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Numero do processo: 10680.925927/2016-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 23/07/2010
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.357
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 59 27 /2 01 6- 71 Fl. 45DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10680.925927/201671 Acórdão n.º 3401006.357 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 47DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10680.925927/201671 Acórdão n.º 3401006.357 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 49DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 50DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920299/2012-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 15/08/2005
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.100
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 15/08/2005 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
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ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, o qual indeferiu o pedido de restituição efetuado por meio eletrônico (PER). Após análise automática foi proferido despacho decisório indeferindo o pedido. Como justificativa para o indeferimento foi apontado o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, referido valor teria sido totalmente utilizado na extinção de outro débito de contribuições (PIS e/ou Cofins). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 02 99 /2 01 2- 20 Fl. 78DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.100 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920299/2012-20 Devidamente cientificada, a recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade, na qual relata que apurou crédito tributário de PIS e de Cofins em razão da declaração de inconstituicionalidade do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, proferida pela Supremo Tribunal Federal no RE 457553-1 em Sessão Plenária de 09/11/05 e aproveitou parte do referido crédito para compensar débitos, conforme lhe faculta o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Acredita que a razão de o PER haver sido indeferido estaria no fato de que referido crédito não consta nas bases de dados da Receita Federal do Brasil. Explica que extinguiu os déditos de PIS e Cofins conforme declarado em DCFT e, posteriormente, com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras. Ocorre que no processamento do PER, o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstituicional incidente sobre as receitas financeiras. Por seu turno, embora tenha reconhecido a inconstitucionalidade apontada pela recorrente, e declarada pelo Supremo Tribunal Federal, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Em sua decisão, observou que, para fins de deferimento de pedido de restituição, o recolhimento indevido ou a maior, em virtude da declaração de inconstitucionalidade de dispositivo relativo ao alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, deve ser comprovado mediante documentação hábil e idônea. Novamente cientificada, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese: (i) que caso a Fiscalização entenda que a documentação apresentada pela recorrente não exaure a questão controvertida contida no Pedido de Restituição, com supedâneo na legislação de regência do processo administrativo fiscal, a Autoridade Administrativa pode determinar diligências com a finalidade de investigar e concluir o procedimento fiscal com o máximo de elementos para firmar a convicção que deve fundamentar o ato administrativo; (ii) não se alegue a impossibilidade de se admitir os documentos apresentados na atual etapa processual. Isto porque, somente por ocasião da prolação do acórdão recorrido, pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba, é que o direito creditório buscado pela recorrente foi indeferido com base na alegada ausência de comprovação dos recolhimentos da COFINS sobre as receitas financeiras; (III) que o crédito apurado diz respeito ao PIS/Cofins incidente sobre receitas financeiras; e (iv) qualquer conclusão diversa constituirá violação ao direito de defesa da contribuinte, resultando em vício insanável que gera a nulidade fixada no artigo 59, II do Decreto 70.235/1972: Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, Fl. 79DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.100 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920299/2012-20 de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.050, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920245/2012-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.050): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 27989.81927.250108.1.2.04-4061 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ R$ 6.135,06. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender que não restou comprovado o direito almejado pelo contribuinte, por total ausência de documentos comprobatórios, cujas razões peço vênia para colacionar: Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da COFINS que deve ser afastado, é necessário que a contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. No caso presente, verificou-se que nenhum documento comprobatório que pudesse comprovar inequivocamente a ocorrência de pagamentos indevidos em razão do alargamento da base de cálculo foi apresentado pela requerente. A propósito, o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, dispõe que são aplicadas às manifestações de inconformidade as mesmas regras do Processo Administrativo Fiscal, previstas no Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 74. (...) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. E de acordo com o que estabelece o Decreto n.º 70.235, de 1972, a impugnação formalizada deve ser instruída com os documentos em que fundamente suas alegações: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 80DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.100 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920299/2012-20 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Grifou-se As disposições do Decreto n.º 70.235, de 1972 foram consolidadas pelo Decreto nº 7.574 de 29/09/2011, que mantém o entendimento da norma citada: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) Art. 57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (...) Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). (...) § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). Além disso, é bom lembrar o que está disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, ou seja, de que o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito é do próprio autor do pedido. Art. 333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Desse modo, tendo em vista que a manifestante não apresentou os elementos probatórios hábeis a comprovar a origem do indébito tributário, não há como reconhecer o direito creditório vindicado. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Fl. 81DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.100 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920299/2012-20 Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Fl. 82DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.100 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920299/2012-20 Por fim, não vejo que a decisão proferida por este relator, seja ela qual for, acarreta alguma hipótese de nulidade prevista no artigo 59, do Decreto nº 70.235/1972, principalmente aquelas elencadas no inciso II, considerando inexistir despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Neste cenário, não vejo como acolher as pretensões da Recorrente . Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.907570/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.124
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência, para que a unidade de origem junte aos autos cópia da íntegra do processo administrativo n° 10380.720057/2013-88. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de 30 dias para manifestações.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência, para que a unidade de origem junte aos autos cópia da íntegra do processo administrativo n° 10380.720057/2013-88. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de 30 dias para manifestações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-26T11:19:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-26T11:19:50Z; Last-Modified: 2019-07-26T11:19:50Z; dcterms:modified: 2019-07-26T11:19:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-26T11:19:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-26T11:19:50Z; meta:save-date: 2019-07-26T11:19:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-26T11:19:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-26T11:19:50Z; created: 2019-07-26T11:19:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-07-26T11:19:50Z; pdf:charsPerPage: 2112; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-26T11:19:50Z | Conteúdo => 0 S3-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10380.907570/2012-09 Recurso Voluntário Resolução nº 3301-001.124 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente SM PESCADOS INDUSTRIA , COMERCIO E EXPORTACAO LTDA - ME Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência, para que a unidade de origem junte aos autos cópia da íntegra do processo administrativo n° 10380.720057/2013-88. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de 30 dias para manifestações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata-se de Pedido de Ressarcimento, de crédito de COFINS, não cumulativa – exportação. Conforme Despacho Decisório, o pedido foi parcialmente deferido. Consta de tal decisão que sobre os valores do “Crédito Deferido” não deverão incidir juros compensatórios (taxa Selic), conforme regulamentação do art.83, §5º, inciso I da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012. Consta, ainda, que os documentos utilizados pela fiscalização na análise do pedido de ressarcimento, objeto do presente PAF, foram juntados ao Processo Administrativo Fiscal - PAF nº 10380.720057/2013-88. De acordo com a informação fiscal integrante do Despacho Decisório, sobre a base de cálculo do crédito pleiteado teriam sido aplicadas diversas glosas, em razão de se constatar que: i) os bens não constituíam insumos (fretes, caixas de isopor reutilizáveis e embalagens secundárias); ii) os produtos foram adquiridos com a finalidade de exportação (camarão_; e 3) as aquisições foram realizadas com suspensão da incidência do PIS/Cofins. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 07 57 0/ 20 12 -0 9 Fl. 279DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3301-001.124 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.907570/2012-09 Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, manejando os argumentos a seguir sintetizados. Inicialmente, contesta a glosa das aquisições de camarão com o fim específico de exportação defendendo, em síntese, que o fato de as referidas notas fiscais possuírem a anotação “mercadoria destinada à exportação” ou “mercadoria exclusiva para exportação” ou ainda “mercadoria destinada com fins específicos de exportação” não implica que a mercadoria a que se referem tenham sido exportadas na forma em que foram adquiridas. Acrescenta que mesmo que o camarão “in natura” em questão pudesse ser exportado sem que houvesse qualquer tipo de processamento industrial, tal fato não ocorreu e não há nos autos uma única prova que as mercadorias adquiridas pelas notas fiscais relacionadas pela Fiscalização foram exportadas na condição em que foram adquiridas (“in natura”). No que tange às aquisições de outros insumos, alega, em síntese, que o conceito de insumo para fins de crédito de COFINS não cumulativa é mais amplo do que aquele previsto para o IPI, e está mais próximo do conceito de custos/despesas necessárias previsto para fins de cálculo do IRPJ. Desta forma, os materiais mencionado no título, como gastos necessários à atividade operacional da manifestante, seriam passíveis de créditos. Neste sentido, colaciona excertos de doutrinas, ementas de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como jurisprudência dos tribunais. Por outro lado, quanto à atualização monetária no ressarcimento, entende ser uma afronta ao seu direito o ressarcimento sem o acréscimo de juros compensatórios, considerando a demora com que foi tratada a análise do seu pedido de ressarcimento pela Delegacia da Receita Federal de sua região, obrigando-o a buscar a força judicial. Alega que fica evidenciado um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional. Cita decisão judicial que autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (Resp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2004.2010, Dje 03.05.2010). Ressalta que o REsp em comento é representativo da controvérsia, e nesses casos, tanto a PGFN, como o próprio CARF entendem que as decisões do STJ não devem ser contestadas, como se vê no artigo 62A do Anexo I, da Portaria do MF nº. 256/09 (transcreve no texto). Ainda, que mesmo antes da inclusão do art. 62A, o próprio CARF em seus julgados, tem tido a mesma linha do judiciário, pelo qual cita os Acórdãos CSRF/02.770 e CSRF/02.02.705. Requer, por fim, que as glosas sejam restabelecidas e o valor do crédito pleiteado seja reconhecido e ressarcido com a devida atualização monetária, com base na variação da Taxa Selic entre a data do protocolo do pedido e a sua efetiva utilização. Por seu turno, observa a DRJ que julgou a Manifestação de Inconformidade que os processos administrativos fiscais (PAF) nº 10380.907569/2012-76, 10380.907570/2012-09, 10380.907571/2012-45, 10380.907572/2012-90, 10380.907573/2012-34, 10380.907575/2012- 23, 10380.907576/2012-78, 10380.907577/2012-12, 10380.907578/2012-67 e 10380.907579/2012-10, todos de interesse da contribuinte acima identificada, que têm por objeto os pedidos de ressarcimento dos créditos do PIS e Cofins não cumulativos (exportação). Tais processos foram baixados em diligência para fins de saneamento, tendo em vista que os autos do PAF nº 10380.720057/2013-88, conteriam documentação de interesse Fl. 280DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3301-001.124 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.907570/2012-09 (intimações fiscais, planilhas do contribuinte, notas fiscais, demonstrativos da auditoria, etc.), relacionada à auditoria manual realizada sobre os pedidos de ressarcimento citados. Foi solicitado que fossem anexadas aos autos dos mencionados PAF as notas fiscais relativas às “mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação” (motivo da glosa) constantes do “Demonstrativo das Glosas sobre Aquisições de Bens Utilizados como Insumos”, referentes ao período de que tratam. Cientificada da diligência fiscal, a interessada manifestou-se para informar que com o trânsito em julgado do Processo 0800383-59.2013.4.05.8100, em 11/12/2014, teve reconhecido o direito a atualização monetária, pela taxa SELIC, do crédito de que trata o presente processo. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente, firmando o entendimento de que no âmbito dos pedidos de ressarcimento o ônus de comprovação do direito creditório cabe ao contribuinte. O mesmo acórdão concluiu que as hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração de COFINS são somente as previstas na legislação de regência, que é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento. Ficou também assentado que, no regime não cumulativo de COFINS somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Ainda com base na decisão prolatada pela DRJ, consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. No que tange às embalagens, concluiu-se que apenas aquelas que se caracterizam como insumos, que são as incorporadas ao produto destinado à venda durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), dão direito a crédito. As agregadas ao produto apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão-somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, que são incorporadas ao produto destinado à venda durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação) dão direito a crédito. As agregadas ao produto apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão-somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 281DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3301-001.124 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.907570/2012-09 VOTO Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-001.123, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13051.720140/2011-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressalte-se que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301-001.123). Inicio, consignando que este voto aplica-se aos processos 10380.907567/2012-87, 10380.907568/2012-21, 10380.907569/2012-76, 10380.907574/2012-89 e 10380.907580/2012-36. Após a protocolização do recurso voluntário, a recorrente juntou aos autos petição e cópias de peças do processo judicial n° 0800383-59.2013.4.05.8100, por meio do qual pleiteou o acréscimo de juros Selic aos valores dos Pedidos de Ressarcimento tratados em vinte e dois processos administrativos, entre os quais os acima listados. Com relação ao processo n° 10380.907569/2012-76, os citados documentos foram carreados aos autos juntamente com a manifestação sobre a diligência efetuada pela DRJ. No material juntado, consta inclusive Certidão de Trânsito em julgado de decisão favorável à recorrente. Nos recursos voluntários, sob o tópico "Da atualização monetária do ressarcimento", requereu que o ressarcimento dos créditos fosse acrescido de juros Selic, calculados entre as datas do protocolo do PER e o do efetivo ressarcimento, com base na decisão do STJ no REsp n° 993.164/10. Esta decisão dispõe sobre a incidência dos juros, quando há oposição ilegítima do Fisco ao ressarcimento de crédito presumido de IPI. E chamou a atenção para o fato de que, entre as datas do protocolo e a da ciência da decisão, já haviam-se passado, dependendo do processo, entre três e oito anos. No processo n° 10380.907569/2012-76, o referido tópico foi incluído na manifestação de inconformidade. E, no recurso voluntário, foi requerida a aplicação da sentença judicial. Nos termos da Súmula CARF n° 1, não cabe a este colegiado dispor sobre matéria entregue ao Poder Judiciário, antes ou depois de iniciado o procedimento administrativo. Assim, deixo de conhecer os pedidos contidos nas peças de defesa e/ou nas petições juntadas aos autos, cujo objetivo era o de obter o reconhecimento do direito a acréscimo de juros Selic ao valor objeto do Pedido de Ressarcimento em discussão. No tocante aos demais argumentos, o recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Conversão em diligência Nas peças de defesa, a recorrente pleiteou que os processos acima indicados fossem julgados em conjunto com o de n° 10380.720057/2013-87, pois neste se encontrariam Fl. 282DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3301-001.124 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.907570/2012-09 todos os documentos que embasaram o despacho decisório, "sob pena de cerceamento do direito de defesa". Nos votos condutores dos acórdãos editados pela respectivas Delegacias Regionais de Julgamento (DRJ), com exceção do relativo ao processo n° 10380.907569/2012-76, encontra-se inclusive a seguinte passagem: "1. Da preliminar: Na preliminar, a contribuinte argumenta que a análise do presente processo deverá ter conexão com o PAF nº. 10380.720057/2013-88, sob pena de cerceamento de defesa, haja vista que todos os documentos utilizados pela fiscalização na análise do pedido de ressarcimento objeto deste PAF foram juntados àquele processo. Transcreve o segundo parágrafo da Informação, onde constaria: A respectiva documentação (intimações fiscais, planilhas do contribuinte, notas fiscais, demonstrativos da auditoria, etc) encontra-se no processo administrativo fiscal (PAF) digital nº. 10380.720057/2013-88, cujas folhas são referenciadas no texto da presente Informação Fiscal. Ressalte-se que o Termo Fiscal indica a clara conexão entre este processo e o processo de representação PAF nº. 10380.720057/2013-88, posto que este reúne documentação referente à fiscalização na empresa em questão. Da mesma forma, a análise que aqui se faz recorre ao referido processo para análise da documentação referenciada no Termo Fiscal e/ou na manifestação da contribuinte." De fato, os autos de todos os processos acima listados estão incompletos, não estando presentes, notadamente, a "Informação Fiscal" e planilhas complementares, bem como as notas fiscais examinadas. Reputo que não é o caso de decretarmos a nulidade dos ato administrativo original, por falta de motivação (art. 50 da Lei n° 9.784/99), pois, da leitura das decisões de piso e peças de defesa, infere-se que o despacho decisório foi devidamente motivado. Cabe-nos sim propor a realização de diligência, para que cópia da íntegra do processo n° 10380.720057/2013-88 seja juntada aos autos. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de trinta dias para manifestações. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem junte aos autos cópia da íntegra do processo administrativo n° 10380.720057/2013-88. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de 30 dias para manifestações, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Relator Fl. 283DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.001973/2007-57
