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Numero do processo: 10314.001654/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 06/05/2004 a 29/12/2004
PIS E COFINS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DE ICMS PARA PRODUTOS DA CESTA BÁSICA.
O Plenário do Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS e Cofins em operações de importação, no Recurso Extraordinário 559.937, julgado pela sistemática de repercussão geral, art. 543-A, do CPC.
Aplicação do art. 62- A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 3201-001.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:. Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes De Almeida Moraes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 06/05/2004 a 29/12/2004 PIS E COFINS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DE ICMS PARA PRODUTOS DA CESTA BÁSICA. O Plenário do Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS e Cofins em operações de importação, no Recurso Extraordinário 559.937, julgado pela sistemática de repercussão geral, art. 543-A, do CPC. Aplicação do art. 62- A do Regimento Interno do CARF.
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COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DE ICMS PARA PRODUTOS DA CESTA BÁSICA. O Plenário do Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS e Cofins em operações de importação, no Recurso Extraordinário 559.937, julgado pela sistemática de repercussão geral, art. 543A, do CPC. Aplicação do art. 62 A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 16 54 /2 00 7- 55 Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 22/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA CL ARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:. Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes De Almeida Moraes. Relatório A ora Recorrida sofreu autuação no valor de R$ 1.032.754,28, sob o fundamento de violação aos artigos 1o , 3o, inc. I, 4o, inc. I, 5o , inc. I, 7o , inc. I e 8o , inc. II, 13, inc. I 19 e 20 da Lei 10.865 de 30 de abril de 2004, para a exigência das diferenças de PIS Importação e CofinsImportação, juros de mora e multas de oficio. A Recorrida é empresa comercial cujo objeto é a importação e distribuição de pescados, importados da Argentina, Chile, dentre outros. Em procedimento de revisão aduaneira, verificou a fiscalização que a Recorrida vinha declarando alíquota de 7% para o ICMS, utilizandose da redução de base de cálculo conferida pelo inciso VIII do artigo 30 do Regulamento do ICMS/SP (RICMS/2000), ao passo que, segundo o entendimento adotado, a referida alíquota restringirseia a operações internas, sendo a alíquota correta a ser utilizada nas operações de importação a de 18%. Considerandose que o ICMS compõe a base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, cobrouse a diferença dessas contribuições, apurada em face de tal incorreção, e os acréscimos legais devidos. O Acórdão 1739.288 , da 2a Turma da DRJ/SP2, julgou procedente a impugnação tempestivamente apresentada, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 06/05/2004 a 29/12/2004 PISIMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.ICMS. REDUÇÃO DA CESTA BÁSICA. OPERAÇÃO INTERNA.APLICABILIDADE. A redução da alíquota do ICMS para produtos da cesta básica, aplicase no caso de mercadorias importadas, alterando a base de cálculo do PISImportação e do COFINSImportação. Para fins de aplicação da redução de alíquota do ICMS, considerase operação interna a importação cujo destinatário final esteja situado em território paulista. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado De acordo com a decisão exarada, operação de importação na qual o destinatário final está situado em território paulista é considerada como operação interna, aplicandose assim a redução de alíquota do ICMS, remetendose Solução de Consulta n° 838/2000 de 17/11/2000, emitido pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, que corroboraria o entendimento. Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 22/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA CL ARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10314.001654/200755 Acórdão n.º 3201001.295 S3C2T1 Fl. 94 3 É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Conforme relatado, o cerne da autuação foi a alíquota do ICMS, do Estado de São Paulo, incidente na importação das mercadorias em questão, que repercute na composição da base de cálculo do PIS e da COFINS. A Recorrida utilizouse da alíquota de 7%, enquanto a fiscalização entendeu ser de 18% a alíquota. A legislação do Estado de São Paulo atribuía tratamento diferenciado aos pescados, considerados produtos de cesta básica, art. 3O, VIII do Anexo II do RICMS vigente à época: Artigo 3 (CESTA BÁSICA) Fica reduzida a base de cálculo do imposto incidente nas operações internas com os produtos a seguir indicados, de forma que a carga tributária resulte no percentual de 7% (sete por cento) (Convênio ICMS128/94, cláusula primeira): [...] X pescados, exceto crustáceos e moluscos, em estado natural, resfriados, congelados, salgados, secos, eviscerados, filetados, postejados ou defumados para conservação, desde que não enlatados ou cozidos; (g.n.) Ademais, os pescados são sujeitos a diferimento, conforme se depreende do artigo 391 do Regulamento, ora transcrito: Artigo 391 O lançamento do imposto incidente nas operações com pescados, exceto os crustáceos e os moluscos, em estado natural, resfriados, congelados, salgados, secos, eviscerados, filetados, postejados ou defumados para conservação, desde que não enlatados ou cozidos, fica diferido para o momento em que ocorrer (Lei 6.374/89, art. 8 0, XVII, redação da Lei 9.176/95, art. 1 0, I): I sua saída para outro Estado; II sua saída para o exterior; III sua saída do estabelecimento varejista; IV a saída dos produtos resultantes de sua industrialização. Portanto, nos moldes da decisão da decisão administrativa de primeira instância, que encontra respaldo em entendimento da própria Secretaria da Fazenda de São Paulo, para efeitos de ICMS o termo "operações" abrange tanto saídas quanto entradas, incluindo aquelas decorrentes de importação, recebendo o predicado de "internas" aquelas em que o fato gerador do imposto ocorre nos limites deste Estado e o destinatário da mercadoria se localiza em território paulista. Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 22/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA CL ARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Nas operações de importação, o local para efeito de cobrança do ICMS e definição do sujeito passivo é "o da situação do estabelecimento onde ocorra a entrada física da mercadoria ou bem importados do exterior e desembaraçados", conforme a alínea "f" do inciso I do artigo 23 da Lei 6.374/89,ainda que se trate de operação iniciada no exterior. Acresçase que o Judiciário possui posição consolidada no sentido de que ao ICMS, aplicamse as normas dos tratados internacionais ratificados pelo Brasil, especialmente o Princípio da Não Discriminação, celebrado no âmbito do GATT, que estabelece que a mercadoria importada deve receber o mesmo tratamento que o similar nacional, conforme determinam as súmulas 20 e 71 do Superior Tribunal de Justiça: STJ Súmula nº 20 A mercadoria importada de país signatário do GATT é isenta do ICM, quando contemplado com esse favor o similar nacional. STJ Súmula nº 71 bacalhau importado de país signatário do GATT é isento do ICM. Mutatis mutandis, o entendimento veiculado nas referidas súmulas aplicam se integralmente ao caso vertente. Finalmente, e mais importante, o Supremo Tribunal Federal julgou, pela sistemática da repercussão geral, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINS incidentes sobre a importação, no Recurso Extraordinário 559.937, o que retirou do campo de apreciação do contencioso administrativo, a matéria em foco, por força do art. 62 A do Regimento Interno do CARF. Assim sendo, nego provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 22/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA CL ARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.684363/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007
INTIMAÇÃO POR EDITAL. COMPROVADA A IMPOSSIBILIDADE DA INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. CABIMENTO.
É válida a intimação por edital, uma vez comprovado nos autos, com documentação adequada, que a intimação por via postal resultou improfícua.
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EXTEMPORÂNEA. NÃO DEMONSTRADA A IRREGULARIDADE NA INTIMAÇÃO POR EDITAL. MANTIDA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE CONHECEU E REJEITOU A PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. CONHECIMENTO DO MÉRITO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento das questões de mérito suscitada na fase recursal quando comprovada a regularidade da intimação editalícia e, em consequência, mantida a decisão de primeira instância que rejeitou a preliminar de tempestiva da manifestação inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, tomar conhecimento parcial do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 INTIMAÇÃO POR EDITAL. COMPROVADA A IMPOSSIBILIDADE DA INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. CABIMENTO. É válida a intimação por edital, uma vez comprovado nos autos, com documentação adequada, que a intimação por via postal resultou improfícua. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EXTEMPORÂNEA. NÃO DEMONSTRADA A IRREGULARIDADE NA INTIMAÇÃO POR EDITAL. MANTIDA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE CONHECEU E REJEITOU A PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. CONHECIMENTO DO MÉRITO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento das questões de mérito suscitada na fase recursal quando comprovada a regularidade da intimação editalícia e, em consequência, mantida a decisão de primeira instância que rejeitou a preliminar de tempestiva da manifestação inconformidade. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 INTIMAÇÃO POR EDITAL. COMPROVADA A IMPOSSIBILIDADE DA INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. CABIMENTO. É válida a intimação por edital, uma vez comprovado nos autos, com documentação adequada, que a intimação por via postal resultou improfícua. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EXTEMPORÂNEA. NÃO DEMONSTRADA A IRREGULARIDADE NA INTIMAÇÃO POR EDITAL. MANTIDA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE CONHECEU E REJEITOU A PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. CONHECIMENTO DO MÉRITO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento das questões de mérito suscitada na fase recursal quando comprovada a regularidade da intimação editalícia e, em consequência, mantida a decisão de primeira instância que rejeitou a preliminar de tempestiva da manifestação inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, tomar conhecimento parcial do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 43 63 /2 00 9- 26 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp), transmitida em 22/1/2009, em que informada a compensação de parte do crédito do pagamento indevido da Cofins do mês de novembro de 2007, com débito da mesma Contribuição do mês de maio de 2003. Por meio do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 5/7, o titular da Unidade da Receita Federal da jurisdição da declarante não homologou a compensação declarada, sob fundamento de que o crédito utilizado não existia, pois, embora localizado na base de dados da Administração tributária, o valor do pagamento indevido informado fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não remanescendo crédito disponível. Em 17/12/2009, a interessada foi cientificada do referido Despacho Decisório, por edital (fls. 43/44), após ter resultado improfícua a intimação pela via postal. Em 8/6/2010, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 8/23. Em preliminar alegou que: a) exercia suas atividades no endereço indicado no CNPJ, logo, não havia razão para o suposto não recebimento do Despacho Decisório por via postal; b) era indubitável o direito de recebimento e julgamento da sua defesa; c) o Despacho Decisório estava eivado de nulidade, por ausência de motivação e cerceamento do direito de defesa. No mérito, alegou que era legítimo o crédito postulado, com base no argumento de que utilizara base cálculo ampliada, ou seja, as receitas de vendas e demais receitas. Por meio do Acórdão de fls. 49/54, a 2ª Turma de Julgamento da DRJ São Paulo I, por unanimidade de votos, não conheceu da intempestiva Manifestação de Inconformidade, sob o argumento de que era válida a intimação por edital, quando as formas normais de intimação resultassem improfícuas. Inviabilizada a intimação pela via postal (fls. 56/57), em 14/4/2011, por edital (fl. 58), a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 19/4/2011, protocolou o recurso voluntário de fls. 60/73, em que reafirmou os argumentos aduzidos na fase de manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que a informação da mudança de endereço não era verídica e que não houve qualquer providência, por parte da Administração Tributária, no sentido de averiguar qual seria o endereço correto da recorrente. Em 16/6/2011 (fl.. 78), a interessada foi intimada do Despacho Decisório de fls. 74/76, em que a autoridade preparadora negou seguimento ao recurso, sob o fundamento de que a decisão de primeiro grau era definitiva, pois, em face do não conhecimento da intempestiva manifestação de inconformidade, não fora instaurada a fase litigiosa do processo. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10880.684363/200926 Acórdão n.º 3102001.818 S3C1T2 Fl. 21 3 Inconformada, a interessada ajuizou na 14ª Vara Federal Cívil da Capital de São Paulo, o Mandado de Segurança nº 002237438.2010.4.03.6100, no qual foi deferida parcialmente a medida liminar requerida (fls. 83/86), para determinar que o presente recurso voluntário fosse remetido a este Conselho, o que foi providenciado pelo despacho de de fl. 93. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, porém, deve ser conhecido parcialmente, pelas razões a seguir expostas. A decisão de primeira instância limitouse à questão preliminar atinente a regularidade da intimação por edital, por conseguinte, também nesta fase recursal, esta será a única matéria a ser conhecida, pois, em face da intempestividade da Manifestação de Inconformidade, o litígio foi instaurado, apenas em relação a esse ponto. No âmbito do processo administrativo fiscal, as formas normais de intimação são aquelas realizadas pessoalmente, por via postal ou eletrônica, enquanto a intimação por edital é considerada forma excepcional de intimação, consequentemente, somente pode ser utilizada quando resultar improfícuo um dos meios comuns de intimação. Ratifica o asseverado, o disposto no § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), a seguir transcrito: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...). (grifos não originais) Há provas nos autos (fls. 34 e 45/47) que confirmam o insucesso da intimação da interessada por via postal, no endereço por ela informado à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), portanto, a intimação por edital em questão foi realizada em consonância com o disposto no referido preceito legal. A recorrente alegou que a informação sobre a mudança de endereço, prestada pelos funcionários dos correios e registrada nos Avisos de Recebimento (AR) colacionados aos autos, não era verídica e configurava uma mera presunção, haja vista que não confirmada por servidor da RFB. No caso, os dois ARs foram devolvidos por motivo de mudança de endereço, com a informação de que o imóvel estava “desabitado” (o primeiro) e havia se mudado para “Itaquaquecetuba”(o segundo). Ademais, o AR de fl. 94 enviado para o novo endereço foi recepcionado, o que ratifica as informações prestadas pelos funcionários da ECT. Logo, não se trata de presunção, mas de questão de fato, cuja informação, para ser infirmada, necessitava de prova em contrário, o que não foi feito pela recorrente. Portanto, insubsistente essa alegação. Também não tem fundamento a alegação de que não houve qualquer providência, por parte da Administração Tributária, no sentido de averiguar o seu endereço, porque, nos termos do art. 221 da Instrução Normativa RFB nº 1.183 de 19 de agosto de 2011, era da interessada a obrigação de manter atualizado o seu endereço perante o CNPJ, o que não foi providenciado. Logo, se houve omissão da sua parte, deve arcar com o ônus dela decorrente. Dessa forma, demonstrado que a questionada intimação editalícia foi realizada de forma regular e que a citada manifestação de inconformidade foi apresentada fora do prazo de trinta dias, fixado no art. 15 do PAF, mantémse a decisão recorrida que rejeitou a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pela recorrente. Com base no exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE o recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) 1 Art. 22. A entidade está obrigada a atualizar no CNPJ qualquer alteração referente aos seus dados cadastrais até o último dia útil do mês subsequente ao de sua ocorrência. [...]. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10880.684363/200926 Acórdão n.º 3102001.818 S3C1T2 Fl. 22 5 José Fernandes do Nascimento Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 10831.000717/2001-11
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 25/08/2000
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há nulidade quando o auto de infração é omisso quanto à base legal do procedimento de revisão aduaneira, sendo este dever da fiscalização, sendo desnecessária qualquer referência ao art. 149 do CTN.
DISTRIBUIDORES DE CONEXÃO PARA REDES WS-C 5002.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Distribuidor de conexão para redes modelo WSC5002 deve ser classificado no código NCM 8471.80.19.
ROTEADOR DIGITAL MODELO CISCO 7513. CLASSIFICAÇÃO FI SI CAL. Na
forma da Solução de Consulta protocolada pela recorrente, o roteador digital modelo CISCO 7513 com o adaptador de porta El 8 canais/120 ohm PA-MC-8E1/120 deve ser classificado no código NCM 8517.30.69.
ROTEADORES DIGITAIS AS 5800 E 5300. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Os roteadores digitais CISCO modelos AS5300 e AS5800 devem ser
classificados no código NCM 84.71.80.62.
MULTA ADMINISTRATIVA DO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. AUSÊNCIA DE LICENÇA. INOCORRÊNCIA.
A equivocada classificação da mercadoria e sua incompleta identificação sem todos os elementos necessários à correta classificação tarifária, não é razão suficiente para que a operação de importação seja considerada sem licenciamento.
MULTA DO ART. 44, INCISO I DA LEI N° 9.430/96. ATO
DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N° 10, DE 16/01/1997.
