorização para posterior apresentação. Requer seja determinada diligência fiscal para exigir dos Bancos a apresentação dos documentos vinculados aos depósitos autuados, se essa comprovação for tida como imprescindível para assegurar soberana deliberação dessa Junta Julgadora; glosa de despesas médicas — no tocante aos serviços prestados pelo Dr. João Horácio de O. Lara, foi apresentada a declaração firmada por esse profissional confirmando a prestação dos serviços. Essa declaração não foi acatada porque nela não haveria identificação dos usuários da família do contribuinte. Ora, a dúvida levantada pela autuante poderia ser suprida com mais uma intimação dirigida ao prestador do serviço. O que não tem sentido é transferir para o fiscalizado a produção da prova que exige conhecimento de detalhes contidos nos livros fiscais do prestador de serviços; Fl. 352DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10830.009267/200302 Acórdão n.º 2801003.733 S2TE01 Fl. 327 7 quanto aos serviços prestados pela Dra. Heloísa Helena Navero, houve tributação na sua declaração dos valores indevidamente glosados.” Passo adiante, a 4 turma da DRJ/SPOII entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, em decisão que restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 NULIDADE. Constatado que o procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência, tendo sido os atos e termos lavrados por servidor competente e respeitado o direito de defesa do contribuinte, fica afastada a hipótese de nulidade do lançamento. PRELIMINAR DE NULIDADE – ELEMENTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. A base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano calendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. DECADÊNCIA. No lançamento de oficio o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário obedece à regra geral expressamente prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciando a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES . A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. DEPÓSITOS INDIVIDUALMENTE IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o Fl. 353DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10830.009267/200302 Acórdão n.º 2801003.733 S2TE01 Fl. 328 8 somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos, sobretudo quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. Não tendo o contribuinte cumprido a incumbência de carrear aos autos, tanto na fase de autuação, quanto na fase impugnatória, documentos que tivessem o condão de elidir a tributação em questão, embora tivesse ampla oportunidade de fazêlo, descabe o protesto genérico na peça impugnatória. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. DOUTRINA. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade.” Cientificado em 13/04/09 (Fls.287), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 11/05/09 (fls.), alegando preliminarmente a nulidade da prova que constituiu o crédito tributário, pois consistiria no uso indevido dos extratos bancários e das informações da CPMF. Continuando sua defesa, alegou que a quebra do sigilo fiscal determinada em juízo foi deferida somente à Polícia Federal, não podendo o fisco se utilizar dela, que o crédito tributário está centrado em depósitos bancários não comprovados no contexto da presunção legal relativa, que recebera os valores das pessoas jurídicas porque era administrador delas, que suas despesas médicas foram declaradas corretamente, pois a dedutibilidade das despesas tem ligação direta com o responsável pelo pagamento e não pelos beneficiários do tratamento que integram o núcleo familiar. Em 21 de junho de 2012, (Fls. 320) aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1a Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, sobrestar o julgamento do recurso, com base no disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10830.009267/200302 Acórdão n.º 2801003.733 S2TE01 Fl. 329 9 Encerrado o sobrestamento, o processo voltou a pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. O auto de infração em tela foi lavrado em decorrência de dedução indevida de despesas médicas, e de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte não comprovou a origem dos recursos; tudo relativo ao exercício 1999. De início verifico que a DRJ deu parcial provimento ao recurso, restando em litígio apenas a glosa de despesas médicas e quanto à omissão de rendimentos apenas dois depósitos nos valores de R$14.700,00 e R$14.661,64. Quanto à omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada o contribuinte, em seu recurso, alega várias preliminares de nulidade do lançamento. A possibilidade de nulidade está assim descrita no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Como se vê o § 3º acima permite à autoridade julgadora não declarar a nulidade do ato quando puder decidir do mérito a favor do contribuinte. Assim se, no caso em apreço caso, a omissão de rendimentos for considerada improcedente, não é cabível a declaração de nulidade da decisão recorrida. Esse procedimento é aplicável a este caso, posto que, como será demonstrado a seguir, o lançamento relativo a essa matéria não deve prevalecer; razão pela qual deixo de apreciar as alegações de nulidade. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10830.009267/200302 Acórdão n.º 2801003.733 S2TE01 Fl. 330 10 Seguindo, observo que, já em sua impugnação o ora recorrente alega que os depósitos bancários já estão cobertos pelos rendimentos declarados, devendo ser excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos. Destaco trecho da impugnação presente às fls. 232 a 234 dos autos: Ademais, pelas comprovações já apresentadas ao Fisco, o montante dos créditos bancários está plenamente coberto pelos rendimentos declarados. […] Pela pertinência desses esclarecimentos, quer o lmpugnante que eles sejam recebidos como efetivas razões de impugnação, principalmente para restar averbado que o montante dos depósitos tidos como não comprovados tem suporte — em valor bem superior nos rendimentos apontados na declaração do exercício de 1999, anocalendário de 1998. Quer, novamente, afirmar que a exigência para a comprovação individual dos referidos depósitos não encontra apoio no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, cuja presunção não chega a tal requinte. Ademais, ainda que tal alternativa fosse possível, a conclusão desse exame não pode desconsiderar o fato de os rendimentos declarados serem suficientes para conferir lastro aos referidos depósitos, como ocorre no caso presente, sob pena de haver duplicidade na tributação da mesma renda: uma vez sobre a renda apontada na declaração de rendimentos e outra sobre a presumida em relação aos questionados depósitos. Sendo assim, entendo que assiste, de fato, razão ao contribuinte neste aspecto, pois não seria razoável entenderse que os valores declarados não transitaram na conta em que se observa os depósitos ditos não comprovados. Ainda neste sentido, destaco que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de mitigar o rigor da análise individualizada dos créditos, permitindo, por exemplo, que os rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização, sejam excluídos em bloco. Neste sentido, cito os Acórdãos nº 210200.430 (2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por unanimidade; 220200.415 (2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria. A questão é que, de fato, não parece plausível defender que somente os rendimentos informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Na DIRPF sob exame (fls. 202 a 205 dos autos), observase que foi declarado, a título de rendimentos no ano calendário 1998, o valor de R$ 326.913,39, valor este inclusive superior à soma dos rendimentos tidos como comprovados e não comprovados, constantes da tabela elaborada pela fiscalização às fls. 220 e 221 dos autos, que totaliza um valor de R$242.448,22. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10830.009267/200302 Acórdão n.º 2801003.733 S2TE01 Fl. 331 11 Assim, o valor declarado deve ser excluído da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais rendimentos não foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. Com a exclusão dos valores declarados não resta qualquer omissão de rendimentos. Já no tocante às despesas médicas observo que a fiscalização fundamenta a não aceitação da declaração emitida pelo profissional João Horácio de Oliveira Lara no fato de não constar daquele a identificação dos beneficiários do serviço prestado. O recorrente, por sua vez, alega que a declaração prestada pelo profissional, afirmando ter realizado tratamento no contribuinte e seus familiares, é suficiente para sanear a falta apontada pela fiscalização. Contudo, a legislação de regência afirma que somente podem ser deduzidas as despesas relativas ao próprio contribuinte e aos seus dependentes; in verbis: Lei n° 9.250, de 1995 Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: 1 (..) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2° O disposto na alínea a do inciso II: I(...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Assim, como já alertado pela DRJ, a declaração, que afirma o tratamento em familiares do contribuinte, não permite a conclusão de que tais familiares são dependentes do contribuinte. Deste modo, cabe manter referida glosa. No que concerne aos supostos serviços prestados por Heloísa Helena Navero, cônjuge do recorrente, o contribuinte não apresentou qualquer documento para fins de sua comprovação no decorrer da fiscalização. Apesar do alerta da fiscalização e da DRJ, o contribuinte não apresentou nem por ocasião da impugação ou do recurso qualquer prova relativa a esta dedução. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10830.009267/200302 Acórdão n.º 2801003.733 S2TE01 Fl. 332 12 Com a total ausência de provas da realização da despesa médica em exame, é dever manter a glosa. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para afastar a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e manter as glosas das deduções com despesas médicas. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator Fl. 358DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10675.906640/2009-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 06 64 0/ 20 09 -9 2 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906640/200992 Resolução nº 9303000.052 CSRFT3 Fl. 308 2 Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSK Fl. 262DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906640/200992 Resolução nº 9303000.052 CSRFT3 Fl. 309 3 Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906640/200992 Resolução nº 9303000.052 CSRFT3 Fl. 310 4 A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Maria Teresa Martínez López Fl. 264DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13975.000188/2005-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COFINS. NÃO -CUMULATIVIDADE, DIREITO CREDITÓRIO.