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-001.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor parcial de R$1.000,00.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente EDUARDO HENRIQUE BALLSTAEDT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor parcial de R$1.000,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 19 73 /2 00 7- 57 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11516.001973/200757 Acórdão n.º 2002001.085 S2C0T2 Fl. 72 2 Relatório Auto de infração Trata o presente processo de auto de infração – AI (fls. 24/29), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2003. A autuação implicou na aleração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$3.268,96 para saldo de imposto a pagar de R$12.582,38. O AI noticia deduções indevidas de despesas médicas e com instrução, consignando que o contribuinte não teria atendido às intimações para comprovação dos pagamentos declarados. Impugnação Cientificado ao contribuinte em 11/5/2007, o AI foi objeto de impugnação, em 8/6/2007, às fls. 2/5 dos autos, assim sintetizada na decisão de piso: Que o recibo anexado relativo a pagamento à Bernadete Bastos, CPF 816.646.21920, no valor de 5.760,00 deve ser considerado, pois comprova a despesa efetuada. Apresenta recibo da DentalPrev Assist Odont, CNPJ 02.128.596/000135, no valor de 5.337,48 o qual deve ser considerado para comprovar o pagamento. Apresenta recibo de Adriana Matoso, CPF 038.555.33741, no valor de 1.000,00, o qual também deve ser considerado. Anexa recibo da Unimed Florianópolis, CNPJ 77.858.611/000108, no valor de R$ 7.380,00 e cita que este é cristalino para confirmar a despesa efetuada. Apresenta declaração de rendimentos da fonte pagadora Secretaria de Estado da Fazenda, no qual consta a retenção efetuada em nome da Unisanta, CNPJ 82.951.229/000176, no valor de R$ 658,74, a título de despesa médica. Alega que as despesas declaradas relativas à Ciência Centro Med, CNPJ 86.708.591/000171, R$ 2.630,35 e Digem Diagnostico, CNPJ 86.708.591/000171, R$ 1.358,40, na realidade foram decorrentes de um único pagamento, realizado para a empresa Centro de Medicina e Diagnóstico de Palhoça, CNPJ 86.708.591/000171, conforme recibo em anexo. Que as despesas declaradas relativas à Luiza Chimenes Soares, CPF 724.066.40825, R$ 750,00 e Jaime Bezerra do Monte, CPF 575.669.92953, R$ 800,00 também foram decorrentes de um único pagamento, realizado para a Sra. Rosana de Noronha Ribeiro, conforme recibo em anexo, no total de R$ 3.600,00. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 11516.001973/200757 Acórdão n.º 2002001.085 S2C0T2 Fl. 73 3 No que se refere as despesas com instrução, alega que não foi instado nem comunicado pela autoridade tributária sob qualquer irregularidade na sua declaração. Que os estabelecimentos que receberam as contribuições do contribuinte informaram que somente forneceriam comprovantes de pagamentos mediante solicitação da Receita Federal. Alega que descartou os documentos em decorrência de ter se passado o qüinqüídio prescricional (2002 2007). Requer que seja expedido oficio para as instituições relacionadas para que estas informem os pagamentos e que após seja intimado o impugnante para se manifestar. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/FNS que, por unanimidade, julgoua procedente em parte (fls. 48/53). O colegiado de primeira instância decidiu por restabelecer despesas médicas no montante de R$9.224,55. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 19/1/2011 (fl. 56), o contribuinte, em 17/2/2011 (fl. 57), apresentou recurso voluntário, às fls. 57/68, no qual alega, em apertado resumo, que: teria atribuído o pagamento realizado a Dentição Convênios Odontológicos Ltda a DentalPrev Assist. Odontológica (nome fantasia), mas o recibo juntado confirmaria a despesa. Acrescenta que a indicação errônea não interferiria na apuração tributária e que foi levado a erro em função das empresas terem o mesmo nome fantasia. as despesas informadas com Adriana Matoso seriam passíveis de dedução, a teor da legislação de regência, visto que realizadas com profissional médico. teria se equivocado ao partir as despesas com o Centro de Medicina e Diagnóstico de Palhoça com a empresa Digem Diagnóstico por Imagem. As despesas teriam sido realizadas somente com a primeira e o erro não interferiria na apuração tributária. Acrescenta que teria declarado a menor, visto que deduziu o montante de R$3.988,75, quando o valor pago foi de R$4.000,00. sua pequena participação societária em uma dessas empresas não interferiria na dedução, visto que a clínica seria composta de diversos profissionais os quais cobrariam pelos serviços prestados independente da origem do paciente. as despesas informadas com Luiza Soares e Jaime Bezerra teriam sido realizadas com a profissional Rosana Ribeiro. Acrescenta que teria preenchido sua declaração de ajuste com base nas suas lembranças, o que teria levado a cometer alguns equívocos. Teria declarado a menor, visto que informou o montante de R$1.550,00 com os dois profissionais, quando, na verdade, teria pago o valor de R$3.600,00 à profissional indicada. no tocante às despesas com instrução, reitera o pedido de diligência junto às instituições de ensino, visto que elas teriam se negado a emitir declarações em seu nome. Aduz que o indeferimento desse pedido se configuraria em cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 11516.001973/200757 Acórdão n.º 2002001.085 S2C0T2 Fl. 74 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Pedido de diligência Quanto à solicitação de diligência junto às instituições de ensino, que seriam beneficiárias dos pagamentos declarados pelo recorrente, há que se observar o que prescreve o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, em que a autoridade julgadora deve examinar o pedido de realização de diligências ou perícias formulado pelo sujeito passivo, mandando realizar (de ofício ou a requerimento) aquelas que forem necessárias e indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assim, apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a sua realização, em conformidade com o art. 16, inciso IV, do PAF, compete à Autoridade Julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, “caput ”, do mesmo diploma legal). No caso, o pedido do recorrente recai sobre provas as quais lhe incumbia trazer aos autos. Ocorre que a diligência não pode ser utilizada para suprir a prova que cabia ao recorrente apresentar. Nesse sentido, todas as deduções pleiteadas na declaração estão sujeitas à comprovação ou justificação (artigo 73 do RIR/99). Se, por um lado, a legislação tributária concede ao contribuinte, por ocasião da declaração anual de ajuste, a possibilidade de deduzir da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos de algumas despesas, incorridos durante o ano calendário, por outro, exige que o contribuinte, quando intimado pelo Fisco, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preenchem todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. Dessa feita, o pedido de diligência deve ser indeferido. Mérito O litígio recai sobre despesas médicas e com instrução deduzidas pelo recorrente em sua declaração de ajuste. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 11516.001973/200757 Acórdão n.º 2002001.085 S2C0T2 Fl. 75 5 Repisese que todas as deduções pleiteadas na declaração estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, podendo ser glosadas se os contribuintes não conseguirem comproválas ou justificálas (artigo 73 do RIR/99). Despesas com instrução Tendo em vista que nenhum documento comprobatório dessas despesas foi juntado aos autos, sem reparo a se fazer à decisão de piso, mostrandose correta a glosa. Despesas Médicas São dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais e plano de saúde, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). No tocante às despesas não informadas pelo recorrente em sua declaração de ajuste, em que pesem suas alegações de que não interfeririam na apuração tributária, entendo que seu pleito não pode ser acolhido. Tal pleito se configura num pedido de retificação da Declaração de Ajuste, cuja competência para análise não é das instâncias de julgamento. Às instâncias de julgamento cabe analisar as matérias em litígio. Ressalvo que venho manifestando entendimento de que, em observância de princípios da Administração Pública, os princípios da finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, interesse público e eficiência, e quando os elementos trazidos sejam evidentes, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, atender a pedidos de retificação efetuados em sede de impugnação/recurso. Cumpre frisar que se trata de medida excepcional, que entendo possível em casos em que a prova seja robusta e não paire qualquer dúvida acerca do direito do contribuinte ao que está sendo pleiteado. Entretanto, no caso destes autos, entendo que o direito do recorrente não está devidamente comprovado, inclusive por envolver pagamento a empresa na qual ele tem participação societária, conforme consigna a decisão recorrida e o contribuinte admite. Também chama a atenção o número e a espécie de erros cometidos, não sendo plausível acatar a tese de mero erro material no preenchimento da declaração. São empresas, profissionais e valores totalmente diversos. É cediço que a dedução de despesas médicas tem sido alvo de trabalho fiscal constante pela RFB, dado o grande número de inconsistências que tem sido apuradas ao longo dos anos e, por isso, considero que a apresentação dos recibos não se constitui em prova inequívoca do direito do contribuinte. Registro que o contribuinte foi intimado e reintimado no curso da ação fiscal, quando poderia ter apresentado suas explicações, mas optou por não se manifestar. Dessa feita, não acato o pedido para aceitação das despesas efetuadas com Dentição Convênios Odontológicos Ltda, Centro de Medicina e Diagnóstico Palhoça e Rosana Ribeiro, visto que esses pagamentos não foram declarados pelo recorrente (fl.41). Fl. 75DF CARF MF Processo nº 11516.001973/200757 Acórdão n.º 2002001.085 S2C0T2 Fl. 76 6 E, considerando que o recorrente não juntou provas quanto aos pagamentos efetivamente declarados, com DentalPrev Assit. Odon, Ciência Centro de Medicina e Diagnóstico, Digem Diagnóstico por Imagem, Luiza Soares e Jaime Bezerra, suas glosas devem ser mantidas. Quanto às despesas efetuadas com Adriana Matoso, merece reparo à decisão recorrida. A autoridade julgadora de primeira instância justificou a manutenção da glosa por se tratar de tratamento estético. Não obstante, registro que a norma não faz tal restrição, exigindo que a despesa seja efetuada com os profissionais elencados na letra da lei. No caso, os recibos constam à fl. 15 e consignam o registro da profissional no Conselho de Medicina. Dessa feita, acato a despesa comprovada, no valor de R$1.000,00. Conclusão Pelo exposto, voto por indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor parcial de R$1.000,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.000062/99-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/04/1995, 01/06/1995 a 31/12/1995, 01/01/1996 a 31/12/1996, 01/01/1997 a 31/12/1997, 01/01/1998 a 30/06/1998
INCONSTITUCIONALIDADE.
Não compete apreciar, no âmbito administrativo, arguições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no sistema jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário.
SEMESTRALIDADE. BASE DE CÁLCULO. Somente até fevereiro de 1996 se aplica a Semestralidade, segundo a qual a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, sendo a alíquota de 0,75%.
BASE DE CÁLCULO. RECEITA DA VENDA DE MERCADORIAS. FATURAMENTO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A base de cálculo da Cofins compreende o valor total da receita de vendas de mercadorias, que corresponde ao valor total do faturamento, equivalente ao valor total da operação de venda, neste incluído, o valor do ICMS.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar.
Numero da decisão: 3301-006.049
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar integralmente o recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen, que deram provimento para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/04/1995, 01/06/1995 a 31/12/1995, 01/01/1996 a 31/12/1996, 01/01/1997 a 31/12/1997, 01/01/1998 a 30/06/1998 INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete apreciar, no âmbito administrativo, arguições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no sistema jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. SEMESTRALIDADE. BASE DE CÁLCULO. Somente até fevereiro de 1996 se aplica a Semestralidade, segundo a qual a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, sendo a alíquota de 0,75%. BASE DE CÁLCULO. RECEITA DA VENDA DE MERCADORIAS. FATURAMENTO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A base de cálculo da Cofins compreende o valor total da receita de vendas de mercadorias, que corresponde ao valor total do faturamento, equivalente ao valor total da operação de venda, neste incluído, o valor do ICMS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar integralmente o recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen, que deram provimento para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 00 62 /9 9- 51 Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10840.000062/9951 Acórdão n.º 3301006.049 S3C3T1 Fl. 415 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão 1.810, de 16 de novembro de 2000 da DRJ/RPO (fls 328/337): A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração da falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) nos períodos de 1° de janeiro a 30 de abril de 1995 e 1o de junho de 1995 a 30 de junho de 1998. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, às fls. 02/05, demonstrativo de apuração do PIS, às fls. 6/11 e demonstrativo de multa e juros de mora, às fls.12/15, o autuante constituiu o crédito tributário no montante de R$ 157.722,16, sendo R$ 70.122,74 de contribuição, R$ 35.007,36 de juros de mora e R$ 52.592,06 de multa proporcional passível de redução. A contribuição apurada e lançada se refere a valores não informados nas respectivas DCTF. A base legal do lançamento foi: quanto à contribuição, Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, art. 3°, Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, art. 1°, parágrafo único, Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 83, III, Medida Provisória n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, arts. 2°, I, 30, 8°, I e 9°, e Media Provisória n° 1.249, de 14 de dezembro de 1995, arts. 2°,I, 3°, 8°,! e 9°, e suas reedições; juros de mora, Lei n°8.981, de 1995, art. 84, I, Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, art. 13, Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 61, § 3'; multa proporcional, Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 86, §1°,1Lei n° 7.683, de 2 de dezembro de 1988, art. 2°, Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, art.4°, I, Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, I, e Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 106, II, c. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10840.000062/9951 Acórdão n.º 3301006.049 S3C3T1 Fl. 416 3 Devidamente cientificada do lançamento, em 08/02/1999, conforme "AR" à fl.308verso, a interessada, por meio de sua procuradora Sileni Mazeti, instrumento à fl. 316, apresentou a impugnação de fls. 309/315. Nela a requerente alegou, em síntese, que: 1 Preliminar. 1.1 Nulidade do lançamento. O auto de infração é nulo porque a partir de 28/11/1995, por força da Medida Provisória n° 1.212; de 1995, a alíquota do PIS passou a ser de 0,65 %. Não se trata somente da questão da alíquota, a fundamentação do lançamento não poderia mais se calcar, nas leis complementares, como ocorreu. De nada vale o elencamento das sucessivas medidas provisórias se, de fato, o lançamento se embasou nas duas leis complementares, tanto que a alíquota aplicada foi de 0,75 %, ao arrepio das novas disposições legais vigentes. Por outro lado, ainda que tivesse sido correto o procedimento fiscal, em termos de capitulação legal, levese em conta que as medidas provisórias não foram convertidas em lei nos períodos tomados para o lançamento. O lançamento é nulo nos termos do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, art. 10,IV. 2 No mérito. 2.1 Nãocumulatitividade do PIS. A fiscalização aplicou alíquota de 0,75% no período de janeiro a setembro de 1995 e 0,65% nos períodos subseqüentes, sobre a receita mensal da impugnante, sem descontar os valores já pagos a título de PIS nas operações anteriores. Esse procedimento contrariou a técnica da nãocumulatividade ínsita ao sistema tributário nacional e conditio sine qua non para a sobrevivência da impugnante, uma vez que a incidência em cascata gera uma carga tributária acima da sua capacidade econômicofinanceira. A atividade econômica da impugnante compreende a intermediação na venda de mercadorias, em cujas fases (anteriores) da formação e comercialização houve a incidência do PIS à alíquota de 0,65% (ou 0,75%) sobre o faturamento. A impugnante arca com um tributo suportado por uma sobra financeira que na realidade suprime o seu lucro. Na verdade, sabese que o faturamento não corresponde ao valor global das operações, posto que nestas estão incluídos os custos das mercadorias. Nem se diga que. a impugnante está confundindo " receita bruta com receita líquida e, com isso, trasladando a base de cálculo do PIS sobre o faturamento para o lucro. O valor agregado, considerado isoladamente, ainda não é o lucro. Este, à evidência, será extraído da receita obtida com o valor agregado, depois de Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10840.000062/9951 Acórdão n.º 3301006.049 S3C3T1 Fl. 417 4 deduzidas outras despesas. Nestes termos, concluise que o faturamento corresponde à diferença entre o valor da venda menos o custo das mercadorias vendidas. Somente dessa forma a contribuição ao PIS obedecerá ao princípio maior da capacidade contributiva. A tributação sobre a receita bruta, sem considerar esses aspectos, além de tornar nítida feição confiscatória, ferindo a Constituição Federal (CF) de 1998, art. 150, IV, distanciase do objetivo traçado pelo art. 170 dessa mesma CF, o qual dispõe expressamente que a ordem econômica alicerçase na livre iniciativa. O inciso IV deste dispositivo encampa o princípio da livre concorrência. A contribuição da forma como é cobrada corrói o substrato econômico e financeiro da empresa. Não se pode falar em livre iniciativa e livre concorrência diante de uma tribútação que suprime o próprio capital da empresa. A Medida Provisória n° 1.724, de 29 de outubro de 1998, convertida na Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, introduziu alterações sobre o cálculo do PIS e da Cofins, para as hipóteses em que as empresas repassam parte da receita para outra pessoa jurídica, conforme disposto nos arts. 2°, 3°, §§ 1° e 2°, III, destes diplomas legais. Fazendose um comparativo entre a situação da impugnante e a descrita no inciso III do dispositivo legal citado acima, observa se que na realidade o faturamento dos supermercados corresponde exatamente à diferença entre o preço de 'venda e o de compra das mercadorias. Interpretação diversa ocasionará o pagamento do PIS sobre a importância equivalente ao preço da mercadoria: A forma adotada pela fiscalização para proceder o lançamento não levou em conta tais aspectos, de suma importância para a impugnante, urna vez que na intermediação de mercadorias o efeito cascata, na prática, aniquila sua atividade. Tenhase, ainda, em 'conta que o legislador fugiu dos parâmetros da CF/1988, art. 239, com que o PIS fica lançado nas regras gerais do art. 195, § 40, combinado com o art.154 deste mesmo diploma legal. Logo a contribuição para o PIS não é devida pela .impugnante na forma pretendida pelo Fisco. 2.2 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS. No tocante à exclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da base de cálculo da contribuição para o ,PIS, na realidade) a impugnante é mera agente arrecadador do tributo estadual. A incidência do PIS sobre o ICMS extrapola os limites de faturamento, na forma prevista pela CF/1988, art. 195, I, e, ainda, pela própria Lei Complementar n° 70, de 1991, art. 20. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10840.000062/9951 Acórdão n.º 3301006.049 S3C3T1 Fl. 418 5 A Lei Complementar n° 70, de 1991, art. 2°, deve ser examinada no contexto jurídicotributário. O Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 12, não pode ser dissociado do seu § 1°, assim como não se pode, crer que o legislador quisesse fazer, a incidência do PIS sobre vendas canceladas, descontos concedidos, a contrario sensu, o fizesse sobre os impostos indiretos incidentes sobre as vendas. O ICMS não pertence à empresa e sim à Unidade Federada. Por essa razão é que a Instrução Normativa n° 51, de 13 de novembro de 1978, do Secretario da Receita Federal, determina a segregação» do valor da mercadoria e do imposto indireto nela incidente, na escrituração contábil. 2.3 — Juros de mora. A impugnante discorda da cobrança dos juros de mora pelos percentuais aplicados no auto de infração. Nos termos da Medida Provisória n° 1.699, de 1998, art. 30, o débito foi acrescido de juros equivalentes a Selic a partir de janeiro de 11 997. Com isso, a sua incidência, a partir desse momento, superou e superará o quantitativo de 1,0% ao mês, sem que a respectiva norma sobre a matéria tivesse definido qual o percentual a ser cobrado, tendo, sim, delegado essa fixação ao próprio Poder Executivo, por meio do, Banco Central do Brasil, ao qual foi incumbida a mensuração da Selic. Esse procedimento, apesar de previsto em lei ordinária, contraria norma de escalão superior, notadamente o Código' Tributário Nacional (CTN), art. 161, § 1°. O CTN é claro no sentido de dizer que a lei pode fixar percentual superior a 1,0 %, o que não significa dizer que a lei que regulamente a matéria possa delegar a quantificação dos juros a órgão da administração federal. Assim, qualquer exigência de juros em descompasso com o CTN, art. 161, é improcedente. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa (fl. 328/329): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1995 1 a 30/04/1995, 01/06/1995 a 31/12/1995, 01/01/1996 a 31/12/1996, 01/01/1997 a 31/12/1997 01/01/1998 á 30/06/1998 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. BASE DE CÁLCULO. É entendimento pacífico que o ICMS, por constituirse em parte integrante do preço das mercadorias, integra a base de cálculo da contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10840.000062/9951 Acórdão n.º 3301006.049 S3C3T1 Fl. 419 6 A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. NULIDADE. É válido o lançamento feito de acordo com a legislação então vigente, sendo que os equívocos no enquadramento legal, em face de nova lei, são passíveis de revisão. LANÇAMENTO. RETROATIVIDADE. Excluise do lançamento os valores exigidos com fundamento em dispositivo legal com aplicação retroativa. JUROS DE MORA. SELIC. A exigência de juros de mora com base na Selic está em total consonância com o Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. (fls. 348/354), no qual a Recorrente no qual repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. No voto será abordado cada um dos questionamentos. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Conforme esclareceu a Recorrente, a decisão recorrida julgou parcialmente procedente a impugnação primitiva para excluir da exigência as contribuições referentes ao período de 01 de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996, assim considerados o principal, multa e juros. Remanesce, portanto, a cobrança do PIS de março de 1996 a junho de 1998, com fundamentação nas Medidas Provisórias ns 1.212, de 28/11/95, e 1.249, de14/12/95 Analisaremos a matéria seguindo os tópicos constantes da decisão recorrida e do Recurso Voluntário, sendo os seguintes: 1. Preliminares. 1.1 Inconstitucionalidades 2. Mérito 2.1 Base de Cálculo Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10840.000062/9951 Acórdão n.º 3301006.049 S3C3T1 Fl. 420 7 2.2 Alíquota 2.2 ICMS na Base de Cálculo 3. BASE DE CÁLCULO. LEI COMPLEMENTAR Nº 7/70. SEMESTRALIDADE. . APLICAÇÃO 4 JUROS DE MORA Vejamos cada um dos itens: 1. Preliminares. 