Estando corretamente descritas as mercadorias, com os elementos suficientes para sua classificação e inexistindo prova de dolo ou má-fé, descabe a aplicação de penalidades.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3201-000.247
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara/lª Turma Ordinária da
Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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Recorrida DRJ em São Paulo II/SP ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 25/08/2000 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há nulidade quando o auto de infração é omisso quanto à base legal do procedimento de revisão aduaneira, sendo este dever da fiscalização, sendo desnecessária qualquer referência ao art. 149 do CTN. DISTRIBUIDORES DE CONEXÃO PARA REDES WS-C 5002. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Distribuidor de conexão para redes modelo WS- C5002 deve ser classificado no código NCM 8471.80.19. ROTEADOR DIGITAL MODELO CISCO 7513. CLASSIFICAÇÃO FI ISCAL. Na forma da Solução de Consulta protocolada pela recorrente, o roteador digital modelo CISCO 7513 com o adaptador de porta El 8 canais/120 ohm PA-MC-8E1/120 deve ser classificado no código NCM 8517.30.69. ROTEADORES DIGITAIS AS 5800 E 5300. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os roteadores digitais CISCO modelos AS5300 e AS5800 devem ser classificados no código NCM 84.71.80.62. MULTA ADMINISTRATIVA DO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. AUSÊNCIA DE LICENÇA. INOCORRÊNCIA. A equivocada classificação da mercadoria e sua incompleta identificação sem todos os elementos necessários à correta classificação tarifária, não é razão suficiente para que a operação de importação seja considerada sem licenciamento. MULTA DO ART. 44, INCISO I DA LEI N° 9.430/96. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N° 10, DE 16/01/1997. Estando corretamente descritas as mercadorias, com os elementos suficientes para sua classificação e inexistindo prova de dolo ou má-fé, descabe a aplicação de penalidades. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 468 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2a Câmara/la. Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. 1 Ak G\A_ cieLck59------- JUDIT D AMARAL MARCONDES ARMA) O Presid nt dl fk~e0(p e vuo- AkinAwA,G0 , . MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator . Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Traj ano D'Amorim, Rosa Maria de Jesus da Silva C. de Castro, Ricardo Paulo Rosa e Luciano Lopes de Almeida Moraes. i , i • 1 2 i i Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 469 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que 'o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para cobrança da diferença do imposto de importação, tendo em vista desclassificação fiscal da mercadoria importada, da multa pela falta de recolhimento do citado imposto, prevista no artigo 44, inciso I da Lei no. 9.430/96 e da multa do controle administrativo das importações prevista no artigo 526, II, do Regulamento Aduaneiro (Decreto No. 91.030/85), conforme folhas 01 a 18. Através da Dl n° 00/0802988-6, registrada em 25/08/2000, o contribuinte importou equipamentos eletrônicos diversos, conforme descrição detalhada das Mercadorias, folhas 40 a 47. A fiscalização detectou incorreção em relação à classificação fiscal nas adições 02, 03, 04 e 05. Foi solicitada assistência técnica para a perfeita identificação da mercadoria declarada na citada DI, conforme "Pedido de Laudo No.] 0831/021/2000 EADI COLUMBIA, de 31.08.2000, sendo designado o engenheiro credenciado Paulo Francisco Guarnieri. Em 13.10.2000 foi apresentado o Laudo Técnico e respectivo adendo (lis. 186 a 249). A fiscalização solicitou novo Laudo Técnico com o mesmo número ao engenheiro credenciado Israel Gerardi, uma vez que considerou inconclusivo o primeiro Laudo apresentado. Em 03/01/2001, foi apresentado o Laudo Técnico SAT 10831/21/2000 elaborado pelo engenheiro credenciado — Israel Gerardi — bem como os respectivos documentos que o compõem, conforme anexado às fls.92/185.1 • Com base nas conclusões trazidas nos dois Laudos Técnicos, a fiscalização procedeu à reclassificação fiscal das mercadorias objeto das adições 02 a 05, conforme sintetizamos abaixo: Adição 02 Descrição da mercadoria feita pelo contribuinte: Distribuidor de conexão para redes — HUB, SWITCH LA1V, composto de diversos equipamentos. Classificação fiscal e aliquota adotadas pelo contribuinte: 8471.8014 — Distribuidor de conexões para redes — "HUB"; aliquota=4%; 3 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 470 Classificacão fiscal adotada pela fiscalização: 8471.8019 — Unidades de controle ou de adaptação e unidades de conversão de sinais — outras. Aliquota do 1.1 (fiscalização).= 30% Argumentação da fiscalização: - O engenheiro Paulo Guarnieri afirma que o equipamento "é um distribuidor de conexões para rede, porém não denominado HUB, porque agrega a função de comutação de pacotes entre as conexões que distribui, o que caracteriza um "switch" para redes locais "LAN"; - O engenheiro Israel Gerardi afirma que "tratam-se de duas unidades de distribuição de conexões de rede do tipo "switch", porém não do tipo "HUB", fazendo a explanação da diferença entre os dois tipos de equipamentos «is. 1/94 - Notícia SISCOMEX 0057 de 1 22/12/2000 (fl. 30) da Coana, relativa à NCM 8471.80.14, determina "se classificam neste código exclusivamente os produtos conhecidos como HUB.; - Concluiu, que a classificação fiscal correta, mediante a aplicação da Regra 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado, combinado com as notas 3 e 4 da Seção XVI, deve ser NCM 8471.80.19. - Considerou, ainda, que a mercadoria não está corretamente descrita, por não se tratar de um equipamento "distribuidor de conexão para redes — HUB, SWITCH LAN", ou seja, trata-se de um equipamento do tipo "SWITCH". Adição 03 Descrição da mercadoria feita pelo contribuinte: Roteador digital do tipo Crossconect de granularidade igual ou superior a 2 Mbits/s Cisco 7513, composto por diversos equipamentos e/ou componentes. Classificacão fiscal e aliquota adotadas pelo contribuinte: 8517.3061 — Roteador digital do tipo Crossconnect de granularidade igual ou superior a 2 Mbits/s; aliquota do II=4%.. Classificação fiscal adotada pela fiscalização: 8517.3069 — Roteadores digitais - outros. Aliquota do 1.1.= 20% Argumentação da fiscalização: - O engenheiro Paulo Guarnieri afirma que "a mercadoria relacionada na adição é um equipamento roteador digital com funcionalidade `cross-connece, de granularidade igual ou superior a 2 Mbits/s, mas não um roteador digital do tipo `cross- connect de granularidade igua ou superior a 2 Mbits/s"; 4 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-O0.247 Fl. 471 - O engenheiro Israel Gera rdi afirma que "o equipamento CISCO 7513 não é um roteador do tipo 'crosscnece, apenas possui a capacidade para esta função. AMm disso, não possui granularidade igual ou superior a 2 Mbps; entendendo-se granularidade como a menor capacidade de canal tratada pelo equipamento roteador, a granularidade do roteador CISCO 7513 é de 64 Kbps, sendo, portanto, bastante inferior a 2 Mbps" - Alega, ainda, que ambos engenheiros concordam que o CISCO 7513 não é um roteador digital 'crossconnect' e sim um roteador digital próprio para interconexão de redes locais com protocolos distintos, e que a velocidade de icada interface serial é de 2.048 Mbits/s. Restou a divergência quanto consideramos a soma das diversas portas E 1 instaladas no equipamento ou cada porta individualmente - Concluiu, que cada operação individualmente não consegue atingir velocidade superior a 4 Mbits/s e sim apenas 2,048 Mbits/s, fato que ambos engenheiros concordam, assim, a classificação fiscal correta para o equipamento CISCO 7513, mediante a aplicação da Regrá 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado, combinado com as notas 3 e 4 da Seção XVI, deve ser NCM 8517.3069. - Considerou, ainda, que a mercadoria não está corretamente descrita, por não se tratar de um equipamento "roteador digital do tipo crossconect de granularidade igual ou susperior a 2 Mbits/s", mas sim de um equipamento do tipo "Roteadores digitais - outros". Adição 04 Descrição da mercadoria feita pelo contribuinte: Item 1 - Roteador digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s próprio para interconexão de redes locais com protocolos distintos. Mod. AS5800K, composto por diversos equipamentos e/ou componentes. Item 2 - Roteador digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s próprio para interconexão de redes locais com protocolos distintos. Mod. AS5800K, composto por diversos equipamentos e/ou componentes., Item 3 - Roteador digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s próprio para interconexão de redes locais com protocolos distintos. Mod. AS5300, composto por diversos equipamentos e/ou componentes. Item 4 - Roteador digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s próprio para interconexã o de redes locais com protocolos distintos. Mod. AS5300, composto por diversos equipamentos e/ou componentes. Item 5- Roteador digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s próprio para interconexão de redes locais 5 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 472 com protocolos distintos. Mod. AS5300, composto por diversos equipamentos e/ou componentes. Classificacão fiscal e aliquota adotadas pelo contribuinte: 8517.3062 — Roteador digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s próprios para interconexão de redes locais com protocolos distintos. Aliquota do II = 4%. Classificacão fiscal adotada pela fiscalização: 8517.5099 — Outros aparelhos para telecomunicação por corrente portadora ou para telecomunicação digital - outros. Aliquota do II.= 20% Argumentação da fiscalização: - O engenheiro Paulo Guarnieri afirma que "Os servidores de acesso de rede Cisco AS5800 e AS5300 importados atendem às especificaçães de um roteador digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s, próprio pra interconexclo de redes locais com protocolos distintos, Tanto nos servidores de acesso AS5800, quanto nos AS5300 estão configuradas interfaces seriais i com velocidade superior a 4 Mbits/s: em cada AS5800 importado no presente caso há, no mínimo, um módulo DS58-12CE1, que permite a conexão de até 12 linhas-tronco El, de 2,048 Mbits/s cada, o que corresponde a 24,58 Mbits/s de velocidade de interface serial; em cada AS5300 está instalado um módulo Octal 8EI/PRI, que permite a conexão de até 8 linhas-tronco El, o que corresponde a 16,38 Mbits/s de velocidade de interface serial; - O engenheiro Israel Gerardi afirma em resposta ao quesito Função Principal "tratam-se de servidores de acesso universal, portanto, são destinados a prover múltiplas conexões simultâneas para acesso a um rede local. Para isso, o equipamento é composto de um conjunto de MODEMs integrados em placas a serem inseridas nos respectivos bastidores. Cada MODEM é utilizado para estabelecer uma única conexão. Os servidores de acesso são equipamentos que funcionam como portas de entrada e saída de dados para redes locais (LANs). Diversos usuários, através da rede pública de telefonia, podem simultaneamente conectar-se a uma ou mais redes locais através das portas de acesso providas pelo servidor de acesso Concluindo: a função principal do 'Access Server' é prover serviço de acesso remoto a redes locais da rede pública de telecomunicações. O `Access Server' é composto de um conjunto de moduladores/demoladores integrados que promovem a conexão sob demanda" . "Função secundária: adaptando-se a configuração do á'5300 ou do AS5800 podemos obter um equipamento capaz de operar o direcionamento de pacotes digitais de voz. Dessa forma, o equipamento passaria a ser designado como `voice gareway'. Pelo fato de cada um dos equipamentos possuir tabela interna de roteamento e operar direcionando os pacotes através desta tabela, podemos dizer que os equipamentos possuem função inerente de `roteamento'. Mas não consideramos a função de roteamento como principal"; 6 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 473 - Entende, a fiscalização, que ambos engenheiros identificam que o equipamento em questão possui a função de rotearnento, discordando em relação ao fato dela ser a função principal ou secundária. Adotando-se a posição do engenheiro Paulo, a classificação fiscal adequada deve ser 8517.3069 — Outros roteadores digitais, uma vez que, a velocidade 'máxima alcançada em cada conexão é de 2,048 Mbits/s. Adotando-se a posição do engenheiro Israel, consideramos aa classificação fiscal adequada 8517.5099 — Outros aparelhos para telecomunicações por corrente portadora ou para telecomunicações digital — outros — outros; - Concluiu, considerando que o próprio fabricante do equipamento não o apresenta como um Roteador Digital, não cabendo a adoção da classificação 8517.3069, mas sim como um 'Servidor de Acesso Universal'. Assim, mediante a aplicação da Regra 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado, combinado com as notas 3 e 4 da Seção XVI, concluem que a classificação correta deve ser NCM 8517.5099, por se tratar de um equipamento com mais de uma função, sendo sua característica essencial o serviço de conexões remotas. - Considerou, ainda, que a mercadoria não está corretamente descrita, por não se tratar de um equipamento "Roteador digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s próprio para interconexão de redes locais com protocolos distintos", mas sim de um equipamento do tipo "Servidor de Acesso — outros aparelhos para telecomunicações por corrente portadora ou para telecomunicação digital - outros". Adição 05 Descrição da mercadoria feita pelo contribuinte: Roteador digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s próprio para interconexã o de redes locais com protocolos distintos. Mod. CISCO SC3640, composto por diversos equipamentos e/ou componentes. Classificação fiscal e alíquotti adotadas pelo contribuinte: 8517.3062 — Roteador digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s próprios para interconexã o de redes locais com protocolos distintos. Alíquota do II = 4,0%. Classificação fiscal adotada pela fiscalização: 8517.8090 — Outros aparelhos - outros. Alíquota do 1.1.= 20% Argumentação da fiscalização: - O engenheiro Paulo Guarnieri afirma que "embora o roteador CISCO 3640, sobre o qual o Controlador de Sistemas Cisco SC 3640 é construído possa ser configurado de inúmeras maneiras que atendem aos requisitos especificados neste quesito, a configuração adquirida no presente caso só inclui uni módulo de rede NM-1FE-TX, que corresponde a uma porta de comunicação 7 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 474 f para redes locais (LAN) com protocolos distintos e nem a comprovação da velocidade mínima de 4 Mbit/s de interface serial Ethernet e Fast Ethernet não são consideradas, na prática, como intelfaces seriais"; ; - O engenheiro Israel Gerardi afirma "a mercadoria designada na adição 05 trata-se de um Controlador de Sistema SC-3640. O equipamento interliga-se com servidores de acesso (Access Servers) de um lado e com centrbs de operações de rede, de outro, para permitir o gerenciamento dos servidores de acesso através dos centros de operação. Sua função principal é a de controle de sistema, operando como ferramenta de suporte ao gerenciamento de pontos de acesso. Apesar de construido a partir de um roteador modificado, o equipamento não pode ser considerado um roteador, pois trata-se de uma unidade dedicada ao suporte de gerenciamento, possuindo apenas uma porta de transmissão Fast Ethernet. Nesta configuração não é possível a interligação de redes" - Estando ambos engenheiros de acordo, conclui a fiscalização, que a classificação fiscal correta para o equipamento SC 3640, mediante a aplicação da Regra 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado, combinado com as notas 3 e 4 da Seção XVI, deve ser NCM 8517.8090— outros aparelhos - outros. - Considerou, ainda, que a mercadoria não está corretamente n descrita, por não se tratar de um equipamento "roteador digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s próprio para interconexão de redes locais com protocolos distintos", mas sim de um equipamento do tipo "Controlador de Sistema — outros aparelhos - outras: ". Da multa por falta de licenciamento de importação. Entendeu, a fiscalização, que em virtude de ter identificado incorreção na descrição das mercadorias, para as adições objeto da autuação, e em atendimento ao disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT 12/97 e Parecer COSIT 54/98, aplicou a penalidade prevista no artigo 526, II do Regulamento Aduaneiro vigente à época, por considerar as mercadorias importadas ao desamparo de Licença de Importação. * * * Ciente da exigência fiscal em 31/01/2001, a autuada apresentou tempestivamente, em 23/02/2001, a ImpuEnaeão (lis. 254/270), onde pede seja anulado o auto de infração, julgando-se improcedente a ação fiscal. Passemos a relatar a citada Impugnação, onde é alegado em síntese que: I- Em relação ao distribuidor de conexão para redes WS-05002 - Adição 02 8 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 475 - esses equipamentos foram classificados pela Impetrante na posição 8471.8014, à qual corresponde a alíquota de 4% do II.; - sua descrição é "Distribuidor de conexões para rede (hub)"; - ambos os peritos ouvidos pelo Fiscal Autuante atestaram que os equipamentos importados erarn efetivamente distribuidores de conexões para rede. Pertenciam, contudo, ao tipo "switch" e não ao tipo "hub"; • - a Notícia Siscomex 057/2000 não pode ser invocada por ser posterior ao fato gerador, o que impede a sua aplicação, consoante artigo 105 do CTN; - o termo "hub" designa o gênero e o termo "switch" uma das espécies desse gênero. O fato de se tratar de "switch" não exclui, portanto, que seja também "hub". Pelo contrário, todo distribuidor de conexões da espécie "switch" é também necessariamente um "hub"; - a descrição da posição 8471.8014 é de uma época anterior à introdução do "switch", e não poderia, em conseqüência, fazer referência a esse sistema.; - tanto o engenheiro Paulo Guarnieri como o engenheiro Israel Geraldi afirmam serem eles distribuidores de conexões de rede. Logo não há dúvida possível de que está certa a classificação adotada pela Impugnante; - admitindo-se que ' tivesse razão i o Fiscal, ao afirmar que "hub" e "switch" são tipos diferentes de distribuidores de conexão, aplicando-se a regra 4 de Interpretação do Sistema Harmonizado caberia ao interprete procurar a posição correspondente aos artigos mais semelhantes. Assim um distribuidor de conexões se parece mais com outros distribuidores de conexões, ainda que de tipos diferentes, do que com a gama imensa de mercadorias que pode ser acumulada na posição cuja descrição é 'outros'; - conclui, afirmando, que mesmo se as considerações técnicas do Fiscal fossem procedentes, o que não acontece, ainda assim os distribuidores de conexões importados pela Impugnante se classificariam na posição 8471.8014. 