As despesas com os serviços de extração de madeira é passível de direito creditório, pois se trata de atividade essencial e necessária à sua realização do processo produtivo de portas e batentes de pinus.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Nos pedidos de ressarcimento, é ônus do contribuinte da prova do direito creditório afirmado.
Numero da decisão: 3201-001.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mara Cristina Sifuentes. Ausentes justificadamente os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. NÃO -CUMULATIVIDADE, DIREITO CREDITÓRIO. As despesas com os serviços de extração de madeira é passível de direito creditório, pois se trata de atividade essencial e necessária à sua realização do processo produtivo de portas e batentes de pinus. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Nos pedidos de ressarcimento, é ônus do contribuinte da prova do direito creditório afirmado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mara Cristina Sifuentes. Ausentes justificadamente os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudino.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE, DIREITO CREDITÓRIO. As despesas com os serviços de extração de madeira é passível de direito creditório, pois se trata de atividade essencial e necessária à sua realização do processo produtivo de portas e batentes de pinus. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Nos pedidos de ressarcimento, é ônus do contribuinte da prova do direito creditório afirmado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 01 88 /2 00 5- 33 Fl. 875DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mara Cristina Sifuentes. Ausentes justificadamente os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudino. Relatório Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de Cofins. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que trata o art. 3° daLei 10.833/2003, relativo ao quarto trimestre de 2004. A DRF/BLUMENAU exarou o Despacho Decisório de fls. 642 a 674 deferindo parcialmente 0 pedido da interessada para reconhecer o direito creditório no valor de R$150.251,60, referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da COFINS a título de mercado externo. No relatório e na fundamentação que embasaram a decisão proferida consta consignado, em resumo, que: a) A análise do direito creditório pleiteado no processo foi suscitada em sede do Mandado de Segurança n° 2006.72.05.0047320/SC; b) A análise teve como base as informações prestada nos documentos apresentados pela interessada e acostados ao processo, bem como as informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB; . c) A interessada incluiu, indevidamente, as receitas de variações cambiais entre as receitas de exportação e contabilizou nota fiscal não relacionada a despacho de exportação, conforme consulta no Siscomex. Assim, efetuaramse ajustes nos valores das receitas de exportação declaradas; d) Considerandose a proporção das receitas de exportação em relação à receita operacional bruta, observouse uma discrepância entre os percentuais de exportação das receitas declaradas no DACON. Foram efetuados ajustes nos percentuais de exportação para efeito de cálculo dos créditos de mercado interno e mercado externo, com base na proporção de receitas declaradas; e) Foram glosados os valores de aquisição de mercadorias de uma empresa do mesmo grupo (notas fiscais de fls. 194/195), cujos respectivos registros digitais apresentam valores de contribuição iguais a zero; Í) Quanto ao CFOP 1.101, observaramse divergências entre os valores obtidos do arquivo digital e os informados na memória de cálculo em fl. 46. Foi efetuado ajuste em consonância com o arquivo digital;` Fl. 876DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13975.000188/200533 Acórdão n.º 3201001.645 S3C2T1 Fl. 94 3 g) Foram glosados os valores pagos ã pessoa física na aquisição de insumos; h) A interessada calculou crédito sobre valores de filtros, produtos não especificados e outros itens ilegíveis (fls. 261, 262 e 297). Tais produtos não se enquadram no conceito de insumo; ' i) Verificouse que o requerente se creditou de aquisições de ferramentas intercambiáveis. A aplicação destes bens no processo produtivo da empresa se efetua de forma indireta, 0 que inibe a possibilidade de crédito, à luz da IN SRF 404/04, art. 8° § 4°, inciso I; j) Foram glosados os valores de aquisições da empresa de CNPJ 86.325.339/000264, relativo a vendas de bens do ativo imobilizado, cujas notas fiscais foram emitidas com CFOP 5.551; . k) A análise das notas fiscais de fls. 413 a 448 demonstra que a interessada incluiu valores de aquisição de mercadorias da empresa de CNPJ 92.639.954/000167, que saíram do estabelecimento fornecedor com o fim específico de exportação, CFOP 6.501. Foram glosados os valores, conforme itens 2.6.1 a 2.6.32 do Anexo I; 1) Verificouse um equívoco na planilha de fl. 46, com a inclusão indevida do CFOP 1.949 (outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada) na rubrica Serviços Utilizados como Insumos; . m) O preenchimento de parcela relevante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) não fora efetuado em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS. Principais irregularidades: não indicação do número da nota fiscal transportada, emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço. Os valores das notas fiscais que apresentaram vícios formais relevantes foram glosados. O Anexo II detalha as notas fiscais cujos valores foram deferidos; n) Forarn glosados os valores de despesas de doação incluídos incorretamente nas despesas de energia elétrica. Verificouse que os valores totais constantes nas notas fiscais são inferiores aos informados na memória de cálculo de fl. 46; o) A requerente foi intimada a apresentar memória de cálculo com os valores informados no DACON como despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos, bem como copia dos contratos de locação e comprovantes de pagamentos. Em resposta, apresentou copia do registro no Livro Razão e de um contrato particular de locação entre empresas do mesmo grupo. Os comprovantes de pagamento não foram apresentados A comprovação insuficiente ensejou a glosa integral dos valores declarados; Fl. 877DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 p) A planilha de fls. 502 a 505, as notas fiscais de fls. 506 a 599 e 602 a 637 e os registros digitais foram os elementos básicos de análise dos valores informados no DACON a título de despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda Parcela relevante dos CTRC não fora preenchido em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS. Verificou se ainda, 'a apuração de créditos sobre serviços não relacionados na legislação tributária, tais como serviços de frete a pagar, handling, seguro, entre outros. Os valores das notas fiscais com vícios formais ou serviços não previstos na legislação foram glosados. O Anexo III detalha as notas fiscais deferidas e as indeferidas; q) Considerandose as glosas e os ajustes efetuados, houve a necessidade de reescrita da utilização dos créditos do trimestre, à luz da IN SRF 600/05, conforme demonstrado no Anexo IV. Cientificada da decisão em * 12/11/2007 (fl. 683), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/12/2007 (fls. 686 a 694), alegando, em síntese que a) As notas fiscais que comprovam as aquisições do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda foram emitidas com CFOP 6.501, destinado a vendas com fim específico de exportação. Contudo, foram utilizadas pela requerente como matéria prima em seu processo de industrialização; b) O CFOP foi utilizado de forma equivocada pelo fomecedor, sem qualquer responsabilidade da recorrente; 1 c) Notese que a empresa Vidroforte destacou o ICMS nas operações, contudo, a venda com fim específico de exportação não tem destaque de ICMS. Assim, a recorrente pagou o ICMS, o PIS e a COFINS à empresa fornecedora, os dois últimos embutidos no preço dos produtos; d) Caso o fomecedor não tenha recolhido o PIS e a COFINS, a empresa recorrente não pode ser prejudicada, vez que referido recolhimento é de responsabilidade de terceiro, cabendo ao fisco a cobrança da empresa responsável pelo pagamento; Na época das aquisições mesmo havendo lei autorizando a suspensão do PIS e da COFINS, a recorrente passou a estar autorizada a efetuar a compra com suspensão do PIS e da COFINS somente após a publicação do Ato Declaratofrio Executivo n o 1 de 06/01/2006. A partir dessa data, a Vidroforte passou a vender para a recorrente com suspensão das contribuições, passando a conceder desconto relativo à suspensão; D Os valores incluídos nos CFOP 1.949 e 2.949 não apresentam qualquer incorreçao, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3°, II, da Lei 10.833/O3; Fl. 878DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13975.000188/200533 Acórdão n.