1.1 Inconstitucionalidades Asseverase, na decisão recorrida, que relativamente à argüição de inconstitucionalidades na constituição do crédito tributário em face das leis que tratam da contribuição para o PIS, por ferirem a CF/1988, arts.150, IV, 195, I e 239, e princípios constitucionais, tais como: nãocumulatividade, confiscatório, capacidade contributiva, livre iniciativa e livre concorrência, na via administrativa, a inusitada tese fere os princípios da legalidade e da independência e harmonia dos Poderes da República. Concluise na decisão recorrida que não está na sua competência apreciar eventual ilegalidade de lei. A mesma conclusão deve ser aplicada em relação a este CARF. Dessarte, propõese manter o entendimento da decisão recorrida neste ponto. Nesse sentido, cumpre consignar a Súmula no 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 1.1.1 Nulidade do lançamento Reproduzimos trecho da decisão recorrida com o qual assentimos: A fundamentação do lançamento nas Leis Complementares n° 7, de 1970, art.3°, e n°17, de 1973, art. 1°, parágrafo único, e na Lei n° 8.981, de 1995, art. 83, III, bem como nas Medidas Provisórias n° 1.212, de 1995, arts. 2°, I, 30, 8°, I e 9°, e n° 1.249, de 1995, arts. 2°, I, 3°, 8°, I e 90, e suas reedições, não implica a sua nulidade. Pois em cada período de constituição do crédito tributário, foi obedecida a respectiva legislação, então vigente, conforme consta discriminadamente do demonstrativo descrição dos fatos e enquadramento legal, à fl. 5, permitindo ao contribuinte, se assim o desejasse, contestar cada um dos fundamentos legais em que se fundamentou o lançamento em discussão. O fato de a Medida Provisória n° 1.212, de 1995, ter alterado a alíquota de cálculo da contribuição para o PIS, a partir de 1° de março de 1996, de 0,75% para 0,65% sobre o faturamento da empresa, também não constitui fator de nulidade do lançamento, urna vez que o CTN, art. 149, determina que o lançamento é Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10840.000062/9951 Acórdão n.º 3301006.049 S3C3T1 Fl. 421 8 revisto de oficio pela 'autoridade administrativa quando se constatar equívocos, assim dispondo: (...) Como o lançamento contestado abrangeu, entre outros períodos, o período de 1° de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996, e teve .como fundamento legal a Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 1995, aplicada retroativamente aos fatos geradores ocorridos nesse período, devese excluir da exigência tributária os valores relativos a esse período. A Instrução Normativa SRF n° 6, de 19 de janeiro de 2000, que trata da constituição de crédito tributário e cancelamento de lançamento baseado na MP n° 1.212, de 1995, assim dispõe: "Art. I° Fica vedada a constituição de crédito tributário referente à contribuição para o PIS/PASEP, baseado nas alterações introduzidas pela Medida Provisória n.° 1.212, de 1995, no período compreendido entre 1° de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996, inclusive. Parágrafo único. Aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1° de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 aplicase o disposto na Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, e n 08, de 3 de dezembro de 1970. (...) Art. 3o Os Delegados da Receita Federal de Julgamento subtrairão a aplicação do disposto na Medida Provisória n.° 1.212, 1995, quando o crédito tributário tenha sido constituído com base em sua aplicação, no período referido no art. Pr; cujos processos estejam pendentes de julgamento." Entendese, no entanto, não ser possível "subtrair" a aplicação da MP n° 1.212, de 1995, e exigir com base na Lei Complementar n° 7, de 1970, no mesmo processo em julgamento, a diferença apurada. Isso significaria alterar o lançamento com base em erro de direito, o que não é previsto em lei (CTN, art. 149). A exclusão dos valores referentes àquele período não impede o autuante de efetuar novo lançamento com base na Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, desde que autorizado formalmente pelo Delegado para reabertura da fiscalização e enquanto não exaurido o prazo decadencial. A alegação de que o lançamento seria também nulo porque as medidas provisórias, nas quais foi fundamentado, não foram convertidas em leis nos períodos do lançamento, é improcedente e carece de fundamento legal. De acordo com a CF/1988, art. 62, as medidas provisórias têm força de lei. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10840.000062/9951 Acórdão n.º 3301006.049 S3C3T1 Fl. 422 9 Também o Supremo Tribunal Federal já exarou entendimento de que as medidas provisórias têm força, eficácia e valor de lei: "As medidas provisórias configuram, no Direito Constitucional positivo brasileiro, uma categoria especial de atos normativos primários emanados pelo Poder Executivo, que se reveste de força, eficácia e valor de lei." (ADInMC n° 293 — DF.) Além disso, já se pronunciou o STF a respeito da possibilidade de reedições de medidas provisórias não rejeitadas pelo Congresso Nacional: "Não perde a eficácia a medida provisória, com força' de lei, não apreciada pelo Congresso Nacional, mas reeditada, por meio de outro provimento da mesma espécie, dentro de seu prazo de validade de tributa dias." (ADInMC n° L617/MS.) Diante do exposto, sigo na esteira da decisão de piso neste item e a adoto como minha razão de decidir. 2. Mérito 2.1 Base de Cálculo Alega a Recorrente que a Medida Provisória n° 1.724, de 29 de outubro de 1998, convertida na Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, introduziu alterações sobre o cálculo do PIS e da Cofins, para as hipóteses em que as empresas repassam parte da receita para outra pessoa jurídica, conforme disposto nos arts. 2°, 3°, §§ 1° e 2°, III, destes diplomas legais. Defende que o faturamento dos supermercados corresponde exatamente à diferença entre o preço de venda e o de compra das mercadorias. Vejamos as disposições que expressamente constavam da Medida Provisória mencionada e também da redação original da lei: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10840.000062/9951 Acórdão n.º 3301006.049 S3C3T1 Fl. 423 10 II as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Analisemos também a manifestação do Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acordão. Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). grifos nossos. Transferência de receita. MP nao entrou em vigor. inciso III do parágrafo 2º. Não saiu norma regulamentadora. Assim, o entendimento do STF foi de que deveriam ser excluídas outras receitas, como receitas financeiras, mas que estão incluídas as receitas de venda de mercadorias e serviços, como é o caso em pauta. Portanto, a razão não assiste à Recorrente neste ponto. 2.2 Alíquota Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10840.000062/9951 Acórdão n.º 3301006.049 S3C3T1 Fl. 424 11 Assevera a Recorrente, a alíquota correta do tributo em pauta é de 0,65%, nos seguintes termos (fl. 351): Por outro lado, não há a coabitação 'da Lei Complementar nº 7/70 com a Medida Provisória nº 1.212/95: Esta sucede', aquela. Por isso, o percentual de incidência divulgado ao público pela Receita Federal no período foi de 0,65%. Ainda que se admita a coabitação, o auto é nulo pelo emprego de percentual diverso ao difundido, face ao disposto no art. 100, inciso I, do Código Tributário Nacional. Assim, não se torna lógico, nem muito menos legal, a aplicação de percentual diverso daquele divulgado pela própria Receita Federal, o que torna nulo o auto ora impugnado. No entanto, verificase no Auto de Infração (fls. 07/09) que a alíquota aplicada pela Fiscalização no período em análise (março de 1996 a junho de 1998) foi de 0,65%. Portanto, não há nada a ser concedido neste item. 2.3 ICMS na Base de Cálculo Defende ainda, a Recorrente, a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS. Esta questão encontrase disciplinada no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1996, a seguir transcrito: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)(Vide arts. 49 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (Vide arts. 49 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) (grifos nossos) (...) Da leitura do preceito legal, extraise que somente o valor do ICMS cobrado nas operações submetidas ao regime de substituição tributária podem ser excluídos da base de cálculo das citadas Contribuições. Contrario sensu, o valor do ICMS cobrado nas demais modalidades de operações, situação em que se enquadra o caso em apreço, por falta de previsão legal, tal valor deve compor a referida base cálculo. Deveras, o faturamento compreende o valor total da operação de venda, nele incluído o valor do ICMS. Aliás, a própria base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10840.000062/9951 Acórdão n.º 3301006.049 S3C3T1 Fl. 425 12 Tratase da metodologia de cálculo, denominada de “método por dentro”, em que o imposto é incluído no valor da mercadoria, constituindo o destaque do valor do imposto mero controle escritural. Logo, se o ICMS incide sobre si mesmo, outra não pode ser a conclusão de que ele integra faturamento e, por conseguinte, da base de cálculo da Cofins. Nesse sentido, o entendimento jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), reafirmada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 582.461/SP, sob o regime segue transcrito: 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. (...) 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. (...) 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (STF. Tribunal Pleno. RE 582461/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 18/5/2011, DJe158 divulg 1708 2011) grifos não originais Entretanto, cabe esclarecer que a constitucionalidade do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, que, explicitamente, autoriza a inclusão do valor ICMS na base cálculo das citadas Contribuições, ainda se encontra no Supremo Tribunal Federal, no âmbito da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, proposta pelo Presidente da República, em que, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei n o 9.718/98. A suspensão dos julgamentos determinada liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 4/2/2009, em 16/9/2009, e, finalmente, em 25/3/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Em consulta realizada no sítio do STF, no dia Sessão de julgamento do presente recurso voluntário, verificouse que a decisão concernente à ADC nº 18 ainda se encontrava pendente de publicação. Cabe destacar que, após a perda da eficácia da medida liminar prolatada no âmbito da citada ADC, o plenário do STF retomou o julgamento do RE nº 240.785/MG, que se Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10840.000062/9951 Acórdão n.º 3301006.049 S3C3T1 Fl. 426 13 encontrava suspenso. No julgado, realizado em 08/10/2014, por maioria, o plenário decidiu que o valor do ICMS não integrava a base de cálculo das referidas contribuições, conforme se infere nos enunciados das ementas que seguem transcritos: TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento. (RE 240785, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2014, DJe246 DIVULG 15 122014 PUBLIC 16122014) A referida decisão se tornou definitiva em 23/2/2015, com seu trânsito em julgado, porém, por se tratar de decisão definitiva de mérito não submetida à sistemática de repercussão geral, definida no art. 1.035 do novo CPC (Lei 13.105/2015) e, portanto, por não atender os requisitos do art. 62, § 2º, do Anexo II do vigente Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), não há obrigatoriedade da sua reprodução nos julgamentos deste Conselho. Na esfera infraconstitucional, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a jurisprudência consolidouse no sentido de que o valor do ICMS integra a base de cálculo das referidas contribuições, conforme explicitado nos enunciados das Súmulas STJ 68 e 94, a seguir transcritos: SÚMULA 68: A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. SÚMULA 94: A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Em recentes julgamentos, o STJ vinha reafirmando esse entendimento. Nesse sentido, a decisão proferida no julgamento, realizado em 11/2/2014, no Agravo Regimental no Recurso Especial (AgRg no REsp) nº 1.422.739/PR, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DE COFINS. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência consolidada em ambas as Turmas especializadas em direito público deste Tribunal é firme no sentido de que os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas mera recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, não integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: Ag 1.352.512, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 10/11/10; REsp 1.205.072/RS, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 14/2/12; AgRg no REsp 1.318.196/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24.8.2012; AgRg no REsp 1.214.684/PR, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, Segunda Turma, DJe 1.8.2012; AgRg no REsp 1159562/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 16/03/2012; AgRg no REsp 1165316/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 14/11/2011; AgRg no REsp 1229134/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 03/05/2011; REsp 1025833/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 17/11/2008; AgRg no REsp Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10840.000062/9951 Acórdão n.º 3301006.049 S3C3T1 Fl. 427 14 1.282.211/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 19.6.2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1422739/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/02/2014, DJe 18/02/2014) Com base nessas considerações, e por entender que o valor do ICMS integra a base de cálculo da Cofins e também por não haver ainda decisão definitiva publicada, na sistemática de repercussão geral e dos recursos repetitivos, proferidas pelo STF e STJ, voto pela manutenção da cobrança da Cofins calculada sobre o valor do ICMS. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário nesta questão. 3. BASE DE CÁLCULO. LEI COMPLEMENTAR Nº 7/70. SEMESTRALIDADE. APLICAÇÃO Defende a Recorrente que "o fato gerador da contribuição ao PIS é o faturamento; a base de cálculo, o faturamento do sexto mês anterior. O fato gerador somente se consuma com o decurso dos períodos mensais". A questão da semestralidade da base de cálculo do PIS/Pasep restou definitivamente pacificada após a edição da Súmula nº 11, aprovada na Sessão Plenária de 18/09/2007 do então denominado Segundo Conselho de Contribuintes, tendo sido consolidada pela Portaria Carf nº 106, de 21/12/2009, como a Súmula Carf nº 15, cujo enunciado é, verbis, A base de cálculo do PIS/Pasep, prevista no artigo 6º da Lei complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. De outra parte, as questões envolvendo uma suposta vacatio legis relacionada à exigência do PIS/Pasep restou definitivamente julgada em 09/12/2009 pelo STJ no REsp 1136210, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, Dje 01/02/2010, assim ementada: 1. A contribuição social destinada ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições. 2. A contribuição destinada ao Programa de Integração Social PIS disciplinada pela Lei Complementar 7/70, foi recepcionada pelo artigo 239, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (RE 169.091, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, Tribunal Pleno, julgado em 07.06.1995, DJ 04.08.1995). 3. O reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 (RE 148.754, Rel. Ministro Carlos Velloso, Rel. p/ Acórdão Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, julgado em 24.06.1993, DJ 04.03.1994) teve o condão de restaurar a sistemática de cobrança do PIS disciplinada na Lei Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10840.000062/9951 Acórdão n.º 3301006.049 S3C3T1 Fl. 428 15 Complementar 7/70, no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996.[...] 4. É que a norma declarada inconstitucional é nula ab origine, não se revelando apta à produção de qualquer efeito, inclusive o de revogação da norma anterior, que volta a viger plenamente, não se caracterizando hipótese de repristinação vedada no § 3º, do artigo 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil. 5. Outrossim, é pacífica a jurisprudência da Excelsa Corte, anterior à Emenda Constitucional 32/2001, no sentido de que as medidas provisórias não apreciadas pelo Congresso Nacional, não perdiam a eficácia, quando reeditadas dentro do prazo de validade de 30 (trinta) dias, contandose a anterioridade nonagesimal, prevista no artigo 195, § 6º, da CRFB/88, da edição da primeira medida provisória (ADI 1417, Rel. Ministro Octávio Gallotti, Tribunal Pleno, julgado em 02.08.1999, DJ 23.03.2001). DF CARF MF Fl. 5 Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/201 1 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 6. Destarte, até 28 de fevereiro de 1996 (início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória 1.212, de 28 de novembro de 1995), a cobrança das contribuições destinadas ao PIS era regida pelo disposto na Lei Complementar 7/70. A partir de março de 1996 e até a publicação da Lei 9.715, de 25 de novembro de 1998, a contribuição destinada ao PIS restou disciplinada pela Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições, inexistindo, portanto, solução de continuidade da exigibilidade da exação em tela. (grifos nossos) Todavia, tendo em conta que o período em análise é de março de 1996 a junho de 1998, não cabe a aplicação da Lei Complementar 7/70 e nem da semestralidade. Na verdade, o que pleiteia a Recorrente é que se determine a base de cálculo com base na Lei Complementar 7/70 e se aplique a alíquota de 0,65% prevista na Medida Provisória 1.212/95. O que não faz sentido e afronta os mais simples métodos hermenêuticos e também a jurisprudência consolidada neste CARF e no Poder Judiciário. 4 JUROS DE MORA Colacionamos os argumentos da Recorrente: No tocante aos juros de mora, há um aspecto que supera os argumentos e legislação posta na decisão recorrida: os juros da Selic estão atrelados à variação remuneratória dos títulos postos pelo Governo no Mercado de Capital. Ora, , quando o § 12 do art. 161 do CTN dispõe "quando a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10840.000062/9951 Acórdão n.º 3301006.049 S3C3T1 Fl. 429 16 mês", não abre mão de os novos percentuais de juros sejam fixados em lei. Tal não ocorre com a Selic. O art. 84 da Lei no 8.981/95, art. 13 da Lei no 9.065/95, art. 61 da Lei no 9.430/96 não fixam percentuais de juros. Eles são captados na cotação dos títulos no mercado, como já está dito acima. Por isso, essa delegação dos percentuais ao ,Executivo acaba por ferir o princípio da independência dos Poderes da República, consagrado na Constituição Federal. Conforme se pode verificar no trecho transcrito, a Recorrente questiona a sistemática legal de determinar os juros de mora aplicados previstos em lei, invocando dispositivos do CTN e princípios constitucionais. Nesse ponto, cumpre retomar a Súmula no. 2 deste CARF: CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÕES Destarte, tendo em conta o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 429DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000077/2005-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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INOCORRÊNCIA. Descabe cogitar da nulidade do lançamento quando a exigência fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis ã constituição do crédito tributário. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária REGIME DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL. MUDANÇA DE OPÇÃO. Não havendo a contribuinte manifestado sua opção pelo regime de tributação pelo lucro presumido de acordo com as disposições regulamentares, não pode a autoridade autuante efetivar essa opção, modificando inclusive a intenção assentada pela contribuinte em DIPJ.Não comprovado definitivamente o recolhimento das contribuições (CSLL, PIS e COFINS) é de manterse o lançamento LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO MULTA DE OFÍCIO. Correta a formalização de ofício, mediante auto de infração e com a penalidade específica de 75%, do tributo não espontaneamente confessado e não recolhido. JUROS DE MORA TAXA SELIC É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 77 /2 00 5- 35 Fl. 1231DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o acórdão 12.009 3a Turma da DRJ/CPS que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente. Peço a devida vênia para transcrever o relatório, constante do acórdão da DRJ: Tratase de impugnação ao auto de infração de fls. 337/342 (v. II) relativo a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), lavrado contra a contribuinte em epígrafe, formalizando crédito tributário no montante de R$ 13.579,42, incluídos principal, juros de mora calculados até 31/08/2005 e multa de ofício no percentual de 75%. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, concluímos ação fiscal para verificação da regularidade fiscal do contribuinte supra quanto ao IRPJ, relativo ao período de apuração de MARÇO/1999 a DEZEMBRO/2003, e demais verificações obrigatórias quanto aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, referente ao período de apuração de JULHO/1999 a MAIO/2004. Salientamos que as infrações apuradas a título de IRPJ estão sendo tratadas no processo administrativo n” 10932000079/200524, 0 presente processo referese tão somente às infrações apuradas decorrentes do procedimento de “verificações obrigatórias " relativas à CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), conforme constatações a seguir relatadas: 1) O contribuinte foi excluído do SIMPLES, mediante Ato Declaratório n° 136.232, de 09/01/1999, por 'apresentar pendências da empresa e/ou sócios junto ao INSS e à PGFN , produzindo seus efeitos a partir de 01/03/1999 (fls. 6). Inconformado com este ato requereu a Revisão de Exclusão do Simples, objeto da processo administrativo n° 13819.001565/2003 92 (ƒl. 5 a 13), a qual foi considerada improcedente (fl 7). Em 04/12/2003 tomou ciência da intimação para, no prazo de 30 dias, entregar todas as declarações de Imposto de Renda ainda não prescritas, adotando o lucro presumido, real ou arbitrado...; entregar as DCTF em atraso; bem como foi informado que os pagamentos efetuados na forma do SIMPLES (cód. 6106) poderão ser objeto de pedido de restituição ou compensação pelo programa PER/DCOMP' (fls. 10 a 12), Em 20/01/2004, após o transcurso do Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 10932.000077/200535 Acórdão n.º 1001001.286 S1C0T1 Fl. 3 3 prazo para cumprimento da intimação (30 dias), foi constatado que o contribuinte não procedeu à sua regularização quanto aos débitos, entrega das DIPJ e DCTF (fl. 13), motivo pelo qual foi considerado improcedente o pedido de Revisão de Exclusão do Simples; 2) Em 14/06/2004 iniciamos a fiscalização no contribuinte supra e, preliminarmente, constatamos que ainda não havia cumprido a intimação da qual tomou ciência em 04/12/2003 nos autos do processo administrativo n° 13819. 