2- Em relação ao equipamento CISCO 7513 - Adição 03 - esses equipamentos foram classificados pela Impetrante na posição 8517.3061, à qual corresponde a alíquota de 4% do II.; - sua descrição é "Roteadores digitais do tipo 'cossconnect, de granularidade igual ou superior a 2 Mbits/s"; - ambos os laudos afirmam que o equipamento é um roteador digital e tem função de 'crossconnection'. Todavia, ele não se classificaria na aludida posição, pois embora possuindo a função 'crossconnection', não serid do tipo 'crossconnetion '; 9 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 476 - alega que no laudo do engehheiro Paulo Guarnieri lê-se a seguinte referência: "Esse roteador pode ser enquadrado entre aqueles que possuem interface serial de velocidade maior ou igual a 4 Mbits/s, próprios para interconexão de redes locais com protocolos distintos". Alega, que o engenheiro Guarnieri considera correta a classificação na posição 8517.3062, cuja descrição é a seguinte: "Roteadores digitais com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s, próprios para interconexão de redes locais com protocolos distintos". - alega que segundo o laudo do engenheiro Israel Geraldi, o equipamento não se enquadraria na descrição acima, porque a velocidade de sua intetface serial seria inferior a 4 Mbits/s. Entende que o engenheiro Israel equivocou-se, fazendo uma citação da publicação do "Institute of Electric and Electronics Engineers" em língua inglesa. 3- Em relação ao equipamento CISCO AS5800 e AS5300 - Adição 04 - esses equipamentos foram classificados pela Impetrante na posição 8517.3062, à qual corresponde a aliquota de 4% do 1.1.; - na posição pretendida pela Impetrante abrange equipamentos que satisfaçam a seguinte descrição: "Roteadores digitais com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s próprios para interconexão de redes locais com protocolos distintos"; - não é cabível a aplicação da Regra 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado, com as Notas 3 e 4 da Seção XVI; - entende que o equipamento desempenha uma função especificamente descrita no capítulo 85, mais precisamente na posição 8517.30.62; - alega que o laudo do engenheiro Paulo Guarnieri é claro ao afirmar: "os servidores de acesso de rede Cisco AS5800 e AS5300 importados através da Adição 04 atendem às especificações de um roteador digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4 MBIT/s, próprio para interconexão de redes locais com protocolos distintos..." 4- Em relação ao equipamento Roteador digital CISCO SC 3640 - Adição 05 - alega que reexaminando o assunto, a Impugnante concluiu que a autuação procede em relação ao roteador digital CISCO SC 3640, tendo efetuado o recolhimento da parte das quantias lançadas referentes a esse equipamento, com a redução da multa proporcional, apresentando o DOC. 04 (fi. 275) 5- Em relação à multa proporcional - entende que esta multa él inaplicável consoante o Ato Declaratório 10/97; 10 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 477 - alega que, no caso, as mercadorias importadas estão corretamente descritas, com todas as indicações necessárias à sua identificação e ao enquadràmento tarifário, até porque, do contrário, como já observado, a autuação não teria sido possível, já que ela se baseia exclusivamente na descrição feita pela Impugnante. 6- Em relação à multa administrativa - entende que o disposto no artigo 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, cogita de importação contrabando ou coisa parecida, hipótese inteiramente diversa da que se está aqui tratando; -alega que a questão refere-.e exclusivamente a mera classificação tarifária, tarefa, que como se sabe é muitas vezes bastante complicada, observando, ainda, que as classificações seguidas pela Impugnante são as preconizadas por um dos peritos — Paulo Guarnieri, não estando tampouco claro estejam elas em conflito com o laudo do Israel Geraldi; - cita o Ato Declarató rio Normativo no. 12/97, que no seu entender, deixa claro não poder ser aplicada a multa administrativa na hipótese de que se está tratando; - reforça sua argumentação afirmando que as mercadorias estão corretamente descritas, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tributário, tanto assim que foi exclusivamente com base nessa descrição que foi lavrado o auto de infração. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: I Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 25/08/2000 Produto denominado "Distribuidor de conexão para redes - tipo SWITCH", modelo WS-05002, deve ser classificado no código NCM 8471.8019. Tanto o equipamento tipo 'HUB', como o tipo 'SWITCH' são distribuidores de conexões de rede, entretanto, o primeiro não possui a capacidade de identificar o destino dos pacotes de dados que trafegam de um segmento de rede a outro, e o segundo possui esta capacidade. Portanto, eles têm funções diferentes Cabíveis a diferença do tributo, juros moratórios e multa por declaração inexata da mercadoria. O produto denominado "Roteador Digital modelo Cisco 7513", conforme solução de consulta protocolada pela própria interessada, deve ser classificado no código NCM 8517.30.69. Cabíveis a diferença do tributo, juros moratórios e multa por declaração inexata da mercadoria. Produto denominado "Servidor de acesso remoto", modelos AS5300 e AS5800, conforme solução de consulta protocolada pela própria interessada, deve ser classificado no código NCM II• • • Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 478 • 8471.80.19. Cabíveis a diferença do tributo, juros moratórios e multa por declaração inexata da mercadoria. MULTA POR FALTA DE GUIA OU DOCUMENTO EQUIVALENE. A multa ddministrativa por falta de licenciamento de importação é aplicável nos casos em que o produto não esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Inaplicável o ADN Cosit no. 12/97. Lançamento procedente. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este . Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. É o Relatório. • • 12 • • Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 479 Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA ' , Relator Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Primeiramente, anoto que quanto à mercadoria relativa à Adição n° 05, ou seja, ao Equipamento CISCO SC 3640 e seus componentes, o contribuinte já recolheu o valor do imposto e juros, portanto, em relação ao mesmo, o presente recurso somente cuida da aplicação das multas. Há preliminar de nulidade a ser enfrentada. Alega a recorrente que o auto de infração seria nulo por não indicar na sua fundamentação legal qualquer dos incisos do artigo 149 do CTN, que autorizam a revisão de oficio do lançamento pela autoridade fiscal. Acrescenta a este argumento a negativa de enquadramento dos fatos em análise em qualquer das hipóteses descritas naquele dispositivo legal. Os argumentos da recorrente são, em verdade, uma revisão da antiga Súmula TFR n° 227: "A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento". É pacífica a jurisprudência deste Conselho de Contribuintes que a revisão aduaneira pode ser feita pela autoridade dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados do registro da Declaração de Importação, cito exemplos: II - IPI - REVISÃO ADUANEIRA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. A obrigação de pagar o tributo devido decorre de fato gerador previsto em lei. O Auto de Infração foi fundamentado em laudo técnico, não contestado pelo recorrente, e a sua impugnação deixa claro o exercício do contraditório e da ampla defesa. O lançamento questionado foi decorrente da revisão prevista no art. 455 do Decreto 91.030/85. • A decadência, no caso, ocorre após cinco anos do registro da DL NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. (Acórdão 301- 31000, Relator Conselheiro Moacyr Eloy de Medeiros, Segunda Câmara, unânime) Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 06/02/1996 Ementa: REVISÃO ADUANEIRA. DECADÊNCIA. O prazo para efetuar o lançamento nos casos de revisão aduaneira é de cinco anos a contar do registro da Declaração de Importação. 13 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 480 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão 302-39171, Relator Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Segunda Câmara, unânime) REVISÃO DO LANÇAMENTO. É lícito ao fisco, dentro do prazo legal de cinco (05) anos contados do registro da DI, proceder à revisão aduaneira, autuando as irregularidades que não foram detectadas durante a conferência e o desembaraço. (Acórdão 303-29444, Relator Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, Terceira Câmara, unânime) Na forma desta jurisprudência, o desembaraço aduaneiro é ato Meramente formal do despacho aduaneiro, importando somente na autorização de entrega da Mercadoria ao contribuinte, na forma do disposto no art. 450 do RA/85 o que não tem como conseqüência 1a homologação do lançamento tributário. A homologação do crédito tributário no presente caso, até o lançamento do auto de infração, estava aguardando o termo final do prazo estatuído no art. 150, § 40 do CTN, ou seja, aguardava seu aperfeiçoamento pela modalidade tácita. Assim, a autoridade fiscal ainda dispunha de anos para revisá-lo, na forma do que dispõe o art. 54 do Decreto-Lei n° 37/66: Art. 54 - A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do beneficio fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art. 44 deste Decreto- Lei. No mesmo sentido, os arts. 455 e 456 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto no 91.030, de 05/03/1985 (RA11985), assim dispõem: Art. 455 - Revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação ou 'exportação quanto aos aspectos fiscais, e outros, inclusive o cabimento de beneficio fiscal aplicado (Decreto-Lei n° 37/66, art. 54). • Art. 456 — A revisão poderá ser realizada enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário (Lei n°5.172/66, art. 149, parágrafo único). A alegada omissão do art. 149 do CTN em nada prejudicou a defesa do contribuinte e não é elemento obrigatório dentre aqueles previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, portanto, deve ser afastada a preliminar argüida. Passo ao exame do mérito. Quanto à adição 02 — Distribuidores de Conexão para Redes WS-C 5002. 14 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 481 O primeiro ponto que me chamou a atenção na análise da classificação fiscal deste produto foi a informação trazida no Laudo Técnico produzido a pedido da fiscalização pelo Engenheiro Israel Geraldi (fls. 97), nos seguintes termos: Althifd rtWe7,6f, hub, called a I witching hub, Um terceiro ' tipor'del! actually„yeads the destinations address of each "switching hub',',"lidentifiCâto end ço. " waorty-, packetand • then; forwards the packet to the cada pacote e então'ericaminha t ara crieri~t T4'ttartNiera porta correta 'orre a. Deste texto, parece ser evidente a conclusão defendida pela recorrente, qual seja, que a mercadoria em exame seria uma espécie do gênero hub. Observei, entretanto, que esta informação veio de um portal eletrônico estrangeiro especializado em equipamentos eletrônicos e informações técnicas de informática e que no mesmo endereço não mais existe esta referência (conforme consulta que fiz pessoalmente em 1° de novembro passado).1 Naquela mesma oportunidade, busquei obter em diversos portais eletrônicos especializados nacionais, a diferença básica entre um hub e um switch, tendo logrado obter os seguintes dados: Antigamente, existia uma grande diferença de preço entre os hubs burros e os switchs, mas os bomponentes caíram tanto de preço que a partir de um certo ponto a diferença se tornou insignificante, e os fabricantes passaram a fabricar apenas switchs, que por sua vez dividem-se em duas cate2orias: os switchs "de verdade", aparelhos caros, capazes de Rerenciar o tráfe2o de uma quantidade maior de micros e que possuem várias ferramentas de 2erenciamento e os "hub-switchs", os modelos mais simples e baratos, que usamos no dia-a-dia. (littp://www.guiadohardware.net/termos/hub - grifos acrescidos) O hub está cada vez mais em i desuso. Isso porque existe um dispositivo chamado "hub switch" que possui preço parecido com o de um hub convencional. Trata-se de um tipo de switch econômico geralmente usado para redes com até 24 computadores. Para redes maiores mas que não necessitam de um roteador, os switchs são mais indicados. (http://www.infowester.com/hubswitchrouter.php - grifos acrescidos) A diferença entre os hubs e switches é que o hub apenas retransmite tudo o que recebe para todos os micros conectados a ele, como se fosse um espelho. Isso significa que apenas um micro pode transmitir dados de cdda vez e que todas as placas precisam operar na mesma velocidade, que é sempre nivelada por baixo. Caso você coloque um micro com urna placa de 10 megabits na rede, a rede toda passará a trabalhar a 10 megabits. Os switches por sua vez são aparelhos muito mais inteligentes. Eles fecham canais exclusivos de comunicação entre o micro que está enviando dados e o que está recebendo, permitindo que vários pares de micros troquem dados entre si ao mesmo tempo. Isso melhora bastante a velocidade em redes congestionadas, com muitos micros. Outra vantagem dos switches é que eles 15 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 I Fl. 482 permitem o uso do modo full-duplex, onde é possível enviar e receber dados simultaneamente. Isso permite que os micros disponham de 100 ou 1000 megabiis em cada sentido, agilizando as transmissões. Hoje em dia, os hubs "burros" caíram em desuso. Quase todos à venda atualmente são "hub-switches", modelos de switches mais baratos que custam quase o mesmo que um hub antigo. Depois destes, temos os switches "de verdade", capazes de gerenciar um número muito maior de portas, sendo por isso adequados a redes de maior porte. (http://www.gdhpress.com.br/redes/leialindex.php?p=cap 1-9 — grifos acrescidos) Parece claro que, na verdade, o chamado "hub switch" é um espécie do gênero "switch", sendo consideravelmente distinto (em sua essência e funcionalidade) de um hub, o que confirma a conclusão que se extrai dos dois laudos periciais trazidos aos utos pela autoridade fiscal. Somo a isto, o fato de na do9mentação técnica do fabricante do pro l duto (fls. 206), este ser tratado sempre como um "switch' . Observo ainda que a diferença básica entre um • hub e um switch é a capacidade deste de identificar o destinatário dos dados e remeter estes àquele somente, que é a característica principal do produto em exame e o diferencial que motiva sua aquisição e que a DIANA/SRRF/8a. RF, em decisões proferidas nos processos administrativos de consulta n° 70 a 76, de 14 de setembro de 2001, e n° 83, 84 e 85, de 06 de outubro de 2001, já indicou que a correta classificação tarifária dos equipamentos em questão é dada pela posição 8471.80.19 da TEC. Por fim, indico que este Colegiado com outra composição já apreciou a classificação fiscal do "switching hub", na forma do Acórdão n° 302-37.192, da lavrado ilustre Conselheiro Paulo Roberto Cucco Antunes, assim ementado: CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA DE MERCADORIA. A melhor classificação tarifária para o produto identificado comercialmente como "switching hub" é no código NCM 8471.80.19, conforme indicado pelo Fisco. MULTA DO ART. 44, I, DA LEI N° 9.430/96. Incabível a sua aplicação quando a infração limita-se á indicação errônea da classificação tarifária aplicando-se, por analogia, o disposto no Ato Declaratório Interpretativo (ADI), SRF n° 13, de 10/09/2002 MULTA DO ART. 45, DA LEI N° 9.430/96 Não se cogita, no caso do IPI — vinculado, com fato gerador ocorrendo na data do desembaraço aduaneiro da mercadoria importada, da emissão de nota fiscal, inexistindo determinação legal que ampare a sua equiparação à declaração de importação. Incabível a penalidade estabelecida na Lei e 16 Processo n° 10831.000717/2001-11 I S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl, 483 4.502/64, com a redação dada Pelo art. 45, da Lei n° 9.430/96. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. JUROS PELA TAXA SELIC. - A cobrança de juros de mora calculados com a Taxa SELIC tem previsão legal na Lei n°9.430/96. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Deste modo, entendo que a desclassificação efetuada pela fiscalização foi correta, nada havendo a prover, neste particular, pedido formulado no recurso em julgamento. Quanto à adição 03 — Roteador Digital CISCO 7513. Preliminarmente, observo que o contribuinte não discorda que a classificação adotada originalmente para este produto está equivocada, diante das conclusões dos Laudos Técnicos juntados aos autos pela fiscalização, baseada no fato de que o produto 4 questão tem função de crossconnection, embora não seja do tipo crossconnect, a recorrente somente argumenta que também a classificação adotada pelo auto de infração está incorreta. Noto ainda que o Relatório Técnico do Instituto Nacional de Tecnologia — INT, colacionado pela recorrente às fls. 357/363, é imprestável para a solução da controvérsia da classificação fiscal do produto em questão, pois consta daquele relatório a seguinte ressalva (fls. 362): A análise realizada só se aplica ao equipamento marca CISCO SYSTEMS, modêlo CISCO 7507, it.o Sé estendendo a nenhum outro similar. Quanto aos laudos produzidos pela fiscalização, efetivamente, trazem conclusões contraditórias, quando afirmam: O Engenheiro Israel Geraldi (fls. 100): A mercadoria da adição 003 trata-se de um roteador digital com velocidade máxima de interface serial de 2 Mbits/s (El), próprio para interconexão de redes locais com protocolos distintos. Enquanto o Engenheiro Paulo Francisco Guarnieri: Esse roteador pode ser enquadrado entre aqueles que possuem interface serial de velocidade maior ou igual que 4 Mbits/s, próprios para interconexão de redes locais com protocolos distintos. Ou seja, é evidente a contradição das conclusões dos peritos, quanto à velocidade de interface serial do produto, o que é essencial para sua correta classificação. Recentemente, a Terceira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes negou, por unanimidade, provimento a recurso de oficio e classificou os Roteadores Cisco 7206VXR na posição 8517.30.62. Desta decisão retiro do voto da lavra do ilustre Conselheiro Zenaldo Loibman (Acórdão n° 303-33150), a seguinte passagem: 17 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 484 3. Em caso semelhante ocorrido em novembro de 2000, o fabricante CISCO apresentou à SRF uma carta (fls. 25/26) relacionando os modelos de seus roteadores e suas respectivas velocidades de interfaces seriais, na qual se pode constatar que os modelos 7200 e 7500 operam com velocidades superiores a 4 Mbps. Tal informação não tem, entretanto, a força suficiente para afastar as dúvidas relativas à classificação deste produto, já que não há como examinar os critérios técnicos de levaram o fabricante a afirmar que esta seria a velocidade de operação. Some-se a isto que o modelo de exame citado no voto acima estaria equipado com um adaptador de porta modelo PA-4T+, o que afeta sua velocidade de operação. A questão parece ser resolvida pela resposta à consulta fiscal formulada pelo contribuinte para obtenção da classificação fiscal correta do produto em análise, cuja conclusão transcrevo abaixo: Porém, ao se verificar os módulos seriais disponíveis para este equipamento, encontram-se vários deles que merecem atenção : PA-H e PA-2H: disponibilizam 1 ou 2 portas HSSI ("High- Speed Serial Interface'), com velocidade de até 52 Mbps PA-T3, PA-T3+, PA-2T3 e PA-2T3+ : disponibilizam 1 ou 2 interfaces seriais síncronas `fu ill-duplex" a velocidade T3 (45 Mbps) PA-E3 e PA-2E3 : disponibilizam 1 ou 2 interfaces seriais síncronas `full-duplex" a velocidade E3 (34 Mbps) PA-4T+ : disponibiliza 4 portas seriais síncronas, suportando um "throughput" total de 8 Mbps "full duplex", que pode ser utilizado em diversas combinações: 2 portas a 4 Mbps ou 4 portas a 2 Mbps PA-8T-V35 e PA-8T-X21 : disponibilizam 8 portas seriais síncronas, suportando um "throughput" total de 16 Mbps "full duplex", que pode ser utilizado em diversas combinações: 2 portas a 8 Mbps, 4 portas a 4 Mbps ou 8 portas a 2 Mbps. O produto sob análise deve ser considerado como compreendido na posição 8517, que engloba, segundo seu texto, aparelhos elétricos para telefonia e telegrafia e para comunicação por corrente portadora ou de telecomunicação digital. No âmbito da referida posição, deve ser compreendido na subposição 8517.30, que engloba os aparelhos de comutação para telefonia e telegrafia, e, mais especificjamente, no item 8517.30.6, roteadores digitais. Por não ser do tipo "Crossconect" não pode ser classificado no código 8517.30.61. Se o equipamento for equipado com um módulo PA-H, PA-2H, PA-T3, PA-T3+, PA-2T3, PA-2T3+, PA- E3, PA-2E3, PA-4T+, PA-8T-V35 ou PA-8T-X21, o produto se classifica no código 8517.30.62, por possuir interface serial de 18 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 485 pelo menos 4 Mbps, caso contrário, classifica-se no código 8517.30.69. (Solução de Consulta n o 77, de 31 de outubro de 2002, DIANA/SRRF/8a.RF — grifos acrescidos) Como o produto em questão veio com o adaptador de porta El 8 canais/120 ohm PA-MC-8E1/120 e não estando este listado dentre aqueles que a consulta confirmou como classificados na posição 8517.30.62, deve ser mantida a classificação adotada pela fiscalização, isto é, 8517.30.69 Quanto à adição 04— Roteadores Digitais AS 5800 e 5300. Ao responder o quesito formulado pela fiscalização, se a "mercadoria relacionada em cada item da Adição 004 é um equipamento Roteador digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4Mbits/s, -próprio para interconexão de redes locais com protocolos distintos", o perito Engenheiro Paulo Francisco Guarnieri não deixa dúvidas em sua resposta (fls. 197/198): Sim. Os Servidores de Acesso de Rede Cisco AS5800 e AS 5300 importados através da Adição 00/0802988-6/004 atendem às especificações de um roteador digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4Mbits/s, próprio para interconexã o de redes locais com protocolos distintos, pelos seguintes motivos: Conforme visto na resposta ao quesito 3, a principal função desempenhada pelos Servidores de Acesso AS5800 e AS 5300 é a de um roteador, que interconecta redes locais ("LAN') de modems analógicos com protocololP a outras redes locais com protocolo IP, por meio do roteamento dos pacotes transmitidos e recebidos por essas redes; Tanto nos Servidores de Acesso AS5800, quanto nos AS 5300, estã configuradas intetfaces seriais com velocidade superior a 4Mbits/s; em cada AS5800 importado no presente caso há, no mínimo, um ódulo DS58-12CE1, que permite a conexão de até 12 linhas-tronco El, de 2,048 Mbits/s cada, o que corresponde a 24,58 Mbits/s de velocidade de interface serial; em cada AS5300 está instalado um módulo Octal 8E1/PRI, que permite a conexão de até 8 linhas-tronco El, o que corresponde a 16,38 Mbits/s de velocidade de interface serial. Conforme já visto na resposta do quesito 3, os dois modelos de Servidores de Acesso importados no presente caso operam na interconexão de redes locais ("LAN') de modems analógicos a outras redes locais ("LAN" Ethernet, Fast Ethernet, ATM), de modo que atendem à especifiçação de serem próprios para interconexão de redes locais ("LAN') com protocolos distintos. A versatilidade desses Servidores de Acesso na operação conz protocolos distintos já está presente no atendimento dos acessos discados dos modems, onde tanto . o AS5800 quanto o AS5300 são capazes de, simultaneamente, operar redes de modems com diferentes padrões (protocolos) como o V.90, V.56 e V.34, por exemplo. 19 Processo n°10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 486 Estas conclusões são reforçadas pelo Relatório Técnico n° 021/2001 do Instituto Nacional de Tecnologia — INT (fls. 345/356), trazidos aos autos pela recorrente, o qual conclui: Os equipamentos em questão, conforme as resposta dadas aos quesitos anteriores, tem (sic) como função principal o roteamento com velocidade serial de pelo menos 4 Mbits/s e operam em redes locais. O perito Engenheiro Israel Geraldi descreve os produtos corno servidores de acesso universal, porém nega que o roteamento seja a função principal destes, que considera ser "prover serviço de acesso remoto a redes locais através da rede pública de telecomunicações". Noto que apurei existir uma Solução de Consulta DIANA/SRRF/7 a.RF que versa especificamente sobre a classificação fiscal do AS5300, cuja ementa é a seguinte: SOLUÇÃO DE CONSULTA N°45 de 13 de Fevereiro de 2003 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: CÓDIGO TEC — 8517.30.62. Roteador Digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4Mbits/s, que executa roteamento multiprotocolo para LAN ou WAN, modelo AS-53.240-DG-RPS-CH, fabricado por Cisco Systems Inc., denominado vulgarmente "RAS" e comercialmente "AS-5300 Universal Access Server", e tecnicamente "45-5300 Access Router". 1 Por estas razões, julgo merecer provimento o recurso voluntário neste particular. No que se refere à multa a multa prevista no art. 526, II do Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985, adoto como fundamento de meu decidir, o brilhante voto proferido pelo Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, no recurso n.° 142.372, que transcrevo: Identifico no texto de relatoria do i. Julgador de primeira instância um interessante ponto de partida para as reflexões que julgo necessárias para a solução do presente feito. São as instruções contidas no Parecer Cosit n° 477/88 e no ADN Cosit n° 12/97. O que se depreende da leitura dos mesmos é que o primeiro considera hipótese de ocorrência da infração por importar mercadoria sem licença de importação a descrição incorreta, omissa ou imprecisa de elementos indispensáveis à identificação da mesma, enquanto o segundo exclui da hipótese de ocorrência o erro de classificação fiscal de mercadoria que estiver corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramerito tarifário pleiteado. Há neles, portanto, dois comandos que se apóiam no mesmo critério de valoração da ocorrência, a qualidade da descrição das mercadorias, mas que orientam em sentido oposto: o primeiro 20 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 487 define uma circunstância na ual ocorrerá a infração e o segundo uma na qual ela não ocorrerá. Essa distinção traz relevante conseqüência prática na aplicação do comando contido no ADN Cosit n° 12/97. Ele determina que não constitui infração o erro de classificação tarifária se presentes as circunstâncias nele especificadas, mas não determina que, não se encontrando presentes tais circunstâncias, o erro de classificáção tarifário; importará em que se considere ocorrida a infração. O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa n°34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso lido art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional - Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de impbrtação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.(grifei) Ou seja, em obediência à norma, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tanto em atividade de execução quanto de julgamento, deverá considerar que não ocorreu a infração por importação sem licenciamento sempre que constatar que a mercadoria estava correta e suficientemente descrita, mas não que, contrariu sensu, tenha ocorrido a infração sempre que a mercadoria tiver sido descrita de forma deficiente, seja pela falta de elementos importantes à sua identificação ou de informações necessárias ao correto enquadramento tarifário. Trata-se de interpretação obtida de uma simples leitura do enunciado da norma - não Constitui infração, mas que é corroborada quando, logo a seguir, o texto cuida de especificar que as ocorrências por ele contempladas são aquelas em que a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, automático ou não, admitindo, assim, que tal equívoco não exija novo licenciamento. Em termos mais objetivos, o que a norma determina é que não se considere infração o erro de i classificação que exija novo licenciamento se a mercadoria estiver correta e suficientemente descrita e não que se considera infração o erro de classificação 21 Processo n" 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 488 sempre que a mercadoria não estiver correta e suficientemente descrita, independentemente desse erro exigir ou não novo licenciamento. A conseqüência disso é que, constatado o erro de classificaçã o tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse erro remete à exigência de novo licenciamento ou não. Para tanto, é preciso debruçar-se um pouco mais no estudo do assunto licenciamento das importações. O controle administrativo das importações a que se refere o caput do artigo 633 do Regulamento Aduaneiro, diz respeito ao controle que a administração exerce por ocasião da concessão da licença de importação, e que se consolida no despacho aduaneiro e/ou na revisa() aduaneira, quando os dados contidos na licença de importação serão cotejados com os demais documentos de instrução do despacho e com a própria mercadoria. Disso se extrai que o controle administrativo das importações é exercido em dois momentos distintos, (i) quando o Poder Público •concede autorização para o particular importar mercadoria do exterior, nos prazos, condições especificações estabelecidas na licença de importação e (ii) quando o Poder Público examina se as mercadorias importadas e demais documentos apresentados estão de acordo com os dados contidos na licença de importação. A atividade de controle exercida em cada uma dessas duas etapas é de competência de órgãos distintos dentro da administração pública federal, respectivamente, a Secretaria do Comércio Exterior - SECEX e á Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. As divergências entre as informações contidas na licença de importação e as informações obtidas no despacho aduaneiro ou na revisão aduaneira, a partir do exame da mercadoria e demais documentos, é que ensejarão considerarem-se as importações como tendo sido realizada sem licença de importação, tendo em vista a desconsideração da licença apresentada. A Portaria Secex n° 21/96 trazia algumas considerações relevantes no que diz respeito ao tipo de informações contidas em uma licença de importação, esclarecendo que tais informações caracterizavam 9 operação de importação e definiam o seu enquadramento. Os parágrafos 1 0 e 20 do artigo 7° da Portaria determinavam: "§ 1° As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/M1CT n° 291, de 12 de dezembro de 1996. 22 • Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 489 § 2 0 As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento." A Portaria Secex n° 17, de 1° de dezembro de 2.003; contudo, revogou a Portaria Secex n° 21/96 e deixou de fazer menção expressa aos quatro elementos que, nos termos da Portaria Secex no 21/96 caracterizam a operação de importação e definiam o seu enquadramento — as informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal. Embora isso, é de se notar que, mesmo deixando de mencionar os elementos que caracterizam e enquadram a operação de importação, o artigo 10 da Portaria Secex n° 17/03 confirmou que nas importações sujeitas a licenciamento o importador deveria prestar as informações contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict n° 291, de 12 de dezembro de 1996, remissão idêntica a que fazia a Portaria Secex n° 21/96, ao referir-se às informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal que caracterizavam e enquadravam a operação. Essa referência foi mantida nas Portarias Secex 14/04, 35/06 36/07 e 25/08. Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict n.o 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. Ou seja, na prática, a edição da Portaria Seceac n" 17/03 não provocou qualquer mudança no que diz respeito às informações que deverão ser prestadas pelo importador para a obtenção da licença de importação, devendo-se considerar que tais informações continuam sendo aquelas das quais o órgão licenciador lança mão no processo de análise do pedido de licenciamento. O Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict n° 291/96 contém, portanto, todas as informações que devem ser prestadas pelo importador nas importações sujeitas a licenciamento, sendo essas as informações que poderão ser analisadas pela administração, com vistas à concessão do licenciamento pleiteado. São elas: 1 - Importador 2 - País de procedência 3- URF de despacho 4 3 URF de entrada no País 5 - Exportador 6- Fabricante ou produtor 7- Classificação fiscal da mercadoria na NCM 23 •Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 490 8 - Classificação da mercadoria na NALADI/SH ou NALADI/NCCA 9- Quantidade na medida estatística 10- Peso liquido em Kg 11 - INCOTERM 12 - Número "commoditie" 13 - Moeda na condição de venda 14- Valor total da operação na moeda negociada 15 - Destaque NCM 16- Processo anuente 17 - Indicativos da condição da mercadoria 18- Descrição detalhada da mercadoria 18.1- Especificação 18.2 - Unidade comercializada 18.3 - Quantidade na unidade comercializada 18.4 - Valor unitário da mercadoria na condição de venda 19- Acordo tarifário 20- Regime de tributação para o Imposto de Importação 20.1-Fundamentação legal 21- Ato Concessório Drawback 22 -Natureza cambial 22.1- Cobertura cambial 22.2 - Modalidade de pagamento . 22.3 - Instituição financiadora 22.1- Código 22.2 — Denominação 22.3 - Motivo da importação sem cobertura cambial 23 - Quantidade de dias para limite de pagamento 24- Substituição de LI 25 - Informações complementares 24 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.247 • Fl. 491 A relação contida no Anexo H da Portaria Interministerial MF/Mict n° 291/96 não deixa margem de dúvidas quanto ao alcance das informações exigidas pela Administração com vistas à analise e o deferimento da licença de importação. Trata-se de uma relação exaustiva, abrangendo dados relacionados à mercadoria, seu enquadramento fiscal, à transação comercial, o pagamento etc. No processo de análise e deferimento da licença de importação, toda essa gama de informações especificada no Anexo II da Portaria 291/96 são i do interesse da Administração e devem ser prestadas de forma correta, retratando precisamente a operação que se deseja licenciar, de tal sorte que todos os elementos relevantes para cada operação especifica possam ser avaliados e a licença concedida ou indeferida, tendo em vista a adequação do pedido à política de controle das operações de importação vigente à época em que o licenciamento está sendo examinado. Os artigos 14 e 15 da Portaria Secex n° 17/03, abaixo transcritos, especificam qual procedimento será observado pela Decex (Departamento de Operações de Comércio Exterior) no caso de serem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença. Art. 14. Quando forem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença ou mesmo a inobservância dos procedimentos administrativos previstos para a operação ou para o produto, o Decex registrará, no próprio pedido, advertência ao importador, solicitando a correção de dados. § Io... § Art. 15. Não será autorizado licenciamento quando verificados erros significativos em relação à documentação que ampara a importação ou indícios de fraude ou patente negligência. (grifei) Parágrafo Único. Em qualquer caso, serão fornecidas informações relativas aos motivos do indeferimento do pedido, assegurado o recurso por parte do importador, na forma da lei. O texto deixa claro, que, independentemente do tipo de operação para a qual se pretende obter a licença ou da mercadoria importada, em três hipóteses não será autorizado o licenciamento pleiteado pelo importador: erros significativos, indícios de fraude e patente negligência. Por outro lado, uma vez concedida a licença, ela poderá ser retificada antes ou depois do desembaraço das mercadorias, sendo preservada a validade do licenciamento original, desde que a alteração não descaracteriza a operação original. Art. 20. A empresa poderá solicitar a alteração do licenciamento, até o desembaraço da mercadoria, em qualquer modalidade, mediante a substituição, no Siscomex, da licença anteriormente deferida. 