º 3201001.645 S3C2T1 Fl. 95 5 g) De fato, no mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem. Contudo, a autoridade administrativa deveria ter intimado a recorrente para prestar as informaçoes necessárias. Anexa aos autos as notas fiscais que comprovam o direito pleiteado; h) Não existem os supostos “vícios formais” a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. O transporte utilizado para levar a madeira bruta das florestas até 0 estabelecimento da recorrente é efetuado por pessoas humildes que, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade O dos serviços prestados em determinado período; i) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; j) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; k) A legislação prevê o direito ao creditamento das despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operaçao de venda; l) Não existem os supostos “vícios formais” a ensejar a glosa referente aos fretes nas operações de venda mas, quando muito, meras irregularidades. As empresas contratadas para efetuar o transporte da mercadoria, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período; 0 m) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; n) Requer o recebimento e a apreciação da manifestação de inconformidade e a reforma da decisao proferida. ' O processo foi encaminhado a esta DRJ/RJO2 tendo em vista o disposto na Portaria RFB n° 535, de 28/03/2008. A Delegacia de Julgamento julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: Assunto: COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Fl. 879DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A aquisição de bens utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda gera direito a crédito a ser descontado da Cofins nãocumulativa, quando não comprovado que a aquisição tenha sido efetuada com o fim específico de exportação. ' PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. COFINS REGIME NÃOCUMULATIVO. GLOSA DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. As despesas com frete na aquisição de insumos compõem a base de cálculo do crédito a ser descontado da Cofms no regime não cumulativo quando o serviço for prestado por pessoa jurídica domiciliada no país e quando devidamente escrituradas e amparadas por documentos hábeis que lhe dêem suporte. COFINS. CRÉDITOS RELATIVO ATIVO IMOBILIZADO. O crédito de Cofins relativo a bens incorporados ao ativo imobilizado pode, à opção do contribuinte, ser calculado no prazo de quatro anos, mediante aplicação da alíquota ,de 7,6% sobre a parcela correspondente a 1/48 do valor de aquisição do bem, restringindose tal opção às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. COFINS. CRÉDITOS. BENS INCORPORADOS _AO ATIVO IMOBILIZADO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ICMS. Integram a base de cálculo dos créditos da Cofins os valores do ICMS suportados na compra de máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado, desde que tais valores não sejam recuperados pelo contribuinte. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados. Solicitação Deferida em Parte Na decisão ora recorrida entendeuse, em síntese, que: Fl. 880DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13975.000188/200533 Acórdão n.º 3201001.645 S3C2T1 Fl. 96 7 i. reconhecido o direito creditório relativo ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da COFINS referente ao 4° trimestre de 2004, calculado sobre as aquisições de bens da empresa Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros; ii. negado o crédito relativo às despesas incorridas em decorrência dos serviços de extração de madeira, porque a produção tem início na etapa de serraria, tendo a madeira como um dos insumos utilizados; iii. negado o crédito referente a serviços descritos como relativos à manutenção de máquinas, a previsão para o aproveitamento de crédito está limitada à hipótese de se tratar de máquinas ou equipamentos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e desde que não represente um acréscimo de vida útil superior a um ano; iv. negado o crédito referente a despesas com transporte rodoviário de cargas: constatase que os valores relacionados pelo contribuinte na planilha de fl. 59, no CFOP 1.352 e 2.352 são superiores aos registrados na contabilidade da empresa nas contas 41.403 “Frete s/ pinus em torretes"`e 41.404 “Fretes e carretos”, conforme dados do balancete de verificaçao em fls. 101, 115 e 129; v. quanto aos créditos referentes ao Ativo Imobilizado, na forma prevista no parágrafo 14 do artigo 3° da Lei 10.833/2003, ou seja, calculados sobre a parcela correspondente a 1/48 do valor de aquisição dos itens relacionados na memória de cálculo de fls. 331 a 334 que não correspondam a máquinas e equipamentos utilizados na produção, manteve a glosa; vi. foi reconhecido o crédito de COFINS apurado sobre o valor do ICMS não recuperável, incidente sobre as aquisições de máquinas incorporadas ao ativo imobilizado e representadas pelas Notas Fiscais de fls. 386/387. No recurso voluntário, a Recorrente alegou: i. que as atividades de extração de madeiras como integrantes do processo produtivo, pelo fato de a empresa ser proprietária da matériaprima, geralhe despesas de extração para que ela possa ser empregada na etapa produtiva e faz com que essa etapa de extração integre o seu processo produtivo; ii. quanto às glosas referentes as despesas com máquinas utilizadas para extrair a madeira, e incabível o argumento de que não geram direito a crédito por se tratarem de etapa anterior ao processo produtivo, estando compreendidas na sua fase inicial; iii. em relação as demais máquinas empregadas no processo, o simples argumento de não ser possível identificar, com base nos documentos trazidos pela Recorrente, quais eram os serviços de manutenção nelas utilizados, não pode embasar uma glosa de créditos, pois cabia à autoridade fazendária intimála para que prestasse as informações necessárias ao esclarecimento, para então analisar, minuciosamente, o pedido de crédito. É o relatório. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tal como relatado, o presente litígio versa sobre o reconhecimento de créditos de Cofins, pela sistemática nãocumulativa. Grande parte do direito creditório foi reconhecido, restando à apreciação de órgão julgador, apenas alguns itens trazidos pelo recurso voluntário. Em consonância com as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03, no caso do PIS e da Cofins, no procedimento de apuração devese localizar valores passíveis de creditamento dentre as aquisições, aplicandose a alíquota determinada, sendo o resultado subtraído do saldo a pagar. Observese que o critério material dessas contribuições referese à apuração de receitas do contribuinte, o que desde logo lhes confere um raio de abrangência muito maior que o do IPI, que se restringe aos produtos industrializados: as contribuições, da mesma forma, incidem sobre receitas decorrentes de comercialização, financeiras e de serviços. Essa constatação é ponto de partida para a discussão sobre o conceito de “insumos” para efeitos de creditamento das contribuições, cujo alcance semântico é, ainda hoje, definido pelo Fisco, com fulcro na legislação do IPI, que o vincula a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Destarte, dentre as hipóteses de creditamento das contribuições, o inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e n° 10.833/03 admitese o desconto de créditos sobre as aquisições de insumos empregados na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Por força da edição de diversos atos normativos, especialmente as Instruções Normativas SRF nº 247/02 e nº 404/04, amesquinhouse o conteúdo semântico de “insumo”, para restringilos àquelas matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, e aos serviços prestados, aplicados e/ou consumidos na produção, e quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no ativo permanente, e que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. replicando os vetores veiculados no Parecer Normativo COSIT n° 65/79, que trata de IPI. Logo, insurgiramse os contribuintes contra tal apropriação da legislação do IPI, para efeitos de creditamento de PIS e da Cofins, cuja racionalidade é distinta do imposto federal, não havendo qualquer remissão na legislação das contribuições que estabelecesse regramento nesse sentido. Ainda que o regime jurídico da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, surgido com as alterações pela Emenda Constitucional n° 20/98 e pela Emenda Constitucional n° 42/03, em seu artigo 195, § 12, da Constituição Federal, tenha delegado a sua disciplina à lei infraconstitucional e que o legislador, por sua vez, tenha instituído um regime que peca em sua sistematização, abrangendo alguns setores de atividade econômica, restringindo as despesas Fl. 882DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13975.000188/200533 Acórdão n.