001565/200392, especialmente quanto à entrega das DIPJ e DCTF para os períodos posteriores a 01/03/1999 (fls. 24); 3) O contribuinte foi intimado em 08/07/2004 a apresentar as DIPJ, DCTF, Balanço Patrimonial, Livros Diário, Razão, Registro de Entradas/Saídas e Apuração do ICMS referentes aos anoscalendário de 1999 a 2003 (fls. 14). Entretanto, em 29/07/2004 o contribuinte solicitou prazo até 23/08/2004 para dar cumprimento a esta intimação Úls. 16). Em 04/08/2004 procedemos a nova intimação sendolhe solicitado o preenchimento dos disquetes denominados 'Informações à SRF' fls. 15). Em 13/09/2004, o contribuinte solicitou nova dilação de 30 dias para apresentação dos livros contábeis/fiscais, pois alegou que os mesmos estavam sendo encadernados fls. 28). Em 13/10/2004, após o transcurso do novo prazo solicitado, e em 20/10/2004, o contribuinte foi reintimado a cumprir as intimações lavradas em 08/07/2004 e 04/08/2004 (fls. 30 a 32), vindo a cumprilas parcialmente em 30/11/2004 (fls. 33). Destaco que até a presente data o contribuinte não entregou as DCTFs dos anos calendário de 2000 a 2003 (fl. 324). 4) Em consulta aos sistemas da SRF verificamos que o contribuinte efetuou pagamento de tributos somente sob a forma do SIMPLES e protocolizou pedido de compensação destes pagamentos no processo administrativo n"I3819.002429/2004 09 (fls 326 a 333). 5) Assim, considerando que o contribuinte optou e permaneceu indevidamente no regime de tributação SIMPLES e, em face de sua exclusão desse regime, não promoveu sua regularização em tempo hábil, conforme determinado em intimação lavrada em 04/12/2003 nos autos do processo administrativo n” 13819. 00165/2003 92 de Revisão de Exclusão do Simples e ainda, considerando as apurações efetuadas relativa ao não pagamento da CSLL escriturada e informada na DIPJ às fls. 129 e 175 (após regularização extemporânea do seu regime de escrituração para lucro real) e nos Demonstrativos de Resultados Ú'ls. 277 a 323), porém persistindo a não apresentação de DCTF, constatamos que o contribuinte incorreu nas seguintes infrações: CSLL Diferença apurada entre o valor escriturado e o pago (verificações obrigatórias): embora o contribuinte não tenha entregado suas DCTF 's, parte das “Receitas de Vendas" foi escriturada no livro Diário e informada na DIPJ e DRE mensal, sendo que tais valores determinaram a apuração de base de cálculo da CSLL devida, porém constatamos que não houve seu pagamento. Assim, em face dos artigos 247 e 841 do RIR/99, procedemos ao presente lançamento de ofício. Em razão de seus objetivos, a presente ação fiscal se ateve à verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativas à Contribuição social sobre o Lucro Liquido CSLL, restritas às “Verificações Obrigatórios" referentes ao período de JULHO/1999 a MAIO/2004, (...) 3. Cientificada da autuação em 29/09/2005 (fl. 340), a autuada postou a impugnação de fls. 345/422 e documentação de páginas seguintes na qual alega em síntese e fundamentalmente que: Fl. 1233DF CARF MF 4 3.1. Preliminarmente, alega nulidade do auto de infração por conta do que entende ser a sua ilegal exclusão do universo do regime de tributação pelo SIMPLES. Relata a empresa, inicialmente, haver optado pelo SIMPLES em 01/01/1999, sendo desse sistema excluída em 01/03/1999. Irresignada com a exclusão, diz ter protocolado, em 05/03/1999, “Solicitação de Revisão de Vedação/Exclusão à opção pelo SIMPLES”. Como decorrência desse ato, a seu ver, teria ocorrido a suspensão dos efeitos do ato de exclusão, na forma disposta no artigo 151, III, do Código Tributário Nacional. Acrescenta que durante o mencionado período de suspensão, teria aderido ao Programa de Recuperação Fiscal REFIS, parcelando os débitos existentes junto à União Federal e ao INSS, parcelamento que é causa suspensiva da exigibilidade dos débitos tributários. Com base nessa situação, conclui não mais existir a causa motivadora da exclusão da contribuinte do SIMPLES, restando nulo o ato de exclusão. Nessa ordem de idéias, se não existe a alegada causa de exclusão do SIMPLES, não pode a Impugnante dele ser excluída, e não pode a mesma ser tributada pelo Lucro Real com base em tal exclusão, pelo que o Auto de Infração aqui hostilizado não pode subsistir, sob pena de estar subvertendo as disposições legais aplicáveis à espécie, com todos as terríveis conseqüências que daí advém. 3.2. Ainda em sede de preliminar, alega equívoco na apuração da base de cálculo pela inclusão de valores referentes a cheques depositados na conta corrente da autuada, mas que não foram compensados por insuficiência de fundos. Acrescenta que a autoridade autuante, erroneamente, considerou na base de cálculo ainda os lançamentos no crédito e no estorno, bem como na segunda apresentação, como estaria demonstrado em planilha. Assim, boa parte da base de cálculo adotada no que concerne à suposta omissão de receitas diz respeito a receitas que não se realizaram, pois tratamse de cheques depositados e não compensados. Argumenta, em resumo, pela nulidade do auto de infração por ofensa ao princípio da legalidade que deve nortear os atos administrativos. Diz que o art, S49 do RIR/1999 estabelece expressamente. que. os depósitos bancários somente poderão ser caracterizados como omissão de receita quando o titular da conta de depósitos não comprovar a respectiva origem. Nesse contexto, afirma que a origem dos valores depositados na conta bancária da Impugnante está documentalmente comprovada, inclusive com a juntada a estes autos de cheques que foram devolvidos e, como tal, não podem integrar a base de cálculo; 3.3. a nulidade do auto de infração também se evidenciaria pela ausência dos requisitos formais de validade. Entende não ser possível verificar de onde foram retiradas as informações que deram origem à peça atacada. Opina tratarse de documentos apócrifos, eis que desprovidos do rigor técnico indispensável à sua regularidade. Diz haver nos autos um mero Demonstrativo de Fiscalização, onde o impugnado se limita a apresentar números sem, no entanto, ao menos indicar a origem dos mesmos. Argumenta ser indispensável, para a validade do ato administrativo, a prova da ocorrência dos fatos jurídicotributários alegados, situação que considera não configurada na espécie; 3.4. em uma outra vertente de sua defesa, a autuada contesta a autuação com base no lucro real argüindo, inicialmente, que, sendo ilegal sua exclusão do regime do SIMPLES, a autuação deveria ser pautada por esse regime. Depois, argúi que, fosse obedecido o regime de tributação pelo lucro presumido, a exação imposta seria bem menos gravosa. Insistir na exigência com base no lucro real seria, a seu ver, afrontar o princípio à vedação do confisco, violar o direito de propriedade e insultar as diretrizes da capacidade contributiva e da isonomia, garantidas pela Constituição. No caso dos autos, ressalta, a impugnante fez a opção pelo lucro real sob muita pressão, pois havia sido excluída do SIMPLES e sofria, ao mesmo tempo, procedimento de fiscalização que resultou na autuação aqui atacada. (...) A opção da Impugnante pelo regime tributário do Lucro Real que lhe é mais gravoso z deve, Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 10932.000077/200535 Acórdão n.º 1001001.286 S1C0T1 Fl. 4 5 pois, ser relativízada, sob pena de ferimento a um principio constitucional que, como visto a exaustão, é soberano; 3.5. em longo arrazoado, argumenta que a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em resumo, coincide com a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, incidindo ambas as exações sobre o lucro, o que caracterizaria dupla tributação sobre o mesmo fato gerador, dado lugar à ilegal e inconstitucional ocorrência de bis in idem, devendose expungir do auto de infração a pretensão da impugnada de fazer incidir, de forma concomitante, IRPJ e CSLL sobre o mesmo fato gerador; 3.6. no que se refere â imposição de multas, diz a autuada que a autuação em tela envolve a aplicação de multa punitiva e de multa moratória. Entende que somente a ocorrência de afronta à legislação tributária pode fundamentar a imposição de penalidades. No caso em tela, a contribuinte não teria violado lei tributária alguma, como teria ficado exaustivamente demonstrado. Diz que vinha recolhendo reiteradamente os tributos no âmbito do SIMPLES, fato que, tornandose costume, atestaria sua boafé, devendose afastar a aplicação das multas, sob pena de afronta ao inciso III, art. 100 do Código Tributário Nacional. Contesta o percentual das multas impostas, argüindo ainda não terem sido comprovados os requisitos necessários à aplicação da penalidade fixada em 75%, vislumbrando nesses índices ainda inconstitucionalidade por caracterização de confisco; 3.7. do mesmo argumento acima se vale para ver afastada a aplicação dos juros de mora até 31/12/2005: nestas condições, atestada a boafé da impugnante que só veio a tomar conhecimento de que, supostamente, deveria recolher os tributos sob outra sistemática que não a do SIMPLES quando da sua intimação acerca do ato aqui hostilizado, de modo que os juros e a atualização monetária só podem passar a incidir a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do ato administrativo aqui atacado. Cita acórdão do STJ a apoiar sua tese. 3.8. em extenso arrazoado, contesta a fluência da taxa Selic a título de juros de mora, índice que considera inconstitucional por ter caráter de remuneração de capital, por não ter sido definida em lei, por resultar na prática de anatocismo. A seu ver os juros de mora deveriam ficar no patamar de 1% ao mês, nos termos do art. 161 do CTN. Cientificada em 15/08/2006 (fl 1103), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 30/08/2006 (fl 1049) Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu a conheço. A recorrente, em seu recurso, alega, essencialmente, as mesmas razões apontadas em sua impugnação, as quais, apenas para nortear o voto, resumo a seguir: Fl. 1235DF CARF MF 6 2.1.2 Da Análise de Matéria Constitucional em Julgamento Administrativo requer seja revista a decisão aqui hostilizada, analisando esta Corte toda a matéria de fato e de direito invocada na Impugnação, inclusive aquelas de índole constitucional, sob pena de afronta e negativa de vigência aos artigos 5°, LV e 150, I, ambos da Constituição Federal de 1988, aos artigos 96 e 97, ambos do Código Tributário Nacional e aos artigos 10, 12, 16 e 31, todos do Decreto n° 70.325/1972. 2.1.3 Da Nulidade do Auto de Infração I: ilegalidade da exclusão da Impugnante do SIMPLES 2.1.4 Equívoco na apuração da base de cálculo: a inclusão de valores não efetivamente realizados (cheques não compensados e devolvidos), e a conseqüente afronta ao princípio da legalidade. Analisando o lançamento realizado pelo impugnado, percebese que o mesmo agregou, à base de calculo apurada, valores referentes a cheques (cópias anexas) depositados na conta corrente da Impugnante e que não foram compensados, por insuficiência de fundos. E fez mais: considerou os lançamentos no crédito e no estorno, bem como na segunda apresentação, como demonstrado na planilha anexa. Assim, grande parte da base de cálculo adotada no que concerne à suposta omissão de receitas diz respeito a receitas que não se realizaram, pois se trata de cheques depositados e não compensados. Com base neste argumento pede a nulidade do auto de infração. Continuando: 2.1.5 Nulidade do Auto de Infração II: a ausência dos requisitos formais de validade do ato. Assim, conclui as suas preliminares, passando ao mérito: 2.2.1 LUCRO REAL VS SIMPLES: a anulação da causa de exclusão do SIMPLES enseja a continuidade da tributação nesta modalidade. 2.2.2 LUCRO REAL VS LUCRO PRESUMIDO: a obrigatoriedade da incidência menos gravosa ao contribuinte, em respeito ao princípio constitucional do nãoconfisco. 2.2.3 IRPJ/CSLL: a impossibilidade da dupla tributação sobre um mesmo fato gerador. 2.2.4 Multas Cita jurisprudência não vinculante. 2.2.8 Juros e Atualização Monetária 2.2.8.1 Da incidência de juros e atualização monetária somente a partir de 1° de janeiro de 2006. Assim, se mantido o Auto de Infração aqui atacado, os juros e a correção monetária devem incidir somente a partir de 1° de janeiro de 2006, excluindo se a incidência destes, portanto, das competências referente aos anos de 2000 a 2005, sob pena de afronta e negativa de vigência ao quanto dispõe o inciso III do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 10932.000077/200535 Acórdão n.º 1001001.286 S1C0T1 Fl. 5 7 2.2.8.2 Exclusão da taxa SELIC Por fim, requer: ANTE AO EXPOSTO, tendo em vista a existência de arrolamento de bens, levado a efeito por ordem da DRF autuadora quando do encerramento da ação fiscal,` REQUER seja dado o devido seguimento ao presente recurso voluntário total, eis que plenamente atendida a exigência constante da Instrução Normativa n° 264, de 24 de dezembro de 2002. Em preliminar, REQUER seja revista a decisão aqui hostilizada, analisando esta Corte toda a matéria de fato e de direito invocada na Impugnação, inclusive aquelas de índole constitucional, sob pena de afronta e negativa de vigência aos artigos 5°, LV e 150, l, ambos da Constituição Federal de 1988, aos artigos 96 e 97, ambos do Código Tributário Nacional e aos artigos 10, 12, 16 e 31, todos do Decreto n° 70.325/1972. Ainda em sede preliminar, REQUER a reforma da decisão: a) seja reconhecida e declarada a nulidade do Auto de Infração aqui hostilizado, com a extinção de todos os seus efeitos, eis que o mesmo, estando baseado na exclusão da Impugnante do SIMPLES, não pode subsistir, pois o ato de exclusão é plenamente ilegal, tendo, inclusive. sido mortalmente alvejado pelo parcelamento dos débitos no âmbito do REFIS, sob pena de afronta e negativa de vigência ao quanto dispõe os artigos 9°, XV, e 13, ll, a, ambos da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e ao antigo 151, III e VI, do Código Tributário Nacional; b) em função da não comprovação pelo Recorrida da ocorrência do fato imponível que alega, seja declarado nulo de pleno direito o Auto de Infração aqui vergastado, determinando o imediato arquivamento do mesmo, com a anulação de todos os seus efeitos, sob pena de afronta e negativa de vigência ao quanto dispõe o artigo 50, § 1°, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999; c) aplicando o quanto prevêem o artigo 53 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, o artigo 145, III, do Código Civil de 1916, 0 artigo 166, IV, do Código Civil de 2002 e a Súmula n° 473 do Supremo Tribunal Federal, determinar a anulação e o arquivamento do Auto de Infração aqui hostilizado, como resultado da inobservância do disposto no artigo 849 do RIR, eis que a pretensão de efetivar, em face do impugnante, tributação sem lastro legal afronta, de maneira cabal, O Princípio da Legalidade Tributária, previsto no artigo 150, I, da Constituição Federal de 1988, e confirmado pelo artigo 9°, I, do Código Tributário Nacional ou, alternativamente, deve ser retificado o Auto de Infração aqui hostilizado, retirandose da base de cálculo o valor referente aos cheques depositados e não compensados, eis que os mesmos não chegaram a integrar a receita da Impugnante, sob pena de afronta aos dispositivos legais recém relacionados. Na hipótese de serem superadas as preliminares acima apresentadas, a Recorrente REQUER, no mérito, a reforma da decisão, para que: c) seja reconhecido e declarado o direito da Recorrente de ser tributada de acordo com a sistemática do SIMPLES, desconsiderandose a tributação pelo Lucro Real, observando se tal fato para o estabelecimento da base de calculo e incidência das respectivas alíquotas, eis que o ato de exclusão da mesma do SIMPLES foi anulado pelo desaparecimento de sua causa, não podendo mais surtir efeitos, sob pena de se estar sonegando à Recorrente o direito de usufruir do benefício legal ao qual faz jus, em afronta e negativa de vigência ao quanto dispõe a Lei n° 9.317, de 5 Fl. 1237DF CARF MF 8 de dezembro de 1996, assim como ao artigo 151, III e Vl, do Código Tributário Nacional; d) seja desconsiderada a opção da Recorrente pelo regime de tributação pelo Lucro Real, fazendo incidir, sobre o período objeto da autuação aqui atacada, a sistemática de apuração pelo Lucro Presumido, sob pena de afronta ao princípio constitucional que veda a tributação com caráter confiscatório, primado este pelos princípios da capacidade contributiva, da razoabilidade e da igualdade, em negativa de vigência ao quanto dispõem os artigos 5°, capute inciso XXII, 145, § 1° e 150, Il e IV, todos da Constituição Federal de 1988.; e) seja expungida do Auto de Infração aqui hostilizado a pretensão da Recorrida de ver incidindo, sobre a espécie, de forma concomitante, o IRPF e a CSLL, sob pena de estarse permitindo a dupla tributação de um mesmo fato gerador, afrontando, assim, o quanto dispõe o artigo 195, I, da Constituição Federal de 1988, e os artigos 187, da Lei n° 6.404/1976; 2°, da Lei n° 7.689/1988; 2°, da Lei n° 7.856/1989; 44, da Lei n° 8.382/1991; 38, da Lei n° 8.541/1992; e 57, da Lei n° 8.981/1995; f) seja expungida a aplicação da multa punitiva aplicada pelo Recorrida, eis que não ocorreu infração a qualquer dispositivo legal, o torna injustificável o sancionamento da Recorrente, pela inexistência de ilicitude, assim como, considerando o fato de que a Recorrente durante todo o período, agiu de boafé, seguindo orientação oficial da autoridade fazendária'do"Estado"do'Rio Grande do Sul; segundo a qual a atividade da Recorrente estava sujeita, à incidência da boafé, deve ser igualmente expungida a multa de mora, igualmente sob pena de afronta e negativa de vigência ao quanto dispõe o inciso lll do artigo 100 do Código Tributário Nacional, ou, se entendido de modo diverso, que sejam as multas aplicadas no percentual de 150% reduzidas até o patamar mínimo previsto, ou seja, 75%, mais razoável do que o pretendido pelo Recorrida, eis que da forma como veiculado nos autos não se trata de multas, mas sim, de verdadeiro confisco, o que afronta e nega vigência às disposições dos artigos 5° LIV e 150 IV, ambos da Constituição Federal de 1988; g) na hipótese de ser mantido o Auto de Infração aqui atacado, os juros e a correção monetária devem incidir somente a partir de 1° de janeiro de 2006, excluindose a incidência destes, portanto, das competências referente aos anos de 2000 a 2005, sob pena de afronta e negativa de vigência ao quanto dispõe o inciso III do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Por fim, REQUER a exclusão, da pretensão fiscal ora atacada, da incidência da Taxa SELIC, sob pena de afronta e negativa de vigência ao quanto dispõe os artigos 161, § 1°, e 167, § único, ambos do Código Tributário Nacional, e os artigos 5° caput, 150 e 192, § 3°, todos da Constituição Federal de 1988. Todos os argumentos apresentados pela recorrente foram devidamente analisados pela DRJ, assim, com base no artigo 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo 57, do RICARF, peço a devida vênia, para reproduzir (parcialmente), o voto da DRJ, por com ele concordar integralmente: 6. Sobressai da leitura da impugnação que é reiterado o apelo da autuada ã argüição de que vários dos fundamentos do auto de infração não se sustentariam por se chocarem contra dispositivos legais hierarquicamente superiores. 7. De se observar que não cabe a esta esfera administrativa julgadora pronunciarse a respeito de inconstitucionalidade de dispositivos legais ou ilegalidades de atos normativos. Tal apreciação compete ao Poder Judiciário, Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 10932.000077/200535 Acórdão n.º 1001001.286 S1C0T1 Fl. 6 9 devendo esta instância monocrática jungirse às regras que a vinculam procedendo ao exame do ato administrativo de forma a afiançar sua estrita legalidade. 8. No âmbito desse julgamento administrativo, cabe tãosomente verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está ou não conforme a legislação tributária, sem emitir juízo acerca da legalidade ou da constitucionalidade das normas jurídicas que embasaram o ato. 9. Esta sempre foi a orientação emanada dos Órgãos Centrais da Administração, como exarado no Parecer Normativo CST n.° 329/70 que, a despeito de ser editado anteriormente ã atual Constituição, utiliza fundamentos que ainda permanecem válidos. Extraise do citado parecer o seguinte trecho: a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites da sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. 10. Relembrese que a atividade administrativa de lançamento, tanto na constituição do.crédito.tributário.como também no julgamento administrativo de sua validade, é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 e § único do CTN). Especificamente em relação à atividade julgadora, a Portaria MF n.° 258, de 24 de agosto de 2001, determina, em seu artigo 7°, que os julgadores das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ) observem as normas legais e regulamentares, bem como o entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso em atos tributários e aduaneiros. 11. Essa vinculação do agente administrativo somente deixa de prevalecer quando a norma em discussão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Este, aliás, é o entendimento manifestado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (Parecer PGFN/CRE/n.° 948, de 02 de julho de 1998) acerca da disposição contida no Decreto n.° 2.346, de 10 de outubro de 1997. 12. Resulta daí que, no âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do Fisco está, ou não, conforme a legislação, sem emitir juízo da legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Para que não reste dúvida quanto a esse posicionamento, trazse à colação um excerto do Parecer PGFN/CRF n° 439, de 6 de abril de 1996, à consulta formulada pelo Secretário da Receita Federal a propósito das seguintes questões (fl 1101): ... 13. Nessa linha, o art. 77 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, autoriza o Poder Executivo Federal a disciplinar questões em face de inconstitucionalidades declaradas pelo STF. E referida disciplina veio a lume por meio do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, do qual trasladamse os seguintes trechos: ... 14. De todo o exposto, resta concluir, que esta Turma de Julgamento não está apta a, de forma original, avaliar a constitucionalidade dos fundamentos do ato contra o qual a contribuinte manifesta inconformidade, isto é, não pode aduzir juízo sobre a constitucionalidade de enquadramentos legais apontados no auto de infração. O mesmo se diga a propósito da legalidade daqueles fundamentos, porquanto Fl. 1239DF CARF MF 10 questionamentos sobre legalidade levam, mediatamente, a questionamentos sobre constitucionalidade 15. Esse entendimento é pacífico na jurisprudência administrativa, como exemplifica o Acórdão n° 20215001, de 13/08/2003, do E. Primeiro Conselho de Contribuintes, cuja ementa é a seguinte: ... 18. Acresçase, ainda, que a Portaria MF 103, de 23/04/2002, inseriu o artigo 22A nos Regimentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de Contribuintes, aprovados pela Portaria MF n° 55, de 16/03/1998, vedando que seja afastada a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor, em virtude de inconstitucionalidade, que não tenha sido anteriormente reconhecida, na forma e pelas autoridades dispostas em seu parágrafo único. Por decorrência, se aqueles órgãos de instância administrativa superior estão impedidos de apreciar questão de inconstitucionalidade, a mesma conclusão é de ser adotada para a instância inferior. r 19. Nesse sentido, as argumentações fundadas na inconstitucionalidade e na ilegalidade de dispositivos normativos não poderão prosperar nesta esfera administrativa. 