25 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.247 Fl. 492 § 1 o A substituição estará sujeita á novo exame pelo(s) órgão(s) anuente(s), mantida a validade do licenciamento original. ,f 2o Não serão autorizadas substituições que descaracterizem a operação originalmente licenciada. Art. 21. O licenciamento poderá ser retificado após o desembaraço da mercadoria, mediante solicitação ao órgão anuente, o que será objeto de manifestação fornecida em documento especifico. De todo o exposto, o que se extrai da legislação de regência é que será preciso decidir se o erro cometido pelo importador ao indicar a classificação incorreta da mercadoria descaracterizou ou não a operação originalmente licenciada, exigindo, por conseguinte, novo licenciamento, automático ou não automático. Nesta altura, a leitura que tenho dos fatos leva à conclusão de que esse aspecto se quer foi investigado. A transcrição feita de excertos do voto condutor da decisão recorrida deixa claro que as razões de decidir estiveram alicerçadas em interpretação distinta do comando contido no ADN Cosit n° 12/97, até porque, a juízo do i. relator do voto condutor, a descrição da mercadoria não estava tão discrepante da que havia sido efetivamente importada. Embora "os motores importados contêm cilindros, são efetivamente da marca Wartsila, modelo 18V46, com potência um pouco superior a 17.000 kW, com números de série correspondentes àqueles descritos na Dl" e "os dados complementares da mercadoria (fls. 08 e 91) contemplam outras características, como a presença de pistons, compatível, portanto, com um motor de combustão interna (dentre eles os motores a diesel), conforme afirmado pelo próprio perito no laudo técnico de fls. 99", a multa deve ser aplicada, tendo em vista que o importante é "se a descrição do produto contida na M/D' permite se chegar à correta classificação da mercadoria, a qual, conforme demonstrado, deverá se adequar a algum dos códigos NCM das posições 84.07 ou 84.08. ". Como na "LI/DI não há nenhuma informação que permita vislumbrar , que os motores importados são equipamentos de ignição por compressão (a diesel), de sorte a permitir a classificação dos mesmos na posição correta 84.08, em detrimento da posição 84.07", considerou-se não aplicável ao caso o ADN Cosit n" 12/97, sujeitando a importação à . multa nele tratada, sem que fosse avaliada a necessidade ou não de novo licenciamento frente às imprecisões identificadas na instrução dos documentos que instruíram o despacho de importação. Não me passa desapercebido o fato de que essa interpretação restringe significativamente as ocorrências passíveis de serem reconhecidas como infração por falta de licenciamento decorrente do erro de classificação tarifária e nem os problemas que ela acarreta na definição do que venha ser objeto de novo licenciamento nestas circunstâncias. 26 Processo n° 10831.000717/2001-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.247 Fl. 493 Quanto a isso, é tranqüilizador saber que decorrem da outra • interpretação problemas muito maiores, por que dela resulta uma aplicação indesejável da norma, ao desconsiderar-se que a mesma especifica uma inocorrência e não uma ocorrência e, ainda mais, desconhece por completo a presença de uma condição expressamente consignada: a de que tais circunstâncias exijam novo licenciamento, reduzindo a ação do Fisco à identificação de um erro de classificação associado ou não a um problema de descrição das mercadorias, sem qualquer conexão com todo arcabouço legislativo que regulamenta a sistemática de licenciamento das importações. Não há como escapar de urna áálise de mérito, caso a caso, de cada uma das importações licenciadas, buscando identificar se o erro de classificação tarifária descaracterizou a operação original, na medida em que para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar se a mercadoria estava ou não correta e suficientemente descrita, e só então decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Desta forma, deve ser afastada a multa prevista no árt. 526, II do Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985. Finalmente, no que se refere à multa de 75% contestada pela recorrente, aplicada com base no art. 44, inciso I da Lei n° 9.430/96, creio que se aplica o mesmo raciocínio desenvolvido acima, com a aplicação do Ato Declaratório (Normativo) Cosit n° 10, de 16 de janeiro de 1997, para afastar a multa também das Adições 002 e 004. Por todo o exposto, VOTO por conhecer do recurso e dar-lhe provimento parcial para afastar a reclassificação dos Servidores de Acesso de Rede Cisco AS5800 e AS 5300, cuja classificação correta é aquela adotada pela recorrente, para afastar a aplicação da multa prevista do art. 526, inciso II do Decreto n° 91.030/85, incidente sobre todas as : adições e para afastar a multa do art. 44, inciso I da Lei n° 9.430/96, aplicada sobre os produtO, s listados nas Adições 002 e 004. Sala das Sessões, DF, 09 de julho de 2.009. 7\0nAieJL-e0 • (kÁZÁMÁ/t, C73 '- MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA - relato • 27 , MINISTÉRIO DA FAZENDA i:410, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO,...._, „: Processo n°: 10384.003699/2003-15 Recurso n.°: 139.418 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°. 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Sessão, a tomar ciência do Acórdão n.° 3201-00.253. Brasília, 21 de setembre de 200'. álirLUIZ HU 11 E' o !,1 : RNANDES Chefe da a C. , a . er - ira Seção l Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional •
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Numero do processo: 15374.913845/2008-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente, ocasionalmente, o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação dos créditos alegados, no momento processual adequado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 38 45 /2 00 8- 51 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente, ocasionalmente, o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Relatório SABINA MODAS COMÉRCIO LTDA. transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 13101.18613.020804.1.3.046100, visando à extinção de débito de Cofins com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de Cofins, no valor 1.667,60. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 781147192, emitido pela autoridade competente para examinar o pleito repetitório, indeferiuo e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado, alega, em síntese, que: a) possui o direito creditório lastreado no DARF indicado no PER/DCOMP b) recolheu a contribuição social em valor estimado para o período de apuração c) mais tarde, apurou a contribuição social em valor da menor do que o estimado/recolhido d) utilizou no presente PER/DComp o saldo do DARF na compensação aqui analisada e) apresentou demonstrativo dos valores do débito estimado, do débito apurado, e da diferença a seu favor; f) tais informações constam das declarações DCTF e DIPJ do período. A 5 ª Turma da DRJ/RJ2 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 13036.474, de 4 de agosto de 2011, fls. 36 a 39, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 15/11/2000 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913845/200851 Acórdão n.º 3403002.303 S3C4T3 Fl. 62 3 indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/RJ25ª Turma. O arrazoado de fls. 44 a 55 repete a explicação sobre a origem dos créditos e o pedido de realização de diligência para que se ateste a veracidade de suas alegações (pagamento efetuado com base em estimativa do valor da contribuição, constatação de pagamento a maior a partir da apuração real do valor da mesma, utilizando a diferença no pleito ora sub judice), reiterando que a realidade dos fatos está plasmada na DIPJ respectiva. Quanto à falta de provas do indébito, referida na decisão recorrida, entende que não é tarefa do julgador administrativo aferir bases de cálculo, seara exclusiva da Fiscalização. Mesmo assim, rechaça a acusação, oferecendo o DARF do pagamento a maior e “quadro demonstrativo” como prova do indébito. Na continuação, discorre sobre a autorização legal para a compensação almejada, acrescenta ementas de soluções de consulta e jurisprudência judicial, que entende ampararem suas teses recursais. Quanto à preclusão do direito de apresentação de provas, mencionada na decisão recorrida, ao atribuir à recorrente a obrigação de provar que o valor recolhido e devido estavam de acordo com a escrituração contábil, argumenta que tal obrigação não se coaduna com o disposto no art. 65 do Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que prevê que a autoridade competente para decidir sobre a compensação possa realizar diligências. Assim, se a autoridade julgadora de primeira instância tinha dúvidas quanto às informações prestadas pela recorrente, deveria sanálas, antes de emitir sua decisão. Refere doutrina. Invoca o princípio da verdade material. Conclui, requerendo reforma da decisão recorrida para o efeito de reconhecimento do direito creditório, no valor 1.667,60 e da homologação da compensação declarada. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 44 a 55 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RJ25ª Turma nº 13036.474, de 4 de agosto de 2011. Mérito – Prova do indébito Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913845/200851 Acórdão n.º 3403002.303 S3C4T3 Fl. 63 5 formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 6 nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/DComp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar o DARF representativo do pagamento alegadamente indevido e as declarações que a Receita Federal do Brasil já possui em sua base de dados. Nesse ponto, destaco a insuficiência dessas documentos e demonstrativos. A DIPJ tem natureza meramente informativa e não é hábil, de per si, para sobreporse ao confessado na DCTF. Pergunto ao recorrente: existe alguma prova nos autos de que o valor da contribuição do período de apuração 01/10/2000 a 31/10/2000, confessado na DCTF vigente, foi efetivamente apurado com base numa estimativa, conforme alegado na Manifestação de Inconformidade? A resposta, evidentemente, é negativa. Tal comprovação deveria ser feita mediante demonstração lastreada, necessariamente, na escrituração contábilfiscal, revestida das formalidades intrínsecas e extrínsecas exigidas para tanto, sem o que não se pode afastar o atributo de irretratabilidade inerente à confissão espontânea do débito. Tal comprovação, repito, não foi feita. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913845/200851 Acórdão n.º 3403002.303 S3C4T3 Fl. 64 7 Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 8 FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 25 de junho de 2013 Alexandre Kern Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11330.000241/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1995 a 30/04/1997
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, II DO CTN.
Declarada a nulidade do lançamento originário por vício formal, dispõe a Fazenda Pública do prazo decadencial de cinco anos, contados da data em que se tornou definitiva a decisão anulatória em relevo, para formalizar o lançamento substitutivo, a teor do art. 173, II do CTN, observados os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 do STF.
Encontram-se atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias apuradas pela Fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-002.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, II, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, II DO CTN. Declarada a nulidade do lançamento originário por vício formal, dispõe a Fazenda Pública do prazo decadencial de cinco anos, contados da data em que se tornou definitiva a decisão anulatória em relevo, para formalizar o lançamento substitutivo, a teor do art. 173, II do CTN, observados os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 do STF. Encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias apuradas pela Fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, II, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 02 41 /2 00 7- 18 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/07/1995 a 30/04/1997 Data de lavratura da NFLD: 31/08/2006. Data da Ciência da NFLD: 31/08/2006. O presente processo tem por objeto o restabelecimento da exigência fiscal constituída pela NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.594.6027, declarada nula por vício formal pela 2ª CAJ – Câmara de Julgamento do CRPS, nos termos do Acórdão nº 02.04570/1999, de 13/12/1999, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 39/53 O fato gerador das contribuições sociais apuradas nesta NFLD foi a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados da empresa KLM SAT TELECOMUNICAÇÕES E EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS LTDA (prestadora), cedidos à empresa NET RIO S.A.(tomadora), para a execução de serviços, conforme contrato de prestação de serviço existente entre as citadas empresas. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Notificado responsável solidário apresentou impugnação a fls. 91/129. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 144/171, julgando procedente em parte o lançamento, para dele fazer excluir as contribuições sociais destinadas ao outras entidades e fundos, e retificando o crédito tributário remanescente na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 172/175. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 06/06/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 181. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o responsável solidário interpôs recurso voluntário, a fls. 186/218, requerendo ao fim a declaração de improcedência do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11330.000241/200718 Acórdão n.º 2302002.497 S2C3T2 Fl. 228 3 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 06/06/2008. Havendo sido o recurso voluntário postado na Agência dos Correios em 03/07/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente em seu instrumento de Recurso Voluntário, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à fluência do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário objeto do vertente Processo Administrativo Fiscal. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Assim, afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. No estudo da decadência tributária, tão importante quanto a determinação do prazo decadência é a fixação da data de início da contagem de tal prazo. Ordinariamente, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Alternativamente, se ocorrer, antes da data assinalada no parágrafo anterior, qualquer medida preparatória indispensável à efetivação do lançamento, o dies a quo do prazo em relevo é antecipado para a data em que o sujeito passivo for validamente notificado do início do procedimento de constituição do crédito tributário ora em apreço. Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Nessa perspectiva, iniciado o procedimento de lançamento, este somente poderá convolar em crédito tributário as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores que tenham ocorrido nos cinco anos que antecederem ou a data prevista no inciso I do art. 173 do CTN ou aquela assinalada no Parágrafo Único desse mesmo dispositivo legal, a que ocorrer primeiro na linha do tempo. Assim, iniciado o procedimento administrativo do lançamento, este irá alcançar, com a mesmo força constitutiva, todos os fatos geradores não vitimados pela decadência. O crédito tributário decorrente de tal procedimento somente restará definitivamente constituído, e assim dotado de liquidez, certeza e dos demais atributos à sua exigibilidade, com o Trânsito em Julgado na instância administrativa do Processo Administrativo Fiscal correspondente. Ocorre que o inciso II do art. 173 do codex tributário prevê uma hipótese de interrupção sui generis da decadência tributária: Se antes da ocorrência do Trânsito em Julgado administrativo o procedimento do lançamento for declarado nulo por vício formal, a Fazenda Pública passa a dispor do prazo contínuo de 05 anos, contados da data em que se tornou definitiva tal decisão anulatória, para sanar as inquinções da nulidade em realce, e realizar a constituição do crédito tributário sobre exatamente os mesmos fatos geradores integrantes do lançamento substituído, que fora declarado nulo. Alertese que tal hipótese de interrupção atinge, indistintamente, tanto a hipótese prevista no inciso I quanto aquela assentada no Parágrafo Único do art. 173 do CTN. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11330.000241/200718 Acórdão n.º 2302002.497 S2C3T2 Fl. 229 5 No caso em debate, o lançamento originário houvese por declarado nulo pela 2ª CaJ/CRPS, por vício formal, nos termos do Acórdão nº 02/04570/1999. Declarada a nulidade no dia 13 de dezembro de 1999, em atenção ao disposto no inciso II do art. 173 do CTN, o Fisco passou a dispor do prazo decadencial de 05 anos a contar de então para corrigir os vícios de nulidade apontados pelo CRPS e promover a formalização de lançamento substitutivo abraçando, exatamente, todas as obrigações tributárias contidas na NFLD nº 35.594.6027, observados em relação a esta, os efeitos irradiados da Súmula Vinculante nº 8 do STF. Nesse contexto, tendo a decisão anulatória em foco se tornado definitiva com a sua publicação em 13/12/1999, a Fazenda Pública teria até a data de 13/12/2004 para promover a constituição do crédito tributário em realce, mediante a formalização do lançamento substitutivo. Ora, havendo sido a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito substituta lavrada, tão somente, em 31/08/2006, não demanda áurea mestria concluir que nesta data já se havia escoado integralmente o prazo concedido pela lei, na expressão do inciso II do art. 173 do CTN, para que a administração tributária procedesse à constituição do crédito em questão. Por tais razões, não há como deixar de reconhecer que o lançamento em debate houvese por formalizado muito após o exaurimento do prazo decadencial, circunstância que se configura óbice intransponível à constituição do crédito tributário aviado na vertente NFLD, em razão de sua extinção legal, nos termos do art. 156, V, in fine do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10620.000198/2001-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
ITR - AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL - ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Como regra, para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis n os 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador.
Neste feito, a exclusão da área de utilização limitada da base de cálculo do ITR é justificada, também, pelo referido Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal.