º 3201001.645 S3C2T1 Fl. 97 9 que dão direito ao crédito, dentre muitas outras incongruência que tornam esse regime jurídico casuístico e assistemático, o fato é que, sendo a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas e recaindo o IPI sobre o consumo, restrito à etapa de industrialização do produto, desde sempre, os critérios para disciplina de cada qual, caminharão por sendas diversas. Por essa razão, a jurisprudência administrativa, invariavelmente, tem afastado o entendimento restritivo atribuído à matéria, rechaçando o tratamento tributário dado ao IPI, para ampliálo, ora alargando o conceito para aproximálo ao regime jurídico de deduções do imposto sobre a renda, ora intentando encontrar um caminho intermédio. Nesse sentido, trilha a jurisprudência administrativa para, a partir do processo produtivo de determinado contribuinte, depreender as atividades essenciais e necessárias à sua realização, aos quais estariam vinculados os custos e despesas que possibilitariam a utilização do crédito. Da mesma forma, seguia a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que estabeleceu que o conceito de “insumo” para fins de tributação pelo PIS e pela Cofins seria atrelado à “essencialidade”, não se vinculando nem à legislação do IPI, nem a o IRPJ, conforme se noticiou do julgamento do RESP 1246317/MG, da Relatoria do Ministro Campbell Marques, que afastaria a possibilidade de interpretação do conceito de insumo para fins de aproveitamento de créditos de PIS e da Cofins com base em conceitos extraídos da legislação do IPI e do IRPJ, adotando o critério da essencialidade, no sentido de que o insumo deveria ser essencial para o processo produtivo ou para a prestação de serviços. Feito o intróito, inicialmente é de afastar o conceito de insumos, nessa hipótese, como “serviços ou produtos intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos no serviço prestado”, para adotar um conceito que contemple a essencialidade de determinado insumo para a prestação dos serviços. No caso dos autos, às fls. 87 e 88 temse a descrição do processo produtivo de porta e batente de pinus, que tem como etapa inicial a serraria da madeira, portanto, a decisão recorrida desconsiderou os créditos decorrentes da etapa da extração da madeira, pois seriam anteriores ao processo produtivo. Ora, as despesas com os serviços de extração de madeira da Recorrente e por ela suportados, que compõe o produto comercializa, é, inegavelmente, atividade essencial e necessária à sua realização, sendo que a negativa do direito creditório consubstanciase em amesquinhamento indevido do conceito de insumo no âmbito do PIS e da Cofins não cumulativos. No que tange às despesas com máquinas utilizadas para extrair a madeira, o mesmo raciocínio pode ser aplicado. Contudo, em relação as demais máquinas empregadas a prova e a demonstração dos serviços de manutenção nelas utilizados, deveria ser feita pela Recorrente, pois nos processos de ressarcimento, é ônus do contribuinte fazer a prova de seu direito creditório, pois o direito à compensação pressupõe liquidez e certeza do direito creditório. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 10 (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 884DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 11618.004988/2006-48
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 16.914,89, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (20/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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DESPESAS MÉDICAS. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 16.914,89, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (20/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 49 88 /2 00 6- 48 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11618.004988/200648 Acórdão n.º 2801002.888 S2TE01 Fl. 84 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Contra o contribuinte acima identificado, foi emitida a Notificação de Lançamento, de fl. 12, do Imposto de Renda Pessoa Física, do exercício 2005, em decorrência da glosa da dedução das despesas médicas e glosa parcial do imposto de renda retido na fonte, em conseqüência foi apurado o seguinte resultado: Crédito Tributário Lançado Imposto suplementar (sujeito a muita de oficio) 4.620,43 Multa de oficio 3.465,32 Juros de mora 1.161,57 Imposto suplementar 969,43 Multa de mora (20%) 193,88 Juros de mora (31/10/2006) 243,71 Total do crédito tributário. 10.654,711 Insurgindose contra o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, tempestivamente, alegando os rendimentos declarados no valor de R$ 19.238,01, com imposto de renda retido na fonte de R$ 981,27, referese a rendimentos de sua aposentadoria, entretanto, o INSS informou o n° 082.968.984 20,do CPF do Sr. José Amaro Pinheiro, com que já foi casada, no período de 06/04/1974 a 11/09/1994, que o inicio os dois usaram o mesmo CPF, Alem do mais, este nunca teve conhecimento do fato e nunca inclui em sua declaração de ajuste anual. As deduções das despesas médicas referemse aos pagamentos efetivamente realizados e comprovados com indicação do nome, endereço, número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem efetivamente os recebeu. Ressaltar que em qualquer momento, deixou de atender ao pedido de esclarecimentos da Receita Federal, nem se recusou a prestálo de forma satisfatória. Junta para comprovação o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda retido na fonte e alteração de informação do CPF junto a DATAPREV, recibos das despesas médicas emitidos por Maria Helena H. dos Santos e Clinica Juarez Domelas S/C e comprovante Anual de Recebimento dos valores pagos pela assistência médico hospitalar prestada pela Caixa de Assistência dos Empregados da SAELPA, CNPJ 02.618.303/000173. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11618.004988/200648 Acórdão n.º 2801002.888 S2TE01 Fl. 85 3 Conclui que vista do exposto, fica demonstrada a insubsistência e improcedência total do lançamento.” Passo adiante, em 22 de outubro de 2008, 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, mantendo em parte o crédito tributário, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005 GLOSA DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE É de se restabelecer o imposto retido na fonte com base nas informações constante do documento de retenção, emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Somente são acatadas as despesas médicas do contribuinte e seus dependentes, quando comprovadas por documentação que atenda aos requisitos legais e que produzam a convicção necessária ao julgador da realização dos serviços e do seu efetivo pagamento. Lançamento Procedente em Parte Cientificada em 01/12/2008, a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 30/12/2008, reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Inexistem preliminares a serem analisadas. O litígio cingese à glosa de deduções com despesas médicas. Neste sentido de se destacar que o artigo 8° da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim dispõe: "Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário,exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 85DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11618.004988/200648 Acórdão n.º 2801002.888 S2TE01 Fl. 86 4 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiálogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;(g.n) Sobre a forma de apresentação dos referidos documentos comprobatórios de tais despesas assim delimita o artigo 80 do RIR, verbis: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n2 9.250, de 1995, art. 82, inciso II, alínea "a"). §1º. O disposto neste artigo (Lei n2 9.250, de 1995, art. 8º., §2º.): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Pais, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Quanto às documentações comprobatórias das despesas médicas referentes a FUNASASAÚDE, estas foram analisadas e rechaçadas pela DRJ, sob o argumento de que a recorrente, em síntese, não era funcionária da referida empresa beneficiada pela assistência médica. Da leitura dos Estatutos Social da entidade FUNASASAÚDE, constante do sítio www.funasasaude.com.br, depreendese que em seu artigo 4º, § único, inciso I, e art. 5º, que a ENERGISA PARAÍBA – DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A (atual denominação da Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba – SAELPA) está albergada pela assistência prestada pela referida entidade. Por outro viés, a ora recorrente logrou comprovar seu vínculo pretérito com a pessoa jurídica à época denominada SAELPA (atual ENERGISA), conforme Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho anexado ao recurso voluntário como “ doc. 02” , página 49, bem como diversos exames realizados pela ora recorrente, débito em folha dos pagamentos do Fl. 86DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11618.004988/200648 Acórdão n.º 2801002.888 S2TE01 Fl. 87 5 referido plano, além da própria CTPS da recorrente assinada, à época, pela SAELPA (fls 59 a 71). Nesta linha, havendo sido comprovada a sua vinculação, na qualidade de ex funcionária, à pessoa jurídica albergada pela assistência do plano de assistência prestado pela FUNASA SAÚDE, e por outro viés, pela existência de documento emitido pela referida entidade, atestando o recebimento dos valores pagos pela ora recorrente, somadas a razoabilidade da proporção existente entre rendimentos percebidos no exercício (R$ 60.251,20 fl.15) e o valor das despesas médicas com referida entidade no mesmo período (R$ 16.914,89), entendo que restaram comprovados os referidos dispêndios, devendo ser restabelecidas as despesas médicas no importe de R$ 16.914,89. No processo administrativo fiscal, em especial quanto as comprovações de deduções de despesas médicas é o contribuinte quem deve comprovar perante a Autoridade Fiscal, por documentação idônea e inequívoca, a realização de tais despesas, bem como da efetividade dos pagamentos, mister do qual se desincumbiu o contribuinte, ante a exigência fiscal, cumpridas portanto as exigências do art. 8° da Lei n 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO para restabelecer despesas médicas no importe de R$ 16.914,89. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 19515.001314/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1999