20. Delineada a fronteira de competência deste colegiado, passase à análise das questões preliminares. NULIDADE ILEGALIDADE DA EXCLUSÃO DO SIMPLES 21. A autuada inaugura sua defesa postulando a nulidade do auto de infração em razão de que entendeu ser ilegal sua exclusão do regime de tributação pelo SIMPLES. A empresa invoca a suspensão dos efeitos do ato de exclusão do SIMPLES datado de 01/03/1999, uma vez que teria protocolado “Solicitação de Revisão de Vedação/Exclusão à opção pelo SIMPLES”, bem como teria aderido ao Programa de Recuperação Fiscal REFIS, parcelando os débitos existentes junto União Federal e ao INSS, motivadores do ato de exclusão. 22. Em primeiro lugar, é necessário esclarecer que a questão da exclusão da contribuinte do universo de tributação pelo simples é matéria que já foi tratada administrativamente no âmbito do processo 13819.00156S/200392, tendo sido inclusive indeferida a SRS apresentada como comprova o despacho decisório reproduzido â fl. 7. A discussão acerca da exclusão do contribuinte do âmbito da tributação pelo SIMPLES é, portanto, matéria alheia ao objeto dos presentes autos. 23. Não obstante, apenas a título de esclarecimento, vale dizer que eventual SRS apresentada contra ato de exclusão do simples, não tem o condão de suspender a exigibilidade e débitos tributários que tenham motivado o ato de exclusão. Vejase que o art. 151 do CTN invocado pela autuada confere a suspensão da exigibilidade apenas à impugnação e aos recursos cujo objeto seja a cobrança de créditos tributários, 0 que não ocorre no caso do processo administrativo n°13819.001565/200392 em que o ato atacado, a exclusão da sistemática do SIMPLES, não formaliza crédito. A interpretação urdida pela impugnante, inclusive, não é autorizada pelo art. III CTN que estabelece a leitura literal da legislação que disponha sobre suspensão de crédito tributário como é o caso do art. 151 daquele mesmo diploma legal. 24. Por fim, importa salientar que acaso a contribuinte tenha efetivamente regularizado suas pendências fiscais, pelo parcelamento autorizado no REFIS, e enquadrandose nas condições para se submeter ao regime de tributação pelo SIMPLES, poderá, a seu critério, formalizar nova opção. Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10932.000077/200535 Acórdão n.º 1001001.286 S1C0T1 Fl. 7 11 25. Não há, desse modo, ilegalidade ou vício de nulidade no auto de infração em NULIDADE Equivoco NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS PELO FISCO 26. Ainda no campo das nulidades, a impugnante alega que a autoridade fiscal equivocouse na apuração da base de cálculo pela inclusão de valores referentes a cheques depositados na conta corrente da autuada, mas que não foram compensados por insuficiência de fundos. Acrescenta que a autoridade autuante, erroneamente, ainda considerou na composição do montante tributável os lançamentos destes cheques devolvidos tanto por ocasião do crédito em conta corrente como do seu estorno e da segunda apresentação. Contesta ainda a forma do procedimento fiscal ao argumentar que o art. 849 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999 estabelece expressamente que os depósitos bancários somente poderão ser caracterizados como omissão de receita quando o titular da conta de depósitos não comprovar a respectiva origem, o que não teria ocorrido no caso em tela pois a origem dos valores depositados na conta bancária da Impugnante está documentalmente comprovada, inclusive com a juntada e esses autos de cheques que foram devolvidos e, como tal, não podem integrar a base de cálculo. 27. A argumentação acima resumida vinculase mais propriamente à matéria tratada no âmbito do processo administrativo n° 10932000079/200524, em que os depósitos bancários, inclusive os efetuados mediante cheques, foram considerados como oriundos de receitas omitidas. 28. A autuação tratada nos presentes autos, como sobressai da leitura do Termo de Constatação e Verificação_(fls. 335. item 5) decorre da.simples confrontação entre os valore da CSLL apurados pela própria impugnante em sua DIPJ, não confessados em DCTF e não pagos. A apuração da CSLL devida foi da lavra da própria contribuinte e consta das fls. 129 e 175 e nos DRE de fls. 277 a 323, sendo incompatível a argumentação de erro na apuração da base de cálculo por parte da autoridade administrativa ou ainda a alegação de que o autuante não teria reunido as provas da infração eis que a apuração da base de cálculo competiu ao próprio sujeito passivo, não cabendo, também sob este aspecto, cogitarse de nulidade do auto de infração. LUCRO REAL X LUCRO PRESUMIDO 29. Contesta a contribuinte que, uma vez excluída do regime de tributação pelo SIMPLES, deveria o Fisco lançar os tributos devidos com base na apuração pelo regime do Lucro Presumido eis que o lançamento tomado com base no sistema do Lucro Real resultou em exaçâo mais gravosa. 30. Em primeiro lugar, importante salientar que, uma vez excluída do Simples, essa forma de tributação não poderia prevalecer em ação levada de ofício, como pretendeu dizer a interessada. Importante registrar ainda ue a submissão do contribuinte ao regime de tributação pelo regime do lucro presumido é fruto de opção que não compete â autoridade administrativa. Confirase a redação do art. 26 da Lei n° 9.430, de 1996, que trata da matéria: Lei n° 9.430, de 1996: Art. 26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. Fl. 1241DF CARF MF 12 §1° A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. §2° A pessoa jurídica que houver iniciado atividade a partir do segundo trimestre manifestará a opção de que trata este artigo com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido relativa ao período de apuração do início de atividade. § 3°A pessoa jurídica que houver pago o imposto com base no lucro presumido e que, em relação ao mesmo anocalendário, alterar a opção, passando a ser tributada com base no lucro real, ficará sujeita ao pagamento de multa e juros moratórios sobre a diferença de imposto paga a menor. §4“A mudança de opção a que se refere o parágrafo anterior somente será admitida quando formalizada ate' a entrega da correspondente declaração de rendimentos e antes de iniciado procedimento de ofício relativo a qualquer dos períodos de apuração do respectivo anocalendário. 31. Vale dizer que a contribuinte, ciente da decisão de exclusão do regime de tributação pelo Simples já em 1999 (fl. 6/7), não promoveu a opção pelo regime do lucro presumido em relação ao anocalendário subseqüente ao da exclusão, 2000, persistindo, mesmo estando excluída do SIMPLES, em se submeter à tributação por aquele regime. Acresça que em intimação copiada à fl. 10, a fiscalizada foi instada a apresentar as declarações de Imposto de Renda ainda não prescritas, adotando os regimes do Lucro Presumido, Real ou Arbitrado. Tais declarações foram reunidas a partir da fl. 41 e em todas elas, o regime de tributação escolhido é o do lucro real. 32. Nesse contexto, não merece reparo o procedimento fiscal quando fixou o montante do crédito tributário devido sob os parâmetros da tributação com base no lucro real. Frisese que a argumentação que busca ferir o procedimento fiscal com fundamento em ofensas a princípios constitucionais, como já abordado, não é de competência desta esfera de julgamento administrativo. INCONSTITUCIONALIDADE DA CSLL MESMO FATO GERADOR Do IRPJ 33. Ainda que já se tenha fincado acima os limites da competência desta esfera administrativa, sendolhe defeso manifestarse sobre questões que versam sobre alegações de inconstitucionalidades de leis ou atos normativos, importa dizer que a questão sobre a constitucionalidade da Lei n° 7.689, de 1988, em seus vários aspectos, já foi há muito resolvida pelo Poder Judiciário que viu inconstitucional apenas o art. 8° daquela lei que tratava da vigência a partir do resultado apurado em 31/12/1988, cuja aplicação foi inclusive suspensa pela Resolução n° 11, de 1995, do Senado Federal. MULTA DE OFÍCIO 34. No tocante à imposição da multa de ofício, e somente ela foi aplicada, não tendo sido imposta multa moratória como colocou a autuada, a tese de defesa da autuada apóiase sobre dois esteios fundamentais. De um lado, aponta, em resumo, o caráter confiscatório da penalidade. Sobre essa argumentação, como já mencionado, não pode se manifestar a autoridade julgadora eis que a conduta do Fisco tem escora no art. 44, I da Lei n° 9.430, de 1996. 35. Também não socorre a autuada o chamamento ao art. 100, III do CTN, ao alegar que o reiterado recolhimento dos tributos no âmbito do SIMPLES, teria se tornado costume e atestaria sua boafé. Ora, o inciso III do artigo citado é expresso ao relacionar, como, componente das normas complementares da legislação Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10932.000077/200535 Acórdão n.º 1001001.286 S1C0T1 Fl. 8 13 tributárias as práticas reiteradas observadas pelas autoridades administrativas, o que evidentemente não se configura no caso. De outro lado, desde 1999 com a edição do ato de Exclusão do SIMPLES teve a autuada ciência da oposição da Administração Tributária ao recolhimento dos tributos com base no SIMPLES. No mesmo sentido não vigora a argumentação que pretende ver aplicados juros de mora somente a partir de 2006. JUROS DE MORA TAXA SELIC 36. Quanto ao questionamento a respeito da utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, além da incompetência da autoridade administrativa para cogitar de inconstitucionalidade e/ou invalidade de lei, é sabido que o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, estabelecendo o parágrafo 1° do referido artigo que os juros serão calculados ã taxa de 1% (um por cento) ao mês, se não for fixada outra taxa. E a taxa SELIC tem previsão de aplicabilidade no artigo 13 da Lei n° 9.065, de 1995, e nos artigos 6°, parágrafo 2°, 61, parágrafo 3°, da Lei 9.430/96. 37. Acrescentese que, atualmente, a cobrança dos juros de mora em percentuais fixos é injustificável, pois, no mercado financeiro, buscase o capital onde for menos oneroso. Portanto, em matéria tributária, a exigência dos juros de mora com base em taxas flutuantes aos níveis de mercado atua como fator dissuasório da inadimplência fiscal ao impedir que o particular, como meio de fugir das taxas de mercado, utilize o expediente de atrasar o cumprimento de suas obrigações tributárias e, por conseguinte, de se beneficiar à custa do Erário Público. Assim expressa o Acórdão 1° CC n° 10806.513, de 22/05/01: “JUROS DE MORA TAXA SELIC ~ É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. " 38. Por outro lado, ao contrário do que entende a contribuinte, a aplicação da taxa Selic como juros de mora, no campo tributário, é aceita pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, como nos faz ver, inclusive, voto do Ministro Franciulli Netto no RESP 462202/SP, de 18/09/2003: ...A Primeira Seção deste egrégio Superior Tribunal de Justiça, na assentada de 14.05.2003, consolidou o entendimento no sentido da aplicação da Taxa SELIC, na restituição/compensação de tributos. a partir da data da entrada em vigor da lei que determinou sua incidência no campo tributária, conforme dispõe o artigo 39 da Lei n. 9.250/95 (Embargos de Divergência no Recurso Especial n°399. 497/CS, da relatoria do Ministro Luiz Fux) " A recorrente pugna pela redução da multa de 150% para 75%. Na verdade, não houve o agravamento da multa para 150%, a multa aplicada foi exatamente a de 75%, conforme se pode, inclusive, depreender do próprio recurso voluntário (demonstrativo na fl 1117, renumerada para 1108). Quanto às arguições de inconstitucionalidades de normas, acrescento ao arrazoado da DRJ que este CARF não é competente para discutilas, consoante a súmula 2, a seguir: Fl. 1243DF CARF MF 14 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Assim, rejeito as preliminares suscitadas nos autos, para no mérito, negar provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 1244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.907004/2011-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2001 a 01/01/2002
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-007.173
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo das contribuições e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do crédito apurada pela Recorrente. Vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que excluía o valor do ICMS destacado nas notas fiscais.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo das contribuições e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do crédito apurada pela Recorrente. Vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que excluía o valor do ICMS destacado nas notas fiscais. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 70 04 /2 01 1- 94 Fl. 102DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.173 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.907004/2011-94 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e manteve integralmente o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição objeto dos autos. Na decisão proferida pela DRJ, foi consignado, inicialmente, que o julgador da esfera administrativa deve limitar-se a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. A decisão recorrida considera ainda que, inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. Em essência, o colegiado de piso julgou incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor seria parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Irresignada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde sustenta que a decisão recorrida não deve ser mantida, posto que seu crédito é oriundo da indevida inclusão do valor do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. É relatório. Fl. 103DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.173 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.907004/2011-94 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.164, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10935.906995/2011-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.164): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a demanda cinge-se na análise quanto a possibilidade de não incluir o ICMS na base de cálculo da. A respeito da inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, matéria está incontroversa no RE 574.706, temos a Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de Fl. 104DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.173 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.907004/2011-94 cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, faz-se necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devem-se preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFD-ICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFD-ICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, faz- se necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devem-se preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do Fl. 105DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.173 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.907004/2011-94 ICMS e do IPI (EFD-ICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFD-ICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo das contribuições e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do crédito apurada pela Recorrente. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo das contribuições e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do crédito apurada pela Recorrente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.724906/2011-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento integral ao recurso (documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito e José Alfredo Duarte Filho
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento integral ao recurso (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito e José Alfredo Duarte Filho Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 49 06 /2 01 1- 82 Fl. 87DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.289 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.724906/2011-82 Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, ano-calendário de 2008, onde foram constatadas a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, especialmente pela falta de comprovação de pagamento solicitada pelas autoridades fiscais, no valor total de R$23.290,00. A interessada foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que apresentou recibos completos comprovando as despesas, e que seu marido seria seu dependente por estar desempregado. Sustenta que não deve prosperar a notificação por mera presunção de inidoneidade. Colaciona jurisprudência, cita doutrina e pugna pela improcedência do lançamento fiscal. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => considerando o valor elevado dos recibos apresentados à fiscalização, a contribuinte foi intimado a comprovar tanto a prestação de serviços como o efetivo pagamento. Não logrando êxito, a autoridade fiscal glosou os valores deduzidos a título de despesas médicas. Poderia a interessada ter apresentado os extratos bancários nos quais ficassem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos. => o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringe-se aos pagamentos efetuados, especificados e comprovados pela contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, cabendo ao contribuinte a prova de que faz jus à dedução pleiteada na declaração. A simples apresentação dos recibos de despesas médicas não comprova a efetividade do pagamento ou dos serviços prestados pelos profissionais. => a prova definitiva e incontestável das despesas é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) e dos documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras). Assim, quanto às declarações apresentadas pelo impugnante, temos que nenhum outro elemento foi trazido pelo contribuinte aos autos como prova de que os serviços e as despesas com o profissional foram efetivamente prestadas e pagas. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte nas alegações ventiladas em sede de impugnação e segue sustentando que não é possível manter a glosa por presunção da autoridade fiscal, eis que os recibos teriam sido devidamente apresentados e estariam claros e que a despesa médica de seu marido teria sido incluída pelo fato de ele ser seu dependente financeiro na época, já que estava desempregado. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.289 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.724906/2011-82 Voto Conselheiro Fernanda Melo Leal, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito - Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º - O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II - restringe-se aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Fl. 89DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.289 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.724906/2011-82 A Recorrente apresentou recibos com valores que somam uma quantia relevante, o que fez com que a autoridade fiscal, dentro do seu dever legal, solicitasse comprovação de pagamento. A contribuinte foi intimada a comprovar tanto a prestação de serviços como o efetivo pagamento. Não logrando êxito, a autoridade fiscal glosou os valores deduzidos a título de despesas médicas. Poderia a interessado ter apresentado os extratos bancários nos quais ficassem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos. Vale repetir o quanto colocado pela DRJ no sentido de que o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringe-se aos pagamentos efetuados, especificados e comprovados pelo contribuinte. A simples apresentação dos recibos de despesas médicas não comprova a efetividade do pagamento ou dos serviços prestados pelos profissionais, principalmente se for levantada alguma dúvida pela autoridade fiscal. A prova definitiva e incontestável das despesas é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) e dos documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras). Verificou-se que nenhum outro elemento foi trazido pelo contribuinte aos autos como prova de que os serviços e as despesas com o profissional foram efetivamente prestadas e pagas. Ao reverso, apenas refuta a notificação com argumentos extensos e visivelmente protelatórios. Merece ser repetido, mais uma vez, que a glosa da despesa incorrida com a Cassi decorreu do fato de se tratar de terceiro não dependente. Com efeito, considerando que o cônjuge efetivamente não foi incluído no rol de dependentes da DIRPF revisada; considerando, ainda, que é defeso ao sujeito passivo retificar a DIRPF após o início da ação fiscal, impõe se a manutenção dessa glosa, com arrimo nas disposições do inciso II do § 1º do art. 80, c/c 832 do Decreto nº 3.000, de 1999. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, busca-se a realidade dos fatos, desprezando-se as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. Fl. 90DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.289 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.724906/2011-82 A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisá-lo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Soma-se ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolver-se em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontra-se tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A contribuinte requer que sejam intimados os profissionais para esclarecimentos e comprovação dos rendimentos recebidos. No que tange aos meios de prova, o Decreto n° 70.235/72, que trata do procedimento administrativo fiscal, regulamenta estes pontos nos seus arts. 16, 17, 18 e 29. Através da análise dos dispositivos legais acima mencionados e da análise dos elementos constantes dos autos, conclui-se pela inocorrência de qualquer uma das hipóteses legais que justifiquem os pedidos da Recorrente. Assim, não faz sentido prosperar o pedido de diligência pretendido. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando-se na fundamentação clara, objetiva e inequívoca tanto da autoridade fiscal como da DRJ, entendo que deve ser mantida a glosa de despesas médicas. Fl. 91DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-001.289 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.724906/2011-82 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.907567/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.137