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.137
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira que davam provimento parcial referente à reserva legal.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ITR - AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL - ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Como regra, para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis n os 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador. Neste feito, a exclusão da área de utilização limitada da base de cálculo do ITR é justificada, também, pelo referido Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial negado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 ITR AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Como regra, para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador. Neste feito, a exclusão da área de utilização limitada da base de cálculo do ITR é justificada, também, pelo referido Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira que davam provimento parcial referente à reserva legal. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 276283), interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do acórdão nº 30133.293 (fls.262 274) da Primeira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, proferido em 19 de outubro de 2006, que por, unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, em deu provimento parcial ao recurso para excluir as áreas de preservação permanente e de reserva legal constantes do laudo técnico de avaliação de fls. 166/242: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Data do fato gerador: 01/01/1997 Ementa: ITR/97. PRELIMINAR DE NULIDADE. UNIDADE JULGADORA DE JURISDIÇÃO INCOMPETENTE. IMPROCEDÊNCIA. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, em matéria de ITR, é competente para realizar julgamentos de processos de contribuintes de domicílios fiscais de outras jurisdições, inclusive de todas as unidades da Secretaria da Receita federal situadas na 6ª Região Fiscal, onde se localiza o imóvel rural de propriedade da contribuinte que formulou o questionamento. ATO DECLARÁTORIO AMBIENTAL ADA. A recusa de sua aceitação, por intempestividade, em face do prazo previsto da IN SRF n° 43 ou 67/97, não tem amparo legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. PROVA HÁBIL. O laudo técnico de avaliação elaborado por profissional legalmente habilitado, acompanhado Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10620.000198/200177 Acórdão n.º 920202.137 CSRFT2 Fl. 2 3 da devida Anotação de Responsabilidade Técnica ART, de acordo coma as regras da ABNT, configura documento hábil e idôneo para fim de comprovação da existência de Área de Reserva Legal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. A obrigatoriedade de averbação, nos termos do parágrafo 8° do art. 16 da Lei 4.771/65 (Código Florestal), tem a finalidade de resguardar, distinta do aspecto tributário: a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer título, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel, a qualquer título, mediante a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental competente. A exigência da averbação como pré condição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na Lei ambiental. O § 7° do art. 10 da Lei n° 9.939/96 determina literalmente a não obrigatoriedade de prévia comprovação da declaração por parte do declarante, ficando, todavia, responsável pelo pagamento do imposto correspondente, acrescido de juros e multa, previstos nesta Lei, caso fique comprovado posteriormente que sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Cingese sobre o lançamento decorrido de glosa de áreas de preservação permanente e de reserva legal. No encerramento de ação fiscal levada a efeito contra o sujeito passivo foi lavrado o Auto de Infração do ITR às fls. 02/08, referente a. fato gerador ocorrido em 01/01/1997, com crédito tributário no valor total de R$ 97.907,14. No caso, o contribuinte pleiteara a reforma da decisão da 2ª Turma de julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em Brasília/DF, que julgou procedente o lançamento impugnado. O Procurador Geral da Fazenda Nacional recorre à instância especial para manifestar a discordância em face do acórdão recorrido, no qual a câmara entendeu desconstituir o lançamento, ainda que na ausência de elemento essencial para o escopo da lei, qual seja, o registro da respectiva área a ser preservada junto à matrícula do imóvel rural. Reportase como paradigma de divergência dos Acórdãos n° 30236278 e 302 36465 da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes com os quais o representante da Fazenda pretende comprovar suas alegações, in verbis: Acórdão 30236278 "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR EXERCÍCIO DE 1997 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de áreas de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio. As áreas de reserva legal devem ser averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO." Acórdão 30236465 "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. As áreas de preservação permanente, a que se refere o art. 2' da Lei n° 4.771/65, estão sujeitas a comprovação para fins de gozo da isenção do ITR e, aquelas previstas no art. 3' da Lei n° 4.771/65, devem ser declaradas como tal, por ato do Poder Público. RESERVA LEGAL GRAVADA COMO ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A área de reserva legal será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, nos termos da legislação pertinente. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO POR UNANIMIDADE." Por meio de análise preliminar, a i. Presidente da então Primeira Câmara, do Terceiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso especial por entender que a recorrente demonstrou fundamentalmente a divergência jurisprudencial suscitada– despacho fls. 288. Intimado, o Contribuinte apresentou contrarazões (fls. 301) afirmando que as alegações da PGFN não merecem prosperar, tendo em vista a vasta jurisprudência desta Câmara Superior no sentido de que a área de reserva legal não depende de prévia averbação, sendo que a comprovação de sua existência pode ser feita por quaisquer meios, inclusive através do laudo técnico, assim como ocorreu nos presentes autos. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Especial (fls. 341) alegando que a decisão que rejeitou os embargos foi de encontro à jurisprudência deste conselho, ao não aceitar a alegação de ilegitimidade passiva em função de a matéria ter sido considerada preclusa. A Presidente da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes negou seguimento ao Recurso Especial da contribuinte, tendo em vista que o acórdão recorrido deixou de examinar matéria tida como preclusa, porque e não suscitada anteriormente nos autos. Desse modo, o Recurso Especial apresentado não demonstrou que a matéria em causa já fora anteriormente questionada nos autos. Com fundamento no artigo 17 do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, o contribuinte interpôs agravo em face do Despacho n° 1564.129257, de 14 de novembro de 2008, do Presidente da 1ª Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, que negou seguimento ao recurso especial do recorrente [fls. 383/388]. O então Presidente do CARF entendeu – quando do exame de admissibilidade do recurso interposto – por negar seguimento ao agravo com espeque nos seguintes fundamentos [Despacho n. 21000054/2010 – fls. 397/398]: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10620.000198/200177 Acórdão n.º 920202.137 CSRFT2 Fl. 3 5 [...] Salientese que, embora o agravo regimental não esteja mais previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, seu art. 50 determina que as negativas de admissibilidade dos recursos especiais exaradas até a data da sua publicação observarãq o rito estabelecido no art. 17 do RICSRF. [...] Cientificado dessa decisão em 23 de dezembro de 2008 (fl. 382), o r corrente apresentou o presente recurso tempestivamente no dia 29 do mesmo mês (fls. 383 a 88), nos termos do art. 17°, § 1°, do RICSRF, reafirmando os argumentos do recurso especial, pois suscita sua ilegitimidade passiva, uma vez que a propriedade já havia sido alienada por ocasião da lavratura do auto de infração e não havia no titulo a prova da quitação, e que essa matéria não está sujeita à preclusão, por ser matéria de ordem pública. Ao final, requer a admissão do recurso especial. É o relatório. Passo a decidir sobre o recurso de agravo. O presente recurso não merece prosperar. Verificase que o contribuinte não suscitou a questão da ilegitimidade passiva por ocasião do lançamento, nem em sua impugnação para a DRJ, nem no recurso voluntário. Como a matéria não foi defendida, por evidente que o acórdão da lª Câmara do 3° Conselho de Contribuintes não a analisou (fls. 262 a 274). Somente em sede de embargos de declaração (fls. 306 a 308), o contribuinte traz aos autos o argumento de que não era mais o proprietário do imóvel por ocasião do lançamento, e que, por ocasião da venda, não houve a comprovação da quitação do ITR, e alega omissão do julgado que não teria analisado documentos acostados ao processo que conteriam essa informação. Os embargos de declaração foram rejeitados, pois não se verificou omissão em não se analisar matéria anteriormente não ventilada (fls. 312 a 314). n Irresignado, o sujeito passivo aviou recurso especial de divergência (fls. 341 a 345), onde afirma que os Acórdão nos 30334.683, 20215.594 e 30334.481 decidiram que a questão da ilegitimidade passiva pode ser arguida em qualquer grau de jurisdição, mas esse recurso não foi admitido pelo despacho agravado. Verificase que o contribuinte fundamenta seu apelo nos documentos de fls. 210 a 214 , que comprovam que a propriedade objeto do lançamento foi dividida amigavelmente entre o agravante e a empresa Anfer Participações Ltda em 20 de outubro de 1999. Observase que, para as glebas que couberam à outra empresa, nas matrículas de ds 18.225 e 18.226 consta a informação: "quites com o exercício de 1998/1999 e inscrito na Receita Federal sob n° 0.335.8933 estando quites com o ITR, conforme certidão datada de 30.07.99 (fls. 211 e 212) e na matrícula de n° 18.227 consta a informação "quites com o exercício de 98/99" (fls. 213). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Assim: a prova acostada aos autos aponta que, por ocasião da venda, foi comprovada a quitação do ITR por meio de certidão negativa da Receita Federal, o que põe por terra a defesa do agravante de "evidente ilegitimidade passiva". Fraco seu argumento de que a informação de que foi apresentada a quitação de 1998/1999 implicaria que não houve a prova da quitação do ITR de 1997, já que existe a menção à juntada de certidão que comprova a quitação do tributo. A alegação da defesa, apesar de remotamente possível, só poderia ser aferida com uma análise aprofundada da prova, o que, de imediato, afasta a possibilidade de se tratar de questão de ordem pública. O que se observa é que o agravante pretende fazer do recurso especial uma terceira instância administrativa e que se julgue novamente o caso, com a apreciação de provas trazidas aos autos após o julgamento em 2a instância. Entretanto, o recurso especial não é o local apropriado para o reexame de conteúdo probatório. Tratase, ao reverso, de uma garantia de uniformidade de entendimento sobre a legislação tributária entre as câmaras, turmas de câmaras, turmas especiais do CARF, e entre estas e a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Desta forma, correto o despacho agravado que negou seguimento ao recurso especial por ausência de prequestionamento da matéria, nos termos do art. 7°, § 5°, do RICSRF. Assim, como o inciso V do § 2° do art. 17 do RICSRF determina que não cabe pedido de reexame de admissibilidade do recurso especial nos casos em que o indeferimento tenha decorrido de falta de prequestionamento da matéria, no caso de recurso interposto pelo sujeito passivo; NÃO CONHEÇO do agravo regimental e o rejeito liminarmente, nos termos do art. 17°, § 3°, do RICSRF. À Secretaria desta CSRF para distribuição, por sorteio, dos presentes autos, para apreciação do Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 276 a 287), anteriormente admitido (fls. 288 a 291), bem como das contarrazões do contribuinte (fls. 301 03"). É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10620.000198/200177 Acórdão n.º 920202.137 CSRFT2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade, passo ao exame do mérito. Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 10, inciso II, aliena ‘a’da Lei n° 9.393/1996, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. 1 DIVERGÊNCIA QUANTO À EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei nº 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Temse que a, ao alterar o art. 16 da Lei nº 4.771/65, acrescentoulhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessanos o § 2º, com a seguinte redação, in verbis: “Art. 16. ...................... § 1º. ............................. § 2º. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área.” Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Após profundos debates, principalmente no âmbito da Segunda Turma desta CSRF, da qual faço parte, firmei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Ademais, nos termos do artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008, cuja entrada em vigor restou prorrogada para 11/12/2011, por força do Decreto n° 7.497, de 09/06/2011, a ausência de averbação da reserva legal dá ensejo à aplicação de multa pecuniária. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. E, no caso, penso que a decisão de segunda instância também deve ser confirmada com relação à área de reserva legal, pois o contribuinte atendeu a todas as exigências legais, na medida em que, embora após a ocorrência do fato gerador, que se deu em 01/01/1997, promoveu a respectiva averbação das áreas em 28/10/1999, conforme asseverado pelo i. Conselheiro Relator do acórdão recorrido [fls. 262/274]: [...] Existe, entre os documentos apresentados (fls. 41/48) pela ora recorrente, título de comprovação de suas declarações, duas escrituras exaradas pelo Cartório de Registro de Imóveis de PiraporaMG, com matriculas de n° 14.099 e 14.097, não constando dele' nenhuma averbação de áreas de utilização limitada. Entretanto, há novas informações sobre tais escrituras (fl. 184), notadamente quanto aos números de matriculas que foram alterados para 18.224, 18.225 e 18226, procedentes do registro de matrícula anterior n° 14.097 e n's 18.227 18.228 à de n° 14.099. . Devo ressaltar, por fim, que, sob minha ótica, a averbação da área de utilização limitada pode se dar em momento posterior à ocorrência do fato gerador. No caso, o início da ação fiscal ocorreu em 24/04/2000. Conforme asseverou o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso voluntário n° 342.455, “...havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou termos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10620.000198/200177 Acórdão n.º 920202.137 CSRFT2 Fl. 5 9 exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR.” Nesse sentido, ainda, trago à colação a ementa do seguinte julgado proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. LEINº 9.393/96. AVERBAÇÃO PRÉVIA DA RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE.AGRAVO IMPROVIDO. 1. "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula doimóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fatogerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento daisenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteçãolegal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965." (REsp nº1.060.886/PR, Relator Ministro Luiz Fux, in DJe 18/12/2009). 2. Agravo regimental improvido. (STJ, Primeira Turma, AgRg no REsp n° 1.157.239/DF, Relator Ministro Hamilton Carvalhido, DJE de 04/06/2010) Dessa forma não merecem guarida a irresignação da i. PGFN. 2 DIVERGÊNCIA QUANTO À EXCLUSÃO DA ÁREA PRESERVAÇÃO PERMANENTE Em relação aos efeitos da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA temos que apesar de contestado o não comparecimento da Contribuinte para a apresentação do ADA/IBAMA dentro do prazo previsto na IN/SRF n° 43/97, com redação da IN 67/9 prazo este prorrogado pelo art. 3° da IN/SRF n° 56/98 para 21/09/98, é de se considerar que após a intimação para apresentar os documentos requisitados pela fiscalização, a contribuinte o fez mesmo que intempestivamente [19/07/2000], conforme cópia anexa (fl. 40), não sendo a regularidade dos registros contidos no ADA contestada pela decisão de primeira instância, o qual atesta a existência de 980,0 ha. de área de preservação permanente, 1.797,1 ha. de área de reserva legal e 600 ha. de área de declarado interesse ecológico, perfazendo um total de 3.377,1 ha. de área total florestal. Merece tal documento ser reconhecido, posto que exarado por órgão competente e por não haver sido contestada a sua validade pelo juízo de primeira instância quanto a sua validade. . Os laudos técnicos de avaliação colacionados nos autos (fls. 23/38 e 166/24v) também são instrumentos hábeis e idôneos para consignar a existência da área de preservação permanente, no imóvel objeto da lide, eis que não há controvérsias quanto a sua legitimidade. Ademais, tal matéria foi objeto do enunciado da Súmula CARF n° 41 que trata especificamente do assunto: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 9DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720020/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. OBRIGATORIEDADE.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.
Numero da decisão: 2201-002.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2201-1.375, de 1º/12/2011, alterar a decisão, no sentido de desconsiderar a Área de Reserva Legal declarada.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Marcio de Lacerda Martins, Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. OBRIGATORIEDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.