CONTA-CONJUNTA - FALTA DE INTIMAÇÃO - NULIDADE
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na faze que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Sumula CARF 29)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
Numero da decisão: 2202-002.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade para excluir R$.6.887,23. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os rendimentos tributáveis declarados no valor de R$ 26.014,00. Vencidos os Conselheiros DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e ANTONIO LOPO MARTINEZ.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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(Sumula CARF 29) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade para excluir R$.6.887,23. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os rendimentos tributáveis declarados no valor de R$ 26.014,00. Vencidos os Conselheiros DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e ANTONIO LOPO MARTINEZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 14 /2 00 3- 17 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001314/200317 Acórdão n.º 2202002.760 S2C2T2 Fl. 841 3 Relatório Tratase de impugnação apresentada contra auto de infração que, apurando omissão de rendimentos caracterizada por valores de origem não comprovada creditados em conta bancária, formalizou a exigência de imposto de renda, multa e juros, referentes ao exercício de 1999, anobase 1998, no total de R$ 147.374,47, tendo por fundamento legal o art. 42, da Lei n° 9.430/1996 e demais dispositivos indicados no auto de infração de fls. 108 a 114. Alega o impugnante, em síntese, que o auto de infração ofende princípios de Direito Tributário e caracteriza bitributação, pois em sua base de cálculo compreende valores já tributados e valores pertencentes a terceiros. Nessa linha de argumentação, afirma que estão compreendidos no auto de infração rendimentos recebidos de pessoas fisicas indicados na declaração de ajuste anual (R$ 26.014,00); rendimentos do cônjuge (R$ 11.200,00); quantia recebida pela venda de bem imóvel sem apuração de ganho de capital (R$ 32.123,00); recebimento de crédito pago por Alberto Armando Forte (R$ 20.000,00); empréstimo obtido de Fernando Nelson do Rego (R$ 14.000,00); recebimento de lucros e dividendos do Hospital Ana Costa. O restante dos valores pertenceria a clientes, a empresas do próprio declarante e a sua esposa. Acrescentou ainda que toda a movimentação financeira pertence a jurídica que, tendo sócios com "restrições", se via impedida de abrir conta em banco. Ademais, afirma que deixou de apresentar a documentação probatória das alegações articuladas na impugnação, pois foi destruída por inundação decorrente de fortes chuvas. Por fim, reiterou que se tratava de conta de movimentação conjunta. Pugnou pela improcedência do auto de infração e juntou cópia de boletim de ocorrência registrado no 10 Distrito Policial de São Sebastião / SP. A Delegacia de Receita Federal de Julgamento de Campo Grande, DRJ/CGE ao analisar a impugnação, decidiu por unanimidade de votos e manter parcialmente o lançamento através do acórdão DRJ/CGE 0411.842 de 26 de abril de 2007, consubstanciado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DEPÓSITO BANCÁRIO. UTILIZAÇÃO PARA LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Os valores creditados em contas correntes ou de investimento, mantidas em instituição financeira, quando o titular não provar a origem dos recursos utilizados nessas operações, geram presunção "júris tantum" de omissão de rendimentos. DEPÓSITOS EM CONTA BANCÁRIA QUE TENHA MAIS DE UM TITULAR. CRITÉRIO PARA APLICAR SE A REGRA DE PRESUNÇÃO DE RENDIMENTOS OMITIDOS. Tratandose de conta corrente ou de investimento, movimentada por mais de uma pessoa, na falta de comprovação da origem dos recursos, a presunção de rendimentos omitidos se aplica nos moldes do critério estabelecido no §6° do art. 42, da Lei n° 9.430/1996. Devidamente cientificado dessa decisão, o contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001314/200317 Acórdão n.º 2202002.760 S2C2T2 Fl. 842 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Nulidade Falta de Intimação Contaconjunta – Banco Banespa A DRJ reconheceu que as contas correntes do Banco Banespa, tinha dois titulares, e um deles não foram devidamente intimados para comprovar a origem dos depósitos nelas referidos, se limitando a dividir o lançamento em 50% para cada cotitular. O fato é que, em momento algum, o cotitular foi chamado aos autos para justificar ou informar a respeito da movimentação que lhes cabia em cada uma das contas bancárias, o que macula o procedimento fiscal como um todo. Não há dúvidas de que nas hipóteses de contas conjuntas, deve ser observado o comentado do parágrafo 6º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, acrescentado pela Lei nº 10.637/2002. Mas, deve ele ser interpretado conjuntamente com seu caput: “Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. .... “§ 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.” (grifouse) Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Tratase, pois, de um comando impositivo e incondicional, que prevê um critério objetivo de quantificação da base de cálculo, justamente para conferir critérios de liquidez, certeza e justiça ao lançamento. Constatese que há dois requisitos exigidos pelo dispositivo retrotranscrito: 1º. que os titulares da conta conjunta tenham apresentado declaração de rendimentos em separado, o que efetivamente aconteceu, conforme se extrai da declaração de ajuste anual do Contribuinte, 2º. que todos os titulares da conta corrente sejam intimados para, querendo, comprovarem a origem dos depósitos bancários. É dever da Fiscalização, pois, observado o prazo decadencial, intimar o outro titular da referida conta bancária para que ele, na condição de cotitular e contribuinte do IRPF, comprove a origem dos depósitos, independentemente do percentual de sua real participação em tal conta, e do motivo pelo qual participa como cotitular, o que, todavia, como visto, não foi feito no caso concreto, nas situações de ambas as contas bancárias. Aliás, esse é o posicionamento desse Conselho, como se vê das seguintes ementas: “DEPÓSITO BANCÁRIO CONTA CONJUNTA Tratandose de conta conjunta, é imprescindível que todos os titulares estejam sob o procedimento de ofício. Ademais, o lançamento com base em depósitos bancários deve ter a base tributável dividida pelo número de titulares da conta conjunta, nos casos em que estes tenham rendimentos próprios e declarem em separado.” (Acórdão nº 10421006, de 13.09.2005, Relatora Cons. Meigan Sack Rodrigues) “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Em caso de conta conjunta é obrigatório intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de ofício, os valores como sendo renda exclusiva de um dos correntistas. Ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o auto de infração adotou base de cálculo diferente daquela estabelecida pela regramatriz do § 6º do artigo 42 da Lei nº. 9.430, de 1996, razão pela qual, neste ponto, deve ser cancelado. Exigência cancelada.” (Acórdão nº 10247838, de 16.08.2006, Relator Cons. Moises Giacomelli Nunes da Silva) “... OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, nos casos de conta corrente bancária com mais de um titular, os depósitos bancários de origem não comprovada deverão, necessariamente, ser imputados em proporções iguais entre os titulares, salvo Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001314/200317 Acórdão n.