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência, para que a unidade de origem junte aos autos cópia da íntegra do processo administrativo n° 10380.720057/2013-88. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de trinta dias para manifestação.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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LTDAME Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência, para que a unidade de origem junte aos autos cópia da íntegra do processo administrativo n° 10380.720057/201388. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de trinta dias para manifestação. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de pedido de ressarcimento de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Não Cumulativa – Exportação (art. 5º. da Lei nº. 10.637/2002), relativo ao 4º. trimestre de 2004, no valor de R$ 60.757,22 (sessenta mil, setecentos e cinqüenta e sete reais e vinte e dois centavos). Consta que o ressarcimento originase, quase em sua totalidade, na aquisição de bens e serviços utilizados como insumos no processo produtivo. Verificaramse divergências ao comparar os valores declarados pela interessada com o que constava do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 07 56 7/ 20 12 -8 7 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10380.907567/201287 Resolução nº 3301001.137 S3C3T1 Fl. 176 2 Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon), de modo que foi considerado o valor constante neste demonstrativo para fins de limite dos valores declarados. Da análise do processo produtivo e seus insumos Conforme a informação fiscal, a contribuinte tem por objetivo a importação e exportação em geral, especialmente de produtos alimentícios, secos e molhados, bem como a indústria e comércio de produtos pesqueiros em geral. Adota a industrialização por encomenda (beneficiamento), não possuindo parque industrial próprio, apenas salas comerciais. A atividade industrial consiste na aquisição de camarão in natura diretamente dos fornecedores, mediante processo de despesca manual. Nesta fase, são adquiridos e fornecidos pela interessada caixas de isopor, gelo e metabissulfito de sódio (conservante), para acondicionamento e conservação do camarão in natura. As caixas de isopor (contendo o camarão, o gelo e o conservante) são transportadas até a empresa terceirizada (frigorífico) responsável pela industrialização (beneficiamento), a qual produz o camarão inteiro congelado (camarão com cabeça) e camarão em partes congeladas (camarão sem cabeça), classificação NCM/TIPI 0306.1391 e 0306.13.99, respectivamente. O produto é acondicionado em embalagem primária e, posteriormente, agrupado em embalagem secundária. Todos os bens utilizados na produção são fornecidos pela interessada. O produto acabado é transportado diretamente da empresa terceirizada para o porto de exportação através de transportadora (pessoa jurídica domiciliada no país), contratada pela interessada. Com base no conceito de insumo contido no § 5º do art. 66 da Instrução Normativa SRF nº. 247/2002, a atividade industrial da contribuinte permitiu enquadrar no conceito de insumo os seguintes bens utilizados e consumidos diretamente na elaboração dos produtos exportados (camarão com cabeça e sem cabeça congelados): gelo, metabissulfito de sódio (conservante), camarão in natura, saco plástico, película, embalagem primária, bem como o serviço de beneficiamento pago aos frigoríficos terceirizados. Quanto aos serviços de frete (exceto os fretes nas vendas), as cópias das notas fiscais não possibilitaram a vinculação desses serviços à condição de insumos no processo produtivo, ainda que o ônus tenha sido suportado pela interessada. Em relação às caixas de isopor, considerou o fisco que estas não se enquadravam no conceito de insumo (nãocumulatividade) por não serem consumidas no processo produtivo, mas tãosomente utilizadas (e reutilizadas) para fins de acondicionamento provisório da matériaprima para o transporte até o frigorífico no qual era beneficiada. Remete ao art. 6º. do Decreto nº. 7.212 de 15 de junho de 2010 (Regulamento do IPI RIPI/2010). O Termo Fiscal detalha as rotinas aplicadas no processo de beneficiamento do camarão, onde conclui que o saco plástico, a película e a embalagem primária (“caixinha”) compõe a embalagem de apresentação do produto; que a embalagem secundária (“Master Box”), a fita adesiva, a fita de arquear, a fivela e a etiqueta compõem a embalagem para transporte do produto; e que esta última, por ser embalagem para transporte, bem como os seus acessórios, afastamse do conceito de insumos, nos termos da legislação afeita à nãocumulatividade. Das aquisições de insumos realizadas com o fim específico de exportação Da análise das cópias das notas fiscais referentes às aquisições de camarão, verificouse que algumas delas possuíam a notação “mercadoria destinada à exportação” ou ainda “mercadoria destinada com fins específicos de exportação”. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10380.907567/201287 Resolução nº 3301001.137 S3C3T1 Fl. 177 3 Foram desconsideradas pela auditoria as notas fiscais referentes às aquisições de bens com o fim específico de exportação, em face do comando do inciso I do art. 5º. da Lei nº. 10.637/2002, bem como do §4º. do art. 6º. da Lei nº. 10.833/2003, pelo qual a contribuição para o PIS/Pasep não incide sobre as receitas decorrentes das vendas de mercadoria para o exterior, ou sobre as receitas das vendas efetuadas à empresa exportadora com o fim específico de exportação, conforme previsto no inciso III do artigo em comento. Aquisições realizadas com suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: foram desconsideradas as notas fiscais referentes às aquisições de bens com suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda: a partir de 01/02/2004, as despesas são consideradas em razão de que esta possibilidade somente passou a vigorar a partir de 01/02/2004, por força do inciso I do art. 93 da Lei nº. 10.833/2003. Da Decisão O pedido de ressarcimento no PER nº. 03040.80572.011009.1.1.091201 foi deferido parcialmente no montante de R$ 23.172,10 (vinte e três mil, cento e setenta e dois reais e dez centavos). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em síntese, a contribuinte inicialmente remete aos fatos que remontam ao seu pedido de ressarcimento, quando instruiu o pedido de ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/Pasep do regime nãocumulativo, à extrema demora na análise da demanda, e ao Mandado de Segurança onde teria obtido a liminar para que fossem apreciados os pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins no período e ao despacho decisório objeto da manifestação de inconformidade pelo qual se insurge, com as alegações que se traz abaixo, em resumo. Na preliminar, alega que a análise do presente processo deverá ter conexão com o PAF nº. 10380.720057/201388, sob pena de cerceamento de defesa, haja vista que todos os documentos utilizados pela fiscalização na análise do pedido de ressarcimento objeto deste PAF foram juntados àquele processo. Transcreve o segundo parágrafo da Informação, onde constaria: A respectiva documentação (intimações fiscais, planilhas do contribuinte, notas fiscais, demonstrativos da auditoria, etc) encontrase no processo administrativo fiscal (PAF) digital nº. 10380.720057/201388, cujas folhas são referenciadas no texto da presente Informação Fiscal. No mérito, insurgese nos seguinte itens de sua manifestação: 1. Aquisições de Insumos com fim específico de exportação: Aduz, sob este item, que o simples fato de algumas notas fiscais possuírem a notação “mercadorias destinadas à exportação” ou “mercadoria exclusiva para exportação”, não implica dizer que todas as mercadorias listadas pela fiscalização tratavamse de produtos acabados destinados à exportação, em outras palavras, mercadorias adquiridas no mercado interno para revenda no mercado externo. Alega que a fiscalização deveria ter identificado quais mercadorias eram realmente produtos acabados destinados à exportação, as quais se denominam “Camarão congelado com ou sem cabeça (NCM 0306.13.91 camarão congelado Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10380.907567/201287 Resolução nº 3301001.137 S3C3T1 Fl. 178 4 inteiro e NCM 0306.13.99 – camarão congelado em partes) e quais eram insumos utilizados na elaboração das mercadorias que produz (Camarão fresco – NCM 0306.13.91 ou 0306.13.99). Reitera que os produtos exportados são o camarão inteiro congelado (com cabeça) e camarão em partes congelado (sem cabeça), com classificação TIPI sob os NCM 0306.13.91 e 0306.13.99, respectivamente; que a matériaprima básica destes produtos é o camarão fresco (“in natura”), classificado na TIPI sob o NCM 0306.23.00, o qual representa aproximadamente 90% dos custos aplicados na produção – o restante seriam produtos químicos e material de embalagem; que, no caso específico, o camarão “in natura” utilizado é o camarão de cultivo, adquirido junto a pessoas jurídicas exploradoras dessa atividade (carcinicultura); que, tal mercadoria “in natura” é imprópria para exportação, já que uma vez retirado do seu habitat natural, deve ser consumido em curto espaço de tempo ou sofrer o processo de beneficiamento para que seja mantido o seu valor proteico e não haja deterioração do animal, bem como o seu valor econômico; e mais, que as exportações de camarão “in natura” realizadas pelo país, na verdade são matrizes do animal, acondicionadas de forma tal que cheguem vivas ao seu destino, o que não é o caso das exportações da manifestante. Quanto às notas fiscais listadas pelo fisco, sustenta que não é porque o fornecedor informa na sua nota fiscal que o seu produto é destinado à exportação que este produto tenha sido importado; que a exportação é um processo subordinado a leis e regras emanadas da Receita Federal e do MDIC; que, para a manifestante é irrelevante se os fornecedores pagaram ou não os tributos devidos, cuja tarefa é da competência da Receita Federal. Aduz que o vendedor/fornecedor, para usufruir deste benefício, tem que comprovar que os produtos por ele vendidos foram realmente exportados, na forma prevista do ConvênioConfaz nº. 113/96 e atualizações posteriores, cuja comprovação se dá através do “MemorandoExportação”. Não basta constar na nota fiscal qualquer tipo de expressão, informando que a mercadoria vendida tem “fim específico de exportação” para que o fornecedor do produto a ser exportado se beneficie dos incentivos de exportação, como é o caso da isenção de tributos. Mesmo que o camarão “in natura” em questão pudesse ser exportado sem que houvesse qualquer tipo de processamento industrial, tal fato não ocorreu e não há nos autos uma única prova que as mercadorias adquiridas pelas notas fiscais relacionadas no Quadro 03 (da manifestação) foram exportadas na condição em que foram adquiridas (“in natura”). Traz ementa de Acórdão nº. 380301.798 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processo cuja contribuinte é de ramo semelhante de atividades. 2. Aquisições de outros insumos: embalagem secundária; caixa de isopor; fretes no transporte de matériasprimas (camarão); fretes de venda. A contribuinte alega, em síntese, que o conceito de insumo para fins de crédito de PIS/Pasep nãocumulativo é mais amplo do que aquele previsto para o IPI e está mais próximo do conceito de custos/despesas necessárias previsto para fins de cálculo do IRPJ. Desta forma, os materiais mencionados no título, como gastos necessários à atividade operacional da manifestante, seriam passíveis de créditos. Neste sentido, colaciona excertos de doutrinas, ementas de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como jurisprudência dos tribunais. 3. Da atualização monetária do ressarcimento: Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10380.907567/201287 Resolução nº 3301001.137 S3C3T1 Fl. 179 5 Em síntese, a contribuinte entende ser uma afronta ao seu direito o ressarcimento sem o acréscimo de juros compensatórios, considerando a demora com que foi tratada a análise do seu pedido de ressarcimento pela Delegacia da Receita Federal de sua região, obrigandoo a buscar a força judicial. Alega que fica evidenciado um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional. Cita decisão judicial que autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (Resp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2004.2010, Dje 03.05.2010). Ressalta que o REsp em comento é representativo da controvérsia, e nesses casos, tanto a PGFN, como o próprio CARF entendem que as decisões do STJ não devem ser contestadas, como se vê no artigo 62A do Anexo I, da Portaria do MF nº. 256/09 (transcreve no texto). Ainda, que mesmo antes da inclusão do art. 62A, o próprio CARF em seus julgados, tem tido a mesma linha do judiciário, pelo qual cita os Acórdãos CSRF/02.770 e CSRF/02.02.705. Alega ser incontestável a atualização monetária do valor do crédito, seja para fins de ressarcimento, seja para fins de compensações permitidas em lei. 4. Do pedido: Requer, por fim: que seja reconhecido o direito ao crédito do PIS/Pasep nãocumulativo relativamente à aquisição de camarão “in natura”; que seja reconhecido o direito aos créditos relativamente às aquisições de “material de embalagem secundária”, “caixa de isopor para acondicionamento provisório de matériaprima”, “fretes na aquisição de matériaprima”, “frete na venda de produto”, já que tais aquisições referemse a gastos necessários à atividade operacional da manifestante; que o ressarcimento do crédito seja efetivado com a devida atualização monetária, com base na variação da Taxa Selic entre a data do protocolo do pedido e a sua efetiva utilização, seja em moeda corrente, seja através de compensações deste crédito na liquidação de débitos tributários da Manifestante administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 5. Juntada de documentos após a impugnação: Vencido o prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade, a contribuinte encaminhou para juntada a íntegra do acórdão nº. 3403002.768 do CARF, 4a. Câmara, 3a. Turma, da 3a. Sessão de Julgamento, em apreciação de determinado recurso voluntário desta empresa, onde teriam sido reconhecidos créditos de IPI pleiteados pela empresa. É o relatório." Em 30/06/14, a DRJ em Florianópolis julgou a manifestação de inconformidade parcialmente procedente e o Acórdão n° 0735.115 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10380.907567/201287 Resolução nº 3301001.137 S3C3T1 Fl. 180 6 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. Para efeito da não cumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETE. VENDA. O aproveitamento de créditos das contribuições para o PIS/Pasep sobre as despesas de fretes referentes às operações de venda somente foi possível a partir da vigência do inciso I do art. 3º. da Lei nº. 10.833/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. Os dispositivos legais em vigor relativos aos créditos de não cumulatividade afastam expressamente a aplicação de juros compensatórios no ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10380.907567/201287 Resolução nº 3301001.137 S3C3T1 Fl. 181 7 No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VINCULAÇÃO AOS ATOS ADMINISTRATIVOS DE CARÁTER NORMATIVO EDITADOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. As questões relacionadas à existência de eventuais ilegalidades, inconstitucionalidades ou ofensa a princípios constitucionais não podem ser apreciadas no âmbito administrativo, por se tratar, claramente, de discussão dirigida ao Poder Judiciário, haja vista os limites de sua competência. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, aos quais adiciona os seguintes: pleiteia o "saneamento do vício formal" existente na decisão da DRJ, consistente no fato de que, ao final do dispositivo, há a informação "crédito mantido", apesar de não se tratar de processo instruído por lançamento de ofício, porém de ressarcimento de tributo; contesta o critério adotado pela DRJ para manter parte das glosas de créditos sobre compras de "camarão in natura", haja vista que todas foram realizadas para industrialização do produto "camarão congelado", não tendo sido uma única sequer destinada à exportação; e contesta o entendimento da DRJ de que somente poderia ser tratada como insumo e assim, dar direito a crédito, compras de embalagem de apresentação, uma vez que as para transporte seriam igualmente imprescindíveis. Após a protocolização do recurso voluntário, o contribuinte juntou aos autos petição e cópias de peças de processo judicial, em que pleiteia que o ressarcimento do PIS seja efetuado com acréscimo do juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Inicio, consignando que este voto aplicase aos processos 10380.907567/2012 87, 10380.907568/201221, 10380.907569/201276, 10380.907574/201289 e 10380.907580/201236. Após a protocolização do recurso voluntário, a recorrente juntou aos autos petição e cópias de peças do processo judicial n° 080038359.2013.4.05.8100, por meio do qual pleiteou o acréscimo de juros Selic aos valores dos Pedidos de Ressarcimento tratados em vinte e dois processos administrativos, entre os quais os acima listados. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10380.907567/201287 Resolução nº 3301001.137 S3C3T1 Fl. 182 8 Com relação ao processo n° 10380.907569/201276, os citados documentos foram carreados aos autos juntamente com a manifestação sobre a diligência efetuada pela DRJ. No material juntado, consta inclusive Certidão de Trânsito em julgado de decisão favorável à recorrente. Nos recursos voluntários, sob o tópico "Da atualização monetária do ressarcimento", requereu que o ressarcimento dos créditos fosse acrescido de juros Selic, calculados entre as datas do protocolo do PER e o do efetivo ressarcimento, com base na decisão do STJ no REsp n° 993.164/10. Esta decisão dispõe sobre a incidência dos juros, quando há oposição ilegítima do Fisco ao ressarcimento de crédito presumido de IPI. E chamou a atenção para o fato de que, entre as datas do protocolo e a da ciência da decisão, já haviamse passado, dependendo do processo, entre três e oito anos. No processo n° 10380.907569/201276, o referido tópico foi incluído na manifestação de inconformidade. E, no recurso voluntário, foi requerida a aplicação da sentença judicial. Nos termos da Súmula CARF n° 1, não cabe a este colegiado dispor sobre matéria entregue ao Poder Judiciário, antes ou depois de iniciado o procedimento administrativo. Assim, deixo de conhecer os pedidos contidos nas peças de defesa e/ou nas petições juntadas aos autos, cujo objetivo era o de obter o reconhecimento do direito a acréscimo de juros Selic ao valor objeto do Pedido de Ressarcimento em discussão. No tocante aos demais argumentos, o recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Conversão em diligência Nas peças de defesa, a recorrente pleiteou que os processos acima indicados fossem julgados em conjunto com o de n° 10380.720057/201387, pois neste se encontrariam todos os documentos que embasaram o despacho decisório, "sob pena de cerceamento do direito de defesa". Nos votos condutores dos acórdãos editados pela respectivas Delegacias Regionais de Julgamento (DRJ), com exceção do relativo ao processo n° 10380.907569/2012 76, encontrase inclusive a seguinte passagem: "1. Da preliminar: Na preliminar, a contribuinte argumenta que a análise do presente processo deverá ter conexão com o PAF nº. 10380.720057/201388, sob pena de cerceamento de defesa, haja vista que todos os documentos utilizados pela fiscalização na análise do pedido de ressarcimento objeto deste PAF foram juntados àquele processo. Transcreve o segundo parágrafo da Informação, onde constaria: A respectiva documentação (intimações fiscais, planilhas do contribuinte, notas fiscais, demonstrativos da auditoria, etc) encontrase no processo administrativo fiscal (PAF) digital nº. 10380.720057/201388, cujas folhas são referenciadas no texto da presente Informação Fiscal. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10380.907567/201287 Resolução nº 3301001.137 S3C3T1 Fl. 183 9 Ressaltese que o Termo Fiscal indica a clara conexão entre este processo e o processo de representação PAF nº. 10380.720057/201388, posto que este reúne documentação referente à fiscalização na empresa em questão. Da mesma forma, a análise que aqui se faz recorre ao referido processo para análise da documentação referenciada no Termo Fiscal e/ou na manifestação da contribuinte." De fato, os autos de todos os processos acima listados estão incompletos, não estando presentes, notadamente, a "Informação Fiscal" e planilhas complementares, bem como as notas fiscais examinadas. Reputo que não é o caso de decretarmos a nulidade dos ato administrativo original, por falta de motivação (art. 50 da Lei n° 9.784/99), pois, da leitura das decisões de piso e peças de defesa, inferese que o despacho decisório foi devidamente motivado. Cabenos sim propor a realização de diligência, para que cópia da íntegra do processo n° 10380.720057/201388 seja juntada aos autos. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de trinta dias para manifestações. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.726002/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO INDIRETA. PAGAMENTO DE CARTÕES DE CRÉDITO.
O pagamento de despesas pessoais do contribuinte por meio de cartões de crédito reputa-se remuneração indireta por tratar-se de transferência de renda e configura fato gerador do imposto na forma do art. 43 e incisos, da Lei 5.172 de 1966, Código Tributário Nacional (CTN).
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS NÃO APURADOS POR MEIO DE DEMONSTRAÇÃO CONTÁBEIS. TRIBUTAÇÃO.
Apenas é isenta do imposto de renda a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que tenham sido apurados em balanço.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Restando comprovado nos autos o acréscimo patrimonial a descoberto cuja origem não tenha sido comprovada por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, ou sujeitos a tributação exclusiva, é autorizado o lançamento do imposto de renda correspondente.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. DEMONSTRATIVOS MENSAIS.
O acréscimo patrimonial da pessoa física deve ser levantado mensalmente e, portanto, os rendimentos considerados como origem devem ser considerados no mês do efetivo recebimento. Quando desconhecida a data do recebimento do rendimento informado na declaração de ajuste, deve ser considerado um doze avos do valor anual em cada mês.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM - EMPRÉSTIMOS.
A comprovação de empréstimo exige provas específicas, não bastando a apenas a juntada de contratos particulares. Para essa comprovação é imprescindível que: (1) seja apresentado o contrato de mútuo assinado pelas partes; (2) o empréstimo tenha sido informado tempestivamente na declaração de ajuste; (3) o mutuante tenha disponibilidade financeira (4) esteja evidenciada a transferência do numerário entre credor e devedor (na tomada do empréstimo), com indicação de valor e data coincidentes como previsto no contrato firmado e o pagamento do mutuário para mutuante no vencimento do contrato.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ-LEÃO.
A multa isolada é devida nos casos em que o contribuinte obrigado deixa de efetuar o recolhimento do imposto devido mensalmente por meio de carnê-leão. A apresentação da declaração de ajuste acompanhada do recolhimento do imposto anual apurado não exime o contribuinte da penalidade específica prevista no citado artigo 44, II, da Lei 9.430 de 1996.