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ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. OBRIGATORIEDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 22011.375, de 1º/12/2011, alterar a decisão, no sentido de desconsiderar a Área de Reserva Legal declarada. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 00 20 /2 00 7- 90 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Marcio de Lacerda Martins, Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Relatório A Fazenda Nacional, com fulcro nas disposições contidas no art. 65 da Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), opõe Embargos Declaratórios em face do Acórdão nº 220101.375, de 01 de dezembro de 2011, alegando, em síntese, que: ... foi possível constatar a existência de pequena contradição no julgado, no tocante à existência ou não da respectiva averbação da referida área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Isso porque, os documentos citados pelo r. voto, não dizem respeito à averbação da área de reserva legal na inscrição do imóvel. Com efeito, a Escritura Pública Declaratória foi lavrada perante Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Município de Pirapora do Bom Jesus/SP, e corresponde a mera declaração do sujeito passivo de que se compromete a reservar no respectivo imóvel a área de reserva legal ali consignada. Embasam a referida declaração o Memorial Descritivo e o Termo de Responsabilidade citados por este e. colegiado. Nesse sentido, a Certidão lavrada pelo Oitavo Oficial de Registro de Imóveis, em 15 de maio de 2003, registra o histórico da titularidade do imóvel, bem como todas as averbações efetuadas na matrícula do mesmo, não constando qualquer referência à averbação da área de reserva legal. Pois bem, no que tange a área de reserva legal, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF julgou o Processo nº 13896.720020/200790, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 220101.375, de 01 de dezembro de 2011, assim ementado: ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Por sua vez, o voto condutor do aresto supra assegurou: (...) Sobre cada uma das áreas glosadas foram apresentadas as seguintes provas: Reserva Legal (96,8ha) – Averbação de 20% na matricula do imóvel, fls.105/106, consubstanciado no Memorial Descritivo da Área de Reserva Legal (fls.117), no total de 968.000 m2, ou seja, os 96,8ha e pelo Termo de Responsabilidade de Preservação de Reserva Legal (fls.83/84). Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13896.720020/200790 Acórdão n.º 2201002.144 S2C2T1 Fl. 3 3 (...) Passemos a analise de cada uma das áreas acima especificadas. No que se refere a área de Preservação Permanente dos 80,0ha, declarados, apenas 24,92ha foram comprovados através de Laudo. Por sua vez, a integralidade da área 96,8ha de Reserva Legal está averbada. Desse modo, referidas áreas que estão devidamente comprovadas devem ser afastadas do lançamento. (grifei) Em função do relato supra, os membros do Colegiado decidiram: ... por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a integralidade da área de reserva legal de 96,8ha e a área de preservação permanente comprovada através de Laudo Técnico de 24,92ha. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França (relatora) e Rodrigo Santos Masset Lacombe que davam provimento em maior extensão e o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que negava provimento pela ausência do ADA. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa em relação à retificação da área total do imóvel Entretanto, analisando detidamente os autos, verifico que não há averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no cartório de registro e sim, Escritura Pública Declaratória lavrada perante o Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Município de Pirapora do Bom Jesus/SP. Portanto, da análise supra constatase flagrante contradição entre o conteúdo dos autos e o que foi decidido pelo Colegiado. Sendo assim, os autos devem ser novamente apreciados pela Turma Julgadora e, em especial, a questão relativa à área de reserva legal. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator. Os embargos são tempestivos, portanto, conheço. Como se pode verificar da leitura do relatório, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF partiu da premissa que havia averbação de 96,8 ha da área de reserva legal à margem da matrícula no Cartório de Registro de Imóveis, contudo, conforme se infere da análise dos autos, o contribuinte procedeu a lavratura de Escritura Pública Declaratória perante o Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Município de Pirapora do Bom Jesus/SP. A Escritura lavrada teve como base os seguintes documentos (fl. 83/84): ... Memorial Descritivo assinado em 19 de dezembro de 2002, pelo Engº Flávio Eduardo Adorno Barone (Crea 5060577657) e Técnico Agr° Ricardo Negrão Ramos; 4) Que, fazem esta declaração especificando e retificando o Termo de Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 responsabilidade de preservação de reserva legal n° 217/02 (processo SMA 72.645/00), expedido em 19 de dezembro de 2002, pela Secretaria do Meio Ambiente, Coordenadoria de Licenciamento Ambiental e Proteção de Recursos Naturais, Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DEPRN). Com efeito, independentemente dos documentos acima relacionados, a área de reserva legal somente poderá ser suprimida da base de cálculo da apuração do ITR, somente após regularmente averbada na matrícula no Cartório de Registro de Imóveis, em data anterior à ocorrência do fato gerador, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Destarte, como não há efetivamente averbação da área de reserva legal junto ao CRI competente, o contribuinte não poderá se beneficiar da isenção. Ressaltese que a norma que veicula a isenção fiscal deve ser interpretada restritivamente, a luz do art. 111, I, do CTN. Ante a todo o exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 22011.375, de 1º/12/2011, alterar a decisão no sentido manter a glosa sobre a área de reserva legal. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13896.720020/200790 Acórdão n.º 2201002.144 S2C2T1 Fl. 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13896.720020/200790 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.144. Brasília/DF, 16 de agosto de 2013 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900947/2009-56
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 09 47 /2 00 9- 56 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900947/200956 Acórdão n.º 1803001.683 S1TE03 Fl. 79 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900947/200956 Acórdão n.º 1803001.683 S1TE03 Fl. 80 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 37verso): Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 14.11.2005, mediante o qual foi pedida restituição no valor original de R$ 8,02 e efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada. A Delegacia de origem, mediante despacho decisório eletrônico (fl. 06), asseverou que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 05/06/2009 (fl. 07) a interessada apresentou, tempestivamente, em 23/06/2009, manifestação de inconformidade (fls. 08/09) na qual, em síntese que: a) “Após revisão em nossos arquivos, constamos(sic) que nos exercício (sic) de 2003 e 2004, a empresa teve apuração de IRPJ e da CSLL Anual, tendo pago por estimativa mensal, desta forma o recolhimento mensal foi superior ao apurado anual, daí a existência do crédito suficiente para pagar os demais débitos os quais foram compensados nos anos calendários subseqüentes, através de PER/DCOMP. Entretanto, antes mesmo da emissão deste despacho decisório, revisando nossos arquivos e, em análise mais apurada, constatamos que nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, foram informados os valores pagos mensalmente por estimativa, sendo assim no dia 01 de Abril de 2009 procedemos a retificação das referidas DCTF’s (...)” ; b) “Diante de todas as análises, entendemos que a retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários – DCTF, irá sanar todas as divergências entre créditos e débitos, ou seja, mediante o procedimento de declaração retificadora, os débitos serão extintos.” Ao final, requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a conseqüente homologação da compensação declarada. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 37): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900947/200956 Acórdão n.º 1803001.683 S1TE03 Fl. 81 4 3. Cientificada da referida decisão em 23/03/2011 (fls. 41), a tempo, em 18/04/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 46 a 50 (numeração digital – ND), instruído com os documentos de fls. 51 a 75 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e informando estar encaminhando cópias de registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, de balanço transcrito no livro Diário e de Darf utilizado como referência de crédito na compensação, documentos, estes, necessários à demonstração do crédito pleiteado. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900947/200956 Acórdão n.º 1803001.683 S1TE03 Fl. 82 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Pedido de compensação 5. De início, convém observar que a decisão recorrida corretamente concluiu no seguinte sentido (fls. 38 e verso – destaques e notas do original): Por outro lado, tomandose em conta que o crédito apontado pelo sujeito passivo em sua declaração de compensação refere se a recolhimento de estimativas mensais, impõese assinalar que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei nº 9.430/19961, os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa. Notese que, ao final do anocalendário, acaso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, poderá pleitear a restituição ou a compensação deste mesmo saldo, nos termos e condições constantes do art. 6º, § 1º, da Lei nº 9.430/19962. 1 "Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior." 2 “Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior.” Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900947/200956 Acórdão n.º 1803001.683 S1TE03 Fl. 83 6 Constatase, pois, que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei nº 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). 6. Por outro lado, conforme se observa da Planilha 1, constante do Recurso Voluntário (fls. 48 e 49 – ND), em que se comparam os valores de estimativas pagos no decorrer do anocalendário de 2002 e o valor total apurado (devido) no mesmo anocalendário, está a Recorrente, na realidade, pleiteando “crédito resultante da apuração final do exercício”. 7. Por conseguinte, aquele pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório na correspondente Per/DComp, compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 11516.000328/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
MULTA ISOLADA - IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL - Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento
Numero da decisão: 2202-002.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso. O Conselheiro Márcio de Lacerda Martins acompanha o voto do Relator pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta).
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações MULTA ISOLADA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso. O Conselheiro Márcio de Lacerda Martins acompanha o voto do Relator pelas conclusões. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 03 28 /2 00 9- 89 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR 2 Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta). Fl. 355DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR Processo nº 11516.000328/200989 Acórdão n.º 2202002.280 S2C2T2 Fl. 339 3 Relatório Mediante auto de infração de folhas 271/282, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 195.835,84, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005 e 2006. Consta também do presente lançamento multa exigida isoladamente no valor de R$ 100.850,60, por falta de recolhimento mensal de carnê leão de rendimentos recebidos de pessoas fisicas, nos anos calendários de 2005 e 2006. Os fatos apurados pela fiscalização que ensejaram a lavratura do presente auto de infração estão detalhadamente descritos no Termo de Verificação Fiscal, fls. 261/270. A autuação é decorrente da apuração de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, no ano calendário 2005. Foi lançando também omissão de rendimento recebidos de pessoas fisicas, decorrentes de ações judiciais no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, nos anos de 2005 e 2006. 0 contribuinte, como preposto de seus clientes, repassou a estes valores menores que os recebidos, tendo sido estes valores caracterizados como honorários advocaticios. Os fatos detalhadamente relatados as fls. 263/270 estão indicado a seguir. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Relata a autoridade lançadora que no ano calendário 2005, deixaram de ser comprovados, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados na agência 1873, conta n° 01.62101 da Caixa Econômica Federal. A fiscalização informa que o contribuinte recebeu rendimentos de pessoas fisicas superiores aos declarados. Que de posse dos alvarás judiciais expedidos, relacionou os valores que o contribuinte, na condição de preposto em diversos processos, recebeu do Tribunal de Justiça de Santa Catarina e comparou com os recibos dos pagamentos efetuados aos clientes. As diferenças apuradas, foram tratadas como rendimentos de honorários advocaticios. Estes valores foram submetidos ao contribuinte para sua manifestação e estão detalhadamente consignados no relatório deste auto de infração, fls. 265 a 267 O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, fls. 285/292, a qual em síntese traz os seguintes argumentos: No que se refere ao carnêleão, alega que não houve sonegação fiscal e que todos os recibos fornecidos aos seus clientes foram declarados nos exercícios nos anos de 2005 e 2006. Que na realidade omitiu apenas o nome das pessoas fisicas que pagaram os honorários. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR 4 Que a importância de R$ 15.300,00 depositada na agência da Caixa Econômica Federal, em 28/02/2005 se refere a empréstimo que o recorrente se valeu de terceiros, para atender despesas futuras, valor este devolvido em espécie, em 2005, àquele que emprestou. Que a importância de R$ 26.484,48 é resultante de uma aplicação feita no valor de R$ 30.000,00, na Bolsa de Valores, pela Caixa Econômica Federal, mas que em razão de constantes quedas nas bolsas de todo o mundo, para evitar prejuízo maior, resgatou o valor aplicado, o que resultou no prejuízo de R$ 3.515,52. O valor de R$ 45.000,00 depositado na CEF em 27/12/2005, se refere a simples transferência bancária do BESC para a CEF, para fazer frente a despesas futuras. Que a operação não resultou em ganho para o recorrente. Apresenta planilha fls. 287/290, indicando relação de recibos emitidos para seus clientes, relativos aos meses de novembro e dezembro de 2005, nos quais alega que a diferença apontada no levantamento efetuado pela fiscalização está incorreta pois não foi considerado no calculo as diversas despesas efetuadas nos processos judiciais, tais como adiantamentos e ressarcimentos A. escritórios para elaboração de cálculos. Que não pode ser considerado como honorário os valores ressarcidos indicados e citados, a titulo de despesas diversas, dentre elas a correspondente a cálculos judiciais. Que os recibos emitidos em 07/2006, relativos aos clientes indicados estariam corretamente lançados mas que não foi considerado valores repassados aos demais profissionais que atuaram nos processos. Quanto ao recolhimento do imposto a titulo de carnêleão, nos exercícios de 2006 e 2007, optou por declarar o que efetivamente recebeu, o que não constitui qualquer irregularidade perante o fisco. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis – DRJ/FNS, ao analisar a impugnação julgou improcedente os argumentos do Recorrente, através do acórdão 0721.971, de 05 de novembro de 2010; Devidamente cientificado dessa decisão o contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR Processo nº 11516.000328/200989 Acórdão n.º 2202002.280 S2C2T2 Fl. 340 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. O auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Não há que se falar em violação do sigilo bancário no presente caso, tendo em vista que o Recorrente apresentou seus extratos bancários para a autoridade lançadora. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Não merece reparos a decisão da DRJ, tendo em vista que o Recorrente não conseguiu comprovar através de provas a origem dos depósitos ensejadores do presente lançamento. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR 6 Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Omissão de Rendimentos. No que diz respeito as omissões apuradas pela autoridade lançadora, com base nos recibos emitidos para seus clientes, relativos aos meses de novembro e dezembro de 2005, bem como para o mês de julho de 2006, o Recorrente discorda do lançamento efetuado, no que afirma que os valores estariam incorretos em decorrência de não ter sido considerado no calculo as diversas despesas efetuadas nos processos judiciais, tais como adiantamentos e ressarcimentos a escritórios para elaboração de cálculos. No entanto, para demonstrar estas alegações, apresenta apenas uma planilha demonstrativa, fl. 287/290, no qual apresenta valores relativos a despesas denominadas "ressarcimento de despesas adiantadas p/ escritórios c/ cálculos, etc". Verificase portanto que o contribuinte não concorda com o valor do imposto apurado, tendo em vista que requer que seja deduzido dos rendimentos tributáveis apurados na ação fiscal os valores que alega que adiantou para escritórios, relativo a cálculos judiciais e outras atividades. Entretanto, se confunde o Recorrente neste quesito, posto que as deduções na base de calculo do imposto com base em despesas desta natureza devem ser apuradas em livro caixa, o qual deve apresentar os devidos registros. Estes registros devem ser efetuados com respaldo de documentos idôneos. O que se constata dos autos é que o Recorrente não informou as supostas despesas típicas de registro em livro caixa em sua declaração de ajuste anual, bem como sequer apresentou os documentos relativos aos supostos pagamentos na impugnação apresentada no presente processo. Desta forma, não merece reparos a decisão da DRJ, tendo em vista a falta de comprovação e escrituração de tais despesas por parte do Recorrente. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR Processo nº 11516.000328/200989 Acórdão n.º 2202002.280 S2C2T2 Fl. 341 7 Multa Isolada Concomitância Devemos analisar a questão da aplicação ou não da multa isolada, prevista no art. 44, § 1°, inciso III da Lei nº 9.430/96,, uma vez que já se aplica ao caso a multa albergada no inciso I do caput do mesmo artigo. Julgados anteriores desse Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, têm reconhecido a improcedência a cobrança simultânea das multas previstas no inciso I e no §1º III do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Dentre os argumentos utilizados para se afastar a incidência da multa isolada, quando já haja sido aplicada a multa do inciso, I, dizse que as hipóteses previstas para ambos são diferentes e excludentes, não comportando interpretação conciliatória. Inicialmente, pelo inciso I do art. 44, a multa de ofício será aplicada juntamente com o tributo, quando não houver sido anteriormente pago (regra geral). O inciso III, por sua vez, ao tratar da multa isolada, dispõe sobre a penalidade para o não recolhimento do imposto mensal, o carnêleão, e havendo saldo de imposto apurado mediante procedimento de ofício, tão somente deve ser aplicada a multa de ofício, ou seja, a prevista no inciso I do art. 44. No julgamento do Recurso Voluntário nº 131.038, o Relator AMAURY MACIEL, em seu voto vencedor, cita excerto do acórdão proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 125.987, de 19 de março de 2002, do Ilustre Conselheiro REMIS ALMEIDA ESTOL, de 19 de março de 2002, que assim resumiu a contenda: “No que tange às multas isoladas, são duas as espécies lançadas contra o contribuinte, uma delas sobre o imposto objeto do lançamento que já está com multa de ofício e, a outra, sobre rendimentos declarados e cuja antecipação não foi realizada, não obstante tenham sido oferecidos à tributação na declaração de ajuste. A primeira hipótese não oferece grandes dificuldades, posto que visivelmente afronta toda nossa construção jurídica que repudia a dupla penalização, sobre um mesmo fato e com a mesma base de cálculo, sendo razão suficiente para recomendar seu cancelamento. Essa matéria já foi enfrentada por esta Câmara que, em diversas vezes e à unanimidade, tem decidido pelo afastamento da penalidade sob o argumento da impossibilidade de coexistirem a referida multa isolada, concomitantemente com a multa de ofício normal, incidente sobre o tributo objeto do lançamento. A outra mula isolada incide sobe a antecipação devida e não recolhida, relativamente a rendimentos declarados e oferecidos à tributação e prevista no inciso III do art. 44 da Lei n.° 9.430, que diz: Fl. 360DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR 8 (...) Isto significa dizer que, não obstante o contribuinte tenha declarado espontaneamente os rendimentos e recolhido o tributo, ou seja, cumprindo integralmente e antes do procedimentos fiscal a obrigação tributária, é penalizado com a multa de ofício isolada que é calculada com base em crédito tributário inexistente. Minha discordância em relação a essa penalidade repousa em dois aspectos, um de natureza lógica e outro de cunho legal. Pelo lado lógico, porque em situações em que essa multa alcança a hipótese de omissão de rendimentos e, ai sim, há crédito tributário lançado como também é o caso destes autos e já anteriormente decidido, esta mesma Câmara, à unanimidade, decide pelo afastamento da penalidade, como já dito, sob o argumento da impossibilidade de coexistirem a referida multa isolada, concomitantemente, com a multa de ofício normal, incidente sobre o tributo não pago. Em outras palavras, o contribuinte que omite rendimentos e não recolhe o tributo escapa da multa e, aquele que espontaneamente declara o rendimento e oferece à tributação, fica submetido à penalidade. Também à unanimidade e em relação aos casos em que o tributo é recolhido fora do prazo sem a multa de mora, este Colegiado prestigia a espontaneidade e afasta a imposição da multa isolada.” Desta forma, entendo que não é devida a multa isolada sobre os rendimentos omitidos no presente caso. Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito dou provimento parcial para excluir da tributação a multa isolada. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 361DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2013 po r MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por PEDRO ANAN J UNIOR
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Numero do processo: 10283.006497/2004-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. ERRO MATERIAL NÃO OCORRIDO.