º 2202002.760 S2C2T2 Fl. 843 7 quando estes apresentarem declaração em conjunto. É indispensável, para tanto, a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários. ...” (Acórdão nº 10421419, de 23.02.2006, Relator Cons. Pedro Paulo Barbosa) Tal posicionamento foi ratificado através da Súmula nº 29 do CARF, que foi publicada através da Portaria de nº 106, de 21 de dezembro de 2009: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na faze que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Logo, entendo que não tem como subsistir o lançamento no que tange a conta bancária do Banco Banespa, por desrespeito ao comando cogente do parágrafo 6º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, supratranscrita, eis que ambas as contas correntes cujos depósitos não tidos como não comprovados são de titularidade conjunta, não bastando, apenas, reduzir o montante tributável pelo número dos titulares, na esteira da jurisprudência desse Conselho de Contribuintes. Diante, disso entendo que deve ser excluído da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 6.887,23 relativo ao anocalendário de 1998. Mérito OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. Parte do auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. O que devemos excluir da tributação do presente lançamento seriam os rendimentos tributáveis no valor de R$ 26.014,00 declarados na DIRPF pelo Recorrente. Seguindo o entendimento hoje manifestado pela CSRF, conforme acórdão abaixo transcrito: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001314/200317 Acórdão n.º 2202002.760 S2C2T2 Fl. 844 9 Processo n° 10675.002742/200511 Recurso n° 151.906 Especial do Procurador Acórdão n° 920200.566 2" Turma Sessão de 10 de março de 2010 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GERALDO MAGELA CAMPOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 a 2004 PERIODICIDADE DO IMPOSTO DE RENDA DECADÊNCIA DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRAZO CONTADO DE FORMA MENSAL INAPLICABILIDADE. O fato gerador do imposto de renda decorrente de rendimentos provenientes da remuneração do trabalho dáse apenas no final do ano base, quando se verifica o último dos fatos requeridos pela hipótese de incidência do tributo. É a partir de tal data que começa a fluir o prazo decadencial. Aplicação da Súmula 38 do CARF . Da interpretação sistêmica dos artigos 8°, 9° e 10° da Lei n° 8.134, de 1990; artigos 3°, parágrafo único e artigos 4'; 8° e 10° da Lei n° 9.250, de 1995 e do artigo 42, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, concluise que a base de cálculo do imposto de renda é a soma anual dos valores apurados mensalmente. Não há antinomia entre uma norma estabelecer que os valores consideramse recebidos no mês em que houver o crédito pela instituição financeira e outra norma considerar a base de cálculo constituise da soma dos valores recebidos em cada um dos meses do anocalendário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS RENDIMENTOS REGULARMENTE DECLARADOS INEXISTÊNCIA DE REQUISITO LEGAL EXIGINDO COINCIDÊNCIA DE DATA E VALORES RECURSOS QUE DEVEM SER EXCLUÍDOS DA BASE DE CÁLCULO. A lei determina que o titular comprove, de forma individualizada, a origem dos recursos. Tal norma deve ser aplicada levando em consideração a situação de cada caso em concreto. Nada impede, por exemplo, que alguém receba determinado valor num dia e, dias após, faça um depósito bancário no valor correspondente a determinado percentual do que recebeu. Situação,. contrária também pode se verificar nos casos em que o valor recebido é somado a outra importância para integralizar um único depósito bancário.Ademais, dentro Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 da realidade dos fatos, não é crível que aquele que tem por hábito depositar seus recursos em conta bancária deposite no sistema financeiro os rendimentos omitidos, para que seja identificado e, não deposite os rendimentos regularmente declarados. Na sistemática de interpretação dos fatos e de aplicação da norma incidente, tratandose de contribuinte que tem por hábito movimentar seus recursos em conta bancária, os valores regularmente declarados devem ser excluídos da base de cálculo independentemente da coincidência de datas e valores, é porque tal requisito não decorre da lei. Recurso especial provido. Desta forma, é devida parte da presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada, devendose excluir do lançamento os rendimentos tributáveis devidamente declarados na DIRPF do Recorrente no valor de R$ 26.014,00. Assim, por tudo o que dos autos consta, conheço do recurso, acolho a preliminar de nulidade no que diz respeito a falta de intimação dos cotitulares, excluindo da base de cálculo do valor de R$ 6.887,23 relativo a conta conjunta do banespa, e no mérito dou provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os rendimentos tributáveis declarados no valor de R$ 26.014,00. . (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 15375.005029/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.338
Decisão: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/07/2005
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja juntada aos autos, a cópia da decisão definitiva relativa à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD nº 35.758.383-3, proferida no PAF nº 10665.000194/2010-63.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
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decisao_txt : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 11/07/2005 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja juntada aos autos, a cópia da decisão definitiva relativa à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD nº 35.758.383-3, proferida no PAF nº 10665.000194/2010-63. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
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RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja juntada aos autos, a cópia da decisão definitiva relativa à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD nº 35.758.3833, proferida no PAF nº 10665.000194/201063. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 75 .0 05 02 9/ 20 09 -4 3 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15375.005029/200943 Resolução nº 2302000.338 S2C3T2 Fl. 493 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2005 Data da lavratura do Auto de Infração: 11/07/2005. Data da Ciência do Auto de Infração: 11/07/2005. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 35.758.3841, Código de Fundamentação Legal nº 69, lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social, em virtude do preenchimento e entrega de GFIP com informações inexatas, incompletas e omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 01/1999 a 04/2005, conforme descrito no Relatório Fiscal do Auto de Infração, a fls. 28/62. CFL 69 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. A multa aplicada é a prevista no art. 32, IV e §6º, da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 284, III, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, sendo de 5% do valor mínimo por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos na tabela do §4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, em função do número de segurados. O valor mínimo a partir de 01/05/2005 é de R$ 1.101,75 , conforme art. 8° da Portaria MPS nº 822, de 11/05/2005, com vigência a partir de 01/ 5/2005. O número de segurados da empresa está situado na faixa de 101 a 500 segurados no período de 01/1999 a 04/2005, sendo a multa limitada a 10 vezes o valor mínimo, por competência, não tendo ultrapassado este valor em nenhuma competência, de acordo com o Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fls. 64/70. Relata a Autoridade Lançadora que a empresa foi autuada por ter apresentado GFIP com erro nos campos: salário família, nas competências 02/1999, 08/1999 a 05/2000, 07/2000 a 05/2001, 07/2001, 02/2002, 01/2003, 04/2003 e 05/2003; alíquota RAT, de 01/1999 a 05/2003; código pagamento da Guia da Previdência Social GPS, de 01/1999 a O2/2000, 11/2003, 12/2003 e 03/2005; Código de outras entidades, de 01/1999 a 04/2004, 06/2004 e 03/2005; Código FPAS, de 01/1999 a 02/2002, 11/2003 e 12/2003; e Código de categoria, de 01/1999 a O3/1999, 05/1999 a 05/2001, 07/2001 a 02/2002, 01/2003 a 05/2003, como consta do relatório fiscal e anexo, a fls. 28/62. Inconformado com a autuação, o Sujeito Passivo apresentou impugnação administrativa a fls. 74/149. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15375.005029/200943 Resolução nº 2302000.338 S2C3T2 Fl. 494 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada na DecisãoNotificação nº 11.401.4/0261/2005, a fls. 283/293, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16/11/2005, conforme Aviso de Recebimento a fl. 297. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 299/377, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Impossibilidade do desmembramento do presente auto de infração a obrigação principal; · Obrigatoriedade da lavratura de apenas um auto para cada tipo de infração; · Inaplicabilidade da multa em decorrência do recolhimento do tributo; · Que a multa pelo não recolhimento absorve a multa pelo descumprimento de obrigação tributária acessória; · Inexistência de contribuições devidas ou declaradas – inocorrência de infração; · Os Autos de Infração 357583825 e 358583841 foram lavrados com base no mesmo artigo 32, IV da Lei 8.212/91; · Ilegalidade do mínimo adotado como mínimo da multa; · Limitação por competência do valor da multa; · Decadência da Obrigação Principal; · Que é indevida a extensão de responsabilidade tributária aos sócios da empresa; Considerando que a obrigação principal correspondente aos mesmíssimos fatos geradores tratados neste Auto de Infração foi objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, e que o Sujeito Passivo, ora recorrente, ofereceu impugnação à NFLD acima referida, como medida de reconhecida prudência, almejando esquivarmos de decisões contraditórias, o julgamento do feito houvese por convertido em diligência fiscal, até que se consumasse o Trânsito em Julgado da decisão administrativa relativa à NFLD n° 35.758.3833, conforme Resolução nº 2302000.233 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 20 de junho de 2013, a fls. 442/445. Despacho SACAT/DRF/DIV, a fls. 449/483, aviando revisão de ofício da NFLD nº 35.758.3833, tendo em vista o teor da Súmula Vinculante nº 8 do STF. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15375.005029/200943 Resolução nº 2302000.338 S2C3T2 Fl. 495 4 O Sujeito Passivo houvese por cientificado do resultado da Diligência Fiscal acima referida em 14/03/2014, conforme documento a fl. 488, não se manifestando nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. 2. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/11/2005. Havendo sido o recurso recebido pelo órgão fazendário em 14/12/2005, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 3. DA FUNDAMENTAÇÃO E MÉRITO Cumpre destacar, inicialmente, que a obrigação principal correspondente aos mesmíssimos fatos geradores tratados neste Auto de Infração é objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10665.000194/201063. Em virtude da flagrante relação de prejudicialidade existente entre os fundamentos de fato e de direitos inerentes ao vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, como medida de reconhecida prudência, e almejando evitar a prolação de decisões conflitantes, houvese o julgamento do presente feito convertido em diligência fiscal, nos termos da Resolução nº 2302000.233 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 20 de junho de 2013, a fls. 442/445, até que se consumasse o Trânsito em Julgado da decisão administrativa relativa à NFLD n° 35.758.3833. A Resolução nº 2302000.233 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 20 de junho de 2013, foi clara e expressa ao determinar que: “A diligência deve ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva proferida no PAF em que se debate o mérito do lançamento aviado na NFLD n° 35.758.3833”. A DILIGÊNCIA FISCAL NÃO FOI CUMPRIDA !!! Os autos retornaram a este Colegiado sem que fosse juntada aos presentes autos a cópia da decisão definitiva proferida no PAF nº 10665.000194/201063, em que se debate o mérito do lançamento aviado na NFLD n° 35.758.3833, sendo negligenciada a determinação Fl. 495DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15375.005029/200943 Resolução nº 2302000.338 S2C3T2 Fl. 496 5 expressa comandada pela diligência fiscal contida na Resolução nº 2302000.233 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 20 de junho de 2013, a fls. 442/445. Não supre a Decisão Administrativa definitiva referente à NFLD n° 35.758.383 3 o Despacho SACAT/DRF/DIV, a fls. 633/667, uma vez que este não informa quais foram efetivamente os fatos geradores mantidos no lançamento objeto da NFLD acima citada. Por tais razões, pugnamos pela conversão do julgamento em nova diligência fiscal para que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem desídia, CUMPRA EFETIVAMENTE as determinações aviadas na Resolução nº 2302000.233 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 20 de junho de 2013, mediante a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva referente ao lançamento veiculado por intermédio da NFLD n° 35.758.383 3, proferida no PAF nº 10665.000194/201063. Além disso, conforme comandado na Resolução acima mencionada, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser promovida a ciência do Contribuinte a respeito do conteúdo e resultado da diligência fiscal ora requestada, sendolhe concedido o prazo normativo para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo. 4. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA FISCAL, nos termos assinalados nos parágrafos anteriores. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10670.005182/2008-31
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 51 82 /2 00 8- 31 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10670.005182/200831 Acórdão n.º 2801003.709 S2TE01 Fl. 123 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6a Turma da DRJ/JFA (Fls. 69), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrada, em 27/10/2008, a Notificação de Lançamento de fls. 58 a 63, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, exercício 2007, anocalendário 2006, que resultou em crédito total apurado no valor de R$ 18.440,61, sendo R$ 9.614,00 de IRPFSuplementar, R$ 7.210,50 de multa de ofício e R$ 1.616,11 de juros demora (calculados até 10/2008). O não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, motivou o lançamento de ofício (fls. 59 a 61): 1) A dedução indevida de despesas médicas, no valor total de R$ 453,34; 2) A dedução indevida de previdência privada e Fapi, no valor de R$ 1.689,86; e, 3) A dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 42.000,00. A ciência da Notificação de Lançamento deuse em 04/11/2008 (fl. 47), e o interessado apresentou impugnação de fls. 01 e 02, em 28/11/2008, concordando com a glosa das despesas médicas e com a glosa de previdência privada e Fapi, tendo em vista o extravio de tais comprovantes. Quanto à pensão alimentícia, retifica o valor declarado de R$ 42.000,00 para R$ 40.000,00, anexando Termos de Audiências da homologação judicial e extratos bancários das beneficiárias fornecidos pelo Banco do Brasil S/A, tendo em vista o extravio dos comprovantes de depósito. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/JFA entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESPESAS MÉDICAS. PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10670.005182/200831 Acórdão n.º 2801003.709 S2TE01 Fl. 124 3 Podem ser deduzidas as importâncias efetivamente pagas a título de pensão alimentícia e prestação de alimentos provisionais em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial. Cientificado em 18/04/2011 (Fls. 76), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 12/05/2011 (fls. 77 a 81), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, cumpre ressaltar que resta em litígio somente a glosa de pensão alimentícia no valor de R$35.700,00. Entendeu a DRJ que não foi comprovado o pagamento da pensão judicial da menor Maria Luiza Oliveira Lopes Teixeira, uma vez que para comprovar os pagamentos desta o contribuinte anexou aos autos extratos bancários de Gianny Fabricia O. Lopes, genitora da menor. Entretanto, tais extratos não identificam o contribuinte como depositante, além do fato de os valores apontados pelo contribuinte nestes extratos estarem fracionados e terem sido efetuados, em sua grande maioria, após a data estipulada na sentença para tal. Assim, entendeu a DRJ que não se prestariam a comprovar o pagamento da pensão alimentícia. Também entendeu a DRJ que o contribuinte comprovou apenas parte da pensão alimentícia, decorrente de determinação judicial, dos menores Marcos Adriano Oliveira Teixeira e Pedro Henrique Oliveira Teixeira, no valor de R$ 6.300,00, correspondentes aos meses de agosto, novembro e dezembro. Isto porque do extrato bancário da contapensão utilizada como meio de prova do pagamento da pensão, que está em nome de Andréa Ferreira Oliveira, genitora dos menores, apenas os meses citados anteriormente estavam legíveis. Quanto a dedução da pensão alimentícia, de acordo com a legislação, somente são dedutíveis as importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia decorrentes de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente. Assim estabelece a legislação: art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR199, aprovado pelo Decreto 3.000/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita a incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a titulo de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo Fl. 124DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10670.005182/200831 Acórdão n.