Numero da decisão: 2402-007.353
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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REMUNERAÇÃO INDIRETA. PAGAMENTO DE CARTÕES DE CRÉDITO. O pagamento de despesas pessoais do contribuinte por meio de cartões de crédito reputase remuneração indireta por tratarse de transferência de renda e configura fato gerador do imposto na forma do art. 43 e incisos, da Lei 5.172 de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS NÃO APURADOS POR MEIO DE DEMONSTRAÇÃO CONTÁBEIS. TRIBUTAÇÃO. Apenas é isenta do imposto de renda a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que tenham sido apurados em balanço. OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Restando comprovado nos autos o acréscimo patrimonial a descoberto cuja origem não tenha sido comprovada por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, ou sujeitos a tributação exclusiva, é autorizado o lançamento do imposto de renda correspondente. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. DEMONSTRATIVOS MENSAIS. O acréscimo patrimonial da pessoa física deve ser levantado mensalmente e, portanto, os rendimentos considerados como origem devem ser considerados no mês do efetivo recebimento. Quando desconhecida a data do recebimento do rendimento informado na declaração de ajuste, deve ser considerado um doze avos do valor anual em cada mês. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM EMPRÉSTIMOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 60 02 /2 01 1- 51 Fl. 5007DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.008 2 A comprovação de empréstimo exige provas específicas, não bastando a apenas a juntada de contratos particulares. Para essa comprovação é imprescindível que: (1) seja apresentado o contrato de mútuo assinado pelas partes; (2) o empréstimo tenha sido informado tempestivamente na declaração de ajuste; (3) o mutuante tenha disponibilidade financeira (4) esteja evidenciada a transferência do numerário entre credor e devedor (na tomada do empréstimo), com indicação de valor e data coincidentes como previsto no contrato firmado e o pagamento do mutuário para mutuante no vencimento do contrato. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊLEÃO. A multa isolada é devida nos casos em que o contribuinte obrigado deixa de efetuar o recolhimento do imposto devido mensalmente por meio de carnê leão. A apresentação da declaração de ajuste acompanhada do recolhimento do imposto anual apurado não exime o contribuinte da penalidade específica prevista no citado artigo 44, II, da Lei 9.430 de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração que tem por objeto a exigência de imposto de imposto de renda suplementar relativo aos anoscalendário 2007, 2008 e 2009 de Fl. 5008DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.009 3 R$ 388.288,52, de multa de ofício de R$ 291.216,38, multa exigida isoladamente de R$ 12.522,36 e de juros de mora calculados até 31/10/2011 de R$ 89.260,94. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 29/37), foram apuradas a seguintes infrações: 1 Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício; 2 Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício; 3 Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, em que se verificou excesso de aplicações sobre origens não respaldado por rendimentos declarados ou comprovados; 4 Dedução Indevida de Dependente. Glosa despesa com dependente por falta de comprovação da relação de dependência; 5 Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa de despesas médicas no valor por falta de comprovação dos pagamentos; 6 Dedução Indevida de Despesas com Instrução. Glosa de despesas com instrução, por falta de comprovação (da relação de dependência mencionada no item 4); 7 Dedução Indevida de Contribuição Patronal. Glosa de dedução de contribuição patronal correspondente à empregado doméstico; e 8 Falta de Recolhimento do IRPF a Título de CarnêLeão. Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnêleão, com aplicação de multas isoladas de 50% do valor do imposto devido mensalmente. Notificado do lançamento aos 17/11/11 (fls. 4590), o recorrente apresentou impugnação aos 20/12/11 (fls. 4595 ss.) alegando, em síntese, que o auto de infração é nulo de pleno direito, uma vez que o procedimento fiscal que culminou com a sua lavratura está marcado pela parcialidade e pessoalidade na sua seleção para ser fiscalizado. Alega que na qualidade de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, o procedimento fiscalizatório, na realidade, tratouse de "retaliação" sofrida quando do retorno às suas funções profissionais perante aquele órgão em outubro/10, após ter ficado afastado por licença profissional prevista em lei para disputar cargo eletivo; impugna a forma como se apurou a variação patrimonial a descoberto. Afirma que teria havido cerceamento de sua defesa porque a fiscalização teria omitido os dados relativamente aos meses em que não houve variação patrimonial a descoberto, o que implica cerceamento de sua defesa, além de impugnar a forma como alguns valores foram considerados no fluxo de variação patrimonial (datas em que desencaixes financeiros e entradas deveriam ter sido considerados e em que montante, valores considerados em duplicidade etc.); nulidade do procedimento de fiscalização pois a única fonte que poderia ter fundamentado a autuação do recorrente por omissão de rendimentos recebidos de pessoas Fl. 5009DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.010 4 jurídicas seriam os extratos bancários das sociedades empresariais TS CURSOS PREPARATÓRIOS LTDA, APROVASAT CURSOS TELETRANSMITIDOS LTDA., GRUPO APROVAÇÃO FRANQUEADORA LTDA. e ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL APROVAÇÃO, que foram por estas fornecidos à fiscalização em outros procedimentos fiscalizatórios nos quais elas eram fiscalizadas. Afirma que se essas pessoas jurídicas abriram mão do seu sigilo bancário naqueles procedimentos, fizeramno confiando que as informações fornecidas permanecessem em sigilo e não fossem divulgadas para outra fiscalização em curso; após as empresas em questão, das quais o impugnante e sua esposa são sócios, terem sido fiscalizadas e auditadas pela própria RFB, concluindo que obtiveram lucro no período autuado, afirma que com apenas 0% do lucro auferido por aquelas empresas todas as transferências e pagamentos de despesas em seu favor e de sua esposa estariam plenamente justificadas a título de retirada de lucros, pelo que requer que assim sejam reconhecidas; alega que boa parte dos pagamentos de despesas de faturas de cartão de crédito em seu nome se referem a ressarcimento de despesas de titularidade das pessoas jurídicas em questão, conforme demonstrado nos autos; que a multa isolada está sendo exigida pelo do não recolhimento do carnê leão, que seria devido em face dos recebimentos havidos de pessoas físicas. Diz que essa foi suprimida quando informou na declaração de ajuste anual o recebimento da integralidade dos valores recebidos e pagou os tributos que seriam devidos. A DRJ julgou a impugnação parcialmente procedente em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009 AÇÃO FISCAL MOTIVAÇÃO. A ação fiscal é uma fase oficiosa em que os auditores atuam com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para iniciar procedimentos de fiscalização ou de diligência cujo início não se encontra vinculado a exposição de motivos que ensejaram a seleção do contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO INDIRETA. PAGAMENTO DE CARTÕES DE CRÉDITO. O pagamento de despesas pessoais do contribuinte consignadas em cartões de crédito reputase remuneração indireta por tratar se de transferência de renda e configura fato gerador do imposto na forma do art. 43 e incisos, da Lei 5.172 de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS NÃO APURADOS POR MEIO DE DEMONSTRAÇÃO CONTÁBEIS. TRIBUTAÇÃO. Fl. 5010DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.011 5 Apenas é isenta do imposto de renda a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que tenham sido apurados em balanço. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. No caso do contribuinte pessoa física, apenas deve ser feito o reajustamento da base de cálculo, quando o fisco constatar, antes do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, que a fonte pagadora não procedeu à retenção do imposto de renda na fonte. Nesse caso, deve ser feito o reajustamento da base de cálculo e o imposto correspondente deve ser exigido da pessoa jurídica, cabendo à pessoa física oferecer à tributação na declaração de ajuste anual o valor reajustado podendo, também, compensar o imposto de renda retido na fonte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Restando comprovado nos autos o acréscimo patrimonial a descoberto cuja origem não tenha sido comprovada por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, ou sujeitos a tributação exclusiva, é autorizado o lançamento do imposto de renda correspondente. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. DEMONSTRATIVOS MENSAIS. O acréscimo patrimonial da pessoa física deve ser levantado mensalmente e, portanto, os rendimentos considerados como origem devem ser considerados no mês do efetivo recebimento. Quando desconhecida a data do recebimento do rendimento informado na declaração de ajuste, deve ser considerado um doze avos do valor anual em cada mês. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. DESCONTO SIMPLIFICADO. O valor correspondente ao desconto simplificado não pode ser utilizado para a comprovação de acréscimo patrimonial já que deve ser considerado rendimento consumido. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM EMPRÉSTIMOS. A comprovação de empréstimo exige provas específicas, não bastando a apenas a juntada de contratos particulares. Para essa comprovação é imprescindível que: (1) seja apresentado o contrato de mútuo assinado pelas partes; (2) o empréstimo tenha sido informado tempestivamente na declaração de ajuste; (3) o mutuante tenha disponibilidade financeira (4) esteja evidenciada a transferência do numerário entre credor e devedor (na tomada do empréstimo), com indicação de valor e data coincidentes como previsto no contrato firmado e o pagamento do mutuário para mutuante no vencimento do contrato. Fl. 5011DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.012 6 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. A multa isolada é devida nos casos em que o contribuinte obrigado deixa de efetuar o recolhimento do imposto devido mensalmente por meio de carnêleão. A apresentação da declaração de ajuste acompanhada do recolhimento do imposto anual apurado não exime o contribuinte da penalidade específica prevista no citado artigo 44, II, da Lei 9.430 de 1996. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimado dessa decisão aos 09/06/16 (fls. 4880) o recorrente interpôs recurso voluntário a 29/06/16 (fls. 4882 ss.), no qual, à exceção da preliminar de nulidade da decisão recorrida, no mais, reproduz os mesmos argumentos de defesa constantes de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Preliminar nulidade O recorrente diz em seu recurso que a decisão recorrida afirma que "em relação às outras infrações apontadas no auto de infração, contra elas o impugnante não se insurge" (fls. 28), razão pela qual a parte correspondente do crédito tributário se tornou incontroversa. Alega que não há como identificar precisamente sobre quais parcelas do crédito tributário versa a decisão, especialmente porque a decisão recorrida apenas as intitula de "outras infrações", sem indicar pormenorizadamente quais seriam, relegando ao contribuinte a tarefa de "adivinhar" quais rubricas foram assim consideradas. Argumenta, também, que não há nenhum indício das razões e dos motivos pelos quais a decisão recorrida chegou a essa conclusão, o que endossaria a sua fragilidade, uma vez que é hialino que os argumentos trazidos pelo recorrente na impugnação iam de encontro a todas as infrações supostamente cometidas. Com todo o respeito, não procede a irresignação do recorrente. Com efeito, analisando o auto de infração (fls. 4570/4591), o Termo de Verificação Fiscal (fls. 4494/4569) e a impugnação apresentada pelo recorrente (fls. Fl. 5012DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.013 7 4595/4634), constatase que, como sucintamente relatado, o recorrente foi autuado por ter sido constatada a prática da oito infrações, quais sejam: 1 Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício; 2 Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício; 3 Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, em que se verificou excesso de aplicações sobre origens não respaldado por rendimentos declarados ou comprovados; 4 Dedução Indevida de Dependente. Glosa despesa com dependente por falta de comprovação da relação de dependência; 5 Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa de despesas médicas no valor por falta de comprovação dos pagamentos; 6 Dedução Indevida de Despesas com Instrução. Glosa de despesas com instrução, por falta de comprovação (da relação de dependência mencionada no item 4); 7 Dedução Indevida de Contribuição Patronal. Glosa de dedução de contribuição patronal correspondente à empregado doméstico; e 8 Falta de Recolhimento do IRPF a Título de CarnêLeão. Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnêleão, com aplicação de multas isoladas de 50% do valor do imposto devido mensalmente. Em sua impugnação, o recorrente apenas impugnou as infrações apontadas nos itens 1, 2, 3 e 8. Em outros termos, apenas se defendeu das acusações de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas com e sem vínculo empregatício, de acréscimo patrimonial a descoberto e de falta de recolhimento de IRPF devido a título de carnêleão; Relativamente às demais infrações que lhe foram imputadas, de dedução indevida de dependente, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida com instrução (instrução relativa àquela dependente, cuja relação de dependência não foi comprovada) e dedução de contribuição patronal correspondente a empregado doméstico, de fato, o recorrente contra elas não se insurgiu. Não há uma linha sequer em sua impugnação dedicada a tratar desses assuntos. Assim, evidentemente, é contra essa parcela do crédito tributário a que a decisão recorrida faz referência e a razão dessa mesma parcela ter se tornado incontroversa é justamente essa: não ter sido objeto de impugnação por parte do recorrente, então impugnante. Desse modo, não há a nulidade apontada pelo recorrente. No mais, considerando que o recurso voluntário apenas reproduziu os argumentos apresentados em sede de impugnação, tendo em vista o que dispõe o art. 57, §3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado Fl. 5013DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.014 8 pela Portaria MF nº 343/2015, adoto, como razões de decidir, os seguintes fundamentos da decisão de primeira instância, que reproduzo abaixo, com os quais estou de acordo: Preliminar de Nulidade. Em sede de preliminar, o impugnante sustenta a nulidade do lançamento, alegando que o procedimento fiscal padeceria de vício em razão de parcialidade e pessoalidade, já que teria sido selecionado para ser fiscalizado como forma de represália por ter pedido licença das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil para postular cargo eletivo. O art. 904, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, determina que a fiscalização do imposto de renda compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, mediante ação direta, no domicilio do contribuinte, com objetivo de verificar a exatidão dos rendimentos sujeitos à sua incidência. Art. 904. A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, e DecretoLei nº 2.225, de 10 de janeiro de 1985). § 1º A ação fiscal direta, externa e permanente, realizarseá pelo comparecimento do AuditorFiscal do Tesouro Nacional no domicílio do contribuinte, para orientálo ou esclarecêlo no cumprimento de seus deveres fiscais, bem como para verificar a exatidão dos rendimentos sujeitos à incidência do imposto, lavrando, quando for o caso, o competente termo (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). § 2º A ação do AuditorFiscal do Tesouro Nacional poderá estenderse além dos limites jurisdicionais da repartição em que servir, atendidas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 3º A ação fiscal e todos os termos a ela inerentes são válidos, mesmo quando formalizados por AuditorFiscal do Tesouro Nacional de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo (Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1º). Os procedimentos fiscais não estão vinculados a exposição de motivos ou das razões que determinaram seu início. Tratase de fase oficiosa em que os auditores atuam com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para iniciar procedimentos sejam de fiscalização ou de diligência contra quaisquer contribuintes. O fato de o procedimento fiscal ter sido iniciado logo após o retorno da licença, conforme alega, não é nenhum indício de que houve pessoalidade na seleção do contribuinte. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Fl. 5014DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.015 9 Apurouse no decorrer da ação fiscal que as despesas de cartão de crédito do contribuinte e seu cônjuge foram pagas, no período, pelas seguintes pessoas jurídicas: TS Cursos Preparatórios Ltda, Associação Educacional Aprovação, Grupo Aprovação Franqueadora Ltda, Aprovasat Cursos Teletransmitidos Ltda. Todas essas empresas foram intimadas a justificar a razão de terem efetuado pagamentos beneficiando o contribuinte, nos anoscalendário 2007 a 2009, e, em resposta, foram apresentadas as seguintes justificativas, todas muito parecidas (fls. 2178, 2183, 2188): "(...) que promoveu o pagamento das faturas de cartão de crédito relacionadas em nome de Carlos André Silva Tamez e Adriana Simm Tamez motivada pelo fato de serem despesas de autoria desta pessoa jurídica, apenas tendo com forma de pagamento o cartão de crédito daquelas pessoas físicas, por facilidade de processamento através de comprador e benefícios de programas de vantagens do cartão, sendo as despesas devidamente reembolsadas mediante o pagamento parcial ou integral das faturas, uma vez que contém despesas da pessoa jurídica, tais e quais passagens aéreas, anúncios em meios de comunicação e compra de material de escritório, limpeza, elétrico e de manutenção em geral, como se comprova na descrição das despesas nas faturas do cartão de crédito." Com base nesses levantamentos, a autoridade fiscal concluiu que os pagamentos foram rendimentos indiretos pagos ao contribuinte, não declarados, e, portanto, foi efetuado o lançamento de omissão de rendimentos recebidos das pessoas jurídicas. Em sua impugnação, o contribuinte alega que o único fundamento que sustenta o lançamento de omissão é o fato de Adriana Simm Tamez, seu cônjuge, participar do quadro societário das pessoas jurídicas que promoveram os pagamentos e transferências. Aduz, ainda, essa situação por si só não possuiria o condão de provar que os valores são rendimentos tributáveis, já que teria sido demonstrado durante a ação fiscal que boa parte dos recebimentos em espécie ou pagamentos de contas (faturas do cartão de crédito) foram realizados em razão de distribuição de lucros ou ressarcimento de despesas corporativas que foram assumidas em nome dos sócios. Além do pagamento das faturas de cartão de crédito, as pessoas jurídicas efetuaram o pagamento de outras despesas do contribuinte como mensalidades de escolas de dependentes, financiamentos de veículos e de imóveis, e de TV por assinatura, conforme relatado no TVF (fls. 4558): No curso dos anos calendário de 2007, 2008 e 2009 o sujeito passivo foi beneficiário de pagamentos de despesas com diversos cartões de créditos de sua titularidade, taxas condominiais, despesas com instrução de dependentes, financiamento de bens móveis e imóveis, pagamento de Darf referente quotas do IRPF Fl. 5015DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.016 10 apurado na DAA do Ano Calendário de 2006, DARF de Custas Justiça Federal e, ainda, de recursos em dinheiro mediante cheques, transferências, DOCs, TED's, realizados pelas pessoas jurídicas: Grupo Aprovação Franqueadora Ltda CNPJ N° 08.583.974/000157, Aprovasat Cursos Teletransmitidos Ltda CNPJ N° 09.405. 381/000163 e TS Cursos Preparatórios Ltda CNPJ N° 03.841.751/000129, nas quais passou a exercer a função de Administrador não sócio conforme contratos sociais e demais alterações societárias e, também, da Associação Educacional Aprovação CNPJ N° 07.515.744/000198, da qual foi sócio fundador, de acordo com Estatuto Social e Ata de Reformulação do Estatuto (fls. 39 a 208 e 4338 a 4341). Essa prática demonstra uma clara afronta ao Princípio da Entidade, segundo o qual o patrimônio de uma empresa jamais pode confundirse com aqueles dos seus sócios ou proprietários. A alegação do impugnante de que os gastos efetuados por meio de seus cartões de crédito eram despesas da sociedade requer comprovação individual de cada despesa com a apresentação de documentos específicos relacionando o dispêndio e a atividade das empresas. Para cada gasto deve ser apresentada a correspondente nota fiscal acompanhada de comprovante de que a despesa teve como real beneficiária a pessoa jurídica. Há necessidade de se estabelecer uma relação biunívoca entre o gasto e a atividade da empresa por meio de documentos coincidentes em data e valor. Não se pode admitir a alegação genérica de que as despesas seriam incompatíveis com a pessoa física. É de se reconhecer que não são provas de fácil produção. No entanto, são absolutamente necessárias. Acrescentese que o impugnante, embora sócio e/ou administrador das pessoas jurídicas, não juntou aos autos nenhum dos Livros Contábeis obrigatórios para o Fisco Federal (Livro Diário e Livro Razão), nem o Livro Caixa, que substitui a escrituração completa para os que apuram o IRPJ e a CSLL pelo lucro presumido. Não produzida essa prova da forma como descrita, é de se manter o entendimento de que as despesas efetuadas por meio dos seus cartões de crédito pertencem ao próprio contribuinte e, portanto, os pagamentos das faturas efetuadas pelas pessoas jurídicas representam transferência de renda configurando fato gerador do imposto na forma do art. 43 e incisos, da Lei 5.172 de 1966, Código Tributário Nacional (CTN): Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 5016DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.017 11 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Não se trata de presunção de omissão de rendimentos, como o impugnante defende. O pagamento de despesas de cartão de crédito de sua titularidade tratase de prova direta de aquisição de disponibilidade econômica. Ademais, é de se destacar que, contrariamente ao defendido na impugnação, encontramse nas faturas dos cartões de crédito despesas pessoais que jamais poderiam ser confundidas com aquelas relacionadas às atividades das pessoas jurídicas, como gastos no exterior com roupas infantis, masculinas, compras no Duty Free, hotel etc. (fls. 880/881). Ou, ainda, gastos com academias (fls. 886), salão de beleza (fls. 895), perfumaria (fls. 905), clínica estética (fls. 925) e outros. (...) Ainda no que tange às despesas pagas pelas empresas em seu favor, alega o impugnante que “boa parte dos recebimentos em espécie ou pagamentos de contas (faturas do cartão de crédito) foram realizados em razão de distribuição de lucros”. Sustenta que as transferências patrimoniais entre pessoas jurídicas e seus sócios podem ocorrer por inúmeros motivos, citando a distribuição de lucros, redução de capital social ou restituição de mútuos. Conclui afirmando que caberia ao Fisco produzir provas de que tais pagamentos não seriam decorrentes desses lançamentos contábeis. Como já examinado, a prova da omissão de rendimentos no presente lançamento foi direta e não baseada em presunções. O pagamento efetuado pelas empresas beneficiando o contribuinte administrador e/ou sócio é prova direta da transferência de renda. Por sua vez, a comprovação do que alega é ônus exclusivo do impugnante. O fato de as empresas terem sido fiscalizadas e, como resultado, terem sido lavrados autos de infração com lançamento de lucro arbitrado não resulta em distribuição de lucros isenta do imposto de renda, como defende o impugnante. Essa isenção somente é aplicável quando o lucro for apurado pelo contribuinte com base em demonstrações contábeis, conforme art. 10, da Lei 9.249/1995: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior.(grifouse) A isenção decorre apenas de lucros apurados com base em resultados contábeis e não de lucros arbitrados em conseqüência de fiscalização da pessoa jurídica. O arbitramento de lucros na Fl. 5017DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.018 12 pessoa jurídica não tem como conseqüência justificar rendimentos não escriturados pagos a sócios como isentos. De forma mais clara dispôs o art. 48, §8º, da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, ao afirmar que a distribuição de rendimentos a título de lucros que não tenham sido apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto de renda. Art. 48 (...) (...) § 8o Ressalvado o disposto no inciso I do § 2o, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4o. O Código Tributário Nacional, em seu art. 111, II, estabelece que a interpretação da legislação que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; (...) A interpretação literal do art. 111 deve de ser entendida, conforme Hugo de Brito Machado (Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 2002), no sentido de que as normas reguladoras das matérias ali mencionadas não comportam interpretação ampliativa nem integração por eqüidade. Sendo possível mais de uma interpretação, razoáveis e ajustadas aos elementos sistemático e teleológico, deve prevalecer aquela que mais se aproximar do elemento literal. Para Ricardo Lobo Torres (Normas de Interpretação e Integração do Direito Tributário. Rio de Janeiro: Renovar, 2006. Curso de Direito Financeiro e Tributário. Rio de Janeiro: Renovar, 2007) a interpretação literal é um limite para atividade do intérprete, ou seja, tendo por início o texto do direito positivo o intérprete encontra o seu limite no “sentido possível” daquela expressão lingüísitica. Ir além do sentido possível das “palavras da lei” é adentrar o intérprete no campo da “integração e da complementação do direito”. É de se destacar, ainda, que o contribuinte apenas participa do quadro societário da Associação Educacional Aprovação Ltda com sua inclusão em julho de 2009. Logo, deve ser mantida a omissão de rendimentos apurada com base nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas beneficiando o contribuinte, configurando, como bem Fl. 5018DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.019 13 acertadamente indicou o Auditor Fiscal autuante, rendimento indireto. (...) Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Verificase dos autos que a autoridade lançadora constatou, por meio do levantamento de entradas e saídas de recursos — fluxo financeiro ("fluxo de caixa"), que o contribuinte consumia/aplicava mais do que possuía de recursos com origem justificada. A legislação tributária expressamente define o acréscimo patrimonial a descoberto como fato gerador do imposto de renda, conforme art. 43, II, do Código Tributário Nacional. Art.43 O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica (grifouse): I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.(grifouse) A Lei 7.713/88, em seu art. 3º, §1°, dispõe que o imposto de renda incide sobre o rendimento bruto (art. 3º caput) constituído, também, pelos acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Lei 7.713 de 1988: Art.3° O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos artigos 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...). O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, estabelece no art. 55, XIII, que as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial não justificado são tributáveis. Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) Fl. 5019DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.020 14 XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Os artigos 806 e 807 do mesmo diploma normativo prevê, ainda, que a autoridade fiscal pode exigir do contribuinte os esclarecimentos necessários acerca da origem dos recursos, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento do patrimônio. Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. O acréscimo patrimonial não justificado encontrase, portanto, no campo de incidência do imposto de renda. Como todos os outros fatos geradores, cabe à autoridade fiscal comprovar a sua ocorrência para fins do lançamento de ofício, já que é seu o ônus da comprovação dos fatos constitutivos (artigo 149, inciso IV, do Código Tributário Nacional). Essa prova deve ser produzida de forma direta mediante a utilização de fluxos de caixa planilhas em que são inseridas todas as origens de recursos comprovadas no decorrer da ação fiscal e todos os gastos e disponibilidades no mesmo período. Surgidas inconformidades entre as origens e as aplicações apuradas, encontrase configurado o acréscimo não justificado que, conforme expressa disposição legal, é fato gerador do imposto de renda. Tratase de previsão bastante lógica, posto que ninguém realiza gastos sem que possua recursos disponíveis. Por sua vez, em sua defesa, cabe ao contribuinte demonstrar que os acréscimos patrimoniais levantados são suportados por rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Esta comprovação é a única forma de elidir a tributação em tela. É de se ver que o ônus dessa prova recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando a simples apresentação de justificativas genéricas trazidas na peça impugnatória. É necessário que as justificativas sejam amparadas por provas hábeis, idôneas e robustas. Fl. 5020DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.021 15 No presente caso, as planilhas e demonstrativos que fundamentaram o lançamento encontramse às folhas 4431/4493. As planilhas de fls. 4431/4437 relacionam os recursos e origens do anocalendário 2007; as de fls. 4438/4450, os dispêndios; e o demonstrativo de evolução patrimonial encontrase às fls. 4451. É de se notar que foram considerados no levantamento apenas os recursos e dispêndios dos meses de janeiro a março, embora tenham sido descritos nas planilhas origens e dispêndios ocorridos nos outros meses do anocalendário. As planilhas de fls. 4452/4456 relacionam os recursos e origens do anocalendário 2008; as de fls. 4457/4471, os dispêndios; e o demonstrativo de evolução patrimonial encontrase às fls. 4472. Da mesma forma, foram considerados no levantamento apenas os recursos e dispêndios do mês de janeiro, embora tenham sido descritos nas planilhas origens e dispêndios ocorridos nos outros meses do anocalendário. As planilhas de fls. 4473/4476 relacionam os recursos e origens do anocalendário 2009; as de fls. 4477/4492, os dispêndios; e o demonstrativo de evolução patrimonial encontrase às fls. 4493. Novamente, foram considerados no levantamento apenas os recursos e dispêndios do mês de janeiro e fevereiro, embora tenham sido descritos nas planilhas origens e dispêndios ocorridos nos outros meses do anocalendário. Nas planilhas e demonstrativos de evolução patrimonial (fls.2115/2158 e fls. 2234/2291) enviados ao contribuinte por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 04 (fls. 2110/2114) e nº 05 (fls. 2232/2233) não houve essa limitação e as informações correspondentes aos outros meses foram preenchidas. A ausência de tais informações não comprometeu a legalidade do lançamento e nem tampouco acarretou prejuízo ao contribuinte. Na verdade, a conseqüência foi a redução do período fiscalizado de doze meses para apenas alguns meses de cada anocalendário. Como já tratado, o art. 55, XIII, estabelece que o acréscimo patrimonial deve ser levantado mensalmente. Assim, nada impede que os demonstrativos de evolução ou os fluxos de caixa reportemse a apenas alguns meses do anocalendário. Destaquese que, embora não tenham sido inseridos os dados de todos os meses nos demonstrativos definitivos, os fluxos de caixa intermediários enviados ao contribuinte no decorrer da fiscalização (Termo de Fiscalização nº 04 e 05) sugerem a existência de acréscimos não justificados em vários outros meses dos anos fiscalizados. Logo, os demonstrativos completos com todos os meses do ano preenchidos, ao invés de beneficiarem o contribuinte, agravariam a sua situação. A alegação do impugnante de que a exclusão dessas informações teriam lhe cerceado o direito de defesa carece de fundamento, já Fl. 5021DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.022 16 que nos meses em que os dados não foram incluídos nas planilhas não foi apurado acréscimo patrimonial a descoberto. Não merece guarida tampouco a alegação de que os demonstrativos de evolução patrimonial, por não permitirem o transporte de saldos positivos para o ano seguinte, conduziriam a uma distorção no resultado. O não aproveitamento dos saldos positivos obtidos em dezembro como aplicação em janeiro no ano seguinte é em razão de ser obrigação do contribuinte comprovar a situação de seu patrimônio no primeiro dia do anocalendário. Tratase de informação obrigatória na declaração de ajuste. No que tange ao desconto simplificado e sua utilização como dispêndio nos demonstrativos, o art. 84, §2º do RIR/99 expressamente veda que o valor deduzido sob esta rubrica possa ser utilizado para a comprovação de acréscimo patrimonial. O desconto simplificado deve ser considerado como rendimento consumido. Art. 84. Independentemente do montante dos rendimentos tributáveis na declaração, recebidos no anocalendário, o contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que consistirá em dedução de vinte por cento desses rendimentos, limitada a oito mil reais, na Declaração de Ajuste Anual, dispensada a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, e Medida Provisória nº1.75316, de 11 de março de 1999, art. 12). § 1º O desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas nos arts. 74 a 82 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, § 1º). § 2º O valor deduzido na forma deste artigo não poderá ser utilizado para a comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, § 2º). (...) O impugnante protesta pela retirada do demonstrativo do valor correspondente à aquisição do veículo Citroen Xsara Picasso já que teria sido adquirido por Adriana Tamez, diretamente da concessionária no ano de 2004, tendo sido financiado valor parcial junto ao Safra Leasing S.A. Arrendamento Mercantil. Conclui que não teria ocorrido o dispêndio em 2007, já que essa data é da transferência de propriedade. Consta na planilha “Fluxo Financeiro – Aplicações e Dispêndios de 2007” (fls. 4444) a aquisição de Safra Leasing S/A do veículo citado por R$ 56.524,71 em março de 2007. Os dados foram retirados do Certificado de Registro de Veículo (CRV) de fls. 246/247. No campo observações do Certificado de Registro de Veículos foi consignado o arrendamento a TS Cursos Preparatórios Ltda Fl. 5022DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.023 17 e não a Adriana Tamez como alegado. Na Declaração de Concordância de fls. 251, Adriana Tamez declara ao Detran que autoriza, como sócia administradora de TS Cursos Preparatórios Ltda, a transferência do veículo para seu nome. Com base nesses documentos, é de se concluir que o arrendatário do veículo não era a Adriana Tamez, mas sim a TS Cursos Preparatórios Ltda, e que a aquisição e a transferência de fato ocorreu em março de 2007, na forma como considerado no demonstrativo de evolução patrimonial. É de se notar, ainda, que Adriana Tamez não informou em suas declarações de ajuste o financiamento decorrente da compra desse veículo. Foi considerado na planilha de recursos do anocalendário 2007 o valor mensal de R$ 1.000,00 recebido de TS Cursos Preparatórios Ltda. Esse dado foi extraído da declaração de ajuste de Adriana Tamez que informou ter recebido, nesse ano, dessa fonte pagadora, a importância total de R$ 12.000,00. Em sua impugnação, o contribuinte alega que o valor total de R$ 12.000,00 deveria ter sido integralmente considerado no mês de janeiro e não em parcelas mensais. Sustenta que a prova de que recebeu toda essa importância em janeiro seria o depósito efetuado nesse mês na conta da Adriana Tamez de R$ 11.672,50. Com base na informação prestada pelo próprio contribuinte de recebimento anual de R$ 12.000,00 dessa fonte pagadora e na ausência de provas especificando como esses pagamentos foram realizados, a autoridade fiscal considerou que os recebimentos ocorreram mensalmente no valor de R$ 1.000,00. A alegação do contribuinte de que o rendimento teria sido recebido integralmente em janeiro é desprovida de prova. A mera menção de depósito de valor diferente do declarado não é suficiente para essa comprovação. O impugnante alega que os rendimentos recebidos da Elsevier Editora Ltda no anocalendário 2008 não foram incluídos no demonstrativo de evolução patrimonial e que devem ser considerados integralmente em janeiro. Esses rendimentos foram recebidos pelo contribuinte conforme DIRF de fls. 4817 apresentada pela fonte pagadora. Segundo essas informações, o contribuinte não recebeu rendimentos no mês de janeiro, mas apenas em fevereiro, maio, agosto, novembro. Assim, como o demonstrativo de evolução só analisou o mês de janeiro, essa origem não foi incluída. Correto, portanto, o lançamento. O contribuinte alega que não foram considerados como origem empréstimos contraídos em outubro de 2007, janeiro e abril de 2008 no valor individual de R$ 50.000,00. Foram apresentados com a impugnação três contratos de mútuo de fls. 4640, 4643 e 4645 firmados entre Mauro Lasmar Pacheco Fl. 5023DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.024 18 (mutuante) e o contribuinte ou seu cônjuge (mutuário), consignando o empréstimo de R$ 50.000,00 em cada um deles. Segundo o impugnante, ratificariam os empréstimos os extratos de fls. 4641, 4644, 4646. A comprovação de empréstimo exige provas específicas, não bastando a apenas a juntada de contratos particulares. Para essa comprovação é imprescindível que: (1) seja apresentado o contrato de mútuo assinado pelas partes; (2) o empréstimo tenha sido informado tempestivamente na declaração de ajuste; (3) o mutuante tenha disponibilidade financeira (4) evidência da transferência do numerário entre credor e devedor (na tomada do empréstimo), com indicação de valor e data coincidentes como previsto no contrato firmado; e (5) o pagamento do mutuário para mutuante no vencimento do contrato. Farta jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pacificam esse entendimento: EMPRÉSTIMO — COMPROVAÇÃO — Cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos obtidos por empréstimo. Inaceitável a prova de empréstimo, feita somente com o instrumento particular de contrato, sem qualquer outro subsídio, como estar o mútuo consignado nas declarações de rendimentos apresentadas tempestivamente pelos contribuintes devedor e credor, bem como a prova da transferência de numerários (recebimento e pagamento), coincidentes em datas e valores, principalmente quando as provas dos autos são suficientes para confirmar a omissão." (Ac. I° CC 10417.092) (grifouse) MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A alegação de que foram recebidos recursos em empréstimo obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes do efetivo ingresso do numerário no patrimônio do contribuinte, além da informação da dívida nas declarações de rendimentos do mutuário e do mutuante e da demonstração de que este último possuía recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo. (Ac 106 12836 de 23/08/2002) Além de o contrato de mútuo tratarse de documento insuficiente para comprovar por si só o empréstimo, é possível, ainda, identificar nos contratos apresentados cláusulas que não correspondem ao que costumeiramente são encontrados em outros contratos similares de numerário dessa monta (R$ 50.000,00, em 2007). Primeiro elemento a se observar é a ausência de data do vencimento do contrato. O segundo é o claro erro de exigir do mutuante garantia por meio de Nota Promissória. Os três contratos possuem basicamente a mesma redação. Chama atenção, ainda, a ausência de qualquer formalidade que poderia lhes conferir maior credibilidade junto a terceiros, como, por exemplo, um mero reconhecimento de firma, apesar da importância envolvida. Fl. 5024DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.025 19 Assim, a primeira das exigências relacionadas acima que é a apresentação de contrato de mútuo não pode ser considerada integralmente cumprida. As outras exigências também não foram observadas: (1) os empréstimos não foram informados na declaração de ajuste tempestivamente; (2) a prova da transferência de numerário (apenas um dos créditos encontrase identificado no extrato), e, por fim, (3) o pagamento do empréstimo pelo mutuário no vencimento do contrato. Pelos mesmo motivos não podem ser aceitas as alegações de empréstimos cedidos à TS Cursos Preparatórios Ltda com o objetivo de comprovar pagamentos ao contribuinte nos anos 2007 e 2008. Ademais, a informação do impugnante de que esses empréstimos teriam sido informados nas declarações de ajuste do contribuinte não é correta conforme cópia da DIRPF de fls. 2422/2440. Alega, ainda, o impugnante que o lançamento deveria ser declarado nulo em razão da utilização de provas emprestadas de outros processos. Afirma que os extratos bancários das sociedades empresariais TS CURSOS PREPARATÓRIOS LTDA, APROVASAT CURSOS TELETRANSMITIDOS LTDA., GRUPO APROVAÇÃO FRANQUEADORA LTDA. e ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL APROVAÇÃO foram apresentados por essas empresas em procedimento de fiscalização próprio, cujo objetivo era investigar suas obrigações tributarias. Conclui que, se essas empresas abriram mão do seu sigilo bancário, o fizeram confiando que essas informações, extremamente sigilosas, fossem assim mantidas e que não fossem divulgadas para qualquer outra fiscalização em curso. O impugnante afirma que foram utilizadas provas de outros processos, mas não identifica especificamente que provas seriam essas, apenas defende que “apesar de não ter sido mencionado no Termo de Verificação Fiscal, a única fonte que possa ter fundamentado de provas para demonstrar que os “recursos em dinheiro mediante cheques, transferências, DOC, TED” foram os extratos bancários das pessoas jurídicas listadas acima”. Os extratos mencionados pelo contribuinte não foram apresentados espontaneamente pelas empresas citadas, mas resultado de Requisições de Movimentação Financeira direcionadas às instituições bancárias, conforme fls. 3038/3039, 3075/3076, 3111/3112, 3124/3127, 3143/3144, 3768, 3670/3675, 4172, 4228/4236. Como os contribuintes Adriana Tamez e Carlos Tamez são sócios e/ou administradores de todas essas pessoas jurídicas não há que se falar em violação ao sigilo bancários dessas empresas. Não se trata igualmente de prova emprestada, já que a ação fiscal em face das pessoas físicas ocorreu de forma conjunta com as pessoas jurídicas. Não haveria sentido emitir duas requisições de movimentação financeira às instituições financeiras uma para a ação fiscal das empresas e outra para a das pessoas físicas Fl. 5025DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.026 20 solicitando os mesmos extratos. Além de que seria ato de extrema ofensa ao princípio da economia processual. O acréscimo patrimonial deve, portanto, ser alterado, apenas para a exclusão dos saldos da conta de poupança, como já tratado, conforme segue: Multa Isolada. Por fim, o impugnante contesta a multa isolada prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, sustentando que a infração em tela teria sido suprimida quando informou, na declaração de ajuste anual, o recebimento da integralidade daqueles valores e pagou os tributos que seriam devidos. A multa isolada é devida nos casos em que o contribuinte obrigado deixa de efetuar o recolhimento do imposto devido mensalmente por meio de carnêleão. A apresentação da declaração de ajuste acompanhada do recolhimento do imposto anual apurado não exime o contribuinte da penalidade específica prevista no citado artigo 44, II, da Lei 9.430 de 1996, já que são obrigações distintas. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – (omissis); II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Correta, portanto, a multa isolada aplicada por falta de recolhimento do carnêleão. Em relação às outras infrações apontadas no auto de infração, contra elas o impugnante não se insurge. Assim, como não há contestação, o crédito decorrente encontrase definitivamente constituído cabendo à Unidade de origem apartar os autos para Fl. 5026DF CARF MF Processo nº 10980.726002/201151 Acórdão n.º 2402007.353 S2C4T2 Fl. 5.027 21 cobrança da parte não impugnada, conforme disposto no art. 21, §1°, do Decreto 70.235/72. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 5027DF CARF MF
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