Rejeita-se os embargos de declaração, primeiro porque o contribuinte não apontou a alegada omissão, e segundo porque o erro material suscitado, em verdade, constitui-se em questão de direito, concernente ao fundamento mesmo do acórdão embargado.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 9202-002.095
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. ERRO MATERIAL NÃO OCORRIDO. Rejeitase os embargos de declaração, primeiro porque o contribuinte não apontou a alegada omissão, e segundo porque o erro material suscitado, em verdade, constituise em questão de direito, concernente ao fundamento mesmo do acórdão embargado. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora FORMALIZADO EM: 01/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 2 Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Júnior (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do acórdão n° 9202001.318, em que se negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício: 1999. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 173, I, DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO NO SENTIDO DE QUE O TRIBUTO TERIA DE SER LANÇADO NO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DO FATO GERADOR. FATO GERADOR OCORRIDO EM 1998. PRAZO DECADENCIAL QUE SE INICIA EM 1O. DE JANEIRO DE 1999 E FINDA EM 31.12.2003. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo. Em referido julgamento restou entendido que o prazo decadencial se inicia no exercício financeiro seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Necessária observância dessa decisão, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Depreendese das alegações do embargante haver dois vícios no acórdão embargado a serem sanados: a) omissão: quanto a este vício, suscita a sua ocorrência, porém sem apontá lo especificamente. b) erro material: conforme o embargante, ao se adotar, no acórdão recorrido, como critério o artigo 173, inciso I, do CTN, incidiu: “em erro material ao declarar a decadência dos fatos geradores relativo ao anocalendário 1998, anoexercício 1999, pois se o termo a quo do prazo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o Fisco poderia proceder ao lançamento, temse que para dezembro de 1998 o marco inicial do prazo decadencial é 01/01/2000, visto que a exação relativa a esse mês de competência, à época dos fatos, somente era exigível a partir de 01/01/1999. Assim, não efetuando o contribuinte o pagamento antecipado no prazo exigido pela lei, o prazo decadencial para a constituição Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10283.006497/200436 Acórdão n.º 920202.095 CSRFT2 Fl. 2 3 do crédito tributário deve ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter ocorrido, isto é, a partir de 01/01/2000, expirandose, portanto, em 01/01/2005. Daí, considerando que a constituição do crédito tributário deuse em 29/11/2004, conforme moldura fática traçada no acórdão de origem, resta claro que não se operou a decadência” Diante disso, postulou pelo acolhimento dos embargos de declaração, para “sanar a omissão acima identificada”. O Presidente da Turma entendeu pela indicação em pauta de julgamento dos presentes Embargos de Declaração. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 4 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O embargante suscita a ocorrência de omissão (sem apresentar qual teria sido) e de erro material, consistente, em síntese, na errônea aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, na medida em que se considerou, como termo inicial do prazo decadencial, na hipótese, o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Neste sentido, é de se ter que, primeiramente, os embargos de declaração não se prestam à mitigação de erro material na decisão embargada. Com efeito, o artigo 65 do RI do CARF estabelece que “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma”. O RICARF tem previsão expressa acerca das chamadas inexatidões materiais, em seu artigo 66: Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. § 1° Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar com precisão a inexatidão ou o erro. § 2° Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja submetida à deliberação da turma. § 3° Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Desta forma, a via dos embargos de declaração é inadequada para a correção de erro material. Basta simples requerimento neste sentido. Requerimento este que não tem propriamente natureza de recurso, já que a correção de qualquer inexatidão ou erro material não pode importar alteração ou reforma da decisão. O embargante, suscitando a ocorrência do erro material, por via transversa, intenta a alteração do julgado, indo de encontro aos fundamentos expressos do acórdão embargado, em que se concluiu pela caracterização da decadência. Não se pode admitir esta situação. Com efeito, o embargante sustentou que o prazo decadencial contase de acordo com o artigo 173, inciso I, do CTN, tendo por termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, especificamente no dia 01/01/2000. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10283.006497/200436 Acórdão n.º 920202.095 CSRFT2 Fl. 3 5 Contudo, no acórdão embargado, o entendimento chancelado por unanimidade foi no sentido de que o termo inicial da decadência deuse no dia 01/01/1999, tendo em vista a ocorrência do fato gerador do IRPF no dia 31/12/1998. Isso consoante a decisão do STJ, em que se estabeleceu, expressamente, que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (...)”. Portanto, a aquiescência com o pleito do embargante implicaria em reforma mesmo do julgado embargado, por meio da superação dos seus fundamentos determinantes. Tal não se pode admitir em sede de embargos de declaração. Aprofundemos, de todo modo, a questão. A aplicação da decisão do STJ, proferida sob o procedimento dos recursos repetitivos, que estabeleceu a incidência do artigo 173, inciso I, em face da falta de pagamento antecipado, trouxe à tona calorosas discussões, porque aquela Corte Superior fixou o seu entendimento no sentido de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado equivaleria ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do próprio fato gerador do tributo. Diante disso, a celeuma: a decisão do STJ deveria, nos termos do artigo 62A do RICARF, ser aplicada em sua literalidade, ou o CARF poderia aplicála, mas fazendo a sua interpretação do artigo 173, inciso I, do CTN (propriamente naquilo que efetivamente preceitua)? Meu posicionamento, num primeiro momento, e este momento era justamente o da decisão ora embargada, foi no sentido de aplicar a decisão do Superior Tribunal de Justiça na sua inteireza, conforme acima transcrito, o que levou ao reconhecimento da decadência no caso concreto. Posteriormente, depois de muita reflexão, modifiquei este entendimento, para aplicar o artigo 173, inciso I, do CTN, consoante os termos expressos deste dispositivo, ou seja, no sentido de que o prazo decadencial começaria a correr do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (o qual seria, no caso, o exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador). O embargante pretende, aqui, que este entendimento seja aplicado ao caso, em detrimento do primeiro posicionamento citado. Isto não procede. E não procede porque, primeiro, como já exposto, os Embargos de Declaração não consubstanciam o meio apropriado para a alteração do conteúdo da decisão (do entendimento dos julgadores nela retratado), salvo se uma tal alteração constituirse em decorrência lógica e necessária do saneamento da decisão embargada em face de uma de suas hipóteses expressas e vinculantes de cabimento: omissão, obscuridade e contradição. Sem a presença desses vícios no julgado, este não pode ser modificado. Na hipótese, não houve nenhum desses vícios. Não procede, também, porque o que o embargante pretende é que se dê prevalência, na hipótese, a um entendimento propriamente de direito, o qual (o defendido pelo Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 6 embargante), na ocasião, não se adotou pela turma julgadora. Pelo contrário, à unanimidade deuse o julgamento. Para além da patente inadequação da via eleita para a alteração do julgado pretendida pela embargante, o que por si só já é suficiente para concluir pela sua rejeição, devese pôr em destaque que a pretensão do embargante envolve, propriamente, a alteração do entendimento fixado quando do julgamento combatido. É dizer, a Fazenda Nacional, não se conformando com o julgado, pretende vêlo modificado em seu teor, arguindo inclusive a ocorrência de erro material na aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN. Ora, sabese muito bem. Erro material não é erro de direito, não é erro de julgamento, error in judicando. Um erro de cálculo, por exemplo, não é um erro de aplicação de uma dada norma, ou de um dado precedente. O erro material, de fato, por sua essência, não pode demandar, para a sua correção, uma nova análise de direito. Se a sua análise requer que se procede a um novo juízo jurídico sobre a decisão que se está a corrigir, obviamente, não se está em face de um erro material. Suscitando a ocorrência de erro material, não pode o embargante postular a alteração dos fundamentos de direito da decisão embargada (não se podendo olvidar que os Embargos de Declaração, outrossim, não são o meio adequado para a correção de erro material). Trago à baila alguns relevantes julgados do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INEXISTÊNCIA. CÁLCULOS HOMOLOGADOS. ERRO MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. ENUNCIADO Nº 7 DA SÚMULA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PRECEDENTES. 1. Decididas as questões suscitadas, não há falar em violação do artigo 535 do Código de Processo Civil, à ausência de omissão, contradição ou obscuridade a ser suprida ou dirimida, eis que os embargos de declaração não se destinam ao prequestionamento explícito. Precedentes. 2. "Erro material é aquele evidente, decorrente de simples erro aritmético ou fruto de inexatidão material e não erro relativo a critérios ou elementos de cálculo. Precedente." (REsp nº 1.018.722/PR, Relatora Ministra Eliana Calmon, in DJe 25/6/2009). 3. Inverter a conclusão a que chegou o Tribunal a quo, quanto à inexistência de erro material na conta homologada, demanda reapreciação da prova, o que é vedado pelo enunciado nº 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes. 4. Agravo regimental improvido. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. ERRO MATERIAL. NÃO CABIMENTO. 1. A verificação da ocorrência de eventual omissão pelo Tribunal a quo na análise de matéria constitucional, no âmbito Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10283.006497/200436 Acórdão n.º 920202.095 CSRFT2 Fl. 4 7 desta Corte, importaria na usurpação da competência reservada à Suprema Corte. 2. Afastase a pretensão de nulidade do julgado pela violação do art. 535 do CPC, pois constatase que o acórdão de origem refutou a alegação formulada pela embargante, argumentando ter sido operada a preclusão, por que a hipótese dos autos de erro material. 3. Erro material, nos termos do art. 463, inciso I, do CPC, corresponde àquela inexatidão material, retificável de ofício, que não demanda controvérsia ou revolvimento acerca do direito aplicado ao caso. Precedentes. 4. O recorrente pleiteia incursão nos critérios jurídicos definidos no título exequendo, uma vez que a correção do mencionado equívoco não derivaria de mero lapso aritmético. Não se cogita, portanto, a aplicação do art. 463, inciso I, do CPC. 5. Recurso especial conhecido em parte e não provido. “ERRO MATERIAL. CONCEITO. Erro material havido em decisão jurisdicional, passível de correção a qualquer momento, de ofício ou a requerimento da parte, na forma do artigo 833 da CLT ou 463, I, do CPC, é a inexatidão material perceptível sem maior exame, como evidente engano de escrita, de digitação ou de cálculo (conta aritmética). Nesse conceito não se inclui o erro ou engano de interpretação ou de aplicação de lei, circunstância que desafia terapia processual específica” (Ac. 1°T. julg. 13/11/02. TRTAP: 0790/02. Publ. DJ 22/11/02. Rel. juiz Fernando Américo Veiga Damasceno). Desta forma, evidente que o embargante intenta passar por erro material aquilo que, em verdade, no seu entender, constituiuse em erro de julgamento. A aferição, no caso, da decadência, e a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos da decisão do STJ, não pode ser modificada, à toda evidência, em sede de Embargos de Declaração. E mais, sob a roupagem de erro material (que, evidentemente, não é). Como visto, muito se discutiu no âmbito do CARF sobre como se deveria aplicar a decisão do STJ. Se o entendimento, à época, foi o de aplicála em seus exatos termos, isto não quer dizer que houve um erro material. Houve apenas a adoção pura e simples do julgado do STJ, nos termos do disposto no artigo 62A do RICARF. A alteração postulada equivaleria a uma alteração de entendimento, um verdadeiro juízo de retratação, o que, em âmbito de Embargos de Declaração, sobejamente sabido, não se admite. Os Embargos de Declaração não são dotados do chamada efeito regressivo, aquele que permite ao órgão julgador rever a decisão recorrida, por ele próprio prolatada. Devese ressaltar, neste sentido, que a decisão que julga os Embargos de Declaração, conforme a melhor doutrina, tem a mesma natureza da decisão embargada. Isso porque o escopo deste recurso é justamente integrar o julgado embargado, em vista de algum vício que lhe acarrete alguma mácula. Neste sentido, a seguinte passagem de Fredie Didier Jr. e Leonardo José Carneiro da Cunha: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 8 “Não custa repetir que o ato judicial que decide os embargos de declaração ostenta a mesma natureza daquele que foi objeto dos aclaratórios. Assim, opostos os embargos, por exemplo, de uma sentença, eles serão decididos por nova sentença. Na verdade, as duas sentenças devem ser somadas, perfazendose uma só, justamente porque os embargos têm, como se viu, aquele efeito de integrar ou complementar o julgado anterior” 1. O fato de a Embargante não se conformar com o entendimento fixado no acórdão não lhe permite que se utilize dos Embargos de Declaração para, por via transversa, ver alterado aquele entendimento. Seria o mesmo que perpetrar um novo julgamento, o mesmo que alterar o entendimento anterior, em verdadeiro juízo de retratação. Repisese que eventual modificação da decisão embargada somente é possível, em sede de julgamento dos Embargos de Declaração, quando decorrência necessária da supressão de uma dada omissão (o que claramente não ocorreu), aclaramento em face de alguma obscuridade, ou correção de uma contradição. Sem a existência de qualquer um desses vícios, não há meios de alteração da decisão, quanto mais quando patente que os Embargos de Declaração foram manejados com o objetivo específico de se ver reformada a decisão embargada, no que tange ao entendimento nele fixado. Tenhase por presente que o embargante, além de alegar a ocorrência de erro material na declaração decadência, também suscitou a configuração de omissão no julgado, sem, contudo explicitar qual teria sido tal omissão. Omissão, ensejadora da oposição de embargos de declaração, constituise no não enfrentamento, por parte do órgão julgador, de matéria ou questão que deveria necessariamente ser considerada para a decisão do caso. Ora, conforme se depreende dos termos expressos do acórdão embargado, no que tange à aplicação do artigo 173, inciso I, à hipótese, temse a seguinte passagem, que transcrevo: “Neste sentido, é de se ter que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial será regido pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, no caso de não ter havido o pagamento antecipado do tributo por parte do contribuinte. Ocorre que há de ser observado que no julgamento citado do Egrégio Superior Tribunal de Justiça restou expresso que o prazo decadencial passa a ser computado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao do fato imponível. Observese que o artigo 173, I dispõe que o prazo deve ser computado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como efeito prático da adoção do julgamento do STJ em recurso repetitivo, está que para os casos de Imposto sobre a Renda, o entendimento é que o prazo decadencial, começou a fluir já em 1° de janeiro de 1999, uma vez que o fato gerador do IRPF ocorreu dia 31.12.1998. Desta feita o prazo decadencial começou a correr em 1/1/1999 e terminou em 21/12/2003. A 1 JR. Fredie Didier; DA CUNHA, Leonardo Carneio. Curso de Direito Processual Civil. Meios de Impugnação às Decisões Judiciais e Processo nos Tribunais. Vol. 3. 9° edição. Salvador: juspodivm. p.202 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10283.006497/200436 Acórdão n.º 920202.095 CSRFT2 Fl. 5 9 intimação pessoal ocorreu em novembro de 2004, de tal maneira, que sob a égide deste entendimento, ocorreu a decadência” Não houve, pois, qualquer omissão, de sorte que não há como modificarse a decisão embargada. Cumpre citar, aqui, passagens jurisprudenciais colhidas no âmbito do Supremo Tribunal Federal sobre o tema dos Embargos de Declaração, e o seu manejo com finalidade unicamente modificativa (e não de integração) da decisão embargada. O Ministro Celso de Mello do STF, nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 629.2261RS, manifestouse no seguinte sentido: “Como se sabe, os embargos de declaração destinamse, precipuamente, a desfazer obscuridades e a suprir omissões que eventualmente se registrem no acórdão proferido pelo tribunal. Essa modalidade recursal só permite o reexame do acórdão embargado, quando utilizado com o específico objetivo de viabilizar um pronunciamento jurisdicional de caráter integrativoretificador, vocacionado a afastar as situações de obscuridade, omissão ou contradição, e a complementar e esclarecer o conteúdo da decisão proferida. Desse modo, a decisão recorrida que aprecia, como no caso, com plena exatidão e em toda a sua inteireza, determinada pretensão jurídica não permite o emprego da via recursal dos embargos de declaração, sob pena de grave disfunção jurídico processual dessa modalidade de recurso, eis que inocorrentes, em tal situação, os pressupostos que justificariam a sua adequada utilização. O exame dos autos evidencia que o acórdão ora embargado apreciou, de modo inteiramente adequado, as questões cuja análise se apresentava cabível em sede de agravo regimental, não havendo, por isso mesmo, qualquer vício a corrigir, mesmo porque os fundamentos em que se apoiou a decisão objeto do presente recurso revelamse plenamente suficientes para desautorizar a pretensão jurídica deduzida pela parte ora embargante” Em outro caso (AI 401.520AgRED), também no âmbito do Supremo Tribunal Federal, à semelhança do que ocorre aqui, o embargante sustentou a ocorrência de omissão, na medida em que o acórdão embargado “deixou de conferir a melhor interpretação ao artigo 150, inciso VI, a da Constituição, no sentido de que a imunidade tributária também seria aplicável às demais espécies tributárias”, bem como em relação à “possibilidade de aplicação imediata da norma que previa isenção de custas aos municípios (Lei 10.537/2002)”. No caso, o embargante suscitou, também, a ocorrência de erro material no acórdão embargado, “pois teria equiparado os fenômenos normativos da isenção e da imunidade”. O Ministro Joaquim Barbosa decidiu que: “O acórdãoembargado examinou as questões que lhe foram postas no agravo regimental, de modo a aplicar a orientação firmada por esta Corte no sentido da inaplicabilidade da Fl. 9DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 10 imunidade recíproca à espécie tributária taxa e à inaplicabilidade de norma de isenção à espécie. Também não há o alegado erro material, na medida em que o acórdãoembargado tãosomente concluiu que, anteriormente à criação da hipótese de isenção, não havia exoneração do tributo por força da imunidade tributária (...) Conforme sólida jurisprudência desta corte, os embargos de declaração somente podem ter efeitos modificativos em virtude do acolhimento da alegada existência de omissão ou contrariedade, circunstâncias ausentes no caso”. No caso, o embargante também teve por objetivo alterar a decisão embargada em seus fundamentos de direito, o que foi obviamente rechaçado pelo Ministro Joaquim Barbosa. Pois bem, diante de tudo isso, considerando que: a) não houve qualquer omissão no acórdão embargado; b) que o indigitado erro material, em verdade, no entendimento do recorrente, constituise em erro de julgamento (de direito); c) que erro material não é objeto de embargos de declaração, mas sim de simples requerimento, justamente porque não pode levar à alteração dos fundamentos da decisão; d) que, em sede de embargos de declaração, a modificação da decisão somente pode ocorrer como decorrência lógica e necessária da supressão de omissão, aclaramento de obscuridade, ou solução de contradição, não podendo, em hipótese, alguma, ocorrer sem que ao menos uma dessas hipóteses de cabimento se faça presente; e) que a alteração do entendimento de direito fixado na decisão embargada, no julgamento dos embargos, implicaria em indevido juízo de retratação; Diante de todas estas considerações, rejeito os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 10DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10283.006497/200436 Acórdão n.º 920202.095 CSRFT2 Fl. 6 11 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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