º 2801003.709 S2TE01 Fl. 125 4 homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n°9.250, de 1995, art. 4°, inciso II). Neste ponto, alertado pela DRJ da necessidade de provar que os pagamentos foram realizados, o contribuinte juntou declaração assinado por Gianny Fabrícia de Oliveira Lopes; na qual a mesma afirma ter recebido a título de pensão alimentícia da filha Maria Luiza a importância de R$16.000,00 no ano de 2006. Por oportuno esclareço que consta na página 10 dos autos decisão judicial na qual se homologa acordo em que se fixa a pensão para sua filha Maria Luiza, no valor correspondente a 04 salários mínimos. Tenho o entendimento de que a declaração faz prova de pagamento; posto que preenche todos os requisitos legais e dá quitação ao pagamento de pensão alimentícia, que, é um dos poucos casos em que pode haver a prisão do alimentante em razão da falta de pagamento. Seguindo, buscando comprovar o pagamento da pensão de Marcos Adriano e Pedro Henrique, o recorrente juntou seus extratos bancários, bem como os da mãe dos menores, afim de demonstrar a realização das transferências daquela conta para esta. Os valores constantes de ambos os extratos são compatíveis em data e valor, corroborando a afirmação do contribuinte de que de fato procedeu ao pagamento da pensão ajustada, com exceção dos valores pagos em 01/02 (R$1.000,00), 02/03 (R$70,00), 30/03 (R$1.500,00), 03/05 (R$2.041 e R$59,00) que constam como recebidos no extrato da genitora dos menores, porém não constam do extrato do recorrente, pois o mesmo afirma que tais valores foram depositados por meio de cheques. Ainda assim, tais valores são compatíveis com o devido à título de pensão e por serem depositados em “contapensão” criada exclusivamente para este fim, entendo comprovado o pagamento. Frisese, ainda, que consta na folha 11 dos autos decisão judicial na qual se homologa acordo em que se fixa a pensão para os filhos Marcos Adriano e Pedro Henrique, no valor correspondente a 06 salários mínimos. Assim, perante a existência de prova de que os pagamentos se deram em decorrência de acordo homologado judicialmente, deve ser restabelecida a dedução. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 125DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10670.005182/200831 Acórdão n.º 2801003.709 S2TE01 Fl. 126 5 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10680.933995/2009-85
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência examinar os documentos trazidos aos autos e verificar se demonstram a recolhimento da diferença de receita financeira no valor de R$ 69.392,68, a maior do que o devido, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
Relatório
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência examinar os documentos trazidos aos autos e verificar se demonstram a recolhimento da diferença de receita financeira no valor de R$ 69.392,68, a maior do que o devido, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 33 99 5/ 20 09 -8 5 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10680.933995/200985 Resolução nº 3801000.847 S3TE01 Fl. 9 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 10680.933995/200985, contra o acórdão n° 0241.489, julgado na sessão de 18 de novembro de 2012, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: “OpresenteprocessotratadeManifestaçãodeInconformidadecontra o Despacho Decisório rastreamento 848540528 emitido eletronicamente em 07/10/2009, fls.37, referente ao PER/DCOMP nº 39422.28318.280907.1.3.040910 (doc. De fls. 4146). O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, no valor original na data de transmissão de R$ 69.392,68, decorrente de recolhimento com Darf efetuadoem13/04/2006. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características doDARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN),art. 74 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade (fl. 211), arguindo a nulidade do despacho decisório, por preterição do direito de defesa, umavez que não foram ditos os motivos da desconsideração do crédito. O contribuinte defende, ainda, que o cruzamento de declarações, como causa de decidir, nãoé meio hábil para negar seu direito à compensação.Quanto ao mérito, alega que ao preencher suas obrigações acessórias, cometeu um pequeno equivoco que pode ter impossibilitado a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não faz decair seu direito material ao crédito, e que, posteriormente, verificando suas declarações contábeis e fiscais, identificou ajustes de créditos que não haviam sido apropriados no momento oportuno, o que fez com que fosse reduzido o tributo devido incidente sobre as operações próprias (código de receita 6912).Por Fl. 162DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10680.933995/200985 Resolução nº 3801000.847 S3TE01 Fl. 10 3 fim, afirma que, constatada a divergência, procedeu a respectiva retificação, com a liberação do crédito contido no DARF mencionado. A DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, confirmando a não homologação da compensação declarada. Colaciono a ementa: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃOPARAOPIS/PASEP Anocalendário:2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃOCOMPROVADO. Nafaltadecomprovaçãodopagamentoindevidoouamaior,nãoháquesefala rdecréditopassíveldecompensação. ManifestaçãodeInconformidadeImprocedente DireitoCreditórioNãoReconhecido Inconformada com improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 71/158, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância tendo em vista: Em preliminar: 1 A falta de fundamentação, prejudicando o contraditório e da ampla defesa; No mérito: 2 Erro de preenchimento de DCTF, tendo em vista que o crédito é oriundo de reclassificação de receitas tributáveis das quais colaciona no recurso voluntário, a planilha de com a reapuração do crédito, os lançamentos contábeis reclassificados, o balancete original, o balancete após a reclassificação, apuração e resumo do PIS e da COFINS e o DARF; 3 – Requer que o recurso seja à luz do princípio da verdade material. É o sucinto relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10680.933995/200985 Resolução nº 3801000.847 S3TE01 Fl. 11 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de PIS. Deste modo, tendo em vista o argumento da contribuinte de que procedera à retificação da DCTF e do DACON e que, à luz destes documentos retificados, a compensação deveria ser deferida, a DRJ constatou que as retificações ocorreram após a ciência do despacho decisório que não homologara a compensação e que a documentação apresentada com a manifestação de inconformidade não era hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, porque não foi apresentada escrituração contábil e fiscal do período. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirma que por motivo de falha administrativa as DACON e a DCTF não foram devidamente retificadas, nem transmitidas no programa da RFB, sendo este o motivo pelo indeferimento das homologações. Ocorre que, em detrimento do erro de sistema alegado, a recorrente procedeu com a transmissão da retificadora, todavia apenas em 15/05/2009, ou seja, após a ciência do despacho decisório que ocorreu em 30/04/2009, sem qualquer comprovação complementar que produza prova inequívoca da operação. Mesmo diante destas evidências, importa que a recorrente trouxe aos autos, em sede de recurso voluntário, documentação contábil em que comprova o valor recolhido a maior e que fundou a retificadora. Diante destes documentos, é possível verificar se o contribuinte tem direito ao crédito pretendido, se, de fato, por equívoco de preenchimento, erro do operador na realização da DCTF foi recolhido contribuição a maior, transparecendo a necessidade de relativizar a forma do processo administrativo para que a verdade material seja alcançada. Considero que ainda que apresentados apenas em sede recursal tais documentos devem ser aceitos, analisados, estudados e finalmente valorados, permitindo assim a imprescindível conclusão sobre a questão. Observado que o fundamento da decisão de primeira instância foi basicamente pela carência de documentação complementar às retificadoras, ou seja, juízo de valoração Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10680.933995/200985 Resolução nº 3801000.847 S3TE01 Fl. 12 5 probante, entendo que o exame das provas que acompanham as razões de defesa é fundamental para firmar o convencimento da turma julgadora. Nesta senda, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de: a) a Delegacia de Origem examine os documentos trazidos aos autos: a planilha com a reapuração do crédito,os lançamentos contábeis reclassificados, o balancete original, o balancete após a reclassificação, apuração e resumo do PIS e da COFINS e o DARF, para verificar se demonstram a recolhimento da diferença de receita financeira no valor de R$ 69.392,68, a maior do que o devido, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. b) requerer ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; c) conceda prazo para o contribuinte se manifestar finda a diligência, sobre o relatório dela decorrente, retornando os autos em seguida ao CARF para retomada do julgamento. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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